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SUPLE MENTO

LITE RÁRIO

Florianópolis–SC • Março / 2019 • N.148 • Edições A ILHA • Ano 38

CONTO INÉDITO DE JÚLIO DE QUEIROZ (1ª. parte)

CATARINENSE NA FEIRA DO LIVRO DE LISBOA

O ESCRITOR DE ONTEM E DE HOJE – Entrevista com

Celestino Sachet

POESIA MENSAGEIRA – Crônica de Luiz Carlos Amorim

CASTRO ALVES, ETERNAMENTE JOVEM Portal A ILHA: http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br


Florianópolis–SC • Março / 2019 • N.148 • Edições A ILHA • Ano 38

MEU CORAÇÃO E EU

Luiz Carlos Amorim – Florianópolis, SC

ENCARNAÇÃO Cruz e Sousa

Meu coração, pejado de saudades, está de malas prontas, de mudança para as terras d´alem-mar Portugal, amada, da língua líquida e fluida, sonora e musical, a única que tem a palavra saudade. Vou encontrar meu coração lá, mais tarde, à beira do Tejo, sob a luz sem igual de Lisboa, no esplendor do Douro ou à beira do Sado...

Carnais, sejam carnais tantos desejos,
carnais, sejam carnais tantos anseios,
palpitações e frêmitos e enleios,
das harpas da emoção tantos arpejos… Sonhos, que vão, por trêmulos adejos,
à noite, ao luar, intumescer os seios
láteos, de finos e azulados veios
de virgindade, de pudor, de pejos… Sejam carnais todos os sonhos brumos
de estranhos, vagos, estrelados rumos
onde as Visões do amor dormem geladas… Sonhos, palpitações, desejos e ânsias
formem, com claridades e fragrâncias,
a encarnação das lívidas Amadas!

Vale do Rio Douro

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SUPLE MENTO

LITE RÁRIO

EDITORIAL COMEÇA O ANO LITERÁRIO É março e, portanto, começa o ano literário na Santa e bela Catarina. Na verdade não é bem assim, pois a terceira edição da nova revista ESCRITORES DO BRASIL – Literatura Brasileira para o Mundo, foi lançada em fevereiro, então no segundo mês de 2019 já estava circulando um importante órgão de divulgação da nossa literatura. E cá estamos com uma nova edição da revista SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA, a publicação tradicional do Grupo Literário A ILHA, que completa 39 anos de circulação neste ano de 2019. Em junho, edição especial de aniversário, com muito mais conteúdo e com um time de primeira. Nesta edição, além de muita poesia, prosa de vários gêneros e informação literária e cultural, publicamos a primeira parte de conto inédito do saudoso Júlio de Queiroz, um dos maiores escritores de Santa Catarina e do Brasil. O conto é extenso, por isso optamos por publicá-lo em três partes e a primeira já está aqui neste número 148 do Suplemento Literário A ILHA. Você, leitor que está abrindo agora a nossa revista, contate conosco e diga o que achou da publicação: comente, critique, elogie, dê sugestões, diga o que gostaria de ver na revista. Na próxima edição, estaremos iniciando uma seção de cartas, para publicar o que os leitores estão dizendo do nosso trabalho. O e-mail para contato: revisaolca@gmail.com. O Editor

Visite o Portal PROSA, POESIA & CIA. do Grupo Literário A ILHA, na Internet, http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br 3


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CASTRO ALVES, ETERNAMENTE JOVEM C. B. de Oliveira

A indignação nasceu com Antonio Frederico de Castro Alves, em 14 de março de 1847, na Vila de Curralinho, hoje município de Castro Alves. Seu pai era médico e a mãe, dona de casa. A família mudou-se para a capital, Salvador, quando o poeta tinha 7 anos. Doutor Alves passou a lecionar na faculdade de Medicina da cidade e o menino foi matriculado no Ginásio Baiano, onde era colega de Rui Barbosa. A vocação poética chegou cedo e, em duelo de versos com a Águia de Haia, protestava: Se o índio, o negro africano / E mesmo o perito hispano / Têm sofrido servidão, / Ah, não pode ser escravo / Quem nasceu no solo bravo / Da brasileira região! O adolescente já antecipava

em versos redondilhos maiores (com sete sílabas poéticas) o vigor de uma inspiração rara moldada por uma forma vigorosa, feita de imagens originais, fortes e de uma noção de nacionalidade tanto exata quanto precoce. Aos 16 anos, ele seguiu com o irmão José Antônio para o Recife, onde concluiram os preparatórios para a faculdade. No início, a Recife do tempo pareceu-lhe “insípida”, como mostra o trecho da carta enviada a um amgio baiano em que se queixa: “Minha vida passo-a aqui numa rede olhando o telhado, lendo pouco e fumando muito. O meu ´cinismo´passa à misantropia. Acho-me bastante afetado do peito, tenho sofrido muito. Essa apatia mata-me”. Note-se que, conforme a 4

carta, ele tem o peito bastante afetado, o que lhe acarretava grande sofrimento. Eram as garras da tuberculose que começavam a se cravar no coração de 17 anos. E ele fumava, fumava muito. Não conseguiu entrar na Faculdade de Direito do Recife na primeira tentativa. Mas logo a vida acadêmica lhe traria amigos e cúmplices nos ideais, na boêmia e nas rodas intelectuais onde se discutia política e literatura, o que o distrairia do suplício que a doença


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lhe destinava.

VOZ DOS ESCRAVOS Castro Alves deu rosto à massa escrava oprimida. Falou das mães, das crianças, dos velhos, dos jovens, dos homens e das mulheres na força plena da vida. Restituiu-lhes a humanidade que a sociedade colonialista escravocrata havia roubado, transformando-os em propriedade. Revelou suas torturas físicas, seus vexames morais, seus sentimentos ultrajados pelo comércio de seus corpos, pela dissipação de suas famílias, pela afronta à inteligência e à sensibilidade inerentes ao seu status de seres humanos. Ninguém se

revolta contra a injustiça O poeta usava metácomo a juventude. foras, comparações, hipérboles, antíteses, ROMÂNTICO enfim, uma linguagem altamente simbólica e Castro Alves foi, de imagética que precisa todos os poetas român- ser devidamente interticos brasileiros, aquele pretada para que se que cultivou o lirismo cheque à essência de amoroso mais impreg- seu conteúdo sem se nado de sensualidade. deixar levar apenas pela Valendo-se frequente- forma. mente de elementos da Ao saber de sua connatureza para metafori- dição de tuberculoso, zar a imagem de suas aos dezessete anos, o musas, ele constrói ver- poeta, ao contrário de sos de beleza original e seus pares da geração vigorosa. Ao contrário de anterior, rejeitava a ideia seus companheiros de de morte. Seus poemas estética, não se debru- são um claro manifesto çava choroso sobre de amor à vida, aos virgens transparentes prazeres, aos amores, à natureza. Mas a morte e inatingíveis. Em sua obra lírico-a- o perseguia inclemente. morosa, Castro Alves Soube driblá-la, agarrado celebra a comunhão às suas convicções entre os sentimentos e políticas, à sua militânos imperativos da carne. cia e aos amores que teve. No Rio, conheceu José de Alencar e Machado de Assis. Na capital paulista, chegou 14 de março é o Dia a cursar a Faculdade de Nacional da Poesia Direito do Largo de São porque é o dia do Francisco, tendo pedido nascimento de Castro transferência de Recife. Alves. A cidade de São Paulo era a cidade da garoa e ele se expunha em demasia ao clima. Além disso, continuava fumando muito. Em uma 5


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caçada, ocorreu um acidente com a espingarda que carregava e feriu o seu pé. O ferimento agravou-se e ele foi levado para o Rio, para

um melhor tratamento. Mas o ferimento era grave e uma parte da perna foi amputada. A partir de então, encontramos em sua obra poemas em que a aceitação da morte, afinal, apa-

rece. Desgastado e com depressão profunda, Castro Alves voltou à Bahia. A bordo do navio que o levou para casa, escreveu o prefácio de ESPUMAS FLUTUANTES, o mais belo de sua obra. Morreu com 24 anos, em julho de 1871. Dois poemas do poeta:

Oh! Bendito o que semeia Livros à mão cheia E manda o povo pensar! O livro, caindo n’alma É germe – que faz a palma, É chuva – que faz o mar!

AMAR E SER AMADO Castro Alves

Amar e ser amado! Com que anelo Com quanto ardor este adorado sonho Acalentei em meu delírio ardente Por essas doces noites de desvelo! Ser amado por ti, o teu alento A bafejar-me a abrasadora fronte! Em teus olhos mirar meu pensamento, Sentir em mim tu’alma, ter só vida P’ra tão puro e celeste sentimento Ver nossas vidas quais dois mansos rios, Juntos, juntos perderem-se no oceano, Beijar teus lábios em delírio insano Nossas almas unidas, nosso alento, Confundido também, amante, amado Como um anjo feliz... que pensamento!? 6


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NAS ALAMEDAS DO TEMPO

ALMA

Erna Pidner – Ipatinga, MG

Rita Pea – Portugal

Nas alamedas do tempo depositam-se esperanças desdobram-se desejos desfrutam-se verdades, desembocam alegrias desfilam apelos desabrocham virtudes discrimina-se o viver desconhecem-se obstáculos direciona-se um caminho dobra-se um querer descortinam-se mudanças reformulam-se conceitos refutam-se desafetos regozija-se a humanidade reprime-se a angústia recomeçam-se tarefas revogam-se opiniões reconhecem-se heróis rejubila-se um campeão revitaliza-se um ambiente redescobrem-se mistérios reorganizam-se as nações recomeça-se uma vida em todas as direções!

Um homem levanta-se! Para ver o rio. Em silêncio, num gesto lento e ágil curva-se, para apanhar uma pedra e atira-a… Na outra mão, lança a alma, na mesma direção… … em busca de si mesmo.

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AGRURAS DO MEIÓTA

Conto de Enéas Athanázio – Baln. Camboriu, SC

Embora retinto e lustroso, ninguém se arriscava a chamá-lo de negro. Com muito boa vontade, estando no seu dinheiro, ele tolerava que o tratassem de moreno, eufemismo em geral usado. Naqueles tempos o conceito de negritude era difuso e a palavra já por si carregava enorme carga de preconceito. Tanto que o Meióta não aceitava

preto ou negro e respondia em cima da tampa: “Isso é sua mãe!” Exigia que o chamassem de cidadão e tinha lá suas boas razões, encravadas nos dias já afastados do passado. E no entanto, nunca se livrou do apelido, por mais que protestasse. Quando o conheci, ele residia num rancho para os lados da “saída” e vivia dias difíceis. Em nossos encontros sempre nos tratamos com cordialidade, mesmo quando ele, bem alto na pinga, andava em zigue-zague pela rua poeirenta. Numa dessas ocasiões, ele afirmou, com a língua travada e a voz pastosa: “Eu já fui coisa nesta vida,

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menino! Não fosse o maldito vício, hoje eu seria o seu Pereira, enfiado no meu uniforme, e todos me respeitariam.” Não tive razão para duvidar, mesmo porque ele tinha modos de gente educada e eu, ainda garoto, o conhecia de pouco. Mas a partir dali tomei interesse e comecei a indagar a respeito daquele homem solitário e sofrido. Contava-se na Vila que Meióta, cujo nome caiu no esquecimento, fora, de fato, coisa. Entrando muito cedo no serviço da ferrovia, aos trinta e poucos era chefe-de-trens cargueiros e, pouco depois, de passageiros, quase no topo da carreira que terminava na função de inspetor. E lá ia ele, o seu Pereira, para o norte e para o sul, envergando seu vistoso uniforme azul com botões e punhos dourados, coberto pelo quepe alusivo à condição de chefe supremo


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a bordo da composição. Em passo firme e decidido, percorria os vagões, gritando o nome da próxima estação, e recolhendo os tíquetes das passagens. Respeitado por todos, tinha fama de honesto, não aceitando propinas e nem permitindo clandestinos. No seu trem ninguém viajava sem passagem e os passageiros tinham que manter o bom comportamento. Nada de gritarias, arruaças, bebedeiras ou agarramentos de casais. Mas – e aí entra o velho mas! – o vício é a perdição do homem. Provando um gole aqui, outro acolá, nas frias e solitárias travessias do vale tortuoso por onde o trem corria todos os dias, virou um escravo da pinga, transformando-se naquilo que os médicos definem gravemente por dependente. Quando começou a se sentir notado pelos subordinados,

maquinistas, foguistas, guarda-freios e jornaleiros, tratou de esconder o vício numa pequena garrafa que levava no bolso, - uma meióta, - de onde lhe veio o tenebroso apelido. E assim, em pouco tempo, perdeu o emprego, perdeu o respeito dos outros, perdeu até o próprio nome, substituído pela alcunha infamante. Foi morar naquela Vila esquecida, biscateando, fugindo das chuvas e

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friagens num rancho mambembe, feio e esburacado. Tinha lá alguns amigos, entre eles um tal Natão, desocupado e desordeiro que passava os dias na plataforma da estação, numa roda de vadios, proseando prosas à-toa e dando risadas que ecoavam ao longe. Quando não bebia, Natão era o melhor dos amigos; bêbado, ficava insuportável. Nesse estado, por mal da


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sorte, acometia-o uma ideia malvada e sem razão: queria a todo custo incendiar o rancho do Meióta e mais de uma vez foi impedido a muque de realizar o propósito incendiário. Pertencente à família dos mandões da Vila, nada lhe acontecia, e por isso o pobre Meióta vivia em permanente e desesperada vigília. Cada vez que avistava o Natão no

rumo de seu rancho ou lhe diziam que ele andava por aquelas bandas, desabalava na defesa de seu último reduto. Não foram poucas as vezes em que acordou, alta madrugada, com o Natão rondando sua mísera morada, munido de petrechos inflamáveis. Durante anos essa corrida se repetiu. Os tempos voaram, afastei-me da Vila

SOMBRA

Célia B. Veiga – Joinville, SC

Por que será que a sombra projetada na parede é maior que nosso corpo? A expressão agigantada nos faz parecer maiores do que somos na verdade… Talvez seja a forma que a vida achou pra mostrar o quanto a ilusão é maior que a realidade… 10

e não tive notícia do desfecho de tão estranho furor incendiário. Meióta “passou para o outro lado do mistério”, como dizia mestre Machado de Assis, e Natão está sumido em vida, conforme o dito mineiro. Creio que o rancho não foi consumido pelas chamas, mas os protagonistas da história, com certeza, se consumiram no fogo da pinga.


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O HOMEM QUE VINHA AO ENTARDECER

REFLEXÃO

Maura Soares – Florianópolis, SC

José Eduardo Agualusa

Falava com devagar, ajeitando as
palavras. Falava com cuidado,
houvesse lume entre as palavras. Chegava ao entardecer, os sapatos
cheios de terra vermelha e do perfume
dos matos. Cumpria rigorosamente os rituais. Batia primeiro as palmas (junto ao peito) Depois falava. Dos bois, das lavras, das coisas simples do seu dia a dia. E todavia era tal o mistério das tardes quando assim falava, que doía.

Há um poeta em cada coração… Impossivel não se extasiar ante uma paisagem, um luar, um pôr do sol… Impossivel não se cativar com o sorriso de uma criança, Não se emocionar com o lamento de um idoso, com o choro de um adolescente. A alma sensível do poeta capta a mais sutil das emoções. O coração do poeta bate forte ao vislumbrar o ser amado. O poeta verdadeiro transmite seus sentimentos em versos, no olhar, numa lágrima contida. O poeta é, simplesmente, um SER DE LUZ.

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PROJETOS E EVENTOS REALIZADOS PELA CÂMARA LITERÁRIA DE POMERODE – CLIP MULHER (Andréa Gustmann e Neida Rocha)

•SACOLA LITERÁRIA POMERODENSE - (4ª edição nas Escolas de Ensino Fundamental); •SACOLINHA LITERÁRIA POMERODENSE - (2ª edição nos Centros de Educação Infantil); •SACOLA LITERÁRIA SOBRE RODAS - (Ônibus da Volkmann – Pomerode/Blumenau/Pomerode); •1º CAFÉ LITERARTE (entrega do Certificado Amigos da CliP Mulher); •1º FESTIVAL de ARTES; •2º SHOW DE TALENTOS DO SUS; •2º DESFILE CÍVICO (7 de Setembro); •2ª FESTA DAS CRIANÇAS; •2º DIA DO LIVRO; •2º LANÇAMENTOS NA REFOPA; •PESCARIA LITERÁRIA (diversos momentos); •FEIRA DO LIVRO TIMBÓ; •FEIRA DO LIVRO APIÚNA; •ENCONTRO ESCRITORES em Joinville/SC •LANÇAMENTOS na 25ª BIENAL SÃO PAULO; •CONCURSOS LITERÁRIOS (Contos, Crônicas e Poemas);

•FEIRA do LIVRO DO ESCRITOR POMERODENSE - (escolas do município); •LANÇAMENTOS na FUNDAÇÃO CULTURAL - Blumenau/SC; •PAINEL para fotos (localizado na SIEG GRÁFICA); •2º CONCURSO para CAPA da AGENDA (alunos de Pomerode); •LANÇAMENTO 2ª AGENDA POÉTICA; •LANÇAMENTO do Livro: PRATAS DA CASA; •LANÇAMENTO do Livro: BERNARDO E O VENDEDOR DE MAÇÃS (Andréa); •LANÇAMENTO do Livro: OS PEQUENOS BAILARINOS (Andréa); •LANÇAMENTO do Livro: ALFATUDO DO BEM (Neida); •EXPOSIÇÃO ITINERANTE DE POEMAS – Portugal - (Andréa); •COLETÂNEA OS 100 MELHORES POETAS LUSÓFONOS (Andréa); •CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS no Município de Pomerode; •CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS em Outros Municípios (Blumenau,

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Indaial, Apiúna e Rio dos Cedros); •CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS em Outros Estados (Bom Jesus/RS); •COLETÂNEA INTERNACIONAL (lançada em Paris e Praga) (Andréa/ Neida); •PARTICIPAÇÃO NA COLETÂNEA: AFINAL O QUE QUEREM AS MULHERES - REBRA (Andréa/ Neida); •PARTICIPAÇÃO NA COLETÂNEA IMORTAIS II (Neida); •TROFÉU (Melhores do Ano – LITERARTE) - (Andréa/Neida); •MEDALHA DE HONRA AO MÉRITO DA ACADEMIA DE LETRAS DE APIÚNA (Andréa/Neida); •PATRONA 8ª FEIRA LIVRO (Bairro IGARA – CANOAS/RS) (Neida); •LANÇAMENTO do livro PEGADAS NA VILA (Vila Encantada) (Neida);

•ESPAÇO PERMANENTE para DOAÇÃO de LIVROS no MOCAM; •EU SOU TOP (Rede TOP); •APROVAÇÃO DO DIA DO ESCRITOR POMERODENSE (21 de Agosto); •LANÇAMENTO da COLETÂNEA CONEXÃO BRASIL 2019; •LANÇAMENTO DO LIVRO RECEITAS PARA A VIDA; •LANÇAMENTO DO LIVRO BULLYING NO GALINHEIRO (Andréa); •EDITAIS PARA AS COLETÂNEAS: •DETALHES (poemas); •NAMORADOS (poemas); •ERÓTICOS (poemas e prosas); •FANTASIA (infantil); •SUPERAÇÃO (histórias sobre mulheres que superaram o Câncer).

REVISÃO DE TEXTOS E EDIÇÃO DE LIVROS

Revisão e copidesque de livros, jornais, artigos, blogs, etc. Revisado e com a editoração feita, entregamos seu livro pronto para a impressão.

Contato: revisãolca@gmail.com 13


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POESIA

J. C. Bridon – Gaspar, SC

"SONHOS"

Sinto que a poesia Toma conta de todo o meu ser E me transporta Para um belo caminho.

J. C. Bridon – Gaspar, SC

Deixei-me levar pelos sonhos, Pelas belas paisagens Que neles visualizava E tive a sorte de ser encantando.

Noto as flores e suas cores, Sinto o perfume E vejo os beija-flores A sugar-lhes o néctar.

Nada do que via Me assustava, Por isso, deixei-me tomar Por tudo que se apresentava.

Sinto no ar uma leve fragrância Como se tudo estivesse impregnado Para dar alento e conforto A todas as criaturas.

Era mais que um belo sonho, Eram as virtudes esquecidas, Os pensamentos vagos E os sentimentos vazios.

Olho o céu azul Com nuvens esbranquiçadas A formar figuras no ar Como se fossem viventes.

Cada um se transformando Minuto a minuto Em passagens completas E sonhos acabados.

Passo horas assim A contemplar a natureza Como se dela pudesse extrair Toda a sua beleza.

Assim, o poeta sonhou E seu sonho tornou-se realidade, Transformando sua nova vida Num imenso e inigualável sonhar.

Eis, pois, a poesia viva, Aquela que nos faz sonhar E acreditar Em sonhos coloridos. 14


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URGENTE NOTÍCIA BOMBA PALAVRAS CAVAM TÚNEL PARA FUGIREM


Rita Marília – Florianópolis, SC


Ontem, a polícia descobriu um túnel, cavado e pronto, que serviria para um grupo de palavras fugirem do dicionário. O delegado, em entrevista para o mundo e com exclusividade para nós, declarou que algumas palavras, revoltadas pelos

maus tratos e abandono que vêm sofrendo, rebelaram-se e, amotinados, buscavam fugir no dia de finados, O delegado nada mais soube ou quis dizer. A investigação prossegue, mas o que nossos repórteres já descobriram é que a mais perigosa facção criminosa, liderada pela palavra Ética, está totalmente envolvida. Outros nomes que estão sob suspeita são: Moral, Respeito, Civilidade e seus seguidores. Nossos repórteres não tiveram nenhuma informação sobre a morte da Honestidade, ocorrida dentro

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das páginas, que está sendo mantida sob absoluto sigilo. Cogita-se que ela tenha sido espancada e torturada até a morte. O delegado não quis falar sobre o caso para não atrapalhar o andamento das investigações, que prosseguirão assim que um novo Chefe do Departamento for nomeado, empossado e assumir o caso. Disse-nos, o delegado, que a posse do novo Chefe deve ocorrer no prazo máximo de trinta anos (30 anos), e que este prazo não interferirá no andamento das investigações, já que tudo está


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sendo registrado e documentado. Fontes altamente sigilosas informaram a nossos repórteres que mais fugas e mortes estão sendo arquitetadas dentro e fora do dicionário. Também ficaram sabendo que outro grupo, grande e bem armado, chefiado pela Ganância,

aproveitando-se da agitação nas páginas do dicionário, está preparando uma grande chacina e o alvo principal é o bando encabeçado pela Tolerância com seus comparsas que, aliás, parece já estar em negociatas com a quadrilha do Intolerante, para se pouparem da morte

LEIA

anunciada. Ninguém mais quis dar entrevista, mas nossos repórteres, bravos homens da notícia, continuarão investigando por conta própria e noticiando a qualquer hora, em edição extraordinária. Ficamos no aguardo de novas informações.

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MARATONISTA

DEUS ME ATENDE.

Arlete Trentini dos Santos

Arlete Trentini dos Santos – Gaspar, SC

Só cheguei a este mundo, porque fui o vencedor de uma grande corrida. Na corrida da fecundação. Fui um entre milhões. E na vida, corremos sempre. Corremos atrás dos sonhos.

Deus me entende. Deus me atende. Creio que a fé, pode ser do tamanho que a gente quer. Fé para mim, não é estar na igreja, bater o ponto, marcar presença. Minha fé se aviva, quando vejo seres humanos maravilhosos. Seres humanos que se doam sem nada querer em troca. Quando vejo este amor maior brotar, eu creio mais nos homens, mais na humanidade. E isso, me faz ter uma fé maior. Nos muitos anos de vida que vivi, tiveram noites traiçoeiras. Mas a cada dia Deus iluminava minha alma com o sol da esperança. Que posso então dizer? Tenho uma fé, que me faz mais agradecer, do que pedir, pois das coisas que sou merecedora Deus sabe. E posso dizer que Ele, nunca deixou de me dá-las.

Corremos dos pesadelos. Corremos contra o tempo. Corremos atrás dos ensinamentos da cultura. Corremos atrás de um emprego. Nossa vida, é de maratonista. E nesse corre-corre, o tempo passou E a grande surpresa chegou: Me aposento. Com 12 salários mínimos. Todos me parabenizam. -Puxa isso é uma benção, uma grande aposentadoria. Vamos comemorar, churrasco para todo mundo... -Epa! Eu falei 12 salários. Um para cada mês do ano. E começa mais uma corrida. A corrida para achar os preços mais baratos. Tenho que esticar o salário. Mas já me acostumei. Se tudo fosse diferente, acho que seria entediante. 17


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O ESCRITOR DE ONTEM E DE HOJE Entrevista com Celestino Sachet – Florianópolis, SC

A ILHA – Professor Celesinto, o senhor é um pesquisador, um estudioso da literatura feita pelos catarinenses. É o maior divulgador dela. Por que e desde quando essa paixão pelas letras catarinas? CELESTINO SACHET – Vamos sem pressa, embora não seja muito ético a gente falar a respeito da

própria c ozinha: Nasci em 1.930. Mandem telegramas em 31 de Janeiro. Nova Veneza, meu primeiro ninho, encostada na Serra Geral, lá no sul do Estado, no meu tempo de calça curta era banhada por um rio de águas azulíssimas, com o nome de um poema: “Rio Mãe Luzia”. Hoje, um rio de águas escuras, com cheiro de carvão que vai rumo ao mar, uns vinte quilômetros mais abaixo.

diariamente. Eles eram fabricantes do precioso líquido!

Depois de passar por todas as escolas de Nova Veneza, veio o curso Normal Regional, em Urussanga. A seguir, desembarquei em Florianópolis: Colégio Catarinense, Faculdade de Direito, Curso de Letras, na Faculdade de Filosofia do professor Fontes, onde descobri o gostoso mundo da palavra, das artes e da literatura de Santa Papai Antônio e Mãe Catarina. Madalena não se importam que o pri- Logo em seguida, meiro filho vá viver na me enamorei com o casa do Vô Luiz e da mundo da Educação. Vó Irene, fabricantes Aper feiçoamentos, de vinho. Ainda curto aqui; pós-graduação, a decisão, na taça lá mais adiante. E, de vinho que tomo até, doutorado e livre-docência em Letras. Professor, e realizado, com meu trabalho na Universidade Federal de Santa Catarina, claro, que é aqui na Ilha! Termina o primeiro tempo. - Isto é um jogo de futebol? 18


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- Claro que não! Mas é um jogo com a palavra. E, agora, constrói-se o segundo tempo:

t a m b é m d a U n i - com a Literatura versidade Federal, Catarinense, a partir decidimos organizar de 1979, com a obra livros didáticos para batizada A LITERAutilização nas séries TURA DE SANTA do Curso Ginasial. Os CATARINA, reformuEscrevo desde os dois autores decidi- lada e rebatizada, vinte anos. E, logo no início, acabei descobrindo que escrever é um vício tão gostoso igual à taça de vinho. Meus veículos de divulgação foram o jornal O Estado e o Diário da Manhã. Claro que de Florianópolis! E até algum tópico no Correio do Capa do livro A LITERATURA DOS CATARINENSES Povo de Porto Alegre. mos catarinencisar em 1985, agora de Entre 1968 e 1974, o ensino da Língua vestido novo e com o por milagre de um Portuguesa. Entre nome A LITERATURA anjo bom, acabei 1970 e 1973, surgiram CATARINENSE. reitor da Universi- os referidos - e eram dade Estadual. Entre quatro, um para cada E foram se corpooutros deveres, tive diferente série, com rificando outros e o compromisso de o título de LÍNGUA outros volumes que visitar e vistoriar as NACIONAL, editados não vale repetir. Mas instalações de ensino por uma empresa do que repetirei, até o superior, semeadas Rio de Janeiro. Vários final dos meus dias. Estado adentro e textos de autores catarinenses em uma A ILHA – Como o estradas afora. gramática funcio - senhor vê a literatura E, aí, senti como nal. Um sucesso! A produzida em nosso Santa Catarina estava maioria dos ginásios Estado, atualmente? fraca na divulgação públicos e particulaCELESTINO SACHET de seus escritores. res adotou a obra. – Aos 89 anos, com a Claro que existiam! E de bom tamanho! E aí, começou um vista meio capenga, Com a ajuda do curiosar cada vez sinto que ela está colega José Curi, ma i s a c e nt u da d o ausente das livra19


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rias, dos jornais, da televisão e, até, da Universidade Federal. Menos na minha biblioteca. A ILHA – Santa Catarina é um Estado onde se escreve bastante. Poderia falar da qualidade do que se escreve, considerando a quantidade? CELESTINO SACHET – Vou falar da qualidade dos livros que recebo. E não são tão poucos! A questão da qualidade, em obra de arte não depende apenas da cara com que ela se apresenta. A qualidade reside, principalmente, no prazer do consumidor. No caso do livro, no leitor. Ele está lendo? O que esse leitor pensa ou afirma, não comparece extra-muros.

oficial fizesse a sua parte, se houvesse mais apoio às letras, o panorama literário poderia ser diferente? Poderia ser melhor?

análise do Enéas Athanázio que me deixou envaidecido.

A ILHA – O senhor vê, para médio ou longo prazo, alguma CELESTINO SACHET maneira de resgatar– A respeito desse mos a educação? apoio, posso falar d e c áte d r a . N o s CELESTINO SACHET últimos sete anos, – F u i p r o f e s s o r recebi apoio total da durante meio século. Unisul, para a publi- Ainda hoje, ex-alunos cação das obras: A que me descobrem na LITERATURA DOS rua, se lembram da C ATA R I N E N S E S , nossa convivência e, 626 páginas, 2012; até, do livro LÍNGUA A LITERATURA DOS NACIONAL. Agradeço CATARINENSES – e informo que na Crítica Literária, 371 próxima encarnação, páginas, 2016 e IVO quero ser professor. SILVEIRA. PASSOS D O E S TA D I S TA , Não me parece que 204 páginas, 2018. pepinos e espinhos Desta obra, veio uma só floresçam na edu-

Agora quem pergunta sou eu: Quantos textos de análise você recebeu sobre os livros que vem publicando? (Resposta do Editor: poucos!) A ILHA – Se a cultura 20


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cação deste nosso tempo. A resolução do desconforto pode passar, primeiro, pelo tipo de professor em sala de aula, que aos trancos e barrancos, convive com um salário que não condiz com a dignidade da tarefa. A ILHA – O preço do livro serve de pretexto para a falta de acesso do cidadão comum ao livro? CELESTINO SACHET – O não acesso ao livro deve-se mais à falta de atração pela leitura-em-si. Escrever e ler correm em paralelo com o atual jogo de futebol. A bola entrou na rede, vozes e aplausos explodem

de pé! O livro entrou na livraria! Para quê comprar? Ele não me dá gosto! Prefiro ir ao campo!

gera leitor eletrônico. E a literatura vai acabar eletrocutada!

CELESTINO SACHET – Não sei. Não uso a internet. E nem sei usar! Não tenho tempo para aplicar no modismo. Esse texto, essa entrevista foi escrita à mão, porque aqui eu sinto a palavra saindo de mim. E não da maquininha!

CELESTINO SACHET – Daqui a vinte anos, todos vão perguntar: O que é um livro? O que é que vocês chamavam livro?

A ILHA – E o futuro do livro, como será? A ILHA – A internet Como o senhor vê facilita o acesso à o livro daqui a vinte anos? literatura?

A ILHA – Como ver o ESCRITOR de hoje? Ele está desempenhando o seu papel?

CELESTINO SACHET – Claro que sim! Mil sins! Você, eu, os leitores de A ILHA juram os s obre a CELESTINO SACHET Santa Cruz: SIM! – O livro eletrônico SIM! SIM! A ILHA – O livro eletrônico vai caminhando devagar. E já tem o seu lugar. Tem?

EXPEDIENTE Suplemento Literário A ILHA – Edição 148 – Março/2019 – Ano 38 Edições A ILHA – Grupo Literário A ILHA – Contato: revisaolca@gmail.com A ILHA na Internet: Portal PROSA, POESIA & CIA.: http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br 21


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A LUZ DOS OLHOS TEUS

Selma Franzoi de Ayala – Jaraguá do Sul,SC Por onde anda teu olhar que a vida de outra vida em seu mistério levou, que o sonho de outra vida em seu delírio acalentou, que uma estrela cadente, tão distante iluminou?

cintilará misteriosamente a luz dos olhos teus? Em que dimensão espacial brilhará infinitamente a luz dos olhos teus?

Por onde anda teu olhar que este setembro não viu, que por entre descaminhos e ventos invernais se perdeu entre teus sonhos e teus ideais?

Em algum tempo… Em algum lugar… Desvendaremos mistérios, venceremos desafios e cantaremos pelos céus deste mundo teu onde sopram sublimes ventos outonais e as chuvas da primavera serão apenas lembranças etéreas… E assim, por este universo infinito mitas luzes irão se encontrar e nossas estrelas brilharão eternamente numa única constelação…

Por onde anda teu olhar, em que hemisfério repousa agora o sonho teu? E que enigma esconderá esta estrela que, resplandescente ilumina agora a vida de outras estrelas deste mundo meu? Por onde anda teu olhar, de que dimensão espiritual 22


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IMPASSE – 1ª. parte Júlio de Queiroz

Painbody: acúmulo de experiências pessoais negativas nem tratadas nem aceitas. “Não surpreendentemente, pessoas com um painbody forte e frequentemente ativo encontram-se continuadamente em situações de conflito. (...) Às vezes, certamente, elas as provocam. Mas, de outras vezes, podem não fazer nada. A negatividade que emitem é suficiente para atrair hostilidade e gerar conflitos.” (Eckhardt Tolle. A New Eart. p. 174)

1

João José, delegado de polícia, tirou os olhos da primeira de um agrupado de dez páginas, colocou-as dentro da gaveta aberta de sua escrivaninha funcional. Olhou com enfado para o rapazinho em pé à sua frente, comboiado por um policial fardado. – Mais um adolescente do Collor... – analisou, indiferente. – O que foi que este aprontou desta vez? – indagou do policial. – “Tava” roubando no shopping. Ia fugindo com um laptop. O vigilante “agarrou ele” e telefonou pra cá. Quando nós chegamos lá, ele tinha sido trancado na privadinha da loja. A primeira coisa que gritou foi que aquilo era cárcere privado. Na

revista, achamos três trouxinhas de maconha e duas pedras. – Craque? – quis saber o delegado indiferentemente. – De jogar tênis é que não era – sorriu o policial. – E aí, cara, como é que fica? Vai abrir o jogo, ou quer tomar uns esbarros primeiro? – Sou “de menor”. Conheço os meus direitos! – desafiou o jovem. – Guarde ele. Quando é que o Brucutu entra de serviço? – quis saber o delegado Jojô, como João José era conhecido por todos na delegacia. – Hoje, plantão depois das quatro horas – informou o policial. – Avise o Brucutu para dar um lanche para o menino – o delegado 23

sorriu pela primeira vez. – Com queijo ou só pão? – o policial entrou na comédia. – Completo! – recomendou “Jojô”. Depois vê se tem endereço de moradia. Deve ser de família séria, com certeza religiosa, que educa os filhos dentro da maior tradição cristã, “né” mesmo, ó de menor? – Botou a mão em mim, vai dar processo – ameaçou o rapaz – não sou nenhum abandonado. – Vem, coisinha do pai – murmurou o policial, dando um arranco no rapaz, que, puxado pelas costas da camisa, saiu da sala. João José reabriu a gaveta da escrivaninha, tirou as folhas cuja leitura tinha sido interrompida pela visita


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do “adolescente do Collor”. “Tão fáceis me farias sempre as noites” – leu compassadamente o poema. Gostava de poesia. Levantou os olhos. Abarcou com o olhar o pedaço da tarde clara emoldurado pela janela nua. Nele, o ipê roxo florido contra o matagal fazia de fundo de quadro. Seu ânimo descontraiu-se. Deixou a delegacia funcional e pobre. Viajou nas asas da literatura. Espraiou-se pelo mundo da beleza escrita. Desde menino, gostava de poesia. Também gostava de contos. Mas gostava mais de poesia. A pobreza familiar o havia levado a uma escolaridade noturna, seguida de um curso de Direito, também noturno, numa faculdade cuja exigência maior era mensalidade paga em dia. Depois de formado, o concurso público. E, agora, esta delegacia com quinze hóspedes provisórios no porão onde caberiam quatro – matutou. Havia escrito poe-

mas; ensaiado alguns contos. Tinha-os guardados a sete chaves. Quando sozinho, costumava retirá-los da pasta grossa, relê-los. Quando é que poderei publicar um livro? – a dúvida o aguilhoava. Certa vez, havia ensaiado uma conversa sobre sua paixão com um colega, atribuindo sua atividade literária a outro policial. – Escreveu verso é fresco! – foi o julgamento retumbante e catastrófico do colega.

2 Ticiana, a sorridente e atenta Secretária da Academia, começou a arrumar a mesa para chá mensal dos quinze acadêmicos, se tantos a ele comparecessem, da Academia de Letras de Pesqueira, conhecida pelo encurtado “Academia”. Possivelmente, mais em referência à sua pobreza de meios financeiros do que a qualquer outro aspecto. Ticiana já conhecia as preferências gustativas dos mais assíduos. O da Cadeira 10, por 24

culpa de seus desencontros intestinais, ficava no chá preto e mal beliscava um pedaço de bolo. O da Cadeira 15 comia à fartar e, pensando não ser notado, antes de despedir-se ainda enfiava no bolso dois pacotinhos de biscoitos. Nunca mais que dois, mas também nunca menos. O da Cadeira19 sempre chegava atrasado, pedia, em sucessão, café com leite, chá, coca-cola diet e rebatia com coxinhas de galinha e guaraná. Pouco falava e quando o fazia, indefectivelmente explodia em tom solene: – concordo, senhor Presidente! Jamais lhe haviam perguntado com o que concordava, nem ele iria perder o tempo de empanturrar-se de graça dando explicações. O da Cadeira 11 sempre esperava calado, beliscando aqui e ali, até o assunto apresentado parecer ter sido aprovado quando, olhando em sua volta, exigia: – e onde fica a dialética?


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Tinha sido membro do Partido Comunista e, ao mesmo tempo, funcionário do Banco do Brasil. Capitalistamente, aposentara-se pelo Banco do Brasil, pois não era tão socialista a ponto de aposentar-se pelo PC do B. O da Cadeira 40 sempre que terminava seu parecer sobre o assunto apresentado e discutido, metia o indicador no nariz, tirava o que lá estivesse e ficava fazendo uma bolinha do resíduo. Colegas, eventualmente seus próximos, hipnotizados, paravam o consumo do que quer que estivesse a sua frente e, mesmerizados, acompanhavam o ritual duplo: o da 40 enfiava a bolinha na boca, sempre no canto esquerdo dos lábios entreabertos e limpava o dedo na superfície inferior do tampo da mesa. O ocupante da Cadeira 29, vindo do Legislativo, adorava ouvir-se. Numa Sessão da Saudade, ocasião solene em que eram louvados os méritos

reais, ou acrescentados um pouquinho, de um colega recém-falecido, o da Cadeira 29 tinha se inscrito como orador tão logo soube da ida do colega desta para melhor. Chegadas a data e a hora, o da 29 dirigiu-se solenemente à tribuna. Tossiu. Limpou a garganta. Tomou um gole d’água. Pôs os óculos. Tornou a limpar a garganta. – Senhor Presidente, senhoras autoridades, dignos parentes e amigos, meus companheiros – entoou. – Devo ter sido o último a conversar com nosso ilustre falecido, pois horas antes de seu abandono de nosso convívio ameno e culto, mostrei-lhe os originais de meu último trabalho que trata da ossatura do olho esquerdo da muriçoca! Este trabalho, que modestamente submeterei à Academia Nacional de Biologia e Vida Animal, é revolucionário. E nos cinquenta minutos seguintes discorreu pomposamente sobre muriçocas, olhos de elefantes, galinhas, 25

lobisomens e tutti quanti. Sobre o morto nada mais foi mencionado. Terminada a cerimônia, um dos acadêmicos menos pacientes advertiu o Presidente: – Presidente, se o 29 for escalado para discursar em outra Sessão de Saudade, não comparecerei a mais nenhuma. Nem à minha! O da Cadeira 17, ex-médico – havia boatos sobre sua aposentadoria inusitadamente antecipada – era, ao mesmo tempo, o exigente grosseiro e o futriqueiro meloso. À boca pequena sabiam todos que o da Cadeira 17 fazia planos para ocupar a presidência da Academia. Com esse fito, aliciava os menos informados e os vacas de presépio, que imaginavam vir a compor a Diretoria quando o 17 ocupasse a presidência. Nos dias de reunião, chegava ao prédio da Academia sempre pouco depois das treze horas. Ficava na secretaria abrindo


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pastas, revirando fichas de despesas e fazendo anotações até às dezessete horas, quando seus colegas começavam a chegar. O da 17 adorava fazer apartes, propor medidas, tudo num erudito pernóstico e sempre precedido de “na minha modesta opinião”. E dá-lhe no mínimo meia hora de presunção arrogante. Durante tais circunvoluções verbais, uns acadêmicos mostravam definido ar de enfado. Outros beliscavam salgadinhos. Havia os que apostavam quanto tempo iriam agüentar até inventarem uma desculpa para sair do encontro. Certa vez, o ocupante da Cadeira 21 dirigiu-se ao da Cadeira 11: – Diga um número – propôs. – Um número? – Sim, qualquer número, encorajou o 21. – Quatro – respondeu o consultado. – É o número dos meus… – Não precisa explicar – atalhou o 21. – Você ganhou! – Ganhei o quê?

– Você ganhou o 17. Leve-o para longe daqui e não o devolva. Riram-se os dois. Sabiam que os ocupantes das cadeiras eram vitalícios sem suplentes. O jeito era agüentar o da 17, suas arengas intermináveis e suas impertinências. Incansável e prodigamente medíocre, elaborava rebuscados ensaios sobre seus poeminhas ou sobre as estorinhas de colegas os quais iria levar para seu aprisco totalitário rumo à planejada presidência. – Podia nos fazer o favor de ter um AVC – comentou o ocupante do da Cadeira 5 – desesperado com tanta peroração. – O da 1 7 não tem radar – comentou seu interlocutor, o da Cadeira 16. – Quem sabe a gente providencia um... – filosofou o proponente, o da Cadeira 13. – Tudo pela Academia! – foi o exasperado comentário fecho do da Cadeira 7. A ideia de livrar a Academia do ocupante da 17 ficou no ar, 26

sabidamente péssimo lugar para ideias, pois acabam pousando – moscas insistentes – sobre algum cérebro e nele depositam suas larvas, tendentes a evoluir para ações.

3 O da Cadeira 12 voltava pachorrentamente para casa, após uma sessão mensal inusitadamente confusa, durante a qual o da 17 havido interrompido todos os falantes e, por fim, entrara numa peroração fora do assunto em discussão, indiretamente dirigida ao ocupante do da Cadeira 7. Tinha havido um silêncio de espanto para assimilação da grosseria. O Presidente havia declarada a pauta exaurida. Exaurir a pauta era uma das frases oficiais tida como fecho do encontro mensal. O da Cadeira 15 havia se aproveitado da movimentação para buscar num pratinho longe de seu alcance uma fatia de bolo de chocolate


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e, de passagem, trazer para seu lado um pacotinho de biscoitos. – Está disposto hoje, não é, 15? – brincou o da Cadeira 18. – Daqui ainda vou para uma reunião do Conselho de Música Popular e não terei tempo para lanchar. – Não precisa esclarecer – retornou o interpelante – aqui está mais um pacote. – Não, obrigado. Basta-me este – declarou o da Cadeira 15. Decorridas as reuniões mensais, sempre tumultuadas pelo da Cadeira 17, os acadêmicos, uns mais apressados, outros, sempre conversadores e ainda assim, sem assunto sério, prendiam seus colegas, buscando o clima afável que o da Cadeira 17 acabara de estraçalhar. – Por quanto tempo ainda vai durar esse purgatório literário? – indagou-se o da Cadeira 12.

chegado mais cedo e, depois de cumprimentar Ticiana tão amavelmente como sempre o fazia, acrescentou: – Ticiana, vou lhe fazer uma recomendação e que o assunto fique entre nós dois. No decorrer da sessão de hoje, verifique e, se possível, anote o que é que o da Cadeira 17 consome. Se café com leite, ou chá, ou refrigerante. E do que ele gosta de comer. Bolo ou salgadinho. Está bem? Ticiana deu-lhe um sorriso, tarefa fácil para ela, sempre risonha. – Pode contar, doutor, anoto tudo. O acadêmico ficou por ali, revirando livros e aguardando a chegada de seus colegas. A sessão decorreu com as características de sempre. Uns chegaram atrasados; outros, decidiram que logo, logo teriam uma sessão importante na Assembléia Legislativa 4 e outros, em sessões evidentemente, ainda N a q u e l a ú l t i m a mais importantes, em sexta-feira, um dos qualquer órgão de acadêmicos tinha nome cultural. 27

Como era esperado, o da 17 raspou a garganta e, na sua “modesta opinião”, levou 40 minutos elogiando sua própria atuação num encontro literário. O Presidente da Academia acrescentou que também estivera nesse encontro, representando a Academia, e que a atuação do colega deveria ter se dado depois de ele, Presidente, ter saído. Foi facilmente perceptível o ar de satisfação que perpassou pela sala, na base do “nosso time deu de goleada”. Terminada a sessão, o Presidente agradeceu a presença dos dezoito tolos que ainda se davam ao trabalho de comparecer uma vez por mês ao nobre convívio. O acadêmico que fizera a encomenda à Ticiana, que recolhia a louça usada naquele encontro e enquanto seus colegas conversavam fingiu comer um biscoitinho, levantou as sobrancelhas numa indagação inteiramente compreendida pela jovem secretária, que,


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alteando a voz, lhe comunicou: – Tem mais dessas rosquinhas na cozinha, vou lá para dar mais uma ao senhor – com algumas xícaras usadas nas mãos dirigiu-se para a pequenina cozinha faz de conta num canto do salão. Lá chegando, esperou pelo acadêmico e lhe passou uma listinha feita apressadamente, mas perfeitamente compreensível. O da Cadeira 17 havia consumido duas xícaras de chá preto e, no fim, um copo de refrigerante, ressaltando que queria uma coca diet. Como sempre, tinha

sido frugal em salgadinhos, contentando-se com duas coxinhas de galinha.

5 Quatro semanas depois, no dia seguinte a uma sessão especialmente espinhenta, na qual a única gentileza tinha sido, no fim das guerrilhas verbais, a entrega ao combatente Cadeira 17, pela sorridente Ticiana, de um pacotinho com duas coxinhas de galinha, levadas pelo acadêmico interessado nas predileções comestíveis do presenteado. Nesse dia, a comunica-

ção oficial atravessou computadores, laptops e telefones. A partir desses alcoviteiros técnicos, a notícia percorreu várias camadas da população literária de Pesqueira: “A Academia de letras de Pesqueira tem o dever de informar que o acadêmico Adolfo Zimmermann, ocupante da Cadeira 17, faleceu na noite de ontem. O corpo está sendo velado na capela do Cemitério São Pelegrino. O enterro será amanhã, às dez horas da manhã no mesmo local.” (continua na próxima edição desta revista)

A BUSCA

Júlio de Queiroz

De joelhos ou em lótus, Te procuro, Sombra essencial que me escapa. Respiro e choro. Nem desperto chacras nem revivo chagas. Mais que pressentir, Te sei, Te busco. Me sabes e me acenas. Mas me deixas só neste casulo

que teço Durante os dias intermédios das noites Em que Te busco.

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NÃO CORTE A LIGAÇÃO

ENCONTRO Aracely Braz – Céu dos Poetas

Rosângela Borges – México

Um olhar para o horizonte, uma esperança que brota, uma folha a cair, um sorriso de alegria, um pensamento que diz: - Um amor vai apontar. Uma janela que se abre, um sol forte a iluminar; uma ponte a dar passagem, um amanhã a surgir; uma verdade que fala, uma mentira que cala; um caminho a se abrir, uma flor a perfumar. Um espelho que revela um alguém a te esperar; uns passos mais adiante, a feliz revelação: uns movimentos, pegadas, um encontro de emoção; umas palavras, sussurros, uma pausa, uma espera, uma lágrima a rolar. São braços entrelaçados, luz que brilha no poente e uma estrada para o amorl

Não grite tão alto! Não fale demais, não quebre a promessa. Apenas entre na água e separe nosso planeta dessa escuridão tão fria… Não tenha outra ideia! Não invente outro nome, não corte a ligação. Apenas fique em casa e espere outra hora pra gritar de novo… Não faça outras coisas! Não assuste os anjinhos, não escolha um presente. Apenas tenha coragem e esconda essa coisa que explode todo dia dentro do nosso quintal…

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ENVELHECENDO

Urda Alice KLUEGER – Palhoça, SC

Às vezes vive-se tanto que é melhor trocar alguns nomes nas histórias vividas para não ferir suscetibilidades ou mesmo sofrer alguns processos. Então, os nomes que seguem são fictícios, mas tudo aconteceu direitinho como eu vou contar. Foi lá no final da década de 1970, creio, que apareceu em Blumenau um verdadeiro príncipe encantado: o Tonhão. Além do nome imponente, Tonhão era mulato, lindo, simpaticíssimo, vinha com emprego importante em firma séria, tinha um carro colorido com placa do Rio de Janeiro e, pasmem! – TINHA UMA CARTEIRINHA DE SÓCIO DO FLAMENGO!!!

da cobiça de todas as loiras casadoiras da cidade, que eram muitas e lindas e que passaram a se vestir mais caprichosamente do que de costume, na tentativa de abocanhar o gato. Faziam-se muitas festas nas casas das pessoas, nessa época, nas noites de sexta, e foi com tremendo espanto que viu-se chegar a uma delas o Tonhão já devidamente comprometido com a Trude, uma daquelas loiras arrasadoras, exibida como só, que fazia questão de ficar a noite inteira com os dedos entrelaçados com os dele e sem dar atenção para mais ninguém. Um pequeno exército de loiras deslumbrantes ficava a noite inteira no entorno, esperando qualquer descuido da Trude para

É claro que ele imediatamente virou alvo 30

avançar o sinal, sem nenhum sucesso. Claro que quando o casal se ia uma pequena revolução cheia de ódio acontecia: como a Trude fora ter aquela sorte? O que é que as outras tinham de errado? Encurtando a conversa, Tonhão não ficou com a Trude nem com nenhuma outra da turma: acabou casando-se com a Lourdes, estranha para nós, que nem loira era e com quem está casado até hoje, caso nenhum dos dois tenha morrido, pois faz tempo. Um dia, muitos anos depois, conheci umas moças lindas e simpáticas que eram filhas dele e da Lourdes. Bingo para a Lourdes O que aconteceu aí no meio foi que fui trabalhar em um banco, e lá também trabalhava


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a Trude. Em algum momento, fui colocada a trabalhar na mesa exatamente ao lado da Trude. Nós nos odiávamos profundamente, mas havia um telefone só entre nossas duas mesas, e quando uma atendia e era para a outra éramos obrigadas a falar uma com a outra, e tanto nos chamamos por causa do telefone que acabamos ficando amigas e passamos a pensar coisas juntas. Esse era um tempo antes da informática, quando a vida de uma bancária era uma tristeza, e então olhávamos a praça lá fora e pensávamos na aposentadoria que nunca viria, mas na qual não custava sonhar. Seríamos aposentadas chiques, tendo na bolsa frascos de prata contendo uísque de boa qualidade. Sentaríamos na praça,

então, olharíamos para o banco e lembraríamos das coisas: - Lembra daquele dia em que tivemos que ficar trabalhando até às onze da noite por causa de uma diferença de quatro centavos? Aquilo nos faria beber o primeiro gole dos nossos frascos chiques, e as lembranças continuavam, enquanto nos vingávamos das agruras do banco olhando lá de fora para ele, que já não poderia mais nos fazer mal. Em algum momento, uma de nós diria: - Lembra do Tonhão? E então riríamos muito e beberíamos tudo o que restava dos nossos frascos de prata, já que ele se fora de vez, levado pela Lourdes. Mas a história não acabou assim. Na altura em que realmente nos aposentamos, nenhuma de nós mais bebia álcool, o

banco tinha trocado de endereço, a praça tinha sido modificada e tínhamos esquecido completamente dos chiques frascos de prata que levaríamos em bolsas chiques, e sequer bolsa eu usava mais: havia aderido à mochila e Trude gastava boa parte do seu tempo fazendo longas caminhadas com fones de ouvido que lhe davam boa música – éramos felizes de uma nova maneira. Um dia vi passar o Tonhão e não quis crer: ele ficara velho, estava barrigudo e careca, e é de se pensar que ao invés do Flamengo, agora era sócio de algum Clube de Caça e Tiro. Quando encontrei Trude de novo morremos de rir. Coisas de quando se envelhece! (Sertão da Enseada de Brito, 09 de fevereiro de 2019)

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Em http://lcamorim.blogspot.com.br Literatura, arte, cultura, cotidiano. Todo dia um novo texto. 31


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EU E A ESTRELA

OLHO O POEMA

Maria Célia Fagundes Schil – Biguaçu, SC

Teresinka Pereira, USA

Cai a tarde cálida num sorriso fosco, quase sem malícia, deste sol maroto a acariciar meu corpo que, suavemente, deixa-se embriagar. Neste momento-solidão, sinto a leve carícia dos últimos raios de sol e imagino teu corpo junto ao meu; entre restos de sol e princípio de frio, sinto arrepios. Fim de tarde. No céu já desponta a primeira estrela que sorri cúmplice ao me ver despida. Extasio-me com a natureza e, suavemente, pergunto à minha amiga estrela se amanhã terei mais do que o sol para me aquecer. E ela, brilhando deslumbrante, respondeu que sim… Esperei, ele não veio. Será que minha amiga estrela quis zombar de mim?

Como destravar o poema olho-poema, poemolho? (Francisco Miguel de Moura)

Olho o que temo iluminando o meu desatino: um poema transformado na mão que oferece no rosto que aparece no jovem que se foi... O poema já me pesa nos olhos, nas mãos, no peito, nos ombros e principalmente na boca. O poema ficou desafiando o meu presente e o meu futuro. Juro que este poema foi um erro de cálculo, um erro de tempo, de eco, uma exibição de rima um diminuto querer que já se acabou. 32


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LITERATURA INFANTOJUVENTIL

O DINOSSAURO DO CAPOEIRÃO Else Sant’Anna Brum – Joinville, SC

Bruno olhou pela janela e viu uma cauda comprida de um animal que ele não conhecia e foi atrás para descobrir o que era. Entrou no mato, mas como ficou com medo voltou e chamou seu primo para acompanhá-lo. - Venha comigo, Augusto. Vi um bicho entrar no capoeirão e pelo tamanho da cauda deve ser bem grande. Só vi a cauda e era bem comprida. Augusto era curioso e também corajoso. Acompanhou o primo e os dois se embrenharam no capoeirão.

Não precisaram andar muito para descobrir um animal enorme, com quatro patas, cauda comprida, que com um longo pescoço e uma boca bem grande comia as folhas de uma árvore. - Não pode ser, falou Augusto, aquilo ali é um dinossauro! Tenho certeza. Pelo menos é igualzinho à figura que tenho num livro. - Como pode ser, disse Bruno, os dinossauros desapareceram da terra há milhões de anos. Já li bastante sobre eles. - Ainda bem, comentou Augusto. Já pensou termos que conviver com eles? Na certa nos devorariam. - É, mas este aí é um

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herbívoro, pois está comendo folhas. Os herbívoros são calmos. Perigosos eram os carnívoros. Li que o mais feroz de todos era o Tiranossauro que media mais ou menos quatorze metros de comprimento e tinha de cinco a seis metros de altura. Eles devoravam os herbívoros. - Eu sei, complementou Augusto que a palavra dinossauro significa “lagarto terrível” tendo origem no idioma grego. O nome foi dado pelo professor inglês Richard Owen em l842 porque achava os dinossauros parecidos com os lagartos. Os meninos ficaram um bom tempo observando o animal alimentar-se e


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comentando tudo o que sabiam sobre eles: que nasciam de ovos, que existiram mais de mil espécies deles, que o pescoço era tão comprido que parecia uma cobra, etc. Mas, quando eles menos esperavam o dinossauro parou de comer as folhas e veio para o lado deles. Saíram os dois na maior cor-

rida e o bicho atrás deles. Bruno começou a gritar porque Augusto tropeçou e caiu. Nisto sentiu alguém sacudindo seu ombro. Era sua mãe que ao ouvir os gritos foi até o quarto ver o que estava acontecendo e ouviu o filho dizer esfregando os olhos: - Mamãe, era um dinossauro enorme e pescoçudo. Estava lá

OS POEMAS Mario Quintana

Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês. Quando fechas o livro, eles alçam voo como de um alçapão. Eles não têm pouso nem porto alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias, no maravilhado espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti… 34

no capoeirão e veio atrás de mim e do Augusto. - Filho, você estava sonhando! São três horas da madrugada! Depois de bem acordado, Bruno riu tranqüilo e aconchegado no colo de sua mãe, falou antes de dormir novamente: - Amanhã hei de contar tudo para Augusto e para meus colegas na escola.


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SEMENTEIRA Mia Couto

O poeta faz agricultura às avessas: numa única semente planta a terra inteira.

ESTRELAS Margareth Luchini – Corupá, SC

Com lâmina de enxada a palavra fere o tempo: decepa o cordão umbilical do que pode ser um chão nascente.

Estrelas, poemas, dilemas Beleza sintetizada no papel Ilusão que pensamos ser plena. Sinceridade é como o vento Muda a cada momento Precisamos seguir vários rumos Para chegar a alguma ponto, algum dia.

No final da lavoura o poeta não tem conta para fechar: ele só possui o que não se pode colher.

A doçura de um momento Numa noite com estrelas Um carinho ao som do vento Como se descreve tal beleza?

Afinal, não era a palavra que lhe faltava. Era a vida que ele, nele, desconhecia.

Nas palavras, nas estrelas Em passos lentos e sinceros Com um olhar brilhante no escuro. Não te vejo, nem te procuro É a beleza do poema. 35


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POESIA MENSAGEIRA Por Luiz Carlos Amorim – Florianópolis, SC

Recebi um post no Whatsapp, da minha amiga Chris Abreu, poeta dos dedos cheios de poesia, de um mensageiro poeta. Sim mensageiro mesmo, funcionário do correio, que se encantou com a poesia e passou a ser carteiro-poeta. Ele passou a entregar as cartas com poemas: entregava a correspondência com uma folha no meio que continha um poema e o poema, quase sempre ou sempre era dele. Tenho escrito muito sobre as tantas maneiras que tantas pessoas encontram para divulgar a poesia. E essa é uma maneira bem original. O carteiro-poeta Cleyton Mendes, com sua poesia misturada à correspondência, me

lembrou o meu projeto Poesia Carimbada, que consistia em carimbos que imprimem poemas inteiros, que eu usava em minha correspondência enviada, no verso do envelope. As pessoas recebiam minhas cartas, sobre o assunto que fosse, com um poema carimbado no envelope. Aí me vem o poeta-carteiro, entregando a sua poesia a domicílio. Tem coisa mais bonita? Receber notícias boas, outras nem tanto, contas, etc. e – pasmem – poesia. Um poema do carteiro-poeta, para alegrar o dia, como este: Sorria / pra afastar a melancolia. / Sorria / pois pra tristeza / é a melhor terapia. / Sorria, / sorria, / Só ria / Pois o seu riso / é pura poesia. Como o próprio carteiro-poeta diz, “ele é portador da poesia-mensageira: carteiro leva mensagem para as pessoas; poesia leva uma mensagem para a alma, para os corações.” Ele diz também que “a poesia 36

não está só nos livros, a poesia está no olhar de quem vê”. E não é verdade? A poesia pode estar em tudo, depende da nossa capacidade de vê-la. Então ela está dentro do nosso olhar. Obrigado, poeta-carteiro, por ser mensageiro da poesia. Escreva muitos poemas e seja o mensageiro que vai levar a poesia até o ouvinte, até o leitor. O mundo está muito duro, ele precisa de poesia para mudar para melhor. A poesia é necessária. E para terminar, a mesma Chris dos dedos cheios de poesia me avisa que aquelas pessoas que ficam nas sinaleiras pela cidade estão distribuindo o quê? Poesia. Manuscrita, escrita em pequenas folhas de caderno, oferecidas quando o sinal fecha e o sinal se abre para a poesia. Obrigado a todos vocês, multiplicadores da poesia. Eu os saúdo, este é o meu tributo a vocês.


Florianópolis–SC • Março / 2019 • N.148 • Edições A ILHA • Ano 38

DIVÓRCIO EDLTRAUD Zimmermann Fonseca -

Desceram juntos do elevador Corações em conflito Na porta do edifício, olharam-se Seguindo caminhos opostos Vinte anos de vida em comum Ficaram ali, no velho prédio em ruínas! Diante do advogado, mudos permaneceram Quando mencionado foi A divisão dos bens! Fora horrível... Tudo parecia tão pequeno, mesquinho Como dividir algo, conquistado com tanto amor? ...e os filhos? Entrariam na divisão Como se caderneta de poupança fossem? O que acontecera? Neurose da vida moderna, O crescimento dos filhos, que provocaram os conflitos? O divórcio seria inevitável. Partiria seus corações Não a divisão dos bens, mas as de suas vidas, suas almas! A audiência chegou! 37

Seus olhares molhados, se encontraram Não, não poderia ser tão fácil assim romper laços de vida -Dr. Por favor cancele tudo!


Florianópolis–SC • Março / 2019 • N.148 • Edições A ILHA • Ano 38

A VELHA AMIGA Edltraud Zimmermann Fonseca

São Paulo, 25 de Janeiro de 1999. Segunda-feira, 09h25min. Sobre a colorida toalha de banho, aproveitando o sol da manhã paulistana, devaneio, deitada na sacada da nossa casa, à Rua Don Antonio dos Santos Cabral, 5 B. Passeando os olhos pela imensidão do céu azul, (raro em São Paulo de hoje), encontro o verde vivo das ramadas da nossa velha e querida amendoeira, plantada por Nilton, no começo de nossas vidas. Tronco grosso, altaneira, rainha da rua, cresceu mais do que se previa atingindo alguns metros, recentemente podada pela Prefeitura, depois de muitos requerimentos. Fora trazida mudinha dentro de uma lata por Jaques, meu cunhado, do Rio de Janeiro, e presenteada ao Nilton para que fosse plantada

na calçada da nossa casa recém-reformada. Mas como mudinha tão frágil poderia vingar numa rua cheia de moleques endiabrados e depredadores, com rolimãs em alta velocidade riscando o asfalto, também recém-colocado, fios de linha embebidos em cola e vidro moído, que elevavam pipas para o alto, destruindo na queda telhados com a subida para ao resgate? Não, nada vingaria, naquele “pedaço”. Bom político, Nilton convocou o líder dos baderneiros juvenis para “padrinho” da pequenina árvore e, como tal, zelar pela sua sobrevivência. Os anos se passaram e, enquanto a muda crescia, tornando-se frondosa, formando sombra acolhedora, eu envelhecia. Tal qual o Homem, passou por muitas fases. No verão suas folhas eram oásis no asfalto quente - Abençoada sombrinha – dizia o transeunte cansado. Mas seus galhos continuaram subindo, ultrapassando os fios da rede elétrica, espalhando-se , tornando-se 38

constante ameaça às casas próximas e aos carros ali estacionados . No Outono as folhas avermelhadas caíam forrando a calçada, entupindo calhas e bueiros. As raízes profundas rasgando a terra e avançando, abalando estruturas, destruindo calçada, criando enormes problemas. Felizes tão somente Chiquinho e sua família que se alimentam dos frutos e se recolhem nas enormes ramadas à noite, dormindo durante o dia (família de morcegos). Do passado, dos risos, das festas, dos copos de papel caídos no quintal do Severino, da mocidade permanente, da minha felicidade e agora da saudade que sangra meu coração, permanece fiel o testemunho da velha amendoeira, que sugados a seiva e o vigor, tornou-se estorvo e descartável.


Florianópolis–SC • Março / 2019 • N.148 • Edições A ILHA • Ano 38

QUERIDA FLOR

MAR DE LAMA

Roberto Maloper, Rio de Janeiro


Chris Abreu

Minha mente Doente Sem o calor Amor Querida flor Eu Não sinta pavor Me esqueceu? Seu amigo fraterno Rezo todos os dias Pai eterno Amo seu nome Ouvindo Nina Simone Sentindo Fome Sorriso lindo Some Minha mente Sumindo Demente Sente Não mente Que te amo e muito!

Cidadãos de Terracota Almas paralisadas Em esculturas de lama Algumas eternizadas Como os soldados de Xian. Mas ao invés de homenageadas, Por pertencerem ao mesmo clã, Estão soterradas pelo lixo, Gerado por ganância, Por desconsideração, Ser humano virado bicho! Quantas vidas encurtadas Às custas de mais um filão? Até quando irá o descaso Pela vida do próprio irmão? Sentimento vil e raso O egoísmo, o egocentrismo Mas desde que garantam o seu quinhão Não se importam com as vidas destruídas Em um desastre desta dimensão.

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Florianópolis–SC • Março / 2019 • N.148 • Edições A ILHA • Ano 38

AMOR EFÊMERO

Fátima Cardoso

Arde o vermelho da brasa fumegante. Sangra o aroma da névoa densa a escorrer pelo abismo do amor efêmero. A noite chicoteia lembrança indevida. Apunhala pensamento embebecido no gim da luxúria. O pranto incauto arranha a pele da gueixa. Arrasta os manuscritos da chuva para o negro horto dos mortos.

“Névoa do Tempo”, na verdade, são 2 livros em 1, pois ele é composto de contos e poemas. Fátima Cardoso é integrante da Confraria do escritor e co-fundadora da Associação das Letras. Faz parte, também, desde o seu início, do Grupo Literário A ILHA. Participou da antologia SHOW DAS DEZ EM TEMPO DE POESIA e em outras do Grupo A ILHA e da Associação de Letras. Obras publicadas: PEDRA FALSA e DEVANEIOS, poemas.

Sentimento brejeiro vagueia no escuro da mente. Recolhe fragmentos do acaso, Em que a noite antiga saboreia sombras nulas no silêncio.

VISITE-NOS NO FACE Acesse a página de Fátima Cardoso no Facebook, para saber mais sobre a autora. Leia também a página do Grupo Literário A ILHA, com muita informação literária e cultural e muita literatura. 40


Florianópolis–SC • Março / 2019 • N.148 • Edições A ILHA • Ano 38

MULHER! Lorena Zago

ANGELICAL

Do caos à sublimidade, A tua luta primou. Por incessantes tempos, Um espaço galgou, E à humanidade com exemplos De bravura e amor pleno brindou. És luz, aconchego, acalanto. Em teus braços, Um mundo exaure-se a cantar. Da meiguice à determinação, Compartilhas ao universo, Acordes da mais sublime canção. Os sustenidos e os bemóis, Contemplam o prelúdio do amor incondicional! A tua graça e perseverança emprestam à vida, Vibrações de acolhida e enlevo sem igual!

Lorena Zago

Tão linda e serena, Translúcida e amena, Reluz de alegria Aos campos distantes Floridos de açucenas. Suas feições são tão meigas, Seus gestos serenos, De angelicais semblantes Evocam mensagens De nostalgia e de encantos. Sua luz cristalina Ao horizonte descortina, Irradiando primores Mesclados de flores, Permeando as campinas De esperança e fulgores. Suas condutas ressaltam A nobreza de sua alma, Elevando os sentidos Aos mais sublimes encantos Permeados de emoções, As relações se encantam. E a paz manifesta, Ao cenário constituído, A harmonia necessária De liberdade e de entrega Ao encontro marcado De compaixão e amor! 41


Florianópolis–SC • Março / 2019 • N.148 • Edições A ILHA • Ano 38

ESCRITORES DO BRASIL PARA O MUNDO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor–Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 38 anos de trajetória, Cadeira 19 da Academia SulBrasileira de Letras–Http://www. prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br–Http://lcamorim.blogspot.com.br

A revista Escritores do Brasil está chegando aos quatro cantos do mundo e está fazendo o seu papel, qual seja o de proporcionar que a produção do escritor brasileiro seja lida por falantes da língua portuguesa em qualquer parte do planeta. Ela foi criada para complementar o espaço que a revista Suplemento Literário A ILHA dava aos escritores do Grupo A ILHA, pois com a visibilidade ampla e o tempo de circulação – 38 anos – muitos outros autores que não faziam parte da agremiação, queriam publicar nela. Então o novo espaço veio suprir uma

lacuna que vinha se abrindo e que não podia continuar, pois todos devem ter oportunidade de mostrar a sua produção para o mundo. Então, iniciamos o ano com mais uma edição da revista, repleta de boas leituras. Muita poesia, crônica, conto,

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ensaio, entrevistas, resenhas… E ainda temos espaço para trechos de obras de maior envergadura, para divulgá-las e também para dar ao leitor uma amostra do que elas são. E há espaço, ainda, para literatura infantil, informação literária e cultural. ESCRITORES DO BRASIL é a revista que dá voz ao escritor brasileiro, é a literatura brasileira ao alcance dos olhos do mundo. Acabamos de publicar a terceira edição e já estamos cuidando do próximo número, que sai em maio. A revista é eclética, publica vários gêneros


Florianópolis–SC • Março / 2019 • N.148 • Edições A ILHA • Ano 38

literários, como já dissemos acima, e abriga em suas páginas escritores novos e também já conhecidos, além dos consagrados. Nela, você pode ler o poema ou o conto ou a crônica ou a entrevista daquele escritor famoso que você já conhece, mas lê também autores novos, pode conhecer novidades que poderão lhe agradar e que podem ser destaque, amanhã, na nossa literatura. Se você quer publicar na revista ESCRITO R E S D O BRASIL, envie mensagem para o e-mail revisaolca@ gmail.com, para obter informações de como fazê-lo. São milhares de acessos a cada edição, evidenciando que a produção daqueles que fazem o elenco de escritores de cada nova edição está

sendo lida, que os autores estão chegando até os seus leitores, que eles estão formando sua base de leitores. A revista é feita pelo leitor, pois o escritor que participa também é leitor, claro.

Então continuem nos contatando, enviem suas mensagens comentando a revista e peçam as instruções para participar da próxima edição, que já estamos colocando mãos à obra para 43

a seleção de trabalhos que comporão o número quatro de ESCRITORES DO BRASIL. Escritor é aquele que é lido, não apenas aquele que escreve. A produção do escritor tem que chegar até o público leitor. Então há que publicarmos, chegarmos até o leitor. Nossa revista está aqui para ajudar o escritor brasileiro a chegar até o leitor. E o trabalho de dezenas de escritores brasileiros, sejam eles conhecidos ou não, estará na vitrine, visível para o mundo. Os espaços literários estão cada vez menores em jornais e revistas e a revista Escritores do Brasil está aqui para servir de veículo para o texto de todos, para que a nossa lavra seja lida, conhecida e reconhecida.


Florianópolis–SC • Março / 2019 • N.148 • Edições A ILHA • Ano 38

LITERARTE OPINIÃO DO NOSSO LEITOR CELESTINO SACHET Um dos nossos leitores mais fiéis é o professor CELESTINO SACHET, escritor entrevistado nesta edição do Suplemento Literário A ILHA. E ele sempre manda feed-back do que leu, a cada novo número do Suplemento A ILHA, então gostaríamos de transcrever parte da última carta dele: “Das publicações que recebi do Grupo Literário A ILHA, em dezembro, Escritores do Brasil, Suplemento Literário A ILHA e a antologia Poetas da Ilha, aquela que comprou meu passe e minha passagem pelas suas páginas foi A ILHA. Que autores foram agrupados nessa edição! Claro que não me estou me incluindo, mas bato palmas à maioria, dentre eles, em especial: você, Amorim, a Urda, o Harry, o Júlio, a Cora Coralina, o Quintana, o Enéas, o Olavo Bilac, o Cruz e Sousa, a Adélia Prado (um monumento!), o Agualusa, o Vinícius de Moraes!” Ele é o maior divulgador da literatura produzida em nosso Estado e o maior incentivador das nossas publicações, tanto que em seu livro A LITERATURA DOS CATARINENSES, o grande painel atualizado da produção literária em Santa Catarina, dedicou um capítulo inteiro ao nosso Grupo Literário A ILHA, com várias páginas.

CATARINENSE NA FEIRA DO LIVRO DE LISBOA O fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, Luiz C. Amorim estará em Portugal, no mês de junho, e participará da Feira do Livro de Lisboa, com o lançamento de seus livros PORTUGAL, MINHA SAUDADE – crônicas e MEU PÉ DE JACATIRÃO –poemas. A feira do Livro de Lisboa acontecerá de 29 de maio a 16 de junho, no Parque Eduardo VII, perto da Avenida da Liberdade. A feira existe desde 1930 e conta com duas centenas de stands de editores e livreiros, que apresentam as últimas novidades do mercado editorial e também fundos de catálogos. No decorer da feira há, também Parque Eduardo VII, local espetáculos, concertos, lançamentos e sessões de da feira do Livro de Lisboa. autógrafos, palestras e encontros de escritores. 44

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SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA 148 - Março/2019  

Revista do Grupo Literário A ILHA com 38 anos de circulação.

SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA 148 - Março/2019  

Revista do Grupo Literário A ILHA com 38 anos de circulação.

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