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Jovem gaĂşcha tenta recriar partido da Ditadura Militar PĂĄg. 7 Desde 2006

Faculdade de Jornalismo - Puc Campinas

28 de outubro de 2013

Realidade por trĂĄs do IDHM Beatriz Assaf

Beatriz Assaf

&LOVR(YDULVWR)RUWXQDWRH&DUORV%HQHGLWRVmRH[HPSORVGDGHVLJXDOGDGHQHQKXPGRVGRLVWrPHPSUHJRÂż[RHJDQKDPDYLGDQD5XDGH0DLRQR&HQWUR

Ocupando o 28º lugar no ranking atual, com 0,805, segundo o �ndice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), a cidade de Campinas atingiu um nível considerado muito alto, jå que o måximo Ê 1,0. Entretanto, a realidade da maioria da poulação aparenta ser outra. Pessoas de diferentes cantos da cidade revelam que estão longe tanto de pertencer aos números indicados pela pesquisa como a de ter uma perspectiva melhor em suas vidas. O IDHM leva em consideração a longevidade, a renda e o nível de educação e Ê construído a SDUWLUGRVGDGRVGRFHQVRSHOR,QVWLWXWR%UDVLOHLURGH*HRJUD¿DH(VWDWtVWLFD ,%*( Pågs. 4 e 5

Prefeitura inicia nova tentativa de reforma da caravela Vinicius Falavigna

“Vim para contribuirâ€?, diz mĂŠdica cubana A cidade de Pedreira recebeu a mĂŠdica cubana Tania Sosa pelo Mais MĂŠdicos. Ela jĂĄ participou de missĂľes humanitĂĄrias em vĂĄrios paĂ­ses e diz nĂŁo se importar com as crĂ­ticas recebidas. PĂĄg. 3

Professor da PUC completa 50 anos de carreira acadĂŞmica Rodrigo Rabelo

Caravela da Lagoa do Taquaral em processo de restauração que só termina em 2015

Afundada em 2008, a caravela da Lagoa do Taquaral passa por um novo processo de revitalização desde de março deste ano, com previsão de tÊrmino da obra

daqui a dois anos. O novo projeto visa um trabalho educacional com crianças e estudantes. A nau jå passou por vårias tentativas de reforma, inclusive com casos de roubos de materiais. Påg. 8

Carlos de Aquino, educador

Professor de Letras da PUCCampinas, Carlos de Aquino Pereira conquista um novo marco de sua vida ao completar 50 anos de carreira na instituição. Sua trajetória se confunde com a história da universidade. Antes de trabalhar na PUC, ele tambÊm atuou em colÊgios da cidade, como o Pio XII, o que faz com que ele tenha mais de DQRVGHSUR¿VVmR Påg. 6


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PĂĄgina 2 RĂ PIDAS Exposição de Biojone vai atĂŠ 1/11 A exposição “FĂĄbulas nĂŁo escritasâ€?, do artista campineiro Francisco Biojone, se encerra no dia 1° de novembro, com 19 aquarelas inĂŠditas, produzidas neste ano. O evento ocorre no Museu de Arte Contemporânea JosĂŠ Pancetti (Macc). O horĂĄrio para conhecer as obras ĂŠ de terça a sexta-feira, das 9h Ă s 17h. No sĂĄbado, das 9h Ă s 16h e, aos domingo e feriados, das 9h Ă s 13h. O Macc ĂŠ na Avenida Benjamin Constant, 1633, no centro. GrĂĄtis. Faculdade divulga vencedores de concurso literĂĄrio A Faculdade de Letras da PUC-Campinas divulgou os vencedores do 3Âş Concurso LiterĂĄrio, no dia 16 de outubro. Na categoria Conto, a vencedora foi JĂŠssica Olmedo, de Publicidade e Propaganda. Trata-se de “O RefĂşgio de Saraâ€?. A estudante de Jornalismo Isadora Pimenta ficou em 2Âş lugar, com o conto “Chiadoâ€?. Outro estudante de jornalismo tambĂŠm foi premiado: Pedro Fernandes Nogueira levou o 3Âş lugar, com “Aâ€? Bexigaâ€?. Na categoria Poema, o vencedor foi Rafael Henrique Censon, com “In Memoriam- Litania para uma avĂłâ€?. Em 2Âş segundo lugar, o estudante de Letras Claudio Roberto Avallone Srgoi CorrĂŞa, com o poema “Futuroâ€?. O universitĂĄrio de Artes Fabiano Carriero Eiras ficou em 3Âş lugar, com “Marimbaâ€?. Podiam participar do concurso todos os alunos do Centro de Linguagem e Comunicação (CLC). FuncionĂĄrios da PUC levam o prĂŞmio Cine Cosmo O filme “Um amor, Duas Vidasâ€?, foi o vencedor da 2Âş edição do festival de curta-metragens Cine Cosmo – Mostra Audiovisual Hardy Kowalesky, em CosmĂłpolis, na RegiĂŁo Metropolitana de Campinas (RMC). O evento ocorreu nos dias 17, 18 e 19 de outubro. O curta foi produzido como projeto experimental, dirigido pela recĂŠm-formada Fernanda Ferreira e realizado pelo LabIS. O filme tem direção de fotografia de Marco Doretto, edição de JoĂŁo Solimeo, ambos funcionĂĄrios da PUC-Campinas. Os curtas precisavam ter no mĂĄximo 25 minutos de duração e ter sido produzidos entre 2011 e 2013. Unicamp discute informĂĄtica e educação A Unicamp vai sediar o Congresso Brasileiro de InformĂĄtica da Educação (CBIE), nos dias 25 a 29 de novembro. O tema ĂŠ “InformĂĄtica na Educação: da pesquisa Ă  açãoâ€?. A Unicamp realiza, na mesma data, tambĂŠm o encontro do 24Âş SimpĂłsio Brasileiro de InformĂĄtica na Educação (SBIE) e o 19Âş Workshop de InformĂĄtica na Escola (WIE). Para outras informaçþes: www.nied.unicamp.br/cbie2013. SAIBA + Jornal laboratĂłrio produzido por alunos da )DFXOGDGH GH -RUQDOLVPR GD 38&&DPSLnas. Centro de Comunicação e Linguagem (CLC): Diretor: RogĂŠrio Bazi; Diretora-AdMXQWD 0DXUD 3DGXOD 'LUHWRU GD )DFXOGDGH Lindolfo Alexandre de Souza. 7LUDJHPPLO,PSUHVVmR*UiÂżFD= 3URIHVVRU UHVSRQViYHO )DELDQR 2UPDQH]H (Mtb 48.375). Editora: Priscila JordĂŁo Diagramadores: Ana Paula Menezes e $TXLOHV)DULQKD

CARTA AO LEITOR Esta edição do Saiba+ destaca a reportagem sobre personagens que nĂŁo representam o que a Ăşltima pesquisa do IDHM revela. Com um Ă­ndice relativamente alto, Campinas tem em suas ruas pessoas que estĂŁo longe de se ver representadas aos nĂşmeros indicados em relação Ă educação, longevidade e renda per capita. Na editoria de saĂşde, a recĂŠm-chegada mĂŠdica cubana Tania Sosa revela como foi a receptividade dos brasileiros, o motivo que a levou a participar do Programa Mais mĂŠdicos e como funcionam os atendimentos. Ela trabalha em Pedreira, na RegiĂŁo Metropolitana de Campinas (RMC), mas jĂĄ fez parte de vĂĄrias missĂľes humanitĂĄrias, entre elas, no Haiti e na Venezuela. (VWDHGLomRWUD]FRPRSHUÂżODKLVWyULDGRSURIHVVRUGD)DFXOGDGHGH/HWUDVGD38& Campinas Carlos de Aquino Pereira, que completou 50 anos de atuação na universidade. Em uma entrevista, a ativista Cibele Baginski retrata sua luta para a retomada do antigo partido polĂ­tico Arena, que, na ĂŠpoca do governo militar, era situação. O Saiba+ encerra essa edição com a sĂŠrie “Campinas 240 anosâ€?, que relembra a trajetĂłria da rĂŠplica da caravela da Lagoa do Taquaral e conta quais os planos futuros de sua restauração. Boa Leitura! ARTIGO

Como ĂŠ grande o nosso amor PRISCILA JORDĂƒO ESTUDANTE DE JORNALISMO

E

m quase trĂŞs anos de faculdade, posso dizer que se hĂĄ uma classe com a qual aprendi a lidar foi a dos “antijornalistasâ€?. AsVLPGHÂżQRDVSHVVRDVTXH tĂŞm praticamente aversĂŁo a nĂłs que escolhemos esse FDPLQKR FRPR SURÂżVVmR 6HMD QR Wi[L QD ÂżOD GR banco, em qualquer lugar; - VocĂŞ faz faculdade de quĂŞ?â€? Com alegria, tenho orgulho de responder, como quem tem certeza de que fez a escolha certa na vida: - Jornalismo. A consequĂŞncia quase que, em 90% das vezes, ĂŠ um longo interminĂĄvel silĂŞncio, seguido por (em tom de lamentação e piedade): - Tem que fazer o que gosta, nĂŠ? - dizem os “antijornalistasâ€?, tentando ser simpĂĄtico, embora nĂŁo conseguindo. Todas essas manifestaçþes acontecem em decorrĂŞncia da queda do diploma como exigĂŞncia para R H[HUFtFLR GD SURÂżVVmR ocorrida em 2009, que se resume a uma simples pergunta: - Jornalista tem diploma? Sim. Aqueles que cumpriram o curso tĂŞm. O fato de nĂŁo ser obrigatĂłrio nĂŁo VLJQLÂżFD D DXVrQFLD GR FHUWLÂżFDGRSDUDTXHPIUHquentou a faculdade por quatro anos. A falta de reconhecimento perante a carreira ĂŠ algo que me choca. O jornalismo me transformou de menina para mulher e jĂĄ foi responsĂĄvel por grandes conquistas para toda a sociedade, em diversos momentos da histĂłria. Para mim, chega a ser XPD GDV SURÂżVV}HV PDLV humanas que existem,

quase que uma prova de amor diĂĄria. Lidamos com pessoas o tempo todo, nos emocionamos com uma fonte, choramos quando a pauta cai, mas somente nĂłs sabemos o orgulho de contribuir para a sociedade com a informação, com nossas investigaçþes, denĂşncias, serviços. Dessa forma, o Jornalismo, assim como todas DV SURÂżVV}HV PHUHFH UHVpeito sobre a escolha feita independente de qual seja. NĂŁo hĂĄ nada mais prazeroso em fazer aquilo que se ama, talvez seja a Ăşnica forma de atingir a felicidade plena dentro do camSRSURÂżVVLRQDO Costumo dizer que foi o Jornalismo que me escolheu. A escolha nĂŁo tem a ver com status, com hereditariedade, com dinheiro, com o exemplo de alguĂŠm prĂłximo na famĂ­lia. Vem de dentro, da vontade de somar e se destacar. Meus pais, que poderiam ser os mais preocupados nesse sentido, nunca me criticaram pela escolha. Provavelmente, o Jornalismo serĂĄ o grande amor da minha vida, daqueles que, por mais que a gente brigue, chore, tenha “vontade de matarâ€? de vez em quando, nĂŁo sabe viver sem e nĂŁo hĂĄ nada pra comparar para poder explicar como ĂŠ grande o nosso amor. Em suma, quando encho meu peito de orgulho para dizer que faço Jornalismo, ĂŠ porque sei da competĂŞncia que tenho SHUDQWH D SURÂżVVmR TXH escolhi. e da importância dela para a sociedade, percebam os “antijornalistasâ€?ou nĂŁo. Serei jornalista por inteira, assim como um mĂŠdico, engenheiro ou advogado, nem mais nem menos e sim igual.


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PĂĄgina 3 SAĂšDE

MĂŠdica cubana atua em Pedreira Contratada no Mais MĂŠdicos, Tania Sosa jĂĄ atuou em missĂľes humanitĂĄrias no Haiti e Venezuela Thiago Marquezin

“Viemos para o Brasil nĂŁo para tomar o lugar dos mĂŠdicos locais e sim somar para oferecer uma saĂşde de qualidade aos brasileirosâ€?. Essa frase ĂŠ da mĂŠdica Tania Aguiar Sosa, mĂŠdica cubana vinda para o Brasil pelo programa “Mais MĂŠdicosâ€? do Governo Federal. Tânia, graduada pela Universidade de Cienfuegos, possui um currĂ­culo extenso na ĂĄrea da medicina, com 21 DQRV GH SURÂżVVmR QD ĂĄrea de clĂ­nica geral. É especialista em saĂşde da famĂ­lia e mestre em medicina fĂ­sica e reabilitação. O Brasil ĂŠ o terceiro paĂ­s estrangeiro em que a mĂŠdica cubana jĂĄ desempenhou seu trabalho, jĂĄ que participou de missĂľes humanitĂĄrias na Venezuela e Haiti. Hoje ela atua na cidade de Pedreira, na RegiĂŁo Metropolitana de Campinas (RMC), no Posto de SaĂşde da FamĂ­lia “Benedito Cândido da Silvaâ€?, localizado no Jardim Andrade, onde faz cerca de 30 atendimentos diĂĄrios. Apesar de estar contente com a nova experiĂŞncia, Tania sente a falta de sua famĂ­lia, do PDULGRHGDÂżOKDGH DQRV TXH ÂżFDUDP HP Aguada de Pasajeros, cidade da provĂ­ncia de Cienfuegos, em Cuba. “Essa foi a primeira vez que vim ao exterior e minha famĂ­lia nĂŁo me acompanhou. EstĂĄ sendo difĂ­cil, mas ĂŠ por uma causa nobreâ€?, destaca. Brasileiros Diferentemente dos colegas cubanos repreendidos por mĂŠdicos brasileiros nos aeropor-

VĂĄgner dos Santos - PMP

tos durante a chegada ao por atĂŠ trĂŞs anos, prazo paĂ­s, Tania conta que foi sujeito Ă prorrogação. muito bem recebida por O salĂĄrio dos mĂŠdicos onde passou atĂŠ chegar integrantes do prograa Pedreira. “Nunca pen- ma “Mais MĂŠdicosâ€? ĂŠ sei que a imprensa e a de R$ 10 mil por mĂŞs. sociedade se mobiliza- Entretanto, os cubanos, riam pela minha chega- mesmo no Brasil, estĂŁo da atĂŠ a cidade e estou submetidos Ă  lei trabamuito contente de de- lhista de seu paĂ­s de orisempenhar meu traba- gem. Para que ocorra o OKRQR%UDVLO´DÂżUPD pagamento, o salĂĄrio ĂŠ No entanto, Tania repassado primeiramensabe que, em geral, a te ao governo de Cuba recepção dos colegas por intermĂŠdio da Orestrangeiros nĂŁo foi a ganização Pan-Amerimesma para todos. “Os cana da SaĂşde (Opas) e, mĂŠdicos do Brasil tĂŞm somente apĂłs o trâmite, um conceito errado ele chega para os prodos cubanos, pois nĂŁo ÂżVVLRQDLV FXEDQRV  Âł2 conhecem como nĂłs Mais MĂŠdicos veio para somos e, se trabalhar- aumentar a qualidade mos juntos, vĂŁo poder e a assistĂŞncia de saĂş- Tania Aguiar e enfermeira Tamara Campos FRQÂżUPDU TXH VRPRV de oferecidas hoje para Programa iguais.â€? Para a mĂŠdica, Mais MĂŠdicos AtĂŠ o monĂŁo hĂĄ diferen“Viemos para o Brasil nĂŁo mento, segundo oD VLJQLÂżFDWLYD para tomar o lugar dos O programa Mais MĂŠela, a relação no segmento da mĂŠdicos locais e sim somar dicos foi instituĂ­do por com os paciensaĂşde brasileiro e para oferecer uma saĂşde de uma Medida ProvisĂłria tes e com os cubano, possuinqualidade aos brasileirosâ€? mĂŠdicos de Pedo estruturas ne- assinada pela presidente dreira tem sido cessĂĄrias para que Dilma Rousseff e reguboa. “Trabalho se consiga desem- lamentado por portaria em um posto de saĂşde a população do Brasil. penhar um trabalho de conjunta dos ministĂŠrios da SaĂşde e da Educação na cidade com um mĂŠ- Estarei todo tempo em qualidade. (MEC). dico local, que me tra- que o Brasil necessitar Faz parte de açþes WD FRP UHVSHLWR DÂżQDO de minha ajuda para sal- LĂ­ngua de melhoria do atendiviajei atĂŠ o Brasil para var vidasâ€?, destaca. A lĂ­ngua, segundo a fazer um bom trabalho O processo de sele- mĂŠdica, nĂŁo estĂĄ sendo mento aos usuĂĄrios do para quem precisa da ção dos mĂŠdicos por um empecilho para se Sistema Ăšnico de SaĂşde minha ajuda. NĂŁo hĂĄ parte de Cuba, segundo comunicar com os nati- (SUS), com objetivo de porque nos tratar dife- a mĂŠdica, era por expe- vos brasileiros, ao con- acelerar os investimenrentes por sermos es- riĂŞncia. “NĂłs fomos se- trĂĄrio do que muitos crĂ­- tos em infraestrutura nos trangeiros, pois temos o lecionados como traba- ticos ao Mais MĂŠdicos hospitais e unidades de saĂşde, alĂŠm de ampliar o mesmo papel na socie- lhadores de saĂşde, tendo diziam que ocorreria. dadeâ€?, destaca. TXHWHUPDLVGHDQRV “O espanhol e o por- nĂşmero de mĂŠdicos nas A mĂŠdica diz que faz de formação em medici- tuguĂŞs sĂŁo lĂ­nguas pa- regiĂľes carentes do paĂ­s, um trabalho com agen- na generalista para estar recidas e nĂŁo tenho di- como os municĂ­pios do tes comunitĂĄrios visi- aptos a desempenhar o ÂżFXOGDGH GH HQWHQGHU R interior e as periferias tando os moradores em trabalho no Brasil.â€? que estĂŁo falando ou o das grandes cidades. A iniciativa prevĂŞ a suas residĂŞncias. “As que eu falo. Os pacienexpansĂŁo do nĂşmero de pessoas estĂŁo muito Cuba x Brasil tes me entendem, nĂŁo vagas de Medicina em contentes com a minha Segundo dados di- gerando qualquer tipo vinda e me recebem vulgados pela Secreta- se dĂşvidaâ€?, comenta. cursos superiores e de sempre muito bem em ria Municipal de SaĂşde Mesmo assim, Tania faz residĂŞncia, o aprimorasuas casasâ€?, comenta de Pedreira, o Posto de aulas de portuguĂŞs com mento da formação mĂŠTânia. SaĂşde da FamĂ­lia (PSF) uma professora parti- dica no Brasil e a chamaonde a cubana trabalha cular de Pedreira. Por da imediata de mĂŠdicos, Mais MĂŠdicos atende trĂŞs bairros, alĂŠm enquanto, jĂĄ tenta se estrangeiros ou brasi 2V SURÂżVVLRQDLV HV da zona rural da cidade, expressar com, pelo me- leiros, para municĂ­pios trangeiros tĂŞm o direito somando mais de 4,8 nos, algumas palavras GHÂżFLWiULRV H SDUD iUHDV indĂ­genas. de atuar em nosso paĂ­s mil pessoas cadastradas. em portuguĂŞs.


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dos mais variados estilos, partindo de mĂşsicas religiosas, atĂŠ as paradas, semSUH LQVWUXPHQWDLV Âł0LQKD mĂşsica ĂŠ diferenciada por ser no teclado e ĂŠ consideUDGD FKLTXH 3RU LVVR PHX S~EOLFR QmR p WmR JUDQGH´ 2 SUHFRQFHLWR WDPEpP ĂŠ considerado um grande SUREOHPD SDUD D FDUUHLUD “Infelizmente, eu acredito que, por eu ser cadeirante, ninguĂŠm quis investir QD PLQKD FDUUHLUD +RMH a mĂ­dia vende a imagem, D SULRULGDGH p D LPDJHP´ Cirsinho disse acreditar que, se nĂŁo fosse cadeirante, certamente estaria QD PtGLD ID]HQGR VXFHVVR Mesmo enfrentando diÂżFXOGDGHVSHVVRDLVRTXHR chateia, na verdade, ĂŠ a condição em que o paĂ­s se enFRQWUDDWXDOPHQWHÂł$VD~GH e a educação desse paĂ­s sĂŁo os alvos da corrupção e, por LVVR HVWmR PXLWR UXLQV´ $ acessibilidade ĂŠ outro ponto PXLWR FULWLFDGR Âł7RGR GLD HX YHMR D GLÂżFXOGDGH TXH RV FDGHLUDQWHV SDVVDP 2V Ă´nibus sĂŁo ruins, os elevadores pra cadeirantes nĂŁo funcionam, os motoristas VmR GHVSUHSDUDGRV e UHDOPHQWH XPD WULVWH]D (VVH ,'+0 p XPD HQJDQDomR´

Campinas Ê a 28ª cidade do Brasil no ranking do �ndice de Desenvolvimento Humano dos Municípios (IDHM), em relação a 5565 municípios do Brasil. Com o índice de 0,805, Ê considerada um local com nível muito alto de desenvolvimento humano. O IDHM leva em consideração a longevidade, a renda e o nível de educação. O índice varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, mais alto Ê o desenvolvimento humano. No quesito longevidade, Ê levada em conta a esperança de vida ao nascer e reflete a queda de fecundidade e mortalidade infantil. No que diz respeito à educação, a escolaridade da população adulta e o fluxo escolar da população jovem (desistências e evasþes) são analisadas. Jå o terceiro quesito representa a renda per capita mensal do município. De acordo com o Atlas Brasil 2013, o objetivo do índice Ê auxiliar a gestão pública, a criação de políticas públicas e, dessa forma, fortalecer o município. Os dados do IDHM são inicialmente os do censo, para depois de analisados se tornarem os índices de desenvolvimento humano dos municípios.

O que ĂŠ o IDHM?

$PRYLPHQWDGD5XD de maio também nos reserYDDKLVWyULDGH&DUORV%HQHGLWRGHDQRV1DWXUDO GH 6mR -RDTXLP GD %DUUD 63 6HX%HQHGLWRFRPR pede para ser chamado, começou a trabalhar aos 7 anos de idade, numa fazenGDRQGHSDVVRXDLQIkQFLD 1D DGROHVFrQFLD SDUD DMXGDUDIDPtOLDWUDEDOKRX FRPR ERLDIULD $RV  anos, ainda na roça, passou por um dos momentos PDLVGLItFHLV³0HOHPEUR PXLWR EHP (UD MXOKR GH HVWiYDPRVYROWDQGR de um dia de trabalho e sofremos um acidente feio na HVWUDGD 3HUGL PHX SULPR no acidente e tive minha SHUQD GLUHLWD DPSXWDGD´ Sentado em frente a XPD JUDQGH ORMD D URWLQD GH 6HX %HQHGLWR VH UHVXme a tomar o ônibus perto GHVXDFDVDQD9LOD,QGXVtrial, e se dirigir ao Centro GDFLGDGHeDOLTXHWRGRV os dias tenta garantir o complemento de sua renGDDDSRVHQWDGRULD³,QIHlizmente, a vida nunca foi IiFLO+RMHRVDOiULRPtQLmo é maior, mas, mesmo assim, não posso depenGHU Vy GHOH´ 3DL GH QRYH

¿OKRV 6HX %HQHGLWR DWXDOmente mora com dois deles HDHVSRVD(OHGL]TXHREHnefício do governo o força DLUSDUDDVUXDV³6RXPXLto responsåvel pelos meus ¿OKRV PH SUHRFXSR FRP eles, e aqui eu posso comSOHPHQWDU PLQKD UHQGD´ Durante toda a conversa, R VHPEODQWH GH 6HX %HQHdito só se fechou quando foi indagado a respeito da pesquisa sobre o IDHM, que diz que a situação tem PHOKRUDGR ³0HOKRURX SUD quem? Sofro na pele os problemas do sistema de VD~GH 3RGH DWp HVWDU PHlhor, mas para a maioria das pessoas, a saúde, e a educaomRQmRVmRGHTXDOLGDGH (P &DPSLQDV GHVGH  6HX %HQHGLWR PRVWUD VHU XPD SHVVRD IHOL] ³&DPpinas Ê uma cidade muito ERD$TXL WLYH D RSRUWXQLGDGH GH FULDU PHXV ¿OKRV H VRX PXLWR IHOL] DTXL´ 2 olhar sereno e sua felicidade contagiam quem passa SHOR ORFDO 9iULDV SHVVRDV passam, cumprimentam H SX[DP FRQYHUVD ³(X YHMR R DPRU TXH DV SHVsoas têm por mim, minha família, as pessoas que YrP FRQYHUVDU FRPLJR´

ELE NĂƒO É 0,731 DE EDUCAĂ‡ĂƒO “Eu me arrependi de ter DÂżUPD 6DQWDQD 0RUDGRU GR TXHPQmRWHP´GL]RMRYHP parado de estudar, mas acha- Jardim IcaraĂ­, regiĂŁo Sul da 2 TXH DJUDYD D VXD VLWXva que nĂŁo estava valendo cidade, ele diz que sua situa- DomR p R ÂżOKR TXH WHP SDUD nada, nĂŁo estava aprendendo ção ĂŠ muito semelhante a de FULDU DRV  DQRV :HOOLQJQDGD (QWmR IXL SURFXUDU R vĂĄrios colegas e vizinhos que ton se tornou pai e, por causa TXH ID]HU´ :HOOLQJWRQ 6DQ- tambĂŠm deixaram os estudos de um acidente de trânsito, WDQDDQRVDEDQGRQRXRV H IRUDP SDUD R FULPH 2 MR- D PmH GH VHX ÂżOKR PRUUHX estudos quando estava no vem vĂŞ todos os dias crian- Por isso, ele tem que criar a VH[WRDQRGR(QVLQR)XQGD- ças e adolescentes que “de- FULDQoDFRPDMXGDDSHQDVGD mental e, desde entĂŁo, nunca veriam estar indo na escola, mĂŁe que, segundo ele, tamYROWRX D HVWXGDU$VVLP HOH PDVHVWiOiQDERFDGRIXPR´ EpP ÂłQmR WHP FRPR DMXGDU nĂŁo faz parte do percentual Wellington trabalha para PXLWRD VLWXDomR p GLÂżFLO´ de 67,71% da população com XPD ORMD GH IRWRJUDÂżD QD pois ĂŠ faxineira e recebe 18 anos ou mais que con- $YHQLGD )UDQFLVFR *OLFpULR DSHQDV XP VDOiULR PtQLPR FOXLX R (QVLQR )XQGDPHQ- oferecendo os serviços para 3DUD R MRYHP VHP HVWXta na regiĂŁo de Campinas, aqueles que passam em fren- dos, as pretensĂľes do futuro VHJXQGR RV GDGRV RÂżFLDLV WH DR HVWDEHOHFLPHQWR 3DUD nĂŁo sĂŁo muitas, porĂŠm, ele 2 H[SUHVLGLiULR HQFRQ- ele, o salĂĄrio que recebe nĂŁo ressalta que, apĂłs trĂŞs anos trou no crime uma maneira p VXÂżFLHQWH PDV DV SRVVLEL- preso, sua mentalidade muGH RFXSDU VHX WHPSR Âł(X lidades de encontrar outro GRX Âł1mR TXHUR PDLV LVVR saĂ­ da escola e passei a par- emprego sĂŁo muito peque- SDUDDPLQKDYLGD$QWHVIXL ticipar de pequenos assaltos QDVÂł6HPHVWXGRVYRFrQmR SHODV LGHLDV GH XQV DPLJRV H GR WUiÂżFR GH GURJDV SDUD DUUXPD QDGD -i HVWi GLItFLO $JRUDYRXEDWDOKDUSDUDSRpoder arrumar uma granaâ€?, pra quem tem, imagina para GHUFULDUPHXÂżOKR´DÂżUPD

Rua 13 de Maio em Campinas: o principal centro de compras da cidade reĂşne todas as camadas sociais, inclusive aqueles que sĂŁo “excluĂ­dosâ€? dos Ă­ndices

ELA NĂƒO É 0,860 DE LONGEVIDADE Glaucia da Silva tem da sexualmente por seu DSUHHQGLGDVSHORMXL]DGRGH mĂŁos e pĂŠs apreensivos, pai adotivo, pessoa que, PHQRUHV Mi TXH DOJXQV YLque nĂŁo param de se me- na verdade, escolheu nĂŁo zinhos a denunciaram, alexer por um segundo, ros- VH UHIHULU GHVVD PDQHLUD gando que viviam em mĂĄs $PXOKHUTXHKRMHWHP FRQGLo}HV H DSDQKDYDP to envelhecido e olhar GHVFRQÂżDGR$EDQGRQDGD 38 anos, fugiu de casa as$WXDOPHQWH*ODXFLDQmR logo que nasceu, ela viveu sim que pĂ´de e a vida na ĂŠ representada pelos nĂşmeseis anos em um orfanato, rua, “era ainda mais difĂ­- URV QHP GR ,'+0 Mi TXH lugar que, embora “tenha cil do que na casa daquela segundo diz, nĂŁo possui muito a agradecerâ€?, ela JHQWH´$RVDQRVWHYH UHQGD GH 5  Ppprefere nĂŁo buscar muitas VHX SULPHLUR ÂżOKR $OH[ dia que consta no IDHM de recordaçþes na memĂł- “o mais comportado e Campinas, ĂŠ analfabeta, faz ULD )RL DGRWDGD H R TXH trabalhadorâ€? e, agora, parte das 10,72% de mĂŁes parecia ser um momen- Mi p PmH GH  FULDQoDV chefes de famĂ­lia sem funEla explica que nunca damental completo e com to de renovação transIRUPRXVH HP SHVDGHOR WHYH FRQGLo}HV ÂżQDQFHL- ÂżOKRVPHQRUHVGHDQRVH $ GRQD GH FDVD SUH- UDV GH FULDU VHXV ÂżOKRV ainda diz que espera “viver fere dizer pouca coisa Por isso, cinco deles nĂŁo PDLVGRTXHDQRV0LQKD com palavras, mas, ob- PRUDP PDLV FRP HOD YLGD p PXLWR GXUD´ DÂżUPD servando seu olhar, po- Âł)XL GRDQGR SDUD TXHP $OpPGLVVRDLQGDGHDFRUGR de-se perceber a triste- TXLVHVVH (X QmR SRGLD com o IDHM, o nĂşmero de za que sente ao lembrar FXLGDU GHOHV PHVPR´ ÂżOKRVSRUPXOKHUQR%UDVLO desse momento de sua $OpPGLVVRGXDVGHVXDV ĂŠ de 1,6, Glaucia tem dez, de YLGD *ODXFLD IRL DEXVD- crianças tambĂŠm foram FLQFR SDUFHLURV GLIHUHQWHV

lateral da Catedral Metropolitana de Campinas Ê o palco de Cirsinho Guerreiro, nome artístico de &LOVR(YDULVWR)RUWXQDWRGH DQRV1DWXUDOGH/RQGULna (PR), Cirsinho diz que, HPERUD VHMD GLItFLO VREUHviver da música sem apoio, não se arrepende de ter deixado a faculdade de DiUHLWR SRLV ID] R TXH JRVWD $XWRGLGDWD R SULPHLro contato com a música foi aos 8 anos, quando gaQKRX XPD JDLWD 0DV IRL aos 20, quando ganhou seu primeiro teclado, que Cilso decidiu que era da música TXH LULD YLYHU ,QFHQWLYDGR SHORV DPLJRV GHL[RX /RQdrina em busca de públiFR SDUD VHX WUDEDOKR ³1D pSRFD VDt GH /RQGULQD H fui conhecendo outras cidades para mostrar meu trabalho, atÊ que descobri &DPSLQDV H DTXL HVWRX´ Diariamente, Cirsinho, TXH FRQWD FRP  DMXGDQtes, leva seu teclado, uma caixa de som e uma mesa para pôr os CDs gravados GHPRGRDPDGRU³9LYHUGD música sem apoio Ê difícil, faço o que eu posso e assim YRX YLYHQGR´ 2V &'V VmR YHQGLGRV D 5  6mR divididos por coletâneas

ELE NĂƒO É O 0,829 DA RENDA

Com população de 1.144.862, não faltam em Campinas personagens que destoam dos números revelados pelo �ndice de Desenvolvimentro Humano Municipal

ELE NĂƒO É 77,69% DE TRABALHADORES FORMAIS

Beatriz Assaf e Victor Donato

Eles nĂŁo sĂŁo o que o IDHM diz

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Beatriz Assaf


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PERFIL

50 anos do mestre das Letras Professor da PUC, Carlos de Aquino inspirou geraçþes de profissionais a seguir suas paixþes Rodrigo Rabelo

Rodrigo Rabelo

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usitano naturalizado brasileiro, Carlos de Aquino Pereira fez de sua vida um clĂĄssico, tornando-se um mestre respeitado e admirado por geraçþes de alunos. Junto a comemoração de seus 82 DQRV VXD ELRJUDÂżD JDQKD mais um importante capĂ­tulo. Em 2013, ele completa 50 anos como professor da Faculdade de Letras da PontifĂ­cia Universidade CatĂłlica de Campinas (PUC-Campinas). A KLVWyULD GD LQVWLWXLomR VH confunde com a trajetĂłria de Aquino, tanto proÂżVVLRQDO TXDQGR SHVVRDO Vivendo no interior de SĂŁo Paulo desde os 6 anos, quando veio de Portugal com a famĂ­lia, Carlos de Aquino logo descobriu sua paixĂŁo pelo mundo das letras e, desde cedo, Mi WLQKD QRomR GRV UXPRV SURÂżVVLRQDLV TXH VHJXLria. Para Aquino, “um dos modos de ser feliz na vida H XP GRV FDPLQKRV PDLV FHUWR p WUDEDOKDU QDTXLOR de que se gosta. Ai vocĂŞ WUDEDOKD FRP SDL[mR´ Foi essa paixĂŁo que o impulsionou em sua carreira como educador, camiQKR GHFLGLGR DRV  DQRV e do qual nĂŁo se arrepende. Âł6HHXSUHFLVDVVHHVFROKHU de novo, eu tornaria a fa]HU/HWUDV´DÂżUPD$TXLQR Ingressando na sexta turma de Letras ClĂĄssicas QD )DFXOGDGH GH )LORVRÂżD CiĂŞncias e Letras de Cam-

Professor Carlos de Aquino Pereira, em sua sala no CLC, da PUC-Campinas, onde hoje atua na årea de pesquisas e avaliaçþes

pinas (FCL), que viria a se tornar a PUC Campinas anos mais tarde. A universidade, aos poucos, tornou-se sua segunda casa. Ainda como estudante, era HVFROKLGR FRP UHJXODULGDde para representar a classe ou a faculdade em eventos. A jornalista Talita Alves

Capa do livro conta a histĂłria do professor Carlos Aquino

Matias, autora do livro-reportagem “O Professor das /(75$6´ HODERUDGR em 2010 como projeto de conclusĂŁo de curso, cita como exemplo uma comemoração ocorrida no dia 19 de Novembro de 1950, o Dia da Bandeira, quando o ainda estudante foi escoOKLGR SDUD ID]HU XPD VDXdação ĂĄ bandeira atravĂŠs de um discurso em latim. Iniciando sua vida proÂżVVLRQDO HP  QR &RlĂŠgio Liceu Salesiano, Aquino logo demostrou HQWXVLDVPR SHOD SURÂżVVmR e, nos anos seguintes, passou a acumular cadeiras de disciplinas em outros colĂŠgios de Campinas, como o Ateneu e o Diocesano Santa Maria, atual colĂŠgio Pio XII, o qual Aquino ajudou a criar em 1959. Foi a criação do Pio XII que o impulsionou de volta para a PUC, 11 anos depois de se formar, retornando para a instituição que, cada vez mais, se entrelaçava com a sua vida, inclusive no âmbito SHVVRDO WHQGR FRQKHFLGR VXD PXOKHU 1RUPD 3LUHV

então professora de Pedagogia, pelos corredores do Påtio do Leão, no Centro, RQGH KRMH VmR PLQLVWUDdas as aulas de Direito. Como professor universitårio, responsåvel pelas disciplinas Teoria da Literatura e Literatura Brasileira, Aquino jå se consoliGDYDFRPRXPSUR¿VVLRQDO dedicado e motivado em despertar em seus alunos o gosto pelas letras e pela SUR¿VVmR 'H  SDUD cå, 50 turmas passaram por suas carteiras, tanto na condição de professor quando na de membro ativo do corpo acadêmico da PUC Campinas, sendo vice-reitor entre 1997 a 2001 e diretor da faculdade de Letras por 17 anos, deixando o cargo em 2010 para se juntar à Equipe de Estudo H $FRPSDQKDPHQWR 3HGDgógico (EEAP) do Centro de Linguagem e Comunicação (CLC). Nessa equipe, Aquino dedica-se, especialmente, entre outras atividades, ås anålises de pesquisas de avaliação de ensino, desencadeadas, semestralmente, no CLC.

Aquino se destaca pelo campus da universidade, onde pontualmente ele marca presença todos os dias, desejando um bom dia a todos que Yr QR FDPLQKR HQWUH R estacionamento dos professores e seu gabinete, o único do campus que não possui computadores ou outras tecnologias que parecem imprescindíveis para as geraçþes nascidas nos anos 80 e 90, mas não para Aquino, que nunca se viu limitado tecnologicamente. Ele possui uma conta de e-mail, lida e impressa com o apoio de membros da secretaria do CLC que, alÊm disso, tambÊm digitam os manuscritos do mestre quando necessårio. Aquino tambÊm teve um importante papel diplomåtico nos anos 90, como interlocutor da questão timorense nas universidades da AmÊrica Latina, onde se defendia o direito do povo de Timor Leste em decidir seu futuro, atravÊs de plesbicito coordenado pela ONU.


GHRXWXEURGH

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POLITICA

A velha direita de cara nova Divulgação

A gaĂşcha Cibele Baginski pretende refundar a Arena, partido da Ditadura, pois defende a necessidade de um “conservadorismo PDLVEHPGHÂżQLGR´ Paulo Iazzetti

E

m um Brasil recheado de coligaçþes, apartidarismos e uma quantidaGHLQÂżQGiYHOGHVLJODVTXH SRXFRUHQRYDPDSROtWLFD XPD MRYHP HVWXGDQWH GH Direito busca dar fĂ´lego a uma legenda que parecia ter sido apagada eternamente do cenĂĄrio. Com 24 anos, Cibele Baginski acredita que “nĂŁo hĂĄ partidos de direita no Brasilâ€?, HYHPGHVGHHQFDEHoDQGRXPPRYLPHQWRSDUD refundar a Aliança de ReQRYDomR 1DFLRQDO $UHQD  R SDUWLGR SROtWLFR GH situação na Ditadura MiliWDU   A moradora de Caxias do 6XO 56 WHPFRPRSULQFLSDLV REMHWLYRV ÂłUHOHPEUDU DOJXQV YDORUHV HVTXHFLGRV´GRSDQRUDPDSROtWLFR e “o resgate de uma identidade mais nacionalista e FRQVHUYDGRUD´ Sobre as manifestaçþes desse ano e o levante polĂ­tico que isso pode simbolizar para o jovem brasileiro daqui pra frente, vocĂŞ acredita que esse ativismo vai perdurar? Pode se dizer que o Brasil estĂĄ em um estado de consciĂŞncia polĂ­tica mais acentuado? (VSHURTXHRDWLYLVPRH SDUWLFLSDomR GR SRYR SHUdure, porque ĂŠ essencial que se demonstre ao goYHUQRDYRQWDGHSRSXODUD ÂżPGHHTXLOLEUDURVLVWHPD SROtWLFR1RWDVHFRPHYLdĂŞncia que isso foi importante para mexer com as estruturas e causar grande UHĂ€H[mR QR TXH SRGHPRV FKDPDU GH D ÂłFODVVH SROtticaâ€? do Brasil. Creio que, em decorrĂŞncia destes reVXOWDGRV LQLFLDLV R SRYR tenha percebido que ĂŠ efeWLYDDVXDDWLWXGH 'HFHUWDIRUPDRQtYHO GHFRQVFLrQFLDSROtWLFDQmR

mudou muito. O brasileiro sempre soube da sua situação, mas assoberbaram-se o acĂşmulo de demandas necessĂĄrias Ă sociedade de WDO IRUPD TXH R QtYHO GH FRQVFLrQFLD SROtWLFD HOHYRXVH D XP SDWDPDU GH DomR SROtWLFD H DV SHVVRas foram Ă s ruas. Quando R SRYR WRPD XPD DWLWXGH SROtWLFD LVVR FRQGX] D XPD HYROXomR H p QRWiYHO que, a partir disso, as pessoas passaram a dar mais atenção aos acontecimenWRV TXH DQWHV SDVVDYDP EDWLGRV VHQGR DEVRUYLGRV apenas no subconsciente do nosso cotidiano como DV ÂłQRWtFLDV QR IXQGR GD telaâ€? ou na nota de rodapĂŠ do jornal. Daqui pra frenWH WHQKR SRU SHUVSHFWLYD TXH D FRQVFLrQFLD SROtWLFD GR EUDVLOHLUR WHQGH D HYR- A estudante gaĂşcha Cibele Baginski que busca refundar a Arena: conservadorismo luir mais ainda. nhando ao mĂĄximo para ocorrer se possuirmos ca- proporçþes, exista sim o Sobre a nova emprei- ID]HU YDOHU D GHPRFUDFLD rĂĄter nacional, ou seja, OREE\SROtWLFRQR%UDVLOD tada polĂ­tica da Marina QR%UDVLOHPXGDURYHOKR SHOR PHQRV  PLO YR- FRLVDFKHJDDQtYHLVLQGHSilva, o partido “Rede paradigma de que somente WRV HP  RX PDLV HVWDGRV FHQWHV jV YH]HV QRV EDVsustentabilidadeâ€?, de- os super- ricos ou famosos GRSDtVHQÂżP&ODURTXH tidores, e fora deles tamsanima saber o quanto FRQVHJXHPID]HUXPSDUWL- isso ĂŠ precedente para ou- bĂŠm. AlĂŠm desse empecilho WUDVVLJODVPDVGXYLGRTXH D VLJOD WHYH GLÂżFXOGD- do. VHMD YDQWDJHP SDUD FDVRV GDSUHVVmRSROtWLFDRXORdes para ser legitimada, É possĂ­vel dizer que FRPR R GD 0DULQD 6LOYD EE\ H[LVWHQWH RXWUDV GLÂżmesmo com uma presenMiYHUHPRVFDQGLGDWRVÂż- VHULD XPD FDPSDQKD GLIt- culdades grotescas para a ça tĂŁo forte? consolidação do partido 1mRTXHGHVDQLPHSRU- liados ao partido no ano cil. QRSDtVVmRRVFXVWRVRSHTXHDIRUoDGHYRQWDGHGH que vem? De todo empenho coloQuais as principais racionais, a distância geotodos na Aliança e a dedicação que temos sĂŁo mo- cado no pedido de registro GLÂżFXOGDGHV GH IXQGDU JUiÂżFD TXH QR PRPHQWR WLYRV VXÂżFLHQWHV SDUD UH- H WRGD D RUJDQL]DomR SDU- uma sigla e a legitimar atual, pelo menos para as cobrarmos sempre nossas tidĂĄria, estamos sim nos no cenĂĄrio polĂ­tico nacio- JHUDo}HVPDLVMRYHQVWHP forças e nos mantermos SUHSDUDQGR SDUD  H nal? VocĂŞ diria que exis- VLGRGLPLQXtGDFRPRDXengajados, mas ĂŠ algo que esperamos ter ĂŞxito nessa te algum tipo de “lobbyâ€? mento no acesso a meios para registrar partidos como a internet e outros QRV ID] UHĂ€HWLU H DWp SUH- empreitada. Claro que entendemos que tenham plataformas eletrĂ´nicos, a burocracia, ocupa, considerando que estamos em um regime TXH UD]}HV SROtWLFDV SR- menos “bem relaciona- TXHFUHLRVHUDPDLRUYLOm porque, francamente, ĂŠ didito como democrĂĄtico. dem ameaçar nosso direito dasâ€? em BrasĂ­lia? &RP FHUWH]D H[LVWH ItFLO SUD XP FLGDGmR PH9HU WDPDQKD GLÂżFXOGDGH DR H[HUFtFLR SOHQR GHVVHV na criação de um parti- direitos inerentes Ă  de- XPDJUDQGHSUHVVmRSROtWL- diano entender que raios GR R TXH GHYHULD VHU HP mocracia, mas contamos ca no interesse de manter sĂŁo necessĂĄrios para simWHVH SRVVtYHO H SODXVtYHO que o TSE como tribunal o oligopĂłlio jĂĄ existente SOHVPHQWH YHU DWHQGLGR R a qualquer cidadĂŁo, como isento e defensor dos pre- no quadro nacional parti- que ĂŠ seu direito fundadireito fundamental, ĂŠ de ceitos constitucionais e da GiULR 1mR GHYHPRV DFUH- mental... É, sem tirar nem pĂ´r, o se pensar muito mesmo... Justiça, faça o mais corre- ditar em contos de fadas. O Brasil precisa ama- que um de nossos deputa6HXPDSUHVLGHQFLiYHOTXH to perante nosso pedido de chegou a ser senadora e UHJLVWUR H SURYH DR %UDVLO durecer muito ainda para dos disse em um momento ministra de estado, que TXHpRYHUGDGHLURWULEXQDO se tornar realmente repre- DQWHV GH HX YROWDU DR 5LR VHQWDWLYRHWHUHVSDoRSDUD *UDQGHGR6XOÂłYRFrVHVWHPXPDSRUWHGHÂżQDQFLD- da democracia. Claro que nosso pedido R SRYR QD SROtWLFD &UHLR WmR ID]HQGR XP PLODJUH PHQWR UHVSHLWiYHO H XPD estrutura boa condiciona- p DOJR LQRYDGRU FRPR Mi TXH SRGHPRV LQFHQWLYDU SĂł de chegar atĂŠ onde cheda por todos esses elemen- VHQRWDGHQRWtFLDDWpPHV- LVVR e XP GHYHU HOHPHQ- garam, sem especialistas tos citados, enfrenta esse PRGR76(6HDSURYDGR WDUGRVSDUWLGRVLQFHQWLYD- HP 'LUHLWR ÂżQDQFLDPHQto pesado ou pessoas intipo de problema, entĂŁo teremos um ĂĄrduo cami- rem a cidadania. Creio que essa seja uma Ă€XHQWHV GHVGH R LQtFLR QR que dirĂĄ o cidadĂŁo comum. QKR SHOD IUHQWH HP  (PQHQKXPSDtVGHPR- sem coligaçþes, fundo IXQomR GD PtGLD WDPEpP projeto. Isso ĂŠ inĂŠdito.â€? FUiWLFR GR PXQGR VH Yr partidĂĄrio, direito de tem- eXPSDSHOHVVHQFLDOOHYDU Realmente, consideranuma situação tĂŁo esdrĂşxula po de TV e rĂĄdio e nosso as informaçþes pertinentes GR D GLÂżFXOGDGH GXYLGR SDUDRH[HUFtFLRGDFLGDGD- funcionamento parlamen- Ă s pessoas de forma pro- que muitas pessoas teriam nia quanto no Brasil. Por WDU SRVVtYHLV FDQGLGDWRV ÂżVVLRQDO H LVHQWD (PERUD persistĂŞncia para trilhar isso, estamos nos empe- eleitos) somente poderia HPWRGRVRVSDtVHVDVXDV esse caminho.


28 de outubro de 2013

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CAMPINAS RUMO AOS 240 ANOS

&DUDYHODGHYH¿FDUSURQWDVyHP Reforma da nau, cartão-postal da cidade, foi retomada neste ano, após vårias interrupçþes

Vinicius Falavigna

Um dos principais símbolos de Campinas, a rÊplica da Caravela Anunciação, que trouxe Pedro à lvares Cabral ao Brasil, que desde 1972 pode ser vista na Lagoa do Taquaral, estå em processo de revitalização desde março deste ano, depois de tentativas frustradas de reforma. Pelo menos 45% da parte estrutural da nau foi substituída. Assim que for concluída, a primeira etapa, em janeiro, ela serå colocada fora da lagoa, encaixada em um deque, RQGHGHYHSHUPDQHFHUGH¿nitivamente. A caravela estå desativada desde 2008, quando entornou. De lå para cå, jå foram vårias tentativas de reforma, a mais recente iniciada em março. Mesmo assim, Campinas vai completar 240 anos sem um de seus principais símbolos: a previsão para o tÊrmino da restauração Ê somente para PDUoR GH $ LGHLD ¿nal do projeto Ê de que haja um museu naval dentro da &DUDYHODXWLOL]DGRSDUD¿QV 5RGULJR5DEHOR



didĂĄticos, que reforce a importância como ponto turĂ­stico da cidade. O orçamento gira em torno de R$ 1 milhĂŁo. O arquiteto Nelson Ribeiro Machado, responsĂĄvel pela restauração, diz que uma das principais preocupaçþes do projeto de restauro pÂłUHSUHVHQWiODÂżHOPHQWHH esse ĂŠ um trabalho longo e criteriosoâ€?. De acordo com o arquiteto, estĂĄ sendo fechado um convĂŞnio com a Marinha Nacional, com o Governo Federal, alĂŠm da Prefeitura de Campinas, para que nĂŁo seja apenas um restauro da Caravela. A esperança ĂŠ de que ela volte a ser um ponto turĂ­stico. “Queremos trazer a rotina de um barco da ĂŠpoca, do inĂ­cio do sĂŠculo XVI. Estamos fazendo um levantamento histĂłrico e isso demanda trabalho, jĂĄ que tem pouca publicação sobre isso. Nossa ideia ĂŠ transformar a Caravela em um ponto turĂ­stico novamenteâ€?, conta. Com a criação de um museu dentro da nau, ĂŠ esperada a realização de um trabalho educacional, para que crianças e estudantes visitem a embarcação e HQWHQGDP R VLJQLÂżFDGR GH

cada peça e objeto contido no barco, que contarĂĄ com observatĂłrios, trazendo informação aos visitantes. A ideia ĂŠ de que os instrumentos de navegação utilizados para auxiliar nas viagens pelas embarcaçþes GD pSRFD VHMDP ÂżHOPHQWH reproduzidos com a ajuda e a parceira de artesĂŁos da Marinha Nacional. AlĂŠm disso, projetos culturais estĂŁo em pauta, como atividades teatrais. “Essas sĂŁo apenas ideias. Elas devem ser desenvolvidas mais prĂłximas do prazo da entrega do projetoâ€?, explica Machado. 6LWXDomRDWXDO Mesmo apĂłs sete meses da retomada da reforma, a situação da Caravela indica que ainda hĂĄ muito a fazer. Nota-se que boa parte das madeiras da embarcação estĂŁo bastante deterioradas e parecem podres. Algumas estĂŁo pintadas e dĂŁo a impressĂŁo de que sĂŁo novas. Dentro da nau, os compartimentos tambĂŠm estĂŁo desgastados. No local, alguns homens estavam trabalhando no corte das madeiras em uma carpintaria montada ao lado da Caravela. Na parte de fora, visitantes caminham ao lado da Caravela e, alguns, olham

5RGULJR5DEHOR



com descrĂŠdito para a restauração da nau. É o caso de JosĂŠ Ezequiel Pereira, de 74 anos, que nĂŁo acredita que a reforma serĂĄ completada. “HĂĄ anos eles dizem que vĂŁo reformar, mas começam e depois nĂŁo terminam. Eu ando por aqui sempre, e parece que nunca tem progresso. Espero que reformem, mas nĂŁo sei nĂŁoâ€?, questiona. Para FĂĄtima Uvinha, de 50 anos, funcionĂĄria que trabalha hĂĄ 19 anos em uma lanchonete em frente ao Parque, o que fazem com a embarcação ĂŠ um descaso. Ela lembra o tempo em que a Caravela recebia muitos turistas. “A gente sempre via vĂĄrias pessoas indo conhecer a Caravela, tirar fotos. Mas, com o tempo, ninguĂŠm cuidou e jĂĄ faz um bom tempo que estĂĄ assim, toda feia e descuidada. É uma penaâ€?, lamenta. O serviço de restauro da nau vai utilizar cerca de 300 pranchas de garapeira, 300 pranchas de castanheira, 600 quilos de pregos navais, mil parafusos e 400 hastes roscĂĄveis, entre outros itens. Segundo Machado, pelo menos dez carpinteiros estĂŁo trabalhando na restauração da Caravela. Vinicius Falavigna



A rĂŠplica da caravela jĂĄ passou por vĂĄrias fases; nos Ăşltimosanos, passou de cartĂŁo-postal a sucessĂŁo de problemas

+LVWyULD Em 1972, o Museu da Marinha Nacional, no Rio de Janeiro, enviou documentos e plantas da nau Anunciação original, para que a rÊplica fosse concebida. Com o passar dos anos, ela passou por diversas moGL¿FDo}HV H UHIRUPDV 1R início, girava 360 graus no centro da lagoa e era a principal atração do Parque. Havia em seu interior um museu naval aberto para visitação. A embarcação tem 29,65 metros de extensão por 8,64 metros de altura e pesa cerca de 75 toneladas. Ao todo, são cinco andares, contando o porão. Ela possui três velas triangulares. A primeira mede 26 metros, tem 13,5 metros de esteira com uma årea de 130 metros quadrados. A vela do meio tem 80 metros quadrados e a vela mezena (colocada no mastro) tem uma årea de 55 metros quadrados. Abandonada, sem manutenção, a embarcação acabou afundando em março de 2008, após fortes chuvas. Em setembro de 2008, a embarcação foi retirada da ågua, porÊm, a reforma só foi iniciada em agosto de 2011, com a promessa de que estaria concluída em um ano. Nessa mesma Êpoca, houve uma interrupção nas reformas graças à crise política que atingiu Campinas, resultando na cassação do mandato de dois prefeitos. Depois disso, engenheiros H RXWURV SUR¿VVLRQDLV GHLxaram o projeto e as obras foram paralisadas. Um ano mais tarde, houve um roubo das madeiras que estavam guardadas e seriam usadas para o restauro. Uma carga de 144 pranchas, compradas por R$ 44 mil, desapareceu. A Prefeitura constatou o sumiço apenas em fevereiro de 2012, quando o processo de restauração da nau foi reaberto. Na Êpoca, uma sindicância foi instaurada para averiguar o caso. Funcionårios e responsåveis foram ouvidos, porÊm, o paradeiro das madeiras nunca foi descoberto.

Saiba+ - Edição Outubro/Novembro de 2013  
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