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A Decisão por Cristo – O que isso significa? Traduzido do original em inglês Decision for Christ – What does it mean? Por Copyright © 1988 por L. R. Shelton Jr. Publicado nos Estados Unidos por Chapel Library 2603 West Wright St - Pensacola, FL, 32505 • Copyright © 1990 Editora Fiel Primeira Edição em Português: 1990 Reimpressões: 1992; 1996; 1999 Segunda Edição em Português: 2011 • Todos os direitos em língua portuguesa reservados por Editora Fiel da Missão Evangélica Literária Proibida a reprodução deste livro por quaisquer meios, sem a permissão escrita dos editores, salvo em breves citações, com indicação da fonte. •

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Presidente: James Richard Denham III Presidente Emérito: James Richard Denham Jr. Editor: Tiago J. Santos Filho Revisão: Francisco Wellington Ferreira Diagramação: Edvânio Silva Capa: Rubner Durais ISBN: 978-85-8132-004-5


Índice

Capítulo 1 A GRANDE DECISÃO......................................................................................7 Capítulo 2 AS EXIGÊNCIAS DO REI.............................................................................. 19 Capítulo 3 A GENUÍNA PROFISSÃO DE FÉ EM CRISTO............................................ 31 Capítulo 4 PROFESSAR A CRISTO: O QUE É REALMENTE?...................................... 43 Capítulo 5 A PROFISSÃO E A DECISÃO....................................................................... 55 Capítulo 6 A FALTA DA VERDADEIRA PIEDADE...................................................... 73


Capítulo 7 A NECESSIDADE DE TESTAR A NOSSA PROFISSÃO DE FÉ.................. 85 Capítulo 8 A PARÁBOLA DO SEMEADOR E A DECISÃO POR CRISTO................ 101 Capítulo 9 AS SETE MARCAS DISTINTIVAS DO CRENTE...................................... 119 Capítulo 10 A VERDADEIRA FÉ SALVÍFICA................................................................ 137


Capítulo 1

A GRANDE DECISÃO A vida é constituída de decisões. O decurso da vida de todo homem é determinado pelas decisões que ele toma. Hoje, fala-se muito em decisões – “tomar uma decisão, uma resolução”. Considerando tais coisas, queremos examinar o que as Escrituras dizem sobre o assunto de decisão: o que significa exatamente a decisão por Cristo? No que diz respeito ao assunto de seguir o Senhor Jesus Cristo, de buscá-Lo e de crer nEle, a exigência básica que as Escrituras nos impõem é a submissão


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incondicional a Jesus como Rei. Essa exigência envolve o modo como nossa vontade corresponde à dEle. Portanto, uma decisão é realmente tomada. Sim, as Escrituras, na sua totalidade, fazem um apelo à nossa responsabilidade, à responsabilidade de decisão, que é a resposta da nossa vontade às exigências do governo de Deus em nossa vida. Palavras como “buscar”, “bater”, “pedir”, “crer”, “confessar” e “arrepender-se”, todas elas apelam à nossa responsabilidade. Quando usamos a palavra “decisão”, o que queremos dizer com ela? O que está envolvido numa decisão por Cristo? O principal aspecto deste assunto de decisão por Cristo se acha em Mateus 6.33, nas seguintes palavras: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”. Podemos entender assim este versículo das Escrituras: “Buscai em primeiro lugar o Rei e o seu governo”, porque é esse o seu significado. Deus é o único Soberano; Ele é o Rei dos reis. Seu governo exige que a nossa vontade corresponda à dEle. O reino de Deus nos impõe esta única exigência: buscai em primeiro lugar o seu reino e a sua justiça. Essa exigência inclui arrepender-se, converter-se, decidir e receber o Rei e seu governo. Temos de recebê-Lo; temos de submeter-nos a Ele. O que significa tudo isso para você, leitor, se ainda


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está longe do Senhor Jesus Cristo? O que significa buscá-Lo em primeiro lugar, buscar o seu governo? Querido amigo, apresso-me em dizer isto: o reino de Deus não pede que achemos em nós mesmos a justiça que ele exige. Deus nos dará a justiça do seu reino. O reino de Deus não pede que criemos as qualidades de vida que Deus requer: o arrependimento, a fé ou a confiança. Não, o Espírito de Deus que reina em nós nos dará esta vida. O reino de Deus não estabelece um padrão, dizendo: “Quando você alcançar este padrão de justiça, poderá entrar no reino”. Não! Deus exige de mim, como pecador, somente uma coisa: buscar em primeiro lugar o seu reino e a sua justiça. Buscar em primeiro lugar o Rei e a sua justiça é arrepender-se, é voltar-se para Deus. É decidir-se total e completamente a favor do Senhor Jesus Cristo. Obedecer àquela única exigência: “Buscai em primeiro lugar o Rei e a sua justiça”; é receber o reino de Deus. Então, ao recebê-lo, recebemos a vida, as bênçãos e o governo do Rei, do próprio Senhor Jesus Cristo. Surge a pergunta: “Como recebemos essa vida?” Como obtemos a justiça do reino? A Palavra de Deus nos fala de modo muito simples. Contudo, por mais simples que seja, ela não deixa de penetrar as profundezas da nossa existência, de nossa alma. Lemos em Romanos 10.9 que, se, com a boca, confessarmos a Jesus como


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Senhor e, no coração, crermos que Deus O ressuscitou dentre os mortos, seremos salvos. Atos 16.31 diz: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo”. João 20.31 diz: “Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome”. João 1.12 diz: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber: aos que creem no seu nome”. Mas, em resposta a esses mandamentos de crer, da parte de Deus, perguntamos: é possível alguém entrar no reino de Deus apenas por falar, com os lábios, o nome de Jesus e de fazer confissão verbal? A bênção da vida deve ser recebida por meio de crer na ressurreição e na divindade de Cristo? Um credo pode salvar-me? Pronunciar as palavras “Jesus é o Senhor” pode dar-me a vida? Qual é o significado de confessar Jesus como Senhor, de crer no nome do Senhor Jesus Cristo? As respostas dessas perguntas se acham na única exigência do Rei: buscai-o em primeiro lugar, ou seja: arrependei-vos, convertei-vos, decidi e recebei o Rei e o seu governo. Que o Espírito Santo aplique a Palavra ao nosso coração agora mesmo! As exigências de tomarmos uma decisão que se acham nos ensinos do nosso Senhor, registrados nas Escrituras, não devem ser aceitas levianamente. Nosso Senhor exigia dos homens uma decisão resoluta, como


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demonstra Lucas 9.57-60. Enquanto nosso Senhor e os discípulos andavam pelo caminho, um homem Lhe disse: “Seguir-te-ei para onde quer que fores”. Era um homem que parecia disposto a tomar a decisão de seguir a Cristo. Respondendo, nosso Senhor lhe disse: “As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça”. Nosso Senhor duvidou da seriedade dessa decisão. Ele queria dizer: “Amigo, sabe o que está envolvido nessa decisão? Você está disposto a tornar-se discípulo de quem não tem lar, de quem não tem posição social, nem prestígio? Pensou bem no assunto? Levou em conta as implicações? Qual será o custo para você? Está determinado a seguir-me, custe o que custar?” Sim, leitor, é assim que nosso Senhor continua falando hoje. Se decidimos que seguiremos a Cristo, já calculamos o custo de segui-Lo? A outro homem, nosso Senhor disse: “Segue-me”. Mas a resposta deste foi: “Permite-me ir primeiro sepultar meu pai. Era um homem que professou estar disposto a tomar uma decisão, mas havia outra coisa a ser feita antes. “Sim”, dizia, “quero seguir, mas pode esperar um pouco? Há uma reivindicação superior em minha vida. Deixa-me primeiro cuidar disso; depois, virei e te seguirei. Tenho boas intenções; vou seguir-te, mas deixa para mais tarde”. Entretanto, nosso Senhor respondeu com palavras


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que pareciam severas: “Deixa aos [espiritualmente] mortos o sepultar os seus próprios [fisicamente] mortos”, vem e segue-me. Jesus estava dizendo em termos bem claros: “Buscai em primeiro lugar o Rei e a sua justiça!” Isto nos diz que o reino de Deus exige uma decisão imediata e urgente. Quando as reivindicações de obediência a Cristo chegam a você, leitor, não se arrisque a ficar preso a questões mundanas. Não discuta, dizendo: “Mas, em primeiro lugar, tenho de viver a minha vida; tenho uma carreira para seguir; tenho planos importantes para meu futuro que devem ser levados adiante. Tenho obrigações a serem cumpridas. Estou para casar-me. Por isso, adiarei a decisão por Cristo. Comprei uma junta de bois e preciso experimentá-la. Comprei um terreno e preciso examiná-lo”. Não! Nosso Senhor disse que deve haver uma decisão imediata, que é resoluta e total. Observe: quando você vem a Cristo para segui-Lo, nada mais importa neste mundo, exceto o destino eterno da sua alma imortal, cuja salvação só pode ser obtida no Senhor Jesus Cristo. A coisa mais maravilhosa do mundo é conhecê-Lo, segui-Lo e viver sob o seu governo. Não importa nenhuma outra coisa, senão conhecer a Jesus! Assim, você percebe, querido amigo, que o reino de Deus exige uma decisão resoluta e a entrega irrevogável ao Senhor Jesus Cristo de tudo que você é e espera ser.


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Este é o significado das Escrituras em Romanos 10.9 e Atos 16.31: confiar em Cristo, submeter-se ao seu governo e entregar a Ele todo o nosso ser, para o tempo e para a eternidade. Essa decisão renuncia os direitos que você tem sobre si mesmo. É uma decisão de seguir a Jesus durante todos os dias da sua vida. Hoje, ouvimos de todas as direções o convite: “Creia! Decida!” Mas, onde ouvimos alguém ensinar o que está envolvido nessa decisão? Ela envolve render o nosso “eu” totalmente a Cristo, na sua plenitude. Você não mais pertencerá a si mesmo, nem terá mais direito sobre si mesmo. Será governado por Outro, pelo Rei do reino, pelo Senhor Jesus Cristo. Você Lhe entregará tudo que tem. É uma decisão que abre mão do direito ao próprio “eu”. Além disso, o reino de Deus, o governo do Rei, exige uma decisão radical. Algumas decisões são feitas facilmente e exigem pouco esforço. Mas a decisão pelo reino de Deus – de viver sob o domínio de Cristo – é difícil e só pode ser tomada com a ajuda do poder de Deus. O fato de que ela é difícil pode ser visto em nosso esforço para entrar, como está escrito em Mateus 11.12: “Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus é tomado por esforço [opera poderosamente], e os que se esforçam [homens de violência] se apoderam dele”. Como devemos entender essas palavras? O que o esforço


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ou a violência têm a ver com recebermos o reino de Deus, o governo de Deus? Em Marcos 9.47, nosso Senhor ilustrou essa exigência com as seguintes palavras: “E, se um dos teus olhos te faz tropeçar [pecar], arranca-o; é melhor entrares no reino de Deus com um só dos teus olhos do que, tendo os dois, seres lançado no inferno”. Veja bem: “arrancar um olho” não deixa de ser violência, como também são atos de violência “cortar a mão ou o pé”, para entrar no reino de Deus. São palavras enfáticas, sem dúvida, que visam demonstrar a decisão exigida para receber a Cristo e segui-Lo como Senhor. Nosso Senhor disse: “Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada” (Mt 10.34). A espada é instrumento de violência. Às vezes, a decisão pelo reino, para ter o Rei reinando sobre nós, será uma espada que cortará algumas relações humanas e trará dor e sofrimento. Nosso Senhor não disse: “Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lc 14.26)? “Espada”, “ódio” – essas são palavras de violência, mas são bastante necessárias para demonstrar o que está envolvido numa decisão de seguir a Cristo e sujeitar-se a Ele como Rei. Nesse mesmo sentido, nosso Senhor empregou a expressão “esforçai-vos por entrar pela porta estreita”


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(Lc 13.24). A palavra grega traduzida por “esforçar” é um termo enfático que deu origem à nossa palavra “agonizar”, significando forçar todos os nervos e músculos para entrar. Decidimos que seguiremos a Cristo. Devemos nos esforçar por aproximar-nos dEle. Não deixemos nada nem ninguém nos impedir de chegar ao Senhor Jesus Cristo. “Resolvi seguir a Jesus. Minhas costas estão viradas para o mundo, o inferno e o pecado. Estou avançando firmemente, com os olhos fixos em Cristo; minha esperança está nEle, porque Ele diz que nunca me deixará, nem me abandonará. Portanto, a decisão de seguir a Cristo, de buscar o seu reino e o seu governo sobre nós é descrita como violência, esforço e luta intensa. Toda essa linguagem descreve o caráter radical da decisão exigida pelo reino de Deus. Oh! que atentemos a essa exigência! Ela não é uma brincadeira; não é algo que envolve apenas metade do homem! Envolve todo o homem que busca o Rei e o seu governo. É o homem todo que se arrepende, crê, decide e se entrega a Cristo. Querido amigo, isso é o que significa a decisão ou o decidir-se por Cristo. Significa render todo o “eu” a Cristo. “Seguirei a Cristo, não importando o que isso me custe; seguirei a Cristo ainda que Ele me conduza através do inferno; seguirei a Cristo, não importando o que ou


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como terei de sofrer, o que perderei das afeições do mundo ou o que me custe em termos de relacionamentos humanas: amigos e entes queridos, pai ou mãe. Seguirei a Cristo! Nem esposo, esposa, pai, mãe, irmã, irmão me persuadirão do contrário; nenhuma dessas pessoas pode ser meu senhor. Abandonarei minha própria vida, meus prazeres e minhas afeições; nada me governará. Seguirei o Senhor Jesus Cristo por onde quer que ele for”. Essa é a decisão que a Bíblia ensina, e a decisão em que creio, porque sei o que me custou chegar a Cristo: custou-me tudo que eu tinha. “Eu pensava que o pastor ensinava que a salvação é gratuita.” Sim, ela nos é dada de graça no Senhor Jesus Cristo, mas nos custa-nos nossa vontade e tudo que esperamos ser neste mundo, porque viveremos uma vida espiritual de maneira prática num mundo que ama o pecado e odeia a Deus; andaremos com o Rei! Seremos forasteiros e peregrinos aqui na terra e temos de seguir a voz do Rei. Preste atenção e compreenda hoje, pela graça de Deus: a decisão referida na Bíblia, de buscarmos em primeiro lugar o reino de Deus, ou o governo de Deus, e a sua justiça, “decidir-se por Cristo”, significa que você já não terá o direito de governar a si mesmo; seguirá a Jesus. Ele será o Senhor da sua vida e o Salvador da sua alma. Mas, que vida bendita! Eu não a trocaria por dez milhões


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de mundos como este, em que vivemos. Nテ」o trocaria por imensurテ。vel soma de dinheiro essa vida de fテゥ, de andar com meu bendito Senhor e Salvador Jesus Cristo.


Capítulo 2

AS EXIGÊNCIAS DO REI Hoje, ouvimos em muitos púlpitos evangélicos e fundamentalistas a exclamação: “Tome uma decisão! Decida-se por Cristo! Aceite a Cristo e seja salvo!” Ao lidarem com aqueles que parecem preocupados com o bem-estar de sua própria alma, os evangelistas adotam o seguinte método: apresentam alguns poucos versículos das Escrituras, fazem uma oração, os pecadores aceitam o conhecimento histórico de Jesus e são informados de que são salvos, salvos para sempre. “Não confessaram com a boca, nem creram que Jesus fez tudo que, nas


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Escrituras, Ele disse que fez? Portanto, são salvos”. São informados de que não resta nada a ser feito e de que são salvos para sempre. Essa proposição é apresentada a pessoas interessadas, baseada numa fé histórica em um Homem da história, chamado Jesus. Depois, elas são despedidas para seguir seu caminho, crendo que foram salvas para sempre com base numa decisão feita apenas com a mente, mas que não alcançou seu íntimo. Elas nada sabem sobre a sua necessidade do Senhor Jesus Cristo, sobre a sua condição de pecadores diante de Deus, sobre a sua natureza totalmente depravada, sobre a sua culpa e impureza, sobre o seu ódio inato para com Deus e com Cristo. Em outras palavras, o coração delas nunca foi mudado pelo Espírito Santo. Nada sabem sobre o que significa serem culpadas diante de Deus e serem alienados dEle. Nada sabem a respeito da majestade e da santidade do grande Deus contra Quem pecaram. Nada sabem a respeito da exigência do Rei quanto a uma rendição total ao senhorio dEle. Sem esse conhecimento operado pelo Espírito Santo no coração, essas pessoas não entendem a Cristo e, portanto, não conhecem a realidade do Senhor Jesus Cristo em seu coração e vida. Não têm qualquer conhecimento da preciosidade de Cristo, da sua glória, do seu poder, da sua beleza. Nada veem na morte, no


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sepultamento e na ressurreição de Cristo que as preserve e sustente para o tempo e a eternidade. Não possuem o Espírito Santo a operar com poder de convicção em seu coração. Portanto, nada sabem a respeito de si mesmas, nem a respeito do Salvador precioso por Quem fizeram tal decisão. E o que piora as coisas é que elas não sabem nada a respeito da verdadeira fé salvadora, que faz do precioso sangue de Cristo a única expiação para os nossos pecados diante de Deus. Visto que não podem viver pela fé, vivem pelo que veem. Portanto, as coisas do tempo e dos sentidos têm mais significado para elas do que as coisas de maior valor, as coisas da eternidade. Realmente, elas fizeram uma decisão no coração, mas não a favor do Cristo da Bíblia. Decidiram-se por um Homem, Jesus, tirado das páginas da História. É, portanto, uma fé em fatos históricos. Outra coisa triste que vemos hoje neste assunto de decisão por Cristo é que as pessoas raramente são informadas das exigências do Rei ou raramente veem essas exigências sendo mostradas no viver prático. As exigências do Rei, do Senhor Jesus Cristo, são radicais, tão radicais quanto podemos imaginar. Por “radical” queremos dizer que a base ou o princípio fundamental do reino de Deus é este: a renúncia total e irrevogável de tudo que sou ao Rei, ao Senhor Jesus Cristo.


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Sim, é isto que a Palavra de Deus ensina sobre o relacionamento entre o pecador e o reino de Deus, com seu Rei, Jesus Cristo. Ensina que, ao seguirmos a Cristo, nós o seguimos a qualquer custo. Quando nos achegamos a Cristo, em uma “decisão por Cristo”, estamos confiando nEle para nos libertar do império das trevas e nos transportar para o reino da luz, o seu reino (Cl 1.13). Para que essa obra seja feita, nossa vontade precisa ser humilhada, para que venhamos a Ele com coração quebrantado e espírito contrito, porque odiamos o pecado. Estamos nos achegando a Ele para romper o poder do pecado em nossa vida, porque não podemos fazê-lo. A obra deve ser feita pelo poder do Espírito Santo. É somente quando odiamos o pecado que passamos a desejar que o Espírito Santo rompa o poder do pecado. Então, uma vez libertos, já não vivemos no pecado, mas desejamos seguir a Jesus de perto. Estamos confiando em Cristo para nos dar, pelo seu Espírito, a vida eterna; porque, quando a vida eterna de Deus habita em nós, não fazemos do pecado a prática e a regra da nossa vida (1 Jo 3.9). Se alguém pergunta: “Por quê?”, a resposta é porque a bondade de Deus nos levou ao arrependimento (Rm 2.4). Portanto, nos colocamos ao lado de Deus contra nós mesmos e nossos pecados. Trocamos de senhor e agora queremos agradar somente a Cristo, que nos comprou


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ao preço do seu próprio sangue precioso. Querido amigo, quando chegamos a Cristo, queremos que Ele nos domine como nosso Cabeça, nosso Mestre e nosso Senhor. Esse é o motivo de nos chegarmos a Ele. Oh! que o Espírito Santo grave essa verdade em nosso coração! As exigências do Rei são radicais. Ele exige um coração quebrantado e um espírito contrito. Exige o arrependimento. Examinemos outras exigências que o Rei nos faz quando buscamos em primeiro lugar o Rei e a sua justiça. Lemos estas palavras em Mateus 10.37-39: “Quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim. Quem acha a sua vida, perdê-la-á; quem, todavia, perde a sua vida por minha causa, achá-la-á”. Surgem as perguntas: isto significa que, ao tornar-me cristão, as afeições humanas não têm mais lugar em minha vida? Quem segue a Cristo deve romper todos os seus laços familiares? Eu respondo sem hesitação que certamente não é isso que essas palavras de Jesus exigem. Contudo, admito que é realmente uma exigência – uma exigência muito severa – feita pelo próprio Rei. E significa isto: quando os relacionamentos humanos se interpõem no caminho das exigências do reino de Deus, só pode haver uma escolha, se queremos mesmo seguir a Cristo.


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Se a exigência do Rei já confrontou você, e Ele lhe disse: “Segue-me”, mas seu pai, ou mãe, ou esposo, ou esposa, ou uma pessoa querida disse: “Não, não aceito isso; você não pode seguir a Cristo e desfrutar da minha afeição”. Então, querida filha, meu caro homem, estimado cônjuge, há uma só decisão a ser tomada: seguir o Rei e deixar os resultados nas mãos dEle. Ainda que as afeições humanas e os laços familiares sejam rompidos, as reivindicações do reino de Deus têm prioridade. O Rei precisa ter a primazia, pois, do contrário, não somos dignos dEle. Sim, se enfrentarmos a crise: seguir a Cristo, o Rei, ou seguir a família, a decisão tem de ser seguir a Ele, custe o que custar. Se não, você é indigno dEle. Sem dúvida, essa é uma decisão custosa, mas, visto que se trata de uma decisão para a eternidade, decidir contra Cristo tornar-se o Soberano de toda a sua vida significa ir para a perdição eterna! Se não houver uma rendição completa e irrevogável, isso só pode significar que você escolheu o inferno e rejeitou o único meio de salvação oferecido por Deus, a salvação por meio do sangue e da justiça do Senhor Jesus Cristo. Há outro pensamento ressaltado em Mateus 10.38, que revela quais são as exigências do Rei: “Quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim”. Aqui, de novo, vemos o custo essencial da decisão. Você


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pode perguntar: “Qual é o significado de tomar a cruz?” As pessoas frequentemente falam da dificuldade de levar a cruz: “Que cruz pesada sou obrigado a carregar!” Dizem: “Tenho uma cruz física. Sofro agonias com enxaquecas ou úlceras; tenho artrite ou reumatismo. Quão grandes são as fraquezas e dores físicas que me são impostas!” Alguém diz: “Você não sabe como é o filho deformado que tenho de criar, o ‘vegetal’ que depende totalmente de mim, semana após semana e pelos anos afora. Oh! que grande cruz tenho de carregar!” Outros falam da cruz que precisam carregar por causa de certos problemas. Uma mulher diz: “Meu marido se ira facilmente. Que cruz tenho de carregar ao aguentar o mau humor dele!” Ou: “A minha cruz é a necessidade de trabalhar em um ambiente não cristão. Ouço blasfêmias e impurezas dia após dia. Que cruz pesada tenho de levar!” Mas, caro amigo, essas experiências não são cruzes! Sem dúvida, são fardos. E, às vezes, esses fardos parecem nos esmagar até ao chão. No entanto, uma cruz não é um fardo. Uma cruz é um lugar de morte. Você e eu nunca devemos falar em carregar o fardo da cruz, porque, quando você e eu tomamos a nossa cruz, confessamos que estamos prontos para morrer. Observe: uma cruz é um instrumento e um lugar de morte. Portanto, o Rei diz: “Quando você se decide por mim, lembre-se: deve estar


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disposto a morrer por mim”. Devemos ser capazes de dizer juntamente com o apóstolo Paulo: “Longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo” (Gl 6.14). Este é o que significa tomar a cruz: a disposição de morrer com Cristo ou por Cristo. Significa também morrer para o mundo. Significa total dedicação a Cristo, embora essa dedicação me custe tudo. Significa um ato de renúncia que não retém nada para si, nem a própria vida. Significa que a minha vida, a minha vontade, as minhas ambições, os meus desejos, as minhas esperanças, todos estão entregues a Cristo, o Rei. Significa que eu me considero morto, para que Cristo viva e reine em mim. “Disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Porquanto quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á” (Mt 16.24-25). Sim, este é o significado de tomar a cruz e seguir a Cristo. Estamos dispostos a segui-Lo, custe o que custar? Quantas vezes alguém já nos disse isso? Ganhador de almas, você lida com as almas nesta base? Pastor, pregador, professor bíblico: vocês lidam com as almas nesta base e falam às pessoas a verdade sobre o custo de seguir a Cristo? O preço será o mundo, o pecado e tudo que elas


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consideram precioso. Tudo isso deve ser renunciado por causa de Cristo. O apóstolo Paulo expressou isso com as seguintes palavras: “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl 2.19-20). Você e eu fomos crucificados com Cristo? Estamos seguindo-O, pagando esse preço? Veja bem: tomar a cruz é algo que acontece nas profundezas do espírito humano. Além disso, é uma necessidade. É uma das exigências do Rei quanto ao nosso relacionamento com Ele e faz parte da decisão por Ele. Devemos tomar a cruz e segui-Lo. Temos de morrer. Se estou disposto a morrer por Cristo, a minha vida não me pertence, pertence a Ele. Minha vida e todas as suas fases pertencem a Ele. Carregar a cruz envolve a questão do senhorio, da soberania e do domínio. Cristo não governa a minha vida enquanto eu não me considero morto, crucificado com Ele. Caro leitor, somente um pode governar a minha vida: o próprio eu ou Cristo. Quando tomo a minha cruz e morro, Cristo governa. Como vimos com clareza, essa é a exigência do Rei. Não O seguimos por causa dos cinco pães e dos dois peixes. Não O seguimos apenas como uma garantia contra o inferno. Nós O seguimos porque


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O amamos; e nós O “amamos porque Ele nos amou primeiro” (1 Jo 4.19). Você sabe o que estou falando? Já experimentou esse morrer com Cristo, essa coroação de Jesus Cristo como Rei e Senhor da sua vida? Não estou pregando doutrina falsa, e sim a verdade da Palavra de Deus. Mateus 6.24 afirma-a nestes termos: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um, e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas [às vantagens do mundo]”. A Palavra diz que você não pode. Mas aquele que nasceu de novo, do Espírito de Deus, foi transformado em nova criatura, em Cristo; as coisas velhas já passaram e se tornaram novas; agora, ele pode seguir a Cristo por causa do que Cristo fez por ele. Alguém pergunta: “Por que uma pessoa entrega tudo a Cristo nesta vida e O segue completamente?” Por quê? Porque viu na Pessoa do Rei uma beleza e uma glória que quebranta o seu coração e leva-a a ansiar por Ele. “Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual, perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo e ser achado nEle, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de


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Deus, baseada na fé” (Fp 3.8-9). O Espírito Santo levou essa pessoa a apresentar-se voluntariamente no dia do poder de Cristo (Sl 110.3). Sim, o clamor do seu coração é este: “Eu te quero, bendito Senhor, para ser meu no tempo e na eternidade, porque vejo em ti um Substituto perfeito para os pecadores. Vejo em ti um Salvador e Senhor completo. Vejo na tua morte, no teu sofrimento, quando foste abandonado por Deus, uma satisfação total da santa lei de Deus por todos os meus pecados. Vejo no teu sangue a purificação de todos os meus pecados. Vejo na tua ressurreição a minha justificação total. Vejo na tua justiça a minha perfeita expiação e minha condição perfeita diante de Deus. Vejo em todo o teu sofrimento o teu amor por minha alma imortal. Vejo na tua condescendência em morrer no meu lugar uma satisfação feita à vontade divina do Pai. Sim, Senhor precioso, vejo em ti uma beleza que transcende todas as alegrias deste mundo. Por isso, entrego tudo numa rendição total de tudo que sou e tenho. Aqui estou, Senhor, aceita-me. Faze de mim tua propriedade particular. Sê meu Rei, meu Soberano, meu Senhor e Salvador. Quero que as condições sejam determinadas por ti, porque quero que Tu, precioso Senhor, sejas tudo em tudo para mim”. Sim, quando virmos a Cristo em sua glória como a


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dádiva do amor de Deus Pai para a nossa alma imortal, colocaremos a nossa vida diante dos seus pés e clamaremos: “Senhor bendito, não posso fazer menos do que entregar a ti tudo que tenho. Conquistaste o meu coração, e sou teu para o tempo e a eternidade. Tu és meu. Obrigado, Senhor, por salvar a minha alma. Obrigado, Senhor, por me tornar são. Obrigado, Senhor, por me ter dado tua grande salvação, tão rica e gratuita”. Meu amigo, é por essa razão que todo filho do Deus vivo entrega tudo ao Senhor Jesus Cristo e O segue totalmente. É por essa razão que achamos em Cristo uma preciosidade, uma beleza, uma amabilidade, porque Ele conquistou nosso coração. Seu amor quebrantou verdadeiramente nosso coração aos seus pés. Por isso, nós O desejamos acima de tudo. Não existe nesta vida nada que seja digno de possuirmos e se compare com o Senhor Jesus Cristo, o eterno Salvador, Senhor e Deus do meu coração. Gostaria que você soubesse o que significa estar em Cristo e ter Cristo em você, a esperança da glória. Gostaria que você conhecesse a preciosidade, a glória, a beleza e o amor que há no bendito Senhor! Mas tudo isso se acha aos pés dele, quando Lhe entregamos tudo. Decidir, sim. Mas, que grande decisão: segui-Lo totalmente!


Capítulo 3

A GENUÍNA PROFISSÃO DE FÉ EM CRISTO Quero examinar agora as advertências da Palavra de Deus a respeito da genuína profissão de fé em Cristo, contrastada com aquilo que é falso, e, assim, esclarecer algo mais a respeito da decisão por Cristo. Vivemos numa época em que a profissão de fé apenas de lábios é considerada salvação. E a maioria dos cristãos professos nunca avaliam a sua suposta vida cristã pela perscrutadora Palavra de Deus. Mas Deus nos


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ordena que façamos isso! Eles nada sabem a respeito da obra de convencimento do Espírito Santo, nem da alegria santa que o povo de Deus goza no Senhor Jesus Cristo, enquanto vive neste mundo. Tendo feito uma profissão de fé, apenas com os lábios, nada sabem da realidade do pecado, da realidade de um Deus santo, que odeia o pecado, da realidade das suas exigências de arrependimento e da fé. Não conhecem a bendita realidade da Pessoa e obra do Filho de Deus, o Senhor Jesus Cristo. A Palavra de Deus ensina claramente a verdade eterna de que a salvação não é uma simples profissão verbal da fé, baseada no assentimento intelectual de algumas verdades bíblicas. Devemos, portanto, perscrutar nosso próprio coração, para determinar se realmente estamos edificados na Rocha firme, no Senhor Jesus Cristo; Ele em nós, e nós, nEle. Atentemos a Mateus 7.21-23, quando lemos a advertência sobre a profissão de fé em Cristo que não passa de afirmação verbal: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca


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vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade”. Querido amigo, essas palavras são muito perscrutadoras. E o Senhor tencionou que fossem perscrutadoras, porque Ele nos diz – de fato, nos adverte – que uma pessoa pode chegar a reconhecer Cristo como Senhor e Mestre e até concordar em que Ele é o Filho de Deus, o único Salvador dos pecadores, mas, apesar disso, estar perdida! Além disso, ela pode chegar a professar Cristo como Senhor, abertamente e todos os dias, mas, apesar disso, estar debaixo da ira de Deus. Como esse texto bíblico nos perscruta! Sim, Cristo declara que o mero reconhecimento verbal da verdade sobre a sua Pessoa ou uma profissão verbal de que somos os seus discípulos não abre o caminho para alguém desfrutar das bênçãos dEle, nem agora nem no céu, a menos que seja comprovadamente o resultado do arrependimento e da conversão verdadeiros. E, se essa confissão não é acompanhada do desejo e da prática, interior e exterior, de fazer a vontade do Pai, é possível que tenhamos de ouvi-Lo dizer no último dia: “Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade. Nunca vos conheci”. Oh! que palavras solenes são estas! Que palavras de advertência! Certamente, devemos deixar a Palavra de Deus perscrutar-nos, para que tenhamos


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certeza da nossa vocação e eleição. Ou, como diz 2 Coríntios 13.5: “Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados?” Passemos a descrever os vários tipos de pessoas que fazem uma profissão de fé para discernirmos o verdadeiro significado da decisão por Cristo. Ao considerarmos brevemente essas quatro classes de professos, que o Espírito Santo abra o nosso coração para entendermos a verdade a respeito de nós mesmos. Em qual dessas classe estamos? Em primeiro lugar, há aqueles que são apenas professos nominais. Têm o nome de cristãos e mais nada. Nascerem em um país onde o cristianismo é a religião predominante e onde reconhecer o cristianismo e dar-lhe alguma anuência é considerado um sinal de respeitabilidade. Talvez algumas poucas gotas de água foram aspergidas sobre eles na infância, por algum pregador, e tenham recebido algum tipo de instrução religiosa durante a sua infância. Mas depois de atingirem a idade adulta (exceto numa visita ocasional à igreja, no Natal ou na Páscoa), não houve mais cristianismo para eles! Todavia, se você lhes perguntasse, não hesitariam em dizer-lhe que são cristãos e têm toda a certeza de


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que, se há alguns que irão para o céu, eles estão incluídos entre esses! Mas não sabem nada sobre a fé salvadora, a preciosidade de Cristo, a oração, o andar numa vida espiritual governada pelo Espírito Santo. Estão espiritualmente mortos, embora estejam vivos fisicamente. E, se não se voltarem a Deus com arrependimento e a Cristo com fé salvadora, estarão perdidos por toda a eternidade no lugar de sofrimento e de ais – o inferno! Creio também que aqueles que se chamam de “cristãos carnais” pertencem a essa classe. Eles estão igualmente enganados porque não existe na Palavra de Deus o conceito de um cristão carnal. Deus nos diz especificamente em Romanos 8: “Os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne... o pendor da carne dá para a morte... os que estão na carne não podem agradar a Deus”, ou seja: não são salvos; ainda estão nos seus pecados. Se vivermos segundo a carne, morreremos (v. 13). Somente se andarmos segundo o Espírito e no Espírito, viveremos. Ouço testemunhos de pessoas que, depois de terem feito uma profissão de fé, quando tinham 12, 15, 18 ou 20 anos de idade, “desviaram-se” e foram para o pecado. Então, depois de uns 5 ou 10 anos em que viveram para o Diabo, voltaram e dedicaram novamente a sua vida a Cristo e consagraram-se ao serviço cristão. Mas elas


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confessam que eram salvas o tempo todo! Nada disso é ensinado na Palavra de Deus! Se você está envolvido nesse tipo de história, está enganado! Quando Deus nos salva, Ele rompe o poder do pecado em nossa vida e nos faz odiar o pecado. Já não temos nada a ver com o pecado, como se fôssemos porcos, porque Deus nos transformou em ovelhas. Nossa natureza é transformada, e amamos as coisas do Senhor (2 Pe 1.4; 2 Co 5.17; 1 Jo 3.9). Não existe o cristão carnal; essa é uma designação errada. Refere-se à pessoa que está espiritualmente morta, ama o pecado e ama o mundo, a pessoa cujo coração nunca se apaixonou pelo Senhor Jesus Cristo. Percebemos que o professo nominal ou o cristão “carnal” não teve uma decisão genuína por Cristo. Vamos à segunda classe, a dos professos formais. Essa classe é constituída daqueles que se consideram mais avançados do que os professos nominais ou carnais. Eles conseguem repetir algum catecismo ou, pelo menos, oferecer uma explicação razoavelmente inteligível da doutrina e das leis de Cristo. Alegam ser submissos à autoridade do Senhor Jesus Cristo; observam todos os atos externos do culto que os caracteriza como seguidores, mas nada sabem da bem-aventurança da comunhão com o Senhor; e a alegria no Senhor não é a força deles. A sua religião é apenas um assentimento


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mental de certas verdades e fatos da Palavra de Deus; apenas ostentam as observâncias externas. Sem dúvida, seguiram os “quatro passos básicos”, como o dizem em linguagem simples, mas não têm vida espiritual. Não conhecem a salvação na experiência prática. Não sabem nada da realidade da Pessoa e da obra de Cristo. E, sem Ele, estão tão condenados ao inferno como os professos nominais ou carnais. São descritos em Ezequiel 33.31 nas seguintes palavras: “Eles vêm a ti, como o povo costuma vir, e se assentam diante de ti como meu povo, e ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra; pois com a boca professam muito amor, mas o coração só ambiciona lucro”. A terceira classe é constituída dos professos enganados. Como diz Provérbios 30.12: “Há daqueles que são puros aos próprios olhos e que jamais foram lavados da sua imundícia”. Os que estão na classe dos professos enganados se acham superiores aos que estão na classe dos professos formais. Não colocam sua esperança no batismo infantil, porque já foram melhor instruídos. Sua confiança não se fundamenta no credo mais correto, mas orgulham-se do seu entendimento inteligente da santa Palavra de Deus. Têm plena certeza de que Cristo morreu por eles e de que O aceitaram como seu Salvador pessoal. Ninguém pode abalar a convicção deles. Se alguém lhes


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faz perguntas a respeito do caminho divino da salvação, do nascer de novo pelo Espírito Santo, responderão que tudo vai bem. Mas não possuem nova natureza; não foram tornados novas criaturas em Cristo. O amor e a humildade não fazem parte do seu caráter. Nada sabem a respeito de suportar e perdoar uns aos outros em Cristo (Cl 3.13). Desconhecem o fruto do Espírito e falta piedade prática em sua vida diária. Os professos enganados desconhecem a Pessoa e a obra do Espírito Santo que quer operar a convicção no coração. São como os ouvintes do tipo “solo rochoso”, mencionados na parábola do semeador, em Mateus 13.20-21: “O que foi semeado em solo rochoso, esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, sendo, antes, de pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza”. Não há profundidade, nem quebrantamento do coração, nada de arar a alma, para que percebam sua condição de perdidos diante de Deus. Estão sempre estudando, mas nunca conseguem chegar ao conhecimento da verdade de que são pecadores perdidos (2 Tm 3.7). Meu amigo, você está nesta classe? Essas pessoas ficaram sem a convicção do Espírito Santo e, portanto, ficaram sem Cristo. Não possuem a realidade de Cristo. Podem obter alguma segurança


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breve da Palavra, mas não a paz permanente, porque não conhecem o Príncipe da Paz, o Senhor Jesus Cristo. Hoje, há um grande número de pessoas que está nessa classe dos professos enganados, mesmo entre aqueles que confessam que creem nas doutrinas da graça e defendem o verdadeiro ensino e pregação evangélica. Sei o que estou falando, pois já estive nessa condição – um professo enganado. Tenho experiência de esforçar-me para crer que Cristo era real e precioso, até meu cérebro ficar latejando. Tenho experiência de procurar sentir segurança, quando não havia nenhuma obra da graça de Deus em meu coração. Tenho experiência de ter sido iludido pelo deus deste mundo e por meu próprio coração enganoso, após ter feito profissão de fé diversas vezes; mas eu não tinha vida. Pela graça de Deus, sei o que é prostrar-me aos pés do meu Deus santo como um pobre pecador perdido, sem esperança alguma, exceto a de que Ele teria misericórdia de mim pelos méritos de Cristo. Eu o louvo, porque pelo seu Espírito Ele abriu meus olhos para me ver enganado, nas trevas do pecado, preso por Satanás e necessitando do poder do Espírito de Deus, para me salvar, e do poder do sangue de Cristo, para minha purificação. Agora, eu O louvo porque não me deixou parar e descansar enquanto eu não chegasse ao Senhor Jesus Cristo.


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No entanto, louvado seja o Senhor porque existe a quarta classe, a do professo genuíno, aquele que tem a vida de Cristo. A sua decisão é genuína porque a verdadeira fé salvífica lhe foi dada pelo Espírito Santo. Ele conhece e confessa sua condição de pecador. Conhece e confessa sua grande distância de um Deus santo. Conhece e confessa que precisa da justiça de Cristo para levá-lo ao céu. Conhece e confessa seu desamparo diante de Deus. Não está satisfeito com uma profissão de fé apenas verbal. Quer saber, no seu coração, que passou da morte para a vida. Quer conhecer e possuir aquela fé viva sobre a qual a Palavra de Deus fala. Não pode satisfazer-se com uma mera aceitação mental; quer ter a lei de Deus inscrita em seu coração pelo Espírito Santo (Hb 8.10; 10. 16-17). Seu clamor é: “[Senhor,] dize à minha alma: Eu sou a tua salvação” (Sl 35.3). Precisa ter a Cristo, em realidade, revelado a ele pela fé, pois, do contrário, não fica satisfeito. Outra marca do professo genuíno é o desejo de fazer a vontade do Pai, que está no céu. A vontade do Pai é que nos arrependamos (At 17.30); por isso, o professo genuíno exclama: “Senhor, dá-me o arrependimento para que eu conheça plenamente a verdade” (2 Tm 2.25). A vontade do Pai é que abandonemos os nossos pecados (Is 55.7). O professo genuíno diz: “É o que quero fazer”. A


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vontade do Pai é que confiemos em seu Filho (Jo 6.40). O professo genuíno diz: “Ainda que ele me mate, confiarei nele – esse é o desejo do meu coração”. A vontade do Pai é que tomemos sobre nós o jugo de Cristo e O sigamos (Mt 11.29); o professo genuíno declara: “Eis-me aqui, Senhor. Coloca-me no jugo contigo, para eu te seguir totalmente”. Sim, o desejo do professo genuíno é seguir a Cristo totalmente, agora e para sempre. Podemos dizer que fazer a vontade do Pai significa sujeitar o coração e a vontade às reivindicações de Cristo, para que eu possa desejar sinceramente que Ele reine sobre mim e ordene a minha vida. Isso significa que me sujeitei à autoridade de Cristo e que a tendência resoluta de minha mente e o esforço constante da minha alma é agradar-Lhe em todas as coisas. Significa que meu alvo sincero é conformar-me interior e exteriormente com a semelhança santa do meu Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Significa que minha maior aflição é fazer coisas que Lhe desagradam. Significa que procuro realmente deixar meus pensamentos, afeições e ações serem regidos pelos preceitos e mandamentos de Cristo. Não é uma obediência impecável, mas, pelo menos, é instigada pelo amor. Isso é o que significa a decisão salvífica por Cristo. Querido amigo, acabamos de examinar o professo nominal ou carnal, o formal, o enganado e o genuíno.


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Em qual dessas classes você e eu estamos? O Espírito Santo perscrutou o nosso coração para sabermos qual é a atual nossa condição diante de Deus? Estamos em Cristo? Cristo vive em nós, mediante a fé? Conhecemos o Senhor Jesus Cristo naquela união viva e amorosa para a qual o Espírito Santo nos leva no novo nascimento? Já nascemos de novo? Cristo é tudo para nós? Nós o conhecemos? Ou estamos sempre aprendendo mas nunca chegando ao conhecimento da verdade de que somos pecadores perdidos? Sei que essas verdades nos perscrutam. Deus quer que elas nos perscrutem. A sua Palavra nos sonda e perscruta, porque Ele quer confirmar a nossa vocação e eleição (2 Pe 1.10). Conhecemos a Cristo? Estamos nEle?


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Editora Fiel

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