juremabrasildigital16 2021

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JUREMA by Hermes Inocencio

A PANDEMIA E SEUS

DA JUREMA

Eduarda

CALADO NA INTIMIDADE

O REI DA MUGANGA (IN MEMORIAN) UR

J

MEMES Bea Lopes A EMBAIXADORA

GENIVAL LACERDA

IL

COLEÇÃO CÁPSULA

BRASIL

EM A BRAS 16

REVISTA BIMENSAL • EDIÇÃO Nº 16 — 2021

R$ 30,00

Veronica Hime UMA NORDESTINA ARRETADA


JUREMA EM A BRAS 16

J

UR

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REVISTA BIMENSAL • EDIÇÃO Nº 16 — 2021

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BRASIL

VESTIDA PARA

CASAR

Larissa Sorrentino


JUREMA EM A BRAS 16

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BRASIL

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REVISTA BIMENSAL • EDIÇÃO Nº 16 — 2021

R$ 30,00

ESPELHO

MEU, EXISTE ALGUÉM MAIS BONITA DO QUE EU?


8

FOTO: ROBERTO PORTELLA


|NO.16

MAIO|JUNHO ANO VIII NUMERO 16 2021

44 Genival Lacerda, símbolo da Cultura Nordestina

COLEÇÃO CÁPSULA “Fashion Designer Hermes Inocencio

70

“Vamos achatar a curva!” e “fiquem em casa!” tornaram-se memes nessa pandemia

7 Carta da editora

1ª CAPA

8 Duda Calado na intimidade

2ª CAPA

14 Vestida para casar

GIRO CARIOCA

22 Gardênia Cavalcanti (A madrinha do Cristo Redentor)

3ª CAPA

24 Espelho meu 32 “Fiquei viúva e agora?”

SUPERAÇÃO

34 Rosemay Flutuoso, o fim de um sonho eo começo de uma nova vida

RELIGIOSIDADE

38 Mãe Marcia Marçal “Tenho mais fé do que sangue no corpo

RETROVISOR

42 Genival Lacerda, o Rei da Muganga (In Memorian)

MODA MASCULINA

INTERNACIONAL

66 Rikardo Oliveira—Influêncer brasileiro se destaca na Inglaterra

LITERATURA LUSOBRASILEIRA 68 Quinhentismo

SAÚDE

70 Os memes da pandemia

44 Coleção Cápsula, a força do sertão

BORDEAUX

EMPREENDEDORISMO FEMININO

IMOBILIÁRIA ARRECIFES

72 Auto retrato feminino

54 Verônica Hime, nordestina “arretada

74 Quem casa quer casa

MAKING OFF

75 Bastidores da Tecnologia

60 Fernando Tavares—Tudo de negro que existe em mim

TENDÊNCIA

62 lissa Marie (Estilo black & White)

CAPA maio–junho 2021 MODELO: @dudacalado FOTÓGRAFO: @robertoportellaimagemaker MAKEUP: @manuelgalvaomua STYLIST: @euyuriel

5  | JUREMA | 2021 Maio ⁄Junho

44

HISTORIANDO

FOTO: ANAEL ROCHA

42

ÍNDICE

MERCADO DIGITAL ECOLOGIA

76 Marca pernambucana de fraldas ecológicas

FOTOGRAFIA

78 Paloma Aquino fotógrafa de gravidas, uma mulher sonhadora

DIGITAL INFLUENCER

80 Bea Lopes, uma embaixadora na Jurema Brasil


IL

J

UR

EM A BRAS

LUCIANA ARAÚJO Presidente & Coordenação Editorial ROBERTO PORTELLA Projeto Gráfico & Direção de Arte BATISTA OLIVEIRA Diretor de Comunicação & Publicidade EDNETE MIRANDA Secretaria & Planejamento ANA PAULA MATIAS Comercial — Colaboradora (Rio de Janeiro) ADRIANA MARQUES Revisão COLABORADORES NESTA EDIÇÃO Jornalistas DÉBORA GONÇALVES, LUDMILA PORTELA, FÁBIO ARAÚJO, MARCIA DORNELLES, ALLURE VITORIA, BEATRIZ VACCARIE e TONY DUDA Fotógrafos PALOMA AQUINO, LUCIANO MORAES, DANIELL MENDES e FERNANDO TAVARES Colunistas FREDERICO MENDONÇA (Mercado Imobiliário), FERNANDO PORTELA CÂMARA (Psiquiatra) e ANA PAULA, RIKARDO OLIVEIRA (Reino Unido-Inglaterra) JOSÉ CARLOS BORGES (Portugal) Stilyts AMARO ANDRÉ e YURIEL SANTOS CONTATO EMAIL revistajurema@gmail.com FONE (81) 99811 3391(PE) & (21) 9866-73962 (RJ) A REVISTA JUREMA é uma publicação bimensal da CEL EDITORA. Os textos e artigos assinados não refletem necessariamente a opinião da revista. É proibida a reprodução de textos e fotos sem autorização expressa. EMAIL revistajurema@gmail.com & celeditora@hotmail.com Fone/WhatsApp. (81) 99811 3391

Instagram: @revistajurema.com Facebook: https://www.facebook.com/revistajurema

Maio ⁄Junho 2021 | JUREMA | 6


Carta da Editora

C

hegamos à 16.ª edição da JUREMA BRASIL! E temos bastante a comemorar: neste primeiro semestre, festejamos o aniversário de 8 (oito) anos da revista, com duas edições nacional, uma parceria com produção em São Paulo e um evento de lançamento no Rio de Janeiro. Alguns temas nortearam maio e junho por conta da sua amplitude comemorativa. Maio das Marias, das Mães, das Noivas, que emenda com junho do amor dos namorados, dos santos, da religiosidade. Nos ensaios de grávidas e de fraldas ecológicas, falo do amor de mãe especialmente. O maior amor já vivido em todos os tempos! Lançamos, nessa comemoração nacional, um vídeo institucional e um Calendário, que destaca a importância da revista tanto para a divulgação da diversidade cultural brasileira, quanto para o processo de inclusão social de pessoas e de projetos culturais e sociais, sempre com a pegada da moda conceito! Para nossa surpresa, ao publicarmos a capa desta edição nas redes sociais, recebemos o convite para firmar parceria com um influenciador digital do Reino Unido/Inglaterra, Rikardo Oliveira do bloguer, @perolasdorikardo. Uma parceria que promete a ampliação da Jurema Brasil para a internacionalização, convidado especial para ser nosso colaborador internacional, que passa a assinar a Coluna “Pérolas do Rikardo–In Revista.” Ainda nesta edição de aniversário, estreamos o Artigo: “A HISTÓRIA SÓ É BOA QUANDO EU CONTO,” com destaque para o Empreendedorismo Feminino, abrindo espaço para as mulheres contarem suas histórias e nós vamos selecionando as mais empoderadas e publicando a cada edição. Espero que vocês gostem da história de

Ana Paula da AFROMATERNA e sua produção de fraldas ecológicas. Outro sucesso alcançado nos últimos meses foi a parceria com produtores de moda de São Paulo/SP, através do amigo e colaborador, Produtor de Moda Amaro André, que profissionalmente, reuniu uma equipe de fotógrafos, maquiadores e stylists, preparando três ensaios maravilhosos de moda e arte, a partir de uma indicação nossa de referências e conteúdos. Esperamos continuar com o trabalho dessa equipe nas próximas edições da Jurema Brasil. Nesta edição, como em todas as outras, seguimos com a nossa pauta fixa de saúde, mercado imobiliário, perfil e o editorial de capa que vem sempre com fotografias e direção de arte de Roberto Portella. Outra novidade é que, pela primeira vez, foram impressos dez mil exemplares desta Jurema, mais do que o dobro do que vinha sendo a tiragem nas últimas edições. Com isso, poderemos dar continuidade, de forma ampliada, à estratégia de divulgação e distribuição que vem sendo feito desde as primeiras edições. Vamos fazer circular nas principais bancas do Rio de Janeiro e São Paulo – Além de Pernambuco e da região Nordeste, fortalecendo, ainda mais, a revista com o público interno, e também tornando possível alcançar outras cidades do sul país; outros públicos estratégicos. A produção intensa da Jurema Brasil para diversas mídias ocorre neste importante momento do país, de mudanças no contexto sócio-cultural nacional, em que se faz cada vez mais necessário a divulgação da moda no “novo normal”, partindo do pressuposto de que está na moda tudo que for incluir, empoderar e amar. Boa leitura! n

LUCIANA ARAÚJO, Editora Geral 7  | JUREMA | 2021 Maio ⁄Junho


Capa

A

top model Duda Calado é Capa da Jurema de maio, edição especial das noivas, das mães e das Marias. Em um ensaio realizado no Hotel Ramada, em Boa Viagem/Recife/PE, a modelo transformou sua própria sensualidade a partir da intimidade que tem com as câmeras. Com 22 anos completos e do signo de peixes, e diz que o amor vai além de pele ou sexo; é sensações e sentimentos. Parece que esquentou. Vamos a entrevista: Duda Calado. Quem é essa menina, moça? Fala um pouco de você

Duda CALADO NA Por MARLU ARAÚJO Fotos ROBERTO PORTELLA

INTIMIDADE

Eu sou uma menina distraída, sempre pensando no futuro e me deslumbrando. Eu me defino muito pelo tamanho das minhas ambições, me sinto viva quando estou buscando algo, e foi buscando minha independência que fui aceitando as oportunidades de emprego na área de modelo. O que te inspira profissionalmente falando?

Minha mãe foi a pessoa que me mostrou o mundo da moda, e que acreditou sempre em mim. Ela vê em mim coisas que nem eu vejo. Sobre os olhos dela, eu sou enorme. Minha inspiração é ser tão grande quanto ela me vê. Alcançar as expectativas de quem me ama e quer o melhor para mim. Você já fez vários ensaios fotográficos como modelo. Como foram essas experiências?

Sempre diferentes, algumas mais fáceis outras mais difíceis. Porém, sempre tive sorte de trabalhar com pessoas muito profissionais que facilitaram muito o trabalho. Como você entrou no mundo da moda?

Meu primeiro contato foi bem pequenininha, quando minha mãe que tinha loja pedia para eu desfilar com as roupas de moda infantil, penso que por volta dos 5 anos, foi a primeira vez, ao longo dos anos, minha mãe procurava me encaixar em lugares que me deixassem Maio ⁄Junho 2021 | JUREMA | 8


“A NUDEZ não tem nada a se esconder, se você se sente confortável com isso, ame seu CORPO”

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modelar. Um deles foi o Miss Pernambuco que me fez conhecer meu agente André, que profissionalizou tudo e me trouxe grandes oportunidades. Sou grata pelo trabalho e o carinho dele. O que você acha dessa pergunta que fazem para nós, quando criança: “O que você vai ser quando crescer”? Você acha que já cresceu o suficiente para saber o que quer hoje?

Eu sempre respondia essa pergunta com um “quero ser modelo profissional” mas, hoje eu acho que levo a modelagem como uma opção, não a única. Faço engenharia ambiental na UFRPE e pretendo me formar e tentar atuar na área, mas, meu grande sonho seria me manter da moda. Sobre a pergunta eu sinto ser uma ótima pergunta para fazer os devaneios das crianças inspirarem os futuros adultos. Você pode nos contar como está sua carreira no momento e o que almeja para o futuro próximo?

Atualmente, devido a quarentena não têm havido tantos testes e produções como antigamente, o que me dá oportunidade de me aprofundar nos estudos sobre modelagem e tentar ser uma profissional mais completa, aperfeiçoando sempre. Você tem alguma(s) história(s) ou curiosidade(s) para nos contar?

Uma historia que eu gostaria de contar aqui também é um aviso para quem quer seguir esse sonho. Não acredite em todo mundo que chega e diz que vai te descobrir, que vai fazer com que você vire a próxima “Giselle” ou a Alessandra Ambrósio. Isso é o primeiro alarme de fraude. Eu já fui ludibriada pelo meu sonho, me ofereceram aulas para passarela e para fotografia, cobrando altos valores e oferecendo trabalhos que poderiam pagar tudo. Como era nova, aceitei, porém, foi uma fraude e nunca mais tive contato com a equipe deles. Vamos falar na intimidade: Como você vê o amor?

O amor é paz e aconchego, e sentir o amor com um abraço. Eu vejo amor em tudo na minha vida, sou uma pessoa apaixonada, e amo muito quando estou com alguém. O amor vai além de pele ou sexo, é sensações e sentimentos. Como anda a sua relação com a vida de uma forma geral?

Eu vivo intensamente e sinto tudo a flor da pele, é a consequência de ser apaixonada pela a vida. Tem uma chamada de capa, onde fala: “Toda nudez NÃO será castigada.” Você concorda com essa expressão?

Concordo, penso que a nudez não tem nada a se esconder, se você se sente confortável com isso, ame seu corpo, ame sua imagem, está tudo bem em se sentir linda e pousar para levantar a auto estima. n


“Eu me defino pelo tamanho das minhas ambições”

MODELO: @dudacalado FOTÓGRAFO: @robertoportellaimagemaker MAKEUP: @manuelgalvaomua STYLIST: @euyuriel

Maio ⁄Junho 2021 | JUREMA | 12


Ro b erto Portel la Studio

Jurema

Professional Photography Studio retoucher

creative

LUCIANA ARAÚJO

fashion

restoration

+55 99811.3391

editorial graphic designer

@robertoportellaimagemaker


Casamento

VESTIDA para

CASAR VESTIDO DE NOIVA — na moda toda tendência um dia volta

Por MARTA VIEIRA & GIOVANNA LISBOA


A

ntes da rainha Vitória do Reino Unido (1819-1901), as noivas vestiam-se nos seus casamentos das mais variadas cores: azul, amarelo, verde e até cinzento. O vermelho–símbolo de sorte e prosperidade–era (e continua a ser) muito popular especialmente no oriente. Na Escandinávia, pelo contrário, era o preto a cor mais comum nas noivas. No entanto, até a rainha Victória de Inglaterra decidir o contrário, o branco estava somente reservado para as mulheres que iam a tribunal. Assim, foi uma surpresa quando a rainha Victória se casou, em 1840, com o príncipe Alberto (terá sido ela a pedi-lo em casamento, outra ousadia) num vestido nada tradicional em cetim de seda creme com uma romântica coroa de flores na cabeça. Para além do branco simbolizar riqueza, foi também uma forma de a rainha exaltar o seu extraordinário vestido. Dificilmente se poderia adivinhar que seria o início de uma nova era na história do casamento e do vestido de noiva — que continua até agora. Terá sido desta forma inesperada que o branco ganhou popularidade nos casamentos reais e não só. Através do exemplo da rainha Victoria, várias figuras célebres casaram de branco e, algumas décadas mais tarde, o vestido branco de noiva existe uma data exata, mas já na democratizou-se chegando às classes “NOIVINHAS QUE média europeias e norte-americanas. Bíblia há relatos de vestes espeA acompanhar este desenvolvimento ADOTAM O TÊNIS PRO ciais usadas para o dia do matrisurge a narrativa que associa o branco monio, nada parecido com o que SEU CASAMENTO, à pureza, inocência e virgindade (antes temos hoje. GERALMENTE SÃO este era o papel do azul), algo que hoje O branco, por exemplo, nunca é mais simbólico e não levado tão a foi uma unanimidade. Na idade MAIS DESPOJADAS” sério pela maioria. média o que importava não era —Giovanna Lisboa a cor, mas o luxo dos vestidos. A influência da rainha Victória também se fez sentir na moda. Tornou-se Como os casamentos eram vistos para fazer alianças comercomum terminar um desfile com um vestido de noiva branco a partir das décadas de 1940, ciais os vestidos eram usados para demostrar as posses 1950. E algumas destas criações tornaram-se icónicas. da família. As noivas também apostaram no pretinho Agora, quase tudo é permitido e ocorrem adaptações de “básico”! Isso mesmo, durante o período da Renascença o preto foi a cor que representava a religiosidade e obetodas as formas. A história do vestido de noiva é cheia de mudanças e revi- diência à igreja, por isso as noivas usavam essa cor para ravoltas. E como diz o ditado: na moda toda tendência um subir ao altar. dia volta, é bom sabermos o que nos aguarda. Conheça Noivinhas que adotam o tênis para seu casamento, geralo que fez a cabeça das noivas nas últimas décadas. mente são mais despojadas, mas sabia que as noivas clássiÉ um fato: não tem como falar em casamento sem pensar cas também podem usar tênis, se quiserem? É bom lembrar em vestido de noiva. A cada dez noivas, dez provavelmente que é legal criar uma harmonia entre o vestido e o tênis. vão te responder que essa é a primeira preocupação ao Hoje em dia muitas marcas estão fazendo tênis especificomeça planejar o grande dia. Isso sem contar as tan- camente para noivas, pois a procura pelo produto crestas outras que já sabem como será o seu modelo mesmo ceu nos últimos tempos. A marca Keds e Kate Spade se antes de ter uma data definida. Quem nunca!? juntaram para fazer uma coleção lindíssima inspirada De onde surgiu essa tradição que tanto nos fascina? Não em vários estilos de diferentes noivas. n 15  | JUREMA | 2021 Maio ⁄Junho


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STYLIST: @stylistamaro MODELO: @lahsorrentino PRODUTOR DE MODA: @vinijavaroti FOTÓGRAFO: @moraesluciano_ MAKEUP: @analinamakeup LOOKS: Newstar Fashion ⁄ @newstarfashion Everson Barbosa ⁄ @estudiocriativosaopaulo

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Giro Carioca

GARDÊNIA CAVALCANTI, a madrinha do Cristo Redentor ! Por MARCIA DORNELLES

A

Apresentadora Gardênia Cavalcanti comanda um dos programas de maior sucesso da Band TV, o “Vem com a Gente” também transmitido pelo seu canal no YouTube na Internet e agora está à frente de uma linda campanha idealizada pelo Santuário Cristo Redentor, através de seu Reitor, o Padre Omar Raposo. Gardênia é destas mulheres que influencia outras mulheres com sua mensagem de vida, sua história de garra e com um olhar atento ao próximo. Nesta edição, a revista Jurema traz um pouco da trajetória de sucesso desta mulher guerreira e empoderada! Confiram! Gardenia você é nordestina mas se estabeleceu no Rio, conte como você decidiu se mudar ?

Nasci no Sertão de Alagoas, aos 5 anos mudei para Paulo Afonso–Ba. Cresci lá, terra das cachoeiras e usinas hidroelétricas do Rio São Francisco. Quando perdi meus pais e com perda deles a nossa situação financeira não Maio ⁄Junho 2021 | JUREMA | 22


ficou boa. Após a maior idade mudei para Recife, lá fiz minha vida profissional e morei por quase 16 anos. Conheci meu esposo em um evento e após casarmos e o nascimento do nosso filho mudei para RJ. Aqui, comecei toda minha história profissional novamente. Recomeço, cidade nova, novos rumos, aliás, sou especialista em recomeços, rs... Fui executiva por muitos anos, gestei duas multinacionais no setor de cosméticos. Atendia todo o Norte e Nordeste. Estudei MKT, cursei ADM, sempre tive uma veia voltada para arte, fiz teatro, tenho DRT, sou atriz de formação mas não busquei atuar. Hoje, também, jornalista, amo a comunicação. Faz parte da minha vida. Conte um pouco da sua trajetória na TV

Atuava no setor de cosméticos e dei várias entrevistas para televisões locais. Por ser muito jovem e ocupar um cargo de destaque, além da experiência no setor de beleza, fui convidada para apresentar um programa local e assim foi o início de uma paixão pela televisão. Fui pioneira no Estado de Pernambuco com um programa de beleza feminina. Há 18 anos, no início, dava dicas e tutoriais de beleza... Assim começou minha trajetória na televisão. Neste momento de pandemia seu programa “Band Mulher” chegou a sair do ar e voltou agora com outro nome “Vem com A Gente,” como foi que aconteceu ?

Tive Covid, sofri muito com os sintomas. Definimos que reprisaríamos Honrada, uma grande responsabilidade e até as coisas melhorarem. Acho “A MADRINHA um presente maravilhoso! O Cristo o nosso que todos nós pensamos que ia postal , uma das sete maravilhas do passar logo! Fiquei com sequeTEM A FUNÇÃO DE cartão mundo e muita gente não imagina a quanlas e hoje estou bem! Na época ACOMPANHAR tidade de ações sociais que são realizadas optamos por tirar do ar, eu prepara ajudar aqueles que precisam, são mais cisava descansar. Em seguida E CONFIRMA ATOS de 15 ações, para mulheres em situação de com a chegada do novo direSOLENES.” vulnerabilidade, crianças e durante a pantor geral da Band, Claudio demia o projeto em parceria com a tarde Giordani, foi resolvido que —Gardênia Cavalcanti de Maria chegou a marca de 2,5 milhões de faríamos um programa para a família, amava fazer o Band pães distribuídos. mulher, porém, concordei com a visão que ele teve , algo Então, participar ativamente e ter o título de madrinha mais abrangente, sem gênero. Voltamos com a tempo- é muito especial. Sou apaixonada por Jesus e tudo que rada verão no hotel Fairmont Rio e foi um sucesso, ino- for para honra Dele, ajudando com amor, tempo, provamos em plena pandemia, acreditamos e mais uma vez pagando, buscando multiplicadores do bem será um recomecei, lembram o que falei no início da entrevista ? bálsamo para o meu coração. Convido aos leitores para conhecerem através do site www.santuariocristoredenVocê foi convidada pelo Padre Omar, reitor do “Cristo tor.com.br para as ações e querendo ajudar entrem no Rendentor” no Rio pra ser a madrinha do monumento, como www.cristoredentoreuqueeodoar.com.br  n se sente com este título? 23  | JUREMA | 2021 Maio ⁄Junho

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Como foi sua formação na comunicação e como surgiu a primeira oportunidade profissional na área ?


Espelhos

O “ESPELH meu, existe alguém mais bonita do que EU?” Maio ⁄Junho 2021 | JUREMA | 24


N

o filme “Alice através do espelho”, inspirado no livro homônimo de Lewis Carroll, a personagem cai no sono após ler uma história de ninar para a filha. Caminhando através do espelho, ela entra em um novo e mágico mundo, onde encontra figuras muito estranhas e divertidas. Em nossas casas, alguns animais de estimação, como os gatos, divertem-se olhando o que existe atrás de um espelho refletindo sua própria imagem e mesmo crianças sentem-se curiosas para saber como este objeto reproduz as imagens à sua frente. Conforme a superstição grega, contemplar a própria imagem era um anúncio de má sorte. Foi daí que, provavelmente, nasceu o mito de Narciso que possui um simbolismo muito forte, sendo uma das lendas mais duradouras encontradas na mitologia grega. Narciso, o Auto Admirador, era um jovem de uma beleza incrível e herói do território de Téspias e Beócia. Ele era filho de Cefiso, deus do rio com a ninfa Liriope. Sua mãe foi a primeira de todas a perguntar sobre o destino do filho para o adivinho Tirésias, dias antes do seu nascimento. A revelação que fez o sábio foi de que o menino teria uma longa vida, desde que nunca olhasse para seu próprio rosto. Até meados do século XIX, a mulher tinha sua vida controlada a partir de interesses masculinos. Assim,

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permeada pela castidade e pela resignação, a mulher deveria procriar e submeter-se às ordens de seu pai ou marido. Posteriormente, com o advento do Capitalismo, a mulher passa a consolidar seu direito de exercer tarefas que envolviam a produção de força de trabalho, como fruto do espaço que vinha conquistando na sociedade após o início do declínio do patriarcado, momento em que a mulher já iniciará a associação da maternidade com o trabalho no lar e até mesmo fora dele (BORIS; CESÍDIO, 2007). Parecer bonita aos olhos dos outros ou satisfazer os próprios olhos? Pesquisa realizada a partir de entrevistas com mais de mil mulheres de todo o país mostra que elas se arrumam simplesmente porque, bem produzidas, se sentem melhor. Ao mesmo tempo, ao se arrumarem, procuram reproduzir um padrão de beleza que viram em um filme, em uma revista ou em uma novela. “Estudo conduzido por Amalia Pérez e apresentado como tese de doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações revela ainda que, para garantir o visual desejado, as mulheres visitam o cabeleireiro, em média, uma vez a cada 15 dias e lêem pelo menos uma revista de moda por mês. “Percebi que as mulheres se arrumam não porque estão se sentindo horrorosas, mas simplesmente porque querem se sentir ainda melhor. É uma busca contínua e, quanto mais se arrumam, mais experts no assunto vão se tornando”, afirma a pesquisadora. n





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MODELO: @jackiesartorioficial FOTÓGRAFOS: @remonte_photofood @remonte_photos_estudio STYLIST & PRODUÇÃO: @amarocapanga2 LOOK: @delirioslingerieoficial


Historiando

“FIQUEI VIÚVA E AGORA?”

F

iquei viúva e agora? É Título de um ebook de autoria de Cristiane Donegá, que trata do processo de luto vivido por uma jovem viúva, diante das responsabilidades, dos desafios, da dor e da necessidade de superação. Revela a importância de viver o luto, e de não apenas poder “enxergar uma luz no fim do túnel”, mas encontrar a luz dentro de si e conseguir “sair do túnel”. Mostra a importância de procurar (e aceitar) apoio em familiares e amigos, na espiritualidade, na medicina, em práticas alternativas de busca de equilíbrio e harmonia interior. Apesar do tema difícil, o resultado é bastante positivo, no sentido de mostrar ser possível ter esperança em dias melhores. Ozita Dias, como muita mulher

“SE EU NASCESSE DE NOVO, E PUDESSE ESCOLHER, EU QUERIA SER MULHER DE NOVO. SOU MUITO FELIZ POR SER MULHER E PELOS FILHOS E A FAMÍLIA QUE TENHO.” — OZITA DIAS

Por MARLU ARAÚJO

da época, casou-se, teve filhos (três homens) e alguns anos, depois, por ironia do destino, ficou viúva. Com os filhos já estabelecidos e morando fora, passou a conviver com a famosa síndrome do ninho vazio. Foi então que ela fez uma retrospectiva de sua trajetória, quase entrando em depressão, lembrando tudo que já passou e até onde chegou, se refez e mais uma vez lembra que seria necessário tomar as rédeas da sua vida e garantir a alegria de volta a sua casa. “Eu encontrei nos doces finos, uma forma de superar todos os meus sofrimentos”. Falando nos filhos: “tenho dois que servem as forças armadas e um que estudou mecatrônica: Um dia, um general me perguntou — Qual a receita de eu ter educado meus filhos tão bem? Eu de logo, respondi: o tempo, senhor. No meu tempo podia dar umas palmadas, Maio ⁄Junho 2021 | JUREMA | 32


FOTOS: DIVULGAÇÃO

colocar de castigo... Hoje até cara feia de mãe é problema.” “Eu me esforcei muito para criar os 3 com disciplina e ainda cuidar do meu marido. Meus filhos também esforçaram. São muito estudiosos e não se envolveram com coisa errada. Hoje eles têm os melhores empregos! — O meu sonho de usar um anel de formatura eu realizei com meus filhos.” Conclui. Embora pretenda diminuir a demanda de produção de doces, daqui há um ou dois anos, ela não tem a intenção de parar. Realizada, acredita que ser mulher é uma bênção. O doce mudou a vida de Dona Ozita Dias

O que seria das nossas vidas se tivéssemos que viver sem doce? Sem as mesas de sobremesas nas festas ou nos almoços em família aos domingos? É de deixar a gente triste só de pensar, né? Pesquisando a História da confeitaria, encontramos a Fornalha & Cia, que nos apresentou a história a seguir. Acontece que este hábito de consumir doce nem sempre existiu, muito menos a ideia de confeita-los. Por isso, vamos falar hoje sobre como nasceu o conceito de confeitaria, a atividade gastronômica que faz a alegria de tanta gente espalhada pelo mundo! Vamos começar pelo nome, a origem da palavra confeitaria vem do latim “confectun”, que significa aquilo que 33  | JUREMA | 2021 Maio ⁄Junho

é confeccionado com especialidade. Se trata então dos pratos elaborados, levando um toque especial do confeiteiro ou personalizados segundo o pedido do cliente. Os alimentos doces surgiram inicialmente com objetivo de servirem para comemorar eventos vinculados a datas festivas. Os primeiros registros apontam que no século I a.C o grande filósofo Cícero citou ter provado na Sicília, na Itália, um “tubus farinarius, dulcissimo, edulio ex lacte factus”, ou seja, deliciosos tubinhos de massa de farinha, muito doces, recheados com leite, o famoso cannolo siciliano. Lá em meados de 1740, com o açúcar já utilizado como alimento, porém ainda restrito a um público mais seleto, foi descoberta a possibilidade de extrair da beterraba o mesmo teor de açúcar que se conseguia na cana, começando ali uma nova fase mais acessível para os confeiteiros da época. Naquele momento as pessoas iniciaram a transição de sair das cortes e abrir os negócios próprios, período este em que nasce o famoso e tão amado sorvete de massa. Já no século XIX, com o início das viagens das embarcações marítimas em busca de especiarias como o açúcar, a canela, o cravo da índia, a noz-moscada e o arroz, aconteceu um dos grandes marcos para a história da confeitaria, pois a produção de pratos diferentes deu um salto considerável. Logo após esse período de ascensão da atividade gastronômica foi criado o Bolo Genovês, conhecido hoje como o nosso pão de ló. E a partir desta receita foram desenvolvidos diversos outros tipos e sabores de bolos, surgindo os mais fofos, os aerados, mas todos ainda muito distantes dos bolos atuais. O mais curioso é que esses alimentos eram ingeridos antes ou junto às refeições salgadas, pois além de ainda não existir o conceito de sobremesa, as pessoas também acreditavam que os doces “abriam” o apetite — será o primórdio do Biotônico Fontoura? Foi somente em 1.200 d.C que surgiu a ideia de sobremesa, fazendo com que fosse então incorporado este novo hábito na cultura da sociedade. Ainda no século XIX surge a “cultura da fornalha”, momento conhecido como mais um período que marcou a história da confeitaria, pois ali não bastavam as receitas serem saborosas, elas já precisavam possuir uma aparência bonita e agradável. Mas foi somente em meados dos anos 50, já no século XX, a fase em que o poder econômico das pessoas aumentou e a confeitaria passou — e continua passando até hoje — por grandes evoluções, sempre trazendo novidade, alegria e doçura para vida de todos! n


Superação

Rosemay Flutuoso, O FIM DE UM SONHO E O COMEÇO DE UMA NOVA VIDA

N

a a literatura, identificamos que, vivenciar a perda de um ente querido pode significar o enfrentamento de muitas dificuldades. O conjunto de reações diante de uma perda e a tentativa de reconstruir e organizar a vida são parte do trabalho de luto (Mazorra, 2009). Aceitar a realidade da morte, experimentar a dor por completo, procurar se ajustar à nova vida, integrar aspectos do ente querido falecido em sua própria identidade e encontrar significado na perda para iniciar novas relações são tarefas que podem ajudar o enlutado a reconciliar-se com a vida após a perda (Cohen, Mannarino, & Knudsen, 2004). Sendo o luto o resultado de reações individuais, ele ocorrerá sempre de forma diferente de pessoa para pessoa.

Por. LUCIANA ARAÚJO Produção Assessoria Ferraz Comunicação Fotos ALEX FERRAZ Make-up JULIANA FRUCTUOSO

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A dor poderá reaparecer ao surgirem lembranças da pessoa que se foi, dependendo do relacionamento que havia entre o enlutado e o falecido (Webb, 2011). No caso da perda de um filho, é necessário que os pais possam construir uma nova realidade sem o ente querido, desconstruindo todas as expectativas em relação a seu desenvolvimento e crescimento. O luto parental é complexo, não linear e contínuo, pois a perda rompe com o equilíbrio familiar e compromete a qualidade do ambiente (Carter & McGoldrick, 2001). Muitas consequências negativas podem ser geradas na vida dos pais, em seu trabalho, no relacionamento conjugal e social. Eles precisam se sentir apoiados e seguros para não compreender a perda como um fracasso em sua função (Bittencourt, Quintana, & Velho, 2011). A família exerce importante influência na vivência do processo de luto e em sua compreensão. Seu apoio é essencial para os pais, bem como a existência de programas que ofereçam auxílio profissional para que eles possam se sentir amparados e compreendidos. Os enlutados devem ser encorajados a comunicar os próprios sentimentos (Parkes et al., 2011). A confiança no ambiente permite que eles tenham condições de agir de forma criativa e espontânea, conseguindo vivenciar o luto e dar continuidade ao seu desenvolvimento emocional (Winnicott, 2012). Para Winnicott (2012), o desenvolvimento emocional ocorre a partir da interação contínua e criativa do indivíduo com o outro. Todo indivíduo possui uma tendência



inata ao amadurecimento, que, junto com a presença de um dignidade e ter que trabalhar duro para ter alguma coisa ambiente suficientemente bom, proporciona a conquista na vida. da autonomia e da independência. Winnicott (2012) explo- Começou a trabalhar ainda bem jovem e sempre gostou rou as relações da criança com sua família, especialmente de estudar. Seu primeiro emprego foi num escritório de com sua mãe (o primeiro ambiente do bebê). imobiliária, depois na OAB e não parou mais. Passou por A mãe pode ser capaz de suprir as necessidades do filho, muitas emoções na vida. A perda dos avós e logo depois oferecer-lhe suporte físico e emocional (holding) e apre- perdeu o filho vitima de latrocínio. sentar o mundo gradwwativamente, de forma que ele Na trajetória de uma bala, o fim de um sonho e o começo de possa suportar conhecer esse mundo, sem prejuízo ao seu uma nova vida. Seu filho era um apaixonado pelas causas desenvolvimento emocional. Por meio desse cuidado (ini- sociais e sempre esteve pronto a ajudar o próximo. Com todo cialmente oferecido pela mãe, depois estendido a outras esse amor, fundou o Instituto da Criança (Léo de Sá). Um pessoas), a criança é capaz de amadurecer, expressando projeto que atende até hoje no Município de São Gonçalo seu potencial criativo. RJ. Com a morte do filho Leonardo, A criatividade é essencial na elaboRosemary, passou a se dedicar totalração das vivências da perda, pois, mente ao Instituto, a criar e coordenar por meio dela, a realidade pode coevários projetos independentes. xistir e ser suportada, sem prejuíDisposição, determinação e alegria, zos ao desenvolvimento emocional. apesar de tudo, Rosemary tem de Dessa forma, além do apoio famisobra. O que a tirou do seu primeiro liar e social, para elaborar o luto processo de aprendizado do luto, é a é necessário que o enlutado possa certeza que na dor máxima da vida, é utilizar da própria capacidade criapossível encontrar a forma mais pura de tiva para reparar a perda sofrida. O expressão do amor. Ela estava em paz! uso da criatividade possibilita que Rosemary acreditava que da sua o indivíduo possa ressignificar a crença em Deus, vinha a força que perda e elaborar seus sentimentos, ela precisava para enfrentar todas as para que a dor não comprometa dores e dificuldades da vida. a sua capacidade de dar continuiTudo que passou, as dores que enfrendade à vida. tou só revalidava uma promessa que Nesse sentido, a presença de um fizera, no enterro do filho: de que ambiente suficientemente bom periria fazer valer a pena sua morte tão mite ao enlutado a continuação do precoce, transformando sua ausência vir a ser, já que pode se expressar em presença, através do sonho em ajude forma criativa e espontânea. O dar as pessoas. trabalho do luto acontece quando A necessidade de não fugir da dor pode “Toda transformação ser um caminho profundo de autocoo indivíduo consegue voltar a ser criativo, mesmo na dor da perda, começa dentro de nós” nhecimento. Não significa de que seja e sentir que a vida vale a pena o encontro da fórmula mágica para a (Barone, 2004). felici­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­dade eterna. Pelo contrário, é observar o que a dor, A perda de um filho rompe com o equilíbrio familiar. a angústia e a ansiedade instigam para desvelar o que Para retomar a vida após a perda, as mães precisam está escondido e nos lançar em caminhos de liberdade, expressar seus sentimentos e agir de forma espontânea. criatividade e amor. Nesta matéria, vamos conversar a experiência materna Hoje, Rosemary continua promovendo encontros de de Rosemary Fructuoso, que perdeu seu filho, ainda mulheres que passam por problemas de autoestima, aulas muito jovem. A\ de empreendedorismo, mensagem motivacional em rodas Rosemary não possui apenas uma história de vida de de conversa. Projetos com crianças e jovens. E em breve superação, ela tem um testemunho de perseverança e fé o lançamento do seu livro estação mulher que levará o que motiva corações. Mesmo com todas as dificuldades mesmo título do seu programa de rádio. conseguiu cursar faculdade, se formar em biologia com REVISTA JUREMA: Resuma com uma frase um recado Especialização em Gestão Educacional e Jornalismo que você gostaria de passar para os leitores da Jurema Empresarial pela ABME. Brasil: Foi criada pelos avós, desde muito novinha. Viveu muitos “—Não fique se torturando. Respeite a sua dor e aprenda a conflitos por causa dessa relação de amor com os avós. lidar com ela, aprenda a superar todas as coisas ruins que Mas, pode também experimentar o mais puro amor, cari- acontecem com você. Nada deve ser para sempre, muito nho e dedicação. Com eles aprendeu o que é ter caráter, menos o sofrimento.”  n 37  | JUREMA | 2021 Maio ⁄Junho


Religiosidade

Mãe

MARCIA MARÇAL “Tenho mais fé do que

SANGUE no CORPO”

M

ãe Marcia Marçal, matriarca do “Ilê Asé Olúwaiye Ni Oya”, é conhecida como uma das mais respeitadas ialorixás da nação queto; bem como pelas festas que promove para os orixás e para a pombagira que a acompanha, Dona Poeira; pelos projetos sociais que idealiza, como o Olubajé e o Centro Cultural Biblioteca Mágica do Saber; e por sua militância e ativismo contra a intolerância religiosa em favor das religiões de matriz africana. Quem é Marcia Marçal? Como são seus pais? Onde nasceu? Como foi criada?

Meu nome é Márcia Marçal, sou Yalorixá no terreiro de candomblé. Meu pai Joaquim Marçal do Nascimento,

EU NÃO ME ARREPENDO DE NADA. COMO DIZ O TÍTULO DO MEU LIVRO: “FARIA TUDO OUTRA VEZ”

Por PAULA MATIAS Fotos MARCELO MORENO

servidor público do estado do Rio de Janeiro. Meu pai eu não conheci, ele faleceu em 1962, de infarto. Eu tinha apenas 2 anos. Só conheci meu pai de ouvir falar, pela minha mãe e minhas irmãs. Foi um grande homem, faço questão de não esquecê-lo por nada. Minha mãe foi lavadeira, de nome Gizerda, por um erro do meu avô, mineiro. O nome dela era para ser Gizelda, ele errou na hora de registrar e como vale o que está escrito, ficou Gizerda. Todos a conheciam como Geni, ela foi, é, e sempre será a mulher da minha vida. Falecida em 23 de novembro de 2000. Para mim uma mulher inesquecível, amo de paixão. Com a morte do meu pai a vida da minha mãe ficou muito complicada. Ela lutou bastante e até os meus 40 anos, esteve ao meu lado. Eu nasci em Colégio, município do Rio de Janeiro, um bairro perto de Irajá. Ali era comunidade (favela). Foi Maio ⁄Junho 2021 | JUREMA | 38


“MINHA VIDA PARTICULAR NUNCA OFERECEU EMPECILHO EM RELAÇÃO A COISAS DO SANTO. MUITO PELO CONTRÁRIO TUDO QUE ME FALTOU NA MINHA VIDA, O CANDOMBLÉ PREENCHEU”

Praça Omorodessi

um lugar que fui muito feliz. Vivi ali do meu nascimento até aos 14 anos. Mesmo depois que me mudei, continuei a frequentar, porque deixei amigos. O lado no qual eu morava foi condenado e as pessoas ali foram indenizadas. Hoje é a Ceasa do Rio de Janeiro. Desejamos saber alguns aspectos de sua história de vida, como se transformou em Mãe Marcia Marçal, como foi esse enfrentamento de uma época em que o candomblé era marginalizado e mesmo assim, era exercido por homens?

Minha transformação em mãe de santo foi por acaso. Logo que entrei no candomblé ainda muito jovem, e fui vivendo porque já tinha um amor muito grande pela religião. Um amor que só aumentava. E com o passar dos anos, com as obrigações, me deparei sendo escolhida pelo Orixá. Determinando fizesse um Yaoh–Iniciar pessoas na religião. Interessante, que quando criança gostava de brincar de macumba. Pois, íamos a umbanda, porém lá, não havia sacrifício de animais(matança), mas nas minhas brincadeiras eu sempre matava uma rolinha risos... E me vi mãe de Santo, abracei, aceitei, e embora tivesse apenas 28 anos, foi muito importante esse segmento. A questão do enfrentamento da época não teve tanto peso. Porque inaugurei a casa em 1988 e já não existia esse enfrentamento de marginalização propriamente dita. Hoje existe muito mais preconceito com o candomblé. Talvez seja por conta da internet, não sei. Por isso agora para nós está tudo mais difícil. Qual é sua ascendência no candomblé?

A minha história de entrada no candomblé, não foi lá essas coisas todas. Eu sempre amei e segui a umbanda desde os 9 anos. No Candomblé descobrimos por uma necessidade, pensada pela minha mãe. Ela foi procurar 39  | JUREMA | 2021 Maio ⁄Junho


um jogo de Búzios e ali foi dito ser necessário eu me iniciar. Naquele momento eu não entendi, mas hoje eu sei que só sendo iniciada no candomblé eu poderia me tornar uma mãe de Santo. Qual a importância da mulher no candomblé?

No candomblé a mulher é o comando. O candomblé é matriarcal, veio da África e dessa forma permanece até hoje em muitos lugares. Porque as mulheres sempre estavam a frente, eram elas que cuidavam da parte espiritual, a mulher fortalecia o homem espiritualmente. As mulheres são fundadoras do candomblé, a história conta. O candomblé continuou e vai continuar sendo matriarcal. A mãe sempre a frente de tudo, a mãe sempre no comando, sempre protegendo e cuidando. Sua vida particular, pessoal, ofereceu empecilho em relação às coisas do santo?

Minha vida particular nunca ofereceu empecilho em relação a coisas do Santo. Muito pelo contrário tudo que faltou na minha vida, o candomblé preencheu. Eu não sentia falta por conta do afago do candomblé. Por conta da presença espiritual na minha vida. Então não cabia tristeza, não tinha lugar para lágrimas ou qualquer outro sentimento negativo. Eu me sentia muito abraçada pelo Orixá. Como é visto a questão social no terreiro? O que vocês fazem pela inclusão de pessoas?

Além do espiritual, temos o social do terreiro. O projeto Olubajé, onde alimentamos 250 famílias durante o pico da pandemia. Fazemos isso porque contamos com ajuda de outros órgãos. Doamos cestas básicas, cobertores, material de higiene e limpeza. Começamos com 20 famílias e chegamos a 250. Por conta disso que foi criado o projeto Olubajé. No projeto tem a biblioteca, que era um sonho meu. Esse espaço está sendo criado para as crianças do meu bairro, terem onde estudar e fazer uma pesquisa. Biblioteca a Mágica do saber. Aqui também, temos o grupo de jovens, onde eu sento com eles e ensino e explico sobre a nossa religião. Explico o porque fazer parte do candomblé, ensino sobre o Orixá e como se portar no terreiro. Temos no projeto a iniciação para futuras trancistas, cursos de maquiagem capoeira, reforço escolar e muito mais. Contamos com ajuda jurídica, odontológica e psicológica. n

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Retrovisor

“O Rei da

MUGANGA”

Genival Lacerda Do amor pelo filho, um fato curioso: gravação de músicas inéditas, “EP Pai e Filho”, Genival Lacerda e João Lacerda

O

Por MARLU ARAÚJO

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Genival Lacerda na juventude

artista nasceu em campina grande na Paraíba no dia 5 de abril de 1931. Em 1950, o cantor e compositor Genival Lacerda começou sua carreira na terra natal campina grande–PB, onde trabalhou como radialista nas rádios Borborema e caturité. O seu programa era líder em audiência e se chamava o forró de seu Vavá. Já no ano de 1953,veio para a cidade de Recife e dois anos depois gravou o primeiro 78 rotações, sendo divulgado no mercado artístico em 1956 com as músicas coco de 56 e Dance xaxado. Em Recife, trabalhou nas rádios clube e Tamandaré como cantor. Naquele tempo para ser artista diziam que cantor que se preze, teria que tomar um banho de civilização do Rio de Janeiro. E foi o que o artista fez chegou ao Rio no dia em que havia explodido a Revolução, Lá ficou por dez anos cantando e gravando. No ano de 1975, estourou nas paradas de sucesso com a música Severina xique-xique essa por sua vez sendo um marco na sua carreira para os inúmeros outros sucessos como Radinho de pilha, fenômeno que vendeu mais de 500 mil cópias em todo o Brasil, depois emplacou nas rádios com Mate o véio esse mais um eu caiu no gosto popular. Entre muitos outros como a música quem dera a qual liderou a audiência nas rádios AM E FM de todo o país. O sucesso, a fama e a popularidade não param por aí, em 1995, o cantor lançou o hit dance music Rock do jegue. Já em homenagem ao amigo Jackson do pandeiro Maio ⁄Junho 2021 | JUREMA | 42


foi produzido no mesmo ano o Cd “tributo a Jackson do Pandeiro”. Genival Lacerda demonstra ser um artista completo e já fez cinema, teatro, rádio, televisão e até proem Recife por 40 anos. Recebeu grama de humor. Em 2005, teve participação na tritítulos de cidadão Pernambucano lha sonora da novela AMÉRICA, no ano de 2011 e do Recife no ano com a música um matuto em nova de 2016; sendo considerado um York, de composição de João filho da terra pelos serviços presCaetano e o próprio Genival tados a cultura do estado. Lacerda. E no ano seguinte o canGenival, também recebeu titulo de tor fez uma participação no filme Cidadão Baiano em 2016, ele que já FOLIAR BRASIL da diretora gravou com a Baiana Ivete Sangalo Carolina Paiva. a canção “Chevete da Menina”, E para traduzir a importância do inclusive já participou do carnaartista e a sua referência no gênero val da Bahia. do forró foi lançado em 2008 um Comemorando 70 anos de estrada “O MEU SUINGUE, O documentário da Carolina Paiva em 2019, o artista gravou seu priMEU BALANÇO, O sobre o cantor mostrando as raímeiro DVD em Recife, que contou MEU JOGO DE CENA, zes de um grande ídolo popular com uma grande produção e parBrasileiro no qual a equipe da ticipações especiais como Flávio A CRIATIVIDADE É cineasta percorre a turnê do artista Jorge de Altinho, Nando MINHA. SEMPRE CRIEI Leandro, por todo o nordeste. Cordel, Cajú e Castanha, Waldonys, AS MINHAS COISAS, O cantor Genival Lacerda em 2012 Silvério Pessoa e Zé Lezin. lançou o CD em homenagem ao Em 2019, o artista lançou um EP SEMPRE FIZ DO amigo Luiz Gonzaga intitulado de intitulado de “Pai e Filho”, canMEU JEITO” “No balanço do Nordeste”. No cd, tando Genival Lacerda e João músicas de seu Luiz em duetos fanLacerda, com nove canções inétásticos com participações para lá de especiais: Riacho ditas e uma regravação “Olha a Barriguinha”, do Cantor do navio, são João do carneirinho e balance, são algu- e Compositor Dorgival Dantas. mas canções interpretadas por Dominguinhos, João O Artista paraibano Genival Lacerda até os 89 anos, Lacerda, Fagner, Frank Aguiar entre outros. trabalhava firme, nos projetos. Através da irreverência Com um balanço autenticamente nordestino o cantor das suas músicas e o seu estilo próprio de cantar e lhe dizia fazer uma justa homenagem ao amigo Sr. Lua. dar com o público. Neste cd são quinze músicas escolhidas a dedo por O cantor e compositor seu Vavá que produziu o cd com o seu filho e também Genival Lacerda morreu cantor João Lacerda. aos 89 anos, no Recife, em Em 2011 “Genival Lacerda comemorou 60 anos de decorrência de complicaforró com muita alegria” e irreverência reunindo gran- ções da Covid-19, no dia des participações em seu Cd entre eles: Ivete Sangalo, 7 de janeiro de 2021, presZeca Pagodinho, Chico César, Adelmário Coelho, tes a completar 90 anos. Dominguinhos e João Lacerda. Com nova roupagem Para nós da Revista músicas como Severina xique xique voltaram com força Jurema, falar de Genival total para balançar os forrozeiros de todo o Brasil que Lacerda é retratar a alecurtem um autêntico show de forró. gria de ser nordestino O artista que é natural de Campina Grande, mas morou e mostrar que ainda se pode fazer boa música com humor, sem precisar denegrir a imagem da mulher para alcançar o sucesso. n 43  | JUREMA | 2021 Maio ⁄Junho


Moda Masculina

FASHION DESIGNER HERMES INOCENCIO

Coleção

CÁ PSUL A , a força do o

A

sert ã

“Viajar não é um luxo, mas uma necessidade”

Hermes e o ator Thiago Tomé

célebre frase nunca esteve tão atual como nos últimos dias. É preciso viajar, espairecer, respirar! Depois de quase 2 anos de distanciamento por conta da pandemia, o mundo começa a mostra sinal de recomeço e se reinventa para viver o novo normal. Sem poder viajar, principalmente para fora do país, o Brasileiro voltou o seu olhar para sua terra e redescobriu o Brasil!! Nossa diversidade e exuberância são infindas nas cinco regiões Brasileiras, sobretudo no Nordeste, onde encontramos inspiração pra coleção cápsula que apresentamos exclusivamente para essa edição, que aponta a nossa tendência para o verão que já desponta aí... Entre tanta cultura e história, escolhemos homenagear o sertão com peças em linho e algodão, com tons terrosos no melhor estilo lampião! Hermes e o modelo Guto Fernandes

Por DÉBORA GONÇALVES Fotos ANAEL ROCHA Modelos THIAGO TOMÉ &GUTO FERNANDES

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Empreendedorismo Feminino

Verônica Hime, NORDESTINA “ARRETADA!” Depois de ter sofrido buillying e de uma infância pobre, a estilista abre seu coração e conta sua trajetória profissional

V

ERONICA HIME, pernambucana de alma e carioca de coração, chegou ao Rio de Janeiro ainda adolescente, aos 13 anos. Se encantou com a cidade, mas não esqueceu sua terra natal—Recife —seus parentes e suas raízes. Na infância dividia os fins de semana entre o Derby, onde morava com a mãe, dona Josefa, e Iputinga, bairro onde moravam seus avós. A infância pobre não tirou a alegria dessa época. “Me recordo quando minha mãe me levava para brincar na praça do Derby e eu ficava brincando com a minha amiga de infância que não esqueci, a Xica”. Um peixe-boi que hoje vive em piscina na praia de Itamaracá, conta a estilista. “Foi difícil me adaptar a cidade grande. Sofri bullying na escola por causa do meu sotaque carregado que, infelizmente, fui perdendo. Riam quando eu, carinhosamente, chamava minha mãe de “mainha”. Eu acho super carinhoso!”— completa ela. A estilista de família humilde sonhava em estudar, fazer faculdade, viajar, mas tudo isso parecia distante na sua vida simples que teve no município de São Gonçalo, Norte Fluminense, onde viveu alguns anos. Trabalhou como secretária, nas horas vagas fazia free lancer como modelo em eventos como Abras e outros eventos corporativos. Trabalhou em agências de publicidade, uma delas, a multinacional—McCann-Erickson. Trabalhava de dia Maio ⁄Junho 2021 | JUREMA | 54


Por DÉBORA GONÇALVES Fotos RICARDO VELOSO Make e Hair ROGERIO DOS SANTOS Coordenação de Produção DGASSESSORIA e COMUNICAÇÃO

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cursos de férias da Faculdade Estácio de Sá por dois anos. Já casada com o administrador de empresas, Leo Hime, Verônica se viu em um dilema: diminuir o ritmo frenético do seu trabalho para ser mãe! “A decisão não foi fácil, como tudo na minha vida. Tudo que conquistei foi com muita fé, persistência e luta”. Depois de um tratamento em Vitro, eu precisei parar tudo por cinco meses. Precisei ficar de cama, pois tive uma gravidez de risco! Mas, esse projeto de vida, super valeu a pena! Nasceu a Manuela, hoje com 14 anos, atleta, joga tênis, futebol e vôlei. Ama música, toca guitarra e é muito estudiosa. Costumamos repetir uma para outra a nossa mensagem: “te amo de paixão pra sempre”, se derrete a mãe super protetora. Até os cinco anos da Manuela, Verônica se dedicou a filha. Porém, não parava de pensar em voltar ao mercado

e estudava à noite. Nos fins de semana, se envolvia em trabalhos voluntários no grupo de jovens da igreja que frequentava. “Sempre fui muito curiosa e, quando eu quero aprender algo, eu não meço esforços e mergulho de cabeça.” Com muita garra conseguiu concluir a faculdade de Jornalismo pela UniverCidade, logo em seguida começou o MBA em Marketing pela ESPM. Inquieta e sedenta de conhecimentos, após a conclusão do MBA fez uma pós-graduação na Faculdade Estácio em Comunicação Empresarial. Nessa época, já estava à frente da sua agência de Comunicação e Marketing–a Visage Promoções e Eventos. Nessa época, trabalhava como assessora de comunicação para algumas empresas, como a Proteste, revista de Defesa do Consumidor e, realizou alguns trabalhos de produção de eventos para Cultura Inglesa, Golden Cross, Unimed entre outras. Além de lecionar nos

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de trabalho. Mais uma vez ela se reinventa e resolve abrir uma franquia—a Gatos de Rua—de Beto e Marcos Kelner, pernambucanos como ela. Verônica se encantou com a proposta e se lançou! Depois de dois anos de parceria, a nordestina arretada, resolveu partir para o seu próprio negócio e criou a sua própria marca, a Via Boho, a princípio como multi-marca. Mas não demorou muito tempo para Verônica sonhar em voos mais altos e resolveu aprender a modelar; depois resolveu, ela mesma, fazer suas próprias estampas e não parou mais! “Eu sou muito agitada, não consigo ficar entre quatro paredes, a não ser que eu esteja criando, fazendo arte!” (risos) As inspirações da estilista e designer vêm de diversas fontes, como viagens, músicas e filmes. Verônica acrescenta: “quem trabalha com criação não tem hora e nem lugar para se inspirar, simplesmente acontece! Às vezes tenho ideias de madrugada enquanto durmo, levanto e anoto. Já aconteceu de estar batendo papo com meu marido ou com amigos e ter uma ideia. Não sei o que acontece, só sei que comigo é assim! E, digo mais: quando faltam recursos, sobra criatividade! Acho que isso vêm da minha veia nordestina, pois acho que é um povo muito alegre e criativo, apesar da escassez e dificuldade. É um povo que não desiste”. Suas duas últimas coleções antes da pandemia, foram frutos de viagens, como a coleção—Sheva (7 em hebraico) Frutos Sagrados de Israel. Nessa coleção, a estilista e designer criou nove estampas. Para esse trabalho ela pesquisou um pouco sobre o judaísmo e o livro de Deuteronômio 8:7 da Bíblia para entender sobre os frutos sagrados. “Duvido que algum estilista foi ler a bíblia para ter inspirações na moda”— brinca Verônica Na coleção de verão de 2020/2021, a estilista retratou sua viagem à Grécia. O tema foi Ilhas Gregas, porém, segundo sua avaliação, era muito pouco para expressar a riqueza desse país de cultura tão rica e de inspiração para tantas outras culturas. Verônica dedicou alguns meses a pesquisar e estudar mitologia grega. Com isso, quatro estampas foram criadas, além dos modelos que receberam as formas das modelagens do estilo grego. A coleção outono-inverno 2021, recém lançada recebeu o título de “Sensatez”, para expressar o posicionamento da marca dentro do cenário atual de tantas incertezas e medos. O mundo mudou, estamos todos nos adaptando a uma nova realidade. Para passar por este momento difícil, precisamos ser sensatos para, com equilíbrio, harmonia e sabedoria, tiramos o melhor desse aprendizado tão sofrido. “Aliás, as palavras—Equilíbrio, Harmonia e Sabedoria viraram estampas na coleção da Via Boho” —conta Verônica.  n Maio ⁄Junho 2021 | JUREMA | 58


Calça Boca de Sino Pespontada

Conjunto Pegaso

Conjunto Alfaiataria Listras

Vestido Evase Borra de Vinho

Conjunto Saia Cos Lastex Blusa Gola Fluflu marron

Vestido Longo Equilibrio


Making Off

“Tudo de

NEGRO que existe em mim”

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Por MARLU ARAÚJO Fotos FERNANDO TAVARES

fotógrafo e consultor de imagem paraibano FernandoTavares, após residir por muito tempo fora e de retornar à sua terra natal, viu-se com a necessidade de ratificar sua naturalidade e para isso resolveu atrelar sua experiência ao movimento negro da Paraíba e seus vários segmentos, bem como o Quilombo Ipiranga, através de um projeto de exposição fotográfica — Tudo de Negro que Existe em Mim. E assim levantar a bandeira do empoderamento do negro no meio social paraibano, incluindo aí uma avaliação de todo o processo de discriminação racial e de todas as formas de opressão que o negro tem sofrido ao longo da história. Fernando gosta de criar oficinas experimentais, dando um sentido prático ao termo emponderar, promovendo o exercício de conscientização do negro no seu papel social com debates, palestras, seminários e oportunidades de trabalho levando, assim, o indivíduo ligado a esse projeto tornar-se capaz de gerar mudanças necessárias ao seu crescimento como indivíduo negro e repassar suas experiências a comunidades quilombolas e outras comunidades carentes.

O ARTISTA

Natural de Campina Grande foi galgando sua educação entre as escolas da “Rainha da Borborema”. Cursou a Faculdade de Engenharia Agícola na então UFPB, na década de 80, mas o destino, literalmente, prepara-lhe outra designação. Tendo cursado, no segundo ano de faculdade, a disciplina de Aerofotogrametria, já sentia que o rumo da imagem seria seu destino. Partiu para o estado do Acre onde começou a atuar como fotógrafo e instrutor, ministrando cursos de fotografia no Senac local. Anos depois , mudou-se para Brasilia em busca de outros horizontes, onde tornou-se repórter fotográfico e assessor de imagens além de curador em algumas galerias. Ainda no Distrito Federal, como membro da União dos Fotógrafos, promoveu vários cursos para amadores e profissionais bem como diversas exposições em espaços como Salão do Senado, Banco do Brasil, Espaço Cultural 508 Sul e Galeria G 59, entre outros. Ainda teve Mato Grosso como base importante para seus trabalhos realizando vários projetos também voltados para movimentos sociais com índios, negros, projetos de assistência a prematuros e etc. Ultrapassou as fronteiras do país e levou seu trabalho a países como Chile, Peru, Argentina, Uruguai, México, França, EUA etc. Voltando à Paraíba, não tardou em abrir seu studio em Intermares, usando também os valores paraibanos como foco de pesquisa e inspiração para o seu trabalho. n Maio ⁄Junho 2021 | JUREMA | 60


MODELS Thays Brendha


Tendência

Estilo black & White

“PRETA, A mais poderosa e neutra das cores, o preto é associado à força, formalidade e elegância. Uma cor versátil, sugere mistério e curiosidade, podendo ser relacionado a medo e memória emocional. É tido como masculino, sóbrio, impessoal. Mas sua neutralidade permite que a combinação com outras cores reflitam em diferentes simbologias. É flexível e se associa a diferentes conceitos, determinantes pela cor que o acompanha, podendo ser moderno ou conservador, tradicional ou inovador, mas altamente elegante e sofisticado. O preto com o branco é muito presente no conceito minimalista da moda. BRANCA, tão neutra quanto o preto, o branco é uma cor pura, que ressalta luminosidade, limpeza e tranquilidade. O cuidado em sua utilização assegura uma interpretação correta de suas intenções, combinado com outras cores proporciona harmonia. Sugere pureza, transmite a ideia de frescor e calma. O branco é responsável pelo pensamento lógico e competência comunicativa, tudo que Lissa Marie, tem de sobra. Presente na moda conceitual e minimalista, sugere simplicidade, inovação, elegância, ainda por permitir que outros componentes se destaquem.” n

As cores da moda com

LISSA MARIE Por MARLU ARAÚJO Fotos ROBERTO PORTELLA

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Internacional INFLUENCER BRASILEIRO, RIKARDO OLIVEIRA, SE DESTACA NO

MUNDO DIGITAL NA INGLATERRA Reino Unido e Pérolas de Rikardo, um encontro com a JUREMA BRASIL!

O

Por FÁBIO ARAÚJO & MARLÚ ARAÚJO

Reino Unido é formado pela Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. Conhecido mundialmente pela sigla UK (United Kingdom), é considerado um país soberano e localiza-se na margem noroeste da parte continental da Europa. Sua única fronteira terrestre fica na Irlanda do Norte e as outras são o Oceano Atlântico, Canal da Mancha, Mar da Irlanda e Mar do Norte. Governado por um sistema parlamentar e uma monarquia constitucional, o Reino Unido tem como chefe de Estado a rainha Elizabeth II e a sede do governo situa-se em

Londres, a capital. O país é a sétima economia do mundo e foi o primeiro a se industrializar, o que ocorreu na época da Revolução Industrial. Entre o século XIX e XX, foi uma potência mundial, mas este cenário foi alterado na segunda metade do século XX, quando após as duas grandes Guerras Mundiais, teve sua importância reduzida. Os idiomas do Reino Unido são: Inglês (oficial), galês (País de Gales), gaélico (Irlanda do Norte e Escócia) e as religiões são Cristianismo (81,6%), anglicanos (42,5%), sem filiação (16,2%), outros (22,9%), sem religião (12,3%), outras (5%) e ateísmo (1,4%). Outro aspecto importante do Reino Unido está ligado à cultura. No país, nasceram grandes e influentes artistas como William Shakespeare, Geoffrey de Monmouth, Geoffrey Chaucer, Thomas Malory, William Blake, H. G. Wells, D. H. Lawrence, Virginia Woolf, George Orwell e John Betjeman. Na música, os Rolling Stones, Beatles, Queen, Bee Gees, entre outros. Do encontro com Pérola de Rikardo

Nascido no Brasil, filho do Mundo. Pérolas de Rikardo é o nome que o influenciador Rikardo escolheu para apresentar seu trabalho internacionalmente. Do Interior do Paraná, Rikardo decidiu sair do Brasil em busca de um sonho que cada dia mais chega próximo de uma realidade. Hoje não só se tornou um dos maiores Influencers do Reino Unido, é Diretor da empresa de publicidade Pérolas Maio ⁄Junho 2021 | JUREMA | 66


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a novos artistas que querem visualização dentro e fora do Brasil, trazendo a oportunidade de se apresentarem internacionalmente, podendo com isso ter a oportunidade de trabalhos fora do Brasil. Hoje Pérolas de Rikardo não é apenas um perfil no Instagram mas sim uma empresa de eventos, criador de uma das festas brasileiras mais famosas do Sul de Inglaterra (Favela Chic). O evento passou a ser referência de liberdade de expressão, sendo uma das festas mais famosas da região, trazendo como carro chefe, a diversidade cultural e pluralidade de gêneros e principalmente explorando a música brasileira em toda sua glória. Pérolas de Rikardo é também o criador do Bloco Me viro em 10 em, promovendo abertura de negócios a empreendedores a apresentarem suas empresas, serviços e produtos fora do Brasil. “O que quero com meu trabalho é mostrar que trabalhando juntos podemos ter sucesso e crescer”. “TRABALHAR A empresa Pérolas de Rikardo COMO INFLUENCER Publicity & Events Limited é sediada na Inglaterra e oferece visibilidade a SEMPRE ESTEVE empresas em todo o mundo. O que NOS MEUS PLANOS queremos com nossos serviços e ajude Rikardo Publicity Events Limited. Esta empresa que hoje ajuda artistas de dar brasileiros a apresentarem sua PROFISSIONAIS” todo o mundo na apresentação de sua arte-serviço no Reino Unido e Europa. arte e proporciona visualização e mídia Um convite para você artista que fora da Brasil, trazendo parcerias em toda a Europa. quer mostrar seu trabalho dentro e fora do Brasil entre Perolas de Rikardo se tornou colunista de revistas e web- em contato hoje mesmo para marcar sua entrevista. sites internacionais dando dicas de como ter sucesso na Nossa assessoria está a sua espera. Para mais inforferramenta do instagram. “Trabalhar como Influencer mações entre em contato pelo Instagram @perolasdesempre esteve nos meus planos profissionais, mais traba- rikardo e saiba o que você precisa para também fazer lhar como colunista de revistas conceituadas e websites parte deste sucesso. prestigiados é uma alegria e ao mesmo tempo de uma res- Bem vindo a família PEROLAS de RIKARDO. n ponsabilidade tremenda, todos os meses contribuo com empreendedores a terem mais possibilidades de sucesso com seus produtos e trabalho.” Diz Rikardo. Nomeado como o Influencer do ano 2021 na Inglaterra, Pérolas de Rikardo hoje faz sucesso com seus programas de entrevistas no Instagram. Dando oportunidade a brasileiros de apresentaram seu trabalho fora do Brasil. É conhecido como Influencer dos famosos em toda a Europa. O programa Sofá dos Famosos hoje e conhecido internacionalmente por dar oportunidade a artistas brasileiros a apresentarem sua arte fora do Brasil. “Meu programa de entrevistas no Instagram hoje é assistido em todo o mundo e já recebeu convidados como Luiza Brunet, Sula Miranda, Paulinho Serra, Denise Dell Vecchio, Marcio Art”. Hoje Sofá dos Famosos é um programa que dá abertura


Literatura Lusobrasileira

QU I N H E N T I S M O, a conquista dos materiais e a dilatação da fé C R I S TÃ !

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Por JOSÉ CARLOS BORGES & MARLU ARAÚJO

esta edição vamos falar de um mundo temperado e se defrontava com o exotismo do Quinhentismo como e a exuberância de um mundo tropical. expressão primeira, de Com relação à linguagem, o louvor à terra aparece no todas as manifestações lite- uso exagerado de adjetivos, quase sempre empregados rárias ocorridas no Brasil no superlativo (belo é belíssimo, lindo é lindíssimo etc). durante o século XVI, cor- O melhor exemplo da escola quinhentista brasileira é respondendo à introdução Pero Vaz de Caminha. Sua “Carta a El Rei Dom Manuel da cultura européia em sobre o achamento do Brasil”, além do inestimável valor histórico, é um trabalho de bom nível literário. O texto da terras brasileiras. Não se pode falar em uma carta mostra claramente o duplo objetivo que, segundo literatura “do” Brasil, Caminha, impulsionava os portugueses para as aventucomo característica do País naquele período, mas sim ras marítimas, isto é, a conquista dos bens materiais e a em literatura “no” Brasil — uma literatura ligada ao Brasil, mas que denota as ambições e as intenções do homem europeu. No quinhentismo, o que se demonstrava era o momento histórico vivido pela Península Ibérica, que abrangia uma literatura informativa e uma literatura dos jesuítas, como principais manifestações literárias no século XVI. Quem produzia literatura naquele período estava com os olhos voltados para as riquezas materiais (ouro, prata, ferro, madeira etc.), enquanto a literatura dos jesuítas preocupava-se com o trabalho de catequese. Com exceção da carta de Pero Vaz de Caminha, considerada o primeiro documento da literatura no Brasil, as principais crônicas da literatura informativa datam da segunda metade do século XVI, fato compreensível, já que a colonização só pode ser contada a partir de 1530. de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro, 1500 A literatura jesuítica, por seu lado, também Desembarque pintura de Oscar Pereira da Silva – (c. 1900) caracteriza o final do Quinhentismo, tendo esses religiosos pisado o solo brasileiro somente em 1549. dilatação da fé cristã Literatura jesuíta — Consequência A literatura informativa, também chamada de literatura da Contra Reforma, a principal preocupação dos jesuitas dos viajantes ou dos cronistas, reflexo das grandes nave- era o trabalho de catequese, objetivo que determinou toda gações, empenha-se em fazer um levantamento da terra a sua produção literária, tanto na poesia quanto no teatro. nova, de sua flora, fauna, de sua gente. É, portanto, uma Mesmo assim, do ponto de vista estético, foi a melhor literatura meramente descritiva e, como tal, sem grande produção literária do Quinhentismo brasileiro. Além da valor literário. poesia de devoção, os jesuítas cultivaram o teatro de caráA principal característica dessa manifestação é a exalta- ter pedagógico, baseado em trechos bíblicos, e as carção da terra, resultante do assombro do europeu que vinha tas que informavam aos superiores na Europa sobre o Maio ⁄Junho 2021 | JUREMA | 68


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Diamante, esmeralda, rubi, safira, Que nascem brutas e famintas, Com seu valor e sua aplicação, Avessas à falsidade e à mentira. Joias de origem e cor diferentes, Com horizontes e oásis abrangentes. Apenas gente carecendo de orientação, De paradigma aplicado à determinação. Sem Deus…

Não se precisa sempre delegar em Deus, Para tentar mudar as coisas incorretas… Há uma eternidade a declinar funções Primeira Missa no Que nos competem, a crentes ou ateus, Brasil, pintura de Victor “A LITERATURA É UMA Por interesses, sem vontades despertas, Meirelles – (c. 1860) DAS MANIFESTAÇÕES Por ganância e tantas falsas intenções. andamento dos trabalhos na precisamos de eleger políticos DE ARTE E É CONHECIDA Não colônia. Não se pode comenReacionários, para entender assimetrias, COMO SENDO A ARTE tar, no entanto, a literatura Não se precisa sobreviver com carências Para entender os tempos apocalípticos, dos jesuítas sem referênDAS PALAVRAS” cias ao que o padre José de Para estar em paz não são precisas arrelias, — Luciana Kuchenbecker Araújo E em liberdade, não são precisas penitências. Anchieta representa para o Quinhentismo brasileiro. Apenas é preciso amar, perdidamente, Chamado pelos índios de “Grande Piahy” (supremo pajé Todos e cada um, permanentemente. branco), Anchieta veio para o Brasil em 1553 e, no ano seguinte, fundou um colégio no planalto paulista, a par- Desumanidades tir do qual surgiu a cidade de São Paulo. Ao realizar um Pelo céu cinzento de um lugar exaustivo trabalho de catequese, José de Anchieta dei- O passaredo não se exibe mais… xou uma fabulosa herança literária: a primeira gramá- Os meninos sem escola passeiam-se tica do tupi-guarani, insuperável cartilha para o ensino Desolados, pelas ruas lamacentas, da língua dos nativos; várias poesias no estilo do verso Esburacadas por causas absurdas medieval; e diversos autos, segundo o modelo deixado E fins adulterados. pelo poeta português Gil Vicente, que agrega à moral O desassossego prevalece religiosa católica os costumes dos indígenas, sempre com Temendo-se nada e tudo a preocupação de caracterizar os extremos, como o bem Que o despotismo encerra e o mal, o anjo e o diabo. Patrocinando ódio e arrogância, Traficando ruídos e artilharia, POESIA PARA O ENCANTAMENTO DA ALMA Semeando, impunemente, desgraça. Idealismo Passado horripilante, Resgatei cânticos adormecidos, Desesperando o presente Decantei o tempo, pura audácia... Sem esperança de futuro… Elevei meu brado além dos céus, Até deus, na sua infinita omnisciência, Pelos anseios entorpecidos, Assiste conformado com o previsível dilúvio… Pela escassez de clarividência, E a humanidade, às voltas com a ganância, Com gente visada para camafeus. A andar de mão em mão com a tristeza. Todas as pessoas são distintas Pedras preciosas para lapidação… Por JOSÉ CARLOS BORGES 69  | JUREMA | 2021 Maio ⁄Junho


FRONTEIRAS Dr. FERNANDO PORTELA CÂMARA MD, PhD, é médico, cientista e escritor. Foi professor/

pesquisador na UFRJ (1977-2017), onde chefiou o Setor de Epidemiologia do IM-UFRJ. É fundador do Instituto Stokastos onde desenvolve atualmente modelos estocásticos de aprendizagem e inteligência em redes neurais, e o blog http://institutostokastos.com.br

Os memes da PANDEMIA

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epois de ser alardeado em todas as mídias e levar governos a agir de forma restritiva contra a população, não se ouve mais falar, desde junho de 2020, na urgência do “achatamento da curva” da Covid-19. “Vamos achatar a curva!” e “fiquem em casa!” tornaram-se memes nessa pandemia. A estratégia de “achatamento da curva” foi uma ilação que preconizava o confinamento radical para baixar o número de infecções diárias. “Achatar a curva” manteria a demanda hospitalar sob controle, regulando a ocupação de leitos de UTI sem colapsar o serviços. Ora, isso não leva em conta as capacidades de cada população em função do seu tamanho e disponibilidade de leitos. No Brasil, muitos municípios tinham muito poucos leitos de UTI ou nenhum. Além disso, a atabalhoada medida não levou em conta o tempo em que um doente grave ocupa um leito (que pode levar até três, quatro ou mais semanas). Essas considerações perdem seu valor ao constatarmos que a lógica de achatamento da curva foi uma falácia, uma pseudociência criada sem nenhuma base empírica. De fato, nunca se apresentou um gráfico com dados quantitativos reais. Por outro lado, a adoção de medidas de distanciamento social, uso de máscaras, higienização das mãos e restrição da mobilidade para certos locais são muito efetivas em reduzir o contágio, sem o inconveniente de colapsar a sociedade. Ao se colocar em confinamento toda uma população sem testar e separar os infectados e suspeitos, o “lockdown” agravou o contágio e levou a problemas econômicos e sociais graves. Das várias contradições epidemiológicas da Covid-19, duas contribuíram para ampliar a tragédia: confundir a epidemiologia da Covid-19 com a da gripe, e a imposição de “achatar a curva”, jargão para o confinamento compulsório da população. Essa medida, na verdade, foi inspirada em um meme criado por pessoas não ligadas a governos e sem formação e experiência epidemiológica. O meme teve sua origem na era Bush, em um estudo do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) sobre uma possível pandemia de influenza, reforçada posteriormente pelo sucesso do filme “Contágio”. Era um estudo puramente conceitual, sem considerar

cálculos ou dados específicos, reforçado pela mídia que contribuiu para o medo coletivo. Essa ideia foi adotada na Covid-19 antes mesmo de se planejar estratégias racionais com base nos fatos (Tucker, 2020). A substituição do lockdown por quarentena de infectados e suspeitos teria sido a medida mais acertada e mais eficiente, embora sua eficácia de ambas medidas para infecções respiratórias não seja satisfatória. O lockdown só é possível na parcela da população que é suficientemente organizada e capitalizada para manter-se em isolamento por longos períodos. O Peru foi um exemplo dramático dos efeitos do lockdown na população de um país pobre com um sistema de saúde pública deficitário. Seguindo as recomendações da OMS, o governo peruano decretou um lockdown rigoroso, com fechamento das fronteiras, toque de recolher e permissão para sair de casa apenas para serviços essenciais. A medida durou mais tempo que os demais países e o resultado foi o contrário do esperado (BBC, 2020): alto índice de fatalidades com um excesso de mortalidade entre março e maio, muito além do esperado para um ano normal. A falha na medida estava essencialmente nos fatores sócio-econômicos: 40% da população não têm geladeira para estocar alimentos, sendo obrigada a sair diariamente para fazer compras nos mercados, cujos funcionários, segundo um levantamento, tiveram ou estavam com a Covid-19 numa proporção que variava de 40% a 86%. Eles transmitiam o vírus para os clientes e estes espalhavam o patógeno em suas casas. 70% dos peruanos eram trabalhadores informais que precisavam sair de suas casas e tomar ônibus todos os dias; a maior parte das pessoas precisava ir aos bancos que tem sempre filas cheias; 12% das famílias são muito pobres e vivem em casas superlotadas (BBC, 2020). Vemos assim que os fatores propícios para a transmissão do SARS-Cov-2 e rápida seleção de cepas mais infecciosas estavam presentes e foram favorecidas pelo lockdown. A transmissão do novo coronavírus foi apressadamente confundida com a da influenza, um equívoco que trouxe um problema crítico, pois ao adotar o modelo da influenza por princípio não ficou claro se estávamos em uma pandemia. Em razão disso houve um atraso em declarar estado pandêmico. Não se tinha parâmetros para uma pandemia por coronavírus, cujas características não são exatamente Maio ⁄Junho 2021 | JUREMA | 70


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as mesmas da gripe. A epidemiologia dos coronavírus tem uma peculiaridade característica: i) os surtos se iniciam em clusters de pessoas que se comunicam e estão em estreito contato, os chamados “eventos superdisseminantes”; ii) enquanto a maioria dos infectados transmite pouco o vírus, um pequeno número deles transmite o vírus para dezenas de pessoas: são os “superdisseminadores”. Por exemplo, os asilos de idosos é uma aglomeração, e se um dos cuidadores for um superdisseminador, a maioria dos idosos será infectada. Isso contribuiu muito para a mortalidade da Covid-19 como se observou em muitos países. Esse padrão de transmissão heterogêneo—em clusters—é característico dos coronavírus, em contraste com o padrão difuso da gripe. Lugares muito frequentados favorecem uma eficiente disseminação do vírus. Um bar movimentado, uma boate, um asilo, um congresso, um casamento, um campeonato, são exemplos de lugares cheios de pessoas próximas e falatório, condição ideal para espalhar o vírus. Ambientes fechados e uma circulação de ar deficiente favorecem ainda mais o contágio, permitindo que uma nuvem de gotículas formada das conversações permaneça em suspensão no local por tempo suficiente. Por outro 71  | JUREMA | 2021 Maio ⁄Junho

lado, lugares abertos, ventilados, ensolarados não favorecem o contágio. O modelo de propagação de uma coronavirose é conhecido como “incêndio na floresta”, uma imagem que ajuda bastante a entender o padrão de contágio e as medidas para reduzi-lo. Quanto mais juntas as árvores, maior a chance de um incêndio local se propagar; e quanto mais distanciadas estiverem, menor a chance de propagação. Aqui e acolá, arvores que estão mais juntas (clusters) podem iniciar um incêndio a qualquer momento. Evitar aglomerações e respeitar a norma de distanciamento social é uma medida mitigadora efetiva, pois reduz significativamente a chance de contágio. Por esse mesmo raciocínio, se ainda assim houver contágio, a carga viral será pequena, reduzindo a chance de uma forma grave da doença. Ao restringir nossas atividades em uma parte do nosso cotidiano, podemos reduzir a maior parte dos riscos. Por fim, outro equívoco que contribuiu para a mortalidade foi a decisão de orientar as pessoas com sintomas considerados leves a ficarem em casa, aconselhando-as a procurar ajuda médica somente no caso de agravamento do quadro respiratório. Sabe-se hoje que quadro leve não significa ausência de comprometimento pulmonar; não é raro que o paciente não perceba sua hipoxia, daí a necessidade de monitoramento oximétrico. Em tempos de pandemia, as medidas de proteção individual e restrições sociais são importantes fatores mitigadores da peste, reduzindo o contágio e os casso graves, mas para isso a sociedade deve responder à necessidade coletiva. A única defesa efetiva que a humanidade conhece por experiência é a barreira imunológica. A vacinação em massa, quando possível, é a única saída. n REFERÊNCIAS BBC. Coronavírus: por que um lockdown rigoroso não impediu explosão de casos no Peru, BBC/Uol, Junho 26, 2020 https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2020/06/26coronavirusporque-um-lockdown-rigoroso-nao-impediu-explosao-de-casos-no-peru.htm casos-no-peru.htm (acessado em 24/08/2020) Tucker JA. The 2006 origins of the lockdown idea, American Inst. For Ecnomical Research, May 2020, https://www.aier.org/article/the-2006-origins-of-thelockdown-idea/ (acessado em 24/08/2020


Bordeaux

AUTO RETRATO

F E M I N I N O BOUDOIR — PEQUENA SALA QUE ERA USADA EXCLUSIVAMENTE POR SENHORAS, PARA SE VESTIREM, PASSAR O TEMPO, RECEBER VISITAS, ESCREVER, BORDAR —Maria Beatriz Vaccari PRODUÇÃO E STYLIST : @stylistamaro MODELO: @nayaralauren FOTÓGRAFO: @marcelo.catacci MAKEUP: @denisesena_makeup


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odas as mulheres merecem se ver retratadas de uma forma que valorize sua beleza e mostre sua melhor versão. Em um primeiro momento, tirar a roupa para fazer um ensaio é algo desafiador, mas logo em seguida é transincríveis e, no final, acabam “O SIMPLES FATO formador e um verdasendo um presentão tanto para DE COLOCAR OU deiro momento de realização,” conta Ricky os companheiros quanto para Arruda, fotógrafo do estúdio Anna Quast e TIRAR UM SUTIÃ, as fotografadas, que adoram se Ricky Arruda. ver lindas nos retratos. POR EXEMPLO, O profissional afirma que o dia em que as noi“Como o casamento é um PODE RENDER vas recebem as fotos é muito bacana. “Elas momento super íntimo e espeenxergam, nelas mesmas, uma mulher que, ÓTIMOS CLIQUES” cial, a ocasião desperta um muitas vezes, não viam. Isso desperta condesejo das noivas por este tipo fiança e ‘dá um up’ na autoestima”, diz de ensaio. Ele é caracterizado Ensaio boudoir é uma espécie de sessão de fotos sexy por fotos delicadas, normalmente com tons suaves, e line funciona como uma opção bacana para presentear o geries que lembram a noite de núpcias”, explica Deborah noivo antes ou depois do casamento Menezes, proprietária e fotógrafa no Studio Deborah Muito procurado por noivas e esposas que querem presen- Menezes Fotografia. tear seus parceiros com uma surpresa especial, o ensaio Normalmente, os ensaios boudoir mostram a mulher boudoir é perfeito para quem quer ousar um pouquinho em momentos bem íntimos e naturais. O simples fato de e apimentar a relação. colocar ou tirar um sutiã, por exemplo, pode render ótiA proposta é clicar as mulheres em momentos íntimos mos cliques. Além disso, dá para registrar retratos com e com um olhar cheio de sensualidade. As fotos ficam lingerie e até sem roupa. n

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Imobiliária Arrecifes

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iz o povo que “quem casa quer casa”, uma g rande verdade, aliás, vox populi vox Deux. É que o novo casal, que passa a ser uma nova família, sente o desejo ou mesmo a inevitável necessidade de conviver em sua casa, independentemente de ser um imóvel próprio ou alugado, mas que possa chamar de “minha” casa. O que se percebe, de geração em geração, é que essa vontade geralmente é maior na mulher. A bem da verdade, desde a escolha do lugar de morar, bem como dos móveis em geral, é ela que acaba decidindo pelo casal. No Mercado Imobiliário esse fato não foge à regra. Os Corretores sabem que Quem casa, quer casa, mas quem escolhe é a mulher! são as mulheres que decidem a compra do Por FREDERICO MENDONÇA (Professor, escritor, empresário imóvel, e ninguém tem dúvida disso, bem imobiliário e Sócio Diretor da ARRECIFES) por isso elas acabam recebendo um tratamento “diferenciado”, digamos assim. Aliás, por falar em Mercado Imobiliário, com o advento da pandemia de Corona Arrecifes Virus, muitos casais optaram por comUma Imobiliária de credibilidade: No prar imóveis para morar pagando parte mercado imobiliário de Pernambuco do preço com recursos que deixaram desde 1979, a Arrecifes mantém os mesde gastar na realização de grandes fesmos princípios éticos que nortearam sua fundação. Tendo como diretores os tas que ofereceriam a seus convidados. É que as mulheres, independentemente advogados Frederico Mendonça, Petrus das multiplas atribuições e responsabiliMendonça e a administradora de empredades que possuem, especialmente como sas Paula Mendonça, e uma equipe de profissional, filha, mãe e esposa, continuam mais de 60 colaboradores. A Arrecifes é hoje mantendo o instinto de cuidador de tudo, de a maior administradora de bens de terceiros da modo que são sempre tidas e respeitosamente charegião, estando entre as mais respeitadas empresas madas de “a Dona da casa”, uma espécie de “Rainha” do setor no Brasil. que faz nascer e reina soberanamente no lar. Com milhares de Clientes no Brasil e também no exterior, a Arrecifes mantém sua liderança, buscando semServiço pre o que há de mais moderno em tecnologia e tratando Antes de comprar qualquer imóvel é necessário analisar dos interesses de sua Clientela com absoluta seriedade. o orçamento do casal, decidir sobre casa ou apartamento A Arrecifes é a única imobiliária da região que pose a localização ideal. Combinem de pesquisar sobre as sui o selo de qualidade ISO 9001, garantindo uma gescondições de pagamento e possibilidades de financia- tão de qualidade e a busca contínua da melhoria de mento e de entrada. nossos serviços. n

CASAR? IMÓVEL?

Vai Está procurando um

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Mercado Digital

BASTIDORES da Tecnologia Faltam profissionais especializados e sobram vagas no mercado digital

onheça a história do engenheiro cartográfico que mudou de área e passou a integrar programa de treinamento para se tornar desenvolvedor back-end. Alguém duvida que a tecnologia veio para ficar e que está cada vez mais presente? Tanto que mudanças no comportamento e dinâmica da sociedade estão gerando novas necessidades. Com a pandemia então, isso só avançou. Empresas se desdobram para criar soluções, fazer adaptações e encontrar respostas aos problemas da sociedade. Só para se ter ideia, de acordo com a pesquisa “2021 State of the CIO”, os três principais impulsionadores de negócios para orçamentos de TI neste ano são: transformar os processos de negócios existentes (36%), aumentar as proteções de segurança cibernética (34%) e melhorar a experiência do cliente (33%). São plataformas, softwares, sistemas específicos, que se encaixem com os pedidos. Só tem um detalhe: são muitas ideias, mas falta mais mão-de-obra especializada para executar tanta coisa que tem surgido ultimamente e que ainda vai chegar nesse universo digital. Resultado: demanda maior que oferta. Estatísticas mostram que é gigante a procura futura por profissionais de TI. Tem especialista que fala até em apagão desse pessoal no futuro. Há cerca de 3 anos, havia em torno de 100 mil vagas disponíveis no setor. A expectativa para este ano é que alcance em torno de 200 mil. Em 2024, a previsão é que haja 300 mil vagas em aberto. Um incentivo é que as organizações apostam nessa movimentação. Segundo a pesquisa BRAngels/HSM-LearningVillage/FirstCom Cenário Econômico Pós-Vacina, 56% das empresas sinalizaram que ampliarão os investimentos em TI e 25% delas em inovação. Mudança de área

Antecipando essa busca, Rafael Lima, 32 anos, começou a se preparar para atender a esse turbilhão. Formado em Engenharia Cartográfica, ele decidiu mudar de área e ingressar nesse mercado. Atualmente, Rafael é aluno de Análise e Desenvolvimento de Sistema (ADS), no Centro 75  | JUREMA | 2021 Maio ⁄Junho

Universitário Tiradentes (Unit-PE). Ele foi contratado e passou a integrar o Orange Talents, um programa de treinamento da empresa Zup Inovation, que está recrutando e capacitando permanentemente um número alto de pessoal para se tornar desenvolvedor back-end. É um treinamento para acelerar desenvolvedor de junior para pleno. E o que é isso? Pedreiros do futuro

O desenvolvedor back-end é aquele profissional que atua nos bastidores da programação, codificação e teste na máquina. Que cria a comunicação e lógica das informações entre banco de dados e o navegador. Sem essa ponte, o usuário pode clicar um botão, por exemplo, mas o computador não entende e não processa. Fazendo comparação com a área da construção civil, eles são responsáveis por programar aquelas obras que estão debaixo do chão e ninguém vê como a base do projeto, encanamento e outros. Sem eles, a casa não funciona. Não é verdade? Considerado o pedreiro do futuro, o desenvolvedor é aquele que constrói a conexão de instruções e comandos para que as máquinas façam o que o usuário deseja. n

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Por TONY DUDA


Ecologia Marca pernambucana de

FRALDAS ECOLÓGICAS com estampas africanas

“A história só é boa quando eu conto!” Por ANA PAULA

lado era o cuidado com o meio ambiente e o uso de produtos mais sustentáveis. Em 2013, fiz a escolha de não usar mais absorventes, porque havia pesquisado novas formas de passar pelo período menstrual, sem precisar fazer uso de tantos produtos descartáveis. Foi quando comecei a usar o coletor menstrual e foi um momento mágico, onde consegui criar uma conexão maior com o meu corpo e com os meus ciclos. Após descobrir que estava grávida, comecei a pesquisar sobre maternidade e encontrei as fraldas ecológicas. Logo num primeiro momento fiquei encantada ao saber que não precisaria ficar na dependência de comprar fraldas descartáveis toda semana e que poderia continuar mantendo os meus valores sustentáveis. Nas pesquisas que realizei, não consegui encontrar opções próximas a mim, que me possibilitassem conhecer o produto ao vivo e fazer a compra de forma presencial. AfroMaterna. “ANA PAULA Em diálogo com Um a m a r c a pernambuLINS e SILVA, uma a minha família como era o uso da cana de fraldas MULHER NEGRA, sobre ecológicas com fralda de pano, mostrei como o estampas afri- assistente social, mãe conceito desse tipo de fralda fora resgatado e que agora eram chamadas de canas. A ideia de CAETANO” fraldas ecológicas. Essa nova roupadesse empreendimento surgiu durante a minha gragem traz mais botões de pressão que se videz, momento intenso de reflexão no qual eu realizei ajustam melhor ao corpo do(a) bebê e prolongam o uso diversas leituras sobre maternidade e assisti a filmes e da fralda, podendo ser usada desde o nascimento até o desfralde da criança com 17kg. documentários sobre as formas de maternar. A gestação, em geral, tende a ser um momento de cone- As fraldas ecológicas além de favorecer um desfralde xão consigo mesma e com seus valores, pensa-se muito mais rápido, já que o(a) bebê terá o contato mais prósobre qual legado você quer passar para o(a) filho(a), ximo com o seu corpo e suas necessidades fisiológicas, quais hábitos você quer abdicar e/ou manter e quais você elas não causam assaduras, pois seu material é mais natuvai adquirir e eu fui pensando em como responder essas ral, com tecidos 100%, algodão. Além disso, essas fraldas questões. Uma das questões que eu não podia deixar de trazem uma variedade de lindas estampas, representam

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um cuidado com a preservação do meio ambiente, por serem reutilizáveis, e uma grande economia a longo prazo para o bolso das famílias. A fralda descartável custa, em média, 80 centavos a unidade. Numa semana, o consumo chega a 50 fraldas. Logo, em dois anos e meio, o custo das fraldas descartáveis chega a aproximadamente, R$5.200! Enquanto que 24 fraldas ecológicas suprem a mesma necessidade. Fiquei tão encantada que quis compartilhar a experiência com outras mães pernambucanas. Foi então que entramos na pandemia em março de 2020. Trabalhando em home office, participando mais da maternidade em tempo integral, surgiu o desejo de criar uma marca de fraldas ecológicas com a minha cara, com representatividade, com cores, com uma infância livre de gênero. Pensei que esse poderia ser um bom momento para experimentar novos hábitos. Compartilhei esse meu desejo com minha família e com uma amiga designer, Iara Ximenes. Fui ao Polo de Caruaru ver as fraldas de pano que eram vendidas para entender quais seriam os melhores tecidos para o clima pernambucano. Foram meses de pesquisa, em que aprendi muito sobre tecidos, modelagem, corte e costura, convidamos o Studio Ikigai para produzir o visual e o manual da marca. Construímos juntas, tudo do zero, a logo e quais seriam a missão, a visão, os valores e o slogan da AfroMaterna. Eu sou uma taurina que trabalha com prazos e metas. Aprendi isso na minha vida e tem dado certo para realizar meus sonhos. Então escolhi o dia 20 de dezembro de 2020 para o lançamento da AfroMaterna, por ser um dia especial, o aniversário do meu filho Caetano. Afinal, foi ele quem me inspirou a empreender, a conversar com outras mães sobre novas formas de maternar e falar sobre minha maternidade. E assim aconteceu, estreamos neste dia, com tudo e mais um pouco, na Feira do Bom Jesus, no Recife. A forma como identificamos as coisas ao nosso redor geram significados importantes na nossa construção de realidade. E se eu te disser que pode ser diferente do que é hoje? Nossos bebês do futuro existem para nos libertar e nos ressignificar! E as fraldas da AfroMaterna trazem essa diversidade. Então trago aqui para vocês uma marca que valoriza a pluralidade da nossa cor, dos nossos cabelos e da nossa cultura afro-brasileira. A AfroMaterna está aqui pra te mostrar a beleza da nossa ancestralidade com as cores e estampas mais lindas! Os nossos tecidos vêm diretamente da África, do país Benin, e são costurados aqui em

Recife por mulheres pretas incríveis! Se quiser conhecer mais um pouco sobre nós, temos nosso podcast disponível no Deezer, Spotify, Itunes e Orelo. Você também pode encontrar tudo sobre nossas fraldas ecológicas no site do Movimento Black Money, na loja colaborativa MePoupe (em Recife) e também através do nosso Instagram (@afromaterna) e pelo Whatsapp. Para compras online, o serviço de entrega é realizado no mesmo dia da compra (para residentes em Recife) e por essas plataformas digitais podemos tirar todas suas dúvidas e realizar seu chá de fraldas. n


Fotografia

PALOMA

ARQUINO Por MARLU ARAÚJO Fotos PALOMA ARQUINO

fotógrafa de grávidas, uma mulher sonhadora, determinada e extremamente persistente “MINHA ORIGEM É MUITO SIMPLES, MAS COSTUMO DIZER QUE VENHO DE UMA FAMÍLIA DE PESSOAS VOCACIONADAS E SEMPRE FOMOS INCENTIVADAS A SEGUIRMOS NOSSAS VOCAÇÕES, JÁ QUIS SER MUITA COISA, MAS FOI NA VIDA ADULTA E JÁ CASADA QUE DECIDI CURSAR FOTOGRAFIA, MEU MARIDO ME DEU O MAIOR APOIO E ANTES DE ME INTITULAR FOTÓGRAFA, RESOLVI ESTUDAR” Maio ⁄Junho 2021 | JUREMA | 78


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omo profissional, fotógrafa dedicada, empresária centralizadora e minuciosa, que dorme e acorda projetando os próximos ensaios, figurinos, adereços... A trajetória não foi fácil, passou por muitos percalços e pensou até em desistir, mas a obstinação e a vontade de fazer da vocação uma profissão, foram mais fortes que a vontade de largar tudo, foi quando se encontrou de verdade e conseguiu espaço no mercado. “Quando estou fotografando, simplesmente esqueço o mundo lá fora, me sinto leve e com o poder de transformar pessoas durante a sessão, com as conversas de bastidor as pessoas me permitem entrar em sua intimidade e minha imersão é tanta que me sinto de fato parte da vida delas, é fascinante!” Quando perguntamos qual é a magia de fotografar uma mulher grávida?

A gestação é uma fase única na vida de uma mulher, porém é um momento de transformações intensas onde tudo acontece muito rápido, não dá tempo de acostumar-se com as mudanças, principalmente no que se refere a estética. Muitas desenvolvem Melasma, acnes, estrias sem falar no ganho de peso, que é algo temido por muitas antes mesmo de engravidar, a autoestima cai de maneira vertiginosa, a magia do nosso trabalho está justamente no processo de resgate de autoestima e empoderamento feminino na gestação. Criamos o que considero um processo de endeusamento em nosso estúdio, começando pelo tratamento, ela não é chamada pelo seu nome, passa a ser tratada como GraviDeusa, é colocada em um robe luxuoso em renda, que foi especialmente confeccionado para elas e na sequência damos início a produção de beleza. Muitas delas nem lembram qual a última vez em que fizeram uma maquiagem mais elaborada, as ondas nos cabelos e toda uma glamourização torna-se a primeira etapa desse processo. É quando se veem prontas que tudo se transforma e a magia acontece, no espelho o reflexo da mulher cansada pelo processo de gestar, dá lugar a uma gravida que se enxerga uma mulher linda e sexy, assumindo a persona da GraviDeusa. Por que você escolheu fotografar mulheres grávidas como deusas? De onde veio essa inspiração?

Durante minha formação sempre disse que passearia por todas as áreas até encontrar uma em que houvesse o máximo de identificação, eu amo duas vertentes, retrato e moda. Percebi a importância do meu trabalho na vida dessas mulheres e a partir daí nasceu o desejo de criar um conceito único, após muito estudo, testes e mais testes aplicando moda aos ensaios gestacionais, nasceu o conceito GraviDeusa, transformando gestantes em Deusas. Deu tão certo, que hoje ser GraviDeusa® se tornou uma marca registrada e um objeto de desejo entre as futuras mamães. Conclui. n 79  | JUREMA | 2021 Maio ⁄Junho


Digital Influencer

Bea LOPES,

uma Embaixadora na

J U R EM A BR ASIL

A influenciadora digital que motiva, inclui e vive o empoderamento feminino Por LUCIANA ARAÚJO Fotos FERNANDA PORTELLA

Maio ⁄Junho 2021 | JUREMA | 80


A

YOUPIX, aceleradora do mercado de inf luência e social vídeo, divulgou resultados da segunda edição da “ROI & MARKETING DE INFLUÊNCIA 2019”, uma p e s qu i s a de Ma rket i ng de Conteúdo e influenciadores. De acordo com o levantamento, 68% das empresas consideram o MARKETING DE INFLUÊNCIA estratégico para seu negócio e 69% entende que esta modalidade de marketing traz resultados diferentes de qualquer outro tipo de comunicação. Diz, Stephanie Kohn. A JUREMA BRASIL, já reconhecida por promover a diversidade cultural brasileira, a partir de pautas comprometidas com a inclusão de pessoas, deu um novo passo na direção comercial com a contratação da sua primeira embaixadora negra. Beatriz Lopes, ou Bea Lopes, como é conhecida nas redes sociais, é a nova embaixadora e representante oficial da marca JUREMA BRASIL. Ela também é o rosto da recém lançada Campanha de Assinantes da Revista em 2021-2021. Uma Embaixadora que vai além de números de seguidores, pois ela tem identidade cultural com grande parte do público leitor da revista, uma influenciadora engajada com as causas sociais, e que influência com muito bom humor, o empoderamento feminino a partir da aceitação do cabelo, seja qual for o tipo. Portanto, a escolha é mais do que “Quando eu olho justificada, porque Bea Lopes é uma Jurema. Vejamos o que ela tem para pra trás penso: Quem nos dizer nesta entrevista.

tudo bem até que com 16 anos tive problemas em meu corpo que me delimitaram a continuar a dançar. Fiquei diria que aquela Quem é Bea Lopes? arrasada por não poder realizar meu menina insegura com Uma carioca que gosta de “Inventar sonho, mas para fugir da depressão, sua aparência iria se entrei no teatro e a partir de então moda.” Desde muito pequena, sempre gostei de cores chamativas, muito tornar uma mulher que nunca mais fui a mesma… puff, carrego uma personalidade forte um lado minha mãe que é profesiria encorajar outras De e ao mesmo tempo luz, como minha sora, sempre persistiu de que eu precimãe Lucia Helena fala. Mas confesso mulheres a aceitação?” sava ter uma formação profissional e —Bea Lopes que nunca fui uma criança e adolesdo outro minha avó Lena e meu padricente muito fácil de lidar pois além nho Paulo Henrique que sempre me de curiosa, era abusada. Deixava meus professores de encorajou a acreditar em meus sonhos e nunca desistir “cabelo em pé” com minhas perguntas eu nunca aceitava porque eu tinha talento. Desta forma, passei toda minha facilmente o que era imposto pelos adultos, sempre tinha vida, tendo uma vida dupla, estudando e sendo profesum: “Mas porquê?”. sora e seguindo meus sonhos, que é a carreira artística. Fazia parte do Grêmio estudantil e por muitas vezes Já fui capa de revista, dancei no JMM—Jogos Mundiais representante de classe, nessa época eu já lutava pelo Militares, fui entrevistada pela Negra Li em um prodireito de ter uma quadra em minha escola. Iniciei aos grama da uol, fui uma das palestrantes da ONU mulher 6 anos no Jazz, mas queria ser bailarina clássica. junto com Tais Araújo, me tornei Miss Dandara GPMS Na época minha mãe não possuía dinheiro suficiente 2020, modelei para diversas marcas. para pagar uma escola de dança. Passei por diversas Mas ao mesmo tempo, estudei muito e me formei em escolas de dança, ganhei duas bolsas e estava correndo Inglês/Português entre outros cursos. Agora tenho 22 anos 81  | JUREMA | 2021 Maio ⁄Junho



e continuo abusada! Moro em Bangu, no Rio de Janeiro e meu sonho e objetivo é ser apresentadora e conseguir mudar a vida de muitas pessoas, como mudei a minha. Quando começou com Bea Lopes, criadora de conteúdo para o empoderamento da mulher com seus cabelos? Você tinha pretensões de fama?

um grande negócio! E agradeço a cada pessoa que me acompanha, são elas que me dão forças para continuar e lutar todos os dias. Onde você busca inspiração?

Minhas primeiras inspirações são de duas mulheres fortes, minha mãe e minha avó. Ambas me ensinaram a ser forte a lutar todo dia pelo que acredito. Nas redes sociais minhas inspirações vêm de duas influenciadoras chamadas Gabi Oliveira e Jacy Carvalho. Ambas foram figuras importantes pra descoberta de quem sou, aprendi a fazer penteados e a me tornar influenciadora. E tenho a figura de Dandara como símbolo de força.

Minha adolescência não foi fácil pois eu sofria muito bullying e mesmo tento a personalidade forte, minha autoestima era meu ponto fraco. Minha beleza não era um padrão. Meu cabelo é 4c e fiz vários procedimentos nele, que o deixou fraco e quase o perdi totalmente em algumas situações. Eu era muito infeliz com minha aparência e isso refletia em meu comportamento. Eu era menina Você tem uma equipe que trabalha contigo ou tem pessoas negra, que estava busca sua verdadeira identidade e que que a ajudam em determinados momentos? Sim! Tenho uma equipe que está comigo acreditando em ainda não sabia do poder que tinha. Quando fiz 17 anos, entrei para o teatro e conheci pessoas meu trabalho desde que comecei a trabalhar pela interincríveis que me deram força e coragem para encarar os net. Onde era só uma doidinha que fazia vídeos de penproblemas, ali me descobri e vi em mim potenciais que teados e falava sobre: “use o cabelo que quiser”. A Bruna, não conhecia. O dia que mais me marminha fotógrafa, foi a primeira que cou, foi quando Júlio, um amigo do teaacreditou em meu potencial e sempre “Minhas primeiras tro, me convenceu a trançar meu cabelo fala: “desiste não hein”, logo após veio pela primeira vez com lã. Quando me Vívian Garcia, minha maquiadora, inspirações são olhei no espelho, me vi trançada e choque me ensinou a me amar e desperde duas mulheres rei e chorei muito pois foi a primeira tou através de uma maquiagem que fortes, minha mãe e ela fez em mim a mulher linda que vez que me vi de verdade e me achei minha avó. Ambas realmente bonita. sou, neste dia choramos juntas emoCom 18 anos passei a frequentar o cionadas e mais ainda através de seu me ensinaram a ser Viaduto de Madureira onde conheci talento e sensibilidade incrível. Em forte a lutar todo dia seguida, Vinicius, meu transista que pessoas incríveis e tive a oportunipelo que acredito.” dade de participar de rodas de consempre comprou todas as minhas ­—Bea Lopes versa, encontros, grupos fotográficos, ideias criativas e doidas de cabelo e aprendi muito sobre empoderamento chega falando: “Qual é a invenção da e foi onde minha carreira realmente começou. vez?”. Por último o Jeff Libluc, que é uma pessoa que Comecei a trabalhar na internet ensinando penteados admiro muito, tanto pela história, tanto pela sua capaatravés de vídeos, e vi o quanto as pessoas começaram a cidade criativa. Isso me ensinou a ousar cada dia mais. gostar da minha personalidade e estilos de cabelo. Toda O que é mais fácil na vida de uma bloguer? minha história reflete em meus conteúdos hoje, pois atra- A conexão com pessoas. Ser influencer, torna esse camivés deles espero que meninas e mulheres se inspirem a se nho mais estreito e é muito gostoso sabe, conversar e amar do jeito que realmente são, aprendam a lidar com saber da experiência do outro. E é engraçado como as experiências de vida se entrelaçam por que, muitas vezes as críticas capilares e sejam fortes para serem felizes. Quando eu olho pra trás penso: Quem diria que aquela parece que já conheço aquela pessoa há anos, e a gente se menina insegura com sua aparência iria se tornar uma sente confortável pra conversar e partilhar a vida! Acho mulher que iria encorajar outras mulheres a aceitação? isso lindo demais! Você acredita que o seu blog pode virar um negócio, ou já é um grande negócio?

Ele já é um negócio e eu acredito que já alcancei o sucesso. Ainda estou em processo de conquistas e realizações de muitos objetivos. Porém sucesso pra mim agora, é receber mensagens como: “Obrigada, você salvou o meu dia hoje”, “Nossa, muito obrigada pelo seu vídeo, isso me ajudou muito a me entender e a aceitar meu cabelo crespo”, “Eu estava triste e após assistir seu vídeo, tive coragem de levantar da cama!”. Meu sorriso logo aparece e isso engrandece meu coração pois meu negócio é fazer pessoas felizes. Então ele é sim 83  | JUREMA | 2021 Maio ⁄Junho

O que é mais difícil quando se influência seguidores?

Bom, tudo que a gente posta precisa ser muito bem pensado antecipadamente: O que você fala, como você fala, o que apresenta e como apresenta. Um conteúdo, por mais simples que seja, pode impactar positivamente como negativamente na vida de um alguém. Ter esse cuidado e carinho é essencial! E também existe as críticas e os famosos “HATERS”. Quando a gente se expõe na internet, nós influenciadores somos alvos de todas as críticas, sejam elas construídas ou não. Então é necessário ter maturidade pra lidar com as situações em que somos expostos.


O que mudou na sua vida pessoal depois do blog?

Me sinto incrível! Sinto orgulho de cada conquista. A minha relação com meu espelho é cada vez melhor, me sinto feliz comigo mesma. Óbvio que todos nós temos nossas fraquezas e isso é a coisa mais normal desse mundo, somos humanos! Mas fortalecer alguém, no fim acaba que nos fortalecemos também. Isto me edifica e me faz sentir mais confiante para encarar os desafios, me sinto uma nova mulher todos os dias. Cabelo é parte do seu ser? Porquê?

Sim! Meu cabelo pra mim não é apenas um elemento estético, ele é a minha identidade e as mudanças capilares são o complemento da minha personalidade. Amo mudar porque a mudança revigora, adoro brincar e ver novas versões minhas a cada cabelo diferente. E vai muito além disso, porque meu cabelo tem voz e ele grita independência, liberdade e resistência. Meu cabelo marcou todas as minhas fases. Me Lembro da primeira química, quando me senti aliviada por me sentir fazendo parte do padrão de estética e até o momento em que decidi não usar mais, fase em que senti o gosto da liberdade e empoderamento. Sobre o convite para ser EMBAIXADORA DA REVISTA JUREMA, além de participações em comerciais e programa de TV, o que você achou?

Nossa! Mas eu fiquei muito feliz, me senti honrada e tive aquela sensação de estar fazendo a coisa certa, sabe. Me Lembro até hoje da Editora Geral da revista dizendo: “—Gostaria de fazer um convite para ser nossa embaixadora pois você tem a cara da minha revista!” Naquele momento eu não ouvia mais nada... Fiquei sem palavras e quando ela perguntou se eu aceitava, não pensei duas vezes e logo aceitei. É realmente uma honra fazer parte da Jurema. Fiquei encantada com a história de vida da Luciana Araújo e de quando ela contou o significado que a Jurema carrega, me apaixonarei! Pois representa uma Fênix, que é um símbolo de renascimento e resistência, ou seja, no mesmo lugar que você cai, você levanta. Logo me identifiquei e me senti representada por que tem muito haver com minha história, por isso me sinto uma JUREMA! Ser embaixadora da Revista Jurema para mim, é a realização de um dos meus grandes sonhos. Obrigada Revista Jurema pelo convite, confiança, reconhecer, acreditar no meu trabalho e me acolher de braços abertos!  n