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HOMENAGEM ADRIANO LUCAS o decano dos dirigentes da Imprensa Director do Diário de Coimbra e fundador dos Diários de Aveiro, de Leiria e de Viseu

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21 DE JANEIRO DE 2011 NÃO PODE SER VENDIDO SEPARADAMENTE

60 anos

ao serviço dos leitores, de Coimbra, das Beiras e da Liberdade de Imprensa

Faz agora 60 anos que Adriano Lucas, após a morte do seu pai, Adriano Viegas da Cunha Lucas, está à frente do Diário de Coimbra, jornal que completou, em 2010, 80 anos de existência e que hoje integra um grupo de jornais por si fundados : o Diário de Aveiro, que já conta 25 anos de publicação, o Diário de Leiria e o Diário de Viseu. Frontal, em Dezembro de 1950, Adriano Lucas convocou o então director do Diário de Coimbra e todos os colaboradores do jornal para lhes explicar que ninguém gostava mais do Diário de Coimbra do que ele próprio mas que, como não dispunha das mesmas condições financeiras do que o seu pai, não poderia continuar a pagar o papel. O caminho, anunciou, teria de passar por mais empenho de cada um e por um aumento das receitas. O jornal teria de se pagar a si próprio. Assim foi e assim é hoje, neste como nos restantes três jornais porque só assim se garante a total independência das empresas jornalísticas.

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Só assim, como sempre defendeu Adriano Lucas, se pode fazer um jornal ao serviço dos seus leitores e não de quaisquer outros interesses, incluindo, obviamente, os dos seus proprietários. Por isso mesmo, sempre fez questão de não ser “notícia” e de não aparecer, por tudo e por nada, nas páginas dos seus jornais. O suplemento que hoje editamos é, assim, uma excepção porque é uma homenagem por parte daqueles que consigo aprenderam e que consigo partilham os seus ideais e valores e que pretende surpreender o Engenheiro Adriano Lucas no assinalar desta importante data. São seis décadas em defesa da Liberdade de Imprensa, da região das Beiras e com particular ênfase de Coimbra, Aveiro, Leiria e Viseu. Já aos cinco anos, Adriano Mário da Cunha Lucas, pelas mãos do seu pai, é presença regular nas instalações do Diário de Coimbra, na Av. Sá da Bandeira e no Pátio do Castilho. E quando, aos sete anos, vai estudar para o colégio Infante de Sagres, em Lisboa, passa a receber diariamente o Diário de Coimbra. Aos quinze anos, já com o jornal na rua da Sofia, na Baixa de Coimbra, torna-se sócio da empresa. É nessa altura que regressa a Coimbra, para estudar no Colégio S. Pedro e no Liceu D. João III (hoje Liceu José Falcão). Em 1945, aos 19 anos, era então estudante do Instituto Superior Técnico – é nomeado seu editor (1945). Com a morte de Adriano Viegas da Cunha Lucas, em 17 de Dezembro de 1950, o seu filho, aos 25 anos, fica responsável pelo Diário de Coimbra e herda os valores que lhe foram transmitidos pelo pai, muitos deles bem visíveis no que já era o jornal e no que se tornou este grupo de Comunicação Social. A regionalização, enquanto pro-

cesso de efectiva descentralização e transferência de poderes e competências para as várias regiões do país, para que cada comunidade local e regional possa decidir sobre o que mais directamente lhe diz respeito, é uma das suas “bandeiras” e motivo de vários acutilantes editoriais. «Temos de dar o primeiro passo. De outro modo, Portugal ficaria bloqueado no centralismo, que todos os “poderosos” pretendem erradamente manter, quando são donos do poder, ou pensam poder alcançá-lo quando são seus opositores. Que se erradiquem os totalitaristas de Estado», escreveu Adriano Lucas num editorial sobre a regionalização. Também por isso, Adriano Lucas decidiu fundar o Diário de Aveiro (em 19 de Junho de 1985), o Diário de Leiria (em 17 de Março de 1987 e que, depois de alguns números publicados, começou a sair diariamente a partir de 13 de Outubro), o Diário de Viseu (em 2 de Junho de 1997), a Rádio Regional de Aveiro (23 de Outubro de 1989) e a FIG – Indústrias Gráficas SA, onde são impressos os diários do grupo e muitos outros jornais regionais. O desenvolvimento das regiões passa, defende, por uma Imprensa Regional forte e independente. Devotado defensor da Liberdade de Imprensa e do manifesto liberal, Adriano Lucas representou os jornais diários portugueses na comissão que elaborou a Lei da Imprensa, publicada em Fevereiro de 1975 (durante o período revolucionário pós 25 de Abril) a qual, ao garantir a Liberdade de Imprensa e de Publicação, permitiu a sobrevivência da imprensa independente e ajudou a consolidar a democracia em Portugal. Foi membro do Conselho de Imprensa durante toda a sua existência (1975/90) e integrou, ainda, várias associações e organizações que têm como missão a defesa intransigente de uma imprensa livre e plural, nomeadamente a ENPA (Associação Europeia de Jornais), a FIEJ (Federação Internacional de Editores de Jornais), mais tarde da WAN-IFRA (Associação Mundial

de Jornais e Editoras de Notícias) e a Associação de Imprensa Diária (AID). Foi ainda administrador fundador do CENJOR (Centro Protocolar de Formação de Jornalistas) e da NP – Notícias de Portugal. Sob a sua liderança, o Diário de Coimbra resistiu à ditadura salazarista, às tentativas de controlo comunista, no pós 25 de Abril, e a todos os demais que o tentaram controlar ou influenciar, garantindo a sua total independência perante os poderes político e económicomonopolista. Assegurou, deste modo, a continuidade da sua linha editorial como jornal informativo republicano, liberal, defensor da democracia pluralista, da economia de mercado, da integração europeia e da regionalização do país, ao serviço de Coimbra e das Beiras, dos seus leitores e anunciantes. Linha editorial essa que é hoje partilhada pelos quatro jornais diários. Todos estes ideais reflectem-se, ao longo de décadas, nas páginas dos quatro jornais (as causas dos mais desfavorecidos que se apoiaram, as petições que foram promovidas em defesa da região, os editoriais descomprometidos com o poder instituído, entre outros exemplos). É, assim, justo afirmar que Adriano Lucas tem um percurso de coerência e de verticalidade. A região muito lhe deve. Graças à sua acção, Aveiro, Leiria e Viseu passaram a ter, pela primeira vez, jornais diários próprios e Coimbra tem hoje , no Diário de Coimbra, o principal diário regional português e o mais antigo diário que conserva a linha editorial de origem e que se mantém na posse da família do seu fundador. A Imprensa em Portugal pode orgulhar-se de tê-lo como o decano dos seus dirigentes e por isso, para este suplemento, ouvimos alguns dos que com ele estiveram em diferentes palcos do mundo da Comunicação Social, ao mesmo tempo que recordaremos diversos momentos mais marcantes do grupo de jornais que lidera. l João Luís Campos Director-Adjunto


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Homem virtuoso I JOSÉ MIGUEL JÚDICE I Advogado

O ENGENHEIRO ADRIANO LUCAS é um Amigo. E é um Homem Bom. E, como se isso não bastasse, gosta da Quinta das Lágrimas como eu (para ambos esta é a casa dele, honra que muito enobrece a minha Família). Para mim, tal bastaria para o louvar. Homens bons que partilham comigo bons gostos não são muitos, infelizmente. Mas além disso ele muito fez pelo País numa vida reche-

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HOMENAGEM

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ada, apesar de Portugal tantas vezes ser ingrato para os seus melhores e mais generosos. Dizia há dias a propósito de outro Amigo que os portugueses só gostam de elogiar os que morreram. Depois da morte qualquer malandro

ADRIANO LUCAS MUITO FEZ PELO PAÍS NUMA VIDA RECHEADA recebe um conjunto de panegíricos, como se o hipotético arrependimento final lavasse todas as ignomínias. No meu caso prefiro honrar os vivos, até para não ter de hipocritamente louvar os que morreram e não merecem encómios.

Adriano Lucas é um Homem com H grande. Um verdadeiro aristocrata, no sentido mais nobre da palavra. Alguém que tem perante todos nós a constante delicadeza de ser modesto e a permanente bondade de ter sentido de humor. Infelizmente no nosso tempo não se estudam nem se valorizam as vidas exemplares, as pessoas que se souberam libertar da lei da Morte. A crise em que vivemos é também o resultado desse desinteresse pela Virtude, que desde a Roma Antiga sabemos ser o sustentáculo das liberdades. Que este pequeno texto sirva para lembrar a Virtude, através de homem virtuoso. l

Tenacidade e coragem nas causas da Imprensa Regional e da Liberdade de Expressão I FRANCISCO PINTO BALSEMÃO I Presidente do Grupo Impresa e Membro da Comissão que elaborou a Lei da Imprensa

ASSOCIO-ME, com prazer, à homenagem prestada ao Engenheiro Adriano Lucas. Embora nos últimos 20 anos tenhamos perdido, a pouco e pouco, o contacto pessoal, habituei-me a ver nele um lutador por duas causas em que sempre acreditou e nas quais se empenhou, com tenacidade e coragem: a importância da implantação de

lha pelo direito a informar e a ser informado, esteve sempre na primeira fila, tanto através da Associação da Imprensa Diária, como no Conselho de

uma Imprensa regional que abandonasse os cânones antigos e enveredasse pelos caminhos de um jornalismo mais moderno; e, antes e acima dis-

NA BATALHA PELO DIREITO A INFORMAR E A SER INFORMADO, ADRIANO LUCAS ESTEVE SEMPRE NA PRIMEIRA FILA Imprensa, como também na intervenção em várias instâncias, no âmbito da União Europeia. Recordar e louvar a actuação de Adriano Lucas num sector crucial para a vida democrática é, por tudo isto, uma iniciativa não apenas justa, mas também, necessária e oportuna. l

so, a liberdade de expressão do pensamento através do meios de comunicação social. Num caso como noutro, Adriano Lucas conseguiu vencer. Com o Diário de Coimbra, e mais tarde com o Diário de Aveiro, deu o bom exemplo do que era possível fazer na área dos diários de cobertura regional. Na bata-

Os 80 anos de existência do Diário de Coimbra foram fertéis em momentos que se cruzam com a história da cidade e do país. Vamos, hoje, neste trabalho especial, recordar alguns dos mais marcantes acontecimentos

Em 1945, o Diário de Coimbra sofre a mais grave penalização imposta a um jornal português 7 de Julho de 1945 - a partir deste dia e até 4 de Julho de 1946 o Diário de Coimbra não foi para as bancas por decisão governamental. A 29 de Junho de 1945, o Diário de Coimbra, já com Adriano Lucas como seu editor, publicou um artigo sobre o Max do Trapézio Voador, uma música então em voga. A crónica contava a história de Max, a grande atracção de circo que esgotava a lotação. Envelhecido, abandonando o trapézio, continuou no circo a fazer outras habilidades. Inconformado com a situação, encheu-se de brios e resolveu voltar ao trapézio. O circo encheu-se novamente. Max não se aguentou no balanço, caiu e morreu. O mestre

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do circo nem sequer compareceu ao funeral. Esta era a história na qual o regime colocou sabor político. Considerou que Max era então o reitor Maximino Correia e que o mestre do circo não podia deixar de ser Salazar, devido ao comportamento que assumia com quem deixava de o servir. O artigo foi visado pela censura, e ainda assim o Governo aplicou ao Diário de Coimbra uma pena de suspensão de publicação de 20 dias, exigindo também a substituição do director. Os directores indicados foram sendo recusados como mostra esta carta escrita pelo fundador do jornal, Adriano Viegas da

Cunha Lucas, ao seu filho, Adriano Lucas: "Continua a perseguição, tôrpe e injusta contra o Diário de Coimbra. Da Censura deram ordem para o Francisco

Pimentel (indigitado para director) e o Soares (para editor) apresentarem os documentos. E o presidente da Comissão daqui, acrescentava, saber, que seriam

aprovados. O jornal já deveria ter reaparecido - e estava isso assente - no princípio desta semana. Afinal, telefonaram-me ontem dizendo-me que de Lisboa viera um novo ofício da Censura informando que o Francisco Pimentel havia sido rejeitado! Não há direito! Isto já passa de enxovalho e de garotice! Sinto-me revoltado. E vejo-me desacompanhado de quem se poderia opôr. Estou a ver que isto já não poderá acabar em bem". E acrescentava: "Peço-te que procures o J. P., em Lisboa, para que te informe, de uma vez para sempre, se há a intenção, lá do alto, de acabar de vez com o Diário de Coimbra, rejeitando, siste-

maticamente, toda e qualquer pessoa da minha escolha. É preferível um desengano leal, a continuar esta fantochada!" Os directores indicados iam sendo recusados e apenas após um ano de suspensão efectiva e por diligência pessoal de Bissaya Barreto, o Governo autorizou o reinício da publicação do Diário de Coimbra, terminando assim a mais grave penalidade aplicada a um diário português. A par deste artigo sobre o Max do Trapézio Voador, o Diário de Coimbra vinha publicando, na coluna «A Cidade», diversos textos sobre a falta de água, batata, pão e peixe na região. Artigos que não interessavam ao regime. l

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A 24 DE ABRIL DE 1930 SAIU O “NÚMERO ZER0” DO DIÁRIO DE COIMBRA O primeiro “espécimen” do Diário de Coimbra saiu para a rua no dia 24 de Abril de 1930. Uma quinta-feira. O Editorial inserido na capa explicava a razão deste projecto outrora tentado mas nunca conseguido: dotar as Beiras e principalmente a cidade de Coimbra – centro intelectual de primeira grandeza e verdadeiro coração do país – de um jornal destinado a pugnar pelos interesses da “malfadada região”, em cuja extraordinária importância «os poderes públicos nunca atentaram como deviam» .

O “NÚMERO UM” DO DIÁRIO DE COIMBRA CHEGOU ÀS BANCAS I O Diário de Coimbra iniciou a sua publicação efectiva a 24 de Maio de 1930 sob a Direcção da empresa proprietária do jornal – denominada “Empresa do Diário de Coimbra” e tendo como editor José de Sousa Varela. A sua sede era então nas Escadas de Quebra Costas, n.º27.

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Um D. Quixote da Liberdade de Imprensa I MARCELO REBELO DE SOUSA I Professor Universitário e Membro da Comissão que elaborou a Lei da Imprensa

PUDE CONHECER, muito de perto, Adriano Lucas durante aqueles meses agitados que se seguiram à posse do primeiro Governo Provisório e à nomeação da Comissão mandatada para elaborar a Lei de Imprensa que vigoraria praticamente até à viragem do século. Essa Comissão conviveu com dois Presidentes da República,

António de Spínola e Francisco Costa Gomes, dois Primeiros-Ministros, Adelino da Palma Carlos e Vasco Gonçalves, e vários governantes com o pelouro da Comunicação Social. Iniciou os seus trabalhos antes da crise Palma Carlos, assistiu ao 28 de Setembro e ainda experimentou as vicissitudes do conturbado arranque de 1975. Presidida por António Sousa Franco, apoiado por Rui Almeida Mendes, incluiu, entre ouros, Francisco Pinto Balsemão, Pedro Soares e Alberto Ahrons de Carvalho. Num País em ebulição - correspondente à conversão de um golpe de Estado em revolução - constituiu um

espaço de liberdade, de reflexão, de serenidade pouco vulgar na época, num ambiente estranho, meio confuso, meio precário, como era o do Palácio Foz, com salões dourados e sofás aveludados cobertos por panos brancos, a fazerem lembrar lençóis. Levando Pedro Soares a dizer, um dia, que lhe fazia recordar o Kremlin. Foi nesse tempo e nesse espaço que convivi, meses a fio, com um gentleman, aprumado no vestir como no viver, rigoroso, determinado mesmo muito determinado, resistente, mas de uma resistência pacífica, argumentativa, civilizadíssima. Representante da imprensa diária, esse grande Senhor nun-

ca deixou de defender o que reputava essencial para a sobrevivência e a autonomia dos jornais, dos maiores aos mais pequenos. E, ao mesmo tempo, assumiu sempre uma postura liberal, de um liberalismo político e económico tão raro num Portugal que saía de uma ditadura anti-

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empenho, que parecia vindo do Reino Unido, e sonhava com um reformismo que a ditadura antes e a revolução nascente então inviabilizavam, e com um pluralismo democrático e liberal que o contexto ameaçava limitar ou condicionar para além do que ele considerava legítimo.

ÍNTEGRO NO CARÁCTER, ENCANTADOR NO TRATO, CULTO NA FORMAÇÃO, PRÁTICO NA CONCRETIZAÇÃO, OBSTINADO NAS CAUSAS E, INESPERADAMENTE, IRÓNICO NO LIDAR COM FACTOS E PESSOAS -liberal para uma indefinição doutrinária, largamente dominada por ideias formalmente democráticas, mas substancialmente dependentes da supervisão dos militares de Abril e económica e socialmente anti-liberais. Muitas vezes, dei comigo a admirar a coragem daquele empresário, que não era menos quase-jornalista de vocação e

Acabou a Comissão por chegar a soluções de compromisso, algumas das quais lhe desagradavam. E, mais de uma vez, alinhámos em pontos importantes, ele e Francisco Pinto Balsemão, em nome das associações do sector, e eu, pelo PPD. O que ficaria, contudo, de fundamental seria uma amizade e uma admiração que eu, jovem de 25 anos, rapidamente

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fiquei a nutrir por aquele D. Quixote da liberdade de imprensa, do direito à informação, da liberdade real das empresas jornalísticas, do pluralismo sem intervenções directas ou indirectas do Estado ou dos grandes grupos económicos, da imprensa regional e local, de um País que Lisboa palco de milhentos acontecimentos - amiúde esquecia. Esse Homem, íntegro no carácter, encantador no trato, culto na formação, prático na concretização, obstinado nas causas e, inesperadamente, irónico no lidar com factos e pessoas de uma ironia mais anglo-saxónica do que portuguesa - continua felizmente connosco e pode assistir a esta justa celebração. E a amizade e a admiração de 1975 não só permanecem como aumentaram. Bem-haja, querido amigo por uma obra, só possível devido à sua ilimitada capacidade de sonhar e de realizar! l

Estudante baleado em 1970

A armadilha que o Diário de Coimbra ultrapassou O Diário de Coimbra foi, em Maio de 1970, vítima de uma autêntica armadilha pelo Regime. Na sequência de confrontos entre estudantes e polícia, junto ao Teatro Académico de Gil Vicente, resultou um ferido grave baleado pela polícia, Fernando Seiça. Porém, o presidente da Comissão de Censura de Coimbra (Afonso de Jesus Caveiro) telefonou para o Diário de Coimbra e informou o então chefe da Redacção, Amâncio Frias, de que o estudante tinha morrido. A informação era, no entanto, falsa, e logo que o Diário de Coimbra se apercebeu da mentira, numa altura em que o jornal já tinha sido distribuído, afixou diversos placards pela cidade a dar conta da verdade. Alegando que o jornal estava a agir, propositadamente, para perturbar a ordem pública, a polícia apreendeu todos os exemplares das bancas.

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Em editorial, no dia seguinte, Adriano Lucas explicou, aos leitores, como tudo se tinha passado denunciando, em primeira página, que a notícia foi fornecida por Afonso de Jesus Caveiro. Seguiu-se um inquérito, instaurado por Veiga Simão, que podia ter consequências gravíssimas para o jornal. «Dada a gravidade da questão, fui falar com o Secretário Nacional de Informação, dr. César Moreira Baptista. Disse-lhe o que se tinha passado. Depois de me ouvir atentamente, referiu: Senhor engenheiro, se isso se tivesse passado directamente consigo, não tinha dúvidas nenhumas da sua versão, mas o que se passou foi entre um funcionário do seu jornal e um funcionário do Estado. Temos de averiguar qual deles falou verdade. Depois de averiguarmos, se virmos que a razão está do vosso lado, não tenha dúvidas que publicaremos um nova Nota Oficiosa a

pedir desculpa e o funcionário do Estado será castigado. Como a matéria era extremamente perigosa para o jornal, resolvi ouvir o conselho do Dr. Guilherme Pereira da Rosa, director do "O Século" e presidente do Grémio Nacional da Imprensa Diária, a cuja direcção eu também pertencia, como tesoureiro. Aconselhou-me a pedir um depoimento escrito a todos os empregados que tinham intervido ou testemunhado o telefonema. Foi o que fiz e quando, dois dias depois, a Polícia Judiciária procurou averiguar a origem da notícia falsa do falecimento do estudante, deparou-se com testemunhos correctos e precisos e o caso ficou encerrado. O presidente da Comissão de Censura não foi demitido, mas mandaram-no para outro lugar. A prometida Nota Oficiosa do Governo a esclarecer o assunto nunca foi feita. Era assim a Ditadura», conta Adriano Lucas. l

«Foi uma situação montada com algum profissionalismo». A afirmação é do Professor Soares Alves, um dos estudantes que participou naquela manifestação, e para quem o exagero da intervenção policial é, no mínimo, estranho. Se a isso se juntar o que se passou com o Diário de Coimbra entende-se que nada aconteceu por acaso nesta noite. «Até andava tudo muito calmo» pela Academia, recorda Soares Alves, que na altura estava no 5.º ano de Matemática. «Os fascistas estão ali a fazer uma peça de teatro». Foi a frase que foi passando e levou à porta do TAGV não mais de 200 estudantes. Alguém terá tentado forçar a entrada e à primeira carga policial, os estudantes refugiaram-se nos Jardins da AAC de

SOARES ALVES onde lançaram pedras à polícia que respondeu com tiros para o ar... que ficaram marcados nas escadas. Seguiram para uma sala de convívio onde mais tarde chegou o reitor. Ouvidos os estudantes, Gouveia Monteiro decidiu suspender a peça e os estudantes foram para a frente do TAGV ver a sua vitória. Juntaram-se «do lado de lá da linha do eléctrico, assistindo à saída de quem

via o teatro e cantando algo parecido com «A pulga salta, a pulga pica, ora vai-te embora pulga fascista», recorda Soares Alves. Mas a situação, admite, «foi muito bem cozinhada». «Sai um indivíduo com ar snob que fica ali a olhar com ar de gozo. Tudo começa a olhar para ele e depois começa a dizer adeus. As pessoas descontrolaram-se, passaram a linha e correram para ele. A polícia responde com uma carga». É então que a polícia atinge o Seiça, mas já numa rua distante (ou na Lourenço Almeida Azevedo ou na rua Almeida Garret). Ou seja, numa situação perfeitamente desnecessária. «Não fez sentido. A coisa estava montada»: diz o já aposentado professor universitário.

1932 O DIÁRIO DE COIMBRA MOBILIZOU CIDADÃOS PARA APOIAR OS MAIS DESFAVORECIDOS Se houve causas que se pudessem destacar na vida do Diário de Coimbra, a saúde e a erradicação da pobreza estariam nos primeiros lugares. Esta “maneira de estar” de Adriano Lucas foi mais uma herança do seu pai. Em 1932, ao largo da Figueira da Foz, naufragou a traineira “Augusto” que vitimou dez pescadores. A dor e o luto invadiram a cidade e o país. “Ninguém deixe de acudir àqueles que não têm pão porque a

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morte lhes levou os braços que o granjeavam”.“Todos, havemos de concorrer para que a fome seja arredada, por largo espaço, desses lares”. Nessa edição anunciava-se, para esse dia, o “bando precatório”, organizado pelo Diário de Coimbra, em que grupos de estudantes iriam, “de capas estendidas”, percorrer “toda a cidade, penetrando em todos os bairros” a pedir ajuda para a gente do mar. O “bando terminou já noite

cerrada”, conseguindo mais de “oito contos”, congratulava-se o jornal, agradecendo a todas as entidades envolvidas. O Diário de Coimbra foi depois nomeado presidente da comissão de distribuição de donativos, e rematava a reportagem do dia da entrega do dinheiro deste modo: “O Diário de Coimbra vale pouco. O pouco que vale põe-no à disposição de tudo quanto represente benefício para esta linda região da Beira».


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Um profundo conhecedor

Adriano Lucas: coerência e rigor I ALBERTO ARONS DE CARVALHO I Ex-jornalista, Professor Universitário e Membro da Comissão que elaborou a Lei da Imprensa

CREIO que vi pela primeira vez o engenheiro Adriano Lucas na data da posse da comissão nomeada pelo II Governo Constitucional, de que ambos fizemos parte, para elaborar um projecto de Lei de Imprensa, em Agosto de 1974. Durante dois meses de frequentes reuniões de trabalho, sempre animadas pelo humor irreverente de Marcelo Rebelo de Sousa, fui descobrindo um Adriano Lucas diferente da personalidade aparentemente austera e fria que aparentara à primeira vista. Muitas vezes discordando, outras concordando, depressa, no ambiente crescentemente informal e amigável daquela comissão, se foram forjando cumplicidades e amizades que valiam bem mais do que as diferenças de opinião. Percebi também,

naquela época já marcada por diferentes concepções sobre o futuro da democracia e do país, que Adriano Lucas era firmemente liberal, profundamente respeitador dos pontos de vista antagónicos e com um britânico fair play. Quando, em Maio de 1975, entrou em funções o Conselho de Imprensa, aliás gerado pela Lei de Imprensa que ajudara a elaborar, lá estava outra vez o eng. Adriano Lucas, como representante da Associação da Imprensa Diária (AID). Acompanhei o seu percurso e o seu relevante papel no Conselho de Imprensa não apenas como seu colega - fiz parte do Conselho no seu primeiro ano de actividade - mas, mais tarde como estudioso do percurso deste órgão que teria durante década e meia um relevante papel como tribunal moral da imprensa portuguesa. Para a elaboração deste breve testemunho, voltei agora a consultar o texto do livro que escrevi em 1985 sobre a primeira década de funcionamento do Conselho de Imprensa. Para se ter uma noção da relevância do papel de Adriano Lucas, bastará dizer que, no

índice onomástico que elaborei nas páginas finais desse volume de 468 páginas, é ele, entre as cerca de 400 pessoas associadas à actividade daquele conselho, que tem um maior número de referências - 24. Creio que Adriano Lucas permaneceu no Conselho de Imprensa até ao final da sua actividade, que coincidiu com a criação da Alta Autoridade para a Comunicação Social, em 1990. Não posso recordar o período entre 1985 e 1990, que não testemunhei nem estudei. Mas posso e devo aqui relembrar a sua intensa e profícua actividade no período anterior, como membro de várias comissões internas do conselho ou relator de algumas das suas mais importantes deliberações. Sempre empenhado na defesa dos valores em que acreditava e fiel ao mandato que tinha como representante das empresas que editavam publicações diárias. Deixando um retrato de alguém profundamente rigoroso, que, atrás da sua serena discrição, deixava antever um apreciável sentido de humor. Voltei a encontrá-lo por diversas vezes no período, entre 1995 e 2002, em que ocupei fun-

Tentativas de assalto ao jornal no período do pós-25 de Abril I Com a Revolução de 25 Abril de 1974, acabou a Censura e a perseguição política promovida pelo regime, mas os tempos que se seguiram

foram também muito conturbados com as tentativas de assalto ao poder por parte dos movimentos comunistas que tomaram de assalto a maior

parte dos jornais diários e também tentaram fazer o mesmo ao Diário de Coimbra. Em Maio desse ano, o então chefe de redacção Amâncio

ções governativas, quer em congressos, quer em reuniões, quer em outras ocasiões em que à volta duma mesa de almoço, voltávamos aos temas de sempre - a defesa da liberdade de imprensa, o papel da imprensa regional, o reconhecimento da função de interesse público que esta presta ao país. Numa das vezes em que almoçámos, veio acompanhado do seu filho Arq. Adriano Callé Lucas. Não consigo lembrar-me dos temas que debatemos ao almoço. Recordo-me apenas da veneração, do respeito e do carinho que transpareciam em todos os seus gestos e atitudes do arquitecto Callé Lucas para com o seu pai. Adriano Lucas merece ser homenageado pelo seu inestimável contributo para a liberdade de imprensa e para o fortalecimento da imprensa regional. Mas o facto de ser essa a recordação mais forte desse encontro, talvez mais de dez anos passados, revela bem o que guardo na memória - a de um cidadão que se impõe pela sua verticalidade, pela honradez do seu percurso, pelo respeito e carinho que nutrem por ele aqueles que melhor o conhecem. l

Frias encabeça um movimento apoiado por alguns gráficos para tentar sanear e substituir o director do Diário de Coimbra, Álvaro dos Santos Madeira, fazendo passar a mensagem que este era fascista. Recusam-se a imprimir o jornal enquanto Santos Madeira continuar naquele posto.

I MANUEL M. PISSARRA I Director do Diário do Sul

TENHO o privilégio de ter conhecido e contactado várias vezes com o Engenheiro Adriano Lucas. E, devo-lhe a visita que prometi ao seu Grupo Editorial e o agradecimento pelas visitas que nos fez aqui no Diário do Sul ,em Évora. Eu só conhecia de nome o Engenheiro Adriano Lucas, quer pela Associação de Imprensa Diária (AID), quer pelo Diário de Coimbra, onde foi sucessor de seu pai na direcção do privilegiado jornal da cidade do Mondego. Quando tive ensejo de o ouvir sobre a Comunicação Social Regional apercebi-me, desde logo, da sua experiência e dos seus profundos conhecimentos da área da imprensa quer nacional, quer estrangeira. Quando conheci a regionalização do seu grupo em várias cidades do centro do país apercebi-me que aquele caminho seria o mais útil para as populações

Simultaneamente, nesse mesmo dia 12 de Maio, é organizada uma manifestação de extrema esquerda, à porta do jornal, na rua da Sofia. Adriano Lucas reúne-se com todo o pessoal da empresa. Reafirma que o director não é nem nunca foi fascista e propõe a eleição de uma comissão composta por Álvaro Corte Real, revi-

pela proximidade dos seus diários distritais. Quis imitá-lo mas não fui capaz aqui no Alentejo. Ao longo dos anos fui tendo a oportunidade de observar a determinação do Eng.o Adriano Lucas no reforço da qualidade gráfica e de conteúdos dos seus jornais, com referência especial ao Diário de Coimbra onde os seus editoriais reflectem os problemas regionais e nacionais.

A SUA ACÇÃO CONTINUA A SER ÚTIL PARA A IMPRENSA REGIONAL A sua actividade na AID baseava-se na sensibilização dos poderes públicos para a valorização e prestígio da Imprensa Diária Regional. Por tudo isto que ao longo da vida tem feito pela imprensa portuguesa congratulamo-nos, aqui no Diário do Sul, pelas merecidas homenagens ao companheiro enérgico e prestigiado que o engenheiro Adriano Lucas simboliza e cuja acção continua a ser útil para o jornalismo da Imprensa Diária Regional. Bem haja e que tenha longa vida. l

sor; José Duarte, tipógrafo; Lino Augusto Vinhal, Vítor Manuel Alvoeiro Neves e António Alberto dos Santos e Sousa, repórteres, «para estudo, em conjunto com a gerência, de assuntos referentes ao trabalho e ao desenvolvimento da empresa e das novas possibilidades que vieram a ser abertas pela abolição da

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DIÁRIO DE COIMBRA MUDA-SE PARA A RUA DA SOFIA A sede do Diário de Coimbra passou para instalações na Rua da Sofia, n.º 179. A impressão do jornal era feita folha a folha, numa máquina plana sem corte de páginas. Cada folha era impressa e, posteriormente, dobrada, correspondendo a oito páginas do jornal, que tinham de ser abertas pelo leitor, a exemplo do que se fazia com os livros em brochura.

DUAS LINOTYPE EM TEMPO DE GUERRA Encomendadas antes dos EUA entrarem na II Guerra Mundial, a duas Linotype 48 foram entregues em 1948 no Diário de Coimbra. Vieram facilitar a composição do jornal, em conjunto com uma tituleira que fundia os títulos depois de compostas as letras à mão, permitindo títulos novos todos os dias – o que não era possível anteriormente.

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Um homem de ideias firmes

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1975. Naquele ano louco, era possível escrever que em dia de chuva o sol brilhava, porque a verdade não importava, só contava o que interessava ao Partido. Quem pensava o contrário era, no mínimo, um burguês reacionário. Liberto de uma ditadura, o país parecia, nos meses que se sucederam, à beira de cair noutra. Mal tivéramos tempo de festejar a Liberdade e já os recém-revolucionários nos perseguiam com denúncias, saneamentos, greves injustificadas que conduziram à ruína muitas empresas Na comunicação social, a instabilidade laboral, aliada aos conflitos ideológicos , foi fatal. A manipulação da informação, confundida com a propaganda conduziram ao descrédito das publicações : algumas chegaram a ser queimadas pelos leitores tradicionais. A crise económica e financeira, a perda da publicidade , criaram situações insustentáveis que conduziram ao encerra-

mento de empresas jornalísticas e ao desemprego de muitos profissionais. A Lei de Imprensa, aprovada depois de muita discussão e peripécias, foi finalmente publicada em 26 de Fevereiro e defendia que " A liberdade de expressão do pensamento pela Imprensa, que se integra no direito fundamental dos cidadãos a uma informação livre e pluralista, é essencial à prática da democracia, à defesa da paz e ao progresso político, social e económico do país". Aos jornalistas garantia o direito de informar, a independência profissional e a sua participação na orientação da publicação jornalística. Aos cidadãos consagrava o direito de ser informado. E entre os mecanismos previstos para defesa desse direito constava a criação de um Conselho de Imprensa , composto por intervenientes na produção da informação e ao qual os cidadãos tinham acesso directo. À esquerda vanguardista a Lei não agradou, sendo considerada desadequada ao processo revolucionário em curso. Pois não tinha o próprio Sindicato dos Jornalistas aprovado numa Assembleia Geral realizado em 8 de Outubro, a quando da discussão pública do projecto de Lei, que " considerando

os interesses do povo português e dos povos do mundo inteiro(…) os jornais devem-se definir como órgãos de combate anti-fascista, anti-colonialista e anti-imperialista, colocando-se assim intransigentemente ao serviço dos interesses e das lutas dos trabalhadores , operários, camponeses, massas populares e explorados " ? Afim de "limitar o poder do capital sobre a imprensa burguesa , considerava-se que " a orientação, superintendência e determinação do conteúdo do jornal, nomeadamente através de poderes mais consequentes do Conselho de Redacção e do Plenário de empresa, em especial no que se refere à eleição do director e da chefia da redacção ". O ambiente geral não era propício ao funcionamento do Conselho de Imprensa, inspirado em organismos similares europeus , baseados em princípios aceites em democracias estabilizadas. Não obstante , a 7 de Maio de 1975 o Conselho de Imprensa reuniu , pela primeira vez, na sala dos Espelhos do Palácio Foz onde funcionava a Secretaria de Estado da Comunicação Social, sob a presidência do Juiz Conselheiro Henrique Ramalho Ortigão. O vice-presidente era o dr. Francisco Balsemão, administrador e director do "Expresso" que também representava as empresas jornalísticas. O outro representante das empresas jornalísticas era o engº Adriano Mário da Cunha Lucas, como adminis-

trador e director do "Diário de Coimbra". Os restantes elementos do Conselho incluíam seis jornalistas, eleitos directamente pela classe, dois directores de publicações diárias e não diárias e quatro representantes cooptados da opinião pública. Foram eles : Prof. Andrade e Silva , catedrático da Faculdade de Ciências de Lisboa, dr. Henrique Santa Clara Gomes , advogado, dr. Carlos Eurico da Costa, director de Publicidade e dra. Luisa Dacosta , escritora. Na qualidade de membros cooptados, para representar a opinião pública, vieram a integrar o Conselho de Imprensa, entre outros, Vitorino Nemésio, Sophia de Mello Breyner, Natália Correia, Ana Luisa Janeira , Augusto Abelaira. Foi no Conselho de Imprensa onde cumpri dois mandatos , em representação dos jornalistas, que conheci o eng.ºAdriano Lucas e com ele tive o prazer de trabalhar. Apesar das nossas diferenças, creio que sempre votámos juntos. Recordo-o como um homem gentil e calmo, que chegava pontualmente às reuniões, impecável no seu" blazer" azul escuro, bem engravatado, como se a agitação dos tempos não perturbasse a sua ordem interior. Tinha ideias firmes que defendia com vigor mas serenamente. Nunca se exaltava. E essas ideias eram as de um homem algo conservador mas liberal, podia ser a de um inglês , um português republicano, um

"patrão de Imprensa", responsável há longos anos por um jornal de que era proprietário e de que se orgulhava e com iniciativa bastante para fundar ainda mais três jornais : os Diários de Aveiro, Leiria e Viseu. Em Portugal, é raro. Defensor intransigente da Imprensa Regional, considerou-a sempre um suporte indispensável da Democracia, pelo que não deveria ser sobrecarregada com medidas que afectassem a sua viabilidade. Os tempos em que convivemos no Conselho de Imprensa ele ficou lá até ao fim - foram difíceis. O primeiro caso que o Conselho teve de apreciar foi o chamado "caso República "em que o C.I.,após ouvir todas as partes, concluiu ter havido violação da Lei de Imprensa "ao serem destituídos pela Comissão Coordenadora de Trabalhadores o Director e Director-adjunto do "República"(…) visto que aqueles são designados pela empresa proprietária com voto favorável do Conselho de Redacção " e "ao ser destituída a Chefia de redacção pela mesma Comissão de Trabalhadores ("…) visto ser "da competência do Director a designação do Chefe de Redacção". Mais tarde, o Conselho viria a congratular-se com a atribuição do Prémio "Pena de Ouro " ao director do "República", dr. Raul Rego , o que na altura representou um acto de coragem. O Conselho de Imprensa viria

ainda a considerar "ilegal e ilegítimo "o despedimento dos vinte e quatro jornalistas do "Diário de Notícias", sendo director José Saramago, declarando este despedimento como "atentatório da liberdade de expressa do pensamento, salvaguardado pela Lei de Imprensa". São dois casos que aponto, a título de exemplo, mas a acção do Conselho de Imprensa foi muito mais vasta, pois , além de analisar as queixas - e eram muitas que lhe eram endereçadas, competia-lhe dar parecer sobre todas as medidas tomadas pelos Governos relativamente à comunicação social, desde os preços do papel, ao controle das tiragens, aos subsídios aos envios de publicações, às medidas de reestruturação de Imprensa, etc. O eng.ºAdriano Lucas foi incansável em todo o tempo que ao Conselho prestou o seu valioso contributo, alicerçado numa longa e rica experiência. E em todas as suas decisões prevaleceu sempre uma preocupação: a defesa da liberdade de expressão e da liberdade de Imprensa. Facto que não posso deixar de assinalar: os membros do Conselho de Imprensa trabalharam gratuitamente. Talvez por isso, em 1990 o Conselho foi extinto. Novas entidades foram criadas, compostas por elementos escolhidos pelo Poder político e, naturalmente, remuneradas. Mas nenhuma outra esteve mais perto e foi mais conhecedora da realidade que lhe competia observar. l

censura, o que vai permitir ao Diário de Coimbra tomar o desenvolvimento que até agora lhe tinha sido impedido pelos condicionalismos sociais e políticos do anterior regime». Mesmo assim, a recusa de impressão mantém-se e para tentar terminar com o impasse Adriano Lucas solicita uma audiência ao coronel

Rafael Durão, recém nomeado comandante da Região Militar de Coimbra pela Junta de Salvação Nacional e pelo Movimento das Forças Armadas. A comissão, Adriano Lucas e o seu filho Adriano Callé Lucas são recebidos, às 3 horas da madrugada, e Rafael Durão, em pijama e roupão, depois de ouvir o que se estava a passar,

foi claro, dizendo que impedir a publicação do Diário de Coimbra iria contra o espírito do 25 de Abril. «Os senhores vão lá imprimir o Diário de Coimbra, porque se não o fizerem eu vou lá com a tropa», afirmou. Salvou, nesse dia, o Diário de Coimbra (o chefe de redacção demitiu-se de pronto) de ser tomado por comunistas

e oportunistas como aconteceu com muitos jornais daquela época e que acabaram por fechar, como sucedeu com o Século. No ano seguinte, aproveitando uma altura em que Adriano Lucas estava no estrangeiro, um grupo de jornalistas apoderou-se abusivamente da redacção e incluiu,

no Diário de Coimbra,um comunicado de índole comunista, repudiando a eventual impressão, na gráfica do Diário de Coimbra, do “Jornal do Caso República”, que começou a ser publicado depois do “República”, afecto ao Partido Socialista, ter sido tomado de assalto pelos comunistas. Por indicação do

seu pai, Adriano Callé Lucas chamou a redacção e disse aos jornalistas que esta atitude era intolerável e que muitos assinantes iam começar a devolver os jornais. O que de facto sucedeu. O jornalista que liderou o grupo foi demitido e o jornal retomou a sua orientação independente. l

I MARIA ANTÓNIA PALLA I Jornalista, Ex-Membro do Conselho de Imprensa

1950 EM 1950 FALECEU O FUNDADOR DO DIÁRIO DE COIMBRA Faleceu no dia 17 de Dezembro de 1950 Adriano Viegas da Cunha Lucas, fundador do Diário de Coimbra. Nasceu em Coimbra a 16 de Junho de 1883, liderou o Diário de Coimbra durante 20 anos, desde a sua fundação, em 24 de Maio de 1930, até falecer, tendo-lhe imprimido a orientação editorial que ainda hoje o rege, como jornal republicano independente, defensor de Coimbra e das Beiras.Foi um republicano liberal, I

convicto e empenhado, tendo participado na proclamação da República em Coimbra, em 6 de Outubro de 1910. Fez parte da primeira Comissão Administrativa do Município de Coimbra aclamada pelo povo, que foi presidida por Sidónio Pais e integrou várias vereações municipais durante a primeira República. Foi um empresário muito activo, participando na fundação de várias empresas, como foi o caso da Auto-

-Industrial e das Fábricas Triunfo, entre outras. Manteve o jornal independente de todas as pressões externas para que este, como referia, não falseasse nunca a sua missão. Um dos seus lemas, como recordou o Diário de Coimbra na notícia em que é anunciado o falecimento do seu fundador, era: “caminhar em frente, sempre num ritmo acelerado, em defesa dos interesses da cidade e das Beiras”.


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HOMENAGEM

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Batalhador na defesa rigorosa Um diário dos valores da sua cidade de referência I MANUEL MACHADO I Ex-presidente da Câmara de Coimbra

O DIÁRIO DE COIMBRA, jornal assumidamente regionalista, republicano e independente, tem desempenhado um inestimável e meritório papel na promoção de Coimbra e sua Região. Constitui, de facto, um património valioso da Cidade de Coimbra que merece ser reconhecido por todos os que se interessam e empenham no progresso desta comunidade de vizinhos que nele tem tido, quase ininterruptamente, ao longo dos seus 80 anos de existência, a palavra, a voz e informação, indispensáveis à manutenção de laços de autêntica familiaridade entre os Conimbricenses e, não raras vezes, o

único veículo de comunicação da mensagem das suas aspirações, a que a imprensa dita “nacional” dificilmente é sensível. E o Diário de Coimbra tem cumprido esse desígnio com determinação, com isenção e sem tibiezas, corajosa e duradouramente. Recorde-se que, no tempo da ditadura, foi punido com uma semana de suspensão por ter publicado um artigo assinado por Bissaya Barreto, em que este criticava a postura de alguns seus pares da Universidade para quem era “mais fácil destruir que construir” e concluía tratando-os de “tartufos…”. Na sua função de órgão de comunicação social, acolhia noutros tempos, como acolhe hoje, as causas de Coimbra promovendo o prestígio das suas instituições e a informação das pessoas. Para o pleno desempenho desta missão, tem sido determinante o modo de ser e de agir do seu Director desde há 60 anos, lide-

Domingo O Jornal do Dia A 7 de Julho de 1974 foi publicada a primeira edição do “Domingo O Jornal do Dia” por iniciativa de Adriano Lucas e com a direcção do seu filho Adriano Callé Lucas. “O Domingo” surgiu devido ao facto de, em Junho, os ardinas de Lisboa e Porto terem resolvido não vender jornais ao domingo, impedindo que os jornais diários se publicassem nesse dia. Os ardinas eram acompanhados, nesta sua recusa, pelos gráficos desses jornais que assim passavam a ter mais um dia de folga.

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O Diário de Coimbra, na certeza de que não conseguiria sobreviver com despesas de sete dias e receitas de seis, transformou a sua edição dominical no semanário “Domingo - O Jornal do Dia” que, com distribuição e venda autónomas em cafés e pastelarias, foi, durante quase um ano, o único jornal que se publicou ao domingo em Portugal. Volvido este tempo, por decisão do sindicato dos gráficos, afecto à CGTP, funcionários da tipografia do Diário de Coimbra

rando meticulosamente a empresa e uma Redacção onde, em funções diversas e, por vezes, em circunstâncias adversas, tive o privilégio de me relacionar com profissionais prestáveis e, especialmente, jornalistas notáveis que fizeram escola na comunicação social portuguesa. Efectivamente o Eng.º Adriano Lucas, pela sua capacidade de continuar o legado recebido de seu pai, pela sua personalidade, pelo seu carácter, pela sua verticalidade e pela sua competência empreendedora, é um referencial de dedicação às causas de Coimbra. Apesar da sua aparente secura intransigente, nas suas obras é marcante o apaixonado afinco batalhador na defesa rigorosa dos valores da sua cidade e na promoção do seu desenvolvimento. Mesmo quando, por razões de saúde, se viu obrigado a passar algum tempo no estrangeiro, as suas preocupações com as ques-

recusaram fazer a impressão do “Domingo”, que, em resultado desta circunstância, passou a ser impresso no “Jornal do Comércio”, em Lisboa. Após a impressão de alguns números no “Jornal do Comércio”, o mesmo sindicato opôs-se, novamente, à impressão do jornal, desta feita naquela gráfica, tendo sido, então, o “Domingo” impresso na União Gráfica, do jornal católico “Novidades” e posteriormente na “Congráfica”. Estes percalços não impediram, no entanto, o “Domingo” de assumir um papel preponderante no panorama da Imprensa da época e, mesmo, de ser o veículo privilegiado e, até, único de notícias que haveriam de determinar a

tões da vida da Cidade levavam-no a procurar saber o que por cá acontecia, telefonando e indagando para conhecer como poderia partilhar com a edilidade a construção de soluções para os problemas de Coimbra e a reafirmar-nos, com especial gentileza, isenção e espírito crítico acutilante, a sua disponibilidade desinteressada para combater e terçar armas pelas razões colectivas e pela afirmação de Coimbra no contexto regional e nacional. Em certas situações, a ajuda do Diário de Coimbra foi, é e continuará a ser decisiva para a criação das melhores soluções para os problemas da sua e nossa Cidade, e já deu frutos. Como cidadão de Coimbra e por tudo isto, que sendo muito não é tudo, obrigado Senhor Eng.º Adriano Lucas pelo seu labor. Que para si, para o Diário de Coimbra e para os seus leitores, este ano que agora começa seja feliz e próspero. l

vida de algumas pessoas dado que muitos acontecimentos importantes ocorreram aos sábados, como o 28 de Setembro. O dia seguinte, domingo, 29 de Setembro de 1974, imediatamente depois da manifestação da Maioria Silenciosa, que tinha por alvo o apoio ao Presidente da República António de

NASCI no ano em que o Diário de Coimbra começou a publicar-se. Já enquanto estudante lia frequentemente o jornal e quando iniciei a minha actividade profissional o Diário de Coimbra passou a ser de leitura obrigatória. Tornei-me mesmo assinante e assim continuo. Desde há 60 anos que o Diário de Coimbra tem a dirigi-lo o Eng.º Adriano Lucas, que garantiu a sobrevivência do jornal e a sua independência e fez dele um diário de referência, aliás o mais antigo diário português a manter-se na titularidade da família do fundador.

Adriano Lucas, decano dos dirigentes de imprensa em Portugal, fundou outros jornais e empresas e teve um papel de grande destaque, no nosso País e não só, na defesa intransigente da liberdade de imprensa. Participou, designadamente, na comissão que elaborou o projecto da Lei da Imprensa de 1975 e foi membro do Conselho de Imprensa. Devemos-lhe também inúmeras acções em prol da valorização de Coimbra e da sua Região. A Universidade esteve entre esses objectivos. Eu próprio, durante os mandatos que exerci como reitor, mantive com ele e com o Diário de Coimbra frequentes, frutuosas e cordiais relações. É, pois, de toda a justiça expressar a Adriano Lucas, nesta edição especial do Diário de Coimbra e dos outros três jornais diários que fundou, a minha viva e grata homenagem. l

Spínola, terá sido um dos mais decisivos na vida de várias pessoas. O “Domingo” publicou uma lista de 150 pessoas que, alegadamente, teriam sido detidas por terem participado naquela manifestação. Esta notícia, publicada de acordo com as informações que chegaram ao jornal, referia alguns nomes, pelo que as pessoas que figuravam na lista, e não tinham sido detidas, tiveram oportunidade de fugir ou, pelo contrário, de se entregar às autoridades. Ao mesmo tempo que noticiava as alegadas detenções de inúmeras pessoas, o “Domingo” informava que «em todas as vias de acesso a Lisboa, grupos de populares e indivíduos afectos ao PCP, PS, MDP/CDE e

MRPP levantaram, ao final da tarde de sexta-feira e durante o dia de ontem barricadas com o fim de controlar veículos e pessoas ». Aliás, a publicação desta edição do “Domingo” assumiu particular importância, porque na véspera não se tinha publicado qualquer jornal diário, por determinação do governo. O país vivia horas de expectativa que a falta de jornais diários aumentou, pelo que o “Domingo” se transformou num jornal importante, prestando um grande serviço ao público e à Liberdade de Imprensa. Muitos acontecimentos relevantes, aliás, registavam-se ao sábado para tentar evitar a sua divulgação imediata. Uma estratégia que este jornal permitiu contrariar. l

I RUI DE ALARCÃO I Professor e antigo Reitor da Universidade de Coimbra

1966 A PRIMEIRA ROTATIVA Em 1966, o Diário de Coimbra compra a primeira máquina rotativa Koenig & Bauer, com esteriotipia, aos frades alemães instalados em Gouveia. Os frades trouxeram a rotativa para efeitos de evangelização, mas concluíram que não lhes servia dado o I

baixo nível de leitura na região. Para instalar a máquina rotativa nas instalações do Diário de Coimbra foi necessário construir um anexo no jardim do prédio da Rua da Sofia. A 1 de Janeiro de 1967, o Diário de Coimbra passou a ser impresso nessa nova máquina rotativa cilíndrica mantendo o formato mas com novo cabeçalho.


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HOMENAGEM

Cuidado, equilíbrio e inteligência  FERNANDO REBELO  Professor e antigo Reitor da Universidade de Coimbra

DESDE os primeiros momentos da minha chegada a Coimbra, há precisamente 50 anos, o Diário de Coimbra foi o meu jornal quase diário. Ele estava em toda a parte, mas, para mim, estava principalmente nos cafés onde muitas vezes passava horas seguidas a estudar. Já nessa altura, o nome do Senhor Engenheiro Adriano Lucas me era familiar. Os anos foram passando e o hábito de ler o Diário de Coimbra instalou-se. À parte os três anos e quase três meses de serviço militar em que esti-

ve na região de Lisboa e mesmo na própria capital, sempre tive interesse em ler as notícias que publicava em relação com a Universidade ou aquelas que se debruçavam sobre questões importantes para as minhas preocupações de cariz geográfico, fossem elas sobre ambiente, demografia ou economia. O cunho regionalista que o Senhor Engenheiro imprimiu ao seu Diário estimulou muito a minha curiosidade, mas a independência que sempre procurou seguir tornou-me seu admirador. Por isso, a partir de certo momento, que já nem sei localizar com precisão, tornei-me assinante do Diário de Coimbra para logo de manhã me poder actualizar com as notícias da Universidade, da cidade e da região. Não tenho acompanhado da mesma maneira o percurso dos Diá-

rios que entretanto fez nascer noutras capitais de distrito, mas, por vezes, acontece ter necessidade de os procurar para ler peças que me interessam em especial na área do ambiente.

60 ANOS À FRENTE DE UM DIÁRIO É ACONTECIMENTO GRANDE E NÃO SÓ NO NOSSO PAÍS Ora, é exactamente nesta área que venho apreciando o cuidado, o equilíbrio, a inteligência com que o Diário de Coimbra, sob a sua Direcção, apresenta os temas mais complexos e que, por o serem, não podem transformar-se em notícias sensacionalistas. Parabéns Senhor Engenheiro Adriano Lucas - 60 anos à frente de um jornal diário é acontecimento grande e não só no nosso país. l

«Coimbra, pois, não como fractura mas como continuidade na luta pela democracia, pela liberdade, pela paz que é o socialismo» - foi assim que Artur Portela Filho, em editorial, justificou o facto do “Jornal Novo” estar a ser impresso na tipografia do Diário de Coimbra em pleno Novembro de 1975. O “Jornal

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Adriano Lucas tem sido a voz da nossa voz  CARLOS ENCARNAÇÃO  Ex-presidente da Câmara de Coimbra

A CONJUGAÇÃO destes dois períodos de tempo oferece um particular significado: oitenta anos de existência do Diário de Coimbra, sessenta anos de Direcção de Adriano Lucas. Estamos a falar dos resultados de um trabalho realizado com profunda dedicação e entrega, de uma vitória sobre as circunstâncias e o tempo, de um projecto sem fraquezas. É certo que Adriano Lucas assumiu responsabilidades mais gerais, que é participe decisivo na elaboração da lei da liberdade de imprensa, que garantiu para um universo

Liberdade de Imprensa sempre 

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Novo” foi fundado no primeiro semestre de 1975 por Artur Portela Filho (seu primeiro director) com o objectivo de dar maior solidez à democracia portuguesa e de apoiar a afirmação da liberdade de Imprensa. Propriedade da Novimprensa, o “Jornal Novo” tinha como Chefe de Redac-

Mas a verdade também é que não precisava, para se afirmar, de estar constantemente pronto para todas as lutas que entendeu essenciais para o seu território de eleição. Seja a região centro e as suas múltiplas sensibilidades e problemas, seja este caso complexo que Coimbra demonstra ser, tantas vezes desfeiteado pela acção do governo central.

Adriano Lucas e o Diário de Coimbra foram as vozes públicas indomáveis, foram agentes mobilizadores, foram a denúncia e o grito de revolta, foram o corpo da insatisfação generalizada. Dos casos mais antigos, aos actuais temas. Recordo-me de tantos na minha já longa existência. Mas vejo muito próximos dos meus olhos a luta contra a co-incineração, a luta pelo eléctrico rápido de superfície, a luta pelo Hospital Pediátrico, a luta a favor da recuperação da vocação empresarial de Coimbra, a reafirmação do valor da nossa Universidade. Ou, de um modo geral, o expressar da insatisfação clara pela falta de consideração por Coimbra. Adriano Lucas tem sido a voz da nossa voz. Obrigado, Eng.o Adriano Lucas. l

ção José Sasportes e como editores, entre outros, Carlos Pinto Coelho, António Mega Ferreira e Mário Bettencourt Resendes. Nas suas páginas escreveram, nomeadamente, Eduardo Lourenço, José Augusto França e Marcelo Rebelo de Sousa. Em Novembro de 1975, após telefonemas de Galiano Pinheiro, director de produção daquele jornal, e de Artur Portela Filho para Adriano Lucas, o “Jornal Novo” passou a ser impresso na tipografia do Diário de Coimbra devido à proibição de publicação dos jornais diários em Lisboa. Com a aparência de Edição Especial, foi o único jornal diário que conseguiu circular em todo o país. Por outro lado, o Diário de Coimbra,

ao imprimir o “Jornal Novo” na sua tipografia, evidenciou não ter qualquer receio de eventuais represálias do Conselho da Revolução que determinara a proibição da publicação dos jornais em Lisboa. Além do “Jornal Novo”, durante os denominados ‘dias quentes’ de Novembro de 1975, a gráfica do Diário de Coimbra imprimiu também a “Luta Popular”, jornal do MRPP cuja publicação foi impedida em Lisboa por decisão dos sindicatos dos gráficos afectos ao PCP. Na realidade, ao proporcionar a impressão de jornais que, de outra forma, não conseguiriam chegar aos leitores, o Diário de Coimbra ajudou a colocar nas bancas a informação livre e a consolidar a liberdade de Imprensa. l

maior os direitos que o guiaram a si próprio e aos quais sempre quis ser fiel. É certo, ainda, que recolheu da sua experiência no mundo empresarial a força e a representatividade que lhe permitiram ser, em cada momento, opinião autorizada e imprescindível.

FORAM AS VOZES PÚBLICAS INDOMÁVEIS, FORAM AGENTES MOBILIZADORES

1974 ABAIXO ASSINADO PARA IMPEDIR QUE O COMBOIO ATRAVESSASSE A CIDADE DE COMBRA  “Voltamos ao assunto do comboio da Lousã e do evitável -de-ferro, um problema que afligia a cidade. “Perguntámos há dias: quantas vidas já foram perdidas ? Quem são os culpados?” acidente da passagem de nível da Arregaça, no dia 24 de Janeiro, Além da Arregaça, os acidentes e os problemas no trânsito em que foram trucidados quatro jovens desportistas, que registavam-se também no Largo da Portagem. Ganhando balanço regressavam do campo de futebol do União a suas casas, na exposição, o jornal assumia que os inconvenientes que o conforme o Diário de Coimbra largamente noticiou”. A introdução caminho-deferro da Lousã impunha à cidade de Coimbra são do texto, a 1 de Fevereiro de 1974, fazia a “ponte” para a incomportáveis, são intoleráveis. Coimbra exige a sua substituição apresentação de um abaixo-assinado sobre a linha de caminho-

imediata”. O abaixo-assinado acabaria por recolher 15 mil assinaturas e seria entregue pelo director do jornal, Adriano Lucas, ao presidente do Conselho de Ministros, Marcelo Caetano. Em Maio de 1976, o Diário de Coimbra faz uma exposição sobre este assunto a Mário Soares, então primeiro-ministro. Em Julho de 1976, contra a vontade da Câmara de Coimbra, a CP decide que o término da linha da Lousã seria junto ao parque da cidade.


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A minha admiração por Adriano Lucas  JORGE CASTILHO  Jornalista e antigo director-adjunto do Diário de Coimbra

CONHEÇO o Eng. Adriano Lucas desde que me conheço a mim próprio. A circunstância de meu Pai, o jornalista José Castilho, ter sido Chefe da Redacção do "Diário de Coimbra" durante muitos anos e até à sua morte (em 1969), levou a que eu criasse com este jornal uma relação muito íntima, desde que nasci (já lá vão 61 anos). A minha admiração pelo Eng. Adriano Lucas começou, aliás, por via indirecta, pelos comentários elogiosos que dele fui ouvindo a meu Pai. E essa admiração viria a reforçar-se quando eu próprio comecei a trabalhar no "Diário de Coimbra", em tempo parcial, tinha apenas 16 anos e meu Pai entendeu que me faria bem um tirocínio como Revisor de provas em período de férias escolares, antes de me permitir o acesso à Redacção.

Sempre encarei o Eng. Adriano Lucas como um "gentleman", na forma de ser e de estar. Antes do 25 de Abril nunca pactuou com a Ditadura e defendeu sempre os que, como meu Pai e vários outros, a ela tentavam opor-se através da escrita, procurando furar as apertadas malhas da Censura (o que levou, aliás, a que a publicação do "Diário de Coimbra" tivesse sido proibida pelo regime salazarista durante largos meses, como castigo por opiniões anti-regime que ousou divulgar). Nunca o ouvi levantar a voz, mesmo nos momentos mais conturbados - como os que se seguiram ao 25 de Abril de 1974, em que ele, dando mostras de invulgar coragem e determinação, fez frente a tentativas de controlo do jornal vindas de diversos sectores políticos, militares e sindicais (e do interior do próprio jornal, onde chegou a ser auto-constituída uma daquelas "comissões de gestão" ad hoc, que deve ter sido, graças à sua imediata intervenção, uma das que teve existência mais efémera - não durou mais que escassas horas).

Honrando a memória e o legado de seu Pai, Adriano Viegas da Cunha Lucas, sempre pugnou para que o "Diário de Coimbra" se mantivesse como um jornal republicano, no mais puro sentido do termo: o de defensor da coisa pública, dos interesses e das necessidades dos cidadãos. Do mesmo modo que manteve, orgulhosamente, uma pioneira visão estratégica, assumindo-se, no cabeçalho, até hoje, como "Órgão Regionalista das Beiras". Aliás, o pioneirismo e a ousadia de antecipar o futuro, são outras das características do Eng. Adriano Lucas. Recordo a sua satisfação quando (era eu ainda miúdo) foi instalada a primeira rotativa para impressão do jornal, num pavilhão para o efeito construído no jardim das instalações da Rua da Sofia. Do mesmo modo que lembro que foi graças a ele que o "Diário de Coimbra" foi um dos jornais do País que mais cedo adoptou as novas tecnologias, com a introdução da primeira geração de computadores. Defensor intransigente da

Informatização do Diário de Coimbra 

Jorge Loureiro

Antigo DirectorAdjunto do Diário de Coimbra e Director Técnico da FIG 

 Porventura provocado ou reforçado pela sua formação técnica, licenciatura em Engenharia Electrotécnica pelo Instituto Superior Técnico, o Engenheiro Adriano Lucas está sempre muito atento ao desenvolvimento das novas tecnologias. A

sua visão, olhando sempre mais além, antecipando o futuro, fez com que o Diário de Coimbra fosse um dos primeiros jornais, em Portugal e no Mundo, a informatizar-se. A informatização do Diário de Coimbra iniciou-se no ano de

liberdade de Imprensa, o Eng. Adriano Lucas teve outros gestos marcantes na História da Comunicação Social no nosso País. Entre esses o de criar um semanário, intitulado "Domingo", quando os jornais nacionais deixaram de se publicar nesse dia da semana, por recusa dos ardinas em vendê-los. O "Domingo" visava, sobretudo, o público de Lisboa, privado dos outros jornais, mas era distribuído nas principais cidades do País, através de postos de venda criados para o efeito, sobretudo cafés e tabacarias. Foi um êxito enquanto os jornais nacionais não retomaram a publicação. E um projecto que me é particularmente querido, uma vez que durante muito tempo o coordenei, indo todos os sábados a Lisboa para fechar a edição, que era impressa na Congráfica. Outro gesto eloquente foi o de ter disponibilizado as instalações do "Diário de Coimbra" para a edição do "Jornal Novo", dirigido por Artur Portela Filho, quando este foi boicotado em Lisboa. Do mesmo modo que foi um

dos mentores da criação de uma Agência de Notícias privada, a NP - Notícias de Portugal, que tinha como accionistas diversos jornais de todo o País, e que visava opor-se a um certo monolitismo e controlo informativo da agência noticiosa pública, então designada por ANI (mais tarde viriam a fundir-se ambas na ANOP, hoje LUSA). A intuição do Eng. Adriano Lucas para a comunicação social foi sempre apurada e complementada através de uma permanente actualização, participando e levando os seus colaboradores a participar em congressos internacionais, tal como em feiras de equipamentos gráficos que se iam realizando nos países mais evoluídos. E os seus conhecimentos muito beneficiaram as instituições de que foi dirigente, como a Associação da Imprensa Diária (a que presidiu durante muitos anos) e o Conselho de Imprensa (onde foi um dos mentores da campanha "Ler Jornais é Saber Mais", que percorreu as escolas de todo o País, com palestras por jornalistas a sensibilizar profes-

sores e alunos para a leitura de jornais). Consciente da evolução da comunicação social, o Eng. Adriano Lucas promoveu candidaturas a rádios locais e participou na génese do primeiro canal privado de televisão, a SIC. Quero ainda salientar uma outra característica do Eng. Adriano Lucas, no que concerne aos conteúdos dos jornais. Sempre foi apologista de que a Impensa deve ter uma relação de proximidade com os seus leitores, deve defender os seus direitos, denunciando o que está mal, lutando pelas causas justas. Coerentemente, a secção dos seus jornais que, desde sempre, mais carinho lhe merece, é a que se designa por "Fala o Leitor". Sempre o ouvi sustentar, para incómodo de muitos "especialistas encartados", que "quem mais sabe de jornais são os leitores". Hoje com um distanciamento que torna insuspeita a minha opinião, aqui deixo registada a discordância: acho que quem mais sabe de jornais, provavelmente ainda hoje, é o Eng. Adriano Lucas! l

1986 e foi feita de uma forma muito rápida pois todos os profissionais envolvidos abraçaram, pela compreensão da eficácia e facilidades permitida pelos computadores, o projecto de reconversão. As máquinas de escrever foram substituídas, dum dia para o outro, pelos computadores portáteis Tandy 102. Estes equipamentos, trazidos para Portugal pela mão do Engenheiro Adriano Lucas que, imediatamente, viu neles a ferramenta apropriada para os jornalistas, tinham a dimensão de

uma folha A4 e pesavam uns 500 gramas. Tinham o teclado, o monitor de cristais líquidos e um “modem” incorporados, porta paralela para impressora e vários programas residentes em memória: um processador de textos, um programa de comunicações, uma folha de cálculo e um programa de agenda. Tinha uma capacidade de armazenamento que permitia guardar largas dezenas de textos em memória. Este computador portátil tornou-se o companheiro dos jor-

COMPUTADORES mudaram por completo o mo

1976

1977

MULTA DE 80 CONTOS GEROU ONDA DE APOIO Em 1976, na sequência do encerramento do jornal “Século”, Adriano Lucas escreveu um texto que tinha como título: Alegre - O Assassino do Século. Um título que deu origem a uma multa de 80 contos apesar do então secretário de estado da Comunicação Social, Manuel Alegre, ter declarado não se considerar ofendido. Gerou-se uma onda de apoio ao jornal por parte dos leitores. Um deles queria pagar a totalidade da multa mas decidiu-se aceitar apenas até mil escudos de cada leitor. Poucos dias depois pediu-se para não se enviar mais dinheiro e entregou-se o excedente à Casa do Pobres.

AS DELEGAÇÕES A 3 de Fevereiro de 1977, o Diário de Coimbra abre uma delegação na Figueira da Foz. Doze anos mais tarde, a 28 de Junho de 1999, o Diário de Coimbra abre uma nova delegação, desta vez em Cantanhede. O Diário de Aveiro logo na sua fundação (22 de Janeiro de 1985) abriu uma delegação em Águeda e, a 24 de Fevereiro de 2000, abriu a Delegação Norte, em S. João da Madeira.






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HOMENAGEM

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Só os grandes homens Uma pessoa de fazem obras grandes princípios e valores I PAULO MENDES I Presidente da Associação Comercial e Industrial de Coimbra

NUNCA como hoje, como nos últimos tempos, a relevância do quarto poder, da informação, da imprensa foi tão visível, tão contestada, tão escrutinada. Assanje está aí para demonstrar como a informação pode por em causa a diplomacia, a organização geoestratégica e como há informação que vale guerras. Berlusconi está aí para o tira teimas da relevância do poder da comunicação e de como se pode tirar proveito desse poder. Ora, com este enquadramento só podemos esperar e desejar que quem esteja à frente deste poder seja respeitável, sério, equilibrado, justo, correcto…que seja um homem bom. E nós, conimbricenses, coim-

brinhas, Beirões, o que se quiser, tivemos o privilégio, no meio de todas as nossas amarguras, de todas as nossas desilusões, de contar com um homem bom. Adriano Lucas, sempre visionário, conseguiu aumentar o que recebeu e conseguiu transformar um título, um jornal num grupo respeitado e incontornável na informação. Adriano Lucas, sempre solidário, conseguiu ultrapassar, sem consequências de maior, alterações e convulsões políticas, económicas e sociais fazendo juz às suas capacidades de negociador, de homem ponderado e de líder reconhecido. Adriano Lucas está ao longo de toda a sua vida presente. Presente na fundação de grandes empresas nacionais, presente no associativismo, presente na obra solidária. Mas está mais do que presente. Lidera movimentos, lidera multidões sempre que está em causa a sua cidade, o seu concelho, o seu distrito, a sua região encabeçan-

do movimentos, petições, lutas. Num momento em que o Presidente da União Europeia referiu claramente que a liberdade de expressão era “um princípio sagrado, um valor fundamental” Adriano Lucas conseguiu, sempre, que o Diário de Coimbra fosse um espaço de liberdade, de discussão e que informasse preservando a dignidade de todos. Esse exercício de equilíbrio, de rectidão é fácil no mundo global mas é difícil na paróquia em que todos nos conhecemos, em que todos temos linhas cruzadas. A ACIC sempre, e sempre também nos últimos anos em que exerço funções directivas, teve no Diário de Coimbra um parceiro, um amigo, crítico portanto, um espaço de amplificação das suas ideias. Tenho a certeza de que as obras não dependem só dos homens mas tenho a certeza que só os grandes homens fazem as obras grandes. Um sincero abraço ao Eng. Adriano Lucas. l

nalistas. Em qualquer parte do País ou do Mundo, onde houvesse uma linha telefónica, esta-

quartos de hotel, cafés, residências, etc.) e despejava o material num computador central locali-

AS MÁQUINAS DE ESCREVER FORAM SUBSTITUÍDAS, DUM DIA PARA O OUTRO, PELOS COMPUTADORES PORTÁTEIS TANDY 102. PASSARAM A SER A SECRETÁRIA DOS JORNALISTAS POR TODO O PAÍS

completo o modo de trabalhar

va a secretária do jornalista. Este escrevia os seus textos, ligava o equipamento à linha telefónica (foram feitos uns “crocodilos” para agilizar esta operação de ligação à linha telefónica em

zado na sede da redacção do Diário de Coimbra, na Rua da Sofia, em Coimbra. Este equipamento servidor era um TRS-80, com um sistema operativo Xenix (Unix), multi-utilizador e

I ERNESTO G. VIEIRA I Empresário

HÁ 80 ANOS que o Diário de Coimbra faz um percurso sem descarrilar e sempre, todos os dias, até o fim da Linha! É uma parte importante do seu perfil, incluindo-se assim qualitativamente no “Património Cultural” e na vida quotidiana da Cidade de Coimbra, abrangendo gradualmente todas as áreas vizinhas. Porquê este sucesso? Porquê o Diário de Coimbra cresceu empresarialmente e implementou outros Diários, o de Aveiro, o de Viseu e o de Leiria? São razões várias e valiosas que passam pelo empenhamento organizacional, pelo saber profissional, por um jornalismo de cariz próprio e pelos valores dos Recursos Humanos que

multi-tarefa. O desenvolvimento do programa de suporte às comunicações que, de forma automática, permitia a colocação dos textos, na secção respectiva e distinta do jornal, foi desenvolvido em C-Shell. Pouco tempo depois foi abandonada a fotocomposição dos textos, passando a sua formatação em colunas a ser feita num processador de textos do TRS80 que, socorrendo-se de uma impressora laser da Xerox, permitia a sua saída em colunas de jornal. Estes documentos for-

neste Diário de Coimbra vêm trabalhando e sucedendo-se desde há 80 anos. Todavia, o ponto principal e muito positivo, é em minha opinião o perfil ético e defesa de valores que nascem com o fundador Adriano Lucas há 80 anos e que o seu filho e sucessor Sr. Eng. Adriano Lucas vem desde há 60 anos a saber definir como matriz deste jornal “Diário de Coimbra”. O Sr. Eng. Adriano Lucas não

NÃO CEDE ÀS CONTRARIEDADES E MANTÉM-SE ATENTO NA MANUTENÇÃO DE UMA CONDUTA INFORMATIVA E DE OPINIÃO MUITO RESPEITADA cede às contrariedades e mantém-se atento na manutenção de uma conduta informativa e de opinião muito respeitada. A sua experiência de vida empresarial quando foi Administrador das Fábricas Triunfo e Auto Industrial faz dele uma “Personalidade” marcante e

Coimbra e na certeza que por traz do Eng. Adriano Lucas está uma família continuadora que sabe e saberá defender os princípios que hoje estão em prática. Por tudo isto congratulo-me e felicito o Diário de Coimbra pelos seus 80 anos de vida e sadio jornalismo. l

matados, em papel, ficavam prontos a entrar na maqueta da página do Diário. Posteriormente, e com o avançar do desenvolvimento tecnológico, estes textos passaram a entrar directamente para a página, em formato digital. Impulsionado pelo Sr. Engenheiro Adriano Lucas foram também informatizadas as restantes secções do jornal, com principal relevância para os anúncios classificados e a gestão de assinaturas. Estes programas originais, embora so-

frendo algumas adaptações, estiveram em operação durante cerca de vinte anos e a sua análise serviu de base para o desenvolvimento do software actualmente em uso. Esta automação de processos, agilizando os procedimentos, no tratamento da informação, da publicidade, das assinaturas e restantes serviços, permitiu também a melhoria e implementação de outros projectos editoriais do grupo, nomeadamente o Diário de Aveiro, Diário de Leiria e Diário de Viseu. l

1981 O APARECIMENTO DA FIG - INDÚSTRIAS GRÁFICAS SA Terminava a era da tipografia. Passava-se ao tempo da fotocomposição e impressão offset. O Diário de Coimbra não conseguiria sobreviver se não passasse a usar a nova tecnologia. Adriano Lucas conseguiu comprar a máquina rotativa offset Linotype Pacer 36 em Inglaterra, em 1982, por um preço muito reduzido por força do encerramento de uma gráfica. Depois desta compra, alugou-se um dos armazéns onde se instalou a FIG, central gráfica então criada por Adriano Lucas para permitir a impressão do Diário de Coimbra e de outros jornais da região. De assinalar que, na mudança, explicou-se aos leitores que não se podia mudar totalmente de um dia para o outro. Assim, primeiro foi o Domingo (que era, anteriormente, impresso em Lisboa), depois o Sábado, que foi impresso em off-set. O processo de adaptação durou semanas. I

mais conhecedora de Coimbra e Região, não só das áreas económicas/empresariais como das vivências das diferentes áreas sociais. Todas estas experiências fazem abrir o seu Diário a divergentes opiniões, sabendo, no entanto, o Sr. Eng. Adriano Lucas os limites do bom senso e do interesse público. São todos estes saberes e experiência de vida que fazem o suporte desejado ao Diário de

1986 FIEJ REÚNE EM PORTUGAL Realizou-se, em Lisboa, em 1986, no Hotel Ritz, o Congresso Anual da FIEJ - Federation Internacional des Editeurs des Journaux - com a participação activa da Associação da Imprensa Diária (AID), na qual Adriano Lucas pertencia à direcção. I


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Uma homenagem bem merecida  ANTÓNIO MARCELINO

 Bispo Emérito de Aveiro

FOI SEMPRE minha convicção de que os meios de comunicação social regionais - imprensa e rádio – constituem um factor de desenvolvimento local e de defesa atenta de interesses e valores da sua região. Meios independentes e mais livres para levantar problemas, chamar a atenção para situações concretas, denunciar desvios, propor caminhos e soluções. Os

FAMÍLIA PIONEIRA DA PROMOÇÃO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL REGIONAIS governos não democráticos não favorecem estes meios e são, em relação a eles, sempre muito rigorosos nas pressões e nas formas de censura. Mesmo no tempo imediato ao 25 de Abril as perseguições à imprensa regional foram muitas e duras, por se pensar que ela prejudicaria com as suas denúncias o caminho da revolução Por isso mesmo, quem de tempos longínquos se empenhou em fundar e manter jornais e rádios locais merece a admiração e o elogio de quem dá atenção a

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estas coisas e de quem delas pode beneficiar. A Família Adriano Lucas, avós, filhos e netos é pioneira da promoção dos meios de comunicação social regionais e quis sê-lo na sua região de origem, o Centro do país. Assim, Coimbra com um diário desde 1930, Aveiro, desde 1985, Leiria desde 1987 e Viseu desde 1997, são prova de sensibilidade, capacidade, ousadia e persistência. Os jornais diários eram jornais das grandes cidades. Na província lia-se pouco e os meios de se impor eram escassos. Mas rompem sempre as dificuldades os que se dispõem a ousar, a não desistir e, por fim, vencer. O Engenheiro Adriano Lucas, desde 1950 à frente desta tarefa, mostra que assim é. Alargou o horizonte empresarial, aperfeiçoou e fundou novos jornais, lutou pela liberdade da imprensa e colaborou na Lei que a ia reger. Já estava há anos em Aveiro quando começou o Diário de Aveiro. Porque sempre fui homem de jornais regionais pela minha colaboração e pela atenção que a vida concreta me merece, saudei o novo Diário com muita satisfação e esperança. Conheci de passagem o Engenheiro Adriano Lucas por ter presidido, em Lisboa, ao casamento de seu filho, hoje com o pai à frente das empresas. Fico muito contente por participar nesta justa homenagem. l



Ivan Silva Director-adjunto

O nascimento do Diário de Aveiro acontece em 1985 por iniciativa de Adriano Lucas. Alicerçado em valores sólidos da defesa da Regionalização e da República – que herdou do Diário de Coimbra – o Diário



Diário de Aveiro, informação livre e independente  JORGE M. PINHO SILVA

Presidente da Associação Comercial de Aveiro



O ENG. ADRIANO LUCAS fundou o Diário de Aveiro há 25 anos, é verdade passaram 25 anos que este diário (dia-a-dia) demonstra que Aveiro tinha e tem espaço suficiente para que um órgão de comunicação social vingue. A informação livre e independente com que todos os dias somos contemplados é a marca de excelência deste matutino, filho de uma escola nascida em

Coimbra (nos anos 30 - que faz deste o diário regional mais antigo do país) e que paulatinamente foi crescendo, alargando e replicando a sua fórmula a outras capitais de distrito como por exemplo Viseu e Leiria. Hoje em dia, este grupo, é sem dúvida o principal grupo de informação diária regional no País, assegurando aos leitores da região uma informação diária local, que mais ninguém nos traz. Estamos perante um verdadeiro “case study” que deve ser analisado de vários ângulos, numa perspectiva jornalística, para além dos seus fundadores e sucessores deu (e continua a dar) ao país uma série de excelentes profissionais que ainda hoje respeitam a linha editorial que

norteou a sua fundação e como a mantêm bem cimentada na excelência de conteúdos que proporcionam aos seus leitores, numa perspectiva empresarial porque conseguem num sector de actividade que tem passado por grandes convulsões, manter estes 80 anos de vivência salvaguardando a sua independência económico-financeira e por conseguinte a excelência atrás descrita e também a sua perspectiva social estando sempre disponível para de alguma forma ser útil à sociedade onde se integra colocando-se de diversas formas à disposição da mesma, ajudando e intervindo de uma forma cívica e desinteressada. O Diário de Aveiro é sem dúvida um matutino de leitura

imprescindível e incontornável que nos dá a conhecer o dia-adia da nossa região, é a companhia da bica da manhã, onde podemos seguir a par e passo os acontecimentos que marcam a agenda das nossas localidades. Da política ao desporto passando pela economia e social, somos informados todos os dias com as notícias que colocam actualizados os aveirenses. Por tudo atrás descrito e muito mais que fica por dizer só posso em meu nome e em nome da Associação Comercial de Aveiro dar os parabéns ao Diário de Aveiro e agradecer pelo trabalho que faz prol da nossa região e em particular em prol do nosso comércio. Parabéns. l

Liberdade e independência  MANUEL ASSUNÇÃO

Reitor da Universidade de Aveiro



O DIÁRIO DE AVEIRO conquistou por direito próprio um lugar merecido no panorama mediático local e regional, ao afirmar-se no quadro de valores, referências e culturas de proximidade. Não são seguramente a «aldeia

global» ou a «sociedade em rede» que frustram a relevância da imprensa regional, assumindose esta como elemento identitário preponderante no desenvolvimento da Região de Aveiro e das suas instituições. Tem vindo, o Diário de Aveiro, a afirmar-se pela sua «forte territoralização, a territorialização dos seus públicos, a proximidade face aos agentes e às instituições sociais que dominam esse espaço, o conhecimento dos seus leitores e das temáticas correntes na opinião pública local.» 1

Nesse compromisso com a Região e com os leitores, o Diário de Aveiro tem-se pautado por reconhecidos critérios de liberdade e independência, matriz fundadora deste projecto jornalístico, ainda hoje bem vincada no propósito do seu fundador, Engº Adriano Lucas. A Universidade de Aveiro, por sua vez, tem encontrado no Jornal um verdadeiro interlocutor para a promoção do seu projecto institucional, constituindo o Diário de Aveiro, assim, uma reserva de memória da

multifacetada, exigente e sempre promissora missão da Universidade. É esta responsabilidade recíproca que continuará, decerto, a revelar-se como um estimulante desafio para ambos, preservando factos, relatando presentes e construindo futuros que irão marcar os novos tempos e os novos desafios da modernidade. l 1 V. Faustino P. (2004), A Impren-

sa em Portugal: Transformações e Tendências, Lisboa,

DE JUNHO

Diário de Aveiro inicia publicação 

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HOMENAGEM

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de Aveiro tem consolidado a sua posição na defesa de Aveiro e dos aveirenses, das empresas criadoras de postos de trabalho e de uma economia cimentada na livre iniciativa e no investimento privado, num Estado onde os monopólios de toda a ordem têm de ser debelados e numa defesa intransigente da Europa e da sua União.

Em 1985, data da altura do nascimento do Diário de Aveiro, o campo deonde colhemos a nossa filosofia de jornal independente dos poderes políticos há muito que havia brotado nas páginas do Diário de Coimbra, órgão de comunicação social que é dirigido há 60 anos pelo Engenheiro Adriano Lucas. Tal como na sua fundação, o Diário de Aveiro é um Jornal virado para os seus Leitores, relatando os reais problemas da nossa Região. Mas as causas que herdámos do Engenheiro Adriano Lucas são diversas. Provavelmente a maior de todas elas é o papel do Leitor no Diário de

Aveiro. É em torno dos nossos leitores que se constrói o Diário de Aveiro. Foi por influência do Engenheiro Adriano Lucas – e do seu filho, director do jornal, Arquitecto Adriano Callé Lucas – que iniciámos uma das secções mais importantes do Jornal: o “Fala o Leitor”. Trata-se de um espaço livre, onde os aveirenses expõem os seus problemas e lançam alertas de forma responsável. Cimentados nesta filosofia somos hoje também um Jornal virado para as empresas, para os relatos de casos de sucesso empresariais que


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HOMENAGEM

AIDA felicita o Diário de Aveiro pelos 25 anos de existência  VALDEMAR COUTINHO  Presidente da Associação Industrial do Distrito de Aveiro

A IMPRENSA local desempenha um papel insubstituível na defesa da liberdade de expressão, do pluralismo informativo e de uma cidadania mais consciente e participativa, sendo um inegável factor de desenvolvimento regional.

Tem sido muito gratificante para a AIDA que, à semelhança do Diário de Aveiro, assinala também em 2011 os seus 25 Anos de existência, poder contar com a colaboração activa do Diário de Aveiro nas diversas iniciativas que organiza e constatar a isenção e qualidade dos serviços prestados a toda a comunidade. A AIDA felicita, assim, o Engenheiro Adriano Lucas, fundador do Diário de Aveiro e da Rádio Regional de Aveiro e presidente do grupo de comunicação social em que se inserem, pelo óptimo trabalho desenvolvido, frisando

Num momento em que facilmente se obtêm notícias de todo o mundo através de um simples clique, é curioso verificar a dificuldade com que nos deparamos para encontrar e conhecer as principais novidades políticas, desportivas, sociais e culturais de âmbito local. É, por isso, de louvar o trabalho que o Diário de Aveiro tem vindo a desempenhar em prol do desenvolvimento da Região de Aveiro em geral e do seu tecido económico em particular.

a independência e imparcialidade da informação publicada, que reflecte os valores pelos quais se pauta no dia-a-dia. Os votos de parabéns são, naturalmente, extensíveis a todos os colaboradores e em particular à equipa do Jornal Diário de Aveiro, pelo bom serviço público prestado que permite reforçar a identidade e o desenvolvimento das populações, promovendo a sua coesão, bem como divulgar o dinamismo e vitalidade que caracteriza as empresas da Região de Aveiro. l

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Manter viva a liberdade e a democracia  HENRIQUE NETO  Empresário

A LONGEVIDADE de um meio de comunicação é o resultado de um conjunto de factores diversos, desde a sua adequação a um determinado mercado, a sua independência, a qualidade

daqueles que nele trabalham, etc. Mas existe sempre por detrás de cada projecto bem sucedido e que sobrevive um ser humano que faz a diferença, cuja razão de ser reside na capacidade de em cada momento fazer as escolhas certas, mantendo o projecto viável e, se possível, exaltante para todos os que nele participam. É certamente este o caso do grupo do Diário de Coimbra, porque não é um acaso, ou impunemente,

Energia, independência e competência PAULO SOUSA Presidente da Associação Comercial de Leiria, Batalha e Porto de Mós  

É DE LOUVAR O TRABALHO QUE O DIÁRIO DE AVEIRO TEM VINDO A DESEMPENHAR EM PROL DO DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO DE AVEIRO EM GERAL E DO SEU TECIDO ECONÓMICO EM PARTICULAR

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UM diário regional em 1930 foi um arrojo. Em 2010, o Diário de Coimbra assinalou 80 anos, o que é uma prova de competência do grupo que mantém com energia e independência os diários de Coimbra, Aveiro, Viseu e Leiria, uma rádio e uma gráfica. Depois da luta pela imprensa livre o grupo da família Lucas tem em mãos o desafio de desenvolver negócios clássicos num ambiente onde as ameaças no ambiente dos media são grandes. Sendo um grupo que não está

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DE

que se festejam 80 anos de vida num meio tão difícil e tão competitivo como é o dos jornais. O que alguma coisa terá a ver com o factor da inovação empresarial e com o facto do jornal inicial ter alargado a sua acção e intervenção a outras capitais de distrito da zona centro, antecipando o que hoje é uma condição de sobrevivência das empresas: a optimização dos custos atra-

vés de vários produtos complementares. Estas são algumas das razões porque o Engenheiro Adriano Lucas está de parabéns e aproveito para lhe desejar a continuação dos êxitos alcançados por muitos mais anos, certo de que esse sucesso contribuirá para manter em Portugal vivas e actuantes a liberdade e a democracia. l

Desenvolvimento regional e cidadania

associado a outros negócios, pode continuar a usar a vantagem de manter a sua independência perante outras forças económicas e (ou) políticas. O Diário de Leiria completará 24 anos em 2011. Claramente maior de idade, e maduro. Parabéns e venham mais 24 anos. Todos reconhecemos a importância do Diário de Leiria, para a actualização diária de todos nas vertentes social, humana, cultural, política, etc. As empresas têm aqui um meio para em pouco tempo se publicitarem aos seus potenciais clientes. Às equipas que todos os dias produzem os vários títulos fica uma palavra de agradecimento em nome dos leitores que a ACILIS representa, e o desejo de superação diária de todas as dificuldades. l

 JOSÉ RIBEIRO VIEIRA  Presidente da Associação Empresarial da Região de Leiria (NERLEI)

É CONHECIDA a influência no desenvolvimento do tecido económico e social da chamada Região Centro, nomeadamente em Leiria, dos jornais editados sob a orientação superior do Eng. Adriano Lucas que dirige o Diário de Leiria há 23 anos e há 60 o Diário de Coimbra o mais antigo jornal do Grupo de Imprensa que é hoje considerado como o maior do país no

que se refere à Imprensa Regional. Sempre defendendo os princípios de isenção e de liberdade e os valores da democracia e do desenvolvimento social, os diários deste grupo de comunicação, constituem uma exemplar referência da defesa dos valores de cidadania e também do desenvolvimento económico regional e nacional. De parabéns está em particular o Eng. Adriano Lucas a quem a Nerlei e a sua Direcção deseja vitalidade e coragem para poder continuar a desenvolver a rede de informação e de conteúdos divulgados pelos jornais que dirige há tantos anos. l

OUTUBRO

O início do Diário de Leiria transformaram a Região de Aveiro num dos pólos de desenvolvimento mais importantes do País. A criação de um Suplemento semanal de Economia – o DAEconomia – é o corolário de um caminho informativo isento, mas determinado, onde levamos até aos nossos Leitores o que de bom se faz num sector fundamental para o crescimento de uma das regiões mais pujantes do País. Aveiro é também conhecida por ser uma região de causas Liberais. Seguindo a tradição republicana, é nas Páginas do Diário de Aveiro que

travamos uma constante luta contra as várias censuras que o nosso País vai conhecendo. O Diário de Aveiro, o jornal mais lido na sua região, nasceu e consolidou-se a partir da determinação de um homem: o Engenheiro Adriano Lucas, que tem tido um papel determinante para o desenvolvimento da Imprensa Regional em Portugal. Seguindo firmemente esta linha editorial, o Diário de Aveiro tem consolidado a liderança numa região de assinalável crescimento. Sempre ao serviço dos Leitores. l

 

João Paulo Silva Director-adjunto

 O aparecimento do Diário de Leiria, no dia 13 de Outubro de 1987, fundado por Adriano Lucas e com a direcção do seu filho Adriano Callé Lucas, deu origem a um salto da imprensa regional no sentido da sua profissionalização. O primeiro número tinha ido para as bancas a 17 de Março de 1987 a que se seguiram alguns números até 13 de Outubro, dia em que o Diário de Leiria iniciou a sua publicação regular. A causa do “salto”: a chegada de um modelo herdado do Diário

de Coimbra, profundamente testado e consolidado, enraizado em princípios como os da defesa da Regionalização e de um jornalismo independente. Com uma equipa de jovens com vontade de se afirmarem no jornalismo, o Diário de Leiria assumiu-se como uma autêntica escola de jornalismo. Ainda hoje, a maioria dos jornalistas que trabalham na região de Leiria, seja na comunicação social nacional, quer regional, tiveram como escola no início de carreira o jornal fundado por Adriano Lucas. O seu nome fica, portanto, ligado à história da imprensa em

Leiria, por ter feito aquilo que nunca ninguém antes ousara. Poderia parecer aos mais cépticos uma aposta condenada, mas a história tem provado o contrário. Ao longo dos 23 anos, muitos foram os desafios, a começar pelo de atrair/ formar

leitores para a imprensa regional diária, numa região onde até então o melhor que se vira foram semanários. O segredo de Adriano Lucas, que a cada dia parece manter-se mais actual é simples: fazer um jornal dos leitores para os leitores. l


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O homem que mais sabe de imprensa em Portugal LINO VINHAL Jornalista e antigo Director Adjunto do Diário de Coimbra I I

RECORDO sobretudo um líder muito coerente, muito determinado e muito seguro das suas convicções. Não vi no engenheiro Adriano Lucas, enquanto Director do Diário de Coimbra, que o 25 de Abril lhe tivesse causado quaisquer hesitações. O que defendia antes, defendeu depois. Foi nele que conheci o primeiro grande defensor da Europa, o maior defensor da liberdade de imprensa nas suas diversas dimensões. Confirmei isso exactamente quer na reunião com o Comandante da Região Militar do Centro (Rafael Durão) quer no caso República. O primeiro, em 1974, foi um movimento que visava destituir o então Director, dr. Santos Madeira e que o eng.0 Adriano Lucas resolveu de uma forma soberba: reuniu toda a gente e

ouviu quem quis falar, alegando as suas razões. O eng. Adriano Lucas ouviu, ouviu e às tantas limitou-se a agradecer a presença de todos e a recordar-lhes os anos de vida que o dr. Santos Madeira já tinha dedicado ao Diário de Coimbra com infinita lealdade e dedicação. E que sendo assim, não havendo nada contra a sua acção e muito a favor, o dr. Santos Madeira iria continuar a dirigir o Jornal e a quem assim não quisesse não restava outra hipótese que não fosse ir embora. Saiu o então Chefe de Redacção. O segundo facto, em 1975, foi também uma criancice dos tempos de então. Formara-se na empresa uma Comissão de Trabalhadores, naturalmente dominada pelas práticas comunistas de então. Mas verdadeiro comunista havia apenas um elemento, os outros eram recém chegados e por isso mais apostados em mostrar serviço. Em Lisboa, o jornal “Caso República", que sucedera ao República, fora impedido de sair também por motivos políticos. Fomos contactados para fazer o Jornal aqui.

Essa Comissão de Trabalhadores, evocando solidariedade com os seus pares de Lisboa, tomou conta do jornal e publicou um editorial à revelia da Direcção. Ao mesmo tempo, demorou propositadamente a resposta e quando a deu foi de recusa. Mal sabia que nessa altura já o “Caso República” estava a ser feito na Gráfica de Coimbra, onde o Padre Valentim, já então Gerente, foi enorme em coragem e dignidade. O eng. Adriano Lucas ficou naturalmente muito revoltado com esta situação e nunca o escondeu nem calou. Tanto mais que para ele a liberdade de imprensa passava por uma valência que lhe foi sempre particularmente cara: a liberdade da empresa, ou seja a liberdade de constituir empresas editoras de Jornais. Não era, para ele, a liberdade de imprensa, apenas a liberdade de expressão e livre pensamento. Era isso mas também e sobretudo a liberdade de formar Jornais. Sem eles não poderia haver naturalmente liberdade de expressão. De modo que impedir um Jornal de

Em 1999, mais de 60 mil assinaturas contra a co-incineração em Souselas e na Maceira I Dezembro de 1998. Nos últimos dias do ano, Elisa Ferreira, ministra do Ambiente do Governo de António Guterres e que tinha José Sócrates como secretário de Estado do Ambiente, anuncia a queima de resíduos industriais perigosos na cimenteira de Souselas, em Coimbra. Tal decisão, que colidia com a estratégia de desenvolvimento da cidade, não era - e não é - isenta de

riscos, entre os quais os de saúde, para toda a população de Coimbra, o que levou o jornal a reagir. A cidade quer ser “capital da saúde” e o Governo manda-nos o lixo. “Só podem estar a brincar connosco”, insurgia-se o Diário de Coimbra, na primeira reacção à decisão: “mais do que o direito de se indignar, Coimbra tem o dever de se indignar”. A instalação da cimenteira em Souselas, às portas de

uma cidade, já tinha sido alvo de contestação, pelo que esta decisão só vinha agravar o problema. Desde o tempo da fundação, há 80 anos, que o jornal assume, sempre como causa sua, a defesa das populações e o seu bem-estar, apoiando-as e auxiliando--as, seja com contas solidárias ou campanhas perante calamidades, seja através da informação e do esclarecimento público. No caso da co-

se publicar era para o eng. Adriano Lucas arrancar-lhe os fígados. Como se viu noutros momentos posteriores que igualmente partilhei com ele: O Luta Popular, do MRPP, também foi impedido de se publicar em Lisboa e nós fizemos-lhe o Jornal aqui durante uns tempos. Também o Jornal Novo, sob a direcção de Artur Portela Filho, teve que fazer as malas e deixar Lisboa durante uns dias. Fizemo-lo aqui. E se é justo recordar o papel decisivo que nessas tomadas de posição teve o eng. Adriano Lucas (já então acompanhado muito de perto pelo seu filho mais velho, o arquitecto Adriano Callé Lucas), não posso esquecer o papel daqueles trabalhadores (e muitos foram) que estiveram sempre do lado da empresa . Nestes 60 anos, a criação da Fig e dos restantes diários correspondeu a um período de forte afirmação da estrutura do Diário de Coimbra e também a um dos períodos mais férteis em termos de gestão. Terá sido das alturas em que senti o eng. Adri-

ano Lucas profissionalmente mais feliz. Se a criação de jornais diários noutras cidades próximas visava a implantação do grupo e dotar a região das Beiras de uma certa capacidade de afirmação informativa, a FIG foi um passo de gigante em todos os aspectos e muito para além das vertentes técnicas que pressupunha. Por um lado, dotava o Grupo de uma capacidade de produção que o abria, como abriu, a novas iniciativas editoriais; por outro lado disponibilizava no centro do país uma Gráfica dimensionada para poder responder às necessidades da altura em termos de Jornais regionais, já que muitas outras gráficas que ainda trabalhavam a chumbo não conseguiram acompanhar as mudanças tecnológicas da altura. Vamos falar claro e porventura pela primeira e última vez sobre este assunto. O eng. Adriano Lucas é, em termos de conhecimentos e formação a nível de imprensa, um verdadeiro gigante. Uma das pessoas do país que mais sabe sobre a matéria. E um dos poucos que tem para com os media uma relação de trabalho e de afecto que vai muito para além da perspectiva meramente empresarial. Para ele, jornais são negócio mas vão muito para além disso e cedo se transformam em projectos de liberdade editorial e

em mensageiros de defesa dos interesses das comunidades regionais. São para ser rentáveis mas não para comprar Ferraris à sua custa: o dinheiro que eventualmente gerem serão reinvestidos no seu próprio desenvolvimento. Mais ainda: os projectos editoriais dirigidos pelo eng. Adriano Lucas não são nem foram nunca para defender os seus interesses pessoais ou empresariais, dos muitos que teve e tem no país e também em Coimbra. Basta dizer isto: em quase 20 anos que partilhei com ele a responsabilidade editorial dos Jornais, na minha condição de Chefe de Redacção e Director Adjunto, nunca ele, mas nunca, me deu a menor indicação no sentido de defender determinado ponto de vista que melhor poderia servir os seus interesses noutras áreas. Nunca, mas nunca, me senti condicionado na minha liberdade de escrita ou de direcção diária do Jornal por qualquer recomendação que me tenha feito nesse sentido ou eu me sentisse impedido de abordar fosse o que fosse. Acreditem e aceitem isto como uma das maiores verdades da minha vida: foi uma honra e um privilégio ter trabalhado com e sob as orientações do eng. Adriano Lucas, o homem que mais sabe de imprensa em Portugal e dos que mais seriamente se lhe dedicou.l

-incineração, uma decisão política que afronta a saúde pública e tem tudo para parecer mais um negócio do que uma solução para os resíduos nacionais, o Diário de Coimbra mantém o “direito e o dever” de contestar e informar. Portanto, o movimento iniciado há 12 anos, por iniciativa de Adriano Lucas, de que resultou a maior petição de sempre de incidência local colocada à Assembleia da República, continua presente e atento, mas independente de iniciativas político-partidárias, à espera de bom senso governamental.

Mal foi anunciada a co-incineração, o jornal ouviu especialistas de diferente áreas científicas, revelou e desvendou o processo, publicou estudos que deram como certa a debilidade da saúde da população de Souselas e também dos efeitos que a queima teria em Coimbra, dos problemas acrescidos com o transporte de resíduos, e divulgou as melhores soluções, caso, por exemplo, dos CIRVER. Nos primeiros contactos de rua percebeu-se o quanto as pessoas estavam mal informadas sobre todo este processo ambientalmente perigoso.

De tal exercício de cidadania resultaria a subscrição de duas petições - uma do Diário de Coimbra e outra do Diário de Leiria (contra a queima em Maceira) - por quase 65 mil pessoas. A do Diário de Coimbra, entregue pelo director Adriano Lucas ao presidente da Assembleia da República, a 19 de Janeiro, contabilizava então 52.464 assinaturas, sendo a maior de sempre por iniciativa local. A do Diário de Leiria, com quase 12 mil, foi entregue no mesmo dia pelo director Adriano Callé Lucas.

1989

1988 NOVO SUPLEMENTO Em 1988, o Diário de Coimbra inicia a publicação, aos sábados, de um suplemento denominado Comércio e Anúncios, que será o percursor de Os Classificados. Entretanto, o Diário de Coimbra muda as suas instalações para a Rua Adriano Lucas, mantendo-se na rua da Sofia um serviço de atendimento para publicidade e assinaturas. I

Em 1989, na expectativa de desenvolver a informação multimédia, foram preparadas instalações no anexo da rua da Sofia, em Coimbra, destinadas a estúdios para rádio. O Diário de Coimbra, o Diário de Aveiro e o Diário de Leiria concorreram, respectivamente, a frequências de Coimbra, Aveiro e Leiria. “Apesar de nos ter sido afirmado que a Comissão Paritária, que apreciou as propostas, tinha aceite todas as candidaturas que apresentámos, só nos foi concedida a Rádio de Aveiro. Como posteriormente nos informaram, as outras não nos foram atribuídas por razões políticas”, escreveu mais tarde Adriano Lucas. A frequência mais potente de Coimbra seria inesperadamente atribuída à 90 FM, ligada ao semanário As Beiras, jornal que não se I

PODER POLÍTICO DESVIOU AS RÁDIOS editava e que ressurgiu expressamente para este fim, e à Inforgrupo, empresa que esteve mais tarde a contas com a Justiça e que foi apoiada por políticos do PSD, partido então no Governo. Na mesma época, pessoas ligadas ao partido no poder e ao meio empresarial de Coimbra, com o apoio do Governador Civil da altura, tentaram comprar o Diário de Coimbra para o controlar. A recusa de Adriano Lucas foi clara: «Só admito vender 51 % do Diário de Coimbra, se adquirir 51 % das empresas que o querem comprar...» Sentiu-se subsequentemente um claro apoio do poder político à criação de um diário concorrente, com diversas conivências, em prejuízo do Diário de Coimbra, estratégia que não resultou. O Diário de Coimbra tem mantido e reforçado a liderança de audiências.


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HOMENAGEM

Um mestre na arte de dar lições I MANUELA VENTURA I Antiga DirectoraAdjunta dos Diários de Aveiro e de Coimbra e Editora Executiva do Diário de Coimbra

AO LONGO de 25 anos, a amizade cultiva-se, o respeito nasce e ganha dimensão e aprende-se, aprende-se muito, sobretudo quando o mestre é alguém que sabe, e sabe muito, de Imprensa Regional. Foram e são, pois, lições de jornalismo e de vida que tenho vindo a somar e, nalguns casos, só muito mais tarde a perceber o seu real significado. E são muitas. A primeira prende-se, efectivamente, com uma paixão chamada Imprensa Regional, pela proximidade que cria, pelas causas que pode e deve defender, pela forma activa como pode "interferir" - no bom sentido - com a vida das pessoas e das comunidades. "Small is beatifull", dizia muitas vezes o engenheiro Adriano Lucas a propósito dos nossos jornais, por comparação com as muitas dezenas de páginas (agora já nem tanto), que os jornais ditos nacionais apresentavam. "Meia hora" é o tempo chave para se ler um Jornal, sempre

«Tratou-se de um processo muito estimulante e gratificante», recorda Rui Avelar, que na altura era Director-Adjunto do Diário de Coimbra. Aquele jornalista destaca, ainda o papel de Adriano Lucas «na promoção da subscrição do abaixo-assinado e ao carinho com que acompanhou a iniciativa. Os números revelam que, em duas semanas, cerca de 38 por cento das pessoas residentes em Coimbra subscreveram a petição». Apesar da garantia de que as petições seriam analisadas em dois meses, só chegariam ao ple-

defendeu e os tempos que correm dão-lhe, cada vez mais, razão. Razão também na necessidade de sustentabilidade - o termo é de alguma forma recente, mas o conceito não - económica de um projecto editorial. Só essa independência económica garante as condições necessárias para a prática de um jornalismo sério, objectivo, isento, rigoroso e livre e permite que se fale, com verdade, em Liberdade de Imprensa, uma causa, pela qual sempre pugnou. Com o engenheiro Adriano Lucas, aprendi, aprendemos todos, que a razão de ser de um jornal são os seus leitores e que o melhor produto editorial do mundo peca por defeito se não for lido. Daí a importância acrescida que sempre assumiram, na estratégia de gestão do Grupo Diário de Coimbra, os circuitos de distribuição, de forma a levar, manhã bem cedo, o Jornal a casa dos leitores. "Sem distribuição um Jornal é como um Ferrari parado no deserto, não serve para nada", afirmava repetidamente, com o seu espírito exemplarmente pragmático, para demonstrar, da forma mais simples, a pertinência fundamental de garantir que o jornal chegava aos leitores. Chegar e, preferencialmente cedo, transformando-se numa companhia inseparável do pequeno-almoço e, também, numa janela aberta de oportunidades, para conhecimento e consulta e, também, necessaria-

nário quase dois anos depois. Curiosamente, numa sessão em que se debatia o Estado da Nação e com meia dúzia de deputados presentes. Foi, certamente, o melhor e mais fiel retrato do estado a que chegara a Nação, com os deputados a demonstrarem desinteresse por assuntos vitais para o país. Mas, também é verdade que por essa altura as petições já tinham dado bons e visíveis efeitos. Além de terem despertado a auto-estima de Coimbra, a queima fora já suspensa pelo Parlamento e criada uma Comissão Científica Independente

mente, para fazer eco de preocupações, para dar conta de situações reais, boas ou menos boas, através do "Fala o Leitor", uma das rúbricas que o senhor engenheiro sempre defendeu e acarinhou, no passado e nos dias de hoje, como um espaço de intervenção cívica e de cidadania por excelência. Numa época em que a União Europeia era apenas Comunidade Económica, já o nosso director defendia uma Europa das Regiões, de que hoje se fala, e pugnava pela regionalização do país, numa batalha que, hoje em dia, se mantém em aberto, com a desconcentração e a descentralização a serem, cada vez mais, conceitos quase marginais, que ninguém se atreve a pôr em prática, mantendo-se um país à sombra da macrocefalia lisboeta. Mas se as regiões (ainda) não vingaram, vingou (e deu frutos), um projecto editorial descentralizado e desconcentrado que se afigura, hoje em dia - e já tem 25 anos - como absolutamente inovador. Com efeito, ao invés de convergir e aglutinar, como é, hoje em dia, a filosofia dominante dos grupos de comunicação social, Adriano Lucas teve a ousadia de inovar e criar um conjunto de títulos, em diferentes distritos, com o objectivo de melhor servir os interesses das populações locais de Aveiro, Leiria e Viseu. Respeitar as diferenças, manter as identidades e os valores próprios foi uma das muitas lições que aprendi. Mas também aprendi - e esse é o sentido mais profundo da democracia - que o importante são as pessoas e, mais do que as palavras de circunstância do ministro ou de qualquer governante, importa saber os benefícios que a obra, seja ela qual for, representa para as populações, a ver-

para avaliar o processo. Independente, mas com honorários pagos pelo Governo, confirmaria a co-incineração em Souselas, mas trocava Maceira por Outão, em Setúbal. O debate sobre a eliminação de resíduos nacionais, de todos e não apenas de uma parte, só ocorreu depois da vitória da Aliança Democrática nas legislativas de 2002, como o Governo de Durão Barroso a terminar com o projecto de co-incineração e a indicar os CIRVER (Centros Integrados de Recuperação, Valorização e Eliminação de Resíduos) como a melhor solução.

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dadeira razão de ser de qualquer empreendimento com sentido. Este é um jornalismo de vanguarda, inovador, de proximidade, que o nosso director defende há largos anos, cujo enfoque está necessariamente centrado nas pessoas. E entre as muitas lições, de jornalismo, de gestão, há uma, que chamaria de humanidade e de humildade, que me sinto obrigada a referir. "O culpado sou eu, sou o maior culpado". Foram inúmeras as vezes que ouvi o eng. Adriano Lucas fazer esta afirmação e fazê-lo de uma forma séria e consistente, sempre que algo corria menos bem. Não que tivesse uma intervenção directa na situação, mas porque, em seu entender, a verdadeira liderança implica uma total responsabilidade e, se algo correu menos bem, se alguém falhou ou não esteve à altura, isso aconteceu porque quem orientava não o soube fazer na plenitude. E, nesta escala hierárquica, no topo da pirâmide, estava e está o nosso director, assumindo-se como o primeiro "culpado" quando "culpas" havia a atribuir. Também, impõe-se dizê-lo, nunca o ouvi regatear aplausos, e sempre o vi a incitar- -nos a apresentar ideias e sugestões, a promover um diálogo franco, aberto e, sobretudo, crítico, entendendo as nossas opiniões, quantas vezes contrárias às suas, como um valor. Por tudo isto e por muito mais que aqui não cabe, o meu Bem-haja engenheiro Adriano Lucas, com a confissão que também foi com o senhor que aprendi a usar esta expressão, tão peculiar, tão acertada e tão particularmente beirã. O meu Bem-haja, Senhor Engenheiro. l

Em 2005, o PS regressava ao poder central e, com ele, a co-incineração, ou não fosse José Sócrates o primeiro-ministro. Um político que, como dizia, em editorial, Adriano Lucas, tinha sido o ministro do "mau ambiente". O processo está hoje a funcionar em Souselas, queimando resíduos industriais perigosos, mas sem monitorização ou, pelo menos, dados públicos pormenorizados da monitorização. O Diário de Coimbra continua a pugnar, firmemente, pelo fim da co-incineração l

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Uma vida que se confunde com a história do Diário de Coimbra I MARIA DE LURDES MONTEIRO I Antiga DirectoraGeral do Diário de Coimbra

"NESTA DATA de comemoração dos 60 anos na direcção do Diário de Coimbra, venho saudar o Engenheiro Adriano Lucas pelo seu assinalável percurso em prol da liberdade de imprensa e pelo pioneirismo no lançamento de jornais diários regionais, obra sempre prosseguida com elevada responsabilidade ética e deontológica. Conhecido pela sua inteligência, carácter fortíssimo e invulgar frontalidade, qualidades que sempre lhe apreciei, com uma vida que se confunde com a história do Diário de Coimbra que dirige de modo indissociável à liberdade de informação e ao jornalismo independente que sempre defendeu, o Engenheiro Adriano Lucas é, inequivocamente, uma voz respeitada no sector da comunicação social português. E, para mim, para além de tudo isto, é um querido amigo. Aqui lhe presto homenagem. l

Boaventura de Sousa Santos, Fernando Rebelo, Almeida Santos, Adriano Lucas, Joaquim Gonçalves e Adriano Callé Lucas na entrega da petição na Assembleia da República

1989 NASCEU A RÁDIO REGIONAL DE AVEIRO, 96.5FM I A Rádio Regional Aveiro (a emitir na frequência de 96.5FM) nasceu a 23 de Outubro de 1989. Integrada no espírito defendido pelos Diários de Aveiro, Coimbra, Leiria e Viseu, a Rádio Regional de Aveiro privilegia a informação local e regional. Ao longo da emissão, a estação dispõe de múltiplos serviços noticiosos que levam ao ouvinte a informação em tempo real de tudo o que vai acontecendo em Aveiro, na sua região, no país e no mundo. Defensora dos interesses de Aveiro e da sua Região, a Rádio Regional

nasceu com o firme propósito de contribuir para o desenvolvimento da cidade, da região e do País, pugnando pela integração de Portugal na Europa das Regiões. Esta rádio aveirense oferece aos ouvintes várias rubricas informativas e formativas, programas musicais, onde predomina a música portuguesa e passatempos variados. Ao fim-de-semana o Desporto local e regional ocupa grande parte da emissão, levando ao conhecimento dos ouvintes tudo o que acontece com os vários clubes da região nas mais variadas modalidades desportivas.


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HOMENAGEM

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O Eng.o Adriano Lucas, o Diário de Coimbra e a Imprensa Diária Regional I GALIANO PINHEIRO

Antigo Director-Geral do Diário de Coimbra I Administrador da FIG I Director-Adjunto do Diário de Coimbra I

A CHEGADA do Eng. Adriano Lucas à direcção do Diário de Coimbra, há 60 anos, marcou o início de uma nova era de desenvolvimento para o nosso jornal, conferindo-lhe uma perspectiva diferente e inovadora, um novo conceito de informar que acabou por se estender aos restantes diários existentesforadeLisboaePorto. Dando prioridade fundamental ao noticiário local e regional, entrelaçou, de forma exemplar, essa informação com as realidades globais. Motivou os especialistas da região a comentarem os vários acontecimentos e desenvolveu o princípio de que ”o leitor é que sabe”, bebendo a sua opinião que, tal como então, muito preza.

Para aplicação e desenvolvimento do seu projecto editorial, o Eng. Adriano Lucas compreendeu a necessidade de adequado e indispensável equipamento gráfico. A primeira rotativa

O Diário de Coimbra era impresso em lentas máquinas de folha, o que impossibilitava a sua entrega atempada aos postos de venda e aos assinantes, neste último caso através da distribuição porta-a-porta. A informação perdia-se. O Eng. Adriano Lucas deu, então, o primeiro e grande passo que abriu novos horizontes a toda a Imprensa Diária Regional, em Portugal, adquirindo uma rotativa tipográfica “Koenig & Bauer”, em segunda mão. Na altura, só havia máquinas deste tipo em Lisboa e no Porto. Pelas funções que, nesse tempo, desempenhávamos no jornal “O SÉCULO” tivemos oportunidade de acompanhar e testemunhar o espírito pioneiro do Eng. Adriano Lucas. O nosso pessoal de manutenção e outros profissionais, a seu pedido, des-

locavam-se a Coimbra para resolver problemas que episodicamente surgiam. E isto, pela consideração que tínhamos pelo Eng. Adriano Lucas, conhecido pelas suas qualidades e educação. Primeiro, no Grémio Nacional da Imprensa Diária e, depois, na Associação da Imprensa Diária de que fez e faz parte dos corpos sociais, sempre granjeou amizade e respeito. Impressão offset a cores e a criação da FIG- Indústrias Gráficas, SA

Posteriormente, em 1982, o Eng. Adriano Lucas que acompanhava os progressos da técnica, pela sua presença na IFRA, o mais importante organismo internacional dedicado à indústria gráfica, decidiu ultrapassar a era do chumbo, instalando a fotocomposição e, consequentemente, uma rotativa offset, para poder imprimir publicidade a cores. Essa máquina, também usada, prestou, durante anos, inestimáveis serviços. Na circunstância, e prevendo o futuro, fundou a FIG - Indústrias Gráficas, SA a fim de dar

Em 2010, mais de 10 mil assinaturas na petição, a favor do Metro Mondego, contra a irresponsabilidade do Governo de José Sócrates I «Após muitos milhões de euros investidos em obras, projectos, estudos, indemnizações e salários, o Governo prepara-se para adiar, ou mesmo cancelar, o projecto do Metro Mondego. Uma decisão tomada escassos meses depois de o mesmo Governo de José Sócrates ter promovido o desmantelamento da linha do comboio da Lousã, inutilizando-a. Agora nem comboio, nem metro. É inaceitá-

vel! Trata-se de uma medida irresponsável, e, num país decente, alguém deveria ser acusado e responsabilizado por isso». Começava assim o Editorial de Adriano Lucas no dia em que o jornal distribuiu milhares de cópias da petição contra a paralisação das obras do Metro Mondego promovida pelo Diário de Coimbra e iniciada pelo jovem Bruno Ferreira. Em poucos dias recolheram-

-se 8614 assinaturas, entregues no Parlamento em 22 de Julho de 2010. Já em Outubro, quando os peticionários foram ouvidos, na Assembleia da República, pela Comissão Parlamentar de Obras Públicas, Transportes e Comunicações, foram anexas mais 1956 assinaturas entretanto recolhidas, ultrapassando assim as 10 mil adesões. «Uma vez que as indefinições sobre o Metro Mondego se

apoio gráfico ao Diário de Coimbra e aos restantes jornais da organização, entretanto criados: Diário de Aveiro, Diário de Leiria e Diário de Viseu. Uma gestão adequada levou ao desenvolvimento da empresa, através da introdução das mais recentes tecnologias e ao enriquecimento do parque industrial com máquinas de superior qualidade, não só uma moderna rotativa a cores, mas também impressoras de folha para trabalhos comerciais e respectivos acabamentos. A FIG - Indústrias Gráficas, SA passou a prestar serviços de impressão à maioria dos jornais da região, que aqui encontram os métodos próprios para cada caso, bem como um acompanhamento personalizado e adaptado às diversas circunstâncias.

Eng. Adriano Lucas e os seus filhos Adriano Callé Lucas e Miguel Callé Lucas, ainda muito jovens, na dura luta que travaram contra a tentativa de destruição do Diário de Coimbra. Fizemos, em conjunto, em Lisboa, o “Domingo”, que surgiu porque os ardinas tinham decidido não vender jornais ao domingo, atitude com que os tipógrafos se solidarizaram. Como o Diário de Coimbra não podia sobreviver sem a edição dominical, o Eng. Adriano Lucas procurou realizar a sua impressão em Lisboa, o que não foi fácil. Fomos vencendo, progressivamente, as várias dificuldades que iam surgindo nas diversas gráficas, até que o bom censo e a democracia vingaram. Apoio à liberdade de imprensa

A coragem de resistir

Antes, e durante os conturbados anos que se seguiram ao 25 de Abril, quando o comunismo revolucionário e totalitário procurava dominar a imprensa portuguesa, acompanhámos o

mantêm, são inaceitáveis os prejuízos directos na vida de milhares de pessoas, bem como a inutilização da centenária Linha do Ramal da Lousã no início do ano com a garantia da sua substituição pelo Metro Mondego, quando já eram conhecidas as dificuldades orçamentais do País. O Governo não pode, agora, dar o dito pelo não dito», escreveu Adriano Lucas na carta dirigida ao presidente da Assembleia da República. Na sequência da petição, foram chamados ao parlamento os presidentes de Câmara envolvidos e o presidente demissionário da

Ainda, por essa altura, o governo militar proibira a publicação de diários em Lisboa, procurando amordaçar os jornais que pugnavam pela liberdade, nomeadamente o “Jornal Novo”, paladino da democracia, num período

de incertezas para Portugal, sob a direcção de Artur Portela Filho, e no qual colaborávamos. Tínhamos de ultrapassar o problema e essa tarefa caiu sobre os nossos ombros. Fora de Lisboa, sabíamos que só o Diário de Coimbra poderia salvar a situação. Bastou um telefonema e o Eng. Adriano Lucas e seu filho, Arq. Adriano Callé Lucas, com o qual falámos, puseram imediatamente as oficinas à disposição do Jornal Novo, o único diário de Lisboa que nunca deixou de sair nesses dias e que era esperado ansiosamente pelos seus muitos milhares de leitores. Foi necessária muita coragem para estes dois defensores intransigentes da liberdade de imprensa tomarem, nessa época, tal atitude. Por razões do mesmo tipo, o jornal “Luta Popular” e o “Jornal do Caso República” pediram, posteriormente, idêntico apoio ao Diário de Coimbra Por tudo isto, por toda esta História de sessenta anos, tem sido um privilégio acompanhar, ao longo do tempo, o Eng. Adriano Lucas. l

Galiano Pinheiro, Bruno Ferreira, Adriano Callé Lucas, Jaime Gama, Arménio Travassos e o deputado Pedro Farmhouse na entrega da petição Metro Mondego. Foram, ainda, pedidos esclarecimentos às CP e à REFER de modo a que o assunto,

que continua sem solução à vista, tenha sido analisado em plenário a 19 de Janeiro de 2011. l

1990

1993

1994

DESPORTIVO DAS BEIRAS I A 8 de Janeiro de 1990, sob a direcção de Adriano Callé Lucas, é lançado "O Desportivo das Beiras", o semanário que, às segundas-feiras, noticiava os principais acontecimentos desportivos da região centro.

COR NA PRIMEIRA PÁGINA I A 1 de Outubro de 1993 o Diário de Coimbra introduz, pela primeira vez, a cor nas suas páginas, com uma fotografia das obras do Pólo II da Universidade de Coimbra

CADERNOS “CENTRO DE PORTUGAL” A 19 de Janeiro de 1994, começam a ser publicados os suplementos “Centro Portugal Política”, “Centro Portugal Desporto”, “Centro Portugal Saúde”, “Centro Portugal Jovem”, “Centro Portugal Motores” e “Centro Portugal Turismo”. A 8 de Fevereiro tem início a publicação do “Centro Portugal Economia”. A 25 de Abril teve início a publicação periódica de “Centro Portugal Desporto”. I


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HOMENAGEM

Liberdade de imprensa é fundamental para o progresso 

JOÃO COTTA

Presidente da Associação Empresarial da Região de Viseu



EXISTE uma relação fundamental entre a comunicação social, o talento e o progresso. A liberdade de imprensa é um dos requisitos fundamentais para o progresso económico e para a construção de uma sociedade civil forte. A informação para ser informação tem de ser isenta, rigorosa, verdadeira e com qualidade linguística. A comunicação social tem de conseguir mobilizar o talento individual e colectivo para as causas com sentido. A comunicação social deve promover o nível intelectual e de conhecimento de cada um, contribuindo para o enrique-

do as causas com sentido de missão. Estas são aquelas causas de longo prazo, construtivas, que partem de dentro, que criam a motivação para a mudança de que tanto necessitamos. Estes são, em linhas gerais, os compromissos que deve ter a comunicação social. Penso que apenas perduram no mercado as empresas com com-

APENAS PERDURAM AS EMPRESAS COM COMPROMISSO COM VALORES, QUE TÊM SENTIDO DE MISSÃO NA SUA ACTIVIDADE O DIÁRIO DE VISEU E O SEU GRUPO TÊM ASSUMIDO ESTE COMPROMISSO ão ou país, dando uma razão de ser e uma motivação aos cidadãos para se envolverem nas causas que promovem o seu desenvolvimento. A comunicação social deve ser uma das alavancas da competitividade regional e nacional, atraindo e fixando o talento e promoven-

promisso com valores, que têm um sentido de missão na sua actividade. O Diário de Viseu e o seu grupo têm assumido este compromisso. Por isso têm contribuído para o progresso regional. Por isso continuam a merecer a confiança de todos nós. l

Felicitações Diário de Viseu

 GUALTER JORGE LOPES MIRANDEZ

NA QUALIDADE de Presidente da Associação Comercial do Distrito de Viseu, tem-me sido dada a grata oportunidade de contactar de perto não só com o Diário de Viseu

 Presidente da Direcção da Associação Comercial do Distrito de Viseu

1997 2

cimento dos seus valores e tornando as suas decisões mais sustentadas e melhores. Um cidadão completo é um cidadão bem informado, que sabe escolher e decidir, que sente que tem a responsabilidade social individual de pôr o seu talento ao serviço de todos. A comunicação social ajuda a criar e desenvolver o “músculo” crítico e identidade de uma regi-

como com o seu fundador, o Engenheiro Adriano Lucas. Os jornais que dirige, e em particular o Diário de Viseu, são hoje uma referência no panorama da Comunicação

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Um percurso de rigor, coragem e sentido estratégico  ANTÓNIO ALMEIDA HENRIQUES

Ex-Presidente do Conselho Empresarial do Centro



AS INSTITUIÇÕES são a imagem das Pessoas que as dirigem e nela trabalham, uma frase que muitas vezes se utiliza e que encaixa na perfeição quando nos referimos ao Grupo Editorial Diário de Coimbra, Aveiro, Leiria e Viseu. Adriano Lucas é hoje uma personalidade reconhecida pelo seu percurso independente, de rigor, coragem e sentido estratégico, soube dar boa continuidade ao trabalho do seu Pai e implantar à escala da Região Centro o maior grupo de informação que marca os distritos onde actua bem como o contexto nacional. O meu primeiro contacto com

Social Local, cada vez mais importante na veiculação da informação que verdadeiramente interessa aos leitores locais e regionais e que nem sempre encontra o eco devido na Comunicação Social Nacional. É, por isso, cada vez mais importante acarinhar, todos nós, leitores, assinantes, responsáveis locais de todos os

o Diário de Coimbra verifica-se quando estudei na cidade dos estudantes de 1981 a 86, o dia nem começava bem sem a sua leitura matinal, algumas vezes tardia. Mais tarde, como Presidente da Associação Industrial de Viseu e como Presidente do Conselho Empresarial do Centro, assisto ao nascimento dos Diários de Viseu, Aveiro e Leiria que permitem uma cobertura à Escala da Região Centro, permitindo afirmar esta Nova Centralidade.

ESTE PERCURSO DE 13 ANOS É UMA REALIDADE DE QUE NOS ORGULHAMOS A afirmação duma Região faz-se com uma estratégia comum, com uma actuação em rede dos principais agentes mas, se não tiver grupos de informação que lhe dêem suporte, os resultados a atingir serão menos relevantes;

quadrantes, as publicações que ao publicitarem, fazem juz ao trabalho que desenvolvemos, aos esforços que encetamos, às lutas que travamos. Apresentando as minhas felicitações ao Grupo, ao Engenheiro Adriano Lucas, e ao Diário de Viseu, pelo trabalho desenvolvido ao longo de todos estes anos,

estes quatro Jornais Diários permitiram atingir este objectivo. O aparecimento do Diário Regional de Viseu permitiu suprir uma lacuna existente na nossa Cidade e no Distrito, termos acesso a informação diária escrita; este percurso de 13 anos é uma realidade de que nos orgulhamos, Viseu já não sabe viver sem o seu Jornal Diário. É justo, pois, prestar homenagem ao Fundador, Adriano Viegas da Cunha Lucas e ao digno sucessor Engenheiro Adriano Lucas, bem como a toda a sua equipa, jornalistas e demais pessoal. A vidade de Viseu, o Distrito de Viseu e a Região Centro, muito lhes devem, o meu Bem-haja pelo relevante serviço, quando se completam 13 anos do Diário de Viseu e 80 anos do Diário de Coimbra. Estou certo que são projectos que se consolidaram e terão imaginação para acompanhar os tempos que se adivinham, difíceis mas estimulantes. l

FAÇO VOTOS PARA QUE CONTINUE ESSE IMPORTANTE TRABALHO EM PROL DA REGIÃO faço votos para que continue esse importante e necessário trabalho, em prol da Região, da Cidade e do Cidadão eleitor, por muitos mais anos. l

DE JUNHO

Diário de Viseu inicia a publicação  Daniela Homem Pinto  Directora-adjunta

 Informar. Foi com este objectivo que há 13 anos nasceu o Diário de Viseu. Um jornal pensado para a região e com a vontade de se afirmar como uma publicação independente de qualquer interesse. Os primeiros passos foram dados enquanto Diário Regional de Aveiro e Viseu. Mas cedo, o seu fundador, Adriano Lucas, apercebeu-se de que a região merecia uma informação

alicerçada em valores sólidos e na defesa dos seus interesses. A 2 de Junho de 1997, surgiu, então, a primeira edição do Viseu – Diário Regional, tendo como director Adriano Callé Lucas. Uma ousadia, na opinião de muitos, mas que nos dias de hoje se prova ter sido uma aposta ganha. Dez anos depois de ter surgido nas bancas, o jornal passou a denominar-se Diário de Viseu, na sequência da aquisição de um título que se encontrava registado com este nome, mas que nunca se tinha publicado como jornal diário.

Ontem como hoje, o Diário de Viseu mantém a mesma linha de orientação editorial um jornal diário informativo de orientação republicana e liberal, independente do poder político e do poder económico monopolista, ao serviço de Viseu e da Região das Beiras. Um jornal que, como preconiza o seu fundador, dos Leitores e para os Leitores.

As audiências atestam a validade do caminho trilhado até aqui. Nos últimos 13 anos, o Diário de Viseu tem-se expandido e afirmado como o jornal com maiores índices de leitura na região - que têm vindo sempre a crescer. Por isso, reafirma o compromisso de estar cada vez mais atentos ao pulsar social, cultural, económico, político e desportivo da cidade e da região. E, sobretudo, a defender, com intransigência, a região em que está inserido, muitas vezes esquecida por um poder político cada vez mais cosmopolita e centralista. l


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Bem haja Eng. Adriano Lucas pelas insistentes lições sobre Humanismo, relações pessoais e forma de estar na Imprensa regional, em cada encontro de Sábado onde todos ficamos a saber um pouco mais. Estes momentos são uma verdadeira lição de vida, para todos os que têm a oportunidade de o ouvir de forma clara, mas persistente, aquilo que são os seus ideais e valores para a Imprensa. O que mais nos marca e que adoptamos como cartilha neste projecto é que os Jornais só existem por-

que há leitores e que os leitores são a razão da nossa existência. Esse sentido de liberdade, de republicano e regionalista convicto é o maior legado com que todos aqui vivemos e damos continuidade e que vejo já assumido pela sua família. Só assim compreendendo que este projecto continue desde 1930 no seio da mesma família, indo já na sua terceira geração. A qualidade da informação a que nos habituou a procurar dá-nos a nós e aos nossos leitores a confiança de aqui continuarmos na procura do melhor para os melhores leito-

res, assinantes e anunciantes. A lição de que este é um produto que só vale a pena fazer, desde que com paixão e independência dos poderes políticos e económicos, e que para ter a sua missão cumprida chegue a casa de cada assinante no início de cada manhã, é dos melhores ensinamentos nestes meus anos de convívio nesta sua casa. É um “marco” no caminho da minha realização pessoal e profissional, o seu convite para fazer parte deste projecto. Obrigado pelo desafio que para mim representa diariamente. l

MÁRIO NUNES  Historiador

Adriano Lucas: um homem de causas, defensor da liberdade

ESCREVER sobre o Eng.o Adriano Lucas, focando a sua força de trabalho, a dinâmica e inovação que imprimiu aos projectos que elaborou e a que deu viabilidade e sustentabilidade, bem como à coragem que assumiu em momentos que impunham determinação e acção na defesa da liberdade, e, ainda, ao carácter e personalidade que balizam a sua vida e a sua postura na sociedade, sem esquecer o inconformismo que o acompanha ao valorizar e dignificar a Coimbra dos seus encantos e que mora no seu coração, é tarefa difícil e quase ou mesmo impossível. Difícil, porque traduzir em letra de forma um percurso vivencial prenhe de iniciativas empresariais, repleto de empreendedorismo e cheio de incontestada dedicação às causas e aos valores em que se empenhou, é, praticamente, inviável, dada a multiplicidade de atitudes e acções que vinculam a sua existência. Impossível ou quase, porque escrever sobre Adriano Lucas implica "trabalhar" um texto com tantas e tantas virtualidades e capacidades da pessoa em referência e com tantos motivos para desenvolver e oferecer ao conhecimento dos leitores que, por maior que seja a pesquisa e talentosa a elaboração dos pergaminhos que o molduram, algo ficará por registar e muito escapará ao universo de elementos que justificam análise, interpretação e redacção transparente e elucidativa desse trabalho. Por isso, com hipóteses de subes-

timar o seu exemplo e valor na dimensão que o sustenta, registamos, em quatro pontos de reflexão, o que interiorizámos e validamos do Eng.o Adriano Lucas, aquilo que amealhámos em mais de três décadas que mantemos numa relação de amizade e respeito mútuo. Amizade e comunicabilidade são características peculiares que lhe sobram. Quem conhece ou vier a entabular diálogo com Adriano Lucas nota, imediatamente, que está perante uma pessoa de nobre humildade, aberta a todos os estratos sociais e níveis culturais e económicos, sem olvidar os políticos e religiosos, que não rejeita ou aborta a conversa, somente por estar com alguém com predicados, cultura e ideários diferentes, superiores e ou diminutos em relação a ele. Tal atitude não faz parte do seu modo de vida, não existe neste homem de Coimbra, neste empresário de sucesso e nesta figura de elevada cultura e de fácil comunicação. Adriano Lucas com o seu sorriso entreaberto e a expressiva maneira de comunicar e cativar, semeia interesse de audição e dilata confiança no diálogo, princípios abonatórios de quem conhece os homens, a sociedade e o mundo. As barreiras virtuais dissipam-se e as ideias fluem, as opiniões são recíprocas e o pensamento extravasa e exercita-se no desenrolar da conversa. Torna-se difícil, por vezes, suspender o diálogo, pois a amabilidade e o contexto do assunto ou assuntos não desejam terminá-lo. Homem de cultura e andarilho do mundo permite-lhe manter uma notória capacidade de com-

bilidade e nem conspurcar os valores de independência e liberdade de imprensa Por isso, o Diário de Coimbra faz parte da família de milhares de leitores, de Coimbra e do país, dando-lhe, diariamente, os bons dias, informando do que aconteceu no mundo e ajudando a completar a sua formação. E, Adriano Lucas, naquele seu pendular empreendorismo, fundou, posteriormente, os Diários de Aveiro, Leiria e Viseu, instalando um equipamento moderno em que se imprimem, além dos seus jornais, muitos jornais regionais: FIGIndústrias Gráficas, S.A. Projectos de notável envergadura que resultaram de uma visão tentacular que extravasa o comum sentimento empresarial de acomodação ao existente. Mas, se esta qualidade intrínseca e dinamismo exemplar bastassem para o colocar num pedestal de referência nacional e mesmo internacional, impõe-se salvaguardar o lugar de decano dos dirigentes da Imprensa em Portugal, de paladino da liberdade e da independência da Comunicação Social, sendo um dos mentores que elaborou a Lei de Imprensa em 1975. Lutador sem desânimos, venceu as afrontas que foram movidas ao seu jornal, antes e pós 25 de Abril, conseguindo assegurar o editorial de independência e respeitar a normal edição do Diário, fundando com o mesmo estatuto o "Domingo". Membro do Conselho de Imprensa portuguesa e de diversos organismos nacionais e internacionais que balizam essa liberdade e independência na pluralidade de opinião e de ideários, Adriano Lucas é um Senhor e Mestre da Comunicação Social. Defensor de Coimbra em toda a

dimensão da sua valorização e divulgação, Adriano Lucas é um dos filhos predilectos da sua cidade, cidadão que manifesta, sempre, o seu amor a Coimbra. A cidade e também a região fazem parte do seu currículo de entusiasmo e acção bairrista, propósitos que integram a sua alma de beirão. Jamais enjeitou essa relação, jamais olvidou os momentos difíceis que prejudicaram a cidade, colocando o seu órgão de comunicação e a sua escrita e palavra na defesa dos valores que entendeu serem os mais justos. Lançou o brado de alerta, de crítica e ou de aplauso nas situações e nos momentos que exigiram essa postura. Recordamos, por exemplo, a co-incineração em Souselas, o Metro de superfície (a luta continua), por serem atitudes mais recentes, mas registemos a construção dos Hospitais da Universidade, as campanhas de ajuda aos pescadores da Figueira da Foz em altura de naufrágio, aos pobres e a instituições sociais, a denúncia veemente de atentados à cidade, como a destruição da Alta, e ainda a defesa de outros bens e empreendimentos de Coimbra e da região. O Diário de Coimbra, o seu jornal, tem sido uma tribuna aberta que Coimbra possui e que utiliza em circunstâncias de necessidade e de defesa, e o Eng.o Adriano Lucas, homem de causas e lídimo representante de uma valiosa riqueza pessoal sustentada na liberdade e na força da justiça. E, se o Diário de Coimbra abraça e reflecte no nome o pulsar da cidade, Adriano Lucas comunga desse título, desde há 80 anos, inteira e incondicionalmente, evidenciando, todos os dias, o fervor que nele habita e lhe inunda o coração e a alma de conimbricense. l

ARMÉNIO TRAVASSOS 

Director-Geral do Diário de Coimbra



É UM “marco” na minha vida poder ter aceite, em 2004, o desafio do Eng. Adriano Lucas para integrar a Direcção do Diário de Coimbra. Já outras vezes e por ocasiões



Um marco esse momento esteve para acontecer, mas foi em 2004 que aceitei o desafio da minha vida, tendo, até aí, olhado com a atenção e a proximidade possível o caminho que o Diário de Coimbra trilhava. Desde essa data, foi um nunca mais parar de colher os ensinamentos de um mestre de quem se aprende a gostar no primeiro contacto, um Homem de afectos, mas agarrado às suas convicções e de

quem se percebe logo que muito tem para partilhar sobre a vida e a vida na Imprensa. É uma honra, no presente, ser um dos escolhidos como pessoa de confiança para dirigir este projecto e também poder dar o meu contributo aos Diário de Leiria e Viseu, projectos onde aprendi com o líder a colocar o meu carinho pessoal e pelos quais já me encontro encantado.

preensão, um espírito arguto e uma pluralidade de conhecimentos, que dão aso a uma convergência de saberes que lhe facultam a possibilidade de tecer os mais variados comentários, discutir os mais intrincados problemas, apontar fórmulas de os sanar, oferecer mensagens culturais de diferentes civilizações e povos, que conhece, quer pela leitura e apreensão de conteúdos dos livros, quer pela presença nos países que visita. Podemos apelidá-lo, neste aspecto, de andarilho do mundo, porque tem sido uma salutar paixão viajar e cultivar-se. O pendor de viajante e de "descobridor" confere-lhe prerrogativas extraordinárias para ver "in loco" as experiências tecnológicas e científicas manifestadas nas regiões visitadas, as diversas técnicas e estilos das grandes obras de arte, a monumentalidade, a riqueza e diversidade do património cultural e natural, as diferentes sensibilidades humanas, a maneira de viver em comunidade, as tradições e os hábitos das pessoas, sem esquecer como trabalham, estudam e produzem. Quantas vezes nos telefonou de cidades e lugares que o fascinaram e que vieram engrossar o álbum das suas memórias e conhecimentos e aumentar a matéria prima para os seus diálogos com os amigos e ou conhecidos. Dominando alguns idiomas mais facilmente captou amizades e melhor adquiriu novos saberes. Empresário de sucesso é o resultado do carisma que mora na sua pessoa e que o mobiliza para grandes empreendimentos e investimentos. Dotado de inques-

tionável determinação em inovar e romper barreiras de conformismo, abraça salutares ambições que firmam os êxitos que assinalam o seu projecto de vida. Na sua persistente e nobilitante acção de empresário de sucesso e ligado a diversos ramos industriais, obteve ganhos sociais e económicos que contribuíram inequivocamente para a criação de amizades, de confiança inovadora, aumentando postos de trabalho, ajudando ao desenvolvimento regional e nacional, formação de quadros e afirmação e prestígio das empresas em que se envolveu, designadamente as Fábricas Triunfo e a Auto-Industrial. Mas, a Comunicação Social constitui, no nosso entendimento, a coroa de glória que o acompanha e que marca, também, a sua impetuosidade empresarial e de liberdade. Fundador, há 80 anos, do Diário de Coimbra, com a assunção de responsabilidade total desde há 60 anos, mantém viva e actuante uma publicação que regista desde o primeiro número a mesma linha editorial, vinculada na independência e na autonomia de produção. Um jornal que é o mais antigo diário do país, que ultrapassou as diferentes situações de dificuldade, onde o sistema político do antigo regime e do início do actual puseram à prova a coragem e a determinação de Adriano Lucas (recordamos os números censurados e a fundação, pós 25 de Abril, do "Domingo"). Obteve sempre êxitos na sua inquebrantável acção de justiça e liberdade, factores que não deixaram cair a sua sobrevivência e via-

1997 RUA ADRIANO LUCAS, EM COIMBRA Em 1997, em homenagem a Adriano Viegas da Cunha Lucas, fundador do Diário de Coimbra, a Câmara Municipal de Coimbra deliberou atribuir o seu nome à rua onde está instalado o Diário de Coimbra, que passou a designar-se Rua Adriano Lucas. Na foto, o então presidente da Câmara, Manuel Machado, Adriano Lucas e o seu neto Adriano Soares de Oliveira Callé Lucas. 

2001 NOVAS ROTATIVAS NA FIG Em 2001, a FIG adquiriu uma nova rotativa de jornais (GOSS Comunity) que passou a permitir uma excelente qualidade de impressão, especialmente na cor. No ano anterior entrara em funcionamento uma outra máquina rotativa (MAN) para impressão de revistas. 

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Adriano Lucas - O decano da imprensa portuguesa  

Adriano Lucas - O decano da imprensa portuguesa

Adriano Lucas - O decano da imprensa portuguesa  

Adriano Lucas - O decano da imprensa portuguesa

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