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Desde 2006

Junho de 2017

Foto: Márcio Claver

Zanotti: pesquisador discute Fake News na Internet Pág. 10

Faculdade de Jornalismo - PUC Campinas

Maio Violento: assaltos a ônibus crescem no mês De acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros da Região Metropolitana de Campinas (Setcamp), os crimes ocorridos em ônibus chegam a 15 na primeira quinzena de maio, o que

corresponde a 25% dos casos do ano. Apesar de 95% dos coletivos terem câmeras de segurança, a prática vêm aumentando desde que o dinheiro voltou a ser aceito no ano passado. Na comparação com

2014 e 2015, o crescimento foi de 202% em comparação. A Emdec informa que está procurando novos métodos, como o caso do WR Code, além do bilhete único. A Guarda Municipal disse que faz

um patrulhameto preventivo em Campinas, principalmente em terminais e locais onde acontecem mais roubos, como os bairros mais periféricos da cidade, além do acesso ao Aeroporto Internacional de Viracopos. Pág.3

Volta a funcionar canal de denúncias por maus-tratos contra animais em Vinhedo Fotos: Giovanna Rossini

A maioria das denúncias tem relação com o acorrentamento ou a falta de espaço para o animal; em casos extremos, ele pode ser retirado de seu dono Pág. 05

Denúncias relacionadas a terceirização têm queda de 21% Pág. 07

Adultos entre 18 e 25 anos puxam a fila de novos endividados Pág. 06

Aumenta em 210% o número de empresas desenvolvedoras de jogos digitais Pág. 11


Opinião

2 RÁPIDAS

Foto: Letícia Baptista

Número de passageiros de ônibus é o pior em 10 anos

Alta tarifa faz com que campineiros abandonem transporte público

O número de passageiros no transporte público de Campinas (SP) registrou recorde negativo e teve o pior índice em dez anos. De acordo com dados da Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano do município (Transurc), durante o mês de abril, 6,2 milhões de pessoas pagaram tarifa nos coletivos da cidade, o que equi-

vale ao pior valor desde quando a empresa começou a fazer o balanço. De acordo com a Transurc, a razão para a diminuição é a crise econômica. Com menos dinheiro, os passageiros optam por pagar as contas essenciais e param de andar de ônibus, já que a tarifa de Campinas é a segunda mais cara do Brasil, com valor unitário de R$ 4,50.

CPFL recebe obras do MAM de São Paulo Até o dia 2 de julho, a Galeria de Arte do Instituto CPFL recebe 70 obras de 53 artistas brasileiros de grande relevância, como Alfredo Volpi e Tarsila do Amaral. “Paisagem na coleção do MAM - Museu de Arte Moderna de São Paulo” tem entrada gratuita e traz parte do acervo do museu paulistano, com obras que abrangem dife-

rentes olhares e explora estado afetivo de cada um dos cenários retratados. A exposição pode ser visitada às segunda e terças, das 9h às 18h, e às quartas, quintas e sextas, das 9h às 19h. Aos sábados, as visitas ocorrem das 14h às 20h. O Instituto fica na Rua Jorge de Figueiredo Corrêa, 1632, Chácara Primavera, em Campinas.

Campanha do Agasalho termina em junho Com o tema "Toda roupa tem história: doe conquista, doe alegria, doe empenho", a Campanha do Agasalho 2017, em Campinas (SP), segue até 30 de junho e conta com 100 postos de doações de vestuários no município. Os moradores que tiverem material a ser doado, mas não puderem se deslocar aos postos,

podem agendar a retirada pelo Disque Agasalho da Sanasa, nos números (19) 3735-5770 ou 3735-5771. Além disso, a Secretaria de Segurança Pública colocou as viaturas da Guarda Municipal como postos de arrecadação. Dessa forma, a população pode fazer a contribuição em qualquer viatura.

Expediente Jornal laboratório produzido por alunos da Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas. Centro de Comunicação e Linguagem (CLC) Diretor: Rogério Bazi; Diretora-Adjunta: Cláudia de Cillo; Diretor da Faculdade: Lindolfo Alexandre de Souza. Professor responsável: Fabiano Ormaneze (Mtb 48.375) Edição: Beatriz Bermudes e Rodrigo Sales Diagramação: Amanda Pitta e Melina Marques

Junho de 2017 CARTA AO LEITOR

Beatriz Bermudes Rodrigo Sales editores

A última edição do semestre, o Saiba + traz um alerta para os jovens. O número de inadimplentes que têm entre 18 e 25 anos aumentou desde o último ano. Cerca de 9,4 milhões de jovens têm algum tipo de conta em atraso. Mas por que isso acontece? Segundo especialistas, é uma combinação de consumismo compulsivo com a necessidade de identificação com outros jovens. Em tempos nos quais o bem-estar animal é tão visado, trazemos informações sobre o canal de denúncia da cidade de Vinhedo, que foi reativado este ano após dois anos desligado. Tem ex-

plicações sobre como as denúncias funcionam em Campinas também, então não deixe de ler. E se você é da região de Barão Geraldo, temos uma reportagem especial sobre segurança. Mesmo após a implementação de novas câmeras de monitoramento, o número de roubos de veículos o distrito aumentou. Para o secretário municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública, Luiz Augusto Baggio, ainda vai demorar algum tempo até que os casos de roubo diminuam. E como sempre, precisamos falar sobre tecnologia. Jovens escritores investem cada vez mais o Facebook para divulgação e poesias. Para Julia Ribeiro, dona da fanpage Versinhos e Outras Idiotices, é mais fácil conseguir reconhecimento através da rede social.

CRÔNICA

Leticia Baptista

Disciplina ou caos? A gente acorda querendo fazer tudo certinho. Levantar de primeira quando o despertador toca às 6h, sem nos rendermos aos cinco minutinhos, que acabam virando meia hora. Queremos tomar um banho, preparar um café, caminhar um pouco e se vestir para os compromissos, de primeira, sem pestanejar. Pedimos constantemente para nosso cérebro nos deixar trabalhar ou estudar 100% focados, sem desviar os olhos para as redes sociais. Queremos dormir com uma bandeirinha de dever cumprido na cabeceira da cama, sem problemas para lidar e poder fechar os olhos por pelo menos sete horas seguidas. São apenas duas alternativas: disciplina ou caos. Fazer tudo milimetricamente na linha é deixar que a vida nos dê algumas porções de privação. Controlar-se diante das milhares de tentações que nos dão cócegas na nuca e seguirmos quadradinhos nas tarefas é um desafio de gigantes. Acredito de que deve estar aí a recompensa para chegar ao paraíso: andar pelo traço reto e frear em cada suspirar de rebeldia. Merecem longas palmas aqueles que não se deixaram levar e não se lambuzaram em excessos. São elas que

equilibram a bagunça na balança do mundo, e ainda bem que elas existem. Entretanto, diga-me qual a graça de não mergulhar nas perdições de vez em quando. Mostre-me algo mais prazeroso do que um amigo oferecer-lhe um pedaço de bolo bem na segunda-feira em que você resolveu seguir a dieta. Santo amigo. Apresente-me delícia maior do que deixar a caminhada de lado e dormir mais cinco, dez, 15 minutinhos naquele dia de chuva. Obrigada, São Pedro. Achava que era coisa minha, gostava de ser do contra. E com o passar dos anos percebi que a disciplina também tem seus prós. Seguir as regras do jogo pode ser divertido. Receber elogios por um trabalho feito no prazo, ser recompensado pela honestidade, pelo cumprimento das ordens. Tudo isso pode ser tão saboroso quanto se libertar ao caos. É delicioso dormir com a consciência limpa e as obrigações em dia. Mas deslizar pelas perdições é preciso para seguir em frente. Então vamos manter a lógica: enlouquecer e depois voltar ao eixo consciente de que é melhor andar na linha para seguir a salvo e, vez ou outra, escorregar para o lado de fora e conseguir suportar a linha.


Polícia

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Cresce o número de roubos em Barão Geraldo Mesmo com novas câmeras de monitoramento, no primeiro trimestre do ano, 37 veículos foram furtados

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esmo com as novas câmeras que foram instaladas nas entradas do distrito de Barão Geraldo e do campus da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), os roubos de veículos continuam crescendo. Entre março e abril deste ano, o aumento foi de 280%, subindo de cinco para 19 casos. Ao todo, no primeiro trimestre, foram registrados 37 roubos de carros. A estudante de química da Unicamp Taís Moreira de Oliveira teve o carro roubado no dia 13 de abril, quando estava estacionando em frente à casa da amiga na Rua José Duarte, em Barão Geraldo. “Eu tinha acabado de chegar à frente da casa da minha amiga para fazermos um projeto do nosso curso, quando dois rapazes chegaram de moto e pararam do lado do meu carro. Um deles desceu, já tirou uma faca do bolso do moletom e me mandou sair do carro. Eles levaram minha bolsa com minha carteira e meu carro. Só consegui ficar com meu celular”.

Ela chamou a amiga e ligou para a Guarda Municipal, mas foi orientada a registrar boletim de ocorrência no plantão policial do 4° Distrito Policial. “Pensei que eles iriam perguntar a placa ou algumas características do meu carro, para ver no sistema de câmeras ou tentar encontrá-lo, mas só falaram para eu procurar a delegacia de plantão mais próxima e registrar a queixa de roubo”. A Central Integrada de Monitoramento de Campinas (CIMCamp) passou a contar com imagens de câmeras instaladas na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), como resultado de um convênio firmado entre a Prefeitura Municipal de Campinas e a Universidade. Os novos pontos foram instalados nas guaritas para tentar ampliar o controle sobre a segurança do Distrito de Barão Geraldo e o tráfego no campus, e passaram a funcionar em março desse ano. Para o secretário municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública, Luiz Augusto Baggio, a diminuição do nú-

Foto: Fernanda Perez

Fernanda Carvalho

Mais câmeras são esperadas para conseguir diminuir a ação dos criminosos na cidade

mero de roubos em virtude do aumento da vigilância deve ser notado nos próximos meses. “Precisa ainda de alguns meses de adaptação do sistema e das equipes envolvidas”. Ainda de acordo com ele, nos próximos meses, mais pontos de controle serão instalados nas ruas do distrito. Só pela Unicamp, circulam uma média diária de 50 mil veículos, segundo estimativas do professor Orlando Fontes Lima Ju-

nior, da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp. Com o novo sistema de vigilância e a parceria com o CIMCamp, a fiscalização eletrônica é capaz de informar, a partir de um banco de dados regional, se o veículo registrado pelo sistema é produto ou participou de um crime, por exemplo, ou se há alguma pendência legal para a apreensão. Com a identificação positiva, um alarme é dispa-

rado e o deslocamento do veículo suspeito passa a ser seguido pelas câmeras da CIMCamp e equipes da Guarda Municipal vão até o local para realizar a abordagem e verificação. Com a parceria, um protocolo de ações também foi firmado entre a Guarda Municipal e o serviço de segurança da Unicamp, prevendo como deve ser a abordagem em casos suspeitos que indiquem o alerta na CIMCamp.

Maio registra 15 assaltos a ônibus na primeira quinzena Valor corresponde a cerca de 25% dos casos do ano de 2017; desde a volta do pagamento em dinheiro, números dobraram

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s assaltos a ônibus em Campinas voltaram a assustar a população que necessita do transporte público. De acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros da Região Metropolitana de Campinas (Setcamp), já foram registrados cerca de 60 casos neste ano. O mês de maio foi o mais grave: 15 registros, apenas na primeira quinzena. Segundo o Setcamp, esses crimes costumam ocorrer após às 21h, nos bairros mais periféricos da cidade, como a região dos Dics, Jardim Itatinga, Vila União, Jardim Columbia, Jardim Santa Lúcia, Jardim do Trevo, Jardim Novo Campos Elísios e Vila Aeroporto. Outro ponto em alerta fica às margens da Rodovia Santos Dumont (SP075), no acesso ao Aeroporto Internacional de Viracopos. O estudante Matheus Gonçalves, de 20 anos, é

uma das vítimas de um assalto que ocorreu no dia 4 de maio, em um ponto do DIC. “Eu estava voltando da faculdade quando dois homens entraram armados no ônibus com uma faca de cozinha. Eles renderam o motorista, levaram dinheiro e os celulares de quem estava no coletivo. Foi bem assustador”, conta. Após o ocorrido, Gonçalves precisou mudar o hábito. Agora ele desembolsa cerca de R$ 150 a mais por mês para pagar uma van. “Eu não tenho mais coragem. Prefiro pagar mais caro, mas chegar em casa bem e seguro”, diz. Ele também desabafa: “Isso me revolta, porque pessoas estão lutando para conseguir suas coisas, estão voltando do trabalho e da faculdade, e, de repente, se veem entre a vida e a morte e sem seus pertences que tanto lutaram para conquistar”. O 9º Distrito Policial está investigando o caso em que o

Foto: Primella Leite

Primella Leite

Linha que passa pelo aeroporto está entre as que têm maior incidência de crimes em Campinas

estudante foi vítima, além de outros inquéritos em relação ao mesmo tipo de crime. Além disso, outras delegacias da cidade estão trabalhando na investigação de casos a partir das informações passadas pelas empresas. A Guarda Municipal disse que faz um patrulhamento preventivo em Campinas, principalmente em terminais e locais onde acontecem mais roubos.

O Setcamp também mostra que 95% dos coletivos da cidade têm câmera de segurança, mas mesmo assim os criminosos continuam na prática. Bilhete único Segundo a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), entre 2014 e 2015, o pagamento das passagens com dinheiro foi interrompido nos coletivos e os casos de

assalto caíram, chegando a 92 por ano. No entanto, no ano passado, quando o dinheiro voltou a ser aceito, os assaltos totalizaram 278, uma alta de 202%. Em nota, a empresa informou que está avaliando novas tecnologias para pagamento da tarifa de ônibus, como o caso de WR Code, além dos cartões Bilhete Único para substituir dinheiro.


Violência

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Homicídio de jovens chega ao menor percentual Especialista em segurança não vê queda como algo positivo; liberdade entre gangues é um dos motivos O número de homicídios dolosos – quando há a intenção de matar – com vítimas de 25 a 29 anos, no interior de São Paulo, contabilizados no primeiro trimestre deste ano, foi o menor registrado pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) desde 2014, quando o órgão passou a realizar um estudo detalhado sobre o perfil desse tipo de crime. Em 2014, os jovens entre 25 e 29 anos pertenciam à faixa etária com o maior número de incidências desse tipo de crime. Na época, 15,4% dos casos estavam relacionados a pessoas dessa idade. No ano de 2015, a taxa começou a cair, quando 13,9% dos casos estiveram relacionados à idade de 25 a 29 anos. Em 2016, novamente foi registrada uma diminuição no percentual e, pela primeira vez, os jovens dessa idade não tiveram a maior incidência das ocorrências. Foram 13,5% dos casos relacionados à faixa etária. Em 2017, após uma nova queda, os jovens de 25 a 29 anos passaram a registrar 10,4% das ocorrências de homicídios dolosos (veja quadro). Contudo, o especialista em segurança pública Ruyrillo Pedro Magalhães explica que a diminuição não foi ocasionada por algo positivo. “O tráfico está praticamente à vontade. O Governo do Estado de São Paulo permite os traficantes fazerem o que querem. Por isso não há mais brigas entre gangues, o que provocou uma diminuição no número de execuções”, afirma. O especialista também atribui a outro fator a redução dos homicídios dolosos entre os jovens. “Outro motivo são as boas ações executadas pontualmente pelas forças policiais, principalmente a Polícia Civil em suas investigações, capazes de contribuir para a solução e diminuição de várias ocorrências.” O especialista acredita

que seria interessante que essa queda acontecesse por meio de políticas públicas mais adequadas. “É preciso começar pela educação, desde as escolas de educação básica, com melhores salários aos professores e locais mais limpos e adequados para o estudo”, diz. Segundo Ruyrillo, apenas um grupo específico acaba saindo prejudicado por esse cenário. “Os jovens da periferia são os que acabam sofrendo mais com essa situação, pois, por falta de perspectivas, acabam entrando para o tráfico.” Lucas Silva, 26 anos, é trabalhador autônomo e mora em bairro periférico de Vinhedo. Ele diz que,

“Os jovens da periferia são os que acabam sofrendo mais com essa situação, pois, por falta de perspectivas, acabam entrando para o tráfico” há alguns anos, certos locais, próximos a onde ele mora, passavam uma sensação de perigo, mas isso não acontece mais. “Desde pequeno, ouço que muitos lugares são perigosos. Alguns pontos que frequento tinham essa fama e, por frequentá-los, eu estaria sujeito a diversos crimes, mas, nos últimos anos, percebo que isso está diferente e já não me sinto ameaçado”, afirma. O jovem cita que já viu um grande no número de traficantes e usuários de drogas, mas não se sente em perigo. “Atualmente há mais pessoas usando drogas, até mesmo pessoas que conheço. Na rua, já vi muitos usando ao ar livre, sem preocupação, coisa que eu via bem menos há alguns anos. Mas isso não me incomoda. Não vejo ameaça da parte do usuário, não oferece perigo a quem está ao redor”, completa.

Arte: Igor Batista

Igor Batista


Animais

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Denúncias de maus-tratos aumentam com o 156 Divulgação do número, criado para facilitar na luta contra o crime, provoca aumento gradativo desde sua implantação Fotos: Giovanna Rossini

Giovanna Rossini

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Departamento de Proteção e BemEstar Animal de Campinas (DPBEA), da Prefeitura, registra cerca de 200 denúncias de maus-tratos mensalmente por meio de seu disquedenúncia. O serviço existe há dois anos e, segundo o diretor do DPBEA, Paulo Anselmo, os números vêm crescendo gradativamente com a divulgação do número 156. Entre a demanda, são recebidos todos os tipos de denúncia, do qual grande volume está relacionado a situações de acorrentamento, falta de alimentação e espaço físico inadequado – de tamanho pequeno para o animal ou sem proteção contra intempéries. O processo de averiguação é feito pela equipe do Departamento e consiste na abordagem inicial e orientação do proprietário, definindo prazos para que garanta condições de vida saudável para o animal. Na insistência dos maus-tratos, ou em situações mais graves, como agressão física ao animal, a equipe obtém respaldo da autoridade policial e o proprietário é autuado de acordo com o Art. 32 da Lei Federal nº 9.605, de 12/02/1998. Dessa maneira, o município trata situações de maus-tratos, abuso ou mutilação como ato passível de pena, cabendo ao próprio DPBEA a responsabilidade de abrir um boletim de ocorrência e, consequentemente, os cuidados com todos os tramites jurídicos relacionados ao inquérito. Apesar de legal, o procedimento costuma ser demorado. “Muitos delegados não dão atenção a esse tipo de situação e a delegacia que costumava atender essa demanda foi fechada”, ressalta Anselmo. O diretor afirma ainda que, apenas em situações extremas, nas quais há risco de vida, o animal é removido diante de uma autorização judicial e acompanhamento da Guarda Municipal. “No momento, aguardamos a promulgação da Lei Mu-

Hoje, há cerca de 100 cães e 100 gatos sob cuidados do DPBEA à espera de adoção

nicipal que nos permitirá multar. Neste momento, na insistência, dos maus-tratos, a autoridade policial é acionada”, diz. O atendimento médico e a reabilitação do animal são feitos nas dependências do DPBEA. Atualmente, existem cerca de 100 cães e 100 gatos sob cuidados da equipe. Já Flávio Lamas, representante da Associação Amigos dos Animais de Campinas (AAAC), afirma que o volume de denúncias feito para a

ONG vem caindo, mas que isso não significa que os casos de maus-tratos na cidade diminuíram. “Pela falta efetiva de apuração e punição, as pessoas começam a desacreditar no sistema e não fazem denúncias. Muitas já sabem que não vão ter aonde recorrer além dos poucos canais oficiais”, relata. Segundo Lamas, a AAAC não dispõe de canal para registro dessas denúncias, já que este serviço cabe essencialmente ao poder público

– tanto à polícia quanto à Prefeitura. No entanto, os casos, que ainda chegam por meio de voluntários ou conhecidos, são encaminhados ao DPBEA. Vinhedo Além de Campinas, outra cidade da Região Metropolitana que oferece serviço de proteção aos animais é Vinhedo, que reativou o serviço de denúncia em 17 de abril, depois de cerca de dois anos fora de funcionamento. Em novo forma-

Muitas denúncias não são feitas por não acreditarem no sistema, segundo Flávio Lamas

to, as denúncias são agora registradas pelo e-mail bemestaranimal@vinhedo.sp.gov.br. O objetivo é ter um maior controle sobre o denunciante, de maneira a não apenas evitar denúncias infundadas, um dos maiores problemas enfrentados durante o primeiro funcionamento do serviço, via telefone. Segundo Túlio Delaqua, veterinário responsável pelas averiguações, o número de denúncias caiu cerca de 60% - atualmente, apenas uma mensagem é recebida por dia, em média. O procedimento de averiguação também compreende a conscientização e a definição de um prazo para que o proprietário solucione as questões relacionadas aos maus-tratos. Como em Campinas, a maioria das denúncias é relacionada ao acorrentamento ou à falta de espaço adequado para a qualidade de vida do animal. Caso as solicitações não sejam atendidas, o proprietário é multado. Até o momento, todas as situações foram solucionadas, mas Delaqua afirma que, em situações que oferecem risco de vida ao animal, ele é retirado de acordo com a autorização judicial e acompanhamento do Grupo de Ações Preventivas Ambientais (Gapa). Sob a guarda da Secretaria de Controle de Zoonoses (CZZ) de Vinhedo, uma das ONGs parceiras é acionada e o animal é encaminhado para tratamento veterinário e um lar temporário. A Prefeitura não arca com os gastos relacionados ao procedimento devido à inexistência do Departamento de Bem-Estar Animal da cidade. Alessandra Fontanesi, uma das voluntárias da ONG Sopravi, explica que a demanda de maus-tratos sempre existiu e aumenta. Ainda sem um abrigo municipal, ela explica que nenhum animal teve a necessidade de ser retirado do proprietário, mas que, como antes, cada ONG se torna responsável por recolher, cuidar e custear as vítimas de maus-tratos.


Economia

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9,4 milhões de jovens no Brasil são inadimplentes Segundo pesquisa feita pelo Serasa, pessoas de 18 a 25 anos são as que mais têm contas em atraso

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último levantamento realizado pelo Serasa aponta que 60 milhões de brasileiros estão inadimplentes, sendo que, aproximadamente 9,4 milhões são jovens entre 18 e 25 anos. De acordo com a pesquisa, esta foi a faixa etária que mais cresceu, passando de 15,5% em dezembro de 2015 para os 15,7% de março de 2016. Em dezembro, havia 8,9 milhões de jovens com contas em atraso. De acordo com o Economista e Professor de Finanças Eli Borochovicius, a necessidade de praticar hábitos de consumo de um grupo para se sentir parte dele é um dos fato-

Foto: Ana Clara Rampazzo

Ana Clara Rampazzo

rante meses, porque não posso garantir que esteja empregado até lá.” O mesmo não aconteceu com a estudante de arquitetura Bruna Marques, de 23 anos, que se endividou devido às facilidades de compra com o cartão de crédito. Hoje a estudante conta que administra todo dinheiro que recebe para não passar pelo mesmo problema de novo. “Eu lembro de cada parcela e a conta que não parava de crescer. Até que precisei fazer apenas os custos básicos por vários meses para conseguir pagar. Deixei de comprar roupas e sair com meus amigos, porque não tinha mais dinheiro”, relata. De acordo com o professor, a educação financeira é a arma mais eficaz

“Ser financeiramente educado (...) tem uma ligação direta com organização” res mais relevantes para o endividamento do jovem. “A compra por impulso e o consumismo exagerado são outros fatores que normalmente prejudicam a saúde financeira do jovem. Além da necessidade de pertencer a um grupo e praticar dos mesmos hábitos de consumo, mesmo que díspares com a sua situação financeira”, afirma. Enfrentando sua primeira crise econômica, o recém-formado em Engenharia de Telecomunicações, Rodrigo Benatti, de 24 anos, conseguiu um emprego logo após sair da faculdade. No entanto, o jovem afirma que ter uma vida financeira independente não foi uma tarefa fácil. “Eu fico vendo sites de compras na internet, coisas que eu gostaria muito de comprar, mas eu sempre preciso me conter”, conta. O jovem afirma ainda que nunca gostou de fazer compras parceladas, principalmente pela instabilidade do mercado. “Eu fico inseguro de saber que terei contas acumuladas du-

contra os principais fatores que contribuem com o grau de endividamento do jovem. “Ser financeiramente educado vai muito além de conhecer possibilidades de aumento de receitas e seus limites de gastos. Tem uma relação direta com organização, responsabilidade, autonomia e envolve também consciência ambiental e social”. Apesar dos baixos salários recebidos em estágios, Borochovicius afirma que a maioria dos jovens não possuem muitas despesas e, por isso, seria razoável que houvesse sobra de caixa para começar a pensar em um investimento a longo prazo. “Não é habitual que o jovem brasileiro pense em seu futuro financeiro, e não muito raro, torra o seu baixo salário em diversão, de forma inconsequente e irresponsável. É importante que haja equilíbrio entre receita, investimento e despesa, motivo pelo qual insisto na educação financeira sendo relevante na formação do jovem”.

Rodrigo Benatti evita fazer compras a prazo com medo de não conseguir pagar todas as parcelas

Cartão de crédito tem novas regras para pagamento mínimo As mudanças nas regras para o uso rotativo do cartão de crédito começaram a valer em abril deste ano. Os clientes terão restrições para fazer o pagamento mínimo da fatura e acessar o crédito rotativo. Diferente do que ocorria antes, quem opta por pagar o valor mínimo da fatura não poderá fazer essa opção por vários meses consecutivos. Esta restrição foi criada para coibir o uso do rotativo e obrigar os bancos a oferecer uma solução de parcelamento para

o cartão de credito com juros mais baratos. Segundo o professor, as mudanças têm como objetivo forçar o endividado a conhecer melhor as taxas de mercado e evitar que entre em uma dívida que o torne incapaz de pagar. Além disso, podem ajudar na organização das dívidas. “É possível que as novas regras permitam que o devedor conheça melhor suas dívidas e que tenhamos indicadores de inadimplência mais baixos, apontando para maior

responsabilidade do brasileiro com suas obrigações financeiras”. Além disso, o cartão de crédito pode ser um grande aliado, se usado corretamente, segundo Borochovicius. “O cartão de crédito é apenas uma ferramenta para a tomada de crédito no mercado e pode ser usado como um grande aliado, dado que nele é possível concentrar as despesas com pagamento futuro e ainda ser contemplado com descontos em parceiros e prêmios”.


Trabalho

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Diminuem processos movidos por terceirizados Segundo o MP, a queda é consequência do aumento no desemprego, não da regularização das empresas

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número de denúncias relacionadas à terceirização ilícita teve queda de 21% no último ano, de acordo com o Ministério Público do Trabalho de Campinas (MPT). Ainda assim, o salário dos terceirizados está, em média, 24,7% abaixo dos contratados diretamente, segundo pesquisa do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Em 2015, a quantidade de denúncias registrada sobre esse tema no MPT era de 267, enquanto em 2016 o número caiu para 211. O Ministério Público afirma que essa queda não está ligada à regularidade nas empresas, mas sim ao aumento do desemprego no Brasil. No Tribunal Regional do Trabalho da 15ª região (TRT-15), responsável pela cidade de Campinas, a situação é a mesma, mas com um

decréscimo reduzido. No total, foram 5.916 denúncias em 2015 e 5.683 em 2016, queda de 3,94%. Para o TRT15, essa diminuição também está relacionada ao fechamento de postos de trabalho. O Presidente Michel Temer sancionou, no dia 31 de março, o projeto que regulamenta a atividade terceirizada, aprovado na Câmara dos Deputados no dia 22 do mesmo mês, com objetivo de aumentar o número de emprego no País. Para Ricardo Russo, advogado especializado em direitos trabalhistas, a abertura de vagas de emprego não garante qualidade de trabalho. “Nesse tempo de crise, poderá haver sim um aumento de empregos, mas são precarizados. Com a escassez de emprego por conta da crise econômica, parecerá uma boa medida, mas apenas para contabilizar criação de postos de trabalho, exclusivamente”. Além do salário bai-

Condições de trabalho

Setores tipicamente contratantes

Setores tipicamente terceirizados

Diferença Terceirizados/ Contratante (%)

Remuneração média (R$)

2361,15

1776,78

-24,7

Jornada semanal contratada (horas)

40

43

7,5

Arte: Pedro Massari

Pedro Massari

Fonte: Dieese/CUT

xo, a pesquisa mostra outras condições de trabalho inferiores dos terceirizados, como tempo de trabalho e permanência no emprego. “Sabe-se que o empregado terceirizado terá menores salários e não gozará dos mesmos benefícios dos empregados diretos. E, se não fosse assim, não valeria à pena a terceirização, ou seja, a ela só é benéfica aos tomadores de serviços terceirizados, pois terá mão-de-obra barata à sua disposição”, explica Russo. “Isso ocorre para baratear os gastos com mão de obras da empresa tomadora e assim

ela conseguirá maiores lucros. A terceirização só se justifica por isso, pelo fato de a empresa tomadora ter a mão de obra que necessita para determinada atividade, com custos menores”, completa. Outro ponto que chama atenção na pesquisa é a alta rotatividade dos trabalhadores terceirizados: 64,4%, contra 33,6% daqueles contratados diretamente. Em média, a permanência no trabalho é de 5,8 anos para os trabalhadores diretos, enquanto para os terceiros é de 2,7 anos. Bruna Evaristo, estudante de Serviço

Social, prestou serviço durante 1 ano e 7 meses como atendente de telemarketing para uma empresa de telefonia. Ela conta que “os contratos são, na maioria, temporários, por demanda de serviço. Isso causa instabilidade no empregado, pois não foi mencionado que o contrato seria temporário”. Russo explica, no entanto, que “a rotatividade existe tendo em vista a própria condição desfavorável do terceirizado. Ele nunca está satisfeito com suas condições de trabalho e está em busca

Instagram é opção para quem busca renda extra Brasileiros investem em vendas na rede social como forma para complementar faturamento em meio à crise Amanda Pitta e você checou suas redes sociais recentemente, percebeu o aumento nos serviços e produtos ofertados por seus amigos. De chocolate à mão de obra, aquele talento extra está sendo comercializado. No Brasil, 12,3 milhões de pessoas, ou 12%, estão desempregadas. É a maior taxa de desemprego desde 2012, segundo a pesquisa nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnade Contínua) divulgada pelo IBGE no início deste ano. As perspectivas econômicas brasileiras também não são animadoras. Em 2016, segundo o IBGE, o PIB brasileiro recuou 3,6% em relação ao ano anterior e o consumo das famílias diminui 4,2%. Diante de tal cenário, é natural ficar inseguro e

S

buscar alternativas para completar a renda mensal. E, sendo o Brasil o país com a população que mais passa tempo nas redes sociais, 650 horas por mês, de acordo com a pesquisa Futuro Digital em Foco Brasil 2015, naturalmente a solução passaria por lá. Consultora para pequenas empresas do Sebrae, a ilustradora e designer Karina Lopes garante que para quem está começando, um perfil nas redes é imprescindível. “É a melhor coisa para ser visto, tem uma divulgação barata e de grande alcance”. No começo deste ano, Karina seguiu seu próprio conselho e criou uma fanpage para comercializar seus desenhos. O retorno foi melhor do que o esperado. O perfil do Instagram karinailustra já conta com mais de 2,5 mil seguidores e lhe ren-

de vendas para regiões do Norte ao Sul do País. O lucro dos desenhos ainda não permite que Karina os tenha como única e principal fonte de renda, mas ela está trabalhando para que, a partir do ano que vem, consiga. A história de Jessica Olivo, secretária em uma empresa de representações de produtos para motocicletas e motoqueiros, lembra a de Karina. Jessica começou a vender doces no fim de 2015, quando estava desempregada. Ela usa o Facebook e o Instagram como principais ferramentas de divulgação do seu produto e prospecção de clientes novos. Segundo ela, praticamente todas as vendas são provenientes das redes sociais e divulgação via WhatsApp. Hoje, trabalhando o dia todo, precisa recusar parte das vendas por falta de tem-

po, mas está fazendo um plano de negócios para ter os doces como única e principal fonte de renda. Gaby Consiglio começou a vender sopas congeladas em junho de 2015 e tem certeza de que as redes sociais e a propaganda boca a boca foram fundamentais para a divulgação de seus produtos. Hoje, a Essence - Nutrição em Casa, que começou online, é uma microempresa que possui loja física e emprega três funcionárias. Aspectos legais O professor do curso de Direito da PUC-Campinas Luis Maziero, atenta que, a partir do momento em que um sujeito faz das vendas uma atividade econômica, é necessária a criação de uma empresa e, consequentemente, a inscrição no CNPJ. Contanto,

pessoas que vendem algo excepcionalmente, mas que não sejam caracterizadas como ‘vendedores profissionais’, não necessitam desta constituição. E toda pessoa jurídica que realiza um negócio jurídico deve emitir nota fiscal, seja na venda de uma mercadoria, na prestação de um serviço, na compra ou venda de um bem que integre o ativo da empresa, entre outras operações que obrigam a emissão deste documento. No Código de Defesa do Consumidor não há diferenciação entre grandes e pequenas empresas, portanto, uma vez caracterizada a figura do fornecedor, serão devidas todas as garantias previstas na legislação, independentemente do tamanho do empreendimento.


Educação

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Procura por auxílio de coach cresce 30% no País Busca por mudanças na carreira e perda de peso estão entre os motivos para contratar profissional

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egundo dados da Federação Internacional de Coaching (ICF), o trabalho de coach no País aumentou em 30% entre os anos de 2015 e 2016. Esses profissionais são conhecidos por auxiliar as pessoas a conquistarem seus objetivos, sempre com algum conselho ou dica em qualquer área da vida. Alguns exemplos comuns são executivos que querem redirecionar suas carreiras, um sedentário buscando perder peso, um atleta tentando a medalha, ou, simplesmente, uma organização mais elaborada de um closet. Esses objetivos variados são trabalhados em sessões estruturadas que costumam durar de três a seis meses, diferente da psicanálise e da terapia tradicionais, em que o fim está em aberto. No coaching, é combinado com o cliente um prazo para atingir esses resultados. Em seguida, o profissional propõe metas e tarefas a serem cumpridas durante as semanas.

Giuliana Carnide, coach há cinco anos, realizou um curso na área e nem imaginava que poderia fazer disso a sua profissão, abrir seu próprio escritório. “Eu precisava de mais cursos para acrescentar no portfólio. Quando fiz o de coaching, notei muita diferença em mim. Então, resolvi investir como carreira para ajudar outras pessoas. Já realizei também trabalhos em escolas que surtiram um ótimo efeito e, hoje, os alunos são meus clientes”, conta. A profissional também explica que, para o coaching, não existe exatamente um público alvo, basta a pessoa estar buscando ajuda para mudar algo. “A maioria das pessoas que me procura, uma média de 80% a 90%, quer mudanças na carreira profissional ou de comportamento”, conta. Para que uma pessoa se torne coach profissional, é necessário que ela realize uma formação na área. Não há graduação específica que anteceda a formação. Atualmente, a profissão não é regulamentada em nenhuma parte do mundo, porém existem órgãos certificadores e reconhecedores como o Beha-

vioral Coaching Institute (BCI), o International Coaching Community (ICC) e a International Association of Coaching (IAC), todas de atuação internacional. A administradora Nathalia Detelli, de 27 anos, diz que, quando terminou a faculdade, estava perdida e, por isso, procurou as sessões de coaching para ter uma ideia sobre como seria seu próximo passo. “Com o coaching, eu percebi que era hora de fazer um intercâmbio e expandir meus horizontes. Voltei muito mais focada na minha carreira e até hoje quando sinto que algo pode me atrapalhar lembro tudo que aprendi no processo”, afirma. Embora o coaching auxilie algumas pessoas, outras afirmam que já foram em várias sessões e não conseguiram ter um resultado positivo. Como é o caso do publicitário Marcos Pola. “Já fui a várias palestras motivacionais que não me ajudaram a atingir as metas que eu estava procurando, além de serem um investimento que poderia ter evitado na época”, relata. Ele também tentou sessões

Foto: Natália Leme

Natália Leme

Formada em administração, Giuliana Carnide é coach há cinco anos

individuais “Não consegui terminar o pacote com dez sessões porque meu antigo emprego estava me tomando esse tempo. Atualmente, tenho um blog de moda masculina, que é uma paixão antiga, não penso em usar o coaching novamente para melhorar os negócios. De acordo com Giuliana, nos casos em que o processo não surta efeitos, em geral, a pessoa não se dedica adequadamente, tem resistência a mudanças e procura resultados muito rápidos, tentando acelerar etapas impor-

tantes. “Tudo depende da pessoa e não do coach”, diz. Quem estiver em busca de um profissional coach é preciso se certificar da formação, bem como nicho de atuação e pedir indicações do profissional. Também é possível ter uma conversa prévia, para que a pessoa se sinta segura para tal processo com determinado profissional. Uma sessão de coaching pode variar de $350 a $3,500, segundo a ICF, lembrando que a maioria dos profissionais fazem mais de um curso.

Ensino a distância atrai cada vez mais pessoas Pedagoga afirma que um ensino de qualidade pode ser realizado mesmo distante da sala de aula

Natália Leme

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ma pesquisa feita pela NZN Intelligence, empresa de gestão de sites, realizada neste ano, mostrou que 90% das pessoas entrevistadas fariam um curso online em algum momento da vida, sendo que 61% delas já realizaram alguma aula na web. Exemplificando a tendência das mídias sociais para resolver assuntos cotidianos, seja serviços bancários, agendamentos, compras, entre outros, a área da educação a distância também vem conquistando aderentes. Luiza Blanco tem 45 anos, fez magistério quando tinha 22, não exerceu a profissão por muito tempo e enxergou a educação a distância como oportunidade. “Eu sentia falta de estudar. Agora, estou cursando Serviço Social em uma faculdade a distância.

Assisto à maioria das aulas em casa. Com apenas um encontro presencial por semana, consigo facilmente conciliar com outros afazeres. Além do conhecimento adquirido, ainda pretendo trabalhar na área. ” A doutora em informática na educação e pedagoga Alexandra Lorandi Macedo explica sobre o método de aprendizagem. “Eu acredito que a aprendizagem não esteja relacionada com a modalidade. A distância ou ensino presencial não é o que define a qualidade da educação. O mercado de trabalho também já está se adaptando. Porém a organização do aluno é fundamental, ele deve se fazer presente de outras formas, reservar um tempo para escrever e enviar atividades. ” Alexandra compreende a grande procura por esse tipo de curso. “Cada vez mais temos presentes mais recursos e formas de comunicação e inserção da tecnologia no

nosso dia a dia. Muitas pessoas tinham dificuldade com a tecnologia como acessar uma plataforma ou enviar um Email e falta de conexão. Essas barreiras diminuíram significativamente. Não ter a necessidade de deslocamento, custo reduzido e certa flexibilidade são atrativos para muitos”, relata. De acordo com a pesquisa, o nível de educação mais popular entre os internautas que potencialmente fariam cursos pela internet foram os cursos livres: 58% das pessoas apontam essa preferência em uma pesquisa em que era possível marcar várias respostas. Na sequência, apareceram os cursos técnicos (47%), cursos profissionalizantes (44%) e cursos de Ensino Superior (41%). Victor Zamponi chegou à conclusão de que a educação a distância não era o que estava procurando. “Eu fiz por seis meses um curso de gestão ambiental completamen-

te online. Senti que fazia falta ir para aula todos os dias, tirar realmente as dúvidas com o professor, entender realmente o que está explicando. Pretendo fazer vestibular neste ano para cursar uma faculdade presencial e ver se me adapto melhor.” Antes de iniciar um curso a distância, o aluno precisa averiguar a qualidade do curso e se a instituição confere diploma reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC). Quanto ao professor, ele deve ser entendido como um mediador do processo de ensino-aprendizagem, mesmo estando separado espacialmente do aluno. Legislação A universidade, para oferecer cursos a distância, deve credenciar-se junto ao MEC, solicitando a autorização de funcionamento para cada curso que pretenda oferecer. O processo será analisado na Secretaria de Educação

Superior (Sesu) por especialistas na área do curso em questão e em Educação a Distância. Os cursos e programas deverão ser projetados com a mesma duração definida para os respectivos cursos na modalidade presencial. Por lei, o Ensino Médio e o técnico, além de qualquer curso de graduação e de pós-graduação, podem ser feitos a distância. Porém, segundo o MEC ainda não existem no Brasil ofertas para cursos de medicina, nem doutorados nesse sistema. Áreas cursadas Os cursos que mais despertam o interesse dos usuários brasileiros de internet são disparadamente os de idiomas (59%), seguidos pelas Engenharias (25%), Administração (22%) e Gestão (21%). Na pesquisa, os respondentes também podiam marcar mais que uma alternativa.


Leitura

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Escritores usam Facebook para divulgar poesias Com um alcance e retorno muito grande, redes sociais ajudam na rápida circulação de textos

Tawane Larini

Foto: Tawane Larini

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ue a internet é um excelente meio para propagar novas ideias já não é novidade, mas que tal utilizar esse meio para divulgar literatura? É o objetivo dessa nova geração de escritores que usam o Facebook para espalhar poesias autorais. Nino Andrade, de 25 anos, conta que começou a escrever aos 12 anos e que foi muito influenciado por poetas brasileiros como Carlos Drummond de Andrade. “Eu sempre gostei de poesia, mas nunca pensei que poderia ser considerado poeta. Lia os livros de Drummond, Fernando Pessoa e sabia que queria tocar as pessoas dessa forma”. Nino, dono da página Apaixonante, que possui 31.680 curtidas, conta que publica diariamente e que nem sempre os textos são de sua autoria. “Tenho outros amigos que escrevem. Então, acabo publicando alguns textos deles também”. Ele também explica que não imaginava que a página cresceria tanto. “Eu comecei escrevendo

Bruno é um dos exemplos de sucesso no Facebook, que levou ao lançamento de um livro

por diversão e o sucesso da página veio como consequência. É engraçado que, às vezes, me param na rua para falar que já leram meus textos e eu realmente não imaginava isso”. Julia Ribeiro, dona da fanpage Versinhos e Outras Idiotices, explica que criou a página depois de ver o sucesso de outros escritores. “Eu percebi

que era mais fácil conseguir reconhecimento pelo Facebook, já que as pessoas acabavam compartilhando e divulgando”. Com apenas 6 meses de existência, ela já conseguiu 37.038 curtidas. A pesquisadora e professora da Unicamp Cynthia Neves, conta que, pela internet, os jovens estão ainda mais envolvidos com a literatura. “Os

adolescentes que gostam de literatura criam blogs, páginas no Facebook, fazem fanfics, tudo para discutir sobre literatura e escrever”. Ela também explica que a tecnologia ajuda no reconhecimento, pois, em outras épocas, muitos escritores passavam a vida sem vender uma obra e com a internet isso vem mudando. O poeta Bruno Peron,

dono da página Poesia Lírica, conta que sempre gostou de escrever e buscou no Facebook um lugar para publicar e divulgar suas poesias. “Eu já escrevia, mas, na rede, o retorno era quase imediato, instantâneo”. Com a popularização de sua página, ele conseguiu, de forma independente, publicar o primeiro livro Profissão Andarilho. Além disso, ele criou o projeto Sarau Complexcidade, que atua de forma itinerante, em busca de incentivo a novos escritores, “O sarau é onde novos escritores podem começar a divulgar suas poesias e inspirar aqueles que não escrevem”. Diante de tantas iniciativas, Cynthia explica que a internet é mais um instrumento para popularizar a literatura, principalmente entre os jovens, que a maioria das pessoas acha que não gostam de ler. “Com a internet, há vários recursos para fazer poesia. Você pode escrever em páginas do Facebook, criar blogs, gravar um vídeo declamando poesias, há muitas opções”.

Leitores brasileiros ainda preferem livros impressos

De acordo com pesquisa da Global eBook, apenas 6,89% dos exemplaress vendidos são digitais

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Felipe Foltran

s e-books representaram, no ano passado, apenas de 6,89% das vendas de publicações no Brasil pelas editoras, conforme dados do passado, divulgados no dia 15 de maio pela Global eBook, empresa encarregada de fazer o levantamento anual do segmento. Essa fatia é muito pequena se comparada com de outros países. Com relação a 2015, houve um aumento de 2,67% no mercado nacional e as vendas dos livros digitais foram responsáveis por apenas 3,6% do faturamento.

Os livros impressos ainda levam vantagem, pois muitos ainda preferem ter contato com o papel, como é o caso de Fabiana Madeira, advogada de 28 anos. “Eu já tentei ler alguns livros em dispositivos digitais como o Kindle ou até mesmo no notebook, mas, para mim, é difícil me concentrar enquanto olho para uma tela durante muito tempo.” Quando os livros começaram a ser publicados digitalmente, muitos pensavam que a revolução seria igual à da música, na qual os CDs praticamente acabaram e a comerciali-

zação é feita apenas por meio eletrônicos. Mas isso não ocorreu. Uma das hipóteses para tal é o fato de que, no Brasil, o número de pessoas mais velhas que consomem livros é maior do que os mais jovens, como mostra a Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Ler, de 2016. Os mais novos, com mais facilidade para a leitura em suportes digitais, consomem menos livros que aqueles que já passaram dos 30 ou 40 anos. “O costume das pessoas também deve ser levado em consideração, alguém que passe a vida toda len-

do livros no papel, não se sentirá a vontade ao usar uma máquina para fazer isso”, explica a psicóloga Rosa Magalhães. Mas existem aqueles que preferem ler pelo e-book, como é o caso de Guilherme Martins, estudante de 20 anos. “Eu posso levar o e-book para todo lugar, não pesa nada e na memória dele cabem muitos livros”. Os valores dos livros digitais também costumam ser menores e, para estudantes, isso é um grande atrativo. “Quando eu preciso de algum livro para a faculdade, eu pesquiso primeiro os digitais, pois

eu posso necessitar dele mais para frente, e estará sem nenhum rasgo ou nada que atrapalhe a leitura. ” Os valores, realmente, são menores para livros digitais. Um exemplo disso são os best-seller da série “As crônicas de gelo e fogo”, de George R. R. Martin (Editora Leya). Indepentende do tamanho das obras, os preços nas livrarias que comercializam e-books são os mesmos. Já os impressos dependem da quantidade de página, da data de lançamento e do frete, que encarece ao consumidor.


Pingue-Pongue

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Professor discute palavra de 2016: “pós-verdade”

Carlos Alberto Zanotti, da Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas, atribui à internet a facilitação e aumento de notícias falsas

Existe diferença entre os conceitos de pós-verdade e de factoide? O factoide é uma criação. É um fato que você cria, acho que essa expressão nasceu com César Maia, no Rio de Janeiro, se não me falha a memória. O César Maia que usou essa expressão factoide! É você criar, não um fato que não existe, mas a hipótese de um fato. O partido vai aderir a tal candidatura, por exemplo, ou então dar uma importância demasiada a uma coisa pequena. Já o fakenews é uma informação não verdadeira. Uma coisa é a expressão factoide, que é um fato pequeno, supervalorizado, atribui-se a ele uma importância que ele não tem. Outra coisa é uma informação não verdadeira, uma informação mentirosa. O psicólogo e ganhador do Nobel Daniel Kahneman criou a teoria da "cognição preguiçosa", que fala que as pessoas tendem a ignorar fatos, dados e eventos que obriguem o cérebro a ter um esforço maior. Seria essa a causa da pós-verdade? A causa da pós-verdade tem muito a ver com a internet. Eu tenho a impressão que pesa muito nisso. Não que não existiam mentiras antes, mas a ideia de pós-verdade é você aderir a uma razão para justificar as suas posições, aderir a uma causa. A internet tem facilitado e coincidiu com a bipolarização. Então, no caso do brasileiro, você tem PT versus PSDB como polari-

zação. Nos Estados Unidos, Trump versus Clinton. Na Europa, União Europeia versus Brexit. Enfim, você tem uma certa polarização no mundo e esses dois lados divergentes acabam sempre se guerreando. Isso acontecia antes na mídia, organizada pelos jornalistas. Então, digamos assim: os jornalistas antes botavam ordem nessas coisas, mostravam as razões dos dois lados e, muitas vezes, na análise, indicavam a postura certa. Na internet não. Na internet, você não tem isso. Você tem o que é chamado bolhas de informação, seus relacionamentos de rede e que de um modo geral são as pessoas que partilham da sua posição e, por isso, elas são suas amigas. Isso facilita essa polarização do lado de cá e do lado de lá. Então, a polarização que existe no mundo reflete na internet e a internet reflete na forma de polarizar. Você tem dois extremos. O que antes era organizado pelo jornal virou anárquico com internet. Hoje, todo mundo coloca suas versões na internet e, de um modo geral, essas versões estão polarizadas. A pessoa, até por conta daquela tal da "espiral do silêncio", tem a tendência de aderir e curtir para não ficar distante do grupo, para não se sentir fora do grupo. Ela acaba curtindo e compartilhando aquilo que você manda para ela, independentemente de checar se aquilo é verdade ou não. De um lado, conta a história que ela gostaria de estar contando e, de outro, faz com que ela se sinta participante desse grupo. Pela ótica da "espiral do silêncio", ela se sente partilhando dessa versão, porque fakenews é uma versão, uma versão mentirosa da história. Muitas pessoas tem uma opinião ou querem dar sua opinião, mas, por essa polarização, acabam não emitindo. Essa atitude é boa ou ruim? Dependendo da opinião que a pessoa tem é ótimo! Porque não teremos um absurdo invadindo a rede. O que a gente tem hoje é um volume exagerado de informação. Nós vivemos uma superabundância de informação e o fato da pessoa ter opinião sobre tudo, no fundo, não significa nada! A opinião de alguém significa muito pouco. O que interessa mais é a forma como as lideranças veem, porque são elas que vão liderar determinados movimentos. O que leva uma pessoa a opinar!? Ela está

Foto: Márcio Claver

Márcio Claver A Universidade de Oxford elege a palavra do ano. Em 2016, a eleita foi "pós-verdade" (“post-truth”). Segundo a Oxford Dictionaries, o termo foi usado pela primeira vez em 1992 pelo dramaturgo sérvio-americano Steve Tesich. A palavra tem sido empregada constantemente há mais de uma década, mas o uso cresceu cerca de 2.000% em 2016. O professor-pesquisador da Faculdade de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) Carlos Alberto Zanotti comenta que existem várias verdades acerca de um fato e como essa pós-verdade se refere àquela que diz respeito a você.

O professor Carlos A. Zanotti também propõe a discussão sobre pós-verdade em sala de aula

partilhando daquela leitura que o colega está fazendo ou partilhando de uma outra leitura. Como as redes colocam os iguais juntos, essas opiniões acabam sendo muito iguais, muito repetitivas, sem nada acrescentar. E imagina você opinar em cima de uma notícia falsa!? Qual o valor que uma opinião que você tenha acerca de uma noticia falsa, acerca de uma noticia não verdadeira? Sinceramente, é o caos da internet, que aceita tudo. A internet não deve ser diferente disso, ela precisa ser assim, ela deve aceitar todas as postagens que você queira colocar, porque é democrática que o faça. Agora a divulgação de noticias falsas e o compartilhamento delas são riscos à democracia, porque as pessoas só tomam decisões acertadas com base em informações corretas e isso faz com que a democracia avance. Na medida em que a pessoa toma decisão com base em mentiras, você compromete o próprio sistema democrático e, no lugar dele, não se inventou nada que fosse tão bom, nada que possa estar no lugar. O que as pessoas podem fazer para ter informações mais verídicas? A pessoa tem que procurar os meios convencionais, tradicionais de informação, o jornal, a televisão, o rádio, que estão também na internet. Então, vá para esse veículo, no qual você confia. Na desconfiança, a internet dá acesso a tudo, compare com outro veículo e veja os comentários que estão embaixo. Mas as pessoas veem uma notícia

na internet, nas redes sociais, num site qualquer ou de notícias falsas e acreditam naquilo. O melhor a fazer é pegar uma Folha de S. Paulo, um Estadão, um G1, por exemplo, que são marcas que têm reputação. Um jornal sobrevive em função da reputação que tem! Não é em função do número de notícias. Então, quando um jornal divulga uma informação, eu acredito que é a mais verdadeira possível. Por isso, uma boa saída é as pessoas recorrerem aos meios tradicionais, aprender um pouco mais a lidar com internet, aprender a checar, a desconfiar, porque as coisas falsas têm cheiro de coisa falsa! Você percebe que tem algo errado. Algo polêmico demais está fora da ordem. Quando é espalhafatoso demais, você suspeita daquilo. Então, você pega e vai para o jornal de verdade, um jornal de sua confiança e checa se o jornal deu aquela noticia. Ou seja, aprenda a checar os dados, aprenda a pesquisar. Hoje existem 114 plataformas de checagem de notícias espalhadas pelo mundo e, provavelmente, esse numero vai crescer. São também um espaço de confiança, porque eles fazem auditoria da informação e são informações totalmente confiáveis. A pós-verdade já existia e só ganhou grande importância por causa do dicionário Oxford? O conceito de pós-verdade não está ligado à divulgação de uma noticia falsa, não é necessariamente. Fofoca, notícia mentirosa sempre existiram. Isso não é incomum, sempre saiu. Às vezes por maldade, às vezes por incompetência do jornalista ou

do jornal. Então, não é isso, mas o conceito de pós-verdade tem a ver com o fato de a gente não se preocupar mais com a dificuldade que é a investigação, o estudo, a concentração, o raciocínio. É você aderir a uma informação que saiu, independentemente de ela ser verdadeira ou não, simplesmente porque ela corrobora com a sua tese. Um caso muito típico é o aquecimento global. Sim ou não? O mundo vive o aquecimento global ou não? Há duas correntes distintas, não só em função do Trump, o fato de que o mundo pode não estar esquentando, de que a ação do homem é pequena nesse universo. Isso vem sendo propalado por uma outra corrente há muito tempo, muito antes do Trump. E o oposto também acontece, movimentos como o Greenpeace, dizendo que a terra está aquecendo, dizendo que as calotas estão derretendo, etc. etc. Há duas leituras que se faz e eu compro a versão que me interessa. O Trump comprou a versão que interessa a ele. E isso também aparece em outras leituras, por exemplo, o golpe. O PT denuncia que o partido sofreu um golpe e, ali, você tem duas leituras também: a de que houve um golpe e a de que não houve o golpe. E você compra a verdade que lhe convém, sem, de fato, se preocupar com o que a ciência diz. Qual é a verdade mais acadêmica, mas científica? Você compra uma versão independentemente de quem está dando garantias. Ela já está pronta, ela já está construída, é a sua verdade. Por isso é chamado de pós-verdade! É a verdade conveniente a você.


Entretenimento

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País tem a maior receita com jogos na América Latina Pesquisa Game Brasil aponta que 77,9% das pessoas utilizam o celular para jogar e as mulheres são a maioria Pedro Massari

Estilo A pesquisa destaca, também, três estilos diferentes de jogadores: o “Casual Gamer” (54,1%), que são aqueles que jogam por distração e apenas em horas vagas, o “Hardcore Gamer” (6,1%), que são os que disputam e disponibilizam mais tempo do dia para a atividade, e os que se consideram entre as duas opções (29,7%). Entre os jogadores casuais, 42% optam pela plataforma mobile. Outro dado relevante, divulgado pela pesquisa, é o crescimento do público feminino entre os jogadores. Hoje, as mulheres são maioria entre os consumidores de jogos digitais, com 53,6%. O crescimento nos últimos quatro anos foi 12,6%. Como passatempo que herdou do pai, Amanda Campos joga desde os 5 anos, durante mais de 10 horas por dia. Por mês, ela gasta mais de R$ 100 com jogos. Quando há lançamentos, dispõem, por vezes, de até R$ 300. Isso faz com que ela não se considere apenas parte do público feminino, mas também dos hardcore gamers, embora não goste do termo. Se o número de jogadores

Arte: Pedro Massari

U

m estudo do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) mostra que o número de empresas desenvolvedoras de jogos digitais cresceu 210% entre 2008 e 2014. A estimativa é de que, em 2018, o número seja superior a 300 empresas, ultrapassando 600% de crescimento em 10 anos. O Brasil é o país com a maior receita da América Latina e ocupa a 13ª posição entre todos os países do mundo, com uma receita anual de cerca de U$S 1,3 bilhão (o equivalente a cerca de R$ 4 bilhões). A China tem a maior receita do mundo, com cerca de U$ 27,5 bi (cerca de R$ 83 bilhões), de acordo com levantamento do NewZoo, site especializado em games. O constante crescimento do setor no Brasil é ratificado pelos dados da última Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), que mostra um aumento de 3,9% nos serviços de tecnologia da informação no primeiro trimestre de 2017 em relação ao mesmo período de 2016. Para aproveitar o crescimento do mercado e ainda trabalhar com aquilo que sempre foi diversão, Arthur Wayand, de 19 anos, que dedica seu tempo livre aos jogos digitais há 12 anos, ingressou no curso de Design de Games. “O mercado de jogos está em constante crescimento e sempre atrás de profissionais cada vez mais especializados. Isso acontece porque as pessoas estão cada vez mais consumindo jogos”, explica Arthur. “Sem falar que a ideia de criar novos universos e construir histórias é algo incrível”, completa o estudante. O aumento no segmento advém, principalmente, da popularização de jogos em plataformas móveis. A “Pesquisa Game Brasil 2017”, que identifica o perfil de usuários des-

se tipo de jogo, aponta um aumento de 4,9%, em relação a 2013, nos usuários que utilizam o smartphone para jogar, chegando a 77,9% dos gamers. Leonardo Silveira, de 21 anos, comenta que a flexibilidade oferecida pelo celular, a variedade de jogos e a facilidade do download são fundamentais para a escolha da plataforma. “A facilidade para baixar os jogos, que geralmente não são muito grandes, e a variedade são fatores que levam a essa preferência, além do fato do celular ser um objeto que se tornou presente e permitir jogar em diversos lugares, como ponto de ônibus, intervalo da faculdade, na fila do banco e etc”. De acordo com ele, o tempo diário jogando fica entre uma e duas horas.

que se enquadram nesse grupo já é baixo (apenas 6,1%), ela garante que o número de mulheres é ainda menor, e explica que, apesar de as mulheres serem maioria entre os consumidores de jogos, elas se concentram entre as pessoas que jogam casualmente e pelo smartphone. “A pesquisa passa a impressão de que as mulheres são a maioria

em todas as plataformas e que são, sim, representadas. A questão é que, em mobile, não faz diferença se é mulher ou homem. Mobile não tem exposição. A maioria são jogos offline, que não tem interação. A comunidade em computador e console é extremamente preconceituosa, jogar é ‘coisa de menino’. E não é um preconceito leve. É um: ‘você não

tem a mesma capacidade que eu, porque você é mulher’. Por isso, não é surpresa que as mulheres preferiram o mobile”. Entre os jogos para smartphone os que mais obtiveram sucesso no mês de abril foram Clash Royale, Candy Crush e Game of War. Entre os softwares para computador, destaque para League of Legends (lol), Heartstone: Heroes of Warcraft e Minecraft.


Digital

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Streaming facilita a divulgação de documentários Vencedor do Oscar, O. J. : made in América é um exemplo de obra disponibilizada na web

Foto: Laura Pompeu

Laura Pompeu

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produção dos documentários no Brasil se manteve estável nos últimos cinco anos, com o recorde ainda sendo de 52 títulos lançados em 2015. O público do gênero, porém, se encontra em crescimento nas plataformas streaming, como a Netflix, que observou que 73% de todos os seus assinantes mundiais assistiram a pelo menos um documentário no último ano, de acordo com dados divulgados ao jornal estadunidense The New York Times. Segundo dados divulgados recentemente pelo Observatório Brasileiro do Cinema do Audiovisual (OCA), o público assinante de canais dedicados exclusivamente a documentários, como History Channel e Discovery, chegou a 97,4 milhões em junho de 2016, 0,5% a mais que no ano anterior. As plataformas streaming se encontram em vantagem em relação aos canais tradicionais por darem ao espectador liberdade na escolha de quando e a que assistir. Sendo 44,8% dos participantes 4ª edição da pesquisa Geek Power, realizada em parceria com a Ibope, colocam a Netflix como primeira opção para consumir filmes, séries e documentários. Para o professor de Inglês e músico Victor Lobato, de 23 anos, os documentários encontram mais público nas plataformas streaming não só por serem raros nas salas de cinema, mas por serem um gênero que causa reflexão. “Não é algo que se assiste só para distrair”, comenta. Desde que se interessou por do-

O documentarista Gianfranco Pannone e o produtor e ator Francesco Siciliano na Mostra de Cinema Italiano

“Não é algo que se assiste só para distrair.” Foto: Laura Pompeu

O professor de Inglês Victor Lobato assiste a pelo menos um documentário por mês na Netflix

cumentários no Ensino Médio com Ilha das Flores (1989), Lobato assiste a pelo menos um documentário por mês, antes pelo Youtube e agora mais pela Netflix, onde também acompanha os documentários no formato de séries: “É mais prático para assistir e descobrir outros documentários variados. Gosto muito desse gênero porque mostra a realidade com perspectivas aprofundadas.” A liberdade de escolher o que e quando assistir também permite a visibilidade dos documentários para os que não frequentam festivais de cinema, nem assistem a obras de não ficção no cinema. É o caso do estudante Johnny Ueda, de 20 anos, que começou a assistir filmes do gênero a três anos. “Conheci mais pela TV mesmo, com o Discovery Channel e History Channel, depois comecei a procurar na internet, aí eu podia assistir ou pausar quando quisesse.” A importância do crescimento do público e da produção é devido ao papel do documentário na sociedade, como afirmou o renomado documentarista italiano Gianfranco Pannone, quando visitou a PUC-Campinas para a I Mostra de Cinema Italiano de Campinas, promovida pela Prefeitura. Para ele, o gênero precisa mostrar a realidade e influenciar o público: “Um documentário não precisa contar tudo. Se, ao fim do filme, o espectador questiona o que assistiu, quer dizer que o documentarista fez um bom trabalho.”

Saiba+ Junho 2017  
Saiba+ Junho 2017  
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