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A CAPITAL DA PAZ Na semana em que completa 57 anos, Brasília agrega mais um título à sua lista de qualificações: o de Capital Ibero-Americana da Paz. Rollemberg foi a Madri, na Espanha, receber o prêmio. PÁGINAS 2 e 3

CADERNO ESPECIAL Brasília, abril de 2017 bsbcapital.com.br


Brasília é paixão. Nascer, morar e viver aqui é um privilégio. No dia em que a Capital completa 57 anos, cada um de seus filhos e moradores festeja. Mais que isso: agradece por ser um de seus três milhões de habitantes. Nesta data, não valem referências aos problemas, deficiências e demandas desta cidade ainda tão jovem. Nada disso. Ao completar 57 anos, queremos apenas e tão-somente festejar sua existência e agradecer por tudo de bom que ela nos “Ao completar 57 proporciona. anos, queremos Estamos unidos apenas e tãona imensa alegria de estar aqui. somente festejar Vamos celebrar, em sua existência e uníssono, a plenos pulmões, com um agradecer por tudo “Parabéns Pra de bom que ela nos Você!”. proporciona” Se alguma ponta de realidade escapar, será para pedir desculpas por algum mau-trato, pelo crescimento desordenado da população muito acima do que foi projetado por seus idealizadores e pelas agressões ao seu meio-ambiente. Mas hoje é dia de festa. É aniversário de nossa Brasília. Vamos abraçá-la e sentir o seu abraço caloroso de mãe-irmã. E nesse entrelaçamento deixála escutar nosso coração dizer, em alto e bom som: Parabéns, Brasília. Nós te amamos!

expediente Diretor Comercial Júlio Pontes Diretor de Redação Orlando Pontes

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ABRIL 2017

Diretor de Arte Gabriel Pontes

Gabriel Jabur/Agência Brasília

Parabéns, Brasília Nós te amamos!

Praça da Paz, no Parque da Cidade

um prêmio pela paz Gabriel Pontes Brasília é a Capital Ibero-Americana da Paz. O prêmio foi entregue na quarta-feira (19) ao governador Rodrigo Rollemberg em Madri, na abertura do Primeiro Fórum Mundial sobre as Violências Urbanas e Educação para a Convivência e a Paz. A cidade foi escolhida em reconhecimento pela adoção

de uma cultura de paz e por políticas públicas contra a violência, tendo como carro-chefe o programa Viva Brasília – Nosso Pacto Pela Vida. A honraria, referente ao biênio de 2017 e 2018, também foi concedida a Madri por ter tido a iniciativa de debater o tema. “É o reconhecimento a um esforço de promover a cultura

da paz na nossa cidade”, comemorou Rollemberg, após receber a comenda. Contou para a escolha da capital brasileira a forte presença diplomática na cidade, sem que haja contexto de xenofobia — que é a aversão e o temor a pessoas e valores estrangeiros. Organizado por um comitê internacional, formado pela


prefeitura de madri/divulgação

Rodrigo Rollemberg

ço e trabalho para que a cada dia estejamos mais próximos dessa cultura de tolerância e paz. Sei que não está ainda do jeito que a gente quer, mas meu esforço é diariamente voltado para ouvir quem vive a realidade do DF, entender os problemas e fazer acontecer todos os avanços necessários para chegarmos num ponto ideal”, escreveu Rollemberg em seu perfil no Facebook. Márcia de Alencar – Principal responsável pela estratégia da segurança pública do Distrito Federal nos primeiros dois anos de governo Rollember, a ex-secretária Márcia de Alencar disse que está “cheia de orgulho, mas sem remorsos” por não estar mais comandando a Pasta. Ela declarou ao Brasília Capital que em qualquer circunstância sempre defenderá – e sabe que esta é a postura do governador – a estratégia de construir uma cultura de paz, contra todo tipo de racismo, xenofobia, violência contra a mulher e da violência contra LGBT. “Este é um reconhecimento que as estratégias tradicionais de combate à violência jamais atingiriam”, comemora a atual secretária-adjunta de Políticas para as Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos do Governo de Brasília.

União das Cidades e Capitais Ibero-americanas (UCCI), além de órgãos como as prefeituras de Madri, de Barcelona e de Paris, o fórum reuniu, até sexta-feira (21), governos locais, organismos internacionais e a sociedade civil para repensar temas relacionados à violência urbana. “Batalhamos muito até aqui para melhorar os índices. Tor-

Críticas – Enquanto esteve à frente da SSP, Márcia sofreu duras críticas de corporações poderosas, como as polícias Civil e Militar. Avessa à máxima “bandido bom é bandido morto”, ela defende políticas integradas de segurança e pequenas iniciativas em prol do bem-estar social, como a iluminação de vias públicas e a patrulha preventiva da Polícia Militar.

“É o reconhecimento a um esforço de promover a cultura da paz na nossa cidade”

A prefeita de Madri, Manuela Carmena, e o governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg, receberam o Prêmio de Capital Ibero-americana da Paz

Tony Winston/Agência Brasília

Ex-secretária de Segurança, Márcia de Alencar, se sente “mãe” do projeto de paz social premiado em Madri

Pedro Ventura/Agência Brasília

Brincadeira infantil. Inocência como símbolo da convivência pacífica ABRIL 2017

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lula marques/olhares bsb

Um sonho de cidade Zilta Marinho

“Deste Planalto Central, desta solidão que em breve se transformará em cérebro das altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu país e antevejo esta alvorada com fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino” Juscelino Kubitschek

Essas palavras de Juscelino Kubitschek, registradas no Museu da Cidade na Praça dos Três Poderes, refletem não só seu desejo e sua crença no futuro do Brasil, mas o sonho de todos aqueles que para cá vieram com esperança e espírito empreendedor. Foi grande a luta para a construção da capital no centro do país. Nascida de uma necessidade de posicionamento estratégico para o desenvolvimento e proteção do País, Brasília havia sido pensada muito antes de JK. Desbravadores, como os da Missão Cruls, cruzaram essas terras de árvores tortas e clima seco sob um céu esplendoroso. Num gesto primário em cruz, como que marcando o local do sonho de Dom Bosco, dois eixos dariam forma ao avião prestes a decolar, ou, como disse Lúcio Costa ao traçá-los: “dois eixos cruzando-se em ângulo reto, ou seja,

o próprio sinal da cruz”. A construção - Conta o jornalista e historiador Adirson Vasconcelos que Juscelino vinha à futura capital toda semana verificar o andamento das obras: “O tempo da construção de Brasília foi muito feliz, de muita amizade. Ninguém tinha família aqui. Um dependia do outro. Tínhamos aqui umas 40, 50 construtoras. Trabalhava-se dia e noite.

A noite só se via aquelas luzinhas de gambiarra. O presidente Juscelino costumava pegar um Jeep da Novacap e ia madrugada adentro visitando tudo que era obra e acampamento. Eu acompanhava tudo. Era fã do presidente e daquela obra. Nós estávamos aqui construindo uma capital para o Brasil. O que vivi aqui transformou o meu ser, a minha alma”. (veja entrevista em https://goo.gl/2pO5Hf )

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Do início do sonho aos 57 anos, a cidade foi palco de lutas e decisões. Jânio Quadros, ao renunciar, em 1961, não sabia que anos difíceis viriam. Seu sucessor, João Goulart, foi deposto e exilado no Uruguai. O céu azul se fez turvo e, por 21 anos, a alvorada era ao toque de cornetas e continências. Sem escolha, brasileiros foram presos, mortos, perseguidos, exilados. Houve melhorias de infraestrutura, mas a liberdade, condição essencial numa democracia, era relativa. O sonho se consolida - O sonho era mais forte, e um civil subiu a rampa do Planalto. Chegava gente nova. Tinha governador, não mais prefeito. Ao redor cresciam mais

arquivo pessoal

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Palco da história política do país cidades que satélites. Hoje, com menos árvores tortas e mais ipês, uma crise hídrica, Brasília continua testemunha de acordos e conchavos políticos, mas curte filhos queridos como Renato Russo e Cássia Eller. O ex-governador José Aparecido de Oliveira levou à ONU a obra de Niemeyer, Lúcio Costa e dos candangos, tornando Patrimônio da Humanidade o fruto da audácia de Juscelino e sonho de Dom Bosco. Essa jovem senhora de 57 anos não gosta de quem vem pra cá e não ajuda a construir um país melhor. Mas é sempre bom lembrar que no dia 21 de abril o sol nasce entre os dois prédios do Congresso Nacional, renovando a esperança em dias melhores a cada nova alvorada.


Toda vez que nasce uma criança, nasce algo novo na gente. É mais que um sentimento, é uma certeza. De que naquela criança a gente tem uma chance de se reinventar. É isso: quando nasce uma criança, nasce uma chance. De olhar no olho do outro e se reconhecer. De criar laços afetivos pelo simples fato de sermos diferentes e notar que ser diferente do outro é justamente o que nos faz únicos. Hoje, bem aqui, nasce uma chance. Da gente se olhar, se reconhecer, se reinventar. Juntos. Como quem brinca no parque, como quem sente frio na barriga porque vai descobrir algo novo, como quem descobre que não é a gente que faz parte desse lugar, é esse lugar que mora na gente. Hoje, bem aqui em Brasília, temos essa chance de nascer junto com cada criança. De transformar esse lugar que nos habita. De aproveitar que estamos juntos nesse lugar, e nesse espaço de tempo, e fazer com que o horizonte que se enxerga lá fora, todos os dias, exista também dentro da gente. Hoje é dia de criar novos horizontes. Para quem já estava aqui, para quem acabou de chegar, para quem ainda nem nasceu. Bem-vindo a um tempo novo. Bem-vindo a Brasília, Capital Criança. criancacandanga.df.gov.br


Carta a Brasília, minha irmã caçula Chico Sant’Anna

Quando você nasceu, eu já dava os primeiros passos, aqui mesmo, no Planalto Central. Crescemos juntos, Brasília, como se você fosse minha irmã caçula. O Lago Paranoá começava a encher, para te dar um clima mais ameno, e eu já estava aqui. Assisti a Gilda e a Pioneira, às primeiras lanchas a navegar em suas águas. Fizemos muitas pescarias juntos, mas só dava cará. Só depois apareceram os tucunarés. Foram surgindo as quadras, muitas com recursos dos institutos previdenciários IAPB, IAPC, IAPETEC, IPASE. Tinha as do Banco do Brasil, da Marinha, da Aeronáutica, Câmara dos Deputados, da Fundação da Casa Popular. Jânio quis acabar com a Cidade Livre. Transferiu os comerciantes e moradores para a Asa Norte. Você resistiu. Jânio caiu, graças às forças ocultas. Permaneceu o Núcleo Bandeirante e a Asa Norte deu os primeiros passos. Da Invasão do IAPI, dos Mor-

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ros do Querosene e do Urubu, das Vilas Tenório, Esperança, Bernardo Sayão, Curral das Éguas e Placa das Mercedes, vi você gerar Ceilândia, parte dela na antiga Fazenda Guariroba. Dai o nome de Guariroba àquele setor na parte sul da cidade. Ganhaste contornos de adolescente, de menina moça. Consolidaram-se suas ruas, quadras e avenidas. As áreas verdes deram-lhe forma. Nelas, me botastes pra correr várias vezes, com os “graminhas”, que impediam jogos de bola. Quando a W4 e a W5 Sul ganharam asfalt,o eu lá brincava entre os tratores. As máquinas eram nossos play-grounds. Caminhão era balanço, e trator, gangorra. Brasília, te vi ganhar corpo: sua L.2 foi duplicada, as W3 Norte e Sul interligadas. Mais tarde, nasceu o Parque da Cidade. Nem tinhas completado quatro anos de vida e os tanques do Exército tomavam suas ruas. Trafegaram pela W4. Pensei que era parada

cívica. Estacionaram nos gramados do Congresso, onde hoje abrigas festas e shows. Em 1968, em seu oitavo aniversário, militares entram na UnB. E sem vestibular. Secundaristas marcharam pela W3, do Elefante Branco à 710, onde funcionavam o Usis e a Thomas Jefferson.A UnB invadida revelava lideranças como Honestino e já se destacava nacionalmente na luta pela democracia. Cultura - Nosso teatro era o da Escola Parque. Depois, Galpão e Galpãozinho, e tinha o Cine Cultura. Era o seu “triângulo cultural”. Tudo ali, na 508 e 507 Sul. Festival de Cinema assistíamos no Cine Atlântida e, claro, no Cine Brasília. Pelas suas ruas, curtimos as 24 horas de Brasília, com a curva do paredão da rodoviária. A Loteria Esportiva ainda nem existia e já torcíamos pelo Rabelo, pelo DFL (Defelê), pelo Ceub, nas arquibancadas do Pelezão e, depois, no primeiro

“Nosso teatro era o da Escola Parque. Depois, Galpão e Galpãozinho, e tinha o Cine Cultura. Era o seu “triângulo cultural”

Mané Garrincha. Em 70, lotamos as ruas e a Praça dos Três Poderes para comemorar o Tri. Brasília, vi que, ao longo desses anos, perdeste parte de suas raízes. Seu comércio pioneiro – Solomaq, Moplan, Itabrás, Serve Bem, BiBaBô, Fofi... – desapareceu. Lanchonetes como a Kibon, na Rua do Hospital Distrital, Flamingo, Santa Clara, e até mesmo o Chaplin, no Cine Karin, não resistiram. Seus construtores, verdadeiros desbravadores – Kosmos


arquivo pessoal

lula marques/olhares bsb

O menino que aparece na foto de 1963, é o autor do texto, que está em Brasília desde abril de 1958

“nunca perdeste a combatividade. Mesmo sob o regime dos generais, comandaste o coral ‘Como Pode o Juscelino Viver Fora de Brasília’”

Engenharia, Rabelo, Eldorado, Pederneiras e tantas outras – não resistiram às crises econômicas que o Brasil atravessou e deixaram de colocar mais um tijolo na sua história. Minha irmã Brasília, nunca perdeste a combatividade. Mesmo sob o regime dos generais, comandaste o coral uníssono do “Como Pode o Juscelino Viver Fora de Brasília”, quando aqui os militares não queriam que seu pai fosse enterrado. Em 77, seus universitários

voltaram a reivindicar liberdades democráticas. A irreverência crítica nos levou a fundar o Pacotão e, com sua obstinação cívica, fomos juntos às ruas brigar pela sua autonomia política, Diretas-Já, Constituinte. Pintamos nossas caras e derrubamos um presidente que nos enganou. Mobilizamo-nos para afastar um governador que nos ultrajou. Você, menina moça, passou a ser cada vez mais cobiçada. Mas nada de relacionamento sério. Essa turma, que chegou depois, só queria “ficar” e depois cair fora com o bolso cheio. No lugar dos engenheiros desbravadores, comprometidos com o seu futuro, brotaram as ervas daninhas da especulação imobiliária. Cidade-Parque - Brasília, minha irmã caçula, o tempo passou e foram muitas as transformações. Mas nós dois continuamos aqui, juntos. Hoje, já com o grisalho nos cabelos, me preocupo com suas artérias entu-

Além do seu povo, Brasília tem no céu uma de suas maiores belezas. Os tons variam do roxo ao amarelo. “É o nosso mar”, dizem os candangos pidas. Quase sessentona, estás além do peso. Superas os três milhões de habitantes, e não paras de engordar. A proposta de cidade-parque, sem poluição, com qualidade de vida, vem sendo abandonada. Ninguém pensa em te preservar, em te modernizar. Insistem em mais e mais aglomerados urbanos. Querem até “relotear” aquele modelito, o Plano Piloto, que Lúcio Costa desenhou pra você. Transporte, só carro individual e ônibus superlotado. Nada de metrô, VLT e trem para as cidades mais distantes.Para aguentar tanto trânsito, recantos bucólicos, que marcaram nossa trajetória, como o Balão do Aeroporto, desapareceram. Desculpe a sinceridade, Brasília, minha irmã caçula, mas embora estejas com apenas 57 anos, a idade já te afeta. Sua cor já não é mais aquele verde dos gramados, das áreas verdes. Prevalece o cinza do concreto e o negro do as-

falto. Seu horizonte, seu céu com tons que variam do roxo ao amarelo, já é recortado por prédios de até 30 andares. O que estão fazendo contigo, querida Brasília? Reaja, minha irmã! Nossos filhos e netos não mais podem brincar debaixo dos blocos, nem ir a pé para o colégio. Passear nas ruas e quadras após o escurecer é tentativa de suicídio. A Água Mineral está prestes a ser privatizada, e quem for ao Tororó corre o risco de lá não encontrar água, mas sim uma cidade chamada OKlândia. Saúde - Brasília, prestes atenção à sua Saúde, minha irmã! Ela já foi exemplo nacional, mas hoje nos envergonha. Precisas de mais educação. Não só nas escolas, mas também no dia a dia. Tua violência nos assusta. E

pensar que quando éramos jovens as casas não tinham cercas nem grades! Brasília, posso parecer um irmão chato, mas saibas que eu e muitos outros que contigo crescemos estamos de cabelos em pé. Não caia sno discurso fácil do descaminho. Seja aquela Brasília que todos aprendemos a amar e a defender. Quando diziam que você era fria e sem esquinas, éramos os primeiros a levantar a voz em sua defesa. E hoje, mais do que nunca, no seu aniversário, estamos aqui, para, juntos, cantar parabéns pra você e te desejar vida longa. Brasília, minha querida irmã caçula! Jamais te esqueças de que estás entre amigos que te amam e te querem cada dia melhor. Feliz Aniversário, Brasília!

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Jornal Brasília Capital 308 - Caderno de Brasília  

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