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Desde 2006

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Faculdade de Jornalismo - PUC-Campinas

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18 de maio de 2015

Região enfrenta crise hídrica mas consegue preservar o turismo Com a diminuição da vazão do Rio do Peixe, o principal do corredor turístico de Socorro, empresários do ramo de aventura tiveram que readaptar e modificar atividades para manter lucro com o turismo de esporte aquático Pág. 8 Caroline Roque

15 km de histórias

Os contrastes da Avenida John Boyd, a maior de Campinas

Vinícius Whitehead

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PINGUE-PONGUE

CAMPINAS

ESPORTE

JORNALISMO

Belluzzo faz críticas à política econômica de Dilma e lamenta falta de oposição

Projeto de R$ 60 mi para reforma de praças tem apenas 120 revitalizadas

Futebol americano cresce no Brasil com o apoio de clubes de futebol paulistas

Jornada de Jornalismo levou à universidade a discussão sobre a convergência de conteúdo

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OPINIÃO

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Drible na crise Não é que vai faltar um pouco de água. É que não tem água; não tem para onde correr, afirmou a Sabesp em meio a crise hídrica que o estado de São Paulo enfrenta desde o início do ano. A edição de maio do Saiba + mostra a readaptação do turismo em Socorro, cidade que integra o Circuito das Águas, a região teve 30% de queda no número de turistas entre dezembro de 2014 e março de 2015. Um parque de aventuras aderiu a modalidade Stand Up Paddle para driblar a diminuição da vazão do Rio do Peixo, o principal do corredor turístico de Socorro. Esta edição também traz os contrastes da Avenida John Boyd Dunlop, o único acesso da região Noroeste da cidade para o Centro, o trânsito complicado, o crescimento da região e as histórias de quem vive e cruza pela via todos os dias. A faculdade de Jornalismo recebeu a Jornada de Jornalismo que discutiu a convergência de mídia, o processo de produção jornalística com o advento da internet e de reportagens multimídia. O influente economista e ex-consultor econômico do governo Lula, Luiz Gonzaga Belluzzo conversou com o Saiba + sobre a política econômica de Dilma Rousseff, o papel da oposição e comentou as recentes manifestações populares. Esta edição ainda traz uma reportagem especial sobre o crescimento do futebol americano no Brasil com o apoio de clubes paulistas, mostra as dificuldades enfrentadas pelas equipes. O comentarista de futebol americano Paulo Antunes acompanha de perto esta evolução e comenta o projeto de transmissão de jogos no canal ESPN. S+

Opinião

Opinião

PL do arrocho

Em marcha lenta CRISTIANE DOURADO

A proposta para revitalização da Avenida John Boyd Dunlop será apresentada durante encontro com o secretário de Transportes previsto para a próxima semana. Seria uma boa notícia, se ela não fosse datada de 2005. Desde aquela época, estudos realizados pela Emdec apontavam crescimento dos índices de acidentes na John Boyd a maior avenida de Campinas (são 15 mil metros). A proposta da Emdec era realizar uma grande intervenção na John Boyd Dunlop, com o objetivo de torná-la um exemplo para toda a cidade nas questões referentes a trânsito e transportes. A via passa por 21 bairros e cruza toda a região Noroeste campineira. Mas as obras não saíram do papel. A única revitalização vista foi de placas. Isso mesmo, há cinco anos a John Boyd Dunlop recebeu 222 novas placas

de advertência, regulamentação e orientação, além de algumas alterações no sistema semafórico. E só. Já a Francisco Glicério, outra via importante de Campinas, ao menos viu as obras se tornarem realidade. Mas não é tudo mil maravilhas como alguns pensam. A revitalização da avenida traz sérios problemas para a mobilidade urbana do Centro, como mostrou a reportagem publicada pelo Saiba + no mês passado. Com passos de tartaruga, bem na velocidade do nosso trânsito, a mobilidade urbana vem sendo pensada. Mas não é suficiente. Quem precisa andar de carro/ônibus em Campinas sabe a dificuldade que é se locomover pelo município. Precisamos de soluções eficientes a curto, médio e longo prazo, antes que fiquemos todos presos em um grande engarrafamento.

ANDERSON APIFANIO

Os donos do capital estão ansiosos com o desfecho do Projeto de Lei 4330, que versa sobre a regulamentação da terceirização do trabalho no Brasil. A proposta, que avança no Congresso, arrepia alas à esquerda do governo petista (incluindo sindicatos) e esquenta o debate sobre a flexibilização da lei trabalhista, que segundo os economistas neoliberais, tornaria o país mais competitivo no cenário global. Com votação favorável na Câmara, o projeto, que tramita no Senado, permite que empresas terceirizem até suas atividades fins, aquelas que estão no centro da atuação das companhias. Essa tentativa de flexibilização, longe de sernova, tem levantado questionamentos. Afinal, ela é a panaceia para a atual crise atravessada pelo país ou precariza ainda mais as relações de trabalho? Para entidades patronais

como a FIESP, o projeto vai ampliar a segurança jurídica para os 12 milhões de trabalhadores que já prestam serviços como terceirizados, aumentando a competitividade e impulsionando a criação de novos empregos. A CUT rebate apresentando dados que apontam que quatro em cada cinco acidentes de trabalho são com funcionários terceirizados, que ainda segundo o sindicato também recebem salários 25% menores e trabalharam três horas a mais. Esse debate deve ser ampliado e discutido em todas as camadas da sociedade brasileira, não ficando restrito ao parlamento, que será de fato quem decidirá sobre a reforma na legislação. Mas que ela não seja feita a qualquer custo, empurrando a conta para os trabalhadores, a pretexto de saciar a volúpia do capital.

crônica

As lembranças de dona Leonor FLÁVIO MAGALHÃES

Dona Leonor é a matriarca da família. No alto de seus 74 anos e com seus curtos cabelos grisalhos é a mais querida dos Menegazzi. As rugas são marcas de todas as dificuldades pelas quais já passou. O olhar longe e já cansado e o esboço de um sorriso no rosto, às vezes, parecem recordar os momentos felizes ao lado de filhos e netos. Certa vez, em Serra Negra, foi convencida pela neta mais nova a subir no teleférico. Foi de olhos fechados pelo trajeto inteiro. “Achei que fosse morrer. Nunca mais subo num treco desses!”, retrucou dona Leonor. Hoje em dia, a idade e o Alzheimer a afastaram do convívio familiar. Dona Leonor precisa de

Fernanda Sunaga / PMC

Editorial

18 de maio de 2015

Aprender a dar valor à vida vivida (Foto ilustrativa)

cuidados que só a casa de repouso oferece, mesmo que ela pense o contrário. Mesmo assim, o almoço do fim de semana só é completo com dona Leonor. Todas as gerações se reúnem ao redor de uma típica mesa italiana. “Descarregaram um caminhão de batata nessa semana lá no asilo, mas eu

não comi batata”, comentou com Ricardo, namorado da neta mais velha, que a nona insiste em chamar de Leonardo. Algumas histórias de dona Leonor, aliás, são repetidas sempre, outras são esquecidas aos poucos. Culpa do Alzheimer. Um dia, na casa de repouso, bateu o pé na quina

da cama enquanto fugia das enfermeiras que a medicavam. “Tomei no rococófe”, reclamava para Alberto, o genro, talvez pela sétima ou oitava vez. “Nona, vamos tirar uma foto!”, sugeriu a neta mais nova. “Ah, credo”, reclamou dona Leonor. “Ai, mãe, é só uma foto”, interveio Teresa, a filha. “Vocês agora pegaram essa mania de foto, foto, foto. É foto pra tudo, tá louco!”, disse a matriarca, irritada, saindo da mesa. “Vocês têm que aprender a dar valor à vida vivida e não se preocupar com foto! Que lembrança vocês querem ter desse jeito?”, concluiu, antes de subir às escadas rumo à sesta da tarde de domingo. Todos concordaram. Foi a coisa mais sensata que dona Leonor dissera naquele dia.

Jornal laboratório produzido por alunos da Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas - Centro de Comunicação e Linguagem (CLC): Diretor: Rogério Bazi Diretora-Adjunta: Cláudia de Cillo Diretor da Faculdade: Lindolfo Alexandre de Souza Professor responsável: Luiz Roberto Saviani Rey (MTB 13.254).

Editora-chefe: Priscilla Geremias Editores: Camila Araújo e Caroline Roque Diagramação: Nathani Mota Tiragem: 2 mil - Impressão: Gráfica Todo Dia


ENTREVISTA

18 de maio de 2015

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‘Brasil não tem oposição’, critica Belluzzo Vinícius Whitehead

Economista cita falta de empenho do governo a favor da reforma tributária. Para ele, sistema partidário é falido rio e as estratégias comerciais dos administradores do aeroporto. Caberia às agências reguladoras cuidar e administrar esta situação, mas elas não funcionam exatamente com este intuito, na prática atuam como uma espécie de “cabidão de emprego”. É claro que o principal problema enfrentado nestas relações diz respeito à forma como se administra o conflito entre os interesses público e privado o tempo todo. No geral, não sou contra o sistema de concessões. A única ressalva que faço é com relação à força do Estado nacional, que vejo como fraco demais. Sobre a reforma tributária nacional: por que nenhum político brasileiro leva a reforma tributária a sério ou não a coloca em prática? É muito complicado se fazer a tal reforma porque deve ser definido, por exemplo, o que será feito com o ICMS (Imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual, intermunicipal e de comunicação). Não há o controle do pagamento tanto na origem quanto no destino, e, além disso, existe desigualdade do poder econômico entre os estados. Por outro lado é muito difícil colocar tudo isso em prática, pois o que deve ser pensado em primeiro plano é que o sistema tributário brasileiro é extremamente regressivo. Uma brutalide principalmente quando cerca de 50% dos impostos que recaem sobre o conjunto da população na qual grupos sociais têm capacidades diferentes de pagamentos. S+

Mateus Bassi Vinicius Whitehead

O ex-consultor econômico do governo Lula e um dos mais influentes economistas do Brasil, Luiz Gonzaga Belluzzo recebeu a reportagem do Saiba + em sua sala na diretoria da Faculdade de Campinas (Facamp). Ele trata de diversos assuntos, dentre eles a efervescência política que as manifestações têm causado, além de tecer críticas à política econômica de Dilma Rousseff e a falta de uma oposição ativa. A dívida de Campinas com a União está na casa dos R$ 450 milhões, uma dívida considerada grande e que não está sendo paga. Como pagar esta conta? Isso será acumulado. Se forem cobrados os juros e a correção dessa dívida, não haverá o pagamento deste valor. Sob estas condições, não haverá o pagamento, não há a menor possibilidade, a menos que se sacrifiquem outras coisas. Mas S+

como se vai deixar a administração sufocada? Não dá. Em contrapartida, por exemplo, sobre o Fundo de Participação dos Municípios: a União destina apenas uma pequena porcentagem para os municípios e o resto se perde “no meio no caminho”. Este valor é muito pequeno, não é? Houve uma descentralização porque muitas das receitas e dos impostos criados, além das contribuições, não entram no Fundo de Participação. A Constituição descentralizou e as mudanças que foram ocorrendo ao longo do tempo (desde o governo de Fernando Henrique Cardoso, mas com consequência nos outros), fez com que estas receitas fossem descentralizadas, ficando concentradas em um governo central. S+

Em Campinas, o prefeito Jonas Donizette (PSB) quer privatizar saúde e educação (entregar a administração às Organizações Sociais), iniciativa que não deu S+

certo em lugar algum. Por que você acredita que ainda batem nesta tecla? Esta experiência não deu certo, foi um fracasso. Este modelo de gestão está em crise no mundo inteiro, com graus diferentes de intensidade. Por outro lado, também há um problema financeiro propriamente dito. Com esta medida, geralmente os políticos querem “descalçar a bota” para diminuir uma futura responsabilidade pelo ato. Não acho uma boa solução. Uma pesquisa da Secretaria de Aviação Civil mostrou que Viracopos foi o aeroporto melhor avaliado entre 15 do país, mas, ainda assim, os usuários sabem que o local é um grande canteiro de obras. Como o senhor analisa este sistema de concessões, como é o caso de Viracopos? Todos os aeroportos trabalham sob a premissa das concessões. Como todo trabalho de concessão, existe a discussão de divergências entre o interesse do usuáS+

Como você analisa as recentes manifestações populares contra o governo? Se você comparar estes movimentos com as Diretas, por exemplo, é insignificante. Essas manifestações de agora não possuem essa densidade e essa textura política com um grau S+

de informações. Lá, as pessoas sabiam o que estavam fazendo e agora nem tanto. Mas isso é a democracia. A democracia é assim, a gente tem que ter a compreensão de que mesmo aqueles que se opõem à democracia devem ter direito a manifestar, são os paradoxos. Há uma luta de classes explícita de ricos contra pobres? Há uma luta muito mais promovida pelos de cima do que pelos de baixo. Na verdade, os de cima não toleram, basta olhar as manifestações. Por exemplo, dizer que o sujeito que recebe o Bolsa-Família é preguiçoso. Isso também revela que o Brasil tem uma carência cultural muito grande. Ninguém sabe qual é o preço do desemprego. S+

A democracia pode ser ferida? Eu acho que a defesa que a gente deve fazer é sempre a da democracia. Gostando ou não do governo Dilma, a presidente foi eleita com a maioria dos votos. Hoje posso dizer que sou um crítico muito duro do governo Dilma, por causa da forma como ela está fazendo os ajustes, que desrespeitam os eleitores dela, que entendiam que ela iria avançar na incorporação das camadas inferiores. Acontece que essas manifestações se movem em um terreno muito ambíguo, pois, por exemplo, eu vejo manifestações da revista Veja que são claramente golpistas, não são aceitáveis. No entanto, você não pode ir lá e “pastelar” a Veja, o que também é inaceitável. S+

No Brasil, existe uma oposição fraca? Não tem oposição. O sistema partidário brasileiro faliu. Devemos pensar sobre a realização de uma reforma política a sério. Não adianta nada mexer na economia se esta reforma não for feita com sucesso. Não se pode ter o número de partidos que se tem no Brasil, pois aí se configura um sistema de chantagem e não mais partidário. S+


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CIDADE Caroline Roque

18 de maio de 2015

John Boyd: crescimento além do asfalto Camila Araújo Caroline Roque

Principal ligação do centro de Campinas com a região do Campo Grande, a Avenida John Boyd Dunlop é a maior via do município e por onde trafega todo o trânsito da região Noroeste. A avenida passa por 86 bairros, e conta com os mais variados comércios, shoppings e hospital, o que a transforma, de acordo com aqueles que a utilizam diariamente, no melhor lugar para se viver. Nos seus aproximadamente 15 quilômetros de extensão - 29,6 contando os dois sentidos - a via guarda histórias de quem acabou de chegar, mas também de quem a viu crescer e até perde a noção da sua extensão. Este é o caso do aposentado Lázaro Marques Santos, que mora no Jardim Londres há 44 anos e nunca pensou em sair do entorno da John Boyd. “Só se for daqui para o cemitério”, afirma. Esse não é o sentimento apenas do aposentado. Maria Angélica das Neves da Silva mora no bairro Satélite Iris I há 20 anos e tem uma banca de salgados, em frente ao Hospital Celso Pierro, da PUC-Campinas. Ela conta que a região é a melhor em que já viveu. Tem até quem já tenha morado em área nobre de Campinas e prefere ficar perto da John Boyd, como é o caso da aposentada Márcia Glória Borges Soares, do Satélite Íris II. “Eu morava no Cambuí e para ir na padaria precisava me arrumar porque a mulherada ficava olhando de cima a baixo. Eu gosto de lugar mais simples e aqui eu tenho tudo por perto”, conta.

Ligando o centro com o Campo Grande, pela avenida passam em média de 2,5 mil veículos/hora

Problemas Quando se mudou, seu Lázaro diz que só havia um ônibus até o local, e que ia somente até a entrada da Vila Castelo Branco. “Para lá era tudo mato”, recorda o aposentado, se referindo ao restante da John Boyd, que desse ponto até o seu final ainda tem aproximadamen-

te oito quilômetros. Um dos tantos contrastes com a realidade de 40 anos atrás é que, diariamente, passam em média 64 mil veículos pela via; em 2011, esse número era de 45 mil por dia, segundo a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec). E essa é a principal reclamação dos moradores da região: o trânsito. “A única coisa que precisa é ampliar, fazer um corredor de ônibus”, ressalta Maria Angélica. Outro morador que acompanha de perto o grande fluxo de veículos é o jornaleiro Milton Sergio Moreira, que vive na região há quatro anos, mas trabalha na banca há oito, de segunda à segunda-feira. “Durante a manhã e à tarde o fluxo fica insuportável”, descreve. Só uma faixa A avenida mais extensa de Campinas ganhou seu nome inconfundível por causa da fábrica de pneus Dunlop (atual Pirelli). “Quando eu cheguei, a avenida só tinha uma faixa de asfalto que ia até a Dunlop. Só tinha terra, não tinham ruas”, lembra seu Lázaro, que se mudou para Campinas em busca de uma oportunidade de emprego. Atualmente, a avenida possui três faixas em cada mão. Morador da região há 43 anos, o aposentado Ulisses de Oliveira só mudou de bairro durante esse tempo, mas não saiu do entorno da John Boyd, “tinha só um mercado aqui na região”, lembra Apesar disso, entre mudanças e problemas é possível encontrar também sentimentos e histórias preservadas pelo tempo. “O crescimento aqui foi esplêndido, eu não me arrependo nem um milímetro de vir morar aqui. Pelo contrário, faria tudo o que eu fiz de novo”, enfatiza seu Lázaro, revelando que o significado da John Boyd Dunlop na vida daqueles que entre ela viveram ainda continua enraizado nos 15km de asfalto. S+


CIDADE

18 de maio de 2015

5 Fotos: Verônica Miranda

Bancos depredados em vários pontos da Praça das Saúvas

Apenas 120 das 1,8 mil praças são revitalizadas em Campinas Projeto elaborado em 2012 prevê investimento de R$ 60 milhões para a reforma de 50 praças na região até o final de 2015 Márcia Teixeira Verônica Miranda

Um projeto de revitalização das praças públicas foi elaborado pela Prefeitura de Campinas em 2012, mas desde então, foram reurbanizadas cerca de 120 praças, do total de 1,8 mil. Até o final de 2015 está prevista a revitalização de 50 praças. A previsão é investir R$ 60 milhões durante este ano. Apesar dos resultados já serem visíveis em algumas praças, alguns moradores ainda estão insatisfeitos com a situação dos locais. Roberto Alexandre da Silva, morador do Jardim Antonio Von Zuben que frequenta a Praça das Saúvas, mora no bairro há vinte anos. “Tínhamos campo de futebol e até casa na árvore. Hoje só cortam a grama para dizer que fazem alguma coisa”, reclama. A reportagem do Saiba + flagrou na Praça das Saúvas um acúmulo de água parada em pneus, além de muitos bancos depredados. Outro ponto crítico desses locais abandonados é a falta de iluminação. O Bosque dos Alemães no bairro Castelo, além de iluminação, falta guardas municipais e funcionários de limpeza,

como relata Rosana Cunha, que morou por 30 anos próximo ao bosque, “se você gritar aqui dentro, ninguém te ouve”. A falta de segurança também está nos brinquedos infantis que foram desmontados e deixados com pontas de pregos e placas de alumínio, sem nenhuma sinalização. O principal problema é que devido aos poucos recursos e a falta de manutenção do local, como mesas para alimentação, brinquedos e academia ao ar livre, as pessoas acabam não frequentando, fazendo com que aquele não seja um ambiente agradável e seguro. A Praça Pedro Henrique Braga, na Vila Georgina, também sofre com a falta de segurança e de iluminação. É possível perceber a presença de um grande número de usuários de drogas, como destacou Guilherme Garcia da Silva, proprietário há seis anos de um bar localizado em frente à praça. “Já usei dinheiro do meu bolso para colocar duas iluminações para inibir a presença de usuários de drogas”, afirma o comerciante. Rogéria de Fátima, moradora há 10 anos da Vila Georgina, também reclama

da presença de “pessoas estranhas”, principalmente próximo a um ponto de ônibus, “uma amiga já foi assaltada por aqui”. Rogéria sugere que a praça deve ser mais iluminada, ter mais esportes e lazer para as crianças. A Prefeitura de Campinas justifica que essas obras de revitalização são demoradas. A administração informa que o tempo de entrega também pode ser considerado, pois como são ambientes abertos, às vezes, por conta das intempéries da natureza, como chuvas, podem atrasar as obras. Porém no caso do Bosque dos Alemães, o projeto existe desde 2012 e ainda não foi concluído. De acordo com a Prefeitura, as praças Pedro Henrique Braga e Praça das Saúvas não estão incluídas no cronograma deste ano, e poderão entrar no cronograma do ano que vem. A administração justificou também que as praças recebem manutenção periódica e que qualquer reclamação pode ser feita pelo telefone 156 ou no Departamento de Parques e Jardins (DPJ) pelo telefone (19) 3272-2500. S+

Praça das Saúvas. Acúmulo de água em pneus que eram utilizados como brinquedos pode atrair o mosquito da dengue

Praça Pedro Henrique Braga: Grama alta e brinquedos quebrados afastam moradores que poderiam frequentar o local

Bosque dos Alemães: Restos de brinquedos antigos de madeira foram abandonados no bairro Castelo


Corinthian

Futebol Americano cresce no Brasil com apoio de clubes

Esporte evolui na audiência e na prática, mas ainda é amador por falta de investimentos Henrique Guilherme Guilherme Kowalesky

Que o futebol é a maior paixão dos brasileiros quando o assunto é esporte, disso ninguém tem dúvida. Mesmo assim, outro esporte popular nos Estados Unidos ganha força no país. Com um crescimento de mais de 800% do público televisivo nos últimos três anos no Brasil, o futebol americano se destaca com surgimento de novos times nacionais. Atualmente, o país possui 135 equipes registradas na Associação de Futebol Americano no Brasil (AFAB), dividido nas categorias half pad, que não obriga o uso de equipamentos, como ombreiras e capacete, e a full pad, que necessita de

todos os apetrechos. A principal competição do país, assim como a Liga Norte Americana de Futebol Americano (NFL), também é independente. O chamado Torneio Touchdown (alusão ao nome da pontuação do esporte) foi criado em 2009 e atualmente tem 16 equipes, metade do número da NFL. A competição é administrada por Luis Claudio Lula da Silva, filho do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Ele é o principal responsável pela busca dos patrocínios que mantém o evento. O Corinthians Steamrollers é uma das grandes equipes do país na atualidade. O clube é uma fusão do Steamrollers, antiga equipe de Diadema

fundada em 2006, com o famoso clube do futebol brasileiro. Essa parceria não é exclusividade do Corinthians. Mais seis equipes das 16 do Touchdown possuem vínculo com outros clubes de futebol como: Vasco da Gama Patriotas, Botafogo Reptiles, Flamengo FA, Santos Tsunami, Juventude FA e Palmeiras Locomotives. Segundo o diretor e presidente do Steamrollers, Ricardo Trigo, essas parcerias têm gerado bons frutos ao esporte no país. “Ajuda e muito ser Corinthians, e todos os que têm parceria com clubes também crescem”, afirmou. Ainda segundo o diretor, um dos pontos fundamentais é a estrutura fornecida pela

parceria. “O Corinthians disponibiliza o nome, campo de treinamento, fisioterapia, academia e materiais esportivos”, ressaltou Trigo. A equipe do Corinthians Steamrollers é atualmente a mais popular em número de seguidores no país. Nas redes sociais são mais de 1,3 milhão de pessoas acompanhando as atividades do time. Em segundo lugar, o Palmeiras Locomotives soma 165 mil curtidas em sua página do Facebook. No interior Se engana quem pensa que o futebol americano está fazendo sucesso e crescendo apenas nas capitais do Brasil. No interior de São Paulo, por exemplo, algumas cidades já possuem equipes

competitivas no esporte. O Jundiaí Ocelots é um exemplo. Com quatro anos de criação, o time começou a disputar torneios ano passado e ganhou o seu primeiro título. A equipe ganhou a Taça Nove de Julho em 2014, uma competição na qual times grandes não participam, por estarem no Torneio Touchdown. O Ocelots, assim como o Corinthians, também está disputando a Super Copa São Paulo, organizado pela Federação de Futebol Americano do Estado de São Paulo (Fefasp), todo primeiro semestre do ano. O time cresce como símbolo do esporte na cidade. Em menos de um ano, com divulgação em jornais e redes sociais, o Jundiaí Ocelots passou


Maicon de Oliveira/M Estúdio de Fotografia

Audiência na TV aumenta 800%

ns SteamRollers e Jundiaí Ocelots jogam pela Super Copa São Paulo

de 3 mil para mais de 6 mil fãs no Facebook. Segundo a direção do clube, esse fator faz muita diferença. “Quando temos disputas sem divulgação nós levamos apenas 600 pessoas aos jogos. Então se você me perguntar: como o time sobrevive? Nós não temos patrocínio, é com venda de boné, camisetas, moletons e rifas, e a torcida ajuda em tudo, eles ajudam manter o time”, afirmou Icaro. O crescimento da popularidade do esporte também reflete na busca por novos atletas na equipe da cidade. Com duas seleções por ano, o Ocelots teve um crescimento de mais de 50% na procura por uma vaga no time. “Na última seletiva trouxemos 106 pessoas para concorrerem a uma vaga, já a antepenúltima só havia 50”, ressaltou o vice-presidente. Barreiras Segundo os presidentes dos clubes do interior de São Paulo, a maior dificuldade é encontrar atletas com comprometi-

mento. “Tem muita gente que desiste. O futebol americano exige compromisso, porque nós treinamos no domingo de manhã, e sábado não pode exagerar quando sair. Às vezes temos pessoas com muito potencial, mas que não têm comprometimento”, lamentou Icaro Cieni. Outra barreira são os equipamentos. O custo total de equipamentos novos para a prática full pad do esporte no Brasil sai quase R$ 3 mil (confira os preços de cada equipamento no infográfico). Uma alternativa que alguns atletas usam é comprar o material usado, que reduz esse custo a mais ou menos R$ 800 a R$ 1,5 mil. O que torna o futebol americano ainda longe do profissionalismo no Brasil não são apenas esses fatores. “Nós só seremos profissionais quando recebermos para jogar, por enquanto somos amadores. Só vai dar certo quando começar a investir no esporte”, finalizou o diretor do Jundiaí Ocelots. S+

“Estamos no caminho certo, mas não podemos nos comparar com os EUA” Paulo Antunes

Comentarista de Futebol Americano do canal ESPN, o jornalista Paulo Antunes acompanha de perto a evolução do esporte no Brasil. Ele e o colega de trabalho, o narrador Everaldo Marques, iniciou o projeto de transmissão do esporte no canal em 2006, e hoje veem a audiência das transmissões crescerem 800%. “Quando eu e o Everaldo começamos em 2006, não achávamos que seria todo esse sucesso. Criou-se uma química entre nós e o negócio deslanchou, aí isso foi crescendo. Foi sucesso desde o início. Cada ano temos um aumento absurdo na audiência”, contou. De acordo com Antunes, o Brasil foi o segundo em recorde de audiência durante a transmissão do Super Bowl 49, final da NFL entre o New England Patriots e o Seattle Seahawks realizada em fevereiro de 2015. A transmissão americana, que foi feita pelo canal NBC, teve 114,4 milhões de espectadores. No Brasil, 500 mil pessoas acompa-

nharam o jogo através da ESPN. O índice supera em 84% o registrado na transmissão do evento de 2014. O canal também foi destaque nas mídias sociais, onde atingiu o primeiro lugar nos Trending Topics mundiais do Twitter com a hashtag “ESPNTemSuperBowl49”. Antunes também mostra-se feliz por esse resultado influenciar no crescimento da prática no país. Porém, para ele, há muito que melhorar. “Estamos no caminho certo, embora o nível tenha que melhorar ‘10000%’ para sonhar com uma liga nos moldes da NFL. Mas não podemos nos comparar com os EUA, eles têm outra realidade de futebol americano. Daqui uns 30 anos, podemos alcançar o nível deles”, afirmou Antunes. No final da entrevista ao Saiba +, Antunes falou sobre a transmissão de jogos nacionais. “Já transmitimos jogo de futebol americano nacional, a final do torneio Touchdown. Me lembro que o Corinthians ganhou e a gente transmitiu aquela partida. Uma transmissão de futebol americano necessita uma tecnologia ferrada. Precisamos fazer algo mais organizado e o nível tem que melhorar”, finalizou. / Foto: Henrique Guilherme Infografia: Nathani Mota

Capacete: R$ 1000

Ombreiras: R$ 800

Bola: R$ 60 a R$ 200

Luva: R$ 330

Quanto custa?

Chuteira: R$ 340

Dados: KG Esportes / Foto: Gelleryhip


CRÍSE HÍDRICA

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18 de maio de 2015

Socorro dribla crise hídrica e garante turistas Readaptação do rafting e implantação de novos esportes são saídas para manter atividades em alta Fotos: Camila Mazin

Camila Mazin

A crise hídrica, que afeta o Estado de São Paulo desde 2014, influenciou nas grandes mudanças de hábitos da população. A conscientização de que a água está acabando e que o reservatório responsável pelo abastecimento do Estado está em seu volume morto, alterou diversos ciclos de atividades, inclusive o turismo no interior paulista que depende da água de rios e lagos. Cidade que compõe o Circuito das Águas Paulistas, Socorro não escapou da crise e vivenciou momentos de mudanças e quedas no movimento de turistas. O rafting, por exemplo, esporte dependente da vazão dos rios e uma das principais atrações da cidade, chegou a ser interrompido. “Tivemos nossas operações paradas por 50 dias no período crítico, que foi de julho ao começo de setembro do ano passado. Com a chegada da primavera houve uma mudança e um pequeno início de chuvas”, explica Charles Gonçalves, condutor de turismo especializado em rafting, sócio fundador e diretor comercial da Próxima Aventura Canoar. A crise era inesperada, mas mexeu com a consciência de moradores da cidade e empresários do ramo de aventura. “Foram 15 anos em pleno crescimento da atividade de turismo de aventura por aqui. Esta situação interferiu diretamente na receita das empresas locais, mas também nos fez repensar sobre ações e melhorias diversas

Prejuízo

30%

foi a queda de turistas em dezembro de 2014 a março de 2015

1000 clientes não foram atendidos em 2014 com um voucher em média de R$ 100

Percurso seco do Rio do Peixe que passa no Parque Monjolinho onde acontecia a prática de rafting

para enfrentar a crise”, diz Gonçalves. Mudanças Com a diminuição da vazão do Rio do Peixe, o principal do corredor turístico de Socorro, empresários do ramo de esportes aquáticos tiveram que se readaptar e modificar atividades, para que a cidade não perdesse seu atrativo. Segundo Sebastião Ginghini, diretor do Parque de Aventura Monjolinho, o

percurso do rafting diminuiu de sete para quatro quilômetros, pois nessa extensão a vazão baixa do rio não interfere na prática do esporte. Para evitar perdas, ele encontrou em um outro atrativo que poderia suprir a falta do grande percurso do rafting. “Nós descobrimos que o rio tem um quilômetro de remanso entre uma corredeira e outra, onde ficava interessante colocar o Stand Up Paddle. Foi mais uma adequação do

rio a um esporte que não precisa de tanta água”, afirma Ginghini. Turistas Socorro é uma cidade que, apesar de ter a prática do rafting como uma das atividades mais procuradas, também atrai outro tipo de turista. De acordo com Sebastião Ginghini, há os turistas que buscam tranquilidade e descanso no Corredor Turístico do Rio do Peixe, e aqueles mais

jovens e aventureiros, que buscam os esportes radicais. Apesar do susto, Ginghini afirma que os turistas que buscam aventura estão voltando. Deise Formagio, chefe dos serviços de turismo da cidade de Socorro, também confirma que mesmo com as adequações necessárias, o turismo de Socorro deve se manter forte. “Dado que temos uma grande diversidade de atividades de aventura para oferecer ao turista, como arvorismo, rapel, trilhas em meio a natureza e cavalgadas, a situação hoje em dia está praticamente normalizada”. Para não ser pego de surpresa novamente, Charles já projeta novos atrativos para o turismo em Socorro. “Nossa empresa estará trabalhando outros segmentos como cicloturismo e cursos diversos de canoagem, rafting entre muitos outros. Eventos ligados à natureza, respeitando uma ‘agenda verde’ também somam boas receitas”. Mas muito além da preocupação com a queda dos turistas e do faturamento, o pensamento e conscientização é unânime. S+

Prática de Stand Up Paddle no Rio do Peixe, à esquerda, e descida do Rio do Peixe


COTIDIANO

18 de maio de 2015

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LED surge como alternativa para economizar energia

Infografia: Nathani Mota

Custo

Substituição representa economia de até 20%, mas preço afasta consumidor Vinicius Whitehead

Vinicius Whitehead

O uso das lâmpadas com a tecnologia LED (Diodo Emissor de Luz, em português) ganha cada vez mais espaço no mercado, em razão do potencial energético prejudicado pela crise hídrica. Em vias públicas e semáforos, as lâmpadas já estão sendo substituídas por essa versão. A eficiência da alternativa está na produção da mesma quantidade de luz utilizando menos energia que as convencionais. Com apenas 10

watts, uma lâmpada de LED ilumina o mesmo que a incandescente de 60W. Por ser pouco eficiente e gastar mais energia, a lâmpada incandescente será banida do mercado até 2016, já que menos de 10% da energia que passa por ela é transformada em luz. O restante da eletricidade produzida é perdida na forma de calor, por isso, elas ficam quentes quando acesas por muito tempo. Com este cenário, o consumidor tem basicamente três

Complexo viário no bairro São João, em Jundiai, utiliza lâmpadas de LED

opções de lâmpadas domésticas: a halógena, que custa entre R$ 5 e R$ 10 (70 W), a fluorescente compacta, entre R$ 10 e R$ 15 (25W) e a de LED, com o preço variando entre R$ 35 e R$ 50 (10W). Essas opções são mais caras do que a incandescente. Por outro lado, como gastam menos energia e têm maior durabilidade, o saldo final é positivo. Em termos de durabilidade, uma lâmpada de LED equivale a 50 lâmpadas incandescentes, oito lâmpadas compactas fluorescentes ou até a 16 lâmpadas halógenas. “Em uma residência com aproximadamente 10 lâmpadas incandescentes, a pessoa que troca as lâmpadas de 60 watts por tipos de 10 watts, de LED, já representa uma economia anual da ordem de R$ 200”, afirma o engenheiro eletrônico Elton Zacatto. Ainda sob este contexto, João Campos, síndico de um condomínio de apartamentos em Jundiaí e que realizou essa

troca há seis meses, diz que o investimento foi de aproximadamente dois mil reais nas 110 lâmpadas que foram substituídas. A conta, que antes variava entre R$ 900 e R$ 950, reduziu em 20%. “Além dessa economia, que em um ano já recuperamos o investimento, elas não quebram e nem esquentam. Não tive que trocar nenhuma até agora”, revelou. A concessionária Autoban, que administra as rodovias Anhanguera e Bandeirantes, trocou as lâmpadas convencionais pelas de LED em algumas balanças das rodovias. Com 2.800 lâmpadas trocadas, o novo sistema reduziu 15% do consumo. “Ainda não substituímos todas as lâmpadas ao longo da rodovia, pois as de LED ainda não são tão eficientes quando há situação de neblina, mas estamos estudando projetos para economizar mais energia”, afirma o gestor de tecnologia da concessionária, Pedro Santos do Rego. S+

Fonte: Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux)

Exposição ao sol afeta saúde de trabalhadores Queimaduras, herpes, acne, alergias e câncer de pele são algumas das doenças causadas pelos raios ultravioletas Os trabalhadores em Campinas estão mais expostos às doenças na pele. Segundo divulgação da Defesa Civil, o índice de ultravioleta (IUV) tem atingido 14 pontos em uma escala que vai até 15. O protetor solar é o maior aliado no combate a esses riscos, mas para quem trabalha exposto ao sol essa proteção não tem garantia por lei. Em Campinas, não existe nenhuma lei em que o uso do protetor solar é obrigatório nas empresas. Apenas em âmbito nacional já existiram projetos de leis, como tentativa de tornar o protetor material obrigatório em trabalho. Para o Ministério do Trabalho, existem equipamentos obrigatórios que as empresas devem oferecer para os seus empregados prezando a proteção dos mesmos, os chamados EPIs. As empresas que não fizerem a distribuição

Fernanda Sunega/ PMC

Jéssica Nespoli

Funcionário da Defesa Civil de Campinas utiliza camisa comprida e boné para se proteger do sol

desse material estão sujeitas a multa e penalidade. José Carlos Ricardo, proprietário de uma empresa de construção civil, faz a distribuição dos EPIs para seus funcionários, como óculos, protetor de ouvido, capacete, luvas, sapatão, importantes para evitar acidentes. Sobre a

distribuição de filtro solar, comenta “acho importante, mas não ofereço para os meus funcionários porque eles já não usam os equipamentos que são de uso obrigatório, imagina outros”, afirma Ricardo. Algumas empresas de Campinas oferecem protetores solar aos seus funcioná-

rios, como a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), os Correios e empresas que prestam serviços ao Aeroporto de Viracopos. O protetor é distribuído somente pela manhã para os funcionários, porém, a jornada de trabalho dos mesmos dura de 6 a 8 horas dia-

riamente. Para a dermatologista Maria Elisa Silva, o protetor solar deveria ser um item obrigatório em empresas, por ser mais uma proteção à saúde de quem trabalha exposto ao sol. E explica que “para uma proteção 100% eficaz é necessário aplicar filtro solar a cada duas horas. Além do que, cada pele precisa de um fator de proteção solar (FPS) diferente, peles mais escuras podem usar o FPS 15, para peles mais claras a partir de FPS 30”, diz Maria Elisa. A médica alerta que manchas marrons ou avermelhadas, pintas de pigmentação diferente, alteração na textura da pele, mudanças perceptíveis ao olho humano, podem indicar alguma doença na pele. Mesmo que nenhuma alteração seja percebida, é necessário ir ao dermatologista pelo menos uma vez ao ano para um exame mais detalhado. S+


SAÚDE

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18 de maio de 2015

Pesquisa mapeia saúde mental dos motoboys Psicólogo constatou que esses profissionais de Campinas sofrem depressão e 38% deles usam drogas Camila Araújo

Priscilla Geremias Camila Araújo

Prazos apertados, trânsito carregado, acidentes e posição de trabalho. Essa é a rotina dos profissionais que ajudam a movimentar as capitais do país: os motoboys. E entre uma entrega e outra, o psicólogo Alex de Toledo Ceará desenvolveu, em sua tese de doutorado defendida na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, uma pesquisa que apontou o perfil psicológico dos motociclistas. A pesquisa apontou características de 194 profissionais de Campinas, em sua maioria jovens de 18 a 34 anos, que possuem uma longa jornada de trabalho, um perfil aventureiro, competitivo e apreciam o que fazem. “Eles são um exemplo da sociedade pós-moderna, que vive com pressa, pressão, estressada, que flui pelos espaços muito rapidamente e não tem tem-

Estudo mostra que 30% dos motociclistas entrevistados já sofreram algum tipo de acidente de trânsito

po”, comenta o pesquisador. Uso de drogas Alex abordou ainda a

Dados da pesquisa

194 entrevistados 20% consomem maconha 18% usam outras drogas histórico de 30% comacidentes

saúde mental e o uso de substâncias psicoativas por motoboys. Por meio de um questionário o pesquisador avaliou e constatou que 14 profissionais têm depressão e 16 sofrem de ansiedade. A convivência diária possibilitou que o psicólogo observasse o uso de drogas por motoboys. A maconha é usada por 20% dos profissionais, até mes-

mo durante o trabalho. Outras drogas consumidas pelos jovens são o álcool (8%), cocaína (4%), esteróides (3%), ecstasy (2,5%) e crack (0,5%). “Temos que refletir, além da influência do álcool na capacidade de dirigir, na influência da maconha”, avalia Alex e completa que vê o uso da droga como busca de alívio.

“Eu acho que isso tudo precisa ser repensado, levando-se em conta o ambiente de trabalho. Não quer dizer que o uso das drogas é consequência do ambiente de trabalho, mas sem dúvida há uma forte ligação”, afirma o psicólogo. Riscos de Acidentes O psicólogo avaliou 25 profissionais com histórico de acidentes e 25 sem histórico. Ele verificou que o desgaste emocional e perfil aventureiro fazem com que os motoboys estejam mais sujeitos a riscos de acidentes. Segundo a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), a cada 10 acidentes de trânsito envolvendo vítima, sete envolvem motocicletas. A empresa informou que em 2013, 52 motociclistas morreram nas ruas da cidade. S+

Estresse atinge 70% da população do país e causa doenças relacionadas ao trabalho Estudos apontam os principais sintomas dos males físicos e pscicológicos ligados à rotina profissional Uma pesquisa realizada pela Isma-BR (International Stress Management Association) apontou que 70% da população economicamente ativa do Brasil sofre com os males causados pelo excesso de estresse. Os principais sintomas gerados pelos transtornos são irritabilidade, cansaço e dores no estômago. Neste contexto, a Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp também fez um levantamento que divulgou dados sobre doenças relacionados à rotina de trabalho. Os resultados mostraram que as doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho (Dort) estão diretamente ligadas à síndrome do esgotamento mental. Nos últimos anos, 858 casos de Dort foram atendidos pelo ambulatório da Unicamp,

sendo que 280 apresentaram ligação com algum tipo de transtorno mental. A administradora de empresas Cláudia Sarmento, 46, contou à reportagem que começou a sentir algumas dores durante o horário de trabalho, mas chegou a pensar que não fosse nada preocupante. “Comecei a ter falta de apetite, mas achei que era por conta do meu dia a dia corrido. Não tinha horário certo para almoçar, mas, depois de algumas semanas, passei a ter dores no estômago e a situação foi piorando cada vez mais”, comenta a administradora que foi diagnosticada com depressão. A doença acarretou gastrite e síndrome do pânico e, além disso, a profissional ficou afastada do trabalho por 4 anos. Para explicar detalhes da realidade destes pacientes, a enfermeira do trabaho Fer-

nanda Brognaro dos Santos conta que, nestes casos, é preciso identificar o nível de estresse da pessoa afetada com os males gerados pela doença. “Depois de um dia de expediente e de enfrentar o trânsito, algumas pessoas ainda precisam realizar atividades domésticas, como cuidar dos filhos, e isso pode refletir

na exaustão do corpo. Nestes casos, apenas uma noite de sono é suficiente, mas, infelizmente, nem sempre é o melhor”, afirma a funcionária da área médica. Ainda segundo Fernanda, existem gravidades diferentes dos transtornos mentais, que podem ser divididos em leves, moderados ou graves. Além

disso, o diagnóstico pode ser depressão, a Síndrome de Burnout (tensão emocional e estresse crônico provocados por condições de trabalho desgastante) e o estresse pós-traumático. Os tratamentos normalmente são realizados por um médico psiquiatra, que diagnostica e receita o paciente. S+ Infografia: Priscilla Geremias

Isabella Vicentin


PUC-CAMPINAS

18 de maio de 2015

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Fábio Sales, editor de arte do jornal O Estado de S. Paulo, explicou como o digital pode ampliar o poder da informação, tornando a notícia mais atrativa

Convergência é tema da Jornada de Jornalismo Profissionais e professores da área discutem como a internet modificou o modo de exercer o ofício Daniela Castro Giselle Reis

A Jornada de Jornalismo realizada na PUC-Campinas, levou à universidade a discussão sobre a convergência de conteúdo. O evento foi realizado nos dias 29 e 30 de abril, no Auditório Dom Gilberto e na sala 800, no Campus I, nos períodos matutino e noturno. No primeiro dia da jornada, profissionais de dois grandes jornais do país abordaram a experiência do mercado sobre o meio impresso e digital, já no segundo dia, docentes fizeram uma reflexão acadêmica sobre o tema. Rogério Pilker, um dos convidados do primeiro dia

do evento, que desde 2013 é infografista na editoria de arte da Folha de S. Paulo, afirma que “todo mundo ali é jornalista, todo mundo ali produz”, em referência a redação do jornal. Segundo ele, é preciso ajuda mútua entre as equipes de arte e reportagem, para manter um equilíbrio e chegar a um bom resultado em ambas plataformas. Além desse equilíbrio, Roberto Dias, secretário-assistente de redação da Folha de S. Paulo, complementou que o desafio é conseguir mostrar que o jornalismo digital é também profissional. “É preciso saber vender seu conteúdo”, afirma Dias,

mesmo com o crescente ganho de mercado digital dos jornais impressos. No online é preciso pensar em distribuição de conteúdo, pois é necessário estudar o comportamento do leitor para saber o horário, a rede social e tipo de legenda mais adequados para fazer a distribuição do link na base digital. Ainda no dia 29, o repórter do jornal O Estado de S. Paulo, Edison Veiga, que assina a coluna Paulistices, discutiu a capacidade de transição das matérias do jornal impresso para o meio digital e vice-versa. “Hoje facilmente acontece de matérias que são do site pautarem as

impressas, só é preciso adequar os elementos gráficos de cada plataforma”, afirma. Também do Estadão, esteve presente o editor de arte do portal, Fábio Sales, que complementou a fala de Veiga, abordando como os elementos do digital podem ampliar o poder da informação, tornando-a mais atrativa e acessível. No último dia da jornada, o professor da PUC-Campinas e pesquisador associado do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), da Unicamp, Celso Bodstein, falou sobre os elementos e dificuldades do jornalismo multimídia. “A partir

da era da internet passou a se exigir mais percepção e consciência do jornalista. É preciso pensar com mais apreço o jeito de se fazer fotojornalismo e multimídia dentro das faculdades”, afirmou Bodstein durante a palestra. O último palestrante do evento, João Massarolo, cineasta e professor associado da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), finalizou falando sobre a individualidade na Internet e a cultura participativa, afirmando que os blogs são os novos formadores de opinião e ressaltando que toda produção da web, submete-se aos usuários. S+

Daniela Castro

Vinícius Tavares

“A partir da era da internet passou a se exigir mais percepção e consciência do jornalista”

“Hoje facilmente acontece de matérias que são do site pautarem as impressas, só é preciso adequar os elementos gráficos de cada plataforma”

Celso Bodstein

Edison Veiga


CULTURA

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18 de maio de 2015

Soldados e dançarinos do grupo carregando as bandeiras de cada estado confederado

Em busca de um recomeço “Festa Confederada” realizada em Santa Bárbara D’Oeste comemora 150 anos da imigração dos americanos para o Brasil Giselle Reis

Tradição. Essa é a palavra que caracteriza a festa realizada há 27 anos em Santa Bárbara d’Oeste. Organizada pela Fraternidade Descendência Americana, a Festa Confederada mantém viva a memória e os costumes dos americanos que se fixaram no interior do Estado de São Paulo. Em busca de um recomeço, diversos moradores do sul dos Estados Unidos encontraram no interior paulista, um lugar para recomeçar. A 27ª edição da festa celebrou os 150 anos do fim da Guerra Civil, que marcou a vinda dos americanos para o Brasil. Com muita música, dança, trajes e comidas típicas da América sulista do século XIX, descendentes de imigrantes, familiares e amigos se reuniram para celebrar a chegada de seus antepassados. Após o fim da Guerra de Secessão, em 1865 (vide box), famílias americanas estavam à procura de uma vida melhor em outro lugar. O Brasil foi então o país escolhido. Segundo a tradição oral, passada de geração em geração, havia próximo à cidade de Santa Bárbara d’Oeste uma terra

com um ótimo solo para o plantio de algodão. A convite do Imperador Dom Pedro II, um admirador nato dos EUA e que planejava desenvolver a indústria algodoeira no país, os americanos migraram para o Brasil, subsidiados pelo governo. Aqui, eles se depararam com um povo que os acolheu bem e um solo que era bom para o plantio, não só do algodão, mas como de outros cultivos que os sulistas estavam acostumados a lidar. Desde então, a maior comunidade de norte-americanos do país mantém viva as tradições e costumes com os quais foram criados. A Festa Confederada é apenas uma marca deste fato. Enquanto mulheres utilizam típicos vestidos da época, os homens se vestem com o uniforme dos soldados. Eles conversam e dançam no mesmo local que estão as barraquinhas enfeitadas de azul, branco e vermelho, vendendo hot dog, barbecue e hambúrguer. As músicas caracterizam o ambiente e fazem o espectador se sentir como na América sulista de 1800. Na edição deste ano, a Johnny Vox e banda responsabilizou-se pelo country, enquanto o FolkDanci

Group mostrou a qualidade da square dance (a quadrilha americana). Douglas Ravel, um dos dançarinos do grupo não é filho de descendente, mas sente orgulho de fazer parte da festa há cinco anos. “Conheci a festa em 2009 a convite da Lucy e em 2010 fui convidado para dançar com uma de suas filhas. E é uma satisfação grande ver todo o envolvimento do pessoal para a realização desse evento, que além do respeito dos descendentes pela história de seus antepassados é uma festa culturalmente rica. Uma oportunidade única de interagir com essa variedade de estilos num só local”, afirma Ravel. A festa, que é realizada anualmente no Cemitério do Campo (construído em 1868), angaria fundos para a preservação do local. Este ano em particular, o valor arrecadado será direcionado também para subsidiar os projetos de comemoração dos 150 anos, como a publicação da 3ª edição do Livro Soldado e para a construção do monumento comemorativo. A Casa da Criança, o Rotary Club Americana e Grupos dos Demolays também serão beneficiados. S+

A Guerra de Secessão (1861-1865)

Abraham Lincoln, eleito em 1860, viu em seu primeiro ano como presidenciável, 11 estados declararem independência formando os Estados Confederados da América ao sul do país. As diferenças entre as regiões foi o motivo para o início da Guerra Civil Americana em 12 de abril de 1861. Enquanto o Sul era escravista e possuía uma economia agroexportadora, o Norte defendia a libertação dos escravos para que eles fizessem parte do mercado consumidor, tinha a economia baseada na indústria e incentivavam o desenvolvimento de empresas nacionais. Para unificar o país novamente, a União (norte) entrou em conflito com os sulistas logo após a declaração da secessão. O confronto acabou resultando na morte de mais de 200 mil soldados em combate. Os confederados assinaram o termo de rendição no dia 9 de abril de 1865 e os modelos econômicos e políticos do Norte foram então adotados por todo o país.

No cinema e na televisão

Série documentário “The Civil War” (1990) de Ken Burns

Filme “Tempo de Glória” (1989) dirigido por Edward Zwick

Filme “Lincoln” (2012) dirigido por Steven Spielberg

Fotos: Divulgação

Marcelo Rodrigues

Saiba+ - Edição Maio de 2015  
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