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Sumário Ano I, nº 01, Agosto 2011 Revista Bimestral Edição: Emanuel de Oliveira Costa Jr.

Nossa capa. Uma breve explicação . Nossa Equipe nessa Edição. Editorial Um duro começo . Pense como os Santos

Diagramação Emanuel de Oliveira Costa Jr. Design e Logos: Ellen Jordana Portilho Mendes Colaboradores Colunistas dessa Edição: Ana Maria Bueno da Cunha Pe. Inácio José do Vale Ives Gandra da Silva Martins Kairo Rosa Neves de Oliveira Lenise Garcia Lizandra Danielle Araújo da Silva Márcio Antônio Campos Marcelo Oliveira Pedro Brasilino Peres Netto Rafael Vitola Brodbeck

Contato: www.inguardia.blogspot.com Contato Editor: emanuelocjr@yahoo.com.br

Sessão Carta do Leitor

A vida dos Santos Por Ana Maria Bueno Santo Afonso de Ligório A homilia de Pedro Homilia do Papa Paulo VI na sétima sessão solene do Concílio Vaticano II por ocosião da promulgação de cinco documentos em 28 de outubro de 1965 A homilia do Papa Homilia do papa Bento XVI. Concelebração Eucarística em imposição dos pálios aos novos Arcebispos Metropolitanos na solenidade dos Santos Pedro e Paulo em 29 de Junho de 2011 Brasil sem Aborto Com Lenise Garcia A definição da sociedade que queremos Ekklesía Com Marcelo Oliveira Sobre a expressão “Igreja Santa e Pecadora“ Tubo de ensaio Com Márcio Antônio Campos Entrevista. Cícero Urban, oncologista: o valor da dor e do sofrimento Diário de Bordo da JMJ Com Pedro Brasilino Um sonho que se realiza

Cartas para a sessão carta do leitor estarão sendo publicadas a partir da edição nº 02 em 03/10/2011 e poderão ser encaminhadas para o e-mail emanuelocjr@gmail.com constando o nome Apologética da Fé Carta do Leitor e seu texto. Com Pe. Inácio José do Vale

Esfacelamento protestante. Os artigos dessa revista poderão ser reproduzidos desde que se indicada a fonte.

Coluna do Ives Gandra A disciplina Jurídica do Homossexualismo.

O conteúdo das matérias assinadas é da responsabilidade dos respectivos autores.

Coluna Do Rafael Vitola Católicos, reassumamos nossa identidade.

Essa revista tem o cunho essencialmente católico apostolico romano, não devendo ser entendido sob outro prisma ou filosofia.

Lo studente della liturgia Com Kairo Rosa Neves de Oliveira O uso da Estola Milagres Com Lizandra Danielle N. Sra. de Fátima e o Milagre do Sol Indicações e Dicas

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Nossa Capa A História de Nossa Senhora da Defesa. Ao longo dos séculos muitos tiveram a felicidade e mais do que isso, a graça, de presenciar a aparição de Nossa Senhora. Devido a essas aparições, ou devido a intervenções especiais de Maria, muitos nomes lhe foram dados. Esses nomes derivavam de várias situações como: o lugar que apareceu (N. Sra. De Fátima, de Guadalupe...), a forma que apareceu (N.Sra. da Cabeça ou N. Sra. Aparecida) e outros meios. Assim, a Mãe de Cristo também é venerada por nomes universalmente conhecidos como Nossa Senhora de Lourdes, Nossa Senhora de Fátima e aqui no Brasil por Nossa Senhora Aparecida. Além dos títulos recebidos através da liturgia, como Nossa Senhora da Conceição, festa celebrada em 8 de dezembro, existem muitos outros títulos dados de acordo com a piedade e a devoção do povo, que em momentos de dor ou de necessidade, pedem por seu socorro e por sua intercessão. Surgem assim, denominações como Nossa Senhora do Parto, Nossa Senhora da Boa Viagem, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, entre outras. Na Catedral de Ozieri, em Sassari, Itália, ela é venerada como Nossa Senhora da Defesa (nossa capa). A história conta que durante o inverno, na época das imigrações, um exército de godos invadiu a Bacia de Ampezzano, na Itália. Os habitantes se reuniram para se defender. Ao se sentirem sem defesa, como homens tementes a Deus, invocaram Nossa Senhora. Ela então, apareceu num trono, sobre as nuvens, com uma espada na mão. Quando os inimigos estavam prontos para atacar, Nossa Senhora desceu sobre o lugar, onde se dava a batalha e as nuvens, que tinha debaixo de seus pés, causaram uma escuridão tão grande, que os inimigos nada puderam ver. Confundidos, entraram em luta contra si mesmos até se destruírem por completo. A partir de então, Nossa Senhora recebeu mais um título, o de Nossa Senhora da Defesa. Interessante veicular essa imagem como capa de uma revista nos dias atuais. Nos parece uma imagem que não combina muito com a doce N. Sra.. Esquecem-se que Maria precisa ter mão pesada para com o mau. Estar ao lado de Deus significa, antes de tudo, ser contra o mau em todas as suas formas. Aceitando o pecado junto com o pecador causamos um mau muito maior. Não sejamos assim. Amar o próximo sempre, odiar o pecado todas as vezes. Maria com uma espada na mão. Provavelmente em dias de discussão sobre desarmamento, Maria seria considerada criminosa, mesmo que a arma seja branca. Incrível como a hipocrisia reina. A arma de nossa Santíssima mãe é contra o mau e só usada dentro do absolutamente necessário. O erro não é a arma, o erro é a forma de se usar a arma. Abaixo colocamos a Oração de Nossa Senhora da Defesa para que seja amparo para todos nós, todos os dias de nossas vidas. Oração de Nossa Senhora da Defesa

Nossa Senhora da Defesa, Virgem Poderosa, recorro a vossa proteção, contra todos os assaltos dos inimigos, pois vós sois o terror das forças malignas. Eu seguro no vosso Manto Santo e me refugio debaixo dele para estar guardado, seguro e protegido de todo mal. Mãe Santíssima, refúgio dos pecadores, vós recebestes de Deus o poder para esmagar a cabeça da serpente infernal, e com a espada levantada afugentar os demônios que querem acorrentar os filhos de Deus. Curvado sob o peso dos meus pecados, venho pedir a vossa proteção hoje e em cada dia da minha vida, para que, vivendo na luz do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, eu possa depois desta caminhada terrena entrar na pátria celeste. Amém

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Nossa Equipe Emanuel de Oliveira Costa Jr.—Editor Católico, casado, coordenador do Grupo de Coroinhas e Acólitos da Paróquia do Imaculado Coração de Maria em Goiânia/GO, advogado militante, professor, autor de artigos científicos publicados em revistas impressas e virtuais. Mantém o Blog do Emanuel Jr.: www.blogdoemanueljr.blogspot.com Twitter: http://twitter.com/emanuelocjr Facebook: Emanuel Jr. Rafael Vitola Brodbeck - Colunista Católico, casado, é Delegado de Polícia em Sta Vitória do Palmar, RS, coordena o site "Salvem a Liturgia". Colunista da "Catequese Litúrgica", na revista mensal "O Mensageiro de Santo Antônio", dos Frades Menores Conventuais, membro da Sociedade Internacional Santo Tomás de Aquino (SITA/Roma), e da Academia Marial de Aparecida. É incorporado ao Regnum Christi (1998). Palestrante de Liturgia e doutrina. rafael@salvemaliturgia.com Twitter: http://twitter.com/rafael_brodbeck

Kairo Rosa Neves de Oliveira - Colunista Católico, solteiro, estudante universitário, cursa Engenharia Civil na UNESP de Ilha Solteira - SP. Colaborador do site "Salvem a Liturgia", na coluna de paramentos litúrgicos e dando dicas para solenizar a celebração. Atua no site Movimento Liturgico, responde dúvidas litúrgicas. Mantém, ainda, um blog de imagens litúrgicas, o Zelus. E-mail: kairo@salvemaliturgia.com Marcelo Oliveira - Colunista Solteiro, Católico, profissional de Marketing, cursou Psicologia na Universidade Federal Fluminense e atualmente é aluno do curso de Marketing da Universidade Estácio de Sá. Twitter: http://twitter.com/mister_marcelo Ives Gandra da Silva Martins - Colunista. Católico. Dispensa maiores apresentações. Ganhador de diversos prêmios, professor em diversas faculdades. Professor Emérito e honoris causa em várias universidades. Doctor Honoris Causa da Universidade de Craiova – Romênia. Um dos mais conceituados tributaristas brasileiros. Supernumerário da Opus Dei. Colar de mérito judiciário em diversos Tribunais do país, bem como medalhas e comendas de mérito cultural. Pedro Brasilino Peres Netto - Colunista Solteiro, Católico, estudante de Biomedicina na Universidade Federal de Goiás-UFG, coordenar a Pastoral da Juventude na Paróquia do Imaculado Coração de Maria em Goiânia. Facebook: Pedro Brasilino. Lenise Garcia - Colunista Católica, graduada em Farmácia e Bioquímica pela Universidade de São Paulo, mestrada em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo e doutorada em Microbiologia e Imunologia pela Universidade Federal de São Paulo. Atualmente é professora adjunta da Universidade de Brasília, no departamento de Biologia Celular. Numerária do Opus Dei. Presidente do Movimento Nacional da Cidadania pela Vida – Brasil Sem Aborto Márcio Antônio Campos - Colunista Católico, formado em Jornalismo pela USP e passou pelo Curso Estado de Jornalismo. Jornalista do Jornal Gazeta do Povo. Desde setembro de 2010 é editor de Economia da Gazeta do Povo, e também mantém o blog Tubo de Ensaio, sobre ciência e religião. Pe. Inácio José do Vale - Colunista É sacerdote católico e Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo em Resene/RJ, é especialista em Ciência Social da religião pesquisador de seitas e conferencista, é Professor de Teologia Sistemática na Faculdade de Teologia de Volta Redonda/RJ. E-mail: pe.inaciojose.osbm@hotmail.com Ana Maria Bueno da Cunha - Colunista Casada, católica, Farmacêutica- bioquímica, dona de casa, mãe de dois filhos em - Praia Grande/SP. Católica amante da Igreja, da Santíssima Virgem, do Santo Padre o Papa e sempre sedenta da graça de Deus. Mantém o blog Blog: É Razoável Crer? http://razoavelcrer.blogspot.com E-mail: anamariabcunha@hotmail.com Ellen Jordana Portilho Mendes - Capista e desenvolvedora de logos. Católica, casada, mãe de dois filhos, professora municipal, formada em Educação Física pela UFG. Coordenadora do Grupo de Acólitos e Coroinhas na Paróquia do Imaculado Coração de Maria e Goiânia/GO. Lizandra Danielle Araújo da Silva - Colunista. Católica, solteira, estudante de Controle Ambiental no Instituto Federal de Goiás. Coroinha há 6 anos na Paróquia do Imaculado Coração de Maria em Goiânia.

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Editorial Defesa e ataque, nosso desafio de discernimento. O que existe de parecido entre Nossa Senhora da Defesa, nossa capa dessa edição, e nosso pequeno e simpático mascote que se encontra no centro de nossa logomarca e ao lado desse texto? Podemos não encontrar nada a princípio, contudo algo é visível: a espada. O nosso simpático sentinela tem a espada na bainha. Sua posição é de guarda, de espreita, de aguardo. Essa deve também ser nossa posição quanto a nossa fé. Devemos sempre estar a postos, prontos para defender nossa Santa Igreja quando ela é atacada. E como ela é atacada. Cristo havia nos dito que seríamos como cordeiros em meio a lobos (Lc 10,3). Não é fácil ser cordeiro em meio a lobos, não é nada fácil. Os lobos atacam os cordeiros a todo o tempo. Os lobos tem fome de cordeiros. Precisamos estar atentos. Os ataques são constante, são freqüentes, isso porque a Igreja é a de Cristo, e o mundo não,, gosta de Cristo, Cristo não é desse mundo (Jo 8,23 e Jo 18,36) porque gostaria dos que seguem a Ele e estão em Sua Igreja? A outra espada está sendo empunhada por Maria em uma visão não muito comum. Nos acostumamos com a singela imagem de nossa Santíssima Mãe com os braços abertos acolhendo todos os que estão a vê-la ou em posição de profunda contemplação. Essa é diferente, Maria está empunhando uma espada e em posição de ataque. Maria seria capaz disso? Nós somos capazes disso? O grande discernimento está ai: saber a hora de atacar e a hora de defender. Sabemos atacar? Ou estamos em posição de simples defesa o tempo todo esperando que os ataques venham e nos defendendo quando podemos, da forma como podemos e as vezes sem colocarmos muito empenho? Parece-me que não estamos sabendo atacar quando necessário. É possível imaginar os Apóstolos em situação de simples defesa? Se isso tivesse realmente acontecido será que teríamos a expansão do catolicismo que tivemos? São questões que precisam ser vistas e revistas. Seremos capazes de vê-las e revê-las? Essa é nossa proposta. Ataque e defesa tentando discernir os momentos. Erraremos e acertaremos, mas tentaremos, faremos nossa parte na certeza de que Deus sempre faz a Dele contando sempre com a intercessão de nossa amada Virgem Maria, intercessora e mediadora, além de nosso São Miguel Arcanjo que sempre nos protegerá. Emanuel Jr.

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Pense como os Santos.

São Josemaría Escrivá O Senhor necessita de almas fortes e audazes, que não pactuem com a mediocridade e penetrem com passo firme em todos os ambientes.

Oração: é a hora das intimidades santas e das resoluções firmes. Que pena me dás enquanto não sentires dor dos teus pecados veniais! - Porque, até então, não terás começado a ter verdadeira vida interior.

O diamante lapida-se com o diamante...; e as almas, com as almas. Quando não há retidão naquele que lê, torna-se difícil que descubra a retidão daquele que escreve. Dizes-me que sim, que estás firmemente decidido a seguir a Cristo. Pois então tens de caminhar ao passo de Deus; não ao teu!

Na vida espiritual, muitas vezes é preciso saber perder, aos olhos da terra, para ganhar no Céu. - Assim ganhase sempre.

O bom filho de Deus tem que ser muito humano. Mas não tanto que degenere em ordinário e mal educado.

Não se pode santificar um trabalho que humanamente seja um “lixo”, porque não devemos oferecer a Deus tarefas mal feitas.

Amanhã! Algumas vezes, é prudência; muitas vezes, é o advérbio dos vencidos. Agosto 2011 / In Guardia 06


A vida dos Santos por Ana Maria Bueno

Santo Afonso de Ligório “Se desejas (…), alma cristã, agradar verdadeiramente a Deus e gozar de uma vida feliz, permanece então sempre e em tudo unida à sua santa vontade. Pondera que todos os teus pecados de tua vida passada provinham unicamente de te haveres desviado da vontade de Deus. Procura doravante exclusivamente o beneplácito do Senhor e repete, toda a vez que te suceder algum mal: Assim se faça, ó Pai, porque foi de teu agrado (Mt 11, 26).” Santo Afonso de Ligório (Excerto extraído do livro Escola da Perfeição Cristã) Quando conhecemos a vida e os escritos de Santo Afonso de Ligório, passamos a vislumbrar o que realmente faz a graça no homem que se abre a Deus e o poder e o valor da comunhão dos Santos. Santo Afonso expressa como ninguém - de forma simples, aberta e prática -, os desejos mais íntimos do coração humano sedento de Deus. O Espírito Santo o faz penetrar nos mistérios mais profundos deste coração e o esti-

Igreja de Santo Afonso de Ligório em Roma

mula a amar a Deus e desejar profundamente fazer sua santa vontade. Santo Afonso acreditava com todo fervor, que quando se “ propõe adequadamente o bem”, qualquer pessoa a ele se entrega e se transforma, já que todos somos chamados, em grau maior ou menor a ser santos. Assim, qualquer “alma redimida pelo Batismo, tornando-se pela graça templo do Espírito Santo, possui em potência o indispensável para atingir a santidade”. Por isso sentiu, impusionado pela graça, o desejo de entregar sua vida a anunciar a Deus aos pobres e humildes. Alertava a todos que só as orações vocais e atos externos de piedade dificilmente levam à santificação, e que por isso deveriam recorrer a uma vida de intensa piedade interior, estimulando-os à oração mental, tão necessária ao crescimento das virtudes, pois coloca a alma constantemente na presença de Deus e da insuficência própria, iluminando-a a respeito das perfeições de Deus e das limitações e defeitos próprios. Nesta sua caminhada de santidade e de profundo amor a Deus e às almas, descobre como se deve conduzir para se fazer a vontade de Deus que é sempre soberana e que conduz o homem ao seu fim último que é santidade e perfeição. Para ele - , contrariando vários santos que punham pra se chegar à perfeição, antes da caridade a busca das virtudes morais -, a caridade deve preceder a tudo, porque somente amando a Deus, que o homem chegará a lutar pelas coisas do alto e pela santidade. Santo Afonso entendeu perfeitamente o que quis dizer santo Agostinho:” Ame, e faze o queres” Santo Afonso foi Bispo, musicista, pregador, escritor, poeta e doutor da Igreja, além de fundador da ordem do S.S Sacramento, hoje Redentoristas. Nasceu em Nápolis em 1696, em uma família abastada e nobre. Seu pai destinou-o os estudos das artes liberais, das ciências exatas, das disciplinas jurídicas. Aos dezesseis anos doutorou-se em direito civil e eclesiástico, tendo grande sucesso como advogado. Tinha uma per-

sonalidade bem marcante, por um lado era forte e decidido e por outro tinha um coração voltado para a fé e para a bondade. Segundo o historiador Louis Vereeke, C. Ss.R, Santo Afonso era “Alegre, ardente e ricamente dotado por natureza de uma sensibilidade, uma vontade tenaz e inteligência profunda. Afonso era mais dado ao pensamento prático do que à pura especulação. Tinha, uma consciência do concreto, um senso prático. Em seu relacionamento com os outros, possuia nobreza de modos e era afável e benevolente com todos, especialmente com os pobres, e possuia um bom humor sorridente...” Mas a graça de Deus já estava em seu coração, depois de uma derrota nos tribunais e por causa de seu engano exclamou! “Ó mundo falaz, agora eu te conheço! Adeus tribunais!” abandonou a carreira, e recusou todas as propostas de Matrimônio e de vida mundana. Completou os estudos de teologia e se tornou padre aos trinta anos. Sua congregação, os Redentoristas -, fundada em 1732, tinha como propósito “trazer a boa nova aos pobres”, e hoje trabalha incansavelmente pelo mundo realizando esta vontade de Deus. Aos sessenta e seis anos, apesar de doente, acatou o desejo do Papa Clemente XIII para que fosse consagrado Bispo e serviu com toda diligência e sabedoria. Morreu entre seus irmãos em primeiro de agosto de 1787 - dia em que a Igreja o comemora, e apenas cinquenta e dois anos após sua morte, em 1839, foi canonizado e por conta de seus inúmeros talentos a Igreja lhe conferiu honras especiais.

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A vida dos Santos por Ana Maria Bueno Em 1871 foi nomeado Doutor da Igreja e em 1950, reconhecendo o valor de seus escritos de teologia moral foi nomeado : “o santo Patrono dos teólogos e confessores”. Santo Afonso em toda sua caminhada e pregação, reafirmou sempre que o mais importante é fazer a Vontade de Deus, e que toda perfeição ou santidade consiste no amor a Deus, entretanto, toda a perfeição do amor consiste em conformar nossa vontade à Sua vontade , porque no dizer de São Basílio, santo muito citado por ele -,“o efeito principal do amor é: unir as vontades dos que se amam de maneira que tenham uma só vontade”. Nos diz que não há dúvida que agradam a Deus nossos sacrifícios, renúncias e meditações, obras de misericórdia, exercícios de piedade, contanto que tudo esteja de acordo com a sábia vontade do Senhor. Caso contrário, Deus os reprova e são merecedores de castigo. Se nossas obras e atividades não se realizam segundo o agrado divino, - pergunta -, como poderiam agradar a Deus? Para ele, obedecendo a Deus o agradamos mais que se fizermos sacrifícios, já que o homem que deseja agir por conta própria, comete uma espécie de idolatria, porque neste caso, adora sua própria vontade, não a vontade de Deus. Pode-se dizer seguramente que a maior glória que damos a Deus, segundo ele -, é quando fazemos Sua vontade, - foi o que fez Jesus quando veio a este mundo, justamente para glorifica-lo, pois disse várias vezes que não veio para fazer a Sua vontade mas a do Pai que o enviou e isso se cumpriu quando entrou no mundo se fazendo vítima de expiação para a remissão dos pecados da humanidade. Deus recusou todos os sacrifícios dos homens para receber a vítima perfeita, esta vítima era Cristo. O mundo haveria de entender este amor imenso pela vontade do Pai, que era remir os homens que estavam nas trevas do pecado e da condenação eterna, por isso, a cruz foi o caminho escolhido. Antes de se entregar disse: “ Para que o mundo saiba que eu amo o Pai, e faço como o Pai me mandou, levantai-vos e saiamos daqui”(Jo 14, 31). Se tem algo que Santo Afonso nos exorta em seus escritos de forma reinterada, é que ninguém se torna santo sem a busca da perfeição cristã e que toda a luta consiste nisso, em fazer sua vontade se conformar à vontade de Deus; esta é a mais alta perfeição que podemos aspirar e para isso é preciso que entreguemos tudo a Ele, porque se assim o fizermos estamos nos dando a Ele por inteiro. “Quem dá esmolas, entrega ao Senhor parte de seus bens, quem se sacrifica, lhe dá um pedaço de si próprio. Quem pratica o jejum, oferece seu alimento, mas aquele que lhe oferece sua

vontade, se consagra totalmente a Deus. Não reserva nada para si” e por isso pode verdadeiramente dizer a Deus: „Meu Deus e meu Senhor, sou pobre, mas eu vos dou tudo o que tenho, tudo o que sou, porque dando-vos minha vontade, nada mais me sobra para vos dar‟, e é precisamente isto que o Senhor nos pede quando diz: “Meu filho, dá-me teu coração”(Pr 23, 26), isto é, tua vontade.

que aconteceu aos santos, independente do que passavam; é uma alegria que o mundo não compreende mas que pode e deve estar no coração daquele que tudo se conforma a Deus, e nada, nem a dor, nem a fome, nem a tribulação, haverá de tirar esta paz e impedir que se cumpra de fato a vontade de Deus em sua vida”( LIGÓRIO, Santo Afonso Maria de Ligório. Conversando Sobre a Vontade de Deus. Editora Santuário: Aparecida. A mortificação era um dos te1986) mas preferidos de Santo Afonso, afinal, sem se quebrantar, sem se mortificar, “Quem poderá resistir à vontade quem poderá fazer a santa vontade de de Deus? diz, constatando que ninguém Deus e ama-lo acima de tudo? Ele exorta pode impedir que se cumpram os decreaos cristãos a entenderem que em tudo tos divinos, e que por isso, sábio é aqueDeus está no comando e que deve-se le se deixa conduzir por Deus em todos tirar proveito de todos os meios que Ele as ocasiões de sua vida, e que todos os usa para nos santificar. Diz-nos que o homens, grandes ou pequenos, ricos e Senhor nunca aprova o pecado e a mani- pobres deverão carregar sua cruz. Os que festação de injúrias por parte das pesso- carregam cheios de revolta, sem amor, as, mas se utiliza e até as permite, para terão neste mundo uma vida inquieta, delas tirar um bem maior para seus ser- vazia, e na outra terão sofrimentos maiovos e amigos. O Cristão que se exercita res, é o que se lê no livro de Jó: “Deus é no cumprimento desta virtude, não so- sábio de coração, forte e poderoso, quem mente se santifica, mas gozará na terra lhe poderá resistir impunemente?”(Jó de uma paz impertubável, porque sabe 9,4). Usa a palavra de Santo Agostinho: que ”tudo concorre para o bem daqueles “Que buscas, ó homem, buscando bens e que O amam, daqueles que segundo seu mais bens? Ama e busca, o único bem desígno, são eleitos”. (Rm 8,28). Diz o verdadeiro, no qual estão todos os bens. livro dos Provérbios: “Nenhum mal atin- Busca Deus, entrega-te a Ele, abraça a girá o justo, mas para os ímpios tudo sua santa vontade e viverás sempre feliz, serão males”(Pr 12,21). nesta e na outra vida”. “As pessoas que se esforçam por querer o que Deus quer, são muitas vezes humilhadas, mas amam as humilhações; padecem pobreza, mas amam a pobreza, enfim, aceitam com amor o que lhes acontece e levam assim uma vida calma, tranquila e feliz. Vem o frio, vem a chuva, vem o calor, vem o vento, o bom cristão aceita tudo por Deus, porque assim Deus o quer. O homem santo permanece na sabedoria como o sol, mas o insensato muda como a lua. O pecador é como ela: hoje cheia, amanhã, minguante; hoje ri, amanhã chora de remorso, de angústia e tristeza; hoje parece tranquilo e sereno, amanhã furioso como o tigre. E por que? Porque seu contentamento depende das coisas boas ou más que lhe acontecem, e, por isso, mudam segundo sopram os ventos favoráveis ou contrários. O justo é como o sol, sempre sereno e tranquilo, porque sua paz está fundada na conformidade de sua vontade com a vontade de Deus. Podemos gozar aqui na terra de um paraíso antecipado, pois esta paz causa alegria plena, e foi exatamente o

Lendo seus escritos, a pergunta que nos vem é esta: poderemos encontrar um amigo que nos ame mais que Deus? Faz-nos entender que todo o desejo e empenho do Senhor, é de que ninguém se perca, pois sendo Deus por natureza, a bondade infinita, a própria bondade, e sendo próprio dela se comunicar a outros, Ele só deseja nos fazer participantes de seus bens e de sua eterna e infinita felicidade. Depois que Deus ofereceu ao mundo a salvação em Seu Filho Jesus Cristo pela Igreja, poderá negar-nos alguma coisa? “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” Portanto, nos diz Santo Afonso: “se queres ser agradável ao Senhor e levar neste mundo vida feliz e tranquila, procura estar unido, sempre e em todas as coisas, à vontade do Senhor e permanece fiel à oração nunca se esquecendo de que todos os pecados, de-

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A vida dos Santos por Ana Maria Bueno sordens e angústias de tua vida passada tem raiz e fundamento o te haveres separado da vontade de Deus. Apega-te de hoje em diante à vontade divina e em tudo que te acontece reza como Jesus Cristo: “Sim, ó Pai, porque isso foi do teu agrado” (Mt 11,26). Quando as humilhações e depressões pesarem, que teu espírito cheio de humildade e de conformidade diga a Deus: “Calo-me, já não abro a boca, porque sois Vós que operais” (Sl 38,10.) A isto deves orientar todos os teus pensamentos e orações, pedindo sempre ao Senhor, na meditação, na comunhão, na visita ao Santíssimo Sacramento, que tudo te ajude a cumprir a vontade d‟Ele, dizendo: “Aqui me tendes, Meu Deus, fazei de mim o que quiserdes!” Santa Teresa assim o fazia, oferecendo-se a Deus muitas vezes por dia. Santo Afonso por estar em contato com os homens que tanto precisam da graça de Deus e muitas vezes envoltos em sofrimentos físicos, nos exorta a ficarmos firmes mesmo na doença. Ele nos diz que a enfermidade é a pedra de toque dos espíritos humanos, porque a seu contato se descobre a virtude, o valor que uma alma tem em si. Se suporta a provação sem perturbar-se, sem lamentar -se nem inquietar-se; se obedece ao médico e aos superiores; se permanece tranquila e resignada à vontade de Deus, é sinal que a virtude é sólida. De nada adiantará a murmuração, o lamento, as queixas, já que a alma não crescerá em virtude e não fará com isso a santa vontade de Deus, tornando seus tormentos maiores e pouco frutuosos, já que poderia te-los usados para sua própria santificação. Devemos também resignar-nos à vontade de Deus nas desolações e securas espirituais. Quando uma alma se entrega à vida de justiça e santidade, o Senhor constuma mandar-lhe todo o gênero de sofrimentos e de desolações espirituais. Por que,? nos pergunta o santo – Para desprende-la dos prazeres da vida, responde: -“Para ver se nosso amor é verdadeiro, desinteressado; para testar nossa fé e nossa fidelidade; para ver se procuramos “O Deus das consolações ou as consolações de Deus”. Santo Afonso mostra-nos, sempre em seus escritos, os exemplos dos santos que sofreram muitas desolações e securas espirituais. “Que duro está meu coração, exclamava São Bernardo; não tenho gosto nem para ler, não encontro consolo nem na oração nem na meditação”. Mas eles sabiam que as verdadeiras alegrias, santas e ternas, Deus as reserva para o céu. Esta terra é lugar de merecimento, ao passo que o paraíso é o lugar de prêmio e descanso, de repouso no Senhor.

vontade de Deus, quando a morte nos visitar, seja quanto ao tempo, ao lugar e ao modo. Viver procurando a Sua vontade em todas as circunstâncias de nossa vida é sinal de grande sabedoria cristã. Quer na vida, quer na morte, quer no tempo, quer na eternidade, nossa felicidade está na realização da vontade divina. Assim procediam Jesus, Nossa Senhora e todos os santos, querem exemplos melhores? O temor de perder a Deus nos faz sermos vigilantes e sempre dispostos a jamais perder a graça alcançada. Quem ama deseja a presença da pessoa amada. O amor requer presença. E como “quem não morre não vê a Deus”, devemos suspirar e não temer, como os santos pela hora da morte libertadora para entrarem no paraíso. Santo Agostinho rezava pedindo a salvação: “Morra eu, Meu Deus, para ir ver-te!”… E São Paulo desabafou: “Desejo partir para estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor”( Fl 1,23). E o profeta Davi, muitos séculos antes do Apóstolo, suspirava: - “A minha alma tem sede do Senhor, do Deus Vivo. Quando poderei chegar, para contemplar a face de Deus”(Sl 41,3). Assim falavam e rezavam todas as almas enamoradas do Senhor da vida. Devemos, no dizer de Santo Afonso, aspirar os bens espirituais -, Esta ambição que deve cultivar no coração: amar a Deus o máximo que puderes. Todavia não se deve desejar um grau de amor maior do que aquele que o Deus de amor determinou nos conceder desde toda a eternidade. Disse o bemaventurado Pe. João de Ávila: - “Não creio que tenha existido um santo que não desejasse ser melhor do que era. Mas isso não lhe tirava a paz e estava sempre contente com os dons recebidos”. Por outro lado, exorta-nos a que sejamos diligentes e fervorosos em procurar nossa perfeição, usando todos os meios ao nosso alcance. Não devemos permitir jamais que a rotina e a tibieza invadam nossa vida espiritual e religiosa, dizendo: “Se Deus quiser, tudo vai dar certo”…”Deus é Pai e misericordioso”.

Santo Afonso insiste em nos dizer que não devemos nos deixar levar pelo desânimo e arrastar fraquesas, sem fazer esforço algum para romper com o egoísmo e os pecados. Sem perder a coragem, o ânimo e a confiança em Deus, com humildade, paciência e firmeza, procurando valer-nos da oração e dos sacramentos, do Evangelho e da devoção a Nossa Senhora, prosseguindo a caminhada para o alto. Que não percamos tempo desejando coisas sublimes como êxtases, visões, revelações, arroubos e outros dons sobrenaturais, o que interesFinalmente, Santo Afonso nos sa é a graça da oração, o amor de Deus e exorta que devemos nos resignar-nos à zelo pela salvação dos irmãos. E se não

for do agrado de Deus levar-nos a tão sublime grau de perfeição e glória, tudo bem; o mais importante é o cumpri- É preciso fazer a vontade de Deus. mento de Sua vontade santa e santificadora. Em suma, devemos olhar como vindas das mãos de Deus todas as coisas que nos sucedem ou nos podem atingir. Todas as nossas ações sejam orientadas ao único fim de agradar a Nosso Senhor e de cumprir sua santa vontade, ela é o caminho mais seguro e firme que nos leva à justiça e à santidade. Para termos êxito neste caminho, pede que deixemonos guiar por nossos superiores e pela direção caridosa e sensata de nosso conselheiro espiritual. Que esforcemo-nos por servir ao Senhor do modo que Ele deseja, para que evitemos um engano muito comum, engano e erro em que muitos ainda estão, perdendo lastimosamente seu tempo precioso, alimentando fantasias, pensamentos tolos e dizendo ainda: “Se eu entrasse para o convento, para a vida religiosa, se me retirasse para um lugar solitário, fora de casa e longe dos amigos e dos parentes, eu me faria santo; eu me dedicaria mais à oração e à penitência!”…Contentam-se com dizer: “Eu me faria santo…eu me faria santo!” E, no entanto, não levam a cruz com amor, paciência e conformidade; não aceitam a vontade de Deus. Santo Afonso nos diz que cumprindo à risca a vontade do Senhor, certamente seremos santos, em qualquer estado ou situação de vida. Que não queiramos mais do que Deus quer e, então, Ele levará o nosso nome gravado em suas mãos e em seu coração. Tenhamos sempre em mente algumas passagens da Escritura, que nos convidam a entrar no esquema da vontade divina: ”Senhor, que queres que eu faça?”( At 22,10); “Sou vosso, salvai-me”(Sl 118,94); Sim, Pai, eu vos bendigo, porque foi do vosso agrado fazer isto”(Mt 11,26). Mas entre todas as orações, é esta que devemos repetir e viver todo dia e todo momento: ”Seja feita a vossa vontade” – Seja para sempre bendita e louvada a vontade do Senhor, como também a Imaculada e bem-Aventurada Virgem Maria”. A Virgem que ele tanto amou e reverenciou. Em Santo Afonso havia um amor profundo à Nossa Senhora e à Santíssima Eucaristia. Enfim, Santo Afonso nos deixou um legado enorme e le-lo nos faz vislumbrar o Céu e desejar ardentemente, fazer a santa vontade de Deus. Santo Afonso – Rogai por nós!

Agosto 2011 / In Guardia 09


A homilia de Pedro.

HOMILIA DO PAPA PAULO VI NA SÉTIMA SESSÃO SOLENE DO CONCÍLIO VATICANO II POR OCASIÃO DA PROMULGAÇÃO DE CINCO DOCUMENTOS 28 de Outubro de 1965 Veneráveis Irmãos e queridos filhos Acabais de escutar as palavras do Apóstolo falando da ação do Senhor que, do alto dos céus, continua a sua obra na Igreja; uma obra que não só entende conservar a que Ele mesmo realizou durante a sua vida temporal sobre a terra, mas também continuá-la a edificar de modo progressivo e crescente, como tinha anunciado naquele célebre episódio do Evangelho, quando prometeu que daria desenvolvimento orgânico e coerente ao edifício por Ele fundado sobre a pedra que Ele mesmo escolheu e fez apta para sustentar tão grande mole: «Edificarei a minha Igreja» (1). Diz, com efeito, S. Paulo na perícopa da carta aos Efésios que acaba de ser oferecida à nossa meditação: Cristo, « a uns fez apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas; a outros, pastores e mestres, para o aperfeiçoamento dos santos, em ordem à edificação do corpo de Cristo, até que nos reunamos todos na unidade da fé e no reconhecimento do Filho de Deus, chegando à idade do homem perfeito, à medida da idade da plenitude de Cristo» (2). Este fato, divino na sua causa, humano na sua história e na sua verdade conhecida experimentalmente, é ainda hoje tangível aos nossos sentidos espirituais, contanto que estejam abertos a tão grande prodígio. Podemos fazer nossa a palavra messiânica, expressa já por Cristo: «Hoje se cumpriu esta Escritura que acabais de ouvir» (3). Porque, que se passa hoje nesta Basílica? Já o estais a ver:

neste sagrado Concílio Ecumênico, guia e síntese da santa Igreja de Deus, depois de não pouco estudo e insistente oração, promulgam-se três Decretos de grande importância, que afeta a vida da mesma Igreja, a saber: o múnus pastoral dos Bispos, a vida dos religiosos, a formação sacerdotal. E a estas leis solenes se ajuntam as Declarações não menos solenes sobre a educação cristã e sobre as relações da Igreja com aqueles que professam outras religiões. Não precisamos de explicar aqui o conteúdo destes documentos, que vós conheceis perfeitamente, nem a sua gravidade nem a amplitude com que se divulgarão no espaço e no tempo, nem a sua repercussão, que será, sem dúvida, salutar para as almas e para o futuro desenvolvimento da vida eclesiástica, pois cada um de vós valorizou estes admiráveis aspectos dos documentos em questão. Preferimos deter-Nos na ideia de que será sumamente proveitoso para nós e para o nosso ministério voltar, depois da sua promulgação, a considerar de novo e com calma estas decisões que a Igreja, no exercício mais amplo e mais

responsável do ministério, movida certamente pelo Espírito Santo, extrai do profundo da sua sabedoria interior e propõe a si mesma como conquista do seu amoroso e laborioso pensamento, e toma para si como um novo compromisso que, longe de ser um peso, a sustenta, a sublima e lhe confere aquela plenitude, aquela segurança, aquela alegria que só podemos resumir com uma palavra: vida. A Igreja vive. A prova está aqui, está aqui o seu alento, a sua voz, o seu canto. A Igreja vive! Porventura não foi isto, veneráveis Irmãos, o que vos fez acudir a este Concílio Ecumênico? Porventura não viestes para sentir a Igreja viver, mais ainda, para a fazer viver mais intensamente, para descobrir não os anos da sua velhice, mas a juvenil energia da sua perene vitalidade; para estabelecer entre o tempo-que foge e se torna hoje avassalador pelas mudanças que provoca e oferece-e a obra de Cristo, que é a Igreja, uma relação nova, que nem «historiciza» nem relativiza em metamorfoses da cultura profana a natureza da Igreja, sempre igual e fiel a si mesma, como Cristo a quis e a autêntica tradição a aperfeiçoou; mas torna -a mais apta para desempenhar, nas renovadas condições da sociedade humana, a sua benéfica missão? Para isto viestes, e é aqui que estes atos conclusivos do Concílio no-lo fazem experimentar: a Igreja vive, a Igreja pensa, a Igreja fala, a Igreja cresce, a Igreja continua a edificarse.

Agosto 2011 / In Guardia 10


A Homilia de Pedro. Devemos saborear este fenômeno esplêndido; devemos perceber o seu aspecto messiânico; a Igreja vem de Cristo e vai para Cristo, e estes são os seus passos, isto é, os atos com que se aperfeiçoa, se confirma, se desenvolve, se renova, se santifica. Todo este esforço perfectivo da Igreja não é outra coisa, se bem se atende, que uma expressão de amor a Cristo nosso Senhor, a esse Cristo que desperta nela a exigência de ser e sentir-se fiel, de manter-se autêntica e coerente, viva e fecunda, e que a atrai e a guia para si como esposo divino. Esse movimento tem a sua causa ministerial precisamente na apostolicidade da Igreja, naquela função com que Cristo dotou o seu Corpo místico e social, e que põe em evidência e em eficiência uma Hierarquia apostólica e pastoral que do mesmo Senhor deriva a sua palavra, graça e poder, conservando-os, perpetuando-os, transmitindoos, exercitando-os, desenvolvendo-os, tornando o Povo de Deus vivo e santo por dentro, e visível, isto é, social e histórico por fora. Estamos celebrando um dos momentos mais plenos, mais significativos desta apostolicidade; devemos sentir-nos intimamente convencidos, não para atribuir mérito às nossas pessoas, mas para elevar para Cristo a glória dos atos que, em seu nome e pela virtude do Espírito Santo que Ele nos infunde que somos, à grande família de Deus, que é a santa Igreja, os aumentos construtivos para a sua edificação ainda em curso. Por isso, muito Nos alegra que isto suceda na festa dos santos Apóstolos Simão e Judas, em honra dos quais foi dedicada uma palavra do Senhor na leitura do Evangelho que acabamos de ouvir; nela não se promete a facilidade ou o êxito da missão apostólica, antes se dá uma lição da dificuldade que essa missão encontra no sofrimento reservado a quem a executa. Muito Nos apraz igualmente que isto se verifique no dia do aniversário da eleição do Nosso venerando

E igualmente a todos vós, Irmãos caríssimos em Cristo, apóstolos e pastores em seu nome, arautos do seu Evangelho e construtores da sua Igreja, desejamos na comunhão desta celebração a que participais ou assistis, testemunhar-vos a Nossa caridade e pedir-vos que persevereis concordes e unânimes conosco, confortados pelos novos Decretos conciliares, na edificação da santa predecessor João XXIII, a cuja inspirada Igreja de Deus. ideia se deve a convocação do Concílio. Queira o Senhor, que já está misApraz-Nos também que estejam ticamente presente e dentro de pouco concelebrando coestará sacramentalnosco, ao redor desmente conosco, te altar apostólico, confortar e santifialguns Bispos, ircar o nosso minismãos caríssimos, tério apostólico e representantes de pastoral; que dele terras onde a liberse aproveite e desdade, a que o Evanfrute a universal gelho tem sagrado comunidade do direito, é limitada clero, religiosos e ou negada; alguns fiéis, como em deles dão mesmo nova manifestação testemunho do sode caridade. Para frimento com que isso instituiu Crisestá marcado o ato o ministério póstolo de Cristo. A hierárquico. estes irmãos, às iE queiram grejas de cuja genecontemplar tamrosa paixão eles nos bém esta manifestrazem a memória, tação do rosto emaos países que eles, belezado da Igreja com a sua presença os nossos queridos nos fizeram amar irmãos ainda sepaainda mais, exprimirados da plena mos por meio desta comunhão conosoração sacrifical, a nossa solidariedade, a co; queiram igualmente contemplá-lo os nossa caridade, os nossos votos. adeptos de outras religiões, e entre todos, T a m b é m aqueles a quem nos une o parentesco de aqueles irmãos no Abraão, especialmente os judeus, para Episcopado aqui nunca mais objeto de reprovação ou despresentes conosco e confiança, mas de respeito, amor e espeoriundos de nações rança. Assim é que a Igreja progride na onde a paz está per- firmeza da verdade e da fé, na expansão turbada com tantas da justiça e da caridade. Assim é que a lágrimas, sangue e Igreja vive (4)! ruínas, e tão ameaçadas de novas dores, saudamos afe- Notas tuosamente e dese1. Mt. 16,18. jamos que seja felizmente restabele- 2. Ef. 4, 11-13. cida nas suas regi- 3. Lc.4,21 ões a ordem na justiça, na concórdia e 4. AAS 57 (1965), p. 899-903. na paz.

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A Homilia do Papa.

Os 60 anos de Ordenação Sacerdotal do nosso Papa. CONCELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA E IMPOSIÇÃO DOS PÁLIOS AOS NOVOS ARCEBISPOS METROPOLITANOS NA SOLENIDADE DOS SANTOS PEDRO E PAULO. HOMILIA DO PAPA BENTO XVI. Basílica Vaticana 29 de Junho de 2011

Amados irmãos e irmãs! «Non iam servos, sed amicos» - «Já não vos chamo servos, mas amigos» (cf. Jo 15, 15). Passados sessenta anos da minha Ordenação Sacerdotal, sinto ainda ressoar no meu íntimo estas palavras de Jesus, que o nosso grande Arcebispo, o Cardeal Faulhaber, com voz um pouco débil já mas firme, nos dirigiu, a nós novos sacerdotes, no final da cerimônia da Ordenação. Segundo o ordenamento litúrgico daquele tempo, esta proclamação significava então a explícita concessão aos novos sacerdotes do mandato de perdoar os pecados. «Já não sois servos, mas amigos»: eu sabia e sentia que esta não era, naquele momento, apenas uma frase «de cerimônia»; e que era mais do que uma mera citação da Sagrada Escritura. Estava certo disto: neste momento, Ele mesmo, o Senhor, dila a mim de modo muito pessoal. No Batismo e na Confirmação, Ele já nos atraíra a Si, acolheranos na família de Deus. Mas o que estava a acontecer naquele momento, ainda era algo mais. Ele chama-me amigo. Acolhe-me no círculo daqueles que receberam a sua palavra no Cenáculo; no círculo daqueles que Ele conhece de um modo muito particular e que chegam assim a conhecê-Lo de modo particular. Concede-me a faculdade, que quase amedronta, de fazer aquilo que só Ele, o Filho de Deus, pode legitimamente dizer e fazer: Eu te perdôo os teus pecados. Ele quer que eu – por seu mandato – possa pronunciar com o seu «Eu» uma palavra que não é meramente palavra mas ação que produz uma mudança no mais íntimo do ser. Sei que, por detrás de tais palavras, está a sua Paixão por nossa causa e em nosso favor. Sei que o perdão tem o seu preço: na sua Paixão, Ele

desceu até ao fundo tenebroso e sórdido do nosso pecado. Desceu até à noite da nossa culpa, e só assim esta pode ser transformada. E, através do mandato de perdoar, Ele permite-me lançar um olhar ao abismo do homem e à grandeza do seu padecer por nós, homens, que me deixa intuir a grandeza do seu amor. Diz-me Ele em confidência: «Já não és servo, mas amigo». Ele confia-me as palavras da Consagração na Eucaristia. Ele considera-me capaz de anunciar a sua Palavra, de explicá-la retamente e de a levar aos homens de hoje. Ele entrega-Se a mim. «Já não sois servos, mas amigos»: trata-se de uma afirmação que gera uma grande alegria interior mas ao mesmo tempo, na sua grandeza, pode fazer-nos sentir ao longo dos decênios calafrios com todas as experiências da própria fraqueza e da sua bondade inexaurível. Já não sois servos, mas amigos»: nesta frase está encerrado o programa inteiro duma vida sacerdotal. O que é verdadeiramente a amizade? Idem velle, idem nolle – querer as mesmas coisas e não querer as mesmas coisas: diziam os antigos. A amizade é uma comunhão do pensar e do querer. O Senhor não se cansa de nos dizer a mesma coisa: «Conheço os meus e os meus conhecem-Me» (cf. Jo 10, 14). O Pastor chama os seus pelo nome (cf. Jo 10, 3). Ele conhece-me por nome. Não sou um ser anônimo qualquer, na infinidade do universo. Conhece-me de modo muito pessoal. E eu? Conheço-O a Ele? A amizade que Ele me dedica pode apenas traduzir-se em que também eu O procure conhecer cada vez melhor; que eu, na Escritura, nos Sacramentos, no encontro da oração, na comunhão dos Santos, nas pessoas que se aproximam de mim mandadas por Ele, procure conhecer sempre mais a Ele próprio. A amizade não é apenas conhecimento; é sobretudo comunhão do querer. Significa que a minha vontade cresce rumo ao «sim» da adesão à d‟Ele. De fato, a sua vontade não é uma vontade externa e alheia a mim mesmo, à qual mais ou menos voluntariamente me submeto ou então nem sequer me submeto. Não! Na amizade, a minha vontade, crescendo, une-se à d‟Ele: a sua vontade torna-se a minha, e é precisamente assim que me torno de verdade eu mesmo.

Cardeal Joseph Ratzinger

Além da comunhão de pensamento e de vontade, o Senhor menciona um terceiro e novo elemento: Ele dá a sua vida por nós (cf. Jo 15, 13; 10, 15). Senhor, ajudai-me a conhecer-Vos cada vez melhor! Ajudai-me a identificar-me cada vez mais com a vossa vontade! Ajudai-me a viver a minha existência, não para mim mesmo, mas a vivê-la juntamente convoco para os outros! Ajudai -me a tornar-me sempre mais vosso amigo! Esta palavra de Jesus sobre a amizade situa-se no contexto do discurso sobre a videira. O Senhor relaciona a imagem da videira com uma tarefa dada aos discípulos: «Eu vos destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça» (Jo 15, 16). A primeira tarefa dada aos discípulos, aos amigos, é pôr-se a caminho – destinei, para que vades –, sair de si mesmos e ir ao encontro dos outros. A par desta, podemos ouvir também a frase que o Ressuscitado dirige aos seus e que aparece na conclusão do Evangelho de Mateus: «Ide fazer discípulos de todas as nações…» (cf. Mt 28, 19). O Senhor exorta-nos a superar as fronteiras do ambiente onde vivemos e levar ao mundo dos outros o Evangelho, para que permeie tudo e, assim, o mundo se abra ao Reino de Deus. Isto pode trazer-nos à memória que o próprio Deus saiu de Si, abandonou a sua glória, para vir à nossa procura e trazer-nos a sua luz e o seu amor. Queremos seguir Deus que Se põe a caminho, vencendo a preguiça de permanecer cómodos em nós mesmos, para que Ele mesmo possa entrar no mundo.

Agosto 2011 / In Guardia 12


A Homilia do Papa.

Depois da palavra sobre o pôr-se a caminho, Jesus continua: dai fruto, um fruto que permaneça! Que fruto espera Ele de nós? Qual é o fruto que permanece? Sabemos que o fruto da videira são as uvas, com as quais depois se prepara o vinho. Por agora detenhamo-nos sobre esta imagem. Para que as uvas possam amadurecer e tornar-se boas, é preciso o sol mas também a chuva, o dia e a noite. Para que dêem um vinho de qualidade, precisam de ser pisadas, há que aguardar com paciência a fermentação, tem-se de seguir com cuidadosa atenção os processos de maturação. Características do vinho de qualidade são não só a suavidade, mas também a riqueza das tonalidades, o variegado aroma que se d e s e n v o lv e u nos processos da maturação e da fermentação. E por acaso não constitui já tudo isto uma imagem da vida humana e, de modo muito particular, da nossa vida de sacerdotes? Precisamos do sol e da chuva, da serenidade e da dificuldade, das fases de purificação e de prova mas também dos tempos de caminho radioso com o Evangelho. Num olhar de retrospectiva, podemos agradecer a Deus por ambas as coisas: pelas dificuldades e pelas alegrias, pela horas escuras e pelas horas felizes. Em ambas reconhecemos a presença contínua do seu amor, que incessantemente nos conduz e sustenta.

Agora, porém, devemos interrogar -nos: de que gênero é o fruto que o Senhor espera de nós? O vinho é imagem do amor: este é o verdadeiro fruto que permanece, aquele que Deus quer de nós. Mas não esqueçamos que, no Antigo Testamento, o vinho que se espera das uvas boas é sobretudo imagem da justiça, que se desenvolve numa vida segundo a lei de Deus. E não digamos que esta é uma visão veterotestamentária, já superada. Não! Isto permanece sempre verdadeiro. O autêntico conteúdo da Lei, a sua summa, é o amor a Deus e ao próximo. Este duplo amor, porém, não é qualquer coisa simplesmente doce; traz consigo o peso da paciência, da humildade, da maturação na educação e assimilação da nossa vontade à vontade de Deus, à vontade de Jesus Cristo, o Amigo. Só deste modo, tornando verdadeiro e reto todo o nosso ser, é que o amor se torna também verdadeiro, só assim é um fruto maduro. A sua exigência intrínseca, ou seja, a fidelidade a Cristo e à sua Igreja, requer sempre que se realize também no sofrimento. É precisamente assim que cresce a verdadeira alegria. No fundo, a essência do amor, do verdadeiro fruto, corresponde à palavra relativa ao pôr-se a caminho, ao ir: amor significa abandonar-se, dar-se; leva consigo o sinal da cruz. Neste contexto, disse uma vez Gregório Magno: Se tendeis para Deus, tende cuidado que não O alcanceis sozinhos (cf. H Ev 1, 6, 6: PL 76, 1097s). Trata-se de uma advertência que nós, sacerdotes, devemos ter intimamente presente cada dia. Queridos amigos, talvez me tenha demorado demasiado com a recordação interior dos sessenta anos do meu ministério sacerdotal. Agora é tempo de pensar àquilo que é próprio deste momento. Na solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, antes de mais nada dirijo a minha mais cordial saudação ao Patriarca Ecumênico Bartolomeu I e à Delegação por ele enviada, cuja aprazível visita na ocasião feliz da festa dos Santos Apóstolos Padroeiros de Roma, vivamente agradeço. Saúdo também os Senhores Cardeais, os Irmãos no Episcopado, os Senhores Embaixadores e as autoridades civis, como também os sacerdotes, os colegas da minha Missa Nova, os religiosos e os fiéis leigos. A todos agradeço a presença e a oração. Aos Arcebispos Metropolitanos nomeados depois da última festa dos grandes Apóstolos, será agora imposto o pálio. Este, que significa? Pode re-

cordar-nos em primeiro lugar o jugo suave de Cristo que nos é colocado aos ombros (cf. Mt 11, 29-30). O jugo de Cristo coincide com a sua amizade. É um jugo de amizade e, consequentemente, um «jugo suave», mas por isso mesmo também um jugo que exige e plasma. É o jugo da sua vontade, que é uma vontade de verdade e de amor. Assim, para nós, é sobretudo o jugo de introduzir outros na amizade com Cristo e de estar à disposição dos outros, de cuidarmos deles como Pastores. E assim chegamos a um novo significado do pálio: este é tecido com a lã de cordeiros, que são benzidos na festa de Santa Inês. Deste modo recordanos o Pastor que Se tornou, Ele mesmo, Cordeiro por nosso amor. Recorda-nos Cristo que Se pôs a caminho pelos montes e descampados, aonde o seu cordeiro – a humanidade – se extraviara. Recorda -nos como Ele pôs o cordeiro, ou seja, a humanidade – a mim – aos seus ombros, para me trazer de regresso a casa. E assim nos recorda que, como Pastores ao seu serviço, devemos também nós carregar os outros, pô-los por assim dizer aos nossos ombros e levá-los a Cristo. Recorda-nos que podemos ser Pastores do seu rebanho, que continua sempre a ser d‟Ele e não se torna nosso. Por fim, o pálio significa também, de modo muito concreto, a comunhão dos Pastores da Igreja com Pedro e com os seus sucessores: significa que devemos ser Pastores para a unidade e na unidade, e que só na unidade, de que Pedro é símbolo, guiamos verdadeiramente para Cristo. Sessenta anos de ministério sacerdotal! Queridos amigos, talvez me tenha demorado demais nos pormenores. Mas, nesta hora, senti-me impelido a olhar para aquilo que caracterizou estes decênios. Senti-me impelido a dizer-vos – a todos os presbíteros e Bispos, mas também aos fiéis da Igreja – uma palavra de esperança e encorajamento; uma palavra, amadurecida na experiência, sobre o fato que o Senhor é bom. Mas esta é sobretudo uma hora de gratidão: gratidão ao Senhor pela amizade que me concedeu e que deseja conceder a todos nós. Gratidão às pessoas que me formaram e acompanharam. E, subjacente a tudo isto, a oração para que um dia o Senhor na sua bondade nos acolha e faça contemplar a sua glória. Amém.

Agosto 2011 / In Guardia 13


Brasil sem Aborto por Lenise Garcia.

A definição da sociedade que queremos Anencefalia é a malformação congênita causada pelo fechamento incompleto do tubo neural, ao final do primeiro mês de gestação, que evolui para a ausência de parte variável do encéfalo. Por isso, embora popular, o termo “anencéfalo” é um pouco equivocado, ao dar idéia de ausência total de encéfalo. Malformação é um processo que escapou à regulação normal no desenvolvimento do organismo. Apresenta variabilidade individual: cada anencéfalo tem a sua anencefalia. É sempre uma anomalia grave, mas há graus. Um médico só pode saber quanto tempo viverá um feto com essa deficiência se ele marca dia e hora para matá-lo. Esta é a crua realidade.

de médicos que nunca viram a sua filha, e que a diziam “vegetativa”. Ela dá um exemplo curioso: “Marcela não gosta de laranja. Se eu coloco laranja em sua papinha, ela cospe. Também não gosta de beterraba”. A menina ouvia e percebia a presença da mãe, agitando-se em sua ausência. Não sabemos se ela foi capaz de amar. Mas certamente foi muito amada. Aqui podemos voltar o nosso olhar para a difícil situação da mãe que, durante a gravidez, fica sabendo que seu filho possui uma grave deficiência. O raciocínio de que o aborto representaria uma “solução” não se sustenta, nem na teoria, nem na prática. Os depoimentos das mães que levaram até o fim a gestação, tendo seus filhos sobrevivido por minutos, dias ou meses, mostram sempre uma relação positiva com essa criança, recordada com amor, como acontece com todos os nossos entes queridos que já se foram. Têm a consciência tranquila de ter dado, ao filho deficiente, todo o carinho que podiam, inclusive quando dentro de seu útero.

Jorge Andalaft Neto, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), afirmou em reportagem da revista Época (21/02/07): “A medicina ainda tem de aprender muito sobre anencefalia. Quando vemos o bebê no útero, não sabemos quanto ele vai viver. Ele nasce, e vemos Pelo contrário, o aborto costuma quanto tempo dura.” deixar sequelas, tanto físicas quanto psiEle falava sobre a menina Marce- cológicas. Há risco de complicações em la, que sobreviveu por um ano e oito futuras gestações, como sete vezes mais meses. Sendo este caso tão emblemático, probabilidade de placenta prévia e 65% no decorrer das audiências públicas rela- mais incidência de partos prematuros. É tivas à Arguição de Descumprimento de maior o número de mortes entre as muPreceito Fundamental (ADPF) nº 54 lheres que provocaram aborto do que houve a tentativa de se afirmar ter ela entre aquelas que levaram a gestação até outra deficiência. Mas todos os médicos o término natural, por doenças circulatóde Marcela, por diferentes exames, coin- rias, cérebros-vasculares, complicações cidem no diagnóstico, como consta nos hepáticas, câncer de mama etc. laudos e no seu atestado de óbito. Há, Nos Estados Unidos, as estatístiainda, pareceres de alguns especialistas internacionais, que foram unânimes em considerar Marcela um “caso típico de anencefalia”. E, se houvesse um erro de diagnóstico, a situação se mostraria ainda mais grave. Seria evidência de insegurança na constatação de anencefalia, mesmo na criança com mais de um ano. Como seria possível um diagnóstico seguro intra-útero? Este é feito, em geral, no terceiro mês de gravidez, quando o embrião tem entre 3 e 8 cm de comprimento. A criança está em formação, o cérebro está em formação e a malformação está em processo. É impossível saber qual será a gravidade da lesão. No vídeo As flores de Marcela, a mãe da menina questiona as colocações

cas apontam para as mulheres que se submeteram ao aborto provocado: - 250% mais de necessidade de hospitalização psiquiátrica; - 138% a mais de quadros depressivos; - 60% a mais de quadros de estress pós trauma; - 7 vezes mais tendências suicidas; - 30 a 50% mais quadros de disfunção sexual; - 25% exigem acompanhamento psiquiátrico em longo prazo. Recentemente, o British Journal of Psichiatry publicou pesquisas realizadas na Nova Zelândia que mostraram 30% mais problemas mentais em mulheres que fizeram aborto. Por isso, o autor, David Fergusson, anteriormente favorável ao aborto por livre escolha, reviu a sua posição. Essas mães necessitam apoio para a aceitação do filho, e não ajuda para sua eliminação. O direito à vida é o mais fundamental dos direitos humanos e cláusula pétrea de nossa Constituição. Não importa se essa vida é curta ou frágil, a pessoa tem dignidade em qualquer circunstância. Queremos uma sociedade que acolhe e protege os mais frágeis, ou uma que os elimina?

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Ekklesía com Marcelo Oliveira

Sobre a expressão “Igreja Santa e Pecadora“ No dia 12 de Maio 1982, durante sua peregrinação apostólica em Portugal, o Santo Padre João Paulo II proferiu o Discurso ao Bispo de Leiria (na chegada à Fátima), no qual afirma: E aqui estou, convosco, peregrino entre peregrinos, nesta assembléia da Igreja peregrina, da Igreja viva, santa e pecadora, para “louvar o Senhor, porque é eterna a sua misericórdia” (Ps. 135, 1); pessoalmente, para cantar essa misericórdia, pois foi “graças ao Senhor que não fui aniquilado; sim, não se esgotou a sua misericórdia”(Lam. 3, 22). Eis, nos lábios de um Papa, a afirmação que muitos pensam ser herética! Seria mesmo? Não podemos imaginar que o Papa tenha dito por descuido ou que desconheça a doutrina sobre a Igreja a tal ponto. Também não podemos achar que o Papa desconheça o Credo (que, segundo uma visão restritiva, seria o oposto desta afirmação). Afinal, a expressão “Igreja santa e Pecadora” é ou não herética? O ser da Igreja Assim falou o Santo Padre Pio XII, no início de sua exposição sobre o ser da Igreja: Jesus crucificado não só reparou a justiça do Eterno Pai ofendida, senão que nos mereceu a nós, seus consangüíneos, inefável abundância de graças. Essas graças podia ele distribuí-las diretamente por si mesmo a todo o gênero humano. Quis, porém, comunicá-las por meio da Igreja visível, formada por homens, afim de que por meio dela todos fossem, em certo

significa assembléia, reunião, convocação. Donde se vê, por razões óbvias, que se trata de um conjunto. É certo que não se pode falar de Igreja sem a “cabeça”, mas é igualmente certo que não se pode falar em “cabeça” sem falar em “corpo”. Dizer que somos membros da Igreja significa dizer que não se pode mutilar este corpo, excluindo daí seus membros, pois E mais: está em profunda união com a cabeça. Que a Igreja é um corpo, ensinam-nos Vejamos mais uma vez o que diz Pio muitos passos da sagrada Escritura: XII: "Cristo, diz o Apóstolo, é a cabeça do É mais que evicorpo da Igreja" (Cl 1,18). Ora, se a Igredente que os ja é um corpo, deve necessariamente ser fiéis precisam um todo sem divisão, segundo aquela sentença de Paulo: "Nós, muitos, somos do auxílio do um só corpo em Cristo" (Rm 12,5). (MC, divino Reden14) tor, pois que A Igreja é inegavelmente um corele disse: "Sem po uno, cuja cabeça é o próprio Cristo e mim nada podo qual somos nós (todos os fiéis, de deis fazer" (Jo todos os tempos) os seus membros. De15,5), e seguncorre daí que, ao contrário do que se tenta sustentar, a Igreja não é uma realidade do o Apóstolo, todo o aumento deste simples (no sentido filosófico), mas corpo místico na sua edificação vem-lhe complexa, dada a sua dupla realidade: de Cristo, sua cabeça (Cf. Ef 4,16; Cl cabeça divina e membros humanos. O dualismo é fator constitutivo do 2,19). Contudo é igualmente verdade, “Mistério” que é a Igreja. Ela se reco- por mais admirável que pareça, que nhece como imagem do próprio Jesus, Cristo também precisa dos seus memem suas duas naturezas, todo homem e bros. (MC, 43). todo Deus. Portanto, temos aí uma dupla Etimologicamente, a palavra Igreconstituição da Igreja, dois elementos ja, do grego ekklesía, pelo latim ecclesia, que não podem ser confundidos e, muito menos, separados. modo, seus colaboradores na distribuição dos divinos frutos da Redenção. E assim como o Verbo de Deus, para remir os homens com suas dores e tormentos, quis servir-se da nossa natureza, assim, de modo semelhante, no decurso dos séculos se serve da Igreja para continuar perenemente a obra começada. (Mystici Corporis, 12)

A Igreja é, portanto, indefectivelmente santa na sua instituição e para todo o sempre graças à “cabeça”, que é o próprio Cristo. Como Instituição ela não pode pecar, por razões óbvias, uma vez que o pecado pressupõe um sujeito, com consciência e vontade (o que não se pode dizer de uma instituição). Mas do corpo, que é também Igreja, fica claro, seguindo Pio XII, que:

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Ekklesía com Marcelo Oliveira aos membros da Igreja, mas que estes não deixam de ser Igreja embora pecando, tornando-se “membros enfermos de Jesus Cristo”. Por isso o Papa pode dizer, sem perigo de heresia: “Igreja santa e pecadora”. Contudo, pensam os acusadores do Papa João Paulo II encontrar na própria Mystici Corporis elementos para levar a cabo tal sandice. Bem, vejamos a citação da Encíclica, utilizada como argumento para chamar o saudoso Papa de herege:

Não se deve, porém, julgar que já durante o tempo da peregrinação terrestre, o corpo da Igreja, por isso que leva o nome de Cristo, consta só de membros com perfeita saúde, ou só dos que de fato são por Deus predestinados à sempiterna felicidade. Por sua infinita misericórdia o Salvador não recusa lugar no seu corpo místico àqueles a quem o não recusou outrora no banquete (Mt 9,11; Mc 2,16; Lc 15,2). Nem todos os pecados, embora graves, são de sua natureza tais que separem o homem do corpo da Igreja como fazem os cismas, a heresia e a apostasia. Nem perdem de todo a vida sobrenatural os que pelo pecado perderam a caridade e a graça santificante e por isso se tornaram incapazes de mérito sobrenatural, mas conservam a fé e a esperança cristã, e alumiados pela luz celeste, são divinamente estimulados com íntimas inspirações e moções do Espírito Santo ao temor salutar, à oração e ao arrependimento das suas culpas. (MC, 22)

Sem mancha alguma, brilha a santa madre Igreja nos sacramentos com que gera e sustenta os filhos; na fé que sempre conservou e conserva incontaminada; nas leis santíssimas que a todos impõe, nos conselhos evangélicos que dá; nos dons e graças celestes, pelos quais com inexaurível fecundidade produz legiões de mártires, virgens e confessores. Nem é sua culpa se alguns de seus membros sofrem de chagas ou doenças; por eles ora a Deus todos os dias: ‘Perdoai-nos as nossas dívidas’ e incessantemente com fortaleza e ternura materna trabalha pela sua cura espiritual. (MC, 65) (Repare que a Igreja ora pelos pecadores, mas diz: perdoai-nos as nossas dívidas) Mas que surpresa! O mesmo Papa, no mesmo documento, também afirmou o seguinte: Tenha-se, pois, sumo horror ao pecado que mancha os membros místicos do Redentor, como já vimos acima (MC, 23)

presença perene do próprio Cristo, que é o início e o fim de cada um destes elementos. Perfeito! Por outro lado, na segunda citação, o Papa fala de manchas nos membros místicos do Redentor. Como é bastante claro, ele não se refere aqui aos elementos divinos, anteriormente listados, mas trata do elemento humano, que é contingente no aspecto relativo, mas fundamentalmente necessário sob o ponto de vista absoluto. Ou seja, olhando individualmente, cada pessoa pode ou não fazer parte da igreja, mas não é possível eliminar completamente o homem da Igreja, sob pena dela deixar de existir. E não há um só homem sob a face da terra que não cometa pecado. É por isso que o Papa Pio XII não teme em dizer: E se às vezes na Igreja se vê algo em que se manifesta a fraqueza humana, isso não deve atribuir-se a sua constituição jurídica, mas àquela lamentável inclinação do homem para o mal, que seu divino Fundador às vezes permite até nos membros mais altos do seu corpo místico para provar a virtude das ovelhas e dos pastores e para que em todos cresçam os méritos da fé cristã. Cristo, como acima dissemos, não quis excluir da sua Igreja os pecadores; portanto se alguns de seus membros estão espiritualmente enfermos, não é isso razão para diminuirmos nosso amor para com ela, mas antespara aumentarmos a nossa compaixão para com os seus membros. (MC, 64) Deu para perceber a utilização da expressão “na Igreja”, não é mesmo? Não falou “fora da Igreja”, nem “nos membros que não são membros” e, muito menos, “nos homens, que não são Igreja”.

Será que o Pio XII era louco? Será que ele diz uma coisa para logo em seguida, no mesmo texto, dizer outra completamente diferente? Óbvio que não! Só podeFica assim defendido, uma vez mos entender estas palavras se percebermos que elas atingem dois pontos diferen- mais, o Santo Padre João Paulo II da acusação de heresia. É exatamente este o sentido do ter- tes de uma mesma realidade. Confiramos: mo “pecadora” na expressão utilizada pelo Para excluir de vez a possibilidade É fundamental, para bem compreenPapa João Paulo II “Igreja santa e pecado- der de que modo o Papa diz da Igreja que de se imaginar heresia no expressão “santa ra”. Porque os pecados daqueles que cons- ela é “sem mancha alguma”, perceber o e pecadora”, cito a Congregação para a tituem a Igreja nem sempre são de ordem elenco de elementos que ele faz, na suces- Doutrina da Fé, em um documento da Cotal que amputem tais membros do corpo. são do texto. Afirma Pio XII, com total missão Teológica Internacional, parte inteIsto aumenta a nossa responsabilidade, justiça e precisão, que a Igreja brilha sem grante desta mesma Congregação. Está aí como pertencentes à Igreja, pois o pecado mancha... uma confirmação oficial de tudo que foi “mancha os membros místicos do Redendito até agora: 1- nos sacramentos; tor”, como expõe o Papa Pio XII: 2na fé Tenha-se, pois, sumo horror ao pecado (doutrina); que mancha os membros místicos do Re- 3- nas leis; dentor; mas o pobre pecador que não se 4- nos dons e gratornou por sua contumácia indigno da ças celestes (que comunhão dos fiéis, seja acolhido com geraram os santos maior amor, vendo-se nele com caridade mártires, virgens e confessores). operosa um membro enfermo de Jesus Ou seja, em Cristo: Pois que é muito melhor, como tudo aquilo que faz nota o bispo de Hipona, "curá-los no cor- dela uma sociedade po da Igreja, do que amputá-los como perfeita, divinamembros incuráveis". "Enquanto o mem- mente instituída e bro está ainda unido ao corpo não há por capaz de realizar que desesperar da sua saúde; uma vez sua missão de amputado, nem se pode curar, nem se “sacramento unipode sarar. versal de salvação”. A indefectíFica assim exposta a verdadeira vel santidade da doutrina católica, fiel a Tradição dos ApósIgreja deriva da tolos. A idéia de pecado só se pode aplicar

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Ekklesía com Marcelo Oliveira Embora sendo santa pela sua incorporação em Cristo, a Igreja não se cansa de fazer penitência: ela reconhece sempre como próprios, diante de Deus e dos homens, os filhos pecadores." (TMA 33) Estas palavras de João Paulo II sublinham como a Igreja é tocada pelo pecado dos seus filhos: santa, enquanto tornada tal pelo Pai mediante o sacrifício do Filho e o dom do Espírito, ela é de certo modo também pecadora, porquanto assume realmente em si o pecado daqueles que ela própria gerou no batismo, tal como Jesus Cristo assumiu o pecado do mundo (cf. Rm 8,3; 2Co 5,21; Gl 3,13; 1Pd 2,24). (23) Pertence, aliás, à mais profunda autoconsciência eclesial existindo no tempo, a convicção de que a Igreja não é só uma comunidade de eleitos mas tem no seu seio os justos e os pecadores do presente, assim como os do passado, na unidade do mistério que a constitui. De fato, na graça como na ferida do pecado, os batizados de hoje estão próximos e solidários dos de ontem. Por isso se pode dizer que a Igreja - una no tempo e no espaço em Cristo e no Espírito - é verdadeiramente "santa e simultaneamente sempre necessitada de purificação" (LG 8). Deste paradoxo - característico do mistério eclesial - nasce a interrogação sobre como se conciliam os dois aspectos: por um lado, a afirmação de fé na santidade da Igreja e, por outro, a sua contínua necessidade de penitência e purificação. ” (Comissão Teológica Internacional Memória e Reconciliação: A Igreja e as culpas do passado, Cap. 3) (23) Pense-se no motivo - presente em autores cristãos de diferentes épocas - de censura à Igreja pelas suas culpas, de que é exemplo entre os mais representativos o Liber asceticus de Máximo Confessor: PL 90, 912-956. (nota original do documento) Mais a frente: A ausência de pecado no Verbo Encarnado não pode ser atribuída ao Seu Corpo eclesial, no interior do qual, ao contrário, cada um - partícipe da graça dada por Deus - nem por isso deixa de ter necessidade de vigilância e incessante purificação e de estar solidário com a fraqueza dos outros: "Todos os membros da Igreja, incluindo os seus ministros, devem reconhecer-se pecadores (cf. 1Jo 1,8-10). Em todos, até ao fim dos tempos, a cizânia do pecado se encontra ainda misturada com o grão bom do Evangelho (cf. Mt 13,24-30). (MR) E ainda: A Igreja é, em suma, no seu "mistério", encontro de santidade e de fraqueza, continuamente redimida e sempre de novo necessitada da força da redenção. Como ensina a liturgia, verdadeira lex credendi, o fiel particular e o povo dos santos rogam a Deus que o Seu olhar se dirija à fé da Sua Igreja e não aos pecados dos indivíduos que são a negação desta fé vivida: Ne respicias peccata nostra, sed fidem Ecclesiae

Tuae! Na unidade do mistério eclesial através do tempo e do espaço, é possível agora considerar o aspecto da S.Tomás de Aquino e S.Agostinho santidade, a necessidade de arrependimento e reforma, e a sua articulação no agir da Igreja Mãe. (MR) Por fim: Sem ofuscar esta santidade, deve reconhecer-se que, devido à presença do pecado, existe a necessidade de contínua renovação e constante conversão no povo de Deus: a Igreja na terra está "aureolada de uma santidade verdadeira” embora "imperfeita" (LG 48). Observa Santo Agostinho contra os pelagianos: “A Igreja no seu conjunto afirma: Perdoai-nos os nossos pecados! Ela, portanto, tem manchas e rugas. Mas, mediante a confissão as rugas são removidas, mediante a confissão as manchas são lavadas. A Igreja está em oração para ser purificada pela confissão, e enquanto os homens viverem na terra isto será assim." E S. Tomás de Aquino precisa que a plenitude da santidade pertence ao tempo escatológico, enquanto a Igreja peregrinante não se deve enganar a si mesma afirmando ser sem pecado: "Que a Igreja seja gloriosa, sem mácula nem ruga, é o objetivo final para o qual tendemos em virtude da paixão de Cristo. Isto apenas existirá, no entanto, na pátria eterna, e não já na peregrinação; aqui […] enganar-nos-íamos se disséssemos não ter qualquer pecado." (26) De fato, "embora revestidos da veste batismal, não cessamos de pecar, de nos afastarmos de Deus. Ora, com o pedido 'perdoai-nos os nossos pecados', regressamos a Ele, como o filho pródigo (cf. Lc 15,11-32), e reconhecemo-nos pecadores diante d'Ele, como o publicano (cf. Lc 18,13). O nosso pedido inicia-se com a nossa 'confissão', com a qual confessamos a um tempo a nossa miséria e a Sua misericórdia" (CIC 2839). (MR)

ceste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, donde caíste. Arrepende-te e retorna às tuas primeiras obras. Senão, virei a ti e removerei o teu candelabro do seu lugar, caso não te arrependas. Mas isto tens de bem: detestas as obras dos nicolaítas, como eu as detesto. Quem tiver ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor darei de comer (do fruto) da árvore da vida, que se acha no paraíso de Deus. (Ap 2, 1-7) Acaso aí o Espírito não está falando à Igreja que se encontrava em Éfeso, louvando suas boas obras, mas também afirmando que teria algo contra ela e exortando-a à conversão e ao arrependimento? Será que Deus teria algo contra ele mesmo? É óbvio que não! O Espírito fala à comunidade dos fiéis, a quem chama com justiça de igreja de Éfeso. Isto fere a santidade inerente à Igreja? Igualmente Óbvio que não!

PARA CONCLUIR Gostaria, em primeiro lugar, de destacar o fato de que ao defender a utilização feita pelo Santo Padre de tal expressão faço-o exclusivamente segundo os princípios eclesiológicos que expus, jamais em conformidade com aquilo que muito acertadamente costuma-se indicar como “abusos” na utilização do termo. Fiz inclusive a indicação de que, por razões lógicas, apesar de se poder utilizar o termo “pecadora” para designar algo da realidade atual (e somente atual, pois chegará o momento, na realização escatológica da Igreja, que deixará de fazer sentido de modo absoluto, como bem indicaram Santo Agostinho e São Tomás) da Igreja, não é correto afirmar que a Igreja peca ou tenha cometido pecado algum dia. Ela é necessitada, constantemente, de renovação e de conversão por conta exclusiva de trazer em seu seio a nós pecadores. Percebe-se a sutileza de raciocínio? Dizer “Igreja Santa e Pecadora” não é o mesmo que dizer que a Igreja cometa pecados. Contudo, conforme o brocardo jurídico, abusus non tollit usum, o abuso não impede o uso. Cabe a nós explicar bem, para bem empregarmos os termos.

Toda esta explicação gira em torno de uma idéia central: a Igreja é “imagem e semelhança” de seu Esposo, Jesus Cristo. Por isso afirmei que ela reconhece-se na própria realidade de seu Senhor, na realidade Por fim, como é sempre bom utilizar as do mistério impenetrável da chamada uniEscrituras, citarei a seguinte passagem: ão hipostática: duas naturezas e uma só Ao anjo da igreja de Éfeso, escreve: Eis o pessoa. que diz aquele que segura as sete estrelas Espero ter conseguido ser claro, ao na sua mão direita, aquele que anda pelo tratar de conceitos tão complexos. meio dos sete candelabros de ouro. Conheço tuas obras, teu trabalho e tua paciência: não podes suportar os maus, puseste à Que Deus abençoe a todos! prova os que se dizem apóstolos e não o Marcelo Gaúcho são e os achaste mentirosos. Tens perseverança, sofreste pelo meu nome e não desa- (indigno filho da Cruz e teu irmão)† nimaste. Mas tenho contra ti que arrefeReparemos que este é um pronunciamento da Igreja, com citações do peso de Máximo Confessor, Santo Agostinho e São Tomás de Aquino.

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Tubo de Ensaio com Márcio Antônio Campos

Entrevista:

Cícero Urban, oncologista: o valor da dor e do sofrimento Abaixo vai a íntegra da entrevista com o dr. Cícero Urban, publicada no dia 20/03/2010, no caderno Vida e Cidadania do jornal Gazeta do Povo e republicada no blog Tubo de Ensaio (http:// www.gazetadopovo.com.br/blog/ tubodeensaio) no mesmo dia: _________________________________ Na época em que imperadores romanos perseguiam cristãos, os mártires, que aceitavam o sofrimento em nome da fé, eram admirados, mas os bispos avisavam: ninguém devia se entregar voluntariamente às autoridades romanas buscando o martírio. Da mesma forma, o oncologista Cícero Urban acredita que a dor e o sofrimento, quando são ativamente buscados pela pessoa, não têm valor sobrenatural. Por outro lado, quando alguém é atingido por uma situação como uma doença ou uma tragédia, pode aproveitar a oportunidade para rever seus valores e buscar superação. Aí, sim, a dor e o sofrimento têm valor – e Urban fala com a experiência de quem também já foi paciente de câncer. Professor dos cursos de graduação e pós em Medicina da Universidade Positivo, com pós em Bioética pela Universidade do Sagrado Coração, em Roma, e vicepresidente do Instituto Ciência e Fé, Urban falou à Gazeta do Povo sobre alguns dos temas de uma palestra que ele dará no próximo sábado, em Curitiba. Por que falar sobre a dor e o sofrimento? Acho que em primeiro lugar só precisamos

fazer algumas definições. Quando falo em "dor", me refiro à dor física, e hoje não há dor que não possa ser tratada. Já o sofrimento é diferente, é mais profundo. O que me motivou a falar desse assunto foi um artigo recente de um oncologista italiano, Umberto Veronese, para quem a dor e o sofrimento, na verdade, afastam de Deus. Mas ele é ateu, e não creio que a questão deva ser vista dessa forma extrema. A dor e o sofrimento não afastam de Deus, mas também acho que, quando são algo procurado, não aproximam de Deus, não são instrumentos de redenção. Eles não são necessários, embora seja inevitável que nos atinjam em algum ponto de nossas vidas; mas não creio que tenham de ser buscados. Eu lido com situações como essas todos os dias, e acredito que hoje lutamos para que os pacientes possam ter uma chance de cura. No caso do câncer de mama, minha especialidade, não vejo sentido em buscar a cura de uma paciente com uma mutilação e não procurar também a possibilidade de uma reconstrução, para ela continuar a viver com qualidade. Posso dizer isso como médico e também como paciente.

Como foi sua experiência de paciente? Há três anos fiz uma duodenopancreatectomia – uma retirada quase total do pâncreas por causa de um tumor que havia na cabeça do órgão. Eu sempre falei sobre a terminalidade, dei aulas sobre o manejo do paciente terminal, e escolhi a oncologia no começo da carreira justamente porque era meu desejo lidar com cuidados paliativos na fase avançada da doença. Medo de morrer todos temos, mas, por causa da minha experiência profissional, não posso dizer que estava sendo pego de surpresa. Eu não acho que estivesse aterrorizado com a possibilidade de morrer; o que me preocupou na descoberta foi a questão do sofrimento. O tempo de vida que poderia me restar não era a questão mais importante, e a própria cirurgia pela qual passei tinha uma mortalidade de 10% a 20%, mas não era essa a questão – a questão é não querer sofrer. Ainda assim, em momento algum eu observei que a doença fosse um instrumento para minha salvação, que eu estivesse sendo purgado dos meus pecados e pudesse ir ao céu por estar passando por aquilo. Se eu tivesse de morrer e ir para o céu naquele momento, seria pela pessoa que fui e pelo bem que fiz ao longo da vida, e não pelo tempo de agonia causada pelo câncer. Como a doença influenciou seu modo de ver a vida?

Em primeiro lugar, acho que fiquei mais sereno, no sentido de lutar pelo que realmente pode ser mudado; de não me preocupar tanto com o que vem pela frente e com o que ficou para trás, mas lidar com o tempo presente, que é o que temos de concreto. Não falo de aproveitar a vida no sentido hedonista, de buscar o prazer desenfreado, mas no sentido de observar que somos vulneráveis e frágeis, e que Cícero Urban é médico e foi paciente: dor e sofrimento não são "castigos divinos", mas são oportunão vale a pena se preocunidade para rever prioridades e buscar superação.

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Tubo de Ensaio com Márcio Antônio Campos par demais com interesses secundários. Depois, veio a questão da excelência: a vida é muito curta para sermos medíocres e pequenos, temos de buscar a excelência em tudo que fazemos. E, por último, aprendi mais sobre o amor ao próximo, que é o sentido maior, é a base da nossa profissão de médico. Foi uma grande lição perceber como é importante poder trazer alívio ao sofrimento do próximo. O câncer alterou sua espiritualidade? A espiritualidade é uma vivência individual. Em momento nenhum perdi a fé, achei que Deus estava querendo me causar problemas, ou que Ele não existisse. Seria muita pretensão da minha parte pensar algo assim. O que fiz foi me questionar sobre o que tinha feito como pessoa, e percebi que, quando alguém se depara com a possibilidade real e objetiva de morte, começa a buscar algum sentido para a existência. Aí, sim, a dor e o sofrimento servem como instrumento para que busquemos esse sentido, mas eles, por si só, não são a redenção. Eu me perguntei o que fiz da própria vida, se deixaria mais coisas positivas ou negativas, como minha filha veria seu pai no futuro, se eu deixei o meio onde vivi melhor do que estava quando eu cheguei. Nossa sociedade busca muito o ter: carro, casa, bens que parecem absolutamente necessários para nossa felicidade, mas quando percebemos nossa fragilidade vemos que a felicidade não vem por esse caminho. Não digo que os bens não possam auxiliar, mas a felicidade não está neles. Rubem Alves diz que a saúde faz os sentidos dormirem e a dor os desperta, e acho que ele tem razão. Todo dia, quando acordo, a primeira coisa que penso é "que bom que não estou com dor, posso comer, posso trabalhar", porque durante parte da minha vida eu fui privado disso. Quem nunca passou por isso não valoriza esses aspectos. Isso é muito mais importante que tantas outras coisas disponíveis no shopping center.

angústia que o médico carrega, e por isso há profissionais que evitam lidar com isso. É muito mais fácil tomar uma decisão sobre um procedimento cirúrgico complexo, como um transplante, do que ficar ao lado de um paciente terminal que não é mais possível curar. O que falta aos profissionais de saúde? Há uma falha na formação humanística oferecida pelas faculdades, mas estamos ao pouco consolidando um movimento de médicos-pacientes, especialmente graças ao trabalho do oncologista italiano Gianni Bonadona, que também passou pela experiência de ser paciente e escreveu muito sobre a necessidade de humanizar nossas práticas e hospitais. O hospital é despersonalizante: você vai para lá e não tem controle sobre quase nada, nem mesmo sobre a roupa que você usa. A estrutura é necessária, mas ao mesmo tempo tem de ser acolhedora. Hospital vem de "hospedar", receber, então precisamos fazer as pessoas se sentirem acolhidas.

Na nossa vivência, o pedido pra morrer é um pedido de socorro de alguém que não recebeu todo o apoio necessário, especialmente do ponto de vista psicológico. A eutanásia não é a solução; ela é um grande risco de eliminar algo tão importante e fundamental na medicina, como os cuidados paliativos. A maior parte dos oncologistas e profissionais que lidam com pacientes terminais é contrária à eutanásia, e isso deve significar alguma coisa. Não é esse o caminho adequado, buscar a eliminação de um ser humano. Acho que a pessoa que faz um pedido desses não quer exatamente morrer; quer que lhe tirem a dor. Ainda existe muita dor tratada de forma inadequada, médicos que têm medo de receitar morfina a um paciente terminal porque "ele pode ficar viciado", esquecendo que se trata de um paciente terminal. No Instituto Europeu de Oncologia, em Milão, há um modelo de "hospital sem dor" onde todos têm essa preocupação: uma das primeiras coisas que se pergunta ao paciente no dia é se ele sente dor. Mas aqui ainda vemos pacientes passando dor, quando poderíamos mudar isso. Paciente muito bem tratado não vai buscar a morte, mas o paciente com dor é levado, pelo desespero, a pedir coisas que não pediria se não tivesse dor. Qual é, então, seu conceito de morte digna?

Você é uma pessoa de fé, mas também um pesquisador, que conhece os mecanismos biológicos que provocam um câncer. Algumas pessoas veem nos desastres pessoais, como doenças, e em desastres naturais, como terremotos, "mensagens" divinas. E você?

Não sou teólogo, mas para mim É frequente que os pacientes se perachar que Deus pune assim as pessoas é guntem o porquê da situação pela qual fazer uma interpretação errada das Escripassam? turas. O sofrimento e a dor fazem parte Todo paciente faz esse questio- da vida humana. Não acho que sejam namento, e comigo não foi diferente. Eu uma punição aos pecados, até porque estava em uma das fases mais felizes da seriam um instrumento tosco. Além disminha vida, com 35 anos, carreira em so, se eu visse a dor e o sofrimento como ascensão, uma filha com 5 meses, tudo instrumento de redenção, a minha profisestava bem. E, de repente, um diagnósti- são perderia o sentido, pois nós curamos co muda completamente minha perspec- a doença, afastamos o sofrimento e a tiva de vida. É frequente que as pessoas dor. Se houvesse mérito em buscar o se revoltem em situações assim. Mas a sofrimento e a dor, não teríamos tantos maior parte dos pacientes, com tratamen- santos médicos. to e apoio adequados, acaba superando. O debate sobre a eutanásia voltou E aí voltamos àquela distinção entre dor e sofrimento. Como médico, posso alivi- com força quando um jornalista briar a dor e, quando possível, dar elemen- tânico confessou ter provocado a tos para o paciente superar a doença. morte de seu parceiro soropositivo. Mas não somos capazes de dar um senti- Qual a sua opinião sobre a eutanádo ao sofrimento dos outros. Essa é uma sia?

É a ortotanásia. Ela é diferente da eutanásia, é a morte no tempo certo. É um paciente que está em uma situação sem perspectiva poder ir pra casa, ficar com sua família e suas coisas, e não em uma estrutura despersonalizante. UTI é lugar para se salvar vidas, não para morrer. Felizmente os médicos e as famílias estão se tornando mais sensíveis para essa realidade. Eles estão compreendendo que, se um paciente tem uma doença crônica, sem chances de cura, prolongar artificialmente a vida só vai trazer mais sofrimento. Mas é preciso preparar as famílias desde o início, não se pode dar o aviso só quando a morte está próxima porque o trauma é muito maior. A sociedade e os próprios médicos estão percebendo que a medicina não pode tudo, e a ortotanásia é o reconhecimento desse limite. O Papa João Paulo II é um exemplo. Estava doente, e mesmo assim continuava suas viagens – ele usou a dor e o sofrimento como instrumento de superação, e nisso eu vejo valor porque isso, sim, aproxima de Deus. Mas, quando finalmente se constatou que não havia mais nada a fazer, decidiu morrer em casa. Quer maior exemplo que esse? Agosto 2011 / In Guardia 19


Diário de Bordo da JMJ com Pedro Brasilino

Um sonho que se realiza. A oportunidade de participar da Jornada Mundial da Juventude é um presente recheado de responsabilidades. Nessa coluna quero compartilhar com você toda essa experiência, que pretende convidar os jovens do mundo inteiro a um real encontro com Cristo. A Jornada Mundial da Juventude (JMJ) foi criada pelo, agora Beato, Papa João Paulo II em 1985, e consiste numa reunião de dezenas de milhares de pessoas, sobretudo jovens católicos. Essa celebração é realizada a cada dois ou três anos, numa cidade previamente escolhida. Nos anos em que não temos a JMJ em uma cidade específica a realização acontece nas (Arqui) dioceses sempre na ocasião sois a esperança do Papa, a esperança da do Domingo de Igreja." Ramos. Na Espanha, em Santiago de Em sua primeiCompostela, 600 mil pessoas atenderam ra edição em ao chamado. Em 1991, um milhão e meiRoma 1986, o de participantes estiveram na Jornada ano do meu no santuário mariano da cidade polonesa nascimento, é possível enxergar uma de Czestochowa. Com a queda do Muro maneira alegre que a Igreja achou para de Berlim, essa foi a primeira ocasião sair ao encontro da sua face jovem. Deiem que o Leste Europeu pode participar xando, assim bem claro que a juventude sem problema. Em Denver, Estados Uninão é o futuro da Igreja, mas o presente. dos no ano de 1993, em meio a desconfiÉ, portanto, uma das faces da Igreja, ança dos que não acreditavam em uma corpo místico de Cristo, que é formada presença maciça dos jovens, a Jornada por crianças, adolescentes, adultos e idoaconteceu com uma participação que não sos. deixou dúvidas sobre a importância da Em 1987 os jovens foram chamados a Argentina, na cidade de Buenos Aires, e a resposta da juventude mundial foi dada com aproximadamente um milhão de pessoas. Em Buenos Aires o Papa disse: "Repito ante vós o que venho dizendo desde o primeiro dia do meu pontificado: que vós JMJ em Colônia na Alemanha no ano de 2005

Igreja na vida da juventude americana e do resto do mundo. O maior encontro até hoje teve lugar em Manila nas Filipinas em 1995, 4 milhões de jovens aplaudiram o Papa que evocava a relação com o próximo. Em 1997, foram muitos jovens que responderam ao convite do Papa para a Jornada em Paris, que reuniu quase um milhão de pessoas. O Jubileu do ano 2000 converteu-se também no jubileu das Jornadas Mundiais da Juventude. Cerca de 2,5 milhões de jovens reuniram-se em Roma para um novo mega-encontro com o Papa. Em Toronto 2002, onde 800 mil pessoas encontraram-se para a última Jornada com o peregrino João Paulo II. O Papa lembrou a todos que o espírito jovem é algo que não pode ser sufocado: "Vós sois jovens e o Papa é idoso, e ter 82 ou 83 anos não é a mesma coisa que ter 22 ou 23.

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Diário de Bordo da JMJ com Pedro Brasilino Todavia, ele continua a identificar-se plenamente com as vossas esperanças e as vossas aspirações. Juventude de espírito, juventude de espírito! Embora eu tenha vivido no meio de muitas trevas, sob duros regimes totalitários, tive suficientes motivos para me convencer de maneira inabalável de que nenhuma dificuldade e nenhum temor é tão grande a ponto de poder sufocar completamente a esperança que jorra sem cessar no coração dos jovens." A jornada da juventude católica em Colônia na Alemanha foi a primeira após a morte do Papa João Paulo II. O evento foi presidido pelo Papa Bento XVI na que foi a primeira viagem internacional do seu pontificado, e em que mais de um milhão de jovens se ajoelharam junto ao Papa na vigília. Em Sydney na Austrália, iniciouse a XIII Jornada Mundial da Juventude sob o tema: "Ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós e sereis minhas testemunhas" (At 1, 8). Em 20 de julho, na missa de encerramento, o Papa convocou os jovens do mundo todo para a Jornada Mundial da Juventude em 2011, cidade de Madri, Espanha. A Jornada Mundial da Juventude é um evento que convoca o jovem, que o chama a ser parte do corpo místico de Cristo. “Deus me chamou, eu ouvi, [...] me ofereci e sai a pregar” (Santo Antônio Maria Claret). Meu nome é Pedro Brasilino, sexto filho de uma família de oito irmãos e nascido no interior do estado de Goiás – na cidade de Rio Ver-

de, alguns dos fatos que pareciam ir contra o sonho de participar de JMJ. Deus me chamou, mas não exatamente para a JMJ. Há um ano sou o coordenador do grupo de jovens “Anjos Go‟el” na paróquia Imaculado Coração de Maria, em Goiânia. Em razão da existência do grupo surgiu a oportunidade de quatro jovens participarem desse encontro com o Papa Bento XVI. Os escolhidos para feliz misFoto aérea do encerramento da 1ª JMJ em 1986 em Roma, Itália. são são: Claudiney Rocha, Vitor Gonçalves, Helvis Luiz devoção à Igreja e de verdadeira adorae (eu) Pedro Brasilino. Hoje vivemos ção a Jesus Cristo. Te espero nas próxium sonho que está muito próximo de mas edições. chegar a realidade. Em resposta ao chamado da Família Claretiana, da qual fazemos parte como leigos, estaremos na reunião Claretiana nos dias 12 a 15 de agosto em Segóvia e em Madri de 15 a 21 para a jornada, além de mais dois dias onde os jovens leigos claretianos olharão para presente e futuro, agora, com o entusiasmo desse grande evento. É estranho, por que contando assim resumidamente tudo parece simples e indolor, mas a verdade é que essa estrada foi repleta de pedras, quedas e “nãos”. A porta é estreita. Durante as próximas edições terei a missão de deixá-los por dentro das sensações, reações e fatos que me ajudarão a contar essa história de Amor entre a Igreja de Cristo e seus filhos. A JMJ é certamente um sonho que se realiza. Uma missão que se aproxima. Uma experiência única. Convido à você leitor pra viajar comigo nessa grande festa de

Cruz Peregrina da JMJ.

JMJ de Sydney, Austrália em 2008.

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Apologética da Fé com Pe. Inácio José do Vale.

Esfacelamento protestante. No século XVI, a Reforma Protestante dividiu o cristianismo na Europa Ocidental. O Sul da Europa – Itália, Espanha, Áustria e parte da França – permaneceram na maior parte fiel a Igreja Católica. O resto acomodou-se em três principais divisões: Luterana, na Alemanha e Escandinava; Calvinista ou Reformada, na Suíça, Países-Baixos, Escócia, e parte da França; e Anglicana na Inglaterra. Permeados entre estas havia denominações menores, porém mais radicais, fanáticos, primeiro os anabatistas e mais tarde os menonitas, huteristas e puritanos. No decorrer da história, essas principais divisões esfacelaram-se somando sem parar, em milhares de denominações e seitas protestantes. Que escândalo! Disse Jesus Cristo: “Ai do homem pelo qual o escândalo vem! (Mt 18,7). “Todo reino dividido contra si mesmo acaba em ruínas, e uma casa cai sobre outra (Lc 11,17).

mobilização da consciência missionária. Têm denominações que se autoproclamam as únicas verdadeiras ou melhores do que as outras. Além de faltar muitas vezes com a verdade, essas denominações não demonstram humildade alguma. No momento há mais de 27 mil denominações protestantes ao redor do planeta”, vocifera o missionário e fundador da Operação Mobilização (OM) George Verwer. (Ultimato, janeirofevereiro, 2007. p.16). “Somente nos Estados unidos, até 1998, segundo os dados do pastor Dave Amstrong, somavam um total de 33.800 denominações protestantes” (PR, Junho, 2006.p. 256). “Estes são os que causam divi- um único pastor. Em geral, quando uma sões, sensuais, que não têm o Espírito delas cresce, dividi-se em pequenas noSanto” (Judas v.19). vas igrejas”. DIVISÃO

O escritor Duncan Green em seu livro Faces of Latin América (Aspectos da América Latina), escreve: “O movimento evangélico na América Latina “O denominacionalismo é um dos dividi-se em inúmeras igrejas. Freqüenmaiores obstáculos na formação e na temente, essas igrejas giram em torno de

O escândalo da divisão, não é fato isolado na América Latina, é sim, uma realidade caótica no mundo inteiro. São três fatores que causam a divisão: questões doutrinárias, escândalos financeiros e sexuais. No Brasil, segundo a revista protestante Eclésia, edição nº 91, já chegaram a um total de 17.000 denominações. Segundo o consultor de igrejas o pastor americano Wayne Cordeiro, existe mais de 300 mil igrejas evangélicas nos Estados Unidos (1). Terrível é a incompatibilidade dogmática e o mau relacionamento entre os pastores. A falta de amor, de respeito e de ajuda é gritante entre eles. Escreve o ilustre professor e escritor Dr. Felipe Aquino: “Não há acordo no protestantismo. O próprio Lutero, amargurado, foi obrigado a reconhecer em 1525, apenas oito anos após o seu rompimento com a Igreja”. “Há tantas seitas e crenças quantas cabeças. Um não terá nada a fazer com o batismo; outro nega o Sacramento; um terceiro acredita que há outro mundo entre este e o último dia. Alguns ensinam que Cristo não é Deus; uns di-

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Apologética da Fé com Pe. Inácio José do Vale.

zem isto, outros dizem aquilo. Não há rústico, por mais rude que seja, que, se sonhar ou fantasiar alguma coisa não deva ser o sussurro do Espírito Santo, e ele próprio um profeta” (Martinho Lutero, John A. O‟Brien, Ed. Vozes, 1959, p.32). Relata-nos O‟Brien que, em Ingolstadt, em 1577, trinta e um anos após a morte de Lutero (1546), Cristóvão Rasperger citava duzentas interpretações diferentes das quatro palavras da consagração: “Isto é o Meu Corpo”; interpretações sustentadas pelos seguidores da Reforma (The Faith of Millions, J. A. O‟Brien, Ind.1938, p.227). Que confusão danada! “Negando a Igreja de Cristo, os reformadores aceitaram a fundação de numerosas igrejas e igrejinhas de líderes humanos, todas originadas do subjetivismo dos seus fundadores” (PR, nº 404, 1996, pp.14 e 15).

pode fazer o livre exame da Bíblia, independentemente de algum magistério, torna o Evangelho luterano muito mais fácil do que o Evangelho católico. Na verdade é mais cômodo ser luterano (protestante) do que ser católico. Daí a ampla propagação do protestantismo; cada crente faz a sua religião, sem missa dominical, sem confissão sacramental, sem outras obrigações além daquelas que cada um impõe a si mesmo. O crente que não está contente na sua igreja tem três opções: ou muda de Igreja ou funda sua Igreja própria ou fica fora da Igreja (somente com a Bíblia nas mãos). A quarta opção é do crente desviado: sem Igreja, sem pastor, sem Bíblia nas mãos, sem temor de Deus, desiludido e “perdido”. – Que Jesus tenha misericórdia. Assim Lutero contribuiu fortemente para o esfacelamento do Cristianismo. – Deus leve em conta sua boa intenção!” (3). CONCLUSÃO

A maneira subjetiva com que lêComo fica Lutero e seus seguidoem a Bíblia, levou o Protestantismo ao res diante do pensamento do Mártir do esfacelamento, especialmente da doutriColiseu Romano, segundo sucessor de na, escreve o Dr. Aquino (2). São Pedro, na Igreja de Antioquia, aqueEscreve o renomado teólogo bene- le que na Carta de Esmirna, escreve pela ditino Dom Estêvão Bettencourt: “O primeira vez a monumental expressão princípio segundo o qual cada crente “Igreja Católica”, Santo Inácio de Antio-

quia que diz: “Todo aquele que por sua péssima doutrina corrompe a fé de Deus pela qual foi crucificado Jesus Cristo, irá para o fogo inextinguível e a todos os que lhe escutar?”. Que exortação horrível para aqueles que estão fora da Igreja: Una, Santa, Católica e Apostólica. “Onde está Cristo Jesus está a Igreja Católica”, afirma Santo Inácio de Antioquia (†110). “Aquele que abandona a Igreja, não espere que Jesus Cristo o recompense, é um estranho, um proscrito, um inimigo. Não terá Deus por Pai, quem não tiver a Igreja por Mãe. Fora da Igreja não há salvação”, declara São Cipriano (†258). _________________________________ Pe. Inácio José do Vale Professor de História de Igreja Especialista em Ciência Social da Religião E-mail: pe.inaciojose.osbm@hotmail.com _________________________________ REFERÊNCIAS E BIBLIOGRAFIA CORDEIRO, Wayne. Faça de Sua Igreja Uma Equipe, Rio de janeiro: Danprewan, 2002.p. 15. AQUINO, Felipe. Escola da Fé: I – A Sagrada Tradição, Lorena: Cleofás, 2000, pp.18 e 19. Pergunte e Responderemos, maio de 2006. p. 223. HOLLENWEGER, Walter J. El Pentecostalismo. Historia Y Doctrinas Buenos Aires: La Aurora, 1976. O´BRIEN, John A. Martinho Lutero: O Sacerdote Que Fundou o Protestantismo, Petrópolis: Vozes, 1959. PIERRARD, Pierre. História da Igreja, São Paulo: Paulus, 1982. RANDELL, Keith. Lutero e a Reforma Alemã, São Paulo: Ática, 1995. WEBER, B. (org) Lutero e a Reforma, São Leopoldo: Sinodal, 1967.

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Coluna do Ives Gandra Martins.

A disciplina Jurídica do Homossexualismo. O Supremo Tribunal Federal decidiu, em 05/05/2011, que a união entre dois homens ou duas mulheres de natureza afetiva gozará do mesmo “status” da união estável entre um homem e uma mulher, a qual, pela Constituição, artigo 256, § 3º, é considerada entidade familiar. Nada obstante, os constituintes não terem elevado a união homossexual a tal nível, nada obstante o direito privado dar-lhes garantias próprias de uma união de fato, a Suprema Corte outorgou -se o direito de substituir o Congresso Nacional e a Constituinte, legislando sobre a matéria e acrescentando ao texto da Lei Maior que também a união “estável” entre um homem e um homem ou uma mulher e uma mulher conformam entidade familiar. Apesar de ser esta a posição atual do Pretório Excelso, inúmeros juristas têm tecido considerações de natureza jurídico-constitucional discordando de tal interpretação, entre elas destacandose a do eminente professor de direito constitucional, Lenio Streck que em entrevista ao Estado de São Paulo (06/05/2011) declarou: “Isso é o espaço para discussão do legislador, como se fez na Espanha e em Portugal. Lá esse assunto foi discutido pelo Parlamento. O Judiciário neste ponto não pode substituir o legislador”. Neste artigo, pretendo exclusivamente ofertar a minha interpretação da Constituição Federal, para que o leitor possa conhecer os argumentos daqueles que entendem que a união homossexual não constitui uma família, por ter sido esta a vontade do constituinte, ao promulgar a Constituição em 05/10/1988. Entendo que a corrente dos constitucionalistas, que se opõe ao ativismo judicial (o Judiciário substituindo por auto-outorga de poderes o Legislativo), à qual me filio, está com a razão, pois apenas o

Congresso Nacional, com poderes constituintes derivados (duas votações com 3/5 de senadores e deputados decidindo a favor) pode introduzir qualquer modificação na lei suprema. Alegou-se, em tese hospedada por alguns Ministros desta Corte, que a não concessão dos mesmos direitos às uniões de pessoas do mesmo sexo em relação àqueles que têm os de sexo oposto, feriria a dignidade humana (art. 1º, inciso III da CF), a igualdade de cidadania (5º, caput), a segurança jurídica (5º caput) e a liberdade (art. 5º caput) 1. Vejamos se tais princípios foram feridos à luz da Constituição Federal. de escolha homossexual em nada é manClaramente, o princípio da digni- chada pela lei civil, genericamente condade humana não se encontra ferido pelo siderada, nem pela lei suprema. tratamento que até o presente vem sendo dado à união entre dois homens e duas mulheres, que, por opção sexual, podem se unir, celebrar um contrato à luz do direito civil com previsão de obrigações e direitos mútuos, inclusive de natureza patrimonial, o que a Constituição não proíbe. Não há mácula, pois, à dignidade humana neste caso, por todos reconhecida, como própria do ser humano e que independe de sua opção sexual.

E, em relação à segurança jurídica, têm os pares de homens com homens e mulheres com mulheres a mesma segurança de qualquer cidadão e de qualquer casal. O outro argumento mencionado é que merecerá maiores considerações, pois é aquele que merece reflexão mais aprofundada. O respeito à dignidade humana e a liberdade de união dos pares de homens e homens ou mulheres e mulheres é que não justifica que se considere que tais uniões sejam iguais àquelas constituídas por um homem e uma mulher.

Nem se tisna, por outro lado, o princípio da liberdade, já que o próprio reconhecimento de que poderão contrair obrigações e deveres, viver juntos, participar socialmente de qualquer reunião, cursar qualquer universidade ou ter qualSão diferentes, jurídica e faticaquer emprego, mostra que sua liberdade mente, sem que esta diferença represente

qualquer “capitis diminutio” na dignidade dos seres humanos, que optaram por uma união entre iguais. A diferença reside em que são pares que, biologicamente, não podem gerar filhos, o que não ocorre com os casais constituídos por um homem e uma mulher. A união sexual de dois homens é impossível de gerar prole, como também a união sexual de duas mulheres. Podem externar nesta união afeto, mas A GRANDE DIFERENÇA é que NÃO PODEM GERAR FILHOS de sua relação sexual. Agosto 2011 / In Guardia 24


Coluna do Ives Gandra Martins. Ora, dizer que, perante a Constituição, são iguais uniões que são biologicamente diferentes, tendo em vista que somente a que ocorre entre um homem e uma mulher é capaz de garantir a perpetuação da espécie, constitui, de rigor, uma falácia. Se todos os homens se unissem com outros homens e todas as mulheres se unissem com outras mulheres, sem utilização de qualquer artifício (inseminação artificial), a humanidade se extinguiria! Há, pois, nítida diferença biológica e jurídica entre os casais de homens e mulheres e aquelas uniões entre homens e homens e mulheres e mulheres. E a diferença – capacidade de gerar prole pelos meios naturais - é tão essencial e de tal magnitude, que impede a equiparação. E, neste aspecto, é que reside, a meu ver, a razão de ser do capítulo da família na Constituição, já agora passando a desvendar a questão referente ao artigo 1723 do Código Civil assim redigido: “Art. 1.723. É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família.” Tenho entendido, em vários escritos, que o mais relevante princípio da Constituição, depois do direito à vida, é a proteção à família. Assim não fosse, não teria o constituinte com particular ênfase, declarado, no “caput” do art. 226, que a família é a base da sociedade: “Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado” (grifos meus). Do dispositivo duas considerações essenciais podem ser tiradas, ou seja, que: a) sem família não há Estado e, por esta razão, o Estado deve dar b) especial proteção à família. A proteção é de tal ordem, que o casamento passa a ser o ideal maior do Estado, não só ao permitir sua celebração gratuita: “§ 1º - O casamento é civil e gratuita a celebração”. como ao dar ao casamento religioso efeito civil:

tas uniões entre casais (homens e mulheres) não ganham o patamar de casamento, houve por bem, o constituinte, reconhecer tal união –sempre entre homem e mulhercomo “entidade familiar”, mas, demonstrando, mais uma vez, a relevância do matrimônio, declarou que o Estado tudo faria para transformar aquela “união estável” em “casamento”, como se lê no artigo 226, § 3º: “§ 3º - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento” (grifos meus). Ainda aqui se percebe nitidamente, os dois objetivos primordiais de preservar a família como base do Estado, capaz de dar perpetuidade ao Estado e à sociedade, garantindo a união estável entre UM HOMEM E UMA MULHER, como entidade familiar. E a prova mais inequívoca de que foi esta a intenção do constituinte - e este o

“§ 2º - O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei.” Como se vê, os dois parágrafos acima deixam nítido que, para dar maior estabilidade à “base da sociedade”, o casamento é o desiderato maior do Estado. Pretendeu o constituinte –e a maioria esmagadora entende que constituinte originário- dar o máximo de estabilidade possível à constituição da família e à prole nela gerada pela segurança do casamento, nivelando o casamento religioso ao civil, nos termos da lei. Compreende-se tal escopo. É de se lembrar que, hoje, na maioria dos países europeus, todos os governos estão a incentivar o aumento das proles familiares, com benefícios de toda a natureza. Ora, tal não Min Ayres Brito é possível, sem métodos artificiais, pela união de um homem com um homem ou princípio constitucional - está em que, na de uma mulher com uma mulher. sequência, o § 4º declara: Simone Veil, quando presidiu o “§ 4º - Entende-se, também, como Parlamento Europeu, em célebre frase, entidade familiar a comunidade afirmou que “os europeus tinham aprendiformada por qualquer dos pais e do a fabricar tudo, mas esqueceram de seus descendentes.” (grifos meus). Ora, qual é o descendente natural“fabricar” europeus”. mente gerado pela união entre um homem Esta é a razão pela qual o casamene um homem e uma mulher e uma mulher? to religioso tem o mesmo “status” do casaSem artificialismos genéticos ou técnicas mento civil e, nas grandes religiões, aquelas que mudaram a história do mundo, médicas utilizando espermatozóides ou segundo Toynbee, no livro “Um estudo da óvulos de terceiros, são incapazes de gerar DESCENDENTES. História”, o casamento religioso SÓ PODE Compreende-se, também, o intuito OCORRER ENTRE UM HOMEM E Udo § 4º do art. 226, ou seja, reconhecer MA MULHER. outra realidade: pela morte ou separação A família, pois, decorrente da união de um homem com uma mu- conjugal, pode um dos cônjuges ter que lher, que biologicamente pode sustentar sozinho seus descendentes, não deixando de ser, portanto, uma entidade gerar proles que dão continuifamiliar, o cônjuge remanescente e seus dade à sociedade, no tempo, é que o constituinte pretendeu filhos. proteger, a meu ver, sendo todos os dispositivos referentes à entidade familiar, cláusulas pétreas, pois dizem respeito aos direitos individuais mais relevantes, ou seja, de perpetuação da espécie e de preservação do Estado. Sensível, todavia, à realidade moderna de que mui-

Parece-me que o § 4º unido ao § 3º do artigo 226 demonstra, claramente, a impossibilidade de se considerar unidade familiar a união entre homens e homens e mulheres e mulheres, que não podem “Motu Proprio” gerar descendentes e que mantêm, biologicamente, um relacionamento sexual diferente daquele que caracteriza a união entre um homem e uma mulher. Agosto 2011 / In Guardia 25


Coluna do Ives Gandra Martins. O próprio § 5º assim redigido: “§ 5º - Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher” reforça a inteligência que tenho do dispositivo. Ainda aqui só se fala em homem e mulher, em meridiana demonstração de que homens e mulheres são iguais na condução da própria família. Da união de pessoas de sexo diferente –e exclusivamente dela- cuidou o constituinte, deixando às uniões homossexuais –É DIFERENTE A UNIÃO, por opção sexual, não geradora de prole- o direito a outras alternativas para alcançar a segurança jurídica, mas não a de ter “status” de unidade familiar. Tanto é diferente que o Governo, por sua Secretaria dedicada aos Direitos da Mulher, entende não ser aplicável a lei “Maria da Penha” à agressão de um homem a um outro homem, numa união homossexual. E, à união surgida desta forma de opção sexual - que não é a opção natural da maioria esmagadora das pessoas, em que a atração física é capaz de gerar prole -, o Estado pode garantir direitos e obrigações. Pode dar-lhe “status” de uma união civil, de obrigações mútuas, mas não de família, aquela que constitui a base da sociedade capaz de gerar sua perpetuação. Ora, o artigo 1723 do Código Civil, reproduz, claramente, o que está na lei suprema e sua dicção, em nada, difere daquela exposta na lei suprema. Nem há que se falar de interpretação conforme, visto que o que decidiu o STF foi um acréscimo ao texto para nele abrigar situação nele não prevista, o que difere, a meu ver, do que se entende por interpretação conforme. Essa modalidade de controle concentrado implica retirar de um texto abrangente situação que, se por ele fosse abrigada, representaria uma inconstitucionalidade. É que, levando em conta a pretendida distinção entre “inconstitucionalidade sem redução de texto” e “a interpretação conforme”, se se admitisse nesta, o acréscimo de hipóteses ao texto legal não produzidas pela lei, estar -se-ia, de rigor, transformando o Poder Judiciário em Poder Legislativo. Mesmo para os constitucionalistas, que consideram a interpretação conforme como desventradora de situação implícita, contida na norma –por isto distinguem-na daquela sem redução do texto-, não se

pode admitir que esta revelação do “não expresso” represente ALARGAMENTO DA HIPÓTESE LEGAL sem autorização legislativa. Para mim, na interpretação conforme, o texto contém mais do que deveria conter. Por esta razão o que está a mais é retirado sem alteração do texto, a fim de que o Judiciário não se transforme em legislador positivo. Em conclusão, o texto constitucional contém rigorosamente o que deveria conter, e o que o Supremo Tribunal Federal fez foi acrescentar ao texto situação não prevista nem pelo constituinte, nem pelo legislador, transformando o Pretório Excelso em autêntico constituinte derivado, ou seja, acrescentando disposição constitucional que o constituinte originário não produziu. Em outras palavras, sem o processo das duas votações nas duas Casas, com 3/5 de todos os segmentos do povo, a Suprema Corte, criou norma constitucional inexistente, acrescentando situações e palavras ao texto supremo, que, como acabo de mostrar, jamais foi intenção do constituinte acrescentar. Ainda em outros termos, o Congresso Nacional eleito por 130 milhões de brasileiros e com poder de alterar a Constituição pelo voto de 3/5 de sua composição, em dois escrutínios, foi substituído por um colegiado de 11 pessoas eleitas por um homem só! Nada obstante, a decisão do Supremo Tribunal Federal, que impõe a todo o Judiciário que seja seguida, considero que a correta interpretação é aquela aqui exposta e que representa também a inteligência de inúmeros juristas. Dizia, com o respeito devido, Santa Catarina de Sena aos Cardeais de sua época, quando erravam “Vossas Eminências cometem eminentíssimos erros”. Infelizmente, sou obrigado a dizer dos Ministros da Suprema Corte “Vossas Excelências cometem excelentíssimos erros”. Concluo, finalmente, transcrevendo parte de recentíssima decisão do Conselho Constitucional da França de 27/01/2011, em linha, a meu ver corretíssima e em franca oposição à do órgão máximo da Justiça Brasileira: “9. Considerando de outra parte que o artigo 6 da Declaração de 1789 dispõe que a lei deve ser a mesma para todos, seja quando ela protege, seja quando ela pune: que o princípio da igualdade não se opõe a que o legislador que regule de maneira diferentes situações diferentes, nem a que se derrogue a legalidade por razões de interesse geral, visto que, em um ou outro

caso, a diferença de tratamento de que daí resulta seja vinculado diretamente ao objeto da lei que o estabelece; que, no momento, o princípio segundo o qual o casamento é a união entre um homem e uma mulher, o legislador tem, no exercício da competência que lhe atribui o art. 34 da Constituição, considerando que a diferença de situação entre casais do mesmo sexo e casais compostos de um homem e de uma mulher podem justificar uma diferença de tratamento quanto às regras do direito de família; que não cabe ao Conselho Constitucional de substituir sua apreciação àquela do legislador, sob o prisma, nesta matéria, desta diferença de situação; que, por consequência, a pretendida maculação do artigo 6 da Declaração de 1789 deve ser descartada; 10. Assim sendo, pois, que disto resultou de que no que concerne a limitação que atenta contra a liberdade de casamento deve ser afastada; 11. Concluindo que as disposições constantes são contrárias a nenhum direito ou liberdade que a Constituição garante; Decide: 1) A letra última do artigo 75 e o artigo 144 do Código Civil (união entre homem e mulher) estão conformes a Constituição; 2) A decisão será publicada no jornal oficial da República Francesa” (grifos meus). ___________________________________________

1. Os artigos citados estão assim redigidos:

“Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: ........... III - a dignidade da pessoa humana; .... Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: ....”.

Min Gilmar Mendes

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Coluna do Rafael Vitola Brodbeck.

Católicos, reassumamos nossa identidade. Saindo da infância, o homem busca se afirmar. Adota um estilo, frisa suas opiniões, “marca território”. Tenta o adolescente, a todo custo, deixar seu sinal no mundo, para que o reconheçam os pósteros.

por também não serem daquela categorias ontológicas a todos.

E, pela liberdade, se garante espaços para características que são só suas e, por outro lado, preserva o que lhe é comum com os outros homens, há certa classe de signos distintivos que estão no meio do caminho. Não sendo meramente pessoais, também não são difusos ou pertencentes a todos.

definição mais concreta, real, palpável.

Há, então, sinais constitutivos de uma identidade católica, como que a bandeira de uma nação facilmente reconhecível. Esse sinais, se distinguem o católico dos demais homens, o ligam a outros de sua mesma fé. Marcam a diferença do católico para o não-católico, Essa busca por identidade, todavi- enquanto estabelecem uma sobrenatural a, não é seu privilégio. É próprio do ser similitude para com quem professa seu humano certa individualidade, que o mesmo catolicismo. distingue dos demais de sua espécie. Assim que, faltando essa identidaTalvez seja um modo de exteriorizar de, poderíamos até estar diante de um aquela característica da alma espiritual e católico no sentido canônico – “sujeito à imortal que lhe foi dada pelo Criador: a autoridade da Igreja” – ou teológico – liberdade. “batizado” –, porém dificilmente naquela

Aqui reside a identidade do católico. Por certo, um católico se distingue de outro católico em inúmeros pontos: beleza, altura, gordura, opiniões políticas, formação intelectual, classe social etc. Compartilha com outros seres humanos, de outra sorte, mesmo não-católicos e até mesmo inimigos da religião, certas outras qualidades: vontade livre, dignidade intrínseca, razão, capacidade de decidirse pelo bem, atração pelo belo, direitos e deveres. Determinada casta de predicados, como dissemos, por estarem “no meio do caminho”, formam, todavia, a identidade católica, por não serem meramente individuais de um católico, sem que compartilhe com outros, e, ademais,

Nosso mundo, vê-se, está cada vez mais sedento de identidades caracterizadoras. Ele arde por um ideal. E, nalguns casos, quanto mais heróico, quanto mais sacrifícios pedir, tanto melhor para as almas que nasceram não para o prazer, senão para o dever. É pela clareza da exposição de idéias, por equivocadas que estejam, que os extremismos islâmico, comunista, e mesmo a renascença nazista, alcançam a muitos, até mesmo jo-

vens. A resposta católica a tudo isso seria o relativismo doutrinário? Atrairemos almas em busca da verdade, oferecendo a mentira de uma doutrina adocicada? Enfraqueceremos aquilo que nos identifica quando é exatamente isso que nos une? Católicos, urge não tentar a impossível tarefa de flexibilizar o imutável, ou de recriar uma doutrina que não é nossa, mas de Cristo. Nossa missão não é essa! Modificando o que cremos, o que pensamos, o que sentimos, o que rezamos, apenas para contentar as massas, não só não teremos êxito no sadio proselitismo, como condenaremos a nós mesmos ao sucumbir à falsidade e à hipocrisia. O que nos resta é fortalecer o que nos é mais caro, o que nos diferencia do não-católico, e o que nos irmana ao outro católico. E isso sem a menor pretensão de excluir o não-católico, porém justo o contrário: atrai-lo pela coerência de vida, e pela prática extremada da caridade.

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Coluna do Rafael Vitola Brodbeck. Em tudo o que for opinável, tenhamos opções diversas. Não temos, como católicos, uniformidade no discutível. Aqui reside a liberdade em Cristo, para a qual também Ele se sacrificou na Cruz do Calvário. Sem embargo, liberdade não é habeas corpus preventivo para a licenciosidade, sob pena de transformar-se em passaporte para o inferno.

A identidade católica reside no amor inquebrantável a Deus sobre todas as coisas, mais do que a nossas opiniões, mais do que a nossos prazeres, amando o que Deus ama, e odiando o que Deus odeia. E desse amor a Deus deve, cogentemente, germinar um irredutível amor ao próximo. Reside, outrossim, naquele devotamento filial e terno à Mãe de Deus, a Santíssima Virgem Maria, e naquela confiança aos que, antes de nós, profes-

Marque a vida do católico o que sempre foi mais estimado à expressão de sua espiritualidade: o terço rezado com piedade, a defesa apaixonada do Sumo Pontífice, a união com seu Bispo, a reverência para com os sacerdotes (e quantos deixam de lhe beijar a mão e pedir a bênção...), o portar-se, para os clérigos, de batina ou com o colarinho romano, o amor ao hábito religioso, as procissões, a freqüência aos sacramentos, a visita aos templos, à Missa dominical e, se possível, diária, assistida não com palminhas-de-são-tomé, e sim com aquela compunção de quem está diante do sacrifício do Madeiro. Seja seu distintivo o pensar com a Igreja, o crer com a Igreja, o agir com a Igreja. E, como ensina Santo Inácio, o sentir com a Igreja.

(em que pese os confessionários abandonados...), estuda a doutrina, dá bom exemplo, diverte-se com sadia alegria. Queremos recuperar nossa identidade católica, para desfraldar bem alto o estandarte de nossa fé? Comecemos pelo que nos foi tirado, inclusive e infelizmente, até por membros da Igreja: o amor ao Santo Padre, o Papa, a unidade na fé, o confessionário, a Missa conforme o Missal (e não conforme a última teoria eclesiológica, ou a vontade do padre-cantor do momento, o crivo do teólogo da libertação de renome), o véu, o terço, a casula, o latim, o canto gregoriano.

Não tenhamos vergonha de nosso patrimônio. Jogar fora tudo isso equivaQueiramos, apaixonadamente, a leria a dilapidar o legado que um rico pai glorificação de Deus, a dilatação do ca- deixou a seu filho. tolicismo, a salvação das almas, a conTempos de luta os nossos. Não versão dos pecadores. nos entrincheiremos. Saiamos a campo. Ler o Papa, rezar pelo Papa, estar com o Papa. Amar o Papa, amar a Virgem, amar a Cristo, amar as almas. Interessar-se pelo que interessa a Deus.

Há coisas que pertencem a cada alma. Nem todos são chamados a determinados sacrifícios. Nem todos são padres. Nem todos consagrados. Nem tosaram, por primeiro, a fé católica: os dos de Missa diária. Isso não faz um casantos. Uma imitação à sua fidelidade, e tólico melhor que outro. Nem o distingue um encomendar-se contínuo à sua inter- dos demais naquilo que deve ser uno. cessão, devem marcar cada passo de nosO que foi exposto, todavia, é o sa vida. básico, o uEnfim, a unidade absoluta no se- no, o prograguimento da mesma fé e na obediência ma mínimo ao mesmo Papa, devem distinguir o cató- de reforma de lico “de longe”. – Lá vai o papista! – vida e de dirão alguns. Que seja! Papistas somos: santificação estamos com o Sucessor de Pedro. Não pessoal. É somos desse time que, aos namoricos isso que faz o com o mundo, tenta ser católico com católico: reesses critérios relativos e passageiros. za, ama a Ou se é católico com os critérios de Cris- Deus, ama ao to e da Igreja, ou não se é nada. Católico próximo, vai que adota os critérios mundanos, aban- à Missa, se donando os cristãos, não é católico. Sim- confessa com ples assim. Claro assim. Cristalino. E um sacerdote paradoxal e surpreendentemente fácil.

Os rosários quais baionetas. As batinas, hábitos, véus, “roupas de Missa” e, principalmente, a graça batismal (a veste da parábola), como fardamentos. O ostensório com o Santíssimo e a imagem da Virgem equivalentes às bandeiras pátrias. Os cânticos multisseculares da Igreja de Cristo como hinos de guerra. E o latim, por fim, como letra do brado que nosso peito deve sair com todas as forças, com toda a vontade, com toda a entrega, com toda a alma.

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Lo studente della liturgia com Kairo Rosa Neves de Oliveira

O uso da Estola A estola é um dos paramentos mais ricos de significado no Rito Romano, consiste de uma faixa estreita de tecido de acordo com a cor da liturgia do dia decorada, geralmente com bordado. É usado na celebração da missa, dos sacramentos e dos sacramentais. História A estola não possui a mesma origem da casula, da dalmática e da alva, isto é, do hábito romano antigo; ao contrário, ela vem do oriente. Assim se explica que também nos ritos orientais existam paramentos muito semelhantes com a estola ocidental. Como a grande maioria dos paramentos, vem do uso profano. No princípio a estola, provavelmente, era uma tira de tecido muito fino destinada a limpar o rosto ou resguardar o pescoço; era distinta das classes mais altas.

gar), o uso da estola logo passou a ser distintivo daqueles que tinham autoridade para pregar à assembleia dos fiéis, isto é os diáconos, presbíteros e bispos. Assim, ao fim do século VI, a estola já é tida como distintivo dos ordenados, ainda que houvesse já diferenças no uso por cada uma das ordens.

de deu nome grego. Em meados do século XIII, o termo antigo foi completamente abandonado e o nome estola passou a ser exclusivamente usado no mundo latino. O diácono O diácono põe a estola a tiracolo, apoiada no ombro esquerdo e preza debaixo do braço direito. O diácono usa a estola assim com alva sempre que oficia em uma missa; nas celebrações solenes sobre a estola endossa com dalmática.

Orarion usado por Diáconos do Rito Bizantino

O Sínodo de Laodicéia proibia os clérigos menores, entre eles os subdiáconos a usarem estola e regulamentava seu uso pelos diáconos, isto é, a tiracolo sobre o ombro esquerdo. O Concílio de Braga II no século VI, que ordenou que os diáconos usassem a estola Passado para o uso litúrgico ainda sobre a alva para distingui-los dos subno oriente, logo deixou seu formato ori- diáconos. ginal e, já no século IV, passou ao forLembrando que quando falamos mato de faixa. do uso da estola diaconal sobre o ombro Seu nome em grego é “Orárion”, esquerdo, nessa época, nos referimos até hoje assim se chama o paramento estola que saindo de baixo do braço esrelativo à estola diaconal no rito bizanti- querdo, cruza as pontas sobre ombro no. Por conta deste nome, que os nórdi- esquerdo cai com as pontas tremulantes cos acreditavam vir do verbo latino do lado esquerdo do corpo, como ainda “orare” (orar, mas também, falar, pre- se usa no oriente. Apenas no século XII, a estola diaconal no ocidente, por conta na grande necessidade de simplificação do pensamento romano se encurtou, passando a ser preso sobre o braço direito. E no século XIV, passou para baixo da dalmática. Os sacerdotes, porém, já nessa época usavam a estola sob a casula; os bispos sob a dalmática e a casula. Assim já se representou Santo Ambrósio em sua catedral no século V. O uso de os presbíteros cruzarem a estola sobre o peito surgiu no século VII, por ordem no Concílio de Braga III, apesar de só ser escrito no missal romano no século XVI, por São Pio V.

No rito antigo, durante períodos de penitencia, os diáconos não utilizavam a dalmática, então a estola diaconal usada era mais encorpada, chamada de estolone, estola larga, estolão. No rito novo, pode-se ter diácono oficiando em todas as celebrações eucarísticas, mas não necessariamente sempre usa a dalmática, tendo-a como um elemento de “solenização”. Assim, nas missas ferais, memórias e mesmo nos domingos da quaresma, segundo o costume, pode fazer uso de uma estola maior e mais larga, mas sempre, presa da forma convencional. Fora da celebração eucarística, o diácono pode usar a estola com a dalmática para ministrar sacramentos e sacramentais e ainda liturgia das horas. Para celebração das LH em que se dá a bênção eucarística, o Estolão diaconal do rito romano diácono usa estola diaconal com o pluvial. Para distribuir a comunhão ou tocar nos vasos que contém a sagrada eucaristia, ou ainda para receber a comunhão em missa que não oficie, faz uso da estola sobre batina e sobrepeliz.

Em relação ao nome, apesar de seu nome primitivo ser usado para regulamentar o uso da estola, entre os séculos Na forma extraordinária, os diácoVI e VII, nos países nórdicos da Europa nos-assistentes não vestem estola, na já se usava o nome estola no lugar de forma ordinária, vestem-se como os diá“orarium” que seria o termo latinizado conos oficiantes. Papa Bento XVI usando estola sobre as vestes corais

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Liturgia na Igreja com Kairo Rosa Neves de Oliveira A estola diaconal de Paris

reafirmação do simbolismo presente na estola.

Existe na França, um modelo de estola diaconal em uso no rito romano e ao que parece aprovado para a arquidiocese de Paris, mais próximo ao formato antigo.

A estola papal

Apesar de parecer um interessante meio de retorno às fontes, essa estola têm mostradoEstola diaconal de Paris se um grande mal. Primeiramente por que nos parece um arqueologismo litúrgico, um paramento retirado do “túnel do tempo”, que já não se usa a muitos séculos em nosso rito por conta da própria evolução paulatina do rito. Ademais, essa estola tem dispensado o uso da veste que é própria do diácono, a dalmática. A estola diaconal no Rito Ambrosiano Algo interessante da Arquidiocese de Milão é que, apesar da mudança Diáconos de Milão usando a estola do uso da semelhante ao uso oriental estola ocorrida no universo romano, no rito ambrosiano a estola mante seu uso mais próximo ao dos ritos orientais, isto é, sobre a dalmática e com as pontas pendentes do lado esquerdo. Outra diferença é que os diáconos -assistentes, apesar de não usarem alvas, portam a estola sobre a dalmática. O presbítero

Uso da estola com sobrepeliz

mente recomendado aos sacerdotes manter este uso. Papa usando mozeta Sempre de cor roxa, usa-se com sobrepeliz para os sacramentos da confissão e unção dos enfermos. Para bênçãos em geral, e para a exposição e bênção eucaristica, para tocar num recipiente com a sagrada eucaristia e para receber a comunhão usa-se de cor branca, igualmente com sobrepeliz.

Papa usando tradicionalmente estola vermelha com mozeta vermelha

O papa, enquanto bispo, usa a estola sempre com as pontas paralelas. Existe, entretanto, um uso próprio do Sumo Pontífice. O papa usa estola sobre vestes corais, pode usá-la toda vez que aparece em público, mesmo para alguma função não estritamente litúrgica. Apesar disso, não a tem usado para a oração do ângelus e outras ocasiões mais sociais e menos litúrgicas, mesmo usando vestes corais.

Quando se usa com sobrepeliz, os sacerdotes deixam a estola cair sobre o peito, paralelamente. A estola que se usa com sobrepeliz, pode ser a mesma que se usa com alva e casula. Existe, entretanto, um costume antigo de usar um modelo Essa estola é longa, até abaixo do que é um pouco maior e possui por vezes um pequeno detalhe que liga as pontas joelho, ricamente bordada com arabesda estola; é conhecida como estola pas- cos, flores e folhas com extremidades mais alargadas e munida de franjas. A toral. cor é sempre branca ou vermelha, de O bispo acordo com a ocasião, sem uma regra O bispo específica. Existe, porém, o costume de usa a estola ao o papa usar mozeta branca durante o redor do pesco- tempo pascal e com ela sempre estola ço caindo para- branca (dourada); com a mozeta vermelelamente sobre lha usa-se geralmente a estola vermelha, o peito, seja mas por vezes o Papa usa também a com alva seja estola branca. com sobrepeliz. Entre as duas partes da estola, o bispo usa a peitoral, O papa com a estola à mos- cruz tra após retirar a casula para ainda que se a adoração da Santa Cruz possa fazer uso dela sobre a casula.

O presbítero usa estola com casula sobre alva sempre que celebra ou concelebra a Eucaristia. Usa ainda com pluvial para procissões, para expor o Santís- As ínfulas simo de forma solene, para dar a bênção eucarística solene e para alguns sacramentos celebrados de maneira mais solene, se esses se realizarem fora da missa. A maneira de usar estola com alva é tradicionalmente cruzando-a sobre o peito e prendendo -a com o cíngulo. Embora esse detalhe não conste mais nas rubricas Estola presbiteral cruzada do missal é vivasobre o peito.

branca, por ocasião do tempo pascal, com estola dourada

As mitras latinas, bem como o triregnum, possuem duas tiras atrás, as chamadas O triregnum de Bento XVI, com Mitra com as ínfulas seu brasão ínfulas à mos- (infulae: do bordado nas latim, tiras). tra ínfulas. Essas tiras são por muitos liturgistas relacionadas com a estola, seu uso é relacionado com a plenitude do sacerdócio. Assim, as ínfulas seriam uma

Pouco usual, estola branca sobre mozeta vermelha.

Referências Bibliográficas: Stefano Sanchirico, Cerimoniario papal, L‟Osservatore Romano; Pe. João Batista Reus, Curso de Liturgia; Pietro Siffrin, Stola, Enciclopedia Cattolica, XI; Aloisius Gonzaga, Dizionario Liturgico, Cattolici Romani.

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Milagres com Lizandra Danielle

N. Sra. de Fátima e o Milagre do Sol Situação histórica da rural, e já era pastora aos 6 anos, junto com seus primos Jacinta e Francisco. época O começo do século XX foi marcado com a invasão do poder comunista, na maior parte do mundo. Lenine planejava com Trotsky espalhar o marxismo pelo mundo, começando pela Península Ibérica (Portugal e Espanha). Em 1910, sete anos antes do Milagre do Sol, o governo comunista assumiu o poder em Portugal, e no mesmo ano, a Alemanha declarou guerra à Rússia.

Em 17 de junho de 1921 entrou no colégio das irmãs Doroteias. Em 1948 entrou no Carmelo de Santa Tereza.

O principal símbolo do comunismo (Marxismo), que até hoje é usado no mundo, e no governo atual do Brasil, é a estrela vermelha. E por incrível que pareça, Nossa Senhora de Fátima aparece anos depois com uma estrela na barra de sua túnica branca, não a estrela vermelha, mas uma estrela de luz, dourada e resplandecente. O objetivo do comunismo na época (e até hoje) era exterminar a religião apenas em duas gerações, o que não aconteceu. A religião é considerada um obstáculo ao progresso social, o ópio do povo e assim tenta negar a existência de Deus e/ou corrompê-la.

Durante e depois das aparições, Jacinta era a que mais praticava a mortificação, como penitência, que a Virgem pediu aos três, pela conversão dos pecadores. Alguns exemplos de mortificação: uma corda bem amarrada na cintura, a utilização da planta Urtiga em algumas partes de corpo para incomodar, etc. É possível que os vários jejuns que fazia, à deixou mais frágil, fazendo com que fosse atingida pela epidemia que estava atacando toda a Europa em 1918, como conseqüência da primeira guerra mundial.

Os três pastorinhos: Lúcia de Jesus dos Santos Nasceu em Aljustrel, cidade perto de Fátima, no dia 28 de março em 1907, filha de Antônio dos Santos e Maria Rosa. Foi uma das três crianças que teve a bênção de ver, ouvir e falar com Virgem de Fátima. Ela era a única que falava com a Virgem, Jacinta via e ouvia e Francisco apenas via em algumas ocasiões. Era uma menina típica da época,

Lúcia faleceu no dia 13 de fevereiro de 2005, com 98 anos de idade. Jacinta Marto Também nasceu em Aljustrel, no dia 11 de março de 1910, filha de Manuel Pedro Marto e Olímpia de Jesus dos Santos. Ela via e ouvia a Santa, mas não conversava como Lúcia.

Veio a falecer no dia 20 de fevereiro de 1920. Jacinta foi beatificada no dia 13 de maio de 2000, pelo Beato Papa João Paulo II. No dia 11 de março de 2010 foi comemorado o centenário de seu nascimento, com a presença do Papa Bento XVI.

nuel Pedro Marto e Olímpia de Jesus dos Santos. Dos três pastorinhos era o único que apenas via Nossa Senhora, não foi permitido a ele ouvir a voz nem falar com a Santa, mas os segredos foram contados à ele por Lúcia e Jacinta. Também fazia muitas mortificações, que até Francisco Marto mesmo Nossa Senhora os pediu moderaNasceu em Ourém no dia 11 de ção. Há relatos de que ele faltava à aula junho de 1908, filho mais velho de Ma- escondido dos pais para fazer companhia á Sagrada Eucaristia na igreja e consoláLo pelos pecados do mundo. Como Jacinta, Francisco também foi vítima da epidemia que rondava pela Europa. E faleceu em 1919, em casa. Francisco foi beatificado junto com sua irmã, no dia 13 de março de 2000, pelo Beato Papa João Paulo II. As aparições em Fátima

Jacinta. Lúcia e Francisco

Também conhecidos como os pastorinhos de Fátima, Lúcia de Jesus dos Santos, com dez anos, Francisco

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Milagres com Lizandra Danielle Marto, de nove anos e Jacinta Marto irmã Francisco, de sete anos, receberam mensagens e segredos confiados a eles pela Virgem Maria Santíssima em Portugal, na cidade de Fátima em 1917.Antes disso, as crianças tiveram a visita de um Anjo em 1916, que veio prepará-los para a futura aparição de Nossa Senhora. O acontecido foi descrito por Lúcia, no livro “Memórias da Ir. Lúcia”, cujos excertos colocamos a seguir. Ela diz que um anjo com a aparência de uns 14 a 15 anos, aparece aos três como o Anjo da Paz ou Anjo de Portugal, pedindo que junto dele rezem, recitou uma oração e pediu a eles que rezassem sempre desse jeito: “– Meu Deus! Eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e Vos não amam.” Em uma segunda aparição, enquanto as três crianças estavam em cima de um poço que era conhecido por eles como Arneiro, que ficava no quintal dos pais de Lúcia, o Anjo falou para que eles sempre oferecessem orações e sacrifícios ao Altíssimo e que Jesus e a Maria Santíssima reservava a eles desígnios de misericórdia. Segundo Lúcia, houve um momento onde o Anjo apareceu com um cálice nas mãos onde tinha uma hóstia suspensa e gostas de sangue saiam dela, logo depois o Anjo os alimentou com o Corpo e o Sangue de Cristo. “...toma em suas mãos o Cálix e a Hóstia. Dá-me a Sagrada Hóstia a mim e o Sangue do Cálix divide-O pela Jacinta e o Francisco, dizendo ao mesmo tempo: – Tomai e bebei o Corpo e Sangue de Jesus Cristo, horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus.

E prostrando-se de novo em terra, repetiu conosco outras três vezes a mesma oração. – Santíssima Trindade, Padre, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Foto do dia em que aconteceu o milagre so sol. Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os ao mundo, que naquele momento passaSacrários da terra, em reparação dos va por grandes crises e guerras, dizia que ultrajes, sacrilégios e indiferenças com se os homens não se arrependessem de que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração seus pecados a guerra não iria acabar. e do Coração Imaculado de Maria, peço Na última aparição Nossa Senhora de Fátima se identificou como a Senhora do Rosário, assim pedindo para que sem-Vos a conversão dos pobres pecadores. pre rezássemos o rozário em nome de E desapareceu.” A primeira apari- todos os pecadores do mundo. ção da Virgem aconteceu no dia 13 de maio de 1917 na Cova da Iria, em Fáti- O Milagre do Sol ma. A partir daí, a Virgem de Fátima O poder divino se manifestou em apareceu para as três crianças todo dia Fátima, como nossa Mãe Celestial havia 13 de cada mês sempre na mesma hora, prometido. Em um dia muito chuvoso, durante os 5 meses seguintes, até o mês onde se fez possas de lama por toda parde outubro, exceto em agosto que foi no te, o Milagre do Sol foi presenciado por dia 19. No início das aparições a Virgem uma grande multidão que disputava lunão revelou sua identidade, as crianças a gar naquele solo encharcado, todos usaconheciam como uma mulher vestida de vam guarda-chuva, era tanta gente que branco que aparecia em cima de uma olhando por cima parecia um tapete, azinheira rodeada de luz, que dizia vir do mais de 70 mil pessoas de todas as clasCéu, e pedia para que eles sempre rezas- ses sociais e crenças, o milagre pôde ser sem o rosário. No dia 13 de julho foi visto em uma área de 32 km de distância quando Maria Santíssima mostrou aos do local, o que prova que aquela visão pastorinhos a visão do inferno, visão que não poderia ter sido influência coletiva os deixou muito atormentados, viram ou hipnose e se tivesse sido um fenômealmas mergulhadas em um mar de fogo, no natural, os observatórios astronômionde só se escutava ranger de dentes, cos teriam registrado sem dúvida. gritos de dor e desespero. Todos que estavam na Cova e em No dia 13 de agosto, dia marcado suas proximidades viram o sol bailar no para a quarta aparição, o administrador céu, emitindo cores variadas, azul, amado conselho de Vila Nova de Ourém, relo, vermelho, etc. enganando as três crianças, conseguiu Segundo testemunhas, acorreu um levá-las para a vila, com o objetivo de grande alvoroço, a maioria das pessoas não haver mais tumulto e perguntas sose ajoelhavam e começaram a confessar bre o assunto, dois dias depois as crianseus pecados em voz alta, crendo que ças voltaram para casa, ou seja, não houaquilo era o fim do mundo, pois o sol ve aparição no dia marcado, mas sim no parecia que estava caindo em direção da dia 19 de agosto, os três estavam em multidão. Quando tudo acabou, todos uma propriedade de seus tios, conhecido tinham se secado e não havia mais lama. por Valinhos, quando tiveram a visão de Logo começou uma grande ventania, Nossa Senhora em cima de uma azinheicontudo, aos olhos dos presentes, nada ra como de costume. Desde o começo se movimentava com o vento, nem mesela prometeu que no último mês falaria mo as árvores. quem era e faria um milagre onde provaria suas aparições a todos que estivessem “Chovia agora como uma torneira que ali presentes, pois, ninguém dava credi- se abre em casa. Chuva! E então, de bilidade aos pastorinhos, por serem me- repente, a chuva parou. O sol começou a ras crianças, que poderiam muito bem rolar de um lugar para o outro e ficou inventar histórias fantasiosas para cha- azul, amarelo de todas as cores! Então vimos o sol vir em direção das crianças mar atenção. (3 pastorinhos), em direção da árvore. Em todas as aparições a Virgem Todos estavam berrando. Alguns comepede que todos ofereçam sacrifícios peçaram a confessar seus pecados porque los pecadores e manda várias mensagens não havia padres por perto.”

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Milagres com Lizandra Danielle

“Assim que o sol voltou para sua posição normal, o vento começou a soprar forte, mas as árvores absolutamente não se mexiam. O vento soprou e em alguns minutos a chão estava tão seco quanto este chão aqui. Até nossas roupas tinham secado. Andávamos para cá e acolá e nossas roupas... não sentíamos absolutamente nada.”(testemunha do milagre, que tinha 17 anos na época - Sr. Diminic Reis, entrevista feita em um programa de televisão em 1960, 43 anos depois do milagre.)

querendo criar explicações, muitos dizem que isso seria impossível pelo fato de que todos os planetas dependem do lugar onde o sol se localiza, um metro a mais ou a menos já faria um grande estrago no planeta Terra ou que se o Sol realmente tivesse girado no céu o mundo inteiro teria presenciado isso. Realmente pensando assim, podemos concluir que o Milagre do Sol foi uma farsa, mas o que muitas pessoas não entendem é que o sol não girou realmente, mas o poder divino fez com que todos que estavam na Cova e suas proximidades vissem um fenômeno sobrenatural que não aconteceria jamais, por isso é que se chama milagre, um acontecimento fora do normal, que não obedece às leis naturais ou da física. Portugal após o milagre O milagre do Sol foi um grande dispersor da revolução que acontecia em Portugal desde 1910. Os principais governantes de Portugal naquela época eram Magalhães Lima e Afonso Costa, mas o fundador do partido que se misturava ao ateísmo, era Antonio Maria da Silva, no qual foi o primeiro a se curvar diante do grandioso acontecimento em Fátima. O começo da dispersão da força revolucionaria teve início com a conversão de Antonio, pois queria a reconciliação com a Igreja, por causa disso, sofreu com ataques e insultos de seus exaliados.

de que o milagre estaria enfraquecendo a revolução comunista naquele lugar. Foi colocado na presidência Sindônio Pais, um erro dos revolucionários. Sindônio deixou que a religião tomasse cada vez mais lugar no país, o que chocava com o plano dos comunistas, por isso foi assassinado.

No dia 22 de outubro de 1917, nove dias depois do milagre, a árvore onde a Senhora de Fátima apareceu foi derrubada pelo governo. Ao ler as entrevistas feitas décadas depois do ocorrido, de algumas testemunhas, é possível ver a grandiosidade do milagre, o quanto elas se emocionam em apenas lembrar do acontecido.

Mas no dia 24 de outubro, o jornal local (O Século) anunciou que as peregrinações na Cova da Iria continuavam e que a árvore derrubada não era a verdadeira, mas sim uma parecida. Enquanto Desde 1917 muitas pessoas que isso o administrador de Fátima, Arthur Em 1922 a capela construída na não acreditam ou não querem acreditar dos Santos, perdia lugar e chances para cova foi destruída. que isso foi realmente um milagre, ficam assumir algum cargo mais alto, pelo fato Pouco tempo depois Portugal tem sua infame revolução comunista enfraquecida a tal ponto que não resistiu e simplesmente definhou. Hoje Fátima é lembrada como uma das principais aparições de Nossa Senhora no mundo, contudo seus pedidos para que a humanidade se redimisse vem sendo a cada dia mais e mais desobedecidos. Os resultados dessa desobediência a humanidade, certamente, sentirá na pele. Lizandra Danielle

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Liturgia na Igreja com Kairo Rosa Neves de Oliveira

Indicações e Dicas Livro de Emanuel Jr com o tema liturgia. Escrito em forma de perguntas e respostas (mais de 200) com imprimatur e apresentação de D. Washington Cruz (Arcebispo Metropolitano de Goiânia) e apresentação na contra-capa do Pe. Marcos Valério (Pároco na Paróquia do Imaculado Coração de Maria em Goiânia - GO.

Blogs e Sites http://www.salvemaliturgia.com

Uma maneira simples e totalmente fundamentada nos documentos da Igreja de explicar cada passo da missa e seus objetos e paramentos. Aos interessados, entrar em contato pelos seguintes meios: 1) Mensagem no facebook: http://is.gd/ZgWqHC; 2) Mensagem no twitter: @emanuelocjr

http://blogdoemanueljr.blogspot.com

3) Pelo e-mail emanuelocjr@.com.br. O custo é de mínimos R$10,00 mais frete que pode variar de cidade para cidade. O lucro está sendo revertido para a formação e capacitação de acólitos, coroinhas e cerimoniários da Paróquia do Imaculado Coração de Maria em Goiânia – GO.

http://www.gazetadopovo.com.br/blog/tubodeensaio

http://www.movimentoliturgico.com.br

http://sociedadecatolica.com.br

http://www.zelusdomustuae.com

http://www.vatican.va/phome_po.htm

http://www.chestertonbrasil.org

http://www.inguardia.blogspot.com

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In Guardia.1ª Edição.01/08/11  

Revista com conteúdo Católico Apostólico Romano.

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