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ROSANA RIOS E HELENA GOMES


Ele estivera parado diante do tinteiro aberto por meia hora, antes de tomar a pena e mergulhá-la na tinta negra. Mas não era a falta do que dizer, diante da folha em branco, que o fazia hesitar. Era exatamente o contrário. Ideias demais, emoções demais para tão poucos dias. E aquilo... Teria mesmo acontecido? Ou teria sua mente, superexcitada pelos acontecimentos que haviam tomado de assalto a cidade, naquele mês de julho, criado a história toda? Suspirou. Precisava escrever. Colocar no papel o que vira. A palavra escrita tinha força: iria ajudá-lo a entender, a separar o imaginário do real. Isso. Escreveria. Contaria tudo. Afinal de contas, era um escritor! Sabia comandar as palavras, dobrá-las à sua vontade, criar mundos. Narraria o que acontecera. E ninguém melhor que Rangel, amigo de tantos anos, para receber tais confidências... Num gesto decidido, tirou o excesso de tinta da pena, batendo-a na borda do tinteiro, e começou a escrever. S. Paulo, 30, 7, 1924. Contou que tudo estava bem com sua família após a volta a São Paulo. Descreveu os estragos sofridos pela oficina da editora na Brigadeiro Luiz Antônio, onde encontrara duas granadas legalistas e marcas de umas duzentas balas de carabina. Falou da debandada geral na cidade, das pessoas que haviam fugido com medo do confronto entre os soldados e agora reapareciam, ressuscitavam. Ressuscitar... A palavra boiou na superfície agitada do mar de seus pensamentos, provocadora. São Paulo ressuscitava? Certamente retornava à vida, após 23 dias de guerra. Não, não usaria aquela palavra; talvez devesse usar renascimento — como o da fênix. A Pauliceia podia ser comparada à ave mítica. Queimara, mas renascia das cinzas. Pousou a pena, tomou o mata-borrão e pressionou-o sobre a parte já escrita da carta, absorvendo o excesso de tinta. Distraído, olhou as letras invertidas no verso do papel grosso. Escrita às avessas... Um mundo às avessas, era o que ele estava enfrentando naqueles dias. 2


Sorriu ao recordar o pavor da esposa, quando haviam voltado à cidade. As crianças não tinham medo, acharam divertido atravessar aquela praça de guerra. Mas ela temia todas as esquinas, como se atrás de cada poste pudesse haver, ainda, soldados revoltosos portando carabinas; como se por trás das nuvens fossem surgir aeroplanos a serviço dos legalistas, despejando bombas. São Paulo bombardeada! Paulistanos matando paulistanos nas encruzilhadas do Centro, da Moóca, do Brás! Até a segurança da casa na Rua Genebra, ele percorrera com a mulher e os filhos as ruas da cidade, cheias de escombros e marcas de bala. Tal visão, insólita e perturbadora, já era suficiente para alimentar a imaginação de qualquer escritor... Mas o que o perturbava era o que vira depois. O que pensara que vira. Não podia ser verdade. Ou podia? Levantou-se e andou pela sala, impaciente. A mesma impaciência com que andara de um lado a outro na casa que o hospedara em Santos, após voltar do Rio e saber detalhes da situação na capital. Por um lado, a sensação de impotência, imaginando a casa e a oficina destruídas pelos bombardeios. Por outro lado, a curiosidade, a vontade de estar lá, meter o dedo nas fuças do Isidoro e perguntar que direito tinha ele de comandar a soldadesca em sua pacífica cidade, causando destruição e morte! Podia até simpatizar com a causa. Os tenentes protestavam contra o governo federal, e ele mesmo apreciava causas perdidas. Mas colocar a cidade em pé de guerra, destruir casas, ameaçar a vida de civis! Aquilo também era demais. Voltara a São Paulo logo após Isidoro e seu contingente a abandonarem. Era um domingo, 27 de julho. Os revoltosos, acuados pelas tropas do governo, tinham partido pela manhã. Sabe Deus onde teriam se refugiado. Notícias desencontradas diziam que tinham ido para as bandas de Minas; ou que iriam se juntar à coluna do Prestes, no Sul. Ele trouxera a família para casa à tarde. À noitinha, as malas descarregadas, as crianças brincando no quarto, a mulher sossegada, ele avisara que ia até a Brigadeiro ver o estado da oficina. Poucos quarteirões separavam a casa do estabelecimento da editora. 3


Ela arregalara os olhos como se ele tivesse anunciado que ia se atirar de um precipício. — A essa hora? De jeito nenhum. E se ainda houver soldados rebeldes por aí? — Preciso ir até lá. Ao menos para verificar as trancas e dormir sossegado. As tropas legalistas estão botando ordem na cidade, não tem perigo nenhum! — Mas já avisaram que não aconteceu nada na oficina, homem. Deixe para ir amanhã. Ele teimara. Ela rezingara. E ele saíra de qualquer jeito, como sempre fazia. E então... O inimaginável acontecera. Voltou a sentar-se. Precisava escrever. Contar. Rangel entenderia... Sempre o entendera. Tornou a molhar a pena na tinta. Pegou outra folha de papel e escreveu. O mais incrível, meu amigo, não foi andar por uma São Paulo devastada feito uma cidade europeia depois da guerra. Foi o que eu vi... O que eu acho que vi. Acabava de escurecer e a lua cheia surgia no horizonte, por trás das obras da Catedral da Sé... Uma batida na porta o fez franzir as grossas sobrancelhas e suspender a pena. Quem seria? A mulher saíra com os garotos. A menina que ajudava na cozinha entreabriu a porta, nervosa. Morria de medo do patrão. — Desculpe, tem um moço aqui pra ver o senhor... Temerosa, veio entregar o cartão de visita. Papel perolado, impresso em tipografia francesa. H. Wolfstein. Era só o que dizia. Uma lembrança. Wolfstein... Não havia uma importadora ou exportadora com aquele nome, em Santos? Hesitou; a bronca entalada na garganta, mandando às favas 4


a ajudante e o visitante inoportuno, não saiu. Tomando a hesitação do patrão por anuência, ela abriu a porta e o cavalheiro entrou. O dono da casa pousou a pena e levantou-se. Aquele não era um sujeito qualquer e até a sonsa menina da cozinha sabia disso. Jovem, sim; mas com porte de gentleman, como atestavam o sobretudo de corte europeu, o chapéu inglês, as botas de estilo. Conhecia o tipo. Filho de estrangeiro, com mesada polpuda e andar cosmopolita. Mas os olhos... Olhos azuis, tristes, faiscantes. Havia visto aquele olhar antes. O rapaz estendeu para ele a mão direita. Usava luvas de pelica, provavelmente compradas em Paris. Sob o braço esquerdo, trazia um pacote de papel pardo. O escritor apertou a mão estendida e, de repente, compreendeu...

»»»»» Três dias antes A lua cheia não demoraria a surgir por trás das obras da Catedral da Sé. Hector apertou o passo, o olhar vigilante no momento presente, mas os pensamentos concentrados no passado. São Paulo fora bombardeada, tudo se transformara em caos. Mas nada disso fazia sentido. Para ele, existia somente a criatura, que caminhava vários metros à sua frente. Há muito a seguia. Muitas cidades antes daquela, outros países, outro continente. Cedo ou tarde, sabia que teria de enfrentar o monstro. Um monstro que ele também se tornara. De súbito, Hector interrompeu a perseguição. Dor, tristeza e revolta sufocaram-no a ponto de imobilizá-lo. O que faria se realmente o encontrasse? Jamais fora capaz de um ato de violência, mesmo durante a mutação. O que lhe diria? De que adiantaria...? Seu faro avisava que a criatura dobrava uma esquina, logo desapareceria na metrópole. E ele continuou parado na rua, observando sem ver as ruínas de uma casa à direita, o matagal que tomava conta do terreno à esquerda, o cadáver de uma cadela amarela numa vala, inchado, a ponto de rebentar e expor os vermes que o devoravam por 5


dentro. Os pensamentos continuavam fugindo para um passado de que não se lembrava, apesar de ter estado perto, na ocasião. O dia de lua cheia em que o monstro atacara sua mãe, contaminando-a com a maldição que também atingiria o filho. Anos de investigação tinham lhe rendido um nome: Will. E também uma rede de vigilância em vários países. Alguns chamados tinham sido falsos, mas este... O faro dizia que desta vez era ele. Não estou pronto para enfrentá-lo, admitiu Hector, engolindo o desespero. Mordeu os lábios, amargurado. Menos de cinco minutos tinham sido suficientes para sepultar anos de investigações ininterruptas. Tempo demais longe da família que adotara. Talvez fosse hora de voltar para casa. Quando a lua cheia dominou o céu, Hector permanecia imóvel na rua deserta. À espera da transformação inevitável.

»»»»» Ruídos estranhos que não combinavam com a noite urbana. Rosnados, o escritor podia jurar. A dois quarteirões da Brigadeiro Luiz Antônio, ele decidiu impor mais velocidade às pernas. Não estranharia se encontrasse soldados pelo caminho ou algum fugitivo a pedir ajuda. Mas aquilo?! Era munição demais para sua imaginação excessivamente fértil, o mal de todos que gostam de contar histórias. De qualquer forma, quanto mais cedo chegasse à oficina, melhor. A pouca iluminação da rua parecia lhe pregar uma peça. Podia jurar que um vulto imenso se destacava das sombras... Vinha em sua direção. Tentou entender o que acontecia. O terror, porém, roubou-lhe a objetividade. Estacou. Não entendeu. Não quis entender. O vulto... Garras, olhos brilhantes, focinho, dentes, saliva. Fome e voracidade. Um lobo... Lobisomem. A voz morreu em sua garganta. Lutou para mover qualquer músculo, fugir. O bafo podre da morte alcançou-o, mas as garras não o atingiram. Algo colidira furiosamente contra o lado esquerdo do monstro, 6


derrubando-o. Outro como ele. Um segundo lobisomem. Só restou ao escritor escapar de seu papel de plateia. As pernas, enfim, recuperaram o controle, arrancando-o para o único lugar seguro que sua mente conseguia encontrar: a oficina.

»»»»» As longas e restantes horas da noite foram ocupadas por teorias, análises, total incredulidade. Trancado numa das salas, escondido atrás das pilhas de livros, ele esperaria o dia nascer. A imaginação insistia em fornecer detalhes da luta sobrenatural que o pânico o impedira de assistir. Um embate sangrento entre duas feras sobrenaturais, titãs que mediam forças teoricamente inexistentes... Não, não. Melhor ater-se a dados concretos, ao pouco que enxergara de todo o contexto. O primeiro lobisomem, o que pretendia atacá-lo, parecia mais experiente do que o segundo, este mais jovem. Uma experiência, sem dúvida, adquirida durante anos caçando vítimas. Por que o segundo, ciente de sua inferioridade, se arriscaria a disputar com o outro a mesma refeição? Porque ele não me considerava uma refeição, pensou, surpreso com a possibilidade. Se fosse isso... Num ímpeto, decidiu reencontrar a noite. Ou final de noite; faltava pouco para o amanhecer. O medo mandava que tomasse outro caminho, evitando a rua em que quase fora atacado. A coragem, entretanto, insistia para que fosse em frente e desvendasse o que havia para ser desvendado. Não alcançou a tal rua e tampouco desvendou qualquer mistério. Mal pisou a calçada da Brigadeiro, tornou a ouvir os rosnados. Mais fracos, quase inofensivos, vinham de um quintal vizinho, uma casa abandonada durante os bombardeios. Cauteloso ao extremo, o escritor esgueirou-se junto ao muro. Abriu o portão e entrou no quintal. Com o coração aos pulos, vislumbrou um vulto enorme, protegido pela escuridão que cobria um trecho cercado por árvores. Aproximou-se e os rosnados cessaram. Aquilo o reconhecera. Era o segundo lobisomem. 7


O escritor estremeceu ao descobrir rastros de sangue no piso de pedra. A criatura estava ferida, vulnerável. Ele não tem como me atacar, deduziu. E a certeza absoluta de que estava seguro veio no instante em que distinguiu olhos amedrontados a espiá-lo. Olhos azuis, tristes, faiscantes. E, acima de tudo, humanos. — Espere-me — pediu o escritor, antes de retomar o trajeto até a oficina. Quando voltou ao quintal, trazendo as roupas que sempre guardava num armário para alguma emergência, não encontrou mais o segundo lobisomem.

»»»»» Três dias depois Na casa da Rua Genebra, o anfitrião e o visitante olharam-se por um instante, ambos sem saber como começar uma conversa na qual nem tudo podia ser dito. O escritor, sentindo-se tomado por um medo visceral, instintivo, comunicado por aqueles olhos faiscantes, lembrou-se da civilidade. — Sente-se, por favor — disse apenas. O rapaz que desembuchasse. O jovem sentou-se na poltrona que lhe era indicada. Timidamente, estendeu o pacote. Era uma muda de roupa lavada. Afinal, engolindo a timidez, falou. Seu português era perfeito, embora houvesse um leve sotaque no fundo; inglês, não americano. Talvez londrino. — Vim agradecer-lhe. O senhor me prestou um serviço inestimável ao deixar as roupas junto ao portão. A curiosidade sobrepujou o medo. O sol ainda brilhava lá fora. O que quer que acontecesse ao outro, não ia acontecer naquela hora... Inclinou-se para frente, ansioso. — Como me encontrou? Como soube onde eu morava? O jovem respondeu com um sacudir dos ombros elegantes. — Bastou perguntar na primeira tipografia a quem pertencia a oficina da Rua Brigadeiro e qual o endereço do proprietário. O senhor é 8


pessoa muito conhecida por aqui. Por um instante, cada um soube o que o outro estava pensando. O maluco da cidade, que vive escrevendo lorotas para crianças foi o que acudiu à mente do escritor. O único homem na cidade capaz de acreditar e confiar em mim foi o que passou pela cabeça do forasteiro. — O senhor — disse o escritor — não precisava dar-se ao trabalho. Por que veio? Poderia ter deixado a cidade. Deve ter... assuntos... a resolver noutras plagas. Notou um espasmo de dor mal disfarçado no rosto do jovem. Sentiu uma tremenda compaixão. — Queria devolver-lhe as roupas — foi a resposta. — Mesmo assim, poderia ter deixado o pacote na porta, ou com a empregada. Poderia nem ter vindo: sabe que eu sobreviveria à perda de uma camisa e um par de calças — sorriu. — Não. Eu acho é que desejava me ver... Descobrir que tipo de maluco eu era. Com um suspiro, o visitante levantou-se. — Talvez o senhor tenha razão. Nem eu mesmo sei por que vim. Mas gostei de conhecê-lo. De qualquer forma, fica o meu agradecimento. Agora, preciso ir. O escritor levantou-se também. Tornou a olhar a janela. — A lua ainda está cheia, eu imagino. — Ainda. Até mais ver. — Espere! — o anfitrião pediu, lembrando-se de algo. — Gostaria de mostrar-lhe certo capítulo num dos meus livros. Publiquei há três anos. Talvez ache interessante... Foi até a estante e tirou um volume; na capa havia desenhos de personagens do folclore. Abriu numa página, que não custou a encontrar, e estendeu ao outro. O rapaz leu. Gostou. Sorriu. Era um jovem bonito quando sorria; os olhos azuis quase perdiam o brilho tristonho. — No mínimo, curioso. Onde conseguiu as informações? — Pesquisadores do folclore. Cornélio Pires, Silvio Romero. E fiz minhas próprias anotações. Nasci em fazenda, sabe, e fui promotor nuns fins de mundo por um tempo. Ouvi cada história nos serões da roça... Toda cidadezinha tem um fulano ou sicrano que é o sétimo filho, 9


suspeito de sair pelas encruzilhadas nas sextas-feiras. Eu mesmo conheci um sujeito, manco da perna direita, que me juraram ter sido desencantado porque um valente cortou a pata do... O senhor sabe. O que me diz? O sorriso apagou-se do rosto do jovem, que fechou o livro e fez menção de devolver. — Eu gostaria que fosse tão simples assim. Sou filho único e os ferimentos que me fazem acabam se curando sozinhos. O corte de uma pata não quebraria a maldição, infelizmente. Temo que seu relato esteja incorreto. O dono da casa não pegou o livro de volta. — Pode ficar. Tenho dúzias dele, aqui. E se um dia quiser contar a história correta, posso publicá-la. Acredito que tenha muito para contar. — Quem acreditaria numa história como a minha? — Ficaria surpreso. As pessoas acreditam em qualquer coisa, senhor Wolfstein. Em bonecas falantes. Em sacis. Em quimeras — indicou a janela, com um gesto largo. — Viu o estado em que a revolta deixou a cidade? Um punhado de gatos pingados acreditou que podia tomar o poder e saiu a atacar um punhado de lobos que cravou as unhas no tal poder e fará de tudo para não largar dele. Até mandar aviões jogarem bombas nas casas da gente! Há poucas semanas, eu não acreditaria que isso fosse possível. Hoje, acredito em qualquer coisa. — Pois fico feliz que tenha acreditado em mim. Não vou esquecer seu oferecimento. Apertaram-se as mãos. — Será que posso lhe perguntar...? — O senhor gostaria de saber quem venceu a luta? — Sim. — O monstro venceu. E eu fugi para sobreviver. Sem mais uma palavra, o jovem gentleman saiu na Rua Genebra e andou para a Rua Dona Maria Paula, depois seguindo em direção à Praça da Sé. O escritor voltou a sentar-se à escrivaninha. Releu o que escrevera na primeira folha de papel da carta destinada a Rangel. Releu o que escrevera na segunda. Sacudiu a cabeça, inconformado. Depois mergulhou a pena no tinteiro e retomou a escrita. 10


Ele salvou minha vida e nem sequer agradeci. Numa reação que não soube explicar, amassou a segunda folha e arremessou-a na lixeira, que virou objeto de contemplação por demorados segundos. Costas apoiadas contra o estofamento da cadeira, ombros largados pela inércia. Existiam fatos que, apesar de pertencerem à realidade, somente faziam sentido na ficção. Sem pressa, tomou outra folha, mergulhou a pena no tinteiro e refez a segunda parte da carta, evitando qualquer referência a lobos medindo forças numa rua deserta, rastros de sangue em um quintal abandonado, olhos azuis faiscantes perdidos na escuridão e, principalmente, lobisomens que, distantes da lua cheia, comportavam-se como gentlemen. Após a última linha, assinou como de costume. Lobato.

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SE VOCÊ GOSTOU DESTE CONTO AMBIENTADO NO UNIVERSO DE SANGUE DE LOBO, AGUARDE: AINDA NO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2015, OLHOS DE LOBO, O SEGUNDO LIVRO DA PARCERIA ENTRE ROSANA RIOS E HELENA GOMES.

Lobos  

Conto extra do livro SANGUE DE LOBO, de autoria de Rosana Rios e Helena Gomes. "O mais incrível, meu amigo, não foi andar por uma São Paulo...

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