LOCALIZAÇÃO: O Campus do Valonguinho se localiza na área Central do Município de Niterói, com topografia acidentada e revestimento de intensa vegetação. Sua proximidade com a infra-estrutura urbana e o comércio do centro o torna extremamente valorizado e integrado à cidade.
Embora esse processo de transformação do campus possa se apresentar como um fator prejudicial para o desenvolvimento de proposta de organização espacial e tratamento paisagístico, a mudança de programa é uma realidade inevitável que faz parte do próprio funcionamento da universidade sendo, inclusive, fonte para sua vitalidade. Por isso, deve-se considerar que a intervenção proposta possa conviver com as transformações futuras. Com esses conceitos em mente, pensamos um projeto coeso, porém o mais aberto possível, com a flexibilidade que possa acolher usos que ainda não foram determinados, e levando em grande importância as condicionantes de acessibilidade e sustentabilidade, cada vez mais definitivas. PARTIDO
OBJETIVOS E METODOLOGIA O objetivo deste trabalho é propor um conjunto de idéias que requalifiquem o campus do Valonguinho, solucionando conflitos e adequando usos. O projeto se desenvolveu a partir de vivências e contatos sistemáticos com o local e seus usuários, que se estenderam ao longo de todo o cronograma. Diversas entrevistas foram realizadas no Campus e em seu entorno, tendo como questões recorrentes a falta de espaços para socialização e as críticas ao privilégio do uso de áreas livres para estacionamento de automóveis. DIAGNÓSTICO: Ao longo dos anos, o campus do Valonguinho sofreu um contínuo processo de alteração em seu programa de necessidades, fruto de transformações de ordem administrativa e pedagógica. Nesse processo, não houve projetos que dessem coesão ao conjunto e o resultado é uma morfologia aditiva, por vezes ambígua e contraditória. Por isso, é possível observar uma difícil leitura de seus percursos, limites e funções, os quais são apropriados por seus usuários de diversas formas, mais ou menos convenientes à coletividade. Nesse sentido, surgem caminhos alternativos completamente fora dos padrões e das normas brasileiras; edifícios que já perderam suas funções viram depósitos improvisados; qualquer espaço disponível vira estacionamento. A perda de identidade do campus fez com que este perdesse qualquer coesão ou coerência nas linguagens adotadas. A falta de uma visão geral quanto às suas necessidades acabou não produzindo determinados equipamentos básicos para seu bom funcionamento.
A solução desenvolvida se estrutura exatamente a partir de um eixo de acessibilidade, que cruza o campus desde a entrada junto à atual matemática, até o Instituto Biomédico, em uma diagonal curvada sobre o morro, que distribui acessos para todos os outros edifícios. Esse eixo-arco foi pensado integrando um sistema de elevadores e de um plano inclinado, que vencem as maiores alturas com os menores vãos, otimizando custos e percursos. Além de a mecanização representar a única forma real de resolver o problema de acessibilidade do campus, esses dois equipamentos traduzem a atual posição da UFF: a de não mais admitir que seus campi, especialmente os que se relacionam com a saúde e a comunidade, sejam excludentes para com as pessoas com mobilidade reduzida. Quanto à sua viabilidade, acredita-se que não representam um custo excessivo dentro do programa de expansão da UFF, mas, de qualquer forma, podem ser implementados em etapas, de acordo com as prioridades do campus, sem comprometer o projeto como um todo. Também em etapas, pode-se pensar em tornar subterrânea a rede elétrica, liberando a apreciação da paisagem. Mais urgente, porém, é o nivelamento e tratamento do piso, com materiais táteis para uma maior inclusãol. DIRETRIZES PARA A VEGETAÇÃO As propostas apresentadas estão em consonância tanto com a vegetação encontrada no local, como com os novos projetos de plantio de mudas, realizados pelo Instituto de Botânica. Na vegetação existente, foi observado que alguns espécimes já se encontram com problemas fitossanitários e idade avançada, o que exige reposição a ser estudada em fase de projeto executivo. Sugere-se ainda a retirada do capim colonial e o plantio de vegetação adequada, inclusive frutíferas e espécies arbóreas florais de mata atlântica. É preciso também uma atenção especial para a introdução de arbustivas e forrações que tragam mais sentido de jardinagem e paisagem cultivada, preservando os vazios e os cheios necessários para a devida exposição e apreciação visual das edificações e demais elementos construídos.
CORTE DO EIXO-ACESSÍVEL
Com o programa de expansão da Universidade Federal Fluminense, surgiu também oportunidade de implantação do plano diretor, no qual o campus ganha um caráter essencialmente ligado à saúde, hospedando os cursos de Medicina, Odontologia, Farmácia e Nutrição, além de diversos institutos ligados à área.
Para se equacionar melhor essa questão, propomos uma praça em frente à atual matemática, funcionando como uma área de acesso e convívio qualificada, e produzindo uma nova identidade visual para a entrada no campus. A permanência dos automóveis foi deslocada e todas as vagas da área transferidas para o estacionamento lateral, devidamente ampliado. Essa ampliação se estende também para uma praça adjacente que se encontra completamente degradada e sem interesse de requalificação.
VISTA DO ACESSO PRINCIPAL Essa área do Valonguinho corresponde ao primeiro contato com o campus: funciona como acesso principal, distribuindo os fluxos para suas áreas mais internas, apresenta topografia plana, com intenso tráfego de veículos e edifícios de grande porte. Nesse sentido, é a área do campus com uma ambiência mais similar a cidade que o circunda. Possivelmente, a questão mais delicada dessa área é a relação entre pedestres e automóveis, que se impõem no campus, desqualificando áreas, impedindo determinados usos e dificultando a acessibilidade universal.
MATEMÁTICA
ÁREA1: INTERFACES COM A CIDADE
RUA CORTE DO ESTACIONEMENTO AMPLIADO
Atrelada a praça central e marco referencial de entrada, com um pórtico renovado, criou-se um novo pavilhão de uso flexível. Nele, podem ocorrer diversas atividades, como exposições e simpósios, de interesse comum aos diferentes cursos da área da saúde, abrindo assim mais um canal de comunicação entre áreas complementares. Esse pavilhão também está equipado com um pequeno elevador que liga a cota da entrada à sua laje superior -caracterizada como espaço de lazer contemplativo- e integrando o eixo de acessibilidade proposto.
PRAÇA PROJETADA
O acesso ao lado prédio trinta foi originalmente previsto pra veículos, mas está aberto somente para pedestres. Essa condição foi adotada nos estudos de fluxos do campus, gerando um novo desenho para esse acesso que, com área incorporada, pode hospedar o edifício do Unibanco, atualmente localizado na área prevista para o pavilhão de exposições PAVILHÃO DE EXPOSIÇÕES
ANTIGA CEG
PAVIL D E E HÃ O XPOS IÇÕE
DCE
S
ACESSO VEIS AUTOMÓ ES TR E PEDES
PRÉDIO TRINTA, ODONTOLOGIA E PAVILHÃO DE EXPOSIÇÕES
A ODONTOLOGI
UNIBANCO
DIO PR É
PLANTA BAIXA ÁREA 1
A P E CE DE SS ST O RE S
A ATEMÁTIC ATUAL M
TA TRIN
PRAÇA PROJETADA ACESSO PRÉDIO TRINTA
ÁREA 2: PONTO NODAL
Com esse cenário em mente, se imaginou uma praça na atual área do Cíclotron, que distribua os fluxos do elevador para outras áreas da parte alta do Campus. Essa praça seria o ponto nodal da seção mais elevada do Valonguinho, com uma escultura metálica em forma de pórticos. Seria um objeto multi-uso capaz de conferir identidade à praça, como ponto focal, e ter várias funções, como estrutura para a colocação de iluminação fixa, coberturas tensionada para eventuais estandes ou telas para projeção de filmes e imagens, no caso de montagens de feiras e exposições.
Após um incêndio, o edifício que abrigava o cíclotron do Valonguinho, encontra-se em estado de ruína total. Sendo propriedade do CNPq, ainda não tem sua demolição autorizada, mas é clara intenção da UFF demoli-lo e utilizar seu espaço para outro fim. De acordo com o plano diretor do Campus, o atual edifício da Física, ao lado dessa área, será demolido para a construção de um novo, que irá abrigar a faculdade de farmácia e parte do Instituto Biomédico. Seu projeto, assim como o uso do solo liberado com a demolição da área do Cíclotron, ainda não está definido.
O percurso entre o elevador do pavilhão de exposições e o Centro de Estudos em Tisiologia Mazzini Bueno é praticamente plano, e perfeitamente adequado às recomendações do desenho universal. A acessibilidade é ainda mais importante nesse percurso em particular, na medida em que o Centro atende à população para diagnóstico e tratamento de doenças pulmonares, como a tuberculose.
Outra questão que surgiu ao se avaliar os percursos do campus é como determinadas árvores prejudicam o transito livre dos pedestres, ocupando completamente as calçadas das subidas para o platô mais alto, e obrigando os pedestres a transitar pelas caixas de rolamento. A solução encontrada, que conjuga acessibilidade e consciência ambiental, é a construção de decks margeando as atuais calçadas. Neles, os pedestres podem caminhar sem impedimentos, e as árvores podem ser preservadas sem se tornar obstáculos.
Ao longo desse percurso, já é possível observar o novo ícone do Valonguinho: Ao lado do Centro Mazzini Bueno e, portanto, com acessibilidade plena, surge um elevador que liga à praça nodal da parte alta do campus. O elevador se mostrou a forma mais eficiente de vencer o desnível de 15 metros, já que sua passarela pode atravessar a rua ao lado e os 75% de inclinação do terreno, encoberto por densa vegetação. Junto ao elevador, foi projetada também uma escada de acesso, já que a atualmente existente será demolida com a construção do novo edifício da Geoquímica, que se projeta na encosta e não prevê nenhuma conexão entre as duas vias.
ELEVADOR E CENTRO DE ESTUDOS EM TISIOLOGIA
CÍCLOTRON
CENTRO DE ESTUDOS EM TISIOLOGIA/LOCAÇÃO DO ELEVADOR
ELEV A DO R
CEN EM TRO DE TISI OLO ESTUD O GIA
PRAÇA DO
N CICLOTRO
ELEVADOR
ANTIGO
A DA FÍSIC EDIFÍCIO
PRAÇA DO CICLOTRON
PLANTA BAIXA ÁREA2
SINTUFF
CORTE DOS DECKS DE PEDESTRES
CORTE ELEVADOR E PRAÇA DO CICLOTRON
PRAÇA CICLOTRON COM TOLDO E TELA DE PROJEÇÕES
ÁREA 3: PERCURSOS/PAISAGENS Existe outro acesso ao campus do Valonguinho que, apesar de menos destacado, também é fundamental em sua dinâmica. Através do Instituto Biomédico, alunos professores e funcionários acessam, a pé, todos os edifícios do campus, já que a declividade da área não permite a abertura de uma via para automóveis. Esse acesso se dá por uma escada, completamente fora das normas técnicas, que vence uma altura de 16metros. Existe, ainda, mais um agravante para determinados usuários e técnicos, pois, justo no meio dessa escadaria se localiza o setor de doenças sexualmente transmissíveis, que atende a população no diagnóstico e tratamento de DST's, introduzindo um afluxo externo no campus.
A
S IN
TO TU TI
OM BI
AD ET OJ R P XO NE
O
O IC ÉD
A
CENTRO DST
O MIC TÓ A N
OQ GE
-S ICA M UÍ
E OM
D TA JE O R EP NT
O
ICA ÍM QU
A solução proposta é ligar a cota da rua do instituto biomédico à praça nodal do cíclotron, fechando um eixo de acessibilidade que atravessa o campus distribuindo fluxos a todos os outros edifícios. Para que se possa parar a meia altura, dando acesso ao Setor DST, se imaginou um plano inclinado, vencendo os 16 metros de altura em 30 de extensão. Da mesma forma que foram projetadas estruturas tipo deck para desviar os fluxos de pedestres das árvores, imaginaram-se também soluções para os veículos estacionados nas calçadas. A proposta é deslocar, em um metro e meio, os estacionamentos que margeiam as ruas para o lado do declive, produzindo assim calçadas desobstruídas e vagas mais organizadas. Também se pensou que todas as pequenas muretas de contenção existentes ao longo das calçadas dos lados internos das vias de subida recebam revestimentos em pedra ou materiais mais duráveis e resistentes à umidade, evitando assim, a imagem de degradação que os muros pintados produzem em pouco tempo.
BIOLOGIA
PLANO INCLINADO INSTITUTO BIOMÉDICO
A reflexão exposta nesse projeto é fruto do entendimento do Campus do Valonguinho como elemento de grande importância na dinâmica de Niterói, não apenas em termos acadêmicos e de saúde, mas nos significados mais extensos de educação. Nesse sentido, o compromisso que a UFF tem com a sociedade foi o que caracterizou esse projeto, procurando sempre melhorar a qualidade ética e estética deste espaço público.
PLANTA BAIXA ÁREA 3
CORTE PLANO INCLINADO E INSTITUTO BIOMÉDICO
RUA INTERNA
PLANO INCLINADO E CENTRO DST
CORTE DECK PARA AUTOMÓVEIS
PLANO INCLINADO