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FOLHA

IOCESANA INFORMATIVO DA DIOCESE DE GUANHÃES | MG | ANO XVIII | Nº 221 | Novembro de 2014

DNJ2014

Feitos para sermos livres e não escravos

A Aliança de Amor é uma forma original de viver a aliança batismal, enlaçados com Maria. | PÁGINA 4 |

Para os que creem no Cristo, a vida é transformada

Diga-me como você fala e lhe direi que tipo de cristão você é!

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Dom Jeremias anuncia alteração na transferência de padres | PÁGINA 8 |


Calendário Diocesano

Editorial

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DAREDAÇÃO

NOVEMBRO2014

Há pouco mais de um mês para findarmos 2014, a penúltima edição deste ano da Folha Diocesana chega trazendo a movimentação de nossa igreja diocesana através da festa pelo Dia Nacional da Juventude, celebrado na paróquia Nossa Senhora da Glória, em Divinolândia de Minas, e da celebração do centenário da devoção à Mãe Rainha, celebrado nas paróquias São Miguel e Almas, em Guanhães, Santo Antonio, em Peçanha. A paróquia São José, em Paulistas, também esteve movimentada em outubro com a instituição do sacramento da crisma a cerca de 400 jovens e a festa de São Geraldo, na comunidade de Baguari – essa comunidade pertence à paróquia de São João Evangelista, em São João Evangelista, mas é atendida pelo pároco de Paulistas. Aproximamo-nos do Natal e, nesta edição, contamos com a colaboração do seminarista Jaciel Dias que nos apresenta o Cristo Rei no tempo comum. Jaciel cursa o primeiro ano de Teologia no Seminário Nossa Senhora do Rosário, em Caratinga. Uma das lembranças às quais nos remetemos em novembro são nossos amigos e entes que não mais entre nós fisicamente. Sobre o dia de Finados, padre Ismar Dias de Matos, faz um relato histórico e escreve acerca de nosso desejo pela imortalidade. Padre Ismar é professor de Filosofia e Cultura Religiosa na PUC Minas – Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Quem canta seus males espanta e quem canta reza duas vezes, diz a sabedoria popular. Tendo seu dia celebrado em novembro, Santa Cecília, a padroeira dos músicos, é tema de artigo do padre João Evangelista, pároco da paróquia São Miguel e Almas, em Guanhães, em transferência para a paróquia Nossa Senhora da Pena, em Rio Vermelho. Padre João também apresenta o canto como elemento litúrgico. Também nesta edição, artigo do Papa Francisco. Em Não é evangélico falar de coisas feias, mundanas, hipócritas, o Santo Padre nos pergunta se somos cristãos da luz ou das trevas ou, ainda pior, “cinzentos”, por não sabermos se seguimos a Deus ou ao diabo. Diga-me como você fala e te direi que tipo de cristão você é, nos provoca o líder da Igreja Católica Apostólica Romana. Por fim, temos a alegria em anunciar a ordenação de mais um diácono para nossa amada diocese. Bruno Costa Ribeiro receberá o diaconato pela imposição das mãos de nosso bispo diocesano, Dom Jeremias Antonio de Jesus, dia 28 deste mês, na catedral de São Miguel e Almas, em Guanhães NOVEMBRO 01 Todos os Santos 01 Ministério de Acólitos às 19hs. na Catedral 01 Reunião dos Coordenadores da Catequese 5 Coordenação de Pastoral (14hs.) 5 Colégio dos Consultores (9hs.) 7 a 9 Assembléia Regional Leste II Pastoral Vocacional 8 Encontro Vocacional 8-9 Formação da Juventude Missionária 9 Presença Equipe da Causa do Côn.Morro do Pilar 11 a 13 Assembléia do Regional Leste II em BH 11 PASCOM 15 Escola de Teologia Pastoral – Prática Pastoral (Eliana) 17 Lazer dos servidores 22 Escola de Teologia: 15hs. Espiritualidade; 19hs. Missa em ação de Graças na Catedral; 20hs. Entrega dos certificados no Salão da Catedral 24 Encontro de convivência mensal dos padres em Maranhão e Encontro dos padres com mais de 10 anos de ministério após as 15hs (10hs. Missa) 25 a 26 Encontro Diocesano de Planejamento para 2015 28 Diaconato de Bruno na Catedral às 19:30hs. 29 CRB em Guanhães 29 a 30 Quarto Encontro formação para líderes da PJ 30 Rebanhão em Virginópolis

expediente

DEZEMBRO 02 Estudo da Campanha da Fraternidade 2015 (Pe. Ismar) 06-07 ECC (Segunda etapa) em Guanhães 09 PASCOM 10 Aniversário de ordenação presbiteral do bispo e Confraternização de final de ano dos padres na Paróquia de Sabinópolis. 14 Presença Equipe da Causa do Côn. em Sabinópólis. 15 Início das Novenas de Natal

Conselho Editorial: Padre Adão Soares de Souza, padre Saint-Clair Ferreira Filho, Taisson dos Santos Bicalho Revisão: Mariza da Consolação Pimenta Dupim Jornalista Responsável: Luiz Eduardo Braga - SJPMG 3883 Endereço para correspondência: Rua Amável Nunes, 55 - Centro Guanhães-MG - CEP: 39740-000 Fone:(33) 3421-3331 folhadiocesana@gmail.com

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COMEMORAÇÃO - NOVEMBRO DE 2014 Padres, religiosas, consagradas e seminaristas da diocese de Guanhães Novembro 04 Pe. Valter Guedes de Oliveira Pe. Manoel Godoy 15 20 Pe. José Aparecido de Pinho 22 Pe. Mário Gomes dos Santos 25 Pe. Elair Sales Diniz 27 Pe. José Aparecido dos Santos

Nascimento Ordenação Nascimento Nascimento Ordenação Nascimento

Lista dos Aniversários dos Seminaristas da Diocese de Guanhães Novembro 06 José Aparecido de Miranda Nascimento


Fé & Política

ARTIGOS

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NOVEMBRO2014

Pe. Ismar Dias de Matos p.ismar@pucminas.br

A MORTE E A ESPERANÇA DA IMORTALIDADE s católicos comemoramos, dia 02 de novembro, o dia dos fiéis defuntos: finados, ou seja, lembramos aqueles(as) que chegaram ao fim de sua vida terrena. Além desta, existe outra e, para os que creem no Cristo, a vida é transformada e, desfeito o nosso corpo mortal, nos é dado no Céu um corpo imperecível. Essas últimas palavras são tiradas do prefácio da missa de exéquias. Segundo as ciências da religião, os seres humanos celebram rituais fúnebres há cerca de trinta mil anos, pois foram encontrados tais sinais em escavações arqueológicas: pessoas encontradas em urnas mortuá-

rias, com amuletos e outras peças indicativas de que houve, na sepultura do corpo, algo além da simples deposição do cadáver em lugar onde haveria a natural decomposição. O próprio fato de colocar os cadáveres no ventre da terra parece atestar a crença de que o ser humano, originário da terra, dela renasceria quando nela fosse sepultado. Em resumo: o ser humano espera que a vida continue após essa primeira etapa que findamos, e que comemoramos em 02 de novembro. Nossa esperança tem um nome: Cristo Jesus! Ele é a garantia de nossa imortalidade. Ele foi o primeiro a vencer a morte, ressuscitando ao terceiro dia, conforme as Escrituras. Com Ele também ressuscitaremos para a glória deO ser humano parece não aceitar finitiva. Eis a base da fé pacificamente a morte, pois faz de tudo que nos sustenta! para continuar vivo, seja na memória de O ser humano parece não aceitar pacificamente seus pósteros, seja na genética a morte, pois faz de tudo de seus descendentes. para continuar vivo, seja

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na memória de seus pósteros, seja na genética de seus descendentes. Escrever o nome numa placa, em um livro, em uma calçada da fama, em qualquer lugar, eis um sinal de desejo de não morrer. Vencer uma corrida, um concurso, uma luta, entrar para o livro dos Records é sempre um alento. Alguém, um dia, poderá ver nosso nome e perguntar: quem foi? Esses desejos, talvez indiretamente, sejam os mesmos daqueles que escrevem o nome no Livro da Vida, como diz o Apocalipse (3,5). Desejar a imortalidade é almejar um tesouro no Céu, onde a traça não rói, onde a ferrugem não come. Feliz daquele(a) que enche seu coração com tal desejo, pois estará buscando inscrever seu nome no Livro da Vida (Ap 20,12), não em livros perecíveis, humanos.

Os cristãos, apoiados nos Evangelhos, temos a grande alegria de dizer que a morte não dita o fim de nossa existência. Quando alguém morre, nos sentimos tristes, pois fomos privados da presença querida, mas a tristeza não é sinal de desesperança. Jesus chorou a morte de seu amigo Lázaro (Jo 11,35), depois o ressuscitou e o deu às suas irmãs por mais algum tempo. No Céu, ou seja, na Nova Jerusalém (Ap 21,2.10) se reunirão os filhos e filhas de Deus para a vida feliz e gloriosa, prêmio daqueles(as) que viveram as bem-aventuranças proclamadas no Sermão da Montanha (Mt 5, 1-12 e 25, 31-40). Rezemos pelos nossos entes queridos que se foram. Que o Deus da Vida nos reconforte até o dia de nosso encontro definitivo. Amém.

Cristo Rei no Tempo comum Os dois ciclos dos tempos fortes do ano litúrgico - o ciclo do Natal e o ciclo da Páscoa - não cobrem o ano todo. Existem períodos entre o fim do tempo do Natal e o início da quaresma e entre Pentecostes e o primeiro domingo do Advento, que chamamos de Tempo comum. São os domingos e as semanas em que celebramos sempre o mistério pascal da morte e ressurreição do Senhor, não somente na missa, mas igualmente em celebrações da Palavra, na liturgia das horas e em outras celebrações, até nas festas de Nossa Senhora e dos outros santos. Sobretudo cada domingo do Tempo comum é uma pequena festa de páscoa. Estes domingos, como também os dias de semana, são marcados pelas leituras do respectivo dia. Durante o tempo comum não se celebram aspectos particulares do mistério pascal, como acontece nos ciclos do Natal e da Páscoa, exceto algumas festas do Senhor, da Virgem Maria ou dos demais santos que acontecem dentro dele. O tempo decorrido nas 34 semanas fora dos ciclos do Natal e da Páscoa é chamado Tempo comum. Os domingos são domingos do Tempo comum ou Durante o ano. Esses domingos recebem sua força

ou sua espiritualidade de duas fontes: dos tempos fortes e dos próprios domingos. Assim, o Tempo comum é vivido como prolongamento do respectivo tempo forte. A primeira parte após a Epifania e o Batismo do Senhor. Constitui, então, um tempo de crescimento. Daí a cor verde. A vida nasceu no Natal; ela se manifesta na Epifania; mas para que possa manifestar-se em plenitude e produzir fruto, necessita da ação do Espírito Santo. Vemo-lo agir no Batismo do Senhor. Assim, é levado pelo Espírito que Jesus começa a exercer o seu poder messiânico. Do mesmo modo na Igreja; fecundada pelo Espírito, ela produz frutos de boas obras. Trata-se de um Tempo caracterizado pelo domingo, por sua teologia, por sua espiritualidade. Não é o caso de substituí-los por temas diferentes, embora algumas solenidades sejam transferidas para domingos. Estas solenidades ou acontecimentos vividos nos domingos terão de ajudar a celebrar o mistério pascal do domingo. Um caso especial de uma festa que ocorre no domingo do Tempo comum é a do Cristo Rei. Esta festa foi criada, na 2ª década do séc. XX. Pela reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, esta festa foi fixada no último domingo do tempo comum e do ano litúrgico, para diri-

gir nosso olhar para o Senhor que virá no fim dos tempos para estabelecer plena e definitivamente o seu reino e entregá-lo ao Pai. O caráter desta festa inspirava-se no reconhecimento de Jesus Cristo homem como Rei da criação. E era também reflexo do desejo da Igreja de garantir uma visão da Igreja como cristandade, em que Jesus Cristo devia ser reconhecido publicamente pela sociedade como Rei de todos os soberanos da terra. Com a reforma litúrgica, a solenidade de Cristo, Rei do Universo sofreu uma mudança de empostação bastante profunda. Agora a solenidade é colocada como último domingo do Ano litúrgico, ou seja, como o 34º Domingo do Tempo comum. Existe um propósito por trás disso. Os dois últimos domingos do Tempo comum e os dois primeiros do Advento caracterizam-se pelo mistério da parusia. Os evangelhos desses domingos proclamam a última vinda, a vinda gloriosa de Cristo, a consumação final, quando Jesus Cristo terá submetido a si e ao Pai todas as coisas e reinará para sempre. Colocado neste lugar, a festa de Cristo Rei quer proclamar que Jesus Cristo é o Senhor do tempo. É Ele o início dos tempos e o seu fim: “Jesus Cristo é o mesmo, ontem e hoje; ele o será

para sempre!” (Hb 13, 8). Um segundo aspecto realçado nesta solenidade: Jesus é Rei ou Senhor não tanto no sentido dos reinos temporais. Os reinos deste mundo são efêmeros e sempre mais raros nos nossos dias. Jesus Cristo é, sobretudo, o Senhor dos corações, ou seja, de todo o ser e agir dos cristãos. Jesus Cristo deve ser o centro de todo pensar e agir dos cristãos. Nada deve ser subtraído a Ele, pois Ele, dom do Amor do Pai, é a vida que Ele veio dar em abundância. Jesus Cristo é um rei que veio para servir. Oferecendo-se na Cruz, vítima pura e pacífica, realizou a redenção dos homens. Isso quer dizer que a conquista do Reino dos céus passa pelo serviço aos irmãos, pela doação da própria vida, a exemplo de Cristo. O reino de Cristo, submetendo ao seu poder toda criatura, e entregando à infinita majestade do Pai o reino eterno e universal é, como diz o Prefácio da solenidade, reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino de justiça, do amor e da paz. Jaciel Dias de Andrade Seminarista do 1° ano de Teologia Membro da Equipe Diocesana de Liturgia da Diocese de Guanhães – MG


MÃERAINHA100ANOS Paróquias da Diocese de Guanhães celebram os cem anos de devoção à Mãe Rainha 4

O centenário foi celebrado em todo o mundo. No Brasil, várias dioceses e paróquias se uniram a esta grande festa. A Paróquia São Miguel e Almas em Guanhães e a Paróquia Santo Antônio em Peçanha, entre outras de nossa diocese, também celebraram os cem anos de devoção à Mãe Rainha vencedora três vezes admirável de Schoenstatt. Já são muitas as famílias que recebem a capelinha da mãe Rainha na Diocese Guanhães. Um centenário de graças para a Igreja e o mundo Mais de 10 mil schoenstattianos, vindos de mais de 50 países, se reuniram em Valllendar/Alemanha para celebrar os cem anos de fundação da Obra Internacional de Schoenstatt e renovar a Aliança de Amor. Entre eles, estão mais de 400 brasileiros, bispos, sacerdotes e leigos. Nesse lugar em que surgiu o Movimento e se encontra o Santuário Original da Mãe e Rainha, de 16 a 19 de outubro foram dias intensos de festas e de renovação no carisma do Fundador, Pe. José Kentenich. Deus usou uma notícia sobre o Santuário de Pompeia para inspirar o Pe. Kentenich a selar a Aliança de Amor e iniciar assim o Santuário de Schoenstatt. No dia 18, de manhã, a santa missa solene foi presidida pelo delgado papal Cardeal Giovanni Lajolo. Entre os presentes estavam dezenas de arcebispos, bispos e centenas de sacerdotes de todo o mundo. Em sua homi-

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lia o enviado pelo Papa, disse que “O Movimento de Schoenstatt, com sua mensagem de Aliança de Amor, dá testemunho: Deus, que colocou um arco-íris no céu, permanece fiel à sua aliança com a humanidade. O Movimento presta um serviço importante à evangelização por meio da configuração de suas próprias vidas a partir da Aliança com a Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt e pelo convite que fazem às pessoas de todo o mundo a fazerem o mesmo”. Para a Família de Schoenstatt, a Aliança de Amor é uma forma original de viver a aliança batismal, enlaçados com Maria. É a “forma como captam os desígnios de Deus e como se unem a Maria para seguir a Cristo”, define o Presidente Geral do Movimento Internacional de Schoenstatt, padre Heinrich Walter, na mensagem final do jubileu. À tarde, no mesmo horário em que se deu a fundação, às 17 horas (hora local), aconteceu a renovação do ato fundacional, a Aliança de Amor com a Mãe e Rainha de Schoenstatt, unindo os membros do movimento presentes no Santuário Original aos schoenstattianos espalhados em todo o mundo. Para esse momento, o enviado do Papa, Cardeal Lajolo, leu uma mensagem do Santo Padre: “Há cem anos, a 18 de Outubro de 1914, na capela do cemitério de Schoenstatt, o jovem padre palotino José Kentenich apresentou aos seus alunos um plano ousado: Através de oração, sacrifícios e aspiração à santidade, o pequeno grupo queria mover Nossa Senhora a tornar a simples capela num lugar

A Imagem da MTA: mensagem em arte

de graças. Eles selaram a Aliança de Amor com Maria, escolhendo-A como sua Mãe e Educadora. Essa Aliança dos homens com Maria foi estendida através dos tempos. Todos os que selam essa Aliança, declaram-se dispostos a empenhar-se com todas as suas forças pela causa de Deus e, à luz da Fé, configurar juntos o futuro”. Como sinal de um novo compromisso com o carisma do fundador, Pe. José Kentenich, a Família de Schoenstatt reentronizou a imagem da Mãe e Rainha em seu Santuário Original e também o Símbolo da Santíssima Trindade, que antes de ser entronizado, percorreu todo o mundo, visitando todos os centros de Schoenstatt nos cinco continentes. Esse Símbolo do Pai é um presente oferecido pelo Fundador, há 47 anos, para o Santuário Original e nesse dia de graças recebe finalmente o seu lugar. Com Maria, fiéis ao carisma original do Fundador, Pe. Kentenich, a Família de Schoenstatt quer ser o coração da Igreja, a força do amor, que gera e fortalece vínculos, que vai ao encontro de todos para que se faça uma Cultura da Aliança. Ir. M. Nilza P. da Silva Ass. de Com. do Centenário

Vamos conhecer um pouco da imagem da Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt. É uma reprodução de uma obra do pintor italiano Crósio, criada no final do século XIX. O título original desta imagem é “Refugium Peccatorum” – ou seja, Refúgio dos Pecadores. Em 1915, essa imagem foi adquirida por um professor do seminário de Schoenstatt. Ele sabia que o Pe. José Kentenich e os congregados marianos haviam conquistado uma capelinha para Nossa Senhora e gostariam de ter uma imagem que expressasse a beleza de Maria, como eles a contemplavam. No início, a imagem não agradou a todos. Mas, Pe. Kentenich, sempre atento aos acenos da Divina Providência, meditou sobre o sentido da imagem, explicou-a aos jovens e, no mesmo ano, ela é colocada no Santuário de Schoenstatt. Deram-lhe o título de Mãe Três Vezes Admirável. Interpretação da imagem Na imagem nós vemos Maria, a Mãe de Deus, com seu Filho Jesus. A íntima união entre Mãe e Filho está expressa em diversos detalhes. Maria segura seu filho com as duas mãos. Com a mão esquerda o estreita a si e com a direita segura o braço de Jesus, expressando por meio da pequena elevação, a sua atitude de entrega que O oferece a Deus Pai. Apesar de sua união com o Filho, ela o abraça desprendida de si mesma. Será que ela espera que alguém lhe peça o Filho? Seus olhos falam dessa espera. O véu é o símbolo do segredo, cobre a Mãe e o Menino, dizendo-

nos que Jesus é o segredo do coração de Maria. Assim o véu se torna o sinal da virgindade pela qual ela se une, de um modo particular, a Jesus Cristo. Este detalhe encontramos numa oração do Pe. José Kentenich: “Vem, habita em nossa terra, com teu Filho, Mãe de Deus. Que seguindo vossos passos, ela encontre a paz de Deus. Por Maria, a Cristo unida, Pátria, tu serás remida”. As cores da imagem, que do branco vão crescendo gradativamente em intensidade, conduzem nosso olhar para o coração do Filho. Embora essa união entre Mãe e Filho seja tão íntima, nota-se uma atitude de desprendimento: a Mãe tem o menino no colo, porém, apesar de tudo, sente-se que é uma outra força que tem o poder sobre Ele: a força do Sobrenatural, do Deus Pai, representado pelas nuvens. A Mãe segura o Filho, ela não o carrega. O Filho é carregado pela força que tem sua origem no Eterno Deus Pai. Ele vive no íntimo de seu ser e determina seu atuar. O próprio Jesus confessa, na sua conversa com Felipe: “Não crês que estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que vos digo, não as digo por mim mesmo, mas o Pai, que permanece em mim, realiza suas obras.” (Jo. 14,10). A luz, que envolve a cabeça de Maria Santíssima e de Jesus Cristo, rebrilha em toda a imagem e provém do próprio Filho Jesus. Nele atinge sua maior intensidade. Este Filho é “luz da luz”. Quem se expõe a estes raios torna-se sinal de luz para os homens, assim o vemos concretizado de modo perfeito na imagem de Maria. Este é o plano amoroso de Deus: que o sinal de luz de Maria nos conduza da escuridão da vida, de volta à fonte de sua luz verdadeira – à eterna luz. Contemplando a imagem de graças, concluímos: quem se une à Mãe de Deus é conduzido por ela ao filho e ao mais íntimo do seu coração. Assim, se unem, coração a coração; dois corações, portanto, numa só pulsação. “O coração é o cerne mais profundo da alma humana”. Fonte: maeperegrina.org.br


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DNJ: “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5, 1). diocese de Guanhães, por meio da Pastoral da Juventude, promoveu no dia 19 de outubro, em Divinolândia, o Dia Nacional da Juventude (DNJ), com o tema inspirado na campanha da fraternidade de 2014. Foi o papa João Paulo II que, em 1985 – ano internacional da Juventude promovido pela Organização das Nações Unidas – instituiu o Dia Nacional da Juventude para todas as Dioceses e a partir deste momento, realizouse uma grande comemoração. O DNJ é um dos principais eventos da Pastoral da Juventude e acontece em todo o país. Foi pensado como um dia em mutirão, a ser planejado antecipadamente, com divisão de tarefas e avaliação ao final. A realização do DNJ acontece todos os anos no último domingo do mês de outubro, exceto em ano eleitoral.

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Feitos para sermos livres, não escravos “Eis o que diz o senhor: praticai o direito e a justiça, e livrai o oprimido das mãos do opressor” (Jr 22, 3ª) Jesus Cristo vem ao nosso meio para resgatar, libertar, potencializar, defender a vida. O Deus da Vida que não suporta ver seus filhos na miséria, injustiçados, explorados, marginalizados, violentados nos convoca a um mutirão. Se a missão do Mestre é esta de servir ao Pai nos irmãos, a nossa, seus seguidores, não poderia ser diferente! (Jo 13,14-15). O DNJ também é tempo de mudança, de revermos nossa vida como jovens e como podemos melhorá-la diante da sociedade, assumindo alguma causa. Há muitas iniciativas na sociedade que são valiosas e que seria bom apoiá-las como, por exemplo, campanha em favor da paz, da moradia, do fim do extermínio da juventude, da terra, da dignidade do povo indígena, da mulher, dos escravizados pelo tráfico de pessoas, etc. Com essas iniciativas esperamos assumir a condição de Jovens que anunciam a outros jovens a Boa Notícia que Deus nos confiou. Os temas do DNJ são sempre aparelhados com a luta por justiça e direitos para a juventude e para a sociedade e nos permite dialogar com esse conceito no sentido de encarar a Juventude

Católica como uma personagem que entra em cena e se enquadra no contexto dos movimentos sociais e desde a década de 1970, vem impulsionando a Juventude a lutar por uma nova prática política na sociedade. O Dia Nacional da Juventude é uma data aguardada e querida pela juventude católica em todas as dioceses do Brasil; na Diocese de Guanhães não é diferente. A caminhada dos Grupos de Jovens e juventude em geral é organizada e direcionada para a conclusão com a celebração do DNJ. A festa juvenil representa significativamente na caminhada dos jovens e das jovens que organizam e celebram este dia, como nos afirma a jovem Thais Mariano do Grupo de Jovens Shalom de Conceição do Mato Dentro: “Para mim foi um momento maravilhoso onde pude rever alguns amigos e conhecer outras pessoas que marcarão a minha história. Cidade de pessoas acolhedoras que nos tratam como se fôssemos de casa. Era maravilhoso quando olhava para o lado e observava aqueles jovens pulando, dançando e sentindo a força do Espírito Santo e de nosso Senhor Jesus Cristo vivo em nós e dentro de cada coração. Que nós, jovens, sejamos livres e não escravos. Parabéns a todos que organizaram esse DNJ e que em 2015 estaremos reunidos, se Deus quiser, em São João Evangelista, outra cidade de pessoas maravilhosas e encantadoras”. A jovem coordenadora do Grupo Juventude Missionária de São Sebastião do Maranhão também nos descreveu a emoção e a alegria de participar desta festa da juventude diocesana: “Participar do DNJ, para mim é um motivo de muita alegria; viajamos por quase 3 horas, mas com uma vontade imensa de estar presente, mostrar que fazemos parte desta festa; revermos amigos de outras paróquias e irmãos de caminhada e de fé”. Passar esse evento comemorando o meu aniversário de 23 anos, sabendo que 13 anos deles é de uma caminhada batalhadora, às vezes difícil, mas com um gosto de vitória, pois, o que fazemos por amor às obras de Deus não temos vontade de parar. O DNJ foi um momento magnífico e as lembranças nos marcarão significativamente. O tema, nascemos para sermos livres e não escravos, é um chamado para muitos jovens deixarem a escravidão das bebidas,

drogas, prostituições e tantas outras e se libertarem em Deus na construção de uma vida melhor. Outro momento que me encantou foi a caminhada pelas ruas da cidade, mostrando a forca dos jovens, que apesar de um sol escaldante, não deixaram de mostrar para que vieram à vida. E estamos na expectativa para o DNJ 2015, em São João evangelista. E a juventude, revitalizada, retorna às suas comunidades para a caminhada pastoral e missionária com um sentimento de alegria e motivação e na expectativa para no ano de 2015 se reencontrar na paróquia de São João Evangelista, que foi anunciada a terra a recepcionar a juventude na 30ª edição do Dia Nacional da Juventude. A escolha da paróquia proporcionou alegria aos olhares de muitos jovens, em especial aos do Grupo de Jovens Kairós da cidade, como nos descrevem os jovens José Lúcio Vieira e Késsia Gonçalves: “Próximo DNJ, com as bênçãos de Deus, acontecerá na minha paróquia de São João Evangelista, sob a responsabilidade do Grupo de Jovens Kairós. Que Deus abençoe para que possamos corresponder a este grande compromisso a nós confiado! Que Deus nos abençoe desde agora e sempre”! (José Lúcio Vieira) “Esse ano foi a primeira vez que eu tive a oportunidade de ir ao DNJ, foi uma experiência única poder estar ao lado de jovens com uma energia boa e com muita disposição pra louvar a Deus! E quando recebi a notícia que o próximo DNJ irá acontecer em São João Evangelista, fiquei feliz, porque vou poder contribuir pra que essa bênção aconteça novamente, trazendo mais pessoas pra experimentar a mesma sensação que tive esse ano”! (Késsia Gonçalves) O Grupo de Jovens Kairós e a paróquia de São João Evangelista se alegram com a oportunidade de organizarem o próximo DNJ e estamos todos motivados e esperançosos para essa missão. Que Nosso Senhor Jesus Cristo, pela intercessão de São João Evangelista, nos abençoe e ilumine na organização desta festa e desde já contamos com a participação e o envolvimento de todos os jovens e comunidade em geral de nossa diocese para juntos organizarmos e realizarmos uma inesquecível festa no próximo ano. Adenil Borges Dedé PJ Diocese de Guanhães


Fé & Política

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ARTIGOS&NOTÍCIAS

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Juliano Nunes Jornalista -nunesjuliano@outlook.com

JOVENS LÍDERES Está acontecendo uma revolução no mundo. Desta vez não há armas, nem conflitos entre inimigos, tampouco sangue derramado. Não há acampamentos para onde os feridos são levados, nem explosões, nem comunicação codificada para confundir o adversário. Estamos todos participando dessa mudança: a democratização da tecnologia. Nela, os jovens têm uma participação fundamental e provocante. Veem dessa faixa etária as novidades revolucionárias de nossos dias. Para ficarmos em alguns exemplos: Google, Facebook, Twitter, Instagram e WhatsApp. A média de idade dos criadores dessas empresas (sim, elas são empresas e valem bilhões de dólares) está na casa dos 30 anos. Larry Page e Sergey Brin, do Google, Mark Zuckerberg e Eduardo Saverin, do Facebook, Evan Willians, Noah Glass, Jack Dorsey e Biz Stone, do Twitter, Mike Krieger e Kevin Systrom, do Instagram e Jan Koum, do Instagram (Saverin e Krieger são brasileiros) estão na lista de

o mundo precisa de nós e não há idade para começar a atuar em prol das mudanças necessárias à sociedade.

prodígios que fazem história graças ao talento para lidar com códigos de programação e, em alguns deles, uma capacidade incrível de superar rejeições e desafios. Outro nome que merece destaque é de uma jovem com ainda menos idade. Malala Yousafzai é ativista pelo direito ao estudo para jovens, principalmente mulheres, no mundo. A jovem, então com 15 anos de idade, ficou em coma após ser baleada na cabeça dentro de um ônibus, mas sobreviveu e hoje vive com sua família na Inglaterra. Aos 17 anos, Malala é a mais jovem personalidade a receber o Prêmio Nobel da Paz, a mais alta premiação mundial concedida a pessoas que atuam nas áreas da química, medicina, economia, literatura, física e a própria paz. Os vários exemplos de atuação jovem para revolucionar o mundo não

caberiam neste artigo. Os projetos empreendidos e as causas defendidas pelos citados tiveram uma origem modesta, pequena, aparentemente inofensiva. O Facebook, hoje com mais de 1,2 bilhão de usuários, começou em quarto de faculdade. Se fosse um país, a rede social teria uma das três maiores populações do planeta, ao lado da Índia e da China. O Google começou como uma pesquisa de doutorado em informática e se transformou no maior buscador de internet e uma das empresas mais inovadoras da Terra. Malala começou lutando no Paquistão, seu país de origem, e uma bala na cabeça fez sua causa ecoar pelos quatro cantos do

nosso planeta. Qual ou quais causas têm merecido nossa atenção? O que podemos fazer pela nossa cidade, estado, país? Temos arrumado nossa cama antes de sairmos por aí empunhando bandeiras, faixas e gritando palavras de ordem? Onde temos colocado nosso olhar? O mundo precisa de nós e não há idade para começar a atuar em prol das mudanças necessárias à sociedade. P.S.: diferente do mencionado no começo deste artigo, no caso de Malala houve uma arma e sangue derramado, mas não era para sê-lo.

Não é evangélico falar de coisas feias, mundanas, hipócritas Papa, em Santa Marta, convida a fazer um exame de consciência sobre as nossas palavras para compreendermos se somos cristãos da luz ou das trevas. Ou, pior ainda, “cristãos cinzentos”, que não sabem se estão com Deus ou com o diabo. Diga-me como você fala e te direi que tipo de cristão você é! Depois do coração e da alma, no altar da capela da Domus Santa Marta, Papa Francisco sonda outro aspecto daqueles que se dizem seguidores de Cristo: a linguagem. Os homens se reconhecem por suas palavras. São Paulo recordou o Papa – faz “uma catequese sobre a palavra”, convidando os cristãos a se comportarem como filhos da luz e

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não como filhos das trevas. O Papa exorta a fazer um “exame de consciência” das próprias palavras, porque são o indício da própria natureza do cristão. Em particular, disse o Santo Padre, há quatro palavras para saber se os tons de cinza da alma prevalecem sobre os flashes de luz. “É uma palavra hipócrita? - pergunta - um pouco aqui, um pouco ali, para ficar bem com todos? É uma palavra vazia, sem substância, cheia de vacuidade? É uma palavra vulgar, trivial, ou seja, mundana? Uma palavra suja, obscena?”. “Essas quatro palavras não são dos filhos da luz, não vêm do Espírito Santo, não vêm de Jesus”, afirmou Francisco. Certamente não é “evangélico” falar “de coisas sujas, de munda-

nidade ou vacuidades, falar hipocritamente”. Por outro lado, existem palavras próprias dos “filhos da luz”: as palavras dos santos. São Paulo exorta: “Sejam imitadores de Deus: caminhem na caridade; caminhem na bondade; na mansidão”. “Sejam misericordiosos - insiste o Apóstolo - perdoando-se mutuamente, como Deus os perdoou em Cristo. Sejam imitadores de Cristo e caminhem na caridade.” Esta é “a palavra de um filho da luz”, de um cristão “luminoso” que “busca servir o Senhor com essa luz”. Ao contrário disse o Papa - desses “cristãos tenebrosos” que levam “uma vida de pecado, uma vida distante do Senhor” e usam as quatro palavras típicas “do maligno”.

Entre a luz e a sombra, se abre no horizonte “um terceiro grupo de cristãos”, que não são “nem luminosos nem sombrios” e que, talvez, nessa apatia sejam os mais perigosos. “São os cristãos cinzentos”, disse o Papa, uma vez estão de um lado; outra vez, de outro. “As pessoas falam assim: Mas esta pessoa está bem com Deus ou com o diabo? Eh? Sempre cinzentos. Eles são mornos. Eles não são nem luz, nem escuridão”. “Eu sou cristão, mas sem exagero!” dizem, e faz tão mal, porque “seu testemunho cristão é um testemunho que, no final, semeia confusão, semeia um testemunho negativo”, afirmou Bergoglio. “Deus não ama isso”, de fato “o Senhor é forte com os cristãos cinzentos”, destacou o

Papa, recordando as palavras do Apocalipse: “Não és quente nem frio. Quem dera fosse quente ou frio. Assim, porque és morno – cinzento - estou para te vomitar de minha boca”. “Não nos deixemos enganar pelas palavras vazias - é a exortação de Francisco-. Ouvimos tantas coisas, algumas agradáveis, bem ditas, mas vazias, sem conteúdo”. Ao invés, “comportemo-nos como filhos da luz” e quem sabe nos fará bem pensar em nossa linguagem, e nos perguntar: “Sou cristão da luz? Sou um cristão da escuridão? Sou um cristão cinzento? E assim podemos dar um passo avante para encontrar o Senhor”, concluiu Francisco. FONTE: zenit.org


O que os pais devem saber

ARTIGOS

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NOVEMBRO2014

Regina Coele Barroso Queiroz Santos butibarroso@yahoo.com.br

APRENDENDO COM AS PERDAS Neste mês de novembro a igreja nos convida a viver e celebrar o dia dos mortos “Tu és pó e em pó tornarás”. Como aceitar essa realidade numa sociedade que nega a morte o tempo todo? “O medo da morte ou a tentação de se achar imortal vivendo como se a morte não existisse é uma das grandes causas da infelicidade humana”. Não adianta amenizar a morte. Ela é nossa única certeza. Por isso devemos viver segundo os valores que vençam a morte, que a ultrapassam. O cirurgião plástico, biotanatólogo e membro da Academia Mineira de Medicina, Evaldo A. D’Assumpção mostra a importância de educar as crianças e a nós mesmos para as perdas. São dele as reflexões a seguir que valem a pena serem vividas. Vivemos numa sociedade em que o fundamental é ganhar. Relembrando o bordão publicitário que gerou a chamada “lei de Gerson”, o importante é levar

vantagem em tudo. Numa sociedade em que esse é o seu conceito básico, torna-se muito difícil educar uma criança para as perdas. Contudo, elas existem e sempre existirão, causando grandes sofrimentos para quem não aprende a conviver com elas. Curiosamente, não percebemos que as perdas são essenciais para valorizarmos os ganhos. Com certeza, não haveria interesse num jogo no qual se ganhasse sempre. Perder é uma condição inerente a qualquer disputa, e a vida é um jogo que somente deixamos de jogar quando morremos. Obviamente devemos nos esforçar e tudo fazer para ganhar, porém nunca deve faltar, em nossos planos e projetos, a possibilidade de perder. Quem age assim não experimenta o sabor amargo do fracasso, pois ganhar e perder estão previstos em seu planejamento. O problema é que desde criança somos estimulados a buscar somente a vitória. Só os ganhos interessam. Cres-

cemos sendo treinados a ser donos do que ganhamos e que aquilo nunca pode ser perdido. Desde pequeninos já aprendemos que “este é meu quarto”, “este é meu brinquedo”, “esta é minha cama”. O sentido de posse é introjetado em cada situação do dia a dia . Quanto mais nos sentimos donos, mais tememos perder; assim, tudo o que pode nos trazer perdas procuramos evitar. Vamos vivendo uma mentira; afinal, não somos donos de nada, e na condição de impermanência em que vivemos, tudo é passageiro. Se sofremos uma perda, a sofremos de verdade. E sofremos mais, quanto nos julgarmos donos. Para se evitar todos esses sofrimentos, deveríamos nos educar para sermos “zeladores”. O zelador não é dono de nada, mas cuida carinhosamente do que lhe é dado para cuidar. Se cuidar bem, com certeza irá conservar aquilo por toda a sua vida e poderá até achar que durou para sempre. Durou porque o “sempre” foi o seu tempo de vida e não o sempre absoluto.

O zelador sofre sim quando perde, mas sua vida não se acaba com a perda, pois sabe que aquilo não lhe pertencia. Por isso mesmo, cuida melhor do que o dono, pois este se sente seguro na sua posse e acredita não precisar de se esforçar para manter o que julga possuir. O ser humano que aprende a ser zelador de tudo e de todos terá melhor qualidade de vida e mais facilidade para superar as perdas. Para isso, deverá ser sempre instruído no fato de que nada é permanente neste mundo. Nem os objetos, nem as situações, nem as pessoas. Tudo é passageiro e nada existe para ser objeto permanente de posse de alguém. Zelando amorosamente, cuidaremos do que recebemos e, por isso mesmo, faremos tudo aparentemente para sempre nosso, sem perder nunca de vista a impermanência de tudo. Se pensarmos a natureza para aprender, tudo ficará mais fácil. Só quando a semente morre é que ela pode transformar em árvore. Só quando a lagarta morre que surge a borboleta. Se o sol não se põe, a noite não chega, assim como a lua e as estrelas têm de desaparecer para surgir o dia. Com todas as perdas, sempre há ganhos.

ELEMEMENTOS TEOLÓGICOS DO CANTO LITÚRGICO No mês em que celebramos o dia da padroeira dos músicos – 22 de novembro – iniciaremos um estudo sobre música litúrgica que poderá nos iluminar nas escolhas das músicas em nossas celebrações comunitárias. Todos os povos, em todos os tempos, expressam mais claramente os seus sentimentos religiosos através da música e do canto. Faz uso dos mais diversos tipos de instrumentos, usando e selecionando palavras de carinho para se relacionar com a divindade, para expressar a sua religiosidade. A Igreja católica, por sua vez, pede que os seus fiéis participem das ações litúrgicas de forma plena, de corpo e alma. Participar plenamente de um ato de culto é acolher o dom de Deus, é estar disposto a entrar em comunhão com Cristo e os irmãos. A música sacra cristã tem esse objetivo: manifestar a glória de Deus e levar à santidade os fiéis. O canto só será litúrgico quando for um sinal simbólico, sensível e significativo dos mistérios celebrados na liturgia. Deve ser ao mesmo tempo, comemorativo do passado que é a ação sacerdotal de Cristo, indicativo do presente, por expressar a santificação do humano e a glorificação do divino; e deve ser ainda, a comunhão com o mistério celebrado e profético do futuro. A música litúrgica tem que brotar sempre do jeito de a comunidade de fé viver. É na contemplação da passagem do Eterno de vir da natureza e no correr da história, é na intuição e na vivência do mistério de Cristo no dia a dia das pessoas e grupos, que o autor e compositor litúrgico deve encontrar a sua fonte primeira de inspiração.

Ela deve, ainda, refletir o mistério da encarnação do Verbo e assumir as características cultuais de cada povo, nação ou religião. A raiz da cultura musical cristã se encontra na larga tradição bíblico-litúrgica judaica e cristã. É desta tradição que ela recebe a seiva, ou o alimento, que lhe garante a identidade, além do incentivo a beber sempre na abundante fonte dos salmos e outros cânticos bíblicos. As melhores composições produzidas ao longo da experiência celebrativa das Igrejas, todas de forte inspiração bíblica, são também as melhores referências. A dinâmica do memorial, própria e original da tradição judaico-cristã, engloba também a música litúrgica. O canto não é só o canto, são também melodias, palavras, ritmos, harmonias, gestos, danças e outros. Estes, na tradição, estão a serviço da recordação dos fatos salvíficos, um passado de grande importância que se atualiza nos acontecimentos do “aqui e agora” da comunidade. Ao levar a comunidade que celebra a penetrar sempre mais, profundamente no mistério de Cristo, à música litúrgica exerce uma função pedagógica. Por sua função e suavidade, capacita-a, com singular eficácia a experimentar e entender, com todos os santos, qual a largura, o comprimento, a altura, a profundidade e o amor de Cristo que ultrapassa todo conhecimento (Ef 3,1819). A música litúrgica advém do mesmo Espírito Santo que leva a assembleia a celebrar com fervor e alegria pascais, provocando em quem canta uma atitude de es-

perança e amor diante da realidade em que vive. A alegria escatológica é a teoria principal, expressando a esperança de um novo céu e uma nova terra, mesmo diante dos conflitos, das opressões, exclusão e morte do dia a dia. Sendo música litúrgica, não se pode deixar de lado a natureza e sacramentalidade da Igreja expressas no canto cristão. É a música que congrega o povo de Deus, que o leva a viver como corpo de Cristo na diversidade de membros e de ministérios, visto que: “Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diferentes atividades, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito, em vista do bem de todos” (Cf ICor12.4-7). Em todos os seus elementos, palavra, melodia, ritmo, harmonia... A música litúrgica participa da natureza simbólica e sacramental da liturgia cristã. Traz consigo, ainda, o selo da participação comunitária, refletindo o direito que todo cristão tem, pelo sacerdócio comum no batismo, de se expressar como assembleia celebrante do mistério de Cristo, com Cristo e em Cristo, oferecendo-se ao Pai na unidade do Espírito Santo. A música litúrgica reflete a ministerialidade da Igreja, corpo de Cristo, formado por membros e funções diversas. É a música ritual com caráter funcional precisando adequar-se à especificidade de cada momento ou elemento ritual de cada tipo de celebração, à originalidade de cada tempo litúrgico, à singularidade de cada festa. A música litúrgica está sempre a serviço

da Palavra. Sua grande finalidade é realçar a Palavra emprestando-lhe sua força de expressão e motivação. Nunca pode empanála ou dificultar-lhe a audição, compreensão e assimilação. Expressa também o mistério pascal de Cristo, de acordo com o tempo do ano litúrgico e suas festas. A música litúrgica é dotada de uma linguagem superior porque exprime o mais profundo do ser humano em relação com o sagrado. A harmonia dos sinais (canto, música, palavras e ações) é mais expressiva e fecunda na medida em que se exprime na riqueza cultual própria do povo de Deus que celebra (SC 119). Enfim, unida à palavra no canto, a música expressa oração com maior delicadeza, favorece a unidade, vence o isolamento individualista, cria sintonia e simpatia entre os cristãos. Também leva a uma solenização e enriquecimento da celebração. A sua ministerialidade tira dela a expressão de “serva da liturgia”, como afirmou Pio XI, e a eleva a “subsídio nobre da liturgia”. Está em relação profunda com a Palavra. Esta, quando é falada serve à comunicação cotidiana. Mas quando aumenta a emoção, quando com intensidade profunda se exprimem os sentimentos e as convicções, a palavra deve ser potencializada. Esta é a palavra-música. A própria entonação da Palavra favorece audição, enfatiza a excelência da autoridade que fala ou do mensageiro e sua mensagem. É a união, comum desde os nossos ancestrais, do ornamento e da vitalidade da música, pelo canto, à proclamação de textos sagrados. Padre João Evangelista


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DIOCESEEMFOCO

NOVEMBRO2014

JOVENS DE PAULISTAS EM INTENSA PREPARAÇÃO PARA O CRISMA Cerca de 400 jovens de toda a comunidade Paroquial, esperam no próximo domingo (dia 26) com a graça de Deus Pai, receberem a alegria da visita de Dom Jeremias, e com ela o sacramento do crisma. A preparação foi intensa e cuidadosamente preparada pelo nosso pároco junto aos Monitores do crisma, começando após nossa semana penitencial. Uma vez por semana eram promovidos encontros tipo “Cinema”, para ver o filme “O Conde de Monte Cristo”, trabalhado com dinâmicas de grupo as questões envolvendo: a paciência, a temperança, a diligência, inteligência, resiliência, com o objetivo de evitar que o jovem seja negligente com a sua missão de batizado, sendo testemunhas do amor e do poder de Jesus com palavras e atos onde quer que estejam; afinal, em nossas pequenas cidades os jovens, sem alternativas de trabalho e de

continuar os estudos, em sua maioria vão aos grandes centros, onde se deparam com um mundo de desafios e possibilidades; nossa missão, nosso sonho, portanto, é prepará-los para levar na bagagem a experiência real do encontro com Jesus. Tudo isso foi realizado como preparação para entrar na parte sacramental, e entre eles, a ênfase foi dada aos sacramentos do Batismo, Reconciliação , da Eucaristia e do Crisma, utilizando com trabalho em grupo, diversas citações bíblicas, proporcionando-lhes a oportunidade de conhecer e venerar a bíblia e ao mesmo tempo de acordo com a natureza e a inclinação pessoal de cada um, ir estimulando-os à participação constante nas celebrações e inserção nas Pastorais existentes na paróquia . Assim alguns começaram a visitar as comunidades junto à Coordenadora do PROIDE; outros

sentiram mais atração pela liturgia ou o canto Pastoral; e desta forma a Crisma, com a graça de Deus, se converterá no real compromisso com a Comunidade, tornando-os membros legítimos da Igreja Católica responsáveis pela ela. Agora, na Semana da Reconciliação Sacramental, o Pe. Itamar veio de Conceição do Mato Dentro para auxiliar o nosso pároco nesta missão de preparar os corações para receberem o dom do Espírito Santo, através do sacramento da crisma. Oremos então para que esta fragrância Divina permaneça nos jovens, para que não se converta a Crisma somente em uma tradição ou pretexto para festejar. Na sexta-feira, ainda preparando o coração, haverá um retiro com todos os jovens para adoração ao Santíssimo, reflexão e meditação.

MITRA DIOCESANA DE GUANHÃES Guanhães, 10 de Novembro de 2.014. Pensando as necessidades pastorais e o bem espiritual do Povo de Deus das Paróquias e dos irmãos Sacerdotes abaixo relacionados, assim como da caminhada da Igreja Diocesana, venho, mais uma vez, comunicar as transferências que ocorrerão a partir do mês Dezembro de 2.014. Seminarista Bruno Costa Ribeiro, após a Ordenação Diaconal irá para a Paróquia São Sebastião, em Joanésia, e ficará até o final do mês de Janeiro. À partir do mês de Fevereiro retornará à Paróquia São Miguel e Almas, em Guanhães. Pe. Valter Guedes de Oliveira, irá para a Paróquia São Miguel e Almas à partir do mês de Dezembro/2014 e ficará até o final do mês de Janeiro/2015. À partir do mês de Fevereiro, Vigário Paroquial da Paróquia Santa Maria Eterna, em Santa Maria do Suaçui. Posse dia 07 de Fevereiro/2015 às 19 h. Pe. João Evangelista dos Santos, Administrador Paroquial da Paróquia Nossa Senhora da Pena, em Rio Vermelho. Posse dia 06 de Dezembro. Pe. Salomão Rafael Gomes Neto, continua como Vigário Paroquial da Paróquia Sant’Ana, em Ferros. Pe. Dilton Maria Pinto, Administrador Paroquial da Paróquia São Sebastião, em Joanésia. Posse dia 1º de Fevereiro de 2015. Na força do Espírito e na intercessão de São Miguel e de Nossa Senhora, caminhemos confiantes, servindo com alegria a Igreja, Povo de Deus, da Diocese de Guanhães. Desejo Força, Coragem, Alegria e muita Esperança aos irmãos Padres que serão transferidos, assim como ao futuro Diácono, o seminarista Bruno. Desejo também que as Comunidades/Paróquias acolham com Amor e Carinho cada Sacerdote, colocando-se à disposição, de coração aberto, para trabalharem juntos na edificação do Reino de Deus e preparando, com entusiasmo, a chegada de cada um. Com carinho paternal, bênçãos e orações, Dom Jeremias Antonio de Jesus Bispo Diocesano

Equipe de Comunicação da Paróquia de Paulistas

Comunidade São Geraldo do Baguari celebra festa a São Geraldo A comunidade de São Geraldo do Baguari, uma vez mais, celebrou a festa de São Geraldo. Houve novena, missa, procissão, contando inclusive com a participação do Grupo de percussão de Sabinópolis, composto por crianças e adolescentes, chamado Meninos das Ruas, coordenados por Cecília da Pastoral da Criança; e a nossa Juventude também abrilhantou a festa com cantos e louvores. Hoje, depois de muitos anos de estudos da palavra de Deus, junto aos leigos, nossa grande alegria consiste no resultado, que é a aceitação dos fiéis da proposta que nosso pároco Frei Geraldo Monteiro nos trouxe: O PROIDE. Desta maneira acontece festa religiosa, sem fins lucrativos como; barraquinhas, leilões, rica em alegria, em partilha e unidade, em decorrência da implantação e

organização do Dízimo. A coordenação da Comunidade ressaltou que “o que mais me impressiona é observar nos olhos dos fiéis a alegria, e não o cansaço que geralmente se vê nas pessoas após os preparativos para uma festa; o resultado do nosso trabalho árduo junto ao nosso pároco é notado em pequenos gestos e detalhes, na mudança do comportamento dos fiéis que, após a nossa bela partilha de alimentos, foram procurar-nos alegres, cheios de esperança, para saber em que podiam ajudar. Isso é maravilhoso!”. Louvor e Glória a São Geraldo e nossa súplica, pela sua intercessão, porque queremos crescer em unidade, em esperança em Jesus Cristo , e no desejo de "ir" ao encontro dos necessitados para evangelizar. Equipe de Comunicação da Paróquia São José de Paulistas

O novo site da Diocese de Guanhães já está na net www.diocesedeguanhaes.com.br Faça-nos uma visita! Divulguem!

Folha diocesana ed221  

O jornal Folha Diocesana circula na Diocese de Guanhães.

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