ENTREVISTAS
ALEXANDRA CHRISTIANSEN, NORDEA AM
THORSTEN WINKELMANN, ALLIANZ GI NEGÓCIO
SCR: POLE POSITION PARA O NEGÓCIO DE FUNDOS IMOBILIÁRIOS?
LEGAL ELTIF 2.0: OS FUNDOS EUROPEUS DE INVESTIMENTO A LONGO PRAZO
OUT OF OFFICE
FESTA FUNDSPEOPLE: MAIS UMA REUNIÃO DA GESTÃO DE ATIVOS
OS RESPONSÁVEIS DE VENDAS FAVORITOS DOS SELECIONADORES NACIONAIS
O EXIGENTE TRABALHO DE VENDA DE FUNDOS TORNA-SE PARTICULARMENTE COMPLEXO NUM AMBIENTE DE MERCADO COMO O QUE ATRAVESSAMOS. OS DESAFIOS QUE OS PROFISSIONAIS ENFRENTAM SÃO MUITOS, MAS AS GESTORAS INTERNACIONAIS VEEM CADA VEZ MAIS PORTUGAL COMO UMA APOSTA ESTRATÉGICA QUE MERECE A AFLUÊNCIA DE RECURSOS.
NÚMERO 52 SETEMBRO E OUTUBRO 2023 6€
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A distribuição a investidores privados/retalhistas é proibida. Este documento destina-se a ser uma comunicação de marketing. DWS é a marca sob a qual o DWS Group GmbH & Co KGaA e as relevante Não pode haver garantías que qualquer meta ou objectivo de investimento pode ser alcançado As previsões baseiam-se em hipóteses, estimativas, opiniões e modelos ou análises e antes da data deste documento pode não ser adequado para todos os investidores. Todos os investidores e antes de qualquer negociação ou transacção deverá tomar medidas para garantir que compreenda totalmente a transacção e que tenha efectuado uma análise independente sobre a adequação da transacção Análise independente da adequação da transacção aos seus próprios objectivos e circunstâncias, incluindo os potenciais riscos e benefícios de par ticipar na transacção Pode obter as informações acima referidas acima por via electrónica ou em cópia impressa gratuita do seu consultor
CRC 097819. Agosto 2023
de marketing
Comunicação
EDI TO RIAL N
A FUNDSPEOPLE COMEMOROU MAIS UM ANIVERSÁRIO NA
SUA COMPANHIA.
SÃO 11 ANOS DESTA COMUNIDADE EM
PORTUGAL, E NESTA
EDIÇÃO DE RENTRÉE ABRIMOS COM UM CLÁSSICO: OS
VENDAS FAVORITOS DO MERCADO PORTUGUÊS.
MAIS UMA ÉPOCA DE GESTÃO DE ATIVOS ABERTA PARA O (NOSSO) MUNDO
o dia em que escrevo estas palavras, Fernando Alves calou as suas na TSF. Este final de setembro de 2023 deixará a marca deste (triste) adeus às crónicas Sinais, do jornalista. Fizeram parte do quotidiano de muitos de nós. Desde 1995, com o seu olhar aguçado e o seu grande entendimento do mundano em forma poética, interrompia a rigidez da emissão de notícias para nos prender com a sua voz.
São hábitos como ouvir Fernando Alves - todos os dias, à mesma hora - que nos vinculam ao dia a dia. Que abrem uma fenda de excitamento na mesmice do quotidiano. Nesse sentido, e embora não seja preciso recordar, o inevitável está aí: estamos de novo no outono, começou a azáfama dos dias e o ciclo repete-se. Embora este ano não comemoremos um número redondo, a verdade é que a Festa FundsPeople foi novamente recebida com o entusiasmo do dia 1. Comemorámos o nosso 11º aniversário na presença de todos vós, e continuamos a sentir que este é um momento de partilha muito esperado por todos. Obrigada!
Nesta edição de uma revista que é também de recomeços, um clássico da rentrée: os vendas das gestoras internacionais favoritos do mercado português. Para não perder a graça não desvendarei resultados, mas é de notar que os mais votados veem o mercado português de uma forma muito interessante. “Estratégico” e “muito importante” são alguns dos epítetos utilizados (quiçá os adjetivos fossem outros há 11 anos!).
Ainda assim, apesar do crescimento da importância dos fundos de investimento estrangeiros em Portugal, a evolução do peso do investimento em fundos nos depósitos por parte dos particulares no nosso país é pequena, e fica aquém de uma fronteira ultrapassada já há alguns anos: antes de 2008. Mais adiante, poderá conhecer a opinião de dois profissionais que nos ajudam a perceber esta tendência. Mesmo a propósito, a APFIPP reservou o seu fórum desta edição para um tema similar: a poupança e o investimento. Recordam-nos que se 5% dos depósitos tivesse sido aplicado em ações da bolsa nacional, ter-se-ia obtido uma remuneração equivalente à de 100% dos depósitos.
A terminar, dar nota de um tema que mostra como as gestoras de fundos nacionais estão a olhar para o desenvolvimento sustentável. Mostramos-lhe quais os fundos nacionais que reúnem maior exposição a cada um dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), e que racional está por detrás dessa percentagem.
Não somos “uma janela aberta para o mundo”, como referia Fernando Alves todos os dias, mas, em mais um ciclo de mercado, tentaremos trazer-lhe uma janela o mais aberta possível para a gestão de ativos.
SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 3
52 I SETEMBRO E OUTUBRO
MARGARIDA PINTO Editora Portugal
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6 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO PANORAMA 22 FÓRUM APFIPP Poupança e Investimento TENDÊNCIAS 30 CAPA Os responsáveis de Vendas favoritos dos selecionadores nacionais 36 NEGÓCIO Sociedades de capital de risco: pole position para o negócio de fundos imobiliários? 40 GESTÃO Os tipos de riscos da concentração ótima 44 ESTRATÉGIAS A nova vida dos fundos de mercado monetário 48 PLANIFICAÇÃO FINANCEIRA A história da relação da alocação dos particulares a fundos e depósitos 52 ADVISORY Um ano de Green MiFID: o balanço feito pelas entidades 55 FUNDSERVICES A tecnologia no mundo da auditoria de gestão de ativos em Portugal 58 LEARNING A intermediação financeira não bancária sob análise 62 LEGAL ELTIF 2.0 ENTREVISTAS 64 GURU Tobias Rommel 68 GESTOR PORTUGUÊS Sérgio Silva 70 GURU Oliver Collin 74 DISTRIBUIDOR Bernardo Meyrelles 76 GURU Alexandra Christiansen 80 5 MINUTOS Marco Bizzozero 82 GURU Thorsten Winkelmann PRODUTOS 86 COMPARATIVA Ásia Pacífico para além da China 91 ISR ODS na mira das gestoras? 94 ALTERNATIVOS Futebol profissional na Europa: rola a bola numa partida importante para o investimento alternativo? 96 EMERGENTES Emergentes: melhor a 20 anos do que a 15 99 INSTITUCIONAL Fundos e ETF: pesos pesados dos fundos de pensões abertos nacionais 102 ETF ETF: da periferia ao centro OUT OF OFFICE 104 ESTILO DE VIDA Festa FundsPeople
CE 52 I SETEMBRO E OUTUBRO 2023 70 74 76 80 64 82 68
ÍN DI
Our distinctive investment approach has made us one of the world’s largest fixed income managers.
With over US$450 billion in fixed income assets under management, Capital Group is one of the largest active fixed income fund managers in the world1 - a distinctive approach to fixed income is the driving force behind this success.
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Income Investors 1 Source: Morningstar 2 As at 31 December 2022 Investment involves risks. The value of your investment and income from it may rise as well as fall and cannot be guaranteed. This material, issued by Capital International Management Company Sàrl (“CIMC”), 37A avenue J F Kennedy, L-1855 Luxembourg, is distributed for information purposes only CIMC is regulated by the Commission de Surveillance du Secteur Financier (“CSSF” – Financial Regulator of Luxembourg) and is a subsidiary of the Capital Group Companies, Inc. (Capital Group) © 2023 Capital Group All rights reserved Distinc tive. Disciplined. Durable.
data as of 31 December 2022 and attributable to Capital Group, unless otherwise stated Assets under management by Capital Fixed
CO LABO RA DO RES
CONTRIBUTOS DO MÊS
52 I SETEMBRO E OUTUBRO 2023
SÉRGIO BRITO Analista, APFIPP Poupança e investimento
JOAN ESTEVE MANASANCH
Professor, Universitat Pompeu Fabra, e diretor de Investimentos, Gesinter Os riscos da concentração ótima
ÁNGEL ESTRADA E JOSÉ ALONSO
Diretor geral de Estabilidade Financeira, Regulação e Resolução; e responsável da Unidade de Avaliação do Impacto do Departamento de Regulação, Banco de Espanha
A intermediação financeira não bancária sob análise
Nota de redação
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• FundsPeople é uma revista dirigida exclusivamente a profissionais do sector financeiro e, em particular, a
DIANA RIBEIRO DUARTE, PEDRO CAPITÃO BARBOSA E PEDRO CHARTERS
Sócia, associado coordenador e associado, Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados ELTIF 2.0
ANTÓNIO MELLO CAMPELLO
Partner, BlueCrow Futebol profissional: rola a bola numa partida importante para o investimento alternativo?
LARA ROSA Subdiretora, marketing de produto, Banco Carregosa
ETF: da periferia ao centro
entidades consideradas como contrapartes elegíveis ou investidores profissionais, ao abrigo da legislação aplicável. A informação sobre instituições de investimento coletivo ou outros instrumentos financeiros, constante da FundsPeople é apresentada unicamente com fins informativos e ilustrativos e nunca deve ser interpretada como uma oferta de venda ou uma recomendação de investimento. A informaçao não constitui uma descrição completa das instituições de investimento coletivo ou de outros instrumentos financeiros, mercados, ou desenvolvimentos a que se faz referência.
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DI RE TÓ RIO
DE
MARGARIDA PINTO, editor Portugal margarida.pinto@fundspeople.com
VINAGRE, reporter catarina.vinagre@fundspeople.com
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10 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO
ÍNDICE
EMPRESAS 52 I SETEMBRO E OUTUBRO ABC Az.R 48 ABANCA 30 abrdn 18, 30 Acatis 14 Ageas Pensões 22 Alger 18 AllianceBernstein 18, 30 Allianz Global Investors 14, 18, 26, 30, 83 Alvarium Investments 30 AMCHOR Investments 30 Amundi 18, 26, 30, 44, 99 AQR Funds 26 Assenagon 26 Atlantic 22 ATLÂNTICO Europa 30 AXA IM 18, 44 Baluarte Wealth Advisors 30 Banco BPI 30 Banco Carregosa 30 Banco Português de Gestão 30 Banco Santander Totta 30 Bankinter GA- Suc. Portugal 22, 30, 55 Banque de Luxembourg 14 Barclays 18 BBVA AM 18 BBVA AM Portugal 30, 99 BBVA Fundos 22 BDO 55 BFT IM 44 Bison Bank 30 BIZ Group 22, 55 BlackRock 18, 26, 30, 99 Blue Whale 30 Bluebay AM 18 BNP Paribas AM 18, 26, 44 BNY Mellon IM 14, 18, 30 BPI Gestão de Ativos 22, 30, 55 BPI Vida e Pensões 22 Brown Advisory 18 Caixa Gestão de Ativos 22, 55 Candriam 18 Capital Group 18 Capital Strategies 30 Carmignac 18, 26 Carregosa 22 Casa de Investimentos 22, 55 CGD Pensões 22 Civilria Gestão de Ativos 22 Columbia Threadneedle Investments 18, 30, 99 Compass 36 CPR AM 44 Crédito Agrícola Gest 22, 30, 99 Crédito Agrícola Vida 22 DEF Deloitte 55 DWM - Millennium BCP 30 DWS 14, 18, 30, 44, 64, 99 Ecofi 44 ECS 22 Edmond De Rothschild AM 18, 26 EFG 74 Eleva 18 Eureka Capital Partners 30 Eurizon Capital 18, 44, 86 Federal Finance Gestion 44 Fidelidade 22 Fidelity International 18, 30, 44, 86, 99 First Trust Advisors 30 Floresta Atlântica 22 Flossbach von Storch 14, 18 Franklin Templeton Investments 18, 26, 30 FundBox 22 Fundsmith 18 Futuro 22 GHI GAM 18 Gef 22 Generali Investments 30 GFM Gestão de Ativos 22 GNB Fundos Mobiliários 22 GNB Gestão de Ativos 22, 30, 48, 55, 99 GNB Gestão de Patrimónios 22 GNB Real Estate 22 Golden - SGF 22, 69 Goldman Sachs AM 14, 18, 44 Groupama AM 44 Guinness Global Investors 18 Harris Associates 18 Hawkclaw Capital Advisors 30 Heed Capital 22, 55 HSBC 26 iCapital 80 ICD 44 IM Gestão de Ativos 22, 44, 91 Imofundos 22 Imorendimento 22 Institutional Investment 22 Insula Capital 22 Interfundos 22 Invesco 18, 26, 70 Invest Gestão de Activos 22, 30, 91 IQ EQ Fund Man. (Ireland) Limited 22 iShares 26, 99 JKL J.P. Morgan AM 14, 18, 26, 30, 44 Janus Henderson 14, 18, 99 Jupiter AM 18, 26, 30, 86 Kotak Mahindra AM 26 KPMG 55 Lazard AM 18 Libertas 22 Lombard Odier 44 Lumyna Investments 18, 26 LYNX Asset Managers 22, 55 MN M&G Investments 14, 18, 26, 30 Man Group 18, 26 MFS IM 18, 30 Millennium bcp 52 Mirae Asset 18, 86 Mirova 18 Montepio Gestão de Activos 22, 30, 44, 55, 91 Morgan Stanley IM 18 Natixis IM 18, 99 Neuberger Berman 18 NN IP 18 Nordea AM 18, 30, 76 Norfin 22 novobanco 30, 52 OPQ Oddo BHF Asset Management 18 OFI AM 44 Optimize Investment Partners 22, 30, 55 Ostrum AM 44 Oxy Capital 22 Partners2u 30 Pictet AM 18, 30, 44, 99 PIMCO 18, 26 Polar Capital 86 Predipalma - Emp. Imobiliários 22 Profile - SGFIM 22 PwC 55 RST Real Vida Seguros 22 Refundos 22 Robeco 18 Royal London Investment Management 26 Ru er 18 S.G.F.P. Banco de Portugal 22 Santander AM 22, 30, 55 Santander Pensões 22 Schroders 18, 30, 44, 86, 96 Sierragest - G. Fundos 22 Sierragest IG 22 Silar - SICAFI, SA 22 Silvip 22 Sixty Degrees 22, 55 Southcap 22 Square Asset Management 22, 36 State Street 26 Swiss Life AM 44 T. Rowe Price 18 Tellworth Investments 18 TF Turismo Fundos 22 Tikehau IM 18 TIKEHAU Investment Management 22 UWXYZ UB Asset Management 18 UBS AM 18, 30, 96 Union Investment 26 Valadim Investimentos 22 Vanguard 26 Victoria - Seguros de Vida, SA 22 Vila Gale Gest 22 Violas Ferreira - SICAFI, SA 22 Vontobel AM 18 Wellington Management 18 WisdomTree 26 Xtrackers 26, 44 CEO GONZALO
FERNÁNDEZ gonzalof@fundspeople.com EDITORIAL
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Calvert. Desempenho e impacto.
É com orgulho que celebramos o1.º aniversário dos fundos da Calvert SICAV, classifcados como fundos sujeitos às divulgações exigidas pelo artigo 9.º.
A Calvert combina uma investigação ASG aprofundada com um engajamento ativo com as empresas. O resultado são investimentos que visam proporcionar rendimentos competitivos e um impacto positivo.
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Apenas para investidores profissionais.
A Calvert Research and Management é parte do grupo de empresas da Morgan Stanley Investment Management. Na UE, os documentos da MSIM e da Eaton Vance são publicados pela MSIM Fund Management (Ireland) Limited. (“FMIL”). A FMIL, regulamentada pelo Banco Central da Irlanda, foi constituída na Irlanda como sociedade de responsabilidade limitada com o número de registo comercial 616661 e sede social em 24-26 City Quay, Dublin 2, DO2 NY19, Irlanda.
CONSIDERAÇÕES RELATIVAS AOS RISCOS
As carteiras estão sujeitas ao risco de mercado, que consiste na possibilidade dos valores de mercado dos títulos da carteira virem a descer e do valor das ações em carteira poder, por conseguinte, ser inferior ao que se pagou por elas. Os valores de mercado podem variar diariamente devido a acontecimentos económicos ou outros. É difícil prever o momento, a duração e os potenciais efeitos adversos (por exemplo, liquidez da carteira) dos acontecimentos. Logo, há a possibilidade de perder dinheiro ao investir em qualquer estratégia. As estratégias de ASG que incorporarem investimentos geradores de impacto e/ou fatores ambientais, sociais e de governação (ASG) podem resultar num desempenho do investimento que divirja de outras estratégias ou referências gerais de mercado, dependendo do facto de esses setores ou investimentos serem favorecidos ou desfavorecidos pelo mercado. Consequentemente, não há garantias de que as estratégias de ASG conduzam a um desempenho mais favorável do investimento.
© 2023 Morgan Stanley Investment Management. 3090892 Cad. 30/08/2024 10492245
PANORAMA O MAIS VISTO EM
Período de recolha de dados: de 1/09/2023 a 1/10/2023, em fundspeople. com/pt/
EMPRESAS
Montepio Gestão de Activos
PROFISSIONAIS
Caixa
BPI Gestão de Ativos
Bankinter Gestión de Ativos - Sucursal em Portugal
Optimize Investment Partners
Santander Asset Management
APFIPP Allianz Global Investors (AllianzGI)
PRODUTOS
12 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO
PT
François Rimeu La Française AM Marco Giordano Wellington Management
Aninda Mitra BNY Mellon Investment Management
Patrick Zweifel Pictet Asset Management
José Miguel Calheiros Bankinter Gestión de Ativos - Sucursal em Portugal
Gestão de Ativos IM Gestão de Ativos
GNB Gestão de Ativos
Ações Líderes
PPR/
A
GNB PPR/OICVM
PPR/OICVM
Caixa
Globais Alves Ribeiro PPR/OICVM Bankinter Rendimento
OICVM
Optimize Capital Reforma PPR/OICVM Ativo
Bankinter 75
IMGA Ações América –Fundo de Investimento Aberto de Ações
Optimize Capital Reforma PPR/OICVM Moderado BPI Portugal - Fundo de Investimento Aberto de Ações BPI Reforma Investimento PPR/OICVM
Luís Lobo Jordão Stoik
Aitor Jauregui BlackRock
Rui Araújo BPI Gestão de Ativos
Álvaro Antón Luna abrdn
António Dias IM Gestão de Ativos
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Apenas para pro ssionais. Não destinado a distribuição posterior. Para mais informações sobre o fundo, aviso legal e performance, visite janushenderson. com/gls/performanceanual. A Janus Henderson Capital Funds Plc é um OICVM estabelecido ao abrigo da legislação irlandesa, com responsabilidade segregada entre fundos. Esta é uma comunicação de marketing. Consultar o prospeto do OICVM e o KID antes de tomar qualquer decisão nal de investimento. Os resultados passados não são uma garantia de resultados futuros. Note que quaisquer diferenças entre as moedas dos ativos em carteira, as moedas das classes dos fundos e dos custos a serem pagos ou representados em moedas que não sejam a sua moeda local implicam a sua exposição ao risco cambial. Os custos e os retornos podem aumentar ou diminuir em resultado das utuações das moedas e das taxas de câmbio. Esta informação não se trata de uma solicitação para a venda de ações e nada no presente documento tem como intensão constituir um aconselhamento de investimento. Para obter informações sobre aspetos relacionados com sustentabilidade, consulte Janushenderson.com. Este documento não constitui um aconselhamento de investimento ou uma oferta de venda, compra ou uma recomendação, nem deve ser considerado como base para tomar (ou deixar de tomar) qualquer decisão, sobre a ativos, além do enquadrado nos termos de um acordo em conformidade com as leis, regras e regulamentos aplicáveis. Com efeitos a partir de 1 de janeiro de 2023, o documento de informações fundamentais destinadas aos investidores (KIID) foi alterado para o documento de informações fundamentais (KID), exceto no Reino Unido, onde os investidores devem continuar a consultar o KIID. O Overal Morningstar Rating™ atualizado a 31 de Maio de 2023 refere-se à classe A2 USD (código ISIN IE0009355771).
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124578/0623
O PERIGO DE RECESSÃO CONTINUA A PAIRAR
Os mais recentes dados recolhidos das carteiras que compõem o Smart Consensus apontam para um aumento da alocação a ações. A componente acionista assistiu recentemente a uma quebra acentuada, para valores perto dos 46,72%. Contudo, dados mais recentes apontam para uma subida de 0,46 pontos percentuais, representando 47,18% do total das carteiras.
Apesar do aumento referido, também assistimos ao continuar da tendência de aumento da liquidez. Esta componente tem subido nos últimos cinco meses e fca agora pelos 11,55%, valor mais alto desde novembro de 2022. Em sentido contrário, seguiu a componente obrigacionista. Os últimos dados apon-
FUNDOS QUE COMPÕEM A CARTEIRA DE CONSENSO
tam para uma queda de 1,19 pontos percentuais, o que representa agora 34,48% das carteiras analisadas.
Para Guy Wagner, diretor de Investimentos e gestor de portefólios no Banque de Luxembourg Investments, o momento é de cautela. O especialista do BLI acredita que “mesmo que o mercado esteja a descontar cada vez mais um cenário de aterragem suave, ou mesmo de aceleração económica, a realidade difere”. O especialista faz-se valer dos dados do Purchasing Managers Index do setor dos serviços que caiu abaixo do valor médio na Europa e fcou-se pelos 50 nos EUA (após ter caído de 55 em maio de 2023).
A visão de David Copsey, responsável de Gestão de Carteiras na Goldman Sachs Asset Management, vai ao encon-
A carteira Smart Consensus é composta por fundos das categorias Mistos Moderados e Mistos Flexíveis que em 2023 cumpriam pelo menos um dos três critérios para ser classificado com Rating FundsPeople nos três países analisados (Portugal, Espanha e Itália). O resultado é um carteira composta por 10 fundos multiativos com o mesmo peso, cinco deles moderados e cinco flexíveis. Fonte: FundsPeople e Morningstar Direct.
Em altura de poucas alterações à carteira, os especialistas elencam algumas preocupações. Os gestores defendem que os dados económicos recentes alertam para perigos na economia e para o facto de os bancos centrais estarem agora em modo resposta.
DA FUNDSPEOPLE EM 2023 (*) FUNDO CATEGORIA BL Global Flexible EUR Flexible Allocation BNY Mellon Global Real Return Fund (EUR) Flexible Allocation DWS Concept Kaldemorgen Flexible Allocation Flossbach von Storch Multiple Opportunities II Flexible Allocation M&G (Lux) Dynamic Allocation Fund Flexible Allocation Acatis Value Event Fonds Moderate Allocation Allianz Income and Growth Moderate Allocation Goldman Sachs Global Multi-Asset Income Portfolio Moderate Allocation Janus Henderson Balanced Fund Moderate Allocation JPMorgan IF Global Income Fund Moderate Allocation
PANORAMA SMART CONSENSUS 14 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO
por Diogo Verde
tro da anterior. O gestor de portefólios acredita que os bancos centrais “atingiram uma fase de fnal de ciclo de subidas de taxas de juro e esperam nova informação económica para perceber como vão atuar”. O gestor salienta que os “mercados tentam perceber em que sentido vai seguir a política monetária em 2024”, e é da opinião de “que esta decisão é a maior fonte de volatilidade no presente”.
Posto isto, ambos os gestores fazem-se valer de estratégias de cobertura, via opções, para mitigar as principais variáveis que podem afetar as carteiras. Para Guy Wagner, as opções put estão “atualmente baratas e permitem que o portefólio aproveite o continuar do movimento de subida do mercado acionista, ao mesmo tempo que permite não estar curto em setores-chave como o bancário ou o da energia”. O gestor da Goldman Sachs prefere utilizar covered calls para o efeito. Este acredita que esta estratégia permite “alcançar a yield pretendida para o portefólio, enquanto o protege parcialmente em caso de queda do mercado acionista”.
AÇÕES CONSTANTES
Não se avistaram muitas alterações no que concerne a alocação geográfca da componente acionista da carteira. Enquanto a Europa recolhe alguns pontos base e representa agora 32,78% do total, a América do Norte, em sentido inverso, fca nos 51,34%. A Ásia desenvolvida e a Austrália mantêm-se perto dos 10,69%.
A maior subida ocorreu na exposição aos mercados emergentes. O aumento de 0,67 pontos percentuais levou esta componente para os 5,19%.
As alterações podem ser consideradas temporárias, se tivermos em conta o comentário de David Copsey. O es-
DISTRIBUIÇÃO POR ATIVOS
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DA COMPONENTE DE AÇÕES
ALOCAÇÃO DA COMPONENTE DE OBRIGAÇÕES
70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% ASONDJFMAMJJASONDJFMAMJJ 2021 2022 2023 ASONDJFMAMJJASONDJFMAMJJ 2021 2022 2023 ASONDJFMAMJJASONDJFMAMJJ 2021 2022 2023 47,18 34,48 11,55 6,80 32,78 29,27 51,34 27,88 5,19 18,86 10,69 23,98
OBRIGAÇÕES AÇÕES LIQUIDEZ E OBRIGAÇÕES A CURTO PRAZO OUTROS (DIVISAS, ALTERNATIVOS E IMOBILIÁRIOS)
EUROPA (INCLUI REINO UNIDO) AMÉRICA DO NORTE (EUA E CANADÁ)
EMERGENTES (INCLUI PAÍSES ASIÁTICOS DESENVOLVIDOS) JAPÃO E AUSTRÁLIA
SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 15
CORPORATIVAS SOBERANAS CASH OUTRAS
A CARTEIRA DE
sitos. Esta componente desceu, agora, para mínimos dos últimos dois anos. A alocação libertada foi alocada, principalmente, a títulos de dívida soberana e a outros títulos de dívida. A primeira aumentou 1,93 pontos percentuais para 27,88% e a segunda aumentou 1,48 pontos percentuais para 23,98%. Por fm, a componente de dívida corporativa manteve a maior fatia da alocação, com 29,27%.
25 ANOS E MUITOS MAIS: ESTRATÉGIA
EUROPEAN SMALLER COMPANIES
pecialista afrma que “os dados sugerem que a economia americana e japonesa têm sido mais resilientes do que a europeia ou chinesa”. O gestor da BLI reafrma a forte exposição ao Japão presente no seu portefólio. Este destaca, inclusive, “que a forte exposição à Ásia não prejudicou o fundo nos últimos tempos e que, pelo contrário, a exposição a ativos japoneses teve um contributo positivo.
DURAÇÃO E QUALIDADE
A componente obrigacionista foi a que mais alterações sofreu nos últimos tempos. Assistimos a uma queda de 3,82 pontos percentuais no que concerne a títulos de curto prazo ou depó-
Para a estratégia da Goldman Sachs AM, o plano para esta componente não podia ser mais claro: “Aumentar a duração” e “diminuir risco de crédito”. Nas palavras de David Copsey, as yields reais das obrigações atingiram agora o máximo dos últimos 20 anos. O gestor defende que “um aumento da duração funciona como um fator de diversifcação para ativos de risco em caso de uma, ainda maior, deterioração do outlook económico global”. Do outro lado, o gestor defende que os spreads de crédito são pequenos para as condições atuais. No seu entender, “as empresas com balanços saudáveis devem conseguir mitigar riscos de default, contudo, empresas mais alavancadas e com pior balanço enfrentam um elevado risco de refnanciamento, uma vez que grande parte da dívida está a atingir a maturidade”.
Ambos os gestores refetem cautela nos portefólios. David Copsey lembra a preferência por “duração na carteira e qualidade na componente acionista em detrimento de risco de crédito, contudo, os desvios continuam modestos em comparação com a visão de longo prazo da entidade”. Por sua vez, Guy Wagner não põe em cima da mesa um “cenário de uma reacelaração económica, pelo menos enquanto os indicadores avançados demonstrarem o oposto”.
Estamos orgulhosos da reputação da Columbia Threadneedle Investments para investimentos em pequenas empresas. Na Europa, o fundo European Smaller Companies, a nossa estratégia mais antiga, celebrou este ano o seu 25.º aniversário com um resultado invejável: um retorno de mais de 2.450% ao longo de duas décadas e meia, um valor que supera em muito o desempenho do benchmark de 650%. Tendo em conta este ilustre histórico, acreditamos que estamos bem colocados para responder a algumas questões sobre o ambiente atual. Após mais de duas décadas a entregar resultados satisfatórios para os nossos clientes e a adotar uma abordagem consistente e especializada, estamos a tornar-nos uma das principais gestoras de small caps do mercado (em termos de ativos sob gestão).
Temos um viés de qualidade, e apostamos nas melhores empresas da Europa. Por que razão deve esta abordagem funcionar no contexto atual? Num ambiente de inflação crescente, o poder de fixação de preços é essencial. Num ambiente de subida das taxas de juro, balanços mais saudáveis e lucros capazes de absorver os custos dos juros são cruciais.
FRANCIS ELLISON
A OPINIÃO DE RAP T REN PAR T NER
Gestor de carteiras de clientes, Ações Europeias, Columbia Threadneedle
“O processo de desinflação continua, no entanto, e podemos assistir a choques inflacionários nos próximos meses causados pela subida do preço das matérias-primas”
DAVID COPSEY gestor de portefólios, Goldman Sachs Asset Management
“Os últimos dados mostram que a debilidade do setor industrial começa a estender-se ao setor dos serviços, até agora resiliente”
PANORAMA SMART CONSENSUS 16 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO
GUY WAGNER diretor de investimentos e gestor de portefólios, Banque de Luxembourg Investments
DESCUBRA OS FUNDOS COM RATING
Num mercado como o nosso, com mais de 3.500 fundos registados para comercialização, o grande desafo é fltrar todo este universo para encontrar as peças que encaixam nas carteiras. Para ajudar, a FundsPeople divulga os fundos com Rating FundsPeople 2023. São 604 produtos que se destacam por um ou vários dos seguintes três critérios:
Destacados pelos Analistas. Fundos que acumulam um mínimo de cinco votos no questionário anual realizado em Portugal, Espanha e Itália, dirigido aos analistas e selecionadores de fundos, sobre os produtos que, na sua opinião, sobressaem pelas suas características únicas. Existem 24 fundos que conseguem o ating por esta via.
Ativos nas mãos de investidores portugueses. São os fundos mais vendidos no mercado. Incluem-se os produtos com mais de 10 milhões de euros distribuídos no mercado português. Aos produtos locais exigem-se 50 milhões de euros em ativos e também captações
líquidas a três anos superiores ou iguais a um quarto dos AuM no fecho do ano: 350 fundos alcançam esta classifcação. Consistentes. A equipa de Análise da undsPeople, desenvolveu um modelo de seleção próprio para destacar os produtos mais consistentes em cada categoria, a partir da base de dados da Morningstar Direct, com referência ao fnal do último ano.
São analisados os fundos registados em qualquer país da zona euro, com uma antiguidade mínima de três anos e um mínimo de 10 milhões de euros de AuM à data de referência da análise. De cada fundo é selecionada uma classe, a mais representativa segundo um conjunto de critérios. Esta classe selecionada será
comparada com os restantes fundos da sua categoria através de dois scorecards. o primeiro, são considerados critérios de rentabilidade e volatilidade acumulada a 3 e 5 anos, e no segundo, dados individuais dos últimos cinco anos civis. Em ambos os casos, a rentabilidade e a volatilidade têm um peso de 5% e 35%, respetivamente. Do modelo resultam os fundos que melhor se situam em ambos os scorecards, sendo que apenas aos fundos registados em Portugal é atribuído Rating FundsPeople. á 294 fundos que cumprem os critérios.
Apenas quatro fundos conquistam, em simultâneo, os três pilares do Rating FundsPeople 2023. A esses fundos é atribuída menção especial de FundsPeople+.
São produtos que contam com o destaque dos analistas, sobressaem pela sua consistência ou se distinguem pelo volume de investimento de investidores portugueses.
APENAS QUATRO FUNDOS
DISTINÇÃO MÁXIMA
FUNDO CATEGORIA Amundi Funds - Global Multi-Asset Conservative Cautious Allocation Nordea 1 - European Covered Bond Opportunities Fund Europe Fixed Income Nordea 1 - Global Climate and Environment Fund Global Equity Mid/Small Cap Ru er Total Return International Flexible Allocation 18 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO PANORAMA BARÓMETRO
OBTÊM A
DO RATING FUNDSPEOPLE+
“
Same Guide, updated daily
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OS FUNDOS INTERNACIONAIS BLOCKBUSTERS EM PORTUGAL
Para ser considerado um fundo blockbuster, os produtos internacionais devem alcançar os 10 milhões de euros de património distribuído no mercado português. Fonte: gestoras e diferentes entidades distribuidoras.
ALGER AMERICAN ASSET GROWTH FUND
JPM EUROLAND EQUITY FUND
JPM US VALUE FUND
ALGER SMALL CAP FOCUS FUND
WELLINGTON US RESEARCH EQUITY FUND
JPM EUROPE SELECT EQUITY FUND
T. ROWE PRICE US BLUE CHIP EQUITY FUND
ALLIANZ EUROPE EQUITY GROWTH
ALLIANZ EUROLAND EQUITY GROWTH
JPM ASIA PACIFIC EQUITY FUND
BGF WORLD HEALTHSCIENCE FUND
JANUS HENDERSON GLOBAL TECH&INNO FD
LEGG MASON RY US SMALL CAP OPP FD
T. ROWE PRICE JAPANESE EQUITY FUND
THREADNEEDLE (LUX) EUROPEAN SMALLER COM
WELLINGTON EMERGING MARKETS RESEARCH EQ
GS EMERGING MARKETS EQUITY PORTFOLIO
BGF SUSTAINABLE ENERGY FUND
JPM US SELECT EQUITY FUND
BGF EUROPEAN SPECIAL SITUATIONS FUND
ROBECO BP GLOBAL PREMIUM EQUITIES
01 AÇÕES
THREADNEEDLE (LUX) AMERICAN SMALLER COM
ALLIANZ CHINA A SHARES
BGF WORLD MINING FUND
LEGG MASON CLEARBRIDGE INFRAS VAL FD
THREADNEEDLE (LUX) UK EQUITIES
FRANKLIN TECHNOLOGY FUND
ALLIANZ GLOBAL ARTIFICIAL INTELLIGENCE
JANUS HENDERSON ABSRET FD
AB SELECT ABSOLUTE ALPHA
CANDRIAM SUSTAINABLE EQ EM MKTS
FRANKLIN US OPPORTUNITIES FUND
GOLDMAN SACHS GLOBAL CORE® EQUITY PTF
T. ROWE PRICE US EQUITY FUND
JPM GLOBAL NATURAL RESOURCES FUND
WELLINGTON GLOBAL QUALITY GROWTH FUND
BSF EUROPEAN OPPORTUNITIES EXTENSION FD
JPM EUROPE EQUITY PLUS FUND
ROBECO BP US PREMIUM EQUITIES
BGF WORLD TECHNOLOGY FUND
DWS INVEST ESG EQUITY INCOME
JPM JAPAN EQUITY FUND
JPM GLOBAL DIVIDEND FUND
BGF ASIAN GROWTH LEADERS FUND
JPM US SELECT EQUITY PLUS FUND
GS US CORE® EQUITY PORTFOLIO
BGF US BASIC VALUE FUND
JPM GLOBAL FOCUS FUND
JPM PACIFIC EQUITY FUND
BGF EUROPEAN VALUE FUND
ROBECOSAM SMART ENERGY EQUITIES
T. ROWE PRICE US SMALLER COMPANIES EQ FD
BGF CONTINENTAL EUROPEAN FLEXIBLE FUND
BGF US FLEXIBLE EQUITY FUND
BGF WORLD ENERGY FUND
JPM EMERGING MARKETS EQUITY FUND
DWS INVEST GLOBAL INFRASTRUCTURE
JPM GLOBAL HEALTHCARE FUND
THREADNEEDLE (LUX) EUROPEAN SELECT
BNP PARIBAS CLIMATE IMPACT
DWS INVEST CROCI JAPAN
DWS INVEST TOP DIVIDEND
EDRF BIG DATA
JPM AMERICA EQUITY FUND
JPM US SMALLER COMPANIES FUND
JPM US TECHNOLOGY FUND
TEMPLETON ASIAN GROWTH FUND
UBS (LUX) EQUITY FUND EURP OPP SST (EUR)
BGF US GROWTH FUND
FRANKLIN INDIA FUND
INVESCO GLOBAL CONSUMER TRENDS FUND
JPM US EQUITY ALL CAP FUND
MAN GLG JAPAN COREALPHA EQUITY
DWS INVEST ARTIFICIAL INTELLIGENCE
INVESCO JAPANESE EQUITY ADVANTAGE FUND
INVESCO PAN EUROPEAN EQUITY FUND
JANUS HENDERSON HORIZON GLBL PTY EQS FD
ROBECO NEW WORLD FINANCIAL
UBS (LUX) SF EQUITY SUST (EUR)
GS EUROPE CORE® EQUITY PORTFOLIO
BGF WORLD FINANCIALS FUND
BNP PARIBAS ENERGY TRANSITION
FUNDSMITH EQUITY FUND
LUMYNA-MW TOPS UCITS FUND
ODDO BHF AVENIR EUROPE
ROBECOSAM SUSTAINABLE WATER EQUITIES
ZURICH CARBON NEUTRAL WORLD EQUITY
AB INTERNATIONAL HEALTH CARE
ABRDN EUROPEAN SUSTAINABLE EQ FD
ABRDN JAPANESE SUSTAINABLE EQ FD
ABRDN EUROPEAN SMALLER COMPANIES
AMUNDI FDS EUROPEAN EQUITY VALUE
BBVA GLOBAL BEST IDEAS
BROWN ADVISORY US EQUITY GROWTH
50 100
50 100
CAPITAL GROUP NEW PERSPECTIVE FUND (LUX)
CARMIGNAC PF LONG-SHORT EUROPEAN EQ
ELEVA ELEVA ABS RET EURP
ELEVA ELEVA EUROPEAN SEL
FIDELITY AMERICA FUND
FF-ASIA PACIFIC OPPORTUNITIES FUND
FIDELITY CHINA CONSUMER FUND
FIDELITY EUROPEAN DYNAMIC GROWTH FUND
FF- GLOBAL DIVIDEND FUND
FIDELITY GLOBAL FINANCIAL SERVICES FUND
FIDELITY GLOBAL TECHNOLOGY FUND
FIDELITY JAPAN VALUE FUND
FIDELITY SUSTAINABLE CONSUMER BRANDS
FIDELITY SUSTAINABLE GLOBAL HEALTH CARE
GAM STAR CONTINENTAL EUROPEAN EQUITY
GUINNESS SUSTAINABLE ENERGY
JUPITER EUROPEAN GROWTH
LAZARD SMALL CAPS EURO SRI
MFS MERIDIAN EUROPEAN RESEARCH FUND
MFS MERIDIAN EUROPEAN VALUE FUND
MIRAE ASSET ASIA GREAT CONSUMER EQ FD
MIROVA EURO SUSTAINABLE EQUITY FUND
MS INVF GLOBAL BRANDS FUND
MS INVF GLOBAL OPPORTUNITY FUND
MS INVF GLOBAL PROPERTY FUND
MS INVF US ADVANTAGE FUND
HARRIS ASSOCIATES GLOBAL EQUITY FUND
NORDEA 1 - GLOBAL CLIMATE AND ENVIR FD
NORDEA 1 - GLOBAL STABLE EQUITY FUND
PICTET - GLOBAL ENVIRONMENTAL OPPS
PICTET TR - ATLAS
PICTET TR - MANDARIN
PICTET-CLEAN ENERGY TRANSITION
PICTET-GLOBAL MEGATREND SELECTION
PICTET-NUTRITION
PICTET-PREMIUM BRANDS
PICTET-ROBOTICS
PICTET-SECURITY
PICTET-SMARTCITY
PICTET-WATER
TELLWORTH UK DYNAMIC ABSOLUTE RETURN
SCHRODER ISF EURO EQUITY
SCHRODER ISF GLOBAL EQUITY ALPHA
SCHRODER ISF GREATER CHINA
SCHRODER ISF US LARGE CAP
VONTOBEL MTX SUSTAINABLE EMERG MKTS LDRS
50 100
JPM GLOBAL INCOME FUND
DWS CONCEPT KALDEMORGEN
NN (L) ALTERNATIVE BETA
UBS (LUX) SF YIELD SUST (EUR)
UBS (LUX) SF BALANCED SUST (EUR)
ALLIANZ INCOME AND GROWTH
BSF EUROPEAN ABSOLUTE RETURN FUND
JPM GLOBAL MACRO OPPORTUNITIES FUND
BGF GLOBAL MULTI-ASSET INCOME FUND
JANUS HENDERSON BALANCED FUND
BARCLAYS MULTIMANAGER PORTFOLIO 3
LUMYNA-MW TOPS (MARKET NEUTRAL) UCITS FD
ACATIS VALUE EVENT FONDS
ALLIANZ STRATEGY 15
BGF ESG MULTI-ASSET FUND
BSF AMERICAS DIVERSIFIED EQ ABS RET FD
NN (L) FIRST CLASS MULTI ASSET
BSF MANAGED INDEX PORTFOLIOS MODERATE
INVESCO PAN EUROPEAN HIGH INCOME FUND
BGF GLOBAL ALLOCATION FUND
JPM MULTI-MANAGER ALTERNATIVES FUND
UBS (LUX) SF GROWTH SUST (EUR)
FRANKLIN K2 ALTERNATIVE STRATEGIES FUND
ALLIANZ DYNAMIC MULTI ASSET STRAT SRI 15
ALLIANZ DYNAMIC MULTI ASSET STRAT SRI 50
BSF GLOBAL EVENT DRIVEN FUND
MAN AHL TREND ALTERNATIVE
UBS (LUX) SF YIELD SUST(USD)
JPM GLOBAL BALANCED FUND
DWS FIXED MATURITY GLB BDSDYN+ 2024 II
JPM GLOBAL MACRO FUND
ODDO BHF POLARIS MODERATE
BARCLAYS MULTIMANAGER PORTFOLIO 2
BARCLAYS MULTIMANAGER PORTFOLIO 4
ABRDN DIVERSIFIED INCOME FUND
AMUNDI FDS GLOBAL MULTI-ASSET CNSRV
Fundos com mais de 100 milhões de euros nas mãos de clientes portugueses.
BBVA DIF MULTI-ASSET DEFENSIVE EUR FUND
BBVA DIF MULTI-ASSET MODERATE EUR FUND
BNY MELLON GLOBAL REAL RETURN FD (EUR)
CAPITAL GROUP GLOBAL ALLOCATION FD (LUX)
CARMIGNAC PF PATRIMOINE EUROPE
FIDELITY GLOBAL MULTI ASSET INCOME FUND
FVS MULTIPLE OPPORTUNITIES II
GAM STAR GLOBAL RATES
JUPITER MERIAN GLOBAL EQUITY ABSOLUTERET
M&G (LUX) DYNAMIC ALLOCATION FUND
M&G (LUX) INCOME ALLOCATION FUND
M&G (LUX) OPTIMAL INCOME FD
MFS MERIDIAN GLOBAL TOTAL RETURN FUND
NORDEA 1 - ALPHA 15 MA FUND
NORDEA 1 - STABLE RETURN FUND
PICTET-MULTI ASSET GLOBAL OPPORTUNITIES
PIMCO GIS DYNAMIC MULTI-ASSET FUND
RUFFER TOTAL RETURN INTERNATIONAL
“A lista dos fundos blockbuster do Rating FundsPeople é ordenada pela ordem de grandeza dos ativos sob gestão distribuídos no mercado local à data de 31 de dezembro de 2022. A informação é providenciada pelas entidades gestoras. Na ausência de informação detalhada da entidade gestora, assume-se o mínimo de ativos sob gestão para cumprir o critério blockbuster”.
20 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO
PANORAMA BARÓMETRO
■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ 02 MULTIATIVOS E ALTERNATIVOS 50 100 50 100 50 100
■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■
OS FUNDOS INTERNACIONAIS BLOCKBUSTERS EM PORTUGAL
Para ser considerado um blockbuster, os produtos internacionais devem alcançar os 10 milhões de euros de património distribuído no mercado português. Fonte: gestoras e diferentes entidades distribuidoras.
LA FRANÇAISE SUB DEBT
JPM US AGGREGATE BOND FUND
JUPITER DYNAMIC BOND
BLUEBAY INVESTMENT GRADE EURO GOVT BD FD
JPM EU GOVERNMENT BOND FUND
MUZINICH ENHANCEDYIELD SHORT-TERM FUND
BLUEBAY INVESTMENT GRADE BOND FUND
NN (L) GREEN BOND
NN (L) EURO CREDIT
BGF EURO CORPORATE BOND FUND
JANUS HENDERSON HORIZON EURO CORP BD FD
BGF EMERGING MARKETS LOCAL CCY BD FD
BNP PARIBAS SUSTAINABLE ENHANCED BD 12M
BNP PARIBAS EURO GOVERNMENT BD
BGF EURO SHORT DURATION BOND FUND
T. ROWE PRICE EMERGING LOCAL MKTS BD FD
FRANKLIN EURO SHORT DURATION BOND FUND
JPM GLOBAL CORPORATE BOND FUND
NN (L) US CREDIT
INVESCO EURO CORPORATE BOND FUND
LEGG MASON BW GLOBAL INCOME OPTIMISER FD
JANUS HENDERSON HORIZON EURO HY BD FD
GS EMERGING MARKETS DEBT PORTFOLIO
BGF EUROPEAN HIGH YIELD BOND FUND
FRANKLIN STRATEGIC INCOME FUND
BLACKROCK SUSTAINABLE FIXED INC STRATS
JPM US SHORT DURATION BOND FUND
CANDRIAM SUSTAINABLE BOND GLBL HI YLD
LEGG MASON WA MACRO OPPORTUNITIES BD FD
MUZINICH EUROPEYIELD FUND
BGF CHINA BOND FUND
BLUEBAY INVESTMENT GRADE EURO AGGT BD FD
WELLINGTON GLOBAL BOND FUND
BGF GLOBAL HIGH YIELD BOND FUND
JUPITER STRATEGIC ABSOLUTERET BD
JPM INCOME FUND
T. ROWE PRICE US AGGT BD
WELLINGTON EMERGING LOCAL DEBT ADV BETA
DWS INVEST SHORT DURATION INCOME
ROBECOSAM EURO SDG CREDITS
50 100
QUE UM MERO FENÓMENO TECNOLÓGICO
A IA existe há vários anos e já foi amplamente adotada em todas as áreas de negócio e da vida quotidiana. Contudo, disparou recentemente na consciência
BGF EURO BOND FUND
BGF US DOLLAR BOND FUND
JPM GLOBAL GOVERNMENT BOND FUND
JPM US BOND FUND
BGF SUSTAINABLE GLOBAL BOND INCOME FUND
BGF US DOLLAR HIGH YIELD BOND FUND
ROBECO FINANCIAL INSTITUTIONS BONDS
TEMPLETON GLOBAL HIGH YIELD FUND
BLUEBAY FINANCIAL CAPITAL BOND FUND
BGF GLOBAL CORPORATE BOND FUND
EDRF BOND ALLOCATION
TEMPLETON GLOBAL TOTAL RETURN FUND
CAIXABANK GLOBAL EURO SHORT DURATION
CANDRIAM SUSTAINABLE BOND EURO CORP
FRANKLIN GULF WEALTH BOND FUND
LEGG MASON WA STRUCTURED OPPS FD
ROBECO ALL STRATEGY EURO BONDS
TEMPLETON GLOBAL BOND FUND
ABRDN FRONTIER MARKETS BOND FD
ABRDN EURO CORPORATE BOND
ABRDN EURO CORP SUST BD FD
AEGON EUROPEAN ABS FUND
AEGON STRATEGIC GLOBAL BOND FUND
AMUNDI FDS EMERGING MARKETS BOND
AMUNDI FDS PIONEER STRATEGIC INCOME
AMUNDI FDS PIONEER US BOND
AXAIMFIIS US SHORT DURATION HIGH YIELD
AXAWF EURO CREDIT SHORT DURATION
AXAWF EURO INFLATION PLUS
AXAWF GLOBAL INFLATION SHORT DUR BDS
AXAWF US HIGH YIELD BONDS
BNY MELLON EMERGING MARKETS CORP DBT FD
BNY MELLON GLOBAL CREDIT FUND
CARMIGNAC PORTFOLIO FLEXIBLE BOND
CARMIGNAC PF GLOBAL BOND
CARMIGNAC SÉCURITÉ
EURIZON BOND AGGREGATE RMB
EURIZON BOND JPY LTE
FIDELITY EURO CORPORATE BOND FUND
FIDELITY EURO SHORT TERM BOND FUND
pública devido ao aparecimento do ChatGPT. Para os selecionadores de ações ativos, sempre que surge um tema popular, é necessário determinar se é algo mesmo revolucionário ou se não passa de mais uma tendência excessivamente publicitada. Cremos que o que muda o jogo é o facto das oportunidades de retornos associados à IA poderem materializar-se muito rapidamente, uma vez que já está a ser comprovada por várias empresas de tecnologia que surpreenderam positivamente os investidores recentemente.
De um modo mais geral, a GenAI tem uma vasta gama de aplicações, desde programas de simulação de chatbots e assistentes virtuais até à criação de conteúdos e à tradução.
FVS BOND OPPORTUNITIES
GAM MULTIBOND LOCAL EMERGING BOND
GAM STAR MBS TOTAL RETURN
M&G (LUX) GLB FL RT HY FD
MFS MERIDIAN EMERGING MARKETS DEBT FUND
MS INVF EURO CORPORATE BD - DUR HGD FD
MS INVF EURO CORPORATE BOND FUND
LOOMIS SAYLES SHORT TERM EM MKTS BD FD
NEUBERGER BERMAN SHORT DUR EM MKT DBT FD
NORDEA 1 - EUROPEAN COVERED BOND FUND
NORDEA 1 - EUROPEAN COVERED BOND OP
NORDEA 1 - EUROPEAN FINANCIAL DEBT FUND
NORDEA 1 - EUROPEAN HIGH YIELD BOND FUND
NORDEA 1 - LOW DURATION EUR COV BND FUND
PICTET-EUR SHORT TERM HIGH YIELD
PICTET-SHORT TERM EMERGING CORPORATE BDS
PICTET-USD GOVERNMENT BONDS
PIMCO EUROPEAN SHORT-TERM OPPORTS
PIMCO GIS EURO INCOME BOND FUND
PIMCO GIS GLOBAL HIGH YIELD BOND FUND
PIMCO GIS GLOBAL INVESTMENT GRD CRDT FD
PIMCO GIS INCOME FUND
PIMCO GIS LOW AVERAGE DURATION FUND
PIMCO GIS TOTAL RETURN BOND FUND
PIMCO GIS US HIGH YIELD BOND FUND
PIMCO GIS US INVESTMENT GRADE CORP BD FD
SCHRODER GAIA CAT BOND
SCHRODER ISF EURO CREDIT CONVICTION
SCHRODER ISF EURO GOVERNMENT BOND
SCHRODER ISF EURO HIGH YIELD
SCHRODER ISF EURO SHORT TERM BOND
SCHRODER ISF GLOBAL CORPORATE BOND
SCHRODER ISF GLOBAL CREDIT INCOME
TIKEHAU SHORT DURATION FUND
UBAM GLOBAL HIGH YIELD SOLUTION
VONTOBEL EMERGING MARKETS DEBT
VONTOBEL EURO CORPORATE BOND
VONTOBEL TWENTYFOUR STRATEGIC INCOME FD
Por conseguinte, a IA poderá ser um ponto de viragem em muitos setores, desde a tecnologia até aos cuidados de saúde, ao entretenimento, ao comércio eletrónico ou à publicidade. No entanto, devemos ser cautelosos. Nem tudo o que reluz é ouro!
Por agora, e para muitos setores, o ponto-chave é aprender a interagir com a GenAI para capitalizar os seus resultados. A inovação está a acontecer rapidamente e, a longo prazo, chegará a todos os setores. Acreditamos que a IA é um fator de disrupção para um grande número de empresas em vários setores. No entanto, tal como acontece com muitas tendências importantes, a chave é separar o ruído das oportunidades genuínas e gerir o entusiasmo.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: MAIS DO
A OPINIÃO DE RAP T REN PAR T NER AXELLE PINON Membro do Comité de Investimento, Carmignac SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 21
100 50 100
50
■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ 02 FIXED
INCOME
POUPANÇA E INVESTIMENTO
Numa altura de diminuição das poupanças dos portugueses, fala-se da importância de adereçar o tema da poupança e do investimento dos portugueses na esfera política.
Há muito que é percetível a reduzida propensão para a poupança nas famílias portuguesas. Apesar de aumentos conjunturais em épocas de crise ou maior incerteza (crise do subprime, intervenção da roika, CO ID-19), tem-se vindo a observar uma redução significativa da taxa de poupança das famílias.
De facto, se em pleno período pandémico se registaram níveis de pou-
pança idênticos aos do início deste século (13,7% no 1 trimestre de 2021), rapidamente se voltou a valores mínimos ( ,5% em 2022 e 5,9% no 1 trimestre deste ano).
Comparando com o resto da Europa, segundo o Eurostat, no conjunto dos países da zona euro, registou-se uma taxa de poupança de 13,5%, em 2022, mais do dobro do observado em Portugal.
Este baixo nível de poupança das famílias portuguesas é um problema
que nos deveria preocupar a todos enquanto sociedade civil, mas também aos nossos governantes, que deveriam introduzir medidas que a promovessem.
O aumento do custo de vida que temos observado nos últimos meses, fruto da elevada inflação e do aumento das taxas de juros, veio demonstrar a imperiosa necessidade das famílias acumularem poupanças que possam ser utilizadas em momentos de maior dificuldade.
-150 -100 -50 0 50 100 150 200 250 15000 17500 20000 -30 -20 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 1400 1550 1700 1850 2000 CAPTAÇÕES LÍQUIDAS CAPTAÇÕES LÍQUIDAS PATRIMÓNIO PATRIMÓNIO AGOSTO 2022 AGOSTO 2022 AGOSTO 2023 AGOSTO 2023 TOTAL DE FUNDOS MOBILIÁRIOS FUNDOS DE CURTO PRAZO HARMONIZADOS
22 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO
PANORAMA FÓRUM APFIPP por Sérgio Brito
A EVOLUÇÃO DA TAXA DE POUPANÇA DAS FAMÍLIAS
mento de Estado para 2024 constitui um dos instrumentos legislativos mais adequados para o fazer.
Do mesmo modo, e complementarmente à implementação de medidas de fomento da poupança, são urgentes políticas que contribuam, efetivamente, para o aumento da literacia fnanceira dos portugueses e que permitam colocar as poupanças ao serviço da economia, designadamente através do mercado de capitais.
Mais ainda quando se constata que, no fnal do 1 trimestre deste ano, as famílias portuguesas possuíam empréstimos e outros créditos no valor de 14 , mil milhões de euros, o que representa mais de 87,5% do seu rendimento disponível anual na mesma data.
POUPANÇA ESGOTA-SE
Sabendo-se que grande parte desta dívida é relativa a crédito à habitação, com taxa de juro indexada à Euribor, o aumento que se tem verifcado nestas
tem um efeito muito penalizador para as famílias portuguesas.
ão é de espantar, por isso, que um estudo recentemente divulgado pelo Conselho das inanças Públicas evidencie que as poupanças acumuladas pelas famílias no período pandémico vão esgotar-se já no presente ano.
Urge, portanto, que o governo e a Assembleia da República legislem, no sentido de introduzir incentivos que levem ao aumento da taxa de poupança, sendo que a Proposta de Lei do Orça-
Em março deste ano, as famílias portuguesas tinham 224,7 mil milhões de euros aplicados em depósitos bancários, o que equivale a 4 ,9% de todo o património fnanceiro detido ( 2,%, se desse património forem excluídas as ações não cotadas e outras participações, que correspondem, maioritariamente, a participações no capital de empresas próprias).
Segundo dados do Banco de Portugal, apenas um terço dos depósitos de particulares são depósitos a prazo e, por isso, remunerados. Entre 2017 e 2022, a taxa de remuneração média anual dos depósitos a prazo foi de apenas 0,18%, pelo que, através de um exercício de aritmética simples, se conclui que,
-150 -100 -50 0 50 100 150 200 250 2000 2750 3500 -100 -80 -60 -40 -20 0 20 40 5000 5500 6000 6500 7000 7500 8000 -30 -20 -10 0 10 20 30 40 50 60 2000 2500 3000 3500 4000 CAPTAÇÕES LÍQUIDAS CAPTAÇÕES
CAPTAÇÕES LÍQUIDAS PATRIMÓNIO PATRIMÓNIO PATRIMÓNIO AGOSTO 2022 AGOSTO 2022 AGOSTO 2022 AGOSTO 2023 AGOSTO 2023 AGOSTO 2023 FUNDOS DE OBRIGAÇÕES FUNDOS MISTOS FUNDOS DE AÇÕES
LÍQUIDAS
16,0 14,0 12,0 10,0 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0 DEZ 1999 DEZ 2000 DEZ 2001 DEZ 2002 DEZ 2003 DEZ 2004 DEZ 2005 DEZ 2006 DEZ 2007 DEZ 2008 DEZ 2009 DEZ 2010 DEZ 2011 DEZ 2012 DEZ 2013 DEZ 2014 DEZ 2015 DEZ 2016 DEZ 2017 DEZ 2018 DEZ 2019 DEZ 2020 DEZ 2021 DEZ 2022 Fonte: Eurostat. Em %. Ano terminado no trimestre.
SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 23
nesse período, os juros recebidos pelas famílias terão sido inferiores a 600 milhões de euros, ou 120 milhões de euros em cada ano.
No mesmo período, o PSI-20, o EuroStoxx 50 e o S P 500 tiveram valorizações médias anuais de 1,22%, 1, 0% e 7,51% (9,99% se incluirmos efeito cambial), respetivamente.
Ou seja, bastava reafetar parte deste stock de poupança para aplicações no
AS GESTORAS EM AGOSTO DE 2023
segmento acionista para ter uma remuneração superior. Por exemplo, se 5% dos depósitos tivesse sido aplicado em ações da bolsa nacional, ter-se-ia obtido uma remuneração equivalente à de 100% dos depósitos.
este caso, a conta a fazer não é uma soma, mas antes uma subtração. O excessivo conservadorismo dos portugueses no que se refere à aplicação das suas poupanças lesou-os em milhões de eu-
ros, que correspondem à diferença entre o juro recebido dos depósitos e o retorno que poderiam ter obtido se optassem por outro tipo de investimento.
azem falta iniciativas de largo alcance que expliquem aos portugueses as diferentes alternativas de aplicação das suas poupanças e as consequências que o investimento em aplicações com maior risco permite, isto é, obter um retorno potencial muito superior.
ORGANIMOS DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO AGOSTO 2023 QUOTA (%) DEZEMBRO 2022 QUOTA (%) VAR. (%) 2023 Square Asset Management 1.571,40 12,52 1.449,46 11,89 8,41 Interfundos 966,14 7,70 1.050,11 8,61 -8,00 LYNX Asset Managers 931,21 7,42 738,90 6,06 26,03 Caixa Gestão de Ativos 705,31 5,62 909,06 7,46 -22,41 GNB Real Estate 667,86 5,32 675,33 5,54 -1,11 Sierra IG 637,61 5,08 249,76 2,05 155,29 BPI Gestão de Ativos 626,39 4,99 630,75 5,17 -0,69 Silvip 587,49 4,68 601,80 4,94 -2,38 Insula Capital 567,50 4,52 623,05 5,11 -8,92 Southcap 442,60 3,53 178,57 1,46 147,86 GEF - Gestão de Fundos Imobiliários 440,48 3,51 405,52 3,33 8,62 Montepio Gestão de Activos 426,75 3,40 411,57 3,38 3,69 Fidelidade 320,29 2,55 308,40 2,53 3,86 Norfin 316,00 2,52 236,14 1,94 33,82 Fundiestamo 298,03 2,37 293,44 2,41 1,56 Imofundos 234,61 1,87 231,48 1,90 1,35 Santander Asset Management 232,40 1,85 284,80 2,34 -18,40 Fund Box 215,09 1,71 212,79 1,75 1,08 IQ EQ F. Manag. (Ireland) Limited 213,88 1,70 119,82 0,98 78,50 Institutional Inv. - Partners GmbH 194,66 1,55 190,22 1,56 2,33 Violas Ferreira 189,69 1,51 183,38 1,50 3,44 TF Turismo Fundos 184,66 1,47 167,23 1,37 10,42 TIKEHAU Investment Management 173,83 1,38 167,04 1,37 4,06 ECS 155,72 1,24 175,90 1,44 -11,47 Atlantic 134,21 1,07 118,18 0,97 13,57 Imorendimento 131,46 1,05 97,60 0,80 34,70 Civilria Gestão de Ativos 123,58 0,98 159,99 1,31 -22,76 Crédito Agrícola Gest 113,22 0,90 16,92 0,14 569,14 Imopolis 106,73 0,85 103,50 0,85 3,12 Carregosa 101,06 0,81 92,08 0,76 9,75 Profile 96,95 0,77 97,15 0,80 -0,20 Libertas 89,68 0,71 345,04 2,83 -74,01 Vila Gale Gest 73,46 0,59 68,13 0,56 7,84 Gesfimo - Espírito Santo Irmãos 59,05 0,47 57,61 0,47 2,49 Refundos 43,10 0,34 41,89 0,34 2,88 GFM Gestão de Ativos 39,66 0,32 40,14 0,33 -1,20 Invest Gestão de Activos 28,98 0,23 25,17 0,21 15,12 Valadim Investimentos SICAFI Especial 28,47 0,23 26,80 0,22 6,24 Lifento 26,45 0,21 27,68 0,23 -4,44 Predipalma - Emp. Imobiliários 25,92 0,21 Silar 15,88 0,13 15,56 0,13 2,05 Floresta Atlântica 13,76 0,11 17,18 0,14 -19,94 Sierragest - Gestão de Fundos * 348,21 2,86 -100,00 Total 12.551,22 12.193,37 2,93 Dados em milhões de euros.
GESTÃO DE PATRIMÓNIOS AGOSTO 2023 QUOTA (%) DEZEMBRO 2022 QUOTA (%) VAR. (%) 2023 Caixa Gestão de Ativos 8.135,91 33,03 8.007,90 32,93 1,60 Santander Asset Management 5.251,68 21,32 5.153,06 21,19 1,91 GNB - Gestão de Patrimónios 3.835,53 15,57 3.688,85 15,17 3,98 BPI Gestão de Ativos 3.656,04 14,84 3.800,75 15,63 -3,81 Montepio Gestão de Activos 1.492,94 6,06 1.474,19 6,06 1,27 Crédito Agrícola Gest 1.367,06 5,55 1.348,87 5,55 1,35 Bankinter Gestion de Activos 786,27 3,19 735,62 3,03 6,89 Optimize Investment Partners 81,71 0,33 73,46 0,30 11,24 Heed Capital 20,60 0,08 19,02 0,08 8,31 LYNX Asset Managers 3,90 0,02 14,82 0,06 -73,66 Total 24.631,65 24.316,54 1,30 A Sierra IG incorporou, por fusão a Sierragest - Gestão de Fundos. FUNDOS DE PENSÕES JUNHO 2023 QUOTA (%) DEZEMBRO 2022 QUOTA (%) VAR. (%) 2023 Ageas - Sociedade Gestora de Fundos de Pensões 6.153,63 33,87 6.050,53 28,69 1,70 BPI Vida e Pensões 3.115,08 17,15 3.006,44 14,26 3,61 GNB 2.232,17 12,29 2.187,80 10,37 2,03 Futuro 1.838,58 10,12 1.792,06 8,50 2,60 S.G.F.P. Banco de Portugal 1.792,29 9,86 1.746,36 8,28 2,63 Santander Pensões 1.116,96 6,15 1.122,90 5,32 -0,53 CGD Pensões 841,04 4,63 4.153,60 19,69 -79,75 BBVA Fundos 525,70 2,89 502,83 2,38 4,55 Crédito Agrícola Vida 222,81 1,23 219,33 1,04 1,59 Golden - SGF 200,95 1,11 192,72 0,91 4,27 Real Vida Seguros 113,99 0,63 100,89 0,48 12,98 Victoria - Seguros de Vida 15,79 0,09 14,73 0,07 7,21 Total 18.169,00 21.090,17 -13,85 Nota: Amostra = 98,7% do total gerido por Fundos de Pensões (Em junho 2023) FUNDOS DE INVESTIMENTO MOBILIÁRIO AGOSTO 2023 QUOTA (%) DEZEMBRO 2022 QUOTA (%) VAR. (%) 2023 Caixa Gestão de Ativos 6.535,55 35,84 6.268,13 36,59 4,27 IM Gestão de Ativos 3.918,73 21,49 3.605,29 21,05 8,69 Santander Asset Management 3.005,28 16,48 2.637,50 15,40 13,94 BPI Gestão de Ativos 2.913,38 15,98 2.906,49 16,97 0,24 GNB Fundos Mobiliários 743,35 4,08 737,83 4,31 0,75 Bankinter Gestion de Activos 348,29 1,91 315,68 1,84 10,33 Invest Gestão de Activos 223,63 1,23 199,41 1,16 12,14 Montepio Gestão de Activos 212,15 1,16 180,92 1,06 17,26 Optimize Investment Partners 151,65 0,83 132,89 0,78 14,12 Casa de Investimentos 65,65 0,36 43,41 0,25 51,23 Heed Capital 29,32 0,16 31,55 0,18 -7,07 GFM Gestão de Ativos 19,80 0,11 14,29 0,08 38,53 Crédito Agrícola Gest 18,70 0,10 18,16 0,11 2,92 Sixty Degrees 16,17 0,09 12,38 0,07 30,64 LYNX Asset Managers 15,28 0,08 14,00 0,08 9,14 BIZ Capital 11,31 0,06 12,98 0,08 -12,84 OXY Capital 5,73 0,03 Fund Box 1,26 0,01 Total 18.235,24 17.130,90 6,45
24 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO
Nota: Amostra = 73,7% do total de ativos da Gestão de Patrimónios (Em agosto de 2023).
PANORAMA FÓRUM APFIPP
Os Organismos de Investimento Colectivo e os undos de Pensões, pelas suas caraterísticas, de que se evidenciam a gestão profissional, as regras relativas à dispersão e mitigação de riscos e a transparência e regulação a que estão sujeitos, são veículos privilegiados para aplicar as poupanças das famílias nos mercados de capitais, o que permite, não só um retorno potencialmente supe -
rior para os investidores, mas também meios de financiamento para as empresas que lhes permitam crescer e potenciar o desenvolvimento económico do país.
urgente que o governo e demais agentes políticos reconheçam a import ncia da poupança e promovam a sua aplicação em instrumentos fnanceiros como os Organismos de Investimento Colectivo e os undos de Pensões.
OBRIGAÇÕES A CURTO PRAZO NA EUROPA
Atualmente, o mercado está dividido entre os que pensam que as taxas de juro na Europa atingiram o pico - ou estão muito perto de atingir - e que se vão manter nesses níveis durante algum tempo e os investidores que acreditam que o BCE irá baixar as taxas em breve, assim que a inflação dê sinais de estar sob controlo, para evitar ao máximo o possível impacto no crescimento económico (embora a economia da zona euro esteja oficialmente em recessão).
O resultado é que as yields da dívida a curto prazo são mais elevadas do que as oferecidas pelas obrigações a longo prazo. Neste contexto, um fundo como o Invesco Euro Short Term Bond Fund pode ser adequado para aproveitar os elevados rendimentos das obrigações, mantendo, ao mesmo tempo, uma baixa sensibilidade às taxas de juro. Uma parte do fundo investe em high yield quality core e outra parte da carteira é mais flexível para poder maximizar a rentabilidade. O fundo investe tanto em estratégias direcionais como de valor relativo para melhorar o seu objetivo de rentabilidade.
A equipa tem a possibilidade de se mover entre zero e três anos de duração - com 2,1 anos em média - e a carteira está dividida quase igualmente entre obrigações governamentais e corporativas de elevada qualidade, onde a equipa acredita que há mais valor em poder tirar partido dos atuais spreads elevados relativamente ao nível de risco assumido.
FUNDOS DE INVESTIMENTO MOBILIÁRIO JUNHO A AGOSTO 2023 DESDE INÍCIO DO ANO ÚLTIMOS 12 MESES Santander Asset Management 127,711 271,418 175,350 Caixa Gestão de Ativos 48,530 -136,627 -4,380 IM Gestão de Ativos 21,724 196,188 154,593 Montepio Gestão de Activos 17,670 20,556 31,783 Casa de Investimentos 4,145 9,118 14,806 Invest Gestão de Activos 3,955 13,692 27,835 Bankinter Gestión de Activos 3,161 18,680 28,369 Optimize Investment Partners 2,231 10,223 14,280 Sixty Degrees 0,779 3,022 3,151 GFM Gestão de Ativos 0,000 0,000 1,066 Crédito Agrícola Gest 0,000 0,000 0,000 BIZ Capital -0,188 -1,841 -3,016 LYNX Asset Managers -1,133 -0,913 -2,266 Heed Capital -1,691 -3,553 -3,975 GNB Fundos Mobiliários -14,969 -20,046 -30,011 BPI Gestão de Ativos -57,311 -78,379 -68,447 OXY Capital n.d. n.d. n.d. Fund Box n.d. n.d. n.d. Total 154,614 301,537 339,135 FUNDOS DE INVESTIMENTO MOBILIÁRIO JUNHO A AGOSTO 2023 DESDE INÍCIO DO ANO ÚLTIMOS 12 MESES Fundos de Obrigações Euro 209,380 418,507 660,120 Fundos de Curto Prazo Euro 86,927 188,365 116,152 F. Mercado Monetário Euro 85,213 145,335 198,310 Fundos de Acções Nacionais 20,152 37,358 49,805 F. Mercado Monetário Internacional 0,531 0,868 2,001 FIA de Curto Prazo 0,500 0,750 0,750 Fundos de Acções Sectoriais 0,298 -1,235 -1,717 Fundos de Acções Ibéricas 0,100 0,503 0,203 FIA de Retorno Absoluto 0,000 0,000 0,000 FIA Multi-Activos 0,000 0,000 0,000 FIA de Obrigações -0,540 -1,207 -1,978 FIA Flexíveis -0,545 -0,333 -0,122 Fundos de Obrigações Internacional -1,059 34,015 19,234 Outros F. Acções Internacionais -1,357 -1,988 -2,167 F. Multi-Activos Agressivos -1,913 -1,387 1,276 F. Acções da América do Norte -2,555 -21,217 -7,444 Fundos de Acções Europeias -5,097 -1,004 -21,674 F. Obrigações Taxa Indexada Euro -7,431 -66,345 -88,590 F. Multi-Activos Equilibrados -9,604 -17,003 -26,825 Outros FIA -11,094 -17,866 -39,949 F. Multi-Activos Defensivos -16,355 -31,521 -49,127 Fundos de Acções Globais -33,201 -43,272 8,576 Fundos PPR -36,089 -52,578 -50,917 Fundos Flexíveis -42,400 -105,195 -173,554 F. Multi-Activos Moderados -79,246 -162,012 -253,226 Total 154,614 301,537 339,135 Dados em milhões de euros ENTRADAS E SAÍDAS DOS FUNDOS MOBILIÁRIOS JUNHO A AGOSTO 2023 1.500 1.250 1.000 750 500 250 0 -250 -500 -750 -1000 -1.250 -1.500 -1500 -1000 -500 0 500 1000 1500
A OPINIÃO DE RAP T REN PAR T NER
FERNANDO FERNÁNDEZ- BRAVO Responsável de Vendas de Gestão Ativa para a Península Ibérica, Invesco
SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 25
Barómetro na Europa
NOVA ONDA DE ETF ANIMA O VERÃO DO MERCADO EUROPEU DE FUNDOS DE INVESTIMENTO
A silly season trouxe consigo taxas de juro em níveis históricos. Os investidores responderam com uma grande aposta na gestão passiva, mas o mercado europeu de fundos ainda não conseguiu voltar aos valores do ano passado.
Novo mês, novas subidas, novos máximos. Em julho, o Banco Central Europeu voltou a cumprir as expetativas do mercado com uma nova subida das taxas de juro de 25 pontos base, marcando assim o ciclo de ajuste monetário mais agressivo da sua história. Do outro lado do Atlântico, a Fed replicou o movimento do BCE e também aumentou as taxas em mais 25 pontos base para o nível mais alto em 22 anos. Nos EUA, o IPC caiu para 3% face aos 9,1% do ano anterior.
Agosto, o mês tradicionalmente mais calmo do ano para os mercados fnanceiros, fcou marcado pela negativa. As principais bolsas dos Estados Unidos e da Europa mantiveram-se alguns dias a vermelho. Porquê? Um dos principais motivos de preocupação foi a descida de rating da dívida soberana norte-americana por parte da agência de classifcação Fitch que alterou o seu rating de AAA, a mais alta qualidade atribuída, para AA+. Apesar da agitação, em julho, o mercado europeu de fundos de investimento respondeu com uma subida. Passou a valer 12,7 biliões de euros, mais
15.000.000 14.000.000 13.000.000 12.000.000 11.000.000 10.000.000 9.000.000 150.000 100.000 50.000 0 -50.000 -100.000 PATRIMÓNIO CAPTAÇÕES LÍQUIDAS PATRIMÓNIO E CAPTAÇÕES DE FUNDOS UCITS NA EUROPA (Em milhões de euros, inclui monetários) MÊS COM ENTRADAS LÍQUIDAS MÊS COM SAÍDAS LÍQUIDAS CAPTAÇÕES LÍQUIDAS PATRIMÓNIO PATRIMONIO 9000000 10000000 11000000 12000000 13000000 14000000 15000000 CAPTACIONES NETAS Con monetarios Sin monetarios -100000 -50000 0 50000 100000 150000 2021 2022 SET OUT NOV DEZ JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT 2021 2022 SET OUT NOV DEZ JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT 26 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO JULHOAGOSTO
PANORAMA O SETOR EM NÚMEROS
por Catarina Vinagre
DISTRIBUIÇÃO DO PATRIMÓNIO
DISTRIBUIÇÃO DAS CAPTAÇÕES LÍQUIDAS NA
QUAL É A NOSSA VISÃO PARA OS FUNDOS MULTIATIVOS DE INCOME?
*Os dados de internacional incluem os fundos domiciliados no Luxemburgo e na Irlanda. Os monetários dinâmicos incluem-se em outros.
Depois de um 2022 com poucos lugares onde os investidores se podiam esconder, 2023 viu uma recuperação nos mercados de ações e uma estabilização nos mercados de obrigações. As subidas dos mercados de ações foram dominadas por um pequeno número de ações. Apesar de um segmento do mercado ter subido mais de 16% este ano, as ações com dividendos só obtiveram 5% este ano. Esta dispersão criou uma oportunidade para as ações com alta rentabilidade por dividendo que ainda não recuperaram fortemente. No mercado de obrigações vimos as yields alcançarem o seu nível mais alto nos últimos 15 anos. Historicamente, as yields que alcançaram os níveis atuais são um bom indicador de rentabilidades em obrigações a médio e longo prazo. Continuamos a pensar que uma solução muito interessante para os investidores são os fundos multiativos de income para os interessados em receber um cupão/dividendo. Apesar de hoje em dia a liquidez estar a pagar níveis mais altos do que nos últimos anos, pensamos que os fundos multiativos de income vão conseguir obter rentabilidades mais atrativas do que a liquidez no médio/ longo prazo.
MERCADO OBRIGAÇÕES AÇÕES OUTROS MISTOS MONETÁRIOS TOTAL Internacional 2.038.538 3.065.896 245.031 661.418 1.117.111 7.127.995 Reino Unido 235.240 921.084 25.502 226.051 32.636 1.440.513 Alemanha 136.106 229.935 51.437 104.644 379.033 901.155 França 51.950 263.931 156.235 123.658 5.998 601.772 Suíça 198.272 282.098 29.936 56.628 45.854 612.789 Itália 74.724 354.603 3.645 68.469 0 501.441 Suécia 123.862 53.422 18.979 71.168 15.039 282.469 Espanha 49.066 32.190 1.769 96.746 1.438 181.209 TOTAL 3.174.160 5.595.689 622.559 1.604.143 1.613.045 12.609.596 MERCADO OBRIGAÇÕES AÇÕES OUTROS MISTOS MONETÁRIOS TOTAL Internacional (*) 8.837 220 -6.049 -3.846 25.076 24.237 Reino Unido -2.781 -4.435 -768 -1.801 703 -9.083 Alemanha 2.616 -1.236 -1.179 -279 9.353 9.275 França -19 171 44 -689 585 91 Suíça 659 3.802 -560 186 3.182 7.269 Itália 402 1.552 -23 -111 0 1.820 Suécia 4.859 -253 35 -1.118 1.066 4.588 Espanha 914 -52 -119 -2.268 -93 -1.617 TOTAL 15.486 -231 -8.620 -9.927 39.872 36.580
EUROPA EM JULHO E AGOSTO
EUROPA EM AGOSTO 2023 NOV DEZ JAN FEV MAR ABR MAI ABR MAI JUN JUL AGO
NA
A OPINIÃO DE RAP T REN PAR T NER
LUCÍA GUTIÉRREZ- MELLADO Diretora-executiva, J.P. Morgan Asset Management
2023 NOV DEZ JAN FEV MAR ABR MAI ABR MAI JUN JUL AGO SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 27
OS FUNDOS INTERNACIONAIS UCITS QUE MAIS CAPTAM
134.938 milhões de euros do que no mês anterior. Ainda assim, em agosto voltou a sofrer uma queda. No mês em análise, a indústria europeia de fundos fcou-se pelos 12,6 biliões de euros, uma descida de 118.796 milhões de euros. O mercado europeu mantém assim o movimento de sobe e desce que tem vindo a registar desde o ano passado e ainda está longe dos 13,93 milhões de euros alcançados em dezembro de 2021.
GESTÃO PASSIVA
Uma vez mais, a gestão passiva foi o coração do mercado europeu de fundos. Os ETF lideraram as subscrições líquidas em ações e obrigações.
Do lado das ações, em julho o Invesco S&P 500 ETF, e o Blackrock ACS US Equity racker und, fcaram muito próximos nas captações. O
SETORES
QUE MAIS E MENOS CAPTAM
primeiro alcançou os 892 milhões e o segundo os 854 milhões de euros. Ambos investem em ações americanas de grande capitalização.
Nas obrigações, em julho, o iShares UK Gilts 0-5yr ETF, o braço da gestão passiva da BlackRock, mereceu liderar a tabela ao ultrapassar os 1.000 milhões de euros em subscrições. Em agosto, o Xtrackers Germany Government Bond ETF, um produto Xtrackers, parte da DWS, conseguiu 723 milhões de euros em captações. Praticamente empatado com 722 milhões de euros em subscrições líquidas alcançadas fcou o UniOpti4, um fundo de obrigações europeias de ultra curto prazo da Union Investiment.
Nos campo dos multiativos e outros, o destaque foi para um produto já bastante conhecido do mercado português, o Allianz Income and Growth. No so-
matório de julho e agosto, este fundo da Allianz Global Investors que conta com Rating FundsPeople, alcançou 935 milhões de euros em captações líquidas.
SETORES
Olhando para os setores que mais captaram, em julho, os investidores dividiram o interesse entre os produtos de Global Equity Large Cap e os de Europe Fixed Income. Ambos ultrapassaram os 8.200 milhões de euros em captações. O setor de Flexible Allocation foi o que mais perdeu ao alcançar 2.967 milhões de euros em resgates.
Em agosto, os investidores apostaram fortemente em US Equity Large Cap Blend tendo o setor registado entradas de 6.399 milhões de euros. Por outro lado, os investidores fugiram dos produtos de Emerging Markets Fixed Income.
Con monetarios Sin monetarios
NEGÓCIO INTERNACIONAL
MAIS CAPTARAM EM JULHO Global Equity Large Cap 8.313 Europe Fixed Income 8.274 US Equity Large Cap Blend 3.137 Global Fixed Income 2.985 US Fixed Income 2.981 EM AGOSTO US Equity Large Cap Blend 6.399 Global Equity Large Cap 3.843 Europe Fixed Income 2.826 US Fixed Income 1.837 Global Fixed Income 1.522
Fonte: Morningstar e J.P. Morgan AM. Em milhões de euros. EM AÇÕES FUNDO VOL. EM JULHO Invesco S&P 500 ETF 892 Blackrock ACS US Equity Tracker Fund 854 Xtrackers S&P 500 Equal Weight ETF 746 iShares Core MSCI World ETF 736 Royal London Global Equity Enhanced 608 Vanguard S&P 500 ETF 480 iShares MSCI World ESG Enhanced ETF 370 Lyxor Hong Kong HSI ETF 355 iShares MSCI World SRI ETF 343 Vanguard Global Stock Index Fund 339 EM AGOSTO iShares Core S&P 500 ETF 960 iShares Core MSCI World ETF 494 Vanguard FTSE All-Wld UCITS ETF 449 Invesco S&P 500 ETF 444 Xtrackers S&P 500 Equal Weight ETF 392 Kotak India Midcap Fund 388 Lyxor Core MSCI Japan (DR) ETF 387 BlackRock Japan Equity 1 Fund 386 iShares North American Eq Idx Fd (UK) 336 JPM US Research Enhanced Eq ESG ETF 335 EM OBRIGAÇÕES FUNDO VOL. EM JULHO iShares UK Gilts 0-5yr ETF 1.010 iShares $ Corp Bond ETF 733 PIMCO GIS Income Fund 720 Lumyna Asian Pacific Debt Govt UCITS Fd 674 iShares $ Treasury Bond 0-1yr ETF 640 UniOpti4 580 iShares JP Morgan $ EM Bond ETF 440 iShares Core € Corp Bond ETF 438 iShares Em Mkts Govt Bd Idx Fd (LU) 430 HSBC GIF Global Government Bond 411 EM AGOSTO Xtrackers Germany Government Bond ETF 723 UniOpti4 722 PIMCO GIS Income Fund 697 iShares $ Treasury Bd 20+y ETF 674 SSGA State Street Glb Aggt Bd Idx Fd 597 Vanguard UK Government Bond Index Fund 577 Lumyna European Debt Debt Crdt UCITS Fd 466 iShares $ Treasury Bond 0-1yr ETF 406 iShares $ Treasury Bd 7-10y ETF USD Acc 324 Xtrackers US Treasuries Ultrshrt Bd ETF 312 EM MULTIATIVOS E OUTROS FUNDO VOL. EM JULHO Allianz Income and Growth 417 iShares Diversified Commodity Swap ETF 328 R-co Valor 145 Franklin Income Fund 144 Lyxor US Curve Steepening 2-10 ETF 124 AQR Mgd Fture UCITS Fd 86 Jupiter Merian Global Equity AbsoluteRet 83 M&G (Lux) Income Allocation Fund 76 BNP Paribas 4Italy 2028 III 72 Man GLG Asia Pacific (ex-Jpn) Eq Alt 69 EM AGOSTO Allianz Income and Growth 518 Amundi Blmbrg Equal-weightCmdexAgrETF 321 Franklin Income Fund 143 iShares Diversified Commodity Swap ETF 124 Invesco Bloomberg Commodity ETF 117 WisdomTree Energy Enhanced 109 HSBC GIF US Income Focused 82 WisdomTree Physical Gold - EUR Daily Hdg 66 Carmignac Pf Patrimoine 61 Assenagon Alpha Volatility 56
MENOS CAPTARAM EM JULHO Flexible Allocation -2.967 UK Equity Large Cap -2.576 Cautious Allocation -2.331 Sterling Fixed Income -1.816 Moderate Allocation -1.689 EM AGOSTO Emerging Markets Fixed Inc. -4.718 Greater China Equity -2.387 UK Equity Large Cap -1.849 Europe Equity Large Cap -1.737 Cautious Allocation -1.570 28 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO PANORAMA O SETOR EM NÚMEROS
OS RESPONSÁVEIS DE VENDAS FAVORITOS DOS SELECIONADORES NACIONAIS
O exigente trabalho de venda de fundos torna-se particularmente complexo num ambiente de mercado como o que atravessamos. Os desafios que os profissionais enfrentam são muitos, mas as gestoras internacionais veem cada vez mais Portugal como uma aposta estratégica que merece a afluência de recursos.
AFundsPeople voltou a consultar os selecionadores de fundos nacionais para apurar quem são os profssionais que primam pela excelência no exercício das suas funções. Ao nosso pedido acederam 28 profssionais de 23 entidades portuguesas. Estes profssionais mencionaram 30 nomes de membros das equipas de vendas de 2 gestoras internacionais.
Quanto aos mais votados, os resultados não deixam margem para dúvidas. o topo da classifcação fgura Cristina Carvalho, da Amundi, com 13 votos, a mais votada pelo terceiro ano consecutivo. Segue-se rancisco Amorim, da upiter AM, com 10 votos. A fechar o op 3, temos um empate entre quatro profssionais: André Themudo, da BlackRock; Mário Pires, da Schroders iago orte Vaz, da Pictet AM e Vasco Jesus, da AMC O Invesment Strategies. Todos obtiveram nove votos.
A IMPORTÂNCIA LUSA
O mercado nacional tem ganho cada vez mais relev ncia na visão das gestoras internacionais, não só ao nível da Península Ibérica, mas também do resto da Europa.
30 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO
TENDÊNCIAS CAPA por Catarina Vinagre
Para auscultar a sua importância, perguntámos aos responsáveis de endas favoritos qual o papel que o país representa nas casas gestoras onde desempenham as suas funções.
“O mercado português é sem dúvida muito importante para a Amundi. Queremos acompanhar o crescimento local e ser um parceiro de referência”, começa por explicar Cristina Carvalho. Segundo conta, a Amundi tem consciência de que o mercado nacional é muito profssional e desafante e, por isso, têm à disposição dos clientes portugueses todos os recursos de uma gestora global como a Amundi.
Para a upiter, o mercado português continua a ser uma aposta estratégica. “Com o aumento dos grupos fnanceiros ibéricos, com presença tanto em Espanha como em Portugal, e com o decision making partilhado pelas duas regiões, é fundamental manter uma presença forte no país”, comenta rancisco Amorim. Portugal é também um mercado-chave para a AMCHOR Investment Strategies. Segundo asco esus, “isso refete-se no objetivo de ter presença no terreno e de ter os fundos registados para distribuição local”.
“Portugal é extremamente importante para a BlackRock, não só no
13 VOTOS CRISTINA CARVALHO Amundi
10 VOTOS FRANCISCO AMORIM Jupiter AM
9 VOTOS TIAGO FORTE VAZ Pictet AM
9 VOTOS VASCO NUNO JESUS AMCHOR Investment Strategies
9 VOTOS MÁRIO PIRES Schroders
9 VOTOS ANDRÉ THEMUDO BlackRock
SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 31
RESTANTES VOTADOS
5 VOTOS JOÃO MARTINS PIMCO 2 VOTOS OLIVER AREVALOBACON MFS IM 1 VOTO LUCA GILARDONI FirstTrust 8 VOTOS ANA CARRISSO Fidelity International 2 VOTOS MIGUEL LUZARRAGA AllianceBernstein 1 VOTO ISABEL LINIERS DWS 4 VOTOS RICARDO LÍBANO Janus Henderson Investors 2 VOTOS RUBEN GARCIA Columbia Threadneedle Investments 1 VOTO MARIO AMIGO Nordea AM* 3 VOTOS ROMUALDO TRANCHO Allianz GI 1 VOTO ALEXANDRE CASTRO NUNES Blue Whale 1 VOTO PEDRO COSTA FELIX Capital Strategies 3 VOTOS FRANCISCO NETO BlackRock 1 VOTO ALASTAIR KHUN Eureka Capital Partners 1 VOTO NIEVES PICALLO NOGUEIRA BNY Mellon IM 3 VOTOS TERESA MOLINS Franklin Templeton 1 VOTO ALMUDENA MENDAZA Generali IP 1 VOTO RALPH ELDER BNY Mellon IM 2 VOTOS MANUEL ARROYO J.P. Morgan AM 1 VOTO DIOGO GOMES UBS AM 1 VOTO TATIANA MONTEIRO Capital Strategies 2 VOTOS ALVARO ANTON LUNA abrdn 1 VOTO ANDREA BUGNONI FirstTrust 1 VOTO ROCÍO ICETA BARBERÁ M&G Investments *Atualmente o profissional já não colabora com a Nordea AM. 32 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO TENDÊNCIAS
CAPA
A ESCOLHA DOS PRODUTOS POR PARTE DOS INVESTIDORES PORTUGUESES TAMBÉM TEM REPRESENTADO ALGUNS
VENDAS DE FUNDOS
contexto ibérico mas também no âmbito europeu”, é o que nos conta André Themudo. “É um país que, pela sua abertura e sofsticação, juntamente com circunstâncias muito próprias, atua como uma plataforma de tendências e como um diversifcador face a outros países mais maduros. Na mesma linha, a Pictet AM também considera o mercado português como um mercado
bastante sofsticado e exigente que os tem ajudado a crescer em todos os sentidos. “Temos aprendido muito com os nossos distribuidores em Portugal”, sublinha iago orte az.
Mário Pires explica ainda a import ncia do negócio em Portugal para a Schroders. “O mercado português de fundos de investimento oferece à Schroders uma oportunidade de crescimento
Japão está de volta…
tiago forte vaz, cfa
Head of Intermediaries
Brazil, Portugal, Uruguay & Argentina
Para quem já leva uns anos nos mercados fnanceiros, o Japão sempre foi uma incógnita. Muitas vezes odiado, muitas admirado, mas poucas vezes compreendido. Na realidade são poucos os países que podem dizer que faz mais de 30 anos que atingiram o seu pico em termos de mercado de ações, mas o Japão pode. Efetivamente, de -
ComuniCação de marketing
pois do pico nos fnais dos anos 80, o Japão esteve sempre bem longe de voltar a esse pico, mas as coisas podem estar a mudar.
Desde os fnais dos anos 80, que representaram um culminar de uma bolha, o gigante asiático entrou numa espiral defacionista que marcou as décadas que se seguiram e com inevitáveis consequências não só para a economia, mas também para os investidores. Em defação, Cash is King e isso marcou de maneira brutal a forma de investir dos Japoneses e dos estrangeiros em relação ao Japão. Aliada a uma cultura corporativa que não era a mais amigável, as perspetivas não eram muito interessantes para os investidores.
Este material é destinado apenas a investidores profssionais. Não se destina à distribuição a qualquer pessoa ou entidade que seja cidadão ou residente de qualquer localidade, estado, país ou outra jurisdição onde tal distribuição, publicação ou utilização seja contrária à lei ou regulamento. Todos os investimentos envolvem riscos, incluindo o risco de perda do capital inicial investido. As informações e dados apresentados neste documento não devem ser considerados como uma oferta ou solicitação de compra, venda ou subscrição de títulos ou instrumentos fnanceiros ou serviços.
signifcativa, benefícios de diversifcação, acesso a competências locais, canais de distribuição e um quadro regulamentar favorável” detalha.
DESAFIOS
O trabalho da venda de fundos torna-se particularmente complexo num ambiente de subida de taxas de juro e infação como o que atravessamos. Assim, questionámos os seis responsáveis de vendas mais votados sobre a forma como enfrentaram os desafos que lhes surgiram no caminho este ano.
Dado o tamanho reduzido do mercado nacional, um dos principais desafos que os profssionais mencionaram foi a competitividade. Em Portugal estão registadas mais de 170 gestoras internacionais e, como menciona iago orte az, Portugal é “um mercado onde
Mas parece que as estrelas se começam a alinhar para o país do Sol nascente. A infação é apenas o último de uma serie de fatores, como as valorizações atrativas, as mudanças na cultura corporativa, a mudança no comportamento dos investidores japoneses em relação ao mercado de ações. A recente performance do mercado japonês apanhou muitos de surpresa, mas nós acreditamos que é apenas o início de uma nova fase. Os investidores agradecem terem mais alternativas e novas fontes de retorno que estiveram adormecidas nos últimos 30 anos. O Japão está de volta.
OBSTÁCULOS NO TRABALHO DA
EMPRESAS QUE PARTICIPARAM NA VOTAÇÃO
• ABANCA
• AlTi Tiedemann Global
• ATLÂNTICO Europa
• Baluarte
• Banco BPI
• Banco Carregosa
• Banco Português de Gestão
• Banco Santander
• Bankinter
• BBVA AM Portugal
• BiG
• Bison Bank
• BPI Gestão de Ativos
• CA Gest
• DWM do Millennium bcp
• GNB GA
• HawkClaw Capital Advisors
• IM Gestão de Ativos
• Montepio GA
• novobanco
• Optimize IP
• Partners2U
• Santander Asset Management
O TRABALHO DA VENDA DE FUNDOS
as gestoras querem estar presentes”. “Dada a competitividade e o número concentrado de distribuidores, em relação a outros mercados, a sua cobertura obriga a uma utilização muito efciente do tempo dos clientes”, detalha.
A escolha dos produtos por parte dos investidores portugueses também tem representado alguns obstáculos. Por um lado, rancisco Amorim refere que o interesse dos investidores portugueses pela gestão passiva também tem sido em parte um desafo importante para a upiter, como casa de gestão ativa. Por outro lado, asco esus afrma que neste momento também “há o desafo da abertura do mercado a produtos mais alternativos, nomeadamente produtos com um horizonte temporal mais longo e que dão acesso a classes de ativos diferenciadas”.
Mário Pires resume em seis pontos-chave as principais barreiras enfren-
tadas no desenvolvimento comercial: concorrência ambiente regulamentar saturação do mercado; sentimento e comportamento do investidor e desafos de distribuição. “A superação destes desafos exige uma combinação de planeamento estratégico, análise de mercado, práticas sólidas de gestão de risco e um profundo conhecimento da dinâmica do mercado local”, destaca o profssional.
Cristina Carvalho refere ainda que dado o contexto macroeconómico “acentua-se o desafo e a necessidade de acompanhar o crescimento da indústria local”. Por isso, refere, é importante “oferecer soluções de investimento adaptadas a todas as classes de ativos e serviços e ferramentas que ajudem no desenvolvimento tecnológico em toda a cadeia de investimento, incluindo também o apoio em questões relacionadas com os temas ESG e de sustentabilidade”.
MÁRIO PIRES
Diretor de Clientes Institucionais e do Mercado português, Schroders
ATIVOS PRIVADOS: PORQUÊ AGORA?
Há muito que os gestores financeiros têm vindo a identificar argumentos sólidos para aumentar a alocação a ativos privados. O potencial de rentabilidade e a diversificação de carteiras foram os principais promotores desta estratégia, cuja validade foi confirmada por dados históricos. Mas há mais razões que a justificam. A diminuição do número de empresas cotadas e a emergência de temas de investimento promissores estão entre os principais: temas como a inteligência artificial e a transição energética, por exemplo, têm incentivado este investimento que é, aliás, um requisito ao desenvolvimento destas novas áreas. A amplificação do acesso a estes ativos tem sido igualmente fundamental, salientando-se os fundos europeus de investimento de longo prazo (ELTIF), que vieram democratizar uma classe antes reservada a investidores institucionais ou grandes investidores.
Concebidos para alargar a base de investidores de longo prazo em ativos privados, os ELTIF têm ajudado a reunir capital para financiar o desenvolvimento de empresas promissoras não cotadas, permitindo a mais investidores envolverem-se e beneficiarem de setores ou segmentos que estão a transformar a economia global. Se é certo que o horizonte mais vasto de investimento é um requisito a considerar, não há dúvida de que os ELTIF são, em particular no atual contexto, uma alternativa para quem procura diversificação e rentabilidade de longo prazo.
SE
NUM AMBIENTE DE SUBIDA DE
TORNA-
PARTICULARMENTE COMPLEXO
TAXAS DE JURO E INFLAÇÃO
A OPINIÃO DE RAP T REN PAR T NER
34 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO
TENDÊNCIAS CAPA
Amundi Net Zero Ambition
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Uma gama completa de fundos de investimento para impulsionar a transição das empresas para um modelo com baixas emissões de carbono, criando simultaneamente valor.
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INFORMAÇÃO IMPORTANTE
*Fonte: IPE “Top 500 asset managers” publicado em junho de 2023 com base no volume de ativos sob gestão em dezembro de 2022. Esta é uma comunicação publicitária, dirigida a investidores profi ssionais. Não é dirigido a qualquer “Pessoa dos EUA”, tal como definido na Securities Act de 1933. O investimento envolve risco. A decisão de um investidor de investir nos Fundos deve ter em conta todas as características ou objectivos dos Fundos. O desempenho passado não é preditivo de resultados futuros. O desempenho do investimento e o valor principal de um investimento nos Fundos ou noutro produto de investimento pode descer assim como subir e resultar na perda do montante originalmente investido. Todos os investidores devem procurar aconselhamento profissional antes de tomarem qualquer decisão de investimento a fim de determinar os riscos associados ao investimento e a sua adequação. É da responsabilidade dos investidores ler os documentos legais actuais, em particular o prospecto actual de cada Fundo. As subscrições nos Fundos só serão aceites com base no seu prospecto mais recente em inglês ou na língua local nos países da UE onde estão registadas, e/ou no Documento de Informação ao Investidor Chave / Documento de Informação Chave (“KIID” / “KID” disponível na língua local nos países da UE onde estão registadas) que, juntamente com os últimos relatórios anuais e semestrais, podem ser obtidos gratuitamente junto da Amundi Iberia SGIIC SAU ou em www.amundi.com. Julho 2023. |
N.º 1 Europeu em Gestão de Ativos*
O seu investimento pode apoiar a transição para uma economia neutra em carbono.
SOCIEDADES DE CAPITAL DE RISCO POLE POSITION PARA O NEGÓCIO DE FUNDOS IMOBILIÁRIOS?
As sociedades de capital de risco ganham novo fôlego no mercado, por via do Regime de Gestão de Ativos. Podem gerir OIA mobiliários, mas também lhes foi aberta a porta aos imobiliários, um campo de atuação que não lhes é desconhecido. Como se posicionam?
36 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO TENDÊNCIAS NEGÓCIO
Pinto
por Margarida
NOVIDADES TRAZIDAS PELO RGA
Pequena dimensão
SGOIC
Gestão de OIA + OICVM
- Pode gerir qualquer OIC (OIA + OICVM)
-Não podem gerir apenas OIA de capital de risco
Fonte: Elaboração própria
Grande dimensão
- Ativos sob gestão excedem os 500M€ ou 100M€ com alavancagem
- Passaporte para comercialização ou gestão de fundos na UE
ORegime de Gestão de Ativos (RGA) representa uma avalanche de novidades para a gestão de ativos em Portugal. Por um lado, simplifcou-se e muito a tipologia de entidades legais existentes. Passam a existir no mercado as Sociedades Gestoras de Organismos de Investimento Coletivo (SGOIC) e as Sociedades de Capital de Risco (SCR). Uma defnição dual que contrasta fortemente com as quatro anteriormente em vigor as SGOIC, SC , SG C e SES. Mas seguem as mudanças. O GA defne também que dentro das duas tipologias de entidade referidas, as sociedades poderão ser enquadradas como Sociedade Gestora de Grande Dimensão ou Sociedade Gestora de Pequena Dimensão. O que o defne são os limiares limitados pela Alternative Investment unds Manager Directive (AI MD), consoante os ativos sob gestão excedam ou não os seguintes montantes: os 100.000.000 euros e incluam ativos adquiridos através do recurso ao efeito de alavancagem ou os 500.000.000 euros e não incluam ativos adquiridos através do recurso ao efeito de alavancagem e em relação aos quais
SCR
Gestão de OIA
- Apenas pode gerir OIA (OIA Capital de Risco + OIA imobiliários + OIA de créditos + Outros OIA)
- Pelo menos um tem que ser OIA CR
- A maioria não pode ser OIA imobiliários
não existam direitos de reembolso que possam ser exercidos durante um período de cinco anos a contar da data do investimento inicial.
O GA trouxe também uma maior dinamização ao mercado. Por outras palavras, alargou-se o escopo do negócio que as sociedades gestoras podem efetuar. s SGOIC é permitida a gestão de todos os organismos de investimento coletivo (OICVM e OIA), não podendo estas apenas gerir organismos de investimento de capital de risco. As SCR, por sua vez, apenas podem gerir OIA (Organismos de Investimento Alternativo), desde que, pelo menos, um dos fundos seja qualifcado como OIA de capital de risco e a maioria dos fundos sob gestão não sejam OIA imobiliários. Para além destas mudanças, existem também algumas atividades acessórias que cada tipo de sociedade gestora poderá exercer. Em concreto, no caso das sociedades gestoras de OIA, estas poderão ainda exercer, por exemplo, a atividade adicional de gestão discricionária e individualizada de carteiras por conta de outrem e, como consequência da autorização desta, poderão, por exemplo, realizar consultoria para
“AS SCR PASSAM DE FACTO A TER A POSSIBILIDADE DE CONJUGAR A DETENÇÃO DOS ATIVOS IMOBILIÁRIOS ESPECÍFICA DOS FUNDOS IMOBILIÁRIOS, COM A GESTÃO OPERACIONAL DOS RESPETIVOS NEGÓCIOS SUBJACENTES COM VISTA À SUA RENTABILIZAÇÃO E LUCRO”
MARTA FERREIRA DA SILVA COMPASS
“DEVEMOS OLHAR PARA LÁ DA ESTRUTURA LEGAL QUE ENQUADRA A ATIVIDADE DE GESTÃO DE UMA
DETERMINADA TIPOLOGIA DE PORTEFÓLIO. HÁ QUE OLHAR, SIM, PARA A CAPACIDADE DAS GESTORAS DE O GERIREM”
PEDRO COELHO
SQUARE AM
SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 37
TENDÊNCIAS NEGÓCIO
A RELAÇÃO HISTÓRICA QUE ALGUMAS SCR JÁ TÊM COM O SETOR IMOBILIÁRIONOMEADAMENTE AS QUE GEREM FUNDOS DE PRIVATE EQUITY - É GRANDE
investimento, abrangendo no caso de gestão de OII, a gestão individual de patrimónios imobiliários e a consultoria para investimento imobiliário, incluindo a realização de estudos e análises relativos ao mercado imobiliário.
SCR: À CONQUISTA?
Posto isto, fca evidente que uma das notícias mais excitantes do novo regime é a possibilidade das SC poderem gerir outros OIA, para além dos fundos de capital de risco, nomeadamente os OIA mobiliários e imobiliários. Para Marta erreira da Silva, sócia e diretora da empresa de prestação de serviços à indústria da gestão de ativos Compass, esta é mesmo uma das “grandes novidades trazidas pelo RGA”, mas, acima de tudo, uma novidade que seguramente permitirá “aumentar a share of wallet dos investidores”.
E na confguração atual do mercado de capital de risco, há um dado que Marta erreira da Silva faz questão de salientar: a relação histórica que algumas SC já têm com o setor imobiliário, nomeadamente as que gerem fundos de private equity. Explica que esta é “uma relação muitas vezes presente com a área imobiliária, designadamente em projetos de investimento hoteleiros, industriais ou agrícolas”. A questão é óbvia: abre-se então um ramo de competitividade para com as tradicionais gestoras de fundos imobiliários
Para a profssional existe de facto um campo de possibilidades para as SC
neste mbito. Passam a ter a possibilidade de conjugar a detenção “dos ativos imobiliários específca dos fundos imobiliários”, com “a gestão operacional dos respetivos negócios subjacentes com vista à sua rentabilização e lucro, inerente aos fundos de capital de risco, que naturalmente deverá ser operacionalizada pela SC através da gestão de fundos de distintas tipologias, permitindo explorar as estratégias OPCO (Operating Company) e P OPCO (Property Company), desde que devidamente os acautelados reais ou potenciais confitos de interesse”.
Para Pedro Coelho, administrador da Square AM a maior entidade gestora de fundos imobiliários nacional este vislumbre de competitividade não assusta. Acredita que “a introdução da AI MD e a progressiva aproximação do quadro regulamentar nacional a esta diretiva, que passou a permitir às SC gerirem ativos imobiliários, não põe em causa a necessidade de capacitação das entidades gestoras de se munirem dos meios técnicos e humanos que lhes permitam oferecer uma gestão profssional em cada uma categoria das classes de ativos onde investem”. Na sua perspetiva, interessa pouco a estrutura legal em que determinada tipologia de portefólio se insere. O importante é, diz, a “capacidade das gestoras de o gerirem”. Uma coisa é certa: acompanharemos um maior dinamismo do mercado nos próximos tempos.
A ANEMIA NA CHINA É UM DESAFIO, NÃO É UMA CRISE
O processo de relançamento da economia chinesa abrandou desde abril e acreditamos que a meta de crescimento de 5% para 2023 está em risco. Receiase que este abrandamento seja o reflexo de problemas estruturais mais profundos na economia e que conduzam a um declínio significativo da tendência expansionista.
A curto prazo, as notícias de incumprimento de promotores imobiliários, o elevado desemprego juvenil e a baixa confiança das famílias e das empresas deverão exercer uma maior pressão sobre a atividade económica, em particular, sobre o setor imobiliário.
Apesar dos reguladores vigiarem e monitorizam, desde há muito tempo, os diferentes riscos que afetam as grandes promotoras e gestoras de ativos, acreditamos que a probabilidade de uma crise financeira sistémica permanece baixa.
A nossa posição sobre os ativos de risco chineses permanece neutra, apesar das incertezas sobre o crescimento. Continuamos a acreditar que o mercado acionista chinês oferece boas oportunidades de investimento para a gestão ativa. As empresas de qualidade com claras vantagens competitivas deverão ter bons resultados a longo prazo, mais cedo ou mais tarde, e os investidores vão concentrar-se nos fundamentais do negócio e na capacidade de gerar cash flows.
Iberia A OPINIÃO DE RAP T REN PAR T NER
DIOGO GOMES Senior CRM, UBS AM
38 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO
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Informação Importante
Quaisquer pontos de vista e opiniões são as do autor, salvo indicação em contrário e não constituem conselhos de investimento. O BNY Mellon é a marca corporativa do The Bank of New York Mellon Corporation e das suas subsidiárias.
Emitido no RU pelo BNY Mellon Investment Management EMEA Limited, BNY Mellon Centre, 160 Queen Victoria Street, Londres EC4V 4LA. Registado em Inglaterra sob o Nº 1118580. Autorizado e regulado pela Financial Conduct Authority. Emitido na Suíça pelo BNY Mellon Investments Switzerland GmbH, Bärengasse 29, CH-8001 Zurique, Suíça. Emitido na Europa (ex-Suíça) pelo BNY Mellon Fund Management (Luxemburgo) S.A. (BNY MFML), uma sociedade anónima (société anonyme) constituída e existente ao abrigo da lei luxemburguesa sob o número de registo B28166 e com sede social em 2-4 Rue Eugène Ruppert L-2453 Luxemburgo. O BNY MFML é regulado pela Commission de Surveillance du Secteur Financier (CSSF). ID 1385258 EXP 31/12/2023 T11950 10/23
por Joan Esteve
OS RISCOS DA CONCENTRAÇÃO
ÓTIMA
Ateoria moderna de carteiras (MPT) desenvolvida por Harry Markowitz na década de 1950 através da aplicação do Capital Asset Pricing Model (CAPM) é a metodologia mais difundida e utilizada na gestão de investimentos como sistema de confguração de carteiras. No entanto, este modelo tem as suas limitações e as conclusões a que chega não dão resultados ótimos, na prática.
O modelo baseia-se na hipótese de mercados perfeitos, num conjunto de premissas ideais como a de que o comportamento dos players do mercado é racional, que existe informação e conhecimento perfeitos partilhados por todos, um nível neutro de aversão constante ao risco, um horizonte único de investimento e uma correlação constante de rentabilidade entre diferentes ativos.
PREMISSAS IRREALISTAS
No entanto, os players que compõem o mercado, os investidores, nem sempre são neutros em termos de risco,
nem sempre valorizam corretamente os ativos, nem todos têm o mesmo conhecimento e informação. ornam-se recorrentemente propensos ao risco ou avessos ao risco, como revelam os inúmeros exemplos de bolhas e quedas de mercados, em que as ações são especulativamente (irracionalmente) sobrevalorizadas e, em seguida, em momentos de pânico, subvalorizadas por liquidações: uma amostra das ineficiências do mercado, que fazem com que as conclusões do modelo sejam baseadas em premissas ideais, não reais, e, consequentemente, não precisas.
Uma das principais conclusões e crenças estabelecidas por este modelo é que um elevado grau de diversifcação reduz o risco de uma carteira.
No entanto, na prática, a diversifcação excessiva, paradoxalmente, aumenta o risco e reduz o retorno total esperado. Por que é que esse aparente paradoxo acontece?
Para começar, o único tipo de risco que reduz a diversifcação é o risco específco, idiossincrático ou único de
A concentração ótima permite aumentar a segurança e rentabilidade de um fundo de investimento através do estudo de cada empresa e de uma maior exigência e precisão nos critérios de seleção e formação da carteira.
40 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO
TENDÊNCIAS GESTÃO
de cada investimento: à medida que o número de investimentos aumenta, este representa uma percentagem cada vez menor do total. Além disso, a diversifcação não elimina o risco de mercado ou risco económico, nem protege contra eventos extremos (cisnes negros), uma vez que com a diversifcação máxima ainda temos pelo menos o mesmo risco de mercado.
A SOLUÇÃO
Além disso, como as correlações entre ativos não são constantes, mas durante períodos de tensão económica aumentam subitamente, a diversifcação é menos efcaz precisamente quando é mais necessária. Por fm, a diversifcação dilui o potencial de rentabilidade dos melhores investimentos.
A solução para estas ineficiências de extrema diversificação é a existência de um nível ótimo de diversificação, ou melhor, de um nível ótimo de concentração.
A melhor maneira de reduzir o risco (corretamente definido como a probabilidade de uma perda permanente de capital e não como mera volatilidade como definida pelo modelo) é saber o que cada um dos investimentos implica. o entanto, quanto mais diversificada for uma carteira, menos conhecimento e controlo terá sobre os ativos individuais. A monitorização constante de diversos ativos e a necessidade de reequilibrar carteiras com centenas de investimentos são uma tarefa desafiante e cara que exige recursos para pesquisar adequadamente cada ativo da carteira. Isto leva a investir em ações que não são totalmente compreendidas, aumentando com alta diversificação, paradoxalmente, o risco.
Academicamente, aceita-se que a diversifcação ideal pode ser encontrada entre seis e 10 ações que não
RISCO A DIVERSIFICAÇÃO TEM UM INTERVALO DE EFICIÊNCIA EFEITO DA DIVERSIFICAÇÃO Risco Específico Risco de mercado CONCENTRAÇÃO ÓTIMA 50 40 30 20 10 0 50 40 30 20 10 0 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 DESVIO PADRÃO DA CARTEIRA DESVIO PADRÃO ( % ) DESVIO PADRÃO ( % ) NÚMERO DE TÍTULOS NÚMERO DE AÇÕES NÚMERO DE AÇÕES
OS TIPOS DE
Diversificação eficiente Zona de concentração ótima 6 10 Diversificação ineficiente
Fonte: Príncipios de Finanças Corporativas, 9ª edição, Franklin Allen, Richard A. Brealey e Stewart Mors e elaboração própria
SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 41
A DIVERSIFICAÇÃO EXCESSIVA DE
UMA CARTEIRA, PARADOXALMENTE, AUMENTA O RISCO E REDUZ A RENTABILIDADE ESPERADA
estão correlacionadas e, a partir daí, a diversifcação é cada vez mais inefciente, uma vez que reduz o retorno potencial marginal sem diminuir signifcativamente o risco.
As vantagens da concentração ótima provêm de três fontes. A primeira é o conhecimento aprofundado de cada um dos investimentos, o que lhes permite concentrar-se apenas nas melhores oportunidades e, assim, exceder a rentabilidade do mercado. A segunda é que também permite selecionar os melhores investimentos cujos riscos únicos são menores e estão menos correlacionados entre eles em momentos de stress económico, conseguindo uma descorrelação mais eficiente.
A terceira fonte, menos conhecida, é que nem todas as empresas têm a mesma exposição ao risco de mercado e a concentração ótima permite reduzir o risco da carteira abaixo do nível de mercado, concentrando-se apenas em empresas com menor exposição ao risco macroeconómico e que consistem em negócios com procura estável, pouco sensíveis ao preço, com crescimento estrutural, com balanços sólidos, baixas necessidades de capital e fnanciamento e estruturas organizacionais e de gestão capazes de serem fexíveis e aproveitarem as oportunidades de mercado.
UM EXEMPLO
Como exemplo, talvez o expoente mais conhecido da concentração ideal seja Warren Buffett, que ao longo da
sua carreira fugiu da diversifcação em favor do conhecimento profundo dos negócios em que investiu. O sábio de Omaha tem atualmente mais de 75% da carteira de investimentos cotados concentrada em apenas cinco ações, com o peso da maior delas, a Apple, de mais de 40% da carteira total, cuja capacidade de vencer o mercado há décadas que é notória.
Como vimos, a concentração ótima é uma estratégia que permite aumentar a segurança e rentabilidade de um fundo de investimento através do estudo aprofundado de cada empresa e maior exigência e precisão nos critérios de seleção e formação da carteira.
No entanto, os regulamentos europeus dos UCI S estabelecem que os fundos de investimento na Europa para investidores individuais, com os limites de 5-10-40 (limite de 10% da carteira numa posição e que a soma dos títulos que pesam mais de 5% não exceda 40%), obriga os fundos a terem na prática um mínimo de 20 ativos na carteira se quiser estar totalmente investido.
Isto obriga a estar investido em 10 piores investimentos juntamente com os 10 melhores, como descrito pelo termo anglo-saxão di orsifcation, cunhado em 1979 pelo lendário gestor Peter Lynch. Diversifcation signifca diversifcação e orse signifca pior. Ao combinar as duas, temos algo como pior diversifcação, uma forma simples de explicar o fenómeno que acontece quando a diversifcação atrapalha mais do que ajuda.
JUAN CARLOS DOMÍNGUEZ Responsável de Advisory, AXA Investment Managers
COMO GERAR ALFA NO ANO DAS OBRIGAÇÕES
Apesar de ser o ano das obrigações, o mercado de high yield superou bastante o investment grade este ano. Os fundamentais do mercado de high yield nos Estados Unidos (US High Yield) permanecem sólidos tanto por índices de alavancagem, rácios de cobertura de juros ou incumprimentos esperados. Com os níveis atuais de yields do mercado e com uma pausa nos aumentos das taxas de juro pela Fed a aproximar-se, historicamente o mercado comportou-se favoravelmente para esta classe de ativos. Mas o interessante não é apenas a classe de ativos em si, na qual uma gestão ativa e uma equipa experiente com estratégias com mais de 20 anos de história adicionam um alfa consistente, mas as várias formas de investir na classe. Há desde estratégias de curta duração como o AXA IM FIIS US Short Duration High Yield que tem uma abordagem de retorno total e volatilidades mais próximas do mercado investment grade, e estratégias mais agressivas como o fundo AXA WF US Dynamic High Yield Bonds que conta com uma carteira mais concentrada e que através de CDS é capaz de adicionar alfa ao seu índice de referência o ICE BofA US High Yield.
A OPINIÃO DE RAP T REN PAR T NER
42 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO TENDÊNCIAS
GESTÃO
n The fund invests in high-quality global companies with a focus on stock selection
n Freedom to invest without constrains allows us access to both developed and emerging markets
n High-quality research drives high-conviction portfolio of our best ideas
Risks to be aware of
This fund is subject to a range of risks from the securities it invests in and techniques it uses to achieve its objective. Investors should read the Prospectus for a full description of all risks.
Investment risks
The fund is subject to risks associated with investment in equities, portfolio concentration and currencies.
Typical investor profle
This fund is suitable for investors who can tolerate high levels of risk and volatility and have a long-term investment horizon.
Important information: TThreadneedle (Lux) is a Luxembourg domiciled investment company with variable capital (“SICAV”), managed by Threadneedle Management Luxembourg S.A.. This material should not be considered as an offer, solicitation, advice or an investment recommendation. This communication is valid at the date of publication and may be subject to change without notice. Information from external sources is considered reliable but there is no guarantee as to its accuracy or completeness. The SICAV´s current Prospectus, the Key Information Document and the summary of investor rights are available in English and/ or in Portuguese (where applicable) from the Management Company Threadneedle Management Luxembourg S.A., International Financial Data Services (Luxembourg) S.A., your fnancial advisor and/or on our website www.columbiathreadneedle.com. Threadneedle Management Luxembourg S.A. may decide to terminate the arrangements made for the marketing of the SICAV. Issued by Threadneedle Management Luxembourg S.A. registered with the Registre de Commerce et des Sociétés (Luxembourg), Registered No. B 110242, 44 rue de la Vallée, L-2661 Luxembourg, Grand Duchy of Luxembourg. Columbia Threadneedle Investments is the global brand name of the Columbia and Threadneedle group of companies. 02.23 | 293346_PT | 5406324
A global equity portfolio that invests in quality companies with durable
and
to
www.columbiathreadneedle.pt
competitive advantages
the ability
generate strong and sustainable returns.
This is a marketing communication. Please refer to the prospectus of the UCITS and to the KID before making any fnal investment decisions.
Threadneedle (Lux) Global Focus Focused on competitive advantage for consistent growth
TENDÊNCIAS ESTRATÉGIAS
por Miguel Rêgo
A NOVA VIDA DOS FUNDOS DE MERCADO MONETÁRIO
Fonte: Morningstar e FundsPeople LAB, a 19 de setembro de 2023. Fundos da categoria Money Markets de acordo com a Morningstar. Dados de Património total a 31 de agosto de 2023. Dados de património local a finais de 2022 no caso das entidades seguradoras, final de março no caso dos fundos de pensões e final de julho no caso dos fundos de investimento.
Na nova conjuntura de taxas de juro de curto prazo apetitosas, olhamos para a fotografia da oferta e utilização de fundos monetários por parte de três segmentos de investidores institucionais portugueses.
FUNDOS DO MERCADO MONETÁRIO NAS CARTEIRAS INSTITUCIONAIS PORTUGUESAS FUNDO CATEGORIA ENTIDADE GESTORA AUM LOCAL EM EUROS AUM TOTAL EM EUROS ALOCAÇÃO LÍQUIDA CONSUMO OBRIGAÇÕES % CASH % NOS FUNDOS DE INVESTIMENTO DE GESTÃO NACIONAL Groupama Monétaire Euro Money Market Groupama AM 53.463.209 3.311.559.545 30,6 67,6 13,6 Amundi Euro Liquidity Short Term SRI Euro Money Market Amundi 51.387.554 18.764.111.945 1,9 98,1 9,3 IMGA Money Market Euro Money Market IMGA 10.016.424 510.491.123 35,3 64,7 21,1 Montepio Tesouraria Euro Money Market Montepio GA 2.782.141 53.738.643 60,8 40,5 13,3 BNP Paribas Insticash EUR 1D Euro Money Market BNP Paribas AM 1.394.097 18.652.782.507 11,7 88,3 12,6 Pictet-Short-Term Money Market USD US Money Market Pictet AM 600.459 7.801.949.764 8,2 99,0 25,9 Xtrackers II EUR Overnight Rate Swap UCITS ETF Money Market Miscellaneous Xtrackers (DWS) 447.149 2.827.508.018 ND ND 23,3 NOS FUNDOS DE PENSÕES ABERTOS Amundi Funds - Cash EUR Euro Money Market Amundi 3.767.738 2.644.410.937 23,1 76,8 13,6 BNP Paribas Insticash EUR 1D Euro Money Market BNP Paribas AM 924.537 18.652.782.507 11,7 88,3 9,3 Goldman Sachs Euro Liquid Reserves Fund Euro Money Market Goldman Sachs AM 853.154 19.582.246.612 0,0 100,0 21,1 NO BALANÇO DAS SEGURADORAS NACIONAIS Groupama Entreprises Euro Money Market Groupama AM 30.284.827 5.329.986.819 19,1 80,2 13,6 BNP Paribas Insticash EUR 1D Euro Money Market BNP Paribas AM 29.548.018 18.652.782.507 11,7 88,3 9,3 Ofi Invest ESG Monétaire Euro Money Market Ofi AM 15.178.778 5.053.605.507 42,7 57,2 21,1 Federal Support Monétaire ESG Euro Money Market Federal Finance Gestion 12.835.685 6.222.674.613 33,2 66,0 BFT France Monétaire Court Terme ISR Euro Money Market BFT IM 10.928.285 1.332.149.316 7,3 92,8 Lyxor Smart Overnight Return Euro Money Market Amundi 8.663.663 2.319.379.726 ND ND IMGA Money Market Euro Money Market IMGA 4.995.186 510.491.123 35,3 64,7 BNP Paribas InstiCash EUR 3M Standard VNAV Euro Money Market BNP Paribas AM 4.900.472 6.220.447.743 17,7 82,3 CPR Cash Euro Money Market CPR AM (Amundi) 4.474.516 1.086.619.587 8,7 91,4 Ostrum SRI Cash Euro Money Market Ostrum AM 3.763.197 9.658.921.941 17,4 81,4 Lombard Odier Funds - Short-Term M. Market (EUR) Euro Money Market Lombard Odier 2.820.131 1.511.009.024 24,0 76,0 Eurizon Fund - Cash EUR Euro Money Market Eurizon 2.425.294 2.000.667.284 60,9 39,1 Amundi Euro Liquidity SRI Euro Money Market Amundi 2.059.965 49.576.663.136 11,2 88,6 JPMorgan Liquidity Funds - EUR Liquidity LVNAV Fund Euro Money Market J.P.Morgan AM 1.077.615 17.657.965.118 2,3 97,7 Amundi Funds - Cash EUR Euro Money Market Amundi 885.315 2.644.410.937 23,1 76,8 Schroder International Selection Fund EURO Liquidity Money Market Miscellaneous Schroders 881.824 293.476.088 3,4 96,6 BFT Aureus ISR Euro Money Market BFT IM 817.124 21.651.853.383 11,4 88,5 DWS USD Floating Rate Notes Money Market Miscellaneous DWS 299.943 449.706.407 71,9 27,7 Amundi Euro Liquidity-Rated SRI Euro Money Market Amundi 298.220 30.083.963.590 11,3 88,5 JPMorgan Liquidity Funds - USD Treasury CNAV Fund US Money Market J.P.Morgan AM 211.270 57.299.392.270 9,2 90,8 Swiss Life Funds (F) ESG Short Term Euro Euro Money Market Swiss Life AM 180.805 1.409.135.055 34,0 65,8 Ecofi Trésorerie Euro Money Market Ecofi 160.858 3.707.001.885 20,8 77,6 Xtrackers II EUR Overnight Rate Swap UCITS ETF Money Market Miscellaneous Xtrackers (DWS) 159.956 2.827.508.018 ND ND AXA Court Terme Euro Money Market AXA IM 120.942 1.891.123.712 23,1 9,5 JPMorgan Liq. Funds - USD Stand. Money Market VNAV Fund US Money Market J.P.Morgan AM 28.125 5.044.400.757 12,4 87,6 Lyxor Euro Overnight Return UCITS ETF Money Market Miscellaneous Amundi 14.544 878.489.993 ND ND Fidelity Funds - Euro Cash Fund Euro Money Market Fidelity 8.031 520.273.596 0,0 100,0
44 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO
Ocontexto inflacionário pós-pandemia e a resposta dos bancos centrais impactou todos os cantinhos do mundo da gestão de ativos. As obrigações caíram, as ações também, e até o mundo dos produtos do mercado monetário foi impactado, ainda que o impacto positivo seja, na verdade, mais relevante do que algum negativo de mais curto prazo. De um ano para o outro, são fundos e soluções que providenciam yield. De um ano para o outro, empresas financeiras, não financeiras e fundos só têm a
ganhar em fazer uma gestão ativa da liquidez em balanço e usufruir das apetitosas taxas de muito curto prazo que abundam no mercado.
Na Europa, a Euribor a 12 meses andava pelos -0,5% há apenas 18 meses. Agora navega perto dos 4%. A prazos mais curtos, como a um mês, por exemplo, subiu dos -0,57% para os 3,7%. A Libor em dólares seguiu o mesmo caminho, claro, de quase 0% para mais de 5,5%. São referências importantes para se perceber a escala de atratividade que o mercado monetário ganhou. E com esta atratividade, ganharam novo interesse os
fundos do mercado monetário, guardados por muitos gestores e diretores financeiros no fundo da prateleira há quase uma década.
FUNDOS OU ETF
Olhando para o conjunto dos fundos de mercado monetário (FMM) registados para venda em Portugal vemos que, apesar da atratividade que podem ter de uma forma geral, não deve ser fácil para um diretor fnanceiro ou um gestor selecionar o produto para canalizar o investimento. São cerca de 80 os fundos registados no nosso país e muitos mais são os veículos europeus não registados, que se veiculam no formato fundo ou ETF. A diversidade de formas como os gestores de fundos do mercado monetário materializam a sua abordagem é enorme. Seja fundos focados no mercado em dólares ou em euros, vemos abordagens que alocam mais de metade das carteiras a depósitos, bem como outras em que estes valem 0 nas carteiras. Noutras, ainda, o papel comercial é preponderante, enquanto que, em algumas, abundam as obrigações de muito curto prazo.
É uma alocação que se revela, no entanto, muito dinâmica, como um ambiente em constante mudança o exige. Como explica Mason Martin, responsável de Compliance da plataforma de fundos do mercado monetário ICD (Institutional Cash Distributors), “os gestores das carteiras dos FMM orientam os seus prazos de vencimento para obterem o melhor desempenho possível na atual conjuntura de taxas de juro, evidentemente dentro dos limites regulamentares. Num contexto de subida das taxas, como o do ano passado, os FMM mantiveram os seus prazos de vencimento curtos. Quando se realizam as reuniões dos Bancos Centrais, é frequente vermos o prazo médio calendarizado para essa reunião, caso se preveja um aumento”.
Já no que diz respeito aos FMM que têm o seu lugar nas carteiras dos segmentos de investidores institucionais nacionais contemplados nesta aná-
CONSUMO CÍCLICO ALOCAÇÃO LÍQUIDA DOS SUBSEGMENTOS DE CASH % GOVERNOS CORPORATIVA PAPEL COMERCIAL ACORDOS DE RECOMPRA DEPÓSITOS A PRAZO DINHEIRO OUTROS 0,1 8,7 38,3 0,0 0,1 18,9 1,4 0,0 2,9 43,7 16,7 22,4 3,0 9,4 0,0 11,8 11,1 0,0 39,2 0,0 2,5 5,9 9,9 0,0 0,0 13,8 10,9 0,0 0,0 10,3 37,0 12,6 31,3 -4,3 1,4 13,3 5,5 30,3 0,0 31,6 11,0 7,3 ND ND ND ND ND ND ND 0,9 0,7 45,8 0,1 18,1 11,4 0,0 0,0 10,3 37,0 12,6 31,3 -4,3 1,4 0,0 0,0 34,3 18,7 56,2 -9,3 0,0 5,2 15,3 38,0 0,0 3,5 18,0 0,2 0,0 10,3 37,0 12,6 31,3 -4,3 1,4 0,0 4,4 38,2 0,5 4,1 9,0 1,0 0,1 5,1 33,2 0,0 9,8 16,6 1,2 0,0 1,9 36,6 22,1 10,5 2,0 19,6 ND ND ND ND ND ND ND 0,0 11,8 11,1 0,0 39,2 0,0 2,5 0,0 8,7 56,6 0,0 14,3 1,9 0,7 6,1 6,3 38,6 5,9 4,7 11,0 18,6 0,0 12,2 21,2 0,0 19,2 8,8 19,9 4,3 5,3 51,9 0,0 4,4 9,5 0,6 26,0 0,0 0,0 0,0 4,7 0,0 8,5 0,3 1,1 36,5 6,4 20,7 5,5 18,2 0,0 0,0 37,4 36,7 18,9 4,6 0,0 0,9 0,7 45,8 0,1 18,1 11,4 0,0 0,0 0,0 18,2 0,0 75,2 3,1 0,0 0,0 2,3 39,6 5,0 16,7 4,1 20,7 0,0 5,3 2,0 0,0 0,0 20,1 0,2 0,0 1,5 40,9 2,1 20,1 5,3 18,7 35,8 0,0 0,0 56,9 -4,4 2,5 0,0 0,0 30,4 0,0 0,0 0,0 29,4 6,0 0,0 13,6 7,3 0,0 0,0 52,4 4,3 ND ND ND ND ND ND ND 0,0 1,1 56,7 0,0 16,5 2,6 -67,5 0,0 6,8 54,7 0,0 22,7 1,6 1,8 ND ND ND ND ND ND ND 0,0 0,0 36,2 95,1 -34,5 0,0 3,2 SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 45
TENDÊNCIAS ESTRATÉGIAS
MASON
lise, o cenário é semelhante e a oferta difere sobremaneira. Os fundos mais relevantes neste universo são disponibilizados por grandes gestoras internacionais conhecidas pela sua oferta no segmento, como a Groupama AM, Amundi ou a BNP Paribas AM. Por outro lado, embora menos relevantes, é importante destacar que alguns ETF do mercado monetário também têm espaço nas carteiras. São apenas três, todos focados nas taxas overnight e baseados em swaps. Contudo, sobre estas soluções cotadas, Mason Martin diz-nos que “relativamente ao mandato de segurança e liquidez inerente ao papel de um tesoureiro de uma empresa uma estrutura de ETF não ajuda com ambas as componentes”. É um tipo de soluções que escolhem não oferecer.
Alguns fundos portugueses surgem no mix, nomeadamente o fundo monetário da IMGA e o de tesouraria da Montepio Gestão de Activos. Muito embora este segundo esteja classifcado como fundo do mercado monetário pela Morningstar, é um fundo com mais de 50% em ativos não cash e
classifcado como de curto prazo pela Associação Portuguesa de Fundos, Pensões e Patrimónios.
NAV CONSTANTE?
Na oferta de fundos de mercado monetário também há três conjuntos de produtos que satisfazem diferentes necessidades: CNAV, ou valor constante da unidade de participação, VNAV, valor variável da unidade de participação e LVNAV, ou valor da unidade de participação com baixa volatilidade.
Segundo nos conta Mason Martin, com base em dados da própria entidade, os FMM mais utilizados na Europa são os LVNAV e os VNAV. “Os fundos LVNAV têm um NAV constante, desde que operem de acordo com os regulamentos, ou seja, o NAV é cotado a 1,00. O A variável futuante dos VNAV, baseado na avaliação a preços de mercado dos investimentos subjacentes, implica um risco de capital ligeiramente superior. Já os CNAV, de dívida pública, têm uma dimensão muito reduzida, o que os torna difíceis de investir para os grandes investidores. Adicionalmente, as yields dos CNAV são também inferiores às dos fundos LVNAV e VNAV”, explica.
Sobre as duas categorias mais comuns, o profssional conta que as yields são comparáveis e, por conseguinte, “a decisão sobre qual deles utilizar depende da apetência do investidor por um NAV constante ou variável”. Finalmente, acrescenta que, outro aspeto a ter em conta, é a entidade gestora do fundo. “Alguns oferecem tanto LVNAV como VNAV, outros oferecem um ou outro, pelo que este aspeto também pode ser tido em conta quando os investidores consideram quais os FMM a utilizar”, conclui.
OPORTUNIDADES NO CONSUMO CHINÊS
A volatilidade na China cria boas oportunidades para as gestoras ativas de fundos. O setor do consumo chinês é um dos maiores do mundo e, portanto, chave em termos globais, embora seja verdade que a sua recuperação tenha sido mais fraca do que o esperado, em parte devido ao facto do consumidor chinês ter recebido pouco apoio durante o COVID. A China está também a debater-se com exportações fracas, tendências deflacionárias e problemas no seu mercado imobiliário, que estão a pesar sobre a confiança dos consumidores. No entanto, há subsetores que resistiram bem, como as viagens, já que os consumidores chineses se vingaram em massa pelos longos períodos de confinamento que tiveram. Mas se há um setor que tem sido fundamental no consumo chinês durante as últimas décadas é o setor do luxo, que é cada vez mais assumido por marcas chinesas que substituem as ocidentais como objetos de desejo pelo seu símbolo de estatuto. Embora o elevado desemprego juvenil tenha sido um obstáculo a este tipo de procura, penso que, assim que o mercado de trabalho recuperar, veremos este tipo de despesa aspiracional recuperar, cujas vendas devem vir a aumentar à medida que a recuperação do consumo chinês ganhar impulso.
A OPINIÃO DE RAP T REN PAR T NER
ANA CARRISSO Diretora associada de Vendas, Fidelity International
OBTEREM O MELHOR DESEMPENHO POSSÍVEL NA
CONJUNTURA DE TAXAS DE JURO”
“OS
GESTORES DAS CARTEIRAS DOS FMM ORIENTAM OS SEUS PRAZOS DE VENCIMENTO PARA
ATUAL
MARTIN ICD 46 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO
Olhar para o future investindo em saúde
Robôs realizando cirurgia. Medicamentos sob medida para cada paciente. Médicos que visitam remotamente. A transformação do setor de saúde está criando excelentes oportunidades de investimento
Mas como você pode investir com sucesso em ações de saúde? Você não precisa ser um luminar da ciência ou ter a capacidade de prever quais novos medicamentos terão sucesso. Por outro lado, é essencial identifcar empresas de alta qualidade com soluções comprovadas para mercados em expansão.
AB International Health Care Portfolio fa exatamente isso. Aprofundamos o cenário global para identifcar empresas de sistemas de saúde e pacientes em constante mudança no século XXI. Investir em empresas que estão transformando o mundo da medicina pode permitir que você aproveite o grande potencial de retorno de longo prazo do futuro da saúde.
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Exclusivamente para profssionais de investimento. Não se destina a distribuição ou consulta pelo público em geral. O valor de um investimento pode diminuir ou aumentar e os investidores podem não recuperar o valor total investido. O capital está em risco. Esta informação é publicada pela AllianceBernstein (Luxembourg) S.à r.l. Société à responsabilité limitée, R.C.S. Luxembourg B 34 305, 2-4, rue Eugène Ruppert, L-2453 Luxemburgo. Autorizada en Luxemburgo y regulada por la Commission de Surveillance du Secteur Financier (CSSF). IC20220034
AB International Health Care Portfolio
por Miguel Rêgo
A HISTÓRIA DA RELAÇÃO DA ALOCAÇÃO DOS PARTICULARES A FUNDOS E DEPÓSITOS
O aforrador português é frequente e consistentemente apelidado de conservador, é um facto. Mas se olharmos para os últimos 20 anos, percebemos que a história do aforro dos portugueses teve dois ou três momentos distintos.
No que concerne à evolução dos depósitos, o crescimento é uma constante, mas a primeira derivada tem os seus momentos. Tanto no aproximar da Grande Crise Financeira, como no pós-pandemia, fca evidente o acelerar da acumulação de depósitos e, mais recentemente, fca evidente o mais acentuado abrandamento do período em análise, como resultado da mobilização dos capitais no sentido dos certifcados de aforro.
Para João Pina Pereira, CEO da GNB Gestão de Ativos, “a crise do subprime, logo seguida pela crise da
nossa República, acabou por ter um efeito paradoxal”, considerando que, apesar de no epicentro estar o setor bancário, “o facto de que quem tinha poupanças em depósitos nunca ter sido atingido, reforçou a ideia de que segurança total corresponde aos depósitos”. á no que diz respeito aos fundos de investimento, observamos um pré 2008 muito dominado pelos fundos domésticos e por um elevado crescimento dos volumes investidos pelos investidores particulares. A crise fnanceira mundial, a crise da dívida europeia e todos os eventos simultâneos que pesaram na confança das famílias quebraram fortemente esta tendência e atiraram o investimento destas em fundos para uma série de anos de estagnação. A retoma, iniciada entre 2016 e 2021, levou o investimento das famílias em fundos de investimento para perto de máximos históricos, mas com mais um driver de crescimento: os fundos internacionais. Na data mais recente em análise, representavam aproxima-
48 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO TENDÊNCIAS PLANIFICAÇÃO FINANCEIRA
JOÃO PINA PEREIRA GNB GESTÃO DE ATIVOS
damente um terço do total investido em fundos pelos particulares, quando em 2012 e 2007 apenas representavam 13% e 9%, respetivamente.
ESTAGNAÇÃO
Mas quando relacionamos os dois indicadores, no entanto, vemos que a estagnação está longe de estar ultrapassada. Considerando a evolução do peso do investimento em fundos nos depósitos por parte dos particulares em Portugal, fca evidente que há um longo caminho a percorrer para chegar a uma fronteira que foi apenas ultrapassada no pré 2008, os 30% de peso. Para João Pina Pereira, a hipótese de lá chegarmos não é nula, mas pequena. “Na atual conjuntura, em que das poucas certezas que se podem ter é que os bancos têm de subir, e muito, as remunerações dos depósitos, parece altamente improvável uma inversão da tendência verifcada nos últimos 15 anos”, diz.
Para Afonso Barbosa, diretor executivo da consultora Az.R, o aumento
Fonte: Banco de Portugal, à data de 1 de agosto de 2023. Os dados relativos ao investimento em fundos internacionais pelos particulares são trimestrais e foram extrapolados nos meses entre finais de trimestre. Esta mesma série apenas tem informação disponível a partir de 31 de dezembro de 2012. No período que antecede a essa data estimámos o volume com base nos dados de comercialização de fundos estrangeiros disponibilizados pela CMVM e com base na relação histórica entre as duas séries.
EVOLUÇÃO
DE PARTICULARES VOLUME INVESTIDO EM FUNDOS DE INVESTIMENTO PELOS PARTICULARES PESO DO INVESTIMENTO DAS FAMÍLIAS EM FUNDOS NO VOLUME APLICADO EM DEPÓSITOS 200 180 160 140 120 100 80 60 40 20 35 30 25 20 15 10 5 0 40% 35% 30% 25% 20% 15% 10% 5% 0% 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 DEPÓSITOS E EQUIPARADOS - PARTICULARES TOTAL FUNDOS FUNDOS INTERNACIONAIS MILHARES DE MILHÕES DE EUROS MILHARES DE MILHÕES DE EUROS SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 49
HISTÓRICA DO VOLUME EM DEPÓSITOS
“NO CURTO PRAZO VAI SER MUITO DIFÍCIL COMBATER OS DEPÓSITOS”
“A RETAIL INVESTMENT STRATEGY
PODERÁ GERAR PROFUNDAS ALTERAÇÕES NA FORMA DE FAZER NEGÓCIO DA INDÚSTRIA” AFONSO BARBOSA AZ.R
da penetração deste tipo de produtos na poupança dos particulares depende de vários fatores. Por um lado, “da capacidade de se destacarem, globalmente, como alternativas de aforro atrativas em termos nominais e reais”, diz. Por outro lado, o profssional acredita que “vamos também assistir a outros condicionalismos que poderão difcultar a recuperação da representatividade destes produtos, incluindo em aspetos de contexto externo, como os resultantes da evolução nos enquadramentos legislativo e regulatório”. Dá como exemplo a Retail Investment Strategy que acredita que “poderá gerar profundas alterações na forma de fazer negócio da indústria, bem como na relação entre os diversos tipos de intervenientes ao longo da cadeia de valor”.
FUNDOS INTERNACIONAIS
á no que se refere ao impacto dos fundos internacionais na evolução destes indicadores, a leitura de João
a mesma linha, Afonso Barbosa considera que “a oferta de fundos estrangeiros – apesar do crescimento assinalável no mercado nacional - não é sufciente, como catalisador de uma superior penetração de produtos de investimento na poupança de particulares”. esta matéria, crê que “o desafo da indústria será, nos próximos anos, muito mais de caráter estrutural e estratégico”, alerta.
Para Afonso Barbosa, a indústria deve procurar abordagens complementares para impulsionar a penetração dos fundos de investimento. Por um lado, considera que as gestoras necessitam de desenvolver ofertas que melhor se adaptem ao conservadorismo nacional, como “produtos de retorno absoluto, soluções de proteção dinâmica de capital, entre outras”. Por outro lado, vê o reforço da experiência do cliente nas atividades de poupança e investimento como um caminho. “ esta matéria, o papel da tecnologia será incontornável, sendo um dos motivos pelos quais perspetivo elevados investimentos da indústria nos próximos anos”, explica.
A DESCARBONIZAÇ ÃO, SEM LUGAR PARA SE ESCONDER
Numa boa integração ESG, é preciso verificar o impacto do produto vendido pela empresa a ser considerada, a sua governance corporativa, os fatores de risco ESG mais críticos, a exposição da empresa às mudanças climáticas e a sua disposição na mitigação dos seus efeitos.
A OPINIÃO DE RAP T REN PAR T NER
ANA CLAVER Responsável de negócio para a Península Ibérica, América Latina e US O shore da Robeco, e presidente do Comité de Sustentabilidade da CFA Society Spain
Para este último pilar, a descarbonização, utilizamos uma pontuação específica de acordo com a metodologia do nosso Centro de Peritos IS. Esta avaliação reflete a influência do comportamento da empresa face ao clima, considerando na dupla materialidade não só o risco financeiro do clima sobre a empresa, mas também o impacto da empresa no clima. Tal só pode ser alcançado através da análise da intensidade das suas emissões de carbono e da credibilidade do seu Percurso de Descarbonização Setorial (PDS), da medição da posição de cada empresa do seu setor face às metas de redução de emissões e da identificação dos investimentos em tecnologia necessários para reduzir ou anular emissões, bem como de eventuais sanções regulamentares. Na Robeco acreditamos que estamos no meio de uma transição energética sem volta, em que a aplicação de ferramentas e metodologias que nos ajudam a detetar o bom funcionamento das empresas em que investimos para alcançar a descarbonização global da economia até 2050, ganha um papel cada vez mais importante no mundo do investimento. 50 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO
TENDÊNCIAS PLANIFICAÇÃO FINANCEIRA
Pina Pereira é de que “numa primeira fase, a introdução dos fundos internacionais no mercado nacional, foi claramente benéfica”. Contudo, acredita que na atualidade é “razoavelmente indiferente”. “ o curto prazo vai ser muito difícil combater os depósitos”, esclarece.
A anemia da China é um desafo, não é uma crise
O processo de relançamento da economia chinesa abrandou desde abril. O abrandamento tornou-se evidente em muitos indicadores, como a produção industrial, o investimento, o crescimento do crédito, os gastos dos consumidores e a debilidade do setor imobiliário. Devido à perda de força, a meta de crescimento de 5% para 2023 está em risco. Receia-se igualmente que este abrandamento sejam o refexo de problemas estruturais na economia que conduzam a uma inversão signifcativa da tendência de crescimento. Os incumprimentos anunciados por uma grande promotora imobiliária e uma gestora de ativos evidenciam os desafos que persistem no mercado imobiliário. Os mercados reagiram de forma contundente a estes dados e aos incumprimentos.
Fatores cíclicos e estruturais contribuíram para a deterioração macroeconómica. Tanto as empresas como os consumidores manifestam uma perda de confança após anos de políticas restritivas no mercado imobiliário, regulações que afetam as plataformas de Internet e de limitações à mobilidade. A atual rotação da procura de bens para serviços nas economias desenvolvidas também pesou sobre a procura de exportações chinesas.
A transição da China deste modelo de crescimento para um modelo em que os gastos dos consumidores desempenham um papel mais importante será um desafo estrutural permanente.
MEDIDAS TOMADAS ATÉ À DATA
Até agora, a China cortou as taxas de juros várias vezes e anunciou que os governos locais vão aumentar os
investimentos em infraestrutura, vão apoiar programas de renovação de centros urbanos, vão apoiar a compra de veículos elétricos e serão mais fexíveis com as taxas hipotecárias. No entanto, o ritmo, a intensidade e a natureza dos estímulos não acompanharam o ritmo de deterioração macroeconómica. Muitas das medidas ajudam o lado da oferta, reduzindo custos, mas o problema da economia chinesa é a inadequação da procura.
Embora o apoio monetário direto possa ser uma das formas mais rápidas de impulsionar o crescimento no curto prazo, os responsáveis das políticas não acreditam que seja a forma mais efcaz de o fazer. No futuro, será necessária uma melhor coordenação das medidas para relançar a economia e espectativas de crescimento na China.
As notícias relacionadas com o incumprimento dos promotores imobiliários, o elevado desemprego juvenil e a baixa confança das famílias e das empresas deverão também exercer uma maior pressão sobre a atividade económica e, em particular, sobre o setor da habitação.
No entanto, acreditamos que a probabilidade de uma crise fnanceira sistémica continua a ser reduzida. Políticas seletivas de estímulo, associadas a sinais de alguma normalização da atividade industrial global, poderiam ser sufcientes para estabilizar a economia chinesa.
A NOSSA VISÃO SOBRE AS DIFERENTES CLASSES DE ATIVOS
A nossa posição sobre os ativos de risco chineses permanece neutra, apesar das perspetivas modera-
das de crescimento. Períodos de sentimento extremamente negativo sobre a economia chinesa foram muitas vezes seguidos por períodos de fortes subidas nos mercados acionistas. Temos de ponderar dois cenários, a possibilidade de uma deterioração contínua da economia que conduziria a uma menor rentabilidade dos ativos de risco, ou a possibilidade de uma política monetária expansiva que estimularia as pressões ascendentes.
Globalmente, a perda de dinamismo económico da China este ano está a ser compensada pela resiliência da atividade dos EUA.
Acreditamos que, se o nosso cenário de base se confrmar e se o crescimento chinês estabilizar, o risco de recessão, particularmente para os EUA, não deverá aumentar. Em particular, pensamos que a ligeira defação da China está a ajudar a mitigar o risco de uma nova vaga de pressões infacionistas nos mercados desenvolvidos.
PERSPETIVAS DE MERCADO
Acreditamos que a probabilidade que se apliquem estímulos aumentou signifcativamente, o governo central esta ciente dos desafos económicos atuais. Por outro lado, consideramos que as valorizações no mercado acionista são atrativas.
Continuamos a acreditar que os mercados acionistas chineses oferecem grande oportunidades para a gestão ativa. Acreditamos que empresas de qualidade com vantagens competitivas deverão ter bons resultados a longo prazo.
DIOGO GOMES, Senior CRM UBS AM Iberia
Este documento foi realizado por UBS com fns meramente informativos e de marketing.
A informação incluída neste documento é fundamentada ou foi obtida através de fontes fáveis, no entanto não se garante a sua exactidão nem que esteja completa. Portanto, a UBS não será responsável por nenhum prejuízo que possa surgir como consequência de confar em qualquer informação incorrecta ou incompleta presente neste documento.
UM ANO DE GREEN MIFID O BALANÇO FEITO PELAS ENTIDADES
A escassez de dados, as interpretações e abordagens diferentes entre produtor e distribuidor e a falta de literacia dos clientes sobre sustentabilidade. Estes e outros fatores entram na conta: 12 meses + Green MiFID=? Parece simples, mas de simples tem pouco, dizem as entidades.
52 FUNDSPEOPLE I
E
TENDÊNCIAS ADVISORY
SETEMBRO
OUTUBRO por Margarida Pinto
Éverdade. Já passou um ano desde que a Green MiFID entrou em vigor, e com ela veio também a obrigatoriedade de perguntar aos clientes pelas suas preferências em matéria de sustentabilidade, que, devem ser especifcadas em função de determinadas referências (taxonomia, PIA e investimentos sustentáveis) e respondidas, em caso afrmativo, com uma gama de produtos ad hoc. Na prática, isso implicou que na análise de suitability feita ao cliente, às tradicionais categorias de objetivos de investimento e situação fnanceira fossem acrescidas questões sobre sustentabilidade.
ue balanço se faz deste processo, volvidos mais de 12 meses erão os clientes demonstrado preferências de sustentabilidade? Terá aumentado a percentagem de ativos sustentáveis dos clientes? A FundsPeople falou com dois profissionais de duas entidades bancárias nacionais que, enquanto distribuidores de produtos, têm vindo a deparar-se com todas estas questões.
Para Nuno Botelho, responsável da DWM do Millennium bcp, a complexidade técnica dos temas e das métricas utilizadas tem levado a que as interpretações e as abordagens seguidas quer por produtores quer por distribuidores sejam muito heterogéneas. Contudo, o profssional atreve-se a classifcar este primeiro ano como “positivo”. E porquê? Essencialmente porque a regulamentação “induziu os primeiros contactos dos clientes com a temática da sustentabilidade associada ao investimento e com produtos
“VEMOS CLIENTES COM NOVOS INVESTIMENTOS OU REFORÇOS EM PRODUTOS QUE TÊM COMO OBJETIVO A REALIZAÇÃO DE INVESTIMENTO SUSTENTÁVEL”
NUNO BOTELHO
MILLENNIUM BCP
que têm processos de investimento alinhados com preocupações ambientais, sociais e de governance”.
OS (MALFA)DADOS
Para avaliar este ano, Alexandra Tostões, do departamento de Desenvolvimento e Marketing do novobanco, também coloca na equação o difícil ponto de partida. “Registou-se, e ainda se regista, uma relevante limitação da implementação destas orientações dada a escassez de dados ainda disponíveis no mercado para fazer a análise de adequação em todas as dimensões defnidas na regulamentação”, indica. Por outro lado, estes mais de 12 meses fcaram ainda marcados, na instituição, por outro fator: a difculdade, até junho de 2023, no reporte dos Principais Impactos Adversos pelas diferentes entidades
“REGISTOU-SE E AINDA SE REGISTA UMA
RELEVANTE LIMITAÇÃO DA IMPLEMENTAÇÃO DAS ORIENTAÇÕES, DADA A ESCASSEZ DE DADOS AINDA DISPONÍVEIS NO MERCADO”
ALEXANDRA TOSTÕES
NOVOBANCO
produtoras, já que o serviço de consultoria do novobanco é baseado em portefólios modelo, que usam, entre outros instrumentos, fundos de investimento. Mas a grande difculdade, a profssional resume numa palavra: dados. A implementação da regulamentação seis a 12 meses antes da obrigatoriedade de as empresas reportarem dados de taxonomia - entre outros fatores - leva a Alexandra ostões a dizer que “iniciar a análise e adequação de preferências de sustentabilidade no âmbito dos seus serviços”, foi, e ainda é, o maior desafo.
Mas as difculdades não se fcaram por aqui. Nuno Botelho lembra que, quer para produtores, quer para distribuidores de produtos fnanceiros, os desafos têm sido muitos, por causa da complexidade das exigências regulamentares. “Os produtores
SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 53
A DIFICULDADE EM COLOCAR EM MARCHA A GREEN MIFID É INCONTESTÁVEL. A LITERACIA SOBRE A SUSTENTABILIDADE, POR SEU LADO, É TIDA COMO IMPRESCINDÍVEL
têm-se adaptado às exigências de reporting divulgando informação muito complexa através dos prospetos e dos relatórios e contas, documentos originalmente muito extensos e de leitura difícil para a generalidade dos investidores. Por seu lado, os distribuidores enfrentam clientes ainda pouco conhecedores destes temas, o que os leva a disponibilizar informação genérica que permita uma recolha adequada das preferências dos clientes em termos de sustentabilidade”. Na sua opinião, existe um grande gap de ambição e de conhecimento entre o que apelida de “regulador especialista” e o cliente investidor.
ADESÃO DOS CLIENTES
Agora que já existe caminho percorrido, fca mais fácil para ambas as entidades traçarem uma perspetiva da adesão dos clientes. E no caso do Millennium bcp e do novobanco as opiniões divergem. Para Nuno Botelho, o aumento do interesse dos clientes pela temática existiu, e isso não o surpreende. A generalidade, diz, mostrou-se aberta a “investir uma parte da sua carteira em instrumentos fnanceiros sustentáveis ou que tenham em consideração e mitiguem ativamente impactos negativos sobre fatores de sustentabilidade”. Consequentemente, tem observado a percentagem de ativos detidos pelos clientes em investimento sustentável a aumentar. E relata que isso acontece tanto de forma passiva - quando os clientes estão expostos a estratégias de produtores que têm vindo a investir e a divulgar que investem
uma parte da carteira em investimentos sustentáveis - mas também de forma ativa. A este nível, o profssional aponta movimentos como “novos investimentos ou reforços em produtos que têm como objetivo a realização de investimento sustentável”.
No novobanco, a experiência relatada distancia-se desta. “O tema da sustentabilidade ainda não está nas prioridades de objetivos de maior parte dos clientes”, diz Alexandra ostões. Salvo as normais “exceções”, a maioria dos clientes da entidade continua a preocupar-se com o paradigma anterior: menos risco e mais rentabilidade. Ainda assim, para dar resposta ao exigido, a entidade implementou “por defeito, portefólios modelo com pelo menos 10% de fundos artigo 8º e artigo 9º”. Acabaram, também, por “limitar o acesso ao serviço a clientes que tivessem uma preferência de investimentos sustentáveis no âmbito do SFDR acima de 10%”. Isto porque “a informação disponível nos European ESG emplate (e nos prospetos após junho 2023), particularmente nos artigos 8 ”, que são a base da oferta disponível da entidade e do mercado, “permanece muito instável no que diz respeito a percentagem de investimentos sustentáveis”.
Embora as perspetivas das duas casas tenham pontos de divergência, a verdade é que coincidem na difculdade em colocar em marcha todo o processo de Green Mi ID, mas não só. Para ambos, a literacia sobre sustentabilidade dos clientes é um ponto fulcral, que também determinará as suas escolhas de investimento no futuro.
Ao entrarem em 2023, os investidores apressaram-se para obter rendimentos nominais positivos, redirecionando claramente as suas carteiras para títulos obrigacionistas de alta qualidade, como as Investment Grade e Govies. Contudo, os investidores podem vir a enfrentar retornos reais negativos se a inflação permanecer elevada. Com este cenário de fundo, parece que a abordagem Cash is King está de volta e a entrar numa nova era. Com a incerteza nos mercados ainda a persistir, é essencial ter a flexibilidade bem como uma longa experiência na gestão ativa de fundos . A estratégia Nordea Stable Return tem potencial para oferecer um nível mais elevado de diversificação através da sua alocação dinâmica e procura proporcionar retornos esperados mais elevados no futuro. Embora o regresso de Cash is King pareça ter atingido um ponto sem retorno, acreditamos que a estratégia Nordea Stable Return continua a ser uma solução atrativa para os investidores de médio e longo prazo ao apresentar uma capacidade de participar no upside dos mercados em subida enquanto que a captura do downside, durante quedas do mercado, tende a ser menos significativo.
LAURA DONZELLA Rsponsável de Institucional e Wholesale Distribution para a Península Ibérica, América Latina e Ásia, Nordea AM RAP T REN
A OPINIÃO DE PAR T NER
CUIDADO COM OS RETORNOS REAIS DE TÍTULOS DE OBRIGAÇÕES E DINHEIRO
54 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO TENDÊNCIAS ADVISORY
A TECNOLOGIA NO MUNDO DA AUDITORIA DE GESTÃO DE ATIVOS EM PORTUGAL
O mundo de hoje é altamente influenciado pela tecnologia, com a Inteligência Artificial, em particular, a ganhar cada vez mais protagonismo. Que influência podem estas ferramentas ter na auditoria de gestão de ativos?
Omundo da gestão de ativos vai além das entidades gestoras e dos investidores. As auditoras também desempenham um importante e exigente papel no vasto mundo dos fundos mobiliários. O objetivo das auditorias é proteger os interesses dos investidores, fornecendo-lhes garantias relativas quanto ao rigor das contas. As auditoras têm, desta forma, uma intervenção fundamental na certifcação da informação providenciada não só pelos fundos, mas também pelas entidades.
Segundo dados da Morningstar, a 31 de julho de 2023, o mercado português de fundos mobiliários era composto por 196 produtos, totalizando pouco mais de 19 mil milhões de euros. Destes 196 produtos, 169 estão domiciliados em Portugal e os restantes no
Luxemburgo e Irlanda. Quem audita estes fundos? Quais são as auditoras mais relevantes neste contexto?
A Mazars reforça a sua posição como a auditora que audita o maior número de fundos, com 85 produtos. Estes pertencem à BPI Gestão de Ativos, à GNB Gestão de Ativos, à Heed Capital, à IMGA e à Optimize Investment Partners. Apesar deste elevado número de produtos, a auditora não é a que tem a seu cargo o maior volume de ativos sob gestão. O volume que audita fica próximo dos 8 mil milhões de euros.
Já a BDO é a entidade que tem a seu cargo a auditoria de fundos de mais casas gestoras - sete. Além disso, é também a que audita o maior volume de ativos sob gestão - um valor de quase 10 mil milhões de euros - e é a segunda com o maior número de fundos audi-
tados (67). Em seguida está a KPMG, como a terceira auditora que fscaliza um maior volume de ativos sob gestão de fundos mobiliários domiciliados em Portugal. Esta entidade faz a auditoria de oito fundos, totalizando um montante sob gestão de cerca de 351 milhões de euros.
Mas, como já tínhamos visto, o universo dos fundos mobiliários não se reduz só aos fundos mobiliários domiciliados no nosso país. Olhando para os fundos domiciliados no estrangeiro, a Deloitte é a que mais fundos analisa (14), totalizando, no seu conjunto, mais de mil milhões de euros em ativos sob gestão.
AUDITORIA ÀS GESTORAS
Mas não são só os fundos que são alvo de análise, as próprias gestoras também passam por esse processo. Nes-
SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 55 TENDÊNCIAS FUNDS SERVICES
por Ana Garcez
AUDITORAS QUE AUDITAM FUNDOS MOBILIÁRIOS
Capital, Caixa Gestão de Ativos, Casa de Investimentos, Invest Gestão de Activos, Montepio Gestão de Activos, Santander Asset Management e Lynx Asset Managers
Fonte: Morningstar Direct. Dados em euros a 31 de julho de 2023.
*Informação online da entidade gestora, com dados a 30 de junho de 2023.
GNB Gestão de Ativos, Heed Capital, IMGA e Optimize Investment
de
AUDITORAS QUE AUDITAM FUNDOS COM ADN
se âmbito, é a PwC que audita o maior número de gestoras (quatro) - a BPI Gestão de Ativos, a Bankinter Gestión de Ativos - Sucursal em Portugal, a Montepio Gestão de Activos e a Santander Asset Management. Nesta lista é ainda possível verifcar um número mais diversifcado de auditoras.
Assim, além da PwC, podemos encontrar a Ernst & Young, a segunda auditora que mais gestoras audita (três) - Caixa Gestão de Ativos, GNB Gestão de Ativos e Heed Capital -; e a fechar o pódio, a Kreston, que não só audita a Lynx Asset Managers e a Sixty Degrees, como também audita os fundos desta última entidade.
Fonte: Morningstar Direct. Dados em euros a 31 de julho de 2023.
AUDITORAS QUE AUDITAM AS GESTORAS DE FUNDOS MOBILIÁRIOS EM PORTUGAL
Ernst & Young Audit
Heed Capital Ernst & Young Audit
IM Gestão de Ativos Pontes Batista & Associados
Invest Gestão de Ativos Martins Pereira, João Careca & Associados
Lynx Asset Managers Kreston
Montepio Gestão de Activos PwC
Optimize Investment Partners Mazars
Santander Asset Management PwC
Sixty Degrees Kreston
Fonte: Morningstar Direct. Dados em euros a 31 de julho de 2023.
erifcámos também a presença de auditoras como a Lampreia, Viçoso & Associados; a Veloso & Associados; a Pontes Batista & Associados; a Martins Pereira, João Careca & Associados; e a Mazars, que não só audita a Optimize Investment Partners, como também os seus fundos.
TECNOLOGIA NA AUDITORIA
A tecnologia tem vindo a impactar várias áreas, e aquelas que lidam com dados e informação são das mais suscetíveis às novas tendências do mundo tecnológico. Será assim com as auditoras?
Para Ana Gabriela e Vasco Jara Schiappa, partners da BDO em Portugal, as ferramentas de tecnologia e IA têm o potencial de “impactar de forma signifcativa o trabalho de auditoria à gestão de fundos de valores mobiliários no futuro”, uma vez que podem automatizar tarefas repetitivas e aper-
DOMICILIADOS EM PORTUGAL AUDITOR ATIVOS SOB GESTÃO AUDITADOS € NÚMERO DE FUNDOS AUDITADOS ENTIDADES GESTORAS BDO 9 705 572 934 68 BIZ
Mazars 7 683 343 811 85 BPI Gestão
Partners KPMG 351 123 950 8 Bankinter Gestión de Activos Baker Tilly 82 552 078 1 GNB Gestão de Ativos Kreston 16 058 443 3 Sixty Degrees DFK 14 271 716* 4 Lynx Asset Managers Total 17 852 922 932 169
Ativos,
DOMICILIADOS
ESTRANGEIRO AUDITOR ATIVOS SOB GESTÃO AUDITADOS € NÚMERO DE FUNDOS AUDITADOS ENTIDADES GESTORAS Deloitte SA 602 736 937 7 BPI GA (CaixaBank AM) Deloitte Audit S.à r.l. 410 522 430 8 GNB GA (GNB International Management) e Optimize Investment Partners PricewaterhouseCoopers Société coopérative 212 469 386 7 Atrium Investimentos (FundPartner Solutions) KPMG 69 810 000 1 BiG (DMS Investment Management Services) PricewaterhouseCoopers (Lux) 27 793 731 2 Haitong Bank (MultiConcept FM) KPMG (Luxembourg) 21 219 495 1 Heed Capital Deloitte Audit Limited 18 732 187 1 Nevastar Finance (EuroBic) Total 1 363 284 164 27
NACIONAL,
NO
ENTIDADE GESTORA AUDITORAS BPI Gestão de Ativos PwC BIZ Group Lampreia, Viçoso & Associados Bankinter Gestión de Ativos - Sucursal em Portugal PwC Caixa Gestão de Ativos Ernst & Young Audit Casa de Investimentos Veloso & Associados GNB Gestão de Ativos
56 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO TENDÊNCIAS
FUNDS SERVICES
“A TECNOLOGIA PERMITE AUTOMATIZAR TAREFAS REPETITIVAS E APERFEIÇOAR AS CAPACIDADES DE ANÁLISE DE GRANDES CONJUNTOS DE DADOS COMPLEXOS”
ANA GABRIELA E VASCO
JARA SCHIAPPA BDO
“A GESTÃO DE ATIVOS DEPENDE CADA VEZ MAIS DA TECNOLOGIA PARA A OBTENÇÃO DE INFORMAÇÃO CREDÍVEL E EM TEMPO REAL”
GONÇALO INÁCIO PWC
ATIVA E SELETIVA NAS
OBRIGAÇÕES HIGH YIELD GLOBAIS
EMBORA
AS FERRAMENTAS DE TECNOLOGIA SEJAM ÚTEIS, AS AUDITORAS ACREDITAM
QUE DEVEM SER UTILIZADAS DE FORMA RESPONSÁVEL E ÉTICA
feiçoar as capacidades de análise de grandes conjuntos de dados complexos, “incrementando simultaneamente a capacidade de descobrir padrões e tendências que permitem a deteção de atividades fraudulentas”.
o entanto, para os profssionais, é importante ter em conta que estas ferramentas “devem ser utilizadas de forma responsável e ética” para manter a integridade e a precisão dos relatórios fnanceiros, sendo que “a avaliação e a experiência humana serão sempre componentes essenciais do processo de auditoria”, acrescentam.
Gonçalo Inácio, gestor sénior na PwC, concorda que o julgamento
profssional não poderá ser substituído pela tecnologia, mas que esta pode ser fundamental. “A gestão de ativos depende cada vez mais da tecnologia para a obtenção de informação credível e em tempo real, que permita tomar decisões rápidas que vão ao encontro do ritmo e procura do mercado”, afrma.
Num setor cada vez mais complexo e exigente do ponto de vista regulatório, o presente/futuro da auditoria passa, segundo Gonçalo Inácio, não só pelo “constante digital upskilling dos colaboradores”, mas também pelo “investimento em tecnologia de tratamento de big data”.
Recentemente, observou-se um bull market dissimulado no segmento high yield. Os spreads de crédito diminuíram e o high yeld teve um bom desempenho na primeira metade de 2023. Os investidores estão cada vez menos inquietos com o risco de recessão – muitos acreditam num soft landing – acreditando que os bancos centrais conseguem fazer aterrar o avião em segurança. Na nossa opinião, o mercado pode estar demasiado complacente no que toca aos efeitos retardados da política monetária. Por outras palavras, as subidas das taxas de juro são um instrumento poderoso, mas repercurtem-se lentamente na economia global, causando cada vez mais estragos à medida que os governos, empresas e consumidores têm de, progressivamente, refinanciar a sua dívida. O enorme tightening monetário imposto pelos bancos centrais ao longo dos últimos 12 meses só agora está a afetar os consumidores e as empresas, sendo próvável que se verifique uma recessão, porventura muito em breve.
As taxas de default irão aumentar e haverá uma maior volatilidade no mercado high yield, o que poderá significar uma maior dispersão no desempenho entre emitentes e setores. Estes são cenários que gestores de ativos, com muita disciplina, podem aproveitar. As yields oferecidas no segmento high yield estão de facto altas em relação ao passado e têm potencial para oferecer uma rentabilidade futura atrativa. Contudo, nesta conjuntura, a seletividade será ainda mais importante para evitar os nomes mais fracos.
ADAM DARLING Gestor de fundos, Jupiter AM A OPINIÃO DE RAP T REN PAR T NER MANTER UMA POSTURA
SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 57
A INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA NÃO BANCÁRIA SOB ANÁLISE
O sistema bancário paralelo representa já quase metade dos ativos financeiros a nível global. A sua dimensão e a intensidade das interligações com o resto do ecossistema financeiro revelam a sua capacidade para gerar riscos para o conjunto do sistema. Nestas circunstâncias existem duas opções que não se excluem: isolar estes agentes ou mitigar os riscos na sua origem. A segunda opção deve ser considerada prioritária.
Osetor fnanceiro desempenha um papel importante nas economias e é, por isso, considerado sistémico. Canaliza os recursos fnanceiros dos aforradores para os requerentes de fundos para que realizem os seus projetos de investimento.
Este trabalho de intermediação fnanceira é conseguida através de uma das seguintes atividades: transformação de vencimentos, que envolve a obtenção de fundos de curto prazo para emprestá-los a longo prazo transformação de liquidez, uma vez que se podem captar fundos
com funções semelhantes ao dinheiro para investi-los em empréstimos que são mais difíceis de utilizar como meio de pagamento alavancagem, que consiste no endividamento para poder investir mais além dos recursos próprios e transferência de risco de crédito, que implica que o agente que origina um empréstimo e, por isso, assume um risco de incumprimento, o transfere para um terceiro.
O sistema fnanceiro é composto por vários agentes, infraestruturas e mercados que, além disso, estão interligados entre si. Os bancos têm tido tradicionalmente um peso maioritário no setor,
mas nas últimas duas décadas outros intermediários fnanceiros têm vindo a ganhar relev ncia.
Muitos deles desempenham atividades semelhantes às dos bancos, mas têm uma regulação diferente, normalmente mais branda. Por isso, no passado, eram conhecidos como sistema bancário paralelo (ou shado baking em inglês). Esta menor carga regulatória justifca-se, em primeiro lugar, pelo facto de não disporem das redes de segurança públicas reservadas aos bancos, cujo acesso poderia induzi-los a assumir riscos excessivos. o geral, não podem captar depósitos de
58 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO
TENDÊNCIAS LEARNING por Ángel Estrada e José Alonso
PERCENTAGEM DOS ATIVOS FINANCEIROS A NÍVEL GLOBAL QUE GEREM OS INTERMEDIÁRIOS FINANCEIROS NÃO BANCÁRIOS
VS.
outros agentes. Esta espiral descendente de preços facilitaria a transmissão e o contágio dos riscos a outras partes do sistema fnanceiro.
CRIPTOATIVOS
Os desequilíbrios de liquidez impedem que os investidores interiorizem os custos associados às vendas de ativos, incentivando-os a serem os primeiros a pedir reembolsos. As consequências também podem ser agravadas se estes veículos tiverem adotado uma estratégia de alavancagem que pode gerar incumprimentos por parte destes agentes.
PERCENTAGEM DOS ATIVOS FINANCEIROS A NÍVEL GLOBAL QUE GEREM OS INTERMEDIÁRIOS FINANCEIROS BANCÁRIOS
aforradores, pelo que os seus clientes não estão cobertos por fundos de garantia de depósitos e não podem contrair empréstimos junto do banco central.
A intermediação fnanceira não bancária inclui vários agentes. Desde fundos de investimento a empresas de seguros, passando por gestoras de ativos, brokers, dealers, etc. Um exemplo deste tipo de atividades seria o da intermediação de crédito realizada por fundos de investimento de obrigações. Estes veículos captam fundos de investidores para os investir em instrumentos de dívida (geralmente menos líquidos), facilitando
assim um canal de crédito alternativo ao bancário. As condições oferecidas permitem que os participantes possam reclamar os seus fundos imediatamente, inclusive diariamente.
Se as gestoras destes fundos de investimento, em momentos de incerteza ou stress, forem confrontados com numerosos pedidos de reembolso, podem ver-se obrigadas a desfazerem-se desses ativos ilíquidos a preços inferiores aos contabilizados, incorrendo em perdas. O volume dessas vendas pode aumentar a volatilidade nos mercados, fazer baixar os preços e forçar as vendas por parte de
Além deste tipo de intermediários tradicionais, alguns analistas começam a incluir o ecossistema dos criptoativos neste universo. Embora as atividades associadas neste caso estejam expostas a riscos únicos (como os riscos operacionais), alguns modelos de negócio de intermediação de criptoativos apresentam características semelhantes às observadas na intermediação realizada pelos agentes tradicionais. Ao oferecerem serviços de investimento, negociação ou empréstimo, estes novos atores incorrem no mesmo tipo de atividades e riscos.
Um exemplo deste paralelismo são as semelhanças entre stablecoins apoiadas por reservas de ativos e os fundos do mercado monetário ( MM). Uma vez que os emitentes destas stablecoins mantêm fundos dos investidores em forma de liquidez, ou instrumentos do mercado monetário, são suscetíveis a vulnerabilidades semelhantes às associadas aos MM. Em concreto, qualquer grau de transformação de vencimentos ou liquidez faz com que as stablecoins estejam sujeitas a reembolsos e levantamentos em massa.
A semelhança destes riscos com os bancários e o crescimento de alguns destes intermediários desde a crise fnanceira colocaram o foco no setor
49%
SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 59
38%
não bancário. De acordo com os dados publicados pelo Conselho de Estabilidade inanceira ( SB, na sua sigla em inglês), em dezembro de 2021, 49% dos ativos fnanceiros do sistema fnanceiro global correspondia a entidades fnanceiras não bancárias. Isto representa um peso maior do que das entidades bancárias (38%) e é fruto do crescimento vivido por estes outros intermediários desde 2008 (quando representavam 42% do sistema fnanceiro face aos 47% do setor bancário).
Além disso, a sua capacidade para atuar à escala global, afetando jurisdições em que não estão domiciliados, e as interligações que mantêm com o resto do sistema fnanceiro tornam-nos potenciais canais de transmissão das perturbações que podem surgir nesta, ou noutras áreas do sistema fnanceiro, ou da economia real. udo isto levou a que fossem objeto de análise por parte da comunidade reguladora internacional.
OPÇÕES
Ao efetuar esta análise, é preciso ter em conta que, apesar da semelhança com os riscos bancários, o conjunto de ferramentas à disposição dos supervisores para a sua prevenção e mitigação é mais reduzido. Dada a intensidade das interligações entre os diferentes participantes do sistema fnanceiro, a materialização destes riscos pode ser transmitida ao segmento bancário, o mais protegido e regulado, que reúne os depósitos dos aforradores. estas circunst ncias, existem duas possibilidades que não se excluem necessariamente: isolar estes agentes, limitando as interligações com os bancos e ou mitigar os riscos na sua origem, desenvolvendo ferramentas prudenciais específcas para eles.
A primeira opção pode ser implementada, mas com a devida cautela. As interligações entre os participantes no setor fnanceiro desempenham um
A
papel fundamental na efciência do sistema, pelo menos de duas formas. Por um lado, permitem que cada tipo de risco seja atribuído ao agente mais bem preparado para o enfrentar, melhorando assim a sua gestão. Por outro, facilitam uma maior diversifcação tanto na oferta de fundos como na procura, o que resulta numa melhor alocação dos recursos fnanceiros.
Por isso, a segunda opção, a mitigação dos riscos na sua origem, deve ser considerada prioritária. al implicaria, em primeiro lugar, colmatar todas as lacunas de informação atualmente existentes em segundo, assegurar que os responsáveis destas instituições fnanceiras não bancárias gerem adequadamente os riscos existentes em terceiro lugar, garantir que as autoridades dispõem dos instrumentos adequados para poderem agir tanto sobre uma instituição em concreto como sobre todas elas e, por último, reforçar a supervisão.
Estas são algumas das tarefas em que a comunidade internacional de regulação e supervisão está empenhada. Os frutos deste trabalho, alguns já evidentes, irão materializar-se num futuro próximo.
A recente subida das yields da dívida pública e o aumento dos spreads tornam o investimento em obrigações cada vez mais atrativo para os investidores a longo prazo. Não vemos que oas yields baixem tão rapidamente como o mercado espera. Acreditamos que existem oportunidades reais num mercado instável, adequado para os gestores tirarem partido de maiores perturbações. Embora os mercados de dívida pública sugiram que estamos perto das taxas máximas, os movimentos agitados das yields e a atual incerteza do mercado continuam a expor perspetivas de investimento positivas. Certos mercados de obrigações estão a registar alguns dos seus níveis mais elevados desde a crise financeira mundial. Estão a surgir oportunidades de crédito em subconjuntos de classes de ativos tão diversos como as obrigações corporativas com investment grade, títulos garantidos por ativos, obrigações municipais e a dívida corporativa dos mercados emergentes. A crescente atenção que se presta ao investimento responsável também está a estimular um grande interesse no investimento em obrigações de impacto.
Do ponto de vista das obrigações corporativas, uma abordagem de investimento ativa pode ajudar os investidores a identificar oportunidades positivas que os gestores passivos estariam mais inclinados a ignorar.
IM A OPINIÃO DE RAP T REN PAR T NER
MATERIALIZAÇÃO DOS RISCOS NA INTERMEDIAÇÃO NÃO BANCÁRIA PODERÁ TRANSMITIR-SE À BANCA, QUE AGLUTINA OS DEPÓSITOS DOS AFORRADORES PETER BENTLEY Codiretor de Obrigações da Insight, BNY Mellon
A VOLATILIDADE AUMENTA AS OPORTUNIDADES DAS OBRIGAÇÕES
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TENDÊNCIAS LEARNING
Investir num mundo melhor
Foco nos fatores ambientais, sociais e de governação corporativa (ESG) para melhorar os resultados dos clientes e impulsionar mudanças positivas.
Agimos de acordo com o princípio de que onde investimos hoje vai determinar o mundo no qual viveremos amanhã.
Capital em risco.
The power of investment
Apenas para investidores proissioanais abrdn.com Portugal. Produzido pela abrdn Investment Management Limited, registada na Escócia (SC123321) com sede em 1 George Street, Edimburgo EH2 2LL e autorizada e regulada pela Financial Conduct Authority no Reino Unido. Exceto indicação em contrário, este conteúdo refere-se apenas às visões de mercado, análises e capacidades de investimento da entidade citada à data da publicação. Emitido pela abrdn Investments Ireland Limited. Registadana República da Irlanda (com o n.º 621721) com sede em 2-4 Merrion Row, Dublin D02 WP23. Regulada pelo Banco Central da Irlanda.
ELTIF 2.0
Os ELTIF sofreram alterações, nomeadamente no que diz respeito ao montante mínimo de investimento, na forma como podem investir, e na transparência que demonstram ao investidor. No entanto, continuam a existir dúvidas quanto à sua adequação.
No dia 8 de junho de 2015, entrou em vigor o Regulamento 2015/760 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 29 de abril de 2015 (Regulamento), relativo aos Fundos Europeus de Investimento a Longo Prazo (ELTIF). Os ELTIF visavam promover o financiamento de tipo não bancário, para diversificar o risco macroeconómico europeu e as formas de financiamento da economia real. Todavia, o produto teve dificuldades em ser aceite junto dos investidores e surgiram críticas relativas à sua (alegadamente deficiente) conceção.
Para atenuar estas preocupações, a 15 de março de 2023, foi aprovado o Regulamento 2023/606 do Parlamento Europeu e do Conselho que altera o Regulamento (UE) 2015/760, que visa reformular o regulamento original - ELTIF 2.0.
PRINCIPAIS ALTERAÇÕES
1. Montante mínimo de investimento mais baixo O montante mínimo de investimento de 10.000 euros para os ELTIF foi suprimido, tornando os ELTIF acessíveis a um leque mais vasto de investidores, nomeadamente os não profissionais.
2. Flexibilidade na estratégia de investimento
Anteriormente, os ELTIF eram obrigados a investir um mínimo de 70% dos seus ativos em ativos ilíquidos e não cotados. No entanto, no ELTIF 2.0 este requisito foi reduzido para 55%. Esta alteração traz flexibilidade aos ELTIF para investirem numa gama mais vasta de ativos, incluindo valores mobiliários admitidos à negociação, privilegiando sempre o investimento a longo prazo, uma vez que são obrigados a manter os investimentos durante, pelo menos, cinco anos.
3. Maior transparência e proteção dos investidores
Os ELTIF ficam agora obrigados a dar aos investidores uma compreensão clara da estratégia de investimento e dos riscos, juntamente com procedimentos adequados de gestão da liquidez. Além disso, os gestores dos ELTIF devem aplicar uma política sólida em matéria de conflitos de interesses e divulgar quaisquer conflitos de interesses que surjam aos investidores.
DESAFIOS E CRÍTICAS
1. A adequação aos investidores de retalho
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TENDÊNCIAS LEGAL por Diana Ribeiro Duarte, Pedro Capitão Barbosa e Pedro Charters
Persistem preocupações quanto à adequação dos ELTIF aos pequenos investidores. Embora o ELTIF 2.0 tenha reduzido o montante mínimo de investimento e aumentado a transparência e as medidas de proteção dos investidores, a natureza ilíquida e não cotada de certos ativos dos ELTIF e as restrições ao resgate podem ainda representar riscos para aqueles que necessitam de um acesso rápido ao seu capital. Além disso, os investidores podem não ter os conhecimentos e/ou a experiência necessários para avaliar os riscos associados aos ELTIF.
2. Como proteger os investimentos ilíquidos e não cotados da volatilidade?
A natureza ilíquida e não cotada de muitos dos investimentos elegíveis para ELTIF pode torná-los mais vulneráveis à volatilidade do mercado e às recessões económicas, o que pode afetar significativamente o valor destes investimentos a curto prazo. Isto pode levar a que o produto seja desadequado para pequenos investidores, que não dispõem de recursos para diversificar tão eficazmente como os investidores institucionais.
3. Mas onde estão os ativos?
Mantêm-se preocupações quanto à adequação das opções de investimento dos ELTIF. A nova legislação permite que os ELTIF invistam numa gama mais vasta de ativos, incluindo valores mobiliários admitidos à negociação. No entanto, pode ainda assim não haver oportunidades de investimento suficientes para satisfazer
as necessidades de investimento dos ELTIF, em especial em determinados setores, como em projetos de infraestruturas.
CONCLUSÕES
O ELTIF 2.0 visa dar resposta aos desafios iniciais do Regulamento, incluindo um montante mínimo de investimento mais baixo, flexibilidade na estratégia de investimento, maior transparência e proteção dos investidores.
Num mundo que necessita de financiamento em infraestruturas para fazer face a alguns dos seus enormes desafios ambientais, tecnológicos e sociais, resta saber se este será, na Europa, o ato legislativo que fará pender a balança para que esses investimentos sejam de facto concretizados com mais capital privado.
INVESTIR EM NEGÓCIOS, NÃO EM PREVER A CIÊNCIA
As ações do setor da saúde funcionam frequentemente como analgésicos durante as quedas do mercado. No entanto, o setor oferece mais do que uma atenuação das desvantagens para os investidores que se concentram no potencial do negócio e resistem ao impulso de prever descobertas científicas.
Enquanto o MSCI World Index caiu 18,1% em 2022, as ações do setor da saúde caíram apenas 5,4%. Mas a reputação da saúde como um refúgio defensivo subestima a atratividade do setor. Os grupos farmacêuticos, os fabricantes de dispositivos médicos e os prestadores de cuidados de saúde estão a beneficiar de grandes tendências que podem alimentar os retornos dos investidores que são hábeis a decifrar as forças complexas que moldam o setor.
Há três forças que estimulam a mudança nos cuidados de saúde: inovação, estruturas de preços e políticas. No entanto, estas dinâmicas podem entrar em conflito e complicam as perspetivas de investimento. Será que as pessoas vão pagar mais por um tratamento revolucionário se este não estiver coberto por um sistema de saúde? Os preços atuais são sustentáveis a longo prazo? Questões como estas variam de país para país, com base nas políticas governamentais, na economia nacional e nas preferências culturais ou de despesa.
Apesar destes desafios, acreditamos que existem formas de fazer juízos informados em todo o setor que podem conduzir os investidores a fontes sólidas de rentabilidade e de retorno do investimento.
ELTIF
A UM LEQUE MAIS VASTO DE INVESTIDORES SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 63
O MONTANTE MÍNIMO DE INVESTIMENTO DE 10.000 EUROS PARA OS ELTIF FOI SUPRIMIDO, TORNANDO OS
ACESSÍVEIS
A OPINIÃO DE RAP T REN PAR T NER
MIGUEL LUZÁRRAGA Responsável de Negócio para a Península Ibérica, AllianceBernstein
64 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO
por Óscar R. Graña
ENTREVISTAS GURU
O protagonismo que está a ganhar a inteligência artificial como temática de investimento está a atrair à Península Ibérica os gestores das escassas entidades com um fundo específico sobre este conceito. Um dos que visitou recentemente a região foi Tobias Rommel, que quis explicar pessoalmente aos investidores as entranhas de um produto que procura explorar uma revolução tecnológica cujo rumo ao futuro praticamente ninguém discute.
GESTOR DO DWS INVEST ARTIFICIAL INTELLIGENCE, DWS RAP T REN PAR T NER
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TRACK RECORD E PATRIMÓNIO
Não são muitas as estra tégias com track record ou património suficiente para entrar no radar dos investidores. A de Tobias Rommel conta com cinco anos de historial e um volume de ativos que ronda os 800 milhões de euros.
Se há uma temática que está a ganhar força na indústria de gestão de ativos é a da inteligência artifcial. Este conceito deixou de ser um termo abstrato para estar presente em praticamente todos os âmbitos da sociedade.
Também acontece no mundo dos fundos de investimento, onde algumas gestoras têm vindo a lançar ao longo dos últimos anos estratégias vinculadas a esta ideia.
A DWS fê-lo em 2018 com o DWS Invest Artifcial Intelligence, um fundo de ações globais que – tal como explica à FundsPeople Tobias Rommel, gestor principal da estratégia – foi desenhado com o objetivo de reunir numa mesma carteira aquelas empresas que mais se vão ver benefciadas pela inteligência artifcial, independentemente do setor em que se encontrem.
“Somos uma equipa formada por quatro profssionais, com sede em Frankfurt, a partir de onde analisamos o mercado global de ações e gerimos o produto. A bolsa americana é para nós um importante terreno. Atualmente, dois terços da carteira está investida nos Estados Unidos, mas temos um enfoque muito equilibrado, tanto a nível regional como setorial”, explica.
Isto é, na sua opinião, um aspeto que os diferencia da concorrência. É algo que observa claramente no peso historicamente elevado que têm mantido no mercado de ações chinês. “A China foi uma parte muito relevante da carteira desde o princípio. Existem oportunidades que não devemos descurar. O gigante asiático e os Estados Unidos travam uma corrida frenética pela liderança na inteligência artifcial”, destaca.
OS TRÊS PILARES
A carteira do DWS Invest Artifcial Intelligence foi desenhada sobre três pilares, identifcados pela equipa como os principais impulsionadores do desenvolvimento da inteligência artifcial. O primeiro engloba aquelas empresas encarregadas de compilar e possuir os dados (sensores, câmaras...). O segundo, a potência de cálculo e as fontes de computação, empresas que são chave para que os modelos de inteligência artifcial melhorem (processamentos linguísticos que são treinados com centenas de milhares de milhões de parâmetros, chips que ajudam a treiná-los...).
O terceiro faz referência aos casos de uso, isto é, empresas com produtos que benefciam da implementação da inteligência artifcial. “ á algumas empresas que realmente cobrem as três áreas. Por exemplo, têm muitos dados, dispõem do seu próprio desenvolvimento de semicondutores,
chips... Deste modo, abarcam todo o espetro. Essa é a razão pela qual, normalmente, este tipo de empresas têm um maior peso na carteira”, explica, a equipa seguem uma flosofa muito parecida com a de Warren Buffett, ou seja, investir com um horizonte de investimento a longo prazo. Concretamente, fazem-no a olhar para o prazo dos cinco anos. “A longo prazo, o crescimento dos lucros é o que determina a evolução de uma ação em bolsa. E as empresas nas quais apostamos têm perspetivas de crescimento muito superiores ao resto do mercado. Dito isto, em determinadas ocasiões acontecem mudanças nas empresas que afetam os seus fundamentais e as suas projeções, que nos obrigam a realizar mudanças na carteira”, reconhece.
A CARTEIRA
No entanto, esta apresenta uma rotação baixa. “Se olharmos para as 10 principais posições da carteira hoje e compararmos com há cinco anos, a maioria das empresas continuam a ser as mesmas que estavam na carteira na altura”, revela. Alphabet, Microsoft, Taiwan Semicondutor, Nvidia, Amazon, Synopsys ou Meta são neste momento as suas maiores convicções, nomes aos quais atribuem um maior peso. 45% dos quase 800 milhões de euros de património que tem o fundo estão concentrados nas 10 primeiras posições.
Fazendo uma análise global da composição atual da carteira, observa-se que o fundo apresenta um claro viés para empresas de grande capitalização de estilo growth. “Seguimos um enfoque muito disciplinado, no qual analisamos a sustentabilidade do modelo de negócio em termos de rentabilidade, procurando empresas que sejam rentáveis hoje ou que tenham uma elevada probabilidade de o ser no futuro. Para isso, estudamos o potencial crescimento, tentando avaliar o ritmo a que podem fazer crescer o seu negócio nos próximos cinco anos. Para tudo isto, é fundamental analisar se a valorização da empresa é atrativa ou se está cara. É algo a que prestamos uma grande atenção”, sublinha.
Na hora de reunir-se com os diretores das empresas, Rommel tem muito claro aquilo que quer saber. “Perguntamos sobre a sua estratégia em inteligência artifcial, como a desenvolvem de forma diferente na empresa, sobre as suas vantagens competitivas, quais os concorrentes, o que gostam neles... Para mim, é muito interessante conhecer este tipo de coisas. É o tipo de informação que é difícil encontrar nas apresentações que costumam fazer as empresas. São coisas muito relevantes, que não aparecem nas contas”, conclui.
66 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO ENTREVISTAS GURU
“AS EMPRESAS NAS QUAIS APOSTAMOS TÊM PERSPETIVAS DE CRESCIMENTO MUITO SUPERIORES ÀS DO RESTO DO MERCADO”
SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 67
NOS TEMPOS LIVRES
Com uma vida ligada aos mercados financeiros e com toda a dinâmica que isso representa, Sérgio Silva faz questão de aproveitar os tempos livres para estar com a sua família.
68 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO
ENTREVISTA GESTOR por Diogo Verde
Sérgio Silva
RESPONSÁVEL DE INVESTIMENTOS, GOLDEN - SGF
ALTERNATIVOS POSSUEM UM PAPEL DIVERSIFICADOR MUITO IMPORTANTE”
A Golden - SGF viu dois dos seus fundos de pensões PPR premiados na cerimónia de entrega de prémios organizada pela APFIPP. Falámos com Sérgio Silva para perceber como funciona o motor que faz a máquina funcionar.
Aimportância dos Planos de Poupança para a Reforma é um tema que cada vez levanta menos questões. É neste tom que Sérgio Silva, responsável de Investimentos da Golden - SGF, inicia o que se tornará a explicação detalhada do processo de investimento das soluções que oferecem, premiadas muito recentemente. Destaca, primeiramente, “toda a envolvente fscal associada a estes produtos” e a “import ncia dos mesmos no futuro das famílias”. Apesar das vantagens não serem, claro, exclusivas a produtos da Golden - SGF, Sérgio Silva acredita nos produtos que gere e fca feliz por receber o reconhecimento devido pelo trabalho realizado pela equipa ao longo dos últimos anos.
Detalhamos, assim, o processo de investimento do PPR SG Poupança Ativa e o PP SG Poupança Din mica. Os dois PPR são fundos de pensões multiativos que cobrem as diferentes classes de ativos, desde ações e obrigações, passando por alternativos, e apenas diferem no nível de risco incorrido. Como explicará a seguir, quando mencionamos alternativos, o gestor utiliza “o sentido mais lato do termo”. alamos de “estratégias alternativas clássicas, mas também de instrumentos que investem em imobiliário ou mesmo em venture capital”.
O processo de investimento e a alocação por classes de ativos dos dois PPR estão ancorados no que é a alocação estratégica da Golden Wealth Management (empresa matriz da Golden - SGF). Sérgio Silva partilha que o “posicionamento estratégico é defnido pelo comité de investimentos que idealiza e defne a alocação dos ativos para cada perfl de risco”. O comité faz-se valer de três principais pilares. Existe uma vertente fundamental, onde a equipa “analisa o contexto ma-
croeconómico e as valorizações associadas a cada classe de ativos”. Segue-se a avaliação do sentimento do mercado, um pilar que tenciona identifcar oportunidades de investimento. Por fm, Sérgio Silva destaca o “momentum” e a utilização de “uma análise, por vezes mais técnica, que pretende reforçar as decisões de investimento e avaliar os tempos de entrada e os pesos das novas posições”.
A materialização deste processo de decisão é conduzido essencialmente via gestores, através de fundos de investimento. A equipa da Golden WM procura assim “gestores que sirvam de ncora para a carteira” cada vez que se decide alocar a um segmento de mercado. Como revelado por Sérgio Silva, os principais critérios de decisão prendem-se com “a consistência do gestor, os bons resultados e a lealdade para com os seus princípios de investimento, independentemente dos momentos de mercado”. O responsável da entidade gestora revela ainda que há situações em que preferem utilizar ETF. “ á temas específcos que não se veem refetidos em fundos específcos, situações em que as opções não abundam ou que simplesmente procuramos uma alocação mais tática. Os ETF oferecem assim fexibilidade e a capacidade de obtermos exposição a estes segmentos”, explica Sérgio Silva.
O BUCKET DOS ALTERNATIVOS
As atenções voltam-se agora para o tal “sentido lato do termo alternativos”. A classe dos alternativos, a par do asset allocation, teve um papel signifcativo na rentabilidade dos fundos no desafante ano de 2022. Sérgio Silva aponta o “papel diversifcador” desta classe em carteira, e revela que se trata de estratégias pouco correlacionadas com o mercado que visam “reduzir a volatilidade e acrescentar alfa à carteira”. O gestor adianta ainda que algumas destas posições acabaram o ano transato positivas, ao contrário da generalidade dos principais índices fnanceiros. Um exemplo, dado por Sérgio Silva, são os metais preciosos. Esta subclasse “tem um papel relevante nas nossas carteiras”.
Para além de estratégias macro, long/short, entre outras, a equipa faz-se valer de estratégias menos líquidas. “Pela própria confguração do PP - o fato de ser um fundo e ter um horizonte temporal muito longo - seria totalmente descabido não contemplar os ativos com menor liquidez”, explica Sérgio Silva. Recorde-se que estes instrumentos tendem a compensar a menor liquidez com pouca volatilidade e retornos interessantes.
Os prémios recebidos não são exclusivamente relativos a 2022. O esforço da equipa de gestão foi avaliado nos últimos três anos, mas o horizonte de investimento e a defnição do asset allocation da carteira são imensamente maiores do que esse período. É com esse mote que Sérgio Silva conclui: “O posicionamento da carteira atual foi sendo construído ao longo dos últimos anos. Há posições que no início não tiveram o resultado esperado, mas mantivemos as convicções e no ano de 2022 essas posições deram frutos. Olhamos para o longo prazo, enquanto nos mantemos atentos aos desenvolvimentos dos mercados”.
“OS
SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 69
por Regina R. Webb
Na opinião de Oliver Collin, estamos a viver um período de grande transformação. Um ponto na história onde as regras do jogo da política monetária e fiscal foram viradas do avesso. Na Europa, as alterações climáticas e a independência energética serão as duas grandes prioridades da próxima década. Tudo isto significa que o investidor terá de repensar a sua alocação setorial. Os negócios vencedores de outrora não serão os mesmos e os que, até agora, sofreram com os ventos contrários têm potencial para entrar no novo superciclo de crescimento.
CORRESPONSÁVEL DE AÇÕES EUROPEIAS, INVESCO
RAP T REN PAR T NER
70 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO ENTREVISTAS GURU
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Se há uma coisa que o mercado tem difculdade em digerir é a mudança. “Presume-se que as grandes empresas, aquelas que toda a gente quer ter em carteira, são as que vão dominar o crescimento durante mais tempo do que aquele que acabam por o fazer”, explica Oliver Collin, corresponsável de ações europeias da Invesco. E o mesmo acontece com as mudanças positivas: “O mercado demora algum tempo a aperceber-se que uma empresa anteriormente em apuros está a recuperar”. O gestor de fundos como o Invesco Euro Equity und e o Invesco Sustainable Eurozone Equity und fala-nos de mudança porque sente, precisamente, que o mundo está num ponto de profunda transformação estrutural sente que estamos naqueles momentos da história que marcam o fm e o início de um novo regime.
A grande diferença em relação ao cenário pós-crise de 2008 é o apoio fscal. A pandemia levou os políticos a proteger economicamente a população. “ uando se abre essa caixa de Pandora, a do apoio fscal à população, é incrivel-
mente difícil voltar. E voltámos a ver isso com a resposta política à crise energética”, defende o especialista. Além disso, contrasta com a direção da política monetária.
E, para os investidores, isto tem profundas implicações. “Signifca que veremos uma maior volatilidade e mais ciclicidade”, prevê o gestor. E serão dois os grandes conceitos que irão marcar a agenda: as alterações climáticas e a independência energética, no caso da Europa. “Para conseguir essa independência e essa sustentabilidade do ponto de vista ambiental, é preciso investir, porque é preciso reajustar a economia a fontes de energia mais sustentáveis”, afrma Oliver Collin.
Se este cenário de reorientação de recursos previsto pelo gestor se concretizar, as empresas expostas a este novo ciclo de investimento estarão à beira de um superciclo de crescimento de lucros plurianual. “Isto signifca que o que antes eram negócios cíclicos são agora de crescimento secular”, argumenta o gestor. E o que é mais importante é que, atualmente, pelo mero facto de estarem em setores cíclicos, a sua cotação fcou para trás.
72 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO ENTREVISTAS GURU
INVESTIR DURANTE UMA MUDANÇA DE MERCADO
Olhando para trás, é fácil ver uma transformação estrutural, mas, quando ainda nos encontramos envolvidos no processo, o ruído de curto prazo pode toldar a nossa visão. “Algo semelhante aconteceu durante o boom da internet no final dos anos 90. As pessoas tinham razão quanto à revolução que a invenção da rede trouxe, mas muitos falharam na sua estratégia de investimento. Compraram as empresas de telecomunicações porque eram donas da infraestrutura, quando a aposta vencedora teria sido uma pequena livraria online que acabaria por se tornar na Amazon que todos conhecemos hoje”, recorda Oliver Collin.
“ALGO ESTAR BARATO NUNCA É SUFICIENTE PARA CONSTITUIR UMA TESE DE INVESTIMENTO NOSSA”
Por isso, o gestor mantém com convicção o seu investimento em negócios mais intensivos em capital, de indústrias não tradicionalmente categorizadas como defensivas, apesar do difícil panorama macroeconómico. “Porque a pista de descolagem dos futuros lucros destas empresas é muito emocionante”, defende. “ êm um risco cíclico a curto prazo, mas também são uma oportunidade incrível a médio e longo prazo”, insiste.
ambém há uma implicação macroeconómica no cenário desenhado por Oliver Collin. “ uando se pensa nos trabalhadores que estão por detrás desta reorientação da economia, no que vai montar o carregador elétrico do seu veículo novo, no que irá instalar as novas linhas de transmissão para melhorar a rede são operários, trabalhadores manuais. Precisamente o perfl profssional onde há mais escassez”, afrma o especialista.
SUPER CICLO DE CRESCIMENTO
E a escassez, como nos recordou a pandemia, traz pressão sobre os custos. “Isto signifca que sim, que a infação pode recuar e abrandar a partir do topo, mas é difícil ver como, a médio prazo, pode voltar a fcar abaixo dos 2%”, argumenta. Isso signifca que a política monetária também terá de manter-se restritiva. Por outras palavras, os estímulos monetários deixarão de estar presentes para apoiar os mercados. “E se os ventos favoráveis se desvanecem, o mesmo acontece com o apoio aos vencedores do regime passado”, explica.
De facto, essa é precisamente a zona do mercado que mais o preocupa. “Sim, as empresas cíclicas têm o seu risco, mas é um dos que estou disposto a assumir pelas razões expostas anteriormente”, insiste. Em contrapartida, vê outras partes do mercado, como as empresas de luxo, que não fazem parte dessa viagem. “A L M não vai resolver o problema da falta de energia da Europa. um grande ne-
gócio, mas a sua valorização pressupõe que não há nenhuma alternativa e nós acreditamos que há”, afrma.
Começámos o artigo a falar de mudança. De como o mercado tem difculdade em valorizá-la. E que é precisamente a explorar este diferencial que a equipa do Invesco Euro Equity und e do Invesco Sustainable Eurozone Equity gera o seu alpha. “Acreditamos na capacidade e vontade de uma empresa para mudar, para tomar as decisões necessárias para melhorar o seu retorno”, afrma Oliver Collin. O seu estilo é ter na carteira empresas que passam de ser um negócio sob pressão para um de elevado crescimento. “O facto de algo estar barato nunca é a nossa tese de investimento, mas compramos empresas quando o preço da sua ação não refete a mudança positiva que está a passar. Apostamos numa ação porque está barata tendo em conta aquilo em que se vai tornar”, explica.
Atualmente, umas das prioridades da equipa gestora é encontrar os vencedores deste novo cenário. E Oliver Collin acredita que a Europa tem um importante papel a desempenhar nesta mudança de regime. “Um dos pontos fortes da Europa são os seus intervenientes no setor da saúde. Os ovo ordisk, os Sanofi, os oche E pensemos agora no potencial da inteligência artificial”, afirma o gestor. A IA estabelece uma sequência baseada numa série de correlações. O mesmo pode ser aplicado à I D na indústria da saúde. Pegar em enormes quantidades de dados e estabelecer uma correlação algo que não podemos fazer como humanos. “Pode parecer contraintuitivo que, se quisesse expor-me ao tema da IA, seria melhor comprar semicondutores, mas para a indústria europeia da saúde pode representar uma melhoria da produtividade de 2% a 4%. O perfil de rentabilidade e o crescimento dos lucros que se obteria a múltiplos de apenas dois dígitos com dividendos decentes parecem bastante convincentes”, afirma.
SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 73
INDEPENDÊNCIA
Embora do grupo do EFG faça parte uma gestora de fundos de investimento, a entidade define-se como independente na consultoria que presta aos clientes. 80% dos fundos que oferecem são de entidades terceiras.
Bernardo Meyrelles
RESPONSÁVEL PELA SUCURSAL PORTUGUESA, EFG
“PODEMOS
CHEGAR AOS MIL MILHÕES DE EUROS EM ATIVOS JÁ ESTE ANO”
Desde 2019 no mercado nacional, o EFG passou já pelos dois eventos de mercado mais desafiantes dos últimos tempos. No entanto, isso não foi impeditivo de uma consolidação de negócio em que as expetativas continuam a aumentar.
Amarcar quatro anos de atividade no nosso país, o banco suíço EFG acabou inevitavelmente por experienciar dois complicados anos de mercado. O CO ID-19, a infação e a guerra na Ucrânia determinaram esse período, mas, ainda assim, Bernardo Meyrelles, responsável pela operação do banco em Portugal, está satisfeito com os resultados. Fixam como objetivo atingir os 900 milhões de euros em ativos este ano, mas, se tudo “correr de feição” - como o próprio diz - podem almejar ir mais longe. “Esperando alguma contribuição do mercado em termos de valorização dos ativos, creio que podemos chegar perto dos 1.000 milhões de euros este ano”, atesta. Um número que, dado o contexto dos últimos quatro anos, classifca como “bastante positivo”.
A clientela que servem também tem acompanhado o próprio contexto de mercado. Sensivelmente, metade dos clientes são o que apelida de “clientes tradicionais domésticos”, enquanto a restante fatia pertence ao grupo dos clientes internacionais. Aqui inserem-se, segundo Bernardo Meyrelles, “os portugueses que residem fora de Portugal, ou todos os outros cidadãos que têm procurado Portugal para residir”. Uma das proveniências mais marcantes neste último grupo é o Brasil, mas “franceses, escandinavos e asiáticos” também marcam a diversidade de proveniências. Para o responsável, o facto de o banco ser uma entidade de “cariz global”, que “presta um serviço de ealth manage-
ment, que vai para além do tradicional private banking”, faz com que esta tipologia de clientes aprecie o seu serviço. Mas este não é o único elemento diferenciador que oferecem. Cada gestor de cliente do banco desempenha um papel fundamental, uma vez que têm uma postura de gestão da carteira e dos clientes com um cariz mais empreendedor. “Somos um banco que quer ser uma plataforma para o próprio gestor”, diz o responsável. Atualmente, a entidade conta com nove gestores de clientes em Portugal - dois no Porto e sete em Lisboa. Por outro lado, o foco global da entidade faz com que não existam “restrições de mercado”. Aos clientes é oferecido mais do que um booking center, diz, acrescentando que os gestores de cliente podem “aceder a mais do que um mercado”.
SEM CONSTRANGIMENTOS
ambém a oferta de produto aparece como um ponto onde se querem diferenciar. ão querem ser conhecidos como vendedores de soluções ou produtos e, nesse sentido, o líder da entidade afança que não há qualquer “product push”. O posicionamento é claro: “ ueremos ser cada vez mais um banco do buy side e não do sell side”, sublinha. Embora do mesmo grupo faça parte uma gestora de ativos - a e Capital -, isso não os constrange, e só cerca de 20% dos produtos colocados no cliente têm essa marca. Por fm, o especialista acrescenta que “a oferta que o banco proporciona aos seus clientes é a mesma em todas as regiões, e é gerida centralmente”.
A equipa de research de fundos do banco é precisamente a responsável pelo processo de análise e seleção de produtos que entram nas carteiras dos clientes. O profssional fala de um processo “bem estruturado e com várias camadas, de forma a serem encontrados os fundos best in class”. um processo em que a análise qualitativa anda de mão dada com a quantitativa, também “as din micas da organização que disponibiliza o fundo são analisadas”. Paralelamente, cada produto passa pelo crivo de um rating proprietário ESG.
Este posicionamento em termos de produto pode dizer-se que se refete no posicionamento que assumem no aconselhamento prestado. São independentes à luz de MiID II, pois não gostam de “ser recompensados por via da margem de produtos”, mas sim “via o aconselhamento” que prestam. esse aconselhamento e nas din micas que mantêm com o cliente, auscultam atualmente uma procura maior por “fundos do mercado monetário, ofertas de rendimento fxo com grau de investimento, bem como produtos que proporcionam exposição à Inteligência Artifcial no espaço acionista”, conclui o responsável.
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ENTREVISTA DISTRIBUIDOR por Margarida Pinto
SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 75
por Diana Pereira
Não segue tendências e explora oportunidades de investimento onde outros, tendencialmente, não as consideram. Procura potencial em empresas excluídas do mercado por serem consideradas relativamente atrasadas em termos climáticos. Para a gestora, estas também podem ter uma palavra a dizer na transição energética. Alexandra Christiansen, gestora do Global Climate Engagement Fund, diz acreditar apaixonadamente nesta estratégia e revela um pouco mais sobre a filosofia de investimento do fundo e os desafios que as carteiras que investem em sustentabilidade enfrentam.
GESTORA
MANAGEMENT RAP T REN PAR T NER
DE CARTEIRAS, NORDEA ASSET
76 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO ENTREVISTAS GURU
SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 77
Ao contrário do que é comum, a gestão do Global Climate Engagement Fund, que é um fundo orientado para a sustentabilidade, não envolve o investimento nos chamados líderes climáticos ou em empresas com soluções já bem conhecidas na área. A estratégia deste fundo é, na verdade, “procurar potencial entre as empresas consideradas relativamente atrasadas em termos climáticos”. Alexandra Christiansen, gestora de carteiras da Nordea Asset Management, diz que há oportunidades em algumas delas, nomeadamente, aquelas que foram, por exemplo, “descartadas pelo mercado em geral, simplesmente, porque são culpadas por associação”, mas que podem ter relevância futura em matéria de sustentabilidade.
Segundo a gestora da Nordea AM, nos últimos anos tem havido uma fuga de capitais de setores considerados de maior risco ambiental e é precisamente nestes setores que a equipa explora potenciais oportunidades.
De acordo com Alexandra Christiansen, há muitas empresas que estão, aparentemente, na cauda da transição ecológica, mas que podem vir a dar um contributo favorável para a mesma. “O objetivo fnal desta estratégia é encontrar empresas com um papel contínuo numa economia de baixo carbono, que tenham iniciado o seu percurso de transição, mas que precisem de melhorar e demonstrar que continuarão a ser relevantes no mundo em mudança”, diz. Para isso, a profssional e a sua equipa buscam colaborar com as empresas em que veem potencial. Iniciam o processo realizando as devidas diligências para assegurar a viabilidade do investimento, a disponibilidade dos representantes das empresas, bem como a partilha da mesma visão na direção a seguir. Procuram trabalhar com as equipas de gestão de cada uma dessas empresas para as ajudar, nomeadamente, na redução dos riscos de transição. “Isto inclui a melhoria do desempenho ambiental das operações e o alinhamento dos modelos de negócio com uma economia de baixo carbono. Ao fazê-lo, não só eliminaremos o peso negativo sobre estas empresas, como também reduziremos as emissões de carbono e a poluição ambiental no mundo real, uma vez que nos dirigimos frequentemente aos setores com maior impacto ambiental”, explica. Com isto espera, portanto, estar a contribuir para melhorar a avaliação dessas empresas, de forma a torná-las mais relevantes do ponto de
UMA QUESTÃO DE COMPROMISSO
Em abril de 2022, a Nordea AM lançou o Global Climate Engagement Fund visando obter um crescimento de capital a longo prazo por meio de uma carteira diversificada de ações e desenhada para reduzir as emissões reais de CO2. Este fundo de gestão ativa concentra-se nas empresas que demonstrem vontade de mudança, para que os seus modelos de negócio se alinhem com os objetivos do Acordo de Paris e possam oferecer, simultaneamente, perspetivas de crescimento aos seus investidores.
vista da sustentabilidade e economia verde. Acredita que há valor a ser desbloqueado em empresas “onde os riscos e custos associados à transição para uma economia verde são exagerados ou mal compreendidos”, refere. Seguindo esta lógica, esta estratégia acaba por benefciar as duas partes. Não só a empresa se valoriza na área da sustentabilidade, como a Nordea AM acaba por tirar partido dos benefícios que essa valorização pode trazer.
Sobre os atuais desafos que o investimento sustentável apresenta, a gestora da Nordea AM reconhece a complexidade dos mesmos, mas persevera no caminho a seguir. Refere mesmo o historial de gestão de estratégias centradas no clima, que caracterizam e fazem parte do ADN da Nordea Asset Management. Alexandra Christiansen diz estar perfeitamente consciente da exigência que representa o cumprimento das metas do Acordo de Paris, mas, ao mesmo tempo, sabe que a economia evolui nesse sentido e, como tal, as empresas devem adaptar-se em conformidade. Ainda assim, é importante salientar que o objetivo da análise não são somente as emissões de gases com efeito de estufa. Apesar de ser o ponto central da estratégia, o objetivo é, também, evidenciar outras áreas signifcativamente relevantes para o combate às alterações climáticas. “Com base no mapa de materialidade do Sustainability Accounting Standards Board (SASB), para garantir que refetimos a interdependência do clima e dos ecossistemas, estabelecemos cinco temas de envolvimento em que nos devemos concentrar: emissões atmosféricas e de GEE, gestão da energia, poluição ambiental, gestão dos recursos naturais e modelos de negócio sustentáveis”.
A CONSISTÊNCIA É UMA VIRTUDE
Gerir uma carteira que aposta em sustentabilidade, sobretudo em tempos de maior volatilidade e incerteza, pode tornar-se uma tarefa complexa, com muitos obstáculos e Alexandra tem consciência disso. Mas como em tudo na vida, na gestão de carteiras, a consistência é uma virtude e é nessa perspetiva que a gestora se revê. “Continuamos a acreditar que é necessária uma estratégia focada para conseguirmos envolver efetivamente todas as nossas participações”. A profssional da ordea Asset Management manifesta ainda que o compromisso está no centro da estratégia e que concentra os investimentos em empresas que
78 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO ENTREVISTAS
GURU
“QUEREMOS APOSTAR
NAS OPORTUNIDADES
NEGLIGENCIADAS PELO
MERCADO E COLABORAR COM
mos a promover”. Nesse sentido, a gestora da Nordea AM mantém um olhar bastante atento naquilo que é o comportamento das companhias onde o fundo investe e não deixa de as responsabilizar mesmo em situações excecionais. Alexandra relata as consequências que as prioridades da segurança energética sobre a descarbonização tiveram no último ano em muitas indústrias e regiões. “Registamos um aumento das emissões de CO2 em algumas das nossas explorações que mais emitem. Compreendemos as circunstâncias excecionais que levaram a esta situação e continuamos a responsabilizar estas empresas por uma trajetória de descarbonização mais acentuada a médio prazo”.
“têm a possibilidade e a vontade de melhorar”. De salientar que este fundo investe, preferencialmente, em companhias do setor industrial e que desde o seu lançamento, a sua carteira não sofreu muitas alterações, apenas “um punhado de novas ideias”.
Alexandra Christiansen defende que, para construir um historial credível, “temos de dar às empresas um período razoável para concretizarem as mudanças que esta-
A gestora termina reiterando que acredita “apaixonadamente” nesta estratégia. “Não se trata apenas de investir nos players verdes”, reforça. E quando questionada sobre a infuência da sua visão pessoal na tomada de decisão sobre potenciais nomes para a carteira, a profssional remete para o trabalho conjunto que é feito pela equipa de analistas em que se integra. “As ideias de investimento para esta estratégia são testadas e desafadas pela nossa equipa de analistas experientes e investidores responsáveis, pelo que não há muito espaço para visões individuais”, conclui.
SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 79
AS EQUIPAS DE GESTÃO PARA EMPURRAR AS EMPRESAS NA DIREÇÃO CERTA”
por Miguel Rêgo
Marco Bizzozero
RESPONSÁVEL DE NEGÓCIO INTERNACIONAL, ICAPITAL
MISSÃO: DEMOCRATIZAR O ACESSO A ATIVOS PRIVADOS NO SEGMENTO WEALTH
Diversas entidades e instituições financeiras têm optado por estabelecer unidades de negócio ou suporte ao negócio em Portugal. Uma das razões primordiais por trás desta decisão é o acesso a uma talentosa pool de profissionais. A iCapital, uma plataforma fintech global orientada para melhorar o acesso ao setor de fundos alternativos pela indústria de wealth management, ilustra essa tendência.
Portugal é de extrema importância para nós. Apesar de termos seis escritórios fora dos Estados Unidos, Portugal é o mais estratégico em termos de talento tecnológico”, afrma Marco Bizzozero, responsável de Negócio Internacional na iCapital. A unidade nacional desta empresa, focada no segmento dos fundos de ativos privados, já conta com 200 colaboradores e continua em expansão. “A maioria deles são profssionais de tecnologia, mas a nossa equipa também inclui pessoas em funções operacionais, fnanceiras e ligadas às operações de fundos, bem como relações com investidores”, explica.
Sobre a essência desta entidade norte-americana, Marco Bizzozero ressalta que “o propósito e a missão permanecem inalterados desde a fundação, há 10 anos: facilitar o acesso de investidores particulares aos mercados privados e alternativos”. Isto engloba desde os tradicionais fundos imobiliários, até fundos de private equity ou private debt, entre outros. “Muitas pessoas falam sobre a democratização destas classes de ativos, e é precisamente isso que
procuramos fazer. Historicamente, estes segmentos eram tipicamente reservados para investidores institucionais, mas queremos torná-los mais acessíveis ao segmento de wealth management com as nossas soluções tecnológicas”, esclarece. Esta abordagem é direcionada para o ambiente business to business (B2B), em que os clientes da iCapital são, na prática, as gestoras de ativos privados, de um lado, e as bancas privadas e gestoras de patrimónios, do outro, sem interação direta com o investidor fnal.
FACILITAR UM PROCESSO ONEROSO
Como reforça Marco Bizzozero, “historicamente, têm existido muitas barreiras para que investidores individuais possam aceder a estes segmentos de mercados privados. Os montantes mínimos de investimento costumam ser elevados, o processo de investimento e o serviço ao cliente são muito complexos e manuais, o mercado carece de transparência e é de difícil acesso, tornando a identifcação da entidade gestora adequada uma tarefa árdua. É um processo oneroso. Todas estas barreiras são eliminadas através das nossas soluções tecnológicas”, enfatiza.
As soluções da iCapital têm como base, segundo Marco Bizzozero, um componente educativo destinado a assessores e gestores que as utilizam. Explica que na iCapital procuram educar estes profssionais sobre a import ncia de diversifcar os portfólios por meio destes ativos alternativos e também sobre como a operação se desenrola na prática, desde a due diligence até à subscrição. “Digitalizamos todo o processo para facilitar o trabalho dos profssionais no seu atendimento aos clientes. Todo o processo tornou-se mais automatizado. Dispomos de um dashboard de investimento que fornece de maneira transparente todas as informações relevantes”, acrescenta. Além disso, as soluções também permitem reduzir os montantes mínimos de investimento por meio da criação de fundos feeder que aproveitam a tecnologia da iCapital.
inalmente, no que diz respeito à penetração destes ativos entre os investidores de patrimónios em Portugal, Marco Bizzozero não percebe uma diferença substancial em relação a outras geografas europeias. “ odos os gestores de patrimónios estão, mais ou menos, numa fase inicial de construção de portefólios de ativos privados”, explica. “O que se destaca, no entanto, é a grande necessidade de educação sobre o tema, que é um componente crucial da nossa proposta de valor”, conclui.
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ENTREVISTA
MINUTOS
5
A IMPORTÂNCIA DE EDUCAR
Segundo Marco Bizzozero, um pilar importante do negócio da iCapital passa por educar sobre a importância de diversificar os portefólios por meio de ativos alternativos, bem como sobre como a operação se desenrola na prática, desde a due diligence até à subscrição.
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ENTREVISTAS GURU 82 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO
Pinto
por Margarida
Aos 20 anos, Thorsten Winkelmann aprendeu a primeira regra do investimento em ações. Certificarse que os seus clientes sabem que investir em equity não é uma aposta ou um jogo, mas sim um investimento de longo prazo. Segunda regra de ouro: quando se quer escolher uma (boa) empresa para entrar num portefólio, não são as grandes forças macroeconómicas que interessam. Agora verte estes e outros ensinamentos no fundo Allianz Europe Equity Growth, que, com um track record que cumpre duas décadas em 2023, continua a querer ganhar a taça das taças: a da confiança do investidor.
RAP T REN PAR T NER
GESTOR DE CARTEIRAS SÉNIOR, ALLIANZ GLOBAL INVESTORS
SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 83
Na sede da Allianz Global Investors, em Frankfurt, Thorsten Winkelmann sentou-se com a FundsPeople para falar de um fundo que comemora 20 anos de vida. O curioso é que a conversa com este experiente profssional começou com uma rápida lembrança de si próprio quando tinha precisamente 20 anos. “Aprendi a investir em ações com uma senhora muito simpática, que nessa altura me disse: “ horsten, seja quem for que aconselhes no campo das ações, certifca-te sempre que essa pessoa está ciente de que investir em ações não se trata de um mero jogo, ok?””. Foi a regra número um da carreira do atual gestor do fundo Allianz Europe Equity Gro th. A segunda aprendeu na faculdade. Aprendeu todos os conceitos de economia, aprendeu sobre infação e sobre como esta se relaciona com outros fatores mas o grande ensinamento foi outro. “Apercebemo-nos que todo o conhecimento sobre como as diferentes forças económicas trabalham juntas, não irá ajudar a identifcar qual a companhia certa para investir”, confessou.
Duas regras de ouro que conservou até hoje. Na verdade, aplica-as no fundo Allianz Europe Equity Gro th, que consta da lista de fundos com Rating FundsPeople 2023: investimento de longo prazo e o crescimento dos lucros. Apesar do profssional estar ciente de que existem muitos fatores desconhecidos que podem colocar em causa o ambiente em que as empresas se inserem, isso não é para ele importante. Por isso, fazer a escolha das ações é sempre um processo bottom-up. “Tentamos encontrar os nossos próprios critérios para que a seleção de uma empresa seja cumprida e, depois, deparamo-nos com uma decisão binária: comprar ou não comprar”, explica. O segundo princípio que segue resulta deste primeiro. Não fazem alocação ativa em termos de países ou setores, nem têm em conta o benchmark. “Somos agnósticos relativamente a todas estas caraterísticas”, enfatiza. Em terceiro lugar, o produto está sempre totalmente investido. “Não nos encontrarão a tomar decisões de alocação como, por exemplo, aumentar a nossa posição a liquidez. O nosso trabalho é investir em ações”, sublinha. O quarto princípio de investimento é o não uso de derivados, e a justifcação é a mesma. Por fm, o quinto princípio tem que ver com a regra número um, aprendida por Thorsten aos 20 anos. “Somos investidores de longo prazo”, revela, ilustrando-o com um turnover que não vai além dos 15%. Desses 15%, explica, apenas metade corresponde a novos nomes em carteira, já que a restante parcela diz respeito ao ajustamento de posições. “Se pensarmos sobre isto, percebemos então que 7,5% do turnover
da carteira equivale a um período médio de detenção de uma posição de cerca de 11,4 anos”, ilustra.
Importante na perspetiva do gestor é, efetivamente, perceber como é que determinada empresa faz o seu negócio. “Trata-se de ganhar um conhecimento completo sobre o que uma única empresa faz, e sobre o que lhe permite resistir a diferentes forças externas que possam vir amanhã, no próximo ano ou em sete anos”, refere. Desse modo, e fazendo jus ao nome do fundo, a equipa procura empresas que estão a fazer crescer os seus lucros e cash-fo s de forma independente. “A fórmula de que estamos sempre à procura passa pelas nossas empresas poderem demonstrar lucros acima da média, medidos ao nível do retorno dos capitais próprios ou do retorno sobre o capital investido”, exemplifca.
Metaforicamente, trata-se de assegurar que as empresas que escolhem “estão no lugar do condutor no que toca ao seu lucro e às suas perspetivas de crescimento”. Muitas vezes, adiciona, essas são empresas que oferecem produtos e serviços que são necessários independentemente do ciclo económico em que se vive. E exemplifca: “Existe uma empresa dinamarquesa chamada Coloplast, na qual investimos há muito tempo, que providencia cateteres e sacos de colostomia. São líderes de mercado e estão presentes em todas as clínicas de especialidade. Quando uma pessoa precisar de um destes produtos, provavelmente usará um produto desta empresa”, conta. Para Thorsten, a empresa preenche todos os requisitos: tem subjacente um driver de crescimento estrutural - as pessoas fcam mais velhas ao longo do tempo e, com isso, precisam destes cuidados - e, além disso, a população está cada vez mais envelhecida. “Pode seguramente esperar-se desta empresa um crescimento que é equivalente ao funcionamento de um relógio suíço, quer a economia cresça ou abrande 2%”, enfatiza.
POR VEZES O SETOR INTERESSA
Fica subjacente a ideia de que, para a gestão do fundo, qualquer tendência setorial que possa existir é, simplesmente, uma consequência do stock picking que efetuam. É verdade. Contudo, e analisando mais friamente a fotografa da carteira, o gestor admite determinados vieses setoriais. No universo sobre o qual se debruçam, a Europa, existem “alguns setores que são provavelmente um pouco mais homogéneos, e outros que são um pouco mais heterogéneos”, e isso acaba por ter consequências na carteira. Olhemos para o setor das telecomunicações e os seus grandes players. “Estas grandes
84 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO ENTREVISTAS GURU
MAIS ATIVOS
No final de 2022, a equipa gestora tornou-se mais ativa no portefólio, e durante 2023 iniciaram mesmo posições nalguns novos nomes. Destaque para a Rentokil, uma empresa britânica líder em controlo de pragas e para a qual “já olhavam há muito tempo”. Outro exemplo é a MedTech, líder de mercado em implantes ou a empresa inglesa Halma. “Têm cerca de 48 divisões, mas a gestão da Halma é o que é diferenciador. Veem-se a eles próprios como uma gestora de ativos, pois olham para os nichos que existem no setor de segurança e compram outras empresas que são, ou podem vir a ser, líderes de mercado”.
empresas são obrigadas a investir massivamente nos seus negócios, todos os anos, para estarem em linha com a tecnologia mais recente. Portanto, são negócios muito intensos em termos de CAPE . Por outro lado, em cada mercado onde operam, enfrentam um regulador que lhes diz o valor que estão autorizados a cobrar”, descreve. “É o tipo de situação que eu evito: uma empresa em que é requerido que haja um enorme investimento, mas que depois não é livre de decidir que preço pode cobrar”, atira. O resultado para o gestor é óbvio. “Se tivéssemos de investir numa empresa de telecomunicações, tendo em conta o cenário descrito, a decisão não teria que ver com a empresa em específco, mas sim com o setor onde está inserida”, alerta.
Posto isto, há setores que têm sido riscados da carteira. “Não investimos em nenhum banco desde 2009, não investimos em nenhuma utility desde 2010, não investimos em telecomunicações desde 2010, não investimos em empresas de petróleo desde 2013 e não investimos em empresas de mineração desde 2010”, diz com veemência. Este tipo de decisões causa alguma volatilidade à carteira? - podem muitos perguntar-se. Para Thorsten Winkelmann, o foco que têm em empresas de elevada qualidade, cujos lucros e cash-fo s não têm muita variação, é algo que acaba por se refetir, tipicamente, no perfl de risco do fundo. Claro que 2022 não foi um ano fácil também para este fundo. Se podiam ter tirado partido das empresas de exploração de petróleo em março de 2022? Podiam. Mas para o gestor uma coisa é certa. Seria uma decisão eventualmente melhor para o portefólio, mas que prejudicaria, seguramente, o nível de confança que têm por parte dos clientes. “Se investisse numa petrolífera, com um caso de investimento bem fundamentado, estaria a cumprir com os meus critérios de investimento mas estaria a enganar os meus clientes”, concluiu.
“SE
INVESTISSE NUMA PETROLÍFERA, COM UM
CASO DE INVESTIMENTO
BEM
FUNDAMENTADO, ESTARIA A CUMPRIR COM OS MEUS CRITÉRIOS DE INVESTIMENTO, MAS ESTARIA A ENGANAR OS MEUS CLIENTES”
SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 85
por Regina R. Webb
ÁSIAPACÍFICO PARA ALÉM DA CHINA
Os gestores destes seis fundos com Rating FundsPeople 2023 estão a reforçar em negócios de qualidade, líderes dos seus setores, para resistir a um ambiente macro complicado na região.
Com a reabertura da China após o fm das políticas de zero COVID em novembro de 2022, a região da Ásia-Pacífco começou o ano como uma das grandes apostas dos investidores que queriam capturar o boom económico da zona, tal como aconteceu na Europa e nos EUA após a pandemia. o entanto, esse relançamento ainda não aconteceu e, entretanto, o panorama económico do resto do mundo tornou-se mais complicado. Analisando o posicionamento destes seis fundos de investimento com Rating FundsPeople 2023 verifca-se que existe consenso quanto ao
0,29 19,15 1 6,84 1 0,389,552,07 19,292,06 12 ,120,27 4 ,31 32,26 1 8,71 2 0,58 -1 6,57 123456 123456123456 Fonte: Morningstar Direct. Dados em euros a 31 de agosto de 2023. Dados de património em milhões de euros. 2019 2020 2021 2022 2023 2019 2020 2021 2022 2023 2019 2020 2021 2022 2023 GESTORA: LANÇAMENTO: DIVISA DA CLASSE: PATRIMÓNIO: ISIN: GESTORA: LANÇAMENTO: DIVISA DA CLASSE: PATRIMÓNIO: ISIN: GESTORA: LANÇAMENTO: DIVISA DA CLASSE: PATRIMÓNIO: ISIN: EURIZON FIDELITY INTERNAT. JUPITER 22/1/08 18/2/08 8/10/15 EURO EURO USD 437,77 2.079,20 60,62 LU0335978606 LU0345362361 IE00B42HN743 -4,93 -1,47 -5,83 6,85 3,62 6,90 8,94 4,33 4,28 RENTABILIDADE 1 ANO: RENTABILIDADE 3 ANOS: RENTABILIDADE 5 ANOS: RENTABILIDADE 1 ANO: RENTABILIDADE 3 ANOS: RENTABILIDADE 5 ANOS: RENTABILIDADE 1 ANO: RENTABILIDADE 3 ANOS: RENTABILIDADE 5 ANOS: EURIZON FUND EQUITY PACIFIC EX-JAPAN LTE FIDELITY FUNDS ASIA PACIFIC OPPORTUNITIES FUND JUPITER ASIA PACIFIC INCOME 86 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO
PRODUTOS COMPARATIVA
de sharpe calcula-se com base nas métricas de rentabilidade e desvio de padrão da Morningstar e considera-se como ativo sem risco a Euribor a 12 meses do primeiro dia do mês seguinte da data dos restantes dados.
cenário que os gestores perspetivam para o médio prazo.
“Como sempre, as perspetivas apresentam muitos riscos”, reconhece Louisa Lo, gestora do Schroder IS Emerging Asia. o entanto, continua confante de que há margem para uma
recuperação continuada da atividade em setores-chave da China e uma recuperação dos fundamentais do setor tecnológico no fnal deste ano. Isto pode sustentar a sua preferência por ações asiáticas a médio prazo. “Somos muito seletivos nas nossas exposições e
continuamos disciplinados quanto às valorizações”, afrma.
ALGUMA CAUTELA
Isto reflete-se nas restantes carteiras desta comparativa. Por exemplo, o Eurizon und Equity Pacific Ex -
-10,90 24,02 20,06 8,01 1,31 24,35 27,23 7,66 -14,63 2,97 29,14 31,95 12,01 -21,44 -0,76 46 5 2019 2020 2021 2022 2023 2019 2020 2021 2022 2023 2019 2020 2021 2022 2023 GESTORA: LANÇAMENTO: DIVISA DA CLASSE: PATRIMÓNIO: ISIN: GESTORA: LANÇAMENTO: DIVISA DA CLASSE: PATRIMÓNIO: ISIN: GESTORA: LANÇAMENTO: DIVISA DA CLASSE: PATRIMÓNIO: ISIN: MIRAE ASSET POLAR CAPITAL SCHRODERS 23/5/12 31/12/18 17/3/06 USD EURO EURO 132,65 468,89 5.041,10 LU0630298742 IE00BG43QK81 LU0248176108 -6,50 -6,57 -8,45 5,26 4,64 0,45 ND 2,94 6,60 RENTABILIDADE 1 ANO: RENTABILIDADE 3 ANOS: RENTABILIDADE 5 ANOS: RENTABILIDADE 1 ANO: RENTABILIDADE 3 ANOS: RENTABILIDADE 5 ANOS: RENTABILIDADE 1 ANO: RENTABILIDADE 3 ANOS: RENTABILIDADE 5 ANOS:
SCHRODER
POLAR
CAPITAL ASIAN STARS FUND
ISF EMERGING ASIA
SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 87
MIRAE ASSET ESG ASIA SECTOR LEADER EQUITY FUND
EURIZON FUND EQUITY PACIFIC EX-JAPAN LTE FIDELITY FUNDS ASIA PACIFIC OPPORTUNITIES FUND JUPITER ASIA PACIFIC INCOME MIRAE ASSET ESG ASIA SECTOR LEADER EQUITY FUND POLAR CAPITAL ASIAN STARS FUND SCHRODER ISF EMERGING ASIA RENT. ANUAL. A 3 ANOS % 6,85 6,90 4,33 5,26 0,45 2,94 VOLATILIDADE A 3 ANOS % 14,64 16,09 18,38 18,63 18,50 14,92 QUEDA MÁXIMA 3 ANOS % -11,54 -23,23 -34,32 -35,27 -29,12 -22,01 RÁCIO DE SHARPE 3 ANOS 0,19 0,18 0,02 0,06 -0,20 -0,07 ALFA 3 ANOS 0,13 6,06 2,47 4,51 1,78 2,41 BETA 3 ANOS 0,96 1,04 0,96 0,93 1,11 0,96
Fonte: Morningstar Direct. Dados em euros a 31 de agosto de 2023. O alfa e o beta calcularam-se com base no Índice Morningstar alocado à categoria. O rácio
GESTOR ANTONIO SBOCCHI
O ÍNDICE E UM PLUS ADICIONAL
O fundo aplica ao mercado de ações Ásia-Pacífico ex-Japão o processo de investimento da gama de fundos Limited Tracking Error (LTE) da Eurizon, concebido para capturar a rentabilidade do índice e acrescentar um plus adicional sem assumir mais risco. Esta linha de produtos investe de maneira semelhante ao do índice de referência com um limite no tracking error (ou tracking error volatility) de 1,5%, procurando, simultaneamente, melhorar os seus retornos e com uma camada ESG. Utilizando uma análise de avaliação do mercado, uma análise de tendências setoriais, bem como modelos estatísticos de variáveis macroeconómicas e microeconómicas, o gestor de investimento sobrepondera e subpondera determinadas ações com o objetivo de manter a rentabilidade num intervalo definido relativamente ao índice e à exposição ao risco dentro de limites pré-definidos. Outros dos fatores diferenciadores é o seu rácio de custos excecionalmente baixo, de apenas 0,31% ao ano, que também melhora a sua rentabilidade final.
GESTOR ANTHONY SROM
CONSISTÊNCIA E ELEVADA CONVICÇÃO
Foca-se em empresas com um modelo de negócio compreensível, uma taxa de crescimento dos lucros superior à média relativamente às expetativas do mercado e capacidade de alocar o capital eficazmente para aumentar a rentabilidade dos próprios recursos ao longo do tempo. Também prefere empresas que negoceiam a valorizações atrativas. Apesar do seu estilo de elevada convicção (o portefólio tende a estar concentrado em 25-35 ações), não assume necessariamente um maior risco, uma vez que o gestor o reduz através de uma adequada diversificação. Gerido ativamente por este profissional com 26 anos de experiência, também tem em conta a sustentabilidade no seu processo. Como resultado do estilo de gestão ativa, o fundo consegue ser consistente nos seus retornos ajustados ao risco a longo prazo no mercado de ações Ásia-Pacífico ex-Japão. No final de julho, a carteira estava sobreponderada em Hong Kong e nos setores de materiais e tecnologias da informação.
GESTORES
DIVIDENDOS DE QUALIDADE
Definem o seu estilo como quality income: uma combinação de growth e value. Procuram empresas que, graças ao crescimento dos seus lucros, geram um fluxo estável de dividendos crescentes e, além disso, a valorizações razoáveis. É um estilo concentrado (com cerca de 30 empresas em carteira) que os ajuda a superar o mercado independentemente do momento do ciclo. No fundo predominam empresas que podem capturar o crescimento da própria região, mas que também tendem a ser líderes globais. A construção da carteira parte de uma visão top-down, que tem em conta o contexto macroeconómico e político para determinar a sua alocação geográfica e setorial. A partir daí, realizam uma análise fundamental das empresas individuais. A equipa não hesita em ser contrarian na sua exposição geográfica (atualmente não têm exposição à China Mainland) e na sua visão ESG (irão evitar países problemáticos, mas não excluem sistematicamente setores como o petróleo, o gás e a defesa).
PRODUCTOS COMPARATIVA 88 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO
JASON PIDCOCK E SAM KONRAD
EURIZON FUND EQUITY PACIFIC EX-JAPAN LTE
FIDELITY FUNDS ASIA PACIFIC OPPORTUNITIES FUND
JUPITER ASIA PACIFIC INCOME
MIRAE ASSET ESG ASIA SECTOR LEADER EQUITY FUND
GESTORA JOOHEE AN
A VISÃO DO EXPERTISE LOCAL
Apoia-se numa equipa de analistas especializados por setores que utilizam os seus conhecimentos locais para identificar as tendências-chave numa fase inicial. As ideias de investimento são analisadas em função de parâmetros como o modelo de negócio, a estrutura do mercado, o fluxo de caixa, o potencial de crescimento e a qualidade da gestão para confirmar se se trata de um autêntico líder do setor. Este enfoque local é o seu valor acrescentado, uma vez que lhes permite detetar como as grandes tendências se interligam mundialmente, começando frequentemente em regiões inovadoras e de elevado crescimento como a China e a Coreia do Sul, antes de se estenderem pela Ásia e outras partes. Por exemplo, a sua experiência em OPV chinesas de internet durante a última década dá-lhes agora a confiança para participarem em novas oportunidades no setor das plataformas da internet, que acreditam ser provável que venham a registar um hipercrescimento durante a próxima década.
POLAR CAPITAL ASIAN STARS FUND
SCHRODER ISF EMERGING ASIA
GESTOR JORRY NODDEKAER
VALOR ECONÓMICO ACRESCENTADO
O processo de investimento do fundo pode ser dividido em três fases: identificar áreas de crescimento; dentro das mesmas, encontrar empresas com os melhores fatores de criação de valor acrescentado; e reunir essa análise num modelo de valorização de valor económico acrescentado para encontrar empresas mais atrativas. A chave é o crescimento de uma empresa através do seu Valor Económico Acrescentado (EVA, na sigla em inglês) que não está a ser valorizado pelo mercado. O EVA é calculado através da análise do ROIC que uma empresa gera relativamente ao seu custo de capital. Assim, predominam três tipos de empresas em carteira: com poder de fixação de preços e escalabilidade no seu modelo de negócio para gerar valor em contextos macro difíceis; disruptores tecnológicos que possam tirar partido de mudanças estruturais; e negócios em países clássicos de crescimento, como a Índia ou o Vietname, onde os gestores veem uma tese a longo prazo para temas como a inclusão financeira e o consumo aspiracional.
CRIAÇÃO DE ALFA BOTTOM-UP
É o resultado de um processo de investimento que coloca especial ênfase na sua capacidade de gerar perspetivas bottom-up, realizado pela sua equipa de 30 analistas. Para a gestora, isto é um fator diferenciador da sua estratégia, o serem capazes de acrescentar o máximo valor através deste tipo de análise própria. Como parte do processo, também aplicam um controlo do risco assumido na carteira. A seleção de ações é o que mais contribui para o alfa no seu processo de investimento e tem sido normalmente responsável por 90% do valor acrescentado. O resto do alfa é gerado a partir da alocação por setores e países. Quanto às perspetivas por região, embora a confiança na China se tenha deteriorado nos últimos meses, a gestora acredita que estes riscos macroeconómicos parecem estar bem descontados e que há margem para que as autoridades chinesas surpreendam positivamente com mais políticas de apoio à economia.
SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 89
GESTORA LOUISA LO
EVOLUÇÃO DOS ATIVOS SOB GESTÃO
- apan L E atualmente inclina-se para um posicionamento conservador de ciclo tardio, com ênfase na qualidade. Além disso, mantém uma cautelosa posição curta no mercado de ong ong para beneficiar do seu rendimento decrescente, ao mesmo tempo que gerem a exposição à sua extrema volatilidade.
A contenção é generalizada. Antonio Sbocchi, responsável de Equity Pacifc Emerging na Eurizon Capital, espera ter maior clareza antes de considerar uma abordagem mais assertiva, aumentando o nível de risco ativo e insistindo na visão atual. “Continuamos abertos a um rápido ajuste da nossa estratégia, incluindo uma possível mudança para fatores como as small caps, que começaram a apresentar valorizações interessantes nos últimos meses”, diz.
Cautela sim, mas também oportunismo. As seis equipas gestoras defendem o potencial a longo prazo que observam na região Ásia-Pacífco. “ emos de ser prudentes para encontrar as oportunidades que apresentem um perfl de risco retorno atrativo. Devemos considerar a possibilidade de um cenário difícil para o que resta do ano e concentrarmo-nos em empresas com posições dominantes e balanços sólidos”, insiste Anthony Srom, gestor do idelity unds Asia Pacifc Opportunities und.
á três áreas que Anthony Srom considera interessantes: a aviação no contexto da reabertura da região os grandes petroleiros numa perspetiva plurianual e a tecnologia de hard a -
re, dado o avultado investimento previsto em IA, computação na nuvem e veículos elétricos, etc., nos últimos 5-10 anos.
OLHANDO PARA A ÍNDIA
Os gestores recordam que as ações da Ásia-Pacífco vão mais além da China. De facto, alguns encontram as suas melhores ideias fora do gigante asiático. ason Pidcock e Sam onrad, do upiter Asia Pacifc Income, explicam que os dois países mais importantes para o fundo são a Austrália e a ndia. Juntos, estes representam 50% da estratégia e têm sido a chave da sua boa rentabilidade até agora, este ano.
“As economias emergentes da Ásia sem a China estão a registar um aumento da confança das empresas os atuais níveis são os mais elevados que vimos desde o início da pandemia”, afrma oo ee An, gestora do Mirae Asset ESG Asia Sector Leader Equity und. Assim, a ndia e a Indonésia são as suas principais sobreponderações. a ndia prevê um aumento das despesas com infraestruturas à medida que o país se preparara para as próximas eleições. Isto, juntamente com uma procura residencial positiva e sustentada, irá gerar um efeito dominó favorável em toda a economia.
A informação sobre Organismos de Investimento Coletivo ou outros instrumentos financeiros incluída na FundsPeople é apresentada apenas com fim informativo e ilustrativo e não deve ser interpretada como uma oferta de venda ou recomendação de investimento. A informação não representa uma descrição completa dos OIC ou outros instrumentos financeiros e mercados a que faz referência.
CRISTINA CARVALHO Responsável do mercado Português e Clientes Institucionais, Amundi
OBRIGAÇÕES DE ULTRACURTO PRAZO : UM PASSO ALÉM DOS FUNDOS MONETÁRIOS
Com as subidas das taxas de juro pelo BCE possivelmente na reta final, estão a ser alcançados máximos de duas décadas num ambiente de volatilidade do mercado e incertezas geopolíticas. Neste contexto, um passo além dos fundos tradicionais do mercado monetário, os fundos de obrigações de curto prazo destacam-se pelo seu perfil de risco/retorno equilibrado, pela sua ampla diversificação dada a uma multiplicidade de instrumentos e emitentes, pela liquidez e complementaridade que podem oferecer e pela sua potencial capacidade para amortecer a volatilidade de outras classes de ativos.
Essas soluções de obrigações de ultra curto prazo investem em títulos de obrigações e do mercado monetário com prazos mais longos, procurando gerar um retorno relativo maior. Através de uma seleção rigorosa de emitentes, procura captar os prémios de crédito que oferecem, controlando simultaneamente os riscos. Estas fontes de valor acrescentado são ativamente geridas no âmbito de orçamentos de risco predefinidos para otimizar a duração modificada, o posicionamento da curva e as alocações geográficas e setoriais.
A Amundi oferece uma gama completa de soluções líquidas e diversificadas para atender às necessidades dos investidores em toda a cadeia de valor com estratégias que também integram critérios ESG.
90 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO PRODUTOS COMPARATIVA
Fonte: Morningstar Direct. Dados em euros a 31 de agosto de 2023. Dados de património em milhões de euros.
2019 2020 2021 2022 2023 EURIZON FUND EQUITY PACIFIC EX-JAPAN LTE 152,51 213,24 290,31 457,74 437,77 FIDELITY FUNDS ASIA PACIFIC OPP. FUND 638,19 1.367,31 2.535,22 1.880,09 2.079,20 JUPITER ASIA PACIFIC INCOME 79,44 56,89 56,60 52,86 60,62 MIRAE ASSET ESG ASIA SECTOR LEADER EQ. FUND 256,94 245,52 229,37 166,89 132,65 POLAR CAPITAL ASIAN STARS FUND 19,25 42,78 445,63 385,76 468,89 SCHRODER ISF EMERGING ASIA 3.917,91 5.172,14 5.951,23 4.984,96 5.041,10
A OPINIÃO DE RAP T REN PAR T NER
ODS NA MIRA DAS GEST RAS?
Vivemos num contexto onde a pressão para aliar o impacto social e ambiental a retornos financeiros atrativos floresce. Assim, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pelas Nações Unidas, podem emergir como um guia fundamental para orientar os investimentos em direção a um futuro mais sustentável, equitativo e resiliente.
Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) abrangem uma ampla gama de questões. A crescente consciencialização pública e regulatória relativamente a essas questões impulsiona as empresas a adotarem práticas de negócio mais responsáveis. Como resultado, oferece vantagens competitivas às empresas que procuram prosperar num mundo em rápida mudança. Estas vantagens podem, e devem, ser tidas em consideração pelos gestores de fundos de investimento. Por norma, as entidades gestoras nacionais tendem a incluir no seu processo alguns critérios de sustentabilidade que, direta ou indiretamente, alinham os seus investimentos com os ODS propostos pela ONU.
Recorrendo à Morningstar, a FundsPeople recolheu os dados mais recentes disponíveis da exposição dos fundos nacionais a estes objetivos. A análise visa destacar os fundos mais alinhados com os diversos ODS. Para efeitos de análise,
é considerada a percentagem do portefólio coberta pela Morningstar. O valor apresentado para a exposição resulta da média ponderada da percentagem de receitas de cada empresa investida, resultante do ODS em causa.
Compilamos os fundos que reúnem maior exposição a cada um dos ODS, mas mais do que números, importa perceber qual o racional que existe por detrás desses dados. No fundo, interessa saber se a elevada exposição a um objetivo é fruto de uma decisão ativa de gestão ou consequência de uma política de investimento que não exclui indicadores ESG.
A PRÁTICA
A satisfação do lado das gestoras por verem, na prática, o resultado das suas políticas de sustentabilidade espelhados neste indicador é evidente. A IM Gestão de Ativos conta com dois fundos presentes nesta análise, ou seja, dois produtos enquadrados em ODS. Ana Luísa Aguiar, gestora de portefólio responsável pela componente de crédito da IMGA, come-
ça por explicar a posição da casa relativamente aos ODS. Em fevereiro de 2021, a IMGA “assumiu o compromisso de contribuir para alcançar os 17 ODS defnidos na Agenda 2030 da ONU, tendo um objetivo explícito de aumentar e melhorar a transparência e comunicação destes temas”. Desta forma, a gestora destaca que o alinhamento visto nos fundos da casa é “uma consequência desta decisão”.
Os outros dois especialistas salientam que os ODS não fazem diretamente parte da política de investimentos da casa ou dos fundos de investimento em questão. Paulo Monteiro, administrador da Invest Gestão de Ativos, começa por avisar que os “fundos sob gestão não promovem ativamente características ambientais e sociais, nem têm investimentos sustentáveis como objetivo explícito, para efeitos dos artigos 8º e 9º da regulamentação SFDR”. De igual forma, refere que a “Invest GA não considera, nas suas decisões de investimento, qualquer impacto negativo sobre os fatores de sustentabilidade”. Contudo, o administrador confrma, sim, que no processo de investimento “tem em consideração os riscos de sustentabilidade via avaliações e rankings produzidos por entidades externas”. Paulo Monteiro explica ainda que “este processo de positive screening permita não limitar o universo de investimento e identifcar as empresas que, dentro de cada setor e indústria, se encontram menos expostas aos riscos de sustentabilidade ESG”. Olhando para os dados apurados, o destaque da casa vai
SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 91
PRODUTOS ISR por Diogo Verde
FUNDOS NACIONAIS COM MAIOR EXPOSIÇÃO POR ODS
EXPOSIÇÃO (%) ATIVOS DO PORTEFÓLIO COBERTOS POR DADOS DE ALINHAMENTO (%)
Legenda
SDG 2 Erradicar a fome, alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição e promover a agricultura sustentável
SDG 3 Garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos, em todas as idades
SDG 4 Garantir o acesso à educação inclusiva, de qualidade e equitativa, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos
SDG 6 Garantir a disponibilidade e a gestão sustentável da água potável e do saneamento para todos
SDG 7 Garantir o acesso a fontes de energia fiáveis, sustentáveis e modernas para todos
SDG 9 Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação
SDG 10 Reduzir as desigualdades no interior de países e entre países
SDG 11 Tornar as cidades e as comunidades mais inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis
SDG 12 Garantir padrões de consumo e de produção sustentáveis
SDG 13 Adotar medidas urgentes para combater as alterações climáticas e os seus impactos
SDG 14 Conservar e usar de forma sustentável os oceanos, mares e os recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável
SDG 15 Proteger, restaurar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, travar e reverter a degradação dos solos e travar a perda de biodiversidade
Fonte: Morningstar Direct. Dados a 30 de junho de 2023. São apenas considerados fundos com uma % de cobertura superior a 70%.
Os 12 ODS considerados são correspondentes àqueles que a Morningstar disponibiliza dados significativos para o efeito.
13,30 8,53 8,52 74,28 97,28 93,10 IMGA AÇÕES PORTUGAL IMGA AÇÕES AMÉRICA INVEST TENDÊNCIAS GLOBAIS PPR/OICVM 79,49 17,65 15,69 93,99 93,51 87,75 MONTEPIO EURO HELATHCARE BPI EUROPA NB FCP AMERICA GROWTH FUND 0,02 0,02 0,01 73,15 76,79 81,58 BIZ EUROPA BULL OPTIMIZE SELECÇÃO AGRESSIVA MONTEPIO MULTI GESTÃO DINÂMICA 18,47 16,36 16,28 87,70 93,76 94,68 OPTIMIZE LFO RISE US EQUITIES MONTEPIO EURO ENERGY MONTEPIO EURO UTILITIES 83,39 80,07 39,25 93,76 94,68 91,67 MONTEPIO EURO ENERGY MONTEPIO EURO UTILITIES MONTEPIO AÇÕES EUA 34,96 25,97 25,87 94,88 79,19 70,36 MONTEPIO EURO FINANCIAL SERVICES MONTEPIO OBRIGAÇÕES ATRIUM PORTFOLIO SICAV - HIGH INCOME 34,96 25,97 25,87 94,88 79,19 70,36 MONTEPIO EURO FINANCIAL SERVICES MONTEPIO OBRIGAÇÕES ATRIUM PORTFOLIO SICAV - HIGH INCOME 61,87 60,97 33,27 94,68 93,76 94,76 MONTEPIO EURO UTILITIES MONTEPIO EURO ENERGY INVEST IBÉRIA 63,05 61,12 51,32 94,68 93,76 94,76 MONTEPIO EURO UTILITIES MONTEPIO EURO ENERGY INVEST IBÉRIA 84,29 81,61 40,08 93,76 94,68 92,71 MONTEPIO EURO ENERGY MONTEPIO EURO UTILITIES BPI IBÉRIA 13,83 13,30 11,71 87,70 74,28 93,76 OPTIMIZE LFO RISE US EQUITIES IMGA AÇÕES PORTUGAL MONTEPIO EURO ENERGY 31,64 21,01 11,48 74,28 94,76 91,67 IMGA AÇÕES PORTUGAL INVEST IBÉRIA MONTEPIO AÇÕES EUA
92 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO PRODUTOS ISR
“OS PROFISSIONAIS
DETÊM NO SEU PODER A RESPONSABILIDADE E A CAPACIDADE DE DEFENDER A CRIAÇÃO DE BASES SÓLIDAS QUE GARANTAM UM FUTURO MAIS SUSTENTÁVEL”
ANA LUÍSA AGUIAR IM GESTÃO DE ATIVOS
para o Invest Ibéria. O fundo surge enquadrado com três ODS distintos. Posto isto, podemos confrmar que, apesar de não ser um objetivo direto da casa a exposição aos ODS, o processo de investimento leva naturalmente a este objetivo.
Rui Nápoles, diretor de Investimentos da Montepio Gestão de Ativos, segue, em parte, a mesma linha de pensamento. Para o diretor da Montepio GA, o “alinhamento dos fundos com os ODS da ONU não é um objetivo, mas sim uma consequência desejada ou esperada do processo de investimento que inclui, desde a raiz, critérios de sustentabilidade transversais”. Uma consequência que se faz sentir em particular na Montepio GA. A entidade gestora conta com sete fundos listados e apenas não aparece representada num dos ODS analisados. Rui Nápoles vai mais longe e explica o porquê dos fundos Montepio Euro Energy e Montepio Euro Utilities serem os mais representados da entidade. O diretor de Investimentos avança que estes fundos contam com uma “preferência estratégica por empresas bem posicionadas para a transição energética”.
Na prática, todos os especialistas concordam que o alinhamento com os ODS é positivo e pode representar uma parte importante do seu processo de investimento. Por um lado, a gestora da
“O PROCESSO DE INVESTIMENTO TEM EM CONSIDERAÇÃO OS RISCOS DE SUSTENTABILIDADE VIA AVALIAÇÕES E RANKINGS PRODUZIDOS POR ENTIDADES EXTERNAS”
PAULO MONTEIRO INVEST GESTÃO DE ACTIVOS
AUMENTAR AS CAPACIDADES DE ARMAZENAMENTO DE ENERGIA LIMPA
“OS FUNDOS CONTAM COM UMA PREFERÊNCIA ESTRATÉGICA POR EMPRESAS BEM POSICIONADAS PARA A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA”
RUI NÁPOLES MONTEPIO GESTÃO DE ATIVOS
IMGA defende que enquanto profssionais “detêm no seu poder a responsabilidade e a capacidade de defender a criação de bases sólidas que garantam um futuro mais sustentável”. Na visão de Paulo Monteiro, as questões de sustentabilidade por trás do alinhamento “melhoram o perfl de risco-retorno dos fundos”. Por fm, o diretor de Investimentos da Montepio GA afrma que pretende que os fundos da sua entidade contem com considerações de sustentabilidade sem, contudo, “pretender um alinhamento específco com qualquer um dos diferentes ODS”.
As perturbações geopolíticas e o aumento dos fenómenos meteorológicos extremos evidenciam a necessidade de acelerar a transição energética. Os sistemas de armazenamento de energia flexíveis estão a criar a infraestrutura necessária para integrar as crescentes capacidades de energias renováveis. Um relatório da Agência Internacional de Energia, mostra que as energias renováveis deverão ser a fonte dominante de eletricidade até 2025, cobrindo 90% da nova capacidade até meados desta década. No entanto, as fontes de energia naturais estão sujeitas a flutuações que podem limitar a sua eficiência. Os sistemas de armazenamento de energia limpa podem garantir a estabilidade da rede e aumentar a fiabilidade do abastecimento de energia. As previsões para o crescimento do armazenamento de energia a nível mundial variam entre 80 GW e 88 GW de novas instalações por ano. Apesar deste aumento, são necessários investimentos adicionais ao longo de toda a cadeia de valor do armazenamento de água para ajudar a equilibrar a proporção de produção e armazenamento de energia. Uma análise recente prevê que o mercado global de armazenamento de energia em baterias deve aumentar de 10,88 mil milhões em 2022 para 31,20 mil milhões de dólares em 2029, com um crescimento a um ritmo de dois dígitos (16,3%) neste período. Tendo em conta este crescimento espantoso, a orientação dos fluxos financeiros para empresas específicas pode oferecer várias perspetivas promissoras aos investidores.
A OPINIÃO DE RAP T REN PAR T NER
CHRISTIAN ZILIEN Especialista de Produto Ações, Allianz Global Investors
SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 93
FUTEBOL PROFISSIONAL NA EUROPA
ROLA A BOLA NUMA PARTIDA IMPORTANTE PARA O INVESTIMENTO ALTERNATIVO?
Onde o capital se move com a rapidez como acontece no futebol, as oportunidades não deveriam estar concentradas em poucos grandes investidores. A indústria de fundos de investimento está bem posicionada para democratizar o seu acesso.
Ofutebol é o desporto mais popular do mundo. Milhões de pessoas acompanham os seus clubes do coração, debatem os jogos, as contratações e até a vida das mulheres dos seus jogadores preferidos (ou das inimigas destas) ao longo do ano e das competições internacionais. Futebol é paixão e emoção, mas também é dinheiro!
Estamos a falar de uma indústria que movimenta perto de 280 mil milhões de euros anualmente, segundo o relatório da FIFA, que envolve clubes, atletas, patrocinadores, entidades desportivas e uma série de stakeholders que formam um ecossistema gigantesco e interligado.
O futebol é, portanto, um negócio. E como todos os negócios tem qualidades e defeitos, mas, acima de tudo, oportunidades. Estudar e capturar as oportunidades que este mercado oferece é algo que se impõe e que não tem porque estar limitado o acesso a multimilionários à procura de jogar um Football Manager ao vivo. Posto isto, existem estratégias de investimento dentro da área do futebol profssional que têm muito potencial que a indústria de fundos pode capturar.
Quando pensamos em futebol pensamos logo em clubes estruturados
como o Benfca, o Manchester United ou o Real Madrid. Mas estes clubes fazem parte de uma minoria que não deve ter mais de 40 clubes em toda a Europa. Estes são clubes bem estruturados, de receitas elevadas, com uso de tecnologia de ponta aplicada ao desporto e muitos adeptos. A grande maioria dos clubes de futebol são clubes quase amadores, geridos de maneira artesanal e aproveitando o associativismo humano das comunidades.
É interessante uma estratégia de investimento basear-se nestes últimos. O objetivo de investimento deverá passar por adquirir clubes de futebol que atuem nas divisões mais baixas de alguns países, aplicar modelos de gestão e governance modernos, tanto fora como dentro de campo, fazê-los crescer e valorizá-los. Construir e desenvolver um modelo de Multiclub Ownership, uma carteira de investimentos diversifcada onde se detêm clubes em diversos países, permite a mitigação de risco e efciência de custos.
Uma forma de construir esse modelo baseia-se numa análise profunda de mercado, a partir da análise do fuxo migratório de atletas, que saem do Brasil para Portugal, da África para a França, da América do Sul para a Espa-
nha e dos Balcãs para a Itália, acabando todos por convergir em Inglaterra, construindo uma tese de investimentos que possibilita a valorização dos clubes a partir de uma gestão efciente, potencializando-a com a formação de atletas de alto rendimento.
COM BASE EM FATORES
Ao analisar todas as ligas de referência na Europa e na América do Sul, pode aplicar-se uma estratégia com base em fatores, como no mercado de capitais, e o processo é simplificado. Em primeiro lugar, é feita uma análise histórica das várias Ligas de forma a avaliar se existem muitos casos de clubes que tenham conseguido sair de divisões menores e conseguido consolidar nas divisões mais importantes. A essas Ligas são adicionados os tais dados de migração de atletas. Uma Liga competitiva e que permite o desenvolvimento de atletas é o pontapé inicial do processo.
Depois de analisada a infraestrutura dos clubes disponíveis. Um dos segredos da valorização dos clubes é justamente a escassez. Se tomarmos as seis maiores ligas europeias e considerarmos as duas principais divisões de cada uma delas, não temos mais que
94 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO
PRODUTOS ALTERNATIVOS
por António Mello Campello
O MODELO MULTI-CLUB OWNERSHIP (MCO)
Diferentes pilares de ação no negócio de investimento multi-clube (MCO), um conceito relacionado com grupos de investimento com participações em dois ou mais clubes.
Diluição do risco
Diversificar o portefólio de negócio através de múltiplos investimentos
Marketing
Ganhar exposição global através do desporto, como uma estratégia de marketing
Eficiência de custos
Um portefólio de clubes pode providenciar acesso a vários mercados, aumentando o poder de negociação dos seus proprietários
Gestão de carreira Controlo sobre a performance dos jogadores durante a formação
Acesso global ao mercado Clubes em múltiplos países permitem aos proprietários aceder a diferentes mercados, para comprar e vender jogadores
Outras sinergias
Partilha do conhecimento referente a táticas de jogo, dados de performance, métodos de recuperação de lesões e outras informações
Fonte: Convocados. KPMG Football Benchmark: Multi-club ownerships - Is it the future of football?; Globo Esporte: A nova ordem dos Multiclubes
30 clubes negociáveis a preços acessíveis, num universo de 240 clubes. Assim ao analisarmos a infraestrutura e o relacionamento do clube com os adeptos e a comunidade, é possível ter uma ideia do verdadeiro ativo do clube. Apenas depois, baseado no preço, é feito o investimento.
Se fosse tão simples, esta estratégia poderia ser aplicada ao clubes listados na bolsa. Mas a verdade é que são muito poucos os clubes em mercado. Assim, a melhor forma de aceder a este tipo de estratégias é via investimentos privados (elevados) e tempo.
O futebol é uma indústria onde os ativos são negociados e avaliados por múltiplos de receitas. Quanto mais o clube sobe de divisão, maiores são as receitas. Isto porque a grande parte é proveniente da venda de direitos de transmissão, e estes são cada vez mais elevados. Por exemplo, em Portugal, um clube de Segunda Liga recebe menos de um milhão de euros anuais pelos direitos de transmissão, mas quando chega à Primeira Liga passa a receber quatro milhões de euros pelos mesmos direitos. Ou seja, multiplica por quatro, no mínimo, o seu valor. Se analisarmos outras ligas, como a Ligue 1 francesa, essa diferença passa a ser de
mais de cinco vezes o seu valor, saltando de 4 milhões de euros para mais de 20 milhões de euros.
Esta política de investimento não é nova, foi aplicada múltiplas vezes em clubes tão diferentes como o Portimonense, o Lille, o Monaco, o Sassuolo, clubes que cresceram graças à aplicação de estratégias claras de gestão e são hoje competitivos e estruturalmente clubes de primeira divisão. A grande diferença entre estes projetos e o que apresentamos acima, é que num Multiple Club Ownership é aplicado este modelo a um conjunto de clubes em vários paises, potenciando o retorno esperado.
O futebol tem atraído muitos novos investidores. Um fundo de investimento neste setor seria, com toda a certeza, um produto inovador e único, oferecendo uma oportunidade de investimento até agora exclusivamente disponível aos grandes oligarcas e multibilionários espalhados pelo mundo, oferecendo um processo de investimento claro e transparente. O investment case é bastante claro e os riscos e oportunidades muito bem mapeados. Está na altura da indústria de fundos ocupar o seu lugar no negócio do futebol.
APROVEITANDO DE FORMA INTELIGENTE AS TENDÊNCIAS FUTURAS
Graças aos avanços da tecnologia e da digitalização, o setor industrial passou por mudanças exponenciais desde o início do século XXI, tornando-se um componente económico cada vez mais eficiente e produtivo. Existem diversas ferramentas tecnológicas que tornam este setor inteligente: comunicações móveis, a nuvem, big data, inteligência artificial, Internet das Coisas (IoT) ou robótica. Esses fatores levam a um processo industrial otimizado e são baseados em dados, interconexão e automação. Isso elimina ineficiências e concentra o processo no cliente e nas suas necessidades. O setor utiliza novas tecnologias para minimizar a participação humana no processo de produção, tentando integrar eficazmente o trabalho das pessoas com as máquinas ou automatizando-o tanto quanto possível.
Na DWS, que já há algum tempo que gerimos fundos que seguem esta estratégia, verificamos que é um universo que permite muita flexibilidade e que proporciona diversificação à carteira. As empresas deste setor obtêm grande parte dos seus lucros de investimentos orientados para o futuro e procuram gerar retornos contínuos, independentemente das condições de mercado.
ISABEL
A OPINIÃO DE RAP T REN PAR T NER
DE LINIERS Vendas sénior, DWS
SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 95
EMERGENTES MELHOR A 20 ANOS DO QUE A 15
As ações destes países oferecem um potencial de crescimento que não se viu refletido nos seus resultados nos últimos anos. O índice de emergentes global da MSCI obteve uma rentabilidade anualizada pouco acima de 2% em 15 anos, face aos 8% do MCSI World. Não obstante, a 20 anos a comparação melhora; e as perspetivas de futuro são boas, graças a um dólar mais fraco.
Há 15 anos nasceu a FundsPeople, há 15 anos caiu a Lehman Brothers, e desde há 15 anos que quem investiu em ações emergentes gerou menos rentabilidade do que quem investiu nos mercados desenvolvidos. O período de observação parece sufcientemente longo para ter confrmado que, a longo prazo, uma maior exposição ao risco pode trazer retornos mais elevados. No entanto, pode não ser um prazo sufcientemente longo ou podemos estar perante um período extremamente peculiar.
As razões para a atratividade dos mercados emergentes são variadas. Por um lado, existe o potencial de crescimento económico, geralmente superior ao das economias desenvolvidas. Por outro lado, a demografa é mais favorável. Muitas economias emergentes têm uma população jovem e em crescimento,
o que signifca uma mão de obra mais abundante e um mercado consumidor em expansão. Além disso, alguns países são ricos em recursos naturais, pelo que a procura mundial por estes recursos pode impulsionar a economia e benefciar os investidores em setores relacionados. Do ponto de vista da construção de portefólios, a sua presença pode ser uma fonte adicional de diversifcação.
Até aqui a teoria, que funciona sempre. Contudo, as economias reais nem sempre refetem de forma fdedigna a evolução dos mercados de ações. Além disso, ser rico em recursos naturais nem sempre garante prosperidade, às vezes pelo contrário, devido ao efeito conhecido como doença holandesa, que afeta a competitividade dessas economias (com exceções notórias como a Noruega).
Os dados (ver gráfco ao lado) dizemnos que o MSCI World ofereceu um retorno anualizado de quase 8% no período
96 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO PRODUCTOS EMERGENTES
por María Folqué
OS ÍNDICES DAS BOLSAS EMERGENTES FACE AO MSCI WORLD
Base 100 a 15 anos com fecho a 19 de julho de 2023.
de 15 anos até meados de julho de 2023, enquanto o índice de emergentes global do MSCI obteve pouco mais de 2%. Por região, a Ásia (3,7%) foi a melhor, seguida pela Europa de Leste (2,5 %), América Latina (1,94%) e África (-2,2 %). Se olharmos para os BRICS, a sua rentabilidade anualizada como um todo é de 1,47%, embora o índice de Mumbai seja um claro outlier, com um retorno anualizado no período acima de 10%. E se olharmos para os chamados mercados fronteira, estes ainda têm um longo caminho a percorrer, porque a sua rentabilidade anualizada a 15 anos foi de -0,7 % (todos os dados são em euros).
É preciso admitir que o momento do início da análise é complicado, uma vez que os mercados de ações emergentes foram particularmente atingidos pela crise fnanceira global.
ambém é complexo o momento final, uma vez que algumas
áreas, como a asiática, estão apenas a começar a recuperar de lockdowns muito mais longos devido à pandemia do que no resto do mundo. Se expandirmos o foco para dados a 20 anos, o axioma de maior risco, maior retorno, começa a fazer mais sentido. O índice emergente global diminui a diferença para o MSCI World (5,87% face a ,59%), com a América Latina como a região mais rentável (8,3 %) e os B ICS a registar 7,33%, com destaque novamente para o mercado indiano (14,22%).
DÓLAR: O PONTO CHAVE
Para Andre ymer, estratega sénior da unidade de Análise Estratégica da Schroders, grande parte do ponto-chave para o que aconteceu nos últimos 15 anos está no dólar.
a sua opinião, “uma década de valorização do dólar pesou sobre o
A RENTABILIDADE ANUALIZADA DOS
BRICS EM 15 ANOS É DE 1,47%, EMBORA A DO ÍNDICE DO MUMBAI SUPERE
OS 10%
Fonte: Morningstar Direct. 362,12 184,56 94,06 47,94 2008 2009 2013 2017 2011 2015 2019 2022 2010 2014 2018 2021 2012 2016 2020 2023 MSCI
DJ TITANS AFRICA 50 PR EUR MSCI EM ASIA PR MSCI EM LATIN AMERICA PR
WOLRD PR EUR MSCI EM PR EUR FTSE WBIG EASTERN EUROPE EUR
SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 97
PRUDÊNCIA COM O ÚLTIMO TRIMESTRE À PORTA
“UMA DÉCADA DE VALORIZAÇÃO DO DÓLAR PESOU SOBRE O DESEMPENHO DAS AÇÕES DOS MERCADOS EMERGENTES”
ANDREW RYMER SCHRODERS
desempenho das ações dos mercados emergentes. A maioria das moedas de mercados emergentes desvalorizou em termos reais, o que implica que têm valor de mercado emergente, embora o escopo varie signifcativamente”. Diogo Gomes, C M sénior do UBS AM Iberia, acrescenta que “historicamente, períodos de queda das rentabilidades reais dos EUA, juntamente com PMI globais fracos, tendem a enfraquecer os ativos dos mercados emergentes”.
Uma vez feita a revisão, temos de olhar para o futuro. uma boa altura para entrar nestes mercados? Olhando para as avaliações, Andrew Rymer vê as ações de mercados emergentes a aproximarem-se da média histórica em termos de preço-lucro. “A relação preço-lucro está ligeiramente abaixo da sua média histórica, enquanto a dividend yield dos mercados emergentes é mais barata do que historicamente”, afirma. o entanto, é preciso distinguir entre regiões: “A América Latina ainda é barata em termos de preço-lucro. As avaliações na região EMEA estão próximas da sua média histórica, enquanto a região EM Asia é ligeiramente cara”.
“HISTORICAMENTE, PERÍODOS DE QUEDA NAS RENTABILIDADES REAIS DOS EUA, JUNTAMENTE COM PMI GLOBAIS FRACOS, TENDEM A ENFRAQUECER OS ATIVOS DE MERCADOS EMERGENTES”
DIOGO GOMES UBS AM IBERIA
Enquanto isso, a UBS AM espera que “uma Fed mais acomodatícia se combine com um pico no ciclo global de inventários/recuperação da tecnologia na Ásia a partir do segundo trimestre, criando um cenário mais favorável para desempenho superior nos mercados emergentes”, segundo Diogo Gomes.
Esperançoso também está Ben Laidler, estrategista de mercado global da eToro. “Vemos a classe de ativos emergentes em geral, incluindo a China, como um contrainvestimento atrativo. Beneficiará do pico das taxas de juro dos EUA, de um dólar fraco, de uma melhoria do ciclo tecnológico e de uma recuperação contracíclica do crescimento económico da China”. Além disso, o ciclo de política monetária deve ser tido em conta: “Muitos estão prestes a reduzir as taxas de juro, depois de as terem aumentado, e com a inflação agora mais baixa. Tudo isso está a impulsionar o maior prémio de crescimento do PIB em relação aos mercados desenvolvidos em quase uma década, com 2, pontos percentuais de acordo com o MI. oltaremos a informá-lo imediatamente dentro de 15 anos.
A esperança de uma aterragem suave está bem enraizada. Mas o nosso ponto de vista é um pouco diferente: esta noção de recuperação do equilíbrio económico sem dor parece-nos uma miragem. Na nossa opinião, os mercados que antecipam resultados favoráveis são vulneráveis a uma deterioração das condições económicas e da confiança. Partindo deste pressuposto, somos prudentes relativamente às oportunidades nos mercados acionistas desenvolvidos. Acreditamos que poderá haver melhores níveis de compra nos próximos doze meses. No que diz respeito ao crédito, preocupa-nos em certa medida que os mercados não estejam a compensar devidamente os investidores pelo nível de risco de incumprimento que prevemos. De qualquer das formas, ao contrário das ações, o investimento em obrigações pode beneficiar da subida dos rendimentos da dívida pública produzida durante o mesmo período. Neste sentido, e ainda que a avaliação do risco de incumprimento nos preocupe, consideramos que os retornos totais são relativamente atrativos para as obrigações de investment grade.
Este cenário deverá ser positivo para os investidores ativos, cuja análise lhes permita evitar títulos especialmente vulneráveis devido à fraqueza dos seus balanços.
A OPINIÃO DE RAP T REN PAR T NER
ÁLVARO ANTÓN Responsável de Negócio para a Península Ibérica, abrdn
98 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO PRODUTOS EMERGENTES
FUNDOS E ETF
PESOS PESADOS DOS FUNDOS DE PENSÕES ABERTOS NACIONAIS
Oferecem um mundo de possibilidades financeiras e têm crescido e ganho atratividade no mercado. Em março de 2023, o valor total da carteira de fundos de pensões abertos alocado a investimento indireto ascendeu quase aos 2 mil milhões de euros, mais de 50% do total de ativos sob gestão.
Os fundos de pensões desempenham um papel crucial no cenário fnanceiro em Portugal. E, como tal, a alocação estratégica dos ativos dentro desses fundos é de suma import ncia para garantir estabilidade e crescimento das poupanças de longo prazo.
Focando a análise apenas no que ao investimento indireto diz respeito, a iShares lidera, com três Exhange-traded unds (E ), a lista dos 10 fundos de investimento e E preferidos pelas entidades gestoras de fundos de pensões abertos nacionais. Esta lista representa quase 30% da totalidade de investimento indireto, o que corresponde a mais de 500 milhões de euros num total de 1.9 2 milhões de euros investidos. este op 10 estão apenas dois fundos portugueses, o Lusimovest, da Santander Asset Management e o B Corporate Euro, da G B Gestão de Ativos.
Olhando para as entidades gestoras, mais de 70% do total da carteira centra-se no op 10 com cerca de 1.442 mil milhões de euros. Sem grandes surpresas, a iShares, em conjunto com a Black ock, lidera a tabela com 519 milhões (45 milhões para a iShares
OS 10 FUNDOS EM QUE OS FUNDOS DE PENSÕES
Fonte: FundsPeople LAB com base nas carteiras divulgadas pelas entidades gestoras de fundos
pensões. Dados à data de 31 de março de 2023.
AS 10 ENTIDADES GESTORAS DE FUNDOS EM QUE OS FUNDOS DE PENSÕES ABERTOS MAIS INVESTEM
Fonte: FundsPeople LAB com base nas carteiras divulgadas pelas entidades gestoras de fundos de pensões. Dados à data de 31 de março de 2023. Não inclui mandatos de gestão.
ABERTOS NACIONAIS MAIS INVESTEM FUNDO ENTIDADE GESTORA MONTANTE INVESTIDO EM EUROS iShares Core MSCI Europe UCITS ETF EUR iShares 117 375 308 iShares MSCI EMU ESG Screened UCITS ETF iShares 69 941 704 Lyxor MSCI EMU ESG Broad CTB (DR) - UCITS ETF Amundi 52 654 608 CT (Lux) Euro Bond Fund Columbia Threadneedle Inv.. 52 240 601 Amundi Index Solutions Amundi EUR Float. Rate Corp.Bond ESG Amundi 51 371 045 Amundi Index Solutions Amundi Floating Rate USD Corp. ESG Amundi 51 116 038 Lusimovest Fundo de Investimento Imobiliário Fechado Santander AM 49 880 649 iShares € Corp Bond Large Cap UCITS ETF iShares 39 875 648 Novimovest Fundo de Investimento Imobiliário Fechado Santander AM 39 233 143 NB Corporate Euro GNB Gestão de Ativos 37 785 708 Total top 10 561 474 452 Total carteira 1 961 530 995
ENTIDADE GESTORA MONTANTE INVESTIDO EM EUROS MONTANTE INVESTIDO (% TOTAL DE FUNDOS) iShares + BlackRock 519 444 411 26% Amundi 337 226 792 17% Santander AM 171 579 997 9% GNB Gestão de Ativos 114 449 941 6% Columbia Threadneedle 79 328 125 4% Xtrackers + DWS 87 166 066 4% Janus Henderson Investors 36 801 818 2% Fidelity International 36 789 902 2% Natixis 31 400 212 2% Pictet AM 28 782 256 1% Total Top 10 1 442 969 519 74%
de
SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 99
INSTITUCIONAL
PRODUTOS
por Diana Pereira
DESAGREGAÇÃO DO INVESTIMENTO INDIRETO
e 3 para a Black ock), o equivalente a 2 % do total, seguida da Amundi, em segundo lugar, com 17%.
ETF SOMA E SEGUE
Fonte: FundsPeople LAB e Morningstar com base nas carteiras divulgadas pelas entidades gestoras de fundos de pensões. Dados à data de 31 de março de 2023.
uanto à seleção de fundos de terceiros - por oposição ao investimento direto - na construção de carteiras de fundos de pensões abertos, para a CA ida “a escolha de fundos de investimento decorre de critérios quantitativoscomo o modelo interno de “scoring” mediante diversos critérios de retorno e volatilidade - e qualitativos - como a consistência da gestão, estratégia e enquadramento da mesma na carteira adquirente”, responde icardo Silva, selecionador de fundos da CA Gest. Igualmente exigentes na seleção de ativos para o seu portefólio, a BB A Asset Management, procura selecionar os melhores fundos de terceiros, “assentes num rigoroso processo de due diligence, de análise pelas equipas especializadas e de monitorização de custos”, para construir, no futuro, carteiras “inteiramente compostas por E e fundos de gestão ativa”, afma Luis Sancho, diretor de investimentos da BB A AM.
Fonte: FundsPeople LAB e Morningstar com base nas carteiras divulgadas pelas entidades gestoras de fundos de pensões. Dados à data de 31 de março de 2023.
CLASSIFICAÇÃO SFDR DOS FUNDOS MAIS INVESTIDOS
o universo de investimento indireto no total de cada gestora, a BPI ida e Pensões é a que mais investe em E , com cerca de 81% de alocação a este tipo de fundos, seguida da CA ida com 58%. Sobre a preferência por E , icardo Silva refere que o aumento da proporção de investimento se deve, essencialmente, “aos menores custos incorridos neste tipo de instrumentos e, adicionalmente, à maior flexibilidade providenciada pelos ETF na prossecução de operações de cariz mais tático a curto ou médio prazo”.
Fonte: FundsPeople LAB e Morningstar com base nas carteiras divulgadas pelas entidades gestoras de fundos de pensões. Dados à data de 31 de março de 2023.
elativamente à classe de ativos preferencial no recurso ao investimento indireto, cerca de 44% do investimento em fundos é alocado a rendimento fixo, particularmente em
ARTIGO 8
POR TIPO DE FUNDO
PELOS FUNDOS DE PENSÕES ABERTOS NACIONAIS FUNDOS ABERTOS Obrigações Ações Imobiliário Alternativos Alternativos iíquidos /Ativos privados Alocação Commodities Mercado monetário Convertíveis Diversos NÃO REFERIDO /ND ETF FUNDOS FECHADOS ARTIGO 9 51% 59% 40% 40% 9% 1% CLASSE DE ATIVOS DOS FUNDOS MAIS INVESTIDOS PELOS FUNDOS DE PENSÕES ABERTOS NACIONAIS 44,3% 39,1% 7,4% 4,3% 3,2% 0,7% 0,3% 0,3% 0,3% 0,1%
100 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO PRODUTOS INSTITUCIONAL
“GERIR O INVESTIMENTO COM CRITÉRIOS
SUSTENTÁVEIS DÁ-NOS UMA MAIOR CAPACIDADE DE GERAR RETORNOS POSITIVOS E DE UM MODO MAIS CONSISTENTE”
LUIS SANCHO
BBVA AM
INVESTIMENTO
“NOS ÚLTIMOS ANOS, TEM AUMENTADO A PROPORÇÃO DE INVESTIMENTO ATRAVÉS DE ETF, RELATIVAMENTE AO INVESTIMENTO EM FUNDOS DE INVESTIMENTO DE GESTORAS EXTERNAS”
RICARDO SILVA CA GEST
instrumentos europeus, com 74%, seguido dos Estados Unidos, com 10%. A componente acionista representa quase 40% e mais de metade é alocado a ações europeias em empresas de grande capitalização bolsista.
O investimento em alternativos ilíquidos e imobiliário representam mais de 10% do montante investido pelas entidades gestoras de fundos de pensões na componente de investimento indireto. A Santander Pensões e a Santander otta Seguros, em agregado, são as que mais investem através de fundos de investimento em ativos privados (excluindo imobiliário), com 10%, e a CGD Pensões, em imobiliário, com 30%.
Em matéria de sustentabilidade, mais de 40% dos fundos de investi -
mento têm classificação S D , ainda que apenas 1% sejam artigo 9 . Isto significa que mais de metade dos fundos sejam “não classificados” ou a classificação não esteja disponível. A Ageas Pensões é a que mais investe em fundos artigo 8 , relativamente ao total de investimento em fundos ou E , com 3%. uanto aos fundos de artigo 9 , lideram a tabela a CA ida e a BB A AM com 5%, cada. De acordo com esta última, “a alocação de fundos artigo 9 S D nas carteiras dos fundos de pensões BB A enquadra-se na concretização da implementação do Plano de Investimento Sustentável da BB A AM, assente em quatro os pilares: integração, exclusão, engagement e impacto”, afirma Luis Sancho.
Capital Group
INVESTIR EM DIVIDENDOS NUM MERCADO EM MUDANÇA
Após uma forte queda, as ações growth estão de volta. Embora as ações de dividendos não tenham participado no recente e forte rally de crescimento, esta estreiteza dos mercados pode não persistir. Quando o crescimento abranda e a volatilidade do mercado aumenta, o papel dos dividendos pode assumir uma maior importância nas carteiras de investimento.
Desde o início de 2022, as contribuições dos dividendos para os retornos totais aumentaram, tal como os pagamentos totais aos investidores. As empresas globais distribuíram mais de 2 biliões de dólares em pagamentos de dividendos nos 12 meses terminados em 31 de maio de 2023, um aumento de 12,3% em relação aos 12 meses anteriores, segundo dados da FactSet. Num período de relativa instabilidade e de aumento dos custos da dívida, é essencial focarmo-nos na qualidade dos pagadores de dividendos. Isto significa examinar atentamente os balanços das empresas, ratings de crédito e os custos dos juros. Isto levou-nos a selecionar empresas de dispositivos farmacêuticos e médicos, utilities, produtores de energia e de algumas indústrias. Espero que os dividendos ganhem importância este ano e nos seguintes. Mas neste contexto, é essencial seguir o que a administração diz sobre os dividendos e igualmente fundamental seguir o que fazem. Se vamos confiar mais nos dividendos, temos de estar confiantes que as empresas os vão pagar. É aí que podemos acrescentar valor como gestores ativos.
IRLANDA. PORTUGAL
TERCEIRO
50% DO
INDIRETO ESTÁ EM FUNDOS OU ETF COM DOMICÍLIO NO LUXEMBURGO, SEGUIDO DA
SURGE EM
LUGAR COM
12%
A OPINIÃO DE RAP T REN PAR T NER
CHRISTOPHE BRAUN Diretor de Investimentos em Ações,
SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 101
ETF
DA PERIFERIA AO CENTRO
São vários os fatores que colocaram os ETF no centro da atividade de gestão de carteiras e que podem continuar a impulsionar o mercado. Contudo, várias questões se levantam sobre o seu papel no futuro.
Ocaminho da comercialização dos ETF tem sido notório nos últimos anos. Há 15 anos os ETF apenas eram mencionados pelas entidades fnanceiras quando estas apresentavam toda a sua oferta aos investidores. Era necessário, na maioria das vezes, dar a conhecer os ETF, explicar o que eram e como eram negociados.
Uns anos depois, os investidores já começavam, por sua iniciativa, a questionar sobre a possibilidade de investir em ETF, mas, sobretudo, numa ótica de replicar o comportamento do mercado.
Conforme este conceito foi entrando nas conversas com os investidores não profssionais, uma nova fase chegou. A procura pelos investimentos temáticos. Foi notório como gradualmente os investidores começaram a procurar os ETF como forma de se exporem a investimentos temáticos.
Hoje em dia os ETF já fazem parte do conhecimento da maioria dos investidores, e já não surpreende quando são os próprios a perguntar por ETF específicos.
Outra curiosidade, tem a ver com o facto desta procura estar a crescer entre os investidores mais jovens, que optam por começar as suas aventuras no mundo dos investimentos fnanceiros, olhando para os ETF, e para os seus benefícios face a outros ativos.
FATORES DE CRESCIMENTO
Mas porque cresceu tanto este mercado?
A verdade é que os fatores podem ser muitos. Um estará relacionado com a facilidade de transação, permitindo uma exposição a um índice, setor ou tema através da compra de um único ativo.
E se antigamente as estratégias eram menos amplas, olhando essencialmente para o mercado acionista, hoje é possível encontrar diversas estratégias
que recorrem a instrumentos como as obrigações. Estar exposto a um investimento em obrigações, através de ETF, é sem dúvida aliciante para quem tenha, por exemplo, menos capital para investir ou não conheça sufcientemente as obrigações de forma a desenhar uma estratégia de investimento.
O crescimento de soluções temáticas também é um fator importante, ao permitir aos investidores exporem-se a temas em que acreditam, diversifcando os seus investimentos. Matérias-primas, tecnologia, saúde e muitos outros temas da atualidade podem fazer parte da carteira dos investidores, de forma simples e pouco onerosa.
Um dos temas que tem estado muito presente, é o do ESG. A indústria dos ETF tem vindo a crescer e assim que a taxonomia esteja bem defnida e implementada, será ainda mais fácil explorar a temática ESG como tema de investimento. Até porque o crescente
102 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO PRODUTOS
ETF por Lara Rosa
A SUBIDA DE NEGOCIAÇÃO DE ETF EM 2022
interesse dos mais novos pelos ETF, a par do compromisso que as gerações Z e millennials têm demonstrado com o ESG, poderão ser impulsionadores dos volumes transacionados.
Mas a evolução não aconteceu apenas no conhecimento e na procura do instrumento. Têm também existido alterações na gestão dos ETF e nas estratégias dos investidores. No que diz respeito à gestão destes instrumentos, como sabemos, temos vindo a assistir a um crescimento dos ETF com gestão ativa.
No entanto, também os investidores não profssionais têm olhado para os ETF de outra forma. Se inicialmente eram procurados como forma de replicar o mercado e manter posições de longo prazo, gradualmente alguns investidores começaram a assumir posições mais táticas, de curto prazo, essencialmente através da exposição setorial e temática.
A diversidade de oferta e o facto de existir negociação online, em diversas
plataformas e aplicações móveis de trading, o que facilita a colocação de ordens e o acesso à informação, poderá estar a ajudar a esta alteração de estratégia.
Também o crescimento da consultoria de investimento tem um papel importante. Com um mercado de ETF tão vasto, é difícil para os investidores selecionarem aqueles em que pretendem investir e as propostas de consultoria ajudam precisamente nessa seleção.
Os dados parecem mostrar que o crescimento dos ETF será para continuar, mas até onde? Continuarão a receber capitais mesmo em momentos conturbados? Haverá espaço para os ETF e para os fundos de investimento tradicionais? E como é que a inteligência artifcial vai impactar este mercado Cá estaremos para analisar todas as questões nos próximos anos. Mas uma coisa é certa, não podemos deixar de ter os ETF debaixo de olho.
ANDRÉ THEMUDO Diretor, BlackRock
MERCADOS PRIVADOS: NOVAS SOLUÇÕES PARA UM NOVO MUNDO
A Grande Moderação chegou ao fim. E com ela o período de crescimento e inflação estáveis que suportaram o valor dos ativos tradicionais. Enfrentamos uma persistente volatilidade, pelo que a correlação entre as ações e a dívida cotada se encontra cada vez mais distorcida.
Isto impacta a construção de carteiras, já que os ativos tradicionais não mostram a sua capacidade habitual para oferecer soluções. Agora é preciso ampliar as opções e incluir os mercados privados que ofereceram historicamente um prémio de risco a longo prazo bastante atrativo se comparado com os mercados cotados.
Os mercados privados protegem face à volatilidade porque oferecem um perfil de rentabilidade/risco e dinâmicas de mercado diferentes e com melhor capacidade para aumentar a resiliência das carteiras.
Este posicionamento oferece estabilidade nas valuations, com dinâmicas de mercados diferentes; protege contra a inflação; e oferece oportunidades de investimento no enquadramento da transição para a sustentabilidade com um vasto catálogo de oportunidades nesta matéria.
Dentro do universo dos mercados privados, acreditamos que o valor se vai concentrar especialmente em megatendências como a digitalização ou a descarbonização da economia.
50 40 30 20 10 0 VOLUMES DE NEGOCIAÇÃO ( BILIÕES DE DÓLARES ) 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022
AÇÕES OBRIGAÇÕES COMMODITY OUTROS
Fonte: Bloomberg Finance, L.., a 6 de dezembro de 2022, com base nos cálculos do SPDR Americas Research.
A OPINIÃO DE RAP T REN PAR T NER
SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 103
FESTA FUNDSPEOPLE
MAIS UMA REUNIÃO DA GESTÃO DE ATIVOS
A FundsPeople comemorou o seu 11º aniversário no espaço Go A Lisboa, na companhia de todos os que ajudaram a construir este percurso.
ESTILO FESTA
104 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO
SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 105
Com uma atmosfera especial e uma vista incrível, o espaço Go A Lisboa recebeu cerca de 200 pessoas da indústria fnanceira, numa noite marcada por reencontros e boas conversas.
ESTILO FESTA 106 FUNDSPEOPLE I SETEMBRO E OUTUBRO
O evento contou com CEO, selecionadores de fundos, gestores, private bankers, assessores fnanceiros, entre muitos outros protagonistas da gestão de ativos.
As casas internacionais Alliance Bernstein, Capital Strategies Partners, DPAM, Generali Investments e Lazard Fund Managers foram parceiras do evento e fzeram parte de um food court especial para os convidados.
SETEMBRO E OUTUBRO I FUNDSPEOPLE 107
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