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Para Cathy Porque a vida não é um conto de fadas, mas todos nós precisamos de uma pessoa que mantenha o sonho vivo. Você é essa pessoa para mim.


“Eu tenho um medo que não posso explicar. Porque não sou eu mesmo, entende?” -Lewis Carroll


Prefácio

D

izem que quando você

se vinga de outro você perde a sua inocência. Mas eu não sou inocente. Eu não sou há muito tempo. Minha inocência foi roubada de mim. Tomada da vida que eu deveria ter. Da alma que eu nasci. O coração de rubi embutido em uma vida cheia de esperanças e sonhos. Se foi. Desapareceu. Eu sequer tive uma escolha. Eu lamento a vida. Lamento as incertezas. Mas, cansei. Eu estou pronta para tomar de volta o que sempre foi feito para ser meu. A vingança é o que eu procuro para recuperar o que foi violentamente arrancado de mim. Então agora? Agora eu planejo. Agora eu domo o ápice do meu ódio.


Capítulo Um Presente

—Q

uerida, você está

quase pronta? — a voz do meu marido chama do outro quarto. Eu olho para o meu reflexo no espelho enquanto coloco meu brinco de pérola, sussurrando para mim: — Sim. Ajeito a minha postura, aliso o tecido do meu vestido, corro os dedos pelo meu cabelo longo, vermelho. Um cobertor de carmim. Ondas soltas caindo sobre meus ombros nus. A frieza da seda azul da meia-noite que se agarra às ligeiras curvas da minha pequena forma. A boa esposa estoica. Meu marido, o farol da minha admiração, ou assim parece. — Impressionante. Meus olhos se deslocam, do espelho para Bennett, conforme ele caminha para dentro do meu closet, onde estou. Ele arrasta meu cabelo para o lado, expondo meu pescoço para seus lábios. — Mmm. — eu cantarolo ao seu toque antes de virar em seus braços, para ajustar sua gravata borboleta preta. Seus olhos estão presos em mim enquanto concentro-me em seu pescoço e quando lhe dou minha atenção, ele me dá um sorriso suave. Eu devolvo. Ele é impressionante com sua estrutura óssea forte, queixo quadrado e cabelos castanhos com alguns reflexos prateados. Um sinal dos seus 34 anos e seu status


influente. Um magnata. Dono da maior empresa de aço do mundo. Ele é poder. E eu a favorecida. — Baldwin está pronto com o carro. — ele diz antes de beijar a minha testa. Pego minha bolsa e Bennett me ajuda com o meu casaco e descemos pelo elevador. À medida que atravessamos o lobby do The Legacy, a minha casa durante os últimos três anos, Bennett mantém sua mão sobre a base das minhas costas, guiando-me para a noite fria de inverno. — Sr. Vanderwal. — Baldwin, o nosso motorista e bom amigo do meu marido há anos, cumprimenta com um aceno de cabeça antes de voltar sua atenção para mim. — Sra. — Boa noite. — eu digo, quando deslizo minha mão na sua, e ele me ajuda no banco de trás do Land Rover. Bennett escorrega para dentro comigo e pega a minha mão em seu colo, enquanto

Baldwin

fecha

a

porta

e

então

pula

no

banco

da

frente. 'Metamorphosis' por Glass, o favorito de Bennett, engole o silêncio e enche o carro. Levanto a minha mão livre, e a coloco na janela gelada, sentindo a umidade e o frio, que se infiltram em minha pele. — Eu amo a neve. — murmuro, mais para mim do que para o meu marido, mas ele responde de qualquer maneira. — Você diz isso a cada inverno. Viro-me para olhar para ele e, em seguida, para as nossas mãos unidas, solto um leve murmúrio antes que ele mexa e diga: — Então, Richard disse que ele passou por este hotel no outro dia e mencionou que seria um bom local para realizar nossa festa de ano novo este ano. — Qual é o nome? — Lotus.


— Interessante. — observo e pergunto: — Esse é o novo hotel de McKinnon, certo? — Filho dele, na verdade. Eu ainda tenho que conhecê-lo. — Hmm. Apertando de leve minha mão, ele questiona. — O que é esse olhar? — McKinnon pode ser, bem... — Um idiota? Eu sorrio e concordo — Sim. Eu só não sabia que tinha filhos, só isso. Dirigimos através do tráfego de sábado à noite no circuito de Chicago, finalmente chegamos até o recém-construído hotel que divertirá a elite da cidade. Nós tendemos a ir a uma série monótona de eventos como este. Com o status de Bennett, não só na cidade, mas em todo o mundo, a sua presença faz parte de um acordo que é procurado pela publicidade e por outras razões. Mas Bennett fez vários negócios com Calum McKinnon ao longo dos anos, de modo que o evento de hoje à noite não era um que ele podia pular para fora. Quando Baldwin abre a porta e me ajuda a descer, eu me endireito e ajusto o meu vestido longo, antes de ser conduzida pelas portas de vidro e para dentro do lobby do Lotus. Enquanto Bennett sai do meu lado para levar nossos casacos, eu observo a compostura dos convidados e mordo o interior da minha bochecha. Eu sei que eu estou com o homem mais rico aqui, mas meus nervos tendem a revirar o meu intestino, imaginando se essas pessoas podem ver através de mim. Eu sou recebida com uma taça de champanhe e pelos olhos de algumas mulheres que servem em alguma das festas de caridade que eu costumo ir. — Você está pronta, querida? Meu marido envolve seu braço no meu quadril e orienta-nos para a primeira de muitas interações que teremos. Eu visto o meu sorriso, levanto meu


queixo, e desempenho o papel. O papel que eu tenho desempenhado desde que conheci Bennett. Ele é um marido amoroso, sempre foi. Firme em seu negócio, mas muito gentil comigo, como se eu fosse frágil. Talvez eu costumasse ser, mas não mais. Eu sou tão forte quanto eles vêm. Fraqueza deriva da alma. A maioria das pessoas tem uma, o que dá, a uma mulher como eu, uma alavancagem. A influência para jogar com as pessoas ao meu gosto, e é assim que eu faço. — Nina! — eu ouço meu nome ser chamado por uma das minhas amigas. — Jacqueline, você está linda. — eu digo quando ela se inclina para beijar minha bochecha. — Bem, eu não posso nem competir com você. Linda como sempre. — ela fala antes de voltar sua atenção para Bennett e cora no momento que diz olá. Tenho certeza que ela acabou de molhar a calcinha também. Ela é uma namoradeira desesperada. Seu marido é uma desculpa para um homem. Mas o marido é parceiro de negócios do Bennett, então eu coloco sua merda misógina de lado e sinto pena daquela idiota que se casou com ele. Ela está tentando entrar nas calças do meu marido desde que a conheci. Eu nunca disse uma palavra, porque o desespero não é algo que atrai Bennett. Enquanto Jacqueline flerta com o meu marido, eu faço a varredura da sala. Todos vestidos em seu melhor, bebendo e socializando. Eu me afasto das pessoas irracionais e foco no design elegante e moderno do hotel. A montagem minimalista, mas claramente banhada em dinheiro. Enquanto flutuo meu olhar ao redor da sala, pouso em um par de olhos me encarando. Olhos que captam meu interesse. De pé, em um pequeno grupo, sem prestar atenção a uma única pessoa em torno dele, um homem - um homem surpreendentemente atraente está me observando. Mesmo quando eu olho para ele do outro lado da sala, ele não desvia o olhar fixo de mim; simplesmente ergue um pequeno sorriso antes de tomar um gole do seu uísque com soda. Quando uma loira esguia acaricia o braço dele, o contato é perdido. Impecavelmente vestido em um terno sob medida, ele tem uma aparência um pouco indiferente nele. Seu cabelo é estilizado vagamente, como se tivesse apenas passado as mãos pelos cachos


volumosos e dito foda-se, e seu maxilar definido é coberto por dias de barba por fazer. Mas aquele terno... sim, aquele terno está claramente cobrindo um corpo bem conservado. As linhas e cortes abraçam sua forma, acentuando ombros largos em V até os quadris finos. — Querida? Distancio do seu olhar persistente, dirijo-me ao olhar curioso do meu marido e percebo que Jacqueline não está mais ao seu lado. — O que chamou sua atenção? — ele pergunta. — Oh. Só estou absorvendo tudo. Este lugar é incrível, né? — Eu estava perguntando sobre a festa, mas eu acho que você estava distraída. Então, o que você acha? — Sim, eu concordo. Este seria um ótimo local e uma boa mudança de cenário. — eu digo a ele, e enquanto faço isso, vejo o cara foda-se aproximar. Ele tem uma calma no seu passo, e as outras mulheres na sala o notam também. — Você deve ser Bennett. — ele diz em um sotaque escocês sedoso, áspero, que é uma reminiscência do sotaque do seu pai, e estende a mão para o meu marido. — Sou Declan McKinnon. Meu pai fala muito bem de você. — É bom finalmente conhecê-lo, Declan. Eu não vi Cal aqui esta noite. — diz Bennett, conforme balança a mão do cara foda-se, que agora tem um nome. — Ele não está aqui. Ele teve que voar para Miami para cuidar de alguns negócios. — Aquele velho bastardo nunca para de se mover, não é? — Bennett ri e Declan une-se a ele, balançando a cabeça, dizendo: — Sessenta anos de idade e ainda latindo ordens para quem quiser ouvir. Inferno, mesmo para aqueles que não querem. Quando Declan olha para mim, meu marido pede desculpas e diz: — Declan, esta é a minha esposa, Nina.


Tomando minha mão, ele se inclina e beija minha bochecha antes de se afastar e elogia: — É um prazer. Eu não pude deixar de notá-la através da sala mais cedo. — olhando para Bennett, acrescenta. — Você é um homem de sorte. — Eu digo a ela todo dia. Eu uso o meu sorriso como uma boa esposa deveria. Eu venho fazendo isso há anos, entorpecida pelos elogios ridículos que esses homens tendem a lançar, nas suas tentativas desastrosas de maneiras cavalheirescas. Embora, eu possa perceber que Declan não faz nenhum esforço. Seus ombros estão relaxados. Ele está descontraído. — Este lugar é uma grande proeza. Parabéns. — Bennett fala para ele. — Obrigado. Levou apenas alguns anos da minha vida, mas... — ele diz conforme observa o entorno. — Ela é exatamente como eu imaginava. — antes de voltar a olhar para mim. Esse cara está flertando abertamente, e eu estou surpresa que esse deslize tenha passado por Bennett enquanto ele continua na conversa. — Eu estava acabando de falar para Nina que seu hotel forneceria um cenário perfeito para a nossa festa de fim de ano, que damos para os nossos amigos. Eu me intrometo com um sorriso, dizendo: — É uma ocasião de uma vez por ano, onde meu marido libera as rédeas, permitindo-me criar um evento para acentuar o seu poder financeiro, simplesmente para lembrar a todos quem está no topo. Um extensor de pênis, se você me entende, e é decorrente da visita anual. — eu provoco com uma feminilidade macia que fazem os meninos rirem em diversão com as minhas palavras azedas. Eu sorrio junto com eles enquanto atiro, ao meu marido, uma piscadela sedutora. — Ela tem uma boca doce. — diz Declan. — Você não tem nem ideia. — Bennett responde e olha para mim com seu sorriso. — Mas, apesar do que ela diz, ela ama o planejamento deste compromisso anual, e observo com emoção vê-la gastar todo o meu dinheiro


suado. Mas estamos em um dilema, porque o local que selecionamos alguns meses atrás, agora está em reforma e o espaço não ficará pronto a tempo. — Quando seria este evento? — É na Véspera de Ano Novo. — ele responde. — Parece que é factível. — diz Declan enquanto pega um cartão de dentro de seu paletó, e em vez de entregá-lo a Bennett, entrega-o para mim, dizendo: — Uma vez que parece que você é a mulher a quem responderei, aqui estão os meus números de contato. Pego o cartão entre os dedos, e vejo quando ele se vira e diz para o meu marido: — Vou me certificar de supervisionar o planejamento para garantir que Nina receba tudo o que ela pedir. — Parece que vou preencher um grande cheque este ano. — meu marido brinca. — Bem, Declan, foi ótimo finalmente colocar um rosto no seu nome, mas se você nos der licença, eu gostaria de exibir a minha esposa na pista de dança. Quando Bennett nos leva para o salão de dança cheio e me envolve em seus braços, eu aproveito a oportunidade para espreitar por cima do ombro para encontrar Declan me observando atentamente. Esse cara não tem nenhum escrúpulo sobre seu interesse, e uma pontada de alegria tamborila dentro de mim enquanto meu marido me move lentamente com facilidade. Continuamos a nos misturar durante a noite e socializar com amigos e colegas de trabalho antes de nos retirarmos e voltarmos para o The Legacy. Saímos do elevador, para a cobertura de propriedade de Bennett, onde eu o conheci, há quatro anos e andamos pela sala escura. A única luz é a da lua, que está lançando seu brilho por trás das nuvens cheias de neve, das janelas que vão do chão ao teto e abrangem as duas paredes. Eu entro na suíte master atrás de Bennett e, enquanto eu escorrego para fora dos meus saltos, olho para cima para ver que ele já desfez sua gravata borboleta, que está pendurada na gola da camisa de smoking branca, agora desabotoada.


Seus olhos ficam extasiados conforme movem para baixo, no meu corpo. Eu continuo lá e ele se aproxima lentamente e, em seguida, desliza as mãos ao longo da minha forma, até que se ajoelha na minha frente. Ele passa as mãos pelas minhas pernas através da abertura da fenda no meu vestido, e assim que seus dedos batem na minha calcinha, eu desligo. A gaiola de aço envolve em torno do meu coração, e antes que meu estômago se revolte, eu desligo. Entorpecida. Vazia. Ele arrasta minha calcinha pelas minhas pernas e eu saio dela antes de sentir o calor da sua língua que desliza ao longo da junção da minha boceta, mas eu consigo me impedir de entreter pelo menor impulso de intimidade. Eu durmo com meu marido há anos, mas recuso a me permitir ter prazer ou a acreditar no que estou experimentando. Por quê? Vou lhe dizer o porquê. Porque eu o odeio. Ele acha que, neste momento, nós estamos fazendo amor. Seu pênis me enche lentamente enquanto deito abaixo dele. Braços atados ao redor do seu pescoço. Pernas amplamente abertas, convidando-o a ir mais profundo enquanto ele se banqueteia em meus seios. Ele acredita que ele é tudo o que eu quero. Ele sempre acreditou. Mas isso é apenas um jogo para mim. Um jogo que ele caiu tolamente. Ele nunca questiona o meu amor por ele, e agora o meu corpo se contorce por baixo dele, entre gemidos de prazer simulados quando ele goza, empurrando seus quadris para dentro de mim, me dizendo o quanto ele me ama, e eu lhe devolvo suas palavras. — Deus, Bennett, eu te amo tanto. — eu ofego.


Sua cabeça está situada no meu pescoço, enquanto ele tenta acalmar sua respiração, e no momento que ele levanta, eu corro meus dedos por seus cabelos e sobre o seu couro cabeludo úmido e ele olha nos meus olhos. — Você é tão impressionante quando está assim. — Assim como? — eu questiono suavemente. — Saciada. Idiota.


Capítulo Dois Presente

R

eviro na cama, eu me

encontro sozinha. Nada de novo. Loção pós-barba de Bennett ainda paira no ar, e quando vou para a sala de estar muito aberta, eu o vejo sentado no bar na cozinha. Ele lê um arquivo enquanto bebe seu café. Amarro o cinto do meu roupão de seda em volta da minha cintura, me aproximo dele por trás, passando os braços ao redor dos seus ombros, dando-lhe um beijo. —Bom dia. — ele diz com um sorriso, feliz em me ver. — Você acordou cedo. — eu respondo, conforme observo seu terno de três peças. Ele abaixa o arquivo, e vira para me puxar entre as pernas. — Eu estou saindo para Dubai. Esqueceu? — Claro que não. Mas você não sai até algumas horas. — eu digo a ele e, em seguida, abaixo a minha cabeça, acrescentando em tristeza fingida: — Eu gostaria que você ficasse. Beijando meus lábios, ele se afasta e envolve os dedos no meu cabelo comprido, penteando-o para trás. — É só por alguns dias. Além disso, você vai estar ocupada. — Ocupada?


— Eu preciso que você comece a arranjar todas as coisas para a festa. Está só a um mês de distância e os convites precisam sair em breve. Richard não vai comigo, então ele vai ficar por aqui essa semana, se você precisar de alguma coisa. Richard é o marido de Jacqueline e parceiro de negócios de Bennett. Ele sempre me irritou, mas eu finjo gostar dele apenas por Bennett. Ele usa uma echarpe, pelo amor de Deus. — Ok. Bem, eu vou fazer algum trabalho por aqui hoje e depois ligar para o hotel para marcar uma reunião. Quando vou pegar uma xícara de chá quente, Bennett volta ao seu trabalho antes que tenha que pegar o voo. Depois de um tempo, Baldwin leva sua bagagem até o carro, enquanto dizemos nosso adeus. — Eu vou sentir sua falta. — murmuro, ao que ele responde: —Querida, você sempre diz isso. Esfrego contra ele, e cubro a boca com a minha. — Porque eu sempre sinto. Ele sorri. Eu sorrio. — Ligue-me logo que aterrissar para que eu saiba que você está bem. — Eu te amo. Eu o sigo até o elevador e dou-lhe um último beijo antes dele sair e, em seguida, volto para o estúdio para trabalhar no laptop. Fico confortável, abro a tampa e digito Declan McKinnon no navegador de busca. Link após link inunda a tela. Eu clico em um e leio:

Declan Alexander McKinnon


Nascido em Edimburgo, Escócia Idade: 31 Filho de Calum McKinnon e da falecida Lillian McKinnon Fez MBA na Universidade de St. Andrews, na Escócia

Eu continuo a ler sobre suas várias conquistas e reconhecimentos acadêmicos e empresariais. Eu encontrei o pai dele em várias ocasiões e sei que o nome de família é bem respeitado, então posso imaginar a pressão sobre ele para mantê-lo como tal. Clico sobre a pesquisa de imagens, centenas de fotos dele enfeitam a tela com uma variedade de mulheres nos seus braços. É evidente que ele goza do seu status de solteiro, mas parece que ele é novo na área de Chicago. Sem ponderar muito sobre ele, eu fecho a internet e abro a agenda de endereços de Bennett para começar a trabalhar. Por causa da notoriedade dele, o nosso evento anual extravagante chama os egos ansiosos. Só por isso, a segurança e privacidade são uma necessidade. Em vez do meu desagrado habitual com o meu marido, eu devo dar-lhe créditos por ser um autodidata. Por construir essa empresa de vários bilhões de dólares a partir do zero e fazer o nome Vanderwal algo para ser admirado. Um nome que me adorna, enquanto meu primeiro foi manchado. Assim que faço uma lista de convidados aproximada, eu mando um email para Bennett examinar. Saio do escritório e Clara me chama a atenção. Ela está ocupada desempacotando as compras na cozinha quando eu digo: — Eu não ouvi você entrar. — Sra. Vanderwal, oi. — ela fala docemente. — Seu marido insistiu para eu vir hoje, uma vez que ele vai à viagem de negócios. Ele ainda está aqui? — Não, você o perdeu. — caminhando, eu passo para a cozinha e começo a ajudá-la a arrumar a comida.


— Pare de mexer com isso. — ela repreende brincando, e eu sorrio quando ela me expulsa da cozinha. Eu nunca tive uma mãe, e, apesar de Clara ser uma empregada, ela enche a nossa casa com um calor que só uma mulher com um forte senso maternal pode fazer. — Gostaria que eu preparasse uma xícara de chá? —Não, obrigada. Eu tomei uma mais cedo. Sento-me no bar e ela pergunta: — Você está com fome? Balanço a cabeça e digo: — Eu acho que vou ficar por aqui hoje. Bennett quer que eu comece a trabalhar com a festa, então pensei em ficar por aqui e navegar na internet à procura de ideias. — Já está na hora? — Mmm hmm. — Quão rápido os anos passam. Quando você chegar à minha idade, é melhor você não piscar. Nunca. — ela fala com um sorriso suave conforme começa a retirar as panelas para cozinhar. Vou até as janelas e vejo como a neve cai sobre a cidade. Daqui de cima, no septuagésimo primeiro andar, eu me sinto como uma rainha. Eu aproveito um momento para apreciar a vista antes de começar a trabalhar, enquanto Clara ocupa-se na cozinha, preparando refeições para os próximos dias. O tempo me escapa e antes que eu perceba, o céu está escurecendo e Clara está dizendo adeus.


Quando acordo na manhã seguinte, eu gasto meu tempo me preparando. Ando até as janelas, e enquanto olho para baixo, para o tráfego intenso no circuito nesta manhã de segunda-feira, tomo um gole do meu chá e, em seguida, ouço o meu telefone tocar. Eu vejo que é Bennett e atendo. — Ei, querido. — eu digo e vou até o sofá me sentar. — Oi. Tentei ligar quando cheguei ontem. — Desculpe. Eu fui para a cama cedo. — Dia atribulado, né? — ele brinca com uma risada leve. — Sim, algo assim. Deve ser essa neve constante que estamos tendo. Deixa-me preguiçosa. — digo a ele. — Então, como estão indo as coisas? — Bem. Acabei de encontrar com o nosso novo cliente e tive um almoço tardio. Estou voltando para o hotel agora para tomar um banho antes de ter que beber e comer com esses bastardos mais tarde essa noite, no jantar, mas eu queria falar com você, porque senti falta de ouvir a sua voz na noite passada. — Você sentiu falta da minha voz, hein? — Eu senti falta não apenas da sua voz. — ele flerta. Deixo escapar um suspiro profundo e falo: — Eu sinto falta de ter você na cama comigo. Estou sempre sozinha sem você aqui. Este lugar está muito calmo e muito quieto. — Clara não passou por aí ontem? — ele pergunta. — Passou. Você sabe, você não tem que me mimar. Eu sou uma menina grande. — Eu gosto de... como você chamou? Mimar? — eu posso ouvir a risada na voz dele quando diz isso, e eu devolvo o sorriso, dizendo: — Sim. Mimar. Para um homem tão sábio, você devia ampliar seu vocabulário.


— É mesmo? Bem, talvez quando eu voltar eu devo mostrar o quão o meu vocabulário é expansivo. Eu rio. Se há uma coisa que Bennett não é, é um conversador sujo, mas eu flerto com ele: — Hmm... talvez você devesse voltar para casa mais cedo. — Eu gostaria. Embora eu esteja curtindo as temperaturas mais quentes aqui. É agradável e ensolarado. — Se você está tentando me deixar com inveja, não vai funcionar. Você sabe que eu amo o frio e o cinzento. Dá-me uma razão para aconchegar no seu calor a cada noite. — Então o que a manteve quente na noite passada? — Encher meu estômago da lasanha de Clara e, em seguida, me enfiar profundamente nos cobertores. — Bem, eu estarei logo em casa para mantê-la aquecida, querida. — ele fala com uma voz suave antes de perguntar: — Então, o que está na sua agenda hoje? — Eu ia ligar no hotel para ver se consigo marcar uma reunião para olhar o espaço novamente. — Nós acabamos de ir lá. — Sim, mas agora eu quero vê-lo vazio, sem toda a crosta superior de Chicago vadiando lá dentro. Ele ri de mim e então diz: — Querida, não se esqueça de que você é tão crosta superior quanto eles. — E eu só tenho você para agradecer por isso, querido. — eu brinco. — Mas, falando sério, eu quero ver como é o espaço vazio e falar com os gestores para descobrir se eles têm novas conexões com fornecedores. Eu gostaria de sair da regra do que temos feito nos últimos dois anos.


— Contanto que tenha sua mão nisso, vai ser incrível. Tudo que você toca vira perfeição. Basta olhar para mim. — Perfeição, hein? Bem, eu não posso discutir com esse seu ego. Eu não mudaria uma coisa sobre você. — Nem eu em você. — ele complementa antes de dizer: — O carro acabou de estacionar no hotel, então eu preciso deixá-la. — Ok. Tente não trabalhar muito duro. Eu sinto sua falta. — Também sinto sua falta, amor. Tenha um bom dia. Desligamos e eu deixo escapar um suspiro profundo. Conversar com ele assim costumava ser difícil no começo, mas agora é tão natural como querer tirar cocô de cachorro do seu sapato. Eu entro no meu closet para pegar a bolsa de mão que eu levei para a festa na outra noite. Ao abri-la, eu tiro o cartão de visita que Declan me deu e caminho de volta para a sala de estar para fazer a ligação. — Lotus. — uma voz feminina ronrona. — Declan McKinnon, ele está disponível? — E quem devo anunciar? — Nina Vanderwal. Ela me coloca em espera por um momento e quando a linha é atendida, ela me diz: — Sr. McKinnon está terminando uma reunião. Você gostaria de deixar um recado? — Bem, eu não quero perturbar a agenda dele, mas vou organizar um evento e gostaria de ir ver o espaço do salão principal e discutir fornecedores. — Claro. Deixe-me direcioná-la para o nosso gerente. — ela fala antes de me transferir.


Depois de uma breve conversa com o gerente do hotel, marcamos uma reunião em uma hora. Desligo o telefone e chamo Baldwin para aprontar o carro para me conduzir até o hotel. Quando ele chega, estou pronta e ele me ajuda a deslizar meu casaco por cima do meu top de seda marfim que está enfiado na minha calça preta, sob medida, de lã. — Você está pronta? — Baldwin pergunta quando pego a minha bolsa. — Pronta. Nós descemos no elevador, e quando atravessamos o lobby, o carro já está estacionado na frente. — Cuidado com o degrau. — Baldwin diz conforme desvio das pequenas manchas de gelo com os meus saltos altos. Quando eu chego ao Lotus, entro e sou cumprimentada pelo gerente que está esperando por mim. Ele me leva para o salão de baile, e eu tomo nota do espaço. A área de estar principal acomoda facilmente o evento, e há uma sala anexa, que abriga vários charutos e licores que estão exibidos ao redor do cômodo de mogno escuro. O bar é amplo e masculino, a madeira é bastante impressionante. É uma pena que tudo isso estivesse escondido sob o mar de gente que estava aqui na inauguração. O cenário é íntimo, apesar da enorme dimensão da sala. A pista de dança está situada embaixo de uma pequena escadaria, que a deixa fora da sala de jantar, criando um ambiente menos agitado para entreter. Um sotaque familiar me pega desprevenida enquanto eu estou andando e fazendo anotações na minha agenda. — Como ele está? — seu sotaque atravessa a sala, e quando eu viro para capturar seu olhar, eu pergunto: — Desculpe-me? Fazendo a varredura do espaço, ele esclarece: — O espaço, eu quero dizer. É diferente vazio, não é?


Viro a cabeça para admirar a decoração, e digo: — Sim. Eu estava pensando sobre a quantidade de detalhes que não consegui ver na outra noite com todas as pessoas aqui. Ele caminha até mim, aparentando elegância em suas calças e seu paletó de botões e gravata, com um leve sorriso no rosto, e estende a mão para o meu lado e, finalmente, cumprimenta: — É bom vê-la novamente, Nina. A forma como o meu nome é acariciado por seu sotaque é sem dúvida sexy pra caralho. Conforme ele passa os lábios sobre os nós dos meus dedos, a barba por fazer ao longo do seu maxilar, arranha a pele macia da minha mão, eu não respondo, mas quando ele a mantém segurando por tempo demais, eu me afasto. Seu sorriso permanece, como se estivesse se divertindo com a minha reação. Ele casualmente vira-se para o homem que estava me mostrando ao redor e o dispensa. Voltando-se para mim, ele enfia as mãos nos bolsos da sua calça e pergunta: — Então, o que você acha? — Eu acho que o meu marido estava certo; é o lugar perfeito para sediar a festa. — Ótimo. Você precisa olhar mais? — Eu acho que tenho o suficiente para o momento. Ele parece bem humorado por causa de alguma coisa, talvez eu, e tira as mãos dos bolsos, colocando uma nas minhas costas enquanto me leva para fora da sala. — Então vamos para o meu escritório e discutir os detalhes. Nós vamos para o escritório dele, e eu fico de pé, no centro da sala de grandes dimensões, enquanto ele vai para a sua mesa, movendo-se com uma confiança relaxada, e pega o laptop. Ele acena com a cabeça em direção ao sofá de couro, dizendo: — Por favor, sente-se.


Eu sento e abro a minha agenda, folheando as páginas para encontrar o meu calendário, quando eu sinto os olhos dele em mim. — Por que você está me olhando assim? — pergunto ao olhar para ele, fingindo meu aborrecimento. — Onde é mesmo que alguém compra uma agenda de papel? — ele brinca. — Muitos lugares. — Eu não vejo uma dessas há anos. Você sabe que eles fazem essas coisas chamadas tablets agora. Sorrindo para sua brincadeira, eu digo: — Sim. De vez em quando eu sou capaz de sair de baixo da minha rocha para acompanhar a velocidade da tecnologia moderna, muito obrigada. Ele balança a cabeça e ri e eu observo o seu sorriso alcançar seus olhos verdes e dobrar nos cantos. — Você sequer tem um? — ele pergunta, ainda sorrindo para mim. — Não. Ele não responde, mas seu olhar firme incentiva a minha resposta ao seu tácito 'Por quê’? — Eu gosto de privacidade. Tecnologia perturba isso. Posso queimar papel e jogar as cinzas fora como se nunca tivessem existido. Indetectável. — devolvendo o sorriso malicioso para ele, eu acrescento: — Mas você? Você não acha que é tolo mostrando-se? Sendo exposto? — Isso é uma charada? Eu rio, ignorando sua pergunta conforme folheio o meu calendário e confirmo: — Você tem 31 de dezembro disponível, correto? Suspirando, ele muda e olha para o seu laptop e fala: — Sim.


— Ótimo. Bennett gosta de manter este evento pequeno, duzentas pessoas mais ou menos. A segurança é importante para ele... — Você também? — ele interrompe e eu suavizo o meu rosto, sorrio, e digo: — Sim. Eu, também. Como eu estava dizendo, os hóspedes terão que fazer check-in, sua equipe fornece essa comodidade? — Qualquer coisa que você queira. Passamos a próxima hora discutindo ideias para a configuração e programação de reuniões com alguns fornecedores para o próximo par de semanas antes de eu chamar Baldwin para me pegar. O modo bem educado de Declan cede para o lado obsceno com o jeito que ele me beija quando saio, segurando meus braços em suas mãos e arrastando seus lábios ao longo da minha bochecha antes de pressioná-los no lóbulo da minha orelha, sussurrando: — Até a próxima.


Capítulo Três Presente

D

eclan me ligou há dois

dias para confirmar o meu encontro com a florista. Ele recomendou a empresa localizada em Andersonville que seu hotel utilizava para decorar o lobby, então eu concordei. Depois de discutir o tema do baile de máscaras com Bennett esta manhã, ele me deu a luz verde, o que me deixou feliz. Posso dizer que ele sente minha falta pelo nosso telefonema - ele não foi tão rápido para desligar - mas ele vai voltar de Dubai amanhã à noite. Apesar da sua solidão, ele estava feliz por ter adquirido a unidade de produção, que se propôs a comprar da empresa quase falida por lá. O caminho para Andersonville leva mais tempo do que o normal. Os invernos em Chicago são brutais para a cidade, mas é uma brutalidade que eu gosto. Então, como eu estou no banco de trás, assisto o branco da neve atingir a janela e derreter lentamente em uma cascata em forma de garoa escorrendo pelo vidro. Chegando ao Marguerite Gardens, entro na loja rústica. Paredes de tijolos, pisos de madeira desgastados, arranjos florais extravagantes colocados em cima de mesas rústicas e ele. De pé lá, em calça cinza escuro e uma camisa azul de botão, ele se afasta da mulher com quem está conversando e sorri conforme me aproximo dele. Irritada. — O que você está fazendo aqui?


— Você chegou. — Declan anuncia calmamente com o que parece irritação e dá um beijinho na minha mão quando ele a levanta. — Eu não sabia que você se juntaria a mim. — Eu prometi ao seu marido que supervisionaria tudo para garantir que você conseguisse exatamente o que você deseja. Então aqui estou. — ele afirma, e depois abaixa a voz. — Garantindo-lhe exatamente o que você quer. — Por que você faz isso? — Faço o que? — Isso. — eu digo. — Seu flerte grosseiro. — Eu te deixo desconfortável? — Você está tentando me deixar desconfortável? Ignorando completamente a minha pergunta, ele se vira e grita: — Betty, mostre-nos o que você tem. A senhora com quem ele estava falando quando entrei, agora está atrás de uma das mesas. Declan puxa uma cadeira para mim, para eu me sentar, Betty me cumprimenta e diz: — Então, fui informada de que estamos planejando uma festa de Ano Novo. Você já tem uma ideia do que gostaria? — Acredito que estamos certos em um tema de máscaras. Eu estava inclinada para laranja escuro e branco. Betty e eu olhamos um monte de livros, tomamos notas sobre flores, e estilos de arranjos, enquanto Declan permanece quieto na cadeira ao meu lado. No final da reunião, decidimos por vários arranjos rústicos de dálias


laranja, hortelã e botões de rosa amarelos, hortênsias antiquadas, ranúnculos1 e aspidistras2. Depois de Betty se despedir, ela nos deixa a sós, pego o meu telefone para mandar uma mensagem de texto para chamar o carro, mas antes que eu possa começar a digitar, ele o tira das minhas mãos e diz: — Eu estou morrendo de fome. — É bom saber. — eu estalo - irritada - e tento agarrar o meu telefone, e ao mesmo tempo ele puxa, afastando-o do meu alcance. — Dê-me o telefone. — Almoce comigo. — Não, obrigada. — eu digo, zombando da minha educação. Toma a minha mão e me puxa para fora do meu assento conforme ele levanta, e diz: — Não era uma pergunta. Suas palavras saem cortadas, quase com raiva, então eu não sou rude com ele, quando pega meu casaco e me ajuda a colocá-lo. Eu não tenho certeza do que pensar sobre essa mudança no seu comportamento. Normalmente, ele é leve e sedutor, mas hoje ele está silencioso e inflexível. O vento gelado quase corta minha pele quando ele me leva para fora e em direção à sua Mercedes preta esportiva. É claro que ele dirigiria um carro luxuoso como este. Combina com a aparência misteriosa, sexy dele. Eu escorrego no assento de couro frio e observo quando ele contorna a frente do carro, antes de abrir a porta e entrar. — Para onde estamos indo? — pergunto. — Não conto. — ele fala isso sem linguagem corporal interpretável conforme sai do estacionamento. 1

Flores com cores vibrantes e são conhecidas devido às suas pétalas que são finas e delicadas.

2

Gênero botânico:


— Por quê? — Porque você discute muito. Sentindo-me como uma criança repreendida por causa do seu tom de voz, eu quero desafiá-lo só para irritá-lo, mas em vez disso, eu vou jogar seu jogo. Eu vou dar-lhe a cooperação que ele quer. É hora de começar a testar as águas. O caminho é curto e tranquilo, e eu estou surpresa quando ele estaciona este carro de luxo no Over Easy Cafe3. Eu não consigo nem esconder o sorriso no meu rosto com o contraste da imagem no momento em que ele estaciona na frente da lanchonete modesta. — Há alguma coisa engraçada nisso? — ele pergunta, antes de abrir a porta do carro pra sair. Viro meus olhos semicerrados para ele, e digo: — Seu humor está realmente começando a me prejudicar. Eu não sei por que você está tão irritado, mas eu gostaria que você parasse com essa merda. — antes de abrir a porta e caminhar na direção do prédio. Quando olho para trás, ele está ali com um sorriso quase orgulhoso em seu rosto. Que diabos? Eu não consigo descobrir o que esse cara quer, insolência ou obediência. Uma vez lá dentro, o lugar está ocupado com garçons limpando mesas, e pessoas conversando em voz alta enquanto comem. Somos rapidamente servidos com café, e quando eu pego o menu, Declan finalmente diz: — Eu imaginei que você não comia em um lugar como este há algum tempo, então achei melhor te trazer em algum lugar discreto. Não se preocupe; você vai gostar da comida. Peça as panquecas de mirtilo crocante. Seus olhos estão suaves, bem como a sua voz quando ele diz isso, e eu pergunto: — Por que você está sendo legal de repente?

3

Franquia de restaurante, café da manhã de Chicago.


— Eu estou parando com a merda. Aproveite enquanto dura, porque eu não sou um homem que gosta de receber ordens. E agora, eu o leio claramente. Com um sorriso, eu dou-lhe um pedaço de obediência quando digo: — Então vou querer as panquecas de mirtilo crocante. Após a nossa garçonete anotar os nossos pedidos e por fim parar de fantasiar sobre cavalgar no pênis de Declan, ela ri quando vai embora. — Você faz muito isso? — pergunto. — As mulheres alimentando o seu ego enquanto você as observa corar em sua presença. — Você sempre disseca tudo desse jeito? — Você sempre evita perguntas como essa? Inclinando os antebraços sobre a mesa, ele diz: — Não mais do que você. — Você percebe, que exceto quando estamos discutindo negócios, falamos em círculos, certo? — Ok, então. Sem círculos. Faça-me uma pergunta. — ele pede e depois toma um gole de café, esperando com olhos curiosos. Lindas esmeraldas com seus cílios escuros. Eu não posso culpar a nossa garçonete pela reação dela. Pergunto-me quantas mulheres vão para casa após conhecê-lo para foder com seus dedos ou vibradores antes dos seus maridos lamentáveis voltarem do trabalho. Limpando meus pensamentos, eu faço a pergunta mais inocente que eu posso pensar, apesar de eu já saber a resposta. — De onde você é? — Essa é a sua pergunta? — ele ri, e quando eu olho, ele engole e diz: — Edimburgo. — Escócia? — Conhece outra?


Espertinho. — Eu pensei que você ia parar com a merda e ser legal. — eu digo, quando inclino para trás e pego a minha caneca de café. — Deslize momentâneo. Minha vez. Há quanto tempo está casada? — Pouco mais de três anos. — Há quanto tempo vocês estão juntos? — Quatro anos. E foram duas perguntas. — eu censuro levemente. — Eu não sou bom para seguir regras também. — ele diz e, em seguida, continua antes de me dar uma chance de falar: — Parece um caminho rápido para o altar. — O que posso dizer? Quando Bennett quer alguma coisa, ele não perde tempo para reivindicar. Quando a nossa garçonete retorna, eu vejo como ela olha nervosamente para Declan enquanto serve a nossa comida. Eu rio e ele toma conhecimento, balançando a cabeça. — Vê o que quero dizer? — eu pergunto, depois que ela se afasta. — Isso te incomoda? — Por que me incomodaria? — eu questiono e pego o garfo para cortar um pedaço da minha panqueca. — Então, por que sequer mencionar? — Círculos, Declan. Estamos fazendo isso de novo. — eu digo e, em seguida, dou uma mordida na panqueca cheia de granola. — Ok, sem círculos. Você tem filhos? — Não. — Você quer ter filhos?


— Eu não posso ter filhos, por isso realmente não importa o que eu quero. Ele faz uma pausa, não esperava essa resposta, e então pergunta: — Por que você não pode ter filhos? — Isso não é da sua conta. — eu digo a ele e, em seguida, tomo outro gole de café. — Você o ama? Engolindo em seco, eu esclareço: — Meu marido? — Sim. Ele dá uma mordida em seus ovos, enquanto arrumo minhas costas e dou-lhe um olhar mortal. — Sua suposição de que poderia haver possibilidade de mais de uma resposta é ofensiva. Eu observo a ligeira virada para cima do canto da sua boca, e ele mantém o seu olhar por um momento antes de dizer: — Engraçado como você optou por não responder a essa pergunta, mas em vez disso, evitar. — É claro que eu o amo. Mentira. — Então, é isso? Hesito, certificando-me de que ele não tome conhecimento, e, em seguida, respondo com um simples. — Sim. — com o cuidado de garantir um ligeiro tremor na minha voz. Ele não tem nenhuma sutileza quando mantém os olhos presos em mim e eu mexo-me, ficando desconfortável, e eu estou certa de que acredita nisso no momento que muda de assunto. Passamos o resto da nossa refeição em um bate-papo ocioso sobre nada em particular, e à medida que saímos e caminhamos em direção ao seu carro, meu pé atinge um pedaço de gelo, instável, perco meu equilíbrio. As mãos de Declan estão em mim rapidamente,


quando tropeço e pouso minhas costas contra a lateral do seu carro. Ele está perto. Peito a peito. Vapores escapando-nos a cada respiração. Eu não falo ou afasto. Eu me pergunto se ele vai fazer um jogo, porque eu posso dizer que ele está pensando nisso. Mas colocar pensamentos em ação leva coragem, e eu espero que ele tenha. Em voz baixa, ele insiste: — Afaste-me agora, Nina. — como se ele estivesse me testando. Mas eu sou aquela fazendo o teste; ele só não sabe disso. Então eu respondo com: — Por quê? — Porque você ama o seu marido. Empurro minhas mãos contra ele e afasto-o de mim quando falo, irritada: — Eu o amo de verdade. Como se nada tivesse acontecido, ele abre a porta para eu entrar. Quando saímos para a rua principal, ele pergunta: — Onde você mora? — Por quê? — Porque eu vou levar você para casa. — ele diz, virando a cabeça para olhar para mim. — No Legacy. O silêncio entre nós é perceptível, e eu quero saber o que ele está pensando, mas não me atrevo a perguntar. Ele não permite que os meus pensamentos me ultrapassem quando liga o aparelho de som. Eu posso dizer que ele está usando a música para se distrair enquanto mantém os olhos focados na estrada. Estou grata pelo adiamento conforme considero os pensamentos que estão percorrendo a cabeça dele agora. Mas esta parte está fora das minhas mãos porque eu não vou forçar. A queda tem que vir da sua própria vontade. Eu sou apenas o combustível que alimenta o veículo; ele é aquele a conduzi-lo. E o destino vai até ele.


Quando ele para na frente do meu prédio, ele coloca o carro em modo Park e olha para mim. Ele não falou por todo caminho, e permanece quieto. Querendo acalmar qualquer dos maus pensamentos que ele possa ter, eu me inclino contra o assento e solto um suspiro quando viro minha cabeça para olhar para ele. Nossos olhos estão bloqueados, com as mãos ainda no volante, e então eu digo com uma voz suave, livre de quaisquer conotações: — Passei bons momentos com você. — Declan balança a cabeça, não convencido, por isso doulhe um pouco mais, persuadindo-o, acrescentando: — Eu não tenho muitos amigos. Quando digo isso, suas mãos caem lentamente para seu colo e ele vira um pouco para mim. Então, pergunta: — E quanto aquelas duas centenas de pessoas na lista de convidados para o evento que você está planejando? — Se não fosse por Bennett, essas pessoas não iriam me dar uma segunda olhada. Mas eu não ligo. — Por que não? — Porque elas não são parecidas comigo. — Como assim? Abaixo a cabeça para me concentrar em minhas mãos, não respondo imediatamente. — Diga-me, Nina. Nossos olhos se encontram quando digo, com um leve aceno de cabeça: — Eu acho que ainda estou tentando descobrir isso. — E o seu marido? — ele questiona. — Ele não sabe disso. Ele acha que eu desfruto dos almoços com as esposas dos seus amigos, quando na verdade detesto. — Então por que ao menos se incomodar?


Solto uma respiração profunda, e digo: — Porque eu quero fazer o meu marido feliz. Ele se inclina, para perto de mim, apoiando o braço no console central, e pergunta: — E quanto a você, Nina? Quem quer fazer você feliz? — Bennett me faz feliz. — afirmo, e seus olhos procuram meu rosto por indícios de desonestidade, e eu faço questão de não deixar nenhum passar. Desfaço o contato com os olhos por um segundo, com um par de piscadas rápidas. Balanço a cabeça como se estivesse tentando me convencer das minhas palavras. Dou-lhe um pequeno sorriso fraco. Eu sei que ele não acredita quando diz com uma voz suave: — Mentirosa. Ele fica confiante na sua acusação quando não nego, em vez disso, abaixo a cabeça e, em seguida, volto a olhar para fora do para-brisa. — Eu devo ir. — olho para ele, que dá um aceno de cabeça antes de eu abrir a porta e sair. Conforme caminho para as portas do saguão, ele grita: — Nina. — quando eu me viro, ele abre a janela do passageiro e me devolve as minhas palavras anteriores. — Eu passei um bom momento com você também. Eu recompenso-o com um sorriso, antes de me afastar. Quando entro, largo minha bolsa e casaco sobre a mesa da sala de jantar e chamo Baldwin para que ele saiba que peguei uma carona para casa com Declan e que não vou precisar dele pelo resto da noite. Eu, então, passo para inspecionar a cozinha e noto que há frutas frescas na geladeira que não estavam aqui essa manhã, deixando-me saber que Clara já esteve aqui e foi embora. Sabendo que mais ninguém iria ou viria, eu não perco tempo em colocar meu casaco de volta e pegar as chaves para um dos carros, antes de pegar minha bolsa e sair de novo. Quando eu saio da garagem, eu pego o meu caminho para a I-55 e começo a ir para o sul, para a única pessoa que sempre esteve lá para mim. Faz


algumas semanas desde que vi Pike pela última vez, e eu sinto falta dele. Permito-me a emoção de finalmente conseguir vê-lo, meu melhor amigo desde que eu tinha oito anos de idade. Eu saio da interestadual para a cidade de Justice antes de virar para a 79 e ir para o estacionamento de trailers. Quando vou até a casa móvel, estaciono o carro, e tiro a chave, guardando-a junto com o batom na minha bolsa. O som do carro de alguém está alto, trepidando as janelas, e quando eu abro a porta e entro, relaxo meus ombros, suspiro, e ando em linha reta para os braços de Pike. Eu absorvo seu calor, conforto e tudo o mais que só ele pode oferecer quando ele me abraça. Com os meus braços em torno dele com força, eu ofego: — Eu senti sua falta. — Faz quase três semanas. — ele diz, enquanto afasta para olhar para mim, e quando o faz, eu posso ver que ele não está feliz. — Onde diabos você esteve, Elizabeth?


Capítulo Quatro Passado

—E

lizabeth. — papai

grita do outro lado da porta do meu quarto. — Você precisa de ajuda? Eu luto contra o tecido brilhante do meu vestido de princesa, tentando encontrar a abertura da manga para empurrar meu braço completamente. — Não, papai. — eu respiro pesadamente ao torcer o meu braço, até finalmente encontrar a abertura. — Você está pronta? Vou até a minha caixa de brinquedos e pego os sapatos de salto alto de plástico rosa que combinam com meu vestido brilhante. Coloco-os e sigo adiante, até a minha porta e a abro. Olho para o meu pai, segurando um pequeno buquê de margaridas cor de rosa. — Eu nunca me canso de ver esse sorriso lindo. — ele fala antes de tomar minha mão e beijá-la. Então, me entrega as flores. — Para a minha princesa. — Obrigada, pa - quero dizer, Príncipe. — Posso entrar em seu castelo? — ele pergunta, e eu pego a sua mão, puxando-o para o meu quarto - nosso castelo de mentira esta tarde. — Você gostaria de um pouco de chá? — pergunto, à medida que caminhamos em direção à minha mesa, perto da janela, onde o meu jogo de chá está montado.


— Eu adoraria. Minha viagem ao redor do reino foi bastante longa. — eu vejo-o sentar-se na cadeira pequena e rio de como os seus joelhos alcançam seu peito. Papai e eu fazemos isso muitas vezes, temos nossas festas de chá de contos de fadas. Eu não tenho uma mãe ou quaisquer irmãos e irmãs para brincar, mas tudo bem, porque eu o tenho só para mim. Ele tem os mais belos olhos azuis, mas sempre me fala que os meus são mais bonitos. Arrumo as flores, e pego a chaleira, finjo servir-lhe uma xícara enquanto ele olha os bolos de plástico, passando o dedo por cima deles algumas vezes até que decide qual ele quer. — Papai, basta escolher um. Suas sobrancelhas arqueiam em emoção quando sua mão pousa sobre o cupcake amarelo com granulado. — Ahh, este parece delicioso. — ele diz, antes de dar sua mordida faz-de-conta e depois lambe os dedos. Eu contorço meu rosto, gritando. — Eca! Príncipes não lambem os dedos. — Eles não lambem? — Não. Eles usam guardanapos. Ele olha em volta, e diz: — Bem, eu não tenho um guardanapo, e eu não quero perder a cereja do topo dos meus dedos. Exagero pensando, batendo o dedo no meu rosto e, em seguida concordo: — Você está certo. Ok, você pode lamber os dedos. Sentamo-nos à luz do sol do meu quarto, e tomamos o nosso chá de contos de fadas, falamos sobre os cavalos voadores que vamos montar para ir para a floresta mágica. — Eu contei sobre Carnegie, a lagarta que eu conheci? — ele pergunta. — Você encontrou uma lagarta?


— A última vez que eu levei o meu cavalo para a floresta, eu encontrei uma. Ele tinha alguns frutos que compartilhou comigo e disse-me então um segredo. — ele fala calmamente, enquanto abaixa sua xícara de chá. —

O quê?!

eu

exclamo

animada. —

Você encontrou

uma

lagarta falante? — Sim. Você quer saber o que ele me disse? — Humm humm. — eu faço um zumbido, balançando a cabeça energicamente. — Bem, então, ele me disse que vivia na floresta mágica há anos, mas que ele já tinha sido um príncipe uma vez. — Sério? O que aconteceu? Ele cruza os braços por cima dos joelhos e inclina o peito contra eles, dizendo num sussurro secreto: — O feiticeiro do reino lançou um feitiço sobre ele, transformando-o em uma lagarta. — Ah, não. — eu suspiro. — Por quê? — Acontece que, o rei estava chateado porque ele disse a Carnegie para parar de fugir do seu quarto à noite para roubar caixas de suco na geladeira, então ele pediu que o feiticeiro usasse sua magia para transformá-lo em uma lagarta. — Papai! Ele tem um sorriso brincalhão no rosto. Eu sei que ele está me provocando já que está na minha cola sobre eu acordar e tomar caixas de sucos à noite. Ontem à noite ele me assustou ao acender a luz da cozinha e me pegar bebendo um suco de maçã. — Você não vai lançar um feitiço sobre mim, não é? Eu não quero ser uma lagarta. — Por que não? Eu poderia apresentá-la ao Carnegie.


— Mas eu sentiria a sua falta. — eu faço beicinho. Ele estende os braços para mim. — Venha aqui, boneca. — ele diz e sai da pequena cadeira e estica as pernas. Pegando-me em seu colo, ele envolve seus grandes braços em volta de mim e me faz rir quando beija a ponta do meu nariz. — Eu nunca lançaria um feitiço em você, que te mandasse embora. Você é a minha menininha, você sabe disso? — Eu pensei que eu era uma menina grande agora que tenho cinco anos. — Não importa o quão grande você esteja, você sempre será minha menininha. Eu te amo mais do que qualquer coisa. — Qualquer coisa? Ainda mais do que chocolate? Eu o vejo rir, um grande sorriso, surgem linhas nos cantos dos seus olhos. — Ainda mais que chocolate. Eu coloco minha mão em seu rosto, espinhoso por causa da sua barba, e digo-lhe: — Eu te amo mais do que chocolate também. Ele bica seus lábios nos meus e então pergunta: — Você quer saber o que é mais doce do que o chocolate? — Uh huh. Antes que eu possa pular fora de seu colo, ele começa a brincadeira atacando meu pescoço, me fazendo cócegas enquanto sopra framboesas e depois nos estatela no chão e começo a rolar em torno, rindo e gritando. Ele não para até que a campainha toca. Enquanto tento recuperar o fôlego de tanto rir, ele senta-se sobre os joelhos e fala: — Suba. Eu saio do chão e pulo em suas costas, levada a um passeio nas costas por todo o caminho até a porta da frente. Você já ouviu o ditado: “Cuidado com o que está do outro lado.” certo? Nenhum de nós poderia ter imaginado como a nossa vida mudaria para sempre quando ele abrisse a porta. Eu costumava pensar que gostaria que alguém lançasse um feitiço em mim, transformar-me em uma lagarta para


sempre. Então eu poderia ter tido uma boa vida, na floresta mítica com Carnegie. Passar nossos dias à procura de frutos e flutuar sem rumo nas almofadas de lírio na lagoa. Mas em vez disso, eu estava prestes a descobrir a dura verdade da vida aos cinco anos. Eles escondem a verdade de você quando é uma criança pequena, o que lhe permite acreditar que os contos de fadas são reais... mas eles não são. E nem é a magia. — Delegacia de Polícia do Condado de Cook. — é tudo que eu ouço os homens falando ao entrar em casa. Caos. Sonoro caos. — Papai! — eu grito, medo, pânico, agarro em volta do pescoço com os braços, como um vício, quando um homem me pega. — PAPAI! — Está tudo bem, baby. — eu ouço meu pai dizer enquanto o outro homem fala ao mesmo tempo. — Você está preso. Eu não sei o que essas palavras significam, e um sentimento de medo, um frio me atravessa, seguro a camisa do meu pai em minhas mãos, não querendo soltá-la. — Está tudo bem, baby. Vai ficar tudo bem. — ele continua repetindo, mas sua voz estava diferente, eu acho que ele está com medo também. — Você precisa vir comigo. — diz o homem que está me agarrando. — Não! Solte! Eu começo a chutar quando sou erguida do meu pai, que tira a camisa porque eu fico com as minhas mãos presas com tanta força ao tecido, mesmo sendo puxada. Eu vejo olhos - os olhos azuis - do meu pai, conforme ele se vira para olhar para mim. — Está tudo bem. — ele diz com calma, mas eu não acredito nele. — Não tenha medo. Está tudo bem.


— Não, papai! — eu grito e as lágrimas caem. Eu me seguro em sua camisa até que sou puxada tão longe que ela cai das minhas mãos. No momento em que eu não estou mais tocando o homem que canta para mim durante a noite, que faz tranças em meu cabelo, que dança comigo enquanto fico em cima dos seus pés, sou arrastada. Eu vejo o meu príncipe de joelhos, caído, e observo sobre o ombro do homem que está me levando embora. — PAPAI! — eu grito, minha garganta queima, eles juntam as mãos do meu pai atrás das costas com alguma coisa. Seus olhos permanecem em mim, nunca fazendo uma pausa, enquanto ele diz, mais e mais: — Eu te amo, baby. Eu te amo tanto, menina. E, pela primeira vez, eu vejo meu pai chorar, antes da porta fechar, e ele se foi. — Deixe-me ir! PAPAI! NÃO! — chutando e balançando, eu não consigo escapar deste homem segurando-me. — Está tudo bem. Calma, garota. — ele diz, mas eu não fico. Eu quero o meu pai. O homem senta na cama do meu pai, comigo ainda em seus braços, lutando. Ele continua a tentar me convencer a acalmar, mas eu grito e me debato, não vacilo até eu cansar. Meu corpo fica mole e eu sou amassada contra seu peito. — Você pode me dizer o seu nome? — ele pergunta. Eu não falo. Um momento passa e então ele diz: — Eu sou Oficial Harp. Michael Harp. Eu sou um policial. Você sabe o que é isso, não é? Eu aceno com a cabeça contra seu peito. — Você pode me dizer seu nome? Ainda assustada, minha voz arranha quando digo: — Elizabeth.


— Elizabeth. Esse é um bom nome. — ele fala. — Eu tenho uma filha cujo nome do meio é Elizabeth. Mas ela é muito mais velha do que você. Ele continua a falar, mas eu não presto atenção no que ele está dizendo. Estou com tanto medo e tudo que eu quero é o meu pai. Eu fecho meus olhos; posso vê-lo de joelhos chorando. Ele estava com medo, assim como eu. Depois de um tempo, a porta se abre e eu levanto a cabeça e vejo uma mulher gordinha andando. Eu acho que já a vi antes, mas eu não me lembro de onde. Ela se aproxima, e diz: — Seu cabelo vermelho é lindo. Alguém já lhe disse isso? — Onde está o meu pai? — Eu estou aqui para falar com você sobre isso. — ela me fala. — Você gostaria de se juntar a mim na cozinha? Podemos fazer um lanche ou algo para beber. —

Umm... O-ok.

murmuro

quando

o

policial

me

põe

no

chão. Enquanto eu sigo os dois para fora do quarto e para a cozinha, eu olho através da casa até a porta da frente, mas ninguém mais está lá. — Por que não sentamos? — a mulher diz, e eu ando até a mesa e me sento. — Você quer algo para beber? Eu aceno com a cabeça e ela fala: — Você pode me dizer o que você quer? — Suco de caixinha. Olho para o policial, ele abre a porta para a despensa, e eu digo: — Estão na geladeira. Ele caminha, mostra o canudo, e coloca-o na minha frente antes de sair da sala. — Dia confuso, não é? — ela fala enquanto dobra as mãos em cima da mesa. — Qual o seu nome?


— Barbara. — ela responde, mas isso não me faz lembrar de onde a conheço. — Quando o meu pai vai voltar? Ela toma uma respiração profunda e, em seguida, me diz: — É sobre isso que eu gostaria de falar com você. Seu pai quebrou algumas regras muito grandes e, assim, quando você quebra uma regra, o que normalmente acontece? — Eu fico em apuros. Ela acena com a cabeça e continua: — Bem, seu pai está com problemas, e ele não vai conseguir voltar para casa agora. — O que ele fez? — Eu não tenho certeza ainda. Mas, por agora, você virá comigo. Eu trabalho para o Departamento de Crianças e Serviços Familiares, o que significa que eu vou encontrar uma casa com pessoas muito agradáveis com quem você vai ficar enquanto seu pai está em apuros e não pode estar aqui com você, ok? — M-Mas, eu não quero ir embora. — Infelizmente, eu não posso deixar você ficar aqui sozinha. Mas você pode trazer algumas das suas coisas com você. O que acha? — ela fala isso com um sorriso, mas não ajuda o frio do meu estômago. Silenciosamente, eu escorrego da cadeira e começo a caminhar para o meu quarto. Vou até o jogo de chá que está sobre a mesa e pego as margaridas. Minhas flores de princesa. Sento-me na cadeira que ele estava e olho por cima do ombro e vejo Barbara entrando na sala. — Você tem uma mala? Eu aponto para o armário e vejo como ela começa a mexer na minha cômoda, arrumando minhas roupas. Ela anda por lá, indo e voltando entre o meu quarto e o banheiro, enquanto agarro as flores e trago para o meu peito.


— Você está pronta para ir? — ela pergunta quando volta para o quarto, mas eu não quero olhar para ela, porque eu não quero ir. Olhando para fora da janela e para o céu azul, eu pergunto: — Quando posso voltar? — Eu não tenho certeza. — ela responde. — Provavelmente não por um tempo. Com o canto do meu olho, eu vejo-a se movimentar através do quarto e ajoelhar ao meu lado. Quando me viro para olhar para ela, ela diz: — Não se preocupe. Tudo vai ficar bem. — ela olha para as margaridas. — Essas flores são bonitas. Você quer trazê-las com você? Saímos de casa, vamos para o carro e eu salto para dentro no banco de trás. Quando eu olho para fora da janela, vejo o policial fechando a porta da frente da minha casa e colocar uma espécie de caixa preta na maçaneta da porta. — O que é isso? — pergunto para Barbara, que está sentada na frente. — O que é o que, querida? — Essa coisa que ele coloca na porta. Ela olha para ver o que eu estou falando e responde: — É apenas um bloqueio, uma vez que não temos as chaves. — e, em seguida, começa a dirigir para longe, enquanto eu seguro firmemente minhas flores.


Capítulo Cinco Passado

J

á se passaram três anos

que fui tirada da minha casa e colocada em um orfanato. Três anos desde que eu vi o meu pai. Disseram-me que ele traficava armas para a América do Sul. Eu ainda não entendo nada, mas, novamente, eu sou apenas uma garota de oito anos de idade. Em custódia do estado de Illinois. Três anos e eu sinto falta do meu pai todos os dias. Ninguém vai me levar para vê-lo, pois ele está a mais de seis horas de distância, cumprindo a sua pena de nove anos em Menard Prison. Sento-me no meu quarto e espero minha assistente social, Barbara, me buscar para me levar para a minha nova casa. Três anos e eu estou deixando a minha quinta casa para ir à sexta. O primeiro lugar que eu fui era na mesma cidade de Northbrook, onde eu morava. Mas depois de ser pega saindo pela janela do meu quarto algumas vezes durante a noite, eles disseram que não me queriam, e então eu os deixei. A mesma coisa aconteceu em cada casa que eu morei. No começo eu ficava com medo. Chorava muito. Eu sentia falta do meu pai e gritava por ele, mas ele nunca vinha. Eu não entendia na época, mas agora entendo. Eu não vou conseguir vê-lo até que ele saia. Eu vou ter 14 anos de idade. Quatorze é o meu novo número da sorte. Eu conto tudo em grupos de catorze só para me lembrar de que virá o tempo em que possa vê-lo novamente e poderemos voltar a nossa vida juntos em nossa casa e vizinhança agradáveis. Eu sinto falta do seu sorriso e do jeito que ele cheirava. Eu não posso explicar isso, mas às vezes quando estava na pré-escola, eu posso lembrar vagamente, de


levantar a camisa para inalar o cheiro dele quando estava sentindo sua falta. O cheiro do meu pai. Conforto. Casa. Quando ouço a campainha tocar, eu sei que é a hora. Eu já passei por várias trocas de casa antes. Você pensaria que eu estaria com medo, mas estou acostumada com isso agora. Então pego minhas malas e vou para a porta da frente. Barbara está lá falando com Molly, a mãe adotiva que não quer mais lidar comigo. Ambas se viram quando me aproximo e falam um oi. — Você está pronta, Elizabeth? — Barbara pergunta. Balançando a cabeça, eu passo por Molly quando ela coloca a mão no meu ombro, dizendo: — Espere. Ela se ajoelha para me dar um abraço, mas eu não o devolvo. Estou triste, mas eu não choro; só a deixo, então quando ela me libera para ir, é isso o que eu faço. Eu me sento no banco do passageiro, observando os edifícios passarem enquanto Barbara dirige, ela se vira para mim, abaixa o rádio e diz: — Fale comigo, criança. Eu odeio quando ela me chama de criança, como se eu não fosse especial o suficiente para ela usar o meu nome. Ela só o usa quando há outras pessoas ao redor, mas sozinha, eu sou criança. — O que você quer falar? — pergunto. — Eu encontrei cinco boas casas para você, e você conseguiu ser chutada para fora de cada uma delas. Você me mantém ocupada, sabe disso? Eu não tenho certeza se ela realmente quer uma resposta, então fico quieta antes dela acrescentar: — Você não pode continuar esgueirando à noite. O que diabos você está fazendo nas ruas no meio da noite, afinal?


— Nada. — murmuro só para dizer algo para apaziguá-la. A verdade é que eu comecei a esgueirar-me para ver se eu poderia encontrar Carnegie. Soa estúpido agora, mas quando eu tinha cinco anos, eu pensei que ele estaria lá, esperando por mim para encontrá-lo. Assim, fugia e andava por aí, na esperança de topar com a floresta mágica. Isso nunca aconteceu, e agora eu sou velha o suficiente para saber que contos de fadas não são reais, mas eu ainda esgueirome e olho para a floresta de qualquer maneira. — Bem, ouça, eu não consegui encontrar uma casa para colocá-la por aqui, então você irá para uma cidade diferente. Você não vai me ver mais, uma vez que eu não moro lá. Ainda vou lidar com seu caso, mas Lucia será o seu contato. Ela deve fazer uma visita para você no final dessa semana. Mas um conselho, se não parar de causar problemas a sua próxima parada será a casa do grupo. — Então eu não vou te ver de novo? Ela olha para mim, dizendo: — Provavelmente não, criança. Nós ficamos no carro por quase duas horas quando finalmente saímos da rodovia. — Bem-vinda à Posen. — diz Barbara, não mais de alguns de minutos depois, ela entra para um bairro degradado. Cercas de arame correm ao lado das calçadas rachadas. As casas são antigas e pequenas, ao contrário da grande casa de tijolos que morava com meu pai. A maioria dessas casas tem carros estacionados em seus gramados descuidados, pintura lascada, e tudo que vejo me deixa em uma poça de lágrimas. Meu estômago torce, e dirijo-me a Barbara, dizendo: — Eu acho que não quero viver aqui, Barb. — Deveria ter pensado nisso quando eu lhe disse para parar de esgueirarse à noite. — Eu prometo. Eu não vou fazer isso de novo. Eu vou pedir desculpas à Molly. — eu imploro, e quando ela estaciona em uma casa velha, suja, de dois


andares, que parece que mal está em pé, eu começo a chorar. — Por Favor. Eu não quero viver aqui. Eu quero ir para casa. Ela vira o carro e olha para mim. Eu sinto que faria qualquer coisa para convencê-la a virar o carro e me levar de volta para Northbrook. — Estou em um dilema. Você tem oito anos com uma história de origem instável. Agora, essa família tem adotado por anos. Eles estão atualmente adotando um menino um pouco mais velho do que você. — ela me diz. — Eu conversei com eles apenas no outro dia. Você vai ter o seu próprio quarto e vai para a mesma escola que o outro garoto adotivo deles. Eu mantenho minha boca fechada e ouço. Eu não quero ficar aqui. Eu quero correr, apenas abrir a porta do carro e correr o mais rápido que eu puder. Gostaria de saber se ela conseguiria me pegar. — Você está ouvindo? — ela pergunta e reorienta a minha atenção de volta para ela. Eu aceno com a cabeça. — Venha. Eu tenho uma longa viagem de volta. — ela fala, enquanto sai do carro e abre a porta de trás para pegar minhas malas. Com a mão trêmula, abro a porta e a sigo ao longo da calçada que resiste aos degraus que levam até a porta da frente. A porta de tela enferrujada guincha mais alto conforme abre e bate algumas vezes. Eu fico lá, mexendo nas minhas unhas, rezando a Deus para que ninguém abra a porta. Que tudo isso seja um grande erro e estejamos na casa errada. Mas não é um erro, e alguém atende a porta. Uma mulher, vestida com uma saia jeans longa e um suéter roxo claro, abre a porta. Encaro-a quando Barbara começa a falar. A mulher não parece assustadora, mas ainda sinto-me com gazes. Ela olha para mim e me dá um sorriso suave. Seu rabo de cavalo maltrapilho está tentando domar os cabelos crespos longos e castanhos. Dando um passo ao lado, ela nos convida, e o lugar cheira a fumaça de cigarro. Enquanto ela nos leva através da pequena sala de estar e de volta para a


cozinha, as duas continuam a falar conforme observo tudo. Paredes com painéis de madeira, tapete marrom, móveis incompatíveis, e patos em toda parte. Em todos os lugares. Patos em travesseiros, patos de madeira, patos de cerâmica, patos de vidro. Eles enchem as prateleiras de livros, cobrem as mesas, e quando eu olho para cima, eles estão até mesmo nos armários da cozinha. — Elizabeth. Leva-me um segundo para perceber que Barbara está dizendo meu nome, e quando olho, ela me dá um dos seus sorrisos falsos e diz: — Sra. Garrison diz que seu quarto é lá em cima. — Espero que você goste de roxo. — a mulher diz para mim quando eu olho para seu top roxo e depois de volta até seu rosto, e ela diz: — Você é a primeira garota que temos, então eu perdi um pouco o controle. Barbara me dá um olhar irritado, balançando a cabeça para me incentivar a falar. — Sim. — eu finalmente digo. — Roxo está bom. Ela sorri e coloca a mão sobre a minha. Quero arrebatá-la, mas não faço isso. Eu não faço qualquer coisa que minha mente está gritando que eu deveria. Eu apenas concordo. — Bem, então, por que não a ajudo a subir com suas malas antes de eu ir? — Barbara fala. Nós três subimos as escadas, que rangem sob nossos pés, para o quarto roxo. As paredes combinam com a roupa da senhora Garrison, e eu vejo quando ela me mostra o armário e, em seguida, o banheiro Jack-e-Jill4 que une ao outro quarto. — Este parece ser um quarto grande, hein? — Barbara diz quando coloca minhas malas em cima da cama de solteiro roxa.

4

Banheiro com duas portas, normalmente acessível para dois quartos.


— Mmm hmm. — Bem, eu tenho que voltar para a estrada. — ela me diz, e quando o faz, eu sinto as lágrimas atingirem meu rosto. De repente, eu nunca me senti mais sozinha. Vazia. — Não há necessidade de chorar. Você vai ficar bem. Eu sei que a mudança pode ser difícil, mas você vai ficar bem. Como eu disse, Lucia vai encontrá-la aqui em poucos dias, ok? — Ok. — é uma resposta automática, porque eu estou longe de estar concordando. Com um tapinha leve no meu ombro, Barbara me deixa para trás, em pé no quarto roxo com a Senhora pato. — Você gostaria que eu ajudasse a desembalar, querida? — ela pergunta. — Eu faço isso. — Está com fome? Eu poderia fazer-lhe um sanduíche. Eu olho para ela, através das lágrimas restantes nos meus olhos e aceno com a cabeça. — Ótimo. Nós normalmente sempre comemos na mesa da cozinha, mas trago para você, se você quiser. — Tudo bem. — eu digo e começo a desarrumar as minhas malas. — Elizabeth. — ela chama do corredor, em frente ao quarto. — Eu espero que você goste daqui. Carl, meu marido, trabalhou duro pintando este espaço para você. Ele saiu para fazer algumas coisas, mas deve estar em casa em breve. Quando eu não respondo, ela pede licença e desce, deixando-me sozinha para desfazer as malas. Ao lado da cama há uma pequena janela que tem vista para frente da casa. Todas as casas são iguais, exceto as várias cores da pintura. Tudo parece deteriorado aqui.


Eu gasto o meu tempo arrumando as minhas roupas e, eventualmente como o sanduíche de manteiga de amendoim que Bobbi me trouxe. Ela me disse para chamá-la assim, em vez de Senhora Garrison. Além de uma pequena cômoda, escrivaninha, e quadro de avisos, o quarto é bastante nu. Quando entro no banheiro, o balcão da pia já está ocupado com coisas do outro menino. Eu me pergunto se ele é como eu, quantos anos ele tem, e se ele é legal. Eu sinto que preciso de um amigo mais do que nunca agora. Eu estou tão longe de casa e tão sozinha. Um estrondo forte do lado de fora chama a minha atenção, e eu corro para olhar pela janela. Uma caminhonete velha, cinza estaciona na entrada de automóveis. Eu vejo quando um cara gordo mais velho sai do banco do motorista e começa a caminhar na direção da casa. Em seguida, o rapaz sai, mas eu não posso ver como ele é sob seu boné de beisebol. Eu fico no meu quarto e os ouço caminhar, falar uns com os outros, e então eu ouço o ranger das escadas. Bobbi é a primeira que eu vejo, seguida por seu marido. — Elizabeth, como está indo a arrumação? — ela pergunta. — Bem. — eu digo, enquanto olho para o homem. Ele tem uma grande barriga, manchas em sua camisa e cabelo longo, embaraçado. — Isso é bom. Este é Carl, o meu marido. — ela apresenta. — Elizabeth, não é? — ele pergunta. Aceno com a cabeça. — Você se acomodou bem? Aceno com a cabeça. — Você não fala muito, não é? Sentindo como se precisasse dizer alguma coisa, eu murmuro. — Eu só estou cansada.


— Bem, então vou deixá-la. — ele fala. — Fico feliz em ter você aqui. Bobbi sorri quando Carl sai e depois ela me pergunta como estou passando e se eu preciso de alguma coisa, minto e garanto-lhe que estou bem. Ela fecha a porta atrás dela e, assim que faz isso, eu vejo a luz do outro quarto pela fresta do banheiro. Eu observo, e quando vejo o menino com o boné de beisebol, ele se vira para olhar para mim. — Oi. — ele diz, de pé no seu lado do banheiro. — Oi. Tira o boné, atira-o na sua cama e corre a mão por seu cabelo suado, marrom escuro quase preto. Em seguida, ele percorre o banheiro e para no meu quarto, olhando ao redor. — Essa cor é revoltante. — ele fala, dando-me o meu primeiro sorriso verdadeiro em um longo tempo. — Eu menti. — digo a ele. — Eu disse a ela que gosto de roxo, mas não gosto. — Você está no sistema há muito tempo? — Três anos. — Nove para mim. Eu estou aqui apenas há algumas semanas. — Eles são bons? — pergunto. Ele senta na cama ao meu lado, e tem cheiro de fumaça de cigarro e sabão. — Bobbi não fica muito por aqui. Ela acabou de voltar da cidade de alguma feira de artesanato que ela fez. — Feira de artesanato? — Sim, ela faz estatuetas de patos de madeira e lixo para vender em feiras, mercados de pulga, e merdas, então ela sai muito. Carl trabalha na


oficina mecânica na estrada abaixo. — ele faz uma pausa e, em seguida, acrescenta: — Ele bebe muito. Eu não digo nada, e nós nos sentamos em silêncio por um momento antes de ele perguntar: — Quantos anos você tem? — Oito. Você? — Onze. Quase doze. Nome? — Elizabeth. — Você está assustada, Elizabeth? Olhando para ele, eu puxo meus joelhos no meu peito, meus braços em volta deles, e aceno com a cabeça, sussurrando: — Sim. — Vai ficar tudo bem. Prometo. Eu vejo quando a sugestão de um sorriso cruza seu rosto e algo sobre ele me diz que posso acreditar nele. — Sou Pike, por sinal.


Capítulo Seis Presente

—O

nde diabos você

esteve, Elizabeth? — Sinto muito. — eu digo quando Pike afrouxa seu aperto sobre mim. — Eu não tenho conseguido sair, mas eu estou aqui agora. Pike dá um passo para trás, passando uma mão pelo cabelo grosso, áspero, escuro e libera uma respiração áspera através do seu nariz. — Pike, vamos lá. Não faça eu me arrepender de vir aqui. Eu só tenho hoje à noite antes de Bennett voltar para casa. — Eu só estou cansado de viver nesta espelunca enquanto você está vivendo sua vida preciosa naquela porra de cobertura. Já faz mais de três anos. — ele implica e depois cai de volta no sofá. Olho para ele, e tento acalmar sua irritação: — Eu sei. Desculpe-me, mas você sabia que seria assim. Você sabia que isso não funcionaria se movêssemos rápido. — Você está ao menos trabalhando nisso, Elizabeth? Porque pelo que estou vendo, parece que você ficou bastante confortável em sua nova vida. — Não seja um idiota, Pike. — eu digo, levantando a voz para ele. — Você me conhece melhor do que isso. Você sabe que eu odeio esse idiota com tudo o que sou.


Ele se inclina para frente, apoiando os cotovelos sobre os joelhos, com a cabeça caída. Passando por ele, sento-me no sofá e começo a esfregar seu ombro endurecido, músculos tensos por causa da frustração. — Eu sinto muito. — ele diz calmamente, e senta-se para trás, puxandome com ele e me segurando. Preciso do contato, preciso do seu toque. Eu sempre precisei, então eu me demoro nisso por um momento, com o meu braço pendurado na cintura dele. Eu odeio ficar longe dele, mas sei que ele odeia mais. Eu não o culpo. Este é o lugar mais ferrado que ele já viveu, mas ele está pagando por fora ao proprietário deste reboque para manter-se fora das grades. Ele ainda está batalhando para sobreviver, e aqui estou eu, deitada em seus braços vestindo um casaco Hermés maldito que provavelmente custa mais do que essa porcaria de buraco em que ele vive. — Está tudo bem. — asseguro-lhe. — Sinto muito que você esteja preso aqui, mas não vai ser para sempre. — Estou começando a me perguntar se será. Eu balanço minhas pernas em seu colo para que ele possa me embalar em seu peito, e quando fico confortável nesta nova posição, digo-lhe: — Eu conheci alguém. — Sim? — Sim. Acho que ele está interessado. — Você disse isso sobre os outros. O que faz você pensar que este é diferente? — ele questiona. — Eu não sei o que ele é, mas vale uma tentativa, certo? Ele não responde, e quando eu inclino a cabeça para trás, para olhar para ele, ele fixa os olhos nos meus. — Eu não vou desistir. — eu digo. — Eu preciso que você saiba disso. Eu vou fazer o que for preciso para conseguir aquele novo começo para nós.


Ele me beija, deslizando a mão por trás de minha cabeça para me segurar perto. O gosto familiar dos seus cigarros de cravo me conforta do jeito que um cobertor para uma criança. Ele é o meu conforto. Eu dependo dele desde que eu era uma garotinha. Ele me protegeu como uma criança de oito anos e continua, mesmo que eu seja agora uma mulher de vinte e oito anos. O calor da sua língua áspera desliza ao longo da minha, devagar, quando ele se afasta, terminando o nosso beijo. — Então, quem é o desgraçado infeliz? — O nome dele é Declan McKinnon. Bennett e eu estávamos em um evento quando o conheci. — Que tipo de evento? — ele pergunta. — Foi a inauguração do hotel dele. Ele deu uma festa vistosa com todos os nomes certos participando. — digo a ele. — Eu não sei muito sobre ele, mas sei que seu pai é um desenvolvedor e tem uma longa cadeia de hotéis de alto padrão por trás do seu nome. Eu não tenho certeza de quantos Declan têm em suas mãos, mais que um com certeza. — Ele parece muito alto perfil. — ele fala quando me tira do seu colo e vai para a cozinha. — Cerveja? — Sim. Ele aparece em seguida, destampa, me entrega uma garrafa e se senta novamente ao meu lado. — Eu sei que ele não é a escolha ideal, e eu nem ia mexer com ele, mas ele está trabalhando comigo em um evento e nós estamos passando muito tempo juntos. Eu não sei... — tomo um gole da minha cerveja e, em seguida acrescento:— Só o tempo vai dizer, mas eu já posso ver a intriga. Mas acabei de conhecer, então eu ainda estou tentando entendê-lo. — E o que você acha?


— Eu acho que ele é o tipo de cara que gosta de ter controle. Mas, ao mesmo tempo, ele parece se divertir quando sou sarcástica com ele. Eu já plantei a semente que sou uma pessoa que pode precisar ser salva. — eu rio com a lembrança de estar em seu carro apenas algumas horas atrás. — Eu tenho certeza que ele comprou. Tolo estúpido. — Ele não tocou em você ainda? — ele interrompe. — Não, Pike. Eu conheço o cara há uma semana; você sabe que eu não funciono dessa maneira. Homens gostam de perseguir, então vou fazê-lo me perseguir até que ele não consiga resistir. — Você acha que ele poderia se apaixonar por você? — Eu estou esperando que ele se apaixone. — digo a ele. — Eu também. Estou farto de viver assim, querida. Você não tem ideia. — ele fala enquanto aperta meu rosto em suas mãos e olha-me. — Saber que aquele fodido coloca as mãos em você... — Eu não sinto. — Não minta para mim. — Eu não estou. — eu digo, mas estou. Eu me empenho muito para não sentir as mãos de Bennett em mim. Eu me esforço para protelar qualquer orgasmo com ele, e eu me odeio quando meu corpo não é forte o suficiente para combater isso e ele me faz gozar. Isso acontece de vez em quando e a bile que sobe é um lembrete ardente da fraqueza que ainda vive dentro de mim. A fraqueza que eu continuo a tentar aniquilar, mas Pike ficaria chateado se soubesse, então eu minto, permitindo-o a acreditar que apenas ele tem essa parte minha. Seus olhos entreabertos estão me dizendo que ele me quer no momento. — Diga-me que você o odeia, Elizabeth. — ele range e rasteja para cima de mim, empurrando minhas costas no sofá. — Eu o odeio.


Com um grunhido próximo, ele trava sua boca com a minha, e a cerveja desliza da minha mão, fazendo barulho contra o chão. Sua língua invade minha boca, suas mãos agarram forte o meu cabelo, seu corpo pressionado duramente contra o meu. Ele toma conta de mim, moendo seu pau duro entre as minhas pernas eu começo a mexer com os botões da calça jeans. Uma vez desabotoados, eu os empurro, além dos seus quadris, e ele puxa a minha para baixo também. Nós nos movemos rapidamente e sem cuidado. Ele senta-se para trás e empurra as calças para fora de uma das minhas pernas. — Mostre-me seus peitos. — ele exige, olhando para mim. Eu tiro minha blusa e desabotoo meu sutiã, jogando-o para o lado, e as suas mãos ásperas rapidamente estão em cima deles. Ele então agarra seu pau e se masturba, enquanto torce um dos meus seios entre seus dedos, enviando uma onda de choque direto para a minha barriga. — Você quer que eu leve embora? — Sim. — eu respiro. — Diga. Diga-me que você precisa de mim para levá-lo embora. Ele continua seu ataque torturante em meu seio antes de liberar e se mudar para o outro. Pike sabe que eu preciso dele para adormecer. Ele sempre me permitiu usá-lo. Para atenuar a dor. Entorpecer o passado. Entorpecer o presente. Foder Pike é o meu narcótico pessoal, e eu estou muito atrasada para uma dose. As palavras são próximas à agonia, quando dou-lhe o que ele gosta de ouvir: — Você é o único que pode fazer isso ir embora, Pike. Ele abaixa a cabeça, sugando o bico maltratado com a boca. — Ohh, Deus, Pike. Foda-me. Basta fazer isso. — eu imploro. Ele rasga rapidamente sua camisa, revelando a tatuagem larga sobre o peito e os braços, antes de afastar a minha calcinha para o lado e empurrar para dentro de mim. Uma transgressão volátil quando os sons da nossa carne batendo enchem a sala. Eu agarro a sua bunda, incitando-o a vir mais forte, e ele vem, batendo em mim.


Fechando os olhos, eu afasto para onde nada existe, exceto o prazer que se acumula no interior. Os grunhidos carnais dele aquecem a minha orelha com a respiração enquanto enterra a cabeça na curva do meu pescoço. Nós fodemos sujo, como animais. O tecido da calça jeans que está abaixo da sua bunda, irrita a parte de trás das minhas coxas, enquanto moemos um no outro, minha bunda fora do sofá conforme encontro com suas estocadas com as minhas. Insaciável. Ele agarra meu quadril e senta sobre os joelhos, levando minha boceta até ele quando começa a bater em mim em um ritmo brutal. — Porra, Pike. — eu ofego, levanto ambos os braços sobre a cabeça e agarro o braço do sofá. O inchaço do seu pau dentro de mim quando ele aproxima, causa uma erupção de fogo, chamuscando o caminho através das minhas veias conforme ele me faz gozar. Eu gozo rígida, tensa, para tirar o máximo proveito do orgasmo, moendo meu clitóris contra sua pélvis. Poucos segundos depois, ele bate em mim e acalma, soltando um silvo gutural, enquanto atira seu mal tranquilizante para dentro de mim. Seu peito suado desmorona em cima do meu, nossas respirações saindo pesadas, e eu estou em paz. Pelo tempo que mantenho meus olhos fechados, então não tenho que ver o meu melhor amigo que acabei de usar, eu fico bem. Pike me dá um poder doentio que eu almejo. O poder para assumir o controle, mesmo que por um momento. Uso-o para me limpar da podridão que me contamina. E ele sabe que é o único que pode fazer isso. A única pessoa que pode levar embora, fazer do meu corpo um túmulo. Mas agora, conforme ele desliza seu pau amolecido para fora de mim, o seu líquido quente correndo entre as minhas coxas quando me sento, eu sou banhada em degradação, e ele sabe disso. É sempre a mesma coisa. Ele me puxa para seus braços enquanto senta de volta, depois de puxar as calças para cima. Com a mão esfregando minhas costas, eu engulo em seco para tentar controlar os sentimentos de vergonha.


— Por que você ainda se sente assim? — ele pergunta, mesmo sabendo muito bem. Eu não respondo. Ele está acostumado com o meu silêncio depois de ter relações sexuais. O que eu poderia dizer que ele ainda não saiba? O negócio é o seguinte, eu sei que Pike me ama de uma maneira que não correspondo. Ele é meu irmão e meu melhor amigo. Mas, para ele, eu sou mais. Ele nunca veio a público e disse isso, mas eu sei de qualquer maneira. Isso não o impede de foder outras meninas, mas eu sei que ele precisa disso. Pike tem uma coisa com o sexo; ele gosta muito dele. Mais do que a média das pessoas gostaria de assumir. Isso nunca me incomodou, uma vez que não vejo o sexo de forma muito diferente do que seria um papel higiênico. Use-o para limpar a mancha de merda da vida, e quando você se sentir limpo, enxágue e vá embora. — Você não precisa se sentir assim. Eu não me importo que você me use desta forma. Eu amo você, então você pode aproveitar. Se isso faz você se sentir melhor, basta fazer. — ele diz. — Eu prefiro que você deixe-me fazer isso por você do que permitir outra pessoa. Suas palavras pioram ainda mais, então eu afasto e movo para deslizar minha perna de volta nas minhas calças. Ele observa enquanto pego o resto das minhas roupas e caminho até o banheiro. Depois de me limpar e colocar as minhas roupas de volta, eu saio para ver Pike limpando a cerveja que derramei por todo o chão. — Desculpe. — eu digo, fico lá, e quando ele passa por mim para jogar fora o maço de toalhas de papel, ele responde: — Eu não me importo com a cerveja. — Sinto muito por mais do que apenas a cerveja. — digo a ele. — Eu gostaria de poder lhe dar mais dinheiro. — Eu sabia no que estava me metendo. Nós dois sabíamos. É muito arriscado, por isso, apenas ignore minha besteira. — ele diz, enquanto caminha de volta para o sofá e acena para eu me sentar ao lado dele. Ele pega um cigarro e acende-o, dando uma longa tragada e, então acrescenta: — Eu apenas senti a


sua falta. — e a fumaça deriva da sua boca, formando uma nuvem de vapor na frente do seu rosto. — Quando você vai conseguir voltar aqui de novo? — Com mais frequência depois do Ano Novo. Bennett tem uma agenda de viagens ocupada, e eu tenho certeza que vai estar ainda mais ocupado do que agora. — Por que isso? — Ele acabou de comprar outra unidade de produção no início desta semana em Dubai, então imagino que ele vai voltar para supervisionar o novo equipamento no lugar e colocá-lo em funcionamento. — eu explico. — Isso é bom para nós. — ele ri e eu me junto a ele. — Exatamente os meus pensamentos. — eu digo através de um sorriso largo, que eu deixo esmorecer para perguntar: — Como você está? — Você sabe como é. Nada mudou para mim. — ele me diz. Pike sempre encontrou uma maneira de se virar, dando pequenos golpes e tal. Mas ele faz a maioria

do

seu

dinheiro

vendendo

drogas. Eu

costumava

vender

também. Quando saímos do sistema, vivemos com um dos seus amigos para quem Pike trabalhava, traficando drogas. Pike era o intermediário, colocando-se na rua para vender o produto e conseguia uma boa quantidade de dinheiro fazendo isso. — Você precisa de alguma coisa? — Que você coloque a cabeça no lugar com isso. — Eu tenho a minha cabeça no lugar, Pike. — eu odeio quando ele fala assim comigo. Como se eu não soubesse o que diabos estou fazendo, quando sou aquela dando o maior golpe aqui, colocando suas habilidades no esgoto. — Meu foco nunca vacilou. Mas eu preciso que você confie em mim. Eu sei o que estou fazendo. — Apenas tenha cuidado. Mãos limpas, lembra?


Concordo com a cabeça e, em seguida, pego o controle remoto para ligar a TV. Passamos as próximas horas matando tempo, como costumávamos fazer, mas antes que fique muito tarde, eu sei que eu tenho que sair e voltar para a cidade. — Com os feriados chegando, não fique louco se eu não conseguir fugir, ok? Vou tentar, mas até janeiro, vai ser difícil. — Eu entendo. Não faça nada estúpido para tentar vir me ver. — ele fala, levantando-se para caminhar até a porta. Eu pego meu casaco e coloco-o, em seguida, viro para dar-lhe um longo abraço. É difícil deixá-lo, sabendo que ele está aqui nessa merda de buraco. Ele é a única família que tenho e não ter nenhum contato com ele é assustador para mim, uma vez que sei o quão facilmente a família pode ser levada embora. Assim, com o meu rosto pressionado contra o seu peito, eu absorvo o cheiro dele e me seguro nele, enquanto ele corre os dedos de ambas as mãos pelo meu cabelo, para o meu rosto. Segurando meu queixo, ele me puxa para olhar para ele. Seus olhos castanhos estão intensos quando ele pergunta. — Dura como o aço? — Sim. — eu respiro. Ele me ensinou, em tenra idade, como viver sem emoções. Como embrulhar meu coração em uma gaiola de aço, sempre me dizendo que ninguém pode feri-lo se você não puder sentir. Então, eu não sinto. Além de Pike, não há ninguém a quem vou dar isso, porque as emoções são o que deixam as pessoas fracas. E eu não posso me dar ao luxo de cometer esse deslize. O coração é uma arma - uma arma de autoinfligir - que se não for devidamente treinada, pode destruir uma pessoa.


Capítulo Sete Presente

E

u

observo

como

Bennett se move ao redor do quarto, vestido em seu terno de três peças para ir para o escritório durante o dia. Ele chegou tarde algumas noites atrás, e como eu presumi, sua agenda está repleta de viagens após a compra que ele acabou de fazer. Mesmo que ele esteja em casa agora, está morando no escritório antes de viajar novamente no final desta semana. O ar frio está me pegando, e eu afundo na cama, ainda mais sob as cobertas. — Você precisa que eu ajuste o termostato? — Bennett me pergunta ao se aproximar do meu lado da cama. — Você não está com frio? Ele senta-se no colchão ao meu lado, se inclina para beijar meu nariz, e então sorri. — O que? — eu pergunto quando ele se afasta. — Seu nariz está frio. Venha aqui. Sento-me, e ele me envolve em seus braços, na tentativa de me aquecer. Deslizo meus braços em volta da sua cintura, sob o paletó, e enrolo nele.


— Eu senti falta disso. — eu suspiro. — Ter você – aqui - comigo. — Eu sei. Senti falta também. — diz ele, movendo-se para trás para olhar nos meus olhos. — Você sempre pode vir comigo, sabe? Não tem que ficar sozinha. — Eu sei, mas Declan já agendou compromissos com fornecedores para a festa. Eu estarei ocupada nas próximas semanas. — Como é que foi a sua visita com a florista no outro dia? — ele pergunta. Passando minha mão ao longo da sua gravata de seda, digo-lhe: — Correu tudo bem. Acho que escolhemos quase tudo. — Bom. Ele penteia meu cabelo com os dedos e se inclina para me beijar. Lento e suave, aproveitando o seu tempo. Bennett tende a ser excessivamente carinhoso depois que retorna de uma viagem, e eu nunca nego-o, então eu fico de joelhos e mantenho seu rosto em minhas mãos. Quando ele agarra meus quadris, arrebatando o cetim da minha camisola, eu tomo a sua boca, incitando-o a continuar. Ele me puxa, para o seu colo, e seu pau endurecendo me pressiona, conforme moo meus quadris contra ele. — Deus, baby. Eu não me canso de você. — ele murmura contra o meu pescoço, entre seus beijos suaves. — Você me quer? — Eu sempre quero você. — ele me diz. — Mas você vai me atrasar. Eu tenho uma reunião. Sorrindo para ele, eu digo: — Eu vou ser rápida. — antes de deslizar para fora do seu colo e ajoelhar no chão, ao lado da cama. Rapidamente trabalho com as minhas mãos, desabotoo sua calça e abaixo. E quando ele senta na borda da cama, eu envolvo meus lábios no seu pau e chupo conforme ele geme meu nome.


Depois de completamente satisfeito, ele me beija profundamente quando levo-o até a porta antes que ele saia. — Eu odeio ter que sair quando tudo que eu quero é fazer amor com você o dia todo. O toque do meu celular nos interrompe, e ele espera enquanto eu pego-o do balcão da cozinha e atendo. — Olá? — Nina, é Declan. — Oi. — Eu estava pensando se você poderia passar pelo hotel mais tarde hoje. Betty, da Marguerite Gardens, vai fazer entrega de alguns arranjos para que você olhe. — ele diz. — Hum... certeza. Isso não deve ser um problema de jeito nenhum. Que horas seria bom? — Eles devem ser entregues até o meio-dia. — Ok, passo aí mais tarde, então. — eu digo a ele, antes de desligar. — Quem era? — Bennett pergunta quando ando de volta para ele. — Declan. A florista vai enviar mais alguns arranjos de amostra para eu olhar mais tarde hoje, então eu pego um dos carros para ir ao hotel se Baldwin for com você. — Tem certeza? Levanto na ponta dos pés, e dou-lhe um beijinho. — Tenho certeza. — Eu vou te ligar quando sair do escritório. Que tal se eu te levar para um jantar agradável no Everest hoje à noite? — Parece perfeito. — eu digo com um sorriso.


Ele corre o polegar para baixo nos meus lábios e, em seguida, me dá um pequeno aperto no queixo, dizendo: — Tenha um bom dia, tudo bem? — Você também. Assim que ele sai, eu vou na cozinha para colocar a chaleira no fogão, e enquanto espero ferver, olho para a mesa da sala de jantar. O vaso extravagante de rosas roxas que Bennett me deu quando chegou em casa ontem à noite está no centro da mesa. A visão provoca uma reação física dentro de mim. Uma torção no meu intestino e eu cerro os dentes. Eu odeio roxo. Porém, eu disse a ele que era minha cor favorita, assim quando ele me dá flores, a sua maneira de me encher com carinho, só me faz lembrar de tudo que eu odeio. Paredes roxas piscam na minha mente, e isso só reforça a minha parede de aço. Bennett é tudo o que um marido deve ser, por isso era essencial que eu criasse fissuras nele. Uma delas são flores roxas. O apito guinchando da chaleira me tira do roxo e me trás para o presente. Eu arrumo o meu chá e vou para o quarto para me preparar para o dia. Sabendo que vou ver Declan, eu quero estar bem, então coloco a minha caneca na ilha central no meu closet e começo a triagem pelas minhas roupas. Seleciono um vestido preto simples, e combino com saltos pretos de verniz e meu casaco branco de lã, na altura do joelho. Depois de uma manhã lenta preparando e dando um telefonema para Jacqueline para agendar um almoço com as meninas, eu pego minha bolsa e vou até a garagem. Demora um tempo para chegar ao hotel, com o tráfego agitado do almoço no caminho, mas quando chego, o manobrista leva meu carro e eu vou de novo para o escritório de Declan. Quando me aproximo da porta dele, posso ouvir a voz do outro lado. Ele parece irritado, gritando ordens, com quem quer que ele esteja no telefone, porque só ouço a voz de Declan. Eu espero, e quando noto que a conversa terminou, dou uma batida leve na porta. — Entre. — ele grita.


Abro a porta, seu foco está em seu laptop e nada mais, conforme ele digita no teclado. — Má hora? — eu questiono hesitante, e quando ele ouve a minha voz, ele desvia os olhos na minha direção e gira a cadeira para longe do seu computador para me encarar. — Eu posso voltar. — Não. — ele simplesmente diz, levanta e caminha na minha direção, levando-me pelo braço e me virando para caminhar com ele. — Por aqui. Sua atitude arrogante no outro dia na florista foi irritante, mas por alguma razão, agora não tem esse efeito em mim, imagino que, quem quer que ele tenha acabado de falar é o culpado pelo seu estado de espírito, e não a mim. Eu sigo-o para fora do seu escritório e descemos, para uma sala de jantar privada, opulenta, que está atualmente livre de pessoas. Ele abre as portas duplas de vidro gravado e me leva para a sala escura, mal iluminada por lustres esparsos. Na parte de trás do espaço de jantar, há uma mesa isolada que está coberta de flores alaranjadas e brancas queimadas, com vegetação escura e rica. Algumas são acentuadas com videiras em espiral e outras escurecidas com musgo enegrecido. Declan segura o meu braço quando andamos até a mesa. — Estou impressionada. — eu digo, e é então que ele me libera. Quando olho para ele, noto seu queixo flexionar enquanto ele range os dentes. Seu foco está sobre a mesa e não em mim, assim falo com uma voz suave: — Declan? — ele olha para mim e eu pergunto: — Tem certeza que essa não é uma má hora? Eu posso ir. Ele relaxa o rosto e passa a mão na nuca descendo ao longo do seu maxilar, levemente com barba por fazer. Soltando um suspiro, ele diz: — Fique. Balanço a cabeça, me afasto e dou um passo em direção aos arranjos e começo a estudar cada um. Há cinco, cada um ornamentado e requintadamente juntos. Exatamente os projetos originais que eu tinha em mente.


Eu pauso quando sinto os dedos de Declan passarem no lado do meu pescoço, e viro a cabeça para vê-lo de pé, bem atrás de mim, ele move as mãos para a gola do meu casaco, e começa a deslizá-lo dos meus ombros. Ajustandome, eu o permito tirar o meu casaco e observo o momento em que ele coloca-o na parte de trás de uma cadeira. — Obrigada. — murmuro. — O que você acha? Mantenho os olhos sobre ele, não respondo imediatamente. Eu quero o contato para ver como ele responde. Não demora muito para que um sorriso sexy cruze seu rosto. — São perfeitos. Eu não tenho certeza de como escolher um ou outro. — Então, leve todos. — ele diz. — Levar todos? — Por que não? Quem disse que você tem que escolher? — Não há sempre uma escolha? — pergunto com um tom que indica que estamos falando de algo mais do que apenas flores. — Não quando você é uma Vanderwal. Com ofensa superficial, eu digo: — É isso que você acha? Que por causa do meu nome eu simplesmente pego o que eu quero? — ele levanta uma sobrancelha, sem dizer nada, e eu acrescento: — É isso o que você faz? Porque me corrija se eu estiver errada, mas o nome de McKinnon com certeza não é um daqueles que as pessoas não conhecem. — Estamos falando do pessoal ou negócios? — ele questiona. — Negócio é pessoal quando pertence a você, e a última vez que verifiquei, é o seu nome que veste esse hotel.


Ele caminha até uma das outras mesas e senta. Inclina-se para trás e descansando um dos braços sobre a mesa, diz: — Sim. Eu levo o que eu quero. Eu fico parada, de pé ao lado das flores, e pergunto: — Em que caso? — Em todos os casos. Agora, pare de ficar de pé aí e sente-se comigo. — É isso que você vai levar? Com um sorriso que fica tão bem nele, diz: — Você está disponível? — Não. — eu indico secamente. — E estes jogos que você tende a gostar de brincar comigo estão ficando velhos, e, francamente, eu não gosto de ser tratada como brinquedo como se eu estivesse aqui apenas para seu entretenimento. Então, novamente, pare com a merda, Declan. — eu pego meu casaco e começo a caminhar em direção à porta, esperando que ele faça o movimento o qual estou incitando-o. Sua mão agarra em cima da minha, logo que ela atinge a maçaneta da porta, e eu congelo, mantendo a cabeça baixa. — Não vá. — ele diz, e eu fico em silêncio quando ele continua a falar: — Você não é um brinquedo, Nina, e peço desculpa se fiz você se sentir assim. — Então, o que é isso? — Este sou eu, simplesmente querendo conhecê-la. — ele fala, e quando eu olho para ele, acrescenta: — Você diz que não tem amigos, não é? Viro a cabeça para longe dele para evitar contato com os olhos e ele diz: — Todo mundo merece um amigo, Nina. Mesmo você. — E você acha que vai preencher esse vazio? — eu pergunto, olhando para ele. — O que faz você pensar que eu preciso disso? — Diga-me, então, com quem você fala sobre as coisas que não pode conversar com o seu marido?


Eu puxo minha mão por debaixo da dele e movo para encará-lo. — Com quem você fala? Silêncio. — Você espera que eu apenas me exponha, quando eu não sei nada sobre você? E o que você me dá em troca, hein? — questiono. — O mesmo. — ele responde. — Então vamos começar agora. Antes de você bater na minha porta há poucos minutos, eu estava no telefone com meu pai. Ele estava sendo um idiota5 fodido como sempre, me ridicularizando por causa das decisões que eu estou tomando, que ele não tem uma palavra a dizer, e isso o deixa maluco, não ter o poder nessa situação. Então aí está, meu pai é um bastardo para mim. Seus olhos estão incisivos, quando ele diz isso, a intensidade predominante, e eu sinto que acabei de fazer progresso. Mas eu não o quero chateado agora, então eu quebro a tensão, e faço-o sorrir quando provoco: — Um botão? Isso é algum insulto escocês que vocês falam por aí, porque eu nunca ouvi ninguém chamar alguém de botão antes? — Sim, querida, é, mas se você prefere algo mais autêntico, posso chamálo de fannybawbag6, mas, então, para o americano aleatório, provavelmente eu pareceria uma mulherzinha. Eu rio da sua declaração, mas deixo cair meus lábios quando olho para os meus pés e me acalmo. — O que é, Nina? — ele pergunta, percebendo a minha mudança de humor. Quando eu não respondo imediatamente, ele pega a minha mão, segurando-a na sua enquanto me leva até uma mesa e nos sentamos. — Diga-me algo sobre você.

5

Neste momento ele usa a palavra knob, que literalmente significa botão / maçaneta, mas também

pode referir-se ao pênis ou uma pessoa idiota, imbecil, em linguagem informal. 6

Idota, imbecil, bastardo, porém, separando as palavras: fanny: gíria para referir à vagina e baw: pênis.


— Eu não sei o que você quer. — Qualquer coisa. Apenas me dê algo. — diz, mas quando ele vê-me hesitar, ele oferece: — Diga-me por que você não tem nenhum amigo. Eu libero um fôlego, dando-lhe o que eu sei que ele quer ouvir. — Porque eu não sou deste mundo. Eu não sou como essas mulheres, e... — eu paro, demorando um momento antes de acrescentar em voz baixa: — Eu tenho medo que me julguem, então é preferível que tenham medo de mim, porque é mais fácil dessa maneira. — quando digo as palavras, a verdade que está dentro delas me surpreende. — Então você se esconde? — Acho que sim. — Você é solitária? — Eu pareço solitária? — questiono. — Neste momento? Sim. Desviando, eu volto para ele, perguntando: — E quanto a você? Você é solitário? — Eu mudei para cá, vindo de Nova Iorque quando começamos a construir este lugar. Eu fiquei muito envolvido em deixar tudo organizado para a inauguração, então sim, eu me tornei solitário. — Quando você deixou a Escócia? — pergunto. — Eu costumava passar meus verões aqui nos Estados Unidos, quando eu estava na universidade lá. Eu vinha aqui para trabalhar para o meu pai, aprender os meandros do negócio, mas eu não empacotei oficialmente e saí até depois que me formei na minha graduação. — ele me diz. — Isso foi há sete anos. — Você sente falta?


— Escócia? Com um aceno de cabeça, ele responde sem rodeios. — Sim. — antes de perguntar: — De onde você é? — Kansas. — O que trouxe você para cá? Eu mexo no meu lugar, marcando meu desconforto em responder, mas antes que eu possa falar, meu celular toca dentro da minha bolsa que está em cima da mesa. Pego-o, vejo que é Bennett, e atendo a chamada. — Bennett, oi. — eu digo, assim Declan sabe com quem eu estou falando. — Apenas checando. O meu encontro acabou muito mais cedo do que eu acreditava, e eu esperava vê-la. — ele diz docemente. — Você acabou de me ver. — Então, esse é o seu jeito de dizer que está muito ocupada? — Não, eu nunca estou ocupada demais para você. Você ainda está no escritório? — eu pergunto e lanço um olhar rápido sobre Declan e vejo a irritação nos olhos dele. Bom. Fique com ciúmes. — Sim. Está com fome? Eu posso pedir alguma coisa. — Parece muito bom, querido. — eu digo a ele, derramando doçura apenas para testar os nervos de Declan, e posso dizer que está funcionando pelos músculos tensos em seu pescoço e maxilar. — Eu vou agora, ok? — Certo. Eu te amo. — Também te amo. Olhando para Declan, digo-lhe: — Eu tenho que ir encontrar Bennett. — Sim, eu ouvi. — ele diz, acentuando suas palavras.


Eu corro a minha mão sobre o punho cerrado que repousa sobre a mesa, e digo: — Obrigada. — Pelo que? — Conversar comigo. — olhando fixamente em seus olhos, digo-lhe mais uma vez. — Obrigada. — então ele pode ouvir a sinceridade em minhas palavras. Sua mão relaxa sob a minha, e ele vira-a, e segura a minha agora, e com um sorriso, diz: — Deixe-me levá-la até lá fora. Enquanto ele me ajuda com o meu casaco, eu finalmente sinto como se tivesse encontrado o jogo que eu estava procurando. Houve alguns homens antes de Declan, mas nenhum me deu a promessa que sinto que ele pode ter, assim deixo-o segurar a minha mão por um momento maior do que deveria, conforme ele me leva para o manobrista que está esperando com o meu carro. Eu escorrego para o banco do motorista e Declan olha para baixo, lembrando-me. — Sexta-feira é o seu compromisso com o fornecedor. Quatro horas. — Eu coloquei na minha agenda. — Você quer dizer a agenda de papel que não lhe fornece notificações ou alertas de lembrete? — ele brinca. Rindo da sua provocação, eu digo: — Sim, essa mesma. Mas, aparentemente, isso é tudo que eu preciso, pois você tende a ser meu lembrete. — Eu a verei na sexta-feira, então? — Você me verá sexta-feira. — afirmo antes dele fechar a minha porta, e eu começar a dirigir até a Torre Willis para encontrar o meu marido para um almoço tardio, o tempo todo, sentindo otimista pela primeira vez em muito tempo.


Capítulo Oito Passado

S

ento-me nos degraus

da frente da escola, à espera de Pike vir ao meu encontro para que possamos ir para casa. Ele está com problemas com um dos seus professores de novo e está em detenção, assim aproveito a hora para deixar todas as minhas lágrimas escaparem, para que ele não me veja chorar. Aparentemente, eu perdi a noção do tempo quando ouço as portas de metal abrirem com um estrondo e viro minha cabeça para cima para ver Pike descendo a escada. Rapidamente, eu limpo meu rosto, mas ele vê as lágrimas de qualquer maneira. — Por que você está chorando? — ele pergunta, mas eu não digo nada quando me levanto e dou de ombros e jogo minha mochila em cima dos meus ombros. — Elizabeth? O que aconteceu? — Nada. Podemos ir agora? — Não. Não até que você me diga por que você está chateada. Abaixo minha cabeça e olho para o chão, chuto algumas pedrinhas na calçada, dizendo-lhe: — As crianças da minha turma tiram sarro de mim. — O que elas dizem? — ele pergunta com uma voz dura. — Não importa. — digo a ele. Eu estou nessa escola há alguns meses agora. Tempo suficiente para um surto de crescimento e não caberem mais as roupas que a minha última família adotiva me comprou, então agora eu estou


vestindo roupas coladas que Bobbi recebe de brechós, e as outras crianças pegam no meu pé por causa da minha aparência. — É importante para mim. — ele fala, e quando eu olho para ele, digo: — Chamam-me de nomes. Dizendo que parece que pego minhas roupas em uma lata de lixo. — eu posso sentir as lágrimas caírem de novo e eu continuo: — Eles me chamam de nomes na minha cara e, em seguida, sussurram e riem de mim. — Aquelas crianças são idiotas selvagens. — Eu não tenho amigos, Pike. — eu digo, chorando. — Eu estou sozinha, e eu quero ir para casa. Eu sinto falta do meu pai, e eu quero ir para casa. Em um segundo, ele me tem em seus braços, e eu molho a camisa dele com as minhas lágrimas. Toda noite eu rezo para Deus, que eu não tenho nem certeza que existe, para acordar desse pesadelo, mas ainda estou aqui. Estou com quase nove anos de idade e não vejo meu pai, ouço a voz dele, sinto seu abraço – nada - em quase quatro anos. Eu tenho uma assistente social que só me viu duas vezes desde que cheguei aqui, e ambas as vezes eu chorei e implorei para ela me levar para o meu pai, mas ela não vai fazer isso. Ele está muito longe. Estou começando a acreditar que eu nunca vou tê-lo de volta, porque esperar até que eu tenha catorze anos parece uma eternidade. — Eu sinto muito. — diz Pike, eventualmente, quando estamos na calçada nos abraçando. — Mas você não está sozinha. Você tem a mim. Ele está certo. Ele é o único que tenho, mas ele é um menino de doze anos, e no próximo ano ele vai estar no ensino médio e deixar-me aqui sozinha. Sozinha com as crianças que não gostam de mim. Quando ele me afasta e olha para mim, eu me encolho com o tom esverdeado que sobrou do olho roxo que Carl deu nele no outro dia. Aprendi rápido que quando Bobbi está por perto, Carl é meio agradável, mas no momento em que ela sai, ele começa a beber. Eu tento esconder e ficar invisível quando ele bebe, porque ele é assustador para estar ao redor. Ele grita muito, e se Pike e eu fazemos muito barulho, ele fica muito bravo e, geralmente, nos bate.


Meu primeiro tapa veio uma semana depois que cheguei aqui. Bobbi saiu no fim de semana e Carl estava lá embaixo assistindo TV enquanto eu estava lá em cima. Eu encontrei um rádio na prateleira de cima do armário no meu quarto e estava em pé em uma cadeira para pega-lo, mas eu escorreguei, fazendo com que a cadeira tombasse e o rádio batesse no chão. Carl rompeu pela minha porta e viu o rádio quebrado. Antes que eu percebesse o que estava acontecendo, ele me puxou pelo braço e me deu um tapa no rosto. A ardência do tapa ficou na pele do meu rosto mesmo depois enquanto eu chorava no meu travesseiro. Pike e eu gastamos o nosso tempo andando para casa, mas ao chegarmos a nossa rua, o carro de Bobbi se foi, só o caminhão de Carl está na frente da casa. Meu estômago afunda. É fim de semana, então eu tenho certeza que será apenas nós três. Bobbi nunca nos diz quando ela vai sair, mas ultimamente, parece ser o tempo todo. Ela nunca mais fica em casa. — Basta ir direto para o seu quarto. — Pike diz-me à medida que caminhamos para a porta da frente. — Eu vou pegar um lanche e levar para você. — Ok. Mas isso não aconteceria. Em vez disso, eu estava prestes a ser apresentada a um buraco negro que iria reivindicar outra parte da minha fé na decência humana. — Onde diabos vocês estavam crianças? — Carl grita para nós quando entramos, e a rispidez na sua voz me faz agarrar o braço de Pike por causa do medo. — Eu tive detenção. Eu disse a Elizabeth para me esperar para que não tivesse que andar sozinha para casa. — Pike explica. — Você acha que eu tenho todo o tempo maldito no mundo para ficar imaginando onde vocês merdas estavam? — ele grita e depois agarra Pike por sua camisa, arrebatando-o do meu domínio sobre o braço e empurrando-o para longe de mim. Então ele chega no meu rosto, fedendo a cerveja e cigarros.


— E você... — ele cospe quando começo a chorar, o que não faz nada, exceto irritá-lo ainda mais. — Porra! Por que você está sempre chorando merda? Eu não vou passar mais um fim de semana aqui com você ouvindo essa merda. — quando ele levanta a camisa suja e começa a desatar o cinto, os calafrios de medo correm desenfreados, picando as minhas veias. Pike gira no chão e vai atrás de Carl, mas ele só leva um golpe para bater Pike para trás, e Carl prende a mão dele no meu pulso enquanto eu grito e me debato. De repente, ele me levanta do chão com um aperto firme na minha cintura. — Deixe-me ir! — eu grito. — Pare! Solte-me! Eu ouço um estrondo, e quando olho para cima, através das minhas lágrimas, eu vejo que chutei em cima de alguns patos de Bobbi e quebrei-os. — Sua merdinha! — ele grita, mas é misturado com gritos de Pike também, e eu entro em pânico. Pânico puro. Gritando, chorando, chutando, e a próxima coisa que eu sei, estou sendo empurrada para o pequeno armário do corredor. Carl me joga duro contra o chão e, em seguida, puxa-me pelos meus pulsos, utilizando o cinto para me amarrar na barra inferior. Tudo é um borrão caótico. Todo mundo está gritando, e o terror no meu corpo está tornando difícil respirar através dos meus gritos de socorro. Ouço Pike, e eu me seguro em sua voz quando o punho de Carl bate no meu rosto. GOLPE. TRANCA. ESCURIDÃO. — Não! Deixe-me sair! — eu grito. — Pike, me ajude! Deixe-me sair! Por favor! Eu

posso

ouvir

que

a

surra

em

Pike

está

começando

agora. Grunhindo. Arfando. Gritando. Eu torço para arrancar meus pulsos,


tentando me libertar, mas o couro belisca a minha pele, e estou apenas me machucando. O lado do meu rosto onde ele me bateu, pulsa em batidas de dor quente, e eu caio de bunda com meus braços puxados acima da minha cabeça e começo a chorar. Eu choro pelo que parecem anos na escuridão. Meu corpo fica cansado e fraco. Braços frios e formigando. Eu me levanto, me firmando entre a parede e a barra do vestuário, e posso sentir o calor fluir de volta, através dos meus braços para as minhas mãos. Eu tento envolver os meus dedos para agarrar a alça de couro, mas está muito escuro para ver qualquer coisa e meus dedos são muito pequenos. O que eu faria de qualquer maneira? Desamarrar-me e sair daqui? Carl me mataria, então qual é o ponto em tentar? Eu ouço o som fraco da TV na sala de estar quando minha cabeça começa a inclinar. Eu estou tão sonolenta, mas meus braços doem demais quando tento sentar, e eu não consigo dormir em pé. Não sei o que fazer, eu permaneço entalada contra a parede conforme continuo afastando o sono quando a minha cabeça cai. Minha mente é uma névoa. Eu tento descansar no canto, mas não consigo encontrar qualquer posição confortável. Muito rápido, eu ouço os sons da TV desligada e ouço quando Carl sai da sala. Meu Deus. Ele não vai me deixar sair. Lágrimas caem, queimando minha pele no caminho pelo meu rosto, e eu só posso supor que Carl dividiu minha pele quando me deu o soco, mas nada pode impedi-las de cair pelo meu rosto.

Acordo, meus braços estão congelando. Devo ter caído porque agora estou sentada no chão. Eu não tenho ideia se é noite ou dia, e a vontade de ir ao banheiro é esmagadora. Quando me levanto para aliviar a dor em meus braços,


eu pressiono as pernas para me impedir de fazer xixi. Eu começo a chorar, me perguntando o que eu deveria fazer, mas naquele exato momento, eu ouço Pike, do outro lado da porta. — Elizabeth? — ele sussurra. — Pike? — eu choramingo. — Shh. Carl está dormindo. Tentando abafar meus gritos para ficar quieta, eu forço as minhas palavras: — Por favor, Pike. Tire-me daqui. — Eu não posso. — diz ele. — A tranca dessa porta é do lado de dentro. — O que? — Sem a chave, só pode ser destrancada de dentro. — ele me diz. — Eu estou com as mãos amarradas. Não posso me mover, e eu não consigo ver nada. — eu digo, começando a entrar em pânico, e ele ouve isso. — Não chore, ok? Eu estou aqui. — ele tenta me assegurar. Meu corpo começa a se contorcer conforme junto mais as minhas pernas. — Pike? — Sim? — Eu tenho que fazer xixi. — digo a ele. — Muito. — Foda-se. — ouço a voz abafada. E então a dor e urgência assumem, e eu sinto o calor escoar para fora, espalhando-se através do tecido da minha calça e escorrendo pela minha perna. Mortificada. Envergonhada. Eu escorrego no chão e começo a chorar tão silenciosamente quanto posso. — Você está bem? — ele pergunta, mas eu não respondo, eu só continuo a chorar.


Pike ficou comigo do outro lado da porta por horas ontem à noite, conversando comigo, tentando me fazer companhia. Devo ter caído no sono de novo, porque eu não me lembro dele sair. A TV está ligada agora, então eu sei que Carl está acordado. Meu estômago está roncando, mas estou com muito medo de chamá-lo. O tempo passa devagar, e eu tento me manter distraída por devaneios, fingindo que estou em qualquer lugar, menos aqui. Eu imagino que eu estou com o meu pai, e nós estamos andando juntos em seu cavalo branco, ele costumava dizer-me que ele tinha um quando brincávamos de faz de conta. Nós cavalgamos pelo campo e nos encontramos em uma floresta mágica. Carnegie está lá, e nós vamos à procura de bagas7. Algumas bagas nos dá poderes especiais, e algumas são apenas deliciosas para comer. Quando a chuva cai, nós procuramos grandes cogumelos para esconder debaixo até que a tempestade passe, e nós encontramos borboletas fadas que enchem o ar com glitter enquanto voam. Meus pensamentos são interrompidos frequentemente com a dor que surge nas minhas mãos e braços. Eu estou tão cansada, mas não consigo encontrar uma maneira de chegar ao sono real, e agora com o meu estômago dando nós de fome, encontro-me constantemente mudando de sentada para em pé.

7

Baga é o tipo mais comum de fruto carnudo simples, no qual a parede do ovário inteiro amadurece em

um pericarpo comestível. Ex: Groselha, mirtilo, etc.


— ELIZABETH? A voz de Pike me traz de um sono leve, e eu tento dobrar e flexionar os pulsos enquanto o couro corta a minha pele. — Que horas são? — pergunto. — É sábado à noite. Quase meia-noite. — ele me diz. — Estou com fome. — Aguente. Eu fico de pé para acalmar meus braços. Eu me sinto tão nojenta com as calças encharcadas em meu próprio xixi. Cheira mal, e eu sei que Carl vai ficar puto quando decidir me deixar sair, o que espero que seja amanhã, pois tenho escola na segunda-feira. Além disso, Bobbi deve estar voltando para casa em breve. Pelo menos eu espero que ela esteja. Ouço Pike deslizar algo debaixo da porta. Eu fico de joelhos, mas não acho que isso serve, porque as minhas mãos estão amarradas. — Pike, eu não posso pegar o que deslizou por baixo da porta. — Merda. Desculpe-me, eu nem sequer pensei. — ele sussurra. — Existe alguma maneira de você inclinar a cabeça para baixo para pegar com a boca? — Não. A barra é muito alta. — Use o seu pé e tente empurrá-lo para fora. — ele instrui. — Eu não quero que Carl saiba que eu estava tentando dar comida escondido para você. Eu arrasto meu pé ao redor, mas não consigo sentir nada, então eu só começo a deslizá-lo contra o chão e em direção à porta, esperando tirá-lo por acaso. Depois de um segundo, eu ouço: — Peguei. — O que era? — Apenas uma tortilha. — diz ele. — Eu ouvi Carl falar com Bobbi. Ela vai estar em casa amanhã à tarde. — Sinto-me doente.


— O que está acontecendo? — Eu estou tão cansada e com fome. — digo a ele. — Meus braços doem demais. Ele apertou muito o cinto ao redor dos meus pulsos. — Ele é um doente fodido. — Pike? — Sim? — Por favor, não me deixe. Você é tudo que eu tenho. — voltam as lágrimas, e eu deixo-as vir sem combatê-las. Eu me sinto tão sem esperança. — Eu não vou deixar você. Você é minha irmã. Nós não somos de sangue, mas você é minha irmã. — suas palavras acertam meu coração, saber que ele é toda a família que tenho. — Eu já te contei da vez que caí do telhado no meu último lar adotivo? — Não. Sento-me de novo e ouço Pike me contar história após história. Ele até me fala sobre sua mãe, que ela era uma viciada em drogas e é assim que ele acabou em um orfanato quando tinha apenas dois anos de idade. As horas passam e ele nunca para de falar comigo, me fazendo companhia até que eu derivo para um sono agitado.

Quando eu ouço alguém mexer com a maçaneta da porta, eu rapidamente fico de pé, encolhida contra a parede. Luz perfura meus olhos, e eu fecho-os imediatamente. — Que porra de cheiro é esse? — Carl rosna quando tento lentamente abrir os olhos contra a luz afiada.


Suas mãos começam a desfazer o cinto em volta dos meus pulsos. Você pensaria que eu ficaria feliz em sair deste armário, mas eu estou tão cansada que tudo que eu sinto é dormência. — Você mijou nas calças? — ele pergunta com raiva, e quando eu aceno com a cabeça, ele grita: — É melhor você limpar essa merda. O cinto está finalmente fora, e minhas mãos estão livres. Eu aperto o meu pulso na minha mão e fico lá, com medo de me mover, até que ele me diz para sair. Antes que eu possa ir lá para cima, ele me faz limpar o chão onde eu tive que usar como banheiro. Eu finalmente olho para os meus pulsos para ver que eles estão cobertos de sangue da pele machucada, onde o couro fez o corte em mim. Quando eu chego lá em cima, Pike está sentado na minha cama, mas eu estou muito envergonhada, então eu o ignoro e vou direto para o banheiro, batendo a porta, e tiro minhas roupas sujas. Antes de eu entrar no chuveiro, eu me olho no espelho para ver o olho preto que Carl me deu. Eu entro no chuveiro e sinto o jato de água e desmorono. Depois que eu termino o meu banho, eu enrolo em uma toalha e volto para o meu quarto. Pike ainda está na minha cama, então eu pego algumas roupas e volto para o banheiro para me vestir. Ao sair, eu finalmente olho para os hematomas no rosto dele enquanto ele estende a mão. Vou até a cama, tomoo e deixo-me puxar e me abraçar. Eu fico em seus braços, o único conforto que eu sinto que a vida tem para me oferecer agora e fecho os olhos. Eu fiquei trancada naquele armário por dois dias com nada - nada, exceto Pike, que sorrateiramente desceu todas as noites para falar comigo através da porta para que eu não ficasse sozinha. Saber que ele fez isso por mim me dá vontade de abraçá-lo mais forte, então eu faço isso. — Obrigada. — murmuro contra seu peito. — Pelo que? — Ficar comigo à noite.


— Como eu disse, não importa o que, você é minha irmã. — ele diz, e eu respondo: — E você é meu irmão.


Capítulo Nove Presente

B

ennett parte hoje para

voltar à Dubai e iniciar uma revisão na indústria de produção, destrinchar e substituir tudo com o mesmo equipamento que é usado na outra indústria que ele tem aqui nos Estados Unidos. Quando eu disse a ele que ia encontrar com os fornecedores de hoje, ele fez sua assistente ligar e segurar o seu avião para que pudesse ir comigo. A ideia de ficar com ele e Declan na mesma sala faz meus nervos ficarem um pouco descontrolados. Especialmente quando acabei de encontrar Declan para o café ontem. Ele continua a me pressionar sobre Bennett, e estou confiante que o meu desempenho faça com que ele suponha que eu não sou tão feliz e que eu só estou mantendo a fachada por uma questão de aparência. Mas eu não quero que haja quaisquer trocas estranhas hoje quando nos encontrarmos com ele no seu hotel, é aqui que fica complicado. Eu gostaria de manter os homens afastados um do outro, então o fato adicional que Bennett tem relações com Cal, o pai de Declan, não é ideal. Nunca esteve em meu plano atingir um homem como Declan, mas até agora, ele é o que mordeu a isca. Eu só preciso ter cuidado para lidar com a situação. Um pequeno deslize poderia ser desastroso, e eu já investi muito tempo para cometer um erro fatal. — Você está pronta, querida? — Bennett pergunta quando entra na sala de estar, onde estou sentada.


Levanto, endireito a minha saia lápis, e caminho até ele. — Sim. Eu só preciso pegar meu casaco. — Vamos dirigir, assim você fica com o carro quando eu sair. Baldwin vai me pegar para me levar ao aeroporto. — Eu espero que não tenha tido muito problema para atrasar o seu voo. — eu digo, conforme visto o meu casaco e pego minha bolsa. — Nenhum problema. Eu só odeio que tenha que partir novamente tão perto do Natal. Saímos do apartamento e descemos pelo elevador. — A propósito. — ele diz. — Conversei com os meus pais. Eles nos querem na véspera de Natal para um jantar que vão oferecer. Eu tremo por dentro com a ideia de passar um tempo com esses idiotas, mas eu sorrio de qualquer maneira, dizendo: — Ok. Eu tenho pensado em ligar para a sua mãe, estou apenas um pouco dispersa, com tudo que está acontecendo. E agora você está saindo de novo. Ele toma o meu rosto com as mãos e beija minha bochecha. — É apenas temporário. — Eu sei. — Vai ser ocupado por um tempo, mas quando tudo estiver instalado e funcionando, vai diminuir. O elevador abre e vamos para a garagem. Pegamos o Land Rover, e quando saímos, somos recebidos por mais neve. — É vai piorar depois. — diz Bennett. — Eu vou me certificar de chegar em casa antes que piore. — Eu posso contratar outro motorista se você me precisar.


Inclinando a cabeça para ele, eu sorrio, dizendo: — Eu sobrevivi antes sem motorista, Bennett. Eu vou ficar bem. Baldwin vai acompanhar Bennett em sua viagem dessa vez, então ele não estará por perto para dirigir para mim. Menos uma pessoa com quem tenho que preocupar. — Comigo longe e neste inverno brutal que temos tido, preocupa-me saber que você está dirigindo por aí nessa bagunça. Coloco a mão sobre sua coxa e asseguro-lhe: — Eu vou ficar bem. Você se preocupa demais. Ele pega a minha mão na sua, beijando meus dedos, e diz: — Eu só não quero que nada aconteça com você. Eu não consigo evitar, exceto me preocupar quando estarei a um mundo de distância. Envolvo meus dedos nos dele e me delicio com o fato de que essa nova aquisição vai mantê-lo tão longe por um longo espaço de tempo, permitindo-me trabalhar em Declan. Não poderia ser uma situação melhor. Com Bennett e Baldwin longe, vou conseguir ir e vir como eu quiser, sem ter que explicar. Quando estacionamos no Lotus, o manobrista abre minha porta e me ajuda. — Cuidado com o degrau, senhorita. — Obrigada. — eu digo, antes de Bennett caminhar para pegar minha mão e me levar para dentro. Eu mostro a sala de jantar privada para ele, onde Declan colocou as flores no início desta semana, e quando entramos, Declan está lá conversando com o chef. — Nina. — ele fala com um sorriso, e meus nervos flutuam para o topo do meu estômago. Ele pega a minha mão, me dando um beijo na bochecha, e depois recebe o meu marido. — Bennett. — diz com um aperto de mão firme. — É bom ver você de novo.


— Ouvi dizer que a minha esposa está mantendo-o ocupado. — Ela sabe do que gosta. — Declan ri e Bennett se junta a ele. — Mas ela não me despediu, então acho que estou fazendo a coisa certa. — Não fique muito empolgado com si mesmo ainda. — eu acrescento com a insolência que sei que Bennett ama, mas, às vezes, pode irritar Declan pra caralho. Ele aceita bem, sem nunca perder o sorriso. Eu quero fazer-lhe ciúmes, mas é uma linha fina com Bennett aqui, então eu vou ter certeza em avaliar a linguagem corporal de Declan e não forçá-lo demais. Declan nos apresenta Marco, o chef que estou considerando para a festa, e então, sentamos em uma das mesas. — Então, Bennett, Nina me falou que você está preso com o trabalho ultimamente. — Esse é um grande eufemismo, e acontecer nesta época do ano não é o ideal. — diz Bennett e depois estende a mão para segurar a minha, que está descansando em cima da mesa. — Felizmente para mim, eu tenho uma esposa compreensiva. No momento em que lhe dou um sorriso, somos apresentados a uma salada Caprese esculpida. — Então, como você começou a produção de aço? — Declan pergunta, e eu fico quieta enquanto eles falam. — Na época, eu estava adquirindo e renovando edifícios vagos quando me deparei com uma fábrica que estava indo à falência. Eu consegui comprá-la por uma barganha, e impedi o proprietário de entrar em falência. Comprei rápido o lugar, e a próxima coisa que soube é que estávamos em funcionamento, ganhando uma sólida base de clientes. — A partir do zero. — Declan afirma. — Assim como seu pai. — Bennett acrescenta.


Eu observo o maxilar do Declan flexionar quando ele range os dentes. Ele toma um gole de vinho e, em seguida, diz: — Vocês dois devem ficar orgulhosos de si mesmos. — com um tom condescendente, possivelmente levando a observação de Bennett como uma facada com o fato de Declan está, em certo sentido, cavalgando no rastro do seu pai por entrar no negócio da família. Mas conheço Bennett, e sei que ele não sugeriu isso. Bennett observa a insinuação de Declan, e desvia, virando-se para mim, perguntando: — Você vai encontrar a Jacqueline amanhã? Achei que Richard tivesse mencionado algo comigo sobre isso. — Mmm hmm. — eu limpo minha boca, e acrescento: — As meninas querem fazer um dia na Neiman8, e eu preciso encontrar um vestido para a festa. — Eu pensei que você não as suportava. — Declan interrompe, e eu imediatamente fico com calor de raiva, por ele não só estar sendo grosseiramente inadequado em explorar algo que ele pensou que estava revelando em confidência a um amigo, mas também não preciso que ele levante todas as bandeiras vermelhas com Bennett. Eu arregalo meus olhos, deixando-o saber que ele cruzou a linha, quando Bennett pergunta confuso: — Você não gosta delas? — Hum, não. Quero dizer... Declan só quis dizer que... — porra. — Bem, eu expressei ao Declan que às vezes elas podem ser um pouco arrogantes. Só isso. — olho em seus olhos e imagino que ele está chateado por eu ter revelado algo assim para Declan. Algo que não tem nada a ver com o negócio que deveríamos estar conduzindo quando estamos juntos, então eu me garanto, acrescentando: — Eu encontrei com uma das amigas de Jacqueline na floricultura quando Declan e eu estávamos lá. Ela estava sendo um pouco arrogante, então eu vagamente fiz essa declaração para ele. Possivelmente desabafei a frustração. Eu gosto das meninas, mas você sabe como elas podem ser quando somos todas colocadas em um cômodo. 8

Loja de departamento luxuosa.


Ele acredita, dizendo: — Eu nunca vou fingir entender a mente de uma mulher. — com um sorriso suave, e eu sorrio com ele. — Nem eu. — brinco. — E eu sou uma delas. — pego meu garfo, espeto uma folha de manjericão e murmuro com um sorriso. — Cadelas sarcásticas. — antes de dar uma mordida. Bennett ri da minha crueza enquanto dou um olhar de desaprovação para Declan. Estamos no meio do segundo prato com a tensão de Declan crescendo, quando Bennett recebe um telefonema de Richard que ele tem que atender. Ele se desculpa e sai da sala, andando pelo corredor, e quando está fora de vista, eu viro e encaro: — Seus jogos não são engraçados. Eu supunha que as poucas informações que lhe dei, informações que você pediu, permaneceriam em privado e não para você usar quando sentisse que alguém estava pisando no seu calo. Ele se inclina para o lado, agarra o braço da minha cadeira, e de repente puxa-a para ele, calmamente rangendo: — Sua boca inteligente é imprópria, Nina, portanto, olha como você fala comigo. E ninguém pisa no meu calo, especialmente o seu marido, o homem que você diz que ama, mas não parece saber nada sobre você. — Você acha que é bonito? — Eu pareço um homem que dá a mínima para ser bonito? Estreitando os olhos, digo-lhe: — Você se parece com um homem que está com ciúmes, mas você não devia mesmo entrar nessa comigo. — Por quê? — Porque eu sou uma mulher casada, e suas acusações juvenis são insultuosas. Você não sabe nada sobre o meu marido e o que ele sabe ou não sobre mim. — Você é uma mentirosa. — ele acusa.


— Desculpe? Ele se inclina para mais perto, a poucos centímetros do meu rosto, e diz: — Eu acho que você gosta de me fazer ciúmes. Estou certo? Com uma voz suave, que eu tenho certeza sai trêmula, simplesmente respondo: — Não. — Eu não acredito em você. — O que você quer de mim? — Sem mentiras? — Sem mentiras, Declan. O que você quer? Seus olhos estão próximos como punhais, quando ele responde: — Você. Resposta perfeita, idiota. Levanto-me, jogando meu guardanapo na mesa e viro para ir encontrar Bennett, embora eu não tenha nenhuma intenção de sair desta sala, e Declan não falha quando agarra meu braço e me empurra, arrastando-me para nivelar com ele. Ele olha para mim, e eu desvio os olhos. — Olhe para mim. — ele exige, e quando eu não olho ele agarra meu queixo e puxa para encará-lo. — Eu disse: olhe para mim, Nina. — Você é um idiota. — E você tem uma boca suja. — ele diz, antes de saborear, selando seus lábios com os meus. Ele não é gentil, e sua barba por fazer me arranha levemente, quando ele envolve a mão na parte de trás do meu pescoço. Seu domínio sobre mim é firme, e eu tenho certeza que ele me sente corresponder por um breve momento quando movo os meus lábios contra os dele, antes de afastá-lo com força. Seu sorriso é arrogante quando ele dá um passo para trás, colocando distância entre nós.


— O que você pensa que está fazendo? — eu ataco duramente. — Testando você. — Você é um idiota insolente. — Então por que você me beijou de volta? — ele questiona. — Não minta para mim também, porque eu senti. — Você não sentiu nada, e nem eu. — caminho de volta para a mesa, puxo minha cadeira para trás, sento-me e digo, mantendo meus olhos para a frente: — Não faça isso de novo. Segundos depois, Declan retorna ao seu lugar na minha frente, e com um timing perfeito, Bennett volta. Esta situação está beirando o perigo, por isso fico aliviada quando Bennett diz: — Peço desculpas por isso, mas parece que eu vou ter que sair mais cedo do que o esperado. — O que? — pergunto. — Sinto muito, querida. O avião fretado está pronto para ir. Houve falta de comunicação sobre o reagendamento, e nós temos que ir. — Agora? Ele estende a mão dele para mim, e eu pego conforme me levanto. — Declan. — ele fala, quando vira para olhar para Declan, que agora está de pé também. — Desculpe correr assim. Foi bom vê-lo novamente. Declan não fala, mas em vez disso dá-lhe um breve aceno de cabeça e eles apertam as mãos. — Se você nos dá licença por um momento. — Bennett fala e envolve o braço nos meus ombros e começa a conduzir-nos para fora. Olhando por cima do meu ombro, eu vejo que Declan permanece em pé, mantendo os olhos em nós enquanto saímos da sala. Deus, ele é tão transparente.


Eu ando com Bennett para o lobby, e quando ele para na frente das portas, eu jogo de esposa triste. Deslizo meus braços ao redor da cintura dele, coloco minha cabeça no seu peito e abraço. — Eu não quero que você vá. Seus lábios tocam em cima da minha cabeça, dando um beijo, e, em seguida, ele responde: — Eu sei. Eu vou voltar para cá o mais rápido que eu puder. Eu olho para ele, e ele leva os meus lábios, os lábios que Declan acabou de ter, e ele me beija. Longo, lento, suave. Ele mantém a conexão por um momento antes de se afastar e olhar para mim. — Você é tão bonita. — Não. — Não o que? — ele questiona. — Não diga coisas doces que vão fazer com que eu sinta ainda mais. Ele sorri, e quando olho para frente, eu vejo Baldwin estacionando. Com um suspiro pesado, eu volto para Bennett quando ele diz. — Eu tenho que ir. — Tudo bem. — eu respondo com hesitação e aceno com a cabeça. — Eu vou ligar assim que chegar lá. — ele me diz e depois brinca: — Use esse tempo para me comprar muitos de presentes de Natal. — Eu vou mimá-lo muito. — eu rio. — Você já me mima muito. Com mais um beijo, nós dizemos adeus, e eu vejo o carro se afastar, feliz que ele finalmente foi embora.


Capítulo Dez Presente

C

om

meu

marido

a

caminho do aeroporto para passar as próximas duas semanas, do outro lado do mundo, faço uma cara divertida e volto para Declan, que ainda está na sala de jantar. — O que foi isso? — ele questiona quando ando de volta e sento. — Apenas dizendo adeus. — Você está triste? Deslocando no meu lugar, eu digo: — Podemos não falar sobre isso? Declan não força mais as suas perguntas, ficando quieto na maior parte, além do bate-papo seguro, enquanto terminamos a refeição. Discutimos o serviço de bufê e a visita de Marco por um tempo, e depois de eu contratá-lo para organizar a festa, abrimos uma garrafa de vinho, e passamos uma quantidade longa do tempo selecionando as ofertas do menu. Uma vez que o negócio está fechado e a comida escolhida, Marco se desculpa e eu sigo Declan para o lobby para que o manobrista busque meu carro. — Ah, não. — eu suspiro quando olho para frente. — Quanto tempo nós ficamos conversando com Marco? — há muita neve caindo forte e já acumulando, o que deixa impossível eu sair. — Poucas horas. — Declan responde. — Você não pode dirigir nisso, Nina.


— Não, eu sei. — eu digo e, em seguida, balanço a cabeça, acrescentando: — É só... eu disse a Bennett que sairia antes da tempestade chegar. — Perdemos a noção do tempo. Ninguém tem culpa. Você pode ficar aqui. — Eu não tenho nada comigo. — eu digo e Declan solta uma gargalhada tranquila. — O que? — Nina, você está parada em um dos hotéis mais exclusivos da cidade. Eu vou arranjar tudo o que você precisa. — Qualquer coisa? Sorrindo para mim, ele diz: — Vamos lá. — enquanto ele me leva de volta ao seu escritório. Ele, então, pega o telefone dizendo para quem está na outra extremidade para preparar uma suíte na cobertura com todas as comodidades e trazer-lhe a chave. Quando ele desliga, digo-lhe: — Você não tem que fazer isso. Eu não preciso da cobertura. — Você vai ficar ao meu lado. Desta forma, você não será tentada a esgueirar-se para fora e brincar nos elevadores. — brinca como se eu fosse alguma adolescente. — Próxima a você? — eu questiono. — Eu ocupo uma das coberturas. — Você mora aqui? — Não. — ele responde. — Eu tenho um loft em River North, mas também um quarto aqui para quando estou muito cansado para ir para casa, ou, neste caso, fico preso em uma tempestade de neve. — River North? Eu pensei que você vivesse aqui no circuito. — Muito pretensioso para o meu gosto. Sem ofensa.


— Diz o homem que dirige um carro pretensioso. — eu brinco com um sorriso, e, de repente, toda a tensão e frustração de mais cedo parecem deixarnos conforme zombamos levemente um do outro. — Bem, eu não posso discutir o carro, mas é bom deixar o circuito no final do dia e fugir para um lugar que é um pouco mais discreto. Ele diz isso e eu penso de novo no restaurante do café da manhã, que ele me levou na outra semana. Declan definitivamente parece fazer parte e tem o nome que o segue, mas imagino o quanto disso é realmente dele. River North está cheio de riqueza nos dias de hoje, mas ele está certo, não é pretensioso. Depois de um tempo, quando um dos funcionários entrega minha chave do quarto, eu sigo Declan e ele me mostra o quarto. Apenas duas suítes ocupam o andar superior, que só é acessível pelos ocupantes - Declan e eu. — Essa é sua. — ele diz, enquanto me leva para o lado esquerdo do conjunto de elevadores. — Obrigada. — Eu estou do outro lado. — ele me diz. — Então, se você precisar de alguma coisa... — Eu vou ficar bem. — garanto. — Jantar mais tarde? — Estou satisfeita por causa da refeição de Marco. — eu digo. — Acho que vou dormir cedo essa noite. Quando me viro para abrir a porta, ele acrescenta: — Como eu disse, se você precisar de alguma coisa, me avise. — Noite, Declan. — eu digo e, em seguida, entro no quarto, fechando a porta atrás de mim. Olho ao redor, as paredes são sólidas, janelas do chão ao teto mostrando as luzes cintilantes da cidade, que agora está coberta por um manto de neve. O


espaço é grande, com uma sala de conceito aberto, sala de estar, jantar e cozinha. Todos são decorados com estofados de couro elegantes e ricos. Observo a lareira, que está localizada em uma área menor que é separada do resto da sala em uma seção alguns degraus abaixo. Eu faço o meu caminho para o quarto, que é delineado com as mesmas janelas panorâmicas. Coloco meu casaco e bolsa sobre os lençóis brancos felpudos e vou para o banheiro. Eu rio com as excentricidades da equipe de Declan quando vejo todos os produtos de higiene pessoal que eu poderia precisar, além de um conjunto de duas peças de pijamas dobrados dentro de uma sacola de compras da Roslyn Boutique. Pego-os, noto o designer. A qualidade que este hotel oferece é sem dúvida um favor simples para mim. Lotus é conhecido pela exclusividade e privacidade dos seus clientes. Não é qualquer um que pode simplesmente entrar e reservar um quarto. Depois de instalar, trocar para o pijama, e fazer uma xícara de chá quente, eu me sento no chão com as pernas cruzadas, joelhos pressionados contra a janela fria e observo a neve cair sobre a cidade abaixo. Eu penso em como usar essa noite para ganhar vantagem com Declan. Eu sei que deveria encontrar o meu caminho para o seu quarto, e começar a passar por uma variedade de razões pelas quais eu bateria à sua porta. O tempo passa e me perco em pensamentos, e quando olho para o relógio, que está em uma das mesas de centro, são 22:23h. Coloco minha caneca no chão, ao meu lado e minha mente voa para Pike, não consigo evitar a culpa que me atravessa quando penso nele nesse frio, em um trailer em ruínas, enquanto estou sentada no topo da cidade. O clique de uma porta me afasta de Pike, e quando me viro para olhar por cima do meu ombro, eu vejo Declan. — O que você está fazendo no chão, no escuro? — ele pergunta e anda pela sala ampla, na minha direção. — Você tem o hábito de entrar nos quartos de hotel dos seus convidados? Com um sorriso, ele diz: — Tecnicamente, eu não invadi. — ele segura um cartão-chave antes de soltá-lo na mesa de centro, quando passa por ela. — Você poderia ter batido.


Ele dá um passo ao meu lado, onde estou sentada no chão, e eu tenho que inclinar a cabeça para trás para olhar para ele. Ele está com as mãos nos bolsos da calça e olha para fora da janela. — Eu amo a neve. — ele murmura, e sem pensar, eu concordo. — Eu também. Ele olha para mim, o rosto sombreado na sala escura. — Você está bem? — ele pergunta, preocupado por algum motivo. — Por que? — Porque eu vim para te ver e você está no chão, pressionada contra a janela, sem uma única luz acesa. Parece triste. Eu viro minha atenção de volta para a cidade abaixo e respondo: — Eu gosto de ver a neve cair. Ele se senta ao meu lado, seu joelho tocando o meu. Eu permito que passem alguns momentos de silêncio antes de dizer: — Obrigada. — Por quê? — O quarto. — digo a ele. — É lindo. — É apenas um quarto, Nina. — ele fala, minimizando a escala do seu hotel, e mantém seu foco na neve. — Lotus. — eu digo, reconhecendo o nome do hotel. — Interessante escolha. Por que Lotus? — Há algo sobre uma flor bela, quase impecável, que emerge da água confusa. — Hmm. — faço uma pausa antes de afirmar: — A autorreflexão. — sugerindo que o significado tem ligação com ele mesmo. Inclinando a cabeça para olhar para mim, sua respiração suave na minha bochecha, ele diz: — Isso é você tentando me dissecar?


— Existe algo que encontra-se abaixo que eu deveria estar procurando? — Todo mundo tem algo escondido por baixo. — ele olha dentro de mim. Pelo menos é o que ele quer que eu acredite, mas eu não sou transparente. Suavizo de qualquer forma, dando-lhe a sensação de que ele está realmente tendo um efeito sobre mim. Eu pisco algumas vezes e desloco-me, sinalizando a ele que estou nervosa e, em seguida, ele pergunta: — Então o que é? Diga-me o que você acha que encontrou. Tomando uma respiração profunda, eu libero-a com a minha teoria. — Você tem uma aversão pela empresa que detém o seu nome. Ele não se move, e eu acrescento: — Ou talvez a sua aversão seja com o seu pai. — Interessante. Por que falar nele? Eu sorrio e digo: — Vamos lá. Nós dois conhecemos o homem. Ele é um bastardo; você mesmo disse no outro dia. Declan ri baixinho, dizendo: — Você não é delicada com suas palavras, não é? — Será que eu lhe dei a impressão de que sou delicada? Com um leve zumbido, ele me dá um olhar inquisidor, e depois pergunta: — E o seu pai? Ele me pega um pouco desprevenida. Uma alfinetada no único ponto fraco, que eu nunca consegui endurecer. Você quer conhecer a minha fraqueza? Bem, aí está. Eu sinto falta do meu pai. Mudando o foco, eu redireciono, dizendo: — Nós não estamos falando de mim, lembra?


— Claro. — Você ao menos se dá bem com ele? — Tão bem quanto com qualquer outra pessoa. — ele responde. — Essa é uma resposta muito política. Com a mão, ele esfrega meu rosto levemente, pega uma mecha do meu cabelo e enfia atrás da minha orelha, dizendo: — Não importa se você está ou não na política, tudo é política. Todos nós mantemos a aparência para os outros veem nosso melhor lado. Nada é real até você derrubar as paredes e revelar a feiura. — Feiura. — repito, quando olho para ele. — A parte mais verdadeira de uma pessoa é sempre a mais feia. E com a sua atitude evasiva, eu apostaria que você é muito feia por baixo de todo esse brilho. Ele mantém uma cara séria quando diz isso, e a verdade por trás das suas palavras me irrita. Eu sei que sou feia. Mais feia do que a maioria. Estou manchada e decrépita, mas seria amaldiçoada se deixasse ele ou qualquer outra pessoa ver o coração miserável que bate dentro de mim. — Você é um idiota. — eu rebato. — Baby, eu fui chamado de muito pior, por isso, se você está tentando me ofender, vai ter que fazer melhor do que isso. Com um olhar, eu digo: — Eu não entendo você e seus insultos. Eu pensei que você quisesse ser meu amigo. Ele se move para mais perto de mim, e com uma voz baixa, murmura: — Eu não quero ser seu amigo, Nina. Engulo em seco e finjo nervosismo, sussurrando: — Você deve ir. — e ele continua a mover-se na minha direção e depois para cima de mim, me forçando


a deitar no chão com as duas mãos apoiadas em ambos os meus lados. — Declan, isso é errado. — eu ofego. — Por quê? — Você sabe o porquê. — Diga-me que você ama seu marido. — sua voz provoca. — Eu amo meu marido. — Diga-me que não me quer. — ele fala, os olhos presos aos meus. — Eu não quero você. Minha respiração aumenta e fica pesada quando ele abaixa-se sobre o cotovelo e começa a correr a sua mão para baixo, para o centro do meu esterno, entre os meus seios, acrescentando em voz baixa: — Diga-me você não está mentindo para mim. — Eu não estou mentindo para você. Então, com as pernas entrelaçadas nas minhas, ele desliza a mão dentro das minhas calças, sob minha calcinha, separando os lábios da minha boceta e arrastando o dedo pelo meu calor. Ele sorri cautelosamente para mim quando sente o quão estou molhada, em seguida, remove rapidamente a mão, trazendoa para meus lábios e empurrando o dedo na minha boca, dizendo: — Prove suas mentiras, Nina. Sua respiração me banha com suas palavras, e eu cedo, permitindo que a minha língua, por um momento breve e perceptível, envolva o seu dedo, dandolhe a obediência que eu sei que ele anseia, mas por dentro, estou mortificada e enjoada. Eu odeio que meu corpo reaja dessa maneira - ficando molhada por este homem. Afasto e balanço a cabeça para o lado, eu não olho para ele, mas logo sinto o nariz deslizando ao longo do meu pescoço exposto, ouvindo-o inalar o meu cheiro. — Declan...


— Hmm...? Eu rolo minha cabeça para trás e olho diretamente para ele. — Saia de cima de mim. Quando ele não se move imediatamente, eu fecho minhas mãos em punhos e empurro-o fracamente, batendo-as contra seu peito, permitindo que o olhar de culpa lave o meu rosto. — Largue-me agora, Declan. Ele se move para trás e senta-se sobre os calcanhares enquanto levanto e fujo para longe dele, murmurando: — Por favor, apenas vá. Me deixe em paz. — Nina... — Você não pode fazer isso comigo. Eu não sou essa pessoa. Ele estende a mão para mim, dizendo, com pedido de desculpas em sua voz: — Eu não quero chateá-la; você apenas deixa difícil eu me controlar quando estou perto de você. — Por que você está fazendo isso? — Porque eu gosto de você. Porque eu sei que você não está feliz. Eu posso ver você se escondendo, e eu não quero que você faça isso quando eu estiver por perto. — Eu não estou me escondendo. — afirmo com severidade. — Ok, então. — ele libera em frustração. — Você quer que eu aceite isso quando nós dois sabemos que é uma mentira? — Eu não estou me escondendo. — repito, e com isso, ele se levanta e vai embora saindo pela porta. Foda-se! Uma parte de mim quer gritar em vitória, sabendo que eu tenho esse cara pelas bolas, e a outra parte sente que precisa de uma bebida, porque está tão malditamente inundada com intensidade. Eu me deparei com alguns caras no


ano passado, mas nenhum mostrou esse nível de interesse. Todos eles fracassaram antes que qualquer coisa pudesse começar, por isso, a euforia que eu sinto com Declan me dá o poder que preciso seguir em frente.

Eu agora, encontro-me virando na cama, incapaz de dormir, porque minha mente parece que não vai se acalmar. Passa de uma hora da manhã, quando eu decido que a noite com Declan não acabou ainda. Ele quer acreditar que eu estou mentindo para ele sobre o meu contentamento com Bennett, por isso vou dar-lhe razão suficiente para confirmar sua suposição. Jogando as cobertas de cima de mim, eu ando pela sala e saio pela porta. Este andar é privado, então eu vou em frente e passo pelo conjunto de elevadores, até o quarto de Declan. De pé, na frente da sua porta, respiro fundo, e permito que minha mente vá para um lugar que me coloque no estado que eu preciso, quando ele abrir a porta e olhar para mim. Ele precisa acreditar que estou abrigando uma dor profunda, então eu derivo 23 anos. Estou sendo arrancada dos braços do meu pai, vendo-o cair de joelhos enquanto ele é algemado. Eu posso ver as lágrimas caindo pelo rosto dele, e quando sinto meu rosto aquecer com a dor, as lágrimas inundando meus olhos. Eu bato. Luzes. Câmera. Ação. A porta se abre, e eu olho para cima para ver Declan em pé sem nada, além de um par de calças de pijama pendurada sobre os quadris estreitos que ficam abaixo do seu peito largo, esculpido. Minhas lágrimas são pesadas, mas elas não transbordam. Ele dá um passo em minha direção e me puxa para seus braços, o rosto pressionado no topo da minha cabeça, segurando-me


firmemente. Palavras não são ditas quando ele me leva dentro do seu quarto e fecha a porta. Eu mantenho meus braços ao redor da sua cintura no momento em que ele me encaminha de volta para o seu quarto e até a cama. Ele embala meu rosto com as suas mãos, eu olho para ele, e seus olhos estão visivelmente preocupados. — Fique. Com um aceno de cabeça, ele puxa os lençóis para trás, e eu rastejo em sua cama quente. Ele segue, trazendo-me para seus braços. Seu corpo pressionado contra o meu, a minha cabeça encostada em seu peito, eu tomo o conforto que preciso neste momento. Minha mente não está com Declan ou Bennett ou esse todo fodido cenário, está com o meu pai. Abro o portão por um segundo para enganar Declan e agora tenho cinco anos de idade, assustada e perdida. A primeira lágrima cai, e eu odeio expor essa fraqueza. Uma coisa é fabricar a dor para enganar, mas o meu pai é muito real, e isso dói. Eu não quero pensar muito, então, enquanto Declan me conforta pelo que ele acredita que é Bennett, tomo o consolo para o meu pai. Nenhum de nós diz uma palavra enquanto eu silenciosamente luto para conter as poucas lágrimas que caem livres e todo o tempo o abraço de Declan é firme e forte em torno de mim. Eu entrelaço as minhas pernas com as dele e, eventualmente, permito-me adormecer lentamente.


Capítulo Onze Presente

E

m pé na frente das

janelas, eu olho para baixo e vejo os removedores de neve passar através da cidade, limpando as ruas. Eu saí do quarto de Declan cedo esta manhã, enquanto ele ainda estava dormindo. Eu queria construir o mistério e a perseguição, e acordar em seus braços deixaria muito fácil para ele, e pelo que eu aprendi sobre os homens, fácil leva a um investimento superficial. Eu preciso que Declan esteja totalmente imerso se eu quiser que isso funcione, então eu calmamente escapei do seu quarto. Dou risada quando ouço a batida na minha porta, desde ontem à noite ele tomou para si a tarefa de apenas sobrepor a mim sem nenhum aviso. Mas não é Declan de pé do outro lado; é o serviço de quarto. — Senhor McKinnon pediu café da manhã para você esta manhã. — ele diz, enquanto empurra um carrinho coberto de branco com um café preparado em French press9, um prato de frutas frescas e donut. — Quando foi feito esse pedido? — pergunto. — Talvez uma hora ou mais atrás, Sra. Vanderwal. — ele diz. —Posso lhe servir uma xícara? — Não, obrigada. 9

Forma de preparar café coado extraindo todo o sabor dos grãos.


— Gostaria de algo mais? — Parece que o Sr. McKinnon cobriu todas as bases dele esta manhã. Mas obrigada. — eu digo a ele, antes dele se virar para sair. A boca do meu estômago aperta, esta exibição devia agradar-me, mas em vez disso, a irritação me invade. Eu nunca deveria ter procurado pelo conforto dele na noite passada. Foi um movimento tolo da minha parte, e agora eu estou chateada comigo mesma. Deixo a comida e o café vou para o chuveiro para me limpar. Não tendo qualquer outra roupa, além da que eu usava ontem e os pijamas, eu escorrego de volta para o meu vestido e passo um pouco de pó compacto no rosto, que estava na bolsa e, em seguida, seco o cabelo. Bennett liga no final da manhã, preocupado por eu ter ficado presa na tempestade de ontem, mas garanto-lhe que estou bem e devo estar em casa mais tarde hoje, agora que as ruas da cidade foram limpas. Conversamos por um tempo, e quando ouço outra batida, é então que nos despedimos e desligamos. Quando abro a porta, Declan entra direto, parecendo mais arrumado do que eu em seu terno branco de botão, deixado aberto no pescoço, e sem gravata. — O que, sem invasão na entrada hoje? — eu digo, minhas palavras atadas com o resto da irritação de mais cedo. — Eu deixei a chave na sua mesa de centro na noite passada. — ele responde e caminha até o carrinho de comida. — Você não tocou em nada. — Eu não preciso que você peça para mim, presuma que você sabe o que gosto de comer ou que é o seu direito sequer fazer suposições sobre mim. — rebato enquanto entro na cozinha para colocar a chaleira no fogo. — Então, estamos de volta à cadela de aço, Nina? Viro para olhar para ele, e digo: — Eu vou tomar uma xícara de chá e, em seguida, eu gostaria que o meu carro estivesse pronto para que eu possa ir para casa. — Ainda está nevando.


— Os arados iniciaram a sua operação. Ele caminha até a cozinha e fica de pé, próximo ao bar e pergunta: — O que aconteceu com você esta manhã? Eu acordei e você não estava lá. — O seu ego está ferido? — eu digo com um sorriso condescendente que o irrita. Ele circula o bar, me coloca de costas na bancada, e sibila: — Agora é hora de você parar com a merda. — a chaleira começa a chiar, e antes que eu possa voltar para buscá-la, ele estende a mão para o fogão e bate com força na chama, assustando-me, e desliga. Enjaulando-me com os seus braços, seu tom é duro quando ele diz: — Seus jogos estão começando a me irritar, e eu não gosto que joguem comigo. — E o que dizer dos seus jogos, Declan? Que você tem feito desde a noite em que te conheci? — Eu não me desculpei com você? — ele questiona. — Não se esqueça de que você veio até mim na noite passada. — Momento de fraqueza. Não vai acontecer de novo. Então, se você estiver esperando... — Deus, você é fodidamente irritante. — O sentimento é mútuo. — eu digo, quando movo para empurrá-lo, e quando ele mantém sua postura e não se move, eu falo: —Deixe-me sair. — Não. Empurrando minhas mãos contra o peito endurecido, eu fico irritada. — Estou falando sério, Declan. Para trás! — Não. — Deixe-me ir!


— Não até que você pare de mentir para mim. Pare de mentir, e me diga por que você veio até mim na noite passada. Pressionando meu peito contra o dele, eu estreito meus olhos, dizendo: — Eu já te disse. Momento de fraqueza. Ele agarra-me acima dos cotovelos, apertando com força antes de dizer: — E falei para não mentir. Eu fecho minhas mãos em punho, empurro meu corpo para longe dele, e ele me solta. Ele fica para trás, enquanto eu atravesso a sala, colocando espaço entre nós, e vou até as janelas. — Você acha que eu gosto de me envolver com uma mulher casada? — ele pergunta. Passo os braços ao meu redor, e mantenho as minhas costas para ele. — Você acha que eu sou um idiota? — ele continua. — Junte-se ao clube. Eu sou a porra de um idiota, mas não consigo evitar o jeito que me sinto quando você está por perto. Eu posso sentir o calor dele conforme ele se move atrás de mim. Suas mãos encontram meus ombros, e ele gentilmente puxa para me virar para encará-lo, mas eu lanço meus olhos para baixo. — Diga-me que não estou sozinho aqui, ou que estou, porque no momento que acho que te entendo, você muda comigo. — quando eu olho para ele, seus olhos estão esperançosos pela minha resposta. — Diga-me por que você veio até mim na noite passada. — Por que... — eu começo, mas deixo no ar. — Fale para mim. — Porque eu não queria ficar sozinha. — Por que?


— Declan... — eu hesito. — Por que, Nina? Abaixo a cabeça, minha voz falha perfeitamente quando eu digo: — Porque eu sou solitária. — ele passa as mãos dos meus ombros, até meu pescoço, e minhas bochechas, inclinando-me para ele. Quando olho nos seus olhos, adiciono: — Se ele está aqui ou não, eu sou sozinha. — E quando eu estou aqui? — ele questiona. — Eu não me sinto tão sozinha. Ele solta um suspiro e deixa cair sua testa na minha e eu aperto minhas mãos ao redor dos seus pulsos. — Eu sinto muito. — ele diz. — Eu fui um idiota com você ontem. — Eu não fui muito legal também. Ele levanta a cabeça, dizendo-me: — Não vá. Fique. Deixe-me compensála. — Eu não posso. Eu preciso ir para casa. — Por que? Com uma leve risada, eu digo: — Bem, por um lado, eu preciso trocar para algumas roupas limpas. — Então vá para casa e troque-se. Vou te buscar. — O que vamos fazer? — pergunto. — Quando foi a última vez que você se divertiu? — eu dou de ombros e ele diz: — Portanto, vamos ter um pouco de diversão.


Algumas horas mais tarde, eu estou de volta em casa. Declan ligou há pouco tempo, falando que estava vindo e se assegurando que eu estava agasalhada. Então, eu tive que aceitar, uma vez que as temperaturas estão nada menos do que árticas e a neve continua a cair. Quando o porteiro chama para me informar que Declan está aqui, eu pego o meu casaco de lã, cachecol, luvas e chapéu de tricô. Vejo Declan de pé no lobby, quando as portas do elevador se abrem, e é a primeira vez que eu o vejo usando uma calça jeans escura e suéter cinza sob o seu casaco de lã preto. Ele parece compenetrado, e quando se vira para mim, seu sorriso cresce. — Você está pronta? — ele pergunta, enquanto caminhamos na direção um do outro. — Eu não tenho certeza. — eu respondo com cautela. — Eu não sei o que vamos fazer. — Venha. Eu sigo-o para as portas da frente e vejo o seu carro estacionado ao longo da rua, mas ele me leva na direção oposta. — Nós não vamos de carro? — Não. Eu coloco o meu chapéu marfim de lã e envolvo meu cachecol mais algumas vezes ao redor do meu pescoço enquanto ele observa com um sorriso e, em seguida, estende a mão para mim. Eu não pego-a por causa do risco de alguém me ver, então quando começo a andar, ele coloca a mão na parte inferior das minhas costas e nos leva para a frente do Millennium Park. —Você sabe que está fechado, certo? — pergunto quando ele nos leva à pista de gelo. — A neve está muito espessa. — Ele está fechado para todos na cidade, exceto para você. — O que?


— Senhor McKinnon. — um jovem cumprimenta no momento que nos aproximamos da pista. — Walter, obrigado por fazer isso. — diz Declan e eles apertam as mãos. — A qualquer hora, cara. — ele responde e então olha para mim, perguntando: — Você está pronta? — Vamos patinar? Declan ri, e Walter diz: — Esse é o acordo que fizemos. Você já patinou? Um pouco constrangida, digo-lhe: — Na verdade... não. Não patinei. — Nunca? — Declan pergunta, e quando balanço minha cabeça, ele fala: — Mas você mora aqui no parque. — quando dou de ombros, ele brinca: — Isso vai ser divertido. — e eu sorrio para o seu sorriso travesso. Depois de pegar os nossos patins, Walter abre o portão para a pista, e eu agarro a grade de metal enquanto Declan anda no gelo com facilidade. — Pegue a minha mão. — ele instrui, vendo meu nervosismo. — Isso é constrangedor. — digo a ele. — Bom. — Bom? — Você é sempre tão tensa, Nina. — ele fala. — Vamos lá, pegue minha mão. — Eu vou cair de bunda. Ele patina na minha direção, estendendo ambas as mãos, e diz: — Deixe o parapeito de lado e pegue as minhas mãos. Coloco uma mão na sua e piso no gelo antes de largar o corrimão e dar minha outra mão para ele. Não leva mais do que um segundo para o meu


equilíbrio vacilar, e eu cair em seu peito. Ele agarra minha cintura, rindo, e diz: — Relaxe. Você é muito dura. — Está muito frio aqui fora, e você me colocou no gelo. Eu não consigo relaxar. — resmungo. — Pare de reclamar. — então, ele pega minhas mãos de novo e começa a patinar para trás, enquanto desliza-me para frente. —Tente mover seus pés. — Uh uh. Eu vou cair. Com um sorriso no rosto, ele pergunta: — Por que você é tão teimosa? — Você está falando sério? Eu poderia te fazer a mesma pergunta. — Só por hoje, por que não tenta confiar em mim? Enquanto ele continua a segurar minhas mãos e me puxar ao redor da pista, patinando para trás com controle total, questiono: — É disso que você gosta? Ter alguém que apenas te obedeça e nunca exprima a sua opinião? — Não, Nina. Não se trata de obedecer, é sobre confiança; algo que eu não acho que você faz com muita facilidade. — A confiança pode ser cara. — argumento. — Ou pode ser reconfortante. Ele mantém os olhos fixos em mim quando eu finalmente cedo e, com um suspiro, concordo: — Tudo bem, tudo bem. Um dia. Seu sorriso é arrogante, e eu balanço minha cabeça para ele, perguntando: — Como você conseguiu abrir a pista para nós? — Walter fez algum trabalho para mim no hotel durante a construção. Então eu liguei para ele, dei-lhe alguns dólares, e aqui estamos nós. — Tudo é assim tão fácil para você?


— Não. — ele fala com um olhar penetrante. — Algumas coisas eu tenho que trabalhar. Ele fala e eu abaixo o olhar para quebrar a tensão, e quando faço isso, perco o meu equilíbrio, tropeçando nos meus pés. Eu agarro o seu casaco enquanto caio dura, de bunda, puxando-o para baixo comigo. Ele paira sobre mim, rindo, enquanto eu estou de costas. — Minha bunda está ficando molhada. — eu digo e tento sentar, mas ele não me permite, com o seu corpo deitado em cima do meu. Seus dedos correm pelo meu cabelo, e ele murmura: — Seu cabelo vermelho é bonito com neve nele. Um arrepio percorre-me do frio do gelo, e ele se afasta, ficando estável em seus pés antes de ajudar-me. — Já chega? Dou-lhe um aceno de cabeça, e ele me ajuda a sair do gelo e até um banco. Quando nos sentamos, ele puxa os meus pés para o seu colo e começa a desamarrar os cadarços dos meus patins. Desliza-os para fora dos meus pés, corre seus polegares firmemente no arco do meu pé, massageando ao longo do caminho, antes de repetir o mesmo no meu outro pé. Eu o observo enquanto ele faz isso, e não desvia a atenção para longe dos meus olhos em nenhum momento. A adoração que ele exala é palpável, e é uma pena que seja desperdiçada em alguém como eu, mas eu vou aceitar e usá-la para o meu benefício. Pegamos nossos sapatos e agradecemos Walter antes de correr de volta para o meu prédio. Ele vai até seu carro, pega as chaves e abre a porta do passageiro. — Entre. — Aonde vamos? — É o meu dia de você confiar em mim. — ele fala. — Entre.


Eu passo por ele e deslizo no assento de couro da sua Mercedes antes que ele feche a porta. Quando ele entra, liga o carro e sai para as ruas desertas da cidade. Eu fico quieta durante o trajeto conforme nos dirigimos para o norte da Avenida Michigan, em direção a River North. Olho para ele, que vira a cabeça para mim, questionando: — O que? — Você está me levando para a sua casa? Ele me dá uma piscadela, e quando abro a boca para falar, ele me interrompe, lembrando: — Um dia, Nina. Entramos na garagem, na parte superior do edifício, dirigimo-nos para dentro e para o elevador. Ele digita um código no painel antes de digitar P. — Você está nervosa por estar aqui? — ele pergunta enquanto subimos. — Eu deveria estar? Ele dá um passo na minha direção, pega a minha mão quando as portas abrem, e nós saímos do elevador e para uma sala de estar impressionante. Ele possui todo o andar superior, e quando olho para a sala de estar enorme com vários objetos de decorações, o teto abobadado, noto o detalhe arquitetônico do design moderno. Perto das paredes de vidro sólidas, que dão vista para a cidade, e contra a parede oposta, uma enorme cozinha de chef Archlinea10. Percebo a escada de aço inoxidável e pergunto: — O que tem lá em cima? — Um deck no terraço privado. — Este lugar é incrível. — eu digo e dou mais um passo para o loft. Por mais impressionante e espaçoso que seja, é acolhedor e confortável, um sentimento que eu aprecio, porque é tão distante do que minha casa aparenta. — Café? — ele pergunta.

10

Empresa italiana de design de cozinha.


— Por favor. — tirando o meu casaco e cachecol, coloco as minhas coisas em um dos sofás e caminho até o sofá que está mais próximo da grande lareira. Declan logo se junta a mim, me entregando uma caneca e, em seguida, acende a lareira, antes de se sentar ao meu lado. — Há quanto tempo você mora aqui? — Desde que me mudei para Chicago, mais ou menos dois anos atrás. — É um espaço grande para apenas uma pessoa. — Diz a mulher que vive na cobertura do The Legacy. — ele comenta com um sorriso, e eu rio. — Era a casa do meu marido desde antes de eu conhecê-lo. — defendo. — Você gosta de lá? — Aprendi a gostar. — eu respondo. — Sou apenas eu lá na maior parte do tempo, uma vez que Bennett trabalha e viaja muito. Ele não responde e toma um gole de café, então coloca em cima da mesa de centro. Vira para mim, e diz: —Eu quero saber sobre você. — O que você quer saber? — O que você estudou na faculdade? Você trabalhou antes de casar? Eu quero saber quem você é, além da esposa dele. — ele fala, conforme ajeita o corpo para me encarar. Eu embalo a caneca em minhas mãos, absorvo o calor, e respondo: — Eu estudava História da Arte da Universidade do Kansas, quando meus pais morreram durante o meu terceiro ano. — Como eles morreram? — ele pergunta. Ele não responde como a maioria das pessoas quando você menciona morte. Ele nunca diz sinto muito, pedindo desculpas por algo que não teve nada a ver, e eu aprecio isso, mesmo que eu esteja alimentando-o com mentiras.


— Um tornado atingiu a casa em que cresci. Eles foram encontrados sob os escombros poucos dias depois. — digo a ele. — Eu era apenas uma criança, por isso, quando descobri que eles tinham feito empréstimos e uma segunda hipoteca sobre a casa para pagar minha faculdade, não havia dinheiro. Eu tive que largar a minha matrícula do próximo semestre e nunca mais voltei. — O que você fez? Eu levanto as pernas para cima, dobro-as na minha frente e respondo: — Eu estava sozinha, então eu fiz o que tinha de fazer para sobreviver. Eu trabalhei em vários empregos apenas cobrir o meu aluguel e pagar minhas contas. — Então, como você veio parar aqui em Chicago? — ele pergunta. — Depois de alguns anos, eu estava deprimida e indo a lugar nenhum. Todos os meus amigos já tinham se formado e seguido em frente com suas vidas, enquanto eu estava presa. Eu precisava de uma mudança, então arrumei o pouco que eu tinha e trouxe para cá. Sem motivo, na verdade. — eu digo. — Eu tinha dinheiro suficiente apenas para um depósito para um pequeno apartamento estúdio e comecei um trabalho para uma empresa organizadora de festas. Eu costumava trabalhar nessas festas extravagantes, e tão estúpido quanto parece, mesmo que eu não fosse nada, exceto a empregada, eu costumava fingir que era parte daquele mundo. A parte que não tinha uma preocupação no mundo, poder usar vestidos bonitos e beber champanhe caro. Um mundo que eu nunca faria parte até que fui contratada para trabalhar em uma festa para Bennett Vanderwal. — Assim que você o conheceu? — Patético, hein? Faz-me uma espécie de caçadora de ouro, mas não foi nada disso. — digo a ele. — Pela primeira vez em muito tempo, eu não me senti tão perdida. E quando ele olhou para mim, ele não viu a menina pobre do Kansas que correu para escapar da sua vida miserável. Conto essa mentira para Declan e o olhar no seu rosto é de tristeza, mas a vida que ele sente mal por eu ter tido é uma vida que eu teria feito qualquer coisa para ter. Deus, se ele soubesse a verdade sobre como cresci, ele


correria. Não é uma história que alguém em sã consciência iria querer ouvir. É o tipo de história que as pessoas querem acreditar que realmente não existe, porque é muito difícil para o estômago. É um lugar muito escuro para as pessoas ao menos considerarem ser realidade. — E agora? Olho para a minha caneca e observo as faixas de vapor flutuarem para fora do café e se dissolverem no ar conforme respondo com falsa apreensão. — E agora eu percebo que sou aquela pobre garota que correu. A garota que ele nunca viu em mim. É como se eu acordasse um dia e de repente percebesse que eu realmente não encaixo em tudo isso. E já não estou certa do meu lugar neste mundo. Declan move-se para pegar a caneca das minhas mãos e coloca-a em cima da mesa e fecha o espaço entre nós. Toma as minhas mãos nas suas e pergunta: — Você o ama? Com timidez, eu aceno com a cabeça, murmurando: — Sim. Quando ele inclina a cabeça questionando, acrescento: — Ele me ama. Ele cuida de mim. — Mas você se sente sozinha. — ele afirma. — Não. — Não o que? — Não faça-me falar mal dele. — eu respondo. — Eu não quero isso. Tudo o que eu quero é que você fale honestamente comigo. — É isso que eu estou fazendo, mas... — Deixo cair a minha cabeça, hesito, e ele insiste: — Mas...? — Parece errado falar com você desse jeito.


— Pareceu errado quando você estava na cama comigo ontem à noite? — ele questiona. — Sim. Sua voz é baixa e com propósito, perguntando: — Quando pareceu errado? Quando você entrou na minha cama ou quando escapou dela? Eu tomo um momento e engulo em seco antes de responder: — Quando eu escapei. Sua mão encontra seu caminho para o meu cabelo, enfiando através das tranças, e, então, ele orienta-a para a minha bochecha, com a outra mão ainda segurando a minha. Com uma voz fraca, ele diz: — Eu quero te beijar agora. Levanto a minha mão até o a dele, que está no meu rosto, seguro seu pulso, fecho meus olhos, e imploro fracamente: — Não faça isso. — Por que? — Porque eu não quero que você faça. — Por que? Abro os olhos para ele e digo: —Porque é errado. — Então, por que não parece assim? — Talvez não agora, mas eventualmente vai. Ele solta a sua mão da minha e recua. Eu permito, porque agora ele está apenas com fome e eu preciso dele morrendo de fome - voraz. Eu preciso dele muito apaixonado por mim. Mais do que acredito que ele seja capaz agora. Então, vou mantê-lo distante um pouco mais, porque parece estar funcionando.


Capítulo Doze Presente

B

ennett continua a me

ligar todos os dias para checar, como de costume. Ele sente minha falta. Nada de novo. Deixe-o sentir minha falta. Deixei Declan sentir minha falta também. Os dois homens, comem na palma da minha mão desonesta. Fantoches mortais. Fantoches tolos. A viagem para Justice é longa por causa de toda a neve nas estradas. Da apresentação cênica de Natal na cidade, até a favela silenciosa do gueto – eu sinto falto do Pike, não importa onde esteja. Eu pego minha chave quando estaciono o meu carro e entro. Os sons de uma mulher gemendo, quase teatralmente, escapam do quarto do trailer. O metal da estrutura da cama rangendo complementa o ritmo em que Pike transa com ela. O gelo dentro do meu estomago é repugnante, e eu volto para o meu carro para esperar a garota sair. Se você acha que eu estou com ciúmes, você está errado. Eu não me importo com quem Pike fode. Eu não me importo com quem qualquer pessoa fode. Para mim, o sexo é nojento. É o meio para um fim. Se você não está miserável, eu não vejo o ponto. Meu corpo costumava rejeitar o ato, me forçando a vomitar depois. Inferno, às vezes eu vomitava durante o sexo. Eu tenho conseguido evitar a náusea, mas a sensação de sujeira do ato permanece. Com Bennett, tornei-me dormente e vazia quando transamos. Eu costumava ser dominada com ódio quando ele enfiava dentro de mim, mas eu


travei aquilo rapidamente, e agora a ilusão de que o que temos não é apenas sexo, mas amor, é uma coisa que ele nunca questionou. Sim, eu sou uma boa atriz. Eu vejo como a neve se acumula no para-brisa, e com o barulho de uma porta, eu me volto para o trailer para ver uma mulher de aparência patética descendo a escada com seu casaco de pele roxo, surrado em volta dela. Ela provavelmente pensa que está na moda, mas ela só parece uma vadia. Quando ela entra no seu Buick11 enferrujado, viro para ver Pike de pé, braços apoiados sobre os lados da moldura da porta, calças desabotoadas, sem camisa, e tatuagens em plena exibição. Ele sorri ao olhar para mim, e quando saio do carro, ele pergunta: — Está aqui há muito tempo? — Não muito tempo. Ele fica de lado quando entro, e bate a porta para fechar. — Eu não esperava vê-la tão cedo. — Bennett está fora da cidade. Estará por mais uma semana. — explico e coloco meu casaco e bolsa na beirada do sofá. Ele acende um cigarro, e quando dá uma tragada, dou um passo para abraçá-lo. Ele me dobra em seus braços e sinto um cheiro de perfume. Afastome e ele questiona: — O que é? — Eu posso sentir o perfume barato dela em você. Ele ri de mim e balança a cabeça. — O que te deixou tão irritada? Suspirando, viro-me em direção do sofá, sento, e libero uma respiração pesada, dizendo: — Estou cansada. — Imagino. — ele murmura, quando se junta a mim no sofá. — Então, como é que vai com o cara? 11

Marca de carro.


— Declan? De Boa. Muito bom. — Onde você está com ele? — ele pergunta. — Eu estou trabalhando nele. — eu digo. — Ele está com ciúmes de Bennett. — Só isso? Vamos lá, Elizabeth, ilumine-me. — Temos passado tempo juntos. O que você quer que eu diga? Ele gosta de mim; é evidente. Passamos o dia juntos ontem. — O que vocês fizeram? — Ele me levou para patinar no gelo. — eu digo com um pequeno sorriso, e seu rosto se contorce, antes que ele rebata: — Que porra é essa? — O que? — minha voz é sombria em defesa. — Você está me gozando, certo? Você estava de patinação no gelo como uma criança maldita quando deveria estar seduzindo esse bosta. E enquanto você está lá fora vagabundeando, eu estou vivendo nessa merda. Seu tom acende o meu temperamento. Levanto do sofá, olho para ele, e cuspo minhas palavras: — Foda-se, Pike. Você não sabe nada do que estou fazendo, por isso sente-se quieto, foda o lixo que entra aqui, e deixe-me lidar comigo mesma. — Lidar consigo mesma? — ele zomba. — Tic-tac, tic-tac. —

Você

quer

velocidade

nessa

merda? Você

está

cansado

de

esperar? Então, contrata um dos seus amigos de rua brutais para cuidar dele e economize meu próprio tempo. — eu ataco. — Você está gastando muito desse tempo. Ando pela sala, aperto minhas mãos nos meus lados e respiro fundo antes de voltar para ele. — Basta lembrar que ambos concordamos em manter as nossas mãos limpas nisso. Contratando alguém, temos um link direto para o


nosso plano. O acordo foi que nunca falaríamos as palavras, que nós simplesmente incitaríamos uma pessoa contra ele. Você acha que poderia fazer um trabalho melhor? Ele joga a ponta do cigarro no cinzeiro, na bandeja na mesa de centro e então, diz: — Não, a menos que eles prefiram paus a bocetas. — Deus, Pike. — eu fervo e fecho a mão em punho no meu cabelo, e quando eu largo minhas mãos ao meu lado, eu digo: — Eu estou tão cansada de brigar com você. É tudo o que parecemos fazer ultimamente, e estou cheia disso. — Vantagens de um irmão mais velho. — ele fala com um sorriso pomposo. Murmuro sob a minha respiração: — Eu acho. — agarro meus quadris com as mãos e olho para ele. Ele fica lá olhando para mim, e eu não posso deixar de rir do seu comportamento, cheio de ego. — Você realmente me deixa louca. — digo a ele. — Eu sei. Com um aceno de cabeça, eu acrescento: — E você precisa parar de duvidar de mim. Isso me irrita. — Eu sei. — ele repete com rendição. — Venha aqui. Com um gemido infantil, eu faço o meu caminho até ele e teimosamente aceito seu abraço, e, em seguida, brinco: — Sério, o perfume barato dela faz o meu nariz queimar. — Você é tão superior e poderosa agora, hein? Não se esqueça de onde você vem. — Como eu poderia? Ficamos ali por um bom tempo, até que consigo o conforto dele que senti falta desde a última vez que o vi, antes de finalmente falar novamente: — Eu tenho um bom pressentimento sobre ele, Pike.


— Hmm. — Ele já está apaixonando. Ele não esconde bem. — Eu me preocupo com você. — ele fala, e eu inclino a cabeça para trás para olhar para ele, questionando: — Por quê? — Porque eu sei como é difícil para você ficar com Bennett. Eu me preocupo como isso vai afetá-la quando você acrescentar outro cara nisso. Eu sei que Pike é genuíno em seus sentimentos por mim. Nós somos uma família, e eu percebo que ele se preocupa. Ele sempre fez isso. Mas eu o lembro. —Dura como o aço, certo? Com um aceno de cabeça, ele mantém o braço ao redor dos meus ombros, enquanto caminhamos de volta para seu quarto. É rotina nos nossos encontros, sexo. Transamos cada vez que eu venho vê-lo, lembra-me da única pessoa em quem posso confiar nesse mundo, a única pessoa que sempre tomou conta de mim. Suas calças ainda estão desabotoadas, portanto, com um puxão, elas caem até os tornozelos e ele pula fora. Eu deito de costas na cama, a cama, que ele acabou de foder outra menina, mas eu não poderia me importar menos. Meu corpo

é

totalmente

inútil,

por

isso

dou-o

livremente

sem

pensar

muito. Desabotoo minhas calças, vejo como ele bombeia o pau dele algumas vezes, e quando ele estende a mão para verificar se estou pronta, ele sente o quão seca estou. Eu quero sexo com ele, mas a maior parte do tempo, eu me esforço para me excitar. Isso não pareceu um problema quando Declan me apalpou na outra noite, mas mais frequentemente do que não, eu preciso de um pouco de ajuda. Pike abre mais os meus joelhos e cospe sua saliva em mim, para me molhar, e passa os dedos pelas minhas dobras para espalhá-la. Quando eu doulhe um aceno de cabeça, ele se toca e empurra para dentro de mim. Fecho bem os meus olhos e aperto meus braços ao redor dele enquanto ele me fode, limpando minha cabeça e limpando as manchas de Bennett, e agora, de Declan.


Na volta para casa, Clara está na cozinha. Eu desenrolo o lenço ao redor do meu pescoço e caminho até a cozinha para cumprimentá-la. — Clara, oi. — eu digo e olho no fogão para ver o que ela está fazendo. — Aí está você. Parece que estamos sempre nos desencontrando uma da outra. — Cheira bem. — eu digo, olhando para a frigideira de strogonoff de carne. Com um sorriso, ela responde: — Eu achei que você poderia gostar de alguma comida caseira com o inverno desagradável que temos tido. Abro a geladeira para retirar um refrigerante de gengibre, dizendo: — É perfeito. Eu não comi o dia todo, na verdade. Virando-se para mim, ela vê a minha bebida e pergunta: — Você está com dor de estômago? — Um pouco. Eu sempre tendo a me sentir um pouco enjoada depois das minhas visitas ao Pike. O pós sexo seguido pelo adeus é perturbador. Tende a ter esse efeito sobre o meu estômago quando saio, voltar para dentro da máquina sem emoções que fui forçada a me tornar desde que era uma garotinha. — Há um pacote do Sr. Vanderwal na sala de estar. Ele foi entregue hoje cedo quando você estava fora. — ela diz, e quando eu ando mais, eu vejo a caixa branca grande, envolta em uma fita de cetim dourada. Meu estômago se agita, e eu dou outro gole em meu refrigerante de gengibre.


Eu pego a caixa leve e desato a fita, deixando cair para os lados. No interior encontra-se uma máscara para o baile. Preta, cortada a laser, o que lhe dá uma aparência quase demoníaca, sedutora. Os laços negros, de dupla face de cetim, penduram quando eu a tiro da caixa. Provavelmente é mais perfeita do que qualquer coisa que eu poderia ter encontrado por conta própria, e isso me irrita, o fato dele ser tão bom em quase tudo o que faz. Eu procuro por um bilhete na caixa, mas não tem, então eu viro e pergunto para a Clara: — Havia um bilhete ou qualquer coisa com isso? — Não, querida. — ela responde por cima do ombro da cozinha e, em seguida, meu celular toca. Encolho-me quando vejo quem é no visor, e respondo com charme. — Jacqueline, Olá. — Onde você estava? — ela está irritada ao perguntar. — O que você quer dizer? — Neiman? Fazer Compras? Ontem? Deixei escapar totalmente da minha mente que deveria ter encontrado as meninas ontem. Eu fiquei tão distraída por passar a noite no hotel e depois sair com Declan que não me ocorreu que, em vez de estar com ele, eu deveria ter ido no Neiman. — Eu sinto muito; eu devo ter esquecido. Você não está com raiva de mim, está? — Eu não estou, mas Catherine estava espalhando por aí sobre como você tem agido como uma cadela com ela. E esta é a merda que eu odeio sobre essas mulheres. Eu não tenho absolutamente nada em comum com qualquer uma delas. Elas têm tempo demais em suas mãos e parecem desfrutar se enchendo com drama mesquinho. Elas são todas mimadas e com títulos, e ainda sou obrigada a sorrir e aguentar, então eu respondo: — Eu nem sequer falo com Catherine, exceto quando estamos todas juntas.


— Exatamente. Ela pensa que você se acha melhor do que ela. Eu sou. Tão doente como eu posso ser, ainda sou melhor do que a superficialidade delas. — Jacqueline, você sabe que eu não gosto de fofoca, por isso, se não houver qualquer outra coisa, eu vou desligar. — Eu queria que nos encontrássemos em breve. Faz tempo, desde o encontro no Lotus, eu acredito. — ela fala. — É claro. Vou ver minha agenda e ligo para você. — eu respondo antes de nos despedirmos. Caminho até Clara e sorrio, enquanto ela se move em torno da cozinha. Pergunto-me por um momento como que a minha vida teria sido se eu tivesse tido uma mãe. Por um lado, eu nunca teria ido para um orfanato após a prisão do meu pai. Eu nunca conheci a minha mãe. Eu não sei nada sobre o que aconteceu com ela, uma vez que a única pessoa que poderia ter explicado isso para mim era o meu pai, e eu era muito jovem quando ele foi para a prisão. Eu vi algumas fotos para saber que herdei o meu cabelo vermelho dela. Ela o usava em um corte curto, enquanto o meu é longo com apenas algumas ondas. Ela era bonita. Eu costumava imaginar a sua vida com o meu pai quando estava amarrada no armário. Ela sorria e beijava o meu pai, e eu me encolhia, mas secretamente adorava vê-los assim. Ela me abraçaria à noite, me balançaria, enquanto meu pai cantaria para mim. Ele sempre cantava para mim durante a noite. Eu nunca vou esquecer o som da sua voz enquanto eu dormia. A parte de cima do meu nariz formiga com o pensamento dele, e eu nem sequer percebo o quanto meus dentes estão cerrados, quando Clara pergunta: — Você está bem? Libero os meus dentes para responder, e uma dor dispara através das minhas gengivas no reflexo. — Você vai ficar para o jantar? Seu sorriso caloroso penetra meus pensamentos tristes, e eu sorrio de volta para ela, quando diz: — Eu adoraria. — ela se vira para puxar um par de


pratos para baixo e pergunta: — Agora me diga, o que seu adorável marido lhe enviou? — Uma máscara muito bonita para o baile. — Você já comprou um vestido? Ela coloca os nossos pratos quando começamos a falar sobre todos os detalhes da festa que estive trabalhando. Nós comemos, conversamos e rimos, e por um momento, eu finjo que ela é minha mãe. Mas só por um momento.


Capítulo Treze Passado

A

manhã

é

o

meu

aniversário. Você pensaria que estou animada por chegar aos dez anos de idade, mas é apenas mais um lembrete de que a vida não vai ficar melhor. Eu costumava ir para a cama à noite pensando que amanhã seria um novo dia, um desejo esperançoso às estrelas. Mas as estrelas não concedem desejos. Eu vivo nessa casa com Pike há quase dois anos, e agora eu sei que amanhã é nada, exceto uma repetição do dia anterior e as estrelas não são nada além de pedras queimadas. Gostaria de saber se vou ao menos ser deixada fora deste armário no meu aniversário. Improvável. Este é o lugar onde eu passei quase todo fim de semana desde o dia primeiro que Carl me amarrou um ano e meio atrás. Quando eu contei para Bobbi o que tinha acontecido, a sua resposta foi: — Bem, o que você fez para provocá-lo? — sim, resulta que ela não dá a mínima para mim ou Pike. Não somos nada mais do que o seu salário. Um meio para sobreviver, para pagar suas contas e colocar comida na mesa, a comida que eu raramente consigo comer, já que estou sempre trancada, com minhas mãos amarradas. Eu sinto como se vivesse na escuridão mais do que na luz. Pike foge para baixo todas as noites para falar comigo. Não houve uma única noite que ele não gastou comigo fora desta porta. Eu rapidamente aprendi a treinar-me para dormir durante os dias para que pudesse ficar acordada quando Pike viesse me visitar. Eu nunca queria ficar sozinha e sem ele.


Carl gosta de me dar um tapa antes de me amarrar à barra do vestuário, e agora há um cadeado no lado de fora da porta. Eu diria à minha assistente social, mas eu tenho pavor de perder Pike. E não há nenhuma garantia de que a próxima casa seja melhor; pelo menos aqui, eu tenho o meu irmão. Assim, quando minha assistente social idiota decide aparecer, o que é cerca de uma vez a cada poucos meses, eu mantenho a minha boca fechada. Fico de pé e permito que o sangue drene de volta pelos meus braços. Eu faço xixi enquanto espero Pike. A sujeira de passar dias fazendo xixi em mim nem me perturba. Isso costumava me envergonhar, mas agora, é uma segunda natureza. — Elizabeth. — ouço Pike sussurrar, e fico aliviada que eu finalmente o tenha aqui comigo, minha distração. — Hey. — Você está bem? — Eu nem sei por que você ainda me faz essa pergunta. — eu respondo. — Desculpe. — ele diz. — Feliz aniversário. É depois da meia-noite, por isso é oficialmente seu aniversário. — Deseje-me um feliz aniversário quando eu fizer quatorze anos. — eu digo a ele. — Apenas mais quatro anos. — Parece mais como quatrocentos. — eu digo em derrota. Estou começando a sentir como se nunca fosse escapar desse inferno e ver o meu pai. Eu não acredito que a vida possa ser tão boa. — Bem, não são quatrocentos, apenas quatro. — Pike fala. Eu volto para o chão, com as minhas mãos amarradas acima da minha cabeça, e pergunto: — Como é meu aniversário, eu posso escolher o jogo hoje à noite?


— Vá em frente. — Umm... de comida, mas tem que ser comida que não é saudável. — eu digo. Pike e eu brincamos de jogos do alfabeto um com o outro. Um de nós escolhe um tema e a letra que nossas palavras terminam tem que ser a letra que começa a palavra que a outra pessoa tem que falar. Se você não conseguir pensar em uma palavra, você perde. Foi ideia de Pike começar a jogar estes jogos. Eu costumava apenas sentar e chorar quando ele vinha por mim durante a noite, assim, essa foi a sua maneira de manter a minha mente ocupada. — Ok, comida que não seja saudável. — ele começa. — Airheads. —Swedish Fish12. — Mc Lanche Feliz13. — Isso não é um alimento, Pike. É uma refeição. — eu rio. Ele tenta defender o seu jogo, dizendo: — Sim, e do que uma refeição é feita? Comida. — Mas não é um alimento de verdade, porque você pode escolher o que quer nele. — Sim, mas não importa o que você escolher, ainda é lixo. Pike não é nada, exceto sério, em sua argumentação, o que me faz rir. Nossa conexão com o outro é forte. Ele é tudo o que um irmão deve ser: protetor, carinhoso, irritante, e tudo o que eu poderia ter imaginado que um irmão seria. — Uh uh. Você não pode usar isso no jogo. — digo a ele. Eu posso ouvir a irritação em seu suspiro antes que ele diga: — Tudo bem. Ho Hos14. 12

Airheads e Swedish Fish – marcas de doces.

13

Em inglês: Happy Meal.


— Esses são tão bons. Com uma risada, ele concorda: — Eu sei. Continuamos com o jogo, e, eventualmente, eu ganho, certificando-me de esfregar na cara dele, uma vez que ele me venceu as duas últimas vezes que brincamos. Depois de um tempo, Pike tem que voltar para o seu quarto e eu fico sozinha mais uma vez. Descanso minha cabeça contra a parede, fecho os olhos e tento relaxar o suficiente para pelo menos, vagar um pouco, se não ia realmente cair no sono. Eu acordo assustada quando a luz bate em mim. Abro os olhos e rapidamente fecho-os de novo por causa da dor, por estar no escuro durante os últimos três dias. Quem sabia que a luz poderia ser tão dolorosa? Mas é. Sempre leva um par de horas para os meus olhos ajustarem. Posso sentir o cheiro do Carl junto com o cheiro da minha urina, e eu fico chocada quando ele começa a soltar o cinto de couro que ele usa para me prender. Ele tem buracos por ele inteiro, para que possa me prender firmemente e não ter que se preocupar comigo soltando as minhas mãos. Meus braços são como macarrão quando caem aos meus lados. Calor lentamente flui de volta para as minhas mãos, e o formigamento começa a percorrer o comprimento dos meus membros sem vida. — Deus, você cheira a merda, garota. — ele resmunga, e eu rastejo de joelhos, apertando os olhos para encontrar a garrafa de água sanitária que ele mantém armazenada no canto do armário. Agora é rotina, assim que sou desatada, fico para limpar o chão com água sanitária. Quando eu chego lá em cima, vou para o chuveiro para me lavar. Eu não achei que seria solta até amanhã, então estou determinada a ficar quieta e invisível para que Carl não mude de ideia e me jogue no buraco negro novamente. 14

Marca de doce.


Depois que estou limpa, volto para o meu quarto para ver Pike deitado na minha cama. Ele sempre está aqui para me confortar quando saio do armário. Caminho para ele, arrasto para os seus braços e deixo que ele me segure. — Eu tenho algo para você. — ele sussurra, e quando eu levanto a cabeça do seu peito, pergunto: — O que é? — Um presente de aniversário. Eu deixo minha cabeça cair de novo em cima dele e suspiro: — Você não deveria ter se preocupado. — Bem, eu preocupei, assim, seja educada e finja que está feliz. Sento, cruzo as pernas enquanto Pike corre rapidamente para o seu quarto e, em seguida, retorna com uma sacola de plástico do supermercado. Ele entrega para mim e se senta novamente na minha cama. Dentro está uma boneca com o cabelo vermelho brilhante feito de fio. Um sorriso encontra o seu caminho para os meus lábios, e ele diz: — O cabelo dela me lembra você. Sem dúvida, Pike roubou isso de alguma loja, mas eu não me importo. Este será o único presente que vou ganhar nesse aniversário, e eu o amo por dá-lo a mim, desde que há poucas coisas que eu posso chamar de minhas. — Eu te amo, Pike. — eu digo, olhando para ele enquanto ele se senta lá com uma expressão quase preocupada quando pergunta: — Você não acha que é estúpido? — Não. É perfeita, e eu adoro. Ele estende a mão para me abraçar, e eu afago em seu abraço com a boneca pressionada entre nós, e ele diz: — Eu só não quero que você fique triste hoje. — Estou triste todos os dias, mas seria pior se eu não tivesse você. — Pike! — ouvimos Carl gritar lá de baixo. — Desça aqui.


Meu estômago torce quando vejo o rosto de Pike virar pedra. Ele odeia o homem, tanto quanto eu. — Um segundo. Quando Pike se senta, eu pergunto: — Você fez alguma coisa? — imaginando porque Carl soa tão chateado. — Será que ele precisa de um motivo? — é tudo o que ele diz quando sai amuado do meu quarto, e eu me sinto mal quando sigo-o e fico no topo da escada, conforme ele caminha para baixo. Carl segura a nuca de Pike e puxa-o para perto, dizendo: — Porão, seu merdinha. Sua cabeça cai, e quando Carl abre a porta que leva para o porão, Pike desce as escadas. Eu odeio que ele esteja sempre lá em baixo. Ele me disse que Carl o leva lá para bater nele, e eu odeio não poder fazer nada para protegêlo. Toda vez que ele vai para o porão, eu só sento e espero-o voltar, e quando o faz, ele sequer olha para mim. É como se ele estivesse com raiva de mim. Perguntei-lhe uma vez se estava, mas ele jurou que nunca poderia ficar chateado comigo. É tão diferente com a gente, porque quando eu saio do armário, Pike está sempre lá para me abraçar. Mas quando Pike vem do porão, ele não quer ter nada a ver comigo. Ele me evita e se esconde em seu quarto. É horrível, quando tudo que eu quero fazer é abraçá-lo para fazê-lo se sentir melhor, como ele faz comigo, mas ele não deixa. Eu deito na minha cama, coloco meus fones de ouvido, e seguro minha nova boneca enquanto ouço música, tentando abafar a dor que enche meu peito. Fechando os olhos, eu finalmente canso e começo a cochilar quando, de repente, minha boneca é arrancada dos meus braços. Abro os olhos e vejo Carl pairando sobre mim. Quando tiro os meus fones de ouvido, ele rosna: — Traga a sua bunda para o porão. Com muito medo de até mesmo questioná-lo, eu sigo atrás dele e o medo arrepia meu corpo. Quando ele abre a porta para o porão, minhas pernas tremem debaixo de mim conforme desço as escadas. Eu nunca estive aqui antes,


e o pânico nunca foi tão feroz quando vejo Pike de pé, em nada, além de um par de boxers, suas roupas amassadas no chão ao lado dele. A expressão no rosto de Pike me assusta. Ele nunca olhou para mim assim, como se ele estivesse com medo também. Mas Pike nunca está com medo. Eu estou a poucos metros de distância dele e nervosamente viro a cabeça para trás e vejo um colchão sujo estendido no chão de cimento. Volto-me para Pike, meus olhos arregalados, meu coração batendo, minhas lágrimas ardendo, eu ouço Carl perguntar: — Quantos anos você tem hoje? Eu encaro-o enquanto ele se senta em uma cadeira dobrável de metal que fica no canto. Com uma voz fraca, trêmula, eu respondo: — Umm... d-dez. Ele não responde, só balança a cabeça lentamente e leva um longo momento antes de acrescentar: — Você está com medo? Eu dou uma olhada rápida para o Pike, cujos olhos estão presos ao chão, e depois de volta para Carl e aceno que sim. Suas próximas palavras mudaram minha vida para sempre. Foi meu décimo aniversário, e eu era velha o suficiente para saber melhor do que acreditar em contos de fadas. Eu sabia que o Príncipe Encantado, corcéis alados, e lagartas falantes realmente não existiam, mas o que aconteceu em seguida me fez perceber que monstros sim. E simplesmente aconteceu de eu estar vivendo com um. Um Monstro De Verdade. Com uma voz baixa, severa, sua demanda vem: — Tire suas roupas.


Meu coração cai para a boca do estômago e meu corpo treme. Fico congelada. Eu não consigo responder, então só fico de pé ali. O ar está quieto até que Carl repete mais duramente: — Tire a roupa. Todas elas. Eu viro rapidamente minha cabeça para Pike, e agora ele está olhando diretamente para mim. Eu sei que deveria ficar aterrorizada pelas lágrimas em seu rosto e o olhar de tristeza em seus olhos. Sem sequer piscar, eu sinto minhas próprias lágrimas rolarem para fora sem esforço. Balanço a cabeça em confusão, Pike me dá um aceno que me diz que eu preciso obedecer. Minhas mãos nervosas lentamente vão para a barra da minha camisa, e quando eu aperto o tecido, um grito de dor é arrancado da minha garganta apertada. Ele ecoa nas paredes de concreto e piso. Fecho meus olhos com força, deslizo minha camisa sobre a minha cabeça e, em seguida, seguro-a sobre meu peito, apesar de eu não ter desenvolvido seios ainda. — Calças. — ele ordena. Eu não olho para ele. Meus olhos permanecem fechados quando desabotoo minhas calças jeans e empurro-as para baixo, nas minhas pernas e tiro, ainda agarrada à camisa. — Deixe-a cair. O gelo em sua voz me assusta, então abro meus dedos e deixo-a cair no chão. — Boa menina. — ele diz e eu posso ouvir o sorriso que reveste suas palavras. — Agora, a sua roupa de baixo. Deus, se você existir, por favor, me ajude. Piso fora da minha calcinha, tento me cobrir com os braços e as mãos enquanto fico lá. E quando finalmente abro os olhos, é quando Carl fala: — Você já viu um pau antes? — ele pergunta no momento que abre a braguilha e abaixa as calças. O dele é o primeiro que vi e minha garganta arde com a bile que se arrasta para cima.


— Você nunca tocou antes? Minhas lágrimas são pesadas, e eu não posso segurar os soluços mais, implorando: — Por favor, não me machuque. Eu farei qualquer coisa. — Qualquer coisa? Meus gritos são altos quando ele faz sua demanda. — É isso que eu quero. Você vai deixar Pike te foder, enquanto eu assisto. Faça isso por mim, eu não coloco a mão em você. Eu balanço minha cabeça vigorosamente, sem entender o que ele quer dizer, e quando eu olho para Pike, ele espera um momento antes de dar dois passos na minha direção, dizendo baixinho com a voz embargada: — Você não quer ele te tocando. Minha cabeça não vai parar de tremer, e eu não consigo parar de chorar enquanto tento balbuciar: — Eu n-não sei o que ele q-quer. Ele solta um suspiro derrotado quando me diz: — Ele quer que nós façamos sexo. — quando ele entende a minha confusão, ele pergunta: — Você sabe o que é isso? — Eu a-acho que sim. Quero dizer... Eu n-não, umm... — eu não consigo colocar as minhas palavras para fora através do terror que me esfaqueia no interior. Já ouvi falar de sexo. Eu sei de sexo. Eu só não entendo o que é exatamente. — No colchão! — o estrondo da voz de Carl me assusta. Em voz baixa, Pike implora: — Por favor, não tenha medo de mim. — ele pega a minha mão e nos leva para o colchão manchado no chão. — Deite-se de costas. — ele fala, todas as suas palavras em voz baixa, de modo que só eu possa ouvir. Ele tira a cueca antes de se deitar em cima de mim e meus gritos indefesos enchem a sala. Ele abaixa a boca no meu ouvido e silenciosamente fala comigo, dizendo: — Vai ficar tudo bem. Nem sequer olhe


para ele. Você não tem que olhar para mim, mas por favor me prometa que não vai olhar para ele. Concordo com a cabeça, contra a lateral da sua cabeça para que ele possa sentir a minha resposta. Suas últimas palavras para mim antes que eu perca o último pedaço de esperança, que de alguma forma a vida ficaria bem, são: — Eu sinto muito, Elizabeth.


Capítulo Quatorze Passado

M

inha vida continua a

ser um terreno baldio. É simplesmente inútil até mesmo tentar ver o lado bom em qualquer coisa. Agora tenho 12 anos de idade. A única esperança que eu me agarro é que em dois anos, eu vou ter meu pai de volta. Mas essa esperança se transformou em cinzas e poeira quando minha assistente social passou por aqui ontem. — Só mais dois anos. — eu disse, e com um olhar confuso, ela perguntou: — O que acontece em dois anos? — Eu consigo o meu pai de volta. — falei para ela. — Eu posso ir para casa. Ela pareceu irritada quando balançou a cabeça e suspirou: — Não é assim que funciona. — O que você quer dizer? — O estado acabou com os direitos dele sobre você. Quando ele sair, você não vai voltar para casa. Ele não está autorizado a ter qualquer contato com você. Meu rosto aquece em raiva pura, quando ela acrescenta: — Essa é a sua casa, aqui, com Carl e Bobbi.


Afastei-me dela nesse momento. A desesperança e derrota foram demais para eu esconder e não queria que ela me visse chateada. Ela é um pedaço de merda, este mundo é um pedaço de merda, a minha vida é um pedaço de merda. Eu costumava rezar a Deus para me ajudar, mas Ele nunca ajudou, então Ele é um pedaço de merda também, por deixar-me nesse pesadelo. Eu vivendo na escuridão, amarada com cintos de couro, cicatrizes fazendo morada na pele frágil dos meus pulsos. Eu - humilhada e degradada - tendo relações sexuais com o meu irmão, enquanto ele se masturba como se fôssemos seu próprio show pornô pessoal. É o meu inferno. Eu costumava chorar o tempo todo depois de ser forçada a ter relações sexuais com o meu irmão, o horror que começou no meu décimo aniversário. Quando acabou aquela primeira vez, eu me tranquei no meu quarto, gritando e chorando no meu travesseiro. Eu nunca vou esquecer aquele dia; está gravado na memória dentro de mim. No dia em que eu realmente senti minha inocência sendo arrancada. Coloco minhas roupas de volta, Carl ri de mim e eu corro até a escada e para o meu quarto, fechando a porta atrás de mim. Sinto-me nojenta e quando caio em cima da cama, tomo a boneca ruiva que Pike deu-me mais cedo e com toda a força que eu tenho, jogo-a contra a parede, soltando um soluço tão violento quanto posso. Eu não consigo parar as lágrimas ou a dor que me enchem. Eu sou nada, exceto lágrimas e ranho e baba – repulsiva - e os sais dos meus olhos, eventualmente, começam a fazer a pele do meu rosto arder. Meu corpo se desgasta, depois de estar amarrada no armário durante os últimos três dias, e agora, com a profundidade do meu colapso. Com os olhos inchados, sou finalmente libertada desta miséria quando divago em meus sonhos. Quando acordo, Pike está sentado na cama ao meu lado. Eu olho para ele com as costas apoiadas na cabeceira da cama. Seus olhos estão vermelhos e tristes, e eu estou mortificada. Eu não consigo nem olhar para ele. Eu não quero que ele me veja, então fecho meus olhos e rolo para longe dele. Sua voz é suave e tensa quando diz para as minhas costas: — Eu sinto muito.


Eu choro. Leva apenas um segundo para essa dor pesada, ponderada reivindicar-me, possuir-me. Meu corpo ofega em um ritmo instável, e ele não me toca como normalmente faz quando eu choro. O tempo passa quando meus gritos enfraquecem para lamúrias fracas que escapam de mim, e, em seguida, ele fala de novo: — Por favor, olhe para mim. Diga-me que não me odeia. Eu balanço a minha cabeça, mantendo o meu corpo afastado dele, quando sinto-o abaixar e deitar atrás de mim. Sua cabeça pressiona contra as minhas costas, e eu ouço-o fungar antes que ele comece a contar calmamente, suas confissões: — Você não está sozinha. Eu não disse a verdade. Carl não apenas bate em mim quando estou no porão com ele. — ele engole um gemido, e quando ouço isso, o aperto na minha garganta se torna doloroso. — Ele me obriga a fazer coisas doentias com ele. — sua voz corta; ele está chorando, e eu não posso suportar isso. Eu rolo e seus olhos estão fechados, mas suas mãos encontram meu rosto enquanto ele as pousa nas minhas bochechas. Quando os olhos abrem, ele diz: — Por favor, não me odeie. Não deixe que ele destrua o que temos. Não lhe dê o poder de nos afastar um do outro. — ele toma uma respiração instável. — Você me diz o tempo todo que eu sou tudo que você tem, mas vale nos dois sentidos. Eu não tenho nada além de você. Você é minha única família, Elizabeth. Por favor, não deixe que ele te leve para longe de mim. Passo os braços ao redor das suas costas, enterro meu rosto em seu pescoço e ambos choramos juntos. Neste mundo, um mundo que eu estou começando a aprender que é um lugar frio e escuro, tenho medo de ficar sozinha. Eu preciso de Pike, e saber que ele precisa de mim também, me empurra para finalmente falar. Eu nunca pensei que fosse dizer essas coisas, mas de repente eu me torno um livro aberto, quando começo a choramingar contra a pele úmida do seu pescoço. — Eu não te odeio; eu amo você. Mas você me machucou. Doeu demais. — Sinto muito.


— E agora eu estou triste e assustada e envergonhada e tão só. — Eu também estou. — ele admite. — Estou com medo de te perder. — Eu nunca vou te deixar. Eu juro. Pike nunca saiu do meu lado. Mesmo que não frequentássemos a mesma escola, ele se plantou na minha vida como uma ameaça para os outros. Eu ainda sou provocada, mas não tanto. O verão está chegando ao fim, e este ano eu vou para o ensino médio com Pike. Eu gostaria de poder estar com ele. As únicas vezes que sinto ainda uma quantidade remota de alívio do sofrimento sem fim é quando estou com ele. De alguma forma, ele torna possível que eu respire neste mundo clandestino que nós dois vivemos. Se alguém soubesse que Pike e eu estávamos fazendo sexo, eles assustariam, mas para nós, tornou-se apenas mais uma faceta das nossas vidas. Isso costumava me assustar, costumava me fazer chorar, mas eu aprendi a entorpecer-me lá em baixo, naquele porão. Transamos tempo suficiente para Carl se masturbar e então fugimos para nossos quartos. Bobbi sabe o que acontece lá em baixo, mas ela escolhe ignorar enquanto faz o seu artesanato barato e recolhe seus patos estúpidos. Estou pronta para voltar para a escola, porque isso significa que eu não tenho que viver constantemente naquele armário abandonado por Deus. Agora que eu voltarei para a escola, eu sei que eu só vou ter que ir para a escuridão nos fins de semana. Eu posso suportar quase qualquer coisa para manter Pike, então nunca mencionei uma palavra do que se passa no interior daquela casa por medo de ser levada embora, para longe de Pike. Se eu não o tiver, eu não tenho ninguém, e não há garantia de que eu não seja colocada em uma outra casa abusiva, apenas para encontrar-me sozinha. Então, eu fico, e meu silêncio corrói os pedacinhos de bondade que restam em mim.


Eu passei o dia todo na cama com uma dor de estômago. Tenho rolado e virado, tentando me distrair da dor ouvindo a minha música, mas estou miserável. Levanto rapidamente e sento, quando sinto algo quente entre as minhas pernas. Corro para o banheiro e tremo quando vejo sangue na minha calcinha. Eu sento no vaso, faço xixi, e, em seguida, limpo-me, pego um monte de papel higiênico e empurro no fundo de uma calcinha limpa e visto. Envergonhada, eu sei que preciso conseguir algum dinheiro para ir até a farmácia, mas só há uma pessoa para pedir, e eu realmente não quero. Com a minha mão na maçaneta da porta do banheiro que leva para o quarto dele, eu fecho meus olhos e engulo uma respiração estranha conforme giro a maçaneta e aguardo o clique. Espreito dentro, ele está deitado na sua cama, lendo uma revista de esportes. Timidamente, eu calmamente chamo: — Umm... Pike? Ele olha para mim e abaixa a revista em seu peito. — O que foi? Com a minha cabeça para baixo, eu gaguejo. — Eu... umm, eu preciso de alguns dólares. — Eu dei dinheiro no outro dia. — reclama. — Eu sei, mas eu... — olho brevemente para ele e, em seguida, desvio meu olhar quando deixo-o saber, contra o calor do meu rosto, murmurando: — Eu acho... eu acho que comecei meu período. — Oh. — ele responde, pego de surpresa com o que eu disse a ele. — Umm, sim. Quero dizer, claro. — ele balança quando sai da cama e caminha até sua cômoda. Deus, isso é tão embaraçoso.


— Quanto? — Eu não... eu não sei. Quando vejo os pés dele aparecerem ao meu lado, olho hesitante para ele. Ele me dá uma nota de dez dólares e pergunta: — Quer que eu vá com você? Eu balanço minha cabeça, então volto para o banheiro. Quando volto da loja, eu enfio o saco de absorventes no meu armário e depois vou colocar o troco de Pike ao lado da pia dele. Eu realmente não acho que posso encará-lo agora. Meu estômago ainda dói, então decido rastejar de volta para a cama. Fecho meus olhos e rolo para o lado quando ouço Pike caminhar até o banheiro. — Você está bem? — ele pergunta. — Mmm hmm. — É por isso que você está com dor de estômago? Eu realmente gostaria que ele parasse de fazer tantas perguntas. Ele não tem ideia do quanto eu só quero desaparecer agora, mas eu respondo de qualquer maneira, dizendo: — Eu não sei. — porque sinceramente não tenho ideia. Bobbi não assinou a autorização para a educação sexual que os alunos do quinto tiveram no ano passado, e eu não tenho ninguém para conversar, então seu palpite é tão bom quanto o meu. A cama afunda, e quando olho por cima do ombro, ele está deitado, lendo a mesma revista de mais cedo. Viro a cabeça para trás e sorrio para o fato de que, não importa o que, ele está sempre aqui por mim. Depois de um tempo, um casal de amigos de Pike passa por lá. Ele pula em seu carro e sai por um tempo, deixando-me em casa sozinha. Desço e remexo ao redor da cozinha. Eu faço um sanduíche, e quando me sento para comê-lo, eu ouço a porta de tela abrir e depois fechar. Inclino na minha cadeira e vejo Carl. Ele está tão nojento com a sua camisa gordurosa que mal cobre o


seu estômago e sua barriga gorda. Sento de novo e continuo a comer enquanto ele passa e pega uma cerveja na geladeira. — Onde está o seu irmão? — ele pergunta antes de tomar um gole. — Não sei. Ele saiu com um casal de amigos. Não querendo ficar na mesma sala que ele, eu enfio o resto do sanduíche na minha boca e corro lá para cima. É então que eu ouço Pike retornar, e quando ele chega lá em cima, eu vou para quarto dele e vejo quando ele puxa um maço de dinheiro e empurra-o em seu armário. — Onde você conseguiu esse dinheiro? — Shh, eu não quero que ninguém saiba que tenho isso, ok? Abaixo a minha voz e pergunto novamente: — Como você conseguiu isso? — Estou trabalhando há alguns meses, tentando economizar dinheiro para que eu não fique nas ruas quando completar dezoito anos. — Trabalhando? Você sumiu por trinta minutos. Ele vem para ficar diante de mim e sussurra: — Se eu te contar, você não pode dizer nada a ninguém. — Pike, eu não falo com ninguém além de você. — Eu passo drogas para um cara que eu conheço. Meus olhos se arregalam, e eu pergunto: — O que quer dizer com passar? — Vendo. — afirma. — Você está louco? E se você for pego? — Eu não vou ser pego. Relaxe. — O que vocês dois estão fazendo aí em cima? — Carl grita lá de baixo. — Nada. — Pike grita.


— Bom, então, venham para a porra do porão. — Pooorra. — Pike suspira e, em seguida, segura a minha mão. Por um momento, eu sinto meu coração afogar, mas isso não é novidade. Vamos para o porão, pelo menos uma vez por semana, se não mais. Pike tem realmente me ajudado a aprender a entorpecer-me com o que se passa lá em baixo, então eu tomo uma respiração profunda e mantenho-a por um segundo antes de liberar lentamente. — Você está bem? — ele pergunta, e quando eu aceno, ele dá um suave aperto na minha mão, antes de descermos. Eu nunca sei o que Carl nos colocará para fazer, então, quando chego lá, meu estômago revira com o pensamento de eu estar no meu período. Afasto-me da mão de Pike, ele se vira para mim, mas antes que eu possa murmurar qualquer coisa, Carl fala: — Roupas fora e foda ela na cama. — ele cospe para Pike. Ele solta minha mão e começa a se despir, enquanto eu permaneço em pé, não querendo fazer aquilo enquanto estou sangrando. — Eu disse roupas fora! — Eu-eu... Pike olha para mim, e eu começo a balançar a cabeça rapidamente, não querendo que isso aconteça, e ele me dá um olhar de insistência. — O que diabos está acontecendo? — Carl grita e fica na minha frente. Estou com medo pra caralho quando abro minha boca e gaguejo: — P-por favor, eu... eu comecei meu período. O sorriso de fome que cresce em seu rosto é revoltante. Ele dá alguns passos para trás, e então pergunta: — Você está sangrando? Dou-lhe um aceno de cabeça.


— Ok, então. — ele diz, enquanto se senta na cadeira. — Tire a roupa e deite na cama. — O que? — eu sussurro. — Não se preocupe, Pike vai foder a sua bunda. — O que? — a voz de Pike é de choque, e eu começo a entrar em pânico. Minhas mãos ficam nervosas e eu começo a pedir desculpas. — Não. Ssinto m-muito. Está tudo bem, podemos ter relações sexuais. — Eu gosto mais da minha ideia, agora tire a porra da roupa e fique de quatro. — Que porra é essa? Eu não posso fazer isso. — diz Pike quando eu começo a remover as minhas roupas. É como se meu sangue estivesse correndo seco, porque tudo o que eu sinto é gelo correndo através de mim. Eu engulo em seco e, em seguida terror inunda quando Carl cambaleia para fora da cadeira e pega Pike pelo pescoço, fervendo: — A maneira como vocês merdas estão tentando me desafiar agora, está me irritando, caralho. Pike geme ruidosamente quando o punho de Carl acerta o maxilar dele, quase derrubando-o. — Faça a merda que eu disse, porra, ou ela vai ficar trancada no armário pelo resto da semana depois que eu bater pra caralho nos dois! Minhas pernas estão uma geleia, mal consigo me apoiar nos meus joelhos, quando apoio em minhas mãos. De repente, eu me esqueço de como entorpecer, e meu corpo começa a tremer e eu começo a chorar, com medo do que está prestes a acontecer. Eu deixo minha cabeça cair quando sinto Pike atrás de mim. Porém, nada acontece. Tudo que consigo ouvir é a respiração pesada dele. Eu fico nessa posição por mais algum tempo e, eventualmente, viro a cabeça para ver Pike acariciando seu pênis com um olhar quase de dor no rosto. Ele, então, solta uma


respiração pesada, dizendo: — Eu não posso fazer isso. Eu não consigo nem ficar duro. Sento no meu calcanhar, eu me sinto aliviada, mas esse sentimento é imediatamente arrancado e puro horror invade quando Carl rosna com raiva. Ele derruba sua cadeira quando levanta, metal rangendo contra o concreto, e de repente o fluxo da vida para. Câmera lenta. Carl caminha em linha reta em direção a mim, puxando o cinto para fora das presilhas das calças. Meu coração fica rígido, batendo em baques duros e sólidos que vibram por todo o meu corpo. Bate tão forte que eu posso ouvilo. Seus olhos estão cheios com um olhar assassino, e os gritos de Pike penetram-me conforme ele acusa o Carl e bate o punho no lado do rosto dele. Eu não consigo respirar, mas de alguma forma estou gritando quando Carl vira e derruba Pike direto para o chão com um único soco, seguido de chutes cruéis no seu lado. Pike se contorce em agonia quando solta: — Não toque nela, porra! — mais e mais e mais até que sua voz já não é audível e seus olhos estão vidrados. Quando Carl olha para mim, ele abre suas calças e a adrenalina entra em ação. Eu levanto rápido, correndo para as escadas. Depois de alguns passos, estou de joelhos quando uma ferroada ardente atravessa as minhas costas, causando uma dor aguda. PANCADA! Um lamento estridente rasga para fora de mim, e eu olho para cima do meu ombro a tempo de ver o cinto de couro que ele está segurando voar para mim. PANCADA! Arqueio as costas em pura agonia, grito quando as lágrimas brotam dos meus olhos. O cinto de couro pica a minha carne novamente antes dele me


forรงar a ficar de quatro, empurra o meu rosto para baixo, para o cimento frio, e me estupra por trรกs.


Capítulo Quinze Passado

A

pós o ataque do Carl,

Pike não entrou no meu quarto por um tempo. Tudo o que eu queria era morrer, dar um basta e sair dessa miséria. Eu nem sei como entender o que acabou de acontecer lá em baixo. Tudo veio tão rápido, e eu nunca tinha experimentado tanta dor na minha vida. A dor nas minhas costas foi desaparecendo quando ele começou a estuprar uma parte do meu corpo que eu nunca esperaria. E agora, eu estava deitada de barriga, com o rosto enterrado no meu travesseiro, tentando abafar meus soluços. Meu top ainda estava fora por causa do ardor das minhas costas. Estou com muito medo de olhar e ver o que ele fez comigo. — Oh meu Deus. — eu fracamente ouvi através do meu choro, e quando levanto minha cabeça, eu vejo Pike olhando para mim. Ele está horrorizado, não pergunto por quê, estou tão humilhada. Ele se ajoelha ao lado da minha cama com um gemido doloroso e coloca sua mão no meu braço, acariciando-o com o polegar trêmulo. Um lado do seu rosto está inchado e machucado. — Diga-me o que posso fazer. — sua voz está preocupada e seus olhos são nada além de um espelho da sua pena. Eu não posso nem pensar em falar, pois minhas lágrimas mergulham em meu travesseiro.


Ele pega a minha mão, envolve os dedos nos meus, e prende com força, e o seu toque só me faz chorar mais. — Eu estou tão arrependido. — ele fala com seus olhos se enchendo de lágrimas. Minha mão está fechada em torno da dele e eu não deixo-o ir por um longo tempo. Eventualmente, Pike beija meus dedos, e move-se para ficar em pé. — Eu volto logo. — ele diz e, em seguida, vai para o banheiro. Quando ele retorna, está segurando uma toalha molhada. — Eu não quero machucá-la, mas suas costas estão cobertas de sangue seco. Apenas aguente um pouco, ok? Concordo com a cabeça e ele coloca gentilmente a toalha molhada quente nas minhas costas. Meus músculos amolecem, e eu choramingo com as picadas de dor na minha carne. Ele pressiona a mão dele, sobre a toalha, e eu grito: —Aiii. — Sinto muito. — C–como está? — pergunto, mas também estou com medo de saber. — Você tem um par de cortes feios e um monte de vergões. — Dói. Ele suspira e segura a minha mão, então começa a limpar o sangue das minhas costas cuidadosamente. — Um dia, eu prometo a você, que aquele filho da puta vai pagar por isso. — ele rosna e tudo o que posso fazer é acenar com a minha cabeça enquanto começo a pensar sobre como seria a sensação de matá-lo. Quão doente eu estou? Uma menina de doze anos de idade, fantasiando sobre matar alguém. O que está acontecendo comigo?


Algumas semanas se passaram e a escola já começou novamente. Carl não me tocou desde aquele dia, mas apenas três dias depois, eu estava de volta ao porão, sendo forçada a dar um boquete em Pike. Depois, fui amarrada no armário e deixada lá por mais dois dias. Pike e eu agora estávamos sentados no meio-fio na frente de casa. Bobbi está dentro de casa assistindo TV e Carl ainda está no trabalho. O verão está chegando ao fim e o cheiro do outono está no ar. Você sabe, aquele cheiro, o cheiro da morte. Eu não sei por quê, mas eu adoro isso. Folhas caindo para a sua sepultura nas ruas úmidas e geladas, que eventualmente, serão cobertas de gelo e neve quando com sucesso teremos um inverno. Eu escuto Pike enquanto ele divaga sobre uma garota que é de uma classe mais adiantada na sua escola, que fica seguindo-o. Isso não me surpreende. Eu sempre achei que Pike fosse bonito, e agora que ele está com quase dezesseis anos, é ainda mais bonito, não que eu tenha uma queda por ele ou qualquer coisa; é apenas um fato. Mas ninguém sabe o quão patético nós dois somos. Às vezes fico curiosa para saber como alguém reagiria se soubesse. Quero dizer, você pode imaginar a menina pedindo que Pike contasse algo sobre si mesmo, e sua resposta seria: estou com quase dezesseis anos, e, oh sim, eu tenho relações sexuais com a minha irmã de doze anos. Sim, as pessoas, definitivamente, achariam que somos doentes. — Não é o carro da sua assistente? — Pike pergunta, e quando me viro para olhar para baixo, na rua, com certeza é o carro de Lucia. — O que ela está fazendo aqui? — eu não suporto a minha assistente. Ela só passa para me checar algumas vezes por ano, por isso o fato de que ela esteve aqui há apenas um mês me deixa um pouco ansiosa. Ela estaciona o seu carro junto ao meio-fio, onde Pike e eu estamos.


— O que vocês dois estão fazendo aqui? — ela pergunta, e Pike fala em um tom zombeteiro de merda: — Oh, você sabe, apenas apreciando a paisagem exuberante do bairro de imagem perfeita que você pensou que forneceria um cenário agradável para uma educação saudável. Lucia dá uma encarada em Pike, antes de dizer: — Você se importaria de dar a mim e à Elizabeth um momento para falarmos? — Estarei no meu quarto. — ele me diz enquanto se dirige para dentro de casa, deixando Lucia e eu em pé no gramado da frente. — Por que não sentamos? — ela sugere, e caminhamos até os degraus da varanda da frente. — O que você está fazendo aqui? — Eu tenho algumas notícias, e eu precisei vir falar com você. — Serei transferida? — eu pergunto nervosa com sua resposta, porque eu não posso viver sem Pike. Só com o pensamento meus olhos piscam com lágrimas. — Não. É sobre seu pai. — diz ela. Puxando aquele pedacinho de esperança no meu coração, que ainda consigo me agarrar, eu pergunto: — Ele vai sair antes? Vou poder vê-lo? Ela balança a cabeça, e quando eu a vejo abaixar o rosto, ela leva a esperança junto com ela, dizendo: — Eu sinto muito. Seu pai está morto. E esse é o momento em que você percebe que as esperanças e os sonhos são tão fodidos como os contos de fadas. Eu abaixo a minha cabeça e deixo cair as minhas lágrimas como pesos pesados, para o concreto sujo abaixo dos meus pés. Elas se espalham e se infiltram no solo poroso, onde eu tenho certeza que vão encontrar a sua casa, no inferno. Mas elas não vão ficar sozinhas por muito tempo, porque o meu coração parece insuportavelmente pesado demais, como se pudesse cair de dentro de mim a qualquer momento.


Eu quero gritar. Eu quero chutar e bater em alguma coisa. Eu quero bater os meus pés como uma criança e fazer birra rasgando a alma como uma menina da minha idade pode, gritar para o mundo e para quem ouvir como eu odeio todos eles. Eu quero gritar tão forte que o sangue saia. Eu quero fazer tudo isso, mas eu não faço. Há uma guerra dentro de mim, mas eu escondo-a bem. Qual é a vantagem em expô-la? Não é como se fosse fazer a diferença. Ninguém virá me resgatar. Então, em vez de fazer isso, eu me sento nesses degraus e começo a chorar silenciosamente. Eu tenho um milhão de perguntas borbulhando, finalmente, pergunto: — Como? — Parece que houve uma briga que começou com alguns detentos e seu pai foi esfaqueado. O lugar ficou bloqueado e no momento em que os guardas conseguiram chegar até ele, já era tarde demais. — Por que? Quero dizer, eu-eu... — eu mal posso falar e os soluços começam a romper através da minha fachada, fazendo com que meu corpo desmorone em tremores arfantes. — Tem certeza de que era ele? Quero dizer, será que não cometeram um erro? — Não há nenhum erro, Elizabeth. — ela diz baixinho. — Eu sinto muito. — Mas eu não tenho qualquer outra família. Quero dizer, o que acontece a-agora? — Nada muda. Olhando para ela, eu digo: — Tudo muda. — eu abaixo de novo a cabeça e começo a chorar, cobrindo os olhos com as mãos. O instinto de correr é feroz, mas não tenho para onde ir, e isso me irrita. Eu não quero continuar presa aqui. Eu não quero essa vida. Tudo que eu quero é o meu pai. Então, com isso, eu fico e cuspo minhas palavras para minha assistente social inútil. — Eu odeio você! Eu odeio tudo sobre você! Você não dá a mínima para mim ou meu pai! Você é apenas uma cadela estúpida! — eu vou para dentro da casa, batendo a porta tão forte o quanto posso atrás de mim e corro para o andar de cima. Mas eu não vou para o meu quarto; eu vou para o de Pike. Eu estou gritando alto,


como um bebê quando entro. Ele pula imediatamente da cama e aparece na minha frente em um segundo, perguntando: — O que há de errado? O que aconteceu? Caio em seu peito, ele coloca os braços firmemente em torno de mim, enquanto libero os soluços mais miseráveis da minha vida. Eu puxo sua camisa em minhas mãos com tanta força que sinto como se pudesse quebrar meus próprios dedos, mas gosto da dor. Eu preciso da dor. Preciso de algo, qualquer coisa para me distrair da dor mais insuportável de todas. Isso não pode ser real. Ele realmente não pode estar morto. Não pode ser. — Elizabeth. — Pike diz, e eu sinto que vou vomitar com o vazio que enche-me, porque se ele se foi, eu vou embora. Eu nem sequer percebo que já atravessamos o quarto até que eu abro meus olhos e estamos deitados. — O que ela disse? — ele pergunta. — Eu a odeio, Pike. Eu odeio todos. — engasgo com a da dor. — Fale pra mim. Minhas palavras machucam quando saem. —M-meu pai. Ela disse que ele está morto, Pike. Que alguém o esfaqueou, e ele morreu. — falo e as palavras me cortam com profundidade, e o abraço que Pike me dá, de repente torna-se mil vezes mais forte. — Merda. — ele murmura baixinho antes de eu gritar. — Não é verdade. Não pode ser. Ao ouvir de Lucia, fiquei dormente, mas agora, com Pike, meu porto seguro, as emoções dominam-me. Eu estou me afogando e não consigo respirar. Tudo o que posso fazer é gritar e chorar, e então faço, assim como um bebê


indefeso, nunca deixando de lado o meu domínio sobre a camisa de Pike. É como se sua camisa fosse a minha tábua de salvação, e se eu soltar, eu vou ter uma queda livre no meio do nada. E agora eu estou deitada aqui, desintegrando-me em milhões de pedaços. Eu nunca vou ser inteira novamente. Eu nunca vou perdoar o mundo por isso. Eu quero o meu pai! Agora! Eu quero que os bigodes ásperos do seu rosto me arranhem quando ele me dá beijos, eu quero a sua voz suave cantando para mim novamente, eu quero seu toque, abraço, amor, cura, sorriso, histórias, cócegas, risadas, seus olhos, suas mãos, o cheiro, tudo! Eu quero ser salva. Eu quero o meu príncipe. Pike me enfia embaixo do seu queixo, beijando o topo da minha cabeça de vez em quando. Gradativamente, o barulho no quarto começa a desvanecerse como um pneu a murchar. Meu corpo parece tão denso e minha cabeça pesa quilos, deixando-me fraca para abrir os olhos. Pike fica continuamente passando a mão para cima e para baixo nas minhas costas em uma tentativa de me acalmar, mas nada pode entorpecer essa agonia. Bem tranquila, eu sussurro. — Você alguma vez pensa sobre a morte? — Às vezes. — ele responde em voz baixa. — Isso te assusta? — Não. E você? — Não mais. — eu digo a ele, e, em seguida pergunto: — Você acha que meu pai estava com medo? — Não. — ele fala, sem qualquer hesitação.


— Como você sabe? — Porque, se ele está morto, então ele sempre estará com você. Sabendo que finalmente poderia vê-la de novo, duvido que ele estivesse com medo. Suas palavras levam-me a um pântano de lágrimas silenciosas que caem em sua camisa. — Não é justo, Pike. — Não, não é. Você merece tudo de bom neste mundo, e eu juro que eu vou lutar para dar-lhe isso. Um dia, quando estivermos fora dessa bagunça, eu vou encontrar uma maneira de fazer você feliz. — Eu não acredito em felicidade. — eu choro. — Eu não acredito em mais nada. Ele escova meu cabelo para trás e afasta para me olhar nos olhos. — Acredite em mim. Seus olhos escuros são firmes, e eu percebo, que, neste momento, ele é a minha única chance de sobrevivência. Pike sempre fez o seu melhor para me proteger; ele sempre se preocupou comigo. Desde o primeiro dia que eu cheguei aqui, ele tem sido o meu irmão. Foi instantâneo. E agora, eu não tenho outra escolha senão acreditar em tudo que ele diz, porque ele é a minha única presença constante. Quando ele se inclina e beija minha testa, eu nem percebo quando eu acaricio e beijo o seu pescoço. Ele mantém os lábios na minha testa e não se move, mas suas mãos encontram meu rosto enquanto ele me segura perto. Antes que tome conhecimento, seus lábios estão nos meus num beijo imóvel. Eu aperto seus pulsos, e em um borrão, num momento imperceptível, nossas bocas se movem juntas. Eu nunca tinha beijado Pike antes, nem mesmo pensei sobre isso, mas de alguma forma, isso faz com que eu me sinta bem. Ele é o primeiro garoto que eu já beijei. Nós transamos há dois anos, e você pensaria que beijá-lo seria como nada, mas é algo. Do nada, ele levou minha mente para longe de tudo de ruim, e fez com que eu focasse só nele. É como se eu finalmente pudesse respirar.


Rolando em cima de mim, ele afasta-se e tira a camisa, e eu sento para remover a minha também. Quando estamos livres e sem nada, ele puxa os lençóis sobre nós, e eu estou escondida e aquecida com ele. Tudo sobre isso é diferente das centenas de vezes que fizemos antes. Sempre foi frio e sujo, com Carl nos observando o tempo todo. — Não vá lá. — disse Pike, me tirando dos meus pensamentos. — Para onde? — Não pense sobre ele. Ele não tem nada a ver com isso. Nós não estamos naquele colchão lá em baixo; estamos aqui na minha cama. Você está segura. — Só nós? — pergunto. — Apenas nós. — ele diz, enquanto empurra-se para dentro de mim, e, pela primeira vez, acho que a magia que eu desisti de acreditar acontece, Pike acabou com tudo, porque, neste momento, eu não sinto mais nenhuma dor ou mágoa. Somos só nós, e eu estou segura.


Capítulo Dezesseis Passado

M

eus

dentes

tremem

quando ando para casa, da escola. Acabei por ficar em apuros por brigar com uma garota que estava tirando sarro de mim hoje, me deixando de detenção, após a escola, pelas próximas duas semanas. Pike está trabalhando mais e mais, portanto, não temos ido muito para casa juntos ultimamente, e ele se recusa a deixar-me vender junto com ele. Ele diz que não quer me misturar com seus amigos, mas sempre garante estar em casa antes de Carl chegar lá, para que eu não fique sozinha com ele. A vida não mudou muito. Tenho quatorze anos - um pouco mais alta, mais preenchida, meu cabelo cresceu mais algumas ondas do que costumava ter, e tenho mais cicatrizes nos pulsos. Parece que eu tenho tentado cortá-los, mas seis anos sendo amarrada com um cinto em um pequeno armário faz isso com você. Mas escondo-as bem, uso mangas longas que caem pelos meus pulsos, que muitas vezes puxo mais para baixo. Desde que soube da morte do meu pai há dois anos, eu fiquei bastante insensível a tudo ao meu redor. Eu me sinto como uma máquina de respiração a maior parte do tempo. Eu sou capaz de me desligar e ligar muito facilmente. Na maior parte, eu estou no modo off, congelada e nula. Eu só permito que Pike me veja ligada. Ele é minha única liberação, a única que mostro o meu verdadeiro eu. Desde aquela tarde, a tarde que soube que nunca veria meu pai novamente, Pike e eu continuamos a dormir juntos, em particular, em sua cama. Encontreime sendo egoísta com ele, usando-o para tirar tudo de ruim. É tão difícil de


explicar, mas quando estou com ele daquele jeito, eu sinto que sou lavada. Depois que percebi o que estava fazendo, fui honesta e disse a ele. A culpa foi me dominando, e quando expliquei meus sentimentos para ele, pensei que ele ficaria furioso, mas não ficou. Ele me disse para tomar tudo que eu precisava tirar dele. Mas ainda me sinto culpada. A vergonha de usá-lo de forma tão egoísta me devora depois que terminamos, fico quieta, muitas vezes chorando. Pike me acalma, da melhor maneira que pode, me abraçando, assegurando-me que está tudo bem - que está tudo bem. Eu sou uma bagunça, mas isso é de se esperar com a introdução dura que recebi dessa vida louca fodida. Eu tenho quatorze anos - muito jovem para ser tão amarga e zangada. Por um tempo, quando via uma criança com seus pais, eu desejava que aqueles pais morressem. Eu queria que cada criança sentisse a dor que eu estava sentindo, porque não era justo comigo. A vida é cruel, e eu sou sua cadela. Eu sou a cadela de Carl também. Ultimamente, ele está me fodendo, querendo que Pike assista. Ele me fez prometer nunca olhar para Carl, então eu sempre mantenho meus olhos fixos nos de Pike, não importa quem eu esteja fodendo nesse dia. Meu primeiro orgasmo veio cerca de um ano atrás. Carl estava masturbando no canto, enquanto Pike e eu estávamos transando. Nunca tinha acontecido antes, portanto, quando o que sempre foi um ato tão repugnante se transformou em prazer, me assustou pra caralho. Eu não consegui encarar Pike depois; fiquei muito envergonhada. Quando finalmente destranquei a porta do meu banheiro, algumas horas depois, ele veio e conversou comigo sobre isso. Foi humilhante, ter o meu irmão me explicando o que tinha acontecido. Ele me disse que era uma parte natural do sexo, mas eu não gostei. Fez-me sentir suja e embaraçada. E agora, sabendo que isso pode acontecer novamente, eu luto muito para impedir. Pike sabe disso, então quando estamos sozinhos em sua cama, ele tenta gozar rápido para que, acidentalmente, não me faça sentir isso novamente. É estranho, porque eu gosto de fazer sexo com Pike quando estamos sozinhos, mas, ao mesmo tempo, me assusta porque não quero que isso seja bom - não devia ser bom. Mas eu quero ficar com ele, porque é com ele que


não sinto a miséria e a feiura. Ele leva tudo embora, e mesmo que seja só por um momento, eu me sinto livre. Quando viro a esquina, vejo Pike sentado na calçada fumando um cigarro. — Pike! — grito da rua, e ele olha para mim, então se levanta. — Onde diabos você estava? — ele pergunta irritado. — Eu entrei em uma briga e agora tenho detenção depois da escola. Dando uma tragada em seu cigarro, a fumaça deriva preguiçosamente para fora da sua boca, enquanto ele se transforma todo no irmão-mais-velhoprotetor, dizendo: — Diga-me o que aconteceu. — Aquela garota que tenho falado para você, sabe, a pessoa que está tornando a minha vida um inferno? Ela apenas continuou abrindo a boca no refeitório, me xingando. Eu não aguentava mais, então perdi o controle. — O que você fez? — Ela estava sentada no final da mesma mesa que eu, então joguei minha maçã nela, que acertou a sua cabeça. Antes que eu percebesse, estávamos fora dos nossos assentos e eu a tinha no chão. — Jura? — ele fala com um leve sorriso satisfeito no rosto. — Bem, eu não vejo uma marca em você, então imagino que você ganhou? — Não foi uma competição, Pike. — eu digo, ainda sentindo-me como a perdedora que as crianças na escola me dizem que sou. — O que está errado? Você chutou a bunda dela; você devia se sentir bem. — Você é tão garoto. — eu suspiro, deixando cair a cabeça. Quando ele envolve o braço no meu ombro, eu acrescento: — Eu odeio aquilo lá. Não tenho amigos. — Elas são cadelas, Elizabeth. Jovens, cadelas estúpidas. — Eu sou jovem e estúpida.


Pike joga o cigarro antes de caminhar para dentro de casa. — Jovem, sim. Estúpida, não. — ele fala, à medida que avançamos para o andar de cima. — Você só tem alguns meses a mais lá. No ano que vem, você estará comigo novamente. — Certo. — eu zombo. — Você vai ser um sênior e eu vou ser a caloura aberração. Ele deita-se na cama, cruzando os braços atrás da cabeça e responde: — Nada sobre você diz aberração. Confie em mim. Essas meninas estão com inveja porque você é mais bonita do que elas. Suas palavras aquecem meu pescoço, mas, ao mesmo tempo preenchem algo dentro de mim. A última vez que alguém disse que eu era bonita, eu tinha cinco anos, e veio do meu pai. Ele sempre me dizia que eu era muito bonita, falando que eu tinha o cabelo vermelho mais lindo. Parece superficial, eu sei disso, mas não percebi o quanto eu precisava ouvir isso até agora. — O que há de errado? — ele pergunta, percebendo a tristeza por trás dos meus olhos. — Venha aqui. Eu ando e sento ao lado dele. — O que há de errado? — ele repete. — Eu me sinto feia por dentro. — admito. — Não sinta. — ele afirma e senta ao meu lado. — Não há nada sobre você que seja feio. — De verdade, Pike? — eu questiono com o ridículo. Irritado com o meu tom, ele defende: — Ninguém nos conhece. Ninguém sabe. É sobre você permitir o que outras pessoas possam pensar ou dizer que faz você se sentir assim. — É o que eu sinto, Pike. — defendo com uma voz aguda.


— Você tem o poder de mudar isso. Como você se sente é a forma como você se permite sentir. — Então, a culpa é minha? A culpa é minha por me sentir assim? — Sinta-se triste. Sinta-se irritada. Odeie quem quiser. Culpe quem você quiser, mas não, nem por um segundo, pense que é menos do que o que você é. Você não é feia ou suja ou qualquer outra coisa que você esteja pensando. — seu tom é duro e severo quando ele fala, mas em um instante, ele amolece, dizendo: — Não há nada que eu não faça por você. Você ainda acredita em mim? Concordo com a cabeça. — Bom. Porque não vai ser sempre assim. — Não? — Não. — Diga-me, Pike. O que vai ser? Conte-me o conto de fadas. — eu falo com um pouco de zombaria. — Eu vou fazer você acreditar em conto de fadas de novo. Eu rio baixinho com as suas palavras determinadas, e ele sorri para mim. Passamos a próxima hora brincando e fazendo o nosso dever de casa. Carl chegou em casa há um tempo, mas não disse uma palavra para nós, o que é um alívio, e, agora, o cheiro de alimentos cozinhando enche a casa. Bobbi quase nunca cozinha. Mais como nunca. — Você acha que nós vamos comer algo daquilo? — Pike pergunta, referindo-se para o que quer que ela esteja fazendo na cozinha. — Dificilmente. — respondo, revirando os olhos, e nós rimos um para o outro. — Pike. — Bobbi chama lá de baixo depois que a campainha toca. — Já volto. — ele fala.


Eu fico na sua cama, e quando ouço a porta da frente, me viro para olhar pela janela para ver Pike e sua assistente em uma conversa no gramado da frente. Independentemente do que está sendo dito, Pike está visivelmente chateado, passando uma mão forte pelo cabelo. Seus gritos abafados são distorcidos e eu não consigo entender o que ele está dizendo. Quando ele vira a cabeça e olha para a janela, meu estômago despenca. A expressão em seu rosto me diz que eu deveria ficar preocupada, e eu fico. Eu salto da cama quando ele caminha de volta para a casa. Ele sobe as escadas correndo, e encontra-me na porta. Com as mãos nos meus ombros, ele me empurra de volta para o quarto e fecha a porta atrás de si. — O que está acontecendo? — eu questiono conforme o pânico aumenta. Olhando para baixo, ele balança a cabeça, e então me puxa com força em seus braços, me abraçando. E agora eu estou surtando. — Pike, o que está acontecendo? Você está me assustando. — Eu sinto muito. — ele fala, e eu sei que é ruim. Ele só diz isso quando algo de ruim está prestes a acontecer. Ele não me solta enquanto ficamos de pé lá, nos abraçando. Eu não achava que a vida podia piorar para mim, mas podia e piorou. Eu sempre lutei com a ideia de esperança. Esperança sempre falhava comigo, mas por alguma razão, eu ficava agarrada em um pequeno pedaço dela. Eu ficava com medo de saber como o mundo seria se eu não a tivesse. Mas as próximas palavras de Pike me esfaqueariam por dentro – horror puro - preenchendo-me com o sangue da dura realidade da vida. Uma realidade que cuspiria suas palavras ásperas na minha cara, me dizendo: — A esperança é para os ignorantes, garotinha. Desista. Tirando seus braços de mim, ele pega o meu rosto, puxa uma faca, e me apunhala até a medula com suas palavras. — Você vai ficar bem, Elizabeth.


Meu corpo inteiro abala, minha voz trêmula em confusão. — O que? Pressionando a testa contra a minha, eu seguro seus pulsos em um aperto de morte, quando ele diz: — Estou indo. Ele acabou de tirar todo o ar dos meus pulmões com essas duas palavras, e eu viro frio, balançando a cabeça vigorosamente contra ele. — Eu tenho que ir. Eles me colocaram em uma casa de grupo. — Não. — Eu sinto muito. — ele sussurra dolorosamente. — Não. — a minha palavra, um apelo miserável. Pike pressiona um beijo duro na minha testa, e eu grito: — Não! — e as costas dele sacodem contra as minhas mãos. — Não! — Está feito. Aparentemente Carl fez uma chamada. Ele quer que eu saia. — Não vá. Você não pode ir. — Eu não tenho escolha. — ele fala, e quando ele se afasta, vejo o medo em seus olhos, e eu sei que é todo para mim. Nós dois sabemos o que vai acontecer sem ele aqui. Eu vou ficar sozinha para Carl fazer o que lhe agrada. — Você não pode me deixar aqui. Você não pode me deixar com ele. — eu imploro desesperadamente. Ele dá um passo para trás, fechando a mão em punho no seu cabelo, rangendo baixinho. — Pooorra. — ele anda para lá e para cá e eu estou em estado de choque, chorando. Eventualmente, ele se vira para mim e afirma: — Quatorze ainda vai ser o seu ano. Seu pai não vai voltar para você, mas eu vou. — Não faça isso. — digo a ele. — Não se atreva a me dar esperança. Seus olhos estão queimando, carvões escuros quando ele diz: — Eu te juro. Eu vou te dar aquele conto de fadas. Deixe-me ficar maior. Eu voltarei para você.


— Um ano? Pike, não me deixe aqui com ele por um ano! — Nós não podemos fugir agora. Pense nisso - nós dois sumidos - é muito arriscado. Mas apenas um – você – nós poderíamos fugir. Menos de um ano, você estará livre daqui. Apenas um ano e fora aos quatorze anos; você pode fazer isso. — ele me diz enquanto choro com o medo de como será a vida sem ele. — Você é tão forte. — ele afirma. — Eu vou voltar para você. Eu penduro meus braços ao redor do pescoço dele, e continuo a pedir-lhe para não me deixar. Estou com medo de nunca mais vê-lo, o meu único amigo, minha única família, meu irmão. Quem é que vai me proteger? — Eu tenho que empacotar. — ele sussurra. — Agora? — Minha assistente social está lá embaixo esperando por mim. — Oh meu Deus. — murmuro para mim mesma. Eu não consigo acreditar que isso está acontecendo. Meu coração parece uma bola de demolição dentro do meu peito, martelando em minha vida patética. Ando até a cama de Pike e sento, agarrando a borda do colchão com as mãos, e observo enquanto ele começa a empurrar roupas na sua mochila. As lágrimas simplesmente caem dos meus olhos, sem esforço. Perdi meu pai com a fé de que o veria novamente, e agora eu estou perdendo Pike com o conhecimento de que a vida não garante nada, não importa o quanto você queira. Uma vez que sua mochila está fechada, ele se ajoelha diante de mim, com as mãos sobre os joelhos. Ele é uma visão embaçada, confusa em meio às lágrimas que nos separam. — Você é tudo que eu tenho. — ele diz. — Você é. Eu não vou perdê-la, e você não vai me perder. — Por favor. — é um apelo vago – um apelo vago para nada, na verdade. — Eu preciso que você me escute, ok? — ele eleva seus polegares e enxuga as lágrimas dos meus olhos. — Realmente me ouça. Concordo com a cabeça.


— Eu estou com você. — ele assegura. — Quando você estiver no armário, eu estou com você. Quando você estiver naquele porão, eu estou com você. Eu estou sempre com você, ok? Mas eu preciso que você me faça uma promessa. Eu preciso que você me prometa que você vai desligar. Apenas desligue. Ele não pode feri-la se você não sentir. As pessoas que se machucam na vida são aquelas que se permitem sentir. Minhas lágrimas aumentam, caindo para a morte, em uma queda livre, aterrissando nos meus joelhos. Olho para ele e sem pensar muito, beijo-o. Nós nunca beijamos fora da cama dele, quando estamos transando, mas eu beijo-o agora, porque não sei mais o que fazer. Ele me abraça apertado, beijando-me de volta, conforme choro contra seus lábios, recusando-me a soltá-lo. Quando nossas bocas separam, ele olha nos meus olhos e diz: — Eu te amo. — Eu também te amo. Ele levanta, pega sua bolsa e promete: — Voltarei para você. E bem assim, como se eu tivesse alguma escolha no assunto, meu irmão, minha única tábua de salvação, se afasta de mim. E eu estou sozinha.


Capítulo Dezessete Passado

E

u não preciso dizer o

que aconteceu em seguida. Você já sabe. A

vida

sem

Pike

foi

pior

do

que

os

pântanos

do

inferno. Sozinha. Desolada. Uma vida que ninguém quer acreditar que é real, mas é. Tornei-me escura por dentro. Não. Isso não é verdade. Eu tornei-me incolor. Você não conseguiria pintar um retrato meu, porque eu já não existia. Para existir, você tem que ter vida e eu era apenas um robô, uma máquina, diga-me o que quer e eu faço, paralisada para emoções e consequências. Foda-se a vida. Te odeio. No momento em que Pike saiu pela porta, Bobbi veio até meu quarto. Eu estava chorando, pedindo-lhe para usar o telefone quando a ameaça veio. Ela me disse que sabia sobre Pike e eu fazendo sexo, e se eu contasse a alguém ou tentasse sair, ela iria dizer ao Serviço Social e eu seria colocada sob avaliação mental em um hospital estadual. Ela também me disse que Pike seria preso e enviado à cadeia por estupro de um menor, uma vez que dezessete anos é a idade legal de consentimento, no estado de Illinois. Então era isso; eu mantive minha boca fechada.


Eu não ouvi sobre Pike desde que ele me deixou a pouco mais de três meses atrás. Ele se foi, provavelmente, ser mais feliz, e me deixou para cuidar de mim mesma. Eu não o culpo. Fuja, Pike. Corra para longe de mim e dessa vida. Eu aceitei que ele não voltaria para mim. Eu tive meu primeiro surto após o primeiro mês, sentindo sua falta, me perguntando se era tudo uma mentira e se eu alguma vez o veria novamente. Aquele primeiro mês era, na verdade, a única época que ele conseguiria me ver. Eu ainda estava na escola, mas logo que o verão chegasse, eu raramente seria deixada para fora do armário. Já não tenho Pike para conversar durante as noites; eu não tinha ninguém. A escola começou de novo na semana passada. Eu estava tão ansiosa, nervosa para ver Pike agora que nós dois estaríamos no ensino médio. Será que ele me agarraria e me abraçaria, ou olharia através de mim, como se eu já não existisse? Mas eu não tive que me preocupar muito, porque ele não estava lá. Eu procurei nos corredores e, em seguida, acabei indo na secretaria, apenas para descobrir que ele foi transferido para outra escola. Mas eles não me falariam para onde. Ao sair do escritório naquele dia, eu pensei comigo mesma: Talvez este seja o momento de você desistir, Elizabeth. Talvez este seja o momento onde você percebe que é essa vida que está destinada para você. Talvez este seja o momento em que você finalmente para de lutar por algo que nunca era para acontecer. Isso foi na semana passada, e eu ainda não tomei quaisquer decisões sobre esses pensamentos. E assim eu retono à minha vida mecânica. Acordar, ir à escola, ir para casa, ser fodida pelo meu pai adotivo gorduroso, banho, lição de casa e cama. Cama é sempre uma variável; ou é cama ou restrições de couro no armário. Apesar do desgosto, estou hiperconsciente da minha aparência. Eu tenho tido sorte até agora para evitar as espinhas da puberdade; minha pele é macia e sem falhas do pescoço para cima. Sob minha roupa é um mix de cores diferentes, em estágios diferentes de cura para meus machucados, vergões e cortes. Meus pulsos parecem que tiveram algumas tentativas de suicídio fracassadas. Meu cabelo vermelho é brilhante e cheio de ondas soltas preguiçosas que caem pelos meus ombros delgados. Meu rosto engana a todos, porque ninguém jamais adivinharia o horror que vive abaixo. Mas não importa o quão feia eu me sinta, eu tento cuidar de mim mesma.


Quando a campainha final toca, eu enfio meus livros na minha mochila e ando pelos corredores. Eu não tenho amigos aqui; talvez seja minha culpa, ou talvez seja deles. Eu guardo para mim mesma. Eu nunca falo, a menos que por pedido de um professor, e mesmo com isso, eu nunca digo mais do que o necessário. Minhas notas são boas, não que eu tenha qualquer aspiração depois que me formar. Eu tenho certeza que vou fritar hambúrgueres em algum lugar ou dar golpes, fazer boquetes, dependendo da quantidade de dinheiro que eu queira fazer. Cínica? Sim, eu sou. Eu movo-me lentamente, deixando todos passarem, esbarrando em mim conforme correm para fora dessa escola para a liberdade deles. Mas essa é a minha liberdade, aqui na escola e longe de casa. Então eu gasto meu tempo, e quando finalmente saio pela porta dupla de metal, eu aperto meu casaco ao meu redor e começo a ir para casa. Antes que eu possa sair da escola, um Mustang preto vintage estaciona ao meu lado, e eu acho que estou imaginando coisas quando ouço sua voz familiar. — Elizabeth, graças a Deus. Pike sai do carro e rapidamente me coloca em seus braços. O conforto é esmagador, e não demora muito para que eu esteja chorando em sua camisa. — Porra, senti sua falta. — ele sussurra no meu cabelo, e eu aceno contra seu peito. — Você está bem? Eu me afasto para trás e olho para ele, ignorando sua pergunta, e questiono: — Onde você esteve? — Eu não sabia como encontrá-la. Eu tentei esgueirar-me pela casa algumas vezes este verão, mas você nunca estava lá. — Eu estava lá. — digo a ele. — Ele me manteve presa a maior parte do verão. Ele sabia sobre nós... que estávamos... você sabe. Ele se irritou e disse que foi por isso que se livrou de você.


— Merda. E então o choro começa enquanto solto o ar e digo: — Eu pensei que você tivesse desistido de mim. — Nunca. Ele, então vira-se para o carro, e é quando eu espreito em torno dele, eu vejo o motorista. Ele é mais velho, talvez em seus vinte anos, com tatuagens em seus braços. — Venha comigo. Podemos falar. — Pike diz enquanto olha para mim. — Não posso ficar muito tempo. Carl normalmente chega em casa por volta das cinco. — Não se preocupe. Eu vou te levar de volta a tempo. — ele me diz e, em seguida, abre a porta, entra no banco de trás e estende a mão para mim. — Este é Matt, a propósito. — Pike apresenta: — Ele é um bom amigo meu. — Hey. — Matt diz, dando-me um aceno de cabeça no espelho retrovisor antes de voltar para a rua. — Hey. — minha voz, quase um sussurro quando Pike me puxa para seus braços. — Converse comigo. Eu mantenho meus olhos sobre Matt, não querendo falar na frente deste estranho. — Não se preocupe com ele. — Pike me fala. — Ele é legal. — Eu estava com medo que nunca o veria novamente. — eu admito calmamente. — Eu disse para você acreditar em mim. Eu não vou te deixar. O lugar que estou ficando tem regras rígidas. Basicamente escola e, em seguida, de volta às oito horas no toque de recolher.


— Como é? — pergunto. — A casa do grupo, quero dizer. — É legal. Você não está lá, então eu passo a maior parte do meu tempo me preocupando com você. — Aqui está bom, cara? — Matt diz quando estaciona no parque degradado atrás de um shopping center. — É. Basta dar-nos uma hora sozinhos. — Pike diz-lhe enquanto ele estaciona o carro e, em seguida, sai. — Aonde ele vai? — Só nos dar algum tempo sozinhos. Quero falar com você. Eu quero saber se você está bem. Eu balanço minha cabeça e algumas lágrimas escapam. — Está horrível, Pike. Está tão ruim. — Você vai ficar bem. Eu balanço minha cabeça novamente. — Eu sei que você não consegue ver isso, mas você é uma menina forte. Você vai ficar bem. — Ele faz coisas horríveis comigo. Coisas que nunca fez antes. — eu revelo. Ele me embala no seu peito e beija o topo da minha cabeça enquanto eu abraço-o, acrescentando: — E agora você não está lá para levar aquilo embora. Movo a cabeça para ele, ele me beija, descansando seus lábios nos meus e eu suavizo com o seu toque. Ele muda e se move para cima de mim, me deitando de costas contra o assento de couro frio. — O que você está fazendo? — murmuro contra seus beijos. — Levando embora. — Mas o seu amigo...


Com a mão sobre o botão da minha calça, ele diz: — Ele não vai voltar por um tempo. — ele abre o botão, olhando para mim, e então pergunta: — Está tudo bem? Concordo com a cabeça e murmuro: — Sim. Basta levar embora. E ele faz, ali mesmo no banco de trás do carro do seu amigo. Pike me limpa dos últimos três meses, desaparecendo com toda a sujeira que Carl deixou para trás e a cobrindo com a sua bondade.

Pike continuou a me pegar depois da escola durante os últimos sete meses, mas apenas uma ou duas vezes por semana. Ele está principalmente com Matt, mas de vez em quando, Matt empresta-lhe o seu carro então Pike e eu podemos ficar sozinhos. Eu amo esses momentos. Eu descobri que Pike e Matt trabalham juntos, vendendo drogas na rua. Depois que eu o conheci, não demorou muito para que Matt questionasse Pike por me foder aos quatorze anos de idade, na parte de trás do seu carro a cada semana. Eu nunca tinha visto Pike tão irritado e na defensiva, ameaçando Matt que bateria nele pra caralho, se ele o questionasse novamente. Matt é sujo e me dá arrepios. Ele me olha constantemente, como se estivesse esperando por sua chance de entrar nas minhas calças também. Eu não falo nada ao Pike sobre isso, mas eu não confio no cara. Toda vez que vejo Pike, ele tem uma nova tatuagem. Eu odeio que ele esteja se marcando tanto. Tipo como, com cada tatuagem, ele estivesse tirando um pedaço do Pike que eu conheço e substituindo-o por um novo Pike – um Pike que eu só consigo ver uma vez por semana no banco de trás do Mustang enquanto fazemos sexo. Não temos muito tempo para conversar, por isso parece que eu praticamente o uso para escapar. As emoções posteriores agora são


esmagadoras. Eu comecei a chorar muito quando terminamos. Isso preocupa Pike. Ele tenta falar comigo, e eu tento explicar como isso está começando a me fazer sentir culpada, mas ele garante que está tudo bem. Então, depois do sexo, eu choro e Pike me abraça, fazendo o que pode para me fazer sentir melhor. Mas Pike não aparece há duas semanas. Ele disse-me para dar-lhe tempo para resolver seus planos para quando ele fizer dezoito anos, e eu tenho tentado ser paciente. Seu aniversário foi na semana passada, e eu estou extremamente ansiosa para ficar bem longe de Carl e Bobbi. Carl está mais violento comigo ultimamente, me socando durante o sexo e cuspindo na minha cara. Ele agrediu meu rosto na noite passada, dando-me um olho roxo antes de me jogar de barriga e me foder por trás. Ele não faz isso muitas vezes, só quando está realmente chateado com alguma coisa. Mas ontem à noite foi muito ruim, e ele perdeu o controle. Eu mantive minha boca fechada e deixei minha mente derivar o mais longe que podia, esperando tudo acabar. Ele ainda tem o mesmo colchão. Agora está manchado de sangue, vômito, suor e urina de Carl. É por isso que eu estou tão ansiosa para Pike vir me buscar. Então, depois que eu aplicar mais pomada na contusão do meu olho roxo, eu me sento na minha cama e olho para fora da janela, procurando pelo Mustang preto de Matt. Logo fico cansada de perscrutar a escuridão lá fora. Decepcionada, e de mau humor deslizo para baixo das minhas cobertas e olho para as paredes roxas por alguns minutos antes de apagar a luz e cair no sono. Um peso no meu braço faz meus olhos abrirem. Assustada na escuridão, meu coração disparado, eu ouço um calmante: — Shh. — Pike? — eu sussurro enquanto sento e estendo a mão para ele. Sua mão percorre meu rosto enquanto ele respira suavemente: — Você ainda acredita em mim? — Sim.


Pike tira os lençóis de cima de mim, a adrenalina dispara. Como um milhão de enxame de abelhas no meu peito, meu coração bombeia enquanto Pike e eu nos movemos rapidamente, jogando minhas roupas e alguns pertences em uma mala. Tudo borra em uma névoa rápida, e eu quase sinto que estou ficando doente. Meu estômago está em nós com medo e excitação por estar a segundos de ficar livre do inferno que vivo nos últimos seis anos. Quando Pike fecha a mala e joga por cima do ombro, ele pega a minha mão na sua. Eu posso ver o seu sorriso crescer nas sombras da luz da lua, e eu não consigo me impedir de inclinar e beijá-lo, dando-lhe cada pedaço do meu coração por este presente que ele está me dando. Meu conto de fadas, resgatarme do monstro do mal que me esconde na masmorra. — Eu te amo tanto, Pike. — Eu também te amo. — ele sussurra calmamente. — Está pronta? — Sim. Com a minha mão na sua, ele vai até a janela a qual ele entrou e desliza antes de me ajudar a sair. Nós oscilamos ao longo do teto até a borda, onde Pike joga a mala para Matt, que está esperando no gramado da frente. Ele rapidamente corre para o carro, jogando a mala, enquanto Pike pula do telhado e na grama abaixo. Você pensaria que eu estaria com medo de saltar, mas eu pularia dez andares para baixo em uma pilha de vermes se isso significasse fugir daqui. Então, quando Pike estende os braços, eu pulo, pulo para a vida que me espera do outro lado. Uma vez no carro, Matt nos leva para longe conforme olho para trás, para essa merda de casa branca, que me manteve enjaulada desde que eu tinha oito anos. Eu passei quase metade da minha vida trancada naquele pequeno armário e forçada naquele porão. O carro finalmente se vira, e quando a casa desaparece, eu caio no peito do Pike e começo a chorar como um bebê. Livre. Aliviada. Salva.


Pike jurou que os quatorze ainda seriam o meu ano. Eu queria acreditar nele, mas sempre duvidei. Nada jamais funcionou para mim, nada atĂŠ agora. Meus gritos sĂŁo altos, mas ninguĂŠm fala, e, finalmente, depois que o tempo passa, eu me enrolo no colo de Pike e fecho os olhos enquanto Matt continua a conduzir pela noite.


Capítulo Dezoito Presente

N

atal passou e Bennett

está em casa nas últimas semanas. Com os feriados, o tempo está passando rápido, quase sem interação com Declan. Encontramos para tomar um café antes de Bennett voltar para Dubai. O encontro foi mais agradável do que a nossa tensão habitual. Apenas conversamos, e ele me contou sobre a vida na Escócia e sobre os problemas na empresa do pai. Eu quase me senti mal por está-lo manipulando tanto, quase. Meu propósito é claro, e ninguém vai ficar no caminho do que eu tenho que fazer. Para apaziguar Jacqueline, concordei em encontrá-la para almoçar com outras meninas. Então, quando Baldwin me deixa em Le Sardinha, um bistrô francês local, no West Loop15, eu vejo as meninas já sentadas em uma das mesas, com toalhas de linho branco. — Ela chegou. — diz Jacqueline quando me aproximo e me sento. — Desculpem o atraso. Eu tive que atender algumas ligações. — Você está pronta para a véspera de Ano Novo? — Marcia pergunta enquanto bebo a água que elas tinham pedido para mim. — Acredito que sim. Estou tão feliz por Bennett estar aqui. Uma parte de mim estava preocupada que ele tivesse que viajar de novo. 15

Centro empresarial de Chicago.


— Por Favor. Ele nunca perderia esse evento, ou uma chance de te exibir. — Jacqueline diz. — O homem é louco por você. Tenho um pouco de ciúme. Quem ela pensa que está enganando? Jacqueline é naturalmente ciumenta e não faz questão de esconder sua atração pelo meu marido, mas eu dou um sorriso encantador, respondendo com: — Estou tão feliz que ele esteja de volta em casa. A atenção de Marcia vai para frente do restaurante, e quando eu me viro para ver o que está lhe chamando a atenção, eu fico tensa por um momento. — Ele é tão fodível. — ela fala em voz baixa, fazendo com que Jacqueline deixe escapar: — Marcia! Meu Deus! — O que? — ela defende. — Olhe para ele e me diga que não deixaria ele fazer coisas com você. Eu vejo Declan falar com a atendente enquanto Jacqueline diz: — Você é casada. — Eu não me importo. Vale a pena o risco, certo? — Pergunte à Nina. Voltando o rosto para elas, eu questiono: — Perguntar-me o que? — Sobre ele. — diz Jacqueline apontando Declan com a cabeça. — O que faz você pensar que eu saiba alguma coisa? — Não seja tímida. Ele é dono do hotel que você está planejando a festa. — afirma. — Não significa que eu o conheço pessoalmente. — eu defendo. — Mas pelo que sei, ele parece ser um bom homem. — quando digo isso, Declan me cumprimenta, e com um leve sorriso, caminha de volta para a cozinha. Levanto da minha cadeira, e educadamente me desculpo, dizendo: — Com licença, eu já volto.


— Aonde você vai? — pergunta Marcia. — Vou cumprimentá-lo. — eu digo a ela largando o meu guardanapo na mesa e caminhando até a parte de trás do restaurante. Quando ele se vira para me ver, eu sorrio, e alcanço o lado dele ao longo da bancada de granito frio que divide a sala de jantar da cozinha. — Você está me seguindo? — eu questiono com flerte. — Você quer que eu a siga? Fazendo uma pausa, eu entro no jogo e respondo: — Talvez. Seu sorriso alcança os olhos. — Faz tempo que não tenho notícias suas. — eu digo. — Achei que você estivesse ocupada com assuntos familiares. Não sabia que você estava querendo notícias minha. — ele fala, flertando de volta. — Eu gostei do nosso encontro para um café. — digo a ele. — Eu gosto de conversar com você. Senti falta disso, apenas disso. — Só sentiu saudades disso? — Declan. — eu censuro suavemente. — Sim, eu sei. Você é casada. Precisando interrompê-lo, eu sussurro baixinho: — Eu sinto falta de passar um tempo com você. Seus olhos hesitam por um segundo, e então ele agarra meu cotovelo, fazendo-me olhar instintivamente sobre o meu ombro para verificar, por um momento, se as meninas estão olhando para nós. Declan rapidamente me recua para um corredor privado, que leva para os banheiros. — O que você está fazendo? — eu pergunto e tento me afastar do seu abraço, mas ele me prende contra uma parede antes que eu possa dizer qualquer coisa.


Seu rosto está perto do meu, enquanto nos encaramos. Meu coração dispara com medo que alguém nos veja, e ele lê a minha ansiedade, dizendo: — Ninguém pode nos ver. — O que você está fazendo? — pergunto novamente. — O que você está fazendo? — Nada. — Você está me paquerando, Nina. Você está me seduzindo. — Eu não. Ele olha para minha boca, e, em seguida, ele fala em um tom suave, gutural, dizendo: — Não minta para mim. — Eu não sei o que você quer que eu diga. — eu sussurro. — O que você está sentindo? — ele questiona, pressionando seu corpo no meu, empurrando minhas costas contra a parede. — Diga-me o que você está sentindo... Pressiona. —... Exatamente... Mais próximo. —... Agora. — Eu amo meu marido. — Você está tentando me convencer, ou está tentando convencer a si mesma? Recupero meu fôlego, vejo a escuridão em seus olhos, e eu faço a minha jogada, dizendo: — Eu não sei. Sua mão vem ao encontro do meu pescoço, quase à força, envolvendo os dedos compridos e o polegar ao redor da forma delgada, prendendo minha


cabeça contra a parede em um estrangulamento possessivo, ainda suave. Depois de um momento, ele simplesmente olha nos meus olhos e eu finalmente vejo a fome antes dele me beijar, sugando o ar direto do meu ventre. Lábios batendo, respiração pesada e todo o tempo, mantém-me em seu aperto firme. Sua agressividade me impele a agarrar a sua camisa, enrolando o tecido com força nas minhas mãos, enquanto ele assume o controle. Aceito sua língua em minha boca, saboreio a sua respiração, ou talvez seja a minha alma. Eu o agarro com mais força deslizando minha língua pela sua boca, e quando faço isso, ele rosna silenciosamente na minha boca, causando uma ligeira vibração entre nós. De repente, ele se afasta, mantendo sua mão poderosa em volta do meu pescoço e dá um passo atrás. Ele olha; não fala, apenas olha, examinando minha reação. Mas minha reação é calculada, puxada direto do meu guia estratégico. Tremor, respirações aceleradas. Deixo a ascensão e queda do meu peito visível para ele. Deixo escapar um zumbido erótico, mas nervoso. Relaxo os músculos e afundo no aperto que ele tem sobre mim. — Fale-me. — ele exige. Eu balanço minha cabeça, nego seu pedido, aumentando a pressão dos seus dedos em volta do meu pescoço. — Diga-me como você se sente. — ele insiste. Eu acelero minha respiração e consigo forçar uma lágrima. Que cai lentamente pelo meu rosto, eu sinto a umidade, mas antes que escorra pelo meu maxilar, a língua de Declan a captura. O toque macio me surpreende, e quando abaixo a minha cabeça, ele finalmente alivia o aperto sobre mim e embala meu rosto, inclinando-me para que eu olhe para ele. Seus olhos amolecem, e eu falo baixinho as palavras que eu sei que ele quer ouvir: — Eu não sei como descrever o que eu sinto por você, mas eu sinto. — Você quer?


Com uma falsa hesitação ligeira, o jogo começa quando respondo: — Sim. O canto da sua boca eleva, e, dessa vez, ele é gentil quando me beija. Seus lábios são suaves pressionando os meus, mas ele rapidamente me afasta, e em seguida diz: — Venha me encontrar no hotel quando você sair daqui. — Tudo bem. — eu respondo, sem qualquer dúvida, e então ele se afasta de mim. Eu preciso de um momento para me recompor antes de voltar para a mesa, e quando volto para o restaurante, olho rapidamente e percebo que Declan já foi. — Onde você estava? — pergunta Marcia doida por uma fofoca. — Banheiro. — Com quem? — ela pressiona. Estreito os olhos e digo a ela: — Você está fazendo insinuações muito inadequadas e ofensivas. Se você está querendo fofocas, vai ter que procurar em outro lugar. — Sinto muito. Eu não estava tentando insinuar qualquer coisa. — ela fala, recuando. Eu pego o menu, ainda pensando em Declan, enquanto Jacqueline e Marcia voltam a conversar sobre algum assunto que estavam falando antes de eu retornar. Passamos o resto do nosso almoço com conversas ociosas, e, em seguida, Jacqueline continua seu discurso inflamado usual sobre os nossos supostos amigos. Sento-me, participando, acenando com a cabeça para fingir meu interesse no que está sendo dito. Após

pagarmos

a

conta,

trocamos

beijos

no

rosto

e

nos

despedimos. Baldwin está estacionado na frente, esperando por mim, e quando ele abre a porta do carro, ele pergunta: — Almoço bom? — Adorável. — eu respondo com sarcasmo, e quando ele entra no banco da frente, olha para mim através do espelho retrovisor com um olhar


contemplativo que me faz sorrir para então admitir: — Ok, talvez adorável não seja a palavra certa. Ele ri e coloca o carro em movimento. — Eu preciso parar no Lotus, antes de ir para casa. Parece que precisam da minha assinatura em algumas faturas e eu quero ver se está tudo correndo bem. — É claro. Paramos no hotel, eu saio do carro e caminho, indo direto para o escritório de Declan. Ele está sentado atrás da sua mesa, e quando entro, ele se levanta, dizendo: — Feche a porta. Eu fecho. Ele caminha até a mim, coloca meu rosto em suas mãos, e me beija, sem interromper seus movimentos fluidos. Deslizo meus braços ao redor dele e beijo-o de volta. Excitação corre através de mim, ou talvez seja a adrenalina de finalmente saber que isso está acontecendo. O plano que Pike e eu fizemos há quatro anos. Todo esse tempo, e, finalmente, está acontecendo. Quero me atirar em Declan, mas tenho que ser inteligente, lembrar-me do jogo, e não perder o foco do que eu preciso fazer. Então, controlo as endorfinas e me afasto. — O que é? — ele questiona. — Estou apenas... — Apenas o que? Depois de um momento, eu respondo. — Apavorada. — Comigo? Eu balanço minha cabeça com as mãos ainda no meu rosto, me segurando. — Disso?


— Sim. — abaixo minha cabeça e a coloco contra seu peito, acrescentando: — Eu sou casada. Eu não sei o que estou fazendo. — Você é casada, sim. Mas você está feliz? Olhando em seus olhos, eu digo: — Eu não tenho certeza se estou. Tudo o que sei é que isso me faz sentir bem. Você me faz sentir bem. A intensidade nos olhos dele revela o prazer que está sentindo com as minhas palavras sinceras, e eu aproveito para deslizar minha mão em torno de seu pescoço e puxar seus lábios para os meus, mostrando-lhe que é ele quem eu quero, porque verdade seja dita, ele é o que eu quero, é o que eu preciso. — Venha encontrar-me. — ele fala quando paramos de nos beijar. — Quando? — Essa noite. — Eu não posso. Eu tenho um jantar. — digo a ele. — Eu quero que você venha me ver. Dou um passo para trás, fora do seu abraço, hesito, dizendo: — Eu não sei. Seu maxilar contorce no que eu posso assumir que seja frustração ou raiva. — Não vacile, Nina. — Isso é tão fácil para você, não é? — eu falo com firmeza. — Porque não é você que está a ponto de se transformar em uma traidora. Eu sim. — Também estou. Eu sei o que eu quero. E mesmo que seja com traição agora, eu ainda quero. — Eu não sei. — digo em um suspiro pesado. — Eu não sou esse tipo de pessoa, Declan. Eu sou fiel e boa. Só de estar te beijando já está me machucando. Mas... — Fale. — ele exige.


— Mas já está preenchendo algo dentro de mim, que eu não sabia que estava vazia até você. Eu só... eu só preciso de um pouco de tempo para pensar sobre isso. — Eu não sou um homem paciente, Nina. — Eu sei. Mas, por favor, apenas... Ele dá um passo na minha direção, segurando meus braços firmemente em suas mãos, e diz: — Nós dois sabemos o que você veio fazer aqui. Você está mentindo para si mesma, se você quisesse Bennett, então você não teria vindo aqui. — Pare. — Não. Afasto meus braços, tento me distanciar, ele me aperta mais e eu vejo o início de um sorriso. — Declan, pare. Me solte. — Não. — ele diz em uma voz endurecida. — Eu não gosto de brincadeiras, e você está brincando comigo. — Eu não estou brincando, Declan. Isso não é um jogo; esta é a minha vida, uma vida que eu fiz com o meu marido, e agora, eu estou realmente confusa. Apenas deixe-me pensar. — eu digo a ele. Suas mãos me soltam e ele caminha até a porta, abrindo-a. Pelo brilho dos seus olhos, eu o vejo, tentando me ler com o olhar, quando diz: — Então vá pensar. — antes de calmamente me dispensar da sala. Eu não me preocupo com o fato de tê-lo irritado. Vale tudo no amor e na guerra, certo? Então, corrijo a minha postura e caminho até a porta, parando para olhá-lo com olhos suaves, e depois saio. Isso nunca vai funcionar corretamente se eu for atrás dele; ele precisa vir até mim. Então, eu vou deixá-lo com ciúmes. Vou fazê-lo vir até mim.


Capítulo Dezenove Presente

R

etorno para casa e ouço

alguns recados de última hora antes da festa de hoje à noite e escuto a risada irritante de Richard, sócio de Bennett, vinda do escritório. Coloco minhas sacolas de compras sobre a mesa da sala de jantar antes de ir para a cozinha. — Querida, é você? — Bennett pergunta do outro lado da casa. — Sim querido. Eu pego uma garrafa de vinho Chardonnay gelada da geladeira e começo a abri-la, no momento em que os rapazes entraram na cozinha. Sorrio para Bennett quando ele se move atrás de mim, então viro a cabeça para que ele possa me dar um beijo. — O que vocês dois estão discutindo? — pergunto. — Apenas algumas oportunidades de fusão, só isso. Abaixo a garrafa, e respondo: — Eu não sabia que vocês estavam interessados em algo assim. — Nós não estamos. — Richard deixa escapar. — Não vamos aceitar qualquer uma das ofertas. Viro-me para enfrentar Bennett, e ele nem sequer toma conhecimento de Richard conforme seus olhos estão focados em mim com um leve sorriso. Não é


até levantar na ponta dos pés para dar um beijo no meu marido, que Richard fala outra vez: — Jacqueline mencionou que você e as meninas almoçaram hoje. Disse que outro homem lhe deu atenção. Ele é tão idiota. — Quem? — Bennett pergunta. — Declan. — eu digo para ele e, em seguida, afasto-me para enfrentar Richard, acrescentando: — Ele é o proprietário do hotel onde a festa se realizará hoje à noite, mas tenho certeza que este pequeno detalhe foi deixado de fora de qualquer fofoca espalhada por aí, sobre mim. Tenho certeza de que você é bem atento em manter as boas graças com as pessoas com quem faz negócios, estou certa? — Não há necessidade de ficar na defensiva, querida. — diz Bennett. — Não é defensiva, apenas irritada com sugestões improvisadas. — eu defendo enquanto olho para Richard. Sua piscadela me irrita quando ele diz: — Bem, você sabe como podem ser as mulheres. Formo o sorriso mais agradável que consigo e digo:

— Por mais

charmosa que esteja sendo essa pequena interação, deem-me licença, enquanto fico pronta para a festa. — viro para Bennett, dou-lhe um beijo no maxilar, e sussurro sugestivamente: — Junte-se a mim no banheiro. — antes de sair, digo a Richard: — Estou ansiosa para ver você e sua esposa essa noite. Quaisquer que sejam as intenções que Jacqueline tinha quando ela decidiu contar ao marido sobre o meu encontro com Declan, eu sei que preciso tratar como se fosse nada para Bennett e ficar no meu melhor comportamento hoje à noite, de modo que ele não fique nem um pouco desconfiado sobre o que estou fazendo. Assim, quando ele entra no banheiro depois de alguns minutos, eu viro para encará-lo, e, silenciosamente, retiro minhas roupas enquanto ele observa. Sua ereção crescendo é perceptível através da sua calça e eu sento em


cima do balcão da pia e abro as minhas pernas, convidando-o a tomar o que ele quer. Eu vejo-o afrouxar a gravata, conforme começa a mexer nos botões da sua camisa, eu lambo os dedos e arrasto-os para baixo no meu clitóris, esfregando círculos suaves. Eu penso em nada, exceto Bennett, trabalhando duro na minha imaginação, tentando me deixar molhada. Inclino a cabeça para trás, contra o espelho, levanto os meus pés para a borda e fecho os olhos. Quando a visão de Declan paira sobre mim com a mão dentro da minha calcinha no seu hotel, a outra noite pisca na minha cabeça, meus olhos abrem. Porra. Eu não posso pensar nele. Em um instante, Bennett está se agachando na minha frente, as mãos me abrindo mais, antes de mergulhar a sua língua dentro de mim. Eu continuo tocando-me conforme ele me suga, como se eu fosse a única que pode saciar sua sede. Ele me enoja, e logo que sinto o redemoinho de ódio manifestar, eu desligo cada parte de mim e simplesmente acompanho os movimentos que eu sei que ele gosta. Eu sou uma máquina bem lubrificada, nesse ponto, impecável no meu desempenho. Ele não tem ideia de que eu sou o veneno em seus ossos, fazendo a minha casa na sua alma. Eu rastejei debaixo da sua pele, e ele nunca suspeitou de nada que não fosse tudo o que eu queria que ele soubesse, mas ele fez da minha vida um inferno, e a recompensa é uma cadela má que vem sob a minha forma. Eu sou o diabo se infiltrando dentro das rachaduras dele. O que ele não sabe é que é por causa dele que eu sou o que sou, e ele foi apanhado nas teias de aranha das minhas mentiras como um tolo. Eu acho que deveria amá-lo por isso, porque quando ele menos suspeitar, ele vai me dar tudo o que estive procurando vingança.


— Você se importaria de fechar o zíper pra mim? — eu pergunto ao Bennett de dentro do closet. Eu estou na frente do meu espelho emoldurado que fica encostado em uma das paredes. O vestido sem alças de cetim preto é adornado com um corpete de contas de cristal espalhadas, que se desvanece para baixo na saia preta fina, sedosa que cai no chão. Quando Bennett caminha por trás, seu sorriso é grande quando pega o zíper e lentamente arrasta-o para o centro das minhas costas. — Você está linda. — ele me diz antes de dar beijos ao longo do meu ombro nu. — Bennett, faz cócegas. — eu rio e me afasto. Olho para reflexo dele no espelho quando ele ri e depois pergunto: — Você pode ajudar a amarrar minha faixa? Olho para a grande faixa de cetim, laranja queimado, que está ao redor da minha cintura, para baixo em meus quadris, ele balança a cabeça, segurando as duas extremidades e diz: — O que eu faço com isso? — Para um garoto tão inteligente, acho até que você consegue amarrar uma simples faixa. — eu brinco. Dando uma piscada, arrumo minha postura e o instruo. — Apenas um nó frouxo. Eu gostaria que ela ficasse pendurada e solta, um pouco abaixo da minha cintura. Enquanto ele trabalha com o tecido, minha mente volta para Declan. Eu não falo com ele desde ontem, mas sei que ele vai estar na festa hoje à noite. Ele está ficando impaciente comigo, o que é bom, mas, assim como antes, quando Bennett e Declan estão juntos, meus nervos ficam intensificados. Eu não me importo se Bennett suspeitar que eu possa estar tendo um caso, mas tê-lo suspeitando disso no início poderia ser fatal. Eu tenho que certificar que Bennett não é o mais sábio e simplesmente supor que com o tempo que passamos juntos planejando este evento, nós nos tornamos nada mais do que amigos e que a única intimidade que eu almejo é a do meu marido. — Como está? — ele pergunta, enquanto se distancia.


Viro-me e olho por cima do ombro para a parte de trás do meu vestido e sorrio. — Está perfeito. Obrigada. Ele envolve seus braços em mim e me puxa para perto. Ele está vestido com seu smoking preto e gravata borboleta, um clássico Bennett. Olho em seus olhos e suavemente suspiro e relaxo em seus braços, sussurrando: — Eu sinto sua falta. — Você me tem, querida. Eu estou bem aqui. — Por enquanto. Mas ainda sinto falta de você, como se eu nunca pudesse chegar perto o suficiente para que baste. — digo-lhe, minhas palavras nada, além de indispostas para o meu gosto. — Deus, você tem alguma ideia do que isso faz comigo? — Hmm... diga-me. — Se eu te disser que vou desamarrar essa faixa e tirar esse vestido de você? Meu sorriso cresce, e ele beija o canto da minha boca, sempre com cuidado para não borrar o meu gloss. Nós passamos alguns momentos abraçados antes de deslizar sobre nossos casacos e sair em direção ao carro. Quando chegamos ao hotel, Baldwin estaciona na frente e Bennett pega a caixa com a minha máscara. Ele abre e tira a máscara de metal preta cortada a laser e diz: — Onde você arrumou isso? Realmente é excepcional. Seu comentário me pega desprevenida, porque achei que fosse um presente dele, mas, então começa a despontar a razão de não haver cartão ou bilhete, era porque é de Declan. — Oh. — eu digo, demorando um segundo antes de explicar: — Eu encontrei on-line e pedi. — Venha aqui. — ele fala e se inclina. Coloca-a suavemente no meu rosto, passando a fita atrás da minha cabeça e prendendo na inclinação.


Eu não consigo acreditar que Declan fez isso e nunca disse nada. — Está legal? — pergunto. — Está perfeita. Eu estendo minha mão para sua máscara, uma máscara dourada, gravada com laranja queimado, contrastando com vermelho profundo de fogo. Quando eu prendo-a no lugar, pressiono suavemente meus lábios nos dele. — Vamos. — ele diz. — Eu quero que todos vejam o quão bonita você está hoje à noite. Rindo das suas palavras, eu falo. — Acompanhante sedutora? — Você é muito mais do que acompanhante. Ele pega a minha mão enquanto andamos, elegantemente atrasados, para o salão já ocupado. Eu paro por um momento para absorver tudo: a sala escura está flanqueada com lanternas rústicas ardentes que revestem as paredes, laranjas suntuosas e flores vermelhas e hortaliças enchendo as mesas, pessoas vestidas com seus melhores vestidos e smokings e máscaras que refletem o tema: diabos, arlequins, presilhas de couro preto, e, claro, a minha própria máscara de metal preta. — Eu não achava que você poderia se superar, mas isso está incrível, querida. — Bennett me diz. O salão está cheio de amigos, colegas do meu marido, garçons servindo várias bebidas e canapés, a banda tocando, e as pessoas dançando e se misturando. — Vamos? — Bennett diz e me leva para o salão à luz de fogo, escuro. Não demora muito tempo até estarmos misturados com a multidão e cumprimentando os nossos convidados. Eu rapidamente arrebato uma taça de champanhe de uma bandeja de prata. Tomo um gole e ouço Jacqueline atrás de mim. — Nina, estou impressionada.


Quando viro para encará-la, respondo: — Você diz isso como se você tivesse dúvida. — minhas palavras saem um pouco azedas, mas ela não parece se ofender. — Nunca. Você sempre faz os melhores eventos. — ela fala. — Você está maravilhosa, por sinal. Eu amo laranja. — Obrigada. Eu tive o prazer de ver o seu marido mais cedo hoje. Parece que ele e o meu marido não conseguem ter um dia de folga dos negócios. — Os meninos sempre serão meninos. — ela diz, e acrescenta com um sorriso: — Especialmente quando se trata de dinheiro e espalhar o poder deles por aí. Nós duas rimos da honestidade da sua declaração quando sinto Bennett envolver o braço no meu ombro. — Do que vocês estão rindo meninas? — Você realmente precisa perguntar? — eu provoco. — Você acha que você pode se afastar da fofoca sobre mim para que eu possa levá-la para dar uma volta na pista de dança? — Mas falar sobre os dilemas dos homens das nossas vidas é muito divertido. — eu zombo com um sorriso. — Eu só posso imaginar. — ele afirma antes de dar um aceno de cabeça para Jaqueline e elogiá-la: —Você está linda essa noite, Jacqueline. — Como você, Bennett. — sua resposta atada em seu flerte habitual. — Se vocês me dão licença, eu provavelmente deveria ir encontrar Richard. Quando ela vai embora, Bennett nos leva até a pista de dança lotada, e eu finalmente enxergo Declan com o canto do meu olho. Ele está em um pequeno grupo, parecendo definido em um smoking preto, mas sem gravata e com os botões de cima abertos. Os olhos dele estão cobertos com uma máscara xadrez, dourada e preta diamante arlequim, mas eu sei que é ele por causa das marcas de idade em seu maxilar forte. Quando Bennett me abraça, observo Declan por cima do ombro conforme nos movemos ao redor da pista de dança. Seus olhos


finalmente encontram os meus, ao mesmo tempo que uma morena furtiva desliza ao lado dele e ele envolve seus braços na sua cintura. Seus olhos nunca desviam dos meus enquanto ela sussurra algo em seu ouvido e vejo o sorriso crescer em seu rosto, satisfeito com o que ela está dizendo. Meu estômago gira, não de ciúme, porque eu não fico com ciúme, mas pelo medo de saber que eu posso ter me fodido por jogar muito duro com ele. Talvez eu o li errado e o empurra-empurra do ato que tenho encenado com ele foi mais desestimulante do que o contrário. Ou talvez ele só esteja tentando me fazer ciúme, para que eu, finalmente, faça um movimento com ele. Não importa qual dos dois cenários seja, eu só tenho uma opção nisso, e é jogar com ele em seu próprio jogo. Assim, enquanto Declan flerta com a mulher em seu braço, com os olhos ainda presos aos meus, eu fecho os meus olhos e percorro o queixo de Bennett com o nariz, até que meus lábios encontram os dele em um beijo carinhoso. Com uma das mãos atrás da nuca, eu enterro meus dedos em seus cabelos conforme continuo a beijá-lo. Recuo um pouco, Bennett corre os dedos pelo meu rosto, com olhos suaves antes de me puxar de volta para os seus braços. Quando olho para Declan, ele não está prestando atenção em mim; em vez disso, ele saboreia o que quer que esteja no seu copo e arranha os dedos lentamente, para cima e para baixo, no braço nu da mulher. A espessa nuvem de derrota começa a me lavar e nem mesmo a melhor atriz do mundo poderia afastar a mudança de humor súbita que revira dentro do meu estômago. É uma sensação de mal estar que me engasga em um aperto doloroso de saber que isso pode nunca acontecer. Que mais anos da minha vida serão desperdiçados em uma busca que vai dar em nada. Eu gasto as próximas duas horas mantendo o foco em Bennett, tentando me distrair, engolindo o humor de merda, mas ele ainda se manifesta no meu estômago – uma lembrança sem fim. Mas ninguém sabe o que está no meu interior enquanto passeamos pela sala, visitando, brindando ao novo ano que está vindo sobre nós, rindo, bebendo, vangloriando, elogiando, fingindo...


E então eu me torno a maior farsante de todas quando Bennett vê Declan e chama por ele. — Bennett. — ele fala pausadamente com seu sotaque sempre presente. — Bom ver você de novo. — O mesmo aqui. Este é um grande evento. — Bem, você e eu sabemos que é só por causa da Nina aqui. — ele fala e me dá um aceno de aprovação. Com a sugestão de um sorriso, envolvo meu braço no de Bennett, e devolvo o aceno de cabeça. — Catherine. — ele diz à sua acompanhante. — Eu gostaria que você conhecesse o Sr. Vanderwal e sua esposa, Nina. Eu não posso ignorar o tom que ele usa para apunhalar a palavra esposa, mas eu me mantenho sob controle e estendo minha mão para ela com um agitar gracioso. — É um prazer. — eu digo. — Essa festa está maravilhosa. — Bem, eu estou feliz que você esteja se divertindo. — eu falo para ela e, em seguida, volto-me para Bennett. Estendo a mão para acariciar seu rosto carinhosamente, peço licença, dizendo: — Você acha que consigo alguns minutos? Estou um pouco quente e não me sinto muito bem. — Você está bem? — Eu vou ficar bem. Só preciso de um pouco de fôlego. Voltarei em breve. — eu digo a ele e, então dou-lhe um beijo carinhoso na frente de Declan, tomando o meu tempo em uma exibição indecente de afeto. Para a minha sorte, conheço Bennett, e ele gosta de me exibir, então eu uso isso com a intenção de fazer-me sentir melhor, de alguma forma, com essa falha colossal que eu criei.


O vazio dentro de mim incha enquanto saio da sala e para o corredor, em direção ao escritório de Declan, onde eu sei que há um banheiro privado. Eu só preciso ficar sozinha para me recompor dos pensamentos tumultuados que estão inundando minha cabeça agora. Outra faca em um sonho vacilante. Vou até a poltrona grande de couro, que fica no centro da sala carpetada. Calor rasteja até meu pescoço, conforme pensamentos de Pike entram, e eu estendo a mão para trás para soltar a fita da minha máscara. O ar frio encontra a minha pele quando deixo cair a máscara no chão. Eu me deixo ter este raro momento de fraqueza sentada aqui, mas é interrompido quando ouço a porta abrir e olho por cima do ombro para ver Declan. Eu não falo conforme observo-o fechar a porta atrás de si. E então ele me encara. Seu maxilar está cerrado quando ele tira a máscara, me dando uma visão clara dos seus olhos escuros, quase negros. — Eu estou farto com os malditos jogos aqui. — ele fala enquanto caminha até mim. Eu fico quieta, um pouco confusa sobre esta situação, e ele continua: — Você, fazendo um espetáculo na minha frente com aquele homem que nós dois sabemos que você não está feliz. É isso que você quer, tentar me deixar com ciúme? Ele fica de pé acima de mim, olhando para baixo, e eu falo: — Eu deveria estar fazendo-lhe a mesma pergunta. — Cale a boca, Nina. — ele exige severamente. Ele está chateado - com ciúme. De repente estou renovada, mas os jogos acabaram. Vou dar-lhe exatamente o que eu sei que ele quer, a minha submissão ao seu pedido exigente. Ele me assusta quando agarra abruptamente os meus braços e com força puxa-me para os meus pés e me gira nos seus braços para que nós dois


fiquemos de frente para o espelho. Com uma mão aperta meu braço, a outra agarra meu queixo, forçando-me a olhar para o nosso reflexo. — Olhe para mim. Eu olho. — Você me deseja? Nervos colidem dentro de mim, acelerando minha respiração, mas eu não respondo. — Responda! — Sim. — minha voz está rouca com a tentativa de falar. — Diga. — ele se encaixa enquanto libera meu rosto e desliza a mão até a minha garganta, segurando-a com firmeza, forçando minha cabeça para trás. — Diga! — Eu te quero. Assim que as palavras saem, ele me empurra para baixo rapidamente, e antes que eu saiba, ele levanta o meu vestido, expondo meu traseiro. Minhas mãos agarram a beirada da pia para me preparar enquanto ele puxa minha calcinha para o lado. — Olhe para mim. — ele instrui com uma voz dura, e eu faço o que ele diz, levantando a cabeça para encontrar seus olhos no espelho. — Eu não tenho um toque suave, Nina. Eu aceno com a cabeça e vejo-o balançar a cabeça também, com o nosso entendimento mútuo das suas palavras e ele desafivela o cinto e começa a desabotoar as calças. Eu desligo, levando minha mente para longe do que está prestes a acontecer. — Abra sua bunda para mim.


Eu faço, e sem qualquer aviso, ele bate dentro de mim, prendendo nossos corpos, fazendo com que um gemido de dor saia dos meus lábios. Com as mãos nos meus quadris, ele curva seus ombros em cima de mim, fixando-me sobre a pia enquanto empurra seu pau em mim, mais e mais, no ritmo de uma batida sem controle, e dou para ele conforme me controlo firmemente. — Olhe para mim. — ele rosna no meu ouvido. Seus olhos estão encapuzados com a necessidade primal e eu observo-o me foder por trás. Eu luto com o calor que posso sentir fervendo dentro de mim, ranjo os dentes e tento ignorar o tapa das suas bolas contra o meu clitóris a cada estocada volátil. Mas ao contrário de Bennett, Declan me obriga a permanecer no momento com ele, quando diz: — Diga-me o quanto você me quer. Eu balanço minha cabeça rapidamente, sem querer falar. — Diga-me, Nina. — Mmm mmm. Minha negação é punida em uma agonia erótica que atira pelo meu núcleo e pela minha espinha, conforme Declan aperta meu clitóris dolorosamente entre os dedos, fazendo-me gritar e empurrar o meu corpo para longe dele, mas ele põe seu um braço em volta da minha cintura, me fixa, quieta na sua posse. Ele não solta, então sibila no meu ouvido: —Diga-me. — sem vacilar, enquanto continua a bombear para dentro e fora de mim. — Por favor. — eu grito, enquanto as lágrimas picam em volta dos meus olhos e ele aperta com mais força, puxando a minha parte mais sensível. Minha cabeça cai, à medida que eu libero outro grito de dor antes de finalmente dar-lhe as palavras. — Eu quero você. — Mais alto! — Eu te quero. Por favor. — minhas palavras, mais um apelo do que qualquer outra coisa, instigam-no a ir mais forte, batendo dentro de mim em um ritmo violento. Seu assalto estoura mais rápido quando goza jorrando seu esperma quente dentro de mim com um poderoso grunhido.


Eu fico lá, com as pernas tremendo, conforme Declan enterra o rosto no meu pescoço. Seu pau ainda é rocha dura dentro de mim quando ele finalmente levanta a cabeça, mas eu mantenho a minha para baixo, confusa sobre o que aconteceu. Querendo saber se isso era ele me desejando como sua, ou se isso não era nada mais do que um castigo por jogar com ele. Quando ele sai de mim, abaixa o meu vestido, cobrindo-me. Sua respiração está difícil, como a minha, e quando eu me endireito, capturo um vislumbre dele empurrando seu pau para dentro das suas calças, e então desvio o olhar. — Não faça isso. — ele diz, e eu me viro para encará-lo. — Não desvie de mim. Eu não digo nada, porque não tenho ideia do que dizer neste momento, mas ele quebra o silêncio depois que sua camisa está enfiada em seu cinto afivelado. Dá alguns passos na minha direção, eu aperto a borda da pia enquanto ele repreende: — Nunca tente me fazer ciúme de novo, você está me ouvindo? — Sim. — eu murmuro. — Agora volte para o seu marido, mas não se esqueça de quem é a porra que está dentro de você agora. — ele fala antes de tomar meu queixo entre os dedos e me dar um beijo duro, então vira e sai do banheiro, deixando -me de pé aqui, numa bagunça fodida. Eu me viro e olho para mim mesma no espelho, trabalhando rapidamente para me ajeitar antes de voltar para a festa. Sugo algumas respirações lentas e profundas para acalmar meu coração acelerado, aliso meu cabelo e seco o suor da minha testa com uma toalha. Eu não tenho tempo para pensar sobre o que aconteceu, porque fiquei aqui por muito tempo, e preciso voltar para Bennett. Eu me dou outro olhar para ter certeza que está tudo no lugar antes de pegar minha máscara do chão e caminhar. Quando volto para a festa, eu digitalizo o espaço por Declan, mas ele está longe de ser visto.


— Está se sentindo melhor? — Bennett pergunta, fazendo-me saltar. — Você está bem? — Sim, você só me pegou de surpresa. — eu ofego. Seus olhos vagam sobre o meu rosto e ele pergunta: — Por que você tirou a máscara? — Eu estava quente. — digo a ele. — Você coloca-a novamente para mim? Quando entrego para ele, eu me viro, e quando ele está amarrando-a novamente, vejo o par de Declan, mas ela está sozinha. Dou mais um olhada pelo salão, eu ainda não vejo-o. — Aí está. — ele diz e em seguida, envolve o braço no meu ombro. — Vamos encontrar um local tranquilo e sentar um pouco. — Estou bem. De verdade. — eu garanto. — Dance comigo. Ele sorri e passamos o resto da noite dançando e curtindo a nossa noite. Após a contagem regressiva para a meia-noite, nós brindamos o Ano Novo com champanhe e um monte de beijos, mas com Declan ainda fora de vista, parece que ele abandonou a festa depois de me foder no banheiro. Não é até chegarmos em casa que deito na cama e repito tudo o que aconteceu com Declan. Junto todas as peças dele, fico bastante certa de que o que aconteceu foi ele apostando a sua reivindicação, ainda que de forma primitiva e territorial. Como Bennett vai à Miami em alguns dias, eu pretendo desacelerar e concentrar a minha atenção nele antes de procurar Declan. Ou seja, se ele não me procurar primeiro.


Capítulo Vinte Presente

—M

eu bem.

— Sim? — eu digo, enquanto pego mais alguns cabides de camisas do armário de Bennett e caminho de volta para o quarto para embalá-las na sua mala de roupas. — Eu queria conversar com você sobre Baldwin. Vou precisar continuar levando-o comigo para as minhas viagens para Dubai. Eu só quero ter certeza que você está bem com isso. — Discutimos isso antes, e eu lhe disse que estou bem. Mas por que você precisa levá-lo com você? — pergunto. — As leis lá são rigorosas, e eu gosto de tê-lo para manter um olho em tudo. — ele explica. — É mais seguro que eu não esteja sozinho. Depois de fechar a sua bagagem, eu vou até ele e pergunto, no momento que envolvo meus braços na sua cintura. — Eu deveria ficar mais preocupada com você? — Não. Eu não quero que você se preocupe com nada, é por isso que Baldwin vai viajar comigo. — Só de você falar isso já fico preocupada.


— É só que, na última vez que estive lá, surgiu uma situação com um casal que dividiu um táxi que estava hospedado no mesmo hotel que eu. Isso me fez perceber o quanto eu não sabia nada sobre as leis de lá. — ele me diz e depois me leva até uma das cadeiras que ficam ao lado das janelas. — O que aconteceu? — pergunto enquanto ele me leva ao assento e me puxa para seu colo. — Eles eram amigos compartilhando um táxi, e foram presos. De acordo com o motorista, eles estavam de mãos dadas e se beijaram, o que eu descobri que era contra a lei, exceto se estiver casado. O mensageiro que trouxe minhas malas para o quarto me disse que provavelmente eles iriam para a prisão por indiscrição. Então, eu só quero medidas de segurança adicionais ao meu redor, enquanto estiver lá no canteiro de obras, só isso. Balanço a cabeça e falo: — Isso é uma loucura. — Eu sei que mencionei para você vir comigo, mas eu não acho que seria uma boa ideia. Eu me preocuparia muito, por isso acho que é melhor você ficar parada aqui, onde eu sei que está segura. — ele passa a mão pelo meu cabelo, acrescentando: — Eu não sei o que faria comigo mesmo se alguma coisa acontecesse com você. — Baby, nada vai acontecer comigo. Vou ficar aqui e esperar por você. — eu digo a ele e, em seguida, adiciono com um sorriso: — Impaciente. Ele ri e me puxa para um beijo. — Então, quais são os seus planos para os próximos dias enquanto eu estiver fora? — ele questiona. — Eu preciso passar pelo Tribune Tower para encontrar com o Sr. Bernstein sobre aquele artigo social que fui abordada para escrever. — Você decidiu fazer, então? — Eu acho que sim. Quero dizer, vai ser uma grande exposição para as instituições de caridade com as quais trabalhamos. Achei que poderíamos usar


essa oportunidade para falar sobre algumas das fundações menores que somos associados. — eu explico. — Eu sei que não sou uma escritora ou qualquer coisa, mas posso tentar, certo? — Eu estou orgulhoso de você, você sabe disso? Além disso, você terá um editor, mas eu não tenho nenhuma dúvida de que você seja totalmente capaz de escrever um grande artigo. — Bem, ao menos isso vai me manter ocupada enquanto você estiver fora. — Três dias. Apenas três dias. — ele fala com um sorriso. — Pois é. Três dias e então, depois você vai sair em poucos dias. — digolhe com um beliscão suave nas suas costelas, o que faz com que ele ria e aconchegue a cabeça na curva do meu pescoço, dando-me alguns beliscões. Continuamos a conversar aconchegados até Baldwin chegar com o carro, Bennett e eu nos despedimos para os próximos dias, enquanto ele está em Miami a negócios. Uma vez que ele sai, verifico meu telefone, me perguntando se Declan tentou entrar em contato comigo, mas não tenho nenhuma mensagem nova. Passaram vários dias desde o incidente no banheiro na festa da véspera de Ano Novo, e eu não tive nenhum contato com ele desde então. Mas agora que Bennett se foi, eu tomo a decisão de ir até o seu loft. Eu me distraio quando Clara chega, ajudando-a na cozinha, preparando as refeições para a semana. Nós compartilhamos uma taça de vinho, e falamos sobre o casamento da sua filha que está chegando em poucos meses. Quando tudo está preparado, etiquetado e acomodado no freezer, ela diz boa noite e eu tomo um banho rápido para refrescar-me. Visto-me casualmente, deixando meu cabelo vermelho, grosso, em ondas soltas com um toque de maquiagem. Eu preparo-me na viagem à unidade ao longo de River North, com a forma como me aproximarei de Declan, precisando jogar pesadamente com suas emoções para forçá-lo a entrar no que ele irá supor que é apenas um caso corriqueiro. Então, ouço algumas músicas que me ajudam no meu estado de espírito triste, e quando estaciono no Declan é um pouco


depois das nove, dou um suspiro de alívio quando olho para cima e vejo as luzes acesas em seu apartamento. Dou uma última olhada no espelho retrovisor, ando até o edifício e sussurro para Declan no interfone. — Quem é? — ele pergunta pelo alto-falante. — Sou eu. — eu digo baixinho. Eu tenho que esperar alguns momentos de silêncio antes da sua voz responder: — Eu vou descer agora. Uma vez que precisa de um cartão para chegar ao seu andar, espero por ele pelo elevador. Quando finalmente se abre, e Declan sai na minha direção, eu faço como eu planejei e simplesmente fico ali, olhando para ele, desejando que as lágrimas banhem meus olhos, até que ele finalmente fala: — O que você está fazendo aqui? Com um encolher sutil de ombros, minha voz treme quando respondo: — Eu não sei. Ele fecha o espaço entre nós, cobrindo meu rosto em suas mãos, mas eu não lhe dou uma chance de dizer alguma coisa quando minha visão embaça com lágrimas não derramadas e digo fracamente: — Eu quero ficar com raiva de você. Pelo que você fez na outra noite. Mas... por alguma razão eu não consigo fazer-me te odiar. — minha cabeça cai no seu peito, e ele me segura apertado em seus braços quando adiciono: — Eu só... estou com medo, mas eu quero ficar aqui com você. Ele aperta seus lábios no topo da minha cabeça, e comigo escondida em seus braços, ele nos move para o elevador e me segura durante todo o caminho até o seu loft. Quando as portas abrem, ele me leva por toda a sala e até o mesmo sofá, que sentamos na outra semana, ao lado da lareira já em chamas. Eu me enrolo ao lado dele, descansando minha cabeça em seu ombro quando ele finalmente quebra o silêncio, dizendo: — A última coisa que eu quero é que você me odeie, Nina.


— Então o que foi aquilo no banheiro? — Eu. Levanto minha cabeça, vejo as rugas em sua testa, mas seu olhar é sólido quando ele diz: — Eu não vou pedir desculpas. Com um leve aceno de cabeça, eu sussurro. — Ok. — Como eu disse, eu não tenho o toque mais suave. Eu não quero que você pense que é por falta de sentimento, porque eu não vou negar que já me sinto fortemente atraído por você. — Estou com medo. — Eu sei. — ele diz em voz baixa. — Você sabe? Seu polegar acaricia ao longo da minha bochecha quando ele diz: — Eu nunca vou fazer nada para prejudicá-la. — Mas... Bennett... — Ele não precisa saber nada até que você esteja pronta para dizer alguma coisa. Ele não existe aqui, aqui na minha casa. Sou só você e eu. — ele me diz, antes que seus lábios me toquem em um beijo suave. Um beijo nada característico de Declan. Ele é gentil, e quando eu toco seu rosto, ele agarra meu pulso em sua mão e me ergue em seu colo. Minhas pernas envolvem seus quadris, sua ereção é evidente, quando pressionada entre as minhas pernas. Suas mãos rapidamente encontram meus seios, e ele os aperta dolorosamente e eu afundo meus dedos em seus cabelos, fechando minhas mãos em punho. Quando puxo as raízes, ele rosna na minha boca e ergue meu top. Levanto os meus braços em um convite, aceitando, quando ele tira minha camisa. E em um movimento fluido, ele se levanta com o meu corpo agarrado ao seu, pernas enroladas em seus quadris, e ele nos leva pelo corredor e para a sua suíte principal.


O

quarto

é

escuro,

iluminado

apenas

pelas

luzes

da

cidade

abaixo. Minhas costas caem contra a cama macia, quando ele nos deita. Sua boca está sobre mim inteira, arrasta para baixo, no meu pescoço, sobre os meus seios inchados, para o meu umbigo. Ele desabotoa a minha calça e as puxa das minhas pernas, junto com meus sapatos. Eu olho para ele enquanto está em cima de mim, avaliando conforme estou deitada aqui, de calcinha e sutiã. Lentamente, ele começa a abrir os botões da sua camisa antes de jogá-la pelo quarto. Seus ombros e braços são esculpidamente musculosos. Seu peito liso é nada além de forte, gominhos acentuados que definem sua forma ampla, que estreita em um corte V profundo, afundando em suas calças. Ele começa a desafivelar o cinto de couro, e quando o desliza das presilhas da sua calça, ele agarra-o firmemente com ambas as mãos, como se estivesse prestes a fazer uso dele. De repente, eu suo frio, e pergunto hesitante quando sento: — O que você vai fazer? — Não me faça perguntas, Nina. Meus olhos fixam no cinto de couro, e eu começo a sentir náuseas com o pensamento de ficar amarrada em um armário por dias, com o pensamento de ser espancada e o estalar do couro que corta a pele das minhas costas, com o pensamento de ser estrangulada com um cinto de couro, conforme sou forçada a chupar o pau do meu pai adotivo. Eu não consigo tirar os olhos do punho apertado que ele tem em seu cinto e as veias em espiral dos seus braços. Tudo o que posso ouvir é a batida do meu coração nos meus ouvidos, e engulo duro. — Olhe para mim. — ele diz, e eu não consigo esconder o medo que eu tenho certeza que está espalhado no meu rosto. — Eu falei sério, eu nunca te machucarei, mas não sou como a maioria dos caras. Concordo com a cabeça. Eu não sei mais o que fazer, porque não posso perdê-lo quando finalmente cheguei tão longe. — Eu gosto de controle. Você entende o que isso significa? — ele questiona em um tom calmo quando desvio a minha atenção para os olhos dele. — Eu não quero que você me machuque.


Ele dá um passo entre as minhas pernas e toca meu rosto. — Isto não é sobre dor, Nina. É uma questão de confiança. Você confia em mim? Eu não confio em ninguém, mas dou-lhe

a

palavra

de

qualquer

maneira. — Sim. — Você confia? — Sim. — Boa garota. Essas duas palavras, eu já ouvi tantas vezes daquele pedaço de merda, Carl. Ele sempre as dizia para mim quando gozava. Ninguém disse essas palavras para mim desde então, até agora. E eu sei que isso vai me destruir, mas que outra escolha eu tenho? Então eu desempenho o papel e dou-lhe um leve sorriso, quando tudo que eu quero fazer é vomitar. — Deus, você é tão bonita. — ele ofega e depois se inclina para me beijar, deslizando sua língua pelos meus lábios, me degustando profundamente. Ele aproxima-se e desabotoa meu sutiã com facilidade. É então que ele se ajoelha entre as minhas coxas, correndo as mãos sobre os joelhos e as minhas pernas enquanto suga meu seio em sua boca quente. Sua língua circula ao redor antes dele puxar mais do meu seio, com os dentes, em sua boca e morde, fazendo-me gemer conforme seus dentes afundam na carne macia. Em um movimento rápido, ele empurra as minhas pernas para abrir e deixa cair a cabeça no meu centro, levando minha boceta na sua boca, me lambendo através da renda da minha calcinha e, em seguida, passando os dentes ao longo do meu monte e se afasta, para dar uma olhada demorada, antes de se levantar. — Você tem alguma ideia de quão doce é ou o que significa olhar para você assim? — Declan. — eu suspiro, ao mesmo tempo que ele me diz: — Deite-se.


Eu faço como ele instrui e ele pega o meu quadril, me virando de costas. Em movimentos fortes, ele agarra meus braços, levando-os para as minhas costas, e eu sinto o vínculo do couro frio ao redor deles, acima dos meus cotovelos, numa contenção dolorosa. Com um puxão afiado do cinto, meus ombros juntam, e toda a folga desaparece quando o couro pica a minha pele de forma implacável, e não há como escapar quando ele enrola o cinto e, em seguida, o prende. Meu coração pula em minha garganta, e minha respiração pesada prevalece. Mas é quando eu começo a liberar ruídos de pânico nos lençóis, que o ar aquece meus ouvidos quando ele pressiona seus lábios e me acalma: — Shhh, baby. Confie em mim. Ele coloca meu cabelo para trás enquanto fico lá com o lado do meu rosto descansando na cama. Dou-lhe um aceno de cabeça, mas tudo em mim está me dizendo que isso vai ser demais. Então ele sai da cama, agarra meus quadris e levanta minha bunda para cima no ar, me apoiando em meus joelhos com o meu peito ainda no colchão. Ele puxa minha calcinha até os joelhos, e em seguida, as mãos estendidas abrem a minha bunda e sua boca está em minha boceta nua. A umidade da sua língua, dando voltas suaves sobre o meu clitóris, enquanto suas mãos cercam e apertam a minha bunda, e quando ele envolve os lábios em torno da minha protuberância e suga, ele abaixa a mão com força, batendo na minha bunda. Solto um ganido de dor, ali como um animal, indefeso nas mãos de outra pessoa, e eu sou levada de volta para a porra do porão Eu nunca quis pensar nisso, mas estou lá, naquele colchão imundo sendo humilhada pelo meu pai adotivo. Meus olhos fecham espremidos, e reúno cada grama de esforço para relaxar, pensar em nada que não seja o que está acontecendo, mas Declan torna isso impossível quando desliza sua língua dentro da minha boceta e arrasta os dedos ao longo do vinco da minha bunda, obrigando-me a ficar tensa. Ele, então, com aquela mão, alcança debaixo de mim, e agarra meu peito, apertando meu seio entre os dedos enquanto continua a me foder com a sua boca. Eu tento me concentrar na dor em meus braços, mas ele chama a minha atenção quando tira a boca da minha boceta, pega a tira do cinto, e me puxa para trás, levantando meu peito para fora da cama, de modo que agora estou sentada em


meus calcanhares. Viro a cabeça e ele me oferece sua boca, dizendo: — Prove a si mesma. — e, em seguida, me beija, acariciando a minha língua com a dele. Eu quero gritar para ele parar, porque eu não quero fazer isso com ele, mas não grito. Eu me forço a pensar no porquê estou usando-o, o que eu preciso que ele faça para mim. As palavras você pode fazer isso, você pode fazer isso repetem mais e mais na minha cabeça, mas há uma intensidade em Declan que eu não tinha experimentado com um homem antes. É fácil desligar com Bennett, mas Declan tem um poder que me mantém no momento, tornando a fuga quase impossível. Afastando-se do nosso beijo, ele diz: — Diga-me o que você quer. Peça. — Eu quero você. — eu minto. — O que você quer que eu faça? — Foda-me. — Peça-me. — ele exige e o pedido me irrita pra caralho, mas eu engulo a irritação. — Por favor, foda-me, Declan? Circula minha bunda com a mão e para baixo entre as minhas pernas, ele afunda o dedo dentro da minha boceta e pergunta: — Você quer isso aqui? — com o rosto colado ao lado do meu, seu peito contra as minhas costas. — Sim. — Eu quero ouvir você dizer isso. — ele pede, e eu só queria que ele parasse de falar merda para que eu pudesse pelo menos tentar ficar dormente. — Por favor, Declan. Apenas me foda. Eu quero você dentro de mim. Eu quero sentir você na minha boceta. Eu quero você inteiro me enchendo. — eu digo a ele, dando-lhe todas as palavras que eu sinto que ele quer ouvir, para que possamos acabar com isso.


E com isso, eu ouço as calças caírem no chão atrás de mim enquanto eu me sento em meus joelhos, à espera do seu próximo movimento. Sua mão agarra em punho meu cabelo enquanto ele empurra o meu rosto de volta para baixo, no colchão. Solta e abre os meus joelhos, bunda para cima e, em seguida, dá a minha boceta uma última lambida antes dele se enterrar até as bolas, profundamente no meu núcleo, obrigando-me a deslizar para frente sobre a cama. Ele rapidamente agarra meus pulsos, que estão parados na parte baixa das minhas costas, e prende-os firmemente com uma mão, enquanto a outro empunha o cinto. Viro a cabeça para baixo na cama, e faço o que posso para me soltar, mas sua voz me continua me penetrando quando ele fala, obrigando-me a dizer-lhe o que eu quero dele, que eu quero isso, que eu gosto disso, que está bom. Eu não posso escapar. Eu estou no momento. Eu nunca estou no momento, mas agora, eu estou no maldito momento, e a agitação do meu estômago começa a despertar um ronco nojento de bile e rezo para que permaneça ali. — Vamos lá, Nina. Pare de lutar contra mim. — ele fala, como se soubesse que eu estou tentando com tudo o que tenho para não gozar. Meu corpo está tão tenso; eu sou uma idiota em pensar que ele não pode sentir isso. Ele vai saber se eu fingir, mas eu continuo lutando de qualquer maneira. — Não lute. — ele sibila, seu sotaque espesso aumenta com seu desejo. Ele, então, arrasta a umidade até o meu clitóris, e começa a massagear em círculos lentos e tortuosos. Ele não tem ideia de que está destruindo tudo dentro de mim. Eu prendo a respiração e mordo com força. Eu não posso negar o que ele está pedindo. Ele vai fazer muitas perguntas, perguntas que eu nunca poderei responder para ele, por isso dou e permito-lhe me dar o prazer repulsivo que eu odeio sentir. Ele aumenta, junto com a bile, e quando seu pau incha dentro de mim com a sua libertação se aproximando, eu desisto. E do nada, ele entrelaça seus dedos com os meus e segura minha mão, enquanto gozo. O orgasmo toma conta do meu corpo em ondas de explosões de fogo que disparam por cada centímetro meu. Eu não posso suprimir os gemidos que rasgam para fora de mim, me humilhando, e então eles se juntam com os de Declan, seu orgasmo espelha o meu. A sensação do seu pênis pulsando dentro de mim conforme as


minhas paredes em espasmo em torno dele prolongam a liberação que eu desejo que parasse, mas tremores me atravessam, mantêm-me refém do homem atrás de mim. Nossas mãos firmemente juntas o tempo todo, como se ele soubesse como isso é difícil para mim e esta fosse a sua maneira de oferecer um apoio suave. Um segundo depois, ele me solta, e com as mãos rápidas, libera o cinto dos meus braços, que caem sem vida na cama enquanto seu corpo cai em cima do meu. Eu não posso olhar para ele. Eu não consigo sequer abrir os olhos. Quando o meu orgasmo desaparece, o prazer entre as minhas pernas permanece como uma lembrança do que acabou de acontecer. Eu tenho que recompor a merda, rápido, enquanto Declan se desloca para o meu lado e me pega em seus braços. Eu dobro meus joelhos, e quando faço isso, ele me embala em seus braços, cantarolando em meu ouvido. Concentro-me em seus sons para acalmar meu coração acelerado e estômago enjoado. Sugo respirações lentas e profundas, gostaria de saber como vou conseguir passar por relações sexuais com ele novamente. Estou muito exposta - muito viva – muito quente – muito pronta - muito presente. Eu quero chorar, mas não faço isso, então coloco minha cabeça no peito de Declan e egoisticamente tomo o conforto que ele está oferecendo, porque não tenho quaisquer outras opções aqui. Ele me segura, acalmando-me com a sua cantoria, enquanto ouço seu batimento cardíaco desacelerar. — Fale comigo. — ele pede. — Eu não estou com vontade de falar. — Eu preciso que você fale comigo. Diga-me por que você estava lutando contra mim. — Eu não estava. — tento negar. Virando para o seu lado para me encarar, ele envolve a mão atrás do meu joelho e põe minha perna sobre seu quadril, aproximando-nos, quando diz: — Eu senti você, Nina. Eu preciso que você converse comigo. Eu te assustei?


Sim. — Não. — Eu machuquei você? Sim. — Não. — Então o que? — ele pergunta baixinho, com preocupação gravada nas linhas do seu rosto. Tentando aliviar tudo o que está passando na cabeça dele, coloco meus braços em volta do seu pescoço, abraço-o, e digo: — Você é realmente muito intenso, e eu acho... sim ... talvez você tenha me assustado um pouco. — Eu sinto muito. — ele diz, mudando sua testa para descansar contra a minha. — Olhe para mim. Quando abro os olhos, os seus estão olhando para mim, narizes juntos, muito próximos. —

Eu nunca

mais quero

te

assustar. Eu nunca

mais quero

te

machucar. Eu só quero estar perto de você, mas esta é a única maneira que eu sei ser. — Você não tem que pedir desculpas por quem você é. — eu respiro fracamente. — Isso. Estar aqui em seus braços. Eu nunca me senti mais segura. Então apenas me abrace, está bem? E ele abraça, por um longo tempo, enquanto tento arrumar minha cabeça. Nós apenas seguramos um ao outro, e depois de um tempo, ele pega a minha mão e lambe antes de beijá-la e, em seguida, pressiona-a contra o peito. — Você me consome, sabe disso? Eu balanço minha cabeça, dizendo: — Eu achei que o irritasse a maior parte do tempo.


— Você irrita. — ele ri. — Sua boca inteligente me irrita, mas também é algo que eu amo sobre você. Você não aceita a minha merda, e eu gosto disso. Mas, ao mesmo tempo, eu preciso que você seja capaz de aceitar a minha merda. Eu sou exigente e teimoso; isso não é algo que estou disposto a mudar, porque eu prospero no controle. — Por que? Ele solta uma respiração profunda, me dizendo: — Não vamos falar sobre o motivo. Não essa noite. — Um dia? — Um dia, querida. — ele diz e me puxa para mais perto do seu corpo nu. — Você pode ficar comigo essa noite? —Hmm Mmm. Bennett está em Miami por alguns dias. Eu sou sua, até ele voltar. Inclinando a cabeça para trás para me olhar, sua voz é ácida, quando ele diz: — Não. — Não? — Você é minha, independentemente de onde ele esteja. Aqui ou não. Eu não jogo bem com os outros. Eu hesito por um segundo e depois digo: — Não é assim tão simples. Ele não é como parece, Declan. — O que isso significa? — Só que... não é fácil. Quando ele balança a cabeça em confusão, repito em um sussurro: — Não é assim tão fácil. Seus lábios passam levemente sobre os meus em um beijo arrebatador, e eu posso provar o gelo da sua respiração quando ele sussurra: — Eu não espero


que nada com você seja fácil, mas isso não é o suficiente para me impedir de têla. E com essas palavras, eu o beijo, permitindo-o deleitar no meu veneno açucarado. Ele pode ter um poder sobre mim na cama, que, sem dúvida, causame sofrimento, mas no final, eu vou aceitar a dor, porque eu sei que conseguirei destruí-lo o suficiente para me salvar, dar-me tudo que foi roubado de mim quando eu tinha cinco anos de idade.


Capítulo Vinte e Um Presente

A

cordar na cama de

Declan no dia seguinte foi tranquilo. Tranquilo em todos os sentidos mórbidos. Suas mãos estavam em cima de mim e seu rosto fazia morada entre as minhas pernas, antes de me puxar para cima do seu colo. Ele cruzou meus braços atrás das costas, conforme segurava cada uma das minhas mãos, prendendo meus braços enquanto eu o fodia. E, novamente, ele segurou minhas mãos quando gozei. Se for honesta, sinto que preciso do apoio dele, porque o que ele me faz sentir durante o sexo é puro tormento e ansiedade. Eu não quero sexo para sentir bem. Não deveria ter sensação boa. Mas ele não me dá outra opção, então eu menti para ele, falei que Clara ia para minha casa e que eu precisava estar lá para que ela não se preocupasse ou questionasse meu paradeiro. Eu só precisava ficar longe dele. Assim que chego em casa, eu tomo um banho quente escaldante, lavando cada parte minha, mas nada pode me limpar do jeito que Pike consegue. Sintome quebrar e paro a luta tempo suficiente para desabafar. Nunca na minha vida eu quis sentir o que Declan me faz sentir. As imagens da noite passada e dessa manhã continuam em minha cabeça, as lágrimas caem, quando meu estômago convulsiona em bolhas de nojo pútrido. Incapaz de controlar, eu saio rapidamente do chuveiro, caio de joelhos sobre o vaso sanitário, e vomito incontrolavelmente. É

uma

mistura

dolorosa

de

saliva,

vômito

e

lágrimas. Visões de Declan, Carl, couro, carne, esperma, aquele colchão imundo, o cheiro daquele porão, o cheiro de Declan, meu ódio vicioso por Bennett,


minha solidão pela falta de Pike, a lápide do meu pai. Tudo me consome. Ouço, cheiro, vejo, sinto, e depois outro vômito força o seu caminho até a minha garganta e no vaso sanitário. Neste momento, eu odeio minha vida. Eu odeio tudo sobre essa merda de vida que eu tanto quero me libertar. Soluços dolorosos saem rasgando de mim, e quando eu caio de novo no chão de ardósia frio, eu deito lá, molhada e nua, o cheiro do meu vômito enchendo o cômodo. E no momento que eu fecho meus olhos, eu vejo o meu pai. — Princesa, o que você está fazendo? — ele murmura em voz sonolenta conforme rastejo para debaixo das cobertas com ele. — Estou com medo. Ele me ajuda a puxar o cobertor sobre mim e, em seguida, me segura em seus braços, dizendo: — Nada nunca vai te machucar. Eu sempre vou te proteger. Agora, me diga, do que você tem medo. — Não me lembro. Acabei de acordar e estava com medo. — Pesadelo? Eu aceno com a cabeça contra seu peito e aconchego debaixo das cobertas da sua cama, perguntando: — Posso dormir com você essa noite, papai? — Você não quer voltar para a sua própria cama? — Não. Eu só quero você. Seu grande braço me segura mais forte. — Como posso dizer não a isso? — ele fala e, em seguida, beija minha testa, a barba em seu rosto picando a minha pele, fazendo-me rir. — Papai! Isso faz cócegas. — eu grito e, logo que as palavras saem, ele está rindo e enfiando seu rosto no meu pescoço, fingindo me comer. Nós dois rimos alto no quarto escuro, rolando pela sua cama grande.


Eu começo a beliscar seus lados, e ele rola de costas com um enorme sorriso e risadas. — Você venceu. Você ganhou. Desisto. — Você nunca desiste. — digo-lhe, e ele responde: — Às vezes um homem precisa saber quando deixar uma senhora ganhar. Agora, dê-me um beijo bem aqui. Ele aponta para o rosto quando fala, e eu inclino e beijo seu rosto com barba por fazer, sentindo as picadas da sua barba sobre a pele macia dos meus lábios. — Venha aqui. — ele fala, e eu deito em seus braços enquanto ele beija o topo da minha cabeça. — Feche os olhos agora. Não há nada a temer. Eu nunca vou deixar ninguém te machucar. Você sempre estará segura. — Te amo papai. — Eu te amo muito mais, Princesa. Venha encontrar-me em seus sonhos. A visão desaparece e eu rolo para o lado, enrolada em uma bola, e choro por todas as coisas que ele me prometeu que nunca aconteceram. Eu nunca estive segura, e esse mundo me machuca além do que jamais pensei que um ser humano poderia ser ferido. Tudo por causa de Bennett. E agora eu estou deitada aqui no banheiro dele, nosso banheiro. Ele é meu marido. Partilhamos uma casa, uma cama, uma vida. Eu sabia o que estava fazendo quando me encaixei em seu mundo, mas depois do que aconteceu com Declan, eu quero correr. Correr até o momento que nunca tenha que olhar para trás e lembrar de nada disso. Correr todo o caminho de volta no tempo. Voltar para Northbrook, de volta para a casa que eu morava, entrar pela porta da frente, para o meu quarto, onde meu pai ainda espera por mim na minha mesinha, com margaridas cor de rosa, para acompanhá-lo na nossa festa de princesa. Talvez se eu chorar muito, o mundo vai ter pena de mim, mude seu eixo e faça todos os meus sonhos se tornarem realidade. Eu quero o meu pai.


Depois de todos esses anos, eu só quero o meu pai.

Algumas horas passam, e agora estou sentada na sala de estar, enquanto assisto mais um dia cheio de neve. Meu corpo dói, e eu estou cansada depois do meu colapso. Eu sei melhor do que ninguém que esses sentimentos sangram completamente. Faz muito tempo desde que chorei assim e me permiti sentir pena da vida que tive. Então, agora eu sento aqui e ganho o controle enquanto o fogo inflama dentro de mim. O fogo que eu deixei fracassar mais cedo. Eu sinto as brasas dele no calor fundido das minhas veias. Um ressurgimento do que estou fazendo aqui. Trata-se de recuperar o que foi roubado de mim. Pegar de volta o que era meu por direito, antes do meu pai ser arrancado de mim e assassinado na prisão. Eu posso lidar com Declan; eu só tive um momento de fraqueza na noite passada, mas agora, arrumei aquele muro de aço. Foda-se Declan. Foda-se Bennett. Trata-se de corrigir o erro. Essa é a vingança, e eu estou pronta. Sem perder mais tempo, eu pego meu casaco e as chaves e vou até a garagem para ir à Justice. Eu preciso ver Pike. Quando eu estaciono no seu trailer, eu vejo o carro de Matt. Eu nunca vou esquecer aquela noite quando Pike entrou através da janela do meu quarto no meio da noite. Matt estava lá também. Pike me segurou enquanto eu chorei por horas no banco de trás do carro de Matt, à medida que ele nos levava ao norte de Illinois, onde ele tinha alugado um apartamento degradado com


Pike. Nós três vivemos juntos por alguns anos até que Pike e eu conseguimos um lugar próprio. Eu nunca mais voltei para a escola. Eu era uma fugitiva, mas eu não deixei me definir como um completo fracasso. Pike me deu dinheiro para comprar alguns kits de educação em casa, que me levaram até o ensino médio. Fazer por conta própria não afasta o fato de que tenho tanto conhecimento quanto qualquer outro graduado, com diploma ou não. Eu sempre amei a escola e aprender coisas novas. Eu olhava através dos catálogos de cursos da universidade local e comprava os livros didáticos para as aulas que estava interessada e lia por conta própria. Pike sempre brincou comigo, mas eu não deixaria que a realidade de ser uma fugitiva do ensino médio me atormentasse. Até que eu fosse maior de idade, eu não podia arriscar conseguir um emprego qualquer, então eu ajudava Pike, pesando e ensacando os produtos que Matt trazia. Por causa das pessoas que eles lidavam, eu estava sempre ao lado de Pike. Era mais seguro vender nas ruas com ele, do que ser deixada sozinha no apartamento. Mas eu nunca gostei de Matt, apesar da amizade de Pike com ele. Eu tive que lutar com ele algumas vezes quando ele ficava bêbado e tentava entrar nas minhas calças. Mas era ele que estava ao meu lado, naquela fatídica noite, a noite que ele e Pike me deram um dos maiores presentes que eu poderia ter pedido. Matt e Pike me deram retorno na forma de morte. O primeiro golpe de vingança, e ambos estavam ao meu lado na hora que acendi o fósforo e matei Carl e Bobbi na escuridão da noite. Eu tinha apenas quinze anos quando descobri o doce sabor da vingança, no momento em que os gritos suplicantes deles foram imersos nas chamas do inferno. Então, vê-lo aqui, agora, me irrita, porque não importa o quanto não goste dele, eu serei sempre endividada por causa daquele presente precioso que ele me permitiu. E quando desligo o carro e caminho para dentro, Matt zomba, sabendo tudo sobre o que estou fazendo com Bennett. — Bem, bem, bem, que como é a droga de merda manchada da vida na alta sociedade? — É uma coisa incrível de se ver.


— O que? — ele pergunta. — A forma como o seu vocabulário amadureceu ao longo dos anos. — respondo e tiro o meu casaco e depois olho para Pike, dizendo: — Eu preciso falar com você. — Cara, se manda. — ele diz para Matt. — Que porra é essa? — Não comece essa merda, você sabe como é difícil para Elizabeth vir aqui me ver. — ele diz, se levanta e caminha até mim. Eu dou um abraço no Pike e vejo quando Matt pega seu casaco e começa a caminhar para a porta. — Ligue-me quando ela sair. — Sim cara. Falo com você mais tarde. Matt olha para trás, por cima do ombro para mim, quando chega até a porta e depois sai. Eu envolvo meus braços mais firmemente em torno de Pike e quase sufoco-o. — Uau. O que está acontecendo? — ele fala, quando me segura. — Eu realmente senti sua falta. — eu digo a ele densamente. — Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa? — ele pergunta enquanto nós caminhamos até o sofá e nos sentamos. — Eu fodi Declan na noite passada. A preocupação no rosto de Pike não é surpreendente. Além de Carl, Pike é o único cara com quem transei, até Bennett. Mas Bennett é nada, comparado com Declan. — Merda. — ele suspira. — Você está bem? — Ele me amarrou com um cinto. — eu revelo a ele. — Que porra é essa?


— É como ele é. Ele é enérgico. Ele me fodeu de verdade na festa de Ano Novo. Essa foi a primeira vez. Foi uma foda suja em um banheiro. — Espere Volte. — ele fala, confuso. — Eu estava tentando deixá-lo com ciúme na festa, aparentemente funcionou. Ele me seguiu até o banheiro e fizemos sexo. Eu não o vi ou falei com ele até que fui na casa dele ontem. Bennett está em Miami, por isso acabei por passar a noite com Declan. Sexo com ele é terrível. É impossível abafar o que está acontecendo, porque ele é tão exigente por toda parte. Deixei-o esta manhã para ir para casa porque eu estava me sentindo nojenta. — Venha aqui. — ele ofega e me puxa para seus braços. Nós nos sentamos por um momento e, em seguida, ele pergunta: — Então, o que você está pensando? — Eu não posso distanciar. Ele é o cara certo, eu sei. — Como você pode ter certeza? Balanço a cabeça e digo: — Eu não sei. Eu apenas sinto. Eu não consigo explicar; é só o que eu sinto. — Eu não sei. — ele diz, duvidando das minhas palavras. Sinto-me um pouco irritada e questiono: — O que? — Você acha que ele é capaz? — Isso não é uma pergunta que qualquer um pode realmente responder, mas sim, eu acho que poderia ser ele. — E se ele descobrir? — Ele não vai. Olhando- me, ele pressiona: — Não tenha tanta certeza sobre isso. A confiança é uma coisa perigosa de se ter.


Saio dos seus braços e sento, exausta. — Ótimo. E se ele descobrir? Eu não sei, Pike. O que isso importa? Nenhum crime teria sido cometido. — E quanto ao Bennett? Se Declan descobrir ou não for capaz, você vai conseguir fazer? Eu rio em frustração, viro o rosto para Pike, e digo: —O jeito que você duvida de mim, faz você parecer estúpido. Eu amo o meu pai, e ele pagou o preço final quando foi assassinado. — com um olhar severo, eu fervo: — Se você não acha que sou capaz, você não me conhece. — Eu sei. Melhor do que qualquer outra pessoa. Mas estamos falando de matar alguém, Elizabeth. — Eu sei sobre que estamos falando, Pike. Eu vivo esse jogo há quatro anos. Eu divido a cama com aquele filho da puta. — eu rebato. Pike passa as mãos pelos cabelos, exasperado, e diz em uma respiração pesada quando se inclina para trás: — Eu sei. Deus, eu sei. É só, já faz tanto tempo. Você meio que se acostuma com a vida que está vivendo, sabe? — Sim. — eu digo baixinho. — Eu sei. É a mesma coisa para mim, mas eu acho que sou um pouco mais distraída do que você, considerando o meu papel. Mas sinto que finalmente está acontecendo. É isso que ainda queremos, certo? — Eu prometi a você que faria o que fosse preciso para tornar a sua vida melhor. Eu não vou mudar minha opinião sobre isso. Esse filho da puta vai pagar pelo que fez com a sua vida. Balanço a cabeça e meu sorriso cresce com a ideia de Bennett pagar por toda a merda que me aconteceu. Pela morte de meu pai, por toda a destruição que ele e seus pais causaram. Vou deleitar-me com a única coisa que permanecerá depois que Bennett desaparecer - poder e dinheiro. Arruinar a vida de Declan ao longo do caminho para a minha salvação é algo simplesmente inevitável, se Pike e eu quisermos manter nossas mãos limpas nisso. Então é isso; avançamos com o plano.


Esse é o momento que eu e Pike esperamos por anos. Aproveitamos a noite para discutir planos e momentos, e concordo que voltarei em poucos dias, após Bennett ir para Dubai. Depois que conversamos, Pike me limpa, e então eu estou de volta na estrada. Volto para ganhar a minha retribuição.


Capítulo Vinte e Dois Presente

A

pós o meu encontro

com o Sr. Bernstein na revista Chicago essa tarde, estou trabalhando no artigo social que eles querem publicar no próximo mês na edição de fevereiro. A revista está apresentando alguns casais do momento na edição dos Namorados, e queriam destacar Bennett e eu, com a publicação de um artigo da minha autoria. Fui instruída a escrever sobre como manter a chama viva, embora salientando os muitos locais que estamos envolvidos, tais como as instituições de caridade e fundações que trabalham com o nosso apoio. Bennett pareceu animado quando eu liguei para ele algumas horas atrás, para contar sobre os detalhes do artigo e do meu encontro com o Sr. Bernstein e com o editor que foi atribuído a mim. Quando encerrei meu trabalho, eu comecei a me preparar. Declan finalmente cedeu e me mandou uma mensagem depois de apenas 24 horas. Não me surpreendeu que ele não pudesse esperar mais. O texto foi curto e resumido, direto ao ponto, e eu concordei em encontrá-lo. Embora esteja nervosa sobre sexo com Declan novamente, eu tento focar minha atenção em outras coisas, mas ainda paira no fundo da minha mente. Depois de me vestir, saio e dirijo-me para a casa de Declan. Quando o elevador abre, ele já está sorrindo quando sai, estendendo o cartão-chave para mim. — Aqui. — ele fala. — O que é isso?


— Para me salvar do aborrecimento de ter que vir aqui buscá-la todas as vezes que vier. Pegue. Com um sorriso gracioso, eu digo: — Então, eu sou um aborrecimento? — Você? Nunca. Conforme subimos pelo elevador, ele dá um passo na minha frente, empurrando-me contra a parede espelhada, e me beija. Com as mãos em volta do meu pescoço, ele controla todos os movimentos do beijo com sua língua para que possa tomar mais dos meus lábios. Nossos corpos estão pressionados, e o calor dele me domina, de modo que quando ele finalmente afasta, eu sinto-me um pouco corada. — Senti sua falta. — afirma, enquanto olha para mim. — Sério? — Sempre. Ele pega a minha mão quando as portas abrem, e eu posso sentir o cheiro da comida sendo feita na cozinha. Eu sigo-o e ele me leva para o bar e pega um banquinho para mim. — O que é tudo isso? — pergunto ao sentar. — Jantar. — Você cozinha? — pergunto com um sorriso no momento que ele pega uma garrafa de vinho e começa a servir-me um copo de Pinot Noir. — Por que você parece tão surpresa? Balanço a cabeça e tomo um pequeno gole, antes de dizer: — Eu acho que realmente não o conheço muito, então tenho certeza que há muito sobre você que vai me surpreender. Ele sorri com as minhas palavras, entra na cozinha e começa a cortar alguns legumes.


— O que você está preparando para nós? — Frango com amêndoa ao molho de champagne, legumes assados e batatas coradas. — Parece incrível. — eu digo a ele e continuo a saborear o meu vinho e vejo-o se mover com facilidade em torno da sua cozinha. — Quem te ensinou a cozinhar? — Minha mãe. Lembro-me da época que era pequeno e ela costumava arrastar uma cadeira na frente do fogão para mim, para eu ficar. Gostava de vêla e ajudá-la quando ela precisava de mexer algo. Eventualmente, ela começou a me deixar quebrar ovos e fazer outras tarefas simples. — ele me diz quando corta os legumes e deixa-os em uma tigela de aço. — E quando fiquei mais velho, eu e ela cozinhávamos essas refeições elaboradas. — Ela parece uma mãe maravilhosa. — Ela era. — Era? — eu pergunto, e quando faço isso, ele olha para mim e diz: — Outro dia. — as mesmas palavras que ele usou quando perguntei por que ele precisava controlar tudo. — E você? — ele me pergunta. — Você gosta de cozinhar? — Eu nunca aprendi. — Sua mãe nunca lhe ensinou? — ele questiona. Eu balanço minha cabeça, sabendo a verdade de nunca ter uma mãe, mas Declan só sabe das mentiras que eu contei para ele sobre a minha família, então digo: — Não. Ela trabalhava muito e não ficava muito por perto. Eu gosto de ver Clara cozinhar quando ela vem preparar as refeições. De vez em quando ela me deixa ajudar, mas não frequentemente. Eu praticamente faço o que sua mãe lhe permitia fazer naquela cadeira. Eu só mexo as coisas e farejo. Eu assisto os vincos aprofundarem nos cantos dos olhos de Declan quando ele olha para mim e ri.


— Pedi para Bennett reduzir o horário dela, eu gostaria de fazer mais na casa, mas ele se recusa. Clara trabalha com ele a um longo tempo, e ele gosta de saber que ela está lá. Declan olha para mim por alguns momentos, quando paro de falar, e então finalmente quebra o silêncio quando diz: —Venha aqui. — e faz um gesto para eu me juntar a ele. — Por quê? — eu pergunto, desconfiada. — Porque eu vou te ensinar a cozinhar, querida. Eu sorrio, desço da banqueta, e caminho para me juntar a ele. Ele estende a mão e pega uma cabeça de alho, coloca-a em cima da tábua, e depois me entrega uma faca. — Eu assei antes. O alho é sempre melhor quando assado de antemão. — ele explica quando olho para ele e aceno a cabeça. — Tire dois dentes e, em seguida, coloque a faca na horizontal, na parte superior. Eu faço como ele diz, arrancando um par de dentes. Declan está por trás de mim e coloca as mãos sobre as minhas, deixando a faca na horizontal na parte superior de um dos dentes, e, em seguida, agarra o pulso do meu outro braço. — Agora, feche o punho e bata-o em cima da faca para esmagar o alho. — ele instrui. Com a mão no meu pulso, eu faço um punho e bato-o na faca, esmagando o alho abaixo. — Perfeito. — ele murmura sobre a minha orelha. — Faça a mesma coisa com o outro dente. Ele mantém as mãos sobre as minhas enquanto eu repito o processo. Ele, então, me ajuda a preparar o molho para o frango, torrar as amêndoas e cortar as cebolas e cogumelos. Uma vez que abro a champagne, ele me ajuda a alinhar o prato com o frango e despejar o molho por cima.


— Você pode ligar o forno? Ele vai ficar automaticamente em 350, então basta colocá-lo para assar. — Tudo bem. — eu digo, quando ando até o forno e ligo-o. Eu assisto Declan terminar, e quando o forno emite um sinal sonoro, ele desliza o prato e define o temporizador para 30 minutos. — Do que você está rindo? — ele pergunta quando dá um passo na minha frente. — De você. — Por que? Estendo os braços para envolvê-los na cintura dele e digo: — Eu gosto de você assim. — as minhas palavras vêm de um lugar de honesto. — Assim como? — ele questiona conforme se aproxima mais, passa as mãos pelos meus cabelos e inclina minha cabeça para ele. — Desse jeito. Você, vestido de jeans e camiseta, ensinando-me a fazer algo novo. Eu gosto do Declan doce. — digo baixinho e perscruto seus olhos de esmeralda. — Você está dizendo que eu não sou sempre doce? Eu começo a rir e depois respondo: — Na maioria das vezes você é um idiota. Sua cabeça cai para trás em uma explosão de riso, e o som me faz rir mais. Seu sorriso é amplo quando olha para baixo de novo, devolvendo as minhas palavras ao admitir: — Eu gosto de você assim também. — Eu estou até com medo de perguntar. — eu provoco. — Nunca fique com medo. — ele diz antes de acrescentar: —Você suave. Você não mostra isso frequentemente, mas quando mostra, eu gosto.


Suas palavras endireitam imediatamente o meu rosto enquanto ele passa a mão, dizendo: —Eu gosto quando você é suave comigo. — Não é fácil para mim. — Eu sei, mas eu quero isso de você. Ele é alheio ao fato de que tenho a intenção de usar suas palavras para criar o veneno perfeito para mordê-lo. Assim, com um aceno de cabeça suave de entendimento, eu deslizo meus braços ao redor do seu pescoço enquanto ele mergulha a cabeça para me beijar. Suas mãos agarram a minha bunda e ele me puxa para fora do chão em seus braços. Enlaço minhas pernas em volta dele, ele me leva até o sofá e senta comigo em cima dele. Continuamos a beijar, seu gosto de necessidade derramando em minha boca. Duro, rápido, suave, lento, lambendo, mordendo, chupando, está tudo lá no calor dele conforme o tempo vacila no momento. Mas nós dois atiramos nossas cabeças para trás quando o alarme de incêndio dispara e o cheiro de comida queimada toma o centro do palco. — Porra. — Declan respira em diversão quando olha por cima do ombro, e no momento que viro para ver a cozinha cheia de fumaça, pulo fora do seu colo e corro para encontrar nuvens crescentes de fumaça saindo do forno. — Merda! — eu solto e imediatamente abro a porta do forno, apenas para ser cegada pelo monte de fumaça. Declan se move ao meu lado e estende a mão com luvas para retirar o frango carbonizado. Meu olhar de mortificação para o jantar arruinado de alguma forma é contrastado pela risada dele, que me irrita. Ele joga o prato em cima do fogão, então corre para abrir algumas das portas de vidro deslizantes para arejar o lugar e vai desligar o alarme estridente. — O que eu fiz de errado? — pergunto quando ele volta para a cozinha, e quando vejo que ele ainda está rindo, eu estalo: — Acalme-se e pare de rir de mim.


Ele se inclina sobre o fogão, olhando para o ajuste do forno. — Merda, Nina. — ele ri. — O que? — eu bufo. — Você ligou o forno para grelhar em vez de assar. Constrangimento cresce dentro de mim, e eu não digo nada quando volto para o balcão atrás de mim e olho para toda a refeição que eu incinerei. — Bem. — ele diz, quando se vira para mim. — Parece que você não estava brincando quando disse que não sabia cozinhar. — Eu sinto muito, Declan. — Não sinta. Está tudo bem. — garante, passando as mãos ao longo dos meus braços. — Pare. — Parar o que? — De rir para mim assim. É embaraçoso. — Por quê? — ele questiona. — Porque você não é perfeita? Eu estreito meus olhos para ele, dizendo: — Há coisas que eu posso cozinhar perfeitamente. — Verdade? Agora você despertou meu interesse. — Saia! — eu exijo quando começo a empurrar contra ele. — Eu vou consertar isso. Basta dar-me alguns minutos. Ele se vira para trás, dizendo docemente: — Você não tem que corrigir nada. Todos os menus de entrega estão na gaveta da geladeira. — Não. Você me deu algo para provar a você, então eu vou provar isso. — digo a ele. — Apenas... livre-se do frango carbonizado por favor.


— Ok, então. — ele ri, e quando o seu jantar é descartado, eu começo a vasculhar a cozinha para encontrar os poucos itens que eu preciso. A verdade é que fui honesta com ele. Eu não tenho nenhuma ideia de como cozinhar. Uma vez Pike e eu estávamos sozinhos, mal tínhamos dinheiro suficiente para pagar o aluguel do apartamento sujo em que vivíamos. Inferno, na maioria das vezes acabávamos sendo expulso. Nós sobrevivemos toda a nossa vida achando o álcool um investimento melhor do que custear um lugar seguro para viver. Pelo menos quando você está bêbado, pode escapar das realidades da vida. Assim coloco uma panela no fogão com uma espátula na minha mão, olho por cima do ombro e vejo Declan fechar as portas de correr. Eu estaria mentindo para mim mesma se dissesse que não estou atraída por ele, porque eu estou. É uma pena que não nos conhecemos em uma vida diferente, mas me debruçar sobre o nunca será, é nada mais do que um caminho sem fim de decepção, porque esta é a única vida em que nos encontraremos. Coloco nosso jantar em pratos, uma das poucas coisas que consigo cozinhar, ando até a mesa da sala de jantar e ponho os pratos na mesa. — Você pode pegar o vinho? — eu grito para Declan, e quando ele vai até a mesa com a garrafa, eu sorrio quando ele olha para o prato e ri. Seus

olhos

encontram

os

meus,

observando:

Você

parece

extremamente orgulhosa de si mesma, e eu nem sequer provei isso ainda. — Porque eu sei que não há nenhuma maneira de você não gostar. — eu falo quando ele toma seu lugar e coloca o guardanapo no colo. — Da garota que me provocou por levá-la ao Over Easy Café. — ele diz, quando pega o queijo grelhado e dá uma mordida. Toma um gole do meu vinho, e então ele finalmente admite: — Melhor queijo grelhado da minha vida. Nós dois rimos quando pego o meu sanduíche e começo a comer com ele. Faz muito tempo desde que senti-me confortável desse jeito. É diferente com Pike, provavelmente porque ele conhece cada pedaço nojento de mim, mas


Declan olha para mim como se eu fosse algo limpo e bom. É tudo uma mentira, mas para o momento, a mentira me faz sentir feliz e talvez um pouco inteira. Por isso, sento-me aqui, na sua cobertura multimilionária e desfruto do nosso jantar de queijo grelhado e Pinot Noir. Depois do jantar, eu ajudo Declan com os pratos. Limpo a cozinha, e quando tudo está de volta no lugar, eu noto que o cheiro de queimado ainda persiste. Pego uma mecha do meu cabelo, cheiro enquanto Declan observa. — O que você está fazendo? — ele pergunta. — Meu cabelo, cheira a fumaça. — E o meu? — ele fala, caminhando até mim e abaixando a cabeça. Corro os dedos através do seu cabelo espesso e digo: —Sim, o seu também. Então, ele pega a minha mão e me leva pelo o corredor e para seu quarto. Liga uma das lâmpadas e leva-nos até um banheiro grande, que abriga um chuveiro sem portas com um grande painel de vidro, marmorizado de um lado. E duas das paredes têm armários escuros adaptados, com pias brancas de frente. Ao longo da parede da janela tem uma banheira elegante de hidromassagem, retangular, extragrande, que é rebaixada. O cômodo é moderno e masculino, assim como o resto do loft. Foco de novo em Declan, ele está preparando um banho, e quando se vira para mim, fica de pé no meio da sala. — Tire a roupa, Nina. — Um banho? — eu pergunto. Ele estende a mão acima da cabeça, tira a camisa, e joga-a de lado, dizendo: — Sim, um banho. — ele caminha até mim e agarra a barra do meu top. — Levante os braços. Ele tira a camisa e, em seguida, desliza minhas calças pelas minhas pernas. Eu me seguro em seu ombro enquanto saio, e com ele ajoelhado diante


de mim, observo enquanto ele lentamente arrasta minha calcinha para baixo. Quando ele tira, passa as mãos pelas minhas pernas, para o centro do meu pequeno V. Com uma mão subindo pelas minhas pernas, ele abre-a sobre minha boceta e baixo ventre, para no lugar e olha para meus olhos. —Tão linda. Seu sotaque fode essas duas palavras. Ninguém nunca olhou para mim do jeito que ele olha, e estimula um constrangimento dentro de mim, porque se ele soubesse pelo que este corpo passou, ele seria repelido pela visão. Depois de tirar o resto das nossas roupas, ele segura a minha mão e eu passo para dentro da banheira cheia de água quente. Quando Declan entra, eu me encaixo entre as pernas dele, descanso minhas costas contra seu peito e deito sobre ele. Seus braços envolvem e cruzam pelos meus seios enquanto ele segura-me perto, e o calor, tanto dele quanto da água, me absorvem. Solto um suspiro pesado, fecho meus olhos, e afundo ainda mais em sua posse enquanto o meu corpo relaxa. — Diga-me o que você está pensando. — ele murmura nas minhas costas. — Mmm. Seu peito vibra em uma risada silenciosa, antes de dizer: —Isso é tudo que eu recebo? Mmm? — Eu estou relaxando. Ele arrasta meu cabelo do meu ombro e começa a beijar meu pescoço úmido, pressionando os lábios na minha pele sensível, fazendo-me estremecer com arrepios, que sei que o apazigua, quando ele ri baixinho. Permanecemos assim por um tempo, com apenas o calor do banho, quase derretendo um no outro. — Eu deveria estar preocupado? — diz Declan, quebrando o longo período de silêncio. — Sobre o que? — eu pergunto, meus olhos ainda fechados enquanto descanso o lado do meu rosto contra o seu peito.


— Que eu tenho transado com você sem camisinha. — Eu disse antes, eu não posso ficar grávida. — eu lembro-o. Ele permanece em silêncio por um momento antes de responder: —Digame o porquê. Tomando uma respiração profunda, eu desloco para cima e ligeiramente viro para o lado para que possa olhar para ele quando eu digo: — Eu tenho endometriose fase três. — Eu não... — ele começa, com confusão escrita por todo o rosto, então eu explico: — É, basicamente, onde você tem crescimento anormal de células fora do útero. Assim, as chances de me engravidar são praticamente inexistentes. — Baby, eu... — ele começa, balançando a cabeça, e fica claramente mais desconfortável sobre isso do que eu. — Quando você descobriu isso? — Em meus vinte e poucos anos. — digo a ele. — Eu comecei a ter períodos dolorosos nessa época. Eles tornaram-se cada vez piores até que a dor ficou tão ruim que fui levada para o hospital, porque eu não sabia mais o que fazer. Eles começaram a fazer um monte de testes e depois de alguns meses, eles finalmente descobriram o que estava errado. — Existe alguma coisa que eles podem fazer? — Não. Quando você tem isso, você tem isso. Não há cura ou qualquer coisa. — E a dor? — ele questiona com preocupação aparente. — Eu experimentei alguns tratamentos hormonais para a dor, mas os efeitos colaterais foram muito ruins, então eu tive que parar. Eu só tomo comprimidos prescritos para a dor, mas não ajuda muito. Ele passa os dedos pelo meu cabelo e depois embala a outra mão no meu rosto e diz: — Deus, baby, eu sinto muito. Não sei o que dizer.


— Está tudo bem. — eu tento assegurar-lhe. — Não é novidade para mim. Eu sei disso há anos. Está tudo bem. — Quer ter filhos? Encolhendo os ombros, respondo: — Ao menos importa o que eu quero? Quero dizer, não é como se a vida esteja me dando uma escolha aqui. — É claro que isso é importante. — Eu nunca vou ser uma mãe, então não há nenhum ponto em jogar desejos mortos para o ar. — já fiz muito isso. Lembro-me de Pike sentado ao meu lado quando o médico me disse que eu não conseguiria ter filhos. Nunca foi algo que eu tivesse pensado até que ele me disse que eu não podia. Chorei por dias, enquanto Pike me segurava. Como se eu estivesse de luto pela morte de algo que nunca foi meu para perder. Mas isso foi a mais de seis anos atrás, e percebi que provavelmente seria uma mãe de merda de qualquer maneira. O que eu seria capaz de dar a uma criança? Antes de casar com Bennett, Pike e eu vivíamos de tráfico de drogas e mal sobrevivíamos. Não é uma vida que eu queria, então por que diabos eu quereria isso para o meu filho? — Você ainda pode ser mãe, sabe? — Declan diz, suas palavras saem suavemente. Não querendo ser rude e interrompê-lo completamente, eu dou-lhe um sorriso fraco e peço suavemente: — Podemos falar de outra coisa, por favor? — Sinto muito. — Está tudo bem. Só que não é algo que eu falo muitas vezes, por isso... — Você não precisa dizer mais nada. — garante, antes de dar-me um beijo e me envolver de novo em seus braços.


Capítulo Vinte e Três Presente

A

cabei deixando Declan

na outra noite depois de nosso banho. Bennett voltaria de Miami no dia seguinte e eu queria estar em casa para o caso dele chegar cedo. Tenho tido cuidado com a minha comunicação com Declan enquanto meu marido está em casa. Falamos principalmente através de e-mail, porque eles são facilmente apagados, ao contrário de registros telefônicos que são registrados e gravados. Eu preferiria nem mesmo enviar e-mails, mas Declan insiste em falar comigo durante todo o dia. Enquanto Bennett está no chuveiro, eu sento no escritório para descobrir que já tenho um e-mail à minha espera.

DE: D. McKinnon PARA: Nina Vanderwal ENVIADO: 10 de janeiro, 13:23 ASSUNTO: Quero você Quando ele vai embora? Eu quero ver você. -D


Eu respondo rapidamente, uma vez que ainda ouço a água do chuveiro de Bennett.

DE: Nina Vanderwal PARA: D. McKinnon ENVIADO: 10 de janeiro, 13:58 ASSUNTO: Re: Quero você Algumas pessoas acham que é educado começar com uma saudação, mesmo que seja tão pequena como um simples “Olá”. Mas para responder à sua pergunta, ele sai por volta das 15:30. - Nina

A resposta dele é quase imediata.

DE: D. McKinnon PARA: Nina Vanderwal ENVIADO: 10 de janeiro, 14:00 ASSUNTO: Saudação como sugerido- OLÁ. Encontre-me no hotel? -D DE: Nina Vanderwal PARA: D. McKinnon ENVIADO: 10 de janeiro, 14:01


ASSUNTO: Re: Saudação como sugerido - OLÁ. Precisamos trabalhar em sua etiqueta social. Saudações na linha de assunto também são rudes. Eu posso estar lá às 16:00. - Nina DE: D. McKinnon PARA: Nina Vanderwal ENVIADO: 10 de janeiro, 14:04 ASSUNTO: Etiqueta Rejeitada 16:00 então. Venha para o meu quarto. Vou deixar uma chave do elevador para você na recepção do hotel. -D DE: Nina Vanderwal PARA: D. McKinnon ENVIADO: 10 de janeiro, 14:05 ASSUNTO: Barata Por que me sinto como uma prostituta ou pior, uma rapidinha? -Nina DE: D. McKinnon Para: Nina Vanderwal ENVIADO: 10 de janeiro, 02:06 ASSUNTO: Barata? Rapidinha? Que diabo é isso? Independentemente disso, você sabe muito bem que é muito mais do que qualquer delas. Mas não vou adoçar para


você; eu preciso de você, e eu estou ficando impaciente e mais duro a cada minuto que não tenho o seu corpo em cima do meu. 16:00 !! -D

Eu rio ao perceber que ele não entende a gíria americana quando excluo os e-mails da minha caixa de entrada e, em seguida, apago do meu lixo. Fecho a tampa do laptop, e vou para o quarto, onde Bennett está saindo do banheiro, coberto em apenas uma toalha. Eu sorrio quando ando até a sua mala. — O que é esse sorriso todo? — ele questiona quando se aproxima. — Você. — Eu? — Andando por aqui molhado, vestindo apenas uma toalha, é uma coisa má para fazer com a sua esposa. — eu brinco. — Por quê? — Porque você está me deixando por um par de semanas, e esta é a última visão que me dá. — E o que dizer do que eu te dei algumas horas atrás? — diz ele, referindo-se à longa sessão de sexo que tivemos anteriormente. — Isso vai me dar algo para pensar quando estiver deitada na cama à noite... solitária. — É melhor você me ligar quando estiver se sentindo solitária. — ele diz sugestivamente, fazendo-me rir. — Pare com isso. Você precisa ficar pronto antes que comece a atrasar-se. — eu censuro. — Eu vou terminar de embalar para você. — Tudo o que você disser, chefe. — ele brinca antes de me beijar castamente e, em seguida, caminhar de volta para o banheiro.


Eu recolho o resto das suas coisas no armário e verifico se ele tem tudo que precisa nas malas. Bennett e Baldwin ficarão em Dubai nas próximas duas semanas, junto com Richard. Eles trabalharão na contratação de uma equipe, enquanto as reformas ainda estão em andamento. Mudei o horário de Clara para me dar mais liberdade de ir e vir sem os olhos dela em cima mim. Quando Bennett finalmente sai do banheiro, cerca de meia hora mais tarde, eu decido dar-lhe uma despedida adequada de boa esposa. Talvez seja a minha consciência pesando sobre mim, ou talvez é saber que eu quero impedi-lo de ficar desconfiado, mas não importa o que, eu preciso fazer o que puder para que ele pense que o que temos juntos é sólido. Então, conforme ando na direção dele, alcanço debaixo do braço e começo a abrir o zíper lateral do meu vestido. Ele permanece imóvel, olhando para mim enquanto passeio pelo quarto. No momento em que fico de pé na frente dele, ele desliza as mãos sob as tiras nos meus ombros e permite que o vestido caia no chão em volta dos meus pés. — Eu só quero você. — digo-lhe. — Mais uma vez antes de ir. — No entanto, quantas vezes você precisar, eu darei para você. E ele dá. Talvez esteja compensando demais, mas sinto que é necessário, e perdemos a noção do tempo. Uma vez que eu o levei a acreditar que estou totalmente satisfeita, arrumamo-nos de novo. Eu dou uma olhada para o relógio para ver que já são quatro horas e eu deveria estar no hotel de Declan. Quando Baldwin entra para ajudar Bennett com sua bagagem, pego meu casaco do armário e coloco-o. — Onde você vai? — Bennett pergunta, e eu rapidamente minto. — Eu disse à Marcia que iria encontrá-la para tomar um café quando você saísse. Mas agora você me atrasou. —eu flerto com uma piscadela. — Eu acredito que você me atrasou, Sra. Vanderwal. — Você está reclamando?


— Nem um pouco, e sinta-se livre para me atrasar ainda mais se lhe convier. Eu pego Baldwin sorrindo enquanto ele ouve a conversa e viro para Bennett, acusando: — Você é um pervertido. — Só para você. — ele ri. — Eu sentirei sua falta. Nós nos despedimos no elevador, descendo para o saguão. Bennett parece genuinamente triste por estar deixando-me, enquanto eu estou ansiosa para chegar ao Declan, sabendo que eu estou muito atrasada. Mas mantenho isso escondido, e aproveito o meu tempo brincando de esposa amorosa, que já está sentindo falta do seu marido, que ainda nem sequer saiu. Mas quando ele vai, trocamos nossos beijos suaves, Bennett caminha até o carro, onde Baldwin está esperando e eu vou até a garagem. Quando chego ao Lotus, deixo meu carro com o manobrista antes de caminhar e pegar o cartão-chave que Declan deixou para mim na recepção do hotel. Quando chego no andar de cima, uso o cartão-chave para entrar no quarto de cobertura de Declan. — Onde diabos você estava? — ele imediatamente grita quando eu entro, e a rispidez na voz dele me assusta. — Sinto muito. — Onde você esteve durante a última hora? Ele fica do outro lado da sala enquanto grita as palavras para mim. Vestindo um terno e gravata, ele parece poderoso em sua postura firme, e seus olhos estreitados e maxilar tenso são a prova de que ele está além de nervoso. — Declan, eu sinto muito. — digo baixinho. — Bennett estava atrasado e não saiu até agora. Eu cheguei aqui, logo que pude.


Ele começa a fazer o seu caminho até mim, as mãos fechadas em punhos de lado, afirmando: — Eu não gosto de não saber onde você está. Você diz quatro horas, é melhor que você esteja na minha frente às quatro horas. Abro a boca para falar, mas não sai nada. Se eu argumentar, só vou irritálo ainda mais. Sua mão sai para agarrar-me debaixo do meu queixo. Com o rosto pairando sobre o meu, ele admite: — Eu estava preocupado que algo tivesse acontecido com você. — D-desculpe. — eu ofego. Ele deixa cair a testa na minha, fecha os olhos por um momento conforme respira profundamente pelo nariz. Meu corpo salta quando os dedos de repente perfuram o meu queixo, e eu posso sentir cada pedaço de tensão em seu corpo quando ele abre os olhos e dá um pequeno passo para trás com o meu rosto ainda em seu abraço. Seus olhos são venenosos, fazendo meu coração disparar e pequenos gemidos soarem na minha garganta — O cheiro dele está sobre você. — ele ferve em desgosto. — Eu-eu... — Você trepou com ele antes de vir aqui? — sua voz sai do seu maxilar cerrado, mas eu não minto, e sussurro em um suspiro: — Sim. Sua mão cai do meu queixo enquanto ele me olha com raiva pura. — Na cama. — ele grita. — E tire esse vestido de merda, eu não quero sentir o cheiro dele quando estiver te fodendo. — Declan, por favor. — Na cama! AGORA! As suas palavras afiadas me deixam em pânico, preocupo-me com o que ele vai fazer, mas não hesito quando começo a mover através da sala, para o quarto. Removo rapidamente o meu vestido, sento na beira da cama e espero na escuridão por Declan. Ele demora um tempo, mas eventualmente aparece na porta. Sua camisa já está fora, e sua calça pendurada na cintura com o cinto


apertado em uma das mãos. O gosto amargo de bile queima o fundo da minha garganta, e eu fecho meus olhos, implorando: — Declan, por favor. — Não fale, Nina. Eu mantenho meus olhos fechados por medo e desejo na desconexão, querendo que o fogo da vingança me consuma, para que Declan não tenha esse poder sobre mim. Eu sei que ele está bem na minha frente; eu posso sentir o calor dele embeber a minha pele. — Eu não sou estúpido para pensar que você não faria sexo com aquele homem, mas eu espero que você venha para mim limpa, você entende? Com um rápido aceno da minha cabeça, ele fala: — Responda-me! — Sim. — Abra os olhos, e responda-me. Quando abro os olhos, vejo os músculos tensos em seus braços e ombros, murmuro: — Sim. — Você estava tentando me deixar com ciúme? — Não. — eu rapidamente deixo escapar em defesa. — Eu não... eu não pensei, Declan. Sinto muito. Ele se move para sentar ao meu lado, dizendo: — Eu vou puni-la agora. Não porque eu quero te machucar, mas porque eu não quero que você esqueça. — Por favor. — eu digo, e balanço minha cabeça, e quando ele olha para mim, é desânimo que eu vejo em seus olhos. — Eu não quero nunca mais sentir o cheiro dele em você de novo. — Eu prometo. — Coloque o seu peito em meu colo. — ele instrui em uma voz calma.


Estendo a minha mão, colocando-a no seu joelho, dando-lhe um aperto suave, antes de obedecer ao seu pedido e deito-me em suas coxas. Quando eu fecho meus olhos, eu ouço o barulho da fivela de metal do seu cinto quando bate chão, e em poucos movimentos, ele tira a gravata para fora do bolso da calça, e envolve meus pulsos na seda fria, atando o tecido firmemente. Sua mão começa a acariciar minha bunda exposta em apenas uma calcinha de renda, e, em seguida, a mão se vai. Tensa, eu espero o ataque iminente, e quando finalmente vem em uma batida impiedosa contra a minha carne, eu grito em um guincho sangrento e a dor irradia através da minha pele. Na próximo segundo vem outro golpe cruel e ele geme com força. E outro. Outro. Golpe. Golpe. Golpe. — Aaagh. — eu grito de dor ardente. A picada da sua mão firme me batendo, sufoca-me a cada tapa punitivo. Meu braços fazem força contra a gravata de seda, e suas mãos agarram meus quadris, me jogando com força de costas, no centro da cama. Sorri prudentemente para mim, exultante em me rebaixar. Como um animal raivoso, ele rasga minha calcinha pelas minhas pernas, força minhas coxas para abrirem, e golpeia minha boceta com um tapa excruciante. Eu grito de dor e lágrimas brotam em meus olhos. Sua língua suave está imediatamente na minha carne, agora ardente, lambendo-me em círculos lentos ao longo das minhas dobras. O contraste dos seus toques tem um efeito maníaco em mim, evocando lamentos vulneráveis. Sinto tudo o que ele está fazendo, mas também estou fora do meu corpo, não estou mais no controle de qualquer parte de mim. Emoção assumiu - medo, prazer, dor, satisfação, tristeza, conforto. Elas entram em conflito e colidem em uma guerra volátil dentro de mim, assumindo-


me, enquanto caio impotente para Declan, deitada aqui, e ele beija e lambe as minhas pregas da mesma maneira que faz com a minha boca. Ele, então, desliza a mão embaixo das minhas costas, encontra a minha e segura-a com força, conforme minha mente começa a girar em um caleidoscópio de cores e luzes, e eu cedo para a bondade de tudo, perco-me quando ele envolve a boca em torno do feixe de nervos sensíveis, e bombeia o dedo para dentro de mim. Afastar o prazer do seu toque é uma façanha condenada quando estou aqui, contida, fraca por causa de tudo que ele está me dando, até que eu sinto o calor úmido entre as minhas pernas e sou atingida por fragmentos de calor puro que desliza através do meu centro e escorre nas minhas pernas. Um incêndio brilhante faísca dentro das minhas veias, prendendo meu corpo, enquanto contorço sob seu toque e as nossas mãos se apertam. Tudo o que consigo pensar nesse momento é que este homem é obsceno. Ele não me dá uma chance de juntar todos os pedaços que ele acabou de destruir, quando me empurra para cima e para sentar sobre os calcanhares, e ficar de joelhos diante de mim. Prendendo meu cabelo em cada uma das mãos, ele puxa minha cabeça para trás, olha para mim, exigindo: — Chupe meu pau com essa sua boca doce. — antes de forçar minha cabeça para baixo, mas eu levo-o de boa vontade em minha boca. Ele não me dá qualquer controle, pois puxa meu cabelo, me balançando para cima e para baixo no comprimento dele. Eu começo a lutar contra seu jeito exigente, empurrando minha cabeça contra suas mãos, querendo mover mais lentamente, mas ele é muito mais forte do que eu, com as minhas mãos amarradas atrás das minhas costas. — Não lute comigo, Nina. — ele resmunga, mas eu quero. Eu quero lutar e ele sente isso, repreendendo com um grito: — Renda-se a mim! Mas eu não me rendo e ele puxa meu cabelo com mais força, falando com sua voz ácida. — Renda-se a mim. Confie em mim, baby. O sussurro das suas demandas suplicantes escoam através das rachaduras das suas palavras. Ele não sabe que eu ouço isso, mas eu ouço, e algo sobre isso faz-me entregar para ele, dar-lhe o controle que ele precisa tão desesperadamente por algum motivo. Ele me move ao longo do calor do seu pau


grande, e eu deixo minha língua deslizar ao longo da carne suave e sedosa. Os sons estimulantes dele são nada, exceto desejo primal, e quando eu sinto-o engrossar na minha boca, ele me joga de costas na cama, coloca os joelhos em ambos os meus lados, dá algumas bombeadas fortes, logo antes de atirar seu esperma na minha barriga e seios. Seus olhos estão presos no meus enquanto ele se espalha sobre mim e continua a se masturbar. Eu assisto-o, ele é maravilhosamente brutal com seu toque impiedoso. Ele mantém meus braços amarrados nas costas quando deita ao meu lado e me puxa para seu domínio, abraça-me contra o seu corpo forte. Estou completamente vulnerável a ele, nua e contida, mas eu não estou com medo. Ele me puniu, sim, mas ele nunca realmente me machucaria. Ele continua me dizendo para confiar nele, pelo menos confio, em saber que estou segura com ele, então com minhas mãos amarradas, meu corpo fica mole, moldando ao seu conforme ele se agarra a mim. Deitamos lá, juntos, o seu esperma seca na minha pele e ele passa os dedos pelo meu cabelo, dizendo: — Eu só quero sentir o meu cheiro em você. — antes estender a mão para as minhas costas e desatar a gravata. Assim que as minhas mãos estão livres, eu lanço meus braços em volta do pescoço, precisando do conforto e sem saber muito bem como reagir após o que aconteceu entre nós. Ele embala a parte de trás da minha cabeça, pressionando os lábios ao meu ouvido e sussurra: — Eu tenho você, querida. — e quando eu aceno com a cabeça contra a dele e me agarro, ele reforça seu poder sobre mim quando sussurra em minha pele. — Eu adoro você. Minhas emoções estão por todo o lugar, e eu não sei o que fazer com os sentimentos que me dominam. É um prazer doentio. Eu odeio que ele goste de estar comigo, que ele olhe para mim daquele jeito. Mas eu realmente odeio que eu não possa escapar com ele. Ele não me permite essa liberdade e isso me assusta pra caralho. Meu coração continua acelerado enquanto estou deitada aqui, e ele sente isso, mantendo-me perto dele e me dando um suave: — Shhh. — no meu ouvido. Ele me segura em seus braços de uma forma estimulante, mas Declan é muito mais primal do que carinhoso, porém, de alguma forma ele é capaz de borrar aquelas linhas em momentos como este.


— Eu senti sua falta. — ele finalmente me diz. — Eu também senti sua falta. — eu sussurro. — Mas ele foi embora, então eu sou toda sua. — Não quero apenas que você seja minha quando ele for embora, Nina. Eu quero o tempo todo. — É complicado, mas estou aqui com você, e eu só quero você agora. Sem Bennett, por favor. — suplico. Declan move-se para me beijar, mantendo os toques suaves e carinhosos, quando nós lentamente nos movemos juntos. E com os seus lábios contra os meus, ele murmura: — Como você está se sentindo? Eu machuquei você? — Não. — Eu preciso que você saiba que eu sempre vou te proteger. — ele diz, suas palavras lembram meu pai quando eu era mais jovem, e quando afasto-me para olhar nos olhos de Declan, eu posso ver a verdade por trás deles. — Eu sei. — eu digo a ele. — A confiança é difícil para mim, mas estou tentando. — Amo isso. Eu sorrio para minhas manipulações o quanto vêm tão facilmente com ele. É como se eu nem sequer tenha que pensar ou tentar; acabo de falar e ele é um fantoche em minhas mãos. Eventualmente nós adormecemos e acordamos algumas horas mais tarde. Declan pede um pouco de comida, e eu minto, dizendo-lhe que preciso estar em casa porque Bennett queria chamada de vídeo mais tarde e saberia se eu não estivesse na nossa casa. Declan fica frustrado, mas nós concordamos que vamos encontrar amanhã e passar essas próximas duas semanas juntos, tanto quanto possível. A verdade é que eu tenho que ir no Pike esta noite. Antes de eu sair, Declan instala um aplicativo no meu celular que permitirá enviar mensagens, sem que nada seja registrado no telefone. Seus


carinhos possessivos me fazem rir, mas estou curiosa para saber por que ele ĂŠ desse jeito.


Capítulo Vinte e Quatro Presente

É

quase meia-noite e

meu estômago está em nós quando estaciono no trailer de Pike. Eu desligo o carro e sento-me por um momento; o som do vento cortante sopra sobre o chão coberto de neve e preenche o silêncio. Meus nervos continuam se multiplicando quanto mais fico sentada aqui. Eu já sabia que este dia chegaria eventualmente, mas a realidade que está finalmente aqui, dá uma pontada na minha barriga. Quando saio do carro e entro no trailer, Pike não diz uma palavra, quando vem até mim. Meu rosto é de pedra enquanto estou lá. — Hey. — ele diz com uma voz suave. — Hey. — Então...? — Então... — eu começo e, em seguida, digo-lhe com um aceno de cabeça. — É isso. — Você tem certeza? — Sim. Pike coloca as mãos hesitantes ao longo do meu maxilar, perguntando: — Então, vamos fazer isso?


— Sim. — minha voz treme, mas eu reúno minhas forças, resistindo a todas as emoções que sinto pular em torno de nós dois. — Você está com medo? Eu aceno com a cabeça, dando-lhe a minha resposta honesta através da minha fachada endurecida, e ele concorda comigo, deixando-me saber que não estou sozinha, mas nós dois sabemos que cabe a mim acabar com isso. — Não se assuste. Lembre-se pelo que estamos fazendo isso. — ele me diz, com os olhos ardendo com intensidade. — Isso é para o seu pai. Isso é para você e tudo que lhe foi tirado. Você queria uma nova vida; estamos quase lá, Elizabeth. Você pode provar isso? O conto de fadas? — Sim. — eu ofego. — Então, nós lutaremos contra os monstros primeiro. — diz ele e, em seguida, pressiona suavemente seus lábios nos meus, e quando ele se afasta, eu escorrego meu casaco e lanço-o de lado antes de olhar para Pike, engolindo em seco, dizendo-lhe: — Eu estou pronta. — Diga isso de novo. — Estou pronta. — Feche os olhos. — ele instrui, e eu faço. Eu estou aqui e sinto o calor da mão de Pike acariciando o lado do meu rosto, ele sussurra para mim: — Isso é para você. — antes de afastar sua mão reconfortante. Meu coração dispara dentro do meu peito enquanto espero, e depois ele vem, o punho duro de Pike atinge o lado do meu rosto e o meu olho. Uma explosão de dor chamusca na minha bochecha e no meu nariz, quando o meu corpo cai no chão. Pike, então, agarra o meu pulso, movendo a minha mão do meu rosto, que está cobrindo meus olhos, e dá outro soco poderoso na minha bochecha. Meus

gritos

são

tensos

quando

choro,

e

Pike

envolve

instantaneamente meu corpo com o seu, me segurando em seus braços e


segurando minha cabeça contra seu peito, enquanto eu grito de agonia. Meu rosto está quente, formigando, e sinto o inchaço imediato. Pike continua a me abraçar, me balançando para frente e para trás, lembrando-me mais e mais por que estamos fazendo isso, mas ele não precisa me convencer; eu sei porque eu estou fazendo isso. Conforme minhas lágrimas secam, o martelar de uma dor de cabeça que se aproxima enfraquece o pulsar penetrante do meu rosto. Eu nem preciso dizer nada quando Pike me pega do chão e me leva para a cama. — Volto logo. — diz ele e, em seguida, sai do quarto, só para voltar alguns momentos mais tarde com um copo de água e dois Tylenol. — Aqui. Tome-os. Engulo os comprimidos, coloco o copo embaixo e minha cabeça no travesseiro. — Quão ruim está a dor? — Pike pergunta. — Estou com uma dor de cabeça muito forte. — Seu olho? — Tudo dói, mas está tudo bem. Eu não quero que você se sinta mal ou se desculpe. — eu digo quando ele se deita ao meu lado. — Como está? — pergunto. Ele estende a mão para tocar a pele macia, e eu recuo por causa da dor. —

Desculpe.

ele

murmura. —

Está

muito

inchado

e

rosa

agora. Começando uma contusão. Você terá, com certeza, um desagradável olho roxo na hora em que acordar amanhã. Concordo com a cabeça e não consigo evitar, um sorriso maligno se arrasta ao longo dos meus lábios e, então se transforma em risada. Pike hesita antes de permitir que o seu sorriso apareça, e quando eu vejo, eu rolo sobre minhas costas conforme meu riso fica mais alto. Segurando minha barriga, eu me sinto perturbada, como se de alguma forma estivesse no topo do mundo,


celebrando o nosso jogo diabólico, e desfrutando da glória do meu crescente olho roxo. Os últimos anos foram gastos no acordo de um casamento para parecer com nada mais do que um casal feliz, que é totalmente dedicado e apaixonado um pelo outro. Era como se este ponto de destruição nunca chegaria, mas está aqui ao alcance dos nossos dedos. E agora as emoções de estresse, solidão, dúvida começam a fluir conforme derramam-se de mim neste louco riso mórbido. Quando começamos a acalmar e nos recompomos, eu rolo para encarar Pike, perguntando: — Estou louca? — Não somos nós todos um pouco loucos? Sorrindo, eu digo: — Um simples não seria suficiente. — Não. Eu endireito a minha expressão, e quando Pike vira a cabeça para olhar para mim, eu lembro-o: — Eu te amo. — Eu sei que você ama. — Não. — eu digo. — Você nunca desistiu de mim. Depois de todos esses anos, você sempre foi minha constante, desde o momento em que nos conhecemos quando eu tinha oito anos de idade. Você é o melhor irmão que alguém poderia ter, e eu realmente amo você. Virando de lado, seus dedos passam ao longo da minha bochecha inchada, ele inclina e me beija, passando a língua ao longo do meu lábio inferior. Puxo-o para mais perto, enredando minhas pernas com as suas quando ele move para cima de mim. Começamos a despir um ao outro, e eu estou pronta para receber o que só Pike consegue me dar. Movendo meu corpo nu com o dele, estendo a mão para baixo para pegar seu pau duro e depois guiá-lo para dentro de mim. E, finalmente, eu sou capaz de escapar de tudo ao meu redor.


Acordo na minha cama na manhã seguinte, a lateral irritada do meu rosto palpita no ritmo do meu pulso. Eu não coloco gelo sobre ele para ajudar com o inchaço porque preciso que pareça tão ruim quanto possível. Eu sei que Pike sentiu-se um merda ontem à noite depois de bater em mim daquele jeito — da maneira que precisar — mas eu tentei assegurar-lhe que estou bem. Caminho pela sala e no banheiro, olho para o meu reflexo no espelho. Pike estava certo, há uma desagradável contusão preta e azul ao redor do meu olho e ao longo da parte de cima da minha bochecha. Estendo a mão para tocar a carne inchada e estremeço. A contusão do lado do meu rosto parece horrível. Está perfeito. Eu vou em frente e tomo um banho rápido e me visto, deslizando em um par de jeans e um longo suéter de cashmere, no rosto apenas um leve toque de pó e gloss. A campainha do meu telefone soa, como eu esperava, com o texto de Declan.

Sinto sua falta.

Eu digito a minha resposta.

Saudades também. Venha para o meu apartamento. Eu preciso te tocar.


Meu sorriso diabólico cresce enquanto digito minha próxima mensagem.

Eu não posso. Não estou me sentindo bem. Você está bem? Apenas doente. Eu vou buscá-la e trazê-la aqui.

Ele responde exatamente como eu previ, então continuo a incitá-lo com as minhas respostas.

Obrigada, mas eu só vou ficar aqui hoje. Você está fugindo de mim? Não. Eu simplesmente não me sinto bem. Então deixe-me cuidar de você.

Enquanto estou escrevendo minha próxima mensagem, o telefone começa a tocar na minha mão, exibindo o nome de Declan na tela. — Por que você está me ligando? — pergunto quando atendo. — Por que você está me evitando? — Eu não. Eu te disse; não estou me sentindo bem. — Então, em vez de deitar em sua cama, deite na minha. Eu estou indo buscá-la. Arrume uma bolsa. — ele insiste em um tom calmo, mas eu resisto, dizendo-lhe. — Declan, não.


Ele solta um suspiro e depois pergunta: — O que está acontecendo? Faço uma pausa, e com uma voz irregular, carente de confiança, murmuro: — Nada. Apenas... nada. — Você está mentindo para mim. — Declan, por favor. — Eu estou a caminho. — ele fala e desliga o telefone antes que eu possa responder. Ele estará aqui em breve, e eu não tenho tempo a perder ficando animada. Eu tenho que parecer quebrada, então foco minha atenção na única coisa que sempre me destrói - meu pai. Sento-me em um dos sofás da sala, olhando para fora, no dia cinzento e cheio de neve, e deixo minha mente vagar para ele, na minha infância, para tudo o que me dói. Eu penso sobre margaridas cor de rosa, e a sensação do bigode do meu pai me arranhando com seus beijos. E então penso sobre a primeira vez que fui ao seu túmulo, ficar cara a cara com a realidade de que ele estava realmente morto. Depois de um tempo, eu não estou nem pensando em Declan. Eu estou somente consumida com dor e tristeza enquanto eu choro em minhas mãos. Minha garganta dá um nó quando a miséria toma conta, mas o puxão da realidade vem quando o telefone de casa toca, e eu sei que Declan está aqui. — Olá? — eu digo quando atendo a chamada. — Senhora Vanderwal, é Manuel. Tenho um Sr. McKinnon aqui para vêla. — Hum, sim. Vá em frente, mande-o subir, por favor. — Vou fazer isso. Bom dia, senhora. Eu desligo o telefone com mais algumas lágrimas escorrendo, e eu as deixo ficar na minha pele, enquanto espero a batida e quando ela chega, eu olho para a minha cara manchada, os olhos avermelhados, e hematomas, no espelho


do corredor, antes de caminhar, com a cabeça baixa, avançando lentamente, abro a porta, dizendo: — Declan, você não deveria estar aqui. — Deixe-me entrar, Nina. Viro meu o rosto para longe dele e entro na sala de estar com ele me seguindo. — O que está acontecendo? — ele questiona, e quando eu não respondo, ele agarra meu braço e me vira. —Porra. — ele diz com um olhar de horror em seu rosto quando vê meu olho roxo. — O que diabos aconteceu? Cobrindo o rosto com as mãos, eu começo a chorar de novo. É fácil fazer isso com meu estado de espírito atual. Ele não perde um segundo quando me puxa para seus braços e me abraça, enquanto eu choro discretamente, molhando sua camisa com as minhas lágrimas. — Querida, o que aconteceu? — Bennett estava aqui quando eu cheguei em casa ontem à noite. — eu minto. Segurando meus ombros, ele se afasta para olhar para mim, seus olhos cheios de veneno quando ele pergunta: — Ele fez isso? As lágrimas escorrem pelo meu queixo, e eu lentamente aceno enquanto observo seu rosto de pura raiva, seu aperto em meus braços mais forte. — Eu vou matar aquele filho da puta. — ele rosna. — Vá arrumar suas malas. Você vem comigo. — Declan... — Agora, Nina. Eu não posso nem pensar direito. Vá arrumar suas coisas. Você não vai ficar aqui. — ele estala, e eu não digo mais nada quando caminho de volta ao meu quarto e para o meu armário. Eu começo a arrumar minhas malas rapidamente, e quando saio, Declan está andando pela sala. Quando olha para mim, ele corre, pega as malas das minhas mãos, e me enfia debaixo do braço.


— Onde está o seu casaco? — ele pergunta em voz baixa, e quando eu aponto para o armário no saguão, ele não perde tempo. Ele pega meu casaco, desliza-o sobre meus braços, e depois entrega minha bolsa. Eu rapidamente coloco meus óculos de sol antes de sair pela porta. Ele não fala quando nós pegamos o elevador para descer e ir na direção do seu carro. Ele joga as malas no porta-malas e, em seguida, estamos indo para o seu apartamento. Seu domínio sobre o volante é firme, os nós dos dedos brancos, os músculos flexionados. Com seu foco na estrada, eu assisto seu maxilar cerrar quando ele range os dentes. Quando finalmente chegamos ao seu apartamento, o seu silêncio permanece enquanto entramos em seu loft. Com a minha mão na sua, ele me leva de volta para o seu quarto. Joga minhas malas no chão, me senta em sua cama e remove suavemente os meus óculos de sol. Seus olhos correm sobre o meu rosto, examinando meu rosto inchado e olho roxo. Eu vacilo quando ele toca, e ele sussurra um rápido pedido de desculpas antes de reafirmar: — Eu estou falando sério, Nina. Eu quero matá-lo por fazer isso com você. — Não está tão ruim assim. — murmuro quando abaixo a minha cabeça. — Você já viu a sua cara, porra?! Está muito fodida! — ele espera um momento e algumas respirações profundas antes de amolecer a sua voz. — Eu sinto muito. Eu não quero gritar com você. É só que... por que você não se deita? Eu já volto, ok? — Ok. Declan sai do quarto, e quando ele retorna com um saco de gelo, ele senta ao meu lado na cama, onde estou deitada, e gentilmente coloca-o sobre o lado do meu rosto. Estremecendo com o contato, eu fecho meus olhos e coloco a minha mão sobre a sua, ele a mantém no lugar. — Diga-me o que aconteceu. — ele sussurra, enquanto olha para mim. — Quando cheguei em casa ontem à noite, ele estava lá. Eu lhe disse que tinha passado a tarde com uma amiga, mas ele descobriu que eu estava


mentindo e atrasou seu voo até esta manhã. — eu explico, e quando algumas lágrimas escorrem, rolam e descem pelo meu roso, eu continuo: — Ele estava louco, e só... — Bateu em você? Concordo com a cabeça, e ele pergunta: — Ele já fez isso antes? Quando aceno novamente, eu vejo os músculos do seu pescoço tencionarem. Sento e me inclino para trás contra a cabeceira da cama e começo a chorar, dizendo-lhe: — Eu estou tão assustada, Declan. Se ele descobrir sobre nós, eu não... — Ele não vai descobrir. — ele acrescenta — Ele poderia. — Ele não vai. — Ele não é o que as pessoas pensam. — Há quanto tempo isso vem acontecendo? — ele pergunta. — Pouco depois de nos casarmos. Não começou tão ruim, mas agora... — Venha aqui. — ele fala enquanto se desloca para o meu lado e coloca seus braços ao meu redor, me puxando para a sua segurança. Ele beija o topo da minha cabeça antes de dizer: — Eu não posso deixar você voltar para ele. — Eu preciso. — Você não precisa fazer nada, Nina. — Não é tão simples assim. Estou com medo do que ele vai fazer, porque ele é capaz de qualquer coisa. — eu digo-lhe conforme as lágrimas restantes rolam pelo meu rosto. — Este olho preto é pouco em comparação com... — Com o que? Cristo, Nina, parece que alguém te bateu pra caralho com a porra de um bastão. Você não tem ideia do que eu quero fazer com aquele filho da puta agora. Só de pensar sobre ele colocar as mãos em você é paralisante.


A raiva em sua voz é inflexível, e seus olhos dilatam em fúria. — Sinto muito. Eu não queria que você visse... — Você? A verdadeira você? — ele fecha os olhos por um segundo, apertando a ponta do seu nariz, e, em seguida, olha para mim com sinceridade. — Nunca mais se esconda de mim. Nem uma única maldita coisa. Eu não respondo, mas ele não está esperando por isso, quando enrola o seu braço em volta da minha cintura e nos leva para baixo dos lençóis. Meus olhos fecham no momento que ele dá beijos delicados na minha bochecha espancada e sobre o meu olho. Com seus lábios contra minha pele, ele sussurra suas palavras, dizendo: — Mata-me saber isso sobre você. — Eu não quero que você se magoe por minha causa. — Eu sempre vou me magoar você. Eu quero me magoar por você, para afastar isso de você, de modo que eu possa suportar isso por nós dois. — ele sussurra e depois sela seus lábios com os meus em um beijo apaixonado. Mas ele não pode tomar minha dor. Ninguém pode. Pike tenta, mas nunca dura mais do que um breve momento. Minha dor está incrustada dentro das fibras da minha existência. Aqui para ficar. Um lembrete de que todos vêm em diferentes formas de ruína. Declan arrasta seus lábios para longe dos meus, dizendo: — Abra os olhos. Pisco e abro, eu olho para cima, para suas esmeraldas verdes quando ele me diz: — Deixe-o. — Não é tão simples assim. — Deixe-o. — Não é fácil assim. — eu digo, preciso que ele compreenda que eu não posso simplesmente ir embora, mas ele passa minhas palavras, dizendo-me: — Eu não quero fácil. Eu quero você. — Eu...


— Diga-me o que você sente por mim. — ele diz, enquanto separa minhas pernas e instala-se entre as minhas coxas. — Não sei se há uma palavra para isso, porque é forte, mas não pode ser amor. — Por que não? — ele diz, seu pênis fica mais duro a cada palavra falada. — Porque eu só te conheço há alguns meses. É loucura pensar sobre o quanto já sinto por você. Sinto-me louca por ter os sentimentos que tenho por você. — Por quê? — Porque eu mal o conheço. — Você me conhece. — ele fala enquanto balança seus quadris, pressionando sua ereção em mim. — Conheço? — Eu te adoro. Você precisa saber mais alguma coisa? Minha respiração fica mais instável conforme ele continua a moer contra mim. — Abra-se para mim. Diga-me como você se sente. Dê-me as palavras. — ele insiste. — Eu não sei. — eu libero com uma voz vacilante. — Você sabe. Só está com medo. — Deixe-me ficar com medo, então. — eu peço, mas ele recusa, dizendo: — Eu nunca vou deixá-la ficar com medo, baby. Ele estende a mão para trás e retira sua camisa antes de sentar sobre suas pernas e dizer: — Desabotoe as minhas calças.


Sentando-me, eu deslizo a tira de couro de seu cinto da fivela, e desabotoo sua calça. Ele me observa quando enfio a minha mão dentro da sua cueca e pego o seu pau duro na minha mão, curvando meus dedos em torno do eixo espesso. Sem afastar o olhar um do outro, eu começo a acariciar ao longo da pele suave, aveludada, da sua ereção dura como pedra. Quando sua respiração começa a vacilar, ele agarra o a ponta do seu cinto e puxa-o das suas calças. — Tire suas mãos de mim e coloque-as acima da sua cabeça. Deito-me nas minhas costas e coloco minhas mãos onde me foi dito. Ele puxa minha blusa e abre meu sutiã, jogando-o no chão antes de dar um laço com o cinto na cabeceira da cama, amarrando meus pulsos, e prendendo-os em um vínculo implacável. — Diga-me como você se sente agora. Ao olharmos profundamente para o outro, eu revelo baixinho: — Segura. — e há uma parte de mim que não acredita que a palavra seja uma mentira. — Diga de novo. — Segura. Inclinando-se, ele passa os lábios, suavemente, ao longo das minhas contusões. — Sempre. — ele, então, começa a correr seus lábios quentes para baixo, entre os meus seios, pegando-os em suas mãos quando olha para mim. — Sempre segura comigo.


Capítulo Vinte e Cinco Presente

O

choque de frio tocando

minha pele me acorda em um sobressalto. — Sou só eu, querida. — Declan acalma enquanto pressiona um bloco de gelo na minha bochecha. — Eu não queria acordá-la, mas suas contusões parecem estar inchadas. Eu olho quando ele cuida de mim e apenas observo conforme ele examina o meu rosto. — Você está bem? — Sonolenta. — murmuro, quando me movo para sentar. Declan libera um grunhido suave quando o lençol cai para minha cintura, expondo meus seios nus. — Você é obsceno. — eu brinco com um sorriso e depois puxo o lençol para me cobrir, mas ele o afasta. — Não cubra-se; você é muito bonita. — E você? Você espera que eu fique nua enquanto você está completamente vestido? — defendo fracamente com um sorriso.


Deixando cair a bolsa de gelo sobre o travesseiro, ele fica ao lado da cama e olha para mim, dizendo: — Você me quer nu? — e quando eu aceno, mordendo meu lábio, ele me diz: — Então, dispa-me. — Agora, não só você é obsceno, mas detestável. — Você ama isso. — afirma com um sorriso diabólico. — Mmm... pode ser. — Diga. Diga-me que você ama. — ele insiste. — Não. — eu solto uma gargalhada, e com um tom severo, ele retruca: — Nunca me diga não. — Não. — repito, com uma piscadela flertando. Ele rasteja de volta na cama e por cima de mim, com um rosnado sexy. — Garota má. — Eu pensei que eu fosse uma boa menina? — Só quando você escuta bem. — ele responde e deita perto de mim. — Aproxime-se. Enrole-se em mim. E eu faço, rolo para cima, coloco meu braço sobre seu peito e envolvo minha perna nele, enquanto ele circula seus braços ao meu redor. — Você fica tão gostosa assim. — ele libera em um suspiro pesado. — Como o que? — Cobrindo-me, como se você me quisesse. — Você acha que eu não quero? — Eu não consigo entender o que você quer. — ele exala. — Eu odeio que você não me deixe entrar na sua cabeça. Eu não respondo a sua declaração e continuamos abraçados, e depois de um tempo, ele quebra o silêncio, dizendo: — Por que você se esconde de mim?


— Parece que eu estou me escondendo de você? — eu brinco com um sorriso deitada aqui nua. Com uma cara séria, põe a mão sobre o meu coração e diz: — Você está escondendo isso de mim. — Como você sabe disso? — Porque eu posso ver vislumbres dele, às vezes. Seja lá qual for dor que está lá dentro. Alguma vez você se permite sentir? A dor? — Por que alguém iria querer sentir dor? — eu sussurro. — Mostrá-la expõe a vulnerabilidade, e vulnerabilidade é a fraqueza da sua alma. — As pessoas são fracas, Nina. É apenas fato. — Eu não quero ser fraca. — Você é apenas um ser humano. — ele diz. — Você sangra como todo mundo, mas você esconde. — E você? Você gosta de controlar quase todas as facetas da sua vida. Você não faria isso se você não estivesse tentando enterrar alguma coisa. — Você está certa. — ele admite de bom grado. — Eu preciso de controle para lidar com a dor, mas confie em mim quando eu digo isso, eu sinto essa dor. Eu posso escondê-la, mas ela está sempre lá. — e então ele bate no meu ponto sensível quando pergunta: — Você sente falta dos seus pais? — e tudo dentro de mim corre para o meu pai. — Sim. — eu sussurro em uma lufada de dor, quando eu sinto a presença do meu pai dentro do meu peito. E quando as lágrimas surgem e meu nariz formiga, fecho meus olhos. Mas Declan vê através de mim. — Abra seus olhos. Mas eu não abro.


Eu mantenho-os fechados, dizendo com honestidade: — Você quer que eu te mostre a minha dor, mas eu não sei como fazer isso. — e quando eu abro meus olhos, as lágrimas derramam. — Você está fazendo isso agora. Aponto no meu rosto umedecido, afirmo: — Isso é fraqueza. Com as mãos segurando minha cabeça, ele contradiz as minhas palavras, dizendo: — Isso... isso é força. — antes de lamber o sal da minha dor. Eu seguro em seus pulsos quando ele descansa a cabeça contra a minha neste momento suave. Eu sinto que uso muito o Declan para isso, para este conforto que eu realmente nunca tive antes. Ele o dá de uma maneira diferente do Pike, e é bom. Pacífico. Eu sei que meu tempo é limitado com Declan, então eu poderia muito bem aproveitar o que puder enquanto eu o tenho. E, em uma reação incomum para mim, alcanço a bainha da sua camisa e levanto-a, despindo-o e deixando-a cair no chão. Ele toma o meu rosto em suas mãos grandes de novo e me mantém imóvel enquanto olha para mim, e eu juro que ele pode ver dentro de mim. Eu começo a desabotoar a calça, e quando ele está finalmente nu comigo, ele deixa cair a cabeça no meu peito, passando a barda do seu maxilar levemente sobre meu seio. O atrito é substituído com a maciez suave da sua língua. Eu sinto-o entre as minhas pernas, conforme ele suga o meu seio na sua boca, e continua a me acariciar com a língua. Seus toques são suaves, não como a exibição normal de domínio sobre mim e, neste momento, eu preciso da suavidade. Então, quando acaricio seu cabelo grosso com os meus dedos, eu movo sua cabeça para olhar para mim e sussurro: — Não me amarre. Não agora. Ele nunca deixou de me amarrar ou de ser contundente em seu toque, então quando ele me dá um aceno de cabeça, eu fico um pouco surpresa. Essa é a primeira vez que ele me permite tocá-lo durante o sexo, e neste momento de fragilidade incomum, deixo minhas mãos vagarem ao longo das linhas


profundas do seu corpo musculoso, que paira sobre o meu. Nós nos movemos em um ritmo relaxado, sua mão deslizando sobre cada curva do meu corpo. Quando ele se posiciona entre as minhas pernas, ele segura seu pênis na mão e esfrega a cabeça através das minhas dobras, para o meu clitóris e lentamente de volta para baixo, dizendo: — Eu vou fazer o seu coração bater. — quando ele empurra para dentro de mim, enchendo-me inteiramente e meus olhos fecham. Ele me fode com movimentos lentos, profundos. Não há atrito, nenhuma tensão. Somos só nós dois, movendo nesse ritmo calmo. — Abra os olhos. Conecte-se comigo. Eu abro, e ele nunca tira seu foco de mim. Ele nunca foi tão real quanto agora, neste exato momento. A conspiração da minha parte acumula culpa dentro de mim, mas não deveria. Eu não devia estar neste fio de tensão que estou agora, agarrando os grandes músculos que percorrem seus braços. Eu não devia estar sentindo o prazer que ele está começando a fazer fluir dentro de mim. Eu não devia estar permitindo que ele faça isso comigo, me permitindo fazer isso comigo. É muito maduro, muito vivo. Eu estou ficando perdida entre realidade e fantasia, e preciso recuar. Eu não achei que Declan fosse capaz de me levar tão alto como ele está fazendo, movendo-se tão lentamente, assim, eu fecho meus olhos em uma fraca tentativa de combater isso. Esforço para afastar as emoções estranhas que estão crescendo no meu interior. Você não vai sentir. Você não vai sentir. Você não vai sentir. — Oh, Deus. — eu gemo, sem qualquer filtro de controle.


— Solte-se comigo. — ele insiste, quando pega a minha mão na sua, entrelaçando os dedos com os meus quando começo a tremer em uma explosão de luz incolor. Agarro-o com o meu braço livre, ele nunca solta a minha mão. Segura-a com força contra mim, meu corpo se contorce e se curva para cima dele enquanto cavalgo na onda de ecstasy, gozando forte em torno do seu pau. Quando olho para ele, eu vejo a careta em seu rosto conforme ele continua a se mover dentro de mim e, em seguida, puxa para fora. — O que você está fazendo? — eu pergunto, sabendo que ele não gozou. Ele deita em cima de mim, apoiando-se no cotovelo, com o rosto sobre o meu. — Por quê? — eu ofego em um sussurro irregular. — Porque era para você. Não permita-se sentir. Não permita-se sentir. Meu ciclo de palavras morre lentamente dentro do meu peito apertado. A espessura da minha garganta faz com que fique difícil e doloroso respirar, e eu sei que ele vê, quando aperta delicadamente minha mão que ele ainda está segurando e diz: — Não se esconda. Se você precisar chorar, está tudo bem. Imediatamente, com suas palavras, o calor líquido enche meus olhos, borrando minha visão do seu rosto em uma roda prismática de aquarelas, antes que elas finalmente saiam dali e atropelem as laterais do meu rosto. Ele nos rola para os nossos lados, nunca deixando de lado a minha mão, enquanto eu calmamente choro no calor da sua pele. Nós ficamos na cama por quase toda a manhã. Declan nos serve um café da manhã tardio enquanto tomo um banho e me arrumo. O cheiro de ovos está no ar quando entro na sala de estar e vejo Declan, que está de pé sobre o fogão.


— Cheira bem. — eu digo, quando deslizo para perto dele e vejo quando ele dobra omelete com uma mistura de tomate e espinafre. — Você está com fome? — Faminta. — eu respondo, antes que ele se incline para me dar um beijo cheio de entusiasmo e sua língua invade minha boca. Ele não para de foder minha boca com a sua, até o cheiro de ovo queimado flutuar pelo ar. — Porra. — ele diz, puxando a panela do fogão e apagando a chama, fazendo-me rir quando me movo e começo a abrir e fechar os gabinetes. — O que você está procurando? — Uma caneca. Ele caminha, abre a porta de um dos armários e pega uma caneca para mim, dizendo: — Há café na cafeteira francesa. — e acena para a jarra de vidro no balcão. — Obrigada, mas eu prefiro chá de manhã. Ele sorri, e em seguida, põe a chaleira no fogo para mim. Enquanto eu espero-a ferver, vejo minha bolsa sobre a mesa do hall, e pego meu celular, tenho duas chamadas não atendidas de Bennett. Quando eu olho para a hora, conto e percebo que é um pouco depois das oito da noite para ele. Não parece comigo perder as chamadas dele, mas com este novo rumo dos acontecimentos, a minha mente tem estado em outros lugares. Sabendo que eu tenho de ligar para ele e checá-lo, eu ando de volta para a cozinha com o meu celular na minha mão. — Eu preciso fazer uma chamada. Você se importaria se eu saísse? — pergunto gentilmente, com cuidado para não balançar o barco demais. Mas ele não pensa duas vezes ao responder: — É claro. Meu escritório é por esse corredor, do outro lado da sala. — e aponta na direção oposta de onde é o seu quarto. — Obrigada. Eu não vou demorar muito.


Entro em seu escritório, é quase tão grande quanto seu quarto enorme, com estantes ricas, de madeira que revestem a parede de trás e até o teto. Sua mesa fica no meio da sala. A peça solene de mogno é acentuada por uma grande cadeira de couro, guarnecida com um antigo brasão nailhead16 bronze. Não me sento em sua mesa, aconchego no sofá Chesterfield17 de couro preto adornado, que fica ao pé das estantes. Eu absorvo o couro rico almiscarado e olho ao redor. Tudo nesta sala é coberto com a masculinidade de Declan. Eu rapidamente digito na tela do meu telefone e ligo para Bennett. Ele atende, logo dizendo: — Querida, estive preocupado. — Eu sinto muito. Meu telefone estava no silencioso e na minha bolsa. — O que você fez toda a manhã? — Escrevendo. Eu tenho trabalhado no artigo. — eu minto. — Parece que não tenho talento. Eu fiquei fechada no escritório e perdi a noção do tempo. Desculpe-me, perdi a sua chamada e fiz você se preocupar. — Eu não quero que você se desculpe. Está bem. Eu só sinto sua falta, isso é tudo. — ele fala docemente, nem mesmo questiona meu engano. Saber como deixei esses dois homens iludidos me faz sorrir, e fico com bons sentimentos, retornando a doçura: — Eu sinto sua falta também. Conte-me sobre o seu dia. — Eu tive que demitir alguns homens no projeto. Foi estressante. — O que aconteceu? — Os prazos não estavam sendo atendidos pelo empreiteiro, descuidos com as especificações de código, e outras questões que eu prefiro não discutir agora. — ele explica, a nota de frustração e cansaço evidentes na sua voz.

16

Motor do automóvel Buick.

17

Marca de sofá.


— Eu queria estar aí. Sinto muito que você teve um dia tão difícil. Existe alguma coisa que eu possa fazer para, enfim, ajudá-lo com alguma coisa? — Apenas me diga o quanto você me ama. — Bennett... — eu digo, deixando seu nome pairando entre nós. — O que, querida? — ele murmura baixinho. — Eu sinto sua falta, e eu te amo muito. Eu odeio quando você não está aqui, quando eu não tenho você ao meu lado. É... — eu paro quando percebo Declan em pé, na porta dupla da entrada da sala. Sua carranca é assassina conforme olha para mim do outro lado do cômodo, fazendo com que minha coluna endireite enquanto me sento. Ele está irado, não há dúvida, mas vou apostar meu ás nesse momento. Para um homem, eu sou sua esposa amorosa e dedicada. E para o outro, eu sou uma mulher abusada, que está presa em um casamento com um homem terrivelmente violento e poderoso. Bennett me puxa de volta para ele, quando pega as minhas palavras perdidas e pergunta: — O que, querida? Com meus olhos sobre Declan, eu respondo ao meu marido. — É solitário. — e as minhas palavras não são bem encaradas por Declan, e eu assisto o seu maxilar moer e, em seguida, cerrar. — Eu me sinto assim também. — ele responde e eu abaixo minha cabeça para evitar a carranca de Declan. Precisando acabar com a chamada antes de Declan perder o controle, eu digo: — Querido, podemos conversar mais tarde? —

Sim,

sem

problema. Na

verdade,

estou

no

carro

com

Baldwin. Encontraremos o gerente de projeto e um dos seus arquitetos para jantar. — Ok, bem, eu espero que você tenha uma boa noite. Eu te ligo mais tarde esta noite, antes de ir para a cama. — Eu amo você.


Com a minha cabeça ainda para baixo, eu devolvo suas palavras: — Eu também te amo, Bennett. Quando desligo, levanto os olhos lentamente para ver Declan andando em minha direção. Ele fica na minha frente enquanto olho para ele, mas ele não se senta, ele só exala sua autoridade e olha para mim, o maxilar ainda cerrado. — Dec... — Não fale. — ele solta, me interrompendo, mas eu não aceito sua ordem e afirmo simplória: — Ele ainda é meu marido. — E essas palavras que você disse a ele? — São apenas palavras. — eu sussurro em tom simulado e covarde. — Você sente falta dele? — ele pergunta, mantendo suas palavras afiadas e tensas. — Não. — Você o ama? — Não. — Você está solitária? — Não. — eu digo com firmeza. Sua tensão emerge conforme ele fica aqui, imóvel, e o tempo passa em silêncio. Ele finalmente rompe, e sua voz áspera admite: — Eu quero puni-la por ligar para esse idiota da minha casa, mas... Sua voz falha e ele fecha os olhos e solta uma respiração difícil pelo nariz, os lábios firmemente pressionados. Dou-lhe um momento e, em seguida, ele balança a cabeça lentamente e cai de joelhos na minha frente. Suas mãos apertam meu quadril e sua cabeça cai nos meus joelhos antes que ele olhe para cima, mas ele não olha nos meus olhos; ele está olhando nos meus machucados.


Abro a boca para falar, ao mesmo tempo que ele, mas eu deixo-o ir primeiro. — Você não tem ideia de como é difícil manter minha merda sob controle, sabendo o que está acontecendo. E em seguida, encontro você aqui, falando com ele... eu quero acertar o meu punho na porra da parede. — ele pega a mão dele e pega o lado do meu rosto ternamente. — Mas então eu olho para isso. — ele diz, referindo-se às contusões. — E eu tenho medo de assustá-la. — Eu não me assusto facilmente. — eu ofego. — Eu acho que você mente sobre isso. Eu acho que você quer que eu acredite. Talvez até você queira acreditar nisso, mas é tudo uma mentira. É você... tentando convencer a si mesma. Engulo duro, nervosa, porque mesmo através de todas as minhas merdas, ele parece me ler muito bem. Por mais que eu queira negar o que ele está dizendo, corta-me profundamente, o suficiente, e eu acredito que há verdade na forma como ele me vê. Eu odeio isso sobre ele. — Eu quero você. — afirma com naturalidade, e eu aceno. — Eu não posso refutar os meus sentimentos, mesmo que uma parte de mim queira, porque eu sei que não posso tê-la, mas eu quero você. Eu quero ter você, eu quero que você seja minha, eu quero possuir você. Fechando os olhos, eu descanso minha testa contra a dele enquanto meu corpo vai para frente. Declan me segura, acrescentando: — Eu quero tudo de você, e porra, dói saber que não posso ter isso. Mas eu não quero ficar longe de você também. — Eu não sei o que fazer porque... — O que, baby? Volto minha cabeça ligeiramente para trás para olhar para ele quando explico: — Houve uma razão para nos casarmos tão rapidamente. Eu não vi isso na época, mas... logo depois que nos casamos eu vi a obsessão dele por mim. — incito-o com emoção, quando sinto a constrição da minha garganta. Minhas


palavras saem tensas, quando eu digo: — Ele nunca vai me deixar ir. E se ele soubesse sobre você, ele iria arruiná-lo. Ele é poderoso o suficiente para fazer isso. — Deixe-o me arruinar. — Mas sou eu. — eu falo com palavras trêmulas. Ele coloca seus olhos preocupados em mim, e eu sufoco um leve gemido, quando ele pergunta: — Do que você tem medo? Eu faço uma pausa antes de finalmente falar as palavras que trazem uma labaredas de amparo para os olhos dele. — Que ele me mate.


Capítulo Vinte e Seis Presente

D

eclan ficou além de

furioso por eu ter voltado para casa ontem. Eu passei a maior parte das últimas duas semanas na casa dele, só voltando para a minha algumas vezes, quando eu sabia que Clara estaria aqui. Mas eu expliquei as coisas para ele, deixando claro que tem que ser desse jeito e que Bennett nunca poderia saber sobre nós. Passando tanto tempo juntos, como tem sido, eu vejo Declan se apaixonando fortemente por mim. Ele é honesto sobre como se sente sobre mim e sobre nós e não se desculpa por isso. Para um homem que exerce o seu poder e autoridade, não só comigo, mas com quase todos que eu vejo entrar em contato com ele, eu posso vê-lo tentando esconder uma máscara de vulnerabilidade. As feridas no meu rosto já tinham quase sumido, quando Bennett chegou em casa essa manhã. Passamos horas na cama juntos, compensando as duas semanas que ele ficou longe. Ele não ficou feliz quando tive que sair para entregar o meu artigo, que consegui terminar nos dias que Declan ia trabalhar, deixando-me com nada, exceto tempo, enquanto eu me escondia na sua casa. Não é como se eu pudesse realmente sair com meu rosto tão machucado. Mas Bennett compreendeu, e até sugeriu que tomasse um pouco de tempo para mim, uma vez que ele estava começando a sentir o efeito do jet lag18, por causa da diferença de horário de nove horas de Dubai.

18

Descompensação horária.


Enquanto Bennett está em casa, Baldwin leva-me para a Avenida North Michigan, onde passo a maior parte do dia entrando e saindo de várias lojas, fazendo algumas compras muito necessárias. Eu paro por Neiman para escolher algumas camisas para Bennett e um par de gravatas. Antes de chamar Baldwin para voltar com o carro, eu decido fazer uma última parada. Com a temperatura beirando a um único dígito lá fora, envolvo meu cachecol algumas vezes ao redor do meu pescoço e caminho para La Perla. Eu aprendi, enquanto estava com Declan que ele tem uma afinidade com lingerie. Assim, como preciso continuar a atraí-lo mais profundamente, vou fazer o que puder. Quando entro, meu estômago revira instantaneamente. Estar em lojas como essa faz-me sentir suja e nojenta. Sempre fez. Eu sei que tenho um senso fodido da sexualidade; eu não sou cega para os efeitos da minha infância tem sobre mim. Só de pensar que adornar um corpo que eu acho repulsivo - um corpo que não tem valor para mim – me dá asco. Mas isso não é para mim ou para o meu gosto, é para Declan. Olho a seleção insanamente cara de sedas e rendas, escolho algumas calcinhas de seda que são embelezadas com rendas bordadas à mão. Porque, por mais que Declan seja pervertido no quarto, ele prefere que eu use coisas delicadas e femininas, então tenho certeza que ele vai gostar dessas calcinhas francesas. Acrescento alguns pares de calcinhas de renda e sutiãs antes de uma vendedora se aproximar, oferecendo: — Você gostaria que eu a levasse a um provador? — Não. Eu gostaria de ir em frente e comprar essas. — eu digo a ela, sentindo como se precisasse sair daqui antes que a minha náusea me sufocasse. Depois de fazer as minhas compras e enfiar a sacola marfim na grande do Neiman, eu envio um texto para Baldwin dizendo-lhe para me encontrar no Starbucks da rua. A última coisa que eu preciso é que ele saiba que eu estava comprando lingerie. Baldwin está visivelmente quieto enquanto dirige os poucos minutos que demoram a voltar para casa. Quando saio do elevador, eu fico surpresa de ver Jacqueline com seu bebê no colo, andando através da minha sala de estar.


— Jacqueline, que surpresa agradável. — saúdo quando ela se aproxima de mim com Bennett caminhando atrás dela. — Bem, Richard preferiu dormir e deixar-me cuidar do seu negócio do que fazer por conta própria. — diz ela, e quando Bennett beija minha bochecha e pega as sacolas de compras das minhas mãos, ele explica: — Eu precisava assinar alguns arquivos que estavam com Richard, e precisavam ser enviados por fax o mais rápido possível. — Entendo. — murmuro, e depois viro para Jacqueline e seu filho. — Ele está crescendo rápido. — Eu sei. É incrível, não é? — Suponho que seja. — eu respondo, não importando para discutir os encantos da maternidade. — Bem, é melhor eu ir. Richard vai estar com fome quando ele acordar, então... Esse cara é um canalha preguiçoso. Sempre foi. Ele trata Jacqueline mais como uma serva para suas necessidades do que uma esposa. Mulher patética suporta isso também, mas é a escolha dela. — É uma pena que você não possa ficar mais tempo. Eu estive tão enrolada ultimamente, mas devíamos marcar um almoço. — eu digo, fingindo que realmente me preocupo com a nossa amizade falsa. — Isso parece ótimo. Eu ligo para você. — ela responde e, em seguida, olha para Bennett, dizendo: — Eu sinto muito que Richard não pôde vir. — Não se preocupe, Jacqueline. Vamos vê-la mais tarde. — ele fala, enquanto caminha até a porta para vê-la sair. Eles trocam despedidas e, em seguida, Bennett volta para mim, pegandome em seus braços. — Você se divertiu fazendo compras? — Sim. Você trabalhou esse tempo todo?


— Não. Ela chegou alguns minutos atrás. — ele me diz. — Tirei um cochilo e desembalei. — Você? Desembalando? — eu brindo. — Estou impressionada. — Tão pouca fé em mim. — ele responde com risos e, em seguida, mergulha a cabeça para me beijar. — Aliás, Cal fez uma chamada para o meu escritório enquanto eu estava fora. Parece que ele ouviu falar sobre a remontagem em Dubai e está curioso sobre as opções de investimento. — Oh. — eu falo, me perguntando se Declan sabe que seu pai está interessado em investir na companhia de Bennett. — Ele quer uma reunião, mas não consegue sair Nova Iorque por causa da sua agenda apertada, então eu vou voar até lá por alguns dias. Eu quero que você venha comigo. — É claro. Quando seria isso? — Em algumas semanas. Eu tenho que voltar para Miami por alguns dias antes. — Miami? — eu questiono, deixando-o ver a minha frustração. — Eu não vi isso na sua agenda. — O corretor de imóveis ligou enquanto você estava fazendo compras. Nós finalmente chegamos às negociações sobre a venda da propriedade. — Finalmente. Bennett tem uma série de propriedades, a beira-mar em Miami é uma delas. Ele tem há anos, mas desde que eu o conheço, nunca usou. Embora ele viaje para negócios, ele fica em hotéis, uma vez que a casa é fora do caminho. — Então... Nova Iorque? Sorrindo, eu respondo. — Parece perfeito. Esperemos que isso não seja tudo negócios; eu gostaria de poder passar algum tempo só com você.


— Vou me certificar disso, mas, por enquanto, eu fiz reservas para o jantar hoje à noite. — Então, é melhor eu ir tomar um banho. Acho que eu vou mergulhar em um banho quente por um tempo. — Quer companhia? — ele pergunta, num tom suave, e eu aceno antes de beijar seu queixo. Passamos o resto do dia juntos, e depois de uma refeição extravagante, dirigimo-nos para casa e não demora muito para Bennett desmoronar, não só por causa do excesso de comida, mas também a mudança de horário. Eu deito lá na cama ao lado dele e simplesmente olho. Eu vagamente me lembro dele como uma criança. Seu rosto está claro para mim só porque eu já vi muitas das suas fotos de infância na casa de seus pais. Ele dorme pacificamente quando me lembro de brincar com ele no meu quintal. Não me lembro de muita coisa, mas ele costumava me empurrar no meu balanço. Falava para ele empurrar mais alto, até as nuvens, e ele me dava um impulso gigante e, em seguida, girava balanço enquanto eu subia. Uma vez que ele não conseguiu, e eu desabei sobre ele. Ele disse que não doeu, mas eu podia dizer que sim. Nós nunca fomos bons amigos, apenas vizinhos que, por vezes, brincavam juntos, se nós dois estávamos do lado de fora, ao mesmo tempo. Ele era mais velho e já na escola primária. Logo depois que eu comecei o jardim de infância, fui levada embora e nunca mais o vi. Isso foi até Pike encontrá-lo há vários anos. Quando eu o vi de novo, ele tinha acabado de completar trinta anos. Nada nele parecia o mesmo para mim, não até que sua mãe me mostrou alguns álbuns de fotos antigas. Foi quando eu comecei a lembrar mais do nosso tempo juntos como crianças e jovens. E agora eu fico aqui, pensando no papel que ele desempenhou no pesadelo que se tornou a minha vida e o ódio começa a apodrecer. Eu quero matá-lo. Mas mais do que isso, eu quero fazê-lo sofrer. Eu quero gritar e gritar, dizer-lhe quem eu realmente sou. Dizer-lhe como ele arruinou a minha vida, e por causa dele, meu pai está morto. Eu quero que ele saiba a destruição que ele


causou por abrir a boca tola. É preciso um grande esforço para não apertar minha mão agora e tirar a vida fodida da sua cara. De repente, um brilho silenciado é lançado ao longo do teto e eu viro a cabeça para ver que há uma notificação no meu celular. Rolando, eu olho para ver a mensagem que Declan me enviou. Eu pego o telefone e deslizo silenciosamente para fora da cama para ir para o outro lado do apartamento e para o escritório antes de ler a mensagem.

Sinto sua falta.

Sento-me à mesa e escrevo de volta.

O mesmo aqui. Você está bem? Eu não consigo parar de se preocupar com você. Eu odeio isso. Estou bem. Você não precisa se preocupar comigo. Nunca me diga para não me preocupar.

Quando eu noto que já passa das duas da manhã, eu respondo.

Por que você está acordado até tão tarde? Eu te disse. Eu não consigo parar de pensar em você e se você está bem. Eu me acostumei a ter você em minha cama e agora tudo o que consigo imaginar é você, deitada ao lado dele. Eu não sei o que dizer. O que você quer que eu diga?


Que você sente o que eu sinto. Eu sinto. Diga pra mim. Eu _____ você. O que isso significa? Não há uma única palavra que posso pensar que pudesse descrever adequadamente como me sinto em relação a você, mas eu sinto e é poderoso. Então você me _____, hein? Sim. Eu _____ você também. Eu quero ver você. Amanhã. Ok. Eu posso fugir durante o dia. Venha para a 31st Street Harbor. Cais-k-47. Você tem um barco? Sim. Que horas você pode estar lá? 10h. 10h. Não se atrase.

Eu balanço minha cabeça para a sua necessidade de controle e sorrio quando envio uma mensagem de volta.

Confie em mim, eu não vou. Minha bunda e boceta ainda estão com raiva de você.


Bunda, talvez, mas não há nenhuma maneira da sua boceta ainda estar zangada com o número de orgasmos que a dei, desde então. Você acha? Eu sei que sim. Estou ficando duro só de pensar sobre a sua boceta divina apertada ao redor do meu pau.

Suas palavras grosseiras vêm sem nenhuma surpresa para mim. Declan tem uma boca suja que ele deixa solta algumas vezes. Ele é tão franco e honesto na cama, nunca sente necessidade de ser modesto com suas palavras, em qualquer forma.

Mmmm. Estou falando sério. Eu tenho que controlar meus pensamentos, porque assim que eu penso em você eu fico duro como rocha. Eu vou me certificar em dar um cuidado extra especial amanhã. Eu não posso ter você andando por aí assim. As mulheres já olham para você como é, fantasiando sobre montar o seu pau. Ninguém está montando isso, exceto você.

Eu rio e dou-lhe um sabor das suas palavras possessivas e digito a minha resposta.

MEU pau! Porra. Você está me matando. Eu vou enterrá-lo tão profundamente dentro de você amanhã.


Eu não vou querer deixá-lo ir. Eu já sinto sua falta terrivelmente. Amo isso. Minha garota. Sua garota.

Ele demora um tempo para responder enquanto fico sentada aqui na sala escura até que finalmente envia o seu próximo texto.

Você fodeu com ele hoje? Declan, você não pode me perguntar isso. Certifique-se de estar limpa e não transe com ele antes de vir me ver amanhã.

Seu pedido deixa seu ciúme cristalino. Vou falar o que o faz se sentir melhor, mas eu não vou parar de foder Bennett. Eu tenho que manter a minha encenação com ele também.

Por favor, não me trate assim. Estou falando sério. Eu vou perder o controle se eu sentir o cheiro dele em você. Você não vai. Agora pare de ser um idiota e seja bom para mim. Ficando mal-humorada?

Eu balanço minha cabeça com um sorriso.


Sempre mal-humorada. Eu sei. Precisamos trabalhar nisso. Eu não sou subserviente!!! Você poderia ser. ;) Agora você está apenas tentando me irritar. Saco seu joguinho, McKinnon. Empurra-me até que eu o desafio para que você possa começar sua diversão em 'ensinar-me uma lição’. Você sabe tudo, não é? Isso te incomoda? Que eu possa lê-lo? Não. Eu amo que você possa me ler. Agora eu só tenho que descobrir como ler você. Hmm... Talvez eu goste de ser um mistério. Eu acho que nós dois sabemos que eu posso ver além das suas paredes muito bem. Esconda tudo que você quer, querida, mas eu sempre vou te encontrar. Você acha? Eu sei que sim. Quando eu quero algo, eu faço o que for preciso para conseguir. Então, McKinnon, diga-me. O que você quer? Você. Você já sabe disso, mas eu gosto que você me pergunte de qualquer maneira, só assim você poderá obter a afirmação que aparentemente busca, o que me diz tudo o que eu preciso saber. E o que é? Que você me quer também. Possivelmente.


Não seja tímida. Você não precisa jogar esse jogo comigo, porque você já tem o meu pleno interesse. Eu entendo que você esteja com medo, mas você precisa ficar comigo. Você tem certeza disso? Não há dúvida. E você?

Eu espero um momento e penso sobre como eu quero responder a sua pergunta. Eu não quero ser muito franca e apenas dizer sim.

Estou com medo. De que? Com medo de que você me machuque. Nunca. Não diga nunca porque você é muito capaz. Se você está com medo, eu vou te abraçar. E se eu surtar? Eu vou te abraçar mais apertado.

É agora que eu percebo que tenho um enorme sorriso espalhado pelo meu rosto, que esteve lá a maior parte dessa conversa. Independentemente da verdade sobre o que está acontecendo, Declan é divertido para conversar. Ele sempre foi. Apesar da maldade que estou jogando, e das mentiras que eu disse a ele, eu sinto que eu tenho um amigo. Estou jogando com ele, assim como estou com Bennett, mas eu desprezo Bennett enquanto Declan nunca foi uma pessoa


que eu tive algum sentimento de descrédito. A única falha é que ele é o filho da puta azarado que se apaixonou por mim.

É melhor ter uma boa aderência. Ninguém nunca vai te abraçar mais apertado. Eu poderia ficar acordada a noite toda falando com você, mas eu tenho um encontro amanhã de manhã, para o qual eu não posso atrasar. Por quê?

Dessa vez, eu opto por palavras doces, em vez dos flertes ácidos que normalmente uso com ele.

Ele tende a se preocupar comigo quando atraso. Ele fica chateado. Mas eu realmente gosto desse cara, então quero ter certeza de descansar e em tempo para que ele saiba que eu me importo com ele o suficiente para não fazer com que ele se preocupe. Eu te adoro. Eu ____ você. 10:00? 10h. Boa Noite. Boa Noite, querida.

Quando volto para o quarto, Bennett ainda está na mesma posição, dormindo. Leva apenas um segundo para os meus sentimentos doentes voltarem, então quando deito na cama, rolo para o lado, para não ter que olhar


para ele. E com os meus pensamentos voltando para a conversa que acabei de ter com Declan, eu rapidamente me acalmo para dormir.


Capítulo Vinte e Sete Presente

—V

ocê teve alguma

dificuldade em encontrá-lo? — Declan pergunta assim que subo a bordo do seu iate de luxo. — Cais K. 47. Exatamente onde você disse que estaria. — eu digo, com um arrepio, quando as rajadas de vento cortantes batem, vindas da água. — Vamos para dentro. Eu sigo Declan para o salão que é equipado com um sofá de linho branco e cadeiras que cercam uma grande mesa de madeira. — Tour rápido? — ele sugere e pega a minha mão, e eu dou-lhe um sorriso concordando quando ele me leva até a galeria e descemos as escadas. Depois, mostra a cabine de estibordo e a suíte, juntamente com a cabine e banheiro de hóspedes, ele me levou até a cabine do proprietário e à suíte principal. O quarto é elegante, requintado, de madeira de cerejeira, uma pequena área de estar ao lado, e uma grande cama no centro. Declan não perde um segundo, quando me vira em seus braços e me beija. Relaxando no beijo, eu deixo ele me mover a seu gosto, e quando ele finalmente tira a língua da minha boca, eu sorrio. — O que é tão engraçado? Com tom de brincadeira, eu digo: — Sem conversa?


Passando as mãos possessivamente no meu pescoço e sobre meus seios, ele aperta-os em suas mãos antes de responder: — Nós vamos conversar depois que eu tiver meu pau dentro de você. Ele então pega meus quadris, me levanta e me joga na cama. Ele sobe em cima de mim e entre as minhas pernas com um gemido ofegante, e eu pego o seu rosto e o beijo novamente. Nossos lábios batem, e estamos em um borrão de mãos movendo rapidamente, tirando a roupa um do outro. Quando ele escorrega o meu vestido sobre a minha cabeça, jogando-o para o lado, eu sei que minha viagem de compras valeu a pena quando seus olhos incendeiam ao ver minha calcinha e sutiã franceses combinando. Ambos ajoelhamos, ele faz uma pausa enquanto seus olhos vagueiam em cima de mim, me absorvendo. É estranho ter um homem olhando para mim do jeito que Declan olha, com necessidade intensa e desejo. — Você tem alguma ideia do quanto você é linda? — ele diz suavemente, tirando as mãos e, lentamente, passando-as em minhas costelas e parando em meus quadris onde ele retira suavemente a minha calcinha seda. — Pare. — eu sussurro, querendo negar suas palavras. — Parar o que? — Quando você diz coisas assim... — eu começo, deixando cair a cabeça para quebrar o contato intenso dos olhos. — Deixam-me desconfortável. — eu olho de volta para os seus olhos, acrescentando: — Eu não sei como responder. — Eu não preciso de qualquer resposta, querida. Mas você não deve ficar desconfortável, não comigo. Eu adoro olhar para você. Eu amo a sua nudez, a sua pele impecável, leitosa. — ele fala e começa a mover lentamente, as mãos em cima de mim. — Seus seios perfeitos. — ele continua, desabotoando meu sutiã e deslizando-o para baixo, nos meus braços. — Seus mamilos cor de rosa. Deixamme tão duro vê-los apertados só para mim. — e então ele cobre o meu seio com a boca, sugando-o e circulando com a língua antes de mudar para o outro seio, para fazer a mesma coisa.


Corro os dedos pelo seu cabelo sedoso, e ele me deita de novo. Ele começa a trilhar levemente as pontas dos dedos para baixo, sobre a ondulação dos meus seios, e ao longo da pele muito sensível do meu abdômen, enviando um arrepio pelo meu corpo. — E depois há isso. — ele diz suavemente e baixo e engancha os dedos na barra da minha calcinha e desliza-a para fora. — Abra suas pernas para mim. Eu abro, afastando-as e expondo minha boceta nua para ele. Quando ele me olha, libera um gemido gutural. Ele senta-se entre as minhas pernas, e com as mãos sobre os joelhos, com a minha visão, ele diz: — Toque-se. Molho o dedo na minha boca, mantenho meus olhos sobre ele, quando eu abaixo a mão e coloco entre minhas dobras, arrastando minha excitação lisa até meu clitóris e começo a esfregar em círculos lentos. Eu vejo quando os olhos de Declan se derretem e dilatam, luxúria negra. Ele mexe para remover as calças e, em seguida, volta para ficar entre os meus joelhos dobrados antes de se tocar e começar a bombear seu pênis grosso em cima de mim. A visão me deixa ainda mais úmida, o que me surpreende. Eu sempre lutei no passado, mas com Declan é diferente. Meu corpo sempre responde a ele, mesmo quando eu tento lutar contra isso. — Mergulhe o dedo dentro e deixe-me provar. — ele exige, e eu faço, afundando meu dedo dentro do calor da minha boceta e, em seguida, estendo para oferecer para ele. Ele agarra o meu pulso e abaixa a cabeça, chupando meu dedo em sua boca. — Porra, eu preciso de você. Ele se inclina e agarra sua gravata descartada. — Você confia em mim? — ele pergunta quando olha para mim e eu doulhe um aceno de cabeça. Estou acostumada com a necessidade de Declan restringir e controlarme. Houve apenas uma vez que transamos e eu pedi para não fazer isso e ele não fez, mas foi a única vez. — Diga.


— Eu confio em você, Declan. — eu falo e ele envolve a gravata na minha cabeça, cobrindo os meus olhos com uma venda improvisada. — Levante a sua cabeça. — ele sussurra e, em seguida, amarra, deixandome na escuridão. É agora que eu sinto meu coração começar a corrida. Depois de passar a maior parte da minha infância trancada em um armário escuro, eu fiquei claustrofóbica. Eu ouço o movimento, e sinto Declan saindo da cama, só para voltar alguns segundos depois. — Eu vou amarrá-la, tudo bem? — ele diz e eu posso sentir o calor de seu corpo acima de mim enquanto eu estou deitada. Ele pega as minhas mãos e prende-as, e sinto uma corda grossa espinhosa sendo enrolada em torno de meus pulsos. Enquanto ele continua a prender os meus pulsos e me amarrar na cabeceira da cama, ele diz: — Esta é uma corda de fibra natural. É tudo o que tenho, por isso, se você lutar contra a retenção você vai se machucar. Entendeu? — Sim. — eu respondo e quando ele termina eu tento ajustar meus pulsos, só para ter as fibras grossas picando na minha pele. — Eu já volto. — ele diz e, em seguida, a cama desloca, seguida pelo clique do fecho da porta. Ele se foi, e a escuridão começa a me consumir. O único barulho que ouço é a água batendo contra o barco. Meus pulsos começam a esfregar contra a corda frágil quando mudo de posição. Minha respiração acelera, mas logo se torna difícil por causa do meu coração disparado. De repente, eu sinto o quarto desabando sobre mim, me engolindo, conforme o ar fica pesado. Eu planto meus pés na cama; não consigo mais ficar parada. E então eu sinto o cheiro. Aquele cheiro familiar de cigarros de Carl. —Declan? — murmuro, mas tudo que eu ouço agora é a TV abafada, do outro lado da porta do armário. A confusão começa a povoar, e a turbulência na minha cabeça cresce insuportavelmente com o aumento do cheiro de cigarros.


Medo e confusão assumem quando percebo que eu estou nua. Carl nunca me trancou nua antes, e eu começo a empurrar minhas mãos, tentando me libertar. Meu corpo inteiro fica dormente e formigando conforme começo a me debater, desesperada para encontrar luz e escapar. Nada parece real quando minha cabeça flutua, e ouço os ecos dos gritos. A pressão das paredes desabando sobre mim é tão pesada, desmoronando no meu peito. Eu me esforço para respirar, inspirando e expirando, fazendo tudo que posso no meu pânico puro para me soltar. Alguém pega minhas mãos, e a luz infiltra. Abrindo meus olhos, eu percebo a pressão sobre o meu peito, é um homem e os gritos são provenientes de mim. Puxando meus braços violentamente para fugir, eu grito: — Deixe-me ir! — Fique quieta, Nina. Acalme-se. Quem diabos é Nina e quem é esse cara? Onde estou? Onde está o Carl? — Fique longe de mim! — eu lamento através dos meus gritos ardentes. Assim que meus braços estão livres, eu fujo, pulando rapidamente para fora da cama só para encará-lo. — Nina, respire! — o homem grita e me agarra para me parar. Eu luto para sair do seu colo, mas ele mantém um aperto firme em mim, por trás. — Solte! — Respire, baby. Por favor, apenas respire. Ele me abraça enquanto continua a falar, lentamente me trazendo de volta para o meu corpo. A névoa na minha cabeça filtra, e eu começo a lembrar onde estou. Encontro o caminho para fora do túnel que estava e a realidade aparece, e percebo que deve ter sido uma alucinação. As batidas do meu coração me balançam, e quando olho para baixo, estou coberta de sangue, o que provoca outro ataque de pânico. — Oh meu Deus. — minha voz trêmula é quase inaudível.


— Está tudo bem, baby. Você está bem. — Declan acalma. — Há sangue. — Shhh, baby. Está tudo bem. — ele sussurra. — Basta respirar comigo. Eu relaxo em seus braços, voltando a ficar confortável contra o seu peito, e concentrar-me na ascensão e queda do seu peito à medida que tento acompanhar a minha respiração com a dele. Depois de alguns momentos, ele me deita e senta-se sobre mim. Eu fico aqui, envergonhada com o que aconteceu e com o fato de que Declan viu. Ele se aproxima mais para puxar um cobertor, cobrindo meu corpo exposto. Seus olhos estão pesados de preocupação quando ele olha para mim. Ele toma meus pulsos em suas mãos, e é aí que eu noto a fonte de todo o sangue. — Devemos limpá-la. — suas palavras saem suaves. — Há um kit de primeiros socorros no banheiro. — ele me diz, e quando eu aceno, ele se levanta para pegá-lo. Sento-me, inclinando as minhas costas contra a cabeceira da cama, perguntando-me o que diabos aconteceu. Eu costumava ter ataques de pânico quando era adolescente, depois que fugi. Mas isso foi há muito tempo. Eu me sinto entorpecida, como se eu estivesse em transe. Declan certamente irá questionar-me sobre isso, mas eu estou muito desorientada para ao menos estressar sobre isso. Ele volta, sentando na minha frente, e começa a limpar o sangue das minhas mãos e braços com uma toalha quente. — Dói? — ele pergunta, e eu mantenho meu foco em suas mãos enquanto ele limpa as minhas escoriações. Eu dou um aceno de cabeça, não querendo falar agora, enquanto ele continua a limpar e, em seguida, enfaixa os cortes com um pouco de gaze. Uma vez que ele acaba, ele coloca tudo de lado e muda-se para sentar ao meu lado, me aninhando em seu peito.


Ele me detém por alguns minutos antes de perguntar: — O que aconteceu? — Sinto muito. — Porra, eu sou o único que precisa pedir desculpas, não você. Eu nunca deveria ter te deixado sozinha desse jeito. — Aonde você foi? — pergunto. — Fechar a porta da saída da cabine. — ele me diz, e depois recua para olhar para mim, passando a mão pelo meu cabelo, penteando-o para trás. — Diga-me por que você entrou em pânico. Respiro fundo, decido ser apenas honesta com ele, deixando alguns detalhes de lado. — Eu sou claustrofóbica. Eu acho que com a venda nos olhos e sem poder me mover, eu só... eu senti como se estivesse sufocando. — Você me olhou como se você não soubesse quem eu era. Eu fecho os olhos e mergulho de volta em seu peito. — Eu não sei. Eu senti como se estivesse tendo alucinações. Ele beija o topo da minha cabeça, e quando olho para ele, ele planta um beijo na minha testa. A barba por fazer no rosto dele pinica minha pele, e por uma fração de segundo, ele parece o meu pai. Eu fecho meus olhos novamente, sobrecarregados com as emoções que continuam se acumulando em mim, e livremente revelo: — Sua barba me lembra meu pai. Ele me abraça mais apertado quando as palavras começam a sair dos meus lábios, sem pensar muito quando eu digo a ele: — Ele costumava beijar a minha testa sempre, da mesma maneira que você fez. — alguns momentos passam e eu acrescento: — Eu gosto quando você faz isso. — Vocês eram próximos? O aperto da minha garganta machuca ao falar e eu simplesmente ofego um trêmulo: — Sim.


Eu engasgo com as lágrimas que ameaçam, conforme ele descansa a bochecha no topo da minha cabeça. O tempo é ocioso entre nós, e quando eu sinto a fluência da onda de tristeza se afastar, eu finalmente pergunto ao Declan: — Por que você faz isso? — Faço o que? — Amarrar-me. Você sempre fez isso com as mulheres? Ele move a cabeça da minha e eu olho para cima para ver seu rosto. Ele dá um aceno de cabeça e, em seguida, vira os olhos para mim. — Por que? — Controle. — Você vai falar comigo sobre isso? — eu pergunto calmamente, e suas palavras vulneráveis me levam de volta quando ele admite: — Eu nunca falei com ninguém sobre isso antes. — Por que não? — Porque é doloroso. — e eu posso ver isso escrito nas linhas do seu rosto. Passo a mão ao longo do seu maxilar, forçando-o a olhar para mim quando pergunto: — Você acha que você poderia me dizer? Ajude-me a compreendê-lo melhor. O verde em seus olhos é brilhante, mais brilhante do que o normal, um sinal de que as lágrimas não derramadas o ameaçam. — Venha para perto de mim. — ele fala e eu aconchego a minha cabeça no centro do seu peito. Eu escuto seu batimento cardíaco por alguns segundos, antes dele começar a falar: — Meu pai costumava viajar muito quando eu era mais jovem. Ele sempre fez questão de que eu soubesse que era o homem da casa e que era o meu trabalho como homem cuidar de minha mãe. Eu sempre cuidei. Quando eu tinha quinze anos, o meu pai tinha vindo aqui para os Estados Unidos a negócios. Minha mãe estava na sala de leitura, enquanto eu


estava assistindo a um filme no quarto dos meus pais. A porta estava aberta, então eu era capaz de vê-la enrolada na cadeira de couro do meu pai que ele tanto gostava. Ela sempre se queixava sobre o quão parecia hedionda, mas quando ele saía, era onde ela sempre sentava para ler. Ela adorava, mas por alguma razão a queria fora para chatear meu pai com isso. Eu rio sob a minha respiração, e murmuro: — Engraçado. — Ela era. — ele responde. — Ela tinha tanta vida em si e nunca deixava as tensões deprimi-la. — ele faz uma pausa, e eu posso sentir os músculos em seus braços flexíveis ao meu redor, antes de continuar: — Naquela noite, eu dormi na cama deles, quando ouvi um barulho alto que me acordou. Os gritos da minha mãe eram aterrorizantes, e quando eu levantei a cabeça para olhar para fora do quarto, eu vi um homem com uma arma apontada para a cabeça dela. Essa foi a última coisa que eu esperava que ele dissesse, e quando eu olhei para cima, seu maxilar estava cerrado. Declan abaixou a cabeça para olhar para mim, e eu vejo a vergonha em seus olhos quando ele diz: — Eu fui um covarde. Balançando a cabeça, eu pergunto: — Por quê? — Porque quando eu vi a arma, eu me arrastei e me escondi debaixo da cama. — Declan... — Embora eu ainda pudesse vê-los. Minha mãe estava chorando e implorando por sua vida enquanto eu não fiz nada para protegê-la. Eu nem sequer tentei ajudá-la. — ele revela quando lágrimas caem de seus olhos. — Eu só me fiquei lá, como um gatinho, com muito medo de mover, e observei quando o homem puxou o gatilho e disparou contra a cabeça da minha mãe. — Jesus. O rosto de Declan fica tenso, conforme ele tenta manter a dor sob controle, mas o brilho de uma lágrima encontra o seu caminho pelo seu


rosto. Eu estendo a mão e deslizo o meu polegar ao longo da trilha molhada, enquanto ele me observa, em seguida, do nada, eu sinto o calor da minha própria lágrima que cai. Eu percebo nesse momento que nós compartilhamos uma dor semelhante. Ambos os nossos pais foram assassinados, tirados de nós, e nós nunca tivemos uma escolha nisso. — Eu sinto muito. — meu coração sussurra, porque eu realmente sentia a sua dor. — Era a minha mãe. — sua voz racha. — E eu não fiz nada. — Você era apenas uma criança. Ele balança a cabeça, não quer aceitar isso como uma desculpa, e eu sei o suficiente para perceber que ninguém seria capaz de convencê-lo de outra forma, então eu não tentei. — Meu pai me culpa pela morte dela. Ele sempre me culpou. — Isso é ridículo. — Será mesmo? — Sim. — eu declaro com firmeza. — E se você tivesse tentado protegê-la e você fosse aquele a levar um tiro? Sua mãe teria sofrido, ficado de luto pela perda do seu único filho. É um pensamento mórbido, eu sei, mas o que você prefere? A vida de luto ou uma morte rápida? Ele embala o meu rosto em suas mãos, e eu vejo sua garganta flexionar quando ele engole com força, antes de finalmente falar, sua voz apenas segurando notas de seriedade: — Eu preciso de controle. Eu preciso saber que eu mantenho o poder, de modo que nada aconteça sem a minha opinião. E com você, eu nunca senti que precisasse mais daquele controle. Eu deslizo minhas mãos e elas permanecem no seu rosto. — Coisas vão acontecer, Declan. Essa é a parte de merda da vida, que nós não podemos opinar em nada. — a realidade dessas palavras aperta no meu coração, sabendo muito bem toda a horrível verdade. — O mundo nunca vai nos perguntar o que


queremos. Ele não se importa com o que queremos. Coisas ruins vão acontecer, mas nunca vão parar este mundo de girar. E o que aconteceu com sua mãe... não teve nada a ver com você. — Eu posso racionalizar isso, mas parece como uma mentira. — ele me diz. — E o seu pai? — Ele me lembra a cada chance que tem que nunca serei suficiente. Que falhei em ser um homem. Então eu passei a minha vida inteira ralando para provar que ele estava errado. Mas você está certa. — Sobre o que? — O que você disse no hotel naquela noite. Que eu odeio o nome que me deram. Você está certa. O fato de que eu caí nos negócios do meu pai e não criei o meu próprio sucesso, é só mais um pedaço de fogo para ele usar contra mim. — Mas o Lotus é todo seu. Seu pai não tem uma mão nisso. — eu o lembro. — Ele não precisa colocar a mão para ter direito. Ele compartilha o nome McKinnon. — Eu preciso te dizer uma coisa. — eu digo, querendo colocá-lo a par de informações que eu descobri sobre o pai dele. — Seu pai está, possivelmente, querendo investir na empresa do meu marido. Bennett vai à Nova Iorque para se encontrar com ele e eu vou também. — Quando? — Mais tarde, na próxima semana. Eu posso dizer que ele está chateado com a ideia de misturar negócios com Bennett, e de forma compreensível. Ele me puxa para seus braços, coloca a minha cabeça debaixo do queixo enquanto, senta para trás e solta um suspiro pesado. — Eu quero você longe daquele homem. — ele rosna.


— Eu sei, mas também sei do que ele é capaz. Seus braços estão tensos em torno de mim quando aninho minha cabeça contra seu peito duro. — É uma merda que me mata, sentar em casa e me perguntar se ele está colocando as mãos em você. Você tem alguma ideia do que isso faz comigo? Eu me sinto como um bastardo sem valor por enviá-la de volta para ele. — Não. Você não é. Ele pega a minha mão e puxa até seus lábios e beija a bandagem em volta do meu pulso, antes de olhar para mim, dizendo: — Eu sou um bastardo por isso. — Eu deveria ter dito a você quando você me vendou que eu estava entrando em pânico. — Eu preciso que você seja sempre honesta comigo, especialmente durante o sexo. Preocupa-me que eu possa prejudicá-la. Quando eu aceno com a cabeça, ele se inclina e me dá um beijo carinhoso, sugando suavemente meu lábio inferior antes de se afastar. Ele mantém a cabeça perto e o nariz contra o meu, e com os olhos ainda fechados, ele ofega um ruído baixo: — Eu te amo. A vibração do meu coração me excita, saber que ele está se sentindo assim, mas também dói, porque ele se tornou alguém que eu gosto. Eu odeio estar a ponto de destruir essa pessoa para o meu próprio benefício, mas precisa ser feito. Eu quase me sinto culpada, sabendo que ele tem esses sentimentos por mim e eu não compartilho, mas isso faz parte do jogo. Isso é parte da vingança. Eu nunca me senti mal por Bennett, mas Declan é um bom rapaz. É uma pena que eu tenha que fazer isso com ele, mas eu farei. Abro os olhos e olho para os dele, correndo os dedos por trás do seu pescoço e até seus cabelos, dando o sentimento em troca, só que o meu está atado em veneno cristalizado quando digo: — Eu também te amo.


Capítulo Vinte e Oito Presente

A

abrasividade nos

meus pulsos curou rapidamente. Felizmente Bennett foi para Miami na manhã seguinte ao meu surto, então consegui esconder meus pulsos dele aquela noite simplesmente vestindo uma das suas camisas de mangas compridas e dizendolhe que eu estava me sentindo doente. Nós sempre transamos antes dele sair da cidade, mas porque ele pensou que eu não estava me sentindo bem, eu pude manter as feridas escondidas dele, uma vez que apenas ficamos abraçados na cama. Ele se foi, e passei alguns dias com Declan. Ele continua a ficar mais próximo de mim, abrindo mais e me contando sobre como foi crescer depois que sua mãe morreu. Seu pai o tratava como um pedaço de merda, sempre o depreciando, dando-lhe um sentimento de inutilidade que ele agora compensa com as suas agressões. Eu encontrei Cal em várias ocasiões e sempre o achei desprezível. Mas com tudo que Declan me disse, faz meu estômago vez virar, sabendo que eu tenho que ficar em boas graças, enquanto em sua companhia esta noite. Chegamos em Nova Iorque há dois dias, e mesmo que Bennett tenha tido algumas reuniões com ele, eu não estive presente. Hoje à noite, Cal convidou-nos para jantar na sua casa. Assim, enquanto Bennett estava em reuniões hoje, passei o meu tempo comprando um vestido novo para vestir essa noite. Nada extravagante, apenas um vestido feminino, marinho, com uma sobreposição de renda que eu combinei com escarpin nude. Bennett usa o habitual, vestido com um terno e gravata, e quando a porta


se abre, uma mulher, que não pode ser muito mais velha do que eu, cumprimenta-nos. — Bem-vindos. — ela diz calorosamente, elegante em suas calças marfim e top roxo, de seda, a cor me fazendo estremecer. Seu cabelo negro está puxado para trás, em um coque na nuca. — Vocês devem ser Bennett e Nina. Obrigada por se juntar a nós para o jantar. Cal fala muito bem de vocês. A propósito, sou Camilla. Bennett sacode a mão e cumprimenta com um beijo na bochecha antes dela estender a mão para mim, que aceito com um educado cumprimento e trocamos gentilezas. — Essa casa é linda, Camilla. — eu falo quando entramos no saguão. — Obrigada. Acabamos de fazer uma remodelação. Nos últimos meses temos vivido em um canteiro de obras. — ela diz em desagrado brincalhão. Eu rio da sua exasperação simulada, e ela se vira para mim com um sorriso e acrescenta: — Você não tem ideia de quantas bundas sujas e rachadas eu tive que ver durante o processo. Nós duas rimos das suas palavras grosseiras conforme ela nos leva através da casa impressionante. — Cal, os Vanderwals estão aqui. — ela anuncia ao entrarmos em um escritório grande, que parece funcionar como uma biblioteca também, mas eu tropeço imediatamente quando vejo Declan em pé ao lado do seu pai, na frente da grande lareira à lenha. — Bennett. — Cal fala enquanto caminha até nós, mas meus olhos permanecem bloqueados em Declan. Que diabos ele está fazendo aqui? Meu pescoço aquece com ansiedade, quase que instantaneamente, enquanto fico de braços dados com o meu marido. Os olhos de Declan ficam escuros quando ele olha para mim com Bennett, e eu dou-lhe o melhor


olhar: “Que diabos você está fazendo aqui?”, que consigo expressar, sem chamar a atenção para mim mesma. — Nina. — Cal cumprimenta, tirando-me do meu intercâmbio não verbal com seu filho, e quando eu volto minha atenção para o homem de cabelos prateados, eu sorrio. — Senhor McKinnon, é tão bom vê-lo novamente. Faz muito tempo. — Chega de formalidade. Chame-me de Cal e faça um favor a um velho. — ele fala, abrindo os braços para mim para um abraço. Quando dou- lhe um abraço, olho por cima do ombro, para Declan, que está tomando um longo gole do seu copo de conhaque. Quando Cal recua com um sorriso satisfeito, ele olha para Bennett, dizendo: — Você é um homem de sorte. — Eu não poderia concordar mais com você. — observa Bennett. —Ela é impressionante. Meus olhos se voltam para Declan enquanto meu marido fala suas palavras amorosas. Seu rosto está duro quando ele começa a andar, e em um tom poderoso, ele fala com Bennett, com os olhos permanecendo em mim. — Totalmente impressionante. No entanto, de alguma forma, ela se casou com você. Estreito meus olhos para ele antes que ele olhe para Bennett. Seu ciúme, se ele não esconder, poderia inflamar perigo nessa situação delicada, mas Bennett leva isso como brincadeira viril e responde: — De fato. Talvez tenha sido um momento de fraqueza, quando ela disse sim à minha proposta, e é por isso que nos casamos em poucos meses. Eu não podia arriscar perdê-la quando ela finalmente caísse em si. Por mais estranho que seja, eu tenho que manter a pose como sua esposa, assim viro para ele, rindo com falsa diversão, dando-lhe um sabor do atrevimento ele que gosta tanto. — Por favor, eu já tinha idealizado você como um homem indefeso que precisava da influência de uma mulher antes que falarmos nosso 'Aceito'.


— E ainda assim você se casou comigo. — ele ri. — Mulher inteligente. — Cal brinca. —E por que? — eu pergunto maliciosamente. — Bem. — ele começa e dá um passo em direção ao Bennett, batendo a mão sobre o ombro do meu marido. — A maioria dos homens só se esforça para ser a metade do que foi feito, e ainda assim não consegue. Eu só posso admirar um homem que trabalha duro por tudo que ele tem. Sem aceitar esmolas. Observo a declaração agressiva passiva e implícita. Isso é ele implicando que Declan está nessa última categoria. A observação dele me irrita, e a necessidade de falar, defender o cara que eu sinto que está se tornando um amigo, aponta, então rebato às pressas: — Se ninguém aceitasse essas esmolas, Cal, então tudo seria simplesmente deixado para morrer. É isso que você quer ver? A morte de tudo que você trabalhou tão duro? Ou melhor, você deveria orgulhar-se da pessoa que dá importância suficiente para entrar em cena e garantir que seu sonho continue a prosperar. Parece que você tem prioridades um pouco desviadas e devia começar a respeitar aqueles que não seguem a sua atitude machista do: faça-por-si mesmo. A expressão no rosto de Cal é de choque inestimável por eu ter falado tão francamente com ele. Nós dois só olhamos um para o outro quando Bennett finalmente fala: — Querida... —Não. — eu estalo, interrompendo-o. — Não defenda o modo de pensar dele. É imaturo. — Você vai ter que desculpá-la. Ela está mal-humorada. — ele observa, tentando aliviar a tensão que acabei de criar. Quando olho para Declan, o ar de repente parece demasiado espesso para respirar. — Eu posso apreciar o fogo. — Cal responde, me dando uma piscadela, o que me irrita.


— Camilla. — eu digo, voltando minha atenção para ela, que está estoicamente ao lado de Cal, mantendo o lábio cerrado o tempo todo. — Você poderia me mostrar o toalete? Depois que ela me dá instruções para o banheiro, eu peço licença para o grupo, para um descanso muito necessário. Fecho a porta atrás de mim, inclinome contra ela e abaixo minha cabeça. Eu não tenho certeza do que estava pensando, fazendo papel de tola lá atrás, para um cara que não é nada, além de um golpe para mim. — Ele é mais do que um golpe. — a voz dentro da minha cabeça me diz. Mas o fato é que, não importa o quanto eu me identifique com Declan, ele é, ao final do dia, um engodo, no qual estou trabalhando. O fato de que posso me relacionar com ele em certos níveis não é o ideal, mas não muda a linha de fundo também. Eu preciso controlar a minha merda, ser a esposa amorosa agora, e lidar com Declan mais tarde. De preferência, em Chicago. O giro da maçaneta da porta contra as minhas costas, me sobressalta assusta-me e afasta. — O que diabos você está fazendo? — eu fervo sob a minha respiração quando Declan entra, fechando e trancando a porta atrás de si. — Por que você está aqui? Ele ignora completamente o meu questionamento e começa a perguntar por conta própria: — Por que você olha para ele daquele jeito? — Como é? Mantemos as nossas vozes em um sussurro mínimo, apesar de estarmos um tanto hostis e acentuados. — A maneira como você olha para ele, Nina. Não finja comigo porra. — Declan, deixe-me deixar isso claro. Ele é. Meu. Marido. Ele dá um passo para frente, me enjaulando contra a parede, com as mãos, os olhos ameaçadores, e sibila através do seu sotaque escocês que está


ficando mais pesado quanto mais irado ele fica: — Não me venha com merda agora. Diga-me, como você consegue olhar para ele daquele jeito? Aquele filho da puta de merda bate em você. — Porque se eu tratá-lo como uma merda, qual diabos você acha que vai ser o meu castigo? — e no meu momento de raiva, eu cuspo minhas próximas palavras: — Eu vou te dar uma dica, a mesma coisa que você faz quando você me pune. E o olhar terrível de remorso que seu rosto assume faz-me lamentar instantaneamente por dizer isso. Por implicar que Declan fosse um homem de natureza tão vil. — Sinto muito. — eu rapidamente me retrato, suavizando o meu tom. — Eu não quis dizer... Ele cobre a minha boca com a mão, parando as minhas palavras, e eu me sinto uma merda pelo que acabei de insinuar. Ele nunca me tocou com ódio. Eu sei que Declan, honestamente, cuida de mim, e eu me preocupo com ele. Então, quando a culpa enche os olhos dele, eu pego seu pulso e puxo a mão dele, sussurrando: — Isso foi injusto. Você não é nada parecido com ele. Eu sei disso. Eu só fiquei envolvida e com raiva. — Você está certa. — Não, Declan. Estou errada. Você me puniu por amor. Não é o mesmo. Desculpe-me por ter insinuado que era. — digo a ele. — Você não me machuca como ele. Com ele, não é nada, exceto medo, mas com você... quando eu estou com você, é o único momento que realmente me sinto segura. — Minha mente está fodendo comigo aqui. Especialmente quando vejo a forma como você olha para ele. Quando eu vejo o jeito que ele te toca. Você tem alguma ideia do que essa merda faz comigo quando tudo que eu quero é você? Tomando seu rosto em minhas mãos, eu afirmo com fervor: — Eu te amo, Declan. Você. Ele não. Ele não é uma escolha para mim, você é. — Diga isso de novo.


— Eu te amo. — eu minto. — Só você. — Isso não pode durar para sempre, sabe? Eu, de lado, enquanto me sento em casa sabendo que você está transando com aquele pedaço de merda. — Eu sei. Mas agora... Declan, ele está na outra sala. Temos que voltar. Podemos falar sobre isso em Chicago. Ele viaja para Dubai em dois dias. Seus lábios colidem com os meus, absorvendo-me em um instante, enchendo minha boca com a sua língua. Ele é urgente e necessitado, com as mãos sobre meus seios, apalpando-os com firmeza. Eu aperto seus ombros quando ele pressiona seus quadris em mim. — Você sente isso? O que você faz comigo? — Sim. — eu suspiro, conforme ele mói sua ereção contra mim. — Levante. — ele exige, e eu rapidamente pego a bainha do meu vestido, puxando-a para cima enquanto ele rapidamente desabotoa suas calças. Com as mãos firmes sobre a minha bunda, ele me ergue contra a parede, estende a mão entre nós, e puxa minha calcinha para o lado antes de empurrar seu pau urgentemente dentro de mim. —Tão, molhada, baby. Sempre pronta para mim. — ele resmunga, e a verdade das suas palavras doem quando pergunto-me por que meu corpo me trai quando se trata dele. Sua aura esmagadora faz a minha mente perder o foco enquanto ele bate em mim, uma exibição bem brutal do seu amor. Com meus braços firmemente ao redor dos seus ombros, eu me penduro, enterrando a cabeça na curva do pescoço dele, enquanto ele me fode sem piedade contra a parede. A pequena sala é preenchida com a respiração difícil e o cheiro familiar do nosso sexo. Esta é a exibição oculta de Declan, da sua necessidade primária de me marcar antes de enviar-me de volta para o meu marido. Ele é possessivo e não dá nenhuma desculpa por isso. — Coloque seus dedos na minha boca e, em seguida, toque em si mesma. — ele instrui e eu empurro dois dos meus dedos nos seus lábios para que ele


possa molhá-los para mim antes de eu escorregar minha mão entre nós e começar a esfregar o meu clitóris, já molhado. — Ohh, Deus. — eu exalo. — É isso aí. Lambuze todo o meu pau. — Declan... — Faça. — ele ordena enquanto bate avidamente dentro de mim, tão certo, que eu caio em uma realidade suspensa. Minha boceta pulsa em ondas de prazer ao redor do pênis dele conforme solto a minha respiração em alívio. — Porra, sim. — ele rosna quando atira seu esperma quente dentro de mim, reivindicando-me como sua. Ele deixa cair a cabeça no meu peito quando começa a diminuir, mas ainda dá pequenas estocadas dentro de mim. Eu deixo minha cabeça cair para trás contra a parede, e quando ele olha para mim, o seu pedido é claro, quando diz: — Dê-me. — e eu deslizo meus dedos de volta na sua boca para que ele possa provar a minha excitação. Quando ele me abaixa de novo, segurando-me enquanto equilibro em meus pés, seu esperma desliza lentamente para fora de mim, molhando minha calcinha conforme coloco-as no lugar. Nós não falamos e nos apressamos para nos recompor. Eu me verifico no espelho, passo os dedos debaixo dos meus olhos, e então, pelo meu cabelo em uma tentativa de alisá-lo. Quando Declan coloca suas calças de volta, ele envolve seus braços em mim, por trás, e me beija com ternura sob a minha orelha, movendo os lábios ao longo da pele delicada, me dizendo: — Eu te amo. Pra caralho. Meu coração está acelerado, e não apenas do sexo abrupto, mas também com o medo de saber que Bennett está na outra sala. Viro em seus braços, um pouco sem fôlego, e acalmo-o o melhor que posso antes de sair daqui e voltar para o meu marido.


— Eu também te amo. Se dependesse de mim, eu esconderia com você aqui para sempre. Ele aperta seus lábios no meu pescoço, e então abre a porta. — Vá em frente. Dê-me alguns minutos. Passo a mão ao longo do seu queixo, sentido seu bigode e dou-lhe um leve sorriso antes de sair. — Aí está você. Eu estava prestes a te procurar. — diz Bennett quando eu ando de volta para onde eu o tinha deixado. Vou até onde ele está sentado no sofá, e sento ao lado dele. — Sinto muito, só precisava de um momento. — Tudo certo? — Sim. — eu digo, e, em seguida, volto-me para Cal, que está sentado com Camilla no sofá ao lado. — Peço desculpas pela minha explosão rude. Eu não sei o que deu em mim. — Não precisa se desculpar. Você tem uma atitude picante, nada de errado com isso. — ele fala e, em seguida, acena para Camilla, acrescentando: — Você devia ouvir essa aqui quando alguém a apressa. — Idiota! — ela grita, batendo no joelho dele e ele começa a rir. Bennett e eu juntamos à diversão da troca entre ele, quando Declan entra. Ele olha rapidamente para mim, de cara feia, quando vê o braço de Bennett ao meu redor, e eu aninhada ao lado dele. — Aí está você, filho. Onde diabos você estava? — Cal pergunta aborrecido. — Tive que atender uma ligação. — ele responde. — Eu odeio fazer isso, mas eu vou ter que terminar a noite aqui. Pai, foi bom vê-lo. — ele diz, enquanto caminha para dizer adeus para Cal e Camilla, antes de virar em minha direção. Bennett levanta para apertar a mão de Declan, totalmente sem saber que ele estava dentro de mim. Levanto, nervosa, ao lado de Bennett, e quando


os dois estão terminando seu adeus rápido e sem graça, Declan pega a minha mão na sua, levando-a até seus lábios para um beijo casto. — Nina, sempre um prazer. — Da mesma forma. — eu respondo, tão casualmente quanto posso, e ele solta minha mão e eu assisto-o se virar para sair. O resto da noite passa facilmente, mas eu não consigo evitar, exceto me perguntar sobre Declan. Eu não deveria estar perdendo meu tempo preocupando sobre como ele está se sentindo, mas eu não posso me livrar disso. Depois de sair e voltar para o hotel, eu puxo o meu telefone e abro o aplicativo de mensagem instalado no meu telefone, enquanto Bennett está chuveiro.

Onde você está?

Sua resposta vem rápida.

Fora.

Sua mensagem sucinta me agita, mas ao mesmo tempo me dói saber que eu o chateei.

Eu sinto muito sobre essa noite. O erro foi meu por estar lá.


Eu encaro a tela, não sei o que devo digitar em seguida, mas logo vibra com outra mensagem dele.

Você está bem? Não. Eu sinto sua falta. Eu também sinto sua falta, querida.

Quando ouço a água do chuveiro desligar, eu digito rapidamente minha próxima mensagem.

Eu tenho que ir. Mas eu amo você. Eu preciso que você saiba disso. Eu sei. Eu também te amo.

Eu desligo meu telefone depois que leio seu último texto e coloco-o de volta na minha bolsa. Quando Bennett vem para a cama, suas mãos estão todas em cima de mim. E mesmo que eu tenha acabado de estar com Declan, eu não nego para o Bennett. Assim, enquanto transamos, eu me entorpeço com ele. Eu enceno os movimentos como sempre, mas por dentro, eu viro cada parte minha. O único pensamento que permito flutuar pela minha cabeça é aquele que me traz uma sensação escura de satisfação, saber que este homem que eu odeio tanto está com seu pau coberto em porra de outro homem, enquanto ele me fode.


Capítulo Vinte e Nove Presente

—N

ão no meu rosto

desta vez. — Por quê? — Porque Bennett volta em uma semana. Eu não posso ter nenhuma contusão visível no meu rosto. — digo a Pike. — Ok, sim. Suas costas, então? Com um aceno de cabeça, eu concordo nervosamente. — Você está com medo? — pergunta ele. — Um pouco. Meu rosto doeu por alguns dias depois do que fizemos. Mas eu estou bem. — eu digo a ele. — Apenas faça. — eu me afasto de Pike e tensa, espero o golpe, mas recebo primeiro o seu toque carinhoso, enquanto ele passa as mãos suavemente para cima e para baixo nos braços. Mas a espera está apenas fazendo a minha ansiedade aumentar. — Por favor, Pike. Agora. Os nós dos seus dedos em punho martelam ao longo da minha omoplata em uma punção de dor violenta, que atira para baixo, por todo o comprimento do meu braço. A força do golpe me atira para frente, e eu caio de joelhos, segurando-me com as minhas mãos conforme encolho com a dor.


Pike instrui rapidamente. — Fique de lado. — eu deito imediatamente e ele ataca de novo. — Ooow! — eu grito quando ele chuta com a bota, no mesmo ombro, seguido por outro golpe insuportável e depois outro. — PIKE! — eu grito em agonia absoluta, arqueio as minhas costas e rolo no chão, ofegando através dos meus gritos sem fôlego. Pike cai ao meu lado e tira o cabelo do meu rosto à medida que me contorço com a dor latejante. Ele me pega em seu colo e me mantém firmemente contra ele e sussurra em meu ouvido: — Basta respirar. Acalme-se e apenas respire. — mais e mais enquanto embala-me com calma. — Dói para respirar. — eu falo com esforço. Dói falar também, como se alguém estivesse pisando em meus pulmões. — Fale comigo. — Há muita pressão no meu peito e nas costas. Ele me pega do chão e me carrega em seus braços para a sua cama, onde ele me coloca de costas. — Tome fôlegos profundos devagar, está bem? — ele diz, e eu tento equilibrar minha respiração trêmula, inalando e expirando suavemente. — É isso aí. Apenas tente relaxar. Eu fico deitada aqui por um bom tempo até que a dor começa a atenuar para uma dor contínua, aquecida. Depois que eu tomo algum Tylenol, viro de lado, tirando o meu ombro da cama para aliviar um pouco da pressão. Pike me acaricia por atrás e levanta meu top para descobrir meu ombro. — Porra. — ele murmura. — Como está? — Isso parece muito ruim. — Esse é o ponto, certo? — eu gemo.


— Sim. — diz ele. — Já parece desagradável. Ele dá alguns beijos, delicadamente pelas minhas costas, onde dói e, em seguida, sobe a mão ao meu lado e pelo meu estômago. Eu empurro a mão dele quando ele passa-a por cima do meu peito. — Hoje não. — digo a ele. — O que está acontecendo? — ele questiona. Eu nunca recusei sexo com Pike. Sempre foi algo que eu precisei. Ele é meu analgésico, que tira a sujeira de mim, mas por alguma razão, eu não sinto como se precisasse dele neste momento. — Eu não sei. — eu digo-lhe sinceramente. — Eu só... estou bem. Eu não sei por que me sinto desse jeito, mas sinto. — Venha aqui. — ele fala, enquanto gentilmente me ajuda a virar para encará-lo. — O que está acontecendo? Eu vejo a confusão nele, mas sinto isso também. Eu sempre fui transparente com Pike, então eu dou de ombros e tento explicar: — Eu não sei. Tudo tem sido tão louco recentemente. Talvez eu esteja apenas distraída, mas eu sinto que estou bem sem sexo com você agora. — Tem certeza? Porque eu me preocupo com você. Isso preocupa-me sobre você. — Eu estou bem. — eu tento assegurar-lhe. — Você sempre precisou de mim. — Eu ainda preciso de você, Pike. Eu sempre vou precisar de você. — eu digo e, em seguida, dou-lhe um beijo. Nós dois permanecemos juntos por um momento antes dele afastar para trás e perguntar: — Então, quanto mais tempo você acha que vai durar? — Ele está muito firme em me ter para si mesmo. — eu explico. — Ele despreza Bennett, então eu acho que não vai esticar muito tempo. Porém, é


difícil dizer, mas ele é muito intenso. Acho que se ele apenas for incitado no momento certo, ele quebra. — Então, você acha que ele mata o Bennett? Engolindo em seco, penso sobre o que sei sobre Declan e respondo honestamente: — Sim. — mas o pensamento faz meu estomago torcer, por saber que eu estou a ponto de arruinar a vida deste homem, incentivando-o a se tornar um assassino. Pike e eu sempre concordamos desde o início que faríamos a culpa recair em outra pessoa. É a única maneira de garantir que permaneceríamos seguros e prosseguiríamos para a nossa nova vida de riqueza e satisfação. Com Bennett sozinho, isso era tão fácil, mas agora com o envolvimento de Declan ficou um pouco difícil para eu manter o meu foco.

Faz meia hora que Declan foi até o deck, na cobertura. Quando cheguei aqui e ele me ajudou a tirar o casaco, eu recuei por causa da dor. Ele pediu para ver minhas costas e quando mostrei as contusões pretas e roxas para ele, que cobrem a maior parte superior das minhas costas, ele perdeu o controle. Eu nunca o vi tão furioso antes. Então, pediu licença e disse que precisava de um pouco de espaço para se acalmar. Ele pegou o casaco e subiu para o deck privativo e está lá desde então, deixando-me aqui no sofá esperando por ele. Mas as temperaturas estão negativas, e eu estou preocupada. Eu vou em frente e coloco meu casaco sobre os ombros, antes de subir as escadas para a porta que leva para fora. Eu o vejo através da janela, sentado em uma das cadeiras de vime. Ele está com o rosto escondido entre as mãos, inclinado, com os cotovelos apoiados nos joelhos enquanto a neve cai sobre ele. Eu me sinto como merda. O que diabos está errado comigo?


Controle a sua merda; você tem um trabalho a fazer. Minha consciência culpada não diminui. Eu me importo com Declan, e não quero magoá-lo, mas preciso. Eu tenho que fazê-lo sentir isso para levá-lo a matar Bennett. Eu simplesmente não estava preparada para me sentir dessa maneira. Quando noto suas mãos tremendo, eu abro a porta e caminho até ele. Ele não se move quando me ajoelho na frente dele, apoiando as mãos sobre os joelhos. — Declan. — minha voz é suave quando falo com ele. — Está muito frio aqui fora. Você vai ficar doente. Ele levanta a cabeça e move suas mãos para o meu rosto. — Eu já estou doente. Ver o que ele fez com você foi tudo que precisou. — Não deixe que ele estrague o nosso tempo juntos. — eu digo a ele e, em seguida, levanto, pegando suas mãos nas minhas. — Venha para dentro comigo. Nós voltamos e descemos as escadas para o quarto. Declan não fala quando entra no seu closet para retirar suas roupas frias, úmidas e voltar para mim, usando nada, além de pijama longo. Ele deita-se na cama, deslizando sob as cobertas. — Tire a roupa e venha para mim. — diz ele. Fico de pé na frente dele e ele observa-me despir. A expressão em seu rosto é difícil de ler quando largo minhas roupas no chão. Quando tiro minha calcinha, puxo os lençóis para trás e rastejo ao lado dele. Abraçamo-nos, seu corpo congelado contra a minha pele quente. — Você é tão gostosa. — ele murmura no meu cabelo enquanto suas mãos hábeis vagam sobre o meu corpo nu. A necessidade de confortá-lo é forte, então, envolvo-me nele para aquecêlo. Quando ele me coloca em cima dele, coloco meu peito contra o dele, pele contra pele, e ele fica instantaneamente duro. Sem pensar, nossos corpos começam a mover lentamente, juntos, e eu levanto a cabeça para beijá-lo. Eu


quero tomar sua dor. A dor que eu infligi. Seus lábios macios pairam contra os meus com leves beijos – beijos sensuais – aproveitando nosso tempo simplesmente para sentir um ao outro. Ele levanta minha cabeça com as mãos, e eu olho para dentro dos seus olhos verdes honestos. Ele não diz nada - nem sequer precisa - posso ouvi-lo claramente na solidão do silêncio entre nós. Ele realmente me ama. Eu aceno com a cabeça, deixando-o saber que conheço seus pensamentos, que estou aqui com ele. A maneira como ele está me tocando agora e com o silêncio do quarto, seria tão fácil para eu escapar, mas não quero. Eu quero estar aqui. Presente no momento - com ele. Deixo-me derivar para um lugar que eu nunca estive. Perdida em Declan quando ele senta e belisca suavemente o meu mamilo, endurecendo-o, antes de passar para o outro para mostrar a mesma atenção amorosa. Ele me saboreia, e eu gosto disso. — Você é tão bonita. — ele sussurra sobre os meus seios. Agarro seu cabelo em punhos, seguro-o perto de mim enquanto ele levanta os quadris e abaixa as calças, e eu não quero nem esperar. Eu me levanto de joelhos e ele fica embaixo de mim e desço sobre o calor do seu pau, duro como rocha. Nossos gemidos se misturam enquanto ele me enche completamente, com os braços em volta da minha cintura, me abraçando, seu rosto no meu peito. Nenhum de nós se move por um tempo conforme nos abraçamos, e quando ele finalmente afrouxa seus braços, ele deita de novo e olha para mim: — Eu quero assistir você me foder. Declan abre mão do controle e entrega-o para mim. Assim, com as suas palavras, eu lentamente levanto ao longo do seu pênis, e quando sinto a ponta escorregar para fora, demoro um pouco e desço de novo sobre ele, sugando-o para dentro do meu calor. É como se o meu corpo, naturalmente, ansiasse por ele, precisasse dele. Eu coloco minhas mãos em seu peito e continuo a trabalhar em seu comprimento, enquanto ele me observa. Ele passa as mãos até minhas


coxas e sobre o meu estômago, para meus seios, apalpando-me gentilmente, acariciando. Eu movo minhas mãos para seus pulsos e seguro-os enquanto meus olhos se fecham. Eu nunca senti isso com qualquer outro homem. Mas não é só agora, neste momento, é cada vez que estou com ele. Ele sempre tem um jeito de me manter conectada a ele, nunca permitindo que a minha mente derive, nunca permitindo que o meu corpo fique dormente. Eu costumava lutar contra isso quando estava com ele. Mas agora? Agora, nem sequer tento. Declan começa a mover os quadris embaixo de mim, nossos corpos com tanta sincronia. Há uma pressão no meu peito, uma dor estranha dentro de mim, e ele começa a inchar. Minhas emoções fervilham em confusão. Perguntas enchem minha cabeça; cada uma delas atingindo as minhas partes mais suaves, partes que só agora estou percebendo que existem dentro de mim. Por isso não parece sujo? Por que não estou tentando escapar? Por que eu deixo-o ver a minha fraqueza? Por que me machuco? Por que, de repente, estou duvidando de tudo que pensei que soubesse? Por que não consigo respirar? E quando abro meus olhos, eu sinto tudo o que nunca pensei que fosse digna. Eu o amo. Meu coração bate forte e eu sinto como se estivesse sufocando. Eu realmente o amo. Eu vejo, uma estrela cadente acima, explodindo em um milhão de pedaços de diamantes esvoaçantes. Manchas brilhantes escorrem em cima de


mim, e quando olho para baixo, vejo-as desembarcar no peito dourado de Declan. Os respingos de cristais, cada um segurando seu próprio prisma brilhante, que reluzem contra a sua pele, e então ele estende a sua mão até meu rosto. Ainda segurando em seus pulsos, ele enxuga meu rosto úmido. — Baby. — ele sussurra, mas eu não falo. A dor no meu peito é muito forte. Nós não paramos de mover e minhas lágrimas continuam a cair em seu peito. E quando se torna muito, a constatação de que estou me apaixonando pela pessoa que eu deveria ter mantido desconectada, eu sufoco um soluço doloroso. Declan rapidamente me puxa junto dele e eu quebro, choro em seu pescoço, à medida que ele me abraça. Eu nunca me senti bem - expondo essa vulnerabilidade que sempre escondi dentro de mim - mas até Declan, nunca me senti segura o suficiente para expô-la. Eu sempre estive segura com ele. Como pude ter sido tão cega para não ver o que está acontecendo entre nós? Ele ainda está dentro de mim, mas nós não estamos nos movendo mais, enquanto ele me acaricia. Suas mãos percorrem suavemente todo o comprimento das minhas costas, seus dedos penteando meu cabelo, enquanto me encontro completamente sobrecarregada com emoções que nunca senti antes. Uma ligação profunda com alguém que eu deveria ter mantido a uma distância, mas de alguma forma, ele encontrou seu caminho dentro de mim. — Converse comigo. — ele fala, e eu levanto um pouco a cabeça para olhar para ele quando digo as palavras que falei tantas vezes, mas dessa vez, eu quero dizer de verdade. — Eu amo você, Declan. — Eu sei querida. Largo minha testa na dele, corro minha mão ao longo do seu maxilar com barba por fazer, precisando das picadas calmantes contra a minha mão. — Eu falo sério... eu te amo muito.


Minha confissão faz com que o coração dele acelere. Eu posso senti-lo batendo no meu peito. Ele beija-me lenta e profundamente, me prova, antes de recuar para falar. — É isso que eu estava esperando. — O que? Deslizando a mão entre nossos corpos, ele pressiona contra o meu peito, por cima do meu coração batendo rapidamente. — Isso. — Você o possui. É seu. — Eu não tinha sentido de verdade, até agora. — ele diz, e depois move minha mão entre nós e coloca-a sobre o seu coração também. Ele bate na palma da minha mão no momento que ele me diz: — Tudo o que eu quero é você. Eu vou fazer o que for preciso, mas eu preciso que você saiba que está completamente segura comigo. Eu nunca vou te machucar; eu só quero amá-la. Conhecendo a teia de mentiras que eu criei, eu sei que isso nunca irá adiante, terminar com ele do jeito que quero. Eu criei uma situação desesperadora, em um lugar que nunca esperava encontrar esperança. Mas eu encontrei, e ela repousa dentro deste homem, um homem por quem eu permiti que meu coração se apaixonasse. O realismo é demais, conhecer tudo que resultará disso e o que eu nunca tive – a mágoa do lado cruel da vida. E, no entanto, eu não quero lutar mais, porque eu me sinto do mesmo jeito que ele. Ele vira-me cuidadosamente, para ficar deitada de costas e empurra para dentro de mim, sendo gentil para não ferir minhas costas já machucadas. — Diga-me que você sente isso. — ele fala, enquanto olha para mim e eu aceno. Ele afasta, deslizando seu pau grosso para fora de mim antes de empurrar, ainda mais profundamente. — Diga-me que você sente o quanto eu te amo. — Eu sinto. Ele continua a me foder com uma força poderosa, lentamente, a cada penetração, indo cada vez mais fundo. Eu agarro seus braços para apoio, seus


músculos flexionados, enquanto seu corpo fica tenso a cada curso intenso da nossa carne nua, no momento que meu corpo começa a subir com o seu. Quando o calor ondula através de mim, eu começo a tremer debaixo dele. Ele deixa cair a cabeça na minha, seu pênis cresce ainda mais, engrossando dentro de mim, pressionando contra as minhas paredes, quando elas começam a se contrair ao redor do seu eixo, e eu gozo forte. — Ah, porra. — ele rosna, perdendo o controle enquanto bate em mim. Meus gemidos ficam mais altos a cada impulso de pura euforia que dispara por mim. Eu coloco minhas pernas em volta dos quadris dele, apertando minha boceta, ordenhando seu pênis, cada gota do seu esperma enche-me de desejo. Eu nunca me senti tão amada, mas isso me consome no momento que eu entrego tudo o que eu sou para Declan. Eu preciso dele para espalhar o seu perfume selvagem em cima de mim, quando ele me reivindica para fazer o que gosta, porque eu quero ser uma parte dele. Ele fixa seus olhos em mim, e eu sei que ele pode ver a fome em mim quando começa a me foder ainda mais duro, recusando-se a parar, mesmo que tenha acabado de gozar. Suas pupilas pretas estão dilatadas, queimando com necessidade possessiva, quando ele sussurra: — Você é minha. — Sim. Estocada. Estocada. — Eu te possuo. Estocada. — Completamente. — eu respiro em submissão. Estocada. — Minha propriedade. Estocada.


— Sim. — eu choramingo em êxtase quando gozo de novo, levada para longe, para dentro do prazer sensual. Ele é um animal em cima de mim, e quando espalha mais as minhas pernas, pressionando meus joelhos no colchão, ele bate seus quadris para baixo, enterrando seu pênis dentro de mim até a raiz. Com um gemido carnal, sinto um fluxo quente do dilúvio fluindo dentro de mim, espalhando entre nossos corpos conectados. — Declan. — eu liberto-me em uma respiração fraca - chocada quando ele me enche com a sua urina - reivindicando e marcando-me da maneira mais animalesca. Ele libera os meus joelhos e rapidamente desliza os braços sob minhas costas, segurando-me perto, antes rolarmos para os nossos lados. Minha respiração é escalonada conforme olhamos fixamente um para o outro. Talvez eu devesse estar enojada com o que ele acabou de fazer, considerando as coisas que Carl costumava fazer comigo, mas não estou. Estou segura - segura o suficiente para entregar-me para ele por completo e saber que ele vai cuidar de mim - nunca me machucar. Eu o amo, e eu sinto essa necessidade intrínseca de ficar tão intimamente perto dele quanto puder. — Você pertence a mim. — ele diz, eventualmente, enquanto nossos corpos se acalmam, ainda conectados, e banhados em seu cheiro. — Sim. Ele enfia os dedos pelo meu cabelo, perguntando: — Suas costas? Eu machuquei você? Eu balanço a minha cabeça um pouco, respondendo: — Você me acalmou. Tudo o que você quer de mim é exatamente o que eu quero darlhe. Você nem ao menos precisa tomar. Basta ter, porque é seu. — eu dou minhas palavras sinceras e vejo como ele digere-as. Seu rosto suaviza pacificamente, e quando isso acontece, eu pego seus lábios no beijo mais carinhoso que já dei. Sem egoísmo.


Sem expectativas. Sem conotações maliciosas. Dou-lhe a peça mais pura do meu coração que tenho sobrando e entregoa da maneira mais honesta que posso, apesar de todo o mal que me rodeia. Neste momento do tempo que tenho com ele, quero amá-lo e dar-lhe as minhas melhores partes, que posso encontrar. Eu quero sentir isso, a parte da vida que é boa, a parte da vida que eu nunca pensei que fosse sentir. Eu quero dar até a última gota do que estou sentindo agora para Declan porque de alguma forma, de alguma maneira mágica, com ele, a vida vale a pena viver.


Capítulo Trinta Presente

U

ma

fragrância

rica,

intoxicante, enche meus sentidos quando acordo. Rolo na cama de Declan, estou sozinha, exceto por dezenas de flores brancas, puras, de lótus, que estão espalhadas sobre a cama. Conter o meu sorriso seria uma façanha, então eu nem me preocupo. A mistura inebriante de frutas, chuva, e terra exalam através do quarto, enquanto absorvo a beleza da flor delicada - a flor favorita de Declan. Viro a cabeça e vejo um pedaço de papel dobrado em sua mesa de cabeceira. Eu me aproximo e sento, desdobrando o papel para ler sua nota escrita à mão.

Nina, Eu tentei banhá-la em algo que fosse tão puro e belo como você, mas falhei. A Lotus foi o melhor que pude fazer, mas elas nem sequer chegam perto da perfeição que eu vejo cada vez que olho para você. Eu sei que disse que passaríamos o dia juntos, mas tenho que correr para o escritório por pouco tempo. Ligue-me quando você acordar. Já sinto falta da sua voz doce. Ninguém poderia te amar mais. -D


O telefone já está tocando na hora que termino de ler e espero que ele atenda. — Bom dia. — ele diz. — Quando foi que você fez isso? — Segredo, querida. — ele brinca, e posso imaginar o seu sorriso agora, as linhas enrugando nos cantos dos olhos. — Mantenha seus segredos então, enquanto eu continuar a me beneficiar. — eu brinco de volta. — Eu te adoro. — Quando você vai chegar em casa? — pergunto e seu grunhido em resposta me faz rir. — O que é isso? — Porra, fico duro quando você chama meu lugar de casa. — Você é ruim. — eu rio. — Você não tem ideia. — Eu acho que eu tenho. — Não. — ele diz e, em seguida, faz uma pausa antes de continuar: — Eu acho que você não tem ideia do quão profundamente você está infiltrada dentro de mim. Faz quase duas semanas desde que eu finalmente me permiti reconhecer que eu amo Declan. Eu gasto cada momento que posso com ele, e mesmo com Bennett presente, nós nos conectamos em uma maneira que não acho que duas pessoas poderiam algum dia. — Termine o seu trabalho e volte para casa. Eu quero que você me mostre o quão profundamente você pode infiltrar em mim. — Cristo. Você não está ajudando meu pau falando merdas assim. Eu vou andar por aí com uma ereção e bolas azuis pelo resto do dia.


Eu rio, dizendo-lhe: — Bom. Motivação para você se apressar e voltar aqui. — Eu vou te ligar quando sair. Eu quero você nua e de joelhos, esperando por mim. Eu vou deixar você escolher o cinto, porque eu vou ter a minha vez com você. — ele exige, em voz baixa, causando uma dor deliciosa entre as minhas pernas. — Eu quero o que você estiver usando, de modo que cada vez que você olhar para ele hoje, vai pensar em mim nua e de joelhos. — eu digo, flertando com um riso suave. — Garota má. — Eu amo você. — Amo você. — ele fala, antes de desligar. Eu caio para trás, nos lençóis, olhando para as flores e temendo o amanhã, quando Bennett volta e eu tenho que ir para a minha outra casa. Eu amo ficar aqui com Declan. Pela primeira vez, eu me sinto feliz. Verdadeiramente feliz. A verdade é que estou confusa. Realmente confusa. Feliz e confusa. Eu odeio o que tenho feito aqui com Declan - mentindo e manipulando. Eu quero ser honesta com ele sobre quem eu sou. Eu quero que ele me conheça, Elizabeth, não Nina. Mas não há nenhuma maneira de fazer isso. Eu coloquei a bola em movimento, e não tenho certeza de como pará-la. Eu acho que ela não pode ser parada, mas eu quero que ela seja. Eu só quero congelar o tempo, lançar um feitiço e fazer desaparecer o passado, para que eu possa começar de novo com Declan. Dar-lhe o meu verdadeiro eu. Mas eu me fodi. A vida tem me fodido, como sempre ocorreu. E agora eu preciso abandonar


a única coisa com a qual quero ser gananciosa, porque o que mais desejo é apenas mais tempo com ele. Eu pego uma das flores brancas, conhecida por seu nascimento em águas barrentas, só para crescer e florescer em uma difusão impecável de pureza. Desejo por um momento que esta flor pudesse ser parecida comigo. Que talvez eu pudesse ser uma das sortudas que conseguisse realmente um novo começo. Eu nunca me senti tão limpa quanto me sinto com Declan. Nem mesmo Pike pode me limpar do jeito que Declan faz. Mas a realidade é, meu novo começo ainda vai ser preenchido com podridão. Destruindo a vida de dois homens, um inocente e um que merece a destruição, para viver uma vida de retribuição. Só que a retribuição, sempre será maculada pela memória do que isso, sem dúvida, vai fazer para Declan. Eu passo as pétalas suaves ao longo dos meus lábios, fecho os olhos e imagino o meu pai. Minha pureza. Minha salvação. Meu príncipe. Pergunto-me se o meu pai mandou Declan para mim. Se este é o seu presente para mim. O bem depois de todo o mal. Declan costumava me assustar. Ele costumava me lembrar de Carl com sua natureza forte, seus cintos de couro, e sua afinidade para me amarrar. Mas quando comecei a ver além do núcleo de quem ele é, ele me lembra meu pai. Porque agora eu posso olhar para Declan e ver que ele é também a minha pureza, minha salvação, o meu príncipe. Até mesmo os vincos nos cantos dos olhos dele quando sorri, a barba por fazer no seu rosto. Meu pai costumava cantar para mim, e agora eu tenho Declan que cantarola suavemente em meu ouvido quando estou com medo ou triste. As maneiras que ele me acalma é uma reminiscência das coisas que meu pai costumava fazer. Eu tento não pensar em ter que voltar a compartilhar a cama com Bennett. Essa coisa toda com Declan, e saber que eu nunca poderei tê-lo de verdade, é apenas mais um motivo para odiar Bennett ainda mais. Preciso circular e me distrair. Eu reúno todas as flores e levo-as para a cozinha. Agarro uma pilha de jarros brancos do armário, encho-os com água e coloco as flores nelas, flutuando sem rumo e espalho os jarros por todo o loft.


O perfume delas tinha envolvido cada cômodo no momento que tomei um banho e fiquei limpa e vestida para o dia. Eu decidi ir em frente e ligar para Bennett já que é depois das cinco horas lá e ele deve estar voltando para o seu hotel com Baldwin. Nossa ligação é típica, e depois de falarmos por quase uma hora, desligamos. As coisas vão ficar complicadas por um tempo porque Bennett me informa que sua agenda está prestes a liberar com sua viagem, o que significa que ele vai estar em casa em uma base mais frequente. O pensamento de ter que sair da cama de Declan para passar as noites com Bennett é deprimente. Eu não sabia que precisava tanto de conforto como eu preciso, e Declan me dá perfeitamente e de

uma forma que Pike nunca poderia

preencher

completamente. Sem querer insistir no pensamento de ter que sair amanhã, ocupo-me e decido surpreender Declan tentando cozinhar para ele. Eu vou para o escritório e começo a navegar na internet por uma receita fácil à prova de queimadura. O aroma dele está impregnado na sua cadeira de couro, e eu não posso lutar contra a tristeza que encontra o meu coração enquanto eu sento em sua mesa, em seu escritório, cercada por tudo de Declan. Acho um prato de massa que parece ser algo que eu posso gerenciar e rapidamente imprimo-o para que possa sair daqui, porque eu preciso desesperadamente de um pouco de ar fresco. Eu me agasalho e faço o meu caminho para o mercado. Preciso da ajuda de um dos funcionários para encontrar alguns dos ingredientes, eu verifico minha lista, e quando tudo que eu preciso está na minha cesta, eu faço as minhas compras e vou. — Estou surpreendido em ver você neste lado da cidade. — ouço uma voz familiar gritar, e quando fecho o porta-malas, sou recebida pelo sorriso sarcástico de Richard. Meu coração pula, e ser pega de surpresa acende um fogo até meu pescoço. Graças a Deus pelo inverno e lenços escondendo-o. Eu rapidamente me recomponho, entrando no meu ato bem trabalhado, dizendo: — Richard. Eu poderia dizer o mesmo sobre você. O que o traz para


River North, ou, melhor ainda, a um supermercado de todos os lugares? — viro a pergunta para ele. — O escritório do meu advogado é aqui. Tivemos uma reunião eu acabei de sair e precisava pegar uma comida para o bebê. — Você não deveria estar em Dubai com Bennett? — Tive que voltar antes. — ele interrompe, antes de voltar à sua pergunta original: — O que você está fazendo aqui? — Eu estou presa dentro de casa por muitos e muitos dias e precisava de uma mudança, então pensei em passar umas horas vagando por algumas das galerias. — digo-lhe, pensando que era uma mentira boa o suficiente, considerando que River North é conhecida pela sua variedade de galerias de arte moderna. — E ainda assim você está aqui, comprando alimentos. — ele comenta sarcástico. — Finalmente descobriu o que significa ser uma dona de casa? Deus, ele é um mulherengo do caralho. — Como se qualquer dos meus afazeres fosse da sua conta, mas já que você parece tão preocupado com as minhas ocupações em deveres de esposa, sim, eu pensei em tentar a minha mão na cozinha, uma vez que eu estou ficando cansada das refeições congeladas da Clara. — Hmph. — ele observa, olhando-me com desconfiança. Seu olhar duvidoso me irrita, e quando passo, para andar em torno dele e abro a porta do carro, pergunto: — Existe alguma coisa que você gostaria de me questionar? — Jacqueline disse que passou pelo seu prédio um par de vezes desde que Bennett viajou. Disse que você não têm ficado muito por lá. — Diga a Jacqueline que eu tenho uma vida e coisas para fazer, e se ela gostaria de agendar algo, então é melhor ela ligar ou mandar um texto, em vez de fazer visitas surpresas aleatórias, apenas para descobrir que tenho outras


obrigações que me afastam de casa. — eu estalo, tentando cobrir minha falta de presença no meu lado da cidade. Ele balança a cabeça com um olhar de rancor, antes de comentar: — Eu vou ter a certeza de transmitir a sua mensagem amigável. — Faça isso, Richard. Entro no carro e fecho a porta, meu coração bate com ansiedade, perguntando o que diabo Richard está realmente fazendo neste lado da cidade, porque já sei que nós compartilhamos o mesmo advogado, e ele não é localizado em River North. Eu dirijo de volta para o loft de Declan, o tempo todo olhando no meu espelho retrovisor para me certificar que Richard não me seguiu. Quando tenho certeza de que ninguém está olhando, eu viro para a garagem e estaciono em uma das vagas atribuídas ao Declan. Desligo o carro, inclino a cabeça para trás, com raiva de mim mesma por ser tão descuidada. Mas isso rapidamente se transforma em chateação por estar sendo tão vigiada. Por ter criado essas mentiras tão elaboradas que não podem simplesmente ser afastadas. Estou de um jeito muito enterrado para qualquer possibilidade disso acontecer. Eu penso sobre Pike e tudo que ele sacrificou por mim. Tudo o que ele desistiu nos últimos anos, enquanto trabalho neste golpe. E enquanto eu me sento aqui e começo a duvidar do que estamos fazendo, a culpa do que isso faria a Pike emerge. Eu não posso sair dessa tão facilmente de qualquer maneira. Eu sou casada. Se eu me afastar – desaparecer - Bennett viria me procurar. Ele me ama muito e perder-me o devastaria. Mas não é com Bennett que eu me preocupo – é com Declan. E como faço para encontrar o meu caminho para sair dessa sem revelar toda a minha fraude perversa para ele. Ninguém seria capaz passar por cima disso ou me perdoar pelo que já fiz. A única opção que eu vejo agora é continuar fazendo o que estou e valorizar cada último segundo que eu tenho com ele antes de Pike e eu fugirmos.


Eu dou uma mexida rápida no molho depois de Declan ligar para me falar que está a caminho. Até agora, eu consegui não disparar o alarme de fumaça na minha busca para fazer o jantar. Vou até a caixa de vinho e seleciono um branco bom para acompanhar o jantar e coloco-o na geladeira para esfriar. Quando Declan chega um pouco mais tarde, eu rio da expressão de choque no seu rosto quando ele entra no loft e me vê na cozinha. — O que você está fazendo? — ele pergunta, curioso. — Parece o que? —Bem, você devia estar nua e de joelhos, mas em vez disso, está cozinhando. Espero que você tenha alertado os bombeiros para ficarem de prontidão. — ele ri, enquanto contorna o bar, movendo-se para perto, para me dar um abraço. Eu bato no seu braço, dizendo: — Eu quero que você saiba que ainda não queimei nada. — É mesmo? — ele zomba, agarra meu pulso e me puxa com força contra o peito, dando-me um sorriso sexy. — Sim. É mesmo. Sua boca encontra instantaneamente meu pescoço, lambendo o caminho até a minha orelha, onde ele mordisca suavemente sobre o lóbulo, causando uma onda de arrepios ao longo dos meus braços. Eu tremo em seu aperto, e ele rosna de orgulho com a resposta do meu corpo para ele. Eu lanço meus braços ao redor dos seus ombros largos quando ele estende a mão por trás das minhas coxas e levanta-me, para me colocar em cima do balcão. Com minhas pernas em volta dele, eu sinto seu pênis endurecer contra mim, com ele entre as minhas pernas.


— Só sei que, da próxima vez que eu disser que quero você de joelhos, é melhor você estar de joelhos. Mas eu não vou puni-la por sua desobediência, porque eu amo que você cozinhou para mim. — ele diz depois de me beijar profundamente. — Você ama? Ele começa a rir contra os meus lábios antes de dizer: — É evidente que o meu pau aprova e está ansioso para agradecer. — isso faz com que eu caia na gargalhada junto com ele. — Você é um idiota. — Um idiota, né? — Sim. — Ninguém me chama assim desde a quinta série. — ele brinca, e eu rio quando respondo: — Bem, talvez não na sua cara. Ele enterra a cabeça no meu pescoço, me mordendo e rosnando para o meu comentário sarcástico, mas isso só me excita. Com os meus tornozelos cruzados atrás dele, incito os quadris em mim, necessitando do atrito contra o meu calor. — Necessitada. — ele comenta. — Você não tem ideia. Ele se inclina, desligando todas as chamas em cima do fogão, e, em seguida, levanta a saia do meu vestido. Inclina-se entre as minhas pernas e eu ouço-o inspirar profundamente pelo nariz, cheirando-me — Porra, eu amo como você cheira quando seu corpo se prepara para mim. — ele diz, antes de arrancar violentamente a minha calcinha de mim e o tecido rendado rasgado fica pendurado na minha coxa.


Minhas mãos agarram punhados do cabelo de Declan quando ele se ajoelha diante de mim, espalhando mais as minhas pernas. Eu olho para ele enquanto ela dá uma olhada em mim. — Você é tão bonita. — ele fala e desvia rapidamente os olhos para os meus. Então afunda os dedos entre os lábios da minha boceta já molhada, acrescentando: — Isso... — Mmmm. — Isso é bonito pra caralho. — ele fala e mergulha o dedo dentro de mim. Minhas mãos apertam as mechas do seu cabelo conforme libero um gemido inebriante. Ele mantém seus olhos nos meus e me fode, lentamente, com o dedo, olhando para mim com calor em fúria. — Você gosta de me ter dentro de você? — Sim. — eu respondo. — Isso é meu. Eu gemo em aprovação quando ele leva o seu polegar e começa a pressionar círculos suaves sobre o meu clitóris inchado. Ele, então, entorta o dedo para alcançar o ponto mais sensível dentro de mim, fazendo com que meu corpo perca o controle quando ele acende o fio vivo que está me queimando. Mas é quando a boca quente me cobre que entrego-me, permitindo que ele me possua de qualquer forma que ele escolha. Com a superfície plana da sua língua, ele massageia meu clitóris em um golpe macio, antes de, com os dentes de pontas afiadas, reprimir e me morder. — Merda. — eu assobio conforme meu corpo estúpido sacode com a dor, mas ele agarra meus quadris e me mantém em sua boca com um aperto forte. Ele rapidamente substitui os dentes com a língua novamente, acalmando o castigo, borrando as linhas entre prazer e dor. A gentileza que segue a tortura faz-me desejar mais do abuso amoroso, e ele sabe disso quando se afasta, insistindo: — Diga-me que você quer.


— Dê para mim. — Diga-me o que você quer. — Você sabe o que eu quero. — Diga. — ele comanda. — Morda-me. — Peça-me. — diz ele. — Implore por isso. Empurro meus quadris em direção ao seu rosto, quase choramingo com o desejo que libera através das minhas veias. — Por favor, Declan. Morda-me, em seguida, leve as dores para longe. Eu quero sentir isso. Com um gemido baixo, ele fica satisfeito com o meu pedido, aprovando: — Boa menina. — antes de desabotoar as calças para libertar sua ereção enorme, sólida e dura. — Sua menina. — eu ofego quando ele me leva em sua boca novamente. Eu não consigo tirar meus olhos dele, observando-o se masturbar enquanto alegremente me fode com a sua língua.


Capítulo Trinta e Um Presente

B

ennett está em casa há

algumas semanas, o que torna difícil ver Declan. Eu tenho que arrumar desculpas aleatórias para fugir e ir até ele. Então eu minto, dizendo-lhe que Chicago Magazine quer outro artigo meu e que tenho encontrado meu editor para um café e reuniões no escritório para discutir tópicos do artigo, ou que eu vou passar o dia no Spa, ou ir às compras. Tudo o que consigo inventar, eu falo. Declan e eu temos passado a maior parte do nosso tempo em seu iate. Quando estou com ele, nada mais existe, estou feliz e contente. Eu sei que cometi um erro enorme e quanto mais tempo eu passo com ele deixando meu coração desprotegido, apaixono-me mais profundamente. Mas não consigo me controlar. Ele é intenso, avassalador, viciante, e consome absolutamente tudo. Quando não estou com ele, eu quero estar. Hoje em dia, mal posso passar uma hora sem querer falar com ele. Isso é o quanto eu o almejo. Eu tenho adiado encontrar Pike por essas mesmas razões. Estou com medo de lhe dizer a verdade sobre o que está acontecendo entre Declan e eu, assim, pela primeira vez, eu vou ter que mentir para ele. Faz quase um mês desde a última vez que o vi, por isso, enquanto Bennett está no trabalho, e Declan está em reuniões durante todo o dia para discutir a aquisição de um pedaço de terra em Londres para uma construção nova, eu arrisco e vou para Justice para encontrar com Pike. Eu normalmente espero até Bennett estar fora da cidade, mas, dadas as circunstâncias, eu sinto que preciso checá-lo.


O lugar tem cheiro de seus cigarros de cravo, um perfume que é tão familiar para mim, que encontro conforto. Mas o cheiro que me traz mais conforto agora é o cheiro doce, da terra de chuva e das flores de lótus. — Quatro semanas, Elizabeth. — a voz monótona de Pike diz enquanto ele se senta no sofá. Sua irritação não vem como uma surpresa quando entro e sento ao lado dele. — Sinto muito. Bennett está em casa. Ele não está viajando tanto agora. — eu tento explicar, mas ele não parece estar em qualquer estado de espírito para ouvir as minhas desculpas. — Apenas diga-me o que está acontecendo. — Pike. — Diga-me que você está fazendo progresso com esse cara. — O nome dele é Declan, e eu estou tentando. Só está demorando um pouco mais do que eu esperava. — digo-lhe, mentindo, porque a única razão de estar demorando é porque eu quero mais tempo com ele. Ele olha para mim, farto e questiona: — O que diabos isso significa? A última vez que te vi, você disse que estava envolvido e não parecia ter muita dúvida sobre isso demorar um monte de tempo. — Eu não sei. — eu falo. — Acho que fui estimulada pela excitação, mas não sinto que ele esteja pronto ainda. — Como ele reagiu às últimas contusões que eu te dei? — Ele ficou chateado. Acabei por ficar com ele o tempo todo que Bennett esteve fora. Ele balança a cabeça, apagando o cigarro. — Então, você acha que vai demorar? — Eu não tenho certeza.


— Quanto tempo Bennett está fora dessa vez? — pergunta ele. — Ele não está. Ele ainda está aqui na cidade. Só fazia muito tempo que não te via. — Então, você precisava que eu cuidasse de você. — ele fala, passando o braço ao redor do meu ombro, assumindo que eu vim procurar sexo. Mas eu não preciso dele mais. E tão ferrado como parece, considerando que sou casada, o pensamento de ter relações sexuais com Pike me faz sentir como se eu estivesse sendo infiel com Declan. É uma ideia fodida, mas o sentimento está lá de qualquer maneira. — Não. Eu só queria vê-lo. Eu não queria que você ficasse preocupado. — eu digo e observo seus olhos estreitarem. — O que diabo está acontecendo? O que você não está me contando? — ele estala. — Nada. — Por quase 16 anos você sempre precisou de mim para o sexo, e agora, de repente, você não precisa. — Ninguém disse que eu não preciso de você, Pike. — Você não precisou de mim na última vez que esteve aqui, e agora, hoje. — ele fala, desconfiado enquanto afasta o braço de mim. Eu não falo quando ele se levanta e dá alguns passos em toda a sala antes de voltar para me enfrentar. — Você diz que acha que Declan precisa de mais tempo, que ele não está pronto. Mas agora eu me pergunto se é você que não está pronta. Levanto-me, defendendo instantaneamente. — Você não acha que eu estou pronta para ver Bennett morto? Para ver aquele idiota enterrado a sete palmos, onde ele pertence? — Eu não estou falando de Bennett. Eu não duvido que você queira essas coisas. Estou falando de Declan.


Eu tento encobrir meu nervosismo com irritação quando cruzo os braços e solto minhas palavras ácidas: — Pare de me provocar e diga tudo o que você quer. Ele espera um momento, olhando-me atentamente, como se estivesse tentando me ler, e depois pergunta em tom condescendente: — Você não ama o cara, não é? — O que?! Não! — eu solto, mas sei que ele não compra quando inclina a cabeça. — Então, diga-me, por que você não precisa de mim. — Pike. Não. — Você está apenas enganando a si mesma, sabe? — ele diz. — Não se esqueça, você não é nada além de uma mentira para ele. Mas eu não preciso que Pike me diga o que eu já sei. — Pare. Mas ele não para. Ele apenas continua a falar: — Então, quando ele diz que te ama, ele não fala sério, de verdade. Ele apenas está apaixonado por este personagem fictício que você criou, Nina. — Pike, estou falando sério. — eu grito, perdendo a paciência. — Pare com isso! — Você e eu sabemos que se ele realmente soubesse quem é você, ele não estaria dizendo essas palavras. — Foda-se! — Não! Foda-se você! — ele grita com ódio. — Tínhamos um maldito plano aqui. E aqui está você, caindo no maldito golpe! Suas palavras me esfaqueiam, atiram na minha cara a verdade que eu quero negar. Desejando que suas palavras não fossem nada além de mentiras,


mas elas não são, e isso me irrita, então eu grito para ele: — Eu não sou como você! Eu tenho rachaduras, e eu nem sempre posso desligar meus sentimentos, como você faz, contentar com a vida que lhe foi dada. Não se esqueça de que me foi dada essa vida também! Ele se encolhe quando atiro minhas palavras para ele, e eu fico surpresa com o tom mais suave da sua voz quando ele responde: — Então, é isso que você realmente pensa? Que eu não sinto? Que não lamento a perda da vida que eu deveria ter tido? Que não me pergunto ou sinto falta dos pais que eu nunca conheci? — ele dá um passo lento na minha direção, flexionando seu maxilar, endurecendo sua voz enquanto continua: — Você teve um pai que conheceu. Você teve tudo. Eu nunca tive uma maldita coisa. Mas é por isso que pessoas como você e eu lutam, porque nos dá algo para viver, quando não temos mais nada. Eu pensei que nós compartilhávamos isso. O olhar em seu rosto e a dor em sua voz me cortam profundamente. Eu amo Pike. Sempre amei, e vê-lo ferido, por minha causa, não é uma coisa fácil para testemunhar. Eu dou mais um passo para perto dele, dizendo-lhe: — Nós compartilhamos isso. Ele segura minhas bochechas em suas mãos, assegurando-me: — Nós podemos fazer isso. Você e eu podemos fazer isso juntos. Não deixe ir porque um cara faz você sentir alguma coisa. A verdadeira questão que você precisa se perguntar é: o que Elizabeth sente? Ele está certo. Declan diz que me ama, mas o que ele ama não é real. Não completamente, de qualquer maneira. Eu deixo-o ver as emoções reais em mim, mas ele acha que eu sou Nina, a menina do Kansas. Se ele conhecesse Elizabeth, ele não sentiria da mesma forma de jeito nenhum. Não há como negar o que sinto por ele, mas Pike está certo, eu realmente não tenho a confirmação de como ele se sente sobre mim, o meu verdadeiro eu. Eu não posso falar enquanto fico aqui e mergulho em suas palavras, mas ele logo quebra o silêncio, implorando baixinho: — Não me deixe sozinho nessa.


Eu envolvo meus braços na sua cintura, querendo confortá-lo. Pike raramente se expõe assim comigo, então quando ele faz, é difícil lidar com isso. Pike é a minha rocha. Minha espinha dorsal quando me sinto fraca. Nós ficamos aqui abraçados e eu digo a ele: — Eu nunca vou te deixar, Pike. — Quando eu digo que eu te amo, eu falo sério. Eu te amo - Elizabeth. — ele diz. — Isso é algo que você nunca terá que se questionar. E eu acredito nele, mas Pike sempre me amou de uma maneira que eu não compartilho. Seu amor sempre limitado em um nível íntimo, enquanto eu o amo como um irmão. Mas quando você cresce como nós, em um mundo onde não há preto e branco, é difícil distinguir claramente o cinza, e certo e errado não existem mais. Eu nunca o questionei sobre seus sentimentos em relação a mim, ele deixa claro, e eu nunca corrigi sua assunção dos meus sentimentos. Mas os sentimentos que eu sei que ele quer de mim não são para ele; eles são para um homem que acredita que eu sou real, só que eu não sou. Eu sou nada, além do seu paraíso venenoso.

O momento que eu vejo Declan, todas as palavras de Pike de mais cedo desaparecem. Eu observo Declan enquanto ele coloca a minha xícara de chá na cozinha do seu barco, e depois que ele acrescenta um pequeno toque de leite, ele se vira para me entregar a caneca. — Estou com vontade de te perguntar uma coisa. — ele fala, enquanto me leva para baixo, para sua cabine. Eu rastejo na sua cama, dobrando as pernas na minha frente e embalando a caneca quente, e quando ele se esparrama, descansando as costas contra a cabeceira da cama, ele estende a mão, dizendo: — Dê-me sua mão.


Eu ofereço-lhe uma das minhas mãos e ele vira-a, arrastando o dedo sobre meu pulso. — Essas. — ele sussurra, referindo-se às linhas brancas fracas que desfiguram o interior do meu pulso. Eles mal são visíveis mais, por isso estou um pouco surpresa que ele tenha as percebido. Nem mesmo Bennett percebeu. Declan leva meu pulso aos lábios e pressiona-os contra os pequenos lembretes de ser amarrada e trancada quando criança. O toque é macio, uma doçura que me derrete. — Diga-me como você conseguiu isso? — ele pergunta, e eu quero contar. Por alguma razão, eu quero que ele conheça a feiura em mim. Em vez disso, eu evito, porque não quero mentir para ele, se eu não precisar. Eu balanço minha cabeça lentamente, deixando-o saber que não quero contar, por isso, em vez disso ele pergunta: — Doeu? Eu não respondo de imediato, quando olho em seus olhos, olhos que mostram a sua preocupação por mim, seu amor e sua natureza carinhosa que me fizeram interessar. — Sim. — eu finalmente respondo, e ele beija as cicatrizes novamente. — Posso falar com você sobre algo? — O que? — pergunto antes de tomar um gole do meu chá quente. — Eu quero que você deixe Bennett. — afirma com naturalidade. — Declan, eu disse a você, eu não posso. — Eu tenho uma propriedade na Escócia. — ele revela. — No campo de Edimburgo. Venha comigo. Nós podemos desaparecer. — Ele vai me encontrar. — Vou contratar seguranças para vigiar seus movimentos. Nós saberemos se ele comprar um bilhete de avião. Nós saberemos tudo o que ele fizer. Eu não vou deixá-lo chegar perto de você.


As distâncias que este homem está disposto a ir por mim são tentadoras. Bennett pode tentar me encontrar, mas ele nunca me machucaria, como levei Declan a acreditar. Eu imediatamente começo a pensar sobre como seria fugir com ele. Deixar tudo para trás e começar uma nova vida com Declan, longe do meu passado. Ele nunca precisaria saber, por que não haveria nada para ameaçar a verdade de se revelar. Mas, então, eu penso em Pike. Eu não posso desaparecer da vida dele. Ele é a minha família. É uma bela fantasia, mas não é a realidade. — Eu não posso simplesmente desaparecer. — digo a ele. Ele pega a minha caneca e coloca sobre a mesa de cabeceira antes de tomar as minhas duas mãos na sua. — Por que não? — Por que... — eu balanço minha cabeça, fingindo minha reação exagerada com sua oferta. — Quero dizer, você está me pedindo para deixar para trás tudo o que sou. Para ir embora e nunca olhar para trás. — O que tem lá que você queira olhar para trás? — Eu não... eu não sei. — Nós poderíamos ter uma vida. — ele fala em voz baixa. — Mas... o que acontece com o seu trabalho? — Eu sou proprietário do hotel; eu não gerencio. Essa foi simplesmente uma base para mim enquanto ele estava em construção. Logo, se o negócio se concretizar, eu vou trabalhar no estabelecimento em Londres. Hesito, deixando cair a cabeça com um suspiro derrotado. — Eu não sei. — Você me ama, certo? Levanto os olhos para encontrar os dele, aceno, respondendo: — Completamente. — Olha, eu sei o que estou pedindo a você. E entendo que você está com medo, mas eu sei o que eu quero, e é uma vida com você. Eu vou fazer o que for


preciso para conseguir isso. — ele move as mãos para os meus quadris e me puxa para os seus, minhas pernas montam em cada lado dele enquanto ele olha para mim. — Eu nunca pensei que pudesse amar alguém do jeito que te amo, mas é doloroso, saber que não posso mantê-la segura quando você não está comigo. Sinto-me como um pedaço de merda inútil quando mando-a para casa, para aquele bastardo. — Você não é inútil. — eu digo a ele enquanto corro minhas mãos pelo seu cabelo. — Mas o que você está pedindo é muito para mim. — Eu sei. — Quero o que você quer, mas tudo tem um preço. — Eu vou fazer de tudo para ter você. Vou arriscar tudo. Suas palavras deviam me deixar feliz, mas em vez disso, elas machucam. Eu poderia facilmente mentir para ele agora, dizer-lhe que Bennett me estupra ou alguma outra merda fodida, e eu sei que Declan perderia a paciência e mataria o filho da puta agora, mas não faço isso. Eu não quero perdê-lo, embora eu saiba que vou. É inevitável, mas eu sinto como se fosse uma criança, agarrando-me ao que me faz feliz, desesperada para não perdê-lo. Meus pensamentos remexem no meu coração, lágrimas ardem e começam a encher os meus olhos. — Baby não chore. A pressão dentro do meu peito provoca uma dor por todo meu corpo. Eu estou chorando pela perda do que está sentado na minha frente, e ela me corta, permitindo que a miséria sangre até morrer. Lágrimas caem enquanto Declan observa em silêncio. Ele fecha seus braços ao meu redor, à medida que meu corpo se ergue em gritos ofegantes. — Diga-me o que você está sentindo. — ele insiste, e quando eu abro a boca para falar, as palavras saem facilmente entre meus lábios.


— Eu odeio isso. Eu odeio todo momento que não estou com você. Você é tudo que eu quero, e eu odeio a vida por não ser justa conosco. E eu estou com medo. Estou com medo de tudo, mas eu tenho mais medo de perder você. Você é a única coisa boa que já aconteceu comigo. De alguma forma, neste mundo fodido, você tem uma maneira de fazer toda a feiura desaparecer. — Você não vai me perder. — afirma com uma voz severa. — Então por que parece como se estivesse indo embora? — eu choro. — Não estou. Eu prometo a você, não é isso. Você está com medo, mas você me tem agora. Vou levar todos os seus temores para longe, cada pedaço disso que você carrega aí. Vou levá-los embora. Eu vou te dar tudo que você merece nesta vida. Eu vou fazer o que posso para compensar todo o seu sofrimento. Eu deixo suas palavras mergulharem nas minhas partes mais escuras, as partes que já não acreditam na esperança, mas de alguma forma, suas palavras despertam o que estava perdido. Se afastar-me de Bennett, deixar o plano para trás e poupar a sua vida, significasse uma vida com Declan, eu faria isso. Mas eu fico tão destruída por pensar em onde isso deixaria Pike. Eu sinto como se estivesse em uma situação sem saída. Não importa o que eu faça, alguém vai se machucar. Eu quero ser egoísta. Eu quero manter o Declan como meu. Eu quero os contos de fadas, mas, mais uma vez, eu estou tendo que encarar o fato de que aqueles estão simplesmente guardados para os livros. Às vezes, para algumas pessoas, não há tal coisa como um felizes para sempre. Através das lágrimas, eu beijo-o, precisando da proximidade. Como uma ferida, eu preciso que Declan beije-a e seque minhas lágrimas. Eu não abrando enquanto nossos lábios emaranham em um desejo turbulento pela cura, um desejo que nós dois estamos buscando neste exato momento. Ele me vira de costas, prende meus pulsos acima da minha cabeça, com suas mãos fortes. Separando meus joelhos, ele puxa a língua para fora da minha boca, tempo suficiente para que eu lhe dê as minhas palavras obedientes de submissão.


— Leve-me, Declan. Do jeito que você me quiser, você pode me ter. Eu só preciso de você dentro de mim agora. E com isso, ele me vira de costas, amarra meus braços dolorosamente nas minhas costas, e com a minha bunda no ar, ele me fode com uma raiva de fogo. Ele é rude e controlador, puxa meu cabelo, bate na minha bunda e nas coxas e, em seguida, como todas as vezes antes, segura minha mão com força na sua, no momento que o meu corpo explode em um orgasmo violento, que só ele foi capaz de me dar. Mas ele não para por aí. Depois que ele me desamarra, ele me rola, levanta minhas pernas sobre seus ombros, e empurra em minha boceta com amor calmo, lento, gastando tempo enquanto trabalha o meu corpo com perfeição até que eu gozo para ele novamente. E quando eu termino, ele senta-se sobre os joelhos e se masturba, jorrando seu esperma por todo o meu peito, me cobrindo com seu cheiro. Quando meu coração estabiliza, eu fico cansado quando deito na segurança do abraço forte de Declan. O calor do seu peito e os seus braços em volta do meu corpo me acalmam, e eu libero um zumbido sonolento quando começo a derivar. Declan, então, vira de lado, ajustando-nos de modo que ficamos deitados cara a cara. — Eu estou tão cansada. — murmuro, enquanto Declan preguiçosamente acaricia os dedos para cima e para baixo no comprimento da minha coluna, levando-me a um estado próximo à tranquilidade. — Conte-me seus sonhos. — ele pergunta, olhando para mim conforme deitamos juntos. — Por que você quer saber os meus sonhos? — Porque você é bonita quando você dorme. É o único momento que você fica verdadeiramente pacífica. Eu libero um leve zumbido quando ele insiste: — Diga-me. — Carnegie. — a verdade desliza para fora antes de eu sequer pensar nisso.


— Como? Eu espero um segundo, e então decido dar-lhe este pedaço do meu verdadeiro eu, revelando: — É uma lagarta que vive em uma floresta mágica. Bem, na verdade, ele é um príncipe, mas o seu pai feiticeiro do reino transformou-o em uma lagarta. — E por quê? — ele pergunta, tirando uma mecha do meu cabelo atrás do meu ombro. — Porque o rei estava chateado que seu filho continuava esgueirando-se da cama à noite para roubar suco da cozinha. — É mesmo? — e ele pergunta brincalhão, mas quando não lhe dou qualquer sugestão de sorriso em troca, ele fica sério e observa meu rosto. — Eu sou uma lagarta também; Carnegie é meu amigo. — as palavras ferem ao sair e começo a lutar com a navalha da dor que está esculpindo o seu caminho através do meu coração, expondo o sangue através dos meus olhos. — Por que você está chorando? — ele pergunta quando vê as lágrimas escaparem. — Porque é uma mentira. — O que? — Sonhos. Eles não são nada além de mentiras que tentam enganar-me a acreditar que a vida pode realmente ser assim. — Soa mais como um conto de fadas do que uma mentira. — Conto de fadas é nada, além de uma palavra chique para uma mentira usada para enganar crianças pequenas. — digo a ele. — A falsa percepção da realidade, usada para dar-lhes esperança em um mundo sem esperança. O olhar em seus olhos faz com que eu feche os meus, então não tenho que ver a tristeza que ele sente por mim. A realidade é uma viagem fodida que me anestesia, mas o meu pai, eu nunca fui capaz de controlar a emoção quando se


trata dele. Ele sempre foi meu primeiro e único ponto fraco, até agora, até Declan. — Você queria ser uma lagarta? — ele pergunta quando sinto o calor de seu polegar arrastando através de minhas bochechas, recolhendo as minhas lágrimas. — Sim. Os braços de Declan me envolvem, e eu enrolo nele, quando ele sussurra: — Então vá dormir, querida. — beija o topo da minha cabeça e coloca-a sob o seu queixo. — Vá ser uma lagarta.


Capítulo Trinta e Dois Presente

M

ais três semanas se

passaram desde que vi Pike. Bennett está em casa a maior parte do tempo, e sempre que posso encontrar ocasião para escapar estou com Declan. Eu venho contornando para dar-lhe uma resposta definitiva sobre ir à Escócia com ele, mas ele está começando a ficar irritado com a minha fuga. O frio intenso do inverno com neve finalmente terminou, mesmo que a cidade nunca pareça ficar acima dos 10 graus, mesmo em um bom dia. Uma rajada de vento vem, quase fazendo a porta bater na minha mão direita quando eu a abro e coloco a cabeça dentro do prédio onde o escritório da Dra. Leemont está localizado. Eu sofri períodos extremamente dolorosos a cerca de dez anos; foram eles que me levaram a procurar ajuda médica, o que resultou em meu diagnóstico da endometriose. Cerca de seis meses atrás, eu decidi tentar a terapia hormonal novamente para ajudar com a dor, mas tive que parar depois de alguns meses, devido a complicações com efeitos colaterais. Desde dezembro, a dor tem sido muito mais tolerável, mas os últimos dias têm sido nada além de contornar dores e dores agudas, deixando-me acamada, praticamente incapaz de me mover. Bennett está uma bagunça de preocupação, saindo do trabalho para ficar em casa, fazendo o que pode para me confortar. O mais rápido que eu pude marcar para ver o médico foi esta manhã, o que realmente o aborreceu, porque


ele tinha que viajar para Miami a negócios. Ele deveria ter viajado há alguns dias, mas se recusou a sair do meu lado e reagendou todas suas reuniões, mas não conseguiu adiar a viagem por mais tempo e acabou viajando tarde na noite passada. Depois de entrar, deixo uma amostra de urina para a enfermeira, e de sangue para o laboratório, eu tiro a roupa, cobrindo-me com a bata fornecida, e espero na mesa de exame pelo médico. Assim que disse à Bennett sobre o meu diagnóstico, ele encontrou a Dra. Leemont, para garantir que ela era a melhor ginecologista no estado. Vejo-a há mais de três anos, e quando ela finalmente entra e eu vejo seu sorriso familiar, libero um suspiro pesado, esperando que ela possa fazer algo por esta dor. — Nina, é bom vê-la, embora eu saiba você está lidando com algum desconforto. — ela diz enquanto atravessa a sala de exame com seu bloco de notas eletrônico e se senta em um banquinho ao lado da escrivaninha. — Sim. — eu respondo. — Nos últimos dias. Quando ela olha para seu bloco de notas, ela diz: — Ok, então eu vejo que faz cerca de quatro meses que você parou com os hormônios, correto? — Sim. Por volta do final de novembro, se bem me lembro. — É isso que estou lendo aqui na sua ficha. — ela observa e, em seguida, olha para mim, perguntando: — Você já experimentou qualquer outra dor ou cólicas desde que parou com as pílulas? — Um pouco, mas foram menores. Nada que alguns analgésicos não pudessem resolver. — E você se lembra do seu último ciclo menstrual? —

Umm,

bem,

foi

bem

antes

de

eu

começar

hormônios. Então... por volta de agosto ou setembro. — eu digo a ela.

com

os


— O que você provavelmente está enfrentando é o último dos hormônios que está deixando seu sistema. — ela começa a falar quando uma enfermeira entra. — Estou com os exames de laboratórios da Sra. Vanderwal. As duas pessoas caminham para fora da sala, e quando a Dra. Leemont retorna, segurando os papéis, ela caminha até a mesa e se inclina contra ela. Ela desvia os olhos dos papéis para mim, dizendo em voz baixa: — Você está grávida. O ar deixa meus pulmões causando frio e incredulidade. — O que você disse? — De acordo com a amostra de urina e sangue, você está grávida. Descrença - isso é tudo que corre através de mim agora, enquanto não consigo ter qualquer outro pensamento ou sentimento. Sento-me aqui e olho para a médica por um momento quando o medo e confusão começam a infiltrar. — Como? — pergunto enquanto cada pancada do meu coração bombeia rajadas de ansiedade pelo meu sangue. — Quero dizer, tem que haver um erro, porque eu não posso ter filhos. Eu não posso engravidar. — minha voz está quase irreconhecível quando as palavras escapam de mim em um cambalear trêmulo. Dra. Leemont me entrega um lenço de papel, e é então que percebo que estou chorando. Ela se senta em seu banquinho e rola na minha direção, colocando a mão no meu joelho. — Eu não posso imaginar o choque que você deve estar sentindo agora. — ela diz, enquanto olho para ela, completamente confusa, balançando a cabeça. — Às vezes, essas coisas têm uma maneira de acontecer. É raro e normalmente inédito, sem ter que passar por uma cirurgia para remover as lesões? Sim. — Mas eu ainda não tive um período. — Bem, a primeira ovulação você deve ter tido, provavelmente, acabou sendo a época que você ficou grávida, resultando na ausência de menstruação.


— ela explica, e, em seguida, a realidade de que eu tenho tido relações sexuais com três homens diferentes deixa-me em pânico completo conforme fico completamente insensível e congelo por dentro. Puta merda! No que fui me meter? — Mas eu quero ser honesta com você. — ela diz, com a voz calma e tranquila, uma contradição perfeita do caos que atravessa todo o meu ser agora. — Por causa das lesões em seu útero, a probabilidade de você levar este bebê a termo pode ser menor. Esta será uma gravidez de alto risco por causa disso. Outra onda de confusão me bate quando suas palavras desencadeiam uma onda de tristeza em mim. O que há de errado comigo? Isto devia me deixar feliz, certo? Eu não posso ter um bebê, por isso, se meu corpo naturalmente expulsá-lo, em seguida, problema resolvido. Então, por que o pensamento de que isso aconteça deixa-me triste? Quando eu não respondo, ela pergunta: — Você precisa de um momento? — Um momento? Ela me dá um aceno de cabeça, dizendo: — Sim. Eu gostaria de ir em frente e fazer um ultrassom para ver de quanto tempo você está e pegar algumas medidas do bebê. — Bebê. — eu sussurro, repetindo sua palavra estranha. — Mas se você precisar de um momento... — Não. Eu estou bem. — digo, interrompendo-a. — Ok, então. Vou pedir para minha enfermeira chamar uma das técnicas de ultrassom. Ela tem uma estação móvel, assim você não terá que mudar de quarto.


Dra.

Leemont

ajusta

a

mesa,

permitindo-me

deitar,

enquanto

esperamos. Meu coração bate com força contra meu peito e o som é tudo que eu posso ouvir enquanto tento resolver isso tudo na minha cabeça. Eu não consigo segurar um único pensamento coerente, à medida que eles caem em si, em uma colisão maníaca, além de uma única peça que permanece intocada e clara como o dia: eu estou grávida. A porta se abre e uma jovem entra com uma grande máquina cheia de tecnologia. Ela se apresenta, mas eu fico quieta enquanto observo-a configurar tudo, ao passo que ela e Dra. Leemont analisam meus exames laboratoriais. Uma vez que está configurada e eu deito, ela abre a frente da minha bata e esguicha uma bolha quente de gel na minha barriga. Pressionando o aparelho de ultrassom para baixo, ela me diz: — Uma vez que não sabemos de quanto tempo você está eu gostaria de ver se podemos ter uma boa visão do bebê externamente. Normalmente fazemos um exame interno, mas eu gostaria de tentar fazer isso primeiro. — Tudo bem. — eu ofego enquanto mantenho meus olhos colados na tela do monitor. Ela começa a digitar em seu teclado à medida que pressiona o aparelho firmemente na parte inferior do meu abdômen, quase dolorosamente, mas, em seguida, ela diz: — Lá vamos nós. — e meu coração para. — Vê isso? — ela diz enquanto aponta para o amendoim branco na tela, e assim quando ela faz o menor ajuste com a varinha, ela congela a tela. — Oh meu Deus. — Deixe-me obter algumas medições para ver de quanto tempo você está. — ela diz, mas puta merda, eu posso ver claramente uma cabeça e uma barriga. Não é um minúsculo pontinho que muitas vezes você ouve falar que não se parece com nada. Eu vejo claramente um bebê: cabeça, barriga, e quatro pequenas protuberâncias de seus braços e pernas. Ela nem precisa dissecar a imagem para mim porque é inconfundível. Nunca a realidade me bateu tão forte com uma verdade que é inegável.


— Nove semanas, cinco dias. — ela fala, e, em seguida, olha para mim com um sorriso antes de se virar para olhar para o calendário de concepção sobre o monitor. — Bebê de Ano Novo, ao que parece. Eu não posso falar. Tudo o que posso pensar agora é em Bennett, Declan, e Pike. Eu não transo com Pike há mais de um mês, mas há nove semanas, eu estava fazendo sexo com todos os três. Deus, eu sou um ser humano doente, carregando um bebê que pode pertencer a qualquer um deles. — Eu acredito que a data prevista é 10 de outubro. — ela me diz, e então ela aperta um botão e um alto woosh woosh woosh woosh sai dos alto-falantes em uma batida rápida. — O que é isso? — Batimentos cardíacos do seu bebê. — Oh meu Deus. — eu sussurro novamente. A batida do coração? É tão real. Tão vivo. Ouvir esse batimento cardíaco rápido dentro de mim é quase demais para eu ficar aqui, tentando não perder o controle completamente. — Bom e forte. — ela diz antes de desligar o som e quando ele desaparece, eu fecho meus olhos e reproduzo o som suave na minha cabeça. Como isso está acontecendo? Quando ela termina, eu sento e cubro-me de volta com a bata enquanto ela imprime algumas fotos e entrega-as para mim, dizendo um feliz: — Parabéns. Mas conhecendo a minha situação, e sabendo o que a Dra. Leemont disse sobre eu ser de alto risco, não há nada a ser felicitada. Ela me entrega as fotos, e tanto ela como a médica saem da sala para que eu possa me vestir, mas eu não faço isso. Apenas sento-me aqui e olho para baixo, para uma das fotos, uma foto que mostra uma vista superior: cabeça, barriga, e quatro tocos. Uma risada estranha escapa, através das minhas lágrimas quando eu comparo o bebê a um marshmallow.


Minha mão vai para a minha barriga. Eu nem acreditaria se não tivesse visto com meus próprios olhos. Um bebê. Meu bebê. Eu nunca pensei que eu queria. Nunca pensei que era mesmo uma possibilidade. Mas agora que eu tenho um, eu não sei como me sinto, porque tenho diversas sensações. Estou com medo e vergonha, mas sob isso, eu sinto uma imensa sensação de amparo. Nunca tive nada que fosse apenas meu, e saber que em um mundo fodido isso é meu, eu sou confortada pelo fato de que este bebê está seguro dentro de mim. Depois que eu estou vestida e agendo a minha próxima consulta, eu caminho para fora. Assim que o ar frio me bate, fico com medo de retomar a minha vida, retomar as mentiras. Um bebê. O que isso significa para mim? Será que vai ao menos sobreviver para ver um momento deste mundo? Eu o quero? As perguntas se multiplicam enquanto fico aqui na calçada, com as pessoas passando por mim, táxis buzinando, a vida. O vento bate mais forte e eu começo a chorar, expondo-me a esses estranhos ao meu redor, mas ninguém nota. Tumulto é uma nuvem escura que encontra a sua casa em mim agora. Deixo meu carro e caminho. Eu não sei para onde estou indo, mas eu preciso me mover. O tempo passa, conforme ando pelas ruas do quarteirão, o tempo todo, chorando. Devo informar Bennett? Isto é algo que eu possa esconder dele? Se ele soubesse, assumiria que era dele. E se for? Deus, eu não posso tê-lo em minha vida. Mas eu poderia matá-lo? O pai do nosso bebê? Sim. Eu poderia. Eu teria, porque o pensamento de ter que compartilhar isso com ele me faz mal ao estômago. O pensamento de ter que olhar para o rosto dele, o pensamento de dar-lhe um bebê, dar-lhe felicidade e alegria, tudo é revoltante.


Eu preciso desesperadamente de alguém para me ajudar. Para vir e me abraçar, me dizer que vai ficar tudo bem. Alguém para cuidar de mim, segurar minha mão e tirar toda a minha angústia. Estou cansada de sempre me sentir tão sozinha. Desço do meio-fio e começo a atravessar a rua quando ouço uma buzina. Eu me assusto e volto minha cabeça ao redor para ver através da minha visão turva, um carro, indo direto na minha direção, e eu congelo. — NINA! — a voz de um homem grita em pânico. Eu fecho meus olhos, mais lágrimas caindo pelo meu rosto quando algo bate em mim. Eu já não estou mais de pé, eu estou sendo carregada, e quando finalmente toco o chão, eu sei que estou segura pelo cheiro. Declan. — Você está bem? — ele pergunta quando abro meus olhos para olhar para ele e depois olho entorno. Estou no lobby do hotel dele. — O que aconteceu? — eu sussurro, à medida que olho para fora das portas de vidro para ver a rua, repleta de carros. — Eu estava em meu escritório quando aconteceu de eu ver você andando. Eu fui lá fora para pegar você quando você saiu para tráfego. Que diabos você estava pensando? — Eu não... — minha voz treme, e, em seguida, como uma boneca de porcelana caindo para sua morte, eu quebro. Caindo em seus braços, os soluços começam a me rasgar. Ele rapidamente levanta-me, embalando em seus braços, enquanto sai correndo do lobby, no sentido do elevador. Ele não diz nada enquanto eu choro contra ele, com meus braços agarrados ao seu pescoço. Ele me mantém como uma criança e isso me conforta de uma maneira que só ele pode fazer, sussurrando: — Shhh, baby. Eu tenho você. — diz baixinho no meu ouvido.


O elevador se abre e ele me leva para seu quarto na cobertura e me coloca no sofá enquanto se agacha na minha frente. Quando deixo minha cabeça cair nas minhas mãos, ele puxa-as, e eu não posso impedir as lágrimas de caírem quando olho para ele. Seu rosto está coberto de preocupação e eu sei que não há nenhuma maneira de esconder isso dele, porque eu preciso tanto dele agora. Ele é o único que quero me tranquilizando. Ele é o único que eu quero, sempre. Então, quando ele pergunta: — Baby, o que há de errado? Você está me assustando. — eu não hesito um único momento ao dizer para ele: — Eu estou grávida. Eu vejo como seu rosto cai em uma expressão dolorosa que parte meu coração. Seus olhos se fecham, franzindo a testa em agonia quando ele pergunta: — Por favor, me diga que não é dele. — a rachadura em sua voz é a mesma do meu coração, e eu dou-lhe o que eu sei que ele quer, o que eu quero, o que eu desejo para o conto de fadas que nunca acontecerá, dizendo: — Não é dele. Seus olhos abrem e lágrimas caem. — Como você sabe? — Porque logo que comecei a dormir com você naquele mês eu me afastei de Bennett. Ele ficou muito fora da cidade, por isso não questionou a minha evasão. — minhas palavras, mentiras completas. — Mas eu pensei que você não podia engravidar? — Eu sei. — eu grito. — Isso nunca deveria ter acontecido. Não deveria ter acontecido, mas aconteceu, e eu estou tão assustada. — Não chore. — ele ofega, à medida que se move para sentar ao meu lado no sofá e me puxar para seus braços. — Quando foi que você descobriu? — Agora mesmo. Acabei de sair do consultório médico. É por isso que eu estava andando por aí. Eu só precisava andar. — Você me assustou pra caralho. Aquele carro quase bateu em você. — Sinto muito.


— Eu preciso que você fale comigo. Explique como isso aconteceu. Eu me inclino para trás, afastando-se do seu abraço e soltou um suspiro pesado antes de lhe dizer: — Eu tive um monte de dor nos últimos dias, então eu fui ver a minha médica. Eu estava testando uma terapia hormonal para ajudar com a dor, mas tive que parar. A médica me disse que a dor está aparecendo porque leva um tempo para que os hormônios deixem meu sistema. — Por que você não me disse que estava com dores? — ele questiona. — Porque você se preocupa com facilidade, e eu sabia que era, provavelmente, nada mais do que o que eu sempre tratava. — Eu me preocupo porque eu te amo. Eu quero saber o que está acontecendo com você. Eu não quero que você esconda alguma coisa de mim. — ele fala, de frente para mim e pega minhas mãos, descansando-as em seu colo. — Então o que a médica disse? — Nada. Ela deu uma olhada em meus exames e foi quando ela me disse que estava grávida. — minha voz vacila nessa última palavra e começo a chorar de novo. Declan pega meu rosto em suas mãos e me assegura: — Vai ficar tudo bem. Eu sei que você está com medo agora, mas eu não vou a lugar nenhum. — Ela me disse que o bebê provavelmente poderia abortar, seria uma gravidez de risco. — Por quê? — Porque eu tenho muitas lesões. Ela disse que iria ficar de olho em mim. Eu tenho outra consulta em duas semanas. — Eu vou com você. — Você não pode, Declan. — eu digo a ele. — Foi Bennett que achou essa médica para mim. Ela sabe que ele é meu marido.


Ele range os dentes, fazendo com que seu maxilar flexione antes de assobiar suas palavras: — Essa é a porra do meu bebê, certo? — Sim. — Você falou para ele que você está grávida? — Não. — eu respondo, e em seguida, solto a minha cabeça, admitindo: — Eu estou com medo, Declan. Estou com medo de que ele saiba. — eu olho para cima, tentando conter a nova série de lágrimas que ameaçam quando eu digo: — Eu não posso dizer-lhe. Ele não pode saber. — Ele vai descobrir, mas você não vai contar para ele sem que eu esteja ao seu lado. — diz ele, e a realidade desta situação está começando a realmente me bater. — Eu sei que você está com medo, mas você vai ter que deixá-lo. — Declan... — Você vai deixá-lo. — ele exige. — Apenas me dê um pouco de tempo. — Foda-se, Nina. Tudo o que eu venho fazendo é dar-lhe tempo. — Eu sei. Sinto muito, mas não é assim tão fácil. Vou deixá-lo; eu vou. — eu digo, tentando convencê-lo, mas eu já não posso distinguir entre a verdade e a mentira. Eu não sei o que diabos eu estou fazendo. Eu só estou entrando em pânico neste momento, quando tudo o que eu realmente quero fazer é fugir com Declan. Para irmos à Escócia, ter um bebê, e deixar esse pesadelo de vida para trás. — Porra, eu não quero que ele toque mais em você, entende? Você tem meu bebê dentro de você agora. Esse filho da puta não vai tocar em você. — ele fala com raiva em sua voz e eu nem sequer pestanejo ao concordar: — Ele já foi? — Na noite passada. — digo a ele. — Ele se foi até o fim desta semana. Ele acena com a cabeça, e eu deixo meu corpo cair sobre o dele, descansando minha cabeça contra o seu peito. Suas mãos vêm para a minha


nuca e no meu cabelo quando eu murmuro: — Eu estou com medo de verdade, Declan. — Eu sei querida. Eu vou cuidar de você. — ele diz, e quando fico de costas e levanto a cabeça, ele coloca a mão na minha barriga lisa, acrescentando: — Eu vou cuidar de vocês dois. Suas palavras me fazem sorrir. Passo a mão sobre a dele, e eu quero acreditar, com tudo o que tenho, que o bebê é dele. — Eu ouvi o batimento cardíaco dele. — murmuro e sua voz é quase um sussurro audível quando ele pergunta: — Você ouviu? —Sim. É rápido. — eu digo a ele. — Eles me deram uma foto também. Alcanço a minha bolsa e pego a foto do marshmallow e entrego ao Declan. Ele olha fixamente para ele, e vejo seus olhos encobrirem em lágrimas. Ele não tenta esconder suas emoções enquanto se perde na imagem. — Eu não achei que pareceria tão real, com braços e pernas. — ele sufoca em torno das suas lágrimas. — Estou com quase dez semanas, por isso perdemos a etapa do bebê que parece uma bolha. — eu digo, conforme solto um riso triste. — Dez semanas? — A data é outubro. — digo-lhe, e ele finalmente olha para cima a partir da foto. As suas faces estão úmidas, e eu ajoelho, coloco minhas mãos ao longo do seu maxilar, e da mesma maneira amorosa que ele faz comigo, eu lambo delicadamente as lágrimas.


Capítulo Trinta e Três Presente

H

oje é o último dia que

eu tenho com Declan antes de eu ter que ir. Bennett retorna esta noite e eu fui um naufrágio durante toda a manhã. Estou com medo e nervosa que Bennett descubra que estou grávida, que de alguma forma seja capaz de dizer. Mas estou igualmente triste, porque por estes últimos dias, desde que contei ao Declan, eu me permiti acreditar que este bebê era dele e que nós faríamos isso funcionar. Mas é tudo uma mentira. Eu não sei o que vou fazer, mas seja o que for, eu quero fazer com Declan. Eu não quero nem imaginar voltar a uma vida onde ele não exista para mim. Eu nunca me deparei com alguém como ele. Sua intensidade é totalmente desgastante, e quando não estou com ele, tudo o que consigo pensar são maneiras de esgueirar-me para chegar até ele. É como se ele fosse o oxigênio que eu preciso para sobreviver, e quando ele se vai eu sufoco. Eu não sei se o amor deve ser sentido desse jeito, mas é tudo que eu sei, e é tudo com ele. — Como você está se sentindo, querida? — Declan pergunta quando entra no banheiro. — Melhor. A compressa quente apenas não pode fazer o mesmo que um banho quente. — Você já está aqui há muito tempo.


Afundando na água quente, eu olho para Declan enquanto ele fica em cima de mim e admiro-o. Seu maxilar quadrado, coberto de barba por fazer de um dia, as linhas duras do seu peito, que são perceptíveis através de sua camisa, os músculos definidos dos seus ombros e braços. Ele é um homem bonito, casual em seu jeans escuro e pés descalços, e, de repente, eu estou de luto pela perda dele quando ele borra do outro lado das lágrimas que inundam meus olhos. Agachando-se, ele cruza os braços sobre os joelhos, perguntando: — O que há de errado? — suavemente, suas sobrancelhas enrugam em preocupação. — Eu não quero ir embora. — minha voz é um mero sussurro quando fecho os olhos para impedir as lágrimas de caírem. Eu nunca expus este lado vulnerável a outra pessoa como me vejo fazendo com Declan. Eu sempre me orgulhei do quão bem eu posso moldar o ferro em torno de mim. Serena e equilibrada; a inveja de todos. Mas com ele? Levou algo que eu não achei que tinha em mim. Confiança. De alguma forma... em algum lugar ao longo do caminho, ele me levou a confiar nele, e na sequência, eu o deixei entrar. Ele agora ocupa uma parte de mim que só tinha reservado para Pike, mas Pike só preenchia algumas daquelas minhas partes. É Declan que me enche totalmente, quebrando a elasticidade, enchendo-me completamente e correndo para ocupar as outras peças vagas dentro de mim. A água dá voltas em torno de mim, e eu abro meus olhos para ver Declan, nu, dando um passo para dentro da grande banheira. Eu avanço quando ele se encaixa atrás de mim, me envolvendo em seus braços enquanto eu afundo em seu abraço. Ele lentamente penteia meu cabelo molhado com os dedos, e eu libero um leve zumbido de aprovação para o toque suave. Eu corro minhas mãos para baixo em suas pernas fortes, nas quais estou enfiada, e fecho os olhos novamente. — Incline para frente. — diz ele, e quando eu faço isso, ele começa a massagear suavemente a parte inferior das minhas costas. — Qual a sensação?


— Realmente boa. — digo a ele. Eu sofri de queimação no estômago e dor nas costas e cólicas, as mesmas dores que me levaram ao médico no início desta semana. Declan ficou realmente preocupado na outra noite, quando ele acordou para encontrar-me dormindo na banheira, completamente cheia com água quente. Ele me fez ligar para a médica para ver se ela poderia prescrever analgésicos, mas uma vez que estou grávida, não há nada que não seria prejudicial ao bebê. Então, eu tenho passado a maior parte do meu tempo imersa em banhos quentes, uma vez que parece ser a única coisa que me dá algum alívio real. A médica disse que este tipo de cólica é bastante comum durante uma gravidez de endometriose. — Eu odeio que você esteja indo embora quando está sofrendo tanto. — diz ele, enquanto massageia as minhas costas com os dedos. — Eu não quero ir. — Não. Fique. Eu não vou conseguir funcionar sabendo que você está com ele. Puxo meus joelhos para o meu peito, e envolvo meus braços nas minhas pernas, fazendo o meu pedido: — Fale comigo. — eu preciso que ele faça algo para me distrair da minha tristeza. — O que você quer que eu diga? — Conte-me sobre a sua casa, na Escócia. Como é lá? Ele me puxa para trás contra seu peito, pega uma toalha, e começa a mergulhá-la na água e torcê-la sobre os meus ombros e pescoço. — É chuvoso na maior parte do tempo. — ele começa, e eu fecho meus olhos, descansando minha bochecha em seu peito e ouvindo enquanto ele fala. — Mas o verde, extensas colinas, compensam a falta de sol. A paisagem é incrível. — É onde é a sua casa? No campo?


Ele arrasta a toalha em volta do meu pescoço e até os meus seios, respondendo: — Sim. É ao sul de Edimburgo na Galashiels. — Como é? — eu pergunto, meus olhos fechados enquanto ele continua a me acalmar com a sua voz e seu toque. — A propriedade chama Brunswickhill. Foi construída em meados do século XIX, uma mansão vitoriana neoclássica, mas foi completamente renovada antes de eu tomar posse há alguns anos. — Apesar disso, você está aqui. — Eu sei. — Alguma vez você já passou uma noite lá? — Não. Eu contratei alguém para cuidar do lugar, mas nunca realmente me hospedei lá ainda. — ele me diz. — Então por que você comprou-a? — pergunto. — Porque depois que meu pai vendeu sua casa para fixar residência permanente em Nova Iorque, eu senti que não tinha mais raízes lá além da minha mãe. — ele me diz. Abro os olhos e olho para ele quando pergunto: — É onde ela está enterrada? — Sim, é. — ele murmura. — Você comprou o lugar para ficar conectado com ela? Ele balança a cabeça quando olha para mim, e, em seguida, beija minha testa antes de continuar. — Você adoraria lá. Tem seis hectares, por isso é pacífica e tranquila, com uma excelente vista sobre o rio Tweed. — Conte-me mais. — Há um enorme jardim e uma gruta vitoriana construída inteiramente sem tijolos sob uma enorme cúpula envidraçada.


— Têm muitas flores? Ele deixa cair a toalha e envolve seus braços mim, colocando a minha cabeça debaixo do queixo, suspirando: — Sim, querida. Tons de vermelho e roxo. — Roxo? — eu questiono, minha mente de repente, vê as paredes roxas da minha infância. — Mmm hmm. — Eu não gosto de roxo. — murmuro baixinho, e ele não permite que um segundo passe antes de dizer: — Então vamos arrancá-las. Eu rio baixinho e, em seguida, ele pergunta: — Você nunca me disse qual é sua flor favorita. Eu espero um momento, embora já saiba a resposta, mas o pensamento sozinho agarra minha garganta, apertando-a quando revelo: — Margaridas. Eu gosto daquelas cor de rosa. — Margaridas? — ele questiona, surpreso. — Tal simples flor. Eu teria pensado em algo luxuoso. — Por quê? — Você parece como uma menina que gosta de coisas agradáveis, só isso. — ele responde casualmente enquanto se inclina para trás, puxando-me com ele, à medida que reclinamos. — Margaridas são agradáveis. Simples e agradáveis, é por isso que eu gosto delas. — Eu quero saber tudo o que você gosta. — É mesmo? — eu provoco levemente, e quando ele beija minha têmpora, ele diz: — Diga-me algumas coisas que você gosta.


— Mmmm. — eu cantarolo antes de revelar: — Eu gosto de chá, e eu gosto de cupcakes com granulados. Suco de maçã, mas só quando ele está em uma caixa de suco pequena. E eu gosto de margaridas. — Margaridas rosa. — ele esclarece, e eu aceno, repetindo: — Margaridas rosa. — Do que mais você gosta? Eu inclino minha cabeça para o lado para que eu possa vê-lo quando eu digo: — Eu gosto da sensação do seu maxilar com barba por fazer, quando você me beija. — Por quê? — Isso me faz pensar em como o beijo de um príncipe pareceria. Seu sorriso cresce à medida que ele questiona. — Príncipes não são barbeados? Estendendo a mão, eu corro minha mão em torno da curva do seu pescoço, dizendo: — Não nos meus sonhos. — antes de puxá-lo para baixo para me beijar. Seus lábios se movem suavemente com os meus, eventualmente levando a língua para me abrir, me degustando profundamente. Eu saboreio o gelado da sua boca, deslizando minha língua ao longo dela. Ele agarra meus quadris e me desembaraça para me deslizar sobre seu colo, com minhas pernas montadas nele. Seu pênis fica duro instantaneamente, e a necessidade de proximidade assume, então eu estendo a minha mão para sua ereção massiva, o guio para dentro de mim. Seus olhos se fecham quando eu desço lentamente para baixo em torno dele e fico parada. Nenhum de nós se move quando nos agarramos um ao outro – abraçados - pele contra pele. — Diga-me o que você quer. — ele ofega contra meus seios enquanto começa a dar beijos suaves abaixo do inchaço e sobre o meu mamilo, fazendo-o endurecer. — Isso.


— Diga-me. — ele insiste. — Só isso. Eu só preciso sentir você dentro de mim agora. — eu respondo, dando-lhe as minhas palavras honestas, porque eu preciso desesperadamente estar tão perto dele quanto possível agora. — Eu estou dentro de você. — ele diz, afrouxando os braços e deslizando a mão entre nossos corpos, apoiando-a no meu estômago. — Este sou eu dentro de você. Meus olhos umedecem conforme aceno com a cabeça, com a necessidade de acreditar que é uma parte dele crescendo dentro de mim e não de Bennett ou Pike. Eu

quero

que

seja

ele,

porque

tudo

que

eu

quero

é

simplesmente ele. Minhas lágrimas caem enquanto olho em seus belos olhos verdes. Olhos cheios de adoração por mim e eu o adoro tanto. Eu o amo. E agora estou duvidando de tudo, porque tudo que eu posso ver são as colinas da Escócia, uma propriedade do século XIX, e Declan com nosso bebê em seus braços. A dor do que significaria destruir tudo de bom neste homem e transformá-lo em um assassino por causa desse jogo doentio que Pike e eu tramamos - despedaça meu coração. Tentei manter o foco, tentei me desligar de sentir alguma coisa em relação ao Declan, eu tentei manter o plano. Mas eu não posso executá-lo. Isso não é um jogo; é a vida de um homem. A vida de um homem bom. Um homem que eu amo profundamente. Eu não posso arruiná-lo e transformá-lo em um monstro. Se poupar a vida de Bennett, mesmo que eu queira que ele sofra pelo que fez a minha vida, significa que a vida de Declan não será destruída, eu vou fazer isso. Matar Bennett não vale a pena sacrificar Declan. Minhas lágrimas crescem, transbordando pelo meu rosto enquanto eu sussurro. — Eu te amo. Tudo o que eu quero é você. Você, eu e esse bebê. Seu pênis engrossa dentro de mim com cada palavra que eu falo, mas ele não me pede para me mover enquanto nós permanecemos conectados, presos


intimamente. Eu sei o que devo fazer, e não vai ser fácil. Pike deu-se demais nos últimos anos, enquanto estive casada com Bennett. Mas eu não posso fazer isso. Eu não vou fazer isso com Declan. A verdade é que eu não tenho que matar Bennett para ter o meu conto de fadas, minha segunda chance, porque esse conto de fadas está aqui nos meus braços. Esta é a felicidade que senti falta toda a minha vida. Então eu vou para Pike e falar que acabou. Dizer a ele que vou pular fora, divorciar do Bennett, e desistir das minhas cartas. Eu vou viver o resto da minha vida como Nina, a menina do Kansas, se isso significar que não vou perder Declan. Eu vou enterrar meu passado. — Eu quero possuir cada parte de você. — ele geme enquanto seus olhos incendeiam com calor, os dedos pressionando na minha pele quando ele agarra minha bunda. — Você já possui. — Agarre meus ombros e se mova. — ele ordena, e eu obedeço, levantando-me ao longo do eixo do seu pênis antes de deslizar de volta para baixo. Eu continuo a trabalhar o comprimento dele, minha boceta confortável em torno dele, agarrando-o em êxtase, necessitados, à medida que a água circula nossos corpos. Ele manipula um dos meus seios com a sua mão, puxando meu seio endurecido enquanto arrasta a língua sobre o outro, antes de chupar ferozmente em sua boca. Com os dentes à mostra, ele raspa-os ao longo da pele delicada e então morde com força. Gritando em uma aura fervilhante de prazer e dor, eu monto seu pênis, revirando os quadris sobre ele. A água quente em redemoinhos sobre o meu clitóris inchado com cada um dos meus impulsos, me dirige para meu auge. Declan continua a trabalhar nos meus seios, me lambendo com a língua, banqueteando-se como se eu fosse sua última refeição e ele precisasse de mim para sobreviver. Então ele agarra meus quadris, me empurrando para bater contra ele, conforme mete o pau mais profundamente dentro de mim, atingindo aquele feixe de nervos como só ele faz, e eu não consigo resistir. Deixo cair a


cabeça para trás, ele encontra rapidamente minha mão, entrelaçando os dedos e apertando-os com força. Eu pulso e espasmo em torno dele quando a luz incolor do meu orgasmo explode, deixando-me cega. Quando eu contorço contra ele, ele envolve o braço livre na minha cintura e rudemente empurra meu corpo para baixo, sobre seu pênis. Ele pulsa dentro de mim, crescendo e contraindo com cada bomba de esperma que atira dentro de mim. — Foda-se. — ele geme de um jeito bruto, sensual enquanto nós dois gozamos juntos. Segurando-me perto dele, meu corpo começa a tremer em choques posteriores ardentes. Estou completamente envolvida em Declan quando ele finalmente puxa a cabeça para trás. Nossas respirações são irregulares e difíceis à medida que tentamos nos acalmar. Com uma voz vacilante, Declan ofega: — Eu quero fazer tudo o que você já sonhou em ser. E com essas palavras, eu não preciso de qualquer convencimento. Foda-se Bennett. Foda-se a vingança. Foda-se tudo. Tenho tudo o que sempre desejei aqui mesmo, dentro deste homem bonito.


Capítulo Trinta e Quatro Presente

E

u não fui ver Pike

ainda. Eu sei que preciso, mas eu tenho medo de como ele vai reagir à notícia de que eu quero sair disso. Bennett está de volta na cidade nos últimos dias, e encontro-me importando cada vez menos sobre brincar de ser sua esposa. Para mim, é o fim, mas eu sinto que não posso sair até que eu fale com o Pike. Eu vi Declan todos os dias, desde que Bennett voltou, e dizer que ele está ficando impaciente comigo é um eufemismo grave. Minhas desculpas estão se esgotando, assim, termino de me aprontar para sair e contar ao Pike o novo plano — o plano que irá, pela primeira vez, deixá-lo sem mim ao seu lado. A culpa é insuperável neste momento. Como você diz ao homem, que provavelmente está apaixonado por você, e aquele que tem sido o seu protetor durante os últimos 20 anos, que já não são mais vocês dois? Que você se apaixonou e quer ficar com a outra pessoa? Pike e eu sempre estivemos juntos, sempre honestos um com o outro, até agora. Eu disse a ele que eu não amava Declan, mas eu sabia que ele podia ver através de mim. Ver mais profundamente do que até eu mesma poderia naquele ponto. Eu sabia que eu me importava com Declan, que ele era um amigo, que eu estava ficando atraída, mas eu ainda não tinha percebido que já tinha caído na dele. Mas Pike já sabia; esse é o tanto que somos conectados. O telefone de casa toca enquanto coloco meu suéter, e quando eu atendo, é Manuel do térreo.


— Senhora Vanderwal, me desculpe incomodá-la, mas há um cavalheiro aqui dizendo que ele é um primo seu. — O que? — eu questiono, perguntando quem diabos está lá em baixo, e então eu ouço a voz inconfundível de Pike, argumentando: — Cara, deixe-me subir. — Sim, por favor, Manuel. — rapidamente rajadas de medo desenfreado lançam-se através de mim. — Vá em frente e mande-o para cima. Meus nervos falham, confusos, porque diabos Pike viria aqui. Ele nunca vem aqui. Nós concordamos desde o início que os nossos caminhos nunca iriam cruzar fora de Justice, assim enquanto ando pelo hall de entrada, à espera da sua batida, eu tento lidar com meus pensamentos e me recompor, sabendo o tempo todo o que devo dizer a ele. Quando a batida vem, eu abro a porta, pego o seu braço, e puxo-o para dentro, tirando. — Que merda você está fazendo aqui? Mas seus olhos não encontram os meus, em vez disso, varrem ao redor da sala, apreciando minha casa nos últimos quatro anos. — Puta merda. — ele murmura. — Então esse é o lugar onde você esteve, enquanto estou apodrecendo naquele tanque merda? — Pike, o que você está fazendo aqui? Você está louco? E se Bennett estivesse em casa? — Relaxe, Elizabeth. Fiquei sentado do lado de fora durante toda a manhã esperando aquele merda sair. — diz ele, passando por mim e na sala de jantar. — Então... — ele começa, deixando que a palavra permanecesse enquanto ele arrasta um dedo no comprimento da mesa de jantar em madeira de cerejeira. —... Onde diabos você esteve no mês passado? — suas palavras raspam com frustração. — Eu - eu sinto muito. Eu s... — Corte a merda. Você me disse que Bennett estaria fora da cidade na semana passada, mas você não foi me ver nenhuma vez. Por que?


— Pike, por favor. — eu digo em uma voz trêmula enquanto calafrios atropelam meus braços vacilantes, aterrorizados com o que eu estou prestes a revelar. — Por Favor? Que diabos está acontecendo com você, Elizabeth?! — ele grita, sua voz ecoando através do espaço aberto, enquanto ele bate com o punho na mesa. — Você costumava correr para me ver no segundo em que Bennett saía, você costumava implorar pelo meu pau, mas agora, quando você finalmente decide mostrar o seu rosto, você corre para fora da porta. — Por que você está gritando comigo?! — eu grito. — Porque você tem um trabalho a fazer e não está sendo feito! — anda na borda da mesa e volta para mim, mas quando chega perto, eu dou um passo para trás. — Por que não está sendo feito? Meu pulso acelera enquanto gaguejo as palavras que estive com medo de dizer a ele. — P-Porque... — Porque o que? — ele sibila, enquanto ele olha pra mim. Engolindo em seco, eu forço as palavras. — Porque eu quero desistir. Seu maxilar estremece e ele começa a abrir e fechar as suas mãos em punho ao seu lado ritmicamente. Ele espera um momento antes de quebrar o silêncio, fervendo: — O que quer dizer com você quer desistir? — Pike, por favor, não fique bravo comigo. — eu digo, tentando manter minha voz calma. — O que quer dizer com você quer desistir? — Eu não posso... eu não posso mais fazer isso. — meu rosto aquece com as lágrimas que ameaçam. — É Declan, não é? — Eu sinto muito, Pike. Eu nunca pensei...


— Você é nada para ele, exceto uma ilusão, Elizabeth. — ele fala, me interrompendo. — Eu o amo. Minha confissão acende uma fúria em seus olhos, e quando ele dá mais um passo em minha direção, eu dou outro para trás, irritando-o. — Então, e agora? Você acha que ele te ama também? — Sim. — eu ofego. —Você está cheia de merda. Você não tem ideia do que você está dizendo. Você está tão envolvida com essa mentira que está comprando essa falsa realidade. Mas é falso, Elizabeth. Não é real. — É sim. — Não é. Você não é Nina. Você não consegue ver isso? — E quem é Elizabeth? Hein? Quero dizer... quem ela é de verdade? Ela sou eu? — eu questiono, conforme as imposições quebram e as lágrimas rolam pelo meu rosto. — Porque ela não parece como eu. Porque ela nunca deveria ser eu! — minhas palavras agora gritos, gritos implorantes. — Ela só existiu por causa de Bennett! — É isso mesmo, Elizabeth! — ele fala furiosamente. — Bennett! Sinta esse ódio! Ele é a razão para tudo isso! Não perca de vista o que ele fez com a sua vida! Com a vida do seu pai! E a minha fúria assemelha a dele, exceto que a fúria é vestida em uma massa de tristeza e desespero quando grito: — Eu sei! Deus, eu sei, mas não posso fazer isso. Eu não posso destruir Declan desse jeito. — Foda-se Declan! Ele é o peão. Ele sempre foi o peão, e você, a rainha. — Mas às vezes a rainha cai.


— Não. — ele diz com firmeza, enquanto suas mãos apertam meus ombros, que tremem por causa das minhas emoções. — Eu não vou deixar você cair. — Eu já caí, Pike. Eu quero desistir. Vou terminar isso; vou me divorciar de Bennett, e ninguém nunca vai ter que saber sobre isso. Seus dedos apertam os meus ombros, dolorosamente. — Você não o ama. — ele sussurra, e eu ouço cada pedaço de dor que ele está tentando esconder, mas eu não posso mentir. — Eu o amo. — eu digo sob a minha respiração, e assim que ele deixa cair sua cabeça, ele levanta-a de novo. O olhar em seus olhos se transforma em pedra fria, e ele dá alguns passos para trás, soltando suas mãos de mim. Sua mudança repentina de comportamento me chacoalha à medida que o vejo começar a tremer sutilmente a cabeça, antes de questionar: — Você está deixando de me contar alguma coisa? — O que você quer dizer? — Eu quero falar sobre fato de que sua mão não deixou o seu estômago pelos últimos minutos. — ele diz, e quando eu olho para baixo, vejo que estou com a minha mão direita, onde ele disse que estava - um ato inconsciente de proteger o que está dentro e, de repente, todo o sangue drena para fora de mim, me deixando totalmente aterrorizada, enquanto assisto a superfície de ódio perverso em seus olhos. Você já ouviu falar da primeira lei do movimento de Newton, certo? Aquela que afirma que um objeto em movimento permanecerá em movimento a menos que seja influenciado por uma força desequilibrada? É uma ciência que não pode ser negada, e com o jogo na velocidade máxima, eu estou prestes a aprender as consequências catastróficas desta lei. — Pike. — eu falo suavemente, precisando que ele se acalmasse. — Diga-me que estou ficando louco agora. Que não estou pensando claramente. Que eu não estou...


Levantando a minha mão na minha frente, eu tento persuadir com as minhas palavras enquanto falo devagar: — Por favor, Pike. Eu preciso que você só... E então ele se perde, explodindo como uma granada, gritando com acidez: — Diga-me você não está grávida porra! — Pike! — eu grito, conforme ele agarra meus braços violentamente. Seu rosto vermelho - furioso, cuspindo as palavras: — Que porra é essa que você fez? — Nada! Solte-me. — eu grito, em pânico, empurrando para me libertar do seu poder sobre mim. — Conte-me! — Sim! — eu grito imediatamente de volta, e ele libera seu aperto. Ele se afasta de mim, passando as mãos com raiva por seu cabelo, enquanto fico aqui, nervosamente aguardando a sua próxima jogada. Ele mantém as costas para mim quando continua a falar: — Você está fodidamente grávida. Jesus Cristo. E não pode ser meu, porque você não tem fodido comigo. Eu não o corrijo, porque ele supõe que eu não esteja tão avançada como realmente estou. Este bebê poderia muito bem ser dele. Ele se vira para trás, e o olhar em seus olhos me assusta pra caralho. Não vejo Pike atrás dele, apenas uma versão monstruosa do que poderia ser meu irmão. E quando ele começa a se mover na minha direção - corpo tenso - o horror estridente me apunhala. — Isso acaba agora. Eu gastei muitos anos para que você foda tudo. — O que você quer dizer? — eu pergunto e começo a me afastar dele. E então meu mundo entra em um paradoxo da fúria num movimento rápido e lento.


Seu braço se levanta com um punho fechado. Meus braços envolvem o meu estômago. Punho descendo. Meus olhos fechados com força e distanciando. A colisão de juntas encontra meu maxilar. Golpe após golpe, ele é implacável e eu caio sem vida no chão. A luz começa a desvanecer-se enquanto meus gritos acalmam-me na escuridão. Meus pulmões afundam com cada chute fatal no meu estômago, e não há nada que eu possa fazer deitada aqui indefesa com este monstro em cima de mim. Um espancamento incendeia as rupturas de dor por dentro, me paralisando como um cadáver, e sinto tudo quebrando dentro de mim. Meus gritos ficam sem fôlego e tudo desaparece enquanto Pike grunhe, como um animal selvagem, martelando sua bota mais e mais e mais no útero que carrega a minha parte mais pura. A tinta preta sangra em cima de mim à medida derivo no nada. Eu sou um túmulo vazio. Olho para cima, vejo um céu escuro, piscando com diamantes. Milhares deles. Não há mais dor, não há nada nesta solidão de puro silêncio mortal, enquanto eu deito aqui e olho em um buraco negro sem fim. Desejos. Eu poderia fazer uma quantidade infinita deles com todas as estrelas que brilham acima de mim. Mas eu não estou deitada no chão. Eu não sinto nada quando flutuo no espaço negativo. Onde estou? Como cheguei aqui? E então eu o vejo. Meu velho amigo. Ele nunca muda e aquela constante que alimenta o desespero que sempre me seguiu. Seu corpo verde e amarelo sanfonado esgueira-se de mim, e é então que eu percebo o quão pequena estou, porque ele parece ser do mesmo tamanho que eu.


— Eu senti sua falta. — ele fala com seu sotaque inglês eloquente. — Eu também senti sua falta, Carnegie. — Onde você esteve? — No inferno. — É por isso que você voltou? — ele pergunta. — Eu nem sei como cheguei aqui. — digo-lhe, e ele sorri, dizendo: — Talvez alguém sabia que você precisava de uma pequena pausa do inferno. — enquanto ele acena com a cabeça para o céu. — Talvez. — eu sussurro e rolo sobre a minha barriga. É então que vejo onde estou. Grandes, lâminas verdes de pé, altas sobre a massa da terra abaixo. Árvores gigantescas que margeiam um mar de água escura. Flores maciças, brilhantes são iluminadas pela lua cheia acima, lançando seu brilho sobre a variedade de flores coloridas, exóticas; rosa, laranja, amarelo – mas sem roxo à vista. E quando meus olhos deslocam para baixo, eu tomo um fôlego de espanto quando percebo por que Carnegie não parece ser tão minúsculo. Meu corpo é um tubo, amarrado em rosa e preto, e quando eu olho para trás, Carnegie, ele ri. — É espetacular, não é? — Eu sou uma lagarta! — eu digo em espanto. — Carnegie, você vê isso?! — Eu vejo. E então tudo vem junto. Eu finalmente consegui. Estou aqui... na floresta mágica... e eu sou uma lagarta, flutuo em uma lagoa que parece como um oceano, porque eu sou tão pequena. Eu começo a rir enquanto nós flutuamos em nossa jangada almofadada de lírio. — É bom ver você sorrindo. — ele diz, conforme corro ao redor da folha grande, verde, deleitando-me com a minha nova forma. Serpenteando por lá, eu respondo: — Faz tempo que não sinto essa liberdade.


— Posso fazer uma pergunta? Rindo, depois de virar meu corpo em uma bola e descobrir que posso rolar, eu demoro alguns segundos brincando, antes de perceber seu pedido, respondendo: — É claro. — enquanto eu arrumo meu corpo vou na direção dele. — Por que você sente como se estivesse no inferno? Sua pergunta entorpece meu fervor, e quando eu achato o meu corpo contra a almofada de lírio, digo-lhe: — É sempre inferno, Carnegie. Mas, ultimamente, está esmagador. — O que aconteceu? — É uma longa história. — Olhe ao seu redor. — diz ele. — Eu não tenho nada, exceto tempo. — Eu tenho certeza, mas reviver tudo não é algo que eu gostaria de fazer. — Então me diga o que aconteceu por último. Eu pisco e depois olho para o céu preto, iluminado com as estrelas, e digo: — Eu me apaixonei. — Ahh, amor. — ele fala, como se fosse sábio nesse espectro, então eu pergunto: — Você já se apaixonou? — Eu? — ele questiona, com vista para a água. — Não. Eu fui transformado em uma lagarta antes de ter a chance de experimentar essa emoção. Mas eu me pergunto por que é o inferno o que você sente. — O amor é a única parte desta história que não é o inferno. — Diga-me como é. Amar. Alguns vaga-lumes acima chamam minha atenção, e enquanto eu os observo

fazendo

traços

deslizando

de

roda

luz,

eu

respondo:

Surpreendente. É como uma urgência que nunca pode ser saciada porque você não pode ter o suficiente. Um dia, você está andando pela vida, pensando que


você está satisfeito, bem, tão satisfeito quanto possível, e então, quando você finalmente sente o clique e tem o seu primeiro gosto do amor, você percebe que esteve morrendo de fome a sua vida inteira, mas nunca soube. E que uma pessoa é tudo que você precisa para realmente se sentir vivo. — E você encontrou isso? Dando Carnegie minha atenção novamente, eu respondo: — Sim. Eu nunca soube qual era a sensação de respirar até que eu o conheci. — Então, qual é o inferno? — ele pergunta. — O homem com quem sou casada. — Aquele que lhe permite respirar? — Não, o que colocou a corda em volta do meu pescoço e me causou uma vida de sofrimento. — eu digo a ele e seus olhos redondos arregalam. — Estou confuso. — Eu me casei com meu inimigo. — eu começo a explicar. — E o homem que acabei apaixonando era alguém que eu deveria enganar, para matar o meu marido. — Por que você quer que seu marido morra? — Porque quando eu tinha cinco anos, fui arrancada do meu pai. Ele foi pego e foi para a prisão, onde ele acabou sendo assassinado, e eu fui para um lar adotivo horrendo. — O que o seu marido tem a ver com isso? — Tudo. — eu digo, enquanto continuamos a flutuar em torno da água lisa. Liberando uma respiração profunda, eu começo a contar-lhe a história da prisão do meu pai e como Pike foi determinado para encontrar respostas para mim quando estávamos mais velhos.


— Demorou um pouco, mas depois de passar por registros policiais do meu pai e Pike chantagear seu antigo assistente social pelo meu arquivo, nós finalmente descobrimos que tudo começou com uma denúncia de abuso infantil. Continuamos a cavar, porque o meu pai era o homem mais gentil que eu conhecia e nunca tinha colocado a mão em mim. E então nós encontramos. A chamada para a DCFS19 foi feita pela família Vanderwal. — Quem são eles? — Eu vou te dar uma pista. — eu digo. — Quando me casei com meu marido, Bennett, eu peguei o seu nome. — Vanderwal. — conclui ele. — Mas por que ir atrás dele se foram os pais dele que fizeram a chamada? — Porque nesse arquivo havia uma entrevista. A entrevista foi com Bennett. — A denúncia partiu dele? — Sim. — eu respondo enquanto sinto o ódio começar a ferver dentro de mim. — O que ele disse? — Ele estava voltando para casa, vindo da casa de um amigo, uma tarde, e quando ele passou na minha, ouviu brigas e gritos vindos de dentro. Ele viu o meu pai pela janela bater em alguém, mas ele não podia ver a outra pessoa. Ele assumiu que era eu que estava sendo atingida, então ele foi para casa, contou para os seus pais, e a chamada para DCFS foi feita. — Em quem seu pai estava batendo? — Eu não estava em casa naquela tarde, porque eu teria ouvido. Eu provavelmente ainda estava na pré-escola ou algo assim. Mas olhando para trás, com a informação que tenho agora, era mais provável que fosse alguém que 19

Department of Children and Family Services – Departamento de Crianças e Serviços Familiares.


estava fazendo negócios com ele. Talvez um negócio foi mal; quem sabe? — eu digo a ele. — A coisa é, o Estado fez a sua investigação. Mas eles não conseguiram encontrar quaisquer sinais de abuso ou negligência. No entanto, observou-se que a assistente social notou atividade suspeita na casa durante a ronda aleatória, então um pedido de investigação foi entregue ao departamento de polícia, que descobriu o tráfico de armas. E foi isso, ele foi preso, e eu nunca mais o vi. Essas últimas palavras me sufocam, a dor daquela última imagem do meu pai. Nunca desapareceu; meu pai, de joelhos, as lágrimas escorrendo pelo seu rosto, suas palavras, tentando me convencer de que tudo ficaria bem. Quando Carnegie começa a se aproximar de mim, encontro um novo ponto na almofada de lírio, sou retirada da memória triste, e ele questiona: — Então por que você se casou com ele? — Eu sentia aquele desejo ardente de vingar o assassinato do meu pai, fazer Bennett pagar por todos os abusos que sofri em um orfanato, por tudo o que foi roubado de mim. Minha inocência. Minha fé. Minha infância. Minha confiança. Meu pai. Meu futuro. Tudo. — Bennett é a razão pela qual houve uma lupa colocada no meu pai. Foi Bennett, que abriu a boca, fez uma afirmação falsa, e destruiu duas vidas, mas ele continua feliz, saudável, tornando a sua vida um sucesso glorioso. Essa era para ser a minha vida. Mas, por causa dele, ele levou tudo para longe de mim e


acabei sendo estuprada, molestada, presa em um armário, deixada por dias toda cagada e mijada. Essa é a vida que Bennett me deu. — Eu queria fazê-lo pagar pelo que fez. Eu queria vingança. — Mas você se apaixonou. — diz ele, e eu sussurro minha confirmação. — Eu me apaixonei. — E agora? — E agora tudo o que eu quero é salvar Declan da destruição. Eu ainda quero matar Bennett. Eu ainda quero fazê-lo pagar, mas não que isso custe a boa alma do homem que eu amo. — Deixe-me perguntar uma coisa. Quantos anos tinha Bennett quando disse a seus pais que ele pensou que estava sendo abusada? — Onze. Carnegie leva um momento antes de dizer: — Apenas um garoto. Um garoto jovem, inocente que viu algo que provavelmente o assustou, pensando que você era aquela sendo espancada, e sua primeira reação foi para ajudar. — Mas ele não ajudou, e meu pai acabou morto. — eu defendo. — Ele era apenas um garoto tentando fazer a coisa certa. — ele contrapõe, mas em vez de aumentar a frustração, a tranquilidade de estar neste lugar, com Carnegie mantém minhas frustrações na baía. — Posso te perguntar uma coisa? Concordo com a cabeça. — Qual é a responsabilidade que o seu pai tem em tudo isso? — Meu pai era um bom homem. — eu declaro. — Eu não estou tomando isso dele. Mas todo mundo tem dois lados, e seu pai era um traficante de armas, não era? Espero um momento e concordo: — Sim. Ele era. Mas ele nunca fez mal a ninguém.


— Mas ele sabia que as armas ilegais machucariam alguém. Ele pode não ter sido aquele a puxar o gatilho real, mas de uma maneira, ele puxou o gatilho. — diz ele antes de acrescentar: — E não teria importado o que Bennett disse, o fato é que, se o seu pai não tivesse lidando com algo ilegal, a alegação de Bennett teria caído e nada teria acontecido. — Eu sei o que você está tentando fazer. Você está tentando ser a voz da razão, mas eu nunca aleguei ser uma pessoa racional ou razoável. — Alguma vez você já teve uma voz da razão? — ele questiona. — Eu só tive Pike, e ele é tão ferrado quanto eu, se não mais. Nós somos pessoas doentes; eu sei disso. Mas quando você cresce como nós, você não pode esperar a sanidade. — eu digo. — Meu pai era bom. Ele não merecia a vida que foi oferecida a ele depois do que Bennett fez. Eu não merecia isso também. A coisa é, sempre haverá alguém próximo na fila depois do meu pai. O tráfico de armas não para, então qual é o ponto? O mundo não está de repente bom agora que meu pai não está aqui. — Então você planeja matar? — Eu costumava fantasiar sobre qual seria a sensação de matar quando eu era criança. — eu admito. — O pensamento me trazia uma sensação de satisfação e me deixava eufórica. Alívio. Liberdade. Paz. Eliminar o ruim de verdade, removê-lo, de modo que você não precisa mais existir em um mundo onde ele está. — Você não pode viver assim. Matar e prendendo-se ao passado. — Eu não estou prendendo-me nele, estou tentando deixá-lo ir. — Você não o deixou. Em vez disso, você se casou com ele, e agora ele está controlando todos os aspectos da sua vida. Você conheceu um homem que você ama, mas Bennett tem mais poder, porque ele é seu marido e você foi obrigada a preencher este outro homem com mentiras... por causa de Bennettpor causa do passado, que você está se recusando a deixar para trás.


Suas palavras me batem forte. Mas como você deixa uma ferida que é tão profunda, que não há chance de cura, pelo menos não sem uma cicatriz feia, para lembrá-lo dela? Então, eu simplesmente pergunto: — Como posso deixar para trás? — É fácil, realmente. Você encontrou o que te faz feliz, e você anda em direção a ela, deixando o passado para trás. — ele me diz. — Então, o que você precisa perguntar a si mesma é: o que faz você feliz? — Declan. — minha resposta vem sem pensar duas vezes, ou hesitação. — Então vá para ele. Vá encontrá-lo e não olhe para trás. Logo a felicidade será suficiente para enfraquecer o controle que o passado tem sobre você, e não vai machucá-la tanto quanto agora. — Mas eu estou aqui. Como faço para voltar? — pergunto e vejo que ele vai até a borda da folha, e quando passamos por um tronco flutuante na água, ele desliza para dentro dele, quando a casca encontra a almofada de lírio. — Carnegie, espere! Como faço para voltar? — pergunto conforme começo a afastar do tronco. — Há sinais em todos os lugares. Você tem apenas que olhar para eles. — ele me diz. — Volte e visite-me, está bem? — Volto. Todas as noites nos meus sonhos. — Mas isso não é um sonho. — Isso não é um sonho? — eu pergunto, de repente, muito confusa sobre o que é isso, e sua resposta não ajuda quando ele diz: — Isso é o seu despertar. — antes de sair com seu corpo em espiral, pelo comprimento do tronco e, eventualmente, desaparecer na floresta. Eu continuo a flutuar sem rumo em torno da lagoa, olhando para o céu, pensando em tudo o Carnegie disse para mim. Ele está certo; eu preciso ir embora do meu passado, se eu não quiser que ele me siga.


As horas passam enquanto desfruto da tranquilidade serena que me rodeia, e quando eu vejo o brilho do sol nascente por entre as árvores na distância, seus raios brilhantes iluminam a água turva. É então que eu vejo o meu sinal. Lâmpadas verdes que saem da água começam a se abrir, centenas delas. Uma por uma, flores de lótus florescem, espalhando suas pétalas brancas puras sobre a água confusa. Elas são lindas, e quando eu flutuo nas flores, eu tenho que apertar os olhos contra a luz brilhante que o fulgor do sol está criando neste paraíso perfumado, branco.


Capítulo Trinta e Cinco Presente

E

SCURIDÃO.

Nada além de negro quando eu estou aqui acordada, embora eu não esteja acordada. Eu posso sentir a mão quente acariciando meu braço enquanto inalo um cheiro familiar. Bennett. Meu corpo dói, pulsando com uma dor entorpecida, mas quando tento mover, eu não posso. Quando tento abrir meus olhos, não consigo. Mas posso sentir o toque de Bennett. Eu posso sentir o cheiro dele. Eu posso ouvir o sinal sonoro constante de uma máquina que me alerta para o fato de que eu estou em um hospital. A última coisa que me lembro é de estar deitada, desamparada no chão da minha sala de jantar, enquanto Pike lançava chute após chute violento no meu estômago. Meu estômago! Meu bebê! Eu não consigo acordar. Mas eu, ao menos, quero? Eu já sinto falta de Carnegie. Eu realmente quero acordar para encontrar o horror que está esperando por mim? O que aconteceu com Pike? Por que ele fez isso?


— Senhor Vanderwal. — uma voz suave, feminina diz, mas não consigo ver nada quando estou deitada aqui no meu estado de coma. — Finalmente. — diz ele com uma urgência em sua voz. — O que está acontecendo? Ela vai ficar bem? — Ela está estabilizada, mas ela tinha um monte de hemorragia interna. Infelizmente, houve uma hemorragia feto-materna e no momento em que ela chegou aqui pela ambulância, ela já havia perdido o bebê. Não! Deus, não! Com toda a força que tenho, tento me mover, fazer alguma coisa, mas nada acontece. Eu estou presa, incapaz de soltar um grito, um grito, um movimento, algo para liberar o tormento que está começando a inundar dentro de mim. — Bebê? — Bennett pergunta. — Que bebê? Oh, Deus. — Sua esposa estava grávida. — Não. Deve haver algum engano. Minha esposa tem endometriose. Ela não pode engravidar. — ele refuta. — Eu sinto muito. Eu sei que este é um momento difícil, mas de acordo com seu arquivo da ginecologia e obstetrícia que foi enviado por fax, parece que a gravidez foi confirmada na semana passada. Notei que uma ultrassonografia foi realizada, indicando, nesse momento, que ela estava com quase dez semanas de gravidez. Eu não ouço uma resposta de Bennett, e eu só posso imaginar o choque no momento. Bennett, fale. Diga alguma coisa. — Eu vou dar-lhe algum tempo. — ela diz. — Eu volto para checá-la. Se você precisar de alguma coisa, é só apertar o botão de chamada, ok?


— Sim. — ele responde em um fôlego, e quando ouço a porta fechar, ele retira a mão do meu braço, e o quarto fica silencioso. Eu não posso nem pensar em Bennett, tudo o que posso pensar é no meu bebê. O bebê que Pike levou para longe de mim. O bebê que Pike matou. Ele sabia exatamente o que estava fazendo, batendo no meu estômago tão violentamente quanto ele fez. Eu o odeio. Eu me agito como uma maníaca por dentro, tentando me libertar, mas meu corpo não responde. Eu estou paralisada nesta cama. — Ela está no hospital. — diz Bennett, mas eu não ouço mais ninguém na sala. — Eu preciso que você venha aqui agora. — ele exige. — Traga tudo que tem sobre ela. Ele tem que estar no telefone, mas do que diabos ele está falando? Com quem ele está falando e o que eles têm sobre mim? Porra. O que está acontecendo? Eu preciso sair daqui. Eu preciso encontrar Declan. Não consigo respirar. Oh meu Deus, eu estou em pânico e não posso respirar. Máquinas começam a apagar, enchendo a sala com sinais sonoros altos. — Enfermeira! — Bennett grita e, momentos depois, um fluido frio corre através das minhas veias e eu derivo pacificamente.

— O que diabos aconteceu? — eu ouço a voz de um homem dizer. Soa familiar, mas minha cabeça está tão confusa à medida que saio de um sono profundo.


— Eu recebi um telefonema da Clara. Ela foi para a cobertura e encontrou Nina espancada e inconsciente. Eu não sei o que aconteceu. Falei com a polícia e eles estão investigando. — diz Bennett. — Diga-me o que você sabe. — Você quer fazer isso aqui? — o homem questiona. — Sim. — O nome dela não é Nina. Ah não. Não não não não. — O que você está falando? — Bennett pergunta. — O nome dela é Elizabeth Archer. Uma criança adotiva fugitiva. — revela. — Está tudo no arquivo. — Archer? Parece familiar. Deveria, seu idiota. — Seu pai foi preso por tráfico de armas internacional. — diz o homem. — Eu a conheço. — Parece que ela veio direto para você. Um conselho... chame o seu advogado. — Assim que você puder, quero vigilância montada. — Bennett exige, mas não há necessidade. Estou cheia dele, e a única coisa que sou culpada é de roubo de identidade. — O caso que você originalmente suspeitou, ela está tendo um. O nome é Declan McKinnon. — Foda-se. — ele sussurra. — O que ela está tramando? — Aqui está o arquivo. Está tudo nele. — há uma longa pausa antes do cara falar novamente: — Eu vou conseguir a segurança. Tudo deve ser posto em prática amanhã ou no dia seguinte.


A porta clica e eu sei que estou sozinha com Bennett, o que me assusta, porque eu já não tenho controle. Ele não é um homem estúpido. Se ele ainda não descobriu, não vai demorar muito. Porra! Por que eu não consigo acordar? — Elizabeth. — ele sussurra, e eu posso dizer que acabou de clicar com o seu tom de reconhecimento. — Eu sempre me perguntei o que aconteceu com você. Mentira. — Rick. — ele diz, falando o nome do nosso advogado. — As coisas poderiam ser melhores. Olha, eu tenho algo que não pode esperar. Quando você pode me ver? O que ele vai fazer? Merda. Por mais que eu odeie Pike agora, eu preciso dele. — Não, isso funciona. Vou sair agora. Eu escuto os movimentos ao redor da sala, quando uma voz feminina diz: — Eu preciso trocar alguns dos seus curativos. — Tudo bem. Eu estava de saída. — Bennett responde. — Aqui está o meu cartão. Eu quero que você me ligue assim que ela acordar, e eu quero dizer no mesmo segundo. Ele sai, e eu continuo aqui no meu estado comatoso, incapaz de reagir a qualquer coisa. Eu não sei o que estou fazendo ou o que vai acontecer comigo. Preciso correr, encontrar Pike. Eu odeio que ainda precise dele, mas as coisas estão indo em direção ao sul, e rápido.


Sei que ele está aqui. Eu posso sentir cheiro de flores de lótus, e só com isso, a ânsia ardente que esteve inflamada cede e eu me sinto segura. Sua mão está sobre minha barriga, outra vasculha o meu cabelo, e eu desejo abrir meus olhos. Para mover, para fazer qualquer coisa para que ele saiba que eu posso senti-lo. Meu corpo dói tanto, conforme meus músculos começam a flexionar e mover. É isso aí. Vamos; acorde. Acorde. — Nina? — ele diz, sua voz é triste, mas eu preciso ouvir. Eu preciso que essa voz me tire dessa escuridão. — Você pode me ouvir? — pergunta ele, agarrando minha mão e, finalmente, eu posso sentir meus dedos se moverem. — Baby, por favor, acorde. Basta abrir os olhos. Mostre-me que você ainda está comigo. Eu me agarro às suas palavras, e, finalmente, luz infiltra. Meus olhos piscam, respondendo ao pedido do meu corpo. — Graças a Deus. — ele suspira de alívio quando a minha visão turva começa a clarear. Ele se inclina sobre mim, beijando minha testa, e eu estendo a mão para cima, para agarrar qualquer parte dele. — Eu estou aqui, querida. — ele garante e eu aperto sua camisa, e sua mão cobre a minha. — Eu estou aqui. — ele continua a acalmar, e quando eu tento falar, eu engasgo. — Shh, relaxe. Você tem um tubo na sua garganta. Apenas relaxe, ok? Concordo com a cabeça, dando algumas respirações profundas, permitindo que seu sotaque suave, sussurre para me acalmar, e noto a flor de lótus branca única que está deitada na cama ao meu lado. — Lamento, não estar aqui antes. Quando eu não soube de você, eu liguei para todo lado até que encontrei você aqui. Eu alcanço e toco o tubo que sai da minha boca e balanço a cabeça, precisando lhe dizer que quando eu sair daqui, vou para casa com ele. Eu preciso que ele saiba que acabou com Bennett e que é ele que eu quero, mas ele


pega a minha mão, me lendo bem, dizendo: — Está tudo bem. Você não precisa dizer nada. — seus olhos são duros e sérios quando ele diz: — Você nunca vai voltar para aquele bastardo novamente. Você vem para casa comigo. Eu nunca deveria ter deixado você sair da minha casar na outra noite. Concordo com a cabeça, concordando com tudo o que ele está dizendo. — Ele nunca vai tocar em você de novo. Eu coloco minha mão sobre a dele, que ainda está na minha barriga e o vazio é demais quando começo a chorar. Ele mantém os olhos na minha barriga, meu vestido do hospital em punho na sua mão. Seu rosto enruga, como se ele estivesse tentando preparar-se para o pior quando finalmente pergunta, sua voz saindo rouca: — Por favor, diga-me o bebê está bem. E quando ele finalmente traz os olhos para mim, eu já posso sentir os sais corroendo na minha carne quando derramam. Ele deixa cair a cabeça e solto um soluço horrível, e eu faço o que posso para dar-lhe conforto enquanto corro meus dedos profundamente em seu cabelo, segurando-o com força na minha mão, enquanto ele repousa a cabeça no meu estômago. Vê-lo com tanta dor, este homem forte, que está sempre no controle, é insuportável. Seus

ombros

se

debruçam

e

arfam,

enquanto

ele

quebra

silenciosamente. Quero ser engolida por qualquer coisa, só para ser levada para longe desta vida, mas eu quero levar Declan comigo. Eu sempre vou querer ele comigo, e quando ele levanta a cabeça, observo a escuridão dos seus olhos. Seu maxilar mói e vejo os músculos ao longo dos seus braços tencionarem. Eu começo a balançar a minha cabeça, enquanto testemunho sua transformação - a que eu vinha incitando-o a fazer. Meu coração bate contra as minhas costelas quebradas, e quando eu agarro seus pulsos, ele solta: — Eu vou matar esse filho da puta. Não não não! Eu balanço a minha cabeça, e ele se move rapidamente para beijar o canto da minha boca, me olhando nos olhos, forçando as palavras dele para dentro de mim, dizendo: — Esse era o nosso bebê. Meu bebê.


Freneticamente, envolvo meus braços em torno dele, precisando que ele fique comigo, mas ele se afasta, dizendo-me: — Eu não vou te perder. Eu te amo muito, mas aquele filho da puta vai pagar. Eu começo a arranhar o tubo na minha boca, puxando-o para fora da minha garganta, mas começo a engasgar e sufocar enquanto vejo-o caminhar para fora da sala. Declan, NÃO! Você não é um monstro; não faça isso! Volta! Eu debato meu corpo, e eu grito através dos meus engasgos quando a dor das minhas costelas quebradas atiram através de mim como um fogo virulento. As máquinas ficam selvagens, apitando e piscando, e duas enfermeiras correm para o quarto enquanto tento arrancar de mim os tubos e fios. DECLAN!!! — Fique parada. Você precisa se acalmar. — a enfermeira repreende, mas eu não posso. Ele vai matá-lo. Ele não pode matá-lo. Ele não pode. Sufocando contra o tubo de respiração, eu sou presa conforme uma enfermeira remove-o, e uma vez que está fora, eu lamento com a dor extrema, soltando um grito terrível: — Declan!! NÃO! Pare ele! — Quem? — Por favor! — eu tiro as correias, mas ainda estou presa, e quando vejo a seringa, eu enlouqueço. — Não! Não! Por Favor!! E em um instante, eu sou uma pedra, afundando profundamente na cama, como uma tonelada. Eu luto à deriva e choro, corpo e voz cada vez mais fracos a cada segundo. Eu choro, impotente para parar o que está prestes a acontecer. Eu não posso perder o Declan que conheço, o Declan que eu amo, porque se ele fizer isso, ele nunca mais será o mesmo. E no final, eu vou ter ninguém para culpar, além de mim mesma.


O que foi que eu fiz? Quando eu não posso aguentar por mais tempo, eu deslizo em uma desolada sedação. Sozinha.


Capítulo Trinta e Seis Presente

DOIS DIAS DEPOIS

Q

uando eu acordei da

minha sedação, apenas algumas horas se passaram. E quando a polícia chegou para informar-me que o meu marido tinha sido assassinado em nossa casa baleado duas vezes na cabeça - eu precisei ser sedada novamente. Saber o que Declan fez - por mim - me levou ao limite. Culpa... Eu não tenho notícias dele ou o vi. Sinto falta dele. Eu me preocupo com ele. Estou com medo por ele. Eu não liguei para ele, porque estou com medo de chamar a atenção, mas eu já lhe mandei uma mensagem usando o aplicativo no meu telefone que ele me deu. Mas não houve nenhuma resposta. Pike está desaparecido também. Então aqui estou eu, sem ter ideia do que fazer, e eu estou sozinha em uma vida que eu não quero mais. Eu não podia ir para casa quando me deram alta do hospital nesta manhã; eu estava com muito medo do que eu veria. A polícia me disse que um dos moradores do edifício fez a chamada para o 911 depois de ouvir os tiros. Não havia nenhum sinal de arrombamento, porém, e a polícia confiscou computadores e arquivos de Bennett, entre outras coisas, à medida que avançam na investigação.


Então, agora estou sentada aqui em um quarto de hotel, olhando para fora da janela, olhando para baixo, em uma cidade cheia de pessoas, mas eu nunca me senti tão isolada. Onde está Declan? Por que ele não veio para mim? Eu tenho feito nada, além de chorar. As pessoas presumem que eu estou de luto pela perda de Bennett, mas não estou. A parte doente de mim está contente com a sua morte. Minhas lágrimas são pelo meu bebê e Declan. Nunca fiquei tão perto do meu final de conto de fadas, e agora estou pendurada por um fio enquanto espero qualquer tipo de contato de Declan. Eu estive procurando por sinais, sinais que Carnegie disse que estavam por toda parte, mas não posso ver além da dor do que eu perdi até agora e do nascimento de ódio pelo meu irmão. A pessoa que me prometeu que sempre me protegeria e lutaria para me dar felicidade. E então, no momento em que eu estou ao alcance disso, ele arranca. Eu não sei se posso perdoá-lo pelo que ele fez, porque agora, tudo o que posso fazer é desejar a sua morte. Ao mesmo tempo, uma parte de mim precisa dele. Para saber que ainda tenho alguém aqui nesta Terra. E se eu perdi tudo isso? E se ninguém vier por mim? A miséria que esse pensamento produz domina todas as dores do meu corpo, por causa do espancamento de Pike. Eu não consegui acreditar no que ele fez comigo quando finalmente vi meu reflexo no espelho. Meu primeiro instinto foi cobrir o meu rosto, mas então eu percebi que não tenho ninguém de quem esconder. Sou só eu. Uma batida na porta me assusta, e quando corro para olhar pelo olho mágico, meu estômago afunda e revira de medo, mas também alívio. — Pike. — eu ofego, quando abro a porta e envolvo meus braços nele, chorando muito por todas as emoções fodidas que sinto por ele. Amor e ódio, uma mistura amarga. Ele chuta a porta e me mantém perto antes de se afastar. Seu rosto está branco em horror, com as mãos tremendo enquanto as passa através do seu cabelo.


— O que está acontecendo? Como me achou? — Eu fui vê-la no hospital, mas você não estava lá, e como você não estava em casa, eu comecei a ligar para todo o lado à procura de Nina Vanderwal. — sua voz está em pânico enquanto ele fala. — Nós temos um grande problema. — O que você quer dizer? Pike anda para trás e para frente como um louco, me dizendo: — Declan sabe. — Sabe o que? Ele se vira para mim, a ponto de perder o controle completo, quando diz: — Sobre você. Ele sabe o seu nome. Ele sabe que você é Elizabeth. — Que?! Como? — eu sou dura, e meu primeiro pensamento é que eu já o perdi. Mas Pike não me dá muito tempo para pensar, ele continua. — Eu não sei, mas quando eu estava dirigindo para casa mais cedo esta manhã, o filho da puta estava esperando por mim no trailer. — Merda! O que ele disse? — Nada. Eu o vi, sabia exatamente quem era, e fui embora, sem nunca parar. Fui direto para a casa de Matt e ele disse que um cara com um sotaque tinha ligado no dia anterior para fazer perguntas sobre nós. — Oh meu Deus. — eu digo, incapaz de recuperar o fôlego. — Como é que ele sabe? — Não sei, mas você tem que se livrar dele. Ele sabe muito. Ele já pode estar a caminho da polícia. — Não. — eu deixo escapar, tentando ordenar os meus pensamentos. — Ele não faria isso, faria? Quero dizer, foi ele que matou Bennett.


— Você está disposta a colocar a sua confiança em um homem que você conhece há apenas alguns meses, um homem que você enganou, um homem que você incitou a matar alguém? Isso não é brincadeira. Você poderia ir para a prisão se isso fosse descoberta. O medo desenfreado corre através de mim faz e deixa-me tonta e eu tenho que sentar. Eu não posso nem pensar em linha reta enquanto olho para o chão, tentando pensar em todas as maneiras que ele poderia ter descoberto. Mas o ponto aqui é como eu o enganei, e o que ele deve estar pensando, chegando à conclusão de que ele provavelmente acabou de matar um homem por nada, além de uma mentira, porque isso é exatamente o que ele fez. — Elizabeth, você não pode sentar aqui e esperar. Você tem que ir encontrá-lo. — E fazer o que? — eu questiono enquanto olho para ele. Ele fica ao lado do sofá onde estou sentada, e com determinação em seus olhos, diz: — Você tem que matá-lo. — Não. — eu falo, pulando para fora do sofá, e a dor aguda das minhas costelas me faz tropeçar. Pike fica parado, imóvel, enquanto ele me observa. E com a minha mão apertada ao meu lado, eu argumento: — Não. Eu não farei isso. — Você não tem uma escolha! Você não está me ouvindo? Ele sabe sobre nós. — Eu não posso matá-lo, Pike. Eu não vou fazer isso. — Corte a merda e acorde! Você não está entendendo o que isso poderia fazer com você. — ele grita. — Eu o amo. — Você não ama. E, no final, você vai ver que só foi pega nesta fantasia. A fantasia que ambos criamos para você. Mas não é a sua vida.


— Foi a minha vida! E então você veio e levou tudo embora! — eu grito, perdendo a calma e deixando minhas emoções assumirem. — Eu o amo, e ele me ama. Eu, finalmente, teria tudo o que eu sempre quis. Nós estávamos fazendo planos para nós, para o nosso bebê, e você destruiu tudo! Eu te odeio! Eu odeio você, Pike! Ele não recua com as minhas palavras enquanto está ali. — Nós tínhamos um plano e aquele plano nos afetou. Bennett precisava morrer - por você! Se eu não fizesse o que fiz, forçasse o limite de Declan, Bennett ainda estaria vivo e você nunca seria capaz de perdoar a si mesma por deixá-lo ir, sem quaisquer consequências para o que ele fez com você. — ele dá um passo na minha direção, e o tom condescendente das suas próximas palavras não fazem nada, exceto alimentar o meu ódio, não só por ele, mas com tudo que a minha vida é. — Preciso lembrá-la sobre como Carl a estuprava, mijava naquele colchão, e a forçava a deitar nele enquanto ele batia com o pau sujo dentro de você? — Foda-se! — eu grito quando começo a atingi-lo com punhos, batendo nele freneticamente, com puro fogo fervente acumulado. Ele rapidamente agarra meus pulsos, forçando-me para baixo, para o sofá, e com o rosto no meu, assobia: — Ou você mata-o ou eu vou. — Pike, não! Talvez ele não faça nada. Talvez ele esteja com medo e fique de boca fechada. — as minhas palavras saem, dando-lhe razão fraca após razão fraca, mas eu estou desesperada. — Um homem com medo não teria aparecido na minha casa sozinho. — ele diz, antes de me soltar, e caminhar até a porta. Eu tropeço para fora do sofá e jogo meu corpo contra o dele, tentando derrubá-lo, mas em um flash, ele se vira e bate o punho no meu rosto já agredido. A força do seu soco me envia em tropeço para trás e caio. Até o momento em que consigo levantar, ele se foi. — Merda!


Adrenalina bombeia sua fúria em meu sistema, entorpecendo todas as dores do meu corpo, quando corro para o quarto e pego minhas chaves. Correndo para fora do quarto, eu não perco tempo com o elevador quando faço uma louca corrida pelas escadas, voo após o voo após o voo, até que finalmente chego ao saguão. Minha garganta arde com cada respiração, conforme corro para o meu carro. Pike não está a vista, e quando eu saio da garagem, eu tenho duas opções: Lotus ou River North. Eu tomo a decisão rápida de tentar o loft de Declan primeiro, rezando para quem quiser ouvir-me que ele estivesse lá e não Pike. Eu voo pelas ruas movimentadas, atravessando as placas de pare e furando os sinais vermelhos. — Foda-se! — eu falo quando vejo o carro do Pike estacionado há uma quadra do prédio de Declan. Freio quando chego à frente do edifício, dor perfura meu corpo maltratado quando corro pra caralho, me atrapalhando com o cartão que Declan me deu, e quando o elevador abre, eu bato no botão do seu andar, mais e mais, enquanto o meu corpo treme com medo e ansiedade. — Vamos lá, vamos lá, vamos lá. VAMOS PORRA! — eu grito a cada andar que passo, e assim que atinjo o piso superior, dois tiros rápidos disparam, ecoando quando as portas abrem. Falar não é sequer uma possibilidade quando corro para fora e para a sala de estar de Declan, onde vejo Pike carregando-o através do sótão e, em seguida, olho para baixo, em uma poça enorme de sangue acumulado, sob o corpo sem vida do meu príncipe. Um grito vulgar e repugnante rasga direto do centro do meu coração, quando corro para Declan, caindo de joelhos em seu sangue. Tocando seu rosto, eu tento absorver a beleza deste homem perfeitamente esculpido enquanto choro dolorosamente sobre ele. — Eu faço isso. — eu ouço Pike dizer enquanto corre de volta para a sala, empurrando um arquivo dentro da sua jaqueta. As mãos de Pike estão em mim rápido, afastando-me conforme luto contra ele, gritando e chorando. — Nós temos que ir! — ele insiste em pânico.


Mas eu não posso falar; a agonia está me sufocando e saindo em berros cheios de agonia pronunciada. — Vamos! Temos que ir. AGORA! Eu cubro o corpo de Declan com o meu, selando meus lábios nos dele em um beijo sem fôlego enquanto a vida drena para fora dele. E depois... O toque é perdido. Pike envolve os braços no meu peito enquanto me levanta do chão e começa a correr. — Solte-me! — eu grito, encolhendo-se contra a dor da minha lesão, enquanto debato meus braços, chutando, impotente, tentando lutar para sair do seu aperto. — Nós temos que ir antes dos policiais chegarem aqui. Pike bate através de uma porta, e quando entramos na escada, ele me coloca para baixo e me joga contra a parede, mantendo as mãos trancadas em mim. — Ouça-me. — ele diz em um grunhido sussurrado. — Controle-se antes que nós dois acabemos na prisão. — Você o matou! — eu grito, minhas palavras sangrando pelas fraturas irregulares do meu coração. — Para nos salvar. Matei-o para nos salvar. — defende. — Você precisa se acalmar e se concentrar. Olhe em meus olhos e concentre-se. Eu olho. — Você está comigo? — ele pergunta. Eu não respondo quando ele acrescenta: — Eu preciso de você comigo, ok? Eu sou tudo que você tem. Ouça-me. Eu preciso que você faça exatamente o


que eu digo. — suas palavras são freneticamente apressadas. — Entre em seu carro. Vá para casa, arrume um par de malas, e encontre-me no trailer. Não atenda ao telefone. Não fale com ninguém. Entendeu? — O que nós vamos fazer? — Vamos fugir. Não brinque, Elizabeth. Agora vamos, temos que ir! E ele está certo, se não sairmos daqui agora, nossa vida vai acabar. Então, em uma corrida sem sentido de luta ou fuga, eu voo irrefletidamente para as escadas, coberta com sangue de Declan, enquanto fujo para uma liberdade que não tenho certeza se ainda existe. Mas eu corro de qualquer maneira. Minhas mãos apertam o volante, cobertas pelo sangue do homem que eu pensei que pudesse me salvar de mim. Mas talvez as pessoas como eu não devam ser salvas. Talvez eu esteja apenas destinada a suportar o peso dos demônios que se escondem entre os bons. Quando chego à cobertura, caminho através da porta solitária, não tendo mais o meu farol de esperança crescendo dentro de mim, eu começo a me perguntar: Qual é o ponto? Eu não pude sequer proteger o bebê que devia ser salvo deste mundo. Piada cruel da vida, finalmente me dar algo puro e santo, apenas para arrancá-lo de mim em um instante. Não perco tempo, porém, corro direto para o quarto, o cheiro de Bennett está em todos os lugares. Eu me pergunto se ele está me olhando agora, rindo da queda, apreciando o meu sofrimento. A bile sobe, e eu começo a lançar as roupas em uma névoa louca dentro de uma bolsa, nem mesmo presto atenção no que estou jogando. Simplesmente movendo por mover, mas as ações são totalmente impensadas, conforme a amargura da minha fuga de lágrimas comem a minha pele, queimando o seu caminho de novo em mim. Como uma metáfora, lembrando-me de que não importa o que eu faça, eu nunca vou escapar dessa dor porque no momento que meu corpo tenta liberá-la, ele absorve tudo de volta.


Vida do caralho. Te odeio. O mundo é nada, exceto um turbilhão de cores e luzes piscando, girando ao meu redor, quando corro de volta para baixo, para o meu carro, sem saber qual o próximo passo - aonde eu vou daqui - o que a vida tem para mim agora. Jogando minha bolsa na parte de trás do meu carro, olho para o Rover ao lado - carro de Bennett. E eu penso, se Bennett está rindo de mim agora, ele merece? Provavelmente sim. Eu não sei como é que alguém poderia ser mais patético do que eu agora. Talvez eu vá lhe mostrar o quão patética eu posso ser; dar-lhe mais um motivo para rir de mim. Eu soco o código de segurança no teclado do painel da porta e abro o carro. Abrindo a porta do passageiro, eu abro o porta-luvas e retiro a pistola que é sempre mantida lá. Eu tranco tudo de volta e jogo a arma no banco ao meu lado, enquanto saio e vou para Justice. Meus pensamentos estão apenas em Declan enquanto dirijo, desviando dos carros para chegar a um futuro que eu não tenho certeza se me quer mais. Tudo o que vejo são seus olhos verdes vibrantes, seu belo sorriso que os alcançava, criando uma série de rugas nos cantos. Os contornos dos seus ombros e braços, os ombros que eu agarraria e os braços que me acalmariam. Seu toque era diferente de qualquer outro. Forte, reconfortante e quente, a cura. Sua alma me dando uma esperança de que talvez eu pudesse encontrar a felicidade, e quando eu finalmente percebi que encontrei, e que descansava dentro do seu coração, embora torturado, ele foi capaz de me dar algo que ninguém jamais conseguiu - algo para ansiar. Eu estaciono no trailer de Pike, um lugar que eu costumava encontrar consolo, porque eu sabia que ele estava sempre do outro lado da porta. Agora temo o que está esperando por mim por trás dela. Mas talvez seja o medo Eu preciso encontrar a minha liberdade.


Deslizando a arma na cintura, atrás da minha calça, eu vou para dentro. — Finalmente. Eu estava começando a me preocupar. — diz ele enquanto caminha até a janela e espreita para fora. — Ninguém a viu ou seguiu-a? — Ninguém me viu. — murmuro enquanto luto com a necessidade de cair no chão e chorar como um bebê. Em vez disso eu estou, pesarosamente dormente. — Por que diabos você ainda está coberta do sangue dele?! Pelo amor de Deus, Elizabeth! Vá limpar essa merda. Olhando para as minhas mãos, elas continuam a tremer; a vida de Declan, agora encrostada em pedaços fragmentados de carmim escuro. Eu ando, quase roboticamente para o banheiro e fecho a porta. A minha imagem refletida no espelho, é assustadora. Contusões e um lábio cortado permanecem do espancamento de Pike, mas a feiura é adornada com o sangue de Declan. Ele mancha meus lábios e queixo, os restos do nosso beijo. O beijo da morte. Passando a minha língua por fora, eu lambo, recebendo um último gostinho dessa vida, da morte. Minha morte. Dirijo-me para torneira, mas não consigo lavar o sangue. Tirar os elementos duradouros e vê-los descer pelo ralo dessa pia imunda. Talvez eu esteja torcida, mas o pensamento de lamber até a última gota do seu sangue seco de cima de mim, como um animal, me encanta. Absorvê-lo e fazer uma morada dele dentro de mim. Então eu saio, volto para a sala de estar, onde Pike está com as suas malas jogadas no chão. Ele se vira para olhar para mim, inclinando a cabeça, e me dá um olhar de simpatia enquanto caminha até mim. — Você pode fazer isso. — ele diz em voz baixa, com as mãos e acariciando meus braços. Eu não sei como estou respirando neste momento com a corda que está me estrangulando, lentamente levantando-me, e a qualquer momento, meu pescoço se encaixará com um som delicioso, levandome ao país das maravilhas.


— Eu amo você. Você sabe disso, né? — ele fala gentilmente. — Sim. — eu suspiro. Eu sei que ele ama. Mas Pike é um ser humano vil, assim como eu, e o amor que temos um pelo outro está infectado com uma doença que só nós conhecemos. — Eu também te amo. — Eu preciso que você se limpe antes de irmos embora. — Eu não quero. — eu choramingo como uma criança. — Eu sei. Mas isso acabou. E não temos tempo para pensar sobre como se sente agora. Mais do que nunca, eu preciso que você desligue o suficiente para dar o fora daqui. — Aonde vamos? — Fora do país. Eu não sei. Mas nós temos que ir a algum lugar por tempo suficiente para resolvermos essa merda. Eu balanço minha cabeça, soltando-a, sentindo as lágrimas escorrerem pelas minhas bochechas. Elas afundam no tapete sujo sobre os meus pés, e eu sei que não posso continuar assim. — Eu não posso fazer isso, Pike. Eu não posso. — Você pode. Você está com medo. Passamos por tanta coisa, e nós vamos passar por isso. Apenas confie em mim. Um formigamento corre até meus braços e deriva lentamente para baixo em meu peito, enquanto acordo. — Eu não sei se eu posso fazer isso. Pike dá um passo para trás, soltando as mãos, dizendo: — O que significa isso? — Eu não quero fugir. Ele anda pela sala, e eu sinto. O fim. E porra, isso me mata, porque eu amo Pike. Eu sempre amei. — Eles vão vir atrás de você, sabe? — ele ameaça.


— Não, eles não vão. Eu não fiz nada. — eu refuto. — Você fez tudo isso. — É isso que você acha? Que suas mãos são aquelas limpas nisso? — ele diz, ficando mais irritado comigo, quando seus olhos se voltam para mim como punhais. — Eu sou o elo invisível aqui. É de você que eles vão atrás. A esposa. A esposa infiel. Você tinha um motivo também. — Qual? Ele faz uma pausa, esperando um momento, enquanto um sorriso malicioso começa a se espalhar em seu rosto. — Seu bebê. A simples menção provoca uma reação física dentro de mim, quando meu coração pega seu ritmo, batendo rapidamente dentro de mim. — É isso mesmo. A polícia provavelmente já sabe. As mentiras que você disse vão se tornar verdades, porque é o que você levou todos a acreditarem. — Por que você está fazendo isto comigo? — Você está fazendo isso. Você é a pessoa egoísta que está disposta a largar tudo porque não pode mais fazer isso. E quanto a mim? Você quer me deixar? — Eu não sei o que eu quero, porque você levou todas essas escolhas para longe de mim. — Eu não vou permitir que você me deixe. — ele exige. — Eu dei-lhe muito. — Tudo o que você tem feito é tomar. — Eu lhe dei a minha maldita vida! — ele grita, cerrando o punho e perfurando-o direto através da parede de painéis. Meu corpo treme de medo quando seus olhos me perfuram, fervendo. — Eu te dei tudo. Eu amo você. Eu sempre amei. E é isso. Meu momento de lucidez. Eu nunca vou ter aquele novo começo, porque você não pode começar uma nova vida, um novo começo,


quando o passado está bem ao seu lado. E Pike? Ele não vai a lugar nenhum. Ele nunca vai me deixar, e ele nunca vai me deixar sair. Mas eu não tenho certeza de que poderia realmente me afastar dele, porque quando você corta toda a merda, eu o amo. Eu amo muito meu irmão. — Eu amo você, Elizabeth. — ele fala, baixando a voz, quase implorando. — Eu sei que você ama. — Você não pode me deixar. Você sabe que sei muito sobre você. — ameaça. — Eu sei. — eu choro, as lágrimas inundando o meu rosto quando alcanço atrás de mim e dou boas-vindas à sensação gelada, aço frio na palma da minha mão. — Elizabeth, por favor. Não desista de mim, de nós. — Eu sinto muito, Pike. Nós nunca vamos nos separar um do outro. Nossos corações estarão sempre ligados. E quando o olhar de desespero em seus olhos se transforma em horror, arregalando conforme ele me vê trazer o meu braço das costas, ele entra em pânico: — O que você está fazendo? Eu libero um grito sem fôlego. — Eu te amo, Pike. (Bang)

Fim

Serie the black lotus 01 - Bang - E k blair  

dizem que quando voce se vinga do outro voce perde sua inocencia, mas eu nao sou inocente, nao sou a muito tempo, minha inocencia fou roubad...

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dizem que quando voce se vinga do outro voce perde sua inocencia, mas eu nao sou inocente, nao sou a muito tempo, minha inocencia fou roubad...

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