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QUARTA-FEIRA, 3 DE ABRIL DE 2013

O melhor da

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PIB: sucesso sem replay

Juventude pró-Kremlin passa por reformulação

Depois de atingir maior crescimento do PIB entre países do G8, país pode ver índice cair pela metade neste ano

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PRODUZIDO POR RUSSIA BEYOND THE HEADLINES

‘Náchi’ vai mudar de tom

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Publicado e distribuído com The New York Times (EUA), The Washington Post (EUA), The Daily Telegraph (Reino Unido), Le Figaro (França), La Repubblica (Itália), El País (Espanha), Folha de S.Paulo (Brasil), The Economic Times (Índia), La Nacion (Argentina), Süddeutsche Zeitung (Alemanha), The Yomiuri Shimbun (Japão) e outros grandes diários internacionais

Efeito inverso PIB mundial deve subir

Amai-vos Igreja Ortodoxa Russa deseja fim das divergências

NOTAS

Produção de óleo de xisto ameaça PIBs russo e árabe

DreamWorks terá parques na Rússia

DIVULGAÇÃO

A empresa norte-americana DreamWorks Animation anunciou que construirá parques temáticos na Rússia. O projeto será realizado em parceira com a russa Regiões. “Ao ver a admiração e a alegria dos meus filhos com esses filmes de animação, quero oferecer o mesmo às crianças do meu país em forma de parques temáticos”, disse à Gazeta Russa o empresário Alik Mutsoev, sócio da Regiões. O projeto está orçado em US$ 1 bilhão e já tem duas cidades para implantação: São Petersburgo e Ekaterimburgo.

Produção norte-americana de óleo de xisto pode ultrapassar a de exportadores tradicionais, como Rússia e Arábia Saudita. GALÍNA STARINSKAIA

A Igreja Ortodoxa Russa (IOR) manifestou vontade de unir forças com os católicos e o novo papado, recordando como o papa Francisco defendeu os interesses dos ortodoxos na Argentina e ajudou os miseráveis. Seu passado jesuíta e a educação recebida de “uniatas” – como os russos designam os ortodoxos convertidos ao catolicismo – da Ucrânia não foram, porém, deixados de lado pela IOR. As relações entre a IOR e a Igreja Católica Romana começaram a se deteriorar no

Ao felicitar o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio

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PIB global em alta Segundo as previsões da PwC, em 2035 a produção diária de óleo de xisto pode chegar a 14 milhões de barris (12% do total da produção mundial de petróleo). O Departamento de Energia dos EUA calcula que as empresas americanas passarão a produzir entre 1,2 milhão e 4 milhões de barris por dia. Segundo o relatório anual Energy Outlook 2030, da petrolífera BP, devido ao rápido aumento da produção de óleo

Preço do barril deve cair de 25% a 40% até 2035

de xisto, os EUA poderão ultrapassar a Rússia e a Arábia Saudita em produção de petróleo já neste ano. O avanço dos EUA pressionará as cotações do petróleo no mercado internacional. Os analistas da PwC acreditam que, em 2035, os preços da commodity ficarão entre 25% e 40% mais baixos, em torno de US$ 83 a US$ 100 por barril, ante os atuais US$ 133. Os dados são da Administração de Informação de Energia dos EUA. Em 2035, graças à produção de óleo de xisto, o PIB global pode aumentar de 2,3% a 3,7% (entre US$ 1,7 trilhões e US$ 2,7 trilhões em relação ao PIB corrente). As economias de alguns países também serão beneficiadas. Em particular, o PIB de países importadores de petróleo, como a Índia e o Japão, pode crescer entre 4% e 7%, enquanto o PIB dos EUA, China, Alemanha e Reino Unido aumentará de 2% a 5%. “Grandes exportadores de petróleo, como a Rússia e

ALEKSÊI BAUSIN MARINA DARMAROS ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA

Processo brasileiro PHOTOSHOT/VOSTOCK-PHOTO

Boris Berezóvski, oligarca cujo nome tornou-se sinônimo dos negócios escusos e criminosos que tomaram a Rússia e o poder público nos anos 1990, morreu no dia 23 de março, aos 67 anos, em sua casa em Berkshire, na Inglaterra, onde vivia como refugiado político desde 2003. “Até certo ponto, sua morte carrega um caráter simbólico: é o final da era dos anos 90”, disse o deputado da Duma (câmara dos deputados na

Oligarca era investigado em diversos países, como Rússia, Brasil e França

Investigado em pelo menos uma dezena de casos na Rússia e no exterior, seus processos judiciais não foram poucos e incluíam países como Holanda, Suíça, França e Brasil. No último, seu nome está ligado ao do iraniano Kia Joorabchian, junto

Maria Azálina

Sem Chipre, com paraíso O premiê russo Dmítri Medvedev propôs a criação de uma zona de offshore (ou paraísos fiscais) no Extremo Oriente da Rússia. “Ilhas Curilas e Sakhalin são bons lugares para isso”, disse. Assim, as regiões seriam melhor desenvolvidas e tornaria possível levar de volta a território nacional parte do dinheiro russo localizado em zonas de offshore no Chipre, Bahamas e Ilhas Virgens Britânicas. Vassíli Krilov

NESTA EDIÇÃO ECONOMIA E NEGÓCIOS

Berezóvski, o fim de uma era Rússia), Aleksêi Mitrofanov. Apelidado de “padrinho do Kremlin”, ainda durante a década de 90, o empresário mostrava uma habilidade ímpar para resolver questões de ordem empresarial com engenhosas combinações políticas. No período que antecedeu sua morte, porém, Berezóvski já havia perdido a antiga influência política e boa parte da econômica.

Em sua 18ª edição, o festival de cinema documentário “É Tudo Verdade” homenageia neste ano o cineasta russo Dziga Vertov, que terá retrospectiva. O festival conta com a parceria da Coleção Dziga Vertov do Austrian Film Museum e será realizado entre 4 e 14 de abril simultaneamente em São Paulo e Rio de Janeiro.

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Morto Opositor do Kremlin, russo exilado na Inglaterra era investigado por lavagem de dinheiro no Brasil

Empresário era suspeito de ser mentor em esquema de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha na parceria MSI/Corinthians.

Vertov em retrospectiva

ao qual era acusado de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha por meio de uma parceria entre a obscura empresa MSI e o Corinthians, a partir de 2004. A parceria teve fim em meados de 2007, depois de transações milionárias que levaram ao clube os jogadores Carlos Tevez e Javier Mascherano. Berezóvski foi acusado em 2007 de ser investidor da MSI. Desde 2012, porém, a defesa de Joorabchian aponta o russo Rafael Filinov como real investidor da MSI, e não Berezóvski, que deveria prestar depoimento à Justiça brasileira por meio de carta rogatória nos próximos dias. CONTINUA NA PÁGINA 3

SHUTTERSTOCK/LEGION-MEDIA

RIA-NÓVOSTI

Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, metropolitano russo Hilarion e papa Francisco (da esq. para dir.)

Víktor Kuzmin

País busca terceiro lugar em produção de ouro PÁGINA 4

OPINIÃO

ALEXEY IORSH

Papa novo, vida nova

por sua eleição para o trono de São Pedro, o patriarca Kirill, autoridade máxima da IOR, manifestou esperança na cooperação entre as duas igrejas “no espírito de amor fraterno e compreensão mútua”. Para o patriarca, o nome escolhido pelo novo papa faz lembrar São Francisco de Assis, padroeiro dos pobres. Segundo o chefe da Igreja Ortodoxa Russa, a principal área de cooperação entre as duas igrejas não é tanto um diálogo teológico, que ainda apresenta “muitos problemas e dificuldades”, mas os esforços conjuntos das igrejas para a solução de questões sociais e defesa dos cristãos que, atualm e nt e , “e s t ão s e n do

início dos anos 1990 devido ao ressurgimento da Igreja Católica na Ucrânia (Uniata) e a discussões sobre o apanágio das catedrais e outras propriedades na Ucrânia Ocidental. Outro problema foi o estabelecimento de uma metrópole católica na Rússia em 2002, consistindo de uma diocese e quatro eparquias. Sob o papado de Bento 16 (2005-2013), as relações começaram a melhorar. De acordo com representantes da IOR, os problemas na Rússia foram resolvidos, porém se mantêm em outros territórios do patriarcado moscovita, como algumas regiões da Ucrânia.

Representantes da Igreja russa querem união com católicos para reafirmar valores tradicionais e colocam esperanças em novo papa Francisco.

REUTERS

Diálogo com papa Francisco é otimista

AP/EASTNEWS

ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA

Com o aumento da produção de petróleo de xisto, o mercado global de energia está prestes a sofrer grandes mudanças. Uma delas, em especial, afeta diretamente a Rússia: o preço do petróleo pode cair drasticamente, de acordo com analistas da consultoria PwC. Nesse caso, o PIB da Rússia, altamente dependente da commodity, poderá cair entre 1,2% e 1,8%. Por isso, os produtores de petróleo do país têm um prazo máximo de cinco anos para estabilizar a situação e recuperar o atraso em relação aos EUA. Graças ao petróleo de xisto, em apenas sete anos os EUA aumentaram dramaticamente a produção de hidrocarbonetos: de 111 mil barris por dia, em 2004, para 553 mil barris diários, em 2011. Como resultado, tiveram suas importações de hidrocarbonetos reduzidas ao nível mais baixo dos últimos 25 anos.

Brasil está na dianteira da ascensão do Atlântico Sul PÁGINA 2


Opinião

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SÍRIA, SEM SOLUÇÕES SIMPLES UMA QUESTÃO DE PRINCÍPIO PARA MOSCOU Departamento de Estado dos EUA, Victoria Nuland, no final de janeiro. “Podem também cortar o círculo de acesso de Assad aos bancos russos, apoiar ativamente uma transição política e trabalhar conosco a respeito dos sucessores, sobre quem poderia manter o país unido e seguir o caminho da democracia.” “Fechar as fronteiras sírias para armas e contrabando resolveria o problema em poucas semanas, porque não haveria fontes de dinheiro e armamento”, disse Assad ao jornal libanês “Al-Akhbar”.

Andrêi iliachenko Analista político

m março completaram-se dois anos do início dos protestos contra o governo sírio. Embora fique cada vez mais claro que o Ocidente e a Rússia devam trabalhar juntos para resolver a crise, esses ainda mantêm posições contrárias. Enquanto a Rússia se diz contra a interferência externa, os EUA pressionam Moscou a apoiar a transição política em Damasco. O presidente norte-americano Barack Obama tem demonstrado uma abordagem equilibrada. Em entrevista à revista “The New Republic”, ele perguntou retoricamente: “Será que [a intervenção militar] desencadearia uma violência ainda pior ou o uso de armas químicas? E como equilibrar as dezenas de milhares de pessoas que já foram assassinadas na Síria contra as dezenas de milhares de pessoas que estão sendo mortas no Congo?” Algum tempo depois, em uma entrevista ao canal CBS, Obama respondeu a própria pergunta. “A Síria é um exemplo clássico do nosso envolvimento. Queremos ter certeza de que a segurança dos EUA não só aumentará, mas também que se fez o certo para o povo da Síria e dos países vizinhos, como Israel, que serão profundamente afetados por isso”, disse. Em outras palavras, não haverá intervenção direta. Ainda assim, o problema na Síria não é o fato de os EUA evitarem abertamente ajudar a oposição armada ou a Rússia declaradamente apoiar Damasco – ou, mais precisamente, o presidente sírio Bashar al Assad. “Há várias medidas que a Rússia pode tomar. Os russos podem cortar de modo consistente e público o fornecimento de armas para o regime, sobretudo helicópteros de ataque”, declarou a porta-voz do

Andrêi Iliachenko é colunista especializado em Oriente Médio da rádio Voz da Rússia.

INTERVENÇÃO INTERNACIONAL NÃO É SOLUÇÃO Nikolai Surkov Analista político

nquanto o Ocidente tenta forçar a criação de um governo interino na Síria, a Rússia continua pessimista sobre as chances de melhorar a situação no país. Moscou acredita que a oposição síria é muito fragmentada para se sentar à mesa de negociações. À medida que a guerra na Síria avança e leva mais vidas, o Ocidente insiste que o único modo de evitar conflitos religiosos e o caos

E

Os países do Golfo Pérsico não têm arsenal militar. A Turquia, que possui o segundo maior exército da Otan, não está interessada em se envolver em uma crise que provavelmente levará anos para se resolver e pode desencadear novos confrontos violentos com os curdos. Os EUA e a Europa declararam quase abertamente o desejo de não serem arrastados para um “novo Iraque ou Afeganistão”. “Tenho plena convicção de que qualquer intervenção militar externa terá repercussões imprevisíveis, porque a sociedade síria é muito complicada – em termos políticos, étnicos e religiosos – e o contexto regional é muito, muito complexo”, afirmou o secretário-geral da Otan, o dinamarquês Anders Fogh Rasmussen. O Ocidente deve também ter em mente que os próprios sírios podem não acolher bem as tropas estrangeiras em seu território. Na verdade, nem as forças de oposição pedem a intervenção. Assim, para evitar mais violência seriam preferíveis os capacetes azuis da ONU ou uma força conjunta árabe com amplos poderes. O enviado especial das Nações Unidas e da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi, mencionou o possível envio de tropas de paz da ONU. As partes ainda têm que chegar a um acordo sobre sua implantação, embora a imposição da paz nos moldes da antiga Iugoslávia seja improvável. O Acordo de Taif, que pôs fim à guerra civil no Líbano em 1989, provou que a paz é possível, mesmo para um confronto de uma década. O acordo, porém, só foi alcançado quando os agentes externos que apoiavam os principais grupos libaneses se mostraram prontos a fazer algumas concessões pela paz. Brahimi sugere o uso dos acordos alcançados em junho do ano passado, em Genebra, como ponto de partida para o consenso na Sí r ia. Moscou compa r ti l ha dessa posição. Além disso, a Rússia está disposta a apoiar uma resolução da ONU com base nesses acordos, se a votação no Conselho de Segurança for precedida por um ajuste entre Assad e a oposição. Nikolai Surkov é professor assistente no Mgimo (Instituto Estatal para Relações Internacionais de Moscou).

AS NOVAS ATIVIDADES NAVAIS NO ATLÂNTICO SUL Andrêi Makarov Analista político

té recentemente, o Alântico Sul estava à margem dos interesses das maiores potências mundiais. Até o fim da Guerra Fria, a principal área de concorrência era o Atlântico Norte, palco das principais batalhas navais das duas guerras mundiais e do confronto entre a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e a União Soviética e países do Leste Europeu. Após o colapso da URSS e a retirada da Rússia do Atlântico Norte, porém, a região ficou sob total controle da Otan. Uma série de estudos elaborados pelo Fundo Marshall da Alemanha nos últimos três anos sobre as perspectivas do Atlântico Sul mostra que a importância da região aumentará. Entre os diversos motivos para esse fenômeno, estão a crescente atividade econômica e política de novos atores globais na região, como o Brasil e a

é aprovando uma resolução do Conselho de Segurança da ONU para criar um governo interino garantido por forças externas. A Rússia, que tem seus próprios interesses econômicos na história, representa um obstáculo, aliada ao Irã e à China para proteger seu aliado e cliente, Bashar al Assad. Mas a realidade não é tão simples assim. Por um lado, nenhum dos atores internacionais ou regionais quer tomar responsabilidade pela situação na Síria depois da possível queda do atual regime – em outras palavras, se tornar a tal “força externa”.

ALEXEY IORSH

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Em uma entrevista recente, o premiê russo Dmítri Medvedev confi rmou que o futuro da Síria é um dos temas do diálogo russo-americano. “Não há contradições irreconciliáveis em nossas posições”, disse Medvedev. No entanto, o premiê repetiu que o destino de Assad deve ser decidido pelo próprio povo sírio. “Nem pela Rússia, nem pelos Estados Unidos, nem por qualquer outro país do mundo”, arrematou o primeiro-ministro. A resposta de Medvedev não chega a entrar em conflito com o que Henry Kissinger havia dito ao ser questionado sobre a Síria em Davos. Kissinger pediu aos Estados Unidos e à Rússia para trabalharem juntos a fi m de resolver a crise. Se o mundo externo intervir militarmente, disse ele, “ficará no meio de um grande conflito étnico; e se não o fizer, irá continuar presenciando uma tragédia humanitária”.

ALEXEY IORSH

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Crescente atividade política e econômica do Brasil e África do Sul são fatores do deslocamento do foco no Atlântico

África do Sul e, no futuro, Nigéria e Angola. Outro fator é a possível transformação do Atlântico Sul em um novo polo fornecedor de recursos energéticos, uma alternativa ao Oriente Médio, à Rússia e à região do mar Cáspio. Atualmente, o Brasil é o principal impulsionador das

mudanças que têm aumentado a importância do Atlântico Sul. Com o crescimento econômico, o país começa a explorar espaços econômicos e geopolíticos dos dois lados do Atlântico Sul: na América Latina e na África. Uma das evidências dessa ampliação na exploração de possibilidades pelo Brasil é a estratégia de defesa nacional aprovada em 2008, que coloca a frota de submarinos nucleares como um elemento-chave da Marinha brasileira. O país planeja também acelerar o desenvolvimento de sua frota de superfície. O crescimento das ambições navais do Brasil é particularmente visível diante da passividade de outras grandes potências no Atlântico Sul. Curiosamente, a crise das Malvinas não encorajou a Argentina a modernizar ou reforçar suas tropas navais. Muito pelo contrário, como resultado do subfinanciamento crônico da Marinha argentina, provocado pelo marasmo econômico do país, de seus 70 navios em ser-

viço, apenas 16 estão em condições de uso. Do outro lado do oceano, a África do Sul, cuja Marinha é considerada a maior da África subsaariana, não pode sequer organizar o patrulhamento de sua costa e de sua zona marítima exclusiva. De acordo com especialistas do Colégio Naval norte-americano, as quatro fragatas e três submarinos que constituem o núcleo da Marinha da África do Sul são inadequados para a execução de suas atuais missões de segurança no mar. A Nigéria é mais pragmática em relação ao desenvolvimento de sua Marinha. Ao contrário da África

Oportunidades são intrínsecas a riscos, e ataques de piratas aumentaram na África do Sul e Golfo da Guiné do Sul, orientada principalmente para o combate a ameaças militares, o país está mais focado em combater a pirataria ao longo de sua costa. Como sinal de mudanças vindouras no Atlântico Sul podemos citar o crescente interesse dos EUA e da Otan em estabelecer sua presença militar nessa região. O ressurgimento da 4ª Frota dos EUA,

ainda em 2008, é prova disso. Sua zona de responsabilidade foi estendida às águas em torno da América do Sul, o que causou uma forte reação negativa de muitos países latino-americanos. Líderes da Venezuela e de Cuba acusaram os EUA de tentar retomar a “política intervencionista imperialista” na América Latina. O governo norte-americano encara o Atlântico Sul como futura fonte de recursos energéticos para a América do Norte e Europa, além das economias crescentes do Atlântico Sul. A razão é a descoberta de extensos campos marítimos de petróleo na plataforma continental do Brasil e da Argentina, além de grandes campos de gás e petróleo próximos à costa da África Ocidental. Cada vez mais frequentes, ataques de piratas a navios petroleiros na costa da África do Sul e no Golfo da Guiné podem levar os países ocidentais a darem mais atenção a essa região do Atlântico. Assim, novas oportunidades estarão associadas a novos riscos no Atlântico Sul. O controle sobre as zonas marítimas na costa da América do Sul e da África Ocidental, e as rotas marítimas entre elas, passam a ser cruciais. Portanto, as atividades navais no At lâ nt ico Su l au me nt a rão, inevitavelmente. Andrêi Makarov é comentarista político da revista Kommersant Vlast.

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Política e Sociedade

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Nacionalismo Movimento governista será esvaziado de seus característicos slogans políticos

Juventude Náchi vai mudar de tom GAZETA RUSSA

O Náchi (“Nossos”, em português), movimento juvenil pró-Kremlin, vai passar por uma revisão completa. A imprensa russa noticia que ele será substituído por uma nova organização juvenil, com outro nome e novos objetivos. A primeira meta do futuro movimento será promover uma integração maior dos jovens com a sociedade. O jornal russo “Izvéstia” apontou que a nova organização não participará mais de ações políticas e manifestações. Fundado em 2005 para apoiar o Kremlin, o Náchi fez fama realizando protestos em massa. Vassíli Iakemenko, um dos fundadores do movimento, declarou que o Náchi via a Rússia “como o centro histórico e geográfico do mundo”, cuja liberdade era ameaçada pela união profana “de comunistas, fascistas e liberais, alime nt ado s por u m ód io comum ao presidente Vladímir Pútin”. Muitas das iniciativas do movimento foram deliberadamente escandalosas. Em 2007, ativistas do Náchi realizaram protestos em frente à embaixada britânica em Moscou, acusando o então embaixador Anthony Brenton de financiar a oposição russa. Em 2008, o movimento começou a se transformar em uma espécie de conglomerado, cujas atividades eram direcionadas a questões indiretamente políticas. Um desses projetos foi o “Piggy Versus”, no qual ativistas

Movimento via Rússia ameaçada por “comunistas, fascistas e liberais contrários a Pútin” Polêmicas como exibição de réplicas de cabeças cortadas de opositores não terão mais espaço res da oposição russa e políticos ocidentais presas a varas, usando bonés cobertos de símbolos nazistas.

Nova direção Iakemenko acredita que o movimento está pronto para a nova direção. “Em 2005, 50 mil pessoas apoiaram o protesto do Náchi contra a ameaça de uma Revolução Laranja [como a ucraniana, com protestos contra fraudes] na Rússia. Em 6 de dezembro de 2011, os ativistas do grupo foram os únicos presentes na praça Maiakóvski apoiando os resultados das eleições”, disse Iakemenko em uma entrevista ao jornal “Védomosti”. “Se queremos algo novo e significativo para assumir nosso lugar, então temos de mudar nosso rumo político”, completou.

Em manifestação, membro do Náchi usa capa com foto de Pútin e dizeres: “Nossa vitória”

Para o cientista político Aleksêi Makárkin, o movimento simplesmente se esgotou. “O Náchi tinha dois objetivos: controlar as ‘ruas’ e se certificar de que a juventude de hoje estava sendo isolada da oposição”, explica Makárkin, acrescentando que a organização falhou em ambos os casos. De acordo com ele, as autoridades vão continuar se envolvendo nas atividades políticas da juventude, mas os esforços nessa área serão mais focados.

‘Nachistas’ invadem as telas Homenageado no Festival de Sundance, o filme “Beijo de Pútin” conta a história real de uma ativista do movimento pró-Kremlin. Maria Drokova ingressou no movimento aos 15 anos de idade e subiu na hierarquia ‘nachista’, mas finalmente se vê desiludida com o movimento. Para fazer o filme, o diretor dinamarquês Lise Birk Peder-

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ALEKSÊI BAÚSIN

Náchi invadiam regularmente supermercados para limpar as prateleiras dos produtos que tinham data de validade vencida. Outro projeto, chamado “Pare a grosseria”, tentou reforçar a aplicação das leis de trânsito. Em um fórum da juventude realizado em 2010, os “nachistas” montaram uma instalação que apresentava cabeças decapitadas de líde-

AP/EASTNEWS

Para cientista político, anúncio de reformulação revela falência do modelo ‘nachista’, recheado de provocações à oposição.

sen seguiu Drokova durante um período de quatro anos. A linha condutora da trama é a desilusão de Drokova com o movimento Náchi por meio do jornalista da oposição Oleg Káshin, que ganhou fama internacional depois de ser espancado quase até a morte em 2010. Depois do ocorrido, Maria tem que decidir se está a favor ou contra o Náchi.

Filme seguiu ‘nachista’ por 4 anos para retratar movimento

CONTINUAÇÃO DA PÁGINA 1

Enquanto a defesa de Kia mantém a alegação de que o dinheiro da parceria tinha origem legal, a procuradoria afirma que a única mudança no processo será a extinção de pu n ibi lidade de Berezóvski.

Gênio do mal Nascido em Moscou em 1945, Berezóvski se formou em matemática e começou trabalhar com sistemas de controle. Graças, porém, a seus contatos pessoais com os dirigentes da gigante automotiva soviética VAZ, assumiu a posição de diretor do empreendimento coligado “LogoVAZ” em 1989.

uma privatização formal, gerando prejuízo financeiro em detrimento dos interesses do governo. Depois de um julgamento que durou anos, Berezóvski foi condenado, à revelia, a seis anos de prisão, em 2007. O jornalista e historiador n o r t e - a m e r ic a n o P au l Khlebnikov, cujo assassinato em 2004 permanece envolto em mistério, foi o primeiro a revelar as ações criminosas de Berezóvski. Ainda em dezembro de 1996, Khlebnikov publicou um artigo na “Forbes” acusando Berezóvski de fraude, lavagem de dinheiro, ligações com a máfia tchetchena e assassinatos encomendados,

Lançadas as bases do seu império financeiro, Berezóvski passou a se imiscuir na política em 1995. A intimidade com o Kremlin lhe deu acesso a leilões que privatizaram os maiores empreendimentos russos, principalmente nos setores de petróleo e metalurgia. Ao grupo de Berezóvski coube a companhia Sibneft, que se transformou em peça central de seus negócios. Seu interesse pela companhia aérea Aeroflot, entretanto, acabou por levá-lo aos tribunais. Segundo as autoridades, ele havia tentado privatizar os fluxos fi nanceiros da empresa aérea por meio de mandatários, sem

entre eles o do apresentador de TV Vladislav Listev. “Ele era o herói dos escândalos e das provocações. Por i s s o, c om a mor t e do herói vai-se embora também essa enxurrada de informações negativas”, diz a ex-política e ativista Irina Hakamada.

ITAR-TASS

Morte de Berezóvski põe fim a período conturbado

Berezóvski (dir.) junto ao presidente Boris Iéltsin (esq.), com quem tinha ligações estreitas

Política A influência política de Berezóvski se converteu em diferentes cargos públicos. Ele foi secretário-adjunto do Conselho de Segurança Russo em 1996 e 1997, secretário- executivo da CEI (Comunidade dos Estados Independentes) entre 1998 e 1999, e deputado da Duma de Es-

tado (câmara baixa do parlamento russo) de 1999 a 2000.Acredita-se também que Berezóvski tenha ajudado Boris Iéltsin a se reeleger para o cargo de presidente em 1996. Em 1999, o oligarca ocupou o cargo de deputado na Duma, mas renúnciou às fun-

ções em menos de um ano e partiu de vez para Londres, onde recebeu asilo político em 2003. Berezóvski justificava o exílio devido a suas divergências com o presidente Vladímir Pútin, que, apesar de ter contado com seu apoio inicialmente, estaria “conduzindo a

Rú ssia pelo ca m i n ho errado”. Ele próprio nunca declarou oficialmente o valor nem o volume de sua fortuna. Nos últimos meses de vida, a imprensa noticiava que o empresário estava vendendo seus ativos para quitar as dívidas com sócios, tribunais e ex-esposas.

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perseguidos em muitas regiões do mundo, mais especificamente no Oriente Médio, Norte da África e em alguns países tradicionalmente católicos.” A Igreja Ortodoxa Russa também se prontificou a cooperar com a Igreja Católica na afirmação de valores morais tradicionais. Segundo o arcipreste Dmítri Sizonenko, chefe do secretariado de relações cristãs internacionais do Patriarcado de Moscou, a julgar pelo currículo do novo papa, ele tem opiniões conservadoras, o que lhes dá esperanças de que a cooperação entre as duas igrejas em matéria de defesa do cristianismo no mundo secular moderno seja produtiva. Segundo fontes do Patriarcado de Moscou, ainda no posto de cardeal, Francisco mostrava interesse pela reli-

gião ortodoxa e defendia o estreitamento dos contatos com a Igreja Ortodoxa Russa. Como arcebispo, ele visitou muitas vezes a Catedral da Anunciação da Igreja Ortodoxa Russa em Buenos Aires, assistiu a missas, conversou com sacerdotes e paroquianos. Além disso, em 2007, quando a Igreja Ortodoxa Russa teve problemas na Argentina, provocados pelas atitudes separatistas de algumas de suas paróquias, Francisco defendeu a posição canônica da IOR.

Linha direta O núncio papal (espécie de embaixador do Vaticano) na Rú ssia, a rcebispo Iva n Jurkovic, disse que o novo sumo pontífice conhece muito bem a Igreja Ortodoxa Russa também devido a suas relações pessoais com Dom Justiniano, administrador temporário da Epar-

GETTY IMAGES/FOTOBANK

Ortodoxos querem retomar laços

Patriarca Kirill pode se encontrar com papa em outro país

quia da Igreja Ortodoxa Russa na Argentina e na América do Sul. Sobre a hipótese de um encontro entre o papa e o patriarca russo, o diretor do Departamento de Relações Internacionais do Patriarca-

do de Moscou, metropolita Hilarion, disse que um eventual encontro dependerá da rapidez com que esses consigam superar os conflitos do passado, que fizeram o diálogo retroceder. Os católicos também não

descartam a possibilidade de um encontro. O secretário-geral da Conferência de Bispos Católicos na Rússia, Ígor Kovalevski, acredita que, para isso, é preciso que a sociedade russa esteja pronta para receber o papa. “Essa é a primeira e indispensável condição. Se a sociedade russa ainda não está pronta, não vale a pena apressar as coisas. Devemos esperar e rezar. É mais provável que esse encontro tenha lugar em um terceiro país, e não na Rússia”, disse. A Rússia foi representada na cerimônia de entronização do novo papa, no fi nal de março, por Serguêi Naríchkin, presidente da Duma de Estado (câmara baixa do parlamento russo), metropolita Hilarion, vice-chanceler Aleksêi Mechkov e o diretor artístico do Teatro M a r i í n s k i, Vá le r i Guerguiev.

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Metal País tem mais de mil toneladas em reservas

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Rússia busca terceiro lugar em produção de ouro ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA

De acordo com o Rosstat (Serviço Federal de Estatística da Rússia), as empresas nacionais aumentaram em 8,3% a produção de ouro em 2012. Assim, a Rússia ocupa agora o quarto lugar na produção mundial de ouro, atrás apenas da China, Austrália e Estados Unidos. O país, porém, está em segundo lugar em termos de reservas confirmadas. Embora o setor seja extremamente fragmentado – há mais de 600 empresas trabalhando na produção aurífera russa –, algumas delas têm maior destaque no ramo. A Polyus Gold é uma delas. Tendo aumentado sua produção de ouro refinado em 12%, a companhia prevê índices ainda melhores para 2013. A empresa declarou recentemente que espera produzir 1,8 milhão de onças de ouro neste ano, contra os 1,68 milhão de 2012.

Novos projetos

No ano passado, quase todas as áreas de produção de ouro na Rússia registraram aumento na produção. Os números foram particularmente expressivos no território de Krasnoiarsk e nas regiões de Irkutsk, Magadan e Tcheliábinsk.

O início da produção no maior depósito de ouro da Rússia, o Natalka, da Polyus Gold, já está agendado para 2014. Embora ele tenha sido descoberto ainda durante a Segunda Guerra Mundial, ficou inexplorado por muitos anos devido a sua localização remota, na região de Magadan, no norte do Extremo Oriente russo. Agora, planeja-se que o Natalka processe 11 milhões de toneladas de minério e produza de 16,5 a 22 toneladas de ouro por ano. No depósito vizinho de Pavlik, uma mina de ouro também está em construção. Outras 7,3 toneladas de ouro anuais devem ser produzidas ali, cuja gestão é da Arlan, empresa de investimentos em metais preciosos. “O atual clima financeiro traz um bom presságio para a extração de ouro na Rússia”, diz Valentina Bogomolova, analista sênior de metais e mineração na Uralsib Capital (UBS). Com os frequentes aumentos no preço mundial do ouro desde 2000, a Goldman Sachs prevê um aumento da onça de

Para russos, joias são investimento seguro diante da volatilidade do dólar e do euro Maior produtor de ouro do país, o Polyus Gold está no top-10 mundial do metal Segundo Andrêi Schenck, analista da consultoria Investkafe, o aumento foi resultado da maior produtividade nas instalações existentes, e não da exploração de novas estruturas. “O potencial da Rússia para a produção de ouro está longe de ser esgotado”, diz ele.

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toneladas de ouro foram produzidas na Rússia em 2012, levando o país ao quarto lugar no ranking mundial de produção do metal.

SHUTTERSTOCK/LEGION-MEDIA

VÍKTOR KUZMIN

4,9

% foi o aumento na produção de russa ouro durante os primeiros 11 meses de 2012, em relação a 2011.

ouro dos atuais US$ 1.690 para US$ 1.825 até o segundo trimestre deste ano. Como resultado, é provável que a porcentagem de ouro mantido em reservas internacionais também aumente. Na Rússia, o armazenamento de ouro é um meio de proteger-se contra a instabilidade financeira internacional. Em 2007, o governo russo manteve 443 toneladas de ouro em suas reservas estratégicas. Até o outono de 2012, o número havia aumentado para 1.028 toneladas. Em 2012, os preços do ouro no mercado internacional subiram 7%, mas observadores e analistas acreditam ser pouco provável que o fato se repita em 2013.

Extração aurífera na Rússia

NATALIA MIKHAYLENKO

Com grande número de reservas inexploradas, país, que acaba de subir um degrau no ranking, quer crescer mais até 2014.

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milhões de toneladas de ouro por ano é a produção máxima esperada da reserva Natalka, inexplorada desde a Segunda Guerra Mundial.

Rússia pode não repetir bom resultado no PIB Recursos energéticos salvaram país da recessão. Mas dependência do petróleo, cujo preço subiu 150% desde 2008, pode ser catastrófica. ILIÁ CHVEDKO ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA

Os russos estão sempre testando seus limites. Prova disso são os resultados de seu desempenho econômico em 2012. Apesar da ameaça de uma nova onda da crise econômica global e notícias sobre os problemas das economias europeias, muitos russos continuaram consumindo – e contribuiram para a dinâmica do PIB em 2012. Segundo Maksim Vássin, analista da Agência Nacio-

nal de Rating, a demanda do consumidor foi o principal motor do crescimento econômico russo no ano passado. Uma das provas mais marcantes disso é a manutenção do volume das vendas de carros novos. Dados do Rosstat (Serviço Federal de Estatística da Rússia) mostram que o país teve o melhor índice de crescimento econômico entre os países do G8 em 2012, com um aumento do PIB de 3,4%. Atrás da Rússia, vieram os EUA, cujo PIB cresceu 2,2%, e Japão, 1,9%. “O resultado atingido pela Rússia no G8 era esperado. A crise europeia não chegou a ser sistêmica e os preços do

petróleo, gás e metais não tiveram queda significativa”, diz Vássin. Além disso, a Rússia ficou em segundo lugar entre os países do Brics, atrás apenas da China, cujo PIB cresceu 7,8%. A rejeição de medidas restritivas pela Rússia foi um dos motivos de seu sucesso. A taxa de refi nanciamento permanece em níveis mínimos desde 2009, o que tem um efeito estimulante muito maior do que na crise de 2008, segundo Elena Chíchkina, analista da empresa de investimento Zerich Capital Management.

Dádiva ou maldição? Especialistas ressaltam que

o quadro poderia ter sido muito diferente para a Rússia, se não fosse o alto preço do petróleo, que subiu 150% desde a crise de 2008. “A única razão pela qual a Rússia não caiu na recessão foram os preços dos recursos energéticos. Mesmo com os planos estratégicos de diminuir o percentual das receitas com as vendas de petróleo para 5,6% do PIB, sua participação na receita total do país é de, pelo menos, o dobro da meta”, diz o analista financeiro da empresa Aforex, Artiom Deev. Em 2012, a Rússia teve a taxa de inflação mais alta entre os países do G8, de 6,6%. No Brics, ficou em se-

gundo lugar, atrás apenas da Índia, que apresentou taxa anual de 11,2%. Especialistas duvidam que a Rússia consiga repetir o sucesso do ano passado em 2013. No final do ano, diversos setores econômicos registraram queda na produção e nas vendas. “O ritmo da economia russa continua diminuindo. Esse processo continuará nos próximos trimestres”, diz Chíchkina. “O Ministério da Economia prevê um aumento do investimento estrangeiro, mas a fuga de capital já chega a US$ 60 bilhões, segundo o Banco Central”, afirma a analista. A Agência Nacional de Rating prevê uma redução no ritmo de crescimento econômico do país para 2,5% em 2013 . “A economia russa só manterá o atual ritmo de crescimento se a conjuntura no mercado mundial de hidrocarbonetos for favorável ao país”, diz Vássin.

ALYONA REPKINA

Crescimento Indicador teve liderança russa entre países do G8 em 2012, mas dependência do petróleo pode ser desastrosa para economia

País se prepara para novo cenário do petróleo países do Oriente Médio, poderão sofrer perdas significativas a longo prazo, caso não comecem a explorar suas jazidas de petróleo de xisto”, afirma John Hoksuort, economista-chefe da PwC e um dos autores do relatório. Especialistas russos, entretanto, designam como “reservas de petróleo de difícil acesso” o petróleo estocado não só nas camadas de xisto, mas também nas de argila e em outras rochas petrolíferas. Estima-se que as reservas petrolíferas de difícil acesso na Rússia sejam da ordem de 25 bilhões a 50 bilhões de toneladas.

“Petróleo difícil” Quase todas as petrolíferas russas têm projetos de extração de petróleo de difícil acesso. Todos eles, porém, estão em fase inicial. Uma fonte da TNK-BP disse à Gazeta Russa que a empresa está em contato com empresas líderes, entre elas a Schlumberger. Neste ano, a TNK-BP deve investir US$ 100 milhões em um projeto piloto de exploração de jazidas de difícil acesso que deverá produzir 4 milhões de toneladas entre 2013 a 2015. Segundo a empresa, a participação do “petróleo difícil” na TNK-BP é de cerca de 2% a 4% do total das reservas de petróleo da Rússia.

Principais reservas de petróleo de xisto russo estão concentradas na Sibéria Ocidental e serão exploradas em conjunto por empresas russas e estrangeiras, que dividirão os riscos GETTY IMAGES/FOTOBANK

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Já a Rosneft possui 27 campos de “petróleo difícil” na Sibéria Ocidental. Suas reservas são avaliadas em pelo menos 1,8 bilhões de toneladas. Desses, 23 campos serão explorados em conjunto com a empresa norte-americana ExxonMobil e com a norueguesa Statoil. A empresa Salym Petroleum Development (uma joint venture da Gazprom-Neft e da Shell) irá explorar a jazida de Verkhne-Salimskoe e tem planos para a jazida de Krasnoleninskoe, onde, em janeiro passado, começou a perfurar o primeiro poço. Segundo as previsões da British Petroleum, até 2030, a participação do petróleo de

xisto na produção total do país pode exceder os 10%. Para Vitáli Kriukov, analista do grupo financeiro IFD Kapital, o início da produção

Projeto de lei para incentivos fiscais à exploração de petróleo de xisto está em preparação de petróleo nas jazidas de difícil acesso depende de uma série de fatores. Em primeiro lugar, as empresas envolvidas precisam entender a geologia da extração de petróleo de difícil acesso, que difere de país para

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CAÇAS RUSSOS BATEM RECORDE NO MERCADO INTERNACIONAL

país. Nos EUA, por exemplo, essa geologia é mais fácil que na China e na Rússia. Em segundo lugar, tais projetos devem desfrutar de incentivos fiscais, o que está já sendo previsto por um projeto de lei em elaboração. “Nossas reservas de petróleo comum ainda são grandes”, afirma Aleksandr Naz a r o v, a n a l i s t a d o Gazprombank. Para ele, o país poderia manter o mercado com elas e recuperar o atraso em relação aos EUA em cinco anos. “A única coisa que pode interferir negativamente no processo é o fraco apoio logístico às jazidas na Rússia, em comparação com os EUA e Europa”, diz Nazarov.

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Folha_01_04_2013