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N.º 218 Setembro 2010 Mensal 2,00 euros

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TempoLivre www.inatel.pt

Turismo júnior

Os dias felizes Entrevista Rogério Fernandes


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Sumário

Na capa Foto: José Frade

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EDITORIAL CONCURSO DE FOTOGRAFIA

TURISMO JÚNIOR

Os dias felizes Vindos de todo o País, cerca de quatro mil jovens, inscritos no Turismo Educativo Júnior, viveram dias inesquecíveis graças ao vasto e diversificado programa social e pedagógico, gerido pela Inatel com o apoio do ministério da Educação. Festa, convívio e saber, foi o salutar resultado que as quatro rotas propostas – ciência, castelos, desporto e teatro – proporcionaram aos felizes participantes, desejosos de nova experiência em 2011.

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8

CARTAS E COLUNA DO PROVEDOR

10 24

NOTÍCIAS CULTURA INATEL

Concursos de música e etnografia

46

CCD’S

Os Bombos de Lavacolhos

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PAIXÕES

Ivan, Historiador, trompetista e cozinheiro por opção”.

50 52 79

OLHO VIVO A CASA NA ÁRVORE

82 55 74

Rogério Fernandes Responsável pelas áreas financeira e administrativa da Fundação Inatel, o mais jovem administrador da Fundação falou à TL da situação económico financeira de uma instituição de importância transcendente no desporto, cultura e lazer populares, feita – sublinha –“ por pessoas para as pessoas”.

32 TERRA NOSSA

Foz do Arelho, Caldas da Rainha, Óbidos No mês em que os associados e beneficiários da Inatel poderão usufruir de uma promoção especial na renovada unidade hoteleira da Foz do Arelho, a TL viajou pela região circundante, atenta ao valioso património histórico e cultural de Óbidos e Caldas da Rainha.

38 DESPORTO INATEL

DO ZAMBUJAL

Parapente em Linhares da Beira A Taça do Mundo de Parapente trouxe à serra da Estrela dezenas de consagrados pilotos internacionais que elogiaram quer o local quer a qualidade da organização, encabeçada pela Inatel.

CRÓNICA

40

Humberto Lopes

VIAGENS

O TEMPO E AS PALAVRAS Maria Alice Vila Fabião

80

ENTREVISTA

OS CONTOS

BOA VIDA CLUBE TEMPO LIVRE

Passatempos, Novos livros e Cartaz

Cisjordânia Na sua viagem por terras da Palestina “um país por nascer” -, Humberto Lopes lembra que “… onde rareiam os turistas e a lógica dos passeios por caminhos batidos, a hospitalidade mostra-se sempre inexcedível”.

Revista Mensal e-mail: tl@inatel.pt | Propriedade da Fundação INATEL Presidente do Conselho de Administração: Vítor Ramalho Vice-Presidente: Carlos Mamede Vogais: Cristina Baptista, José Moreira Marques e Rogério Fernandes Sede da Fundação: Calçada de Sant’Ana, 180, 1169-062 LISBOA, Tel. 210027000 Nº Pessoa Colectiva: 500122237 Director: Vítor Ramalho Editor: Eugénio Alves Grafismo: José Souto Fotografia: José Frade Coordenação: Glória Lambelho Colaboradores: António Costa Santos, António Sérgio Azenha, Carlos Barbosa de Oliveira, Carlos Blanco, Gil Montalverne, Humberto Lopes, Joaquim Diabinho, Joaquim Magalhães de Castro, José Jorge Letria, José Luís Jorge, Lurdes Féria, Manuela Garcia, Maria Augusta Drago, Maria João Duarte, Maria Mesquita, Pedro Barrocas, Rodrigues Vaz, Sérgio Alves, Suzana Neves, Vítor Ribeiro. Cronistas: Alice Vieira, Álvaro Belo Marques, Artur Queirós, Baptista Bastos, Fernando Dacosta, Joaquim Letria, Maria Alice Vila Fabião, Mário Zambujal. Redacção: Calçada de Sant’Ana, 180 – 1169-062 LISBOA, Telef. 210027000 Fax: 210027061 Publicidade: Patrícia Strecht, Telef. 210027156; Impressão: Lisgráfica - Impressão e Artes Gráficas, SA - Rua Consiglieri Pedroso, n.º 90, Casal de Sta. Leopoldina, 2730-053 Barcarena, Tel. 214345400 Dep. Legal: 41725/90. Registo de propriedade na D.G.C.S. nº 114484. Registo de Empresas Jornalísticas na D.G.C.S. nº 214483. Preço: 2,00 euros Tiragem deste número: 140.667 exemplares


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Editorial

V í t o r Ra m a l h o

Sinais encorajadores

A

capa do presente número e uma das reportagens do interior da “Tempo Livre” têm a ver com um novo programa da Inatel, dirigido a jovens entre os 13 e os 17 anos. Este programa, denominado Turismo Educativo Júnior, resultado de um protocolo estabelecido com o Ministério da Educação, envolveu 3000 jovens que foram alojados em várias das nossas unidades e que beneficiaram de múltiplas actividades lúdicas e pedagógicas, função das escolhas das quatro rotas colocadas à sua disposição – da Ciência Viva, dos Castelos, do Desporto e do Teatro. A experiência recolhida com testemunhos dos próprios jovens e dos pais e o desejo expresso pela quase totalidade dos participantes em repeti-la é muito encorajador. E é-o tanto mais que a Fundação Inatel, sem perder a sua identidade, abre, assim, novas janelas, estendendo-se a beneficiários de todas as faixas etárias. Este objectivo esteve também presente no facto de, pela primeira vez e mercê da Inatel, o nosso país ter integrado o campeonato mundial de parapente, em Linhares da Beira, aldeia histórica onde em Agosto de 2009 foi aberta uma nova unidade hoteleira da Fundação. O contributo para o turismo nacional, com a vinda de uma centena de pilotos mundiais de 29 países desta modalidade desportiva, é também um facto de que nos orgulhamos, na via da exploração de novas respostas, num processo sempre inacabado. Admito que muitos dos nossos beneficiários não tenham tido a informação adequada sobre os dois eventos, do Turismo Educativo Júnior e do Parapente do mesmo passo que pode ter passado despercebida a profunda requalificação que sofreu a unidade da Foz do Arelho, hoje com uma oferta de excelente qualidade.

Daí a reportagem que sobre ela também encontrarão nas páginas desta revista, de par com a oferta de promoções adequadas para o mês de Setembro. Ouso convidá-lo a utilizar essas promoções, se ainda não teve oportunidade de visitar recentemente a unidade. Não se arrependerá.

N

a lógica com que estamos a trabalhar para a crescente auto-sustentabilidade da Fundação não poderíamos deixar de incluir mais uma entrevista na revista de um dos meus colegas da administração, neste caso o Dr. Rogério Fernandes, que tem delegados poderes na área administrativofinanceira e dos recursos humanos. Esta referência, como as anteriores, justificase tanto mais quanto ser certo no trabalho de equipa do conselho de administração procurarmos interligar sempre a racionalização orçamental, nunca descurando o capital mais precioso de qualquer instituição – o humano, ou seja os trabalhadores, com quem se projecta o futuro. Temos a consciência, neste período de grandes mudanças, a que a Fundação Inatel não escapa, que nem tudo resulta a contento dos beneficiários, como desejaríamos. Há obviamente reclamações e a maior parte delas justas. Elas ajudam-nos a corrigir o que está mal e registamo-las sempre com o sentido das responsabilidades e para correcção com vista ao reforço dos nossos próprios alicerces. É com este espírito que olhamos com grande confiança o futuro, contribuindo para salvaguardar as várias centenas de famílias dos trabalhadores que nos acompanham e procurando dar conteúdos variados aos tempos de lazer dos beneficiários, que são a nossa razão de ser como Fundação. I SET 2010 |

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Fotografia

Grande prémio do XIV Concurso “Tempo Livre” de Fotografia

Vencedor:

Fidalgo Pedrosa Lisboa sócio n.º 457296

Regulamento do XV Concurso “Tempo Livre” de Fotografia

1. Concurso Nacional de Fotografia da

5. Não são aceites diapositivos e as fotos

leccionadas terá como prémio duas noi-

revista Tempo Livre. Periodicidade

concorrentes não serão devolvidas.

tes para duas pessoas numa das

mensal. Podem participar todos os

unidades hoteleiras da Inatel, durante a

associados da Fundação Inatel, excluindo

6. O concurso é limitado aos associados

época baixa, em regime APA (alojamento

os seus funcionários e colaboradores da

da Inatel. Todas as fotos devem ser

e pequeno almoço). O prémio tem a

revista Tempo Livre.

assinaladas no verso com o nome do

validade de um ano. O premiado(a) deve

autor, morada, telefone e número de

contactar a redacção da «TL».

2. Enviar as fotos para: Revista Tempo

associado da Inatel.

Livre - Concurso de Fotografia, Calçada de Sant’Ana, 180 - 1169-062 Lisboa.

10. Grande Prémio Anual: uma viagem a 7. A «TL» publicará, em cada mês, as seis

escolher na Brochura Inatel Turismo

melhores fotos (três premiadas e três

Social até ao montante de 1750 Euros.

3. A data limite para a recepção dos

menções honrosas), seleccionadas entre

A este prémio, a publicar na «TL» de

trabalhos é o dia 10 de cada mês.

as enviadas no prazo previsto.

Setembro de 2011, concorrem todas as

4. O tema é livre e cada concorrente

8. Não serão seleccionadas, no mesmo

pode enviar, mensalmente, um máximo

ano, as fotos de um concorrente

de 3 fotografias de formato mínimo de

premiado nesse ano

fotos premiadas e publicadas nos meses

10x15 cm e máximo de 18x24 cm., em papel, cor ou preto e branco.

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em que decorre o concurso. 11. O júri será composto por dois responsáveis da revista T. Livre e por um

9. Prémios: cada uma das três fotos se-

fotógrafo de reconhecido prestígio.


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Emcasodeperdaauditiva, dêapenasouvidos aaudiologistas qualificados. “Em todo o mundo, existem mais de250milhõesdepessoascomperda auditiva, muitas delas crianças eadolescentes. Porqueaaudiçãoéumbemprecioso, aWidexCentrosAuditivos*éaúnica empresacomcertificaçãodequalidade ISO 9001-2008, oferecendo programas de reabilitação auditiva e condições de pagamento feitas à medida das necessidades de cada pessoa. Emcasodesuspeitadeperdaauditiva, fale connosco! Nos nossos Centros, vai encontrar uma vasta equipa de audiologistasqualificados,responsáveis pelaprevenção,identificação,avaliação ereabilitaçãoauditiva.” AudiologistaWidex

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Cartas A correspondência para estas secções deve ser enviada para a Redacção de “Tempo Livre”, Calçada de Sant’Ana, nº. 180, 1169-062 Lisboa, ou por e-mail: tl@inatel.pt

Rota do Teatro do vosso programa Turismo Educativo Júnior. Devo realçar ainda o elevado grau de profissionalismo e dinâmica desenvolvida por todos os monitores e coordenadora no cumprimento do programa. É excelente ouvir um filho dizer “…para o ano quero ir outra vez. Foi muito fixe!”. Obrigada. Cristina Barros (Educadora de Infância)

“Sétima Onda” Em Julho passei uns dias em Albufeira com a minha esposa, sócia da Inatel, e com agrado, constatei que no antigo espaço da Inatel, junto à praia, surgiu, agora, um Bar moderno e agradável, onde adorei passar algum tempo. É uma pena que uma intervenção semelhante não tenha chegado ao velho hotel, tão próximo do mar. Não será uma pérola subaproveitada? António Andrade, (por e-mail)

“Foi muito fixe!” Quero agradecer todo o profissionalismo na preparação de todo o processo relativo à viagem da

Errata Por lapso na página 32 da Revista Tempo Livre Nº 217 Julho/Agosto 2010, onde se lê “…equipa de Basquetebol do CCD da Caixa Geral de Depósitos (Porto)”, dever-se-á ler “equipa de Basquetebol do CCD da Caixa Geral de Depósitos (Lisboa)”.

50 anos na INATEL

Completaram, este mês, 50 anos de ligação à Fundação Inatel os associados: Ilda Justina Afonso, Amadora; Albino Vicente Castro e Jose Manuel Cardoso, Cascais; Ernesto Lopes Nunes, Coimbra; António Freire Morgado, Lisboa; Álvaro Manuel Silva, Porto; Júlia Santos Pacheco, Setúbal; Joaquim Correia Ribeiro, Sintra.

Coluna do Provedor A FUNDAÇÃO INATEL está, com efeito, a ten-

Kalidás Barreto provedor@inatel.pt

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tar afirmar-se num tempo moderno, mantendo o respeito pelo seu historial solidário, humanista e familiar que tornou, esta organização, de 75 anos, atraente aos seus associados e frequentadores. O desafio é porém de grande dimensão: as exigências são muitas, os confrontos são diferentes. Há hábitos humanos que se impõe sejam adequadamente corrigidos. Sem ferir susceptibilidades e sem desnecessários confrontos. Como sabemos, a cada acção há uma reacção; atitude que se aplaude quando é positiva e, logicamente, se condena se procura obstruir para tudo ficar na mesma; e isto tem duas faces como as medalhas: verso e reverso. É por isso importante que cada acção seja ponderada colectivamente pelos autores e a

transmissão dos objectivos seja explicada e discutida, atempadamente, com os executores. Modificar por modificar, mesmo quando as ideias são novas e válidas, sem este cuidado preparatório, pode conduzir a um lamentável fracasso; sempre assim foi e mais evidente se torna nos tempos de crise e de concorrência no mercado em que vivemos. Como bem disse o Dr. Carlos Mamede, na entrevista publicada no último número da nossa revista “A ligação à INATEL será cada vez mais vantajosa”. Já há resultados visíveis mas é necessário continuar a caminhada. Todos os que estão na INATEL terão, por certo, como objectivo que a Instituição mude os métodos de modernização das acções, mas não a sua história. Dito por outras palavras: mudar o rosto sem mudar o espírito. I


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Novas parcerias

Acordo Inatel/Europcar com 20% de desconto A Fundação INATEL estabeleceu um importante acordo de cooperação com a Europar, empresa líder no mercado de aluguer automóvel, que irá proporcionar aos associados um desconto de 20% no aluguer de viaturas de passageiros em Portugal continental e, desconto de 10% em alugueres efectuados em países da União Europeia. Para uso do benefício, os interessados deverão indicar o número do contrato Europcar (47560891) e apresentar o cartão de associado. O atendimento é assegurado pelas Agências e Unidades Hoteleiras da Inatel e o pagamento efectuado no momento da entrega do contrato (RA-Rental Agreement) com base na estimativa da duração do aluguer, sendo os ajustamentos efectuados no final. O presente acordo entra em vigor a partir de Outubro próximo.

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Assinatura do protocolo com a Associação de Auditores dos Cursos de Defesa Nacional

Ainda no âmbito de novas parcerias, foram assinados protocolos com a Associação de Auditores dos Cursos de Defesa Nacional (representada por Isabel Meirelles, presidente), com a Associação Portuguesa de Escritores (José Correia Tavares, vice-presidente) e com a

Orquestra Metropolitana (representada pelo Maestro Cesário Costa, presidente). Neste acordo, estão previstas bolsas de estudo para alunos que pretendam concluir o 12º ano na área da Música e que frequentem a Escola Profissional Metropolitana.

INATEL: estada gratuita no Dia Mundial do Turismo A Fundação INATEL associa-se às comemorações oficiais do Dia Mundial do Turismo 2010 com várias iniciativas, anunciando, desde já, a OFERTA DA ESTADA NAS UNIDADES INATEL na noite de 26 para 27 de Setembro próximo, convidando os nossos beneficiários associados a celebrar connosco esta data. A oferta é válida para todas as unidades INATEL nas estadas compreendidas entre os dias 24 e 27 de Setembro de 2010 A Organização Mundial de

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Turismo definiu como tema comemorativo deste ano o “Turismo e a Biodiversidade”. O turismo da Fundação INATEL está atento a esta temática, quer através de um conjunto de acções implementadas nas Unidades com vista à redução de custos energéticos, e entre as quais destacamos a instalação de painéis solares, quer através de novos produtos oferecidos aos associados como o “Projecto Caminhar com a INATEL”.


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Saúde e Termalismo Sénior O «Saúde e Termalismo Sénior», um programa governamental, organizado e gerido pela Inatel, regressa a 21 de Setembro com uma oferta lúdica e cultural rica em oportunidades para o convívio e o lazer, aliada à vertente termal e aos benefícios terapêuticos que as águas minerais naturais possibilitam. A partir de 1 de Setembro, todos os cidadãos com idade igual ou superior a 60 anos poderão inscreverse, a título individual ou em grupo, aos balcões dos mais de 400 pontos de venda em todo o país. Incluídos no valor da inscrição, os participantes têm ao seu dispor todos os serviços como transporte, estada e o acesso a uma programação lúdica e cultural no decorrer do programa, que se estende por 14 dias. Cada participante poderá ser acompanhado por uma pessoa, que é designada por acompanhante e deverá apresentar, no acto da inscrição, uma declaração médica a aconselhar tratamento termal. Dada a vocação estritamente social do Programa Saúde e Termalismo Sénior, os custos inerentes estão relacionados com o rendimento mensal dos participantes e vão de 100€ a 600€.

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“Sétima Onda” em Albufeira G Totalmente remodelado e reconvertido em Restaurante-BarEsplanada, abriu em Albufeira, na antiga gelataria da Inatel, junto ao Edifício Praia, o Sétima Onda, um espaço de qualidade e requinte, com sala de jantar no piso superior, e uma atractiva e confortável esplanada no piso inferior onde, a partir das 10 horas, funciona um bar com refeições ligeiras e outras sugestões a preços acessíveis. Como sublinhou um dos seus responsáveis, Fernando Santos, no acolhedor e bem localizado Sétima Onda, onde a música e mar se unem em harmonia, “só se vê o mar à frente e as ondas são música para os ouvidos”. “Andava a namorar este recanto da Inatel há alguns anos “, explicou à “TL” o empresário Paulo Pescada, outro dos sócios, que teve já diversos projectos de sucesso em Albufeira, casos do Alabastro, Capitulo V, El Panchito e que avançou com o amigo ex-jornalista, para esta parceria, um contrato de cinco anos, com a Inatel, cujos associados beneficiam de 15% de desconto

sobre os serviços de restaurante e bar. Suportado, na totalidade, pelos dois empresários, o Sétima Onda, inscreve-se na dinâmica da actual gestão patrimónial da Inatel que “procura parceiros para reaproveitar imóveis fechados e sem utilidade, dando-lhe um destino diferente que permita, ao mesmo tempo, rentabilizar o espaço e aumentar a oferta de serviços de qualidade”, salientou-nos Tiago Cardoso, técnico superior da Fundação, adiantando a existência de outros projectos de reaproveitamento de imóveis situados em Lisboa e Setúbal.

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Notícias

Projecto Inatel “Caminhar com a Natureza” A Fundação Inatel será, graças ao projecto “Caminhar com a Natureza”, apresentado no final de Julho na Foz do Arelho, a primeira rede hoteleira nacional a oferecer um programa integrado de turismo de natureza. “Temos condições invulgares para o turismo de natureza, aproveitando exactamente as nossas unidades hoteleiras que são, algumas delas, de excelência”, acentuou, na apresentação do projecto, o presidente da Fundação, Vítor Ramalho. “Caminhar com a Natureza” consiste na disponibilização de trilhos pedestres pré-definidos a clientes alojados nas unidades da INATEL. O programa propõe, ainda em 2010, cinco itinerários (Linhares da Beira/Vila Ruiva, Castelo de Vide, Luso, Piódão e Foz do Arelho) com enquadramento paisagístico diversificado, e que podem ser seguidos com o auxílio de um guia impresso ou de um GPS, alimentado a pilhas, que pode ser alugado nas respectivas unidades hoteleiras da fundação. O projecto com o qual a INATEL irá ampliar a oferta de serviços “associados a boas práticas ambientais” deverá nos próximo anos ser alargado a novas áreas, nomeadamente trilhos de BTT, passeios culturais e de observação da natureza, programas de agricultura biológica e visitas a centros de interpretação. Estão em estudo, aliás, vários projectos de conservação da natureza e da biodiversidade, através de parcerias com diversas entidades e da certificação das suas unidades hoteleiras junto do Instituto de

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Conservação da Natureza e da Biodiversidade, como salientou Carlos Mamede, vice-presidente da Inatel, instituição pioneira no lançamento do ecoturismo, desde 2002. O alargamento da oferta insere-se acrescentou, por sua vez, Vítor Ramalho - nos “novos desígnios” de modernização da fundação que conta com cerca de 200 mil beneficiários associados.

Turismo de futuro Estima-se que as viagens de Turismo de Natureza na Europa atinjam, em 2015, os 43,3 milhões de viagens, para isso que contribuindo uma

crescente consciência ambiental entre a população dos países emissores de Turismo que opta, cada vez mais, por áreas envolventes não massificadas e por férias activas e de conteúdo cultural. É quadro que a INATEL se tornará ,com o “Caminhar na Natureza”, na primeira rede de turismo e hotelaria a desenvolver plenamente este tipo de turismo, prosseguindo e ampliando a estratégia de modernização da sua actividade de Turismo e Hotelaria, e correspondendo à crescente adesão dos seus beneficiários às preocupações com o ambiente e a conservação da natureza e da biodiversidade.


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Santo da Serra G Explorações anuais negativas incomportáveis e a localização numa zona com microclima pouco atractivo, distante do Funchal, e nas proximidades de uma instalação agro-pecuária industrial conduziram à suspensão, em Julho último, da actividade da unidade hoteleira da Inatel no Santo da Serra (Madeira). Simultaneamente, e a par de soluções que tiveram em conta a salvaguarda dos direitos dos trabalhadores da unidade afectada, a administração da Inatel encetou “todas as diligências possíveis para a alienação do património imobiliário da unidade que apresenta características atraentes para múltiplas outras actividades e a eventual afectação do valor obtido à aquisição de uma outra unidade com características mais adequadas aos beneficiários da Fundação.” Enquanto este objectivo não for alcançado, a Fundação acordará uma parceria com uma unidade hoteleira de grande qualidade situada preferencialmente no Funchal onde os nossos beneficiários terão condições de preço idênticas às existentes em qualquer outro estabelecimento hoteleiro gerido pela Inatel.

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Apoio QREN na requalificação da Inatel Cerveira A Fundação Inatel assinou um contrato de apoio, no âmbito do QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional) ao investimento para requalificação da unidade hoteleira de Vila Nova de Cerveira, numa cerimónia presidida pelo ministro da Economia e Inovação, José Vieira da Silva, acompanhado por Bernardo Trindade, secretário de Estado do Turismo, Maria José Catarino, vogal do Conselho Directivo do Turismo de Portugal, e Carlos Lage, presidente da CCDR-N, na sede da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, em Julho último, no Porto. A necessidade de “valorizar o esforço dos agentes públicos e privados no investimento das actividades turísticas”, e a esperança de “que este esforço seja um sinal de estímulo”, foram aspectos focados pelo ministro. “A região Norte – sublinhou Vieira da Silva – constitui uma das apostas mais importantes da nossa estratégia de requalificação e diversificação turística.” A Fundação - que pela primeira G

vez, e com êxito, se candidatou a estes apoios comunitários - esteve representada pelo seu presidente, Vítor Ramalho, e pelo administrador da área financeira, Rogério Fernandes, na apresentação pública dos resultados do primeiro concurso no âmbito do Pólo de Competitividade – Turismo 2015, para atribuição de verbas do QREN a projectos turísticos inovadores e de qualidade. Este investimento permitirá a reconversão da unidade hoteleira num Hotel de 4 estrelas, com capacidade de 100 unidades de alojamento e restaurante, com serviços suplementares de piscina, campo de ténis, polidesportivo e biblioteca.

Obras de Francisco Simões nos Jardins do Casino G

Continua patente ao público, até final de Setembro, nos jardins do Casino Estoril,

junto ao Restaurante Mandarim, uma exposição escultórica de Francisco Simões que, pela sua invulgaridade, está a atrair numerosos visitantes, que a observam também à noite, com iluminação apropriada. Francisco Simões (Almada, 1946), é pintor e escultor de monumentos e obras em espaços públicos, dos quais o mais conhecido é o Parque dos Poetas, em Oeiras. Do seu currículo fazem, ainda, parte 34 exposições individuais, tendo participado em mais de 55 mostras colectivas, em Portugal e no estrangeiro. SET 2010 |

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Medalhas Inatel no Mundial da CSIT

Ténis de Mesa

G Representado, como habitualmente pela Fundação Inatel, Portugal conquistou várias medalhas de prata e bronze nos mundiais da CSIT (Confédération Sportive Internationale du Travail) que, este ano, teve lugar em Tallinn, capital da Estónia. No torneio, que decorreu em Julho último, com a participação de cerca de três mil e quinhentos atletas trabalhadores de 22 paises (75 portugueses), Miriam Santos (Masters de Almada) arrecadou três medalhas de prata nas provas de 50m, 100m e 200m Mariposa, Joana Bárbara (Masters de Almada) foi bronze em 50m Bruços e, igual medalha teve Hugo Baptista (Clube PT) no lançamento de Martelo. Destaque, ainda, para a 4ª posição de Susana Oliveira e Sónia Henriques em Atletismo, Ricardo Carrilho e André Santos em Natação e Anabela Santos e Sónia Lourenço em Ténis de Mesa. No Futebol o CCD Pigeirense foi 4º; o CCD Fidelidade Mundial Império Bonança (Basquetebol) e o

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O Pavilhão Desportivo da

Agência Inatel na Covilhã foi palco, em Junho, da final do do torneio nacional de Tenis de Mesa – Equipas 2ª e 3ª categorias. Na 2ª categoria o vencedor foi o CCD Queijas, de Lisboa. Na 3ª categoria triunfou

ADC Perre (Voleibol femino) obtiveram a 8ª posição e o Clube Pt – Lisboa (Vólei masculino) o 9º lugar. “Foi um marco na vida do clube e dos seus atletas que jamais será esquecido”, sublinha Eduardo Martins, dirigente do CCD Pigeirense. Para Hugo Baptista, bronze em Atletismo, a participação no torneio foi “ uma surpresa e um feito que me vem dar alento para as próximas temporadas”, assinalando o convívio e união dos participantes nacionais, oriundos de vários pontos do País. António Herrarte, do CCD Clube PT Lisboa, acentuou a importância deste tipo de competição como “enriquecimento pessoal de cada atleta e incentivo à prática do desporto amador”.

o CCD Siemens, também de Lisboa. No final, realizou-se o sorteio de uma estadia (fim-de-semana) para duas pessoas numa Unidade Hoteleira da Inatel, o prémio coube a Gonçalo Veloso do CCD Lapa do Lobo (Viseu).

Ouro na Alemanha G

O atleta paraolímpico Gabriel

Macchi, do Grupo de Convívio e Amizade das Donas, Fundão, conquistou a medalha de ouro na prova de 10 mil metros do Meeting de Bottrop, na Alemanha. Com este triunfo, em 33’ e 48’’, Gabriel Macchi assegurou a participação no Mundial de Invisuais, em

“Abrir Portas à Diferença”

Janeiro de 2011, na Nova Zelândia. O atleta, que envergou o equipamento da Inatel, teve o

A Fundação INATEL promove até Dezembro um programa de férias destinado a cidadãos portugueses, portadores de deficiência e incapacidade em graus iguais ou superiores a 60%, independentemente da sua idade. Esta iniciativa, que se assume como um importante factor de combate ao isolamento e à exclusão social, tem como principais directivas a promoção do desenvolvimento e do bem-estar dos participantes, a melhoria da sua qualidade de vida e uma integração plena de direitos. As estadas realizam-se nas

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unidades hoteleiras INATEL e têm a duração de seis dias, entre domingo e sexta-feira, em regime de pensão. Quando um participante não for autónomo no seu dia-a-dia, deverá fazer-se acompanhar por alguém que deverá apresentar condições para prestar todo o apoio necessário. Considerando as características muito específicas do Programa, o valor a pagar para usufruir do mesmo varia entre os 35 euros por participante, pessoa portadora de incapacidade, e os 50 euros por acompanhante, em quarto duplo, triplo ou quádruplo.

apoio da Agência Inatel da Covilhã.


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Turismo Educativo Júnior

“Os melhores dias e noites das nossas vidas…” Vêm de longe e trazem na mala a vontade de ficar a saber mais sobre os segredos da ciência ou sobre os trilhos dos castelos, sobre a prática dos mais variados desportos ou arriscarem a subida a palco. São os quatro caminhos que seguiram, um pouco por todo o país, os cerca de quatro mil jovens que este ano frequentaram o turismo educativo júnior da Inatel. 18

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e não estivesse a frequentar a rota do desporto, estaria agora em casa, a olhar para o écrã, “a jogar computador, para passar o tempo”. Aos 14 anos, Daniel Rocheteau, de Coimbra, passa pela primeira vez umas férias fora da esfera familiar e não hesita em dizer que as que está a viver são “das melhores”. De tal modo que, se pudesse, queria frequentar ainda a Rota dos Castelos. À chegada não conhecia ninguém mas, a dividir quarto com mais três colegas nas instalações da Inatel Foz do Arelho, já não se inibe de os tratar por amigos. E nesta semana do Turismo Educativo Júnior, as rotinas têm mesmo hora certa, como afirma a coordenadora desta rota, Mila Mira, “fazem as camas todos os dias de manhã, os

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horários têm de ser cumpridos, às 11H30 da noite já não se pode ouvir barulho nos corredores, porque estão com outros colegas e devem respeitá-los”. Depois de uma explicação prévia sobre as modalidades a serem disputadas naquele dia, no Parque de Jogos 1º de Maio já se alinham as equipas para o jogo de andebol. E todos os elementos vão a jogo, porque “aqui não há fracos, há jogadores”, remata a coordenadora a vestir o papel de árbitro. Rugby, basquetebol, futebol, atletismo, orientação e tiro com arco foram as outras modalidades experimentadas ao longo do dia. Nada de competições renhidas, que a diversão está primeiro. Durante a semana, há ainda tempo para visitar o centro de interpretação de Aljubarrota e o Pavilhão do Conhecimento Ciência Viva e ainda participar em jogos de conhecimento e cultura geral. São visitas organizadas de acordo com a cultura e os motivos turísticos da região onde se desenrola a semana de turismo júnior.

As gémeas Cátia e Alexandra Silva

Aventura, aventura… Quem está a viver uma verdadeira aventura com estas férias do turismo educativo júnior são as gémeas Cátia e Alexandra Silva. O pai tinha deixado a promessa: se tivessem boas notas e o ano escolar decorresse sem problemas, iriam ter uma surpresa. E assim tem sido desde o dia 18 de Julho. Frequentaram a Rota de Desporto da Costa da Caparica, a que se seguiu a Rota da Ciência Viva mesmo ao pé de casa, em Santa Maria da Feira, e encontrámolas em mais uma rota do desporto, mas desta vez com o grupo de Foz do Arelho, antes de SET 2010 |

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Rui Calarrão: “Um balanço muito positivo” Nesta primeira edição do programa de

destas semanas pode custar entre 10 e

Educativo Júnior, Rui Paulo Calarrão. A

Turismo Educativo Júnior – que terá

290 Euros. Valor que inclui o alojamento

ocupação das vagas apresentadas foi na

uma segunda edição em 2011, assim o

e a pensão completa em unidades

ordem dos 98%. No próximo ano –

determina o protocolo entre o Ministério

hoteleiras da Inatel; acompanhamento

sublinha-nos o também gestor do

da Educação e a Inatel, gestora e

permanente de monitores, visitas

Turismo Sénior e de outros programas

organizadora do projecto – participaram

guiadas e a realização de um conjunto

sociais da Fundação - o número de

cerca de quatro mil jovens dos 13 aos 17

de actividades relacionadas com cada

vagas vai ascender às 5 mil e, “apesar

anos, oriundos de todo o país.

uma das quatro rotas: do desporto, do

de nesta primeira fase o protocolo com

A difusão destas férias foi feita através

teatro, dos castelos e da ciência viva.

o Ministério da Educação ter a duração

das escolas e cada participante paga

Numa primeira análise, o balanço é

de dois anos, contamos que possa

consoante o escalão do abono de

muito positivo, como nos sublinha o

continuar”, com novas edições a partir

família. O que significa que cada uma

responsável máximo do Turismo

de 2011.

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finalizarem com a rota dos castelos, em Manteigas. Fizeram pão na Fábrica da Ciência Viva, em Aveiro, jogaram bowling, ficaram a conhecer Sintra e adoraram, visitaram o estádio da Luz e a Cátia teve ao ombro a águia Vitória – facto curioso para esta assumida portista ferrenha. Têm sido umas semanas e tanto. Só há uma coisa que retira ligeiramente a perfeição a estas férias: “o levantar cedo!”, confessam entre gargalhadas.

Cenas de palco “Quantas são as pancadas de Moliére? São 3, 7 ou 14?” pergunta Olga Monteiro, do serviço educativo do Museu do Teatro, à plateia de duas dezenas de jovens visitantes. É uma verdadeira viagem à história do Teatro em Portugal, esta visita guiada. Os olhares detêmse ora num figurino elaborado por Almada Negreiros, ora numa maqueta do Teatro Nacional D. Maria. Desvenda-se o segredo de um camarim, já nada se escuta do outro lado da linha do velho telefone de parede recolhido no Teatro Éden. Uma viagem como esta é impres-

cindível a quem quer ser actor, como Carlos Freitas, de 13 anos que veio de Joane, Famalicão. Escolheu esta rota precisamente porque quer representar e aproveita todas as oportunidades para ficar a saber mais sobre a sua arte preferida. Não admira que tenha adorado o workshop de teatro incluído nesta semana. Mas não se pense que quer unicamente fazer teatro. Televisão ou cinema não são alheios aos planos deste nortenho: “desde que esteja a representar estarei bem”. Quem já há muito pisa os palcos é o portuense Bernardo Gavina. Aos 15 anos e a estudar numa escola de teatro, escolheu fazer esta rota como mais um passo para solidificar os conhecimentos que vem sedimentando ao longo do ano escolar, embora confesse que esta semana “não me acrescentou muito em termos

Bernardo Gavina

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Visitar Sintra fez parte das actividades

artísticos”, mas valeu sobretudo em termos humanos, o conhecer pessoas e o contacto com os monitores e coordenadores. Neto de actor, Bernardo já participou em óperas infantis, em produções de Filipe la Féria por mais do que uma vez e espera fazer do teatro a via profissional, pelo menos “está a trabalhar para isso”, confessa sem vaidade. Para o exercício final desta semana, o Teatro da Trindade abriu as portas a este grupo de cerca de 40 jovens. Depois de vários exercícios de interpretação o desafio estava lançado: em grupo fizeram do poema Arte Poética, de José Luís Peixoto um objecto artístico. O mesmo é dizer: desenharam-no com gestos, com dança e com declamação. E o resultado surpreende. 22

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Que o diga Carla Santos, coordenadora deste grupo “Há pessoas mais pacatas que no palco se revelam e isso é o mais gratificante, pois dentro delas há mais por explorar”. Mariana Lima é uma dessas discretas jovens a quem ninguém adivinharia a desenvoltura dos passos de dança com que interpretou o exercício final e que arrancou longos aplausos da plateia. Mas ela não se deixa entusiasmar demasiado com as artes de palco: “Estou a pensar seguir num campo diferente, na área da publicidade. Mas sem dúvida que vou fazer isto nos meus tempos livres”. Sobre o saldo final desta semana, esta jovem de 15 anos, oriunda de Amarante, não hesita em qualificar estes dias como “um espectáculo, porque é mesmo muito, muito interessante. Temos de ter a nossa responsabilidade, sentimos que crescemos sempre um pouco e há sempre muita coisa a aprender, novas pessoas para conhecer”. De Guimarães, também para a Rota do Teatro, veio Catarina Moreira e as suas palavras sintetizam o entusiasmo geral dos participantes pela inovadora experiência: “Foram os 6 dias e as 5 noites melhores da nossa vida. Não era o estarmos de férias, era tudo …sem dúvida que não vou esquecer e espero para o ano poder voltar.” E quanto às pancadas de Molière, de que há pouco se falava, há teses para defesa de todas as versões. Haja motivos para as ouvir! I Manuela Garcia (texto) José Frade (fotos)


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Cultura

Concursos Inatel de Música e Etnografia

Apenas um fim de semana… Há coincidências e coincidências. Umas felizes, outras…menos felizes. Mas o que aconteceu no fim-de-semana 17, 18 de Julho foi uma coincidência feliz. Não um mero acaso, mas uma mostra do dinamismo que a Cultura Amadora atravessa e, em particular, a que é associada da Fundação INATEL.

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A CERIMÓNIA de Encerramento dos Cursos de Instrumentos Tradicionais na Casa do Concelho de Cinfães, a Cerimónia de Encerramento do V Curso de Sopros e Percussão em Seia e a apresentação dos 1ºs Prémios dos Concursos Nacionais de Etnografia e Música/2009 no Teatro da Trindade, foram o culminar de um processo de horas de planificação, de discussão de ideias, de abertura de espaço de debate, de formação e criação de novas parcerias. O V Curso de Sopros e Percussão decorreu entre 12 a 17 de Julho em vários espaços da cidade de Seia, numa parceria com a Associação do Fomento do Ensino Artístico - Conservatório de Música de Seia. Jovens das bandas dos distritos de Guarda, Castelo Branco, Viseu, Coimbra e Leiria, num total de 160, com idades compreendidas entre os oito e os 25 anos, participaram durante seis dias, num ambiente de convívio entre músicos filarmónicos, numa acção de formação com aulas individuais, de naipe e orquestra e vários workshops de formação musical. Numa perspectiva de futuro e não passadista, de manter tudo como está, o curso terminou com dois concertos: no dia 16 de Julho no Cine Teatro de Seia e em 17 de Julho, ao ar livre, em Santar. É de realçar a presença da Vereadora da Cultura de Seia e do Delegado Regional de Educação do Centro. Enquanto em Seia se ouviam instrumentos de Sopro e Percussão, na Casa do Concelho de Cinfães


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dominavam os instrumentos tradicionais: bandolim, guitarra portuguesa e clássica, cavaquinho, concertina e gaita-de-foles. O espaço foi pequeno para receber tanto público que quis ouvir os 64 instrumentistas que foram actuando no palco. Com o objectivo de recuperar sonoridades que fazem parte da cultura portuguesa, foi vibrante o entusiasmo com que o público foi aplaudindo os vários intervenientes, formandos e formadores. De realçar as palavras sempre elogiosas dos professores quando se referiam ao trabalho que a INATEL vem desenvolvendo ao longo dos anos. Também aqui as parcerias foram fundamentais: Associação Gaita-de-Foles e a colaboração das Casas dos Concelhos de Castro Daire e Cinfães. Dia 18 de Julho, 16h30, Teatro da Trindade: espectáculo de Encerramento dos Concursos de 2009 de Etnografia e Música. O Grupo Coral “Os Rurais”, a Banda Musical de Gouviães, a Orquestra de Bandolins de Esmoriz e as Cantadeiras do Vale do Neiva subiram ao palco do Trindade como complemento ao prémio de vencedores dos concursos 2009. A mudança de formato dos Concursos Nacionais proporciona aos grupos vencedores das várias áreas da cultura amadora e tradicional, para além do prémio pecuniário, o apoio à digressão do espectáculo vencedor, formação e apresentação no Teatro da Trindade. Foi assim uma tarde de vencedores, que foram desfilando perante uma plateia cheia

que não se cansou de premiar com os seus aplausos a Cultura Amadora e Tradicional. É de destacar a política de proximidade e diálogo constante com os CCD, que levou a que em todos os eventos a Direcção Cultural estivesse presente, acompanhando, apoiando, esclarecendo e organizando. Numa perspectiva de consolidar, aprofundar e inovar um projecto de intervenção cultural que reforce a imagem da Fundação como agente fundamental na sociedade, este fim-de-semana foi um bom exemplo de um caminho a seguir. I Rui Sérgio

À esquerda, Cantadeiras do Vale do Neiva e, à direita, Grupo Coral - Os Rurais. Em baixo, Banda Musical de Gouviães

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Rogério Fernandes Administrador

“A INATEL é feita por pessoas e para as pessoas…”

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esponsável pelas áreas financeira e administrativa da Fundação, Rogério Manuel Fernandes, 36 anos, não se furta às questões mais sensíveis da vida da Inatel. “Se fosse fácil não era para nós” é o lema deste gestor com especializações na área financeira e de controlo de gestão. Modernizar, reduzir custos e melhorar receitas é a via traçada pelo mais jovem administrador da Fundação que, entre um quotidiano de reuniões, análises, negociações, estudos e decisões – por vezes dolorosas – falou à TL da situação económico - financeira de uma instituição de importância transcendente no desporto, cultura e lazer populares, feita – sublinha – “por pessoas para as pessoas”. Como vai a INATEL responder, em termos orçamentais, à grave crise que o País atravessa? Desde o início do mandato, a actual Administração tomou como referência a expectativa de que, em termos económicos e financeiros, a situação nacional se iria agravar. Infelizmente, neste ponto, estávamos certos. Ora, actuando a Inatel na área da economia social, seria inevitável que tal circunstância afectasse a sua actividade. Tomámos, em 2009, as medidas que consideramos necessárias para potenciar as receitas em termos de curto prazo, como, por exemplo, a abertura das Unidades de Linhares da Beira e as dos Açores; acordamos parcerias com outras entidades, numa lógica de incremento do número de associados; renegociamos contratos existentes; avançamos para a centralização de negociação de compras, etc. Neste ano, apostamos, fortemente, na diminuição da despesa. Apesar de o orçamento 2010 26

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ter sido estruturado numa perspectiva de crescimento, sobretudo no investimento - a aposta na requalificação das estruturas e equipamentos é essencial – promovemos novos ajustamentos orçamentais no campo da despesa. Mas isto sem afectar a eficiência dos serviços prestados, valor que deve ser protegido e potenciado. Esses ajustamento em que áreas ocorrerão? Dou-lhe um exemplo. A Publicidade e Marketing foi objecto de um incremento orçamental no sentido de permitir não só a articulação da comunicação e da imagem da Fundação como “um todo”, de forma harmonizada – designadamente ao nível das agências distritais - mas também com vista a potenciar a captação de mais associados. Em contraciclo económico, esta captação é uma tarefa não só difícil, como complexa. Certo é, porém, que, este ano, conseguimos manter a base de associados sem decréscimos significativos, face


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ao período homólogo de 2009, e estamos a actuar no sentido de um crescimento efectivo. Atingido esse objectivo, poderemos então corrigir a folga orçamental eventualmente existente. E noutras áreas? Também os haverá, certamente. Os ajustamentos ocorrerão em toda a organização da Fundação, desde a estrutura administrativa e financeira à hotelaria e turismo, passando pela cultura e pelo desporto e pelas agências. A quebra elevada em termos de ingressos em actividades culturais pesará, por exemplo, no investimento previsto para a cultura. Dou-lhe outro exemplo: os trabalhos especiali-

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zados efectuados por empresas terceiras, designadamente as consultorias externas. Foi uma rubrica que procurámos reduzir fortemente. É lógico que há tarefas que não podemos, ou não possuímos técnicos especializados para realizá-las. Mas o princípio será o de apostar na formação dos profissionais da Fundação. Queremos colmatar essas necessidades internamente, valorizando simultaneamente os nossos trabalhadores. Tais ajustamentos não implicarão cortes no pessoal? Não. Admitimos, sim, racionalizar recursos, começando pelo controlo efectivo do número de trabalhadores da organização, nos seus vários SET 2010 |

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Entrevista

domínios, o que não existia antes. É natural, dada a sazonalidade da actividade de certas áreas da Fundação, casos da hotelaria ou da época desportiva, a admissão de alguns trabalhadores para colmatar necessidades pontuais. A prioridade é a defesa do quadro de trabalhadores da Inatel. Aumentou, entretanto, o número de pré-reformas… Sim, mas por manifestação de vontade expressa dos trabalhadores e negociadas de forma individual com cada um, atendendo à situação específica e nunca em situações em que, para a mesma função, se tenha de contratar um quadro externo. É um processo que necessita de um acompanhamento constante, tendo em vista o rejuvenescimento da idade média dos trabalhadores e que decorre, ainda, da necessidade de termos quadros com mais formação e especialização técnica. Procurar-se-á, no entanto, acautelar a necessidade de substituição do trabalhador que pretende a pré-reforma. Ou seja, a referida pré-reforma só será acordada caso tenhamos um recurso interno adequado para a função. Os resultados operacionais da Inatel no final de 2009 situamse em valores negativos de oito milhões de euros. São fruto, apenas, da crise que o País O tempo que atravessa? vivemos não se Os resultados operacionais compadece com actuais são reflexo de um problecertos processos ma estrutural do ex-Inatel IP. A burocratizados no transformação ocorrida em 2008, tratamento das com a passagem a Fundação de questões… direito privado e de utilidade pública, visou, entre outras coisas, permitir uma maior agilidade de gestão que, enquanto Instituto Público, não era possível. Não é um processo imediato. Será um trabalho continuado no sentido da auto sustentabilidade. Com passos firmes e certos! E para isso é lógico que os resultados operacionais têm de melhorar significativamente. Isto é algo que tem que ser compreendido por todos: órgãos sociais, trabalhadores, sindicatos e o próprio Estado. O Estado será sensível a essa questão? Seria impensável que o Estado reduzisse as verbas destinadas ao apoio das actividades da Inatel, com este tipo de conjuntura económica e, sobretudo,

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quando a mesma cumpre funções sociais da responsabilidade do próprio Estado nas áreas do Desporto, da Cultura e da Inclusão Social. Trabalhamos para conseguir melhorias no mais curto espaço de tempo possível. Mesmo na actual conjuntura, o princípio da redução de custos e incremento da receita está bem patente na nossa actuação. A adaptação das estruturas financeiras/recursos à nova realidade institucional é, portanto, um dos desafios da Inatel… É a questão chave. A Inatel tem uma cultura organizacional enraizada numa longa história e tradição. Faz parte da natureza humana a resistência à mudança. Sair da zona de conforto é sempre arriscado e nem sempre agradável, e todos nós temos a nossa zona de conforto… Qualquer mudança que ocorra tem que ser feita de forma gradual. Daí a importância das palavras do nosso Presidente quando diz que “estamos a fazer uma revolução silenciosa”, com calma, com prudência, com passos firmes. É um momento de transição em que todos temos que nos aperceber da mudança dos paradigmas. A concorrência é, entretanto, maior… A Inatel está agora confrontada com uma necessidade de “estar no mercado”, “actuar no mercado”, mas sempre no respeito por aquilo que é a sua vertente principal: as pessoas. Aliás a crise veio dar uma importância acrescida às entidades que intervêm na economia social, como é o nosso caso. Costumo dizer que a Inatel é uma organização feita por pessoas para as pessoas! Daí que em qualquer processo de transformação as alterações tenham que ser efectuadas de forma sustentada. Os recursos financeiros são mais escassos e as legítimas exigências dos beneficiários têm que ser acauteladas, incrementando os seus benefícios. Essa nova realidade de “entidade privada” da Fundação Inatel impõe, portanto, a uma gestão mais empresarial… É verdade em parte! Temos de conciliar a aplicação dos recursos existentes com a maximização dos efeitos pretendidos, nomeadamente em sede de valências aos associados. Aliás, vale aqui recordar as palavras do Ministro Vieira da Silva, na posse desta Administração: “não é pretendido o lucro mas também não é pretendido o prejuízo sistemático”. Daí que, queiramos ou não, as obrigações estatutárias implicam uma maior racionalização económico-financeira visando obter o máximo


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retorno dos investimentos efectuados no sentido da auto sustentabilidade, ou seja, conseguir melhores resultados operacionais. O Estatuto actual facilita esse processo… Mas serão necessários alguns ajustamentos que permitam maior agilidade na gestão. O tempo que vivemos não se compadece com certos processos burocratizados no tratamento das questões e que tornam incomportável o custo de oportunidade de certas decisões. Voltando à questão inicial: poderá considerar-se saudável a estrutura económico-financeira da Fundação? É um problema que não se coloca. Temos uma estrutura de activos sólida, bons rácios de liquidez, autonomia financeira e solvabilidade e reduzida exposição a terceiros. Mas, insisto, a prazo, a questão passa por uma efectiva melhoria de resultados do conjunto da organização. Registe-se, ainda, que, em termos de gestão, herdamos encargos elevados no domínio das despesas primárias, referentes ao Fundo de Pensões. Trata-se, em nosso entender, de uma responsabilidade a assumir pelo Estado, à semelhança do que ocorreu em instituições idênticas. Já expusemos, em sintonia com o Conselho Geral da Inatel, esta situação ao Governo. A Fundação continua dependente de subsidiação estatal… É certo, mas com um peso relativo de 25 % no total da despesa de investimento e exploração. E é irreal pensar numa redução imediata dessas verbas. Porque o peso das mesmas agravaria significativamente os resultados no curto prazo. Uma redução gradual é algo com que estamos a contar até conseguirmos a independência dessas verbas. Os programas governamentais de turismo social não resolvem esse problema? Essa é uma ideia errada. A Inatel não tem lucros com os programas governamentais, mas apenas a cobertura de alguns custos fixos em sede da estrutura. Aliás, se atentarmos no Turismo Sénior, o maior programa, gerido pela Fundação, apenas um quarto dos participantes é destinado às nossas unidades hoteleiras. O número relevante de 75% dos participantes fica alojado em outras unidades hoteleiras privadas. São programas que respeitam o Principio do Equilíbrio sendo que a comparticipação do Estado para a realização dos mesmos é equilibrada com os custos associados a receitas

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obtidas. Resultado: saldo zero. Sabe-se, no entanto, que esses programas também beneficiam o Estado… Um estudo elaborado pela Universidade de Aveiro sobre o Turismo Sénior concluiu que, só em termos de impacto fiscal, o Estado recupera mais de metade do financiamento, além de o programa permitir a criação ou manutenção de cerca de 1.000 postos de trabalho por todo o País. E o seu efeito repercutido no Valor Acrescentado Bruto, gerado directamente na economia portuguesa, é cerca de quatro vezes superior ao valor do subsídio do Estado. É, por isso, um investimento excepcional para o País, assumindo a Inatel o orgulho e mérito de possuir o conhecimento (know-how) necessário para a sua complexa gestão. Que medidas estão a ser tomadas para minimizar as dificuldades orçamentais? Várias e em vários domínios. Em primeiro lugar, como já indiquei, as directamente relacionadas O novo Portal com a redução de custos e optida Fundação Inatel mização de alguns procedimenserá um passo tos de contratação. determinante A unidade hoteleira de para uma presença Cerveira será objecto de uma procondigna na funda requalificação que envolInternet. verá um investimento de quase cinco milhões de euros e que certamente se traduzirá num impacto futuro muito elevado. Estamos a falar de uma região do país que, pelas suas especificidades, pode ser promotora da actividade turística nacional. Trata-se, aliás, de um projecto apoiado no programa QREN. No âmbito do QREN temos, neste momento, aprovados 3,6 milhões de euros de incentivos distribuídos por quatro candidaturas: Piscina Termal de Manteigas, unidades de Porto Santo e Cerveira, e Agência de Évora – Palácio do Barrocal, esta última para implementação do arquivo histórico e recuperação de uma das alas do edifício. Foram assinados protocolos com importantes entidades… Estabelecemos, de facto, parcerias com entidades de referência nacional que reflectem um acréscimo de benefícios para os associados, nomeadamente nas áreas do lazer, desportivas, financeiras, de telecomunicações e combustíveis. Concretizámos parcerias complementares à acti-

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vidade nomeadamente para o aluguer de viaturas desde já possível nas nossas Unidades Hoteleiras e nas Agências e no usufruto de percursos pedestres em circuitos seleccionados e disponíveis nas regiões circundantes às nossas unidades hoteleiras. E estamos a ultimar o lançamento previsto para Outubro do novo Portal da Fundação Inatel que será um passo determinante para uma presença condigna em termos da Internet. Referiu a questão do Portal. Como adequar a modernização tecnológica, nomeadamente informática, numa instituição com a vasta estrutura e os recursos da Fundação Inatel? Essa adaptação tem que ser efectuada de forma gradual, atendendo aos recursos existentes, quer financeiros quer humanos. Mas apesar dos percalços normais neste tipo de processos, estou convicto que tem corrido bem com muito realizado em curto espaço de tempo. Com o Turismo Quando tomamos posse, Sénior, só em termos corremos o risco, devido a difide impacto fiscal, o culdades com o modelo de gestão Estado recupera mais “SAP”, de não conseguir encerrar de metade do as contas anuais num prazo dilafinanciamento… tado. Era uma situação que não podíamos aceitar e, como tal, centrámos todos os esforços na reformulação desse modelo e na estabilização e reorganização da parte financeira. Esta tarefa implicou um grande empenhamento dos reduzidos recursos humanos e financeiros existentes na área. Nos dois anos da nossa intervenção, além da redução, significativa, dos custos com os desenvolvimentos informáticos, temos agora uma programação concreta de trabalhos centrada na área operacional da Fundação. Não foi só “fazer”, mas sim “fazer de novo”, partindo do zero. Mas cumprimos todos os prazos estatutários com contas auditadas e certificadas tanto as referentes a 2008 como já as de 2009, além da optimização ao nível do controlo dessas mesmas contas… Controlo de contas? Sim, houve um grande trabalho desenvolvido e uma forma muito articulada entre as áreas da contabilidade e da informática que permite que actualmente tenhamos relatórios mensais da actividade total da Fundação alguns dias depois do final do mês em análise. Para alguns isto pode parecer de

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somenos importância mas, se atentarmos nas aplicações de controlo orçamental que já estão implementadas e com informação ao dia, a evolução é grande quando comparada com o passado. Essas duas equipas estão, pois, de parabéns. Como é que está a ser abordada a questão da formação profissional? Esta matéria, como sabe, é algo que tem para mim e para o C.A. especial importância. Reforçámos significativamente o orçamento destinado a esta área de forma a dotarmos a organização de recursos mais preparados para os desafios de futuro. O Plano de Formação para 2010 contempla diversas áreas, adaptadas à realidade da Fundação, não só nos domínios técnicos, como comportamentais. Já em 2010, pretendemos atingir um número de mais de 500 participações em acções de formação com um volume de cerca de 15.000 horas de formação o que representa um crescimento de cerca de 30% face a 2009. Houve adesões ao programa Novas Oportunidades? É outro exemplo positivo a registar. Constatámos que mais de 70% dos trabalhadores possuíam habilitações inferiores ao 12º ano. E destes, mais de metade, habilitações inferiores ao 9º ano. Formalizámos em Outubro de 2009 a adesão à iniciativa Novas Oportunidades, constituindo-nos como entidade parceira do programa. Temos neste momento, no âmbito dessa adesão, cerca de 25 trabalhadores inscritos por sua iniciativa. E foi, com grande honra e satisfação, que participei na cerimónia de entrega de diplomas aos participantes do programa no passado mês de Julho, onde a Fundação Inatel foi referenciada exequo com entidades como a TAP, a Jerónimo Martins e a Martifer. Alguma iniciativa especial nos 75 anos da Fundação… São poucas as instituições existentes no nosso País com esta longevidade… e, para assinalar a efeméride, haverá no último trimestre, uma confraternização, na unidade hoteleira da Caparica, com todos os trabalhadores. Os demais actos comemorativos, embora importantes, não terão o significado deste, o que nem poderia deixar para uma Administração que aposta sobretudo no capital humano, nos seus trabalhadores, que são o recurso mais valioso da organização. I Eugénio Alves (texto) José Frade (fotos)


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Terra Nossa

Foz do Arelho, Caldas da Rainha, Óbidos

Uma viagem pelo Oeste A principal característica da Foz do Arelho é a sua dupla natureza. Ou seja de um lado temos o Atlântico, vigoroso, com as ondas a desfazerem-se em espuma na areia, do outro temos a lagoa, uma toalha de água ligada ao mar pela “aberta”, um canal de configuração errática. Entre estes dois espaços estende-se um extenso areal que vai mudando de feição consoante o rumo da “aberta”. NÃO SE SABE se foi esta singularidade que atraiu o abastado proprietário dos Grandes Armazéns Grandella, Francisco Grandella, certo é que após uma excursão à Foz, em 1897, deu início às obras do palacete, que mais tarde seria adaptado a Centro de Férias, propriedade da Fundação INATEL. Assim terá começado o veraneio na Foz. Tempo este que coincidiu com o nascer do hábito entre as classes abastadas de procurar as praias pelas virtudes das águas e do ar marítimo. Um texto de 1904 chama a atenção para as potencialidades do lugar como destino turístico. “A 10 quilómetros das Caldas da Rainha, há uma lindíssima praia denominada Foz do Arelho. Numa situação única no país, junto da Lagoa de Óbidos de margens encantadoras, muito ricas em caça, goza do privilégio excepcional de oferecer aos banhistas a escolha entre a onda forte do Oceano e o remanso da Lagoa que comunica com o mar e cuja água é portanto salgada e límpida.” Seguindo o exemplo de Grandella, logo no início do século XX, o conde Almeida Araújo edificou um palacete também na Foz e iniciou a construção de um hotel, o Éden Palace Hotel, mais tarde denominado Hotel do Facho. Estes três edifícios fundacionais da Foz do Arelho como praia de banhos fazem parte não só da História do lugar mas também da sua identidade estética. Entretanto o hábito de procurar a beira-mar para receber os benefícios do iodo generalizou-se 32

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e se nas primeiras décadas do século XX isso esteve reservado a uma elite, a Foz do Arelho de hoje é uma praia que, no pico do Verão, acolhe gente de todo o país e de além fronteiras. Bem, o resultado pode não agradar a todos, mas logo que chega Setembro o grande o areal branco multiplica-se em clareiras, dando outra possibilidade para usufruir da Foz. O que aliás não é de hoje, pois era em Setembro, dava a praia os primeiros passos como destino de banhos, que as “famílias de comerciantes e altos funcionários caldenses” alugavam casa e passavam uma temporada na praia.

Caldas da Rainha: Cidade Com Arte Vamos inverter o sentido das excursões de há um século, quando os aquistas que frequentavam as termas das Caldas da Rainha apreciavam visitar a Foz, e vamos às Caldas, primeiro, e a Óbidos de seguida. Deve-se à rainha Dona Leonor a fundação do Hospital Termal, embora a construção actual seja no essencial do tempo de Dom João V, obedecendo aos preceitos estéticos do século XVIII. O rei foi aconselhado pelos médicos a procurar lenitivo para os males que padecia nas Caldas. Ganhou com isso a então vila, como testemunham diversas obras desse período. Esse e outros factos referentes à vida do Hospital e das Caldas estão expostos no Museu de História do Hospital Termal e das Caldas da Rainha, instalado num edifício que foi residência de provedores e tesoureiros do Hospital, primeiro, e que mais


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Foto: JosĂŠ Frade

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Pormenor da Igreja do Pópulo nas Caldas da Rainha e, ao lado, rua em Óbidos

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tarde serviu de alojamento à família real quando vinha a banhos. No interior distribuem-se por várias salas uma mão cheia de memórias da cidade e das termas desdobrando-se pela pintura e cerâmica, joalharia e mobiliário, instrumentos médicos e científicos do passado. O mais eclético dos museus caldenses. Mas mais destacado dos museus da cidade é o Museu de José Malhoa domiciliado no interior do Parque da Cidade e que foi “a primeira obra de arquitectura realizada em Portugal com destino expresso de museu”. Sala após sala faz-se uma viagem pela pintura portuguesa de meados do século XIX a meados do século XX, com a obra de José Malhoa a ocupar um lugar destacado. As qualidades do Mestre para modelar a luz são notáveis. As qualidades para fixar com sinceridade o humano são ainda maiores. Razão tinha Almada Negreiros, quando notou que até ao aparecimento do pintor das Caldas da Rainha, “desde o século XV, desde as tábuas do políptico

do altar de São Vicente da Sé de Lisboa, este povo admirável nunca mais teve quem lhe retirasse o retrato.” Repare-se em “Os Bêbados”, ou melhor veja-se “As Promessas” ou ainda a “tela deliciosa” intitulada “Retrato da Menina Laura Sauvinet”. Mais recente, o Museu da Cerâmica, testemunha, em primeiro lugar, a importância da mesma no crescimento e projecção das Caldas. O Museu oferece cerâmica de diferentes proveniências e diversos autores, desde o século XVI até à produção contemporânea, com destaque para as peças de Rafael Bordalo Pinheiro e Costa Motta Sobrinho. Os mais recentes Museus caldenses são um renovado compromisso das Caldas como cidade de acolhimento arte. A escultura é a grande dama destes espaços que têm em Barata Feyo, João Fragoso e António Duarte os seus patronos. Cada um destes artistas é nome de museu, onde se revelam percursos pessoais, onde se divulga a sua obra. Barata Feyo fixou em pedra e bronze uma vasta galeria de grandes de Portugal, João


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INATEL Foz do Arelho Fotos: José Frade

Erguido na encosta do Monte do Facho, o INATEL Foz do Arelho, tem uma localização privilegiada sobranceira à lagoa de Óbidos e ao mar. Sendo o mais destacado edifício da Foz do Arelho, começou por ser um palacete mandado construir por Francisco Grandella, e onde Afonso Costa redigiu a Lei de Separação da Igreja e do Estado, durante a 1ª República. Recentemente renovada, esta unidade hoteleira, dispõe de 100 quartos, todos equipados com casa de banho privativa, aquecimento central, televisão e telefone. Além disso possui restaurante panorâmico, bar com esplanada, 4 salas para reuniões, sala de convívio e de jogos, parque de estacionamento e capela. A unidade é de acesso livre, sendo que os sócios do INATEL beneficiam de desconto.

Promoções em Setembro Durante o mês de Setembro a unidade hoteleira tem, em regime APA, as seguintes promoções: Em 7

Contactos:

noites, paga 5; em 4 noites, paga 3.

INATEL, Foz do Arelho

Oferta de estada em APA para

Rua Francisco de Almeida Grandela

crianças até aos 12 anos, desde que

2500-487 Foz do Arelho

acompanhadas por 2 adultos no

Telefone: 262 975 100

mesmo quarto. Informações e Reservas: Tel: 262 975 100; E-mail: inatel.foz@inatel.pt

Fragoso experimentou linguagens menos convencionais e António Duarte tem uma obra imensa, manifestando uma sensibilidade rara na execução de retratos. Perante as efígies de Teixeira de Pascoaes, Vitorino Nemésio, Sophia de Mello Breyner, entre tantos outros é fácil perceber porque lhe chamavam “Poeta-Escultor”.

Mas a cidade não se esgota nos seus museus. Podemos alargar o passeio e visitar a igreja do Pópulo, onde em 1504 a convite da rainha Dona Leonor, Gil Vicente apresentou o seu Auto de São Martinho. Continuando caminho chega-se à Praça da República, um rectângulo delimitado por casas muito desiguais, algumas merecedoras SET 2010 |

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GUIA

Rua Direita 78 a 86, 2510

Sacavém, Rua Ilídio Amado,

Óbidos, tel: 262: 959 299

Caldas da Rainha, Tel: 262 840

ÚTEIS

Centro de Artes

280

Região de Turismo do Oeste,

Museu António Duarte /

Museu do Hospital e das

Rua Direita, 87, 2511-909

Museu Barata Feyo / Museu

Caldas

Óbidos

João Fragoso ,Rua Elídio

Rua Rodrigo Berquó, Caldas

Tel: 262 955 061

Amado, Av. Columbano

da Rainha,

www.rt-oeste.pt

Bordalo Pinheiro, Caldas da

Tel: 262 830 300

Rainha, Tel:262 840 540

Museu de José Malhoa

MUSEUS

Museu de Cerâmica

Parque D. Carlos I, Caldas da

Museu Municipal de Óbidos

Palacete Visconde de

Rainha, Tel: 262 831 984

de elogios e outras bem pelo contrário. Merecedor de elogio é a reabertura do Café Central, em 2006, e onde brilha um grande mural de Júlio Pomar, executado ainda jovem, dando alegria à sala, e servindo perfeitamente de pretexto para vir à Praça.

Óbidos: A Terra de Josefa Quando se entra em Óbidos, pela Porta da Vila como é hábito, dá-se de imediato com os olhos no oratório incrustado na parede ricamente forrada de azulejos. Depois surge a Rua Direita, que como um sulco atravessa a vila de uma ponta à outra, terminando frente ao castelo, robusta e esguia fortaleza medieval adaptada a Pousada. Mas, mais do que os seus componentes individuais podemos considerar Óbidos, toda a vila, um monumento. Então, antes de conhecemos algumas peças, vale a pena dar uma volta para captar o ambiente e conhecer, nem que seja à superfície, esta terra. Claro que não se pode ignorar a Rua Direita, território predilecto dos ranchos de turistas e domicílio do comércio apelidado de típico. Mas deve-se ir além deste ponto tomar caminho pelas ruas secundárias, becos e escadarias. Será mais fácil, então, dar atenção a detalhes, como

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sejam os muros resplandecendo de branco, fazendo contraste com os cunhais e ombreiras pintados de azul forte e amarelo vivo, ou então uma ou outra janela manuelina. Um passeio pelas muralhas é um bom exercício e simultaneamente uma oportunidade privilegiada para ver a bela geometria dos telhados de terracota. Vamos agora conhecer, então, duas peças entre as muitas que fazem a fama de Óbidos. Podiam ser outras, mas a escolha recaiu sobre o Museu Municipal e sobre a igreja de Sta. Maria. Há uma razão para isso: tanto num espaço como no outro podemos encontrar a marca da mais famosa obidense, Josefa de Ayala, conhecida como Josefa d`Óbidos. A igreja de Sta. Maria é considerada a mais notável da vila. E é-o pelo equilíbrio das suas proporções, pelo elegante pórtico e é-o principalmente pelo seu interior, dada a conjugação dos diversos elementos decorativos, o festivo tecto, os rebuscados azulejos, o elaborado túmulo de D. João de Noronha e é-o pela profusão de obras de pintura. E lá está, Sta. Catarina de Alexandria, obra de Josefa rica em cor e significado. No Museu, um antigo solar, voltamos a encontrar a pintora obidense, desta vez com o Retrato do Beneficiado Faustino das Neves, quadro executado por volta de 1670. Para além desta peça, o museu expõe pintura de diversos autores que no seu tempo marcaram presença em Óbidos, vivendo na vila ou satisfazendo encomendas, desde o Quinhentista Garcia Fernandes ao contemporâneo Eduardo Malta. E assim não podemos deixar de pensar como esta antiga vila tem sido especial para uma longa linhagem de artistas e como as suas obras enriquecem Óbidos.I José Luís Jorge (texto e fotos)


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Inatel Desporto

Taça do Mundo de Parapente em Linhares da Beira O piloto francês Lucas Bernardin foi o grande vencedor da Taça do Mundo de Parapente disputada, de 7 a 14 de Agosto, em Linhares da Beira, numa parceria da Inatel com a autarquia de Celorico da Beira. VENCEDOR de duas das três mangas (voos) realizadas, Lucas Bernardin ultrapassou, no final, os restantes 103 pilotos da elite mundial da modalidade (incluindo seis portugueses) que competiram na bela e privilegiada encosta da Serra da Estrela, junto à aldeia histórica de Linhares. O português Cláudio Virgílio obteve o 2º lugar, seguido de outro francês, Julien Wirtz. A equipa francesa ganhou também colectivamente, superando o domínio italiano na Taça do Mundo 2009. Portugal, onde o parapente tem assumido importância crescente, ficou em 6º lugar entre as 46 nações participantes. Na competição feminina, a campeã nacional, Sílvia Ventura, conquistou o 4º lugar entre 11 38

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participantes. A competição foi ganha pela grande favorita, a japonesa Seiko Fukuoka. Tantos os atletas concorrentes como os responsáveis da PWC (Paragliding World Cup), entidade promotora da Taça do Mundo, elogiaram o sucesso organizativo da WIND – Escolas Parapente Portugal, da Fundação Inatel e da autarquia de Celorico da Beira e o nível competitivo de Linhares da Beira, capital nacional e altamente cotada a nível europeu e mundial, que registou a presença, na abertura, do Ministro Jorge Lacão. Para o Coordenador Geral da Prova, Samuel Lopes, o sucesso dos três eventos realizados em duas semanas - Festival Acrobático, Open


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Internacional e a Taça do Mundo - comprovou a capacidade organizativa do nosso País, assinalando o facto de o Delegado Técnico da PWC ter classificado a etapa portuguesa da Taça do Mundo entre as cinco primeiras, entre 110 já testadas. “Agora – sublinhou - podemos acolher qualquer prova, a X Series, o Campeonato da Europa ou, até, o Campeonato do Mundo. O caminho está aberto, com estes parceiros (WIND, Inatel e Câmara de Celorico da Beira) para, nos próximos 3 a 4 anos, recebermos qualquer um dos maiores eventos de parapente mundiais.” Lucas Bernadin considerou a prova de Linhares “uma das melhores etapas da Taça do Mundo deste ano (…) a organização estava impecável e é uma bela região para se voar.” Xavier Murillo, Delegado Técnico da PWC, prometeu o regresso, num próximo ano, de uma nova competição “em Linhares e noutro sítio também com boas condições, como Montalegre.” A vencedora feminina, Seiko Fukuoka, disse ter aprendido imenso com mangas “muito ventosas”, lembrou os fogos surpreendentes da serra “mas – salientou - a beleza de voar a partir de uma aldeia histórica compensou largamente. É um lugar para repetir.” A melhor portuguesa, Sílvia Ventura, apesar de não atingir o pódio, considerou fantástico o seu 4º

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lugar e lembrou os elogios dos concorrentes estrangeiros à qualidade do lugar e da competição. Um dos pontos altos do evento de Linhares foi o Festival Acro, acrobacia em parapente, com uma exibição dos campeões do mundo, os irmãos Rodriguez, de Espanha. Os irmãos Claudio Virgílio e Nuno Virgílio obtiveram o 1º e 2º lugares, respectivamente na Prova Internacional (open), entre 79 pilotos de 10 países. Sílvia Ventura venceu a prova feminina. A cerimónia de entrega dos prémios aos vencedores realizou-se na unidade hoteleira da Inatel de Linhares da Beira. I Imagens da Festa Parapente. À direita, o administrador Moreira Marques com alguns participantes

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Viagens

Viagem à Cisjordânia Um país por nascer A sugestão é viajar até um território que ocupa muitas vezes, por razões que nem sempre são as melhores, os media. São dois os argumentos. O primeiro é que a Cisjordânia não se esgota nessas imagens que a comunicação social propaga, quase sempre desamparadas de contexto. O segundo é que, se esse for o desejo do viajante, a viagem há-de ser tão exequível como qualquer outra.


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Viagens

E

há, ainda, outro dado a relevar: como acontece em certos lugares, o viajante pode contar com extraordinário acolhimento da gente local. Uma das razões é óbvia: onde rareiam os turistas e a lógica dos passeios por caminhos batidos, a hospitalidade mostra-se sempre inexcedível, espontânea, franca, calorosa. A outra explicação é o desejo palestiniano de se fazerem anfitriões de um país em estado de devir, um país que quase só respira numa bandeira e num ou outro símbolo. Por isso, tantas vezes ouvimos, nas ruas, nos transportes públicos, nos cafés ou nos mercados, na voz de vendedores que nos ofertam – literalmente - fruta ou pão, ou na saudação de quem nos deixa o chá na mesa, ou, ainda, na fala de um ocasional companheiro de viagem, em tom baixo, hesitante e tímido, um “welcome to my country”. Como se pedissem desculpa por não ser ainda um país inteiro, um país com soberania bastante para nos lançar um carimbo no passaporte, uma terra livre de muros e de arame farpado a cortar os passos e os ritmos dos dias. A construção do muro de várias centenas de quilómetros que separa a Cisjordânia de Israel, com o objectivo oficial de proteger o território israelita de atentados terroristas, veio avolumar a atmosfera de bloqueio. Na verdade, tal como têm denunciado várias instâncias internacionais – além dos próprios palestinianos e pacifistas israelitas -, o muro foi construído, na sua maior parte, muito para leste da Linha Verde, a fronteira definida após a guerra de 1948/49, isolando, assim, dezenas de povoações da Palestina e anexando ao território de Israel terras férteis e importantes aquíferos. O Tribunal Internacional de Justiça de Haia e a ONU condenaram a sua construção, declarando-a ilegal à luz do Direito

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Internacional e um sério obstáculo à paz. O muro deixou separada da Cisjordânia uma população de mais de cem mil pessoas e em muitos lugares – como, por exemplo, em Qalqilya, entre Ramallah e Jerusalém -, os agricultores palestinianos ficaram isolados das suas propriedades.

A vida entre checkpoints Há na parede de uma casa inacabada de Belém, perto do checkpoint da estrada para Jerusalém, uma pintura que pretende simbolizar o diferendo israelo-palestiniano. Dois burros, de cauda entrelaçada, puxam cada um para seu lado. A imagem simboliza bem a teimosia de dois povos condenados a entenderem-se e a viverem num território que ambos reclamam com equivalente legitimidade. O controlo do território é – como se sabe – feito pelo exército israelita. No interior, nos vários checkpoints que os palestinianos têm de atravessar todos os dias para irem trabalhar, e nos limites fronteiriços que separam a Cisjordânia dos países vizinhos. Quer se entre pelo Egipto, quer pela Jordânia, na Galileia ou em Allenby Bridge, na estrada que liga Amã a Jerusalém, lá estão rapazes e raparigas israelitas, pouco mais do que adolescentes, passeando-se nervosamente na linha de fronteira. Mas passados os trâmites fronteiriços, sobrevém uma plácida imersão na vida quotidiana da gente palestiniana, nos mercados, nas ruas, nos dias e nas noites de Ramallah, Hebron, Belém, Naublus ou Jericó. São vidas e rotinas semelhantes às de tanta gente em todo o mundo, com as diferenças circunstanciais de um país bloqueado. Gente que se ocupa com comércio, gente a cuidar dos campos, gente que transita pelas colinas de olivais entre cidades e aldeias, gente atarefada entre o presente e o futuro. É fácil ir de uma cidade a outra; num único dia pode-se ir de Ramalahh a Naublus e, até, a Junin, e voltar ao ponto de partida. Se não estiverem activos muitos checkpoints, obviamente, por qualquer razão militar. O mesmo acontece de Belém para Hebron. Um dos pontos de partida para estas andanças pode ser Jerusalém - a Porta de Damasco, de onde sai a maioria dos transportes palestinianos. Mas fazer de Ramallah, a sede da Autoridade Palestiniana, a base da viagem à Cisjordânia, tem duas vantagens, a de uma melhor familiarização com uma cidade de gente par-


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Viagens

cidadãos da União Europeia

palestinianos que saem das

de vida na Cisjordânia,

não é necessário visto,

imediações da Porta de

bastante acessível em

bastando um passaporte com

Damasco. Quer a partir de

comparação com Jerusalém,

COMO IR

validade superior a seis

Belém, quer a partir de

para além da localização, no

Voar para Tel-Aviv ou para

meses.

Ramallah, há transportes

centro geográfico do território.

Jerusalém é uma das formas

A partir de Jerusalém, pode-se

públicos frequentes para

de chegar à Cisjordânia. Da

chegar em menos de uma

Naublus, Jericó e Hebron.

capital israelita para

hora a Belém ou a Ramallah,

Jerusalém há ligações

se não houver dificuldades na

DORMIR

uma destas cidades: Em

ferroviárias frequentes e a

passagem dos checkpoints.

Quanto a alojamento, há

Ramallah, o Grand Park Hotel

viagem dura pouco mais de

Como é interdita a entrada de

oferta em praticamente todas

(www.grandpark.com); em

uma hora. Outra possibilidade,

veículos israelitas na

as localidades mais

Jerusalém, o East New

também por via terrestre, é

Cisjordânia, uma opção

importantes. A vantagem de

Imperial Hotel

cruzar as fronteiras com a

disponível são os pequenos

fazer de Ramallah ponto de

(www.newimperial.com), junto

Jordânia ou o Egipto. Para os

autocarros ou táxis

partida tem a ver com o custo

à Porta de Jaffa.

GUIA

Dois endereços úteis em cada

ticularmente activa e, claro, a do custo de vida, que pode ser dez vezes menor que o de Jerusalém.

De Naublus a Hebron Ramallah, a capital, é um centro comercial animadíssimo, numa região que é também agrícola. Uma boa parte do centro da cidade foi destruída por bombardeamentos israelitas e reconstruída com edifícios modernos. Mas em pleno centro conserva-se um pequeno labirinto de ruelas sobreviventes, o coração da actividade comercial mais popular da cidade. Ramallah é também reconhecida pelas dinâmicas culturais – aí se localizam os mais activos espaços culturais da 44

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ÚTEIS

Palestina, como o Centro de Arte Popular, o Teatro e Cinemateca Al-Kasaba e o Centro Khalil Sakakini, que acolhem regularmente exposições, concertos e outros espectáculos. Naublus, a caminho de Junin, é uma pequena cidade com vielas de timbre medieval – o núcleo mais antigo da cidade é uma herança arquitectónica da era otomana. O mais antigo banho turco da região – datado do séc. XVII – está justamente em Naublus, perto da mesquita Na-Nasir e continua funcional. Nos mercados de rua prova-se o inconfundível pão árabe e saborosíssimas azeitonas temperadas com especiarias. Os habitantes perguntamnos amiúde de onde somos e a cortesia prolongase em enumerações futebolísticas que vão dos nomes dos jogadores aos das equipas portuguesas e espanholas, populares entre os palestinianos. Nas paredes dos becos, aqui e ali, estão fixados cartazes de adolescentes, quase crianças, com metralhadoras nas mãos: são os mártires das lutas contra o ocupante. Mas destas cenas de evocações heróicas de resistência não se pode dizer que predominem na paisagem urbana. O que mais enche, realmente, os olhos dos viajantes é a efervescência de cidades atarefadas com as suas rotinas diárias. Em Jericó, famosa pelos seus laranjais, encontramos um sinal, entre muitos outros, da convivência palestiniana com diferentes credos e sensibilidades. Numa merceariazita de bairro, entre refrigerantes e comeres avulsos, damos com duas portuguesíssimas marcas de cerveja.


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Entre as comunidades maioritariamente islâmicas, a regra é as bebidas alcoólicas só terem venda autorizada em estabelecimentos específicos – e raros. A mercearia em causa era, claro, propriedade de um comerciante cristão. Para os visitantes estrangeiros – que completam, por vezes, o circuito do Mar Morto passando por Jericó, as principais razões para ir a Jericó são o ortodoxo Mosteiro da Tentação, do século XII, no monte homónimo onde Jesus se terá recolhido, e o belo mosteiro de São Jorge, incrustados ambos nas montanhas que ladeiam a cidade no lado oposto ao rio Jordão. Hebron é um centro religioso das três religiões monoteístas que nasceram na região e passa por acolher os túmulos de Abraão, Isaac e Jacob. A zona dos souks reflecte os tempos agitados das intifadas e a repressão do exército israelita. Muitas das lojas estão fechadas, mas as ruelas mais próximas da mesquita de Ibrahimi ainda conservam alguma animação com o comércio de rua. A visita à mesquita, onde há alguns anos um extremista judeu metralhou fiéis muçulmanos,

faz-se com fortes medidas de segurança, executadas por soldados israelitas. A ocupação israelita não é o único pesadelo da gente da Cisjordânia. A sociedade palestiniana aspira por uma independência efectiva e por um Estado com todas as letras, mas anseia também pelo fim da corrupção. A substituição da actual geração de líderes, que emergiram em situação de cerco e conflitos violentos, é vista com esperança como forma de ultrapassar os desvarios que minam a administração do país. O radicalismo terrorista e a repressão praticada pelos ocupantes geram um círculo vicioso, comenta Sharam, um velho palestiniano sentado à porta de uma loja do souk, das poucas que têm abertos os grandes portais de cor verde. E acrescenta: “Os que vêem pais e mulheres e irmãs humilhados, que vêem as nossas oliveiras e terras arrasadas por buldozzers acabam por não conseguir imaginar outra solução senão a da violência. É assim o nosso país...”. A poucos metros, passa uma patrulha israelita. “É assim o nosso país...”, repete, ainda, Sharam, seguindo com o olhar os militares, que desaparecem em direcção à mesquita. Enquanto bebemos o chá, não posso deixar de me lembrar da generosidade da gente do mercado, que mesmo com todos os bloqueios e muros, estende as mãos para oferecer ao viajante um pedaço de pão, um mão-cheia de fruta ou um chá. Como sempre acontece por esse mundo fora, são os que menos têm, os mais desapossados, aqueles que mais têm para dar. I Humberto Lopes (texto e fotos) SET 2010 |

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Património

“Ó alto, ó alto…”

Os Bombos de Lavacolhos Quase a beijar a zona da raia, o concelho do Fundão é terra de tocadores de bombos, um saber que exige mais força do que arte e que é marca distintiva da cultura popular do Interior. Fomos conhecer um dos últimos artesãos que ainda os constrói, tal como sempre o viu fazer aos antepassados.

ESCONDIDA entre as serras da Maúnça e da Argemela, com a Estrela a bordar o horizonte, ergue-se a pequena aldeia de Lavacolhos. Este lugar, que não tem mais do que duas centenas de cidadãos eleitores – tal a contínua sangria da emigração – guarda um dos mais preciosos segredos: a arte de fazer bombos. Pusemo-nos ao caminho, pelo empedrado irregular de apertadas ruas e ruelas. Não é difícil dar com a casa de Joaquim Simão, por todos conhecido. Há muito que no piso térreo reinventa as rotinas de uma arte que aprendeu da observação dos mais antigos. É ali que passa os dias, desde que chegou à reforma: a esticar peles, a apertar cordas, a pôr os eixos, a perpetuar a memória de um povo que não quer deixar morrer a tradição. “É preciso as mãos doerem ao apertar as cordas, só assim o bombo dá um som como deve ser”, afirma feliz. E começou logo a fazer bombos pequenos e grandes, mais as baquetas ou maçanetas – como também lhe chamam. E tanto lhe chegam encomendas para grupos folclóricos, como para particulares que querem ter um bombo em casa, são

sobretudo os emigrantes em França, na Suíça ou no Canadá; e também pessoas da região. E quando as forças teimam em começar a faltar, há que passar arte a outros. Joaquim Simão já aqui garantiu um seguidor, o neto Américo de 33 anos. “Começou cá a vir ajudar-me e a aprender e… é bom que ele fique com o vício dos bombos”. Já que, como sublinha, “Para tudo é preciso um dom e paciência para fazer as coisas como deve ser” e o Américo reúne essas características. Mais: ao gosto por aprender junta-se a curiosidade do saber manusear e moldar cada pedaço de metal, ou coser as peles de cabra, depois de demolhadas. Do saber actuar no momento certo depende a qualidade do produto final. “É preciso que isto não morra”, desabafa o neto. “Ninguém quer aprender e eu faço isto nas horas vagas”. E nos fins-de-semana em que não tem actuação marcada, é comum o Américo mostrar como se faz este instrumento na Casa do Bombo – um museu recentemente inaugurado nesta aldeia e que conta em imagens, sons e objectos esta tradição tão arreigada a este povo.

Tradição antiga Estes tambores gigantes que na região da Beira Interior assumem o nome de bombos é um instrumento essencialmente tocado pelos homens da terra nas festas religiosas – e também em eventos culturais para onde cada vez mais este CCD da Inatel é solicitado. Ao conjunto de três bombos segue-se um tocador de flauta, secundado por mais duas caixas, estas de menor dimensão. Atrás seguem homens, mulheres e crianças ento46

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ando versos, mais gritados do que melodiosamente cantados. É uma resposta ao ressoar do bombo, tal é o som que ele emite ao ser tocado com uma violência no limite da força do executante – defende o sociólogo Carlos Gravito, que publicou um aturado estudo sobre os aspectos rituais dos bombos de Lavacolhos. E essa mobilização da força associada à ideia de virilidade manteve-se até há poucos anos, já que, antigamente, apenas aos homens maduros era concedida esta tarefa. Américo Simão confirma-o: “Os homens de mais idade deixaram de tocar e nós começamos a agarrar nos bombos, tinha eu 19 ou 20 anos”. A Junta de Freguesia mandou reparar os bombos a Joaquim Simão e a malta nova da pequena aldeia fez finca pé para que a arte não morresse. Hoje, no grupo de tocadores, lá marca presença o Américo e os dois irmãos mais novos, Filipe e João, e um grupo de rapazes que mingua continuamente: “Estão a ir-se embora para a França, a

GUIA

Suíça…”, constata o jovem. “Queremos ver se a tradição não acaba, senão… morre tudo”, sentencia o jovem artesão. Voltando ao nosso mestre, Joaquim Simão recorda os bons tempos em que “andava com o Ti Zé Alves e com o Ti Abílio Mateus, íamos com os bombos para onde nos chamavam”. Hoje “as forças já não são nenhumas para tocar”, confessa por entre alguma amargura. Afinal já conta 86 anos de vida de intenso trabalho de sol a sol. “Agora já não acompanho os bombos, as pernas prendem-se e já não os acompanho; não quero ficar para trás. Mas cá ainda canto”. E parados ou em ronda pela aldeia, ou ainda pelas festas e romarias, homens e mulheres seguem os bombos e entoam melodias cantadas com um grande cunho de liberdade. São as vozes do interior da terra: Ó alto, ó alto/ Ó alto, ó alto/ Quanto mais acima/ maior é o salto/ la-ri-lo-le-la, ó alto, ó alto… I Manuela Garcia

COMER Snack-bar Sofia, Lavacolhos Telm. 93 447 59 42

A VISITAR

Restaurante Hermínia, Av.

Casa do Bombo

Liberdade nº123, Fundão

Antiga Escola Primária de

Tel. 275 752537

Lavacolhos SABER MAIS DORMIR

Gravito, Carlos, Os bombos de

Inatel Manteigas

Lavacolhos, aspectos rituais,

Tel. 275 980 300

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Paixões

Ivan O ‘terrível’ chefe Historiador, trompetista de orquestra sinfónica e “cozinheiro por opção”. Ao fim e ao cabo, o destino está sempre nas mãos de quem escolhe. CUMPRINDO um desejo de “mocinho”, concluiu a licenciatura de história na Universidade de São Paulo. Desistiu do mestrado quando a arte da culinária se atravessou no seu caminho. Por amor a uma namorada de estômago delicado meteu-se a preparar pratos que a tornavam feliz e descobriu que sabia lidar com os sabores. Mas isso aconteceu há tanto, tanto tempo. Hoje, o brasileiro Ivan Aguilar Fernandes é um chefe credenciado. Vive em Lisboa com a cabeça a fervilhar na urgência de abrir um restaurante. Nasceu em Ribeirão Preto, a terra onde se desenvolveu a indústria cafeeira que, agora virada para a cana do açúcar, investe na produção de cachaça. Aos 16 anos foi estudar música em Tatui uma cidade pobre do interior com 50 mil habitantes que dispõe de um Conservatório “equiparado às duas melhores escolas musicais de Inglaterra”. Dividido entre vocações expressas decidiu-se pela cozinha, a intrusa. A outra. Começou a fazer catering para os amigos, jantares nos Dias dos Namorados, acabando por ganhar fama no circuito dos restaurantes. Foi o criador do Festival Gastronómico de Curitiba que é, segundo diz, a “cidade com melhor qualidade de vida do Brasil”. Morou lá entre 1994 e 2003. Um ano depois, levado pelo bichinho da aventura, aterrou no Al Forno de Matosinhos. Por lá se demorou quatro meses enredado nas malhas da comida italiana que não é das mais requintadas. Entretanto, Augusto Gemelli convida-o para trabalhar no seu restaurante em Lisboa. “Gosto da atitude dos italianos utilizarem tudo e acharem que tudo é maravilhoso, 48

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nunca vi pessoal com um ego tão grande. Adepto da cozinha rústica, o Augusto limita-se a repetir as receitas da avó e da mamã”, garante. A marca de Ivan é a inquietação que o impede de ficar retido no mesmo sítio a marcar passo ou no aconchego do colo da segurança. Na qualidade de subchefe rodopiou pelas cozinhas dos restaurantes Terreiro do Paço, Bull & Bear, Tavares Rico, Circuit Taste e New Wok. Precisa de liberdade para improvisar, inventar combinações, misturar ingredientes que parecem incompatíveis como chouriço crocante a boiar numa sopa de melão, tarte de pampo com vinagrete de jaca ou gelado de rosas com calda salgada de tomilho. De repente, desata a rir destas “piadas ao jeito de muleque”. Do miúdo ladino que adorava comer “carambola no pé”. Nostálgico, ainda sente na boca o sabor da manga que comeu quando tinha sete anos. Do sumo, pegajoso e doce, a esvair-se por entre as mãos. Lembra-se dos inebriantes aromas da jaca e da goiaba. “A jaca, que é vendida nas praias do nordeste, cheira a banana madura”. O Brasil invade de rompante a conversa. “Morro de saudades das frutas, de dançar com o corpo colado, do calor húmido, do samba e do forró. Do peixe fresco acabado de pescar ainda com o cheiro de ondas”. Acha os portugueses fechados e sisudos. Qualificaos de “pais velhos e cansados com apego a coisas ruins que não conseguem desligar-se do passado”. Já os brasileiros, citando Agostinho da Silva, são “os filhos à solta”. Expansivos e descomplexados. Vá lá, um sorriso. Teve uma infância despreocupada e uma adolescência tardia. Inserido num ambiente familiar académico, preferia as brincadeiras na rua às leituras. “A minha mãe estudou filosofia, o meu irmão é escritor e tenho uma tia antropóloga ancorada na metodologia comparada”, adianta. Entre os livros de Nietzsche e as


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teorias do relativismo cultural, a cabeça do jovem Ivan “virou um saco de gatos”, o que se reflectiu na identidade da sua cozinha. No Clube de Jornalistas serviu pizza doce com calda de alho, tomate, mozarela e manjericão. Inventou um risotto de caracóis, usa molho de farinheira e utiliza raspas de laranja em vez de limão. “Gosto de picar um bocadinho disto e daquilo, das misturas inesperadas” No seu cartão de visita lê-se “chefe consultor e organizador de eventos gastronómicos”. Pois seja. Na Semana Gastronómica de Viseu construiu um jardim que mais parecia uma “instalação”. As flores e os cogumelos plantados sumiram-se no ritual da degustação. Numa disparidade de gostos gastronómicos, tanto aprecia uma língua de vitela cozida no ponto com ervilhas, como uma refeição de ostras e champanhe que é bem mais chique e afrodisíaca. “A minha mãe detestava os meus cozinhados, em particular as bochechas de boi que eu costumava fazer. Para ela só valia o bife com arroz de feijão e montes de gordura”, relata. O percurso enviesado e saltitante. Dois anos e meio no Tavares Rico com o chefe Philippe Peudonier aproximaram-no da cozinha francesa. No New Wak tentou dar uma voltinha à comida de cariz tailandês que “peca pelo abuso da erva limão, tudo sabe ao mesmo”. Guarda boas recordações do Terreiro do Paço, uma experiência gratificante e meteórica com a Júlia Vinagre, uma amiga que associa aos afectos, às cumplicidades das açordas alentejanas, das meloas, das conversas descontraídas na Terrugem onde descobriu o poejo “uma erva elegante” que passou a utilizar na caipirinha. Mantém uma relação muito especial com Miguel Castro e Silva que admira pela sua dedicação um tanto quixotesca à cozinha portuguesa.” É um romântico. Tem uma boa técnica, os pratos não são bonitos mas os sabores estão lá todos. Graças a ele passei qua-

tro meses no restaurante do Museu da Vitra, entre Poitiers e Limoges. Participei em seminários com diferentes designers que criaram pratos feitos de gelo, pão e outros materiais comestíveis”. Respeita ainda Luis Baena que pertence ao clã dos chefes com rugas que não viraram as costas à história. Andarilho, viaja com frequência no continente europeu e não só. Programa as férias em Praga de modo a coincidirem com os concertos a que pretende assistir, satisfazendo assim a sua faceta de músico. Noutro registo, atraído pelo colorido e a azáfama dos mercados de Barcelona e de San Sebastian fica a ver limpar o peixe, o bailado das mãos habituadas à escamadura. Os olhos fixam-se nos legumes frescos e na fruta, quanta fruta apetecível se dispõe naquelas bancadas. Ao balcão do restaurante da Boqueria, enquanto petisca as iguarias locais, repara que os sorrisos dos comensais se abrem à segunda garfada. Consome música e palavras. Stravinsky ou Mahler que escuta enquanto cozinha. Usufrui da poesia de Itamar de Assunção, um músico maldito, que fez parte da vanguarda paulista. Fundador da banda Sabor do Veneno, viveu à margem dos aplausos recusando até editar as suas músicas. Faleceu em 2003 com 54 anos. “Era um génio, um poeta maior do que Jobim com quem cheguei a tocar”, sublinha. No extremo oposto, aprecia a poesia concreta e visual de Augusto de Campos, o autor do Psiu que surge no contexto das artes plásticas. Inspiram-no ainda as músicas dos americanos John Cale e Meredith Monk. Na certeza de que a alegria espanta o tédio, divertemno as canções dos Karnak, uma banda brasileira. Define-se ironicamente como um brasileiro pequeno, agitado e curioso, mas com “facilidade para tomar decisões no meio dos adultos”. Na cozinha em acção mostra-se tenso e rápido. O que é que há para amanhã? Nada de projectos a longo prazo. Deixa-se embalar pela vida. I Lourdes Féria SET 2010 |

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Olho Vivo

O caracol da esperança

Por amor do fígado

Os caracóis sabem voltar para casa, segundo descobriu a D. Ruth Brooks, uma cientista amadora de 69 anos, em colaboração com biólogos britânicos. A conclusão surpreendeu o mundo da ciência, que não acreditava que uma criatura tão simples conseguisse descobrir o caminho para o jardim de origem. A senhora, exasperada por ver as suas alfaces todas rendilhadas pelos caracóis, mas sem coragem para os matar, transportou os gastrópodes para um jardim público ao lado de sua casa e descobriu que, alguns dias depois, os bichos estavam de volta ao sítio onde tinham nascido. Um biólogo da universidade de Exeter fez várias experiências, marcando os caracóis com verniz das unhas, e constatou que os bichos só se perdem se forem deixados a mais de dez metros do local original. Não são conhecidos dados sobre o tempo que demoram a percorrer a distância, mas lá que voltam, voltam.

Cientistas de 30 países realizaram uma série de 124 estudos para avaliar se há relação entre o hábito de tatuar o corpo e a incidência da hepatite C. Segundo o International Journal of Infectious Diseases, há. Os instrumentos usados, que entram em contacto com o sangue e outros fluidos corporais e nem sempre estão esterilizados, foram considerados culpados da infecção. As tintas também não são inocentes. Sendo tóxicas, produzem reacções alérgicas e infecções por bactérias ou fungos. Só nas cadeias do Canadá, 12 a 25 por cento dos casos de hepatite C entre os presos estão ligados à realização de tatuagens.

Ovulação aumenta decotes As mulheres compram roupa mais sexy quando estão na ovulação, diz uma pesquisa da Universidade do Minnesota (EUA). Os cientistas do comportamento acrescentam que o consumo de decotes e minissaias é inconsciente e não se destina a impressionar os homens, mas a superar as rivais. Já em 2008, a universidade de Los Angeles verificara esta tendência, mas só comprovara que 60 das suas alunas usavam, durante a ovulação, uma voz mais aguda, um atributo feminino, nas conversas em grupos que incluíam homens.

A Ilha de gelo A Terra tem mais uma ilha, com 260 quilómetros quadrados, a uns mil quilómetros do Pólo Norte. Só que é de gelo. Trata-se de um bocado enorme do glaciar Petermann, uma grande reserva de água doce, na Gronelândia, que assim se perde. Desprendeu-se no início de Agosto e anda à deriva, desde então. O anúncio foi feito por um universitário americano, Andreas Muenchow. O Árctico não perdia tanto gelo desde 1962. Isto está a aquecer... 50

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As belas e os monstros As mulheres bonitas, que se candidatam a empregos em que a beleza não é característica a considerar, são preteridas a favor de homens ou mulheres menos atraentes. Esta ‘monstruosa’ discriminação foi detectada num estudo da faculdade de economia da universidade do Colorado, agora publicado na revista Social Psychology. As belas têm menos hipóteses de ganhar lugares como os de gerente comercial, director financeiro, engenheiro mecânico ou supervisor de obras. O estudo acrescenta que os homens mais atraentes não sofrem discriminações semelhantes.


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A n t ó n i o C o s t a S a n t o s ( t ex t o s ) A n d r é L e t r i a ( i l u s t r a ç õ e s )

Popeye combate obesidade

Faltam só 170 anos Ficam já avisados os leitores do número de Agosto de 2182 da Tempo Livre que, se olharem para o céu, neste momento, aquela batata de pedra, com 560 metros de diâmetro, que se aproxima velozmente é o asteróide RQ36 em rota de colisão com o planeta Terra. Um estudo dirigido pela astrónoma Eugenia Sansaturio, da universidade de Valladolid, utilizando modelos matemáticos, concluiu que há uma hipótese em mil de este asteróide, descoberto em 1999 e seguido desde então com toda a atenção, chocar com a Terra daqui por 170 anos. Veremos, na altura, se tem razão, mas espera-se desde já que não.

A televisão tira a dor Três grupos de miúdos americanos, entre os 7 e os 12 anos, foram tirar sangue, conta a revista de pediatria Archives of Disease in Childhood, no seu número de Agosto. Ao primeiro tiraram sangue sem distrair as crianças. No segundo, as mães dos pacientes distraíram-nos com conversa e festas. Os catraios do terceiro grupo viram desenhos animados enquanto eram picados. No final do teste, avaliou-se a dor sentida pelas crianças, em entrevistas individuais. Os miúdos que não foram distraídos relataram níveis de dor três vezes mais altos do que os colegas que puderam ver os desenhos na televisão.

Mioleira de hipopótamo Uma pesquisa do departamento das Ciências Planetárias e da Terra da universidade norte-americana Johns Hopkins, feita no Quénia, dá razão às mães de todo o mundo que dizem aos filhos: come peixe que faz bem aos miolos. Os cientistas – geólogos, arqueólogos e antropólogos – descobriram que foi uma dieta de hipopótamo, peixe variado, tartarugas e antílopes o que permitiu aos nossos antepassados, há 1,9 milhões de anos, começar a desenvolver um cérebro mais parecido com o do homem. Sem um aumento da ingestão de proteínas, não iam lá. As escavações, que encontraram restos de 10 espécies diferentes de animais comidos crus pelos hominídeos, duraram quatro anos. As conclusões foram publicadas em Agosto nos Anais da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

A universidade Mahidol de Bangkok estudou o papel dos bons exemplos e boas práticas na educação alimentar de crianças de 4 e 5 anos e concluiu: ver desenhos do Popeye a comer espinafres leva os miúdos a consumir mais legumes e hortaliças. O estudo durou oito semanas e as conclusões foram publicadas na revista Nutrition & Dietetics. O programa, dirigido pelo Prof. Chutima Sirikulchayanonta (será que as crianças que não comessem hortaliça tinham que repetir este nome dez vezes?), incluiu, além do visionamento dos desenhos animados, actividades como brincar aos cozinheiros e festas em que se provavam vários tipos de vegetais. O consumo doméstico de legumes aumentou para o dobro, ao fim de mês e meio de experiência.

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A Casa na árvore Susana Neves

Orelha de coco A árvore que “leva a palma” a todas as outras escolheu os portugueses para a divulgarem no mundo.

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izem os cingaleses (naturais do Ceilão) que sua Majestade, o Coqueiro, Príncipe dos Trópicos, do alto dos seus 25 metros de altura, «não pode viver onde não ouve a voz do homem». Em “Colóquio dos Simples e Drogas e Coisas Medicinais da Índia”, livro editado em Goa, em 1563, e posteriormente traduzido em várias línguas como obra de referência, o muito sabedor médico e botânico de origem judia Garcia de Orta (Castelo de Vide, c.1500 — Goa, c.1568) dissera algo semelhante: «Fazem-se grandes e formosas as que estão perto de casas moradas, que parece que a gente lhe faz bem; isto pode ser por causa da sujidade, e também se querem bem entulhadas». Desconhecendo se a capacidade de sujar dos navegadores portugueses teria seduzido os primeiros Coqueiros (“Cocos Nucifera L.”) que, em 1498,

os avistaram em Moçambique e em Calicute, a verdade é que a sua voz não lhes parece ter sido indiferente, porque a palavra “coco”, atribuída ao fruto por lembrar a cabeça de um macaco («bugio») ou uma espécie de papão («a coca»), viria a ser adoptada na Europa, sendo matriz de outras designações para Coqueiro, a título de exemplo: em França, “Cocotier”, na Inglaterra, “Coconut”, na Alemanha, “Kokosnuss”. Apesar de o Coqueiro (da família das “Areaceae”) não poder ser plantado com sucesso na metrópole, por razões climáticas, à Lisboa quinhentista — transformada em “Nova Veneza”, capital do comércio mundial onde a Inquisição mandava queimar em praça pública os judeus e cristãonovos — afluíam, a par de tantas outras aromáticas, preciosas e exóticas mercadorias, muitos dos produtos que a partir desta árvore, «emblema da liberalidade», «que dá tudo quanto se quer ou se deseja dela», se conseguia produzir. Garcia de Orta não menciona nos seus “Colóquios dos Simples e Drogas da Índia” (a edição da Imprensa Nacional, Lisboa, 1891-95, Fotos: Susana Neves

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dirigida e anotada pelo Conde de Ficalho, está disponível “online”) as «noventa e nove aplicações úteis» identificadas pelos hindus, mas indica as mais conhecidas na época: do coqueiro faziam-se postes e vigamentos, tectos para as casas, cordas e calafetagens de navios, a partir do coco produzia-se a água, óleo, azeite, vinagre, “espíritos destilados” e açúcar; era ainda útil como remédio em mezinhas purgativas para os intestinos e estômago, como relaxante dos nervos e articulações. Não obstante termos descoberto a «árvore que leva a palma a todas as outras», e no século XIX, a “Arte Palmárica”, 1841, «um tratado especial da cultura dos palmares», escrita por um jesuíta anónimo, facultar o conhecimento minucioso sobre o modo de semear, transplantar, fazer crescer, produzir com sucesso «árvores que dão fruto doze vezes ao ano, qual a árvore que S. João viu no seu Apocalipse porque cada mês produz cachos de cocos», e de o “Jornal de Agricultura e Horticultura Prática”, 1894, aconselhar e indicar com muita precisão quais as “Palmeiras Úteis” a produzir nas colónias, à semelhança do que com muito lucro faziam os ingleses e holandeses nas suas possessões, nunca chegamos a ser auto-suficientes, quem sabe se para bem da biodiversidade. Ao longo dos séculos, sobretudo no século XIX, nas ruas e jardins públicos mas também nos jardins botânicos, plantamos palmeiras de várias espécies — entre elas, a “Palmeira-das-Canárias”, a “Palmeira-de-Leque-Mexicana” ou o “Coqueiro de Jardim” — para ostentar o poder do Império, por motivos ornamentais, mas também oníricos. Ainda hoje as palmeiras são uma das nossas espécies exóticas favoritas que plantamos sobretudo no litoral, onde melhor evocam a ideia que temos do Paraíso ou, melhor dizendo, a memória dos Paraísos que os nossos antepassados encontraram.

Plantamos palmeiras, muitas, e de várias espécies, mas no fundo todas parecem simbolizar e reportar-se a uma só: o coqueiro, árvore que representa ao mesmo tempo um destino e um meio de transporte, ou seja, o símbolo perfeito da viagem. Como bem recorda o Conde de Ficalho, em nota aos Colóquios de Garcia de Orta, havia um barco das Ilhas de Maldiva, «a terra clássica dos coqueiros», todo feito de palmeira, desde o casco até às velas. Constituiu «uma das curiosidades dos mares orientais, da qual falaram todos os viajantes, desde o autor de Periplo [de Pseudo-Escílax], até Marco Pólo...» Era a «gundra», um barco sem pregos, cosido simplesmente com fibra extraída da casca de coco. I

Palmeiras no Jardim Botânico Tropical em Belém

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66 CONSUMO Tantos e tão variados são os problemas ambientais, que por vezes até nos esquecemos da poluição sonora. Pág. 56  À MESA Do rico manancial das nossas sopas também fazem parte sopas frias, sopas de Verão, quando o corpo nos pede mais líquidos do que sólidos. Pág. 58  LIVRO ABERTO Em destaque, uma biografia de Afonso Costa; “Tudo o que eu Tenho Trago Comigo”, da Nobel 2009, Herta Muller; e a reedição de “O Complexo de Portnoy, de Philip Roth. Pág. 60  ARTES A exposição antológica de Ana Vidigal no Centro de Arte Moderna, em Lisboa, até dia 26, vale bem uma visita. Pág. 62  MÚSICAS “Baile Popular”, de João Gil e João Monge: um novo “projecto” de uma das mais criativas duplas de autores da música portuguesa. Pág. 64  NO PALCO O Trindade assinala o centenário da República e os 75 anos da INATEL com a peça “O Dia dos Prodígios”, baseada no romance de Lídia Jorge. Pág. 66  CINEMA EM CASA Em foco, três filmes de outros tantos nomes cimeiros do cinema contemporâneo: Clint Eastwood, de Michael Haneke e Jane Campion. Pág. 68  GRANDE ECRÃ Os primeiros, e já premiados, filmes do argentino Adrián Biniez e do britânico Peter Strickland, estreiam entre nós. Pág. 69  INFORMÁTICA Também na Informática é possível reduzir consumos de energia e optar por dispositivos mais ecológicos. Pág. 70  SAÚDE Segundo a Organização Mundial de Saúde, o número de pessoas afectadas pela doença de Alzheimer pode duplicar nas próximas duas décadas… Pág. 72  PALAVRAS DA LEI A quem tiver 65 anos ou mais de idade, ou a alguém que esteja reformado com invalidez absoluta, não lhe pode ser denunciado o arrendamento. Pág. 73 

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Boavida|Consumo

Silêncio! Vem aí o ruído… Tantos e tão variados são os problemas ambientais, que por vezes até nos esquecemos da poluição sonora. Mas o ruído existe, não é assim tão inocente e pode provocar graves problemas de saúde. É preciso estarmos atentos para evitar uma overdose de decibéis.

Carlos Barbosa de Oliveira

asta estar parado numa passadeira, à espera que o semáforo lhe dê autorização para atravessar a rua. Quando passa por si uma daquelas ruidosas nuvens de fumo que servem para embrulhar alguns veículos pesados, ou motoretas, logo se apercebe que vive num país de odores e sons onde ouve e cheira o que quer e o que não quer. A distinção dos odores é mais ou menos fácil. Há os cheiros nauseabundos provocados pelos lixos, ou por certas indústrias, os do incenso que se sentem no interior de algumas casas e aqueles perfumes que a publicidade promove, afiançando-nos que torna os nossos corpos mais bem cheirosos e atraentes. São odores distintos e recomenda o comportamento civilizacional “standard” que se detestem os primeiros e se apreciem os restantes. Em muitos locais, porém, há mais cheiros nauseabundos do que perfumes agradáveis. Talvez tudo se deva ao desvio padrão, determinado a partir de uma curva de Gauss que o milagre económico distorceu. Mas isso é outra história… Quanto à distinção entre sons é que me parece mais complicada! Para além da subjectividade da destrinça entre sons agradáveis e desagradáveis, há que ter em consideração que a “chinfrineira” em determinadas horas e locais é tal, que à força de hábitos adquiridos, alguns ruídos já foram promovidos a sons. Ouça-se em casa uma canção que apreciamos e nos impressionou favoravelmente e depois experimentemos ouvi-la numa discoteca ou numa barraca de feira especializada na venda de material sonoro pirateado e logo verificamos o que distingue um som agradável de um insuportável ruído… Nem sempre o problema do ruído em Portugal tem sido encarado com a importância que lhe é devida, mas as suas consequências podem ser demasiado graves para que as esqueçamos.Com efeito, o ruído pode provocar tensões e alterações psíquicas importantes que muitas vezes atribuímos ao “stress”, um réu que neste processo seria provavelmente absolvido ou, quando muito, condenado com pena suspensa.

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Quisemos saber alguma coisa sobre os decibéis a mais que consumimos um pouco por todo o País, mas não foi tarefa fácil, pois apesar das queixas apresentadas, das Directivas comunitárias e respectivas transposições e da legislação avulsa existente, são vários os organismos com competência na matéria. Estamos no entanto em condições de poder afirmar que, havendo discotecas em Portugal onde o nível sonoro atinge facilmente os 120 decibéis, não será difícil fazer uma análise comparativa com o que se passa noutros locais. Sabendo também que as exposições proANDRÉ LETRIA


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longadas a ruídos superiores a 85 decibéis podem causar lesões auditivas graves, não será para admirar se os otorrinolaringologistas e psiquiatras tiverem um apreciável aumento de clientela (sobretudo jovens) dentro de pouco tempo. Acrescente-se, ainda, que sendo o nível de 85 decibéis considerado aceitável, não é possível ouvir uma pessoa a 2 ou 3 metros de distância nessas circunstâncias e como sabemos, em muitas discotecas essa impossibilidade manifesta-se a partir dos 20 centímetros. Mas se a exposição, demorada ou contínua, a sons superiores a 85 db pode provocar anomalias auditivas, também as exposições temporárias e os ruídos impulsivos apresentam variados perigos. É por exemplo o que se verifica no caso dos motoqueiros atrás referidos, no ribombar de uns foguetes e situações similares que ocorrem no quotidiano. Recorrendo a estudos de especialistas, pode afirmar -se que qualquer pessoa que esteja sujeita durante 10 minutos a um ruído de 100db precisa de hora e meia de silêncio para se recompor totalmente, sendo de 36 horas o repouso necessário, quando essa exposição atinge os 90 minutos. Portanto, quando for a uma dessas discotecas, já sabe o que deve fazer no dia seguinte... E se no seu local de trabalho passar um dia inteiro sujeito a estes ruídos, provenientes de obras no exterior, o melhor será contar tudo ao seu médico no dia seguinte e pedir-lhe um atestado. Também durante o período de sono, o organismo está exposto, implicando a sujeição a ruídos superiores a 50 db, reacções vegetativas (alteração do ritmo respiratório e cardíaco, elevação da tensão arterial e perturbação dos mecanismos do sono) que não podem ser desprezadas. A propósito...sabia que uma motorizada que atravesse Lisboa numa noite calma, com o escape cortado, pode ser responsável pelo despertar de 100 000 pessoas? Há ainda os ruídos que se podem tornar agradáveis, desde que um certo estado de euforia contrabalance o seu incómodo, o que explica a razão por que o ambiente numa discoteca possa ser agradável, embora quando regressamos a casa sintamos dores de cabeça que atribuímos a um copito a mais ou ao “whisky marado”, mas que não é mais do que o efeito de uma “overdose” de decibéis consumidos durante a noite. O ruído não é apenas um desconforto para pessoas caprichosas. Interfere e afecta as nossas vidas a diversos níveis, pelo que é legítimo que reajamos quando nos incomoda. A legislação sobre ruído tem vindo a adaptar-se aos progressos da vida moderna, mas o grande problema é que a fiscalização não se tem revelado muito eficaz, reduzindo

o impacto de uma legislação bastante completa sobre o assunto. Em 2006 as autoridades policiais passaram a ter a possibilidade de suspender de imediato festas, convívios, discussões e obras no interior de edifícios que violem o Regulamento Geral do Ruído, aprovado em Junho daquele ano. Além dos períodos nocturno e diurno, foi estabelecido um “período do entardecer” (entre as 20.00 e 24.00), com limites menos restritivos do que os exigidos para a madrugada. A actuação será idêntica com as discotecas, bares, cafés e estabelecimentos comerciais que não cumpram as exigências previstas na respectiva licença. Não é fácil, porém, saber o local exacto onde deve dirigir-se além da polícia - para reclamar contra um ruído e seus criadores, até porque a maioria das Câmaras Municipais não adaptou a directiva europeia de 2006 sobre o ruído. Vá por tentativas e, se nenhum dos seus esforços resultar, resta-lhe comprar uns tampões, à venda nas farmácias. 


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Boavida|À mesa

Sopas frias, refrigério dos dias quentes Sopas, nós, portugueses, temos muitas. Muitas e boas. Saborosas e substanciais. A nossa condição de país rural legou-nos essa pequena vantagem. David Lopes Ramos

m rol de sopas de alta categoria. Não é preciso recuarmos muitas décadas para encontrarmos a sopa ou o caldo como elementos essenciais da dieta portuguesa, sobretudo nos meios rurais. Salvo nos dias festivos, em que a ementa era a comezaina, ou seja, a grande refeição, na qual os pratos de carne – assados de forno, como o cabrito, o borrego, o galo, o pato, o coelho, o leitão ou o porco e o cozido à portuguesa – eram os protagonistas, o que se comia no dia-a-dia era um ou mais pratos de sopa e o conduto, que tanto podia ser um pouco de carne, muitas vezes toucinho de porco, que apaladara o caldo, ou, nas sopas em que o tempero era o azeite, peixe frito ou assado nas brasas, com pão, claro, sendo que este não podia faltar. E vinho, na altura também considerado um alimento e não um suplemento de alma, como é encarado actualmente. Chamam-lhe alguns “a parte intelectual de uma refeição”. Seja. Os legumes são um dos mais notáveis componentes das nossas sopas, sejam os frescos, como as couves, as cenouras, as beldroegas, os grelos, as nabiças, as cenouras, o feijão verde, as cebolas, as batatas, os nabos, o tomate, entre outros, como os secos, com destaque para os vários tipos de feijão e o grão de bico, que as lentilhas, por exemplo, que foram muito populares em épocas históricas mais recuadas, caíram em desuso, surgindo agora associadas a dietas alimentares vegetarianas. Ou seja, além de muito saborosas, as nossas sopas são muito dietéticas, o que, atendendo ao espírito dos tempos, faz delas um alimento politicamente correcto. Do rico manancial das nossas sopas também fazem parte sopas frias, sopas de Verão, quando “está de ananases” e o corpo nos pede mais líquidos do que sólidos, embora não sejam muitas. E são do Sul. Sopas que, mais do que um alimento, são um refrigério. Portuguesas, na verdade, há duas sopas frias: o gaspacho alentejano e o arjamolho algarvio. O nosso gaspacho distingue-se dos espanhóis, pois os produtos – legumes crus, pão e fumeiro – são cortadinhos e assim são comidos, enquanto nos gaspachos de “nuestros hermanos” os ingredientes são passados pela máquina e, a

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maior parte das vezes, servidos liquefeitos. Num caso ou noutro, porém, a sopa é servida bem fria. O gaspacho alentejano tem, muitas vezes, a companhia de frutos frescos, como figos ou uvas, ou peixe frito, por exemplo carapaus ou petingas. Pode parecer estranho, mas é delicioso. Mas há sopas frias mais sofisticadas, a mais conhecida das quais é a “vichyssoise”, criação de um chefe de cozinha francês que trabalhou, no final do século XIX, no famosíssimo hotel Ritz Carlton de Nova Iorque. Há outras sopas frias mais distanciadas dos nossos paladares, como a sopa de pêraabacate mexicana ou a “kholodnik” bielorrussa. Nas férias, uma fuga à rotina pode começar pelas sopas. Frias e variadas, naturalmente. E não se esqueçam, como constantemente lembrava, quando lhe serviam sopa, o saudoso Melo Lapa, que foi jornalista, entre outros, do Diário de Notícias, que: “Antes das sopas, molham-se as bocas. Depois das sopas, molham-se as bocas”. Com os melhores vinhos, é claro. Para se fazer um gaspacho, quantidades calculadas para 6 pessoas, são precisos: 4 tomates bem maduros, 1 pimento verde, 1 pepino, 2 fatias grossas de pão de trigo alentejano duro, 3 dentes de alho, 4 colheres de sopa de azeite, 2 colheres de sopa de vinagre de vinho, sal grosso. No fundo de uma tigela de serviço, põem-se os alhos pisados com sal, o azeite e o vinagre, misturando tudo. Cortam-se os legumes e o pão aos cubinhos, rega-se com água bem fria – ou mesmo com gelo – e serve-se imediatamente. Pode salpicar-se com orégãos. Podem acrescenANDRÉ LETRIA


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tar-se uma nicos de bons presunto e linguiça. Já o gaspacho extremenho (Extremadura espanhola), para 4 pessoas, é assim: 4 dentes de alho, 2 tomates grandes muito vermelhos, maduros e firmes, cerca de 100 gramas de miga de pão de trigo (além do pão para juntar no final), ¼ de litro de azeite, ¾ de litro de água, um golpe de bom vinagre de vinho, sal. Esmagam-se muito bem, num almofariz, os alhos com um poucochinho de sal; depois, adiciona-se o azeite como se fosse para fazer o molho de azeite e alhos. Quando a mistura estiver bem ligada, junta-se-lhe a miga de pão, previamente demolhado em água e bem escorrida. Continua a trabalhar-se a mistura com o pilão do almofariz até se obter uma pasta, a que se junta a água, lentamente, até se obter uma papa com consistência do leite-creme. Rectifica-se o sal e a pimenta. Despeja-se numa saladeira ou noutro recipiente fundo e junta-se mais miga de pão, deixando-se repousar 10 minutos. No momento de servir, junta-se o tomate picadinho em pedaços pequenos e, por fim, o vinagre. Finalmente, a receita de “vichyssoise”, do grande chefe francês Paulo Bocuse, três estrelas Michelin, calculada para seis pessoas: 1 kg de alhos franceses, 450 g de batatas, 5 co-

lheres de sopa de manteiga sem sal, 2/4 l de água, 1 ramo de tomilho fresco, 1 ramo de salsa, sal, pimenta moída no momento, 1 ¼ de chávenas de natas espessas, 1 colher de sopa de cebolinho picado. Confecção: Pelam-se os alhos franceses, retirando-lhes a parte verde. Cortam-se no sentido do comprimento e lavam-se em água fria corrente, para limpar toda a areia. Secam-se e cortam-se grosseiramente. Descascam-se e cortam-se as batatas aos cubos. Derrete-se a manteiga num tacho grande. Junta-se o alho francês e cozinha-se em lume brando, sem deixar acastanhar. Acrescentam-se as batatas. Junta-se a água, o tomilho e a salsa e tempera-se com sal e pimenta. Retira-se o alho francês e as batatas, reservando um pouco de líquido da cozedura. Desfazem-se os vegetais em puré. Transfere-se o puré para um tacho limpo com uma chávena do caldo da cozedura e as natas. Leva-se a lume média, mexendo sempre. Retira-se do lume, deixa-se arrefecer e só então se leva ao frigorífico para arrefecer durante duas horas. Antes de servir, rectifique os temperos e enfeite com o cebolinho picadinho. Se acrescentar uns pinhões torrados vai ver que gosta. Bom apetite! 


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Boavida|Livro Aberto

Afonso Costa biografado e muita ficção de qualidade No ano em que se comemora o centenário da República, são bem-vindos todos os livros que dêem uma perspectiva correcta e não sectária do que foi o 5 de Outubro de 1910 e os 16 anos que se lhe seguiram, até à instauração da ditadura em 1926.

José Jorge Letria

OLHANDO para as edições recentes de obras de ficção nar-

or isso merece destaque a publicação pela Texto da biografia breve de Afonso Costa, figura central de toda a história republicana. Escrita por Filipe Ribeiro de Menezes, especialista em História Contemporânea, este livro ajuda-nos a conhecer o homem, o seu ideário, a sua época, mas também a sua brilhante vida académica e o modo como se bateu pela modernização de um país atrasado e predominantemente conservador. Chefe de três governos republicanos, Afonso Costa foi uma das figuras importantes da história política portuguesa do século XX. Um livro a não perder, conciso, rigoroso e apelativo em termos de leitura. Refira-se ainda que o livro, de 208 páginas, inclui uma rigorosa cronologia da vida e da obra de Afonso Costa, jurista, académico e político. Lendo esta biografia, fica-se a saber mais sobre a República e sobre os valores que a estruturaram.

rativa, não faltam títulos merecedores de destaque, escritos por autores portugueses e estrangeiros: de Herta Muller, Nobel da Literatura, o pujante e poético “Tudo o que eu Tenho Trago Comigo” (D. Quixote), “O Original de Laura” (Teorema), de Vladimir Nabokov, obra-prima inacabada do autor de “Lolita”, que esteve encerrada num cofre de banco e à beira da destruição, a oportuna reedição de “O Complexo de Portnoy”(D. Quixote), do grande escritor norte-americano Philip Roth, a ler e reler sempre, a reedição de “Tocata para Dois Clarins”( D. Quixote), um dos melhores livros de Mário Cláudio,”A Cidade Ausente” (Teorema), do excelente escritor argentino Ricardo Paglia, a grande revelação que é “Crítica da Razão Criminosa” (D. Quixote), de Michael Gregorio, que situa a acção deste romance no ano de 1804, deixando presente nela a marca do pensamento filosófico de Kant, “Issa” (Pub.Europa-América), de Lois Drake, que nos remete ficcionalmente para o tempo em que Jesus Cristo

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mudou a história espiritual da humanidade, e ainda, em tempo de centenário, a reedição do clássico “As Aventuras de Tom Sawyer” e “O Roubo do Elefante Branco e Outras Histórias” (Pub. Europa América), ambos de Mark Twain, para além da edição, em formato de bolso de “O Limiar da Sombra”, de Joseph Conrad, e de “Billy Budd, o Marinheiro”, de Herman Melville. Realce merecido, em língua portuguesa, para “A Cama do Gato”, do poeta e ficcionista António Rebordão Navarro, em edição da Afrontamento, para a irresistível e imaginativa colectânea de contos breves “O Devorador de Livros” (Oficina do Livro), de António Victorino de Almeida, para “Diário dos Infiéis” (Oficina do Livro), de João Morgado, e ainda para “Royal Dream”(Chiado Editora), obra de estreia da escritora portuguesa que usa o nome literário Anne Elizabeth. Um derradeiro destaque, em matéria de ficção narrativa, para “Filhos e Amantes”

(D. Quixote), uma obra-prima da literatura universal de D.H.Lawrence, para reler sempre. PARA QUEM gosta de livros divertidos que

fazem perguntas para as quais a resposta, sendo surpreendente, é muito mais simples ou complicada do que à primeira vista pode parecer destaca-se o título “Porque É que os Gatos Ronronam e as Pessoas Falam Tanto?” (Oficina do Livro), de Robert Mathews, jornalista do “The Times” e do do “Sunday Telegraph”, que decidiu juntar algumas das mais interessantes e desafiadoras curiosidades do nosso quotidiano. Para ler com prazer. Na linha dos livros de auto-ajuda que continuam em alta na procura dos leitores, surge “Será que ele Vai Ligar?”(Academia do Livro), de Rachel Greenwald, que talvez ajude algumas leitoras a ficarem na rota do chamado “Homem Ideal”. 


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Boavida|Artes

A sociedade portuguesa segundo Ana Vidigal Retrato iconográfico sarcástico da sociedade portuguesa dos últimos 30 anos, a exposição antológica que Ana Vidigal mostra no Centro de Arte Moderna, em Lisboa, até ao próximo dia 26, vale, sobretudo, como reflexão irónica, bem-humorada, sobre os nossos costumes e atavismos, moralismos e outras características nacionais. Rodrigues Vaz

eunindo 120 obras, entre pinturas e colagens, esta série de obras da artista, intitulada Menina Limpa, Menina Suja, constitui uma síntese perfeita dos seus 30 anos de trabalho, segundo Isabel Carlos, comissária da exposição, que salienta, por outro lado, que «O modo como Ana Vidigal lida com o ornamento e o decorativo – papéis de embrulho, padrões múltiplos e variados – é subtilmente cáustico. Equaciona os padrões oriundos das mais banais funções – florinhas, bonecos, papéis de parede, moldes de revista de costura – com o vocabulário modernista e abstracto-geométrico.» Como sarcasticamente apregoará num dos desenhos incluídos intencionalmente, para a artista, «A menina limpa quando é boa é boa», mas «Quando é má é melhor», que é uma forma muito objectiva e clara de recusar a mediocridade e o conformismo que nos são peculiares.

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DESENHOS DE JORGE QUEIROZ

Sob o título Donnerstag e outros Desenhos, Jorge Queiroz apresenta, por seu lado, até ao próximo dia 17, no Espaço Chiado 8, igualmente em Lisboa, uma tão curiosa como importante exposição constituída por obras realizadas nos últimos três anos, que permite acompanhar os desenvolvimentos recentes do seu trabalho e revisitar a vitalidade de um programa artístico assente em estratégias de suspensão, no perpétuo embargo à estabilidade e na capacidade de promover tensões entre a ficção do real e a expressão do fantástico. Jorge Queiroz foi aluno do Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual, em Lisboa, entre 1990 e 1993, e realizou um mestrado da School of Visual Arts de Nova Iorque, no biénio 1997-1999. Vivendo em Berlim desde 2004, o seu 62

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Obra de Ana Vidigal, em cima, e desenho de Jorge Queiroz


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trabalho conhece actualmente uma muito significativa circulação em galerias, instituições e certames internacionais, de entre os quais se destacam as suas participações nas bienais de Veneza, São Paulo e Berlim. A ÁFRICA DE MIGUEL BARROS

Entretanto, a MAC – Movimento Arte Contemporânea, Lisboa, abre a nova época com a exposição Continente Berço, de Miguel Barros, actualmente a trabalhar em Angola. Homenagem à África, a Eterna e a de Sempre, esta mostra é, antes de mais, uma tentativa de reflexão sobre o homem africano, nas suas circunstâncias e condicionalismos. Utilizando uma técnica baseada em tramas sobrepostas que vão sugerindo imagens compósitas à medida dos graus da luz e da sombra que vai utilizando, o artista alcança com grande eficiência técnica os seus objectivos, ao perspectivar-nos com clareza a actual situação no terreno. Como acentua o seu galerista, Álvaro Lobato Faria, que assina o texto do catálogo, esta é «Uma pintura da apreensão do espaço e da tenuidade do existir, restituindo-nos a história perdida e criando um outro modo de educação do olhar. A arte de Miguel Barros, extraordinariamente sensível na fluidez da luz e do lirismo, na vigorosa desmaterialização da cor, na força e no encanto da sua evasão e do seu êxtase, é uma fascinante e esplêndida aventura espiritual e técnica.» Miguel Barros terminou o Curso do IADE, Design de Interiores e de Equipamento Geral, em 1984, tendo dirigido de 1987 a 1999, a Terapia Ocupacional do Centro das Taipas, em Lisboa, atelier de pintura na recuperação de toxicómanos, uma experiência que o marcará indelevelmente. TAPEÇARIAS DE PORTALEGRE

Por último, saliente-se a excelente exposição, no Centro Cultural de Cascais, de um conjunto particularmente significativo de tapeçarias criadas na Manufactura de Tapeçarias de Portalegre, a partir de trabalhos de alguns dos mais importantes artistas portugueses e estrangeiros contemporâneos. Esta mostra permite a fruição de opções estéticas muito diversificadas, entre as quais se contam as de Le Corbusier, Carlos Botelho, Lurdes Castro, Menez, Nadir Afonso, Costa Pinheiro, Cruzeiro Seixas, Júlio Resende, Manuel Cargaleiro, Eduardo Nery, Graça Morais, Charrua, Rogério Ribeiro, Victor Pomar e Figueiredo Sobral, por exemplo, significativas do trabalho da instituição criada em 1946 por Guy Fino e Manuel Celestino Peixeiro, em Portalegre. 


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Boavida|Músicas

“Baile popular” até que o sol nasça “Baile Popular” é o título genérico do novo CD de João Gil e João Monge, um novo “projecto” de uma das mais criativas duplas de autores da música portuguesa.

Vítor Ribeiro

álbum agora editado integra 11 temas e conta com as participações dos músicos e cantores Mário Delgado, Alexandre Frazão, Miguel Amado, Paulo Ribeiro, Zé Emídio, Luís Espinho e João Paulo. Uma das canções – “Rosa à Janela” – foi escrita em parceria com Rui Veloso, registando-se ainda as participações especiais de Ana Sofia Varela e do acordeonista João Frade. Há 14 anos (como o tempo foge...), Gil e Monge foram igualmente responsáveis pela criação de “Rio Grande”, um dos maiores sucessos de vendas, de sempre, da indústria discográfica nacional. Para o êxito então alcançado, contribuiu, em boa parte, o elevado grau de identificação dos consumidores com o retrato do país que então nos era apresentado. Em “Baile Popular”, os autores como que revêem e actualizam o estado da Nação, colocando-nos frente-a-frente com o Portugal profundo, devolvendo-nos uma imagem do que nos resta da nossa matriz substancialmente rural. De resto, num texto de promoção do novo CD, o compositor João Gil esclarece: “Estamos aqui a lidar com a Música Popular, estamos aqui a contar algo que faz parte da história do nosso País”. E o país, mas não só o nosso, é também percorrido musicalmente neste “Baile Popular”, tal como explica João Gil: “(…) desta vez fui directamente à fonte das palavras. O Povo Alentejano tem um cantar único e próprio, que define um País único, com uma língua poeticamente paradisíaca. A paisagem do sul cruza-se neste Baile Popular com universos que vão desde o Nordeste Brasileiro, até à roullote estacionada algures no deserto americano, numa

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qualquer história de motel”. Ao que tudo indica, “Baile Popular” poderá, com todo o mérito, registar o sucesso de anteriores trabalhos da dupla Gil/Monge. Assim queiram o contexto e a conjuntura do país: triste e cabisbaixo. João Gil apela: “Peguem na mão de quem amam e venham até para lá do horizonte e até que o Sol nasça, dancemos e cantemos este Baile Popular”. ALEXANDRE PIRES “MAIS ALÉM”

Do cantor e compositor brasileiro Alexandre Pires acaba de nos chegar o álbum “Mais Além”, onde o autor nos apresenta 12 temas que “amplificam o seu reencontro com o samba”. O amor e a mulher foram a exclusiva fonte de inspiração de Alexandre para o novo CD, cujo tema de fecho –“Mulher das Estrelas” – é uma homenagem a Alcione, intérprete maior de samba num dos seus estados mais puros. Uma das faixas mais “dançáveis” – “Eu Sou O Samba” – conta com a participação de Seu Jorge, outro autor de destaque das gerações mais novas de criadores brasileiros. Curiosidade: “Mais Além”, tema que dá título ao álbum, foi composto por Alexandre em Lisboa, durante uma digressão por Portugal. 

SUPERTRAMP NO PORTO E EM LISBOA

Os Supertramp efectuam um concerto no Pavilhão Rosa Mota, no Porto, dia 14 de Setembro e no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, dia 16 de Setembro. Em ambos os casos a partir das 21h00. Este espectáculo integra-se numa digressão da banda por 11 países da Europa.


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Boavida|No Palco

“Ninguém se liberta de nada, se não quiser libertar-se…” Assinalando o centenário da República Portuguesa e os 75 anos da INATEL, o Teatro da Trindade e a Comuna levam à cena, a partir de 23 de Setembro, a peça “O Dia dos Prodígios”, numa adaptação e encenação de Cucha Carvalheiro do romance de Lídia Jorge.

Maria Mesquita

crianças António Teixeira e Duarte Teixeira. Co-produção

acção decorre em Vilamaninhos, interior algarvio, não longe do mar, entre o Verão 1973 e a Primavera de 1974. É o Portugal da guerra colonial: há uma madrinha de guerra e um soldado. Mas ecoam memórias da primeira guerra mundial e da implantação da República, e as pessoas desta pequena comunidade, que a emigração reduziu e maioritariamente idosas, parecem viver à margem do tempo e do mundo, ocupadas em reviver o passado, presas em preconceitos ancestrais e conflitos caseiros. Até ao dia dos prodígios, o dia em que a aldeia vê uma serpente a voar… Irónico e próximo do realismo mágico, o texto da escritora algarvia, adaptado e encenado pela Directora do Trindade, glosa as contradições tradicionais que estruturam e condicionam o imaginário português. Do turbilhão da Revolução de Lisboa até ao Algarve rural, fala-se de soldados mortos e desaparecidos, de madrinhas de guerra… mas será que as gentes de Vilamaninhos vão entender quão significativo é o que, subitamente, vai agitar a pacatez de uma aldeia envelhecida e conservadora? Haverá consequências? Quais? Por outras palabras, uma peça que nos lembra um valor permanente e esencial: “Ninguém se liberta de nada, se não quiser libertar-se…”,

Pesquisa

Fundação INATEL | Teatro da Trindade | Comuna - Teatro de

A

FICHA TÉCNICA: Autor: Lídia Jorge; Adaptação para teatro e

encenação: Cucha Carvalheiro; Direcção Musical: Carlos Mendes; Interpretação: Carlos Paulo, Cristina Cavalinhos, Diogo Morgado, Elisa Lisboa, Filomena Cautela, Hugo Franco, José Martins, Lucinda Loureiro, Luís Lucas, Maria Emília Correia, Maria Ana Filipe, Rogério Vieira, Teresa Faria e as 66

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“A Gaivota” no TNSJ

Gaivota” de Tchekhov é a produção com que o Teatro Nacional de São João, no Porto, abre a nova temporada, a 15 de Setembro. História trágica na sua essência, o autor desejava-a entendida como uma comédia. A estreia não foi feliz, mas acabou aclamada no final da temporada pelo público e pela crítica.

A

“Um Eléctrico chamado Desejo”

aseado na célebra obra de Tennessee Williams, chega agora ao palco do Teatro Nacional D. Maria II, com encenação de Diogo Infante, a peça “Um Eléctrico chamado Desejo”. Com Albano Jerónimo, Alexandra Lencastre e Lúcia Moniz nos principais papéis, a peça estará em cena de 9 Setembro a 31 de Outubro.

B

“Dança da Morte”

ntretanto, o Teatro da Cornucópia encerra a temporada 2009/2010 com “Dança da Morte”, uma co-produção com a companhia española Nao D’Amores. Espectáculo bilingue, encenado por Ana Zamora, com elementos de ambas as companhias, “Dança da Morte” é uma fantasia da imaginação popular, uma viagem no tempo para reviver os mitos que ajudaram a mitigar o absurdo da morte, nascida no actual contexto cultural, em que se tende a negá-la e a afastar a sua lembrança, substituindo o ancestral anseio de imortalidade por uma imatura ficção de “a-mortalidade”. Depois de uma primeira apresentação no Festival de Almada e de uma digressão em Espanha, o espectáculo regressa ao Teatro do Bairro Alto para uma segunda série de representações de 30 de Setembro a 17 de Outubro. 

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Boavida|Cinema em casa

Eastwood, Campion, Haneke, Wes Anderson… Setembro é um mês de retorno a grandes nomes do cinema: de Clint Eastwood temos o seu mais recente trabalho, “Invictus”; de Michael Haneke poderemos desfrutar o também excelente e multipremiado “O Laço Branco”; e temos, de Jane Campion, “Bright Star – Estrela Cintilante”. Por último, seleccionamos a animação “Fantastic Mr.Fox”, de Wes Anderson, ainda por estrear nas salas nacionais. Sérgio Alves INVICTUS

134m, Cor, 2009 ;EDIÇÃO: Zon

Band; REALIZAÇÃO: Michael

O FANTÁSTICO SR. RAPOSO

Cinco anos após o fim do

Lusomundo

Haneke; COM: Christian

É a história de um sr. Raposo

Friedel, Ernst Jacobi, Leoni

de muitas aventuras noctur-

apartheid, a África de Sul é um país em reconstrução.

O LAÇO BRANCO

Benesch, Ulrich Tukur;

nas. Ele devia acabar com tal

Permanece a desconfiança

“…Não quero que os meus fi-

Aústria/Alemanha, 144m,

vida e tornar-se um pai

entre negros e brancos e o

lhos cresçam num sítio onde

P/B, 2009; EDIÇÃO: Atalanta

responsável. Mas o sr. Raposo

mundial de Rugby surge

impera a maldade, a inveja, a

Filmes

é demasiado rebelde e sel-

como uma opor-

apatia e a brutalidade…”. A

tunidade para

frase, do filme, resume a

BRIGHT STAR – ESTRELA

incursão nas quintas dos mal-

melhorar bar-

história vivida numa pequena

CINTILANTE

vados Boggis - Bunce e Bean -

reiras e precon-

localidade alemã, em 1913,

Londres 1818: um amor

à procura de galinhas. Só que

ceitos. É a

onde uma série de trágicos

secreto nasce entre o jovem

desta vez as coisas não vão

história inspi-

acidentes ameaçam pôr fim

poeta inglês John Keats e a

correr bem …Wes Anderson,

radora de um líder, Nelson

ao quotidiano habitual. O

vizinha do lado, Fanny

nome seguro da cine-

Mandela, que procura unir o

Barão, o Pastor e os seus

Brawne, uma

matografia actual – autor de

país e o povo através do

muitos filhos, o Feitor, o

bela estudante

“Os Tenenbaums” (2001),

desporto e da sua força

Médico e o Professor da

de Moda. A

“Um Peixe fora de Água”

imparável levando a maioria

aldeia - narrador da acção –

poesia aproxi-

(2004) e “The Darjeeling

negra a apoiar a selecção de

assistem a uma terrível série

ma-os e esti-

Limited” (2007) - assina um

rugby, modalidade favorita da

de eventos que os confrontará

mula uma

delicioso e invulgar filme de

vagem e vai tentar nova

minoria branca. Clint

com uma ver-

paixão, feita de cartas

animação,

Eastwood reafirma o seu ta-

dade inespera-

apaixonadas e gestos inquie-

merecedor de

lento e experiência dirigindo

da. Palma de

tos, que dura até à doença e

vários prémios

com mestria um momento

Ouro em

morte de Keats… Depois da

internacionais e

marcante da história sul-

Cannes e

surpresa de “O Piano” (1993),

muito valoriza-

Melhor Filme

a confirmação de “Retrato de

africana. Morgan Freeman e

do pelas vozes

Matt Damon, nos principais

Europeu do Ano, “O Laço

uma Senhora” (1996) e a

de actores consagrados como

papéis, ilustram este hino ao

Branco” é um filme decisivo

desilusão de “Fumo Sagrado”

George Clooney, Merryl

sonho de um povo com o

para a compreensão da

(1999), a realizadora neo-

Streep ou Bill Murray.

desporto como força unifi-

Alemanha da primeira

zelandesa assina uma belíssi-

TÍTULO ORIGINAL:

cadora. Mais uma realização

metade do séc. XX. Michael

ma história de amor.

Mr.Fox; REALIZAÇÃO: Wes

segura, num argumento hábil

Haneke assina uma obra vio-

TÍTULO ORIGINAL:

e com uma característica

lenta, a preto e branco num

REALIZAÇÃO:

importante: a maioria do

registo que deixa marcas pro-

COM:

elenco é de origem sul-

fundas no espectador. Um

Whishaw, Paul Schneider,

africana.

filme indispensável para

Kerry Fox; GB/Austrália,

EDIÇÃO:

entender a génese e a

119m, cor, 2009; Edição:

Multimédia

evolução da Alemanha e da

Prísvideo

TÍTULO ORIGINAL: REALIZADOR: COM:

Invictus;

Clint Eastwood;

Matt Damon, Morgan

juventude alemã na alvorada

Freeman, Tony Kgoroge,

do Nazismo.

Patrick Mofokeng; EUA,

TÍTULO ORIGINAL:

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Das Weisse

Bright Star;

Jane Campion;

Abbie Cornish, Ben

Fantastic

Anderson; VOZES: George Clooney, Merryl Streep, Jason Schwartzman, Bill Murray; EUA/ GB, 87m, cor, 2009; Castello Lopes


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Boavida|Grande Ecrã Imagem de “Non ma fille, tu n’irás pas danser”, cartaz de “Gigante” e pormenor de “Katalin Varga”

O que aí vem Setembro reserva algumas novidades cinematográficas importantes. Resumamos: há filmes marcados de emoções e acções fortes, aqui e ali a deixarem transparecer uma rara e, nalguns casos, sedutora intensidade expressiva, capazes de estilhaçar ideias feitas e surpreender.

Joaquim Diabinho

o conjunto, trata-se de três filmes provenientes de cinematografias europeias ou emergentes, assinados por cineastas (estreantes, nuns casos) de reconhecido talento, elogiados pela crítica e prestigiados internacionalmente em inúmeros festivais. O que os une? Antes de mais, uma efectiva relevância artística, com um discurso sólido e inovador. Após a chamada “trilogia de Paris” (Dans Paris, Les Chansons d’Amour e La Belle Personne) centrada nos jogos adolescentes dos amores e desamores, do poder familiar e das normas sociais, Christophe Honoré propõe-nos em “Non ma fille, tu n’irás pas danser” – em cartaz a partir de dia 2 - prosseguir alguns desses temas similares através da “crónica íntima” de Lena, uma jovem mãe divorciada a viver tempos conturbados e do papel determinante da sua família para que recupere, se reencontre e se revalorize. É notório que Honoré se preocupa cada vez mais com a solidez do argumento (onde, de resto, tudo assenta) mas também com a fluidez das imagens, o lugar do olhar da câmara e a sua mobilidade. Um filme doce, terno, sentimental q. b. sobre a (in)capacidade dos afectos, a liberdade e a procura da felicidade. Com Chiara Mastroianni, Marina Foïs, Marie-Christine Barrault, Jean-Marc Barr, Louis Garrel, Christophe Honoré… .

N

FAZER DE UMA HISTÓRIA de amor vulgar, – no caso, entre

um segurança de supermercado e uma empregada de limpeza – tema de um (primeiro) filme pode ser uma tarefa

francamente difícil e arriscada. Habilmente, o cineasta argentino, Adrián Biniez soube contornar essas dificuldades e evitar enredar-se em sentimentalismos lamechas. Evidenciando boa capacidade de inovação e excelente domínio narrativo, “Gigante” - em tela lisboeta dia 9- vai oscilando entre a comédia romântica e o conto de fadas, a metáfora sobre os dispositivos de vigilância e a crítica à alienação social. Com Horacio Camandule, Leonor Svarcas, Ignacio Alcuri, Fernando Alonso… Premiado nos Festivais de Berlim (Grande Prémio do Júri - Urso de Prata, Prémio Alfred Bauer e Prémio para o Melhor Primeiro Filme), Chicago, Havana, San Sebastian, Lima. SURPREENDENTE é a palavra-chave que melhor se aplica a

“Katalin Varga” (com estreia agendada a 23), primeira obra do britânico Peter Strickland, aclamado pela generalidade da crítica mundial. O que este filme, sombrio e rude, possui de mais interessante é a atmosfera de fábula que o contamina desde o início. História de vingança e redenção, “Katalin Vargas” narra a viagem de regresso de uma jovem mulher vítima de abuso sexual e do seu pequeno filho à aldeia de onde fora expulsa pelo marido e a população. Strickland, ergue uma narrativa inquietante e tensa, servida por uma banda sonora de “excessos” (feita de sons de sinos, de vento, de água, do movimento da carroça) para aumentar a perturbação dramática da personagem feminina. Com Hilda Péter, Andrea Gavriliu, Roberto Giacomello, Norbert Tankó… Premiado no Festival de Berlim com o “Urso de Prata”para a “Melhor Contribuição Artística”.  SET 2010 |

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Boavida|Tempo informático

Informática verde (2ª Parte) Ninguém tem dúvidas sobre a necessidade de modificar os nossos hábitos de utilização dos recursos naturais. Também a Informática terá de dar uma ajuda, não só na descoberta de soluções tecnológicas mas também na utilização dos computadores. É possível reduzir consumos de energia e preferir dispositivos mais ecológicos.

Gil Montalverne

ajuda@gil.com.pt

odos os computadores possuem no painel de controlo as Opções de Energia ou Power Options. Basta preencher os campos que vão indicar quantos minutos devem decorrer a partir do momento em que ficam inactivos, quer seja o monitor que será desligado, assim como os discos rígidos ou a passagem para standby. Por exemplo, desligar o monitor, passados 5 ou 10 minutos. Dá-se um nome a cada configuração que depois escolheremos conforme o trabalho que estamos a realizar. Em qualquer das opções, o monitor liga-se assim como o computador mediante o mais pequeno movimento do rato. Isto reduz imenso o consumo energético. Também se deve autorizar a que entre no modo de hibernação. Neste caso, o computador desliga-se, armazenando na memória do disco rígido toda a informação que estava a ser utilizada e volta ao mesmo estado quando o ligarmos de novo não perdendo nada do que estávamos a fazer. Na maioria dos portáteis basta que se feche cuidadosamente a tampa. De um modo geral, devemos sempre desligar todo e qualquer acessório de que não estamos a precisar, como por exemplo os discos externos ou leitores e gravadores de DVD que, trabalhando por USB, necessitam de transformadores e estes consomem muita energia. No entanto é bom respeitar as regras para desligar tais acessórios USB se o PC estiver a trabalhar, fazendo-o através do ícone na barra de ferramentas, junto ao relógio colocado do lado direito, solicitando autorização para os desligar pois podem perder-se ficheiros que eventualmente estejam abertos. Existem também programas que permitem ajustar ma-

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nualmente a voltagem a que trabalha o processador, reduzindo não só a electricidade consumida mas também o calor produzido. Igualmente se aconselha a todos os que não necessitem de qualidades gráficas excepcionais, como por exemplo as usadas para certos jogos, que utilizem a placa gráfica da motherboard, hoje em dia com qualidade muito razoável mas gastando muito menos energia. Importante é também a limpeza dentro da caixa do PC. Regularmente – e seguindo as indicações que se encontram em qualquer livro de informática – deve abrir-se (depois de a desligar da corrente) e limpar com todo o cuidado as pás das diversas ventoinhas a fim de permitir um bom arejamento e portanto menor consumo da fonte alimentação no esforço a efectuar para as colocar a trabalhar e baixar a temperatura interior. Finalmente, como os fabricantes de material começam a estar atentos na apresentação de acessórios amigos do ambiente, devemos preferir os que possuírem essa indicação que aliás já pode ser encontrada em listas na Internet sobre o Certificado EPEAT. Existe assim uma ferramenta que ajuda os consumidores de 40 países a avaliar e comparar portáteis, desktops, monitores e discos externos com base nos seus atributos ambientais. Vem a propósito falar do já célebre Corrector Ortográfico FLIP 8 que acaba de ser apresentado numa versão completíssima que inclui, para os que quiserem, o novo acordo, diversos dicionários temáticos, variedades de Português, auxiliares de tradução e muitas outras ferramentas para escrever bem português. Em vendas por correio, o FLIP utiliza uma embalagem mais verde, nas dimensões e nos materiais utilizados que são, desde a caixa às tintas de impressão, amigos do ambiente. 


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Boavida|Saúde

Um desafio inédito Com a melhoria da esperança de vida e o consequente aumento da população idosa, confrontar-nosemos, em breve, com um surgimento significativo das demências, a mais frequente das quais é a doença de Alzheimer. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o número de pessoas afectadas pela doença de Alzheimer pode duplicar nas próximas duas décadas.

M. Augusta Drago

medicofamília@clix.pt

ste facto leva-nos a admitir que a maior parte das pessoas e das famílias terá, inevitavelmente, entre os seus familiares directos, amigos ou conhecidos, alguém com esta doença, o que constitui um desafio inédito, quer sob o ponto de vista social quer económico. Temos de nos preparar para esse novo paradigma. Isto é verdade, quer para as famílias quer para os equipamentos sociais, quer mesmo para as estruturas de saúde. Talvez a melhor maneira que temos de começar a encarar este problema seja saber o que é a doença de Alzheimer, saber identificar os seus sinais iniciais, para procurar atempadamente os cuidados médicos adequados e aprender a cuidar das pessoas afectadas pela doença. Trata-se de uma doença neurológica degenerativa, de início insidioso e de evolução progressiva, cuja prevalência aumenta com a idade. Pode manifestar-se em homens e mulheres com mais de 50 anos, mas é mais frequente nos mais idosos. As alterações a nível do sistema nervoso central, a degenerescência e a morte das células nervosas são qualitativamente semelhantes às alterações próprias do envelhecimento, mas a quantidade de células nervosas afectadas é muito maior. Os défices sensoriais são, no seu início, idênticos aos do próprio envelhecimento, pelo que não é fácil aos familiares distinguirem o que é “normal” entre os idosos e o que começa a ser patológico. Esta doença, descoberta no início do século XX, permanece ainda sem causa identificada e sem cura. O tratamento apenas reduz o ritmo de progressão da doença, pelo que não podemos adiar o seu início. É por esta razão que transcrevo os 10 sinais de alerta, divulgados pela Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes de Alzheimer, os quais podem ajudar as pessoas a identificar nos seus familiares alguma razão para consultar o médico. São eles: 1. Perda de memória – esquecimentos progressivamente mais frequentes, sobretudo

E

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para os acontecimentos mais recentes, dos quais não voltam a lembrar-se. 2. Dificuldade em executar tarefas domésticas que anteriormente realizavam – como preparar uma refeição simples. 3. Problemas de linguagem – esquecimento de palavras simples e a sua substituição por outras, desajustadamente e sem se aperceberem. 4. Perda da noção de tempo. Desorientação – a pessoa com Alzheimer não sabe o dia nem o mês em que se encontra e perde-se na sua própria rua. 5. Discernimento fraco ou diminuído – vestir-se desadequadamente em relação à estação do ano, sair para a rua com as pantufas… 6. Problemas relacionados com o pensamento abstracto – não conseguir fazer contas, não perceber o que é o dia de aniversário. 7. Trocar o lugar das coisas – Guardar os sapatos no frigorífico, etc. 8. Alterações de humor ou comportamento – alterações súbitas de humor, sem razão. 9. Alterações de personalidade – manifesta desconfiança, medo, apatia; comportamentos desajustados. 10. Perda de iniciativa – torna-se passivo, necessita de estímulos e incitamento para participar. Não podemos, evidentemente, ficar à espera que estes sinais se manifestem na totalidade. Se suspeitarmos que algo de semelhante ao descrito se passa connosco ou com algum dos nossos familiares ou amigos, é conveniente consultar o médico para nos assegurarmos de que tudo está bem ou se é necessário fazer alguma investigação. Actualmente, o Alzheimer é uma das doenças mais investigadas, pelo que estão a ser descobertos novos marcadores que a identificam, cada vez com mais precisão e também mais cedo. Esta é uma boa notícia, porque a melhoria da qualidade de vida destes doentes depende essencialmente do diagnóstico e do início do tratamento o mais precocemente possível.  ANDRÉ LETRIA


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Boavida|Palavras da Lei

Idosas e Arrendamento Urbano ?

Minha mãe tem 85 anos e vive sozinha em casa própria fora de Lisboa. A habitação não tem as

condições de habitabilidade desejáveis quando queremos lá passar algum tempo. Somos três irmãos. Por esse facto, é sua intenção fazer obras na residência. Para obter o dinheiro necessário, pretende pôr à venda um andar que possui em Lisboa. Acontece que no andar reside a minha irmã (é reformada, vive sozinha e tem 62 anos de idade) que não abdica de sair da habitação, mesmo sabendo que teria lugar na casa situada fora de Lisboa. Perante este facto, qual a solução para que minha irmã deixe a casa para que a mesma se possa colocar à venda? SÓCIO DEVIDAMENTE IDENTIFICADO

Pedro Baptista-Bastos

iante da dúvida deste sócio, há duas hipóteses que se colocam: ou lidamos com um arrendamento urbano em que a mãe é a senhoria e a filha é a inquilina, ou lidamos com um mero comodato. Não conhecemos todos os aspectos jurídicos desta situação, designadamente a existência de contratos e pagamentos de rendas. Parece-me que é mais provável a existência de um comodato entre mãe e filha, mas, para cabal esclarecimento, responderei nas duas hipóteses levantadas. Se estivermos diante de um arrendamento urbano, com pagamento de rendas mensais da filha à mãe, a filha só pode sair do imóvel em duas circunstâncias: ou através de acção de despejo por falta de pagamento de rendas em período superior a três meses, ou haver a denúncia do contrato de arrendamento para que a senhoria – a mãe do nosso sócio - habitasse no imóvel e não possuísse casa própria ou arrendada que satisfizesse as suas necessidades de habitação própria ou dos seus descendentes em 1.o grau, nos termos dos artigos 1101º e 1102º do Código Civil, por exemplo. A idade da irmã deste nosso sócio – a presumível inquilina – ainda não atingiu o limite de 65 anos para que ela tivesse direito à limitação de denúncia contratual que o artigo 107º, n.º 1, al. a) do NRAU determinou, isto é, a quem tiver 65 anos ou mais de idade, ou a alguém que esteja reformado com invalidez absoluta, não lhe pode ser

D

denunciado o arrendamento, seja em que circunstância for. O nosso sócio também foi omisso neste aspecto da reforma da irmã, pelo que lhe peço especial atenção para este facto impeditivo que a lei considerou, no caso de lidarmos com um contrato de arrendamento urbano para habitação. Por outro lado, se estivermos diante de um contrato de comodato, em que a mãe “emprestou” à filha o gozo do imóvel cuja propriedade é sua, para a filha nele habitasse gratuitamente e fizesse a sua vida, basta a simples interpelação para ela sair e restituir o imóvel à proprietária. Neste ponto, tome-se em atenção o artigo 1137º do Código Civil: no seu n.º 1, caso esse “empréstimo” da casa não tenha estado sujeito a um dado prazo, mas afecto a um uso determinado, basta que o uso finde, para haver restituição. Será o caso em que o uso necessariamente finda, pelas razões aduzidas pelo nosso sócio. No n.º 2 deste mesmo artigo, se não tiver sido convencionado nem prazo, nem uso determinado, a sua irmã tem que sair, assim que tal lhe for exigido.  SET 2010 |

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ClubeTempoLivre > Passatempos Palavras Cruzadas | por José Lattas

1

Horizontais: 1-Achaque; Crava; Afirmação. 2-Reboa; Fortaleci;

1

Torpor e sono mais ou menos profundos, provocados por certas doenças. 3-Congénitos; Prefixo latino, referente a abelha; Aparar. 4-Diário da República Electrónico; Outrora; Nome de feminino. 5-Suf. que designa colectividade; Metropolitano de Lisboa; Atrela; Letra grega; Preposição (invertido). 6-Busca; Funesto. 7-Amarizara; Que foram alvo de traição. 8-Agarrado; Abanar. 9-Articulado; Incluir; Advertência. 10-Chiste; Dialecto românico falado no Norte de França; Adonde. 11-Actínio (s.q.); Amargo; Suf. nom., de origem latina, que tem sentido diminutivo (invertido); Terra. 12-Prep. que indica uma situação de exclusão; Diabólico; Adulação. 13-Indica que uma coisa, pode ser substituída por outra; Amplo; Adevão; Pacóvio.

2

vezes microscópico, que se desenvolve em algumas substâncias alimentícias, ou vive como parasitas de animais ou plantas; Dificuldades; Alturas. 3-Calibre; Adegas. 4-Combinação de preposição com artigo; Aludiram (invertido). 5-Vencer; Proposição. 6-Sódio (s.q.); Arrabaldes; Latim (abrev.). 7Comunica; Sono infantil; Lado do navio, voltado para o vento. 8-Pessoa que embaraça; Abstrai. 9-Domina; Outra coisa; Grego (abrev.). 10-Escarnece; Arrotear; Tempo de uma aparente revolução do Sol em torno da eclíptica. 11-Lomiar; Grupo de recifes de coral, mais ou menos circulares. 12-Cobalto (s.q.); Derivado. 13-Gramata; Abominou. 14-Ferino; Princípio de ortodoxia; Alcatrão. 15-Mortos (gíria); Acere.

3

4

5

6

7

8

9 10 11 12 13 14 15

3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 SOLUÇÕES Soluções (horizontais):1-MAL; ENTERRA; SIM. 2-ECOA; ARMEI; COMA. 3-NATOS; API; PODAR. 4-DRE; ANTANHO; ANA. 5-IO; ML; ATA; RO; ED. 6-G; CATA; A; ATRO; O. 7-AMARARA; TRAIDOS. 8AVARO; O; ALUIR. 9-ORAL; SOMAR; NOTA. 10-C; SAL; OIL; ADU; M. 11-AC; FEL; T; ATO; PO. 12-SEM; MALIGNO; MEL. 13-OU; LATO; ROLO; ZE.

Verticais: 1-Descamisada; Decadência. 2-Pequeno animal, por

2

Ginástica mental| por Jorge Barata dos Santos

N.º 18 Preencha a grelha com os algarismos de 1 a 9 sem que nenhum deles se repita em cada linha, coluna ou quadrado

N.º 18

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SOLUÇÕES


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ClubeTempoLivre > Novos livros

BOOKSMILE

gosta muito, mas, um dia,

adquirida ao longo de muitos

ela adormece à secretária e

anos.

quando acorda, em noite de

A obra é um importante

Lua cheia, transformar-se em

contributo para a

lobisomem. E… os sarilhos

preservação, inventariação

começam!

da flora e dos seus usos e saberes locais.

UMA HISTÓRIA MESMO

CINCO GATINHOS RONRONANTES Jonathan Emmett Um livro fascinante onde as

BESTIAL: LOBISOMEM

NATUREZA, GASTRONOMIA

CONTRA DRAGÃO

& LAZER

David Sinden, Guy

PLANTAS SILVESTRES

Macdonald e Matthew

ALIMENTARES E ERVAS

Morgan Ulf, o pequeno lobisomem,

AROMÁTICAS CONDIMENTARES

Secessão. Entre as várias

descobre um segredo negro

tropelias e aventuras, Tom e

e tenebroso

Maria Manuel Valagão (org.) A obra dá a conhecer as

crianças vão descobrir o

quando um

plantas silvestres

tesouros em casas

mistério de cinco adoráveis

dragão entra

alimentares e ervas

assombradas, escondem-se

gatinhos, com belas

na

aromáticas condimentares

na ilha deserta, anseiam ser

histórias, em verso, e

Sociedade

do Sul do país, desde as

piratas e ladrões ou, visitam

magnificas ilustrações com

Real para a

mais comuns às menos

à noite o cemitério,

pop-ups incríveis, onde a cor

Prevenção

conhecidas, num percurso

acreditando que encontram,

os amigos procuram

e surpresa fazem toda a

da Crueldade para com as

pelos usos tradicionais e as

ali, a cura milagrosa para as

diferença.

Bestas (SRPCB). Será que

novas tendências

verrugas.

Ulf vai conseguir parar o

gastronómicas.

Uma edição que assinala o

caçador de bestas mais

A partir de um horto

centenário da morte de Mark

malvado de todo o mundo?

experimental de plantas

Twain (Samuel Langhorne

Nesta fascinante aventura,

silvestres alimentares,

Clemens), autor de “As

Ulf conta com a preciosa

procura-se compreender e

Aventuras de Huckleberry

ajuda do gigante Orson, da

demonstrar que o “novo

Finn”.

fada Tiana e da Dra. Fielding,

chega pela mão do velho”,

a veterinária da SRPCB.

assegurando a conservação

PORCOS EGOÍSTAS

das espécies e a continuidade e inovação das

Andy Riley Adoráveis, suculentos e

tradições alimentares

rosados? Não, os porcos são

emblemáticas do Alentejo.

intriguistas e uma nova

EDIÇÕES COLIBRI ERVAS, USOS E SABERES

ameaça mundial. Deixaram

PLANTAS MEDICINAIS NO

as suas pacatas quintas e

JOÃO PASTEL: A

ALENTEJO E OUTROS

PROFESSORA LOBISOMEM

PRODUTOS NATURAIS

Michael Broad João é um rapaz normal a

José Salgueiro O autor, um mestre das

AS AVENTURAS DE TOM

Se passam horas a olhar

SAWYER

para os seus umbigos, não

quem tudo acontece. Como

plantas, autodidacta e atento

perdem tempo a fazer planos

gosta de escrever e

à ciência, explora o mundo

Mark Twain Um clássico da literatura

desenhar, utiliza parte do seu

das plantas e as suas

que narra as aventuras de

tempo livre a relatar as suas

aplicações medicinais, com

Tom Sawyer, um jovem que

divertidas aventuras.

recurso aos ensinamentos

vive em St. Petersburg, nas

A Professora Lobisomem é

maternos, ao convívio com

margens do Mississípi, com

Dª Bugalho, a stora de

as gentes do campo e

a tia Polly e o meio-irmão

Matemática, de quem nem

artífices e à experiência

Sid, antes da Guerra da

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EUROPA-AMÉRICA

não olham a meios para dominar o planeta.


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terríveis para estarem

XVIII e à Nova Orleães

ultrapassa a dimensão

sempre no centro do mundo.

finissecular.

humana e nos coloca em

Chegou a hora de temer a

Avesso ao código de honra

simbiose com o Universo.

comunidade suína. Torne-se

dos vampiros que lhe impõe

vegetariano… ou morra!

o silêncio sobre a sua condição, Lestat revela-se na

PANGEIA | CHÁ DE

JASMYN

esperança de que os

CAXINDE

Alex Bell Após a morte de Liam,

imortais se unam para descobrir o mistério da sua

RUMO ÀS TERRAS QUE

Jasmyn Gracey só encontra

existência. E é então que

BRILHAM: LUNDAS

consolo no seu violino.

Lestat, o caçador, se

História e estórias de Angola

Porém, não fica indiferente

transforma em presa.

Miguel Anacoreta Correia (Coord.)

aos seis cisnes negros que tombam do céu no funeral

VIAGEM EXTRAORDINÁRIA

presidentes chimpanzé e

do seu marido, à estranha

NO CONTINENTE DAS

gorila se vêem a braços. Até

miniatura de

EPOPEIAS – VOL. I

ao dia em que os pássaros

um cavaleiro

deixaram de cantar.

negro

Arthur Ténor Thédric Tibert, o intrépido

encontrada

explorador dos mundos

bichos não se acostumam ao

nos haveres

imaginários, recebeu um

novo estado de coisas. Os

de Liam e à

pedido de socorro de Lizlide,

ânimos aquecem e, daí até à

Um livro que dá a conhecer

Habituados ao ruído, os

a elfa da

guerra entre os dois

está a ser constantemente

Floresta de

territórios, vai um pequeno

observada.

Esmeralda.

passo. Conseguirá o

Para desvendar estes

Seguindo o

presidente repor a harmonia?

estranhos acontecimentos,

seu coração,

Uma deliciosa fábula sobre a

Automóvel Todo-o-Terreno do

Gracey investiga o passado

Tibert,

natureza humana que

Kwanza Sul, uma expedição

certeza de

o percurso do V Raid

de Liam, numa viagem entre

regressa ao reino das Sete

desperta para a necessidade

que procura aliar o prazer da

castelos de contos de fadas,

Torres para salvar a elfa e,

de saber escutar aqueles que

condução todo-o- terreno à

na Alemanha, um hotel de

nesse momento, descobre

nos rodeiam.

descoberta do património e

gelo, na Suécia, e as

que ela foi raptada por um

catacumbas

misterioso traga-almas que

O CAROÇO DE MANGA

provincia angolana.

de Paris. E nada será como

planeia divertir-se à custa

Augusto Carlos

Inclui importantes artigos

dantes.

dos dois heróis.

“Dele ficara a

sobre a história e estorias de,

beleza impar daquela

Este monstro recebe-os no

felicidade do

entre outras, Luanda,

O VAMPIRO LESTAT - I

continente de todos os

primeiro

Golungo-Alto, Malanje,

Anne Rice

perigos: o Continente das

encontro, a

Lundas, Bié, Bailundo e

Epopeias...

sensação de

Waku Kungo.

Na sequela de Entrevista

atracção que

com o Vampiro,

Gloria Lambelho

a Ana experimentara e a

NOVA VAGA EDITORA

recordação, para sempre inesquecível, de um dos

Lestat é um A PERGUNTA DA

mais belos quadros naturais

sedutor vampiro que, ao

BICHARADA

que contemplara nos últimos

longo de várias eras, procura

anos. O jogo do amor

desvendar o segredo da sua

Augusto Carlos A vida decorre em paz e

obscura imortalidade. Essa

harmonia no território dos

acolhedor criara uma grande

Informações sobre esta

vertiginosa viagem leva-o da

Tecelões Amarelos e no dos

cumplicidade. A passos

secção, contactar:

Inglaterra dos druidas aos

Xingueritanas. São poucos

largos, a paixão crescia.”

gloria.lambelho@inatel.pt. ou

lupanares de Paris do século

os problemas com que os

Um magnifico romance que

tel.: 210027191

excêntrico e

começara. Aquele ambiente

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ClubeTempoLivre > Cartaz

santo” de Ricardo F. de

BEJA

Almeida, pelo Grupo de Canoagem

Teatro da Associação Aldeia

Dia 11 – Encontro Nacional

Vinhateira de Faviaos, em

de Canoagem em Mértola.

Folhadela.

Descida do rio Guadiana em Kayak, 19 km, entre vila de

VISEU

Mértola e porto fluvial do

Festas

Pomarão.

Dia 7 - Festa da Sr.ª dos Remédios em Lamego e Sr.ª

COIMBRA

Dolorosa em Ribeiradio

Bandas

Folclore

Dia 19 às 12h - Encontro de

Dia 12 às 16h - Festival de

Filarmónicas da Fundação

Folclore em Alva

INATEL em Santana. Etnografia: dia 12 às 16h -

Convívio

Recreação da “Desfolhada”

Dia 25 às 16h - Convívio

pelo Rancho Folclórico e

Regional do SINTAP na Praia

Etnográfico “As Moleirinhas”

Fluvial de Fráguas em Vila

em Casconha; dia 25 às 9h -

Nova de Paiva

III Encontro de sabores e Tradições pelo Grupo

BTT

Etnográfico da Região de

Passeio Pedestre em

Coimbra na Rua Ferreira

Freixieiro de Soutelo, org.

Borges em Coimbra.

Clube Soutelense Desporto e

Cinema

16 às 8h - UP and DOWN

Cultura.

Dia 25 às 21h30 – filme

2009-BTT 2010 em Vouzela

Pevidém.

Dia 12 às 8h - UP and DOWN 2009- BTT 2010 em Seia; dia

“Tenacious - Rock dos

ÉVORA Conferência

Infernos” no Grupo Cultural

Visita

Btt

Dia 4 às 21h15 - Conferência

Social Recreativo e

Dia 3 de Outubro às 9h30

Dia 19 às 10h - IV Maratona

sobre Acontecimentos

Desportivo de Cuide de Vila

– viagem “Douro

BTT, Taça de Portugal Sport

Durante a 3:ª Invasão

Verde.

Vinhateiro”, entre Viseu,

Zone XCM #5, em Évora.

Francesa pelo Coronel

Vila Nova de Paiva,

Inclui Maratona (85 km),

Américo Henriques e, às

castelo de Penedono, S.

Meia Maratona (55km) e

22h15, concerto de Violino

passeio familiar (25km). Mais

de Rodrigo Gomes, no

informações em

âmbito do 24º Aniv. do

Teatro

Regresso ao final do dia.

www.gdsantoantonio.com

Centro de Cultura de

Dia 18 às 21h30 - peça “Eu,

Preço/pessoa = 33,50

Campos.

Manuel Inácio, quero ser

euros.

VIANA DO CASTELO Folclore Pedestrianismo

Dia 26 às 15h – Festival de

Dia 5 às 10h - Caminhada

Folclore de Ganfei, 59º Aniv.

(12 Km) em Campos, com

do Grupo Folclórico de

participação da atleta

Ganfei, no Jardim Municipal

Manuela Machado e, às 13h,

de Valença, com participação

Pic-Nic colectivo e exibição

dos ranchos de Ganfei, de

da Escola de Concertinas do

Unhais, da Serra de Vimioso

Centro de Cultura de

de Guimarães, de Cova do

Campos; dia 22 às 8h -

Ouro e do Grupo Agrícola de

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VILA REAL

João da Pesqueira, Peso da Régua e Lamego.


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O Tempo e as palavras M a r i a A l i c e Vi l a Fa b i ã o

Em torno do Fogo – do mito à realidade Quando ainda não existia o homem / Existia um nó no vento / E uma vaga exclamação no espaço. / Tudo era demasiado grande e tenebroso / Para existir uma só gota prestes a cair / E duas árvores unidas por uma teia de aranha. / Existia o tempo sem fim / Mas não o fio quebrado com que tecem os pássaros a sua passagem da luz para a sombra / Cada dia despontava sem a lembrança da véspera. / E o primeiro animal nasceu e morreu sem sair em busca da sua presa. / A terra era como um sepulcro vazio. / A chuva caía sobre toda a vastidão / Sem distinguir uma folha de outra folha. Efraín Barquero1, El Fuego/La Ceniza de los Volcanes/El Hombre, in: El poema en el poema, Lom ediciones, Santiago do Chile, 2004. Trad. MAVF

E

o homem surgiu. (Como? Quando? Onde?). E foi ocupando toda a vastidão deserta, de que se tornou fulcro e senhor. O enigma da sua origem, o mistério da primeira sístole, do primeiro jacto de vida que o seu primígeno certamente sentira inaugurar-lhe a intrincada rede de veias para lhe vivificar os membros inertes, e lhe invadira, no espanto, o cérebro recém-nascido, acompanha-lhe a evolução. Ao longo de milénios, vai-se interrogando sobre a origem do mundo que habita, dos fenómenos tenebrosos que transcendem a sua experiência imediata e a sua razão primitiva. As respostas possíveis dá-as ele próprio, ser imaginativo, através de religiões e mitos que vai criando e em que se auto-impõe a necessidade de um criador omnipotente, “Causa incausada”, ou de demiurgos, representantes/intermediários dessa entidade suprema, a quem responsabiliza pela existência pessoal e de tudo quanto o rodeia. Homo cientificus, no Século XXI, ele próprio criador de vida em proveta e de morte cataclísmica, mas mera “Causa causada”, o mito mesopotâmico do seu nascimento da terra, como planta, ou de um tronco de árvore animado por Tupã, sopro do deus Nhanderuvuçu, na interpretação dos Índios ameríndios, por exemplo, ou como obra primordial de uma divindade criadora, põelhe nos lábios um sorriso esguelhado, típico dos seres racionalistas perante teorias simplesmente imaginosas. Todavia, não obstante os progressos registados no domínio do conhecimento científico, a profusão de teorias “científicas” desencontradas sobre fenómenos naturais que lhe ocupam o espírito inquisitivo só demonstra que o Homo sapiens sapiens cientificus ainda não encontrou resposta racional para todas as suas interrogações metafísicas. Esquecida a explicação mítica da dádiva de Prometeu, acredita, por exemplo, num período já pré-científico, que resolver o enigma do fogo seria resolver o enigma central do

Universo. Por volta de 1720, ainda escreve Boerhaave2: “Em todas as produções naturais…o Fogo é sempre o principal agente”. Cem anos antes, referia Blaise de Vigenère3 que “os Egípcios diziam que o fogo era um animal de rapina e insaciável que devorava tudo quanto nascia e crescia, e se devorava a si próprio, quando, já empanturrado, não tinha mais de que se alimentar, porque, tendo calor e movimento, não pode passar sem alimento e sem ar”. A isto chamaria Bachelard4 “complexo de Pantagruel”. A noção do fogo como ser vivo necessitado de alimento e de ar, e inclusive produtor de excrementos (o fumo), que Gaston Bachelard rejeita, está bem patente nas nossas expressões: alimentar o fogo, devorado pelo fogo, abafar o fogo, sufocar o fogo. A complexidade da essência e natureza do fogo, sobre a qual químicos e filósofos escreveram, em vão, tratados ao longo de séculos, reflecte-se nos dicionários portugueses apenas na riqueza polissémica e semântica da sua designação. De raiz latina, “fogo é”, entre outras coisas, calor, luz e fumo produzidos pela combustão de substâncias inflamáveis; é ardor, paixão; é habitação, farol, clarão; e é incêndio, labareda, quando lavra com grande intensidade, na natureza ou nos sentidos do Homem. Nos locais onde o fogo lavra e na TV, ele é “medo nos olhos do pouco que vive, pânico, asas cerceadas…” e, como fera indomável, devora, rosnando surdamente, árvores, casas, animais… seres humanos. Ferem as imagens; tanto como as imagens, ferem os sons. Mais ainda, porém, ferem os silêncios que ziguezagueiam entre as palavras e os soluços. I 1 Poeta Chileno (1931-), residente em França. 2 Médico, botânico e humanista neerlandês (1668-1738) 3 Diplomata e criptógrafo francês (1523-1596) 4 Filósofo francês (1884-1962)

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Os contos do

Sequestro

O

sequestrador de seu nome Leandro, chegou na motoreta com os sacos de compras destinadas à alimentação por uma semana, dele próprio e do sequestrado, Emídio Félix. - Trouxe ovos, pão, leite, fruta, manteiga, presunto pata negra, costeletas de borrego, pilhas para o rádio e a televisão. E cervejas, naturalmente. Aqui tens, o cartão de crédito. O sequestrado tem outras urgências: - Por favor, liberta-me desta maldita cadeira, não era preciso deixares-me atado como um paio alentejano, neste fim de mundo não se foge para lado nenhum. - Nunca fiando. Encontram-se numa casa abandonada na desertidão da serra, onde se só chega a corta-mato ou usando o caminho pedregoso que irá encontrar a estrada depois de duas léguas de sobe e desce. Mas Leandro, que anda pelos trinta anos, é sequestrador cauteloso. Sempre que se ausenta para adquirir mantimentos ou para encontrar resposta ao pedir resgate, ele evita a vila mais próxima, onde a frequência repetida o faria notado e alonga-se até à cidade, variando de multibanco e de hipermercados, onde ninguém fixa ninguém. Informado quanto a tecnologias e espertezas da Polícia, atirou para um ribeiro os telemóveis do raptado e o seu. Não dará pistas. Inclusivamente, foi o cativo quem se viu coagido a escrever, com caligrafia dele, as cartas exigentes do resgate. Como sempre acontece quando regressa ao esconderijo serrano, Leandro liberta Emídio das amarras estreitas, deixando-o preso apenas à viga do tecto por uma corda comprida que permite deslocar-se por toda a casa. E sair meia dúzia de metros. Emídio aprecia o privilégio de se sentar no pátio e observar a paisagem soberba do vale e dos picos em redor. Estamos mal – diz Leandro de sobrolho carregado. – Já lá vão catorze dias e ainda não depositaram o milhão na tua conta. O plano do raptor olhara a todas as cautelas.

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Nada de encontros para receber a importância do resgate, nenhuma hipótese para a Polícia lhe cair em cima. À mulher ou aos sócios de Emídio bastaria colocarem o milhão na conta bancária do próprio Emídio. Paciente, o raptor iria retirando pequenas fatias e a parte maior seria transferida quando se encontrassem longe, num país de nulos ou morosos contactos bancários. E só então, livre dos prejuízos justiceiros, informaria quanto ao local do sequestro. - Que raio de mulher é a tua? Que estupores de sócios tens tu? – irritou-se Leandro. – Um milhão não passa de uma fatia estreita da tua fortuna pessoal e as três empresas que possuis são uma fábrica de dinheiro. - Ninguém vai pagar – murmura Emídio com serenidade. - Ai não? Nas cartas ficou bem claro que serias morto se o dinheiro não chegasse no prazo de um mês. Emídio encolhe os ombros. Sente-se bem naquele isolamento, distante da mulher, insuportável criatura que lhe enegreceu a vida e – ele bem o sabe – mal oculta um amante que lhe controla os gastos. E os sócios, dois gananciosos que sempre a adularam mas odeiam, esfregarão as mãos de contentes se ele nunca mais regressar. Os documentos assinados transferem para a posse dos sócios sobreviventes o quinhão do primeiro a desaparecer. Excepto quando Leandro o amarrara à cadeira e trancou a porta do casinhoto, Emídio saboreia o afastamento de uma existência amarga. O stress, os sucessivos desapontamentos com a espécie humana, o espectáculo de um mundo que o deprime, levaram à ironia de se sentir livre quando Leandro o raptou. Sentado no muro de pedra como se fosse a mais cómoda das poltronas, ele enleva-se na visão do vale e dos cerros cobertos de vegetação, nas aves que circulam em liberdade plena, na paz e no silêncio. - E já não chega a dois mil euros o saldo da tua conta – insiste o sequestrador. – Qualquer dia não ANDRÉ LETRIA


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temos, nem para comer. Se eles não se despacham, terei de te matar e fugir daqui. O sequestrado esboça um sorriso: - E para quê matar, Leandro? - Para não me denunciares. Conheces-me, não tardaria em ter a Polícia à perna. Nem a televisão nem a rádio voltaram a falar do assunto. Deram a notícia do rapto e calaram os bicos. Estão à espera que prendam o famigerado raptor ou encontrem a pobre vitima. Emídio não responde. Continuará sem responder nas duas semanas que se seguem, cada dia um sinal de alarme pela ameaça de se esgotar o prazo estabelecido. Do resgate, nem fumo. Um noticiário de televisão voltou ao assunto para informar que a Polícia continua sem pistas. Leandro desconfia e anda nervoso. Ele conhece-se, não é homem capaz de assassinar, menos ainda o companheiro de quase um mês, tempo que conversaram sobre cinema, livros, mulheres, a crise lá fora, o sossego da serra. E em que comeu e bebeu com o homem preso por uma corda á viga do tecto. - Amanhã vou-me embora – anuncia. – Não te mato mas vais morrer. Deixo-te amarrado à cadeira e fecho a porta da casa. Tens de compreender, não posso correr o risco de ser denunciado. - Faz sentido – concede Emídio. - Vamos beber as últimas cervejas. O teu saldo desceu a um nível de quase zero. E, olha, para mim

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só tirei só tirei trezentos euros para comprar umas botas e passar meia hora com uma tipa que pede clientes num anúncio de jornal. Um homem tem as suas necessidades. Bebeu demasiado. Recosta-se na cadeira e dormita. É então que Emídio salta, felino, e enrola a corda em volta do pescoço de Leandro que esperneia, aflito. - Rápido – ordena Emídio – Liberta-me. Meio engasgado, Leandro usa a faca que nunca abandona e corta a corda apertada com nós sábios sob as axilas do raptado que não demora a prender o raptor tal qual ele o prendera, à viga do tecto. - Vais chamar a Polícia? Deixas-me aqui apodrecer ou até que os chuis me venham buscar? - Calma – recomenda Emílio. – Vou apenas à cidade fazer um telefonema e de cabina pública. Terei o atrevimento de utilizar a tua motoreta. - Percebo, vais chamar a Polícia. - Enganas-te. Falarei apenas com o meu corrector, um velho amigo que sabe guardar segredos. Dou ordem de venda para umas acções que devem valer perto de um milhão. Daqui a dias já terei o dinheiro na conta. - Não entendo – choraminga Leandro. – Se não me vais entregar, deixa-me fugir. - Com dinheiro na conta – prossegue Emídio Félix – poderemos manter a nossa vida regalada. Tu e eu, aqui, neste sossego, sem gente odiosa a estragar-nos os dias, livres da balbúrdia e das traições em que vivia antes da tua generosa ideia de me sequestrar. Mas agora sou eu quem vai às compras. Na tua motoreta. E, desculpa. Meu caro, nas minhas ausências terei de te deixar amarrado e aferrolhado. - Mas porquê, se eu já só quero fugir para bem longe - Ficas sequestrado. Não corro o risco de denunciares o meu paradeiro. I SET 2010 |

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Crónica

Hebron Humberto Lopes

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Porta de Damasco é o ponto de partida dos táxis e furgões palestinianos que vão para a Cisjordânia. Viajo com três etíopes. Um tem ar de Prestes João, próspero e crente, e leva uma espécie de fez na cabeça. É o que fala inglês. Os outros viajam calados. Um deles traz uma câmara de vídeo na mão, como tantos peregrinos cristãos em Jerusalém. O terceiro vai metido numa túnica branca, barba e ar de asceta que pisa, pela primeira vez, o chão do mundo. Em Belém, ponho-me a caminhar no sentido inverso da estrada para Hebron, até ao muro. Os graffiti misturam perguntas, protestos, acusações. Do lado do checkpoint da estrada para Jerusalém, as inscrições são mais vistosas. Estas aqui estãose nas tintas para a estética, têm outras urgências: “Israel, is this what you want to be remembered by?”. Ou “The oppressed become the oppressor”. Ou “Made in the USA”. Lá em cima, na feia torre de vigilância, há câmaras de vídeo. Israel não confia nas centenas de quilómetros de betão que, muito para leste da Linha Verde, isolam os colonatos judeus do território da Cisjordânia e são a guarda avançada da anexação das terras férteis e das nascentes de água palestinianas. Os checkpoints estão desactivados por este dias. A estrada corta, aqui e ali, colinas povoadas de olivais. Depois de uma hora de viagem, o furgão pára no centro de Hebron, entre as bancas de um grande mercado de rua. Pago a viagem ao motorista, pela janela. Marouf, um companheiro de viagem, espera por mim, a uma dezena de metros. Caminhamos até ao cruzamento e aí nos separamos: eu sigo para a mesquita de Ibrahimi, onde há tempos um judeu ortodoxo metralhou, em plena oração, centenas de muçulmanos. A rua vai ficando cada vez mais estreita à medida que me aproximo do souk meio abandonado após a violência dos últimos anos. Passa

uma patrulha israelita. Entro numa ruela vazia, à direita, para espreitar um beco, ao fundo. De súbito, aparece um jovem palestiniano, com pouco mais de vinte anos. Aponta para as lojas lacradas com solda nos fechos e põe-se a falar do que levou ao abandono do souk. Mostra-me o arame farpado a cercar as saídas das vielas, as marcas de balas nas paredes. Faz-me sinal para o seguir até ao terraço da casa onde mora. Lá de cima, poderei observar melhor as ruas quase desertas. Avistamos soldados israelitas num terraço mais baixo, a uns trinta metros, à volta de uma guarita. Arjan acena. Um dos militares, uma rapariga, responde. Vê-se ao longe, entre um mar de terraços brancos, o minarete da mesquita de Ibrahimi. Em baixo, o beco está cheio de lixo e de negros indícios de incêndio. Há uma porta trancada, imersa em escombros. Uma mulher e o filho terão morrido no incêndio.

A

rjan leva-me para dentro de casa. Mostra-me várias janelas fechadas, com solda do lado de dentro, por militares israelitas. Na sala está uma mulher, de costas, voltada para um computador. Arjan diz que a mulher fala inglês e que posso conversar com ela. Uns segundos depois, ela volta-se, devagar, e sorri. O sorriso, amável e delicado como uma ária chinesa, tranquiliza-me. Contrasta com o rosto tenso de Arjan, que afasta a camisa para o lado. Tem uma cicatriz no peito. A bala ainda está lá dentro, próxima do coração. Os olhos da criança sentada a meu lado, no divã, catrapiscam. Têm marcas escuras à volta. Uma bomba incendiária dos ocupantes, diz Arjan. Tem de ser operada na Jordânia. Aos hospitais palestinianos falta o essencial por causa dos bloqueios israelitas, acrescenta. A mulher continua a sorrir um sorriso cristalino, distante, de uma serenidade angustiante. I


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