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Divulgação

Feira de Emprego oferece mais de 5 mil vagas

Cia. de Mystérios e novidades

Promovida pela empresa Essência Cultural, que é voltada para a educação, cultura e geração de emprego e renda, a Feira foi patrocinada pelo CIEE – Centro de Integração Empresa Escola e pelo VLT e reuniu mais de 30 empresas no Centro Cultural Ação da Cidadania, nos dias 18 e 19 de maio. O público compareceu massivamente. página 17

Ligia Veiga, fundadora da Grande Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades, na Rua Pedro Ernesto, Gamboa, criou e dirigiu o espetáculo de teatro de rua Auto de Redenção de São Sebastião do Rio de Janeiro, para festejar os 450 anos da cidade. Esse evento e outros projetos da companhia estão documentados nesta edição.

cultura e cidadania - página C1

folha da rua larga RIO DE JANEIRO | MAIO – JUNHO DE 2015

turismo cultural O ICCV lançou o Guia Cultural da Costa Verde, publicação que mostra os principais atrativos de Paraty, Angra dos Reis, Mangaratiba e Itaguaí. Além de personalidades, bares e restaurantes, artesanato e produtos típicos, o guia também divulga os espaços culturais e as festas tradicionais dessa bela região fluminense.

Revitalização da Rua Larga | Zona Portuária | Centro do Rio

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA Nº 51 ANO VIII

13a Semana Nacional dos Museus agita as instituições do Porto e de todo o Brasil Divulgação Jacobsen Arquitetura

página 6

história O pesquisador Aloysio Breves conta como se formou o bairro da Gamboa, inicialmente uma região aristocrática, e como se tornou depois uma Pequena África. página 4

gastronomia

Restaurante Midori: comida contemporânea e toque oriental página 18 Divulgação

O tema deste ano foi como os museus podem contribuir para uma sociedade sustentável. O MAR (foto) mostrou fotografias do Rio que pertencem ao acervo de instituições da França, na mostra Rio: paixão francesa. cultura e cidadania I páginas C4 e C5 Divulgação Light

porto sustentável

Universitários vencedores do Prêmio Odebrecht de Desenvolvimento Sustentável visitam a Região Portuária Um deles publicou em seu blog Autossustentáveis que verificou in loco diversas ações ligadas à promoção da sustentabilidade na Região Portuária, como ações educativas, construção de ciclovias, instalação de lixeiras de coleta seletiva e plantio de novas árvores. página 5

O Museu Light de Energia agora mostra ao público visitante o Circuito Cidade Inteligente, que demonstra o funcionamento do sistema de distribuição de energia elétrica e as vantagens da Smart Grid (Rede Inteligente) que controla o fluxo de tensão. página 20


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maio – junho de 2015

porto hoje

Os primeiros trilhos do VLT

farol

Jader Colombino

Quem passar pelo entorno da Rodoviária Novo Rio, no Santo Cristo, poderá constatar que já foram instalados, pela prefeitura do Rio, milhares de metros de trilhos do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). As obras começaram no dia 26 de março, na Rua General Luiz Mendes de Morais. Cada barra do trecho instalado mede 18 metros e o material utilizado permite adequação das peças na formação de curvas. Na continuação das

da de cobertura, sempre de acordo com a urbanização de cada ponto da passagem, irão finalizar a implantação do caminho do VLT. A concessionária do VLT Carioca, contratada para implantação e operação desse sistema, contratou mais de 500 operários para esta etapa de pré-montagem dos trilhos.

Os primeiros trilhos do VLT, que ligará o Centro e a Região Portuária em 28 Km e 32 paradas

obras, acontecerá a fixação de dormentes e trilhos e, em seguida, a colocação

de equipamentos e cabos de sinalização e energia. A concretagem e a cama-

da redação redacao@folhadarualarga.com.br

Jader Colombino

Obras na Barão de São Félix: calçadas mais elevadas, arborização e nova infraestrutura

taí, que viu diminuída sua clientela diária. Outra perda foi o fechamento do tradicional restaurante 28. Mas os problemas acabaram: a rua foi reinaugurada no dia 30 de maio. Somadas, as novas redes de infraestru-

tura na Barão de São Félix atingem quase quatro mil metros. Foram instalados 1.120 metros de redes de água, incluindo a recomposição das 121 ligações domiciliares com mais 1.120 metros de redes de esgoto.

A Vila Olímpica Parque Machado de Assis, no Morro do Pinto, em Santo Cristo, é a 21ª do gênero a ser instalada pela prefeitura do Rio.  O espaço, totalmente reformado, conta com uma quadra poliesportiva, dois campos de futebol soçaite, brinquedos para crianças de todas as idades e uma academia de ginástica para a terceira idade. Um total de 21.850 m2 de área para lazer e prática de atividades esportivas.   Com estimativa para atender 12 mil pessoas, atualmente, a Vila está localizada na Rua  do  Pinto, nº 88.   As modalidades oferecidas na são: atletismo, atividades motoras e coordenadas, caminhada orientada, dança, badminton, basquete, futebol soçaite, futsal, ginástica localizada, ginástica circuito, ginástica rítmica, handebol e vôlei.  Nova casa noturna: Cais da Imperatriz

A nova Rua Barão de São Félix Uma equipe de 70 funcionários da Concessionária Porto Novo, contratada pela prefeitura para executar obras e prestar serviços públicos nos cinco milhões de metros quadrados do Porto Maravilha, trabalhou diariamente para renovar a rede de infraestrutura da histórica Rua Barão de São Félix, que fica entre os morros da Providência e Livramento e a Central do Brasil, estendendo-se por 750 metros da Rua Camerino à Rua Senador Pompeu, tomada por casarios, bares, restaurantes e hotéis. As obras têm prejudicado o comércio local, como o famoso restaurante Sen-

Morro do Pinto ganha Vila Olímpica

A região ganhou também 593 metros de rede de drenagem. Moradores, trabalhadores e visitantes já podem perceber aumento na largura das calçadas, agora mais confortáveis e com recursos de acessibilidade. As redes aéreas de energia e telecomunicações agora serão subterrâneas, cada uma com 1.082 metros. A etapa final das obras subterrâneas não cabe à prefeitura, mas sim às empresas de telecomunicações e de energia.

No número 145 da Rua Sacadura Cabral está uma das mais antigas edificações da Zona Portuária. Ali, a poucos passos da Praça Mauá, com rara facilidade de acesso e estacionamento de veículos, foi instalada a mais nova casa noturna da Região Portuária: o Cais da Imperatriz, espaço de festas com capacidade para até 600 pessoas. O novo espaço possui elegante mezanino, perfeito para delimitação de área VIP, cozinha ampla e bem equipada, além de um belo e espaçoso bar. Entre os atrativos do Cais da Imperatriz, podem ser mencionados: o Baile do Cabronsito, com música eletrônica, eclético e hip hop, a cargo de Flávia Xexeo (Hip Hop), Joe Kinni (EDM), Gottgtroy (Open Format) e Raphael De Luca (Residente); Festa Mixin, com hip hop comandado pelo DJ norte-americano Revolution; e Festas Coordenadas, com o público se divertindo ao som do Dodô (Coordenadas), Luizinho (Pessoas), Edinho, Mamede e Lelê (Rock-me!) e o convidado DJ Eppinghaus (SerHurbano). As projeções de imagens ficam por conta do Vj Ratón (Coordenadas).

da redação I redacao@folhadarualarga.com.br Curta a Folha da Rua Larga no Facebook! claudio aun | artista plástico claudioaun2010@gmail.com

Onde encontrar o jornal A Folha da Rua Larga é de distribuição gratuita e pode ser encontrada com mais facilidade nos seguintes endereços:

folha da rua larga Conselho editorial -Alberto Silva, Fernando

Abreu, Teresa Speridião, Syl Dietrich e Yuri Maia

Portella, Francis Miszputen, Maria Eugênia

Projeto gráfico - Henrique Pontual e Adriana Lins

Duque Estrada, Mozart Vitor Serra, Roberta

Diagramação - Suzy Terra

Abreu, Sacha Leite, Teresa Serra e Teresa

Revisão ortográfica - Raquel Terra

Speridião

Produção gráfica - Suzy Terra

Direção executiva - Fernando Portella

Produtora Executiva - Roberta Abreu

Editor e jornalista responsável - Mário Margutti

Impressão - Maví Artes Gráficas Ltda.

Colaboradores - Alexei Waichenberg, Aloysio

Contato comercial - Márcia Souza

Clemente Breves, Ana Carolina Portella,

Tiragem desta edição: 10.000 exemplares

Fernando Portella, Maria Campos, Roberta

Anúncios - comercial@folhadarualarga.com.br

Redação do jornal Rua São Bento, 9 - 1º andar - Centro Rio de Janeiro RJ - CEP 20090-010 - Tel.: (21) 2233-3690 www.folhadarualarga.com.br redacao@folhadarualarga.com.br

• Ação da Cidadania - Av. Barão de Tefé, 75 • Bandolim de Ouro – Avenida Marechal Floriano, 120 • Bar Imaculada – Ladeira João Homem, 7 – Morro da Conceição • Biblioteca Estação Leitura – Estação Central do Metrô Rio • Casa Porto - Largo de São Francisco da Prainha, 4 • CEDIM – Conselho Estadual dos Direitos da Mulher – Rua Camerino, 51 • Centro Cultural Ação da Cidadania – Avenida Barão de Tefé, 75 • Colégio Pedro II – Avenida Marechal Floriano, 80 • Editora Cidade Viva – Rua São Bento, 9 1º andar • Mini Mix (mercado / padaria) – Avenida Marechal Floriano, 87 • Principado Louças - Avenida Marechal Floriano, 153 • Restaurante Beterraba – Rua Dom Gerado, 64-E • Restaurante Málaga – Rua Miguel Couto, 121 • Restaurante Velho Sonho – Avenida Marechal Floriano, 163 • Subprefeitura do Centro – Rua da Constituição, 34


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comércio Prefeitura e Sebrae/RJ lançam programa Negócios de Valor O objetivo é mostrar a comerciantes que preservar a tradição é bom negócio Divulgação

Por meio do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), a prefeitura do Rio articulou uma parceria com o Sebrae/RJ para ajudar a preservar o comércio tradicional da cidade, partindo do princípio de que estabelecimentos que possuem resiliência na praça se tornaram notáveis e, assim, têm grande valor agregado para o público e para o município. Justamente por isso o nome do programa é Negócios de Valor. Daí vem também o slogan da iniciativa: “Grandes histórias, novas ideias”. Além de ajudar a preservar as identidades dos estabelecimentos que foram consolidadas ao longo do tempo, o projeto deseja torná-los mais competitivos, mais lucrativos e com maior sintonia com as demandas e oportunidades atuais do mercado. O foco de atuação serão os lojistas estabelecidos em imóveis, do Centro, Gamboa, Santo Cristo e entorno da Praça da Cruz Vermelha. A inspiração para a parceria articulada entre a prefeitura e o Sebrae/ RJ foi a criação do Sítio Cultural da Rua da Carioca, em junho de 2013. Por decreto, uma nova categoria de patrimônio imaterial foi criada: a atividade econômica tradicional e notável. Uma vez instituída a nova categoria, ficou assegurada a preservação de nove negócios tradicionais da Rua da Carioca, a saber: Bar Luiz, Vesúvio, Ponto Masculino, Padaria e Confeitaria Nova Carioca, Mariu´s Sport, Mala de Ouro, Irmãos Castro e Casa Nova Zurita. O programa foi oficialmente lançado no dia 16 de abril, no Centro Carioca de Design, na Praça

Tiradentes, através de um Seminário realizado das 9 às 18h, com palestras de abertura do superintende do Sebrae/RJ, César Vasquez, e do presidente do IRPH, Washington Fajardo. César Vasquez descreveu o programa como um desdobramento natural das atividades do Sebrae/ RJ: “Desde 2013 temos identificado que negócios tradicionais careciam de abordagens específicas para seu desenvolvimento, como é o caso das chapelarias, botequins, lojas de instrumentos musicais e pequenas oficinas gráficas da Região Portuária. Nosso atendimento originou um atendimento especializado para os pequenos negócios tradicionais. Ampliar esta receita de sucesso para outras localidades, em parceria com o IRPH permite somar esforços para o fortalecimento destes empreendimentos na cidade”. Por sua vez, Washington Fajardo realçou a necessidade de equilibrar a tradição com a contemporaneidade: “Nas últimas décadas, o Rio passa por grande processo de transformação urbana e imobiliária. Os pequenos comerciantes mais frágeis precisam se adaptar à nova realidade. Em muitos destes estabelecimentos são preservados diferentes modos de fazer, de habitar e de viver a cidade. Por isso, queremos reforçar estas características e unir tradição à modernidade. Vamos ajudar essas atividades econômicas tradicionais a se manterem por muito tempo e a perpetuarem sua natureza na história da cidade”, afirmou. No Seminário, também fizeram palestras:

A tradicional Casa Paladino, na Marechal Floriano: 109 anos de existência e título de Patrimônio Cultural Carioca Bruno Bartholini

Vanusa da Rocha Damaso, sócia da Chapelaria Porto da Rua Senador Pompeu, loja que funciona há 134 anos na Região Portuária

Ana Couto (CEO da Ana Couto Branding) pioneira no Brasil sobre o papel da marca nos resultados das empresas; Bel Lobo, da Be Bo, uma das mais consagradas empresas de remodelação de espaços comerciais; Antônio Edmilson, historiador da PUC/Rio, que traba-

lhou ativamente no processo de reconhecimento de bares e botequins tradicionais da cidade do Rio de Janeiro; e Nina Pinheiro Bitar, também da PUC/ Rio, autora do livro Baianas de acarajé: comida e patrimônio no Rio de Janeiro (Editora Aeroplano, 2011).

Para enfrentar os desafios, o Sebrae/RJ e o IRPH fizeram o mapeamento de 43 novos negócios tradicionais das regiões do Centro e da Região Portuária, que poderão participar do programa. Uma união de esforços como esta é inédita: os empresários receberão

consultorias especializadas sobre marca, finanças, gestão, leiaute e marketing. Os estudos também possibilitarão que os proprietários dos negócios previamente identificados possam ter orientação no campo da recuperação dos imóveis que ocupam. Após os estudos e consultorias, o IRPH irá chancelar novos negócios tradicionais e registrá-los como bens imateriais. Esses negócios notáveis farão parte de um novo Circuito do Patrimônio Cultural Carioca. Placas azuis afixadas nas lojas indicarão a importância histórica de cada estabelecimento. Cerca de 190 placas já estão instaladas em toda a cidade, divididas em 10 circuitos: Liberdade, Art Déco, dos Cinemas, do Trem, dos Botequins, das Águas, do Samba, da Bossa Nova, da Praça Tiradentes e do Choro. Além de fazer parte do circuito, os estabelecimentos serão realçados nos roteiros oficiais da cidade, de forma totalmente gratuita. A previsão é que cerca de 30 empreendimentos nas cinco Áreas de Proteção do Ambiente Cultural (APACs) – Corredor Cultural, SAGAS, Cruz Vermelha, Entorno do Mosteiro de São Bento, Entorno do Ministério da Fazenda – sejam selecionados. A proposta é que, em 2016, o programa Negócios de Valor seja estendido para outras regiões da cidade. Para obter mais informações, os interessados deverão enviar email para  negociosdevalor@ sebraerj.com.br.

da redação redacao@folhadarualarga.com.br


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história baú da rua larga

Gamboa dos barões, dos negros e portuários O bairro que abrigou aristocratas e a primeira favela do Brasil Reprodução

Uma enseada de águas calmas na Baía de Guanabara aos pés do Morro do Livramento. Assim era a Gamboa há 200 anos. O nome significa “remanso tranquilo” ou mesmo um lago. No final do século XVIII e parte do século XIX, o local serviu de residência para a aristocracia carioca. O barão da Gamboa, José Manoel Fernandes Pereira, português de nascimento, era fidalgo da Casa Imperial e vereador. Residia na rua de seu nome, no número 24. Possuía terras e um trapiche que o imperador lhe concedeu em 1863. Negociante e político, o barão morreu em dezembro de 1865. Sua esposa, D. Delfina, retornou para a Quinta de Pidre em Vila Nova de Famalicão, em Portugal. Em 1870, as praias da Gamboa e da Saúde, do Saco do Alferes e Formosa, estavam apinhadas de embarcações que afluíam para embarcar e descarregar cargas. Nesta época, devido ao aumento do comércio que ali florescia, discutia-se a escavação das enseadas da Saúde e Gamboa, visando dar profundidade necessária à flutuação dos barcos e navios de calado de 9 metros, e a construção de cais e molhes para embarque e desembarque de passageiros em atendimento à concessão de 90 anos, dada pelo governo imperial ao engenheiro André Rebouças e à firma Stephen Busk & Company. Como os tempos eram de mudanças no Centro do Rio, o Imperador Pedro II, em 7 de setembro de 1870, solicitou ao conselheiro

Rua do Livramento com a Gamboa, em 1920

Paulino a construção de uma escola pública noturna para atendimento dos operários que trabalhavam na Gamboa e bairros mais distantes. Os reclames nos jornais da época eram no mínimo prosaicos. Um deles, com o nome de “Abuso”, dizia que “uma respeitável fábrica da Gamboa mandava lavar seus animais na mesma praia, das três às quatro horas da madrugada”. Enquanto isso, a revista Semana Ilustrada tecia elogios ao engenheiro Rebouças, chamando-o de patriota, pelo lançamento do livro Melhoramentos do Porto do Rio de Janeiro, que organizava a Cia. Docas de D. Pedro II nas enseadas da Gamboa e Saúde. Os elegantes, nas rodas sociais, se fartavam com o rapé Princesa de Lisboa, da fábrica do Domingos da Gamboa, e cobriam suas janelas com vidros da fábrica São Sebastião de Gaspar & Companhia. Assistiam ao Réquiem de Verdi, num sarau sob a ba-

tuta do maestro Napoleão, com a presença augusta do Imperador, no novíssimo Cassino Fluminense. Com o término da campanha militar da Guerra de Canudos, em 1897, o bairro recebeu os contingentes de soldados que foram lutar na Bahia, e o ajuntamento de barracos e casas precárias nas encostas do Morro da Providência recebeu a denominação de favela. Foi a primeira da cidade. Os pobres coitados esperavam uma indenização que nunca chegou. Subiram o morro e seus descendentes estão por lá até hoje. Podemos dividir a história da Gamboa em três fases. A primeira, quando foi o local preferido da aristocracia que buscava a tranquilidade da enseada junto ao mar; a migração dos ricos para outros bairros por conta da construção do porto, permitindo assim, a transformação da área numa pequena África; e o renascimento com os projetos do Porto Maravilha. Berço do samba e das

manifestações da cultura negra, a Gamboa, desmembrada do bairro da Saúde, oficialmente se tornou um bairro em 1981, com um Decreto do então prefeito Marcos Tamoyo, para incentivar o desenvolvimento socioeconômico da Zona Portuária. Atualmente, o grande número de imóveis tombados atesta a importância do patrimônio cultural do bairro: o Cemitério dos Ingleses, atualmente administrado pela fundação British Burial Ground, inaugurado em 5 de janeiro de 1811, para servir de última morada para um almirante inglês, na antiga Enseada

da Gamboa; o Cemitério dos Pretos Novos, localizado recentemente nas escavações da Rua Pedro Ernesto; o complexo fabril do Moinho Fluminense, os Jardins do Valongo e o Cais da Imperatriz; a Fortaleza Militar da Conceição situada no Morro da Conceição, construída em 1718, com 36 bocas de fogo e 1.000 balas de diferentes calibres; a Igreja de Nossa Senhora da Saúde erguida em 1742 e recentemente recuperada pelo BNDES e a Mitra Diocesana. Preservando a cultura local, temos a Sociedade Dramática Filhos de Talma, onde nasceu o clube Vasco da Gama, a sede do Afoxé Filhos de Ghandi e o bloco Pata Preta, que homenageia na Harmonia um dos líderes da Revolta da Vacina. Talvez os viadutos e as obras que se fizeram ao longo de décadas conseguiram esconder e manter a antiga arquitetura, praças bucólicas como a Harmonia e vielas repletas de casarões, principalmente na Zona Portuária. Tudo isso, agora, pode ser visto, apreciado e redescoberto pelos turistas e cariocas: os pequenos morros, os grandes armazéns e os detalhes

de um Rio antigo que ainda está preservado. A retirada do viaduto da Perimetral e a construção da Via Binário fizeram uma limpeza na região. Uma cortina se abriu para mostrar o conteúdo daquele teatro antigo. Parafraseando, podemos dizer que o Porto Maravilha está revelando maravilhas que sempre estiveram encobertas. Como dizia João da Baiana (1887/1974), no samba Cabide de Molambo de 1928: “Meu Deus, eu ando com o sapato furado / Tenho a mania de andar engravatado / A minha cama é um pedaço de esteira / É uma lata velha que me serve de cadeira...” Amigo e parceiro de Donga e Pixinguinha, que se criou na Região Portuária do Rio e foi cocheiro do futuro presidente Hermes da Fonseca, João da Baiana, um dos pioneiros do pandeiro no samba, acerta na letra, pois a Gamboa deixou de ser molambo e passou a respirar ares mais refinados.

aloysio clemente breves pesquisador de história soubreves@yahoo.com.br


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porto sustentável

O Porto do Rio tem novo paradigma de sustentabilidade A requalificação urbana da Região Portuária consolida respeito ao meio ambiente Divulgação

A Operação Urbana Porto Maravilha, ao mesmo tempo em que promove a requalificação urbana, o desenvolvimento imobiliário e o crescimento socioeconômico da Zona Portuária, está criando um novo padrão de sustentabilidade: todos os novos prédios da região, assim como todos os demais que forem edificados num futuro próximo, terão que se adequar às novas regras ambientais e de sustentabilidade inteligente. Trata-se de um novo paradigma, que une as atividades produtivas e que visam à melhoria da qualidade de vida das pessoas à responsabilidade com a natureza e com as próximas gerações, ou seja: desenvolvimento econômico e material sem agredir o meio ambiente. A nova conjuntura pôde ser comprovada pelo grupo de estudantes que venceram o 5º Prêmio Odebrecht de Desenvolvimento Sustentável, que foi criado com o objetivo de incentivar universitários a pensar a Engenharia em uma perspectiva sustentável e gerar conhecimento sobre o tema. A convite da própria Odebrecht, um grupo dos estudantes vencedores visitaram o Porto do Rio para conhecer

O grupo de estudantes que conferiu as obras da Região Portuária em março passado

as obras que estão sendo realizadas na região. Um deles, Leonardo Borges, que é bacharelando em Estatística e o idealizador do blog Autossustentável (http://www.autossustentavel.com/2013/04/um-olhar-sustentavel-sobre-o-porto.html), fez diversas seguintes anotações positivas sobre a visita: “Dentre as ações sustentáveis observadas no projeto, podemos destacar: • Ações educativas para a população através de educadores ambientais formados pelo próprio projeto, a fim de informar

através de campanhas, palestras ou mesmo por meio de conversas com moradores da região sobre questões socioambientais; • Construção de 17km em ciclovias e projetos que contemplem as normas de acessibilidade com a integração entre os meios de transporte, privilegiando, assim, o transporte público na região; • Instalação de lixeiras equipadas com contêineres subterrâneos  em pontos estratégicos para a coleta e separação entre o lixo seco e o lixo orgânico, e a utilização

de convênios tanto com a Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana) como com cooperativas de reciclagem para o tratamento do lixo; • Plantio de 15 mil árvores com 2m de altura, totalmente adaptadas ao clima, aumentando assim a cobertura de 3% para 12% da área arborizada da região; • Oficinas gratuitas de reaproveitamento e reciclagem de materiais; • Debates culturais, campanhas de prevenção e combate a doenças, além de campanhas para a arrecadação de doações

para moradores atingidos pelas chuvas do Rio nesse início de ano. O novo paradigma para construções Conforme pode ser observado no plano da Cdurp intitulado Porto Maravilha: transformações urbanas, sustentabilidade e inclusão sócio-produtiva, que pode ser encontrado no link http:// portomaravilha.com.br/ web/esq/imprensa/curso/ alberto.pdf, as novas edificações da Região Portuária deverão ser construídas conforme os seguintes critérios: obedecer a

parâmetros específicos de afastamento e recuo, usar aquecimento solar e usar somente materiais com certificação ambiental. Além disso, deverão promover a economia no uso de água e fazer o reaproveitamento de águas pluviais e servidas. Todos os prédios deverão ter telhados verdes e/ou reflexivos do aquecimento solar. E, como se não bastasse, as novas edificações precisarão economizar as energias limpas ou gerá-las, aproveitar ao máximo a ventilação e a iluminação naturais, bem como facilitar o acesso e o uso de bicicletas. A expectativa dos dirigentes da Cdurp, com a instalação do novo paradigma, é consolidar um ciclo virtuoso de desenvolvimento sustentável, em que as melhores condições urbanísticas, ambientais e sociais provocarão maior interesse dos investidores na região, o que acarretará maior volume de recursos arrecadados, conduzindo à melhoria constante da qualidade de vida, reiniciando assim o ciclo.

da redação redacao@folhadarualarga.com.br

“Pedro e Seu Problema, livro infanto-juvenil escrito pelo gestor cultural Fernando Portella, mostra a rotina de um menino em uma aldeia fictícia chamada Ventania, onde as pessoas tinham nomes de peixes e os peixes tinham nomes de pessoas. A obra conta, com riqueza de imagens e poesia, a história deste garoto diante de seus problemas e sua força para superá-lo. A simplicidade literária da obra convida o leitor para uma viagem fantástica ao fundo do mar de cada um.” Autor: Fernando Portella Ilustrações: Marcelo Damm Páginas: 104 Preço: R$ 39,90

Adquira o seu exemplar pelo site ou telefone: www.editoracidadeviva.com.br I (21) 2233-3690


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turismo cultural ICCV ICCV inicia obras de recuperação da Igreja São Joaquim da Grama Projeto prevê o restauro completo de importante patrimônio do Vale do Café Kikson Salem

O Instituto Cultural Cidade Viva deu início ao projeto de restauração da Igreja da Fazenda São Joaquim da Grama, no município de Rio Claro, no Vale do Paraíba Fluminense. A igreja foi construída no final do século XIX pelo comendador Joaquim José de Souza Breves, conhecido como o “Rei do Café” no Brasil Imperial. Breves foi o primeiro cafeicultor a receber essa alcunha, plenamente justificada. Ele foi membro da Guarda Nacional do Imperador Dom Pedro e Comendador da Ordem da Rosa. A partir daí, ficou conhecido como Comendador Breves. Chegou a possuir 70 propriedades, construindo um império econômico onde reinava sem coroa, além de possuir mais de 6

O projeto do ICCV vai recuperar fisicamente a igreja e criar um plano de preservação

mil escravos; O Comendador era também proprietário de uma enorme chácara no Rio, em frente à Quinta da Boa Vista. Esta primeira etapa do projeto, que conta com os incentivos da Lei Estadual

de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro, terá duração de oito meses e começará com o levantamento da situação do imóvel e mapeamento dos danos, para entrar com uma ação de intervenção emergencial, mi-

nimizando ao máximo seu processo de degradação. Paralelamente ao trabalho, serão realizados projetos de arqueologia na igreja e no cemitério que fica ao lado do templo, bem como os anteprojetos de estruturas e projetos executivos de revitalização e restauração. Também será feito um estudo de sustentabilidade para implantação dos projetos museográficos e museológicos que irão garantir a visitação de público e a consequente viabilidade de preservação deste relevante patrimônio do Rio de Janeiro. A pesquisa sobre a história da igreja foi realizada por Aloysio Clemente Maria Infante de Jesus Breves Beiler, colaborador da Folha da Rua Larga e descendente do Comendador Breves. Em

seu estudo, Aloysio registrou toda a história da igreja e da fazenda, o tombamento do templo e as primeiras tentativas de recuperação da edificação, A Fazenda da Grama serviu como sede de administração do império de Breves. Ali se reuniam famílias importantes da época para discutir os assuntos de interesse dos cafeicultores e costurar acordos políticos. Nela também eram recebidos os convidados e realizados os requintados banquetes para os visitantes, amigos e parentes. Decidido a descansar para sempre na propriedade, construiu em 1887 a Capela de São Joaquim da Grama com a finalidade de receber os seus restos mortais e de sua família: “em intenção a minha alma, dos membros

de minha família, escravos, libertos e amigos que forem depositados na dita igreja e sepultados no cemitério da mesma”. A equipe técnica é formada pelos seguintes profissionais: designados pela Astorga Consultoria Planejamento Gerenciamento de Projetos (projeto executivo de restauração e arquitetura da Igreja da antiga Fazenda São Joaquim da Grama), Fama Engenharia e Arquitetura (projeto de instalações e obras de cobertura) e José Arnaldo Deutscher (estudo de sustentabilidade e plano de negócios).

da redação redacao@folhadarualarga.com.br

Editora Cidade Viva lança o Guia Cultural da Costa Verde Publicação divulga os atrativos de quatro municípios praianos Reprodução

A Editora Cidade Viva deu sequência ao seu projeto de editar guias culturais das regiões do estado do Rio de Janeiro e acaba de lançar o Guia Cultural da Costa Verde. O livro foi patrocinado com os incentivos fiscais da Lei Rouanet pela empresa Ampla, que é responsável por 73% do fornecimento de energia elétrica no território fluminense, e contém informações sobre os atrativos culturais de quatro municípios: Paraty, Angra dos Reis, Mangaratiba e Itaguaí. Os atrativos foram classificados em seis categorias, cada uma possuindo uma cor específica na vinheta inserida no cabeçalho das páginas: 1) Espaços Culturais; 2) Expressões Artísticas; 3) Artesanato e Produtos Típicos; 3) Cafés, Bares e Restaurantes Temáticos; 5) Personagens Cativantes e 6) Outros Atrativos. Fernando Portella, diretor-

O Guia também relaciona as festas e eventos da região

-executivo da Editora Cidade Viva, revela no Prefácio que o guia representou “um árduo trabalho de pesquisa, entrevistas porta a porta, olhos nos olhos, fotos de emoção, para se escolher os espaços culturais, tangíveis e intangíveis, desta região”. Em seguida, Portella faz esta ressalva:

“podemos não ter conhecido alguns pontos notáveis, mas, se informados, os contemplaremos na segunda edição”. O diretor relembra que, em 2014, a editora já havia lançado o Guia Cultural do Vale do Café, nas versões impressa e eletrônica. Um resultado positivo, segundo ele, foi o recebimento de notícias sobre o incremento das atividades locais do Vale do Café, provocadas pela publicação do ano passado. E assim, acredita Portella, acontecerá o mesmo com o novo guia: “fortalece os pequenos negócios da região, promovendo mais trabalho e renda”. Ao final do Prefácio, Portella agradece o incentivo concedido pelo Ministério da Cultura e também às prefeituras da região, “que nos abriram suas portas de informação, indicando lugares maravilhosos que poucos conhecem”.

O pesquisador Aloysio Clemente Breves Beiler, que participou do projeto, escreveu um segundo prefácio, enaltecendo a região da Costa Verde como “um paraíso de belezas naturais, do povo que valoriza suas tradições e cultura e transforma este legado em alegrias, festas e comemorações”. Sobre o trabalho de campo que realizou para colher as informações do Guia, ele ratifica a vitalidade cultural da população típica dessa região praiana: “o quilombola que mostra com carinho sua roça e seu peixe; o caiçara que dança a singela ciranda; o artesão que confecciona o barquinho para vender ou fabrica seu transporte para navegar entre ilhas; o teatro popular que resgata tradições”. O Guia enfatiza também a rica mistura étnica da região: portugueses, açorianos, índios, africanos e, mais re-

centemente os japoneses, que realizam eventos tradicionais, com destaque para a Festa do Divino de Paraty e de Angra dos Reis, que herdaram danças típicas de Portugal que, ao longo dos séculos, foram modificadas, com apropriações dos elementos de outras culturas que ali aportaram. O Guia, inclusive, divulga separadamente o calendário das festas e eventos tradicionais, indo da Festa de Nossa Senhora da Guia em Mangaratiba à Expo Itaguaí, uma exposição agropecuária, comercial e industrial realizada desde 1933 e que já alcançou no ano passado a sua 21ª edição. Entre os personagens cativantes registrados no Guia, estão: o príncipe Dom João Henrique de Orleans e Bragança, que já foi produtor de cachaça em Paraty e hoje coordena uma imobiliária no Centro Histórico da cidade;

Dona Auta, que comanda a Padaria do Comércio em Angra dos Rei, adoçando a vida das pessoas; o senhor China, que comanda o singular Bar do China, na Serra do Piloto, em Mangaratiba, no caminho para o Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos. O Guia tem 208 páginas ilustradas com belas fotos e não é comercializado, mas distribuído gratuitamente. Quem responder à pesquisa sobre o nosso jornal, na página 15 desta edição, recortar e trouxer na nossa redação ganhará um exemplar grátis (Rua São Bento, 9, 1º andar – Centro – Rio de Janeiro).

da redação redacao@folhadarualarga.com.br


Divulgação

cultura e cidadania maio – junho de 2015

Militante da cultura afro-brasileira, o jornalista Rubem Confete fundou o Centro Cultural Pequena África em um sobrado do Largo de São Francisco da Prainha. Já foi passista da Mangueira e do Salgueiro e é considerado um dos melhores comentaristas de samba do Rio. Ele contou para a repórter Syl Dietrich um pouco da sua vida e sua história. cultura e cidadania - página C8

Revitalização da Rua Larga | Zona Portuária | Centro do Rio

Edição Especial

Companhia de Mystérios e Novidades homenageia os 450 anos do Rio Com uma ópera popular, artistas do Porto declaram seu amor pela cidade Reprodução

Para não ficar de fora da comemoração do aniversário da Cidade Maravilhosa, a Grande Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades criou o espetáculo O Auto da Redenção de São Sebastião do Rio de Janeiro. Trata-se de uma ópera popular tipicamente carioca, que neste caso incluiu músicas e danças na rua. O auto marcou a abertura do II Festival Carioca de Arte Pública, evento realizado pelo coletivo Fórum Carioca de Arte Pública, que reúne artistas que se apresentam em três regiões da cidade, Zona Oeste, Centro e Leopoldina, com espetáculos, performances, oficinas, eventos e debates. O espetáculo O Auto da Redenção de São Sebastião do Rio de Janeiro é uma montagem criada especialmente para o festival, com o intuito de homenagear os 450 anos do Rio de Janeiro e, ao mesmo tempo, protestar por meio da arte, abordando as aflições, os medos e os sentimentos da população que vivem na cidade. O espetáculo é formado por 25 atores e músicos, que relatam a morte do padroeiro do Rio, São Sebastião, atingido por uma bala perdida. Depois acontece seu milagroso renascimento, com muita música e coreografias de artistas que atuam sobre pernas de pau. Dentro dessa linda homenagem, as riquezas culturais do Rio, suas raízes africanas, europeias e portuguesas invadem as praças do Rio, com muita criatividade e alegria. Criada por Lígia Veiga em 1981, a Grande Companhia Brasileira de Mystérios e

A Cia. de Mystérios e Novidades apresentando o Auto de Redenção de São Sebastião do Rio de Janeiro. Ao centro, tocando flauta, a atriz e diretora Ligia Veiga

Novidades tem por objetivo valorizar o teatro de rua e recuperar a linguagem gestual e musical dos antigos atores/ músicos populares, inscrevendo-se na categoria Circo Dramáticos. A Cia. tem um repertório de 10 espetáculos que englobam teatro, dança e música. Um dos projetos desenvolvidos desde 2007 chama-se Gigantes pela Própria Natureza e é constituído por orquestra de rua sobre pernas de pau, formada por 30 jovens identificados nas comunidades de baixa renda, que atuam junto com artistas da Cia de Mystérios. A apresentação encanta com suas danças dramáticas sobre pernas de pau, através de um repertório musical popular, inspiradas em músicas africanas, indígenas e portuguesas referenciadas na obra do modernista Mário

de Andrade. No final de 2014, o grupo criou a ópera popular Uirapuru, também baseada nos trabalhos de Mário de Andrade, com base em pesquisas sobre músicas indígenas, africanas e europeias. Outras inspirações foram uma opereta popular amazônica de D. Noêmia, compositora paraense, e o poema sinfônico Uirapuru, composto por Heitor Villa-Lobos. O espetáculo contribui para a preservação e valorização da memória cultural do país, no âmbito das tradições e raízes brasileiras. Segundo a diretora artística Lígia Veiga, que esteve no Pará para pesquisa in loco, o espetáculo de rua é uma peça musicada que representa o imaginário popular amazônico. É uma tradição local do Pará. Os pássaros uirapurus

voam por lá desde o tempo da borracha, quando os serviçais viam as grandes montagens europeias nos teatros e decidiram fazer seu próprio espetáculo. A Cia de Mystérios chegou recentemente de uma turnê em São Paulo. Lá, as apresentações aconteceram em dez praças do interior do estado e também na capital. Artistas de outros lugares do Brasil também levaram suas músicas, danças, peças teatrais e artes plásticas, formando uma grande caravana que itinerou pelas praças de Pirassununga, Brotas, Araras, Poá, Suzano e Rio Grande da Serra, entre outras cidades. O espetáculo Uirapuru continuará a ser apresentado durante o ano de 2015. Ao longo de toda sua trajetória, promovendo o desen-

volvimento social pela arte, a companhia vem conquistando parcerias e patrocínios de empresas e instituições como Eletrobrás, SESC, Oi Futuro, Secretarias de Cultura estaduais e municipais, além da Funarte. O grupo desenvolve também um programa de oficinas integradas, voltado para o estímulo ao potencial criativo dos participantes, através de exercícios e jogos corporais, buscando no desequilíbrio o eixo e no equilíbrio o impulso. Utiliza-se o teatro, a música e a dança para os jogos dos personagens, além de técnicas circenses, visando à descoberta e ao redimensionamento da linguagem cênica. Outro trabalho realizado pela companhia é o Dança nas alturas, um aprendizado da técnica de pernas de pau, prática

milenar no teatro e que possui um passado místico e ritual, que é aplicado em ações teatrais e danças coreografadas. O aluno entra em contato com o equilíbrio do corpo e desenvolve uma linguagem que integra espaço e tempo. Além de aulas de improvisação e criação de personagens, a técnica envolve, ainda, dança orgânica e música ao vivo. A dança orgânica trabalha a energia corporal através do movimento rítmico, ajudando o corpo a obter liberdade e plasticidade. A liberação e a organização dessa energia aprimoram a expressão artística e ajudam a promover a integração entre “corpo, mente e espírito”. Elementos de dança e acrobáticos se juntam e integram o gestual de quem se torna simultaneamente ator/músico/dançarino. Na música ao vivo, são utilizados instrumentos de percussão, flautas, sopros, cordas e voz. Os instrumentos ajudam a sentir o ritmo, dialogar com o corpo criando espaço para a improvisação e o despertar interior em movimento, dança e música. A Grande Companhia Brasileira dos Mystérios e Novidades realiza o programa de oficinas integradas, na sua sede, na Rua Pedro Ernesto, 21 e 23. Tel.: 2252-4103. As aulas estão abertas para todos os moradores da Zona Portuária e demais cidadãos do Rio.

maria campos jornalista redacao@folhadarualarga.com,br


C2 Edição Especial

maio – junho de 2015

cultura e cidadania boca no trombone

Cliques Rua Larga

Jader Colombino

Do crack viemos e ao crack voltaremos São quatro da tarde no Cais do Valongo. Uma Companhia Teatral está fazendo seu ensaio geral, em pleno sítio arqueológico, que servirá de palco, logo mais, para mais um espetáculo de uma série que recupera as raízes da civilização carioca, na Zona Portuária da cidade. Diretores, assistentes, técnicos e um elenco de quase 30 atores, nesse momento, são obrigados a parar os trabalhos para que, a partir de então, assistam a uma cena de horror. Um usuário de crack invade o palco, curiosamente, no meio da fala de Joaquim Nabuco, que temia que o abandono pudesse ser impingido aos ex-escravos depois da Abolição. Pois bem, poderia nos ocorrer o usual comentário de que a história se repete, de que somos todos reféns da falta de políticas públicas e por aí vai. Afinal, quais são os mecanismos de recuperação social? Dados recentemente publicados nos informam que a venda e o consumo de crack vêm migrando da Zona Norte para o Centro e para a Zona Sul. A Região Portuária é uma das praças favoritas, reunindo um grande grupo de usuários. População e autoridades estão em estado de alerta. E a impressão é que em alerta vão ficar! Afinal, se não conseguiram combater a proliferação do vício, quando estava concentrado nos arredores das favelas do subúrbio, como farão diante da epidemia que se estabelece em números assustadores? Enquanto um primoroso processo de reurbanização da região do Porto é implementado, atraindo grandes empresas e impulsionando a restauração da cultura de uma cidade com quase cinco séculos de história, enquanto, mesmo que tardia, a decisão de recuperar o patrimônio material e imaterial da nossa gente nos leva às pressas para o tal primeiro mundo, ainda assim nos deparamos com a realidade desses párias que, completamente alheios à sua própria história de vida e sem qualquer desenho de futuro, não conseguem encontrar o caminho de volta à sociedade. O investimento concentrado pelas empreiteiras e consórcios, pelos poderes públicos, não poderiam se abster da recuperação social dos moradores do entorno da região do Porto, que sofreram um abandono histórico, desde a invasão do corsário Duguay-Trouin, que tomou de assalto a cidade no início do século XVIII. Se percebemos ainda a proliferação de marginais, não basta contemplá-los com o recolhimento aos asilos sanatórios, como se fossem pobres coitados. As pedras da droga viciante valem menos do que R$ 5,00 e agora atraem também os ricos coitados. Em Copacabana, na rua Leopoldo Miguez, eles espalham colchões sobre as calçadas. Em Ipanema, dezenas consomem crack nas praças General Osório e Nossa Senhora da Paz e ai de quem não puder colaborar com uma ou duas pedras. Eles estão a vagar como zumbis na sociedade moderna. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social informa que seu trabalho de abordagem ainda tem como foco as cracolândias que reúnem mais de 300 pessoas. Ora, apenas na cena teatral, o nosso “cracudo”, selecionado para contracenar com André Rebouças e José do Patrocínio, recebeu a companhia de outros três, que como nós, assistiam à cena dolorosa. Será que, se pudemos encontrar as pedras pisadas pelos escravos que eram vendidos no Valongo, se podemos, com efeito, reconhecer o que é nosso patrimônio, não conseguiremos coibir a degradação de ao menos um de nós, de muitos de nós, de tantos de nós... Na Lapa, na Maré, Laranjeiras, Botafogo, Del Castilho, Triagem, Engenho Novo, Jacarezinho, Manguinhos... Senhores! Eles estão por toda a cidade. É preciso parar o espetáculo. A droga convence como a cocaína e, quando falta a mais cara na boca de fumo, temos aí novos usuários. Quando o poder aquisitivo aumenta, a produção se multiplica e o consumo está aí, diante de nós, meros espectadores desse “teatro” gratuito, com total democratização de acesso. Ainda na fala de Joaquim Nabuco, o ator diz: “Não é possível manter alguém acorrentado por 20 anos e, de repente, soltá-lo e mandá-lo correr”. Ao que Ruy Barbosa responde: “Sim, a Lei alexei waichenberg Áurea precisa de um complemento”! jornalista e produtor cultural walexei@gmail.com

O maior quadrinho de rua do mundo está no Porto: ocupa 400 m2 e 13m de altura da lateral do prédio do Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Santo Cristo. Conta a saga de Zé Ninguém, personagem que luta contra o Dr. Dor, um vilão antiecológico. O autor é o americano Alberto Serrano, que precisou de guindaste hidráulico para fazer a obra. Jader Colombino

O capítulo final da saga do Zé Ninguém tem mensagem contra o tabagismo. Diz o autor, que assina como Tito em seus quadrinhos: “É uma boa pauta para falar de tabagismo, algo sério, mas de uma forma divertida e irreverente, por meio da arte”. Jader Colombino

O trabalho é resultado de um edital da Secretaria Municipal de Cultura. O autor conversou com 45 alunos da Escola Municipal Vicente Licínio, do 7º ao 9º ano, que visitaram o painel para conhecer Zé Ninguém e ganharam a sua história impressa.


cultura e cidadania C3 Edição Especial

maio – junho de 2015

Projeto Porto de Memórias relembra o fim da escravidão Mais um espetáculo teatral ao ar livre, desta vez no Cais do Valongo Leo Farah

No mesmo dia em que a população do Rio de Janeiro fez festa para celebrar o fim da escravidão no Brasil (17 de maio), com uma missa campal na Praça Dom Pedro I (atual Campo de São Cristóvão), a equipe do projeto Porto de Memórias apresentou mais um espetáculo teatral ao ar livre: Abolição, um dia de delírio, no Valongo, na Rua Barão de Teffé. A alusão ao “delírio”, no título da peça, é pertinente. Porque no dia 17 de maio de 1888, um domingo, o povo foi às ruas para festejar que o Senado havia votado a Lei Áurea, que logo foi sancionada pela Regente, Princesa Isabel. O grande escritor Machado de Assis foi testemunha ocular desse marcante evento histórico, e assim o descreveu: “Houve sol, e grande sol, naquele domingo de 1888, em que o Senado votou a Lei, que a regente sancionou, e todos saímos à rua. Sim, também eu saí à rua, eu, o mais encolhido dos caramujos, também eu entrei no préstito, em carruagem aberta, se me fazem o favor, hóspede de um gordo amigo ausente, todos respiravam felicidade, tudo era delírio. Verdadeiramente, foi o único dia de delírio público que me lembro de ter visto”. Por isso os produtores da peça escolheram o Valongo, já que ali era o porto de chegada ao Rio dos escravos vindos da África e o mais conhecido mercado de cativos da nossa história, marco territorial de uma época de barbárie.

Dani Ornellas, Cristiano Joaquim e Jessica Mara encarnaram monumentos escravos no espetáculo Abolição, um dia de delírio

Na sua encenação, o espetáculo assumiu propositadamente um clima igualmente delirante: o enredo se desenrolou ao som do canto de escravos, de Clementina de Jesus, do jongo, de tambores, da percussão afro de grupos tradicionais e folclóricos. O projeto Porto de Memórias foi idealizado pela produtora cultural Sonia Mattos, que em 2014 encenou nada menos que seis espetáculos teatrais ao ar livre, todos ligados à história da região portuária: O Triunfo de Leopoldina, Mercado Negro, O Baile dos Capoeiras, O Almirante Negro, A Pedra Fundamental e A

Alma Encantadora das Ruas. O espetáculo mais recente, Abolição, um dia de delírio, teve roteiro assinado a seis mãos por Alexei Waichenberg, Maria Nattari e Regina Miranda, sendo que Regina também assinou a direção do espetáculo. Na visão de Sonia Mattos, o espetáculo enfocou os mais conhecidos abolicionistas e deu voz e corpo àqueles que lutaram incansavelmente para extinguir a escravatura no Brasil, como Joaquim Nabuco e José do Patrocínio. “Que a festa da liberdade proposta por Abolição, realizada no lugar de chegada e de flagelo dos negros

escravizados simbolize a alegria da sua cultura, a honra de suas conquistas na redescoberta do Valongo, como símbolo da diáspora africana e da afirmação de sua identidade, e sua contínua luta por igualdade”, acrescenta ela. Por sua vez, a diretora Regina Miranda realçou o papel da Princesa Isabel no processo abolicionista, que alguns historiadores teimam em tentar diminuir: “O espetáculo aborda a Abolição, principalmente, como momento de celebração de uma identidade, de reivindicação de espaços e de direitos no mundo da política. Neste senti-

do, não teríamos porque minimizar as lutas dos abolicionistas ou o próprio ato da assinatura da Lei pela Princesa Isabel. Afinal, relegar as ações das mulheres a segundo plano é um cacoete histórico que desejamos evitar. Assim, ressaltamos o fato de ela mesma esconder escravos em seu palácio de Petrópolis, apontamos sua amizade com o Quilombo do Leblon, sua preocupação de indenização aos escravos libertos e sua visão de futuro para o Brasil. De toda forma, o que apresentamos não é a Abolição como uma “dádiva” e sim como resultado de um processo coletivo de lutas e con-

quistas”. Um dos autores do roteiro, Alexei Waichenberg, comentou que a peça representou uma teatral ressurreição dos personagens que fizeram a História do Brasil naqueles tempos: “No caminho do Campo de São Cristóvão ao Valongo, fomos vendo reviver cada um dos participantes dessa saga que foi a escravidão no Brasil e no mundo. Não seria justo que pudéssemos comemorar apenas com os ex-escravos que sobreviveram ao tempo, com os abolicionistas, a princesa e o conde. E viemos convidando a todos. A cobertura da imprensa foi completa. O que fizemos naquele dia de maio vai ficar para a história de cada brasileiro que herdou dos escravos o desejo de celebrar, festejar suas crenças, seu canto, sua dança. Compartilhar sua voz, sua pele, sua raça. Evocar seu Deus, misturar-se pelo povo, empunhar suas glórias, difundir a sua massa. E, entre a massa, o jongo, o maracatu, o tambor de crioula, gente de todas as cores e classes sociais, se via, não menos animados, Nabuco, Patrocínio, o engenheiro Rebouças, o jurista Ruy Barbosa e o paulista Antonio Bento. Isabel e o Conde d’Eu também vieram para os festejos. Luís Gama, mesmo morto, estava vivo comandando a ressurreição que se promoveu naquele dia”.

da redação redacao@folhadarualarga.com.br


C4 Edição Especial

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cultura e cidadania

13ª Semana Nacional dos Museus agita 1.378 instituições de todo o país Evento comemora o Dia Internacional dos Museus com 4.750 atividades inscritas Divulgação Ibram

Em todo o país, 1.378 instituições celebraram a passagem do Dia Internacional dos Museus com a realização da 13ª Semana Nacional dos Museus, organizada pelo Instituto Brasileiro dos Museus (Ibram), que é uma autarquia federal, dotada de personalidade jurídica de direito público, com autonomia administrativa e financeira, vinculada ao Ministério da Cultura. A data de 18 de maio foi instituída pelo Comitê Internacional de Museus (ICOM), com o propósito de sensibilizar o público de todos os países para importância dos museus na sociedade. A Semana Nacional dos Museus, realizada este ano de 18 a 24 de maio, teve como tema Museus para uma sociedade sustentável, indicado pelo próprio ICOM, para enfatizar o importante papel dos museus no processo de fomento à sustentabilidade. No site do Ibram, na página destinada à Semana, pode-se ler que “o tema vem enfatizar o importante papel dos museus no processo de fomento à sustentabilidade: seja por meio de suas boas práticas de atuação, seja pela conscientização do público sobre a necessidade de uma sociedade mais cooperativa e solidária” (disponível em http://www. museus.gov.br/wp-content/ uploads/2015/05/Museus-para-uma-sociedade.pdf). Três caminhos para a sustentabilidade Para o Ibram, o tema pode ser enfocado por várias óticas e, em seu site, a autarquia destaca três: a

ambiental, a econômica e a sociocultural. A primeira se refere à possibilidade dos seres humanos viverem em equilíbrio com os recursos naturais e materiais disponíveis, “de modo a oferecer ao planeta tanto quanto retiramos dele”. Uma das possibilidades de aplicação dessa perspectiva é “o aperfeiçoamento da gestão museológica sustentável ou mesmo a construção de um banco de projetos sobre sustentabilidade”. Também é possível pensar em uma vida sustentável com o “estabelecimento de uma relação economicamente viável com o mundo”. Tal concepção pode ser aplicada aos museus, por exemplo, “por meio da utilização de seu potencial gerador de emprego e renda, bem como pelo estabelecimento de parcerias com empreendedores locais, de modo a fomentar o desenvolvimento da região e favorecer o equilíbrio do que está a sua volta”. Como terceira ótica, temos a “sustentabilidade sociocultural”, que envolve questões como: “o fortalecimento das tradições locais, da identidade e dos laços de pertencimento; a melhoria da qualidade de vida da população; a distribuição de renda mais igualitária e a diminuição das diferenças sociais, com participação e organização popular”. Nessa perspectiva, os museus podem e devem

repensar práticas, rever ações, debater, questionar, mobilizar e, sobretudo, aperfeiçoar a participação social para a construção de um mundo melhor. A 13ª edição da Semana Nacional de Museus, ao trazer essa causa para discussão, “vem fomentar em toda a sociedade uma maior conscientização da ação do homem sobre nosso planeta e reforçar a necessidade urgente de alinhar nosso modelo econômico e social à perspectiva da continuidade e inovação”. Atividades no Rio de Janeiro

O cartaz da Semana reproduziu uma obra de Lasar Segall

realizar “atividades de conscientização sobre a corresponsabilidade individual para a construção da coletividade e a im-

portância da participação comunitária, da economia solidária e criativa, além de valorizar a cultura local, de modo a fomentar o

equilíbrio entre tradição e inovação”. No universo dos museus, a sustentabilidade abre oportunidades para

Todas as instituições museológicas do Rio de Janeiro, públicas e privadas, realizaram atividades e ações educativas durante a 13ª Semana Nacional dos Museus. Destacamos aqui somente aquelas realizadas na Região Portuária e em algumas de suas adjacências. O Arquivo Nacional (Praça da República, 173) apresentou a exposição Rio 1908: a cidade de portos abertos, estruturada a partir do seu acervo de fotografias, obras raras, desenhos e plantas originais. A mostra foi também integrada às comemorações dos 200 anos da chegada de Dom João VI ao Brasil e aos 450 anos da cidade do Rio de Janeiro. Dentro do projeto Música no Museu, produzido


C5 Edição Especial

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Divulgação Arquivo Nacional

Divulgação Centro Cultural dos Correios

Foto de Glauber Rocha feita por Alécio de Andrade, poeta desaparecido em Paris, em 2003. Curadoria de Patrícia Newcomer, gestora do acervo do fotógrafo

pela Carpex Empreendimento e Promoções Ltda. (Praça Pio X, 55, sala 202), foram apresentados concertos de harpa em 7 instituições, entre elas a Biblioteca Parque Central. O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB – Rua Primeiro de Março, 66) oferecendo uma visita mediada à sua Galeria de Valores e uma visão teatralizada da história do banco e do prédio que abriga o Centro Cultural. No âmbito do tema proposto pelo ICOM, foram realizadas três mesas redondas: “O museu como conscientizador para uma sociedade sustentável”, “As singularidades da gestão cultural” e “Ideias para uma gestão sustentável de acervos museológicos”. Por sua vez, o Centro Cultural dos Correios (Rua Visconde de Itaboraí, 20) apresentou as seguintes exposições: FotoRio, encontro internacional de fotógrafos idealizado por Milton Gurán e que este ano tem como tema o Rio de Janeiro, por conta do aniversário de 450 anos da cidade; Inferno de Dante, com litografias de Roberto Rouschenberg; e a edição fac-símile da obra A mui leal e heroica cidade do Rio de Janeiro, livro raro editado em 1965 e que tem reproduções de obras de Debret, Caribé e Portinari. O livro é considerado a biografia oficial do Rio de Janeiro.

Foto de 1906 que integra a exposição do Arquivo Nacional Rio 1908: a cidade de portos abertos, que mostra em primeiro plano o Lampadário do Largo da Lapa Divulgação Light

Globo de plasma do Museu Light da Energia: uma esfera de vidro com um gás a baixa pressão e eletrodo central a alta voltagem; descargas elétricas provocam ionização de alguns átomos de gás; ao voltarem ao estado inicial, os átomos emitem luz. Divulgação MAR

O touro, pintura a óleo de Tarsila do Amaral, de 1925: atração do MAR

O Liceu de Artes e Ofícios (Rua Frederico Silva, 86) mostrou a tragédia do lançamento da bomba atômica pe-

los norte-americanos na cidade japonesa de Hiroshima, através de filme e exposição de fotografia. Também foram realiza-

das oficinas artísticas, de escultura, pintura e desenho, voltadas para o tema Arte para uma sociedade sustentável. O Liceu promoveu também mesas-redondas nas quais foram debatidos caminhos para impedir a degradação do nosso planeta. O MAR – Museu de Arte do Rio (Praça Mauá, 5) apresentou as seguintes exposições: Tarsila e mulheres modernas no Rio, uma reflexão sobre a mudança nas convenções socioculturais promovida por mulheres; Rio: uma paixão francesa, com 60 obras que apresentam imagens da nossa cidade e que pertencem ao acervo de instituições francesas; mostra de fotos de Jurt Klagsbrunn, austríaco de ascendência judaica que veio para o Brasil ainda jovem, fugindo da ocupação nazista. Também foi realizada uma mesa-redonda sobre as práticas e desafios na formação de uma coleção de arte. O Museu Light de Energia, cujo acervo já é naturalmente ligado ao tema da sustentabilidade, promoveu visitas guiadas que mostraram a ligação da Light com a história do Rio de Janeiro e novas tecnologias voltadas para maior controle e eficiência no uso da energia elétrica. Um espaço de experimentação revelou conceitos físicos que levam o público a repensar seus hábitos de consumo de energia. Também hou-

ve contação de histórias para crianças, que levantam a questão do consumo consciente de eletricidade. Por fim, a Superintendência de Museus (Rua da Quitanda, 86, 8º andar) apresentou na Escola de Museologia da UNI-RIO (Avenida Pasteur, 436), as etapas, processo, resultados e perspectivas da Rede Web de Museus. Passaporte para os Museus A efeméride do aniversário dos 450 anos do Rio de Janeiro, oficialmente celebrado no dia 1º de maio, estimulou o Comitê Rio450, da prefeitura, a fazer uma parceria com o Ibram e lançar o projeto Passaporte dos Museus Cariocas. O Passaporte dos Museus Cariocas nasce de uma parceria do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) com o Comitê Rio450, da prefeitura do Rio de Janeiro, em comemoração aos 450 anos da cidade – celebrados no dia 1º de março de 2015. Ao longo de todo o ano de 2015, o passaporte dará direito a uma entrada gratuita em cada um dos 43 museus cariocas que participam da iniciativa. O próprio passaporte tem uma relação impressa de quais museus da cidade darão gratuidade em cada dia da semana. Basta escolher qual museu o visitante deseja visitar e apresentá-lo na bilhete-

ria para ter sua entrada garantida e registrada com um carimbo, como acontece nos passaportes oficiais em viagens ao estrangeiro. Não é preciso ser carioca nem morador da cidade para retirar o passaporte, que é totalmente gratuito. As primeiras 50 mil unidades já foram distribuídas. Quem estiver interessado, pode pegar seu passaporte em um dos seguintes seis pontos de distribuição: 1. Centro Cultural Banco do Brasil – Rua Primeiro de março, 66 – Centro; 2. Museu Aeroespacial – Avenida Marechal Fontenelle, 2000 – Sulacap; 3. Museu da República – Rua do Catete, 153 – Catete; 4. Museu de Arte do Rio – Praça Mauá, 5 – Centro; 5. Museu Nacional de Belas Artes – Avenida Rio Branco, 199 – Centro; 6. Museu Imperial – Rua da Imperatriz, 220 – Centro – Petrópolis. Para retirar o passaporte, não é preciso apresentar nenhum documento de identidade e não é necessário fazer qualquer tipo de cadastro. Os passaportes têm validade do dia 15 de abril a 31 de dezembro de 2015.

mário margutti jornalista mfmargutti@gmail.com


A Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio do programa Porto Maravilha Cultural, restaurou mais um imóvel de relevância histórica, arquitetônica e cultural da Região PortuárIa.

Igreja de

São Francisco

da Prainha Construída em 1696 pelo Padre Francisco da Motta, a igreja no Adro de São Francisco da Prainha (Sacadura Cabral - Morro da Conceição) e doada em testamento para a Ordem Terceira de São Francisco da Penitência em 1704 é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como monumento artístico. Durante a invasão francesa, em 1710, as tropas de Jean-François Duclerc foram encurraladas entre a capela e o trapiche (armazém próximo ao cais para depósito e guarda de mercadorias) de propriedade da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência. Para render o inimigo, o governador Castro Morais ordenou o incêndio dos dois prédios. Por alguns anos, tudo ficou em ruínas até que a Ordem mandou reedificar o trapiche, à época, o mais importante da cidade. Em 4 de novembro de 1738, nova capela começou a ser construída no local da antiga. A “nova" Igreja de São Francisco da Prainha ficou pronta em 1740. A obra de restauro do programa Porto Maravilha Cultural recupera condições originais e permite a reabertura das portas após 12 anos.

portomaravilha.com.br

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Bar SaCabral

Restaurante 28

Vacamarella

A REGIÃO PORTUÁRIA É O NOVO CARTÃO POSTAL DO RIO. OS PEQUENOS NEGÓCIOS TÊM LUGAR GARANTIDO NESTE CENÁRIO. L’Atelier Du Cuisinier

A cidade do Rio de Janeiro vive um momento especial de oportunidades geradas pelos grandes investimentos e pelo dinamismo econômico do estado. Um dos principais símbolos deste cenário é a região portuária. Além das mudanças na infraestrutura, existe um ambiente de oportunidade para os pequenos negócios. O Sebrae no Porto é um projeto estratégico do Sebrae/RJ, que oferece atendimento personalizado e soluções inovadoras tanto para os empresários locais quanto para aqueles que desejam ali se estabelecer. Conte com o Sebrae. Somos especialistas em pequenos negócios.

SAIBA O QUE O SEBRAE PODE FAZER POR VOCÊ Em parceria com a CDURP, os empreendedores ganham suporte para desenvolver seus negócios e ideias na região portuária: cursos, cartilhas, eventos de negócio, consultorias sob medida, pesquisas de mercado, planejamento e muito mais. • TURISMO Apoio para desenvolver a vocação da região com a participação das empresas locais. • GASTRONOMIA Apoio ao crescimento dos bares e restaurantes que são a cara do Porto.

• COMÉRCIO VAREJISTA Apoio para o fortalecimento do comércio local com inovação, layout, marketing e qualidade no atendimento. • NEGÓCIOS TRADICIONAIS Apoio para a preservação dos negócios tradicionais: aproveitar as novas oportunidades do local sem perder a identidade. • EMPREENDIMENTOS POPULARES O empurrão que faltava para quem fatura até R$ 60 mil/ano. • ARTESANATO Oportunidades de negócio para o artesanato do Porto.

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C8 Edição Especial

maio – junho de 2015

cultura e cidadania

Rubem Confete: “A população brasileira foi constituída com ventre negro e indígena” Reconhecido estudioso da cultura negra fala de sua simbiose com a Região Portuária Divulgação

“O João da Baiana eu conhecia porque ele ficava ali, no Largo São Francisco da Prainha todos os dias, elegantemente vestido. Isso na década de 50, quando comecei a frequentar a Região Portuária. Ele falava ‘meu sobrinho...’ e conversávamos. Foi a primeira personalidade que eu conheci ali. Também conheci Pixinguinha e Heitor dos Prazeres”. Do alto de seus 78 anos (boa parte deles conhecendo esta região vital para a nossa cidade), Rubem dos Santos, mais conhecido como Rubem Confete – jornalista, radialista, compositor, ativista e estudioso das questões afro-brasileiras – é um desses exemplares de história viva e defensor atuante da nossa cultura negra ancestral. Ele conheceu esse território bem jovem, quando, garante, havia grande efervescência de trabalhadores e sindicatos ali sediados. Teve contato com esses importantes nomes da nossa arte, que ali viveram e realizavam encontros musicais como as históricas rodas de samba na Pedra do Sal e, a partir da década de 60, entendendo melhor a importância histórica da região, estudou com mais profundidade o movimento

negro ali vivido, guardando muitas histórias, se tornando referência: até hoje é consultado. “Com uns 15 anos comecei a frequentar a Região Portuária e logo conheci personalidades e suas histórias que muito me marcaram. Conversei muito também com trabalhadores e moradores dali e com professores e historiadores e fui percebendo que havia muito mais história sobre aquela área e sobre os negros do que se contava. Isso me incomodava, então resolvi estudar e agir mais”, revela. O tempo passou, Confete também foi compositor, mestre-sala, locutor, comentarista de samba em rádio e TV, jornalista, conferencista sobre a temática negra no Brasil e roteirista de filmes sobre o samba. Desde 1980 trabalha na Rádio Nacional e atualmente apresenta, junto à cantora Dorina Barros, o programa diário Dorina Ponto Samba. Há quase dez anos idealizou e fundou o Centro Cultural Pequena África (CCPA) – ONG com o objetivo de resgatar e difundir a história da Pequena África, preservando a base cultural do país com valores afrodescendentes e

Rubem Confete: “Interessa a todos nós que várias atividades de valorização da cultura negra fervilhem, atraiam e mantenham as pessoas vivendo o espaço”

celebrando personalidades que se destacaram. “Pequena África” é um nome que Dom Obá II (João Cândido, o Almirante Negro) no século XIX deu à Região Portuária do Rio (Saúde, Gamboa, Santo Cristo e parte do Centro) por ter uma cultura carioca negra própria. Infelizmente, por falta de recursos financeiros, o CCPA não possui mais sede (ficava no Largo São Francisco da Prainha), porém ainda funciona como organização e conta com colaboradores para realizar debates, palestras e rodas de samba que divulguem a cultura. Ele e a presidente do Centro, Maria Celina de Rodrigues (Celina de Xangô), também

participam de encontros acadêmicos de instituições nacionais e internacionais. Celina Rodrigues, por exemplo, acaba de voltar de um congresso na França, onde discorreu sobre a importância do “Memorial da Diáspora Africana no Rio de Janeiro”. Rubem reforça que eles estão abertos a convites e estudos de profissionais, estudantes ou pesquisadores do tema. No entanto, lamenta que o interesse social, o apoio e o investimento à nossa cultura ainda sejam tão pequenos ou relativos: “Apesar das dificuldades, estamos ativos e discutindo a reivindicação por uma reparação pelo menos histórica ao negro.

Caderno Cultura e Cidadania Realização

Patrocínio

Ainda vejo que a discussão sobre o legado e a importância do negro para a construção e o avanço da nossa história social e econômica não prospera e não há reparações. A população brasileira foi constituída com ventre negro e indígena. Eles deveriam ser mais respeitados e valorizados pelo seu próprio povo”, pondera. Quando conheceu o Porto do Rio, a região era bem degradada e sofreu positivas mudanças, “porém poucas”, garante Rubem. Ele então vê o atual projeto de revitalização urbano e sociocultural necessário e considera a redescoberta do Cais do Valongo, em 2011, um dos fatos mais importantes da nossa história: “Fiquei animado com a revitalização da região, mas infelizmente o ritmo diminuiu muito. Eu gostaria que fosse acelerado. E, aliás, não me interessa que esteja só o CCPA ali. Interessa a todos nós que, além de mais comércio e serviços, várias atividades de valorização da cultura negra fervilhem, atraiam e mantenham as pessoas vivendo o espaço”. Confete aprova as rodas de samba na Pedra do Sal e acredita que são um movimento que advém das

energias deixadas ali pelos nossos antepassados. Ele também conta que, já na década de 1910, o batuque foi ali iniciado por Eloi Autero Dias e foi perpetuado por João da Baiana, Pixinguinha e os demais que ali musicaram e só depois, e aos poucos, foi se alastrando pela cidade, chegando, por exemplo, à Praça Onze, na famosa casa de Tia Ciata. Atualmente, Rubem divide-se entre a rádio, seu estudo constante, atividades do CCPA e outras como estudioso do samba e da cultura negra, e não pretende parar tão cedo. Em 2016 quer retomar a sede física do Centro na região e, quando possível, lançar o livro e o documentário sobre a história deste berço de nosso país, as personalidades que lá viveram e a sua própria relação com o cenário. Ambos já estão escritos e a fase atual é de captação de verba. Quem puder apoiar o centro e seus projetos, ele avisa, é só fazer contato ou procurá-lo no Largo São Francisco da Prainha, local que ele ainda gosta de frequentar.

syl dietrich jornalista syl.dietrich@gmail.com


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atualidades

Prefeitura cria espaços especiais para o desenvolvimento infantil Jader Colombino

Através da Secretaria Municipal de Educação, a prefeitura do Rio está implantando pela cidade os EDIs (Espaços de Desenvolvimento Infantil), que são projetados especificamente para promover a educação de crianças na faixa etária dos seis meses a cinco anos e 11 meses. Mais de 67.700 crianças já estão matriculadas em 202 EDIs – e a prefeitura pretende inaugurar mais 81 novos, que irão disponibilizar mais 30 mil vagas até o ano de 2016. A Região Portuária não ficou de fora do processo. Na Rua da América, nº 21, no Morro da Providência, foi instalado um EDI, batizado com o nome do escritor Machado de Assis e que

foi inaugurado em 2012 e é o 66º espaço do gênero implantado na cidade. A unidade tem capacidade para atender até 200 crianças, com 175 vagas na creche e mais 25 na pré-escola. O EDI do Morro da Providência tem três pavimentos e sua arquitetura foi planejada para atender às necessidades de desenvolvimento da primeira infância. A unidade reúne dois berçários, seis salas de atividades educativas, lactário, fraldário, dois solários, uma biblioteca e uma sala de primeiros atendimentos. A diretora do EDI Machado de Assis considera que planejar um espaço pensando nas crianças faz uma grande diferença nos resul-

EDI Machado de Assis: um novo conceito de atendimento à infância carioca

tados pedagógicos: “O EDI foi projetado para os pequenos, com brinquedoteca, salas de vídeo e leitura, além de banheiros adaptados. Sinto a alegria nos olhos de cada criança todos os dias e isso é muito prazeroso. Muitas vezes, os pais que-

rem levar os filhos embora e eles choram querendo ficar”. Elisângela de Souza Nascimento, de 34 anos, é mãe de dois alunos (Phelipe, de 1 ano e Stephany, de 4 anos) e ela também não poupa elogios ao EDI: “Moro perto e vi aqui uma oportunidade de

deixar meus filhos em um lugar que oferece segurança e educação de qualidade”. Ela se lembra de que nos primeiros dias enfrentou dificuldades com a filha, que chorava e queria ir embora para casa. Mas tudo mudou: “Hoje ela está totalmente adaptada. Pede para ir à escola até no sábado e de qualquer jeito. E todos os dias conta sobre as músicas, as historinhas e o que aprendeu na aula”, conta a mãe. A secretária municipal de Educação, Helena Bomeny explica que os EDIs usam metodologia própria e oferecem condições bastante favoráveis ao desenvolvimento das crianças: “Várias pesquisas mostram que a criança que começa

a estudar em ambiente adequado chegará muito mais preparada à alfabetização, com grandes chances de sucesso escolar. Os resultados do Alfabetiza Rio 2014 mostram que estamos no caminho certo. A avaliação externa aplicada aos alunos ao fim do primeiro ano comprovou que 90,7% dos alunos foram alfabetizados”, relata, com orgulho. Pais interessados em matricular seus filhos em um EDI devem fazer inscrição entre outubro e novembro, para concorrer ao sorteio público.

da redação redacao@folhadarualarga.com.br

Agrade o seu paladar, conheça os sabores do Nina Recorte esse anúncio e ganhe 5% de desconto no preço final. Promoção não cumulativa. da redação Rua Mairynk Veiga, 30 I Centro I Fone 2215 2440 redacao@folhadarularga.com.br


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destaques

Samba na Pedra do Sal Divulgação

Divulgação

Todas as segundas-feiras, a Pedra do Sal recebe uma roda de samba a partir das 19h30. A batucada é gratuita e a animação fica sob o comando dos músicos PC, Walmir, André, Juninho Travassos, Juninho Cartola, Vando, Rogério e Peterson. O som é acústico e, como o samba é de qualidade, o local fica cheio. Além disso, o espaço é democrático e sempre chegam outros músicos e compositores para cantar músicas de sua própria autoria e ganham espaço para dar uma canja. Em volta, muitas barraquinhas de caldos e outros petiscos. O samba costuma rolar até as 23 horas. E, se chover,

Os músicos que comandam o samba na Pedra do Sal: PC, Walmir, André, Juninho Travassos, Juninho Cartola, Vando, Rogério e Peterson

A placa que consagra a Pedra do Sal como marco histórico do Rio de Janeiro

ex-escravos constituíram ali a Pequena África, que reunia costumes, entre eles, a dança e a música. Chegar até lá é simples: basta ir ao Largo São Francisco da Prainha e pegar a rua à esquerda do Largo (a rua, não o beco), seguir em frente e virar à esquerda. O endereço oficial é Rua Argemiro Bulcão, nº 1, Largo João da Baiana. Às sextas-feiras, o programa na Pedra do Sal é o Samba de Lei.

não há problema, porque foi instalado um toldo. A Pedra do Sal é um monumento histórico, tombado em 1984 pelo

negra carioca, do samba e do choro. O sal que vinha em navios da Europa era descarregado no local, daí o nome de

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Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac). Localizado no bairro da Saúde, o ponto é um marco da cultura

Pedra do Sal. Com o passar do tempo, o lugar passou a ser ponto para o comércio de escravos. Após a Abolição, os

Tombamento em duplo sentido Divulgação

O artista plástico Rodrigo Braga criou a instalação Tombo especialmente para o vão central da Casa França-Brasil (Rua Visconde de Itaboraí, 78 – Centro). No espaço, ele instalou no chão mais de 15 toras de aproximadamente 5 m3 cada, segmentadas de cinco palmeiras imperiais centenárias. A proposta é criar um diálogo das árvores abatidas com as 24 colunas internas do espaço interno da Casa França-Brasil.

Colocadas no chão, as palmeiras centenárias da instalação de Rodrigo Braga dialogam com as colunas e o próprio prédio da Casa França-Brasil

Rodrigo é conhecido por investigar, através da arte, a relação homem/ natureza. Ao batizar a sua obra de Tombo, o artista jogou com o duplo sentido da palavra: a dimensão de queda e destruição do elemento natural e, do ponto de vista do patrimônio urbano, a dimensão de preservação. Assim ele criou um diálogo adicional, desta vez com o próprio prédio, que é tombado por ser um dos

marcos neoclássicos do país, construído em 1820 pelo arquiteto francês Grandjean de Montigny para ser a Praça do Comércio, por determinação de João VI. A mostra foi encerrada no dia 24 de maio e teve entrada franca.

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Histórias do Porto em ficção e realidade Marcelo Schwob, que trabalha no Laboratório de Gás e Energia do Instituto Nacional de Tecnologia, também é escritor: já produziu oito livros, sendo um infantil. Um desses livros é Atrás do porto, uma cidade: histórias da Zona Portuária do Rio de Janeiro. Mesclando memórias de sua própria vida com a de outros personagens reais e fictícios, Marcelo traça um

grande painel da história da Zona Portuária do Rio de Janeiro. Numa epígrafe do próprio livro ele conta suas principais motivações: “Com tantos aspectos históricos, econômicos, sociais e culturais relevantes e diante do tempo em que por aqui estudei e trabalhei, aprendendo parte de seus significados, decidi escrever um relato ficcio-

nal sobre a Zona Portuária do Rio de Janeiro, ainda que baseado em registros históricos e depoimentos de muitos que por aqui viveram e trabalharam, procurando resgatar o imaginário que imperou nesse lugar único, de especial influência portuguesa e africana, e tanto tempo esquecido, mas que um dia, com sua gente anônima, foi protagonista no proces-

so de formação da alma da nossa cidade”. Na esteira dessas memórias afetivas, o resultado é um romance de nada menos que 448 páginas e que tem como pano de fundo a “evolução histórica do Brasil e o contexto das mudanças da sociedade carioca, com destaque para a Zona Portuária”, como bem observa Locemar Wobsch na contracapa do livro. Ao falar

do Porto, o autor mostra a região onde se desenvolveram suas relações de trabalho profissional e de amizade, retratadas através de depoimentos de personagens a ele ligados, que também revelam suas vivências. O personagem principal parte de Vassouras, do meio rural em decadência, para o esplendor do Rio Belle Époque do prefeito Pereira Passos, descrevendo assim os

processos de urbanização e industrialização que mudaram a face do país ao longo do século passado. Interessados em adquirir o livro devem procurar o autor, no email marcelo.schwob@ int.gov.br.

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morro da conceição

O comércio no Morro da Conceição O dinamismo de uma cidade depende do espaço físico que ela ocupa e da densidade populacional, podendo ser uma agitadíssima metrópole ou uma pacata cidade do interior. Nos dois casos, é natural que ao longo do tempo aconteçam transformações, com perda ou ganho de espaços e edificações. Gentrificação é a expressão que foi criada para definir o processo de mudanças sociais, comerciais e arquitetônica na vida dos habitantes de um determinado lugar. Nos anos 80, a gentrificação foi vista com bons olhos, apontando melhoramentos em áreas abandonadas ou degradadas, posteriormente foi vista como algo negativo por fomentar a exclusão das camadas mais pobres e consequentemente a transferência delas para além da periferia. Ao longo da história, o Morro da Conceição passou por transformações normais de um bairro, sem perder o ar de interior que existia nela. A gentrificação atual, pela qual vem passando toda a Região Portuária, incluindo o Morro da Conceição, tem modifi-

Divulgação

O grupo de mulheres que atua no Ateliê Bordado Carioca

cado o cotidiano dos moradores com desocupações, mudanças na sua arquitetura e também transformações sociais. À medida que as reformas avançam, mais caros ficam os aluguéis. Com isso, pessoas de menor poder aquisitivo deixam suas casas para que outras de maior poder aluguem a preços bem mais altos. Os políticos, o grande capital, os promotores culturais e os planejadores urba-

nos se tornam peças-chave dessa dinâmica, transformando, em nome da “revitalização”, a vida de pessoas que, por desconhecimento, aceitam passivamente os acontecimentos sem se dar conta que estão sendo vigiadas e punidas. No entorno do Morro é público e notório que inúmeros comerciantes faliram ou mudaram para bairros mais distantes, para em breve dar lugar a grandes empresas, a

bancos e à farra da especulação imobiliária. Quanto ao comércio no Morro da Conceição, ainda não houve grandes mudanças que pudessem impactar apenas as pequenas portas que atendem às necessidades mais urgentes dos moradores, poupando-os das subidas e descidas íngremes das ladeiras. Exemplo disso pode ser notado na Rua Felipe Neri, onde há uma lan house bem equipada com fotocopiadora. Logo no início da ladeira João

Homem, encontramos um restaurante chamado Imaculada que serve pratos interessantes, além de ser um lugar bastante agradável que sempre promove eventos culturais. Mais no alto dessa mesma rua fica o Bar do Geraldo (que funciona de domingo a domingo), com pratos caseiros, feitos na hora, cervejinha gelada e quentinhas que facilitam a vida dos moradores. Bem no centro do Morro, há algum tempo, funcionam dois hostels. Já na Rua Jogo da Bola encontramos o minúsculo Bar do Leo, onde a vizinhança bebe uma cervejinha caprichada com cadeiras na calçada. Descendo um pouco mais, podemos encontrar trailers com petiscos e sanduíches, além do churrasquinho na pracinha e até sacolés para a criançada. O trailer na pracinha fica aberto no fim de semana à noite e serve um maravilhoso sanduiche com abacaxi e pratos variados. Quem precisar comprar um presente, basta descer um pouco mais e encontrará lindos bordados feitos à mão, no Ateliê

Bordado Carioca da Dora. No que diz respeito à gentrificação, o Morro continua com seu pequeno comércio sem grandes mudanças e conserva nesse quesito seu antigo ar interiorano, apesar de rodeado de fogo por todos os lados. A gentrificação ocorreu em várias cidades do mundo: Nova Iorque, Lisboa, Londres, Berlim e atingiu o ápice em Barcelona. Resta-nos, portanto, assistir às mudanças que nos são impostas e torcer para que o Morro não sofra mais transformações do que já teve. Segundo Stefan Zweig, “a dor renova o mundo”. As gentrificações removem os homens e é nesse universo que estamos todos nós, os moradores da Região Portuária, mergulhados e à espera das decisões dos nossos governantes.

teresa speridião artista plástica teresa.speridiao@gmail.com

Empresa Essência Cultural promove grande feira de empregos no Centro Cultural Ação da Cidadania Divulgação

Nos dias 18 e 19 de abril, com patrocínio máster do CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola) e do VLT, a empresa Essência Cultural promoveu a Emprega Rio, uma grande feira de oportunidades de trabalho, realizada no espaço do Centro Cultural Ação da Cidadania. Foram oferecidas mais de 5 mil oportunidades de trabalho e estágio em cerca de 30 empresas. Entre elas, o VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos), Odebrecht, Lojas Americanas, Casa & Vídeo, CIEE e Coletivo Coca-Cola. Os salá-

Candidatos em busca de empregos foram atendidos pelo setor de RH das empresas que ofertavam as vagas

rios informados vão de R$ 800 a R$ 5 mil. A Essência Cultural é uma empresa focada na educação, cultura e emprego e renda, com a missão declarada de “promover o desenvolvimento sustentável, com geração de emprego e redução das desigualdades sociais”. De acordo com Felippe Marques, presidente do Grupo Essência Cultural e idealizador da feira, “o emprego é um grande valor para a maioria das pessoas, porque confere cidadania e permite que ela atue de forma efeti-

va na economia”. E conclui: “Sabemos a dificuldade e a maratona que é para um candidato sair de casa e se cadastrar nas empresas, que ficam distantes umas das outras, por isso acreditamos que este trabalho tem mudado a vida de muita gente”. Ao concentrar a oferta e a procura de trabalho num só local, a feira facilitou a atuação de empresários e buscadores de emprego, que foram aconselhados previamente a levar seu currículo profissional impresso. Um evento dos mais positivos da Região Portuária, que com-

provou que, mesmo com o país atravessando por um momento de dificuldades econômicas, existem empresas que estão contratando. A feira Emprega Rio ofereceu oportunidades para todos os níveis de formação, nas mais variadas áreas: desde Engenharia e Direito até atendimento ao cliente. Também não faltou a oferta de vagas para pessoas com deficiência.

da redação redacao@folhadarualarga.com.br


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gastronomia receitas carol

Restaurante Midori: uma proposta de fit cuisine Gastronomia com toque oriental para emagrecer com prazer Yuri Maia

O Centro do Rio está repleto de restaurantes. Às vezes fica até difícil decidir em qual deles entrar para almoçar. Felizmente, conheci um de encher os olhos, ou melhor, o prato. Midori renasceu de outro restaurante que já funcionou no mesmo local: passou por uma remodelação e ganhou um novo look além de uma verdadeira revolução no cardápio. Ocupa um bom espaço do lado esquerdo do elevador panorâmico no primeiro andar do Edifício RB1, na Praça Mauá. O chef de cozinha é o renomado Rodrigo Schweitzer, com experiência internacional. É bastante criativo e já trabalhou, inclusive, com Felipe Bronze, entre outros. Midori quer dizer “verde” em japonês. O restaurante é bastante agradável, as paredes de vidro deixam à mostra um pequeno jardim e, quando o sol incide sobre as folhas, torna-as reluzentes. As visitas constantes dos pássaros completam o clima oriental e faz o cliente esquecer que lá fora as obras da Região Portuária estão a pleno vapor. Com foco na comida oriental e contemporânea, o restaurante trabalha no sistema de quilo, ofertando um cardápio rico em cores e saladas variadas. Os destaques são os pratos quentes como o salmão, com uma fina camada grelhada revestida de gergelim torradinho e cru no seu interior. Sobre o filé mignon, o chef instala uma generosa camada escura feita de cebolas carameladas, compondo um prato que pode ser pesado com batata ou com salada verde, ao gosto do cliente. Outros atrativos gastro-

Uma das atrações do local é a agradável decoração que desperta o clima oriental Yuri Maia

O cardápio é uma revolução da gastronomia, com foco na comida oriental e contemporânea Divulgação

Exemplo de comida congelada saborosa: camarão com arroz negro e legumes

nômicos muito interessantes são os risotos, tão solicitados que já se tornaram uma das tradições da casa. Outros pratos, literalmente, perfumam o ambiente e são feitos com feijão azuki,

moyashi, arroz sete grãos, arroz negro, além de sushis que são cortados na hora de servir o cliente, molho tailandês e pimentas orientais. Esses ingredientes ressaltam os sabores de pratos como

frangos empanados com farinha Panko e yakisobas variados, entre outras opções deliciosas. Não vale a pena ficar teorizando, caro leitor: planeje uma ida ao Midori e confira o que estou dizendo. Mas não pára por aí. O melhor deixei para o final: Rodrigo Schweitzer e seu sócio Rodrigo Longhi (filho do restaurateur Eurico Cunha, restaurante Oro) inventaram a fit cuisine. O grande insight deles foi descobrir como elaborar pratos sem glúten, sem lactose, sem açúcares, sem conservantes e com baixo teor calórico, sem perder o sabor e a beleza. Acreditem: eles conseguiram! A linha de congelados criada por eles, sob orientação de um médico ortomolecular e um nutricionista, tem feito o maior sucesso. A fit cuisine oferece pacotes de quatorze pratos congelados para uma semana e a clientela para essa demanda específica aumenta dia a dia. Rodrigo Schweitzer é prova viva do quão bem funciona a dieta baseada na fit cuisine: ele próprio emagreceu 20 quilos em três meses. A pergunta final é o Midori que faz: quem quer emagrecer com saúde e prazer sem ter de trabalhar na cozinha? O Restaurante Midori fica na Avenida Rio Branco, nº 1, G1. Telefone: (21) 2233-9090. O horário de funcionamento é das 11h30 às 15h30. Acesse também o perfil no Instagram: https://instagram. com/myfitcuisine/.

teresa speridião artista plástica teresa.speridiao@gmail.com

Para quem gosta de diversão e comida boa, pode se preparar: está chegando a época das festas juninas! Adoro porque cada guloseima é melhor que a outra e se trata de uma culinária bem típica do nosso Brasil. Comidas que

combinam com o frio e com ritmos de se dançar agarradinho, tem coisa melhor? Para entrar no clima, uma receita bem simples e super fácil de fazer: canjica. Aqui em casa chega a substituir uma refeição. Bom apetite e anarrieêe!

Canjica

ACP

Ingredientes:

• 500g de canjica branca • 2 litros de água • 200ml de leite de coco • 1 lata de leite condensado • 3 colheres de sopa de coco ralado • 500ml de leite • 2 paus de canela • Canela em pó a gosto Modo de preparo Coloque a canjica para cozinhar na panela de pressão com água, por 40 minutos. Desligue o fogo e deixe que a pressão termine para abrir a panela. Acrescente os outros ingredientes e deixe ferver por alguns minutos. Prove o tempero. Se gostar da canjica mais doce, acrescente algumas colheradas

de açúcar. Coloque em potes individuais e polvilhe canela para decorar.

ana carolina portella chef de cuisine carolnoisette@hotmail.com Confira outras receitas da Carol no blog nacozinhacomcarol.blogspot.com


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cidade

Samba Dilá no Trapiche Divulgação

Samba Dilá é uma nova atração no cenário dos sambistas cariocas. É uma roda idealizada pelo cantor, percussionista e compositor Mingo Silva (um dos experientes integrantes do “Samba do Trabalhador”), visando a seguir o ideal de fortalecer e ampliar o samba de raiz e manter viva e atual a cultura popular brasileira – assim como faz com a sua marca de vestuário, a Dilá. O nome Samba Dilá também tem a proposta de trazer o time de peso e talento do outro lado da baía, de Niterói, galera Dilá, que já tem passaporte carimbado da gema por ser atuante na nova safra do samba do Rio, estando constantemente presente

no circuito Lapa-Centro-Gamboa e outras grandes rodas da cidade. O conjunto é formado pelos talentosos músicos Inácio Rios, Bruno Barreto, Daniel Boechat, Léo Fernandes e Rafinha Percussa, acompanhados pela cantora Marcelle Motta, que empresta sua forte e encantadora voz, dando o toque feminino, o equilíbrio, a “cereja do bolo”. O grupo estreou no Trapiche em abril e segue temporada empolgando o público.  É garantia de uma roda quente, animada e para quem é bamba, tornando as noites de terça mais descontraídas, relax e enriquecidas musicalmente. No repertório, sambas de raiz

O grupo Samba Dilá, com a cantora Marcelle Motta

como de Candeia, Mauro Duarte, Luiz Carlos da Vila, Paulinho da Viola, e alguns interpretados por  Jorge Aragão, Fundo de Quintal, Beth Carvalho e Alcione, além de autorais dos integrantes e de novos compositores e intérpretes, como  Toninho Gerais e João Martins. Imperdível! O show acontece no dia 30 de junho. Trapiche Gamboa: Rua Sacadura Cabral, 155, Gamboa. Tel.:  2516-0868.  Couvert artístico: R$15. Livre. A casa abre às 18h30.

da redação redacao@folhadarualarga.com.br

Moinho Fluminense vai virar complexo multiuso Divulgação

A história do Moinho Fluminense se confunde com a própria história da cidade. A fábrica começou a operar em 1887, quando a Princesa Isabel assinou o seu alvará de funcionamento. Desde então, funciona produzindo farinha e abastecendo grande parte das padarias da cidade. Agora, em 2015, o Moinho se prepara para viver um novo capítulo: vai evoluir e passar por uma ampla transformação urbanística em sintonia com a Operação Urbana Porto Maravilha, modificando substancialmente as finalidades da sua área de 5 milhões de m2. O projeto de reformulação do Moinho Fluminense prevê investimentos de R$ 1 bilhão no conjunto de prédios históricos tombado pelo município na região do Porto Maravilha. O projeto une o retrofit de um símbolo arquitetôni-

Entregamos em domicílio no seu escritório. Aceitamos todos os tickets e cartões de crédito. Uma visão artística do futuro pátio interno do novo complexo comercial

co tombado pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) a construções modernas. O novo complexo terá hotel design com mais de 200 quartos, uma torre de mais de 50 mil m² de área para locação, um centro de lojas de aproximadamente 17 mil m², com cinemas e praça de alimentação, um medical center, escritórios e 36 unidades de um residencial com serviços. Além disso,

haverá uma estação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em frente ao Moinho e mais de mil vagas de estacionamento. As obras terão início no ano que vem, e o empreendimento está previsto para começar a funcionar em 2018.

Faturamos para empresa. Segunda a sábado de 6h as 19h Domingos das 8h30 as 13h.

Mercadinho Pai D’égua Comestíveis Ltda. da redação redacao@folhadarualarga.com.br

Rua Sacadura Cabral, 95 • Tel.: (21) 2263-4778 / 2283-2705


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lazer Circuito Cidade Inteligente: uma atração do Museu Light de Energia Divulgação Light

O Museu Light da Energia foi projetado para ser uma viagem divertida e educativa ao universo da energia elétrica. As boas vindas acontecem em um bonde igualzinho àqueles que circulavam no Rio do começo do século. Assim começa uma verdadeira viagem no tempo, na qual se aprende o quanto a Light foi importante para o desenvolvimento dos serviços urbanos na nossa cidade. No Circuito Cidade Inteligente os visitantes passam por um Centro de Demonstração de Eficiência Energética, com a explicação do que é o sistema Smart Grid. Num ambiente cenográfico que simula bairros tradicionais do Rio de Janeiro, é possível conhecer a tecnologia Smart Grid e seus benefícios, assim como

acompanhar o consumo de energia elétrica de uma casa, com destaque para equipamentos eficientes e dicas sobre hábitos de consumo. Smart Grid (“rede inteligente”, em inglês) é a aplicação de tecnologia da informação para o sistema elétrico de potência (SEP), integrada aos sistemas de comunicação e infraestrutura de rede automatizada. Especificamente, envolve a instalação de sensores nas linhas da rede de energia elétrica, o estabelecimento de um sistema de comunicação confiável em duas vias, além de diversos dispositivos e automação dos ativos. Por exemplo, um setor da rede está com tensão muito alta ou muito baixa. Nesse caso, ocorre a comunicação dos dados de volta para um

O cenário do Museu Light de Energia relembra as ruas dos bairros cariocas

sistema analítico central, que geralmente é um sistema de software. Esse sistema analisa os dados e determina o que está errado e o que deve ser feito para melhorar o desempenho da rede. Se a tensão estiver muito alta, o software irá instruir um dos dispositi-

vos já instalados na rede para reduzir a tensão, economizando assim a energia gerada e contribuindo também para reduzir as emissões de carbono. O Smart Grid oferece três benefícios. O primeiro é a eficiência, o que significa menor consumo de energia da

empresa concessionária, que assim pode fornecer o mesmo nível de qualidade do serviço aos seus clientes, reduzindo os custos e as emissões de carbono. A segunda categoria é a confiabilidade. A rede inteligente irá detectar quando os ativos de uma rede estão começando a falhar ou estão com desempenho em declínio, irá identificá-los para a concessionária poder repará-los ou substituí-los antes que haja uma interrupção de energia real. A rede inteligente também irá detectar uma falha e localizá-la com precisão, permitindo a concessionária responder a ela com muita rapidez. No interior do Museu, o visitante passeia por rua com calçada, postes, fios de baixa e média tensão, casas, trans-

formadores, e uma subestação, onde são apresentadas diversas situações, como sobrecarga e oscilação de tensão. Assim fica mais fácil entender melhor o que acontece na rede de distribuição de energia elétrica. O ambiente é totalmente interativo e conta com recursos do Programa de Eficiência Energética da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). O cenário é inspirado nos bairros do Rio de Janeiro e reflete toda a estrutura urbana da cidade com ruas, casas, postes, transformadores e até carros elétricos, tudo de maneira muito próxima do nosso dia a dia.

da redação redacao@folhadarualarga.com.br

O Restaurante Sentaí tem o bolinho de bacalhau mais famoso da cidade e os mais variados pratos de frutos do mar. Rua Barão de São Félix, 75 • Centro Tel (21) 2233 8358 • 22234419

Folha da Rua Larga Ed.51  

Folha da Rua Larga 51ª Edição

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