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se dá a partir de um referencial ideal e supracultural, como, por exemplo, os conceitos de Razão ou de Verdade. Assim, um povo – ou o seu sistema de crenças e costumes – não pode ser considerado melhor que outros por ser mais racional, por estar mais perto da verdade, ou por constituir uma raça eleita pelos deuses. Afastar esse tipo de fundamentação – estes apelos a discursos de autoridade – é, também, reduzir muitíssimo as justificativas para a intolerância e para todas as formas de violência. e) Rorty defendia o etnocentrismo da sociedade liberal-democrática. Partindo-se da ideia de que as culturas podem ser comparadas, visto que não estamos no reino do relativismo cultural absoluto, para Rorty, é evidente que algumas culturas contribuem para a ampliação da liberdade, do diálogo e da inclusão. Outras, por sua vez, são firmes em excluir, em permitir a crueldade e a humilhação do homem pelo homem. Observando isso, Rorty argumentava que não precisamos de fundamentos filosófico-metafísicos para afirmar, por exemplo, que a Democracia é melhor que o totalitarismo. Precisamos, simplesmente, observar como vivem as pessoas neste e naquele sistema e em qual deles cultiva-se a liberdade e o respeito ao indivíduo. Para Rorty, o liberalismo democrático é a conjuntura política em que mais esforços foram feitos, no transcorrer de toda a história, no sentido de que se construa, muito gradualmente, as liberdades, o respeito, a inclusão e a tolerância entre os homens. f)

Rorty não via o liberalismo democrático como um sistema ideal.

Afirmar que a liberalismo democrático é a melhor opção dentre todas as que temos experimentado não é o mesmo que afirmar que esta é a melhor opção possível. Rorty, como já anteriormente dito, percebia a importância do reconhecimento da contingência da própria posição, considerava a falibilidade. Não conhecemos todas as verdades, não conhecemos todos os argumentos, nem conhecemos todas as possibilidades de

Redescrições - Revista online do GT de Pragmatismo, ano VII, nº 1, 2016

Revista Redescricoes ano VII, n2, 2016  
Revista Redescricoes ano VII, n2, 2016  
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