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Histรณria Componente curricular Histรณria

ISBN 978-85-20-00197-4

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788520 001974

Componente curricular Histรณria Anos finais do Ensino Fundamental

8ยบ ano

Histรณria

Marco Pellegrini Adriana Dias Keila Grinberg


Componente curricular História Anos finais do Ensino Fundamental

8º ano

Professor graduado em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL-PR). Autor de livros didáticos de História para o Ensino Fundamental e Ensino Médio. Editor de livros na área de ensino de História. Atuou como professor de História em escolas da rede particular de ensino.

Adriana Machado Dias Professora graduada em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL-PR). Especialista em História Social e Ensino de História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL-PR). Autora de livros didáticos de História para o Ensino Fundamental e Ensino Médio. Atuou como professora de História em escolas da rede particular de ensino.

Keila Grinberg

História

Marco César Pellegrini

Professora graduada em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ). Doutora em História Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ). Professora do Departamento de História da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO-RJ).

3a edição    São Paulo    2015


Copyright © Marco César Pellegrini, Adriana Machado Dias, Keila Grinberg, 2015 Diretor editorial Lauri Cericato Gerente editorial Silvana Rossi Júlio Editora Natalia Taccetti Editores assistentes Nubia de Cassia de M. A. e Silva e Gabriel Careta de Souza Assessoria Carolina Leite de Souza e Leonardo de Sousa Klein Gerente de produção editorial Mariana Milani Coordenadora de produção Marcia Berne Coordenadora de arte Daniela Di Creddo Máximo Coordenadora de preparação e revisão Lilian Semenichin Revisão Viviam Moreira (líder); Revisores: Aline Araújo, Célia Regina N. Camargo, Cristiane Casseb, Eliana A. R. S. Medina, Lilian Vismari, Lívia Perran, Oswaldo Cogo Filho, Paulo José Andrade e Regina Barrozo Supervisão de iconografia Célia Maria Rosa de Oliveira Iconografia Erika Nascimento e Priscila Massei Diretor de operações e produção gráfica Reginaldo Soares Damasceno Produção editorial Scriba Projetos Editoriais Edição Ana Flávia Dias Zammataro Assistência editorial Alexandre de Paula Gomes e Ana Beatriz A. Thomson Projeto gráfico Marcela Pialarissi, Laís Garbelini e Dayane Barbieri Capa Marcela Pialarissi Imagem de capa Fotomontagem de José Vitor E. C. formada pelas imagens TranceDrumer/ Shutterstock.com, Stokkete/Shutterstock.com (fundo) e José Vitor Elorza/ ASC Images (perfil) Edição de imagens Bruno Beneduce Amancio Edição de ilustrações Ana Elisa, Camila Ferreira e Maryane Vioto Silva Diagramação Daniela Cordeiro de Oliveira Tratamento de imagens José Vitor Elorza Costa Ilustrações Art Capri, Camila Ferreira, Estudio Meraki, Gilberto Alicio, José Vitor E. C. Cartografia E. Cavalcante Assistência de produção Daiana Melo, Denise A. Santos e Tamires Azevedo Autorização de recursos Erick L. Almeida Pesquisa iconográfica Alaíde França, André Silva Rodrigues, Soraya Pires Momi e Tulio Sanches Editoração eletrônica Luiz Roberto L. Correa (Beto)

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Pellegrini, Marco César Vontade de saber história, 8o ano / Marco César Pellegrini, Adriana Machado Dias, Keila Grinberg. – 3. ed. – São Paulo : FTD, 2015. Bibliografia ISBN 978-85-20-00197-4 (aluno) ISBN 978-85-20-00198-1 (professor) 1. História (Ensino fundamental) I. Dias, Adriana Machado. II. Grinberg, Keila. III. Título.

15-03785 CDD-372.89 Índices para catálogo sistemático: 1. História : Ensino fundamental 372.89 Em respeito ao meio ambiente, as folhas deste livro foram produzidas com fibras obtidas de árvores de florestas plantadas, com origem certificada.

Reprodução proibida: Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados à Editora FTD S.A. Rua Rui Barbosa, 156 – Bela Vista – São Paulo-SP CEP 01326-010 – Tel. (11) 3598-6000 Caixa Postal 65149 – CEP da Caixa Postal 01390-970 www.ftd.com.br E-mail: ensino.fundamental2@ftd.com.br

Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD S.A. CNPJ 61.186.490/0016-33 Avenida Antonio Bardella, 300 Guarulhos-SP – CEP 07220-020 Tel. (11) 3545-8600 e Fax (11) 2412-5375


Apresentação

Estátua da rainha Jinga, Luanda (Angola) Foto: Anton_Ivanov/ Shutterstock/Glow Images

Para você, o que é História? Algumas pessoas pensam que História é o estudo do passado. Outras, porém, afirmam que ela serve para entender melhor o presente. Nós acreditamos que História é tudo isso e muito mais! O estudo da História nos ajuda a perceber as ligações existentes entre o passado e o presente. A escrita, a música, o cinema, as construções magníficas, os aviões, os foguetes... Tudo aquilo de que dispomos hoje, desde os produtos fabricados com tecnologia avançada até a liberdade de expressão, devemos às pessoas que trabalharam e lutaram, enfim, que viveram antes de nós. A História nos permite conhecer o cotidiano dessas pessoas e perceber como a ação delas foi importante para construir o mundo como ele é hoje. A História nos auxilia a conhecer os grupos que formam as sociedades, os conflitos que ocorrem entre eles e os motivos de tais conflitos. Ela nos ajuda a tomar consciência da importância de nossa atuação política e a desenvolver um olhar mais crítico sobre o mundo. Assim, nos tornamos mais capazes de analisar desde uma afirmação feita por um colega até uma notícia veiculada pela televisão. Ao estudarmos História, percebemos a importância do respeito à diversidade cultural e ao direito de cada um ser o que é, e entendemos como esse respeito é indispensável para o exercício da cidadania e para construirmos um mundo melhor. Bem-vindo ao fascinante estudo da História! Os autores.


Conheça

Abertura de capítulo

o seu

livro

tos de tráa abordar navios suspei a Marinha inglesa passou entre os goCom a lei Bill Aberdeen, o gerou vários conflitos Atlântico. Essa situaçã fico de escravos no oceano Inglaterra. da e Brasil do vernos fim do tráA pressão inglesa pelo ao extremo fico de escravos chegou de Cormorant, no caso do Incidente Paranaguá, liocorrido em 1850, em ocasião, uma toral do Paraná. Nessa a Baía embarcação inglesa invadiu ar navios captur para de Paranaguá de escravos. brasileiros carregados inores morad Militares brasileiros e o atacaconformados com a invasã . ram a embarcação inglesa

Museu Paranaense, Curitiba. Rodolpho Doubek. 1982. do Paraná Cultura/Governo do Estado Secretaria de Estado da

avos O fim do tráfico de escr

capítulo 10

Nas páginas de abertura dos capítulos, você encontrará imagens e um pequeno texto que despertarão seu interesse pelos assuntos que serão estudados. Há também algumas questões que propiciam a troca de ideias com os colegas e o professor, tornando o estudo mais interessante.

e Ao lado, a tela Incident do Cormorant, de Rodolpho Doubek, 1982.

o de Queiroz, r, em 1850, a Lei Eusébi governo brasileiro a aprova mpeu o fluxo Essa situação forçou o o Brasil. Essa lei interro cional de escravos para mão de obra que abolia o tráfico interna para o fornecimento de cá e criou dificuldades para África da os de escrav as. para as regiões cafeeir

Explorando a imagem

na Europa

Essa seção vai ajudá-lo a perceber que acontecimentos diferentes ocorrem ao mesmo tempo em diversos lugares e que cada sociedade tem sua própria história.

São questões de análise de fontes históricas, que propiciam o desenvolvimento da habilidade de ler imagens.

A Constituição francesa , assinada por Luís XVI, limitou os poderes do rei francês. Alegoria da aceitaçã e decretou o fim do poder o da Constituição pelo absoluto rei Luís XVI, pintura de autoria desconhecida, 1791.

O sujeito na história

O sujeito na história Você conhecerá pessoas que participaram ativamente do processo histórico. Vai perceber que a ação de todos os sujeitos históricos, inclusive você, pode transformar a sociedade.

capítulo 5

A Constituição foi aprova da em 1791 e contemplou ceiro estado, como a igualda as principais reivindicaçõe s do ter­ de civil, jurídica e fiscal. estendeu a toda a socied Porém, a igualdade política ade. não se A nova lei estabelecia uma diferenciação entre os cidadãos ativos, aquele votar e candidatar­se a s que podiam cargos eletivos, e os passiv os, aqueles que não podiam das eleições. participar Essa diferenciação foi estabelecida de acordo com a renda de cada um a participação política e impossibilitou de milhões de franceses. Além deles, as mulheres bém ficaram excluídas francesas tam­ das decisões políticas do Estado.

Paráfrase: livre interpretação de um texto, dando a ele um novo enfoque.

Olympe de Gouges

Marie Gouze nasceu em 1748 na cidade de Montauban, na França. Filha de um açougu eiro, Marie se casou jovem filho, mas, pouco tempo e teve um depois, seu marido morreu . Em 1770, ela se mudou para Paris, trocou seu nome para Olymp e de Gouges e passou a escrever textos e peças de teatro que defendiam ideais de liberdade. Durante a Revolução Francesa, Olympe lutou para que a igualdade de direito s não se limitasse apenas aos homens. Em 1791, ela publicou a Declaração dos Direito s da Mulher e da Cidadã. Nesse texto, a escritora fez uma paráfra se dos 17 artigos da Declaração dos Direito s do Homem e do Cidadã o. Acusada de ter se oposto aos líderes revolucionários e de ter pretendido se igualar aos homens, Olymp e de Gouges foi conden ada à morte pelo Tribunal Revolucionár io e executada em 1793.

Séc. XVIII. Aquerela sobre papel. Museu do Louvre, Paris (França). Foto: Fine Art Images/Easyp ix

k Album/Akg-Images/Latinstoc

237

Enquanto isso...

1791. Guache sobre cartão. Museu Carnavalet, Paris (França). Foto: Art Images Archive/Glow Images

do exército, operários Para enfrentar as tropas barricada, em Berlim, alemães montam uma de J. Kirchhoff, 1848. em 1848. Xilogravura

A Constituição francesa de 1791

Coleção particular. Foto:

escravos, por causa do tráfico de entre Brasil e Inglaterra s europeias, Na época dos conflitos rático em várias cidade s caráter liberal e democ na Áustria. Essas revolta ocorreram revoltas de Viena, e nha, Alema na , Berlim, como Paris, na França Primavera dos Povos. ficaram conhecidas como com estavam descontentes Os operários europeus a que de vida e de trabalho as péssimas condições os Assim, apoiados por artesã estavam submetidos. para ruas às rários saíram e estudantes, esses ope reivindicavam maior partici exigir mudanças. Eles o. res condições de trabalh pação política e melho do em grandes melhorias resulta tenha não a Embor cona Primavera dos Povos na vida dos operários, ráticas as instituições democ tribuiu para fortalecer us. em vários países europe

J. Kirchhoff. 1848. Xilogravura.

Enquanto isso...

Olympe de Gouges. Aquarel a de autor desconhecido, século XVIII.

107


Explorando o tema Nessa seção, um dos temas do capítulo é apresentado em páginas especiais, que o ajudarão a entender melhor as relações entre o passado e o presente.

Investigando na prática Nessa seção, são apresentados diferentes tipos de fontes históricas, algumas com explicações sobre seu significado e outras para você analisar. Você vai observar, comparar, elaborar hipóteses e aprender muito.


Livros Nas seções com esse ícone, você encontrará sugestões de livros interessantes relacionados aos assuntos estudados.

Encontro com... Nessa seção, os temas de História são articulados com assuntos de outras áreas do conhecimento, enriquecendo ainda mais o seu aprendizado.

Filmes Quando encontrar esse ícone, haverá uma sugestão de filme que enriquecerá o seu conhecimento sobre algum assunto do capítulo.

Sites As sugestões de sites da internet para você consultar são acompanhadas desse ícone.

Consciência e atitude cidadã Existem assuntos que nos levam a refletir sobre nosso cotidiano, influenciando nossas ações e nos ajudando a perceber como podemos melhorar o mundo em que vivemos. Nesta coleção, alguns deles são destacados pelos ícones apresentados a seguir.

Meio ambiente O planeta Terra é a nossa casa e, portanto, somos responsáveis por ele! Por isso, precisamos ter uma postura consciente e crítica em relação às atitudes que prejudicam o nosso planeta. Sejam ações realizadas na escola, no bairro ou na cidade, não importa, precisamos fazer tudo o que pudermos para conservar o nosso lar.

Esse tema propicia a reflexão sobre os cuidados que devemos ter com nosso corpo, a importância de respeitarmos e sermos respeitados em nossas relações afetivas e de vivenciarmos a sexualidade com segurança.

Sexualidade e gênero

Saúde Pense em um dia comum de sua vida e avalie se seus hábitos fazem bem à saúde. Os cuidados médicos, a prática de esportes, as rotinas de higiene e uma alimentação adequada são atitudes simples que contribuem para o nosso bem-estar. Esse assunto faz parte do tema Saúde, um conteúdo que vai chamar a sua atenção para simples procedimentos que colaboram com a qualidade de vida.


Atividades História em construção Você verá que na disciplina de História não existem verdades definitivas e que novos estudos podem modificar nossa compreensão sobre acontecimentos do passado.

História em construção

Localizada ao final de cada capítulo, essa seção é composta por diferentes tipos de atividades. Nela, você poderá checar o seu aprendizado, exercitar diferentes habilidades e aprofundar os conhecimentos adquiridos no estudo do capítulo.

As revoluções burguesas

A expressão “revoluções burguesas” é utilizada por vários historiadores referem a movimentos quando se revolucionários, ocorrido s entre os séculos XVII pela burguesia, ou com e XVIII, liderados participação expressiva desse grupo social. Os principais movime ntos revolucionários de caráter burguês são Inglesa (1640-1689) e a Revolução a Revolução Francesa (1789-1799). Em ambos lucionários burgueses os casos, aliaram-se a grupos popular revoes para combater o Absolut e os privilégios da nobreza , abrindo caminho para ismo a implantação do capitalis base em práticas do liberalis mo, com mo.

A Revolução Inglesa

Jornal Folha da Manhã. 03/10/1931

capítulo 1

9. No dia 3 de outubro de 1931, o jornal Folha da Manhã publicou uma nada à maneira de contar notícia relacioo tempo. Veja.

Desde 1640, ocorreram conflitos na Inglaterra que opuseram dois grupos: lado, a nobreza e o rei; do outro, os burgueses, de um vários grupos populares Depois de décadas de e o Parlamento. conflitos, foi aprovada uma Declaração de Direitos outras coisas, instituiu que, entre monarquia constitucional no país, limitando o poder Com o fim da Revoluç do rei. ão, a burguesia inglesa se fortaleceu e passou portante espaço nas decisões a ter um imdo governo. Isso garantiu o desenvolvimento do capitalismo e para o desenvo as condições necessárias para lvimento de uma postura mica liberal na Inglater ra. econô-

A Revolução Francesa No caso francês, a burgues ia revolucionária foi profund pensamento iluminista, amente influenciada pelo sobretudo pela crítica ao Absolutismo monárq vilégios da nobreza e uico e aos prido clero. Além disso, a valoriza ção iluminista da liberdad e civil e a tentativa de instituições do país foram reformar as incorporadas pelos revoluci onários . Com a Revolução, esses fatores contribuíram para para a ascensão da burgues a falência do Antigo Regime ia na França. e

Irmãos Lesueur. Séc. XVIII. Guache sobre cartão. Museu Carnavalet, Paris (França). Foto: Art Archive/Glow Images Images

a ) Explique o significa do do termo “revoluções burguesas”. b ) Qual foi a consequ ência desses movimentos, Revoluções Inglesa e para a burguesia? Francesa,

116

Burgueses revolucionários franceses. Pintura dos irmãos Lesueur, século XVIII.

a ) Qual é o título dessa notícia? E o subtítulo? b ) Quando foi assinad o o decreto no 20 466? Quem o assinou? c ) O que esse decreto determinou? d ) Quais os argumentos utilizados para justifica r a assinatura desse decreto? e ) De acordo com o decreto, qual seria o período em que estaria em vigor a verão”? Reescreva no caderno “hora do a frase que lhe permitiu chegar a essa conclusã f ) Atualmente, existe o. no Brasil alguma lei semelha nte à que foi apresentada fonte histórica? Qual? nessa

Refletindo sobre o capítulo Essa seção apresenta uma síntese das principais ideias de cada capítulo e contribuirá para que você avalie como está o seu aprendizado.

Ética e Cidadania Esse tema está ligado, principalmente, à seguinte pergunta: Como devemos agir? Em nosso cotidiano, é comum vivenciarmos situações e conflitos que nos deixam em dúvida sobre que atitude tomar. Ao discutirmos essas questões, estamos refletindo sobre nossas ações, além de despertar a nossa consciência para a cidadania.

Trabalhar e consumir: dois atos que dizem respeito à vida em sociedade. Qual é a importância do trabalho? Que profissão você gostaria de ter? O que é consumo? Será que estamos consumindo de forma consciente? Essas e outras questões fazem parte do tema Trabalho e Consumo, um assunto muito importante que influencia o estilo e a qualidade de vida.

Trabalho e Consumo

Refletindo sobre o capítu lo Agora que você finalizou o estudo deste capítulo , faça uma autoavaliação Verifique se você compre de seu aprendizado. ende as afirmações a seguir. • Por meio do estudo da História , podemos entender melhor a realidade em que vivemos • Todo ser humano é um sujeito . histórico. • O tempo histórico pode ter diferent es durações. • Fonte histórica é toda a produçã o humana que pode fornece que serve à construção r informações sobre o do conhecimento histórico passado, . • Os conceitos históricos sofrem modificações ao longo do tempo. Após refletir sobre essas afirmações, converse com os colegas e o professo de que todos compreenderam r para certificar-se o conteúdo trabalhado neste capítulo.

33

Pluralidade cultural

Existem inúmeras formas de viver e de se relacionar com os outros e com o ambiente. Cada povo tem sua cultura, sua identidade, sua maneira de se manifestar no mundo. Inclusive, em um único país, como no Brasil, existem várias culturas convivendo e interagindo no mesmo espaço. O tema Pluralidade cultural trata justamente dos aspectos pertinentes a esse assunto, como o respeito e a valorização dessa diversidade cultural.


capítulo

capítulo

sumário

1

1

Construindo a História ........................................................... 14 Estudando História ..................................... 16

Construindo a História

• O que é História? • Os sujeitos históricos

Nobreza francesa reunida em 1745 7 na Galeria dos Espelhos, 745 no Palácio de Versalhes, França. Aquarela de Charles-Nicolas Cochin, século XVIII.

Tempo e História .......................................... 17 • O tempo da natureza e o tempo cronológico • O tempo histórico

14

As fontes históricas.................................... 18 • O que são fontes históricas? • A História Tradicional e as fontes históricas • A renovação das fontes históricas

Investigando na prática ........................20

capítulo

• A publicidade como fonte histórica

2

História em construção

O conhecimento se transforma ......... 23

Conceitos importantes para a História............................................................. 24 •A •A •O •O •O

política economia trabalho capitalismo liberalismo

Explorando o tema ....................................28 • A historicidade dos conceitos

O Antigo Regime ......................................................................... 34 A formação do Antigo Regime .......36

O Absolutismo francês ...........................45

• O sistema feudal • A crise do feudalismo • A burguesia e a nobreza apoiam o rei • A centralização política • O mercantilismo

• O Absolutismo francês no século XVIII

• O primeiro estado • O segundo estado • O terceiro estado

O Absolutismo ibérico...............................42 • A formação do Estado moderno espanhol • O Absolutismo espanhol • O Absolutismo em Portugal

O Absolutismo inglês ............................. 44 • Um Absolutismo diferente capítulo

• As interpretações das fontes históricas • A análise de obras de arte

Atividades .........................................................30

Uma sociedade dividida ....................... 40

3

O conhecimento histórico .................... 22

História em construção

Os teóricos do Absolutismo ............... 46

O público e o privado no Antigo Regime ............................................................ 48 • O Estado e o indivíduo • Novos papéis sociais do Estado • A vida cotidiana

Encontro com............................................... 50 • Literatura – Os contos de Charles Perrault

Explorando o tema .................................... 52 • Uma feira na época do Antigo Regime

Atividades .........................................................54

O Iluminismo .................................................................................... 58 O Século das Luzes .................................. 60 • A era da razão

Os pensadores do Iluminismo ......... 62 • O método científico • Os filósofos iluministas

A Enciclopédia .............................................. 64 • A difusão das ideias iluministas

Iluminismo e religião ............................... 66 • A crítica à Igreja • Voltaire e os filósofos deístas

Iluminismo e política ................................ 67 • A crítica ao Absolutismo • Montesquieu e os Três Poderes


O despotismo esclarecido................... 68 • As principais reformas • O despotismo esclarecido em Portugal

O pensamento econômico ...................69 • A crítica ao mercantilismo • A fisiocracia

O impacto das ideias iluministas .....................................................70 • As ideias iluministas na Europa do século XVIII

Explorando o tema .................................... 72 • As ideias iluministas na formação do mundo contemporâneo

Atividades ......................................................... 74

A Revolução Americana ...................................................... 78 Os ingleses na América ........................ 80 • Os primeiros colonos na América do Norte • As Treze Colônias • A Revolução Americana

O comércio triangular .............................82 • Trocas comerciais

História em construção

Colônias de exploração e de povoamento ....................................................83

O processo de independência das Treze Colônias .......................................... 84 • A Guerra dos Sete Anos • As consequências do conflito • O Massacre de Boston • A Festa do Chá de Boston • As Leis Intoleráveis e o Primeiro Congresso Continental

A independência...........................................87

4

capítulo

John Locke....................................................... 67

5

capítulo

O sujeito na história

• A Declaração de Independência • O apoio francês • A conquista da independência • A Constituição dos Estados Unidos da América • O Estatuto dos Direitos

O sujeito na história

Thomas Paine .............................................. 90 • As contradições pós-

-independência

Os africanos na América do Norte .......................................................... 92 • Escravidão • Intercâmbio cultural • A matriz cultural africana na América do Norte

Explorando o tema ....................................94 • Indígenas na América do Norte

Atividades .........................................................96

• O Segundo Congresso Continental

A Revolução Francesa e o Império Napoleônico .................................................................................... 100 A França antes da revolução ......... 102 • A crise do Antigo Regime • A crise econômica e administrativa • A Revolução Francesa e o período Napoleônico

A convocação dos Estados Gerais ....................................... 104 • A tentativa de resolver a crise • A Assembleia Nacional

• As reformas da Assembleia Nacional • A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão • A Constituição francesa de 1791

O sujeito na história

Olympe de Gouges...................................107

A Convenção Nacional......................... 108 • A proclamação da República


• A prisão e a execução do rei • As facções políticas na Convenção Nacional • A Convenção girondina • O governo radical • A Constituição republicana

História em construção

A esquerda, a direita e o centro ....... 111

A radicalização revolucionária ........ 112 • Robespierre e o Terror Revolucionário • A Reação Termidoriana e o Terror Branco

O governo do Diretório ......................... 114

capítulo

• A burguesia no poder • As campanhas de conquista

6

O calendário revolucionário francês ............................................................. 115 • Um novo calendário

História em construção

As revoluções burguesas...................... 116

O Império Napoleônico .......................... 117 • A ascensão de Napoleão • A política interna • A política externa • O Bloqueio Continental e suas consequências • A queda do Império Napoleônico

Explorando o tema ................................. 120 • O impacto da Revolução Francesa

Atividades ....................................................... 122

A Revolução Industrial........................................................ 126 A Revolução Industrial .........................128 • As manufaturas • O início da era industrial • Os impactos da industrialização • Alguns fatos que marcaram a Revolução Industrial

A Inglaterra sai na frente .................. 130 • A acumulação de capitais • Disponibilidade de mão de obra • Os recursos naturais

A sociedade se transforma............... 132 • Mudanças na sociedade • Mudanças nas relações de trabalho • A disciplina nas fábricas • A vida social dos operários • O estilo de vida da burguesia

Uma cidade industrial ...........................136 • A cidade de Sheffield

Investigando na prática ......................138 • A produção têxtil inglesa: da manufatura para a fábrica • A especialização do trabalho nas fábricas

O trabalho nas fábricas......................... 141 • O dia a dia do trabalhador • Mulheres e crianças trabalhadoras

Alternativas de organização social ................................................................142 • Socialismo científico • Positivismo • Anarquismo

O sujeito na história

Mikhail Bakunin..........................................143

A luta dos trabalhadores ................... 144 • A divulgação das ideias • As greves e os motins • A organização sindical • As conquistas dos trabalhadores

O sujeito na história

Susannah Wright ..................................... 145

Explorando o tema ................................. 146 • As mudanças na percepção da passagem do tempo

Atividades ...................................................... 148


• O império colonial espanhol em crise • As reformas dos Bourbons • A situação nas colônias • A invasão napoleônica na Espanha

O sujeito na história

Francisco de Goya .................................... 157

A América espanhola independente ............................................ 158 • Independências declaradas

Os processos de independência ..159 • As primeiras manifestações • As condições para a independência • A emancipação da América do Sul espanhola

• As relações entre Portugal e Inglaterra • Portugal e o Bloqueio Continental • A transferência da Corte portuguesa • Tratados assinados entre Portugal e Inglaterra • O processo de independência do Brasil

O Brasil deixa de ser Colônia .........179 • A “interiorização da metrópole” • O Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves • A Revolução Pernambucana de 1817

Transformações no Rio de Janeiro .............................................................182 • A criação de instituições • Aumento da população • Mudanças nos hábitos

O sujeito na história

Debret ...............................................................183

Investigando na prática ..................... 184 • Jean-Baptiste Debret: representando o cotidiano brasileiro

8

• A fragmentação política

A independência do México.............162 • Os movimentos sociais • As lutas de independência • As elites no poder • A sociedade mexicana após a independência

A independência de Cuba................. 166 • Cuba no século XIX • As guerras de independência

Explorando o tema ................................. 168 • A cultura mexicana pós-independência

Atividades .......................................................170

A independência do Brasil.............................................. 174 As relações entre Brasil e Europa no século XIX ........................................... 176

capítulo

A crise do sistema colonial ............. 154

7

capítulo

As independências na América espanhola..... 152

Rio de Janeiro, a capital do Reino ....................................................... 186 • O Largo do Paço Real

A Revolução do Porto .......................... 188 • Uma revolução liberal • As Cortes de Lisboa • As propostas das Cortes • O regresso de D. João VI • A permanência de D. Pedro

O conflito de interesses ...................... 190 • Quais eram os grupos políticos? • O partido português • O partido brasileiro

A proclamação da Independência..........................................192 • O caminho da separação • A declaração de independência

Encontro com...  ......................................... 194 • Arte – A tela Independência ou Morte

Explorando o tema ................................. 196 • A Biblioteca Nacional

Atividades ...................................................... 198


capítulo

9

A consolidação da independência brasileira............................................................................................ 202 O Brasil independente......................... 204 • A sociedade brasileira no período pós-independência • Primeiro Reinado e período Regencial

A formação do Estado nacional brasileiro ..................................................... 206 • As guerras de independência • A integração da nação

O sujeito na história

Lord Cochrane ........................................... 207

História em construção

O significado da independência .... 208 • A Assembleia Constituinte • A Constituição de 1824

A Confederação do Equador .......... 210 • Insatisfação em Pernambuco

Um governo em crise ............................. 211 • As causas da crise • A abdicação de D. Pedro I

O Brasil governado por regentes......................................................... 212

capítulo

• Um período conturbado • A criação da Guarda Nacional

10

• As tendências políticas • O Ato Adicional

O Levante dos Malês..............................214 • A população baiana em meados do século XIX • Escravos e ex-escravos na Bahia • O levante

A diversidade étnica dos africanos .......................................................216 • As "nações" africanas

A Cabanagem................................................218 • Os antecedentes da revolta • A participação popular

A Revolução Farroupilha .................. 220 • As motivações do conflito • A República Rio-Grandense • A República Juliana • A reação do governo • O acordo de paz

Explorando o tema ................................ 222 • As mulheres no Brasil do século XIX

Atividades ..................................................... 224

O apogeu do Império do Brasil ............................... 228 O Brasil na época de D. Pedro II .................................................. 230 • O Golpe da Maioridade • A mão de obra • Política e modernidade

O início do Segundo Reinado....... 232 • O contexto político • O reinado de D. Pedro II

A Revolução Praieira .............................233 • O conflito

A expansão cafeeira.............................. 234 • A opção pelo café • O aumento do consumo externo • A marcha do café

O trabalho escravo nos cafezais.... 236 • O dia a dia na fazenda • A lei Bill Aberdeen • O fim do tráfico de escravos

A resistência dos escravizados ...... 238 • Luta contra a escravização • Fuga e negociação • A formação de quilombos

As diferentes atividades econômicas............................................... 240 • Uma economia agrária

A Guerra do Paraguai .......................... 242 • O jogo de interesses • O conflito • Os Voluntários da Pátria • As mulheres na guerra • O fim da guerra e as consequências • Imagens da guerra

Explorando o tema ................................ 248 • A identidade nacional

Atividades ..................................................... 250


• A diversificação da sociedade • A sociedade reivindica mudanças • A questão militar

A imigração de europeus ................. 258 • O contexto europeu • O contexto brasileiro • A vinda para o Brasil • Quem eram os imigrantes?

O sujeito na história

Antonio Pellegrini ..................................... 261

A fazenda de café ................................... 262 • A estrutura e organização da fazenda cafeeira

O início da modernização do Brasil .............................................................. 264 • A situação econômica • As ferrovias • Os melhoramentos urbanos e as fábricas

O sujeito na história

Barão de Mauá.......................................... 265

• Povos tradicionais • Estados expansionistas • O Império Zulu

O kraal zulu................................................... 286 • Uma casa a céu aberto

O Imperialismo na África. ........... 288 • Origens e características do Imperialismo • A colonização europeia na África • Argélia • África do Sul • Egito

Bibliografia ................................. 302

12

Explorando o tema ................................ 266 • A vida cultural no final do século XIX

A abolição da escravidão ................. 268 • O Movimento Abolicionista • As leis abolicionistas • Conjuntura favorável à abolição • A participação popular • A Lei Áurea • Os ex-escravos após a abolição • A cultura afro-brasileira

O sujeito na história

Tia Ciata .........................................................272

O fim da Monarquia ...............................273 • O descontentamento com a política imperial • O Movimento Republicano

Investigando na prática ..................... 274 • Um caricaturista critica o Império • A República é proclamada

Atividades ..................................................... 278

A África no século XIX ..................................................... 282 O continente africano .......................... 284

capítulo

A crise do Império .................................. 256

11

capítulo

O fim da Monarquia e a proclamação da República ................................................................................. 254

O sujeito na história

Yaa Asantewa ..............................................291 • A África dividida • As consequências para a África

Enquanto isso... na Ásia e na Oceania ........................................................ 294 • O domínio imperialista nas terras orientais

Explorando o tema ................................ 296 • A resistência africana ao Imperialismo

Atividades ..................................................... 298


capítulo

1

Nobreza francesa reunida em 1745 na Galeria dos Espelhos, no Palácio de Versalhes, França. Aquarela de Charles-Nicolas Cochin, século XVIII.

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Construindo a História


É a partir da análise das fontes históricas que os historiadores conseguem perceber as mudanças e permanências nas sociedades no decorrer do tempo. Objetos antigos, pinturas, documentos escritos e fotografias são exemplos de fontes utilizadas pelos historiadores na construção do conhecimento histórico.

Autor desconhecido. Séc. XVIII. Gravura. Museu Carnavalet, Paris (França)

Charles-Nicolas Coc Paris (França). Foto hin. Séc. XVIII. Aquarela. Museu do : Classic Image/Alam Louvre, y/Latinstock

Observe as imagens apresentadas nestas páginas e conver­se com os colegas sobre as questões a seguir.

Mulheres armadas realizam marcha durante a Revolução Francesa de 1789. Em um curto espaço de tempo, essa revolução acarretou profundas mudanças na sociedade francesa. Acima, A Versailles, a Versailles, gravura de artista desconhecido, século XVIII.

A Como foi representada a nobreza francesa do século XVIII?

De acordo com a imagem ao lado, como eram as condi­ções de vida desse setor da sociedade? B Na gravura acima, como foram representadas as mulheres? C Ao comparar essas duas fontes históricas, o que é possí­

vel perceber sobre a sociedade francesa no século XVIII? Comente.

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Estudando História Por meio da investigação de fontes sobre o passado, podemos compreender melhor a sociedade em que vivemos.

O que é História? História é o campo do conhecimento dedicado ao estudo das ações dos seres humanos no tempo e no espaço. Esse estudo procura analisar as transformações que acontecem ao longo do tempo nas sociedades e também os aspectos que, mesmo com o passar do tempo, permanecem semelhantes. Ao estudarmos História, temos condições de entender melhor a realida­ de em que vivemos. O estudo dos acontecimentos passados nos permite analisar como as pessoas que viveram em outras épocas se relacionavam entre si e como suas ações contribuíram para transformar a realidade de sua cidade, de seu estado ou de seu país. Conhecendo melhor os acontecimentos passados e percebendo que as ações de todos os cidadãos são importantes para os rumos da história, temos maior clareza da importância do nosso papel na transformação da sociedade e na construção de um mundo melhor e mais justo.

Sociedade: conjunto de pessoas que convivem em um espaço, compartilhando regras, costumes, língua etc. Por meio dos grupos sociais, como a família e a escola, as pessoas se integram à sociedade, estabelecendo relações entre si.

Os sujeitos históricos

Juca Martins/Pulsar

Sujeitos históricos são todos aqueles que, por meio de suas ações, participam do pro­ cesso histórico. Todos nós somos sujeitos da história e diariamente interferimos e in­ fluenciamos a sociedade em que vivemos.

Museu da Pessoa O site disponibiliza diversos relatos que contam a história de vida de milhares de sujeitos históricos. Veja em: <http://eba.im/i5ikyx>. Acesso em: 28 out. 2014.

A história não é feita somente por “grandes personagens” como reis, generais e políticos. Todas as pessoas são importantes agentes transformadores da história. A fotografia ao lado retrata pessoas participando de um comício das Diretas Já, na praça da Sé, em São Paulo (SP), em abril de 1984. Essa campanha mobilizou sujeitos históricos em todo o Brasil, e, graças a ela, os brasileiros reconquistaram o direito de eleger o presidente da República por meio do voto direto.

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capítulo 1

Tempo e História O tempo é um elemento fundamental nos estudos históricos.

O tempo da natureza e o tempo cronológico Podemos perceber e medir o tempo de várias maneiras. O tempo da na­ tureza, por exemplo, segue sempre em frente e não depende da vontade humana. Esse tempo pode ser percebido principalmente pelo envelheci­ mento das pessoas. O tempo cronológico, por sua vez, obedece às regras humanas e, por isso, é um produto cultural que pode variar de uma época para outra ou em sociedades diferentes. O tempo cronológico é medido por meio de unida­ des de medida criadas pelo ser humano, como segundos, minutos, horas, dias, meses, anos etc. Para medir a passagem do tempo cronológico, usa­ mos, por exemplo, relógios e calendários.

Cultura: conjunto de conhecimentos, costumes, crenças, tradições, línguas etc. que constituem e caracterizam uma determinada sociedade e que é transmitido através das gerações. Por ser um produto humano e histórico, a cultura também se transforma no decorrer do tempo.

O tempo histórico Para analisar as transformações sociais, no entanto, utilizamos o tempo histórico, pois essas transformações não ocorrem sempre no mesmo ritmo: há mudanças que ocorrem depressa e outras que demoram mais tempo para acontecer. O tempo histórico permite que o historiador analise essas transformações e também as permanências, isto é, aquilo que se transforma muito lentamente e, por isso, parece não mudar. Para facilitar o entendimento das transformações e permanências sociais, o historiador francês Fernand Braudel (1902-1985) propôs três diferentes durações do tempo histórico: a longa duração, a média duração e a curta duração. Veja.

••Longa

Ph. Blanchard. 1841. Litografia. Coleção particular. Foto: G. Dagli Orti/De Agostini/Glow Images

duração: as mudanças ocorrem de forma lenta e demoram séculos para se realizarem.

••Média

duração: as mudanças ocorrem em 10, 20 ou 50 anos e geralmente podem ser percebidas ao longo da vida de uma pessoa.

••Curta duração: são eventos breves que ocorrem em um curto espaço de tempo, como meses ou dias.

A escravidão de africanos no Brasil, que durou cerca de 350 anos, é um exemplo de acontecimento de longa duração. A assinatura da Lei Áurea, ocorrida no dia 13 de maio de 1888, é um exemplo de acontecimento de curta duração. Ao lado vemos uma litografia intitulada Escravo do Rio de Janeiro, feita por Ph. Blanchard, 1841.

Pequena História do Tempo Sylvie Baussier. São Paulo: Edições SM, 2005.

O livro apresenta as formas como algumas sociedades se relacionavam com o tempo em diferentes períodos históricos.

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As fontes históricas A análise das fontes históricas é essencial para a interpretação dos fatos do passado.

O que são fontes históricas? Fonte histórica é tudo aquilo que pode nos fornecer informações sobre o passado e serve à construção do conhecimento histórico. São exemplos de fontes históricas: jornais, livros, cartas, diários, letras de música, histórias em quadrinhos, pinturas, fotografias, filmes, mapas, moedas, joias, esculturas e muitas outras. Além disso, são considerados fontes históricas os relatos orais, como as histórias contadas por nossos avós.

A História Tradicional e as fontes históricas Essa variedade de fontes históricas, no entanto, nem sempre foi considerada válida pelos historiadores. Muitos historiadores europeus do final do século XIX consideravam fontes históricas principalmente os documentos escritos e oficiais, como leis, decretos, contratos e tratados. Os adeptos da História Tradicional, conhecidos como metódicos, defendiam que, por meio da análise dessas fontes, era possível reconstruir os aconteci­ mentos do passado exatamente como eles ocorreram. Observe um exemplo de documento escrito e oficial. A carta foi timbrada com o brasão imperial, o que significa que esse documento foi expedido pelo governo.

A lei no 3 353, também conhecida como Lei Áurea, aboliu a escravidão no Brasil.

Por meio dessa fonte, sabemos que a escravidão foi abolida, no Brasil, no dia 13 de maio de 1888.

A assinatura da princesa Isabel, que na época era regente do Império do Brasil, tornou a lei válida em todo o território nacional.

O carimbo do arquivo público indica que esse documento já foi catalogado e arquivado. Atualmente ele se encontra no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro.

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Lei Áurea. 13/05/1888. Arquivo Nacional, Rio de Janeiro (RJ)

A caligrafia e a linguagem fornecem pistas sobre a época e o local onde o documento foi produzido.


capítulo 1

A renovação das fontes históricas A partir do início da década de 1930, um grupo de historiadores franceses inovou nos estudos históricos, passando a considerar toda produção humana como fonte histórica capaz de fornecer informações sobre o passado. Com essa renovação, além dos documentos escritos e oficiais, passaram a ser consi­ derados fontes válidas para o estudo da história objetos pessoais, pinturas, cartas, his­ tórias em quadrinhos, filmes, músicas, entre outras.

Aventuras de Chiquinho e Zé Macaco. Em: Revista O Tico-Tico. 05/05/1920. Coleção particular. Foto: Marinez Maravalhas Gomes

Museu Paraense Emilio Goeldi, Belém (PA). Foto: Janduari Simões/Folhapress

Veja exemplos de diferentes fontes históricas.

Johann Sebastian Bach. Séc. XVIII. Bach-Archiv, Leipzig (Alemanha). Foto: De Agostini/A. Dagli Orti/Art Images Archive/Glow Images

Os vestígios arqueológicos podem fornecer importantes informações históricas. Grande parte do conhecimento que se tem sobre povos do passado que não utilizavam a escrita, por exemplo, foi fornecida por esse tipo de fonte. Acima, fotografia de vaso de cerâmica marajoara, feita por volta do ano 1000.

As histórias em quadrinhos também são importantes fontes históricas. Mesmo sendo obras de ficção, nessas fontes o historiador encontra elementos que o auxiliam a compreender o passado. Acima, história em quadrinhos publicada na capa da revista infantil O Tico-Tico, em 1920.

Partituras musicais são importantes fontes, pois, como os gravadores de som só começaram a ser fabricados no final do século XIX, muitas músicas compostas antes daquela época somente são conhecidas nos dias de hoje por causa da preservação dessas fontes históricas. Acima, partitura de uma música do compositor Johann Sebastian Bach, composta no início do século XVIII.

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Investigando na prática A publicidade como fonte histórica Os anúncios publicitários representam importantes fontes históricas para se compreen­ der aspectos da sociedade e de seu modo de vida em determinado momento histórico. No início do século XX, por exemplo, houve uma grande divulgação dos novos produtos e serviços que foram possibilitados, principalmente, pelo desenvolvimento de tecnologias inovadoras para a época. Observe abaixo uma imagem publicitária, de 1929, que faz referência a uma máquina de escrever. Segundo o anúncio, a máquina de escrever proporciona que a digitação seja rápida, segura e duradoura.

Underwood Typewriter Company. Em: Revista O Cruzeiro. 08/06/1929. Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro (RJ)

No início do século XX, a profissão de datilógrafa era frequentemente associada a uma atividade feminina. A imagem, por exemplo, apresenta como figura central, além do produto anunciado, uma mulher.

O anúncio busca mostrar que o produto já era consolidado no mercado e afirma que a máquina de escrever já foi avaliada “universalmente”.

O anúncio destaca mais de uma vez a rapidez e agilidade da máquina. No período de modernização em que o país se encontrava, no início do século XX, essas características eram bastante valorizadas.

A máquina de escrever recebe a caracterização de “perfeita” e “suprema”.

Observe que a empresa apresenta endereços no Rio de Janeiro e em São Paulo, dois grandes centros urbanos da época.

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O Telegrapho Nacional. Em: Revista O Cruzeiro. 04/07/1931. Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro (RJ)

capítulo 1

Observe o anúncio abaixo e responda às questões a seguir.

Anúncio de 1931 que divulga o serviço de telégrafo nacional.

Agora é a sua vez! a ) Você sabe o que é um telégrafo? Se necessário, pesquise. b ) Identifique na imagem acima elementos relacionados à nacionalidade brasileira. c ) Cite duas características que foram atribuídas à máquina de escrever e que também estão presentes no anúncio do serviço de telégrafo. d ) Que informações essas fontes históricas podem fornecer em relação ao con­ texto histórico vivido pela população brasileira no início do século XX? Como você chegou a essa conclusão? e ) Em seu cotidiano, que produtos e/ou serviços você utiliza para digitar e trans­ mitir mensagens? Cite alguns avanços tecnológicos da atualidade que contri­ buíram para agilizar essas atividades.

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O conhecimento histórico Por meio da análise de fontes históricas, os historiadores constroem conhecimentos sobre o passado.

As interpretações das fontes históricas glaz/Shutterstock/Glow Images

Ao analisar uma fonte histórica, o historiador extrai dela diversas informações que o auxiliam a compreender acontecimentos passados. Assim, a análise da fonte gera um determinado conhecimento histórico sobre o passado. No entanto, esse conhecimento não se dá de forma automática. Quando o historiador se depara com uma fonte histórica, é ele quem analisa, questiona e interpreta essa fonte, produzindo uma versão da história de acordo com suas concepções e métodos. Assim, sua conclu­ são sobre o acontecimento analisado não é uma verdade absoluta e, por isso, pode ser questionada por outros historiadores. Documentos como cartas, cédulas de dinheiro e fotografias são fontes históricas analisadas pelos historiadores. Ao lado, documentos do início do século XX.

A análise de obras de arte As obras de arte são fontes históricas que podem fornecer muitas informações, mas são necessários alguns cuidados ao utilizar esse tipo de fonte. Muitos artistas, por exemplo, representaram em pinturas o momento em que o Brasil se tornou independente de Portugal. Entre eles estão o francês François-René Moreaux, que em 1844 pintou a obra Proclamação da Independência, e também o brasileiro Pedro Américo, que pintou a tela Independência ou morte, concluída em 1888. Observe-as atentamente, pois elas são fontes históricas que podem levar a diferentes interpretações do mesmo fato. François-René Moreaux. 1844. Óleo sobre tela. Museu Imperial, Petrópolis (RJ)

Proclamação da Independência, pintura de François-René Moreaux, 1844. Nela, vemos a figura de D. Pedro, ao centro, sendo saudado pelo povo. Embora também apareçam militares, na tela predomina a população civil. Assim, nessa obra, a proclamação é apresentada como uma festa cívica nacional liderada por D. Pedro.

Civil: aquele que não é militar nem faz parte do clero.

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Vontade saber hist 8  
Vontade saber hist 8