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26ª Edição - O Pilão

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Editorial

Ficha Técnica Caros leitores,

O Pilão é a revista informativa do Núcleo de Estudantes de Farmácia da Associação Académica de Coimbra.

Direção Editorial Ana Margarida Ribeiro e Bruno Sequeira

Grafismo e Paginação Ana Margarida Ribeiro e Bruno Sequeira

Redação Ana Margarida Ribeiro, Ana Raquel Fernandes, Bruno Sequeira, Camila Rodrigues, Carla Almeida, Carolina Vinagre, Catarina Batista, Helena Pinto, Iara Pratas, João Cotovio, João Leitão, Lúcia Parente, Patrícia Oliveira, Rita Pereira e Veronica Resende.

Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra Polo das Ciências da Saúde Azinhaga de Santa Comba 3000-548 Coimbra

nefaac.pt /opilao.nefaac opilao@nefaac.pt @opilao.nefaac

É com um enorme gosto e sensação de dever cumprido que apresentamos a 26ª edição d’O Pilão, a revista do Núcleo de Estudantes de Farmácia da Associação Académica de Coimbra (NEF/AAC). Nesta 26ª edição, continuámos o trabalho em equipa que tem vindo a ser desenvolvido ao longo dos últimos meses, no sentido de proporcionar aos nossos leitores uma experiência agradável e levar até estes temas que sejam do seu interesse e que, ao mesmo tempo, se revelem pertinentes para o panorama farmacêutico. Para a Grande Entrevista, tivemos a honra de poder entrevistar a atual bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, a Professora Doutora Ana Paula Martins, a quem agradecemos toda a disponibilidade, amabilidade e prontidão. Na habitual rubrica “Na sombra de…”, contámos com a Professora Doutora Ana Cláudia Santos, que nos revelou alguns detalhes sobre o seu percurso académico e nos falou sobre a sua vida profissional e os projetos de investigação que atualmente desenvolve. O “Espaço Pedagógico” desta edição, intitulado “Viagem Pedagógica”, ficou a cargo do pelouro da Pedagogia e do pelouro das Relações Internacionais. Através do testemunho de três estudantes da nossa Faculdade que participaram no Programa Erasmus+, poderás ficar a perceber melhor o funcionamento pedagógico do curso de Ciências Farmacêuticas noutros países. O pelouro da Intervenção Cívica e Social também elaborou a sua habitual rubrica “NEFAgir”, na qual deram a conhecer o projeto de voluntariado Missão País 2020, através de uma entrevista a dois estudantes da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra. Como se aproxima o final do mandato 2019/2020 do NEF/AAC, contamos também com a participação da Francisca Gonçalves, Presidente deste que é o Núcleo mais antigo da academia, que nos faz um balanço de todo o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido por si e por toda a sua equipa, desde a tomada de posse em maio de 2019. Fazem ainda parte desta edição algumas das atividades mais marcantes que foram desenvolvidas pelo NEF/ AAC nos últimos meses, tais como o I Coimbra Twinnet ou IV Honoris Pharma. Por último, não podemos deixar de agradecer a todas as pessoas que contribuíram para o enriquecimento desta 26ª edição, nomeadamente: à Prof. Dra. Ana Cláudia Santos, à Prof. Dra. Ana Paula Martins, à Ana Dias, à Beatriz Duarte, à Francisca Gonçalves, ao Guilherme Monteiro, ao Jaime Oliveira, ao João Simão, à Maria Aquino, à Mariana Cupido, à Tânia Alves, ao Tomás Oliveira, à Yasmin Almeida e a todos os pelouros do NEF/AAC pela disponibilidade que demonstraram em colaborar na elaboração dos textos referentes às atividades por eles dinamizadas. Deixamos ainda um agradecimento especial ao pelouro da Intervenção Cívica e Social, ao pelouro da Pedagogia e ao Pelouro das Relações Internacionais pela disponibilidade demonstrada na execução das suas rubricas fixas. Votos de excelentes leituras! A equipa d’O Pilão


ÍNDICE 4 | Balanço do Mandato do NEF/AAC 6 | IV Honoris Pharma 8 | I Coimbra Twinnet 10 | Voluntariado Pontual 12 | Estágios de Verão 14 | Grande Entrevista à Doutora Ana Paula Martins - Bastonária da Ordem dos Farmacêuticos 18 | NEF AGIR: Missão País Coja 2020 21 | Corrida Solidária NEF/AAC 22 | Espaço Pedagógico: Viagem Pedagógica 25 | Na sombra de Ana Cláudia Santos 29 | VI Jornadas das Saídas Profissionais 30 | Capas Negras de Memórias 31 | III Expressa-te 32 | Agenda Formativa

NÚCLEO DE ESTUDANTES DE FARMÁCIA DA ASSOCIAÇÃO ACADÉMICA DE COIMBRA geral@nefaac.pt

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Balanço do mandato 2019/2020 Volvido mais de um ano desde o início do mandato, muitas são as memórias, as atividades e também os desafios superados. Esta foi uma aventura que começou com uma missão muito específica: fazer mais e melhor por todos os alunos representados pelo NEF/AAC, estando cientes da responsabilidade de gerir um Núcleo com mais de trinta e três anos de história. O mandato iniciou-se com uma equipa motivada e pronta a iniciar o trabalho a que se tinha comprometido. Desde logo sabíamos que, tendo o estudante como centro de ação, era necessário atender às suas necessidades, nomeadamente a nível profissional da realidade internacional e pedagógica. No que concerne às Relações Internacionais, é do conhecimento do Núcleo que o estudante da FFUC sempre apresentou um espírito curioso e audaz, onde o interesse por realidades diferentes das que já vivenciou fez com que este desenvolvesse uma contínua procura por mais conhecimento e por novas áreas de saber que emergem a nível nacional. No entanto, para muitos destes, a realidade da saúde a nível internacional é algo distante e de difícil acesso pelos mais variados motivos. Assim, notou-se uma necessidade de abrir horizontes, de dar a conhecer aos estudantes o que se passa além-fronteiras, tornando-se inevitável a criação de uma estrutura que combatesse esta lacuna, o TWINNET. Este foi realizado em Novi Sad, Sérvia, onde os estudantes vivenciaram uma realidade ímpar, sendo que todos consideraram a experiência muito positiva. Este programa de mobilidade, acessível a todos os alunos da Faculdade (Licenciatura em Ciências Bioanalíticas, Licenciatura em Farmácia Biomédica e Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas), organizado em colaboração com a European Pharmaceutical Students’ Association (EPSA), permitiu que todos os participantes contactassem com diferentes perspetivas de trabalho laboratorial, com diferentes conteúdos pedagógicos e também que conhecessem novas culturas. A valorização pessoal do Estudante e o auxílio na promoção da descoberta de novas visões sempre foi um mote pelo qual este Núcleo se orientou.

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Atualmente, o espírito competitivo e exigente característico do mercado de trabalho é cada vez mais notório, o que tornou premente a necessidade de melhorar e capacitar os estudantes de valências e ferramentas apropriadas para a sua distinção no futuro. Aproximar os alunos do mercado de trabalho, do empregador e do setor desejado foi uma das metas deste mandato. A Feira de Emprego contou com a presença de mais de 10 entidades do setor farmacêutico em diferentes stands, mas também teve sessões complementares, o workshop de Curriculum Vitae e Carta de Motivação e uma simulação de Entrevista, permitindo o despertar do espírito empreendedor dos estudantes da FFUC e fomentando a formação de uma relação frutífera para a comunidade estudantil. O contacto cada vez mais recente na vida académica do estudante com entidades e outras áreas do setor da saúde, como a indústria, a investigação ou as análises clínicas, foi perentório, pois só com consciência do que é procurado e valorizado nos diversos setores é possível evoluir. O NEF/AAC continuou a apostar numa melhoria da qualidade pedagógica dos cursos ministrados na FFUC, pois é imprescindível a contínua luta pela garantia de um ensino de excelência, que nos tempos que correm foi, é e será um pilar essencial. Para isso, foi feito um levantamento da opinião dos estudantes, nomeadamente no que diz respeito à facilidade de acesso aos Meios Digitais e à avaliação alternativa aos métodos presenciais. Isto só foi exequível com a aproximação às Comissões de Curso e aos Órgãos de Representação dos Estudantes e com uma auscultação dos diferentes problemas que envolvem cada curso ministrado nesta Faculdade.

Desde o início da suspensão das aulas que tínhamos noção que várias atividades iriam ficar por realizar, uma vez que não seria exequível a sua realização à distância. No entanto, a Direção reuniu para averiguar quais as atividades que poderiam ver os seus moldes mudados, de forma a promover a sua adaptação à nova realidade virtual. Para isso, incentivámos todos os Coordenadores a pensar fora da caixa, permitindo levar essas atividades até aos estudantes. Os nossos estudantes sempre foram muito participativos nas atividades do NEF/AAC, pelo que foi premente continuar a reinventar as mesmas e fazê-las chegar até eles, sendo o formato mais recorrente a divulgação de informações e vídeos nas redes sociais do NEF/AAC, mas também a realização de webinares. Foi feita a divulgação de datas importantes para os profissionais de saúde, como o “Dia Nacional do Dador de Sangue” ou o “Dia Mundial da Saúde”, mas também de objetivos de quarentena com dicas de estudo e gestão de tempo e até técnicas de Debate e Argumentação. Urgiu também a necessidade de criar atividades de forma colmatar aquelas que, infelizmente, foram canceladas. O ciclo de webinars “Healthcare around the World” foi uma destas, onde foi possível trazer testemunhos de farmacêuticos de todos os continentes, salientando-se a presença da Vice-Presidente da International Pharmaceutical Federation (FIP), Eeva Terasalmi. Realizámos também um training em Design Thinking, de forma a dar aos estudantes algumas valências em soft skills, e o “Workshop de Capa e Batina”, onde os estudantes de 1º ano tiveram oportunidade de ver esclarecidas as suas dúvidas relativamente ao uso do traje e tradições Coimbrãs. Em suma, enfrentar o desconhecido e descobrir novos caminhos são desafios que qualquer Dirigente Associativo enfrenta, pelo que estas adaptações foram mais um teste na versatilidade de todos os elementos da Direção do NEF/AAC. Trabalhar lado a lado com o estudante efetivando a sua evolução pessoal, profissional e pedagógica foi o objetivo que nos comprometemos a alcançar, estimando o legado que caracteriza esta casa, a mais antiga da Academia. A Presidente do NEF/AAC, 5


IV Honoris Pharma Por Lúcia Parente

A IV Honoris Pharma, a gala do Núcleo de Estudantes de Farmácia da Associação Académica de Coimbra, decorreu na noite de 20 de fevereiro, na Quinta D. Maria, em Soure. O objetivo primordial deste evento é promover a criação de laços entre toda a comunidade da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra. Ao longo da noite, destacaram-se vários momentos, como a apresentação de performances artísticas proporcionadas por estudantes da casa e a entrega de vários prémios, de forma a distinguir o mérito, o talento e a proatividade de algumas das personalidades da nossa Faculdade. No decorrer da gala foram entregues 12 prémios, cada um numa das seguintes categorias: Associativismo, Boémio, Carisma, Carreira, Cultura, Desporto, Investigação, Melhor Causa, Melhor Docente, Melhor Não Docente, Musical e Sebentas. De entre todos os prémios atribuídos, realça-se o Prémio Carreira. Este foi entregue ao Humberto Martins, cujo percurso se destaca pela forte ligação ao associativismo, tendo vindo a ocupar diversos cargos de grande importância, entre os quais o de Presidente da Associação Académica de Coimbra, em 2000 e 2001. Atualmente, é Diretor da Área Profissional na Associação Nacional das Farmácias (ANF), acrescentando, desde 2018, a função de Diretor Geral do Infosaúde – Instituto de Formação e Inovação em Saúde do grupo ANF. No final do jantar, a diversão continuou com a abertura da pista de dança com a presença de um DJ convidado.


I COIMBRA TWINNET Novi sad, sérvia Por Camila Rodrigues

O Twinnet é um programa de mobilidade organizado pela European Pharmaceutical Students Association (EPSA) que consiste num intercâmbio entre dois, três ou mesmo quatro grupos de estudantes de diferentes países europeus. Com a colaboração do Núcleo de Estudantes de Farmácia da Associação Académica de Coimbra (NEF/ AAC) e a Pharmaceutical Students’ Asscociation of Novi Sad (PSANS), foi organizada a primeira parte deste I Coimbra Twinnet, que contou com a presença de 20 participantes (10 estudantes portugueses e 10 estudantes sérvios). Esta atividade, que teve a duração de 5 dias, decorreu entre 17 e 22 de fevereiro de 2020 e foi constituída por um programa educacional e por um programa social e cultural. Os estudantes portugueses chegaram a Novi Sad no dia 17 de fevereiro de 2020, às 22 horas (hora local). Depois desta viagem exaustiva, os participantes foram muito bem recebidos em casa dos respetivos partners com muitos abraços e comida tradicional do país. Após uma boa noite de sono e um pequeno almoço típico, os estudantes tiveram a oportunidade de conhecer a Faculdade de Medicina de Novi Sad e fazer uma visita guiada pelos seus laboratórios, onde acabaram por assistir a uma pequena aula laboratorial de Toxicologia, lecionada por uma professora da Universidade. Esta atividade contou também com uma visita ao laboratório de Toxicologia, onde foram mostrados os equipamentos e exemplificados os testes realizados para a deteção de drogas e outras substâncias. Durante a tarde, os participantes puderam visitar o Museu de Novi Sad e a Fortaleza de Petrovaradin. O dia terminou com uma animada partida de bowling. Na quarta-feira, dia 19 de fevereiro, os participantes visitaram um laboratório galénico da região, onde foram explicados todos os processos de produção. Da parte da tarde, regressaram à faculdade, onde foi realizado um training de soft skills, orientado por Marko Ocokoljic (EPSA VPEdu), com o tema “Critical thinking and Decision Making”. Os participantes foram divididos em vários grupos de trabalhos e responderam a situações-problema relacionadas com o tema da toxicodependência. Este terceiro dia terminou no bar Kafana, que é espaço de convívio tipicamente sérvio com música ao vivo. O dia 20 de fevereiro começou da melhor forma com as apresentações de dois professores oradores, subordinadas aos temas “When the prescription becomes the problem” e “Cannabinoids – psychoactive controlled substances, medicines and food”, que assim partilharam problemas da atualidade e uma explicação mais aprofundada a nível estrutural e químico das diferentes substâncias psicoativas.

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O penúltimo dia deste programa foi passado na cidade de Belgrado, a capital da Sérvia, onde os estudantes puderem aproveitar para tirar fotografias, conhecer um pouco sobre a história da cidade e do país e ainda visitar o museu do famoso inventor Nikola Tesla. A hora de jantar foi especial, visto que foi a International Night, em que os estudantes portugueses tiveram a oportunidade de experimentar as iguarias preparadas pelos alunos sérvios. E como tudo tem um fim, no dia de regresso, as lágrimas, os sorrisos, os beijos e os abraços não puderam faltar. O sentimento de missão cumprida e a já sentida saudade de deixar os partners desta experiência foram visíveis e partilhados. Com toda a certeza, esta foi uma das mais gratificantes experiências no percurso académico dos participantes, que dali levam amigos para a vida e uma bagagem imensa de novos conhecimentos. Um agradecimento sentido a todos os anfitriões que receberam os estudantes nas suas casas e também à PSANS, pois sem eles nada disto teria sido possível. živeli!

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Por Carla Almeida

O Voluntariado Pontual surgiu com o intuito de dar a conhecer à comunidade estudantil o voluntariado de uma forma mais prática e real. A instituição Casa de Formação Cristã Rainha Santa colaborou prontamente com o Pelouro da Intervenção Cívica e Social, permitindo que quatro jovens realizassem uma visita às instalações da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra (FFUC) e conhecessem um pouco daquilo que é o dia a dia dos seus estudantes. A atividade consistiu numa visita guiada pelos laboratórios da FFUC, nomeadamente pelos laboratórios de Tecnologia Farmacêutica, de Dermofarmácia e Cosmética, de Bromatologia e de Farmacognosia, sendo que esta visita foi guiada por três voluntárias, todas alunas da FFUC. Esta experiência pontual demonstrou-se importante tanto para as voluntárias, como para as jovens. Adaptando o seu discurso para um novo público alvo, os professores conseguiram cativar algumas jovens e desperta-lhes o gosto pela área das Ciências Farmacêuticas, sendo que algumas equacionaram mesmo a hipótese de, no futuro, enveredarem pela área. Apelando ao lado científico, mas também ao lado emocional, esta experiência foi marcante para todas as partes. Esta atividade permitiu concluir que, por vezes, um pequeno gesto nosso, pode mudar as ideias e até mesmo o futuro dos jovens com quem nos cruzamos, ganhando estes a esperança que algumas vezes lhes falta.

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Telefone: 239 484 045 | Estrada de Coselhas, n°279 | 3000-125 - Coimbra

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ESTÁGIOS DE VERÃO

Por Helena Pinto Sempre quiseste estagiar mas não sabes bem qual área escolher? Tens interesse em saber mais sobre estágios de verão? Não te preocupes! Trazemos até ti alguns testemunhos de colegas que estagiaram em diferentes áreas, nomeadamente Farmácia Comunitária, Farmácia Hospitalar e Laboratório. Aproveita estes testemunhos para conheceres mais sobre o setor Farmacêutico e sobre as vantagens de estagiar.

ANA DIAS

Desde que entrei em Ciências Farmacêuticas, sempre tive interesse em ver como seria a realidade do mundo do trabalho nesta área. Para o poder sustentar, nada melhor do que realizar um estágio de verão. Assim, no meu 2º ano, realizei um estágio em Farmácia Hospitalar, na Unidade local de Saúde do Nordeste. Foi uma experiência bastante enriquecedora, tanto a nível profissional como pessoal. No 3º ano, escolhi a Farmácia Barreto do Carmo, em Almeirim, para fazer o meu estágio de Farmácia Comunitária. Esta farmácia é bastante longe da minha residência, o que contribuiu para tornar esta etapa ainda mais desafiante. Tive a sorte de encontrar uma equipa bastante profissional e acolhedora. A farmácia comunitária integra um dos locais de cuidados de saúde primários onde se executa não só o ato de venda, como também o acompanhamento do doente, a revisão de medicação e a implementação de hábitos saudáveis na população. Cria-se assim uma relação de proximidade entre o utente e o farmacêutico. Durante 1 mês, tive a oportunidade de executar certas tarefas realizadas pelo farmacêutico, como a receção de encomendas, a organização da farmácia e o atendimento ao público. Sendo assim, aconselho que aproveitem esta oportunidade porque, para além de nos fazer crescer no campo profissional, ajuda-nos a perceber com qual das áreas, dentro das saídas profissionais que o curso nos oferece, nos identificamos mais.

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MARIA AQUINO

No verão de 2019, idealizei realizar um estágio numa indústria. Surgiu-me a oportunidade de estagiar no Laboratório Militar de Produtos Químicos e Farmacêuticos em Lisboa, sendo que pude optar por duas áreas distintas durante o meu estágio. Fui colocada na seção de Produção Industrial e no Controlo de Qualidade. Tendo-se iniciado no mês agosto, tive de “pôr as mãos na massa” durante as três semanas de estágio na Produção. Neste serviço, pude aplicar os conhecimentos adquiridos nas unidades curriculares de Tecnologia Farmacêutica, trabalhando nas equipas do laboratório responsáveis pela produção de soluções, cápsulas, saquetas, etc. Foi-me possível viver a realidade diária de uma indústria que, não produzindo em larga escala como as demais, produz segundo as necessidades do país, tendo, muitas vezes, que cumprir prazos para a preparação das formas farmacêuticas. Nas duas semanas finais do estágio, estive no serviço de Controlo de Qualidade, no qual apliquei conhecimentos de Métodos Instrumentais de Análise e das diversas Químicas, tendo de testar, examinar e garantir que a matéria-prima produzida naquele edifício cumpria todos os padrões de qualidade e requisitos para ser cedida aos utentes. Findado o meu estágio, posso assegurar que a experiência, além de enriquecedora, foi extremamente benéfica para as minhas aprendizagens. Permitiu-me ter uma visão prática de conceitos teóricos e, apesar do cansaço associado, foi uma experiência que me enriqueceu, acima de tudo, enquanto futura farmacêutica.

TÂNIA ALVES

Estou atualmente no 5º ano de MICF, e no Verão do meu 2º ano fiz estágio extracurricular em farmácia hospitalar na Unidade Local de Saúde do Nordeste, em Bragança. A área de farmácia hospitalar era uma das que mais despertava o meu interesse e achei que seria o ideal para começar a minha aventura pelos estágios de verão. Assim foi! Escolhi o Hospital de Bragança, por ser próximo da minha área de residência e se tratar de um hospital distrital, ou seja, com mais unidades de cuidados e especialidades médicas. O estágio teve duração de um mês e correspondeu completamente às minhas expetativas. Durante este período, tive oportunidade de participar na receção e armazenamento de medicamentos, assistir à preparação de manipulados, auxiliar na reposição de stock do pyxis, preparar medicação individual em dose unitária, assistir ao atendimento no ambulatório e participar numa reunião de apresentação de um novo produto farmacêutico. Foi nesta reunião, onde estavam presentes médicos, enfermeiros e farmacêuticos, que eu percebi o papel ativo que nós temos a nível hospitalar. Claro que para esta experiência ter sido tão gratificante, muito contribuiu o ambiente incrível e a entreajuda dos Serviços Farmacêuticos. Mais uma vez, o meu muito obrigada a toda a equipa e, em especial, à Dra. Ângela Aragão.

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Doutora Ana Paula Martins Bastonária da Ordem dos Farmaceuticos EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL 1989 – 1992: Secretária Geral da Ordem dos Farmacêuticos; 1992 – 1994: Assessora do Ministro da Educação e do Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares; 1994 – 2006: Diretora do Centro de Estudos de Farmacoepidemiologia da Associação Nacional de Farmácias; 1995 – Presente: Professora Auxiliar na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa; 2006 – 2014: Diretora de External Affairs e Market Access da MSD Portugal (Merck & Co. USA); 2009 – 2015: Presidente da Mesa da Assembleia Geral Regional do Sul e Regiões Autónomas da Ordem dos Farmacêuticos; 2014 – 2015: Diretora de Relações Institucionais da Associação Nacional de Farmácias; 2016 – 2017: Coordenadora do curso avançado “Pharmacovigilance and Pharmacoepidemiology research in Drug Life Cycle”; 2015 – Presente: membro Suplente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida; 2016 – Presente: Bastonária da Ordem dos Farmacêuticos.

FORMAÇÃO 1990: Conclusão da Licenciatura em Ciências Farmacêuticas, na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa; 1995: Mestrado em Epidemiologia na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa; 2005: Doutoramento em Farmácia Clínica na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.

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O grande entrevistado desta edição d’O Pilão é a Professora Doutora Ana Paula Martins, reeleita bastonária da Ordem do Farmacêuticos para o triénio 2019/2021. Fica a conhecer um pouco melhor o percurso profissional da Prof. Dra. Ana Paula Martins, o balanço que faz do anterior mandato enquanto bastonária e os principais desafios que tem enfrentado desde que assumiu este cargo. Por Catarina Batista e Iara Pratas

O Pilão: Entre 1989 e 1992, foi Secretária Geral da Ordem dos Farmacêuticos e, entre 2009 e 2015, foi Presidente da Mesa da Assembleia Geral Regional do Sul e Regiões Autónomas da Ordem. De que forma é que acha que este notável percurso na Ordem dos Farmacêuticos a levou a estar mais preparada para assumir o cargo que exerce atualmente? Ana Paula Martins: Foi, sem dúvida alguma, muito importante para conhecer o funcionamento da instituição, a sua estrutura e organização e para perceber também as preocupações dos colegas, o associativismo e a regulamentação no setor farmacêutico. São duas experiências com um hiato temporal considerável – mais de 15 anos –, mas estive sempre disponível e, de algum modo, envolvida nos desafios que a profissão me colocava no plano associativo. Enquanto secretária-geral da OF, estava no início do meu percurso profissional, com toda a energia e dinâmica de uma experiência na associação de estudantes da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. O convite do então bastonário, o professor Carlos da Silveira, deixou-me surpresa e até relutante, face à importância do cargo e à sua exigência, mas tê-lo como mentor, como referência profissional, facilitou todo o processo. O professor Carlos da Silveira foi, sem dúvida alguma, uma das figuras mais destacadas da nossa profissão, pela sua entrega às causas em que acreditava e pela sua capacidade de mobilização e realização. Foi um período que recordo com muita saudade e que me proporcionou experiências e contactos extraordinários, fundamentais para o meu percurso profissional. Regresso em 2009, por convite do colega António Pedro Hipólito de Aguiar, para presidir a Assembleia da Secção Regional de Lisboa, após um período internamente conturbado. Foram mais seis anos de dedicação à casa dos farmacêuticos, embora sem funções executivas, mas acompanhando os trabalhos e o desenvolvimento de projetos, como é o caso da Geração Saudável, que tantos jovens farmacêuticos e estudantes de Ciências Farmacêuticas acolheu ao longo destes anos.

o presente mandato? APM: Foi com alguma naturalidade que me recandidatei a este segundo mandato como bastonária. Havia um trabalho que merecia e justificava continuidade e matérias que estavam ainda a ser regulamentadas, como a Carreira Farmacêutica, o modelo de competências farmacêuticas, a revisão do Código Deontológico, entre muitas outras. Surgiram também novas ideias e projetos que entendemos pertinentes e estruturais para o desenvolvimento da profissão. A aproximação aos estudantes e jovens farmacêuticos, por exemplo, para tornar a Ordem mais próxima e participada. Diria que cumpria o mandato satisfeita, se constatar um maior envolvimento dos mais novos com a nossa Ordem. São eles o futuro da profissão. Se queremos cultivar o nosso lugar no sistema de saúde, temos de nos organizar, de definir um rumo, uma estratégia e prioridades de intervenção. Ninguém fará isso por nós. OP: Qual o balanço que faz do anterior mandato? Considera que cumpriu os objetivos e metas a que se propôs? APM: Faço um balanço positivo, caso contrário nem me teria recandidatado. Foram três anos muito intensos, marcados, em boa parte, pelo projeto “Roteiros Farmacêuticos”. Percorremos o país de norte a sul, incluindo as regiões autónomas. Falámos com centenas de colegas. Conhecemos dezenas de projetos em que estão envolvidos a nível local. Ouvimos as suas preocupações e dificuldades. Foi uma experiência de vida, posso assim dizer. E foi, sem dúvida alguma, uma excelente base para desenvolver, durante este segundo mandato, as políticas e intervenções em que os farmacêuticos se reveem.

OP: Em entrevista à agência Lusa, demonstrou alguma preocupação relativamente à falta de recursos humanos nos hospitais, mais concretamente nas farmácias hospitalares, afirmando que: “Se for preciso [lavar o chão], fá-lo-emos, mas gostava que não fosse preciso”. De que forma esta escassez de recursos põe em causa a segurança de doentes e também OP: Em 2019, foi reeleita Bastonária da Ordem dos de profissionais de saúde? Farmacêuticos. O que motivou a sua segunda candi- APM: Os profissionais de saúde são a essência do datura e quais os principais objetivos que tem para nosso SNS. São eles que estão ao lado dos doentes 15


OP: Em que sentido julga que os farmacêuticos podem ter um papel mais preponderante no Serviço Nacional de Saúde? APM: Em várias frentes. Desde logo no que acabo de referir para os farmacêuticos hospitalares, mas também para farmacêuticos comunitários e analistas clínicos, com maior preponderância nas atividades clínicas e assistenciais, em articulação com os cuidados de saúde primários e com os cuidados continuados, na implementação de programas de saúde pública. Não apenas como parceiros na execução das políticas de saúde, mas de forma bidirecional, como consultores na implementação dessas mesmas políticas, ouvindo os seus contributos e os problemas que os utentes lhes transmitem e apresentando propostas para lhes prestar melhores cuidados.

nos momentos mais delicados das suas vidas. São eles que dão a cara por um sistema, por decisões políticas e administrativas que condicionam a sua atividade. São eles que executam as políticas de saúde. Infelizmente, o país não tem uma política de recursos humanos na área da Saúde que reconheça e valorize este seu trabalho, que promova as relações interdisciplinares, o trabalho em rede e a colaboração entre profissionais de saúde. A falta de recursos humanos nas farmácias hospitalares é um problema crónico do SNS. A abertura progressiva de vagas para ingresso na Carreira Farmacêutica, através do programa da Residência Farmacêutica, vai ajudar a atenuar o problema, formando e integrando novos farmacêuticos especialistas nos quadros dos hospitais. Gostaríamos que o processo fosse mais célere, mas temos noção da conjuntura em que vivemos e das carências do SNS noutras áreas, de outros profissionais. Até lá, os farmacêuticos hospitalares desmultiplicam-se em funções e responsabilidades em todo o circuito do medicamento hospitalar, desde logística de compras, encomendas e armazenamento, à preparação e distribuição dos medicamentos e outras tecnologias de saúde nos nossos hospitais. Gostava que estivessem mais libertos para as atividades clínicas e assistenciais, mas é um percurso que estamos a fazer. 16

OP: Que tipo de reformas vislumbra necessárias no nosso Serviço Nacional de Saúde? APM: Não são seguramente necessários grandes projetos de reformas, que acabam sucessivamente adiados. Ainda agora se aprovou uma nova Lei de Bases da Saúde… As carências estão identificadas há muito tempo e vão desde a necessidade de mais profissionais, à renovação de instalações e equipamentos. Mas também de novos modelos de organização e governação das unidades de saúde, de articulação entre diferentes níveis de prestação de cuidados – primários, hospitalares, continuados, paliativos -, entre prestadores e profissionais, no desenvolvimento de serviços proximidade e de apoio domiciliário ou aproveitando as novas ferramentas tecnológicas ao dispor da telemedicina. Julgo que devemos inverter o paradigma, partindo de pequenos programas e projetos locais, que demonstrem resultados e ganhos em saúde, que sejam custo-efetivos e que se adequem às necessidades de grupos de cidadãos, sejam eles portadores de doenças crónicas, idosos, pessoas com mobilidade reduzida ou outros. Há várias pequenas coisas que cada um de nós pode ir construindo e que depois podem ser generalizadas. De uma coisa estou segura: com o atual nível de financiamento com que o SNS sobrevive não será possível fazer muito mais… OP: É, desde março de 2015, membro Suplente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV). Relativamente ao tema da eutanásia, frisou que a Ordem dos Farmacêuticos não tomou uma posição a favor nem contra, mas que não podia deixar de ter uma “posição desfavorável quanto à forma precipitada como esta matéria foi colocada nesta legislatura, sem haver um debate profundo”. O que a leva a crer que faltou um “debate crítico” sobre a questão da


morte medicamente assistida e o que mudaria na abordagem ao tema? APM: O tema da cidadania em fim de vida tem sido amplamente debatido no seio da sociedade portuguesa há vários anos. A OF teve a oportunidade de participar em várias discussões organizadas por entidades diversas, designadamente pelo CNECV, particularmente focadas numa posição de princípio sobre a prática de eutanásia no nosso país. Estou em crer que boa parte dos portugueses tem uma posição fundamentada sobre o assunto, mas o mesmo não posso dizer sobre o teor das iniciativas legislativas que estão em discussão no Parlamento. Foi o próprio CNECV que, tendo por base as suas auscultações e interpretação das propostas, deu o seu parecer negativo às cinco iniciativas legislativas em debate na Assembleia da República. A OF considera que a sociedade precisa de conhecer melhor os termos dos projetos de lei em apreciação e as suas diferenças. Entendemos que este debate não foi feito e que a delicadeza da matéria legislativa não deve ser refém de pressas injustificáveis. OP: Foi Diretora do Centro de Estudos de Farmacoepidemiologia da ANF (Associação Nacional das Farmácias) e realizou vários cursos sobre Estatística em Epidemiologia e Farmacoepidemiologia na Tufts University e na McGill University. De que maneira julga que a pandemia da Covid-19 vai impactar, futuramente, a indústria mundial e mais particularmente a indústria farmacêutica? APM: A pandemia de covid-19 “vai impactar” em toda a sociedade, em todos os setores da atividade económica. Da Saúde à Educação. No Turismo, no Emprego, nas Finanças. Em tudo, diria eu… A Indústria Farmacêutica, em concreto, atravessa também um momento particularmente desafiante, com elevadas expectativas de toda a sociedade sobre a sua capacidade e rapidez para desenvolver uma vacina ou um tratamento eficaz contra a covid-19. Estamos mais bem preparados do que nunca para o fazer, com evidentes sinergias e trabalho em rede a nível mundial entre diferentes centros de investigação, mas há etapas que não podemos suprimir, sob pena de comprometer a segurança e eficácia destas inovações. É um processo complexo, que consome enormes recursos e com uma regulamentação exigente, para bem de todos nós. Por outro lado, a Indústria Farmacêutica está também perante o desafio, tal como estão outros setores de atividade, como o da alimentação e de outros bens essenciais, de continuar a garantir o abastecimento regular do mercado, face a todas as dificuldades conjunturais. A sociedade sairá seguramente desta crise com a no-

ção reforçada da importância da Indústria Farmacêutica nas sociedades modernas, dos ganhos em saúde que tem proporcionado e dos contributos para a longevidade e a qualidade de vida dos seres humanos. OP: Que mensagem gostaria de deixar aos nossos leitores, maioritariamente futuros profissionais de saúde? APM: Uma mensagem de incentivo, de confiança. Enquanto professora, sei a exigência do curso que frequentam. Conheço a realidade em que iniciam a profissão, as dificuldades que atravessam e o empenho e atenção que demonstram no contacto com os utentes, muitas vezes sem o devido reconhecimento e valorização. A vida profissional é um percurso mais sinuoso para uns do que para outros, mas a competência é sempre reconhecida, mais cedo ou mais tarde. Por isso, sugiro apenas a via da qualificação, do desenvolvimento profissional contínuo, ao longo de toda a vida. É a melhor forma de nos preparamos para os desafios que vamos enfrentando. OP: Concluímos esta entrevista com uma questão que já lhe foi colocada anteriormente pela equipa d’O Pilão. Quais os desafios que a profissão farmacêutica enfrenta atualmente? APM: Os desafios da profissão são os mesmos do sistema de saúde e estão centrados nos cidadãos, em proporcionar-lhes um serviço cada vez mais eficiente, de forma integrada e articulada com as outras unidades e profissionais de saúde, num trabalho assente na qualificação, na proximidade e na confiança dos cidadãos. O reconhecimento dos utentes é o nosso bem mais precioso e o fator determinante para a nossa sobrevivência enquanto profissão.

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Por Pelouro da Intervenção Cívica e Social

Missão País Coja 2020 A Missão País é um projeto católico de universitários para universitários. Este projeto organiza e desenvolve as Missões Universitárias e tem como objetivo missionar em Portugal através do testemunho da fé, do serviço e da caridade. A nossa Faculdade insere-se na Missão UC + IPC, que este ano decorreu na vila de Coja com o lema “Desce depressa! Eu fico contigo”. Nesta edição d’O Pilão, entrevistámos a Yasmin Almeida e o Tomás de Oliveira, ambos alunos do segundo ano de Ciências Farmacêuticas, de forma a perceber que projeto é este e o que ele lhes trouxe para as suas vidas. Yasmin Almeida

ser católicos, apenas temos de ter vontade de fazer o bem pelos outros sem esperar qualquer coisa em troca. ICS: Como foi o teu primeiro contacto com a Missão? Y: A primeira vez que ouvi falar na Missão País foi numa das reuniões de Rabo de Peixe, em que alguns dos meus colegas contavam histórias das suas missões do ano anterior. A maneira como recordavam aquela semana, deixou-me logo com vontade de me inscrever!

Intervenção Cívica e Social: Como é feito o processo de inscrição e seleção para a Missão? Yasmin: Antes de tudo, temos de nos registar no site da Missão e fornecer alguns dados básicos, como o nome, a idade, a faculdade que frequentamos, se sabemos tocar algum instrumento, etc. Este é o primeiro passo. De seguida, temos de submeter a nossa candidatura (num dia e hora previamente anunciado pela chefia nacional), escolhendo desde uma até seis missões por ordem de preferência. Depois, é só esperar pelo e-mail com o resultado. O único critério utilizado na seleção é o tempo que demoramos a submeter a mesma desde que as candidaturas abrem, pelo que convém sermos o mais rápidos possível! Mas, dentro de uma missão, tem prioridade quem frequenta a(s) faculdade(s) da mesma e, se em primeira opção colocarmos uma missão que não a da nossa faculdade, ficamos automaticamente em lista de espera. ICS: Sendo a Missão País um projeto católico, consideras possível a participação de todos, católicos e não católicos, neste projeto de voluntariado? Y: Sim, claro que sim! Para missionarmos não precisamos de 18 18

ICS: Ao longo da semana, os missionários têm todos as mesmas funções? Y: Existem 5 valências: Porta a Porta (como diz o nome, os missionários fazem um porta a porta pelas casas das pessoas das comunidades e falam com elas, fazem-lhes companhia...), Lar, Escola, Creche (os missionários ficam atribuídos a um lar/escola/creche, onde ajudam as pessoas no seu dia a dia e enchem-lhes o coração com canções e brincadeiras que os fazem sentir queridos) e Teatro (onde os missionários, em conjunto com os chefes de teatro, ficam encarregues de preparar uma peça para apresentar à comunidade e aos missionários no final da missão). No início da missão, pedem-te para escreveres as valências que queres, mais uma vez por ordem de preferência, e depois és colocado numa delas. ICS: Como descreves a tua passagem pela valência na qual ficaste colocada? Y: Fui colocada no Teatro, a minha primeira opção, e voltava a escolhê-la sem pensar duas vezes. No início, estava um bocado reticente em como iria poder missionar se ia ter pouco ou quase nenhum contacto com a comunidade durante o meu dia a dia, mas, com o passar dos dias e ensaios, fui-me apercebendo que estava a missionar todos os dias em que me dedicava a preparar uma peça, não para mim, mas sim para todos aqueles que a iriam ver e que iriam receber a mensagem que queríamos passar. No final, não me arrependo nada da minha escolha, pois saí do palco com o coração cheio de risos, sorrisos e carinho da comunidade e dos missionários.


ICS: Quais foram os maiores desafios durante a semana da Missão? Y: Durante essa semana, algumas das situações mais desafiantes para mim foram os momentos de oração. Tinha sempre muito na cabeça e às vezes tornava-se difícil concentrar-me, mas acho que isso é uma coisa que se vai aperfeiçoando com o tempo. Ninguém nasce ensinado. ICS: Como é que levas a Missão para o teu dia a dia? Y: As amizades que criei e fortaleci na Missão são muito boas para me ajudar com esse aspeto, na medida em que o ambiente em que os conheci e as coisas que partilhei com alguns permitem uma cumplicidade diferente da que existe noutras relações. Para mim, torna-se mais fácil explorar e viver a minha fé com apoio de amigos que a partilhem e a queiram viver como eu. Outra coisa que me ajuda a manter o espírito de missão aceso é recordar as orações que foram feitas durante essa semana e experimentar outras novas. Creio que não se deve deixar que esse espírito perca a chama, pois a missão pode ser uma semana ou pode ser para o resto das nossas vidas e isso só depende de nós. ICS: O que gostarias de dizer aos estudantes da nossa Faculdade? Y: Acho que nunca é demais dizer que a Missão é para todos, todos aqueles que tenham sempre espaço no coração para mais um. Não é preciso ser-se católico para ajudar outros que precisam, que às vezes pode ser um amigo, um colega ou até um estranho. Também não é necessário irmos para países distantes para fazer voluntariado quando há quem precise mesmo aqui no nosso país e a Missão é um ótimo lugar para começar. Por isso, todos aqueles que tenham vontade de fazer o bem, acho que se deviam inscrever na Missão País 2021, porque não se vão arrepender!

Tomás de Oliveira

ICS: Como é feito o processo de inscrição e seleção para a Missão? Tomás de Oliveira: Inicialmente, a inscrição passa por criar uma conta no site da Missão País. Criada a conta, há uma data específica para se fazer a inscrição nas missões que queremos fazer. Normalmente, as pessoas inscrevem-se em várias, pela ordem preferencial das missões que querem fazer. Assim, se não entrarem na primeira, podem entrar na segunda. No dia da inscrição, fica tudo à espera da hora em que começa o prazo de inscrição, porque, como a entrada é feita pela ordem de inscrição, o objetivo é ser-se o mais rápido possível a completar o processo. Como já disse, a seleção para a missão é feita pela ordem de inscrição, mas também há preferência por alunos que pertençam à faculdade onde se realizará a missão. Visto que pode haver desistências ou a missão pode não encher na primeira fase de inscrição, há a segunda e, nalguns casos, a terceira fase de inscrição. ICS: Sendo a Missão País um projeto católico, consideras possível a participação de todos, católicos e não católicos, neste projeto de voluntariado? T: Como qualquer outro projeto de serviço e voluntariado, a Missão País acolhe tanto católicos como não católicos. Na minha opinião, qualquer universitário devia fazer uma missão e, mesmo que não seja católico, basta entrar com sentido de total entrega, serviço e animo. Este ano, uma das pessoas que fez missão comigo não era católica e era das pessoas mais animadas e com melhor espírito das que lá estavam. ICS: Como foi o teu primeiro contacto com a Missão? T: Adorei a experiência. Já tinha feito voluntariado em campos de férias católicos, incluindo no Camtil, e senti que a missão era uma mistura dos dois, tanto em serviço, como em fé e animação. Era a minha primeira missão e não conhecia muita gente, pelo que não sabia muito bem o que esperar, mas bastou entrar no autocarro para me sentir à vontade com as pessoas com quem estava. Os chefes de missão fizeram um trabalho excelente em pôr-nos à vontade e a falar uns com os outros. 19


Gostei imenso da dinâmica, da organização e do objetivo da missão. Fiz imensas amizades, incluindo com pessoas de Coja (a terra onde fiz a missão), senti-me mais próximo de Deus de várias maneiras e foram uns dias muito bons, tanto de autorreflexão, como de entrega aos outros. ICS: Ao longo da semana, os missionários têm todos as mesmas funções? T: Não. Para começar há os chefes de missão, que não deixam de ser missionários, cujo papel é organizar toda a missão e a sua dinâmica. Para o resto dos missionários, há diferentes valências que são escolhidas por cada um no segundo ou terceiro dia. São 5 valências: Teatro, Escola, Porta a Porta, Cresce e Lar. O Teatro é responsável por preparar um teatro ao longo da semana e, no fim, apresentar a toda a aldeia. Na Escola, os missionários vão animar as crianças da escola nos intervalos e falar um pouco durante as aulas. No Porta a Porta, tal como o nome diz, os missionários vão porta a porta, a aldeias e casas mais remotas da região, ajudar, falar e alegrar as pessoas. Na Cresce, os missionários ajudam a tomar conta das crianças e com tudo o que for necessário. Por fim, no Lar, o papel dos missionários passa por alegrar, fazer companhia e ajudar também no que for preciso. ICS: Como descreves a tua passagem pela valência na qual ficaste colocado? T: A valência onde eu fui colocado foi a Escola. Durante esses dias, íamos todos para a Escola Básica de Coja e passávamos os intervalos a brincar com os miúdos, a fazer brincadeiras e a conversar com eles no ATL da escola, a tocar guitarra e cantar e a partilhar um pouco daquilo que estávamos a fazer na Missão País e da nossa vivência com Deus. Também tivemos oportunidade de ir falar diretamente com os professores e com os miúdos durante as aulas. Foi uma valência em que eu gostei muito de participar, apesar de não ter tanto voluntariado como as outras valências, uma vez que passávamos o dia a brincar. Estávamos em contacto direto com o dia a dia das crianças de Coja, com a sua vida, a sua rotina, as suas experiências e as suas dificuldades. ICS: Quais foram os maiores desafios durante a semana da Missão? T: Um dos maiores desafios que eu senti que tive foi precisamente tentar fazer chegar o espírito missionário às crianças da escola, tentar ter conversas um bocadinho mais sérias com eles e ter partilhas mais profundas, o que era quase impossível porque eles só queriam jogar futebol e Jenga, mas, no final da semana, quando pudemos ir falar às salas de aula, conseguimos ultrapassar esse desafio com dinâmicas muito giras. Também foi um pequeno desafio abstrair-me de todos os problemas do dia a dia, da faculdade e do telemóvel e entregar-me completamente à missão e às outras pessoas. Não sei se consegui fazê-lo a cem por cento, mas estive quase. ICS: Como é que levas a Missão para o teu dia-a-domo é que levas a Missão para o teu dia-a-dia? 20

T: É um pouco difícil viver o espírito de missão fora da Missão, mas tento ao máximo ajudar em casa, ajudar e animar crianças como animador do Cabra, fazendo um pouco daquilo que fazia na escola. Tenho a cruz da Missão pendurada na parede para me ir lembrando dos bons momentos que passei e, de vez em quando, faço uma reflexão e uma oração à imagem das da Missão. ICS: O que gostarias de dizer aos estudantes da nossa Faculdade? T: A mensagem que eu tenho para os estudantes de Farmácia é que todos devem experimentar, porque é uma experiência única e muito especial, tanto para conhecerem pessoas da vossa Faculdade, como para se ficarem a conhecer melhor a vocês mesmos e também outras pessoas com realidades muito diferentes das vossas. Eu, sendo caloiro, sendo provavelmente a pessoa mais nova que lá estava e sendo a minha primeira missão, adorei. Portanto, aconselho vivamente.


Por Patrícia Oliveira

No dia 12 de fevereiro, o pelouro Recreativo-Desportivo e o pelouro da Intervenção Cívica e Social, em parceria com o grupo Night Runners Coimbra, organizaram a Corrida Solidária NEF/AAC, atividade que aliou o desporto à solidariedade. O grupo Night Runners Coimbra é conhecido por realizar todas as semanas corridas e caminhadas noturnas pela cidade de Coimbra, com ponto de partida no Largo da Portagem, em que os principais objetivos passam por sensibilizar para a importância de praticar atividades físicas e desportivas, estimular o convívio e, por fim, dar a conhecer a cidade. Esta parceria permitiu não só realizar uma atividade saudável e descontraída, após o término da época de exames, mas também ajudar quem mais precisa. Assim, associada a uma boa causa, cada participante teve um papel fundamental na doação de pelo menos um género alimentício, no ato da sua inscrição.

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VIAGEM PEDAGÓGICA Por Pelouro da Pedagogia e Pelouro das Relações Internacionais Sempre te imaginaste numa experiência de Erasmus mas tens dúvidas sobre o funcionamento Pedagógico do curso nos outros países? Então não te preocupes! Os pelouros da Pedagogia e das Relações Internacionais do NEF/AAC trazem até ti três testemunhos que te podem ser úteis e ajudar na tua decisão. Embarca nesta Viagem Pedagógica e fica a conhecer as maiores diferenças sentidas pelos teus colegas no que respeita ao ensino na FFUC em relação ao vivenciado noutras Universidades onde podes ingressar pelo Programa Erasmus. Aproveita estes testemunhos para expandir os teus horizontes e para entender a realidade do Ensino Farmacêutico vivido além-fronteiras.

Mariana Cupido

Universidade onde realizou Erasmus: Bolonha

Carga horária semanal das aulas teóricas: 20:00:00

Carga horária semanal das aulas práticas: 00:00:00

Pedagogia: Como funcionavam as aulas teóricas? Mariana: As aulas teóricas tinham maior duração do que em Portugal: em vez dos habituais 45 minutos, eram aulas de 2 ou até 3 horas, isto duas ou três vezes por semana para cada Unidade Curricular. P: Como funcionavam as aulas práticas? M: Apenas tive aulas práticas a uma das quatro Unidades Curriculares que estava a realizar, aulas estas que em vez de serem distribuídas pelo semestre eram concentradas numa semana do final do semestre. Para além disto, o tipo de aulas era diferente, uma vez que cada aluno tinha uma banca de laboratório e realizava o trabalho laboratorial sozinho, em vez de ser em grupos, como é habitual em Portugal. P: Como funcionavam as avaliações? M: A maioria das avaliações era feita por exame oral, apenas numa Unidade Curricular tivemos exame escrito. P:Quais as principais diferenças no método de ensino / material de apoio? M: Em Itália, existem menos Unidades Curriculares por semestre, havendo assim um maior número de horas de aulas correspondente a cada cadeira, o que lhes permite aprofundar mais os conteúdos. Porém, o que lá é uma Unidade Curricular, aqui são várias. Por exemplo, Microbiologia em Bolonha, engloba conteúdos da “Microbiologia”, “Parasitologia”, “Bacteriologia” e “Virologia”. Ou seja, apesar de 22

aprofundarem mais, acho que aqui acabamos por ter um conhecimento mais alargado dos temas, por termos um maior número de Unidades Curriculares. P: Na tua opinião, quais as vantagens e desvantagens em comparação com o ensino em Coimbra ou em Portugal? M: A meu ver, a forma como é lecionada a componente laboratorial é uma desvantagem, pois as aulas ao serem distribuídas ao longo do semestre permitem uma melhor consolidação de conhecimentos e, para além disso, permitem uma mais fácil articulação entre a matéria teórica e prática. No que toca à componente teórica, também acho mais benéfico o método Português, uma vez que é mais fácil manter a concentração e captar toda a informação que nos é transmitida em quarenta e cinco minutos do que em duas ou três horas. Já em relação ao método de avaliação, atrevo-me a dizer que o método italiano talvez seja mais benéfico, mas acho que depende um pouco da própria Unidade Curricular, porque acho impensável uma avaliação oral a Matemática, mas por exemplo à cadeira de Organização e Gestão Farmacêutica talvez fosse benéfico; digo isto porque acho que para ter uma boa performance numa avaliação oral é necessário ter um entendimento geral, estruturado e bem consolidado dos conteúdos, enquanto que, por vezes, em avaliações escritas limitamo-nos a decorar conceitos sem perceber toda a envolvência que estes têm por detrás.


Guilherme Monteiro

Universidade onde realizou Erasmus: Granada

Carga horária semanal das aulas teóricas: 15:00:00

Carga horária semanal das aulas práticas: 08:00:00

P: Como funcionavam as aulas teóricas? Guilherme: As aulas teóricas eram por turmas: havia cerca de 5 turmas, com horários diferentes, sendo que uns começavam às 8 horas e tinham as aulas todas seguidas (cerca de 3 horas) e outros começavam às 9 horas ou 10 horas, havendo também uma turma que só tinha aulas à tarde, mas sempre com a mesma carga horária. Cada turma tinha um professor diferente, ou então o mesmo professor tinha 2 turmas. No total eram 5 cadeiras, com 3 horas de aulas teóricas para cada uma. P: Como funcionavam as aulas práticas? G: As aulas práticas duravam no máximo uma semana. Durante o período, saíam convocatórias de alunos de uma ou mais turmas para estarem presentes nas aulas práticas, sendo que estas saíam uma semana antes ou um mês antes, dependendo da cadeira e dos professores. Estas podiam durar a semana inteira, ou menos, e podiam ser de 1, 2 ou 3 horas. P: Como funcionavam as avaliações? G:Todas as cadeiras eram feitas por frequências, sendo que nalgumas era necessário tirar um mínimo para poder eliminar a primeira parte da matéria, noutras não havia mínimo, sendo a soma das duas frequências a nota final, e havia ainda cadeiras em que independentemente da nota na primeira frequência, avaliavam novamente a matéria toda na segunda. Além disto, os exames dependiam dos professores, ou seja, turmas diferentes eram avaliadas de forma diferente e podiam até haver diferenças no ensino. Além do exame, havia ainda trabalhos ou kahoots, que contavam também para a avaliação. No entanto, se isso ocorresse numa aula em que o aluno não estivesse presente, ele perdia essa percentagem da nota. Havia também a possibilidade de essa percentagem ser dada através da assiduidade, uma vez que na maioria das cadeiras passavam uma lista para assinar. Caso um aluno não tivesse 70% de assistência às aulas teóricas, ele não poderia fazer a primeira frequência, tendo obrigatoriamente de ir a exame normal com toda a matéria. Quanto às práticas, no final da semana para a qual se foi convocado, fazia-se o exame prático/laboratorial. Normalmente, as percentagens da nota eram: 85% teórica, 5% trabalhos/assiduida-

de e 10% prática/laboratorial. A época de exames estava dividida da seguinte forma: em janeiro era a época normal do primeiro semestre; em finais de maio e em junho era a época normal do segundo semestre; e no final de junho e em julho era o recurso de ambos os semestres. P: Quais as principais diferenças no método de ensino / material de apoio? G: As principais diferenças são no método de ensino e no facto de turmas diferentes aprenderem e serem avaliadas de forma diferente. Além disso, penso que se aprende muito menos quanto à questão laboratorial, uma vez que a duração destas aulas era muito menor em relação à nossa faculdade. De um modo geral, penso que há uma menor organização em relação à nossa faculdade, incluindo no planeamento das épocas de exame normais e no recurso. P: Na tua opinião, quais as vantagens e desvantagens em comparação com o ensino em Coimbra ou em Portugal? G: A vantagem em relação à nossa faculdade é o facto de que, nalgumas disciplinas, a divisão da avaliação em frequências facilita um pouco o estudo. As desvantagens são a menor aprendizagem quanto à questão laboratorial e a má organização, que dificulta a preparação para os exames, chegando por vezes a ter 3 ou 4 exames numa semana, se juntarmos os práticos e os teóricos. Além disso, a questão dos trabalhos e da assistência às aulas também dificulta a avaliação, uma vez que os alunos que tenham de fazer cadeiras de vários anos, podem ser convocados para aulas laboratoriais ou práticas em horários sobrepostos com algumas aulas teóricas, acabando por perder tanto a oportunidade de fazer a primeira frequência, como talvez alguma percentagem da nota caso isso aconteça numa aula em que o professor decida fazer um trabalho ou kahoot, perdendo os tais 5 ou 10% da nota.

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João Simão

Universidade onde realizou Erasmus: Valência

Carga horária semanal das aulas teóricas: 02:00:00

Carga horária semanal das aulas práticas: 14:00:00

P: Como funcionavam as aulas teóricas? João: As aulas estavam divididas em 3 turmas. Uma turma tinha aulas em Castelhano, outra em Valenciano (a língua da região de Valência) e outra em Inglês. Todas estas opções eram válidas e no início do ano os alunos podem optar por qualquer uma. É algo que, a meu ver, é muito positivo, uma vez que podemos dar um grande “boost” no Inglês e, se na Universidade de Coimbra isso fosse possível, tanto a nível económico como logístico, seria um assunto a ter em conta. P: Como funcionavam as aulas práticas? J: Em termos de conteúdo e a forma de lecionar são iguais às nossas. A única diferença estava na distribuição da carga horária. Eles têm as aulas práticas todas seguidas. Por exemplo, em Dermofarmácia tivemos a semana toda com aulas práticas durante a tarde (aproximadamente uns 5 dias, umas 3 horas por dia) e, no final da semana, fez-se o exame prático relativo à cadeira. O mesmo acontece para as restantes cadeiras. Considero um método mais vantajoso em relação ao nosso, uma vez que realizamos o exame prático tendo a matéria muito mais “fresca”.

A única diferença é que nos davam muitos trabalhos para fazer e isso prejudicava um pouco o tempo de estudo que tínhamos. P: Na tua opinião, quais as vantagens e desvantagens em comparação com o ensino em Coimbra ou em Portugal? J: Vantagens: a acessibilidade dos docentes (têm para connosco uma atitude de total disposição e ajuda e são muito prestáveis. Chegava-se ao ponto de haver alunos a tratar os professores pelo nome próprio devido a relação tão “à vontade” que existia, isto sem nunca prejudicar o ensino e o estatuto do professor); o material de apoio era fornecido na totalidade no início do ano; permitem ir a exame normal, recurso e especial (ou seja, no total, temos direito a 3 momentos de avaliação sem que se perca o direito a nenhum, caso já tenhamos ido a um deles); Desvantagens: havia alguma confusão na secretaria da faculdade no que toca aos horários (algumas sobreposições tínhamos que ser nós a esforçarmo-nos para as resolver); a carga horária era um pouco mais excessiva que aqui em Portugal.

P: Como funcionavam as avaliações? J: As avaliações foram semelhantes. Só à Unidade Curricular de Nutrição tive algo novo. Fizemos o teste teórico através do computador (tudo escolhas múltiplas). É algo positivo, ainda para mais na situação que atualmente vivenciamos. P: Quais as principais diferenças no método de ensino/ material de apoio? J: O material de apoio é todo fornecido no início do ano, algo que os nossos professores deviam repensar na forma como abordam o ensino. Isso facilitava-nos imenso porque já íamos com os slides impressos para as aulas, o que ajuda muito no assimilar da matéria. Relativamente ao método de ensino, é muito parecido ao nosso, também é muito prático e conjugado com as aulas teóricas.

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Os pelouros da Pedagogia e das Relações Internacionais do NEF/AAC agradecem toda a simpatia e disponibilidade dos estudantes da FFUC, que prontamente acederam a partilhar a sua experiência.


NA SOMBRA DE ANA CLÁUDIA SANTOS À semelhança das edições anteriores, temos mais uma vez presente n’O Pilão a rubrica “Na Sombra de…”. Nesta 26ª edição, entrevistámos um rosto conhecido na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra. Damos-te a oportunidade de conheceres melhor o percurso académico e profissional da Professora Doutora Ana Cláudia Santos. Por João Cotovio e Verónica Resende O Pilão: Quais os motivos que a levaram a ingressar num curso de ensino superior na área das Ciências da Saúde? O curso e a Faculdade corresponderam às suas expectativas? Ana Cláudia Santos: Sempre gostei muito de química e de matemática e, quando cheguei ao 12º ano, fiquei muito indecisa se haveria de prosseguir por uma engenharia ou mesmo por um curso de química. Conclui que, em termos de saídas profissionais, Ciências Farmacêuticas agregaria todas estas valências e apresentaria ainda a vantagem de ser um curso das Ciências da Saúde. E foi por isso que escolhi o curso de Ciências Farmacêuticas. Na realidade, não foi o facto de ser um curso da área da Saúde que me cativou, até porque não me atrai muito a parte da doença propriamente dita; acho mais interessante a parte do desenvolvimento de soluções tecnológicas, de formulações. Mas, naturalmente, que tal constitui uma mais valia do nosso curso e diferencia-o manifestamente de tantos outros, atribuindo-lhe uma ampla gama de conhecimentos e, por conseguinte, um leque variado de saídas profissionais de maior relevo. Adorei o curso e, no geral, contrariamente à maioria do que ouço dos meus colegas, identifiquei-me mais com as unidades curriculares dos primeiros anos, talvez pelos motivos que já mencionei anteriormente. Considero o Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas um curso extremamente interessante, muito completo e dotado de conteúdos que nos permitem chegar a qualquer lado e ter bagagem mais do que suficiente para nos aliarmos a qualquer profissional de saúde (e não só) sem dificuldades, e construir uma equipa sólida de trabalho. Quanto à Faculdade, não tenho nada a apontar; foi a minha primeira opção e fiquei muito satisfeita por ter entrado em Coimbra. Eu ainda tirei o curso no Pólo I e na altura era um pouco diferente em relação às condições de que dispomos agora no Pólo III, que são muito boas. Em termos de organização e logística, não há situações perfeitas, mas acho que estamos dotados de um corpo docente e não docente muito disponíveis e competentes. Pessoalmente, só tenho motivos para elogiar, pois faria o curso outra vez. OP: Após terminar o Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas, como surgiu a oportunidade de prosseguir para um Doutoramento na nossa Faculdade? ACS: Fui incitada a fazê-lo durante as aulas práticas de Tecnologia Farmacêutica III e, como já era uma pretensão minha desde cedo, decidi agarrar a oportunidade.

OP: A partir de que momento surge o seu interesse pela investigação nas áreas da Tecnologia Farmacêutica e da Dermofarmácia e Cosmética? ACS: Eu identifico-me muito com a especialidade de Tecnologia Farmacêutica. Considero que é, de facto, a especialidade com mais identidade farmacêutica, visto que nós somos os únicos profissionais que temos este tipo de formação específica, o que verdadeiramente nos distingue. O meu Doutoramento surge neste contexto e, de acordo com a linha de investigação dos meus orientadores, em Tecnologia Farmacêutica, doutorei-me em Nanotecnologia para libertação controlada de fármacos pouco solúveis e altamente metabolizáveis pela via oral. Mais tarde, quando fui convidada para Assistente Convidada do Laboratório de Desenvolvimento e Tecnologias do Medicamento, foi-me lançado o desafio de embarcar paralelamente pela Dermofarmácia e Cosmética, um ramo muito particular da Tecnologia Farmacêutica, relativamente pouco desenvolvido na nossa faculdade, que aceitei sem 25


reservas. Isto porque sempre adorei a parte da Cosmetologia. Fui farmacêutica de oficina durante 7 anos e tive a oportunidade de trabalhar em farmácias com extenso portefólio cosmético, o que, aliado ao meu gosto particular e curiosidade por este tipo de produtos, conseguiu intensificar e reavivar a necessidade de saber muito mais para além do aconselhamento cosmético, particularmente no que diz respeito à tecnologia de formulação. Sempre fiz formações acerca do tema e participei em várias iniciativas em paralelo, mesmo aquando do doutoramento, o que naturalmente veio estruturar a minha decisão. Hoje, dedico parte equivalente do meu tempo, tanto à Dermofarmácia e Cosmética, como à Tecnologia Farmacêutica. São duas áreas fortemente conectadas e que me desafiam diariamente. Posso dizer que gosto muito do que faço. OP: A par da investigação, surgiu também a vertente do ensino. Em que medida é que estas duas áreas se podem complementar? Que mais valias pode retirar desta experiência como professora? ACS: Não existe ensino sem investigação. O que é atestado como verdadeiro, teve que ser testado e validado anteriormente em termos científicos. Logo, a atividade de um docente estará sempre interligada com a investigação e com a sua necessidade constante de atualização para um ensino devidamente atualizado e completo, dado que o conhecimento evolui. Para mim, é desafiante estar sempre a estudar e fazer investigação para contribuir para o conhecimento. Com o passar do tempo, percebo que quanto mais se deseja saber acerca de um determinado tema, menor é o nosso conhecimento, porque há muita matéria para explorar. É um mundo fascinante, porque nunca estamos parados; obriga a que nos desafiemos diariamente, tanto em termos científicos, como em termos de docência, por forma a que estejamos o melhor preparados possível, tanto para passar a mensagem aos nossos estudantes, como para intervirmos na evolução da nossa área científica. OP: Em 2015, ganhou um prémio pela sua contribuição numa apresentação sobre nanopartículas numa conferência internacional sobre Bioencapsulação. Gostaria de explicar em que consistiu esse projeto? ACS: Esse projeto consistiu precisamente na minha tese de doutoramento. O objetivo do trabalho foi nanoencapsular resveratrol, um polifenol muito conhecido, extraído das uvas vermelhas, com propriedades antioxidantes mundialmente reconhecidas. A necessidade de encapsulação prende-se com as suas características físico-químicas, nomeadamente a baixa solubilidade em água e a sua elevada metabolização pré-sistémica quando administrado pela via oral. Assim, por intermédio da colaboração com um pioneiro mundial da área, o Professor Yuri Lvov, da Universidade Técnica de Luisiana, nos EUA, desenvolvemos uma nanopartícula recorrendo à tecnologia de La26

yer-by-Layer. Esta abordagem consiste no uso de múltiplas nanocamadas poliméricas de revestimento capazes de simultaneamente proteger e modificar a libertação do resveratrol, que se encontra no núcleo da nanopartícula, como estratégia para aumentar a sua biodisponibilidade oral. Poder ter apresentado oralmente o meu trabalho numa conferência internacional foi uma experiência muito gratificante durante o doutoramento, sendo que pude partilhar os meus estudos com investigadores especialistas da área e conhecer colegas de doutoramento de outras universidades, com quem ainda hoje mantenho contacto. OP: Nesse sentido, quais considera que são os pontos chave para a preparação de uma boa apresentação oral? ACS: Na minha opinião, uma boa apresentação oral é aquela que consegue manter a atenção da assistência durante a sua duração e que consegue claramente passar a mensagem do início ao fim, ao ponto desta ser recordada como muito boa uns dias depois. É importante pensar que uma apresentação oral é um ato de presença, que é dirigido a uma assistência (a pessoas!), num local e num momento particulares. Atendendo a estas condições, torna-se imperativo conhecer a assistência e conseguir direcionar o discurso. É muito importante interagir com a assistência e ir mudando o tom de voz aquando das transições de tema/slide para reativar a atenção da audiência. Interessa, portanto, não ser monótono. Para além disso, devemos tentar oferecer um cunho pessoal ao nosso discurso – algo que o diferencie e faça com que as pessoas nos referenciem, ou se lembrem de nós no futuro –, no sentido de individualizar a apresentação e chamar a atenção do público com situações muitas vezes pessoais que também a nós, oradores, nos marcaram. Hoje em dia, fala-se muito no “storytelling”, que consiste em nada mais do que na arte de contar uma história através dum conteúdo mais humano, com mais emoções, mais chamativas, contrariamente a uma abordagem meramente teórica. A apresentação deve ter um início, meio e fim bem marcados, cuja transição deve ser nítida, mediante as pausas adequadas e fundamentalmente de acordo com uma estrutura lógica. Para mim, faz sentido que de início se apresentem os conteúdos da apresentação – para que a assistência tenha noção do que vai ouvir e para que se sinta devidamente enquadrada; bem como que se lance alguma promessa ou comentário provocador – para que a audiência desenvolva algum tipo de expectativa em relação à apresentação, isto é, para que fique desafiada a prestar atenção até ao final. Depois, existem uma série de procedimentos que poderão ser tidos em linha de conta, de forma mais ou menos programável e que podem ajudar a um melhor desempenho em termos de expressão oral, como já tive oportunidade de vos transmitir em alguns workshops que fiz em paralelo com o NEF. Por exemplo, aconselho que: não saturem os slides com frases longas (tópicos são suficientes! Se fosse suposto escrever tudo nos slides, escreveríamos um capítulo dum livro e


não seria necessária uma apresentação oral! O foco é o orador e, sobretudo, o discurso, e não os slides – estes só servem para dar suporte ao que é dito oralmente e não para serem lidos); usem um tipo de letra sem serifas para que seja mais fácil e objetiva a sua leitura; usem e abusem de imagens e esquemas – são apelativos e concretizam a vossa mensagem oral. Vistam-se de forma clássica e adequada, apresentem-se muito bem de início, com os vossos devidos títulos, e esforcem-se para não pronunciarem termos de forma errada. Se isso acontecer, corrijam-se! É preferível manifestarem esta humildade na altura certa, do que ser interrompido por alguém da assistência para vos corrigir, e tal vir a comprometer a credibilidade de toda a vossa apresentação. E poderia continuar aqui a escrever... Mas, recomendo-vos também a treinarem! Naturalmente que o tempo traz segurança consigo, mas asseguro-vos que todos os oradores ficam nervosos antes duma apresentação oral, porque todos somos humanos, e está inerente à nossa condição humana falhar. Logo, um orador consciente ficará nervoso antes duma apresentação oral (nem que seja, porque a luz pode faltar!). Cada um de nós age de forma diferente, mas todos nós conseguimos trabalhar a nossa arte em comunicar. Sejam iguais a vocês próprios e keep simple! Less is more! OP: Atualmente tem em mãos algum projeto de investigação? Pode falar-nos um pouco sobre o trabalho que está a desenvolver? ACS: Neste momento, tenho vários projetos de investigação em curso, que estão diretamente relacionados com os projetos dos meus alunos de doutoramento. Fazemos investigação em melanoma cutâneo, cancro de pâncreas, regeneração de feridas e diabetes mellitus, com recurso a estratégias nanotecnológicas biocompatíveis e biodegradáveis. Usamos nanotubos de argila de haloisite para associar terapia génica e terapia fotodinâmica para o tratamento tópico do melanoma cutâneo; e micelas poliméricas revestidas com membranas biomiméticas para vetorização do cancro de pâncreas. Também trabalhamos com desenvolvimento de novas formulações injetáveis e com nanopartículas de PLGA para administração subcutânea de implantes com vista a combater a diabetes. Desafio-vos a juntarem-se a nós e, se alguém gostar da área da Dermofarmácia e Cosmética em termos de investigação, também estamos muito recetivos, tendo todo o gosto a associar-vos a projetos também já em curso. OP: Com base na sua experiência pessoal, que mensagem gostaria de deixar aos atuais estudantes da Faculdade de Farmácia, principalmente para aqueles que pretendam enveredar pela área da Investigação? ACS: Que sejam proativos, e que corram atrás dos vossos objetivos. Aliem-se aos melhores; isto é uma condição fundamental. Diferenciem-se, sejam arrojados e muito determinados nas vossas escolhas e não se acomodem. Nem tudo corre bem à primeira tentativa. Para investiga-

ção, recomendo que tentem iniciar logo desde cedo investigação junto dum docente que faça investigação na vossa área de interesse, para que possam construir currículo e, fundamentalmente, publicar. Isto é extremamente importante, porque, para além de ser, na minha opinião, dever de um estudante que passe pela Universidade de Coimbra deixar o seu testemunho sob forma de informação citável, ou seja, através de publicações revistas por pares, é fundamental que tenham publicações para que se possam candidatar a financiamento, isto é, a bolsas. Para além de uma boa média final de curso, deverão também apostar em uma ou duas publicações em revistas Q1, para que possam estar em condições competitivas niveladas aquando da vossa candidatura. Podia desejar-vos boa sorte, mas não sou apologista da sorte isoladamente; acho que esta vem sempre acompanhada de boas escolhas e atempadas. Por isso, desejo-vos boas escolhas! Muito obrigada pelo vosso convite. Até breve.


VI JORNADAS DAS SAÍDAS PROFISSIONAIS Por Rita Pereira

A VI edição das Jornadas das Saídas Profissionais, organizada pelo pelouro dos Estágios e Saídas Profissionais do Núcleo de Estudantes de Farmácia da Associação Académica de Coimbra, teve lugar na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra nos dias 4 e 5 de março de 2020. A realização desta atividade permitiu, durante estes dois dias, aproximar os estudantes da realidade do mercado de trabalho e dar a conhecer as oportunidades que estes podem alcançar no mundo profissional. Esta iniciativa contou com a participação de 70 estudantes, que foram divididos por cinco grupos, possibilitando, deste modo, uma conversa informal entre os participantes e os oradores. Nesta edição das Jornadas das Saídas Profissionais, os estudantes tiveram a oportunidade de ouvir os testemunhos de nove oradores de diferentes áreas, sendo abordadas as áreas de Análises Clínicas, Assuntos Regulamentares, Consultoria, Investigação e Farmácia Comunitária. No primeiro dia, os participantes puderam assistir aos testemunhos da Prof. Laura Ferreira, sobre a área de Investigação Científica, da Dra. Vanessa Pereira, acerca da área de ensaios clínicos, dos oradores do Laboratório Basi, sobre a área da Indústria Farmacêutica, da Dra. Ana Catarina Marques da Glintt, relativamente à área de Consultoria e Tecnologia em Saúde, e da Dra. Diana Oliveira do Alès Groupe, sobre a área de Dermofarmácia. De modo semelhante, no segundo dia, foi possível ouvir diferentes testemunhos. Para tal, estiveram presentes a Dra. Márcia Ferreira, da área de Assuntos Regulamentares, a Dra. Salomé Brogueira, da área Farmácia Comunitária, o Dr. Diogo Duarte, da área de Marketing, e a Prof. Doutora Ana Miguel, da área de Microbiologia. A organização obteve um feedback bastante positivo da atividade, tendo sido considerada pelos participantes como extremamente enriquecedora para o seu currículo. Nos últimos anos, as Jornadas das Saídas Profissionais têm conseguido aproximar os estudantes das oportunidades que existem no mercado laboral, permitindo-lhes obter uma perspetiva realista do mercado de trabalho.

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Por João Pedro Leitão Beatriz Duarte

Jaime Oliveira

Beatriz Duarte, 5º Ano, MICF

Quando nos deparamos com esta etapa da nossa vida, é assustador, é o desconhecido, tudo é novo. Saber que vinha para a cidade dos estudantes de algum modo parecia mais reconfortante. Coimbra é seguramente o passado, o presente e o futuro da vida académica. De certa forma, não conseguimos dissociar o percurso académico sem falar da vida académica. Esta é o que fica com cada um de nós para a vida. No decorrer destes 5 anos, muitos foram os ensinamentos que nunca esquecerei. Acima de tudo, aprendi a não ter medo de arriscar e que não nos devemos de cingir à nossa zona de conforto, temos de arriscar e procurar novas oportunidades. No meu coração vão guardadas todas as amizades que aqui nasceram de muitas lágrimas e sorrisos e todas as memórias que se sentem com a capa sobre os ombros. Não podemos passar por Coimbra sem a ter visto nos olhos de quem se perde por entre as ruas repletas de histórias e sonhos.

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Jaime Oliveira, 5º Ano, MICF

Ao olhar para trás, percebi que o curso passou demasiado rápido. Ainda me lembro de quando era caloiro e dizia que cinco anos era muito tempo e, por isso, desejava o término do curso o mais rápido possível. Hoje, digo exatamente o contrário! Ao fim destes cinco anos, levo comigo as melhores memórias de Coimbra. Posso começar por vos falar acerca do meu percurso académico. Desde pequeno que sempre gostei de Biologia e Química e então sempre coloquei Ciências Farmacêuticas como uma opção! Entrei em Coimbra e passado algumas semanas sentia-me em casa. Sempre gostei de fazer resumos e tirar apontamentos e de ir a todas as aulas teóricas, independentemente de qual cadeira fosse! Assim, iniciei-me no “mundo das sebentas” no 2º semestre do 1º ano. Como vim de uma cidade pequena, o ambiente académico noturno de Coimbra fascinou-me desde o início. As memórias que levo desta cidade são imensas. Uma vez, tal era a minha alegria que acabei por dormir na casa de banho de um bar. Decidi, após o sucedido, ir a casa tomar banho e pôr-me a caminho das teóricas! Outro episódio semelhante ocorreu quando ainda era caloiro, quando após uma saída noturna me deparo com o esquecimento das chaves de casa. Com o passar do tempo, dei por mim a caminhar em direção à faculdade onde iria assistir à teórica das 9h da manhã. Das melhores memórias que levo da faculdade, destaco o ano do carro da Queima das Fitas (Bem-du-ron), que é sem dúvida o melhor ano da faculdade. Em prol do carro fazia de tudo, desde sair dos convívios às 6h da manhã e ir às teóricas das 8h, como faltar a exames para ir tratar de documentação, mas o mais importante era a venda de rifas e brindes que fazia na faculdade. Claro que existem muitas mais histórias, mas não me posso alongar. Tudo isto culminou em 3 prémios Sebentas e 2 prémios Boémios do Honoris Pharma e 1 prémio Caloiro Baco. Dito isto, espero que se divirtam tanto em cinco anos como eu me diverti, porque de facto há tempo para tudo!

Por Carla Almeida

No dia 27 de fevereiro, o pelouro da Pedagogia, em conjunto com o pelouro da Comunicação e Imagem, organizou a terceira edição do “Expressa-te!”, um workshop de PowerPoint que contou com a presença e colaboração da Professora Doutora Ana Cláudia Santos. A atividade decorreu pelas 18:30h na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra e, segundo os participantes, foi bastante profícua, no sentido em que foram transmitidas várias dicas muito úteis. A professora desenvolveu uma apresentação na qual explicou, relativamente à forma e conteúdo, o que deve ou não constar numa apresentação PowerPoint. Além disso, transmitiu uma panóplia de dicas e conselhos sobre qual a melhor forma de nos expressarmos oralmente, bem como a melhor forma de fazer chegar a informação ao público-alvo. Abordou também outros tópicos de igual pertinência e relevância como o fio condutor a seguir, a estrutura dos diapositivos, os tipos de letra e cores a utilizar, o conteúdo exposto e a postura do orador. O feedback da atividade por parte dos participantes foi bastante positivo.

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AGENDA FORMATIVA

novembro

outubro

Mês

Dia(s)

Evento

Organização

19 a 23

8.ª Conferência VALOR APAH | “Inovar e Liderar na Incerteza”

Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares

29 e 30

Jornadas Digitais da Sociedade Portuguesa de Pediatria

Sociedade Portuguesa de Pediatria

29 e 30

XI Congresso Internacional “Mais Saúde Mental”

Sociedade Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental

2 a 30

APFH Immersive Virtual Congress | “30 Anos a Criar Valor!”

Associação Portuguesa de Farmacêuticos Hospitalares

5a7

22.º Congresso Português de Obstetrícia e Ginecologia

Federação das Sociedades Portuguesas de Obstetrícia e de Ginecologia

6e7

VI Congresso Anual UBIPharma | “O Farmacêutico na Geriatria”

UBIPharma

6e7

Jornadas de Endocrinologia e Diabetes de Coimbra

Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra

11 a 13

16.º Simpósio Internacional da Sociedade Portuguesa de Doenças Metabólicas | “New Horizons in Inborn Errors of Metabolism”

Sociedade Portuguesa de Doenças Metabólicas

12 a 14

XV Congresso AEFFUP | “A Saúde e a Agenda 2030”

Associação de Estudantes da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto

12 a 14

36.º Congresso de Pneumologia

Sociedade Portuguesa de Pneumonologia

13 e 14

XXII Congresso Anual da APNEP| “Nutrição Clínica: O futuro é agora”

Associação Portuguesa de Nutrição Entérica e Parentérica

20 e 21

17.º Congresso Nacional De Oncologia | “Diálogos e Sinergias em Oncologia”

Sociedade Portuguesa de Oncologia

25 a 27

Encontro Nacional de Profissionais de Comportamentos Aditivos e nas Dependências

Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências

26 a 28

Congresso Nacional dos Farmacêuticos 2020 | “Abrir Horizontes. Fazer Acontecer”

Ordem dos Farmacêuticos


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