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JAMES ONNIG TAMDJIAN Bacharel em Geografia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Professor de Geografia da rede particular de ensino.

IVAN LAZZARI MENDES Bacharel e licenciado em Geografia pela Universidade de São Paulo. Professor de Geografia da rede particular de ensino. 1a edição São Paulo, 2016

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Copyright © James Onnig Tamdjian, Ivan Lazzari Mendes, 2016 Diretor editorial Gerente editorial Editora Editoras assistentes Assistentes editoriais Assessoria

Gerente de produção editorial Coordenadora de arte Projeto gráfico e capa Foto de capa Supervisor de arte Editora de arte Diagramação Tratamento de imagens Coordenadora de ilustrações Assistentes de arte Ilustrações Cartografia Coordenadora de preparação e revisão Supervisora de preparação e revisão Revisão Coordenador de iconografia e licenciamento de textos Supervisora de licenciamento de textos Iconografia Diretor de operações e produção gráfica

Lauri Cericato Silvana Rossi Júlio Natalia Taccetti Isabela Gorgatti Cruz, Jéssica Vieira de Faria, Mirian Pereira Bruna Flores, Mariana de Lucena Bárbara Rocha, Bruna Rodrigues, Daniella Barroso, Denise Pinesso, Francisco Garcia, Gabriela Otero, Maíra Fernandes, Suélen Rocha Menezes Marques Mariana Milani Daniela Máximo Bruno Attili MB Photography/Getty Images Vinícius Fernandes Marina Martins Almeida Dito e feito comunicação Ana Isabela Pithan Maraschin, Eziquiel Racheti Márcia Berne Talita T. Tardone, Gislene Aparecida Benedito Alex Silva, Estúdio Ampla Arena, Julio Dian Alexandre Bueno, Dacosta Mapas, Mario Yoshida – Allmaps, Portal dos Mapas, Renato Bassani, Sônia Vaz Lilian Semenichin Viviam Moreira Iracema Fantaguci, Júlia Tomazini, Marcella Arruda, Paulo José Andrade, Pedro Fandi, Rita Lopes, Sônia Cervantes Expedito Arantes Elaine Bueno Marcia Trindade, Rosely Ladeira, Mariana Zanato Reginaldo Soares Damasceno

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Tamdjian, James Onnig Prismas geográficos, 8o. ano / James Onnig Tamdjian, Ivan Lazzari Mendes. — 1. ed. — São Paulo : FTD, 2016.

Foto de capa: Parque Nacional do Serengeti, na Tanzânia.

ISBN 978-85-96-00237-0 (aluno) ISBN 978-85-96-00238-7 (professor) 1. Geografia (Ensino fundamental) I. Mendes, Ivan Lazzari. II. Título. 15-11225

CDD-372.891

Índices para catálogo sistemático: 1. Geografia : Ensino fundamental 372.891 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Envidamos nossos melhores esforços para localizar e indicar adequadamente os créditos dos textos e imagens presentes nesta obra didática. No entanto, colocamo-nos à disposição para avaliação de eventuais irregularidades ou omissões de crédito e consequente correção nas próximas edições. As imagens e os textos constantes nesta obra que, eventualmente, reproduzam algum tipo de material de publicidade ou propaganda, ou a ele façam alusão, são aplicados para fins didáticos e não representam recomendação ou incentivo ao consumo.

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Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD S.A. Avenida Antonio Bardella, 300 Guarulhos-SP – CEP 07220-020 Tel. (11) 3545-8600 e Fax (11) 2412-5375

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Apresentação

Caro aluno, Em sua busca por conhecimento, os seres humanos sempre observaram os céus, o horizonte e o solo. Tudo isso para compreender o lugar a que pertencem e se adaptar a ele. Esse conhecimento permitiu que a humanidade prosseguisse com a exploração de novas fronteiras, sejam elas no Universo, na superfície terrestre ou nas camadas mais profundas do planeta Terra. Essas observações dos seres humanos levaram à conclusão, em diferentes momentos e contextos históricos e sociais, de que o mundo está em constante mudança. A superfície terrestre, por exemplo, passou por muitas modificações físicas ao longo dos milhões de anos de sua constituição, causadas tanto por fatores naturais quanto por fatores humanos. Além disso, nos últimos séculos, os seres humanos têm vivido conflitos e acordos de paz; guerras de grandes proporções que levaram milhões à morte, mas também esforços de ajuda humanitária; devastação e preservação. Como os seres humanos se relacionam com o espaço onde vivem? De que forma o planeta chegou à situação em que está atualmente? Nesta coleção, você descobrirá que essas e muitas outras indagações são universais, comuns a homens e mulheres de todos os tempos. Espera-se que, com essa obra, você possa se apropriar de conhecimentos geográficos para ler e interpretar o mundo criticamente e posicionar-se ativamente ante a questões do contexto contemporâneo. Bons estudos! Os autores

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Conheça seu livro Este volume é dividido em 12 capítulos. Seus conteúdos estão distribuídos nestas diferentes seções.

INDICAÇÕES

A população australiana

Os aborígines

Em 2014, estimava-se que a Austrália possuía 22,5 milhões de habitantes. O país é pouco populoso porque houve uma imigração predominantemente masculina no período colonial. Em 1852, quando foi abolido o envio de prisioneiros para a Oceania, a Austrália havia recebido um total de 150 mil pessoas, das quais apenas 20% eram mulheres. Há também outras heranças coloniais. Uma delas é a expressiva maioria (cerca de 75%) de descendentes de europeus, que falam o idioma inglês e seguem o Cristianismo. Os restantes 25% são pequenas comunidades de grupos heterogêneos. O crescimento econômico do país tem atraído novos imigrantes para a Austrália. Muitos asiáticos – principalmente filipinos, indonésios e chineses – procuram estabelecer-se trabalhando na construção civil e em atividades pouco especializadas, que geralmente têm menor remuneração. Esse crescente volume de pessoas tem descontentado uma parte da população australiana, que não aceita a presença de estrangeiros. Nos últimos anos, um forte sentimento xenófobo vem gerando, na Austrália, violência contra esses novos imigrantes. Apesar de protestos, o governo da Austrália tem estimulado a entrada de trabalhadores qualificados de outros países, porque não existem trabalhadores australianos capacitados o suficiente para exercer várias funções. O governo exige que esses trabalhadores falem fluentemente o inglês e oferece-lhes a cidadania australiana. Cerca de 70% da população da Austrália vive nas maiores cidades do país, como Sydney, Melbourne, Brisbane e Camberra, a capital nacional. A alta qualidade dos centros urbanos reflete-se no IDH do país, o segundo mais elevado do mundo em 2013. Esse dado, no entanto, não reflete as péssimas condições de vida dos aborígines, que têm expectativa de vida bem menor: eles vivem, em média, 20 anos menos do que os australianos de origem europeia.

A última onda Direção: Peter Weir. Austrália: Continental, 1977 (106 min). Filme que trata dos conflitos entre a cultura dos aborígines e a cultura de origem europeia, por meio da história de um advogado que concorda em defender um grupo de aborígines acusado de assassinato.

Xenófobo Indivíduo que tem desconfiança ou sente raiva por pessoas estranhas ao seu meio, geralmente estrangeiros.

Aborígines demonstram como fazer fogo, no estado de Queensland (Austrália), em 2014.

Austrália: densidade demográfica (2012)

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Rafael Ben-Ari/ Chameleons Eye/Newscom/Glow Images

Allmaps

135°L

505

Mar de Corais

Trópico de Capricórnio

NO MAPA • Descreva como a população australiana se distribui pelo território.

Brisbane

Perth

Indicações de livros, filmes e sites relacionados ao conteúdo proposto no capítulo.

Adelaide

Aborígine (ou aborígene) é uma palavra de origem latina que significa “originário da própria região”. Antes da chegada dos europeus, os homens aborígines australianos eram caçadores e as mulheres coletavam vegetais, especialmente frutas e raízes. Essas populações falavam cerca de 300 idiomas, cantavam, dançavam e contavam histórias. No entanto, durante a colonização inglesa a maioria dos aborígines foi exterminada. Muitos sobreviventes foram escravizados, perderam suas terras e sua cultura. Hoje, por exemplo, são falados menos de 100 idiomas aborígines. Em 1910, australianos de origem europeia começaram a retirar as crianças aborígines de suas famílias. Conhecidas como Geração Roubada, essas crianças eram entregues a famílias brancas ou a orfanatos, onde eram forçadas a assimilar a cultura europeia. Em 1970, quando essa prática foi interrompida, mais de 100 mil crianças haviam sido separadas de suas famílias e de sua cultura. Uma dessas crianças, Bruce Trevorrow, viveu esse drama em 1957. Quando se tornou adulto processou o governo, que foi obrigado a indenizá-lo. Trevorrow foi o primeiro membro da Geração Roubada a ser indenizado pelo governo australiano. Atualmente, muitos aborígines vivem nas cidades, com um padrão de vida geralmente muito baixo. Grande parte dessa população está marginalizada, recorrendo à violência e ao alcoolismo. Os aborígines mais velhos tentam mudar essa situação, levando as crianças aos locais sagrados e mostrando a cultura de seu povo. Foram criadas estações de rádio e TV para dirigirem programas exclusivos aos aborígines mais jovens, pois muitos desconhecem suas próprias tradições. Por sua vez, os aborígines rurais têm recorrido aos seus próprios idiomas para resgatar sua cultura. Nas últimas décadas, após anos de luta, os aborígines foram reconhecidos como cidadãos australianos, conquistando inclusive o direito ao voto. No entanto, o racismo ainda prevalece e a sua qualidade de vida é bem inferior à média da sociedade australiana. Além disso, os aborígines ainda não retomaram a posse da maior parte de suas terras.

Sydney

Melbourne Mar da Tasmânia

Aglomerações: 1 a 5 milhões de habitantes Habitantes por km² Menos 1 De 1 a 10 De 10 a 50 50 ou mais

OCEANO ÍNDICO Reservas ocupadas pela população indígena (aborígines)

Fonte: CHARLIER, Jacques (Org.). Atlas du 21e siècle: nouvelle édition 2013. Paris: Nathan, 2012. p. 127.

As maiores cidades australianas, como Sydney (mais de 4 milhões de habitantes em 2011), ficam na costa sudeste do país.

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Os páramos colombianos Os Andes colombianos são uma das regiões mais úmidas da Terra. A precipitação elevada, somada a outros fatores, fez que se formassem ambientes únicos a mais de 3 mil metros acima do nível do mar, conhecidos como páramos, caracterizados pela vegetação de altitude e grande número de espécies endêmicas. Os páramos, que também podem ser encontrados no Equador, não são uma formação vegetal contínua, parecem-se mais com um grande arquipélago de formações vegetais – ilhas verdes em meio às escarpas montanhosas e que evoluíram isoladas de seu entorno. O Parque Nacional Chingaza, localizado a apenas 64 quilômetros da capital do país, Bogotá, é um exemplo desse ecossistema. Páramos como esses, além de apresentarem uma fantástica biodiversidade, desempenham um papel crucial para milhões de colombianos, agindo como uma esponja que absorve grandes quantidades

NO MAPA • Descreva como a população australiana se distribui pelo território.

de água e controla seu fluxo até os lagos, rios e reservatórios que se encontram mais abaixo, muitos dos quais abastecem grandes cidades localizadas nos Andes, como Bogotá. No caso de Chingaza, a precipitação na região do parque é tão alta que representa 80% da água que chega aos reservatórios que abastecem a cidade. Sem esses páramos para armazenar e regular o fluxo da água, a capital colombiana iria enfrentar deslizamentos provocados por erosão e enchentes nos meses mais chuvosos, além de grandes problemas referentes à distribuição de água nos meses mais secos. Nos últimos anos, porém, os páramos vêm sendo cada vez mais ameaçados pela expansão das atividades agropecuárias e pelas mudanças climáticas (em especial o fenômeno conhecido como La Niña). Somado ao aumento nas precipitações, esse processo de degradação dos páramos pode levar à repetição de enchentes como as que já vêm ocorrendo no rio Bogotá, deixando milhares de famílias desabrigadas todos os anos.

Prisma Bildagentur AG/Alamy/Latinstock

VISÃO INTEGRADA: GEOGRAFIA E CIÊNCIAS

Visão integrada: Geografia e...

Seção que propõe a observação mais atenta de determinado aspecto presente em imagens, gráficos e mapas.

Endêmico Que não existe em nenhum outro local do planeta. La Niña Fenômeno ambiental que consiste no esfriamento anormal das águas superficiais da porção tropical do oceano Pacífico. Sua causa ainda é desconhecida.

Seção que destaca temas que se relacionam com outras áreas do conhecimento, como Ciências, História e Língua Portuguesa.

A vegetação do páramo é predominantemente arbustiva, mas varia de acordo com características locais. Foto do Parque Nacional Chingaza (Colômbia), em 2014.

Atividades 1. Por que os páramos são importantes para o abastecimento de água em cidades como Bogotá? 2. Considerando que as áreas de páramo são muito importantes, se você fosse um governante, o que faria para preservá-las?

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Olhar cartográfico OLHAR CARTOGRÁFICO AKG Images/Latinstock

Introdução a mapas temáticos: representação qualitativa

Região Norte: rodovias Mapas: Allmaps

50°O GUIANA

VENEZUELA

OCEANO ATLÂNTICO

Guiana Francesa (FRA)

SURINAME

RORAIMA COLÔMBIA

AMAPÁ

Equador

Mapas temáticos são representações cartográficas com informações que vão além do posicionamento geográfico de qualquer ponto do mundo. São mapas que têm como objetivo principal a caracterização de um lugar, com base em informações que podem ter sido retiradas de institutos de pesquisa, universidades, laboratórios etc. Os aspectos visuais da representação dos fenômenos nos mapas temáticos são de livre escolha do elaborador. No entanto, devem ser seguidas as normas das convenções internacionais para gradação de cores, tamanho dos símbolos, textura e granulação, espessura das linhas, além das convenções tradicionais da Cartografia, como escala, legenda, título e posicionamento. Existem diferentes tipos de mapas temáticos, utilizados para objetivos específicos. A seguir, são analisados mapas temáticos qualitativos utilizados, basicamente, para apresentar a localização, a abrangência e a extensão de um fenômeno qualquer. Essas representações podem utilizar pontos, linhas ou áreas inteiras, que variam conforme a diversidade daquilo que se pretende representar. Mesmo assim, é necessário manter a proporção de tamanho e o peso visual das linhas e pontos.

PERU

AMAZONAS

PARÁ

MA

MANIFESTAÇÃO EM LINHA

TOCANTINS BA

RONDÔNIA

Granulação:

Orientação:

DF GO

480

MG

MS

Rede viária Rodovia sem pavimentação

Rodovia pavimentada

Fonte: CALDINI, Vera; ÍSOLA, Leda. Atlas geográfico Saraiva. São Paulo: Saraiva, 2013. p. 50.

Ferrovia

• Mapas qualitativos de área – representações que marcam a abrangência de um determinado fenômeno, especialmente usadas para representar fenômenos irregulares, como vegetação, relevo, tipos de clima e de solo etc. Geralmente, utiliza-se a escala de cores ou texturas com valores visuais distintos entre si.

Planisfério: continentes 0°

Variação de forma:

Círculo Polar Ártico

Variação de orientação: Trópico de Câncer

Variação de granulação:

OCEANO PACÍFICO Equador

OCEANO ATLÂNTICO América

Allmaps

JAZIDAS CONTINENTAIS Minerais metálicos Chumbo

Ferro

Cobre

Manganês

Cromo

Níquel

Europa

OCEANO ATLÂNTICO

Ásia

OCEANO PACÍFICO

Oceania

ANGOLA MALAUÍ

África

ZÂMBIA

OCEANO ÍNDICO

Seção que ocorre ao final de alguns capítulos e propõe, por meio de exercícios de leitura, análise e produção cartográfica.

Trópico de Capricórnio Meridiano de Greenwich

África Meridional: recursos minerais e energéticos

Círculo Polar Antártico

Antártica

0

3 380

ZIMBÁBUE

Zinco

Diamante

Forma:

MT BOLÍVIA 0

Representações qualitativas: manifestação em ponto

Gemas e metais preciosos

Dacosta Mapas

Representações qualitativas: manifestação em linha PI ACRE

• Mapas qualitativos de ponto – em geral, utiliza-se a variação de forma, orientação e granulação.

Dacosta Mapas

• Mapas qualitativos de linha – tipo de simbologia que representa informações lineares, como fronteiras, rodovias, ferrovias etc.

MADAGASCAR Trópico de Capricórnio

Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. Rio de Janeiro, 2012. p. 34.

OCEANO ÍNDICO

Atividade

NAMÍBIA SUAZILÂNDIA

Ouro Prata Minerais energéticos Urânio

MOÇAMBIQUE

BOTSUANA

• Escolha uma das três variáveis – ponto, linha ou área – e elabore um mapa que represente alguma informação que deseja ilustrar. Para isso, utilize papel vegetal para fazer os contornos e não se esqueça de inserir os principais elementos cartográficos, como legenda, título, norte etc.

LESOTO ÁFRICA DO SUL 0

695

Fonte: CALDINI, Vera; ÍSOLA, Leda. Atlas geográfico Saraiva. São Paulo: Saraiva, 2013. p. 151.

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Textos que complementam os assuntos abordados nos capítulos. Podem conter atividades, imagens e textos veiculados em diferentes meios.

Textos complementares

Um patrimônio natural comum aos países platinos e ao Brasil

As Cataratas do Iguaçu

R

Allmaps

De um lado do rio Iguaçu, paBacia Platina: bacias do alto e do baixo rio Paraná lavra que, em tupi-guarani, sig60ºO BRASIL nifica “grandes águas”, fica a ciBOLÍVIA dade brasileira de Foz do Iguaçu ba e, do outro, a cidade argentina de aranaí P io Rio Gran Puerto Iguazú. de OCEANO Rio Tie PACÍFICO Essas cataratas foram fortê io Rio Para CHILE Pi PARAGUAI nap l c a madas por um processo erosivo om ne Capricórnio m ay Trópico de a o que tem mais de 100 milhões R io Ig u a çu de anos. O relevo da região plaOCEANO tina ajudou em sua formação. ATLÂNTICO As cataratas caem em deBacia do Alto Paraná graus formados por sucessivos Bacia do Baixo Paraná Rio derrames de lavas que ocorreBacia do Alto Paraguai Car URUGUAI cara na Bacia do Baixo Paraguai ram há milhões de anos, em que Bacia do Alto Uruguai Rio da P rata Bacia do Baixo Uruguai as camadas enrijeciam umas por ARGENTINA Bacia do Prata 0 350 Represa de Itaipu cima das outras. Sabendo que a água é um Fonte: MMA. Caderno da Região Hidrográfica do Paraná. Brasília, 2006. p. 29. importante recurso para o planeta, muitos especialistas acreditam que essa região deve receber toda a atenção para conservar esse recurso e evitar seu esgotamento. uai

ara g

Rio P

Rio Ur ugu ai

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Rio Par aná

R

As águas das cataratas desgastam as rochas e dão continuidade ao processo erosivo. Na foto, Cataratas do Iguaçu (PR), em 2013. Sônia Vaz

Aquífero Guarani RO

BOLÍVIA

Trópico de Capricórnio

Buda Mendes/LatinContent/Getty Images

CHILE

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ARGENTINA

O Aquífero Guarani é um aquífero sedimentar e de extensão regional, considerado um dos maiores reservatórios de água subterrânea do mundo, estendendo-se por 1 087 879 km2. Ocorre no oeste do Estado de São Paulo e também se estende pelos estados de Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, chegando até os países vizinhos Uruguai, Paraguai e Argentina. Sua maior parte, 735 918 km2, que corresponde a cerca de 61% de sua área total, está em território brasileiro (OEA, 2009). A porção aflorante deste aquífero, isto é, aquela que podemos observar na superfície do terreno e que tem comportamento de aquífero livre, é pequena ao compararmos com sua área total. [...] Formado há cerca de 130 milhões de anos, é constituído, predominantemente, por arenitos de granulação média a fina, depositados pela ação eólica, em um ambiente desértico. Como este arenito é bastante homogêneo, possui grande quantidade de poros interconectados, que imprime uma elevada capacidade de armazenar e fornecer água. [...] A principal área de recarga corresponde à sua porção aflorante, onde a água da chuva cai sobre a superfície do terreno e infiltra diretamente no aquífero. [...] Atualmente, apesar de existirem poços bombeando vazões superiores a 500 m³/h, estudos (DAEE/IG/IPT/CPRM 2005) recomendam vazões sustentáveis de até 360 m³/h por poço, de forma a evitar a superexploração. As vazões exploráveis recomendadas para 50°O a área de afloramento estão entre 20 a 80 m³/h TO por poço. Na área confinada, pode-se obter maiores vazões, uma vez que a espessura BRASIL MT do aquífero também aumenta. A vazão de DF 360 m³/h por poço, isto é, 360 mil litros por GO hora, é suficiente para abastecer cerca de 30 000 habitantes. MG Uma característica interessante dos aquíMS feros confinados é o potencial geotermal, pois a temperatura da água se eleva com o aumento Aquífero SP da profundidade. O Aquífero Guarani, por alGuarani PARAGUAI cançar profundidades maiores que 1 000 mePR tros na região sudoeste do Estado, chega a atingir temperaturas de 60 °C. Existem estâncias SC turísticas que captam estas águas termais para OCEANO RS uso recreativo em parques e clubes, como em ATLÂNTICO São José do Rio Preto. Além disso, as águas são, em geral, de boa qualidade para o consumo humano e outros usos. URUGUAI

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Fonte: REBOUÇAS, A. da C.; BRAGA, B.; TUNDISI, J. G. Águas doces no Brasil: capital ecológica, uso e conservação. São Paulo: Escrituras, 2006.

IRITANI, Mara Akie; EZAKI, Sibele. As águas subterrâneas do estado de São Paulo. São Paulo: Secretaria de Estado do Meio Ambiente – SMA, 2012. p. 42-46.

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Perspectivas Esta seção, presente em alguns capítulos, aborda temas transversais relacionados aos conteúdos propostos, abordando questões relevantes para a sociedade e a preservação ambiental.

PERSPECTIVAS Sovfoto/Getty Images Robert Keziere/Greenpeace/dpa/Glow Images

A Guerra Fria e os movimentos contraculturais Iniciada logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, a Guerra Fria se estendeu até o início da década de 1990. Como resultado da corrida armamentista e tecnológica entre Estados Unidos e União Soviética e do avanço da industrialização no mundo, foram desenvolvidos novos sistemas fabris e de produção de alimentos em massa, além do avanço da indústria do petróleo. Essas formas de produção geraram desconforto em parcelas da sociedade, que passaram a questionar sua necessidade, os danos ambientais causados por esse modelo, o uso excessivo de fertilizantes, os alimentos geneticamente modificados etc. Durante os anos de bipolarização cultural entre as duas potências mundiais, surgiram diversos movimentos sociais que contestavam as opções postas pelo capitalismo estadunidense e pelo socialismo soviético, destacando-se os movimentos hippie, negro, ambientalista, feminista, entre outros.

Fundadores do Greenpeace em navio em Vancouver (Canadá), em 1971.

• Movimento hippie: talvez o mais conhecido dos movimentos surgidos durante a Guerra Fria nos Estados Unidos, tinha como principal bandeira o tema “paz e amor”. Composto basicamente de jovens escolarizados que contestavam as injustiças e desigualdades decorrentes do avanço do capitalismo, além de questionar os investimentos militares, a Guerra do Vietnã, a rivalidade com a União Soviética etc. A principal expressão desse movimento ocorreu nas artes, especialmente na música.

• Movimento ambientalista: começou a surgir no início dos anos 1960, mas se fortaleceu nos anos 1970, denunciando o potencial de destruição dos ecossistemas em função da industrialização do campo, da utilização dos defensivos químicos (pesticidas), do excesso de fertilizantes e da utilização de sementes geneticamente modificadas. Além disso, a caça de animais em risco de extinção e os problemas ambientais (como os vazamentos de petróleo no mar) foram alvo das críticas dos grupos ambientalistas, sendo o Greenpeace o que mais se destacou entre eles. • Movimento em defesa dos direitos civis: durante as décadas de 1950 e 1960, o discurso de liberdade e democracia nos Estados Unidos, que confrontava a suposta ditadura soviética, contrastava com a ausência de direitos iguais para determinados grupos da sociedade, como os negros e as mulheres, que sofriam, respectivamente, discriminação racial e de gênero. Em diversas partes do mundo, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, diversos grupos passaram a se organizar, reivindicando a igualdade de direitos, o fim do racismo e do preconceito contra mulheres. Surgiram assim lideranças como Martin Luther King Jr. (1929-1968) e o movimento WLM (Women’s Liberation Movement; em português, “Movimento de Libertação das Mulheres”).

Woodstock/Getty Images

Festival de Woodstock, ocorrido entre 15 e 18 de agosto de 1969, em Nova York (Estados Unidos).

Martin Luther King Jr. durante discurso em Washington (Estados Unidos), em 1963.

Hulton-Deutsch Collection/Corbis/Latinstock

Atividades 1. Em sua opinião, o que esses movimentos representavam durante os mais de 50 anos de Guerra Fria e da bipolaridade de poder no mundo? 2. Faça uma pesquisa e apresente alguns movimentos sociais da atualidade, descrevendo seus objetivos e atividades principais.

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Atividades 4. Observe a imagem a seguir, de uma publicação que simula a cobertura de grandes eventos históricos, no caso, acontecimentos ocorridos em agosto de 1914, durante o início da Primeira Guerra Mundial.

Atividades Louis Prang. 1893. Litogravura. Biblioteca do Congresso/Bridgeman/Keystone

1. Observe o mapa a seguir e responda às questões. Rotas Rotascomerciais comerciaisdodoséculo séculoXVXV Dacosta Mapas

ILHAS BRITÂNICAS

E

O P A U R Mar de Aral

Mar Cáspio

Mar Negro

Mar M ed

iterrâne o

Á

m Ver

OCEANO ATLÂNTICO

Meridiano de Greenwich

o e lh

Equador

S

I

A

http://veja.abril.com.br/historia/primeira-grande-guerra-mundial/1914-agosto-comeca-guerra/indice.shtml CHINA

ÍNDIA

r Ma

DESERTO DO SAARA

PENÍNSULA ARÁBICA

Mar da Arábia

Trópico de Câncer

OCEANO PACÍFICO

Golfo de Bengala

OCEANO ÍNDICO

Á F R I C A

Rota principal da seda ÍNDIAS ORIENTAIS

Rota do ouro e do sal Rota das especiarias

0

1 200

Fonte: ATLAS visual de los descubrimientos. México: Editora Diana, 1992. p. 14-15.

a) A qual fase do capitalismo corresponde o período retratado nesse mapa? b) Qual é a relação entre a expansão das rotas marítimas e o desenvolvimento do comércio? c) A busca por novas rotas comerciais no século XV, época das Grandes Navegações, criou um novo espaço geográfico mundial. De que maneira isso aconteceu? 2. O que foi a Revolução Industrial? Quais foram as principais inovações para o desenvolvimento do sistema capitalista nesse período? 3. No caderno, copie e preencha corretamente o quadro a seguir com as principais diferenças entre os sistemas socialista e capitalista. Capitalismo Meio de produção Propriedade Sociedade

Socialismo

Privado Coletiva Dividida em classes: burguesia e proletariado

• Relacione o fato apresentado pela notícia à Revolução Industrial e ao imperialismo europeu. 5. O período neocolonialista do século XIX representa um momento histórico em que as nações mais poderosas buscavam ampliar e controlar territórios, povos ou nações mais pobres. Observe o mapa da página 19 e responda às questões. a) Como foi denominado esse momento histórico? b) Quais foram as nações consideradas "poderosas" na época? Que territórios eram considerados pobres (colonizados)? c) Qual era a justificativa econômica das nações mais influentes para realizar esse processo de colonização? 6. Desde a sua fundação, em 1944, o Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (Bird) tinha como principal objetivo facilitar a reconstrução dos países no pós-guerra. a) De que forma o Bird atuou nessa reconstrução? b) Pesquise sobre uma das atuações dessa instituição financeira no Brasil. Compartilhe os resultados da pesquisa com seus colegas e professor. Para isso, se possível acesse a página do Bird: <http://ftd.li/waoeev> (acesso em: nov. 2015). 7. Na atual fase do capitalismo, o predomínio de bancos e sua influência sobre a economia global caracterizam, entre outros fatores, o capitalismo financeiro. Sendo assim, serviços relacionados a estabelecimentos bancários tornaram-se fundamentais para a manutenção do sistema como ele é hoje. • Pesquise em jornais ou revistas propagandas de empresas que mostrem, por meio da oferta de produtos vendidos a prazo, o predomínio do capitalismo financeiro na atualidade. Selecione duas delas e mostre aos colegas e ao professor. Discutam quais aspectos do capitalismo esses anúncios apresentam.

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São apresentadas atividades ao final de cada capítulo, trazendo propostas que exploram diversas habilidades. Há questões de revisão e sistematização do conteúdo estudado, atividades de pesquisa e sugestões de entrevistas, propostas de interpretação de imagens, além de atividades práticas que envolvem a elaboração e/ou apresentação de produto final.

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Sumário Capítulo 1 O espaço geográfico e suas transformações .............................................12

Atividades ..........................................................................26

Fim do Império Romano ....................................................12

Capítulo 2

As primeiras manifestações do capitalismo ...................13

O espaço geográfico mundial durante a Guerra Fria .................................................. 28

O comércio cria um novo espaço geográfico ............14

O início da Guerra Fria .......................................................29

O período das colonizações ..............................................14

Os aspectos econômicos da bipolaridade mundial ....31

Visão integrada: Geografia e História – O colonialismo e a ruptura de um mundo ..................................................... 16

A mundialização da Guerra Fria ........................................31

Primeira Revolução Industrial .......................................... 17 Consequências da Primeira Revolução Industrial .......................................................................18 O imperialismo ..................................................................19 A fase financeira do capitalismo ......................................19 As disputas econômicas e as guerras .............................20 A experiência socialista .................................................... 21 Mudanças no imperialismo ..............................................22 A grande crise ....................................................................23 Um novo capitalismo depois da Segunda Guerra Mundial ..................................................................24 O modo de vida estadunidense e o Estado de Bem-estar Social...........................................................25

Visão integrada: Geografia e Ciências – Invenções que surgiram durante a Guerra Fria ..........................................33 A Guerra Fria agrava problemas na África ........................34 Renasce o capitalismo japonês ........................................36 Os países não alinhados ..................................................38 O subdesenvolvimento .....................................................39 Uma nova Divisão Internacional do Trabalho ..................39 O “choque do petróleo”, um duro golpe no capitalismo ...................................................................40 A Terceira Revolução Industrial ........................................41 Atividades ..........................................................................42 Olhar cartográfico – Introdução a mapas temáticos: representação qualitativa ....................................................44 1879, Gravura. Coleção particular. Foto: The Granger Collection/Otherimages

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Capítulo 3 O fim do socialismo soviético e a Nova Ordem Mundial ........................................ 46

Um continente de grande diversidade natural ................69

As mudanças no bloco socialista .....................................48

A divisão física do continente ..........................................70

Comunidade dos Estados Independentes (CEI) ..............49

Os aspectos físicos da América do Norte ........................70

A Nova Ordem Mundial ......................................................50

O oeste e suas grandes montanhas ..........................71

A Guerra do Golfo ......................................................... 50

O Alasca .................................................................72

Atividades ..........................................................................52

Os grandes rios do oeste ....................................72

Perspectivas – A Guerra Fria e os movimentos contraculturais ...................................................................54

O clima do oeste ..................................................74

Capítulo 4

América: o espaço geográfico e a população nativa.......................................... 56

As Américas Anglo-Saxônica e Latina ........................68

As planícies centrais ....................................................75 Os rios das planícies centrais.............................75 O clima das planícies ...........................................75

Os indígenas e o espaço geográfico da América pré-colombiana .................................................................57

Os planaltos cristalinos do leste ................................76

Visão integrada: Geografia e História – Sítios arqueológicos.....................................................................58

A Península da Flórida .........................................77

Os indígenas da América do Norte .............................59

Os rios do leste .....................................................77

Os apaches e os navajos.....................................59

O relevo do México .......................................................78

Os sioux e os cherokees .................................... 60

O clima mexicano .................................................79

Os inuítes ..............................................................61

Os Grandes Lagos .........................................................79

Os astecas ............................................................62

Atividades ..........................................................................80

Os indígenas da América Central ................................63 Os maias ...............................................................64

A Península do Labrador......................................76 A Corrente do Golfo ..............................................77

Capítulo 5

Estados Unidos da América........................ 82

Visão integrada: Geografia, Matemática e História – Os maias e a Matemática ...................................................65

A formação dos Estados Unidos .......................................82

Os indígenas da América do Sul ..................................66

O povoamento dos Estados Unidos ..................................86

Os incas.................................................................66

O espaço urbano-industrial dos Estados Unidos ............87

Regionalização da América ..............................................68

Manufacturing Belt ......................................................87

JTB Photo/UIG/Getty Images

A expansão territorial dos Estados Unidos ................84

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Crescimento das cidades do Manufacturing Belt............................................. 90

O Nafta .............................................................................120

A Costa Oeste ................................................................91

Olhar cartográfico – Mapas temáticos quantitativos .....124

Atividades ........................................................................122

Sun Belt .........................................................................93 O espaço agrário dos Estados Unidos..............................93

Capítulo 7

América Central ......................................... 126

Corn Belt e Wheat Belt ................................................ 94

As ilhas da América Central ............................................128

Cotton Belt e Fruit Belt ................................................ 95

A colonização da América Central ..................................129

Green Belts ................................................................... 96 Ranching Belt .............................................................. 96

Áreas de influência dos Estados Unidos na América Central ...............................................................129

A população dos Estados Unidos .....................................97

O caso do Panamá ..................................................... 130

Imigrantes hispânicos ................................................ 99

O caso de Cuba ............................................................131

Atividades ....................................................................... 100

A Revolução Cubana e o rompimento com os Estados Unidos .....................................132

Perspectivas – Obesidade infantil e adolescente ...........102 Capítulo 6 Canadá e México......................................... 104

Porto Rico, Estado associado aos Estados Unidos ...........................................................134

Canadá .............................................................................104

Haiti..................................................................................134

A formação do Canadá .............................................. 105

Nicarágua ........................................................................136

O espaço geográfico e a economia canadense...... 106

Visão integrada: Geografia e História – O movimento

Visão integrada: Geografia e Ciências – A exploração da areia betuminosa ........................................................109

sandinista ........................................................................137

A urbanização e a população canadense ................110

Belize ...............................................................................138

A questão de Quebec .................................................112

O espaço geográfico da América Central insular...........139

México ..............................................................................113

Costa Rica ........................................................................138

O espaço geográfico da América Central continental ......................................................................140

A internacionalização da economia mexicana ........116

MCCA e Caricom ............................................................... 141

A população e a urbanização do México ..................117

Atividades ........................................................................142

As grandes cidades mexicanas ........................118

Perspectivas – Turismo sustentável da Costa Rica .........144

Carlos Jasso/Reuters/Latinstock

O espaço geográfico mexicano .................................113

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Capítulo 8

América Andina ........................................... 146

Atividades ........................................................................178

O espaço geográfico dos países andinos ......................146

Olhar cartográfico – Mapas temáticos ordenados ....... 180

Bolívia ..............................................................................149 Colômbia ..........................................................................150 O estratégico litoral colombiano ...............................151

Aspectos naturais do continente africano ..................................................... 182

Aspectos das paisagens colombianas .....................151

Os domínios naturais africanos .....................................182

Visão integrada: Geografia e Ciências – Os páramos colombianos .....................................................................152

A África mediterrânea................................................ 183

Peru ..................................................................................153

Capítulo 10

O deserto do Saara .................................................... 184

Venezuela ........................................................................154

Visão integrada: Geografia e Ciências – As tamareiras e a doença de Bayoud ......................................................186

Chile .................................................................................156

O Sahel, região de transição .................................... 187

Equador ............................................................................159 Atividades ........................................................................160 Capítulo 9

América Platina .......................................... 162

A bacia hidrográfica do rio da Prata................................162 Paraguai ...........................................................................162

As savanas ................................................................. 188 A floresta equatorial .................................................. 189 Os desertos do sul da África ..................................... 190 O relevo africano .............................................................191 A Cordilheira Drakensberg .........................................191 A Cadeia do Atlas ........................................................ 192

Argentina .........................................................................167

O Vale do Rift .............................................................. 193

Economia argentina .................................................. 169

Os grandes rios africanos ...............................................194

Cuyo, Chaco e Mesopotâmia .....................................170

Rio Nilo ........................................................................ 194

A Patagônia.................................................................. 171

Rio Níger ..................................................................... 196

O Pampa.......................................................................172

Rio Congo .....................................................................197

O Mercosul ....................................................................... 174

Atividades ........................................................................198

Konrad Wothe/Glow Images

Uruguai ............................................................................165

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Capítulo 11 O espaço geográfico africano: território e sociedade .......................... 200 A África pré-colonial ....................................................... 200 O início da colonização ...................................................201 Uma nova etapa na colonização ....................................201 As consequências da Conferência de Berlim ......... 202 A descolonização ............................................................203 África: um continente de grandes diversidades ........... 204 As regiões africanas ...................................................... 208 África Setentrional (norte) ....................................... 208 O Canal de Suez ..................................................210 Líbia .....................................................................212 A África ocidental ........................................................214 Conflito em Biafra ..............................................215 Visão integrada: Geografia e Ciências – Conflitos e impactos do petróleo no delta do Níger............................ 216

A influência chinesa na África ........................................230 O povo, as águas e as fronteiras africanas ...................231 Atividades ........................................................................232 Olhar cartográfico – Mapas temáticos dinâmicos..........234 Capítulo 12

Oceania ...................................................... 236

A natureza das ilhas da Oceania ....................................236 As ilhas vulcânicas .....................................................237 As ilhas continentais................................................. 238 Clima ................................................................................239 Os três arquipélagos da Oceania ...................................239 Austrália ..........................................................................241 Relevo e hidrografia ...................................................241 Aspectos naturais ..................................................... 242 As origens da Austrália.............................................. 243 O espaço geográfico da Austrália ............................ 245

A porção centro-oriental do Sahel ....................219

A população australiana ........................................... 246

África central ...............................................................221

Os aborígines .................................................... 247

Conflitos na África central ................................222

Nova Zelândia ..................................................................248

África meridional ou austral ..................................... 223

Atividades ........................................................................250

Moçambique ...................................................... 225 A África do Sul .................................................... 226

Perspectivas – Cidade das árvores: os korowais na Papua-Nova Guiné ............................................................252

O fim do apartheid ............................................ 228

Bibliografia ......................................................................254

A aids na África ............................................................... 229

Planisfério: político .........................................................256

Rafael Ben-Ari/ Chameleons Eye/Newscom/Glow Images

A África oriental ...........................................................218

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C APÍTULO

1

O espaço geográfico e suas transformações Blue Lantern Studio/Corbis/Latinstock

Fim do Império Romano Com o fim do Império Romano (753 a.C.-476 d.C.), muitas regiões da Europa ficaram isoladas. Não havia segurança na parte central da Europa Ocidental. Sem um exército para proteger viajantes e comerciantes, multiplicaram-se os assaltos e as mortes. O fim do Império representou o fim da união entre as regiões, que passaram a ser comandadas por lideranças locais, que não prestavam contas a um poder central. Em vastos trechos do território europeu, antigos chefes militares romanos se apoderaram de extensas áreas, que ficaram conhecidas como feudos (do latim feudum, significa propriedade). Nesses locais, vigoravam leis muito específicas, que estipulavam uma série de obrigações dos camponeses (servos) para com os senhores feudais, que eram os proprietários das terras. Nos feudos havia cultivo de alimentos e pequenas manufaturas, que transformavam o couro em roupas, a madeira em móveis e os metais em ferramentas e armas. Desse modo, essas propriedades eram autossuficientes, pois pouco dependiam de mercadorias vindas de fora de seus limites, e a produção feudal tinha como destino o autoconsumo de seus habitantes. Esse período da história da Europa Ocidental, conhecido como feudalismo, 2015-GEO-8-M001 estendeu-se do século IX até o século XII.

Manufatura Atividade realizada em máquina rudimentar ou manualmente, geralmente dentro de uma moradia, não em ambiente industrial.

Império Romano (século II) Mar do Norte

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OCEANO ATLÂNTICO

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Prefeituras Da Gália

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O poder de Roma se estendeu por uma vasta área da Europa e chegou até a Ásia e a África.

Da Itália Da Ilíria Do Oriente

0

405

Fonte: DUBY, Georges. Grand atlas historique. Paris: Larousse, 2008. p. 31.

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Ao longo dos séculos XI e XII ocorreram poucas guerras na Europa. Nesse período vigoravam pactos, alianças e acordos entre os senhores feudais, pelos quais estes se comprometiam a unir-se em caso de guerra. Essa época de relativa paz favoreceu o crescimento da população que habitava os feudos. Consequentemente, apesar do surgimento de novas técnicas de produção agrícola, os alimentos tornaram-se escassos, insuficientes para a população. Diante disso, os senhores feudais passaram a incentivar muitos moradores de suas terras a sair em busca de sobrevivência nas poucas vilas que existiam na Europa medieval. Para ganhar a vida, esses novos moradores das vilas europeias foram se tornando artesãos – como sapateiros e carpinteiros. Muitos se tornaram comerciantes de alimentos, roupas e bebidas. Esses pequenos produtores e comerciantes passaram a se reunir frequentemente para trocar, comprar e vender mercadorias, o que deu origem às feiras.

As primeiras manifestações do capitalismo As atividades econômicas que surgiram e se desenvolveram nas vilas deram impulso a um tipo de trabalho que teve pouca expressão até por volta dos séculos XI e XII na Europa: o comércio. Lojas, barracas de venda de alimentos e roupas, pequenas manufaturas, mascates (vendedores ambulantes) e feiras ganharam importância no dia a dia da população e alteraram radicalmente sua economia. Com o passar do tempo, os comerciantes perceberam que poderiam lucrar mais estabelecendo novas rotinas de trabalho. Uma nova prática adotada por eles foi a contratação de pessoas mediante uma remuneração, que podia ser mensal, Séc. XV. Castelo de Issogne, Aosta semanal ou diária. Ou seja, esses trabalhadores passaram a receber pagamento em dinheiro, que ficou conhecido como salário. Os governantes europeus começaram a cobrar impostos dos comerciantes, que passaram a ter mais liberdade para realizar seus negócios e puderam tornar-se proprietários de suas casas, lojas e locais de onde retiravam a matéria-prima necessária para a produção de suas mercadorias. Desse modo, entre os séculos XIII e XIV, popularizou-se a propriedade particular. A aquisição de mercadorias valiosas gerou a necessidade de capital. Por isso, nesse período houIluminura do século XV, de autoria desconhecida, que mostra a representação de uma loja de especiarias. ve grande circulação de moedas.

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O comércio cria um novo espaço geográfico

O período das colonizações Os navegantes europeus ancoraram seus barcos em locais onde nunca haviam estado antes. Na maior parte das vezes, o contato gerava desconfiança por parte das populações nativas desses lugares. Algumas pediam compensações pela retirada de produtos da natureza nas terras que julgavam ser suas, outras passaram a trabalhar para os conquistadores europeus, à custa de uma alteração profunda do seu modo de vida. Os colonizadores procuravam nessas terras conquistadas apenas mercadorias valiosas, produtos que pudessem proporcionar grandes lucros para eles. Essa fase, conhecida como colonialismo, estendeu-se das Grandes Navegações (séculos XV e XVI) até o século XVIII. Caracterizou-se pela conquista e ocupação de vastos territórios da África, Ásia e América pelos europeus, que deles extraíam produtos com mão de obra escrava. As Grandes Navegações dividiram o mundo em metrópoles e colônias, com cada parte desempenhando uma função específica do ponto de vista econômico. As metrópoles controlavam a economia das colônias, para as quais forneciam produtos manufaturados; já as colônias tinham a função básica de abastecer as metrópoles com mercadorias simples e valiosas, como ouro, especiarias, madeira, pedras preciosas, marfim, açúcar etc. Essa divisão de funções passou a ser chamada de Divisão Internacional do Trabalho, na qual era estabelecido o capitalismo como sistema econômico mundial.

De Agostini/Getty Images

Com a emergência da nova classe proprietária de terras, os feudos foram perdendo importância política e econômica para os comerciantes, que passaram a ter mais influência em todos os setores da vida social europeia. Em consequência, cidades e vilas cresceram rapidamente: novas oportunidades surgiam a cada atividade comercial que era iniciada. Com o tempo, o comércio mudou o modo de vida desses locais na Europa. Aumentou o número de comerciantes e também a concorrência entre eles. Para lucrar mais, muitos desses profissionais decidiram procurar matérias-primas mais baratas e mercadorias ainda desconhecidas na Europa. Assim, surgia novamente a necessidade de ultrapassar os limites territoriais do continente. Começaram a ser criadas outras rotas terrestres e marítimas que levariam os comerciantes europeus até lugares que ofereciam novas oportunidades de negócios. Um dos meios mais importantes utilizados para localizar esses novos lugares foram as expedições marítimas. Para realizar essas viagens, foram necessários estudos e descobertas que alteraram a fisionomia do mundo conhecido nos séculos XV e XVI. Essa época ficou conhecida pelas Grandes Navegações. Em poucas décadas, regiões que até então eram desconhecidas dos europeus passaram a ser importantes fornecedoras de mercadorias para os comerciantes. Para levar mercadorias para a Europa, grandes embarcações e instrumentos de navegação foram desenvolvidos, com base nos conhecimentos dos chineses e dos árabes. Na imagem acima, astrolábio italiano do século XVI.

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O Descobrimento da América por Cristóvão Colombo, de Louis Prang, 1893.

Com essa mundialização do capitalismo, lugares muito distantes entre si começaram a ter uma ligação mais forte, já que se tornaram interdependentes. Foi então criada uma rede de rotas comerciais que passou a constituir a maior fonte de riqueza entre os séculos XVI e XVIII. Surgia, assim, o espaço geográfico mundial. Quando uma área da África, da Ásia ou da América era colonizada, começava a integrar o sistema econômico capitalista. Sua paisagem natural podia ser alterada com o objetivo de atender aos interesses comerciais e seus habitantes passavam a trabalhar para companhias europeias. Muitos estudiosos chamam essa fase histórica de mercantilismo, período em que a exploração das colônias favoreceu a multiplicação de grandes empresas europeias, que gradativamente dominaram a economia mundial. A propriedade particular, a liberdade comercial e o trabalho assalariado, características básicas do capitalismo na Europa, foram se tornando comuns também nas colônias. No início do século XVI, o comércio de produtos das colônias, que parecia ser privilégio de alguns comerciantes portugueses e espanhóis, passou a ser praticado por importantes empresários da Inglaterra, da França e da Holanda, que também queriam colonizar terras distantes para obter vantagens. Não foram poucos os casos em que esses países europeus se envolveram em guerras pela posse desses novos territórios. Louis Prang. 1893. Litogravura. Biblioteca do Congresso/Bridgeman/Keystone

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Quando os primeiros colonizadores chegaram à América, diversos povos indígenas habitavam o continente, incluindo civilizações com alto grau de avanço tecnológico, como os astecas, os maias e os incas (que serão apresentados no capítulo 4). Esses povos diferiam uns dos outros em diversos aspectos, apresentando grande diversidade cultural e tipos distintos de organização social, mas, apesar de todas essas diferenças, na visão dos colonizadores, em geral, todos eram povos inferiores cultural e tecnologicamente. Na maior parte do continente americano, o processo de colonização envolveu a conquista das terras indígenas a partir de conflitos e guerras contra os povos nativos. O impacto dos colonizadores no continente foi tamanho que em pouco tempo cidades inteiras foram destruídas, povos foram mas-

sacrados e doenças como varíola e rubéola, contra as quais os povos indígenas não tinham resistência, provocaram epidemias. No intervalo de poucos séculos, dezenas de milhões de indígenas perderam suas vidas – mais de 20 milhões apenas na conquista do território asteca. Culturas inteiras, com hábitos, línguas, costumes e conhecimentos próprios, desapareceram. Cerca de 12 milhões de nativos habitavam a região que corresponde hoje aos Estados Unidos por volta de 1500, mas somente pouco mais de 200 mil viviam no mesmo território na virada para o século XX. O colonialismo alterou o espaço geográfico do “Novo Mundo”. No entanto, esse processo provocou a ruptura de um mundo que já existia e que era habitado há milhares de anos – um mundo no qual milhões de famílias foram expulsas de suas terras e massacradas para atender aos interesses das potências europeias.

Blue Lantern Studio/Corbis/Latinstock

VISÃO INTEGRADA: GEOGRAFIA E HISTÓRIA

O colonialismo e a ruptura de um mundo

Representação da conquista do Império Asteca pelos espanhóis, que envolveu o massacre de milhões de nativos. Ilustração de Donn P. Crane, 1949.

Atividades 1. Para as populações indígenas da América, o que representou a chegada dos europeus? 2. Qual era o principal objetivo dos colonizadores no “Novo Mundo”? Esse objetivo ia contra os interesses dos povos indígenas ou a favor deles?

"Novo Mundo"

Termo usado pelos colonizadores europeus para se referir ao continente americano.

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Primeira Revolução Industrial J. C. Bourne. The Great Western Railway. Gravura (detalhe).1846. Coleção particular

A concorrência crescente entre as potências europeias levou negociantes a investir em pesquisas para tornar a produção de mercadorias mais barata e eficiente. Os resultados dessas pesquisas transformaram profundamente o capitalismo. Até então, a maior parte das mercadorias era negociada in natura, ou seja, comercializadas exatamente como eram retiradas da natureza. Os produtos que sofriam alguma transformação passavam por pequenas manufaturas domésticas ou eram elaborados por artesãos. Pouco a pouco, foram surgindo máquinas que aceleravam a produção. Iniciava-se, assim, na segunda metade do século XVIII, a Revolução Industrial. Ao acelerar a produção, a Revolução Industrial produziu muitas mudanças no espaço geográfico. A invenção de diversas máquinas permitiu aumentar a produção de uma grande variedade de mercadorias, como roupas, calçados, móveis, utensílios domésticos, materiais para construção etc. Era necessário procurar novos mercados consumidores para comercializar essa produção tão variada e que crescia sem parar. Ao mesmo tempo, tornaram-se necessários novos mercados fornecedores de matérias-primas que pudessem abastecer as máquinas cada vez mais ágeis e produtivas. Essa combinação de fatores levou a uma radical transformação do modo de vida no século XIX, não apenas na Europa. O desenvolvimento de meios de transporte mais eficientes é outra característica da Revolução Industrial, pois era preciso deslocar mais produtos em menos tempo para escoar a produção. A Inglaterra foi a primeira nação a conseguir resultados importantes com a Revolução Industrial. O desenvolvimento do setor têxtil, da siderurgia e da construção naval tornou-se uma das marcas registradas desse país. Muitos estudiosos denominam essa fase inicial do século XIX de Primeira Revolução Industrial.

Locomotiva a vapor em litografia britânica de 1846. Os trens e os navios movidos a vapor eram considerados mais rápidos, seguros e eficientes do que os que existiam anteriormente.

SPL/Latinstock

Siderurgia Tipo de indústria de base que trata da produção de aço, ferro e outras ligas metálicas. É fundamental para o desenvolvimento de outras atividades industriais.

Gravura de máquina a vapor de James Watt (1735-1819), patenteada em 1769. O surgimento da máquina a vapor tornou-se símbolo da Revolução Industrial, pois existiam máquinas como essa para várias finalidades, o que expandiu a capacidade de produção de mercadorias.

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Consequências da Primeira Revolução Industrial Oliver Twist Direção: Roman Polanski. França/Reino Unido/Itália/ República Tcheca: Log On, 2005 (130 min). Com base no livro homônimo de Charles Dickens, esse filme conta a história de um garoto órfão que tenta sobreviver em Londres na época da Revolução Industrial.

Esta gravura, de 1879, é uma representação da concentração de fábricas em Sheffield (Inglaterra).

1879, Gravura. Coleção particular. Foto: The Granger Collection/Otherimages

O desenvolvimento da indústria não seria possível sem uma mudança na relação da sociedade europeia com o espaço geográfico. Muitos europeus exploraram de maneira acelerada seus recursos naturais, chegando a esgotar várias jazidas minerais e a devastar grandes áreas de florestas. Uma das consequências da Revolução Industrial no espaço geográfico europeu foi o êxodo rural. Entre os séculos XVII e XIX, milhões de pessoas saíram dos campos em direção às cidades industriais europeias, onde se localizava a maioria das fábricas e oportunidades de emprego. Por causa do aumento populacional e da falta de saneamento básico que levara à proliferação de doenças, a situação social se tornou difícil, o que posteriormente levou os governantes europeus a tomarem algumas medidas que melhorassem as condições de vida do trabalhador, caso contrário poderia ser comprometida a produção e o sistema capitalista. A medicina e o saneamento básico chegaram aos bairros superlotados de operários. A adoção desse conjunto de medidas constituiu uma revolução médico-sanitária. Durante o mercantilismo (séculos XV, XVI e XVII), os europeus avançaram principalmente sobre as terras da América. Nessa época, apenas algumas localidades da África e da Ásia mantinham contato direto com as potências europeias, que estavam estruturando uma economia capitalista. Contudo, a Revolução Industrial gerou a necessidade de novas conquistas territoriais. No século XIX, os países industrializados europeus já não tinham mais o domínio direto da América, pois muitas nações haviam declarado sua independência. No início do século XIX, muitas colônias americanas pagavam altos impostos às metrópoles e os comerciantes instalados nas colônias eram obrigados a negociar somente com as grandes empresas da metrópole. Muitos desses homens de negócios achavam injusta tal situação e contribuíram para promover a independência das colônias, que passaram a ter seu próprio governo, mas continuaram dependendo totalmente dos investimentos, dos mercados de consumo e dos parques produtivos das potências europeias. Assim, pode-se dizer que esses países tiveram uma independência apenas formal, pois suas economias mantiveram-se fortemente dependentes das antigas metrópoles. No século XIX, os exploradores europeus partiram para novas conquistas na Ásia e na África, financiados por grandes empresas e apoiados por seus governos. Começava uma nova fase do capitalismo industrial, conhecida como imperialismo, pois era necessário expandir mais os horizontes geográficos para continuar produzindo.

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O imperialismo A partir de meados do século XIX, as nações europeias decidiram fazer entre elas uma partilha da Ásia e da África. Contando com exércitos poderosos e recursos financeiros de grandes empresas, essas nações dominaram esses continentes, chegando até mesmo a impor seus idiomas e crenças religiosas. Ou seja, constituíam verdadeiros impérios. África, Ásia e Oceania: colonização (séculos XVIII e XIX) Sônia Vaz

Sakalina

OCEANO ATLÂNTICO COREIA Tun ísia

ARGÉLIA

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Ascensão (GB)

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Áden

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QUÊNIA CONGO BELGA

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Pondicherry GOA (POR) Andaman (FRA) Socotora (GB) (GB) Kankal (FRA) Mahé (FRA) Ceilão

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ÁFRICA ORIENTAL ALEMÃ

Seychelles (GB)

OCEANO ÍNDICO

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Ilhas Gilbert (GB)

Equador Célebes

ÍNDIAS NEERLANDESAS

(HOL)

JAVA Soembava (HOL) Timor Soemba (HOL) (HOL / POR)

Maurícia (FRA)

NOVA GUINÉ Ilhas Salomão (GB) (AL)

(GB) Novas Hébridas (FRA / GB) Nova Caledônia (FRA)

Reunião (FRA)

MO

SUDOESTE UNIÃO AFRICANO SUL ALEMÃO AFRICANA

MADAGASCAR

Trópico de Câncer

Formosa

INDOCHINA

Nicobar (GB)

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ANGOLA Meridiano de Greenwich

Santa Helena (GB)

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SERRA LEOA (GB) CAMERUN DA LIBÉRIA COSTA DO MARFIM (FRA) (FROMÉ A) COSTA DO OURO (GB)

Damão (POR)

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NIGÉRIA

GUINÉ (POR)

SUDÃO ANGLO-EGÍPCIO

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TOGO

BIRMÂNIA

Yanaon (FRA)

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SENEGAL

GÂMBIA (GB)

Chandernagor (FRA) Diu (POR)

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ÁFRICA OCIDENTAL FRANCESA

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Cabo Verde (POR)

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RIO DE ORO

OCEANO PACÍFICO

ÍNDIA

TRIPOLITÂNIA

Canárias (ESP)

JAPÃO

Sa

MARROCOS

AUSTRÁLIA

Ilhas Fiji (GB)

Trópico de Capricórnio

Cabo Grã-Bretanha

Itália

Portugal

França

Holanda

Espanha

Alemanha

Bélgica

Japão

Estados Unidos

Fonte: MEC. Atlas histórico escolar. Rio de Janeiro: FAE, 1991. p. 138-139.

A fase financeira do capitalismo

Correntista Refere-se a pessoa ou empresa que possui conta-corrente em um banco.

No final do século XIX e início do século XX aconteceram grandes mudanças no capitalismo. Houve aumento do lucro das potências europeias como resultado da exploração das colônias e da expansão dos mercados consumidores em diversas partes do planeta. Esses lucros eram depositados em instituições bancárias, que acumularam grande volume de dinheiro e perceberam que poderiam se associar aos grandes industriais, oferecendo empréstimos a juros. Os industriais, que eram os maiores correntistas, isto é, possuíam mais recursos nos bancos, passaram a associarse a essas instituições. Foi assim que surgiu o capitalismo financeiro, que expandiu uma atividade que já existia havia muito tempo, mas trazia uma novidade: no início do século XX, popularizaram-se os empréstimos bancários. Mais pessoas e empresas passaram a ter a possibilidade de conseguir dinheiro emprestado para os mais diversos fins. Os financiamentos incentivaram as pessoas a abrir empresas e ampliar os negócios. Assim, o capitalismo fortaleceu-se em diversas partes do mundo.

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As disputas econômicas e as guerras

FRANÇA

Pelo Tratado de Versalhes (1919), a Alemanha foi obrigada a devolver a Alsácia-Lorena à França. Essa região tem grandes jazidas de carvão, usado para abastecer indústrias siderúrgicas. Além disso, algumas localidades possuem minério de ferro, imprescindível para a economia industrial da época.

Primeira Guerra Mundial – O fim de uma era Estados Unidos: History Channel, 1997 (95 min). Documentário que integra a coleção “Guerras” e conta a história da Primeira Guerra Mundial, evidenciando como o conflito teve grande impacto em todo o planeta.

Geopolítico Referente à geopolítica, isto é, ao estudo das relações internacionais entre os países e suas influências territoriais. Refere-se também às estratégias de influência internacional traçadas pelos países.

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Sônia Vaz

No final do século XIX, a economia da Alemanha crescia aceleradamente. Assim, sua indústria exigia cada vez mais matérias-primas para abastecer a produção. O país buscou conquistar novos territórios, visando mais consumidores para suas mercadorias e novas fontes de matérias-primas para abastecer suas indústrias. No entanto, a maior parte da África e da Ásia já estava colonizada por outros países europeus, como a Inglaterra, a França e a Bélgica. Sem territórios coloniais suficientes para atender a essa necessidade crescente, a Alemanha entrou em disputa com a vizinha França pelo domínio da Alsácia-Lorena, região fronteiriça entre esses dois países. A guerra franco-prussiana, ocorrida em 1870, levou à incorporação dessa região ao território alemão. Para tentar resolver as disputas territoriais entre as potências europeias, seus governantes convocaram a Conferência de Berlim, realizada entre 1884 e 1885, na qual concordaram em dividir parte de suas possessões a fim de evitar novos conflitos. A Alemanha ficou descontente, pois obteve áreas menores e menos importantes do que ambicionava. A Alemanha tentava também ampliar sua influência no Oriente Médio. Para isso, projetou a construção da Estrada de Ferro Berlim-Bagdá (construída entre 1903-1940), que deveria atravessar os Impérios Austro-Húngaro e Turco-Otomano, que se tornaram aliados da Alemanha, formando a chamada Tríplice Aliança. Como essa ferrovia chegaria às grandes reservas de petróleo do Oriente Médio, a Inglaterra e a França, que já tinham forte influência econômica na região, passaram a temer a concorrência da Tríplice Aliança. O projeto expansionista alemão descontentava também o Império Russo, que temia perder influência no Leste Europeu. França, Inglaterra e Rússia formaram então a Tríplice Entente, com o objetivo de deter o avanço alemão. Nesse tenso cenário geopolítico, iniciou-se a Primeira Guerra Mundial (19141918). Esse conflito foi extremamente violento e, ao final, levou à derrota da Alemanha. As potências vencedoras Alsácia-Lorena (1870) reuniram-se em Versalhes, na 0° NORUEGA França, em 1919. O Tratado de Mar Versalhes foi elaborado nessa do SUÉCIA Norte reunião e previa que a Alemanha REINO UNIDO DA GRÃ-BRETANHA pagasse pesadas multas, o que E IRLANDA POLÔNIA HOLANDA acabou arrasando sua economia, ALEMANHA BÉLGICA causando desemprego da popu50°N lação, miséria e fome. Alsácia-Lorena SUÍÇA

ÁUSTRIA-HUNGRIA ROMÊNIA

ESPANHA

ITÁLIA

SÉRVIA

MONTENEGRO BULGÁRIA

NO MAPA 1. Que países disputavam a região da Alsácia-Lorena? 2. Por que essa região interessava a esses países?

ALBÂNIA 0

385

Mar Mediterrâneo

ÁFRICA

GRÉCIA

Fonte: DUBY, Georges. Grand atlas historique. Paris: Larousse, 2008. p. 96.

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A experiência socialista

Chefe de Estado Nos regimes parlamentares, é o representante máximo do governo (assim como o chefe de Governo), responsável pelas relações diplomáticas do país e por intermediar eventuais conflitos partidários.

akg-images/RIA Nowosti/Latinstock

Lênin, revolucionário e, posteriormente, chefe de Estado russo, falando para a multidão em São Petersburgo, em 1917. Liderados por Lênin, os trabalhadores russos desencadearam uma revolução na economia e na política do país.

À medida que o capitalismo avançava em todo o mundo, surgiram profundas diferenças entre os países industrializados e aqueles que haviam sido colonizados. No início do século XX, mesmo enfrentando algumas dificuldades econômicas, os países industrializados apresentavam uma situação mais favorável. Já os países que haviam sido colonizados e os que ainda eram colônias, sobretudo na África e na Ásia, lutavam com graves problemas sociais, como epidemias, analfabetismo e mortalidade infantil. Há também algumas exceções. A Rússia, por exemplo, não se enquadrava nessa divisão. Afastada do centro da Revolução Industrial, manteve a servidão (herança da época feudal) até o século XIX. Sua economia ainda era basicamente rural e as poucas indústrias estavam sob controle de empresários franceses e ingleses. O governo russo era exercido pela Monarquia absolutista da dinastia Romanov desde o século XIV. Afastados dos interesses do povo e envolvidos em disputas pelo poder, os Romanov não enfrentaram a tarefa de diminuir a miséria da população. Dificultava ainda mais a situação interna o fato de que a Monarquia russa se envolveu em vários conflitos externos, que consumiram grande volume de recursos humanos e econômicos. Nessa época, o capitalismo na Rússia era um dos menos avançados de toda a Europa, o que ocorria também em muitas regiões vizinhas desse país, onde a população enfrentava diversos problemas. Esse quadro marcava o início do século XX, época em que se iniciaram movimentos de revolta contra os governantes russos, que logo passaram a ser organizados por grupos revolucionários que pediam a derrubada da Família Real. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a situação da economia do país piorou ainda mais. Parte da população passava fome e os soldados não estavam equipados como os inimigos para enfrentar a guerra. Milhares de combatentes morreram congelados e muitos outros, que se encontravam na frente de batalha, voltaram para casa pregando o fim da Monarquia. Em outubro de 1917, os revolucionários russos tomaram o poder. Derrubaram a Monarquia e colocaram em prática um outro sistema econômico, diferente do capitalismo: o socialismo. De maneira geral, o socialismo se caracterizava como um sistema econômico no qual a propriedade deveria ser controlada pelo Estado. Os revolucionários acabaram com a propriedade privada das terras e das fábricas. O governo russo passou a ser exercido pelos sovietes, conselhos de camponeses e operários. Isso explica por que o nome do país mudou para República Socialista Soviética da Rússia, que mais tarde lideraria a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

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Karl Marx e o socialismo O pensador alemão Karl Marx (1818-1883) deu importante contribuição aos estudos de Economia quando escreveu O capital, livro em que faz uma análise detalhada do sistema capitalista, retratando sua evolução e prevendo seu esgotamento, o que, para muitos, ainda é fonte de controvérsia. Marx pregou a construção do sistema que chamou de socialismo e que, de acordo com ele, seria a superação do capitalismo, já que levaria a uma sociedade mais justa e igualitária. Ele acreditava que o capitalismo conduziria a uma grande concentração de renda, o que poderia deixar milhões de pessoas excluídas da possibilidade de consumo dos bens produzidos pela própria sociedade. Assim, haveria muitas revoltas e as pessoas iriam preferir um outro sistema, o socialismo. Após algumas experiências que ocorreram em importantes movimentos sociais da Europa, o socialismo foi implantado como modelo econômico em 1917, na Rússia, onde vigorou até 1990.

Controvérsia Polêmica, incoerência.

Mudanças no imperialismo No final do século XIX e início do século XX, as empresas dos países industrializados tinham grande poder sobre a economia mundial. Elas geravam empregos e pagavam salários, que ajudavam a movimentar a economia. Os bancos já exerciam grande influência na economia e obtinham vantagens, tanto nos seus países de origem quanto nos países colonizados. Esses grupos empresariais também eram favorecidos pelos governantes das colônias. Era comum, no século XIX, as metrópoles entregarem colônias inteiras a uma única corporação empresarial. Nessas condições, a empresa beneficiada não tinha concorrentes na exploração econômica desses territórios, tornando-se muito lucrativa. Essa situação constituía um exemplo de monopólio, que é um problema para o capitalismo, já que a concorrência é uma forma de expansão da economia. Pouco a pouco, a tendência de formar monopólios dominou o sistema capitalista, com empresas maiores comprando ou levando à falência as empresas menores. Para se protegerem da concorrência, muitas empresas fazem acordos chamados de cartéis. Segundo Adam Smith, um dos principais teóricos do Liberalismo econômico, a formação de monopólios prejudica a regulação natural do mercado, pois desequilibra a lei da oferta e demanda. Por isso, essa prática deveria ser evitada. Atualmente, a maioria dos países impõe leis contra a existência de cartéis e de trustes, mas essas poderosas formas de monopólio continuam atuando com grande força e influência. Por isso, muitos estudiosos chamam a atual fase histórica de capitalismo monopolista, com grandes corporações transnacionais no controle da maior parte da economia mundial.

Cartel Acordo entre empresas que atuam em um mesmo ramo da economia e que determina, por exemplo, a divisão da área de atuação entre elas e a prática do mesmo preço, a fim de eliminar a concorrência. Liberalismo Teoria econômica cujo precursor foi Adam Smith, que estabelecia a não intervenção do Estado na economia e a autorregulação do mercado através da lei da oferta e da procura. Truste Controle total do mercado por uma única empresa ou corporação (desde a matéria-prima até a venda). Assim, as empresas podem aumentar o preço de suas mercadorias por conta própria, já que não há a regulação do mercado. Essa prática, assim como o cartel, é proibida no Brasil.

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A grande crise Telex Sistema internacional de comunicações escritas, que enviava mensagens de um terminal a outro. Ação Pequena parte ou parcela do capital social de uma empresa que pode ser negociada em bolsas de valores. Bolsa de valores Mercado organizado no qual ações e títulos imobiliários são negociados.

Toronto Star Archives/Getty Images

Em 1938, desempregados de Cleveland, em Ohio (Estados Unidos), faziam fila para conseguir alimentos. A maior parte da população mundial sofreu as consequências da Crise de 1929.

No início do século XX, com o progresso das técnicas, a produção aumentou consideravelmente. Os meios de comunicação se expandiram, permitindo maior troca de informações pelo mundo. A ampliação das ligações telefônicas e de telex permitiu que as empresas recebessem com mais rapidez informações sobre o ritmo de vendas de seus produtos. Desse modo, passaram a acelerar ou retardar a sua produção de acordo com o consumo. O sistema capitalista mostrava-se mais dinâmico. No entanto, os salários dos trabalhadores eram muito baixos e não eram reajustados há tempos, impedindo-os de consumir os produtos que eles mesmos, em um ritmo cada vez maior, fabricavam. Além disso, a qualidade de vida da maior parte da população era precária. Na Europa, os problemas econômicos eram outros. As empresas em geral pagavam baixos salários porque os impostos eram muito elevados – para sustentar uma crescente indústria armamentista. Desse modo, a exploração dos trabalhadores não contribuía para que o consumo crescesse. Já nessa época, muitas pessoas ganhavam dinheiro ao comprar e vender ações de empresas nas bolsas de valores. Muitos investidores, preocupados com a situação vivida na Europa e nos Estados Unidos, passaram a vender simultaneamente as ações de muitas empresas, muito mais do que a quantia que outras pessoas estavam dispostas a comprar. Ocorreu então a Crise de 1929, que atingiu praticamente todo o planeta. Os preços das ações despencaram, desvalorizando e descapitalizando as empresas, que ficaram sem recursos para novos investimentos ou mesmo para se manter. Faliram centenas de milhares de empresas no mundo todo, inclusive no Brasil, e também os bancos associados a essas empresas. A falência e a descapitalização levaram as empresas a fazer demissões em massa, dando início a um período que ficou conhecido, nos Estados Unidos, como a Grande Depressão ou Crack da Bolsa de Valores de Nova York. Os governantes dos Estados Unidos e dos países europeus decidiram socorrer as empresas para evitar mais problemas sociais. Com a Grande Depressão, o pensador inglês John Maynard Keynes passou a difundir uma nova teoria, chamada de keynesianismo, que defende a intervenção dos governos na economia capitalista, a fim de evitar problemas como os que ocorreram em praticamente todo o mundo por causa da Crise de 1929. Desse modo, os governos deveriam disponibilizar recursos para salvar empresas ameaçadas de falência; construir estradas e usinas; administrar portos e aeroportos etc. Além de gerar novos empregos, tais medidas expandiriam a economia, prevenindo novas crises catastróficas. Os adeptos do liberalismo opõem-se ao keynesianismo, pois são contrários à intervenção do Estado na economia.

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Top Foto/Keystone

Um novo capitalismo depois da Segunda Guerra Mundial

Após as resoluções impostas pela França e pela Inglaterra em Versalhes, a maior parte dos alemães percebeu que a crise socioeconômica que se abateu sobre o país era resultado direto dessas ações. Gradualmente, cresceu na Alemanha um sentimento nacionalista. Na década de 1930 subiu ao poder na Alemanha um grupo que partilhava desse sentimento e tinha o objetivo de ver o país tornar-se novamente uma grande potência. Era o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, mais conhecido como Partido Nazista, liderado por Adolf Hitler. A política expansionista de Hitler foi uma das grandes responsáveis pela eclosão da Segunda Guerra Mundial, que ocorreu de 1939 a 1945, envolvendo grande número de países e deixando 50 milhões de mortos. Desde então, muita coisa mudou tanto na política quanto na economia mundial. Com o encerramento do conflito, surgia a outra potência, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, que pregava a expansão do socialismo, o que ameaçava o capitalismo. Antes mesmo de a Segunda Guerra Mundial acabar, os Estados Unidos fizeram uma série de acordos estratégicos para barrar o avanço do socialismo. Em 1944 ocorreu a Conferência de Bretton Woods, em que reuniram-se 44 países importantes da economia mundial e ficou decidido que o comércio entre eles se basearia no padrão ouro-dólar. Como esses países passaram a pagar suas importações em dólar, houve uma relação financeira muito forte com os Estados Unidos, pois eles buscavam vender para esse país a fim de conseguir dólares, necessários para comprar mercadorias de outras nações. Para conseguir dólares, muitos países e suas empresas vendiam aos Estados Unidos quase a preço de custo, fato que impulsionou o consumo interno nesse país e prejudicou, ao mesmo tempo, as taxas de lucro e o valor dos salários nos países exportadores. Os Estados Unidos propuseram ainda outras maneiras de garantir o crescimento do capitalismo, como a criação de organizações que buscavam a sustentação das diversas dimensões da economia capitalista em escala mundial. Uma delas é o Fundo Monetário Internacional (FMI), que tem o objetivo de socorrer os países em dificuldades financeiras. A concessão de empréstimos dava ao FMI o direito de monitorar e fiscalizar o país durante todo o período referente ao prazo de pagamento das dívidas contraídas. Outro órgão importante, o Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (Bird ou Banco Mundial), passou a conceder empréstimos com juros baixos aos países em desenvolvimento, para a construção de portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, usinas hidrelétricas etc. Os participantes da Conferência de Bretton Woods acreditavam que os empréstimos do FMI e do Banco Mundial facilitariam a produção e a circulação de mercadorias, fato que certamente ajudaria no fortalecimento e na expansão do capitalismo.

Hitler faz a saudação nazista em 1936. A primeira metade do século XX foi muito conturbada, afetando a economia capitalista.

A cruzada das crianças Bertolt Brecht. São Paulo: Pulo do Gato, 2014. Em forma de poesia, esse livro conta a história de crianças órfãs durante a Segunda Guerra Mundial.

Nacionalista Característica de quem tem orgulho de pertencer a uma nação; valorização e afirmação de uma nação. Concessão Ato de conceder ou entregar; entrega cedida.

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O modo de vida estadunidense e o Estado de Bem-estar Social

Foto de 1955 que representava uma típica família estadunidense do american way of life.

Houve grande prosperidade econômica, não somente para os Estados Unidos, mas também para outros países capitalistas no período conhecido como “era de ouro do capitalismo”, que perdurou até o início da década de 1970, com o choque do petróleo (1973). Dentre os países capitalistas que mais se desenvolveram no período, podemos destacar o Japão, seguido dos países da Europa Ocidental e do Canadá. Para manter altos índices de crescimento econômico, esses países investiram nos setores de bens de consumo duráveis, bens de capital, químico, petroquímico e de automóveis, seguindo o padrão de investimentos estadunidense para ampliar sua base industrial. Esse processo levou à consolidação dos Estados Unidos como modelo de sociedade industrial capitalista. Sua forte influência na economia mundial provocou uma grande mudança no padrão de consumo dos países que não sofriam a influência da União Soviética. Logo, o chamado american way of life (“modo de vida americano”, em inglês) era difundido em vários países, com sua população adotando hábitos e costumes presentes nos Estados Unidos, como o uso do automóvel, o consumo de bens não duráveis, hábitos alimentares, padrão de moda e vestimenta etc. ClassicStock/Corbis/Latinstock Essas profundas mudanças do pós-guerra provocaram também alterações no papel do Estado, que passou a intervir mais na economia a fim de manter o ritmo de crescimento econômico. Através de suas ações, o Estado tomou para si a responsabilidade de planejar e coordenar o processo de industrialização e modernização da economia, promovendo uma verdadeira reforma no capitalismo estadunidense. Além de garantir a modernização e o crescimento econômico, o Estado tinha como responsabilidade incorporar nesse processo todos os cidadãos, adotando o compromisso de garantir padrões mínimos de qualidade de vida nas áreas de educação, saúde, habitação, renda, seguridade social e pleno emprego, criando o que ficou conhecido como Estado de Bem-Estar Social (Welfare State, em inglês), cujo caráter assistencialista pressupõe a prestação de serviços considerados direitos da população.

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Atividades Louis Prang. 1893. Litogravura. Biblioteca do Congresso/Bridgeman/Keystone

1. Observe o mapa a seguir e responda às questões. Rotas Rotascomerciais comerciaisdodoséculo séculoXVXV Dacosta Mapas

ILHAS BRITÂNICAS

E

O P A U R

Mar M ed

Mar de Aral

Mar Cáspio

Mar Negro

iterrâne o

Á

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OCEANO ATLÂNTICO

Meridiano de Greenwich

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Equador

I

A CHINA

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DESERTO DO SAARA

S

PENÍNSULA ARÁBICA

Mar da Arábia

Trópico de Câncer

OCEANO PACÍFICO

Golfo de Bengala

OCEANO ÍNDICO

Á F R I C A

Rota principal da seda ÍNDIAS ORIENTAIS

Rota do ouro e do sal Rota das especiarias

0

1 200

Fonte: ATLAS visual de los descubrimientos. México: Editora Diana, 1992. p. 14-15.

a) A qual fase do capitalismo corresponde o período retratado nesse mapa? b) Qual é a relação entre a expansão das rotas marítimas e o desenvolvimento do comércio? c) A busca por novas rotas comerciais no século XV, época das Grandes Navegações, criou um novo espaço geográfico mundial. De que maneira isso aconteceu? 2. O que foi a Revolução Industrial? Quais foram as principais inovações para o desenvolvimento do sistema capitalista nesse período? 3. No caderno, copie e preencha corretamente o quadro a seguir com as principais diferenças entre os sistemas socialista e capitalista. Capitalismo Meio de produção

Privado

Propriedade Sociedade

Socialismo

Coletiva Dividida em classes: burguesia e proletariado

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4. Observe a imagem de uma publicação que simula a cobertura de grandes eventos históricos, no caso, acontecimentos ocorridos em agosto de 1914, durante o início da Primeira Guerra Mundial.

http://veja.abril.com.br/historia/primeira-grande-guerra-mundial/1914-agosto-comeca-guerra/indice.shtml

• Relacione o fato apresentado pela notícia à Revolução Industrial e ao imperialismo europeu. 5. O período neocolonialista do século XIX representa um momento histórico em que as nações mais poderosas buscavam ampliar e controlar territórios, povos ou nações mais pobres. Observe o mapa da página 19 e responda às questões. a) Como foi denominado esse momento histórico? b) Quais foram as nações consideradas "poderosas" na época? Que territórios eram considerados pobres (colonizados)? c) Qual era a justificativa econômica das nações mais influentes para realizar esse processo de colonização? 6. Desde a sua fundação, em 1944, o Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (Bird) tinha como principal objetivo facilitar a reconstrução dos países no pós-guerra. a) De que forma o Bird atuou nessa reconstrução? b) Pesquise sobre uma das atuações dessa instituição financeira no Brasil. Compartilhe os resultados da pesquisa com seus colegas e professor. Para isso, se possível acesse a página do Bird: <http://ftd.li/waoeev> (acesso em: nov. 2015). 7. Na atual fase do capitalismo, o predomínio de bancos e sua influência sobre a economia global caracterizam, entre outros fatores, o capitalismo financeiro. Sendo assim, serviços relacionados a estabelecimentos bancários tornaram-se fundamentais para a manutenção do sistema como ele é hoje. • Pesquise em jornais ou revistas propagandas de empresas que mostrem, por meio da oferta de produtos vendidos a prazo, o predomínio do capitalismo financeiro na atualidade. Selecione duas delas e mostre aos colegas e ao professor. Discutam quais aspectos do capitalismo esses anúncios apresentam.

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