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INVERNO

Tratamentos, comidas, bebidas e idĂŠias para aquecer a alma e alimentar o espĂ­rito


INVERNO

Tratamentos, comidas, bebidas e idĂŠias para aquecer a alma e alimentar o espĂ­rito


A BORBOLETA DE TOMIE A ARTISTA EMBELEZA O LAGO COM LEVEZA


C A R T A É uma publicação do Unique Garden Diretor - Victor Siaulys Gerente-geral - Lilian Franco Gerente comercial - Carolina de Simone Relações Públicas -Maria Helena Fittipaldi

Rua Andrade Fernandes, 297 CEP 05449-050 - São Paulo-SP Tel/Fax.: (11) 3023-5509 E-mail: xxxxx@4capas.com.br Projeto Editorial - 4 Capas Editora R E D A Ç Ã O Diretora Editorial - Mariella Lazaretti Diretor de Arte - Fábio Santos Assistente de Arte - Eduardo Galdieri Editora - Luana Pavani Colaboraram nesta edição: Texto - André Ciasca, Carolina Hanashiro, Cíntia Cristina da Silva, Renata Mesquita, Ricardo Castilho. Foto - Alan Gouveia, Guilherme Andrade, Rogério Voltan, Tadeu Brunelli, Welinson Calandria.

PUBLICIDADE Diretor Comercial - Georges Schnyder R. Andrade Fernandes, 297 Tel/Fax: 11-3023.5509 Jornalista Responsável - Mariella Lazaretti MTB 15.457

IMPRESSÃO Plural Editora Gráfica Av. Marco Penteado Ulhôa Rodrigues, 700 - CEP 06500-000 Tamboré - Santana do Parnaíba - SP / Tel.: (11) 4152-9446 A revista Unique Garden é uma publicação distribuída exclusivamente pelo Unique Garden. Dúvidas, críticas e sugestões pelo email: 4capas@4capas.com.br A revista não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos assinados. As pessoas não listadas no expediente não estão autorizadas a falar em nome da revista ou a retirar qualquer tipo de material sem prévia autorização emitida pela redação ou pelo departamento de marketing do unique Garden. Os preços citados nesta edição estão sujeitos a alterações sem aviso prévio.

Seja muito bem-vindo Mais do que um oásis para desestressar da selva urbana de São Paulo, o Unique Garden tem a intenção de ser um santuário ecológico. Não no sentido religioso, mas de compromisso com as gerações futuras. Foi com grande orgulho que cerca de sete anos atrás fizemos o reflorestamento de uma área do Parque Ecológico do Tietê, contígua ao terreno do Laboratório Aché, de cujo conselho faço parte. Cada uma das 2.500 árvores nativas da Mata Atlântica portava um colar de metal com a indentificação dos nomes dos filhos de nossos funcionários, para que esses jovens crescessem com o compromisso de preservação da natureza. Eu, até então um urbanóide, me encantei com o projeto e comecei a resgatar memórias de família, a trajetória de meu pai, que chegou pobre ao Brasil, vindo da Lituânia. Daí surgiu a idéia de criar outra área ecológica, desta vez em Mairiporã. O terreno fica na Estrada Laramara, uma homenagem à Laramara, Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual, coordenada por minha esposa, Mara, para ajudar outras famílias que têm pessoas com problemas de visão, como nossa filha, Lara. Criada em 1991, a Laramara auxilia o processo de desenvolvimento, aprendizagem e inclusão da pessoa com deficiência visual na sociedade. Minha mãe já dizia que quem não vive para servir, não serve para viver. A nossa casa foi crescendo, e hoje está aberta a você, que é parte fundamental deste sonho. Temos, eu e minha equipe, a intenção de fazer com que você se sinta parte da natureza e dela receba o que há de melhor, de forma personalizada. Em cada edição da revista do Unique Garden você saberá mais um pouco deste projeto e das pessoas nele envolvidas. Nesta primeira edição temos o prazer de dividir com você a nobreza e a sabedoria de Frei Betto; a genialidade de Tomie e Ruy Ohtake; e a engenhosidade do agrônomo Cristiano Budrekas. A expert em spas Jenni Lipa Kayyali dá dicas dos melhores lugares para se relaxar no mundo. Comece aqui mesmo, na Casa de Pandora, que traz as últimas tendências em tratamentos de beleza, como a vinoterapia. E para curtir o friozinho, experimente também um chá de jasmim saído do Ervanário. Seja bem-vindo e desfrute,

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Victor Siaulys


Eu, Victor, em ação na cozinha do Chez Victor

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VÔO

T E L Ú R I C O

Novidades e curiosidades que rolam no planeta para sua saúde e bem-estar

TERAPIAS ALTER NATIVAS

Desintoxicação à vácuo

Foi só a ganhadora do Oscar Gwyneth Paltrow aparecer em uma préestréia em Nova York com as costas cheias de círculos arroxeados para a milenar terapia das ventosas voltar ao topo da moda. Baseada em princípios semelhantes aos da acupuntura – equilibrar a energia dos meridianos -, a ventosaterapia (cupping, em inglês) é usada no tratamento de uma enorme variedade de males, de dores nas costas e cólicas menstruais a gordura localizada, estresse e gripe. Mas sua função principal, segundo os terapeutas, é limpar o sangue das toxinas. A ventosaterapia, segundo os seguidores, drenaria o sangue para a camada linfática, para que as toxinas possam ser eliminadas naturalmente. Quem já experimentou garante que não dói e que os hematomas costumam sumir em uma semana. Mas há registros de leves sangramentos no local das aplicações. A terapia consiste na aplicação de pequenos copos (bowls) na pele. Com o calor de uma chama ou com a ajuda de pistolas especiais, o terapeuta cria vácuo dentro do vidro para que a pele seja sugada. Dependendo do tratamento, os copos podem ser aplicados em locais específicos ou deslizados pelo corpo do paciente. Há ainda uma versão que é usada apenas em sessões de relaxamento, o bu-bu, em que o bowl é colocado e tirado da pele em movimentos rápidos e repetitivos. O termo, em japonês, identifica o barulho feito pelo procedimento. A História da Medicina conta que as ventosas eram muito usadas na Roma antiga. Há registros de sua utilização também na Grécia – Hipócrates foi um de seus principais adeptos.

A velha técnica de sansguessuga voltou à moda com Gwyneth Paltrow. O nome agora é ventosaterapia.

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O outro poder da amêndoa Entre os mimos que os hóspedes do Unique Garden recebem em sua estadia estão os ammenities da L'Occitane. A empresa francesa acaba de fazer uma descoberta revolucionária. É sabido que o óleo da amêndoa doce é um dos nutrientes mais poderosos da natureza, rico em vitaminas A e B e em substâncias minerais. O que se sabe agora é que o popular óleo também tem ação ultra-firmadora. Aliadas ao silício, as proteínas da amêndoa criam uma substância semelhante ao colágeno, que é responsável pela sustentação da pele. O efeito é a restauração da vitalidade dos tecidos. A descoberta aguarda a concessão de patente, mas a L`Occitane já tem novos produtos de amêndoas, como o Leite Firmador e o Gel Redutor Anti-Celulite, que estão à venda no Brasil. A empresa garante que o gel redutor é capaz de, após quatro semanas de uso, apresentar uma diminuição de 60% na retenção de líquidos pelo organismo. 6


A R T E

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C U L T U R A

A obra do mestre da Pop Art volta ao Brasil. Parte do acervo do MoMA de Nova York, a mostra “Andy Warhol: Motion Pictures” fica em cartaz no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) até 14 de agosto e depois segue para Buenos Aires.Na capital paulista, a produção cinematográfica experimental do guru Pop é exibida em 24 telões. São seis filmes produzidos entre 1963 e 1964, os quais, depois de transferidos para DVD, são transmitidos em 16 quadros por segundo, uma referência ao cinema mudo. Alguns longas (“Empire” e “Sleep”) foram editados para a mostra. “Kiss”, “Blow Job”, “Eat” e “Henry Geldzahler” são exibidos na íntegra. A exposição inclui ainda 37 testes de cena, os Screen Tests, de anônimos e personalidades como Salvador Dalí, Dennis Hoper, Edie Sedgwick e Susan Sontag, todos feitos no lendário estúdio Factory, na rua 57, em Nova York. Informações no site www.mam.org.br.

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Requinte no home cinema Que tal trocar o telão tradicional do seu home cinema por um material que custa mais ou menos a mesma coisa, porém não precisa ser recolhido toda hora, é mais fácil de limpar e, ainda por cima, vai deixar sua casa mais bonita? O screen glass é uma chapa de espelho oxidado, própria para projeção, que não reflete o ambiente, só o que é enviado pelo projetor. Alguns modelos permitem a projeção dos dois lados e são ideais para separar ambientes. Josias Cordeiro Junior, responsável pelos telões e monitores da Daslu, explica que dá para montar uma parede inteira de screen glass, com várias chapas, no tamanho máximo de 2,25m por 3,20m cada. Uma tela de screen glass de 100 polegadas sai por R$ 2.184. A menor versão, de 60 polegadas, custa R$ 720 no Josias Studio (11 3088-9400).

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(c) 2005, The Andy Warhol Museum, Pittsburgh, PA

O gênio em 16mm

Cenas picantes nos filmes de Andy Warhol “Blow Job”, de 1963 (acima), e “Kiss”, de 1964 (ao lado)

P A R A

D E S E S T R E S S A R

Silêncio, por favor A arquiteta Patrícia Anastassiadis conta qual seu ritual de relaxamento

M E N T E

A Lei da Doação O guru da espiritualidade moderna, o indiano Deepak Chopra, autor do best-seller “As Sete Leis Espirituais do Sucesso”, oferece no site www.chopra.com algumas dicas de como viver melhor. Uma delas é a que o universo funciona por meio de troca dinâmica. Chopra explica que doar e receber são os diferentes aspectos do fluxo de energia. “Em nossa disposição voluntária em dar aquilo que procuramos, mantemos a abundância do universo circulando em nossas vidas. Comprometa-se diariamente com essa ação: - Onde quer que eu vá, e quem quer que eu encontre, eu darei um presente. Pode ser um elogio, uma flor um uma oração. Assim, iniciarei o processo de distribuir alegria, riqueza e fartura na minha vida e na vida das outras pessoas.”

"Ando cada vez mais intolerante ao barulho de São Paulo . Criei uma rotina em busca de silêncio, que é tomar café da manhã só, acompanhada apenas pelo jornal. É a hora de ficar comigo, quieta. Esses 15 minutos, sem telefone, rádio nem televisão, são fundamentais. Ao longo do dia tento repetir essa sintonia, em shots. Outra coisa que me relaxa bastante é o toque na região da cabeça, como na massagem de esquadria facial do Unique Garden,, que quero repetir muitas e muitas vezes." A jovem arquiteta assina projetos como o Hotel Lycra, o escritório da presidência da Fiesp e acomodações do Clube Mediterranée, entre outros.


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Relax total 8


“Não conheço outro lugar no mundo onde se possa fazer todos os tratamentos ao ar livre” Alexis Ufland

A americana Alexis Ufland é uma mulher bonita, inteligente e reconhecida internacionalmente por seu conhecimento em planejamento e gestão de spas. Profunda conhecedora de massagens e programas de fitness, Alexis foi convidada por Victor Siaulys, o idealizador do Unique Garden, a participar da criação de um spa em seu terreno de 300 mil metros quadrados de Mata Atllãntica, em Mairiporã. Isso foi há cerca de dois anos, antes da construção do pavilhão de massagens e tratamentos da Casa de Pandora. Agora, com a casa pronta, Alexis olha para o Unique Garden com admiração.“É raro encontrar no mundo um local onde se possa fazer praticamente todos os tratamentos ao ar livre”, diz ela. “A sensação de relaxamento é inacreditável”. Ouvila falar “massage” com sua voz sedosa até amolece os ombros. O que deixa Alexis impressionada é a integração do Unique Garden om a natureza, seja nos chalés encrustrados nos bosques ou no frescor dos produtos de beleza cujos ingredientes são colhidos diretamente do Ervanário. “Não conheço em qualquer outro lugar do mundo um spa que utilize ervas de sua própria plantação, e ainda regadas com água radiativa, tanto nos tratamentos estéticos quanto nas refeições e no desenvolvimento de cosméticos. É algo realmente especial”. Além de prestar consultoria para mais de 20 spas espalhados pelos Estados Unidos, Europa e Ásia, Alexis coordenou outros 120 quando trabalhava para a

Steiner Transocean. Um de seus mais comentados projetos é o Mezzanine Day Spa, no Soho, em Nova York, onde os produtos formulados para os clientes são exclusivos e o cardápio de massagens é baseado na medicina milenar indiana Ayurveda, segundo a qual a boa saúde é resultado direto de viver em harmonia com o universo. Estas tendências mundiais em spas de relaxamento foram apresentadas por Alexis à equipe do Unique Garden, que adaptou e extrapolou os conceitos. O gerente de spa e fitness do Unique Garden, Roberto Nogueira, procura personalizar ao máximo a experiência do hóspede. “Uma moça me pediu que a livrasse e a protegesse da inveja. Na mesma hora falei com o Plantarium, para que elaborássemos juntos e rapidamente a linha de cremes e sais de banho que seriam usados para limpeza e melhoria da circulação energética”, conta Nogueira. Ele explica que na filosofia Ayurveda as pessoas podem ser rapidamente identificadas por seu biotipo, ou “dosha”. Há três tipos básicos: Vata, cujo elemento é o ar, geralmente se aplica a pessoas agitadas e de humor oscilante. Pitta, fogo, corresponde aos de opinião forte, rapidez de compreensão e paladar apurado. Já o Kapha, ligado à água, é o mais tranquilo, afetuoso, que tende a poupar energia e dinheiro. A Casa de Pandora oferece 15 salas de terapias corporais, algumas das quais podem ser solicitadas nos quiosques e tendas do hotel. Praticante de yoga, Alexis considera o Pavilhão Nirvana “amazing”, pela união harmoniosa de estilos entre Ocidente e Oriente. Os cuidados de Pandora vão dos pés à cabeça, desde reflexologia e massagem postural, até banhos cromáticos e drenagem linfática facial - isso só para citar algumas das várias opções de relaxamento. Uma das mais inovadoras no Brasil é a mesa Lira, na qual o hóspede se deita e curte o delizar dos dedos pelas cordas debaixo da cama, que produzem uma música leve e relaxante. Mestre em fisiologia pela Escola Paulista de Medicina, Nogueira compõe a cada estação do ano um cardápio para o bem-estar e o equilíbrio energético. Confira as sugestões dele para este inverno. 9


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Brinde à paixão Esquente corpo, alma e coração com um inebriante tratamento à base de vinho, que pode ser feito a dois No inverno, fuja do aspecto de uva passa. Uva, aqui, só a Tannat, numa inebriante liberação de taninos e polifenóis da vinoterapia. As propriedades rejuvenescedoras da bebida para a pele, entre elas o combate aos radicais livres, foram descobertas pelo professor Joseph Vercauteren, da Universidade de Farmácia de Bordeaux. Foi quando um jovem casal de nobres franceses do Chateaux Smith Haut Lafitte, resolveu aplicar os conceitos em produtos de beleza, criando o primeiro spa de vinoterapia do mundo, em 1993. Mas a 50 km de São Paulo você encontra um tratamento de primeira linha, no quiosque Eros do Unique Garden. Há duas câmaras indivuais de vaporização de vinho, o que permite realizar o programa em casal. Depois de 25 minutos desse calor de Bacco a 60 graus sobre o corpo, o casal toma um banho e vai para a aconchegante salinha em anexo, onde uma garrafa do argentino Finca La Linda Tempranillo 2003 aguarda ser sorvida, tendo apenas as taças e o cesto de pães como testemunhas. 10

Depois do banho individual na cabine de vinoterapia, o casal celebra o reencontro com uma boa garrafa de vinho, no quiosque Eros


TOQUES DE

UVA O uso do vinho em cosméticos foi patenteado pelo casal Mathilde e Bertrand Thomas, com a marca Caudalie. O spa original, no vinhedo da família em Bourdeaux, é o Les Sources de Caudalie, com 49 suítes, piscina de água mineral, dois restaurantes, uma adega, uma charutaria e um campo de golfe. Os produtos e tratamentos lá testados são reproduzidos e comercializados também na Itália, no centro de vinoterapia do Relais San Maurizio, um mosteiro do século XVII restaurado, no meio de vinhedos de moscatel do Piemonte. Já nos Estados Unidos, onde a marca de cosméticos passou a ser distribuída em 1999 pela Sephora, o spa se localiza no Sonoma Valley. O Kenwood Inn foi eleito o melhor refúgio vinícola da Califórnia pela Food and Wine Magazine. Há ainda mais duas opções de spa Caudalie no mundo, desta vez em cenários urbanos, um em Taiwan e outro em Paris, E os produtos Caudalie também são encontrados na Bélgica, Alemanha, Reino Unido eJapão.

A matéria-prima dos tratamentos do Caudalie sai de um vinhedo, em Bordeaux. lá, o casal Thomas criou o primeiro spa de vinoterapia do mundo 11


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Vida de

tablete

Deixe a culpa de lado e encare o chocolate como um aliado da beleza O banho de cacau e leite tem alto poder de hidratação e nutrição da pele, ainda mais se for precedido de uma esfoliação com sais do mar morto. No ofurô, fica mais diluído, porém se acrescido de pimenta ganha contornos afrodisíacos. Já na banheira o chocolate derretido assume o papel de uma poderosa máscara corporal. Pena que tem de tomar banho depois... Mas vale a pena na Vichy Shower, com jatos direcionados para pontos de relaxamento. A emulsão hidratante para passar depois do banho também vem no sabor ops - aroma de cacau.

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Pele de porcelana A Casa de Pandora desenvolveu quatro tipos de argila para a massagem Rasul A Rasul é uma técnica baseada no costume maia de passar argila no corpo e ficar em local fechado, aquecido, para a desintoxicação do organismo. É que a argila ao mesmo tempo que puxa as toxinas repõe sais minerais, efeito potencializado sob o vapor, que dilata os poros. A Casa de Pandora desenvolveu quatro tipos de argilas, de cores e propriedades diferentes, algumas com mais cálcio, outras com mais ferro. Lambuzada com essa massa colorida, a pessoa entra na sauna a vapor e vai se automassageando, para um trabalho simultâneo de esfoliação e nutrição da pele. A Rasul pode ser finalizada com banho (ofurô, Vichy Shower) ou massagem (drenagem linfática ou relaxante), como preferir. 13


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bom

deslize

Óleos quentes e massagem são a base da Garshana e da Abhyanga

Deixe-se ser levado pelos terapeutas altamente qualificados do Unique Garden para um ritual de beleza diferente, com massagens que usam óleos quentes. É um excelente método para recuperar o vigor da pele ressecada pelo frio e relaxar toda a musculatura. Os sábios chineses já diziam que os pés quentinhos fazem a energia circular melhor. Por isso, o ritual começa com um gostoso escalda-pés, aqui chamado de pedilúvio. O próximo passo é escolher entre a Abhyanga e a Garshana. Na primeira, quatro mãos percorrem seu corpo, duas de cada lado, em movimentos sincronizados de sobe e desce, aperta e solta, com óleo quente de gergelim. E você lá no meio, que tal? A massagem é indicada para fortalecer o sistema imunológioco, acelerar a liberação de toxinas e lubrificar as articulações. Já quem sofre de retenção de líquidos pode se beneficiar da Garshana, massagem com escovas de cerdas naturais que percorrem o corpo todo em suaves movimentos para estimular toda a circulação periférica. A aplicação é lenta, e vai esfoliando a pele e eliminando as impurezas. Depois, você escolhe o aroma do óleo de ervas que vai fechar o tratamento com outra massagem, esta para ativar a circulação ao longo dos canais linfáticos. 14


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Um creme para chamar de seu

Quando você solicita uma massagem, o Plantarium é acionado para criar cosméticos especialmente para seu tipo de pele Lavanda ou alecrim? Pelo oleosa ou mista? Estas são algumas das perguntas que você responderá quando solicitar uma massagem ou banho no Unique Garden. Há uma farmácia de manipulação exclusiva para elaboração dos cosméticos utilizados nos tratamentos do spa. O Plantarium prepara a quantidade exata de creme ou sais de banho a ser aplicada, já com as informações básicas do seu tipo de pele e com o seu nome na embalagem. Chegando à Casa de Pandora, você é quem dá o toque final, escolhendo a fragrân17


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A farmácia de manipulação é de primeira linha. Tem até extrator de óleos essenciais vegetais

cia e o óleo essencial do seu creme de massagem personalizado. Tomilho, menta-piperita, alecrim, chá-verde e lavanda são alguns dos ingredientes frescos, saídos do Ervanário, que entram na composição. Os sais de banho, por sua vez, utilizam matéria-prima importada de Israel. Foram trazidos 1500 quilos de sal e já há um novo pedido, de mais 1500 kg, para uso no Plantarium e nas piscinas. A estrutura da farmácia de manipulação é de primeira linha. No 18

Plantarium existe até um extrator de óleos essenciais, equipamento raro de se ver em farmácias de manipulação. “Inclusive, se o hóspede quiser participar da produção, ele pode colher a planta e trazê-la até o extrator, para ver o desenvolvimento do óleo essencial que será utilizado em seu creme, dali a poucas horas”, sugere o dr. Luiz Pianovscky, farmacêutico bioquímico que elaborou o Plantarium. A idéia, desde o brainstorm, era personalizar ao máximo a linha de cosméticos para uso dos hóspedes, de forma a proporcionar um tratamento exclusivo, pessoal. As matérias-primas são de alta qualidade, as mesmas utilizadas pelas multinacionais de cosméticos. “É um serviço realmente diferenciado. Nesta amplitude não conhecemos nada parecido no mundo”, revela Pianovsky, que é pesquisador e membro do conselho científico do Laboratório Aché. Após o tratamento, caso sobre um pouco da fórmula, é você quem decide entre levar de volta ao quarto ou descartar a fórmula. Se gostar do produto e quiser levar para casa, basta encomendar novos frascos ao Plantarium e colocá-los na mala.


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E N O L O G I A

Reverência ao

Mito

espanhol

O raro e sempre bom tinto Vega-Sicilia é uma das estrelas Ricardo Castilho

A Espanha é o terceiro maior produtor de vinhos do mundo, com 1,3 milhão de hectares plantados de vinhedos. O país está dividido em 45 denominações de origem, que resultam em vinhos modernos e outros de estilo tradicional, com forte presença de madeira. Alguns desses rótulos elevam qualquer lista de vinhos e acabam funcionando também como excelente cartão de visita. O tinto espanhol Vega-Sicilia é o principal deles. 20

Sua história começa em 1864, quando don Eloy Lecanda y Chaves apostou na região de Ribera del Duero, indo na contramão dos que preferiam a Rioja, e plantou cepas selecionadas de origem francesa: Cabernet Sauvignon, Merlot e Malbec. Também plantou uvas regionais espanholas, em especial a Tinto Fino. A idéia inicial de Lecanda era fazer um vinho no mesmo nível dos grandes de Bordeaux, na França. A elaboração desse verdadeiro mito da enologia é cheia de cuidados. Depois das uvas colhidas, ocorre uma lenta fermentação que chega a durar 15 dias. Nos anos quentes, realiza-se em tanques de aço inox. Em anos frios, se o enólogo desejar, ocorre em tonéis de madeira. Em seguida, parte para o envelhecimento, entre sete e dez anos, em tonéis e barricas de madeira velha e nova, de diferentes tamanhos. Além de todos esses cuidados, vale lembrar que o vinho só é feito nos anos de boas uvas. Portanto, a chance de encontrar uma safra ruim do Vega é zero.


OS OUROS DA

ADEGA A bodega Vega-Sicilia pode ser considerada a mais nobre e pioneira da Ribera del Duero, que hoje conta com 170 produtores. A região é uma das principais denominações de origem da Espanha, tão importante quanto Rioja. Os rótulos com a denominação de origem Duero são caracterizados por cor intensa, taninos finos e forte concentração de frutas maduras.

Não é só o Vega-Sicilia que se destaca na adega do Unique Garden. Com 150 rótulos e aproximadamente 2000 garrafas, acondicionadas à temperatura de 14 a 15 o C, a sala guarda preciosidades como o La Tâche Romanée Conti 99, um dos principais expoentes da Borgonha. O maitre Marcus Perucci explica que os brancos são servidos imediatamente, mas os tintos precisam de uns 3 a 4 minutos fora da câmara para atingir o ponto ideal de consumo, que é de 16 a 18 graus centígrados. Ele recomenda entre os champanhes o Krug Grand Cuvée e entre os rieslings um rótulo da Alsácia, o Resérve Couvée Dopff au Moulin 2001.

da carta do Unique Garden O resultado é uma bebida de cor rubi-granada, aroma complexo de madeira, tabaco, especiarias e frutas maduras, extraordinária concentração de sabores, muito encorpado e com longa persistência na boca. Vinho que envelhece com sabedoria, pode ser degustado com o mesmo prazer vários anos após ter sido elaborado. Na Espanha, os clientes fazem fila para comprá-lo. Cerca de 8.000 pessoas aguardam a vez para ter direito a uma cota dessa verdadeira obra de arte engarrafada. Além do Vega-Sicilia Unico Gran Reserva, sempre datado, a empresa elabora o igualmente magnífico Vega-Sicilia Reserva Especial, sem indicação de safra, resultado da mistura de vinhos de vários lotes. Outros importantes e deliciosos vinhos produzidos pela empresa são o Tinto Valbuena 5o, que envelhece menos do que o Vega e é lançado no quinto ano após a colheita, e o Alión, de estilo mais moderno, intenso e de grande personalidade. 21 Ricardo Castilho é especialista em vinhos e editor da revista Prazeres da Mesa (www.prazeresdamesa.com.br)


G A S T R O N O M I A

Secos e molhados Apure o paladar com as dicas da equipe de Alimentos e Bebidas do hotel C O N D I M E N T O S

De cá para lá

A produção de 158 espécies de plantas aromáticas, condimentais e medicinais do Ervanário abastece a farmácia de manipulação do hotel, chamada Plantarium, o centro de beleza e saúde Casa de Pandora e os restaurantes Chez Victor e o Relais Jardin, sob o comando do chef Michel Darqué (foto). O chef já trabalhou com a família Grimaldi no Palácio de Montecarlo. Uma parte da colheita, após tratada e armazenada em câmara fria, segue ainda para o hotel Unique, em São Paulo. Lá, as ervas temperam as receitas elaboradas por Emmanuel Bassoleil, outro francês de renome na cozinha brasileira.

E S T U F A

Morango em pé

O projetista de jardins Roberto Ferrari desenvolveu uma maneira criativa de criar morangos no Unique Garden. Eles são plantados em pé, dentro de tubos presos a paredes de 30 metros de altura por 4 metros de largura. Tudo isso para evitar o uso de produtos químicos na fruta, reconhecidamente uma das mais castigadas por venenos no Brasil. Assim, você pode aproveitar tudo o que morango tem de bom: baixas calorias, grande quantidade de vitamina C, ferro e zinco.

O R G Â N I C O

Salada-perfeita

Até poucos dias atrás, os jardins da Vila Mediterrânea estavam decorados com Ipatiens, versão nobre da popular Maria-Sem-Vergonha. Recentemente, estas flores deram lugar a 6 mil mudas de amor-perfeito, que estavam sendo tratadas a pão-de-ló na estufa. A flor, típica de paisagens frias, recebe um tratamento orgânico especial no Unique Garden. Ela fica tão forte e linda que dá até vontade de comer. Aliás, por que não? Arranque umas folhinhas e leve para sua salada. Fica uma delícia. 22


Chez Pitadas de amizade V I C T O R

A cozinha do Unique Garden é lugar de confraternização

Menu

Casquinha de siri com alcaparras Creme de abóbora com feijão branco aromatizado com bacon Fettucini cremoso com queijo brie e uvas frescas Camarão a provençal Frei Betto Frozen de laranja com calda de maracujá e sorvete de creme 24

“Já que é para eu escolher, vou pegar logo um bom Bairrada”. Assim, Frei Betto abriu para amigos uma garrafa de Luis Pato 2001, ao retornar da cozinha para o salão do Chez Victor. O menu daquela fria e estrelada noite de junho foi elaborado a seis mãos, começando pela saborosa entrada de casquinha de siri e alcaparras de Victor Siaulys, e terminando com o belíssimo frozen de laranja com hortelã, calda de maracujá e Curaçao Blue, do chef Michel Darqué, criado especialmente para a ocasião. “Eu quis montar a bandeira do Brasil”, revelou o francês, homenageando o outro chef, autor de vários livros de receitas regionais brasileiras. Uma delas é o Camarão a Provençal, que vai ao forno. Frei Betto preparou uma enorme travessa de barro, sem cerimônia nem segredos. “Aprendi com minha mãe que os frutos do mar ficam muito mais leves e perfumados quando temperados com laranja em vez de limão”, contou, entre outras dicas, enquanto brindava os comensais que aos poucos iam se acomodando do outro lado do balcão da cozinha para eventos do Chez Victor. Bem equipado, o local pode ser reservado para pequenos grupos ou por hóspedes que queiram cozinhar entre amigos. Naquela fria noite de junho, o clima de amizade era o tempero mais saboroso. “Este meu amigo aqui come e bebe feito um padre”, brincou Victor, enquanto apresentava a Frei Betto e aos comensais o creme de abóbora com feijão branco e paleta. “Oh, Betto, você precisa ver como ficou bonito o mercadão (municipal de São Paulo). Sete horas da manhã eu estava lá para buscar essa paleta, e aproveitei para trazer um pastel de bacalhau para a (esposa) Mara. Para você, tem um conhaque lá no seu quarto, que eu comprei na França”, revelou o generoso anfitrião.


Victor Siaulys recebe os amigos do outro lado do balc達o

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Chez V I C T O R

Camarão a Provençal Frei Betto

Porção: 4 pessoas 24 camarões grandes (média de seis por pessoa) azeite sal 1 laranja, de qualquer tipo pimenta Tabasco vermelha 4 dentes de alho picados 1 tubo de salsa seca, hidratada em meia taça de vinho branco 2 xícaras de arroz cozido, sem tempero MODO DE PREPARO: Coloque os camarões já limpos numa assadeira e regue-os com o sumo da laranja. Tempere com o sal e gotas de Tabasco, e misture bem. Pique o alho na faca, “até o átomo”, explica Frei Betto. “Não adianta usar processar nem espremedor, que não dá o mesmo sabor”. Numa frigideira, cubra com azeite e deixe “alourar”, como diz o mineiro, que é quando o alho está à beira de se tornar crocante. Jogue esse molho fervente sobre os camarões crus e leve a travessa ao forno pré-aquecido, por cerca de 20 minutos. Retire e disponha cerca de seis camarões por prato, com o auxílio de uma escumadeira. Aproveite todo o tempero que restou na assadeira para temperar o arroz, que deve ter sido cozido sem sal. Mexa bem, e despeje uma colherada generosa em cada prato. 26


Porção: 4 pessoas 1 cebola grande 5 dentes de alho 50 ml de óleo de canola 1 abóbora cabochã 150 g de feijão branco 250g de paleta suína defumada 1 litro de caldo de legumes sal e pimenta fresca moída a gosto 1 ramo de tomilho 1 folha de louro 1 ramo alecrim MODO DE PREPARO Deixe o feijão de molho na água, dentro da geladeira, por um dia inteiro. Pique a cebola e o alho em tiras bem finas e os leve numa panela alta para dourar no óleo de canola, que não deixa cheiro nem gosto. Ainda no fogo, jogue os cubos de abóbora, cortados no tamanho 2 x 2cm. Mexa bem, até que fique bem frito. Salpique as ervas e adicione as tiras de paleta, cortadas pela metade. Se tiver osso, retire-o antes. Adicione agora o caldo de legumes fervente. Desligue o fogo, retire as tiras de paleta e despeje o caldo no liquidificador. Esse creme vai voltar para a panela, desta vez para cozinhar o feijão, lentamente. Adicione a paleta, agora bem picadinha. Quando o feijão estiver no ponto, ajuste o sal e a pimenta e sirva bem quente.

Creme de abóbora com feijão branco Victor Siaulys

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Chez V I C T O R

Fettucini cremoso com queijo brie e uvas frescas Michel Darqué

Porção: 4 pessoas INGREDIENTES 300 g de fettucine grano duro 2 litros de água 2 colheres de sopa de azeite sal ramos de manjericão italiano, tomilho e alecrim MOLHO 500 g queijo brie _ l creme de leite fresco sal pimenta branca moída 150g uva thompson sem casca 150g uva itália sem casca e sem semente 1 cálice de licor de conhaque MODO DE PREPARO Cozinhe o macarrão em água fervente, com sal e azeite, por 12 a 15 minutos. MOLHO Corte o queijo brie em cubos e leve numa panela ao fogo junto com o creme de leite, o sal e a pimenta. Mexa bem. Quando estiver derretido, bata no liquidificador, ainda quente, para emulsificar a mistura. Numa vasilha, misture os dois tipos de uvas já descascadas e sem sementes ao conhaque. A bebida, além de aromatizar as frutas, evitará que elas escureçam. Jogue o molho cremoso por cima. MONTAGEM Em pratos fundos, disponha o fettucine em ninho (enrolando com um garfo), e no centro despeje o molho. Para decorar, coloque um ramo de cada erva, fazendo um buquê. Sirva. 28


Frozen de laranja com calda de maracujá e sorvete de creme Michel Darqué

Porção: 4 pessoas INGREDIENTES 6 laranjas pera 2 maracujás azedos 150g açúcar refinado 100ml água 4 bolas sorvete de creme Curaçao blue (opcional) Ramos de hortelã MODO DE PREPARO Descasque as laranjas, tirando toda a parte branca, inclusive a do meio, e corteas em gomos. Reserve. CALDA Leve para ferver a polpa e as sementes do maracujá com a água e o açúcar por 40 minutos em fogo brando. A calda estará pronta quando a polpa se desprender totalmente da semente, que deverá adquirir uma coloração bem escura. Se precisar, coloque mais água até atingir o ponto de cozimento final. MONTAGEM Em pratos fundos, disponha os gomos de laranja nas beiradas, em forma de sol. No centro, coloque uma bola de sorvete e espete nela um raminho de hortelã. Jogue a calda por cima das pontas dos gomos de laranja, ressaltando o contraste entre os tons de amarelo e deixando as sementinhas do maracujá apenas nas extremidades. O toque final é dado com um fio de Curaçao Blue na borda do prato, bem rente às frutas. Repare que a sobremesa fica com as cores da Bandeira do Brasil.

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B L O C O

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D E

N O T A S


De volta

às planícies Socialista e amigo pessoal de Lula, Frei Betto subiu ao Palácio do Planalto, mas logo desceu, para retomar a liberdade intelectual Luana Pavani Aos 60 anos, Frei Betto acumula 52 livros publicados dos mais diversos temas, desde fé até a pós-modernidade, de contos diabólicos a receitas culinárias para crianças. Dois de seus livros devem chegar às telas de cinema este ano: "Batismo de Sangue", dirigido por Helvecio Ratton, e "Hotel Brasil", por Cirineu Khun. A obra mais recente, "Treze Contos Diabólicos e um Angélico", foi escrita durante a passagem pelo Palácio do Planalto, quando Frei Betto foi assessor especial do presidente Lula para o programa Fome Zero, de 2003 ao final de 2004. "Meu lugar é na planície". Seja qual for a característica geológica, o téologo conhece cada palmo desse chão. Correu o país montando centros comunitários para educação ao pobres, viveu em favela e hoje é palestrante requisitado. De fala firme e gestos delicados, Frei Betto é o típico amigo mineiro, sábio, porém humilde, de boa prosa e paladar apurado. Cozinheiro de mão cheia, aprimorou a arte na prisão, durante a ditadura, quando passou quatro anos enclausurado. Para os companheiros de cela cozinhava banquetes em um fogão elétrico de quatro bocas, com ingredientes levados pelos amigos e receitas enviadas por carta pela mãe, a culinarista Maria Stella Libanio Christo. O filho, Carlos Alberto, apesar de ter Christo no sobrenome, não teve incentivo em casa para seguir a vida religiosa. "Meu pai era um anti-clerical de marca maior", conta o frei dominicano, que iniciou sua vida de fé num grupo de jovens cristãos, em Belo Horizonte, sua cidade natal. Acompanhe a seguir os principais trechos da entrevista, concedida na cozinha do Chez Victor. 31


B L O C O

D E

N O T A S

- O senhor escreveu praticamente um livro a cada ano de vida alfabetizada. Como organizar tanta produtividade? Sou muito disciplinado. Todo ano reservo religiosamente 120 dias para escrever, em geral em sítios de amigos, casas de campo. Eles nem me encontram. Levo meu computador, minha comida, que eu mesmo preparo, e fico lá, sozinho, nessa viagem literária. Como sou compulsivo, acabo produzindo três, quatro ao mesmo tempo. Descanso de um pensando em outro. Além disso, medito todos os dias, de manhã e à noite. - Sua obra mais recente, "Treze Contos Diabólicos e um Angélico" foi escrita durante seu período no governo. Como foi a experiência? Na verdade, são contos que escrevi nos últimos cinco anos. Mas passei dois deles no Planalto, de onde saí em dezembro do ano passado. Percebi que não tenho vocação para governo, não me adaptei à vida de funcionário público. Quis voltar para a planície, resgatar minha liberdade intelectual, porque no governo eu não tinha como expressar minha crítica. - Nem mesmo sendo amigo do rei? Para ele (Lula, de quem é amigo desde os tempos de sindicalismo no ABC), eu expressava minha discordância com a política econômica. Mas como eu viajava o Brasil inteiro fazendo palestras falando do Fome Zero e de ações sociais, inevitavelmente eu era questionado sobre o governo, que eu não podia criticar. Acho a política econômica muito rígida quanto à responsabilidade fiscal, mas não com a responsabilidade social; quando no Brasil a meta econômica deveria ser reduzir a desigualdade social. Fazer reforma agrária, por exemplo, que era uma promessa do presidente. - O que saiu errado? Em 2003 o governo tinha tudo nas mãos para melhorar a distribuição de renda, mas priorizou o ajuste fiscal (para pagamento da dívida externa). Sou a favor de pagar, mas não tanto. Acho que os credores entenderiam isso em nome da desigualdade social. Eu esperava que este governo mudasse alguma coisa. De toda forma, acho que a educação está andando bem. A reforma universitária tem trazido resultados interessantes. Onde deixa a deseja é na educação de base. Cem por cento das crianças estão nas escolas, mas a qualidade do ensino é ruim. - Por falar em crianças, seu gosto por gastronomia vem de infância? É uma questão genética. Minha mãe (Maria Stella Libanio Christo) já escreveu oito livros sobre culinária mineira, dois deles comigo, para crianças ("Saborosa Viagem pelo Brasil" e "Fogãozinho"). Na prisão é que aprimorei meus dotes culinários, junto a meus companheiros de cela. Num fogão elétrico de quatro bocas preparei banquetes para 50 companheiros. Saindo de lá, na favela eu também cozinhava. 32

- Favela? Ao sair da prisão eu fui para Vitória (ES), onde vivi de 1974 a 1979, num barraco da favela Santa Maria. Ainda existe, está sentimentalmente tombado. É de madeira na frente e tem uma varandinha com vista maravilhosa para o mar e o porto. Mais bonita que de apartamentos de amigos que iam lá e nos quais certamente caberia umas dez vezes o meu barraco. Naquela época eu trabalhava com pessoas muito pobres, em lugares onde não havia igreja, para ensiná-los a rezar e a estudar, e também desenvolver cidadania. Eu ajudei a organizar a Comunidade Eclesial de Base nos anos 70. Depois disso, fui para Pastoral Operária do ABC, quando conheci o Lula. - Qual a mensagem que o senhor leva hoje, como palestrante? Falo principalmente sobre a causa desse desconforto atual que vivemos, em relação a valores, referências. Principalmente para os jovens, que estão confusos quanto ao sentido mais profundo da existência. Nós estamos vivendo um momento de mudança de época, enquanto nossos avós viveram épocas de mudanças. É a transição para a pós-modernidade que traz essa angústia. Da era medieval para a moderna, saímos de um paradigma teocêntrico para antropocêntrico, da fé para a razão. Agora, abandonamos o antropocentrismo pela hegemonia do mercado, o novo Deus.


Frei Betto contou a Victor Syaulis dos banquetes que preparava na prisão e na favela

A mãe, Maria Stella, tem oito livros de culinária publicados, dois deles para crianças, em co-autoria com Frei Betto 33


E R VA S

Cheiros cores esabores

Sintonize o canal da alma para o frescor de viver seu ritual de saúde. Veja como a natureza se manifesta Lavanda Lavandula officinalis A lavanda é a mãe dos óleos vegetais terapêuticos. Foi desta planta que em 1928, na França, o pesquisador Maurice René de Gattefossé fez uma experiência e descobriu a complexidade e riqueza do óleo essencial vegetal. Planta típica de inverno, a lavanda apresenta diversas tonalidades. Seu nome científico, lavandula, deriva do latim lavare, ou limpar. Os europeus têm por tradição usar o óleo de lavanda como antisséptico e sedativo. É o único óleo que pode ser aplicado puro sobre a pele, contra queimaduras, como se fazia na Segunda Guerra Mundial. A lavanda ajuda a limpar o sistema respiratório, alivia dores e tranquiliza. Os jardins do Unique Garden têm oito tipos de lavandas, com diferentes tonalidades.

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Baunilha Vanilla planifolia O óleo de baunilha é essencialmente estimulante. No México, a erva era amplamente usada para temperar a energética bebida “tchocolath” e também em produtos de beleza em festas e rituais religiosos, tamanho seu valor. Apenas uma em cada cem flores produzia boa fava. Já na Europa, a baunilheira foi fruto de um dos primeiros experimentos de engenharia genética. Os franceses tentaram cultivar essa espécie de orquídea em algumas colônias, sem sucesso. Até que um escravo, Edmundo Albius, descobriu em 1841 um método de produzir favas por meio de polinização artificial. Para explicar o trabalho ao senhor, Albiu teria comentado: “Estas flores polinizadas são favas contadas”.

Patchuli Pogostemon patchouli Cheiro de hippie, o patchuli é usado na Índia como fragrância de tecidos e incensos. De perfume doce e sensual, o óleo é frequentemente usado como afrodisíaco. Mas também pode ser aplicado no tratamento de acne e dermatites. É repelente de insetos e de estresse.

Entre no Ervanário e escolha o aroma de gentil em pequeninas proporções

Alecrim

Hortelã-pimenta

Tomilho

Rosmarinus officinalis No Mediterrâneo, ramos de alecrim enlaçados em seda eram oferecidos aos noivos como símbolo de amor e lealdade. A erva traz em seu nome o frescor do mar (ros maris) e tem poder purificador. Na cozinha, além de dar sabor aos pratos, ajuda a regular a digestão. Nos cuidados com a beleza é indicado como regulador da oleosidade da pele e dos cabelos.

Mentha piperita Amplamente usada na culinária e na indústria cosmética, a menta piperita tem poder revigorante e descongestionante, conhecido desde o Egito. Para a produção do óleo, as folhas são colhidas antes do desabrochar das flores, de cor lilás. O chá alivia a tosse e é um tônico estimulante do sistema nervoso e do aparelho digestivo.

Thymus vulgaris Além de perfumar (função que já está no nome, derivado do grego “thymos”), o óleo de tomilho é usado desde o século XVIII como anti-séptico. Hoje serve também como ingrediente de creme dental e enxágues bucais. Na cozinha, é tempero típico de pratos franceses. O banho de tomilho estimula o metabolismo e alivia dores musculares. Fonte: “Aromacologia – Uma ciência de muitos cheiros”, Sonia Corazza, Editora Senac, 2002. Consultoria de Cristiano Budrekas.

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G A S T R O N O M I A

Chá

imperial

O jasmim do imperador só abre sua doce flor no inverno Uma pequenina flor branca de aroma especial reverencia o visitante do Ervanário. Há dois pés de jasmim do imperador na entrada, um de cada lado. Suas flores exalam um perfume doce e delicado. Em infusão, produzem um chá sutil, de raro sabor. Raro, pois a flor do osmanthus frangance, que em latim significa algo como “o perfume do manto real”, só se abre no inverno. Quem carregava esse manto eram os imperadores chineses, que tinham o costume de cultivar em seus jardins muitos dos 200 tipos de jasmim. O blend era tanto mais nobre quanto sua procedência. As pétalas brancas, rosadas ou amareladas, de acordo com a espécie, são colhidas à noite, quando o perfume torna-se mais forte. Nativo do Himalaia, há milênios o jasmim é utilizado como afrodisíaco, principalmente na Índia, onde as pequeninas flores decoram cerimônias nupciais. Experimente colher do Ervanário duas ou três florzinhas brancas de jasmim do imperador e deixe-as repousar numa xícara de água quente por alguns minutos. Aliás, foi com este método que o imperador chinês Shen Nung descobriu o chá, no ano de 2737 a.C. Conta a lenda que ele descansava debaixo de uma árvore, quando o vento soprou e fez algumas folhas pousaram sobre um utensílio com água fervente. Há controvérsias entre os historiadores, pois nessa época a China ainda não estava unificada como império. Enfim... o que importa é que o chá era oferecido aos homens de poder como presente e também recomen36

dado por médicos para tratamento de diversas enfermidades. A dinastia Tang (618--906 a.C.) é considera a idade do ouro do chá, quando a produção e o ritual de preparação tornaram-se mais elaborados. As louças de chá simbolizavam o status de seus donos. Com a popularização da bebida, as folhas chegaram a servir de moeda na negociação com os turcos. Os portugueses também buscavam chá na China, em Macau, o que ajudou na introdução da bebida na Europa. De Lisboa a Londres, foi um passo. E como consta no livro mais antigo de chá de que se tem notícia, "Ch'a Ching", escrito em 780 a.C. pelo chinês Lin Yu, “apreciar o chá só é possível numa atmosfera de amizade, prazer e sociabilidade”.


Colha algumas flores do pĂŠ de jasmim do ErvanĂĄrio e deixe-se supreender

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Idéias

...porque cultura é fundamental para a saúde do espírito por Cíntia Cristina da Silva

C D +

D V D

Difícil é ficar parado

Em 1962, Dean Martin, Sammy Davis Jr. e Frank Sinatra se apresentaram no The Villa Venice Night Club, em Chicago. Essa noite sensacional foi gravada e lançada no CD + DVD Live & Swingin´ - The Ultimate Rat Pack Collection (Warner Music). O disco conta com faixas dos três artistas cantando separadamente e outras em que se juntam para gracejar e soltar a voz em "Birth of the Blues e Nancy (With the Laughing Face)", entre outras. Direto do bar, Dean Martin abre o disco com "Drink to me Only". Em seguida, Frank Sinatra ataca de "Goody Goody", e Sammy Davis começa sua apresentação com "What Kind of Fool Am I". Imperdível. C D

Estudos de mestre Antes de Frédéric Chopin, os estudos de piano tinham um caráter estritamente didático. Eram com essas peças breves que os pianistas se exercitavam e tentavam superar problemas técnicos, mas Chopin os transformou em modalidade musical. Assim como o italiano Maurizio Pollini, o pianista brasileiro Nelson Freire é um dos mais virtuosos intérpretes do compositor polonês. Em Nelson Freire – Chopin (Decca) doze peças do "Études, op.10" são executadas com maestria. Destaque para "Barcorolle, op.60" e a "Sonata No. 2", com a sempre impressionante "Marche Funèbre".

C O L E Ç Ã O

D V D

Gênio subversivo O cineasta italiano Pier Paolo Pasolini foi um dos maiores artistas italianos do século passado. Homossexual assumido, poeta e revolucionário, Pasolini fez de sua vida e obra instrumentos de contestação política e social. Mas, felizmente, além da preocupação política, ele foi um artista comprometido com a beleza das palavras e imagens, como mostra a caixa A Trilogia da Vida (Playarte) que conta com "As Mil e Uma Noites", "Decameron" e "Os Contos de Canterbury", os melhores filmes de sua carreira. Em "Decameron", Pasolini exibe uma sátira divertidíssima da Igreja, valendo-se do escracho.

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L I V R O

A arte de amar A escritora espanhola Rosa Montero relata em Paixões, escrito ao contrário assim mesmo na capa, de maneira fascinante alguns dos maiores romances da história, como o amor do escritor Dashiell Hammett por Lillian Hellman, do poeta Paul Verlaine por Arthur Rimbaud e do presidente argentino Juan Perón por Evita... É claro que um assunto tão palpitante merecia uma obra mais extensa, com mais personagens, no entanto a autora foi muito feliz ao selecionar uma boa variedade de relacionamentos românticos: há a paixão mal resolvida, a não-correspondida, o amor trágico e, finalmente, o amor consumado e feliz. Da Ediouro, 192 páginas.

L I V R O

Sedução à alcova

O clássico Livro das Mil e Uma Noites, do século 14, ganhou nova edição no Brasil, a primeira tradução diretamente do árabe para o português. O tradutor Mamede Mustafa Jarouche manteve a fidelidade do texto e o erotismo, que fora extirpado das versões publicadas anteriormente. O volume um, dentre os cinco previstos pela Editora Globo, traz as primeiras 170 noites de uma história que começou no dia em que o poderoso rei da Pérsia (atual Irã) descobriu que sua esposa lhe foi infiel. Para não correr o risco de ser traído mais uma vez, ele resolveu dormir cada noite com uma mulher e, na manhã seguinte, mandava matá-las. Cansada de ver tantas mortes, Sahrazad, a filha do Vizir, resolveu que seria ela a próxima esposa do rei. Na noite de núpcias, ela começou a narrar uma história que, de tão interessante, manteve o rei acordado e a sentença adiada. L I V R O

O poder da síntese O escritor russo Anton Tchekov, conhecido pelas peças de teatro "Tio Vânia" e "Três Irmãs", nunca escreveu um romance. Ainda assim, ele é considerado um dos maiores nomes da literatura mundial e mestre do texto curto. Seus contos retratam de maneira minuciosa e rica a sociedade russa do início do século 20. A bela edição de Lendo Tchekov (Ediouro, 462 páginas) reúne o ensaio "Uma Viagem à Vida do Escritor", da jornalista americana Janet Malcolm que revela um personagem fascinante. À beira da morte, Tchekov foi instalado num sanatório alemão para se tratar da tuberculose. Em carta à irmã, o escritor não se queixava da doença, mas sim da falta de gosto das alemãs no vestir, veja só. Outra preciosidade são os 37 contos traduzidos do russo pela escritora Tatiana Belinky, dentre os quais destacam-se "A Senhora com o Cachorrinho", "Do Amor" e "Aniuta".

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D I C A S

D A

N U T R I C I O N I S T A

Depois de tanto vinho, fazer o quê?

D R I N K

Que bueno, Che A Bodeguita del Medio oferece boas doses de

descontração, como este saboroso e energizante drink, criado pela simpática bartender Anielli. Ela mostra que é fácil de fazer:

Skenta Ingredientes 2 colheres de chá com chocolate em pó; 100 ml de leite fervente; 1/3 de dose de licor de café; 1 dose de rum Modo de preparo Ferva o leite e logo despejá-lo numa xícara junto com o chocolate em pó. Adicione a dose de rum e por último o licor de café. Sirva quente, com chantilly e chocolate

A nutricionista do Unique Garden, Juliana Gimenes, dá algumas dicas para o dia seguinte à prazerosa e extremamente calórica combinação de queijos e vinhos: - Tanto o álcool quanto o sal em doses elevadas causam desidratação. Portanto, tome muito líquido. - Dê preferência a água mineral sem gás e sucos naturais, pois as bebidas gasosas, como os refrigerantes, dão uma falsa sensação de saciedade, dilatando o estômago. E tudo o que você precisa agora é se alimentar direito, com frutas, legumes e carnes magras. - Evite alimentos gordurosos, como alguns cortes de carne vermelha e queijos amarelos. O seu fígado já está baleado com tanto vinho, coitado. - A ingestão de açúcar ajuda o fígado a se recuperar, pois acelera a velocidade de metabolização das enzimas. Mas não exagere. Prefira uma sobremesa light, como salada de fruta ou frozen iogurte. - Faça seis refeições ao longo do dia: desjejum, fruta, almoço, lanchinho da tarde, jantar e ceia. Assim, você não exagera em nenhuma delas. - Faça esportes, para gastar o que acumulou na noite anterior. Mas agasalhe-se bem, para evitar mudanças bruscas de temperatura. - Ao ar livre prefira o meio da manhã, em torno das 10h, ou o final da tarde, 16h, quando ainda há sol, para ajudar a esquentar o corpo. - Nos dias muito frios, evite exercícios intensos, que façam suar muito e acelerem os batimentos cardíacos, pois há uma grande diferença entre a temperatura inicial e a final da atividade. O problema é que se você tomar friagem, ficará resfriado na certa. Pelo mesmo motivo, quando fizer sauna, tome a ducha no mesmo local. Nada de sair correndo para pular na piscina.

em pó para polvilhar. 23


V I A G E M

?

Janela ou corredor

Selim

Fuja da mesmice com estas exclusivas e surpreendentes viagens de bicicleta por vinhedos da Toscana e da Borgonha Que tal espantar o frio pedalando por lindos vinhedos da Europa? O turismo de aventura deixou de ser exclusividade de atletas e hoje é uma ótima alternativa para quem já está cansado da mesmice dos grandes centros urbanos e dos roteiros de viagem que todo mundo faz. Andar de bicicleta é um exercício agradável e tomar vinho, mais ainda. As pedaladas pelo interior da França e da Itália são idéia do empresário canadense George Butterfield, que já conheceu boa parte do mundo sobre o selim e que há 39 anos comanda a Butterfield & Robinson, agência especializada em expedições de luxo sobre duas rodas. 40

Renata Mesquita


Pedalando no seu ritmo, voc锚 admirar a paisagem buc贸lica da borgonha, conversa com as pessoas, prova frutas locais e ainda deixa para traz as filas e o estresse 41


V I A G E M

No roteiro pela Toscana, não é difícil ter que dividir as estradinhas com carneiros. é uma boa deixa para curtir a paisagem

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Nessas viagens, pegar filas, fazer reservas em restaurantes concorridos ou literalmente esbarrar em pessoas em ruas apinhadas são conceitos que não existem. “Os passeios começaram na França e hoje acontecem no mundo inteiro. É uma ótima oportunidade para explorar a cultura, a história, a comida e a bebida de cada lugar visitado”, garante Márcia Lucas, representante da Butterfield & Robinson no Brasil. A agência organiza expedições para Borgonha e Dordogne, na França, e para a Toscana, na Itália, com saídas de maio a outubro. Apesar dos roteiros fechados, a liberdade e a autonomia de cada viajante dão o tom a esses passeios: cada um faz o seu ritmo. As atividades são em grupo – no máximo, 24 participantes – mas, como cada pessoa recebe seu mapa com orientações minuciosas sobre os percursos a serem feitos e os locais e horários dos eventos, não precisa esperar ninguém terminar o café da manhã para cair na estrada. Nem segurar os demais até o final de uma sessão de compras. “Nosso lema é ‘Slow down to see the world’ (‘diminua o ritmo para ver o mundo’). Quando você faz uma viagem de bicicleta, tem muito mais contato com a região. Vive tudo com mais intensidade, porém com calma. Pode parar para provar uma fruta em uma árvore, experimentar uma bebida feita no lugar, conversar com um morador que esteja passando. A interação com o local é muito maior do que se você estivesse viajando de ônibus ou de carro e você ainda faz exercício”, explica Márcia, acrescentando que


a pessoa não precisa ser atleta para participar. “Dá para escolher o roteiro de acordo com o preparo físico. Se você só pedala ocasionalmente, já pode fazer essas viagens, porque há muitas paradas no percurso”. Todos os passeios são acompanhados de perto por uma van de apoio, que se encarrega de levar as bagagens do grupo e as comprinhas feitas no caminho ou dar o merecido descanso aos aventureiros. A van está sempre carregada de bebidas, material para primeiros socorros, barrinhas de cerais e outros lanchinhos para os ciclistas. Os guias dessas expedições são pessoas que vivem e trabalham nos lugares visitados, como advogados, arquitetos e chefes de cozinha. São dois guias por grupo: um acompanha a turma sobre duas rodas e o outro segue com a van. A expedição pela Borgonha tem duração de cinco noites e seis dias e leva aos campos e construções medievais de Côte de Nuits, Côte de Beaune e Côte de Chablis, de Dijon a Montbard. Já a exploração da Toscana dura oito dias e sete noites, saindo da Florença e passando por Chianti, San Gimignano, Siena e Sinalunga. Os percursos, de no máximo 80 km, são feitos em bicicletas com marchas européias ou americanas com direito a banco de gel, bagageiro, bolsa, mapa, capacete e garrafa térmica para água. Sem falar que sempre dá para dar uma paradinha para desfrutar um bem-servido piquenique à sombra de frondosas árvores, com vinhos de primeiríssima linha. E ainda dá para perder uns quilinhos!

NOVAS

BIKES

Já que o assunto é bicicleta, duas boas novidades:

A Caloi relançou a Caloi 10, modelo que foi sucesso de vendas no final dos anos 70. A nova Caloi 10 chega com 12 marchas, quadro de alumínio com design slooping (específico para bicicletas speed), pneus aro 700 e duplo sistema de freio em alumínio. O visual é retrô, nas cores vermelha e branca ou azul e branca. À venda em lojas especializada e magazines, a Caloi 10 custa R$ 899.

A Mercedes-Benz Accessories colocou nas lojas alemãs a Automatic Bike. Elegante, segura e confortável, tem 8 marchas e suspensão controlada eletronicamente. A magrela da Mercedes-Benz vem com sensores e um computador de bordo que registram e interpretam as condições do solo e a velocidade do passeio para adequar a suspensão a molas e o câmbio. Além disso, vem com luz de freio, três programas de passeio – light, normal e sporty – e o usuário também pode mudar as configurações manualmente. Na Europa, a Automatic Bike custa, em média, 2.490 euros.

Próximas saídas Os pacotes incluem café da manhã, almoço, jantar, todas as entradas nos vinhedos, museus e outros passeios, degustações e serviços de hotel, inclusive as gorjetas. A Jornada pela Borgonha, de 6 dias e 5 noites, ocorre nos períodos de 14 a 19 de julho; 14 a 19 de agosto; 4 a 9 de setembro; 17 a 22 de setembro; 3 a 8 de outubro, e custa US$ 3.750 por pessoa em apartamento duplo. A Jornada pela Toscana, de 8 dias e 7 noites, vai de 18 a 25 de setembro ou 2 a 9 de outubro, por US$ 5.495 por pessoa em apartamento duplo. Butterfield & Robinson: (21) 2259-8292 Site: www.butterfield.com.br 43


SPAS NO MU N DO por Jenni Lipa Kayyali

Dica da

Jenni Especialista em spas, Jenni Lipa Kayyali indica nesta edição o El Monte Sagrado, nos EUA

Mais do que uma consultora de viagens; Jenni Lipa Kayyali é uma expert em spas. A cada ano, Jenni visita spas em todo o globo e seleciona os os mais diferenciados para cuidar do corpo e da alma. Ao final do processo, a simpática e afetuosa Jenni cria uma lista com as sugestões de viagem no site SpaTrek.com. Após conhecer o Unique Garden em maio passado, Jenni se disse encantada. "É um lugar para relaxar a alma e entrar em contato com o eu interior. O ambiente também propicia o romance, com vários locaizinhos para se estar com a pessoa amada, e aguça a criatividade, como no quiosque Casa do Poeta”. E completou: “O Unique Garden é um deleite para todos os sentidos". Fora do Brasil, Jenni diz que algumas dessas características podem ser encontradas no El Monte Sagrado, que ela diz ser um “irmão” do Unique Garden, no estado americano do Novo México. Ela conta o que viu e sentiu lá: 46


“O destino final justifica a viagem quando se chega ao El Monte Sagrado, após uma hora de carro de Santa Fe. Esse resort de tirar o fôlego é um santuário para a correria da vida urbana. Vivencie extraordinário luxo, arte e beleza em harmonia com a natureza e incríveis paisagens. Aprecie lagos repletos de trutas e majestosas árvores nas montanhas Sangre de Cristo. Tom Worrell elaborou esse resort como um modelo de desenvolvimento sustentável, sem sacrificar o conforto e a estética. Na construção, por exemplo, foi usado um tipo especial de concreto, que aceita bem a terra. Os sistemas de aquecimento e ar-condicionado instalados não agridem a camada de ozônio. Obras de arte e mobília personalizada contribuem ainda mais para o clima de sofisticação. Pendendo sobre o lobby há um lustre de 150 quilates de cristal citrino, emanando raios de luz e energia. Os dois balcões de recepção são talhados em madeira petrificada do deserto do Arizona. Os banheiros têm cortiça portuguesa delineando as paredes, com peixes fossilizados encravados nas cubas. As 35 suítes e casitas exclusivamente decoradas ficam em torno do círculo sagrado de árvores. Os quartos foram ricamente decorados com objetos autênticos de acordo com cada tema, assinados por artistas

Cada um dos 35 quartos do El Monte Sagrado tem estilo único. Pode ser tropical, egípcio ou indiano - este com direito ao sugestivo banho na hidro Kama Sutra

locais e internacionais. As suítes Native American trazem itens originais da cultura indígena americana, cada qual nomeada em homenagem a um chefe de tribo. Se optar por uma das acomodações globais - Japão, China, Marrocos ou Egito, para citar algumas -, você se sentirá como se estivesse visitando um destes países. O quarto japonês, por exemplo, tem papel de parede de bambu pintado a mão. Repare ainda na minuciosa pintura artística dos móveis. Todas as suítes têm varandas ou jardins. Algumas dispõem de lareira e banho de água quente ao ar livre. O café da manhã ou o almoço podem ser no The Gardens, em meio a plantas tropicais. A cozinha internacional com toques regionais é uma deliciosa obra de arte. Jantar no De La Tierra é celebrar uma cozinha inventiva e excepcionais vinhos, arquitetura e decoração. Os drinks e a diversão noturna acontecem no Anaconda Bar, onde há um exótico aquário. Sua pele será mimada e remineralizada com produtos estritamente naturais. Uma boa pedida é a massagem relaxante de citronela e gengibre. Revigore-se com o blend de arnica, alecrim e louro para aliviar dores musculares. Já a mascara facial Osea preenche os poros com puro oxigênio e minerais. Tratamentos alternativos inovadores como o Toque Intuitivo trarão seu eu interior à tona. Os hóspedes são estimulados a participar da programação diária do spa, que tem o intuito de educar, inspirar e nutrir a alma só, com a família ou os animais de estimação. Todos os ambientes são para não-fumantes.” 47


C O R P O

E

A L M A

A รกgua do Unique Garden proporciona banhos calmantes

Rica em componentes, a รกgua do spa chega a ter tonalidade azulada

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Água de beber e de cuidar

e hidratantes. Para beber, tem maior teor de silicio do que a Evian A palavra spa vem do latim salus per acqua. No Unique Garden o termo é levado a sério, uma vez que as fontes locais têm propriedades especialíssimas para o seu bemestar. O efeito de um banho, por exemplo, permanece na sua pele por quatro dias. E, durante sua estada, cada gole deste precioso líquido, leve e de paladar agradável, aumenta a sensação de paz e relaxamento. A riqueza de componentes da água é tamanha que a tonalidade chega a ser azulada. As fontes que banham os 300 mil metros quadrados do spa brotam de rochas de 2 a 3 bilhões de anos, a mais de 300 metros do nível do solo. A água que chega aos quartos, às cozinhas, ao viveiro, à horta, às piscinas e salas de banho é monitorada frequentemente por geólogos, que trabalham para manter sua qualidade e pureza, bem como a temperatura constante de 20oC. As fontes Lajota e Bosque foram cuidadosamente analisadas pelo especialista Fábio Tadeu Lazzerini, diretor da Sociedade Brasileira de Termalismo, que as classificou como radioativas oligominerais

oxigenogasosas frias. Trocando em miúdos, isso significa que os banhos do Unique Garden têm propriedades revigorantes, tonificantes e hidratantes, graças à presença de radônio, silício, lítio e zinco. Lazzerini, destaca entre os elementos presentes na água do spa o radônio, elemento antiestresse, também recomendado para cuidados com a pele, tratamento de artrite e o equilíbrio do sistema nervoso central, pois a radioatividade derivada do gás radônio potencializa o efeito do lítio, calmante. Em inalação, ajuda a dissipar problemas respiratórios. “O paladar levíssimo da água, com toque ácido, e a quantidade de sais minerais e oligoelementos nos levam a comparar a água do Unique Garden com famosas estâncias internacionais, como Vichy, na França, Bad Gastein, na Áustria, e Kurba Schlema, Alemanha”, afirma o especialista em geodiversidade e águas mineromedicinais. Lazzerini explica que, para beber, a água do Unique Garden é superior em teor de silício às marcas envasadas francesas Evian, Avene e Volvic. Esse elemento químico é um agente natural de limpeza, adstringente, antioxidante e purificante. Atua como antiinflamatório e fortalece o sistema imunológico, além de ajudar na constituição de ossos, cartilagens, dentes e tecidos. Além disso, a fonte Lajota é a segunda do ranking mundial das águas minerais com maior relação entre sílica e sais totais dissolvidos, acima da fonte Volcania, em Grand Barbier, na França e abaixo somente de Tupirama, no Tocantins. “Só o fato de ter águas profundas, frias e livres de contaminação já faz do Unique Garden uma estação hidromineral do circuito paulista, na região de Atibaia, ou ‘água boa’ na língua dos índios. Mais que isso: foi testado e comprovado que a radiatividade associada a oligoelementos e oxigênio é benéfica tanto para cura quanto para tratamentos estéticos”, explica Lazzerini. Outra vantagem da água do spa é o baixo teor de sódio, que favorece dietas de emagrecimento. Cadê o copo? 47


A M B I E N T E

Vida mato boa do

O Parque da Cantareira é a maior floresta

Nascentes, córregos, cachoeiras. É água para encher um sem fim de cântaros. A Serra da Cantareira, assim denominada pelos tropeiros nas origens de São Paulo, é hoje um dos principais reservatórios do sistema de abastecimento da metrópole. Para quem sai dela, a dez quilômetros de distância da Praça da Sé, outros 90 quilômetros de Mata Atlântica preservada aguardam uma visita. As copas de intenso verde das árvores, algumas com mais de vinte metros de altura, garantem ar puro e abrigo para animais em extinção, como jaguatiricas, suçuaranas, preguiças e bugios, e plantas tropicais, como orquídeas e bromélias. O Parque Estadual da Cantareira é a maior floresta urbana nativa do mundo, com 7.916 hectares – extensão superior maior que a do Parque Nacional da Tijuca, com 3,95 mil hectares, afirma a coordenadora do Programa de Uso Público do parque paulista, Aparecida Pereira. A área abrange parte de São Paulo, Caieiras, Mairiporã e Guarulhos, tem três núcleos. O de Pedra Grande, primeiro aberto ao público, em 1989, é o principal ponto turístico, onde uma das atrações é seu Antônio Cafalho, o Toninho, guarda do parque há 49 anos. Ele costuma receber as excursões escolares e de ecoturismo no núcleo Pedra Grande, onde há anfiteatro, museu, trilhas leves e áreas de piquenique. Ao sair para caminhar, em trilhas que vão de 1.200 (a das Figueiras) a 9.500 metros (da Pedra Grande), seu Toninho dá dicas de como conviver com os animais selvagens. “Não precisa ter medo da onça. Se você encarar, é ela que fica com medo; acha que é um animal maior. Mas não pode abaixar para amarrar o sapato, que ela vê que é do ‘memo’ tamanho e aí ataca”,

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urbana nativa do mundo

O guarda-parque Antonio Cafalho, seu Toninho, ensina que a Jaguatirica é que tem medo do bicho-homem

conta, repassando as lições que aprendeu com o falecido pai, seu Arlindo, um dos primeiros guardiões da Cantareira, em 1919. A nova geração não se empolgou com o ofício. Ao menos seu Antônio conseguiu convencer os filhos cinco próprios, seis de criação e um sobrinho que foram cuidados por ele e dona Benedita – de que a fumaça de carro de São Paulo “destrói a vida mais cedo”. E sentencia: “Boa é a vida do mato, minha segunda família”. Em um determinado momento da entrevista, o guarda florestal assovia um canto, o do Curiango, e explica que a música que o acorda todos os dias tem som de “amanhã eu vou”. No “terreninho” que tem fora da área do parque, os Cafalho criam galinhas, milho, vegetais e ervas. Nos dias de folga, seu Antônio dá aulas de remédios naturais, utili-

zando 21 plantas medicinais. “Tem um preparado contra a tosse com canela-sassafraz, ‘gerbão’, ‘póprio’, mel de ‘abeia’ e ‘calipto’, que fica cozinhando 50 minutos”. E para tirar a dor nas costas, ele não tem dúvida. “Eu ensino a dar um estalo, que é com duas pessoas agarrando o sujeito, e dá uma torção assim, ó. Passa a dor na hora”. Mais curiosidades são contadas em cada núcleo de visitação da Cantareira. Depois de Pedra Grande, o segundo ponto aberto ao público, em 1992, foi o do Engordador, nome que remete a uma fazenda de gado da região. A entrada fica na altura do km 70 da Fernão Dias e é lá que está a trilha para mountain bike, com 1.400 metros de percurso variado pela Mata Atlântica. No alto se vê a Torre de Furnas, empresa responsável pela transmissão de energa elétrica na área do parque, de Guarulhos a Ibiúna. Uma das mensagens reforçadas com os visitantes é de evitar o desperdício de água, exatamente para afastar novas obras de impacto ambiental. A melhor ilustração disso é a trilha da Cachoeira, com 6,5 quilômetros de quedas d´água e margeada pelo Rio Engordador. O núcleo Águas Claras, por sua vez, data de 2000, e tem 80% de sua área decretada como de proteção de mananciais. Localizado na divisão entre São Paulo e Mairiporã, permite caminhar por entre samambaias gigantes, de até 2,5 m de altura, e pelo bosque de araucárias. Outra trilha curta (1.200 metros) é a da Suçuarana, que segue o rastro de onde o animal passou. Mas é difícil que isso ocorra de novo, ao menos à luz do dia, pois a onça parda tem hábitos noturnos. 49


C O M P R A S

Coisa fina Presente dos deuses. Esse é o significado da palavra Theobroma, que batiza este "aparelho" de cortar chocolate. A barra redonda já é inusitada. As lascas finas, que derretem na boca, são cortadas pela faquinha, que dá ainda mais charme ao equipamento.

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Achados Gira-gira

Não é um relógio, nem um enfeite. É uma bolinha que funciona à base da força centrífuga. Com ela na mão, faça movimentos circulares. O rotor interno gira e o marcador externo aponta as rotações por minuto (RPM). Há quem use para treinar a força do braço e melhorar o desempenho no golfe, no tênis, no boxe. Mas há quem use por pura diversão. No site do fabricante existe até um ranking mundial de RPM. O atual campeão é um grego que chegou a 15.552 RPM.

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50


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Pegada moderna Sapato com cara de tênis, bota com cara de sapato, tênis com cara de bota. Passe por cima da tradição com o Fila Iódice Wrestler, para homens, cujo design foi inspirado nos esportes de luta, e o Umbro Fifty50, uma espécie de chuteira para mulheres.

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Uma seleção de produtos exclusivos e cheios de charme Por: André Ciasca e Carolina Hanashiro Força no pulso Com caixa de aço, cristal de safira, designer quadrado e resistente a até 100 metros debaixo d’água, a linha de relógios Speed da Louis Vuitton tem design inspirado no velocímetro dos carros. Suas linhas e curvas transmitem força e sensualidade tanto nos modelos mais robustos, para homens, quanto nos mais delicados, para mulheres.

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C O M P R A S

Leve para qualquer lugar Não precisa ser criança nem adolescente pra curtir um jogo eletrônico. Principalmente se for o PlayStation Portátil Value Pack. Na telinha de cristal líquido wide screen de 4,3 polegadas, é possível jogar, ver filmes e fotos. Ainda dá para conectá-lo ao computador por cabo USB e ouvir MP3 pelos alto-falantes externos ou através dos fones de ouvido com controle remoto.

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Cor para relaxar Nada como um bom banho relaxante depois de um tenso dia de trabalho. A Ducha Chromo da Deca cria efeitos luminosos com seus leds de alto brilho.

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Toque de estilo Este telefone sem fio da Bang & Olufsen foi desenhado pelo designer dinamarquês David Lewis. O aparelho tem este formato curvilíneo e é feito em um único pedaço de alumínio, sem cortes. O músico dinamarquês Kenneth Knu compôs um toque exclusivo para o aparelho, um mix de notas musicais e sons de metal e vidro, representando os componentes do telefone. Sem fio, ele cobre uma área de até 300 metros em ambiente aberto, tem agenda com capacidade para 200 nomes e também pode ser usado como controle remoto para a televisão.

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Bom de memória Não é um simples equipamento de som. O BeoSound 3200 possui memória para até 400 CDs em formato MP3. As músicas são armazenadas em quatro pastas diferentes, escolhidas no painel do equipamento ou no controle remoto. Também pode ser acoplado ao computador. No BeoSound 3200 é possível conectar até 20 pares de alto-falantes, posicionados em 16 ambientes.

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Cool Para evitar aquele constrangimento no jantar de ver os copos intocados porque a bebida esquentou faz tempo, a loja Spicy tem um cooler portátil que, ligado na tomada, vai manter a garrafa ou a latinha na temperatura ideal a noite toda.

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Amor eterno O branco é amizade, o amarelo é fidelidade e o rosa, amor. Unidas, as três alianças simbolizam o amor absoluto. Nos anos 20, Louis Cartier e o poeta Jean Cocteau desenharam um anel para celebrar a paixão no mundo. Nascia a coleção Trinity.

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P E R S O N A G E N S

A vitória-régia da Amazõnia floresceu em Ubatuba

Plantas, sonhos

bobagens e

O agrônomo Cristiano Budrekas orgulha-se de ter erguido o Ervanário e de ter feito sexo com uma bela vitória-régia Lavanda tem cheiro de sonho para Cristiano Budrekas. Um dia, no meio da década de 90, Victor Siaulys lhe perguntou se em Mairiporã a terra era boa para plantar lavanda. Algumas semanas depois, o engenheiro agrônomo já tinha pesquisado sobre a planta, da qual não havia mudas no Brasil. Pediu da França amostras de duas espécies, que foram aclimatadas com sucesso no Rio Grande do Sul. Ao mesmo tempo em que brotava o perfume das flores lilases, Cristiano foi chamado novamente pelo empresário, desta vez para ajudar no projeto de um spa. “Eu já tinha sonhado o sonho dele. Enxerguei daquela vez a imagem de um campo de lavanda no terreno em frente à casa dele, e já tinha material para começar”, relembra. A pesquisa continuou, com a importação de mais 24 tipos de lavanda da Itália. Do total, oito foram capazes de resistir a um fungo típico de solo tropical, o fusarium, e agora perfumam o jardim do hotel. Outro de seus feitos foi ter conseguido criar vitórias-régias nativas da Amazônia em Ubatuba, litoral paulista, e depois enviá-las para o Unique Garden e o Jardim Botânico de São Paulo. A polinização artificial é um trabalho que exige dedicação. A flor só se abre a cada dois ou três dias. De janeiro a junho o agrônomo acompanhou as floradas, uma a uma, para fazer a fertilização digital da planta. “Fiz sexo com a vitória-régia por seis meses”, brinca 54

Cristiano, orgulhoso do tom de vermelho vivo que as flores adquiriram ao final do processo. Evolucionista convicto, Cristiano sempre dá um jeito de associar situações do cotidiano a capítulos da história natural. De acordo com sua teoria, churrasco é uma atividade política. “O homem convida os amigos para repartir seu sucesso, distribuindo o produto da conquista, a caça. Você não vai contar seus méritos num festival de saladas, certo?”, provoca o fã de picanha. Peixe ele gosta também, principalmente puxado com seu molinete. “Pode mexer em tudo o que eu tenho em casa, exceto na minha caixa de pesca. Esse é meu prazer, meu sonho”, conta o “bicho d´água”, apelido trocado com Victor Siaulys, outro


descendente de lituanos. O termo caracteriza a pele alva dos conterrâneos – exceto quando o sangue ferve, o que é comum. “Nisso parecemos com os italianos”. De tudo o que há no Unique Garden, o que o agrônomo mais aprecia é a filosofia. “Nada foi plantado só porque é bonito. Tudo foi exasutivamente debatido e tem alta tecnologia por trás”. Embora seja fácil para Cristiano elaborar projetos complexos de criação de plantas, como o Ervanário, que abriga 158 espécies em 1500 metros quadrados, lidar com o computador não é seu forte. “Esse troço é que não se dá bem comigo. Pode ser o modelo mais moderno, que eu ponho a mão ele trava”. Ao contrário, seus três filhos adolescentes (dois são enteados) têm familiaridade com a máquina, mais do que com as plantas. Ainda assim, Cristiano, 44 anos, tenta convencer outros jovens dos encantos da história natural como professor universitário ou por meio de suas crônicas “Plantas, Bobagens”, que ele escreve “naquele troço” e publica regularmente no site de sua empresa, a Flora Toninhas (www.portalubatuba.com.br/ FloraToninhas). Leia, por exemplo, a que volta ao homem das cavernas, poligâmico, para dar orientações sobre como erguer (em vez de pular) a cerca.

O “bicho d’ água” Cristiano é darwiinsta convicto


P E R F Ă? L

Curva

umbilical


Tomie e Ruy Ohtake compartilham de uma visão curvilínia da paisagem. Ela embeleza o lago com a obra Borboleta e ele surpreende com a Vila Contemporânea Luana Pavani


P E R F Í L

O Hotel Unique é um dos projetos mais polêmicos de Ruy Ohtake, que declaradamente tem a intenção de provocar

Mãe e filho têm especial amor pelas curvas. Tomie e Ruy Ohtake preenchem o espaço urbano com traços fluidos, sensoriais. Ela, em esculturas lúdicas, como os arcos do canteiro da Avenida 23 de maio; ele, em arranha-céus quase oníricos. Ambos brincam com a percepção do observador, que é convidado a repensar o que entende e sente sobre arte. "A curva dá leveza e movimento à paisagem urbana, ajuda a tornar a cidade mais agradável do que o traço ortogonal", explica o arquiteto Ruy. Oscar Niemeyer, o pai das curvas em concreto, o considera "um dos mais legítimos representantes da arquitetura brasileira". Ele faz por merecer o elogio, buscando inovar, sempre. “A arquitetura tem sua época. Em todos os meus projetos procuro fazer algo contemporâneo, que seja característico do século XXI”. 58

No Unique Garden, Ruy Ohtake assina os dez chalés da Vila Contemporânea, cinco quadrados e cinco redondos. "A idéia era provocar o inusitado", revela o autor do projeto, cujo ambiente interno reserva novas provocações, nas variadas possibilidades de acabamento. São de três tipos: madeira, pedra ou concreto. A assinatura de Ruy Ohtake também está na fonte redonda do jardim central, próximo à Vila Mediterrânea, e em todo o desenho do pavilhão de massagens, a Casa de Pandora. "Procurei manter as salas voltadas para a parte mais bonita do jardim e coloquei no vidro umas manchas verdes, para que o hóspede tenha duas dimensões da paisagem, a real e a que ele vê". Outra preocupação foi criar no interior do prédio um percurso sinuoso entre as salas, "para causar surpresa e emoção". Estas são as duas melhores palavras para descrever a obra de arte que Tomie elaborou para decorar o lago do Unique Garden, onde flutua a "Borboleta". É uma estrutura de alumínio leve, de 8 centímetros de espessura e 8 metros de envergadura, pintada de branco brilhante para


Tomie não pára de produzir, nem quando deveria estar de repouso médico. Suas telas, mesmo “sem título”, são reconhecidas em todo o mundo

refletir os raios de luz sobre a água. A artista imaginou o impacto visual da obra, entregou o desenho à metalúrgica com a qual costuma trabalhar, mas não pôde acompanhar a instalação (nem esta entrevista), pois estava convalescendo de uma cirurgia o olho direito, de descolamento da retina. "Mesmo nesse período em que deveria ter ficado de repouso, ela continuou produzindo", revelou Ruy. Em virtude da admirável disposição desta senhora de 95 anos, os médicos recomendaram então que durante aquelas três semanas de recuperação a artista mantivesse a cabeça pendendo para baixo, de forma a evitar movimentos bruscos do globo ocular. "Ela não teve dúvida: puxou para si uma cadeira mais baixa, e usou o assento de madeira como mesa. Ela só teve de reduzir o tamanho do papel de desenho", explicou o filho. Nascida no Japão em 1913, Tomie veio para São Paulo em 1936, e naturalizou-se brasileira em 1968. A grande dama das artes plásticas brasileiras, como os críticos se referem, só começou a produzir quando tinha 40 anos. Hoje, demonstra a mesma vitalidade e vigor, ainda inovando no tratamento do binômio forma/cor. Tomie já con-

quistou cerca de 30 prêmios nacionais e internacionais, realizou 50 exposições individuais e participou de cinco edições da Bienal Internacional de São Paulo, com suas telas, gravuras e esculturas, sempre sem título. A "Borboleta" é uma exceção, não apenas por ter nome como também por ter sido feita sob encomenda. Coisa de mãe e filho, desta vez, de criação. Victor Siaulys considera Tomie sua segunda mãe, desde os tempos em que eram vizinhos, no bairro da Pompéia. Daí a intimidade para pedir que ela projetasse uma escultura que lembrasse uma borboleta, para embelezar o jardim detrás da Vila Mediterrânea. Tomie acatou o pedido em partes. Fez a borboleta, mas para ser colocada no lago, flutuando. “A idéia foi brilhante”, afirma Victor. As famílias Siaulys e Ohtake se conhecem há cinco déca59


P E R F Í L

das. "Eu e o Victor íamos juntos para o ginásio. Somos amigos desde adolescentes. Ele é um homem ético, de um coração enorme e de uma cidadania exemplar", diz Ruy, que desde então vem desenhando as casas do semi-irmão e seus empreendimentos empresariais, como o Laboratório Aché. Da mesma maneira, o Instituto Cultural Tomie Ohtake tem apoio financeiro do Aché. Ao todo, são mais de 300 projetos desde que ele abriu escritório, em 1960, após ter se formado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Hoje é o filho quem frequenta o curso, embora Ruy não tenha planos traçados para Rodrigo. “Não faço questão de que ele venha trabalhar no meu escritório, acho que o Rodrigo tem de trilhar seu próprio caminho”. Trilhas não faltam no Parque Ecológico do Tietê, a principal obra pública que Ruy considera ter realizado. "São sete Ibirapueras", compara o arquiteto, informando que a área é de sete km2 e deve chegar a 50 km2 com a expansão futura até Mogi das Cruzes. Uma parte do parque dá de fundos para o jardim do Laboratório Aché, o que neste caso foi mera coincidência. “O Parque Ecológico do Tietê é um projeto do governo do Estado de São Paulo”, ressalta Ruy Ohtake. No exterior, seu nome está por trás da Embaixada Brasileira em Tóquio e o Museu Aberto da OEA - Organização dos Estados Americanos, nos Estados Unidos. Mas um de seus projetos mais polêmicos, no Brasil e no mundo, é o Hotel Unique, de São Paulo. Alguns enxergam no desenho uma melancia. Outros, um navio. Ruy gosta dos exercícios de imaginação: "É um sinal de que aquele projeto está marcado. Quando a arquitetura é inovadora, as pessoas tendem a buscar referências do que conhecem, como quando chamavam o Congresso de Brasília de meia-laranja, na década de 60". E diz: "Com o edifício da Paulista também vai ser assim". O prédio de escritórios desenhado por ele para a Serplan e a Matec, na esquina da Avenida Paulista com a rua Teixeira da Silva, deve ficar pronto no início de 2006. Parece o quê? Um robô, um batom, um estojo de caneta...

Um dos locais mais notáveis do Unique Garden é a Vila Contemporânea, com dez chalés assinados por Ruy Ohtake, sendo cinco quadrados e cinco redondos.


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M O M E N T O

U N I Q U E

Circuito Clássico

O Rally Classic Cars deixou um rastro

As belas Gabriella Bundchen e Paola de Orleans e Bragança acertam os últimos detalhes em frente à Daslu,antes da largada

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O Unique Garden Hotel Spa foi a primeira parada do campeonato de regularidade Rally Classic Cars, organizado pelo publicitário Mauro Salles, do MG Club, em conjunto com a agência de eventos Greatfinds, de Aluísio Ribeiro de Lima, Michel Saad e Rico Mansur. Os 150 participantes do 50º encontro de antigomobilismo do Brasil deram a largada no dia 18 de junho em São Paulo, na Daslu, e chegaram ao Relais Jardin para o almoço, onde foram recepcionados por Maria Helena Fittipaldi. O clima era de confraternização, mais do que de competição. Entre as mesas circulavam velhos amigos e seus filhos adolescentes, alguns eram até co-pilotos das equipes.


Maria Helenea Fittipaldi recebeu os competidores do rally organizado pelo publicitãrio Mauro Salles

A dupla Caroline Bittencourt e Alvaro Garnero ainda de bom-humor, antes de chamar o guincho

de beleza e nostalgia no Unique Garden

O vencedor da prova foi este Puma GTE 1974, do casal Fernando e Ângela Figueiredo

Depois de um breve passeio pelos jardins do hotel, os colecionadores de Mustang, Jaguar, BMW, Mercedes, Rolls Royce, Maserati, Ferrari, Alfa Romeo, Porsche, entre outras raridades, voltaram para a estrada, rumo a Campos do Jordão, onde dormiram no Grand Hotel. O final do rally foi em São José dos Campos, na sede da

Embraer, onde o jato executivo Legacy estava em exposição. No hangar, os 43 carros esportivos europeus também deram show. Um deles chegou de guincho: foi o BMW 1.600 Cabriolet do casal Caroline Bittencourt e Alvaro Garneiro, que quebrou na estrada. O Puma GTE 1974 de Fernando e Ângela Figueiredo levou o troféu. Eduardo e Vera Lambiasi ficaram em segundo lugar, com o MG B Roadster, seguidos por outro MG B, de Gilbert e Maria Raquel Landsberg, em terceiro. Mas quem chamou mais atenção foi a bela dupla Paola de Orleans e Bragança e Gabriela Bündchen, que chegou em 22º a bordo de um MG F 1998 branco conversível. 63


M O M E N T O

U N I Q U E

Desafio com

tranquilidade

Mailson da Nóbrega tirou cinco semanas para escrever um livro escondido no spa

O economista Mailson da Nóbrega escolheu o Unique Garden para uma temporada de alta produtividade intelectual. Num chalé quadrado da Vila Contemporânea, o ex-ministro da Fazenda reservou cinco semanas consecutivas para escrever seu terceiro livro, do começo ao fim. "Pretendo passar de 12 a 14 horas por dia trabalhando, para entregar o livro ao final de julho à editora e vê-lo nas livrarias em novembro. Acho que vai dar certo, apesar de meus amigos desconfiarem de que não". Ele tem o apoio da família, que só o verá nos finais de semana. Mailson considera o Unique Garden "o local ideal para enfrentar um projeto de fôlego como este; tanto pelo conforto e a tranquilidade quanto por toda a infraestrutura tecnológica”. O hóspede levou consigo um micro de mesa, um notebook, um i-Pod para ouvir música e 200 livros para consulta. 64

Mailson conta aqui, em primeira-mão, as linhas gerais de "O Futuro Chegou" (título provisório), composto no chalé e nos quiosques do Unique Garden: "O Brasil entrou numa nova fase, que será caracterizada por uma sólida democracia e uma economia orientada pelo mercado, sustentada em instituições fortes, com políticas sociais voltadas aos menos favorecidos, educação de qualidade e um ambiente de muita concorrência na iniciativa privada. Farei uma análise histórica da economia desde o século XVII e os motivos que geraram nações capitalistas ricas, como a Inglaterra, a Holanda, os EUA e o Canadá, para mostrar que o Brasil está entrando numa fase semelhante. É a maior transformação da História do país, pois pela primeira vez a liderança do desenvolvimento caberá à sociedade e aos empreendedores, não ao Estado. Há mudanças profundas na mentalidade do povo brasileiro, que se tornou intolerante à inflação e à corrupção. Em meio às denúncias recentes, o mercado não sofreu, reiterando que não há crise de confiança. O primeiro sinal deste novo ambiente foi quando Lula assumiu o governo e manteve a política econômica. Os sinais são animadores e a transformação é muito rápida. Até que o novo vença o velho e prevaleça, todavia, acredito que vá levar pelo menos mais uma geração."


Romance fimdesemana no

O pacote do Dia dos Namorados incluiu astrologia

Os eternos namorados tiveram um fim de semana de deleite no Unique Garden. Os chalés os aguardavam com uma garrafa de Moët Rosé 750 ml. No jantar, servido no Chez Victor, com música ao vivo, o menu combinava camarões, vieiras, foie gras, vitela, linguado, bolinho de chocolate e profiteroles. O café da manhã podia ser tomado a qualquer hora do dia no próprio chalé. Depois do despertar, os namorados fizeram caminhadas, passeios de bicicleta, meditação, hidroginástica, entre outras atividades. No sábado, o hotel ofereceu uma palestra com a astróloga Cristina Porto sobre sinastria, para unir ainda mais os casais. Ela, que trabalhou por 28 anos como executiva de marketing em grandes empresas, inaugurou o espaço Olimpo com o bate-papo.Mas o destaque ficou por conta do ritual de massagem com duas horas e meia de duração, incluindo banhos a dois. Para completar, almoço light, com produtos orgânicos e carnes grelhadas, mais deliciosas sobremesas e cafezinho expresso, para acordar. Ou foi sonho? 65

Unique Garden  
Unique Garden  

Revista do Unique Garden

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