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15 folha da rua larga

julho – agosto de 2013

história baú da rua larga A marcha dos meninos de São Bento: Deus, Pátria e Liberdade! Em 1895, o Mosteiro de São Bento abrigava em seus salões cerca de 630 alunos, com idades entre 6 e 20 anos. A novíssima República instalada no Brasil vivia anos conturbados. O alagoano Floriano Peixoto, segundo presidente do Brasil, enfrentou a Revolução Federalista apoiado por Júlio de Castilhos e a pressão do maragato Silveira Martins, morrendo em maio em sua fazenda de Barra Mansa (RJ). Prudente de Moraes assumiu o poder. Manifestações eram constantes e as arruaças eram temidas e combatidas com truculência pelas forças policiais. O jornal O Apóstolo, de setembro de 1895, dos padres João Scaligero e José Alves Martins do Loreto, teciam elogios ao caráter da passeata promovida pelos jovens do São Bento que, acompanhados de banda de música, seguiram até a Rua Larga de São Joaquim, onde ficava a residência da Presidência da República. O motivo da marcha era prestigiar o presidente, que chegou até os alunos e discursou em profundo agradecimento. Exortou aos meninos o amor à Pátria e o respeito aos direitos constituídos, salientando que a juventude era o futuro da nação. Os jovens portavam um estandarte com a seguinte divisa: M. S. B. Deos, Pátria e Liberdade. Na despedida, entregaram flores às filhas do presidente. Outros tempos, dirão alguns! Pode ser. Muito diferente do “vem pra rua!” de hoje, a manifestação dos meninos de São Bento foi de apoio ao governo. A ordem e a civilidade foram aclamadas pela Gazeta de Notícias e outros jornais da Rua do Ouvidor. O ano de 1895 foi especialmente movimentado com os debates sobre a votação do divórcio, o positivismo e a separação entre Estado e Igreja. Entretanto, o povo, com todas as dificuldades, ainda saboreava a lembrança do ótimo carnaval do início do ano. O Club dos Fenianos promoveu em janeiro um “Kankanatico Baile a Phantasia”, com um concurso de beleza. O Democráticos, para não ficar de fora, promoveu um “Cathecismo do Amor”, e os Tenentes do Diabo fizeram sua festa com a “Revelação Irônica de Satanás sobre a Música do Futuro”. “Que topete!...”, foi a nota do Correio da Tarde para um pedido dos bookmakers do Catete, do Boliche Nacional e do Belódromo aos juízes da Fazenda Municipal, exigindo ressarcimento indenizatório pelos prejuízos causados pelo fechamento das casas de jogo. Alertava o jornal que os espertos indivíduos adotaram o pseudônimo de Banco de Comissões para continuar a vida fácil. Enquanto isso, Madame Leonie Barros, parteira de primeira classe, aprovada pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e Paris, atendia a qualquer hora na Rua Larga de São Joaquim, 171, fazendo vir ao mundo a “nova geração de manifestantes”. Hoje, ainda temos: carnaval, bookmakers e passeatas benditas ou pagãs, com as graças de Deus! Um pequeno cartaz chamou minha atenção nos recentes protestos. Menos óbvio que os demais, e com muito bom humor, dizia: “Menos ar no saquinho de batata frita”. Dizem que São Bento de Núrsia, patrono do colégio carioca e dos beneditinos, venceu algumas ciladas armadas pelo Diabo, quando lhe ofereceram vinho e pão envenenados. Portanto, reza a tradição popular: “São Bento, São Bento, livrai-nos das cobras e animais aloysio clemente breves beiler soubreves@yahoo.com.br peçonhentos”!

Números da Economia da Região Portuária Levantamento do Sebrae traz dados sobre perfil dos moradores da área portuária Marfemp

Um estudo do Sebrae/ RJ, intitulado Panorama Socioeconômico da Região Portuária do Rio de Janeiro, realizado em agosto de 2012, levantou algumas estatísticas relevantes sobre a conjuntura da área do Porto. A população, por exemplo, é de 25.646 habitantes, para 9.029 domicílios, o que resulta em uma média de 2,8 moradores por unidade domiciliar. O valor médio da renda familiar é de 3,31 salários mínimos (aproximadamente R$ 1.688,10 reais por mês). Foram encontrados 5.720 estabelecimentos de negócio, além de 532 empreendedores indivi-

1933,12, sendo a média do município equivalente a R$ 1.981,70. De acordo com dados da RAIS, a região tem 47 estabelecimentos dedicados a atividades artísticas, criativas e de espetáculos. A distribuição das empresas por setor mostra o predomínio dos Serviços (61,4%). Os outros setores estão assim distribuídos: Comércio (27%), Indústria (8%), Construção Civil (3,2%) e Agricultura (0,3%).

duais. O número de trabalhadores ativos é de 95.157, representando 4%

do total da cidade do Rio. A média do salário desses trabalhadores é de R$

da redação redacao@folhadarualarga.com.br

Folha da Rua Larga Ed.40  

edição julho-agosto de 2013