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São Carlos, Outubro de 2009 – ano 1 – número 3 - distribuição gratuita - www.interativo.com.br

Espaço

Sabor, Aroma e dor têm tudo a ver com a química. Sabia? Não, então descubra como as ligações químicas estão presentes em todos os nossos sentidos! (por Edson de Souza Pág 03)

Entrevista

Quem conta um conto aumenta um ponto, já diria Machado de Assis há mais de um século. Será que isso também vale para os filmes e séries de TV? Descubra numa entrevista com o professor Henry Jenkins, especialista em cultura de mídias e saiba que você também pode ajudar a moldar a vida dos personagens de Heroes, Lost e House. (Pág. 06)

Projeto ambiental:

a educação e o respeito ao meio-ambiente em pauta em projeto interdisciplinar. (Pág. 16)

Cinemania

Conheça a história real de Ian Curtis, o líder do Joy Division, uma das maiores bandas póspunk da Inglaterra no filme Control. E mais, bullying e violência dentro das escolas são objetos de discussão de Bang! Bang! Você morreu, um filme inquietante de Guy Ferland. (Pág.09)

Entrevista Especial ELE É O CARA!

E mais: Visionários, futuristas? Alguns autores vêm, há muito tempo, prevendo o nosso presente. Saiba quem são alguns dos Nostradamus da literatura mundial! “O Admirável Mundo Novo, livro escrito em 1932, pelo também inglês Aldous Huxley (1894-1963) descreve convincentemente a tecnologia empregada para gerar as castas da sociedade que, aliás, usam em suas incubadoras, dispositivos similares aos métodos dos modernos laboratórios de biologia celular.” (Pág. 04)

Olimpíadas de matemática

Interativo completa cinco anos de participação e tem muito para comemorar! (Pág. 08)

História e culinária: um passeio pela história da culinária mineira! “A dificuldade de “importar” os alimentos das regiões já povoadas como Rio de Janeiro e Bahia, fez com que o alimento mais consumido nas aldeias indígenas, o milho, fosse parar no prato de todos, desde o trabalhador escravo até os ricos portugueses e exploradores das minas, tornando-se um alimento universal na culinária mineira até hoje.” (Por Alex Turci) (Leia mais na Pág. 17)

Crônica:

Pode chorar, pode esbravejar, pode ficar irritadinho (a)! Mas ele estará presente! Afinal de contas, a feira de Conhecimentos do Interativo sem o Sr. Cláudio Boense Bretas não tem mais sentido, porque ele é o cara! (Pág. 14 )

Gésner Batista emociona ao falar da função emotiva da arte e ressalta sua maior importância: fazer-nos viver. Michael Jackson, Roberto Carlos, Ronaldo... Michelangelo e Shakespeare não fazem mais do que nos dar a vida. Por eles vivemos e para eles continuamos a sonhar acordados. “A Arte livra o Homem dessa sina desumana. A Arte não sacrifica o homem, não atrela o homem, não reduz o homem, ao contrário, liberta-o, salva-o, embala-o, faz brotar nele o que ele tem de mais humano, faz aflorar sua ternura, faz ver-se a sua própria pequenez, não para ridicularizá-lo, mas mas elevá-lo do chão às nuvens.” (por Gésner Bastista) (Pág. 05 )


Folha Interativo - ANO I

EDITORIAL

Um jeito diferente de ensinar e de aprender Foi com grande alegria de todos que nasceu o Jornal Folha Interativo. Apresentando matérias que enfocam o currículo escolar, as atualidades e o vestibular, além de dicas de cinema, livros e cultura em geral, o Jornal “caiu nas graças” dos nossos pais e alunos. E é com alegria maior que o jornal Folha Interativo traz sua primeira Edição Especial, encampando o Jornal da Interafec – feira de conhecimento do Colégio Interativo - que completa, no mês de outubro, sua oitava edição. Foram muitos os colaboradores desta edição e muitos ainda os assuntos abordados por ela: passamos por cinema, celulite, culinária, arte, história, química no dia-a-dia e conseguimos chegar aonde queríamos: nas mentes de nossos leitores, levando um jornal denso, mas leve; sério, mas agradável! Apresentamos também a seção Fala Galera, na qual os alunos do colégio apresentarão, a partir de agora, seus textos, projetos, imagens e ideias. E a Interafec, tema central da nossa edição, também nos faz passear pelas mentes criativas dos alunos do colégio que colocam a mão na massa e mostram à comunidade são-carlense que é ensinando e fazendo que se aprende, pois a Feira, como é carinhosamente chamada, não é nada mais do que um jeito diferente de ensinar e de aprender.

Índice: 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19.

Editorial – Pág 02. Espaço Vestibular? – Pág 03. Culinária Mineira – Pág 17. Por que aprender, por Rubem Alves – Pág 04. Henry Jenkins e a Cultura da convergência – Pág 06. Tribalistas Graças a Deus – Pág 18. Projeto ambiental: respeito ao meio-ambiente – Pág 16. Grupos da Interafec – Pág 11. Truco também é cultura – Pág 08 Crônica: A função da Arte. – Pág 05. Crônica: minha avó não tinha celulite – Pág 19 Matemática: Quadro de Medalhas – Pág 08. Seção Comédia – Pág 15. Login: dicas de informática – Pág 13. Sites Legais – Pág 07 Reflita e Responda Bretas: Entrevista com o Cara– Pág 14. A little bit of English in The Blues Cinemania – Pág 09.

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Palavra do presidente de honra da INTERAFEC

ALÉM DO HORIZONTE Quando eu estou aqui, eu vivo este momento lindo! Pois é, quem diria!? Chegamos a mais uma edição deste espetacular evento que transcende aos ensinamentos propostos dentro das quatro paredes da sala de aula. Transversal, multidisciplinar, interdisciplinar, mas, sobretudo, transdisciplinar. Graças aos amigos de fé e aos irmãos camaradas que integram toda a comunidade escolar (alunos, professores, funcionários e familiares) concluiremos neste ano de 2009, se assim Jesus Cristo o permitir, a VIII INTERAFEC e sem maiores emoções. É claro que a primeira vez sempre deixa traumas, afinal de contas somos todos seres humanos suscetíveis a erros, porém, na qualidade de seres pensantes fizemos progresso a cada ano, desde 2002, e insensatez seria deixar de mencionar alguns nomes que fizeram da feira de ciências um cenário educacional pautado na criatividade e na troca de informações. São eles: Mito, Xico, Carol, Marcão, Thalita, Cláudia, Fabião, Samuca, Lissão, Deivid e o magnífico Carlão Jatobá com sua inesquecível tina de cor azul. Creio que sou o único remanescente da velha guarda, mas, diga-se de passagem, a jovem guarda está aí para mostrar que os detalhes serão cada vez mais aperfeiçoados no sentido de conduzir pensamentos inovadores que sempre serão muito bem vindos. Bom, falando sério, é preciso saber viver e ter atitudes para retirar as pedras do caminho e realizar um bom trabalho, um trabalho digno de ser chamado de trabalho em equipe, e nada vai me convencer do contrário, uma vez que é este o caminho para o verdadeiro sucesso. E mais uma vez trabalharemos diversos assuntos como o gênio, o bom, o astronauta, o côncavo e o convexo, o cadilac, enfim, temas do dia-a-dia. De qualquer forma, custe o que custar, a partir deste ano, é proibido fumar. Prof. Rocky

Folha Interativo Mantenedores: Pedro Marcelo Batista (Sebá) Luis Antonio Pereira dos Santos (Anta) Pedro Walter Pinto Ferraz (Bacia) Diretora: Cleide Darezzo Martins de França Coordenadora Pedagógica Vânia Eliza Geraldo Simone Hirata Benetti Editores Glauco Keller Villas Boas Carlos Henrique de Oliveira(Rocky) Colaboradores desta edição Prof. Carlos Henrique (Rocky) Prof. Gésner Batista Reginaldo Nanni Prof. Alex N. Turci Prof. Rafael Fernando Pascualon Geruza Ferreira Lourenço Profa. Claudia Küll Sabrina Mazo D’Affonseca Prof. Edson de Souza (Soiza) Prof. Mário Pontieri Bianca Rosa Luiza Martins Prof. Eduardo Furlan Prof. Thalita Arthur Contato: www.interativo.com.br Interativo: Unidade 1 – Rua Major José Inácio, 1661 Tel. 33075005 - Tel. 33721019


Folha Interativo - ANO I

ESPAÇO VESTIBULAR Sabor, Aroma e dor têm tudo a ver com a química. Sabia? Não, então descubra como as ligações químicas estão presentes em todos os nossos sentidos! “Várias moléculas agem como estimulantes de sabor, odor e dor. Há uma relação muito íntima entre aroma e emoção. As moléculas podem nos surpreender, conduzindo-nos a uma lembrança ou a um estado de espírito, podem intensificar o prazer ao saborear um jantar ou encontrar uma pessoa.”

Sabor, Aroma e Dor * por Edson de Souza (o Soiza)

Todas as sensações são químicas, em última análise, porque toda atividade nervosa em nosso cérebro depende do transporte de moléculas e íons de um local para outro, bem como das reações de que eles participam. A percepção do mundo externo envolve moléculas que atuam como mensageiras. Essa percepção está envolvida no paladar, cujos sensores estão na língua; no olfato, cujos sensores situam-se no nariz; e em algumas variedades de dor, nas quais os receptores estão na pele e nos órgãos internos do corpo. Várias moléculas agem como estimulantes de sabor, odor e dor. Há uma relação muito íntima entre aroma e emoção. As moléculas podem nos surpreender, conduzindo-nos a uma lembrança ou a um estado de espírito, podem intensificar o prazer ao saborear um jantar ou encontrar uma pessoa. Sabor e aroma são exemplos de quimiorrecepção. Na boca dos humanos, quimiorreceptores localizam-se principalmente na língua, que contem papilas gustativas, constituídas por células epiteliais e terminais nervosos responsáveis por sentirmos os quatro sabores básicos: salgado, doce, ácido e amargo. Moléculas que evocam o sabor são chamadas de saporíferas (do latim sapere, que significa “provar”). Um critério de sapidez é a solubilidade, porque uma substância deve dissolver-se em água antes de poder penetrar nos sensores de sabor. A acidez deve-se à presença de íons hidrogênio (H+) livres que são liberados por ácidos como o acético do vinagre, o fosfórico adicionado a alguns refrigerantes para acentuar seu sabor e o carbônico da água com gás. O amargor é frequentemente associado à presença de compostos orgânicos de nitrogênio conhecidos como alcalóides, frequentes nas plantas que produzem flores. Muitos destes alcalóides (que incluem a estricnina, nicotina e cafeína) são venenosos e a capacidade de detectá-los pelo sabor pode ter ocorrido como uma adaptação para a sobrevivência.Algumas substâncias são detectadas tanto pelos receptores de doçura, como de amargor, evocando ambos os sabores. Uma dessas moléculas é conhecida como “agridoce”. O sabor de um alimento é uma resposta combinada a dois sentidos químicos: o paladar e o olfato. O olfato é o mais sensível dos sentidos e o maior contribuinte para a percepção do sabor. O fato de uma molécula ter ou não odor, depende da sua capacidade de excitar os terminais dos nervos do olfato no nariz. O óleo essencial de uma planta, por exemplo, é a essência da sua fragrância e é usado principalmente para fazer perfumes, mas também serve para aromatizar alimentos. Os animais têm um rico sistema de sinalização química, no qual substâncias chamadas feromônios são emitidas por um e causam respostas em outro. Quente temperado e frio são sensações obtidas por estímulo químico da dor. Lembremos, contudo, que há dois tipos de dor conduzida pelos receptores nervosos, dor rápida e dor lenta. A primeira é uma resposta a ferimentos e é frequentemente muito bem localizada. A segunda é normalmente uma sensação menos nítida, de localização difusa. Em resposta aos sinais da dor, o cérebro pode secretar seus próprios analgésicos, as endorfinas e encefalinas . Ambos são polipeptídeos que afetam a transmissão de sinais nervosos. Além disso, há receptores que respondem à estimulação térmica. Esses podem ser essencialmente de dois tipos: um que responde ao calor e outro ao frio; sendo os últimos, dez vezes mais numerosos que os primeiros.

o autor é professor de Química do Colégio Interativo. Fonte para adaptação: MOLÉCULAS – P.W.Atkins

leia e asssine o melhor 16 - 3373-7373 Página 3


Folha Interativo - ANO I

ESPAÇO VESTIBULAR

Cronica:

E o prêmio Nostradamus de previsões vai para...

“O mundo de cada pessoa é muito pequeno. Os livros são a porta para um mundo grande”

* Por Reginaldo Nanni

Na primeira edição deste periódico comentei ser de uma sorte extraordinária a nossa geração vivenciar esse empolgante período em que estamos passando da ignorância ao conhecimento, das perguntas às respostas. Tenho uma admiração especial pela literatura de ficção científica, desde os tempos de adolescência, especialmente porque me fascinavam as narrativas que refletiam o entusiasmo dos autores em relação à tecnologia disponível na época ou a sensibilidade dos mesmos face aos aspectos sociais decorrentes do cenário científico sobre os indivíduos. Acredito que o sucesso dos autores clássicos de ficção científica se deu, especialmente, pelo conteúdo profético de suas obras. Para citar alguns deles, o francês Julio Verne (1828-1905), por exemplo, em suas viagens fantásticas nas obras Da Terra à Lua e Vinte Mil Léguas Submarinas - em máquinas banais para o século 21 -, estimularam milhares de leitores, vindo a tornarem realidades pouco tempo depois. Já o inglês H.G. Wells (1866-1946), com A Ilha do Doutor Moreau anteviu experimentos atualíssimos como os da engenharia genética ou da bioengenharia de órgãos. O Admirável Mundo Novo, livro escrito em 1932, pelo também inglês Aldous Huxley (18941963) descreve convincentemente a tecnologia empregada para gerar as castas da sociedade que, aliás, usam em suas incubadoras, dispositivos similares aos métodos dos modernos laboratórios de biologia celular. Descreveu, ainda, o processo pelo qual até 96 gêmeos podem ser produzidos a partir de um só óvulo fertilizado! Seria a produção em massa de seres humanos idênticos? Ah! Eu não entendo muito de psicologia, mas não vamos esquecer do escocês Robert Louis Stevenson (1850-1894), que, com O Médico e o Monstro, pareceme que foi decididamente precursor da psicanálise freudiana. Mas o prêmio Nostradamus de previsões vai para... 1984. Lançado por George Orwell, pseudônimo de Eric Arthur Blair (19031950), inglês nascido na Índia, a obra também pode ser incluída na lista. Doente, lutou contra o tempo para, em 1948, colocar no papel a sua visão de mundo. Ainda que tenha sido muito mais um cronista de governos totalitaristas do que propriamente um visionário, 1984, assim prefaciado, caracteriza-se como uma metáfora sobre o poder e as sociedades modernas do mundo que estamos inexoravelmente construindo. Invasão de privacidade, avanços tecnológicos que propiciam o controle total dos indivíduos, destruição ou manipulação da memória histórica dos povos e guerras para assegurar a paz, já fazem parte da realidade, muito bem antevisto em 1984. Ele descreveu em seu livro, por exemplo, como “teletelas” permitiam que o chefe supremo do Partido, o Grande Irmão, o Big Brother no original inglês, vigiasse os indivíduos e mantivesse um sistema político coeso. Familiar isso, não? A propósito, eu recomendo a leitura (1984 – George Orwell, Companhia Editora Nacional). Obras de ficção científica como essa e a própria história da ciência estão repletas de tais situações. Quem sabe o leitor gostaria de contribuir com outros exemplos. Reginaldo Nanni Licenciado em Ciências Exatas – Hab. Química e Física Universidade de São Paulo – USP São Carlos (reginaldonanni@yahoo.com.br)

Nota do autor: George Orwell é também autor do Best-seller Animal Farm traduzido para o português como A Revolução dos Bichos, obra na qual critica as supostas revoluções populares e propõe a ideia de que “para transformar um liberal em conservador, dê-lhe o poder e para transformar um conservador em liberal, tire-lhe o poder”. No livro, o autor eternizou a preconceituosa lei da igualdade entre os animais: “todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais do que os outros.” Página 4

Como ensinar Se eu fosse ensinar a uma criança a arte de jardinagem, não começaria com as lições das pás, enxadas e tesouras de podar. Eu a levaria a passear por parques e jardins, mostraria flores e árvores, falaria sobre as suas maravilhosas simetrias e perfumes; a levaria a uma livraria para que ela visse nos livros de arte, jardins de outras partes do mundo. Aí, seduzida pela beleza dos jardins, ela me pediria para ensinar-lhe as lições das pás, enxadas e começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria sobre instrumentos que fazem a música. Ai encantada com a beleza da música, não ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes. Se fosse ensinar a uma criança a arte da leitura, não começaria com as letras e as sílabas. Simplesmente leria estórias mais fascinantes que a fariam entrar no mundo encantado da fantasia. Aí então, com inveja dos meus poderes mágicos, ela desejaria que eu ensinasse o segredo que transforma letras e sílabas em estórias. É muito simples. O mundo de cada pessoa é muito pequeno. Os livros são a porta para um mundo grande. Pela leitura vivemos experiências que não foram nossas e então elas passam a ser nossas. Lemos estórias de um grande amor e experimentamos as alegrias e dores de um grande amor. Lemos estórias de batalhas e nos tornamos guerreiros de espada na mão, sem os perigos das batalhas de verdade. Viajamos para o passado e nos tornamos contemporâneos dos dinossauros. Viajamos para o futuro e nos transportamos para mundos que não existem ainda. Lemos as biografias de pessoas extraordinárias que lutaram por causas bonitas e nos tornamos seus companheiros de lutas. Lendo, fazemos turismo sem sair do lugar. E isso é muito bom. Rubem Alves, no livro Ostra feliz não faz pérola, Editora Planeta.


Folha Interativo - ANO I

Crônica:

sugestionado por tudo isso porque esse é o mundo que entra pelos seus olhos e fica retido na sua mente para sempre.

“A Arte livra o Homem dessa sina desumana. A Arte não sacrifica o homem, não atrela o homem, não reduz o homem, ao contrário, liberta-o, salva-o, embala-o, faz brotar nele o que ele tem de mais humano, faz aflorar sua ternura, faz ver-se a sua própria pequenez, não para ridicularizá-lo, mas mas elevá-lo do chão às nuvens.”

Quantos jovens fizeram sua juventude vibrando excitantemente aos passos de Michael Jackson? Quantos jovens casais foram retratados pela música da Jovem Guarda e, ao depois, foram embalados pela voz romântica de Roberto Carlos e que hoje ainda limitam seus sentimentos pelos contornos de seu canto? Quanto domingo santificado pelas arrancadas de Ronaldo e arquivados na memória dos amantes do futebol? Quantos fãs de Daniel não sonharam tê-lo como filho, como namorado, como amante, como amigo? E isso, meu amigo, isso é a Vida. A Vida, leitores amigos, é feita de Arte porque fora da Arte existe muito pouco. Fora da Arte existe o comer, o dormir, o procriar.

Michael Jackson, Roberto Carlos, Ronaldo... * Por Gésner Batista

O próprio filósofo Arthur Schopenhauer, tido como o mais pessimista de todos os filósofos, dizia que a arte é o momento único de felicidade e beleza para o homem. É o momento da sublimação, o momento em que o homem abandona (não esquece) toda a infelicidade que é a vida e, por um momento, vê a Vida de forma diferente e compensadora. Por quê? Porque a Arte não traz nenhum sentido além do Belo, da elevação do Homem. Tirando a Arte, o que resta do homem? Baixar a cabeça e seguir a manada, tendo o cuidado para não ser atropelado, mas, se possível, atropelar. Como diz o outro, "matar um leão por dia" para, no fim do dia, pensar em fazer o mesmo no dia seguinte. A Arte livra o Homem dessa sina desumana. A Arte não sacrifica o homem, não atrela o homem, não reduz o homem, ao contrário, liberta-o, salva-o, embala-o, faz brotar nele o que ele tem de mais humano, faz aflorar sua ternura, faz ver-se a sua própria pequenez, não para ridicularizá-lo, mas elevá-lo do chão às nuvens. Quanto valem "Os lusíadas"? Toda a Nação Portuguesa! Portugal não seria Portugal tal como é, não fosse Camões e sua obra imorredoura. Quanto vale o teto da Capela Sistina? A obra que demorou quatorze anos para ser concluída vale toda a Itália de Michelangelo. Que seria da Itália sem Michelangelo, Da Vinci, Rafael? "Poverella Italia piccolina" no dizer do cantor do meu tempo, Nicola Paone... Deixe-me dizer mais, que seria da Espanha sem Cervantes e seu Rocinante e sua Dulcinéia e seu fiel Sancho Pança? Da Inglaterra sem Shakespeare? Vejamos agora: se você nunca leu Os lusíadas, nunca viu o teto na Capela Sistina, a arte de Michelangelo, não viu Monalisa de Da Vinci, não viu Transfiguração de Rafael, não leu Dom Quixote de Cervantes, nem Hamlet de Shakespeare, nem viu a escultura de O Pensador ou O Beijo de Rodin, nem Os Profetas de Aleijadinho, ou mesmo nunca ouviuThriller de Michael Jackson, ou Emoções de Roberto Carlos, ou nem mesmo Transfiguração, de Rafael viu um drible seguido de um gol com requintes de arte de Ronaldo Fenômeno, nem nunca assistiu lá atrás a postura de bailarino do futebol, na elegância e presteza de um Ademir da Guia, ou ainda um gol olímpico de Marcelinho Carioca, então, meu amigo, qual a diferença? Nenhuma - que a vida quem tem que ganhar, sou eu e isso não enche barriga? Nenhuma - que isso é coisa que não tem nenhum valor na luta brava pela vida? Ledo engano, caríssimo leitor. Você não sabe o quanto isso está entranhado no seu dia-a-dia! Se você é leitor deste jornal e ora está lendo esta crônica, isso já revela o seu desempenho diante da comunicação. Se você lê nossa Tribuna, você vê TV e ouve rádio, sem querer, você é

É sabido que a grande maioria dos artistas antigos, apesar de doarem sua vida pela arte e para o mundo, morreram terrivelmente pobres Camões enviava seu escravo abnegado pelas ruas a mendigar comida para que pudesse sobreviver - e isso depois de dar uma pátria digna aos portugueses. E agora, nós, baseando-nos no senso comum, dizemos que esses artistas ganham muito dinheiro, que são drogados, que são irresponsáveis, que põem a juventude a perder-se, que... Ora, meus leitores (que conseguiram chegar até aqui), todo o dinheiro que ganham não paga o que eles representam para nós, pobres mortais. Nem é com dinheiro que se paga uma música de Roberto, um passo de Michael, um passe de Ronaldo, um gesto das esculturas de Aleijadinho, um cenho carregado de Baruc, uma mão direita enérgica de Ezequiel ou a esquerda delicadamente segurando o pergaminho revelador, ou qualquer traço de um dos doze profetas da Capela de São Bom Jesus dos Matosinhos em Minas e no Mundo (a propósito é sabido que Aleijadinho morreu completamente pobre e indefeso diante da implacável lepra...). Que dinheiro pagaria um anjo barroco dele? Um verso de Pessoa, como "Quando chegar o outono/ com o inverno que há nele...", ou um verso de Vinícius " mas que seja infinito enquanto dure."? Quanto sertanejo, sentado na soleira da porta do seu casebre não sonhou tanta Vida levado pelos acordes de Tonico e Tinoco domingo à tarde até que a mancha vermelha do sol fosse sendo devagarinho engolida pela noite? Isso é a Vida, caríssimos leitores! Não se paga a Vida com dinheiro. Não se paga com dinheiro quem nos trouxe a Vida porque amanhã nós a viveremos e morreremos com ela, a Vida, dentro de nós. Quando plantamos uma roseira ou temos um filho, não o fazemos para nós apenas - e sim para o mundo. Quando o Prof. Morrinho levanta cedo, viaja para as cidades em que leciona, planta suas raízes no chão das almas de seus alunos, olha para o verde que vai emoldurando o novo dia a ser vencido, ele não pensa no Palmeiras, não. Seu coração está batendo satisfeito pelos seus artistas do Esporte Clube Corinthians - e como eles ajudam a Vida a valer a pena! o autor é professor de Literatura do colégio Interativo.

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Folha Interativo - ANO I

Entrevista: professor Henry Jenkins. Friends, Two and a half men, Heroes e Lost. Quem nunca ouviu falar em uma dessas séries mesmo sem tê-las assistido que atire a primeira pedra. Fãs em todo mundo difundiram as imagens da TV para outra mídias e começaram a dialogar e a criar histórias sobre essas e outras séries e filmes criando um novo tipo de aficionado, o fan-fic, ou seja, aquele fã que faz parte da ficção, aquele que ajuda a criá-la. A revista Super interessante, em sua edição de março/09 traz uma entrevista com o professor Henry Jenkins, um especialista em mistura de mídias que criou um termo para esse novo fenômeno: cultura de convergência. Abaixo, alguns trechos da reportagem e da entrevista da Revista com o professor Jenkins. Quem é fã de algum seriado de TV já sentiu um aperto no coração ao fim de um novo episódio. O que vai acontecer com o Sawyer? Quem são os outros? Algum tempo atrás, você teria de se contentar com as conversas no cafezinho e roer as unhas por uma semana até descobri. Mas, como esta é a era da internet, dá pra discutir a trama em fóruns online, baixar fotos dos próximos capítulos no celular ou até distribuir histórias que você mesmo escreveu com os personagens da série para qualquer um ler. E tem tanta gente fazendo isso que os produtores de seriados – e os produtores de todo tipo de informação – começaram a prestar atenção no movimento. Entramos no que Henry Jenkins, professor de estudos de mídia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT, chama de cultura da convergência, na qual os consumidores participam cada vez mais da produção e da difusão de informação. Segundo Jenkins, as produtoras de séries, filmes e livros já estão descobrindo com o tirar benefício dessa tendência. Perceberam que podem ganhar audiência ao contar suas tramas em vários tipos de mídia – daí o nome convergência – e estimular a participação do público. Mas há quem diga que a interferência dos fãs é exagerada, a ponto de ferir direitos autorais. O que é a cultura da convergência É vivermos em um mundo em que toda história que é contada a alguém passa por diversos veículos, como TV, cinema, celular, internet, videogames. E em que o fluxo dessa história é moldado tanto por decisões tomadas pelas companhias que produziram o conteúdo quanto pelos indivíduos que o recebem. Como isso funciona na prática? O conteúdo idealizado pelo produtor é hoje só uma parte do processo, e não o principal. Se você criar um programa de TV, você sabe que ele vai ser reeditado e redistribuído pela internet, que as pessoas vão falar sobre isso em fóruns de fãs, vão escrever elas próprias novas histórias em cima da trama. O conteúdo original se tornou apenas o pontapé inicial, a partir do qual o consumidor irá criar novas experiências. E isso não representa, necessariamente, um dano à história que deu origem a essa cadeia – na verdade, sem esse processo, ela pararia de ser difundida e morreria. Assim funciona a nova cultura participativa. Como os produtores de conteúdo, como estúdios que fazem séries para a TV e filmes, estão encarando essa mudança? Eles estão tendo que se adaptar. O foco agora está em histórias Página 6

contadas por vários tipos de veículo, conhecidas como transmidiáticas – em cada mídia diferente, a história ganha uma nova camada, que nos conta algo que não saberíamos assistindo ao programa de TV, por exemplo. Na internet, podemos descobrir o que aconteceu antes ou após o episódio, ou o ponto de vista específico de um dos personagens. Outras informações podem estar em conteúdo para celular, quadrinhos... Isso gera um envolvimento maior com a história, porque queremos nos aprofundar, descobrir curiosidades e desvendar mistérios quando nos interessamos por uma trama. Qual é o melhor exemplo dessa tendência? A série Lost. Desde o começo, o programa já previa a difusão da sua trama por várias plataformas. Não por coincidência, essa é considerada a série mais famosa da última década. Nos EUA, Lost é um livro, é um game que pode ser jogado em rede, está em episódios para celular. Se você apenas assistir à série, você vai consumir pouco do que Lost realmente é. Outro exemplo de sucesso seria American Idol, que estimula as pessoas a buscar informações online e votar nos competidores por telefone. Mas os fãs estão indo além dessa participação encorajada. Alguns escrevem suas próprias histórias com base em personagens de tramas já existentes, uma prática chamada de fan-fiction. Essa é a principal característica da cultura participativa. Se sabemos que nossa série preferida vai acabar, não nos contentamos em mandar uma carta para a emissora e torcer para que o programa não saia do ar. Hoje vemos fãs de Jornada nas Estrelas fazendo seus próprios episódios da série e colocando na internet. [Na TV, a trama de Jornada nas Estrelas deixou de ser exibida em 2005.] Alguns membros do elenco original chegam a trabalhar junto com atores amadores para produzir os episódios. Com isso, essas pessoas acabam perpetuando a série, o que é bom tanto para os fãs quanto para a marca. E quanto aos produtores contrários a esse tipo de participação? Eles já até fecharam sites de fãs. A postura de defesa dos direitos autorais terá de mudar. Hoje, consumir é combinar conteúdos diferentes. Elas não podem impedir um fã de fazer algo com o que produziram. Mas a indústria está se mostrando cada vez mais interessada em abrir o uso de seus direitos autorias para que fãs criem seus próprios conteúdos. Em alguns casos, já aconteceu. A indústria começou a perceber que essa participação fortalece suas marcas e o vínculo delas com o público. Até mesmo os spoilers (“estraga-prazeres”, que descobrem segredos das séries e divulgam na internet) podem contribuir de alguma forma para o sucesso de um seriado? Podem. Essa prática de revelar curiosidades e mistérios de séries é uma maneira de intensificar a relação de fãs com um programa. Faz com que o público continue assistindo e comentando – o que atrai mais uma legião de espectadores. Portanto, é uma forma de prorrogar a vida série. Você pode até não gostar dos spoilers, mas eles aumentam seu envolvimento com seu programa preferido e conectam pessoas que possuem interesses comuns. Qual indústria vai ser mais afetada ou mesmo destruída pela cultura da convergência? Na verdade, acho que não podemos falar na extinção de uma indústria em si, e sim do modelo em que as mídias diferentes ficam completamente separadas umas das outras. Se a cultura da convergência continuar se desenvolvendo como está hoje, em uma década não vamos ter uma empresa que produza conteúdo para TV, outra para jornal, outra para rádio. Vamos ver apenas grandes indústrias de mídia, que deverão englobar tudo isso.


O que vai acontecer com os produtores que não seguirem a tendência e continuarem fazendo filmes simplesmente como filmes, por exemplo? Eu acho que ainda teremos filmes apenas como filmes e programas de TV como simples programas de TV. Mas, à medida que eles fizerem sucesso, passarão a sofrer pressões de mercado e do público para que se desenvolvam em outras plataformas de mídia. Até porque as pessoas poderão assistir a qualquer programa televisivo no celular, na internet o em novas plataformas que surgirem. Por que a pressão do público começou agora? O que impulsionou a vontade de participação das pessoas, nos últimos anos, foi o avanço da tecnologia. A internet absorveu ferramentas das mídias tradicionais [como programas de edição de vídeo e áudio] e também nos permitiu compartilhar tudo com outras pessoas. Assim, podemos escrever histórias, compor músicas, publicar fotos e receber a contribuição de outros internautas. Mas, na verdade, a confusão entre quem é produtor e quem é consumidor sempre existiu, por causa do interesse do público. As décadas de 1960 e 1970 contribuíram muito para isso, porque naquela época as pessoas começaram a imprimir seus próprios fanzines, graças a fotocopiadora. A participação é importante para o consumidor? Significa uma mudança de comportamento. Antes, éramos convidados a apenas receber as informações que a TV ou o jornal nos davam. Com as novas tecnologias, podemos produzir e participar. Isso muda nossa vida, porque a comunicação está em tudo o que fazemos. Se queremos acompanhar a rotina de nossos filhos enquanto trabalhamos, podemos receber um vídeo deles brincando pelo celular, por exemplo – ou seja, produzimos conteúdo no nosso dia-a-dia. Também mudou o modo pelo qual escolhemos candidatos políticos. Veja o caso do presidente dos EUA acabar de eleger. A campanha de Barack Obama usou todas a mídias possíveis, de YouTube a videogames. Então, quando um cara digital como o Obama ganha de outro como John MacCain, que nunca usou a Internet, vemos essa mudança.

Folha Interativo - ANO I Que tipo de consumidor seremos no futuro? Não podemos prever isso. E esse, aliás, é um ponto interessante. Há dois anos, enquanto eu escrevia o livro Cultura da Convergência [lançado em outubro de 2008 no Brasil], o Second Life estava apenas começando, o YouTube ainda dava seus primeiros passos, a web 2.0 era embrionária e a distribuição digital de conteúdo televisivo praticamente nem existia. Essas são mudanças que aconteceram em apenas 2 ou 3 anos, mas eu não pude prevê-las. Na verdade, é difícil imaginar como vamos mudar nossa relação com as mídias até em um futuro curto. O que posso dizer é que os diferentes tipos de mídias vão se integrar ainda mais, e nós vamos continuar a consumir, produzir e participar. Podemos dizer, portanto, que estamos assistindo à democratização da cultura? É possível que sim. Eu diria que uma sociedade que tem uma cultura participativa é uma sociedade em que, possivelmente, as pessoas são mais incentivadas a falar e a trocar ideias umas com as outras. E essa combinação é o que promove um impulso democrático. Não é a tecnologia que faz isso acontecer, e sim a cultura em torno dessa tecnologia. Uma sociedade em que você pode colocar seus pensamentos na rede e ter acesso a ideias de outras pessoas cria um enorme potencial para o avanço da democracia. (Adaptado da Revista Superinteressante de abril de 2009

SITES LEGAIS

Galera, o fim do ano se aproxima e vencer o cansaço é, muitas vezes, sair da rotina. Mas pintura, atualidades e arte em geral vêm por aí no ENEM e nos novos vestibulares. Então, que tal quebrar os hábitos? Conhecendo um pouco mais sobre esses assuntos e outras variedades através da internet. Aproveite as dicas de sites legais desta edição da Folha Interativo. http://www.pinacoteca.org.br http://www.museulinguaportuguesa.org.br http://www.masp.art.br http://www.arquivoestado.sp.gov.br/revistas http://www.mixjogos.com.br http://www.puxando.com.br http://www.humordomo.com http://www.amigosdolivro.com.br http://letras10.com.br http://www.webcine.com.br http://memoriaviva.digi.com.br

Marechal Deodoro, 2270 – 33710114 – email: fisksaocarlos@terra.com.br Página 7


Folha Interativo - ANO I

Olimpíadas de matemática Quadro de Medalhas do Interativo

* Por Eduardo Furlan

Nesse ano de 2009, o Colégio Interativo completa cinco anos de participações em Olimpíadas de Matemática. Desde 2005 os alunos do Ensino Médio recebem preparação para essas competições. São aulas semanais desde o início do ano no período da tarde. Nessas aulas, são trabalhados os assuntos pertinentes às competições olímpicas, com teoria e exercícios apostilados. O Interativo participou nesses últimos anos da OBM (Olimpíada Brasileira de Matemática), OPM (Olimpíada Paulista de Matemática), OSCM (Olimpíada São Carlense de Matemática), OMU (Olimpíada da UNICAMP), ORMUB (Olimpíada da UNESP de Bauru) e, para esse ano, a ORMRP (Olimpíada Regional de Ribeirão Preto). Muitas foram as premiações. Os alunos do Interativo conquistaram, nesse período, quatro medalhas de Ouro, seis medalhas de Prata, cinco medalhas de Bronze e cinco Menções Honrosas, além de um 4º Lugar na Olimpíada da UNICAMP, um 5º Lugar na Olimpíada da UNESP, dois alunos finalistas da OBM, ou seja, qualificados entre os melhores do país, doze finalistas da OPM e o troféu de campeão da 1ª OSCM em 2006. Dentre todas essas conquistas destacamos as mais recentes: Menção Honrosa para a aluna Bruna Fernanda Batistão e medalha de Prata para o aluno Rafael Massahiro Sairo, ambas na 4ª OSCM. Para este ano, o Colégio Interativo ainda compete nas olimpíadas de Ribeirão Preto, Bauru, Paulista e Brasileira, buscando assim, aumentar nosso quadro de medalhas.

Parabéns alunos! Estamos orgulhosos de vocês! o autor é professor de Matemática do Colégio Interativo São Carlos e Araraquara.

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“Truco” também é cultura? Por Rafael Fernando Pascualon e Gerusa Ferreira Lourenço

Ninguém sabe com precisão quando ou quem inventou o baralho. Sabemos apenas que não há ninguém (ou pelo menos quase ninguém) que nunca tenha se interessado por um jogo de cartas. Da mera paciência até jogos valendo milhões, o importante é a estratégia e o conhecimento do real do poder de cada carta. Seguindo alguns caminhos de buscas pela internet, podemos encontrar histórias sobre sua criação na China, sua chegada à Europa durante o século XIV, inclusive com a ideia de representar classes econômicas e sociais na França (copas o clero, espadas a nobreza, paus os camponeses e ouro a burguesia). Especulações à parte, talvez a informação mais interessante que podemos encontrar (e realmente observar em um simples baralho de R$ 1,99) são as correlações das figuras com personagens históricos e bíblicos. Rei de Ouros - Júlio César, geralmente portando um machado que simboliza as legiões romanas Rei de Espadas - o Rei israelita Davi Rei de Copas - o Rei Carlos Magno Rei de Paus - Alexandre, o Grande Dama de Ouros - Raquel, filha de Labão e uma das esposas de Jacó, neto de Abraão Dama de Espadas - A deusa grega Atena Dama de Copas - Judite, personagem bíblica Dama de Paus - Elizabeth I de Inglaterra Valete de Ouros - Heitor, príncipe e herói de Tróia Valete de Espadas - Hogier, primo de Carlos Magno Valete de Copas - La Hire, cavaleiro que lutou com Joana D'Arc Valete de Paus - Sir Lancelot Muita imaginação de alguns ou personagens realmente semelhantes? Sem sabermos ao certo quem começou com essa “papagaiada”, fica o convite a todos para buscarem mais informações sobre o assunto.


Bang! Bang! Você morreu Direção de Guy Ferland EUA, 2002 Duração de 93 minutos

CINEMANIA

Folha Interativo - ANO I

A famosa peça de Mastrosimone imortaliza-se neste bom filme de 2002. Bullying e violência dentro das escolas são os objetos de discussão e os temas centrais da peça e consequentemente desta produção estadunidense dirigida por Guy Ferland Trevor é um excelente aluno que, ao ver-se violentado emocionalmente por colegas de escolas, busca na violência e isolamento sua saída. O filme nos leva a lembrar de produções como Tiros em Columbine do documentarista Michael Moore e Elefante, de Gus Van Saint que já abordaram o tema da violência dentro das escolas nos EUA. A interpretação do jovem ator Ben Foster no papel do protagonista é destaque neste drama que dura aproximadamente 93 minutos. Bang! Bang! Você morreu é inquietante e nos faz refletir sobre nossas posturas preconceituosas e sobre atitudes que podem parecer despretensiosas

O Cinemania desta edição traz dois sucessos do cinema contemporâneo. Control, produção de 2007, passeia pela Inglaterra da década de 70 e nos apresenta a juventude operária e marginal que criaria o movimento punk inglês através da conturbada vida de Ian Curtis, líder da banda Joy Division. Já Bang! Bang! Você morreu discute o bullying, os limites e preconceitos entre os estudantes de uma high school estadunidense. Control

Direção de Anton Cobjin Inglaterra/EUA/Austrália/Japão 2007 Duração de 121 minutos

Inglaterra, meados da década de 70. Dos bairros operários surge o maior movimento de música e de comportamento dos últimos 40 anos: o punk. Dentro das bandas de garotos que pregavam a anarquia e faziam uma música simples e rítmica, estava o Joy Division que, sob liderança do genial Ian Curtis, marcaria seu nome na história do rock mundial. Ela perdeu o controle, nós todos perdemos o controle, assim dizia a música que encarna o filme Control, do diretor holandês Anton Corbijn e que narra a vida conturbada do líder e vocalista da banda Ian Curtis. Inteiro em preto e branco, o filme descreve as nuances de um jovem sem grandes perspectivas que fez de seus poucos anos de vida uma obra para a posteridade do rock. Control nos mostra um Ian perturbado e angustiado com o casamento prematuro, suas relações com a banda e a excessiva exposição ao público e a mídia culminando com sua morte em 1980. A trilha sonora passeia por Bob Dylan e David Bowie, além de poetas marginais das ruas inglesas da década de 70. Control é baseado no Best-seller Touching from a Distance de Deborah Curtis, viúva de Ian. O filme, de 2007, foi aclamado em Cannes e é uma produção conjunta de Inglaterra/EUA/Austrália e Japão. Simplesmente imperdível!

IMAGENS DO CINEMA

O ator Peter Lorre, na pele do assassino Hans Beckert, em M. o vampiro de Dusseldorf, de 1931, primeiro filme falado do diretor Fritz Lang, momento singular do expressionismo alemão.

www.video21.com.br Que a Vídeo 21 é a melhor vídeo locadora da região, contando com um acervo diferenciado que inclui cinema asiático, europeu e títulos especiais, além de todos os lançamentos de Hollywood, você já sabe. Agora, que tal conhecer também o site da vídeo 21? Artigos sobre cinema, jogos, novidades, lazer, cultura, diversão, filmes em destaque e, para você que tem mais de 60, informe-se sobre as vantagens de ser cliente da melhor locadora de vídeos da região. É só entrar: www.video21.com.br

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Folha Interativo - ANO I

é nóis na foto mUITOS EVENTOS MARCARAM O iNTERATIVO NESSES NOVE MESES DE 2009 - aULAS ESPECIAIS. EXCURSÕES CULTURAIS, APROVAÇÕES AOS MONTES....... cONFIRA ALGUNS CLIQUES DESSES EVENTOS.

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Folha Interativo - ANO I

O Dadaísmo

And the Blues began!

Por Mário Pontieri

O movimento Dadá (Dada) ou Dadaísmo foi uma vanguarda moderna iniciada na Alemanha e que se espalhou por toda a Europa durante a primeira metade do século XIX pelas mãos de um grupo de escritores e artistas plásticos, dentre os quais estava o idealizador do movimento, Tristan Tzara. Embora a palavra dada em francês signifique cavalo de brinquedo, sua utilização marca o non-sense, ou falta de sentido, que pode ter a linguagem (como na língua de um bebê). Dada pode significar a arte do nada. Para reforçar esta idéia foi criado o mito de que o nome foi escolhido aleatoriamente, abrindose uma página de um dicionário e inserindose um estilete sobre a mesma. Isso foi feito para simbolizar o caráter anti-racional do movimento, claramente contrário à Primeira Guerra Mundial. A idéia, assim como a de todos os outros movimentos vanguardistas da época, é defender a liberdade criativa como fonte inspiradora da arte, quebrando assim todos os paradigmas artísticos, até então muito respeitados. O poema dadaísta abaixo foi criado pela aluna Bianca Rosa, do segundo ano do Ensino Médio do Interativo Pirassununga. Inspirada pela essência da arte moderna, Bianca produziu um belo poema que mostra bem a confusão de palavras do dadaísmo, que denuncia o interior de nós mesmos, pessoas contraditórias e confusas, sobreviventes de um mundo ainda mais complexo. o autor é professor do Colégio Interativo.

* Por Glauco Keller Villas Boas

The origin of blues is not unlike the origins of life. For many years it was recorded only by memory, and relayed only live, and in person. The Blues were born in the North Mississippi Delta following the Civil War. Influenced by African roots, field hollers, ballads, church music and rhythmic dance tunes called jumpups evolved into some music for a singer who would engage in call-andresponse with his guitar. It could be compared with a rap (rhythm and poetry). He would sing a line, and the guitar would answer. The origin of the word “blues” itself, however, brings two intriguing explanations. One says the name was given due to the color of the people who used to sing it, blacks, often called blues in the south of the United States. The other refers to the melancholic rhythm of its songs, which always took its listeners to have feelings of sadness or sorrow. This theory reaffirms the idea the first bluesmen were, indeed, African slaves who could not talk during work without being punished and started then singing their conversations. The Blues... its 12-bar, bent-note melody is the anthem of a race, bonding itself together with cries of shared self victimization. Bad luck and trouble are always present in the Blues, and always the result of others, pressing upon unfortunate and down trodden poor souls, yearning to be free from life’s troubles. Relentless rhythms repeat the chants of sorrow, and the pity of a lost soul many times over. This is the Blues. The most traditional American rhythm, one of the frames of the rock `n `roll. Some famous American bluesmen are Willie Dixon, Robert Johnson, Arthur “Big Boy” Crudup, John Lee Hooker, B.B. King, Howlin’ Wolf and Muddy Waters. Some famous American Blues Queens are Gertrude Rainey, Bessie Smith and Victoria Spivey. o autor é professor do Colégio Intertivo

Você conhece a MultFisio? Fisioterapia convencional através de massagem Laser e ultra-som para recuperação de lesões Avaliação e preparação física Personal Trainer RPG Massagem Estética Treinamento para futebol (fundamentos de passe, movimentação e condicionamento) “Seu corpo é seu maior patrimônio, por isso cuidamos bem dele!” Página 12

Daniel M. Franco Fisioterapeuta proprietário da Mult Fisio. Mult Fisio Rua Bernardino de Campos, 851 - Vila Prado. Tel. 33724508 / 97627273


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login O que é QR CODE?????? O QR Code (ou Código de Barras em 2D) é uma matriz ou código de desenvolvido pela japonesa Denso-Wave em 1994, o código de barras em 2D é como uma matriz bi-dimensional com o mesmo princípio do código de barras. Pode ser interpretado pela maioria dos aparelhos celulares, mesmo com câmeras de baixa resolução. Febre no Japão desde de 2001, mas existe desde a década de 1990, paralelo ao código de barras que se espalhava pelo Brasil. Muitos o veem como a ponte entre o mundo real e o virtual, gerando inúmeras possibilidades, ato chamado de hardlink. O uso do sistema começou nos EUA na manhã de 26 de junho (às 08h01 am) de 1974, com um cliente que comprou um pacote com 10 chicletes Wrigley. - Esta embalagem ficou famosa e hoje está exposta no Museu Nacional da História Americana do Instituto Smithsonian. O código de matriz QR Code, tem sua capacidade ampliada freqüentemente, mas uma das funções mais “adoradas” é o acesso a endereços de sites tirando apenas uma foto com o seu celular. “Yep!”, isso mesmo. O usuário está lendo uma revista, acha um anúncio interessante que, no final da página geralmente, vem com um QR Code. Ele tira uma foto do código e um programa interpreta automaticamente o registro e redireciona o usuário para o site do anunciante.

No código acima está escrito: “COLÉGIO INTERATIVO - VIII INTERAFEC O código pode guardar vários tipos de informações, desde o preço das mercadorias, que é o uso mais comum, até endereços de sites, e-mails, telefones e mesmo trechos de texto e tem até gente montando aquelas imagens bacanas de caracteres ASCII. Já que esta codificação pode armazenar de 12 a 100 vezes mais que o código de barras tradicional. Tem gosto para tudo, camisetas, gravatas, adesivos, imagens em blogs, com a API do Google, assinaturas de e-mails, nos aparelhos móveis e celulares. O QR Code Generator, pode ajudá-lo na criação do seu código, usando o PC e para dispositivos mobile tem o Quickmark QR Code. É muito simples e prático. Com certeza, novas aplicações para o QR Code irão aparecer mundo a fora, mas, creio, que essa moda ainda pode pegar no Brasil. Experimente e vicie, com moderação.

INTERAFEC E JORNAL FOLHA INTERATIVO DANDO PRÊMIOS Preencha o cupom abaixo, responda a pergunta e concorra a brindes exclusivos dados pelos patrocinadores da VIII INTERAFEC. Pergunta: Quantos anos o Colégio Interativo São Carlos completa no mês de outubro de 2009? ______________________________________________________________________________________________________________ NOME: ____________________________________________ Tel.____________________________________________________ Endereço: Rua:__________________________________________N,_______________________ Bairro: ________________________________Cidade:__________________________ e-mail: _____________________________________________________________________________________________________

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Entrevista:

ELE É O CARA!

Pode chorar, pode esbravejar, pode ficar irritadinho (a)! Mas ele estará presente! Afinal de contas, a feira de Conhecimentos do Interativo sem o Sr. Cláudio Boense Bretas não tem mais sentido. Se hoje a INTERAFEC é reconhecidamente um evento interdisciplinar, de conteúdo substancial, muito se deve a ele, pois todas as equipes estudam seus temas se perguntando: “Será que o Bretas vai perguntar isso?!” Bom, não tenha dúvidas! Ele vai perguntar isso que você está pensando e muito mais. Por isso, estude seu tema e desenvolva-o de forma inteligente e criativa, evite as decorebas e tenha jogo de cintura. E decorrente de todo o sucesso que hoje se constitui a INTERAFEC, a Comissão Organizadora, por intermédio do professor Rocky, elaborou essa entrevista no sentido de homenagear uma pessoa que muito fez e que muito faz pela educação brasileira, o Bretas. Qual a sua formação acadêmica? E qual a sua profissão? Em Física, e ainda Bacharel em Administração, Técnico em Eletrotécnica, Técnico em Processamento de Dados. Trabalhei cerca de 10 anos na Tecumseh (Sicom) na área de manutenção eletro-eletrônico. Desde 1987, trabalho nos laboratórios Didáticos de Ensino de Física da USP/ IFSC como técnico Especializado de Apoio ao Ensino e a Pesquisa . Por que você optou por essa profissão? Sempre gostei de áreas tecnológicas, inovadoras, de saber “como as coisas funcionam”. Atuando na área de eletrotécnica, senti a necessidade de ampliar os meus conhecimentos na área tecnológica e então busquei novos desafios. Após ingressar na USP, na área de ensino de Física, prestei vestibular para Licenciatura em Ciências Exatas para complementar minha formação, ao mesmo tempo em que continuava a trabalhar no laboratório. Pelo jeito você gosta muito de participar de projetos educacionais. Em quais projetos educacionais você já participou? Transmitir conhecimentos é a razão destes projetos educacionais; estar na área de ensino USP/IFSC possibilitou-me implementar e participar de projetos educacionais tais como: a -1993 - Curso de Aperfeiçoamento de Ensino de Física USP/CDCC e Vitae; b - 2002 - “Novas Maneiras de Ensinar... Novas Maneiras de Aprender” UFSCar; c - 2004 - Formação de Agentes Locais de Sustentabilidade Socioambiental-USP/CRHEA; d - Atividades de educação ambiental como a Feira da Sucata e da Barganha,ampliação da coleta seletiva no campus de São Carlos, Página 14

utilização de canecas duráveis no restaurante universitário; e - Preparar equipes de estudantes para participar de olimpíadas nacionais e internacionais de Física USP/IFSC/SBF desde 2002; f - Auxiliar na organização e apresentar experimentos na SemopticaUSP/IFSC, no Shopping Iguatemi, e também na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia-MCT-USP/IFSC; g - Oferecer oficinas e mini-cursos nas escolas municipais e estaduais e divulgação de ciência nas Tendas da Ciência; h - A ECF - Escola Contemporânea de Física, onde 50 alunos de várias escolas ficam 1 semana no IFSC/USP participando de atividades intensas, com informações sobre a vida cotidiana do IFSC,informações profissionais e do mercado de trabalho; i - Divulgar os cursos de Física do IFSC em feiras e profissões. http:// cursos.ifsc.usp.br/; j - Projeto Mão na Massa-CDCC/USP-França, orientado pelo Prof. Dietrich Schiel; k - implantação dos Laboratórios de Física, no Campus 2 da USP, com a expansão dos cursos participei da na construção de experimentos para as aulas práticas. Você costuma divulgar muitos eventos! Teria algum para divulgar no momento? Gosto de incentivar jovens a participar, porque isso amplia, desvenda o fascinante mundo da ciência. Eu posso citar alguns desses eventos: a - De 19 a 25 de Outubro Semana Nacional da Ciência e Tecnologia 2009 com o tema “Ciência no Brasil” coordenado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) (http:www.semanact.mct.gov.Br) b - De 19 a 24/10/2009 A Semoptica no IFSC e nos dias 23 e 24 no Shopping Iguatemi, uma mostra de divulgação científica e tecnológica. c -14/11/2009 Terceira Fase da Olimpíada Brasileira de Física No portal do IFSC, www.ifsc.usp.br, regularmente, são publicados informações sobre esses eventos. Desde quando você participa da INTERAFEC como membro da Comissão Julgadora Externa? Desde 2004, na III Interafec fui convidado pelos professores Chico, Rocky e Sebá, convite que aceitei com muita satisfação, pois já sabia da Interafec e das gincanas dos anos anteriores. Nesses anos de participação como julgador, qual foi o trabalho que mais lhe impressionou? Gostei particularmente do trabalho das Uvas, que foi apresentado de maneira adequada, segura, possibilitando que eu aprendesse mais e ficasse mais curioso. A escolha do tema foi muito boa, pois ampliou os conhecimentos pessoais da equipe, superando assim as dificuldades. Gostei também de alguns trabalhos ligados ao meio ambiente e sustentabilidade, além de outros muito curiosos como os sobre a história do grupo Pink Floyd, sobre o Nazismo a história da Disney. Na sua opinião, qual o objetivo de uma feira de ciências? Expandir as fronteiras do conhecimento, e assim enriquecer a cultura científica e tecnológica, além de buscar alternativas pedagógicas. Promover o envolvimento conjunto de escolas, cidadãos, pais, professores e comunidade. Observar, especular, experimentar, formular, chegar a conclusões, trabalhar em grupo é uma “aventura inesquecível” O que você tem a dizer sobre a INTERAFEC? Na sua opinião, qual a característica mais marcante do nosso evento? São duas características marcantes: “A organização”: Como elaborar, expor, o comportamento dos expositores, usar conceitos novos e aplicálos depois nas aulas, saber onde encontrar informações com conteúdo,


ter objetivo, saber onde chegar, como e onde obter ajuda. E a “continuidade” ou seja condensar as informações transmitidas e ampliar conceitos atuais e pensar nos próximos anos, o que melhorar. O sucesso da Interafec está no orgulho dos jovens acumulando experiências em grupo e praticar a apresentação de seus trabalhos. Aponte uma crítica construtiva! É indispensável que se rompam as fronteiras, para que alguns trabalhos sejam apresentados fora da escola, como por exemplo, na Febrace Feira Brasileira de Ciência e Engenharia, ou na Semana Nacional da Ciência e Tecnologia, na tenda da ciência, que em conjunto com outras instituições de ensino, apresentam seus trabalhos em escolas municipais e estaduais. Não sei se é do seu conhecimento, mas os alunos têm muito medo de você. Sua presença estremece os ânimos das equipes. Isso por um motivo bem simples: você é o único jurado que estuda os temas que serão apresentados, se dedica, se envolve com nosso evento e, como dizem as más línguas “chega com o pé no peito” de quem não estudou o tema devidamente. Bom, como você vai lidar com esse fato, agora que já lhe falei a verdade? Ser jurado da comissão externa é, para mim, uma responsabilidade muito grande, então procuro seguir as normas previamente estabelecidas. Sei que é trabalhoso, mas estarei sempre julgando a criatividade, metodologia, os detalhes, habilidades, a clareza, a postura. Procuro descobrir e premiar quem estudou, teve muita dedicação, organizou os conteúdos, deixou os visitantes interessados e teve o bom senso de apresentar sabendo dos objetivos propostos, as conclusões, informou as fontes consultadas, trabalhou em grupo e teve a motivação da família também. Muito obrigado pela entrevista. Sabemos que você é uma pessoa bastante ocupada, mas, para finalizar, gostaríamos primeiramente de parabenizá-lo pelas participações já efetivadas ao longo desses anos todos. Hoje, a INTERAFEC é consagradamente um evento educativo transdisciplinar e de qualidade incontestável, e, você está intrinsecamente relacionado a este fato, uma vez que os alunos estudam pensando nas perguntas que com certeza você fará, sem dó nem piedade. Sendo assim, gostaria que você enviasse um recado a todas as equipes que participarão da VIII INTERAFEC. O recado para todas as equipes é que procurem usar o bom senso de apresentar rapidamente, organizando e valorizando os conteúdos, sem muita enrolação. Recomendo que guardem um pouco do que souberem do assunto para a exposição oral, deixando assim as pessoas interessadas no trabalho e não apenas recitando o que já está escrito. Tenham especial cuidado com os erros de português, com a exposição cansativa ou confusa. Procurem ser breves e sucintos, não recorram à “decoreba”, não atrapalhem os outros grupos com músicas e outros barulhos - lembrem-se sempre de que se trata de uma apresentação oral. É muito importante informar a fonte de pesquisa. Sei que todos procuram na Internet - mas cuidado! As informações podem não ser confiáveis. Sejam curiosos, perguntem, questionem, procurem entender o assunto. O meu objetivo é incentivá-los a utilizarem-se de todo o potencial de vocês e prepará-los melhor para o mundo. Tenho uma grande satisfação de encontrar os ex-expositores do Interativo cursando nas Universidades e relembrar com eles o que foi apresentado.

Folha Interativo - ANO I

Comédia:

Tripé: família, aluno e professor!

Eleições 2010

Queda da bolsa por Munch

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Folha Interativo - ANO I

Professor Rocky participa de Projeto Temático Interdisciplinar de Educação Ambiental Por Carlos Henrique (Rocky) “Isso é verdadeiro também sobre aprender a ler. Tudo começa quando a criança fica fascinada com as coisas maravilhosas que moram dentro do livro. Não são as letras, as sílabas e as palavras que fascinam. É a estória. A aprendizagem da leitura começa antes da aprendizagem das letras: quando alguém lê e a criança escuta com prazer. “Erotizada” – sim, erotizada! – pelas delícias da leitura ouvida, a criança se volta para aqueles sinais misteriosos chamados letras. Deseja decifrá-los, compreendê-los – porque eles são a chave que abre o mundo das delícias que moram no livro! Deseja autonomia: ser capaz de chegar ao prazer do texto sem precisar da mediação da pessoa que o está lendo.” Rubem Alves

Inicio este artigo dizendo que fiquei absolutamente emocionado com a atenção que os jovens visitantes me deram durante a oficina que ofereci sobre Tratamento de Água. Concluí que mais aprendi do que ensinei. Aprendi que educar é transmitir e receber: informação, carinho, e, sobretudo, atenção. O trabalho foi fruto das reuniões ordinárias e extraordinárias da ACIEPEEA/UFSCar1 desenvolvidas no primeiro semestre de 2009, sob a magnífica orientação do Prof. Dr. Amadeu Logarezzi e da Profa. Dra. Haydée Torres de Oliveira. Trata-se de ação educativa no Parque Municipal “Veraldo Sbampato”, popularmente conhecido como “Parque do Bicão”, localizado no município de São Carlos-SP. O lugar da ação educativa foi cuidadosamente escolhido, uma vez que integra a região urbana da Grande Vila Prado e apresenta um alto potencial socioambiental, sendo inclusive, palco da nascente do Córrego do Medeiros e se encontrando em precárias condições devido ao quase que total abandono por parte do Poder Público (PE+PL+PJ+MP)2, mas ainda sim, muito utilizado pela comunidade local no que diz respeito às praticas de recreação e atividade esportiva. O evento foi divulgado por toda a cidade; desenvolvido com base na temática educacional ambiental e nos moldes dos princípios elencados no TEASSRG (Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e de Responsabilidade Global), cuja parte introdutória traz um conceito bem razoável sobre Educação Ambiental: “A educação ambiental para uma sustentabilidade equitativa é um processo de aprendizagem permanente, baseado no respeito a todas as formas de vida (...) deve gerar com urgência mudanças na qualidade de vida e maior consciência de conduta pessoal, assim como harmonia entre os seres humanos e destes com outras formas de vida (TEASSRG, 1992).” Realizado durante a tarde do dia 6 de junho (sábado), o projeto ofereceu aos participantes: oficinas, mostras de vídeos, teatro, caminhada ecológica, exposição de foto, resgate histórico do lugar e amostras de trabalhos acadêmicos. Houve muita troca de informação entre a comunidade e a comissão organizadora, proporcionando, por conseguinte, consequente e inevitável percepção ambiental (identificação, caracterização, motivação e compreensão da realidade), exaltando uma essencial qualidade de vida, que se contrapõe face ao consumismo exagerado e a especulação financeira. O projeto foi avaliado Página 16

conforme metodologia reflexiva. O TEASSRG, realizado em 1992, no Rio de Janeiro, descreve em seu princípio de número um que: “A Educação é um direito de todos, somos todos aprendizes e educadores”. Em linhas gerais, tal princípio subentende dois caminhos, dois sentidos, duas direções. A primeira emana do educador e segue no sentido do educando e a segunda surge deste e caminha em direção daquele uma vez que a troca de informação é o cerne que se constitui do encontro de educadores e educandos, proporcionando, principalmente, uma eficiência sublime no que tange à fixação dos conceitos científicos, tradicionais, culturais e axiológicos, por ambas as partes, sendo que esta ideia conduz a um entendimento diametralmente oposto que vai de encontro ao paradigma contemporâneo de que ensinar é transmitir informação; muito pelo contrário, pois transmitir implica em uma única direção e sentido e definitivamente não é o que propõe a Educação Ambiental (EA). O modelo recente de educação, que desenvolve o trinômio aluno, professor, sala de aula, aliado a um ritmo alucinante de informações mecanicamente “vomitadas” e absorvidas sem nenhum conteúdo valorativo, mostra-se um tanto quanto arcaico, ultrapassado e desgastado, frente ao advento de uma nova era que preconiza os parâmetros valorativos do século XXI. As ações educativas visam desenvolver a sensibilização e a conscientização nos indivíduos, perante as problemáticas ambientais, já que o planeta aquece e o ser humano chafurda em seus próprios resíduos na medida em que a sociedade persiste neste modelo educacional consumista, competitivo e insano, refletindo uma perigosa poluição educacional, a pior de todas, o ponto de partida para todos os problemas sociais. A própria temática ambiental está sendo deturpada por uma ideologia que se preocupa mais em persuadir do que informar, fato que acarreta em uma apropriação ideológica por parte de uma classe dominante (Layrargues, 2002). O verdadeiro problema ambiental consiste no fato de que o ser humano precisa aprender a viver em sociedade e a crise ambiental está muito mais para uma crise civilizacional de sociedade, do que para uma crise da natureza propriamente dita (Maldonado, 1971). A EA é um processo educativo que busca não apenas compreender ou transformar conhecimentos, mas sim superar a visão fragmentada da realidade através da construção e reconstrução do conhecimento sobre ela, num processo de ação e reflexão (Bracagioli, 2007), nesse sentido, a percepção ambiental juntamente com uma ação educativa transdisciplinar, supradisciplinar e porque não dizer, metadisciplnar, integram dois objetos instrumentais de uma educação ambiental digna de atenção. Esta ideia é facilmente percebida quando, por exemplo, o ordenamento jurídico brasileiro positiva, no §1º, do artigo 10, da Lei Federal Nº 9.795/99 (dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental), que: “Art. 10 A educação ambiental será desenvolvida como uma prática educativa integrada, contínua e permanente em todos os níveis e modalidades do ensino formal. § 1o A educação ambiental não deve ser implantada como disciplina específica(grifei) no currículo de ensino.” Cabe ressaltar, nesse momento, que assumir uma postura interdisciplinar como a abertura a novos saberes é situar-se intencionalmente na contracorrente da razão objetificadora e das instituições, como a escola e os saberes escolares, enquanto espaços de sua manutenção e legitimação (Carvalho, 2004). Por fim, constitui também instrumento eficaz e primordial para projetos educacionais e ambientais de qualidade, avaliações reflexivas, que permitam provocar mudança de comportamento por meio de ações individuais, mas com consequências globais (Marino, 1998). O projeto teve a participação de diversas ONGs, de escolas estaduais e municipais, do SAAE, da prefeitura municipal de São Carlos, do Curso e Colégio Interativo de São Carlos, da comunidade local, dentre outros visitantes que ali se encontravam. O autor é

químico, bacharel em direito, pós-graduando em direito civil e processual civil, especialista em Educação Ambiental.

Notas do autor: 1. ACIEPE (Atividade Curricular de Integração entre Ensino, Pesquisa e Extensão); 2. (PE+PL+PJ+MP): Poder Executivo + Poder Legislativo + Poder Judiciário + Ministério Público).


Folha Interativo - ANO I

Apesar da perda de seu território para os “invasores” os nativos contribuíram muito para a formação dos costumes culinários da nova sociedade que estava nascendo.

HISTÓRIA E CULINÁRIA

A Deliciosa cozinha mineira * Por Alex N. Turci

“Todos os princípios se desmoronam diante de um lombo de porco com rodelas de limão, tutu de feijão com torresmo, linguiça frita com farofa.” (Fernando Sabino)

Há alguns dias atrás fui com alguns amigos a um bar especializado em cozinha mineira, embora seja um paranaense, são-carlense de coração, sou apaixonado por comida mineira e sem dúvida alguma por Minas Gerais. Durante um bom tempo realizei, com o grande amigo e também, como eu professor de História, Emerson Grazziano, viagens com nossos alunos pelas cidades históricas mineiras, que acabaram por reforçar minha “paixão mineira”. Falar da história da culinária mineira é falar das próprias origens de Minas Gerais. Em 1695, a descoberta do ouro pelos bandeirantes faz surgir os primeiros povoados que deram origem às cidades de Mariana e Ouro Preto. A região já era habitada pelos índios que deram a “dica” sobre a suposta presença de ouro nos rios que cortavam aquelas montanhas. O início do ciclo do ouro foi o marco para o surgimento da sociedade mineira com a criação das vilas e cidades. Os portugueses precisavam garantir de alguma maneira a posse das riquíssimas minas e mandaram i n ú m e r o s representantes da coroa para vigiarem a exploração. Mãode-obra barata era a escrava, e a partir daí o tráfego negreiro se desviou para as novas terras das minas recém descobertas. Os índios, apesar de terem fornecido os indícios da presença do metal precioso na região, representaram resistência, vencida mais tarde pelos novos habitantes.

Pronto: as sementes daquela que se tornaria uma das culturas mais características do Brasil estavam lançadas. Portugueses, colonos, índios e escravos, juntos, em um terreno literalmente fértil fizeram brotar as raízes da cultura e, por que não, da culinária mineira. Da semente portuguesa nasceu o gosto pela simplicidade das preparações, que salientam as qualidades naturais dos produtos; a sofisticação dos temperos, que eram trazidos da longínqua Ásia; a delicadeza da doçaria além do amor que a mãe de família coloca no preparo de cada refeição para seus parentes. O perfeito entrosamento entre índios e negros, no que diz respeito ao preparo dos alimentos, fez com que as sementes afro-indígenas da culinária mineira se fixassem de maneira bastante profunda. Com elas surge o gosto pela mandioca, pelos inhames além do uso de utensílios como, potes, balaios e panelas de barro. A dificuldade de “importar” os alimentos das regiões já povoadas como Rio de Janeiro e Bahia, fez com que o alimento mais consumido nas aldeias indígenas, o milho, fosse parar no prato de todos, desde o trabalhador escravo até os ricos portugueses e exploradores das minas, tornando-se um alimento universal na culinária mineira até hoje. Com ele são preparadas diversas iguarias. A broa de fubá vem acompanhada de café, mingau de milho verde e pode ser consumida como sobremesa ou no café da manhã com uma fatia de queijo dentro. O angu, junto com o quiabo, é acompanhamento obrigatório do frango que pode ser ao molho pardo (feito do sangue fresco da galinha) ou simplesmente ensopado, constituindo um dos pratos mais típicos de Minas. O milho em forma de flocos também merece atenção em outro prato igualmente famoso, a canjiquinha com costelinha de porco. A canjica do milho misturada ao açúcar também é usada para preparar um doce de mesmo nome, bastante especial e muito consumido, especialmente, no mês de junho, A falta de espaço nas vilas e povoados incrustados nas montanhas mineiras ao redor das minas fez surgir pequenas hortas e pomares, onde produtos de fácil cultivo como a couve, a mostarda, a taioba, o feijão, o próprio milho, o inhame, o cará, a abóbora, a banana, a laranja além de outras frutas, cresciam fornecendo o sustento diário das famílias. Animais de pequeno porte como porco e galinha também eram criados no limitado espaço das casas. Desses eram usadas as carnes além dos ovos, ingrediente comum no preparo dos mais diversos pratos. Até hoje as carnes de aves e de porco são bastante usadas na cozinha mineira. Com todos esses ingredientes nascendo no quintal de casa, aliados à cultura do não desperdício trazida pelos portugueses, criaram-se pratos com uma simplicidade deliciosa. Pratos como leitão à pururuca, linguiça frita, couve refogada, tutu de feijão, compotas de frutas, frango com quiabo, vaca atolada (caldo de mandioca com costela de boi) fazem da culinária mineira uma das mais fáceis de serem reconhecidas através do seu sabor e características peculiares. DICA DE LIVROS: CHRISTO, Maria Stella Libânio. Fogão de Lenha – 300 anos de cozinha mineira. Petrópolis: Vozes, 1978 REIS, Maria das Graças Martins dos & ASSUMPÇÃO Patrícia Soutto Maior. Terra de minas: saberes e sabores de Portugal. Belo horizonte, 2002. O autor é professor de história e filosofia do curso e colégio Interativo

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Folha Interativo - ANO I

VESTIBULAR Tribalistas graças a Deus? É namoro ou amizade? “Se a sociedade mudou, sua aceitação com relação às diferentes formas de relacionamento também mudou” * Por Sabrina Mazo D’Affonseca

“Já sei namorar, já sei beijar de língua agora só me resta sonhar...”

(Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown)

É impossível falar em mudança no namoro, sem antes considerar as mudanças sociais ocorridas nas últimas décadas. As mulheres saíram de casa, de frente ao fogão, da cozinha, e buscaram seu espaço em escritórios de grandes empresas, em consultórios, corporações etc. O homem, ainda que assustado com a nova postura do sexo frágil, aceita e, em alguns casos, as apoia. Contudo, se a atitude feminina mudou drasticamente nos últimos anos, sua relação com o até então ser dominante, também o fez. Assim, o relacionamento homem-mulher, objeto mais antigo da história da humanidade, mudou de cara. De Adão e Eva aos casais modernos com pai na cozinha e mãe trabalhando fora, os casais se veem hoje, em situações novas, experimentando circunstâncias que antes seriam impensadas. Como não falar também da liberdade sexual que, após ser gritada aos quatro ventos pelos hippies nos anos 70 encontrou nos 90 sua maior aceitação. Que o jovem é a mola propulsora das mudanças sociais, não discutamos. Que foi através deles que derrubamos presidentes e conhecemos novas tendências, é evidente, porém, nos dias atuais a permissividade sexual e de relacionamentos atinge um patamar nunca dantes visto pela sociedade ocidental moderna. Assim, pais, filhos, educadores, namorados e ficantes buscam respostas para aquilo que se achava estabelecido e dogmático: como fica o namoro hoje? A sociedade moderna tem lugar para o casamento nos moldes atuais? O machismo ainda existe? O divórcio ainda choca?

“ Ela só quer, só pensa em namorar...”

(Zé Dantas e Luíz Gonzaga)

Definição de namorar: 1. Procurar inspirar amor a; requestar, cortejar. 2. inspirar amor a; apaixonar; cativar; atrair. 3. manter relação de namoro com, ser namorado de. 4. Desejar ardentemente, cobiçar. 5. Empregar todos os esforços por obter. 6. Fitar (alguma coisa) de maneira insistente e com vontade de possuí-la. 7. Atrair, chamar. 8. Manter relação de namoro; ser namorado. 9. Andar em requestos ou galanteios. 10. Procurar conquistar. 11. Ficar enamorado; apaixonar-se; enamorar-se. 12. Andar em requestos ou galanteios recíprocos. 13. Agradar-se; encantar-se; enamorar-se (Novo Dicionário Aurélio). Se a sociedade mudou, sua aceitação com relação às diferentes formas de relacionamento também mudou. Surgiram os namoros a distância; Página 18

namoros virtuais; disk-namoros; agências de namoro; namoros de um dia, dois ou três; namoros gays; namoros lésbicos, enfim, namoros. Sua definição pelo dicionário, contudo, leva–nos a pensar se namorar não é eximir-se da carência do amor, é dar e receber carinho, ceder e conquistar, cativar e ser cativado. Como os poetas românticos do século XIX, a busca pela amada ou pelo amado, afinal deixe-mos os preconceitos de lado, continua, porém, diferentemente dos contos de fadas, onde o ...foram felizes para sempre... parecia dar um ar de eternidade a qualquer relacionamento, nos dias atuais, a maior permissividade social aliada à busca incessante da mulher rumo a um caminho nunca antes traçado, provocou diferentes atitudes de ambos os sexos. Nunca Vinícius de Moraes esteve tão em moda Que seja imortal posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure. Assim, a amada intocável e platônica dos romances deu lugar a uma mulher mais direta e detentora do seu próprio querer. “Se a sociedade já não mais me oprime, porque tenho que ter o mesmo parceiro, para sempre...” Invertendo-se os contos de fadas, os príncipes encantados viraram sapos diversos que, se não agradarem suas parceiras, serão certamente trocados. O homem, nesse contexto, viu-se encabulado e ainda está descobrindo sua nova posição frente ao namoro. Com uma tendência maior para ser repulsivo a certas atitudes femininas no passado, ele hoje, aceita com mais naturalidade ser cortejado e “cantado”, afinal, é a busca do carinho que todos querem. a autora e psicóloga, psicopedagoga e doutoranda em psicologia.

REFLITA E RESPONDA

A charge ao lado destaca a intenção da criança em relação à leitura e a televisão. Com relação a ela é possível afirmar que a) é evidente uma valorização maior da TV em detrimento da leitura. b) a leitura evidencia-se como suporte para compreensão daquilo que é mostrado na TV, pois o menino precisa apoiar-se nos livros para chegar à TV. c) a informação da TV é mais confiável do que a do livro, visto que a TV está acima do livro na imagem da charge. d) o leitor, no caso o menino, é apresentado como meio de comunicação entre a informação da TV e dos livros. e) há uma evidente comparação de igualdade de importância entre os livros e a TV na provável opinião da criança.


Folha Interativo - ANO I

Minha avó não tem celulite!!!! * Cláudia R. Küll

Reparei que minha avó, no auge dos seus 89 aninhos de vida não possui nem um sinal de celulite em seu corpo. Fiquei pensando: “Como isso é possível? Atualmente praticamente todo mundo tem celulite”. Ela aparece em um grande número de pessoas. Podendo ser homens ou mulheres; adultos ou crianças; gordos ou magros. Então, fiquei me perguntando: “Mas afinal, o que é a celulite?” Os médicos a chamam de lipodistrofia ginóide, termo criado há cerca de 150 anos para se referir às depressões e irregularidades na superfície da pele. Seu uso popular, porém, surgiu apenas após a década de 1960, período em que começou o culto ao corpo. Para entender melhor por que e como ela aparece em nossa pele, primeiro precisamos saber do que a pele é formada. Nossa pele é composta por diferentes camadas com diferentes tecidos que estão sobrepostos; sendo a mais superficial chamada de Epiderme, composta por células mortas que nos ajudam a diminuir a perda de água por transpiração, graças à deposição (em seu interior) de uma proteína conhecida como queratina que deixa essas células impermeáveis. A segunda camada é a Derme, que fica imediatamente abaixo da epiderme, e é formada por células vivas e comporta vários elementos, como as terminações nervosas, os folículos pilosos (a base dos pêlos), as glândulas (sudoríparas e sebáceas) e as chamadas unidades pilossebáceas (união de uma glândula sebácea com uma pilosa), estruturas cuja disfunção podem resultar na acne. A terceira e última camada é a Hipoderme que é composta por células adiposas (adipócitos), que nada mais são do que bolsas de gordura. As “covinhas” da celulite ocorrem devido à saliência da gordura hipodérmica na derme. Quando há um aumento no volume ocupado pelos adipócitos, essas células se insinuam na superfície da pele, formando as tais “covinhas”. Mas, não pense você que essas células são apenas vilãs, pois são elas que nos protegem contra a enorme variação térmica que sofremos diariamente, além de proteger nossos órgãos internos contra choques mecânicos e de nos dar energia para nossas atividades diárias. Então...por que minha avó não tem celulite? Descobri que a celulite está relacionada a fatores como: Excesso de peso; envelhecimento; sedentarismo; estresse; hormonais; herança genética; problemas circulatórios; alimentação inadequada; cigarro; álcool; etc. Por fim, criei minha teoria. Minha avó não tem celulite porque ela sempre teve um estilo de vida muito diferente do atual. Na época em que as pessoas moravam na fazenda, se alimentavam do que produziam (sem conservantes, nem corantes ou aditivos), não tinham contato com agrotóxicos e tinham que se esforçar muito para terem comida na mesa, consequentemente a atividade física era intensa. Então deixo aqui minha pergunta a vocês: Será que a celulite é um mal necessário que veio junto com a modernidade e praticidade dos dias de hoje? Fontes: http://cienciahoje.uol.com.br/68806 http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/cravos-espinhas-flor-pele-427379.shtml http://www.copacabanarunners.net/celulite.html http://boaforma.abril.com.br/edicoes/256/fechado/Beleza/conteudo_880.shtml A autora é professora de ciências e laboratório do Colégio Interativo.

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FOLHA INTERATIVO 3o. BIMESTRE 2009