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Faculdade de Jornalismo - Puc Campinas

Casos de violência sexual contra mulher aumentam em Campinas

Cerca de 52 estupros foram registrados nos primeiros 59 dias do ano, o que aponta uma média de um abuso por dia, contudo muitas mulheres não denunciam o agressor por temor da reação da família e da sociedade. Pág. 7

50 anos do golpe militar Golpe de 1964 completa 50 anos em 2014 e grupos saem as ruas de Campinas para reivindicam punição oas torturadores;

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Patrimônio é revitalizado

Entrevista sobre rodas

Motovelocista conta ao Saiba+ os desafios e Catedral Metropolitana de Campinas passa experiências de ser a única mulher a compe- por reformas há 14 anos para revitalizarem tir na categoria 600 cilindradas; sua estrutura; Pág. 5

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Acumuladores acompanham modernidade e invadem o espaço digital Pessoas que têm mania de guardar coisas que em muitas vezes já não possuem mais necessidade de uso agora estão presentes nas redes de internet e acumulando também em seus smartphones, sejam fotografias, ou mensagens de texto. Pág. 3

Projeto da maior ciclovia de Campinas não tem data para sair do papel A Ciclovia de cerca de três quilomêtros de extensão com pista para caminhada, que será construída na Av. Baden Powell, ainda é um projeto sem abandonado pela prefeitura.

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Fórum independente de jornalista de Campinas “Nós na Pauta” discute as novas diretrizes do jornalismo;

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Divulgação

Desde 2006


Editorial

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CRÔNICAS

Prisão de condutores bêbados tem queda de 33% A prisão de motoristas embriagados caiu 33% nas rodovias da região de Campinas de 2012 para 2013, de acordo com balanço da Polícia Militar Rodoviária. No ano passado, 301 condutores foram detidos por dirigirem bêbados nas estradas da região. Um ano antes, o número de prisões foi de 451. Em 2013, a rodovia da região que mais registrou prisões de motoristas embriagados foi a Santos Dumont (SP-075) com 81 motoristas detidos. Em seguida, aparece a Anhanguera (SP-330) com 64, a Jornalista Francisco Aguirre Proença (SP101) com 36 e a Bandeirantes (SP-348) com 32. 46% dos brasileiros querem a revisão da Lei da Anistia A maior parte da população brasileira, 46%, é a favor da anulação da Lei da Anistia (datada de 1979), que prevê a não punição aos torturadores do Regime Militar. Os que são contra somam 37%. Outros 17% não sabem dizer. É o que revela pesquisa feita pelo Datafolha. Há 50 anos do Golpe de 1964, também há mais brasileiros a favor do que contra à proposta de punição dos que torturaram presos políticos na ditadura. Hoje, 46% defendem castigo aos torturadores e 41% se posicionam contra. Indiferentes e pessoas que não souberam opinar são 13%. Em 2010, o resultado foi inverso: 45% eram contra, 40% a favor. Foto: Divulgação

O inferno do sensível Fernanda Farrenkopf Estudante de Jornalismo

Sempre achei um tanto absurda a ideia de explicar sentimentos. Todavia, nunca me contentei em não tentar expressar o que sinto ou mesmo evitar mergulhar numa poesia como se tivesse sido escrita por mim. Poesias de amor, de perda, de solidão. A vida é uma poesia, se me permitem a metáfora. A vida é uma poesia, porque ela é livre. Livre para explicar o que não sabemos, aprontar conosco o que não queremos e o nos desafiar diante do desconhecido. Não há uma rota de fuga para a poesia da vida, senão o ponto final, vulgo, morte. Hoje, por exemplo, não consegui fazer nada além de ler alguns parágrafos de um livro qualquer, comer e dormir. A ordem das ações foram alternadas e repetidas ao longo de todo o dia. Então, reparei que aquilo que eu sentia era tão próprio, que talvez muitos também assim se sentissem e buscassem explicar. Vazio, angústia, enfim, nada. Sentir nada. Adoro a ideia de explicar o que se passa internamente na expressão “sentir nada”. Ali, no “nada” está escondido, pelo menos, “tudo”: a euforia da incerteza, o medo da novidade, a felicidade em risco, e por aí vai. Ironicamente, não tenho solução para as crises existenciais ou para nomear a não matéria. Para além do bem e do mal, se não se sabe a saída, desfrute do mal que te encarcera.

Antes que seja tarde André Barretto Estudante de Jornalismo

“Cara senhora P. M.,

Lulu Santos faz show em Campinas

Lulu Santos chega a Campinas para apresentar o show “Toca Lulu” no dia 31 de maio, no Prime Hall. Com hits da carreira como “Tudo Azul” e “Como um Onda”, o cantor sobe ao palco a partir das 0h do domingo (1º). Os portões abrem às 21h30 e os ingressos podem ser comprados pelo site http://www.guicheweb.com.br/ lulusantos/. A classificação etária é de 16 anos.

Expediente Jornal laboratório produzido por alunos da Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas. Centro de Comunicação e Linguagem (CLC): Diretor: Rogério Bazi; Diretora-Adjunta: Cláudia de Cillo; Diretor da Faculdade: Lindolfo Alexandre de Souza. Tiragem: 2 mil. Impressão: Gráfica e Editora Z Professor responsável: Luiz Roberto Saviani (Mtb 13.254). Edição: Mayara Yamaguti Edição de capa: Thiago Santos Diagramação: Thiago Santos

Por uma questão de prudência prefiro me dirigir à senhora apenas pelas iniciais de seu nome. Demorei a me decidir se escreveria esta carta desde nosso último encontro ocorrido no início de março. Principalmente devido à minha má impressão em relação aos seus atos praticados em pleno passeio público. Apenas para lhe trazer a memória, a qual pode estar um pouco afetada pela idade avançada, nos vimos em uma segunda-feira de madrugada durante uma festa que corria solta e alegre. Crianças, jovens, adultos e idosos se alegravam e dançavam em volta da praça. A banda tocava animada sambas de todos os tipos que entusiasmavam a população em geral. Pois bem, foi por volta das 2h que a senhora

apareceu. Já tinha lhe visto em uma esquina ou outra durante a noite. Mas foi nesse momento que seu humor se alterou. Sem nem ao menos avisar e muito menos explicar, enquanto as marchinhas moviam nossos pés, eis que a senhora, com suas botas pretas e passos pesados se pôs a marchar em nossa direção. Com súbita agressividade, começou a atirar pedacinhos de borracha e jogar bombinhas que fazem arder os olhos com uma fúria inexplicável. E os chorinhos que até poucos minutos antes eram apenas musicais passaram a ser choros causados pelo gás e pela indignação. Por que a senhora estava fazendo aquilo? José de Alencar em uma de suas crônicas publicadas no Diário do Rio de Janeiro, a

chamou de “dama sisuda e pretensiosa” descrevendo sua participação no carnaval. E olha que isso foi em 1855. Passado tantos anos me resta concluir que a senhora se tornou uma velha, que continua sisuda e pretensiosa, mas que preocupantemente parece estar caducando. Desculpe a sinceridade, porém precisava lhe alertar dessa condição antes que seja tarde demais. Então, caso venhamos a nos encontrar novamente nas ruas, o que muito provavelmente acontecerá dentro de poucos meses, seja para torcer pelo nosso time de futebol, seja para cobrar melhorias e respostas desta pátria que sem chuteiras não nos tem sido nada gentil, te peço senhora: -Recobre a lucidez. Por favor, não atire na gente!”


Tecnologia

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Acumuladores digitais invadem a rede Pessoas que guardam emails, fotos e até mensagens de texto utilizam notebook e até no celular

Arte: Thiago Santos

Fernanda Martins

Uma nova maneira de acumular aquilo que muitas vezes perde a necessidade de uso está na rede. Os acumuladores invadiram a internet e agora possuem, além do próprio notebook para arquivar milhares de fotos, mensagens e vídeo, um HD externo com mais de 500 gigabytes (GB). O apego excessivo aos objetos foi transportado para a era digital e invadiu os computadores de pessoas como, por exemplo, a estudante de geografia, Mariane Moreira, que viu no HD uma opção a mais para guardar todas as coisas possíveis que estão na rede. “Comprei o HD externo porque a memória do meu notebook não era mais suficiente para a quantidade de coisas que eu costumo baixar”, diz. A estudante ressalta, também, que é acumuladora digital assumida e que, por enquanto, a memória do HD externo é suficiente.

Ela não sabe, porém como salvar os links que favorita na internet. “Costumo salvar links que me interesso na internet; tenho medo de perdê-los”, admite. Mariane Moreira conta ainda que começou a salvar os links em diferentes pastas, com diferentes assuntos e em ordem alfabética, pois foi a única solução que restou para que ela não os perdesse. Para a psicóloga formada pela PUC-Campinas Lia Amatto, os acumuladores já foram foco de diversos debates. “Chamar alguém de ‘acumulador digital’ pode soar como algo comum, mas é preciso ficar atento, tanto quanto aqueles que acumulam objetos”. A psicóloga afirma ainda que apenas a nomenclatura para identificá-los como acumuladores que é nova, uma vez que o problema existe há tempos e não

deixou de acompanhar a modernidade. Lia Amatto comenta que segundo alguns estudos, os acumuladores digitais sofrem de Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), e que a causa disso está completamente ligada a um trauma. A psicóloga diz ainda que as pessoas que sofrem desse transtorno se tornam muito rígidas com elas mesmas e não conseguem se desvincular do passado; elas acabam acumulando coisas, primeiramente pela compulsão em tê-las e guardá-las, e por medo de perdê-las, principal-

mente. A estudante de jornalismo Martha Rodrigues é acumuladora assumida Imagem: printscreen e diz que não se imagina perdendo todos os arquivos que tem espalhados em 36 pastas do celular. “Salvo tudo para que não perca nada. Gosto de relembrar das coisas que falei, ou de momentos que fui, por isso que guardo todas as fotos possíveis e todas as mensagens que eu recebo”, conta. A estudante comenta que tem mais de 5 mil mensagens guardadas no celular e mais de 1 mil fotos salvas. “Acredito que seja um pouco de exagero, mas guardo até mensagens da minha operadora”, comenta. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o TOC é classificado com uma das dez doenças mais debilitantes do mundo. Para a psicóloga, Lia Amatto, o ponto crucial entre viver normalmente Martha Rodrigues diz ser alguém que gosta de guardar arquivos com o transtorno e pro-

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curar ajuda é determinado a partir da avaliação que a pessoa, vítima do Transtorno Compulsivo-Obsessivo, faz sobre si mesma. “A partir do momento em que a vítima está vivendo mais para compulsão que tem do que para qualquer outra coisa, é hora de pedir ajuda”, alerta. A psicóloga não descarta o fato de que a terapia seja boa para qualquer nível do transtorno. Porém, ela acredita que por existir níveis de TOC muitos conseguem lidar normalmente com ele. “A linha tênue entre procurar ou não ajuda está no mal que aquela patologia faz a você”, explica. Tanto para Mariane Moreira quanto para Martha Rodrigues, o TOC nunca foi um assunto muito abordado na vida delas. A primeira acredita que possa ter o transtorno, mas que nunca procurou ajuda para ter certeza. “Acredito que o fato de eu ter mais de 1,1 mil filmes

divididos em pastas diferentes em meu HD não seja algo tão normal”, comenta. A estudante de geografia possui quatro pastas diferentes para armazenar os filmes que tem: pasta para os filmes que já viu, para os que ainda não viu, para os que quer muito ver – antes de todos - e para os que quer rever. “Até então achava normal e me achava até organizada por dividi-los assim. Um dia desses, mostrando para a minha amiga me toquei que talvez eu seja a única pessoa a fazer esse tipo de coisa”. Já Martha Rodrigues acredita que isso não faz dela uma pessoa com transtorno, apenas uma pessoa que gosta de guardar arquivos e, mesmo que muitas vezes seja algo exagerado, ela consegue lidar normalmente com mais de 5 mil mensagens, 1,5 mil fotos, e mais de 4 mil e-mails lidos e não apagados.


Educação

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Fórum discute rumos do jornalismo em Campinas

Movimento ‘Nós na pauta’, lançado no último dia 25 de março, prevê encontros mensais na cidade Foto: José Eduardo Biotto

José Eduardo Biotto

A Associação Campineira de Imprensa (ACI) sediou, no último dia 25 de março, o lançamento do movimento “Nós na pauta”, fórum permanente e independente de jornalistas de Campinas que visa discutir o futuro e os desafios do jornalismo, como, por exemplo, as novas diretrizes curriculares. A iniciativa partiu do jornalista José Pedro Soares Martins que, após conversar com colegas de profissão e ver as dificuldades que o profissional da área vem encontrando, resolveu criar o projeto. O movimento prevê encontros mensais na sede da ACI, que fica ao lado da Prefeitura de Campinas, para abordar três pontos principais: a profissão e o papel do jornalismo com as transformações tecnológicas, os caminhos e alternativas a se-

futuros encontros, ao contar as experiências e perspectivas dentro do jornalismo. Para o professor Marcel Cheida a crise está na comunicação e não no jornalismo em si. “A crise se dá pelo desenvolvimento da tecnologia digital, cabendo ao profissional da área se enquadrar nesse novo modo de fazer jornalismo”, disse.

Novas diretrizes do jornalismo Grupo discute os rumos e as novas diretrizes do jornalismo

rem tomadas de forma valo- Marcel Cheida, por Luciarizada e os meios de capaci- na de Almeida e Sara Silva,

“ A crise não está no jornalismo, a crise está na comunicação em geral ” Marcel Cheida tação do profissional da área. A bancada foi composta por José Pedro, pelo professor da PUC-Campinas

idealizadora e diretora do site cultural campinas.com. br. Os profissionais deram uma mostra de como será os

O texto das novas diretrizes para o curso de jornalismo foi escrito em 2009 pela comissão de especialistas liderada por José Marques de Melo e nomes como Carlos Chaparro e Eduardo Meditsch. O projeto levou quatro anos e sete meses para ser aprovado pelo Ministério da Educação (MEC). As novas diretrizes trazem mudanças drásticas ao curso e as faculdades de jornalismo têm até 2015 para se adequar ao novo padrão. O curso passará a ter carga horária mínima de 3,2 mil horas sendo 200 delas de estágio obrigatório. As atividades práticas deverão ter início no primeiro semestre do curso e o formando passará a receber o título de bacharel em jornalismo e não mais em comunicação social com ênfase em jornalismo.

Lazer

Projeto de Ciclovia não tem data para sair do papel

Trecho adaptado teria 3 km de extensão e pista para caminhada no canteiro central da Baden Powell Foto: Gabriela Aguiar

Gabriela Aguiar

Sem a ciclovia ciclistas tem que andar entre os carros

As

Ciclofaixas

de

Lazer

Campinas

- Ouro Verde estão abertas aos ciclistas exclusivamente, aos domingos e feriados, das 7 às 13 horas. - Durante os dias úteis, somente os trechos da Praça Arautos da Paz (1,6 km) e da Lagoa do Taquaral (4,8 km), estão abertos.

Projeto do que seria a maior ciclovia de Campinas, o trecho adaptado para ciclistas no canteiro central da avenida Baden Powell, no Jardim Nova Europa, não tem previsão para sair do papel. A pista, que deve ter três quilômetros de extensão e espaço para caminhada, é uma compensação ambiental no valor de R$ 696 mil, definida por um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre a Prefeitura e a construtora MRV. A última visita técnica feita na região foi em janeiro deste ano pelo prefeito em exercício à época, Henrique Magalhães Teixeira. Apesar disso não há data para o início ou término das obras. Campinas tem aproximadamente 27 quilômetros de trechos adaptados para ciclistas. Alguns usuários deste meio de transporte, entretan-

to, criticam a falta de opções de horários e fiscalização. “A ciclofaixa do Ouro Verde não funciona porque as pessoas não respeitam. Tenho medo de andar por lá”, relata a assistente de vendas e ciclista Lidiana Lucindo. O trecho na região do Ouro Verde tem 2,2 quilômetros de extensão, entre o Bosque Augusto Ruschi e a Rua Bambui, todavia, a ciclofaixa só opera aos domingos, das 7h às 12h. Outro fator que contribuiu para falta de opção para os ciclistas no perímetro urbano de Campinas foi o encerramento do projeto “Viva Bike”, que permitia aos moradores alugarem bicicletas. “Não adianta só ter a ciclofaixa, tem que ter um acompanhamento, porque o motorista não respeita nem o pedestre”, afirma a ciclista. A Prefeitura de Campi-

nas atribuiu o problema com o calendário à necessidade de controle e planejamento, devido ao grande fluxo de motoristas que trafegam pela Baden Powell. A administração municipal informou ainda, por meio de assessoria de imprensa, que o trecho na região do Nova Europa seria um “piloto”, já que há projetos para implementação de outras ciclovias em Campinas. A execução das obras é de responsabilidade da MRV, que foi procurada pelo Saiba+ mas, não respondeu aos questionamentos. Em nota, a Secretaria do Verde e Desenvolvimento Sustentável disse que “o projeto foi elaborado com baixo custo e eficiência. A ideia é não mexer na arborização da avenida e instalar a ciclovia contornando as árvores” informou.


Esporte

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Mulher ganha destaque na motovelocidade Única representante feminina na categoria 600 cilindradas conta ao Saiba+ rotina e experiências no esporte

Foto: Thiago Santos/Arquivo pessoal

Pamella Cherácomo

Única mulher a competir na categoria 600 cilindradas (cc) da Copa Kawasaki Ninja ZX-6R, dentro do SuperBike Series, a piloto Samara Andrade, de 24 anos, conta que um dos maiores desafios da motovelocidade, além da dificuldade em encontrar patrocinadores, é a falta de oportunidade para treinos. Em entrevista ao Saiba+, a atleta relata ainda a vivência dentro de um esporte classificado historicamente como masculino. “Ser vencido ou ultrapassado nas pistas por uma mulher não é fácil aceitar”, diz. Nascida em Jundiaí (SP) e competidora desde setembro de 2013 do SuperBike, campeonato nacional da categoria, a piloto critica a falta de opções de pistas e o valor do track day, evento esportivo, sem caráter competitivo, no qual é permitido correr em um autódromo profissional ou pista privada.

paração e manutenção na oficina em que levava minha outra moto, também era ajudada por amigos e pela família. Minha mãe fez a opção de vender uma moto que ela tinha na época para podermos absorver todos os custos que envolvem cada etapa, principalmente quando se trata de etapas fora de São Paulo. Você precisou aprender a mexer na moto. Isso aconteceu por falta de patrocínio? No começo quando participei dos primeiros treinos/ competições contava apenas com minha mãe e alguns amigos mais próximos, e como tenho um curso de mecânica de aeronaves tinha noção de motor em geral e conseguia me virar. Com relação a patrocinadores hoje só é possível estar nas pistas, pois existem pessoas e empresas que me apoiam e acreditam no meu potencial como piloto.

“No Brasil, além do futebol, não há incentivo para nenhum outro esporte. ” Saiba +: Como e quando começou a sua paixão por moto? Samara Andrade: Quando pequena via fotos dos meus pais andando de moto, meu pai de motocross e minha mãe de motostreet, e isso me despertou o interesse. Aos 17 anos tive um ciclomotor de 49cc e aos 19 anos tive um namorado que me ensinou a pilotar uma motocicleta de 125cc, resolvi então tirar minha habilitação e adquiri uma motocicleta 250cc. Você começou a correr com a moto de sua irmã. Como isso aconteceu? Foi isso mesmo. A minha irmã se mudou para os EUA para estudar, a partir daí vi a oportunidade de usar a moto que era dela e que se enquadrava na categoria para iniciantes. No início não tinha apoio de equipe, aprendi a mexer na moto e fazia a pre-

É possível viver apenas como atleta no Brasil? Impossível, isso é utopia! Acredito que seria o sonho de qualquer atleta desempenhar seu papel com excelência, podendo se dedicar por inteiro ao que verdadeiramente ama fazer. Também trabalho como projetista/ desenhista de móveis. No Brasil, além do futebol, não há incentivo para nenhum outro esporte. Se não houver interesse de empresários é impossível se manter, viver dele então... Nem pensar! Qual a reação, principalmente dos homens, quando descobrem que é uma mulher que vai competir com eles? Você acha que ainda existe um preconceito? Muito! Afinal, esse é um mundo essencialmente masculino e ser vencido ou ultrapassado por uma mulher que esta nas pistas há apenas

Samara Andrade, 24 anos a única mulher a competir na categoria de 600 cilindradas

sete meses não é fácil aceitar, afinal são as calcinhas vencendo as cuecas! (risos) Existe uma categoria de corrida apenas para mulheres? Não existe no Brasil nenhuma competição pré-estabelecida de motovelocidade só para mulheres, mesmo porque são poucas as representantes femininas em pista. Existe a intenção de se formar uma única competição somente com mulheres neste ano, caso isso ocorra, eu estarei lá com certeza! Já na categoria Supermoto

existe a categoria Penélope, a qual gostaria imensamente de participar, mas para isso necessitaria de um patrocinador. É preciso ter um preparo físico para se sair bem nas corridas? Como você se prepara? Existe alguma alimentação específica para semana de corrida? Sem dúvidas, o preparo físico é prioridade para um atleta. Faço preparação física em academia de domingo a domingo, e tenho uma alimentação controlada por um nutricionista esportivo que me

acompanha há muito tempo. Você treina com qual frequência? Poucas vezes entre etapas, infelizmente o custo e as poucas opções de track days não nos ajudam. Podemos dizer que, no máximo, realizo dois treinos em pista entre etapas. Quais são os seus planos para 2014? Estar no pódio em todas as etapas do Campeonato SuperBike Series Brasil 2014 categoria 600cc, de maneira a representar o sexo feminino com muita dignidade. Foto: Arquivo pessoal

Muita adrenalina e velocidade o esporte também exige muito cuidado e responsabilidade


Foto: Douglas Moraes

Política

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Protestos repudiam 50 anos do golpe militar Movimentos sociais e partidos políticos de esquerda reivindicam punição de torturadores em pontos históricos de Campinas

Foto: Douglas Moraes

Douglas Moraes

Em repúdio ao golpe militar de 1964, que completou 50 anos no dia 1° de abril, movimentos sociais, partidos políticos de esquerda, sindicatos, grupos anarquistas e organizações estudantis de Campinas articularam manifestações em pontos históricos da cidade. As ações tinham como objetivo esclarecer esta parte da história brasileira e pedir a punição dos responsáveis pelas atrocidades cometidas à época. A marcha antifascista, realizada no dia 22 de março, partiu do Largo do Rosário, no Centro, e caminhou até a Câmara dos Vereadores de Campinas. O percurso, segundo os organizadores, buscou lembrar que, durante o período militar, nenhum dos vereadores se manifestou contrário à intervenção totalitária, assim como boa parte da classe política campineira. Cinquenta pessoas de grupos anarquistas e comunistas fecharam o trânsito em avenidas importantes como a Francisco Glicério e Avenida da Saudade. Militante desde 1964 e integrante da Unidade Vermelha (organização leninista revolucionária) Pedro Paulo de Medeiros enfatizou que as manifestações de rua têm uma função importante na garantia da democracia. “É para fazer com que a população acorde um pouco, conquiste consciência de povo, de cidadão. Que olhe os seus

Grupos sociais, partidários e movimentos estudantis reunidos em manifestação no Largo do Rosário

direitos que não são colocados em prática”, afirma.

Cinquentenário Convocado pela Comissão Municipal da Verdade, o ato de repúdio ao golpe militar foi realizado no dia 31 de março, em sincronia com diversas manifestações por todo o país. Também no Largo do Rosário, ponto histórico de intervenções em Campinas, cerca de 300 pessoas, muitas delas relacionadas a algum movimento social, partido político ou organização estudantil reivindicaram a memória de vítimas e desaparecidos políticos, além da punição de militares. Em um carro de som, o representante da comissão Paulo Mariante discursou e coordenou as falas dos representantes das entidades presentes, que foram uníssonos na defesa da liberdade e democracia, enfatizando que é necessário permanecer alerta para que não se

repita o erro do passado. Os manifestantes caminharam pelas avenidas, Francisco Glicério, Campos Sales e Irmã Serafina até o Palácio dos Jequitibás, sede do poder executivo da cidade e construído durante o mandato do prefeito Ruy Novaes, um aliado da ditadura que, de acordo com a apuração da comissão um municipal da verdade, dois dias depois do golpe fez uma ligação ao comando militar, parabenizando pelo sucesso da operação.

Comissões da Verdade Mariante reafirmou a importância de relatórios produzidos pelas comissões do país para investigação dos crimes, punições dos autores e constituição de materiais acadêmicos e educativos, que sirvam de alicerce para uma sociedade que conhece sua história e é capaz de se desenvolver a partir dela. Além da Comissão Municipal da Verdade Memória e Justiça, a Universidade de Campinas (Unicamp) também tem uma comis-

Militante Pedro Paulo de Medeiros

são autônoma que resgata e documenta os fatos relacionados à intervenção militar contra membros da comunidade acadêmica. Sombras do passado Apesar de toda movimentação em repúdio à ditadura militar, setores conservadores e reacionários da sociedade tem alimentado a ideia de que o Brasil vive uma ameaça comunista totalitária e que o Exército deve intervir, novamente, para que o país não se transforme em uma “nova Cuba”. Membro da Comissão da verdade e professor da Unicamp, Caio Navarro de Toledo, atribui essa postura à ignorância daquilo que o regime militar representou em retrocesso para a população brasileira tanto no âmbito social, quanto nos campos da ética e economia. Toledo explica que as alegações de grupos como o Partido Militar Brasileiro (PMB), advogando em favor do crescimento econômico do país e na expansão do parque industrial instalado pelos militares, são

infundadas pois os números da inflação na época (que chegavam a 70% ao ano) e o custo da industrialização foi uma dívida externa que levou 14 anos para ser paga, após a redemocratização do país. Com relação à corrupção durante período da ditadura, muitas denúncias foram arquivadas pelos generais. A censura e o controle sob a imprensa deixaram na obscuridade diversos deslizes dos governantes, mas aberturas de alguns arquivos confidenciais jogaram luz sobre a falta de honestidade presente também na administração pública da época. O professor conclui que a elucidação e o registro dos crimes cometidos durante o regime militar não tem a intenção de recontar a história do Brasil, mas sim de disponibilizar para a população e, principalmente, para aqueles que ainda procuram respostas sobre parentes desaparecidos, informações e ensinamentos que ajudem a construir um país mais democrático no futuro.


Cotidiano

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Campinas tem um caso de abuso sexual por dia

Um total de 52 estupros foi registrado só nos primeiros 59 dias do ano, o que equivale à média de um caso por dia Douglas Moraes e Mayara Yamaguti

Enquanto 26% dos brasileiros, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), acreditam que “as mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”, Campinas teve, em média, um caso de violência sexual por dia em 2014. Segundo o balanço, divulgado pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) no último dia 25 de março, 52 estupros foram registrados nos primeiros 59 dias do ano, o que significa uma média de 0,8 abuso por dia. Se comparado os dois primeiros meses do ano com o mesmo período de 2013, os casos de violência sexual aumentaram em 25% na cidade.Representantes de movimentos feministas, entretanto, acreditam que o número de vítimas pode ser muito maior, se levados em consideração os casos que não são registrados na Polícia Civil. “Não acredito que seja realmente este número de estupros cometidos em Campinas. Muitas mulheres não denunciam por medo de retaliações familiares e sociais, públicas ou não”, diz a representante do Movimento Mulheres em Luta (MML) Flávia de Mendonça Ribeiro. Para a psicóloga e mestranda da PUC-Campinas Mariana Ferreira Rodrigues, o au-

Foto: Mayara Yamaguti

mento dos números oficiais referentes a este tipo de violência diz respeito ao aumento de denúncias. “Acredito que atualmente as mulheres compreendem a importância de realizar a denúncia, apesar de ainda encontrarem diversos empecilhos”, afirma. Entre os obstáculos encontrados pelas vítimas de

der vítimas de violência sexual, o Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (CAISM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o Hospital Municipal Mário Gatti. “São diversos os impactos causados pela violência sexual. Vão desde impactos psicológicos, que envol- Ato público em repúdio a violência contra mulher de 2013 vem baixa-autoestima, dioprime é muito complexo, às vítimas de violência sepor isso é mais fácil en- xual e violência doméstica. contrar só um culpado”, Ipea afirma a psicóloga. “As O Ipea divulgou, a prinmulheres estão se forta- cípio, que 65% dos braMariana Rodrigues lecendo (entre elas) para sileiros concordam, total enfrentar e combater si- ou parcialmente, com a ficuldade de relacionar-se tuações que as coloquem afirmação de que “mulhecom outras pessoas, medo, como objetos de satisfa- res que usam roupas que agressividade até impactos ção de homens”, completa. mostram o corpo merecem físicos relacionados com “Em casos de estupro e ser atacadas”. Em meio doenças e violência físiviolência doméstica, por a comentários e reações, ca”, conta a psicóloga Maexemplo, temos a política virtuais e políticas, como riana Ferreira Rodrigues. Violência doméstica de irmos em grupo à Dele- da presidente Dilma Rougacia da Mulher, se a mu- sseff (PT), o órgão corriSomente em fevereiro, na lher violentada concordar, giu, uma semana depois última estatística divulgapara dar apoio e fortalecer de publicado, que o estudo da pela Polícia Civil, 4.406 a mulher na hora da de- constatou, na verdade, que mil casos de lesão corporal núncia contra o agressor, 26%, e não 65% dos 3.810 dolosa foram registrados já que muitas vezes elas são entrevistados, concorno estado de São Paulo, ‘culpabilizadas’ pelos fun- davam com a afirmação. sendo pelo menos 2.788 no cionários da delegacia da “Não muda nada! Aininterior. Na pesquisa “Tomulher”, conta a integrante da assim, 26% é um índice lerância social à violência do MML Flávia Ribeiro so- alto para acharem que mucontra as mulheres”, divulbre as ações de amparo às lheres que se vestem como gada pelo IPEA no final de vítimas feitas pelo coletivo. quiser, sendo também a março, 42,7% dos brasileiPara a integrante da Mar- roupa curta, podem ser ataros concordam totalmente cha Mundial das Mulheres, cadas”, afirma a integrante com a frase “Mulher que é a luta feminista defende a do MML. “O Brasil ainda agredida e continua com o ampliação dos direitos e da tem uma cultura muito parceiro gosta de apanhar”. proteção das mulheres, an- machista, a qual ainda tra“Ninguém gosta de apacorada em iniciativas como ta as mulheres como objenhar, nem mulher e nem a Lei Maria da Penha e no to de satisfação de desejo”, homem, mas pensar nos desenvolvimento de uma completa a psicóloga Mamotivos que levam a conrede nacional de amparo riana Ferreira Rodrigues. viver com alguém que te

“Ninguém gosta de apanhar, nem mulher e nem homem. ”

violência está a falta de infraestrutura e atendimento na única Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) da cidade. “Essa delegacia funciona em horário comercial, dificilmente consegue contemplar os problemas de violência doméstica que acontecem à noite e aos finais de semana”, diz a historiadora e integrante da Marcha Mundial das Mulheres Glaucia Fraccaro. ”Só conseguiremos enfrentar e combater esse tipo de opressão, quando as pessoas tomarem consciência de que situações de estupros são mais recorrentes e comuns do que se imagina”, explica a psicóloga Mariana Ferreira Rodrigues. Para Glaucia Fraccaro, a falta de políticas públicas voltadas para mulheres é outro ponto a ser criticado na cidade. Em Campinas, somente dois hospitais estão capacitados para aten-

Imagem: Thiago Santos

Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas? (Em %):

Mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar? (Em %): 42,70%

58,40% 24%

22,40% 1,90% Concordam totalmente

Concordam parcialmente

São neutros

Discordam totalmente

8,40%

13,20%

12,80%

Discordam parcialmente

Concordam totalmente

Concordam parcialmente

11,60%

3,40% São neutros

Discordam totalmente

Discordam parcialmente


Campinas 240

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Reformas dão vida nova à Catedral Patrimônio passa por restauro, que ainda depende de R$ 5 milhões para ser concluído Foto: Natália Oliveira

Natália Oliveira

Foto: Natália Oliveira

Com 130 anos de história e uma média de 3 mil visitantes por dia, a Catedral Metropolitana de Campinas, Nossa Senhora da Conceição, entra no 14º ano consecutivo em reforma. Inaugurado em 1883, o patrimônio cultural passa, desde 2000, por um projeto de restauro, que ainda depende da arrecadação de R$ 5 milhões para ser concluído. Considerado o maior templo religioso a ser arquitetado em taipa de pilão, a construção da igreja, que fica na Praça José Bonifácio, no Centro, demorou 35 anos para começar. “Na época, os senhores de engenho que possuíam mais dinheiro começaram a bancar a construção até meados de 1940. Eles instituíram um imposto que era destinado ao prédio”, afirma o arquiteto especialista em restauro, responsável pela manutenção da Catedral há 13 anos, Ricardo Leite Filho. Entre abril e junho de 1865, as tropas designadas por D. Pedro II para atacar o Paraguai pelo flanco Norte, na famosa Retirada da Laguna, estacionaram por 66 dias em Campinas. Entre os soldados estava Alfredo Maria Adriano d’Escragnolle Taunay - posterior Visconde de Taunay pronun-

cia-se Toné - à época com 22 anos e tenente-engenheiro das tropas. De acordo com documentos da Igreja Católica, Taunay visitou a Catedral de Campinas ainda em obras e se encantou com ela. Fez várias visitas nos 66 dias de acampamento, e a considerou o maior e mais suntuoso templo de todo o Império. Escreveu 22 cartas ao pai, o pintor Félix de Taunay, amigo pessoal de D. Pedro, pedindo ajuda imperial para a conclusão das obras, que datavam de 1807. Enviou emissários ao Rio para contatarem engenheiros de fama e ele próprio deu várias instruções sobre como trabalhar a construção da torre em taipa. Reformas Todo o processo de restauro foi orçado, a princípio, em R$ 7 milhões, porém até agora apenas R$ 2 milhões foram arrecadados com a ajuda de empresários, bancos e também pela lei Rouanet. Segundo o cônego Álvaro Augusto Ambiel, uma das prioridades da obra em 2014 é a fachada do templo. “Toda parte da frente está programada e deve demorar cerca de seis a sete meses para fazer o restauro do frontispício”, explica. Além da obra que já dura 14 anos, a Catedral passou por ainda

Marcha das Famílias por Deus e pela liberdade realizada em 7 de abril de 1964

Restauro envolve a recuperação da torre, campanário, cúpula, decoração e toda estrutura elétrica.

por reformas em 1923 e 1954. A Secretaria de Cultura de Campinas divide sua verba entre os patrimônios da cidade, porém para o historiador e coordenador vetorial do patrimônio cultural de Campinas, Henrique Anunnziata a responsabilidade de manter e restaurar a Catedral de Campinas deveria ser da administração do local, e não da Prefeitura. “A cidade está interessada em movimentar o Centro, mas não especificamente o prédio da Catedral, porque ele é privado, pertence à Igreja”, conta. A administração da Catedral, entretanto, tenta torná-la um patrimônio

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nacional. Segundo o cônego responsável pela igreja, ações junto ao Ministério da Cultura estão em andamento para que o prédio esteja ligado ao Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Cultura A Catedral apresenta em seu interior altares e ornamentos esculpidos em ricos detalhes, que se misturam entre os estilos rococó e neoclássico. Tal singularidade foi resultado de problemas no início da construção do prédio, como aponta o historiador Henrique Anunnziata. “Era uma igreja que não se finalizava, com todos os pro-

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blemas que se imagina no Centro da cidade nova. Ramos de Azevedo veio com um projeto eclético”, diz. A Catedral de Campinas reflete a trajetória da consolidação da cidade, de grande importância regional e estadual em termos religiosos e culturais. O prédio foi lapidado por artistas importantes, como Vitorino dos Anjos e Bernardino Sena. Apesar dos 3 mil visitantes por dia, poucas pessoas sabem que existe um museu de artes sacras aberto ao público todos os sábados das 9h às 12h. São 500 peças de santos e padroeiros católicos, a maioria esculpida nos séculos XVIII e XIX.

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Saiba+ - Edição Abril de 2014  
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