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Doméstica de Campinas ganha prêmio nacional

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Ano 10 - Nº 108 - Faculdade de Jornalismo - PUC-Campinas - 20 de abril a 05 de maio de 2013

Da falta de diálogo ao caos na Rodovia d. Pedro

FOTO: VINICÍUS PURGATO

Congestionamento na rodovia prejudica alunos da PUC-Campinas e da Unicamp, além de atrapalhar funcionários e pacientes do Hospital Madre Theodora

O fechamento da Rua Sérgio Carnielli, até então o principal acesso ao Parque das Universidades pela Rodovia D. Pedro I, trouxe dificuldades para alunos da PUC-Campinas e da Unicamp. Além disso, pacientes do Hospi-

tal Madre Theodora também sofrem com o fechamento. A concessionária Rota das Bandeiras, responsável pelas obras, alegou que, antes das alterações, foram feitas discussões envolvendo representantes da

empresa, do Poder Público municipal, das universidades e do hospital. Entretando, as universidades afirmaram que não houve discussão e sim um comunicado sobre a decisão da concessionária. Segundo a Rota das Bandei-

Jornada terá palestras de correspondentes internacionais

Sandra Sahd explica trabalho de ONG que previne drogas

Wakeboard ganha adeptos e região é polo do esporte

A Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas realizará, nos próximos dias 7 e 8 de maio, a Jornada de Jornalismo, com o tema “Correspondentes Internacionais: a reportagem sem fronteiras”. O evento terá quatro palestrantes, dentre eles Kléster Cavalcanti, preso na Síria, quando foi cobrir a guerra em 2012, e a chilena Luciana Xavier Vasconcellos. Pág. 3

Em entrevista ao Saiba+, a idealizadora da ONG “Embaixadores da Prevenção”, Sandra Maria Sahd, explica que o objetivo é formar uma nova geração de pessoas que, por meio de escolhas e hábitos saudáveis, transformem o mundo em um lugar melhor. A ONG atua voluntariamente em escolas na formação de jovens e crianças. Pág. 7

O wakeboard está cada vez mais presente no Brasil, principalmente, entre os jovens. A modalidade é uma espécie de esquiaquático, na qual os praticantes sobem em uma prancha e são puxados por uma lancha preso a um cabo, enquanto realizam manobras. A região de Campinas já tem dois lugares destinados à prática do esporte. Pág. 8

ras, a readequação do acesso é uma questão de segurança viária. A PUC-Campinas está em contato com a Prefeitura para o início das obras de uma rota alternativa, mas não há prazo para início das obras. Págs. 4 e 5

FOTO: RAFAEL ZAGATTI

Jaguariúna tem um dos polos de wake


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CARTA AO LEITOR

Notas THATYANE PEREIRA

Jornalismo e serviço público

Maioridade penal é tema de debate na PUC A Faculdade de Serviço Social da PUC-Campinas realiza no dia 6 de maio, das 19h20 às 22h35, na Sala 702 do CCHSA, mesa-redonda sobre a redução da maioridade penal. Participarão do evento o procurador da República no Município de Campinas Edilson Vitorelli Diniz Lima; a representante do Conselho Tutelar da cidade e especialista em Direito Constitucional Lucia Helena Octaviano; a advogada e professora na Faculdade de Serviço Social Maria Conceição Amgarten e a assistente social e professora na Faculdade de Serviço Social Edna Maria Goulart Joazeiro. A participação é aberta a todos os interessados.

Bienal itinerante expõe no Sesc-Campinas Uma parte da 30ª edição da Bienal de São Paulo vai estar em exposição gratuitamente do dia 19 de abril até 30 de junho no Sesc-Campinas. De segunda a sexta, a exposição pode ser visitada das 7h às 22h. Aos sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 18h. O tema Iminência Poética terá 270 trabalhos, de 36 artistas selecionados pelo curador da Bienal, Luis Pérez-Oramas, pelos curadores associados, André Severo e Tobi Maier, e pela curadora assistente Isabela Villanueva. Destaques para as os artistas brasileiros Thiago Rocha Pitta (Brasil), que realizou sua criação a partir de terra e cimento especialmente para a

FOTO: DIVULGAÇÃO

Bienal. Na parte externa do edifício, estarão fixados os cartazes de Apócrifo, de Alexandre Navarro Moreira (Brasil), e a instalação hidráulica de Nydia Negromonte (Brasil). Mais informações: 3737-1515 ou no site www.sescsp.org.br/campinas/

LabJor abre inscrições para especialização

Professora do CLC assume cadeira na Acla

O Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (LabJor) da Universidade Estadual de Campinas está com inscrições abertas, até o dia 31 de maio, para a edição 2013 do curso de especialização em Jornalismo Científico. A seleção se dirige a pessoas que já tenham um curso de graduação concluído. O curso começa em agosto. Na seleção, são avaliados o currículo, um texto do candidato sobre “o papel da comunicação cientifica numa sociedade democrática” e proficiência em inglês. O curso é oferecido desde 1999 e já formou quase 300 especialistas. O LabJor mantém também um programa de mestrado em Divulgação Científica e Cultural.

A professora Cleuza Gimenez Cesca, docente do curso de Relações Públicas, do Centro de Linguagem e Comunicação da PUC-Campinas, tomou posse na Academia Campineira de Letras e Artes (Acla), que reúne escritores, artistas e intelectuais. Cleuza assumiu a cadeira número 20, cujo patrono é o poeta Augusto dos Anjos. A professora da PUC-Campinas é uma das principais referências na áera de Relações Públicas no Brasil, com livros que já estão na décima edição e abordam temas como a organização de eventos e a comunicação escrita nas empresas. Cleuza obteve a unanimidade de votos.

Documentário é exibido no Museu do Futebol No dia 27 de abril foi exibido no Museu do Futebol, em São Paulo, instituição da Secretaria de Estado da Cultura, o documentário “Pacaembu: O Gigante Sem Dono”. O curta-metragem foi produzido por três ex-alunos da PUC-Campinas, formados no ano passado no curso de Jornalismo. A exibição do documentário fez parte da comemoração do 73º aniversário do Estádio. O vídeo produzido por Pedro Maués, Vinícius Conde e Plácido Berci foi um projeto experimental, orientado pelo professor Amarildo Carnicel.

Jornal laboratório produzido por alunos da Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas. Centro de Comunicação e Linguagem (CLC): Diretor: Rogério E. R. Bazi; Diretora-Adjunta: Profa. Maura Padula; Diretor da Faculdade: Prof. Lindolfo Alexandre de Souza. Tiragem: 2.000. Impressão: RAC. Editor-chefe e professor responsável: Prof. Fabiano Ormaneze (Mtb 48.375) Capa: Mayra Bisso Diagramação: Armando Sagula Neto, Vinícius Purgato Endereço: CLC - Campus I - Rod. D. Pedro, Km 136 Cep: 13086-900

MAYRA BISSO O jornalista deve sempre se preocupar em produzir reportagens pensando no seu público. Pensando nisso, a reportagem de capa desta edição aborda os transtornos que o fechamento do principal acesso ao Parque das Universidades, para quem vem da Rodovia D. Pedro I, causou. Isso traz à tona o questionamento sobre as prioridades do governo estadual que, por meio da Secretaria de Transportes, precisa autorizar obras desse tipo. Ele está mais preocupado em melhorar a vida da população, principalmente a mais desfavorecida, ou apenas em fazer reformas para “mostrar trabalho”? O fechamento da Rua Sérgio Carnielli afetou a rotina da classe privilegiada, daquelas pessoas que tem seu próprio carro, e que agora precisam sair de casa um pouco mais cedo. Entretanto, os mais prejudicados foram aqueles que dependem do transporte público. Além do congestionamento, os ônibus foram obrigados a mudar seus itinerários e, consequentemente, não param mais nos mesmos pontos que costumavam parar. Isso faz com que os usuários tenham que caminhar muito mais para chegar ao destino desejado, e passar por ruas desertas e mal iluminadas. Como se não bastasse, os moradores da região também sentem os prejuízos da mudança, pois para sair

e chegar em casa demoram muito mais por conta do trânsito. Leia também nesta edição a história de Claudenir de Souza, uma doméstica que ganhou o primeiro lugar na categoria ensaio do Prêmio “Mulheres Negras Contam Sua História”, do Governo Federal. Uma guerreira formada em Filosofia e estudante de Letras da PUC-Campinas. Apesar de estar na segunda faculdade, continua trabalhando como doméstica, pois, segundo ela, não estudou para enriquecer e deixar trabalhar no ramo, em que está há 30 anos. Estudou porque acredita que o conhecimento liberta. Além disso, o assunto está alinhado com a PEC das domésticas e ela toma a voz da categoria, tanto por ser uma delas, quanto por ser sindicalista. A reportagem sobre a alfabetização dos idosos aborda como pessoas da 3ª idade têm força de vontade para aprender a ler e escrever. Mesmo atingindo uma idade avançada e com menos tempo de letramento do que de analfabetismo, finalmente conseguirão se aponderar de sua própria história. Devem ser considerados vitoriosos pela sede de aprender, assim como os professores que não só ensinam a ler e escrever, mas também equalizam a possibilidade do saber.

CRÔNICA

Defina-se ou te devoro GABRIELA SALCEDO Ela fumava um cigarro, devagarinho. Ele não fuma, mas sempre que ela estava lá, acompanhava-a no hábito. Fumava qualquer coisa, qualquer cigarro que aparecia, menos os dela, porque não gostava dos cigarros industrializados. Naquele dia, não tinha nenhum em sua casa, de palha, charuto, ou coisa que o valha. Pegou o que achou, o dela: Marlboro Light. Acendeu, botou na boca e, antes mesmo da primeira tragada, falou: - O que eu não gosto é de falta de coerência. É claro que essa não foi a única frase pronunciada por ele naquele momento. Havia um contexto, um antes e um depois, mas isso foi o que ficou gravado. Ela nunca mais voltou lá. De vez em quando uma ou outra pessoa perguntava: E você e ele? E ela ouvia: Ser ou não ser? Não respondia, estava cansada. Cansou-se sem saber exatamente o motivo de sua exaustão. Um cansaço que doía o estômago e invadia a mente. O percurso de seu cansaço foi traçado pouco a pouco. Ela lia Marx, Althusser, Chomsky, Dostoiévski e Leminski. Fora de casa, a leitura era feita pelo seu Ipad. Logo acusaram incoerência: -Mas se diz tão de esquerda, diziam.

Foi quando lhe doeu o estômago. Um tempo depois, a dor migrou para o esôfago. Ela namora meninos, mas de vez em quando gosta de sair com qualquer uma. E diziam: - Que sexo tem? Uns dias atrás, a dor atingiu seu limite, não adiantaria tomar analgésicos. Ela, que sempre puxava Nelson Cavaquinho, Noel Rosa e Cartola na roda de samba, cantarolou um Molejão. E diziam: - Que subcultura! A frase ecoou no seu ouvido, tiro certo na cabeça, doeu sua mente e já de saco-cheio se deu conta do porquê deixou de se encontrar com o fumante esporádico. Foi assim, ressoando: ser ou não ser, ser ou não ser, ser ou não ser... Mas que merda de Shakespeare! Questionamento popular descombinado do processo de indagação e, desde então, tudo tem que ser classificado entre o sim e o não. Sua dor, então, saiu da mente e explodiu pela boca: - E quem foi que disse que quando você é uma coisa deixa automaticamente de ser o seu oposto! Parou de frequentar as rodas de samba. Agora tocava seu violão desafinado e cantava errado em qualquer rodinha que aparecia, ironizando com um quase Cazuza: - Dicotomia, eu quero uma pra viver!

ERRAMOS: na edição 106 do Saiba+, os nomes de duas entrevistadas foram grafados incorretamente na reportagem “Recém-formados viram empreendedores” (p. 6). As entrevistadas foram a professora Ciça Toledo e assessora de imprensa Luciana Barros.


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Doméstica vence concurso nacional de ensaios Claudenir de Souza levou o prêmio “Mulheres negras contam sua história”

A bacharel em Filosofia e estudante de Letras da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) Claudenir de Souza gosta de escrever pelos cafés e padarias da região central da cidade. Chega por volta das 6h da manhã, toma uns quatro, cinco cafés, até a hora de ir trabalhar, às 7h30, como empregada doméstica numa casa no bairro Nova Campinas. Se está precisando entregar um de seus textos, nem sono sente, escreve até de noite. “Não gosto de escrever muito em casa. Quando o café do [supermercado] Pão de Açúcar era 24h, eu virava a noite lá.” Foi em três viradas,

sentada em uma das mesinhas do supermercado, que Claudenir corrigiu o texto vencedor do Prêmio “Mulheres Negras Contam Sua História.” No concurso, promovido pela Secretaria de Políticas para as Mulheres, do Governo Federal, seriam premiados dois trabalhos, um na categoria redação, outro em ensaio, e os vencedores devem ir a Brasília para receber o prêmio de R$ 10 mil. Claudinha, como é chamada pelos amigos, ganhou em primeiro lugar na categoria ensaio. Ela escreveu 37 páginas, divididas em três capítulos, sobre o trabalho doméstico no País. “Eu achava que não ia passar, é muito crítico”, conta. No texto, por meio de uma

análise histórica, há uma conexão do trabalho doméstico com a servidão escravocrata e a mulher. Ela conta que, de 8 milhões de trabalhadores domésticos no Brasil, 70% são negros e apenas 6% são homens e eles ainda são mais bem remunerados. “Se alguém falar do trabalho doméstico no Brasil e não falar da escravidão, não beber dessa fonte, está cometendo um crime histórico”, afirma. Segundo Claudenir, há 468 anos começou o trabalho doméstico no País, com a chegada dos negros. Destes, 343 anos foram de trabalho escravo e 48 anos de trabalho por comida, sem direito algum, já que, depois da abolição, as escravas voltaram às casas de suas se-

Claudenir de Souza, de 44 anos, costuma escrever em cafés pelo centro de Campinas

nhoras para fugir da fome. E, por fim, 77 anos de luta por direito e respeito à vida, conquistados com a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 478, que ficou conhecida como a PEC das domésticas. Pela nova legislação, os trabalhadores domésticos passam a ter todos os direitos de outros profissionais contratados pelo regime da Consolidação das Leis de Trabalho (CLT), como o direito ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Claudinha tem 44 anos de idade, 30 de doméstica e nove de luta pelos seus direitos, quando se sindicalizou. Considera a PEC uma espécie de libertação, um desvínculo do trabalho doméstico com o trabalho servil. “Só quem está vivendo essa realidade sente como é. Dentro do ônibus, eu e outras domésticas rimos, olhamos uma para outra e rimos. Agora a gente é gente!” Aos 14 anos, Claudenir perdeu a mãe e ela foi trabalhar em uma fazenda na sua cidade natal, Santa Fé do Sul, onde aprendeu a fazer o trabalho doméstico. Aos 17, um irmão a chamou para Campinas. “Todo mundo acha que na cidade grande vai ter emprego, vai melhorar.” Mas, na cidade grande, ela continuou trabalhando como doméstica, ficou 17 anos em uma casa que tinha um trato, a pedido dela, com os patrões: eles deviam corrigi-la quando cometesse erros de gramática durante a fala. Também voltou a estudar. “Eu era muito curiosa, queria saber de tudo e queria falar certo. Tinha muito

Não estudei para enriquecer e deixar de ser doméstica. Estudei porque sou faminta de conhecimento. O conhecimento liberta!

GABRIELA SLACEDO

-Claudenir de Souza empregada doméstica

vício de linguagem, nós vai, nós fica...” Ela já estava formada no Ensino Fundamental quando o patrão morreu. A patroa, para manter a renda, começou a alugar quartos da casa para estudantes universitários de “todo que é canto do mundo”. “Foi quando eu entrei em contato com esse pessoal e pensei: quer saber, vou prestar vestibular!”. Claudinha entrou em Filosofia em 1994 e se formou em 1999. Em 2006, prestou vestibular de novo, com um objetivo certo: continuar escrevendo. “Não estudei para enriquecer e deixar de ser doméstica. Estudei porque sou faminta de conhecimento. O conhecimento liberta!”, conta, meio gritando, num dos tantos cafés que se tornaram escritório para ela.

Jornada de Jornalismo discute cobertura internacional Alunos e comunidade poderão assistir a palestras de jornalistas brasileiros e estrangeiros MAYRA BISSO A Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas realiza a Jornada de Jornalismo nos próximos dias 7 e 8 de maio. O tema deste ano é “Correspondentes internacionais: a reportagem sem fronteiras”. Segundo o diretor do curso, Lindolfo Alexandre de Souza, as palestras estão abertas não só para os alunos, mas também para qualquer pessoa da comunidade, basta comparecer ao Auditório Dom Gilberto ou à sala 800, conforme a programação. Souza considera muito importante os alunos participarem. “Primeiro porque é possível entrar em contato com profissionais que estão no mercado de trabalho e que têm experiências que podem complementar a formação do

aluno. O segundo aspecto é o fato de que o aluno tem oportunidade de estabelecer relações e entrevistar alguém que tem uma história importante. A partir da experiência dessas pessoas, o aluno pode rever e reconstruir sua história”, explica. A jornada, para o diretor,

é uma oportunidade para que o aluno tenha uma formação mais completa. Para Souza, “não é só a sala de aula que forma um bom jornalista”. A programação da jornada foi organizada pelos professores que fazem parte do Conselho da Faculdade: Arlindo Ferreira Gonçalves Júnior, Ciça

Toledo, Fabiano Ormaneze e Luiz Roberto Saviani Rey. No dia 7, para abrir a programação, os alunos vão assistir à palestra de Luiz Carlos Azenha, das 8h30 às 11h30, no Auditório Dom Gilberto. Azenha foi correspondente da TV Globo em Nova York. No mesmo dia, à noite, das 19h30 às

22h30, no Auditório Dom Gilberto, Kléster Cavalcanti, preso na Síria quando foi cobrir a guerra em 2012. A palestra de Kléster completa também um trabalho que está sendo desenvolvido na disciplina de Jornalismo Literário, cujos alunos estão lendo o livro “Dias de Inferno na Síria” (Editora Benvirá). Na manhã do dia 8, Luciana Xavier-Vasconcellos, que foi correspondente em Nova York pela Agência Estado, conversa com os alunos. A jornada se encerra na noite do dia 8 com a palestra de Natália Ramos Miranda, na sala 800. A chilena Natália foi contratada pela agência de notícias francesa France Press, como correspondente internacional. Há um ano mora no Brasil e continua trabalhando como correspondente.


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Obras prometem melhorias, mas... Rota das Bandeiras afirma que houve discussão Os moradores dessa região camp), para só então desviar assessoria do órgão. também se sentem prejudicaOs moradores da Rua Herpara a PUC. Os moradores dos. Marina Benatti, moradora reclamam também da falta de mantino Coelho protocolaram Um casal, com a mulher da via e estudante da PUCreparos na rua. Buracos, por pedidos na Emdec solicitando prestes a dar à luz, teve de atra- -Campinas, diz que o fechaexemplo, são uma constante a proibição do estacionamento vessar o bloqueio das ruas para de carros na rua. Atualmente, chegar a tempo no Hospital só é permitido parar do lado Madre Theodora, como relata esquerdo, mas, mesmo com a a assessoria de imprensa. Thaproibição, é comum ver carros tyane Pereira tinha de apresenestacionados dos dois lados. tar um trabalho no primeiro A Emdec informou que faz horário de aula na Pontifícia fi scalização no local e que, nos - Hospital Madre Theodora Universidade Católica de Camúltimos três meses, foram aplipinas (PUC-Campinas) e, mescadas 38 multas na rua. No ano mo saindo de casa meia hora de 2012 foram 182 multas. antes, para conseguir estar na Em 2009, foi feito um prosala de aula no horário, trafelongamento da Guilherme gou pelo acostamento. Acabou Campos, ligando o Shopping chegando a tempo, mas levou D. Pedro à Unicamp, para - Marina Benatti, estudante para casa uma multa de R$ ajudar a desafogar o trânsito 584,00, além de sete pontos na na chegada às universidades. carteira de motorista. Com a decisão da Rota das Essas duas histórias são Bandeiras, o que era alternatiexemplos do transtorno e dos va até pouco tempo, tornou-se problemas causados pelo feuma das poucas vias de acesso. - Guilherme Santos, estudante chamento da Rua Sérgio Car“Esse trânsito está absurnielli, até então o principal do. Infelizmente, eu preciso acesso ao Parque das Universair sempre nos horários de sidades. O acesso à via foi fepico, ao meio-dia e às seis chado pela primeira vez no dia mento do acesso a prejudicou, para quem circula pela Her- da tarde. Está um infer18 de fevereiro, uma segunda- pois é obrigada a utilizar, tanto mantino. no. Tenho que sair meia hora -feira, e permaneceu fechado na ida quando na volta, as ruas mais cedo de casa para poder SOLUÇÕES durante o resto daquela sema- próximas a Hermantino Coechegar no horário pontual à na. Na segunda-feira seguinte, lho e Adelino Martins. “Essas faculdade”, disse Itayana CiDe acordo com a Empresa pro, estudante de Medicina da no dia 25, data que também ruas já eram de difícil tráfego, iniciou o semestre letivo na porém, após o fechamento, Municipal de Desenvolvimen- Unicamp. PUC-Campinas, o acesso foi ficou ainda pior, pois quem to de Campinas (Emdec), não O universitário de Educareaberto por meio de um man- utilizava a rodovia Dom Pedro há projetos para melhoria no ção Física Guilherme Santos dado do Tribunal de Justiça de I passou a se direcionar justa- tráfego no Mansões Santo An- também precisa sair pelo meSão Paulo. Mas estava errado mente a esse bairro, interditan- tônio em curto prazo. “Os se- nos meia hora antes para chequem pensava que essa histó- do o acesso e tornando o ca- máforos só são instalados num gar no horário, enfrenta muito ria havia acabado, pois a pró- minho quase impossível”, frisa. local em último caso. Como a trânsito, e reclama, principalpria Justiça, na mesma semana, Marina diz ainda que a alterna- região tem picos de fluxo entre mente, da forma como as depermitiu o fechamento da rua, tiva é a ponte que liga a saída 7h e 8h30 e no final da tarde, cisões foram tomadas. “Estou sendo executado no dia 4 de da Dom Pedro I, próxima ao ela não atende os requisitos sendo muito prejudicado. Isso shopping, sentido Universida- para que seja instalado um se- não poderia ter acontecido. março. O transtorno foi aumen- de Estadual de Campinas (Uni- máforo ali”, afirma em nota a Esse bloqueio está me complitando conforme precisaram FOTO: THATYANA PEREIRA ser feitas alterações nos itinerários de ônibus e também de acordo com o retorno às aulas. Nas primeiras semanas, o movimento ainda era pequeno, pois nem todos os alunos haviam retornado. O transporte público ficou mais difícil. Além do congestionamento, quem vai de ônibus para o Hospital agora precisa andar pelo bairro. Antes, o ponto ficava em frente ao Madre Theodora. Hoje, fica na Avenida paralela. Até chegar ao hospital, os usuários do transporte público precisam passar por ruas com pouca iluminação e com terrenos baldios, o que faz aumentar a insegurança. O fechamento da Rua Sérgio Carnielli levou milhares de pessoas a terem que usar, diariamente, a tumultuada Rua Hermantino Coelho, no ManObras para a criação de marginal na D. Pedro, próximo ao km 136: sem previsão para acabar sões Santo Antônio. CAMILA GODOY RODRIGO OLIVEIRA

Estamos tendo muito atraso de funcionários, que não tinham esse histórico antes.

Essas ruas já eram de difícil tráfego, porém após o fechamento ficou ainda pior.

Esse bloqueio está me complicando, faltou ouvir a opinião das pessoas e não só das empresas.


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...por

enquanto só caos na D. Pedro Emdec e universidades negam debate e consulta prévia FOTOS: RODRIGO OLIVEIRA

cando, faltou ouvir a opinião das pessoas e não só das empresas”, diz. DISCUSSÃO JUDICIAL

A Prefeitura Municipal de Campinas também entrou na discussão sobre o fechamento da via e entrou com mais um pedido de reabertura, em meados de março, mas ele também foi negado pela Justiça, no entanto não se trata de uma decisão final. A PUC-Campinas entrou com recurso para recorrer da decisão do Tribunal de Justiça e aguarda o julgamento. De acordo com a assessoria de imprensa da universidade, o campus 1, localizado no Parque das Universidade, recebe, diariamente, cerca de 4 mil veículos e 18 mil estudantes, além de professores e funcionários. Além disso, a universidade está em contato com a Prefeitura para o início das obras de uma rota alternativa, prolongando a Avenida Guilherme Campos. Mas não há prazo estabelecido para início das obras. Isso porque a infraestrutura que será custeada pela PUC-Campinas depende da doação da área pertencente à Unicamp e da desapropriação de trechos, que deverá ser realizada pela Prefeitura de Campinas, além dos trâmites administrativos. A rota alternativa permitirá o acesso dos motoristas à Universidade pelo portão 3 (localizado ao lado do auditório D. Gilberto), dividindo o fluxo de veículos e reduzindo a possibilidade de congestionamento. A assessoria de imprensa Unicamp não quis se pronunciar sobre os procedimentos.

Nos horários de pico, de manhã e à noite, o trânsito atrasa o trajeto em pelo menos 30 minutos

A Rota das Bandeiras esclareceu que a readequação do acesso da rodovia D. Pedro I ao bairro Parque das Universidades é, prioritariamente, uma questão de segurança viária identificada antes mesmo da assinatura do contrato de concessão do Corredor Dom Pedro, que resultou em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o

Ministério Público do Estado de São Paulo. Em nota enviada à redação do Saiba+, a concessionária afirma que o “fechamento do acesso, portanto, cumpre uma determinação da Justiça, além de ser necessário para a execução das obras das marginais da rodovia”. A concessionária informa ainda que, antes das alterações, foram feitas discussões

sobre o fechamento do acesso, envolvendo representantes da própria empresa, do Poder Público municipal, da PUC-Campinas, da Unicamp e do Hospital Madre Theodora. Em nota, no entanto, as universidades afirmam que não houve discussão, mas apenas que, dias antes do fechamento, foram comunicadas da decisão da concessionária.

ATRASOS

Já a assessoria do Hospital Madre Theodora afirma que houve comunicação com os pacientes, assim que o Hospital recebeu a confirmação sobre o fechamento do acesso, disponibilizando informativos com as alterações de trajeto e também tomando medidas em conjunto com a PUC e com a Unicamp. “Estamos tendo muito atraso de funcionários, que não tinham esse histórico antes. Por consequência disso, alguns setores podem ter sobrecarga de atendimento. As ambulâncias têm dificuldade de chegar até o hospital”, declarou a assessora de imprensa do Hospital, Laila Damasceno.

Área da D. Pedro com alterações é local de entrocamento de rodovias e saídas importantes


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Alfabetização de idosos é desafio para o Brasil País tem 37,98% de pessoas com mais de 65 anos que são analfabetas; mulheres são as mais atingidas FRANCELA PINHEIRO Apesar da universalização do ensino para crianças e jovens, na outra ponta, o País tem 37,98% de idosos, pessoas com mais de 65 anos, que nunca entraram em contato com as letras. Entre as mulheres, a estatística é ainda pior: 40,28% delas, nessa faixa etária, são analfabetas. Esses números são maiores do que a média nacional, que envolve todas as idades, já que, atualmente, no Brasil, ¼ da população é analfabeta. A aposentada Adélia Rufino, de 88 anos, frequenta aulas de alfabetização no Lar dos Velhinhos, em Campinas. Nunca tinha frequentado uma escola. O pouco que sabe, que se restringe a escrever o nome, aprendeu sozinha, juntando as letras. Agora, considera que está dando um grande passo. “O estudo é uma coisa muito boa no mundo. Eu comparo que, para muita coisa no mundo, eu sou cega. Eu não sabia ler, não sabia nada. Quem não sabe ler é cego”, considera. Adélia frequenta as aulas da professora voluntária Lucia Barella. Para ela, alfabetizar adultos da terceira idade é ensinar pessoas que têm muitas experiências, muitas histórias de vida e não conhecem o prazer que o saber ler e escrever podem proporcionar ao ser humano. “Procuro mostrar a eles o que ainda não sabem, levar a esses idosos o que ainda não conhecem. São pessoas que poderiam não querer aprender e estão aqui, são admiráveis”, afirma. Para a psicopedagoga e mestre em educação Anna Paula Praxedes, o desafio maior da alfabetização de ido-

sos é estimulá-los a procurar as aulas. “O desenvolvimento do cérebro de um adulto é outro, se comparado ao de uma criança. Por isso, apesar do processo continuar, a motivação e o estímulo são muito importantes”, enfatiza. Para a pedagoga, o apoio da família e do educador são primordiais no processo. “O idoso carrega uma história de vida. Por isso, é importante trabalhar esse lado emocional. Ele vai ter que aprender a ir para escola, entre outras dificuldades e, por isso, o idoso precisa de apoio”. De acordo com a pedagoga e doutora em educação da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) Dora Megid, aprender não tem limite, mas o desafio é o método com que se aprende. “Uma pessoa com 60 anos ou mais tem vivências com letras que são levadas para a sala de aula. Voltado para essas experiências, o professor vai alfabetizar. Então, a intenção é diferente”, ressalta. De acordo com Dora, a maior dificuldade enfrentada pelos idosos analfabetos até chegar às salas de aulas talvez sejam as experiências amargas que a maioria carrega pela ausência da alfabetização. “O autopreconceito desestimula. A maioria considera que não é capaz, mas, mostrando essas experiências, o professor leva a eles evidências de que podem conseguir”, destaca. Outra idosa que está conhecendo as letras é Maria Perez, de 79 anos, também moradora do Lar dos Velhinhos. “Já li todos os exemplares emprestados pela biblioteca. Estou relendo, é muito bom, a gente viaja”. Já para o aposentado José Willian, de 81 anos, vítima de uma dislexia na ter-

ceira idade, sem a leitura e sem a oportunidade do saber, ele seria uma “pessoa nula”. Os planos de aprendizado para esse idoso que já aprendeu a usar o computador e a internet são muitos. “Já que eu não posso viajar, quero montar um site para falar de educação ligada ao conhecimento geral”, afirma. Para Dora, como todo desafio exige determinação, a redução do analfabetismo no Brasil requer investimento não só em programas de educação para jovens e adultos, como também em ações sociais de mudanças para que essa parte da população tenha o acesso a oportunidades de aprender ler e escrever. “A educação no Brasil, nesse aspecto, tem muito a caminhar, apesar dos programas já existentes”, explica a professora Dora. A importância em investir em programas de educação para idosos também se explica pela pirâmide demográfica brasileira. Durante muito tempo, o Brasil foi um país de jovens. Num contexto de 16 idosos para 100 crianças em 1980, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as preocupações sociais estavam voltadas mais para os jovens e crianças, do que para os adultos, principalmente, da terceira idade. No entanto, essa realidade sofre mudanças e a população mais velha aumenta num ritmo intenso. Hoje, vive-se mais e a taxa de fecundidade diminuiu, o que pode levar o País a ultrapassar os 30 milhões de idosos nos próximos 20 anos, de acordo com levantamentos de especialistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

FOTOS: FRANCELA PINHERO

José Willian aprende a ler: “sem isso, eu era uma pessoa nula”

Método Paulo Freire completa 50 anos A maioria dos programas de alfabetização de idosos utiliza um método que está completando, em 2013, 50 anos de criação. Em 1963, o educador Paulo Freire alfabetizou um grande número de trabalhadores rurais, em Pernambuco, a partir das vivências que cada um trazia para a sala de aula. Divididos em três etapas, o método Paulo Freire, primeiramente, busca palavras e temas da vivência do adulto que constituem seu vocabu-

lário. Em seguida, as palavras são codificadas e decodificadas para traçar o significado social que elas têm para o adulto e, por fim, trazer até ele a consciência do mundo vivido por meio da leitura e da escrita. Natural de Recife, Freire ganhou 41 títulos de doutor honoris causa de universidades como Harvard, Cambridge e Oxford. Ele morreu em maio de 1997 e, no ano passado, foi declarado patrono da educação brasileira.

A corrida pela saúde na terceira idade Preparador físico e atletas dão dicas de como manter a forma após os 60 anos CAMILA LOPES Correr quase todos os dias já virou rotina para José Ribeiro de Souza, de 61 anos. Praticante de corridas de rua há cerca de 15 anos, o atleta amador afirma que praticar exercício físico só trouxe melhorias para seu corpo e aumentou sua qualidade de vida. “Até meus 49 anos, eu fumava e bebia, não tinha uma vida saudável. Aí, um dia, eu estava trabalhando e precisava levar uma chave para um colega do trabalho, mas resolvi que não ia de ônibus e fui correndo até lá, cerca de cinco quilômetros. Daí em diante, não parei mais de correr”, afirma. O atleta

amador diz que correr é mais um incentivo para cuidar melhor da saúde. O preparador físico Eduardo Caldeira afirma que os benefícios de praticar corridas são muitos: melhora no cardiorrespiratório, na articulação dos músculos e diminui o risco de algumas doenças como o infarto. Além dos benefícios no corpo, praticar exercício aumenta a autoestima, o que leva a pessoa a treinar com maior frequência, se dedicando mais ao esporte e apresentando uma melhora na saúde e na qualidade de vida. As corridas de rua são definidas como provas de pedestrianismo pela Federação Internacional das Associações

de Atletismo (IAAF) e são disputadas em circuitos de rua (ruas, avenidas e estradas) com distâncias oficiais que variam de 5 km a 100 km. Já o casal de aposentados Alayde e Orlando Olsen afirma caminhar todos os dias, logo de manhã. “Saímos de casa bem cedo e caminhamos por volta de 30 minutos. Andamos diariamente cerca de dois quilômetros”, diz ela, de 70 anos. O hábito de caminhar já dura dois anos. O que motivou o casal a caminhar foi a vontade e a necessidade de se manter saudável. “Como já estamos na terceira idade, começamos a caminhar porque faz bem para a saúde e para o corpo. Além

disso, dá mais disposição para fazer as coisas do dia depois”, diz ele. Além de manter a rotina de treino de quatro vezes por semana, Ribeiro de Souza assegura que o alongamento antes e depois do fim dos exercícios é importantíssimo. “No dia em que corro, meia hora antes do início da corrida, já inicio o alongamento e o aquecimento dos músculos para melhor aproveitamento durante a prova. Depois da chegada, o atleta deve se alongar novamente para os músculos do corpo relaxarem, para não dar câimbra e dores. Além disso, é fundamental beber água e comer frutas para se hidratar”, afirma.

Para quem deseja começar a prática de corridas de rua, Caldeira diz que é necessário, primeiramente, procurar um médico e realizar alguns exames, como eletrocardiograma e teste de esforço físico e, após o aval do médico, um profissional da área de educação física é quem deve ser procurado. Ainda de acordo com o preparador, a prática de exercícios físicos, como a corrida de rua ou a caminhada, deve ser feita de forma contínua. “Tudo no esporte vem em longo prazo. À medida que se praticam os exercícios, tudo vai melhorando aos poucos”, diz. “A caminhada faz bem. Ficar parado não dá”, finaliza Olsen.


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Uma nova geração em busca de valores

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Sandra Sahd, idealizadora do Embaixadores da Prevenção, acredita em uma sociedade transformada por hábitos saudáveis

andra Maria Sahd, de 38 anos, é formada em Educação Física e tem pós-graduação em finanças. Apesar dessa formação universitária, ela seguiu outro caminho, bem diferente. Hoje, ela apresenta um programa na Rede Século 21 e está à frente de uma organização não governamental (ONG), a “Embaixadores da Prevenção”, cujo objetivo é difundir virtudes e valores e, com isso, diminuir o envolvimento de crianças e adolescentes com drogas. “A dependência química é um problema multifatorial que envolve o emocional, cognitivo, espiritual e biológico do ser humano”, diz. Inspirada pelo trabalho do padre Haroldo Rahm, um dos principais nomes do País no combate a drogas, ela desenvolveu uma metodologia de trabalho para escolas e comunidades. Confira a entrevista ao Saiba+: Saiba+: Como surgiu a ideia de fundar a ONG Embaixadores da Prevenção? Sandra Sahd: Brinco que “estou nas drogas” há 38 anos. Não porque tenha experimentado, mas porque, desde quando nasci, vivo ao lado de padre Haroldo Rahm, o maior especialista no Brasil em relação a drogas e recuperação de dependentes. Foi a convivência com ele nesses anos, uma década trabalhando com dependentes de drogas e anos apresentando um programa de TV (In-dependente, na Rede Século 21) que me fez ter a certeza de que precisava fazer algo antes de o problema se instalar no ser humano. Quando meus dois filhos nasceram, o Lucas e a Gabriela, com 7 e 3 anos, essa ideia de fazer algo de maneira preventiva apenas aumentou. Em 2011, decidi que não dava mais pra esperar e, dai então, surge o Embaixadores da Prevenção. Como você conheceu o padre Haroldo? Minha mãe foi a primeira pessoa que ele conheceu quando chegou no Brasil, em 1964. Os dois e mais um grupo de amigos fundaram a instituição Padre Haroldo e todos os projetos que lá se desenvolvem até hoje. Conheço o padre Haroldo desde pequena e, confesso, foi um grande presente que a vida preparou para mim. Ele é o máximo! Imagina uma pessoa que te inspira a todo momento, aquela que quer e consegue transformar a sociedade. Aquela pessoa que, a troco de nada, te faz entender os mistérios da vida e perceber que viver para ajudar o próximo é a grande virtude da humanidade. Qual é o principal objetivo da ONG? O objetivo do Embaixadores da Prevenção é formar uma nova geração de pessoas que, por meio de escolhas e hábitos saudáveis, transforme o mundo em um lugar melhor. E, para for-

FOTO: THATYANA PEREIRA

marmos essa nova geração, estimulamos as virtudes das pessoas, que é o contrário da palavra vício, no sentido mais amplo dessa palavra e não apenas vício das drogas. Na sua opinião, quais as principais razões que levam à dependência química e às drogas? A dependência química é um problema multifatorial que envolve o emocional, cognitivo, espiritual e biológico do ser humano. São vários os fatores que levam o ser humano a fazer uso de drogas e dizer apenas alguns motivos, aqui, seria simplista. Nossa educação, o modelo familiar e sociedade mudaram muito e, com isso, muitos problemas se alastraram. A dependência química foi um deles. O Ministério da Saúde diz que, por dia, chegam a ser internados no Brasil 21 jovens com menos de 21 anos e que são dependentes. Por que o uso de drogas é tão frequente entre os jovens? Muitos problemas têm dominado nossa sociedade: o consumismo exagerado, a violência, o consumo e o abuso de álcool e outras drogas etc. Segundo padre Haroldo, a dependência química é o problema número dois de nossa sociedade. Perdendo, apenas, para o armamento e as guerras. Os jovens estão nesse meio todo e, muitas vezes, totalmente desorientados. O uso e o abuso de drogas acabam fazendo parte da vida deles por estarem imersos num mundo de vícios, violência, armamentos, guerras, drogas etc. O que você acha das políticas governamentais de combate ao uso de drogas? Por trabalhar com virtudes, parto do princípio de que todos nós somos seres virtuosos. Muitos, infelizmente, não sabem disso. Nascemos potencialmente bons e prontinhos para a

Sandra Sahd é autora de dois livros infantis utilizados em atividades da ONG sobre ética

prática do bem. Muitas vezes, os políticos e as políticas governamentais estão alinhados nessa minha crença. Outras vezes, não. Em vez de críticas, decidi pelo Embaixadores da Prevenção por acreditar, realmente, que a solução do mundo está em cada um de nós, não apenas nas políticas do governo. Se elas são adequadas? O que você entende por isso? Dar resultado? Se fossem eficazes, teríamos menos usuários e dependentes de drogas na sociedade. Junto-me às pessoas que, em vez de criticarem o que está sendo feito, vão lá e fazem.

caixa. É a caverna deles. Eles aprendem, na atividade, a olhar as sombras de suas vidas como se fosse uma caverna e entender que, se querem, podem sair dessa realidade. Essa caverna só mostra as sombras, não a vida como é. Outra atividade é a “Canaleta das Virtudes” e fazemos uma analogia de que, quando andamos no caminho das virtudes, os vícios não conseguem fazer parte das nossas vidas. Também ensinamos as virtudes por meio de livros infantis. Não apenas lemos os livros, mas, por meio de jogos simbólicos, fazemos com que elas vivenciem a virtude da Na prática, como a determinação por meio de ONG atua para formar os dois livros de minha autojovens a partir desses va- ria, “A escola do moço no lores humanos? portão” e “10 olhos e muito Ensinamos as crianças a amor” (ambos pelas Edipartir de 2 anos, seus pais ções Loyola). e educadores a entender virtudes por meio de ativiComo vocês divulgam dades corporais. Uma de os Embaixadores? nossas dinâmicas se chaEm escolas estaduais e ma “Caverna de Platão”, municipais do nosso estado, para explicarmos a virtude como Campinas, Valinhos e da sabedoria. Colocamos Caieiras. Além disso, temos a cabeça dos jovens e de atuado em ONGs de nosseus pais dentro de uma sa cidade e região. Porém,

atualmente, nosso trabalho constante é na Escola Salesiana São José. Já tivemos atividades parecidas em outras duas escolas. Como funciona o trabalho na Escola São José? É voluntário? Sim. Estamos fazendo um projeto-piloto para que possamos partilhar com a sociedade que, estimulando as virtudes de nossas crianças, elas crescerão fortes o suficiente para ficarem longe dos vícios. Quem custeia o trabalho da ONG? Temos doadores mensais. Nossos gastos variam de mês a mês, de acordo com as ações que desenvolvemos a partir do que recebemos. Quantos voluntários têm a ONG? O que eles fazem? São dez voluntários. Eles fazem reuniões mensais, ajudam na elaboração do conteúdo pedagógico, envio de e-mails e participação nas atividades.


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Wakeboard, a nova onda Esporte ganha adeptos de todas as idades e já tem espaços para sua prática na região

RAFAEL ZAGATTI Um campeonato de wakeboard só para universitários, organizado por uma empresa de energéticos, foi realizado no mês de março no Naga Cable Park, em Jaguariúna, principal centro voltado para a prática do esporte na região de Campinas. Essa é uma das provas de que o esporte chama cada vez mais a atenção de jovens no País. Na ocasião, apenas estudantes universitários podiam se inscrever para o torneio, e o juiz era um garoto de apenas 13 anos. O prodígio Pedro Caldas começou a praticar o esporte em 2009, com 9 anos de idade, e já foi campeão paulista nas categorias mirim (para iniciantes) e avançado, além de já ter contrato de patrocínio da empresa que organizou o evento. Ele começou a praticar o wakeboard por influência do pai, que conheceu o esporte nos Estados Unidos e se encantou. Ao voltar ao Brasil, o pai de Pedrinho, como o garoto é conhecido, trouxe na mala o sonho de ter um centro próprio para a prática do wakeboard e, em 2009, criou o Naga Cable Park. Treinando diariamente em Jaguariúna, o menino percebe o aumento na procura pelo esporte, principalmente pelos jove n s.

“Quando eu comecei, em 2009, o parque geralmente estava vazio. Hoje enche direto, às vezes tem até fila para andar”, afirmou. A Naga Cable Park é composto por um lago com 5 torres e 12 obstáculos nos quais os atletas podem realizar suas manobras. Mensalmente, o local recebe em torno de mil pessoas. MANOBRAS

O wakeboard é uma espécie de esquiaquático no qual os competidores sobem em uma prancha e são puxados por um cabo. Enquanto são puxados, devem realizar manobras para que se somem pontos. No final, quem tiver mais pontos vence. Um dos competidores participantes da prova realizada em março foi o estudante universitário Vitor Pires, de 18 anos. Ele também acha nítido esse aumento no número de interessados pela modalidade. “Eu comecei a andar (de wakeboard) em 2010 e, a cada ano que passa, eu vejo mais gente vindo treinar. Do verão de 2011 para o verão de 2012, praticamente, dobrou. Eu mesmo incentivo meus amigos a participarem, é um esporte que está crescendo muito no Brasil. Acho que todo mundo deveria experimentar”. O aumento do interesse dos jovens pelo es-

porte teve como consequência um aumento também no nível das competições. Para Marcelo Giardi, o “Marreco”, de 31 anos, considerado o melhor atleta brasileiro no esporte, o último circuito paulista de wakeboard, em 2012, foi o melhor de todos os tempos no País. “Isso se deve ao aumento da prática do esporte pelos mais jovens e, consequentemente, o aumento do nível das competições amadoras, o que obriga os profissionais a manterem seu nível elevado”, explicou. “Marreco” é, inclusive, exemplo de atleta profissional em wakeboard.

COMPETIÇÕES O crescimento do esporte também tem sido acompanhado do surgimento de competições estaduais e nacionais. As principais são o Circuito Brasileiro de Wake e o Circuito Paulista de Wake, ambos divididos em três etapas nas quais os competidores somam pontos em um ranking. Ao final do ano, o campeão é o que for melhor na média das três etapas. Existem também competições internacionais, como o Latino Americano de Wakeboard, a ser realizado na Colômbia em 2013,

e o Campeonato Mundial de Wakeboard WWA (World Wakeboard Association), realizado esse ano no Brasil, em maio (veja texto ao lado). HISTÓRIA

Se, hoje, o esporte, inventado nos Estados Unidos no final da década de 1970, é praticado em lagos, no início da sua história era usado como recurso para os surfistas em dias em que o mar não tinha ondas. Em 1984, um surfista de San Diego (EUA), Tonny Finn, desenvolveu o Skurfer híbrido de esquiaquático e prancha de surfe. Esse foi o primeiro shape (formato, no vocabulário da área) de prancha desenvolvido especificamente para a hidrodinâmica de ser puxado por um barco, em vez de empurrado por uma onda. A prancha possuía as características de uma prancha de surfe, porém menor e mais estreita e com fundo côncavo e grande flutuação. O wakeboard chegou ao Brasil no final da década de 1980, mas só se consolidou no País em 1998, com a criação da Associação Brasileira de Wakeboard (ABW). A instituição estima que, no Brasil, cerca de 65 mil pessoas são adeptas do esporte. Na região, os principais locais para a prática da modalidade são o Naga Cable Park, em Jaguariúna, e o parque aquático Wet’n Wild, em Itupeva.

CAMPEONATO MUNDIAL DE WAKEBOARD WWA De 3 a 5 de maio será realizado no Clube Serra da Moeda, em Nova Lima (MG), o WWA, Campeonato Mundial de Wakeboard, promovido pela revista Ragga, especilizada na modalidade, e a Associação Brasileira de Wakeboard (ABW). O evento começa no dia 2 de maio com os treinos livres para categoria profissional. No segundo dia serão realizadas as semifinais das categorias intermediário, avançado, feminino, além da classificatória para categoria profissional (oito se classificam). No dia 4, serão realizadas as semifinais das categorias open, intermediário, anvançado, feminino além das quartas-de-final da categoria profissional (oito atletas brasileiros mais todos atletas estrangeiros). No último dia, será relizada a semifinal da categoria profissional (oito atletas), final da categoria open, final da categoria profissional (quatro atletas) e a festa de encerramento. O primeiro colocado receberá US$6 mil.

Saiba+ - Edição de Abril/Maio de 2013  
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