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idigital - Revista da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia em Identificação Digital - Ano 03 - Número 10 - julho/agosto/setembro de 2012

ICMedia 2012 CERTFORUM Evento chega à 10 edição

Com uma série de eventos paralelos, Conferência reúne em Brasília gente de todo o mundo e a cúpula da segurança pública brasileira

WORKSHOPS RIC Evento conclui mais um ciclo nacional

PARCERIA REFORÇADA ABRID e ITI assinam cooperação técnica


REVISTA DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS EMPRESAS DE TECNOLOGIA EM IDENTIFICAÇÃo DIGITAL - ABRID

12 . CAPA ICMedia: Brasília recebe Conferência Internacional 20 . Abertura 22 . Primeiro Dia 32 . Segundo Dia 42 . Terceiro Dia 52 . Encerramento 54 . Estandes das Associadas ABRID

68 . CERTFORUM Dez anos de sucesso

76 . WORKSHOP O RIC em debate

84 . CONSESP

Olho nos grandes eventos

86 . CASOS E artigos 88 . 3M Polícia de Londres Implementa novo dispositivo de identificação móvel da 3M 92 . DATACARD Documentos de Identificação de Alta Segurança: Usando QSDC para determinar o mix certo – Parte 2

98 . G&D América do sul Espírito latino! 102 . Gemalto Chegou a hora de tornarmos nossas cidades inteligentes 108 . LASERCARD Identidade eletrônica e passaporte eletrônico: as principais tendências para o futuro da identificação governamental

112 . NEC O próximo passo possível para o processamento numérico de unidades biométricas de construções naturais: Seria a Computação Quântica?

116 . Flashes julho - agosto - setembro 2012 | 3


PALAVRA DO PRESIDENTE

Ricardo Padue

Esta é uma edição especial, praticamente toda dedicada à cobertura da Icmedia e dos eventos paralelos que aconteceram em Brasília de 18 a 21 de setembro. A Conferência Internacional de Ciências Forenses em Multimídia e Segurança Eletrônica trouxe à capital da República gente dos quatro cantos do mundo para discutir temas voltados à segurança, com ênfase na utilização das ferramentas eletrônicas. Mas não foi só. A Icmedia 2012 contou com um hall de eventos paralelos que ampliou, e muito, a discussão, fazendo de Brasília a sede decisória do setor por alguns dias. Estiveram reunidos aqui, por exemplo, o Colégio Nacional dos Secretários de Segurança Pública (Consesp) e o Conselho Nacional de Dirigentes de Órgãos de Identificação (Conadi), instâncias que reúnem a cúpula da segurança e da identidade civil do país. Vale ressaltar também, dentro da programação paralela, a realização da penúltima etapa do ano do 10º CertForum, o Fórum da Certificação Digital. O evento chega à décima edição consolidado como o principal do segmento no Brasil. E Brasília tem a honra de ser a única cidade do país a receber todas as 10 edições do encontro. Por fim, a Icmedia 2012 incluiu ainda a etapa Centro-Oeste dos Workshops Regionais do RIC, um evento muito caro à nossa Associação porque permite o prosseguimento das discussões sobre a nova identidade do brasileiro. O projeto do RIC passa por um período de reavaliação, mas está vivo e vai ser implantado. Com o Centro-Oeste, o Workshop conclui o giro 2012, tendo passado antes por Sudeste-Sul, Norte e Nordeste. A ABRID e suas associadas apoiaram e participaram ativamente de todos os eventos. Para nós, a discussão de temas como segurança eletrônica, certificação digital e RIC é muito mais do que um simples negócio. Sim, são assuntos da nossa expertise, porém, além disso, são a pauta do novo Brasil. Um país forte, tecnológico, competitivo e dinâmico que não apenas queremos, mas que estamos ajudando a construir. Boa leitura! Célio Ribeiro, presidente da ABRID

EXPEDIENTE idigital é uma publicação da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia em Identificação Digital (ABRID). Presidente: Célio Ribeiro Diretor de Identificação Digital: Edson Rezende Diretor de Projetos e Informação Tecnológica: Fernando Cassina Reportagem: Iara Rabelo e Marcio Peixoto Editor: Marcio Peixoto MTB 4169/DF Revisão: Millena Dias Tiragem: 2.500 exemplares Periodicidade: trimestral Contato: (61) 3326 2828 Projeto gráfico e diagramação: Infólio Comunicação www.infoliocom.com - (61) 3326 3414 (Os cases e artigos assinados não refletem o pensamento nem a linha editorial da revista e são de inteira responsabilidade de seus autores)

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Parceria para o sucesso

Iara Rabelo

ABRID e ITI assinam acordo de cooperação técnica e buscam novos projetos em conjunto

Célio Ribeiro, presidente da ABRID no momento da assinatura do contrato 8 |

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Iara Rabelo

Maurício Coelho, diretor-presidente substituto do ITI, e Célio Ribeiro, presidente da ABRID, celebram a parceria firmada

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roca de experiências, parceria, cooperação técnica, busca de novos avanços na área de identificação digital. Esta foi a motivação para que a ABRID e o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) firmassem, no dia 31 de julho, na sede do ITI em Brasília, acordo de cooperação técnica. O acordo foi oficialmente assinado pelo presidente da ABRID, Célio Ribeiro, e o diretor-presidente substituto do ITI, Maurício Coelho. Maurício Coelho destacou a importância prática da parceria da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia em Identificação Digital. Para Coelho, é muito mais fácil o governo dialogar com uma associação que representa um seguimento da sociedade do que fazer atividades

individualizadas. “Este acordo simboliza para o ITI, enquanto entidade pública, uma ferramenta de representatividade coletiva. A ABRID tem em seu corpo de associados uma grande representatividade da indústria de identificação digital, que é a indústria em que o ITI atua fortemente”, disse. O diretor ainda ressaltou que ABRID e ITI vêm trabalhando juntos há tempos e já fazem projetos e parcerias bem sucedidas. Entre eles, destacou, está o novo projeto da AR Digital, que é um trabalho inovador com as autoridades certificadoras. O objetivo é desburocratizar e mesmo baratear o processo de certificação Digital no país. Já Célio Ribeiro ressaltou que parcerias como as com o ITI são de grande importância para a ABRID.

Ribeiro lembrou que a Associação e o Instituto já fizeram muitos projetos em comum, como workshops, seminários, eventos e o Certforum, que está na décima edição este ano. “O objetivo desse acordo é dar transparência aos atos que são feitos em conjunto e que as entidades conversem abertamente e com transparência, demonstrando o que estamos fazendo. A essência da ABRID é subsidiar tanto órgãos públicos quanto empresas privadas da melhor solução em tecnologia que suas empresas detêm. E apoiar os projetos que têm grande importância para o país”, reiterou. A assinatura do acordo contou também com a presença de Edson Rezende, diretor de identificação da ABRID, e Eduardo Lacerda, assessor da presidência do ITI.

Iara Rabelo

Da esquerda para a direita: Eduardo Lacerda, assessor da presidência do ITI, Maurício Coelho, diretor-presidente substituto do ITI, Célio Ribeiro, presidente da ABRID, e Edson Rezende, diretor de identificação da ABRID julho - agosto - setembro 2012 | 9


ABRID - Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia em Identificação Digital Resumo dos Acordos firmados com o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) Data

Instrumento

Partes

Objeto

11/5/2009

Acordo de Cooperação Técnica

ITI e ABRID

“...estabelecer a cooperação técnica entre os partícipes, no sentido de aproveitar ao máximo as potencialidades das instituições signatárias, dentro do campo de suas respectivas atribuições e especificações, com vistas à realização do 7º CertForum que realizar-se-á nas cidades do Rio de Janeiro/RJ, Porto Alegre/RS, São Paulo/SP, Brasília/DF e Belém/PA.”

9/10/2009

Acordo de Cooperação Técnica

ITI, ABRID e CMB

“... O desenvolvimento de uma solução de segurança para implantação do ‘RIC’ - Registro de Identidade Civil, contemplando as atividades necessárias ao adequado cumprimento de todos os requisitos, sejam eles gráficos, de Tecnologia da Informação e Comunicação, Segurança, Criptografia, Logística, Microeletrônica, dentre outros. Parágrafo único: Nesse acordo estão previstas, ainda, as definições das características dos produtos e o desenvolvimento do processo de fabricação dos cartões em policarbonato, decorrentes de estudos técnicos e colaboração existente entre ABRID e o Instituto Nacional de Identificação - INI e o Instituto Nacional de Criminalística - INC ambos subordinados a Diretoria Técnico-Científica - DITEC do Departamento de Polícia Federal, com a qual a ABRID possui Acordo de Cooperação Técnica firmado.”

28/10/2009

Acordo de Cooperação Técnica

ITI e ABRID

“... por finalidade o desenvolvimento de estudos sobre novas tecnologias de produção de bens e serviços aplicáveis à identificação digital com uso da certificação digital padrão ICP-Brasil, bem como a capacitação de usuários na utilização dos novos recursos tecnológicos.”

22/3/2010

Acordo de Cooperação Técnica

ITI e ABRID

“... estabelecer a cooperação técnica entre os partícipes no sentido de aproveitar ao máximo as potencialidades das intituições signatárias, dentro do campo de suas respectivas atribuições e especificações, com vistas à realização do 8º CertForum que realizar-se-á nas cidades de Belo Horizonte/MG, Rio de Janeiro, São Paulo/SP, Recife e Brasília/DF.”

10/10/2010

1º Termo Aditivo ao Acordo de Cooperação Técnica (09/10/2009)

ITI, ABRID e CMB

“CLÁUSULA PRIMEIRA: Os partícipes, anteriormente qualificados, resolvem prorrogar o prazo de vigência do Acordo de Cooperação Técnica original, com permissivo contido na Cláusula Décima, por um período de 12 (doze) meses, a contar de 10.10.2010.”

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ABRID - Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia em Identificação Digital Resumo dos Acordos firmados com o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) Data

Instrumento

Partes

Objeto

29/10/2010

Acordo de Cooperação Técnica

ITI e ABRID

“... estabelecer a cooperação técnica entre os partícipes no sentido de aproveitar ao máximo as potencialidades das intituições signatárias, dentro do campo de suas respectivas atribuições e especificações, com vistas à realização do 8º CertForum que realizar-se-á na cidade de Belém/PA, na data de 18 de novembro de 2012.”

14/3/2011

Acordo de Cooperação Técnica

ITI e ABRID

“... estabelecer a cooperação técnica entre os partícipes no sentido de aproveitar ao máximo as potencialidades das intituições signatárias, dentro do campo de suas respectivas atribuições e especificações, com vistas à realização do 9º CertForum que realizar-se-a nas cidades de Florianópolis/SC, Rio de Janeiro/RJ, Salvador/BA, Recife/PE e Brasília/DF.”

1/4/2011

1º Termo Aditivo ao Acordo de Cooperação Técnica (14/03/2011)

ITI e ABRID

“... a exclusão da etapa Salvador/BA, do 9º CERTFORUM previsto para o dia 02 de junho de 2011, prevista na Cláusula Primeira do Objeto e acréscimo de compromisso para a ABRID previsto na Cláusula Terceira do Acordo de Cooperação Técnica, em virtude da edição do Decreto nº 7.446, de 1º de março de 2011.”

11/10/2011

2º Termo Aditivo ao Acordo de Cooperação Técnica (10/10/2010)

ITI, ABRID e CMB

“CLÁUSULA PRIMEIRA: Os partícipes, anteriormente qualificados, resolvem prorrogar o prazo de vigência do Acordo de Cooperação Técnica original, com permissivo contido na Cláusula Décima, por um período de 12 (doze) meses, a contar de 11.10.2011.”

16/2/2012

Acordo de Cooperação Técnica

ITI e ABRID

“... estabelecer a cooperação técnica entre os partícipes no sentido de aproveitar ao máximo as potencialidades das intituições signatárias, dentro do campo de suas respectivas atribuições e especificações, com vistas à realização do 10º CertForum que realizar-se-á nas cidades de São Paulo/SP, Recife/PE, Goiânia/GO, Rio de Janeiro/RJ, Brasília/DF e Florianópolis/SC.”

23/3/2012

1º Termo Aditivo ao Acordo de Cooperação Técnica (16/02/2012)

ITI e ABRID

“...acrescentar a alínea “i” do compromisso assumido pela ABRID, prevista na Cláusula Terceira: i)arcar com os custos decorrentes de deslocamentos e hospedagem de servidores, palestrantes e colaboradores necessários para a realização do 10º CertForum.”

31/7/2012

Acordo de Cooperação Técnica

ITI e ABRID

“... por finalidade estabelecer e regulamentar um programa de cooperação técnica entre a ABRID e ITI relacionado a informações sobre tecnologias de bens e serviços aplicáveis à identificação digital e à segurança documental em áreas de interesse comum e outras atividades afins.”

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A tecnologia em pauta

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Wenderson Araújo

ICMedia reúne o que há de melhor e mais moderno em tecnologia no setor de segurança pública

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>> A palavra é ICMedia

O evento é uma excelente oportunidade para debates. Neste momento, podemos identificar as parcerias que trabalham pela segurança pública, sejam elas de origem pública ou privada” Leandro Daiello Coimbra, diretor da Polícia Federal

Este evento é uma oportunidade única para discutir importantes temas para a segurança pública nacional, com soluções de vanguarda em termos de segurança eletrônica e identificação biométrica” José Jair Wermann, diretor técnico-científico da Polícia Federal

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A Icmedia tem por objetivo trazer a experiência prática dos peritos, o conhecimento acadêmico e a tecnologia em prol da segurança pública. A expectativa é que, conhecendo as novas tecnologias apresentadas no evento, possamos ter mais ferramentas para trabalhar com os eventos que envolvem grandes multidões” Wantuir Jacini, presidente do Colégio Nacional de Secretários de Segurança Pública e secretário de Segurança Pública do Mato Grosso do Sul

Aguardamos sempre com ansiedade as novidades que serão apresentadas. E nós, da área de segurança pública, temos a necessidade de nos atualizarmos sempre. Estamos na iminência de uma Copa das Confederações em 2013 e queremos trazer muita tecnologia para o Distrito Federal” Sandro Avelar, secretário de Segurança Pública do Distrito Federal

A Conferência traz a oportunidade de integrarmos o CertForum e debatermos nesse momento temas tão importantes para a sociedade brasileira, no que se refere a certificação digital e os assuntos correlatos. São cinco milhões de notas fiscais eletrônicas, o que mostra o avanço desta e de tantas outras tecnologias. Temos uma preocupação em promover o debate constante” Renato Martini, presidente do ITI

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O evento abrange não apenas a parte voltada para os peritos criminais, mas também o encontro nacional dos diretores do instituto de identificação. Esta é uma oportunidade que teremos para discutir os assuntos afins” Ana Lúcia Ferreira Chaves, diretora Instituto Nacional de Identificação (INI)

Este evento traz excelentes contribuições para a segurança pública e permite a disseminação de padrões tecnológicos de interoperabilidade, governo eletrônico e avanços e contribuições para que possamos oferecer a gestão destes padrões de maneira mais generalizada” Clênio Belucco, diretor de Logística da Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos

A expectativa é que consigamos implementar o conceito que trazemos de aproximar o setor público e os seus parceiros, principalmente no que se refere às necessidades relacionadas à segurança pública. A ideia é ter um espaço para buscar soluções e as desenvolver junto com os parceiros” Hélio Buchmüller, presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF)

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Para a ABRID é uma honra coorganizar um evento como a Icmedia, que tem tudo a ver não só com o negócio das nossas associadas, mas com a visão de futuro que temos para o Brasil. A tecnologia é, a cada dia, mais associada da segurança e da construção de uma sociedade melhor para todos” Célio Ribeiro, presidente da ABRID

O evento se reveste de uma grande significância para nós, principalmente devido à heterogeneidade do público. Com a integração da Icmedia aos outros eventos, buscamos atingir outros públicos, principalmente aqueles mais técnicos e os formadores de opinião” Maurício Coelho, diretor de Chaves Públicas da ICP Brasil

Os institutos de identificação vão aproveitar esta oportunidade para mostrar uma solução simples e que pode ajudar a sociedade, a polícia e a implantação efetiva do RIC no país, a certificação da carteira de identidade” Carlos César Saraiva, presidente do Conselho Nacional dos Diretores de Órgãos de Identificação (Conadi) e diretor de Instituto de Identificação do Distrito Federal

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A Icmedia reúne os cientistas, os peritos e apresentam as novidades tecnológicas na área da perícia criminal e segurança. Este ano, o evento está mais interessante pois traz outras programações paralelas como o Workshop do RIC, o Certforum e a reunião dos diretores dos institutos de identificação. Esse entrelaçamento das áreas é muito importante, pois é um momento em que podemos conhecer o que todos estão fazendo na área da tecnologia” Iracilda Santos, diretora do Instituto de Identificação da Bahia

A Icmedia, e seus eventos paralelos, é mais um passo da nossa Associação no sentido de apoiar iniciativas que permitam unir entes muito importantes, como governo e setor privado, no sentido de buscar juntos os caminhos para permitir e disseminar o uso dos avanços tecnológicos em todos os setores da sociedade” Edson Rezende , Diretor de Identificação Digital da ABRID

É a primeira vez que acontece um evento dessa magnitude, ICMedia, Certforum, Workshop do RIC e encontro dos Secretários de Segurança. Isto coloca em evidência todo o assunto que estamos discutindo há anos. Essa iniciativa é muito positiva e o apoio da ABRID é fundamental para a realização de um evento como esse” Carlos Collodoro, consultor do Conselho Nacional dos Diretores dos Órgãos de Identificação (Conadi)

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Estou impressionado com o evento, pelo tamanho e o porte da feira que se formou. Um evento voltado para a questão da segurança, trazendo novas tecnologias, só tende a contribuir com o modelo e momento que passa o país hoje, que demonstra um avanço muito grande do ponto de vista de desenvolvimento tecnológico no combate à fraude” Jorge Krüg, superintendente Executivo de Segurança da Informação do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul)

Estamos com dois projetos, o certificação de identidade e certificação de identidade nos cartórios do DF. O DF é o piloto nestes projetos, mas ele tende a se espalhar para o Brasil inteiro. Também agora temos uma integração do sistema do DF com o Mato Grosso do Sul, o que faz com que os dados possam ser checados tanto civil quanto criminalmente” Pedro Barros, gestor do AFIS do Instituto de Identificação do Distrito Federal

Fotos: Wenderson Araújo

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>> ABERTURA 18 de setembro

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ecnologia, modernidade, debates, sucesso, assim foi a Conferência Internacional de Ciências Forenses em Multimídia e Segurança Eletrônica (ICMedia), realizada pela Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) e co-organizada pela ABRID. O evento aconteceu de 18 a 21 de setembro no Hotel Royal Tulip, em Brasília. A Conferência contou com casa lotada na cerimônia de abertura. Estiveram presentes na mesa de abertura: o presidente da ABRID, Célio Ribeiro; o secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, Delfino Souza, representando a ministra Mirian Belchior; o diretor-presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), Renato Martini; o presidente do Colégio Nacional de Secretários de Segurança Pública (Consesp) e também secretário de Segurança Pública do Mato Grosso do Sul, Wantuir Jacini; o secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Sandro Avelar; o presidente da APCF, Hélio Buchmüller; o diretor de Logística da Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos, Clênio Belucco; o diretor técnico-científico da Polícia Federal, José Jair Wermann; o representante do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Marconi dos Reis Bezerra; o corregedor Nacional do Ministério Público e subprocurador Geral do Trabalho, Jeferson Luiz Pereira Coelho; e o diretor da Polícia Federal, Leandro Daiello Coimbra. José Wermann proferiu o discurso de abertura ressaltando a importância do evento e o objetivo de promover diálogo e integração do meio acadêmico, dos desenvolve-

dores de tecnologia e da sociedade civil. Já Clênio Belluco destacou o encontro como excelente oportunidade para modernização da própria gestão pública brasileira. “Teremos um espaço para debates e trocas de experiências”, disse. Renato Martini lembrou que a etapa de Brasília do CertForum acontece em paralelo à ICMedia, destacando os avanços da certificação digital nas 10 edições do fórum. Wantuir Jacini enfatizou: “Vamos acompanhar nesses dias os debates e discussões em prol do aprimoramento da segurança pública em todos os nossos estados”. Por sua vez, Sandro Avelar, ressaltou a oportunidade de realizar a Icmedia, já que o Brasil vai receber grandes eventos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, com concentração de multidões. “Temos a preocupação de trazer para o país condições de realizar os jogos em absoluta segurança”, disse. Para Leandro Daiello, a Conferência é uma grande oportunidade de encontro das parcerias em prol da segurança pública, o que possibilita prestar um bom serviço ao cidadão e à sociedade. “Essa parceria se materializa no lançamento do Guia de Referência em Sistemas de Circuito Fechado de Televisão”, adiantou, se referindo a uma das agendas da Icmedia. Hélio Buchmüller lembrou do esforço concentrado de todos para que se conseguisse realizar o evento. “Com planejamento e tempo é que conseguimos fazer um evento deste nível e também com as parcerias públicas e privadas”, enfatizou. Ele ainda destacou a importância da parceria com a ABRID para a realização do evento. Por fim, o presidente da ABRID, Célio Ribeiro, avaliou que a Icmedia não é só uma demonstração das no-

vas tecnologias, e sim uma possibilidade de ampliar as parcerias entre os setores público e privado. “A feira demonstra com transparência as tecnologias que estão à disposição do governo para os grandes eventos que estão por vir”, ressaltou. Durante os 4 dias de trabalhos a conferência contou com a participação de autoridades nacionais e internacionais na área de criminalística, cientistas, pesquisadores apresentando palestras, mostrando o que há de mais moderno e buscando um debate entre os participantes do evento. A programação paralela do evento contou com o RIC Workshops Regionais 2012 – Etapa Centro-Oeste, o 10º CertForum etapa Brasília, Encontro Nacional de Dirigentes de Órgãos de Identificação e a 46º reunião do Colégio Nacional dos Secretários de Segurança Pública.   Em sua primeira edição, o evento teve quatro trilhas temáticas (governamental, direito e ética em vigilância e segurança pública, tecnológica e científica) e uma exposição com tecnologias de ponta em segurança pública. A feira ainda foi composta por diversos stands como o da ABRID, APCF, Akiyama, Casa da Moeda do Brasil, Certisign, Giesecke & Devrient, Kinegram, Montreal, NEC, Safran Morpho, Serasa Experian, Thomas Greg e Valid. Durante o evento, os participantes puderam experimentar novas tecnologias como o controle de fronteiras e ver as últimas novidades em segurança para grandes eventos. Confira nas próximas páginas um resumo dos principais eventos realizados durante os quatro dias da Conferência Internacional de Ciências Forenses em Multimídia e Segurança Eletrônica.

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>> Primeiro DIA 19 de setembro

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>> Perícia em Registros de Áudio e Imagens da Polícia Federal (André Luiz da Costa Morrison, Perito Criminal da Polícia Federal)

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Wenderson Araújo

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palestra de abertura da Conferência Internacional de Ciências Forenses em Multimídia e Segurança Eletrônica ficou por conta de André Luiz da Costa Morrison, perito Criminal da Polícia Federal e coordenador da Icmedia. Ele destacou que a conferência foi idealizada para integrar a perícia criminal com as ações tecnológicas que envolvem a segurança pública. As matérias-primas do trabalho dos peritos muitas vezes André Luis da Costa Morrison são os registros de áudio e ima- abre os trabalhos da Icmedia gens não só em equipamentos tricos, eletrônicos e eletroeletrôpertencentes à área de segurança pública, mas em aparelhos nicos em geral. Ao fim da palestra, Morrison tecnológicos como as câmeras de circuito fechado de TV (CFTV) destacou a importância do lançaque estão instaladas tanto em am- mento do Guia de CFTV, feita bientes públicos quanto privados. durante a Icmedia (leia mais na Exatamente por isso a Icmedia página 49). O Guia tem como tem como objetivo a integração objetivo orientar a criação de cirde todos os atores que trabalham cuitos de TV sob a visão forense, garantindo o uso das imagens e em prol da segurança pública. Para Morrison, dentre as áudios capitados como prova em atuações periciais podem ser processos judiciais. “E óbvio que destacados dois grandes grupos: todas essas ações, como já citei, um voltado para as evidências têm o foco na melhoria da quamultimídias (registros de áudio lidade da evidência multimídia e e imagens) e outro para perícias por consequência da prova audioem equipamentos e sistemas elé- visual”, concluiu.


>> Análise de vídeo 3D no Instituto Forense Holandês (Jurrien Bijhold, Especialista do Instituto Forense Holandês) Aplicadas, desenvolveu um projeto para realizar a análise de vídeos em 3D. Neste projeto, métodos e procedimentos foram desenvolvidos para a coleta, transferência e sincronização de registros de vídeo, bem como sua análise, com a utilização de mapas 2D e 3D de cidades. O modelo também permite a introdução de informações de inteligência, fornecidas por testemunhas, e o aporte de dados provenientes de comunicação por telefone celular. O grupo responsável pelo projeto trabalha atualmente nas áreas de tecnologia de vídeo, autenticação de imagens, recuperação de arquivos, identificação de equipamento gravador, fotogrametria, reconhecimento facial e aplicação forense de modelagem 3D. Jurrien Bijhold, do Instituto Forense Holandês, palestra na Conferência

Wenderson Araújo

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a segunda palestra do primeiro dia de debates, Jurrien Bijhold tratou da análise de vídeo em 3D. Ele relatou a importância das imagens em vídeos, principalmente no uso para investigações como acidentes em massa ou ataques terroristas. Segundo ele, é necessário analisar movimentos de carros e pedestres presentes em grande quantidade de registros de vídeo oriundos de câmeras de vigilância, tanto de lugares públicos como de privados, assim como de câmeras portáteis como de telefones celulares. Para executar a tarefa, o Instituto Forense Holandês, em cooperação com a Polícia Holandesa, a Universidade de Amsterdã e o Instituto Nacional de Ciências

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>> Trilha Científica Artigos

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Icmedia prestigiou a produção acadêmica e científica. Paralelamente à programação de debate no auditório principal, acontece a Trilha Científica, com a apresentação dos artigos aprovados para a conferência. As apresentações foram prestigiadas por estudiosos de diversas partes do mundo e promoveram importantes avanços nos estudos relacionados à biometria, impressões digitais, investigações forenses, entre outros. Todos os artigos apresentados foram reunidos nos anais da Icmedia e podem ser acessados gratuitamente no endereço: www. icmedia.org.br. Confira abaixo os artigos apresentados na conferência: • Aplicação de Engenharia Reversa em Exames de Verificação de Edições de Vídeos Digitais • Identificação de Origem e Verificação de Edições em Filmes • Fotográficos: Análise de Um Caso Real • Detecção de Nudez Utilizando Redes Neurais Artificiais • Método para Compatibilidade entre Impressões Digitais com e sem Contato • Estudo de Performance de Algoritmos de Verificação de Impressões Digitais Aplicáveis a Smart-Card • Avaliação de Técnicas de Seleção de Quadros Chave na Recuperação de Informação por Conteúdo Visual para Identificar • Crimes Cibernéticos em Conteúdo Multimídia • Reconstrução de Trajetória de Voo para Simulações 3D em Sinistros Aeronáuticos • FI2 - Uma Proposta de Ferramenta para Investigação Forense em Imagens • Exames de Reconhecimento Facial na Polícia Federal: Estimativa de Altura de Indivíduos em Imagens de Perspectiva • Cônica com Distorções Esféricas (Caso Prático) • On the Practical Aspects of Applying the PRNU Approach to Device Identification Tasks • Avaliação de Classificadores Haar Projetados para Detecção Facial • Identificação de Câmeras de Celulares Usando Sensor Pattern Noise • Tutorial: Perspectivas da Fonética Forense num Cenário de Quebra do Dogma da Unicidade.

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>> Painel Controle Migratório: e-gates e passaporte brasileiro (Georg Hasse, da Security networks AG, Antônio Ferreira Filho, da Casa da Moeda do Brasil, e Rafael Oliveira Ribeiro, Perito Criminal Federal)

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Wenderson Araújo

s primeiros debates da tarde abordaram temas interessantes para a organização das fronteiras. O Painel de Controle Migratório tratou do sistema de e-gates e do passaporte brasileiro e sua evolução ao longo do tempo. Na primeira palestra, Georg Hasse explicou detalhadamente o funcionamento do portão automatizado nos aeroportos, o e-gate. Para ele, este é um importante sistema, já que a perspectiva é de dobrar o número de viagens áreas até 2022, com o conse- Georg Hasse, da Security networks AG, quente aumento significativo apresenta o sistema de e-gate do número de pessoas circulando em aeroportos de todo o mundo. Uma das funções do e-gate focado no segundos, facilitando o trabalho dos guarconceito de easy pass e easy go é facilitar a das de fronteira. Na Alemanha, a carteira circulação dos passageiros. “Administrar e de identidade já se adapta ao modelo do facilitar a vida dos viajantes, que no futuro portão eletrônico para facilitar a mobilidapassarão a portar cada vez mais documentos de dos habitantes do próprio país. eletrônicos. Temos que facilitar a experiência O sistema ainda tem um alto índice de deles enquanto viajam”, ressaltou Hasse. retorno positivo de seus usuários, cerca de O tempo para um passageiro passar por 95% ficam satisfeitos com o serviço. A faixa todo o sistema do e-gate é, em média, de 18 etária dos usuários varia de 20 a 39 anos. julho - agosto - setembro 2012 | 27


»» Passaporte brasileiro – evolução ao longo do tempo O passaporte brasileiro tem sido trabalhado para que a cada versão ganhe mais recursos de segurança. O case de sucesso foi apresentado por Antônio Ferreira Filho e Rafael Oliveira Porto. O documento faz uso de recursos de biometria, padrão ICAO e banda holográfica, entre outros itens. Atualmente, conta com um novo elemento de segurança: agora o papel da contracapa é dotado de marca d’água, permitindo a identificação através do sentido tátil. O trabalho de modernização do passaporte também trouxe outros avanços, como o combate às fraudes através da assinatura digital no padrão ICP-Brasil, utilização de par de chaves criptográficas e proteção contra leitura não autorizada. As medidas são possíveis com o sistema de autenticação de terminais que permite somente aos terminais expressamente autorizados procederem a leitura dos dados protegidos. O passaporte eletrônico brasileiro vem sendo implantado com sucesso desde dezembro de 2010.

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>> Identificação de Vítimas de Desastres Coletivos – Voo 447 Air France (Alexandre Pavan Garieri, Perito Criminal da Polícia Federal)

Alexrande Garieri explicou a ação pericial no caso do voo 447

Wenderson Araújo

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perito criminal Alexandre Pavan Garieri detalhou o trabalho da Polícia Federal e equipes internacionais para o reconhecimento das vítimas do voo 447 da Air France, que partiu do Rio de Janeiro com destino a Paris em 1º de junho de 2009 e caiu sobre o Atlântico. O acidente provocou a morte de 228 pessoas, sendo 216 passageiros e 12 tripulantes. Do total, 59 pessoas eram brasileiras e 169 estrangeiros de 33 nacionalidades. O trabalho de reconhecimento dos corpos contou com métodos primários, como digitais, arcada

dentária e DNA, e secundários – apoiados e triagem, como vestes, pertences, tatuagens e cicatrizes. A operação foi realizada em dois pontos de trabalho, em Fernando de Noronha (PE) e em Recife (PE). Como o estado dos corpos impedia qualquer reconhecimento facial, na ilha de Fernando de Noronha foi montado uma espécie de instituto médico legal de campanha para exames preliminares, enquanto no IML de Recife foram feitos os trabalhos de reconhecimento por arcada dentária. Os peritos conseguiram coletar impressões digitais de 80% das vítimas, garantindo a identificação via sistema AFIS. Também houve identificação por arcada dentária e DNA. O trabalho da equipe foi concluído em 3 de julho de 2009. julho - agosto - setembro 2012 | 29


>> Projeto de Identificação da Índia (Fraçois Xavier, da Morpho)

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Duzentas agências no país coletam os dados dos cidadãos, que são repassados para uma agência regional e, depois, para o banco de dados nacional. Atualmente são feitos cerca de um milhão de cadastros por dia. Embora a adesão ao projeto seja voluntária, o projeto Aaadhaar está modificando as relações na Índia, porque o número único permite acesso a diversos serviços do governo e também na área privada. Os bancos, por exemplo, ganham diversos novos correntistas, já que agora, com o número único, a população passou a confiar na unicidade das contas. Wenderson Araújo

raçois Xavier, da Morpho, detalhou o projeto Aaadhaar, de identificação na Índia. A iniciativa resultou no maior banco de dados do mundo, com um bilhão de pessoas. O caso da Índia é peculiar, porque o país tem um intrincado sistema de castas e várias questões tiveram de ser levadas em consideração. O governo do país confiou à Morpho a gestão do sistema. O modelo adotado usa a identificação por três biometrias: digital, face e íris. A nova identidade da Índia utiliza o número único, gerado por um complexo modelo de algoritmos.

Fraçois Xavier destacou a grandeza do projeto indiano 30 |

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>> Reconhecimento Biométrico Facial em Tempo Real: Identificação de Apenados (Luiz Antônio Mendes Garcia, assessor de Desenvolvimento e Modernização do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios) Probio, por meio do qual os condenados são identificados por reconhecimento facial de movimento em tempo real. Os resultados são bastante positivos, com atendimento mais ágil e fácil, com identificação virtualmente instantânea dos apenados. Os servidores também trabalham agora mais confiantes e seguros, já que a responsabilidade de confirmar a identificação dos apenados é do sistema – que tem precisão média de 85% e frequência do incidência de precisão de 99,99%. Não houve casos de falso positivo ou falso negativo.

Luiz Garcia detalhou a identificação de apenados no DF

Wenderson Araújo

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uiz Antônio Mendes Garcia, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), detalhou o Projeto Probio, que permite o controle biométrico de apenados no Distrito Federal. A cada dois meses, os apenados em regime aberto ou semiaberto têm de se apresentar na Vara de Execuções Penais do Distrito Federal para atividades diversas, como atualização de endereço e tomar conhecimento de decisões judiciais. São 5,5 mil pessoas que são atendidas em apenas uma semana, provocando grande sobrecarga de serviços, já que há carência de servidores para fazer o trabalho. A identificação dessas pessoas era um processo bastante moroso, já que muitos compareciam sem documentos, com documentos falsos ou simplesmente mandavam parentes parecidos em seus lugares. Para resolver as longas filas e demais problemas dos apenados na chamada semana de apresentação, o MPDFT criou este ano o

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>> Segundo DIA 20 de setembro

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>> Coleta, organização, classificação e análise de evidências digitais na atualidade: uma perspectiva (Anderson de Rezende Rocha, Professor do Instituto de Computação da Unicamp)

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o segundo dia de trabalho, a primeira palestra da Icmedia tratou da coleta, organização, classificação e análise de evidências digitais com foto na computação forense e criminalística de documentos. Anderson Rezende também tratou da análise Anderson de Rezende Rocha, professor do Instituto de forense de documentos Computação da Unicamp, palestra durante a Icmedia digitais para verificação de autenticidade e integridade. A pesquisa foi apresentada apontar características que possam em quatro subáreas: a identifica- permitir a identificação de imagens ção da câmera que originou uma sintéticas quando comparadas a imadeterminada imagem ou vídeo, a gens naturais (não geradas em comdistinção entre imagens naturais e putador). imagens geradas em computador, a Já a detecção de adulterações em identificação de adulterações em do- documentos, disse o pesquisador, cumentos digitais e a determinação busca estabelecer a autenticidade dos do histórico de operações sofridas mesmos, ou expor quaisquer tipos por um objeto digital e sua relação de adulterações sofridas. Por sua vez, com outros objetos correlatos (filo- a filogenia digital é a determinação genia digital). da estrutura de modificações sofridas Para Anderson, o objetivo da por um conjunto de objetos digitais distinção entre imagens naturais e e a construção da árvore filogenética imagens geradas em computador é relacionando tais elementos.


>> Novas tendências na avaliação de provas periciais: O lugar da ciência da fala em uma mudança de paradigma em curso

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Wenderson Araújo

(Anders Eriksson, da Universidade de Gotemburgo)

nders Eriks- Eriksson discutiu, entre outros son, repre- pontos, a importância da sentante da transcrição forense Universidade de Gotemburgo, na Suécia, tratou da Outro ponto abordado foi a neavaliação da prova pericial, em especial cessidade de apresentar dados variados da apresentação desse tipo de prova em de uma maneira unificada para que se juízo e os problemas enfrentados. Estão possa analisar o material de maneira entre eles: as disparidades na comuni- uniforme. dade científica forense, falta de padroPara finalizar, Eriksson abordou os nização obrigatória, falta de medidas problemas que podem surgir quando de desempenho, falta de certificação e há diferentes tipos de vestígios – o que implica em uma dificuldade de comacreditação. Eriksson discutiu as dificuldades paração, pois pode haver conflito. É do sistema de percepção. Para ele, em neste momento que se tem a difícil tauma transcrição, por exemplo, deve-se refa de fazer com que o júri entenda o escrever literalmente tudo como é dito. conceito de razão de verossimilhança e “Deve-se escrever exatamente o que é da natureza problemática do conceito dito, mas as pessoas tendem a escrever de individualização que se encontra, o que entendem ou o que acham que a direta ou indiretamente, subjacente a muitos tipos de evidências forenses. pessoa gostaria de dizer”, ressaltou. julho - agosto - setembro 2012 | 35


>> Utilização de Razões de Verossimilhança nas ciências forenses da fala no Reino Unido: a situação em 2012 (Erica Gold, da Universidade de York)

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o início de sua palestra, Erica Gold esclareceu o que é a ciência fonética da fala, que consiste na comparação de padrões de comunicação verbal do indivíduo para se saber quem ele é, trabalhando com uma combinação fonética do discurso com a tecnologia. Gold explicou as Razões de Verossimilhança (LR, sigla em inglês de Likelihood Ratios), utilizadas por aproximadamente 20% dos peritos ao redor do mundo em exames de comparação forense de falantes. A verossimilhança permite estimar a força de uma evidência tendo como base a probabilidade de sua ocorrência dada a hipótese da acusação, dividida pela probabilidade de ocorrência dada a hipótese da defesa. A grande maioria dos peritos que usam LRs adota sistemas automáticos de reconhecimento de locutor (ASR - Auto-

matic Speaker Recognition System) em suas análises. Outro importante ponto, destacou a pesquisadora, é a coleta de estatísticas populacionais a partir de uma base de dados homogênea como forma de uso de LRs na prática. Os estudos nesta área têm focado nos formantes vocálicos, embora haja um grande número de parâmetros de fala que são considerados discriminantes pelos peritos para emprego em exames de comparação forense entre falantes. Para Gold, no entanto, há muitos fatores desafiadores a essa tarefa, o que inclui as naturezas qualitativa e discreta de algumas características, a grande intravariabilidade que pode ser encontrada em alguns parâmetros e a ausência de estatísticas populacionais quanto a dialetos e características adicionais. A especialista ainda abordou temas relacionados à fonética, comparação de fala, parâmetros na ciência da fala, pesquisa, limitações enfrentadas neste trabalho e o futuro do método. O uso dos métodos varia entre os países, principalmente por causa da legislação aplicada a cada um deles.

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Erica Gold, da Universidade de York, explica as Razões de Verossimilhança (LR)


>> Painel Tecnologia Aplicada à Segurança de Grandes Eventos: Jogos seguros em Londres; Seguranças de grandes eventos e a preparação para a Copa de 2014 (Andrew Amery, chefe da Coordenação de Segurança do Comitê Londres-2012, Edval de Oliveira Novaes Junior, subsecretário de Tecnologia da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, e Luiz Fernando Corrêa, diretor de Segurança Comitê Rio-2016)

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Sobre os circuitos de TV, Amery afirmou segurança em grandes eventos foi tema do primeiro painel da que é preciso atenção com o local de colocatarde do segundo dia da Icme- ção das câmeras. Comentou que a equipe de dia, com a presença de represen- marketing queria instalar, por questões estétantes da segurança nos Jogos Olímpicos de ticas, uma tela protetora em todos os locais Londres-2012 e do Rio-2016, além da Secre- de jogos, mas o equipamento atrapalharia os taria de Segurança Pública do Rio de Janeiro. sensores das câmeras e foi preciso a intervenAndrew Amery alertou que o sucesso de ção da segurança para impedir a instalação. Por fim, o representante de Londres disum grande evento como os Jogos de Londres se que toda a experiência britâestá na parceria entre todos os nica está à disposição do Comitê níveis hierárquicos, desde os Painel discute a do Rio de Janeiro e desejou suvoluntários até os diretores. segurança em Segundo ele, na área de segu- grandes eventos cesso ao Brasil em 2016. rança, é preciso um altíssimo nível de integração entre todos os entes envolvidos. Ele destacou que, em Londres, o nível de segurança adotado foi o de combate ao terrorismo. Deu como exemplo um jogo em uma arena fechada: antes do início todo o espaço era minuciosamente vistoriado e cada torcedor, ao chegar, também passava por revista individual.


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como a confiabilidade das tecnologias escolhidas (os Jogos não são momentos para teste, e sim para uso de produtos comprovadamente eficientes), viabilidade econômica com base na relação investimento-duração do evento e legado – o que fica para a sede das Olimpíadas depois da realização. Na questão do legado, enfatizou que há uma forte preocupação em garantir efeitos positivos para as localidades onde acontecem os jogos, com melhoria também das condições sociais. Corrêa reforçou que, embora o Rio de Janeiro seja a sede das Olimpíadas, haverá eventos, jogos de futebol, na fase classificatória, em Belo Horizonte (MG), Brasília, Salvador (BA) e São Paulo (SP).

Andrew Amery trouxe para os brasileiros a experiência de segurança dos jogos Olímpicos de Londres

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Já Edval de Oliveira Novaes Junior lembrou que o Brasil já realizou grandes eventos – e com sucesso –, como a Eco92, os Jogos Militares Mundiais, os Jogos Pan-americanos de 2007 e a Rio+20. Ele adiantou que a preparação da segurança para as Olimpíadas do Rio é bem semelhante ao que foi feito em Londres este ano. Ele adiantou modernizações que estão planejadas para o aparato de segurança no Rio de Janeiro: câmeras e terminais touch screen com conexão 3G nas viaturas policiais, aumento do número de câmeras de controle espalhadas pela cidade, sistema para leitura de placa de automóvel nas grandes vias da cidade e uso de veículos aéreos não tripulados. Há ainda, enfatizou o representante do Comitê Rio-2016, uma grande atenção aos softwares que serão usados para integrar todo o sistema de segurança. Um deles permite o melhor gerenciamento dos boletins de ocorrência. Tudo será centralizado no Centro Integrado de Comando e Controle, que une todos os órgãos de segurança. Por fim, Luiz Fernando Corrêa reforçou que o Brasil tem todas as condições de realizar os Jogos Olímpicos de 2016 com segurança e tranquilidade. O diretor de Segurança do Comitê Rio-2016 explicou que todo o planejamento está sendo feito com base em princípios

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Edval de Oliveira Novaes Junior lembrou que o Brasil já realizou grandes eventos esportivos

Luiz Fernando Corrêa tratou das condições brasileiras para a realização de grandes eventos


>> A preparação para a Copa 2014 (Daniel Russo, Coordenador Geral de Tecnologia da Informação da SESGE)

ber jogos da Copa do Mundo de 2014 de forma a atender a legislação local e zelar pela segurança do evento. Entre os equipamentos já providenciados para uso pelo sistema de segurança durante a Copa do Mundo no Brasil estão o margeador aéreo, plataforma de observação elevada, centro de comando móvel, delegacia móvel, kit antibomba e kit de armamentos menos letal, entre outros. O coordenador acredita que o legado dos grandes eventos vai marcar uma evolução na segurança pública brasileira.

Wenderson Araújo

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aniel Russo, da Secretaria Extraordinária de Segurança de Grandes Eventos (SESGE), explicou que a Secretaria trabalha de forma articulada com o Ministério da Justiça e Forças Armadas para cuidar da segurança nos grandes eventos programados para o Brasil. A principal iniciativa é articular as esferas municipais, estaduais e federal juntamente com a FIFA e o Grupo Gestor para Copa do Mundo (Gecopa), que está conectado a outros órgãos como Controladoria- Geral da União, Tribunal de Contas da União e Ministério Público da União. Para isso, a SESGE utiliza os eixos de integração de instituições e sistemas, segurança de fronteiras, inteligência e segurança de evento. Russo também explorou a integração de instituição e sistemas. Para ele, o importante é organizar cada estado e cidade que vão receDaniel Russo apresentou soluções para a Copa do Mundo de 2014

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>> Analisador de DNA (Marcos Alberto de Souza, da NEC)

Marcos Alberto de Souza palestra sobre o analisador de DNA

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arcos Alberto de Souza apresentou em sua palestra o analisador portátil de DNA. De acordo com ele, o aparelho é de grande importância devido, principalmente, à crescente necessidade de identificação de DNA em seu aspecto forense para área criminal e de negócios. E o que seria a identificação por DNA? Este é um método de marcação, repetição de sequências idênticas dentro de cada amostra utilizando-se de um dispositivo de

alta precisão que realiza a operação de identificação em uma área muito pequena. Marcos Alberto lembrou que países como Estados Unidos e Japão já têm bancos de dados de DNA e que as vantagens da unidade portátil estão em fazer a análise ainda na cena do crime. Ele destacou vantagens do dispositivo portátil: “O tempo de processamento é muito pequeno, não é necessária a presença de especialistas para a realização de um laudo e o custo do procedimento é reduzido”. O palestrante da NEC ainda admitiu a existência de alguns desafios a serem vencidos para que se entregue ao governo uma solução homologada e com segurança para análise portátil de DNA. No entanto, garantiu que a meta é lançar o dispositivo comercialmente já em 2013.


>> Segurança Física de Cartões de Policarbonato (Sérgio Dawidowicz, da Kinegram)

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Sérgio Dawidowicz mostra recursos da segurança física de cartões de policarbonato

Wenderson Araújo

érgio Dawidowicz, diretor de Vendas da OVD Kinegram AG, apresentou a última palestra do segundo dia de debates da Icmedia, com o tema da segurança física de cartões de policarbonato. Ele apresentou diferentes itens de segurança presentes em cartões de policarbonatos, como o uso de cor, gradações e personalização a laser. O resultado é um produto com maior segurança contra as falsificações. Os cartões de policarbonato permitem ainda a regulação de profundidade em distintas capas e personalização irreversível, além de alta resistência e durabilidade. Também é possível incluir chips de segurança que comportam grande número de informações e são cada vez menores. Dawidowicz ainda concluiu com uma das vantagens do material utilizado nos cartões que dificulta as fraudes: “O policarbonato não pode ser comprado no mercado livre”.

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>> Terceiro dia 21 de setembro

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>> Verificação de Locutor considerando Sistemas de Comparação Automática de Voz (Isolde Wagner, da BKA - polícia federal alemã)

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variabilidade na qualidade dos registros de áudio de casos reais, causados pelo uso de diferentes canais de gravação, durações e estilos de fala. Por isso, peritos em fonética forense devem levar em consideração essas condições quando do uso de um sistema de comparação automática de voz em exames de verificação de locutor. Na Alemanha, os sistemas mais conhecidos para a comparação da voz são: ASPIC, BATVOX, LVIS, SPES, sendo o último desenvolvido na Alemanha.

Isolde Wagner falou da importância da análise dos áudios

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solde Wagner detalhou a aplicação de exames periciais para a verificação do locutor. Explicou que é importante analisar no áudio itens como perfil do locutor, dialeto, gênero, idade, comparação auditiva e acústica da voz, além de fazer uma transcrição orientada. A palestrante ainda ressaltou que é importante dar um tratamento ao áudio, autenticar as gravações e trabalhar com um suporte técnico de qualidade para que se tenha um trabalho de sucesso. Para fazer o serviço, a polícia federal alemã (Bundeskriminalamt, BKA) desenvolveu um sistema próprio, chamado SPES, que se baseia em bancos de dados de casos forenses reais. Em pesquisa realizada pela BKA, foi descoberto que a utilização de dados oriundos de casos reais causa uma redução no desempenho quando comparados com casos de falas criadas em laboratório em condições controladas. De acordo com Wagner, este resultado é encontrado devido à


>> Desafios em Perícias de Vídeos e Imagens (Zeno Geradts, do Instituto Forense Holandês)

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ma visão geral sobre a evolução das perícias em imagem e vídeo foi apresentada por Zeno Geradts no último dia de debates da Icmedia. O especialista do Instituto Forense Holandês abordou as mais recentes tecnologias disponíveis para perícias de vídeos e imagens e deu alguns exemplos de suas aplicações. Geradts ressaltou o desenvolvimento de novos campos de identificação de equipamentos gravadores que utilizam métodos como Photo-Response Non-Uniformity e discutiu o uso destes métodos e em quais circunstâncias devem ser aplicados. A indicação principal é para grandes bancos de dados e bancos de dados on-line, como o Youtube. Outro tema abordado foi o uso das técnicas de reconhecimento facial e de

fotogrametria para a medição de altura. Esses e outros métodos de dados biométricos, como o de identificação de mãos, são muito importantes nos casos de pedofilia, em que o rosto do criminoso raramente aparece. Para encerrar, Geradts abordou o campo de detecção de frequência cardíaca a partir de faces e as possibilidades relacionadas a autenticidade de vídeo e seu uso na ciência forense.

Zeno Geradts, especialista forense, ressaltou os desafios dos usos de imagens e vídeos no aspecto forense Wenderson Araújo

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>> Um olhar sobre a Segurança e Privacidade em Biometria (Walter Scheirer, Professor da Universidade de Colorado Springs – Estados Unidos)

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alter Scheirer analisou a segurança e a privacidade na questão da biometria. Para ele, embora a biometria possa ser considerada apenas mais um tipo de tecnologia de segurança, o conceito de identidade pessoal é importante em diversas perspectivas. De acordo com o pesquisador, do ponto de vista cultural, quanto maior a convergência do mundo, maior o número de culturas que desejam manter suas identidades preservadas. Desta maneira, temos que quanto maior a população, maior a busca por uma identidade definida para o indivíduo. E a cada dia a definição precisa vem se tornando mais importante em diferentes operações, como as relacionadas à mobilidade, aos direitos, às obrigações legais e políticas e

às transações econômicas e financeiras. Assim, a biometria tem ganhado importância no trabalho de identificação, porém, quanto mais ganha visibilidade maior deve ser a preocupação com os usos que são feitos do material coletado das pessoas. Para Scheirer, é importante que a ética seja abordada no uso da biometria. Ele também discutiu os problemas sociais da biometria a partir de uma perspectiva de segurança e privacidade, introduzindo uma área de pesquisa conhecida como “biometric template protection”. Este é um novo campo da biometria que incorpora ideias de visão computacional, reconhecimento de padrões, criptografia e segurança de redes, organizando a área de maneira multidisciplinar. “Quando o reconhecimento de padrões e criptografia são combinados, uma nova classe de algoritmos e protocolos permite a verificação de identidade com preservação da privacidade, criando uma infraestrutura de chaves biocriptográficas com aplicações dentro e fora da internet”, ressaltou.

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Walter Scheirer analisou os problemas éticos no uso da biometria


>> Bancos de dados biométricos: privacidade x segurança (Hélio Buchmüller, Presidente da APCF)

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Wenderson Araújo

a primeira palestra da tarde de encerramento dos trabalhos, Hélio Buchmüller conduziu a discussão sobre bancos de dados biométricos e a relação entre privacidade e segurança. Buchmüller explicou o uso de identificação por DNA na cena do crime e como ela pode auxiliar na prisão de criminosos. Uma das experiências mais bem sucedidas de identificação de DNA e de banco de dados de DNA, relatou, é a inglesa. A identificação do perfil genético do suspeito funciona da seguinte maneira: cada país tem um perfil genético de amostras de DNA de parte da população e de criminosos; quando ocorre um crime, o DNA encontrado na cena do crime é cruzado com os dados do banco. “Essa facilidade permite a identificação de criminosos com maior rapidez e eficiência”, disse. No Brasil, o banco de dados de DNA ainda não está completamente implantado. A tecnologia utilizada aqui é a Codis, cedida pelo FBI, a polícia federal norte-americana. Para a montagem do banco de dados biológico é feita a coleta de material de forma indolor,

sem inviolabilidade da identidade física da pessoa. Um dos benefícios do banco de dados é a redução do número de crimes, já que com ele aumenta a punibilidade. Com risco maior de ser punido, o criminoso avalia, mesmo que inconscientemente, a maior probabilidade de ser pego e pode optar por não delinquir. Sobre a segurança e a privacidade, Buchmüller disse que são dois direitos constitucionais do cidadão brasileiro. Assim, no que se refere ao uso de dados biométricos, devem ser observados os dois parâmetros para que não seja ferido qualquer direito do cidadão.

Buchmüller analisou a questão da privacidade e da segurança nos bancos de dados biométricos

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>> O monitoramento eletrônico e o direito à privacidade (Marcos Antonio Leite das Virgens, Perito Criminal da Secretaria de Segurança Pública do Mato Grosso do Sul)

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perito Criminal Marcos Antonio Leite das Virgens propôs a discussão de diversas perspectivas jurídicas em relação ao monitoramento eletrônico e ao direito à privacidade. Segundo ele, questões relativas a este debate estão contempladas no artigo 5o da Constituição Federal: “São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”. O Código Civil também trata da questão do direito à personalidade. Marcos Antonio discutiu também o

monitoramento eletrônico em locais privados e corporativos. De acordo com ele, nesses locais, a jurisprudência fixou a necessidade de uma fixação de notificação prévia sobre o procedimento de monitoramento. Da mesma forma, prescreve-se a necessidade de comunicação de gravação telefônica e comercial, ou seja, deve-se informar aos envolvidos no procedimento que a ligação está sendo gravada. Após o encerramento da explanação houve grande participação da plateia, que contribuiu com informações e perguntas, tornando o debate mais interativo e fortalecendo a discussão do tema.

Wenderson Araújo

Marcos Antonio Leite abordou os aspectos jurídicos do monitoramento eletrônico

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>> “Teste seu circuito fechado de TV antes que um criminoso o faça”

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omo tornar os sistemas de CFTV efetivos?”, “O que deve ser observado na elaboração de um projeto?”, “Quais são os principais elementos constitutivos de um sistema de CFTV?”. Estas e uma série de outras perguntas são respondidas pelo Guia de Referência em CFTV. A publicação foi lançada durante a programação do último dia da Icmedia. O Guia é uma publicação da Diretoria Técnico-científica do Departamento Nacional de Polícia Federal e do Instituto Nacional de Criminalística, com o apoio do Ministério da Justiça. A autoria do projeto é dos peritos criminais federais André Luiz da Costa Morrison, José Rocha de Carvalho Filho e Luiz Mariano Junior, e do agente da Polícia Federal Luiz Condi de Godoi. Durante o lançamento, Morisson ressaltou a importância do Guia para a captação de imagens com qualidade. “O Guia veio com o propósito principal de melhorar a qualidade das imagens que são registradas e armazenadas pelos sistemas de CFTV. A Polícia Federal sempre esteve preocupada com a qualidade das imagens geradas”, ressaltou.

Lançamento do Guia de Referência em Sistemas de Circuitos Fechados de TV traz informações importantes para o setor

O documento, que foi formatado sob a ótica forense, tem cuidado especial com a captura de imagens para que ela seja alçada como prova audiovisual em termos de justiça. Para o presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais, Hélio Buchmüller, o Guia é de suma importância e contou com um esforço coletivo para ser produzido. Segundo ele, o trabalho coletivo de todos os autores foi muito importante para a conclusão do texto com a qualidade técnica necessária.

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>> Painel Tecnologias Aplicadas ao Setor Portuário (Vander Serra de Abreu, da Abtra, e Leonardo Fonseca Netto, da NEC)

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O novo sistema do Porto traz modernidades como um sistema que permite aos usuários monitorar o andamento das cargas com acesso via certificação digital. O usuário, assim, pode acompanhar todo o procedimento realizado com uma carga e seu trânsito dentro do porto. Já Leonardo Netto detalhou as diversas tecnologias oferecidas pela NEC para o monitoramento de portos. Entre elas estão os sistemas de hipercâmeras, sensores, mecanismos de reconhecimento facial, câmeras infravermelhas e sistemas de integração de portos. Outro projeto apresentado foi o de vídeo e vigilância que busca monitorar pessoas e objetos próximos às cargas, principalmente em áreas de grande escuridão. De acordo com Netto, o trabalho de vigilância é construído em parceria com as equipes de engenharia para que se possa mensurar Wenderson Araújo com exatidão a área e projetar o número de pessoas que circulam e os equipamentos de segurança que devem ser envolvidos para obter o resultado esperado. “É feito um trabalho para que seja coberto o máximo possível da área determinada”, disse. O Painel de Tecnologias Aplicadas ao Setor Portuário encerrou as palestras e debates da Icmedia.

painel de Tecnologias Aplicadas ao Setor Portuário contou com os palestrantes Vander Serra de Abreu, gerente de TI da Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (Abtra) e Leonardo Fonseca Netto, representante da NEC. Vander apresentou um case sobre o porto de Santos e a integração de sistemas e processos portuários. Já Leonardo Netto abordou tecnologias disponibilizadas pela NEC para vigilância de portos. O projeto da Abtra trabalha para desburocratizar e otimizar a logística, além de padronizar os documentos utilizados no Porto de Santos. O principal desafio da Associação é integrar o Porto, já que ele opera atualmente com diferentes sistemas. “Trabalhamos para que o Porto de Santos fique totalmente integrado e facilite o monitoramento das cargas”, ressaltou Vander Abreu.

Representante da NEC e Abtra 50 |

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Colaboração de sucesso Mesa de encerramento comprova o êxito da parceria entre ABRID e APCF para realização da Icmedia

>> Encerramento 21 de setembro

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Icmedia 2012 chegou ao fim na tarde de 21 de setembro com uma certeza: o evento foi um sucesso. Na mesa de encerramento, o perito criminal federal André Luiz da Costa Morisson, coordenador da Conferência Internacional de Ciências Forenses em Multimídia e Segurança Eletrônica, agradeceu todos os apoios para concretizar o encontro e comemorou a parceria com a ABRID, co-organizadora. “Logo após a concepção do projeto, nós procuramos a ABRID para sondar se teríamos a possibilidade de executar uma conferência com essa envergadura - isso há cerca de dois anos e meio. A ABRID, após entender o escopo do evento, nos apoiou desde o início. Deixo publicamente registrado que não teríamos condição nem a experiência para podermos executar um evento com essa

envergadura sem a participação da ABRID”, enfatizou. Quem também fez questão de destacar a importância dos apoios para concretizar a Icmedia foi o presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), Hélio Buchmüller. “A APCF teve um apoio enorme institucional da Polícia Federal e do ITI, principalmente, e também na co-organização, pela ABRID. Isso foi fundamental para que a gente conseguisse realizar o evento”, disse. Já o perito criminal federal Paulo Max Reis, integrante da organização da Icmedia, destacou os resultados positivos. “É bom ver que o evento saiu de acordo com o que a gente esperava. Na verdade, em muitos aspectos, principalmente nos mais importantes, eu acredito até que superou um pouco as expectativas. Fico feliz de a gente ter

podido receber aqui renomados palestrantes, pessoas com grande saber em suas áreas”, comentou. Por sua vez, o diretor administrativo da APCF, perito criminal federal Jorge Lambert, disse que os objetivos foram atingidos. “O principal objetivo era tentar contribuir para a melhoria da evidência, que no final das contas acaba sendo o insumo do nosso trabalho. Então, melhorar a qualidade do material que chega para a perícia e, naturalmente, auxiliar todos os elementos, as pessoas do governo, da administração e das diversas instituições que precisam usar esse tipo de informação para que os sistemas de vigilância possam ter valor também na área forense”, afirmou. Os resultados da Icmedia foram tão satisfatórios que os organizadores já começam a discutir a possibilidade de uma segunda edição. julho - agosto - setembro 2012 | 53

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Da esquerda para a direita: Jorge Lambert, diretor administrativo da APCF, Hélio Buchmüller, presidente da APCF, André Luiz da Costa Morisson, coordenador da Conferência, e Paulo Max Reis, perito criminal federal


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>> Estandes das associadas

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We nd er so

n Ar aú jo

ABRID A Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia em Identificação Digital (ABRID) é uma sociedade sem fins lucrativos que congrega empresas de tecnologia em identificação digital. Entre suas atribuições está a representação de suas associadas diante das autoridades e da sociedade brasileira e, na área institucional, garantir qualidade e segurança nos

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ambientes empresarial e público, forma de participar ativamente do desenvolvimento nacional. Fundada em 10 de setembro de 2007, a ABRID congrega empresas com atuação nas áreas de smartcards, certificação digital e identificação biométrica, entre outras. São empresas que têm sede no Brasil e atuação em vários países do mundo.


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AKIYAMA

A Akiyama Corporação é uma empresa com capital 100% nacional, sediada em Curitiba, no Paraná. Ela fornece soluções para as áreas de identificação civil e criminal, monitoramento urbano, componentes eletrônicos, impressoras de cartão, automação industrial e logística. A empresa é representante exclusiva da coreana Suprema Inc. na América do Sul, líder mundial em sistemas biométricos de identificação, desenvolvendo e fornecendo toda a linha de sistemas de identificação de usuários e módulos biométricos específicos para aplicações governamentais e corporativas. Suas soluções também contemplam o setor de monitoramento urbano, com completa linha de câmeras IP e ana-

lógicas, Dome Zoom, software NVR e centrais de monitoramento, além de todos os periféricos, com alto padrão de desempenho, para aplicação em áreas com grande circulação de pessoas. A Akiyama ainda representa e distribui, com exclusividade no Brasil, as soluções em módulos programáveis da marca TIBBO, líder mundial neste segmento. São soluções em hardware para processamento de módulos embarcados, com alta tecnologia e rápido desempenho, voltados para os desenvolvedores de sistemas de engenharia eletrônica. Além disso, fornece toda linha de componentes eletrônicos, como módulos ethernet, módulos biométricos, módulos RFID, módulo impressor, módulo GPRS e teclados especiais. julho - agosto - setembro 2012 | 57


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Casa da Moeda do Brasil

Fundada em março de 1694, a Casa da Moeda do Brasil orgulha-se de ter reconhecida pelo mercado sua capacidade produtiva, tecnológica e toda excelência de seus produtos e serviços, que obedecem a rigorosos padrões de qualidade e segurança. A empresa oferece uma gama de solu-

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ções de segurança que atendem diversos segmentos, tais como: Meio circulante; Produtos e sistemas de identificação; Educação; Telecomunicações; Rastreamento e controle fiscal; Controle e autenticidade; Certificação digital; Transporte; Metalurgia; e Selos postais.


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Certisign

A Certisign é líder em certificação digital, pioneira nessa atividade no país há 16 anos. É a única empresa brasileira que tem foco exclusivo em soluções que contemplam a certificação digital. A rede Certisign possui mais de 900 pontos de atendimento distribuídos pelo país e alcançou a marca de mais de 3 milhões de certificados emitidos.

A tecnologia da certificação digital tem sido aplicada por organizações públicas e privadas para desmaterialização dos processos. Isso gera melhoria na prestação de serviços e redução de custos com insumos para impressão de documentos, com recursos humanos e com estoque de documentação física.

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Giesecke & Devrient

A Giesecke & Devrient, utilizando como base sua vasta experiência em produção de cédulas e impressos de segurança, fornece um completo e integral sistema de segurança para emissão de documentos: desde a captura de dados para identificação, utilizando ferramentas que tornam a etapa segura, até a personalização de alta segurança. A múltipla finalidade do uso de cartões de identifi-

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cação conduz a novos requisitos. A G&D oferece uma ampla gama de soluções apropriadas de smart cards baseados em tecnologia de contato ou sem contato. De acordo com suas necessidades nossas soluções de smart cards são confeccionadas particularmente para os modernos requisitos de segurança, biometria, segurança em internet e aplicações em biometria.


Wenderson Araújo

Kinegram

A OVD Kinegram Corporation é uma companhia suíça integrante do grupo alemão Kurz. Dentro da organização Kurz, é o centro de competência para o mercado de documentos governamentais de identidade. A missão da Kinegram é converter necessidades de mercado e futuras alternativas tecnológicas em soluções para o cliente. A larga experiência no campo de segurança de documentos governamentais posiciona a empresa entre as líderes de mercado, com uma grande quantidade de documentos governamentais e mais de 250 projetos de alta segurança em mais de 75 países. Nos documentos em Policarbonato, são mais de 80 projetos. A Kinegram acumula mais de 20

anos de experiência na proteção contra falsificação e mantém grande interação junto às forças policiais, autoridades alfandegárias e especialistas em segurança com reputação internacional. Como resultado, o sistema antifalsificação da empresa garante proteção efetiva que se conserva por anos, proporcionando um excelente retorno sobre o investimento. Qualquer que seja a necessidade de proteção contra falsificação, há uma ampla gama de serviços: consultoria, projeto, engenharia, produção, máquinas de aplicação, suporte, bem como assistência pós-venda. A OVD Kinegram Corporation é membro do ICC Counterfeiting Intelligence Bureau e tem certificação de qualidade ISO9001. julho - agosto - setembro 2012 | 61


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Montreal

A Montreal atua no mercado há mais de 20 anos integrando tecnologias nas suas diversas linhas de negócios. A empresa tem hoje em seu quadro mais de 1.500 colaboradores. Responsável pela manutenção de uma das maiores bases de dados decadactilar em todo o mundo, a Montreal Informática é pioneira e líder no desenvolvimento de soluções baseadas em tecnologia AFIS, Automated Fingerprint Information System, para tratamento de impressões digitais no Brasil. A empresa é responsável pelo desenvolvimento de projetos implantados para Identificação Civil, Criminal e Penitenciária em oito estados no Brasil, entre eles o Rio de Janeiro, Acre, Amazonas, Roraima, Piauí, Ceará, Pernambuco e Alagoas, onde é também responsável pela gestão, operação e armazenamento de informações. 62 |

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Os algoritmos biométricos de classificação e comparação de impressões digitais, utilizados nas soluções implementadas pela Montreal Informática, foram desenvolvidos em parceria com a empresa alemã Dermalog Identification Systems, e devidamente adaptados e aperfeiçoados para o uso no Brasil. As implementações atendem a todos os requisitos das normas e padrões internacionais aplicáveis, oriundos em sua maior parte dos organismos policiais do Governo Americano - CJIS e FBI, devidamente referendados pelo NIST, National Institute of Standards and Technology, órgão de tecnologia e padronização para o Governo Federal Americano, e endossados pelo ANSI, American National Standards Institute, e internacionalmente, pela Interpol.


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NEC

O mercado de entretenimento é um dos mais promissores no Brasil. Com o advento da Copa do Mundo, as arenas no Brasil sofrerão uma grande transformação e têm uma missão desafiadora: realizar eventos com maior frequência, trazer mais visitantes por evento, aumentar a receita por visitante e atrair mais patrocinadores e criar alternativas para a ocupação dos espaços

durante períodos em que não são realizados eventos. A Nec apresenta soluções para arenas inteligentes. O modelo é baseado na experiência do usuário e em três elementos essenciais: entretenimento, segurança e maximização dos resultados. A Nec também apresenta a solução de análise da cena do crime em apenas 25 minutos, por meio do analisador de DNA portátil.

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Safran Morpho

A Morpho, empresa de alta tecnologia no Grupo Safran, é um dos principais fornecedores do mundo de soluções para identificação, detecção e documentos eletrônicos. A Morpho é especializada em soluções para direitos pessoais e em aplicações de gerenciamento de fluxo, em particular com base de dados biométricas, setor no qual é a líder mundial, bem como terminais seguros e smart cards. Os sistemas e equipamentos integrados da Morpho estão implementados em todo o mundo e contribuem para a proteção e segurança das aplicações de transporte, de dados, de pessoas e de países. A Morpho e-Documents, como uma divisão da Morpho, é pioneira e líder mundial na indústria de smart cards. A 64 |

digital

Divisão da Morpho desenvolve e implementa tecnologias de ponta para transformar a visão de comunicação móvel sem limites e segurança digital integrada em uma realidade. O portfólio da Morpho e-Documents inclui hardware, software, consultoria e serviços, todos focados na tecnologia de smart cards para o benefício dos consumidores e fornecedores nos setores das telecomunicações, de saúde, de identificação e bancário. Um dos produtos em destaque da empresa é o Ideal Citiz TM, é o smartcard da Morpho e-documents para atender às necessidades de identificação global do setor público. O produto facilita as transações internet e-gov e e-commerce e controle de fronteiras.


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Serasa Experian

A Serasa Experian, parte do grupo Experian, é o maior bureau de crédito do mundo fora dos Estados Unidos, detendo o mais extenso banco de dados da América Latina sobre consumidores, empresas e grupos econômicos. Há mais de 40 anos presente no mercado brasileiro, a Serasa Experian participa da maioria das decisões de crédito e negócios tomadas no País, respondendo, on-line e em tempo real, a 6 milhões de consultas por dia, demandadas por 500 mil clientes diretos e indiretos. A Serasa Experian diferencia-se por oferecer soluções integradas que abrangem todas as etapas do ciclo de negócios: Prospecção de Mercado, Gestão de Clientes, Retenção e Rentabilização, Aquisição e Conces-

são de Crédito, Gestão do Portfólio de Crédito, Gestão de Cobrança e Fraude e Validação. O uso coordenado de informações consistentes e abrangentes de marketing e crédito, scorings e ratings avançados, sistemas de decisão de alta performance e softwares de gestão completos permite um resultado ainda melhor para os negócios, possibilitando a tomada mais rápida de decisões, com menor risco e maior rentabilidade. A Serasa Experian apresenta diferentes produtos entre eles: Certificados digitais para Receita Federal; Soluções para Notas fiscais eletrônicas; Soluções para Websites; Soluções em assinaturas digitais; Soluções para o segmento de saúde; julho - agosto - setembro 2012 | 65


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Thomas Greg & Sons

A Thomas Greg & Sons, multinacional presente em nove países, é uma das mais antigas e respeitadas gráficas de segurança do mundo. A empresa trabalha em três linhas: soluções de impressão, sistemas de identificação, cartões e meios de pagamento. E oferece um amplo portfólio de impressos de segurança, documentos de identificação, cartões homologados pelas bandeiras Visa e MasterCard, além de impressos promocionais, com ou sem dados variáveis.

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A tecnologia e experiência adquiridas em mais de 50 anos de atuação global permitem que a empresa ofereça soluções customizadas para seus clientes, que incluem ainda gerenciamento de banco de dados, sistemas de rastreabilidade e gestão da cadeia logística. Em sua unidade brasileira a Thomas Greg & Sons oferece cartões, impressos comerciais e de segurança, máquinas e equipamentos.


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Valid

A Valid tem mais de 55 anos de experiência em sistemas de identificação, telecomunicações, meios de pagamento e certificação digital e conta com subsidiárias no Brasil e no exterior que fornecem as mais diversificadas soluções em meios de pagamento, sistemas de identificação, telecomunicações e certificação digital. Presente em vários estados brasileiros , além da Argentina, Espanha e Estados Unidos. Um modelo produ-

tivo com capacidade de atendimento descentralizado e único, atendendo a melhor logística operacional para cada um de nossos clientes. Líder no fornecimento de carteiras de identidade e de habilitação no Brasil, a Valid atende, com inteligência física e lógica, as prioridades deste mercado. Governos estaduais e órgãos públicos podem contar com as soluções globais da Valid para prestar um serviço de qualidade e segurança máxima.

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Uma década de debate sobre a certificação digital

Brasília é a única cidade no país a receber todas as edições do Fórum da Certificação Digital

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A mesa de abertura ressaltou a importância do certificado digital

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Icmedia recebeu a 10a etapa do CertForum no dia 20 de setembro. A reunião foi parte das atividades paralelas à programação da Conferência Internacional de Ciências Forenses em Multimídia e Segurança Eletrônica. A mesa de abertura das atividades teve como tema “O Plano Nacional de Desmaterialização de Processos e o Pacto Mundial de Economia Digital pela Sustentabilidade”. Estiveram presentes na solenidade o vice-governador do Distrito Federal, Tadeu Filipelli, o presidente da ABRID, Célio Ribeiro, o diretor-presidente do Instituto de Tecnologia da Informação (ITI), Renato Martini, o superintendente de Tecnologia da Empresa de Tecnologia da Previdência Social (Dataprev), Hermes Palácios, o diretor do Departamento de Serviços de Rede da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI/MPOG), Jacob Batista de Castro Júnior, o pre-

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digital

sidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais, Hélio Buchmüller, e o presidente da Câmara-e.net, Ludovino Lopes. Renato Martini fez a abertura oficial do evento tratando da importância dos certificados digitais na desmaterialização dos processos. “Buscamos por processos mais baratos, econômicos e sustentáveis”, ressaltou. Já Célio Ribeiro ressaltou que o CertForum é um momento em que as empresas podem mostrar as tecnologias mais recentes e agradeceu o apoio dos parceiros envolvidos no projeto. “Esta é a hora do setor privado mostrar o que tem de melhor para subsidiar o governo na escolha da tecnologia para benefício do cidadão brasileiro”, disse. Ludovino Lopes destacou a importância do 10o CertForum e da ICP-Brasil: “A ICP Brasil é um modelo de sucesso que exporta tecnologia para vários países”. Hélio Buchümuller destacou a excelente parceria feita entre CertForum e ICMedia.

“Trouxemos para a Conferência o valor agregado de um evento que já tem dez anos de existência, agradecemos a parceria do ITI”, comentou. Na oportunidade, Jacob Junior reafirmou a parceria da SLTI/ MPOG com o ITI - “estamos lado a lado com o ITI neste grande projeto para a sociedade brasileira” -, enquanto Hermes Palácios destacou a importância do espaço e das soluções de tecnologia propostas para a desmaterialização de processos. Fechando a abertura, o vice-governador Filipelli agradeceu a oportunidade de participar do fórum e observou que Brasília oferece um espaço importante para o trabalho com o certificado digital. “Essa luta pela certificação é uma possibilidade de revolução, assim como a história de Brasília”, concluiu. A manhã de trabalhos ainda contou com duas mesas de debates, “Os Avanços da Certificação Digital da ICP-Brasil” e “A Certificação Digital e a Segurança nas Transações Bancárias”.


soramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Fenacon) sobre os benefícios e aplicações da certificação digital. Carlos Castro, representante da Fenacon, apresentou o documento e explicou os benefícios e as aplicações da certificação digital dentro do âmbito da contabilidade. À tarde, o último item da pauta de Brasília do CertForum foi a mesa “A Certificação Digital da ICP-Brasil nas Ações de Governo”, com a participação do Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro), Polícia Federal, Receita Federal, Caixa, Conselho Federal de Medicina (CFM) e Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev). A analista executiva de Metrologia e Qualidade do Inmetro, Danielle Assafin, apresentou o Programa de Avaliação de Conformidade (PAC) para equipamentos de certificação digital no padrão ICP-Brasil. O projeto está sendo implantado em parceria com o ITI, responsável por regulamentar os aparelhos e definir todos os requisitos técnicos. Já o chefe da Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal, Carlos Eduardo Miguel Sobral, ressaltou a

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A discussão sobre os avanços da ICP-Brasil traz para nós uma cadeia certificação digital da ICP-Brasil con- de segurança confiável”, ressaltou. tou com a participação do diretor de Para Blanco, o grande número Infraestrutura de Chaves Públicas do de cheques que circulam diariaITI, Maurício Coelho, o coordena- mente, cerca de 75 milhões, teve dor-geral de Auditoria e Fiscalização seu prazo de compensação reduzido do ITI, Pedro Cardoso, e o assessor da e uma harmonização do horário de Diretoria de infraestrutura de Chaves expediente bancário graças aos usos Públicas, Ruy Ramos. A equipe do da certificação digital. “Tivemos ITI tratou de temas relativos à bio- uma redução de emissão de 15 mil metria no certificado digital, além de toneladas anuais de CO2 na atmosapresentar os números da ICP-Brasil fera. Uma vez que com o uso da em 2012 e do certificado digital e certificação digital, 35 milhões de seus atributos. quilômetros deixaram de ser perNa terceira mesa da manhã, corridos”, contabilizou. para discutir a certificação digital e Jorge Krüg analisou a cloud coma segurança nas transações bancá- puting e os receios atuais de migrar rias, foi convidada a coordenadora os serviços bancários para a chamada da Subcomissão de Segurança da nuvem. “Para muitas organizações, Informação da Federação Brasileira como bancos, autenticação forte é dos Bancos (Febraban), Francimara uma parte vital de qualquer solução Viotti. Já Wander Blanco, represen- para nuvem”, afirmou. No entanto, tante da Febraban no Comitê Técni- Krüg acredita que a nuvem traz beco da ICP-Brasil, analisou o Sistema nefícios como a mobilidade, o acesso de Compensação Digital (Compe). universal e a redução de custos. O superintendente exeAinda pela manhã, cutivo de Segurança da Célio Ribeiro, aconteceu o lançamento Informação do Banco do presidente da cartilha da Federação da ABRID, Estado do Rio Grande Nacional das Empresas do Sul (Banrisul), Jorge durante de Serviços Contábeis e participação Krüg, tratou dos cartões das Empresas de Assesno CertForum EMV e a autenticação segura na rede bancária. A moderação da mesa ficou por conta de Pedro Paulo Lemos Machado, diretor de Auditoria, Fiscalização e Normatização do ITI. Francimara Viotti lembrou que o primeiro certificado digital em sistema de pagamentos bancários foi usado em 2002, e que de lá para cá muitos avanços foram conquistados. “O uso do certificado digital trouxe uma economia de tempo, papel, espaço, transporte e combustível e a

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Renato Martini, presidente do ITI, conduz discussão durante a etapa Brasília

importância do Projeto Tentáculos, que por meio de acordo com a Caixa permitiu centralizar as investigações de crimes cibernéticos contra os clientes do banco. Graças à iniciativa, criada em 2008, em dois anos as fraudes eletrônicas contra a Caixa caíram 66%. A PF fechou em 2010 parceria com a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) para ampliar o programa e agora os bancos de varejo vão iniciar um piloto no qual a comunicação de fraudes será feita de forma on-line diretamente à Polícia Federal. O chefe da Divisão de Segurança da Informação da Receita Federal, Sérgio Fuchs, afirmou que o modelo ICP-Brasil tem permitido transações seguras interna e externamente. Dentro da Receita, todo o acesso de servidores a dados sigilosos dos contribuintes agora é feito via certificado digital. Para fora, o fisco usa certificação em programas como o e-CPF e e-CNPJ, além de exigir a medida na entrega de várias declarações obrigatórias para pessoas físicas. Por sua vez, o representante da Caixa, Hen72 |

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rique José Santana, gerente Nacional do FGTS, relatou que o projeto Conectividade Social usa o certificado digital para todo o relacionamento eletrônico com empresas que recolhem Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. O médico Gerson Zafalon Martins, segundo secretário do Conselho Federal de Medicina, divulgou o projeto do CRM Digital, que permite o acesso dos médicos ao prontuário eletrônico dos pacientes de forma segura e inviolável, com a garantia do certificado digital. Aproximadamente 45 mil médicos, ou mais de 10% do total de profissionais do país, já possui o CRM Digital – uma carteirinha com o certificado ICP-Brasil. E o assessor da Diretoria de Desenvolvimento, Relacionamento e Informação da Dataprev, Alan Nascimento, divulgou o projeto, em parceria com o CFM, que permite o uso do certificado digital pelos médicos peritos do INSS para acelerar a concessão de auxílio doença pelos trabalhadores.

»» Rio de Janeiro Antes de Brasília, o 10º Certiforum visitou a capital fluminense, em agosto. No primeiro semestre aconteceram as etapas de São Paulo (SP), Recife (PE) e Goiânia (GO). Em outubro, o evento realiza o último encontro em Florianópolis (SC). No Rio de Janeiro (RJ), ganhou destaque o debate sobre o uso da certificação digital nas iniciativas de governo. Renato Martini avaliou que o Plano Nacional de Desmaterialização de Processos – que prevê o uso do certificado padrão ICP-Brasil como alternativa para o aumento da produtividade e redução de gastos com insumos como papel, tinta, transporte e armazenamento – é um bom caminho para a desburocratização da administração pública. Para ele, encontros com o Fórum da Certificação Digital são essenciais para difundir a iniciativa. “O 10º Certforum tem sido extremamente importante para demonstrar e incentivar a utilização de novas tecnologias, além de nos permitir


10º Certforum explicar temas ainda pouco conhecidos, como o Plano de Desmaterialização”, justificou. Já o diretor do Departamento de Sistemas de Informação da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Corinto Meffe, avaliou que o Plano Nacional de Desmaterialização garante melhor controle dos dados públicos graças à facilidade de administração do documento eletrônico, além de gerar economia de tempo e recursos. E lembrou que o projeto casa bem com uma nova legislação: “Com a Lei de Acesso à Informação, precisamos cada vez mais dar celeridade ao trâmite público para prover ao cidadão informações precisas, melhorando nossa prestação de serviços”. No setor privado, enfatizou o diretor-secretário da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Pedro Nadaf, o uso do certificado digital também está em expansão. “A iniciativa privada precisa acompanhar a evolução das tecnologias. A CNC tem trabalhado para que o empresário brasileiro seja cada vez mais aderente às tecnologias e, tirando delas o melhor possível, fazer com que a evolução também ocorra na prestação de serviços”, comentou. Em outra linha de discussão no Certforum Rio, o representante da Febraban, Wander Blanco Nunes, ressaltou a importância do padrão ICP-Brasil para o novo modelo de compensação de cheques por imagens. “Os prazos que existiam para a compensação eram afetados, por exemplo, por questões de logística, que faziam o cheque demorar até 20 dias no transporte. Quando migramos para o modelo totalmente eletrônico de compensação por imagem, os prazos foram reduzidos, há uma economia anual de R$ 343 milhões com as rotas de compensação que não são mais necessárias, além de evitar a emissão de 15 mil toneladas de gás carbônico anuais”, comemorou.

2012 São Paulo 11 de abril

Recife

ü ü

24 de maio

Goiânia 14 de junho

Rio de Janeiro 29 de agosto

Brasília 20 de setembro

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Florianópolis 17 e 18 de outubro A cidade vai receber uma etapa do CertForum devido, entre outros motivos, à excelente produção acadêmica em certificação digital da ICP-Brasil, o que garante Florianópolis como polo tecnológico nacional. O evento será realizado no Centro de Convenções Centrosul. Fonte: ITI.

Público acompanha debates no CertForum Rio de Janeiro

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A aplicação do certificado digital ao Direito

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Um dos pontos altos do Certforum em Brasília, como primeiro item da agenda da tarde, foi a mesa “Certificado Digital Aplicado ao Direito Brasileiro”, que reuniu representantes do ITI, Justiça Federal do Paraná (JFPR), Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Rio de Janeiro (OAB-RJ). Moderado pelo coordenador-Geral de Planeja- Painel debate certificação digital mento, Orçamento e Adminisdigo de Processo Civil com base no paradigma aplicada à área jurídica tração do ITI, Liomar dos Sando papel. Qual é o sentido de você elaborar a tos Torres, o debate analisou os principal lei do processo brasileiro com base no vários usos do padrão ICP-Brasil na área jurídica do país. papel? Infelizmente, não conseguimos sensibilizar ainda Para dar legitimidade à discussão, o procurador Feo Congresso Nacional a esse respeito”, lamentou. deral Chefe do ITI, André Pinto Garcia, garantiu o recoO procurador Petrônio Calmon Alves Cardoso Finhecimento legal do certificado digital padrão ICP-Bralho, do MPDFT, reforçou a necessidade de alterações sil, conforme preveem a Medida Provisória 2.200/2012 no projeto do Código de Processo Civil, que, segundo e a Lei 12.682/2012. “A internet é um mundo sem rosto, ele, usa o termo datilografia sete vezes. Para ele, a rápida de modo que o certificado digital é a solução adotada popularização do processo eletrônico na Justiça brasileira para o Brasil para dar segurança à nossa atividade virtuesbarra na falta de unidade. “São 27 justiças estaduais, al”, afirmou. autônomas, independentes. A Justiça Federal é dividida O juiz federal do Paraná, Vicente de Paula Ataíde em 5 regiões, que não se conversam. Se nem a Justiça Júnior, detalhou a ótima experiência da Justiça Federal Federal consegue, imagine nas justiças estaduais”, codos estados do Sul do país no uso do processo eletrônico, mentou. que classificou como revolucionária. “Eu sou do tempo Por fim, a presidente da Comissão de Direito e Tecda máquina de escrever, sempre tive o processo como nologia da Informação da OAB-RJ, Ana Amélia Menna algo de papel, fiz curso de datilografia. O momento que Barreto, divulgou o projeto Fique Digital, que incentiestamos vivendo hoje no Poder Judiciário não tem comva a aquisição de certificados digitais pelos advogados paração, não tem como imaginar. Nenhum de nós tído Rio de Janeiro. Além de todo o suporte on-line para nhamos como imaginar em que ponto chegaríamos no compra e uso do certificado, a OAB criou a Caravana Fiprocesso. Hoje, na região Sul, não existem mais ações de que Digital, que percorre as cidades do estado para quapapel no âmbito da Justiça Federal. O certificado digital lificar os advogados quanto ao uso do padrão ICP-Brasil. já faz parte da nossa realidade”, comemorou. Quase 500 horas de cursos já foram oferecidas a cerO magistrado, porém, reconheceu as diferenças reca de 19 mil advogados. Em parceria com a Certsign, a gionais no uso do processo eletrônico e alertou para um OAB-RJ tem inclusive sorteado certificados digitais. O grave risco: o novo Código de Processo Civil, em discusresultado do projeto impressiona: hoje a OAB do Rio são no Congresso Nacional, não trata corretamente do está em primeiro lugar entre as seccionais da Ordem em processo eletrônico. O artigo 190 do texto em debate, emissão de certificados digitais, com média superior a por exemplo, mantém a redação de décadas atrás - os mil por mês. E o Fique Digital já está servindo de base atos e os termos serão digitados, datilografados ou espara iniciativas semelhantes em outras unidades da fedecritos em tinta escura. “O Código tem de ser pensado ração. “O advogado que não ficar ponto com, será ponto no novo paradigma. Não dá para pensar um novo Cómorto”, conclui Ana Amélia.

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ICP Brasil em números Em 2012, a ICP-Brasil emitiu até abril 712.851 certificados digitais. Em 2011, foram 2.024.279. Serasa é a principal AR em emissão de certificados, com 22.67% do total.

Entidades credenciadas

Quantidade

Autoridade Certificadora

44

Autoridade de Registro (CNPJ)

189

Instalação Técnica Física

1.153

Quantidade de Agentes de Registro

11.098

Quantidade de pontos de atendimento e agências

2.832

Unidade de Auditoria Interna

6

Auditoria Independente

7

Instalações técnicas e postos provisórios por região

Região

Instalações

Postos Provisórios

Centro-Oeste

119

28

Nordeste

187

49

Norte

71

39

Sudeste

546

113

Sul

230

42

1.153

271

Total

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Workshop RIC: mais uma etapa de debates O Ăşltimo encontro do ano dos Workshops Regionais, em BrasĂ­lia, traz importantes discussĂľes para o futuro do projeto

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A etapa Centro-Oeste, em Brasília, reuniu dezenas de participantes

A

quinta última edição do ano do RIC – Workshops Regionais 2012 aconteceu em Brasília no dia 21 de setembro. O encontro foi parte das atividades paralelas da Icmedia, a Conferência Internacional de Ciências Forenses em Multimídia e Segurança Eletrônica. Com casa cheia, o evento realizado pelo Conselho Nacional de Diretores de Institutos de Identificação (Conadi) e organizado pela ABRID teve como principal debate os temas relativos ao projeto do Registro de Identidade Civil (RIC) e as tecnologias aplicadas ao documento. A intenção é aproximar os órgãos estaduais de identificação com as novas tecnologias e abrir amplo espaço para o debate. O evento ocorre anualmente e percorre as regiões do país. A etapa Centro-Oeste, realizada em Brasília, teve a abertura marcada pela presença de diversas autoridades, como o coronel Josiel Freire; representando o secretário e Segurança Pública do Distrito Federal, Sandro Avelar; dos representantes do Ministério da Justiça Raphael Pimenta e Felipe Marques; da diretora do Instituto Nacional de Identificação (INI), Ana Lúcia Ferreira Chaves; e do presidente da ABRID, Célio Ribeiro. Também compareceram os 78 |

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representantes do Comitê Gestor do RIC: Iracilda Maria de Oliveira Santos (região Nordeste), Newton Tadeu Rocha (região Sul), Sandra de Souza Soares Martins, (região Norte), Rita de Cássia (região Sudeste) e Carlos César Saraiva (região Centro-Oeste). O diretor de Identificação da ABRID, Edson Rezende, conduziu os trabalhos e agradeceu o patrocínio das associadas Akyama, Bayer, Casa da Moeda, Certsign, GD, Gemalto, Intelcav, Montreal, NEC, Oberthur, Safran Morpho, Thomas Greg, Serasa Experian e Valid. Anfitrião do evento, o presidente do Conadi e diretor do Instituto de Identificação do Distrito Federal, Carlos César Saraiva, agradeceu o empenho e a participação de todos no evento. Para ele, a implantação do RIC no Brasil demandará muita dedicação. “Temos a difícil e árdua missão de implantar o sistema RIC no país. Nossa categoria não foge à luta e vamos conseguir nosso intento”, garantiu. Ana Lúcia Ferreira Chaves afirmou que é uma honra receber o Workshop em Brasília e enfatizou que os eventos são muito importantes. “Queria registrar que, apesar de toda magnitude do projeto RIC, esse Workshop não se atém exclusi-

vamente ao documento. A sinergia criada pelos Workshops vem nos fortalecer cada vez mais, para que as ações cada vez mais sejam concretizadas”, disse. Já Célio Ribeiro fez agradecimentos a todos os envolvidos nos Workshops, especialmente as empresas presentes. Para Ribeiro, o sonho do RIC permanece vivo. Ele acredita que a iniciativa privada conquistou um espaço muito importante para subsidiar o governo quando foi dada a oportunidade na demonstração das tecnologias possíveis para implantação do projeto. O presidente da ABRID também alertou que o documento de identidade é apenas uma parte do RIC, projeto muito mais amplo que permite o acesso do cidadão a diversos tipos de serviços. Célio Ribeiro reforçou a importância do projeto: “Acredito no bom senso, na boa vontade e no País. Porém, sei da dificuldade de aprimoramento dos processos internos e de integração, mas é necessária uma identificação segura para o povo brasileiro. Não podemos mais esperar”. Josiel Freire lembrou que o projeto do RIC depende de melhorias nos Institutos de Identificação e da superação da discrepância de setores com tecnologias de ponta e


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outros com tecnologias rudimentares. “A Copa das Confederações e a Copa do Mundo podem acelerar estes processos e nos deixar um importante legado”, previu. Freire ressaltou que, embora a implantação da nova identidade esteja atrasada, eventos com os Workshops Regionais mostram a disposição de muita nova fonte de gente boa em implantar a iniciativa. recursos para os Para finalizar a abertura, o coro- órgãos oficiais de identificação. “O Estado tem nel Josiel Freire lembrou o processo que participar dos investide identificação b r a s i l e i r o : “ São mentos com a iniciativa primais de 120 anos com várias ações vada”, constatou. e pessoas se dedicando para que a O representante do Instiidentificação seja segura”. Segundo tuto Nacional de Tecnologia da Inele, o RIC saciará as necessidades de formação (ITI), André Caricatti, segurança na identificação dos brasidiscutiu com os participantes leiros. “Tenho certeza que em breve a certificação digital no cartão teremos resultados significativos na RIC e as atribuições dos órgãos implantação do RIC”, completou. de identificação no processo. CariNa sequência dos trabalhos foi catti reforçou os seguintes aspectos: debatida a importância da Parceria contexto geral sobre certificação diPúblico-Privada (PPP) para o setor gital, o papel dos instide segurança, em palestra do tutos de identificação, consultor do Conadi, Carlos Célio Ribeiro, as funções de Agente presidente Collodoro. Ele demonstrou da ABRID, de Registro, as aplicaque a PPP é uma solução vireforçou a ções em potencial e os ável técnica, operacional e importância novos desafios para o economicamente, além de ser do RIC projeto. Já o gerente Técnico da NEC no Brasil, Marcos Souza, explicou a interoperabilidade entre sistemas AFIS e barramento, a partir de exemplo de projeto desenvolvido nos Estados Unidos. “A interoperabilidade é uma meta alcançável. Para a nossa realidade (brasileira), os desafios são gigantes, mas são alcançáveis. A interoperabilidade não é apenas de padrões de indústrias de prensas papilares, ela precisa de ferramentas

que precisam trabalhar um conjunto de materiais disponíveis para ter o matching”, detalhou. No espaço destinado ao Instituto Nacional de Identificação, os peritos papiloscopistas federais Luciene Marques e Carlos Eduardo explicaram como é a atuação dos profissionais em casos de perícias papiloscópicas e necropapiloscópicas. “O trabalho pericial é muito importante porque é um meio contundente e relevante para comprovação. A atuação é baseada na técnica e na ciência”, argumentou Luciene. Ele e o colega Carlos Eduardo ainda comentaram as técnicas usadas pela papiloscopia do INI para reconhecimento facial e a atuação do Instituto em casos como a identificação dos mortos na queda do voo 447, da Air France, que em 2009 caiu sobre o Atlântico quando seguia do Rio de Janeiro a Paris. Já a diretora do INI, Ana Lúcia Ferreira Chaves, recordou os projetos feitos em parceria entre o Instituto e as unidades da federação, com o julho - agosto - setembro 2012 | 79


Diagnóstico Nacional de Identificação, o Sistema Nacional de Identificação Criminal (Sinic) e aquisição de sistemas AFIS. Sobre o AFIS, ela observou que houve um grande crescimento na base de dados nos últimos anos: “Desde 2004, no início, foi um crescimento bem tímido, constante até 2008. Daí, sim, cresceu de uma forma bastante considerável. Hoje temos cerca de 9,3 milhões de registros, com previsão de chegar a 10 milhões até o fim do ano”. E o chefe da Divisão de Documentos de Segurança do INI, Alexandre Donnici, montou um panorama atual do RIC, reconhecendo que o projeto teve o ritmo reduzido para reavaliação de alguns pontos. “Em função da não execução das metas do projeto em 2010 e 2011, entendeu-se que havia necessidade de se formar um grupo técnico para analisar, sanar os problemas e dar continuidade”, afirmou. Para melhor executar o serviço, o trabalho foi dividido em diversos subgrupos: Individualização; Canric; Sistema de Cadastramento Biométrico; Barramento de Integração; Suporte Documental; Suporte Tecnológico para Cartão e Middleware; Certificado Digital; Ecossistema RIC; Sustentabilidade do Projeto, Legislação e

Normatização; Comunicação; Qualidade, Homologação e Auditoria. O Workshop de Brasília contou também com a participação de representantes do Instituto Nacional de Criminalística (INC). As peritas criminais Janine Zancanaro da Silva e Narumi Pereira Lima fizeram apresentações sobre os requisitos técnicos do cartão RIC, incluindo elementos de segurança, biometria, certificação e padrão internacionais. “É importante destacar a qualidade dos dados biométricos. Não adianta ter um documento bonito, seguro, se a gente não tem qualidade dos dados”, enfatizou Janine. Já o superintendente Comercial de Identificação da Valid, Márcio Bastos, relatou o processo adotado pela empresa para a digitalização de arquivos comuns e biométricos destinada à implantação do sistema AFIS. Falando diretamente aos diversos diretores de institutos de identificação presentes no evento, Bastos deu uma dica: “quando falamos de digitalização de acervo datiloscópico estamos colocando o combustível, que são as impressões digitais, para o AFIS processar. Eu não posso, de forma nenhuma, colocar um combustível batizado. Então, a gente tem de ter muita calma. Construam

o edital (para contratação do serviço) bem fundamentado, bastante claro, transparente e façam com calma, porque a pressa vai ser inimiga da perfeição. É preciso deixar claro (no edital) que existem vários tipos de fichas e modelos”. A última palestra da etapa Centro-Oeste dos Workshops Regionais do RIC foi proferida pelo presidente do Conadi e diretor do Instituto de Identificação do Distrito Federal, Carlos César Saraiva. Ele detalhou o trabalho do IIDF antes e depois da implantação do AFIS. O projeto recebeu investimentos de R$ 25 milhões a partir de 2008 e resultou num grande aumento da eficiência do Instituto. O tempo de atendimento para fazer a carteira de identidade caiu de 15 para 8 minutos e o cidadão pode receber o documento pronto em 40 minutos. O sistema ainda permitiu a implantação de novos atendimentos, como identificação criminal, elucidação de crimes e o reconhecimento de pessoas mortas antes consideradas indigentes. “Elevou o nível dos serviços prestados ao cidadão - agilidade, qualidade e segurança. Respeito à cidadania, o cidadão é tratado como gente. A implantação do sistema é o estado dizendo: ‘eu respeito os meus conterrâneos’”, concluiu.

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Representantes de todo o país participaram da etapa Centro-Oeste, em Brasília

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Norte e Sudeste-Sul O Workshop do Centro-Oeste fechou o calendário do evento em 2012. Antes, porém, tinham acontecido as etapas Nordeste (25 de maio, no Recife, com cobertura na idigital nº 9), Norte (6 de julho, Manaus) e Sudeste-Sul (30 de agosto, Rio de Janeiro). Confira os principais momentos em Manaus e no Rio de Janeiro.

Norte: Manaus (Hotel Tropical) Abertura: O assessor financeiro da ABRID, Luiz Carlos de Oliveira, enfatizou que o Workshop Regional é um momento extremamente importante porque, além de manter os participantes atualizados sobre os últimos acontecimentos referentes à implantação do RIC, permite a consolidação de laços e troca de experiência entre os institutos de identificação e todos os órgãos envolvidos no projeto. Conadi: O consultor do Conselho, Carlos Collodoro, detalhou a possibilidade de uso da Parceria Público Privada (PPP) na área de identificação, inclusive no projeto do RIC. Segundo ele, a PPP pode maximizar a elucidação de crimes e a identificação de cadáveres a partir de fragmentos. Instituto Nacional de Tecnologia da Informação: O coordenador-Geral de Operações do ITI, Luís Carlos de Oliveira Porto, explicou a inserção da certificação digital no cartão RIC e detalhou o papel dos institutos de Identificação na emissão do RIC. Ainda abordou conceitos da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil) e da certificação digital.

Valmir lima

A etapa Norte foi realizada no Hotel Tropical, em Manaus (AM)

Instituto Nacional de Criminalística: A perita criminal do INC, Janine Zancanaro da Silvairo, comentou as atribuições do Instituto como órgão de assessoramento do Ministério da Justiça no projeto RIC. Ela explicou o papel do Serviço de Perícias Documentoscópicas (Sepdoc) e do Serviço de Perícias em Audiovisual e Eletrônicos (Sepael).

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Montreal Informática: O representante da Montreal Informática, André Scalon, apresentou a Daon – empresa dedicada a ajudar governos a realizar a inclusão biométrica em sistemas de identificação civil e criminal. Ele classificou a modernização dos sistemas de identificação civil e criminal como um dos desafios atuais das unidades federativas brasileiras. Instituto Nacional de Identificação: A diretora do INI, Ana Lúcia Ferreira Chaves, ressaltou a estrutura e atribuições do Instituto, como coordenar e promover o intercâmbio de informações junto aos institutos de identificação estaduais. Já o diretor substituto do órgão, Alexandre Donnici, contextualizou a situação atual do RIC, que passa por uma reavaliação técnica. Valid: O convidado da Valid, Márcio Nunes Bastos, palestrou sobre a digitalização de arquivos comuns e biométricos. Ele destacou a importância de fazer um trabalho minucioso e de base como forma de obter precisão e qualidade em todo o processo. Instituto de Identificação do Acre: O diretor do IIAC, Sandro Roberto Cunha Rodrigues, repercutiu o processo de modernização do órgão. Ele destacou a implantação do AFIS da identificação civil e criminal para a emissão de carteiras de identidade e elucidação de crimes. Conadi: O presidente do Conselho e diretor do Instituto de Identificação do Distrito Federal, Carlos César Saraiva, enfatizou a importância do sistema AFIS na experiência do DF, com investimento de R$ 25 milhões em três etapas para a implantação. Encerramento: A convite da ABRID, o diretor do Instituto de Identificação do Amazonas, Mahatma Sonhará Araújo do Porto, afirmou que cada Workshop, perícia ou laudo dá a ele as certezas de que a papiloscopia é uma ciência apaixonante e de que o sistema AFIS é uma ferramenta imprescindível. Ele destacou o grande apoio da ABRID para o projeto RIC.

Sudeste e Sul: Rio de Janeiro (Hotel Marriott) Abertura: O diretor de Identificação Digital da ABRID, Edson Rezende, enfatizou que o encontro tem pauta extensa e proveitosa, ideal para questionamentos e intercâmbio de experiências entre os órgãos de identificação e as empresas do setor. Conadi: O consultor do Conselho, Carlos Collodoro, afirmou que a Parceria Público Privada (PPP) é uma nova estratégia de contratação oficial no Brasil que pode ser implementada pelos órgãos de identificação. Ele destacou as dificuldades, facilidades e necessidades da área de identificação em relação ao uso da PPP. Instituto Nacional de Tecnologia da Informação: O assessor da Presidência do ITI, Eduardo Lacerda, comentou o cenário da certificação digital no Brasil e a utilização do certificado no RIC. Ainda explicou o projeto piloto de biometria na certificação digital realizado em parceria com o Instituto de Identificação do Distrito Federal. Montreal Informática: André Scalon, da Montreal Informática, apresentou a Daon – empresa que auxilia o governo a realizar a inclusão biométrica na identificação civil e criminal. Ainda comentou os desafios das unidades federativas no âmbito da identificação civil e criminal e para a implantação do RIC.

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Instituto Nacional de Identificação: A diretora do INI, Ana Lúcia Ferreira Chaves, abordou os projetos e ações do Instituto. Já o diretor substituto do órgão, Alexandre Donnici, comentou o contexto do RIC no âmbito do INI. Ele ressaltou a análise do projeto piloto do RIC e as expectativas após a apresentação da nova abordagem do projeto. Instituto Nacional de Criminalística: A perita criminal federal do INC, Narumi Pereira Lima, destacou os conceitos do documento de identidade. Já o perito criminal federal Rafael de Oliveira Ribeiro apresentou as atribuições do INC no âmbito do RIC. NEC: O representante da NEC, Marcos Souza, repercutiu a digitalização de arquivos comuns e biométricos. Ao abordar os desafios do processo, explicou os procedimentos para conversão do prontuário até o sistema AFIS. Ainda destacou a importância do perito papiloscopista no processo de conversão do acervo. Conadi: O presidente do Conselho e diretor do Instituto de Identificação do Distrito Federal, Carlos César Saraiva, palestrou sobre a modernização do IIDF e destacou a importância e os benefícios da implantação do sistema AFIS para o órgão, tais como: agilidade, qualidade e segurança. Instituto de Identificação do Paraná: O diretor do IIPR, Newton Tadeu Rocha, comentou o convênio do órgão com o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná para cadastramento biográfico e biométrico da população de Curitiba. A intenção é permitir a conectividade do convênio com o projeto RIC. Encerramento: O diretor de Identificação Digital da ABRID, Edson Rezende, agradeceu a presença de todos os participantes do Workshop Regional e o apoio das empresas associadas à ABRID para a realização do evento.

A&R Cintra

O Rio de Janeiro recebeu os participantes do Workshop das regiões Sudeste e Sul

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Segurança para as multidþes Consesp trata da segurança em grandes eventos e faixa de fronteiras

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Wenderson Araújo

Consesp se reÚne durante ICmedia e debate segurança em grandes eventos e ações em faixa de fronteira

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Colégio Nacional dos Secretários de Segurança Pública (Consesp) realizou em Brasília, durante a programação paralela da Icmedia, a XVLI reunião ordinária. Na ocasião, foram debatidos os temas de segurança em grandes eventos e ações em faixa de fronteira. O painel “Segurança na Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014” foi apresentado pelo gerente Geral de Segurança do Comitê Organizador Local (COL), Hilário Medeiros. O foco ficou por conta da importância do poder público e da iniciativa privada na promoção da segurança durante o evento. “O COL disciplina as ações de segurança privada e apresenta o modelo que deseja para o torneio, estabelecendo parceria com os órgãos de segurança pública”, explicou Medeiros. Para ele, o Brasil tem tradição em eventos esportivos relacionados ao futebol, o que o faz acreditar que o país possa oferecer um serviço de qualidade durante a Copa do Mundo.

O presidente do Consesp, Wantuir Jacini (MS), enfatizou a disposição do colegiado para trabalhar na construção de uma estratégia conjunta rumo a 2014. “Nos 12 estados onde haverá jogos, as secretarias estão voltadas para o planejamento estratégico e executivo das ações na área da segurança de forma integrada”, ressaltou. Já o gerente Geral do programa Estratégia Nacional de Fronteira  (Enafron), Alex Jorge Neves, apresentou painel sobre a segurança na faixa de fronteira. Ele ressaltou as diversas ações que vêm ocorrendo no Brasil, como as operações Fronteira Unida e Sentinela, com ênfase para as iniciativas realizadas simultaneamente nos estados da Região Sul e a cooperação com órgãos de segurança pública dos países vizinhos Argentina, Paraguai e Uruguai. “É importantíssimo que todos os Estados apoiem e participem das operações e ações integradoras, fortalecendo, assim, os laços de co-

operação, articulação e colaboração previstas no Plano Estratégico de Fronteiras”, reforçou. Durante o encontro ainda foi debatida a regulamentação do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). O coordenador do programa da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), reforçou o caráter de modernidade e agilidade da iniciativa: “O sistema vai facilitar a comunicação, por meio da participação direta dos gestores de informação de cada estado”. O modelo permitirá a integração dos dados e informações de Segurança Pública, tais como ocorrências criminais, registro de armas de fogo, entrada e saída de estrangeiros e registro de pessoas desaparecidas. O objetivo é facilitar o acesso dos agentes de segurança do país a todas estas informações. A próxima reunião do Consesp vai acontecer de 29 a 30 de novembro, em Florianópolis. julho - agosto - setembro 2012 | 85


Tecnologia

CASOS e a r t i g os


Cada empresa tem uma história que reflete a forma única encontrada por seus sócios, diretores e funcionários na busca por soluções pela implantação de processos e desenvolvimento de tecnologias. É a soma de um conjunto de fatores que faz de cada empresa, cada grupo, cada corporação um caso de sucesso. Resumir todas essas histórias em um único texto não seria justo para quem desenvolveu tudo isso, nem para o leitor, que perderia conteúdo, a essência da história e a oportunidade de apreender informações que podem provocar mudanças, auxiliar na tomada de decisões, no planejamento do futuro. É por isso que a revista idigital abre espaço para que as associadas ABRID dividam seus casos de sucesso com você. Boa leitura.


RESUMO A 3M Cogent, em parceria com a Agência Nacional de Melhoramento de Policiamento do Reino Unido (NPIA), implementou a identificação móvel em 25 equipes de segurança em todo o país. O dispositivo escolhido foi o Bluecheck II com o software Mobile ID. O Bluecheck II tem aproximadamente o tamanho de um telefone celular e permite a polícia ler a impressão digital de uma pessoa e verificar sua identidade diretamente no banco de dados nacional. O processo de lançamento do MobileID e do dispositivo móvel Bluecheck II teve início em 2011 quando a 3M Cogent, subsidiária da 3M situada na Califórnia, ganhou o contrato como principal fornecedora nacional da tecnologia. Toda a solução desenhada reforçou a imagem da 3M Cogent como fornecedora confiável e líder mundial na entrega de soluções completas (hardware e software). A 3M trabalha com soluções inovadoras em segurança para empresas e governos de todo o mundo – ajudando a garantir a segurança de pessoas, documentos e ativos.

PALAVRAS-CHAVE Mobile ID, 3M Cogent, Identificação Móvel, Inteligência em Segurança, Impressão Digital, Autenticação, Bluecheck II.

ABSTRACT 3M Cogent in partnership with the National Policing Improvement Agency of United Kingdom implemented the mobile identification in 25 forces across the country. The device used was Bluecheck II with Mobile ID software, which is about the size of a cell phone that allows the police to read the fingerprint and check its compatibility directly into the national database. The roll-out process of MobileID and the mobile device Bluecheck II began in 2011 when 3M Cogent, 3M subsidiary situated in California, won the contract as the major domestic supplier of the device. Every solution provided proved that the organization is now a trusted partner and industry leader in delivery service from start to finish (software and hrdware). 3M works with innovative solutions in security for companies and governments worldwide - helping to ensure the safety of persons, documents and assets.

KEYWORDS Mobile ID; 3M Cogent; Mobile Identification; Security Systems Division; Fingerprint; Aunthentication; Bluecheck II.

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CASO / ARTIGO

Polícia de Londres Implementa novo dispositivo de identificação móvel da 3M Waldyr Bevilacqua Jr

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onfirmar a identidade é um aspecto importante no trabalho de um policial, especialmente quando os criminosos podem facilmente conseguir documentos falsos para disfarçar quem eles realmente são. Com isso, novos scanners de impressões digitais móveis, que verificam a identidade de uma pessoa em até dois minutos, foram implantados em todo o Departamento de Polícia Metropolitana (MPS) de Londres.

A identificação móvel ganhou vida com força total no mês de maio de 2012, tornando-se um compromisso dos policiais em fazer melhor uso da tecnologia para combater o crime, além de ser parte de um lançamento nacional do dispositivo liderada pela Agência Nacional de Melhoramento de Policiamento (NPIA) do Reino Unido. “Esta tecnologia significa um aumento no tempo de patrulha dos oficiais e ajuda a tornar as co-

munidades mais seguras”, cita um dos comissários. O dispositivo utilizado é o BlueCheck II com o software Mobile ID, que tem aproximadamente o tamanho de um telefone celular e que permite à polícia ler a impressão digital de um dedo indicador e verificar sua identidade diretamente no banco de dados nacional. O dispositivo está sendo utilizado principalmente nos casos em que um indivíduo for suspeito de cometer um delito, ou no momento da prisão por um delito já cometido. julho - agosto - setembro 2012 | 89


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verificação tradicional de identidade feita na rua pode levar um grande período de tempo para se completar. O MobileID é particularmente eficaz em identificar os infratores graves e violentos que fazem todo o possível para evitar que a polícia saiba suas verdadeiras identidades. Essa tecnologia permite aos policiais ficarem mais tempo em campo, e como resultado, ajuda a manter a comunidade segura». O dispositivo também pode ser utilizado para identificar as pessoas inconscientes na cena do crime ou o falecido, por exemplo, em casos de homicídio e colisões fatais. Mais recentemente, MobileID tem sido usado com sucesso para confirmar as identidades dos suspeitos de tráfico de drogas no West End e indivíduos procurados por outros crimes, como lesão corporal grave. Em outro caso, o MobileID ajudou a descobrir uma mulher suspeita vítima do tráfico que havia chegado na Estação Coach Victoria, em Londres, com uma família romena grande. Ela era a única mulher dentre os seis filhos do sexo masculino pertencentes a um casal de meia idade. Oficiais na cena do crime, que estavam realizando uma operação, perceberam que a menina adolescente pareceu arredia, perturbada e apresentava diferentes características faciais da família que estava acompanhando. Com o dispositivo MobileID foi possível encontrar a impressão digital do pai, mãe e de uma das crianças mais velha do sexo masculino. As impressões da família estavam no banco de dados nacionais desde quando eles foram detidos anteriormente por infrações criminais e na div ul ga çã

divulgação

No total, 350 aparelhos Bleucheck II foram implantados em todo o Departamento de Polícia Metropolitana de Londres durante os meses de maio e junho de 2012, incluindo bairros como: Lambeth, Southwark, Newham, Westminster, Lewisham, Hamlets Towe, Brent Croydon, Islington, Camden, Hackney e Haringey. Outras unidades também receberam os dispositivos, incluindo a Unidade Apoio Territorial, Unidade de Trânsito e o Comando de Transportes Seguro. O projeto do Mobile ID faz parte da Estratégia de Melhoria de Sistemas de Informações (ISIS) da Agência Nacional de Melhoramento do Policiamento (NPIA). Esta estratégia foi adotada para que os trabalhos de polícia que utilizam Tecnologia de Informação melhorem a sua eficiência, resolvam os casos com mais eficiência e proporcionem melhorias operacionais através do policiamento, além de também contribuir com o sistema de justiça penal em geral. A Polícia Metropolitana de Lon-

dres é uma das 25 equipes de segurança que participaram das provas de campo que relataram benefícios significativos, incluindo identificação mais rápida dos autores de crimes, aumento do tempo na linha de frente para os policiais e nível maior de confiança do público. A amplitude do produto visa superar os vários desafios operacionais que os policiais podem encontrar. Os aparelhos móveis podem ser encontrados em vários modelos, desde os que capturam somente impressões digitais até os modelos que incluem a captura de várias biometrias, como impressão digital, face e íris, e os seus softwares podem ser executados em smartphones, comercialmente disponíveis, que tenham o sistema operacional compatível como o BlackBerry, ou no próprio leitor biométrico móvel da 3M Cogent. O MobileID também formata os dados biométricos capturados em registros de dados padrões NIST e transmite esses dados para qualquer AFIS (Sistema de Identificação Automática de Impressão Digital) remoto via wireless, aumentando as funcionalidades para os policiais. Durante a experiência, o Departamento de Polícia Metropolitana (MPS) utilizou os dispositivos nas fiscalizações das estradas, no policiamento do Casamento Real e no Carnaval de Notting Hill. O comissário assistente da MPS, Mark Rowley, disse: «A identificação através do MobileID é uma tecnologia que está a um passo à frente e que ajuda os policiais identificarem as pessoas rapidamente. Evidências mostram que, na maioria das vezes, realizar uma identificação completa na hora da prisão toma muito tempo do policial. Mesmo uma


Operações da Agência Nacional de Melhoramento de Policiamento (NPIA), acrescentou: «A identificação é crucial para as investigações policiais e dando a capacidade de os oficiais fazerem isso no local, em poucos minutos, é dar-lhes mais tempo para trabalhar em suas comunidades, ajudando a combater o crime, trazendo criminosos para a justiça e protegendo melhor o público.” O processo de lançamento do MobileID e do dispositivo móvel Bluecheck II teve início em 2011 quando a 3M Cogent ganhou o contrato como fornecedora nacional do dispositivo. Toda a solução fornecida pela área de Inteligência em Segurança da 3M, que envolve a 3M Cogent, provou que a empresa agora é uma parceira confiável e líder mundial no fornecimento de soluções completas, inovadoras para empresas e governos de todo o mundo – ajudando a garantir a segurança de pessoas, documentos e ativos.

Sobre o autor Waldyr Bevilacqua Jr é bacharel em Análise de Sistema e em Engenharia Química, mestre em Market ing e atuou como professor da Universidade de São Francisco. Posteriormente, foi engenheiro de Processo na empresa Alcoa. Atualmente, é gerente da área de Inteligência em Segurança da 3M, onde trabalha desde 1993. divulgação

busca realizada não havia registro da menina. Esses fatos levaram os policiais a fazerem novas verificações envolvendo o Computador Nacional da Polícia (PNC), documentação e questões detalhadas sobre a vítima suspeita. Depois das análises mais específicas dos policiais a adolescente foi levada em custódia preventiva e o caso está sendo investigado pela Unidade de Tráfico do Departamento de Polícia Metropolitana (MPS). O Sargento da Polícia Dean Else, do bairro de Westminster, utiliza o MobileID quando ele está em campo e observou: «O MobileID melhora a naturalidade das nossas interações com o público, pois reduz o tempo que leva para confirmar uma identidade. A verificação é muito mais rápida e leva em média trinta segundos para se obter uma resposta no dispositivo móvel, que é muito eficiente em comparação com a realização de controles de identidade mais tradicionais. O dispositivo economiza tempo do público e do policial – finalmente significa que eu tenho que gastar mais tempo na patrulha das ruas «. Tom McArthur, Diretor de

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RESUMO Para qualquer pessoa envolvida na produção de um documento de identificação de alta segurança, o risco é uma preocupação constante. Será que o documento vai manter um bom aspecto após anos de uso? Conseguiremos fazer um documento fácil de verificar e ainda garantir que vá resistir a ataque criminoso? Neste artigo, Nick Nugent apresenta um novo quadro que leva em conta os principais trade-offs na escolha de um programa de identificação e como determinar a combinação certa de Qualidade, Segurança, Durabilidade e Custo (QSDC) para gerenciar este risco.

PALAVRAS-CHAVE Qualidade, Segurança, Durabilidade, Custos, Custo x Benefício.

ABSTRACT For anyone involved in the production of a high security identification document, the risk of the program is a constant concern. Will the document look good and hold up after years of use? Can we make the document easy to verify yet ensure it will resist criminal attack? In this article Nick Nugent delivers a new framework and evaluates the key trade-offs in selecting a secured identification program and how to determine the right mix of Quality, Security, Durability and Cost (QSDC) to manage that risk.

KEYWORDS Quality, Security, Durability, Cost, Cost-Effective.

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CASO / ARTIGO

DOCUMENTOS DE IDENTIFICAÇÃO DE ALTA SEGURANÇA: Usando QSDC para determinar o mix certo – Parte 2 Por Nick Nugent

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primeira parte deste artigo, publicada na idigital 9, trouxe nova perspectiva sobre gestão de risco nos programas de identificação, o framework QSDC. Foram abordados dois dos quatro pilares: Qualidade e Segurança. A Qualidade efetivamente contribui para o grau de segurança do documento e muitas vezes a falsa economia compromete todo o programa. A segurança em camadas foi outro importante tópico abordado e dificultar ao máximo as atividades criminosas é um dos papéis dos gestores de programas de identificação de alta segurança. Esta segunda parte vai complementar alguns aspectos de segurança e chamar a atenção para as questões

de Durabilidade e Custo x Benefício. Com isso, será possível aprimorar a análise sobre a melhor combinação dos pilares no gerenciamento de risco do programa de identificação. »» SEGURANÇA – DEFESA EM CAMADAS 3. Cuidado com a “bala de prata” A indústria tem muitos fornecedores que descrevem a sua tecnologia ou recurso como sendo a única defesa necessária para proporcionar total segurança para uma ID. A experiência tem mostrado que este nunca é o caso. Os perigos em confiar em uma única característica são claramente ilustrados quando se considera os pontos fortes e fracos do chip inteli-

gente. Embora existam muitos casos de pirataria dos chips nas identificações eletrônicas, a maioria dessas histórias não resiste a uma análise por serem uma propaganda exagerada. A realidade é que os chips são altamente resistentes à duplicação ou alteração de dados, enquanto as camadas necessárias de defesas foram aplicadas. Muito excelente trabalho tem sido feito nos últimos 10 anos pela ICAO, Smart Card Alliance Association e outros para garantir que o desenvolvimento da segurança eletrônica permaneça, ao menos, um passo à frente do criminoso. No entanto, mesmo o chip não representa uma «bala de prata». Não podemos confiar o tempo todo nos leitores que nem sempre estarão disponíveis. Chips e leitores quebram, podem ser deliberadamente desatijulho - agosto - setembro 2012 | 93


Recursos Overt, Covert e Forensic devem ser considerados no design da ID

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vados e não funcionar corretamente. Mesmo a rede elétrica pode ser intermitente em muitos lugares. Infelizmente, há muitos exemplos de governos diminuindo o orçamento para as características físicas de segurança do documento para compensar o investimento no smart chip e na infraestrutura sistêmica para fazer a leitura. Quando um cidadão chegar à fronteira com o passaporte e o smart chip não funcionar, a imigração deve examinar os recursos físicos de segurança. Mas se os recursos foram simplificados para pagar o chip, e os que permaneceram são menos confiáveis? E se o documento exigir uma avaliação mais aprofundada no back office? Cria-se inconveniência para o cidadão e a segurança pode ser comprometida. 4. Design e treinamento Concepção holística do documento de identificação é uma parte crítica do sucesso, segurança de boa relação custo x benefício. Um recurso de segurança que será incorporado em uma das várias camadas de um documento (substrato, impressão, personalização, laminado de chip, etc.) deve ser concebido levando em consideração as ameaças prováveis ​​e outras defesas. Por exemplo, a adição de um ”forensic taggant” para o substrato pode aumentar a detecção de falsificação, mas oferece poucas evidências de adulteração. 94 |

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Além disso, um recurso projetado isoladamente pode ter seu efeito comprometido por outras características ou componentes no documento, ou pode estar duplicado em outras defesas, proporcionando assim um baixo retorno do investimento. Por exemplo, laminados de segurança podem conter efeitos ópticos que são reduzidos pelo design de impressão subjacente, ou um scanner anti-recurso, como tinta opticamente variável pode duplicar as propriedades anti-scanner de um dispositivo holográfico integrado. Considere uma equipe esportiva de sucesso, onde o técnico recebe o máximo dos jogadores fazendo com que eles desempenhem como uma equipe e não como um grupo de indivíduos. O desafio é coordenar diversos designers diferentes, muitas vezes trabalhando em vários estúdios de diferentes fornecedores, para assegurar que uma abordagem de equipe seja alcançada. O treinamento também é essencial. As melhores características de segurança no mundo não têm qualquer valor se o indivíduo carece de habilidades necessárias para a análise e verificação exata. Um programa de treinamento e a conscientização ajudam a garantir que todos que precisem tomar uma decisão sobre a validade do documento saibam e se importem com as características na ID.

»» DURABILIDADE NO MUNDO REAL O conceito de “uso normal” para um documento de identificação está aberto à interpretação. O passaporte pode ser usado para viajar por todas as fronteiras, e também para abrir uma conta bancária, isso é normal. No entanto, se um passageiro a negócios estiver sentado sobre o passaporte durante 150 dias por ano, ou acidentalmente passa por uma máquina de lavar, ou cai em uma poça de óleo? E o que é o uso normal para um cartão de identificação - ser transportado em um bolso com chaves e moedas e inserido diariamente em um leitor, para ser usado como um crachá à luz do sol durante 200 dias por ano, ou para ser mantido em uma gaveta em casa e raramente, ou nunca, levado para o mundo exterior? O ponto é que uma identificação precisa ser projetada para resistir a todos os ambientes em que poderia estar. O teste de laboratório de critérios específicos de desempenho (como flexibilidade, dobra, delaminação, o ataque à abrasão, solvente, umidade, resistência à luz, etc.) pode garantir que os padrões de durabilidade determinados foram cumpridos. Estas normas têm evoluído ao longo de muitos anos, e continuam evoluindo. Há muitas normas que são usadas ​​para orientar a configuração do desempenho, durabilidade, incluindo: • Durabilidade de Passaportes que passam por leitoras versão 3.2, TF4, N0232, 2006; • Identificação de cartões – Características físicas, ISO/ IEC 7810;


Outra complicação é introduzida pela necessidade de identificar se tentativas para alterar o documento usando ataque físico ou químico foram feitas. Por esta razão, laminados devem ser suficientemente resistentes para durar muitos anos, ainda que delicados o suficiente para quebrar se tentativas forem feitas para deixá-los intactos. Exemplos onde fraquezas químicas e físicas foram concebidas no documento para realçar adulteração podem ser encontrados nos passaportes. A introdução de microperfurações ou cortes delicados dentro de um laminado ou no adesivo de visto e uso de papel de passaporte com película fina desafiam o criminoso a remover o laminado ou o visto por inteiro sem danificar a página de baixo. Detectores químicos podem ser introduzidos sob a forma de pequenas partículas de corante dentro do papel que são concebidos para ”sangrar” nítidamente se forem submetidas aos solventes usados ​​para elevar laminados ou vistos. Estas características devem, naturalmente, permanecer dormentes, quando confrontado com os rigores de “uso normal”, e só ativar em tentativa de adulteração.

»» DESEMPENHO CUSTO X BENEFÍCIO Em um mundo ideal, a qualidade, segurança e durabilidade seriam maximizadas e implementadas sem considerar o custo. Na realidade, é claro, os orçamentos são limitados e há restrições. Um departamento do governo deve lutar pelos fundos e entregar o melhor sistema possível para sua população, e ao cidadão deve ser oferecido o documento a um preço acessível. Isto é especialmente verdadeiro para os sistemas de cartões de identificação obrigatórios, onde os cidadãos devem, por lei, ter um cartão emitido para eles pelo qual terão que pagar. Com mais de um quarto de vida da população mundial em pobreza, vivendo com menos de 2 dólares por dia, sempre haverá uma lacuna entre o custo do documento e capacidade de pagamento. Embora os desafios de orçamentos finitos sejam todos muito claros, os riscos de tornar uma situação pior ao cortar custos nas áreas erradas são menos óbvios. Economizar dinheiro no projeto ou nas características de segurança é geralmente uma falsa economia; documentos mal projetados ou fragilmente protegidos sofrem fraudes em massa, exigindo, portanto, caro divulgação

• Identificação de cartões – Métodos de Teste, ISO 10373-1/6; • Métodos de Teste para Durabilidade do Cartão, ANSI, Janeiro 2007; • Identificação de cartões – Card Service Life, Part1: Perfis de Aplicação, ISO 24789-1; • Identificação de cartões – Card Service Life, Part2: Métodos de Avaliação, ISO 24789-2; O lançamento da nova ISO 24789 - Card Service Life - vai permitir que os governos especifiquem um perfil de aplicação que se encaixe a sua situação. Padrões de teste anteriores não permitiram uma análise específica do caso de uso no desenvolvimento de um conjunto de protocolos de teste recomendados. Desenvolvimento de perfis únicos garantirá testes que atendam os requisitos de durabilidade dos clientes. É importante lembrar que os resultados destes testes podem fornecer informação importante sobre o provável desempenho de uma ID. No entanto, cabe ao emissor definir critérios de aprovação / reprovação para estes testes. Além disso, o mundo real é um lugar mais complicado que o laboratório, e os desafios de durabilidade enfrentados por documentos não são capazes de ser precisamente reproduzidos no laboratório, onde o teste acelerado e extrapolação devem ser usados ​​para prever o desempenho durante muitos anos. Em suma, não há nenhum substituto para a experiência na utilização de materiais específicios, de métodos de construção e de tecnologias de Testes de personalização laboratório para minimizar avaliam a o risco de falhas durabilidade de uma ID em dos cartões uso normal.

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re-design e até mesmo um novo programa de emissão. A utilização de componentes de baixa qualidade, tais como substratos, tintas e chips encurta a vida do documento e, novamente, pode acabar custando mais dinheiro do que fazendo a coisa certa, em primeiro lugar. Talvez o maior perigo venha da utilização de uma única característica cara, tal como um chip. Há exemplos em que este tem reduzido gasto na rede global em camadas de defesas, levando a um documento de menor segurança Nunca fica claro se o governo reduz os gastos com recursos de segurança porque precisa ou porque pensa que não precisa de tais recursos porque agora tem a «bala de prata». Como já vimos, o inexpugnável recurso único de segurança não existe no mundo real. O fator mais importante na implementação de um programa dentro do orçamento é para aprender com os erros de outras pessoas. O uso das melhores práticas já testadas ajuda a minimizar a chance de excesso inesperado. É fundamental considerar as melhores práticas nos estágios iniciais de um projeto de identificação segura e sobrepor estas recomendações com as necessidades específicas de cada projeto. Com isso as partes interessadas podem garantir o cumprimento de padrões e práticas locais, regionais e internacionais. Além disso, haverá maior segurança, maior eficiência,

menor risco e melhor aceitação de todos os envolvidos em relação ao processo e ao documento final. A geração de melhores práticas é talvez a mais importante evolução recente da indústria. A maturação de tecnologia e o desenvolvimento de padrões têm levado a adoção em massa de programas de documentos de identificação seguros e essa adoção criou um ambiente rico para a geração de melhores práticas. Fontes de melhores práticas incluem outros governos, organizações experientes e vendedores, e, o mais importante, a documentação dos grupos industriais como ICAO, AAMVA, APEG, GlobalPlatform e o Smart Card Alliance. Entender as lições aprendidas em outros projetos permite levar em consideração antecipadamente a identificação de temas-chave que vão desde estrutura de emissão de organização e gerenciamento de projetos, até preocupação do usuário final, a otimização e segurança da cadeia de abastecimento e até mesmo as recomendações específicas de tecnologia. Embora todos os projetos sejam únicos, frameworks e ferramentas existem para mapear as melhores práticas para necessidades específicas do projeto, aumentar a confiança no processo de tomada de decisão e facilitar o processo de implementação. Juntos, esta abordagem garante o mais alto nível de sucesso em programas complexos de identificação.

»» CONCLUSõES QSDC são partes essenciais de um programa bem sucedido de ID e, como demonstrado, têm uma forte ligação entre si. Quando se seleciona o fornecedor de uma solução de identificação, é essencial compreender as compensações apresentadas no quadro QSDC para ajudar a reduzir os riscos associados com a emissão de documentos seguros de identidade. Há muitos provedores de soluções que têm a experiência necessária para oferecer programas seguros de ID órgãos do governo. Os programas e provedores de soluções mais bem sucedidos utilizam as melhores práticas e um amplo portfólio de soluções integradas (hardware, software, suprimentos e serviços) permitindo assim que os órgãos do governo possam encontrar o equilíbrio certo de QSDC - a mistura certa - para seu programa de ID segura.

sobre o autor Nick Nugent é Technology Manager da Datacard e vem usando sua vasta experiência de mais de 20 anos no mercado de segurança de documentos para orientar o desenvolvimento de produtos e prestar consultoria a governos e integradores na seleção e implantação de sistemas de segurança para passaportes e cartões de identificação, que apresentem boa relação custo-eficiência.

Overview da Solução de Secure ID

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RESUMO As soluções automáticas e semiautomáticas para controle de fronteiras visam a segurança e a eficiência no controle da imigração, especialmente durante eventos como Olimpíadas e Copa do Mundo, quando as autoridades responsáveis pelas fronteiras devem preparar-se para reforçar a segurança continuamente, de maneira a acompanhar as variações da demanda.

PALAVRAS-CHAVE Imigração, e-gate, e-border, RFID, documentos de viagem.

ABSTRACT Secure and efficient border control solutions aimed safety and efficiency in immigration controlling, especially during events like the Olympics and World Cup, when border authorities must equip themselves to ramp up and then cut back security to cope with fluctuations in demand.

KEYWORDS

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Immigration, e-gate, e-broder, RFID, travel document.

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CASO / ARTIGO

Espírito latino! Por Georg Hasse

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uando o Reino Unido entregou o bastão olímpico ao Brasil, no início deste ano, as autoridades comemoraram o sucesso dos Jogos Olímpicos de Londres de 2012. Os que viajaram pelos principais aeroportos da capital ficaram entusiasmados diante da velocidade dos procedimentos de imigração e de embarque, além da confiança e segurança que lhes eram passadas, a despeito do incrível excedente de passageiros. A América Latina está ansiosa por receber um fluxo de estrangeiros nos próximos dez anos – desde turistas, que viajarão para assistir à Copa do Mundo de Futebol e às Olimpí-

adas de 2016, a pessoas que viajarão a negócios para visitar os mercados emergentes mais promissores da região – e desde já deve começar a caminhar sobre a tênue linha que separa a segurança da conveniência, desenvolvendo estratégias rigorosas com o amparo de tecnologia de eBorder de alta qualidade. »» Muito além dos turistas A segurança e a eficiência do controle de fronteiras são uma necessidade econômica, uma vez que os nossos aeroportos têm um importante papel no funcionamento das engrenagens da economia global. Por exemplo, se

um dos principais aeroportos do país ficasse conhecido por seu vagaroso fluxo imigratório e suas instalações inadequadas, uma empresa cujos negócios dependessem de viagens internacionais pensaria duas vezes antes de investir no local. Da mesma maneira, se um passageiro tiver algum inconveniente em um determinado aeroporto, ele passará a ter preferência por um concorrente desse aeroporto. Além disso, frente a eventos colossais como as Olimpíadas e a Copa do Mundo, que rápida e repentinamente levarão a um aumento no número de passageiros, as autoridades responsáveis pelas fronteiras devem preparar-se para reforçar a segurança continuamente, de maneira a acompanhar as variações da demanda. A resposta

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»» Porque ele é inteligente Graças aos dados eletrônicos e aos recursos de segurança incorporados aos passaportes e documentos de 100 |

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identidade eletrônicos, tornou-se fácil e garantida a detecção de documentos forjados ou adulterados. Além disso, o chip RF integrado permite o uso de procedimentos rápidos e automáticos de verificação úteis ao controle de um fluxo excessivo de passageiros nos postos de controle de fronteiras. Ademais, graças ao potencial de automação que caminha lado a lado com os passaportes eletrônicos, algumas funções estão ficando viáveis, como a de autoatendimento no controle de fronteiras. Podem ser usados diferentes tipos de ICP para a proteção dos dados eletrônicos nos documentos de identidade e passaportes eletrônicos, embora tenham diferenças técnicas que precisam ser levadas em consideração. O ICAO-PKI, por exemplo, é baseado em certificados X.509 padronizados e em listas de revogação de certificados, usando assinaturas eletrônicas para proteger a autenticidade e a integridade dos dados; já o EAC-PKI usa os chamados certificados Card Verifiable (certificados CV). O primeiro é usado sempre em verificações relativas à integridade; o segundo, no acesso aos dados biométricos protegidos. »» Pode ir mais depressa? A automação está ficando cada vez mais importante e em todas as áreas, desde a compra de passagens e check-in de passageiros até em revistas de segurança e estacionamentos em aeroportos. Contudo, a automação só é mais uma parte do processo como um todo. Para que o sistema funcione corretamente, é preciso ter certeza de que ele consiga realizar extensas verificações de todos os recursos de segurança eletrônica dos documentos, inclusive

de quaisquer certificados eletrônicos. Essa é uma constatação essencial, já que de nada vale acelerar os procedimentos nas fronteiras e não conseguir realizar as verificações de segurança para impedir que indivíduos indesejáveis entrem em seu país. Cada etapa do processo de controle de fronteiras tem de ser considerada separadamente – desde a maneira com que os passageiros se registram no sistema até a forma como ele vai funcionar na prática. Os passageiros devem poder seguir instruções de um controle de fronteiras automatizado (ABC) e apresentar seus respectivos documentos de identificação – como a identidade ou passaporte eletrônicos – à máquina para verificação. Mas, para esse processo funcionar, o documento deve portar dados de boa qualidade. Por exemplo, o sistema de ABC eGate EasyPASS de Frankfurt, que opera com passaportes eletrônicos da UE e que foi implantado pela Secunet, registrou um número considerável de pessoas rejeitadas no controle de fronteiras por conta da má qualidade dos dados biométricos registrados em seus documentos de identificação. divulgação

pode estar em soluções automáticas e semiautomáticas para controle de fronteiras que aumentem o fluxo de passageiros sem afetar a eficácia dos procedimentos de segurança. Esses controles de fronteiras devem ser capazes de lidar com uma grande variedade de documentos, passaportes eletrônicos, vistos eletrônicos e, até mesmo, documentos de identidade eletrônicos. Como exemplo, tomemos o Brasil, que já encomendou cartões para o seu Registro de Identidade Civil (RIC). O RIC é um cartão híbrido, que contém um módulo com contato e um sem contato. O último inclui uma aplicação para viagens que atende às normas da Organização Internacional de Aviação Civil (ICAO) e que facilitará as viagens pelas nações que compõem o Mercosul. São armazenadas, no cartão, uma fotografia e as impressões digitais do titular. Também vai ao encontro das normas do governo brasileiro para seus documentos de identificação, que estabelecem que o cartão deve conter um aplicação de identificação digital e uma solução match-on-card para as impressões digitais. Sua Infraestrutura de Chaves Públicas (ICP) garante mais segurança, além da autenticidade dos dados armazenados no chip. O RIC permite que cada cidadão brasileiro seja registrado com um número único, válido em todo o território do país.


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Pense nisso... Ao enviar uma proposta para algum fabricante de documentos, é essencial que se compreenda exatamente a forma como o documento proposto será usado no futuro. É preciso certificar-se quanto ao seu funcionamento e à possibilidade de ser usado para autenticação por computador em sistemas automáticos de controle de fronteiras. Além disso, também se deve garantir que todas as partes que forem usar o documento sejam incluídas no processo de tomada de decisões. Deve-se assegurar que todas as etapas do processo de produção e emissão estejam em plena conformidade com as normas da ICAO, de

maneira que o documento seja compatível e legível perante os sistemas de outros países. Também considere uma comparação entre o sistema de registro digital e o tradicional processo de anexar a foto a um formulário de solicitação. O registro digital captura digitalmente os dados biométricos de passaportes e documentos de identidade eletrônicos, sendo capaz de modernizar o processo de solicitação de documentos. Também vale a pena pensar na maneira como será integrado o controle de qualidade dos registros, para assegurar que os dados registrados já tenham sido verificados no momento em que os documentos forem enviados para personalização. Isso significa que você não terá de convocar os cidadãos novamente aos órgãos competentes para poder capturar as impressões digitais ou tirar a fotografia. Outra consideração importante a se ter é a forma com que se pretende explorar a tecnologia avançada de um passaporte ou documento de identidade eletrônico. Infelizmente, alguns países que investem nessa tecnologia ainda não conseguem nem realizar a verificação de um chip RFID, o que faz parecer inútil todo o investimento em pesquisa, desenvolvimento e implantação dessa tecnologia. É importante ter uma ideia ampla dos processos de gestão de fronteiras e não enxergar os eGates simplesmente como uma solução de baixo custo. Embora seja compreensível a tendência cada vez mais crescente de os governos optarem por soluções de baixo custo, dada a pressão pública por que estão passando quanto aos gastos, essa abordagem pode ter uma visão um tanto estreita. Os melhores, mais eficientes e mais seguros sistemas de controle de fronteiras podem não ser os menos dispendiosos em curto prazo, mas podem começar a fazer mais sentido do ponto de vista econômico se os analistas do governo perceberem

o bom custo-benefício em longo prazo que eles trarão. Com o aumento excessivo dos fluxos de passageiros e com uma necessidade cada vez mais crescente de mais inteligência na identificação de quem chega e sai do país, faz muito sentido ter um forte sistema de eBorder implantado. A América Latina está tomando medidas significativas para assegurar que está totalmente preparada para os desafios que aparecerão na área de controle de fronteiras na próxima década.

sobre o autor Georg Hasse é formado em cursos de Administração de Empresas na Alemanha, Estados Unidos e Reino Unido, e tem mais de 10 anos de experiência em biometria e documentos eletrônicos. É consultor sênior da Secunet Security Networks AG, Berlim. divulgação

»» Quando 0% de rejeição não é tão bom assim Embora haja padrões bem claros para os passaportes eletrônicos, definidos na ISO/IEC 19794-5, parece haver muitas diferenças nas maneiras com que as autoridades os interpretam. Qualquer fabricante de passaportes com um índice de rejeição de fotografias de 0% dever revisar seus procedimentos para controle de qualidade, uma vez que é muitíssimo improvável que cada cidadão forneça uma imagem perfeita e que seja compatível com as recomendações da ICAO. No entanto, também se deve lembrar que mesmo com um bom controle de qualidade durante o registro, a qualidade da foto pode ainda ficar comprometida pelas perdas de produção dos ciclos de impressão/digitalização. Com o uso de fotos impressas fornecidas pelos cidadãos, não são incomuns índices de rejeição de até 10%. Já usando processo de registro digital e controles de qualidade que atendem à ICAO, o índice de rejeição fica reduzido a frações de um por cento, poupando o tempo dos cidadãos e o dinheiro do governo.

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RESUMO O aumento populacional desenfreado que vivenciamos no momento está desafiando cada vez mais as autoridades em relação ao modo que administram suas cidades. Causamos um forte impacto nos locais em que vivemos, e para que nosso futuro seja próspero e harmonioso devemos adaptar nossas cidades para essa nova realidade que virá. Com o auxílio dos mais recentes avanços da tecnologia digital e M2M, será possível criar um ambiente que suportará grande parte da pressão gerada por nós, tornando as cidades em uma grande rede inteligente de informações.

PALAVRAS-CHAVE Tecnologia digital, M2M, cidade inteligente, aumento populacional, desenvolvimento, rede inteligente.

ABSTRACT The rampant population growth that we experience at the moment is increasingly challenging authorities over the way they administer their cities. We cause a strong impact in the places where we live and in order to have a prosperous and harmonious future our cities must adapt to this new reality to come. With the help of the latest advances in digital technology and M2M, it will be possible to create an environment that will support almost all the pressure generated by us, turning cities into a large network of intelligent information.

KEYWORDS Digital technology, M2M, smart cities, population increase, development, smart web.

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CASO / ARTIGO

Chegou a hora de tornarmos nossas cidades inteligentes

Por Adam Oxford

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»» Quão inteligente é a sua cidade? ara que as nossas cidades prosperem no futuro, elas precisam tornar-se inteligentes. Os sensores em rede e os ambientes colaborativos estão orientando a inovação e preparando nossas cidades para uma explosão populacional. Hoje, a cidade desempenha um papel mais vital do que nunca. Até 2050, a ONU estima que mais de 70% da raça humana viverão nas cidades, representando um aumento populacional nos centros urbanos. São neles que devem ser resolvidos os problemas de crescimento demográfico, escassez de recursos, conflitos e justiça social. Algumas pessoas, tais como Jonathan Carr-West, da Local Government Information Unit (Unidade de Informações Governamentais Local), do Reino Unido, enquadram este assunto como uma questão existencial: se quisermos sobreviver como espécie, chegou a hora de tornar nossas cidades inteligentes. julho - agosto - setembro 2012 | 103


»» As características de uma cidade inteligente Nestes polos metropolitanos do futuro próximo, os sensores em rede onipresentes usam a tecnologia de máquina-a-máquina (M2M) para monitorar tudo, desde fluxos de tráfego e uso da energia até a movimentação de cidadãos e organização democrática. Os dados coletados são usados para melhorar a vida dos cidadãos, adaptando o comportamento da cidade em tempo real para estar no máximo de sua eficiência. Se na cidade inteligente e versada em TI de 2012 você pode baixar um aplicativo que lhe informa o horário dos ônibus, na cidade inteligente do futuro você vai saber a posição em tempo real de todos os ônibus e trens, e poderá alterar rotas com base nos feedbacks ao vivo e necessidades públicas. A empresa de pesquisa MarketsandMarkets prevê que o mercado para aplicativos para as cidades inteligentes aumentará 14,2% até 2016 e alcançará um valor de US$ 1 trilhão. Apenas na China, dezenas de suas megacidades emergentes, incluindo Taiyuan, Huizhou e Weihai, acabaram de entrar em um 104 |

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plano de cinco anos patrocinado pelo Estado para adotar tecnologias inteligentes. Com bilhões de pessoas e centros urbanos de alta densidade, a China está sob intensa pressão interna e externa para minimizar a poluição e maximizar a eficiência. O resto do mundo, portanto, está observando de perto para ver o que ele pode aprender com a grande experiência da China – e quais são as oportunidades geradoras de receitas. Na verdade, o empolgante para as cidades é que isto não se trata de um mercado passivo. Ao adotar soluções inteligentes agora, os centros urbanos experimentais estão se tornando líderes para o resto do mundo seguir. Uma delas é Sant Cugat, na região da Catalunha, na Espanha. A cidade de 81 mil habitantes designou uma área para a Rua Inteligente, que faz uso da tecnologia M2M. Neste local, sensores em rede monitoram tudo, desde a utilização de energia em edifícios até o nível da umidade no solo do parque, para que os sprinklers somente sejam ligados quando estiver seco, ao invés de serem controlados por um timer. Outros sensores estão implantados em cestos de lixo na rua para que, assim, as rotas de coleta de lixo possam ser projetadas para serem as mais eficientes possíveis. Pode parecer estranho que uma pequena cidade em uma Espanha com restrições orçamentárias esteja experimentando soluções de alta tecnologia como

estas, mas María Serrano Basterra, diretora de TI na Prefeitura de Sant Cugat, diz que isso é vital para o futuro. “Nós achamos que o governo local tem que lidar com a administração atual da cidade, mas, também, se preparar para o futuro”, diz ela. “Como as administrações locais estão próximas das pessoas, prestando serviços diretos aos cidadãos, estamos empenhados na realização dos esforços necessários para administrar a cidade de uma forma eficiente e sustentável. Portanto, o modelo de cidade inteligente é, agora, uma oportunidade para levar a qualidade de vida futura à cidade”. Na Rua Inteligente, foram instalados sensores em cada baia de estacionamento. Eles transmitem informações sobre vagas livres de volta a um polo central, que, depois, são usadas para orientar os motoristas para as vagas livres usando placas de rua, aplicativos para smartphones e software para as unidades de GPS.

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Mas isto não se trata apenas de tornar a vida mais conveniente – isto também pode facilitar o fluxo de tráfego e arrecadar dinheiro para a cidade. De acordo com Mischa Dohler, diretor de Tecnologia da Worldsensing, que instalou a rede, uma vaga de estacionamento é utilizada, em média, por 40 minutos a cada hora, mas a demanda muitas vezes é de 200% a 300% do total de vagas disponíveis. “Se você puder aumentar a quantidade de tempo que os espaços estão em uso em apenas dois ou três minutos por hora, a tecnologia já se paga por si só em cerca de oito meses”, diz ele. A tecnologia da cidade inteligente também pode ser direcionada para o engajamento cívico e melhorias na democracia local. Para Colleen Hardwick, fundadora da PlaceSpeak em Vancouver, no Canadá, as tecnologias inteligentes podem ajudar a desmistificar o processo de tomada de decisão política e torná-lo mais acessível para a população em geral. PlaceSpeak é uma ferramenta que alerta os cidadãos sempre que uma consulta pública estiver acontecendo em sua área e permite-lhes fazer perguntas ou comentários on-line. «As reuniões públicas resultam no surgimento dos suspeitos usuais, representativos de 3% a 5% da população», explica Hardwick, «e as pesquisas por telefone são distorcidas

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porque elas não se baseiam em amostragem proporcional». O PlaceSpeak, diz ela, leva a conversação cívica aos cidadãos, ao invés do contrário. Os serviços não governamentais podem usá-lo, também, para o planejamento de bens e serviços, e a Hardwick está investigando maneiras de automatizar o sistema para gerar consultas on-line assim que algo como um aviso de planejamento seja postado. Talvez uma das mais significativas tecnologias da cidade inteligente seja, justamente, o medidor de energia inteligente habilitado pela tecnologia M2M. Instalado já em 1/3 de casas de repouso americanas, estes medidores da energia reportam as informações de uso para os fornecedores de maneira instantânea. Os benefícios são duplos: em primeiro lugar, os clientes podem usar esses dados para ver o seu uso em tempo real e cortar os custos da forma apropriada; em segundo lugar, eles são um componente vital de uma «rede inteligente», que sabe a quantidade de energia que os clientes estão usando e pode se planejar adequadamente. As redes inteligentes são essenciais para a inclusão de fontes renováveis de eletricidade em nosso mosaico de energia. As energias eólica e solar não têm a mesma confiabilidade de


sistência social, há muitas maneiras pelas quais nós podemos tornar nossas cidades mais inteligentes. E com as populações aumentando e uma migração constante para áreas urbanas, o tempo é fundamental. De acordo com os dados mais recentes do Banco Mundial, dos 215 países e estados reconhecidos, existem apenas 14 onde as pessoas estão optando por se afastar das áreas urbanas. Nossas cidades precisam ficar inteligentes, e rápido.

sobre o autor Adam Oxford escreve sobre tecnologia há mais de 15 anos e seus artigos vem sendo publicados em dezenas de jornais, revistas de tecnologia e websites, incluindo a revista “The Review”, da Gemalto.

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fornecimento que os combustíveis fósseis, já que a produção depende das condições e se os proprietários de feixes fotovoltaicos domésticos conectados à rede estão produzindo ou consumindo energia, ou não. A rede de energia deve poder reagir rapidamente à alta demanda ou baixo suprimento ao fazer com que mais geradores fiquem on-line quando necessário, desligando-os quando não estiverem em uso. Do estacionamento à as-


RESUMO Uma transformação drástica no cenário de documentos de identidade nacionais vem influenciando programas governamentais de identificação. Até 2015, 85% de todos os documentos de identidade emitidos anualmente serão documentos de identidade eletrônicos, e os países que os emitirão serão quatro vezes mais numerosos do que os países que ainda estarão usando documentos tradicionais. Governos e organizações governamentais tendem cada vez mais a usufruírem de programas de identificação para aumentar a eficiência e proteger e garantir a identidade do portador. Isso resultou na criação de projetos que exigem credenciais poderosas com múltiplas finalidades operando em vários níveis, mantendo um alto nível de segurança e, ao mesmo tempo, atendendo a objetivos adicionais como controle de acesso, cruzamento mais ágil de fronteiras e acesso a serviços sociais e de assistência médica

PALAVRAS-CHAVE Documento de identidade eletrônico, cartão inteligente, multifuncionalidade, durabilidade, policarbonato.

ABSTRACT A dramatic shift in the national ID landscape is changing the face of government identity programs. By 2015, 85% of all credentials issued annually will be eIDs, and countries issuing eIDs will exceed those still using traditional IDs by four to one. Governments and national organizations are now increasingly likely to leverage ID programs to increase efficiency as well as protect and ensure the identity of the holder. This has given rise to projects calling for powerful multi-purpose ID credentials that operate on many levels, maintaining the highest levels of security while addressing additional objectives such as entry to secure facilities, faster border crossing, or access to health and social services.

KEYWORDS eID, smart card, multi-functionality, durability, polycarbonate.

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CASO / ARTIGO

Identidade eletrônica e passaporte eletrônico: as principais tendências para o futuro da identificação governamental Por Craig Sandness

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ma mudança drástica no cenário da identidade nacional está transformando os programas de identificação governamentais. Os responsáveis globais pela migração quase total da identidade tradicional para a identidade eletrônica são a necessidade de se proporcionar defesas eficazes contra tentativas de falsificação em larga escala, ao mesmo tempo adotando uma abordagem holística e multifacetada aos projetos. Na tentativa de se combinar eficiência, segurança e boa relação custo-benefício em documentos de identidade eletrônicos com múltiplas funções que vão além da comprovação de identidade, a indústria de identidade eletrônica enfrenta enormes desafios. No entanto, o ímpeto de se levar os programas de identificação a níveis cada vez mais avançados não mostra nenhum sinal de diminuição. Preocupação ainda maior com a segurança, postos de fronteira de

tráfego intenso e uma exigência crescente pela prestação simplificada de serviços governamentais são apenas alguns dos fatores que influenciam essa mudança. Governos e organizações nacionais tendem cada vez mais a aproveitar programas de identificação como oportunidades para aumentar a eficiência, bem como proteger e garantir a identidade do titular. Isso deu origem a projetos que requerem documentos de identidade multiuso poderosos que operem em diversos níveis, mantendo os mais elevados graus de segurança ao servirem a objetivos adicionais, tais como acesso a locais protegidos, cruzamento mais rápido de fronteiras e acesso a serviços sociais e de saúde. De acordo com um relatório recente da Acuity Market Intelligence, em 2015, 85% de todos os documentos de identidade emitidos anualmente serão identidades eletrônicas, e os países emissores de identidade eletrônica irão superar em quatro ve-

zes os países que ainda estarão emitindo identidades tradicionais. Essas estatísticas correspondem a nossas próprias descobertas com base em mais de 20 anos de experiência em grandes projetos de documentos de identidade para o cidadão, incluindo 28 programas de passaporte eletrônico e 49 programas de identidade eletrônica que vão de documentos de identidade para cidadãos, residentes estrangeiros e trabalhadores a programas de assistência médica e registro de veículos. Agências governamentais em todo o mundo estão cada vez mais adotando aplicações de cartões inteligentes e documentos baseados em chip de circuito integrado para alcançar essas metas. Para isso, a indústria está respondendo com avanços e inovações tecnológicas: a demanda pela tecnologia digital de identificação e os avanços na ciência dos materiais têm impulsionado progressos substanciais na construção dos cartões, dando origem a soluções de identidade eletrônica com julho - agosto - setembro 2012 | 109


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tecnologias múltiplas que melhor atendem aos requisitos complexos de segurança, confiabilidade e eficiência com multifuncionalidade cada vez maior em uma única credencial. »» Multifuncionalidade e durabilidade: uma dupla incompatível? O documento multifuncional está se tornando a regra, o que significa que a prevenção à falsificação e fraude e o conhecimento especializado na implementação e integração completa de programas estão agora na linha da frente das exigências de identificação do governo. Isso é vital para eliminar problemas com a interoperabilidade de tecnologia, atualizações de cartões ou sistemas após a emissão e a longevidade dos documentos, podendo levar a custos excessivos. Mas apesar de o conceito de um cartão multifuncional de longa duração ser simples, a prática é complexa. Conhecimentos especializados consideráveis em design, aspectos técnicos e fabricação são fundamentais para garantir que o resultado final esteja em conformidade com as

normas internacionais em termos de tamanho, segurança, funcionalidade e durabilidade. A capacidade de se atualizar os documentos sem a necessidade de reemissão deu origem a um acalorado debate no setor sobre a praticidade de programas de cartões destinados a durar dez anos ou mais. »» Construir para durar Um fator essencial na concretização desses objetivos é a durabilidade do documento de identidade. Os documentos modernos de identidade devem suportar uma gama de riscos que vão de tentativas de alteração física a anos de manuseio descuidado, em uma variedade de ambientes e condições climáticas. O policarbonato, devido às suas propriedades únicas, conquistou a confiança de governos como o material preferido por sua durabilidade e resistência à falsificação. Cartões construídos a partir de policar-

bonato são mais fortes que cartões de cloreto de polivinila (PVC). As características principais incluem a extrema robustez, flexibilidade e resistência do policarbonato, bem como sua capacidade em servir como plataforma para os recursos ópticos de altíssima qualidade da impressão de alta segurança. O uso desse material e a incorporação de múltiplas tecnologias e recursos de segurança em uma única plataforma de documento de identidade com múltiplas camadas é algo que requer considerável experiência e conhecimento na laminação de estruturas complexas e na aplicação adequada dos diversos materiais. A indústria já verificou que a adição de tecnologias incorporadas, tais como a identificação por radiofrequência (RFID) e chips de contato e sem contato, pode criar tensões inesperadas nas estruturas de policarbonato. Isso tem ocasionado a criação de tecnologias inovadoras, como a tecnologia pioneira patenteada de prevenção a fissuras da HID Global tecnologia para proteger a integridade estrutural do documento, ao mesmo tempo em que são obedecidos os padrões internacionais. Inovações como essas ajudam a trazer o policarbonato de volta ao caminho certo para cumprir a promessa do setor de identidade eletrônica de fornecer documentos com uma vida útil de até 10 anos. Esse tipo de inovação é vital para que progra-

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mas de cartões híbridos de longa duração conquistem clientes governamentais. Documentos multifuncionais usufruem de uma combinação de tecnologias diferentes, incluindo chips de contato ou sem contato, antenas de radiofrequência, biometria e dispositivos opticamente variáveis ​​para fornecer os níveis exigidos de funcionalidade e segurança. Soluções híbridas em camadas são utilizadas em programas como o Green Card dos Estados Unidos, o cartão de identidade nacional alemã, o cartão multitarefa dos Carabinieri (a força policial nacional da Itália) e o documento de identidade nacional da Arábia Saudita. Esses documentos desempenham múltiplas tarefas, incluindo a identificação para controle de acesso, comprovação de identidade, assistência médica e impostos e pagamentos de taxas ao governo. »» Atualizações posteriores à emissão Muito do debate sobre o retorno do investimento de programas avançados, e, portanto, mais caros de identificação eletrônica gira em torno do custo inicial do projeto versus o retorno sobre o investimento, que é calculado não só de acordo com a funcionalidade, mas também com a vida útil do cartão. Dadas as muitas variáveis que ​​ afetam as vidas dos titulares dos cartões, a capacidade de se aplicar atualizações posteriores à emissão dos cartões é um fator fundamental na concepção do programa e em sua dotação orçamental. Por que pagar por um cartão que será trocado por um novo a cada doze meses? É nestes cenários que cartões inteligentes, que são baseados em chips ou em mídia óptica de segurança implantados como parte de um sistema completo de gestão de cartões, entram em campo. Sistemas de gestão de identidade eletrônica

após a emissão (tais como o ActivID CMS da HID para documentos de identidade) permitem que atualizações sejam feitas depois que o cartão tiver sido emitido. A fim de corresponder a eventos como mudança de endereço, estado civil ou detalhes da carteira de motorista, os dados pessoais do titular do cartão poderão ser ajustados. Esses sistemas também oferecem a possibilidade de se atualizar as informações no cartão com novas aplicações e serviços que eventualmente estiverem disponíveis. O sistema pode até mesmo gerenciar a renovação de certificados de infraestrutura de chave pública (PKI) que comprovem digitalmente a identidade do titular do cartão. Tais sistemas oferecem aos governos e agências de segurança a capacidade de evolução a seus programas, mesmo depois que o cartão estiver nas mãos do cidadão, e é projetado para operar de forma remota, central e/ou através da interação com um ou mais escritórios de serviços. A mídia óptica de segurança (OSM) merece uma menção especial por ser uma tecnologia exclusiva que permite atualizações flexíveis e seguras após a emissão. Como já comprovado em implementações de grandes proporções como o Green Card norte-americano, a mídia óptica de segurança pode ser combinada com a maioria das tecnologias legíveis eletronicamente, tais como códigos de barras, reconhecimento óptico de caracteres, chips de contato, chips com radiofrequência sem contato, marcadores de radiofrequência e tarjas magnéticas. A alta capacidade de armazenamento de dados da OSM permite a codificação segura de até 2,8 MB de dados digitais, permitindo o armazenamento de múltiplas informações digitais e biométricas do titular do cartão. As informações contidas

na tarja não podem ser adulteradas, mas podem ser atualizadas por fontes autorizadas com acesso a bancos de dados de agências governamentais sem a necessidade de substituição do cartão. »» A realidade do documento de dez anos A migração de documentos de identidade tradicionais para cartões de identidade digitalmente melhorados, a integração de uma ou mais tecnologias de cartões inteligentes em documentos e inovações da indústria em relação a questões de durabilidade física combinam-se para tornar a credencial do futuro um documento à prova de obsolescência. Os desafios à longevidade e capacidade de atualização de documentos avançados já estão sendo superados por soluções, fornecendo capacidade de armazenamento de dados pessoais, integração a bancos de dados centrais para as informações atualizadas, incluindo atualizações pós-emissão, e melhor estrutura física para garantir a longevidade. »» Integração, funcionalidade e flexibilidade Em nossa opinião, nos próximos cinco anos haverá um novo foco na melhoria da funcionalidade de cartões com múltiplas tecnologias, uma integração cada vez maior entre o design do cartão, sistemas de entrega e capacidades pós-emissão, e inovação na fabricação e construção de cartões. Esses e outros fatores irão tornar o conceito de um cartão inteligente de identidade de 10 anos em uma realidade.

sobre o autor Craig Sandness é vice-presidente da Government ID Solutions com a HID Global.

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RESUMO “Conhecer o passado para entender o presente e construir o futuro”. Esta frase é lugar comum não apenas das ciências que produzem conhecimento advindo da investigação, mas também da extrapolação de realidades cíclicas, de impacto, e de duração breve. Os sistemas de Computação e Comunicação se enquadram perfeitamente neste preceito de breve duração, sendo possível estimar o próximo passo de impacto nas suas funções, analisadas aqui sobre o foco do processamento numérico de unidades biométricas de construções naturais.

PALAVRAS-CHAVE Padronização, Computação, Biometria, Transistores.

ABSTRACT “To know the past: a way to understand the present and to build the future”. This statement is common place not only in the sciences that produce knowledge as fruit of investigation but also as reconstruction of impactful short-live cylices realities. Computer systems and Communications perfectly fits in short-live precepts being possible to determine the next impactful step herein evaluated over the vision of numerical data processing of natural construction with biometrics values.

KEYWORDS Standardization, Computing, Biometrics, Transistors.

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CASO / ARTIGO

O próximo passo possível para o processamento numérico de unidades biométricas de construções naturais: Seria a Computação Quântica? POR MARCOS ALBERTO DE SOUZA

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processamento digital de sinais tem na sua essência a utilização de unidades aritméticas para realizar operações matemáticas sobre valores numéricos binários em alta velocidade. A modernização dos processos da maioria das áreas das atividades humanas permitiu a utilização da computação em aplicações mais exóticas e menos difundidas como, por exemplo, a previsão numérica de tempo, a simulação de colisão de veículos, simulação de ae-

rodinâmica de veículos e também em um dos campos mais fascinantes da ciência moderna que é a Papiloscopia. Em meados de 1970 o engenheiro Gordon E. Moore postulou que o poder dos sistemas computacionais dobraria a cada 18 meses. Hoje em 2012 este postulado ainda é considerado valido no mundo da informática. A figura 1 ilustra esta progressão. Nos anos 70 os primeiros circuitos transistorizados em estado sólido somavam cerca de 4.000 de unidades em um único chip, já em 2012 esse

número está na casa de 2.6 bilhões de transistores em um único chip. »» O que isto representa? Para a Papiloscopia isto representa a possibilidade da modernização dos processos de identificação de indivíduos com a substituição dos métodos manuais por métodos automatizados através de construções de representações numéricas das propriedades matemáticas de padrões papilares ou pontos nodais da face, por exemplo, para o processamento digital das correlações destas grandezas, com taxas de acertos muito altas. julho - agosto - setembro 2012 | 113


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Figura 1: Progressão da Quantidade de Transistores em um único CHIP no Tempo »» Uma Breve História Il Já na década de 70 emergiram os primeiros métodos de comparação de impressões digitais, através de códigos de computador e que vieram a ser universalmente conhecida por A.F.I.S. Logo se convencionaram, por órgãos de padronização, as regras para o armazenamento dos padrões papilares, entre eles o FBI, ANSI e NIST. As métricas de resolução das imagens, tons de coloração e área útil foram definidas respeitando as capacidades dos sistemas computacionais da época, que eram muito caros. Hoje as capacidades computacionais não são um grande problema, mas um grande legado foi construído não sendo simples a adoção de um novo padrão de imagens como as de alta resolução e coloridas, por exemplo. Algo semelhante já aconteceu, como o problema do BUG do ano 2000. Os primeiros computadores registravam o campo “ano” com apenas dois dígitos, exatamente porque 114 |

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todos os bytes disponíveis tinham que ser aproveitados para armazenar dados e instruções (para os mais antigos: “passos”). Estamos falando de apenas duas unidades de bytes, mas que, na padronização dos primeiros sistemas computacionais, foram definidos assim gerando grandes perturbações futuras, mas superadas justamente pela disponibilidade de sistemas mais potentes.

Status Quo »» Há um limite para a Lei de Moore? Hoje em dia os processadores de smartphones são muito mais potentes que os mainframes ou computadores de grande porte da década de 80. A maioria dos componentes utilizados na fabricação de semicondutores de circuitos integrados utiliza o componente químico silício. O limite para a integração de bilhões de transistores em áreas nanométricas,

oscilando em frequências altíssimas é um limite imposto pelas leis da física associadas ao limite dos materiais utilizados hoje. Por outro lado, o enorme consumo de energia que os sistemas equipados com processadores muito densos dispendem e a preocupação com emissão de gases do efeito estufa devem favorecer mais o paralelismo do que o alto desempenho em um único chip. À medida que a pesquisa de desenvolvimento avança em direção de novos paradigmas de processamento e à utilização de novos materiais, Moore e sua lei podem estar chegando próximo de um salto quântico no postulado do aumento de capacidade de processamento ao longo do tempo, algo totalmente novo e sem precedentes. »» Computação Quântica Os usuários da área sabem que a modernização do sistema de identificação de padrões papilares tem no


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sobre o autor Marcos Alberto de Souza é especialista em arquitetura de computadores e algoritmos para processamento numérico de grandezas naturais, com 15 anos de atuação em computação científica para aplicação de Previsão Numérica de Tempo e cinco anos em Automação de Sistemas de Identificação. Trabalha na NEC desde 1987, atuando em projetos de missão crítica e de integração de sistemas.

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Figura 2: seu bojo o uso intensivo de potentes Concepção sistemas computacionais. Uma base Artística de dados relativamente pequena de de Base 10 milhões de indivíduos já repreNumérica senta um desafio computacional sigBinária nificativo. E se pensarmos em uma base de dados de 500 milhões de indivíduos da física quântica átomos, com unicidade garantida? Ainda é como perfeitamente possível com compu- íons, fótons ou elétrons. Podentadores de hoje. Mas e um complexo arranjo de do conter estes dados de indivíduos com múltiplas múltiplos estados biometrias, além das linhas papilares simultaneamente, dos dedos, tais como os pontos nodais deriva o potencial da face, da impressão palmar, da íris, de serem milhões do sistema vascular e do DNA para de vezes mais potentes que o supersete bilhões de indivíduos, com uni- computador mais potente existente. Computadores quânticos básicos, cidade garantida e métodos de fusão aplicados a estas múltiplas biometrias? já existem hoje nos mais importantes Não é algo simples de conceber. laboratórios pelo mundo, com capaciA densidade computacional seria dade de processar certos tipos de cálcumuito vasta e as implicações de cus- los. Ainda que um computador quântos de manutenção proibitivamente tico prático ainda esteja há anos de estar comercialmente disponível, é o volumosas. Como aplicações associadas às próximo passo lógico para construções biometrias representam uma grande de supercomputadores ultra velozes. parcela da demanda no mercado de Para estas maravilhas do futuro são nesistemas de computação nos dias de cessárias aplicações práticas. A biomehoje, elas são objetos de pesquisas tria é uma destas aplicações. para o desenvolvimento de novas tecnologias de processamento de dados. A Computação Quântica, com a aplicação avançada dos fenômenos da mecânica quântica para realizar operações matemáticas, representa uma mudança de paradigma para a ciência computacional, bem como para as ciências biométricas. Os computadores de hoje têm em seu funcionamento básico a manipulação de bits que existem em um de dois estados possíveis: 0 ou 1. Computadores quânticos não são limitados a dois estados. Eles podem codificar informações Figura 3: como bits quânticos, Quantum ou qubits que podem Bit (qubit) existir em superpo– Átomos, sição. Qubits repre- Íons/Fótons, sentam propriedades Elétrons.

julho - agosto - setembro 2012 | 115


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