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MADE IN BRASIL

Lindenberg Made In BRASIL

EssĂŞncia criativa E talEntosa Encanta o mundo

LIFe

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EDITORIAL Adolpho Lindenberg Filho e Flávio Buazar são conselheiros e idealizadores da LDI

Caro leitor, É com imensa satisfação que abrimos as

ponibilizará ao público o seu acervo pessoal

páginas de mais uma edição de Lindenberg &

com mais de 40 mil volumes.

Life, que, como sempre, é resultado do esforço de equipe e da disposição de parceiros e amigos.

Marília Rosa

Na seção Um Outro Olhar apresentamos o trabalho do fotógrafo e arquiteto Cristiano

Como fruto deste trabalho, você vai co-

Mascaro, um dos retratistas mais importantes

nhecer histórias de brasileiros que trilharam o

na documentação das transformações urba-

seu caminho fora de casa e deixaram as suas

nas do país.

marcas e reconhecimento registrados. Estamos falando de brasileiros como Sérgio Machado, que faz sucesso em Paris identifican-

A seção Personna traz este mês um projeto do arquiteto Adriano Mariutti em uma cobertura Lindenberg.

do tendências em moda para o Studio Edelko-

Em Qualidade de Vida, Cristiano Souza, Elisa

ort /Trend Union, fundado por Li Edelkoort, e

Lindenberg e Fábio Trindade abrem as portas

que participa da seção Entrevista, ou dos irmãos

de suas casas, ou melhor, de suas cozinhas,

grafiteiros Gustavo e Otávio Pandolfo - OsGêmeos

e contam como a gastronomia virou um hobby

- que têm seus trabalhos expostos em mais

em suas vidas, transformando os momentos de

de 10 países, entre eles Estados Unidos, In-

cozinhar em prazer e diversão para receber os

glaterra e França.

amigos e aguçar o apetite da família.

No sentido oposto, para celebrar o ano da

Essas e outras matérias que você encontrará

França no Brasil, o Centre National Du Costume

nas páginas a seguir, passaram antes por crite-

de Scène trouxe ao país a exposição Christian

riosos e cuidadosos olhares. Queremos sempre

Lacroix – Trajes de Cena, e, para nos prestigiar

lhe proporcionar uma excelente leitura e, para

com sua trajetória em uma conversa descontraí-

isso, contamos também com a sua opinião.

da regada a cafezinho no Emiliano, conseguimos

Se você tem interesse em contribuir co-

uma entrevista exclusiva com o braço direito de

nosco, envie um email com sugestões para:

Cristian Lacroix – Kim Laursen, que já passou

marketing.institucional@ldisa.com.br.

também pelos ateliês de Cacharel e Kenzo. Não só no exterior os brasileiros fazem acontecer. Nesta edição você confere tam-

Seja bem-vindo a mais esta edição!

bém em primeira mão os detalhes do projeto da Biblioteca Guita e José Mindlin, idealizado pelo maior bibliófilo e membro da Academia Brasileira de Letras, José Mindlin, que dis-

Adolpho Lindenberg Filho e Flávio Buazar

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BREVE LANÇAMENTO

Lindenberg apresenta o primeiro condomínio corporativo alto padrão de Santos.

Perspectiva ilustrada da fachada

SANTOS

Laje corporativa de 668 m2 com opção de conjuntos independentes de 148 m2 a 184 m2 Na esquina da Av. Ana Costa X Av. Francisco Glicério.

Inf.: (13) 3257 8000 www.winworksantos.com.br Vendas:

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Real Consultoria Imobiliária – Avenida Francisco Glicério, 657 – Orquidário – CEP 11065-405 – Santos - SP – Telefone: (13) 3257-8000 – www.realimoveis.com.br - CRECI / J.857. CBRE – CB Richard Ellis - Rua Alexandre Dumas 1.711 Birmann 1 – 10º andar CEP. 04717-004 – São Paulo – SP – Telefone (11) 5185-4688. Central de atendimento Abyara Brokers: Avenida República do Líbano, 1110 - São Paulo – SP. Telefone: (11) 3888-9200. Diariamente até as 21 hs www.abyarabr.com.br. Creci: 20.363-J. Incorporação inscrita nos termos da lei 4.591/64 sob R.15 na matrícula nº 28.473, de 13 de julho de 2009. Material preliminar sujeito a alteração.

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sumário

Matéria DNA Brasileiro

20

28

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08

10

14

66

70

74

Turismo De carro, por aí

Acervo A nova casa da história

Releitura A calçada onde Chet se estatelou

Cultura Dignos de nota

Qualidade de vida Cozinhar e conversar é só começar

Filantropia inteligente Meu tempo, meu dinheiro, minha sociedade

Capa DNA brasileiro

Entrevista Ele descobre as tendências de consumo

Perfil Entre croquis e afins

0

Sumário LL 31.indd 6

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NESTA EDIÇÃO é uma publicação da editora Novo meio ltda. para a Construtora Adolpho lindenberg. Zuza Homem de Mello e a placa do jazzista Chet Baker

Sérgio Machado fala das tendências mundiais de consumo

ano 7 • número 31 • 2009 A tiragem desta edição de 10.000 exemplares é comprovada pela

Produção e Redação: Novo meio Comunicação empresarial Editor: Claudio milan (mTb 22834) Projeto Gráfico e Direção de Arte: sérgio Parise Jr.

Hervé Dupuy direto de seu escritório nos alpes

50

Personna Classicamente contemporâneo

42

Um outro olhar Croix du Sud versus Passaportes

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Arquitetura Poéticas urbanas (escadas)

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58

Urbano Teu poema é história

Designers: Jonas Viotto marília rosa Jornalismo: Claudia manzzano larissa Andrade Perla rossetti renata Vieira Revisão: Kika Freitas

Rico Lins conta os segredos para o sucesso no exterior

48

Colaboração: lili Tedde Publicidade: 11 3089 0182 Executivo de Negócios: rogério lapoian rogerio@novomeio.com.br Agradecimentos:

5 Experiências Amor à neve e flerte com o Brasil

Cristiano Mascaro revela cenas inéditas

Fale com a Lindenberg & Life Opine sobre as reportagens publicadas na revista e sugira temas para as próximas edições. Envie sua mensagem para nossa redação: marketing.institucional@ldisa.com.br

OsGemeos (obra da capa); Christian Maldonado e Marcelo Grecco (fotos de Cristiano Mascaro); Caio Pontoni (arte)

Cartas para a Redação: rua são Tomé, 119 11o / 12o andar Vila olímpia 04551 080 são Paulo sP Brasil jornalismo@novomeio.com.br Os anúncios aqui publicados são de responsabilidade exclusiva dos anunciantes.

Filiada à

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releitura Por Zuza Homem de Mello site Opinião e Notícia, 2007

A cada edição, a Lindenberg & Life traz uma releitura dos melhores textos publicados na imprensa nacional

vezes estreito que lhes é destinado, o mais surpreendente nessa vibrante cidade é a quietude. Para quem mora em São Paulo ou no Rio, essa quietude é um contraste gritante com tamanha movimentação de bicicletas, pedestres e bondes, reflexo de uma intensa atividade que preenche plenamente o desejo de quem chega a Amsterdam em busca de uma programação cultural de primeira linha, o que de certo modo combina com a liberalidade de hábitos e costumes existentes. De fato, logo à esquerda e além da imensa praça pode-se encontrar o “red light district”, região onde a dignidade das “sex workers” é restituída, até com um marco erigido ao lado da igreja Oude Kerk (Igreja antiga). Também à esquerda de quem sai da Centraal Station fica a rua Prins Hendrikkade onde se localiza um hotelzinho de 3 estrelas com intensa circulação de hóspedes na pequena recepção. Ao lado esquerdo da parede externa está fixada uma placa de bronze com a figura de um trompetista e, logo abaixo, um breve texto suficiente para elevar

A calçada onde Chet

esse hotel à categoria de visita obrigatória para um jazzista. A placa do Hotel Prins Hendrik diz: Trompetista e cantor Chet Baker morreu aqui em 13 de maio de 1988. Ele viverá por sua música para to-

se estatelou

dos que a desejarem ouvir e sentir. Quando Chet caiu de uma janela no terceiro andar desse hotel, acabou-se uma das trajetórias mais bem sucedidas e trágicas da história do Jazz. Entre os dois extremos ele desfrutou de tudo

Ao sair da “Centraal Station” de Amsterdam, o

que um jazzista branco de rosto lindo pode alme-

viajante se depara com um emaranhado de trilhos das

jar como músico e como homem, idolatrado pelas

linhas de bonde que, procedentes de vários pontos da

mais formosas mulheres que dele se aproximavam

cidade, afluem para a grande praça, ponto nevrálgico

como abelhas do mel. Chet deu ao mundo uma

de uma das cidades mais descontraídas da Europa.

das mais belas sonoridades cool no Jazz. Em duas

Com centenas de ciclistas pedalando pelas

vertentes que, no seu caso se cruzam: a instru-

pistas exclusivas em todas as ruas, com outro

mental e a vocal. Um músico canta uma canção

tanto de transeuntes preenchendo o espaço por

como quando toca um tema.



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Depois de ouvir Chet Baker algumas vezes em

cassem um peteleco. Esse era um lado da moeda.

New York nos anos 50, já fora do contexto do Ger-

Sua vida foi uma sucessão de trapaças e cenas

ry Mulligan Quartet, depois de não vê-lo certa vez

da mais chocante crueldade. A delicadeza de sua

no New Morning de Paris (à última hora a apresen-

música nada tem a ver com a violência em que vi-

tação foi cancelada sem justificativa), finalmente o

via Chet Baker imerso no mundo das drogas. Para

conheci pessoalmente em 1985 na primeira e úni-

uma de suas mulheres Chet era a encarnação do

ca vez em que esteve no Brasil, durante o 1º Free

demônio. Suas ligações envolviam músicos, em-

Jazz Festival. Assim que percebi ser ele que cami-

presários, aproveitadores, escroques, traficantes,

nhava pelo corredor do teatro no Hotel Nacional na

viciados e, naturalmente, mulheres. Todas em alto

escuridão da platéia durante um show, levantei-me

grau de agressividade ou de carinho.

e fui ao seu encontro. Disse-lhe baixinho que era

O mais completo e também mais controvertido li-

uma figura idolatrada e importante para a Bossa

vro sobre Chet Baker foi publicado no Brasil em 2002:

Nova, o que o surpreendeu. Fitou-me parecendo

“No fundo de um sonho” de James Gavin. A contro-

não ter bem ideia de que isso tivesse ocorrido. No

vérsia não é gerada pela fartura de detalhes sobre

entanto todos da Bossa Nova ouviam os discos de

sua vida mas pela concentração do texto sobre sua

Chet Baker tocando e cantando.

marginalidade em prejuízo da arte que legou.

Marcamos uma entrevista realizada no dia se-

As teorias sobre a forma de sua morte – aciden-

guinte à beira da piscina, na qual ele contou-me da

te, suicídio ou crime – jamais foram rigorosamente

mágoa que ainda tinha de Mulligan quando atuava

desvendadas. Segundo Gavin, Chet Baker morreu

no quarteto sem piano e já era um músico con-

intencionalmente “num derradeiro gesto romântico

sagrado. Tinham gravado 6 discos durante os 11

da parte de alguém que às vezes parece demonía-

meses em que trabalharam juntos e Chet, que o

camente inumano”.

público não conhecia um ano antes, era agora o

A placa de bronze nada revela.

numero 1 no Jazz. Pedia ao líder que elevasse de 120 para 300 dólares seu salário semanal. Não foi atendido e puxou o carro. Aí se inicia a carreira solo de Chet Baker. Formou um quarteto com o pianista Russ Freeman, gravou um disco cantando com orquestra de cordas que deixava embasbacado quem quer que o ouvisse e “My funny Valentine” passou a ter um único dono. No dia seguinte avistei Chet na entrada do hotel aguardando um táxi que o levaria ao estúdio carioca “Nas nuvens” onde gravaria o restante de um disco iniciado na Itália. Estava sozinho, parecia solitário e desamparado, uma figura frágil carregando a caixa do trompete. Comigo Chet fora uma pessoa doce. Falava baixinho e delicadamente, dava a



A placa do Hotel Prins Hendrik diz: Trompetista e cantor Chet Baker morreu aqui em 13 de maio de 1988. Ele viverá por sua música para todos que a desejarem ouvir e sentir

impressão de cair desmontado ao chão se lhe apli-

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cultura

livros

Por Perla Rossetti Fotos Divulgação

Investir em conhecimento rende sempre os melhores juros Benjamin Franklin diplomata, inventor, físico e político (1706 - 1790)

dignos de nota

|

Primor

Psiques

Poemas, textos, fotos e ou-

Quem nunca identificou em si características

tras lembranças fazem parte

tão humanas como a sedução de Hera Venenosa

do livro Pomos 21, de tiragem

ou as atividades ritualísticas do Charada? Como

limitada a 250 exemplares as-

o humano patológico insere-se e se imiscui com

sinados pela fotógrafa Monica

o crime e a fantasia, ambos sedutores e interliga-

Vendramini, e que mostra sua

dos. Esses e outros questionamentos estão em O

relação com São Paulo e ou-

asilo de Arkham: e a psicopatologia dos vilões de

tras capitais mundiais. A obra,

Gotham City, de Francisco Assumpção Júnior. Na

lançada em exposição com

Editora Click Books, www.clickbooks.com.br

curadoria de Diógenes Moura, da Pinacoteca do Estado, traz

É grátis

25 anos de inspirações e buscas intelectuais. “O número 21 registra mais de duas décadas

Controverso, polêmico, entusiasta. O jorna-

de minha volta do Japão, um

lista Chris Anderson chega ao mercado editorial

marco na minha vida”, conta. O

com mais uma ideia de estremecer as bases ca-

livro é editado por Andrea Fino-

pitalistas em Free - The future of a radical price.

quiaro, tem acabamento arte-

Lançado no Brasil pela Campus-Elsevier, sua

sanal, capa com pomo pintado

tese é que certos produtos e serviços podem ser

em ouro, encadernação costu-

gratuitos e, ainda assim, tornar possível ganhar

rada a mão e registro no ISBN.

dinheiro com eles, por outros meios. Um exem-

Na galeria Mônica Filgueiras,

plo é o Google e seus anunciantes. O escritor

Rua Bela Cintra, 1533, telefo-

anglo-americano edita a revista Wired, no Vale

ne: (11) 3081-9492

do Silício, e lançou A cauda longa, há três anos.

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música

11 The Beatles

Bodas de Platina

Vale lembrar da caixa

A Traditional Jazz Band lançou CD para celebrar a longa trajetória e o

com a discografia com-

fato de ser a única catalogada em museus e festivais de jazz internacionais.

pleta em versão remas-

No repertório dos 45 anos juntos está Always look on the bright side of life,

terizada que imortaliza a

Since a fell for you, I’ve found a new baby, entre outras.

banda inglesa, de uma vez por todas. Encartes

Erudito

dos discos simulando os originais, luvas e artes especiais são alguns

A Série Dell’Arte de

dos mimos do box com

concertos

clássicos como Magi-

erudita, que trouxe a

cal Mistery Tour, Abbey

contralto francesa Na-

Road e Yellow Subma-

No tom

rine. Outra novidade é

de

música

thalie Stutzmann ao país, tem agendada apresen-

o lançamento de mais

Brunch e concertos para desfrutar de mo-

tação da The Great Voi-

uma biografia do voca-

mentos memóráveis fazem parte da programa-

ces of Gospel, regida por

lista dos garotos do iê,

ção da Fundação Maria Luisa e Oscar America-

Gregory Hopkins, em 16

iê, iê: John Lennon – a

no, aos domingos, no Morumbi. Em novembro,

de novembro. Baixo, pia-

vida, de Philip Norman,

Ensemble São Paulo e Fernando Tomimura

no e bateria, com ênfase

que chega por aqui com

apresentam-se em cordas e piano, no dia 8.

nos black spirituals esta-

tradução

Roberto

Clara Sverner toca piano, no dia 29. Em 13 de

rão juntos no Teatro João

Muggiati, pela Compa-

dezembro é a vez do Concerto de Natal. Deta-

Caetano. Reservas pelo

nhia das Letras.

lhes em www.fundacaooscaramericano.org.br

telefone (11) 5549-1744

de

Jazz no samba Bossa Nova, jazz, latin jazz e outros estilos estão reunidos no segundo álbum da cantora Patty Ascher: Deu jazz no samba. A afilhada musical do maestro francês Michel Legrand acerta no tom e o traz em participação especial na faixa The summer knows, clássico dele vencedor de três estatuetas do Oscar. O arranjo da canção é de Dori Caymmi.

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exposições

Releituras

Crítica

A exposição Uma Aventura

O Museu Brasileiro da Escul-

Moderna trouxe ao Museu de Arte

tura é o anfitrião da mostra The

Contemporânea (MAC) a coleção

Spirit of Boz, do belga Julien Frie-

de Arte Renault com 96 obras de

dler. Conceitos filosóficos e refe-

artistas como Arman, Georges

rências da pop art mesclam-se

Poncet e Joan Miró. Com curadoria

entre o lúdico e as críticas que

de Ann Hindry, traz pinturas, dese-

vão do culto a celebridades à

nhos e esculturas que dão novos

miséria social. Até 22 de novem-

significados para partes de veícu-

bro. Mais informações através

los. Parque do Ibirapuera, portão 3,

do telefone: (11) 2594-2601 ou

até 15 de dezembro.

www.mube.art.br

12

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Primeiro fotógrafo de moda do Brasil, Otto Stupakoff (1935 - 2009) radicou-se em Nova York e colaborou para revistas como Esquire e Life,

Otto Stupakoff Instituto Moreira Salle

Alusões à pintura

Visuais As obras multimídia do brasileiro Alex Flemming entraram em cena na Pinacoteca do Estado, em Sistema Uniplanetário – In Memorian Galileu

e em Paris trabalhou para Vogue e

Galilei, até 10 de janeiro. A instala-

Elle. A retrospectiva com 89 imagens

ção foi exposta nas ruínas da igreja

em preto e branco de celebridades,

St. Johannes Evangelist e retrata um

e uma colorida, Jardins de Boulogne,

mundo utópico, em que os habitan-

ficam no Instituto Moreira Salles até

tes vivem em órbitas diferentes. Mais

22 de novembro. Informações: (11)

Informações: (11) 3324.1000 ou

3825-2560 ou www.ims.uol.com.br

www.pinacoteca.org.br

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Divulgação

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ENTREVISTA Por Perla Rossetti Fotos Alberto GuimarĂŁes

SĂŠrgio Machado faz sucesso em Paris identificando comportamentos em moda, atitude e artes para o Studio Edelkoort/Trend Union, fundado por Li Edelkoort, uma das mulheres mais influentes do mundo fashion

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Marcas premium têm em seu DNA

peças a personalidade dos clientes.

a capacidade de encantar e gerar gran-

Advogado de formação, criativo por opção,

des negócios. Segundo estudo da MCF

esse brasileiro com alma inquieta já mo-

Consultoria & Conhecimento e da GfK

rou em Londres, Israel, Índia e há 15 anos

Brasil, trata-se de um mercado que, no

zarpou para além-mar, depois de ganhar a

país, faturou US$ 5,99 bilhões e cresceu

etapa brasileira e ficar em segundo lugar

12,5% em 2008, com previsão de atingir

no mundial do concurso Smirnoff Fashion

US$ 6,45 bilhões esse ano.

Award. Após trabalhar com a designer Vi-

Porém, é em Paris, capital da moda e

vienne Westwood, em Londres, estudou

celeiro de talentosos estilistas, que secu-

no Instituto Berçot, escola de moda onde

lares marcas ditam o que influenciará as

a francesa Marie Ruckie é diretora, em Pa-

pessoas. E é lá que está um dos brasilei-

ris, e foi assistente de figuras consagradas,

ros mais bem sucedidos da nova geração

como os estilistas John Galliano, Ocimar

de criativos envolvidos com o mundo das

Versolato e Abe Hamilton, um dos talentos

grandes marcas e lançamentos: o paulis-

da new generation de Londres.

ta Sérgio Machado, um dos diretores do

Até que, em 1997, seu talento foi desco-

Studio Edelkoort / Trend Union.

berto por Gert van Keuken, também diretor

Um dos profissionais na linha de frente

criativo do Studio Edelkoort / Trend Union,

do bureau internacional estabelecido em

fundado pela holandesa Li Edelkoort, uma

Paris desde 1991, ele é especializado

das 25 pessoas mais influentes no mundo

em estudar o comportamento e traçar

fashion, de acordo com a Time Magazine.

tendências e estratégias que serão vistas

Em uma rápida visita a São Paulo, Sér-

nos próximos anos nos cinco continen-

gio Machado recebeu a Lindenberg &

tes, e atende clientes famosos, como La-

Life para um café regado a histórias, no

coste, Prada e L´Oreal.

Hotel Emiliano. A conversa, que girou em

Sérgio participou do projeto que ajudou

torno do futuro de marcas imortais sob o

a renovar a imagem mundial da Lacoste

contexto de globalização e os padrões de

há alguns anos, quando a marca bus-

comportamento e consumo, você confere

cava unificar a qualidade de seus pro-

a seguir. Na entrevista, ele também anun-

dutos licenciados e traduzir em suas

ciou a chegada do Studio ao Brasil.

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Roberto Stelzer

ELE DESCOBRE

as tendências de consumo

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ENTREVISTA

LINDENBERG & LIFE: Como

um emprego na Air France e fui acei-

do lugar, atrás de um japonês. Fo-

você se tornou uma pessoa de

to. Trabalhei como diretor de escala

ram duas peças, a que desenvolvi

tantos interesses e talentos?

e viajei muito. Isso durou uns quatro

aqui e mais uma declinação sobre

SÉRGIO MACHADO: Quando ter-

anos e foi um tempo importante para

ela. Um dos jurados, Abe Hamilton,

minei direito na PUC, em 1986, não

aperfeiçoar meu francês e conhecer

me convidou para um estágio. Ele

me via mais como um advogado. En-

um monte de gente.

disse “não tenho dinheiro, mas seu

tão, tirei um tempo para viajar. Passei

trabalho tem a ver com o que estou

seis meses na Europa, mais seis em

L&L: Quando surgiu a ideia de

fazendo”. Larguei a Air France, voltei

Israel, sem dinheiro, só com a mochi-

participar do concurso Smirnoff

a São Paulo e, em uma semana, es-

la nas costas. Lá trabalhei e consegui

Fashion Award?

tava mudando para Londres. Ele era

uma grana para ir à Índia, onde pas-

SM: Em 1994. Nunca tinha trabalha-

um jovem criador que estava come-

sei mais seis meses. Voltei perdido,

do com moda e não conhecia nada

çando, mas já era uma promessa na

sem saber o que fazer. Um amigo,

nesse mundo, apenas desenhava,

época. Porém, começou a ficar difí-

o Julio Ribeiro, dono da Talent, me

mas não conhecia técnica de moda,

cil porque fui com pouco dinheiro e

empregou como diretor artístico da

como construir ou fazer a modela-

fazia “bicos”, entregando sanduíche.

agência Detroit. Trabalhei em publici-

gem de roupa. Criei uma peça ins-

Depois de um tempo, bati na porta

dade até perceber que também não

pirada na artista Ann Hamilton, que

da designer Vivienne Westwood, que

era meu caminho. Com uma amiga

veio para a Bienal daquele ano. Foi

me contratou como estagiário, o que

francesa, mãe do Xavier Leblanc,

um delírio. Não achei que aconte-

foi uma grande experiência. Aprendi

dono do restaurante La Tartine, fazia

ceria e tive de executar a roupa. Eu

a lidar com a matéria e estilo, pois eu

crepes e vendia em uma barraca na

nunca tinha visto uma máquina de

não tinha nenhuma formação. Tra-

Praça Benedito Calixto, na década

costura na minha frente. Consegui

balhamos em uma coleção e fomos

de 90. Era divertido, mas não dava

o primeiro lugar e, entre 10 finalis-

apresentá-la em um desfile em Paris,

muito dinheiro e, como eu sempre

tas, fui escolhido para participar da

em 1996. Quando cheguei, decidi

tive a mente voltada às viagens, es-

final do concurso, em Dublin, com

ficar. Sem base para trabalhar com

tava me sentindo preso. Aí postulei

69 países. Lá, conquistei o segun-

moda, me inscrevi no Studio Berçot.

Sem base para trabalhar com moda, me inscrevi no Studio Berçot.

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Foi uma delícia, aprendi a abrir meus

quei três anos e meio no estúdio. Foi

horizontes, a achar inspiração. Fui a

bárbaro. Eu navegava entre escolha

bibliotecas, exposições, desfiles. Foi

e estamparia de tecidos, e no desen-

como um ano sabático, divertido.

volvimento de sapatos, com o Mano-

Estava com 30 anos de idade, convi-

lo Blahnik, que executa os modelos

vendo com um pessoal que começa

criados por John. Fiquei até o grupo

essa escola com 17 anos. Às vezes,

LVMH comprar a marca de Galliano e

me sentia até um peixe fora d’água,

o contratar para criar na Dior. Daí, fui

às vezes, mais experiente.

trabalhar com o Ocimar Versolato até ele voltar ao Brasil. Nesse momento,

L&L: Ser brasileiro nesse am-

fui chamado pelo Gert van Keuken

biente o incomodava ou foi uma

para um projeto, meio que sem saber

vantagem?

do que se tratava. Comecei, e estou

SM: Tem um monte de brasileiro

no Studio Edelkoort há 12 anos.

que se dá bem lá, como o Giovanni Bianco, que faz mil direções de arte,

L&L: Qual foi sua missão quan-

capa de livro e disco da Madonna.

do chegou ao Edelkoort?

e o Francisco Costa, da Calvin Klein.

SM: O primeiro trabalho foi para uma

Não é o fato de ser brasileiro, mas

malharia italiana, a Fuzzi. Cuidamos

querer trabalhar, ter talento; e o mo-

da identidade visual de A a Z. Es-

mento certo para a coisa acontecer

colhíamos o fio, desenhávamos os

é que faz a diferença. Nunca senti

modelos, controlávamos da produ-

preconceito. Minha idade era quase

ção até a distribuição e publicidade.

uma vantagem, porque eu já me via

Apesar de tradicional e atender grifes

em outro patamar. Já tinha viajado

como Chanel e Jean Paul Gaultier, a

bastante, visto outras coisas. E Paris

Fuzzi não tinha uma marca própria no

é uma cidade difícil. Para vingar, você

mercado. Tinha know-how e maqui-

tem de ser perseverante, gostar de

nário, mas faltava quem direcionasse

sentir a vida da sociedade francesa.

a parte de estilo e arte.

Não dá para viver só com brasileiros. L&L: Como o Studio Edelkoort L&L: Como assim?

atrai a atenção das marcas in-

SM: Fiquei estudando no Instituto

ternacionais?

Berçot, mas queria algo mais. Um

SM: As empresas que nos procu-

dia, bati, literalmente, na porta do es-

ram são as que estão com proble-

tilista John Galliano e tive sorte, falta-

mas, seja de identidade visual, seja

vam dois meses para lançar a nova

de posicionamento no mercado. Há

coleção e eles precisavam de um

questões de estilo, criação de con-

estagiário. Me dei bem com ele e fi-

ceito ou novas embalagens para

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Paris é uma cidade difícil. Para vingar, você tem que ser perseverante

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ENTREVISTA

um produto que não existe ainda no

os convocamos para um brainstorm.

formada por estagiários, assistentes e

mercado. Algumas são empresas

Assim, conhecemos o mercado e o

designers gráficos. Damos o concei-

que prestam serviço às marcas fa-

consumidor desse produto.

to e a ideia e vamos desenvolvendo

mosas. Detêm equipamentos e ex-

com as equipes. Ao todo, são cerca

pertise dentro de seu negócio, mas

L&L: Dá para detalhar o projeto

falta a parte de estilo.

da Lacoste?

de 20 pessoas, mas pode variar.

SM: Há oito anos a marca tinha pro-

L&L: Cerveja, automóveis e

L&L: É um trabalho de intuição?

blemas de distribuição e havia perdi-

roupas têm demandas diferen-

SM: É de pesquisa constante. Viaja-

do seu DNA. A empresa não sabia

tes. Como detectar tendências

mos muito, lemos e visitamos exposi-

identificar o seu consumidor. O pri-

e unificar a identidade de uma

ções de foto, arte e arquitetura. Tudo

meiro passo foi rever os princípios de

marca como a Lacoste em dife-

misturado com a intuição. Estamos

tradição da Lacoste, como a marca

rentes culturas e países?

antenados em tudo o que acontece

começou e seu percurso até chegar

SM: Primeiro fazemos uma pes-

ao redor. Agora, por exemplo, volta-

àquele ponto. A partir daí, descobri-

quisa sociológica para saber o

mos da Bahia, onde encontramos

mos o público que a marca gostaria

que está acontecendo em ter-

artesanatos para uma coleção. Es-

de atingir. Fizemos pesquisas de vo-

mos de consumo do produto,

tamos sempre fazendo associações

lume, cor, material e acabamento.

no mundo todo. Há 15 anos, a

Estamos antenados em tudo o que acontece ao redor

de ideias com algo relativo aos clien-

Li Edelkoort criou o conceito do L&L: Há papéis definidos para

carro Micra, da Nissan. Buscou a

os profissionais do Studio?

forma arredondada, partindo do

L&L: Tudo é empírico e dispensa

SM: A equipe de criação é peque-

princípio de que o carro deveria

as avaliações mercadológicas

na, com o Gert van Keuken, a So-

ser aconchegante, para as pes-

como os focus groups?

phie Lattes e eu. Fazemos um ping-

soas sentirem-se encapsuladas.

SM: Às vezes, quando temos um

pong sobre quatro ou cinco projetos

Tudo feito junto aos designers da

projeto muito específico e precisa-

de que tomamos conta, ao mesmo

Nissan, pois atuamos como cou-

mos do feedback de especialistas,

tempo. E temos uma equipe satélite,

ching in house.

tes ou tendências.

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L&L: São tendências identifica-

L&L: Até que ponto os efeitos

das com anos de antecedên-

econômicos da globalização in-

cia. Isso é possível também na

fluenciam o comportamento, a

moda, em que tudo muda na

arte e a moda?

próxima temporada?

SM: Proporcionam, por exemplo, o

SM: A moda é mais rápida, tenta-

fenômeno das fast brands. Um de-

mos dar direções com dois anos

signer para a Zara ou H&M põe na

de antecedência. Agora trabalha-

produção as peças de um desfile

mos o verão 2011. É preciso viajar.

apenas uma semana depois. A glo-

Ver em Tóquio, por exemplo, o que

balização democratiza a moda.

A tendência é de um crescimento para lojas tipo fast fashion

está acontecendo nas butiques pequenas, sair do mainstream das

L&L: Marcas como Hermes, que

grandes marcas e procurar gente

se consolidaram entre um públi-

que está desenvolvendo novas ma-

co de alta renda, agora procu-

térias. Mixamos tudo e daí saem as

ram países emergentes como

ideias e os dossiês que direcionam

China e Brasil. É mais um movi-

o projeto da marca.

mento da globalização? SM: Sim, é um movimento econô-

L&L: Quais tendências vocês já

mico. São Paulo, por exemplo, é a

detectaram para o pós-crise?

única cidade do mundo que tem

SM: O consumidor procura cada vez

duas Tiffany’s. Enquanto o maior

mais qualidade para ter o produto por

mercado de Christian Lacroix são

longo tempo, com o acabamento,

os países árabes.

tecidos, detalhes e criatividade. A marca importa, mas o consumidor,

L&L: E o que motivou o Studio

com a crise, às vezes procura mes-

Edelkoort a focar o Brasil?

clar produtos de marcas mais sofisti-

SM: Há seis meses começamos a

cadas com outros, mais acessíveis.

desenvolver o mercado brasileiro nas várias áreas em que prestamos

L&L: As tendências em moda

serviços. Além dos projetos do Stu-

alteram muito as coleções e a

dio Edelkoort, fazemos conferências,

imagem das marcas?

fóruns e seminários em que adapta-

SM: A imagem das marcas premium

mos os temas para diversos públicos.

está super consolidada. Galliano,

Temos sete cadernos de tendências,

Dior, Prada têm suas imagens in-

publicados a cada estação. Um de-

crustadas e suas próprias fontes de

les é geral, ligado a vários aspectos

inspiração e não estão preocupados

de vida. Há os de moda, bem-estar

com as tendências porque seguem

e saúde, beleza, arquitetura, estam-

a identidade de cada marca.

paria, cores, entre outros.

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turismo Por Larissa Andrade Fotos Divulgação e Sergio Bonagamba

Cordilheira dos Andes, um dos destinos mais atraentes e desafiadores para quem viaja de carro

Apaixonados por viagens e motores unem os interesses e traçam roteiros no Brasil e na América do Sul que incluem cultura e belezas naturais

De carro, por aí

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Viajar de carro é ter liberdade de escolha. É interagir com a paisagem, reinventar o próprio destino depois de cada curva. Para tais viajantes, o prazer

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da jornada está nas surpresas do caminho. Chegar é apenas um detalhe. Cair na estrada por conta (quase) própria é assim, você determina os pontos de parada, o tempo de visitação de cada local, faz seu roteiro, é dono

Em suas viagens de automóvel, a família Bonagamba conheceu as mais deslumbrantes paisagens

de seu tempo. Uma sensação de independência que seduz, que motiva. É por isso que tanta gente prefere cruzar o país, o continente, ao volante, na companhia da família ou dos amigos. Gente como o viajante e engenheiro nas horas vagas – como costuma dizer – Sergio Sparvoli Bonagamba, que já percorreu milhares de quilômetros com a esposa e o filho não apenas na América do Sul, mas também nos Estados Unidos, Europa e até na Austrália. “Minha família já fazia isso na década de 70. Meu pai tinha um Galaxie que costumava nos levar à Argentina. Fomos até Mendoza com várias crianças no carro”, recorda. Filho muito bem ensinado, Sergio não pensa duas vezes para colocar o carro na estrada e ser dono do próprio nariz. “Os pacotes turísticos convencionais elegem cidades grandes, o que não é nosso foco. Até passamos por elas, mas para chegar nas pequenas cidades, onde o povo é mais receptivo e as atrações são melhores. Na Carretera Austral, por exemplo, tem uma caverna de mármore muito bonita e que não está nos pacotes de agências”, explica o viajante. Para chegar a esses tesouros “escondidos” é preciso pesquisar e planejar a viagem, consultando guias, amigos e aventureiros experientes que possam ajudar com dicas preciosas. O que, nesse caso, inclui também as condições das estradas e peculiaridades de cada país em relação às leis de trânsito. E, para os mais práticos, sempre haverá também a possibilidade de contar com o apoio

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turismo

de profissionais para a reserva de hotéis, aluguel

quência de pegadas dos velociraptors e do igua-

de carros e outras questões mais burocráticas com

nodonte. O problema é que, embora as pessoas

que alguns preferem não se preocupar.

que cuidam sejam determinadas e trabalhadoras, o parque está abandonado pelo poder público. Não

Pelo Brasil

há cobrança de entrada, apenas contribuímos com o guia. Falta dinheiro para arrumar o canal de desvio

Cidades históricas, como a mineira Diamantina, não podem faltar nos roteiros

Em sua última expedição pelo Brasil – deno-

do rio, que transborda provocando danos às pega-

minada Água e Areia –, a família Bonagamba per-

das. Milhões de anos de história podem ser perdi-

correu mais de 11 mil quilômetros e atravessou 14

dos em pouco tempo”, escreveu o viajante em seu

estados do país, passando pelas regiões Sudeste,

diário virtual de bordo.

Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Sergio destaca

Em Fortaleza, Sergio Bonagamba recomenda

como programas imperdíveis o mergulho na Praia

uma visita ao Centro Cultural Dragão do Mar, que

de Porcos, em Fernando de Noronha, e o Vale dos

conta com teatros, cinemas e um bem cuidado pla-

Dinossauros, no Ceará, que abriga mais da metade

netário. Já no estado do Maranhão, as dunas são

das pegadas de dinossauros do mundo em boas

imperdíveis, especialmente no inverno, quando há

condições de preservação. “Impressionante a se-

mais lagoas com água morna e límpida. Uma dica é

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ir à tarde, quando o sol não está tão forte. Na região

roteiros esPeciais

do Jalapão, o que mais impressiona são as dunas avermelhadas e também a Cachoeira da Velha, que

Ainda pouco explorado, o litoral alagoano tam-

oferece boa infraestrutura para quem vai de carro,

bém é uma boa opção para quem quer viajar de

incluindo passarela do estacionamento até a ca-

carro e apreciar belas paisagens. A Terra Mun-

choeira e belvederes cobertos para descanso.

di, agência especializada em turismo ecológico

Mas não é só de dicas de passeio que se faz

e de aventura, oferece um roteiro especial pela

uma boa viagem. O engenheiro conta que, no

área inexplorada do litoral alagoano. A apenas

Nordeste, é fundamental ter atenção especial às

100 quilômetros de Maceió, os turistas podem

más condições das estradas baianas. Para quem

encontrar tudo isso, em um roteiro feito de carro

quiser dar uma passada por Brasília, a escolha

que parte da capital, explorando toda a área, que

deve ser seguir pelo interior de Tocantins, onde

é cercada por lagoas azuis, areia branca e pou-

as estradas estão em boas condições e o limite

sadas de qualidade surpreendente.

é de 110 km/h. Também é importan-

Entre as praias de Barra de Santo

te contar com um veículo resistente,

Antônio e Maragogi, a estrada litorânea

com tração adequada para uma viagem como essa. “Principalmente para alguns trechos do Jalapão e a travessia de Paulino Neves até Barreirinhas,

23

deixa de acompanhar as praias, entrando para o interior na direção do centro canavieiro de Porto Calvo. E, a partir daí, surge a popularmente conhecida Rota

passando por dunas na região dos

Ecológica – o nome oficial é Costa dos

pequenos Lençóis”, ensina.

Corais. Com este desvio da estrada, foram poupados da degradação ambiental cerca de 40 km², que viraram um santuário de preservação da cultura caiçara, fauna e flora da região. Para os turistas que partem de Maceió, a Rota Ecológica começa em São Luís do Quitunde, passando pela Praia do Morro, falésias, Praia do Toque, Porto de Pedras, Praia do Lage, entre outras belezas naturais. A estrada ruma ao norte e, seguindo por ela, os turistas encontrarão vilas, rios, casas históricas e mais praias desertas. Ao longo do trajeto, os viajantes se

Para quem viaja ao Nordeste, uma alternativa é enviar o carro por transportadora e ganhar tempo chegando ao destino inicial de avião

deparam com piscinas naturais, pescadores, águas cristalinas e um pôr-do-sol dos mais bonitos. A tranquilidade dos vilarejos da região harmoniza com as pousadas encontradas na Rota Ecológica, já que muitas delas buscam não interferir na paisagem nem alterar a vida das comunidades locais – e ainda oferecem chalés e bangalôs independentes

VÁ De aViÃo, ENCONTRE SEU CARRO Para quem prefere viajar com o próprio carro pela região que irá visitar, mas não quer se deslocar da residência até lá pelas estradas, a melhor opção é solicitar o serviço de uma empresa transportadora, que irá levar o veículo até o local indicado pelo proprietário com segurança e conforto. A transportadora retira o veículo na residência do cliente e deixa em um hotel indicado por ele. O valor do transporte varia de acordo com a distância e também o modelo do veículo. Para realizar o serviço, as empresas exigem normalmente o licenciamento original, chaves e documentos do proprietário, como RG e CPF. Não deixe de se informar sobre as condições do seguro durante o trajeto. A Brasil Auto Transportes, por exemplo, conta com uma apólice para roubo e outra para sinistro. Na Brasil, o prazo máximo para um veículo de São Paulo chegar a Fortaleza é de 15 dias corridos. Já para chegar a Porto Alegre é de sete dias corridos.

e com ótimo serviço de restaurante.

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turismo

América do Sul Outro cuidado que se deve ter diz respeito a viagens para outros países da América Latina. Isso porque as companhias geralmente estabelecem que o seguro é válido no território nacional e países do Mercosul, excluindo os demais. Muitas seguradoras oferecem a opção de extensão de perímetro da cobertura – que, em alguns casos, é gratuita, mas em outros é cobrado um percentual sobre o valor de apólice. Com a extensão de perímetro, a indenização ocorre na forma de reembolso, ou seja, o segurado paga os prejuízos e, ao retornar, deve solicitar, mediante comprovação, o reembolso à seguradora. Se houver representante da companhia no país de ocorrência do sinistro, o atendimento poderá ser feito diretamente por lá. No entanto, alguns riscos não estão cobertos, como sinistro ocorrido em competições de qualquer natureza, como rally, ou quando o veículo estiver sendo rebocado ou transportado por meio não apropriado.

tadas, além de se informar sobre a legislação de trânsito local. Quem viaja com o carro próprio deve

Se a liberdade do viajante é bem maior quando

contratar o Seguro Carta Verde, obrigatório para os

ele está literalmente ao volante, também é fato que

países do Mercosul e oferecido para viagens de

não se pode deixar de lado o planejamento quando

três, sete, 15 e 30 dias. O seguro deve ser emitido

a aventura acontece no exterior, mesmo que seja

em nome do proprietário do veículo e sua compro-

em cidades próximas ao Brasil. Depois de algumas

vação perante as autoridades se faz através do Cer-

viagens pela Argentina a bordo do Galaxie do pai,

tificado Bilíngue entregue pela seguradora. “Apesar

Sergio Sparvoli Bonagamba retornou com sua família

de ser obrigatório em todo o Mercosul, na Argentina

para apresentar as belezas naturais sul-americanas à

a cobrança é maior. Além disso, a polícia lá tem uma

esposa e ao filho, que se surpreenderam não apenas

forma de abordar um pouco diferente, procurando

com belíssimas paisagens, mas com museus, proje-

defeitos, especialmente em Buenos Aires, eles exi-

tos arquitetônicos e culturas totalmente distintas.

gem que você tenha dois triângulos, para colocar

Do alto de sua experiência, o engenheiro reco-

um na frente e outro atrás em caso de quebra do

menda que, antes de cair na estrada, é necessário

veículo; e você não pode ter engate, a menos que

checar os documentos exigidos nas regiões visi-

esteja puxando alguma coisa. Se o engate não estiver regularizado, você pode ser multado”. Levar correntes e colocá-las no carro durante o período de neve e chuva também é obrigatório e ga-

O contato direto com a natureza não tem preço. De carro, cada quilômetro reserva uma agradável surpresa

rante a segurança. “Nos Andes, é preciso também levar um cabo de aço com gancho, pois se o carro tiver problemas, precisará ser puxado. Na parte burocrática, o veículo deve estar no nome de quem está dirigindo; se outra pessoa quiser dirigir, será preciso ir até o consulado e solicitar uma autorização”, indica o viajante, que ainda orienta: “Procure se informar sobre as regras de trânsito e saber os limites. Saber falar no mínimo um ‘portunhol’ também ajuda”, brinca.

Roteiro de atrações Entre os lugares mais interessantes que já conheceu na América do Sul, Bonagamba recomenda a região onde estão a Torres Del Paine, no Chile; o Glaciar Perito Moreno, enorme rio congelado com área de 195 km2, e uma das únicas geleiras do planeta que continua crescendo; a Península Valdés e o Museu de Paleontogia de Trelew, na Argentina. Este último, bastante interessante, principalmente

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25 cuiDaDos

para quem viaja com crianças de oito a 12 anos, já

COM A SAÚDE

que oferece, inclusive, um passeio noturno chamado Exploradores de Pijama. Mas a visita vale a pena para pessoas de qualquer idade, uma vez que na Argentina se encontram resquícios de dinossauros e o país realiza pesquisas arqueológicas desde o início do século passado. Não deixe de ver também o Parque Nacional Los Glaciares, situado numa superfície de quase 600.000 hectares, com 47 geleiras, todas elas flutuando para o Atlântico. O parque possui uma paisagem de tirar o fôlego, com impressionantes geleiras que se quebraram do bloco de gelo continental. Treze delas quebraram-se formando imensos blocos independentes de gelo, que estão imersos nas águas dos Lagos Viedma e Argentino. A Vivaterra, agência especializada em América Latina e viagens personalizadas, oferece a possibilidade de criar roteiros sob medida para turistas que também pretendem viajar de carro. Uma das sugestões propõe uma travessia pela mais longa estrada Argentina – com quase cinco mil quilômetros –, a Rota 40. O quilômetro zero da Ruta Nacional 40 está localizado em Cabo Vírgenes, no extremo sul do continente americano, na Província de Santa Cruz, e seu trajeto, paralelo à Cordilheira dos Andes, chega até a Puna, em Jujuy; além de abranger mais de 2.700 quilômetros pela Patagônia. Nessa expedição, que se inicia em Bariloche, os turistas passam por la Cueva de Las Manos, com pinturas rupestres de mais de 10 mil anos; El Chaltén, a capital do trekking; o Glaciar Perito Moreno, entre outros pontos extremamente interessantes. O percurso é feito a bordo de uma

Na Argentina, resquícios do tempo dos dinossauros, os encantos do Aconcagua e geleiras que se derretem diante de nossos olhos

Hilux 4x4, já que muitos trechos da estrada são de cascalho. E os turistas são acompanhados por um guia/mecânico que estará disponível durante

tagem a tranquilidade de não ter que se preocu-

todo o trajeto para qualquer eventualidade.

par com absolutamente nada, além da garantia de

O apoio de uma agência, ao mesmo tempo em que reduz a autonomia do viajante, traz como van-

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reservas em hotéis confortáveis, algo fundamental para quem passa horas na estrada.

Sair da rotina e passar horas na estrada exige cuidados com o corpo. Uma precaução básica, conforme orienta o chefe do departamento de medicina ocupacional da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), Dirceu Rodrigues Alves Júnior, é descansar o suficiente antes de assumir o volante. “Em qualquer situação, a primeira coisa que recomendamos é que, antes de dirigir, o motorista tenha tido um repouso com sono de pelo menos oito horas noturnas. Ele deve começar a dirigir imediatamente após essas horas”, adverte. Segundo o especialista, o motorista não deve dirigir mais de seis horas por dia, fazendo intervalos a cada duas horas. “Ele deve fazer caminhadas ao redor do veículo num local seguro e fazer alongamento das articulações e dos tendões, buscando melhorar a oxigenação tecidual e cerebral, combatendo não só a fadiga, mas também o torpor e a sonolência causados pela viagem”. Caso as paradas sejam feitas em postos de

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turismo

gasolina, o motorista já pode aproveitar para checar as condições do veículo e abastecer. Não é recomendado andar sempre com o tanque cheio, conforme explica o médico. “Em caso de acidente, isso pode funcionar como um agente agressor se houver um incêndio, por exemplo. Além disso, esse combustível pesa e, quando se liga o ar condicionado, o veículo perde força para fazer uma ultrapassagem ou subir uma ladeira. O ideal é da metade do tanque para baixo”. O Dr. Alves Júnior também aconselha comer apenas em locais seguros e higiênicos e dar preferência a alimentos quentes, diminuindo as chances de ter problemas com bactérias. Outra dica é priorizar verduras e legumes, que têm digestão mais fácil e não distendem o abdômen. Em relação às crianças, o especialista diz que deve-se respeitar a legislação e usar cadeirinha e cinto de segurança, sempre no banco traseiro. “Já os animais devem estar numa gaiola presa ao banco traseiro para que não haja deslocamento”.

O roteiro da Vivaterra ainda inclui um dia para visitar

desértico da península. Na entrada da reserva há um

a Reserva Integral Península Valdés, que tem como

centro de interpretação e um pequeno museu com

atração pássaros, baleias francas, orcas, lobos e ele-

sala para audiovisuais. Dali pode-se fazer uma visita

fantes marinhos. Em sua área está o ponto mais baixo

à Isla de los Pájaros ou seguir direto para Puerto Pi-

da América do Sul, Salinas Grandes, um lago de sal

râmide, um pequeno povoado de inconfundível estilo

situado 40 metros abaixo do nível do mar, no coração

hippie. De carro você chega lá.

para Ler e ViaJar GUIA QUATRO RODAS – ESTRADAS 2010

AVENTURA NO FIM DO MUNDO Apesar de não ser exatamente um guia de viagem, esse livro traz impressões bem pessoais de um jornalista e sua família, que saíram do Brasil de carro com destino ao ponto mais austral do Hemisfério Sul, a Patagônia. Werner Zotz brinda os leitores com imagens belíssimas, além de informações sobre condições das estradas, hotéis, restaurantes e pontos de visitação. No caminho, glaciar Perito Moreno, Península Valdés, Canal de Magalhães, e outras regiões surpreendem os viajantes – e os leitores.

Com algumas estradas em péssimas condições, viajar pelo Brasil de carro requer planejamento. Para não se perder ou se enganar com informações desatualizadas, aposte no “Guia Quatro Rodas – Estradas 2010”, que conta com mapas completos e fáceis de consultar e traz informações importantes como preço dos pedágios. O guia apresenta a localização de mais de seis mil cidades no Brasil, Paraguai, Uruguai, Chile e Argentina. Editora: Abril Lançamento: 2009 Preço: R$ 32,99 (gigante) e R$ 19,99 (prático) Número de páginas: 132

Autor: Werner Zotz Editora: Letras Brasileiras Lançamento: 2005 – 2ª edição Preço: R$ 59,90 Número de páginas: 168

GUIA AS MELHORES VIAGENS DE CARRO Lançada pela Publifolha, a coleção já conta com quatro livros: Itália, França, Espanha e a região da Califórnia. A vantagem desses guias são as dicas sobre regras de trânsito, documentos necessários para alugar e dirigir um automóvel no país, onde estacionar e como dirigir, além de paradas para vistas panorâmicas. Autores: Paul Duncan (Itália), AAPublishing (França), Robert Holmes (Califórnia), Mona King (Espanha) Editora: Publifolha Lançamento: 2009 Preço: R$ 44,90 Número de páginas: 208

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27 Viagem com segurança Para garantir uma viagem tranquila e não se aborrecer com imprevistos ou surpresas desagradáveis, é fundamental fazer uma completa revisão no veículo. Certifique-se de que os seguintes itens sejam checados antes de colocar o carro na estrada e exija de seu mecânico o seguinte check-list preenchido:

Luz de freio  Ok  Uma ou mais não funcionam

 Pneu(s) com profundidade de sulco inferior a 1,6 mm

OUTROS CUIDADOS Luz indicadora de posição  Ok  Uma ou mais não funcionam

Motor  Verificar se há vazamento de óleo

Luz de ré  Ok  Não funciona

Direção (volante e coluna)  Verificar se há folgas ou se está danificada

ILUMINAÇÃO

Suspensão  Amortecedores, bandejas, braços e pivôs são itens que exigem equipamentos específicos para checagem. É importante examiná-los em uma oficina especializada.

EQUIPAMENTOS OBRIGATÓRIOS Limpador e lavador de parabrisas  Ok  Inexistente  Danificado ou com funcionamento deficiente Extintor de incêndio  Ok  Validade vencida Buzina  Ok  Inexistente  Funcionamento deficiente Cintos de segurança  Ok  Inexistente ou quantidade insuficiente Triângulo de segurança  Ok  Inexistente Estepe  Ok  Fixação deficiente SINALIZAÇÕES Luz indicadora de direção (setas)  Ok  Uma ou mais não funcionam

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Lâmpadas dos faróis principais  Ok  Uma ou mais não funcionam Lâmpadas de iluminação da placa traseira  Ok  Funcionamento deficiente FREIOS Reservatório do líquido de freio  Ok  Nível do líquido insuficiente Freio de estacionamento  Ok  Danificado ou com funcionamento deficiente PNEUS E RODAS Estado geral de fixação de rodas  Ok  Falta um ou mais parafusos de fixação  Existência de trincas ou amassamentos na parte externa  Corrosão acentuada Desgastes da banda de rodagem  Ok

Climatização  Funcionamento do ar quente irregular  Funcionamento do ar frio irregular Arrefecimento  Nível do líquido  Ausência de aditivo  Vazamento Correias auxiliares  Estado de desgaste (troca ou ajuste) Filtros de ar, óleo, combustível e cabine  Estado geral, trocar sempre que necessário para aumentar a vida útil e desempenho do motor do carro Alternador e bateria  Checar a tensão de carga

Fonte: Carro 100% - Check-list da manutenção preventiva do veículo, conforme norma ABNT 14624.

Para fazer uma

boa viagem

1 2

Assumir o volante imediatamente após um descanso de oito horas de sono noturno Fazer caminhadas ao redor do veículo a cada duas horas

3

Alongar articulações e tendões antes de voltar ao volante

4

Não dirigir por períodos superiores a seis horas

5

Nas paradas nos postos de gasolina, checar as condições do veículo

6

Comer apenas em locais seguros e priorizando alimentos de fácil digestão, como verduras e legumes

7

Acomodar as crianças apenas em cadeirinhas no banco traseiro. Crianças pequenas precisam de um acompanhante adulto

8

Se for transportar animais, usar uma gaiola presa ao banco traseiro para que não haja deslocamento.

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acervo Por Perla Rossetti Fotos Lucia Loeb, Laboratório Urbano e arquivo de família

a nova casa

da história O Dicionário de Moraes, o Vocabulário de

Conheça em primeira mão os detalhes do projeto da Biblioteca Guita e José Mindlin Imagem em perspectiva revela detalhes do projeto arquitetônico

das pelo bibliófilo e sua esposa, Guita.

Bluteau e as primeiras edições dos romances de

Considerada a mais importante coleção do gê-

Machado de Assis são algumas das pérolas con-

nero formada por um particular, a biblioteca tem

quistadas nos últimos 80 anos pelo maior bibliófilo

cerca de 17 mil títulos – ou 40 mil volumes –, com

brasileiro, o paulista José Mindlin. O acervo, inigua-

obras de literatura brasileira e portuguesa, originais

lável, está prestes a abrir suas portas ao público.

e provas tipográficas de relatos de viajantes, ma-

“Nós sempre o apoiamos na ideia da biblioteca

nuscritos históricos e literários, periódicos, livros

como algo importante e o destino adequado para

científicos e didáticos, e iconográficos que vão de

a coleção, que deve ser preservada e permitir o

álbuns ilustrados a gravuras.

acesso das pessoas”, conta o arquiteto e urbanista Rodrigo Mindlin Loeb, neto do colecionador.

Preservar esse patrimônio até hoje tem sido uma tarefa da família e do Dr. José Mindlin, apesar de sua

Ao lado do professor Eduardo Luiz Paulo

saúde fragilizada pelos 95 anos de idade. No entanto,

Riesencampf de Almeida, Rodrigo trabalha na

ele ainda recebe pesquisadores na biblioteca mon-

construção do edifício que abrigará a Biblioteca

tada em casa – apenas alguns títulos e documentos

Brasiliana Guita e José Mindlin, com obras reuni-

estão disponíveis em uma versão digital. O novo prédio de 20 mil m 2, que está sendo erguido próximo ao bolsão da reitoria da Universidade de São Paulo, no coração da Cidade Universitária, tem projeto arquitetônico dos escritórios Eduardo de Almeida e Rodrigo Mindlin Loeb, com a assessoria da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU/USP). Inspirado em conceituadas bibliotecas americanas, como Beineke, Morgan, New York Public, Library of Congress e Nacional de Paris, a Brasiliana também será a sede das atividades acadêmicas e culturais do Projeto Brasiliana USP, que inclui o Centro de Estudo do Livro e o Centro Guita Mindlin.

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DETALHES

restaurantes e áreas de convivência, com pé direito

Projetado em 2000, o edifício da biblioteca que

triplo, e operação independente das duas unidades

abrigará a coleção Brasiliana ganhou a concessão de

laterais, para atender os eventos da universidade.

terreno na USP para a construção de uma fundação.

“Foi criada uma praça central coberta, que fica em

Porém, o modelo acarretaria tributos que inviabilizariam

meio nível, entre uma mais alta e outra baixa, para o

a proposta. Passados quatro anos, um segundo pro-

fluxo de travessia”, explica o arquiteto Rodrigo.

jeto previa uma área iconográfica, ideia que também

O acervo da Brasiliana sempre estará visível aos

não se efetivou. Somente a terceira tentativa garantiu

visitantes. “No caso do Dr. Mindlin, o ambiente de

a viabilização do sonho: o prédio irá abrigar, em áreas

saguão e sala reproduz a biblioteca de sua casa. Do

separadas, o acervo de Mindlin e a Biblioteca Brasiliana

outro lado, divide-se em três módulos, entre objetos,

USP, da reitoria da universidade, que ficou responsável

móveis, acervo de fotografia, imagem e som”.

pelo financiamento de grande parte do projeto em par-

Concreto aparente e vidro definem os volumes

ceria com a iniciativa privada, a partir da Lei Rouanet.

principais da construção. Sob a laje, há uma gran-

“Assim, o edifício foi configurado para ter duas alas,

de cobertura metálica, que permite a ventilação

com autonomia entre si, mas infraestrutura comum,

e ainda tem funcionalidade acústica. “Imagine o

como ar-condicionado e laboratórios de restauro”.

acervo como uma caixa de livros, dentro de outra

Levando em conta esses parâmetros e a hori-

caixa. Neste espaço, há mezaninos metálicos. O

zontalidade, dentro do contexto e das diretrizes da

pé direito é determinado pelo número de pratelei-

USP, o espaço comum da biblioteca terá auditórios,

ras ao alcance das mãos, em três andares”.

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o idealizador

José Ephim Mindlin nasceu em São Paulo, em 8 de setembro de 1914. Advogado formado pela USP, fundou a indústria Metal Leve, que se tornou uma potência nacional no setor de autopeças. Após deixar a empresa, em 1996, passou a dedicar-se integralmente à paixão de colecionar livros raros, guardados desde seu 13 anos de idade. Seu primeiro livro foi Discours sur l’Histoire universelle, de Jacques-Bénigne Bossuet, de 1740. Em 20 de junho de 2006, o bibliófilo foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras, onde passou a ocupar a cadeira número 29, sucedendo a Josué Montello. Após saber da vitória na eleição, Dr. Mindlin declarou: “De certa forma, coroa uma vida dedicada aos livros”. Atualmente, Dr. Mindlin também é presidente da Sociedade de Cultura Artística.

Dr. Mindlin na biblioteca de volumes raros, montada em sua casa

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acervo

os executores

As fachadas leste e oeste estão em concreto, enquanto nas de norte e sul há uma tela de

Eduardo Luiz Paulo Riesencampf de Almeida, 74 anos, é arquiteto e urbanista, reconhecido por diversos prêmios no Brasil e no exterior. Formado pela FAU/ USP em 1960, com especialização em Desenho Industrial, História da Arte e da Arquitetura em Florença e doutorado pela USP, onde também foi professor.

que permite a entrada da luz e faz do projeto uma iniciativa verde.

tecido metálico que permite a visualização, mas

O sistema de ar central funcionará no nível da

bloqueia raios solares, graças a um inteligente

praça de convivência, enquanto os acervos recebe-

sistema de controle de luminosidade. Já à noite,

rão tratamento local para preservação dos volumes.

a luz acesa nos ambientes da biblioteca será vis-

Os espaços também foram concebidos para

ta do lado de fora do prédio.

uma expansão futura dos dois acervos. “O espa-

Na cobertura, uma treliça metálica de 1,5

ço do Dr. Mindlin está projetado para até 50 mil

metro, com telha dupla térmica e tratamento

títulos, com grandes áreas de triagem e reserva.

acústico, também recebeu um forro perfurado,

No caso da Biblioteca Brasiliana USP, são 140 mil

com lanternim – abertura – dupla e filtro UV,

volumes, poderemos chegar a 240 mil”.

Rodrigo Mindlin Loeb, 37 anos, é neto do Dr. Mindlin. Arquiteto e urbanista, é formado pela FAU/USP, em 1996, com mestrado em Energia e Meio Ambiente na Architectural Association Graduate School, em 1998. Loeb já venceu concursos no Brasil e exterior e é professor de projeto na Faculdade Belas Artes e na Escola da Cidade.

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ETAPAS

tálica”, explica o arquiteto Rodrigo Mindlin Loeb. Um dos coordenadores do projeto Brasiliano USP,

O objetivo da reitoria da USP e dos arquitetos é fina-

Pedro Puntoni, comenta que o contrato com a últi-

lizar a obra no segundo semestre de 2010. Porém, de-

ma construtora encerrou em novembro, sem que isso

vido à complexidade do projeto, há uma dependência

tenha significado a conclusão do prédio. “O restante

de patrocínio. “A obra está sendo executada conforme

dependerá da captação de recursos para ambienta-

os recursos disponíveis. Por enquanto, só trabalhamos

ção e outras dimensões da obra”.

a parte física, a estrutura de concreto, equipamento

Impasses que, considerando-se a relevância

de ar condicionado, instalações elétricas e hidráulicas,

histórica do acervo criado pelo casal Mindlin e a

pisos, forros e paredes. Mas não temos esquadrias,

importância de levar sua coleção ao público, serão

automação, dutos de ar, janelas, portas e estrutura me-

vencidos em pouco tempo.

Após a conclusão das obras, que estão em andamento, São Paulo ganhará um novo e moderno complexo cultural

este livro raríssimo é, aparentemente, o único realmente publicado no Brasil no século XvIII. apesar do seu texto inocente, provocou violenta reação em Portugal. Seu impressor, Isidoro da Fonseca, foi preso e enviado para Lisboa e sua oficina foi apreendida. o simples fato de se poder imprimir no Brasil já constituía perigo de sedição |

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José Mindlin

Com o título “Relação da entrada que fez o excellentissimo, e reverendissimo senhor D. Fr. Antonio do Desterro Malheyro”, a obra falava sobre o bispo do Rio de Janeiro e faz parte do acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, disponível em versão digital em www. brasiliana.usp.br

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Timeless II e Fruteira Brasília, em imagens de Klaus Mitteldorf

Por perla rossetti Colaboração: renata Vieira Fotos: divulgação

Da música ao design, tempero tropical, garra e genética criativa fazem artistas do Brasil alcançarem sucesso mundo afora

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O que é que a baiana tem? Segundo Dorival

encabeça a Calvin Klein, enquanto Miele e Val-

Caymmi, em versos imortalizados na voz de Car-

demar Iódice transitam por Nova York, Alexandre

mem Miranda, “tem graça como ninguém”. Mas

Herchcovitch conquistou as passarelas de Lon-

não são apenas os soteropolitanos que a têm.

dres e Narciso Rodrigues ganhou prêmio de me-

Modelos, cantores, designers e grafiteiros, seja

lhor designer de moda feminina.

qual for o estilo e a mensagem, se forem brasi-

A lista de famosos e suas conquistas é intermi-

leiros, é gente de fibra e coragem, de sucesso

nável e comprova a miscigenação do povo brasilei-

inevitável para sorte e orgulho de quem nasceu

ro, forjada por séculos de imigração, e responsável

nesse pedacinho do globo.

pelo “quê” a mais para vencer na vida lá fora.

Afinal, nem só de Tom Jobim e Garota de Ipanema vive a audiência internacional. E não

DiFERENtE

são apenas os artistas que sobem ao Olimpo; criações brasileiras como as Havaianas, caipiri-

Um diferencial que não passa despercebi-

nha e o pão de queijo também arrasam qualquer

do, já que uma nova geração de brasilianistas

sentimento de xenofobia ou nacionalismo exa-

vê o Brasil com outros olhos, contrários à

QUAL É O

SegreDO? Conseguir destacarse no exterior exige mais do que mera sorte. persistência e uma boa dose de autoconfiança, sem perder a autenticidade, são ingredientes que levaram muitos nomes ao sucesso. A seguir, os caminhos indicados por quem conquistou o reconhecimento em outros países: “sem pressa e sem a ilusão de que você é o melhor de todos. É preciso ter consciência de que tudo é passageiro e descartado muito rápido. O difícil não é ser visto, o difícil é ser lembrado”.

gerado. Afinal, o mundo parece não resistir mais

Gustavo e Otávio Pandolfo, grafiteiros

ao Brasil, da economia ao futebol arte, da moda à música, da literatura à gastronomia. O reconhecimento não é recente e é fruto do trabalho de expoentes, como o maestro João Carlos Martins, o pianista Marcelo Bratke, os artistas plásticos Beatriz Milhazes e Rafael Murió, os designers Hugo França, Rico Lins e os irmãos Campana, que acabam de criar o cenário do ballet nacional de Marseille, de Frederic Fremon, em cartaz no Teatro Alfa. Tem ainda o chef de cozinha Alex Atala, os músicos Naná Vasconcelos e Seu Jorge, os fotógrafos Sebastião Salgado, Klaus Mitteldorf, Mônica Vendramini... Na moda, Francisco Costa Divulgação

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imagem exótica, de floresta amazônica, berço

“Você tem de ser independente para fazer a diferença. A fórmula é encarar o aprendizado como um processo permanente e prazeroso”. Rico Lins designer

da bossa nova e do futebol. Eles encaram um

Também ganhando terrenos europeus, os de-

país que se tornou referência em biocombus-

signers Rafael Murió e Hugo França participaram

tíveis e tem uma economia emergente com

esse ano de mostras em Portugal, França e Ingla-

regras estáveis para atrair investidores interna-

terra. O pintor paulista Murió vem se destacando

cionais. Não à toa, atualmente cerca de dez mil

por ser um dos artistas com maior presença em

jovens aprendem português nas universidades

eventos internacionais. Já Hugo França levou seu

norte-americanas, um aumento de quase 50%

mobiliário contemporâneo e ambiental até Lon-

em relação a 2004. Nesse tempo, cresceu

dres, onde figura ao lado do mestre Sergio Ro-

20% o número de professores e pesquisado-

drigues, que há décadas surpreende com suas

res de temas brasileiros nos Estados Unidos,

formas e poltronas premiadas.

segundo o historiador Kenneth Maxwell, do

Designer de jóias, Pedro Brando é o queri-

Centro de Estudos Brasileiros em Harvard, em

dinho de Danielle Miterrand, viúva do ex-presi-

entrevista ao jornal O Globo.

dente François Mitterrand. Da mesma forma, a

O interesse é tanto que a instituição criou um es-

boa safra de criativos tem sido defendida pelo

critório em São Paulo para promover o intercâmbio

arquiteto Paulo Alves do outro lado do Atlânti-

de alunos e pesquisadores, já que duas décadas

co. Esse ano, ele foi convidado para expor seu

de democracia brasileira estão atraindo uma nova

trabalho na Talents à la Carte que homenageia a

geração de brasilianistas. São novos historiado-

América Latina no maior evento da decoração,

Ênio Berwanger / divulgação

res, economistas, “... uma obra que é bem aceita aqui, vai ser bem aceita lá fora também. portanto, acredito que talento, determinação e correr atrás formam a chave do sucesso”.

o Maison & Objet, em Paris.

cientistas políticos

E o que dizer do talento da artista plástica Sô-

e até etnomusicó-

nia Menna Barreto? Única brasileira a possuir obra

logos, interessados

em uma das maiores coleções de arte do mundo,

em aprender portu-

a Royall Collection, da Família Real Britânica, ela

guês e compreender

já foi convidada a expor seu trabalho ao lado de

as transformações da

mestres da pintura, como Claude Monet, Giovan-

sociedade brasileira. Hugo França, designer

encantos de seus traços e permitiu sua arte.

ni Belini e Michelangelo Caravaggio.

Mudanças retratadas pe-

Ainda no campo das artes visuais, o Cine

los nossos artistas. Para se

Fest Petrobras Brasil-NY mostrou no Central

ter uma ideia nesse sentido,

Park, em agosto, o cinema canarinho que, vira

é tanta a importância da dupla

e mexe, está entre os indicados ao Oscar pela

de grafiteiros OsGêmeos, forma-

originalidade e competência que vem mos-

da pelos irmãos Gustavo e Otávio

trando em longas como Central do Brasil e,

Pandolfo, que o trabalho deles pode

recentemente, Salve Geral, do cineasta Sérgio

ser visto nos Estados Unidos, Japão,

Rezende, conterrâneo de talentosos diretores,

China, Índia, Cuba, Lituânia, Inglater-

como Fernando Meirelles, Bruno Barreto e Wal-

ra, Alemanha, Grécia, Portugal, Espanha,

ter Salles, recentemente laureado com o prêmio

França e Austrália. E até o secular Castelo

Bresson, da Fondazione Ente dello Spetacolo,

de Kelburn, na Escócia, rendeu-se aos

no Festival de Veneza, em setembro.

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37 Vertigem,

de OsGêmeos

Divulgação: Os Gêmeos

Até 13 de dezembro no Museu de Arte Brasileira, na Faap (Fundação Armando Álvares Penteado) Rua Alagoas, 903 – Higienópolis São Paulo – SP Horários: de terça a sexta-feira, das 10h às 20h Sábados, domingos e feriados, das 10h às 17h Mais informações: (11) 3662-7198 Entrada franca.

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Ritmos Depois do futebol, provavelmente o Brasil é mais conhecido no exterior pela música, novelas e top models, principalmente Gisele Bündchen. Porém, a bossa de João Gilberto, Tom Jobim e Vinícius de Morais é que projetou o Brasil há mais de 50 anos, e ainda é o maior elo cultural entre os continentes. De acordo com o crítico Zuza Homem de Mello, autor de A Canção no Tempo - 85 Anos de Músicas Brasileiras, e um dos organizadores do Free Jazz Festival, o suA arte irreverente do fotógrafo Klaus Mitteldorf espalhouse pela Europa. Ele é um dos premiados do Nikon Photo Contest International e do Conrado Wessel de Fotografia

cesso estrondoso da bossa nova e sua fórmula de juventude e frescor devemse à forma sintetizada por João Gilberto que, já nos anos 50, podia ser executada por qualquer músico, em qualquer país, por ser um ritmo fácil e sistemati-

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zado. “Ele colocou as coisas em seu devido lugar. Isso criou um método fácil de aprender. Antes, o samba era executado como uma rumba e o nível musical das canções da bossa nova, de Jobim e Vinicius, Calos Lyra e Durval Ferreira era superior ao que existia. Dorival Caymi era uma ex-

Luiza Mitteldorf / arquivo pessoal

“O mundo de hoje é de intercâmbio de ideias, e quanto mais diferenciado e inovador for o trabalho de um artista ou profissional, mais chance ele terá para vencer os concorrentes de qualquer mercado”.

ceção, e já fazia sucesso no exterior”. Graças a eles, a qualidade musical brasileira que então era apreciada foi ainda mais favorecida

Klaus Mitteldorf, fotógrafo

pelo trabalho dos produtores norte-americanos, que colocaram a bossa nova nas paradas de sucesso dos Estados Unidos e Europa, brigando em pé de igualdade nas rádios com os Beatles. Um destaque que provocou a admiração de várias gerações de ouvintes, segundo Zuza. Outros ritmos também ganham atenção

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cantores e músicos como Naná Vasconcelos, Ci-

criar uma história da MPB, com nomes represen-

belle, Eliane Elias, Airto Moreira, nomes que, na

tativos que culminaram nos de Tom Jobim e Chico

opinião do crítico, representam a verdadeira música

Buarque. Admirados por terem o som do Brasil. Eles

popular brasileira. “Não aquela que tem o som de

têm aquilo que faz com que, você estando fora da-

outro país e cantada eventualmente em português,

qui, identifique a música com a da sua terra”.

pois não é verdade que só quem ganha prêmios “Se você tem algum talento, tem de arriscar! Como brasileiro, nascido numa outra realidade cultural, você sempre vai ter algo a acrescentar na música estrangeira que foge ao que eles conhecem, que enriquece a arte. Não esqueça as raízes, não perca a identidade por modismos e não se intimide, caso tenha estudado pouco. Músico não é só aquele que toca lendo partitura”. Naná Vasconcelos, músico

das gravadoras faz sucesso. Há casos reais, mas

Fórmula

outros são jogos de marketing”. E Zuza ressalta outros expoentes, como João

A receita do sucesso varia de pessoa para

Bosco, que em novembro leva a bandeira brasileira

pessoa. Para o músico Naná Vasconcelos, é a

à Casa do Porto, em Portugal, para uma programa-

velha história do estar no lugar certo, na hora cer-

ção musical de primeira linha. “Será, com certeza,

ta. “Saí da minha terra natal, o Recife, e fui para

um espetáculo imperdível. Podemos afirmar isso por

o Rio, tocar com nomes de peso como Milton

seu passado e porque ele lançou provavelmente o

Nascimento e Gal Costa. Nos anos 70, o saxo-

melhor disco dos últimos tempos no Brasil. Agora,

fonista argentino Gato Barbieri me chamou para

se você ligar o rádio, não ouvirá o nome dele”.

integrar seu grupo. Nisso, conheci a Argentina e

Porém, é o trabalho denso, com substância e

saiu o contrato para o primeiro disco de Barbieri

conteúdo, nas palavras do crítico, que evidencia o

em Nova York”. Foi quando ele entrou para a se-

DNA brasileiro, mesmo de quem não tem projeção

leta panelinha do jazz, com som novo que botava

nos meios comerciais. “A música de Ivan Lins, Chi-

a plateia abaixo durante seus solos de berimbau.

co Pinheiro e Iamandu Costa vem das raízes, dos

Daí para Nova York foi um pulo. Morando com

ritmos africanos que chegaram ao Brasil na época

Glauber Rocha, ícone do Cinema Novo, Naná fi-

imperial, como o choro, e foi desenvolvendo-se até

cou rodeado pela nata cultural da época, ganhando respeito do público e da crítica internacional. Já o fotógrafo de moda Klaus Mitteldorf diz que ganhar espaço no exterior foi um processo automático. “Sempre procurei ser criativo e vanguardista, e o interesse das agências e revistas pelo meu trabalho foi gradativamente crescendo desde 1982”. Seis anos depois, ele foi convidado por um editor suíço para publicar o primeiro livro, o Norami, vendido em todo o mundo. Além disso, morou quase 10 anos em Munique, na Alemanha, Paris, Nova York e acabou entrando de cabeça nos mercados europeu e americano, o que possibilitou o segundo livro. O designer Rico Lins conta que o êxito é fruto de uma trajetória de esforços. “Fui para a França com 23 anos e comecei a trabalhar para jornais

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e editoras, em Paris. Criei uma rede de contatos

bar nenhuma porta, as pessoas abriram e nos

e senti que tinha espaço para atuar. Após algum

convidaram pra entrar”.

tempo, resolvi me dedicar somente aos estudos

Uma delas é a exposição Vertigem, no Mu-

e passei dois anos em Londres. Amadureci muito

seu de Arte Brasileira, da Faap, a primeira indivi-

no meio acadêmico e fui convidado pelo coorde-

dual deles em São Paulo.

nador do curso para passar um período na Holan-

Sementes da frutífera árvore Brasil, tão rica em

da, ao mesmo tempo em que recebi um convite

diversidade cultural e étnica, que a cada dia lega

de trabalho em Nova York”.

ao mundo um novo talento, um expoente que lustra

Em meio a uma indústria cultural mais desenvolvida, lidando com imagem e ilustração norte-

o sentimento nacionalista de todos nós com seus mais surpreendentes e saborosos frutos.

americana, ele encontrou espaço para um trabalho criativo de qualidade, com experiências que fizeram a diferença na sua carreira. Ganhar um prêmio foi o meio de projeção do designer Hugo França. Em 1998, ele faturou o Top Ten Brasil Faz Design, que levou uma de suas criações a Milão. “Fui convidado pela curadoria da Bienal de Design de Sant-Etienne, na França, para participar do evento. A partir daí, as galerias de Nova York começaram a mostrar interesse Reconhecido internacionalmente, o designer carioca Rico Lins criou ilustrações para as maiores publicações do planeta

pelo meu trabalho, e uma coisa levou a outra”. A arte dos grafiteiros Gustavo e Otávio Pandolfo, OsGêmeos, ganhou os muros gringos de forma natural, na opinião deles. “Fizemos aquilo que aprendemos nas ruas de São Paulo. O trabalho foi ganhando visibilidade e vieram os convites. No começo, chegamos a viajar para Argentina e Chile, por conta própria, sem apoio nenhum”. Em 1999, um artista alemão, conhecido como Loomit, veio ao Brasil depois de ver o grafite dos

Divulgação: Rico Lins

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irmãos em reportagem de uma revista internacional. “Fizemos alguns trabalhos juntos por aqui e, então, ganhamos mais notoriedade no exterior. Percebemos que, do outro lado do continente, ficam surpresos com o nosso estilo e técnica de pintar. Muitos não sabiam que no Brasil existia grafite”, contam. O simples fato de fazer bem o que se propuseram foi a chave de entrada dos artistas no cenário internacional. “Não tivemos de arrom-

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um outro Olhar Por Perla Rossetti Fotos Cristiano Mascaro

Silvio Tanaka

Croix du Sud versus passaportes

Fotógrafo e arquiteto, Cristiano Mascaro é um dos retratistas contemporâneos mais importantes na documentação das transformações urbanas do país, papel que já executava antes de atuar na revista Veja, no final da década de 60. Mestre e doutor pela Universidade de São Paulo, autor de livros de expressão mundial, ele já ganhou, entre outros, o prêmio internacional de fotografia Eugène Atget, em Paris.

Na seleção a seguir, você confere duas propostas criadas para o projeto de portfólios Croix du Sud, editados no Brasil pela Schoeler Editions dos fotógrafos Christian Maldonado e Marcelo Grecco, com curadoria do editor francês Pierre Devin. Nas primeiras quatro fotos, as cenas são em médio formato - 6x6. Já as quatro fotos finais são inéditas, feitas em 35 mm para o próximo projeto da Schoeler Editions, com lançamento previsto para dezembro. Trata-se de uma coleção de minipublicações artesanais, com a mesma qualidade dos portfólios, e imagens realizadas pelos fotógrafos convidados, durante suas viagens. Daí o formato de passaportes dado aos livros. O resultado são cenas inusitadas que fogem ao trabalho clássico dos artistas (no caso de Mascaro, diferem no formato e linguagem) e servem como um exercício de liberdade artística.

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um outro Olhar

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Imagens clicadas para o projeto “Passaportes”, durante as viagens de Cristiano Mascaro. Proposta e formato inovam a linguagem do fotógrafo.

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um outro Olhar

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47 Informaçþes e cadastro para newsletter em www.schoelereditions.com ou contato@schoelereditions.com

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5 EXPERIÊNCIAS Por Renata Vieira Fotos Arquivo pesoal

Amor à neve e flerte com o Brasil... Aos 50 anos, o francês Hervé Dupuy já viu luga-

do, praticamente emendando um inverno no outro

res fascinantes e cobertos por muita neve. Nascido

em cenários grandiosos.

na África do Norte, começou a esquiar em Marrocos

Mas, apesar da sua paixão pelas paisagens alvas,

aos quatro anos e nunca mais parou.

Hervé confessa que às vezes dá uma escapada para

Professor de esqui e Heliski-Guide, Hervé traba-

destinos bem ensolarados e que adora vir às praias

lha há mais de 23 anos nos alpes da França, em

do Brasil. “Tenho uma história de amor com Búzios”,

Courchevel, e nos andes do Chile, em Valle Neva-

recorda ele com saudades das terras brasileiras...

Me formei professor nacional na França em 1986 e, no mesmo ano, decidi viajar para o Chile. Cheguei ao fim do mundo, na Patagônia, na beira do Estreito de Magalhães, em PuntaArenas, para treinar no Ski Club da cidade. Durante três anos, esquiei com vista ao mar, muito vento e frio. No Chile, decidi conhecer os centros de esqui famosos da região de Santiago, e trabalhei em Portillo. Foi uma experiência fantástica, onde descobri os brasileiros esquiando. Não parei até hoje de ter clientes brasileiros.

Em 1993, comecei minha atividade de Heliski-Guide. Com outros profissionais, aproveitamos os helicópteros do centro de esqui para descobrir vales e montanhas virgens e cada vez mais distantes da civilização, com 100% de neve fofa (powder snow), ideal para os amantes do esqui.

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Adoro

cozinhar,

e

sempre cozinhei para todos os meus amigos, aquí no Chile e no Brasil. Tive a chance de participar de um curso de padeiro no SENAI, na cidade de Vassouras, perto do Rio. O engraçado é que ninguém Casei ano passado com Perla, chilena, jornalista e professora de esqui. Tivemos uma filhinha, Léa, nascida na França, e Perla está gravida de cinco meses de Dominga, nossa segunda filha... Conheci minha esposa numa montanha, que para mim é o lugar mas romântico, afinal, não há ocasião melhor para seduzir e se apaixonar do que um jantar com frio, neve e um bom vinho.

entendia porque um francês fazia um curso de padeiro... Adoro aprender!!!

Esperei 50 anos para formar uma família, porque minha vida foi muita cheia, com muitas viagens e, hoje em dia, sigo fazendo a mesma coisa, com uma esposa e minha nenê. Isso é fantástico!

Viajo muito durante o ano com meus clientes, organizando programas de fora de pista e de Heliski no mundo inteiro. Por exemplo, adoro ir para o norte da Índia, perto de Kashemir, para fazer Heliski. A experiência mais marcante foi ter esquiado na Índia, na altitude de 5200 metros, olhando as montanhas do Himalaya, e escutar um guia de lá mostrar as fronteiras do Paquistão, da China, do Nepal... De repente, você se sente muito pequeno!!! E feliz...

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PERSONNA Por Perla Rossetti Fotos Alberto Guimarães

Obras de arte, fragmentos de demolição, cortes exclusivos e projeto personalizado antes mesmo da entrega fazem de uma cobertura nos Jardins o lugar perfeito para um empresário paulistano

Croqui do living: elementos e dimensões foram sendo incluídos aos poucos

Classicamente 50

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CONTEMPORÂNEO Personna LL31.indd 51

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PERSONNA

Um apartamento de solteiro, com espaço para suas obras de arte, mas que facilmente se torne adequado para um casal com filhos. Esse foi o briefing do morador de um dos edifícios Adolpho Lindenberg, nos Jardins, ao arquiteto Adriano Mariutti e à equipe do Personna, programa exclusivo da construtora para personalizar o projeto arquitetônico dos empreendimentos de acordo com o desejo do cliente. O resultado foi a composição de uma cobertura confortável, com amplos espaços, que lembram um museu, mas preservam o toque pessoal do morador. A luz chega em abundância. A elegância nos detalhes e acabamentos evidencia todo o cuidado das equipes envolvidas e que satisfazem a personalidade do morador, um empresário que curte o tempo livre com os amigos, apreciando obras de arte de várias vertentes, do clássico ao contemporâneo. E, até para sintetizar essa essência, a arquitetura art decó Acima, varanda incorporada ao living

desejada ganhou, também, uma interpretação atemporal do arquiteto Mariutti, que assina, entre outros, os projetos arquitetônicos e de decoração das lojas de Sergio K, casas noturnas e restaurantes como a pizzaria Camelo, no bairro do Pacaembu. Para executar o projeto no Lindenberg do cliente, uma equipe

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53 multidisciplinar entrou em ação – já nos primeiros momentos da construção do prédio, há quatro anos – para preparar os 700 metros quadrados da cobertura sob a perspectiva da personalização. “Gostei das proporções do apartamento e queria uma cobertura com cara de casa. Mudamos o projeto inicial para ter espaços abertos,

Perspectivas previam espaços para as obras de arte

sem paredes, pé direito alto, de seis metros, mais volumes e um mix entre a arquitetura clássica e a moderna. Se não houvesse possibilidade de personalizar o apartamento, eu não o teria comprado”, conta o morador. Gerente do Personna, a arquiteta Janaina Turco conta que o proprietário sempre foi extremamente ativo na concepção do projeto, já pensando nas mudanças antes mesmo do edifício começar a ser construído. O fato de o cliente saber o que queria facilitou o trabalho, acompanhado passo a passo através de plantas e croquis criados pelo Os arquitetos Mariutti e Janaina: ele em linha direta com o dono do apartamento. Ela, à frente do Personna, adaptando as instalações originais

arquiteto e enviados por e-mail para que ele pudesse visualizar, a qualquer momento, a evolução das ideias e ambientes e evitar surpresas na entrega do projeto. Dessa forma, a equipe do Personna também atuou ainda mais rapidamente, já que, para cada alteração, a sequência de instalações elétricas e hidráulicas era rapidamente adaptada.

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ADAPTAÇÕES

Personna permitiu valorizar a iluminação natural com a criação da clarabóia de 4,5m. Abaixo, obra de 1851, em parede cuja porta segue curvatura desenhada pelo arquiteto

Os ambientes onde seriam a sala de jantar e a varanda foram incorporados ao living, aumentando o espaço e dando uma agradável sensação de amplitude. A área da varanda recebeu generosas vidraças, que permitem a entrada de luz até as prateleiras de livros, com rodapés recuados, reproduzindo o clima de tranquilidade, comum às bibliotecas. O piso de madeira teve paginação dos tacos meticulosamente pensada. Já a iluminação artificial do living em AR é mais focada e quente, e delimita o encontro da madeira de pau ferro lustrado, que lembra carvalho e reveste as paredes, com a moldura do forro em gesso. Ainda para garantir luminosidade no hall, uma clarabóia com 4,5 m2 foi criada já nos primeiros traços do arquiteto. A luz direta acaba sendo refletida na linestorm, a pedra marítima que reveste o piso do andar superior e da escada que dá acesso ao hall e que recebeu corrimãos de aço, em desenhos clássicos, e a proteção de um guardião chinês do século XVIII. A luminosidade na entrada do apartamento é tão surpreendente que não só chama a atenção do visitante já na saída do elevador, como destaca a tela de grandes dimensões do artista Jose Hussenot, de 1851. Para receber a obra, a parede do hall foi forrada com um tecido. A porta disposta ao lado e que dá acesso aos quartos também foi repensada e ganhou um design moderno, pensado pelo arquiteto em forma de arco, seguindo o sentido da própria parede. Os lavabos e o vestiário da piscina – cujo

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55 deck tem paisagismo de Gilberto Elkis – receberam detalhes lapidados nas paredes. As portas são de madeira de demolição

Detalhe do quarto mostra estudos para revestimentos das paredes

com um cuidadoso desenho nas maçanetas feitas pelo arquiteto. E em tudo Mariutti foi consciencioso com a durabilidade e facilidade de manutenção, até em pequenos detalhes, como a cuba do lavabo, que é removível, caso um convidado deixe um anel ou outro objeto cair em seu interior. Para o quarto do proprietário foram construídos dois banheiros, antecipando-se ao fato de que, embora solteiro atualmente, ele possa casar e precisar de mais espaço. Até lá, ele desfrutará sozinho de um belo banheiro com mármore piguês e uma jacuzzi. Os sofás do quarto são forrados com tecido de alfaiataria. A madeira e o couro também ganharam paredes, móveis e um minibar, em mobiliário desenhado no escritório de arquitetura. No corredor que dá acesso aos quartos, um novo papel foi dado às paredes para aproveitamento de espaço. Transformadas em armários para roupas de cama e banho, a madeira recebeu um revestimento de resina e silicone. No segundo andar, para agilizar o serviço das empregadas, um elevador de alimentos foi instalado entre o bar e a cozinha, no primeiro andar. A climatização dos ambientes foi concebida levando em consideração a enorme disponibilidade de luz natural. As janelas da cobertura receberam telas de vual pretas para retenção do calor e a refrigeração é feita por seis aparelhos de ar condicionado, dispostos meticulosamente a fim de atender todos os fluxos.

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PERSONNA

DETALHES Os objetos de decoração e de arte adquiridos ou herdados da família ajudaram a compor cada ambiente. Alguns chegaram até a influenciar o revestimento ou o projeto de iluminação, para valorizá-los. A decoração também ganhou um toque blasé, com peças de antiquários e demolição, como grandes volutas, vistas do segundo andar, e duas bases de aço, encontradas em Buenos Aires, e que viraram estátuas, dispostas cada uma de um lado do living. Boa parte do mobiliário foi desenhada pelo arquiteto e sua equipe, seguindo o gosto do cliente em peças como uma mesa de aço, com desenho de Oscar Niemeyer, e adornada por cadeiras revestidas em couro. As poltronas Jansen são ladeadas de uma arca chinesa e Peças de demolição e obras antigas ganham nova roupagem

uma escrivaninha de plástico, criada pelo designer francês Philippe Starq. Nas paredes, desenhos do artista plástico Caribé, feitos em 1965, e uma tela de Volpi. No piso superior, um descontraído bar recebeu um aparador de mármore cujos suportes são, mais uma vez, as peças de demolição. Além do teto, a iluminação também é disposta no chão e ajuda a destacar uma pintura do século XIX, de autor desconhecido. A mesa para refeições e petiscos é de mármore que lem-

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57 bra alabasco, na cor amarela. Os armários para copos e acessórios como os espelhos dão a im-

Ro commy num vercil ut praessent lutpatie molor sisl ute esequat ulla

pressão de cubos lapidados, e ajudam ainda mais a refletir a luz que entra pela clarabóia, a porta que dá acesso ao deck e as janelas. É nesse andar que está a sala de jogos, com uma linda mesa de snooker, com tampo em tecido preto, e pés em machetaria. Para dar um clima de pub inglês, o arquiteto Mariutti preferiu forrar as paredes com couro, que melhora a acústica da sala, e é preso apenas nas extremidades, aumentando a sensação de aconchego. Os sofás são mais altos, para facilitar a visão de quem assiste às partidas. Embora tudo esteja perfeitamente acomodado, nada impede que a sala torne-se mais um quarto de hóspedes, no futuro. Ao longo da sala, na cobertura, obras clássicas e modernas mistu-

As paredes que antes dividiam o ambiente com a varanda viraram estantes

ram-se sem conflito. Banquinhos renascentistas de madeira reproduzem o visual de pedras. Uma estátua em bronze, de homem leão, da década de 30 do século passado, é ostentada sob uma base de mármore Nero Marquina. Tudo muito estudado, bem disposto pelos ambientes, para que o morador sinta-se num lar repleto de inspirações elevadas, como as que dão vida aos empreendimentos da grife Adolpho Lindenberg.

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urbano Por Claudia Manzzano Fotos Divulgação

Teu Poema

Bairro tradicional da Zona Leste de São Paulo, a Mooca experimenta forte processo de modernização sem esquecer suas origens nem perder as características de uma cidade do interior

é história

A hospedaria foi transferida para o bairro em 1882 para receber os imigrantes que vinham de navio e trem à capital paulista

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59 Pelas calçadas arborizadas, em meio ao doce canto dos pássaros, as pessoas se deslocam sem pressa. Se os caminhos casualmente se cruzam, um “bom dia” recíproco e espontâneo transpira cordialidade. A atmosfera de paz e o clima familiar lembram uma pacata cidade do interior, daquelas em que todos se chamam pelo nome. Mas tudo isso está a poucos quilômetros da maior metrópole da América do Sul. Assim é a Mooca, a porta de entrada da Zona Leste da capital paulista. Um bairro que, apesar de acompanhar as transformações impostas pelo tempo e o crescimento, ainda preserva o ar bucólico e as raízes lá fincadas pelos imigrantes italianos no final do século XIX. A Mooca tem ruas largas e cheias de verde, muitas ainda calçadas com paralelepípedos, tomadas por um variado leque de estabelecimentos comerciais, sem, no entanto, perder a essência de um bairro residencial e muito, mas muito tradicional. A região é rica em hospitais, faculdades, lojas de rua, supermercados de grande porte e um shopping center. Opções de entretenimento também não faltam por lá: além de cinema, teatro e bares repletos de jovens à procura de diversão, os habitantes se orgulham em dizer que o bairro abriga “o maior clube de São Paulo”. É o Juventus, conhecido não apenas pelo futebol, mas também por 80 mil metros quadrados de sua bem equipada área social e de lazer. Mesmo sem disputar títulos, o simpático time – o segundo no coração de muitos paulistanos – tem uma le-

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urbano

Mooca.

O que é isso? O que se sabe da origem do nome Mooca é que vem de um vocábulo do Tupi Guarani. No entanto, existem duas versões para sua tradução. Uma delas diz que o nome vem de MOOKA, que significa ares amenos, secos, sadios na língua indígena. Outra história conta que vêm de MOO-OCA, que significa fazer casa. Esta expressão era usada pelos índios da tribo ali existente para denominar os primeiros habitantes brancos do local, que erguiam suas casas de barro pela região. Além dessas duas versões mais famosas, também há outra citada por historiadores, que sustentam que o nome poderia ter surgido de uma variedade de café que vinha da cidade de Moca, no Yemem.

gião de torcedores fiéis, formada em grande parte por

a Mooca é um bairro diferenciado dos demais, é quase

descendentes dos italianos que chegaram ainda no iní-

uma pequena cidade do interior dentro da metrópole.

cio da formação do bairro. São eles que proporcionam

Dificilmente um moquense vai morar em outro bairro e,

à Mooca clima de interior e serviços de cidade grande.

quando o faz, acaba voltando, se não para morar, ao

“Pode-se dizer que esse é um bairro perfeito, pois dis-

menos para fazer compras, ir a seu barbeiro, sua farmá-

põe de todas as comodidades em termos de comércio

cia. A Mooca tem uma condição geográfica privilegiada,

e serviços”, diz Angelo Agarelli, que nasceu na Mooca

seu ponto mais extremo está a menos de cinco quilô-

há 63 anos e nunca saiu de lá. Ele é o idealizador do

metros do centro da cidade”, diz Agarelli.

Portal da Mooca, um site sem fins lucrativos que está

Ouvir declarações de amor ao bairro vindas de

sendo construído gradativamente por uma equipe de

quem nasceu lá é inevitável. Mas até aqueles que

colaboradores voluntários e moquenses que contribuem

não são da Mooca se desmancham em elogios. É

com informações, histórias e fotos. São flagrantes coti-

o caso de Vair Renato de Oliveira Carvalho, minei-

dianos de um bairro que desperta orgulho em seus mo-

ro de Montes Claros, Minas Gerais, que há sete

radores. “Embora esteja passando por um processo de

anos vive em São Paulo. Ele foi parar na Mooca

modernização, preocupante no que se refere à rapidez

por causa dos parentes que ali moravam. Ficou,

com que ocorre, a Mooca conserva ainda agradáveis

fez amigos, se formou engenheiro e, apesar de

hábitos do passado, como o relacionamento familiar, a

trabalhar na Zona Sul, não pensa em trocar de

amizade com a vizinhança, a cortesia e amabilidade das

vizinhança. “Me sinto em uma cidade do interior.

pessoas, inclusive para com aqueles que nos visitam.

Frequento o clube, lá encontro os vizinhos, o pes-

Aqui o índice de violência e criminalidade é baixo. Enfim,

soal do prédio... o clima é bem familiar”, garante.

O principal destino dos italianos era a lavoura. A indústria têxtil da Mooca surgiu como opção para quem não queria ficar no campo

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Na hospedaria, os imigrantes ficavam em quarentena e esperavam por trabalho

terra

de oriundi

VertICALIZAçÃO

dos moradores quanto à capacidade da estrutura para suportar as demandas de milhares de novos

Apesar de ser tão elogiada por sua atmosfera in-

Fonte: IBGE

moradores e veículos”, diz Angelo Agarelli.

teriorana, a Mooca não ficou de fora do processo

Fabio Rossi, diretor de marketing e lançamentos

de transformação imposto a todas as regiões da ci-

do Secovi (Sindicato da Habitação), confirma que a

dade de São Paulo, que resultou em verticalização

valorização da Mooca está acima da média imobiliá-

e valorização dos imóveis. “Nos últimos anos, teve

ria paulistana. “Nos últimos quatro anos, o valor do

início uma acelerada modernização e ampliação do

metro quadrado aumentou mais de 50%. Atualmen-

bairro como um todo, com a construção de dezenas

te, vale entre três e cinco mil reais”. O especialista

de prédios residenciais, ocupando principalmente

revela que tanto os nativos do bairro quanto os novos

os espaços das antigas fábricas. Isso tem trazido

moradores estão investindo na região. Ocupados por

grande valorização ao bairro e oferta de empregos

famílias com dois ou três filhos, os empreendimentos

e oportunidades. No entanto, há uma preocupação

residenciais têm oferecido apartamentos de três

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Entre 1870 e 1920, momento áureo do período conhecido como a “grande imigração”, os italianos corresponderam a 42% do total dos imigrantes que entraram no Brasil: de 3,3 milhões de pessoas, cerca de 1,4 milhão era de italianos. Em São Paulo, que chegou a ser identificada como uma “cidade italiana” no início do século XX, os italianos se ocuparam principalmente na indústria nascente e nas atividades de serviços urbanos. Chegaram a representar 90% dos 50.000 trabalhadores ocupados nas fábricas paulistas, em 1901.

a Mooca

em números Aniversário: 17 de agosto Área: 7,7 km² População: 63.280 Ruas: 231 Praças: 47 Fonte: Subprefeitura Municipal da Mooca

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urbano

O bairro recebeu diferentes povos ao longo do tempo. Na foto, imigrantes portugueses que lá desembarcaram na década de 30

o industrial

da Mooca Se há um empresário que simbolizou a paixão pela Mooca e contribuiu para o crescimento do bairro, este é Rodolfo Crespi. Imigrante italiano, Crespi chegou à Mooca em 1893 para trabalhar como empregado na indústria têxtil do conterrâneo Enrico Dell’Acqua, pioneiro na produção de algodão em Busto Arsizio e que se estabelecia como industrial em São Paulo. Em apenas quatro anos Crespi fundou a Fiação e Tecelagem Mooca, mais tarde o Cotonifício Crespi, indústria que se tornaria referência pela qualidade de seus produtos e que, quanto mais crescia, mais imigrantes italianos contratava. Essa mãode-obra se instalava nos arredores da fábrica para trabalhar, formando uma grande comunidade de italianos. Impulsionada principalmente pelo movimento de substituição das importações, que ficavam cada vez mais caras e inviáveis,

DE QUEM AMA

a Mooca

Numa ensolarada manhã de setembro, um animado bate-papo se desenrola na famosa Rua Javari, em frente à sede da Associação Amo a Mooca. Enquanto conta com entusiasmo a história do bairro, Pedro cumprimenta as pessoas que passam. Um bom dia, um aceno de cabeça ou de mão parecem sair por reflexo. A relação entre as pessoas é de amizade. Todos parecem se conhecer há muito tempo. Em meio a conversa, Pedro garante que ainda é possível reconhecer as famílias pelo sobrenome dos imigrantes. Muitos destes sobrenomes se uniram em casamentos entre os filhos, que naturalmente permaneceram no

bairro. Zina, presidente da associação e filha de italianos, diz que a tradição no bairro se dá justamente por esta hereditariedade que os descendentes dos imigrantes carregam com eles. Pedro é fundador da Associação. Ele conhece a história do bairro na ponta da língua, desde quando a região era rota de índios que iam à praia festejar. O caminho passava por onde hoje fica a Rua da Mooca, Rua do Oratório... mas, para o “homem branco”, o bairro só foi reconhecido oficialmente há 100 anos, com a instalação do primeiro cartório da região. Ele foi povoado graças à estrada de ferro que beira o rio Tamanduateí. Foi por meio da estrada de ferro e das indústrias que chegaram os italianos – e também os

portugueses e espanhóis. “Aqui tem muitos espanhóis também, mas eles não falam”, brinca Pedro. Ele conta que a primeira criança a ser registrada no cartório da Mooca foi, justamente, o filho de um espanhol. Mas os que predominam são os italianos, com seus costumes fartos. A Associação Amo a Mooca nasceu da necessidade de preservar a história e os costumes da Mooca e seu povo. Pedro teve medo que seus filhos não conhecessem os prédios tradicionais do bairro e começou a escrever sobre eles. Atualmente, a entidade tem estatuto e está instalada dentro de um dos patrimônios da região, um prédio da indústria têxtil de Rodolfo Crespi. O espaço, doado pelo grupo varejista

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a quatro quartos, com serviços e fácil acesso aos

de navio e se dirigiam ao local via trem. A pri-

transportes públicos. “Os mais valorizados são aque-

meira hospedaria ficava no bairro do Bom Retiro,

les próximos à avenida Paes de Barros. No entanto,

mas se tornou pequena devido ao grande número

a Mooca é grande e comporta vários perfis diferen-

de estrangeiros que chegava ao Brasil. Em 1886,

tes”, comenta. E o bairro, que já era sofisticado, está

foi construído um novo edifício, que hoje abriga o

ganhando novos ares com a chegada dos empreen-

Memorial. O local era estratégico, pois lá se cru-

dimentos e seus moradores. “Há 20 anos já se dizia

zavam as ferrovias que vinham do Rio de Janeiro

que havia mais Mercedes estacionadas na Paes de

e Santos. Hoje, o Memorial tem como principais

Barros do que nos Jardins”, brinca Fabio Rossi, que

atribuições a pesquisa, coleta, documentação,

complementa: “Também estão surgindo serviços cul-

preservação e a divulgação do acervo documen-

turais cada vez melhores”.

tal do Estado de São Paulo produzido pela administração pública de imigração.

Atrações

Tão tradicional quanto o próprio bairro, também é na Mooca que acontece a Festa de San Gennaro. Realiza-

Se os moradores não trocam a Mooca por

da em setembro e outubro, a comemoração ao padro-

nada, o bairro também oferece um variado leque

eiro do bairro surgiu em 1973, quando Afonso Iervolino

de motivos para atrair visitantes de todas as re-

teve a ideia de fazer uma festa com o objetivo de arre-

giões de São Paulo. Um bom exemplo é o Me-

cadar dinheiro para a reforma da igreja. O que ele não

morial do Imigrante, antiga hospedaria criada em

imaginava é que a festa se tornaria famosa em toda a

1882 para receber os imigrantes que chegavam

cidade. São 22 barracas alojadas na parte externa

que instalou um hipermercado no local, é um monumento à história. A entrada para a Associação é a mesma usada pelos trabalhadores da então indústria têxtil. Na parede do cômodo utilizado como sala de aula, estúdio de gravação e sala de reuniões, estão as fotos – enquadradas e identificadas – doadas pelas famílias dos moradores. A exposição está desatualizada, mas Pedro garante que são mais de 600 mil fotos documentadas. As aulas de idiomas (entre eles o italiano, que não poderia faltar) são ministradas na mesma sala em que figuras importantes para a história do bairro contam sobre suas vidas para o projeto Memória Oral – gravações feitas e

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documentadas pela Associação. O espaço ainda expõe obras de um artista plástico por mês, que recebe a curadoria de voluntários do bairro. Os voluntários são os combustíveis deste projeto. Zina diz que nem todos que começaram o projeto deram continuidade, mas que, atualmente, cerca de 50 pessoas participam dele ativamente. Do lado oposto a esta primeira sala fica uma capela. O crucifixo exposto no pequeno altar tem seu local de origem bem na entrada dos operários, ainda marcado pelo tempo. Zina aponta através do portão, indica uma marca na parede (local em que ficava o crucifixo) e, bem abaixo, os barris de óleo (onde os devotos

depositavam flores ao chegar ao trabalho). O objeto foi doado pelo bisneto de Crespi para a Associação e é preservado como um símbolo da fase em que os imigrantes chegavam desolados de sua terra. Pedro explica que o sentimento dos imigrantes que deixavam suas famílias, amigos e cultura para buscar uma nova vida do outro lado do oceano era parecido e, por isso, a união dessa gente se fez tão forte e preservada por tanto tempo. Questionado sobre a valorização do bairro e a chegada de pessoas que não compartilham deste sentimento, Pedro confessa que este é o grande medo. Mas Zina já sorri e completa: “Quem não é daqui já está sendo contaminado”.

63 a atividade têxtil representava 60% do setor industrial brasileiro em 1900. A indústria de Crespi funcionava em um imenso edifício de três andares localizado na Rua dos Trilhos, esquina com a Taquari. Lá nasceu também o Clube Atlético Juventus, um dos símbolos da Mooca e cujo estádio leva o nome do velho empresário. A indústria de Crespi continuou em atividade até 1963, época em que o bairro já começava a passar por transformações que culminariam com a mudança de um perfil industrial para outro mais residencial. No local em que funcionava o Cotonifício Crespi, hoje está instalado um hipermercado. E pouco sobrou da arquitetura original da edificação.

Antiga hospedaria é hoje o Memorial do Imigrante

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urbano

da Paróquia de San Gennaro e, em cada uma delas, é

na política nacional. A Revolução de 1924, por exem-

da Mooca

possível experimentar pratos napolitanos, como macar-

plo, teve um capítulo escrito na Zona Leste de São

ronadas, pizzas, polentas, fogazzas e doces. No total,

Paulo. Na época, o prédio que hoje abriga o Memorial

Sou da Mooca, sou moquense. amo esta região, Meu bairro muito querido Estás no meu coração. Mooca, bairro tradição Da Zona Leste és portal Símbolo de uma região, no trabalho és triunfal. Teu dinamismo de agora São heranças bem distantes. Foste trilha outrora De valentes bandeirantes. Tens esportes, tens cultura, universidade até. os teus templos abrigam um povo com muita fé. Desde o Parque D. Pedro Tudo em ti é sucesso Tuas ruas e avenidas representam o teu progresso.

400 voluntários se unem para realizar o evento.

do Imigrante serviu de presídio político. Na Revolução

hino

Sou da Mooca, sou moquense, amo esta região Meu bairro muito querido Estás no meu coração. É bonito o teu brasão bela é a tua bandeira nas festas de nosso povo Tremula sempre altaneira. Teu poema é história Deste bairro hospitaleiro nascido à margem de um rio Deste solo brasileiro. Mooca em tupi quer dizer nossa casa, nosso abrigo, no trabalho e no lazer o moquense é muito amigo. És valente, meu torrão. Toca, meu bairro, toca o canto com emoção. Mooca, Mooca, Mooca. Letra: José das Neves Eustáchio Música: José das Neves Eustáchio e Yara Rosário Botelho Puijvert Mas Arranjo: Maestrina Rosana Mordenti

Um século antes do nascimento da festa, a Moo-

Constitucionalista de 1932, mais uma vez o edifício teve

ca já era considerada uma região de elite. Por conta

uso militar – lá a Força Pública prendeu os getulistas.

dessa característica, o bairro foi escolhido para se-

Cerca de dez anos depois, durante a Segunda Guerra

diar o Jockey Club de São Paulo. Nem todos sabem,

Mundial, o DOPS utilizou-se da hospedaria para deixar

mas o hipódromo foi fundado na Mooca em 14 de

sob guarda alguns imigrantes japoneses e alemães que

março de 1875 com o nome de Corridas Paulistano,

eram considerados “súditos do Eixo”.

contando com 73 sócios. Durante 66 anos, o Jockey Club teve o bairro como seu endereço.

Breves períodos de conflitos que representam apenas pequenos capítulos perdidos em meio a uma longa história de paz, harmonia, tradição. Uma

POLÍtICA

história escrita por brasileiros, italianos e tantos outros povos que se uniram em busca da prosperida-

Mas nem tudo é festa ou glamour na história da Mooca. A região também foi cenário de fatos marcantes

de e encontraram um ambiente repleto de qualidade de vida. A história do bairro da Mooca.

UMA HISTÓRIA DE prosperidade A primeira referência à região em que está a Mooca é de 1556, época da construção da ponte do Rio Tameteai, hoje Rio Tamanduateí, que nasce na Serra do Mar e deságua no Tietê. Naquele tempo, o local era habitado pelos índios Guaiana (Tupi Guarani), que deixaram sua herança: o nome Mooca. Mas a configuração do bairro como se encontra hoje veio mesmo com o desenvolvimento econômico da cidade de São Paulo nas últimas décadas do século XIX e a primeira metade do século XX. Foi neste período que a cidade começou a

se constituir como uma região industrial. Primeiro veio o café, que precisava de uma ferrovia para ser escoado. Assim foi construída a São Paulo Railway, ligando a capital à cidade de Santos, também conhecida como “Inglesa”, por ter sido desta nacionalidade os engenheiros responsáveis pela obra. Seus trilhos estão fincados no chão até hoje e ainda servem como transporte público. Com a ferrovia, chegaram as fábricas, que substituíam as importações de produtos para servir à classe nascente – os escravos alforriados – e, durante a

e reinvenção

Primeira Guerra Mundial, os alimentos para a burguesia. Com o trem e a abundância de água no subsolo, boa para a indústria têxtil, a região se tornou próspera. Vieram outros ramos, como cerveja e farinha. O que faltava para completar o cenário de prosperidade eram operários e consumidores. Os exescravos não tinham “qualificação” para o trabalho. Foi assim que os italianos, que não queriam trabalhar na lavoura de café, chegaram à Mooca. A mão-de-obra imigrante era utilizada pelas

indústrias do bairro. Com a quebra das fábricas durante a década de 1960, por conta da evolução tecnológica, a Mooca teve uma nova fase de transformações, valorizando os serviços e as residências. Nos anos de 1990, a preocupação com a poluição das regiões fabris afastou de vez as indústrias da Mooca. Desde então, a região se tornou majoritariamente residencial. Moradores sem a tradição moquense não mudaram o bairro. As tradições e, principalmente, o sotaque continuam mais italianos do que nunca.

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P r a ç a V i s con de de S o u za F on t e s

LANÇAMENTO - PARQUE DA MOOCA

Planta ilustrada do apartamentVo de 250 m² privativos com sugestão de decoração. Os móveis e utensílios são de dimensões comerciais e não fazem parte do contrato. As medidas são internas e de face a face das paredes. Churrasqueira e forno de pizza são opcionais e não estão inclusos no memorial descritivo do apartamento.

Foto Ilustrativa

De frente para o verde de uma praça: qualidade de vida dentro e fora do seu apartamento. Privilégio completo.

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QUALIDADE DE VIDA Por Perla Rossetti Fotos Alberto Guimarães e Guto Seixas

Cozinhar e conversar é só começar...

Cozinhar e receber os amigos em casa revela prazeres simples, une os laços de amizade e é um dos melhores hobbys para aliviar o estresse

Seja preparando pratos da alta gastronomia,

mer, as pessoas não permanecem as mesmas.

seja montando um simples lanchinho de fim de

Coisas mágicas acontecem”.

tarde, dividir a mesa às refeições é, historicamen-

Para comprovar a tese, nesta edição, a L&L

te, um dos maiores prazeres da humanidade. A

encontrou gourmets como Babette, que não per-

Festa de Babette, filme dinamarquês de 1987,

dem a oportunidade de estar em casa, aprimoran-

com o título original Babettes gæstebud, mostra

do seus dotes culinários, alimentando as pessoas

como cozinhar é uma alquimia de resultados sur-

amadas, recebendo os amigos ou estreitando

preendentes. E a francesa Babette conhecia to-

os laços com novos comensais. Tem até quem

dos os segredos de produzir alegria pela comida,

já ganhou experiência e reproduz pratos da alta

o que, nas palavras do escritor Rubem Alves, em

gastronomia, mas, claro, com seu toque espe-

texto publicado no jornal Correio Popular, revela a

cial, para receber e curtir no lugar mais apreciado

natureza humana: “Ela sabia que, depois de co-

do mundo, o lar, doce lar.

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EXPERIENTE

improvisos e correções, diferente dos doces, que têm medidas de ingredientes e temperaturas precisas”.

Foi quando ganhou um livro de culinária que o execu-

Ao longo dos anos, ele se aprimorou no camarão à

tivo Cristiano Ramos de Souza percebeu que o assunto o

Provençal, com uma técnica própria que propicia uma

atraía por estar associado à cultura de diferentes povos e

pequena crosta, torrada por fora e macia por dentro. O

épocas. “Comecei a entender a relação das histórias e a

espaguete ao Vôngole é outra de suas receitas predi-

comprar outros livros. Passei a fazer churrascos e me dei

letas. Porém, todas, sem exceção, levam ingredientes

conta de que gostava de executar outros pratos”. E, nas

frescos e escolhidos a dedo em fornecedores cativos

mais de duas décadas que se passaram, ele vem dedi-

no Mercado Municipal de São Paulo e nas feiras de Mo-

cando seus finais de semana à cozinha. Em sua casa,

ema. Além, é claro, dos acepipes e temperos garimpa-

lugar de mulher é na sala de estar. “Levo esse hobby a

dos em viagens ao exterior e uma infinidade de gadgets

sério, com a mesma energia que dedico a minha profis-

que se misturam a facas de chef, talheres, panelas es-

são e ao meu casamento. É um passatempo que desvia

peciais como as miniaturas multicoloridas da Le Creu-

a tensão causada pelo trabalho”.

set, ícone da culinária francesa, feitas em cerâmica.

Como viaja muito a negócios, estar em casa tem

Cristiano admite que não é preciso tanto para cozi-

um sabor especial, ainda mais quando ele está em

nhar, mas ele levou um tempo para entender isso, até

frente a seu fogão e geladeira semiprofissionais, im-

colocar-se em apuros pelo hobby. “Comprei panelas

portados, e a prateleira totalmente equipada com

de cobre nos Estados Unidos e fui barrado pela alfân-

temperos e acessórios gourmets.

dega. Foi um momento de insanidade”, brinca.

Discussões familiares só tomam sua atenção por-

Atualmente ele está na fase de resgatar pratos bra-

que sempre giram sobre o mesmo tema: qual prato

sileiros. “Semana passada fiz um acarajé com vatapá.

que ele vai preparar, pois é lá que os filhos e amigos

E deu certo, sem falsa modéstia”.

Hobby já rendeu convites para palestras e uma ampla biblioteca sobre o tema

almoçam e jantam. “É um prazer imenso cozinhar para eles, poder prover o alimento da família. E é também um resgate de minhas raízes como neto de libaneses, um povo que adora estar à mesa”. Depois de descobrir o gosto pela culinária, Cristiano entendeu porque sua tia-avó circulava ao redor da mesa, insistindo para que os comensais repetissem a refeição. “É um jogo social e cultural. Nas famílias tradicionais, a mesa fica posta o dia inteiro”. Só depois de dominar as técnicas de cocção e preparo é que ele passou a incrementar as receitas com seu toque pessoal, por isso, nunca segue só o que está escrito. A tarefa começa na prateleira, folheando os cerca de 400 títulos – entre livros e revistas –, e o conhecimento acumulado em anos de cursos que renderam amigos famosos, como o crítico Josimar Melo. “Primeiro, comparo a mesma receita em vários lugares. Prefiro as de salgados, que admitem

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Panela velha é que faz comida boa, diz Souza, que embora tenha artigos gourmets importados, prefere a simplicidade dos objetos comuns

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QUALIDADE DE VIDA

INFORMALIDADE

do das brasas. O forno de duas cúpulas foi construído por profissionais e pertenciam à Tal Pizza, e as dicas de

Difícil encontrar quem dispense uma rodada de pizza. A descontração italiana invade o ambiente e não passa

também familiarizado com o assunto.

despercebida. “Assim você recebe de maneira informal

A pizza grega com recheio de mussarela de cabra,

e as pessoas ficam curiosas em ver a massa e o forno”,

rúcula, tomate cereja e azeitona preta é a especiali-

comenta Elisa Caldeira Lindenberg.

dade de Elisa e, como cada pessoa tem seu jeito de

Desde criança ela observava os pais recebendo

ser, quando se trata de comida e bem-estar, ela avisa:

à mesa, na fazenda no interior paulista, apelidada

“Sou metódica, preciso de quatro horas de antecedên-

de Toca do Caracol. A mãe, aliás, até já escreveu

cia para preparar a massa, os embutidos e frios dos

um livro de receitas, e descobriu que o verbo “co-

recheios, que sempre compramos no Mercadão”.

mer” vem de “comemorar”.

Elisa e o marido Adolpho curtem o tempo com os amigos na cozinha e living reservados para as pizzas e o forno a lenha

manuseio vieram do amigo e empresário Flávio Buazar,

É nesses momentos que ela relaxa e curte com

Hoje, Elisa e o marido, Adolpho, mantêm um forno

o marido. Um quilo de farinha de trigo rende algu-

a lenha no que eles chamam carinhosamente de Man-

mas bolas de massa, que ela separa e pesa. Cada

são do Caracol e servem até convidados em jantares

uma deve ter 320 gramas para uma pizza perfeita.

de negócios. “Primeiro porque gera maior envolvimento

O segredo, diz ela, “é bater bastante a massa e dei-

entre as pessoas e é fácil organizar o encontro. Posso

xar descansar por uma hora e meia, ou, se puder,

receber sem sair da minha rotina, e isso me dá quali-

deixe pronto na véspera”.

dade de vida”, aponta.

Fiel aos bons fornecedores, mas sem dispensar seu

Antes de mudar para a atual residência, eles prepara-

toque pessoal, Elisa tem plantados no quintal o manje-

vam churrascos, mas, atualmente, o cantinho da pizza-

ricão e a hortelã usados nas receitas, e a trilha sonora

ria recebe todas as atenções, com direito a talheres da

dos encontros também é personalizada no iPod pizza,

cutelaria francesa Gui Degrenne, louças e instrumentos

como ficou conhecido o aparelhinho que guarda de

adequados, alguns presenteados pelos amigos, que

MPB a clássicos do rock. Nada mal para quem ainda

adoram ver o casal em ação. Enquanto Elisa abre a mas-

finaliza servindo, de sobremesa, uma pizza de banana

sa e prepara o recheio, Adolpho é o pizzaiolo no coman-

flambada com rum. É de dar água na boca.

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Qualidade de vida 31.indd 68

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EMPÍRICO

restaurantes. Atualmente, preferimos os modernos espanhóis, porém, são mais difíceis de reproduzir”,

A culinária mediterrânea tem no administrador de

conta o gourmet que, aos finais de semana, ainda re-

empresas Fábio Trindade seu maior admirador. Cozi-

veza o tempo entre a prancha de surfe, seus bonsais

nheiro desde os 17 anos, em uma época em que ho-

– hobby que mantém há 30 anos – e panelas, a fim

mem não entrava na cozinha, ele ainda é uma exceção

de preparar seus pães caseiros.

quando o assunto é dominar as batutas e tigelas. “Para

Para comprovar a habilidade, o empresário recebeu

mim, é uma higiene mental, principalmente quando es-

a reportagem da L&L com um risoto de vinho tinto e

tou com um grupo de amigos”.

linguiça artesanal, guarnecidos com salada à base de

E ele nunca escondeu seu amor pela gastronomia.

folhas verdes, frutas secas e um delicioso mel com

Já no começo do namoro com Martha, hoje sua espo-

trufas brancas. Receita que, ele garante, não tem se-

sa, preparou uma trufa com queijo roquefort. “De cara,

gredo. “É simples e fácil de fazer”.

ele conquistou minha mãe. Depois de casarmos, aí ele se dedicou cada vez mais, e como é super criativo, tudo que faz fica bom”. Do camarão com abacaxi, acompanhado de risoto de frutos do mar, receita repetida à exaustão, ele passou a experimentar novas receitas e hoje é realmente o chef da casa. Publicações e visitas constantes a bistrôs, como Vito, Chou e Due Cuochi Cucina e o famoso restaurante A Bela Sintra, além do encontro semanal com amigos gourmets, aumentam seu repertório de sabo-

Ficou com água na boa? Então corra para a cozi-

INGREDIENTES Caldo de frango natural 750 ml de cabernet sauvignon malbec, ou outro vinho de uvas intensas 750 gramas de arroz arbório 1 cebola ralada Linguiça artesanal a gosto. “As melhores são do Jardim de Napoli e as da cantina Capuano”, afirma Fábio Trindade. Azeite a gosto Parmesão a gosto

nha, ainda dá tempo. Veja ao lado como fazer: PREPARO Doure no azeite a cebola. Adicione a linguiça fatiada e mexa até dourar. Junte o arroz. Vá adicionando, aos poucos, o vinho e o caldo de frango, até o arroz chegar no ponto. Sirva em uma tigela. O parmesão é a gosto.

res e receitas, ao mesmo tempo em que o ajudam a relaxar das tensões do dia-a-dia à frente dos negócios. E são nessas ocasiões que ele pede dicas de ingredientes e volta para casa pronto a executar o que aprendeu, tendo Martha e os três filhos a tiracolo para desfrutar dos pratos. Aliás, o gosto pela gastronomia é hereditário. O filho de 20 anos adora cozinhar. “Outro dia, fez um sorvete de figo seco com bolo de nozes e creme de ovos, receita do restaurante Cipriani, no Copacabana Palace, do Rio de Janeiro”. E Fábio contribui com o prazer em comum da família, em novas e estimulantes experiências ao redor do globo. Esse ano, os cinco estiveram no Japão, onde degustaram toda sorte de peixes e criações exóticas. “Sempre fazemos reservas de hotéis em função dos

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Acima, risoto de vinho tinto e linguiça artesanal. Ao lado, Trindade e a esposa Martha

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fil antropia inteligente Por Instituto Azzi Foto Divulgação

O investimento na área social é uma fer-

Meu tempo, meu dinheiro,

ramenta muito poderosa, que pode acelerar transformações sociais essenciais em nosso país. Andando de mãos dadas com ações de cidadania participativa, a atuação na área social pode acontecer de diferentes maneiras.

Dr. Aranha, dentista voluntário atuando na Cidade Líder, Zona Leste de São Paulo

minha

sociedade

Nosso foco nessa edição é mostrar como podemos contribuir individualmente com iniciativas que fortalecem o bem comum. Veremos, de forma bastante breve, como ter uma atuação filantrópica de maneira inteligente em duas grandes frentes: doar seus recursos financeiros e doar seu recurso humano, ou seja, seu tempo e/ou talento.

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Filantropia inteligente LL 31.in70 70

30/10/2009 10:22:23


Meu DInHeIRo

ou algum amigo conhece alguém que trabalha na organização, e a quantia a ser doada nem

A doação de recursos financeiros ainda é

sempre leva em conta o impacto social que será

muito pouco desenvolvida e envolve muitas más

gerado. Aqui damos algumas dicas sobre Inves-

práticas no Brasil atual. Certamente é possível

timento Social Privado para que você possa

observar em seu próprio círculo social que a

aprimorar sua atuação nesta área.

filantropia é feita de maneira fragmentada, não

Primeira pergunta: quanto devo investir?

planejada e sem foco em resultados. A esco-

O mais comum é pensar as doações por seus

lha das organizações beneficiadas geralmente é

valores absolutos. Dessa maneira, o doador se

feita por impulso, ou simplesmente porque você

sente satisfeito ao dizer aos amigos que fez

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palavra de quem faz Nesta edição, trazemos dois importantes realizadores no campo da filantropia inteligente. Acompanhe a seguir as entrevistas com Roberto Klabin, acionista da Klabin S.A. e presidente da SOS Mata Atlântica, e Eduardo Vannuchi, presidente do conselho de administração da Master Rental e presidente da Ação Criança. L&L - O que o levou a dedicar seu tempo livre para um projeto social? RK - Desde 1977 estou envolvido com o terceiro setor. Porém, minha maior dedicação aconteceu ao longo do tempo,

Filantropia inteligente LL 31.in71 71

de forma gradual, à medida que eu me encantava mais com os projetos do terceiro setor do que com os do segundo setor. Além do mais, passei a repensar minha vida, meus objetivos, minha mortalidade e onde eu poderia alocar melhor o meu tempo, fazendo diferença e construindo meu legado. L&L- Como o senhor consegue manter o compromisso com o trabalho voluntário mesmo em momentos de desânimo e fases ruins de sua vida? RK - Aprendi ao longo de todos esses anos que não

há melhor antídoto para depressão, crises da meia idade e outras bobagens do que ter projetos. Qualquer projeto que nos ocupe, não importa onde. E poucos são os projetos que trazem mais retornos pessoais do que os filantrópicos. Principalmente quando a pessoa já conquistou uma certa estabilidade material na vida. L&L- O que de mais gratificante traz essa experiência? RK - Mais gratificante para mim é saber que eu passei por aqui e fiz a diferença.

30/10/2009 10:22:25


fil antropia inteligente

uma doação de R$ 10.000,00. Mas isso demons-

mente a quantidade de recurso financeiro disponível

tra um real comprometimento com a causa da

para a transformação social. Este precisa ser o grande

doação? Não necessariamente. Talvez esse valor

tema de discussão que, aliado a um trabalho bem fei-

que, de maneira absoluta, parece ser alto, não seja

to de vocação e legado, definitivamente coloca nosso

tão relevante assim se comparado ao patrimônio

país na vanguarda da transformação social.”

ou à renda anual do doador.

Marcos Flávio Azzi

Uma forma de pensarmos a filantropia de maneira realmente séria é olharmos a doação em termos per-

Meu tempo e Meu talento

centuais. Por exemplo, doar 10% da renda anual ou 1% do patrimônio líquido por ano. Em ambos os casos, é um valor que, ao mesmo tempo em que não interfere

Segunda pergunta: e se quero investir mais que dinheiro?

no padrão de vida do doador, demonstra compromis-

A doação de seu tempo e talento é feita pelo

so e envolvimento com a causa. Isso leva o doador

conhecido trabalho voluntário. Muitas das benes-

a agir mais como investidor, importando-se mais com

ses do trabalho voluntário para a própria pessoa

o impacto social a ser gerado pelo dinheiro e menos

já são devidamente reconhecidas, e não é ne-

com quem estará presente ou não no jantar beneficen-

cessário entrar muito nesse mérito. Aqui tratare-

te. Tal atitude traz um sentimento de realização maior

mos de como você pode agregar o máximo de

ao doador e também leva a uma transformação social

valor através deste trabalho.

mais efetiva, já que há um compromisso maior de todas as partes com o resultado a ser gerado.

Comprometimento e responsabilidade

“A visão de porcentagem da renda promove a distribuição proporcional de riqueza, integra as várias

O primeiro passo para alinhar satisfação pessoal

classes sociais na causa filantrópica e eleva sensivel-

e um trabalho impactante é o comprometimento.

Eduardo Vannuchi - presidente do conselho de administração da Master Rental e presidente da Ação Criança L&L- Todo empresário bemsucedido tem inúmeros desafios em sua vida profissional. O que o levou, além de tudo isso, a querer se envolver com projetos sociais? EV - Inicialmente, surgiu a responsabilidade empresarial. Toda empresa retira da sociedade o lucro que a mantém viva.

Parte deste lucro deve voltar para a sociedade de forma eficiente. A partir desta visão, a empresa, com seus recursos, começou a apoiar alguns projetos sociais, como a Ação Criança, por exemplo. Com o passar do tempo, minha consciência começou a falar mais alto. Passei a dedicar meu tempo pessoal a alguns outros projetos sociais. Surgiu, então, o convite para me tornar presidente da Ação Criança. A responsabilidade é grande, o que me levou a

considerar a opção sob vários aspectos. Em seguida, acabei aceitando o desafio e, agora, me sinto bastante recompensado. L&L- A sua experiência no segundo setor ajudou-o a agregar valor no que realiza no terceiro setor? Por outro lado, de que forma o contato com o terceiro setor o enriqueceu? RK - Tocar uma empresa do terceiro setor me exigiu muito mais como líder. Na empresa, existe uma pressão sobre as

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Filantropia inteligente LL 31.in72 72

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Muitas vezes o trabalho voluntário é pensado como

Levando em conta essas premissas, você pode

algo que vai além de nossa obrigação e que, por

escolher tanto doar essencialmente o seu talen-

isso, deve estar alinhado apenas com o nosso prazer

to, isto é, utilizar as áreas de conhecimento onde

e disponibilidade. Antes de iniciar uma ação nesse

você é mais especializado e aplicá-las a favor de

sentido, no entanto, deve haver uma reflexão séria

um projeto social; quanto o seu tempo, realizando

em torno de questões como: “Estou realmente dis-

atividades que não necessariamente estejam liga-

posto a fazer esse trabalho de maneira séria e res-

das à sua atuação profissional. Ambas as aborda-

ponsável?” e “Minha força de vontade é suficiente e

gens têm seus méritos e você deve achar a melhor

madura para que mantenha o comprometimento e

e mais adequada aos seus desejos.

responsabilidade com minhas tarefas mesmo em períodos de desânimo?”

próxima edição

Escolha bem O segundo passo é saber escolher o trabalho a ser feito. Para começar, você deve escolher uma organização séria e que saiba trabalhar com voluntários, além de ter uma demanda por aquilo que você deseja realizar. Nesse sentido, deve-se alinhar ao máximo seu interesse pessoal com as necessidades

Como escolher uma organização entre tantas outras para apoiar será o tema da próxima edição. Seja para uma doação de recursos financeiros, seja para tempo e talento, é sempre um desafio saber separar o joio do trigo e encontrar a organização que se enquadra o melhor possível em suas expectativas.

73

reais da organização.

palavra de quem faz pessoas para atingirem metas, conquistarem bônus e, em última instância, manterem seus empregos. Nenhuma destas variáveis existe no terceiro setor. Portanto, para se dirigir uma organização como esta, é preciso ajustar seu discurso para conseguir motivar as pessoas a se envolverem e se dedicarem ao máximo àquela causa. L&L- Em se tratando de contribuições financeiras, como você acredita que seja possível

Filantropia inteligente LL 31.in73 73

definir o montante adequado para ser investido? RK - Esta é uma pergunta muito complicada de se responder, pois qualquer empresa dos três setores precisa trabalhar com algum tipo de pressão. Garantir todo e qualquer recurso necessário para um projeto social não é necessariamente saudável. É preciso fazer um planejamento estratégico, definir o plano de ação, criar o orçamento e lutar para cumpri-lo de qualquer maneira. A partir deste orçamento feito, a empresa, ou pessoa

patrocinadora, deve decidir se financia 100% ou menos. Jamais deve financiar mais que o limite estabelecido, justamente para criar esta pressão sobre os responsáveis pelo dia a dia do projeto. Existe hoje uma dificuldade muito grande para se acompanhar os projetos sociais. Talvez esta seja a maior dificuldade que as organizações enfrentem neste momento. O dinheiro existe. A vontade existe. É preciso apenas aproximar as partes para que, em seguida, o projeto seja implementado.

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PERFIL Por Perla Rossetti Fotos Divulgação

Kim Laursen, braço direito de Christian Lacroix, visita São Paulo e concede entrevista exclusiva sobre estilo, moda e a experiência fantástica de trabalhar com o estilista francês, cujas criações foram expostas no Museu de Arte Brasileira, na Faap

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Perfil LL31.indd 74

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entre Croquis de Laursen: ensaios irreverentes

Para celebrar o Ano da França no Brasil, o Centre National Du Costume de Scène trouxe ao país a exposição Christian Lacroix – Trajes de Cena, que esteve no Museu de Arte Brasileira da FAAP até novembro. O evento também foi uma homenagem à maison de costura criada pelo estilista francês com alma de artista que descobriu e incentivou o talento do dinamarquês Kim Laursen. Responsável pela concepção de estamparia e estilo, Laursen participa de todas as etapas das obras e coleções do estilista, em Paris. Em visita de férias ao Brasil, o designer esbanjou simpatia, elogiou a presença das stores europeias em bairros

dizem algumas pessoas, mas não é exibido. É um

nobres como os Jardins, e se encantou com as

artista cujo universo não tem limites. Não acredito

cores, alegria, rendas e paisagens da Bahia.

que uma house como a dele seja fechada nesse

Em São Paulo, ele nos contou a trajetória que o

momento de busca de novos investidores”.

levou ao famoso estilista e seu mentor, e comentou

Nesse cenário, Laursen justifica as razões para

as dificuldades que a maison vem enfrentando com

que as marcas premium visem o Brasil como o

a perda do mercado norte-americano, em função

país mais promissor entre os emergentes. “Estou

da crise financeira mundial. Entraves reais, mas

impressionado com a quantidade de marcas, co-

que ele acredita não ameaçam o legado do estilis-

res e a inspiração europeia por aqui. A concepção

ta. “Tenho sorte por conviver com Christian Lacroix

e os produtos presentes em São Paulo são os

e seu universo tão criativo de perfumes, roupas e

mesmos em Tóquio ou Paris, algumas vezes, com

outras criações. Ele é teatral, ou dramático, como

cores e estampas diferentes”.

Perfil LL31.indd 75

75 30/10/2009 09:12:11


PERFIL

Diversidade que combina com seu estilo de

estilo. É ter personalidade. Otimismo, positivismo e

vida. Preto é um tom que passa longe de seu ar-

alegria. Quando a pessoa tem confiança, sente-se

mário. Quando tem vontade de usar algo mais es-

bem. Ela brilha e tudo se torna possível. E estilo não

curo, a cor é o azul marinho. O que não pode faltar

está relacionado a dinheiro, pois você não pode

no closet? “O blazer que eu ganhei de aniversário,

comprá-lo. Faz parte de sua personalidade”.

jeans e tênis Converse e uma boa camisa Fitted. Eu não ligo para a marca do que estou vestindo,

VIDA

desde que ela vista bem”.

O estilista Christian Lacroix, gênio e mentor de Laursen

Depois de duas décadas em Paris, Kim Laursen,

Nascido na Dinamarca, filho de um casal que

41 anos, conta-nos um pouco da sua vida e revela

o incentivou todos os dias a ser feliz ou mudar o

o que pensa da moda, bom gosto e qualidade de

que não está bom, a palavra acomodação não

vida. “Sou muito positivo e feliz. Gosto de cozinhar e

integra seu vocabulário. Ao ler sobre uma expo-

receber pessoas para jantar, ouvir música, ler, correr,

sição de alta costura de Christian Lacroix, ele

ir a exposições e desenhar. E se for acompanhado

se deu conta de que o seu futuro não estava na

por uma taça de champagne, é realmente perfeito”.

economia, faculdade que cursava na época. Foi,

Sendo a beleza uma das matérias-primas de

então, em busca de uma escola de moda na Di-

seu trabalho em moda, o designer inspira-se para

namarca e encontrou um curso do governo, com

definir o que significa beleza, quando é questiona-

vagas para apenas 14 alunos por ano. Laursen

do a respeito. “É não ter medo de mostrar o seu

prestou os exames e, distraído, preparou uma coleção feminina, quando, na verdade, o teste pedia uma proposta de roupas para si mesmo.

Estilo não está relacionado a dinheiro, pois você não pode comprá-lo. Faz parte de sua personalidade

Ainda assim, ele foi aceito. Já estudante de moda, ele acalentava o sonho de trabalhar com Lacroix e enviava a ele cartas, dossiês e scketchs. E, sempre que ia a Paris, procurava-o para um estágio. Ao terminar o curso de cinco anos, mudou-se para a capital francesa e Lacroix reconheceu seu talento no primeiro estágio, de apenas um mês, pois não havia espaço para outro aprendiz. “Tive sorte, porque é difícil uma oportunidade dessas, já

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Perfil LL31.indd 76

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que toda grande house de moda é procurada por muitas pessoas em todas as temporadas. Por isso, acredito que, nesse mundo, você precisa estar no

77

lugar certo na hora certa. Com talento, mas também com bastante sorte!”. No tempo livre, Laursen estudava na Ecole de la Chambre Syndicale de la Couture Parisienne, para completar seu repertório. “Mas, depois de seis meses, a inquietação me fez reconhecer que, embora precisasse estar lá, aquilo era muito caro e sem graça. Então, saí”. Como tinha topado fazer qualquer coisa e ir a

O mestre e o pupilo: acima, traços de Kim Laursen. Abaixo, croquis de Christian Lacroix, expostos esse ano na Faap

qualquer lugar sob o comando de Lacroix, a proposta de estágio de um mês o manteve na house por nove, período em que ajudou a equipe do estilista em vários departamentos. “Era quando começava a coleção da linha jovem ‘Bazar’, e Lacroix gostou de uma estamparia que fiz. De repente, virei seu print designer para todos os tecidos. Eu podia mexer com colagens, fotos, figuras, tudo foi muito livre e emocionante, me sentia numa escola de artes”. Dali, virar designer para a Bazar e os jeans da próxima coleção foi um pulo. Até que Laursen se lançou novamente. Apesar da posição confortável e do ótimo salário, faltava algo. “Eu não me fazia mais perguntas. Apenas estava lá, havia nove anos. Foi quando Cacharel estava relançando a marca com Clements Ribeiro e, em uma entrevista de menos de meia hora, me convidou para trabalhar com ele. Me questionei se valia o risco e, no final, decidi ir”.

Perfil LL31.indd 77

30/10/2009 09:12:27


PERFIL

Tanto valeu que, nos dois anos e meio se-

Com os inputs do estilista, Laursen passou a

guintes, o designer divertiu-se como diretor do

desenhar a coleção, dirigir o estúdio e seu time de

novo ateliê em Paris. Cuidava do time de de-

designers, cuidar dos tecidos, da paleta de cores,

sign, desenhava a coleção, tecidos, acessórios,

acessórios, entre uma infinidade de outras tarefas

cores, escolhia fornecedores, e se encarrega-

que exerce até hoje, sempre com liberdade total.

va de tudo, pois Clements Ribeiro morava em Londres e só vinha de tempos em tempos para

DESAFIOS

acompanhar o trabalho. Elegãncia e simplicidade são características marcantes do trabalho do designer dinamarquês

A experiência levou-o ainda a uma temporada

Descobrindo o Brasil pouco a pouco, desde

curta de seis meses no ateliê de Kenzo, para traba-

o último verão, Laursen está entusiasmado com

lhar nas coleções das lojas de sua marca. Além da

o que tem visto em São Paulo, Rio de Janeiro e

saudade que sentia de Paris, com a contratação de

Bahia e sinaliza a possibilidade de carimbar vá-

Antonio Marras para executar as novas criações e

rias vezes o passaporte com a bandeira verde e

desfiles, Kim já não via razão para ficar.

amarela. “Eu posso atuar como free-lancer, pois

E como nem só de sorte é feita sua trajetória, nesse momento o mentor Christian Lacroix

uma grande e inspiradora experiência”.

o chamou de volta para cuidar da coleção de

Enquanto ele não aporta de vez por aqui, pre-

2005, já que a maison que pertencia ao grupo

para-se para a próxima temporada prêt-à-porter ao

LVMH havia sido vendida para o americano Falic.

lado do mestre que, mesmo enfrentando os contra-

“Foi uma alegria, a marca de Lacroix é meu pri-

tempos da crise, continua tocando seus projetos no

meiro amor e trabalhar com ele é fantástico, uma

campo da moda e das artes cênicas, como prova a

pessoa muita criativa e divertida”.

exposição no Museu de Arte Brasileira, na Faap.

CHRISTIAN LACROIX Um dos croquis da ópera Romeu e Julieta, criado por Lacroix e exibida na França, em abril de 2008

gostaria de criar para marcas brasileiras. Seria

TRAJES DE CENA

A exposição fez parte do calendário do Ano da França no Brasil e exibiu 105 figurinos que ele criou, desde a década de 1980, para óperas, peças de teatro e de balé, além de 80 croquis e desenhos.

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Perfil LL31.indd 78

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ARQUITETURA Por Rosilene Fontes

Uma escada é uma construção for-

pas das árvores, as montanhas, as nuvens no

mada por uma série de degraus, destina-

céu. Não somos pássaros, mas inventamos

da a ligar locais com diferenças de nível. O

várias maneiras para alcançar estas alturas.

degrau é composto pelo piso e espelho; o

Quando, na cidade, deparamos com alturas

piso é a lâmina horizontal do degrau que é

inacessíveis, procuramos por uma destas in-

o comprimento da pisada, e o espelho é a

venções arquitetônicas, uma rampa ou uma

altura entre as pisadas.

escada. Li que os elevadores destroem o he-

POÉTICAS URBANAS (Escadas)

Isto é apenas uma definição que todo

roísmo das escadas, mas pensei, onde há

mundo conhece. Interessante é saber qual

um elevador há sempre uma escada, como

a medida mais confortável para a pisada e o

uma fêmea sábia, guardiã e protetora.

espelho. Por razões de segurança, existem

Nas antigas cidades encontramos as

normas para se calcular estas medidas,

escadarias que nos levam às igrejas e pa-

mas achei na internet uma maneira fácil de

gamos promessas para acançar nossos de-

calcular e que bate com as medidas das

sejos, metáforas religiosas.

normas: a pisada deve ser 1/6 da estatu-

Nas metrópoles encontramos as esca-

ra média das pessoas que a utilizarem, ou

das subterrâneas que nos levam aos me-

seja, para uma estatura média de 1,70 m,

trôs para chegarmos mais rapidamente ao

teríamos uma pisada de 28 cm. A altura do

trabalho, para alcançarmos nossos desejos

espelho deve ser próxima de 1/10 da esta-

de consumo, metáforas urbanas.

tura, ou seja, 17 a 18 cm.

E por falar em metáforas, a escada ver-

Escada é uma particularidade que o ho-

ticaliza o homem. Descer e subir, dois po-

mem criou para poder subirem alguma coi-

los, em cima e em baixo, o porão e o sótão.

sa. Saber a sua origem é algo difícil, mas

Como dizia Joe Bousquet: “Já não pode-

me vem na mente as imagens das antigas

mos ser um homem de um só andar, pois

construções que não fariam sentido sem as

um homem de um só andar tem seu porão

escadas, os Zigurates, a Torre de Babel, os

no sótão. Mas vivemos de lembranças e de

Jardins Suspensos da Babilônia, as Pirâmi-

desejos. E a escada entre estes dois polos.

des do Egito e da civilização maia. Provavel-

A escada sendo o elo entre estes dois so-

mente eles a copiaram da própria natureza,

nhos. Para lembrar, precisamos descer até

das rochas naturais sobrepostas que permi-

as profundezas de nossa mente e alma, as-

tiam chegar aos cumes das montanhas.

sim descemos nos porões da memória, e

Quando olhamos a natureza, encontramos tantas alturas inacessíveis, como as co-

arquitetura DIREITA LL31.indd 79

Não somos pássaros, mas inventamos várias maneiras para alcançar estas alturas.

para que os desejos se realizem precisamos subir para alcançá-los.

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Rosilene Fontes é arquiteta da Construtora Adolpho Lindenberg

30/10/2009 10:17:17


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EMPREENDIMENTOS fotos Divulgação

53%

Iguatemi Tucumã

72,4%

Id Itaim

79,4%

88,4%

Le Grand Art

98,1%

Design Cidade Jardim

arte em CONSTRUÇÃO

A vida em alto estilo, com valorização e liquidez, está reservada para os proprietários de empreendimentos com a assinatura Adolpho Lindenberg.

Haddock Ofiice Jardins

6%

Aliando o que há de mais moderno em arquitetura e construção e preservando tradição, qualidade e confiança, a construtora conquistou o status de maior grife imobiliária do mercado. Conheça os empreendimentos Adolpho Lindenberg e veja como está o andamento de cada obra.

5,31%

Win Work Pinheiros

As imagens ilustram o estágio dos empreendimentos no mês de outubro. Para mais informações e fotos atualizadas, acesse o nosso site:

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empreendimentos LL 31.indd 82

30/10/2009 10:19:27


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Lindenberg_Elgin_20-08-09.pdf 8/20/2009 5:07:42 PM

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A Elgin Cuisine e a Lindenberg se uniram para fazer de sua vida o que ja fazem por sua casa. acesse: www.elgin.com.br/unique ou ligue: 11 3704-0968

Lindenberg & Life, Edição 31  

Confira a Edição 31 da revista Lindenberg que trás informações sobre produtos feitos no Brasil

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