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FICHA TÉCNICA

2021 ANO VII EDIÇÃO 26 OUTUBRO/NOVEMBRO/DEZEMBRO

COLABORADORES

Droander Martins / Felipe Ursine / Gustavo de Melo / Fábio Vianna Coelho / Geoff Bennett / Adrian Lovagnini / Alessandra Lugato / Liandro Paulo Carniel / Anna Gardemann / Bárbara S. Bassetto / Mariana Vidotti/ Rogério Couto / Luís Silva / Fabio Andre Tamanho / Cleufe Almeida / Câmara Abrint Mulher / Paulo Vitor / Eloi Piana / José Maurício dos Santos Pinheiro OBS: Os artigos assinados são de exclusiva responsabilidade dos autores e não refletem a opinião da Revista ISP Mais.

DIRETOR DE ATENDIMENTO Ayron Oliveira

REVISÃO

Jéssica Paz / Alex Gaban / Paola Geraldi

IMAGENS

Shutterstock / Pexels / Pixabay / PXHere / Freepik

IMPRESSÃO

Gráfica Paraná

Quer anunciar conosco? ispmais.com.br/comercial marketing@ispmais.com.br

CAPA

EDIÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Mateus Vitor Borges



ISP Mais

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SUMÁRIO 06 ARTIGOS

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PROVEDOR EM DESTAQUE 32

Avaliação e Auditoria Técnica: Qual a Importância para Seu Provedor

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Backhaul de Fibra

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Compartilhamento de Postes. Se Não Hoje... Quando?!

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O Regulamento de Fiscalização Regulatória da Anatel

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Novos Agentes Fiscalizadores dos ISPs

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Onde Está e Qual é a Capacidade da Fibra?

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Mitigação de DDDoS Como Estamos Hoje?

OLLÁ TELECOM Proporcionando um Serviço de Qualidade e Eficiência para Porto Velho

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Regulação da LGPD para Pequenas Empresas Está em Elaboração

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Gestão de Cliente: A Base do Negócio

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Ter ou Não Ter Uma Política de Segurança Cibernética?

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Cursos EAD: O Futuro Está Aqui

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Porque os Talentos Saem das Empresas?

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Provedores Regionais de Internet são Protagonistas na Aceleração Digital

COLUNA ABRINT MULHER As Primeiras Pinceladas do OpenRan

ESPAÇO

30 ABRINT

“Nosso Atendimento é Diferenciado. Queremos Entregar uma Melhor Experiência ao Cliente”

50 COLUNA 50

Os Cuidados Jurídicos Na Distribuição dos Canais Digitais e o Cenário Regulatório Atual

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O Aumento dos Processos de Fusão e Aquisição de Operadoras

COLUNA 54 FIBRA ÓPTICA ONTEM E HOJE

Distribuidores Ópticos


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AVALIAÇÃO E AUDITORIA TÉCNICA: QUAL A IMPORTÂNCIA PARA SEU PROVEDOR?

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os últimos anos, e especialmente após o surgimento do COVID, enquanto outros mercados ruíram, o setor de Telecomunicações teve destaque, eis que se mostrou cada vez mais indispensável em um país ainda carente de conectividade. Em razão disso, o número de investidores e fundos de investimento interessados no segmento de Telecom teve um crescimento exponencial, sendo este interesse comprovado através de diversos investimentos para expansão dos provedores ou a compra desses. Mas o que buscam os investidores e consolidadores do setor? Como muitas plataformas de investimento já estão formadas e existe uma escassez de operações médias e grandes aptas a serem investidas, o foco está voltado para pequenas operações bem organizadas ou passíveis de organização. Para que esta consolidação ocorra com sucesso e beneficie a todos do setor, um fator decisivo e

Mas o que buscam os investidores e consolidadores do setor?

de extrema importância é o preço das empresas. Atualmente muitos ISPs estão com uma visão distorcida quanto ao valor de suas operações, alguns muito acima da média de mercado sem possuírem justificativas coerentes para um preço tão elevado e outros com diferenciais incríveis e uma expectativa abaixo do valor de mercado, arriscando perder dinheiro em uma negociação.

Existem diversos fatores que impactam no valor de uma empresa: quantidade de rede regularizada na concessionária de energia, tipos de equipamentos utilizados na infra, estrutura societária, contabilidade estruturada, ativos de rede, capacidade de rede disponível para expansão, ticket médio de venda, gestão, governança, compliance, entre outros. O ideal é sempre realizar um Valuation formal, para que assim, os ISPs tenham assertividade e segurança em saber qual deve ser o valor justo do negócio. Além do Valuation, outra etapa fundamental é realizar uma Auditoria Técnica Operacional. A importância desse processo, não está em realizar a Auditoria somente no momento da fusão/ aquisição, mas sim antes, pois com ela em mãos o provedor consegue analisar as questões técnicas e operacionais para que possam corrigir e melhorar seus próprios processos, otimizando seus recursos atuais e ainda melhorando uma avaliação em um


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futuro processo de M&A. Mas por que um ISP deve fazer essa Auditoria Técnica Operacional? Empresas de todos os portes e segmentos contratam auditorias financeiras/contábeis periodicamente, como por exemplo, Ernest & Young, KPMG, Deloite, dentre outras, justamente para não perderem o foco de governança e assim manter ou ajustar a saúde financeira, contábil e tributária das empresas, seguindo as orientações feitas com base na auditoria executada. Então por que não realizar uma Auditoria Técnica Operacional para validar o que tem de mais valor dentro de um ISP, afinal, quem discorda que a Rede Óptica e a carteira de assinantes são o maior patrimônio de um ISP! A Auditoria Técnica Operacional atua segmentada, assim focando bem em cada parte do processo. A parte técnica irá validar desde dos ativos do Data Center, estrutura lógica da rede, passando

pelo projeto de rede, seu lançamento, identificação e documentação. Podemos exemplificar por exemplo que na parte Técnica são tratadas questões como o estado de conservação dos elementos da rede e suas instalações (se estão de maneira adequada), questões de obsolescência e desgaste, uso inadequado de estruturas, como, por exemplo, uso de postes sem licença ou até mesmo ferragens que não são suas no lançamento da sua rede óptica, o famoso “carona”, o estado de conservação geral dos veículos disponíveis para atendimento e instalação de seus assinantes, analisa o projeto de rede e vê como o mesmo foi criado, documentado, projetado, se contempla previsões de expansão da rede. E visto também todos os contratos com fornecedores como link, companhia de energia (compartilhamento de postes), swaps dentre outros, para garantir tranquilidade e escalabilidade futura. A parte Operacional, faz parte do processo auditar questões ope-

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racionais como validar as métricas de Indicadores da Qualidade e Produtividade (KPI’s), tais como, quantidade de reparos, SLA, inadimplência e churn (cancelamento), nível de satisfação ou então de insatisfação dos assinantes dentre outros KPI’s importantes para o aumento da produtividade e qualidade do ISP, onde é visto todos os processos e procedimentos dos setores envolvidos. Também é feito a análise do parque tecnológico, Data Center/ POP, equipamentos de borda, concentradores, switchs, OLTs, geradores e etc. É realizado uma análise dos processos e procedimentos usados no dia a dia da operação, para verificar pontos de gargalos ou melhoria. A importância de contratar uma Consultoria independente para realizar esse estudo é fundamental e considerado um diferencial extremamente profissional para o ISP, pois como não faz parte da operação, não está no dia a dia, se torna autônomo e sem os


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vícios, afinal quem está no dia a dia acaba absorvendo e nem reparando. A Consultoria deve ter uma equipe técnica especializada e multidisciplinar no segmento de telecom, com larga vivência em ISPs, que detenha conhecimentos técnicos adequados, para realizar o trabalho. Empresas que realizam Due Diligence são aptas a realizar a Auditoria Técnico Operacional. Em Tempo, as diferenças entre as duas modalidades estão no seu foco, onde a Auditoria Técnica Operacional, quem faz a contratação é o próprio ISP e tem o foco de identificar os problemas e propor soluções para correções e/ou melhorias para o ISP. A Due Diligence quem contrata é o “comprador/investidor” e tem o foco de também identificar os problemas, porém ela somente sinaliza os pontos levantados e mostra os pontos fortes, pessoas chaves e os valores para soluções dos pontos fracos conforme parâmetros pré-estabelecidos com a contratante. Feito a Auditoria Técnica Ope-

Além do Valuation, outra etapa fundamental é realizar uma Auditoria Técnica Operacional. racional, é entregue um relatório detalhado com todas as informações auditadas, pontos fortes, pontos de melhorias, pontos fracos, colaboradores chaves de cada etapa, além do relatório a empresa recebe também uma matriz de análise de riscos onde serão destacados em grau de prioridade as ações e investimentos necessários para adequação conforme melhores práticas e um Rating Técnico Operacional que classifica e pon-

tua a empresa conforme sua atual situação em comparação com players do mesmo porte. Agora com isso em mãos, os Proprietários e Gestores, terão uma visão mais detalhada e realista do negócio com a redução ou eliminação de dúvidas de como está o estado da “saúde operacional” do ISP, e sendo assim, tendo argumentos suficientes para promover o futuro do ISP deixando ele preparado para o mercado, seja para M&A seja para o crescimento sustentável e saudável do ISP.

Droander Martins,

Investidor, consultor, mentor e palestrante, atua como conselheiro estratégico e é CEO da Vispe Capital e IPv7 Soluções Inteligentes, autor do livro INTANGÍVEL.


Backhaul de Fibra O QUE É?

Backhaul é o termo usado para o segmento da rede que chega até os municípios, interligando-os com os backbones. São as ramificações do backbone que fornecem Internet às redes menores, como as dos provedores regionais, por exemplo. Já Backbone são as redes utilizadas pelas operadoras para fornecer Internet para outras redes menores. São os grandes links de transmissão de dados a partir dos quais saem ramificações para atender outras redes.

PARA QUE SERVE? Backhaul de fibra é a rede apropriada para receber as faixas de frequência para utilização do 5G. Além disso, em redes de tecnologia wireless, é utilizado para transmitir voz e dados do site de uma célula para um switch, i.e., de um site central para um remoto, e em redes com tecnologia de satélite, é utilizado para transmitir dados de um ponto para o qual ele pode ser transmitido (uplinked) para o satélite.

POR QUE O ASSUNTO ESTÁ EM PAUTA? Porque com a ajuda da Campanha de Backhaul da ABRINT, a Anatel conseguiu atualizar 526 regiões que já possuem a rede, o que significa que o investimento do dinheiro público não será duplicado nestas localidades. As regiões Sudeste, Nordeste e Sul foram as que tiveram mais localidades atualizadas, sendo 169, 142 e 125, respectivamente. Já as regiões Centro-Oeste e Norte, ambas receberam 45 atualizações cada.

O QUE DEFENDE A ABRINT? A ABRINT defende que a Anatel seja assertiva na alocação das obrigações de investimento. No anexo XV do documento, o órgão traz orientações de tratamento preferencial aos municípios listados na implementação de backhaul, estando elegíveis para o compromisso de construção das redes (backhaul e backbone). Elaboração: ABRINT


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COMPARTILHAMENTO DE POSTES. SE NÃO HOJE... QUANDO?!

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ocê montou o seu provedor de internet! Ótimo! Começou com rádio, se adequou ao novo mercado e substituiu essa tecnologia pela fibra óptica, você está equivalente ou superior aos seus concorrentes mas se esqueceu de um fator fundamental para dar segurança aos seus clientes e liquidez para o seu provedor de internet: “o projeto de compartilhamento de postes”. Para realizar uma ocupação nos postes de forma legalizada, é necessário obter a autorização da concessionária de energia. Mas a burocracia, as dificuldades em se obter a autorização e a adversidade para cumprimento de todas as exigências oriundas da norma ABNT 15214 que estabelece os critérios técnicos sobre o compartilhamento em conjunto com normas específicas das concessionárias, muitas das vezes leva as Operadoras e Provedores Regionais ao descumprimento de inúmeros quesitos no que se refere ao compartilhamento de infraestrutura de postes.

“Antes de exigir seus direitos, cumpra os seus deveres.”

Ao ponto que a não regularização transforma-se em erro estratégico, simplesmente porque em cada poste são disponibilizadas apenas 5 faixas para ocupação regular. Já ouviu aquele ditado: “quem chega primeiro bebe água limpa?”. A verdade é que muitos Provedores Regionais foram os primeiros a implantar fibra óptica em suas cidades ou regiões, mas pouco se atentaram para a regularização do seu cabeamento nas concessionárias de energia,

e muitos hoje se deparam com o problema de não mais conseguir regularizar suas redes pelo excesso de ocupações dos postes. Não podemos ainda desconsiderar um grande advento do mercado: “a rede neutra”. E eu vou te dar alguns dados que vão te assustar, e muito! Alguns provedores imaginam que essas 5 ocupações se referem apenas a fibra, mas não é verdade. Cabos telefônicos, também precisam de licenciamento. Eis que surgem duas grandes empresas que já possuem praticamente todo o Brasil homologado devido a telefonia fixa e que para realizar tal ocupação, basta substituir os cabos e a tecnologia dos clientes... Oi e Vivo. Não é a toa que elas criaram, respectivamente, V-TAL e FIBrasil, empresas responsáveis por difundir a rede neutra em todo Brasil. Rumores inclusive apontam que a ideia da Oi é fibrar 90% do Brasil até 2025, através da V-TAL, antiga INFRAco. Algumas perguntas, a saber: “depois que todo o Brasil estiver


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fibrado e a rede neutra for uma realidade. O seu provedor terá lugar de ocupação dentro da rede das grandes? E depois que eles estiverem licenciados, não irão fazer algum tipo de pressão nas concessionárias para retirar os cabos que ainda não foram regularizados?” Algumas empresas que começaram a usar a rede neutra da Oi se viram obrigadas a aumentar o seu ticket médio, mas não para aumentarem o markup e sim para mantê-lo. Isso significa que as empresas tendem a atender mais clientes através da rede neutra, mas, a depender do molde dessa aplicação, perdem, exponencialmente, competitividade para brigar por preços que os usuários já estejam acostumados. Claro, essa também é uma realidade criada porque centenas de provedores não possuem a sua rede regularizada, o que faz com que ele possa reduzir drasticamente a sua precificação, visto que não paga sequer ocupação de

“A ideia central aqui não é discutir a guerra dos preços. E sim a guerra que está prestes a chegar. A guerra dos que vão se manter no mercado!”

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postes. Mas depois de regularizar milhões de metros de redes posso afirmar com toda certeza, as ditas Grandes Operadoras, como citadas, estão longe de obedecer à risca as normas de compartilhamento, inclusive são elas as grandes causadoras do excesso de compartilhamento, visto que é muito comum notar que sequer retiram sua rede legada do poste compartilhado, o que impossibilita também a entrada de novas concorrências. Mas a ideia central aqui não é discutir a guerra dos preços. E sim a guerra que está prestes a chegar. A guerra dos que vão se manter no mercado! Se você não ficou nada confortável com a situação que eu citei acima, eu tenho uma excelente notícia para você. Mesmo que seu provedor de internet já tenha passado cabeamento e eles ainda não estejam regularizados, você pode fazê-lo por intermédio do projeto de compartilhamento de postes.


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Dessa forma, você terá exclusividade, junto a outros 4 provedores de internet, de utilizar o cabeamento naquele trecho onde o seu projeto foi aprovado. Isso faz com que você tenha autonomia para determinar qual será o seu nível de competitividade. E eu sei que não é barato fazê-lo. Afinal, as concessionárias não estão seguindo o preço de referência, praticam preços que determinam em suas próprias estratégias de negócios. Peraí, você nunca ouviu falar em preço de referência? Eu explico! Em 2014 ANATEL e ANEEL definiram um valor de referência para ocupação ou compartilhamento de postes a nível Nacional, o que seria atualmente corrigido no valor de referência de R$4,23. No entanto, 7 anos depois, esse acordo não vem sendo cumprido pelas concessionárias. Cada uma tem praticado um preço diferente e eu vou ilustrar apenas alguns exemplos pra você na lista na imagem! Como podem ver nenhuma concessionária cumpre o valor de referência. Por qual motivo se na grande maioria delas essa é uma receita acessória? E a injustiça maior é que algumas grandes Operadoras tem negociações diferenciadas de valores, sem qualquer critério de equidade. Afinal por que estou falando do valor de referência? Porque essa é uma desculpa clássica de empresários ISPs para não regularizar suas redes. Primeiramente gostaria de sugeri-lo, tenha esse custo bem atri-

Concessionárias

Valores por Ocupação

Cemig Coelba Enel SP Enel CE EDP CPFL ENEL RJ Light

R$ 8,66** R$ 8,49 R$ 12,52* R$ 11,23* R$ 7,23 R$ 7,10 R$ 10,82 R$ 5,50

* concessionárias que tem variações de preços entre regiões e quantitativo **concessionárias que reduzem valores mediante acordo

buído no seu Business Plan, e se este for o empecilho para sua regularização e competitividade no mercado existe uma solução. Inúmeros provedores estão entrando com processos judiciais frente as concessionárias para exigir que o preço de referência seja praticado. E uma notícia melhor ainda é que a maioria deles ganham essa causa. Antes de exigir seus direitos, cumpra os seus deveres. Como já disse aqui a autorização da concessionária para o compartilhamento é um dever de qualquer empresa de Telecomunicações que deseja utilizar os postes das concessionárias. A regularização da ocupação da sua rede na concessionária de energia irá também trazer outros benefícios, e claro, pode ser que você não tenha interesse em formalizar o seu provedor agora. Afinal, nunca teve problemas com os cortes de energia. Mas lembre-se do processo de fusões e aquisições que se instaurou no mercado. Naturalmente, ter a sua rede regularizada, além de garantir que você não está exposto e fragilizado, incide, também, na valorização do

seu provedor. Em média, cada cliente em um provedor sem regularização vale de R$ 1000 a R$ 1600. No entanto, ao regularizar a sua rede esse valor sobe para R$ 2400 a R$ 3500, e especialista apontam que esses números podem aumentar a partir de 2023 com a escassez das ocupações legais. Se não agora, quando? Se o que foi dito aqui faz algum sentido para você como administrador, empresário, ISP, a oportunidade está passando, corra, movimente-se!

Felipe Ursine, possui formação acadêmica Superior em Redes, com especializações tecnológicas e Gestão Corporativa, fundador e CEO da FURSINE e da INTEREDE TELECOM.



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O REGULAMENTO DE FISCALIZAÇÃO REGULATÓRIA DA ANATEL (RESOLUÇÃO ANATEL Nº 746/2021)

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oi publicada em 23.06.2021, pela Agência Nacional de Telecomunicações – ANATEL, a Resolução n.º 746/2021, que aprovou o “Regulamento de Fiscalização Regulatória”. A publicação da referida resolução, por sua vez, trouxe algumas alterações importantes ao “Regulamento de Aplicação de Sanções Administrativas (RASA)”, Resolução nº 589/2012, e revogou, por completo, o antigo “Regulamento de Fiscalização”, Resolução nº 596/2012. Nota-se que, considerando o debate que já vinha ocorrendo há anos no setor, através da publicação da Resolução nº 746/2021 busca a Agência Reguladora, finalmente, fixar um modelo de regulação responsiva, substituindo o antigo sistema regulatório determinado, que se baseava, pura e simplesmente, na aplicação de sanções em face das empresas de telecomunicações que cometiam infrações, o que, de maneira clara, não funcionava como desejado pelo Poder Público e pela socie-

“O intuito arrecadatório verificado no modelo regulatório previamente adotado se mostra reduzido diante da publicação da Resolução nº 746/2021.”

dade. Isto porque as sanções aplicadas pela ANATEL, em face das infrações cometidas, se mostravam excessivas, sendo que o pagamento de multas, por exemplo, não era revertido para melhorias

no serviço, não notando os usuários qualquer melhoria na qualidade dos serviços prestados e regulados pela ANATEL. Ao mesmo tempo a Agência Reguladora, no intuito de fiscalizar e punir, se via obrigada a despender de tempo e servidores para apurar e aplicar sanções que não se mostravam eficazes na realidade, sendo extremamente elevada a taxa de insatisfação das prestadoras dos serviços quando às práticas até então adotadas pela ANATEL, tanto que as referidas empresas fiscalizadas buscavam, frequentemente, o Poder Judiciário, no intuito de anular as exageradas sanções aplicadas pela ANATEL. Dados publicados pela própria ANATEL comprovam a falha no modelo previamente adotado pelo Poder Público, tendo em vista que no ano de 2018 foram aplicadas multas pela ANATEL, por infrações praticadas por empresas de telecomunicações, totalizando importe superior a R$ 1.160.000.000,00. Entretanto, apenas aproximadamente R$ 141.000.000,00 foram arrecadados pela Agência Regu-


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ladora (pagamento das multas), ou seja, pouco mais de 12% (doze por cento) do valor total das multas aplicadas. Portanto, o modelo praticado pela ANATEL, até a publicação da Resolução nº 746/2021, se mostrava extremamente oneroso não somente para as empresas de telecomunicações, mas também para a própria Agência Reguladora e, consequentemente, para o erário. Neste tocante, a aprovação e publicação da Resolução nº 746/2021 demonstram o interesse da ANATEL em evitar a aplicação de sanções exageradas, em todos os níveis de fiscalização, adotando uma postura mais maleável

perante as empresas prestadoras dos serviços de telecomunicações. Resta claro que a adoção do modelo de regulação responsiva pela ANATEL demonstra um notório amadurecimento regulatório, ao passo que, no lugar de buscar somente sancionar as empresas infratoras, a Agência Reguladora caminha no sentido de, de fato, solucionar os problemas identificados no mercado de telecomunicações, buscando, assim, um modo mais efetivo de ver cumprida a legislação regulatória e, ao mesmo tempo, o crescimento do setor regulado. Destaca-se, a título exemplificativo, o previsto nos artigos 42 e 43

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da nova resolução publicada pela Anatel (Resolução nº 746/2021): “Art. 42. A Anatel poderá determinar a adoção de medidas preventivas ou reparatórias que visem a prevenir condutas de forma tempestiva, cessar ou reduzir o impacto aos consumidores e ao setor. Art. 43. São consideradas medidas preventivas ou reparatórias, dentre outras: I - Divulgação de Informações; II - Orientação aos Administrados; III - Notificação para Regularização; IV - Plano de Conformidade; V - Medida Cautelar; e,


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VI - Demais medidas que vierem a ser adotadas de acordo com a legislação vigente. Parágrafo único. A Anatel deve dar publicidade às medidas adotadas e a seus resultados.” Leitura dos supracitados artigos demonstra, notadamente, a mudança de postura da ANATEL, que, com a publicação da Resolução nº 746/2021, buscará a adoção de “medidas preventivas ou reparatórias” antes de já instaurar o temido Procedimento de Apuração de Descumprimento de Obrigações (PADO) em face das empresas de telecomunicações. E, dentre as medidas previstas na nova resolução publicada pela ANATEL, chama a atenção a “divulgação de informações”, a “orientação aos administrados” e a “notificação para regularização”, que exemplificam o novo norte no relacionamento da Agência Reguladora com as empresas prestadoras dos serviços de telecomunicações, com maior abertura de diálogo, o que, consequentemente, trará uma melhoria no setor como um todo, buscando, sempre, um melhor atendimento ao consumidor final dos serviços. A mudança de postura da ANATEL, através da publicação da

“Resta claro que a adoção do modelo de regulação responsiva pela ANATEL demonstra um notório amadurecimento regulatório” nova resolução, é reforçada através da alteração do “Regulamento de Aplicação de Sanções Administrativas (RASA)”, Resolução nº 589/2012, onde se aponta para redução da multa aplicada em 70% caso a infração seja cessada antes da intimação da instauração do PADO: “Art. 20. O valor da multa será reduzido, nos percentuais abaixo, caso incidam as seguintes circunstâncias atenuantes: (...) II - 70% (setenta por cento), nos casos de cessação da infração e

reparação total ao usuário, quando cabível, antes da intimação da instauração do Pado ou dentro do prazo estipulado pela Anatel, quando assim ocorrer.” Ou seja, o intuito arrecadatório verificado no modelo regulatório previamente adotado se mostra reduzido diante da publicação da Resolução nº 746/2021. Por fim, é correto dizer que, com o passar do tempo, veremos na prática como a ANATEL adotará as mudanças trazidas pela Resolução nº 746/2021, sendo que a sua publicação já aponta para uma inevitável melhoria no relacionamento da Agência Reguladora com as empresas de telecomunicações.

Dr. Gustavo de Melo, Advogado e Consultor Jurídico. Sócio da Silva Vítor, Faria & Ribeiro Sociedade de Advogados


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NOVOS AGENTES FISCALIZADORES DOS ISPS

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crescimento da banda larga no país tem sido impulsionado anos a fio pelos provedores regionais de Internet, que têm sua oferta concentrada em conexões de fibra óptica. Apesar da expansão do segmento ter imposto uma crescente profissionalização à gestão dessas empresas, as atividades em praças distantes de grandes centros urbanos permitiram a atuação de grande número de ISPs clandestinos. A persistência desse quadro permanece significativa, o que levou a ABRINT (Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações) a intensificar sua campanha pela regulação de ISPs e a Anatel a realizar diversas iniciativas que possibilitam a identificação dos ilegais. O cerco se fecha cada vez mais e passa a chegar às redes, especificamente, aos postes. Diversos movimentos que ocorrem de forma independente em regiões diferentes do país resultarão no aumento da fiscalização

“À medida que essas ações são colocadas em prática, surgem diversas empresas irregulares.”

a ser realizada por municípios, operadoras de telecomunicações, concessionárias de energia e até pela União sobre cabeamentos instalados em postes. As razões são muitas.

Riscos à segurança resultantes de excessivo número de cabos em postes e até redes subterrâneas motivou a Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados a aprovar o projeto de lei (PL 4101/19) que visa obrigar concessionárias de energia e operadoras de telecomunicações a retirar redes que não estejam mais em uso. O PL, que está em vias de seguir para a Comissão de Constituição e Justiça da casa – e, em seguida, para o Senado, onde deve tornar-se lei – forçará que cabeamentos sejam mapeados, tenham seus proprietários e instaladores identificados, entre outros, pelos responsáveis pelos postes, em sua maioria as concessionárias. Juntamente com redes sem uso, serão removidas as clandestinas, o que trará consequências legais para seus operadores. Em São Paulo, a Promotoria do Patrimônio Público move uma ação contra a Enel (concessionária de energia) e operadoras de telecomunicações que pode supe-


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rar R$ 10 bilhões. O valor se refere a prejuízos causados ao município, principalmente em épocas de chuvas, por danos motivados, entre outros, por quedas de árvores, as redes não aterradas. Obviamente, em suas defesas, as empresas revelarão a existência dos cabeamentos que não lhes pertencem e dos que são irregulares. A identificação desses últimos deve se intensificar pela retomada da fiscalização da Prefeitura. A promotoria também investiga agentes do município que, por suposto não cumprimento de suas obrigações, têm possibilitado a instalação de redes clandestinas. Já o Procon (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor), com auxílio da Polícia Civil, tem atuado na cidade para flagrar a instalação ou recolocação de cabeamento clandestino. Nesses casos, os técnicos são presos, as empresas para que trabalham, autuadas e seus donos instados a revelar onde há mais cabos irregulares. Outros municípios menores adotam medidas que também redobrarão as atenções sobre a infraestrutura instalada em postes. Alguns desses casos devem ter como motivação a geração de receitas. Diversos municípios do

Paraná e de Santa Catarina têm se valido ou de legislação antiga ou criado novas leis para tributar redes aéreas. Advogados têm afirmado que a cobrança de impostos municipais nestes casos é inconstitucional, já que só a União poderia legislar sobre Serviços de Comunicações Multimídia (SCM). Porém, enquanto não há definição sobre a legalidade dessas iniciativas, a identificação dos que serão tributados segue e, com ela, os que atuam à margem da lei vão sendo denunciados. A importância dos provedores regionais para a disseminação da banda larga no país é reconhecida pela Anatel, que tem tomado diversas iniciativas visando a melhoria e ampliação da oferta desse serviço. À medida que essas ações são colocadas em prática, surgem diversas empresas irregulares. É o que ocorre com o mapeamento, realizado com auxílio da Abrint, de cidades que dispõem de backhaul de fibra, da alteração do SICI (Sistema de Coleta de Informações) para DICI (Sistema de Dados, Informação, Conhecimento e Inteligência), identificação de demanda por Internet rápida por região do país, dentre outros. À efetividade dessas ações que servem também para o combate à

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atuação de ISPs irregulares, somam-se, agora, a de novos agentes fiscalizadores. A expansão do segmento em meio à crise econômica tornou os provedores regionais atrativos para investidores. Estes, porém, só direcionarão capital as empresas que estão em dia com suas obrigações perante Anatel, concessionárias, conselhos técnicos e demais reguladores de suas atividades. Atuar dentro da lei é oportunidade para obter ganhos financeiros relevantes. Já ficar na ilegalidade é, mais do que nunca, expor-se a punições, que podem chegar ao fechamento do ISP e à prisão de seus gestores.

Fábio Vianna Coelho, engenheiro eletricista e sócio da RadiusNet e da Vianatel, especializadas, respectivamente, em gestão e regularização de provedores de internet. contato@vianatel.com.br


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ONDE ESTÁ E QUAL É A CAPACIDADE DE FIBRA?

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demanda por capacidade de transporte óptico de longa distância continua crescendo. Embora a mudança para uma tecnologia coerente há 10 anos tenha proporcionado um aumento transformador na capacidade de fibra, o crescimento da necessidade alimentado por fatores como o aumento da resolução de vídeo, telefones celulares dramaticamente mais capazes e a mudança para arquiteturas baseadas em nuvem absorveu grande parte dessa capacidade nas rotas de rede mais movimentadas. Os 5 bilhões de km de fibras ópticas instaladas ao redor do mundo estão ficando sem fôlego? Neste artigo, será apresentado um roteiro de opções que as operadoras de rede podem escolher para alimentar o monstro insaciável que é a internet. A Figura 1 mostra essas opções. À esquerda estão as que estão comercialmente disponíveis hoje e à direita estão aquelas em vários estágios de desenvolvimento, que

podem se tornar uma realidade comercial em algum momento no futuro. Soluções disponíveis comercialmente Para soluções comercialmente disponíveis, há uma ordem clara de preferência: 1. Usar a fibra que está no solo hoje e o sistema de linha que você instalou nesse link; 2. Usar a fibra existente, mas atualizar os terminais e amplificadores do sistema de linha; 3. Implantar novas fibras. A atualização ideal não teria impacto no sistema de fibra ou na linha existente em sua rede. A primeira coisa a verificar é se você está usando os mais recentes transponders de 800 Gb/s de quinta geração em suas rotas mais movimentadas atualmente. Caso contrário, esta poderia ser a abordagem mais rápida e fácil para criar a capacidade adicional e reduzir o custo total de propriedade de sua rede. Uma nova tendência interes-

sante que foi discutida na conferência OFC 2021 é a mudança para uma rede óptica de baixa margem. Tradicionalmente, as operadoras de rede reteriam até 5 dB de margem operacional para ajudá-las a lidar com questões operacionais, envelhecimento de fibras, etc. A redução desta margem poderia facilmente dobrar a capacidade de um determinado par de fibras, mas potencialmente tornaria a vida dos engenheiros de rede mais desafiadora ou exigiria um grau maior de automação para monitoramento e análise contínuos. É claro, que essas duas primeiras opções, transponders de quinta geração e redes de margem baixa, podem ser implementadas juntas. Manter a fibra existente, mas atualizar o sistema de linhas, abre mais algumas oportunidades. Se você ainda estiver usando um sistema de grade fixa, a mudança para uma grade flexível é um passo óbvio. Na verdade, os sistemas de grade flexível são ótimos complementos para os transponders


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Soluções Disponíveis Comercialmente

Tecnologia Futura

Fibra Nova Implementação

Multibanda (Fibra Existente e Nova)

Fibra Multimodo

Fibra Multinúcleo

Atualizações de Transponder

SMF-28 ULL

Banda S

Fibra de Poucos Modos

Núcleos Desacoplados

Redes de Baixa Margem

Fibras de Grande Área

Banda O

Diâmetro de Revestimento Reduzido

Banda E

Fibra Existente Sistema de Linha Existente

Fibra Existente Sistema de Linha Atualizado

C+L

Amplificação Raman

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Banda U

Núcleos Acoplados

Fibra de Núcleo Oco

HC-PBC Lacuna de Banda Fotônica de Núcleo Oco

HC-ARF Fibra Antiressonante de Núcleo Oco

Super-C Super-L

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de quinta geração e o ajudarão a extrair a capacidade máxima ou as taxas de dados. O tipo mais popular de amplificação usa o amplificador clássico de fibra dopada com erbium (EDFA), mas mudar para a amplificação óptica híbrida Raman (ou EDFA) pode ajudar a aumentar o alcance com maior eficiência espectral, porque adiciona menos ruído no processo de amplificação do que o EDFA sozinho. Algumas operadoras acham que a Raman adiciona suas próprias complexidades, mas é uma solução muito madura que tem sido amplamente implementada por mais de uma década, então pode ser um bom momento para reavaliar essas opiniões. A iluminação da banda L dobrará a capacidade de fibra, ao mesmo tempo em que ainda permite o desempenho de longa distância. Por isso mesmo muitas operadoras de rede já estão buscando redes prontas para banda L e têm investido em atualização de locais de amplificadores para oferecer suporte à operação de banda dupla. Aumentar a largura de banda dos EDFAs é um assunto polêmico. A banda C original, por exemplo, tinha 4 THz de largura, mas hoje estamos implantando rotineiramente a banca C estendida

“Os 5 bilhões de km de fibras ópticas instaladas ao redor do mundo estão ficando sem fôlego? Neste artigo, será apresentado um roteiro de opções que as operadoras de rede podem escolher para alimentar o monstro insaciável que é a internet.” de 4,8 THz. O próximo passo seria estender ainda mais a largura de banda utilizável para 6 THz, com a mesma possibilidade para a banda L. Estas são chamadas de Super Banda C e Super Banda L. Estas foram incluídas como disponíveis comercialmente, o que não é propriamente dito verdadeiro, visto que ainda estão em desenvolvimento, mas se você estiver planejando atualizações, elas podem muito bem estar disponíveis no momento em que você estiver pronto para a implantação.

Se você está levando em conta a implantação de novas fibras, várias opções estão disponíveis. A fibra G.652 SMF-28 é uma excelente opção para uma transmissão coerente e agora está disponível em uma variante de ultrabaixa perda (ULL). As fibras de grande área efetiva têm uma penalidade não-linear muito menor do que a fibra convencional e têm provado ser um grande sucesso na última geração de cabos submarinos. Versões terrestres dessas fibras estão disponíveis, incluindo a Corning TXF, que tem uma área efetiva de 125 mícrons quadrados, cerca de 50% a mais do que a SMF-28. Uma recente demonstração da Corning e da Infinera mostrou uma transmissão de 800 Gb/s em uma ligação de fibra TXF de 1600 km. Embora esta tenha sido uma demonstração de laboratório, ela apresentou um bom alcance de transmissão, e as conexões reais de rede TXF poderiam ter um desempenho semelhante. Se o operador precisa de enchimento mais eficiente dos dutos de fibra, existem fibras disponíveis comercialmente hoje em dia com um diâmetro de revestimento reduzido. Uma redução de 20% no diâmetro do revestimento pode resultar em até 50% mais pares de fibras no mesmo diâmetro do duto.


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ispmais.com.br Tecnologias futuras Transmissão multibanda A banda C e a banda L estão no mínimo de atenuação para fibra óptica à base de sílica. Mas existem outras bandas de onda que poderiam ser utilizadas – as bandas O-, E-, S- e U-, estão todas à disposição, supondo que poderíamos desenvolver tecnologias eficientes de amplificador. Embora potencialmente limite o alcance às distâncias da rede regional, o uso dessas bandas poderia proporcional de quatro a cinco vezes a capacidade de fibra existente. A maioria dos observadores acreditam que a banda S será a primeira delas a atingir o status comercial. Tipos de fibras exóticas Pode parecer estranho falar sobre o uso de fibra multimodo porque ela foi descartada em favor da fibra de monomodo já no início dos anos 80. Mas o futuro poder de processamento de sinais digitais pode permitir que fibras de poucos modos e multimodo retornem. Isso poderia multiplicar significativamente a capacidade de fibra. A fibra multinúcleo leva a ideia de redução do diâmetro do revestimento para a próxima etapa, projetando a fibra para conter múltiplos núcleos dentro do mesmo revestimento. Se for bem-sucedido, isso pode multiplicar a capacidade de fibra de quatro a 12 vezes. Há uma série de desafios técnicos, comerciais e práticos para o sucesso da operação multinúcleo, e dois tipos de fibra multinúcleo foram demonstrados - núcleos desacoplados e núcleos acoplados. Os núcleos desacoplados simplesmente operam em paralelo, sem interação entre eles. Os núcleos acoplados envolvem interações que criam interferência significativa entre os sinais, que precisaria ser compensada pelo uso de uma potência de processamento de sinal que ainda não existe. Cada tipo de fibra multinúcleo tem seus prós e contras, e é muito cedo para dizer qual será a abordagem preferida. Finalmente, as fibras de núcleo oco (HC) são talvez as mais exóticas de todas. Elas têm uma estrutura interna extremamente complexa que apresenta desafios

significativos de produção, mas a chave para esses tipos de fibras é que a luz se propaga através do ar em vez do vidro. O resultado é uma latência menor devido ao reduzido índice de refração do guia de ondas. No futuro, também pode ser possível operar em comprimentos de onda de multibanda, mas este não é o caso nos tipos atuais de fibras de núcleo oco. Existem dois tipos principais de fibra de núcleo oco – fibras de guiamento por band gap fotônico (PBG) e a fibra antirressonante (ARF). Ambos se referem ao mecanismo pelo qual a luz é contida dentro da fibra para permitir que ela atue como um guia de ondas. Seja qual for a variedade usada, a fibra de núcleo oco não está atualmente focada em capacidades mais altas ou alcance mais longo, porque os níveis de atenuação nessas fibras são de fato muito altos. As primeiras implantações de HC com base em HC-ARF foram anunciadas por pelo menos dois prestadores de serviços para serviços de alcance muito curto, voltados para a comunidade comercial de alta frequência. Isso é possível porque a fibra HC tem cerca de 30% menos latências do que a fibra convencional. Conclusão Não há uma resposta clara à pergunta “estamos ficando sem fôlego?” Pela simples razão de que depende de onde a operadora de rede está hoje dentro da sequência de soluções que esbocei. Claramente, é melhor usar fibra existente no solo com os sistemas de linhas existentes. Mas se a necessidade de capacidade for grande o suficiente para justificar atualizações do sistema de linha ou novas implantações de fibras, há muitas opções tecnológicas para manter o fluxo de capacidade em um futuro previsível.

Geoff Bennett, diretor de Soluções de Tecnologia da Infinera Corporation



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MITIGAÇÃO DE DDOS – COMO ESTAMOS HOJE?

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hegando a 1h da tarde começam os problemas, e aparentemente uma hora depois todo o problema é identificado. O NOC reporta que a rede foi atingida por um ataque DDoS, porém logo alguém indica que na verdade o objetivo do ataque foi a rede de um dos clientes, e não o ISP. O NOC atua rapidamente implementando medidas para filtrar o tráfego que está bombardeando a vítima do ataque, porém o resultado não é o esperado e as medidas acabam deixando sem serviço 100% dos clientes do provedor. Os ataques DDoS consistem em bombardear serviços online com pedidos falsos de conexão, para sobrecarregá-los. Não estão necessariamente direcionados para ganhar acesso dentro dos sistemas das organizações, muitas vezes esse tipo de ataque se realiza na modalidade “ransom”, solicitando dinheiro para parar o ataque: no ano passado a Bolsa de Valores da Nova Zelândia teve que interromper os serviços de trading até conseguir blocar os ataques. Tempo depois foi divulgado que os atacantes estavam solicitando um pagamento em

Bitcoin como demanda para deter o envio de tráfego. Outras vezes o objetivo do ataque pode se basear simplesmente em motivações individuais contra uma empresa ou o próprio provedor, por desavenças, diferenças, ou prática do hacktivismo (hacking para lograr objetivos políticos ou sociais). Provavelmente você já ouviu falar de ataques DDoS, ou, o mais provável você já foi atingido por um. Porém se o ataque não causou o prejuízo suficiente, há uma alta chance de que a proteção contra esse tipo de ataques tenha ficado no final de uma longa lista de coisas a fazer algum dia. Quanto maior a capacidade de gerenciar o tráfego entrante, é mais complicado que o ataque tenha sucesso. Existem diversos serviços de mitigação de DDoS que protegem serviços de hosting e seus servidores e de fato, muitas empresas de hosting hoje dispõem e oferecem serviços cloud para mitigação de DDoS através de diversos serviços cloud-based. Assim como as empresas de streaming decidem quais filmes ficam disponíveis para cada país se baseando nas licenças regionais e nos conteúdos geográ-

ficos dependentes, os serviços de mitigação de DDoS são igualmente críticos para determinar o que deve ou não deve ficar online em cada região e para cada tipo de cliente. A ausência desses serviços deixa os hosts em risco de ser atacados com fins maliciosos, ou simplesmente sobrecarregados no que se chama o efeito Slashdot (quando um sítio popular, aponta um link para um sítio bem pequeno causando um incremento massivo no tráfego do destino, o qual gera o mesmo efeito do que um ataque DDoS) ficando inacessíveis ou diretamente parado. Com o avanço das tecnologias, no Brasil vamos experimentando uma internet com qualidade bem superior à de anos atrás embora ainda estamos devendo em matéria de segurança, e o Brasil foi o quarto país do ranking de países que mais sofreram ataques DDoS em 2020. Os números tendem a piorar, já que embora novas ferramentas de proteção são constantemente desenvolvidas em que o avanço das ferramentas para evadi-las também é constante e cada vez é mais difícil de distinguir os ataques do tráfego legítimo e quando temos


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Fonte: nsfocusglobal.com – volume de tráfego DDoS para primeira metade de 2020

tráfego malicioso chegando desde centos de fontes diferentes. Ainda há uma boa margem de investigação para continuar aprendendo a detectar e prever ataques. Proteção contra DDoS Na atualidade, a pesquisa em DDoS se foca principalmente em 3 assuntos: prevenção, detecção e monitoramento. O objetivo da prevenção é implantar medidas que evitem que o atacante comece sua missão e coloque em perigo a rede antes de que o ataque aconteça. Se o ataque efetivamente acontecer, precisamos tomar conta dele, e finalmente o monitoramento é o que faremos para ter a informação que permita eliminar ou mitigar o ataque, e reduzir o dano que possa ter causado na nossa rede. A maioria dos ataques DDoS são originados desde múltiplas fontes, porém controlados desde uma origem centralizada. Os atacan-

tes conseguem gerar uma rede de hosts (PCs, celulares, dispositivos IoT, etc.) para a operação mediante distribuição de malware na rede, o qual permite que o atacante os utilize em massa. Esse conjunto de hosts comprometidos e utilizados para o ataque, denomina-se botnet. Na internet é fácil conseguir software para realizar um ataque DDoS, pelo que qualquer usuário poderia se converter em uma potencial ameaça para a segurança de uma rede que não conta com defesas. Os ataques são cada vez mais simples de implementar, mais abrangentes, destrutivos, complexos, dinâmicos e complicados de resistir e monitorar. Geralmente o ataque não pode ser previsto, mas pode ser mitigado. Os métodos ideais para se defender, devem ser aplicados não só na borda, senão também no core da rede. Se a sua infraestrutura não permite fazer isto in-house, o jeito mais fácil de se defender é contar com

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um serviço de gerenciamento de banda. As empresas que fornecem o serviço realizam um filtro dos pacotes em tempo real, assim que cada pacote passa pelos seus servidores: os serviços escaneiam cada pacote para determinar se é malicioso e no caso, deixa de enviá-lo pro destino final. Implementando soluções próprias: a mais conhecida é a técnica de Blackholing. A mesma consiste em identificar o tráfego malicioso, e enviá-la para um host fake, não gerando assim nenhuma resposta e não comprometendo os hosts que se encontram em produção. Esse tipo de medidas pode se configurar na maioria dos roteadores do mercado, porém a capacidade do mesmo para gerenciar e filtrar tráfego de grande volume vai ser um grande fator no sucesso. A medida é eficaz, porém também é complicado ver em tempo real qual tráfego deve de ser enviado para o blackhole e qual não: um erro na decisão pode acabar com o envio de tráfego genuíno para a nada mesmo(?), pelo que o método é mais complexo de aplicar ante grandes volumes de tráfego. O ideal então nesse caso, é sempre ter métricas do tráfego legítimo e do uso por parte dos clientes para poder implantar medidas agressivas de anti-DDoS na hora. Em casos de CDN (Content Delivery Network) também é frequente o uso de Anycast Network Diffusion: uma ferramenta que permite ante um alarme, redirecionar e distribuir o tráfego entrante para diferentes datacenters, para dividir o fluxo entre várias locações e evitar um colapso. Podemos também mencionar o uso de ferramentas complementares como os Servidores de segurança de aplicações web WAF (Web Application Firewall) os quais podem monitorar e filtrar o tráfego HTTP que recebem as aplicações para detectar qualquer comportamento não habitual, alertando imediatamente ao reconhecer padrões sobre ataques conhecidos e já catalogados.

Adrian Lovagnini, Adrian Lovagnini - Engenheiro em Telecomunicações com formação em Finanças. Atualmente é Assessor de Negócios TI e Consultor da VoIP Group ingadrianlovagnini@gmail.com


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OLLÁ TELECOM

Proporcionando um Serviço de Qualidade e Eficiência para Porto Velho


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Proporcionar um serviço de qualidade e eficiência está no DNA da Ollá Telecom, que nasceu com o compromisso de levar a Porto Velho, capital de Rondônia, uma internet hiperveloz e planos acessíveis.

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oje em dia sabemos que a internet se tornou uma ferramenta necessária na vida das pessoas, e nos tempos onde a tecnologia impera, uma internet com baixa qualidade não tem espaço e nem vez no mercado. O projeto traçou como meta interligar Vilhena a Porto Velho, e posteriormente Rondônia de ponta a ponta, alcançando as cidades fora da BR 364 que formaria um anel gigante com a internet de fibra óptica de alta qualidade. Ainda estudando o planejamento para a operação, outras três empresas do setor se interessaram na ideia e se tornaram parceiras entrando na sociedade do projeto

“Nosso intuito é ser conhecido regionalmente por levar conectividade de alta qualidade para todo o estado de Rondônia[...]”

OLLÁ TELECOM tornando-o ainda mais forte no mercado. Não pense que foi fácil, passamos por muitos desafios e um deles foi lançar uma rede com mais de 3000km de dimensão para interligação de diversas cidades do estado com fibra óptica. Com força de vontade e conforme íamos ganhando experiência conseguimos concluir outro desafio, que era abrir a sede da nossa loja física. Além dos desafios diários, o que tornou esse sonho ainda mais difícil foi a pandemia causada pelo COVID-19, mas no dia que a OLLÁ foi inaugurada tivemos a certeza de que vencemos todos os obstáculos e desafios que tivemos! A partir daí começou a ativação


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de clientes de banda larga, com uma rede de fibra óptica moderna, de alta capacidade e de última geração, além de acompanharmos as tecnologias e inovações da atualidade. “Hoje, Porto Velho, assim como o interior de Rondônia recebem uma conexão veloz e de alta qualidade!”, destaca nosso gerente Cassio Donizetti. Com pouco tempo de mercado a OLLÁ vem ganhando a preferência dos porto-velhenses. “Ficamos muito felizes com os feedbacks positivos do público em pouco tempo de atividade. Sempre estamos de olho nas necessidades dos clientes e a partir desses feedbacks que vamos planejando novos planos e soluções que visam proporcionar a conexão ideal”, complementa Cassio. Na linha de planos, a OLLÁ TELECOM conta com serviços residenciais e empresariais com até 1000 mega de internet 100% fibra.


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A OLLÁ, não está somente em nossa internet, mas também investiu em atendimento e suporte, tendo uma equipe treinada para sanar qualquer problema em pouco tempo. “Imagine há cinco ou seis anos atrás, quando não tínhamos um serviço que temos hoje em dia, o quanto evoluímos em tão pouco tempo. Agora imagine daqui para os próximos seis anos. Estamos muito felizes em proporcionar tudo isso com pioneirismo e força de vontade aos rondonienses”, finaliza Cassio. Portanto nosso intuito é ser conhecido regionalmente por levar conectividade de alta qualidade para todo o estado de Rondônia com segurança e preço justo! Garantindo dessa forma a satisfação dos clientes.


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PROVEDORES REGIONAIS DE INTERNET SÃO PROTAGONISTAS NA ACELERAÇÃO DIGITAL

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transformação digital que já estava em vigor no Brasil foi impulsionada pela pandemia e evidenciou o relevante papel das Prestadoras de Telecomunicações de Pequeno Porte (PPPs) de incluir na rede de banda larga fixa das cidades, comunidades afastadas de grandes centros urbanos e zonas rurais onde as grandes operadoras têm pouco interesse comercial. Esse sempre foi o papel dos provedores regionais de internet, em sua maioria pequenas e médias empresas, protagonistas na ampla inclusão digital do país. Mas que ficou evidenciado em um período cuja essencialidade da internet de banda larga para viver em um período de isolamento social, em que a possibilidade de acessar aulas, trabalho, entretenimento e compras online define quem está exposto a uma doença que pode ser fatal. Sem eles, mais de 10 milhões de casas poderiam ficar sem internet e adicionar mais de 30 milhões de usuários sobrecarregando as redes móveis e gerando

um verdadeiro colapso. A importância desse serviço foi, inclusive, apontada por decretos governamentais que permitiram o deslocamento de equipes técnicas durante períodos de quarentena.

“A demanda por serviços oferecidos por provedores não para de crescer.”

Presentes em todos os municípios brasileiros e responsáveis por 60% do mercado de fibra óptica nacional, estes provedores representam ainda um mercado bastante promissor. A demanda pelo serviço de conexão à internet de alta velocidade (acima de 34 Mbps) cresceu 47% durante o primeiro ano de pandemia, 29 pontos percentuais a mais do que as grandes operadoras. Somente em setembro de 2020, comparado com o mesmo mês de 2019, os provedores regionais tiveram aumento de demanda em 144%, o que representa mais de 3,5 milhões de novos acessos. Em dezembro de 2020, as PPPs atingiram mais de 14,2 milhões de acessos de banda larga no país, de acordo com levantamentos da Anatel. Os dados deixam claro a necessidade de uma conexão cada vez mais rápida e segura, especialmente dentro de casa e também nos leva a crer que o mercado ainda apresenta muitas possibilidades de expansão, especialmente onde há abismos de conectividade, ou seja, regiões afastadas dos grandes


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centros urbanos e zonas rurais. A ABRINT - Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações avalia que 2021 ainda haverá uma grande demanda por conexões à internet de alta velocidade. E os provedores que se preocuparem em fornecer serviços que valorizem a experiência do usuário, como aqueles voltados para empresas - segurança de redes, pacotes diferenciados quando há maior demanda por conexão para gamers, por exemplo – conseguirá se destacar e se manter relevante no mercado. Serviços de Valor Adicionado (SVA), como controle parental, armazenamento em nuvem, antivírus, agregam valor às prestadoras e não fazem parte do serviço de comunicação, portanto, não devem ter incidência de ICMS. Para garantir esse direito aos seus associados, a ABRINT in-

terpôs ações em todos os estados, obtendo decisões favoráveis em diversos deles. A demanda por serviços oferecidos por provedores não para de crescer. A mudança de perfil e o aumento de pessoas em casa, que causou preocupação do setor no início do isolamento social, foi amplamente atendido graças a crescente expansão da fibra óptica no Brasil que permitiram às PPPs fornecerem mais banda e velocidade que grandes operadoras. Mas os desafios de conexão à banda larga continuam e nós, da ABRINT, atuamos para mitigar riscos que possam interferir na expansão da rede. A entidade continua atenta a todas as iniciativas que possam impactar a prestação do serviço dos seus associados para evitar que elas se concretizem, mas também para promover agendas propositivas que poten-

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cializem os negócios do setor e permita que a digitalização seja ampla e constante no país, oferecendo oportunidades de conexão para todos os brasileiros.

Alessandra Lugato, Diretora Executiva da ABRINT Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações


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“NOSSO ATENDIMENTO É DIFERENCIADO. QUEREMOS ENTREGAR UMA MELHOR EXPERIÊNCIA AO CLIENTE”

COMO ESTA AFIRMAÇÃO PODE SER VERDADE SE 80% DOS PROVEDORES “DESPEJAM” TODOS OS PLANOS LOGO NO INÍCIO DO DIÁLOGO?

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hegando ao terceiro artigo da série sobre “Cliente Oculto”, que retrata um panorama de uma pesquisa para entender o mercado de telecom, principalmente dos pequenos provedores regionais. Neste projeto de cliente oculto, realizei contato com algumas dezenas de provedores (com ciência do gestor), que posteriormente receberam o feedback sobre o atendimento. E vamos lá… Em vários grupos de discussão, WhatsApp, e outros, onde dialogamos com provedores, de forma corriqueira surge o argumento de que o “meu provedor” entende o cliente, não quer apenas vender preço, temos um diferencial. Desta forma, para validar o que presenciei neste projeto, compartilho um pouco dos resultados obtidos. Vocês acreditam que 80% dos atendimentos, todos os planos foram “despejados” para o possível cliente, logo no início do diálogo? Faz sentido, antes de apresentar todos os planos, identificar o

“Preparem a equipe para argumentar mais, não apenas aceitar uma objeção”

perfil do cliente? Faz sentido, identificar um ou dois planos adequados, e apresentar estes ao cliente? Como curiosidade, um dos atendimentos, foi enviado uma

foto parcial do panfleto, só com os planos, com imagem distorcida e com 90 graus de deslocamento. Outro atendimento, recebemos um print com 8 planos, com letras miúdas que tornava ilegível a leitura. No entanto, o mais comum era o “copiar e colar” uma lista de planos e diversas observações (algumas até geravam a impressão que contratar era mais difícil e traumático, com tantos empecilhos, objeções, regras e detalhes). Não posso apenas falar do que estava inadequado, e portanto preciso mencionar que tivemos casos excelentes, chegando a 10% das empresas, onde o atendimento questionou e coletou informações antes de apresentar e sugerir o melhor plano. Seria muito complexo apresentarmos algo assim? “Caro amigo Liandro, com base no seu perfil familiar, quantidade de dispositivos que nos apontou, sugerimos nosso plano XYZ, que por sinal é nosso CAMPEÃO DE VENDAS, para famílias com o seu


ISP Mais Como foi a apresentação dos planos? “Despejou todas as opções antes da quinta mensagem recebida”. “Despejou todas as opções depois da quinta mensagem”.

Apresentou outra opção, mais econômica.

Não. Este é o mais barato e não fez nenhum questionamento adicional.

Levantou necessidades e informações sobre o uso para apresentar opções de planos.

dos provedores despejaram todos os planos logo no início do diálogo

Após questionar se havia outro plano mais “Barato” como foi a abordagem?

Apresentou outra opção, mas reforçou que o ideal seria um plano maior.

Apresentou apenas um plano inicialmente.

80%

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Não. Este é o mais barato, mas interagiu para identificar a necessidade e apresentar opções.

48%

dos provedores responderam de forma curta e direta: “Não temos outro plano melhor

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perfil de uso. Acredito que será a escolha ideal” E tem um plano mais barato? É comum este tipo de questionamento? Acredito que sim, e o fiz para os provedores como cliente oculto. Como não houve um relacionamento prévio, um levantamento das necessidades do cliente, fica complexo argumentar que o plano X é o ideal, baseado no perfil do cliente. E como ter este levantamento se logo no início jogamos todos os planos disponíveis sem identificar a necessidade dele? Quase 50% dos provedores, ao ser questionado se havia plano mais barato, a resposta foi curta e direta: “Não. Estes são os planos mais baratos” e não prosseguiram com o diálogo. Novamente preciso mencionar que tivemos também bons resultados, com quase 38% interagindo e dialogando para apresentar outras opções e afinar a necessidade. Tem sentido uma argumentação mais completa antes de entregar um plano mais barato de forma curta e direta?

O discurso abaixo tem fundamento para não focar apenas no preço? “Olá Liandro. Realmente o plano mais barato é este de 99,99 e diante das informações que o senhor me passou acima, sobre quantidade de pessoas que usarão, perfil familiar, e quantidade de dispositivos, avaliamos que para ter uma boa experiência precisaria pelo menos de XYZ. Pois imagine a situação do senhor, estar assistindo futebol e bem na hora que um dos filhos liga a outra TV no netflix, e outra pessoa liga o playstation que vai baixar um jogo novo, trava o seu jogo de futebol, e ainda gera desconforto nas vídeo-aulas que sua esposa está fazendo online. Tudo isso por estar com um plano menor que o necessário. Seria um stress que o senhor não quer passar, certo?” Ponto de melhoria Compartilhem com suas equipes, acompanhem os atendimentos comerciais, desenvolva e aprimore o relacionamento, pois de que forma iremos argumentar

que somos diferentes das grandes operadoras, se na hora da oferta, “despejamos” todos os planos, deixando de lado nossos diferenciais como provedor regional? Preparem a equipe para argumentar mais, não apenas aceitar uma objeção, principalmente quando ligada à preço, pois desta forma, novamente estaremos nos igualando às grandes operadoras.

Liandro Paulo Carniel, atuou por 18 anos na direção do provedor Portal Medianeira. É membro do Conselho de Administração da Abrint, e o setor de telecom está no sangue, portanto tem o propósito de ajudar os pequenos e médios provedores deste país.


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REGULAÇÃO DA LGPD PARA PEQUENAS EMPRESAS ESTÁ EM ELABORAÇÃO ENTENDA POR QUE SEU PROVEDOR PODE FICAR DE FORA

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Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, em vigor desde agosto/2020, estabeleceu em seu artigo 55, inciso XVIII que caberia a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) a responsabilidade pela edição de normas, orientações e procedimentos simplificados e diferenciados para microempresas e empresas de pequeno porte, bem como startups e empresas de inovação. Para tanto, em 30/08/2021, a ANPD submeteu à consulta pública minuta da resolução contendo proposta de flexibilização e dispensa de obrigações previstas na LGPD para agentes de pequeno porte, cuja audiência pública aconteceu nos dias 14 e 15 de setembro. Conforme esclareceu Rodrigo Santana, Coordenador de Normatização da ANPD, durante o primeiro dia de realização da audiência pública, o regulamento proposto se baseou em dois pilares: o porte da empresa e o tratamento de alto risco. Quanto ao porte, a assimetria regulatória proposta pela ANPD atingiria agentes de tratamento

de pequeno porte, indicados como sendo as microempresas e empresas de pequeno porte, startups, pessoas jurídicas sem fins lucrativos e pessoas naturais e entes despersonalizados que realizam tratamento de dados pessoais. Em relação ao segundo pilar da minuta, a ANPD já adiantou seu posicionamento no sentido de que considera tratamento de alto risco, aquele que envolva: I – dados sensíveis ou dados de grupos vulneráveis, incluindo crianças, adolescentes e idosos; II – vigilância ou controle de zonas acessíveis ao público; III - uso de tecnologias emergentes, que possam ocasionar danos materiais ou morais aos titulares, tais como discriminação, violação do direito à imagem e à reputação, fraudes financeiras e roubo de identidade; ou; IV - tratamento automatizado de dados pessoais que afetem os interesses dos titulares, incluídas as decisões destinadas a definir o seu perfil pessoal, profissional, de consumo e de crédito ou os aspectos de sua personalidade. Até o momento, somente para aqueles agentes de pequeno porte e que não realizam tratamento de

alto risco e em larga escala para os titulares, a minuta da resolução elaborada contém diversos pontos de flexibilização e dispensa das obrigações previstas na LGPD, tais como: • Dispensa da obrigação de manutenção de registros de operações; • Desobrigatoriedade na indicação de encarregado (DPO), desde que disponibilizado canal de comunicação com os titulares; • Concessão de prazo em dobro para atendimento das solicitações dos titulares e comunicação à ANPD e ao titular diante da ocorrência de incidentes de segurança; • Possibilidade de apresentação apenas do relatório simplificado de impacto à proteção de dados pessoais; • Dispensa de portabilidade dos dados do titular para outro fornecedor. Por outro lado, considerando a grande chance de que seu provedor trate dados pessoais de idosos, por exemplo, classificados como tratamento de alto risco pela ANPD, a resolução, tal como escrita, não o beneficiaria.


ISP Mais Assim como, na regulação sujeita à consulta pública, não fica claro o que poderia ser entendido como tratamento de dados em larga escala, mas, o que se sabe é que, em virtude da natureza da atividade de um provedor, existem grandes chances de mesmo que esse seja de pequeno porte, seja enquadrado nesse critério. Dessa maneira, o que se verifica é que os provedores de telecomunicações não serão beneficiados pelas flexibilizações trazidas pela nova regulamentação. Ademais, a audiência pública realizada nos dias 14 e 15 de setembro, que contou com a participação de diversas instituições, escritórios de advocacia e estudiosos do tema, levantou pontos que merecem especial destaque: - A LPGD, inspirada no regulamento europeu (GDPR), representa a tendência mundial no tratamento de dados pessoais, de modo que o não atendimento à integra das obrigações trazidas pela legislação brasileira pode gerar impacto comercial, tanto internacionalmente, quanto com outros parceiros/fornecedores nacionais

que se proponham às adequações necessárias. - Nessa linha, uma vez implementada a mudança cultural trazida pela lei, a expectativa é de que os titulares de dados deem preferência para aquele provedor que se preocupe em cuidar bem dos dados disponibilizados, que possam fornecer relatório claro e completo sobre o Impacto à Proteção de Dados Pessoais, bem como disponibilize profissional habilitado para atender as demandas do titular de dados, ou seja, nomeie DPO (pessoa física ou jurídica) que oriente e garanta a conformidade com a LGPD. Assim, seja pelo tratamento de alto risco, conforme indicado, ou pelo possível impacto comercial que a LGPD acarreta, o provedor está obrigado a se adequar à LGPD em sua totalidade, implementando a necessária mudança de cultural na rotina das organizações, através de treinamentos, adequação de segurança dos dados de clientes, adoção de políticas de proteção de dados, Código de Ética, e nomeação imediata de um DPO, seja através da con-

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tratação de indivíduo para essa função ou por uma empresa terceirizada. Novamente, importante destacar que a LGPD está em pleno vigor e existe a necessidade de que seu provedor se adeque às medidas trazidas pela lei, visto que o descumprimento pode acarretar nas penalidades definidas na legislação, que podem ser advertência, publicização da infração ou a aplicação de multa, fixa ou diária, de 2% do seu faturamento limitada a R$ 50 milhões.

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GESTÃO DE CLIENTE: A BASE DO NEGÓCIO

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dúvida é o princípio da sabedoria”, dizia o grande filósofo, senhor da lógica, Aristóteles. No Brasil, estamos atravessando um turbilhão de informações e opiniões sobre o futuro dos ISPs. Com a entrada de algumas operações abrindo o capital na bolsa de valores, outras se consolidando pelas fusões e, ainda, outras em vias de aquisições, os empresários da conectividade são confrontados com uma quantidade de reflexões. O resumo disso, na nossa visão, passou a ter um elemento novo com a entrada dos ISPs no mercado de ganho de capital. Enquanto, na raiz, mal saímos do aprendizado da gestão de tecnologia e gestão do negócio, já somos forçados a pensar em mercado financeiro, variação cambial, balança financeira e afins. Caramba... E nosso objetivo era só fazer uma “redinha” para vender internet! Isso não significa que é ou será ruim, mas a verdade é que a dúvida paira sobre os ISPs. Fazendo uma analogia entre o

que disse o filósofo grego e a nossa realidade, somos impulsionados por dúvidas quanto ao futuro, às decisões já realizadas, entre tantas indagações que são, significativamente, um princípio de dúvida como também impulsionam a sabedoria. No latim, “sabedoria” é sapere e, por derivação de sentido, também se aplica ao bom senso com componentes de tradição e cultura. Logo, qualquer que seja uma decisão, ela carregará o saber por realidades experimentadas e vividas de diferentes modos e com diferentes anseios. Isso não significa que entre um ou outro esteja a clareza ou a obscuridade, mas, sim, a escolha de fazer dessa decisão um novo momento. Portanto, quem está diante de uma dúvida, fique feliz, porque certamente estará na zona da sabedoria. Enquanto isso, para quem está tendo que carregar o piano, faço lembrança de todas as histórias de donos de provedores que já escutei ao longo desses anos: é difícil desassociar as causas de luta e

amor de pessoas que se tornaram empreendedores na raça. Sem querer ser romântico demais, mas fazendo uso das palavras de William Shakespeare — “O que não dá prazer não dá proveito” — sei que há inúmeras pessoas que poderão sair do segmento, mas o segmento não sairá delas. Simples assim! Como temos muitos desafios pela frente, e o “show tem que continuar”, a reflexão desta vez está na gestão de clientes. Nunca foi tão importante cuidar de gente quanto é hoje. Pudera né?! A quantidade de assédios ao cliente está exageradamente descontrolada. Há quem queira pagar para ver que um cliente ruim no concorrente pode ser um bom cliente consigo! Porém, chego a duvidar se o tal “cliente ruim” tem noção do quanto ele “danifica” uma operação, visto que o instrutor para o comportamento abusivo e, por vezes, inadequados dos clientes são os próprios ISPs que os motivaram a gerar esses hábitos. Refletindo sobre os melhores casos que tivemos a oportunidade


ISP Mais de acompanhar, podemos constatar que, em tese, somos ineficientes na arte de produzir fidelidade, mas temos todas as chances de fazê-lo. O que acontece é que acionamos esse zelo no momento errado. Cuidar de cliente quando ele está insatisfeito e quer sair é tão complicado quanto achar uma agulha no palheiro. Arrisco dizer que não faremos mais retenção nos próximos anos, mas a substituiremos por uma ação de prevenção. Isso mesmo: prevenir que o cliente se vá. Logo, quem previne guarda, cuida, monitora e ACOMPANHA. Isso é Relacionamento com Cliente e, em absoluto, é Gestão de Cliente. Lá vão algumas dicas: 1. Segundo Kotler, a retenção de clientes é mais barata do que a aquisição. Um aumento de apenas 5% na retenção de clientes pode equivaler a um aumento de 25% no lucro. Via de regra, vale saber que o custo de aquisição

de cliente sempre será mais oneroso que o custo da manutenção. Por hora, vale saber se o esforço desta prevenção se dá ao cliente que realmente gera lucro para a operação, ou se estamos falhando também no aspecto de reter clientes ruins. 2. É preciso operar uma completa inversão no posicionamento das pessoas que estão no

“Segundo Kotler, a retenção de clientes é mais barata do que a aquisição.”

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relacionamento com o cliente. Normalmente, se atribui a estas a nomenclatura de “mão de obra operacional”, mas com o nível de importância e responsabilidade que elas têm junto ao cliente, é fundamental que sejam estratégicas. Com isso, devemos aumentar o nível de conhecimento, treinamento e habilidades para buscar e zelar continuamente pela satisfação do cliente, ou, como dizem atualmente, o sucesso do cliente. Observa-se que a maior dificuldade de captar pessoas para esse desafio é a remuneração, colocada, na maioria dos casos, como piso de categoria, o que consequentemente nivela com as competências mais básicas de tantas outras funções. Sem uma equipe de Relacionamento com cliente, você não tem meios de comunicação direta. Por isso, ela é fundamental para transmitir aos clientes o que você deseja que seja a imagem do seu provedor. A equipe de


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Relacionamento pode influenciar os clientes e convencê-los de seus pontos fortes, sem precisar atacar os concorrentes. 3. Este ponto pode parecer simples, mas é um grande desafio: fazer com que os nossos colaboradores trabalhem felizes. O motivo para isso é simples. Pessoas felizes causam felicidade, e felicidade aumenta a produtividade, gerando clientes felizes. Portanto, se você deseja que os clientes sintam prazer e alegria com sua empresa, faça com o sentimento de que seu colaborador seja o melhor. Eles devem se sentir respeitados e apreciados. Só então eles se sentirão intrinsecamente motivados para fazer um bom trabalho e atender os clientes da maneira certa, com entusiasmo e disponibilidade. Por consequência, os clientes também se sentirão mais respeitados e valorizados.

“Avaliem o momento, tomem suas decisões, não abandonem suas essências e paixões, sejam firmes e motivados e, sobretudo, sejam felizes.” 4. Sabe o que acontece com colaboradores felizes e clientes satisfeitos? Sim, certamente eles vão compartilhar com familiares e amigos ou até mesmo nas redes sociais que estão tendo uma experiência muito positiva.

Isso influenciará as pessoas a desejarem viver também essa nova experiência. Verdadeiramente, os clientes podem ser a melhor — e mais barata — forma de publicidade boca a boca, desde que haja razões e emoções para fazê-lo. 5. No Brasil, a educação é uma das principais barreiras culturais para o desenvolvimento. Logo, a inovação ainda é vista com resistência, dada a desconfiança que as pessoas têm com qualquer coisa que envolva o escasso dinheiro que possuem. Assim, prestar um serviço de qualidade é imergir no propósito de instruir e facilitar o entendimento dos clientes para que tenham segurança nas escolhas. Ou seja, deixa-se o papel de fornecedor-vendedor para o de fornecedor-instrutor, causando uma verdadeira revolução no jeito de contratar os serviços de internet.


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Certamente, é servindo bem que serviremos sempre, como eu lia, ainda criança nos sacos de pão da padaria. 6. Será preciso uma nova onda de “empreendedorismo” para que se oferte aos clientes novos produtos e serviços com conveniência e comodidade. Em termos mais técnicos, estamos falando de “monetização”, que é gerar novas receitas em clientes já existentes. Esse é o grande desafio dos ISPs. Lembrando, quando o cliente está satisfeito, a chance de ele comprar novas ofertas de um “novo portfólio” aumenta em 60% a 70%. 7. Por fim, a última dica é que, somadas, essas ações aumentarão o tão e falado ticket médio, favorecendo o indicador CLV (Customer Lifetime Value), Valor Vitalício do Cliente. Trata-se da receita total que você pode espe-

rar de uma única conta de cliente. Aumentar esse valor significa que seus clientes estão comprando com mais frequência e/ou gastando mais dinheiro no seu provedor. Conforme Jason Kulpa, membro do Conselho da Forbes, ressalta em seu artigo sobre gestão de clientes, essa é uma excelente ferramenta que permite às empresas aumentar não só a satisfação, mas também a eficiência e os lucros. A gestão desse relacionamento está em uma ampla variedade de estratégias, sistemas e aplicativos que podem ser utilizados para qualquer tipo de negócio, desde que esteja satisfazendo e encantando o cliente. Portanto, amigos, avaliem o momento, tomem suas decisões, não abandonem suas essências e paixões, sejam firmes e motivados e, sobretudo, sejam felizes. Com isso, um horizonte de oportunida-

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des se abrirá para que um ISP seja sempre um ISP, ou quem sabe, de fato seja o ESP (Experience Service Provider), um Provedor de Experiências. Forte abraço.

Rogério Couto,

Fundador da RL2m - Consultoria e Treinamento, Consultor e Instrutor para Desenvolvimento Comercial e Qualidade do Atendimento. Instrutor na Primori e na Voz e Dados Cursos.



telcomanager.com/ispmais


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TER OU NÃO TER UMA POLÍTICA DE SEGURANÇA CIBERNÉTICA?

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Brasil encontra-se atualmente entre os países que mais sofrem com ataques cibernéticos. Projeções ano a ano tendem a mostrar sempre um cenário de aumento desses problemas, o que nos leva a pensar em algumas atitudes que possam reduzir impactos financeiros e de impactos relacionados a imagem das empresas perante seus consumidores. Para organizar os itens relacionados a segurança de redes e informações que nela trafegam, a Anatel desenvolveu a resolução n°740, de 21 de dezembro de 2020. Este documento tem como base que as condutas listadas, possam assegurar alguns princípios básicos da segurança de dados, como a autenticidade, confidencialidade, disponibilidade, integridade, interoperabilidade, prioridade, responsabilidade e transparência. A resolução é direcionada a todos os prestadores de serviços de telecomunicações de interesse co-

letivo, sendo as de pequeno porte, isentas de alguns itens presentes no regulamento. Quando o assunto é ataque de negação de serviço ou DDoS, um dos maiores problemas nas redes em geral, é a adoção dos famosos “Sky Gato” por parte dos consumidores finais. Tais equipamentos, além de fornecer acesso aos canais abertos e fechados, tendem a auxiliar os atacantes quando o assunto é criar uma botnet para iniciar ataques. Esses ataques vem em escalada ano a ano e o tráfego gerado por botnets no Brasil são grandes contribuintes para campanhas de ataques nacionais e internacionais, como podemos ver em um relatório da empresa Cloudflare, que detalha um ataque mitigado por ela no mês de agosto de 2021. Nesse ataque foram utilizadas 17,2 milhões de solicitações HTTP por segundo. O tráfego foi originado por mais de 20 mil bots, em cerca de 125 países e com base nos endereços IP de origem dos bots foi possível verificar que cer-

ca de 15% das requisições foram originados na Indonésia e outros 17% ficaram entre a Índia e Brasil combinados. Esse ataque em específico teve como destino um cliente da Cloudflare do setor financeiro, porém os atacantes, em sua maioria, não se importam atualmente com o porte da empresa que será atacada. Muitas das vezes realizam somente por pura demonstração de poder, e não somente os ataques de negação de serviço utilizando botnets que tiram o sono dos operadores de redes. Os ataques baseados na instalação de ransomwares nas estruturas da empresa também são avassaladores. Tivemos um exemplo no Brasil com o ataque direcionado a empresa Renner, no dia 19 de agosto de 2021, que ficou sem operações de e-commerce até o dia 21 (sábado), e só conseguiu reestabelecer os aplicativos no dia 22 (domingo), gerando um impacto financeiro e para a imagem da empresa. A resolução vem como resposta ao cenário que temos atualmente,


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em que os ataques de negação de serviço ficam cada vez mais impactantes, ataques de ransomware tomam proporções gigantescas, campanhas de phishing são cada vez mais comuns. Além disso, há preocupação com relação ao assunto segurança nacional. Pois, sabemos que várias infraestruturas críticas, instalações, serviços, bens e sistemas, afetos à prestação de serviços de telecomunicações, que, se forem interrompidos ou destruídos, provocarão sério impacto social, econômico, político, internacional ou à segurança do Estado e da sociedade. Essas infraestruturas, em um país com dimensões continentais, são atendidas por redes totalmente descentralizadas, que em várias situações acabam não aplicando todos os recursos disponíveis relacionados a segurança das informações. O que naturalmente pode gerar um problema em nível de segurança nacional, com outros países e organizações acessando informações que por padrão deveriam ser confidenciais, na maioria das vezes os problemas relacionados a segurança de dados tem origem em detalhes simples que poderiam ser ajustados, prevenindo as ações maliciosas. O regulamento exige a elaboração de uma política de cibersegurança completa, contendo os objetivos de segurança cibernética da empresa, normas e padrões nacionais e internacionais. Além de

referências de boas práticas operacionais que estejam aplicadas na estrutura da entidade, deve conter também, os procedimentos adotados para a disseminação da cultura de cibersegurança e capacitação dos envolvidos na operação. A empresa deve documentar os procedimentos relacionados ao armazenamento seguro dos dados de seus usuários. Os quais devem estar sempre acompanhando a legislação vigente e regulamentação, é preciso definir e documentar os procedimentos adotados para identificação e correção de vulnerabilidades, listar as infraestruturas críticas atendidas pela empresa, mapear riscos e definir plano de ação para minimizá-los e ter um plano de resposta a incidentes contendo os SLAs envolvidos. Esses são alguns itens indispensáveis listados pela política de segurança cibernética nos moldes solicitados pela Anatel. Além desses, a resolução ainda comenta várias práticas que devem ser tomadas pelos responsáveis pela segurança da empresa. A resolução n°740 entrou em vigor no dia 4 de janeiro de 2021 e, quando pensamos nas sanções que podem ser aplicadas por ela, temos que tomar muitos cuidados, pois as ações de prevenção descritas na resolução vão de encontro com diversas outras regulamentações, cada qual com suas sanções definidas separadamen-

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te. Por exemplo, caso não se tenha a aplicação de itens relacionados ao armazenamento seguro dos dados dos usuários e um atacante se aproveite dessa vulnerabilidade, podem ser aplicadas sanções relacionadas a lei geral de proteção de dados — LGPD, ou seja, é de extrema importância que essa regulamentação seja aplicada massivamente, principalmente nos ISPs. Respondendo de forma bem objetiva a pergunta do título, é imprescindível ter uma política de seguranças cibernéticas nos ISPs, a resolução n°740 embora imponha como obrigação os itens, nos auxilia na criação de um checklist das necessidades básicas quando o assunto é segurança cibernética e, principalmente, nos remete a palavra mais importante desse ecossistema: prevenção.

Luís Silva,

Professor especializado em segurança de redes para ISPs, consultor para provedores de acesso e redes corporativas. Atua com palestras e workshops nacionais e internacionais, treinamentos e projetos para implementação de boas práticas de rede e segurança operacional


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CURSOS EAD: O FUTURO ESTÁ AQUI

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tualmente existem muitas opções de estudo EAD (Educação a Distância), que vão desde cursos de graduação, ao doutorado EAD, além de cursos de profissionalização abertos nas mais diversas áreas. A tecnologia é um dos grandes alavancadores dos cursos EAD, principalmente porque permite aos alunos fazerem o seu horário de estudo na comodidade de sua casa ou emprego, além de baratear em muito os custos. Uma tendência atual nos maiores provedores de internet é ofertar novas opções aos usuários e estão integrando plataformas de TV e cursos EAD a seus planos de internet buscando reter mais seus usuários. A História da Educação a Distância A história da educação a distância no Brasil remonta ao ano de 1904, quando o Jornal do Brasil ofereceu um curso por correspondência de datilografia. Posteriormente, também se utilizou o rádio e a televisão (quem não ouviu falar do “Telecurso 2000”) como meios de

educação a população Brasileira no século XX. O grande marco para a educação superior a distância no Brasil ocorreu com a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), no ano de 1996 que normatizou a Educação a Distância em nível superior. O mercado de ensino como um todo, com a recente pandemia de coronavírus, teve que mudar rapidamente para o ensino remoto e instituições que eram totalmente presenciais, tiveram que se adaptar e trabalhar com o ensino remoto, ou seja, Educação a Distância (EaD), e pasmem, muitos alunos adoraram estudar a distância. EAD em números Os dados recentes (de 2021), apresentam que o Brasil possui 152 milhões de usuários de Internet, representando 81% da população do país. Conforme último Censo da Educação Superior realizado pelo INEP e MEC, no ano de 2019 (antes da pandemia), 50,7% dos alunos que ingressaram em 2019 em instituições superiores privadas já buscaram por cursos de EAD.

Este levantamento conforme a ABED (Associação Brasileira de Educação a Distância) apresenta que entre os anos de 2009 e 2019, o número de matrículas em cursos à distância cresceu 378,9% e continua crescendo ainda mais na atualidade. Mas, uma fatia muito maior de pessoas está procurando por cursos livres para a sua profissionalização e tal fato tem sido identificado pelo aumento da procura pelos cursos nas plataformas online como a Catho Educação, que cresceu 70% entre os anos de 2020 e 2021, ou a Plataforma “Superconhecimento” que tem índices de crescimento ainda maiores no mesmo período. Temos uma tendência de crescimento pelos cursos de formação livre EAD, pois eles são mais focados a necessidade de mercado e após instituições como Google, Microsoft, Nubank, entre outras expressarem que o título superior não é tão importante para conquistar uma vaga nestas empresas, mas sim os conhecimentos específicos abriram assim novos caminhos ao EAD


ISP Mais As necessidades dos grandes sites e plataformas de fomentadores de cursos EAD Atualmente vemos que todas as grandes plataformas e sites de internet precisam acompanhar a tendência de mercado atual, que é ofertar cursos EAD aos seus usuários. A oferta de cursos EAD pelos grandes sites e plataformas de internet, além de serem uma tendência atual de mercado, possui no fundo um objetivo comercial, pois além de ser uma fonte de renda, ela retem mais os internautas em seus domínios, permitindo assim a oferta de todo o seu mix de produtos de uma forma mais agradável aos seus usuários e por consequência vender mais os seus produtos. A procura por cursos EAD tem-se mostrado uma tendência de mercado a parte no mundo digital, existindo toda uma cadeia de valor sendo gerada desde os criadores de conteúdos, plataformas de cursos online, plataformas e sites, usuários das plataformas etc. As plataformas estão sendo obrigadas a apresentar opções de cursos EAD em seus sites para reter mais os seus usuários, sob o risco dele ficar

surfando para outros sites. Os produtos dos cursos EAD Atualmente são inúmeras as áreas de ofertas de cursos EAD abertos, que vão desde cursos de jardinagem, ou mais específicos ainda como Marketing digital, Google Ads, Scrum, Data Base, etc. Atualmente existem cinco grandes campos de procura por cursos EAD, os quais são: 1) Os cursos formais como, cursos técnicos, Graduação, Pós-graduação, Mestrado e Doutorados. 2) Cursos livres profissionalizantes, que geralmente dão diplomas/certificados, mas não necessitam de homologação junto ao MEC. 3) Cursos de Línguas. 4) Preparação de concursos e teste da OAB. 5) E Cursos diversos. Cursos EAD, um negócio bom para todos. Quando analisamos mais a fundo o negócio de cursos EAD, verificamos que ele é uma ótima opção para todos os stakeholders e players envolvidos. Os cursos EAD continuarão crescendo nos próximos anos, pois a

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tecnologia não para de evoluir e por isto as pessoas precisam aprimorar o seu conhecimento para não se tornarem obsoletas no trabalho. A internet por si só está muito parecida, assim como muitos cursos EAD, as plataformas de cursos estão trazendo para esse mercado um conteúdo inovador e inédito se diferenciando dos demais pela sua forma de atuação e conteúdo sintonizado com as tendências atuais de buscas pelos usuários. Cada vez mais veremos a procura e a realização de cursos EAD pelos usuários da internet, nas mais diversas áreas. O seu negócio não vai ficar fora desta oportunidade de mercado, ou vai?

Fabio Andre Tamanho, Diretor Executivo Super Conhecimento


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PORQUE OS TALENTOS SAEM DAS EMPRESAS?

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o longo da minha caminhada de consultoria e mentoria as dores são as mesmas: “Não acho o colaborador certo”; “Contratei achando que ia fazer o que precisava ser feito, mas não faz”; “Acredito que se tiver um Plano de Cargos e Salários, vai ficar melhor”; “Na entrevista é uma coisa depois se transforma”; e muitos outros comentários. São vários os motivos e consequentemente as causas que levam as pessoas a deixarem a empresa, inclusive é preciso analisar todos os fatores, ou seja, desde o início que pode aumentar o indicador de turnover nas empresas: o Processo Seletivo. O processo seletivo na maioria das vezes contém erros ou não são fidedignas as funções e responsabilidades do cargo. Desta forma pode acarretar uma contratação com problemas no perfil, na competência para o desempenho e produtividade. Começam uma sucessão de erros que podem acometer os resultados e o desem-

“Propósito, reconhecimento e recompensa são os pilares da retenção de talentos.”

penho da equipe. Mas vamos partir do pressuposto que o Processo Seletivo foi bem criterioso e cumpriu com o objetivo, desta forma encontramos a “pessoa certa” para o “lugar certo”. Saber administrar recursos, gerenciar resultados, lidar e interagir com pessoas não é uma tarefa fácil, e a cada dia se torna mais desafiador. O maior desafio

está em fazer com que os melhores queiram ficar na empresa. E o porquê as pessoas saem da sua empresa e vão para seu concorrente? O Gestor Líder já se questionou porque as pessoas vão embora, e o que levariam elas a querer permanecer? Será que a sua equipe está de fato comprometida e envolvida a ponto de responder de forma negativa a abordagem de um headhunter (caçador de talentos)? Os motivos poderiam ser vários, e os impactos afetam de alguma forma setores e processos. A seguir alguns motivos que podem levar a uma decisão de sair da empresa: • Não ser ouvido: somente “escutam”, e não dão devida importância a participação e envolvimento. • Conhecimento subutilizado: subestimar a competência, não utilizando todo conhecimento que pode ser aplicado de várias formas. • Não ser reconhecido: o reconhecimento na maioria das vezes


ISP Mais está atrelado ao salário. O fato de ser importante e o sentimento de pertencimento também é uma forma de dar “valor”. • Sobrecarga: quando não está claro as funções e responsabilidades em uma equipe pode gerar a sobrecarga em alguém por conta do resultado esperado da equipe. • Desorganização interna: “a bagunça”, ocasiona estresse, perda de tempo e comprometimento com a qualidade. • Perfil do Gestor direto (líder): comportamentos e atitudes do líder que não passam segurança, deixando um clima de incerteza no modo de como proceder. • Remuneração e Benefícios: a falta de possibilidades de aumento salarial bem como aumento de benefícios gera descontentamento. • Clima Organizacional: o clima interno de empatia, acolhimento e sinergia são a base para sentir-se bem em um ambiente. • Valorização de novas habilidades: o diferencial através de treinamento e capacitações aplicadas na prática elevando as possibilidades de melhoria. • Respeito e Ética: respeito à individualidade, ao perfil, ao que se pode ou deve ser falado, aos valores e limites individuais. • Perspectivas futuras: as possibilidades de crescimento interno, promoções, premiações, ou seja, para onde estou indo e onde chegarei na empresa. • Instabilidade emocional da liderança: ausência do equilíbrio, controle emocional e inteligência emocional para lidar com as pressões do dia a dia. • Ausência de direcionamento: conhecer e orientar sobre os caminhos a serem percorridos, ou seja, ter e seguir um planejamento. • Falta ou retenção da informação: detentor das informações com a insegurança do compartilhamento, não passando por medo ou, porque não as têm. • Falta ou problemas na comunicação: ausência de alinhamento sistemático dentro de uma periodicidade (reuniões programadas) e dificuldades em saber como passar a informação de uma forma que realmente os envolvidos compreendam. Todos os motivos aqui citados de alguma forma, em maior ou

menor proporção influenciam na decisão de sair de uma empresa. A grande questão é: o quanto se perdem ou o impacto causado com a saída de um colaborador? Lembrando que o mesmo conhece já todo o processo, fez vários treinamentos, fez parte de um planejamento e fazia parte de uma equipe que contava com ele no seu resultado…

“Todo o trabalho construído por um colaborador não reconhecido, torna-se um buraco negro quando ele sai”

Um ambiente organizacional saudável emocionalmente contribui para a permanência do colaborador. Atualmente vem se discutindo muito sobre: salário emocional. Que seria o conjunto de fatores emocionais e motivacionais que estimulam o colaborador a ter desempenho e produtividade e se manter na empresa! Dentre eles podem ser destacado: • Oportunidades de desenvolvimento profissional; • Oportunidades de progressão na carreira/cargo e salário; • Reconhecimento do que faz e como faz o trabalho; • Estímulos extrínsecos que le-

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vam a auto motivação; • Ambiente de trabalho positivo e de harmonia; • Possibilidades de desafios no cargo/função ocupado; • Conteúdo enriquecedor da função desempenhada, agregando valor aos processos: • Sentir-se parte da organização em que se trabalha, ou seja, grau de importância no processo e no resultado. Desta forma os pilares de relevância para reter aqueles que realmente fazem a diferença na sua empresa, gerando resultado e satisfação para o cliente, são eles: Propósito: Saber o que se deve fazer, como se deve fazer, para quem fazer e a importância da pessoa que faz aquilo que deve ser feito gerando resultado. Reconhecimento: Algo importante que vai além da relação daquilo que deve ser pago pelo desempenho, lembrando que existem os chamados “salários emocionais” que fazem parte desta conta. Recompensa: “Conseguir algo bom por fazer uma dada tarefa”, aqui podemos citar a produtividade atrelada ao salário. Mas cuidado, o quanto isso é significativo para mantê-lo na empresa e o que acarreta se ele não fizer mais parte da equipe. O quanto a empresa será acometida se isto não está na expectativa e entrega do mesmo. “Cuidar e zelar” do Patrimônio Intelectual é um desafio diário, porque: pessoas são diferentes, momentos são diferentes, portanto faça a diferença e seja uma empresa diferente para que eles queiram ficar e ficando sejam exemplos para os que entrarem.

Cleufe Almeida, Diretora Técnica das Empresas Ser Ativo e Seressencial - Soluções Empresariais.


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CÂMARA ABRINT MULHER

COLUNA ABRINT MULHER

A Câmara ABRINT Mulher é um movimento associativo empresarial, organizado por mulheres, com o objetivo de estimular as melhores práticas de gestão e fortalecer a participação das mulheres no setor de Telecomunicações.

AS PRIMEIRAS PINCELADAS DO OPENRAN

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essa edição, a Câmara Abrint Mulher compartilha com todos um pouco das discussões do OpenRAN em andamento na Anatel. Mas o que significa OpenRan? OpenRAN significa Open Radio Access Networks e representa um movimento em prol da flexibilização de uso e aplicações sobre as redes de telecomunicações, envolvendo desde a interoperabilidade de equipamentos, a virtualização e a desagregação de alguns dos elementos clássicos e tradicionais das redes.

“Avaliar o futuro do mercado de telecomunicações, o papel das redes fixas instaladas e as novas possibilidades de oferta (e troca) de serviços, sem discorrer sobre tendências do OpenRAN, passa a ser um grande erro.”


COLUNA ABRINT MULHER

Estão enganados aqueles que acreditam que o OpeRAN se resume às redes móveis: esse movimento acelera a convergência das tecnologias, móveis e fixas, e exige uma conjunção de esforços no sentido de democratizar o core das redes. A qualidade dos participantes e o número de envolvidos nas primeiras reuniões do tema na Anatel já evidencia, por si só, a importância do assunto. Além da ABRINT, universidades, entidades do governo, núcleos de pesquisa, indústria, empresas de tecnologia dos mais variados portes, associações, imprensa: todos estavam lá. O atual estágio envolve a subdivisão dos trabalhos, pesquisas e propostas em 4 subgrupos: Interoperabilidade, Segurança, Economia e Regulamentos. A ABRINT vem participando ativamente das reuniões de trabalho e integra o subgrupo de Regulamentos do GT - OpenRAN. Nosso papel agora é contribuir e fomentar as discussões sobre as eventuais barreiras regulatórias existentes, os possíveis mecanismos de incentivos fiscais e as experiências internacionais com a regulação do tema. Todos os tópicos alimentarão a próxima agenda regulatória da Agência e nortearão direcionamentos para o mercado com relação à convergência de serviços, interoperabilidade de soluções, performance técnica e competição. Sim, competição. Pois, no final das contas,

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A qualidade dos participantes e o número de envolvidos nas primeiras reuniões do tema na Anatel já evidencia, por si só, a importância do assunto.

OpenRAN significa redução de CAPEX para todas as prestadoras de serviços de telecomunicações. Dos grandes, aos pequenos. O movimento, logicamente, já começou pelas grandes operadoras e principais fornecedores de equipamentos de rede móvel. A partir de agora, ele passa a ganhar novos contornos e certamente todos serão impactados. Avaliar o futuro do mercado de telecomunicações, o papel das redes fixas instaladas e as novas possibilidades de oferta (e troca)

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de serviços, sem discorrer sobre tendências do OpenRAN, passa a ser um grande erro. Do ponto de vista da regulação do tema, a ABRINT endossa mecanismos da chamada “autoregulação regulada” do OpenRAN, uma estratégia regulatória bastante particular, que busca superar aquela dicotomia clássica do comando e controle e da desregulação, a fim de se maximizar o nível geral de conformidade no setor observando as particularidades do mercado e da indústria brasileira, conferindo uma outra “roupagem” para a corregulação, assegurando ao próprio ente regulado ações endógenas sobre eventuais desconformidades auferidas pela Anatel. Já do ponto de vista do mercado, é patente que a indústria que atende o setor tornou-se especializada, concentrada e internacionalizada. Há um verdadeiro dinamismo conservador em razão de um baixo encadeamento intra-industrial. O mérito das redes abertas e de todas as discussões que envolvem o movimento OpenRAN é justamente endereçar a questão da necessidade de se destravar amarras que encarecem as operações e retardam o retorno do investimento. E assim seguiremos os trabalhos e discussões pela ABRINT, compartilhando, com o tempo, os traçados desse caminho sem volta.


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COLUNA COM LICENÇA

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PAULO VITOR

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ADVOGADO E CONSULTOR JURÍDICO. SÓCIO-FUNDADOR DA SILVA VITOR, FARIA & RIBEIRO ADVOGADOS ASSOCIADOS

OS CUIDADOS JURÍDICOS NA DISTRIBUIÇÃO DOS CANAIS DIGITAIS E O CENÁRIO REGULATÓRIO ATUAL

o artigo da edição anterior, foi debatida a diferenciação técnica e jurídica dos Serviços de Acesso Condicionado (SEAC), em comparação com a distribuição de conteúdo audiovisual na internet (OTT – SVA). Neste artigo, por sua vez, demonstraremos que, muito além do enquadramento técnico ou jurídico dos serviços (SEAC x OTT), é fundamental assegurar a legalidade dos conteúdos distribuídos, com a correta formalização da relação entre Prestadora versus Programadoras de Conteúdo e Radiodifusoras. De fato, sobre esta temática, cumpre inicialmente pontuar que o Regulamento do SEAC, aprovado pela Resolução ANATEL 581/2012, prevê o direito/dever de carregamento dos canais abertos analógicos, conforme Artigo a seguir: “Art. 52. A Prestadora, em sua Área de Prestação do Serviço, independentemente da tecnologia de distribuição empregada, deverá tornar disponíveis, sem quaisquer ônus ou custos adicionais para seus assinantes, em todos os planos de serviço ofertados, Canais de Programação de Distribuição Obrigatória para as seguintes destinações: I - canais destinados à distribuição integral e simultânea, sem inserção de qualquer informação, do sinal aberto e não codificado,

“É fundamental um olhar mais democrático, por parte do Poder Público e dos Entes Reguladores, especialmente a Agência Nacional de Telecomunicações – ANATEL” transmitido em tecnologia analógica pelas geradoras locais de radiodifusão de sons e imagens, em qualquer faixa de radiofrequência, nos limites territoriais da área de cobertura da concessão;” Desta maneira, se uma prestadora, autorizada à prestação do SEAC, deseja veicular a seus assinantes os canais abertos analógicos, no âmbito do SEAC, esta veiculação pode ser feita em decorrência do direito/dever de carregamento, independentemente de autorização específica das programadoras de conteúdo ou radiodifusoras. Todavia, a mesma regra não se aplica à veiculação de canais

abertos digitais, eis que a Regulamentação atual, ultrapassada, não se atualizou à evolução da tecnologia inerente aos canais (conteúdo audiovisual), e mantém o direito/dever de carregamento adstrito apenas aos canais abertos analógicos, muito em função da pressão ou influência das próprias programadoras de conteúdo ou radiodifusoras. E desta maneira, ao veicular os canais digitais abertos, uma prestadora SEAC necessita obter autorização das programadoras de conteúdo ou radiodifusoras, nos termos do Artigo 95 da Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/98), a saber: Art. 95. Cabe às empresas de radiodifusão o direito exclusivo de autorizar ou proibir a retransmissão, fixação e reprodução de suas emissões, bem como a comunicação ao público, pela televisão, em locais de frequência coletiva, sem prejuízo dos direitos dos titulares de bens intelectuais incluídos na programação. E o mesmo raciocínio se aplica à hipótese de uma prestadora pretender veicular canais digitais abertos através de uma plataforma de streaming (OTT – SVA). Tal como ocorre no âmbito do SEAC, é também necessária obter autorização das programadoras de conteúdo ou radiodifusoras para transmissão dos canais em plataforma de streaming (OTT – SVA). E aí reside o primeiro grande problema: no tocante a veicula-


COLUNA COM LICENÇA

ção de canais digitais abertos, no âmbito do SEAC, algumas programadoras de conteúdo ou radiodifusoras, para permitir tal veiculação, têm exigido contraprestação financeira. E pior, os valores cobrados das prestadoras de pequeno porte (PPPs) são extremamente superior àqueles cobrados das grandes operadoras, o que acaba onerando e até inviabilizando a atuação das prestadoras de pequeno porte (PPPs) neste serviço. E vamos agora ao segundo grande problema: a veiculação dos canais digitais abertos, como OTT (SVA). Algumas programadoras de conteúdo ou radiodifusoras não estão permitindo a distribuição de seus conteúdos, sobretudo pelas prestadoras de pequeno porte (PPPs), no âmbito de plataformas de streaming (OTT – SVA), ou seja, acessível pelo cliente através de qualquer rede. Neste ponto, algumas programadoras de conteúdo ou radiodifusoras estão privilegiando suas próprias plataformas de streaming (OTT), ainda mais após a ANATEL entender que a veicula-

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“E desta maneira, ao veicular os canais digitais abertos, uma prestadora SEAC necessita obter autorização das programadoras de conteúdo ou radiodifusoras” ção de canais lineares pode ser feita diretamente pelas programadoras de conteúdo, no âmbito dos serviços de valor adicionado (SVAs). E para piorar ainda mais o cenário, ao mesmo tempo que algumas programadoras de conteúdo ou radiodifusoras negam às prestadoras a veiculação de seus canais digitais como OTT (SVA),

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visando privilegiar suas próprias plataformas de streaming, há programadoras que disponibilizam o acesso ao seu conteúdo aberto, gratuitamente, aos seus assinantes. Como concorrer em um cenário de gratuidade? Desta maneira, o cenário regulatório atual em torno dos canais digitais é extremamente favorável às programadoras de conteúdo ou radiodifusoras, o que acaba dificultando e até mesmo inviabilizando, em alguns casos, a atuação das prestadoras de serviços de telecomunicações, sobretudo as prestadoras de pequeno porte (PPPs). É fundamental um olhar mais democrático, por parte do Poder Público e dos Entes Reguladores, especialmente a Agência Nacional de Telecomunicações – ANATEL, de modo que seja possível que as prestadoras de telecomunicações e as programadoras de conteúdo possam coexistir no mercado, em uma justa e leal concorrência.


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ELOI PIANA

O

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ENGENHEIRO ELETRICISTA FORMADO PELA UNIOESTE DIRETOR | CEO | RESPONSÁVEL TÉCNICO - PIANA TELECOM - PROJETOS E ENGENHARIA CERTIFICADO EM PROJETO E EXECUÇÃO DE REDES ÓPTICAS

O AUMENTO DOS PROCESSOS DE FUSÃO E AQUISIÇÃO DE OPERADORAS DE TELECOM

mercado de telecomunicações está em constante evolução. As investidas de grandes players e fundos de investimento no tangente às fusões e aquisições de pequenos e médios operadores é uma prática que vem se tornando cada vez mais frequente no mercado. O assunto nas rodas de conversa entre gestores de telecom agora é esse, sem dúvida nenhuma! Dados levantados pela consultoria KPMG apontam que, no primeiro semestre de 2021 o setor de telecomunicações foi responsável por 77 das 244 fusões e aquisições realizadas entre empresas brasileiras, abrangendo 43 setores da economia. Segundo especialistas os fatores relacionados ao isolamento social estão contribuindo para a entrada de fundos de investimentos no setor, alavancando as possibilidades de negócios. Como se iniciam, como é feita a avaliação, quem são os envolvidos, como evolui o processo, e quando é a hora certa para vender ou comprar são os assuntos de hoje. Como se iniciam Geralmente os processos de fusão/aquisição de pequenos operadores são realizados por operações vizinhas, em regiões geográficas próximas, onde o comprador pode se conectar fisicamente, ou ao menos consegue construir redes de acesso para junção à sua base. Já os processos de aquisição de médios operadores nem sempre são realizados por empresas da mesma região. O cenário mais visto atualmente é o de grandes

“Dados levantados pela consultoria KPMG apontam que, no primeiro semestre de 2021 o setor de telecomunicações foi responsável por 77 das 244 fusões e aquisições realizadas entre empresas brasileiras, abrangendo 43 setores da economia.

empresas a nível nacional, e fundos de investimentos, que estão realizando negociações e aquisições em todo o país, mesmo que a operação esteja longe geograficamente de suas bases. As negociações geralmente se iniciam por meio de pesquisas, inclusive ao site da Anatel (https://informacoes.anatel.gov.br/ paineis/acessos/ranking), onde estão relacionadas informações de quantidade de acessos em banda larga fixa, móvel, telefonia e TV por assinatura. Dessa forma o investidor “mapeia” possíveis investidas e destina seus execu-

tivos para execução das operações. Demonstrado interesse entre as partes o processo de negociação se inicia, nessa hora é importante que o gestor da investida (operação que está sendo comprada) tenha dados relevantes em mãos, como por exemplo: - Quantidade de assinantes em fibra óptica - Quantidade de assinantes em outras tecnologias - Faturamento bruto mensal/ anual - Ticket médio da base de assinantes varejo e corporativo; - Quantidade de portas abertas - Relação de cidades atendidas, tempo de implantação em cada uma delas e eventuais projetos aprovados e não executados - Regime empresarial - EBITDA Certamente há muitos outros indicadores e informações que deverão ser revelados com o passar da negociação, que certamente um bom assessor de aquisições conhece e divulga apenas com a assinatura de um acordo de intenção de compra e confidencialidade entre as partes interessadas. Como ocorrem as fusões e aquisições Algumas empresas executam compras parciais, tornando o diretor ou dono da investida como membro e/ou sócio da operação. Outras empresas preferem comprar 100% dos direitos, assumindo total responsabilidade. Inclusive, nesses casos geralmente os empresários assinam termos e acordos que os tiram do mercado, para que não possam mais


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trabalhar no setor de telecomunicações, passando a receber o apelido de “Viúvos da Telecom”. Existem também os casos de compras de base de clientes, com ou sem a rede, onde é realizada a transferência de carteira para a empresa compradora, ficando os ativos de rede, cabos e equipamentos podendo ser negociados de forma separada.

vés de ser dono de uma operação pequena, será sócio de uma operação maior, mais estruturada e possivelmente mais lucrativa, e ainda com dinheiro no bolso. Aquisição

Quais são os valores envolvidos? É muito difícil precisar o valor de uma operação, geralmente os cálculos são realizados com o levantamento preciso e minucioso de informações, norteado pelo número de assinantes, ticket médio e principalmente o EBITDA, índice que representa o poder de geração operacional de caixa da investida.

E para finalizar, fica a dica: O mais importante ao vender ou negociar sua operação, é ter a certeza de dever cumprido!

O assunto é longo e muito interessante, e nas conversas com gestores sempre aparecem duas perguntas principais, que são: 1. Quando devo vender minha operação? Ninguém melhor que o próprio gestor para saber a hora certa de participar de um processo de fusão ou aquisição! Os horizontes podem ser totalmente distintos, com dois cenários clássicos: Fusão Injeção de capital na operação, afim de angariar novos clientes, aumentar portas, expandir base e localidades atendidas, aumentando o fluxo de caixa e valor da operação. O que basicamente significa que o empresário ao in-

Negociação afim de se obter o maior valor possível pela venda total da operação, nesse cenário o empresário tem a possibilidade de se aposentar, ou trocar de ramo de atuação. Temos visto muitos novos construtores, investidores, e também alguns aposentados, todos com vasta experiência na direção e operação de provedores de internet. Sobre a hora certa de se pensar em fusões e aquisições, são inú-

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meras as considerações a fazer! Podemos citar como por exemplo a saturação de carteira e a curva de crescimento da operação, fatores geográficos, técnicos e de mercado. Também deve se levar em conta os planos de expansão das operadoras, redes de acesso próximas, e primordialmente, fatores internos da empresa. Uma boa análise de mercado, financeira e técnica pode auxiliar, e muito nessa decisão. 2. Estou interessado! Como proceder? É primordial a contratação de assessoria especializada em fusões e aquisições, por diversos motivos, como a maximização de lucros, segurança no fornecimento de informações e atendimento a leis, normas e critérios vigentes para esse tipo de transação. O assessor ficará responsável pela divulgação de forma criteriosa das informações e recebimento de propostas, garantindo segurança, assertividade, e maximização de lucros. E para finalizar, fica a dica: O mais importante ao vender ou negociar sua operação, é ter a certeza de dever cumprido! Todos sabemos das dificuldades e desafios que os empresários superam diariamente para chegar ao sucesso profissional. Escolher a hora de desacelerar, respirar novos ares e poder se dedicar mais a vida familiar não é para qualquer um. Essa mudança de vida requer preparação e muita análise, para que seja realizada com certeza absoluta e garantia de satisfação, tanto pessoal quanto profissional.


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JOSÉ MAURÍCIO DOS SANTOS PINHEIRO

SÓCIO DIRETOR DA RATIO CONSULTORIA E PROFESSOR UNIVERSITÁRIO WWW.PROJETODEREDES.COM.BR

DISTRIBUIDORES ÓPTICOS

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s provedores de serviços de telecomunicações precisam cada vez mais de novas soluções que permitam aumentar a infraestrutura de suas redes, tanto nos pontos de acesso, quanto nos pontos de distribuição e nos seus Data Centers. A demanda por maiores larguras de banda e novos serviços para os assinantes também exige a adoção de soluções técnicas eficientes para que a infraestrutura da rede tenha flexibilidade para crescimento e os sistemas de comunicação necessitam, então, possuir hardware de rede que permita a conexão rápida, segura e eficiente dos diferentes tipos de cabos. Um desses importantes recursos de hardware é o Distribuidor Óptico, responsável por conectar as fibras ópticas, contidas nos cabos ópticos, aos demais sistemas e equipamentos da rede de comunicação. 1. O Distribuidor Óptico Uma das principais preocupações do profissional responsável pela infraestrutura de uma rede óptica é ter acesso rápido e fácil às fibras do cabo óptico e disponibilizá-las para uma perfeita co-

FIGURA 2: Exemplo de pigtails

FIGURA 1: Exemplo de Distribuidor Óptico

nexão com dispositivos da rede. O Distribuidor Óptico é o hardware de rede que tem como função permitir esse acesso e também concentrar e proteger as emendas e conexões ópticas. A Figura 1, mostra um exemplo de Distribuidor Óptico para 48 fibras. Um Distribuidor Óptico é um ponto de administração no projeto do cabeamento da rede óptica, onde o cabo óptico é terminado em um painel que aceita diferentes cordões de manobra, com diferentes conectores, realizando funções igualmente diferenciadas. O Distribuidor Óptico é utili-

zado para acomodar e proteger as emendas das fibras do cabo óptico com as extensões ópticas, conhecidas como “pigtail”. Um pigtail é um segmento de fibra com conectores ópticos em apenas uma de suas extremidades, como mostrado no exemplo da Figura 2. Outra função do Distribuidor Óptico é permitir que as fibras que compõe o cabo óptico possam ser manipuladas de forma segura e estejam disponíveis para a conexão com os demais dispositivos de rede. Os distribuidores estão comercialmente disponíveis em diferentes tamanhos e formatos e podem ser instalados em diferentes pontos da rede: • No interior dos armários (racks) de equipamentos; • Em caixas externas, presas aos postes nas ruas; • Em caixas subterrâneas, devidamente protegidos contra umidade; • Em torres, nos enlaces de rádio e TV. Em quaisquer das situações citadas, ou em outras, a função do Distribuidor Óptico sempre será receber o cabo de fibra óptica, expor as fibras em um ambiente


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2.3. Distribuidor de Abordagem Óptico O Distribuidor de Abordagem Óptico (DAO) é usado para a distribuição e o gerenciamento de fibras e acomodação das emendas dos cabos ópticos do sistema de cabeamento primário de uma rede de comunicação.

FIGURA 3: Distribuição das fibras ópticas no interior do distribuidor

protegido e disponibilizar a extremidade de cada fibra para conexão com um dispositivo de rede ativo ou passivo, ou mesmo para conexão com as fibras de outro cabo óptico. No interior do Distribuidor Óptico a fibra se encontra fora de sua proteção primária (o cabo óptico), e será emendada com outra fibra, recebendo conectores. Por esse motivo precisa receber outro tipo de proteção que fica a cargo de tubos plásticos, chamados “tubos loose”, especialmente concebidos para proteger as fibras que recebem as emendas. Esses tubos plásticos podem ser vistos na parte superior da Figura 3. 2. Designações dos Distribuidores Ópticos A instalação de um Distribuidor Óptico deve prever funcionalidades em sua estrutura, que vão desde a chegada dos cabos ópticos da planta externa, que pode ocorrer tanto pela parte superior, inferior ou traseira de um rack, como também todas as emendas, terminações e armazenamento da sobra de cabos e/ou cordões ópticos utilizados internamente. Dependendo de sua posição na infraestrutura da rede, o distribuidor poderá receber diferentes designações: 2.1. Distribuidor Geral Óptico O Distribuidor Geral Óptico (DGO) é usado nas instalações internas como ponto de concentração do cabeamento, interligando o hardware de rede. Permite a conexão e o gerenciamento de

grande número de cabos e fibras ópticas. É composto geralmente por um bastidor (rack) que possui módulos de conexão e de emendas, espaço para armazenamento de cabos, cordões ópticos e módulos para conexão dos dispositivos passivos. Pode acomodar outros Distribuidores Ópticos. 2.2. Distribuidor Interno Óptico O Distribuidor Interno Óptico (DIO) é usado na proteção, acomodação e distribuição das fibras e das emendas de um cabo óptico no sistema de cabeamento secundário. Tem a função de administração e gerenciamento do cabeamento em salas de telecomunicações, na função de distribuição de serviços em sistemas ópticos horizontais.

2.4. Distribuidor de Contagem Óptico O Distribuidor de Contagem Óptico (DCO) é usado na distribuição de contagens parciais das fibras de um cabo óptico, geralmente nas redes internas dos assinantes ou próximo das Áreas de Trabalho. Também é conhecido como “cassete splitter” devido as suas pequenas dimensões e pelo seu uso em redes ópticas passivas (PON). A Figura 4, apresenta exemplos dos Distribuidores Ópticos citados. 3. Dimensionamento dos Distribuidores Ópticos O Distribuidor Óptico deve ser dimensionado levando-se em consideração as diversas variáveis do projeto de cabeamento da rede. O seu dimensionamento inadequado, ou mesmo a sua não utilização, reduz consideravelmente a flexibilidade que a rede necessita. Para a escolha e o correto dimensionamento do Distribuidor Óptico é necessário que no projeto de rede sejam identificadas a quantidade de fibras necessária e

FIGURA 4: Exemplos dos Distribuidores Ópticos


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Devem ser previstos acréscimos futuros na rede, com aumento do número e do comprimento de cordões de manobra entre o distribuidor e os novos dispositivos. Assim, as terminações devem ser modulares e flexíveis para atender futuras necessidades para cabos adicionais ou rearranjos. Para especificação devem ser conhecidas as localizações do hardware, número de fibras e o método de terminação.

FIGURA 5: Estrutura construtiva de um Distribuidor Óptico

a rota do cabeamento. Os fatores de projeto que devem ser considerados para a instalação dos Distribuidores Ópticos são: 3.1. Terminações A grande maioria dos distribuidores ópticos são utilizados na terminação de cabos de fibra óptica com o uso de pigtails. O tipo de terminação mais apropriado irá depender das necessidades de montagem, do número de fibras, do método de emenda e do espaço disponível.

“A utilização de um Bastidor Óptico trará grandes benefícios”

3.2. Conexões São recomendados distribuidores para todos os pontos de terminações ópticas e o número de pontos de ligação determina as dimensões e tipo de conexão usado no distribuidor. Um espaço adicional deve ser alocado de modo que um crescimento posterior possa ser atendido ordenadamente. Temos duas formas principais para as conexões: •Conexão Cruzada - São utilizados dois Distribuidores Ópticos, onde um distribuidor fica vinculado aos cabos que chegam da planta externa e o outro distribuidor fica destinado à conexão dos equipamentos ópticos ou cabos que darão continuidade ao sinal pela rede in-


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terna. Dessa maneira, a parte frontal de ambos os distribuidores fica disponível para as alterações que se façam necessárias através do uso dos cordões ópticos; •Interconexão – Os cabos que chegam da planta externa são conectados diretamente aos equipamentos ópticos ou aos outros cabos da rede óptica interna através de um único distribuidor. É uma solução utilizada em locais onde se dispõe de pouco espaço físico para a instalação de mais painéis e racks; 3.3. Conectores As terminações ópticas são constituídas basicamente por conectores, que tem como função realizar a conexão mecânica entre as fibras ópticas e os dispositivos da rede. A escolha do tipo de conector deve ser feita seguindo-se as recomendações técnicas para efeito de padronização de instalação dos Distribuidores Ópticos, pontos de terminação e demais elementos internos. 3.4. Componentes e Acessórios Os componentes e acessórios para montagem de um Distribuidor Óptico variam em função das

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“A demanda por maiores larguras de banda e novos serviços para os assinantes também exige a adoção de soluções técnicas eficientes”

dimensões da rede e das necessidades para montagem externa. Todos os painéis que compõem um Distribuidor Óptico devem preservar características como o raio mínimo de curvatura dos cabos ópticos utilizados, além de possuir campos para identificação de todos os pontos de conexão e emenda existentes nos painéis. Os Distribuidores Ópticos normalmente são fabricados em cha-

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pa de alumínio, com dispositivo de ancoragem do cabo, uma bandeja para acomodação das emendas ópticas, uma placa para os adaptadores ópticos e extensões ópticas montadas. A Figura 5, mostra a estrutura construtiva de um Distribuidor Óptico padrão. Outros aspectos que devem ser considerados na definição do Distribuidor Óptico mais adequado para o projeto da rede são os seguintes: •Densidade do Rack - Os racks são as estruturas que servem para o acondicionamento de equipamentos ativos ou passivos utilizados em uma rede. Inicialmente o dimensionamento e o posicionamento dos racks para abrigar um Distribuidor Óptico devem atender às necessidades e às partições definidas com base na baixa, média ou alta densidade de fibras ópticas da rede. Os racks geralmente se apresentam com a largura efetiva dos painéis de conexão (patch panels), expressa nos padrões de 19 ou 23 polegadas; •Emendas de fibras “On-Frame” & “Off-Frame” – Na emenda das fibras “on-frame”, os módulos de emenda das fibras ópticas


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encontram-se dentro do próprio bastidor de conexão e são interconectados ao módulo de terminação através dos “pigtails”. Na emenda “off-frame”, as fibras ópticas são emendadas em painéis localizados fora do bastidor de conexão (em outra sala, outro andar, etc.) ou em caixas de emendas subterrâneas apropriadas. Neste caso, normalmente os painéis de conexão são pré-conectorizados e o respectivo cabo da rede interna conhecido como Intra Facility Cable (IFC), segue diretamente para o painel remoto de emenda; • Acessos - A definição do acesso do cabo óptico depende principalmente do local onde será instalado o Distribuidor Óptico. Por exemplo, na configuração para acesso traseiro, pressupõe-se que os racks não serão instalados contra paredes ou costa-costa. A definição do acesso depende normalmente do espaço disponível para a instalação. 4. Conclusão Uma vez definido o tipo adequado do Distribuidor Óptico,

será necessário ainda adicionar alguns componentes extras que irão agregar valor a essa rede. Com certeza, em algum ponto do sistema de cabeamento será necessário utilizar divisores, atenuadores e mesmo equipamentos ativos como um comutador óptico. Os Distribuidores Ópticos modernos já possuem integrados ao seu próprio bastidor módulos preparados para receber tais facilidades que, em forma de cartões, são inseridos diretamente nos painéis de conexão. Existem ainda softwares especialmente desenvolvidos e destinados à administração das redes puramente ópticas ou redes mistas, com cabeamento metálico. Uma vez considerados os pontos anteriormente descritos, o projeto conexão dos cabos ópticos da rede estará parcialmente definido. A partir desse momento deverá ser feito um melhor detalhamento, definindo-se como se dará a chegada e a passagem dos cabos na rede externa, em qual tipo de piso o sistema será instalado (alvenaria, piso elevado),

quais os conectores ópticos utilizados (SC, FC, E2000, etc.), qual será a técnica de emenda utilizada (conectorização, mecânica ou fusão), padronização dos tipos de cordões ópticos utilizados (extensão óptica, cabo multicordão etc.) e outros detalhes que são específicos de cada projeto de rede. Podemos concluir que o dimensionamento inadequado ou mesmo a não utilização de um Distribuidor Óptico poderá reduzir consideravelmente o tempo de vida, a flexibilidade e a eficiência que uma rede de comunicação necessita, seja ela uma rede de TV a cabo, de telefonia ou internet. Considerando o seu baixo custo em comparação aos demais hardwares de rede como, por exemplo, transmissores, multiplexadores e amplificadores, a utilização de um Bastidor Óptico trará grandes benefícios como retorno rápido do investimento e uma boa economia durante a operação do sistema. Até o próximo artigo!




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