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Pubblicazione dell’Associazione per l’Interscambio Culturale Italia Brasile Anita e Giuseppe Garibaldi • Nº 93-94 Ano XI - Maio/Junho 10 - R$ 10,00 PODE SER ABERTO PELA ECT

ENTREVISTA “Tocando em Você”, Transformando vidas com arte.

E MAIS: GASTRONOMIA • TURISMO • CINEMA • FOTOGRAFIA • ARTES PLÁSTICAS


O INCA-CGIL tutela gratuitamente os trabalhadores e aposentados italianos e brasileiros e suas famílias. RIO DE JANEIRO Av. Rio Branco, 257 sala 1414 20040-009 - Rio de Janeiro - RJ Telefax: 0xx-21-2262-2934 e 2544-4110

INCA INCA CGIL

SÃO PAULO (Coordenação) Rua Dr. Alfredo Elis, 68 01322-050 - São Paulo - SP Telefax: 0xx-11-2289-1820 e 3171-0236 Rua Itapura,300 cj. 608 03.310-000 - São Paulo- SP

“Patronato” da maior Confederação Sindical Italiana, a CGIL

PORTO ALEGRE Rua dos Andradas. 1234 cj. 2309 90020-100 - Porto Alegre - RS Telefax: 0xx-51-3228-0394 e 3224-1718 BELO HORIZONTE Rua Curitiba, 705 - 7º andar 30170-120 - Belo Horizonte - MG Telefax: 0xx-31 3272-9910

http:\\www.incabrasil.org.br

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forum

NOSSA CAPA

D E M O C R A T I C O

A n o

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agenda cultural

M a i o / J u n h o

15

1 0

às compras

05 Cinema, teatro, shows, exposição, cursos.

15 Sugestões imperdíveis, confira.

06

16

editorial

06 Itália: centro-direita em crise apesar da vitória nas eleições. Andrea Lanzi

08

comunità

08 Rio de Janeiro: Inaugurazione sede Federazione Lucana. 08 Processata Forum Democratico: attacco alla libertà di stampa. 08 Congiuntura Brasile. 08 Liberazione dell’Italia dal nazifascismo. 09 Congiuntura Italia.

encarte

16 “Io uccido”, di Giorgio Faletti

20

Italia

Storia italiana 20 1997 Liberamente tratto dal libro “Patria 1978-2008” di Enrico Deaglio.

24

Brasil

24 “Tocando em Você”, transformando vidas com arte. Marisa Oliveira

09 Riconoscimento della cittadinanza italiana sempre diffìcile.

28

09 Proteste per il rinvio delle elezioni dei Comites.

Emigração 28 Nicola Finamore: “Emigrar é uma palavra forte”.

10 Che cosa insegna la crisi della Grecia all’Europa Ornella Cilona (Cgil nazionale, Dip. Politiche attive del lavoro)

11

gastronomia

11 Zuppa di orzo con carpaccio di pesce, um dos queridinhos do chef Salvatore, do Gero.

12

turismo

12 Destino: Foz do Iguaçu, Patrimônio Natural da Humanidade.

14

cultura

Literatura 14 “Rakushisha”, de Adriana Lisboa e “A primeira luz da manhã”, de Thrity Umrigar.

Italia

Marisa Oliveira

30

cultura

Fotografia 30 “Circo español”, ensaio fotográfico de Daniel Marenco. Cinema 34 Cinema italiano al sorpasso: road-movie all’italiana Raffaella de Antonellis

Artes Plásticas 36 Serpa Coutinho Marisa Oliveira

Reflexão 38 Uns diabos novos. Luis Maffei

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www.forumdemocratico.org.br

Foto: www.gadlerner.it


Marighella

expediente

La rivista Forum Democratico è una pubblicazione dell’Associazione per l’interscambio culturale Italia Brasile Anita e Giuseppe Garibaldi. Comitato di redazione Giorgio Veneziani, Andrea Lanzi, Arduino Monti, Mauro Attilio Mellone, Lorenzo Zanetti (em memória). Direttore di redazione Andrea Lanzi Giornalista Responsabile Luiz Antonio Correia de Carvalho (MTb 18977) Redazione Avenida Rio Branco, 257/1414 20040-009 - Rio de Janeiro - RJ forum@forumdemocratico.org.br Pubblicità e abbonamenti Telefax (0055-21) 2262-2934 Revisione di testo (portoghese) Marcelo Gargaglione Lopes Hanno collaborato: Cristiana Cocco, Ornella Cilona, Marisa Oliveira, Raffaella de Antonellis. Logotipo: concesso da Núcleo Cultura Ítalo Brasileira Valença Stampa: Gráfica Opção Copertina e Impaginazione: Ana Maria Moura A Mão Livre Design Gráfico

Dados internacionais de catalogação

Nota do Editor

A

edição Maio/Junho da Revista Forum nos propõe sonhar. Sonhar com o passado, com o presente e com o futuro. Os sonhos do presidente Juscelino que transformaram a vida do Brasil, araram o cerrado, inventaram um lago, fazendo brotar uma nova capital, um novo país. Os sonhos do Baukurs Cultural que abre um novo espaço para as mais diferentes manifestações culturais (Agenda Cultural). Os sonhos de quatro músicos que criaram o Instituto Tocando em Você para democratizar o acesso de comunidades carentes à educação e arte e que estão transformando a vida de milhares de famílias e indivíduos (página 24). Os sonhos da escritora indiana Thrity Umrigar que quebraram paradigmas e agora nos fazem sonhar nosso passado, nosso presente, nosso futuro (Literatura). Tem ainda os sonhos do chef Nicola Finamore que o fizeram sair de Villa Santa Maria, Abruzzo, Itália, e correr continentes (Emigração). Os sonhos dos traços do artista Serpa Coutinho, que, de tão simples, porém precisos, são mágicos, nos levam ao infinito, além do horizonte dos nossos próprios sonhos (Artes Plásticas). Os sonhos que a zuppa di orzo do Gero provocam no paladar (Gastronomia). Então, a Forum Democratico também resolveu sonhar. Sonhar com a manifestação dos leitores que a cada edição nos mostram, fiéis ao nosso perfil editorial, porque temos ampliado nosso público. Sonhar com a redescoberta de muitos Brasis monumentais (Foz do Iguaçu!), muitos sabores, muitas parcerias de sucesso, que promovem, entre outras coisas, a inclusão social. E como sonhar não tem limite, sonhamos com uma relação justa com as empresas anunciantes, aquelas que, independentemente da cor, do credo e das crenças políticas, são capazes de falar com o público-alvo em veículos diferentes, são capazes de se mostrar em contracapas diferentes. No jargão da época, isso se chama apostar na diversidade, além de ampliar a visibilidade. Sem perder a sua essência, a Forum Democratico vem mudando e gostaria de ser aceita sem discriminação.

na fonte (CIP) Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - Forum Democratico/ Associazione per l’insterscambio culturale italo-brasiliano Anita e Giuseppe Garibaldi - No.0 (mar. 1999) - Rio de Janeiro: A Associazione, 1999 - v. Mensal. - Texto em português e

Carta do leitor

italiano - ISSN 1516-8123 I. Política - Itália - Brasil - Periódicos. 2. Difusão cultural - Itália - Brasil - Periódicos. I. Associazione per l’interscambio culturale italo-brasiliano, Anita e Giuseppe Garibaldi. CDU 32:316.7(450 + 81)(05)

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f o r u mD E M O C R A T I C O

“Registro, especialmente em relação à edição da revista Forum Democratico – Ditadura ou Ditabranda, o interesse que desperta pela variedade de temas e suas abordagens, bem como as dicas da seção Literatura, Às Compras e Gastronomia. Parabéns!” Antonia M. Lopes, por e-mail, em abril de 2010.

Maio/Junho 10


agenda cultural

EXPOSIÇÕES As construções de Brasília

Com 157 imagens de fotógrafos de seu acervo e uma seleção de 44 obras de artes visuais modernas e contemporâneas, que abordam a capital e seus simbolismos ao longo dos últimos 50 anos, o IMS comemora os 50 anos de Brasília. Fotografias de Marcel Gautherot, Thomaz Farkas e Peter Scheier (acervo IMS), que estão entre os mais importantes testemunhos visuais sobre a construção e a inauguração da nova capital federal, uma forma de celebrar e ratificar a capital como um dos principais ícones nacionais, sobretudo por meio de sua arquitetura monumental. Além disso, imagens de fotógrafos, obras gráficas e audiovisuais de Mary Vieira, Aloísio Magalhães e Eugene Feldman sobre a edificação e os primeiros anos da capital. Há ainda trabalhos de linguagens variadas de artistas como Emmanuel Nassar e Waldemar Cordeiro, entre outros. Paralelamente à abertura da mostra As construções de Brasília foi lançado o catálogo homônimo com a maior parte das obras expostas e textos assinados pelo crítico Lorenzo Mammi, pela historiadora Anat Falbel, pelo coordenador de fotografia do IMS Sergio Burgi e por Heloisa Espada ( 240 p, R$ 120,00). Instituto Moreira Salles – Rio de Janeiro - Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea, RJ; Tel.: (21) 3284-7400; de 3ª a 6ª das 13 às 20 h; sáb., dom. e feriados, das 11 às 20 h; Visita Guiada (agendar): de 3ª a 6ª às 17h, sáb. às 16h; Entrada franca; Classificação livre; de 30 de abril a 25 de julho de 2010; www. ims.com.br; http://twitter.com/imoreirasalles

Hundertwasser e Fayga Ostrower em novo espaço cultural Desde abril o Rio tem mais um motivo para comemorar: um novo espaço para geração e manifestação cultural, o Baukurs Cultural. Duas exposições de peso marcam a inauguração - a do artista e arquiteto austríaco Hundertwasser e da gravurista brasileira Fayga Ostrower. A exposição Hundertwasser – O direito à criação, o direito aos sonhos tem como foco a relação da arquitetura com o meio ambiente, e Fayga Ostrower, sensibilidade e criação, com exposição e venda de gravuras e serigrafias da artista, umas das maiores pensadoras do processo criativo. Além disso, há a Biblioteca Fayga Ostrower, com obras em inglês e alemão do acervo pessoal da artista, doadas por seus herdeiros. Cine clube, rodas de samba, diversos cursos e caldos culturais, bate-papos sobre livros, espetáculos e o que mais couber no conceito de manifestação cultural. Baukurs Cultural - Rua Goethe, 15, Botafogo, RJ, Tel: (21) 2530-4847; De de 2ª a 6ª , das 10 às 21h; sáb., das 12 às 18h; as exposições citadas ficam em cartaz até 10 de julho.

Traços de Nova York por Torres García Após 32 anos, obras de Torres García voltam ao Rio de Janeiro na exposição Traços de Nova York. São 150 obras do período de 1920 a 1922. A mostra de 150 obras – oferecida pelo Museu Torres García, guardião das obras da Fundação Torres García – enfoca sua produção no período de 1920 a 1922. Inquieto, enquanto morou em Nova York, Torres García não descansou o olhar, registrando e reinventando para si o dinamismo da grande cidade, cada novo aspecto da paisagem urbana e da vida cotidiana: as ruas e seus personagens, o comércio, o porto, o transporte, os objetos de forma vibrante. Joaquin Torres García , artista e teórico, nasceu em 1874, em Montevidéu, Uruguai. Aos dezessete anos mudou-se para a Espanha com a família. Em Barcelona, realizou sua formação artística e acadêmica, tornandose um dos artistas-chave do modernismo catalão. CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Galerias 2 e 3;Av. Almirante Barroso, 25, Centro, Rio (Metrô: Estação Carioca); Tel.: (21) 2544-4080; De 3ª a sáb., das 10 às 22h; domingo, das 10 às 21h; Entrada franca; Classificação livre, até 13 de junho de 2010; Acesso para pessoas com deficiência

TEATRO Musical Gypsy, versão brasileira de um clássico da Broadway, é um dos raros casos de musical saudado como obra-prima desde o lançamento, há pouco mais de meio século. O que vem arrebatando o público desde então, é a atribulada trajetória da stripper Gypsy Rose Lee (1911 – 1969) e sua mãe, contada através da perfeita integração do texto de Arthur Laurents, a música de Jule Styne, as letras de Stephen Sondheim e a coreografia do gênio Jerome Robbins. No Brasil, Charles Moëller e Claudio Botelho assumiram a responsabilidade de dar continuidade à carreira bem sucedida desse musical com uma mega-produção de 38 atores, 17 músicos, 18 trocas de cenário e 140 figurinos. Texto: Arthur Laurents; Música: Jule Styne; Letras: Stephen Sondheim; Direção: Charles Möeller; Versão brasileira: Claudio Botelho; Direção musical e regência: Marcelo Castro; Elenco: Totia Meireles (Rose); Adriana Garambone (Louise – Gypsy Rose Lee); Eduardo Galvão (Herbie); Renata Ricci (June) e outros. Teatro Villa-Lobos, Av. Princesa Isabel, 440,Copacabana, RJ. Tel: (21) 2334-7153; Temporada de 30 de abril a 27 de junho de 2010; 5ª e 6ª, às 21 h; sáb. 19h; Dom. 18h; Ingressos a R$ 60 (5ª), R$ 70 (6ª) e R$ 80 (sáb/dom); Lotação: 463 lugares; Duração: 150 min (com intervalo); Classificação: 10 anos Maio/Junho 10

f o r u m DEMOCRATICO

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editoriale

Andrea Lanzi

Italia: il centro destra vince le elezioni, ma entra in crisi.

I

partiti che formano il governo Berlusconi hanno vinto le elezioni regionali del 28 e 29 marzo, strappando al centro sinistra Lazio, Calabria, Campania e Piemonte e confermandosi in Veneto e in Lombardia. Al centro sinistra sono rimaste Liguria, Emilia Romagna, Marche, Toscana, Umbria, Puglia e Basilicata. Nel 2008 il centro destra aveva vinto in Abruzzo nell’elezione anticipata in seguito all’arresto del presidente Ottaviano Del Turco; sempre il centro destra aveva strappato al centro sinistra il Molise (2006), il Friuli Venezia Giulia (2008) e la Sardegna (2009). Mettiamo a confronto (vedi tabella) i risultati nelle 13 regioni in cui si è votato. In primo luogo balza agli occhi la bassa percentuale dei votanti, il 63,6, a fronte del 71,5 del 2005 e del 80.7 delle politiche del 2008. Il blocco di centro destra ottiene il 48,3% con il Popolo della Libertà che si attesta al 31,4 (5,2 rispetto alle politiche); il blocco di centro sinistra ottiene il 43,3% con il Partito Democratico che raggiunge il 27,4 (-6,7 rispetto alle politiche). Buoni i risultati della Lega Nord, 12,3% (+ 2,8% sulle politiche) che elegge i governatori del Veneto e del Piemonte e che risulta il vero vincitore nello schieramento di centro destra; Italia dei Valori raggiunge il 7% (+2,7 sulle politiche); la sinistra (Federazione della sinistra; Sinistra, ecologia e libertà; verdi) ottiene il 6,4% (+3,3 rispetto alle politiche) e rielegge il governatore Niki Vendola in Puglia; l’Unione di Centro si attesta al 5,6 con una crescita del 0,3 sulle politiche, dopo essersi presentata in maniera differenziata sul territorio, alleata in alcune regioni con il PD, in altre con il PdL e correndo da sola nelle rimanenti. Le liste ispirate al comico Grillo ottengono 1,7% e sono decisive per la sconfitta del centro sinistra in Piemonte. Un elemento che esce rafforzato dalle elezioni è la molti-

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f o r u mD E M O C R A T I C O

plicazione delle liste sia all’interno che all’esterno dei due blocchi principali creati intorno al PdL e al PD. Nonostante il risultato elettorale, il centro destra è entrato in crisi; Gianfranco Fini, ex lider di Alleanza Nazionale, il partito post fascista confluito nel PdL, ha dato una lettura diversa dell’esito elettorale – sottolineando l’aumento dei consensi della Lega Nord e la diminuzione di quelli del PdL- e ha elencato i suoi motivi di dissenso da Berlusconi: giustizia e atteggiamento nei confronti della magistratura, emergenza economica, integrazione degli emigranti, federalismo fiscale. Se non siamo di fronte ad una diversa piattaforma programmatica, poco ci manca. Lo scontro nel centrodestra, durante la riunione della direzione del partito, è stato trasmesso on-line ed è stato poi ripreso e ingigantito da tutte le trasmissioni televisive dedicate all’attualità, i così detti talk show, che di fatto hanno trasformato il dibattito politico in un “teatrino” e lo hanno tolto dalla sua sede naturale, il parlamento. Berlusconi, poco abituato alla discussione - vista la sua visione di “un uomo solo al comando” e del “partito azienda”- ha minacciato il ribelle Fini, accorgendosi in ritardo che si era aperto nel centro destra un vero contrasto di strategia, opinioni diverse sul futuro. E le prospettive sono preoccupanti; la crisi economica e fi-

Gianfranco Fini e Berlusconi: lettura diversa dell’esito elettorale.

nanziaria globale degli ultimi mesi del 2008, originata dalla bolla immobiliare americana, ha colpito duro anche in Italia e il governo non ha adottato misure in grado di rilanciare l’economia partendo dallo stimolo ai salari, ai redditi e alle imprese. Stiamo assistendo adesso ad un attacco speculativo contro l’euro – e di fatto contro l’Unione Europeaa seguito della crisi greca; sarebbe necessario – oltre alla risposta di emergenza- pensare in grande, a come affidare all’Unione parti importanti delle politiche economiche attribuite agli stati nazionali; e in Italia, sotto la pressione della Lega Nord, si pensa di fare il cammino opposto, di affidare alle regioni maggiori poteri sia dal lato delle entrate che delle spese.

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editorial

Itália: a centro-direita entra em crise apesar da vitória nas eleições.

O

s partidos que apóiam o governo Berlusconi venceram as eleições regionais de 28 e 29 de março, tirando da centro-esquerda o governo de Lazio, Calabria, Campania e Piemonte e se confirmando em Veneto e na Lombardia. A centro-esquerda continua com Liguria, Emilia Romagna, Marche, Toscana, Umbria, Puglia e Basilicata. Em 2008 a centro-direita conquistou a vitória em Abruzzo na eleição antecipada, motivada pela prisão do presidente Ottaviano Del Turco acusado de corupção; a centro-esquerda também perdeu o governo em Molise (2006), Friuli Venezia Giulia (2008) e Sardegna (2009). Aprofundamos (acompanhe a tabela) os resultados das 13 regiões onde se votou. Em primeiro lugar, se destaca o baixo percentual de votantes, 63,6%, em comparação aos 71,5% de 2005 e 80,7% nas eleições de 2008. O bloco de centro-direita obteve 48,3% com o Povo da Liberdade, que alcançou 31,4% (- 5,2% em comparação com as políticas); o bloco de centro-esquerda obteve 43,3% com o Partido Democrático, que recebeu 27,4% (- 6,7% em comparação com as políticas). Foi bom o resultado da Liga Norte, 12,3% (+ 2,8% sobre as políticas), que elegeu os governadores de Veneto e Piemonte e se destacou como o verdadeiro vencedor na aliança de centrodireita. Itália dos Valores conquistou 7% (+ 2,7%); a esquerda (Federação da esquerda, Esquerda, ecologia e liberdade; verdes) obteve 6,4% (+3,3%) e reelegeu o governador Niki Vendola na Puglia; a União de Centro obteve 5,6%, com 0,3% a mais das eleições políticas, depois de se apresentar de forma diferenciada no território, se aliando em algumas regiões com o PD, em outras com o PdL e se apresentando sozinha nas remanescentes. As chapas inspiradas no ator cômico Grillo obtiveram 1,7% e foram decisivas para a derrota da centro-esquerda no Piemonte. Um dado

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que se destacou na campanha eleitoral foi a multiplicação das chapas, tanto fora como dentro dos dois blocos principais, aglutinados ao redor do PdL e do PD. Apesar do resultado das eleições, a centro-direita entrou em crise; Gianfranco Fini, ex-líder da Aliança Nacional, o partido pós-fascista, que é um dos dois fundadores do Povo da Liberdade, proporcionou uma leitura diferente do êxito eleitoral – sublinhando o crescimento dos votos da Liga Norte e a diminuição daqueles do PdL – e elencou os seus motivos de divergência com Berlusconi: justiça e posicionamento frente aos juízes, emergência econômica, integração dos imigrantes, federalismo fiscal. Talvez não se trate de uma diferente pauta programática, mas é algo parecido. A briga na centro-direita, na reunião da direção nacional do partido Povo da Liberdade, foi transmitida on line e, depois, repetida e amplificada em todas as transmissões televisivas dedicadas à atualidade, os chamados talk shows, que de fato transformaram o debate político numa “peça de teatro” realizada fora do parlamento. Berlusconi, pouco acostumado à discussão - conhecida a sua visão de “somente um homem no comando” e do “partido empresa” - ameaçou o rebelde Fini, percebendo tarde demais que na centro-direita tinha surgido um verdadeiro contraste estratégico, opiniões diferentes sobre o futuro. E as perspectivas são preocupantes: a crise econômica e financeira global do final de

2008, originada pela bolha imobiliária americana, afetou gravemente a Itália e o governo não adotou medidas eficazes anticíclicas de recuperação da economia, sustentando salários, rendas e empresas. Assistimos agora um ataque especulativo contra o euro - e de fato contra a União Européia - depois da crise grega. Seria necessário, além da resposta emergencial, pensar em como fortalecer a União Européia transferindo para a mesma parte importante das políticas econômicas executadas pelos estados nacionais; e neste exato momento na Itália, com a pressão da Liga Norte, se pensa em fazer o caminho oposto, entregando para as regiões maiores poderes orçamentários.

f o r u m DEMOCRATICO

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comunità

RIO DE JANEIRO

Inaugurazione sede Federazione Lucana.

È

stata inaugurata il 29 aprile la sede della Federazione delle Associazioni Lucane alla presenza del presidente della Commissione regionale dei lucani nel Mondo, Pietro Simonetti. Nell’ambito dell’evento è stato presentato il libro “Lucani. Guida ai migliori difetti e alle peggiori virtù”, con la partecipazione dell’autrice Angela Langone. Si è brevemente presentata la violinista Tamara Colucci Barquette appartenente a una famiglia di artisti di origine lucana. A conclusione è stato proiettato in anteprima il film “Basilicata: cost to cost”di Rocco Papaleo, che ha riscosso grande successo fra il pubblico.

Congiuntura Brasile.

I

l deputato Ciro Gomes, del Partido Socialista Brasileiro, non è più fra i candidati a Presidente nelle elezioni di ottobre. Il suo stesso partito ha preferito appoggiare la candidata del PT, Dilma Roussef, fin dal primo turno. Secondo Ricardo Guedes, direttore dell’Istituto Sensus, 50% degli elettori potenziali di Ciro Gomes andranno a Dilma e solo 20% andranno al candidato del Partido Social Democráta Brasileiro, José Serra. Marina Silva, del Partido Verde, mantiene la propria candidatura a Presidente e molti osservatori accreditano che potrà appoggiare Serra in un eventuale secondo turno. Fattore decisivo per la vittoria saranno gli accordi politici nei vari stati dell’Unione e la capacità dei candidati nei dibattiti nella fase finale della campagna elettorale. Le percentuali di consenso al Presidente Lula superano l’80%, secondo gli istituti demoscopici, e la situazione economica e sociale – relativamente buona – dovrebbero favorire Dilma. Ancora non è ufficiale l’alleanza del PT con il PMDB che deve indicare il vice di Dilma Roussef; a complicare le cose la situazione in Minas Gerais dove il Partido dos Trabalhadores non ha ancora

C

elebrata la Resistenza e il 65 anniversario della Liberazione dell’Italia con un concerto della cantante italiana Barbara Casini presso il salone dell’Istituto Italiano di Cultura di Rio de Janeiro. Prima dello spettacolo ha preso la parola Giorgio Veneziani, presidente d’onore della Associazione Anita e Giuseppe Garibaldi, che ha invitato i giovani a mantenere vivo l’ideale antifascista e i valori di libertà e democrazia.

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deciso di appoggiare il candidato a governatore del Partido Mobilização Democrática Brasileiro, l’ex ministro Hélio Costa. Due partiti della maggioranza di governo, il Partido Progressista e il Partido Trabalhista Brasileiro, sono divisi al loro interno e non hanno ancora scelto quale candidato presidenziale appoggiare. Tutte le centrali sindacali – fatto inedito- sono schierate a favore della candidata del governo uscente a riprova che le politiche sociali e il dialogo con il movimento organizzato dei lavoratori realizzato dal governo Lula ha prodotto risultati.

Liberazione dell’Italia dal nazifascismo.

Processata Forum Democratico: attacco alla libertà di stampa. i è tenuta la prima udienza della causa intentata dal “sindacalista” Adriano Stefanutti, dipendente del MAE contro la rivista Forum Democratico; il soggetto dopo aver pesantemente offeso e aggredito i consiglieri Comites e i dirigenti dei patronati e delle associazioni italo brasiliane, definendoli “capibanda” e “trafficanti locali di provvidenze ministeriali”, si è sentito offeso perché la rivista Forum Democratico ha scritto che “dovrebbe partecipare ad un corso sindacale per capire che i sindacalisti dovrebbero difendere i lavoratori” a commento del licenziamento in tronco, deciso dallo Stefanutti, di un lavoratore poi riammesso in servizio dal Console Generale al rientro in sede. Come si vede si vuole mettere il bavaglio alla stampa nel miglior stile autoritario. Non ci faremo intimidire.

Marina Silva

RIO DE JANEIRO

Inizia il corso CREA-FOR-MA Impresa.

I

niziato il 26 aprile il corso di formazione professionale rivolto alla creazione di nuova imprenditorialità, finanziato dal Ministero del Lavoro e realizzato dalla FILEF e dall’Associazione Anita e Giuseppe Garibaldi.

Maio/Junho 10


comunidade RIO DE JANEIRO

Congiuntura Italia.

Riconoscimento della cittadinanza italiana sempre difficile.

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Guglielmo Epifani

I

partiti che fanno parte del governo Berlusconi hanno vinto le elezioni regionali di fine marzo (vedi l’editoriale) ma la maggioranza è in crisi. La situazione economica è sempre più preoccupante come ha denunciato il segretario generale della CGIL, Guglielmo Epifani, dal palco del 16 congresso della confederazione; e il governo sembra più impegnato che mai a dividere il movimento sindacale e ad usare la crisi per diminuire i diritti dei lavoratori, ad esempio con le norme sull’arbitrato che impedirebbero ai lavoratori di adire le vie legali per tutelarsi contro i licenziamenti; il Presidente Napolitano a questo proposito ha rinviato la legge in parlamento. Sta venendo alla luce il mostro giuridico

dell’emergenza e della protezione civile a cui nel corso degli anni sono state affidate opere ed eventi, compresi appuntamenti sportivi e celebrazioni quali il Giubileo, che nulla hanno a che vedere con i disastri e le emergenze; il tutto al puro scopo di non dover rendere conto agli organi competenti delle spese realizzate. E, come da copione, sono cominciati ad apparire gli scandali; ha destato scalpore lo scandalo che ha obbligato il ministro dello Sviluppo Economico, Scajola, alle dimissioni: la casa del ministro era stata pagata in gran parte con assegni al portatore firmati da un costruttore agli arresti per corruzione.

opo una raccolta di firme coordinata dai Comites, per protestare contro gli scandalosi tempi di attesa per il riconoscimento della cittadinanza italiana in Brasile, era stato finanziato un gruppo di lavoro speciale per cercare di dare soluzione al problema. Il gruppo formato da personale proveniente dal Ministero, da nuovi lavoratori assunti a tempo indeterminato con contratto locale e da digitatori assunti a tempo determinato, ha cominciato a dare qualche risultato. Purtroppo nell’ultima riunione dell’intercomites è stato comunicato – in linea con i tagli decisi dal governo sui vari capitoli riguardanti gli italiani residenti all’estero – che i fondi per i digitatori non saranno rifinanziati. Sarebbe a questo punto necessario che nuovamente i Comites organizzassero la protesta approfondendo la possibilità di adire le vie legali contro l’amministrazione dello stato in quanto il diritto al riconoscimento della cittadinanza italiana viene di fatto non rispettato con i tempi di attesa che superano i 10 anni.

Proteste per il rinvio delle elezioni dei Comites.

I

l governo dopo il rinvio dell’anno scorso ha nuovamente spostato al dicembre 2012 le elezioni per il rinnovo dei Comites e del Consiglio Generale Italiani Estero. Il motivo addotto è che l’elezione dei 18 parlamentari all’estero rende indispensabile la riforma della rappresentanza e nuove regole per Comites e CGIE. Il sottosegretario con delega per gli italiani residenti all’estero, Alfredo Mantica, si è sentito autorizzato ad attaccare personalElio Carrozza mente il segretario del CGIE, Elio Carrozza, sostenendo che “se era necessario passare sul cadavere di quest’ultimo per cambiare il ruolo degli organi di rappresentanza, lo avrebbe fatto”. Di fatto il governo raddoppiando il mandato dei Comites da 4 a 8 anni, li indebolisce e ne mina la legittimità. La risposta non si è fatta attendere e nell’ultima riunione del CGIE tutti i consiglieri hanno abbandonato la sala quando ha preso la parola Mantica. Nel documento finale si indicano le assemblee continentali allargate ai consiglieri Comites, come occasione per continuare la mobilitazione contro le scelte del governo.

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Alfredo Mantica

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comunità

Ornella Cilona (Cgil nazionale, Dip. Politiche attive del lavoro)

Che cosa insegna la crisi della Grecia all’Europa

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lavoratori greci pagano le colpe degli speculatori e di chi, nel governo, ha truccato i conti pubblici. E’ questa la motivazione con la quale i sindacati ellenici sono scesi in piazza contro i tagli ai salari dei dipendenti pubblici e alle pensioni decisi dall’esecutivo guidato da Giorgio Papandreou. Il governo socialista, vincitore delle elezioni politiche nell’ottobre dello scorso anno, ha ereditato dal precedente esecutivo di centro destra una situazione dei conti pubblici vicina alla bancarotta, con un rapporto deficit/pil al 12% e un debito pubblico pari al 120% del prodotto interno lordo. Per rimettere sotto controllo la finanza statale, il primo ministro si è trovato così costretto ad adottare nel giro di pochi mesi delle misure estremamente impopolari. Prima, agli inizi di marzo, ha varato una manovra da 4,8 miliardi di euro che ha portato al congelamento delle pensioni, a tagli agli stipendi dei dipendenti pubblici e all’aumento delle imposte sui carburanti e su beni come alcool e sigarette. Poi, sotto pressione di Bruxelles e del Fondo Monetario Internazionale, il premier greco ha accelerato la riforma del sistema pensionistico e ha promesso altri interventi significativi nel campo del mercato del lavoro e delle privatizzazioni. L’Unione europea e il Fmi, infatti, hanno subordinato la concessione di un prestito di 110 miliardi di euro a un programma di austerità, che colpisce le categorie più deboli come i lavoratori a basso reddito e i pensionati. Adedy e Gsee, le due confederazioni sindacali che rappresentano, rispettivamente, i dipendenti pubblici e quelli privati, hanno proclamato numerosi scioperi generali dall’inizio dell’anno contro le decisioni del governo, che rischiano non solo di produrre un aumento del numero di disoccupati e di poveri, ma anche di aggravare gli effetti della recessione economica. Già oggi, la percentuale dei senza lavoro in Grecia è pari all’11,3% ma, secondo Gsee, il tasso reale è del 17,5%, che equivale a 800mila persone senza un impiego.

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Fra i giovani, il tasso di disoccupazione dovrebbe salire entro l’anno al 28%, secondo le ultime stime dell’Organizzazione per la cooperazione e lo sviluppo economico (Ocse). Il Paese è, inoltre, al primo posto in Europa per incidenza dei lavoratori poveri (i cosiddetti working poor) sul totale degli occupati: il 14% di chi ha un posto ha, infatti, un reddito insufficiente ad arrivare alla fine del mese. La crisi ha poi aumentato le sperequazioni fra ricchi e indigenti, un problema da sempre più accentuato in Grecia rispetto ad altri Paesi europei. Secondo uno studio dell’organizzazione Kappa Research, sei famiglie su dieci si trovano in un mare di debiti e otto hanno difficoltà a pagare i conti delle carte di credito. Anche i dati sul prodotto interno lordo ellenico sono preoccupanti: Secondo la Banca centrale greca, il Pil dovrebbe calare del 2% nel corso del 2010, ma è molto probabile che la diminuzione possa essere più consistente. La caduta degli investimenti, delle vendite sui mercati internazionali e dei consumi privati sono alla base di questa forte riduzione. Le vicende elleniche si sono trasformate in una resa dei conti all’interno dell’Unione europea e, in particolare, dei sedici Paesi che hanno adottato l’euro come propria valuta. Le manovre speculative ai danni della moneta comunitaria hanno dimostrato la debolezza dell’Ue, che continua a non avere una sola voce per quello che riguarda le scelte economiche. Per la prima volta da quando l’euro è entrato nelle tasche degli europei, una tempesta economica e monetaria ha rischiato di azzerare la costruzione di un’Europa unita. Il vizio di fondo – quello di aver deciso una moneta comune senza pensare a una politica sociale condivisa – è così riemerso a turbare i sonni dei governi nei 27 Stati. Un dato è certo: i problemi della Grecia riguardano tutto il Vecchio continente e sarebbe un suicidio politico pensare di risolverli senza sanare i punti deboli dell’Unione europea.

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gastronomia

Zuppa di orzo con carpaccio di pesce

CUCINA ITALIANA

Um dos queridinhos do chef Salvatore

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Foto: Alexander Landau

uando não se conhece ou não se vai há algum tempo a um restaurante, costuma-se perguntar qual é o prato queridinho da casa. Se vocês não perguntam, eu pergunto e não costumo me dar mal. No caso do restaurante Gero, as preferências sempre recaíram nas massas, deliciosas, diga-se de passagem, frescas, confeccionadas na hora exata em que o cliente pede. Mas dessa vez, a sugestão da Beta venceu: zuppa di orzo con carpaccio di pesce. E em que consiste essa zuppa? Em um risotto, assentado em um creme, com carpaccio de pesce. E aí veio a dúvida: mas é sopa ou risotto? Comese com colher, mas o risotto bem molhadinho, por cima de uma porção generosa de creme... Nem sopa, nem risotto!

Como a primeira impressão é a que fica, dê a colherada inicial buscando pegar um pouquinho de tudo – do peixe no tomilho e azeite, do risoto na cevadinha e aspargos e do creme de leite fresco com parmesão, cada uma das partes levemente atiçadas pela pimenta e pelo sal. Buonissimo! Você vai ver que não há motivos para arrependimentos, aliás, Salvatore Loi, o chef sardo que conduz os restaurantes do grupo Fasano, é conhecido pela ênfase especial aos peixes e frutos do mar. E, de sobremesa, a goccia di cioccolato – delicadíssima mousse de chocolate branco (de paladar bem suave) envolvida por uma fina casca de chocolate preto (meio amargo), com calda de framboesa para equilibrar os sabores e desequilibrar nosso peso.

(Rendimento: 1 Porção)

Ingredientes Creme de Parmesão: 150 ml de creme de leite fresco 150g de parmesão ralado sal e pimenta a gosto Para o Carpaccio: 60g de peixe branco (namorado) ½ colher (sopa) de azeite 2 ramos de tomilho sal e pimenta a gosto

Para o Risotto: 45g de cevada 25g de aspargo cortado em cubos pequenos ½ colher (sopa) de manteiga ½ litro de caldo de peixe ½ colher (sopa) de azeite sal e pimenta a gosto

Modo de fazer Creme: Misture todos os ingredientes, e cozinhe no banho Maria por uns 20 min. Risotto: Cozinhe a cevada no caldo de peixe, no fogo alto por uns 30 min. Depois junte o aspargo cozido, pimenta, sal, manteiga e o azeite. Carpaccio: Corte o peixe em fatias bem finas, monte em uma assadeira, tempere com o tomilho, o sal e a pimenta. Leve ao forno por 2 min. só para aquecer. Montagem: Primeiro distribua o creme de parmesão num prato fundo pequeno, depois coloque o risotto e cubra com carpaccio de peixe. Regue por cima um fio de azeite e salsinha picada.

Gero Rua Aníbal de Mendonça, nº 157 Ipanema- RJ - Tel.: (21) 2239-8158

Couvert: R$ 19 Rolha: R$ 80 Aceita todos os cartões de crédito Capacidade: 80 lugares

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Foto: R.Lessa

2a a 5a: Almoço - das 12h às 16h Jantar - das 19h à 1h 6a: Almoço - das 12h às 16h30 Jantar - das 19h até às 2h Sábado: das 12h às 2h Domingo: das 12h às 24h

Foto: Alexander Landau

Manobrista: Sim – R$ 10,00

Goccia di cioccolato

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Fotos: Secretaria de Turismo de Foz do Iguaçu

Templo budista

Marcos das Três Fronteiras

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Espetáculo de iluminação da usinaBock de Itaipu Binacional Cerveja

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t u r i s m o

I g u a ç u Humanidade O

Parque das Aves

Parque das Aves

s “hermanos” latinos dizem que os brasileiros tem mania de grandeza. Somos o melhor futebol do mundo, um dos maiores países do mundo, a música mais linda, temos a cidade maravilhosa, as mulheres mais bonitas e vai por aí. Se somos ou não somos é discussão para muitas rodadas, mas vamos e venhamos, o que dizer de Foz do Iguaçu e suas Cataratas? Para começar iguaçu em tupi-guarani significa água grande. Viu? Olha o adjetivo aí de novo. Formadas há 150 milhões de anos, as quedas isoladas variam de 150 a 300, dependendo da vazão do rio Iguaçu – a vazão média do rio é de 6500 m3/s nas cheias, formando uma frente única em tempo de cheia 2.700 metros, lados brasileiro e argentino. São 19 saltos no total e porque a maior parte deles volta-se para o Brasil a melhor vista para quem observa o cenário é o lado brasileiro (a natureza colabora, não é?). As grandes atrações de Foz são o Parque Nacional do Iguaçu e a Itaipu Binacional. No primeiro, o visitante se extasia com as fantásticas e monumentais quedas d’água (cerca de 300) que compõem as Cataratas do Iguaçu, além de poder se aventurar pelo turismo de aventura – rapel, rafting, arvorismo, trilhas ecologicamente preservadas. As atrações da visita à Itaipu Binacional ficam por conta do espetáculo da Iluminação da Usina – show de luzes que ressalta cada detalhe da obra de concreto, principalmente o formato de catedrais da barragem - do Refúgio Biológico Bela Vista, do Ecomuseu, do Canal da Piracema, da visita no interior da usina e do mais novo atrativo - o Pólo Astronômico - o primeiro do país a reunir no mesmo local planetário e observatório astronômico, além de laboratórios, auditório, sala de exposição, relógio solar e estação meteorológica. Como em Foz quem dá as cartas é a natureza, mais de 900 aves de 180 espécies, em seu habitat natural dão boas vindas ao turista no Parque das Aves em um espetáculo de cores e sons muito especial. Outro passeio interessante é conhecer os Marcos das Três Fronteiras – Brasil, Argentina e Paraguai, de onde é possível apreciar o encontro dos rios Iguaçu e Paraná. Também merecem destaque a visita à Mesquita Islâmica e ao Templo Budista, ícones de algumas etnias muito presentes na cidade. É possível ainda navegar pelo imenso Lago de Itaipu no barco Kattamaran, apreciando seus balneários e a Itaipu Binacional, bem como sobrevoar as Cataratas de helicóptero. O complexo hoteleiro oferece preços para todos os bolsos, o sistema de transportes atende às necessidades locais (táxis, carros de aluguel, transporte rodoviário, companhias aéreas etc) e alimentar-se na cidade não custa caro. É ou não é um dos melhores destinos turísticos do mundo? Maiores Informações: http://www.fozdoiguacu.pr.gov/turismoTeletur: 0800451516

Canoagem no cânion

Igreja Maio/Junho 10

rco Lago de Itaipu e o ba ran ma tta Ka

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cultura

literatura

Rakushisha

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Rakushisha Autora: Adriana Lisboa Editora: Rocco Páginas: 132 Preço: R$ 24,00

presentada à Adriana Lisboa através de uma nota de jornal – lançado em julho de 2007, Rakushisha foi um dos 10 finalistas do Prêmio Literário Casino da Póvoa 2010 em Portugal – tive a sorte de encontrar o último exemplar numa grande livraria. 132 páginas, lombada fina e delicada, capa e contracapa de uma suavidade tocante. Dentro, Hakuri e Celina, brasileiros que, unidos pelo acaso, viajam juntos para o Japão e constroem um romance de estrutura narrativa fragmentada – as vozes deles se entremeiam aos versos do poeta japonês do século XVII Matsuo Bash, pioneiro do estilo haikai. Porém, o uso da palavra justa resulta em uma obra em que tudo faz sentido e se completa na medida exata. É como se abríssemos um desses livros infantis com dobradura interna e a cada página persona-

gens e paisagens saltassem para nós completos, ocupando o lugar preciso no todo e no detalhe. Não falta nada! A intertextualidade dos elementos, de tal forma bem aproveitada, começa pelo título - Rakushisha ou Cabana dos Caquis Caídos foi moradia de um discípulo de Bash, Mukai Kyorai, que, à véspera do dia da colheita, teve os muitos pés de caqui de sua cabana destruídos pela tempestade. Foi lá o último dos lugares onde o viajante Bash se hospedou. Coesão, densidade e poesia na prosa de Adriana Lisboa para contar sobre um desenhista descendente de japoneses, uma mulher misteriosa, sobre outro país, o Japão, e sobre sentimentos e paixões de pessoas comuns. Isso, pessoas comuns, dramas comuns. Eu, você, o vizinho, qualquer um de nós. Esse é um dos trunfos do romance, vidas simples e comuns, uma história singela e magistral.

Quem é Adriana Lisboa? Natural do Rio de Janeiro, Adriana Lisboa é Doutora em Literatura Comparada pela Uerj, onde também fez o mestrado em Literatura Brasileira, além de ser graduada em Música pela Unirio. No Brasil, residiu também em Brasília e Teresópolis. Na França, em Paris e Avignon. Nos EUA, é pesquisadora junto à Universidade do Novo México (Albuquerque). Publicou os romances Os fios da memória (Rocco, 1999); Sinfonia em branco (Rocco, 2001); e Um beijo de Colombina (Rocco, 2003). Os contos Caligrafias (Rocco, 2004); e o livro infantil Língua de trapos (Rocco, 2005), além de ter participado de diversas coletâneas de contos e antologias literárias. Adriana Lisboa recebeu diversos prêmios, dentre os quais o José Saramago da Fundação Círculo de Leitores (Portugal).

A primeira luz da manhã

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iografias e memórias sempre são interessantes. Aguça-nos o desejo de conhecer a vida alheia, o outro país, outras realidades. Afinal, existimos na dimensão do outro. Ao falar da infância e da adolescência, em uma obra considerada como de formação, em A primeira luz da manhã, Thrity Umrigar, indiana de Bombaim, permite-nos escrever em paralelo às dela, as nossas próprias memórias, potencializando o sentimento de que não estamos sós nesse mundo, ao menos, é claro, no que diz respeito às alegrias, às tristezas, às descobertas de existir, crescer, descobrir o mundo e as marcas que nos são deixadas por pai e mãe e que são tão determinantes do caminho a seguir. Colaboram para tornar o relato universal o uso do tempo presente – estamos ali, junto com ela A primeira luz da manhã Autora: Thrity Umrigar Editora: Nova Fronteira Páginas: 312 Preço: R$ 39,90

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a desfiar nossa infância e adolescência, os fatos que nos marcaram - e o uso do tempo futuro, cuja “premonição” reafirma as pessoas nas quais nos tornamos, a partir daquele tempo passadopresente. Tem relevância ainda a simplicidade e a clareza do relato e da estrutura narrativa, a utilização de comparações diretas e, importante, a tradução de Regina Lyra, que deixou o texto à vontade na língua portuguesa. Um pouco da Índia, sociedade e religiosidade, país de extremos. O passado, a autora e sua família sem nenhum adereço e o momento da guinada, iniciada pelas mãos da amiga Jesse, que a apresenta a John Steinbeck, Hermann Hesse, Bob Dylan, Van Gogh. A primeira luz da manhã surgiu da necessidade de Thrity de entender porque se tornou escritora. Os leitores agradecem.

Quem é Thrity Umrigar? Autora de A distância entre nós, A doçura do mundo, Um lugar para todos e O tamanho do céu, publicados pela Nova Fronteira, Thrity Umrigar nasceu em Bombaim, Índia em 1961. Jornalista, aos 21 anos de idade mudou-se para os Estados Unidos e reside em Cleveland, Ohio. Leciona Redação Criativa e Literatura na Case Western Reserve University. Ganhou o prêmio Nieman Fellowship da Harvard University. É Ph.D. em inglês.

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à s

c o m p r a s

Parceria de sucesso, solidariedade e inclusão social A Alfaias estabelece parceria com organizações não governamentais e diferentes associações para desenvolver acessórios de cama e mesa, todos bordados e confeccionados à mão, de modo a colaborar na promoção de melhoria de vida, de renda e inclusão social de diversas comunidades e grupos sociais.

“Leva o guarda-chuva que vai chover!” Mães sempre têm razão na hora de prever chuva. Imagina agora com as estações meteorológicas domésticas, capazes de prever o tempo em um prazo de até 24 horas. De maneira geral, as estações vêm com ícones de fácil leitura – ensolarado, parcialmente nublado, nublado ou chuva. A BA169, colorida e divertida pode ser afixada na geladeira, na mesa ou no criado-mudo, na cabeceira da cama e custa R$ 99,00. Onde encontrar: Oregon ScientificBrasil Av. Ibirapuera, 2.907, salas 1614 / 1615 / 1616 Moema, São Paulo, SP - CEP: 04029-200 SAC: (11) 5095-2329 www.oregonscientific.com.br

Sementes, cascas, fibras e cidadania A partir de resíduos florestais Maria Oiticica cria jóias e acessórios originalmente brasileiros desde a escolha da matéria-prima até a confecção artesanal de cada peça para o mercado nacional e internacional. A designer participa da formação de artesãs, vinculadas a grupos de pacientes do Instituto Fernandes Figueira, no Rio de Janeiro. No Amazonas, índias desaldeadas são treinadas por ela para desenvolverem colares, pulseiras e brincos. Renda, resgate cultural e cidadania. Pulseira de tilápia R$ 126,00

Colar de açaí e fio de tucum R$ 69,00

Onde encontrar: Shopping Leblon Av. Afrânio de Mello Franco, 290/ LJ 112 B – Leblon (RJ) – Tel. (21) 3875-8025

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Tapete Crochê Bordado à Mão Flores - 100% Algodão Tapete Bordado à Mão Florido Tamanho: 50 x 80cm Preço: R$ 129,00 Produto Exclusivo Alfaias Este tapete é feito de crochê, com barbante de algodão colorido, por mulheres da Associação de Artesãos de Curral Grande, na cidade de São Gonçalo do Amarante, no Ceará.

Onde encontrar: Alfaias - Rua Visconde de Pirajá, 550 Loja 204 Tel.: 2511-2942 – Ipanema www.alfaias.com.br

Capa de Almofada Bordada à Mão Coração Miosótis - Sarja Tamanho: 40 x 40cm Preço: R$ 88,00 Produto Exclusivo Alfaias Este produto foi desenvolvido pela parceria Alfaias e ONG Refazer.

Música Popular Brasileira - A Capella II Sofisticados arranjos reverenciam clássicos da música popular brasileira, como, por exemplo, Mas que Nada, de Jorge Ben Jor, Papagaio do Futuro, acoplada à Fé na Perua, ambas de Alceu Valença, que é a faixa que abre o CD, com uma pressão vocal percussiva de impacto, sem dúvida. É ainda impactante ouvir Bala com Bala, de João Bosco e Aldir Blanc, malabarismo de frases musicais em um malandro jogo de textos bem carioca e, em Surfboard, de Tom Jobim, o indiscutível jeito brasileiro de fazer. Agora, o grupo vocal BR6 se supera em duas inesquecíveis e viciantes faixas: Tanta Saudade, de Djavan e Chico Buarque, e Sou Você, de Caetano Veloso. E tem mais: Deixe a Menina, Beijo Partido, Casa, Eu Quero um Samba... Para ouvir e ser feliz, acredite! Não são utilizados instrumentos de espécie alguma nas gravações.Todos os sons são produzidos única e exclusivamente pela voz (com exceção das palmas na faixa três).

CD: Música Popular Brasileira A Cappella II Artista: Grupo Vocal BR6 - André Protasio(barítono), Crismarie Hackenberg (mezzo-soprano), Deco Fiori (tenor), Marcelo Caldi (tenor), Naife Simões (percussão vocal), Simô (baixo vocal). Preço: R$ 36,00, na Modern Sound (Rua Barata Ribeiro, nº 502, RJ, (21) 2548-5005

Contatos com a seção Às Compras para apresentação/sugestão de produtos sustentáveis ou demais produtos podem ser enviados para pauta@forumdemocratico.org.br

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Encarte especial Forum 93-94 - Introduzione alla lettura di brevi testi in Lingua Italiana - Fascicolo XLIV

f a s c i c o l o Símbolos utilizados  Informação histórica

 Expressão - locução  “Falsos amigos” ou falsas analogias  Ao fim do parágrafo, há uma janela

Gírias ou expressões fixas

Anglicismos e neologismos

di brevi testi in Lingua Italiana a cura di Cristiana Cocco

 Dialetos

Dal libro “Io uccido” di Giorgio Faletti Ed. Mondadori

P

ierrot prese il bicchiere di plastica pieno di Coca-Cola che Bar­bara gli tendeva e iniziò a bere come se si vergognasse a farsi ve­dere mentre lo faceva. «Ne vuoi ancora?» Pierrot scosse la testa. Le rese1 il bicchiere vuoto e si girò rosso i­n viso verso il tavolo dove stava riordinando2 una pila di cd. Barbara gli piaceva ma lo intimidiva nello stesso tempo. Il ragazzo aveva una cotta3 per lei, fatta soprattutto di sguardi segreti, di silenzi e di fughe quando lei compariva. Bastava che lei gli ri­volgesse la parola per farlo diventare paonazzo. La ragazza si era accorta da tempo di questo sentimento nei suoi confronti. Era un amore, se così si poteva definire, tipicamente infantile, in linea con il modo di essere di Pierrot, ma che come tutti i sentimenti anda­va rispettato. Sapeva quanta capacità di voler bene ci fosse nell’animo di quel ragazzo strano che sembrava perennemente impaurito dal mondo: c’erano il candore e la sincerità che si trovano solo ­nell’affetto dei bambini e dei cani. Poteva sembrare un parago­ne un po’ riduttivo, ma era l’espressione di un affetto completo e sincero, un affetto che esiste in quanto tale, senza bisogno di con­tropartita. Una volta aveva trovato sul mixer4 una margherita. Quando aveva capito che era lui il misterioso donatore di quel semplice fio­re di campo, si era sentita morire di tenerezza. «Vuoi ancora un panino?» chiese alla schiena di Pierrot. Di nuovo il ragazzo scosse la testa, senza voltarsi. Era l’ora del pranzo e avevano fatto arrivare dallo Stars ‘n Bars un vassoio di panini e tramezzini. Dopo la storia di Jean-Loup, a parte le voci e la musica che uscivano dai microfoni, i locali di Radio Monte Car­lo sembravano diventati il regno del silenzio. Tutti si aggiravano come “Rese” è il participio passato del “v. Rendere”, che in questo caso significa “riconsegnare, ridare”. Nel senso di “rimettere in ordine”. 3 “Avere, prendersi una cotta per qualcuno” significa innamorarsi con forza, ma spesso solo in modo passeggero.

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Introduzione alla lettura

com informações fora do texto 

se fossero delle figure fatte d’aria. La sede dell’emittente era stata assalita ed era tuttora tenuta sotto assedio dai giornalisti come Forte Alamo dall’esercito messicano. Ogni componente dello staff era stato seguito, braccato, pedinato. Ognuno di loro si era trovato un microfono sotto il naso, una telecamera puntata sul vi­so, un cronista sotto la porta di casa. In effetti, quello che era suc­cesso giustificava ampiamente la tenacia dei mezzi di informazio­ne nei loro confronti. Jean-Loup Verdier, un protagonista di Radio Monte Carlo, si era rivelato uno psicopatico assassino ed era tuttora in fuga. La sua presenza aleggiava come uno spettro sul Principato di Mo­naco. Il giorno dopo la scoperta dell’identità del colpevole di quegli omicidi a catena, grazie alla curiosità morbosa della gen­te e la pubblicità dei media, gli ascolti erano praticamente raddoppiati. Robert Bikjalo, il Robert Bikjalo di un tempo, avrebbe fatto un triplo salto mortale con avvitamento nel leggere i dati dell’audien­ce. Ora faceva il suo lavoro come un automa, fumava come un tur­co5 e si esprimeva a monosillabi, come tutti, del resto. Raquel ri­spondeva alle telefonate con la voce meccanica di una segreteria telefonica. Barbara non riusciva a fermarsi un momento a pensare senza provare l’impulso irrefrenabile di piangere. Il presidente stesso chiamava solo se era strettamente necessario. A questo stato d’animo si era aggiunta la notizia della tragica morte di Laurent, avvenuta due giorni prima, durante un tentati­vo di rapina. Lo stato d’animo generale aveva avuto il colpo di gra­zia definitivo, aggiungendo ulteriore evanescenza a persone che già sembravano possedute dagli spettri. Ma il più colpito da tutta quella storia era proprio Pierrot. Si era rifugiato in un mutismo preoccupante e rispondeva alle domande che gli venivano rivolte solo con cenni affermativi o negativi del capo. Quando era in radio, la sua era una pre­senza silenziosa che svolgeva i compiti di sua competenza come se non esistesse. Stava rintanato nell’archivio per ore, al punto che Il mixer in questo caso – dentro uno studio radiofonico- è lo strumento per mischiare vari suoni. Chi fuma come un turco fuma moltissimo! 6 “Riporre la fiducia in qualcuno” significa, in portoghese, “depositar a confiança em alguém”.

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L’autore

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iorgio Faletti è nato ad Asti il 25 novembre 1950. Artista poliedrico non ha mai smesso di dare prova della sua capacità di spaziare da un campo artistico all’altro. Come comico ha lasciato una forte impronta nel panorama della comicità creando una serie di personaggi indimenticabili protagonisti di alcune fortunate serie televisive come Drive In, Emilio e Fantastico 90. Anche come musicista Giorgio Faletti ha ottenuto negli anni numerosi consensi. Ha cominciato pubblicando in proprio diversi album di successo. Nel 1994, con la canzone Signor Tenente, si è aggiudicato il secondo posto e il Premio della Critica al Festival di San Remo. Sono nate in seguito le collaborazioni con alcuni grandi artisti della musica leggera italiana: ha scritto canzoni per Mina, Milva, Gigliola Cinquetti e i versi di due album di Angelo Branduardi, Camminando Camminando e Il dito e la luna. Il 2002 segna l’esordio in campo letterario. Il romanzo Io uccido balza immediatamente al vertice delle classifiche italiane e con oltre 3.500.000 di copie vendute diventa uno dei più clamorosi successi editoriali degli ultimi anni. Nel 2004 esce Niente di vero tranne gli occhi; nel 2006 Fuori da un evidente destino; nel 2009 Io sono Dio. I suoi libri sono tradotti in 25 lingue. Nel novembre del 2005 Giorgio Faletti ha ricevuto dal Presidente della Repubblica il Premio De Sica per la Letteratura. Nel frattempo non dimentica di essere un attore. Nel 2006 interpreta il prof. Martinelli in Notte prima degli esami, film campione di incassi con oltre 20 milioni di euro al botteghino. La sua interpretazione è stata premiata dalla critica con la nomination al David di Donatello come migliore attore non protagonista.

più di una volta Barbara era scesa per vedere se stesse bene. Anche sua madre era disperata. A casa, passava tutto il suo tempo a sentire musica dall’impianto stereo con le cuffie in testa, come se gli servissero per isolarsi completamente dal resto del mondo. Non aveva più sorriso. E non aveva più acceso la radio. Sua madre era disperata per quell’involuzione del comportamento di Pierrot. Frequentare Radio Monte Carlo, sentirsi parte di qualcosa, guadagnare qualche soldo (per inorgoglirlo la madre non aveva mancato di fargli notare quanto quella cifra fosse importante per la loro economia domestica), aveva aperto per lui una porta sul mondo. L’amicizia al limite dell’adorazione con Jean-Loup l’aveva addirittura spalancata. Adesso, poco per volta, stava richiudendo quella porta, e la donna temeva che una volta chiusa completamente, a nessuno sarebbe stato concesso di entrare. Mai più. Era impossibile capire

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cosa gli passasse per la testa. Eppure tutti, dal primo all’ultimo, sarebbero rimasti a bocca aperta se avessero potuto leggere i suoi pensieri. Ognuno pensava che la sua tristezza e il suo mutismo derivassero dall’aver scoperto che il suo amico era in realtà l’uomo cattivo, come lo definiva lui, quello che telefonava in radio ogni tanto con la voce dei diavoli. Forse il suo animo candido reagiva in quel modo perché era stato costretto a rendersi conto di aver riposto la sua fiducia6 in qualcuno che non la meritava. Invece, la sua fiducia in Jean-Loup, la sua amicizia, non erano state minimamente intaccate dagli ultimi avvenimenti e dalle rivelazioni di quella gente sul conto del suo idolo. Lui lo conosceva bene, lui era stato a casa sua, insieme avevano mangiato la Nutella con le crêpes e Jean-Loup gli aveva anche dato da assaggiare un bicchiere di vino italiano buonissimo che si chiamava «il Moscato». Era dolce e

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Encarte especial Forum 93-94 - Introduzione alla lettura di brevi testi in Lingua Italiana - Fascicolo XLIV

giorgio faletti

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Encarte especial Forum 93-94 - Introduzione alla lettura di brevi testi in Lingua Italiana - Fascicolo XLIV

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fresco e gli aveva fatto anche un po’ girare la testa. Avevano ascoltato musica, e Jean-Loup gli aveva addirittura prestato dei dischi, di quelli neri di plastica, quelli preziosi, perché lui potesse ascoltarseli a casa. Gli aveva fatto una copia dei cd che preferiva, come quello dei Jefferson Air­plane e di Jeff Beck con la chitarra sul ponte delle macchine e gli ultimi due dei Nirvana. Tutte le volte che erano stati insieme, lui non aveva mai senti­to Jean-Loup parlare con la voce dei diavoli, anzi... Gli diceva cose da ridere con la sua bella voce che era uguale a quella della radio e a volte lo portava a Nizza sulla sua macchi­na e andavano a mangiare gelati grossi come montagne e a vedere i negozi di animali e si fermavano davanti alle vetrine a guardare i cuccioli esposti nei loro recinti. Jean-Loup gli aveva sempre detto che loro due erano amici per la pelle e gli aveva sempre dimostrato che era la verità. Allora, se Jean-Loup gli aveva detto sempre la verità, questo significava una cosa semplicissima: erano gli altri che mentivano. Tutti gli chiedevano che cosa aveva e cercavano di farlo parla­re. Lui non voleva dire a nessuno, nemmeno a sua madre, che la causa principale della sua tristezza era che da quando erano suc­cesse tutte quelle cose non lo aveva più visto. E che non sapeva co­me fare per aiutarlo. Forse in quel momento era nascosto da qual­che parte e aveva fame e non c’era nessuno che gli portava da mangiare, nemmeno un po’ di pane e Nutella. Sapeva che i poliziotti lo cercavano e che se lo prendevano lo mettevano in prigione. Pierrot non aveva un’idea ben precisa di cosa fosse una prigione. Sapeva solo che ci mettevano la gente che aveva fatto brutte cose e non la facevano più uscire. E se non fa­cevano più uscire quelli che erano dentro voleva dire che non fa­cevano nemmeno entrare quelli che erano fuori e che lui non avrebbe visto mai più Jean-Loup. Forse i poliziotti potevano entrare a vedere quelli che stavano in prigione. Una volta anche lui era un poliziotto, un poliziotto in orario. Glielo aveva detto il commissario, quello con la faccia simpa­tica che non aveva più incontrato e qualcuno aveva detto che era morto. Ma lui ormai, dopo i pasticci che aveva combinato, for­se non lo era più un poliziotto in orario, e forse doveva stare fuo­ri dalla prigione come tutti gli altri senza poter andare a trovare Jean-Loup. Pierrot girò la testa e vide Barbara che si allontanava verso la sala della regia. Guardò i suoi capelli rosso scuro che si muovevano come se ballassero sul vestito nero mentre camminava. Lui vo­leva bene a Barbara. Non come a Jean-Loup, ma in un modo di­verso: quando il suo amico gli

parlava o gli metteva una mano sulla spalla, non sentiva quel calore che saliva dallo stomaco come se avesse bevuto tutto d’un fiato una tazza di tè caldo. Con Barbara era differente, non sapeva cosa fosse ma sapeva che le voleva bene. Un giorno le aveva messo un fiore sul mixer, per dirglielo. Aveva preso una margherita da un vaso in strada e l’aveva appoggiata sul piano dell’apparecchio mentre nessuno vedeva. Aveva addirittura sperato, fino a un certo punto, che Jean-Loup e lei si sposassero, così quando andava a casa sua li poteva vedere tutti e due. Pierrot raccolse la pila di cd e si avviò verso la porta. Raquel fece scattare la serratura, come faceva di solito quando lo vedeva ­con le mani impegnate. Pierrot uscì sul pianerottolo e mise in movimento l’ascensore premendo il tasto di chiamata con il naso. Non aveva mai fatto vedere a nessuno questo suo modo di chiamare l’ascensore. Sicuramente avrebbero riso di lui se lo avessero visto, ma dato che il naso stava lì, in mezzo alla faccia, a fare niente, quando lui aveva entrambe le mani occupate tanto valeva... Spinse con il gomito la porta scorrevole dell’ascensore e allo stesso modo la richiuse. All’interno, non si poteva usare il naso perché i tasti erano fatti in un modo differente. Fu costretto a un’autentica acrobazia, tenendo i cd premuti contro il mento per arrivare a premere il pulsante del pianterreno con un dito. L’ascensore si mise in movimento dall’alto verso il basso. La mente di Pierrot lo aveva già fatto da parecchio tempo, nel suo modo un po’ casuale, seguendo una logica che in qualche modo, nel suo modo, aveva un percorso del tutto lineare. Aveva preso una decisione secondo un ragionamento assolutamente inoppugnabile7. Jean-Loup non poteva venire da lui? Allora lui sarebbe andato da Jean-Loup. Era stato tante volte a casa sua e il suo amico gli aveva detto che teneva in un posto segreto, che da quel momento in poi co­noscevano solo loro due, una chiave di riserva per entrare in casa. Stava appiccicata con del silicone sotto la cassetta delle lettere, al­l’interno del cancello. Pierrot non sapeva cosa fosse il silicone, ma una cassetta delle lettere sapeva benissimo che cos’era. Ce l’avevano anche lui e sua mamma, nella casa di Mentone, e non era una casa bella come quella di Jean-Loup. Quando la vedeva, l’avrebbe riconosciuta. Sotto, nella stanza, aveva il suo zainetto della Invicta che gli aveva regalato proprio Jean-Loup. Dentro ci aveva messo un po’ di pane e un barattolo di Nutella che quel mattino aveva preso dal pensile della cucina, a casa. Non aveva del vino il Moscato, ma aveva preso una lattina di

7 Ossia “indiscutibile, che non si può discutere, controbattere”. In portoghese sarebbe “irrefutável, indiscutível”. 8 In questo caso “occhio”significa “attento”.

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Coca-Cola e una di Schweppes e pensava che forse andavano bene lo stesso. Se il suo amico era nascosto da qualche parte, in casa sua, sicuramente sentendo che era lui che lo chiamava sarebbe uscito fuori. D’altronde, chi al­tro poteva essere? Solo loro due sapevano dove stava la chiave segreta. Sarebbero stati insieme e avrebbero mangiato la cioccolata e bevuto la Coca e se ne era capace questa volta lui avrebbe detto a Jean-Loup delle cose da ridere, anche se non poteva portarlo a Nizza a vedere i cuccioli che giocavano nel box in vetrina. E poi, se Jean-Loup non era lì, a casa sua, avrebbe dovuto aver cura dei suoi dischi, quelli neri, di plastica vinile. Doveva pulirli, controllare che le copertine non prendessero l’umidità, metterli bene in fila per il verso giusto per evitare che si piegas­sero, altrimenti quando lui tornava erano tutti rovinati. Doveva essere lui a occuparsi delle cose del suo amico, altrimenti che amico era? Quando l’ascensore arrivò al pianterreno, Pierrot sorrideva. Besson, un meccanico del rappresentante di motori marini che stava al piano sotto la radio, che era in attesa della cabina, aprì la porta. Se lo trovò di colpo davanti, in piedi nell’ascensore, la testa dai capelli arruffati che spuntava da sopra la pila di cd che teneva fra le braccia. Vedendo il suo sorriso, sorrise anche lui. «Ehilà, Pierrot, sembri la persona più indaffarata di tutta Montecarlo. Io fossi in te chiederei un aumento di stipendio.» Il

ragazzo non aveva la minima idea di come si facesse a chiedere un aumento di stipendio. In ogni caso, in quel momento, era mille chilometri lontano dal suo centro di interessi. «Sì, domani lo faccio...» rispose evasivo. Besson, prima di infilarsi nell’ascensore, gli aprì la porta sulla sinistra che portava all’archivio. «Occhio alle scale»8, disse mentre gli accendeva la luce. Pierrot fece uno dei suoi soliti cenni con la testa e prese a scen­dere i gradini. Quando arrivò davanti alla porta dell’archivio, spinse con il piede il battente che aveva lasciato aperto. Appoggiò il suo carico sul tavolo addossato alla parete, di fronte alla fila di scaffali pieni di dischi e cd. Per la prima volta da quando lavorava a Radio Monte Carlo, non mise immediatamente al loro posto i cd che aveva portato di sotto. Prese il suo zaino e se lo mise sulle spalle, con il movimento facile che gli aveva insegnato il suo amico Jean-Loup. Spense la luce ­e chiuse la porta a chiave, come faceva tutte le sere prima di an­dare a casa. Solo che adesso non stava andando a casa. Risalì le scale e si trovò nell’ingresso del palazzo, il largo corridoio che terminava con una porta a vetri. Oltre la trasparenza dei battenti, c’era il porto, c’era la città, c’era il mondo. Nascosto da qualche parte c’era il suo amico che aveva bisogno di lui. Per la prima volta nella sua vita, Pierrot fece una cosa che non aveva mai fatto. Spinse la porta, fece un passo e si diresse ad affrontare quel mondo da solo.

Informazione sul testo Come in portoghese, gli aggettivi in italiano fanno l’accordo con i sostantivi a cui si riferiscono in genere (quando sono del gruppo –o, tipo in brasiliano, rosso, italiano, ecc.) e numero, o solo nel numero (quando sono del gruppo –e, tipo in verde, grande, inglese, ecc.) Ma ci sono dei casi in cui anche gli aggettivi in –o sono invariabili, come in questo caso nel testo, in cui abbiamo una coppia di aggettivi che indica una gradazione di colore, ossia “rosso scuro”. Infatti, se non ci fosse il secondo aggettivo (scuro) l’accordo sarebbe “i capelli rossi”. Ma essendoci un secondo aggettivo che determina la gradazione del rosso l’espressione aggettivale non cambia, come nel caso di “una maglietta giallo chiaro”. Ci sono dei casi in in cui il secondo termine non è un aggettivo, ma un sostantivo, come in: “una gonna rosso fuoco”, “delle camicie verde bottiglia”, ecc. Ci sono altri casi in cui gli aggettivi sono invariabili. Eccone alcuni: • Alcune locuzioni avverbiali usate come aggettivi: dappoco (una persona dappoco [ inepta, inábil ]; individui dappoco).

rosa), come colore è maschile (il rosa). Quando si usa in quest’ultimo caso, non fa l’accordo con il sostantivo a cui si riferisce: la maglia rosa, il vestito rosa, le maglie rosa, i vestiti rosa. Lo stesso succede ai colori ‘viola’, ‘lilla’ e, fino a pochi anni fa, la regola valeva anche per il colore ‘marrone’; alcuni dicono che fosse perché era considerata una parola straniera (da marroni, ossia castagne, in francese) e, essendola, non avrebbe potuto avere un plurale. Oggigiorno viene accettata tanto al singolare quanto al plurale. In italiano neo-standard si usa al plurale quando segue un sostantivo plurale “occhi marroni”. • Con l’aggettivo ‘arrosto’: carne arrosto, salsicce arrosto, maialino arrosto. • Ci sono anche casi di aggettivi composti da anti- e un sostantivo: antinebbia, cannoni anticarro, sistemi antifurto.

Encarte especial Forum 93-94 - Introduzione alla lettura di brevi testi in Lingua Italiana - Fascicolo XLIV

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(Esempi presi da Dardano, M. e Trifone, P. Grammatica italiana con nozioni di linguistica. Ed. Zanichelli, 1997, Bologna)

• Alcuni sostantivi che indicano colore usati in funzione aggettivale, come il rosa. Come sostantivo è un fiore di genere femminile (la

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Il tanko e i Serenissimi È tarda sera a Venezia. Alle 00.20 da un ferry boat scendono otto strani tipi. Hanno divise militari e la faccia di chi vuole entrare nella Storia. Con loro, nascosto su un camion con rimorchio hanno il «tanko», un grosso trattore camuffato da blindato. Su questo strano mezzo la famiglia Contin - Flavio, Severino e Cristian - ci lavora da anni. L’hanno ricavato da un vecchio trattore Diesel. Stanotte con il tanko, c’è una flotta di veneti che hanno studiato la Storia. Sanno che duecento anni fa, il 12 maggio 1797, con l’abdicazione del Maggior consiglio, si chiudeva dopo 11 secoli la lunga storia della Serenissima. Sanno che a ottobre dello stesso anno Napoleone ha firmato il trattato di Campoformio e ha ceduto Venezia all’Austria. Sanno anche che nel 1866 i Savoia hanno ratificato l’annessione del Veneto al Regno d’Italia. Duecento anni, ma è il momento di cambiare: bisogna liberare la Serenissima dal dominio attuale, bisogna riconquistarla. Tutti loro fanno parte del Veneto serenissimo governo e tutti insieme hanno deciso, dopo il II congresso tenutosi il 24 agosto dell’anno scorso culminato con una Dichiarazione d’indipendenza, che questo è il giorno di agire. Ci credono, stanno per entrare nella Storia. I Serenissimi indossano i passamontagna, uno di loro punta il mitra, un Mab accessoriato di 70 pallottole, in faccia al comandante del San Marco, Giovanni Girotto. Ma non sono criminali, prima di salire hanno persino pagato il biglietto. Chiudono nel bagno gli unici quattro passeggeri e comunicano tra loro con delle radioline. Spiegano al comandante che loro non c’entrano niente con la Lega. Poi fanno fermare il ferry a Piazza San Marco. Con il tanko la conquistano. Sfondano le porte del campanile e ci salgono su, espongono la bandiera col leone alato e proclamano l’indipendenza della Repubblica di Venezia. Con loro hanno molti viveri: panini, casse di vino e bottiglie di grappa veneta. Sono convinti di poter restare lì diversi giorni. Contano di arrivare almeno

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al 12, anniversario della fine della Serenissima. Di colpo il sogno però viene spezzato. Arrivano le forze dell’ordine. Provano a contrattare ma non c’è niente da fare. «Non avvicinatevi, tra poco arriverà il nostro ambasciatore, parlerete con lui» dicono, ma l’ambasciatore, Giuseppe Segato non arriverà mai e sarà arrestato in serata a Cittadella. La trattativa va per le lunghe. Alle 8.30 il prefetto Giovanni Troiani ordina il blitz. Ventiquattro agenti speciali dei Gis dei carabinieri arrivati da Livorno assaltano il campanile. Tirano due lacrimogeni e arrestano i Serenissimi, che non fanno resistenza. Solo il leader, Fausto Faccia, ci prova: «Non sparate, qui c’è la benzina e salta tutto!» grida. Si sente rispondere: «E noi ti spariamo in testa». Lui urla: «Volìo coparme? Copéme ». Poi si arrende anche lui. In primo grado, Flavio Contin detto «il Vecio», 55 anni, Fausto Faccia detto “il boss”, 30 anni, Gilberto Buson detto «l’amigo», 46 anni e Antonio «Herthy» Barison vengono condannati a sei anni; Luca Peroni detto «Pasque», 28 anni, Andrea Viviani detto «Veronesi», 25 anni, Cristian Contin «il fantolin», ventitrenne e Moreno Menini, ventenne, detto «il bocia», a quattro anni e nove mesi con la concessione degli arresti domiciliari, un risarcimento alle parti civili di venti milioni di lire e la richiesta del Comune di Venezia di duecento milioni di lire come risarcimento danni. Anche l’ambasciatore Giuseppe Segato si becca sei anni. Alla notizia delle condanne, Roberto Maroni commenta: “È una sentenza pesantissima e ingiustificata. Ma i ragazzi di Venezia si facciano coraggio. Non sconteranno tutta la pena: infatti appena arriverà la Padania , saranno liberati con tutti gli onori”. Umberto Bossi inrevistato dal Tg1 sarà un po’ più cauto: «Una sentenza media. Anche se secondo me è troppo. Non mi sembra che in questo caso lo Stato abbia avuto timore, anche se va detto che alla gente quelli erano simpatici. E questi sono segni pericolosi per chi vuole

Piazza San Marco

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mantenere l’ordine e la disciplina. Comunque i giudici hanno calcato troppo la mano». Gli si chiede se la Lega prenderà iniziative politiche e lui risponde: «Una nostra iniziativa su cosa? Su questa roba? No. La Lega fa le elezioni il 26 ottobre 1997, le prime elezioni politiche per il primo parlamento politico. E ricordatevi che la Lega è una macchina enorme che è in grado di fare le rivoluzioni». Nel giro di dieci giorni dall’arresto un certo Geremia Agnoletti fonda un Comitato di sostegno agli otto di San Marco. In pochi giorni ha già raccolto 25 milioni per aiutare le famiglie dei suoi idoli. Nove anni dopo il tanko sarà venduto all’asta per 6674,07 euro. Lo comprerà lui, Agnoletti: «Sempre duri» dirà mentre stappa una bottiglia di prosecco, «ci siamo rimessi in moto. Ora che il popolo veneto si è riappropriato del suo tanko, la battaglia per l’indipendenza continuerà. Noi non riconosciamo lo Stato italiano. Viva il Veneto!». Bassa Padovana, maggio 1997. Chi sostiene i Serenissimi. Nelle settimane seguenti all’azione del tanko, la Lega promuove in migliaia di gazebo un referendum per l’indipendenza della Padania e per cinque leggi di iniziativa popolare. Stralci di un reportage per il settimanale Diario: Sono in tre dentro il gazebo. Un ragazzo simpaticone, operaio. Un altro operaio, più introverso, che indossa una giacca militare verde oliva. E Claudio, l’ideologo, con una voce sommessa e una barba grigia ben curata. Di fronte, la chiesa di Conselve, bassa padovana, da cui escono i parrocchiani e vanno a firmare per la Padania. L’ideologo sta parlando con noi, ma ha sempre un cenno di saluto per i votanti: «Bravi, bravi, portate gente». Ci sta parlando della forza delle idee che non muoiono con la morte della persona, del trattato di Helsinki sull’autodeterminazione, dell’amore che è poi la cosa più importante. Il ragazzo simpatico mi mostra la finestra della casa di Barison, uno degli otto del campanile, che ora sta in galera. «Par mi, i xe angeli.» Lui non 1’avrebbe fatto perché si riconosce fifon, con la putea appena nata. Ma forse sì, 1’avrebbe fatto, se glielo avessero chiesto. Barison, prima dell’avventura, faceva i tochi a casa, come tutti. Pezzi di un impianto elettrico, a cottimo; ma Barison, finito il lavoro, studiava. L’ideologo spiega e ha una voce

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storia italiana

Liberamente tratto dal libro “Patria 1978- 2008” di Enrico Deaglio. Casa editrice Il Saggiatore.

sommessa. “Barison studiava la storia del nostro popolo. Recuperava carte segrete, sconosciute.” Andava in biblioteca? “No, quelle carte non si trovano in biblioteca. Sono archivi protetti. Lui le aveva, le studiava, le fotocopiava e le distribuiva, facendo bene attenzione alla Digos. Era controllato, come tutti noi. Qui c’era un camper, per le intercettazioni.” Mi trovo anch’io ad abbassare la voce. E che cosa c’era scritto in quelle carte segrete? “La nostra storia. La vera storia delle Pasque Veronesi, per esempio. La lotta delle nostre donne contro Napoleone, con i forconi per difendere il leone di San Marco. Lo sa lei che noi eravamo ricchissimi, prima che l’Italia ci spogliasse? Lo sa che ci vietarono di esporre la bandiera? Che ci costrinsero a emigrare? È mai stato, lei, sulla fettuccia di Terracina? O ad Arborea? Lì ci deportarono, per il terrore della nostra ribellione ... È da queste carte che mi sono reso conto di essere stato schiavo, finora. È da queste letture che ho capito il complotto di cui siamo stati vittime e quale dev’essere la nostra via” conclude Claudio. Il ragazzo simpatico mi mostra i due stendardi con il leone di San Marco, quelli che il potere coloniale vieta di esporre. “Fuori dal gazebo abbiamo messo quello col vangelo”; ed eccolo, con la zampa mansueta sul libro. “Ma dentro, sul tavolo dove si vota, c’è quello con la spada.” Che sarebbe, come dicono ridendo i bambini alle maestre da queste parti, el leon che magna el teron. Dell’ideologo di Conselve [...] mi è rimasto impresso non tanto il contenuto, quanto il tono di voce: calmo, predicatorio, sereno. E mi sono arrovellato su questo termine, “i serenissimi”, come da queste parti chiamano gli otto del campanile di Venezia. Serenissimi, come la millenaria Repubblica, naturalmente. Ma anche serenissimi al momento dell’ arresto, serenissimi alla prima udienza del processo nell’aula bunker di Mestre; non torvi, non esaltati, non proclamatori, non ideologici e nemmeno impauriti, non ribelli, senza cicatrici da esibire; diversi da tutti gli eversori che l’Italia ha conosciuto: serenissimi, quasi attoniti, irresponsabili bambini prescelti dal destino, chi a Conselve, chi ad Agna, chi a Canale di Scodosia, tutti paesi con banche che scoppiano di miliardi e un analfabetismo reale che coinvolge metà della popolazione. Nessun cattivo maestro, tutti uguali: angeli, fantolini, lavoratori senza grilli per la testa, sulla cui testa sta per abbattersi la scure della giustizia coloniale. Piazzola sul Brenta, maggio 1997. L’educazione dei fanciulli. Piazzola sul Brenta, a nord di Padova, un paese costruito intorno a una “villa Palladiana sovradimensionata fino all’insolenza” dove cento anni fa il nobile Camerini realizzò l’utopia della città del lavoro e di se stesso come miglioratore del mondo.” È sabato mattina, davanti alla villa (un po’ più piccola di Versailles) i bambini delle medie seguono Maio/Junho 10

un corso di educazione stradale, ovvero, sotto la guida del capo dei vigili urbani, facendo in bicicletta un percorso formativo in cui compaiono semafori, stop, cunette, svolte obbligatorie. Due camion stanno preparando la pedana per una sfilata di moda che si svolgerà la sera, mentre domenica tutto sarà occupato dal mercato dell’antiquariato. Il selciato è stato completamente restaurato, con i soldi della Comunità europea. Il sindaco Cavinato - intelligente, spiritoso, pratico, a suo agio con l’Europa - è dell’Ulivo, il preside delle medie considera il dublinese The Irish Times il quotidiano più obiettivo in circolazione, le sei parrocchie, un tempo depositarie del vero potere a Piazzola, sono rette da preti tutti ultrasettantenni, stanchi rispetto al mondo nuovo; la mattinata è splendida, donne passano in bicicletta, si fermano e ciacolano, un’antica armonia rimane nella lentezza dei movimenti. Eppure, seduti al bar con dieci insegnanti elementari, si parla di infelicità. È successo, in una quarta elementare, che un nutrito gruppo di bambini abbia rifiutato di imparare l’italiano: ci basta il nostro dialetto, il veneto, hanno detto ed erano “piuttosto protervi”; l’insegnamento dell’inglese, invece, è apprezzato perché serve per il computer e la morosa (ma se gli capita francese o tedesco fanno i pullman di protesta fino al provveditorato, perché dicono che queste lingue non servono a niente). È successo che un’insegnante abbia chiesto: “come si chiamano i vostri nonni?”, e la metà dei bambini non lo sapeva. Non succede più che i bambini vadano a casa di altri bambini a fare i compiti o a giocare, perché i genitori pensano che possano sporcare. E così, quando il maestro chiede cosa faresti se vincessi al Totocalcio, naturalmente prevale “la casa”, segue “la Ferrari” (con una variante fantasiosa: “una Ferrari Con Piscina”), ma al terzo posto compare “avere tanti amici”. E poi in classe si sentono le risate sul leon che magna el teron, gli albanesi da affogare e: “Dove sei stato ieri? Col mio papà all’adunata a vedere Bossi”. E i maestri notano che la felicità decade, che il godere della cosa non è insegnato, che il figlio è per il padre un morboso investimento, che l’arricchimento è troppo recente per non essere ancora necessità. E infine i bambini che arrivano a scuola non del tutto lucidi, ma stanchi, perché prima hanno già fatto due ore nei campi oppure un po’ suonati dal marsalino o dal grappino imposto dai genitori. I loro papà fanno i camionisti, gli imballatori e i contoterzisti. Questi ultimi - che fanno pezzi di vestiti, in genere in capannoni o nei garage per conto terzi, ovvero Benetton, Stefanel, Diesel - poco fa, in novecento, si sono riuniti nella villa Camerini per discutere del loro futuro: come fare per impedire che la Malesia gli soffi le commesse e perché lo Stato gli assicuri una tutela, insomma una specie di marchio “made in Veneto”. Perché, certo, ci sono le storie di successo del Veneto industriale, ma tutto è così volatile, così esile, che un frullo d’ali a Singapore potrebbe mettere sul lastrico Piazzola. E nessuno sa bene dove sia ‘sta Singapore. “Sa che cos’è la militanza leghista?” mi dice il sindaco. “È il fallimento già avvenuto, o l’odore del

fallimento prossimo. La paura, l’insicurezza. Roba minoritaria, però. Monàde di cui tra cinque anni non sentiremo più parlare, se sapremo qualificare le nostre produzioni.” E l’insegnante, che è anche consigliere comunale di Campo San Martino, il paese che ha votato contro gli albanesi: “Sono andata a quella seduta. Tutto si è svolto in veneto, nessuno parlava italiano.” E il volantino firmato dal Polo e dalla Lega a Cadoneghe? Dice così: “Con il miracolo economico il cosiddetto proletariato era quasi sparito. La sinistra (il trio Prodi-BertinottiD’Alema) vuole ricostituirlo con la scusa della solidarietà, ma in realtà per aumentare i suoi futuri elettori”, che sarebbero, secondo il sospetto,

Giorgio Napolitano “albanesi, marocchini, algerini, bosniaci, zingari con la Mercedes.” Ecco dunque il vero obiettivo della Bicamerale, ecco contro cosa bisogna lottare. Altre scuole, altre voci. Dai temi di un Itis appena fuori Padova: “Mi sposerò con un uomo bello, simpatico e magari anche ricco in modo che quando muore, i soldi vengano in mano mia”, “Mi costruirò una casa con un giardino immenso, la arrederò con televisioni e stereo in tutte le stanze. Mi comprerò una roulotte, una jeep e una moto da trial. Mi sposerò a 25 anni con due figli e, finito di pagare il mutuo, avrò 32 anni e vivrò felice con mia moglie fino a 100 anni.” Roma, Governo Prodi, ottobre 1997 Le avvisaglie della crisi dell’anno prossimo Il governo Prodi è in carica da 500 giorni e ha imposto una cura economica molto severa per l’obiettivo di entrare in Europa, ma Fausto Bertinotti, il segretario di Rifondazione comunista boccia la nuova legge finanziaria. Seguono alcuni giorni in cui la caduta del governo sembra imminente poi la crisi si ricompone. Nei discorsi di Montecitorio si presentano due tipi di oratoria diversi. Il 7 ottobre Romano Prodi legge un lunghissimo discorso in cui analiticamente ricorda tutto l’operato del governo. Eccone alcuni stralci:

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Questi sono i dati dell’economia dopo i cinquecento giorni del nostro governo. Il tasso d’inflazione dei prezzi al consumo era il 4,5% nell’aprile 1996, è 1’1,4 nel settembre di quest’anno: ciò ha significato la vera difesa del reddito reale dei lavoratori e delle famiglie. I tassi di interesse del mercato a lungo termine, oltre il 10% quando l’Ulivo vinse le elezioni, oggi sono al 6% e ricordo che, a regime, un punto di interessi in meno comporta un risparmio di oltre 20mila miliardi per il bilancio pubblico. Il calo dei tassi significa grandi vantaggi per le imprese e per i cittadini. Un solo esempio: gli interessi sui mutui per l’acquisto della casa erano al 12-13% sedici mesi or sono, oggi siamo fra 1’8,5 e il 9%. Il differenziale dei tassi di interesse con la Germania era oltre 4 punti percentuali nell’aprile dello scorso anno; oggi siamo tra il mezzo punto e il punto. In questi mesi la borsa valori è cresciuta di oltre il 50% . La lira è rientrata nello scorso novembre nello Sme e, dopo anni di incertezze, è tornata a essere una valuta stabile e degna di fiducia. Il miglioramento dei conti pubblici è stato consistente. L’indebitamento netto delle amministrazioni pubbliche è diminuito dal Fausto Bertinotti 7% del 1995 al 6,7 del 1996 e al 3 nel corrente anno. La certezza del raggiungimenriposto la loro speranza. E vedo anche coloro che to di quest’ultimo risultato è testimoniata dall’anda- nella sera del 21 aprile sono scesi in tutte le piazze mento del fabbisogno del settore statale, più che d’Italia sventolando la bandiera dell’Ulivo. Ho dadimezzato nel periodo degli otto mesi del 1997 vanti a me i milioni di nostri concittadini che, al di rispetto all’analogo periodo dello scorso anno. E là delle loro opinioni politiche, hanno finalmente a tutto ciò è avvenuto in un contesto in cui sempre portata di mano la via del risanamento economico più evidenti sono apparsi i segnali di ripresa. Un e finanziario e, dunque, anche la via della crescita solo dato, che riassume il miglioramento complese dello sviluppo. sivo dell’economia: il Pil è cresciuto, nel secondo trimestre del 1997, dell’1,9% rispetto allo stesso La risposta di Fausto Bertinotti trimestre del 1996. I sacrifici che i cittadini hanno Il segretario di Rifondazione comunista (57 anni, sopportato con grande senso di responsabilità di Milano, una vita nel sindacato) è diventato un dimostrano che essi sono stati perfettamente conpersonaggio del tutto nuovo nella storia del comusapevoli della posta in gioco. [.,,] In Italia milioni e nismo europeo: dotato di una notevole oratoria, milioni di cittadini hanno pagato senza esitazione il ha raggiunto un successo personale ed elettorale loro contributo di sacrifici per l’ingresso nell’Unio- grazie alle sue apparizioni in televisione, dove ne monetaria europea. [.,,] Il senso della storia che va frequentemenante. Elegante, mai aggressivo, abbiamo dimostrato in questi sedici mesi di impeBertinotti espone il suo pensiero in forma quanto gno per il risanamento nazionale ha stupito tutti, mai seducente: difende la Cuba di Fidel Castro, la italiani e stranieri. Ecco perché, io e il governo, tassazione dei Bot sopra i 200 milioni, il conflitto non possiamo comprendere l’atteggiamento di di fabbrica, l’intifada palestinese, la rivoluzione quelle forze di maggioranza che nell’aprile scorso sovietica, il movimento operaio degli anni trenta ci confermavano ancora una volta la loro fiducia e negli Stati Uniti. Non appare particolarmente che in questi giorni invece hanno fatto della nostra impressionato da Silvio Berlusconi, che considera ferma volontà di rivedere in modo consensuale una delle tante varianti della Confindustria. Stralci con le parti sociali il welfare state un motivo di del suo discorso: conflitto e di tensione. [. .. ] Eppure io vi assicuro Avremmo voluto poter dire in questo dibattito: che, rivolgendomi ai parlamentari di Rifondazione “Ce l’abbiamo fatta” e non solo per noi, per questa comunista, non ho davanti a me solo i loro volti e maggioranza, a cui ci sentiamo legati, ma per poter quelli dei loro elettori: ho davanti a me tutti coloro dire cose importanti alle genti di questo paese. che un anno e mezzo fa diedero fiducia a questo Per poter dire a ogni persona che ha una malattia governo, i milioni e milioni di persone che in quecronica, invalidante, evolutiva o bisognosa di presta proposta di governo hanno creduto e hanno venzione: “Guarda. che dopo questa finanziaria

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non pagherai più i ticket”. Avremmo voluto poter dire a un lavoratore di Brescia, come di un’altra parte del paese, che ha lavorato 36 anni: “Puoi andare in pensione, come è tuo diritto, puoi progettare il tuo futuro e la tua vita”. Avremmo potuto voler dire a un giovane disoccupato del Mezzogiorno: “C’è una novità grande: questo governo ha deciso di realizzare 300mila posti di lavoro reali, di buon lavoro e di risanamento ambientale nel Mezzogiorno. Tu puoi essere in questa prospettiva”. Avremmo cioè voluto dare certezza, dopo tanti anni di sacrifici, che potesse cominciare un periodo di giustizia sociale e di riforme. Ma perché, signori del governo, non avete ascoltato in tutti questi mesi la nostra richiesta assillante di cercare un compromesso tra posizioni che erano diverse? La destra cresce anche sul disagio sociale. [...] Le proposte che avete avanzato sull’occupazione non funzionano. Per quanto attiene all’orario di lavoro lei, presidente del Consiglio si è confuso nel fare riferimento al governo francese, perché la legge di incentivazione dell’orario è del governo precedente. Noi proponiamo il traguardo del 2000 per realizzare le 35 ore. Chiediamo troppo? Proponiamo una riduzione di un’ora ogni anno. Ora signori del governo, noi ripresentiamo le nostre proposte; voi rifiutandole, non ci avete convinti. Noi, come abbiamo deciso, voteremo contro questa legge finanziaria. Abbiamo chiesto un cambiamento di fondo, continuiamo a chiederlo, ma su questa finanziaria e sulla politica economica che oggi qui ha illustrato il presidente del Consiglio il governo non può contare sulla sua maggioranza. Dimissioni di Prodi, rinvio alle Camere, fiducia A seguito dell’intervento di Bertinotti, Romano Prodi rassegna le dimissioni il 9 ottobre. Il presidente della Repubblica lo invita a ritentare. In sei giorni accompagnati da una grande tensione emotiva all’interno di Rifondazione comunista e da appelli della base operaia a Bertinotti perché non

Claudio Piersanti Maio/Junho 10


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storia italiana

faccia cadere il governo di centrosinistra. Prodi si ripresenta alla Camera il 15 ottobre e chiede la fiducia. La ottiene con 319 voti. Scrittori italiani del 1997 Claudio Piersanti, Luisa e il silenzio Claudio Piersanti, abruzzese, 43 anni, ha pubblicato Casa di nessuno (1981), Charles (1986), L’amore degli adulti (1989) e Gli sguardi cattivi della gente (1992). Quest’anno, con Luisa e il silenzio, che vincerà il premio Viareggio, racconta la storia di Luisa, capocontabile in una fabbrica di giocattoli, che un giorno inizia a stare male: sente segnali incomprensibili, percepisce delle presenze nella sua casa, si sente debole. In più, i ragazzini sotto casa la tormentano con un gran chiasso. Stralci dal romanzo: Mangiarono con calma senza parlare. Dietro al bancone c’era il televisore acceso e si sentivano a casa, come davanti al telegiornale della cena. Poi ordinarono il caffè e cominciarono a guardare fuori. La pioggia era diminuita e stava salendo la nebbia. “Era meglio se le industrie le facevano in Sicilia” teorizzò Renata. “Perché le hanno fatte quassù che c’è un tempo che fa sempre schifo?” I ragazzi cominciarono a usare il piazzale dei garage per giocare a calcio. Ogni sera fino a mezzanotte e oltre, qualche volta fino alle tre. Un vicino aveva protestato e i ragazzi l’avevano mandato a quel paese. Con i loro muscoletti da palestra e lo sguardo fisso degli idioti non vedevano l’ora di litigare. Vieni giù stronzo! aveva gridato uno mettendosi sotto la luce del lampione. Non sarebbe stato un peccato mortale ammazzarli con i vasi dei gerani che c’erano in terrazza. [. .. ] Basta con la difesa di questi deficienti. Non avrebbe mai più votato a sinistra, visto che la sinistra li giustificava e li coccolava. Motori che si avviano, motociclette che si impennano, musicaccia. Tum-tum-tum, tum-tum-tum! La stupidità avanza, il nulla avanza, l’impero del male! No, Dio non può averla fabbricata della roba come questa. Anche se Dio esiste non ha di certo creato questo mondo. Forse esiste altrove, e qua e là nell’universo nascono porcherie delle quali lui non è responsabile. Perché gridavano? Perché imponevano la loro musica orrenda a tutto il quartiere!? In certi momenti perdeva il controllo e dentro di sé gridava insulti che nella loro enormità le rimbombavano in testa per ore. Porci! Stronzi! Figli di puttana! E proprio mentre rifletteva sulla falsità delle violette le sue dita scoprirono le ghiandole. Non provò angoscia, non si ribellò; le labbra le si inarcarono in giù e si sentì delusa. Restò a lungo quasi ipnotizzata dal quadro, gli occhi sulle violette e le braccia incrociate sul seno, le dita intente ad analizzare ogni singola ghiandola ingrossata. Era come infilare le dita in un nido di piccioni pieno di uova. Il neo lo aveva nascosto con un cerotto e non ci pensava più, ma contro le ghiadole che poteva fare? Una notte si fece coraggio e lo guardò, anche perché non era più contenibile neppure da due grandi cerotti. Sembrava

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I Pitura Freska la cacata nera di un animale selvatico. Secco e nero, assomigliava anche alla lava. Lo toccò con la punta del dito e lo trovò insensibile al tatto. Non faceva troppo schifo. Ma mentre lo guardava si accorse che emanava cattivo odore e si spaventò, si spruzzò un po’ di profumo e decise di chiamare un medico, o l’ambulanza, la polizia, sua cugina, Walter, Renata, insomma tutti. Soltanto così, elencando i nomi e con il telefono a portata di mano, riuscì a calmarsi. Dicendosi tra un minuto chiamo. Sarebbero qui in un attimo, non mi lascerebbero sola. Ancora un minuto e chiamo. Non riconosceva mai per tempo il suo vero nemico, era una stupida, una donnetta! Quando riuscì a calmarsi sprofondò nella contemplazione del cielo azzurro e bianco, e sentì di nuovo il canto degli uccelli. Era molto debole ma anche serena. Nonostante l’odore di orina e di fogna che saliva dalla strada. [. .. ] Le palpebre dividevano con il loro velo sottile quel che restava di Luisa dal cielo. La sua finestra la città e il mondo intero sull’abisso del cielo. Soltanto due palpebre sottili e morbide di fronte all’infinito. È la felicità, pensò, e fu il suo ultimo pensiero. Il respiro percorreva ancora le sue vie oscure, ma quasi per caso. Entrava un po’ d’aria e si perdeva nel corpo. Passavano ogni volta molti secondi prima che il torace ritrovasse la forza per espirare, ma l’aria continuava a perdersi e non usciva quasi niente. Il suo corpo non aveva più bisogno d’aria. Anche il cuore pulsava appena ogni tanto. Era ormai notte quando smise di battere e le palpebre di Luisa si chiusero per sempre. Musica italiana del 1997 Voci strane da Sanremo. I Pitura Freska, “Papa Nero” I Pitura Freska, gruppo reggae veneziano, si presentano al Festival di Sanremo, immaginando il giorno in cui sarà eletto un papa nero, stimolati dall’elezione di Miss Italia dello scorso anno di

Denny Méndez, modella dominicana. Anni dopo sarà eletto un presidente americano nero, e sembrerà già un miracolo. Con “Papa nero”, che finirà nell’album Gran calma, i Pitura Freska arrivano sedicesimi:

Abracadabra/ Cosa Nostra Damus/ ga magna’ par indovinar el bonus? / ‘se tuto previsto / da l’incuinamento al sangue misto / ‘se professia / Nina, Pinta, Santa Maria / la par condicio? Assolutissimamente no. / Perché ‘se scrito, dito, stradito dai oracoi / la piovra perderà i tentacoi I e cascarà i tabù col penultimo Gesù / e el sarà un omo dal continente nero / Sarà vero? /dopo Miss Italia aver un Papa nero? / no me par vero ... ; un Papa nero che scolta le me canson in venessian ; parché cl ‘se nero african / Sarà vero? / dopo Miss Italia aver un Papa nero? / no me par vero ... / un Papa nero che scolta le me canson in venessian / parché el ‘se nero african / A l’è lu?Ja / Visioni ecstra / Nostradamus, Cagliostro, ‘Saratustra / dentro na sfera / i ga visto l’ignoransa in tera / ma l’omo ‘se duro / col poter ei compra el futuro / il sesto senso. Assolutissimamente no./ Perché ‘se scrito, dito, stradito dai oracoi / la piovra perderà i tentacoi / e cascarà i tabù col penultimo Gesù / e el sarà un omo dal continente nero / Sarà vero? / dopo Miss Italia aver un Papa nero? / no me par vero ... / un Papa nero che scolta ‘le me canson in venessian / parché el ‘se nero african /

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b r a s i l e Marisa Oliveira

T oTrca nas fno rdm aon d o ev i m das

Da esquerda para a direita, Simone, Gilvan, Regina Célia, Murilo e Regina Lúcia

FD - O que é o ITV? Fale um pouco sobre o Grupo Educart. SC - O ITV nasceu do ideal de quatro músicos de utilizar a arte para educar, capacitar, transformar a realidade de crianças e jovens, oriundos de famílias de baixa renda e de portadores de necessidades especiais. Os músicos sonhadores somos eu, que sou pianista e arte-educadora, Gilvan Melo, regente, cantor e arte-educador, Regina Lúcia Colucci, pianista e musico-terapeuta e Regina Célia Oliveira Colucci, pedagoga. Em 1987, havíamos fundado o Grupo Educart, com a perspectiva de utilizar a arte para a educação e para outros segmentos. A dinâmica desse trabalho levou à difusão de iniciativas comunitárias em arte, educação e terapias, o que, por sua vez, levou o Educart a criar o Instituto Tocando em Você para desenvolver projetos de capacitação de crianças, jovens e adultos. Na definição clássica, o ITV tem como missão tornar a arte, a educação e determinadas terapias acessíveis a esse grupo de indivíduos. 200 crianças e jovens carentes da Grande Tijuca, na cidade do Rio de Janeiro, são atendidas pelo projeto, que tem atuação reconhecida pela UNESCO. FD – Mas o que motivou a criação do ITV? SC - Em 1988, o Grupo Educart criou o Espaço Cultural Tocando em você para ser uma escola de Arte, com música, dança, teatro e artes plásticas, um centro de Terapias Integradas à Arte (musicoterapia, arteterapia, teatroterapia, dançaterapia, psicopedagogia, fonoaudiologia, entre outras modalidades) e uma Produtora Cultural. A partir 824

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Músicos sonhadores que há dez anos vem transformando para melhor a realidade de jovens e crianças de algumas comunidades do Rio de Janeiro. Assim como em “A Flauta Mágica,” de Mozart, seguimos a melodia e nos deparamos com o Instituto Tocando em Você – ITV. Conversamos com Simone Colucci, pianista e arteeducadora, vice-presidente, diretora artística e coordenadora dos projetos sociais do ITV. E é possível destacar que, em termos de abrir espaço para a inserção social, a sociedade carioca se encontra em processo de construção, e que o que de fato discrimina e separa não é o indivíduo em sua atitude. É o desnível em educação – alfabetização funcional, aprovação automática nas escolas, baixo investimento por parte do governo em educação de uma forma geral. No alto das comunidades há muitos mundos diferentes desses que se conhece aqui no asfalto, muita gente excluída de várias maneiras, diz Simone. Algumas delas, dizemos nós, já começam a mudar essa realidade, seguindo a flauta mágica do ITV.

daí, o que serviu de motivação foi a vontade de democratizar essas experiências, torná-las acessíveis para aqueles que não dispõem de poder econômico, sem discriminação de credo, cor, origem de nascimento e endereço residencial. FD - Crianças, jovens, portadores de necessidades especiais, como o público interessado chega ao ITV? Ao procurar o ITV, o que o público interessado está buscando? SC - As famílias são encaminhadas pelas Escolas Municipais, Unidades da Secretaria de Assistência Social (CREAS), associações de moradores, chegam por indicação dos assistidos e, também, pela difusão do trabalho através dos diferentes meios de comunicação. A procura pelo ITV é diversificada. Atende tanto a jovens artistas que buscam desenvolver seus projetos de apresentação, exposição, produção de produtos culturais através do Programa de Empreendedo-

rismo, como, também, atende as famílias. Mães buscam alternativas para ocuparem seus filhos com atividades complementares às oferecidas pelas escolas. Procuram ainda atendimentos terapêuticos capazes de fazer face às dificuldades comportamentais e emocionais e de aprendizagem. Já os adultos procuram o ITV para as oficinas de Língua Portuguesa/Redação, Multimídia, entre outras. Jovens com necessidades especiais buscam capacitação profissional para inserção no mercado de trabalho. FD - Na prática, a contrapartida exigida pelo ITV tem resultados concretos, isto é, desperta de fato nas famílias e nos jovens a consciência da importância da educação? Após 10 anos, que resultados o ITV pode comemorar, em termos de objetivos sociais? SC - Bem, é maravilhoso poder acompanhar o processo de transformação não só de indivíduos, mas de famílias inteiras. Ver chegar um menino, enviado pelo CREAS, já expulso da escola, por apresentar alterações comportamentais, e vê-lo tornar-se afetivo, com ação integrada em música, dança, pedagogia e terapias. Para construção desse processo, estabelecemos um pacto com a família e com a criança ou jovem. O que quer? Do que gosta? Aonde quer chegar? Vamos construir o futu-

Crianças e jovens do ITV Maio/Junho 10


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Mariana Santana, 16 anos, desenvolve seu talento no violino. ro a partir de hoje? Então, conseguindo detectar as áreas de interesse e talentos latentes, o jovem torna-se, aos poucos, capaz de empreender transformações de ordem pessoal e coletiva, refletindo no eu posso, eu consigo aprender, eu sou capaz de buscar minha felicidade, não preciso repetir os mesmos caminhos dos meus pais, posso ir além, quero chegar a cursos profissionalizantes, quero ingressar na Universidade. Este processo não tem tempo definido. Pode começar com a criança de seis anos, com jovens ou adultos e, a partir daí, o Instituto Tocando em Você colhe frutos do investimento social com diminuição da evasão escolar, com a melhoria de desempenho na escola e a melhoria da qualidade de vida. Contabilizamos que, em um universo de cerca de 2000 indivíduos atendidos, 80% terminaram o ensino médio, 70% concluíram o 2° grau e 40% estão cursando universidade. Tais resultados são altamente impactantes na inserção no mercado de trabalho. FD - Do público infantil e jovem, há os que estão em crescimento e outros que já cresceram e se tornaram adultos. Eles se mantêm ligados ao projeto? Que realidade eles buscam para si mesmos após terem passado pelo ITV? SC - Acredito que quando a Instituição consegue oferecer vivências positivas e transformadoras na vida de crianças e jovens, tudo isto se traduz em efeitos que o indivíduo leva para toda vida. Muitos alunos do ITV retornam à Instituição participando de eventos pontuais, atuando como instrutores e como universitários-estagiários nas áreas de pedagogia, serviço social e arte. Como trabalhamos também com capacitação artística,

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muitos alunos constroem sua trajetória no mundo da arte, como Isabela Rodrigues que atualmente termina a faculdade de Pedagogia, é merendeira concursada e mora em uma casa oferecida pela prefeitura; como Wal Scheneider, hoje, ator e humorista da TV Globo; como Mafran, que, a partir do ITV, escolheu ser músico percussionista, requisitado por vários grupos, tendo sido instrutor do programa por um determinado período. Outros se encontram inseridos em contextos profissionais como recreadores de creches comunitárias, comerciários, trabalhando em lojas, shoppings e em redes de supermercados. Esses são alguns dos resultados tangíveis. Há os frutos que, embora invisíveis, são altamente impactantes, como, por exemplo, o caso de ex-alunos que se tornam chefes de família mais conscientes de seu papel de pai ou mãe. E, de novo, um recomeço: “Vim trazer meu filho para vocês conhecerem. Eu quero que ele venha para cá também.” São alunos trazendo sobrinhos, ex-alunos trazendo seus filhos, avós trazendo seus netos, mães deixando de “bater”, aprendendo a apoiar e a se envolver com as feiras de ciência, eventos artísticos, almoços beneficentes. FD - Como o ITV consegue superar os obstáculos da convivência com a comunidade no que diz respeito à violência doméstica, à violência do isolamento imposto pela condição sócio-econômica, do poder paralelo dos traficantes e bandidos? SC - Para falar de realidade brasileira temos que levar em conta que em 2010, a população jovem alcançará seu maior volume em toda

a história brasileira (53 milhões), permanecendo praticamente constante entre 1990 e 2030, com oscilação ligeiramente superior a 50 milhões de indivíduos. Uma significativa parcela desse quantitativo é de jovens que enfrentam a realidade de desemprego, baixa qualificação, insuficiência de renda, fatores que os colocam na área de risco, prontos para se engajar na criminalidade. Nós do ITV, temos convivido com comunidades, onde o acesso se faz restrito ou não existe. Com essa realidade, só o trabalho e os efeitos de longo prazo de uma ação social séria cria credencial junto à população. Temos livre acesso, por exemplo, na comunidade do Salgueiro. No dia-a-dia é um respeito silencioso. Basta olhar os prédios e casas vizinhas marcadas pela pichação, enquanto que o ITV permanece com sua pintura preservada. Circulam na casa, das 15h às 21h, crianças e jovens, entrando e saindo com instrumentos musicais, abrindo e fechando portões e a casa abre e fecha preservada. O aluno cadeirante Rafael Leite tem seu acesso ao andar de cima ajudado por jovens da comunidade que colaboram em dias específicos e entram e saem com atitude de respeito. Em dias de apresentação, a comunidade desce e visita a casa e, assim, estabeleceu-se ao longo dos anos abertura e diálogo, confiança e respeito, não só junto aos moradores do Salgueiro, mas também das comunidades do Formiga, do Borel, entre outras, das quais nossos jovens são oriundos. Quanto à violência doméstica, realizamos encontros com as famílias e fortalecemos o reconhecimento/conscientização por parte das mães de situações e atitudes em relação a “práticas” transformadoras. Incentivamos a capacitação e o empreendedorismo. Temos muitas ações, como o projeto Orquestra Tocante que leva às escolas música e debates sobre cultura e ações solidárias ou como o Coral ITV, com apresentações em creches e postos de saúde, seguidas de palestras sobre cuidados maternos nos primeiros anos de vida. FD - Todo projeto de cunho social, como o ITV, tem o objetivo de inserir indivíduos na sociedade. Na opinião de vocês, a sociedade carioca abre

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T oT r ca nas f no r dm aon d o e m vidas

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espaço para essa inserção ou segue discriminando? Deveriam “os inseridos” também passar por algum projeto educativo, de modo a formar consciência social? SC - O Rio de Janeiro oferece opções diversificadas de inserção cultural, mas, de acordo com o grau de inserção ou exclusão social em que os jovens se encontram, muitos não podem escolher e usufruir plenamente do contexto cultural disponível na cidade. Nossa preocupação é conscientizar a família, a criança e o jovem da importância em gerar transformação social a partir do seu engajamento na difusão das informações às quais têm acesso e na consciência do exercício da sua cidadania. A construção do processo inclusivo passa pelo resgate do crédito em si mesmo e da auto-estima da família. Muitas vezes, são as crianças que alavancam todo

este processo e que convencem os pais de que querem continuar, que desejam sua presença nos teatros em que se apresentam, até que as famílias passam a acreditar que podem freqüentar lugares da cidade como espaços culturais, museus, porque pertencem a esta cidade e todos lugares estão abertos a elas também. A arte neste aspecto é libertadora. Quando uma criança negra, oriunda de comunidade de baixa renda, tem acesso a um instrumento como um violino, ela não só está tendo acesso ao instrumento mas a todo o universo cultural que este instrumento representa. O mesmo acontece quando o jovem tem acesso ao computador e aos programas de edição de som, imagens e textos e descobre as possibilidades de inserção a que tem direito. Com objetivo de ampliar o entendimento e fomentar escolhas, as famílias e os alunos passam por entrevistas e aulas

FD- Tocando em você... O que um projeto como esse, com um nome tão sugestivo, consegue tocar de mais fundamental nas pessoas? SC - A sensibilidade seja através da música, da poesia, teatro, da dança, das artes, das ações sociais enfim, tudo que possa promover a escuta, a reflexão, a mudança e o encontro. Quando se toca para alguém se emana vibração, quem escuta apreende e devolve de forma própria as vibrações sentidas e o resultado disto é soma. O Tocando em Você é uma homenagem à música e a tudo que possa tocar.

O projeto em ação: jovens aprendem teoria musical

Oficina de construção de instrumentos

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experimentais. A meta é conscientizar; nós oferecemos ferramentas, mas só eles podem construir a chave capaz de abrir as portas para que usufruam sua cidadania com plenitude.

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O aluno cadeirante Rafael Leite

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Conhecendo melhor o ITV Links no YOUTUBE: Acesse - itvmusica http://www.youtube.com/watch?v=wEKpcOAEbss&feature=channel Concerto Multimídia - Sinfonia Urbana Tenor - Ivan Jorgensen http://www.youtube.com/watch?v=LrPMge8yFBU Tamara Barquette - Brasileirinho http://www.youtube.com/watch?v=JSZhtqP7VTI&feature=channel Concerto Inclusivo Coral Tocarte (Jovens Especiais) e Orquestra Tocante

Grupo Tocando em você

Maio/JunhoMarço Fevereiro/ Maio/Junho10 10 10

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emigrazione Marisa Oliveira

“Emigrar é uma palavra forte”

Foto: Arquivo pessoal

Giulia, Nicola e Gianni - Castel San Pietro, 2009

Quase recém chegado de Bolonha, aos 42 anos, natural de Villa Santa Maria*, Abruzzo, Itália, Nicola Finamore, por ter “embarcado”

FD - Nicola, fale da cidade, da região em que nasceu. NF - É uma pequena cidade aos pés do Grande Sasso, imersa no verde do Parque Nacional de Abruzzo e distante somente 20 minutos de uma praia banhada pelo mar Adriático. Lá, a família nobre daqueles tempos, a família Caracciolo, deu início à tradição culinária local, passada de geração em geração sucessivamente. Tradição esta que ainda nos dias de hoje está muito viva; e, por sorte, os jovens parecem interessados em também passar adiante. FD - Nascido em Villa Santa Maria, as panelas e as receitas foram seu passaporte para a emigração? NF - Seguramente, não só para mim como para tantas outras pessoas, as panelas e as receitas foram um empurrão a mais para acender a curiosidade, para explorar vários lugares, pequenas e grandes cidades, com possibilidades de serem visitados com este objetivo. FD - Com que sentimento o sr. emigrou? NF - Emigrar é uma palavra forte, assim como é forte o sentimento que te permite viver e conhecer outra população, outra língua, outra cultura. Este sentimento é o que me faz arriscar. FD - Ao chegar ao seu primeiro destino fora da Itália, que impacto causaram as 828

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giões do país, bem como os sabores do Norte e Nordeste. O chef Nicola veio para o Brasil, a convite, para em receitas e panelas reformular o cardápio do Cipriani. Apesar do pouco tempo por aqui, se já acumula muitas considera adaptado. Falta mesmo, milhagens: América diz ele, fazem os filhos, de 2 e 4 do Norte, do Sul e anos, que moram na Itália. Apesar de Oriente. No Rio de Janeiro Nicola agora não ter ainda arranjado tempo para participar, o chef italiano se empolé chef do princigou em saber dos campeonatos de pal restaurante do futebol dos garçons e dos hoteleiros Copacabana Palace, o Cipriani, depois de no Aterro do Flamengo e se ressenter passado pelo Harry’s de Nova York te de não ter voltado a treinar para competir na maratona. Gentil, reve, do Harry’s Bar em Veneza, entre rencia o futebol do Brasil e considera outros. Em terras brasileiras Nicola sublime provar nossos sabores. E nos Finamore tem como meta conhecer parabeniza! as diversas frutas das diferentes re-

primeiras impressões? NF - A primeira vez não se esquece jamais. O impacto de uma outra realidade é uma aposta e, também, motivo de profunda nostalgia. Porém, este impacto é caminho para um profundo conhecimento próprio. FD - Estados Unidos, Japão, Uruguai, países tão diferentes. Entre si e em relação à Itália. Como Nicola Finamore se movimentou por lá? E como se entendeu com as equipes locais? NF - São países naturalmente diversos entre si, por vários aspectos. Os Estados Unidos pelos choques da vida frenética, com pessoas de culturas tão diversas... E como me saí? Diria que muito bem. O Japão me chamou a atenção pelo respeito, pela espiritualidade com que vem cercado. Inicialmente, senti um impacto muito forte, mas, em seguida, tive uma experiência fantástica – sairia de lá com os olhos amendoados!!! Brincadeira... O Uruguai, como todos os países latinos, tem uma originalidade que o distingue, e também me saí muito bem. Com as equipes é sempre um pouco trágico, mas logo depois encontro uma maneira de me entender e tudo entra nos eixos. FD - Nicola, de que maneira o contato inicial com as equipes de cozinha pode ser um pouco trágico?

NF - É claro que o termo trágico é usado para explicar aquele impacto inicial, que é muito forte devido à variedade de idiomas; às vezes, causa impacto, pois há os diferentes métodos aplicados no desenvolvimento de uma receita (eu, por exemplo, tenho uma técnica para o cozimento), a mentalidade e o paladar diferentes. Há que se entender. Mas, em resumo, quis falar em tragédia para ficar algo mais leve e divertido. É realmente o primeiro impacto; depois tudo fica conhecido e pronto. FD - Os consumidores, gourmets ou não, independentemente da nacionalidade, se comportam da mesma maneira? Há diferenças de comportamento quanto ao ato de apreciar os paladares? NF - Cada um de nós é diferente entre si. Assim, cabe a nós nos aproximarmos daquilo que podem ser as exigências fundamentais dos clientes, gourmets ou não. A nacionalidade, claro, é importante para indicar essas exigências. FD - Fale dos sabores de cada um dos países nos quais trabalhou. NF - É necessário dizer que nos Estados Unidos, mesmo onde não há uma tradição culinária forte (no lado do Canadá), consegui agradar com bons pratos, sobretudo com aqueles à base de salmão. Enquanto que no Japão, como todos sabem, é incrível a variedade de peixe cru que é consumiMaio/Junho10


em i g r a ç ã o

Nicola Finamore, restaurante Cipriani

Città dei cuochi

Foto: Adriana Lorete

da e para essa iguaria, seja o peixe que for, um caldo de pétala de rosas acompanha divinamente. Bom, o Uruguai é famoso pela qualidade da sua carne. FD - O sr. leva os novos sabores, descobertos em outros países, para a Itália? NF - Levo comigo todas essas experiências misturadas, sempre buscando dar a possibilidade a quem não tem, por morar na Itália, de conhecêlas. FD - Que momento, ao preparar um prato, lhe deu maior prazer? NF - Acredito que o maior prazer vem quando se consegue orquestrar e equilibrar os sabores e as cores de um prato. Sim, acredito que seja este o momento mágico, que me dá a maior satisfação. FD - E o Brasil? Como tem sido viver no Rio de Janeiro? NF - Não obstante esteja há pouco tempo no Brasil, posso dizer que o Rio é uma cidade encantada, que todo mundo deveria, pelo menos uma vez, visitar. FD - Culinária carioca, qual o prato preferido do chef Nicola? Já tem algum? Maio/Junho 10

Aquele que a gente volta ao restaurante ou à casa do amigo para repeti-lo! NF - Não conheço muito dos restaurantes do Rio, não tenho propriedade para falar da culinária carioca, já que só conheço a picanha, muito boa por sinal. Mas a picanha nem carioca é, não? FD - Frutas brasileiras, futebol, um imenso litoral a explorar. Quais são suas expectativas? NF - A praia maravilhosa, as frutas brasileiras das quais sempre ouvi falar e que, hoje, posso dizer que é sublime poder prová-las. O futebol já é conhecido em todo mundo e para nós italianos, é invejável. O quanto antes devo conhecer este belíssimo litoral e todos os dons da natureza que dão a vocês tanto prazer. Parabéns.

Federazione Italiana dei Cuochi, Roma, 2009

Contam que os abruzzeses festejam ocasiões solenes com panardes, intermináveis refeições, compostas, muitas vezes de 20, 30 pratos. Contam também que a série de produtos característicos da região fez nascer uma dinastia ilustre de cozinheiros, cuja arte espalhou-se pelo mundo. Construída sobre o Monte Vecchio, feudo dos príncipes Caracciolo de Nápoles, nobres que iniciaram a tradição culinária, Villa Santa Maria é conhecida como a città dei cuochi (cidade dos cozinheiros). A receita mais famosa da cozinha abruzzesa é o maccheroni alla chitarra – feito sobre um instrumento de cordas, moldura de madeira com sutis fios de aço, estendidos horizontalmente a um milímetro de distância; as finas tiras produzidas pela chitarra recebem um molho típico: tomates encorpados com toucinho defumado, pimenta picante e queijo de ovelha ralado. E, perguntado sobre isso, Nicola Finamore declara que “essa manifestação é ainda hoje muito presente na vida dos abruzzeses”.

Foto: Arquivo pessoal

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c i r c od aen ise lpmaañr eon clo

cultura

Todo o circo é itinerante. Os fotógrafos também. O circo procura o povo. O fotógrafo o novo. Quando o encontro acontece, a mágica está feita. É preciso domar o tempo para que ela se apresente. Num só momento tem que abrir a cortina e o coração. Quem faz o espetáculo? E a foto, quem fez? Em busca dos bastidores do show, o fotógrafo entra no picadeiro e, expondo, está igualmente sob o foco de luz. Compartilha sua experiência com o público, como os artistas sempre fazem com sua arte. Caminho difícil, na corda bamba entre a intimidade e a privacidade. É gente aquele que atua atrás da maquiagem ou da câmera fotográfica. Todo dia um desafio. É preciso saltar no vazio, contorcer a alma, arriscar-se continuamente nesse Globo da Morte. Daniel Marenco é o tipo que topa a parada. Equilibrado sobre seu talento e seu esforço, tem feito sucesso. Belo trabalho. Palmas para eles.

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Ricardo Chaves Editor de Fotografia do jornal Zero Hora

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Ogni circo è itinerante. Anche i fotografi. Il circo cerca il popolo. Il fotografo il nuovo. Quando si incontra quello che si cerca, la magia si realizza. È necessario domare il tempo perché la magia appaia. Nello stesso momento è necessario aprire sia la tendina che il cuore. Chi fa lo spettacolo? E la fotografia chi l’ha scattata? Cercando dietro le quinte, il fotografo entra nel circo e, aprendo l’obiettivo, rimane pure lui sotto il fascio di luce. Fa partecipe il pubblico della sua esperienza, come gli artisti fanno sempre con la propria arte. Cammino difficile, sul filo teso fra l’intimità e la sfera privata. È una persona quella che fa il trucco e quella che fotografa. Tutti i giorni una sfida. È necessario buttarsi nel vuoto, torcere l’anima, richiare continuamente in questa Ruota della Morte. Daniel Marenco è quello che accetta la sfida. In equilibrio fra il proprio talento e la sua fatica, ha avuto successo. Bel lavoro. Un applauso per lui. Ricardo Chaves Editore di Fotografia del giornale Zero Hora

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fotografia

cultura

Daniel é repórter fotográfico do jornal Zero Hora e trabalhou no jornal Diário Gaúcho. Este ensaio foi premiado no Concurso Leica Fotografe 2009 e estará em exposição em outubro próximo na 3ª edição do JF em Foco - Festival de Fotografia de Juiz de Fora. As 2 edições anteriores foram patrocinadas pela Petrobras. Contatos: 51 9133.1321 danielmarenco@gmail.com.

Daniel è reporter fotografico del giornale Zero Hora e ha lavorato precedentemente nel giornale Diário Gaúcho. Questa mostra è stata premiata nel Concorso Leica Fotografe 2009 e sará presentata in ottobre alla 3 edizione di JF em Foco - Festival di Fotografia di Juiz de Fora. Le due precedenti edizioni sono state patrocinate dalla Petrobras. Contatos: 51 9133.1321 danielmarenco@gmail.com.

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c i r c od a nei esl pmaa 単 o l renco

cultura

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fotografia

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cultura

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cultura Raffaella de Antonellis

Cinema italiano al sorpasso: I

l cinema italiano, a differenza di quello americano, non è certo famoso per produrre roadmovie ovvero quei film che mettono in scena un viaggio che può svolgersi con i mezzi di trasporto più diversi, dalla moto al trattore, passando per auto, camion e pullmann. Gli immensi spazi statunitensi sembrano infatti paesaggi più consoni a film che si svolgono fondamentalemente per strada, spesso passando dalla costa atlantica a quella pacifica attraverso ampie autostrade che percorrono paesaggi desertici, boscosi, montagnosi e urbani. Non ci si aspetterebbero le stesse emozioni da un coast to coast Adriatico-Tirreno e nemmeno da un’avventura sull’autostrada del sole. Ma la storia del cinema smentisce in parte quest’idea se ricordiamo che quello che normalmente si considera il film iniziatore del genere, quell’Easy Rider del ’69, si è ispirato, secondo le dichiarazioni dello stesso regista Dennis Hopper, al nostrano Il Sorpasso, film di Dino Risi del ’62, il cui titolo americano fu The Easy Life. Questa commedia, ritratto sociale del boom economico, si affranca dalla tradizione ‘all’italiana’ per il suo approfondimento psicologico dei personaggi, per il suo interesse documentaristico e per la cura nella costruzione delle riprese. Dal deserto romano ferragostino alla costa toscana, la strada è l’asse narrativo. Una Lancia Aurelia B24, spider simbolo di eleganza e raffinatezza dell’epoca ma anche della sua aggressività, sfreccia sulla via Aurelia, altro simbolo dell’evasione vacanziera,

“Turné”, di Gabriele Salvatores, anni 90

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f o r u mD E M O C R A T I C O

“Il sorpasso”, film di Dino Risi, 1962 che passa dai quartieri borghesi a quelli popolari, proponendo un viaggio attraverso la società romana. Sull’auto viaggiano Vittorio Gassman, uno spaccone quarantenne, e Jean-Louis Trintignant, uno studente che, dopo questo viaggio di iniziazione, concluderà la sua esistenza in un ultimo sorpasso. Un anno prima de Il Sorpasso una commedia meno nota, Il federale di Luciano Salce, aveva anche proposto una storia ‘per strada’ che vedeva nell’Italia del ’44 un camerata, interpretato da Ugo Tognazzi, in missione per accompagnare da Cremona a Roma un filosofo antifascista. Il viaggio che inizia con una motocarrozzetta, prosegue per varie disavventure con un camion, poi con un veicolo militare tedesco e infine con un tandem per terminare a piedi. Un film interessante dove un Tognazzi a tutto tondo rappresenta il fascista convinto fino alla fine, anche davanti agli americani, e dove l’antifascista, interpretato da George Wilson, un altro attore francese, dopo aver aiutato il federale in varie occasioni durante il viaggio, lo salva dal plotone partigiano dandogli la libertà. Negli anni ’70 tre film italiani si fanno ricordare come road movie. Il primo è del ’74 ma non venne mai distribuito in quegli anni uscendo solo nel ’95 in DVD. Si tratta di Cani arrabbiati, unico thriller del maestro dell’horror Mario Bava. Il film è girato prevalentemente in un auto che viaggia sull’autostrada Roma-Civitavecchia trasportando tre banditi e tre ostaggi tra cui un bambino. La violenza è estrema e l’epilogo vede morire i banditi per mano dell’ostaggio con il bambino che

alla fine si rivela essere un sequestratore e non il padre del minore. Del ’76 è invece la commedia picaresca L’Italia s’è rotta di Steno che mette in scena il viaggio in macchina di due siciliani e una veneta da Torino alla Sicilia e il loro ritorno. Avere vent’ anni di Fernando di Leo del ‘78 è una delle sue opere più censurate. Una film erotico in cui due belle e emancipate ragazze, frutto della società post-sessantottina, viaggiano in autostop. Il film, considerato precursore di Thelma & Louise di Ridley Scott (’91), non ebbe nessun successo per via della fine estremamente violenta che fanno le protagoniste. I road-movie degli anni ’80 non sono altrettanto innovativi e di questi possiamo ricordare tre commedie. La prima è Bianco, rosso e Verdone dell’81, diretto e interpretato dal comico romano. Film in tre episodi che vede Verdone cimentarsi in tre personaggi accomunati dall’esigenza di raggiungere il seggio elettorale. Il pignolo e pedante Furio, che da Torino si reca a Roma con la famiglia, lo sprovveduto Mimmo, che da Verona va nella capitale accompagnando la nonna, e il taciturno Pasquale, che da Monaco di Baviera si dirige a Matera e conclude il film con un incomprensibile sproloquio in dialetto. I tre personaggi, rispettivamente con una macchina bianca, una verde e una rossa, sono accompagnati dalle note dell’Inno di Mameli. Dietro la versatilità di Verdone si intravede una critica al rito del voto e ai pasticci elettorali. Lo stesso attore l’anno successivo sarà il figlio timido e ecologista In viaggio con papà, per la regia questa volta di Alberto Sordi che interpreta anche un ricco donnaiolo. I due si ritrovano in macchina da Roma alla Liguria destinazione Corsica in un percorso di reciproca conoscenza e insegnamento il cui risultato vedrà il figlio conquistare la donna del padre. Una commedia di nessuna rilevanza. Sorvoliamo su Fratelli d’Italia (’89) di Neri Parenti, un altro film a tre episodi con la comicità basso profilo di De Sica (figlio), Calà e Boldi che citiamo solo perchè in ogni episodio il personaggio affitta la stessa macchina per intraprendere un viaggio. Gli anni ’90 iniziano un po’ meglio con Turné di Gabriele Salvatores, l’unico road movie del regista ambientato in Italia. Due attori, l’ottimista interpretato da Diego Abatantuono e il depresso da Fabrizio Bentivoglio, in tourné teatrale in macchina per l’Italia. Tra loro una donna che ha lasciato il secondo per stare con il primo che non sa dirlo al secondo ma alla fine ce la farà e anche con un lieto fine. Non vogliamo spendere neanche poche parole su Ricki e Barabba (‘92) di Christian De Sica ma a rigor di cronaca anche qui c’è un viaggio in macchina di un ricco milanese e un povero romano. Nel ’94 invece Monicelli dirige Cari fottutissimi amici e ci porta Maio/Junho 10


c i n e m a

ci tuál lti ua r a

road-movie all’italiana nell’Italia del ’44 dove da Firenze parte e si conclude una tourné pugilistica tra i paesini liberati. Il viaggio è su uno sgangherato camioncino e coinvolge vari personaggi in un ultimo episodio giovanile pre-ricostruzione. Si conclude il decennio con la comicità di Aldo, Giovanni e Giacomo che nel ’97 con Tre uomini e una gamba viaggiano assieme alla Massironi da Milano alla Puglia, un pretesto per mettere in scena le gag dei tre personaggi. Nel ’98 anche Viola bacia tutti, di Giovanni Veronesi, presenta tre amici che viaggiano con una donna (Asia Argento) prima loro sequestratrice e poi complice. Questa volta però siamo in un camper e da Roma si va in Svizzera. Siamo arrivati al nostro decennio che si apre con un Pieraccioni regista e attore che in Il principe e il pirata viaggia con il fratello, che non sapeva di avere, da Palermo fino alla Val d’Aosta passando per Napoli, Firenze e Viareggio. Un occasione per dipingere l’Italia, dal camorrista al benestante, e per far conoscere e aiutarsi i due personaggi, un maestro e un ex carcerato; e senza lieto fine. Nel 2002 un’opera prima, Quello che cerchi di Marco Simon Puccioni, fa incursione nel giallo raccontando la storia di un investigatore depresso che segue un ragazzo ribelle per proteggerlo. Viaggiano da Torino a Napoli attraversando le periferie urbane tra campi nomadi e paesaggi marini e ritrovando reciprocamente un appoggio emotivo. Finalmente nel 2003 Alessandro Piva, autore del film culto Lacapagira in dialetto pugliese, firma Mio cognato, un giorno e una notte a Bari dove il traffichino Toni (Sergio Rubini) e il tranquillo Vito (Luigi Lo Cascio) si ritrovano a bordo della macchinona del primo per recuperare l’auto nuova appena rubata a suo cognato. Un viaggio nella malavita locale dove Toni fa da traduttore del barese e delle dinamiche della città al parente sprovveduto. Una notte che farà rompere le barriere tra i due uomini e porterà Vito ad assecondare la disinvoltura di Toni un po’ come era successo a Trintignant ne Il sorpasso, non per niente citato da tutta la critica come referente primario di questa commedia nera. Torna al road movie nel 2004 il trio comico Aldo, Giovanni e Giacomo questa volta a bordo di un taxi per il film Tu la conosci Claudia? alla ricerca della suddetta tra Lombardia e Toscana. Abbiamo citato vari film di qualità diverse e senz’altro ci saremmo dimenticati di molti altri ma possiamo concludere che i viaggi ‘on the road’ del cinema italiano sono quasi sempre a due e propongono uno scontro di personalità in un proceso di conoscenza, comprensione e trasformazione. Spesso un elemento femminile si introduce in questa relazione. Abbiamo visto anche la variante dei tre viaggiatori o ancora quella del viaggio corale. Tranne poche eccezioni il ‘road movie’ comunque sembra essere nel nostro cinema un genere da commedia. Abbiamo tralasciato però i viaggi lungo la penisola sulle rotaie dei treni, mezzi di trasporto più europei, ma questo è un capitolo a parte e veramente molto ampio. Maio/Junho 10

“Cari fottutissimi amici”, di Mario Monicelli, 1994

“Bianco, Rosso e Verdone”, comedia di Carlo Verdone, 1981

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cultura

Marisa Oliveira

FD – O sr. ingressou no curso de Desenho e Artes Gráficas da Escola Nacional de Belas Artes em 1963, em uma década marcada por muitas transformações econômicas, políticas e sociais no Brasil, no mundo, que impactaram diversos segmentos, como o das Artes Plásticas, gerando inquietações naqueles que produziam Arte. Daquele momento, o que ficou definitivamente incorporado ao artista Serpa Coutinho e à sua arte? SC – É difícil resumir. Muitas coisas se imantaram positivamente em mim, como, por exemplo, aquela maneira coloquial e rica de conversar, pois falávamos de tudo, buscando descobrir algo novo em pensamento e ação, sobretudo no que se referia à discussão estética da Arte e de uma nova postura e pensamento com relação à vida.

Antonio Fernando de Serpa Coutinho, carioca, artista plástico, sempre teve o traço a seu serviço. Aos oito anos de idade viu passar um trio elétrico, voltou para casa e desenhou de memória aquela geringonça tão interessante, assombrando os adultos. Declara como suas maiores influências – aprendizado e assi-

milação – artistas da pop art, como James Rosenquist, Robert Indiana, Leo Castelli, entre outros, e considera os impressionistas a grande aula. E como tem no traço a marca maior, vale destacar sua assinatura (título), afinal, é de Chico Caruso a observação de que a caligrafia de Serpa denuncia a excelência do seu desenho.

FD – Lápis, nanquim, borracha, tipologia, jeans. O sr. declara não ter técnica favorita. Os apreciadores da sua arte tem? O que mais os impressiona no seu trabalho? SC - Como tudo era importante para mim, aprender várias técnicas – pois o domínio técnico é um fator fundamental na elaboração da forma, da cor, da linha, do espaço, e esses elementos foram o que denominamos composição – sempre me fascinou. As técnicas do nanquim, da aquarela, do grafite, do lápis-cor, da tinta acrílica, do pastel oleoso ou seco, do crayon sempre me fascinaram, pois é o meu jeito gráfico e com elas tenho grande afinidade. Percebo nas exposições, quando há oportunidade de interação com as pessoas em sua visualização do meu trabalho, que lhes impressiona o fato de eu conseguir harmonizar técnicas diferenciadas na composição (isso quando conhecem as técnicas), entendendo-se que as preferências sempre têm um caráter muito pessoal para cada um. Quando acontece de os visitantes não conhecerem as técnicas, eu falo com eles sobre cada uma.

ce minha vivência e aumenta a consciência de que nunca sabemos de tudo. Além disso, traz respostas e dados que contribuem na discussão do trabalho.

FD – O sr. valoriza a intervenção com o público. O que esse contato revela? Isso o influencia? De que maneira? SC - A interação com o público me revela muitas coisas, enrique-

“Sem título”

Aguada de acrílica, nanquim e lápis

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FD – Fale do fascínio particular que cada material utilizado em suas obras exerce sobre o sr. SC - Todos esses materiais que citei e outros me encantam muitíssimo, pois cada um tem características particulares que tornam mais rico o trabalho sob diversos ângulos. FD – É esse fascínio que põe o artista em movimento? SC - Também, mas há ainda a beleza gráfica e plástica da vida que nos envolve em todos os seus aspectos. FD – O que significa ter o traço como companheiro diário? SC - Nem todos os dias desenho, mas ao lado da mão, temos o sentido da visão e da audição. FD - Quatro temáticas prevalecem em seus trabalhos – Cenas Urbanas, Pássaros, Subúrbio e Outono. Que tanto do artista prevalece nessas temáticas? SC - Prevalece o encantamento permanente com elas desde a infância, pois as temáticas são nada mais, em meu trabalho, do que o movimento natural sem condição pré-estabelecida. FD – O sr. defende que todo artista tem que ser fiel à sua visão de mundo. A qual visão de mundo o sr. é fiel? SC - Talvez não tenha sido claro quando falei em outra ocasião sobre isso, pois considero que o conceito de visão de mundo engloba todos os fatores que envolvem nossa vivência. E penso

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artes plásticas

cultura

“Cadeira Memória”, lápis e acrílica, 1984

que ser fiel à minha visão do mundo é estar com o “radar” sensorial girando 360 graus, pois o mais singelo elemento pode dar ao indivíduo ou trazer à tona idéias para uma grande (e singela) composição. FD – Saber olhar o mundo e captá-lo em sua essência. Sensibilidade e domínio das técnicas. Essas são algumas características atribuídas a Serpa Coutinho. Quando o sr. olha para a sua própria arte, o que o sr. vê? SC - Vejo que tenho ainda muito a fazer no tempo que me cabe viver, ou seja, o “olho” sempre tem tudo diante de si a ser redescoberto.

“Bar Memória”

“Pessoas e pássaros”, acrílica e pincel, 1997

“Sem título”, nanquim e lápis, 2000

Maio/Junho 10

Livro de cabeceira Qualquer livro sobre Arte que trate o tema de uma forma rica, por exemplo, Conversas com Picasso, de Brassaï, Cosac&Naif. Prato preferido Comida brasileira – Cozido à pernambucana. Artista que desponta Há sempre bons artistas despontando...

Local para viver No Brasil, as regiões serranas. Local para trabalhar Um bom loft, com um bom pé direito. Conhecendo melhor Serpa Coutinho www.serpacoutinho.art.br Últimas mostras individuais Espaço Cultural dos Correios, RJ, 2001; Galeria de Arte Sumária, RJ, 2000

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cultura

r e f l e x ã o

Luis Maffei

Uns diabos novos

R

ecebi um panfleto na saída de certo concerto de rock, ano

do clamoroso êxito, seja de conjuntos de rock, seja de desodoran-

passado. O homem que distribuía o papelzinho, pelo que a

tes: o mercado. Assim, é uma mercadoria o conjunto, outra o deso-

penumbra do lugar me permitiu ver, aparentava relativa dignidade e

dorante. Pobre Lúcifer roqueiro: “vê-se, claramente, estar o rock a

nenhuma indignação no modo de postar-se ou oferecer o que tinha

serviço de Satanás”; não: vê-se, claramente, estar quase tudo o que

a oferecer. Lembrou-me outro senhor, que distribuía, na saída da

gira nossa sociedade a serviço da lógica do mercado. Não direi que o mercado (ou

também folhetos. Este, nem sei

coisa semelhante) é o diabo, nem

se ainda vive, pois não tomo

o Diabo, pois não o é. Tampouco

metrô desde que os vagões

direi que o mercado é Deus. Mas,

tornaram-se ofensas; não es-

metaforicamente, o mercado

colho ser ofendido. O homem

é satânico, pois transforma as

da Uruguaiana alertava-nos dos

pessoas em mercadoria – acabo

efeitos nocivos do tabaco. O

de parafrasear Zygmunt Bauman.

homem da entrada do concerto

Por outro lado, também metafo-

alertava-nos da aliança entre o

ricamente, o mercado é divino,

rock e Satanás.

pois é a norma a que devemos

Fragmento do panfleto: “Quan-

obediência. E agora? Agora, não

do de sua rebelião no Céu, Lúci-

há conflito entre Deus e Satanás,

fer arrastou consigo a terça parte

(quase) ninguém oferece sua alma

dos anjos. Entretanto, insatisfei-

ao Diabo, todos se divertem e há

to, arre-banha [sic], agora, os

pouca diferença entre lá e cá.

homens, brandindo a mesma

O panfleto assim termina:

arma: a música degenerada,

“Procure uma igreja mais próxima

assassina”. Pelo visto, o rock é

de sua casa. Jesus quer te libertar

invenção direta de Satanás, e foi

antes que o diabo ceife [sic] a sua

pelo rock que as almas angélicas foram roubadas. Não julgo necessário dizer que se trata de um delírio fanático, apenas

Ilustração: Ana Maria Moura

estação Uruguaiana do metrô,

lamento que esse delírio não

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vida”. Há aí concreta ingenuidade: não nos é dito para procurar esta ou aquela igreja, desta ou daquela vertente, mas a mais próxima de casa. O autor do texto talvez

tenha fundo algum, pois seria muito mais bonito o mundo se o rock

creia mesmo no que está dizendo, pois não especifica que estabe-

fosse mesmo uma invenção diabólica e se o combate entre Deus e

lecimento comercial será privilegiado, ou se, pelo contrário, alguma

o Diabo representasse um contínuo fim dos tempos.

igreja de verdade será a visitada pelo roqueiro arrependido. Num

Explico-me, pelo simbólico: um dos dramas de nosso tempo é

rasgo de ingenuidade meu, poderia pensar na transgressora imagem

o vazio, e esse vazio atende (como o Demônio, aliás) por vários

de Satanás fumando, já que os homens dos panfletos se misturam

nomes. Um deles é diversão. Diversão equivale, hoje em dia, a

em minha mente. Mas se eu penso que cigarro enriquece alguém

falta de comprometimento. Diversão e falta de comprometimento

que não é Satanás nem nenhum de seus seguidores, bem, é preciso

conspiram, em grande medida, com o verdadeiro agente por trás

inventar novos tipos de transgressão.

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Forum Democratico nº 93-94