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Por Raquel Jones Fotos Celso Junior

A

os 13 anos, ele já era colecionador de arte. Irmão de um artista plástico e de uma bailarina clássica, o marchand Marcus Vieira não conseguiu fugir das suas origens. Nascido em Belo Horizonte (MG), morou em Paris, Nova York, Buenos Aires. Trabalhou com confecção, fez gastronomia. Mas foi na arte que encontrou, ou reencontrou, o seu mundo. Há nove anos, Vieira comanda a Home Art Gallery (HAG) com obras de colecionadores e do seu acervo pessoal. No segundo semestre, traz um pouco da sua arte para a Capital Federal em uma exposição itinerante. As palavras do escritor alemão Johann Goethe parecem descrever a sua vida: “Não existe meio mais seguro para fugir do mundo do que a arte, e não há forma mais segura de se unir a ele do que a arte”. Quando questionado sobre qual sua formação, Marcus Vieira responde: “Não sei, a vida”. Sua noção de arte não foi moldada, formada em faculdade de Belas Artes. É algo genuíno, natural, que foi se ampliando com as experiências da vida. Em 1986, tinha uma fábrica de roupa masculina chamada Vaticano. Fabricava camisas de alfaiataria, cujas estampas eram feitas por artistas expressivos da cena cultural de Belo Horizonte. Formado na conceituada escola de gastronomia Le Cordon Bleu, em Paris, Vieira foi proprietário de

importantes restaurantes da capital mineira, como a Casa Vieira, na Avenida Alagoas, e o Santa Fé, na agitada Savassi. No Santa Fé, organizou uma exposição de arte histórica com 16 obras de colecionadores do artista Pablo Picasso. “Foi a primeira exposição de obras do pintor no Brasil. O cardápio foi inspirado nas comidas prediletas do artista espanhol”, lembra Vieira. Em 1999, deixou de lado a gastronomia para ser proprietário de sua própria galeria em Belo Horizonte, a Marcus Vieira Galeria de Arte. Lá, já reunia obras de importantes modernistas e contemporâneos. No mesmo ano, realizou a sua primeira exposição itinerante no Teatro Nacional, em Brasília, com acervo da escultora modernista Sônia Ebling. “Na época, não conhecia ninguém. Decidi vir para Brasília porque sempre gostei da arquitetura de Oscar Niemeyer e da arte de Athos Bulcão. A exposição foi um sucesso, tive a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas como o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay; Conceição Pinheiro, uma das mulheres mais elegantes que já conheci; e o casal Luís Carlos e Beth Bettiol”, conta Vieira. Em 2001, o marchand voltou à Capital Federal com a exposição do escultor ítalo-brasileiro Vitor Brecheret. A mostra foi aberta dois dias depois do ataque às Torres Gêmeas, em Nova York, e a

exposição de arte não teve o destaque merecido. “Fiquei 12 anos sem vir a Brasília, depois do ocorrido”, lembra Vieira. Durante esse tempo, muitas mudanças em sua carreira. Dentre elas, a mudança para São Paulo. Na cidade paulista há nove anos, o marchand não quis abrir uma galeria de arte tradicional e criou um conceito diferente. Ele mantém dois parceiros – as lojas Ana Maria Vieira Santos e Staten – que disponibilizam seus espaços. E ainda faz exposições temporárias em todo o Brasil e também fora do País, com obras do seu acervo pessoal e de colecionadores. O conceito inspirou o nome do novo projeto: Home Art Gallery, o HAG. “Sempre uso peças do meu acervo pessoal, incluindo o mobiliário, para dar um aconchego de casa”, explica Vieira. Na mais recente exposição que se realizou em Brasília, no mês de julho, intitulada Memórias, Vieira trouxe de sua casa, no bairro Jardins, em São Paulo, poltronas rococó do século XVIII, uma cadeira chinesa antiga e duas esculturas que parecem marionetes, chamadas As Virgens, peças antigas da Espanha. Sempre ao lado da amiga a artista plástica Sônia Medrado, que é quem organiza as exposições, Marcus Vieira tem o cuidado de contar um pouco da sua trajetória nas peças expostas. Em quase todas as suas mostras há obras de Sonia Ebling, que foi sua amiga pessoal. “Da

escola de Alfredo Ceschiatti e de Bruno Giorgi, Sônia foi a última modernista do Brasil. Uma das artistas mais conhecidas internacionalmente”, diz. Não faltam obras de Victor Brecheret e peças dos artistas mineiros Amilcar de Castro e Lygia Clark, além de trabalhos de grandes colecionadores, como o paulista Élcio Mocó e a mineira Adriana Queiroz. Nota-se que a maioria das peças é esculturas, verdadeira paixão do marchand.

Na capital Em setembro, Marcus Vieira volta a Brasília para uma mostra no Comércio Local da QI 11, no Lago Sul. São 1,3 mil metros quadrados que vão contar a história dos bichos dentro da escultura, começando com três panteras do escultor italiano Rembrandt Bugatti, de 1980, até Sônia Ebling, a maior artista brasileira no segmento. A mostra ainda vai contar com obras de Amilcar de Castro, pinturas do artista carioca Eduardo Sued e instalações do artista visual Rogério Rauber. Todas as exposições são feitas por Marcus Vieira sem patrocínio. Segundo ele, o que o motiva é dar oportunidade para as pessoas estarem em contato com a arte. Uma tarde na exposição é uma aula de arte e prazer estético. Serviço HAG - Home Art Gallery (11) 98744-6097 markuelo@yahoo.com.br


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