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FEVEREIRO 2013 · Diretora HÁLIA COSTA SANTOS · Editora JOANA MARGARIDA CARVALHO · MENSAL · Nº 5504 · ANO 112 · DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

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de

jornal abrantes

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Mação, Sardoal, Vila de Rei, Abrantes, Constância e Vila Nova da Barquinha Alvará 155A

Autorização 96

Departamento Comercial Nelson Rosa PRÓXIMA FORMAÇÃO: 18 FEV 2013 Horário Pós-Laboral 968 647 094 | nerosa@sapo.pt

ENTREVISTA

“O Estado devia autuar as pessoas que trabalham à margem da lei” Especialista em microempresas, Paulo Niza critica o novo regime fiscal em vários aspetos. Fala sobre as novas regras e sobre as dúvidas mais comuns. Na sua opinião, “o IVA é uma aberração, deu-se o golpe final em setores como a restauração e o turismo”. página 3

REGIÃO

II Encontro Ibérico do Azeite já tem data marcada

Riquezas dos rios voltam a atrair interesses Constância pode vir a ter um barco turístico. Vila de Rei prepara mais infraestruturas para as praias fluviais. Em Abrantes surge a possibilidade de mais uma praia, nas Fontes. Mação quer apostar na reabilitação da pesqueira. Especial Rios. páginas 10 a 15

Receba comodamente o Jornal de Abrantes em sua casa 12 publicações · 10 euros (despesas de envio) · 241 360 170

A 22 de fevereiro arranca, em Abrantes, o II Encontro Ibérico do Azeite. O programa promete conferências com especialistas, mas também atividades em torno da cosmética, prova de petiscos e venda de produtos relacionados com o ouro vegetal. página 9

AGRICULTURA

Abrantes disponibiliza terrenos para os munícipes terem hortas A Câmara de Abrantes abriu concurso para o cultivo de 36 parcelas de terreno, entre os 50 e os 100 m2, na quinta da Arca d’Água. Qualquer munícipe pode agora ter a sua horta. Um projeto idêntico existe também em Vila Nova da Barquinha. página 7 e 16


2 ABERTURA FOTO DO MÊS

EDITORIAL

de

jornal abrantes

FEVEREIRO 2013

FICHA TÉCNICA Diretora Hália Costa Santos (TE-865) halia.santos@lenacomunicacao.pt

Editora Joana Margarida Carvalho (CP.9319) joana.carvalho@lenacomunicacao.pt

Voltar aos rios

Sede: Av. General Humberto Delgado – Edf. Mira Rio, Apartado 65 2204-909 Abrantes Tel: 241 360 170 Fax: 241 360 179 jornaldeabrantes @lenacomunicacao.pt

Redação Ricardo Alves (TP.1499) ricardo.alves@lenacomunicacao.pt

Alves Jana André Lopes Paulo Delgado

Publicidade Miguel Ângelo 962 108 785 miguel.angelo@lenacomunicacao.pt

Secretariado

O mau tempo que se fez sentir em Abrantes e em toda a região, no fim-de-semana de 18 e 19 de janeiro, deixou marcas em vários locais. No Parque Urbano de S. Lourenço as árvores sentiram bem a força dos ventos.

INQUÉRITO

Como vivenciou o mau tempo que se fez sentir no fim-de-semana de 18 e 19 de janeiro?

Isabel Colaço

Design gráfico António Vieira

Produção gráfica Semanário REGIÃO DE LEIRIA

Impressão Grafedisport, S.A.

Editora e proprietária Media On Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65 2204-909 Abrantes

GERÊNCIA Francisco Santos Ângela Gil

Paulo Gaspar

Paulo Figueiredo

Isabel Colaço

Abrantes

Constância

Abrantes

Foi uma sensação terrível. Fiquei por casa com a família, assistindo atónitos ao que se passava aqui na região e, através da televisão, também noutros pontos do país. Foi uma coisa completamente anormal. Parecia que o vento ia levar tudo, e em muitos casos levou mesmo. Deu para assustar.

Nunca pensei ver tamanha tempestade por aqui. O mundo está mesmo de pernas para o ar. No pior momento encontrava-me em viagem e foi assustador, até porque ia levando com uma árvore em cima. Foi por pouco, mas tive ainda tempo de chegar a casa e recolher o gado. Já não saí mais.

Não estava na região quando o pior aconteceu, mas acompanhei tudo pela comunicação social. Foi horrível de se ver. Isto só prova que realmente contra a natureza, não há mesmo nada a fazer. Fiquei muito triste por ver tanta destruição. O que aconteceu, nunca tal tinha visto.!

HÁLIA COSTA SANTOS

SUGESTÕES Departamento Financeiro Ângela Gil (Direção) Catarina Branquinho, Gabriela Alves info@lenacomunicacao.pt

Joana Grácio

Sistemas Informação Hugo Monteiro dsi@enacomunicacao.pt Tiragem 15.000 exemplares Distribuição gratuita Dep. Legal 219397/04 Nº Registo no ICS: 124617 Nº Contribuinte: 505 500 094 Sócios com mais de 10% de capital Sojormedia

jornaldeabrantes

A força da natureza faz-nos sentir mais fracos. Perante a violência dos ventos e das chuvas não há nada a fazer, a não ser esperar que passe a tempestade e que venha a bonança. No fundo, embora este cenário em que estivemos há pouco tempo tenha sido passageiro, em sentido figurado é um pouco assim que todos andamos: à espera que passe o mau tempo. Se há raros momentos em que a natureza nos deixa impotentes, a verdade é que no resto do tempo os recursos naturais são uma das maiores riquezas que temos. A terra e a água dão-nos quase tudo aquilo de que precisamos para viver e muitas vezes esquecemo-nos disso. Felizmente que existem, cada vez mais, instituições, associações e indivíduos preocupados com estas questões. Numa região como a nossa, importa valorizar os recursos naturais que existem porque deles podemos retirar um conjunto diversificado de vantagens, desde o desenvolvimento económico até à oportunidade de usufruir de espaços de lazer. Mesmo com pouco dinheiro disponível, os rios estão na mira de quem quer promover o desenvolvimento. O Tejo e o Zêzere são riquezas imensas que temos à nossa porta. Há que ajudar a promover o seu potencial ainda mais. É preciso divulgar, é preciso cuidar, é preciso gostar. Atividades como o turismo e a pesca são fundamentais, mas a navegabilidade do Tejo volta a estar na ordem do dia. Como as coisas estão, o mais provável é que, mais cedo do que se possa pensar, esta a via da água volte a ser usada como via de transporte até Lisboa, em alternativa à via terrestre e mesmo à via férrea.

UMA POVOAÇÃO Évora

sigo repetir vezes sem conta.

por bem

UM CAFÉ Em Abrantes, dois: Alcaide e Chave Douro.

UMA VIAGEM A Barcelona.

UM SONHO Um? Muitos!

UMA FIGURA DA HISTÓRIA Da História recente, Salazar para lembrar aos esquecidos que foi um ditador.

UMA PROPOSTA PARA UM DIA DIFERENTE NA REGIÃO Uma proposta para um dia diferente na região? O roteiro dos 3 Castelos. Castelo de Abrantes, visita à cidade, fazer um pequeno desvio até à Vila de Sardoal, seguir até ao Castelo de Almourol e, a caminho da barragem de “Castelo” de Bode, conhecer Constância.

PRATO PREFERIDO Vários, difícil eleição… UM RECANTO PARA DESCOBRIR Gerês IDADE 32 anos RESIDÊNCIA Abrantes PROFISSÃO Coordenadora Técnica do INOV´LINEA

UM DISCO Best of 1980-1990, U2.

UM MOMENTO MARCANTE O dia da queima das fitas por ter sido o dia em que me apercebi que ia realmente terminar aquele período

UM FILME Nothing Hill porque con-

UM PROVÉRBIO Há males que vêm


ENTREVISTA 3

FEVEREIRO 2013

PAULO NIZA FORMADO EM GESTÃO DE EMPRESAS E RECURSOS HUMANOS, ESPECIALISTA EM MICROEMPRESAS

Paulo Niza é o diretor da empresa Centro de Negócios e Empresas, sediada em Almeirim. Em entrevista ao JA destaca os principais constrangimentos e situações a ter em conta com o novo Orçamento de Estado de 2013, bem como a carga fiscal que está aí para ficar. Como é que é ser empresário em Portugal, numa altura destas? No universo das microempresas existem dois grandes grupos de empresários: os empresários mais antigos que têm tentado levar por diante as suas atividades económicas, com métodos e técnicas mais retrógradas, e que agora não estão a sobreviver. Isto está acontecer por falta de adaptação em tempo real, e por aspetos culturais que inibem essa adaptação rápida. São pessoas que laboram na sua maioria no comércio tradicional, é um morrer constante que se destaca e uma passividade face a este desenvolvimento. O outro grupo de empresários é mais jovem, com formação, que começa a perceber que vivemos num mundo globalizado, buscando novas referências, especialistas, novos setores económicos. Reúnem vários fatores para tornar os seus negócios viáveis. Como é que esta carga fiscal vai alterar a vida dos empresários? Os profissionais por conta de outrem foram os mais afetados pelos aumentos da carga fiscal e vão perceber que quando forem fazer o seu IRS vão compreender que deixou de ser possível deduzir qualquer tipo de despesa, saúde, crédito habitação, etc. Já os empresários e as empresas não foram assim tão afetados pela carga fiscal, a única exceção está relacionada com a alteração da taxa do IVA em alguns setores de atividade, por exemplo na restauração, que provocou sérios constrangimentos. Com o aumento da carga fiscal o que ficará mais afetado é o consumo e é sobretudo o comércio tradicional que vai perder mais. É o setor com menos capacidade de competitividade e inovação. Situação que os grandes grupos económicos contornam facilmente.

Quais são as dúvidas mais frequentes que os contribuintes têm sobre as contribuições e impostos? O que mais perturba as pessoas? A incerteza da continuidade das políticas, o quanto é válido tanto esforço, pois cada vez mais me convenço que é em vão. A estrutura de custos da máquina estatal continua intocável. Todos os políticos com responsabilidade no nosso país continuam sem explicar onde é que está a ser gasto o montante que está a ser retirado aos portugueses, pois o défice continua a aumentar e o PIB a contrair. As dúvidas mais frequentes são sobre a emissão de faturas, novos softwares e novas responsabilidades fiscais que passaram a existir este ano. No meu entender, nada do que está a ser exigido aos empresários é preocupante, agora seria necessário, primeiro, a existência de uma cultura de inovação. Mas nós portugueses funcionamos um pouco com a dinâmica do “tem que ser”. Que novas regras de faturação entraram em 2013? Podemos continuar a recorrer às faturas manuais, contudo, em alguns casos, se não adquirir determinado equipamento informático continua sem conseguir cumprir a nova obrigação fiscal, que implica o envio da faturação até ao dia 8 do mês seguinte referente ao mês anterior. É tecnicamente impossível, por exemplo, um quiosque de tabaco e jornais registar manualmente no portal das finanças cada produto vendido até ao dia 8. Assim sendo, torna-se muito mais prático ter um equipamento que faça um ficheiro com a totalidade das vendas e faturação, para se enviar, como se envia um simples email. Quem nunca passou faturas, quem não lida com novas tecnologias, isto é o fim do mundo é o cabo dos trabalhos. Tem conhecimento de empresas na região que estejam em dificuldades ou que tenham fechado portas por causa das tributações fiscais? Sim tenho, mas que não fecharam a porta para finalizar a ativi-

Joana Margarida Carvalho

“A estrutura de custos da máquina estatal continua intocável”

• Paulo Niza: “A função pública está a sofrer um nivelamento para a realidade” dade profissional mas sim para passar para a economia paralela, e isso é degradante. Penso que o Estado português, através do Ministério das Finanças, em vez de fiscalizar constantemente quem está a cumprir e a fazer um grande esforço devia, sim, procurar e autuar estas pessoas que trabalham à margem da lei. Este é um grande problema e que não parece ter fim. Qual a sua opinião sobre as percentagens do IVA? O IVA é uma aberração, deu-se o golpe final em setores como a restauração e o turismo. Já em 2010 previa esta situação e com o avançar do tempo fiquei admirado como é que não houve uma associação empresarial ligada ao setor da restauração a debater e a discutir este assunto. Tanto as associações como os empresários permitiram que esta lei fosse aprovada. Não houve um pedido de revisão, não houve discussão. É uma situação que hoje já não se vai reverter e que vai levar ao encerrar da maioria dos serviços de restauração. Concorda com os atuais escalões de IRS? Não, neste momento colocou-se demasiada pressão tanto ao nível

do IVA como também do IRS. O Governo entende que deve de solicitar faturas a todos os setores, desde cabeleireiros, oficinas e casas de restauração que, ao que parece, são os “maus da fita”, entendidos como aqueles que mais fogem ao fisco. É um contrassenso! Posso dizer que estive a fazer contas, e teria de gastar cerca de 7 mil euros nestes serviços para depois deduzir cerca 10 ou 15 euros em IRS. É um controlo máximo, onde cidadãos controlam cidadão. O pagamento dos subsídios por duodécimos é um mal menor para os funcionários públicos? Tudo o que a função pública consiga segurar hoje em dia é muito bom. Durante muitos anos foi um sector privilegiado. Em determinada altura pensei que na sociedade portuguesa existiam dois grupos: a função pública, muito egoísta, muito na política do “venha a mim”; e os outros, aqueles que tinham de sustentar esta dinâmica. Hoje a função pública está a sofrer um nivelamento para a realidade. Assim, o pagamento em duodécimos é um mal menor. No caso dos privados, como é que um contribuinte saberá qual a

melhor opção para si próprio, em termos fiscais? A melhor forma será o pagamento dos subsídios por duodécimos. Para os proprietários das empresas não cria dois picos de custos em dois meses do ano. Se estes subsídios forem pagos desta forma é um compromisso bom e de acordo com a legislação. Como é que os contribuintes podem fazer uma simulação sobre o que vão pagar de IRS para não terem surpresas? Já devem estar disponíveis os simuladores na internet que vão permitir ajudar as pessoas neste âmbito. Que tipo de estratégias é que tem optado para levar o sucesso por diante na sua empresa? Formação e Informação. Hoje, sem isto, não é possível trabalhar bem. Toda a estrutura deve ser ágil e flexível, o executante tem de ser bom e ponto de final. A mão-de-obra qualificada é essencial e o serviço tem de estar permanente adaptado e ajustado às necessidades do consumidor. Estas são as minhas máximas. Joana Margarida Carvalho

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4 REGIONAL

FEVEREIRO 2013

RPPSOLAR: NOVOS EPISÓDIOS DE UMA HISTÓRIA QUE VEM DESDE 2009

Mais um adiamento mas sem data definida Depois de se comprometer a liquidar o pagamento de 1.1 milhões de euros no dia 14 de janeiro, Alexandre Alves solicitou nova prorrogação de prazo para sextafeira, 18 de janeiro. Não cumpriu. Já não se trata de uma garantia bancária, mas sim do pagamento integral da verba despendida pela Câmara de Abrantes, que decorre de uma proposta do empresário para alterar o protocolo inicial, assinado em 2009. Essas alterações

– mudança da sede da empresa para Lisboa incluída – permitem que após o pagamento da verba o empresário fique na posse dos terrenos e com eles faça o que entender. Segundo uma nota da autarquia, a data seria definida durante a semana, no dia 28, Maria do Céu Albuquerque ainda não “tinha reunido com o advogado da Câmara”, não se sabendo a data definida. A presidente abrantina, questionada so-

bre as justificações de Alexandre Alves para o atraso, falou de “dificuldades de financiamento por parte do promotor”, informações que foram “trocadas entre advogados representantes das duas partes”. Desde há cerca de um mês que a palavra ‘Elefante Branco’ ecoa quando se fala na RPP Solar. Para a autarca, o objetivo da Câmara deve passar “por não deixar que se crie um no concelho”. Ricardo Alves

RPPSolar em números

apresen•touEmpresário proposta para alterar o protocolo assinado com a Câmara de Abrantes

- 2009, Outubro, assinatura do protocolo e venda do terreno - 1.900 postos de trabalho previstos até 2013 - 1000 milhões de euros de investimento previsto - 82 hectares de terreno em Concavada - 1.1 milhões pagos pela autarquia para adquirir terreno - 100 mil euros, valor de venda do terreno à RPP Solar - 3 vezes que promotor falhou entrega de garantias bancárias - 3 vezes que o promotor falhou pagamento dos terrenos - 11 vezes a oposição perguntou ao executivo quem redigiu protocolo - 11 vezes que não obtiveram resposta

ENGENHEIRO QUE SE CANDIDATOU A UMA DAS VAGAS CRITICA O PROCESSO DA RPPSOLAR

“Deveria existir alguém que saísse culpabilizado deste fracasso” Quando o projeto foi anunciado criou-se a ideia, aliás veiculada pelo próprio empresário, de que o concelho e a região iam dar um salto de gigante, não só no número de empregos criado mas também nas condições salariais que a RPP Solar oferecia, “bem acima da média”, segundo Alexandre Alves. Três anos e três meses depois, o Jornal de Abrantes falou com um dos candidatos, que pe-

diu anonimato, a que chamaremos António. António, na altura a morar na Irlanda, teve conhecimento do projeto através de uma amiga que vive na zona Abrantes. Interessado e entusiasmado pelo que lia sobre o projeto agendou em novembro de 2010, uma entrevista em Lisboa, com a empresa, em que estava presente “a presidente executiva e um engenheiro de nacio-

nalidade espanhola, o qual me colocou algumas perguntas técnicas”. A entrevista correu bem e António chegou mesmo a “propor o valor para o salário mais o subsídio de alimentação”. Disseramlhe que seria para começar em janeiro de 2011. O posto que o esperaria era no “ramo das utilities, ou seja, fazer um pouco de tudo, basicamente”. Engenheiro Electrotécnico de profissão, An-

tónio deu um passo atrás e não voltou a Portugal. “Estávamos a falar de um projeto com uma dimensão enorme, no qual a inovação dos painéis solares está em constante desenvolvimento, o que significa, o que hoje é novidade, amanha é considerado obsoleto.” Os atrasos que o projeto foi sofrendo e o facto de o investimento ser tão elevado levam o emigrante

português a afirmar que se na altura o projeto fosse em frente “entraria numa espiral sem fundo e sem retorno de qualquer capital”. Mal pensaria António que dois anos depois, em 2013, a RPP Solar continuaria sem arrancar. “Um projeto designado como projeto PIN jamais deveria ter um fim como este”, defende António, criticando os responsáveis pelo desenrolar do processo: “Deveria

existir alguém que saísse culpabilizado deste fracasso, pois mais uma vez é o dinheiro dos contribuintes que foi usado”. Olhando para trás e perante a decisão de voltar a Portugal ou ficar na Irlanda, António “alegra-se de não ter feito essa opção pois hoje provavelmente estaria a contribuir para aumentar a lista de desempregados do país”. Ricardo Alves

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URBANISMO 5

FEVEREIRO 2013

JOVENS COMERCIANTES VÃO TER INCENTIVOS NO ÂMBITO DA REGENERAÇÃO URBANA

Centro Histórico de Abrantes vai mudar Projetos em marcha O Vale da Fontinha está a ser concebido por forma a tornar-se um parque de mercados totalmente requalificado. O Mercado Diário que está em fase de construção, mas com a insolvência da empresa responsável vai ser entregue a uma outra empresa construtora para terminar a obra. A Rodoviária Antiga que vai ser um novo Centro de Saúde e a Segurança Social. O Museu Ibérico de Arqueologia de Abrantes vai ser instalado no convento de São Domingos, uma requalificação que está para breve. O antigo edifício do IEFP que vai ser uma nova residência para estudantes. A antiga pensão, junto ao edifício dos Paços do Concelho, vai servir para habitação. No edifício onde se encontra a Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA) vai ficar uma Casa da Cidadania. O antigo Quartel dos Bombeiros está destinado para a Galeria Municipal de Arte. Na Casa do Comandante, junto a este antigo quartel, será instalada uma residência artística.

• Igreja de São Vicente será um dos edifícios a restaurar A Biblioteca Municipal António Botto recebeu a última sessão sobre a Regeneração Urbana para o centro histórico de Abrantes, no passado dia 10 de janeiro. Augusto Mateus apresentou a estratégia global de intervenção para o centro da cidade. Uma apresentação que se focou no Estacionamento, no Comércio e no Espaço Público. Maria do Céu Albuquerque, presidente da autarquia, sintetizou o que vai acontecer em termos práticos. Sobre o estacionamento referiu que vai ficar tal como foi apresentado no passado dia 22 de novembro: na zona mais periférica do centro vão ser criados cerca de 840 lugares gratuitos. O estacionamento de curta duração e tarifado deve ficar, segundo o estudo realizado, localizado na zona mais central, com cerca de 150 lugares disponíveis. Vai haver bolsas de estacionamento condicionado a re-

sidentes, entidades privadas e prestadoras de serviço, havendo dísticos próprios para cada situação. As alterações no estacionamento vão avançar já em março. Já no que diz respeito ao Espaço Público, a cidade vai receber algum material que vai sinalizar e identificar o comércio, os equipamentos municipais e as ruas do centro. Assim sendo, vão ser colocados novos contentores, papeleiras, cadeiras e sinalizadores por forma a tornar o centro histórico mais apelativo e com informação. Quanto ao comércio, a autarquia de Abrantes está a desenvolver um programa que pretende incentivar os jovens comerciantes a apropriarem-se das lojas devolutas sob um regime de aluguer. Segundo a presidente, trata-se de uma nova possibilidade que tem como objetivo atrair mais comerciantes, mas também ajudá-los numa fase inicial

(durante seis meses) a obter o direito à isenção das taxas legais para o início da atividade e a um pagamento simbólico face ao aluguer do espaço. A autarquia abrantina está promover mais incentivos através da isenção das taxas de licenciamento para publicidade gráfica, para anúncios luminosos, obras de conversação e ampliação, ocupação da taxa de via pública, bem como a isenção de taxas de licenciamento para a instalação de novos toldos, esplanadas, estrados, guardo ventos, expositores, vitrinas, contentores, entre outros. A sessão da Regeneração Urbana foi finalizada com o anúncio dos projetos que já estão finalizados, os que estão em fase de desenvolvimento e os que a autarquia tem a pretensão de fazer avançar para o centro da cidade.

A frutaria no edifício São Domingos vai dar lugar à sede da Administração da Região Hidrográfica do Tejo – Pólo de Abrantes. O Jardim da República tal como o Jardim do Castelo vão ser reabilitados. O edifício da antiga PSP está destinado a mais habitação. As igrejas da Misericórdia, de São Vicente e São João vão ser restauradas. Para o edifício Carneiro está previsto uma oficina da cultura. Os frescos da igreja de Sta. Maria do Castelo vão ser restaurados.

Os projetos já concretizados são: o antigo heliporto que é hoje uma bolsa de estacionamento, o Edifício Milho que foi aproveitado para instalar algumas valências e serviços da ESTA, a Cruz vermelha que já está instalada nas novas instalações e a sede da Universidade da Terceira Idade que também já está no antigo edifício dos Serviços Municipalizados. Integrada nestas sessões da Regeneração do Centro Histórico estiveram envolvidas três equipas: Augusto Mateus Consultores, Transitec Engenheiros e o gabinete de arquitetura Carrilho da Graça.

Joana Margarida Carvalho

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6 REGIÃO

FEVEREIRO 2013

BOMBEIROS DE ABRANTES

ANBP garante cobertura legal para o pagamento dos voluntários O quartel dos bombeiros de Abrantes recebeu no passado dia 10 de janeiro um plenário que juntou os profissionais da cooperação e o presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP), Fernando Curto. Fernando Curto garantiu ao JA que a autarquia de Abrantes “não quer terminar com os bombeiros municipais” e destacou o interesse da Câmara Municipal e da ANBP em quererem resolver o problema, que se prende com o pagamento efetuado aos bombeiros voluntários. O presidente disse que a ANBP vai enviar tão rápido quanto possível à Câmara Municipal a documentação que dará uma cobertura legal aos pagamentos dos voluntários. “O objetivo é regularizar o horário de trabalho e também o

Fernando Curto garante que se trata de uma situação fácil de •resolver

Opções de Constância para 2013 O Orçamento Municipal de Constância para o novo ano resulta de um processo de avaliação dos recursos financeiros, integrando as despesas de funcionamento e o conjunto das ações de investimento. Em comunicado, a autarquia explica que os investimentos, que dependem de fundos comunitários, continuarão a ser sustentados nas oportunidades de financiamento, de acordo com as carências existentes no concelho. Os principais projetos a desenvolver em 2013 são em diversas áreas: conclusão do Centro Escolar de Constância; execução dos projetos PRODER, nomeadamente construção do Espaço Zêzere e recuperação da Casa Santos Costa; apoio à conservação e restauro da Capela de Sant´Ana; ampliação do cemitério de Constância; obras de conservação do Cineteatro Municipal; lançamento do concurso

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do Centro Escolar de Montalvo; construção da rede de esgotos no Cabeço; construção de estacionamento no Largo da Cooperativa; intervenções no Campo de Futebol Municipal; requalificação da Estrada Nova das Hortas; 1ª fase da ampliação do Cemitério da Portela; apoio à construção do Lar de Idosos em Santa Margarida da Coutada; continuação da modernização dos serviços municipais; conservação e gestão de equipamentos construídos e promoção cultural do concelho. O município de Constância sublinha que dará “continuidade aos investimentos na área ambiental e científica”. Ao nível do desporto, vai continuar a “desenvolver esforços no sentido de incentivar a população do concelho para a prática desportiva”. No campo cultural, várias atividades voltarão a marcar presença nos calendários” do concelho.

outro pessoal que está ao serviço noutras funções. Até lá, já pedimos aos bombeiros para que se mantenham organizados no trabalho do dia-a-dia”. “A montanha pariu um rato” foi a expressão utilizada pelo presidente da ANBP para garantir que esta é uma situação fácil de resolver, sem ser necessário grandes alterações, nomeadamente com a criação de uma Associação Humanitária, que se responsabilize pelos Bombeiros de Abrantes. “Nós entendemos que no município de Abrantes há uma corporação bem estruturada, onde não há necessidade de duplicar verbas ao criar a Associação Humanitária. Para se gastar mais verbas, então que se invista nos bombeiros municipais e voluntários.” Fernando Curto disse que até ao

final do mês de janeiro será agendada uma nova reunião para finalizar este processo.

Câmara apoia “grupo de cidadãos” A presidente da autarquia, Maria do Céu Albuquerque, explicou que a criação de uma Associação Humanitária é uma “intenção de um grupo de cidadãos” e que a “Câmara apoia”, fazendo questão de reafirmar que esta não surge diretamente do executivo. A presidente da autarquia afirmou que a associação “não vai tomar conta dos destinos dos bombeiros municipais de Abrantes, são apenas duas organizações que trabalham, concorrem para o mesmo fim, que é a segurança dos cidadãos e dos seus bens”. J.M.C. e R.A.

Orçamento reduzido em Vila Nova da Barquinha A austeridade veio para ficar e já está implementada nas autarquias. A Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha vê o seu plano de investimento mais reduzido, com uma diminuição de 60%. O valor orçamental para este ano é de cerca 11,2 milhões de euros, bastante inferior ao do ano anterior, de cerca de 18, 2 milhões, com um decréscimo de 38%. Fernando Freire, vereador na autarquia de Barquinha em entrevista à Antena Livre, disse que

os projetos que já foram aprovados no âmbito do QREN vão ser efetuados, já novos grandes investimentos não se preveem para este ano. Para 2013 prevê-se a construção de alguns equipamentos, bem como algum apoio e investimento de âmbito associativo. Fernando Freire destacou a construção do novo Pavilhão Desportivo Escolar e Municipal, que rondará 1milhão de euros, a finalização de algumas componentes do Centro Integrado de Educação

em Ciências, a requalificação do espaço de lazer da Boucinha, na Praia do Ribatejo, um albergue de juventude em Tancos e um edifício para portadores de paralisia cerebral, entre outros. Relativamente ao que já está implantado em Vila Nova da Barquinha, nomeadamente o projeto “Mercado das Artes”, alguns investimentos vão ser continuados neste âmbito: a construção de um posto de turismo e a dotação de meios para o Centro Cultural.

“Situação financeira equilibrada” em Abrantes Na última reunião do executivo municipal, realizada no dia 21 de janeiro, a presidente da Câmara, Maria do Céu Albuquerque, fez uma síntese sobre a situação financeira do município, resultante dos primeiros dados (provisórios) apurados da execução da gerência 2012. Em comunicado, a autarquia explica que, no essencial, “verifica-se a manutenção da situação financeira equilibrada, com melhorias significativas ao nível do endividamento e da dívida de curto-prazo”.

De acordo com as informações da Câmara de Abrantes, este município “acabou o ano sem pagamentos em atraso aos seus fornecedores (dívida >90 dias para além do prazo de vencimento das faturas), o que lhe permite deixar de considerar para o cálculo dos fundos disponíveis apenas 75% da média da receita mensal dos dois anos anteriores e passar a calculálos considerando a previsão da receita efetiva própria a cobrar nos três meses seguintes”. O comunicado explica as opções

da autarquia: “Tendo em conta as previsões de agravamento da crise económica e, em consequência, da diminuição da receita que entra nos cofres do município, e numa atitude de gestão prudente, decidiu o executivo continuar a considerar para o cálculo dos fundos disponíveis a regra dos 75% da média das receitas arrecadadas nos anos 2011 e 2012. Recordamos que o pagamento atempado a fornecedores depende em muito deste equilíbrio financeiro.”


SOCIEDADE 7

FEVEREIRO 2013

Em Constância vive-se com Qualidade Vida Constância é, segundo um estudo efetuado pela Universidade da Beira Interior, o concelho do distrito de Santarém com melhor qualidade de vida, ocupando o sétimo lugar a nível nacional. Em análise estiveram 308 concelhos de Portugal. Constância foi o único concelho do Ribatejo que ocupou os 30 primeiros lugares desta classificação, numa listagem liderada por Lisboa, Porto e Albufeira. Máximo Ferreira, presidente da autarquia de Constância, disse à Antena Livre que este lugar de destaque está relacionado com a pequena dimensão do concelho, uma vez que os equipamentos que estão disponíveis são os necessários para a população. Referiu ainda que foi com orgulho que esta notícia chegou à vila poema:

“Estamos todos orgulhosos por isto, temos de continuar a manter esta qualidade. Esta posição honrosa significa uma responsabilização, para que se continue a fazer um bom trabalho para os munícipes, mas também para quem vem de fora.” Segundo a nota da autarquia, o objetivo da investigação foi juntar vários aspetos, como sistemas de comunicação, extensões de saúde, farmácias e correios, equipamentos culturais e educativos, estabelecimentos de ensino do pré-escolar, 2º e 3º ciclo e secundário e ainda as condições sociais que envolvem vários temas relacionados com o ambiente, por cada 1000 habitantes. Foram ainda consideradas as despesas totais com cultura, desporto e educação por cada 1000 habitantes, a

segurança, o número de crimes nos âmbitos da condução automóvel e contra o património. De entre outros parâmetros abrangidos pelo estudo (ao todo foram 48), destaca-se o número de contratos de compra e venda de prédios, o ganho médio mensal dos trabalhadores por conta de outrem e o turismo.

Vila de Rei também foi considerado um dos municípios onde se vive com qualidade de vida. O concelho vilarregense ocupa um lugar de destaque na listagem nacional, tendo sido considerado o 2º melhor do distrito de Castelo Branco e da própria Beira Interior. Ficou em 50º lugar nesta listagem nacional. JMC

Barquinha tem Loja Social e Horta Social Vila Nova da Barquinha tem, desde janeiro, uma Loja Social com quatro valências: Loja Social, Balneário Social, Lavandaria Social e Horta Social. Esta Loja funciona no edifício da antiga EB1 da Moita do Norte e faz parte de uma estratégia da autarquia no sentido de procurar “respostas sociais inovadoras e sustentáveis”. O objetivo é o de “fazer face ao atual contexto socioeconómico cujas consequências

atingem as famílias mais vulneráveis”. Em comunicado, a autarquia de Vila Nova da Barquinha explica a Loja Social pretende “potenciar a criação de respostas mais adequadas aos problemas sociais, rentabilizando os recursos existentes, eliminando sobreposições de intervenção dos parceiros permitindo um melhor planeamento dos serviços e celeridade e atenuar as dificuldades e ne-

cessidades imediatas das famílias”. O projeto foi discutido e concertado com todos os parceiros e adequa as sugestões por eles apresentadas. A Loja Social está aberta às terças-feiras, das 11h00 às 17h00, às quintas-feiras, das 14h00 às 19h00 e às sextas-feiras, das 10h00 às 13h00. Quanto à Horta Social, decorreram candidaturas até ao dia 2 de fevereiro. O concurso foi aberto aos

munícipes residentes e recenseados no concelho de Vila Nova da Barquinha em situações de carência económica que pretendessem usufruir de um talhão para produção agrícola biológica de bens alimentares destinados predominantemente a consumo próprio. Qualquer esclarecimento adicional poderá ser prestado pelo Serviço de Ação Social do Município, através do telefone 249720358.

“AjuCRIA” nasce em Abrantes Uma nova resposta de âmbito social nasceu em Abrantes, chama-se “AjuCRIA” e é o mais recente projeto do Centro de Recuperação e Integração de Abrantes (CRIA), apresentado no passado dia 23 de janeiro. O “AjuCRIA” é um banco de recursos que tem como objetivo recolher os mais diversificados produtos e materiais em segunda mão (mobiliário, eletrodomésticos, roupa, etc.) doados por particulares ou empresas, para que depois possam ser distribuídos a família carenciadas ou em

situação de pobreza. Humberto Lopes, presidente do CRIA, disse à Antena Livre, que este era um serviço que já existia, mas não estava devidamente estruturado. Acrescentou que para usu-

fruir deste serviço, as famílias têm de ter rendimentos inferiores a 420 euros mensais, ou caso se encontrem numa situação de emergência pelos mais variados motivos: “Nós pretendemos que surja

uma interligação entre os vários bancos desta área na região, de modo a que haja uma transferência de objetos de uns bancos para outros.” Para beneficiar deste serviço os interessados devem dirigir-se ao CRIA, devem preencher o formulário de candidatura (disponível na receção do CRIA) com as respetivas informações do agregado familiar. Os bens ou equipamento solicitados só serão entregues aos beneficiários depois de analisados e deferidos os respetivos pedidos.

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8 MUNICÍPIOS

FEVEREIRO 2013

Freguesias: a contagem decrescente para a extinção Aprovadas as leis que traçam o destino das 1.166 freguesias que vão ser extintas ainda antes das eleições autárquicas de outubro, o Jornal de Abrantes foi saber como passam estes dias. Proposto, discutido, votado, aprovado. Num ápice, se considerarmos as décadas de existência das Juntas de Freguesia (JF), mais de mil entidades de proximidade desaparecem do mapa administrativo, o que para muitos é apunhalar ainda mais o interior do país e acelerar a sua desertificação. No dia 7 de dezembro a lei foi aprovada na Assembleia da República e no dia 16 de janeiro Cavaco Silva dava a machadada final nas pretensões dos autarcas que estavam contra a lei. O Presidente da República acabou também com a ténue esperança dos poucos que ainda acreditavam num volte face, sobretudo perante o que consideram um tremendo ataque à democracia, como é o caso

de Luís Valamatos, presidente da JF de Rossio ao Sul do Tejo. Este autarca não vê outra hipótese que a traçada. Nem a recentemente veiculada hipótese de a lei ser revogada num cenário de queda do Governo levanta a sua esperança: “No PS não vejo nenhuma tomada de decisão que diga que se forem Governo vão revogar a lei.”

Um processo que nasceu torto A opinião é quase geral: “Processo que começou torto e

nunca mais se endireitou”, critica Pedro Moreira, presidente da JF de Alferrarede. Lembra que “o que está no memorando assinado com a troika é que o Governo se compromete a reduzir o número de autarquias” e completa que uma reorganização “não pode começar pela destruição dos alicerces”. “Devia ter havido debate mais alargado”, defende Luís Valamatos, que representa uma JF cuja assembleia, a exemplo da maioria, se pronunciou contra a reorganiza-

ção mas “não foi respeitada”. O mesmo afirma Manuel Leitão, presidente da JF de Alvega: “As populações não foram ouvidas, os pareceres das assembleias não foram tidos em conta, ou seja, os órgãos representativos não foram ouvidos.” Alvega continuará a ser sede de freguesia, agregando Concavada, e por isso a população não tem manifestado muito fervor contra a reorganização apesar de a maioria o ser. Já a JF e assembleia “solidarizam-se com todos os autarcas e todas as pessoas que estão contra”. Em Vale das Mós a voz do presidente da JF, Joaquim Espadinha, expressa a revolta. “É uma estupidez completa, (a reorganização), não vai beneficiar em nada financeiramente, é uma gota do oceano!”, defende. A JF interpôs uma providência cautelar mas em vão. “Eramos para ir para segunda instância mas os meios são tão poucos…”, explica Joaquim Espadinha disparando logo

de seguida que “a população está revoltada” e lamentando que “foram quase 30 anos e voltamos à estaca zero”. Luís Valamatos, de Rossio ao Sul do Tejo, diz que as JF “têm dado o exemplo de como se faz muito com pouco”, acrescentando que são apenas “o elo mais fraco”.

Era um dado adquirido A opinião de Diogo Valente, presidente da JF do Souto, aponta para “um dado adquirido desde o início do processo” e critica “aqueles ‘senhores’ que gostam de ‘atirar areia para os olhos das suas populações’, que não são responsáveis e não querem ter uma população devidamente esclarecida é que não quiseram dar a devida atenção a este problema”. Para Diogo Valente os “atores políticos” do concelho de Abrantes “acobardaram-se e deixaram que os ‘outros’ decidissem o que era melhor para minha freguesia e para o meu concelho”.

Em Penhascoso, concelho de Mação, a opinião de José Luís Soares, presidente da JF, é favorável a uma reorganização administrativa “nomeadamente da regionalização, e esta amenizava a extinção”. Em relação à atual, Soares é contra porque “começou torta, há questões políticas”, apontando para a extinção de freguesias de cor socialista, o seu partido.

Até outubro de cabeça erguida Em contagem decrescente, o mandato é para levar até ao fim ,e apesar de dúvidas, as palavras de Diogo Valente sintetizam o que foi dito por todos: “Continuaremos a trabalhar de forma exemplar como sempre o fizemos, estaremos preparados para as enfrentar as alterações e, caso nos surjam dúvidas ou questões, seremos os primeiros a procurar respostas e apresentar soluções. É por isso que fomos eleitos.” Ricardo Alves

CONSTÂNCIA, SARDOAL, VILA DE REI, CHAMUSCA E ENTRONCAMENTO

Partidos movimentam-se para as autárquicas Os socialistas continuam ativos na escolha dos seus candidatos quando ainda faltam muitos meses até outubro. Populares querem vencer na cidade ferroviária. Vice-presidente social-democrata do Sardoal é candidato. Após recorrer a eleições diretas, a concelhia socia-

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lista de Chamusca escolheu Paulo Queimado como candidato às autárquicas. Queimado venceu José Garrido com uma vantagem de três votos (19 -16). Paulo Queimado tem 37 anos e é formado em conservação e restauro, sendo ainda vereador no actual executivo. Também em Constân-

cia já se sabe que António Luís Mendes é o cabeça de lista dos socialistas. O oficial pára-quedista aposentado é ex-vereador na Câmara de Constância e após um período de inatividade política regressa pela porta grande e com a árdua tentativa de destronar a CDU de Máximo Ferreira.

Miguel Borges (PSD), atual vice-presidente no Sardoal, anunciou no dia 29 de janeiro a sua candidatura à presidência da autarquia, lugar que vai ser deixado por Fernando Moleirinho (PSD). Em Vila de Rei, distrito de Castelo Branco, a escolhida dos socialistas é Ana Pires,

deputada municipal e professora, que será a aposta de 2013 para derrotar os social-democratas, num concelho que é conhecido por ser um bastião laranja. Irene Barata (PSD), a presidente da autarquia, encontra-se no último mandato, está no poder desde 1989.

Paulo Bica é o candidato dos Populares e na apresentação da sua candidatura, dia 26 de janeiro, disse estar convencido que vai ganhar a Câmara. O partido nunca conseguiu eleger qualquer elemento para o executivo, e o melhor resultado dos centristas foi 6,71 por cento em 1993.


REGIÃO 9

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II Encontro Ibérico chega à cidade de Abrantes

Concurso de vídeos e trabalhos científicos No âmbito do II Encontro Ibérico do Azeite, decorre até 11 de fevereiro um concurso de pequenos vídeos sobre os cinco azeites produzidos em Abrantes. O objetivo estimular é a criatividade e imaginação, sensibilizar o público escolar para o consumo do azeite e promover os Azeites da Nossa Terra. Para além do concurso de vídeos, está também a decorrer um Concurso de Trabalhos Técnico-Científicos dirigido a investigadores, professores e alunos. O concurso desafia os alunos que frequentam os ensinos secun-

O ouro vegetal vai voltar a ser mote de mais um Encontro Ibérico na cidade de Abrantes. Há dois anos, Abrantes recebeu este certame e agora,entre 22 e 24 de fevereiro, volta a promover a iniciativa, que se destina à promoção dos azeites.

Em conferência de imprensa, no edifício do Tecnopolo do Vale do Tejo, que se realizou no passado dia 24 de janeiro, Maria do Céu Albuquerque, presidente da autarquia, explicou como foi fácil fazer a ponte do primeiro evento para este ano. “Há dois anos, no final do I Encontro, realizámos um balanço e claramente percebemos que as expetativas foram superadas. Depressa entendemos que tínhamos todas as condições para arrancar com o evento em futuras edições, onde a comissão organizadora se mantém.” O azeite é um produto com larga tradição no concelho de Abrantes, com diversas marcas registadas que se iniciaram sobretudo na freguesia de Alferrarede. A presidente disse que “a componente histórica é importante”, mas hoje “é necessário olhar para a agricultura como um setor sustentável que favorece a economia local e nacional, onde o papel da Câmara Municipal é estar ao lado dos produtores”. Para esta segunda edição do Encontro Ibérico, sob o lema “Abrantes uma terra com azeites”, espera-se um programa vasto e diversificado, que vai ser dividido em várias atrações, desde um simpósio técnico, com especialistas na temática do azeite que vão chegar da vizinha Espanha bem como de várias zonas do país. Esta iniciativa vai acontecer no cineteatro São Pedro, nos dias 22 e 23 de fevereiro. É esperado ainda, mas desta vez para a antiga rodoviária, um fórum do azeite, um espaço com vídeos sobre os azeites da região, um lugar de cosmética, de petiscos e uma

loja com os vários produtos regionais. Alguns restaurantes do concelho também vão aderir à iniciativa através do “Festival de Sabores do Tejo com azeite”, que se destina à promoção da gastronomia regional. Presente na iniciativa esteve Nuno Russo, diretor regional de Agricultura e Pescas de Lisboa e Vale do Tejo, que referiu que estão reunidas as condições necessárias para promover um Encontro Ibérico de excelência e com sucesso. “Destacar o futuro da política agrícola é um dos nossos objetivos, estamos em condições de realizar um simpósio de sucesso onde esperamos que haja uma grande adesão. Este II Encontro representa um ponto de encontro entre a produção, transformação, investigação e a distribuição.” A comissão organizadora envolve a autarquia de Abrantes, a TAGUS, o InovLinea as empresas produtoras de azeite do concelho, SAOV, Vítor Guedes – Indústria e Comércio, S.A, e algumas entidades entre as quais se destacam: a Associação Comercial e Serviços de Abrantes, Constância e Sardoal, a Associação de Agricultores dos Concelhos de Abrantes, Sardoal e Mação e do Ribatejo, a Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Abrantes, a IAAS – International Association of Students in Agricultural and Related Sciences, a Direção Regional de Agricultura e Pescas de Lisboa e Vale do Tejo e o Gabinete de Planeamento e Políticas – Ministério da Agricultura. Joana Margarida Carvalho

dário ou superior a criarem vídeos com a duração máxima de 1minuto e 30 segundos sobre os azeites dos produtores Casa Anadia, Ourogal, SAOV, Val Escudeiro e Zé Bairrão. O melhor vídeo receberá um iPad. Já o concurso de trabalhos técnico-científicos tem como objetivo divulgar e estimular a investigação realizada em torno do sector olivícola, enquadrando-se nesta iniciativa qualquer trabalho que direta ou indiretamente aborde um tema relacionado com a fileira.

Esclarecimentos sobre mercado liberalizado de eletricidade Três dos comercializadores de energia elétrica presentes no mercado liberalizado estiveram no Tecnopolo do Vale do Tejo, em Abrantes, no passado dia 10 de janeiro, numa sessão de esclarecimento. A iniciativa foi promovida pela MédioTejo21 - Agência Regional de Energia e Ambiente do Médio Tejo e Pinhal Interior Sul, com o objetivo de apoiar o processo de entrada dos municípios do Mé-

dio Tejo e do Pinhal Interior Sul no mercado liberalizado. Durante a reunião abordou-se a questão do agravamento da fatura de todos os consumidores de energia elétrica que ainda não têm um contrato no novo regime, referindo-se que o aumento de em média 2,8 por cento já está a ser praticado desde 1 de janeiro, pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE). Estas tarifas se-

rão atualizadas de três em três meses, de modo a a incentivar os consumidores à mudança. Nesta sessão, cada fornecedor apresentou soluções e condições diferenciadas para os consumidores domésticos e para as empresas. Outro dos temas abordados foi o dos mecanismos de contratação pública que os municípios terão de desencadear neste processo.

Prova de vinhos comentada Em ambiente descontraído, cerca de 20 pessoas passaram um final de tarde de sexta-feira numa atividade diferente, no Mercado Criativo, em Abrantes. O desafio foi lançado pela TAGUS – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior e a Quinta do Armo aceitou: uma prova de vinhos comentada. Tiago Alves, responsável técnico pela quinta, situada em Entrevinhas, Sardoal, apresentou quatro dos vinhos que produzem. Explicou as características de cada um, falou

sobre a colheita e a produção, deu conselhos sobre o consumo, falou sobre experiências com determinadas castas que tem vindo a fazer e acompanhou os participantes na degustação. Clara Amaro, uma das participantes, achou “muito interessante porque se fica a conhecer como é que as coisas são produzidas”. Embora já conhecesse alguns dos vinhos da Quinta do Armo, sendo “fã” do branco, gostou da explicação que foi dada sobre cada vinho.

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PRODUTOS REGIONAIS 10 ESPECIAL RIOS

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RESPONSÁVEL PELA GESTÃO DOS RECURSOS DO TEJO DEFENDE QUE OS RIOS SÃO UM ENORME FATOR DE DESENVOLVIMENTO

“O Tejo tem uma alma que é preciso saber ler, compreender e viver”

Como é que vê o rio Tejo? É um recurso imenso, multivariado em várias áreas, quer como recurso natural, quer como recurso em termos imateriais (humanos, sociológicos, históricos). Se observarmos e se lermos este rio em todas as suas dimensões percebemos que própria história da região que o Tejo atravessa está relacionada com o rio e vice-versa, faz parte das pessoas. Sou geólogo de formação de base e compreendo o rio como um sistema vivo, dinâmico, que tem um substrato em que se instala, mas que, mais do que isso, tem uma alma que é preciso saber ler, compreender e viver. As comunidades têm sabido interpretar essas mensagens do Tejo? Neste momento começa a esbater-se alguma distração que possa ter havido e as pessoas começam a virar-se para aquilo que têm, que é muito. O rio Tejo tem um grande potencial que é incontornável: o próprio carácter das pessoas está moldado à existência deste rio. As povoações ribeirinhas, as atividades económicas, as atividades cul-

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turais… tudo isto tem a ver com a tal alma. Cada vez mais, como no passado, as pessoas vão-se lembrar de muita coisa que tinham esquecido. No nosso relacionamento com os rios, neste caso com o Tejo, isto é cada vez vai ser mais verdade. Economicamente, como é que se pode potenciar o rio Tejo? Tudo aquilo que foi feito (e foi feito muito, por exemplo ao nível do tratamento da água) foi no sentido de valorizar um recurso que é o rio. Agora percebeu-se que temos que repensar algumas coisas, porque o rio é um brutal fator de desenvolvimento, desde logo para as pessoas que vivem junto a ele. De uma maneira muito simples, um rio serve para pescar, nadar e navegar. Se conseguirmos fazer as duas coisas, estamos seguros. Se pescamos, é porque há recursos (pesca, rega, extração de inertes, etc). Se pescamos e nadamos, significa que a água tem boa qualidade. E há todo um investimento que foi feito do ponto de vista lúdico. Por esse Tejo fora há praias fluviais e infraestruturas ribeirinhas que têm uma importância económica e social muito grande. Proporcionam às populações, nomeadamente as menos favorecidas, condições de lazer que de outra forma não teriam. Ao nível agrícola, o que temos assistido é que todas as concessões estão feitas e assumidas com associações de regantes, coisa que não existia até há muito pouco tempo. Há essa partilha de responsabilidades: os recursos estão na mão de quem os utiliza, tendo nós um papel regulador. Há todas as condições para que possa haver desenvolvimento. Ao nível turístico, há todo um enorme potencial que começa a ter alguns resultados. Que tipo de impacto é que

Hália Costa Santos

Carlos Cupeto, doutorado em Hidrogeologia Ambiental com mais de 20 anos de experiência em temas hidrogeológicos e ambientais, é atualmente diretor do Departamento de Recursos Hídricos Interiores da Administração da Região Hidrográfica do Tejo, integrada na Agência Portuguesa do Ambiente, I.P. Responsável por atividades de licenciamento, fiscalização, gestão de empreendimentos e infraestruturas e apoio técnico às atividades de gestão de recursos hídricos, nomeadamente no Tejo, fala sobre todo o potencial que este rio tem. Aponta o turismo, a rega, a extração de inertes e a navegabilidade como atividades que estão em desenvolvimento.

Carlos Cupeto evidencia o envolvimento dos municípios, das associações e das comunidades locais na busca de estratégias para potenciar o Tejo

várias atividades de divulgação têm tido junto das populações ribeirinhas e de outras que não têm contacto direto com o Tejo? Essas pessoas que vivem os locais ribeirinhos são as mais fáceis de fazer regressar ao rio, porque têm as memórias dos antepassados e têm essa cultura, está-lhes no sangue. Essas facilmente são despertas para uma realidade que estava esquecida. Ao nível do turismo, o interessante será começar a olhar para outros grupos. Um património natural e cultural como o Tejo, desde a parte biofísica até à etnográfica, passando pela arqueológica e outras, tem um potencial que ainda falta gerir e descobrir. Estou por exemplo a pensar no turista que vem visitar Lisboa... Vai a Sintra, Fátima, Tomar ou a outros locais. Mas também pode ir ao Estuário do Tejo! Se elegermos os 10 ou 15 locais mais importantes ao nível do mundo para a nidificação de aves, entre eles está o Estuário do Tejo. Há muitas espé-

cies de aves que sem o Estuário do Tejo já não existiam. Ao nível do turismo de natureza, isto tem um potencial sem limite e nós só estamos a explorar uma ínfima parte. Não tenho dúvidas de que as populações locais, até pelas infraestruturas que as autarquias têm feito, se viram cada vez mais para o rio. Com diferentes escalas, isso passa-se em vários contextos locais. À parte deste interesse, há um grande potencial num ‘target’ de turistas que vêm a Lisboa e a quem se pode oferecer um produto que se chama Tejo, nas suas diferentes vertentes: o maior Estuário da Europa; a Lezíria; o Médio e o Alto Tejo, com o Parque Natural do Tejo Internacional, que são coisas únicas, com um património imenso. Qual é a mais valia de se conhecer o Tejo a pé? Não estamos a descobrir nada de novo. Antigamente era assim que as populações se deslocavam. O turismo pedestre envolve milhões de

pessoas em todo o mundo, incluindo na Europa. Quem experimenta fica contagiado. As pessoas sabem que a melhor forma de se conhecer um país, uma região, um rio, é a pé. Como só se valoriza aquilo que se conhece, os passeios pedestres são também uma forma de proteger os rios. Com uma infraestrutura simples, barata, convida-se as pessoas a uma atividade salutar e de bem estar. Há estudos que nos dizem que o contacto com a natureza nos predispõe bem. Se tivermos estruturas pedonais ao longo do rio, onde possamos andar com segurança e com paisagens únicas, estamos a seguir também os conselhos médicos e os estudos que apresentam as vantagens de andar a pé. O projeto Tejo a Pé tem sido agarrado por vários municípios, incluindo o de Abrantes, e neste momento já há largos troços que as pessoas podem percorrer. Como é que a navegabilidade entre neste processo?

A navegabilidade de um rio é fundamental. Na ARH organizámos várias sessões temáticas com especialistas e fizemos uma sobre a navegabilidade do rio Tejo em parceria com a Associação Portuguesa de Recursos Hídricos e com o LNEC. Os agentes económicos estão atentos e começam a pensar nesta possibilidade como uma grande oportunidade. As vantagens do transporte marítimo são brutalmente óbvias. Há várias propostas em cima da mesa no sentido dessa navegabilidade começar a ser uma realidade. Claro que é preciso investir em infraestruturas, que são mais complicadas do que fazer um trilho para as pessoas andarem, mas que estão a ser equacionadas e mesmo aprovadas. Em breve essa questão vai ser uma realidade e, na região de Lisboa, vai tirar muitos camiões das estradas. As pessoas fazem contas e a navegabilidade fluvial é vantajosa, sobretudo num rio como este, à beira da capital. Hália Costa Santos


ESPECIAL RIOS 11

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“O rio deixou de ser visto como um empecilho”

• Imagens da publicação “Tágides”, da Administração da Região Hidrográfica do Tejo “A atual filosofia de ordenamento dos rios não é de proibir, mas sim de promover, potenciar, evidentemente que com regras.” É nesta ideia que assenta o Plano de Ordenamento do Estuário do Tejo que está a ser promovido (e que concilia os diferentes tipos de interesses), mas também toda a atividade da Agência Portuguesa do Ambiente, I.P./ARH do Tejo. Carlos Cupeto sublinha que apesar de ser o resultado de uma reestruturação ainda recente, a nova entidade e a sua filosofia já estão a dar resultados: “Muitos dos processos históricos de impasses, de não decisão, de imbróglios que estavam nesta casa, felizmente já não estão.” O responsável pela ARH Tejo diz que o rio deixou de ser visto como um empecilho (porque impedia as construções): “É gratificante ver que nalguns desses processos, com dez anos ou mais, para o próprio

requerente o rio deixou de ser um elemento impeditivo e passou a ser valorativo do território.” E acrescenta que “as pessoas, em vez de tentarem tapar ou ignorar o rio, querem evidenciá-lo porque isso se vai traduzir, na prática, numa melhoria da sua qualidade de vida, da paisagem, do seu enquadramento, do espaço verde, etc.”. Para além do trabalho das escolas, dos municípios e das associações, nomeadamente ambientalistas, Carlos Cupeto admite que própria administração também terá tido o seu papel na educação e na formação das pessoas. “Nós costumamos dizer que os rios são para proteger e para valorizar. Quando nos sentamos à volta de uma mesa com empresários, com autarcas, com pessoas que têm expetativas, ninguém está contra esta ideia.” No Tejo como noutros rios, nos últimos anos foi feito

um grande investimento em termos de tratamento de água. “Em muitas situações as pessoas deixaram de ter um esgoto, ou qualquer coisa parecida com isso, a passar à porta de casa, e passaram a ter rios. A qualidade da água melhorou bastante. Não estará ainda aquilo que se deseja, mas essa é uma realidade que se pretende melhorar. Ter um rio à porta de casa é uma mais valia.” Carlos Cupeto explica que, no que diz respeito à gestão dos rios, há vários níveis de decisão, desde as politicas nacionais do Governo de Portugal, enquadradas pelas Diretivas Comunitárias , até à gestão regional/local das AHR e dos seus Gabinetes locais agora integrados na Agência Portuguesa do Ambiente I.P.. “Isto demonstra a importância de uma visão de gestão de conjunto com importância local e regional. Tem que haver um fio condutor. Não foi por

acaso que surgiram as ARH e é significativa a sua manutenção. Isto denota a importância que se dá a esta matéria, com importância local e regional. No caso do Tejo, mantemos instalações em Abrantes, Castelo Branco, Portalegre e Guarda.” Para o diretor da ARH Tejo, as autarquias são parceiros fundamentais. “Para nós, nesta dimensão de gestão de um recurso como um rio com uma bacia hidrográfica, estes parceiros locais que estão no terreno, que tomam decisões, que têm instrumentos como os PDM, são fundamentais. A primeira porta de entrada é sempre a autarquia. No caso de Abrantes, a ARH está a ser reforçada por meios técnicos. Com a colaboração da autarquia vamos ter em breve instalações novas. É também um sinal de que se trata de uma aposta do município.” H.C.S.

O rio Tejo ao pormenor Área total da região hidrográfica internacional: 81.310 km2 Área da bacia em Portugal: 25.666 km2, mais de 28% do território nacional do Continente, Nascente: Serra de Albarracín (Montes Universais, Espanha), a cerca de 1.600 m de altitude Comprimento total do troço principal: 1.100 km Comprimento total do troço principal em Portugal: 230 km Principais afluentes em Portugal: rio Zêzere, na margem direita, e o rio Sorraia, na margem esquerda Principais afluentes em Espanha: rio Jarama, o rio Alberche, o rio Tietar, o rio Alagón, o rio Guadiela e o rio Almonte Área húmida associada ao estuário: 320 km2 Troço com influência da maré: até 80 Km a montante de Lisboa Temperatura média anual: varia entre 7,4°C e 16,9°C Precipitação média anual: entre os 2.744 mm e os 524 mm Concelhos abrangidos: 94, dos quais 55 estão totalmente inseridos nesta região hidrográfica e 39 estão parcialmente abrangidos Habitantes na região: 3.485.816 Empresas com sede na região: 388.907 Superfície agrícola utilizada (1999): 1.140.463 ha Efectivo pecuário (1999): 2.008.402 efetivos (bovinos, suínos, ovinos e caprinos) Indústria transformadora (2008): 18.359 empresas Portos de pesca profissional na área de influência do Tejo: Cascais, Vila Franca de Xira, Costa da Caparica, Trafaria, Fonte da Telha, Barreiro, Montijo, Seixal e Alcochete Pescado nos portos de desembarque (2009): 20.052 toneladas e 41,3 milhões € Explorações aquícolas em águas estuarinas e marinhas: 21, a maioria dedicadas à ostreicultura e a outros tipos de cultura de moluscos, e seis unidades de produção em águas interiores Empreendimentos turísticos classificados (2010): 661 empreendimentos e 61.272 camas N.º de campos de golfe (2007): 20 Classificadas 30 praias como águas balneares costeiras e de transição e 27 como águas balneares interiores Zonas termais concessionadas: 9 Principais aproveitamentos hidroelétricos: na sub-bacia Rio Zêzere (Santa Luzia, Cabril, Bouçã e Castelo de Bode), na subbacia Rio Ocreza (Pracana) e dois no troço principal do rio Tejo (Belver e Fratel) Abastecimento público de água - nível de atendimento: 95% Fonte: Departamento de Recursos Hídricos Interiores da Administração da Região Hidrográfica do Tejo

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PRODUTOS REGIONAIS 12 ESPECIAL RIOS

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A 18 DE MAIO AS ÁGUAS DO TEJO, JUNTO AO ROSSIO, VÃO VOLTAR A TER EMBARCAÇÕES DOS ANOS 50

“A via da água está aprisionada” “Este ano tem que ser o ano da libertação da via da água, que tem que ser encarada como a via terrestre e a via aérea.” Quem o diz é Fernando Carvalho Rodrigues, vice-presidente da Marinha do Tejo. Em causa está o “aprisionamento da água” que resulta de um enquadramento legal complexo. “Se a nossa legislação se aplicasse em Veneza não havia gôndolas”, garante.

A Marinha do Tejo surgiu há mais de 200 anos, sendo o resultado da força que foi criada pelas embarcações que defenderam o Tejo na altura das Invasões Francesas. Ressurgiu em 2008 e tem vindo a dar o seu contributo “para mostrar às pessoas que as embarcações são sempre transporte, sejam elas o que forem”. A Marinha do Tejo tem também vindo a desenvolver um trabalho de recuperação de memórias. “Tivemos a honra e a sorte de ter pessoas em Abrantes que nos deram uma visão única do que era o transporte na via da água até ela ficar aprisionada.” Todos os anos são feitos registos audiovisuais para que as histórias sobre o Tejo não se percam. A ideia é produzir ma-

Rodrigues a verificar uma vela, para a embarcação Lusitânia, que foi tingida de acordo •comCarvalho um processo milenar

teriais que depois cheguem, por exemplo, às escolas. O calendário de eventos da Marinha do Tejo (que inclui encontros, regatas, convívios e passeios) é outra forma de promover e divulgar toda a atividade em torno das embarcações deste rio: fragatas, varinos, faluas, canoas e catraios. Esta estrutura mantém uma comissão de confirmação que diz com que

grau é que uma embarcação é típica do Tejo.

Tejo tem 62 embarcações típicas No século XXI já foram construídas de raiz nove embarcações. Atualmente existem 62 embarcações típicas do Tejo. “A maior parte dos proprietários são pessoas que ganham 600 euros ilíquidos por mês.”

Se não fosse o amor que esta “gente humilde” tem por esta atividade, “já não existia uma coisa muito importante, que é uma soberania sobre os saberes”. E as embarcações acabam por resistir graças à determinação dos seus proprietários, mas também pelo apoio que recebem de alguns patrocinadores. As Festas de Constância são o primeiro grande evento do calendá-

rio da Marinha do Tejo. Carvalho Rodrigues deixa clara a importância do momento: “Constância tem sido um pilar na manutenção da memória do que era o Tejo como via da água.” Mas este ano de 2013 vai trazer uma novidade para a região: a 18 de maio no Rossio-aoSul-Tejo vai-se assistir ao retorno das embarcações dos anos 50. “Levaremos umas três embarcações de tamanho médio até ao Rossio para andarmos nesse lençol de água que está em frente a Abrantes, que era um pilar da economia portuguesa porque era um nó nevrálgico no transporte pela via da água de todo o tipo de mercadorias.” Carvalho Rodrigues antecipa um grande momento: “Esperamos dar uma grande alegria àquelas pessoas de 90 e tal anos que fizeram do rio a sua vida. As pessoas que aparecerem serão convidadas a dar um passeio para terem uma ideia do que era o Rossio quando a via da água existia. Para as pessoas mais velhas será trazer-lhes uma lagrimita ao canto do olho; para as mais novas é para terem uma experiência única de um país único que somos nós.” H.C.S.

O TEJO DE ORTIGA

Ao longo do curso do rio vive a história da região João Matos Filipe (JMF), nasceu em Ortiga, concelho de Mação, em 1947 e é licenciado em História. Naquela aldeia nasceu e cresceu, observando “os mais velhos e a sua relação com o Tejo”. O livro ‘Cultura e Artes de Pesca Tradicional no Rio Tejo em Ortiga-Mação’, de sua autoria, é o corolário de anos de interpretação que foram ganhando forma nos últimos tempos. Com a ajuda dos testemunhos dos habitantes da aldeia, JMF compilou saberes, dizeres, técnicas, artes do rio e, de forma fluída, conta a relação Homem-Rio. O resultado é um livro que é um documento não só para os ortiguenses, mas para toda uma região que tem o Tejo no horizonte. JMF falou com o Jornal de Abrantes sobre o novo livro. O seu objetivo foi “tentar compreender como é que tudo aconteceu”, “numa perspetiva de maior conhecimento da minha terra”. Ao

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fazê-lo, obrigatoriamente levantou o véu sobre outros recantos e povoações da região. JMF procurou informação nos registos paroquiais, “de uma riqueza imensa”, nas pessoas da terra e também no Arquivo Municipal abrantino, “uma surpresa muito agradável”.

“Oh Ti Manel, isto é assim porquê?” Eram várias as questões que assaltavam JMF. “Questionei, por exemplo, por que é que do lado norte do Tejo havia mais minifúndio e do lado sul mais latifúndio”. E JMF seguiu de dúvidas no bolso ao encontro de documentos históricos para responder às suas questões. Encontrou “perspetivas de comunidade, linguagem, oralidade, que em Ortiga eram diferentes de localidades próximas, mesmo do próprio concelho”. Descobriu, por exemplo, uma ca-

racterística singular em Ortiga, a da organização social e comunitária, “numa época em que o objetivo era adquirir os meios primários, básicos, e comecei a descobrir que a coisa é muito mais abrangente, quer no tempo quer no espaço”. Se antes do século XVII a Ortiga era um de muitos casais, “um casal era onde vivia uma família, era uma unidade económica, até por motivos de segurança, estes foram desaparecendo”, e em meados do séc. XVII “só aparecem dois, Ortiga e Monte Novo, contrariamente ao que aconteceu noutros locais”. A explicação para esta evolução tem a ver com “um sentido de comunidade que foi crescendo”, a que não são alheios os conhecimentos e experiências que ajudaram os habitantes a subsistirem e aqui o elemento comum é a pesca: “97% dos lares tinha uma cana de pesca pendurada na sala, e 70% uma tarrafa”.

Esse sentido de comunidade vê-se também na evolução dos equipamentos de pesca, cujos conhecimentos foram passando de geração em geração. “Eu perguntava a alguns que ainda lá estão (na Ortiga) ‘oh Ti Manel, isto é assim porquê?’ e eles explicavam”. Está tudo no livro ‘Cultura e Artes

de Pesca Tradicional no Rio Tejo em Ortiga-Mação’, ilustrado com fotografias, um livro que junta mais uma peça ao puzzle que é a história do Rio Tejo, e das suas pessoas, um importante documento quando está em curso a candidatura do Tejo a Património da Humanidade. RA


ESPECIAL RIOS 13

FEVEREIRO 2013

COMBINAR AS ATIVIDADES DE LAZER COM A GASTRONOMIA E A HISTÓRIA LOCAL

Empresa familiar explora os rios com atividades de aventura Foi num dia de frio e chuva, em janeiro, que fomos até Constância, ao Café/Restaurante Pézinhos no Rio, encontrarmo-nos com Carlos Silvério, monitor e diretor-técnico da empresa Ponto Aventura. Habitante de Constância, estudou na Escola Superior de Desporto de Rio Maior e já há 10 anos que trabalha nesta área. Houve um dia que sentiu que já não estava a evoluir na sua carreira e daí surgiu a ideia de criar a Ponto Aventura. Carlos juntou-se com o seu irmão e o seu pai e juntos perceberam que tinham as condições necessárias para construir algo diferente. Em 2011, surgiu a Ponto Aventura, uma empresa familiar e registada no Turismo de Portugal que, como muitas empresas, começou

Carlos Silvério é res•ponsável por programas que incluem canoagem e paintball

com pouco dinheiro. Inicialmente, alugavam equipamento a outras empresas e, posteriormente, começaram a comprar equipamentos para as atividades mais rentáveis, como a canoagem e o paintball. Desde sempre que os rios foram a maior atratividade

da zona, muito importantes para empresas como a Ponto Aventura, pois a maior atividade é a canoagem nos rios Zêzere e Tejo. Porém, o grande objetivo desta empresa sempre foi usufruir do potencial de toda a zona de Constância e não apenas dos seus rios. A empresa pretende aproveitar todas as potencialidades desta zona com atividades, não só náuticas mas também terrestres, para que as pessoas tirem partido de tudo o que a zona de Constância pode oferecer. Bons exemplos são a gastronomia (a típica fataça com açorda e ovos), o conhecimento da história de Constância e também a de outros concelhos da zona. Uma marca que distingue esta empresa é o seu empenho em criar atividades que

conjuguem todas essas coisas e que transmitam, também, valores como a cooperação, o trabalho em equipa, a capacidade de liderança e o ensinamento de como aproveitar melhor Portugal.

O papel do Tejo e do Zêzere A relação de Carlos com os rios sempre foi bastante intensa. Como responsável pela preparação das atividades, é conhecedor dos perigos e das características de cada um destes cursos de água. “A água do Zêzere é uma água muito limpa”, diz o jovem empresário, apontando a Barragem de Castelo de Bode como principal responsável. Como tudo, tem desvantagens. Visto ter sido um ano de pouca chuva, a “barragem foi aberta poucas vezes e o caudal do rio diminuiu”, tornando “as descidas

um pouco cansativas”, pois “passa-se muito tempo com a canoa à mão”. Apesar das águas do Tejo serem menos cristalinas do que as do Zêzere, trata-se de um rio com menos força de corrente aquando do aumento dos caudais, notando-se a ausência de rápidos. Contudo, ainda que o caudal do Tejo seja baixo, o rio é navegável. O aconselhamento dos clientes recai sobre os ombros de Carlos, que remete as crianças a navegações no Tejo e, para navegações que exijam um maior esforço, aponta o Zêzere. Ambos os rios representam um papel importantíssimo nas atividades locais. Como uma forma de chamar turistas e visitantes às suas margens, os habitantes dão uso aos recursos que lhes são

convenientes. Desde a pesca desportiva à pesca de peixe do rio para consumo em restaurantes, exploração de areia, a habitual canoagem e captação de água para regas, todos os habitantes, em geral, mostram um carinho especial por estes dois cursos de água que representam um património natural favorável à região. Na opinião de Carlos Silvério, Constância pode e deve aproveitá-los ainda mais a seu favor. Com boas margens e boas águas, uma tarde ideal pode ser passada nos seus areais com cheiro a praia, a olhar para as suas paisagens dignas de ser apreciadas e fotografadas por qualquer turista que se aventure por estas bandas. Patrícia Amaral e Flávio Nunes,

alunos de Comunicação Social da ESTA

MOVIMENTO DE CIDADANIA APONTA PROBLEMAS E APRESENTA PROPOSTAS DE SOLUÇÃO

Em defesa do Tejo Um dos objetivos da ProTejo – movimento de cidadania em defesa do Tejo – é que seja criada uma rede de informação em tempo real sobre a qualidade da água do rio. Aliás, a falta de dados concretos é um dos principais problemas deste movimento, que tem vindo a desenvolver ações para sensibilizar, educar e explicar os perigos que, na opinião dos seus membros, estão a ameaçar o Tejo. Preocupados, os membros da ProTejo chamam a atenção para duas questões essenciais: a qualidade e a quantidade da água do Tejo. Como o rio vem de Espanha, apontam este país como responsável por algumas das situações mais complicadas, incluindo o “transvase de dois terços da água” do rio e o “problema ecológico”. Paulo Constantino, portavoz da ProTejo, diz que os problemas do Tejo “são muitos e diversos”. Relativamente

a Espanha, para além de “insuficiências nos tratamentos dos esgotos na sub-bacia hidrográfica de Madrid”, este movimento chama ainda a atenção para a necessidade de haver mais informação sobre os níveis de radiação do Tejo junto à Central de Almaraz. José Moura adianta que junto a Vila Velha de Ródão desapareceram as espécies típicas do Tejo: o sável, a lampreia e a enguia. Supostamente por causa dos níveis de poluição e de radiação, garante que já só restam lagostins. E acrescenta: “Do ponto de vista ecológico, é uma catástrofe. São pântanos e charcos que não têm vida.” Quanto ao que se passa em Portugal, os membros da ProTejo apontam o dedo a fábricas, a estações de tratamento de águas residuais, a suinicultores, a “más práticas agrícolas” e a responsáveis pela plantação de eucaliptos nas margens do Tejo.

José Louza, da EcoCartaxo, explica que “a folha do eucalipto, quando cai, arrasa tudo e faz com que o solo fique desnudado”. Apesar do panorama negro que a ProTejo traça, os seus responsáveis acreditam que “vários problemas terão que ser resolvidos” no âmbito do Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo. Constituíram um grupo de trabalho para dar o seu contributo e algumas das ideias que apresentaram constam das alegações finais do documento. Em defesa Tejo, os membros da ProTejo insistem em alguns aspetos que consideram essenciais: a necessidade de se criar corredores ecológicos nas margens do rio (através da replantação de verdadeira floresta); o desenvolvimento de uma “agricultura biológica, mais próxima do tradicional e de proximidade”; o aproveitamento da energia e da biomassa. H.C.S.

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PRODUTOS REGIONAIS 14 ESPECIAL RIOS

NOVEMBRO FEVEREIRO 2012 2013

Um Museu que conta histórias dos rios

CONSTÂNCIA, O CONCELHO BANHADO PELO TEJO E PELO ZÊZERE

Nos últimos cinquenta anos, Constância tem vindo a dedicar especial atenção às envolventes das margens dos dois rios que a banham, em particular às proximidades da foz do Zêzere. Em 1995, um projeto de ordenamento das margens do Zêzere (POMTEZE) valeria o 1º Prémio Nacional do Ambiente. Dois anos depois estavam praticamente concretizadas as obras inicialmente previstas, com exceção do açude galgável e a praia fluvial. Valorizada a margem esquerda e nela implantados parques de jogos, zona de piqueniques, um parque de campismo, um restaurante, um bar e um parque de merendas, evidenciava-se a necessidade de complementar o projeto com medidas que potenciassem as suas vir-

Hália Costa Santos

Potenciar o património dos rios

Um barco típico para passeios turísticos poderá •surgir em Constância

tudes no sentido e tornassem viável e coerente um percurso turístico com várias vertentes, incluindo a satisfação de necessidades ditadas por modernas exigências. Desenvolveram-se projetos para modernizar o Parque de Merendas, incluindo nele estruturas de apoio, da quais já se concluiu o “Miradouro do Zêzere”, o que, no seu con-

junto, virão a constituir o “Espaço Zêzere”. Igualmente preparados e candidatados a apoios de fundos comunitários se encontram o projeto “Espaço Camões” que englobará os serviços de turismo e apoio ao Jardim-Horto de Camões e permitirá a transferência do Museu dos Rios e das Artes Marítimas para a zona de confluência dos rios, bem como a conclusão das

intervenções na Casa-Memória de Camões. Numa perspetiva de condições financeiras favoráveis e tendo em vista contribuir para a potenciação dos recursos turísticos do Médio Tejo, está considerada a hipótese de vir a dotar a região de um barco típico - destinado a eventos de divulgação cultural e económica, incluindo pequenos percursos pelo Tejo e pelo Zêzere - materializando assim as memórias que o barco varino simboliza e valorizando recursos endógenos associados aos rios e à vida dos habitantes da região, fatores que, ao longo de séculos, construíram uma identidade sólida que permitirá resistir a eventuais contrariedades dos tempos modernos.

Anabela Cardoso, responsável pelo Museu dos Rios, em Constância, explica que este é um espaço que mostra como “os rios davam tudo a estas populações”. Recorrendo a utensílios, a miniaturas de barcos ou a fotografias, neste local contam-se tradições e técnicas antigas relacionadas com as três principais atividades: a pesca, a construção naval e o transporte fluvial.

De Constância e de concelhos vizinhos partiam pelo Tejo produtos como a madeira, a cortiça, os vinhos, os cereais e a palha. Da zona de Lisboa vinham produtos que não havia no interior, como o sal (que era essencial), o sabão, uma loiça mais fina

Texto produzido pela Câmara Municipal de Constância

e tecidos. O barco que está exposto no Museu dos Rios foi construído por um dos últimos barqueiros e pescadores: Sérgio Silva, de 41 anos. Aprendeu a técnica de construção de barcos e a arte da pesca com o pai. Diz que “o rio já deu mais do que dá agora”. Há menos pescadores, “as pessoas não querem este tipo de trabalho”. Gosta daquilo que faz, mas dos mais novos já não espera que façam toda a sua vida em função dos rios. Consciente de que os tempos são outros, gostaria que os jovens pelo menos “tivessem gosto pela pesca e por ter um barco no rio”. H.C.S

RIO ZÊZERE EM VILA DE REI

O município de Vila de Rei tem, ao longo dos últimos anos, reforçado a aposta de usufruir de todas as potencialidades que o Rio Zêzere pode oferecer, sendo que todos os grandes projetos turísticos previstos para o concelho de Vila de Rei englobam a Albufeira de Castelo de Bode. A nível turístico, as praias fluviais do concelho, banhadas pela Albufeira, recebem anualmente milhares de pessoas. Nesse sentido, estão já delineados um conjunto de projetos para Fernandaires, Alcamim e Arrancoeira, que permitirão a criação de infraestruturas que darão aos habitantes e visitantes as melhores condições para desfrutarem destas praias na sua total plenitude. A autarquia tem ainda apostado na divulgação das potencialidades gastronómicas que o Rio Zêzere oferece através da realização do Festival Gastronómico do Achigã,

jornaldeabrantes

DR

“Um dos principais fatores de desenvolvimento do concelho”

que vai já para a sua sétima edição, a realizar em outubro deste ano, e que tem feito chegar milhares de visitantes aos restaurantes do concelho. É ainda importante destacar que Vila de Rei vai também fazer parte da Grande Rota do Zêzere, que permitirá percorrer todo o caudal do rio através de percursos pedestres, de BTT ou de canoa, e que esperamos que seja uma importante forma de promover ainda mais todo o potencial do Rio Zêzere e, em particular, da zona que banha grande parte dos limites do concelho. O município de Vila de Rei tem ainda apoiado algumas atividades náuticas realizadas

pelas Associações Culturais e Desportivas do concelho, como por exemplo Passeios de Canoagem ou Concursos de Pesca Desportiva, que julgamos ser de relevante importância para toda a comunidade Vilarregense. O Rio Zêzere é, deste modo, um dos principais fatores de desenvolvimento do concelho de Vila de Rei nos mais variados níveis. Aproveitar todo o enorme potencial que este oferece é um dos principais objetivos que a autarquia tem seguido e que trará, certamente, os melhores resultados para Vila de Rei e para os Vilarregenses. Texto produzido pela Câmara Municipal de Vila de Rei


ESPECIAL RIOS 15

FEVEREIRO 2013

ABRANTES VOLTOU A SENTIR O TEJO

MAÇÃO APOSTA EM NOVOS PROJETOS

Um espaço privilegiado de lazer e animação

Gastronomia e arqueologia em torno do Tejo

Os rios, enquanto património, assumem-se como recursos estruturantes no desenvolvimento de políticas de qualidade no território, assumindo as dimensões económica, social, cultural e ambiental. Hoje olhamos os rios como elementos diferenciadores, através dos quais podemos reforçar a estrutura e a identidade da nossa comunidade e, ao mesmo tempo, reforçar a capacidade de atração do concelho. O Aquapolis – Parque Ribeirinho de Abrantes foi o primeiro passo deste longo percurso de devolver o rio à cidade. Uma intervenção caracterizada pela requalificação de elementos paisagísticos que se interligam formando um todo organizado, para que se pudesse voltar a viver o rio e se assumisse a frente ribeirinha enquanto espaço privilegiado de lazer

e animação. Com a requalificação da margem sul, fechou-se um ciclo. E Abrantes voltou a sentir o Tejo como parte da sua personalidade e da paisagem urbana. Por outro lado, na Albufeira de Castelo do Bode, a Bandeira Azul e a água qualidade “ouro” fazem da Praia Fluvial de Aldeia do Mato, um dos locais mais procurados durante o Verão. Como eixos da competitividade territorial de Abrantes, as intervenções nos rios, devem ser demonstrações da qualidade de vida no concelho, que se justifica pela observação do bom planeamento também fora do centro urbano. A Câmara Municipal tem em curso um conjunto de projetos complementares de requalificação e de valorização dos rios, de que fazem parte: - A integração na Rota do

Tejo e na Rota do Zêzere, com a criação de percursos pedestres e cicláveis que se prolongam nas margens dos rios. - O Centro de Acolhimento do Tejo, em construção no Aquapolis – margem sul, é um equipamento vocacionado para a educação ambiental e educação para o desenvolvimento sustentável. É um projeto multifacetado com uma forte componente lúdica de aprendizagem da ciência, com um laboratório equipado e de vários espaços para realização de atividades diversificadas. - A valorização da Praia Fluvial de Aldeia do Mato, uma parceria com a Junta de Freguesia, que prevê a criação de um parque de merendas. - Em perspetiva, encontrase a criação de uma praia fluvial nas Fontes. Texto produzido pela Câmara Municipal de Abrantes

A história do concelho de Mação, sobretudo da freguesia mais a Sul – Ortiga – desenvolve-se inevitavelmente em torno do rio Tejo. A Câmara Municipal de Mação tem desenvolvido e apoiado vários projetos num sentido de dinamização do território e do património associado ao rio. Ao nível do Turismo, a autarquia disponibiliza a Praia Fluvial de Ortiga, assim como o Parque de Campismo. Neste contexto, é possível a prática de atividades/desportos aquáticos, radicais e de lazer, o que constitui um interessante foco de atratividade, assim como o facto de se realizarem algumas provas nacionais de desportos náuticos como a motonáutica na Barragem. Ainda em termos turísticos, a gastronomia associada ao rio Tejo tem sido

amplamente divulgada e é sobejamente conhecida pelas especialidades que apresenta, nomeadamente o tradicional Arroz de Lampreia, os peixes do rio e a afamada açorda de ovas. A autarquia promove o Festival da Lampreia, em restaurantes aderentes do concelho, e que este ano se realizará entre 23 de fevereiro e 14 de abril. Em termos culturais, a Câmara de Mação promove, através do Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado do Vale do Tejo, visitas guiadas ao património histórico de Ortiga – Anta da Foz do Rio Frio e Balneário Romano –, assim como às gravuras rupestres do Vale do Ocreza (em Envendos). Estão, neste âmbito, pensados alguns projetos para a zona ribeirinha, como a criação do Parque Arqueológico e Ambiental do Ocreza, que

terá cerca de 14 quilómetros. Em fase de análise está também a criação de um espaço museológico ligado ao rio Tejo e à Pesca, em articulação com a Junta de Freguesia de Ortiga e associações locais. A Câmara Municipal de Mação tem promovido alguns passeios pedestres junto ao rio Tejo, que têm tido uma elevada adesão, pelo que pretende apostar fortemente na dinamização de circuitos pedestres ao longo do rio, devidamente definidos e sinalizados. Sendo a pesca uma atividade ainda com algum peso na freguesia de Ortiga, com influência para a gastronomia e economia locais, é intenção da Câmara de Mação apostar na reabilitação da pesqueira. Texto produzido pela Câmara Municipal de Mação

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16 REGIÃO

FEVEREIRO 2013

PROJETO SERVE DE TESTE MAS PODE ESTENDER-SE A OUTROS CONCELHOS

Mação: Quer transporte? Ligue, reserve e vá A Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, em conjunto com a autarquia de Mação, iniciou no passado dia 21 de janeiro, segunda-feira, no concelho de Mação, a experiência piloto de Transporte a Pedido. Este processo vai decorrer ao longo de seis meses e surge no âmbito da execução do projeto intermunicipal “Transporte a Pedido no Médio Tejo”. O que está previsto é a realização de cinco circuitos de ligação à vila de Mação, com ligações à cidade de Abrantes, abrangendo as freguesias de Aboboreira, Amêndoa, Cardigos, Mação e Penhascoso. Vasco Estrela, o vice-presidente da autarquia de Mação, explicou à Antena Livre que a opção de escolher Mação para ser objeto do projeto teve que ver com o facto de o concelho “ter uma menor co-

bertura de transportes públicos, principalmente fora do período escolar, e por ser um concelho muito disperso, com população idosa, com razões óbvias de dificuldades de mobilidade”. O vice-presidente da autarquia adiantou que se o projeto vier a ter bons resulta-

Cónego José da Graça acusado de fraude José da Graça, o cónego de Abrantes, está sob investigação pelo Ministério Público. O motivo prende-se com duas denúncias de fraude à Segurança Social, que dizem respeito ao facto do padre alegadamente manter “utentes fantasma” na instituição de reabilitação. Em causa está “Projecto Homem”, instituição sediada em Sentieiras, que se destina ao tratamento de reabilitação de toxicodependentes e alcoólicos. Segundo a agência Lusa, as denúncias referem que o religioso terá burlado o Estado ao receber, supostamente de forma indevida, verbas relativas a dezenas de utentes que já abandonaram o tratamento e que, em alguns casos, já falecerem. José da Graça em declarações à agência Lusa disse não ter conhe-

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cimento formal das questões em investigação: “Não tenho notificação nem conhecimento oficial de qualquer denúncia, mas isso, partindo de fonte anónima, deve ser de alguém ressabiado ou por um qualquer ajuste de contas.” Sobre as alegadas listagens para continuar a receber os subsídios estatais, José da Graça referiu “não ter conhecimento da prática consciente e deliberada da prática de qualquer erro ou ilegalidade”. “Não sou eu quem faz as listagens, não sei fazer e não quero fazer”, disse à Lusa, acrescentando que esse é um procedimento “delegado” noutras pessoas. O Jornal de Abrantes tentou entrar em contacto com o cónego, mas este nunca se predispôs a falar com a redação.

dos “é para estender a outros concelhos”.

Como funciona? O transporte tem horários pré-definidos, a “única e principal diferença em relação às carreiras normais é que os utentes têm de re-

servar até às 15h do dia anterior”, explicou Vasco Estrela. Feita a reserva, o motorista da viatura só pára nas paragens se tiver conhecimento que a pessoa ou pessoas fizeram a reserva. Não havendo reserva feita a viatura não pára nos locais das paragens. Os trajetos são efetuados consoante as reservas e pedidos, sendo que, se o utilizador do serviço requerer uma viagem entre apenas duas localidades, o percurso cinge-se a este e não à totalidade do percurso predefinido. Com esta ação a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e os municípios do Médio Tejo pretendem arranjar soluções de transporte flexíveis, de forma a encontrar novas formas de organização dos serviços de transportes, que respondam de forma mais adequada às necessidades das populações e com menores custos.

TAGUS proporciona 27 novos postos de trabalho A TAGUS – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior aprovou 21 novos projetos que vão criar cerca de 27 postos de trabalho, apoiados pela Abordagem LEADER, do Programa Nacional de Desenvolvimento Rural (PRODER). Pedro Saraiva, técnico coordenador da TAGUS, disse que estes projetos se centram sobretudo nas áreas das microempresas, atividades turísticas, exploração agrícola e investimentos públicos. São “projetos relacionados com a animação turística, venda de cereais, restauração, energias renováveis, espaços de comercialização, entre outros, um conjunto bastante diversificado que complementa a atividade económica na nossa região.” Foram vários os empresários que se candidataram a abordagem LEA-

DER, com perfis diferentes: jovens e menos jovens, mulheres e homens oriundos de Abrantes, Constância e Sardoal. “Regra geral são proprietários de empresas, ao nível de turismo temos pessoas mais jovens, ao nível das microempresas pequenos negócios que se pretendem modernizar com empresários de mais idade. Essencialmente foram jovens e recém-desempregados que pegaram em áreas de negócio para darem um rumo às suas vidas”, explicou Pedro Saraiva. Dos 43 projetos a TAGUS aprovou 21 que se candidataram e que representam um investimento global cerca de 2.400 milhões de euros. Em Abrantes, são cerca de 2 milhões, 120 mil euros em Constância e 150 mil euros em Sardoal, 1 milhão de investimento público, para 27 postos de trabalho.

Hortas e painéis de produção de eletricidade à disposição dos abrantinos A Câmara de Abrantes abriu candidaturas para que os munícipes possam criar as suas próprias hortas, na quinta da Arca d’Água, em zona de expansão natural da cidade. Os interessados podem candidatar-se ao cultivo de uma das parcelas de terreno até ao dia 28 de feveiro. A única condição é que sejam residentes no concelho. Nesta primeira fase, estão disponíveis para cultivo 36 parcelas, com áreas que variam entre 50 e 100 m2. Mediante o pagamento de uma taxa simbólica, os hortelãos terão direito a aconselhamento técnico quanto à melhor forma de utilização do solo e a espaços e equipamentos de utilização coletiva que se mostrem convenientes ao desenvolvimento da atividade, tais como caixas de compostagem e instalações para armazenamento de ferramentas. Em comunicado, a autarquia explica que a iniciativa “nasce com o objetivo de proporcionar a prática de uma atividade ao ar livre promotora de um estilo de vida ativo, a ligação das populações ao território e a uma atividade rural característica da sua região, fomentar o espírito comunitário e a educação ambiental, e sobretudo viabilizar a atividade agrícola a pessoas que não disponham de um espaço próprio”. Paralelamente, a Câmara de Abrantes está a arrendar espaços nas coberturas de infraestruturas municipais para a implementação de unidades de mini produção de eletricidade solar fotovoltaica, até uma potência máxima de 20 KW. Pelo arrendamento será paga uma percentagem da receita obtida (antes de impostos) resultante da venda de energia produzida pelos equipamentos em causa.


EDUCAÇÃO 17

FEVEREIRO 2013

A Câmara Municipal de Abrantes e a Universidade da Terceira Idade de Abrantes (UTIA) assinaram um protocolo que prevê a requalificação do edifício que serve de instalações à entidade. Um cheque com vista a apoiar a realização da obra e a chave do edifício que outrora serviu de sede dos Serviços Municipalizados de Abrantes foram entregues na cerimónia. Para além da presença da presidente da autarquia, Maria do Céu Albuquerque, dos seus vereadores e dos elementos diretivos da UTIA, nomeadamente a diretora Vânia Almeida, a cerimónia contou com a participação de dezenas de cidadãos e utentes das instalações que agora serão requalificadas. Após os discursos e assinatura do protocolo, os presentes foram convidados a fazer uma visita às instalações. O que se observou foi um edifício bastante deteriorado, sobretudo no lado sul, que vai ter um novo rosto e melhores

Ricardo Alves

Terceira Idade cada vez com mais futuro

condições a médio prazo. Maria do Céu Albuquerque, em sintonia com os restantes membros da cerimónia, plateia incluída, estava sa-

tisfeita por ser dado “um passo importante”: “É com satisfação que percebermos a dinâmica da UTIA, há cerca de dois anos cede-

mos parte do edifício que servia os serviços municipalizados e rapidamente percebemos que o espaço não era compatível com a

Seminário sobre relações entre alunos, pais e professores

Bolsas de estudo no Sardoal

O conceituado psicólogoclínico Quintino Aires, autor de apontamentos em diversos canais nacionais de rádio e televisão, vai estar presente no Centro Cultural Gil Vicente, em Sardoal, no próximo dia 20 de fevereiro, às 18 horas. O especialista será orador no Seminário subordinado ao tema “Aprendizagens: relações dos alunos, pais e professores”. Esta deslocação ao Sardoal acontece a convite do Agrupamento de Escolas e da Escola Dra. Maria Judite Serrão Andrade, que pretendem, com esta iniciativa, apresentar uma visão diferente das temáticas relacionadas com os condiciona-

O Município de Sardoal aprovou o Projeto de Regulamento Municipal para Atribuição de Bolsas de Estudo. As finalidades desta atribuição prendem-se com o apoio à continuação dos estudos no ensino superior a jovens cujas possibilidades económicas não lhes permita fazê-lo pelos seus próprios meios. Em comunicado, o município sardoalense explica que pretende, também, “colaborar na formação de quadros técnicos superiores, residentes na área geográfica do concelho, contribuindo para um equilibrado desenvolvimento social, económico e cultural, no âmbito da promoção de uma efe-

mentos das aprendizagens dos alunos face à relação entre estes, pais e professores. Quintino Aires, fundador do Instituto que tem o seu nome e que desenvolve a sua atividade em parceria com a Associação Liev Vegotsky (de formação), apresenta uma nova linha de pensamento face a estas questões. A entrada no Seminário é livre, mediante inscrição prévia para efeitos de certificação. Contactos através dos telefones 962 485 033 / 241 850 110 ou do email geral@escolasardoal.com.

tiva igualdade de oportunidades académicas”. As condições de candidatura estão expressas no referido Projeto de Regulamento, cabendo ao município a fixação do número de Bolsas a atribuir, num valor de 100 euros mensais, com aumentos indexados ao salário mínimo nacional. O Projeto de Regulamento poderá ser consultado no gabinete de Desenvolvimento Social e Humano (Ação Social) ou na página de Internet do Município (www.cm-sardoal.pt). Os contributos dos munícipes deverão ser dirigidos, por escrito, ao Presidente da Câmara, até ao próximo dia 6 de fevereiro.

exigência, e hoje cedemos o restante edifício e com este novo espaço a UTIA terá uma capacidade organizacional maior para mais

atividades e dar resposta a um maior número de utentes”, acrescentando que é fundamental que os cidadãos “possam envelhecer condignamente”. Para Vânia Almeida, a cerimónia foi o ponto de partida para “um passo de gigante”. Contou que a UTIA começou como “um pequeno projeto da Palha de Abrantes que tinha umas instalações pequenas, passámos para um prédio grande que nos permitiu fazer outras atividades e agora este protocolo permite-nos alargar as nossas atividades e também sonhar um pouco mais”. Vânia Almeida, que se mostrou sempre sorridente durante a cerimónia e visita, explicou ainda como é trabalhar para os cidadãos idosos: “Conseguem ter sempre mais energia que os professores e que os mais jovens, é preciso ter muita energia para aquilo que eles querem e oferecer sempre cada vez mais para que tenham mais”. RA

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18 DIVULGAÇÃO

FEVEREIRO 2013

NECROLOGIA

Manuel Narciso Alves “A vida é bela se nos dermos aos outros” Morreu com 95 anos (1.7.1917-20.1.2013) o Pe. Narciso Alves. Nascido na freguesia de Belver, o mais velho de sete irmãos frequentou os seminários de Gavião, Alcains e por fim Olivais (Lisboa), onde se abriu para uma nova dimensão da cultura religiosa de então. Ordenado padre em 1944, chega a Abrantes, por razões de saúde, em 1948 e fica até agora. Aqui foi sempre um marginal integrado. Marginal porque nunca lhe foi atribuída uma paróquia, tendo sido deixado entregue a si mesmo; integrado porque esteve sempre, nas suas palavras, “disponível para qualquer serviço, fazendo tudo o que me pediam, não es-

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perando qualquer remuneração”. A sua situação melhorou quando assumiu funções de professor de religião e moral na Escola Industrial, hoje Solano de Abreu, onde conviveu com sucessivas gerações de alunos e professores e onde teve função relevante na ação social escolar. Aposentou-se no ano lectivo 89/90. A sua presença foi ainda repartida em Abrantes pela Casa de Saúde, Colégio de Fátima e, nos últimos anos, Santa Casa da Misericórdia e pelos movimentos da Ação Católica e Cursos de Preparação para o Matrimónio (CPM). A nível diocesano, teve papel significativo na

devoção ao Sagrado Coração de Jesus e na Ação Católica Rural. E não têm conta as pessoas individuais que junto dele encontraram a força e a orientação para superar momentos difíceis e que hoje dizem “Era um santo”. Teve uma definitiva formação pré-conciliar, mas o seminário dos Olivais e a sua participação na Ação Católica abriram-lhe outros horizontes. Tudo isso esteve presente no seu pensamento e na sua ação. E na sua espiritualidade, fonte da disponibilidade que sempre manteve como um princípio de vida: “a vida é bela se nos dermos aos outros” e “a vida vale a pena se a fizermos

render” (síntese sua à revista Zahara Nº 10). Era, seguramente, um homem de fé. Foi sempre discreto, humilde no melhor sentido da palavra, generoso, fiel aos seus princípios, obviamente não partilhados por todos e não subscritos por todos os quadrantes. Mas o seu funeral foi a prova de que Abrantes reconhece a sua generosidade e agradece a sua doação. E não devemos esquecer que por detrás esteve sempre o zelo vigilante da sua irmã Maria do Rosário. Nunca saberemos a importância, embora discreta, que de facto teve em toda esta região. Alves Jana


FEVEREIRO 2013

ESPAÇO DA RESPONSABILIDADE DA UNIDADE DE SAÚDE PÚBLICA DO MÉDIO TEJO 19

SAÚDE

Disciplina positiva para adolescentes As competências parentais definitivamente não melhoraram. Hoje há um enfoque em fazer as crianças felizes e em ajudá-las a desenvolver uma auto-estima saudável. No entanto, os pais ainda usam os “velhos” métodos de supercontrole ou superproteção, o que torna difícil para as crianças sentirem-se bem consigo mesmas.

A ênfase nos trabalhos de casa e nas notas tem criado uma enorme tensão, lutas de poder, e até rebelião. Pode ser muito confuso para os adolescentes quando os pais parecem preocupados com a sua felicidade e auto-estima, mas passam tanto tempo a atormentálos acerca das notas e a tentar controlar todos os seus

movimentos. O nosso desafio como pais é crescer e mudar tão rápido quanto os tempos, e tão rápido quanto os adolescentes. Mudar não é fácil, mas é claro que podemos fazê-lo, porque nós sabemos que vale a pena. O primeiro passo é parar de tratar os nossos filhos como bebés, especialmente os adolescentes. Nós precisamos de tratá-los como pessoas que são dignas de respeito e que são capazes de aprender, contribuindo, e crescendo. Pode ser muito difícil acreditar na capacidade básica dos adolescentes de aprenderem sem serem supercontrolados ou superprotegidos por nós. A razão básica para essa dificuldade é não compreender a dife-

rença entre uma parentalidade temerosa e uma parentalidade corajosa.

Pais temerosos Uma parentalidade temerosa não é deixar andar porque é muito difícil. Nós podemos sentir medo e temer danos irreparáveis se deixarmos andar. Nós podemos pensar que o supercontrole funciona. Outra forma de parentalidade temerosa acontece quando nós não identificamos alternativas para o controle, e achamos que a nossa única opção é não fazer nada. Nós podemos pensar que controle ou permissividade é a única opção. Uma parentalidade temerosa é preocuparmo-nos mais sobre o que os outros possam pensar ou dizer do

que fazer o que é melhor para os nossos filhos adolescentes, incluindo permitir-lhes aprender com os seus próprios erros. A superproteção, o supercontrole, as regras rígidas, a permissividade e a falta de comunicação são apenas alguns dos métodos que contribuem para roubar aos adolescentes resistência e capacidade.

Pais corajosos Parentalidade corajosa significa enfrentar o medo (sim, é assustador deixar andar e permitir que os nossos filhos adolescentes cometam erros) e fazer o que precisa ser feito mesmo assim. Parentalidade corajosa significa utilizar o tempo para ensinar competências mesmo que seja mais fácil

criticar ou resgatar. Os pais corajosos têm fé que os seus filhos são capazes de aprender com os seus erros num ambiente de apoio que não inclui críticas ou resgate. Parentalidade corajosa é ter fé nas capacidades básicas dos nossos filhos adolescentes e saber que eles podem aprender quando lhes damos o espaço e o apoio de que precisam. Quando nós pensamos nos nossos filhos como pessoas competentes e capazes que têm a capacidade de aprender o que é bom para eles através da experiência, é mais fácil ser corajoso. Os pais corajosos precisam de se juntar a pais que têm os mesmos objetivos (porque não um grupo de apoio para pais), de prati-

car competências parentais afetuosas e firmes e de ensinar competências aos adolescentes para que eles possam gerir as suas próprias vidas. Sermos pais de adolescentes exige um grande empenho da nossa parte. Nós precisamos de ter tempo para treinar porque o exercício de uma disciplina positiva não vêm naturalmente. A boa notícia é que quanto mais treinarmos com os nossos filhos adolescentes, melhores serão as nossas competências e as deles para estabelecer relações com os outros. João Paulo Palrilha

Coordenador do Progama Nacional de Saúde Escolar da Unidade de Saúde Pública do ACES do Médio Tejo

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20 CULTURA

FEVEREIRO 2013

Valter Hugo Mãe, o escritor que escreve sobre o tétrico, mas que faz rir com a sua ironia Valter Hugo Mãe fez uma pausa na escrita do novo romance para um encontro com os leitores de Abrantes. Foi no passado dia 24 de janeiro, na Biblioteca Municipal António Botto, e à sua espera estava uma sala repleta de público, onde as cadeiras não chegaram para todos. O escritor que tem entusiasmado os leitores portugueses a cada romance publicado começou por dizer que não sai de casa há algumas semanas, por estar a escrever o novo livro, e pediu desculpa por estar “com a cabeça na Islândia”, onde se passa a ação. O propósito do encontro com o autor foi a apresentação de “A Máquina de Fazer Espanhóis”, por Ana Catarina Pinheiro, professora da Escola Secundária Dr. Solano de Abreu. No livro, lançado em 2011, o autor constrói o protagonista, um olhar sobre a velhice e sobre o mundo, não esquecendo que Portugal está destinado ao Fado, a Fá-

tima e ao Futebol. António Silva, de 84 anos, o protagonista da história, foi metido num lar com o nome “Feliz idade” e é nesta casa de “depósito de velhos” que a maior parte do romance se centra. “Depois da morte do meu pai, precisei de nove anos para escrever o livro”, refere o autor, que, na altura, pensava “até que ponto queria traduzir num livro uma perda tão real para mim”, substituir “o meu pai por um livro”. Para ter uma exatidão da realidade, o artista das palavras visitou alguns lares. “Fui a uma instituição em Vila do Conde, o lar da Ordem de São Francisco e saí de lá a chorar, achei tudo tão triste”, “vi uma senhora, num quarto, que olhava com uma grande tristeza e angústia e depois vi a saber que era a mãe da senhora que me estava a mostrar o lar”. Valter Hugo Mãe emocionase ao recordar este episódio que não quis escrever tal e qual como o encontrou na realidade. Se assim

fosse, o livro “seria muito forte, com uma conotação muito negativa e trágica”. Mas nem só de livros se falou neste encontro. Houve tempo para que o escritor e o público interagissem e partilhassem experiências. Falouse da loucura do ser humano, da Festa Literária Internacional de Paraty, no Brasil, onde o escritor teve uma receção calorosa e convites “para ter filhos”, precisando de um ano para poder regressar ao Brasil, “tinha medo da reação das pessoas e queria ter a certeza de que estavam nas minhas apresentações porque tinham lidos os meus livros”. Valter Hugo Mãe revelou ainda que os seus “poemas andam demasiado coscuvilheiros, contam muito sobre mim e enquanto a minha poesia andar tão custa não pretendo publicar nada”. Pode não publicar poesia, mas o novo romance, esse, sairá ainda este ano.

cer a vida dos famosos em “Rosa Choque” e todas as novidades da internet estão em “Cyber Café”, com Heloísa Silva e Sofia Mendes. “Histórias da Nossa História”, com

Isilda Jana, recupera importantes passagens da história abrantina. No total, uma equipa de 13 pessoas assegura diariamente a “Edição da Manhã”.

André Lopes

As caras da rádio

Edição da Manhã na Antena Livre De segunda a sexta-feira, entre as 8h00 e as 10h00, as manhãs da Antena Livre estão no ar com muita música, informação e entrevistas. Paulo Delgado, Joana Margarida Carvalho e Ricardo Alves coordenam esta emissão onde se passa a região (e não só) a “pente fino”. Entre muitas novidades e alguns clássicos do mundo da música, Paulo Delgado dá a conhecer a carreira dos artistas nacionais e regionais através de várias entrevistas, ora em direto no estúdio, ora em direto via telefone. Por ali já estiveram à conversa nomes como Herman José, Carlos do Carmo, Nucha, Dora, Ana Laíns,

David Fonseca e Mariza entre outros! Joana Margarida Carvalho e Ricardo Alves, trazem à antena vários intercalares informativos, às 08h15, 08h45, 09h20, 09h50, 10h20 e 10h50 , onde além de toda a atualidade regional, são também divulgados os diversos acontecimentos culturais que vão acontecendo pela região do Médio Tejo. Pontualmente e sempre que se justifica, são feitos passatempos com ofertas de entradas para espetáculos nas mais diversas áreas. Mas é também na Edição da Manhã que se “espreitam” os prin-

cipais jornais nacionais, dando a conhecer as principais manchetes do dia. A informação meteorológica está sempre atualizada hora a hora e passam também pela Edição da Manhã as crónicas de opinião de Ana Clara, João Pedro Céu, Armando Fernandes, Hália Costa Santos e Vasco Damas. No programa da manhã da rádio como você gosta, passam ainda diariamente Alves Jana, com “Filosofalando”, que nos explica a vida a partir da filosofia e a filosofia a partir da vida. Carina Vieira marca presença com apontamentos de “Saúde e Bem-Estar”. Cristina Gabriel dá a conhe-

“ De segunda a sexta-feira na edição do meio dia a opinião tem lugar cativo Segunda-feira Ana Clara, Terça-feira João Pedro Céu, Quarta-feira Armando Fernandes, Quinta-feira Halia Costa Santos, Sexta-feira Vasco Damas

Na rádio como você gosta, a opinião que conta” jornaldeabrantes


ENTREVISTA 21

FEVEREIRO 2013

“Para que um artista tenha o seu público, é fundamental que se aposte nele” Ana Laíns subiu ao palco do CineTeatro S. Pedro, em Abrantes, para cantar o seu fado, um “fado diferente”. Aos 33 anos, a cantora, que conta com 10 anos de carreira, teve o apoio de familiares e amigos que estiveram presentes no concerto e a aplaudiram de pé. No final do espetáculo, a fadista saiu do palco emocionada, depois de a sua progenitora ter subido ao palco para lhe dar consolo. Em entrevista ao JA, Ana Laíns revela que está a preparar um novo disco, que será editado com a chancela da “Coast to Coast”, editora holandesa que representa Ana Moura, Mafalda Arnauth e Dulce Pontes.

Como foi o regressar a Abrantes, ter o público repleto de família e amigos? Foi, tal como eu esperava, muito emocionante. Confesso que esperava uma sala com mais gente, mas os que estiveram comigo, e foram muitos, mesmo assim, ajudaram a criar um ambiente que foi ao encontro do que eu gosto que sejam os meus concertos - uma tertúlia de amigos. A sua mãe subiu ao palco quando a Ana estava emocionada. Foi um dos momentos que marcará o concerto em Abrantes? Eu nem queria acreditar quando vi a minha mãe ao pé de mim. Ela não é nada destas coisas, é uma pessoa muito discreta. O que se pas-

sou foi que ela ficou aflita por ver a minha emoção e apercebeu-se que eu não ia conseguir cantar por não conter as lágrimas. E ela sabia bem o porquê dessas lágrimas. Foi inevitável pensar no meu pai e no orgulho que ele iria sentir em mim se estivesse ali. Ora, a minha mãe, que me conhece como ninguém, ao ter certeza que eu estava frágil decidiu ir dar-me um miminho. Sem dúvida que não vou ter como esquecer este momento, bem como todo o concerto, que me deixou muito orgulhosa. Sente que tem sido bem tratada pela região que a viu nascer? De um modo geral, sim. Os concelhos de Abrantes e Constância são-me muito familiares, foi onde estudei e fiz muitos dos amigos que ficaram para a vida, e em Montalvo, vivi, cresci, e tenho as minhas raízes. Sinto por parte de muita gente a estima que me têm e o apoio que me dão. Mas também sinto por parte de algumas pessoas o contrário. Há uma tendência natural, que não deveria acontecer, por parte de quem me conhece desde criança em continuar a ver-me como a menina que viveu e cresceu em Montalvo, sem que consigam fazer o distanciamento. A maior parte das pessoas nesta posição ainda não notou que a menina deu lugar a uma profissional com provas dadas e que tem lutado imenso pelos seus sonhos. Mas, de um modo geral, sinto o respeito e o carinho das pessoas. Não

Hans Speekenbrink

ANA LAÍNS, EM ENTREVISTA, FALA SOBRE A SUA CARREIRA E SOBRE O ESPETÁCULO QUE DEU EM ABRANTES

posso deixar de salientar o respeito que a Câmara Municipal de Abrantes me demonstrou. O esforço que fizeram para me trazer cá foi revelador de gente que tem palavra e que procura ter dignidade na forma como estreita os laços. Da minha parte posso e devo dizer que tenho muito orgulho neste concerto, especialmente porque celebrou os valores que defendo, como a honestidade, o carácter e o respeito. “Quatro Caminhos” é mais do que um álbum de fado”. É mesmo uma cantora de um fado diferente, com “mais cor”? Eu sou uma cantora que viveu muitas experiências, em muitas áreas, cantei de tudo. Fiz casinos, musicais, cantei jazz, bossa nova, canção francesa, espanhola, inglesa...Tudo o que sou como cantora é porque cresci a cantar tudo. Ora, mesmo sendo no fado ou na música tradicional, não consigo, nem quero, evitar que todas estas influências se reflitam na cantora que sou. “Quatro caminhos”, tal como o antecessor “Sentidos”, são discos que apenas foram ao encontro de tudo o que citei anteriormente. A música portuguesa, que é riquíssima de Norte a Sul, e em especial o fado, está numa fase de procura de algo mais, de desenvolvimento de outras linguagens provenientes destes géneros e eu, pessoalmente, considero que há o direito de criar, inovar, experimentar.

“Quatro Caminhos” foi considerado pela imprensa holandesa como um dos melhores discos de 2012 da World Music. Será o seu trabalho mais reconhecido e valorizado fora de Portugal? Tem sido, sem dúvida. Mas pelos vistos essa tem sido a lei natural das coisas neste país. Nós somos um país pobre em termos de moral cultural e de conhecimento. Somos muito abertos ao que vem de fora e muito fechados em relação a nós mesmos, temos falta de confiança em nós enquanto país, enquanto povo. No estrangeiro, o que eu sinto é que as pessoas vão aos concertos mesmo não conhecendo os artistas, mas porque são ativos culturalmente. Têm curiosidade cultural para conseguir apreciar mesmo sem conhecer. As pessoas que encheram as salas por onde passei, não eram todas fãs do meu trabalho, algumas nunca tinham ouvido falar de mim. A imprensa continua a dar o protagonismo aos projetos que já são referência só para vender mais, e fica de lado o papel principal dos media, que é informar, dar a conhecer, sem pudores. Que projetos tem para o futuro? Há um novo disco a ser preparado? Sim, há um novo disco a ser trabalhado, mas é muito embrionário. Estou na fase da recolha de reportório, de montagem do conceito. Sei precisamente sobre o que quero falar e

o álbum até já tem nome. Agora é juntar todas as peças para o tornar possível. Quero dar uma notícia que se confirmou recentemente. Neste momento, a única certeza que tenho é que o disco irá sair com selo “Coast to Coast” que é uma grande editora holandesa na área da world music, e que tem representado cantoras como a Dulce Pontes ou a Ana Moura. Uma grande vitória para mim. 2012 foi um ano marcante para a Ana. Alcançou mais público e viu o seu trabalho ser mais reconhecido do que nunca. O que espera deste novo ano? Espero continuar a colher o que semeei. Espero que o mercado me permita continuar a tocar e cantar a minha música. Espero chegar ao final do ano com um grande disco para apresentar e espero, principalmente, que os gestores culturais, os promotores, os agentes, as editoras e também os próprios músicos entendam de uma vez por todas que é urgente mudar mentalidades para que todos tenham as mesmas oportunidades. Num país como o nosso não podem continuar a praticar-se cachets extravagantes por parte de certos artistas, deixando de se contratar outras bandas que ainda estão em fase de construção de carreira. Para que um artista tenha o seu público, é fundamental que se aposte nele. André Lopes

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22 CULTURA

FEVEREIRO 2013

COORDENAÇÃO DE ANDRÉ LOPES

AGENDA DO MÊS

ABRANTES Até 22 de março – Exposição “Lost in the city”, fotografia de José Mendes de Almeida – Galeria de Arte Até 30 de março – Exposição “Cinema em Abrantes entre 1931 e 1974” – Arquivo Municipal Eduardo Campos, das 9h às 12h30 e das 14h às 17h30 Até 15 de maio de 2013 – Exposição “Vida e Morte – A préhistória no Concelho de Abrantes”- Museu D. Lopo de Almeida – Castelo, de terça a domingo, das 10h às 18h 4 de fevereiro – “Café Filosófico”, discutir /clarificar “Crença”, com Mário Pissarra - Café 53, às 21h 4 de fevereiro – “Encontro com…” Rita Taborda Duarte – Biblioteca António Botto, às 14h 5 de fevereiro a 1 de março – Exposição de pintura “Details” pela “Amarte” Escola de Artes – Biblioteca António Botto 12 de fevereiro – “A Menina Dança?”, com o grupo musical “F&M” – Pequeno Auditório do Cine-Teatro S. Pedro, às 15h 15 de fevereiro – Concerto com Virgem Suta – Cine-Teatro S. Pedro, 21h30 15 de fevereiro a 10 de março – Feira de S. Matias – Tecnopolo de Vale do Tejo 28 de fevereiro – “Entre nós e as palavras com…” Pedro Vieira – Apresentação do livro “Última paragem, Massamá” por Paulo Passos – Biblioteca António Botto, 21h30 “Há cinema na aldeia” – Centro Desportivo da Concavada, às 16h: 6 de fevereiro – “O Embargo” de António Ferreira 13 de fevereiro – “Aniki Bóbó” de Manuel de Oliveira 20 de fevereiro – “Pare, escute e olhe” de Jorge Pelicano 27 de fevereiro – “Deus é brasileiro” de Carlos Diegues Cinema – Org. Espalhafitas – Cine-Teatro S. Pedro, 21h30: 6 de fevereiro – “As Linhas de Wellington” 13 de fevereiro – “O Silêncio” 20 de fevereiro – “Senhor Lahzar” 27 de fevereiro – “Os Três Macacos”

Barquinha Até 3 de março – Exposição “As Escolas”, arquitetura contemporânea de Aires Mateus, fotografada por Fernando e Sérgio Guerra – Escola Ciência Viva 9 de fevereiro – Palestra “A primeira sede dos Templários em Portugal: Soure (1128-1147), com Fernando Tavares Pimenta – Centro Cultural, às 17h 12 de fevereiro – Matiné de Carnaval – Clube de Instrução e Recreio - Moita do Norte 23 de fevereiro – Noite de Fados - Sede do Grupo Folclórico “Os Pescadores de Tancos”, 21h30

Virgem Suta abrem as portas do seu “Doce Lar” em Abrantes

Por uma noite os Virgem Suta abrem as portas da sua casa e mostram o seu ”Doce Lar” no Cine-Teatro S. Pedro, em Abrantes. O duo alentejano volta a Abrantes no dia 15 fevereiro, às 21h30, depois de ter apresentado o primeiro disco de originais nas Festas da Cidade, em 2011. No conceito do concerto estão “dois homens e meia dúzia de instrumentos, uma mão cheia de canções e um excelente vinho alentejano”. Jorge Benvinda (voz, tacho, panela, berimbau de boca) e Nuno Figueiredo (guitarras eléctricas, guitarras acústicas, cavaquinho, groovebox, percussões) são os anfitriões deste concerto que será composto por temas do álbum “Doce Lar” (2012), como “Maria Alice”, “Beija-me na Boca” e “Exporto Tristeza”, não esquecendo o disco de estreia, com as músicas “Linhas Cruzados”, “Dança de Balção” e “Tomo conta desta tua casa”. Dia 16 de fevereiro, os Virgem Suta passam ainda pelo Teatro Virgínia, em Torres Novas. Em março, a digressão continua em Portalegre (dia 9) e Vila do Conde (23).

Pedro Vieira apresenta a obra “Última Paragem, Massamá” na Biblioteca António Botto Pedro Vieira é o próximo convidado de “Entre nós e as palavras”, na Biblioteca Municipal António Botto. “Última Paragem, Massamá”, lançada em fevereiro de 2011, vai ser apresentada por Paulo Passos, designer na Câmara Municipal de Abrantes, dia 28 de fevereiro, pelas 21h30. O romance de estreia do escritor narra a história de um homem e de uma mulher, Lucas e Vanessa. Do seu amor trágico e de uma cidade com vista para muitas vidas. Também é a história de uma doença e de uma saída de cena, de uma frustração que não se cura. Na obra são abordados vários temas, como a emigração, a religião, o ensino, a angústia humana, a identidade sexual, o racismo… Pedro Vieira é um homem de muitos ofícios: ilustração, escrita literária, jornalismo e guionismo. Nasceu em Lis-

boa, em 1975, cidade onde atualmente reside. É licenciado em Publicidade e Marketing pela Escola Superior Comunicação Social, trabalha no Canal Q, das Produções Fictícias, como criativo. É ilustrador residente da revista LER e ainda autor do blogue irmaolucia e co-autor do Arrastão.

Palestra sobre a sede dos Templários no Centro Cultural da Barquinha

O Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha regressa à rubrica “Sábado às cinco com…” a palestra “A primeira sede dos Templários em Portugal: Soure (1128-1147)”, dia 9 de fevereiro, pelas 17 horas. O orador convidado é Fernando Tavares Pimenta, natural de Soure, mas que reside atualmente no Entroncamento. É Doutorado em História e Civilização pelo Instituto Universitário Europeu de Florença e Investigador de Pós-Doutoramento da Fundação Para a Ciência e a Tecnologia da Universidade de Coimbra (CEIS20-UC). É também investigador associado do Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa e colaborador do Instituto de História Contemporânea de Ferrara (Itália). O historiador é autor de livros, artigos e outras contribuições científicas em vários países nas áreas da História Contemporânea de Portugal, da História Colonial e da História Local. Já este ano, Fernando Tavares Pimenta foi o coordenador do volume recentemente editado República e Colonialismo na África Portuguesa (Porto: 2012).

Constância Até 28 de fevereiro – Mostra Bio-bibliográfica de Sveva Casati Modignani – Biblioteca Alexandre O´Neill, 10h às 18h30 9 de fevereiro a 3 de março – Exposição de pintura “Expressões e Sentimentos”, de Sílvia Maria Carvalho Filipe – Posto de Turismo 11 a 15 de fevereiro – Dia de S. Valentim, incentivar o gosto pela poesia – Biblioteca Alexandre O´Neill, 10h às 18h30 DVDteca à sexta – Biblioteca Alexandre O´Neill, às 15h: 8 de fevereiro – “A Paixão de Shakespeare” 15 de fevereiro – DVD surpresa 22 de fevereiro – “Terapia do Amor” 1 de Março – “A Pequena Sereia”

Mação 21 de fevereiro – Ciclo de Conferências “Transformar a Terra, Mudar de Vida”, por António Guilhermino Pires - Museu de Arte Pré-Histórica, 17h 22 de fevereiro – “Fazes-me Falta…3 Gerações, 3 Histórias partilhadas com quem nos faz falta!” – Biblioteca Municipal, 14h e 21h

Sardoal 16 de fevereiro – Concerto com Piano Vox e com Reptíliah – Centro Cultural, 21h30 20 de fevereiro – Seminário “Aprendizagens: Relação dos alunos, pais e professores”, com psicólogo Quintino Aires – Centro Cultural Gil Vicente, 18h Cinema – Centro Cultural Gil Vicente, 16h e 21h30 9 de fevereiro – “A Origem dos Guardiões”

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“Lost in the City”, fotografia de José Mendes de Almeida na Galeria de Arte A exposição “Lost in the City”, de trabalhos fotográficos da autoria de José Mendes de Almeida, pode ser visitada até ao dia 22 de março, na Galeria Municipal de Arte de Abrantes. Segundo o autor, “a série Lost in the City é sobre alguns dos que perderam. Todos diferentes. A cada um a sua história. Por mal interno, ou pelas voltas do destino, todos de alguma forma com rumo incerto.” Natural de Lisboa, José Mendes de Almeida tem um vasto curriculum em exposições individuais, tendo exposto, entre outros, na Galeria de S. Bento (2008) e no Museu das Telecomunicações (2009), ambos em Lisboa, no Centro de Artes e Cultura (2010), em Ponte de Sor e no Centro Cultural Gil Vicente, em Sardoal. Fora de Portugal, e em exposições coletivas, o fotógrafo mostrou o seu trabalho em Londres, Miami, Madrid e Nova Iorque. A Galeria de Arte funciona de terça a sábado, das 10h às 12h30 e das 14h às 18h30.


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FEVEREIRO 2013

CENTRO MÉDICO E DE ENFERMAGEM DE ABRANTES Largo de S. João, N.º 1 - Telefones 241 371 566 - 241 371 690

CONSULTAS POR MARCAÇÃO ACUPUNCTURA Dr.ª Elisabete Serra ALERGOLOGIA Dr. Mário de Almeida; Dr.ª Cristina Santa Marta CARDIOLOGIA Dr.ª Maria João Carvalho CIRURGIA Dr. Francisco Rufino CLÍNICA GERAL Dr. Pereira Ambrósio; Dr. António Prôa DERMATOLOGIA Dr.ª Maria João Silva GASTROENTERELOGIA E ENDOSCOPIA DIGESTIVA Dr. Rui Mesquita; Dr.ª Cláudia Sequeira MEDICINA INTERNA Dr. Matoso Ferreira REUMATOLOGIA Dr. Jorge Garcia NEUROCIRURGIA Dr. Armando Lopes NEUROLOGIA Dr.ª Isabel Luzeiro; Dr.ª Amélia Guilherme

NUTRIÇÃO Dr.ª Mariana Torres OBSTETRÍCIA E GINECOLOGIA Dr.ª Lígia Ribeiro, Dr. João Pinhel OFTALMOLOGIA Dr. Luís Cardiga ORTOPEDIA Dr. Matos Melo OTORRINOLARINGOLOGIA Dr. João Eloi PNEUMOLOGIA Dr. Carlos Luís Lousada PROV. FUNÇÃO RESPIRATÓRIA Patricia Gerra PSICOLOGIA Dr.ª Odete Vieira; Dr. Michael Knoch; Dr.ª Maria Conceição Calado PSIQUIATRIA Dr. Carlos Roldão Vieira; Dr.ª Fátima Palma UROLOGIA Dr. Rafael Passarinho NUTRICIONISTA Dr.ª Carla Louro SERVIÇO DE ENFERMAGEM Maria João TERAPEUTA DA FALA Dr.ª Susana Martins

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Abílio dos Santos Pombo 28/12/1936 - 02/01/2013 Abrantes

AGRADECIMENTO Mulher, filhos, netos e restantes familiares agradecem ao Centro de Saúde de Alferrarede em especial ao Sr. Dr. Luís Peixoto, a todo o pessoal do Hospital de Abrantes, bem como a todos aqueles que estiveram presentes ao longo da doença e por qualquer meio manifestaram o seu pesar. A todos o seu bem haja

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