Quinta-feira, 27 de abril de 2017
1625
Show relembra clássicos do rock gaúcho Nei Van Sória tocou ontem no CTC as canções que marcaram sua carreira nos anos 80 PAULA THOMAS/ENTRE A GENTE COMUNICAÇÃO
O importante para mim é continuar compondo
Além das canções clássicas, Van Sória também apresentou algumas novidades dos discos mais recentes
Lajeado
U
m dos ícones da cena do rock gaúcho, Nei Van Sória subiu ao palco do CTC na noite de ontem para apresentar um show repleto de clássicos. As músicas compostas por ele em parceria com a chamada “turma do Bom Fim”, bairro que concentrava a boemia porto-alegrense na década de 80, marcaram gerações de artistas e fãs. Mesmo tendo participado de duas das principais banda gaúchas, e ainda preso aos clássicos em seus shows, Van Sória trabalha para não viver apenas do saudosismo. Desde que iniciou a carreira solo, o músico lançou oito discos, sempre com músicas inéditas. O último trabalho foi o álbum Luve, lançado em 2015, no qual o amor foi o prin-
cipal tema. Para este ano, ele trabalha em três novos discos e o primeiro a ser lançado será Neblina, o qual já teve duas canções disponibilizadas nas redes sociais do artista. Diferente do disco anterior, Van Sória prepara um mais engajado e “panfletário”, como ele mesmo define. Essa postura é bem diferente das primeiras composições, quando Van Sória compôs canções mais irônicas e intimistas, especialmente ao lado do parceiro Flávio Basso, o Júpiter Maçã. Van Sória atribui a mudança de postura à idade e ao momento político vivido no país nas duas épocas. “Naquela época ainda tínhamos censura, as músicas precisavam passar por um escritório para ser aprovadas. O que mais queríamos naquele
momento era festa, era nos libertar e poder falar barbaridades sem estar preocupado em ser censurado.”
Fim de uma richa No outro trabalho, previsto para ser lançado ainda este ano, Van Sória promove um encontro que seria inusitado na época em que o rock gaúcho começava. O disco de duetos trará entre os convidados Humberto Gessinger, ex-líder do Engenheiros do Hawaii. “Na época o Alemão (Gessinger) era o alvo principal de chacota porque ele não era da mesma cena.” As arestas dos início da carreira deram lugar a uma grande admiração. “Acho que ele é o maior artista gaúcho de todos os tempos, em termos de repercussão, de público e de pessoas que seguem ele.” No trabalho,
No trabalho solo, você sempre apostou em canções originais, sem recorrer muito a regravações da época do Cascaveletes e TNT. Qee impactos essa atitude trouxe para sua carreira? Nei Van Sória - A história de ter mais repercussão com o público depende de muitos fatores, isso não é algo que realmente me preocupe. Em outros momentos da carreira isto já foi mais importante para nortear algumas ações. O importante para mim é continuar compondo, seguir produzindo, isto é algo importante para minha sanidade mental. Eu faço primeiro para mim, é uma necessidade que tenho de produzir e colocar essa música para fora. Tendo pessoas que curtem é muito bacana, sejam 200 ou duas mil. A cena do rock gaúcho está em um período menos barulhento, existe produção, mas não conhecemos tanto. Ao que
Van Sória refuta mais uma vez a ideia de viver apenas de sucessos do passado. “Ao contrário de duetos tradicionais que fazem regravações, a ideia é trazer novas composições. Eu sentei com cada um dos convidados e fiz
você atribui isso? Van Sória - Vejo muito envolvimento e muita produção acontecendo, eu acho que pouco disso chega ao público. Tem muita coisa nova sendo feito, mas acho que existe uma dispersão muito grande de como isso vai para fora e chega nas pessoas, e isso dá uma sensação que não existe um movimento, uma unidade que congregue, algo efervescente que esteja acontecendo em Porto Alegre. Até por isso estou organizando o festival, que tem o objetivo de recriar essa música que chamamos de rock gaúcho, que misture os mais antigos com o pessoal das antigas com a nova e a novíssima geração, afinal, desde a década de 80 passaram mais
uma música nova.” Outro projeto para este ano é o Festival Rock Gaúcho - Edição Independência, previsto para setembro. A ideia é aproximar as diversas gerações da música produzida no estado.