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Juca Kfouri comenta sobre Copa das Confederações Página 6

Faculdade de Jornalismo

17 de junho de 2013

PUC-Campinas

JUCA completa vinte anos em Jacareí

O Saiba + traz uma reportagem especial sobre a 20ª edição do evento mais esperado pelos estudantes de comunicação do Estado de São Paulo que, neste ano, glorificou a Cásper Líbero como bicampeã. Além de vitórias e derrotas, houve ainda uma homenagem a um jogador, que você confere nas páginas a seguir. Mirela Von Zuben

Esporte “só Facebook vira cupido para elas” entre universitários tem pouca di- Na rede social mais acessada do mundo, a pávulgação no gina “Te vi na Puccamp”, feita e mantida por alunos da PUC-Campinas, tem dado o que falar Brasil entre os corredores da universidade. Para partiO Roller Derby, jogo de contato em que as garotas disputam uma partida usando patins, ainda não tem uma projeção considerável em terras brasileiras. Aqui na região, a única liga conhecida se chama RedFeet e fica em Piracicaba. Sem muitos recursos, as meninas suam bastante para jogar e representar o interior paulista em competições. Página 6

Bares de encher os olhos e copos de cerveja

Natália Beraldi

cipar, basta ver alguém que lhe chame a atenção; apaixonar-se; encantar-se; descrevê-lo na página e, quem sabe, o reencontrar. Página 3

19 de junho é Dia Nacional do Cinema Especialistas falam sobre a importância do Dia Nacional do Cinema e chamam a atenção para problemas da indústria cinematográfica brasileira, que tenta competir com as produções estrangeiras e muitas vezes deixam de exibir as nacionais nas grandes telonas. Confira a programação de comemoração. Página 8

Em Campinas, cidade dos bares e botecos, existem espaços dedicados a públicos de diferentes gostos musicais, que vão desde o rock, até o sertanejo e o jazz. Quem não liga

tanto para a música e prefere um futebol na hora de tomar a sua gelada, ainda pode optar por locais ocupados só por torcedores daquele time que tanto ama. Página 7


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17 de junho de 2013

RÁPIDAS

CARTA AO LEITOR

Casa de Portugal faz festa junina com culinária portuguesa

O Juca foi em Jacareí (SP) e a Cásper Líbero consolidou-se como bicampeã, provando que nem só de caneta e papel se faz um comunicador. Mesmo que eles tenham levantado o troféu, foi com a torcida da PUC-Campinas que a cidade mais sentiu o chão tremer. Neste Saiba+, trazemos um especial da 20ª edição do evento, além de relatar o mundo pouco conhecido do Roller Derby aos olhos brasileiros; uma entrevista com Juca Kfouri falando sobre a Copa das Confederações; a sensação dos alunos da PUCCampinas no Facebook; bares temáticos de encher os copos de cerveja; os viciados em celular e um especial sobre o Dia Nacional do Cinema. Boa leitura!

A Casa de Portugal de Campinas realiza sua tradicional festa junina com um Festival de Culinária Portuguesa, ao invés dos típicos pratos dessa época do ano. Bolinho de bacalhau, Caldo verde, Sardinha Portuguesa assada na brasa, Arroz de bacalhau e Cuscuz são algumas das porções do cardápio.. A comemoração acontece aos sábados do mês de junho, nos dias 1º, 8, 15, 22 e 29, e em julho, dias 6 e 13, sempre com início às 19h. A entrada é gratuita. A Casa de Portugal fica na Rua Ferreira Penteado, 1.349, Cambuí.

ARTIGO

Volta ao monopólio! Andrea Nuñes

Estudante de Jornalismo

Palhaços apresentam Julieta e Romeu no Sesc Campinas

O Sesc de Campinas recebe no dia 21 de junho, às 20h, a atriz Mafalda Mafalda e seu jovem estagiário. Eles apresentam repertório com cenas clássicas do dramaturgo William Shakespeare. A peça faz parte da Mostra que celebra os 15 anos de atuação do Barracão Teatro, companhia estabelecida em Barão Geraldo, distrito de Campinas, e que se caracterizou por explorar o hibridismo entre a linguagem do palhaço e da Commedia Dell’art, tornando-se referência nacional nas artes cênicas. “Cinema na mesa” reapresenta o filme “Como água para chocolate” No dia 20 de junho, o evento “Cinema na Mesa” reapresenta o filme “Como água para chocolate”. O encontro proporciona ao público a experiência de assistir a um filme degustando pratos de um cardápio baseado na obra em exibição. Os pratos do menu inspirado pelo filme serão servidos durante a exibição. O valor da entrada é de R$ 60,00 por pessoa e inclui entrada, prato principal e sobremesa. Bebidas e taxas de serviços são cobradas a parte. O “Cinema na Mesa” acontece no restaurante Estação Marupiara, localizado no distrito de Joaquim Egídio - Campinas/SP. As reservas devem ser feitas pelos telefones (19) 3298-6289 ou (19) 9243-1715. SAIBA + Jornal laboratório produzido por alunos da Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas. Centro de Comunicação e Linguagem (CLC): Diretor: Prof. Dr. Rogério E. R. Bazi; Diretora-Adjunta: Profa. Me. Maura Padula; Diretor da Faculdade: Prof. Me. Lindolfo Alexandre de Souza. Tiragem: 2 mil. Impressão: RAC. Professor responsável: Luiz R. Saviani Rey (Mtb 13.254). Editores: Mirela Von Zuben e Renan Costa Diagramadores: Michelle Lopes e Natália Beraldi Endereço: CLC – Campus I – Rodovia D. Pedro, km 136. Cep: 13086-900

CRÔNICA

Quando o time decepciona o torcedor Marcos Araújo

Estudante de Jornalismo

A

provado pelo Congresso, o projeto de lei que “regulamenta” o acesso de estudantes e idosos à meia-entrada tem causado polêmica. Isso porque esse projeto reduz 40% do total dos ingressos disponíveis, em cada evento, para meia -entrada. Para exercer seu direito, o estudante terá de apresentar uma carteira de identificação padronizada nacionalmente, que somente poderá ser emitida pela UNE (União Nacional dos Estudantes), UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) e ANPG (Associação Nacional de Pós Graduandos). Estas organizações, responsáveis pelo monopólio das carteirinhas de estudantes, achãmesta medida irá baratear os ingressos, o que não passa de bobagem, já que o custo alto das carteirinhas se deve as principais organizações de eventos culturais e esportivos serem privados e não

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xistem várias formas do time de coração decepcionar o torcedor. Uma goleada sofrida pelo maior rival, um tropeço contra algum Asa da vida dos gramados, elenco com jogadores de baixa qualidade técnica são situações que fazem testar a fidelidade da relação. Talvez nem seja uma decepção de fato. Pode ser uma crise, igual de um casal de namorados, de marido e mulher. Para o ex-torcedor Adelino, taxista campineiro de 70 anos, não tem mais conversa. A separação já dura 26 anos. O trauma foi tão grande que o senhor não teve coragem de tentar uma reaproximação ou novo envolvimento sentimental com outra agremiação deve haver uma pontinha de amor escondido, mas a mágoa engessa a esperança de voltar. Sua Ponte Preta o decepcionou. Não foi uma marca emocional ou física. A dor foi no bolso. O River do Piauí vinha desfrutando de bom momento em seu estado. Engatilhando uma vitória atrás da

pelo alto número de meias -entradas que são proporcionadas. O documento deverá ser renovado anualmente e, com isso, já há boatos de que a arrecadação alcance meio bilhão de reais por ano que será repassado aos bolsos da UJS e seus amigos. O que se vê, analisando todo esse cenário, é uma conivência e acomodação por parte do governo. O Estado deveria garantir e criar condições de oferecer esses serviços a todas as classes da população de forma acessível. A meia -entrada é um direito inegociável e os estudantes não podem ficar apáticos diante desta decisão, devem se mobilizar em prol da manutenção da meia -entrada para todos os estudantes, sem reduções, lutar pelo barateamento real dos ingressos e fazer com que isto chegue a camadas da população não atingidas. outra, enquanto que a Macaca caindo dos galhos em São Paulo. Anotou na Loteria Esportiva vitória do River, coluna da esquerda. Os 13 milhões de cruzados eram mais importantes do que a Ponte surpreender e voltar para Campinas com um triunfo na bagagem. “Esse dinheiro resolveria minha vida”, lembra com voz lamentosa. A Ponte Preta foi ao Piauí. Enfrentou o River brasileiro e empatou por 1 x 1 para revolta do seu Adelino. A bagatela financeira foi dividida entre cinco pessoas que apostaram na coluna do meio. Desgostou-se do futebol. Foi traído, economicamente, pela Ponte Preta. Desde então deixou de acompanhar os jogos, não quer ouvir o nome do time mais antigo do Brasil. O assunto encerra-se quando chego ao condomínio em que a Dona Conceição vive. Para minha decepção jornalística por não poder estender mais o assunto, pela minha felicidade em puxar da memória do Seu Adelino esta história.


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ENTRETERIMENTO

17 de junho de 2013

Universitários usam Facebook para achar paqueras

A página “Te vi na Puccamp”, no Facebook, faz sucesso entre os alunos da universidade Thayline Rodrigues

Mariana Felix Thayline Rodrigues

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ma Fanpage recentemente inaugurada no Facebook está fazendo sucesso entre os alunos da PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica de Campinas) “Te vi na Puccamp” já tem 5.247 likes em menos de dois meses de existência, e o número de seguidores só cresce. A página tem a finalidade de ajudar os estudantes a conhecerem – ou pelo menos saberem o nome – daquela pessoa que acharam interessante nos corredores da universidade, mas que ainda são desconhecidas. A descrição do “alvo” é mandada para o administrador e a mensagem, publicada anonimamente. A criadora, uma aluna de economia que preferiu não se identificar, diz que fez a página depois de ter visto Fanpages similares de outras faculdades. A universitária conta que recebe, em média, 20 mensagens por dia. “É bem relativo, depende do dia.

A aluna Bianca Manzotti já foi alvo da paquera e afirma se divertir com os comentários

Já percebi que em fins de semana a frequência diminui”. Para não atrapalhar os estudos e conseguir dar conta de tantas solicitações, teve a colaboração de um amigo para gerir a página e mantê-la sempre atualizada. O sucesso da Fanpage é tão grande que o assunto tomou conta da maior parte das rodinhas de amigos nos corredores da univer-

sidade. “Fico muito feliz e satisfeita pela repercussão que ela atingiu. Fico andando pelo campus imaginando como seria se todas essas pessoas que comentam soubessem quem eu sou”, pontua a criadora. Os seguidores contam com a ajuda de outra tecnologia para achar a paquera: os smartphones. Assim que se interessam por alguém, disfarçada-

mente tiram uma foto da pessoa e já a enviam para a página à procura do nome daquele rosto. A resposta vem nos comentários em poucos minutos. Porém, a exposição causou problemas. Alguns dias depois que as publicações com fotos foram se intensificando, surgiram reclamações dos fotografados. “Estamos sofrendo ameaças de entrarem em

processo contra nós pela publicação de fotos sem autorização”, revelou a estudante de economia. Para evitar problemas maiores, ela retirou as fotos e achou melhor parar com esse tipo de publicação por um tempo, “até a poeira baixar”, acrescentou. A estudante de relações públicas Bianca Manzotti, 23 anos, já foi procurada na página e afirma não entender o envio de fotos como invasão de privacidade. “Creio que é uma maneira mais fácil de o interessado achar a pessoa. Não acho uma invasão, já que se trata de uma página pública com um vínculo aos alunos da universidade”, relata a estudante, que confessou não ter se interessado muito quando soube que foi procurada na página. Mesmo assim, ela conta que se divertiu com as mensagens e com a criatividade dos xavecos. “É muito engraçado como as pessoas descrevem umas as outras. Quando li a minha, pensei: será que sou eu, mesmo?”.

Vício do celular tem nome e pode ser prejudicial O medo de ficar sem o aparelho e a sensação de desconexão do mundo desenvolvem a chamada nomofobia Stephanie dos Santos Stephanie dos Santos

Até durante as aulas, Emeline se concentra no celular

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ocê é daqueles que não vive sem celular? Que leva o aparelho aos momentos mais inusitados possíveis, como o chuveiro? Então fique atento, você pode estar desenvolvendo nomofobia. A palavra é a junção dos termos no+mobile+fobia, ou seja, o medo de ficar sem o aparelho móvel ou celular, desenvolvido pela necessidade que muitos

têm de se sentirem conectados, disponíveis e/ou visíveis para outras pessoas. De acordo com o professor doutor de psicologia da PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica de Campinas), Dirceu Scali Junior, “essa busca pela visibilidade dá a sensação de estar vivo e se resume no fato de estar conectável, encontrável, à disposição do outro, no

‘lugar’ em que o outro possa me achar a qualquer momento ou lugar”. Tais pessoas, quando estão sem o aparelho, sentem alteração na respiração, angústia, ansiedade e nervosismo. Elas devem ficar atentas, pois estes são sinais da patologia diagnosticada como nomofobia. A partir de 2008, com a chegada do iPhone 3G ao Brasil, e em 2009 com o lançamento do sistema operacional do Google, o Android, a tecnologia mobile vem crescendo em todo o mundo a largos passos e os smartphones se tornaram itens quase que obrigatórios na rotina dos brasileiros. Uma pesquisa realizada em 2012 pela revista “Time” em parceria com a Qualcomm ouviu 5 mil usuários de smartphones de várias idades em oito países: EUA, Reino Uni-

do, China, Índia, Coreia do Sul, África do Sul, Indonésia e Brasil. Foram consultados 600 brasileiros, sendo que 35% deles checam o celular a cada dez minutos e 74% deles só dormem se o aparelho estiver junto à cama. Outro estudo feito pela Fundação Telefônica Vivo, em parceria com o Ibope, a Escola do Futuro da USP e o Fórum Gerações Interativas com 18 mil pessoas de 6 a 18 anos, apontou que 34% dos jovens no Brasil nunca desligam o celular, nem mesmo dentro da sala de aula ou enquanto está dormindo. A estudante de Ciências Biológicas da PUC-Campinas, Emeline Ribeiro, 24 anos, faz parte deste índice. “Nunca desligo o celular. Ele é meu meio de contato com o mundo, sem ele não consigo nem acordar no horário para ir trabalhar”, afirma. Ela ten-

ta ainda justificar o uso do aparelho nas aulas. “Muitas atividades, trabalhos e conteúdos são repassados entre a turma pelo Facebook, então não dá para desligar, porque se esqueço alguma coisa da faculdade sempre tem alguém online no Face que me lembra”. Diante das justificativas da aluna para tal dependência do celular , Junior esclarece que “utilizar os meios criados pelo homem para facilitar sua vida não pode ser considerado prejudicial, mas os excessos e a dependência desses meios, substituindo experiências de situações de convivência real pelas virtuais, por exemplo, gera no individuo uma baixa capacidade de lidar com as divergências e conhecer a si mesmo, pois é no contato com o outro que nos percebemos, que sabemos de nós mesmos”, explica.


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ENTRETENIMENTO

17 de junho de 2013

Torcida da Puccamp ganha destaque no Juca Cásper Líbero conquista bicampeonato em Jacareí (SP), na 20ª edição dos Jogos

Mirela Von Zuben

Mirela Von Zuben Renan Costa

A onda verde e branca do interior tomou conta das arquibancadas de Jacareí (SP) na 20ª edição dos Jogos Universitários de Comunicação e Artes (JUCA) que aconteceu entre 30 de maio e dois de junho de 2013. A campeã foi a Cásper Líbero, mas foi a torcida da PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica de Campinas) quem chamou a atenção, inclusive da imprensa local, entre as oito atléticas presentes no evento. Para tentar responder o porquê da PUC-Campinas ser tão querida e apaixonada no evento, a reportagem do Saiba+ entrou em contato com um dos organizadores da “farra”. João Pedro Garrio, ex-aluno de Jornalismo e estudante do 1º ano de Relações Públicas, acredita que tal paixão existe porque é a única universidade do interior paulista a participar dos Jogos. “O fato de sermos os únicos do interior intensifica o nosso sentimento. A nossa vivência é muito

mais entre nós, diferente de São Paulo (capital), onde as faculdades são próximas”. Ainda segundo ele, desde o 1º dia de aula os veteranos abordam os alunos mais novos, dizendo a eles o que é a atlética, o JUCA, e como deve ser o sentimento dentro do CLC (Centro de Linguagem e Comunicação). Outro fator, segundo Garrio, é o “sofrimento” na disputa da competição, já que a PUC-Campinas não é considerada uma potência esportiva. Mesmo assim, cada derrota e cada incentivo em uma situação adversa intensificam o sentimento da torcida. “Nós sabemos fazer farra como ninguém, seja na arquibancada, na rua, ou no alojamento. Isso integra os nossos próprios alunos, a ponto da pessoa entender a famosa frase: só entende nossa paixão, quem vive nossa loucura”. Cásper Líbero Mesmo com toda a empolgação verde-branca, foi a Cásper Líbero quem levantou a taça de campeã

da 20ª edição do JUCA. Segundo Zé Fuzioka, atual presidente da atlética casperiana, o desempenho deles nos Jogos “não tinha como ser melhor”. O bicampeonato, segundo o presidente, foi uma comemoração aos 20 anos de existência da atlética. “Todas as modalidades têm um grande destaque neste título, não perdemos nenhum jogo na primeira fase. Os esportes individuais foram muito bem e tivemos o título inédito no Rugby”. Na coloca-

ção geral, ficaram atrás da Cásper, em ordem decrescente, as atléticas da Universidade Presbiteriana Mackenzie; Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP; Anhembi Morumbi; Universidade Metodista; Centro Universitário Belas Artes; PUC-Campinas e PUC-São Paulo. Victor Deppman Durante a partida disputada entre a Puccamp e a Cásper Líbero, o time verde-branco e sua torcida fizeram uma homena-

gem a Victor Deppman, 19 anos, morto durante assalto na capital paulista em abril deste ano que era aluno da Cásper. Antes de o jogo começar, na tarde do 1º dia de jogos, o time ergueu uma faixa para a torcida vermelha com os dizeres: “A Puccamp pede paz. Victor Deppman”. “Não tenho palavras para a caipirada. O coração dos caras é gigante. A homenagem emocionou a todos os casperianos e a família dele que estava presente”, agradece Fuzioka. Mirela Von Zuben

A atlética da Cásper Líbero foi bicampeã do Juca em 2013 na 20ª edição do evento

Mirela Von Zuben

Cásper Líbero Giulia Cirilo A atlética da Faculdade Cásper Líbero tem o nome de AAA JESSE OWENS e foi em 1993, data do primeiro Juca, tendo participação efetiva em todas as edições. Zé Fuzioka é o atual presidente da atlética, que conta com 25 atleticanos e esse ano levou 1.300 alunos aos Jogos Universitários de Comunicação e Artes. A AAA JESSE OWENS já foi campeã em 2011, repetindo a liderança agora em 2013. Segundo o presidente, a palavra que define a atlética é a paixão e quanto ao significado de integração, “é conseguir o role com todas as faculdades em paz”, comenta Fuzioka.


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ENTRETENIMENTO Mirela Von Zuben

PUC-Campinas Michelle Lopes AAA Comunicação e Artes nasceu em 2007 da intenção de três amigos de criar a atlética. Sem recursos ou apoio, cresceu significativamente nos últimos anos, não apenas em relação a seu tamanho, mas também a sua estrutura e reconhecimento dentro da Universidade. Desde sua fundação participa do JUCA, e neste ano levou 500 pessoas para torcer pela PUC-Campinas. A principal intenção dos jogos, que é “integração”, é definida por Dante Pantaleo, 23 anos, do 4º ano de Publicidade e Propanganda e responsável pela área financeira da atlética como: “É ser amigo de todas as atléticas, tratar todas do mesmo jeito, zuar com todas, mesmo sendo mais próximo de uma do que de outra. Isso tudo não é só no JUCA, é no ano todo”. Mirela Von Zuben

ECA - USP Luísa Fogaça Rolim A ECAtlética, fundada em 1989, participa dos Jogos Universitários de Comunicação e Artes há 20 anos. Sendo uma das fundadoras, em véspera da “bodas de prata”, é a única Faculdade pública ativa no JUCA. Seiscentas pessoas acompanharam a ECA este ano em jogos, torcida e na integração dos alunos com as demais universidades. Presidida por Guilherme Manarin, a atlética tem alto potencial em todos os esportes disputados, o que a fez sagrar-se campeã do JUCA em 2007. Bi-campeã, em 2010, a ECA tem como mascote o Homem-Boleto que anima as arquibancadas e a bateria. Mirela Von Zuben

Mirela Von Zuben

PUC-São Paulo Natália Beraldi Fundada em 2001, a sua primeira participação no JUCA foi em 2002, após a expulsão da ESPM, quando outra faculdade precisava tomar o seu lugar nos jogos. Nessa época também surge o Pucão, o cachorro que é mascote oficial. PUC São Paulo foi campeã dos Jogos Universitários de Comunicação e Artes em 2008. Bruno Simões é o atual presidente e o vice é Gabriel Mendes.

Belas Artes Mirela Von Zuben Associação Atlética Acadêmica Belas Artes foi fundada em 1993 e conquistou, em 2011, o título de campeã no Futsal Feminino, vitória mais expressiva da atlética até então. Beatriz Demôro é a atual presidente e, neste último JUCA, ficaram em 6º lugar. A reportagem do Saiba + tentou contato com a atlética, mas ninguém se manifestou até o fechamento desta edição.

17 de junho de 2013 Mirela Von Zuben

Metodista Andressa Cruz A Associação Atlética Acadêmica de Comunicação “Raí Souza Vieira de Oliveira” tem 15 anos e seu nome homenageia o ex-jogador Raí. A melhor colocação da Metodista nas competições foi o 2° lugar. Em 2013, a universidade levou aproximadamente 900 alunos, sendo que a maior delegação foi de 1200 pessoas em 2007. A Atlética participou de todas as edições do JUCA e em sua primeira edição, o evento foi sediado pela Universidade Metodista em seu próprio campus. Para o presidente da Atlética, Marcelo Farinello, integração significa o intercambio de experiências com alunos de outras faculdades, sempre com muita diversão e respeito. Mirela Von Zuben

Anhembi Morumbi Renan Costa Fundada no fim de 2006, a Grifo é o símbolo da atlética da Anhembi Morumbi. A Grifo possui 25 integrantes e a presidente da atlética, Renata Nappi. A Anhembi participou do 1º Juca, em 1993, mas entraram para competir apenas no ano passado. Segundo a presidente, a alma da atlética é a bateria. “Ela impulsiona a torcida, constrói e cultiva o sentimento de amor pelos times”. Em 2013, a Anhembi teve cerca de 750 participantes e um dos legados que ela deixa é a boa relação com as demais faculdades participantes. Mirela Von Zuben

Mackenzie Mariana Felix A Associação Atlética Acadêmica Comunicação & Artes Mackenzie foi fundada no ano de 1978. Tendo o tubarão como mascote, que os representa em faixas e até bonecos animadores de torcida, a Tuba Mack 13 foi primeiro lugar em 14 edições do JUCA desde 1996. A reportagem do Saiba+ tentou contato com membros da atlética, mas eles não se manifestaram até o fechamento desta edição.


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ESPORTE

17 de junho de 2013

Juca Kfouri critica atraso no futebol brasileiro

Jornalista do UOL e da Folha diz que é preciso adequar calendário e “tirar o pó” de nossos técnicos Divulgação

Jornalista comenta sobre a Copa das Confederações

Luísa Fogaça

J

uca Kfouri é, na concepção geral, “um jornalista integralmente engajado na busca da verdade”, segundo o que definiu Alberto Dines, expoente da mídia nos anos 1960 e 1970. Na atualidade, Juca é uma das palavras mais respeitáveis no cenário do jornalismo esportivo brasileiro. Mantém um blog na UOL, é comentarista na ESPN-Brasil e escreve para a Folha de S. Paulo.

José Carlos Amaral Kfouri nasceu em 4 de março de 1950 em São Paulo e é formado em Ciências Sociais pela USP. Trabalhou no Esporte da extinta TV Tupi, na Placar, como editor de projetos especiais e como comentarista do SBT (SP), paralelamente ao seu trabalho na Editora Abril. Atuou na TV Record na Globo e em 1991, foi convidado a comandar, concomitantemente, as revistas Placar e Playboy, onde ficou até 1994. Participou do programa Car-

tão Verde, da TV Cultura e atuou no jornal Lance. É autor dos livros Emoção Corinthians, Corinthians – Paixão e Glória, Meninos eu vi, O passe e o gol e Por que não desisto – Futebol, dinheiro e política. Nesta edição do Saiba+, Juca fala de Copa do Mundo, suas expectativas em relação ao evento e o papel que a Seleção Brasileira desempenhará jogando em seus próprios domínios. Saiba +: Após os episódios envolvendo violência entre torcedores, o país do futebol está preparado para receber a Copa? Isso prejudica a imagem do país e pode afugentar os visitantes? Juca Kfouri: Prejudicar a imagem prejudica. É ruim perante o ext erior. Porém, em Copas do Mundo essas coisas não costumam acontecer porque existem sistemas rígidos de segurança. S+: Qual o legado que a Copa do Mundo no Brasil deixará para a população em termos de infraestrutura efetiva a longo prazo? J.K.: Infelizmente, de concreto, fora os estádios que permanecerão como obras modernas, atuais,

quase nada de efetivo. De efetivo, mesmo, vão ficar somente a festa, que será enorme, e, certamente, bonita. Seus feitos sobre o público e a saudade do megaevento, que entrará para a memória das copas. S+: Por qual razão temos que alocar jogos de uma Copa do Mundo na Amazônia? Há interesses além dos turísticos nessa designação? O estádio pode virar um belo elefante branco? J.K.: É óbvio que o estádio virará um elefante branco e ficará longe de reunir grandes platéias. Os interesses são inconfessáveis, além da megalomania que predomina no Brasil. S+: Em termos de infraestrutura aeroportuária e de mobilidade, acha que daremos vexame? J.K.: Sem dúvida, esse é o maior gargalo da Copa no Brasil. Desde já, o risco do vexame está iminente. S+: A Copa das Confederações será um bom teste para a Seleção Brasileira? J.K.: Sim, é importante a participação do Brasil e a realização da Copa das Confederações aqui, como

forma de avaliarmos as seleções estrangeiras, em especial as européias, a distancia entre nossa seleção e os times de ponta na atualidade. S+: Na sua visão, o que mudou no futebol brasileiro para ele ter andado na contramão do progresso do futebol mundial? O que é preciso fazer para retomamos a elegância, o toque de bola e outras magias? J.K.: O primeiro passo é marchar no andar do mundo, ou seja, adequar nosso calendário aos principais calendários do futebol mundial. O segundo é tirar o pó de nossos técnicos que estão atrasados e pensando num futebol que não existe mais. S+: Como vê o elenco convocado pelo Felipão? Faria outras convocações? J.K.: É o que temos, sempre com duas ou três alterações. S+: Neymar é fenômeno ou uma promessa efêmera? É possível compará-lo a Lucas, Oscar e outros? J.K.: Na minha visão, Neymar é craque, sabe jogar, é talento e é muito melhor que os dois.

Roller Derby mescla velocidade e contato para ganhar atletas A modalidade cresce no Brasil e conta com liga no interior de São Paulo, a Red Feet Andressa Cruz

O

Roller Derby é um esporte de contato coletivo praticado por mulheres com o uso de patins de rodas paralelas e jogado por duas equipes de cinco membros, sendo eles uma pivô, três bloqueadoras e uma atacante. A modalidade originou-se nos Estados Unidos em 1935 e consiste numa corrida praticada em uma pista oval no qual o principal objetivo é marcar pontos. A atacante, identificada por uma estrela no capacete, é responsável por pontuar, enquanto as demais jogadoras trabalham defendendo a jammer (atacante), facilitando a sua passagem e bloqueando

a atacante do time adversário. A alta velocidade e os bloqueios fazem com que as jogadoras sofram lesões. As partidas são chamadas de bout são divididas em dois tempos de 30 minutos. Cada um desses tempos tem um número indefinido de rodadas de dois minutos (jams). Para ganhar, é necessário que a atacante passe, a frente do time adversário, o maior número de vezes possíveis, sendo assim, marcando pontos. O esporte é dividido em ligas locais, assim cada uma depende apenas de suas patinadoras, voluntários e parceiros para divulgar a modalidade. No

Brasil, existem 27 ligas espalhadas pelas regiões do país. A WFTDA (Women’s Flat Track Derby Association) é a entidade principal que regulamenta as mais de 900 ligas no mundo inteiro. Piracicaba Em Piracicaba, a RedFeet é a liga que representa o interior paulista no cenário nacional de Roller Derby. A ideia de trazer o esporte para a cidade surgiu de uma amiga das atletas de São Paulo. “O treinamento era feito em locais improvisados, até conseguirem um lugar definitivo para treinar”, diz Érika Maestro, atleta da Red Feet.

A liga ainda tem o status de “não-oficial” e conta com 10 meninas e dois meninos, sendo eles o técnico e auxiliar. “Qualquer um pode praticar o esporte: baixa, alta, gordinha, magrinha. Quem não sabe patinar aprende e quem sabe começa praticando

os movimentos do derby e entendendo suas regras.”, diz Érika. Os treinos acontecem nas quartas-feiras, das 20h às 22h e aos domingos, das 16h às 18h. Para mais informações entre em contato com a Red Feet no e-mail: redfeetrollerderby@hotmail.com. Antonio Trivelin/Divulgação

Time de atlatas de Piracicaba, o único na região


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17 de junho de 2013

CIDADE

Bares temáticos reúnem diferentes tribos Rock, sertanejo, jazz e futebol estão inclusos no “cardápio” variado de Campinas Giulia Cirilo

O

s bares temáticos têm em sua característica intrínseca proporcionar um ambiente que remeta à memória afetiva de algum tema, trazendo para seu cliente aquela sensação de empatia, tendo em suas paredes, iluminação e ambientação a impressão de uma identidade. As músicas, atrações e o cardápio também dão o norte para esta caracterização, e o estilo do bar acaba muitas vezes reunindo tribos, gerando uma identificação e se tornando referência na região. Rota dos MC’s Pub O Rock n’ Roll unido à estrada e motos invocadas é sempre um trio certeiro. Pensando nos moto-clubes e motociclistas que caem nas estradas que ligam o distrito de Sousas e Joaquim Egídio ,em Campinas, o Rota dos Mc’s Pub tem um ambiente inspirado

Spaghetti Sport Bar Além de gostos musicais, também há uma paixão que reúne sertanejos, roqueiros, sambistas e pagodeiros em um mesmo ambiente: o time do coração. Há 10 anos o Spaghetti Sport Bar é reduto em Campinas de são paulinos que lotam o bar com suas camisetas e hinos em todo jogo do São Paulo. O local começou a atrair os torcedores depois que Miguel Lelis, um dos proprietários do Spaghetti e são paulino roxo, começou a transmitir os jogos do tricolor com frequência e isso gerou a identificação. Segundo o gerente da

na famosa e extinta Rota 66 e também nos bares de estrada norte-americanos. O bar, que fica na Rua Xavier Mayer, em Sousas, oferece shows semanais de bandas de rock clássico e um cardápio estilizado inspirado na cozinha dos Estados Unidos, no qual a costelinha de porco regada com o whisky Jack Daniel’s tem a maior procura do público. Para proporcionar conforto aos motociclistas que por lá param, o ambiente fornece até lugares para guardar as jaquetas de couro e capacetes. Segundo o sócio Thiago Tomas Gomes, o bar tem uma parceria com a loja de motos e artigos Harley Davidson, que fica em frente ao estabelecimento, e juntos eles combinam algumas festas, além de indicações mútuas. “Ou eles indicam clientes para conhecer o bar, ou a gente indica a loja para nossos clientes, é uma troca”, conta Thiago. casa, Marcos Antônio de Oliveira, o bar tem um conceito de futebol em geral. “Às vezes espanta essa coisa do pessoal pensar que aqui é de são paulino, a gente sempre passa jogos de futebol e o São Paulo é apenas um deles”, revela o gerente. A estudante e são paulina Jussiane Moreira, 28, frequenta o bar em dias de jogos do seu time e acredita que um ambiente que só tenha pessoas da mesma torcida traz mais segurança. “É bom porque não há quase brigas, fica todo mundo torcendo junto em um clima legal. Já fiz amizades aqui no Spaghetti por conta do tricolor”, conta a estudante. Ana Carolina Mora

Jogos do São Paulo sempre lotam o bar Spaghetti

Duvulgação

Ambiente rústico do Paioça do Caboclo remete os clientes ao clima da fazenda

Paioça do Caboclo O restaurante e bar Paioça do Caboclo, que se localiza no quilometro 5,5 da estrada de Joaquim Egídio, em Campinas, fica em um local arborizado e tem um clima de fazenda, no qual a trilha sonora fica por conta de duplas sertanejas e o cardápio traz comidas típicas da roça. Segundo o gerente da casa, Gustavo Fassani, o público que vai ao Paioça é formado por pessoas que cresceram na zona rural e atualmente

moram no urbano, chegam ao bar e têm a recordação do ambiente rústico. “Para mim, aqui lembra muito a casa da minha avó”, diz o gerente. Toda a decoração do local é feito com itens de memorabília, artigos que têm um apelo afetivo. Muitos dos objetos são da família do proprietário, mas há também itens de clientes. “Um dia um deles chegou aqui com um liquidificador da avó e perguntou se queríamos para

a decoração. Topamos, é claro”, conta Gustavo. O gerente de viagens Augusto Heubel, 43, frequenta o Paioça há dois anos quase todo o final de semana, sendo que aos sábados vai no período da noite com a sua namorada para curtir a balada sertaneja e, aos domingos, leva a família toda para o almoço. “Gosto deste contato com a natureza que o ambiente proporciona e também adoro uma moda de viola”, comenta Heubel.

Natália Beraldi

Natália Beraldi

O público do Almanaque Café aguarda o inicio do show

Almanaque Café Já o Almanaque Café, localizado na Avenida Albino José Barbosa de Oliveira, em Barão Geraldo, Campinas, reúne um público com gosto musical para o Jazz, Blues e Rock n’ Roll. A programação conta com uma grande gama cultural na região, com apresentações de dança, teatro e exposições de arte, tudo reunido no mesmo lugar, além de shows de artistas de renome na-

cional como Ed Motta, Dori Caymmi e também de bandas e concertos como do Conservatório de Tatuí. A ambientação é sofisticada e lembra bastante a art déco, característica da década de 20, no qual o Jazz e o Blues ficaram populares. Segundo o sócio Caco Piccoli, tanto a decoração quanto a programação têm inspiração nas antigas publicações de almanaques, que reuniam no espaço impresso a pluralidade de informações, trazendo o en-

O estudante Ricardo Diogo Righetto frequenta o Almanaque, em Barão Geraldo, desde a abertura da casa. O ambiente e a música sempre o agrada

tretenimento e a cultura. A casa, que teve sua primeira unidade em 1986 no bairro Cambuí e seu fechamento em 1998, retornou já no coração de Barão Geraldo há três anos. O estudante Ricardo Diogo Righetto, 26, frequenta a casa desde a inauguração da unidade em 2010. “Passei na frente e fiquei curioso, resolvi entrar. Depois comecei a frequentar a casa”, conta o estudante que admira a ambientação e a música, principalmente o Jazz.


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CULTURA

17 de junho de 2013

Data celebra um cinema brasileiro ainda em busca de identidade “Todo dia deve ser dia de cinema brasileiro”, reivindicam curadores do MIS Natália Beraldi

Michelle Lopes Natália Beraldi

Natália Beraldi

O

Dia do Cinema Nacional, comemorado em 19 de Junho, é uma data vazia, segundo especialistas, já que uma série de preconceitos ainda prevalece no meio cinematográfico brasileiro, a ponto de prejudicar aspectos como o da produção e distribuição. Não há salas públicas de cinema suficientes, os filmes não chegam ao público e a maioria deles tem produção concentrada da Rede Globo. A data foi criada para homenagear as produções realizadas no país, que hoje tentam competir com as estrangeiras, e promover uma exibição dos filmes nacionais nos cinemas. No entanto, apenas a existência dela não resolve os problemas enfrentados pelos produtores brasileiros. Para Ricardo Pereira, curador do Museu de Imagem e Som de Campinas (MIS) é como uma data qualquer. “Se o Dia do Cinema Nacional não vier acompanhado por uma política que realmente coloque os filmes dentro dos cinemas, e sem que ela seja articulada com uma política que permita o acesso do público a estes filmes, ela é apenas uma data vazia, mais uma como tantas outras”, lamenta. Para ele, esta data foi criada para suprir uma situação: os filmes não são exibidos nas salas comerciais. “No ano passado foram feitos 100 filmes no Brasil. Destes, 45 não foram exibidos em nenhuma sala de cinema. É um desperdício”, exclama. Por isso, numa tentativa de reverter essa má distribuição das produções ao público, espaços como o MIS, que contam com a colaboração de apaixonados por cinema, incluem nas programações, além dos clássicos, os filmes nacionais. “O MIS tem a característica de exibir filmes que por vezes não passam nos cinemas. Todo dia tem que ser dia de cinema brasileiro”, reivindica Orestes Toledo, historiador do museu. Essa crítica tem funda-

Ricardo e Orestes: paixão pelo cinema e dedicação ao público que frequenta o MIS

Dia Nacional do Cinema

Foi em 19 de Junho de 1896 que o italiano Afonso Segreto, considerado primeiro cinegrafista e diretor de cinema do Brasil, registrou as primeiras imagens de nosso país em movimento. Produziu tomadas das fortalezas e de navios de guerra na baía do Rio, a bordo do navio francês Brésil. mento: segundo a Agência Nacional do Cinema (Ancine), em 2012 das 20 maiores bilheterias, apenas três produções eram nacionais, representados por “Até que a sorte nos separe”, “E aí, comeu?” e “Os penetras”. Porém, o número de espectadores destes filmes juntos, que somam 8.127.092 pessoas, sequer ultrapassa a bilheteria do filme mais visto no Brasil: “Os vingadores”, produção americana assistida por 10.911.371 pessoas. Essa desvantagem é gerada pela tentativa de criar produções semelhantes às de Hollywood, que frustram os produtores e espectadores. Assim, os filmes nacionais mais vistos acabam sendo aqueles que de alguma forma se assemelham a produções já conhecidas e transmitidas pelos canais de televisão. “As salas comerciais não exibem filmes brasileiros como deveriam. Se você pegar os filmes mais assistidos, por exemplo - “Até que a sorte nos separe”, “E aí, comeu?”, “Diário de Tati”, “Os penetras”, “Cilada.com”, “Se eu fosse você” - todos eles tem uma coisa em comum: a Globo”, analisa Ricardo. E ainda completa: “As pessoas ficam com a vi-

são de um cinema que é quase uma extensão de um programa de TV, com uma roupagem que tenta competir com os filmes americanos, mas não tem como ser igual, afinal eles têm uma indústria por trás que sustenta as produções. Então, quando a gente procura fazer um cinema que fale com a nossa realidade mesmo, que tenha a nossa identidade, ele acaba não interessando, não chega até o público”. Chamar a atenção para o afastamento entre o público e o cinema é o objetivo da criação do Dia do Cinema Nacional. Mais do que levar as produções ao público durante apenas um dia, há a intenção de que esse contato com os filmes seja contínuo. “Se não houver salas públicas de cinema para promover a formação de público, o contato dele com o cinema, gerações estarão condenadas, censuradas, impedidas de saborear produtos culturais diferenciados”, prevê Orestes. Ele também se preocupa com a situação destas salas, da que existe hoje no MIS, por exemplo, e das que poderão surgir. Para ele, é preciso mais do que cadeira e tela: é preciso um espaço que traga conforto ao público para

que o cinema desempenhe a função principal de formar e entreter. “É preciso qualidade na sala: tratamento acústico, poltronas confortáveis, climatização. Você não pode tirar a pessoa da poltrona da sala de cinema do shopping para jogá-la numa cadeira dura. Tem que unir prazer, divertimento e conhecimento”, ressalta. Tanto ele quanto Ricardo Pereira abordam a repaginação do espaço como maneira a atrair o público. Não que o espaço material seja mais importante do que o conhecimento a ser passado ou do que o encontro entre pessoas que gostam de cinema, mas consideram es-

tas exigências de conforto uma forma de respeito ao público. “Além disso, outra característica não pode ser perdida é o diálogo, não só do filme com o espectador, mas dos espectadores entre si. Nas salas comerciais isso não acontece, o filme torna-se um produto descartável: você acaba de sair da sala e nem sabe o que assistiu. Você sai da sua casa, entra numa sala com mais 200 pessoas, assiste um filme de 1h30, vai embora e não conversa sobre o filme com ninguém. Cinema é, sobretudo, diálogo”, diz Ricardo. Sentados em cadeiras não muito confortáveis dentro de uma das salas para projeção de filmes do museu, localizado na área central de Campinas, no Palácio dos Azulejos, que abriga o museu desde a década de 70, Orestes e Ricardo concordam: apesar das melhorias que o espaço precisa, aquela ainda é a sala que resiste ao tempo e à concorrência das salas climatizadas dos shoppings. “Há uma exigência histórica deste espaço e mesmo que não seja nas melhores condições possíveis, ela não pode ser extinta. Enquanto existir, ainda que seja uma resistência, ela traz a semente da esperança. Ela existe porque existem pessoas que produzem aqui, que a frequentam, não é uma ação isolada. Enquanto existirem pessoas que resistem, ela existem”, orgulha-se Orestes.

Programação Junho 22 de Junho: sábado às 16h Febre do rato, direção de Cláudio Assis. Filme - Brasil, 2011, preto e branco, 110 min. 24 de Junho: segunda-feira às 19h A música segundo Tom Jobim, direção de Nelson Pereira dos Santos. Documentário - Brasil, 2012, 90 min. 27 de Junho: quinta-feira às 19h A criança, a alma do negócio, direção de Estela Renner. Documentário - Brasil. 2008, 49 min. 28 de Junho: sexta-feira às 19h Olhar estrangeiro, direção de Lúcia Murat. Filme- Brasil. 2006, 69 min.

Saiba+ - Edição Junho de 2013  
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