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a cobra vai fumar! RaĂ­zes brasile iras

Ainda mais cortante


editorial A palavra de ordem é: engajamento! Essa palavra de onze letras define o momento em que vivemos hoje no auge da era digital e das redes sociais. Sucesso é conseguir chamar a sua atenção, nem que seja a mínima possível. E vou te contar, não é nada fácil – por mais que o conteúdo seja de qualidade e relevante. Ninguém ainda descobriu a fórmula secreta do “viral” na Internet. Sem algo interessante a oferecer, não temos o leitor. E sem o leitor, não somos nada. E lendo algumas notícias sobre música, fiquei assustado com alguns depoimentos de músicos consagrados jogando a toalha na luta contra a indústria da música. Certamente, esse é um oponente forte e que também está perdido, procurando as cordas para se apoiar. Mesmo assim, é capaz de dar golpes duros nas bandas. Não quero soar apocalíptico a cada editorial escrito, longe disso, mas é que estando envolvido nesse meio há tanto tempo, começamos realmente a nos questionar: afinal, qual o futuro dessa “bagaça”? Será que estou no caminho certo? Se os grandes do mainstream estão lentamente morrendo, o que vai acontecer com o já surrado underground? Tenho certeza de que você também fica confuso e temeroso. Você é diariamente bombardeado de informações e saber filtrar o que realmente importa é uma arte. Mas não podemos parar ou deixar de acreditar e seguimos em frente assim mesmo, fazendo a roda girar. Além das informações diárias que postamos no Facebook, Twitter e no Blog, estamos nos bastidores montando uma nova edição da revista. E aqui está nossa vigésima edição, erguida como um troféu! Falando nisso, o mundo parou para acompanhar a Copa do Mundo e gerou um tráfego absurdo de informação e interação na rede. Foi muito bacana acompanhar tudo isso de perto! Espero um dia ver essa toda essa comoção em decorrência de um grande evento de Heavy Metal, e no Brasil também! Boa leitura e GO TO HELL!

Por Pedro Humangous.

Editorial

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EQUIPE

01

ENTREVISTas

02

Divine Death Match

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Insanidade Metal

37

Resenhas

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Hell Player

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RASCUNHO DO INFERNO

56

Nota do Editor Chefe.

Conheça quem faz a Hell Divine.

Sabaton, VoodooPriest, Slasher, Hellarise, Tellus Terror, In Soulitary, Noctem, Kill Ritual, Worst e Imbyra

Veja a análise da revista sobre os útimos laçamentos para PC, PS3 e XBOX360.

Oh, Dat Artwork!

Diversas avaliações da revista pra você acompanhar.

Veja o que a equipe da Hell Divine está ouvindo ultimamente.

Espaço reservado aos leitores para divulgarem sua arte.

E quipe

Editor Chefe: Pedro Humangous Designer: Fernando Monteiro Publicidade: Maicon Leite Revisão: Fernanda Cunha Web Designer: William Vilela Colaboradores: Augusto Hunter, Junior Frascá, Christiano K.O.D.A, Marcos Garcia, João Messias Jr., Leandro Fernandes, Fernando Monteiro, Luiz Ribeiro. Envio de Material: Rua Alecrim, Lote 4, Ap. 1301 Ed. Mirante das Águas - Águas Claras Brasília/DF CEP: 71.909-360

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entrevista

a cobra vai fumar!

HELL DIVINE: O álbum “Carolux Rex” foi lançado também em uma edição contendo o mesmo material cantado em sua língua local. Por que resolveram lançar dessa forma? Pär Sundström: Nosso álbum “Carolus Rex” é um álbum conceitual sobre o Império Sueco. Um tempo em que a Suécia era uma grande potência na Europa. Desde quando sentamos para começar a compor, tivemos a certeza que deveríamos lançar esse álbum em nossa língua local para dar uma representação melhor à nossa história. HELL DIVINE: No novo álbum também podemos notar grandes referências Pop em algumas músicas, mais precisamente o grupo ABBA. Já não é novidade o amor que os suecos, independentemente do estilo, sentem por esse grupo. “To Hell And Back” foi escolhido para ser o primeiro single justamente por isso? Pär Sundström: Bom, pra começar existe algo de especial com a música na Suécia. A nossa formação, desde a infância, faz a gente enxergar um modo diferente de fazer musica, isso em diferentes estilos. E, pelo fato do ABBA ser o primeiro grupo a mostrar ao mundo que na Suécia tem artistas de qualidade, é obvio que eles nos influenciam, e muito. Já a música “To Hell And Back” é uma das melhores músicas desse novo álbum e por ela ser muito cativante e soar muito bem ao vivo, sabíamos que ela deveria ser o nosso primeiro single desde o inicio. E sim, sua introdução é

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bastante baseada no ABBA (risos)! HELL DIVINE: Vivenciamos recentemente a Copa do Mundo de Futebol e o país ficou praticamente parado. Vocês gostam de futebol? Como fizeram para acompanhar os jogos, já que a Suécia ficou de fora nesse ano? Pär Sundström: Bem, nós somos muito mais fãs de Metal do que de futebol, mas é claro que por ser um grande evento, acompanhamos tudo entre um show e outro. Gostaríamos muito de ver Ibrahimovic e todo o time disputando essa competição em seu país, mas não foi dessa vez. Agora, pra ser bem sincero sobre esportes, adoramos mesmo é hóquei no gelo! HELLDIVINE: Falando em Brasil, em 2014 vocês farão sua primeira turnê por aqui. Quais as expectativas? E podemos nos preparar para algumas surpresas? Pär Sundström: Estávamos esperando essa oportunidade há muito tempo. Sempre ouvíamos dos amigos de outras bandas o quanto era importante chegarmos ao Brasil e sentir a proximidade e loucura dos fãs. Na verdade vocês também são um pouco culpados por isso, demoraram quinze anos para fazermos a nossa primeira visita e esperamos no lançamento de todos nossos álbuns daqui em diante sempre levar nossa energia para América do Sul. De novidade, iremos tocar pela primeira vez uma música do novo álbum “Heroes” nessa turnê no Brasil, a


Com um crescimento enorme nos últimos anos, o Sabaton é sem duvida nenhuma a principal banda do Power Metal da atualidade, e seu novo álbum “Heroes” só vem para confirmar isso. Nessa breve entrevista o baixista da banda, Pär Sundström, separou um tempinho para a Hell Divine e nos contou um pouco como serão as apresentações da banda em setembro pelo Brasil. Confiram! Por Luiz Ribeiro

“Smoking Snakes”, espero que vocês gostem! HELL DIVINE: Vocês falam bastante sobre guerras e batalhas que aconteceram há muitos anos. Hoje em dia, em certos países, ainda existem guerras pelo poder territorial e também pelo poder bélico. Vocês já pensam, por exemplo, em falar desses assuntos nos próximos álbuns? Pär Sundström: Na realidade não pensamos em algo atual. Falando do que está acontecendo no mundo hoje não é muito a cara do Sabaton e também nossos fãs poderiam se chocar sobre esses assuntos, alem de nós próprios acabarmos nos envolvendo em conflitos e sofrendo em tocar em alguns países. Mas é claro que tudo relacionado a guerras e batalhas nos interessa. Quem sabe daqui a uns dez ou quinze anos possamos vir a pensar nesse assunto. Seria um grande desafio para nós.

HELL DIVINE: Há algum tempo vocês também foram acusados de serem nazistas, pois em algumas letras, como de costume, vocês retratam muitas coisas relacionadas às guerras. Vocês acham que essas acusações surgiram basicamente por pessoas que não conheciam a banda? Como lidaram com essa situação? Pär Sundström: Com certeza essas histórias só partem dos ignorantes. Mesmo quem não é nosso fã, ouvindo apenas uma ou duas musica já consegue compreender nossa temática. E por falarmos de guerras incluirá muita coisa relacionada ao nazismo, mas nem por isso significa que estamos de acordo com os acontecimentos dessa época. Para resumir e não ficar nenhum mal entendido, o que fazemos é contar a história utilizando o Heavy Metal!

HELL DIVINE: Muito obrigado por separar um tempinho entre seus shows para nos atender. Estamos muito ansiosos pela apresentação do Sabaton no Brasil. Agora HELL DIVINE: Vocês também terão a grande honra deixe a sua mensagem para todos seus fãs. participar com algumas músicas do álbum “Carolux Rex” numa apresentação teatral sobre o Rei da Suécia. Pär Sundström: Muito obrigado a vocês por colocarem o Sabaton em suas paginas, foi um imenso prazer Como vocês estão se preparando para esse momento? Pär Sundström: Estamos nos sentindo muito honrados por responder a entrevista e como já disse, estamos muito ter nossa musica fazendo parte de um evento desse porte. ansiosos para tocar no Brasil! Temos nove shows marcados e iremos fazer o nosso melhor. Esperamos Essa apresentação ocorrerá num dos grandes teatros da Suécia e contará a historia de grandes personalidades do ver casa cheia em todos os lugares. Nos vemos em breve! nosso país. Iremos todos assistir e prestigiar da melhor forma, alem de agradecer a todos.

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entrevista

Hell Divine: Opa, valeu pela oportunidade de entrevistar vocês, manos. Então, logo de cara, uma pergunta das boas: em termos musicais, quais seriam as maiores diferenças que vocês sentem entre o EP “Broken Faith”, o primeiro ábum “Pray For The Dead” e o novo disco, “Katharsis”? Lucas Aldi: As ideias e pegadas, não tiveram grandes mudanças. O que rolou foi a nossa evolução natural e maturidade como músicos e “produtores”. O salto de qualidade entre os materiais é bastante evidente e até natural, pois trilhamos esse caminho tortuoso do underground, descobrindo como compor um som na garagem até trabalhar com uma equipe e contratos anos depois. Lúcio Nunes: Cara, em termos musicais, a afinação das cordas tem caído a cada álbum. Já estamos até flertando com uma afinação um pouco mais baixa do que o C# que usamos hoje. Bem provável que os próximos trabalhos estejam com meio tom ou mais de diferença. Hell Divine: “Katharsis” bateu como um tijolo no meio especializado, a ponto de ser aplaudido por público e crítica. Mas a pergunta é: de onde tiraram o nome “Katharsis”, e qual o conceito que tiveram em mente ao escolher este nome? E como foi que o artista Stan W. Decker entrou na história e chegou à interpretação do título para a criação da capa? Lucas Aldi: Desde o início buscamos trabalhar com temas sérios que pudéssemos explorar em diversas perspectivas para passar nossa mensagem e levar o ouvinte à reflexão sobre aspectos que consideramos absurdos em nosso cotidiano. A ideia de utilizar este tema “catarse” surgiu quando estávamos começando a compor algo novo. Eu e o Lúcio tínhamos conversado sobre fazer algo ainda mais voltado ao psicológico e, num daqueles dias, eu estava lendo alguns artigos sobre filosofia e me deparei com esse tema. Acabei apresentando a ideia pra banda e, a partir daí, seguimos explorando e refletindo

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juntos sobre os contextos que este tema nos possibilitaria, liricamente e graficamente. Sobre o título do álbum, ele refere-se à catarse sob uma óptica mais psicológica. Trata-se de um colapso emocional extremo que resulta numa renovação, libertação, mudança ou superação dentro de uma situação trágica. Isso fica implícito na capa que retrata o inferno interior de uma pessoa presa e dilacerada pelo sofrimento resultante de uma tragédia. O Stan já havia feito um excelente trabalho em nosso primeiro álbum e, naturalmente, foi nossa primeira opção ao pensar na capa do novo disco. Jogamos algumas referências e explanações sobre o tema e novamente ele nos surpreendeu com uma interpretação visual incrível.


O Slasher já virou uma banda notória no Metal nacional, graças não só à sua música extremamente brutal e agressiva, mas bem tocada, o que os classifica como membros do Modern Brazilian Thrash Metal Attack (MBTMA, e o termo é meu. Vão roubar a patente de outro), como também por levarem seu trabalho a patamares bem altos em termos de produção sonora e visual. Aproveitando que o novo CD deles, intitulado “Katharsis”, foi lançado há pouco tempo, fomos ter um dedo de prosa com o grupo. Por Marcos “Big Daddy” Garcia

Uma cartase devastadora improvável! Lúcio Nunes: E durante essa fase de composição do novo disco, tivemos uma alteração em nossa formação também. Naturalmente, levamos algum tempo até estarmos totalmente entrosados com o Skeeter (vocalista). Independentemente do tempo gasto na produção deste álbum, o mais importante é estarmos completamente satisfeitos com o resultado final. O Lucas sintetizou bem a resposta, “levamos o tempo que foi necessário”.

Hell Divine: Há uma diferença de três anos entre “Pray For The Dead” e “Katharsis”, logo, o que causou esse tempo um pouco longo? Em geral, as bandas buscam lançar um disco a cada dois anos. Lucas Aldi: Não foi uma opção nossa. Levamos o tempo que foi necessário para conseguir produzir o “Katharsis” e, mesmo assim, foi um “rush” desgraçado (risos)! Somos muito criteriosos com tudo o que fazemos e isso faz o processo bem mais demorado. Cada etapa dessa produção foi uma batalha insana para viabilizar, principalmente na parte financeira. Olhar pra trás agora e ver o que conseguimos superar e conquistar pro “Katharsis” existir parece até um lance

Hell Divine: Outro ponto interessante demais é a produção de Tue Madsen, conhecido por seus trabalhos com o THE HAUNTED, KATAKLYSM, VADER e HATESPHERE. Como foi que tiveram a ideia de usar um produtor de fora do país, e como chegaram até ele? Chegou a ser difícil trabalhar com Tue em algum momento? E a produção deixou vocês plenamente satisfeitos? Aliás, “Katharsis” é excelente em termos de sonoridade e composições, me permitam elogiar. Lucas Aldi: Nosso grande mérito sempre foi a persistência. Começamos a pesquisar e analisar diversos estúdios e produtores, dentro e fora do país. Fomos tentando contato e avaliando a viabilidade de cada um. Nos surpreendemos com a ótima recepção dos produtores estrangeiros. Depois de algumas conversas por telefone, optamos em trabalhar com o Tue que é um profissional incrível e nos atendeu muito bem. Todos nós ficamos em êxtase com o trampo que foi entregue. Ele realmente captou nossa essência e conseguiu extrair o melhor das composições. Lúcio Nunes: Não podemos dizer que foi fácil trabalhar remotamente com o Tue. Pra mim foi uma experiência de persistência. Trocamos diversos e-mails e nos falamos muito por telefone para explicar como queríamos os timbres das guitarras, o que esperávamos no som da bateria, dos baixos, vozes e tudo mais. É bastante difícil falar sobre isto por telefone

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ou e-mails, pelo menos pra mim. A cadeia de mensagens com ele ficou gigantesca, “trocentas” mil revisões e tentativas (risos)! Mas, foda-se! O disco saiu exatamente da maneira como queríamos. Hell Divine: Bem, antes do lançamento de “Katharsis”, veio o single “Overcome”, que é bem artesanal, focando em vocês tocando a música. Mas ao mesmo tempo, ainda para “Katharsis”, vocês criaram um lyric vídeo para “Hostile”, e estão chegando com outro vídeo em breve. Contem-nos um pouco sobre como o vídeo de “Hostile” foi criado, quem foi o responsável, quais conceitos ele abrange, as ideias, e o que nos espera no próximo vídeo, que é para a faixa “Final Day”, certo? Já existe um produtor pré-definido? Lúcio Nunes: Nós dois ficamos responsáveis pela produção do lyric video de “Hostile”. Eu fiquei focado na parte de sincronia e movimento das letras e o Lucas finalizou e aplicou os efeitos. Utilizamos alguns trabalhos assinados pelo francês Gustave Doré. Colocamos algumas ilustrações que ele fez no século XIX sobre a Divina Comédia, mais precisamente sobre o Inferno de Dante. A ideia foi traçar um paralelo entre o inferno que vivemos hoje e aquele retratado pelo artista. Sobre nosso novo videoclipe para “Final Day”, estamos finalizando o roteiro e a história, tá ficando muito maluca. Ela é cheia de reviravoltas e envolve carteado, trapaças e alguns litros de sangue derramados. Fãs de Guy Ritchie curtirão o que a gente vai lançar. Theo Grahl e Daniel Reis, da Bonita

Produções, serão os responsáveis pela direção deste projeto e contaremos também com o auxílio da Agência Soluciona de Itapira/SP. Nós inovamos para conseguir bancar o clipe, fizemos nossa primeira campanha utilizando a ferramenta de Crowdfunding através do Kickante que abrigou a campanha. Foi legal ver o quanto podemos contar com nossos fãs e amigos. Um detalhe quem fez uma determinada doação vai ser inserido no clipe como figurante! Hell Divine: Bem, uma pergunta que pode ser espinhosa: o que levou a banda a ter a mudança de vocalista, onde o Daniel (vocalista que gravou “Pray for the Dead”) saiu e a rápida chegada do Skeeter? Lucas Aldi: Analisando agora tudo o que passou, fica simples entender os caminhos que escolhemos. Certas mudanças são naturais e necessárias quando temos metas, objetivos definidos e grandes sonhos. Temos um grupo realmente unido agora, podemos ver o sacrifício diário de cada um pra fazer essa máquina rodar e acredite, é um fardo enorme, mas estamos com “sangue no zóio” pra levar nosso som o mais longe possível! Hell Divine: Há pouco tempo, em meados de março desse ano, vocês fizeram o show de lançamento de “Katharsis” ao lado do Kliav e do Machinage em Itapira (SP) mesmo. Como foi o show em si, e tocar com ambas as bandas? O público correspondeu às expectativas de vocês? E estamos esperando que venham muitos outros,


inclusive fora do Brasil. Digo isso porque o mercado Sul Americano anda abraçando várias bandas “brazucas”. Lúcio Nunes: A festa de lançamento foi excelente! Conseguimos uma equipe muito boa pra trabalhar com a gente (bandas, casa de show, técnicos, produtores, etc) e tudo rolou muito tranquilamente. Já havíamos tocado com KLIAV e MACHINAGE em outras oportunidades e, tal qual nas outras ocasiões, essa também foi destruidora. A galera compareceu em peso naquela noite. Muita gente enfrentou a estrada pra colar lá na nossa terra natal, Itapira/SP. Ver a casa cheia, com a galera quebrando tudo durante nosso show, foi do caralho! Uma noite que não será esquecida. Sobre próximas apresentações, recentemente fechamos contrato com a empresa alemã EAM Agentur atuando como nosso manager internacional. Eles estão trabalhando com a gente em uma turnê europeia prevista pro segundo semestre deste ano. Não podemos divulgar muitos detalhes ainda, mas nos próximos meses vamos anunciar bastante coisa nova.

esta música, e como a versão está sendo recebida pelo público? E olha que ficou uma tijolada bem dada nos cornos, digamos assim (risos). Lucas Aldi: Depois que descobrimos esse álbum “Private Place” do Mosh há muitos anos, ele insiste em figurar eternamente em nossos players. É uma pena a banda não ter durado muito e este trabalho não ter chegado a tantos lugares como deveria. É um puta som de uma banda nacional! É exatamente por isso que decidimos fazer essa homenagem e trazer um som deles ao conhecimento dessa nova geração de headbangers. Lúcio Nunes: Esse som é muito foda! Desde a primeira vez que ouvi já fiquei com o riff e a levada de batera na cabeça. Isso foi fomentando ao longo dos anos e ficou este desejo de fazer uma versão. Um fato curioso, a vocalista do MOSH, Roxy Riberti, também é natural de Itapira/SP.

Hell Divine: Parece que em cada disco vocês tem o hábito de colocar uma música em português, já que em “Pray For The Dead” existia “Tormento ou Paz”, e agora Hell Divine: Esta é uma pergunta para mexer mesmo em “Katharsis”, temos “Jamais Me Entregar”. Existe com os brios: até o final da década de 90, poucas uma motivação especial para elas serem em português, bandas apostavam suas fichas no Thrash Metal, com muitas delas apostando em outras sonoridades, outras ou seria outra forma do Slasher se expressar? E podemos esperar que mais adiante, surjam outras cessando as atividades por um tempo. Mas de um assim? tempo para cá, virou um pandemônio, uma verdadeira invasão, um “raid” de bandas cada vez melhores, sendo Lúcio Nunes: Pois é, fazer som em português já virou que o Slasher busca não ficar apenas refazendo o que já uma tradição pra gente (risos)! O motivador maior é foi feito, mas busca expandir novos horizontes, nem que por se tratar de nossa língua mãe. E, pelo menos pra mim, escrever Metal em português é muito mais difícil e seja na marra e na garra. Por isso, eu e outros autores desafiador. Talvez, porque a maioria de nossas referências intitulamos vocês como “Thrash Metal moderno”, ou são artistas que cantam em inglês. Respondendo a seja, é porrada para todos os cantos, mas com ótima segunda pergunta, com certeza lançaremos novas musicalidade e sonoridade bem bruta. Como vocês músicas nessa linha! chegaram a esta fusão tão bem feita de um som bruto, forte, cheio de energia, mas ainda assim, fugindo dos padrões tradicionais? Sim, pergunto isso porque muitos Hell Divine: Agradecemos muito pela entrevista, e fãs da chamada Old School tenderiam a fugir um pouco deixamos o espaço para suas considerações finais e de vocês. E não concordam que esta mania Old X New, e mensagem aos fãs. sei lá mais outras que andam criando por aí, não é algo Lúcio Nunes: Muito obrigado Marcos, Pedro Humangous e Hell Divine pelo espaço! Parabéns pelo trampo foda que prejudicial a todos nós na cena? Lucas Aldi: Estes títulos não importam nem um pouco pra vocês vêm fazendo pelo cenário nacional. Aos nossos fãs e leitores que chegaram até aqui, obrigado pelo seu tempo nós, só servem, talvez, como referência à sonoridade. e apoio. Se você ainda não conhece nosso som, visite Nossa missão é tocar Metal e fazer você bater cabeça e nossa página oficial www.slasher.com.br. Se a preguiça receber essa energia animal saindo dos falantes. Depois de um tempo fazendo nosso próprio som achamos nosso for muito grande, entra lá no YouTube e procura por “Slasher Katharsis álbum completo”. Pronto, é só bater estilo, que foi moldado pelas possibilidades criativas e cabeça e colar em nosso próximo show pra tomarmos gostos de cada um de nós. Sabemos o que esse blend uma “breja” antes do mosh! pode resultar e já temos uma porrada de ideias pra Lucas Aldi: Valeu mesmo pelo convite, é sempre uma aplicar. Se você se importa que uma banda deva soar conforme a cartilha dos seus “godfathers” então você só honra participar desta publicação animal que é a Hell Divine! Assim como vocês, lutamos e persistimos porque quer mais um clone, seria mais sensato escutar apenas aqueles discos e não se dar ao trabalho de escutar o que o Metal está no sangue e queremos levar isso adiante por mais difícil que seja esse caminho! as bandas estão criando agora. Se você curte guitarras distorcidas, grooves rápidos e pesados, vocais agressivos, letras ácidas e inteligentes, então estamos falando a mesma língua, somos da mesma tribo, é isso que importa. Hell Divine: Em “Katharsis” há uma bela versão para “Suffocated”, do finado MOSH (grupo de Metal dos anos 90 de SP). Como surgiu a ideia de gravar justamente

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entrevista

Hell Divine. Para iniciar, poderia nos contar como surgiu a ideia da banda, pois pelo jeito quase todos têm projetos paralelos, não? Monstrinho. E aí, galera! A banda surgiu quando eu (Monstrinho) e o Fernandão (Fernando Schaefer – bateria) queríamos fazer um som com influências de bandas que estávamos ouvindo bastante na época, só que o problema era que nós dois éramos bateristas! Então eu disse para ele que iria me arriscar nos vocais e, na real, sempre curti muito os vocalistas, a atitude e tal. Aí montamos o Worst, que se tornou, com certeza, nosso foco principal e não apenas um projeto.

batera, então era uma incógnita. O segundo álbum já veio com muito mais maturidade, apoio dos fãs, já tínhamos viajado bastante na turnê do “Te desejo todo o mal do mundo”, então foi muito mais sólido e consciente.

HD. Por sermos uma revista totalmente digital, sempre cabe a pergunta sobre o papel da Internet na divulgação dos trabalhos. Nessa época dos downloads e informações veiculadas pela rede, qual sua opinião sobre isso? Na divulgação da banda, no trabalho junto a uma gravadora e etc., já que recentemente vocês disponibilizaram os dois trabalhos para download? Monstrinho. A Internet é, com certeza, o maior meio de divulgação hoje em dia e ajuda muito, mas tudo seu lado bom e ruim. Nós temos a Against Records que lança nossos discos e nos apoia, sempre juntos. Não há como HD. Qual diferença vocês já perceberam entre o primeiro fugir disso nos dias de hoje, remar contra a maré não rola. álbum “Te Desejo Todo o Mal do Mundo” e o segundo A gente sempre lança o disco, espera alguns meses e trabalho? Em termos de produção, direção sonora e disponibiliza para download, porém nos shows vendemos também da divulgação do trabalho da banda? muitos CDs! Quem realmente gosta da banda já baixou Monstrinho. No primeiro disco ainda não sabíamos qual o CD em casa, vai aos shows, já conhece as músicas e seria a reação do público. Às vezes, eu escrevia as letras mesmo assim compra o disco para ajudar a banda e para na minha casa e pensava “Porra, será que eu estou ter em casa o material com pôster, as letras e etc. Vale a muito louco?” (risos). Também, eu particularmente pena! nunca havia subido num palco pra ser frontman, sempre estive por mais de 14 anos atrás da HD. Falando do último lançamento, “Cada Vez Pior”, qual resultado a banda vem colhendo em termos de divulgação, aceitação da mídia e público? Ainda há muito mais a alcançar? Monstrinho. O álbum “Cada Vez Pior” foi o degrau que era necessário para subirmos, conquistamos muito mais fãs não só no Brasil, mas em todo mundo e concretizamos nosso trabalho muito mais. E, com certeza, queremos sempre mais!

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Formada por um time de mestres do Hardcore nacional, a banda Worst já alça voos bem maiores em seu segundo lançamento, “Cada Vez Pior”, que atingiu uma sonoridade mais pesada e agressiva! Com Thiago Monstrinho (vocal - Medellin, Presto? e Chorume), Fernando Schaefer (bateria - Paura, Pavilhão 9, Treta, The Silence, exKorzus), Ricardo Brigas (baixo - Musica Diablo, Broken Heads) e Tiago Hóspede (guittara – The Silence, ex - Dead Fish) eles estão destruindo tudo o que veem pela frente em termos de show, divulgação e aceitação do público com shows lotados tanto em festivais de Hardcore como de Metal! Seu peso e letras marcantes são o convite para não parar de escutar!! Vejamos o que Thiago Monstrinho conversou com a HELL DIVINE. Por Cupim Lombardi

de saber o que era Hardcore.

HD. Suas letras sempre abordam temas atuais e relacionados com atitudes das pessoas em nossa sociedade. Qual mensagem vocês querem passar? O que vocês diriam a um jovem que lê nossas páginas? Monstrinho. Não sou nenhum santo, fiz e faço merda demais! Não julgo ninguém, já me ferrei muito por causa de gente falsa e principalmente por minha causa. As letras são para a galera se conscientizar e ficar esperta com esses ratos que existem por aí, para olhar para si mesmo e não cometer cagadas que eu já cometi. Só escrevo coisas reais que eu mesmo vivi, não escrevo sobre cavaleiros medievais, passar fome, roubar para sobreviver, nada que não seja minha realidade. E compartilho essas experiências com os fãs. Recebo mensagens diárias de pessoas que dizem ter mudado a vida depois de ter escutado Worst e isso é muito gratificante! HD. Como vocês veem a cena musical atual? Uma coisa interessante é que vocês tocam sempre com bandas de Hardcore e também aparecem em shows de Metal. Monstrinho. A cena atual está muito foda! Tem bandas novas surgindo cada vez melhores e o Brasil acordou do “coma” de bandas boas! Temos feito shows com bandas de HC e Metal muito boas pelo Brasil. E quantoaà gente colar nos shows de metal, eu sempre fui metaleiro antes

HD. Como tem sido a divulgação dos trabalhos da banda? Shows e etc? Monstrinho. Tem sido cada vez melhor (risos)!! Shows lotados, vendendo muito merch, CDs e etc. HD. Recentemente anunciaram a mudança de guitarrista. Isso muda em algo a dinâmica da banda? Monstrinho. Fomos pegos de surpresa com essa história, mas o Douglas se converteu e achou que esse não era o melhor caminho para a vida dele. Desejo o melhor para ele, mas foi melhor assim, pois o Hospede (Tiago Hóspede) é um cara que vive o Hardcore de verdade, como estilo de vida, trabalha e se sustenta com isso há anos já. Tenho certeza que ele jamais desistirá desse sonho no meio do caminho, sem contar que ele gravou nossos dois álbuns, então já entende a pegada da banda. Sem contar que toca demais! HD. Quais bandas vocês incluiriam como principal influência para vocês? Monstrinho. As que influenciam a banda pelas composições são Pantera, Madball, Hatebreed, Nasty, Acácia Strain, Lionheart, First Blood. HD. Obrigado mais uma vez. Satisfação poder falar com vocês. Nos vemos em algum mosh por aí! Monstrinho. Valeu vocês! Obrigado pelo respeito e, com certeza, nós vemos por aí! Um abração para a galera da HELL DIVINE!!!

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entrevista

A Espanha está no mapa da música extrema e um dos grandes representantes é o Noctem, que leva seu Death/ Black Metal a níveis de brutalidade consideráveis. O recente trabalho, “Exilium”, prova isso, sendo que as músicas, embora sigam por uma veia mais old school, receberam uma textura mais atual, como confirma o vocalista Beleth. Ele dá mais detalhes sobre o disco e revela estar ansioso para tocar no Brasil (produtores, vamos agilizar?) Texto por Christiano KODA Tradução por Pedro Humangous

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Hell Divine: A banda vem crescendo bastante na Europa e principalmente em seu país, a Espanha. Como vocês comparam a evolução entre o disco passado, “Oblivion” e o novo, “Exilium”? Beleth: Na verdade não gosto de comparar nosso trabalho, mas acredito que “Exilium” reúne o melhor de nossas carreiras até hoje. Tem mais força, mais técnica e soa mais atual. E não é somente uma percepção nossa, a mídia especializada em geral afirma ser nosso trabalho mais maduro, com a banda encontrando seu verdadeiro caminho. Hell Divine: E como foi a concepção do novo álbum? Beleth: Não tínhamos muito tempo para escrever o novo álbum, então foi um pouco precipitado. Não paramos de tocar em turnê durante muitos meses e isso acabou atrasando o processo de composição significantemente. Havia o plano de começarmos a compor o novo disco em 2012, porém, só evetivamente começamos em março de 2013, quando na verdade já era pra estar sendo lançado. Enfim, foi uma verdadeira loucura! Depois de organizar nossas agendas, finalmente entramos no Art Gates Studios e em apenas quinze dias terminamos as gravações.

Hell Divine: E de onde vieram as inspirações para a faixa instrumental, “Egregor”? Beleth: Em todos os nossos discos escrevemos algo somente instrumental, que é feita pelo nosso guitarrista Exo. Eu realmente não saberia dizer o que passa na cabeça dele quando compõe essas coisas (risos), mas de qualquer forma são sempre incríveis. Normalmente ele traz bastante coisa nova para os ensaios e na maioria das vezes são coisas fantásticas. Hell Divine: Na sua opinião, qual música melhor representa o disco? Beleth: Acho que “Eidolon” pode facilmente ser a música que representa o espírito da banda. É obscura, veloz e realmente extrema. É viciante sem deixar de ser brutal.

Tem mais força, mais técnica e soa mais atual

Hell Divine: “Exilium” recebeu uma produção bastante moderna, mas as composições são bem Old School, você concorda? Como conseguem manter esse balanço entre as novas e velhas escolas do Metal? Beleth: Sim, você tem razão! Esse é realmente o diferencial desse novo disco. Bem, não é tão fácil alcançar esse balanço. Daniel Cardoso (que mixou e masterizou o álbum) alcançou ótimos resultados na pós-produção, dando esse ar moderno. Porém, nossas composições estão mais Old School do que nunca! Hell Divine: Gostei bastante da faixa “The Splint of Destinations”. Ela consegue ser totalmente brutal, mas ao mesmo tempo é belíssima. O que pode nos contar sobre ela em particular? Beleth: Essa é uma das nossas músicas favoritas nesse álbum! Normalmente tocamos nos shows “Eidolon” e “The Splint of Destinations”, uma na sequência da outra, e as pessoas vão à loucura, é o ponto alto da nossa apresentação! Como são tocadas no fim, dá um novo gás pro público e principalmente pra gente antes de terminar os shows com força total!

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Hell Divine: O responsável pela arte da capa e pelas fotos, Edmundo Saiz, fez um excelente trabalho. Contenos como se deu a escolha por ele e o conceito por trás da imagem

final. Beleth: Edmundo é um baita professional e um cara bacana também. Ele trabalha muito bem e seu trabalho como fotógrafo é bastante conhecido aqui na Espanha. Tudo começou quando vi umas fotos na internet sobre a banda Cuelebre (aqui de Valencia na Espanha) e Edmundo era o fotógrafo. Ele trabalha muito bem com tons de cinza e as imagens são sempre voltadas para a tristeza. Então funcionou perfeitamente para o que queríamos. O conceito se refere à Ereshkigal, a rainha do submundo na mitologia da mesopotâmia. Hell Divine: Já passou da hora de virem para o Brasil, não acham (risos)? Como está a agenda de vocês para 2014? Beleth: Eu concord plenamente (risos)! Recebemos várias propostas para tocar na América do Norte, México e América do Sul, mas infelizmente nenhuma proposta vinda do Brasil ainda. Seu país é muito interessante para nós, portanto estamos esperando! Sobre as novas datas para esse ano, não posso adiantar muita coisa, mas temos planos para a Europa e alguns festivais após o verão. Hell Divine: Muito obrigado pela entrevista! Deixem um recado para o público brasileiro. Beleth: Agradecemos muito pelo espaço e mandamos um grande abraço aos metalheads brasileiros! Sabemos que o público agita bastante nos shows, então esperamos vê-los em breve e detonar nos palcos! Stay Brutal!


entrevista

HELL DIVINE: A banda foi formada em 2012 e com tão pouco tempo, já possuem 55 mil fãs na página do Facebook, um número bastante expressivo para uma banda debutante. Como tem sido a divulgação da banda desde a sua criação? Felipe Borges: Pedro, primeiramente muito obrigado por ceder o espaço para nós! Realmente nos preocupamos muito (além do nosso som em si), com a divulgação em massa de nossa banda. Grande parte disso nós devemos à Metal Media, que é formada pelo casal mais foda do Metal, que são a Debora Brandão e o Rodrigo Balan, pois sinceramente o trabalho que eles fazem para as bandas é fenomenal! A outra parte da divulgação a gente caminha pelos sites, etc. Mas temos também um plano muito bom para somar com os que já estão em andamento, como por exemplo a chegada do nosso CD físico, e com isso levar a nossa música para mais pessoas. HELL DIVINE: Nome de bandas sempre me intrigou muito, principalmente aqueles que “não fazem muito sentido”. Qual o significado e origem de Tellus Terror? Seria alguma brincadeira com “Tell Us Terror” (em português: Conte-nos Terror)? Felipe Borges: Tellus Terror significa Terror do Planeta Terra (Tellus é planeta Terra em Latim). Eu tive esta ideia pelos seguintes motivos: É

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um nome de fácil dicção a nível mundial; É um nome que me deixa livre para escrever sobre coisas reais, e que são comuns a todos, sem exceção, pelo simples fato de morarmos no Planeta Terra; Me permite falar de Criação e Destruição, Amor e Ódio, Felicidade e Tristeza, Vida e Morte, Sofrimento e Felicidade, etc, em suas formas mais extremas. Com isso, este título se encaixa perfeitamente para que possamos falar de Você, de Nós e de Todos que habitam o nosso planeta. HELL DIVINE: Já ouvimos de tudo dentro do Heavy Metal, todo o tipo de rótulo imaginável. Porém, confesso ser a primeira vez que ouço o termo M.M.S. (Mixed Metal Styles). Falem um pouco sobre esse estilo que praticam. Felipe Borges: O M.M.S. é a forma como achamos para tentar explicar ao público, tudo aquilo que fazemos com a nossa música. Sei que pode assustar de cara, ou até mesmo fazer com que muita gente não goste disso, mas espero que com a audição de nossa música, de nossa tendência lírica, eles possam mergulhar um pouco mais no mundo do Tellus Terror e abraçar o novo, sem esquecer do bom e velho Metal, que nós também tanto amamos e idolatramos. HELL DIVINE: A gravação do álbum aconteceu no Rio de Janeiro, nos estúdios Visom Digital e Am Studio


Não me canso de ficar surpreso com as bandas que surgem em nosso país. São bandas novas e que logo em seus primeiros trabalhos já demonstram uma maturidade incrível, digna de veteranos – e esse é o caso do Tellus Terror. O grupo formado em 2012 já nos apresenta seu primeiro disco, misturando todos os estilos possíveis, o chamado Mixed Metal Styles. Conversamos com o vocalista Felipe Borges, que nos conta em detalhes sobre a formação da banda, curiosidades e muito mais! Vale a pena ler! Por Pedro Humangous

interessou em nosso projeto. Trabalhar com o Fredrik foi muito bacana, e fizemos uma boa amizade devido ao trabalho. Aprendemos muito com ele. HELL DIVINE: Vocês começaram há pouco tempo e já demonstram uma experiência e maturidade de bandas veteranas. Por que não soltaram nenhuma demo, single ou EP antes do primeiro álbum? Felipe Borges: Optamos por começar a carreira direto com um full lenght, para mostrar ao público que já começamos buscando dar o nosso melhor. Aprendemos bastante com o primeiro disco, e agora já estamos trabalhando no segundo (nossa meta é lançar disco atrás de disco, sempre full lenght). Nós ainda não temos uma gravadora, mas caso a gente venha a ter e seja uma exigência dela para fazermos um EP, demo ou single, faremos apenas para atender ao pedido deles, porque por nós, somente discos completos. HELL DIVINE: É muito legal ver uma banda investindo pesado no seu próprio trabalho, e isso é notório com o Tellus Terros. Um belo exemplo disso é a escolha do Seth Siro Anton para fazer a brilhante arte da e contou com mais de 100 canais. A mixagem e capa, criando uma identidade visual incrível. Qual a masterização ficaram por conta do monstro Fredrik importância de um artista renomado para essa função e Nordstrom (Dimmu Borgir, In Flames, Opeth, At The o que aquela imagem representa? Gates, Septicflesh). Como chegaram até ele e como foi Felipe Borges: Realmente a gente investe bastante em trabalhar com esse ícone? nossa banda, e também temos pessoas investindo em Felipe Borges: A opção do estúdio Visom foi natural nós, que acreditam em nosso trabalho. Queremos dar o e obrigatória, devido ao tamanho da nossa bateria, nosso melhor em tudo e a capa com todo o encarte do aqui no RJ encontramos somente este estúdio para disco, juntamente com nosso logo e brasão, não poderiam comportar uma gravação de bateria com 24 canais ficar de fora. Por isso escolhemos um dos melhores do onde implementamos uma linha percussiva adicional mundo também, o Seth Siro Anton. Nós acreditamos tanto de Octobans e mini timbales (característicos de nosso na capacidade deste artista, que demos a ele 100% de som), sem contar que o estúdio é fantástico também. liberdade de interpretar nossa música. Passei para ele as A escolha do AM estúdio para gravar guitarras, baixo, nossas letras e o resultado é o que vocês puderam ver – teclado e voz, foi instantânea, pois o Fernando (dono do estúdio) é o nosso produtor musical, e ele é simplesmente que em nossa opinião está fantástico! Para saber sobre a ideia da capa, da interpretação deste renomado artista, nota 1000! O cara é fera mesmo, e nos ajudou muito. Já as pessoas tem que ler todas as nossas letras, e por isso a escolha do Fredrik Nordstrom para mixar e masterizar estamos lançando lyric videos, para aumentar o interesse nosso álbum foi feita a partir do intuito de buscarmos o das pessoas em ler a letra das músicas. Cada um terá melhor para nossos fãs e ouvintes, uma vez que o cara uma representação diferente. é um dos melhores do mundo. Um lance bacana que posso acrescentar aqui, foi quando eu mandei a foto da nossa bateria para ele com o esquema de gravação, e ele HELL DIVINE: Falando nisso, antes do disco ser lançado oficialmente vocês soltaram dois lyric videos se espantou, e na hora estava o baterista do Dream Evil oficiais, “Endtime Panorama” e “Civil Carnage”. (Pat. Power), que tambem é tecnico de som do Dimmu Borgir, e o Pat Power se ofereceu para trabalhar em nosso Esse tipo de divulgação tem funcionado bem? disco fazendo as correções dos licks da bateria, pois se

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~ Fusao e criatividade sem limites HELL DIVINE: Musicalmente falando, “EZ Life DV8” requer uma audição atenta e não é digerido logo de primeira. São necessárias algumas ouvidas para assimilar toda a informação contida no álbum, que se revela aos poucos para o ouvinte. Creio que esse seja o charme do trabalho certo? E sobre as letras, do que falam? Felipe Borges: É exatamente essa a ideia e você captou a mesma com perfeição! Principalmente quando algo novo aparece, temos que ouvir bastante, conhecer bem, para HELL DIVINE: Sei que é uma pergunta corriqueira (e até podermos tirar nossas conclusões. Na verdade, as letras são conceituais (o disco é conceitual), e se trata de uma clichê), mas com essa mistura incrível de estilos, de onde vem a influência de vocês? E o que andam ouvindo passagem pela criação do planeta como conhecemos (Stardust), passando pela formação dos planetas e suas ultimamente? formas geográficas (Terraformer), sobre como nossa casa Felipe Borges: Toda a banda, assim como eu mesmo, foi posicionada em nossa galáxia, e como isso seria uma temos as mais diversas influências. Nós escutamos possível referencia para outros seres nos localizarem desde Depeche Mode até Houwitser, de Sonic Youth (3rd Rock From The Sun). Passa por uma visão sangrenta até Marduk, de Smashing Pumpkins até Amon Amarth, de como a raça humana consegue fazer de sua própria de Black Sabbath até Morbid Angel, e por aí vai. Todos existência um motivo para conflitos (Bloody Vision), nós crescemos, única e exclusivamente, escutando dando uma pausa para retratar um fenômeno natural Rock e Metal. Nós procuramos sempre estar juntos maravilhoso onde a luz e a escuridão tem sua força por fazendo churrascos e festas, fora dos estúdios. Então é igual (Equinox), retomando a história da raça humana muito comum você vir a uma confraternização da Tellus e suas maiores guerras e conflitos, com base em fatos Terror e escutar The Offspring, New Order, The Doors, Slipknot, Soundgarden e de repente entrar um CD do reais da primeira e segunda guerras mundiais, também retratando como seria uma possível terceira guerra Behemoth ou do Napalm Death (risos)! mundial. Temos a manipulação das armas nucleares (Civil Existe a previsão para lançarem um clipe? Felipe Borges: Sim, nós lançamos estes lyric videos oficiais e a divulgação tem sido ótima. Isso serve como incentivo para as pessoas conhecerem nossas letras, e cantar junto conosco nos shows, que é onde temos a oportunidade de estar mais proximo delas. Nós estamos nos programando para gravarmos três videoclipes, mas ainda sem datas definidas. Já temos a ideia de quem será o diretor, podem esperar coisa boa por vir!

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Carnage), passando por uma reflexão com base de que o verdadeiro inferno é a casa onde vivemos, nosso planeta, retratando que o inferno se espalha internacionalmente, e que nascimento após nascimento, sempre nos veremos no inferno (I.C.U. In Hell, International Chaos United), passando depois pela melancólica, depressiva e fantasiosa ideia de estarmos à beira da extinção de nossa espécie (Brain Technology Part 1 – This Is Where It Starts), nos fazendo refletir sobre como poderia ser o fim dos tempos de fato (Endtime Panorama), e por fim, refletir sobre como seria o fim de nossas vidas, não passaria de um erro, pois em meio a este turbilhão de teorias, nada é concreto (Error). HELL DIVINE: Desejamos sorte ao Tellus Terror nessa jornada e esperamos vê-los ao vivo em breve! Deixem um recado aos fãs e leitores da Hell Divine! Felipe Borges: É sempre bom manter contato e conhecer gente nova através da internet! Porém, nosso maior foco é estar junto das pessoas, conhecer pessoalmente, fazermos shows para elas. É com muito orgulho que em nome do Tellus Terror, agradeço por todo o tempo de vocês por lerem nossas notícias e ouvirem nossas músicas. Podem ter certeza, é tudo 100% dedicado a todos vocês! Um puta abraço e nos vemos nos shows! Facebook: https://www.facebook.com/tellusterror

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entrevista

Hell Divine: Para começar, conte como foi o processo de composição de “Mandu”? Vitor Rodrigues: O processo foi árduo e gratificante ao mesmo tempo. As informações sobre a história de Mandu eram poucas, mas mesmo assim me concentrei no legado histórico desse grande guerreiro. Pesquisando na Internet, bibliotecas e até em sebos, consegui material necessário para que a história fosse desenvolvida com mais conteúdo. Na parte instrumental, o pessoal estava desenvolvendo as composições e a escolha das músicas a serem distribuídas no disco foi puramente no feeling. Da mesma forma que nós íamos moldando o som delas, eu também lapidava as letras e a cada ensaio as músicas ficavam mais redondas e poderosas. Hell Divine: Por favor, explique o conceito e quem foi Mandu, que receberá um filme, em 2015, e será dirigido pelo ator Paulo Betti. Vitor Rodrigues: Antes de começar o processo de criar novas músicas, eu pesquisei sobre vários temas que poderiam ser abordados no nosso disco de estreia. Me deparei então com a história do guerreiro Mandu Ladino, um índio que foi levado para um aldeamento jesuíta pelos invasores como prova do massacre de sua tribo. Lá ele aprendeu a ler, escrever e outros idiomas como o latim e o português. Porém, de tanto ver a crueldade desmedida contra seus iguais, ele decide entrar em contato com outras tribos para que juntas pudessem evitar a extinção de sua raça. Por sete anos, Mandu Ladino conseguiu rechaçar qualquer investida de domínio por parte dos invasores. Infelizmente, morreu alvejado por

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O Voodoopriest é um daqueles raros casos onde um graças, neste caso, por causa de um integrante já c Vitor Rodrigues (vocal, ex-Torture Squad), César Co Pompeo (baixo) e Edu Nicolini (bateria), os músicos excelente repercussão. Com bom tempo para traba hora de ousar e em seu primeiro trabalho prestou u o vocalista conta a história deste grande índio em b banda mescla o que temos de melhor do Thrash e D Confira abaixo o bate-papo descontraído que a Hell Por Thiago Rahal Mauro um tiro vindo a se afogar nas profundezas do rio. Essa história me fascinou de tal maneira que decidi fazer o disco totalmente baseado nela, ou seja, um disco conceitual. Em paralelo a isso, descobri que o ator e diretor Paulo Betti estava começando a trabalhar em um filme justamente baseado na vida desse grande personagem histórico legitimamente brasileiro, Mandu Ladino. Hell Divine: A capa foi feita pelo artista polonês Rafael “Raf The Might” Wechterowicz. Como chegaram até ele e o que vocês quiseram passar com a capa? Vitor Rodrigues: A minha ideia para a capa era poder “dizer” com uma imagem impactante todo o conteúdo do álbum. Pesquisando aqui e ali me deparei com a página do Raf no facebook onde pude perceber que ele era um grande talento e que poderia traduzir o que eu queria. E realmente foi muito acima das expectativas. Raf foi bombardeado com imagens e informações sobre a cultura nativa do Brasil, com imagens dos índios e de seus cocares, e munido de tudo isso ele criou com o seu


m grupo sem nenhum trabalho já nasce grande, conhecido dentro do Metal. Formado, em 2012, por overo (guitarra), Renato de Luccas (guitarra), Bruno s lançaram, em 2013, o EP “Voodoopriest”, que teve alhar em ideias, Vitor Rodrigues resolveu que era uma bela homenagem ao guerreiro Mandu, onde belas composições. Em termos de sonoridade, a Death Metal e deve agradar aos gregos e troianos. l Divine teve com o vocalista Vitor Rodrigues!

aproveitadas no álbum “Mandu”.

Hell Divine: “Mandu” apresenta apenas faixas inéditas e todas com a temática indígena. Você acredita que essa será uma das marcas da banda? Vitor Rodrigues: Creio que com o lançamento do álbum “Mandu”, e por eu ter descendência indígena, essa marca tornou-se mais forte ainda. A nossa missão é traduzir em letras e músicas a força dos excluídos. A talento história nativa do Brasil é riquíssima e o Voodoopriest uma capa faz uma espécie de resgate desse legado histórico. O realmente impactante e tratamento dado aos verdadeiros donos dessa terra que representou muito bem toda a história foi, e continua sendo, de total descaso, e o nosso dever do guerreiro Mandu. é manter vivo o ensinamento deixado por nossos antepassados. Esse é o legado do Voodoopriest. Hell Divine: Para você, quais as principais diferenças em relação ao EP “Voodoopriest” e o álbum de estreia? Hell Divine: Você pensa em tocar o álbum na íntegra, Vitor Rodrigues: Talvez o tempo seja a maior diferença principalmente porque ele é um trabalho conceitual? entre eles. O EP, na verdade, foi uma junção de algumas Vitor Rodrigues: Isso é algo que estamos pensando composições que já estavam prontas. Apenas ensaiamos seriamente, e que pelo jeito vai se concretizar (risos). e adicionamos poucos arranjos nelas. Houve até arranjos Muitas bandas fazem shows comemorativos de seus na hora das gravações. Enquanto que no disco “Mandu” álbuns clássicos tocando-os na íntegra. Vamos fazer a nós tivemos muito mais tempo de ensaiar as músicas, mesma coisa, mas com o álbum de estreia. Se você ouvifazer os arranjos, testar novos elementos. E isso refletiu lo do começo ao fim, e ao acompanhar as letras verás que também na parte lírica onde tive mais tempo para tudo se intercala – letra e música – e isso talvez seja o pesquisar e lapidar mais ainda as letras. trunfo desse disco. Portanto, partindo desse pressuposto quem for ao show do Voodoopriest vai curtir bastante. Hell Divine: Existe alguma música que por algum motivo não saiu no EP e em “Mandu”? Se sim, pretendem Hell Divine: Vocês gravaram o disco no Norcal lançar em algum momento? Studios, em São Paulo. O quão importante foi Vitor Rodrigues: Não tivemos nenhuma outra música, e a produção de Brendan Duffey e Adriano Daga sim algumas ideias que deixamos de lado para serem para o resultado final do disco?

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UMA HOMENAGEM AO GUERREIRO MANDU

Vitor Rodrigues: Brendan Duffey e Adriano Daga são dois profissionais fantásticos que tive a oportunidade de gravar as vozes e de ter uma grande amizade. Como já havia primeiramente trabalhado com eles na época do “Aequilibrium” (Torture Squad), não foi difícil escolher quem poderia nos ajudar na produção do EP “Voodoopriest” e do álbum “Mandu”. Como os dois têm uma bagagem gigantesca em produções saberia que o resultado iria ser avassalador, e quando “Mandu” atingiu a fase final, todos nós ficamos satisfeitos com o resultado. Brendan e Adriano simplesmente ampliaram mais ainda o poder das músicas do Voodoopriest como você mesmo constatou no dia da nossa audição no Norcal Studios. Hell Divine: Uma coisa que chama bastante atenção nesse é álbum é o trabalho das guitarras de César Covero e Renato de Luccas. Conte um pouco mais sobre a participação dos dois em “Mandu”. Vitor Rodrigues: Ao escolher os futuros integrantes do Voodoopriest, fiz uma lista de quem poderia contar. E desde o começo sempre pensando em ter dois guitarristas, tipo Iron Maiden, Judas Priest, Queensryche, Forbidden e por aí vai. A união do Covero com o Renato de Luccas foi algo simplesmente sensacional. Enquanto um tem um estilo meio Jeff Hanneman de tocar, o outro possui um estilo totalmente Alex Skolnick. Ou seja, o campo que abre para composições e arranjos é enorme. Vale ressaltar ainda a grande ajuda da tecnologia, porque os dois ficavam ensaiando as músicas via Skype, rearranjando notas, tons, timbres, solos para justamente chegarem no produto final. Fiquei imensamente satisfeito com o que eles fizeram, e muito surpreso em ver como os dois se complementam harmoniosamente. Hell Divine: Sua técnica vocal evoluiu bastante desde o começo do Torture Squad. Mas nesse álbum percebi você querendo mostrar todo seu potencial, com gritos e técnicas pouco usadas anteriormente. É isso mesmo? Vitor Rodrigues: Exato! Queria explorar ao máximo a minha técnica vocal. Unir força e melodia, e gostei muito do resultado. Para te falar a verdade, nos ensaios já estava testando muita coisa até chegar ao ponto onde sentia que era realmente o que eu queria

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para determinada música. Quando fui gravar no Norcal já estava com todas as melodias na cabeça, e o Brendan apenas me guiou na gravação dos vocais. Ele também teve algumas ideias na hora, e isso fez com que o disco resultasse em um trabalho de que me orgulho muito. Hell Divine: Quais são as diferenças que você identifica entre o Voodoopriest e o Torture Squad, sua ex-banda? Vitor Rodrigues: Creio que as diferentes influências musicais de cada um do Voodoopriest dão a tônica da coisa. Temos o Edu Nicolini na bateria que vem de bandas de Thrash e Hardcore. Renato de Luccas com solos melodiosos e Coveiro com suas bases doentias. Bruno Pompeo com uma gama de informações musicais, desde música instrumental brasileira ao mais violento Death Metal. Tudo isso serve para que eu coloque meu estilo e o resultado desse caldeirão é uma música pesada, impactante e com muito groove. Hell Divine: Você ainda mantém contato com o pessoal do Torture Squad? Vitor Rodrigues: Ultimamente não tenho contato com eles. Mas com certeza a correria do dia-a-dia é grande, o que dificulta um maior contato. E acredito que todos estão focados em seus objetivos. Hell Divine: Vocês pensam em lançar um videoclipe para contar a história do disco? Vitor Rodrigues: Sim. Pretendemos fazer um videoclipe, mas no momento estamos mais focados com o lançamento digital de “Mandu”, e também na agenda de shows. Precisamos firmar o nome do Voodoopriest no Brasil para depois ganhar novas fronteiras. Hell Divine: Por favor, deixe suas considerações finais para os leitores que acompanham a Hell Divine. Vitor Rodrigues: Quero agradecer imensamente a você meu grande amigo Thiago Rahal e a todos da Hell Divine. Muito obrigado pela oportunidade. E aos leitores dessa magnífica revista digital o meu mais profundo agradecimento. E vamos... voodoozar headbangers!!!!


entrevista

Desordem Feminina no Metal

Em 2013, muitas bandas novas consolidaram suas carreiras por meio de seus primeiros testemunhos sonoros. Entre eles, um que se destacou bastante no meio da mídia especializada foi o EP “Functional Disorder”, do quarteto paulista HellArise, por ter não só uma música agressiva e bruta, mas pelo fato de, antes um grupo só de garotas, agora ter uma formação estável com Flávia Mornietári nos vocais e Mirella Max nas guitarras (as duas veteranas e remanescentes da formação original), mais Kito Vallim no baixo e Felippe Max na bateria. Aproveitando o bom momento, já que a banda está se preparando para voos mais altos, fomos bater um papo com a banda e saber das novidades. Por Marcos “Biga Daddy” Garcia

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HD: Antes de tudo, agradecemos demais por nos receberem, e vamos logo disparar uma pergunta bem enjoada: após o single “More Mindless Violence”, só vocês duas, Mirella e Flávia, ficaram e seguraram a banda. O que se passou nessa época para as mudanças? E como foi que a Mirella largou a bateria e foi tocar guitarras? E por falar nas seis cordas, não existe uma vontade de vocês de terem um segundo guitarrista, para os shows ao vivo? Flávia: Para ser bem sincera, o que ocorreu foi bem simples: ficamos de saco cheio de gente que não queria nada com nada. Resolvemos reformular a proposta e convidar pessoas que realmente acrescentassem algo à banda. Mirella: Quanto a minha mudança de posição, toco guitarra há tanto tempo quanto toco bateria, então quando quebrei o braço e tive de fazer uma cirurgia para corrigir o estrago, em vez de sofrer com mil dores segurando as baquetas, resolvi partir para as palhetas (que também são uma grande paixão minha). Assim, acabei unindo o útil ao agradável, e pude ser mais criativa, fazendo riffs e músicas que se aplicassem a minha técnica e ao meu jeito de tocar, sem ter que ficar me preocupando com a performance alheia. Já um outro guitarrista, queremos sim, mas não temos pressa em fixar alguém na banda. Dar tempo ao tempo é a melhor solução. Por enquanto tocamos ao vivo com participação de amigos. HD: Ainda falando sobre o single, como foi a recepção na época? Chegaram a ter uma resposta dentro do que esperavam? Flávia: Na verdade, não esperávamos nada dele. Resolvemos lançar o single porque já tínhamos uma agenda e queríamos cumpri-la com ou sem integrantes faltando. Mirella: Para quem não esperava nada a recepção foi muito boa (risos)! HD: Bem, como vocês lá no início pareciam querer ser

uma banda estilo “Clube da Luluzinha”, ou seja, só de garotas, como foi que se deu esta transição entre uma banda exclusivamente feminina até a chegada de Kito e Felippe? E como chegaram até eles? Ah, sim: a impressão que temos é que Felippe e Mirella seriam parentes, por conta do sobrenome. Isso é fato? Flávia: No começo, a proposta até era ser uma “banda de mulheres”, mas a partir do momento em que fomos nos desenvolvendo, precisávamos de alguém que tocasse o som, independentemente do gênero/raça/classe. Quando a proposta é voltada para a música, e não as pessoas, isso não faz a menor diferença. Mirella: Bom, o Felippe realmente é meu primo, então foi uma coisa natural chamá-lo para tocar, afinal já conhecia bem a figura (risos). Flávia: Já o Kito, como temos muitos amigos em comum, ficou sabendo que precisávamos de baixista e entrou em contato com a gente. Daí para as piadas ruins dobrarem de quantidade nos ensaios, foi um pulo (risos). HD: Falando do EP: “Functional Disorder” veio ao mundo no ano passado, após um período de relativo silêncio de vocês, entre a saída da antiga guitarrista e as reformas da formação. O que houve nesse tempo? Em algum momento, houve a vontade de desistir ou tentar algo diferente em termos musicais? Flávia: Desistir, jamais! Já há um bom tempo, a Mirella e eu já vínhamos trabalhando em parceria, e sentíamos que todo o trabalho que tivemos não poderia ser jogado fora. Mirella: Quanto à mudança de rumo musical, tanto tivemos vontade – e ainda temos – de fazer coisas diferentes, que lançamos o EP justamente para fechar esse ciclo com as músicas que já tínhamos. Daqui para frente é outra história. HD: Bem, “Functional Disorder” já mostra certa evolução em vários pontos no HellArise, pois a música está mais solta, mais pesada e seca. Seria isso, de certa forma, fruto de um amadurecimento de vocês, da contribuição de Kito e Felippe, ou

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tudo isso junto e mais alguma coisa que não saibamos? Mirella: Todas as músicas no EP foram feitas justamente nesse período de transição, onde a Flávia e eu tomamos rédeas do rumo da banda e começamos a compor mais sem a interferência de outras partes. O resultado reflete toda a nossa meiguice (risos). HD: Uma curiosidade de tempos: de onde tiraram o nome “Fuctional Disorder”, qual o contexto que usaram e no que ele se encaixa na proposta de vocês? Flávia: Veio do período conturbado que nós passamos, as aparências enganam. E que a desordem nem sempre é um fator negativo. E também tem a ver com as teorias de ordem e caos. Mirella: A Flávia tem problemas. Isso explica tudo (risos)! HD: Flávia, essa é para você: em um pocket show de Juliana Rossi, você ajudou nos tons mais agudos de uma bela versão de “Slaying the Dreamer”, o que nos sugere um background musical mais amplo do que apenas Metal extremo. Poderia nos contar um pouco desse background, bem como de trabalhos que fez fora do Metal extremo? E não acha que alguns mais radicais poderiam acabar gerando um “mimimi” generalizado? Flávia: Então, sinto muito decepcionar a todos, mas eu não nasci virada na tr00eza (risos). Meu berço musical na verdade é o europop: foi daí que comecei a ver MTV, caçar músicas e acabei indo parar no Metal extremo. Eu costumo dizer que eu nunca deixo de gostar de alguma coisa, musicalmente falando. Então durante os anos eu só fui acrescentando bandas e estilos

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a minha coleção. Sobre outros trabalhos: já cantei Pop Rock por aí e hoje faço parte do coral da USP junto com a Mirella, onde eu canto vários estilos diferentes e desenvolvo técnicas que o Metal extremo sozinho não me permitiria. Quanto aos mais radicais, convido-os a subir ao palco e participar da minha performance pirotécnica. HD: Mirella, como dito acima, você trocou as baquetas pelas guitarras, o que nos deixa a pista que você tem uma boa formação musical. Poderia nos falar sobre essa sua formação? Mirella: A minha formação é escutar música desde criança e querer reproduzir aqueles sons eu mesma, basicamente. Fora isso, já fiz (e ainda faço) aulas de música e estou sempre tentando aprimorar a minha técnica e o meu ouvido. Jazz e Fusion são os caras da vez. HD: Bem, para a divulgação de “Functional Disorder”, vocês gravaram um vídeo bem profissional para “More Mindless Violence”. Como se deu a escolha da faixa, e mesmo de como ele seria feito? E como foi trabalhar com a Iza Rodrigues e Daniel Aghehost? E como chegaram ao “IMAT Airsof Team” para o clipe, e como foi trabalhar com essa turma toda? Flávia: A “More Mindless Violence” já foi feita com o intuito de ser single e se tornar um clipe. Era ela, foi ela e ponto (risos). A ideia inicial era gravar num paintball, mas aí a Iza tinha um amigo que treinava com o pessoal do “IMAT”. Entramos em contato e acabou dando tudo certo. O trabalho foi muito cansativo, mas foi muito divertido e produtivo. O resto pode-se ver no making of do clipe


no nosso canal do YouTube: http://www.youtube.com/ hellariseofficial HD: Bem, “Functional Disorder” teve sua forma física graças ao projeto crowdfunding pelo Catarse. Como foi que a ideia surgiu? E acreditam que isso pode ser o futuro para o Metal independente em nosso país, em um momento em que os downloads ilegais acabam causando tantos danos? Flávia: Nós devemos a ideia inicial a nossa ex-baixista Patrícia, que nos apresentou o Catarse. Fomos atrás da versão física antes mesmo de fazer esse projeto e se fizéssemos em menor quantidade ficaria muito caro para repassar para as pessoas nessa versão bonitona de “DVD em digipack”. Então fizemos uma pesquisa com os amigos e as pessoas que conheciam a banda, para ver o que elas achavam e se elas realmente colaborariam. Mirella: Quanto a isso ser uma solução, acho que não existe uma fórmula mágica. Hoje em dia, a melhor forma de fazer a sua banda crescer é usar toda e qualquer ferramenta que você possua. Cada um faz do jeito que pode e consegue. HD: E os shows? Como está sendo a maratona? Muitos convites para eventos fora de SP, e mesmo algo em vista para o exterior? Flávia: Já temos alguns shows marcados, mas é só agora depois dessa correria toda, que podemos focar mais nessa parte de shows. Além das datas marcadas, estamos com a agenda aberta até o final do ano e quem tiver interesse em nos levar para o seu evento é só entrar em contato pelo e-mail booking@hellarise.com.

Mirella: Querendo ou não, foram nove meses de produção do EP, desde a gravação até recebermos todo o material de merchan e os físicos. Praticamente uma gestação de um filho (risos)! Daqui para frente é só felicidade! HD: Há pouco tempo, surgiu a notícia da parceria com a Burnin’ Groove, que distribuirá “Functional Disorder” por todo o território nacional. Como essa parceria surgiu? E isso quer dizer que se podem esperar outras prensagens do EP fora a do crowdfunding? Mirella: A empresa ajudará na distribuição do EP “Functional Disorder” por todo o território nacional. O Luiz da Burnin’ Groove, que vinha demonstrando interesse em uma parceria desde o início do projeto, acabou sendo um dos maiores investidores no Catarse. Além da loja e selo a empresa também mantém um Blog que apoia o underground nacional bem legal: http:// blog.burningroove.com.br/ Quanto a mais prensagens, não temos ideia se rolará ou não. O EP distribuído será o mesmo que nós vendemos no nosso site e em shows. HD: Agradecemos demais pela entrevista, e o espaço é todo de vocês para sua mensagem. Flávia: Tem como fazer algum agradecimento sem soar clichê? Acho que não, né (risos)?! Então agradecemos muito a todos que nos acompanham e nos apoiam! Que a revista continue crescendo e difundindo o que temos de bom nessa cena underground!

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entrevista Liderado pelo guitarrista Steve Rice (ex-Imagika), o Kill Ritual é uma banda que conta com importantes nomes do Thrash Metal americano como Danyael Williams (baixo, ex-Dark Angel), Gee Anzalone (bateria, Braidamage), além do vocalista Josh “Crimson” Gibson. A banda lançou recentemente seu segundo álbum “The Eyes Of Medusa” onde chega ainda mais perto de sua identidade própria fazendo uma sonoridade enraizada no Thrash, mas que se desenvolve com variados estilos desde o Prog Metal até o Hard Rock. Conversamos com Rice a respeito destes aspectos, além de falar do novo álbum e outros assuntos. Boa leitura. Por Vitor Franceschini

Arriscan ser gr Apesar da maioria de vocês terem vindo de uma escola Thrash Metal, o Kill Ritual faz uma sonoridade difícil de se rotular. A que se deve este fato? Steven Rice: Isso definitivamente foi proposital de nossa parte. Quando comecei a banda, queria que ela abrangesse qualquer estilo de Metal, seja Thrash, Prog, Clássico, qual for. Há muitas bandas que surpreendem ao fazer apenas um estilo, mas nós realmente não temos este tipo de atitude na banda. Nós gostamos de tocar Metal, se a música soa Thrash ou Power Metal tudo bem, desde que seja boa. A banda surgiu em 2010 e já lançou dois ótimos álbuns. O fato de serem músicos experientes que passaram por bandas de renome facilita na hora de compor? Rice: Na verdade, não. Componho todas as músicas e o vocalista Crimsom todas as letras e melodias vocais, por isso é apenas uma questão de conseguir fazê-las e estamos bastante prolíficos. Já temos 80% do terceiro CD pronto. É muito trabalho, mas muito agradável.

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Aliás, como foi o processo de composição do novo trabalho “The Eyes Of Medusa”? Houve alguma

mudança em relação à forma de compor no primeiro disco, “The Serpentine Ritual”? Rice: Não. Como disse anteriormente, uma vez que Crimsom e eu compomos, tudo está bom. O baterista é muito importante na composição das músicas, uma vez que assim que as escrevemos as passamos ao baterista que altera alguns arranjos e logo depois elas são finalizadas. E qual a principal diferença você vê entre os dois trabalhos? Rice: O primeiro álbum foi mais para sabermos que caminho iríamos seguir. Já com “The Eyes Of Medusa” tivemos uma melhor compreensão do que queríamos e o álbum é mais coeso em sua apresentação. Há mais foco e composição. “The Eyes Of Medusa” traz elementos do Prog Metal, do Metal tradicional e do Hard Rock, mas soa pesado com foco principal no Thrash Metal. A intenção da banda é manter o leque de influências aberto? Vocês se preocupam em seguir um direcionamento? Rice: Não temos nenhuma fórmula. Apenas chutamos


ndo para rande! bundas e tentamos compor bons sons que eu espero que se destaquem em meio a maioria das bandas atuais que fazem um Metal que penso estar saturado e velho. Algumas bandas tornaram-se previsíveis e fazem todas o mesmo som. As grandes bandas estão aí por uma razão, porque elas arriscaram. Nota-se também uma sonoridade carregada de peso. Isso foi intencional ou fluiu naturalmente? Rice: Claro! Usamos diferentes afinações e violões de 7 cordas, etc. Por isso, naturalmente é acrescentado o peso e ajuda a dar profundidade às composições. Os vocais de Josh “Crimson” Gibson são versáteis, mas o timbre lembra vocais de Metal tradicional e Hard Rock, mesmo assim se encaixa na sonoridade da banda. A que você acha que se deve este fato? Rice: Ele tem sido bastante criticado por isso, pois ele não faz o tipo de vocal que segue a norma de um monte de banda atual. Para mim é importante que qualquer vocalista que eu trabalhe tente soar como o número um! E Josh dá conta disso. Acho que ele é um verdadeiro talento e ele toca guitarra e piano também, o que é ótimo.

Apesar de ter sido lançado recentemente, vocês já sentem algum ‘feedback’ positivo de “The Eyes Of Medusa”? Rice: Sim! Na maior parte o retorno tem sido positivo. O maior sucesso tem sido no Reino Unido, França e Bélgica, me parece. Nós vamos ‘chutar traseiros’ no Brasil, com certeza, ok (risos)? A banda já entrou em turnê de divulgação do álbum? Vocês têm proposta ou pretendem passar pela América do Sul? Rice: Nós adoraríamos isso e vamos tocar em todo lugar que pudermos, vamos fazer isso acontecer! Muito obrigado pela entrevista, sucesso. Podem deixar uma mensagem aos leitores do Brasil. Rice: Hey ‘gangue’ esperamos tocar na sua maravilhosa terra em breve e o Kill Ritual deseja tudo de bom para vocês!

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entrevista

HELL DIVINE: Marcel, conte-nos um pouco mais da trajetória do In Soulitary até o lançamento do disco. Marcel Briani: Nossa história é longa, como você já disse. Doze anos de estrada não é pouca coisa. A banda sempre foi feita por amigos, para amigos. Nunca houve uma preocupação em atingir um grau de profissionalismo, apenas de tocar e “have fun”, saca? Isso foi muito positivo sob o ponto de vista que as musicas tiveram muito tempo para serem trabalhadas e pensadas, e para criamos um estilo só nosso. Durante esses doze anos, apenas Matt e Elder permanecem firmes no time. Porém, quando André Bortolai (teclado), Danny Schneider (guitarra) e eu entramos para o grupo, por volta de 2010, a coisa começou a tomar uma outra cara. Percebemos que o que tínhamos em mãos era um material forte, diferente, e resolvemos que a coisa seria mesmo séria. Assim, começamos a longa jornada de uma banda independente em gravar nosso CD “Confinement”, com nosso próprio dinheiro, suor e esforço. Demoramos quase dois anos para produzir o álbum, mas o final foi muito satisfatório para nós. Como sempre foi padrão da banda, o CD é uma celebração de nossa amizade, juntando vários amigos e passando adiante essa sensação de diversão. A entrada de Rafael Pacheco foi reflexo disso. Um grande amigo que veio por convite fez um solo demolidor em uma de nossas músicas e pensamos: esse cara tem que tocar com a gente sempre! E assim fechamos o time que gravou o CD e estamos aí na luta.

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HELL DIVINE: A banda passou por diversas


O In Soulitary surgiu em 2002, mas somente depois de onze anos, com a estabilidade de sua formação e lançamento do aclamado EP “He Who Walks...” a banda conseguiu decolar. Alguns shows e a banda parou para a gravação do primeiro disco completo da carreira lançado este ano pela Shinigami Records. “Confinement” está levantando ainda mais o nome do pessoal. Conversamos com Marcel Briani (vocalista) para saber do futuro deles. Por Augusto Hunter

mudanças de formação, mas os membros originais da banda não desistiram desse sonho. Como você encara isso? Marcel: O grande legado desse povo todo é a diversidade que nosso som apresenta. Cada um veio, deu sua cara e partiu para outros caminhos. No fim, a formação atual foi o liquidificador que misturou tudo o que foi feito e a receita do bolo, que deixou a parada toda firme e poderosa. “Confinement” tem a nossa cara, mas respeitando todo o trajeto e todos os membros que passaram pela banda. A divisão de membros nunca foi causada por brigas, e este é um outro lado positivo. Grandes nomes saíram do In Soulitary buscando coisas novas, sob novas perspectivas. Todos continuam grandes amigos nossos, apoiando, indo a shows, comprando o CD. Matt e Elder mantiveram a chama acesa esse tempo todo e temos muito o que agradecer e reverenciar esses caras. Eles são a alma do In Soulitary, sem dúvida alguma. HELL DIVINE: No lançamento do EP “He Who Walks...” a resposta da imprensa foi bem positiva ao som praticado por vocês. Como vocês encararam isso e a receptividade foi a esperada por vocês ou isso foi meio inusitado? Marcel: Acho que um pouco das duas coisas. Nós não entramos no jogo para perder, mas mesmo assim foi uma surpresa positiva. É como um pai que leva o filho para a escola pela primeira vez. Dá aquela sensação de insegurança, de desejar o melhor para sua cria, mas sabendo que agora ele pertence ao mundo. Mas, como disse, ainda que desejássemos muito as

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foi indicação da Marina Takahashi para cantar a poderosa “The Key”, e ela se tornou nossa amiga a partir daí. Mario Pastore foi meu professor de canto, alem de um amigo de grandes bate-papos, Dimitri Brandi (Psychotic Eyes) é parceiro de mesas de bar, Luigi é meu irmão HELL DIVINE: Antes do In Soulitary, alguém já tinha tido desde sempre, Verônica (Karkaos) é uma voz incrível que uma experiência com banda? Se sim, por favor, cite-as, saiu da Argentina para fazer sucesso no Canadá, enfim. Queríamos manter o clima de amizade e celebração, e por favor. nada mais natural do que chamar amigos para fazer parte Marcel: Todos nós. Eu toquei no Tiger Cult assim que o da nossa festa. Neste caso, apenas a Verônica “Vee” Eric Picelli saiu, em 2008, vindo de uma banda chamada Darkener, do submundo da Mooca (risos). Elder e Matthew Rodriguez gravou por conta, lá no Canadá. Todos os outros gravaram conosco no estúdio AV Works, do Denis Di Lallo entraram no Tiger Cult algum tempo depois a convite (ex-Andralls). da Marina Takahashi, e foi assim que nos conhecemos. Elder é também baixista do Thy Symphony, e foi musico HELL DIVINE: Quais os principais planos para a também de um Blind Guardian e um Iced Earth cover. Matt tem uma banda de Stoner muito incrível e conhecida promoção do disco e vocês já estão “estocando” ideias chamada TRNK. Danny Schneider tocou em bandas fortes para o próximo lançamento ou ainda é muito cedo? Marcel: Já, com certeza! Muito material bom ficou de no underground do estado de São Paulo, como o Rainy fora do “Confinement”, e ainda vão aparecer por aí. Fãs Nights e agora o Shockbreaker. André toca em bandas antigos da banda sentiram falta de algumas músicas, muito boas de rock na noite paulistana, entre elas o Dr. No, e o Rafael veio de um Testament cover muito querido, mas não entrem em pânico. Logo elas estarão por aí, com uma roupagem nova, cada vez mais com a nossa cara. o Legions of Death (do qual eu também fui vocalista). Enfim, a galera é bastante carimbada do cenário paulista Temos esse lado forte de literatura em nossas letras, mas vamos abordar outros temas no álbum novo, assuntos de rock e metal. que os geeks e nerds vão pirar, com certeza. Agora, com HELL DIVINE: Agora, com o lançamento e distribuição da a formação mais sólida e um grande ideal em mente, o Shinigami do disco de vocês, quais são os planos para o segundo álbum vai ser avassalador! futuro? HELL DIVINE: Marcel, obrigado pelo tempo de conversa Marcel: Já temos um vasto material para um CD meu velho e deixe aqui um recado para os leitores da novo e estamos trabalhando nisso, alem de divulgar Hell Divine. Aquele abraço. o “Confinement”. Estamos em pré-produção de um Marcel: Quero agradecer aos editores da revista, aos videoclipe e fazendo alguns contatos nos EUA e Europa. jornalistas e todo mundo responsável pela produção deste Temos alguns parceiros bem legais, e é provável que o segundo álbum tenha boas surpresas. Ainda vai levar um excelente veículo heavy metal brasileiro! A força que tempo para gestar esse álbum, pois as ideias são muitas, vocês nos deram no início de nossa jornada foi incrível. Irmão Augusto Hunter, devemos muito a você também, e todas excelentes. Teremos um trabalho muito difícil e ao seu carinho com nosso trabalho. Aos fãs e leitores, de selecionar o que está saindo de melhor para mandar temos nosso “slogan” que é parte da música Hollow, o para o mundo. Mas esperamos aparecer bastante por “Spread the Word!” Significa “espalhe a palavra”, ajudeaí, arrebentar em alguns festivais e ganhar o coração nos a crescer. Precisamos e dependemos de vocês. da galera. Mais importante de tudo é isso, aumentar e Curtam, compartilhem, ouçam, divulguem, vão aos shows. fidelizar nossa base de fãs. O Heavy Metal nacional está cada dia mais forte, e tudo depende de vocês. Quanto mais vocês valorizarem o que HELL DIVINE: O disco de vocês conta com incríveis participações, conte-nos como vocês chegaram até eles temos, mais forte nos tornaremos, mais materiais bons entregaremos. Fiquem firmes, valeu a força e SPREAD THE e como foi o processo de gravação deles. WORD! Marcel: Foi aquilo que disse no início. Um processo bastante natural. Mais do que grandes e renomados músicos, os participantes são nossos amigos de longa data. A única exceção dessa regra foi a Lan Weiss, que resenhas positivas, ficamos absolutamente surpresos e maravilhados com o que foi dito por aí. Pessoas que sempre lemos, ouvimos e celebramos falando muito bem do nosso “filho”, foi sensacional!


entrevista

Em constante renovação. Assim podemos definir a banda Imbrya. O grupo iniciou as atividades em Huntington Beach, na Califórnia, e lançou, em 2009, seu primeiro álbum, que carrega o nome de “I Now Proclaim”, cuja formação contava com Fabricio Ravelli (bateria), Joe Guerra (guitarra), P-Nut (baixo) e Mauro Juliany (guitarra e vocal). Já o segundo álbum, “The Newborn Haters” veio com mudanças profundas, que foram desde o aprimoramento da sonoridade, que embora mantenha os pés no Thrash, tem o bônus de agregar fãs de outros segmentos até a formação que hoje conta com Fabricio Ravelli (guitarra e vocal), Kleber F. (guitarra), Anderson de França (baixo) e o recém chegado Guilherme Figueiredo (bateria, ex-Project 46). Neste bate papo exclusivo com a Hell Divine, o guitarrista Fabricio Ravelli nos contou histórias interessantes que vão desde o desenvolvimento das linhas de voz para o disco, planos futuros e projetos ousados que vocês conferem no decorrer destas linhas. Por João Messias Jr. HELL DIVINE: Antes do lançamento do novo álbum de vocês, o nome Imbyra circulou com muita força nas redes sociais e Internet, graças às participações do vocalista Fabrício Ravelli nos mais recentes discos das bandas Skin Culture e Hirax, sendo que desta última o músico fez parte por alguns anos. No que isso ajudou na pavimentação do nome do grupo? Fabricio Ravelli: Foram longos anos atrás da batera do Hirax. Quatro álbuns contando esse último, um DVD ao

vivo na Alemanha e diversas turnês. Ainda gostaria de parar e juntar tudo o que tenho da banda e contar umas histórias legais que rolaram entre nós. Tenho um armário no estúdio da minha casa com um monte de demos, flyers, credenciais, fotos, CDs, DVDs de shows e ensaios da minha época no Hirax assim como quando tocava no Blood Alliance com o Jim (Durkin) do Dark Angel, era da banda também o Karlos Medina do Agent Steel, Sammy do Ruthless e Ricky do D.O.D. Muito material mesmo

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dessa fase da minha vida. Bem que vocês poderiam dar uma ideia do que fazer com esse material, hein (risos). O Shucky do Skin Culture me chamou para gravar uma música com ele e, sem pestanejar, aceitei. Estão na correria para divulgar o último álbum que está uma pedrada no olho. Agora respondendo (risos), cara, quem ajuda mesmo são os fãs que vamos conquistando um a um todos os dias, seja na rede e nos shows. Quando iniciei a banda tinha uma visão do que seria o Imbyra, hoje o plano de ação da banda é outro e o planejamento também mudou, se tratando de Brasil. HD: A banda vem colhendo ótimos resultados com o lançamento do segundo álbum, “The Newborn Haters”, que são evidenciados por ótimas resenhas e entrevistas. Como a banda está vendo essa acolhida de fãs e imprensa especializada? Fabricio: De novo, os fãs, cara, esses fazem a diferença. Temos fãs que hoje trabalham conosco, seja coordenando nossas páginas nas redes sociais, street team, é genial isso. Temos um relacionamento fenomenal com eles. Algo que nos deixa feliz é o perfil deles, pois vai de Slayer, Machine Head até Bullet for My Valentine, Trivium e Avenged Sevenfold. Ou seja, nossa música chega a uma diversidade de públicos dentro do Metal e não forçamos para isso acontecer. Sobre a imprensa, quando cheguei no Brasil fiquei um tempo meio chateado, querendo entender como funcionam as coisas aqui. Mesmo quando estava no Hirax, meu nome dificilmente saia no Brasil, e quando saia era tipo no final da matéria, enquanto chegavam vários convites de entrevista de outros países, convites para teste de marcas, gravação de vídeos de batera e eu sempre trabalhando para fazer algo no Brasil. Mesmo fora da banda, gravei o novo álbum do Hirax, a imprensa brasileira foi a que menos falou e ainda assim que foi um brasileiro quem gravou esse álbum, eu, de coração, agradeço quem o fez. Não estou aqui pedindo destaque em lugar algum, mas quando você compara o tratamento que tive em outros países, parece que a conta não bate (risos). Mas não posso generalizar, você, por exemplo, sempre foi um cara que se entrega de corpo e alma para a cena e ajuda a todos, como outros que conhecemos e somos gratos.

Head, Slayer, Testament, 30 Seconds to Mars e um EP do Tamuya Thrash Tribe, banda do Rio de Janeiro, além de umas doideras tipo Kitaro. Como disse, não forçamos a barra para soarmos atuais ou tradicionais, o Imbyra é uma banda de fãs de Rock no geral. O intuito de toda composição, no nosso caso, é fazer com que a gente saia do palco depois de 1h ou mais de show, acabados de tanto agitar e querer mais todos os dias e fazer com que o público faça o mesmo, conosco.

HD: O que chama a atenção logo de cara é o instrumental encorpado e a prioridade no peso, que torna as canções mais intensas e, dessa forma, faz com que o ouvinte preste atenção no som em vez de apenas bater cabeça. Virus e Operation Anonymous são apenas dois exemplos. Queria que contasse-nos como surgiu a ideia de buscar a intensidade da música em vez de focar somente na agressividade. Fabricio: Vixe, aí teria que contar a história de como esse álbum surgiu e vocês serão os primeiros a saber (risos). Esse foi o álbum mais louco que já fiz. Eu ainda nem era o vocal, isso foi se construindo no meio do processo. Ele não teve pré-produção, como fizemos no primeiro, significa que muitas das partes de todas as músicas eu fiz na hora, literalmente com o Rec apertado. Tive que deixar uma câmera de vídeo na minha frente gravando tudo, principalmente guitarras, para eu não esquecer depois. Para terem uma ideia, a linha de voz do refrão da “Vírus” HD: O interessante de tudo é que vocês não se deixam eu fiz no carro a caminho do estúdio para gravá-la, assim acomodar com o bom momento, sempre apresentando como o pré-refrão dela. Eu passava uma vez, escrevia a novidades, que falaremos no decorrer desta entrevista. letra e gravava na hora. A necessidade de cumprir o que Mas vamos começar falando das músicas do trabalho. tinha sido planejado para o Imbyra era maior que tudo Quero parabeniza-los pela alquimia apresentada no e o álbum precisava ser lançado. O que ajudou também álbum, por mesclar elementos oitentistas com muita foi a entrada do Anderson na banda, no meio desse modernidade e, dessa forma agradando a todos. processo. O Anderson é um grande amigo de anos, minha Podemos dizer que a banda criou um conceito de ser um primeira banda foi com ele. Ele dava um grande apoio elo entre “dois mundos”? moral em momentos que a vontade era sentar e chorar Fabricio: Fico feliz que tenha achado isso. Tenho, (risos). A “Operation Anonymous” foi escrita no meio das particularmente, uma relação muito forte com bandas manifestações que aconteceram em todo o país. O álbum dos anos 80 como Exodus, Kreator, Testament, Metallica, inteiro tem uma visão social e política do Brasil, um dos Slayer, e depois da minha entrada no Hirax, essa só ficou assuntos de que mais gosto de falar. mais forte devido às bandas com quem fazíamos turnês. Muitas delas eu era e ainda sou fã. E tem o outro lado. HD: Além disso, vocês trouxeram formatos inusitados Hoje, se for no meu carro, irá encontrar Trivium, Machine para duas canções em especial: “Endless Chapter”, que

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carrega muita melancolia envolta num clima western e uma balada, “Bleeding Stitches”, que flerta com o Heavy Rock. Foi difícil criar essas canções e após prontas, viram que tinham algo especial em mãos? Fabricio: A “Endless Chapter” eu escrevi para o meu filho, que tinha menos de um aninho na época. Eu estava passando por uma das piores fases da minha vida na parte pessoal com pensamentos que me davam até medo, literalmente. E a única coisa que eu não queria e não quero é ficar longe do meu filho. “Endless Chapter” significa Capítulo Sem Fim. Agora tudo está ok. Vamos adicionar essa música ao set a pedido dos fãs da banda em nossas redes, e estou muito feliz com isso. Ela não entraria no álbum, o Anderson que sentou comigo e falou o quanto seria importante coloca-la, aí está. O jeito que eu anuncio a “Bleeding Stitches” ao vivo já diz muito sobre a música “Essa música foi escrita em 6h30 de depressão e ela se chama Bleeding Stitches”. Gosto muito de músicas com piano, eu toco um pouco, o suficiente para escrever, mas preciso aprender muito mais. Acho que a música não precisa ter 10 mil notas para ser rica, sou do time do menos é mais. HD: “The Newborn Haters” e “Virus” são os clipes do trabalho. O que estão achando da repercussão? Pensam em produzir mais vídeos? Fabricio: Estamos trabalhando com o estúdio Kaiowas para o clipe da “We Stand”. Gostamos demais deles, o Léo e Thiago são profissionais que merecem todos os elogios, compreendem o que queremos e dão ideias geniais. Por mim, todas as músicas do álbum teriam clipes. Em particular, gostaria muito de ver como sairiam os vídeos para “Endless Chapter” e “Bleeding Stitches”. Vale mencionar que até agora o ranking das músicas preferidas dos fãs de Imbyra que compraram o novo CD é: “We Stand”, “Virus”, “Endless Chapter”, “The Newborn Haters”. Essa última, quem quiser, pode conferir o videoclipe no YouTube, produzido pelo Kaiowas.

Coil e não conhecia bem o público. Mas foram grandes momentos e, sim, a galera abriu a roda no final da “We Stand” como sempre pedimos. Vendemos bem nosso merchan e conhecemos pessoas muito legais lá que se tornaram nossos fãs e amigos.

HD: Ainda falando em shows, vocês fizeram algumas “apresentações fantasma” em São Paulo, sem divulgações em redes sociais, apenas no boca a boca. Por que criaram esse formato de shows e o que acharam do resultado? Fabricio: Cara, fomos pioneiros nisso e foi demais. O Anderson e eu estávamos passando pela Av. Paulista e passamos em frente um local da avenida que tem uma calçada profunda e falamos: “Cara imagina tocar aqui na Paulista, trazer nosso show para essa galera onde NUNCA rolou um show de Metal.” Poxa, estamos falando da Paulista, o maior centro urbano do Brasil. Fomos ver HD: Para finalizar a parte das músicas, o que chama a atenção fica nos vocais de Fabricio Ravelli que, embora toda a parte burocrática para fazer isso acontecer e agressivos, são compreensíveis, o que pode buscar fãs fizemos. Montamos nosso backline inteiro, passamos o de outras vertentes não tão agressivas do rock. Qual foi som e a galera começou a parar para ver o que era aquilo a preocupação com a linha de vozes para “The Newborn (risos). Passamos o som e falei, se vocês agora puderem aguardar 10 minutos não irão se arrepender, ou alguns de Haters”? vocês irão (risos). Fomos colocar as vestimentas e nosso Fabricio: Nenhuma (risos). Encontrei minha voz nas visual do show dessa turnê do “The Newborn Haters”. gravações e a cada dia encontro algo novo. Claro que a Quando nossa intro começou e nós entramos a reação foi influência que tenho de vocalistas levam mais para esse única, impagável. E essa era nossa intenção, apresentar caminho. Respeito e gosto muito do Rob Flyyn (Machine um show de METAL para galera que, de repente, nunca iria Head) Jared Leto (30 Seconds to Mars), James Hetfield em um show, mostrar a eles uma banda de metal do país (Metallica), Matt Heafy (Trivium). deles. O resultado foi demais, pudemos nos apresentar HD: O álbum rendeu apresentações memoráveis, como a para um público das mais diferentes idades e estilos. abertura do show dos italianos do Lacuna Coil. Como foi Conversamos com todos que vieram trocar ideia conosco a apresentação e a aceitação dos fãs dos gringos, que é e foi uma troca de experiências muito rica. Agora, vai rolar algo maior. Get ready. um público diferente do de vocês? Fabricio: Foi um convite em cima da hora, recebemos HD: Com um bom disco no bolso, pensam em levar o a bela ligação do Luciano Piantonni, nosso assessor peso e a intensidade das apresentações para outros de imprensa na quarta antes do show e foi demais. estados do Brasil e exterior? Quais os planos do grupo Eu, sinceramente, não conhecia o trabalho do Lacuna


neste aspecto? Fabricio: Temos um bom projeto para os próximos três anos da banda. Sempre fazemos follow up para ele não se perder e também para algumas adaptações e vamos seguindo assim. As turnês fora do Brasil começam agora em outubro.

Fabricio: WOW, mano, que irado. Isso me trouxe um grande sorriso no rosto, vamos lá: Metallica: Meu primeiro álbum, “Master of Puppets”, Lars minha grande influência como baterista, James O riffmaster e O frontman. Sem o Metallica o Metal não teria chegado ao mainstream em minha opinião. Dos anos 80, é a banda que ainda mais ouço. Trivium: Estou respondendo essa entrevista ouvindo HD: Após o lançamento do álbum, a banda sofreu Trivium (risos), respondi? algumas mudanças de formação. A última delas foi a troca de bateristas, tendo como atual dono das baquetas Avenged Sevenfold: Será o próximo Metallica no que diz respeito a Metal no mainstream. Avenged Sevenfold e City Guilherme Figueiredo (ex-Project 46). Como chegaram of Evil são álbuns geniais. nele e o que foi determinante na escolha do músico? Fabricio: Graças aos amigos relacionados do Facebook (risos). Assisti a alguns vídeos dele tocando vários estilos, HD: Obrigado pela entrevista. Deixem uma mensagem e isso foi muito importante para chegarmos nele. Mas o aos leitores da Hell Divine. grande fato mesmo foi que ele tem a mesma energia de Fabricio: Primeiro ao Pedro Humangous, muito obrigado trabalho que temos e que o Imbyra precisa. O mesmo foco pela atenção que nos dá, você é um grande cara. A você e isso é determinante para uma banda. Se apenas um ou que está lendo, muito prazer se não nos conhece. Convido dois membros tiverem o objetivo igual você terá mais dois para conhecer o IMBYRA, nós vivemos do nosso amor pela ou três caras na sua banda que poderão ser um peso nas música e também do amor de vocês. A mesma emoção suas costas. O Gui é um grande baterista e muito criativo, que muitos fãs de metal sentem assistindo a um show fico feliz também porque nos próximos álbuns do Imbyra do Metallica é igual a nossa quando estamos de frente não será mais eu quem irá gravar a batera, então esse já a vocês. Ouça nossas músicas, comprem nosso merch, será um grande diferencial, teremos mais mãos, mentes e vão aos shows para pirar junto a nós. Bora curtir Imbyra e corações trabalhando. várias outras bandas que temos de Metal no Brasil. Muito obrigado por terem lido, espero que tenham curtido. Até HD: Para encerrar, vou citar algumas bandas que, junto já. com vocês, fariam uma turnê memorável e queria www.imbyra.com a opinião de vocês sobre elas: Metallica, Trivium e www.facebook.com/imbyra Avenged Sevenfold.


DIVINE DEATH MATCH Muita expectativa gerou-se em torno de Titanfall, novo game desenvolvido pela criadora do mundialmente conhecido Call Of Duty. Já de cara nos espantamos na bela qualidade gráfica da nova aposta desse ano da Microsoft, simplesmente sensacional. O multiplayer também é algo a se destacar, pois é o ponto chave do jogo. Já a parte negativa fica por conta do seu modo historia, praticamente inexistente. Mas como a maioria dos gamers que adquiriram este jogo, com certeza foi pensando em sua interatividade online. Com diversas opções dentro do jogo, a grande variação de armas e o principal, controlar um Titan, deixa o FPS muito mais intrigante. Outra coisa que o jogador espera para deixar o jogo muito mais legal é no futuro ser lançado alguns DLCs principalmente, para compensar o modo historia. Outro ponto a ser destacado é que Titanfall também traz um edição de luxo, contendo um Action Figure, um livro contando toda a historia e como foi criado o game com suas storyboards; numa caixa fantástica. Um controle para XBOXONE também foi desenvolvido de forma exclusivo para esse jogo. Claro que para nós brasileiros nada disso sai barato e claro que chegaram poucas peças dessa edição ao Brasil, mas para quem curtiu Titanfall, como eu, vale a pena economizar um pouquinho para adquiri-lá. Para terminar, vale ressaltar que Titanfall é um jogo exclusivo para XBOX360 e XBOXONE. Grande ponto da Microsoft em cima de sua principal concorrente nesse ao de 2014, já que entramos na nova geração dos video games.

GRAFICOS: SOM:

8

9

JOGABILIDADE: ENREDO:

5

Por: Luiz Ribeiro

TITANFALL Tipo: Tiro/FPS Plataforma: XBOX360 / XBOXONE DISTRIBUIDORA: Electronic Arts

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DIVINE DEATH MATCH Depois de muito se falar desse incrível jogo, finalmente Watch Dogs ganhou vida e ele chegou movimentando ainda mais o mercado de games no mundo. A Ubisoft Montreal, mais uma vez vem a frente desse incrível projeto que, usa o mundo aberto para fazer o gamer ir cada vez mais a fundo no jogo. Nesse jogo, você vira Aiden Pearce, um ativista hacker que, depois de ter sofrido um atentado com sua família, causando a morte da sobrinha mais nova, resolve usar seus conhecimentos de Informática e virar um “Vigilante” na cidade de Chicago, usando como principal arma o Hackeamento de todo o sistema da cidade, conhecido no jogo como “ctOS”. Hackeando tudo e todos nessa cidade, Aiden vai levando a vida e às vezes fazendo um belo papel de Protetor ou mesmo sendo o pior vilão o possível. Watch Dogs tem uma jogabilidade incrível, a movimentação de Aiden pela cidade é ótima, o motor físico do jogo é muito bem construído, tendo claras variações e até mesmo dificuldades, como por exemplo, se você pega um carro esportivo ou uma moto pra dirigir, você vai ver como ele fica mais complicado de guiar de acordo com a velocidade atingida pelo veículo, assim como se você está com um caminhão, não espere grandes velocidades e adrenalina. Se tratando de um jogo Sandbox(Mundo aberto), a variedade de coisas pra fazer, locais pra visitar e outras coisas é infinitesimal, tendo dentro do jogo um próprio “Foursquare”, ou seja, você pode fazer check-in em determinados locais que, ao fazer, outros jogadores que por ali passaram podem deixar presentes e viram “prefeitos”, como na rede usada por alguns na vida real, ou mesmo fazer uma “Viagem Digital”, aonde você evolui o seu personagem e o mais interessante, se você está jogando online, cuidado, pois um dos seus amigos pode muito bem invadir o seu jogo e hackear você, assim levando algumas informações suas, o que deixa todo o mundo de Watch Dogs ainda mais interessante. Sem contar com o ainda mais belo, a recriação de Chicago para o jogo que está simplesmente estonteante, a cidade ficou linda. Em meu ponto de vista jogue-o, pois não se arrependerá. E se algum amigo falar que prefere GTA, não tem problema, pois Watch Dogs vai fazer muito bem o papel dele e com uma história muito mais cativante.

GRAFICOS: SOM:

9

10

10 10

JOGABILIDADE:

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ENREDO:

Por: Augusto Hunter

WATCH DOGS TIPO: AVENTURA / SANDBOX PLATAFORMA: PS4/PS3/XBOXONE/XBOX360/PC DISTRIBUIDORA: Ubisoft


Insanidade Metal Sempre fui muito fanático pelas artes das capas dos discos – inclusive já comprei vários somente pela capa, admito. De uns tempos pra cá, comecei a analisar mentalmente sobre o que realmente o artista quis passar através dos desenhos. Foi então que decidi fazer

essa série, ressuscitando a seção “Insanidade Metal”, para tentarmos entender um pouco das minhas capas preferidas. Vamos começar com “Once Was Not” da banda canadense Cryptopsy.

Oh, Dat Artwork!

Ok, então em uma era apocalíptica, o mundo acabou, está tudo em chamas (quase visualizei um zumbi saindo dos destroços) e você é um dos últimos sobreviventes da terra. O que você faz? Ora, vou amarrar umas gostosas num “cotoco” de madeira, marcá-las nas costelas com o símbolo da minha banda favorita e, por fim, enfiar o cabo de uma bandeira (da minha banda favorita, claro!) nas minhas próprias costas. Bastante óbvio, não? E essa luz vinda dos céus em busca do guerreiro auto flagelador, seria um sinal? Não dá pra saber em que época ou local se passa esse evento, mas aparentemente tratase de uma era medieval, com igrejas ou templos sendo queimados ao fundo. Pesquisei um pouco sobre o conceito desse trabalho e parece que o tema é realmente sobre o

fim do mundo, sobre o medo irracional que o homem tem da morte. Sinceramente não consegui fazer essa conexão entre o conceito e a arte, apesar do evidente fim dos tempos retratado. Musicalmente falando, esse álbum é bastante confuso e de difícil digestão. Basicamente é um Technical Death Metal, porém, você encontrará de tudo um pouco nas onze faixas compostas. De qualquer forma, um belo registro. Certamente essa capa é belíssima, enigmática e impactante! Uma das minhas favoritas! Por Pedro Humangous

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Resenhas Noturnall Noturnall Independente Por Augusto Hunter

9,0

Como esperar alguma coisa ruim de um super time como o reunido para o Noturnall? Músicos experientes, compositores de mão cheia e até mesmo uma pitada de polêmica constroem a banda, que conta com ninguém menos que Aquiles Priester (Angra, Hangar) e os antigos músicos do Shaman. Sabendo da presença desses grandes nomes e da produção desse disco, que ficou a cargo de ninguém menos que Russel Allen, já imagina o que está por vir, né? Um Prog Metal pesadíssimo, com uma incrível influência do Symphony X – esqueça do Thiago Bianchi com aqueles agudos, ele ainda os “manda” aqui e ali no disco, mas o estilo dele de cantar no Noturnall está mais forte, com uso de graves lindos e certeiros em vários momentos das músicas. A bateria do Aquiles Priester é um show à parte e é sensacional o trabalho de todos os músicos em suas áreas. A guitarra de Léo Mancini e os teclados de Juninho Carelli estão mega entrosados, lembrando muito a banda do produtor e está tudo ali, no lugar, tudo certinho. Grande lançamento que realmente me deixou embasbacado e sem chão ao ouvir esse disco. Eles estão de parabéns, e espero que essa fórmula se repita em seu próximo lançamento.

Jackdevil Unholy Sacrifice Urubuz Records Por Pedro Humangous

8,0

Para uma banda que, aparentemente, surgiu do nada e já fez um tremendo barulho na cena, alguma coisa de especial deve ter! Nos últimos meses, muito se ouviu dizer dessa banda maranhense formada por André Nadler (vocais), Ricardo Andrade (guitarras), Renato Igor (baixo) e Filipe Oliveira (bateria). O Jackdevil levanta a bandeira do “New Wave Of Brazilian Heavy Metal” e, certamente, a hasteia o mais alto possível! O estilo mistura com exatidão o Metal Tradicional com o Thrash Metal, trazendo a nostalgia das bandas clássicas da época, com uma pegada jovial da nova safra brasileira. Mas o que eles têm de tão especial em relação às demais? Sinceramente, nada. Mas executam suas composições com garra, carisma e souberam criar boa música. O cuidado em cada detalhe é notório e dá gosto ter em mãos o disco físico, que apresenta um encarte caprichado, com belas artes (na capa e no interior). A qualidade de gravação é boa, pecando um pouco talvez na mixagem, onde em certos momentos os instrumentos ficam um pouco desregulados – o baixo muito evidente e o vocal um pouco abafado. “Unholy Sacrifice” é bem feito e, principalmente, divertido, dá gosto ouvir de ponta a ponta, repetidas vezes – mais ainda quando acompanhado de uma boa cerveja gelada! A banda soube dosar bem a velocidade entre as músicas, fazendo um balanço interessante entre a cadência (um convite aberto para “bater cabeça”) e a velocidade empolgante. “Behind The Walls” é uma das melhores do álbum, com sua intro no melhor estilo Slayer e guitarras gêmeas no final lembrando Iron Maiden. Não espere por inovações ou coisas do tipo, o Jackdevil é uma excelente banda, competente e com um ótimo cartão de visitas. Basta agora desenvolver bem o trabalho, pois certamente tem um belo futuro pela frente!

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Symphony Draconis Supreme Art of Renunciation Eternal Hatred Records Por Cupim Lombardi

9,0

Mais um ótimo expoente do Black Metal nacional, representado pelo Estado do Rio Grande do Sul, apresenta um excelente trabalho em seu debut. Um álbum muito bem executado do começo ao fim, que mostra uma banda (apesar de ser o primeiro trabalho, estão na ativa desde 2006) com o próposito de levar o Black Metal além das fronteiras gaúchas. A ótima produção faz os instrumentos soarem limpos e mostra o bom trabalho de seus integrantes que, apesar de algumas mudanças, não interferiu na sonoridade da banda. Bateria sem exageros e em ótimo timbre e mixagem, além das guitarras pesadas (com direito a violão acústico) e vocais rasgados para trazerem toda a fúria no material. Vale também o destaque ao trabalho lírico que leva a proposta do Black Metal para além da sonoridade, onde não deixariam de lado o tema do obscurantismo tão consagrado na arte do estilo. Sem exageros, não preciso recomendar nenhuma música! Resumindo, é Black Metal sem frescura e com pé no old school somado a elementos mais melódicos, mas sem negar as possibilidades de produção atuais que elevam mais o trabalho para a lista de debuts consagrados do Metal nacional.

Crossfear Survive Through Fear Independente Por Fernando Monteiro

espetáculo.

8,5

As quatro faixas apresentadas no EP da Crossfear apresentam um som intenso, agressivo, moderno e técnico; essa receita resulta em um som que pode muito bem embalar por horas. O único erro da banda foi ter lançado apenas quatro músicas. O vocalista Thiago Barata consegue alternar entre um poderoso gutural e várias nuances de scream, dando uma cara de Deathcore a toda orquestra; a cozinha acompanha com maestria e possui uma amostra cadenciada; o embalo da guitarra feito por Diego Outa consegue nos manter atentos as mudanças entre as músicas, destacando muito bem cada faixa. Um

Reviere Matilha Independente Por João Messias Jr.

9,0

Muitas pessoas buscam, por meio de remédios e tratamentos alternativos, a cura ou o alívio para a depressão. Salvo casos que realmente necessitem de ajuda profissional, a música é uma excelente forma de sair desse estado de desânimo e incerteza. Em especial, trabalhos de grupos que unem guitarras harmoniosas, vocais acessíveis e uma sonoridade para cima, como o EP “Matilha” dos caras do Reviere. Do ABC paulista, o quinteto formado na época por Paulo Bertelli (voz), Rangel Fernandes e Marcus Vinícius

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Muitas pessoas buscam, por meio de remédios e tratamentos alternativos, a cura ou o alívio para a depressão. Salvo casos que realmente necessitem de ajuda profissional, a música é uma excelente forma de sair desse estado de desânimo e incerteza. Em especial, trabalhos de grupos que unem guitarras harmoniosas, vocais acessíveis e uma sonoridade para cima, como o EP “Matilha” dos caras do Reviere. Do ABC paulista, o quinteto formado na época por Paulo Bertelli (voz), Rangel Fernandes e Marcus Vinícius (guitarras), Marcelo Henrique (baixo) e Rudá Costa (bateria) transita por estilos como Metalcore, Hardcore, Rock e Pop, que unidos dão forma a uma música que é contagiante e perfeita para os palcos, como a faixa que nomeia o EP e “6 Gramas”, que além da sonoridade chama a atenção por falar das drogas sem soar antiquado. Apesar de ter citado essas duas, o trabalho deve ser ouvido de ponta a ponta e diversas vezes. A capa é interessante e mostra que não é necessário usar cores e texturas diversas para se obter um resultado visual impactante. Se por acaso estiver num dia ruim, procure no Google por Reviere e dê um chute no baixo astral!

Evil Syndicate Shadows Of Insanity Independente Por Leandro Fernandes

8,0

Esse EP veio para provar que a cena underground está forte em todo o país. “Evil Syndicate” vem direto de Manaus, mostrando que mandam um Death Metal direto e agressivo. Cinco músicas de puro peso e brutalidade. O som produzido é de uma qualidade absurda, com nuances Thrash notamos a versatilidade em se fazer um bom som e de forma original sem deixar soar cansativo. Excelentes e rápidos riffs e uma cozinha crua e veloz seguidos de um vocal urrado, mostram um peso descomunal. A pedrada inicial “Slaves of War” traz um Death/Thrash bem acentuado, com riffs fortes e rápidos. Seguindo para um início arrastado, “Shadows of Insanity”, que batiza o EP, mostra uma pegada Doom bastante soturna e ganha força com os berros do excelente vocalista. “Abyssus Abyssum Invocat” mantém a pegada Death com um belo destaque da bateria, que trabalha de forma incansável. “Skull And Bones” e a paulada “Destructor Ego” mostram que o nível de peso e técnica realmente são quesitos de alto nível de uma banda que promete ser uma das mais importantes do underground nacional, podendo alcançar grandes vitórias ao longo da carreira.

Judas Priest Reedemer of Souls Epic Records Por Junior Frascá

40

8,5

Após passar por um período de turbulência, que culminou com a saída do guitarrista K.K. Downing (que estava desde 1969 com a banda), o mito Judas Priest finalmente retorna com um novo álbum de estúdio. Sucessor de “Nostradamus”, o pior disco da carreira da banda, “Reedemer of Souls” representa a volta do grupo aos trilhos, sendo aquele trabalho que os fãs esperavam desde o retorno de Rob Halford para a banda. E fica nítido que a entrada no novo guitarrista Richie Faulkner (que assina junto com Halford e Glenn Tipton todas as composições do disco) contribuiu muito para o resultado final do material, representando o sangue novo que a banda precisava há tempos para sair de sua acomodação. Com 13 faixas na versão normal, o álbum é direto e pesado, remetendo aos álbuns como “Britsh Steel” e “Painkiller”. Rob Halford também tem uma grande performance no álbum, cantando dentro de suas limitações atuais (já não consegue mais atingir com facilidade tons altíssimos como antigamente), e sendo um dos


destaques do álbum. A nova dupla de guitarristas também se sobressai, parecendo que Richie e Glenn já tocam juntos há décadas. Dentre os destaques do disco, cito as ótimas “Dragonaught”, “Halls of Valhalla”, “March of the Damned” e “Hell and Back”. Ah, e lembrando aos colecionadores de plantão que o álbum possui uma versão deluxe que, além de vir em um belíssimo digipack, traz também um CD bônus, com cinco faixas bônus também excelentes. Long Live to the Gods!!!

Septicflesh Titan Prosthetic Records Por Augusto Hunter

10

O Septicflesh vem em uma ascensão inacreditável, pois desde antes do lançamento do incrível “Communion” a banda vem demonstrando um crescimento musical e com uma arte gráfica incrível, e em “Titan” não é diferente. Gravação impecável, composição incrível, execução sem igual, Seth Siro e time mostram que a Grécia está cada vez melhor em relação a suas bandas e a sonoridade. “Titan” é o exemplo mais claro de como compor orquestrações épicas, um som agressivo e altamente soturno ao mesmo tempo. Isso porque a banda já vem trabalhando com a Orquestra Filarmônica de Praga há um bom tempo, fazendo assim que tanto a banda quanto o regente da orquestra e corais usados nas gravações tenham um entrosamento ainda maior. O disco começa com a linda “War In Heaven”, composição e andamento soturnos, algo muito obscuro, como há muito tempo não ouço e ele segue com a incrível “Burn”, com cara de clássica. Nesse disco, um coral de crianças foi usado, dando um ar incrivelmente sombrio em várias músicas em que suas lindas vozes foram usadas. Sendo assim, impossível não falar que em minha lista de final de ano, elegendo os melhores lançamentos, “Titan” figure em algum local de destaque.

Vader Tibi Et Igni Nuclear Blast Por Augusto Hunter

7,0

Apesar de ser um belo registro esse lançamento do quarteto polonês, o Vader deve ter dado um certo “mole”, como posso explicar isso. Vamos lá, em toda a audição de “Tibi Et Igni” você ouve riffs muito bons, mas que você já ouviu em algum disco passado ou mesmo parece ser simplesmente “roubado” ou “copiado” de algo mais recente, mas com um andamento mais travado, ou mesmo com uma notinha ou outra soando um pouco diferente, entende? Peter continua com aquele poderoso vocal, toda a banda ainda tem o espírito e a vontade e uma das coisas legais desse disco é que eles estão abusando da bateria mais “um por um”, são menores as passagens com Blast-Beat e afins, mas ainda estão presentes, fazendo com que o disco soe até mais matador. Porém, em minha opinião, esse lance dos riffs meio que “matou” um pouco o belo trabalho que a banda está oferecendo. O interessante é que temos uma versão de “Cursed Eternally”, que é cantada em polonês, de nome “Przeklety Na Wieki”. Ela começa parecendo uma balada, com uma mulher cantando – bem demais –, e a balada continua até o momento do Vader voltar com tudo. Infelizmente, é um bônus, pois essa versão me chamou muito a atenção. Das músicas do disco temos “Where Angels Weep”, “Abandon All Hope”, “Go To Hell”, são meus destaques pessoais. Bem, o Vader é sempre bom de ouvir, mas acho que nesse álbum eles erraram um pouquinho a mão e não conseguiram o belo resultado como no seu antecessor.

41


Apoteom Alienation MS Metal Records Por Fernando Monteiro

5,5

A Banda de Santa Maria/RS promete um som moderno, algo mais parecido com o Machine Head um pouco mais antigo. O esforço aplicado a este álbum é ótimo, composições sólidas, sem desvios ou influências de gêneros muito destoantes. Bem importante salientar que ter uma banda brasileira, sulista, de metal, que não seja power/thrash metal é algo realmente exclusivo. As músicas são muito bem construídas, talvez até demais (todas as faixas possuem mais de 5 minutos), e muitas vezes podem se tornar repetitivas. Infelizmente, é isso que tenho para falar a favor; a gravação está muito aquém da ideal e o som é bem abafado em várias partes, isso é péssimo para um trabalho tão bem orquestrado quando escutado ao vivo, afinal, é pelo álbum que a banda espalha seu trabalho. Seria aceitável para uma demo iniciante ou trabalhos de anos atrás, não para o melhor de sua produção.

Suicidal Angels Divide And Conquer Urubuz Records Por Augusto Hunter

9,0

A Grécia vem mostrando que o potencial para o Metal está em dia, em completo contraponto com o momento vivido pelo país, mas vamos falar sobre esse petardo que essa banda nos deu. “Divide And Conquer” é um disco incrível, pois ele une toda a influência Old School que a banda carrega e se orgulha disso, com essa nova tendência do Thrash que temos hoje, nos dando assim um disco maravilhoso, de audição fácil e compreensão tranquila, sem contar com a incrível arte de capa e parte gráfica do disco, que conta com ninguém menos do que Ed Repka no comando da arte, ficou lindo! A gravação do disco é sensacional, com todos os instrumentos soando perfeitamente e ouvi-los é fácil demais: as guitarras pesadíssimas e bem claras, bumbos e peças da bateria com uma timbragem linda, o baixo grave, marcando todos os movimentos da banda e o vocal do Nick continua furioso. As composições ainda têm muita característica da banda, como as músicas bem rápidas e furiosas, mas a modernidade tem chegado à banda com pitadas de groove em vários riffs e com quebradas de tempo precisas. Todas as composições do disco são incríveis, mas não tem como não destacar “Pit Of Snakes”, “Marching Over Blood” (que abre o disco) e “In The Grave”. Audição mais que recomendada desse incrível lançamento.

Infector Cell Frontal Attack Independente Por João Messias Jr.

42

8,0

Direto, sem cerimônia e um convite ao pogo. Assim podemos definir o novo trabalho do quarteto paulista Infector Cell, composto por Allan (voz), Fagner (guitarra), Guilherme (baixo) e Fernando (bateria). Unindo Death, Thrash com um jeitão Hardcore, a sonoridade do EP “Frontal Attack” transmite canções fortes e brutais, sem espaço para sutilezas ou meias palavras. A abertura com “Prontos Para o Arrebento” já se encarrega de descrever o cenário acima, mas a faixa que nomeia o disco e “Syndrome of Panic” são as que definem o estilo


adotado pelo Infector Cell, que apesar da pancadaria, os caras unem arranjos bem definidos e riffs certeiros, tudo bem balanceado, graças ao trabalho de produção, feito por André Curci (Threat, Statues on Fire). Enfim, uma banda que se tiver a oportunidade de assistir a um show, confira, mas tome cuidado com o pescoço, que pode ficar em frangalhos após algumas músicas.

Paulo Schroeber Freak Songs Independente Por Fernando Monteiro

7,0

O guitarrista Paulo Schroeber possui um ótimo currículo, tendo trabalhado em vários projetos de gêneros bem diversificados – além de seu recente trabalho nos lançamentos do Almah e a ajuda do baixista Felipe Andreoli. A primeira coisa que devo dizer é que “Freak Songs” é um nome muito adequado. As composições possuem toques de música brasileira, jazz, progressivo e talvez ainda mais. Destaco que, por mais que o som englobe tantos estilos, o gosto mais amplo não é feito para agradar um público mais amplo. Por influência do guitarrista, seu público alvo se torna consequência de seu próprio gosto. Tudo feito com muita desenvoltura – aliás, a gravação é espetacular – coisa que não costumo esperar de álbuns independentes. As faixas animam, exasperam e deleitam. Claro que o trabalho possui seus pontos fracos, e o deste foi não desenvolver faixas que incorporem estilos diferenciados, vemos claramente influência de instrumentos de samba, mas por poucos segundos e ficam devendo uma demonstração mais focada.

Matricide When Random Turns To Fate Independente Por Pedro Humangous.

8,0

Muitas vezes nos fechamos (involuntariamente) para o que acontece apenas nas principais cenas do Metal e acabamos deixando de lado outros importantes territórios. Falar de bandas italianas, alemãs, americanas e brasileiras é moleza. E da cena de Israel, do que você é capaz de dizer (além do óbvio Orphaned Land)? Confesso que, por mais interessado que eu seja, também desconheço e sou incapaz de traçar um panorama. Eis então que tenho em mãos o primeiro álbum da banda Matricide, e vou te falar uma coisa: o trabalho é surpreendente! Parece que o Heavy Metal anda fervendo por essas terras e finalmente invadindo outros países. “When Random Turns To Fate” é bastante moderno, isso é perceptível logo nos primeiros riffs da música de abertura, “Further From The End”. O timbre das guitarras e a forma que executam as composições, tem aquele ar mágico quase que espacial de bandas como Nervermore e Meshuggah. As músicas possuem uma carga pesada de obscuridade que estranhamente nos atrai com ainda mais intensidade para acompanhar o trabalho por completo, atentos a cada detalhe. Senti uma pouco de Post-Hardcore aqui, com bastante Groove Metal, transbordando energia em praticamente todas as faixas – graças às linhas extremas e nervosas do vocalista Ran Eliahou. O time instrumental, formado por Yogev Sitton (guitarras e vocais), Auria Sapir (guitarras), Shahar Guy (baixo) e Ofir Zigi (bateria), é bastante técnico e criativo, abusando de tempos quebrados e ritmos alucinantes. A gravação ficou muito boa e a mixagem deixou tudo bem cristalino, podendo ouvir com clareza o que cada instrumento faz, porém, sem esquecer da agressividade que a música exige. “Burn Me With Your Sun” é uma das melhores desse trabalho, misturando de tudo um pouco, apresentando lindos vocais

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limpos, momentos agressivos e outros mais atmosféricos. Dois pontos que poderiam ser mais bem trabalhados são os solos de guitarra (quase ausentes) e uma bateria mais ousada talvez. Por ser um disco bastante linear, as músicas variam pouco entre si, ficando um pouco cansativo no fim da audição, mas nada que comprometa muito. Olhos, ouvidos e braços abertos para as novas bandas que surgem mundo afora, todas querendo um pedaço da sua atenção. Essa definitivamente merece!

Bloody Violence Obliterate Eternal Hatred Records Por Pedro Humangous

9,0

Perplexo e estupefato. É como me sinto ao terminar de ouvir as três músicas do EP da banda Bloody Violence. São menos de quinze minutos de música no total, mas foi o suficiente para me deixar paralisado e atordoado. Cantídio Fontes (vocais), Igor Dornelles (guitarras), Israel Savaris (baixo) e Eduardo Polidori (bateria) abusam e esbanjam de uma técnica absurda e invejável, poucas vezes vista por essas terras. Os caras praticam o Technical Death Metal e levam o estilo ao pé da letra, transbordando e entupindo as veias de técnica sem limites. Obviamente, não é um estilo de fácil digestão e nem todo mundo consegue curtir esse Tetris apresentado. Muitas vezes soa mecânico e matemático demais, faltando um sopro de vida nas composições. Mas creio que o charme seja exatamente esse. A faixa “Purge” é simplesmente uma afronta ao seu cérebro, é tanta informação numa música que tive que ouvir pelo menos umas cinco vezes para assimilá-la. Mas calma, nem tudo é frenético 100% do tempo aqui. “Piece Of Shit” tem seu momento mais Death Metal tradicional, desacelerando um pouco da metade para o fim. “Born To Squirm”, que ganhou um single virtual, é realmente uma das mais interessantes composições do EP, mostrando o poder de fogo do quarteto porto-alegrense. Achei interessante que eles não preencheram os espaços “vazios” deixados quando a guitarra está fritando, deixando essa responsabilidade para o baixo e bateria – que cumprem muito bem seus papeis. O vocalista, cavernoso e gutural, é excelente e se encaixa perfeitamente com o agressivo e caótico instrumental – podiam atirar uns pig-squeals aqui e ali, ficaria legal também. A bela arte da capa, feita por Rafael Tavares, deixou o trabalho ainda mais profissional, gerando muita expectativa pelo álbum completo.

Imbyra The Newborn Haters Independente Por Augusto Hunter

8,0

A banda capitaneada pelo experiente Fabricio Ravelli retorna com tudo em “The Newborn Haters”, segundo disco da carreira da banda. Com uma gravação imponente e limpa, fácil percepção das canções nele contidas, esse disco é um belo exemplo de que o Metal Nacional está mais do que vivo. As dez canções que compõem o disco têm uma veia bem Groove, com uma influência incrível de Machine Head, mas com certeza não é a única coisa que você ouvirá no disco, ouvirá um time muito coeso e preparado. O time de guitarras trabalha muito bem em diversas faixas do disco, fazendo o trabalho ficar de uma beleza sem igual. O time da “cozinha” também tem de ser destacado, com levadas às vezes insanas e muito bem trabalhadas. Destaque para a música que leva o título do disco, “The Newborn Haters”, que possui um belo videoclipe. Com toda a experiência adquirida em seu tempo de Hirax, Fabricio Ravelli mostra que o Imbyra não vai deixar nada barato, boa música você vai ter sempre.

44


TRAUMER The Great Metal Storm Total Steel Records Por Thiago Rahal Mauro

8,0

A banda TraumeR foi fundada, no ano de 2009, em São Paulo, com a proposta de resgatar o Power Metal praticado por grupos como Helloween, Stratovarius, Sonata Arctica, Angra, entre outros. Atualmente formado por Nelson Hamada (teclados), Regis Lima (baixo), Guilherme Hirose (vocal), Felipe Santos (bateria) e Fabio Polato (guitarras), o TraumeR atingiu o objetivo inicial e lançou, em 2014, seu álbum de estreia, “The Great Metal Storm”, que bebe muito na fonte das bandas citadas, mas, ao mesmo tempo, tem bastante originalidade, potência nos riffs e melodias apuradas. Produzido por Celo Oliveira e masterizado e mixado no Kolera Studios, no Rio de Janeiro, as músicas ganharam uma atmosfera saudosista do começo dos anos 90, que foi o ápice deste gênero no mundo todo – o que ajudou a transformar as músicas ainda mais interessantes. Por exemplo, a faixa “The Great Metal Storm”, tem aquela velocidade característica do estilo, teclados e guitarras dividindo riffs, além do vocal de Guilherme Hirose atingir notas bem altas o tempo todo. Quem é fã do estilo fique de olho nessa música, que é muito boa. O disco é bastante eclético como nas baladas “Close Your Eyes”, “Don’t You Cry” e “Another Sun (Chasing Sunrise)” e também nas progressivas “Pandora” e “Nights Of Babylon”. Os fãs do estilo ainda se surpreenderão com a pesada “Eleazar” e a épica “Ride My Way”, que deve agradar principalmente quem gosta de Stratovarius. Somente agora, quase vinte anos depois, que percebemos o legado das bandas criadoras do estilo. Uma banda brasileira como o TraumeR, que surge agora e vai contra tudo o que está sendo feito mundo afora merece todo o respeito por fazer o que ama e gosta de verdade.

Shadows Legacy You’re Going Straight to Hell Independente Por Vitor Franceschini

8,5

Os sul-mato-grossenses do Shadows Legacy já deram um bom pontapé inicial quando lançaram o EP “Rage And Hate” no ano passado. Naquele disco, demonstraram personalidade ao investir no Heavy Metal tradicional sem esconder suas influências, mas já mostrando um lado próprio que se evidencia ainda mais neste début. “You’re Going Straight to Hell” segue a mesma trilha, porém cada vez mais sozinho, isto é, a banda não se agarra a ninguém para dar seus passos, apenas carrega influências que lhe ensinaram o caminho. Iron Maiden e Saxon são as maiores referências, sendo que a Shadows Legacy bebe uma dose de Power Metal também, algo que nem chega a arder a garganta, mas que, para os ouvidos mais apurados logo se percebe. O primeiro tiro com “Die with Your Honesty” foi certeiro, pois a faixa é excelente para abrir o disco (assim como um show) e serve como um belo cartão de visitas. A quebrada no meio da composição é de dar gosto. “Harvester” e seu andamento cadenciado mostram a versatilidade da banda, com um baixo primoroso – aliás, as linhas de baixo são alguns dos destaques – e riffs de guitarras matadores. Wille Cardoso não chega a ser um vocalista espetacular, mas possui um bom timbre e encaixa suas linhas perfeitamente, o que só adiciona qualidade ao som. Ainda há a participação de Blaze Bayley (ex-Iron Maiden) na ótima “Hate Within”. “Rage And Hate” e “We Are The Legacy” foram as faixas que vieram do primeiro EP, sendo que a última já pode ser considerada um ‘hit’ da banda. “You´re Going Straight to Hell” pode ser considerado um ótimo trabalho e a Shadows Legacy um dos maiores representantes da NWOBHM (New Wave Of Brazilian Heavy Metal). We are the legacy of Metal!

45


Anarkhon Welcome To The Gore Show Rotten Foetus Por Pedro Humangous

9,5

Morte e terror para todo lado! Esse é o maravilhoso mundo decomposto do Anarkhon! A sensacional arte da capa do mais recente álbum “Welcome To The Gore Show” já chama bastante a atenção pela criatividade, humor e talento (créditos para o artista Wellington Backer). Para quem já conhece o som desses paulistas, já sabe o que irá encontrar ao colocar o disco para tocar: Spatter, Gore, Death Metal e podridão extrema! Tudo muito bem feito, com ótimas composições, letras sanguinárias e interessantes e uma qualidade técnica de cair o queixo. A banda formada por Aron Romero (guitarra e vocais), Wellington Backer (bateria), David Fulci (guitarras) e William Crave (baixo), já é veterana e esse é o terceiro – e melhor – registro do grupo. A gravação e produção ficaram por conta do experiente Pedro Esteves (da banda Liar Symphony), que deixou tudo em seu devido lugar (inclusive a necessária sujeira que o estilo pede). O disco possui dez devastadoras músicas viciantes, que deixam marcas profundas em seu cérebro e pescoço. O ritmo incessante permeia por toda a audição, não dando descanso aos ouvidos, é riff em cima de riff, e a bateria batendo como um liquidificador com pedra dentro. Os poucos momentos mais cadenciados quase te hipnotizam. Destaque para as ótimas “Witness The Horror”, “Grotesque Disfigurement Of Human Bodies” e a divertida e hilária “Aniquilação Macabra”, cantada em português. Um trabalho extremamente bem feito e viciante. Um dos melhores discos do estilo dos últimos tempos. Está no meu som há mais de uma semana e, pelo visto, não pretende sair de lá por um bom tempo!

MORTIFIER RAGE Field Of Flagelation Indepente Por Cupim Lombardi

9,0

Como várias bandas do metal extremo nacional, o Mortifier Rage acaba lançado seus materiais em intervalos um pouco longos. Infelizmente, pois são bandas que têm compromisso com a proposta de seus lançamentos e diria que são quase impossíveis de não lançarem materiais de qualidade. Preparando seu terceiro trabalho, os mineiros trouxeram esse single para demonstrar a porradaria que virá! Com apenas duas composições, o disco não atinge dez minutos, porém pode colocar no repeat e deixar rodar, pois o Death Metal aqui apresentado é de extrema qualidade. “Genocide of Minds” já inicia sem nenhuma introdução e bem direto. Fica bem evidente a proposta da banda na arte extrema do Death Metal. A cozinha muito bem alocada com ótimas pegadas destacadas do baixista Warley Alves, com ótimas linhas vocais. A segunda música, “Redemption Blade” também está muito bem estruturada e uma versão anterior dela pode ser conferida em videoclipe nos canais da Internet. Um grande avanço de produção da banda, visto que seu último trabalho fora lançado em 2008. A gravação foi feita em Belo Horizonte no estúdio Attack e nos deixa a espera desse ataque sonoro que virá no próximo play!

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Desert Dance Open Secrets Independente Por Junior Frascá

8,0

Formado, no começo de 2014, por Junior Rodrigues (vocal), Lizzy Louiz (guitarra), Leonardo Xavier (baixo) e Nico The Boss (bateria), o Desert Dance é uma das grandes revelações do Hard Rock/Sleaze nacional. Com um som totalmente calcado nos primórdios do estilo, a banda empolga o ouvinte em cada uma das quatro faixas apresentas nesse seu primeiro EP, com ótimos riffs (cheios daquela “malícia” característica do estilo), cozinha precisa e direta, e linhas vocais transbordando energia, com aquelas passagens que grudam facilmente na mente do ouvinte logo na primeira audição do material. A produção do trabalho, gravado no Mr. Som, é bem moderna, mas sem tirar o tom “old school” do material. Altamente indicado para os fãs de Hard Rock, que não se preocupam com inovações, não se importam com os tradicionais clichês do estilo, e procuram música de qualidade para momentos de pura diversão.

X-Rated Shaking Like A Bad Machine Urubuz Records Por Leandro Fernandes

9,0

Tratando-se de um relançamento, a galera da “Urubuz Records” acertou em cheio ao fazer algo tão interessante com esse petardo. Esse é o primeiro disco da banda e tem um grande valor e importância para o cenário Rock do nosso país. Com a pegada de um Hard bem cru e rápido, o X-Rated tem muito talento e mostra que com esse disco não é preciso muito esforço para mostrar o quanto á banda é grande. “Shaking Like A Bad Machine” é um disco forte e intenso e merece grande atenção. Todo o trabalho feito está bem próximo do primeiro lançamento, como a arte da capa e produção. O som continua vibrante, forte e marcante. Músicas como a abertura do disco “Striptease Boogie” e a pomposa “Evil Generation” garantem bem o peso de forma original e sem firulas. O disco mostra bons riffs e o vocal acentuado e lapidado no Hard único e saudosista que é de muito agrado no disco. Mostrando também um belo trabalho do baixo e baterias, nota-se uma forma mais “podre e suja” em se fazer um bom som, “I Wanna Beer” mostra muito bem isso por ser uma música curta, rápida e pesada, com belos agudos no vocal. Com uma riqueza em belas passagens nas guitarras e bateria, “King Of The Hill” e a grudenta “Have You Heard The News” mostram também uma veia “setentista” bastante notável na banda Quem ainda não adquiriu, faça-o, pois já é um grande disco e de muito valor no Hard Rock nacional.

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Viocety Instinct Independente Por João Messias Jr.

8,0

Apesar de se rotularem como um grupo Thrash e reunirem em sua música elementos do estilo, definir dessa forma o som desse quarteto paulista seria injusto, pois apesar de tudo, o quarteto formado por Gustavo Cunha (voz), Aloisio Mello (guitarra), Leonardo Rafael Garcia (baixo) e Leonardo Schimidt (bateria) insere detalhes mais contemporâneos em sua música, que tem de tudo para agradar aos fãs de outras vertentes musicais, principalmente, pelas cordas mais gordas das guitarras e baixo. Um exemplo é a faixa “Lead and Flesh”. Mas o trabalho não olha apenas para o lado mais atual da cena, ele possui momentos mais voltados ao tradicional como na música “Game of Life”, que agradará aos mais “trues”. Não é necessário ficar dizendo sobre o desempenho dos músicos em suas funções, pois todos são gabaritados e não devem em nada aos medalhões da cena nacional. A produção feita por Paulo Sosa (Tempestt) e que na ocasião gravou os baixos, é digna de elogios, pois apesar de tudo estar nítido, possui aquela sujeira necessária para produções do estilo. Mais um bom trabalho da nova safra do metal nacional.

Shitfun Promo 2013 Old Grindered Days Recs Por Leandro Fernandes

8,0

Como é grande e original o talento de bandas brasileiras em se mostrar diferentes naquilo que fazem. O “Shitfun” mostra isso de maneira divertida e irreverente, fazendo um som objetivo e rápido, calcado no extremo. Rotular um estilo seria difícil devido ao talento e originalidade dos caras, mas é um misto de Grindcore, Gore e um Death Metal ao longe. A banda, na verdade, consiste em uma dupla, Marcos Alexandre (vocal/guitarra) e Glésio Torres (bateria/ vocal). Contendo treze faixas, levando o nome de “Promo 2013”, curiosamente todas elas com nomes de mulheres, podendo se considerar como uma homenagem, carinhosamente batizadas como nomes completos. São faixas curtíssimas de puros guturais e bastante velocidade. Bateria e guitarra não param e mostram um som “sujo” e de qualidade, dando a entender que se trata de uma banda com mais integrantes devido ao “barulho” produzido. Faixas como “Dominique Martins”, “Socorro dos Santos”, “Graciela Oliveira” e “Cristina Silveira” mostram bem o quanto o som é brutal e feito de forma única. O disco é bem produzido e a arte da capa bem interessante. Fica um registro interessante e seletivo, pois aos amantes do metal extremo pode-se considerar um grande petardo.

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In Vida Reflexões Independente Por João Messias Jr.

8,5

Uma das melhores coisas quando você se livra do radicalismo é que você se sente pronto para experimentar novas coisas. Como aqui o tema é música, os ouvidos são preparados para escutar sons diferentes do que estava habituado. Se estiver nessa fase, recomendo ouvir o álbum “Reflexões”, da banda In Vida. O quinteto formado por Diego (voz), Douglas (guitarra), Bruno (guitarra), Fernando (baixo) e Fabiano (bateria) unem em seu som arranjos eletrônicos numa sonoridade que mescla o pop rock com peso moderado, o que gera uma audição tranquila e agradável. A primeira faixa “tocada” do álbum, “Uma Só Voz”, mostra o caminho que o grupo escolheu. Mesclando os estilos citados unidos a muita melancolia, o disquinho vai prendendo a cabeça do ouvinte. Se gostou do que ouviu até aqui, tem tudo para se empolgar com as seguintes “Tempo” e “Amanhecer”, que se destacam pelos refrãos simples e cativantes. O peso aparece em “Reflexões”, que também é mais acelerada e que, dessa forma, destoa das outras músicas, sem que isso seja ruim. “Erros” chama atenção pelo andamento vocal e “Palavras”, que possui duas versões do disco, são as melhores, graças ao andamento mais intimista, em especial a versão acústica que ganha de vez o ouvinte, num belo trabalho, que agrada pela linearidade e pelo uso milimétrico do elemento melancolia, sem soar chorão ou reclamão. A arte, feita por Bruno Corrente merece elogios por causa do uso de elementos como o caminho feito de pedras e simbolismos como borboletas e o céu já mostra o que iremos ouvir e aliado ao som afiado do grupo, que tem tudo para agradar fãs de bandas como Fresno, Sonic Syndicate e o saudoso Ponto Nulo No Céu.

Agamenon Project/Death Slam Split CDr Who Cares? Records Por Christiano K.O.D.A.

8,0

De cara, a Agamenon Project, a primeira do split, arranca elogios pela excelente qualidade do material. Antes indo para um lado quase puramente Grindcore, aqui a one-man-band parece ter acrescentado elementos Death Metal no que já era bom. A começar pela espetacular e pesadíssima faixa de abertura, “Life Fueled by Hate”. Impressionante e viciante! Dali em diante, é mais e mais porrada, a maioria movida a velocidade máxima, sem dó. São composições bem curtas, mas com um poder altamente destrutivo. E já que mencionei o peso na primeira música, estendo a qualidade para as restantes: é algo realmente foda o timbre demolidor da guitarra. A bateria programada parece artificial, é verdade, mas no meio de uma produção tão boa e cuidadosamente suja, isso fica para trás. Sim senhor, a produção é um capricho! E para “piorar”, há dois covers aniquiladores e irresistíveis: “Crianças Sem Futuro” (Ratos de Porão) e “School” (Nirvana). Sério, eles ficaram excepcionais e muito mais brutais do que as versões originais. Na segunda parte do split, vêm os veteranaços da Death Slam com seu Crossover competente e imundo. São músicas diversificadas, com várias mudanças de andamento, mas sem perder a agressividade. Então, como dito, é Crossover. Passa pelo Punk, pelo Hardcore, Grind e pelo Metal de forma bem convincente e encorpada. As gravações datam de 1996, portanto, a produção não é algo que se diga que está ótimo, mas também não está ruim. Digamos que dá conta do recado. Enfim, é um registro de pura ignorância sonora, formada por grandes e barulhentas bandas do nosso cenário. Quer mais o quê?

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Exorcism I Am God Golden Core Records Por Vitor Franceschini

8,0

Banda multinacional que conta com integrantes experientes e que vieram para marcar território. O Exorcism (o nome não é muito original) conta com o sérvio Csaba Zvekan (vocal, Raven Lord, ex-Killing Machine), o “guitar hero” norteamericano Joe Stump (Raven Lord, HolyHell), o batera britânico Gary King (Achillea, Jeff Beck, Joe Lynn Turner), além do baixista italiano Lucio Manca (Dominic, Solid Vision). Isto é, um time de peso e que tem estrada. E isso fica evidente ao ouvir “I Am God”, primeiro registro dessa banda intercontinental, afinal o som aqui encontrado é coeso, estruturado e executado de forma primordial. O foco do trabalho é o Heavy/Doom Metal extremamente influenciado por Black Sabbath da fase Ronnie James Dio. Aliás, Zvekan é bem influenciado pelo mestre Dio, o que jamais poderia ser julgado como ruim. Sua voz é mais rouca, no entanto. Sem sombra de dúvidas o trabalho de guitarras é o grande destaque, já que Stump destila bons riffs e memoráveis solos, tendo sua cozinha como uma base estupenda onde a bateria consegue se virar com o andamento cadenciado e o baixo destila peso com ótimas viradas. Apesar da vertente Doom, as músicas não possuem um clima tão carregado, talvez pelo fato da pegada Heavy Metal se fazer presente em todas as composições. Destaque para a faixa título, “Voodoo Jesus”, “Exorcism” e a ‘rocker’ “Higher”, além de “Zero G” que fecha o disco magistralmente. A arte da capa, apesar de previsível é assustadora e muito bem feita.

Black Sachbak No Pay No Gain Independente Por Pedro Humangous

8,5

Pelo visto, a cena Israelense está pegando fogo! E não tem nada a ver com as constantes guerras da região e, sim, pelas incríveis bandas que vêm surgindo de lá! E não ouse pensar que a qualidade de gravação ou capacidade técnica dos músicos estejam abaixo do nível mundial, pois estão nos apresentando bandas profissionais e com composições surpreendentes. O Black Sachbak nos brinda com um Thrash Metal – ora mais agressivo, ora mais puxado para o Crossover – com uma sonoridade bastante peculiar e divertida. É possível notar a diferença no sotaque nos vocais de Eliran Balely, que dá uma identidade única às músicas. O grupo preferiu seguir as raízes do Thrash no estilo de Nuclear Assault, Gama Bomb e Municipal Waste, atribuindo ainda uma dose extra de Punk. As músicas são velozes e a maioria de curta duração (pouco mais de dois minutos cada) e as dez faixas que compõem “No Pay No Gain” passam voando! E vou avisando, o estrago é grande! Destaque para “Haircut I Never Got”, que ganhou um videoclipe, e “Marx Was Right”, a mais longa do disco e com um refrão matador! A gravação ficou boa (podia ser melhor, mas o estilo praticado aceita bem esse estilo mais “sujo”) e os timbres das guitarras perfeitos, onde aproveitaram para detonar com solos de arrepiar – isso sem falar na masterização de Scott Atkins, que trabalhou com bandas como Sylosys, Behemoth e Savage Messiah! A faixa “Soher” (uma música cover) é bizarra e dispensável, ainda bem que dura pouco. A sequência com “Capitalist Zombies” e “Fuck Your Law” retomam as rédeas e mantém o trabalho no rumo certo. A arte de Andrei Bouzikov abrilhantou ainda mais esse belo álbum, fazendo com que seja absolutamente necessária sua audição para qualquer ´Thrash Banger´ que se preze! Bem vindos à nova escola do Thrash Metal e guardem esse nome, pois é muito provável que se tornem um dos grandes nomes do estilo em breve!

50


LaxSid Oriental Demolition Independente Por Augusto Hunter

9,0

LaxSid é um projeto de Black Metal feito somente pelo LaxSid, um sírio que resolveu gravar esse belo disco. Com um clássico clima oriental e os sons da guerra que acontecem em seu país, ele demonstra uma maturidade musical incrível, tanto em termos de composição como na execução de suas músicas e inserções de efeitos e afins. Black Metal clássico, seco e direto na cara, LaxSid tem como tema a destruição das religiões e a guerra; isso é percebido claramente na introdução de “Fierce Wars”, pois sons de tiros e bombas são ouvidos no início da música, precedendo uma destruição sonora. Em sua maioria, as músicas têm uma levada mais cadenciada, mas realmente bem Black Metal, e temos outras faixas mais rápidas. Quem curte o DarkThrone visceral e inicial vai se identificar com o trabalho do sírio que, até mesmo em seu trabalho de gravação e masterização, procurou deixar aquele ar mais “noir” no disco.

WARCURSED The Last March Eternal Hatred Records Por Cupim Lombardi

9,0

Os paraibanos do Warcursed lançaram, em 2014, seu segundo full-length, o primeiro pela Eternal Hatred Records em um ótimo trabalho puxado para um Death Metal com pegadas melódicas muito bem executadas. O excelente trabalho de produção ficou a cargo da banda e Victor Hugo Targino. Na abertura, após a introdução já mostram isso com “Supeior Tiranny” que parte direto para a proposta da banda: Death Metal melódico sem perder raízes tradicionais, mas com passagens mais “modernas”. Vale destaque para a música título, a melódica e pesada “Symptoms of Decay” e “Renegades From Hell” que já conta com um videoclipe disponível. Um porém é que até o final do álbum a sequência fica um pouco repetitiva, mas não tira nenhum mérito deste trabalho que deve ser apreciado pelos seguidores do estilo, pois a banda tem muito a apresentar e já se carimba dentro da cena nacional com destaque pelo ótimo trabalho de seus músicos. A banda acaba de retornar de uma turnê europeia ao lado de ninguém menos que Nervo Chaos e Centurian mostrando que já consolidam seu trabalho no Death Metal nacional.

Frost Despair The God Delusion Independente Por Fernando Monteiro

8,0

A banda de Porto Alegre possui um estilo muito pouco explorado: combinando música clássica ao metal extremo ela consegue demonstrar muita técnica e extremo conhecimento no que fazem. Após uma breve introdução, temos a faixa “God Delusion”, tendo o mesmo nome do álbum que teve inspiração no livro “The God Delusion” de Richard Dawkins, que, assim como o álbum, fala sobre os males causados pela religião. Com tudo explicado devo destacar algumas faixas: “Damnation”, “Dark Bachiana” e “The

51


Final Breath” (ok, destaquei três faixas de um álbum que possui sete, eu sei). Minha primeira impressão era que eu iria ouvir o álbum inteiro achando que fosse uma música só, coisa que, convenhamos, tem sido bem comum em bandas do gênero; para minha surpresa foi exatamente o contrário. A alternância orgânica entre os vocalistas altera a percepção de todos os refrãos e pontes, destacando bem quem faz o que; os guitarristas fazem um brilhante trabalho em “Dark Bachiana” onde mantêm uma pegada e alternam com as linhas vocais, espetacular. Não é o som que eu esperava, e nem deveria!

Sunroad Carved In Time Alternative Music Por Leandro Fernandes

8,5

Esse quarteto goiano já está há 17 anos na estrada, mostrando uma grande força com seu Hard Rock fincado nos anos 80. Esse disco mostra bastante amadurecimento dos caras, com um som altamente vibrante e empolgante, típico dos “harders” saudosistas. “Carved In Time” traz dez excelentes canções, com uma capa básica, mas dentro da proposta. O Sunroad investe pesado na temática que predomina a banda e o quesito invenção está longe de passar nesse disco, pois o som é objetivo e direto. Iniciando o disco com a faixa título, “Carverd In Time” é interessante e marcante, boas bases, cozinha cadenciada e um solo muito bem executado pelo guitarrista Neto Mello. Seguida da carregada “Master of Disaster”, temos belos riffs e um excelente trabalho do baixo e um refrão bem interessante. “Into The City Lights” é uma música empolgante e mostra bastante pegada. De praxe, baladas fazem parte de bandas do gênero e “Commomplace Heat” se encarregou de fazer a vez, com Harion Vex cantando juntamente com a cantora goiana Olívia Bayer, com belos arranjos de violão e guitarras. “Five Years Wasted” inicia com uma cozinha rápida destacando as escalas de baixo (que é evidente na música), com um belo solo de guitarra e um refrão marcante. Mostrando uma pegada “hard setentista”, “Echo of Your Loving” é arrastada e perfeita com suas execuções de teclados e refrão agradável. “Backing Again” se incube de encerrar o disco, de maneira um pouco mais suave e com passagens marcantes de guitarra, merece atenção pelo trabalho do vocalista. Os caras do Sunroad, sem inventar, conseguiram fazer um álbum que irá agradar até o mais fervoroso fã do estilo. Merece atenção, pois os caras acertaram bem ao produzir esse début.

Worst Cada Vez Pior Against Records Por Pedro Humangous

9,0

Sai de baixo que lá vem pancada! O título do segundo disco da banda Worst, “Cada Vez Pior”, retrata a triste realidade desse país em que vivemos, da maioria do povo brasileiro. As letras transbordam ódio, quase que infectante, entrando pelos seus ouvidos, mexendo com sua cabeça e fervendo o sangue das veias. A base do som é o Hardcore, bruto, reto e violento, bem na linha da escola nova-iorquina do Hatebreed, por exemplo. O verdadeiro desafio creio que tenha sido encaixar o instrumental às letras, cantadas em português. E aqui tiveram êxito. O álbum vem embalado em um bonito digipack, contendo uma arte simples, porém impactante, além de um encarte que se transforma em um pôster da banda. A qualidade de gravação está muito boa, dando bastante destaque para o baixo, bateria e principalmente para as nervosas guitarras. Os vocais ficaram um pouco abafados, creio que propositalmente, gerando um clima de urgência e agonia. Os destaques ficam para os “gang vocals” (os famosos “coros”) que empolgam até a alma, sem falar nas vinhetas que precedem algumas músicas! Os riffs de Douglas Menchiades estão insanos e viciantes, sempre acompanhados das incríveis linhas de bateria de Fernando Schaefer. O baixo estalado e encorpado de Ricardo Brigas e os vocais competentes de Thiago Monstrinho completam essa máquina do ódio chamada Worst. Definitivamente, uma das melhores bandas do underground nacional e um belíssimo representante do Hardcore mundial. Se em estúdio a banda já é capaz de fazer estragos permanentes, não quero nem imaginar como deve ser a destruição ao vivo!

52


HELL PLAYER Veja o que a equipe da Hell Divine está ouvindo ultimamente:

Pedro Humangous Opeth – Pale Communion

Mais calmo e mais belo do que nunca. Ainda sinto falta do antigo Opeth Marcos Garcia Sabaton – Heroes

Revelando heróis históricos, e tudo embalado por boas músicas! A Cobra fumou!

Christiano K.O.D.A Inhume – In For The Kill

Literalmente o álbum que mais escutei na vida! Death Metal/Goregrind perfeito! Augusto Hunter Misery Index - Heirs To Thievery

Death Metal levado à sua máxima velocidade e agressividade

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Leandro Fernandes Paradise Lost - One Second

Um som soturno e arrebatador que não peca em nada Júnior Frascá Blue Cheer - What Doesn’t Kill You

Precursores do Stoner, do Occult Rock e do próprio Heavy Metal

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João Messias Jr. Mr. Big - Hey Man

A melancolia faz desse trabalho um dos mais completos e inspiradores do grupo Luiz Ribeiro Mnemic - Sons Of The System

Ótima indicação pra quem procura algo diferente do que aparece hoje em dia


Cupim Lombardi Master - Slaves To Society

Uma frase explica bem o รกlbum: "I hate everyone and I hate everything!

Thiago Rahal Mauro Rush - Hold Your Fire

O auge do experimentalismo da banda

Maicon Leite Grave Digger - The Last Supper

Peso e melodia com a classe e esmero habituais de Sir Chris Boltendahl & Cia.

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Rascunho do inferno


10 ANOS

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Hell Divine Nº 20 - Agosto 2014  
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