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Alpes 2009

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Índice PREFÁCIO

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Índice

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INTRODUÇÃO

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ANTES

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Informação e experiências Mapas e guias Com que então, GPS... O susto Aranhas e calor Pendura aos comandos Ferry or no ferry?

8 9 9 9 10 10 10

TRALHA EM 2 RODAS

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“Aqui, ao pé de mim, sff!” Debaixo dos traseiros A fatia de leão Pôr os problemas para trás das costas “Não vás para aí que te magoas!”

PLANO DE VIAGEM

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Avignon ou não há vignon?

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FERRY GÉNOVA

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Chegar cedo O que fica e o que vai Smile! A bordo Dança das Cadeiras “Prova filipinos e verás!” “Ó Sole mio!!!”

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ROUTE NAPOLÉON

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Alvorada GreNOble

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AUTOUR DE ANNECY

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Para-quê?

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ENTERING SCHWEÏZ

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JUNGFRAÜJOCH, TOP OF EUROPE

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食べるか?

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Sabedoria popular Assim-assim, mais para o farrusco “Xóxixa?”

BACHALPSEE

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TRÜMELLBACHFÄLLE, MÜREN

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Já que não nos livramos da água... Triatlo Fecha os olhos e diz-me o que vês Fondue ou FonTrio?

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PASSSTRASSES, BERNER

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REGIONE DEI LAGHI, LUGANO

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ZERMATT, VALE DU RHÔNE

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Zermatt Champex-sur-Lac

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GRAND ST. BERNARD …ET PETIT, AUSSI

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Saint-Bernard: O que apareceu primeiro?

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A LOCAL SHOP

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O Desejo por um cappuccino

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VAL D’ISÈRE, LA BONETTE

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Refuge Napoléon Ao longo do Thins

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BARCELONA, YOU WILL ALWAYS BE MY TOWN

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ESTADIAS, HOTÉIS E AFINS

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Un Lieu Unique, Annecy FR Hotel Bernerhoff, Interlaken CH Hotel del’Lago, Melide CH Hotel du Glacier, Champex CH Hotel Parc Hotel, Briançon FR Hotel Comtes de Barcelona, BCN ES

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Prefácio

Este relato não tem pretensões literárias e acaba por ser (ainda) um fluir de aventuras e eventos de mais uma viagem de moto que nos deixa enfeitiçados e, no êxtase dessa paixão, corremos a partilhar com amigos, companheiros de viagens e familiares. Fizemo-lo de peito cheio e com a moto ainda coberta de mosquitos de vários países da Europa. Lavados os mosquitos e puxado o lustro ao corcel, apetece-nos recordar uma e outra vez. E enquanto passo a camurça sobre a carenagem, tranquilizo-me confidenciando à mota: «Já falta pouco para a próxima».

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Introdução

É algo que nos ultrapassa, que é mais forte que nós: se há um monte, queremos ir até lá cima. E se o caminho for às curvas, ir de moto será, porventura, a opção de eleição. Mas quantas vezes não acaba a estrada antes do cimo? Então calcem os sapatos de caminhada, larguem todo o peso do material na moto e apontem para o objectivo cimeiro. De forma natural percebemos que, ao conjugar viagens de moto com caminhadas potenciávamos a experiência de viajar para destinos apelativos para ambas as modalidades. Este é o nosso estilo e aqui fica a nossa aventura.

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Antes

Desde o estado de espírito às peripécias, passando pelos preparativos, os momentos antes da viagem acabam por ser quase tão importantes. No início começámos por elencar os destinos que ainda gostaríamos de fazer, seguindo a lógica de crescendo que optámos, tentando chegar progressivamente mais longe. Os candidatos foram a Cornualha e País de Gales, Itália ou os Alpes. Informação e experiências Escolhemos este último e assim teve início o processo de planeamento do itinerário. Para isso socorremo-nos dos fóruns online de viagens de moto para tirar proveito da partilha de informação e experiências de outros viajantes. A primeira preocupação seria onde nos concentrarmos para obter informação útil e de confiança. O livro do John Hermann na sua 4ª edição foi-nos recomendado e decidimos adquiri-lo online na versão original. As rotas sugeridas foram determinantes para escolher o itinerário e as voltinhas nas envolvências das estadias.

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Mapas e guias Encontrámos no MapsMan.com uma boa opção para comprar os mapas que nos ajudariam a programar e a fazer a viagem (sim, somos adeptos da navegação por carta impressa). As cartas da Michelin juntam-se à festa por um preço interessante graças ao desconto para os subscritores da revista britânica Bike, que suporta assim as despesas de envio. Ir viajar pela França e descurar os Guias Michelin roçaria o sacrilégio. Ainda assim, o planeamento foi assegurado pelo Google Maps dadas as excelentes provas dadas na consideração de alternativas e no ambiente remoto que permite gravar e partilhar os percursos. Com que então, GPS... Sendo fãs da navegação por carta, não somos irracionais. Com o novo telemóvel HTC Touch HD vem um GPS decente, pelo que devidamente artilhado com os mapas da Europa Ocidental para o NDrive, está em condições de nos tirar dúvidas pontuais. Mantemo-nos fiéis ao GPS Data Logger o qual, no seu estilo silencioso e discreto, «gravará» todo o nosso percurso. O susto Cerca de 3 meses antes da viagem, a moto revelou um problema de sobreaquecimento da instalação eléctrica que se manifestou num rebentamento do fusível principal que «defende» a bomba de combustível. Depois da intervenção do mecânico imaginámos que o problema estaria resolvido. Cerca de 1 mês antes eis que regressa a manifestação do problema; diagnóstico: pelo menos um dos cabos da instalação estaria com problemas (corrosão, ferrugem, falha). O difícil é percorrer toda a instalação e descobrir os locais comprometidos, sendo que trocar toda a instalação ficaria em 600€ (!). Durante duas semanas vivemos sem saber se efectivamente conseguiríamos ir de férias com a moto.

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Felizmente detectámos o problema: um cabo massa corroído e um rectificador depois (sim, é uma VFR), renovámos a confiança na montada para os 6.1 mil kms. Aranhas e calor Na viagem anterior acabámos por fazer várias ligações sem os blusões vestidos tal o calor; estes acabaram enrolados num chouriço em cima das malas, presos com fita-cola. Este ano optámos por levar ambos os blusões, verão e inverno, mas apenas 1 conjunto de protecções. Quando estiver calor trocamos estas para o blusão de Verão e, ou deixamos o de Inverno no Hotel, ou levamo-lo connosco enroladinho e preso com 2 aranhas adicionais. Pendura aos comandos Ainda não nesta viagem, mas a habitual pendura começou a tirar a carta de condução de mota este Verão. Enfim… é o que dá andar de volta do livro Long Way Down. Por ora só conseguimos ocasionalmente surpreendê-la em corridas pelos corredores da casa, simulando o som da mota em Brums-Brums intensos e pneus a guinchar nas esquinas. Ferry or no ferry? Desde cedo equacionámos a ligação por ferry entre Barcelona e Génova. Numa das primeiras iterações no planeamento pensávamos regressar por ferry mas, quando procurámos reservar, a única data que nos convinha estava lotada (!). Ainda para mais não há ligações todos os dias, sendo apenas de 3 em 3 dias aproximadamente. Assim, algo desapontados abandonamos a opção do ferry, conformados com a viagem por estrada, fazendo kms que para nós estão longe de ser novidade. A um mês da viagem, num momento de iluminação, tivemos uma epifania: e se fizéssemos a ligação em ferry na ida? Não só havia uma viagem no dia que nos dava jeito como também havia vaga.

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Tralha em 2 rodas

6 mil kms, 14 dias, 2 pessoas: que magia negra usaremos para conseguirmos levar tudo? A distância e a duração da viagem, conjugadas com a ausência de bagageira digna desse nome, exigem destes aventureiros dotes que não estão ao alcance do comum dos mortais: estamos a falar de artes mágicas ocultas! “Aqui, ao pé de mim, sff!” O saco de depósito, inflado até à sua máxima extensão (na qual me permite deduzir o que se vai passando no painel de instrumentos) é destino para as coisas mais pesadas e que necessitam de acesso rápido. Entre estas a máquina fotográfica, os «mapas e guias do dia», o ocasional GPS do HTC, a carteira com trocos, cartões, documentos da moto e identificação, um comando do alarme, um telemóvel, o lubrificante de transmissão, um rolo de fita-cola industrial, outro de papel higiénico, uma lista de contac-

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tos úteis, uma mini-toalha, o protector solar, um cadeado para os capacetes. Debaixo dos traseiros No espaço exíguo que a Honda disponibiliza debaixo do banco na VFR , conseguimos levar a aranha, o estojo com as ferramentas, o kit de reparação de furos e dois impermeáveis. Isto tudo sem precisar de deixar a bateria, ou outra coisa pouco útil, em casa. A fatia de leão Ás malas da Givi de 35L cabem o grosso da bagagem com toda a roupa e sapatos. Especial cautela na distribuição equitativa do peso por ambas. O calçado, para além das botas de moto que levamos calçadas, é composto por chinelos de enfiar-o-dedo e sapatos de caminhada para ambos e umas sandálias para a pendura. Quanto ao vestuário, optamos sempre por roupas de caminhada, leves e versáteis para aguentar vários climas. Quando se acumular a roupa suja, é hora de visitar a lavandaria do bairro. Pôr os problemas para trás das costas Nesta viagem a mochila servirá apenas para as voltas mais curtas, em redor da estadia. O objectivo é evitar o peso excessivo para as costas e assim evitar complicações. Esta opção continua a ser óptima para os dias de caminhadas a pé, passo a redundância.

“Não vás para aí que te magoas!” Numa bolsinha da Via Verde levo sempre comigo o incansável GPS Datalogger o, qual tem a missão de nos ajudar na chegada a responder às nossas mãezinhas: «Ó filho, por onde é que andaste?»

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Plano de Viagem

Quando desenhámos o plano de viagem e em cada momento de dúvida, questionamo-nos: «O que nos faz viajar?» O plano das férias estava agora equilibrado e concebido alinhado com os nossos objectivos. Intercalamos ligações de moto com caminhadas, passeios de barco ou comboio, ou simplesmente repouso numa praia ou montanha convidativas. Avignon ou não há vignon? À hora da partida as últimas etapas em França ainda não estavam bem definidas; após Briançon e feitos os derradeiros quilómetros da Route des Grandes Alpes a dúvida persiste: ficar em Avignon a 1/3 do caminho do regresso a casa ou prosseguir até Barcelona e descansar aí um dia completo? À parte do inquestionável mérito de Avignon, a verdade é que chegando lá no final do dia para sair cedo no dia seguinte não tiraríamos grande partido da vila...

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Ferry Génova

O nosso pequeno cruzeiro pelo Mediterrâneo até à Costa de Itália » Distância 800km » Altitude ~0m » Duração 15:00-09:00 [18h]

Este seria o nosso terceiro embarque em ferries, depois da viagem à ilha da Córsega em 2008, tirando a novidade ao ritmo e sequência, mantendo contudo a excitação especial do momento. O ferry representa um mundo de possibilidades, um portal que nos levará a um novo porto e a novos caminhos. Chegar cedo Chegar com alguma antecedência é altamente recomendável; duas horas antes, conforme indicação no dia anterior, apenas nos permitiu um quarto de hora para o check-in e levantar os bilhetes, mesmo com a reserva prévia. Foi o tempo de largar a moto alinhada na frente das filas de carros, apressar o passo nos 400m que nos separam da bilheteira e regressar para embarque imedia-

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to, arriscando ser os últimos motociclistas a embarcar. Perder este momento significaria aguardar a entrada de todos os carros, auto-caravanas, camiões e outros dinossauros sobre rodas, para então apertar a moto num buraco sobejante. Imaginámos ter tempo de espera (como em Marselha) durante o qual faríamos alguma manutenção da moto. o que aconteceu apenas em Génova. O que fica e o que vai Optamos por deixar as malas laterais no porão com a moto, inacessíveis durante a navegação. Isso obriga-nos a preparar tudo de forma diferente ainda no Hotel. Connosco fica o necessário para a noite (leia-se mala de depósito e mochila) e para sairmos equipados no desembarque. Para isso, enrolamos os casacos e calças da moto em dois sacos, bem comprimidos. Calçados com as botas e de chinelos na mochila, vestidos com a roupa leve que usaríamos a bordo, subimos. Rapidamente se revela uma excelente opção já que, do porão até à nossa cabina, o caminho é longo e estreito em alguns pontos. Smile! Viajando sozinhos torna-se difícil conseguir fotos connosco a rolar. Este ferry conta com um serviço que fotografa os viajantes no momento do embarque. Na verdade ficámos tão bem impressionados com o resultado e com o facto de poderem ser as únicas fotos que teríamos da viagem toda connosco a rolar, ambos em cima da mota, que acabámos por comprar todas quantas figurávamos. A bordo Uma vez embarcados dirigimo-nos para tomar um duche na cabina, situada na proa do navio no extremo oposto à área de actividades recreativas aquáticas. A perspectiva da piscina anunciada nas brochuras mantinha viva a esperança de nos refrescarmos nesta. Contudo, apenas descobrirmos um tanque vazio, coberto de uma rede de «segurança», à volta do qual se dispunham as cadeiras e mesas de plástico dos dois snack-bares. São

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muitos os serviços a bordo, desde uma loja de recordações, uma zona para as crianças, um salão de jogos ou mesmo um casino para os graúdos. As aberturas e fechos eminentes dos serviços são anunciadas numa voz feminina em espanhol, italiano e inglês. As mensagens chegam-nos cambaleantes, feridas pelo sotaque italiano, e encriptadas através das colunas de som já cansadas de muitas milhas e de tanta agressão. Dança das Cadeiras O chão do convés, na sua maior parte sujo numa polpa de sal do mar e fuligem das chaminés não convida a que nos sentemos ou deitemos. Este facto origina uma disputa cerrada pelas raras cadeiras e espreguiçadeiras. Um personagem em particular, com barba de 3 dias e vestindo uma t-shirt velha contrafeita do Hard Rock Café da sua aldeia natal que não lhe disfarça a barriga, com calção vermelho russo gasto, parece encarnar essa batalha territorial de forma exemplar e irónica. No início, é óbvia a satisfação patente na sua expressão por encontrar aquela cadeira onde com alguma surpresa se conseguiu encaixar. Mas, na busca pelo aparente prazer que a cadeira conquistada lhe proporciona, abdica da sua liberdade durante a viagem. Creio que não tardaria a hesitar, questionando-se sobre se aquele lugar, junto às chaminés ruidosas e literalmente vibrantes, valeria tamanho esforço. Com alguma paciência descobrimos um corredor sobranceiro ao mar, protegido da fuligem e sal, e das multidões que procuram o mesmo Sol poente, agora rubi entorpecido e cansado de um dia árduo e trabalhoso. “Prova filipinos e verás!” Esta embarcação assegura também a ligação ao Norte de África, até Tânger. Os avisos afixados pela embarcação estão disponíveis em espanhol, italiano e árabe., acrescentando um certo exotismo à experiência. Igualmente exótico e algo surpreendente foi o facto da tripulação aparentar ser do sudoeste asiático. Se tivéssemos de arriscar diríamos que se tratariam de filipinos ou tailandeses.

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Ambas as ligações asseguram serviços de restauração e cafetaria, mas o da SNCF para a Córsega destaca-se, tanto na confecção como nas opções e variedade ao dispor. Com o aproximar da hora do jantar, o frenesim rebenta na Cafetaria, junto ao selfservice, onde o multifacetado filipino de rede no cabelo e colher em punho, serve às famílias os pratos pré-confeccionados. Continuamos mais alguns metros até ao restaurante com uma escassa dúzia de mesas, onde um casal italiano vestido impecavelmente já jantava; ele, oferecendo-nos as costas, aparenta ser um membro da tripulação próxima do capitão, acompanhado de uma jovem loura. Encomendamos o nosso pedido ao muito jovem asiático que nos assiste à mesa, abrindo com um Mozzarela caprese, seguido de uma Dourada grelhada preparada pelo chefe italiano, o qual insiste em pessoalmente nos entregar à mesa, junto com o prato de pasta: Penne com pomodoro. “Ó Sole mio!!!” A tripulação não descansa e com uma versatilidade surpreendente (nem sempre acompanhada de virtuosismo) assegura as funções de entretenimento. O espectáculo é algo brejeiro e demasiado ruidoso, agravado pelo péssimo sistema de som. Para nosso especial lamento este acompanhou-nos pela noite dentro no piso sob a nossa cabina. A música finda e somos entregues ao som cadenciado, grave e profundo, dos potentes motores do ferry. Este silêncio quase deixa escutar o som das ondas cortadas pelo Grand Navi Veloci e pela janela ampla da escotilha, baça do sal de inúmeras viagens, se adivinha a espuma do mar, branco vivo no escuro da Lua Nova.

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Route Napoléon

Do mar Mediterrânico para o Mar das curvas e das motas » Distância 620km » Altitude 0-1250 m » Duração 09h-21h » Paragens 1h35’

Esta ligação previa cerca de 600km, sendo que não era opção começar o dia mais cedo pois apenas às 09h o ferry atracaria em Génova. O nosso receio era de não conseguirmos completar o percurso planeado, mais as alternativas pitorescas, nas 11 horas disponíveis. O traçado é, na base, a Route Napoléon com apontamentos inspirados nas viagens sugeridas no livro do John Hermann. Alvorada Depois de um café sofrível servido a bordo, a voz-off incita os viajantes a reunirem-se, despachando estes em lotes temáticos segundo o modo de transporte que optaram. Desembarcamos em Génova, apontando para a A10, passando por Savona e Ventimiglia, em direcção a Nice e Mónaco. Encontramos esta auto- 18 -


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estrada como a deixámos em 2001 na visita a Roma e Toscânia: atulhada de carros e acidentes q.b. a entupir tudo. Neste dia, recebeu-nos com um Sol escaldante, apesar da hora matutina. Filtramos o congestionamento, com um Zig aqui e Zag acolá. Entramos em França pela A8, evitando Nice e Cannes, e subimos até Grasse, onde já estava a Route Napoléon a bater o pé impaciente. O seu pseudónimo esconde o seu verdadeiro nome, D4085 na nova numeração rodoviária francesa (antiga N85). Recebe este nome conjugando D40, do seu novo responsável o Département de Provence et Côte d’Azur), com 85 da numeração nacional antiga. Com o Sol a pino, a estrada faz-se entre os 27 e 36ºC com sombras do tamanho da simpatia dos franceses. Começamos a avistar as primeiras motos, primeiro timidamente e depois em enxames. Quando em cima de uma moto a rolar, o francês parece ganhar jeitos de simpatia que lhe são desconhecidos fora dela. Durante toda a viagem esforço-me por cumprimentar tantos quantos me é possível e a condução me permite e entre os pés, a cabeça ou as mãos lá me vou safando. Curiosa a sensação agradável que nos percorre sempre que nos devolvem o cumprimento, que chega a ser um arrepio que nos deixa os pêlos do braço eriçados. GreNOble Em Grenoble, já em final de tarde avançada, perdemos algum tempo à procura da saída que nos levasse pelo Massif de la Chartreuse pela alternativa até Chambèry. Desistimos e seguimos pela AE até Annecy, comprometidos com a hora de chegada para recepção do apartamento. Este está bastante quente e o sistema de refrigeração é apenas uma ventoinha. Um banho de água fria (ou gelada, na verdade) refresca-nos a tempo de um passeio a pé pela vila e um bom gelado. Tempo ainda para darmos uso ao tripé e tirarmos umas fotos nocturnas.

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Autour de Annecy

O lago de Annecy recebe-nos num programa variado e equilibrado num ritmo calmo » Distância 104km » Altitude 442-1711m » Duração 8h-18h » Paragens 5h20’

Passando pelo ambiente mais mexido do centro de vila à tranquilidade do cimo de Chattillon ou Forclaz, com uma perninha na praia, tudo bem pautado por refeições escolhidas a dedo. Os quilómetros em cima da mota serão poucos, os suficientes para nos fazer chegar aos destinos. Para o almoço Crevettes avec melon au jambon, thon et dourade à la planche; para fechar fraises au mascarpone. Na praia, mojitos e uma sesta, intercalados com banhos de água tépida e transparente. O dia termina a comprarmos as uvas mais caras das nossas vidas a 8€/kg.

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O apartamento no centro da vila envolve-nos no rebuliço, com as varandas a dar para o canal do Palais de Ville, cenário histórico com passado tenebroso, agora ex-libris do turismo pujante e que, a este passado, parece ser indiferente. O dia começa bem cedo (1) para completar a volta ao Lago de Annecy (2), a um ritmo calmo e repousado. A subida até Forclaz (3) valeu pela vista e pela estrada, já que o pequeno-almoço eram sandes de ontem. Fazemos de moto o percurso excelente que nos levará ao cimo do Crêt de Chatillon (6) no final do dia, passando por um almoço fantástico à beira lago no Poisson Rouge em Sevrier (4) e pela praia em Duingt (5), sugestão da nossa garçonette. Enquanto uns dormem uma sesta, outros lamentam não ter trazido o livro. Fechamos o dia a jantar no avant-guarde ContreSens, longe do rebuliço mais turístico da vila. Para-quê? Sobrevoam-nos parapentes num espalhafato rechonchudo de cores garridas à medida que chegamos a Col de la Forclaz. Junto ao café onde paramos começa um carreiro de pé-posto que desaparece por entre as árvores. Neste, vários aspirantes a Ícaro apressam-se a galgar os últimos metros que os separam do êxtase, bombeando adrenalina pelo coração atarefado. Na excitação assemelham-se a filas de crianças na visita de estudo ao Zoo; a maioria optaria pelo voo em tandem, opção que não parece ficar aquém das expectativas a julgar pelos gritos a plena goela. Qual desenhos animados, as úlvias sucedem-se badalando freneticamente. Vai para a minha lista «Um destes dias…».

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Entering Schweïz

Desde Annecy, passando pelo Lago de Genebra, com algumas passagens interessantes, entramos na Suíça » Distância 365km » Altitude 309-1783m » Duração 7h-19h » Paragens 1h05’

Com a alvorada vem uma chuva que limpa o ar. Um pequenoalmoço numa brasserie já fora de Annecy. A subida até Thonon-les-Bains, na margem Sul do Lac Genève faz-se por estradas excelentes, continuando pela estrada marginal até à Suíça noutro tom igualmente agradável. Viajar de moto permite-nos apreciar as vistas e os cheiros (para o bem e para o mal, por vezes): na Suíça, nesta altura do ano, o aroma adocicado do feno domina. O aroma inconfundível sobre Annecy na hora da partida não disfarça a chuva matinal que acabara de cair. As estradas que nos - 22 -


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deixam junto ao Lac Léman são de primeira apanha. Percorrendo ao longo do espelho de água, passando pelo controlo de fronteira e chegamos até o Chateaux Chillon, para espreitar apenas de fugida. Afixamos o dístico para as auto-estradas, recémcomprado na brigada da polícia suíça. A chegada a Interlaken não correu pelo melhor: Primeiro, a hora de travessia de Thün (cidade elogiada no guia) foi de imenso trânsito; Depois, na chegada ao Hotel que havíamos reservado, uma trapalhada com a atribuição de um quarto que não aquele combinado. Resultou no cancelamento e na procura rápida de uma alternativa; Para terminar, o leque de opções de alimentação foi de baixa qualidade mas acaba por cumprir. As boas notícias: só pode melhorar amanhã.

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Jungfraüjoch, top of Europe

Um dia sem moto: apenas transportes públicos e passeios a pé » Distância 30 km » Altitude 557-3603 m » Duração 07h-14h » Paragens 1h30’

食べるか?

*

Na chegada à vila de Interlaken as hordas de nipónicos são impressionantes; estão por todo o lado e em quantidades absurdas. Cheguei a recear não conseguir dormir à noite tal o barulho que imaginava devido aos clicks das máquinas fotográficas (há sempre lugar para um preconceito cultural, não?). Parece óbvio que este destino está no roteiro de “algumas” agências de viagem da terra do Sol Nascente. A povoação, de um modo geral, está inundada de turistas e de comércio a condizer. Para encontrar uma opção para comer, *

“E para comer?” em japonês

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consultamos a secção “Where to Eat” do Michelin, apenas para encontramos um grande vazio: «Estranho», pensamos. Nem por isso; na verdade a Michelin não se arrisca com a restauração nesta povoação e a razão é simples: é muito turística e de baixa qualidade. Sabedoria popular O plano para os 2 dias que ficaríamos em Interlaken teria de incluir o passeio até Jungfraüjoch e algumas caminhadas pela montanha. O mais determinante na escolha dos momentos para cada um destes desígnios seria o clima. Socorremo-nos da experiência local junto do Nikolas, nosso anfitrião no Hotel Bernerhoff, caminhante experimentado e conhecedor da região, como aliás a maior parte dos suíços. Assim, recomendou-nos dois passeios que seriam muito interessantes para compor dos dias na região: 1.

Grindelwald — First — Bachalpsee;

2.

Müren — Schilthorn — Lauterbrünnen;

e reforçou o passeio de comboio até ao topo do Jungfraü e Eigerwald. Quanto à escolha de qual fazer em que dia, teríamos de ver como nasceria o dia seguinte. Assim-assim, mais para o farrusco O dia seguinte nasceu algo encoberto com previsão de ocasionais abertas pelo que decidimos não adiar a visita de comboio e subir desde já. A moto fica na garagem e, no bolso, o bilhete de comboio e o passe de transportes públicos da vila válido para o período da nossa estadia. A subida de comboio permite vislumbrar as paisagens avassaladoras da verdadeira Suíça. Optámos por subir por Lauterbrünnen e descer por Grindelwald, de acordo com as indicações do nosso «guia» local, aproveitando assim melhor a exposição solar e o sistema de vistas. Os comboios funcionam como, bem… creio que dizer como um relógio suíço se adapta na perfeição.

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A roupagem que levámos para o topo da subida foi algo optimista, merecendo uma blusinha mais quente e umas calças mais felpudas para fazer frente aos +3C. Felizmente que nestes dias não se atingiram os ventos de 250km/h já registados nesta estação. A passagem pelo Palácio do Gelo e as visitas exteriores no terraço são feitas ao ritmo do bater de dente, remetendo para outra oportunidade o passeio no glaciar e a visita aos cães de mushing (vulgo trenó de cães). O céu nunca chegou a descobrir-se realmente mas ainda assim o espectáculo é de monta. O rasgar das nuvens pelo ocasional raio de Sol ajuda, revelando jogos de cores e sombras que de outra forma não seriam possíveis. Lá diz o povo: «Se te dão limões…» “Xóxixa?” A refeição na cafetaria do Jungfraüjoch é feita sobre um fundo de português, falado por detrás do balcão. Ao pedido «Eine bockwurst, bitte» recebemos a resposta «Vai querer uma xóxixa?». Já havíamos sido alertados para esta presença dominante, mas suponho que nunca estamos realmente preparados.

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Bachalpsee

Wow! Em final de dia, o melhor dos passeios alpinos da viagem » Distância 24km » Altitude 576-2284m » Duração 14h-18h

Após a visita ao Jungfraüjoch, descemos pelo lado de Grindelwald, onde deveríamos apanhar o teleférico até First e daí caminhar até ao lago de Bachalpsee, passo a redundância. Prometeram-nos 50 minutos para ir e outros tantos para regressar e assim, entre as Milka Cow (foneticamente será Milk Cacao; deve ser por isso que é uma marca de chocolate de leite, achamos nós). As vaquinhas, contudo, não são lilases e brancas para nosso espanto. A última cabine do teleférico regressa às 17h30, deixando-nos cerca de duas horas para ir e voltar, suficiente para 20 minutos de repouso alpino.

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Esta é apenas um dos muitos passeios a pé que parecem artificiais de tão perfeitos. O céu estreia-se na nitidez e apresenta-nos o maciço do Jungfraüjoch e arredores como moldura da caminhada. Ao chegar ao destino, colocamos a máquina fotográfica em modo nipónico e, enquanto dispara freneticamente, ainda temos tempo para nos sentarmos e respirar, uma e outra vez. O dia não acaba sem um lanche com queijo e presunto, regado com imperial e um jantar no PastaTeca do distinto Hotel Victoria no centro de Interlaken. Pode parecer engano, mas as 4 estrelas que atribuímos a Bachalpsee são todas merecidas; é uma opinião pessoal, mas deve pelo menos ser uma boa indicação de que vale a pena. Esta jornada levou-nos aos pontos mais elevados de toda a viagem, tanto físico (associada à altitude de Jungfraüjoch), como espiritual (pelo extraordinário cenário de Bachalpsee). A viagem de comboio em si mesma é um atractivo da viagem, tanto ao longo do vale de Lauterbrünnen como o comboio de cremalheira que daí parte em direcção a Kleine Schleidegg, antes de mergulhar no interior do Jungfraüjoch. Esta última vale essencialmente pela obra de engenharia e as possibilidades que abriu. O teleférico Grindelwald—First abre um cenário bastante bem conseguido, vencendo cerca de 1500m na sua extensão total. Para os mais radicais, inaugurou recentemente uma descida onde sentados numa cadeira presa por um arnês descemos a 80km/h uma extensão de 400m.

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Trümellbachfälle, Müren

Com tempo chuvoso e encoberto, viramo-nos para as alternativas ajustadas » Distância 26km » Altitude 563-2197m » Duração 09h-15h

Pois é... a alta montanha tem destas coisas. Há que aprender a tirar partido do que ela nos tem para dar em cada momento e, não menos do que com frequência, envolve chuva e céu encoberto. Já que não nos livramos da água... Havíamos planeado um passeio no topo do vale, desde Müren até Lauterbrünnen num passeio denominado o Passeio das Flores, o qual acompanha a linha-férrea a curta distância. Apesar de com este tempo não ser tão impressionante, agendámos fazê-lo mais para o final do dia, na esperança que houvesse alguma aberta e o céu se revelasse. Durante a manhã, visitámos as grutas de Trümmelbachfälle declaradas Património Mundial pela UNESCO devido às suas cascatas interiores. A força destas e a sua

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exuberância são de uma dimensão que nos relembra o quão pequenos somos. Algumas cascatas exteriores irrompem de ambas as escarpas abruptas que ladeiam o vale, sendo a mais notória a Staübbachfall e Sefinenfall. Triatlo Durante os percursos deste dia, cruzámo-nos com frequência com os participantes na prova Schilthorn Inferno Triatlo, desde Thün até ao cume Schilthorn, imortalizado pelo cinema nos filmes do James Bond. Pelo menos há gente em pior estado que nós... :)

Se fecharmos os olhos, o aroma guia-nos, mas não necessariamente aquele que esperávamos. É verdade: não é tão fascinante ver água a cair de uma parede abaixo quando temos água a cair por nós abaixo. Ainda assim, as cascatas de Trümmelbach e de Lauterbrünnen merecem a visita, não fora a UNESCO o atestar e, consta, que raramente se enganam. O comboio deixa-nos em Lauterbrünnen e iniciamos a caminhada para Sul ao longo do vale, sempre com o tecto de nuvens. Cruzamo-nos com uma fanfarra peculiar, trajada de equipamento de hóquei no gelo amarelo canário. Esta iria abrilhantar a festa do Triatlo em vários momentos, com uma certa dose de comicidade nas interpretações musicais, não fora as vestes justificarem risota suficiente. Fecha os olhos e diz-me o que vês Ao longo do Caminho das Flores se fecharmos os olhos, ou caso o nevoeiro se adense mais, não nos perdemos guiados pelo aroma. Mas o fiel sabugo farejador seguiria não o rastro floral mas sim o cheiro forte da linha-férrea que regressa depois de Jung- 30 -


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fraüjoch. Suponho que ao princípio estranha-se mas depois entranha-se, acabando por se tornar um activador de memória, agora à distância, que nos faz reviver o momento, como aqueles da nossa infância que nos transportam, deixando a sensação de conforto inexplicável. Em Lauterbrünnen lanchamos uma xóxixa com roti (o mais parecido talvez seja uma omeleta de batata). Fondue ou FonTrio? O jantar no restaurante Schu apresenta-nos o fondue, tão frequentemente associado aos suíços. Optámos por um Fondue Triplo: começamos com um fondue de queijo suíço, depois um fondue em óleo quente com carnes variadas e por último o fondue de chocolate (creio que não será arriscado assumir) suíço.

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Passstrasses, Berner

O dia nasce límpido para a jornada das passagens de montanha mais aguardadas » Distância 334km » Altitude 204-2445m » Duração 07h-16h [10h] » Paragens: 0h40m

Se o número de rodas da nossa montada for igual a 2, este terá de ser o dia mais aguardado de toda a viagem. Foi de tal forma impressionante que repetimos a dose, passando várias vezes nos mesmos troços. Primeiro de manhãzinha cedo, onde apenas umas dezenas de motos partilhavam as estradas connosco até o meio do dia, onde as dezenas se tornam em centenas ou mesmo milhares. Não fora serem tantos kms, corríamos o risco de contrair a Gripe A tal a proximidade física com os demais. Para trás, deixamos Interlaken com um céu perfeitamente descoberto, o que nos causou uma certa irritação depois de 2 dias nublados. Mas viajar em alta montanha é isto mesmo e tirar o - 32 -


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melhor partido possível do que esta nos tiver para dar é nossa obrigação.

Susten, Göschenen, Grimsel, Fürka… … não ficam no ouvido, mas ficam na alma. Mesmo carregada com malas e pendura, e a frente algo leve, fazer estas estradas é uma experiência única. O maior desafio é optar entre as vistas e a concentração na estrada; o melhor mesmo é parar com frequência e inspirar umas boas golfadas de Alpes.

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Regione dei Laghi, Lugano

Reggione dei laghi é para fazer de barco, ora pois então. » Distância 162km » Altitude 170-387m » Duração 08h-15h30

Um dia a percorrer estradas à beira-lago e em passeios de barco no lago de Como em terras Lombardas, como a couve. Uma visita a pé por Como e por Bellagio, na qual sucedeu a primeira vez que comemos mal em solo italiano: uma “pizza” vergonhosa; mas a Coca-cola não estava mal, diga-se.

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Zermatt, Vale du Rhône

As perspectivas são de chuva, mas ainda temos uma esperança de ver o Matterhorn » Distância 430km » Altitude 40-2015m » Duração: 08h-20h » Paragens: 2h20

No dia anterior em cima da mesa de jantar estava a hipótese (algo distante) de prolongar a estadia em Melide por um dia, dadas as previsões de chuva para o próximo dia. Contudo, as previsões para esse trajecto permaneceriam idênticas durante vários dias; acabamos por encher o peito de ar, trocar os casacos de verão pelos impermeáveis e manter o plano. Não tínhamos grandes expectativas de conseguir ver o Matterhorn mas conseguimos bons momentos nesta ligação até Champex-sur-Lac, a Sul de Martigny. O poder do pensamento positivo? Depois do pequeno-almoço sobre o lago no Hotel, seguiu-se a subida matinal até Alpe di Neggia (uma boa opção) onde nos serviram um chá quente num ambiente envolvente junto a uma - 35 -


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opção de alojamento muito interessante para motociclistas, na qual havia pernoitado um casal alemão. A travessia do lago Maggiore, com aromas que evocam o aquário lá de casa, faz-se até Intra-Verbania, num percurso de ferry de 15 minutos, com uma espera máxima de 10. A subida até Motarrone é uma desgraça e com uma portagem absurda, o que não ajuda a aceitar o piso execrável, culminado num destino decepcionante. Toca a descer numa estrada bem melhor, que por sinal assim permaneceria até ao Simplon Pass, após nova travessia de fronteira italo-helvética. Aí paramos junto a outros motociclistas, para uma tarte escolhida de entre uma variedade impressionante: ruibarbo, maçã, pêssego, pêra e outros ingredientes perdidos na tradução. Arriscamos pouco escolhendo a de maçã mas o resultado é algo estranho com uma base de aveia ou cereais. Zermatt Conforme percorremos o vale até à vila de Tasch, desconfiamos das nuvens que engrossam escondendo os cumes, deixando-nos entregues à imaginação de onde se nos poderia revelar o Matterhorn. Ao entrar na vila, apontamos para a bahnhoff† local e estacionamos a moto algures, esquivando-nos ao parque coberto pago, colado às bilheteiras. No tempo de ir comprar os bilhetes da que seria a próxima composição com destino a Zermatt começa a gotejar e em cada pingo de chuva, maior que o desconforto húmido, a confirmação da evasão do Monte Cervino que a mente se esforçava por dissimular. Ainda arrastamos a moto para o abrigo da cobertura da placa que protegia os turistas dos autocarros junto à estação, a tempo de chocar o motorista suíço. Este estranha o quebrar das suas regras ao estacionarmos num buraco não previsto para esse fim. Algo conformado com a natureza rica em diversidade que os turistas mais latinos trazem à Suiça, abana a cabeça enquanto convence o seu mastodonte de 8 rodas a

Estação de comboios

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recuar para mais uma pendular descida do vale e nova leva de turistas. No mudar exacto do segundo que levaria ao minuto descrito no horário, o comboio parte. Sobre a composição moderna, começa a chuva intensa, para lá da qual os nossos olhares insistem e prescrutam o céu em busca dos fugidios picos. A paragem em Zermatt liberta-nos para um frenesim de turistas, onde apenas circulam veículos eléctricos ou equestres. Sentimo-nos como o pequeno barco no mar de Katsushika Hokusai, sujeitos à força da imensa onda japonesa, sempre sem avistar o nosso Monte Fuji em fundo. O motivo aquático persiste e a chuva intensifica agora. Tempo para parar e comer algo, já no regresso ao comboio para regressar em direcção a Champex. Champex-sur-Lac A luz do dia esbatece-se enquanto a chuva cessa por ora e a distância percorrida até à cidade anfitriã do Museu do São Bernardo, Chamberry, faz-se num tiro com o pesar de não ter oportunidade de visitar Sanetsch. Demoramos 40 longos minutos a fazer os 12km subindo, sempre subindo; 22 ganchos ficam para trás na estrada descrita no Michelin como «bastante difícil e não aconselhada a condutores não experimentados em estrada de alta-montanha». Acrescenta ainda que «devem considerar a alternativa por Orsières, a Sul, mais suave e de melhor piso», infelizmente não em tempo útil. Dentro do capacete, ecoa a minha voz «Vamos lá. Está quase», debaixo do som surdo das gotas gordas. É difícil de descrever a satisfação ao finalmente chegarmos ao Hotel. A pior das enxergas teria sido para nós o melhor dos leitos. Quem entrasse no nosso quarto encontraria um cenário de guerra: as roupas projectadas da explosão dos nossos corpos, uma bota aqui e a outra acolá, disputando os escassos locais secos.

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O jantar, servido tarde (21h) para os padrões franceses, seguiu-se ao obrigatório banho. Findo o repasto restam apenas forças para nos arrastarmos até ao elevador e, com os olhos semicerrados e entre bocejos, a chave roda na fechadura e o corpo sucumbe para já só acordar no dia seguinte, com os primeiros raios de Sol e os chilreios no pano de fundo do lago de Champex.

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Grand St. Bernard …et Petit, aussi

Grand ou Petit, desde que seja São Bernardo » Distância 340km » Altitude 590-2778m » Duração 8h-17h30 [9h]

Saint-Bernard: O que apareceu primeiro? Os monges ou o cão? Terá sido a cavalo de um destes Grandes São-Bernardos que destemidos líderes, como Napoleão ou Charles Magne, atravessaram os Alpes? Não, nem por isso. Mas também não foram os monges que ajudaram, consta. Resumindo, caberá aos historiadores pegar nesta investigação e levá-la até às últimas consequências.

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A Local Shop

Já sentiram aquela sensação onde no fechar de uma porta por trás de nós, se revela algo que não esperávamos? Já sentiram aquela sensação quando, de repente, parece estarmos num sketch do Local Shop‡? Onde no fechar de uma porta por trás de nós, se revela algo que não esperávamos? Been there! Recomendamos parar para um chá (tudo menos cappuccino) no Cantine Aoste no Col du Grand-St.Bernard onde uma senhora de outros tempos vos acolherá numa casa de igual período. Sabei contudo que é mais fácil lá chegar, do que de lá sair. As viagens são potenciadas pelas aventuras e pessoas com que nos cruzamos e esta partilhamos convosco.

Episódio da série britânica de humor League of Gentlemen, da BBC

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O Desejo por um cappuccino Deixando Grand St.Bernard, logo após as primeiras curvas surge um edifício de dois pisos, macilento e de linhas austeras, o qual tomaríamos pelo Hospizio do Grand St. Bernard não fora termos passado por ele há um par de kms. Aqui fica a Cantine Aoste, com uma fachada principal dominada pela porta principal, onde à sua direita uma silhueta de um cavalo erguido nos seus membros posteriores se ergue, impelido por Napoleão, presumido cavaleiro. A porta aberta oferece uma escada íngreme, com uma passadeira coçada e ladeada por vasos de plantas e flores interiores. No topo uma segunda porta maciça fechada não deixa adivinhar o que esconde. Um letreiro junto à porta anuncia em francês o serviço de café, e convida a soar a sineta e aguardar. Desejosos duma bebida quente, puxamos duas vezes a comprida corda que cai à altura dos olhos, aguardando junto à rua a resposta. São precisos alguns minutos para entreabrir-se a segunda porta, onde emerge a cabeça de um personagem magro nos seus 40 anos com óculos de aros metálicos e lentes fundas. Solta algumas palavras em francês, confirmando-nos tratar-se de um café, convidando-nos a entrar, subindo. Já no interior da casa, com tectos altos e soalho irregular de tábuas de madeira antigas, reiteramos a nossa intenção não certos de estarmos no local certo. O rapaz confirma-nos e aponta-nos uma sala pequena ao fundo do corredor onde deveríamos aguardar. No caminho à nossa direita, uma pequena divisão que aparenta servir como escritório, disposto em volta de uma secretária antiga. A parede por detrás da cadeira de costas altas e almofadada suporta algumas ilustrações sobre um motivo napoleónico. A parede oposta, iluminada pela primeira janela, é forrada de livros de encadernação cuidada mas antiga. Em 3 passadas entramos na 2ª divisão, onde termina o estreito corredor. Nesta salinha de chá juntamo-nos a duas senhoras francesas à volta da mesa baixa de tampo de mármore sobre a qual repousa o conjunto de chá com 2 chávenas vaporosas em porcelana fina. De costas para quem entra a proprietária da Cantine, personagem central da conversa, envolvida pela poltrona acolchoada, apressan-

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do-se a desculpar-se por não se levantar, revelando a sua condição doente e de mobilidade reduzida. Somos recebidos calorosamente apesar de não conseguirmos disfarçar o pasmo e a surpresa perante o cenário, inseguros sobre como reagir ao mesmo. Procuramos o mais simpaticamente possível recusar o convite para que nos juntemos à conversa em torno da mesa, preferindo a esplanada nas traseiras que avistámos da estrada. Em tão inesperada companhia e equipados a rigor não disfarçamos como viajamos e a conversa cresce, enquanto satisfazemos alguma curiosidade: onde íamos, de onde partimos ou porquê de mota. «Não é comum vermos portugueses por estas lados», diz uma das convidadas, deixando-nos algo orgulhosos reforçando o nosso sentido aventureiro e pioneiro, certos de que não seríamos os primeiros lusos a aventurar-se por aqui. Convidam-nos a estar à vontade e usufruir do resto da casa enquanto aguardamos os dois cappuccinos. «Aceitem um chocolate, por favor», oferece a nossa anfitriã. «Obrigado, mas acabamos de regressar da Suíça» , respondo. O Col de Grand Saint Bernard separa a Suíça da Itália e, do lado italiano, «o chocolate é muito melhor», é-nos dito, apesar de controverso. O acesso à cozinha faz-se por uma 3ª divisão que mais se aproxima de uma sala de refeições, iluminada pelas janelas mais amplas das traseiras. Uma comprida mesa rodeada de 8 cadeiras colabora na recepção aos hóspedes da Cantine por altura do pequeno-almoço. Os quadros e pinturas mantêm o tema, variando apenas no estilo e arrojo. O objecto retratado frequente levanos a ponderar se a montada de Napoleão terá alguma vez pousado as patas dianteiras no chão. Guiados pelo rapaz, encontramos o caminho até à porta traseira descendo um piso por uma escada de pedra estreita com paredes caiadas. As divisões deste piso baixo são bastante diferentes do piso nobre, despidas de quadros e com um mobiliário algo anacrónico entre uma mesa de matraquilhos e alguns espaços para jogos infantis. Uma grade pesada de ferro pintado de negro resiste a abrir-se, rodando sobre os gonzos preguiçosos e pouco oleados. Ultrapassada a porta, o pequeno patamar exterior revela a - 42 -


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paisagem de todo o vale, ao longo do qual ondula a estrada. Conduz-nos a uma outra escada que desemboca num terreiro onde nos serviriam numa mesa leve e algumas cadeiras de plástico. O rapaz regressa para abrir a porta aos demais incautos aventureiros, um casal francês empurrando um carrinho de bebé e mais dois filhos. Acedem directamente por uma escadaria lateral, por entre os estendais de roupa lavada onde lençóis brancos adejam ao vento, num esforço muito familiar para aproveitar os dois raios de Sol desse dia. Infelizmente as bebidas revelam-se o pior da experiência a ponto do casal se esgueirar sem dar mais nenhuma satisfação, tal o desapontamento pelos cappuccinos de pacote, mal preparados. Incapazes de terminar as nossas bebidas, retomamos a companhia simpática e acolhedora para agradecer e pagar, despedindonos da conversa que teimava em estar longe de acabar. Curiosa esta opção em abrir a casa a quem passa, ávida de momentos de conversa que trazem até si o mesmo Mundo que a sua condição física lhe negou de testemunhar pessoalmente. Mais do que as bebidas oferecidas, alimentamo-nos da esperança de termos sido bem sucedidos em pintar um quadro realista e apetecível de um pequeno País distante chamado Portugal e desta nossa forma de viajar numa moto pelos Alpes.

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Val d’Isère, La Bonette

Cols d’Izoard, de Vars ou de la Bonette, com uma perninha em Roubion » Distância 900km » Altitude 0-2819m » Duração: 08h-24h [16h]

Este foi um dia longo, daqueles que quando chegamos ao fim temos dificuldade em acreditar que, ainda de manhã, estávamos tão longe e a viver experiências tão díspares. Começou com 3 passagens muito boas (Izoard, Vars e Bonette), com interregno para almoço num sítio muito simpático (Saint Etiènne-sur-Thins) e duas aldeias únicas: Roubion (uma das

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Villages Perchées§) e Entrevaux (uma das fortificações concebidas por Vauban**). Depois, seria o caminho até à próxima estadia planeada para Avignon. Mas conforme nos aproximamos e nos cruzamos com indicações para Barcelona rapidamente mudamos de ideias. Ligamos para o Hotel em BCN e metemo-nos ao caminho. Refuge Napoléon Saimos do Hotel sem tomar o pequeno-almoço, aposta vencedora pois o Refuge Napoléon em Col d’Izoard é uma opção muito melhor. Numa mesa da esplanada, com vista para o vale onde ainda não chegou o Sol, oferecem-nos fatias de Pain de Angel (semelhante a fatias douradas, mas em pão de baguete) junto com o nosso pedido. Entre uma e outra dentada, começam outras motas a acordar, primeiro ao longe adivinhando-se o contornar das cruvas pelo rugir dos motores distantes ainda. Inchados com tanta bonomia apontamos para La Bonette, seguindo na peugada dos demais companheiros de estrada. A paisagem altera-se: um terreno lunar, negro e árido, ganha agora terreno sobre as anteriores verdejantes encostas. De caminho, paramos em Le Casse Desèrte, cujo nome deixa adivinhar o fim da luxúria vegetal, agora dominados por penedos abruptos. São muitas as motos e ciclistas no alto gélido dos 2800m de La Bonette, onde decorre a disputa pela fotografia junto ao pedregulho com a placa comemorativa da vitória dos engenheiros sobre a montanha. Esta relembra o papel de Napoléon em 1860 na sua inicial construção, sempre sobre a égide da Defesa Militar. Ao longo do Thins Na descida ao longo do rio Thins, paramos para almoçar umas omeletes aux herbes e du jambon et fromage em St.Etiénne sur§

Aldeias encarrapitadas seria uma boa tradução.

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Arquitecto ao serviço de Louis XIV, encarregue com a missão de fortificar cidades estratégicas na defesa do Reino

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le-Thins. A esplanada parece servir tanto os locais como os vários motociclistas que percorrem a Route des Grandes Alpes. A variedade dentro deste grupo é interessante; desde o casal domingueiro com moto acabada de sair do stand até ao grupo de alemães que prefere fazer uso de umas Beemers do tempo da Grande Guerra. A paisagem torna a alterar-se, onde no meio dos bosques frondosos despontam aldeias, encarrapitadas com a torre da igreja local a destacar-se na silhueta da povoação de Roubion. O desfiladeiro das Gorges du Daluis volta a baralhar e desta vez o naipe é copas: são vermelhas as rochas de uma estrada que em cada curva parece querer fugir a mais um túnel que a fere, aqui, ali e outra vez acolá. É sobre este manto tinto rochoso que se ergue então Entrevaux, eleita por Louis XIV e seu arquitecto Vauban para se distinguir, fortificada em muralhas e torreões. Pelo caminho, bandeiras e estandartes assinalam a vitória em conquistar mais um lanço de escadas inclinadas. Depois de reabastecermos a moto e comer um gelado seguimos viagem, apontando para Avignon, mas acabando realmente em Barcelona.

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Barcelona, You Will Always be my Town

Ora para começar as férias ou para terminar, BCN cai sempre bem Barcelona! (suspiro) O que tem esta cidade que nos faz voltar, uma e outra e outra vez? Tudo! Desta feita, serviu como recuperador de forças; retemperadora e enfastiante, mesmo debaixo de um calor abrasador. Em Agosto estamos na época baixa, o que quer dizer que está a 90% das suas capacidades. A viagem no primeiro dia até Barcelona fizemo-la com alguma tensão devido à emissão tardia da carta verde do seguro e ao facto de recentemente a moto ter apresentado alguns problemas eléctricos, pairando o fantasma de poderem voltar a manifestarse. Chegámos perto das 21 sem problemas de nenhum tipo. Pelo caminho, encontramos vários grupos de motociclistas que iniciavam as férias, entre eles uma dupla em BMW (1200RT e

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1200GS) de baterias apontadas para Stelvio Pass, Eslovénia, Croácia, Sérvia, Itália e regresso.

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Estadias, hotéis e afins

Onde ficámos e o que achámos… …também onde gostaríamos de ter ficado A escolha dos sítios onde ficamos a descansar desempenha um papel importante neste estilo de viagem, mais exigente fisicamente. Nenhumas das nossas escolhas acabou por comprometer o repouso, mas algumas souberam a pouco dadas as expectativas criadas por nós. Outros surpreenderam (Champex e Comtes), quer pelo conforto ou pelo sentido de oportunidade. Un Lieu Unique, Annecy FR Apartamento remodelado no centro da vila histórica. A localização é bestial, do melhor mesmo, completamente imerso no frenesim do centro da vila histórica, com o canal a correr sob as várias pontes; tudo à vista de uma varanda para desfrutar. As opções de decoração nem sempre conjugam mas o conceito é vencedor. Não tem recepção ou serviços associados: é um apartamento que alugamos. - 49 -


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Hotel Bernerhoff, Interlaken CH Hotel central dos anos 70, limpo e com pessoal simpático. Esta não foi escolha para Interlaken com a qual saímos de Portugal; ao chegar ao Lotschberg Hotel ignoraram a nossa reserva, dando-nos um quarto que não pedimos. A opção do Bernerhof resultou bem pela componente humana e social, onde obtivemos boas sugestões para aproveitar os 2 dias inteiros na área. Obrigado, Nikolas. Hotel del’Lago, Melide CH Design hotel sobre o lago com um restaurante e lounge óptimos. Esta estadia tinha tudo para ser óptima: um lago sobranceiro com lounge, bar e restaurante sobre este, um quarto com estilo e uma localização calma e distante da Lugano, mais cosmopolita. Tirando algumas opções de decoração pior conseguidas e uma rua com movimento a mais e acústica desconfortável, estava tudo óptimo. Recomendado! Hotel du Glacier, Champex CH Hotel de montanha em madeira, acolhedor e a cheirar a inverno. Não sendo justo para os demais hotéis, este teve a seu favor ser uma vista abençoada na chegada. Mas, mesmo sem esse facto, está num local bestial, com pessoal muito atencioso, e uma envolvência que apetece voltar numa passagem de ano com a madeira a estalar na lareira e a neve lá fora, com um lago gelado. Recomendado! Hotel Parc Hotel, Briançon FR Hotel no centro da cidade comercial. É daqueles sítios que, não havendo nada de mal para apontar especialmente, também não há nada com que fiquemos bem impressionados ou saudosos. O serviço é fraquito e a roçar o antipático e impaciente e a localização é central, mas não para o que importa, i.e. a fortificação de Vauban. A evitar.

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Hotel Comtes de Barcelona, BCN ES Hotel de charme no Passeig de Grácia. Genial: Serviços, atendimento, quarto, bar, piscina, estacionamento, localização: tudo muito bom. Se tivesse que escolher um ponto pior conseguido diria “internet não devia ser paga para os clientes num hotel de 4 estrelas”. Mas é um pormenor. Recomendado!

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2009 ride through the Alpes

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