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ESPECIAL

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

AO LEITOR O artigo começou a ser digitado, à máquina, em 2015, e foi elaborado, frequentemente, até o póseleições 2018 e início de 2019. Diagramação, edição e ilustração: Arthur da Paz

BATISTA CUSTÓDIO ESPECIAL PARA

A

água nasce pura e doce na fonte. Corre cristalina e forma o córrego fértil de peixes e abundante de farturas no verde das margens. Panha afluentes e banha as planícies. Roda o céu nas ondas calmas e rega sonhos na água de joelho nas cachoeiras. Desenrola distancias envolta das serras e se expia bebida na secura dos ermos áridos. Corta pedras na quina das curvas estreitas, rasga chão na beira dos barrancos e se descansa na lagoa das chapadas. Ouve o canto dos pássaros no baile das revoadas, dá de beber aos bichos no namoro dos acasalamentos e contempla o poema das campinas floridas. Segue, às noites, com um colar de estrelas à tona e, aos dias, com uma galeria de luzes se penteando na vitrine das águas boiando Sol. A fonte cumpre o seu destino no itinerário do rio. Lava-se nas bacias do sertão e despeja-se doce no oceano salgado. As nuvens bebem na evaporação. A água da fonte volta pura e doce no choro das chuvas. O fluxo natural das águas cumpre o determinismo da evolução regente de todas as vertentes da vida no útero do Universo. É o maktub nas escrituras da Lei Maior, que codifica também o fundamento do postulado ético na divisão equânime, para todos, dos bens auferidos na Terra. Mas quando a fluência natural é alterada na ordem dos valores, o interesse coletivo flui para as vantagens individuais no vau do livre-arbítrio das pessoas egoístas. E elas fazem açude na fonte. Abrem rego-d’água na vastidão sedenta. Captam a água para o benefício exclusivo de suas casas. Usam-na restrita a si. Cobram o fornecimento de água dos vizinhos que o rego não passa nos terreiros deles. Abastecem-se à vontade, e seus quintais a entornam poluída para o consumo dos moradores à beira do riacho. É a Lei de Causa e Efeito. A culpa pela degradação da água não é apenas do primeiro residente, ou só dos domiciliados no meio, ou única do último habitante, mas de todos os que sujaram a água no uso exclusivo do rego para eles. Moral da história; qualquer semelhança entre os moradores à beira do rego e os poluidores da água nascida limpa na fonte com os políticos condutores dos governos e geradores da corrupção nos mananciais do poder, não é mera coincidência.

Pessoas que judiam de sua alma

A poluição retida nas águas é decantada ao volatizar da evaporação. A devassidão também será coada e contida no filtro da purificação humana. O materialismo egoísta gerou a poluição moral que, se puxada a ponta do fio, desfia-se a linhagem da corrupção tecida na capa das ideologias políticas, no manto das teologias religiosas, na cortina das vocações empresariais, no trapo das aptidões dos ofícios profissionais, na pluma vestal das autoridades, no véu doméstico dos familiares. Aparências paramentadas esfiapam-se nas máscaras das recosturas do pacto entre ricos e pobres alinhavados à mentalidade de se tirar proveito de tudo, a quaisquer custos, com o caráter amassado na consciência. São auréolas adereçadas por grinaldas rotas. Ou são laços em fitas que, se estendidas nos varais do verídico, rasgam-se os remendos do cínico tecido no pano de muitos coletes encorpados de civismo e o cordão na haste de tantos guardanapos flamulando como bandeira de lutas nas causas do idealismo.

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A Natureza enfureceu-se no mastro glacial. Fenômenos sísmicos enfileiram-se nas hecatombes, tão ferocidas como se fossem demônios soltos em iras, retorcendo dores nas tragédias, tantas como nunca visto antes ao mesmo tempo em regiões diferentes. Flagelos percorrem crueldades abismantes nas fatalidades, como se desgraças passeassem com as doenças nas visitas das mortes. Tornados promovem festivais aos empurrões dos mares, para beberem vidas humanas nos colos do sertão e nos braços das cidades. Vulcões acordam no silêncio das montanhas, vomitam fogo nos relentos empinados, cozinham a paisagem no topete das matas, derretem pedras nas encostas emborcadas, derramam caldeiras no chão encolhido e tosse fumaça preta no azul dos céus claros. Terras tremem de medo. Lugar que era seco, inunda-se. Local que foi água, esturrica-se. O que está imóvel, deslo- Anteu, filho da Terra, ca-se. Tudo se com- Gaia: mitologia grega plica, como se Anteu houvesse se libertado do anátema no subterrâneo e levantasse abrindo erupções na superfície do chão. Nada se explica, como se uma ameaça nos olhasse imantada do etéreo no azul, aquém das nuvens, acima das estrelas e além da compreensão humana. A realidade inverte-se nas estabilidades, de instantâneo, e a preocupação destampa-se na tranquilidade dos corações. A vida se refaz dos erros na forja do sofrimento. É a colheita em toda tulha do que cada um plantou. Pobres roubam dos ricos a safra acumulada que os ricos roubaram dos pobres. Pais estupram filhas nos lares e filhos drogados matam pais amorosos. Milhões lucrados nos enriquecimentos rápidos viram tostões nos empobrecimentos ligeiros. Autoridades despencam-se súbito do poder para o inesperado nas celas das prisões. Mercadorias vão às prateleiras da pirataria de preços dos comerciantes de alimentos. Personalidades emproadas na arrogância esborracham-se na humilhação pública. Amigos abandonam companheiros leais que os carregaram nas adversidades para o triunfo. Povos concentram riquezas extraídas de povos na pobreza. São pessoas que judiam de suas almas, porque ignoram que nas coisas que trazem alegrias a certas pessoas, estão as coisas que levam tristezas ao seu espírito. Estão vindo dias em que pobres agradecerão a Deus por não terem sido ricos. Serão tempos duros. Não será o fim do mundo. Será fim do imundo. O que se assiste, atualmente, é o princípio do desmantelo gradual e em definitivo da corrupção milenar na Terra. Estamos sob o cutelo das mudanças revirantes do mal encoberto quais ciclopes com o olho enorme e fixo nos que serão expurgados para um planeta primitivo, sobre o baque ruidoso das expiações, entre gemidos dos maus e choros dos bons, até que só o Bem fique de pé. Soou a undécima hora no

prazo para a remissão. Mas ilustres expoentes da sociedade continuam indiferentes, como se tivessem luz quebrada na visão perceptiva. Os com a venda do materialismo mercenário, competem na corrida dos imediatistas. Guiam-se pelo faro do oportunismo utilitarista. Juntam bens que não encherão, sequer, o buraco no chão em que o corpo será pó, e subirão pobretões no espírito. Não escutam a voz da razão na experiência dos velhos e não enxergam o puro na inocência das crianças. Supõem ter o poder de alterar o trajeto para a sepultura parada à espera de cada um de nós em todos na vida. Seguem o designado dos coelhos, correndo de uma comida para outra e vão depressa, aos 8 anos, enquanto que as tartarugas andam devagar e chegam aos 100 anos.

Transformações permanentes nas convulsões

Para se fazer a leitura correta dos mistérios ocultos nos fenômenos sísmicos, ou saber discernir o verdadeiro do falso na abrangência dos acontecimentos históricos, é essencial possuir embasamento cultural profundo e a dotação intuitiva do pressentimento. Também para ler e entender corretamente a dimensão do conteúdo do escrito nos livros, ou distinguir no texto se o autor é um sábio ou um equivocado, é fundamental ter erudição no conhecimento e o dom da percepção na inteligência. Os episódios extemporâneos nos ciclos naturais que obrigam nações a se acudirem umas às outras nas intempéries imponderáveis. A impotência dos governos para reaverem a credibilidade abatida nos vendavais da corrupção. Os estralos das convulsões

sociais dão medo do dia de amanhã. As fortunas estão torres de papel ao balanço das corrupções abertas. Os poderes estão pilastras de vidro no tapete de cinzas estendidas nas nações em chamas nas crises. A paisagem alargada no longínquo desola-se nas terras rachadas a golpes das hecatombes. O panorama econômico desorganiza-se a saques nas fraudes. O cenário político dissolve-se a golfadas do imoral. O mundo se engole, se engasga, se vomita e se retorce encalhado na excreção das excrescências. Os líderes estão empanturrados de erros nos governos e não encontram a solução capaz de resolver os efeitos da crise econômica na política. Porque são eles a causa da desordem nas instituições públicas e da instabilidade nos organismos sociais. Por isso remanejam-se nas alternativas de embromações implícitas nas tretas dos culpados. Em vão. Quebrou-se o lacre no invólucro das farsas. Os ribombos brutescos nos fenômenos da Natureza e a enormidade de atropelos cravados na Humanidade, como se havido um desmoronamento de pesadelos, são atípicos na reincidência galopante das ocorrências e na fulminância absurda das calamidades. Normal, não é o verificado. Paira no indecifrável um alerta explícito do enigmático. Ou é reação do meio ambiente à devastação formadora de desertos nas florestas. Ou será prenúncio da construção de searas morais na inospidão árida na dureza do caráter humano. Medito sobre o inusitado na montureira de pandemônios alarmantes, uns tão iracundos como se forças doidas se esmurrassem nas catástrofes da Natureza; outros, tão rigorosos como se castigos educassem pela dor dos sofrimentos a Humanidade, mas todos, tão imantados de complexidade, que não intuo outra explicação para tantas contorções descomunais na Terra, senão a da gestão de um Mundo Novo que nascerá para nós o Tempo de Luz. A maioria das pessoas não consegue fazer a leitura com entendimento preciso dos episódios, notórios na ebulição dessas mudanças épicas e inéditas nas eras transatas. Os desconexados de juízo na mente não perce-

bem o grandioso no incógnito das turbulências que desastram os endeusados dos poderes terrenos. É o que se consuma na tábua dos martírios nessas mudanças redentoras. O que se presencia na roldana dos suplícios faz parte das lâminas no crivo da depuração. Será o fogo que queimará nas chamas os maus e iluminará a luz dos bons.

Deus, retratado por Michelangelo, no teto da Capela Sistina CONTINUA


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LUZ QUEBRADA

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

O princípio das dores finais

Faça agora uma pausa, leitor. Medite sobre sua vida. Ouça a razão na voz do silêncio profundo. Depois, pense e repense nos fatos dantescos que estão acontecendo em toda a Terra. Memorize-os. A seguir, leia as Palavras da Salvação, de Jesus Cristo, no Evangelho de São Lucas (13: 3-8). “No Monte das Oliveiras, defronto do Templo (de Jerusalém), achava-se Jesus assentado quando Pedro, Tiago, João e André lhe perguntaram em particular: Diz-nos quando sucederão estas cousas, e que sinal haverá quando todas elas estiverem para cumprir-se. Então Jesus passou a dizer-lhes: Vêde que ninguém vos engane. Muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu; e enganarão a muitos. Quando, porém, ouvirdes falar em guerras e em rumores de guerras, não vos assusteis; é necessário assim aconteça, mas ainda não é o fim. Porque se levantará nação contra nação, e reino contra reino. Haverá terremotos em vários lugares e também fomes: estas cousas são o princípio das dores. Estais vós sobreaviso, porque vos entregarão aos tribunais e às sinagogas; sereis açoitados e vos farão comparecer à presença de governadores e reis por minha causa, para lhes servir de testemunho. Mas é necessário que primeiro o Evangelho seja pregado a todas as nações. Quando, pois, vos entregarem, não vos preocupeis com o que haveis de dizer, mas dizei o que vos for concedido naquela hora, isso falareis; porque não sois vós que falais, mas o Espírito Santo. Um irmão entregará à morte outro irmão, e o pai ao filho; filhos haverão que se levantarão contra os progenitores e os matarão”.

A idade da

corrupção no brasil Todos os sistemas modelares da ética nos processos políticos, nos planos econômicos e nos programas sociais da civilização contemporânea estão comprometidos na base moral, quais alicerces putrefeitos de um castelo desabando-se com fantasmas da corrupção em todos os cômodos. As aparições dos espectros incorporados nos caracteres assombram a honra nos inquilinos. Os síndicos teimam em fazer reformas nos telhados da política, nas vigas da economia e nos soalhos do social no solar já se afundando com eles dentro. Encontrar quem não bebe no oásis da corrupção nas searas de todo poder é como achar um grão de areia não tostado pelo sol nos desertos, ou uma gota de água não molhada nos oceanos. A corrupção é hereditária no Brasil desde o tempo dos 515 anos do descobrimento por Portugal e fez-se herdeira por transmissão nos poderes nos 30 anos da Colônia, nos 14 anos do Reino Unido, nos 67 anos do Império, nos 126 da República, e se tornou atemporal na sucessão dos presidentes do País, dos governadores dos 37 Estados e dos prefeitos dos 5.570 municípios, e se coagulou crônica na cognação dos legados nas consanguinidades familiocratas que pontuam os mandos dos desmandos lesantes a duzentos milhões de brasileiros. As vias mestras do desenvolvimento pátrio foram compactadas pelo rolo compressor da corrupção desde a quadra dos carretões de madeira puxados a bois para arrastar toras nas roças de toco e quando, não raro então, os eitos granados eram devorados por enxames de insetos. Devastação mais voraz que a dizimadora das lavouras antiquadas, ocorre na dilapidação dos recursos públicos pela praga de corruptos que infestam os poderes do Brasil e revoam, aos bandos, com os bicos nos faturamentos das empreiteiras nas obras dos governos. As 3.512 operações da Polícia Federal, instauradas de janeiro de 2013 até 2016, puseram na cadeia mais de 20.000 personalidades, antes intocáveis e com notoriedade de poder em rencas de governos. Embora a corruptela seja uma vasteza e a punição que prejudica uma horda de corruptos beneficia outra cafua de corruptos, ascendeu-se a lamparina do sábio grego Diógenes e espera-se que esse pavio de luz crie um incêndio na escuridão imoral da

Carlos A. Baccelli, hoje com 65 anos, biógrafo, médium psicógrafo. Ele foi membro das reuniões espíritas dirigidas por Chico

Espancado durante todo caminho até a sua crucificação, Jesus foi o criador de um verdadeiro código moral que atravessa todas as eras. Seu doloroso destino é lembrado no campo jurídico como um dos piores julgamentos já realizados na história humana

inversão de valores nos costumes vigentes, assim como a pequena fagulha do palito de fósforo riscado propaga as chamas nas macegas do capinzal cheio de ervas daninhas secas.

As diversas

formas de viver da corrupção Mas é preciso manter vigília nas queimas da corrupção. Ela é multiforme. Não se detém nas cinzas. Escapa-se nas fumaças. Tem modos diferentes de viver. Possui asas como águia e voa livre nos altiplanos do poder. Dispõe de fôlego como tubarão e nada absoluta na profundeza das águas do poder. Adapta-se a todo ambiente e se mantém saudável debaixo do chão nos porões do poder. Dota-se de treitas como os muares e relincha, escoiceia, empaca e deixa rastros por onde passa. Tem peçonha como cascavel e atrai os ratos que quer pegar, zoa o chocalho para os predadores e rasteja como as leias nos botes armados pelo poder para condenar ou inocentar presas da corrupção. A corrupção sempre esteve operosa em todas as raças e mutante na fisionomia; às vezes fica invisível, às vezes está brutamontes. Existe a corrupção eminência parda, a com influência silenciosa e decisiva nas intimidades dos meliantes oficiais acima de quaisquer suspeitas. Há a corrupção mandachuva, a com autonomia incondicional no controle das decisões privativas dos soberanos e que as cumpre obedientes às ordens dela. Mas a corrupção é também uma senhora versátil em magias irresistíveis nas silhuetas convenientes ao fetichismo adaptado para o momento da sedução de cúmplices diferenciados. Metamorfoseia-se de donzela em bela fada cortesã e afável nos assédios aos proxenetas nas alcovas do dinheiro facilitado nas libidinagens estatizadas. Transmuta-se de velha asquerosa em bruxa ranzinza e áspera nas represálias aos rufiões surripiadores de extorsões nas propinas anteriormente combinadas no recato das lascívias cívicas. E tem a corrupção atriz, a chorona, a sisuda, a caduca, a neném, a manhosa, a emburradeira, a que dá piti, a que dá raiva e a que dá dó. E tem a que leva para a cama e tem a que leva para a cadeia. No quadro A coroação do Imperador D. Pedro I, por Debret, a lembrança de que crimes políticos acontecem no Brasil desde sua criação

Francisco Cândido Xavier é o maior brasileiro de todos os tempos, conforme votação popular

Os estouros da corrupção trouxeram à luz seus focos no âmago do Executivo, no inconsciente do Judiciário, no miolo do Legislativo e na medula da espinha dorsal dos organismos com representatividade colateral na manobra das massas populares. As operações da Polícia Federal são, em verdade, cirurgias que abriram os intestinos do poder e puseram para andar a austeridade paralítica nas células no cérebro das autoridades. A corrupção exibia sua musculatura invicta nas vitórias por nocaute nos ringues dos estafetas do moralismo. Ficou entrevada a golpes duros dos paladinos do idealismo. Mas não se quedou contundida de vez nos picadeiros da política e sente-se campeã nos líderes mancuebas na mentalidade estropiada no obsoleto das ideias pasmadas. Vários esclerosados crônicos e já no asilo dos pensamentos vazios. Diversos amnésicos e já nos lapsos de lucidez. Muitos senis precoces e já vagos no juízo fugidio. Todos, porém, já gungunando bocejos nos descuidos e truões nos bordões das falácias, irredutíveis na zanga contra a corrupção que foram favoráveis e partícipes. Demonstram-se atados à mente lixada no bronco das convicções chulas e respaldadas por elucubrações tão exalantes do néscio, que a militância política deles caracteriza um atentado público à sociedade moderna.

de nós. Seja o que for no que vier, não há como fugirmos. Se for-nos provações, teremos de cumpri-las resignados. Se vier-nos bem-aventuranças, precisamos recebê-las com humildade. O Espírito de Chico Xavier alertou-nos, na página 190, do livro Doutrina Viva, psicografado por Carlos A. Baccelli, que “o mal trabalha contra si mesmo...”, e acrescento que só o verdadeiro prevalece no perene. Não adianta mais esconder remorso nas doações aos roubados de parte do que lhes foi tirado. Escoou-se o prazo dos hipócritas. Não resolve mais penitenciar-se do egoísmo nas orações. Findou-se o tempo dos cínicos. Não valem mais as honrarias conferidas aso bem-sucedidos nas vilanias. Acabou-se o espaço decorativo do injusto no pudor. Nunca nas eras cristãs os que se desonram purgaram martírios nos flagelos como nas expiações vindouras. Brandiu o soar do princípio do fim para os que malfadaram a bondade a caridade no sublime da misericórdia. A piedade descrençou-se dos que abandonam Deus no seu coração. A maioria, beirada à unanimidade, dos políticos, mantém-se alheia ao fervedouro dos acontecimentos tétricos nos arrastões da mortandade e trágicos nas espalhações de cataclismos, como se alguma coisa no paradoxal os cegasse na retina da realidade, pois agem como se fossem passageiros os estrangulamentos da corrupção que, e depois de tudo, voltaria ao corriqueiro de antes para o esquecimento. Não será. Por enquanto é avalanche que terminará com a corrupção achatada debaixo. E sua numerosa prole como finados vagando insepultos no olvido da opinião pública. Política virá a ser o inato nos idealistas nascidos com o povo na alma e vindos carregados de sonhos no coração. O líder traz sonhando em si o poema das mudanças que acendem esperanças adormecidas na descrença das pátrias e se levantam em luzeiros jogando horizontes estendidos no povo, como se pusessem tochas de alvoradas no olhar das pessoas. O idealismo designa a obstinação na conduta e o espontâneo na emoção, porque é a paixão do espírito no namoro com a vida. Há dois tipos distintos nos sonhos que vêm nos sonos, ou refletem imagens liberadas no subconsciente, ou vivenciam viagens do espirito enquanto a pessoa dorme. Os sonhos do ideal permanecem acordados e mantêm a pessoa o tempo todo nos alados da inspiração, como se cativa na paixão que não se finda na alma. As pessoas que passam por uma paixão de amor experimentam, na ternura daqueles momentos, o fascínio dos que passam pelo mundo apaixonados, a vida inteira, nos sonhos do ideal. Eis os sonhos dos que não perderam o endereço do Céu nos rumos da vida. O sonho que veio da posteridade na República de Platão. O sonho que trouxe a independência da Índia no poema da paz em Gandhi. O sonho que desceu o Céu na humildade de São Francisco de Assis. O sonho que encheu de luz Joana d’Arc na fogueira da Inquisição. O sonho da Liberdade que esteve eterna na história da imprensa tinta de sangue do jornalista Líbero Badaró, morto por tiranos do imperador sacripanta Pedro I. Mas é o sonho que se transmuta em pesadelo na consciência e na biografia dos governantes déspotas que se enodoaram na corrupção e sufocam as vozes dos pensadores que a verdade grita nelas.

Os que

abandonam deus no seu coração Rompeu-se o véu do encoberto no elo do Mal com o Bem nos lavatórios do remorso nas consciências. O mundo entrincheirou-se ante as badaladas dos sinos das imponderabilidades imprevisíveis no roldão do seu desfecho e indescritíveis nas rajadas excepcionais nos céus e nos sacolejos anormais nas terras. Rosnam mudanças no empíreo. E não se bate o que está vindo da vida para cada um

Francisco de Assis, o santo celebrado por sua humildade CONTINUA


ESPECIAL

O brilhante jornalista Líbero Badaró foi assassinado a mando de Dom Pedro I

Conversa

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nas elites para o abstrato no psicológico das plebes. A pobreza moral na inconsciência de determinados ricos configura-se nas miserabilidades mentalizadas no subconsciente de certos pobres. Entre esses estão aqueles que o roubo entra pela boca e aquele que a calúnia sai nas palavras, ou aqueles que veem tudo sujo no que olham e aqueles que não enxergam o limpo em nada no que veem. Socorram-se, os ímpios. Esgotam-se as revalidações das moratórias para os refratários nos sacrilégios ao casto nos altares da honra. Principiou-se a peregrinação do andor na procissão dos tempos para a era do Confiteor Deo da mea culpa. Fragmentou-se o cravo no badalo do sino na torre dos vis e gastou-se a solda nas argolas dos servis.

A separação do

com a humanidade

joio do trigo na safra da corrupção

A política é a essência da sabedoria na ciência do poder no mundo nos regimes de governo, nas áreas da economia e dos segmentos sociais em todas as vocações humanas; da mesma forma, a água é a substância vital no conjunto dos elementos ar, terra e fogo na vida de todas as matérias da natureza. Como os culpados exclusivos pela poluição da água pura daquela fonte entornada contaminada no racho, são todos os moradores que usam o rego em seus quintais; do mesmo modo, os únicos responsáveis pelos desvios da ética na política para as confluências da corrupção ao largo nos poderes, são os líderes nos condomínios da vida pública. Os estrondos da corrupção estão terremotais nos escândalos vulcânicos da crise econômica, os escândalos ciclônicos das delações premiadas, nos escândalos abísmicos do denuncismo caótico nos seres humanos apequenados na piedade; e, de escândalos em escândalos, advirão os náufragos boiados no dilúvio dos escândalos. Pois: “É inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual ele vem! Melhor fora que se lhe pendurasse no pescoço uma pedra de moinho, e fosse atirado ao mar, do que fazer tropeça a um desses pequenos. Acautelai-vos” (Lucas, 17: 1-10) A delação é a traição nojenta e a ingratidão fedorenta. Estamos diante de rebojos nos enxurros da corrupção, onde há sofrimentos, uns injustos, muitíssimos merecidos, mas todos mais doídos que feridas sangrando na carne; contudo, os sicofantas arremessam pedras atreladas à ponta da corda com a outra ponta enlaçada neles. “Mete no seu lugar a atua espada. Porque todos que lançarem mão da espada, pela espada morrerá” (Mateus, 26: 52). Por tanto, é necessário manter os voos do pensamento nas rotas do sentimento e preservar a palavra ajustada às vozes da consciência, para não usar a língua como corda da forca no pescoço. “Não julgueis para não serdes julgados. Pois com o julgamento que julgueis sereis julgados, e com a medida com que medis sereis medidos” (Mateus, 7-3). Nos julgamentos sobre o que não se tem conhecimento, muitos prejulgam feitos que ignoram como fazê-los, por isso veem defeitos alheios à falta de méritos próprios e projetam nos outros reflexos de imperfeições que estão em si mesmos.

Os usufrutuários da corrupção duradoura séculos afora presumem-se premiados invictos dentre os que a vida sorteia para as glórias imorredouras. Aprazeram-se embevecidos no ilusório, como aqueles turistas que fazem nas praias litorâneas esculturas com areia que serão sopradas pelas brisas, ou apagadas pelas ondas do mar. O justaposto no desiderato da atual mudança aferroadora dos povos em toda a Terra é o esmerilar das cascas do espúrio na sociedade, para separar, antes, os válidos no sublime dos inúteis ao digno nas celebridades, e só depois promover o despontar de líderes novos, para formar a seleção de estadistas eleitos coma missão de implantar tarefa redentora da humanidade no mundo.

Joana d’Arc, a ruiva, foi a heroína francesa e santa que agia inspirada pela voz dos anjos

Cambaleia tudo que era estável. Mas os céticos da realidade duvidam do efeito torrencial dos demolimentos sobrenormais, devido a constância dos abalos nos deslocamentos do habitual, nas paisagens e nos jeitos de viver, assim como quem se muda para a casa vizinha de frigorífico acostuma-se com o mau cheiro e, com o tempo, deixa de senti-lo; todavia, o odor permanece exalando-se no ar; e, assim também, as mudanças épicas não param

Visitas

diárias à consciência Os estralos de honras se despedaçando nos escândalos dos poderes, siameses na cópula político-empresário, não exprimem a abrangência dos estragos no corporado da corrupção. Acoplados os Evangelhos de João, Mateus, Lucas Marcos, lê-se o que deve ser decorado e pregado nos esteios da memória para visitas diárias à consciência: “A boca fala daquilo de que está cheio o coração. O homem bom, do seu bom tesouro tira coisas boas, mas o homem mau, do mau tesouro tira coisas más. Ouvi e entendei: o que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que o contamina. É dentro do coração dos homens que saem as intenções malignas. A luz do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz. Se fôsseis cegos não teríeis culpa; mas como dizeis: ‘Nós vemos’, o vosso pecado permanece. Se um cego conduz outro cego, ambos acabarão caindo num buraco. Não ajunteis para vós tesouros na Terra, onde a traça e o caruncho os correm e onde os ladrões arrombam e roubam, mas ajuntai para vós tesouros no Céu, onde nem a traça, nem o caruncho corroem e onde os ladrões não arrombam nem roubam; pois onde está vosso tesouro aí estará também o vosso coração. Sabeis que os governadores das nações as dominam e os perversos a tiranizam. Entre vós não deverá ser assim. Ao contrário, aquele que quiser tornar-se grande entre vós seja aquele que serve. É pelo fruto que se conhece a árvore”. As advertências alertadoras dos evangelistas da Cristandade sugerem às pessoas a praticarem reflexões espirituais. A corrupção ampliou-se da materialização do concreto

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

Mahatma Gandhi provou que as verdadeiras revoluções são feitas por intenções nobres. Foto real colorida digitalmente

Pintura de Jacob Jordaens, de 1625, no museu de Louvre, em Paris, retrata os quatro evangelistas. Mateus, Marcos, Lucas e João. Na tela, apresentados juntos engajados no estudo e no diálogo

em seu curso nas demoras como nas do tempo em que as enchentes levam a água das nascentes dos rios para chegar à foz nos oceanos. Os fantasieiros do formidável no fantástico lucubram-se quais templários no templo dos deslumbrados. Contemplam o encantador e não vislumbram o entristecedor. Os pássaros cantam alegres nos voos livres, mas existem mordomias salariais nas gaiolas do poder. As folhas festejam os ventos nas árvores, mas há congestionamentos de doenças nos acostamentos da saúde pública. As abelhas se mantêm no trabalho honesto do mel, mas tem banqueiros à toa no dinheiro trabalhado nos juros. As lágrimas, gotudas, escorrem no pranto dos sozinhos na labuta, mas as autoridades não suam nos serviços da corrupção. Fatalidades abanam flagelos para todo lugar nas terras, como se repartisse desgraças a todas as gentes. Os líderes persistem nas reposições de destroços dos escombros em suas ruínas, como se fosse possível repor as penas nas asas de um pavão depenado e fazê-lo voar, ou montar uma operação boca a boca e tentar apagar um vulcão com o sopro dos fôlegos. É em vão, pois, os endeusados nos poderes terrenos usarem seus artefatos para maquiar as ruinarias que eles é que as fizeram em tudo do que se despenca no mundo, porque são pessoas de pouca fé e não acreditam estar se cumprindo a separação dos desonestos dos honestos na construção da obra descrita nesse apólogo: “Jesus lhes propôs outra parábola: O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo. Mas enquanto os homens dormiam, veio um inimigo dele, semeou joio no meio do trigo e retirou-se. Po-

rém quando a erva cresceu e deu fruto, então apareceu também o joio. Chegando os servos do dono do campo, disseram-lhe: Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Pois donde vem o joio? Respondeu-lhes: Homem inimigo é quem fez isso. Os servos continuaram: Queres então vamos arrancá-lo? Não, respondeu ele, para que não suceda que, tirando o joio, arranqueis juntamente com ele também o trigo. Deixai crescer ambos juntos até a ceifa; que no tempo da ceifa direi aos ceifeiros: Ajuntai primeiro o joio e atai-o em feixes para o queimar, mas recolhei o trigo no meu celeiro” (Mateus, 13:24-30) O que estamos assistindo na safra da corrupção é dos feixes de joio na colheita do trigo.

As mudanças

anunciadas há dois milênios Os escarcéus aprontados pelos ventos raivosos nas tempestades roladoras de cidades ao chão; pelas águas nos cuspidos dos mares para beberem pessoas nas golfadas de sangue; pelos vulcões nas escarrações de fogo para deixarem as regiões assadas para mostrarem às inteligências abobalhadas nos recôncavos dos governos estonteados; pelas enfermidades espetando morticínios nas saúdes moças para recolherem os espíritos endividados, não é um surto do acaso, mas um simulacro do esbagaçamento moral que tornou a Terra inabitável para os justos viverem em paz nos confrontos com as indecências afrontantes e os servilismos escrachados dos caracteres coisificados. Os insensatos e os insensíveis com alcunha de líder no mito — uns estão em outros no desorbitado — vivem a realidade paralela nos mundos da fantasia exclusiva neles; por isso são desconectados do real e não percebem os realinhamentos para o verdadeiro nos fatos históricos, embora suas podestades, confundidas com potestades, estejam no epicentro dos esmagamentos monumentais no pesado das mudanças. O bulício não lhes bole no desarrazoado dos pensamentos e no entorpecido dos sentimentos. Moram no cume da montanha mais alta da cordilheira humana. As devastações nos topos provocam desmoronamentos de terras que derrubam árvores valiosas nas matas preservadas nas encostas, mas eles regozijam-se animados com as vendas que farão das toras. Rolam pedras e abrem fendas nas ladeiras de chão fértil, mas eles alegram-se com os trilheiros surgidos para saírem às escondidas. As chuvaradas causam erosões catastróficas nos sopés, soterram pessoas nas casas, os sobreviventes ficam desalojados ao relento na fome e nas doenças chorando seus mortos, mas eles exultam-se ante os flagelos fortuitos que lhes proporciona uma fortuna nas verbas dos programas de emergência de socorro nas calamidades. Os insensíveis e os tolos não atinam que a inteligência sem a elucidação do conhecimento é como arma sem mira e não acertam o alvo, principalmente o que se move nos determinismos das atuais mudanças. Pois estão acima da alça das ideias céticas, porque seus acontecimentos vêm de Cima. As devastações nos píncaros dos poderes, nos rasgos cavados nos ladeirões da vida pública, as corrosões degradadoras da base, são solapações por baixo da montanha da corrupção, para que ela caia inteira com seus vivedores nela. É, pois, uma tora de mais alta do que se as pessoas subissem em pé, umas sobre as cabeças das outras, em toda a humanidade. Porque vem do Alto. CONTINUA


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LUZ QUEBRADA

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

Esqueletos

diferentes nas caveiras A impudícia, a sovina, o perverso e o apóstata fundiram-se no hipócrita cínico, com tamanho despudor no ápice audaz, que dá vontade nos puros de irem-se embora desse mundo. Os organismos em todas as formas dos poderes representativos no Brasil estão condensados na corrupção, igual ao corpo da pessoa com câncer generalizado em todos os órgãos. Corrupção no cérebro da política. Corrupção no estômago da economia. Corrupção no coração das religiões. Corrupção na medula do governo. Corrupção no fígado da oposição. Corrupção do comunismo no rim esquerdo e corrupção do capitalismo no rim direito. Corrupção nos intestinos do sindicalismo. Corrupção nos músculos do esporte. Corrupção nas veias da arte. Corrupção nos ossos da literatura. Corrupção nos pulmões da mídia. Corrupção nos braços da extorsão e corrupção nas pernas da propina. Corrupção nos olhos da crítica. Corrupção na próstata dos impostos. Corrupção no pâncreas da indústria farmacêutica. Corrupção nos nervos do agronegócio. Corrupção nas cordas vocais do denuncismo. Corrupção na língua dos moralistas. E metástase nas mentalidades, com tal contagiosidade, que ao invés de a pessoa julgar a corrupção à mostra nos demais, o judicioso é conferir em si. As rachaduras da corrupção nos exponenciais da idoneidade evocam a imagem da terra trincada nos leitos de lagoas secas no agreste, com caveiras de bichos em volta no árido e à semelhança de esqueletos de caráteres ladeados no ilícito.

A luz no final do

o enxurro da denúncia empoçada nas Têmperas de calúnias, difamações e injúrias. No cardume dos cadastrados nos rebojos da corrupção, debatem-se fisgados pelo cadarço das OPFs, por quanto: 3 ex-presidentes da República. 12 senadores, inclusive o presidente do senado. 5 ex-senadores. 21 deputados federais, inclusive o presidente da câmara Federal. 12 ex-deputados federais. 3 governadores de Estado. 3 ex-governadores. 4 ministros de Estado. 5 ex-ministros. 85 lobistas, funcionários públicos e políticos investigados. 82 presos. 103 indiciados. 235 mandados de busca e apreensão. 17 delações premiadas. 35 empresas, dentre empreiteiras, fornecedoras de produtos, prestadoras de serviços e de consultorias. 5 maiores partidos políticos 31 vezes em 17 Estados. Calcular o volume da corrupção no universo humano é estimar a quantidade de gotas de água nos oceanos, ou avaliar nos céus o montante de astros na imensidade do cosmos. O dinheiro desviado do Brasil é um disparate de multibilhões que, em comparação com a importância recuperada pelas OPFs, é uma mixórdia de tostões. Mas esses vinténs dos bilionários simbolizam pecúnias valiosíssimas, quais pontinhas de rabos presos uns aos outros de corpos arrastados pelas engrenagens de um aparelho triturador. Ou é a luz que não ficará à espera no final do túnel e virá seguindo dentro do túnel até mostrar o que é e o que não é no justo do entubado nos escuros da corrupção no Brasil roubado nos poderes.

A carestia

do silêncio comparsa

túnel percorrerá todo o túnel

A corrupção que está patenteada nos quatro governos do PT esteve consumada em todos os outros governos, com a única diferenA corrupção está com fraturas expostas na ça que ela tinha um charme e foi banalizada. coluna cervical de gigantes da economia e de A Nação reergue-se à deriva da bancarrota e acrobatas da política com as veias abertas nas sendo abalada na estabilidade por galerias de transfusões do presídio para a prisão domici- golpistas nos conveses dos partidos urdindo a liar. Policiais federais, promotores públicos e tomada do timão por um dos navegadores nas magistrados cortaram os amarrilhos da ponte proas do Congresso Nacional. A pirotecnia dos suspensa na travessia da impunidade. A pilhei- alarmados com a crise econômica e o sururu ra das alças desatadas nas fiações de propinas dos indignados com a nudez da corrupção é amarradoras de extorsões a empreiteiros, es- súcia das lideranças que se renderam à malcancara que a negociata é a primazia nas prio- ta dos apátridas comercializadores da política ridades dos negócios oficiais. O cínico fez-se e politizadores dos negócios que comeram a no cívico. O decoroso soltou-se no vergonho- economia nacional às bocadas na corrupção so. O encoberto manifestou-se no aberto. Le- internacionalizada. (A corrupção vestiu-se de noviça no debavantou-se a saia da pátria nos desfiles de honcle das ex-virgens. ras nuas nas passarelas da corrupção. O escandalaço na zoeira da recessão ecoNo rol dos figurantes nos conclaves dos premiados nas Operações da Polícia Federal nômica soa como o eco ressoa nas furnas a e nas mordomias do pensionato no Pensalão, voz do caçador que não está dentro delas. há anfitriões e convivas entre os degustantes Não se queimou dinheiro. Ele apenas sumiu das iguarias do cardápio das mamatas no de- do povo. Ou está escondido nas grutas do ilíleite das estatais. O cerimonial dos rega-bofes cito, enquanto durar a temporada das OPFs enumera os atos demarcatórios das improbi- de caça aos corruptos, que é uma quadra de dades e enreda o elenco dos protagonistas. Há investimentos financeiros lucrativos para eles no que se mostra, o que se esconde, e no que adquirirem a preços irrisórios bens de pessoas não se vê no ocultado, o que se resplandecerá surpreendidas por doenças graves na família. O denunciatismo imita a serventia do apaà vista no acobertado. As enxurradas escorrem com a lama se desfazendo no curso das águas; relho Flight Simulator, usado nas escolas de por isso, enquanto dura a afluência nos borbo- aviação, nas aulas de voos sem o piloto estar voando, assim como a denúntões da corrupção à tona na bátega das delacia presume ser um ato de ções premiadas ancorando-se no leito das leis, austeridade e estar dissirelacionarei as ocorrências anunciadas e não mulando uma ação de nominarei as personagens arroladas, não por desonestidade. A preomissão à verdade, mas para não me incorrer miação do dedurisno risco de pactuar com o denuncismo, que é mo legalizado abre ofertas de ganhos facilitados nas franquias da Sócrates pavimentou corrupção, pois as condições proliferamfilosóficas -se em Brasípara que as lia, nos Esideias de Jesus tados e nos perpetuassem Municípios gamas de comparsas aborrecidos com os parceiros na partilha dos bônus locupletativos e o silêncio deles vale dividendos escorchantes).

entre os azes da corrupO discípulo de ção, o matreiro nos truSócrates, Platão, idealista de ques para embaralhar A República as OPFs e invalidar as provas das delações premiadas, para que o juiz federal Sérgio Moro não superlote de corruptos todas as cadeias do Brasil. A corrupção atual não é ocasional no lulismo e é habitual nos governos em que uma facção política demora muito tempo no poder. Ela enxertou os 21 anos da ditadura militar e emprenhou os 30 anos da redemocratização, mas abortou em 1985 e aborta em 2015 através de cesarianas políticas, tendo como parteiras os próprios líderes que se embucharam de fortunas nos períodos de fecundação dela. A movimentação na maternidade das mazelas tem estado um coro de gemidos e choros de parturientes ante os fetos nos berçários com a cara dos pais. E enquanto a corrupção não der à luz ao último na prole dos pechelingues, o Brasil con- nações magricelas na chapada das fomes. Os tinua parado no governo, as obras prioritárias que saborearam o mel da abelha nos favos do entram de resguardo nos recursos públicos e poder, experimentarão agora o ferrão dos maa economia fica na depressão de pós-parto. rimbondos no vespídeo das maldições. A corrupção estava uma epidemia contaTudo que é construído com terra, dura acagiosa e crônica nas células do poder e trans- ba e se transforma como toda matéria orgânimissora de focos agudos para o organismo da ca e mineral. Apenas o pensamento e o sensociedade. Os portadores precisavam ser man- timento realizam o grandioso invisível no tidos isolados nos tratamentos clínicos, cirúr- perene da obra palpável no faraônico efêmegicos e vacinados depois, para que durante a ro. No Egito, o faraó Quéops fez suas pirâmides, cura deles não fosse criado o surto de uma sín- em Gizé, que o metamorfismo nos milênios drome de pânico nos vizinhos. A terapia gine- mutará em outra rocha; e Moisés criou Os 10 cológica dos venéreos da corrupção nos ór- Mandamentos que a posteridade esculpiu no gãos contaminados foi ministrada em doses sempre. Na Grécia, Péricles edificou o Parthehomeopáticas com efeitos colaterais mais da- non em Atenas, que os ventos varrerão nas eras nosos que os benefícios, tal qual os lucros re- para o pó das demolições; e Platão gerou a Recuperados dos corruptos são menores que pública, em Atenas, que imortalizou o regime os prejuízos causados na paralisia dos inves- político livre e eleito pelo povo. Na Itália, Gastimentos públicos no crescimento nacional. paro de Salô inventou o violino em Cremona, Basta fazer um check-up completo, com que os anos apodrecem na madeira; Beethoexame de sangue nas artérias que oxigenam ven compôs, na Áustria, a Nona Sinfonia etero desenvolvimento federal nos Estados e Mu- nizada enquanto houver amor nos corações. nicípios; com ressonância magnética no cérebro do empresariado; com urografia nos rins nas concessionárias do abastecimento de água nas cidades, com eletrocardiograma no coração das hidrelétricos; com endoscopia no aparelho digestivo do povo, para ter o diagnóstico da anemia em que se encontra o Brasil, ou da anormalidade psicomoral dos líderes.

Essa criseira do brasil é só uma: crise de caráter

O Brasil oscila de crises em crises entre os políticos que fazem tudo errado e os que não fazem nada certo, para se evitar um amotinamento social fatal para todos eles. O poder que os fez impunes, não haverá mais para os banidos da consciência, os foragidos do coração, os expatriados do idealismo, os desfiliados da fé no divino, os ausentes dos livros, os viúvos da honra, os órfãos da gratidão, os sujados no ódio, os tontos de dinheiro, os abstêmicos de misericórdia, os em jejum na ética, porque esses irão sendo extintos pelo povo nas golfadas da corrupção e no látego das expiações. A criseira política e econômica é adendo da corrupção condensada na crise de caráter. As dores estão saindo de fora das feridas para ver os que bebem com tanto gosto o sangue nelas. Acabou-se a tolerância com os manteúdos nas

Corruptos

Moisés, Platão, Beethoven, como Shakespeare, Miguel Ângelo, Einstein, Tolstói, Castro Alves, Sócrates, Chico Xavier, Dom Bosco, Homero, trouxeram o Céu à Terra. Mas os soberanos dos governos que erguem torres de fortunas alicerçadas na corrupção; os que implantam ditaduras nas nações democráticas; os que fazem do poder instrumento de perseguição e vinganças; os que fomentam mortandades nas guerras; os que sobem da pobreza para a opulência das mansões indiferentes às fomes e às doenças das famílias alojadas nas penúrias; os que sufocam a imprensa com a censura econômica, esses fazem na Terra o inferno para o espírito deles.

Ditadura

superlotariam as cadeias Nunca antes houve nem mais nem menos corrupção nos governos do Brasil do que a que agora; apenas, ficou à mostra demais nos quatro governos do PT. Percebe-se no jogo de empurra-empurra das culpas

O dramaturgo e considerado maior escritor do idioma inglês, William Shakespeare

é o bandido dos regimes políticos

O grego Homero é o mais épico dos poetas da história, escreveu Ilíada e Odisseia

As obras físicas, que tanto encantam e seduzem pela resplandescência da magia na beleza da arquitetura e pela emanação do magnífico no esplendor da suntuosidade, têm a duração do barro caindo aos pedaços na Acrópole na Grécia e das pedras se enrugando na esfinge de Gizé no Egito. CONTINUA


ESPECIAL

Michelangelo é o gênio pintor, escultor, poeta e arquiteto florentino e um dos maiores criadores da história da arte ocidental

O físico teórico alemão, Albert Einstein, desenvolveu a Teoria da Relatividade Geral, que é um dos pilares da Física moderna

O Eterno nos feitos materiais está é nas ideais geradoras do novo que move o impossível para o possível com as descobertas nos transcursos da evolução humana: Que a mente do padre paraibano Francisco de Azevedo o imortalizou ao captar a ideia criativa da máquina de datilografia no antanho do manuscrito e abriu o futuro que escreve na internet; Que o anônimo neandertal da Idade da Pedra polida andou no porvir dentro da cabeça ao produzir o carro de bois e principiou a viagem da espaçonave; Que a percepção de Pedro II sintonizou-o com a profecia de Dom Bosco, ao ter a ideia de criar a Missão Cruls para demarcar o local no Planalto Central e mudar a capital federal das costas do País no litoral, para o coração do Brasil, e por isso foi deposto por golpe militar e exilado para a França, com um punhado de terra do Brasil a servir-lhe de travesseiro na sepultura; Que a premonição descortinou em Getúlio Vargas a visão de integrar o Brasil com a desbravadora Marcha para o Oeste e foi suicidado no Palácio do Catete pela trama golpista fardada e paisana no Galeão; Que a predestinação elegeu Juscelino Kubitschek para construir o novo Brasil. Um golpe dos militares de praia calçou os coturnos nos porões dos quartéis para impedi-lo de tomar posse e foram contidos pelo general Lot. Voaram e aquartelaram-se em Aragarças-GO no início da construção de Brasília e exigiram a renúncia de JK, ou tomariam o governo, e, outra vez, foram derrotados pelo general Lot, já ministro. Juscelino anistiou-se pela segunda vez. Voltaram a conspirar e sediaram-se em Jacareacanga-PA. O general Lot venceu-os de novo e Juscelino anistiou-os novamente. Inaugurada Brasília, elegeu-se senador por Goiás e era o candidato natural a presidente para 1965,

Liev Tolstói, escritor russo reconhecido como um dos maiores de todos os tempos

quando o binômio de metas no governo seria a Modernização da Agropecuária e a Construção de Ferrovias. Mas os golpistas depuseram Jango Goulart e implantaram a ditadura militar; cassaram o seu mandato de senador, de JK, suspenderam por 10 anos seus direitos políticos e o mantiveram em longo exílio. Ao regressar para o Brasil, JK criou a Frente Ampla, agrupada por Carlos Lacerda, Jango e Jânio Quadros, para a derrubada da ditadura. E Juscelino foi morto em um suspeito acidente de carro na rodovia, alta noite, quando retornava de uma reunião da Frente Ampla em São Paulo para o Rio de Janeiro. E morreu, pobre, o líder democrático que plantou os canteiros do progresso que modernizou o Brasil; homens assim, no século nasce um; Que guiou o tirocínio de Pedro Ludovico Teixeira, formado em medicina, em Paris, e lia Gustave Flaubert, em francês, para as dimensões da inteligência política na opacidade campeira e o fez estrela radiosa nos céus goianos anoitecidos cheios de dias turvados de provincianismo acaboclado. Pedro escalou as alças da Serra Dourada, olhou os sertões panelados no atraso, os horizontes acenderam-se dentro de si e ele construiu Goiânia como se fizesse o marco de espera da vinda do Brasil para Brasília. E morreu, como JK, o mandato de senador cassado e os direitos políticos suspensos por 10 anos pela ditadura militar. Chegou pobre para a sepultura e foi para a história como a legenda viva na história que construiu Goiás em Goiânia; Que a sapiência reuniu o filósofo no jornalista, o pensador no político, na conjunção do guerreiro e do apostolo nas ideias livres e sagrou a vida em Alfredo Nasser como símbolo das liberdades públicas. Contudo, onde ele transcendeu a enormidade da sua inteligência acima da erudição nos textos fascinantes no jornalismo e nos discursos flamejantes das emoções nas praças públicas assoalhadas de multidões nos comícios, foi na divinal honradez do estadista que esteve de Ministro da Justiça e Negócios Interiores a Primeiro Ministro no regime Parlamentarista e chegou pobre para o túmulo no Cemitério Santana. Na campanha de senador em Goiás, em uma das noites que JK esteve no barracão de Nasser, à Rua 74, no antigo Bairro Popular, mostrou-se impressionado com a cadência de Cícero em seus discursos e o convidou para Ministro da Justiça para seu governo em 1965, que só não houve porque existiu o golpe de 1964. Ditadura é o bandido dos regimes políticos, principalmente as vestidas de república.

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

Dom Bosco foi canonizado como o santo da mansidão e aclamado pelo Papa João Paulo II como o “Pai e Mestre da Juventude”. Suas visões e premonições sempre foram anotadas em seu diário e o Papa Pio IX orientou-lhe para que registrasse, de modo detalhado, tudo que fosse importante

Algema virou pulseira de autoridades

As escavações na história das civilizações sugerem vestígios de obras fabulosas, como as lendárias cidades Babilônia, nas margens de Eufrates, na Mesopotâmia, e Atlântida, nas encostas do Vesúvio, na Itália; ou nos leva às pedras dos 21.196 km da Muralha da China, onde as dinastias anoiteceram e amanheceram 1.720 anos na sua construção iniciada 220 a.C. pelo imperador Shi Huang Di, e terminada 15 séculos d.C., pelo monarca Ming, mas onde também está o começo das ruínas do maior muro levantado pela Humanidade. As grandes obras encobrem grandes corrupções e beneficiam mais aos poderosos nos sacrifícios demais ao povo. O maior expoente dentre todos os luminares das celebridades que estiveram na Terra não usou a onipotência de seu poder para construir sequer um rancho para si, mas fez com o verbo a obra que mudou o mundo e se torna mais atual a cada dia dos 2016 anos de sua estada na manjedoura à cruz. “Tendo Jesus saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos para lhes mostrar as construções do templo. Ele, porém, lhes disse: — Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada. (Mateus, 24, 1-2; Mateus, 13, 1-2, e Lucas, 21, 5-9) E contemplando a cidade, Jesus falou: — Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os teus pintinhos embaixo das asas, e vós não quiserdes! Eis que a vossa casa vos ficará deserta! (Mateus, 24, 37 e 38, e Lucas, 13, 34 e 36). Àquela época, Jerusalém era inexpugnável aos olhos de Herodes e Pilatos, com a mesma jactância que os atuais gladiadores e paladinos da corrupção brasileira se acham invencíveis em seu poderio em Brasília; mas Jerusalém foi totalmente arrasada quatro vezes ao longo dos dois mil anos e cumpriu-se a profecia de Jesus Cristo, quando fez a previsão do Final dos Tempos em que “Se levantará nação contra nação, e reino contra reino. Haverá terremotos em vários lugares e tem fomes: estas cousas são o princípio das dores”. E finalizou: “Um irmão entregará à morte outro irmão, e o pai ao filho; filhos haverá que se levantarão contra os progenitores e os matarão”. É o que está se consumando aos desacertos dos povos. Fomes comendo a paz social em toda parte. Cataclismos itinerantes no rodízio das catástrofes. Governos balançando podres nos poderes dos países. Os ricos se en-

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Pai do condoreirismo, Castro Alves é um dos maiores poetas da literatura brasileira. Baiano foi a linha de frente no combate à escravidão

contrando nas prensas das bolhas asfixiando negócios e o desemprego arrochando os pobres no torniquete da carestia nos alimentos, remédios e utensílios. A criminalidade vigiando as cidades e as autoridades andando com guarda-costas. A insubordinação civil ocupando os campos e o Incra com o Ibama colhendo nas plantações de multas. Os partidos às turras nas turnês da improbidade e pechinchando redução de pena nas sentenças para extorsões e propinas. Pastores multiplicando mais templos e dinheirama do que a “multiplicada de pão e vinho” no milagre de Cristo na Bíblia. As telenovelas da Globo levando cenas para as famílias nos lares que, se alguém interpretá-las à porta da casa de um juiz ou promotor, a Rotam vem prendê-lo. Haréns da corrupção, a portas abertas, nos paços e Suas Excelências, evocam Sodoma e Gomorra. Autoridades famosas e empresários poderosos são desvestidos em público das honrarias nas algemas e hospedam-se nas cadeias. Algema virou pulseira de gente muito importante.

Há uma

revolução à espera de um líder O mundo inveja a riqueza do Brasil. E com razão. Somos uma pátria abençoada por Deus. Rica em rios ricos de água. Rica de terras ricas de minérios. Rica de florestas ricas de fruteiras. Rica de oceano rico de petróleo. Rica de clima rico de agradável. Rica de céu rico de estrelas. Rica de chão em que se plantando, tudo dá. Rica de extensão territorial rica de belezas naturais. E sem vulcão, sem terremoto, sem geleiras. Não é à toa que Humberto de Campos escreveu o livro profético Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho. Há, porém, um fato que me intrigava. O de o Brasil ser tão rico e ter tantos pobres! Ago-

ra, não me espanto mais. As OPFs pegaram nas catas da corrupção os garimpeiros que lapidam na política o Tesouro Nacional para si, entre eles, e fica para os trabalhadores a cascalheira das misérias. Apenas o combustível extraído pelas corruptelas do propinato na Petrobras daria para acelerar o progresso brasileiro na educação e na saúde, de não se ter mais analfabetos e doentes por falta de escolas e de hospitais. Somente os financiamentos do BNDES, agraciados a conglomerados empresariais, custariam ferrovias se cruzando no País inteiro e ligando o Atlântico ao Pacífico no Chile. Unicamente os recursos financeiros da Eletrobras e as concessionárias de energia elétrica, surripiados às escuras nas falcatruas, seriam suficientes para acender tantas lâmpadas quanto as estrelas que brilham nos céus do Brasil. Estritamente as quantias astronômicas saqueadas dos Fundos de Pensão nos empréstimos facilitados, bastariam para construir casas de ouro para seus contribuintes. Gatunagem é substantivo coletivo de gato, que é manso, mas esperto, só é pego quando descuidado, porque dá pulos para todos os lados, inclusive, um dos poucos seres vivos que dá pulos para trás, em pé. Por isso, é incalculável fazer uma avaliação prévia do resultado final e contabilizar inteiramente a roubalheira oficializada, até porque a viabilização gastaria uma carreira de anos e, talvez, o lucro com as cifras recuperadas não suprissem os algarismos do tempo empatado da Nação parada no governo imobilizado. Enumerar o montante do dinheiro dos órgãos públicos, das empresas estatais e das entidades sociais que salgaram as corrupções que adoçaram o enriquecimento de políticos, pode vir a ser uma trabalheira tão dificultada quanto secar o mar no litoral do Ceará para, ao mesmo tempo, contar as toneladas do sal e aguar com água doce o polígono das secas no sertão do Cariri. A solução definitiva e patriótica seria a instituição de um programa Marcha para a Amazônia para assentar a população sofredora nos áridos em terras férteis e promissoras da América Latina, até para se evitar a sua internacionalização desejada pelos EEUU, e se criar um movimento de conscientização popular para remover de vez, com a arma do voto nas eleições, os políticos folgados na corrupção do poder e lépidos na impunidade. Até para se evitar que, a quaisquer horas, ecloda-se uma insurreição enfurecida, qual uma conjura colérica nas almas cansadas de rezar, dos sem comida nos pratos e com a fome olhando-os da magreza dos filhos; dos lavradores sem chão para a enxada e com a revolta crescendo no coração; dos jovens sem dinheiro para pagar a faculdade e com as ideias se reunindo na cabeça; das donas de casas que receberam o corpo dos maridos mortos ao resistirem ao assalto quando voltavam do trabalho para a casa com o salário no bolso; das mães dos inocentes presos e com os autores dos crimes protegidos por autoridades policiais; dos empresários honestos que os impostos faliram, porque não receberam dos governos o pagamento das obras inauguradas. Há uma revolução à espera de um líder feito de liberdade nos sonhos e de coragem no caráter incorruptível. A beleza da vida está na coragem de morrer dos justos e ter vivido o sonho dos livres do egoísmo. CONTINUA


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GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

LUZ QUEBRADA

Tempo de

dieta da corrupção O Brasil é realmente um país rico por natureza. A única pobreza é a moral dos líderes políticos com maioridade de anos trabalhados para eles nos serviços do poder. Era a lambuzeira mamosa nas tetas do ubre opulento. Não voltará a ser o pojo. A ravina desamamentou-os. Raiou o tempo de dieta na corrupção. A algazarra emputecida de deputados federais e de senadores é zabaneirísse de peixes grandes fisgados nas cevas das aguaças goteiradas das perfurações nos cofres da Petrobras e dos escorrimentos nos veios das jazidas em confluência com os aluviões de minas esgotadas para as fossas do iníquo. Se um paleontólogo fizesse um rastreamento nas trilhas da origem do entesouramento dos feudos políticos, chegaria a riquezas tão fantásticas, que ele não teria outra premissa, senão a de que Homero possuía no imaginário um fetiche que o facultou a entrever tais tesouros, ao inspirar-se e figurar o mitológico Midas, em Odisseia. Lideranças da esquerda, se escondendo as vasilhas dos panelaços de suas caminhadas, e chefias da direita, ocultando-se nas arreatas de suas marchas, amancebaram-se ao se infiltrar aliançadas nas manifestações de 13 de junho de 2013, que era uma cruzada revolucionária do povo brasileiro contra a corrupção, que políticos da esquerda e da direita comeram nela, juntos, à vontade e gordos, em todos os últimos governos. (A superstição é de que o número 13 dá azar. Pode ser que o 13 do mês azarou líderes esquerdistas e que o 13 do ano foi azarento para os chefes direitistas, pois ambos estão desfilados, não muito garbosos, na ribalta das OPFs). Às sapitucas, por ressaca da embriaguez no poder, ou aos chiliques, por nervosismo do esvaziado nos bolsos, rosnam ameaças comparsas da chantagem, aos murmúrios do cúmplice consciente, de que político só ajuda um tipo de companheiro: aquele que lhe dá lucros ou que lhe pode dar prejuízo se não for ajudado. Esse é o troado insinuado nas gemeções dos turrões. Os fortes são os que vencem suas fraquezas. As pessoas comuns se apequenam moralmente nos seus medos e descem do bravo para as covardias e fogem renegadas, porque na História a única porta é por onde entram os mártires. Por isso, fazem-se de surdos e mudos. Não querem ver suas digitais à mostra nos atos fraudosos ao País. Nem querem ouvir suas vozes gravadas nas ordens das sinecuras verbosas. Mas o povo já os enxergou nas fortunas exteriorizadas e escutou-os nos escândalos das corrupções. E negam o inegável e desaprovam o provado, por força do hábito tradicional de que, no Brasil, tudo se esquece do que sucede no doravante, porque acontece constante o que ocorrera antes e tem sido, assim por diante, perante todas as coisas envergonhantes cometidas pelos governantes, por mais que tenham sido chocantes ou mirabolantes. E a História do Brasil é o comprovante.

A corrupção é a doença do dinheiro

A corrupção é uma distorção da personalidade, que aflora em todas as formas e graus de poder, na proporção da fragilidade moral da pessoa. O egoísmo é o fator da elasticidade nas ganâncias perversoras da consciência nos atentados à ética, através da selvagerização do materialismo na avareza, e regula o fato político, o fato científico, o fato religioso e o fato social à servidão do fato econômico no mercado das valias humanas na vida. O pensamento agregado à ideia de se levar vantagem em tudo nas espertezas da espoliação, até mesmo na divisão de lucros nos negócios com os sócios e nas partilhas da herança com os irmãos, monitora o sentimento devotado à doutrina de amealhar-se com bons dividendos em todas as ações da vida, inclusive nos investimentos feitos como aplicação de capital nas doações às entidades de caridade, e instala-se na mentalidade a cultura do endeusamento ao dinheiro, insaciável na cobiça alucinante e fermentadora da dependência ao vício ao corrupção. Vitórias gloriosas orgulham o mundo no heroísmo dos patriotas que enfrentaram nas batalhas a superioridade das forças inimigas dos déspotas no poder, e os venceram nas lutas de independência nas nações; porém, a glória que o herói deve orgulhar-se mais é de ser um vencedor nas batalhas travadas dentro de si, contra os inimigos fortificados na dependência dos vícios, e salvou-se no triunfo do caráter. Sonhar é preciso. O mundo é um pesadelo na pessoa sem sonhos. A realidade é uma fantasia dos iludidos. A vocação sonha no ideal dos predestinados. A vida é um sonho nos arrebatados nas voaduras da inspiração para o imerso nas dimensões do empírico, que é onde a pessoa pratica o descortino nas idas à alma e bebe o néctar do mistério que mantém em êxtase os sonhadores. Batista Custódio entrevista Chico Xavier. Entrevista de três páginas foi publicada em volumoso caderno que documentava e vislumbrava os trilhos da Norte-Sul

Invenção e inventor: máquina taquigráfica criada na inteligência do padre paraibano Francisco João de Azevedo. Morreu sem realizar seu maior sonho: conseguir a patente da máquina de escrever de madeira, feita à mão, com auxilio de lixa e canivete. Doze anos depois, em 1873, três americanos receberam autorização para produzir, em escala industrial, uma máquina quase igual à do brasileiro. Modelo americano era uma cópia da versão criada pelo padre brasileiro que continou a ser apenas uma peça de artesanato. Hoje, todos os teclados de computador do mundo são a evolução da máquina de escrever deste gênio esquecido: “o padre da máquina”

Dom Pedro II foi imperador durante 58 anos, até sua deposição em 1889. Unificou o Brasil, venceu três guerras, apazigou inúmeras disputas domésticas. Erudito e inspirado pela premonição do santo Dom Bosco, criou a Missão Cruls que demarcou o território que virou a futura Capital

A sensibilidade é a temperatura oscilante no emocional das pessoas, umas mais frágeis e molengas que uma folha de capim nas lambadas do vento, outras tão duras e frias como a laje de um túmulo. As criaturas que se entregam ao comunal das mundanicidades no existencialismo abjeto, não vivem: vegetam; e submetem-se a tantas deserções no íntimo, que o desesperam e injeta-os na fuga experimental das drogas alucinógenas e, provam nos desvarios, a aparência do encantamento com a fascinação dos sonhos; o efeito passa, o usuário não suporta o retorno às cruezas no ressacado da realidade, volta para o cotidiano da alienação nos deliramentos dos viciados em narcóticos químicos, ou na mãe de todas as drogas, que é a corrupção nos viciados morais em dinheiro. O vício é um abismo ladeado de caos precedidos de poças de água na areia movediça submersa para se beber na sede das frustrações a primeira dose venenosa. O vício destila a fruição da dependência, qual serpente hipnótica, acorrentada no consciente e no subconsciente, e anula todas as outras vontades nas toxinas liberadas nos prazeres do usuário. Os dependentes em parte, ou no total das congeneridades nas drogas químicas, são almas penadas de sofrimentos impiedosos. São carentes na alma. É preciso ter com eles aquela paciência de Jó e aquele amor do bom irmão e que dói no pai as feridas do filho. Eles estão carentes da misericordiosa ampliação dos planos de metas do governo para a saúde pública com internações, tratamentos, psiquiatras, psicólogos e remédios de graça. Essa será a obra tão imensa quanto o coração que cabe Deus dentro dele. O quadro dos viciados em corrupção é alarmante, contagioso e preocupador. Os cadastrados na corrupção cometem desfalques na própria honra. Merecem condolências pelo que há morto neles. Se pudessem se ver no espírito, vê-los-iam nos 30 dinheiros de Judas. Na esfomeação pelos bens e na inapetência para o bem, até parece que Deus os esqueceu. Vangloriam-se do flagelo.

(Na década de 80, fiz uma entrevista de três páginas com o médium Francisco Cândido Xavier para a edição única de uma revista encartada no Diário da Manhã, focalizando o início da construção da Ferrovia Norte-Sul como a entrada do Brasil no ciclo da ferrovia e com o título: CENTRO-OESTE. O caminho do Novo Brasil. Das 28 perguntas, todas respondidas, sintetizo respostas de três, por considerá-las apropriadas para esse momento apático nas descrenças da população e aguçado nas turbulências da política: “DM — Fala-se muito na predestinação do Centro-Oeste, devido a visão de Dom Bosco da civilização que passaria a governar, daqui, o mundo a partir desse milênio. Chico — Ele, Dom Bosco, estava vendo, não é? DM — A Aids é uma doença-punição da humanidade? Chico — Ela não é uma doença-punição, porque um dos grandes fatores dela é a falta de higiene. DM — Não entende que, mais do que qualquer outra doença, a humanidade parece estar mais contaminada é pela loucura atualmente? Chico — O jornalista disse muito bem, porque nós todos estamos isso. Mas precisamos perguntar por que? Eu tenho perguntado a mim mesmo: por que é que o povo está perdendo o respeito ao poder das autoridades, perdendo o respeito aos que lhes dão trabalho? Então cheguei à conclusão de que tudo isso é falta de religião”. Chico Xavier olhou-me, reflexivo. Deu-me a impressão de que esteve longínquo no tempo naquele momento. Pegou calmamente um copo à mesa e tomou um gole de chá. Ele era discreto e cioso. Voltou-se para mim com um beijo no olhar e confidenciou-me ao tom de segredo: — “Essa loucura já começou!” Retornei da Casa da Prece, em Uberaba, com as palavras higiene e loucura intrigando-me na curiosidade o contexto das duas doenças. A imagem da entrevista não saía da minha cabeça, como se que o Chico viesse na memória me explicar a dimensão que dera à falta de higiene na Aids e para essa loucura que já começou. Preocupação desnecessária na pressa. O desanelar dos dias nos anos trouxe as revelações que me desvendaram a circunspecção de Chico Xavier. A Aids é uma doença da falta de higiene moral. Essa loucura é a doença da corrupção nos loucos por dinheiro nos poderes, nos loucos por dinheiro nas heranças, nos loucos por dinheiro nas religiões, nos loucos por dinheiro na imprensa). CONTINUA


ESPECIAL

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

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François-René Chateaubriand, Humberto Campos, Joaquim Teotónio Segurado e Bezerra de Menezes são alguns dos espíritos notáveis que já enviaram comunicação, por médiuns, ao jornalista Batista Custódio

Pessoas que

A ordem que

jogam fora a sua vida

Senhorios da corrupção, internem-se urgente na honestidade, para um tratamento intensivo no templo de suas consciências. E penitenciem-se para os pobres, os ricos que roubaram suas fortunas nos extratos no dinheiro público. E o façam espontaneamente no gesto da devolução do que é do povo no que está no ilícito de seus patrimônios. E jejuem-se da avidez nas comunhões da fome. E se reponham integrais ao caráter, antes que se vejam esfacelados nas lufadas de castigos nas tragédias; ou antes que gemam nas agulhadas das dores de feridas comendo-os por dentro nas doenças vagarosas; antes que dariam todo o seu dinheiro por um dia a mais de vida no abraço dos filhos, para reverem a amada da paixão ida, para pedirem perdão ao amigo que ofendeu. E irem para o cemitério jogados fora da História. Porque jogaram-se fora na vida, para as lamas da corrupção. A totalidade das mensagens que recebi às centenas da Espiritualidade no vasto de minha vida, psicografadas por diversos médiuns de vários Centros kardecistas, enviadas por meus avós, pais, irmãos, amigos, de Fábio Nasser, Humberto de Campos, François-René de Chateaubriand, Alfredo Nasser, Teotônio Segurado, Consuelo Nasser, Pedro Ludovico — muitas liberadas para publicação no Diário da Manhã, inúmeras restritas à minha orientação — dentre essas uma de Bezerra de Menezes, em 1966, psicografada por Francisco Cândido Xavier —, reiteram que já estão soando as trombetas anunciando o princípio das dores do Final dos Tempos e que nada mais será encoberto e só o bem ficará de pé. À exceção das cartas reservadas com as respostas às perguntas que faço em orações nos instantes de outro massacre, instruindo-me a maneira de cruzar a salvo um corredor das provações para manter o Diário da Manhã, as demais missivas postadas nos médiuns pela Espiritualidade são-me endereçadas no que me toca ser fiel às recomendações, pontual na resistência as tentações e ter certeza da vitória final. Tenho cumprido rigorosamente uma a uma as orientações; embora, às vezes, a sordidez dos atocaiados no poder desça a ardis tão venais para destruir-me no jornalismo, que rogo aos escudeiros celestiais para resguardarem-me de chegar a hora em que terei de destruí-los na política. Pois estão se destruindo. Continuam cavando nas sobras dos escombros da corrupção, quais ourives fuçando atrás de estilhaços de joias nos porões de um casarão caindo.

Escritor Daniel Defoe criou, na Ilha da Fantasia, governada por Robinson Crusoé, a tirania real que se revela em líderes quando chegam ao poder

as autoridades não têm poder para descumprir

O ex-ministro da Justiça goiano, Alfredo Nasser e Pedro Ludovico, que materialzou Goiânia

Jornalista Fábio Nasser e sua mãe Consuelo Nasser: erudição virou a marca no DNA da família

A corrupção se vinga dos corruptos

Acho que conseguiram realizar uma proeza inédita na Terra nesses dois mil anos e entrarão invictos para a História como campeões mundial, com direito a estátuas de ouro, que é o que não lhes falta. Desconfio que eles faliram a corrupção no Brasil. A pessoa de personalidade instável deixa um pouco de si onde passa e, de pouco em pouco no pouco a pouco, o ambiente que ela esteve é a ambiência que está nela. Os corruptômanos errabundos nos desvarios do dope no mecenato, passam a coexistir na realidade paralela das miragens vivenciadas no imaginário. A química do fantasioso na mente do usuário compulsivo de drogas tem sinonímia com o ilusório na pantomina do consumidor obsessivo de dinheiro. O fantasmal no fantastique dos cocainômanos e o fantasmático dos corruptômanos é unigênito na fantasmagoria das bruxas e das fadas nos cantos de sereias. Ambos vagueiam viciólogos imersos na ficção introjetada no real. Os narcotizados divagam na Ilha da Fantasia, de Daniel Defoe, e os corruptados zanzam na Ilha do Tesouro, de Robert Louis. Estão zumbis vivos. E nos enleios da fascinação no êxtase dos desejos, ficam alucinados e são possuídos por aquela lubricidade irresistível da cópula que atrai o louva-a-deus para a morte. Ninguém é dono de nada na Terra. Tudo

pertence a Vida. Inclusive nós. Estamos de passagem nesse mundo como obreiros e depositários do que fizermos. Somos apenas usuários até do próprio corpo que devolveremos à terra. Essa é a realidade imutável no que dura e se transforma nas matérias palpáveis nas coisas físicas. Nos poderes terrenos, o ilusionismo insemina a magia do divinal nas autoridades e da soberba nas riquezas. Esse é o magneto perversor dos políticos nos naufrágios da honra aos pedaços nas correntezas do inescrupuloso nos governos. O território de Mazelópolis era na filha da Fantasia do arquipélago de ilhas do Tesouro da península política, onde os piratas do poder desembarcavam no istmo do governo, abarrotavam as caravelas da extorsão na propina, navegavam na enseada das lavagens de dinheiro nas águas da cumplicidade no oceano da impunidade e desembarcavam em porto seguro nas praias do continente Corrupção. Os próprios corruptólogos não decifram nos compêndios a ciclonia dos fenômenos terremotais concatenados na progressão das devastações consumadas na corrupção, com tamanha fulminância das fatalidades, que os poderes da Terra são incapazes de contê-las; ao contrário, a cada tentativa de se reparar os danos dos estragos, as remendagens aumentam o peso das ruínas seguintes sobre os corruptômanos, como se eles fossem as calamidades e os alvos delas. Quiçá, cumpra-se o estigma no designo da bem-aventurança. A corrupção se vinga dos corruptos ao morrer.

“O princípio das dores do Final dos Tempos” sinaliza-se no contraditório do momento belo no instante feio dos rios afogando cidades e secando lagos das usinas; do calor derretendo nas regiões glaciais e soprando geadas nas tropicais; dos vulcões acordarem queimando gente em três continentes e de caudais de chuvas jogando pedaços de morros com mortandades em cima de vilas; da concentração de 37% das riquezas em 1% da população plantando a fome mundial e da credora União Europeia correndo das ameaçadas da devedora Grécia falida nas ilhas históricas no épico e no mitológico. O mundo refaz-se na Humanidade se acudindo a toda hora na beira de um precipício. Os viventes no ficcional em seus ilhéus da corruptomania avaliam a atual investidura na austeridade como uma erupção passageira nos poderes públicos do Brasil e que, logo, se reaclimatarão às feituras do habitual no tradicionário. Raciocinam ilhados no vai-volta do paraíso perdido. O inferno de Lúcifer não voltará a ser o céu no Arcanjo. Os mentores das lambancísses nos enriquecimentos surgidos apressados e mantidos em sossego nas engordas milagreiras das sacristias governamentais, viverão tempos pagãos. Saiam para o suor no rosto, que é a água benta do trabalho que santifica os ganhos no lucro. Venham para onde nunca foram ouvirem-se nas vozes da solidão. Voltam nas saudades aos amores que não se despedem nelas. Deixem de viver no fantasmal de ínsulas que os hospeda do lado de fora da realidade e os mantém escravos de si mesmos. Querem ver-se, vendo-os embevecidos nas alegorias ludibriosas do verdadeiro nos fascínios do simulado? Mas aonde?! Mentalizem-se habitantes da Ilha do Bananal, a maior ilha fluvial do mundo, cinco vezes maior que Portugal. Estão milionários lá. As terras mais férteis são as glebas de suas escrituras, e produtivas nas áreas mais cobiçadas nas larguezas, onde não chegam as enchentes que inundam, todo ano, as divisas circundantes nas margens. Visto ao longe, o branqueado do rebanho de nelores sugere a imagem de nuvens passeando em suas fazendas. O ar traga a fumaça nas chaminés de suas indústrias. Seus prédios espetam os horizontes da metrópole. Olham nos céus seus helicópteros aos bandos. O celular chama, é o governador. Não precisam de empréstimos, os banqueiros é que lhes pedem os depósitos. Andam felizes nas alegrias pelos folguedos nas praias, o desfrute à vontade nos prazeres ao gosto das ninfas. O mundo vem-lhe aos pés. No fechado das mansões, o faraônico no supérfluo e, no aberto dos jardins, os encantos do Elísio. Na tristeza dos infortúnios, consola-os a presença em profusão de cores de flores levando o conforto na ausência dos amigos aos velórios concorridos. A vida nina-os com o que houver de melhor nos agrados. A vaidade infla-os com o néctar dos deuses no uísque Royal Salute, 62 anos, trazido da Escócia; no champanhe Nomot Chandon, no vinho Chateau Lafit Rothachild e na fragrância do perfume Channel nº5, buscados na França. A boa sorte, às vezes, descuida-os nas contas bancárias paradisíacas, ficam largados à mercê das trapaças do destino que espiam a todos nas espreitas do imponderável e destroem sinas onde a vida faz a curva do mundo nas pessoas. Umas são retorcidas por amarguras nos arrependimentos em dores nascidas na mocidade e crescidas na velhice, que são os remorsos tardios para reparações. Outras descobrem, já exangues no leito de morte, que o enriquecimento erguido à força no egoísmo guloso da cobiça avarenta, construiu o empobrecimento do espírito deles. CONTINUA


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LUZ QUEBRADA

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

Voltem-se, pois, a si de seus ilheenses cativos da servidão ao materialismo. Porque assim como há épocas que o Rio Araguaia lava a Ilha do Bananal inteira com a água das nuvens e remove do chão a cascalhada para que a vegetação brote verde na paisagem, do mesmo modo, a varredura da corrupção é obra das torrentes do ciclo das mudanças, anunciado há dois mil anos por Jesus Cristo, do Final dos Tempos em que viria do Céu a limpeza de todo o mal da humanidade no Planeta. Está sendo consumada. E as autoridades não têm poder para impedir e descumprir. Porque é uma ordem de Deus.

Urge a unificação das OPFs ampliadas para Operação Salva-Brasil Os corruptos ficaram esfomeados demais, da ditadura militar para cá. Nunca tantos roubaram tanto de tantos. Se os ladrões que assaltam pessoas nas ruas de Goiânia se unissem, eles levariam uns 800 anos para roubar o que um político corruptou, sozinho, dos cofres públicos e estatais em Brasília e Goiás. A corrupção nacional faz jus a ter a marca e patente, de exclusividade internacional, no ramo de roubar todo o povo do país dentro do governo. O momento está oportuno para acoplar com urgência todas as OPFs em uma única operação ampliada para OSB (Operação Salva-Brasil). Os corruptecos estiveram assanhados nas vias altas da política em todos os aposentos do dinheiro nos poderes da república, com igual destreza e naturalidade dos botequins dos lupanares nas ruas debaixo das cidades do interior nos antigamente, onde solteiros e casados, às centenas, se satisfaziam nos lençóis da mesma mensalina. Se a gostosa se engravidasse e reclamasse adjutórios, a turma contribuía na hora e avexada. Mas nenhum dos garanhões assumia a paternidade dos filhos que, às vezes, nasciam com a cara de um punhado deles. E tudo seguia nos conformes. Os contratempos pintavam raros. Quando ela transmitia doença venérea a um ele desse uma surra danada nela. As outras aprontavam um pampeiro dos diabos no bordel. Os vizinhos, ou melhor: as mulheres deles aproveitavam para armar o escarcéu, não por dó da rapariga, mas com raiva dos maridos. Chamavam o delegado. O borogodó virava caso de polícia e, a gonorreia do guapo, era o assunto que movimentava as comadres rezadeiras da cidade. A estimar-se pela pluralidade da prole, a corrupção esposou no avulso, pariu contínua, está buchuda e aborta sucessivos fedelhos nos plantões das celas de parto das maternidades itinerantes das OPFs. Os natimortos são submetidos a acareações anatomopatológicas, vão para o necrotério ou para a capela, onde os fetos são entregues aos pais para sepultamento sem cortejo, nem velório no cemitério. Os prematuros ficam detidos nas incubadoras, com respiração controlada, alimentação receada, visitas limitadas em ambiente gravado e filmado por câmeras ocultas nas paredes acima das grades. Os siameses vão escoltados para o cárcere das delações, onde sofrem nas cirurgias de separação das partes que os une: um morre sacrificado para o outro viver em observação internado na UTI das Unidades dos Traidores Ingratos. Os rebentos portadores de aleijumes congênitos, como pé torto, vão para a ortopedia ser operado, recebem

Ruy Barbosa, em 1919. Um dos gênios épicos do Brasil, foi brilhante em todas as áreas onde atual: jurista, advogado, político, diplomata, escritor, filósofo, jornalista, traduro e orador

Carlos Lacerda foi um jornalista e político brasileiro com textos e discursos incendiários. Tribuno brilhante de palavras que atingiam e alteravam a percepção política da época

alta condicionada, práticas de exercícios de fisioterapia e a usarem chips-tornozeleiras, para o ortopedista poder observar se eles estão andando direito. E será suor a suor nos sacrifícios, lágrima a lágrima nas dores, sangue a sangue nas feridas, mas cumpre-se palavra a palavra o princípio do Fim dos Tempos no enunciado dos Evangelhos de Cristo. Chegou a conta da água para os donos do rego poluidor daquela fonte e a hora do despejo para os proprietários dos castelos construídos naquele morro. Todos irão espremer grão a grão os desertos do Mal que fizeram e beber gota a gota toda a sede do Bem que destruíram.

ticos contra a corrupção sempre foram lutas do poder pelo poder e a derrota de uma corrupção para a vitória de outra corrupção. Toda ditadura é corrupta, mas a corrupção é a ditadura do Brasil na democracia. Reina e impera nos três poderes da República. Coroa plebeus como príncipes no BNDES. Entrona mascates como barões na Petrobras. Nobilita gambireiros como arquiduques na Eletrobras. Condecora piratas como condes nos Fundos de Pensão. As monarquias políticas fertilizam com a demagogia enriquecida no abuso das promessas dos feudos eleitorais que se encastelaram nos mandatos populares. O Brasil é o Reino Unido da corrupção. Rege capitanias hereditárias em todas as colônias sociais e fastia-se em todos os protetorados econômicos. Instala camarotes para os capitães-do-mato assistirem todas as degolas dos idealistas nos cadafalsos das tiranias da majestade corrupção. Rosnam como onça-pintada mal atirada. Miam como gato angorá querendo colo de madame. Pisam nos mártires. A História pisa neles. A Oxfam International, fundada em 1942, por uma plêiade de acadêmicos de Oxford, Inglaterra, liderados pelo cônego Theodoro Richard Milford, “é uma confederação de 13 organizações congregadas por mais de três mil sociólogos em mais de cem países que atuam na busca de soluções para o problema da pobreza e da injustiça, através de campanhas, programas de desenvolvimento e ações emergenciais. Seu objetivo inicial foi o de convencer o governo britânico a permitir a remessa de alimentos às populações famintas da Grécia, então ocupada pelos nazistas e submetida ao bloqueio naval dos aliados, na Segunda Guerra Mundial”. O último relatório da Oxfam, divulgado recentemente, causou preocupação e motivou reuniões das instituições econômicas nos cinco continentes. O levantamento prova que “37% das riquezas do mundo estão em poder de apenas 1% da população”. É um crime de lesa Humanidade. E prenuncia a consumação de uma barbárie. A progressão da concentração das riquezas para o próximo ano é o diagnóstico de um genocídio: “Em 2016, a previsão é de que 50% da fortuna mundial estará acumulada em 1% da população”. O estudo da Oxfam é um documento fidedigno de quadro estarrecedor nas semeações das misérias agoniadas nas inflações sociais. A fome está um estopim aceso em “1 bilhão de pessoas que vivem na pobreza absoluta atualmente”. A hora é, pois, de expectativa arriscada no imponderável. Estamos no tempo de plantios da fome nas épocas das colheitas de guerras.

A crise moral dos

políticos é a maior das crises do Brasil As variações na conjuntura social não alteram o caráter dos fortes, mas influenciam a personalidade dos fracos; por isso, a corrupção aflora em todo poder com o potencial proporcional à resistência moral da pessoa que o exerce. Todos estão sujeitos a errar, porém os que erra mais são os que não assuem os próprios erros, como se praticassem o correto, e somente os outros cometessem o errado. A verdade passou a mentir na boca do governo. A atual crise do Brasil não é nova ou velha, mas é a crise sistêmica na História do País; nem é uma crise reflexo consequente de falimentos internacionais, mas é a crise resultante da sequência de inconsequências dos governantes brasileiros; também não é uma crise econômica ou política, mas é a crise moral dos líderes políticos e empresariais; tampouco a crise geral no povo não é originada pela corrupção de geração espontânea, mas é a crise criada pela corrupção por gestação dos mentores do tráfico de influência nos centros de decisão em todos os poderes; portanto, a crise não é a que se mostra por fora nos Estados e nos Municípios do País, mas é a crise que se oculta reciclada dentro dos governos pelos corruptos remanejados nos mandatos populares; sobretudo, a crise real não é a que trava no mo-

Os laboratórios

que estão fermentando uma revolução

Alfredo Nasser foi um dos mais brilhantes discursistas e oradores de seu tempo. Honrava nos atos o que bradou nas palavras

mento o Brasil no governo de Dilma Rousseff, mas a verdadeira crise é a fomentada pela conspiração dos políticos que sempre ganham com os repasses das corruptelas no poder nas deposições de presidentes da República eleitos pelo povo. Os combates polí-

O índice de pobres no povo no País é proporcional à taxa de corrupção dos ricos no governo. Faltam estadistas nos líderes que estão ídolos nos mitos da sociedade, e que não são patriotas nos políticos que vulgarizam os poderes nas celebridades do governo. A corrupção ostentativa nas riquezas é a moldura do quadro na fome expansiva nas pobrezas do Brasil, classificado, dentre os 196 países, como a 8ª desigualdade social do mundo pela ONU no Relatório sobre Pobreza Extrema e Direitos Humanos e motivou o relator Philip Aston a exclamar: “Se isto não for uma vergonha, não sei o que é!”.

Pesquisa do instituto do banco Credit Suisse revela que “há 221 mil milionários no Brasil e que 315 mil brasileiros estão no 1% dos mais ricos do mundo”. Isso significa que entre os 204.660.000 da população nacional, 204.445.000 de brasileiros habitam na pobreza extrema na injustiça social e absoluta nas misérias criando na fome, nas doenças e no desemprego a doutrina da revolta na má qualidade de vida de milhões. O Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, da ONU, divulgou em julho que “50% da nossa população não ganha mais do que 10 mil reais por ano”, ou seja, cada cidadão dos 202.333.000 brasileiros sobrevive com apenas R$ 833,00 mensais. E o que esse número evidencia? Enuncia um morticínio sustentável e propagando-se na subnutrição racionada, pois a própria instituição adverte que “o crescimento da economia brasileira é injusto, economicamente dispendioso e socialmente desestabilizador”. A corrupção é prato cheio da fome. As misérias sociais originam-se na penúria moral caracterizada na indigência cultura exaltada nos domínios do poder por líderes políticos exacerbados na corrupção. Fermenta-se uma revolução no Brasil. Eis os laboratórios: Pesquisa do IBGE registra 7% de analfabetos nos 208,4 milhões de brasileiros, o que nos indicia no contingente de 11,5 milhões de analfabetos. O País é governado por 1 presidente, 27 governadores, 81 senadores, 531 deputados federais, 1.060 deputados estaduais, 60.320 vereadores e 5.570 prefeitos, o que nos agrega a 67.590 mandatos populares com a estimativa de 70% de analfabetos funcionais dentre os 47.313 despreparados para as funções que exercem e, nos 20.277, estão os menos de um quarto de idealistas e patriotas. O Marcos William Canarcho, o Marcola, chefe do PCC, controla o exército da criminalidade no território nacional, estimada em 4 milhões soltos e 600 mil nos presídios; 15 mil chefes do tráfico de drogas condenados, conforme registro do CNJ e, dos quais, conhecido por Marcelo Zói Verde, preso em Goiás, faturou 83 milhões em sua última movimentação. Os próprios órgãos de inteligência das polícias consideram incalculável a abrangência dos mercados do narcotráfico nos 27 estados brasileiros, onde o IBGE aponta a taxa de 8 milhões de desempregados e o povo é onerado em média com 40% de imposto nos produtos industrializados.

Coordenador de campanha da Oxfam Brasil, Rafael Georges: falta de mecanismos de redistribuição de renda e patrimônio, como as heranças, e a precarização no emprego amplificam a desequilíbrio econômico

O MST coordena 350 mil famílias de sem-terra em 25 estados e, como cada família é estimada em 5 pessoas, o número vai para 1.750.000 indivíduos nos assentamentos. De sua parte, o Incra cadastra 70 mil latifúndios improdutivos com uma área de 228 milhões de hectares, mais precisamente 47.107.448 milhões de alqueires (48.400 m²) goianos, o que dá 6,7 Goiáses, já que o Estado tem 7.026.570,35 alqueires. As OPFs destamparam a corrupção das autoridades no Brasil; os líderes que extorquiam propinas nas estatais e nas empreiteiras usam as leis como amarrilhos para impedir que sejam alcançados pelas investigações e, com isso, paralisam-se obras prioritárias no governo, possibilita-se a falência de grandes empresas, a consequente demissão de 2 milhões de 500 mil funcionários, seguida da inevitável conflagração social, tão desastrosa para república, como seria a decretação de um Estado de Sítio que pusesse a Concha do Senado sobre a Concha da Câmara dos Deputados, para que as OPFs indiciassem, de vez e rápido, os conluios da corrupção no Congresso Nacional. Parlamento é o Poder dos tribunos, como Cícero, Carlos Lacerda, Alfredo Nasser, Ruy Barbosa, Winston Churchill, Abraham Lincoln, Martin Luther King, Henrique Santillo, que apaixonavam as multidões com a luz das ideias incendiando as cabeças e o poema dos sonhos enchendo de vida os corações, e não como esses discursivos retóricos como tiros de canhões com bala calibre 22 nas cargas do pensamento. E se acaso as manifestações populares viessem a se servir de massa de manobra golpista, a ponto de instigar uma insubordinação civil-militar, que obrigasse a presidente Dilma Rousseff convocar um plebiscito para novas eleições gerais, a maioria desses congressistas não se reelegeria sem os caixas de campanha das empreiteiras e as OPFs às portas deles. CONTINUA


ESPECIAL

A corrupção no atacado,

a corrupção no varejo, a corrupção na informalidade Nos 16 anos dos cinco presidentes da ditadura militar, os líderes socialistas iam presos para os castigos nos cárceres, os líderes capitalistas iam livres para as castas dos títeres. Nos 16 anos dos 6 presidentes da reabertura democrática, os chefes socialistas foram ser patrões famintos no poder, os chefes capitalistas foram ser donos gordos no poder. E a corrupção os fez sócios nos cofres do governo. Nunca antes, no Brasil, tanta gente cheia de poder e de dinheiro tinha ido encher tantos presídios com tanta autoridade. Na ditadura, a dedoduragem de socialistas aos IPMs, que apuravam a subversão, teve esquerdistas como partícipes entre os delatores. Na democracia, a delação premiada às OPFs, que investigam a corrupção, é aproveitada por corruptos. A denúncia alcovita-se no denuncismo e a moral macula-se no moralismo. É nessa hora que os leais se aproximam e os falsos se distanciam dos amigos. Na política é onde se separam os idealistas dos oportunistas. Na corrupção é onde se mostra no caráter o tesouro que diferencia o sério do venal no empresário. O moral na sociedade moderna oscila regulável pelo grau de influência econômica das pessoas agrupadas no conglomerado de três corruptelas distintas na escola do mercado especulativo e apensadas na metodologia da especulação recíproca. Ei-las no triunvirato do corruptismo. Corrupção no atacado. É privativa dos graúdos. Corrupção no varejo. É permitida aos apaniguados. Corrupção na informalidade. É consentida aos excluídos. Os magnatas repartem os bolos. Os mandarins dividem as fatias. Os plebeus recebem os farelos. Essa é a razão de se achar que a corrupção está maior agora que estivera antes no sempre. A novidade diferencial no corruptivo dos governos do PT, em relação ao corruptado nos mandatos dos presidentes antecessores, é que o Lula socializou a corrupção do atacado e a do varejo ao instituir a das informalidades, através dos programas sociais Minha Casa Minha Vida, Bolsa Família, Fiesp, Pronaf, Pronatec, como a implantação de um plano de metas com a prioridade de promover a distribuição de rendas da corrupção para as populações trabalhadoras. As turbas populares provaram da mordomia das fidalguias e gostaram do sabor da gastronomia nos buffets da alta linhagem nas chusmas plutocratas. A orbe das carências experimentou as sobras das farturas esbanjadas na orbita dos fastios nas opulências. Chegou o tempo do pão a pão na ordem ou do tapa a tapa na desordem. O País se estranha no contraste das contundências caladas. Roncam fomes nas legiões de pratos vazios. Arrotam desperdícios aos montões nos pratos cheios. Encalham ofertas de residências desocupadas às pilhas de inquilinos sem dinheiro para alugar. Peregrinam famílias habitando o relento aos prantos por uma casa para morar. Sempre soube que o Brasil é rico por natureza. Agora sabe-se também que o Brasil está pobre por safadeza. De político a político, as sombras da corrupção tisnam-os opacos na mancha de cumplices e miscigena inocentes e culpados em vultos de honras se desfazendo no imaginário coletivo. Caíram dentro de uma piorra apocalíptica. Irão se devastando todos em todos no acumulado das culpas, até que tudo do roubado esteja repartido crime a crime para um a um dos culpados, para que seja confiscado tostão a tostão das fortunas particulares dos políticos e devolvidas ao Tesouro Nacional a enormidade das riquezas gatunadas da Pátria há anos e há séculos nos governos do Brasil. O Brasil é uma terra abençoada por Deus. Tem um continente dentro dele, o santuário ecológico da Amazônia e o colar das três contas das águas na maior pia da América do Sul. Tem o Atlântico afogando mares de peixes, oceanos de petróleo submerso no leito e belezas no litoral espraiando inveja no mundo. Tem clima estável a sol aberto nos céus multicoloridos nas asas bailando nas distâncias orquestradas pelo canto dos bandos de aves. Tem o chão fértil onde nasce viçoso até o que não se planta e o subsolo rico nas vitrines de pedras preciosas e cofres de minérios encaixotados nos subterrâneos. Tem noites piscando amor nos flertes das estrelas respigando luz na imensidão. Não tem geleiras. Não tem vulcões. Não tem terremotos. A única catástrofe do Brasil é o abismo mental no universo político, com abalos morais no sideral dos líderes, com a galáxia da vida pública atraída pela gravidade do buraco negro da corrupção.

“Sonho com uma sociedade solidária e justa. Em que vale a pena ser honesto, digno, coerente e ético. Sonho com um Goiás que se modernize e dê vida a esse sonho. Um sonho que compartilho com todos os goianos”, pensamento de Henrique Santillo, que entrou ao seleto rol dos grandes tribunos do Estado

A nova moda agora é a corrupção moralista

Há os que olham e não querem ver o Mal que fizeram ao Brasil e o Bem que fariam ao povo se fossem embora da política. Fechem então os olhos. Entre para dentro da consciência e viagem na memória. Visualizem na mente a imagem de um quinhão de terras com florestas exuberantes nos sertões largos, águas fartas nas obras dos rios e glebas inteiras na paisagem completa no robusto das riquezas naturais e total no belo esbanjado no panorâmico das amplidões diferentes no melhor. Os céus se agacham ao chão na paz dos ermos e as montadas se deitam para os horizontes passarem. Façam agora uma reflexão. Contemplem um pouco do cenário,

memorizem-no e levem o coração para vê-lo. Estendam-se na imaginação a tempos idos. Segurem-se bem na alma. Irão ter a visão de uma cena dantesca. Ver-se-ão na matança de sonhos em gerações, na destruição de esperanças no massacre de redentores, nas ideias sufocadas nas liberdades públicas, e uma pátria saqueada nos poderes por bandidos escondidos nas autoridades. Visualizem-se, pois, nas barbáries que cometeram nesse rincão do mundo chamado Brasil. Secaram águas e calcinaram terras debaixo da poluição moral de

Marco Túlio Cícero é, talvez, o maior tribuno da história. Advogado, político, escritor, orador e filósofo, sua influência na língua ocidental é tão importante que, só a título de exemplo, ele quem criou as palavras: evidência, humanidades, quantidades e essência

patrimônios construídos nas vantagens pessoais acima do interesse cívico. Levantaram palácios faraônicos para as soberanias oficiais decidirem, no regalo das suntuosidades pomposas, os direitos usurpadores de razões dos brasileiros relegados ao desfrute da injustiça nas singelezas da miséria esfarrapada nas mortalidades causadas pela subnutrição aceita. Modelaram o Brasil a um mercantilismo paradoxal e insultante até nas doutrinas das teologias religiosas e no ideal das ideologias políticas. Há donos de igrejas que, ao entrarem nelas, as almas ficam lá fora rezando por eles; ou que, ao morrerem, os corpos deviam permanecer inteirinhos na sepultura, não por obra e graça de milagre, mas por recusa da terra a digeri-los. Existem líderes esquerdistas no coletivo e capitalistas no individual, pois estão presos como corruptos enriquecidos por terem faturado o lícito nos dois capitais: cobrando extorsões de empresários e recebendo propinas no governo; e, à direita da corrupção, os chefes do conservadorismo moldaram o governo à iniciativa privada, onde até os mandatos populares são transmitidos por herança e, os órgãos públicos, distribuídos como partilhas aos filhos, aos irmãos, aos cônjuges, aos cunhados, aos primos, aos compadres, sócios e até às amantes. A política brasileira está reduzida a duas tribunas nos 39 partidos. Os discursos dos políticos de esquerda acusando corrupções dos políticos da direita. Os políticos da direita discursando denúncias de corrupções da esquerda. Ambos são semelhantes no igual e no diferente entre os que falam de corrupção por teoria e os que falam de corrupção por prática. As parlações dos tribuneiros da austeridade encoberta a corrupção no varejo e a corrupção das informalidades na proclamação do corruptismo moderno e criativo da corrupção moralista. Meditem, por fim, sobre o que não conseguem enxergar no que está à vista no cênico da paisagem mentalizada, intocada outrora, degradada depois pelas queimadas avassaladoras e acapoeirada na vegetação atual. Espraguejou-se de macambira e coivaras. Brusco, surge um desbravador e começa a carpi-la. Insetos voam e caem golpeados. Ratos se escondem nos torrões, esmagados. Cobras fogem dando botes. Marimbondos ferroavam e ficam ouriçados nas caixas. Mas a capina não para no chão seco, ao sol tórrido e às ventanias soprando poeira no ar, como se a terra subisse ao alto para aplaudir de cima o bravo seguindo, rastro a rastro, as feras mais vorazes e capturando-as. Chegam outros lavradores destemidos, abraçam a empreita do labor e se dividem em eitos, amontoam os entulhos e os queimam, enxotam os redores e preparam a terra para ser plantada. O quadro silvestre, focado, moldura o panorama da seara política predadora do Brasil. As lavações à jato dos porões no poder vão abrindo as tocas dos corruptos, e corruptores e corrompidos que, de escorregão a escorregão na própria lama, escorrida de suas coleiras alçadas ao pescoço do governo, irão calçando tornozeleiras de rastreamento usada pela polícia para criminosos, como os biólogos colocam kit localizador de bichos na selva. Na fauna política, a peça é colocada nas espécies roedoras de verbas públicas para que, como a área campesina, possa ser plantado o novo Brasil. Reflitam-se sobre os critérios de sua trajetória política, todos os que percorreram na leitura a trindade das mutações simbolizadas no realismo do inato no paisagismo daquele quinhão de terras. Concentrem-se um momento. Vasculhem-se minuciosamente no âmago. Surpreender-se-ão ante a igualização do depredado na natureza com o que se devastou na política. A vergonha resmunga. Mas não se poupem das rusgas da verdade. Nem atribuam os erros a equívocos. Estão destruídos na credibilidade do honroso, porém não está acabada a oportunidade de se adequarem ao digno. Purguem-se no constrangimento das culpas e não rastejem nos gemidos das dores. Lavrem-se altivos no sofrimento, que é a melhor das lições de reeducação moral nas aulas da escola da vida. Resgatem-se das repulsas do Mal para os louvores do Bem. A derrota é a trava dos esmorecidos nas lutas. Façam-se de exemplos dos fortes para os fracos, ao caírem

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Winston Churchill é uma das personalidades que ficaram famosas pelos dotes de oratória. Ele alterava a emoção dos que o ouviam

sujos, reciclem-se nos martírios da regeneração e subam limpos. Os que se espedaçam nas quedas, reconstroem-se dos restos e voltam inteiros, tornam-se símbolos de que é possível ir às trevas e vir à luz. A introspecção é, agora, a única ágora capaz de levar, os atuais líderes políticos, ao poder que tem forças para salvá-los do infortúnio de suas fortunas, prosperadas no ilícito e, de livrá-los do ocaso melancólico dos lembrados no que se quer esquecer. Reformulem-se nas fibras do brio. Reconsiderem-se na mentalidade fraquejada na fragilidade do conhecimento mínimo e empenada no peso máximo do imoral. Introjetem-se na meditação para longe das coisas desse mundo. Soltem-se do corpo para os páramos da alma. Busquem-se nas vozes da consciência e, ouvirão, dentro de si, a reforma moral que terão de fazer, urgente, para serem absolvidos dos crimes a que estão condenados a assistir, vivos, a pena de morte da própria honra por apedrejamento aplaudido.

Como se o céu se furasse de maldições

O passado deixa rastros que o tempo não apaga nas coisas esquecidas que feriram o casto na vida. Rememorizem-se na contemplação da paisagem evocada. Aquele quinhão protegido da depredação humana era uma reserva moral no ambiente da vida pública, mantida e zelada por ato do viço idealista de líderes políticos honrados no cívico. Aquela degradação da área preservada é uma proeza de oportunistas no fato do vício da corrupção que cria nos mitos os estadistas do cínico. Naquela dolorosa restauração trabalhosa para os redentores da gleba, a sol bruto reverberando no restingal enroscado na espinheira sendo cortada, amontoada e queimada, ao ar nuvioso no bulício de insetos e pó estorvando a lida no chão ressecado, era a única forma de limpar a área antes que tudo nela fosse reduzida a cinzas pela queimada da macega da corrupção, já sufocada pela fumaça do fogo cruzando o cerco dos acercos nas dobras do longe e nos terreiros do ali. Naquele terreno encrespado de atropelos imponderáveis na rotação do medonho para o assustoso, como se o céu se furasse de maldições, quais prenúncios na à mostra dos rasgos no encoberto nos lacres do indevido. Súbitos, pirambeiras desmoronam-se e abrem, nas encarpas, locas cheias de tesouros ocultados. Bruscos, barrancos de grotas caem e abrem, nas rupturas, cofres de documentos reveladores. De repente, lascas de pedra desprendem-se nas quinas dos penhascos, racham com colmeias e escorrem nos troncos. Inesperado, torrões aos saltos quebram cabaças com água, guardadas nas noites pelos donos. É a fadiga da apreensão. O abridor de atalhos assusta-se com o barulho numa toiceira, corre olhando para trás, tropeça e crava a faca nas costas do companheiro. É a agonia do acabado. O mormaço murcha as folhas na fronde e renda de sol as sombras, igual uma mortalha estendida ao chão. Resta um gosto de perdas com acidez no flagelo. Era mostrado agora o que era escondido outrora. Tudo engoliu-se no nada. CONTINUA


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LUZ QUEBRADA

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Os furtólogos

Pastor protestante, Martin Luther King Jr. foi um ativista político estadunidense tornando-se o mais importante líder do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. Na foto, a Marcha sobre Washington, que atraiu milhares de norte-americanos para escutar os ideais pacíficos e de amor ao próximo que ele pregava

e roubólogos da política

Os sofrimentos melhoram os bons, às vezes pioram os maus, mas são sempre uma oportunidade de regeneração para todos. Os ilustres e famosos que ladroaram riquezas da gleba enfocada para usufruí-las no regalo das abastanças e no mimo das glórias, e as perderam, a suor e dor na consumição das vergonheiras, para o menosprezo público nas misérias morais, devem homenagear e condecorar o juiz Sérgio Moro como o benfeitor que os salvou de virem a expiar, a lágrimas e sangue enquanto vivem na Terra, os martírios do castigo ao retornarem para o etéreo da Espiritualidade. (Começou a se cumprir “o princípio das dores” na separação “do joio do trigo” em que “não ficará pedra sobre pedra que não seja quebrada”, ao “alvorecer do terceiro milênio”, quando os bons “herdarão todas as coisas”, e aos maus “a sua parte será um lago que arde com fogo e enxofre, o que é a segunda morte”, num cumprimento das profecias bíblicas até às predições de João Evangelista. E assim será, até ser consumado o vaticínio feito em 1888 pelo santo genovês João Melchior Bosco, do Dom Bosco, de que “nos paralelos 15 e 20 do hemisfério Sul”, o polígono do Planalto Central do Brasil em Goiás, “surgirá a Terra da Promissão” e da civilização que “governará a humanidade no terceiro milênio”. As profecias dos dois santos João ajustam-se em uma predição. O “terceiro milênio”, o atual, é a época consignada para o raiar da undécima hora da regeneração e da purificação pelas mudanças divinas preconizadas para a Terra: a da purgação dos maus, revelada por João, o evangelista, e a da redenção dos bons, antevista por João, o salesiano). Os despossados nas araduras de corrupção em seus rincões com recordes de produtividade nas querências mais valorizadas do poder, reagem como retirantes de terra flageladas; ou revoltados, com o amargo do seco nas plantações e da magreza nas criações nos olhos molhados; ou abatidos, com o travo do atávico no coração machucado na saudade dos filhos deixados na sepultura. É o canto do suplício no que não volta mais. Cabe aos despossuídos dos refúgios nas devassas dos feudos da improbidade, apenas duas posturas respeitáveis. A de se sentirem envergonhados do árido no caráter e a de se mostrarem agradecidos por estar recambiados da caravana dos perdidos para a marcha no êxodo da salvação. Assiste-se a decadência da hipocrisia moralista de uma civilização que se perverteu interdividida na conjunção das culpas em que todos temos parte nos erros de cada um que atribuímos a outros. Abriu-se a jornada da reparação para os viajores percorrerem suas vidas, assumirem os débitos e resgatá-los no difícil percurso para a remissão. Não é fácil vencer as intempéries da natureza humana, para a pessoa alcançar o isolamento interior e chegar ao sublimado na alma. A migração para o roteiro percorrido no passado é a mais temerosa das batalhas para a pessoa enfrentar e vencer, porque o adversário que terá de derrotar será ela própria; por isso a maioria foge espavorida ou cai destruída, por falta de coragem para dar o passo que a libertará do seu maior inimigo, que é si mesma. Nada nos acontece no erro sem culpa nossa. Os endinheirados na militância libertina e assaltante do poder, e flagrados nos corruptaços confessos no ilícito em políticos ricaços, e captados extraindo propinas de extorsões em todas as jazidas das minas no Tesouro Nacional, e conduzidos para aposentos especiais nas celas do poder de onde vieram dos crimes nos gabinetes, deviam se sentir protegidos ao invés de se

considerarem perseguidos, pois foram retirados da estiva que levava para o extermínio dos que vivem fora da razão. São furtólogos e roubólogos. Mas é temerário formar juízo em definitivo sobre julgados e julgadores na história dos poderes terrenos, de vez que há condenados absolvidos e condenadores proscritos pelas sentenças da posteridade. Então não é digno bater em feridos. Solidariedade é preciso no alívio dos suplícios. Cumplicidade não é necessário na paga dos delitos. Nem podem se esmorecer com o rigor dos castigos na travessia das aflições, os que levam no fardo às costas o peso da carga de outros. Carregam na bagagem a desgraça das más companhias. Louvem-se, porém, no martírio dos infortúnios. Foram acudidos às vésperas de a forme trazer o povo para o trucídio dos governos. A desigualdade social no Brasil estava uma panela de pressão, com muito fogo por baixo, prestes a explodir e que a devassa da corrupção foi a da abertura da válvula de escape. A panela não explodiu. Mas continua fervendo à temperatura máxima. Os políticos que se esbarram nas escaldaduras da corrupção iriam se revirando como iguarias no caldo até à rapa queimada.

Giovanni Falcone foi o juiz que trabalhou contra a máfia siciliana. Recebeu prêmios no mundo todo por sua imparcialidade, e foi assassinado pela Cosa Nostra, antes da Operação Mãos Limpas, que começou logo após sua morte

O Brasil atravessa o momento mais maravilhoso de sua história

Só pode ser que o Brasil foi tão saqueado, porque, a grosso modo, os condutores de povo sofrem de mentecapcia cultural ou de acefalia moral. Os líderes mesclam na retórica a hipocrisia nos juramentos da palavra e o cinismo na autenticidade dos atos; os religiosos loquazes na comunhão das rezas nos pecados; os políticos eloquentes na consagração do idealismo nas indecorosidades. O cívico e o místico compartilham a proliferação da impunidade nas rolações da corrupção no governo e na oposição, aprisionada lá e cá, escapulida aqui e ali, acuada em parte de todos os lados, explodida de cima abaixo nos três poderes da República, detonada no centro de todos os focos de representatividade classista, assustada no cerco de estopins espalhando estilhaços de autoridades ao tremor de escândalos nas soberanias e à luz estarrecida nos olhares da população.

Paolo Borsellino, advogado, exerceu o magistério e, com o juiz Giovanni Falcone, levou a cabo processos judiciais contra a Cosa Nostra. Foi morto num atentado que explodiu sua viatura, menos de dois meses depois do colega

Mesmo para as mentes mais criativas, o real na corrupção supera o imaginário das obras de ficção do absurdo da literatura nas fábulas do crime. Há a tristeza de um velório no rosto da Nação e a alegria de um nascimento no meu coração. O Brasil atravessa o momento mais maravilhoso de sua história. A turbulência que dilacera almas nas calamidades econômicas de autoria das flagelações políticas, causadoras dos estouros de crises, acordaram os brasileiros e fê-los verem-se expostos às vigílias de néscios rodeados de velhacos nos governos. Líderes não surgem no continuísmo das sucessões herdadas. Líderes nascem no estrondo das mudanças reformuladoras de métodos e conceitos na implantação do novo no que se desatualizou nos refazedores de atraso. Por isso, os Abraham Lincoln, autodidata, tornouse advogado e o maior líder de sua líderes despontam-se de onde época. Dono de eloquência e oratória não se sabe quanto menos se irresistível, aboliu a escravidão nos EUA espera nas crises históricas.

Como o juiz Sérgio Moro. Surgiu sozinho. Mas não é o único. Está em muitos. Não tentem pará-lo, porque ele virará milhares no mártir. Sérgio Moro não é a pessoa dele no juiz que revoluciona a Justiça. Vive nele o libertador do povo brasileiro dos escravocratas da corrupção. Homens como Sérgio Moro moram na posteridade vêm para cumprir o determinismo das mudanças épicas e retornam para a memória dos tempos, invencíveis na História. Moro veio há 109 a.C., na Trácia, existiu no escravo Spartacus, liderou a primeira rebelião por salários para os companheiros de escravidão, foi derrotado pelos exércitos do Império Romano, executado em Basilicata, 71 a.C., com seu brado ressoando: “Eu morro, mas voltarei milhões”, de operários. Spartacus viverá na legenda do herói que libertou o operário da servidão no trabalho. Moro não vive nele. Viveu em 1780 no Julián Apaza, o guerreiro Tupac Katari, que liderou 40 mil índios das tribos Carangas, Chucuito, Sicasica, Pajes, Yungas e manteve La Paz sitiada três meses para unir os povos Tawantinsuyu e libertar a Bolívia do Império Espanhol, que o amarrou pelas pernas e os braços a quatro cavalos e foi arrastado em praça pública até ser rasgado vivo, ao som de seu grito de dor ecoando: “Eu morrerei, mas voltarei e serei milhões”, de bolivianos livres. Julián Apaza viverá no guerreiro Tupac Katari como o símbolo dos povos indígenas na Bolívia livre. O juiz Sérgio Moro é um ser atemporal na primeira década do século de abertura do terceiro milênio e que o povo o sagrou como ícone da Justiça ao criar, em 2013, a Operação Lava Jato que abriu a caixa de Pandora da corrupção brasileira com a prisão do cortejado doleiro Alberto Youssef. Moro, a pessoa, não é um envaidecido ou mais um desses idolatrados emergentes da civilização mitológica de Icó. Ele, o juiz, transcende à dimensão dos semideuses da Odisseia, de Homero, para o paradigma incontestável no heroísmo dos juízes Gionni Falconi e Paolo Borsellino nas bravuras da Operação Mãos Limpas que fendeu as muralhas da intocável Máfia italiana e arrastou para as grades da prisão o primeiro capo Tommaso Buscetta. Moro, o juiz, é a espada de Dâmocles suspensa sobre os estandartes moventes e semimoventes da corrupção e irá decepando suas pilastras nos 35 partidos da política. Ele, a pessoa, é o caráter que não se verga na tempestade das pressões, nem se dobra ao rolo compressor das maquinações engenhosas nas engrenagens das propinas e das extorsões nos governos. O juiz Sérgio Moro é no cidadão e no magistrado o fiel na balança da Justiça hasteada no mastro do pavilhão austeridade, em um prato: o peso justo do prumo, e no outro prato: a medida precisa para acabar com as feiras-livres da corrupção nos pátios do poder.

O comboio da história já deu o apito de partida da estação da corrupção

Como nas estradas, a vida tem curvas, mais perigosas que as dos acidentes que interrompem nas tragédias as viagens dos motoristas imprudentes, porque nelas os desastres destroem os destinos de condutores do povo os ideais que direcionam para a evolução na marcha das mudanças. Os mortos nas estradas, muitos ganham cruz nos locais. Os líderes retrógados, todos ficam a sós no retrocesso. A política vestia-os com a fantasia de líCONTINUA


ESPECIAL deres; o poder servia-lhes de carro alegórico; os cargos eletivos ou de nomeada valiam-lhes de máscara para as penhoras do Brasil nos leilões da corrupção. Era assim na roleta dos anos, viciada na impunidade e efetivada nos papas do ilícito. Mas o cassino desabou-se com eles dentro, desmascarados com as faces carrancudas na improbidade expressa e gaguejos com a dinheirama condessa às bocas. Porém, são inúteis os remelexos nas torceduras da verdade. Acabou-se o ar de inocentes na respiração dos culpados. Dessa vez, não haverá outras vezes. É a última vez. Doravante, os dias são moendas do tempo. Esmagarão em moto contínuo as iniquidades. Amontoarão os bagaços morais dos caracteres. Submeterão a garapa das honras à temperatura máxima nos sofrimentos. Expurgarão a borra das indecências nas fornalhas da regeneração. Até restar o mel puro que irá para as formas do divino em cada pessoa que viver. Calar-se-ão os cantos de sereia ao som das trombetas da redenção humana. A hora da salvação é essa. O comboio da história já deu o apito de partida da estação da corrupção no Brasil. Acelera-se a viagem para a apartação dos patriotas dos marcadores nos currais do poder. Os entrechoques das denúncias e das acusações engasgam-se no fedor dos escarros com hálito dos refluxos das delações premiadas. O baque dos ninhos caídos dos poleiros do tráfico de influências no governo, quebra os ovos, e as gemas da corrupção escorrem nas claras ao chão. O coro barulhoso é o piado uníssono ressoado no voo das aves de rapina cegas. Não eram condores libertos no azul que assoalha os horizontes. Tinham o bico de água na saciedade, cauda de pavão na imponência, asas de pato nos voos, cantar de galo nos terreiros político e candura de rolinha branca olhadas à distância, mas velhaca na vigília dos perigos.

A corrupção misturou a esquerda e a direita na fome de poder

O desafio que a presidente Dilma Rousseff terá de vencer, e que nele se concentra a solução de todos os demais problemas geradores dos conflitos de consequências imprevisíveis nas daninhezas, é a desordem geral que anarquiza o Brasil. Desordem no governo. Desordem na oposição. Desordem na política. Desordem na economia. Desordem social. Desordem nas instituições. Desordem nas cabeças. A desordem fez-se ordem nas ações dos desordeiros que incitam a desordem emocional das manifestações populares pacíficas, ordeiras e justas, porque, de fato, a nação vem sendo desmantelada há anos pelo despreparo dos dirigentes públicos. Não há como negar, com ho-

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

Túpac Katari, nascido Julián Apaza, foi um líder da rebelião do povo aimará contra as autoridades coloniais espanholas em Alto Peru, na Bolívia, na década de 1780

Pintura de Richard Westall ilustra que todo governante possui uma Espada de Dâmocles pairando sobre sua cabeça

nestidade, que o povo brasileiro tem sido de uma paciência que supera a do bíblico Jó. É até de estranhar o motivo de não serem recebidos com saraivadas de ovo choco e bolotas de excremento os políticos que participam das movimentações de protesto, porque são eles os causadores do arruinamento social, econômico e, principalmente, moral. Os arruaceiros que promovem vandalismos característicos dos marginais nos movimentos populares não são idealistas subversivos. São desordeiros infiltrados por focos extremistas do esquerdismo e do conservadorismo encrostados no mundano dos partidos políticos. Não passam de massa de manobra. Alguns são inocentes úteis ou portadores congênitos de transtorno de personalidade. A maioria, porém, é estumada por militantes do radicalismo pirático nos subterfúgios do ideologizado no insano; por isso, incendeiam e depredam ônibus, lojas, bens públicos, saqueiam supermercados, ocupam repartições do governo, invadem praias aos bandos e roubam dos turistas e criam pânico nas grandes cidades, porque agem como uma torcida organizada do Mal. Quem tem mãos para destruir, não as tem para construir. A vida pública no Brasil está uma mistura malfeita das ideologias políticas e das teologias religiosas. A conduta apregoada para o povo não condiz com o comportamento dos líderes. Em uns, mentes mais vazias que o espaço nos ares. Em outros, mentalidades mais ocupadas com os cofres de bancos. Para si, arrecadam proveitos em tudo. Para o coletivo, legam a vantagens do nada. Mas acintosa que a corrupção mista nas negociatas oficiais e nos negócios empresariais, é o despudor gritante da escassez de conhecimento no desprepa-

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ro das sumidades nas soberanias do País. Vagueiam nos escapes da nulidade enfeitosa. Demonstram ignorar, na balbúrdia dos atos, que em todo processo polêmico há as contradições que o destroem. É o caso do gládio entre os que estão nas trocas de farpas da corrupção mútua no bojo da crise que os enlinha. Esse é o jogo político. Carteiam a expectativa de a desordem generalizada empurrar o escândalo para a acomodação dos ânimos e decantar-se no esquecimento. Socorrem-se na estratégia do maquiavelismo rafeiro. Confundem esperteza com inteligência, e partem para a alternativa do quanto pior ficar a situação, tanto melhor será o que for menos danoso para eles. Sabem que o PT reduziu-se a um partido triturado na credibilidade, a tal decomposição moral, que se a Dilma Rousseff dependesse dos líderes desgastados dele, ela já teria caído do governo. Então introduzem núcleos desordeiros nas movimentações populares com a intenção de assustar a presidente, como se liderassem a conflagração prenunciadora de uma insubordinação civil prestes a explodir, e imporem uma inventariação dos ministérios conforme agradá-los. Mas o propósito prioritário dos agenciadores da desordem nacional é fragilizar a legitimidade das multidões nos movimentos populares espontâneos. Pois é a Nação marchando contra os mazeleiros escondidos nos 35 partidos. A corrupção misturou a esquerda e a direita na fome de poder. O povo tem a arma mortal para os desordeiros parasitados nos mandatos. A bala certeira é o voto nas eleições majoritárias e nas parlamentares. Há um exército de prontidão. A juventude.

O mundo

patina encravado nos donos de poder Tudo que é feito de terra, voltará a ser terra. Às vezes é preciso nos deixar na alma levando-nos para as dimensões do etéreo e de onde veremos o que se

Spartacus foi o gladiador que liderou a mais célebre rebelião de escravos na Roma Antiga. Ele comandou, durante a revolta, um exército rebelde que contou com 40 mil escravos

acaba de nós na sepultura. Talvez muitos compreendessem que estão se destruindo nas coisas que eles constroem nesse mundo. E então descessem de seus castelos da vaidade. Como a substância que está na aveia, na linhaça e no açafrão que comemos, é a sua essência que nos alimenta nas proteínas e nas vitaminas. Também a grandiosidade da pessoa nos poderes terrenos não está no totalitarismo dos atos de força ou na enormidade das obras físicas, mas na infinita justeza moral e na misericórdia imaculada nas bondades do soberano que cresceu no coração dos humildes e abriu o caminho dos povos livres. Não se faz revolução com violência. Faz-se guerra. Revolução traz o sonho nas ideias. Guerra leva pesadelo nas armas. Todo tirano tem um Hitler na cabeça, um verdugo no coração e um rei na barriga.

CONTINUA

EDUARDO KNAPP / FOLHAPRESS

O juiz que mudou a face política do Brasil: Sérgio Moro


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LUZ QUEBRADA

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

Aristóteles

Ninguém cria os episódios históricos por coincidência nos acontecimentos dos fatos. Quem promove alterações transformadores de conceitos e costumes na rota das tradições é apenas instrumento enviado no desígnio dos predestinados. Os que lideram as mudanças na transição das etapas da evolução humana — como a revolução da paz, do papa Francisco, nas guerras do fanatismo teológico entre cristãos nas religiões e do sectarismo ideológico entre políticos nas nações —, são espíritos mentores que vieram à Terra com a missão de unir os filhos de Deus como irmãos em todos os povos. São os luminares que vão para a posteridade onde vivem Sócrates, Platão, Pitágoras, Aristóteles, Homero, Miguelângelo, Beethoven e onde não chega o esplendor dos ricos. Os que transformam as revoluções do Bem em guerras do Mal, fazem mártires em redentores, como Abraham Lincoln e Juscelino Kubitschek, e fazem-se ídolos malfeitores, como Adolf Hitler e Josef Stalin. Fizeram na riqueza da pessoa a pobreza no espírito. Ou escravizaram a alma na desumanidade do poder. O mundo patina encravado nos donos de poder. Eles esperneiam-se enroscados no fragor das derrubadas do ciclo das escabrosidades adormecidas nos egos. Debatem-se aos escorregões nos declínios da desmoralização escorada nas salvaguardas buscadas nas soluções postiças no irremediável. Acabou nos sonhos a embriaguez da ilusão para os que tintam na verdade a mentira mais bonita. Os gladiadores nas arenas da política pelos troféus do poder, quanto mais se digladiam, tanto mais lambuzam-se uns de outros e tatuam-se da corrupção em todos. É no suor derramado no sofrimento dos sacrificados nos varais das lutas que escorre a água que afoga os sacrificadores nas chagas do arrependimento se cortando no remorso. O confessionário da consciência é a armadura que resguarda da colheita das faltas os que assumem a safra das culpas. O abrigo blindado para as lanças que trazem nas pontas ferinas o ódio penetrante no coração, é o escudo do amor. Ainda que afiadas as lâminas do Mal, cegam no cerne do Bem.

Pitágoras

Plantam flores e jogam as sementes fora

Estamos vivendo em mundos caindo desmontados, e se desmanchando como aqueles mundos caídos no apogeu das civilizações em épocas remotas, mas nunca caíram tão demolidores dos poderes na Terra como esses mundos que caem destruídos na abertura desse milênio. O mundo contemporâneo entrou naquele buraco negro dos tempos que engole civilizações. Fúrias indômitas racham os céus nos fenômenos sísmicos e rastreiam nas terras desfeitas puritanas as potestades apóstatas. Autocentrados na consistência do superficial nas soberanias flutuadas na inversão dos valores, os potentados econômicos esvaem-se no sucesso por acidente. Jazem nos ideais idos e não se ressuscitam nas ideias vindas. Fazem toalete nas obras, embelezadas aos olhares embotados ante as claridades do porvir radioso. Plantam flores e jogam as sementes fora, amórficos no faro às exalações da fome resfolegando a revolta na respiração do povo. Os soberanos perpetuados nos remanejos do poder como uma roda sem eixo, usam os manejos das leis como os bandidos utilizam as armas, até serem reduzidos a pó e a lama por aquele buraco dos tempos, ainda na primeira metade deste século. E assim acontecerá como o acontecido nos três impérios que modelaram as civilizações antigas: a Egípcia, 727 a.C.; a Grega, 338 a.C. e a Romana, 476 d.C. Talvez, vendo as erosões da esfinge da divindade Gisé, onde se ajoelharam legiões; olhando as ruínas de Acrópole, onde são poeira sumida no chão os semideuses sepultados; contemplando a tapera do Coliseu, onde endeusados gladiadores caíram moribundos, talvez, os políticos brasileiros floreados de líderes, endeusados de corrupção, rememorizem na opulência deles, a decadência da exuberância do Jardim Suspenso da Babilônia, subam a humildade para a cabeça e desçam a vaidade para os pés. Ainda que nas dores mordendo as feridas, asilem-se nas clausuras da regeneração cáustica dos entortamentos do caráter nas dobrações da honra ao vergonhoso. E tomara que os retardatários sejam velozes. Não adianta ficarem nesse bate-bola nas jogadas da corrupção. Nem apelarem para as guerras de torcidas nos estádios das movimentações dos descontentes. Passou a fase do treino para recuperar as contusões morais. O prélio das mudanças começou e não existe placar para gols contra. Se não despontar no time político líderes capazes de driblarem e golearem a corrupção, o Brasil permanecerá no campo das lutas até formar a seleção que vencerá o campeonato. A Taça da Moralização será nossa e percorrerá o País no estandarte das movimentações populares. Oxalá não haja tantas prorrogações e o torneio termine logo. E antes que surja um missionário como Moisés, o patriarca dos hebreus, que quebrou a hereditariedade majestosa e escravizante dos faraós; ou que apareça um guerreiro como Felipe, o herói dos macedônios, que destronou os imortais da mitologia; ou que venha um flagelo como Átila, o bárbaro dos Unos, que avassalou o poderio dos Césares. Tomara que o sal-

Beethoven

Pedro Ludovico

LÁZARO ROBERTO DE MENEZES

vador nasça em um brasileiro. Vir, ele virá. E não será de um desses políticos que acenderam a fogueira da corrupção e querem queimar Dilma Rousseff nela, como fizeram Joana d’Arc de bruxa na Inquisição. Os atônitos acreditam no adágio “A História se repete”. É um ditado proverbial de alerta aos curtos no conhecimento. A História não interfere no determinismo da evolução no desiderato das mudanças reformadoras do mundo. Os líderes acidentados na inteligência é que repetem os mesmos erros cometidos por outros ao tentarem interromper o fluxo natural dos acontecimentos nos desígnios da História. Os escravocratas mataram o presidente Abraham Lincoln, supondo que reverteriam a abolição da escravatura negra nos Estados Unidos. Assassinaram o líder negro Martin Luther King, que liderava a consolidação da liberdade civil para os pretos. A História trouxe o afrodescendente Barack Obama para presidente e o consagrou como estadista ao reelege-lo para redimir o país dos erros em sua história, restaurar os norte-americanos do debacle na economia interna e sair ainda mais forte da crise mundial. (Os distorcedores dos fatos históricos, em suas interpretações lenas, cometeram e continuam cometendo cafetinagens políticas com a História que mudou Goiás. Pedro Ludovico Teixeira construiu Goiânia. O lugar da estátua dele montado no cavalo é no centro da Praça Cívica batizada com o nome dele. O governador Alcides Rodrigues assentou-a na beira do Centro Administrativo e nos fundos do Palácio das Esmeraldas. O prefeito Paulo Garcia transferiu o monumento para debaixo das árvores no terreiro demolido do Palácio das Campinas. A História virá em um dia justo e o colocará no alto da Pedra Serra Dourada reproduzida, entre o Monumento dos Trabalhadores e o Palácio das Esmeraldas. O chão de Goiânia para o pedestal de Pedro Ludovico Teixeira é no lugar de honra da Praça Cívica Pedro Ludovico Teixeira).

Ricos na pessoa e pobres no espírito

O Brasil chegou ao exponencial da corrupção incólume. O suplício é geral. A denúncia que sacrifica um corrupto, beneficia a outro corrupto. A condição da corrupção nos tempos atuais está igual era a devassidão de Maria Madalena nas épocas bíblicas. Esses políticos moralistas que jogam denúncias nela são semelhantes àqueles puritanos que jogavam pedras naquela. Comeram delas. Mas há também, sempre, um Cristo que eles crucificam. São os mártires. Vão viver na História. De cada um nascem muitos nele. Às vezes vêm em muitos no único sonho. Dom Pedro II trouxe a abolição da escravatura negra, anunciou a criação da Missão Cruls para demarcar no Brasil Central o local da mudança da capital federal, e foi deposto por um golpe militar. O presidente Getúlio Vargas criou a Fundação Brasil Central para comandar a Marcha para o Oeste, e foi levado ao suicídio no Palácio do Catete por um golpe civil militar. O presidente Juscelino Kubitschek anunciou a construção da nova capital federal, enfrentou três golpes armados para depô-lo; inaugurou Brasília, foi cassado e teve os direitos políticos suspensos por 10 anos pelos gol-

Intelectuais e especialistas em arte e memória geográfica defendem que a estátua de Pedro Ludovico, montado ao cavalo, fique em local de honra na Praça Cívica

pistas da ditadura militar, em 1964, para impedi-lo de ser reeleito em 1965. Mas a profecia do santo Dom Bosco cumpriu-se no predestinado da História. Os líderes políticos, empresariais, religiosos, sindicalistas, de todas as entidades das categorias profissionais, tornaram-se reféns do materialismo consumista. Precisam libertar-se dos cochos da corrupção. Urge viajarem para o conhecimento na leitura das biografias dos sábios que se imortalizaram. Conviveriam na História com os que nascem pobres, fizeram as riquezas do mundo e estão pobres grandiosos nos túmulos célebres. Presenciaram também os que se embarrigaram de fortunas e não conseguiram permanecer no alto; ou que se houvessem feito, teriam subido ainda mais; e o que fizeram para ter caídos lá de cima cá embaixo. O dinheiro corre dos que correm atrás dele o tempo todo e corre atrás dos que correm dele a vida inteira. Aqueles são os ricos na pessoa e pobres no espírito. Esses são os pobres na pessoa e ricos no espírito.

Josef Stalin à esquerda e Adolf Hitler à direita: dois ditadores iguais, mas com roupagens diferentes no caráter de seus líderes. Perverteram revoluções do bem e as converteram em abominações de horror CONTINUA


LUZ QUEBRADA — NAVIO BRASIL

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

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Navio Brasil A VIAGEM DOS NAUFRAGADOS NO CARÁTER

O

Navio Brasil vem entrando água há longos e em diversos oceanos, com jangadeiros no timão confundindo maremotos com marolas, abalroando em icebergs tomados por blocos espuma, embarcando piratas vulgares tratados como passageiros nobres, encalhando nas enseadas rasas nos nevoeiros e ancorando nos litorais usados pelos traficantes de influência para esconder nos laranjais das ilhas do arquipélago Impunidade os tesouros surrupiados da tribo Povo no continente Corrupção. Navegaram à vontade. Na proa, a marujada dos jangadeiros se revezando aos fandangos no leme. Na popa, as vedetas vigiando se escapariam dos tentáculos dos polvos os náufragos jogados nas ondas das travessias perigosas. No porão, o excesso de peso das cargas clandestinas cindindo o casco da nau. No convés, a tripulação dos papa-governos iscando extorsões e pescando propinas. Rolaram mares vencidos no brado das tormentas, como se houvessem asas levantando voo debaixo do navio. Singravam na vida a servi-los. As riquezas vinham abundantes das abastanças no alheio e, engordados no indevido, iam buscar mais fortunas na nação escavada. O infinito era-lhes o limite do mundo que ia neles, como se as distâncias levantassem a saia do azul para recebe-los na rampa dos horizontes. Fãs de si mesmos. Os dias se acendiam neles e à noite as estrelas saiam para vê-los. Viviam sozinhos neles. Mas tinham uma companheira para todas as horas. A ganância. A mão direita dava, a mão esquerda tomava. Todavia, uma outra vadia era o maior ponto fraco deles. A vaidade. Plantavam doações, colhiam adulações. Falsos demais. Até rezavam! A julgar pelo que estão passando, a Vida se cansou deles. Ou então o Céu anda meio contrariado com eles na Terra. O Navio Brasil mareava calmo em águas mansas para eles e turbulentas para os outros. Súbito, o navio sacolejou-se desgovernado, como se uma força desnatural se amotinasse nos ares. Marés davam cambalhotas, como se as ondas se mordessem epilépticas. Nuvens golfavam chuvas riscadas de relâmpagos e bombardeadas de estalos de raios nas trovoadas. Tinha uma raiva qualquer se vingando satisfeita.

Amarrilho

das culpas arrebentadas Todos subiram ao convés para ver o que era aquilo! Os ventos esmurravam de todos os lados. Sem voz, olhos arregalados, ensopados, uns caindo sobre outros, desceram, deitaram-se debruços nos cômodos, alguns com as mãos cruzadas na nuca, como se temessem um peso suspenso sobre o pescoço, algo parecido com linchamento. Em muitos, o medo escorria nas braguilhas e rescendia nos traseiros. “Acho que entramos no meio de uma briga da natureza!” — gemeu um monólogo a esmo, seguido de suspiros uníssonos: “Ah... a nossa carga!”. A bordo e a estibordo, procelas batiam duro, como se fossem pedras de água querendo entrar. O navio, parado. Apenas gangorreava, como se estivesse sendo sacudido. De repente, rodopiou disparado, em pé colhido por um redemoinho. Uma maré-cheia raspou na cabine do timão com um cardume de tubarões nadando nela. O navio renivelou-se. Um tapa nas águas e uma pancada no casco. Esborrifou óleo do motor e muitos ficaram cheirando a petróleo, diversos até no hálito. O Navio Brasil, meio à deriva com a carga furtiva, deslocava-se empurrado pelo movimento das ondas montantes e, não raro, buscado pelas correntes marítimas, ora contrárias, ora favoráveis, mas a incerteza em todos os rumos. Às vezes, as calmarias. Às vezes, as borrascas. A tripulação, dividida em dois pânicos. Uns, ponderados e reflexivos. Outros, descontrolados e trêmulos. Soou o canto das lamentações mutantes nos ecos. “Estamos fodidos! Esse navio está perdido!” — vociferava a ala dos espavoridos. “Sejam destemidos! Unidos, não seremos vencidos!” — repicava o coro dos iludidos. As apreensões congestionaram o clima férvido nas cabeças e doído nos corações. Uns falavam verbosos, outros desdiziam rosnantes o que aqueles verberavam. O bate-boca orquestrou-se no colóquio dos resmungos trucados nos ressentimentos sufocados no travo das contrariedades. As emoções foguearam-se na ansiedade. Sopitou o senso. O destempero nos ânimos rompeu o equilíbrio das gentilezas no simulado das conveniências. E os diálogos viraram bofetões de insultos. — Você é empresário bem-sucedido como empreiteiro. Se perder esses carregamentos de riquezas abocanhadas, continuará faturan-

A ilustração poética da situação do Navio Brasil

do dinheiro a rodo nas obras superfaturadas. — E você é lobista afortunado no refino das negociatas. Não tem que pagar a folha de milhares de funcionários, manter reposição de estoques de matérias primas, comprar máquinas e reequipá-las, pagar impostos, ceder às extorsões para ganhar as licitações nos subornos para receber nos órgãos públicos as faturas das obras já inauguradas... — Epa... devagar comigo! Você ficou biliardário graças às minhas gestões ao sub-reptício e às custas da putredinosidade de nós dois. — Mas você fazia lobby em todas as empreitas para muitos empresários extorquidos, e operava com lucro líquido na sua parte tirada das propinas às autoridades. — Calem-se! Vocês não têm astúcia política? Olhem-se nas cabeças. Elas têm dois olhos e duas orelhas, que são para a gente olhar e enxergar, ouvir e escutar; e têm uma boca com uma língua, que é para a gente falar pouco, porque a língua tem a forma de cobra e morde os que falam demais. — Mas se não fosse a nossa lábia nos subornos, você não teria o caixa de campanha para comprar votos nas eleições — murmuraram acordes os dois para o líder político, que os ouviu e calou-se. Estavam amarrados nas culpas. O ambiente emudeceu. Apenas o rangido nas junções das paredes quebrava o silêncio das vozes engolidas. Cochilaram exaustos dos receios inquietantes. O Navio Brasil deu um solavanco estremecedor no susto dos nautas. Havia entrado no golfo das águas podres em alto mar. Dali para frente era o que viesse do incerto na amplidão dos destinos no mistério duvidoso.

As lonjuras frouxavam os olhos no vazio dos céus curvados às beiras do longínquo. No leme, os ventos. Na sede, as chuvas. Na fome, os peixes. Nas estrelas, a luz à noite. No sono, a insônia vela o larapiado no porão. No escondido, conferiam os mapas das ilhas fixadas na parede de um dos camarotes. Ninguém fiava num ou em outros e todos sabiam que nenhum podia confiar em algum deles. Esse atento naquele e aquele atento nesse, essa era a única garantia, sem qualquer descuido com alguém. A fadiga consumia-os na exaustão da vitalidade desperdiçada no maligno. Agora, maldizem o mundo no que está neles. Remanejam reclamações, à espera de um condão benfazejo no fado. Veio a sorte severa. Uma frota da Guarda Costeira atracou à bordo, à estibordo, à proa e à popa do Navio Brasil. Ocuparam a nau. Pânico nos passageiros com a abordagem às pressas, armas apontadas, o monitoramento da esquadra. Horror nos agentes com o fedor dos navegadores, diversos à esquiva das curiosidades, vários oferecidos às atenções, a maioria intrigada ante a ordem de que todos permanecessem no convés até ser concluída uma vistoria completa nas avarias. Houve uma inquietação geral quando se soube que uma comissão faria um levantamento minucioso nos camarotes e no porão para constar no relatório. As ventanias guinchavam o navio esbarrando nas guinadas da frota costeira em círculos, que se alinhou num cortejo seguindo atrás. A borrasca lá fora no mar revolto, a calmaria abanando cá dentro o calor, os navieiros descansavam sossegados no aguardo da reparação do maquinário e da emissão do relatório para zarparem.

Furor

As ilhas

nas águas, horror neles

dos laranjais milagrosos

O Navio Brasil flutuava trepidante nas águas enrugadas nos rumos indicados pelo bufar dos ventos, como se atado aos golpes das gôndolas contraditórias nas rotas sem porto no itinerário. A desolação forrava onde o olhar fosse. Restava a dádiva da esperança fugidia ou o agouro na vigia do naufrágio. O imponderável aninhava nos covardes o estímulo de preservarem-se a quaisquer custos. As adversidades desembarcaram suspeitas individualizadas no instinto de sobrevivência dos navegantes. No convés, a temerosidade encapelava na deslealdade na sinceridade deles no convívio dos camarotes e encrespava a desconfiança na fidelidade entre eles na vigília do porão.

Inopinado, um tumulto estabanou a tranquilidade em todos, como se um vendaval de aflições açoitasse dentro de cada um. O chefe da investigação reuniu-os e comunicou sisudo: — Informo aos cavalheiros que, infelizmente, são tantos os estragos que nem sei como o Navio Brasil não submergiu ainda. Os reparos serão de lentos a graduais. Primeiro, acionaremos as duchas da Esquadra Costeira para a operação de lavações à jato da sujeira encrustada no interior dessa nau...

— E depois? Podemos partir a salvo de imprevistos? — indagou um tripulante, interrompido, de pronto, por outro: — É perda de tempo lavar à jato o que irá sujando devagar novamente. E depois, já estamos acostumados com essa sujeira e a limparemos quando chegar ao nosso destino. O chefe da polícia costeira, como se não tivesse ouvido o segundo interpelante, ateve-se à inquirição do primeiro: — Depois, a demora do trabalho a ser feito dependerá da participação intensiva e franca dos cavalheiros. — Estamos a disposição. Conte conosco — ofereceram-se, prestativos, quase todos. — O porão está lotado de cofres. Todos com fotos de laranjas, de qualidades diferentes, coladas nas portas de todos eles. Umas, de pera rio. Várias, de seleta. Outras, de João Nunes. Diversas, da ilhoa. Tem foto de variedade de laranjas que não conheço. — O senhor ficou encabulado? — indagou, curioso, um passageiro. — Na hora, não. Eu tinha visto fixada na parede, de um dos camarotes, o mapa com rotas diferentes para muitas ilhas e pensei que fossem sementes para se plantar pomares nelas. E deduzi que as fotos das laranjas, de qualidades variadas, eram para definir o dono de cada lote dos cofres. Um nicho de alívio suavizou o mal-estar nas faces do convés. — Vai liberar-nos para prosseguir nossa viagem? — Ia. Mas surgiu um contratempo complicador. — No motor do navio? — quis saber outro tripulante. — Não. Nos cofres. Na equipe de agentes tem um especialista na técnica de desvendar segredos de cofre e conferiu o conteúdo para constar no relatório. Pesou apreensão no ar. Estampou-se a contrariedade nos ânimos. O comandante apressou-se, incisivo e sereno: — Os cofres estão abarrotados de dólar, real, euro, lira, marco alemão e suíço, libra esterlina, rublo, iene, xelim, peso, barras de ouro, caixas com diamantes e listas com nomes de políticos e de empresários em todos eles. Brusco, irrompeu um silêncio estupefato, desse de se ouvir respiração parada e de sentir nervos se estrangulando nas sensibilidades. Após aguardar quieto o bulício da mudez falando nas caras, o comandante perguntou quais eram, ali, os donos do mapa no camarote e dos cofres no porão. — Estamos pasmos! Nenhum de nós, aqui, tem conhecimento da existência desse mapa no camarote e desses cofres no porão — protestaram à sua só voz, veementes na indignação, os enturmados do navio. — Então deve haver traficantes infiltrados no meio dos cavalheiros! Esboçou-se um princípio de sedição. O comandante acalmou a exaltação altercada: — Abrandem-se. Eu também fiquei perplexo. Já tinha ouvido falar de exageros em quantidade de dinheiro. Mas nunca imaginei que houvesse um disparate desse. Suspeito que é dinheiro falso. — Será?! — exclamou, cismado, o mais gordo de uma roda atenta, sonorizado pelo vozerio repetindo no recinto: “Não pode ser!!! Esse dinheiro não é falso!” — Fiquem tranquilos. Não há motivo para ficarem tão apreensivos. Estão livres para viajar. Terão apenas que esperar os mecânicos reparar os motores do navio. Mas eles estão muito cansados. Irão dormir essa noite e virão de manhã trabalhar na sala de máquinas. — Mas não temos combustível. — Forneço o óleo, assinam um recibo e podem partir. Ao chegarem na primeira cidade, procurem o departamento de polícia no porto. Os cofres serão abertos. Será conferido se o dinheiro é falso e a sua origem. “Muito bem! Muito bem! É isso que faremos”, seguiram-se aplausos ao comandante da Guarda Costeira e abraços ao som de “Viva! Viva!”, entre os ilustres do navio.

CONTINUA


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GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

LUZ QUEBRADA — NAVIO BRASIL

O voo

das asas quebradas Os agentes tinham instalado nos porões, câmeras transmissoras para uma sala da nau principal da Esquadra Costeira. Dentro do navio, a animação varou as horas tardias, barulhenta nos brindes e silenciosa em providências bastante resguardadas. Adormeceram, esgotados, alta madrugada, entornados na ressaca do vinho e do champanhe às taças de cristal e cálices de ouro. Ao raiar turvo do dia, agentes entraram no navio a passos apalpados e levaram dois tripulantes ainda sonolentos e deixaram eles deitados numa cela. Acordaram ouvindo vozes. Era deles. Olharam um para o outro aturdidos. Ainda deitados, viram na parede um televisor transmitindo a gravação de ambos trocando, por outro, o mapa, das rotas das ilhas no camarote e mudando as fotos das laranjas em vários cofres no porão. Pondo listas com nomes de outras autoridades nos cofres maiores. Pegando pacotes de dinheiro e escondendo em duas lixeiras no mesmo corredor. Atordoaram-se de início. Depois combinaram dizer que estavam bêbados e não se lembravam de nada. “Não é melhor dizer que somos sonâmbulos?”,sugeriu um. O outro descartou: “Não vai pegar. Quando fomos aos camarotes diremos que estava tudo nos conformes, bebemos muito Chivas e já acordamos aqui”. Na sala de depoimento, o agente-mor perguntou se queriam assistir a gravação. — Não. Já vimos três vezes. — É outra. No televisor da cela tem uma câmera embutida. Viram. — Por que trocaram o mapa das ilhas? — Nas rotas do novo mapa não há ilhas. — E qual o motivo da mudança das fotos das laranjas nos cofres? — Coisa de uns donos dos cofres passando outros para trás. — Mas vocês dois roubaram pacotes de dólares. — Não roubamos. É a comissão que ganhamos para levar o dinheiro de uns cofres para outros. — Os nomes deles. — Não podemos dizer. Eles matam. — Se não derem os nomes, vou interrogar todos nos camarotes. — E se dermos os nomes? — Antes, respondam. Aquele dinheiro é falso? — É dinheiro bom. Das autoridades. Foi ganho no governo. — Quais autoridades? Conteram-se meditabundos. Olharam-se desconfiosos. O Agente-Mor persistiu na inquirição. Ponderaram: — São autoridades graúdas. Têm poder para tirá-los do cargo. Mandam nos que mandam no senhor. Há gente que obedece a eles até nessa Esquadra Costeira. “Será que existe um deles entre os que fizeram a instalação dessa escuta?”, passou a ser a pergunta a procura de resposta no íntimo do Agente-Mor. — Deem os nomes. Nos meneios das cabeças, o não. Abrir aquelas bocas havia ficado mais difícil que abrir aqueles cofres no porão. O interrogatório foi suspenso. Os dois voltaram para a cela, atentos ao televisor. Inopinado, entraram quatro cavalheiros no porão. Um deles ficou à porta, e os outros três no abre-e-fecha dos cofres. “Uai... então não era só nós!”,acabrunharam-se raivosos… Sentiram-se traídos e, possessos, xingaram os quatro pelos nomes. “Pegaram do nosso dinheiro para os cofres deles”, repetiam inconformados e ensandecidos. O medo cria fantasmas nos desesperados. O Agente-Mor chamou-lhes para uma conversa de soslaio. O silêncio esconde vozes nos segredos. Mas o mistério das confidências sempre se rasga nas concórdias conflitantes no decente. Autoridade confiar em bandido e bandido confiar em autoridade é um jogo em que o crime termina dando as cartas. O crime não compensa, a delação recompensa é consenso do imoral que mancha de venal o legal. Os criminosos traem os companheiros, e cria-se o crime oficializado.

As horas

do tempo que não vem A manhã seguinte trazia o dia ainda tisnado da noite. O velejar da aragem no ar tremulava o navio e ninava o sono no descanso dos camarotes. A barulhada dos mecânicos na sala das máquinas deterioradas nos abusos do uso, interrompeu os roncos dos comodoros. Espreguiçaram um pouco e subiram animados para o convés. Radiantes de si, rondaram na contemplação a soltura do espaço medido no além. Espalhadas a uma distância gostosa para o olhar, as naus da frota costeira sugeriam a imagem de um bando de nuvens brancas bebendo água. Os agentes se dividiam nos folguedos. Uns pareciam distraídos na pescaria. Outros aparentavam concentração nos bronzeamentos. Um punhado entregue aos nados no banho. As ondas se exibiam nas elações com aquela suavidade de bailarinas no Lago dos Cisnes, de Piotr Ilitch Tchaikovsky. As

Ilustração e montagem: o mastro do Navio Brasil, onde todos os departamentos do estão monitorados e sob vigilância permanente: nenhum ato ficará oculto

brisas espanavam o sufoco do calor a sol aberto. À beira da piscina, o Agente-Mor, de pé, explicava afável que, tão logo estivesse pronto o reparo dos motores, o navio estaria em condições para zarpar com segurança. A bordo, a mordomia luxava requintes da adega e nos refinos do chef no caviar beluga. No espelho das águas, cardumes de sardinhas saltavam alegres, como se saíssem para ver cá fora de onde vinha tanta beleza. Era a alegria de um mundo novo nascendo nos restos desse tempo. A vida é igual nela toda. As pessoas é que a diferenciam nelas em si. As autoridades dirigentes do Navio Brasil e as autoridades condutoras da Esquadra Costeira vivenciavam a mesma expectativa com perspectivas adversas. Aquelas queriam seguir a viagem levando os cofres na rota da clandestinidade. Essas queriam seguir a viagem levando os donos dos cofres presos na rota da legalidade. As águas que salvaram os hebreus, de Moisés, afogaram os egípcios, de Ramsés II, no Mar Vermelho. Os destinos têm desvios que causam capotamentos perigosos como as derrapadas nas curvas das estradas nos contornos íngremes de montanhas em dias chuvosos. Os anseios navegavam colidentes nas preocupações com os reparos na sala de máquinas. No Navio, o motivo da tensão dos comodoros era que o Agente-Mor acelerasse os consertos, para viajarem e desembarcarem os cofres nas ilhas. Na frota costeira, o objetivo da apreensão do Agente-Mor era o de retardar os serviços até concluir a investigação e embarcar os comodoros nas celas. A fadiga estava estafante na sagacidade

dos mecânicos embromeiros ante a esperteza vigilante na cisma dos tripulantes olheiros. O rodeio vicioso da desconfiança à espreita começou a inibir o ambiente. No navio, os cavalheiros dos camarotes intercalavam-se remanejadores de quantias nos cofres diuturnamente. Na cabine da nau costeira, a gentes revezavam-se nas gravações em todos os turnos. Correram meses nas embarcações paradas na equidistância dos ânimos. Suspeitas pairavam palpáveis no sensitivo. A irritação expunha-se na cordialidade fidalga dos cavalheiros. Estavam ressabiados com a tardança dos reparos na sala de máquinas. As conversas reticentes pelos cantos entre alguns deles. A quietude de certas idas isoladas ao porão. A ligeireza prestativa de um garçom e as gorjetas excessivas de cinco camarotes. Tinha algo de suspeito nas confianças do navio. Até as gentilezas já irritavam as calmas.

O doce

gosto da amargura O Agente-Mor pressentiu o entornamento dos nervosismos. Compareceu solícito ao navio. Notou os ânimos engasgados. Simulou tropeçar num degrau e cambaleou segurando-se na quina da parede. Sorrisos contidos congestionaram os semblantes. Não teve dúvida. O ambiente era insólito. Surpreendeu-os com o que eles queriam ouvir: — Vim trazer uma boa notícia. Em dois dias,

os motores estarão prontos e poderão partir. “Oba! Oba!”. Obas ensurdeceram o convés com obas vindo de todas as partes do Navio Brasil. No embalo do oba-oba, a surpresa de um convite honroso: — Para comemorar esse momento inesquecível para todos nós, convido os distintos cavalheiros para um jantar amanhã no salão nobre da nau principal da Esquadra Costeira, às oito da noite. “Iremos todos. Trajados a rigor”., ritmou as louvações agradecidas, um político ilustre do camarote com o mapa. Pontuais, foram em um cortejo de naus e chegaram recebidos ao som do Hino Nacional, letra de Duque-Estrada, música atribuída a dom Pedro I, cantado por marujos-agentes empertigados e solenes. Os homenageados aplaudiram de pé e embevecidos. Após as loas de praxe, sentaram-se triunfosos. Fastiaram-se às mesas e nos rega-bofes dos elogios. Comemoraram envoltos na auréola da vaidade saciedade, por enquanto. Já elevados no uísque, no vinho e no champanhe, passaram a passear nas línguas pelas ilhas e por suas intimidades no governo. O Agente-Mor levantou-se discretamente. Foi para uma mesa na cabeceira do salão. Aprumou-se cerimonioso. Deu um sorriso formal. Pediu um momento de atenção. E falou com uma voz baritonal e compassada: — Olhem para aquele televisor no alto da parede às minhas costas. Assistirão três filmes que jamais irão esquecê-los. O primeiro é mais curto. O segundo é longo. O terceiro despertará maior atenção, pelas cenas de suspense, dramáticas, cômicas, nunca vistas em outros filmes. Ato contínuo, os marujos-agentes do cortejo entraram, juntaram-se aos que guarneceram o jantar, e reuniram-se perfilados ao fundo do salão. “Os filmes devem ser bons mesmos. A marujada veio toda assistir com a gente”, admirou-se um dos jantados. “Estão armados e em posição de sentido, estranhou uma personalidade abstêmia. “Estão em posição de sentido, porque somos autoridades. E estão armados para dar uma salva de tiros ao sairmos”, regozijou-se um inebriado ao lado.

A estampa

escondida nas fisionomias O Hino à Independência, de Evaristo da Veiga, ao som de violino com música de fundo, as cenas de abertura focalizavam a montagem na madrugada de um sistema sofisticado de gravação no Navio Brasil, com transmissão, sem fio, para a central instalada no gabinete do Agente-Mor. “O que é isso?!”,a engenhosidade do artefato intrigou um dos reverenciados, que cutucou o comparsa: “Isso é coisa de segurança preventiva. Temem imprevistos, como incêndio, sabotagem. É bom para nós. Já pensou um fogo no porão!”, ponderou. “Nem pensar! Vira essa boca p’ra lá. Nossos milhões virariam cinzas”, aquietou-se. A atenção dos cortejados estava lanças no olhar concentrado no vídeo. O Agente-Mor mantinha os ouvidos sintonizados nas reações deles. Os comentários esparsos não o incomodavam, pois refletiam precipitações das minorias e sugeriam as justificativas plausíveis. O que lhe preocupava era o incógnito no silêncio atento da maioria, que percebe a urdição das tramoias e não demonstra prematuramente o que decifrou. A estampa do salão lembrava a de um plenário congestionado na plateia angustiada e composta de todos os portes nos três poderes da República. Um maribondo não voaria desapercebido ali. A exibição do complexo e amplo sistema de escuta exigia um esclarecimento do Agente-Mor: — É natural que possam haver ficado curiosos com a modernidade e as intenções da instalação sigilosa do esquema de filmagem em pontos estratégicos no Navio Brasil. Merecem uma explicação. Navegam avariados há vários meses, batidos em oceanos revoltos pelas tempestades e perdidos nas rotas. Os satélites registraram tudo. Os órgãos de segurança, nacionais e internacionais, codificaram as imagens e atuaram secretamente, para evitar estremecimento emocional na opinião pública. Mas, lamentavelmente, as cenas vazaram ao povo. O silêncio pesava geral. O Agente-Mor deu uma olhada para o pelotão dos marujos-agentes e prosseguiu: — Hão de convir que são autoridades rele-

Evaristo da Veiga. Poeta, jornalista, político e livreiro brasileiro, autor da letra do Hino à Independência. Música foi composta por Dom Pedro I, em 1822 CONTINUA


LUZ QUEBRADA — NAVIO BRASIL vantes nos escalões do poder, políticos influentes no governo e nas oposições, com lideranças em todos os partidos. Uma voz discordou na assistência circunspecta: “Eu não sou político. Sou empresário”, reforçada por outra: “Eu também”, entoada por uma terceira ainda mais determinada: “Nem eu nunca fui político. Só empresário, sempre”. Bochichos e cochichos ensaiaram um coloquial de reticências. O Agente-Mor tentou descongestionar as susceptibilidades: — Todos são, pois, de importância marcante na história do País. É evidente, portanto, que eu me sentisse responsável pela segurança dos senhores e temeroso com a possibilidade de ocorrer um eventual desastre que os afetasse. Não podia correr nenhum risco. Por isso, instalou-se em sigilo esse perfeito complexo de segurança. Em sigilo, para não alarmá-los, e perfeito, para não haver falhas. Mas, sobretudo, com autorização da Justiça, para evitar questionamentos quanto à veracidade do que viesse a acontecer. Os fatos e as provas ficam documentos e, entre as dúvidas e as certezas, chega-se à verdade. É uma questão de tempo. Só o que é verdadeiro permanece nas eras da posteridade, onde estão Sócrates, na sabedoria, Miguelângelo na escultura, Beethoven na música, Shakespeare na literatura, Galileu Galilei na física, Chico Xavier na mediunidade, Dom Bosco na profecia, C.G. Jung no inconsciente coletivo, Ruy Barbosa na inteligência política, Gandhi na paz, São Francisco na humildade, Cícero no orador, Cristo na Luz.

Os filmes

assistidos pelos intérpretes A clava do mal-estar nos semblantes era a de elos rompidos no interior das alianças. Antes de autorizar a projeção do primeiro filme, o Agente-Mor franqueou um prazo para as eminências irem aos banheiros verter o uísque, o champanhe, o vinho e outras evacuações digestivas. Foi um alívio. Houve os mais apressados. Teve a roda dos folgados habituais nos eventos. O inesperado nunca avisa. Súbito, a nau balançou forte. Sequer a chance de espanto. Chusmas caíram, segurando-se nas beiras das mesas, as bebidas entornando-se e as guloseimas despejando-se sobre eles melecados. A nave gangorreou a solavancos. Um estilista inveterado, ereto, o braço direito retesado com a taça de champanhe saudando nada, brindava não sabia o quê, rodopiou, o champanhe formou um anel no ar e se despedaçou na cara de um abstêmio, desses compenetrados, ele gostou do sabor do Veuve Clicquot, e parou de ser um chato. A tempestade rugia nos tufões, como se os ventos brigassem dentro delas. As ondas se contorciam nas procelas, como se mordidas no fundo das águas. Não se fez sono nos tormentos da nau, enquanto o mar não foi dormir. A calma voltou cansada das rondas ao desespero vigilante no nervosismo dos soberanos amedrontados. O Agente-Mor providenciou aposentos para todos. Acordaram a sol alto. O salão nobre, aromático e palatável no farto breakfast. Foram chegando aos poucos. Uma leva cuidou de rebater a ressaca com doses extras. A parcela gourmet não se conteve no repasse dos talheres. Refastelaram-se a contento. O Agente-Mor percebeu a ansiedade fustigante nos âmagos e adiantou-se: — Compreendo que estejam ansiosos para retornar ao Navio Brasil e viajar imediatamente. O vendaval deixou-me preocupado. Mandei duas equipes técnicas ao navio. Uma para checar a sala de máquinas. A outra para fazer uma vistoria geral. — Vistoria geral onde? — atalhou, meio se engasgando com um foie gras, um ex-presidente, obviamente apreensivo com o porão. — Tranquilize-se. Na sala de máquinas. Será concluída no fim da tarde. O transtorno da intempérie, apesar das atribulações, teve o aspecto compensador. Permitiu-me a oportunidade de projetar os filmes. Ficarão inteiramente absorvidos, de uma maneira tão especial, que não perceberão o tempo passar. — Tem bacanais? — boceja entediado um deputado federal espalhafatoso no exibicionismo e cunha com sua inconveniência a expectativa do recinto. — De certa forma, têm bacanais. Excitantes. Mas restritos a clientelas seletas.

Eram

bruxas as sereias

Galileu Galilei é pai da ciência moderna e foi o precursor científico da teoria heliocêntrica, que precisou ser “adiada” pelo gênio

A tela panorâmica abriu com a imagem do Sol saindo longe, foi subindo ao som de um vento farfalhante e sumiu atrás de uma nuvem solitária no azul do céu amanhecendo. Suavemente, o tom do vento ia sonorizando-se de El Cóndor Pasa, de Daniel Alomía Robles, enquanto a nuvem transforma-se no pássaro voando majestoso e liberto, como se o espaço soltasse as distâncias em suas asas. O condor planou belo na elegância infinita dos horizontes pousados nas lonjuras. Surge o baque de um impacto. Fez-se um instante de silêncio absoluto. Um piado longo e estridente criou o encanto no canto, como se fosse ouvido cores na música e visto música nas cores e, de repente, o condor desapareceu transformando-se numa espiral de luzes com muitos matizes. Ouve-se um impacto. Faz um instante de silêncio absoluto. Um piado longo e estridente trazia aquela tristeza das despedidas e criava um encanto no canto, como se ouvisse cores na música e visse música nas cores, as penas formaram letras escrevendo o nome do filme: Eram Bruxas as Sereias. Logo, nas cenas de abertura, já começaram os repuxos de contrariedade no salão nobre. Um ex-ministro e um empresário chegaram ao porão, com copos de uísque. Pararam à porta. Olhara para os lados. Tomaram uma dose. Olharam de novo. Destrancaram o cadeado e entraram, os dois sorrindo, como se rissem de algum companheiro deles. Tiraram as listras de vários cofres e puseram outras. Trocaram o dinheiro de muitos para alguns. Mudaram as fotos das laranjas de um ex-governador pelas de dois senadores. Pegaram pacotes de dólares, sentaram-se de frente dos cofres e ficaram ali, felizardos, comentando o que sabiam dos arranjos políticos e das barganhas do poder em muitos governos. Depois levantaram se escorando em ambos e... “Parem! Parem! Parem esse filme!” — o brado alvoroçou o tumulto no salão congestionado nas erupções de iras esbravejando, vociferadas: “Foram elas dois que fizeram esse filme. Por isso é que se afastaram da gente. Traidores! Vamos atrás deles!” — incitou. A imagem dos cofres abertos fechou o controle dos ódios furiosos. O presidente de uma estatal amotinou geral: “Vamos assumir o comando dessa esquadra!”. Era o fósforo que faltava ao estopim. “É agora!” — repetiram todos. E caminharam, derrubando as mesas, chutando cadeiras, no rumo do Agente-Mor. O pelotão manobrou as armas em posição de mira. Pararam. O Tenente comandante ordenou, ríspido: — Fiquem de mãos cruzadas na nuca. E determinou a três marujos que dessem busca em todos. Embora as baterias estivessem descarregadas, recolheram os celulares. O tenente explicou que seriam devolvidos após serem copiadas as agendas, e avisou: — Considerem-se detidos. Voltem às mesas. Bebida alcoólica está proibida. Serão servidos café e água. Aguardem as próximas ordens. Eram Bruxas as Sereias não havia sido interrompido. O Agente-Mor falou formal: — O filme continuou passando na tela. Os senhores não assistiram uma parte bastante interessante. Necessariamente, irão vê-la diversas vezes em várias ocasiões. O filme está nas cenas finais. Suscitarão comentários inevitáveis entre os senhores. Sintam-se à vontade. Podem comentar. Olharam para a tela. Um ex-ministro e um empresário saiam do interrogatório abatidos. Aquele, dizendo: “São os nomes deles”.Esse, acrescentando: “As listas com os nomes estão nos cofres do porão”. Algemados, foram escoltados andando por um corredor, entraram numa sala. A grade fechou. A música aguçou-se e, crescendo no vídeo, o corvo indo embora na imensidão, com alguma coisa presa aos pés.

Joaquín Rodrigo, compositor, pianista e violonista virtuoso espanhol. Apesar de cego, desde a mais tenra idade, ele atingiu sucesso e reconhecimento

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

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Psicanalista que amplificou e extrapolou o conhecimento da Psicologia, Jung legou ao mundo a profundidade do inconsciente humano

O ambiente no salão nobre desfigurou-se nos semblantes. Em umas faces, o silêncio pensativo. Em alguns rotos, a apreensão compenetrada. Na maioria das caras, a indiferença simulada. “A quais nomes, eles se referiam?” — angustiava-se um banqueiro. “Isso é lá com a turma do PT” — desconversou um ex-presidente da Valec. Um marqueteiro ao lado ouviu e trucou: “Por que não, a turma do PMDB?”. Um governador sentado à frente, virou-se para trás, conclusivo: “E por que não o DEM, o PTB, o PSOL?...”, e calou-se ao ouvir de um senador alagoano: “E por que não, o PSDB?”, que aconselhou: “Será melhor para todo mundo, se todos ficarmos calados”. Prudência tardia. Às mesas do fundo, dois se engalfinharam aos sopapos e aos ralhos: “Foi você!”. “Mas foi você quem mandou!”. Um grupo, depressa, tapou com a mão a boca dos dois. Espernearam. Gungunaram. Um empreiteiro segredou a mesma palavra no ouvido de ambos. Sentaram-se quietinhos. Um ministro ficou de pé e solicitou: — Os ânimos estão exaltados. Seria providencial a liberação de bebidas. Acalmaria os nervos. O Agente-Mor avaliou, calado, por um momento. Deve haver chegado a uma conclusão fundamental para descontrair o superego e liberar as instâncias instintivas: — Libero uma dose, de hora em hora, para todos, da bebida preferida por um dos senhores. Os aplausos expressaram a satisfação exterior das autoridades no salão e satisfizeram no íntimo a intenção do propósito da concessão. Um burocrata do Previ não se conteve e propôs um brinde ao Agente-Mor, que, lá de sua mesa, retribuiu a gentileza, tomando uma dose de guaraná, degustando como se fosse uísque, enquanto atinava, em pensamento, a delonga na esticagem do prazo para autorizar a rodar o próximo filme. A meditação intuía-o: “Tudo que é feito com pressa, aligeira-se nos equívocos”.

A ida dos caídos em si

O etnomusicista peruano Daniel Alomía Robles, também compositor e musicólogo, criou a famosa música El Cóndor Pasa

Cantor, compositor e produtor musical brasileiro, Alcino Alves de Freitas, o Sampaio, da velha dupla caipira Teodoro & Sampaio

No borborismo do salão ressoava uma discreta balbúrdia no velado das trocas de confidência. Muitas coisas doíam no ar. Passou uma hora e veio a tempo nova rodada da adega. O Concerto de Aranjuez, de Joaquín Rodrigo, foi às almas. Olharam para a tela. Um bando de andorinhas forasteiras despontava no crepúsculo recolhendo o Sol no ocaso róseo. Revoaram nos ampliados da imensidade. Sumiram no côncavo do oceano. Reapareceram barulhentas no murmurar da afluência das correntes de ar. Voaram na tolda estendida do dia claro. E planaram para a manhã levantando o Sol na alvorada se ascendendo nos horizontes. O som do Concerto de Aranjuez pousou lentamente no último acorde e já subiu na melodia de As Andorinhas Voltaram, de Alcino Alves. Os líderes políticos e os empresariais aclamaram frenéticos e arrebatados. Uma porção deles até cantando o modão. Foram tocados no existencial da formação cultural predominante na falta de livros nas cabeças. Era o prelúdio do segundo filme. Parada Dura, a Pancada do Sofrimento, escrito numa lasca de pedra bruta vagando pairada no ar sobre cabeças de caveiras. Caiu sobre elas e enterrou todas.

Condor peruano é uma das aves que mais voam alto nos céus: inspiração para artista CONTINUA


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E fez aquele silêncio calmo dos túmulos abandonados. Abrupto, o baque na abertura da 5ª Sinfonia de Beethoven, surpreende e interrompe-se. O cenário escancara na tela o ex-ministro e o empresário na cela. Estão escrevendo com letras garrafais os nomes dos autores das extorsões e dos destinatários das propinas. A longa lista é projetada inteira no vídeo durante uns minutos. É muito comprida. Reaparece aumentada nas letras para fácil leitura e vai subindo vagarosamente com os montantes dos subornos e dos beneficiários discriminados. Além de tantos outros, os nomes de todos no salão constavam, rigorosamente sublinhados, na lista. Espavento pásmico. Mundos caiam dentro de cada um deles. O conjunto dos telespectadores esmiuçou-se nas indignações se cruzando nas raivas dentre os olhares. Um dos ex-ministros dos Transportes pleiteou: — Voltem o filme até à lista. Preciso ter certeza de algo. Quando chegou em um trecho, pediu para parar. Anotou os numerários e um nome. Olhou fixo para um ex-dirigente da Valec e fez um gesto com a mão que precisavam conversar. O cara sofreu um ataque cardíaco e não se falou mais nisso. A cada diálogo dos dois encarcerados no filme, reduzia-se a elegância de cavalheiros à dureza de cavaleiros e afloravam-se donzelas em machões. Ao ver e ouvir seu nome como o afanador de um peculato de um ex-governador de São Paulo, ali sentado a seu lado, olhou para um ex-governador do Centro-Oeste, que se desgrenhou em histeria chorona, as lágrimas escorrendo remelentas dos olhos e a catarreiras descendo viscosa no nariz, estornou a cara no pescoço do outro e ficou sussurrando: “Perdoe-me... perdoe-me... perdoe-me..”.. Surgiram murmúrios maliciosos e olhares zombeteiros. O lambuzado pelo chorão embrabeceu-se com rudeza e fulo de constrangimento. O ex da pauliceia deu um safanão no ex dos cerrados, talvez mais enfezado pela perda da propina que pelo aconchego ganho, e gritou grosso: “Você é homem com cara de mulher puta”. O salão nobre da esquadra dava a semelhança do conclave de uma aliança política suprapartidária, com membros de todas as bancadas do Congresso Nacional, personalidades de todos os escalões do governo, representantes de cada Estado e os maiores expoentes do mercado econômico, dentro e fora do País, com influência nas decisões da iniciativa privada e nos empreendimentos oficiais. Mede-se o Navio Brasil nas algibeiras dos empresários e nos bolsos dos políticos. Os privilégios e os lucros ficam para o desfrute dos ricos. As despesas e os prejuízos vão à conta dos pobres. O egoísmo menospreza o altruísmo e fermenta entre as opulências e as carências a doutrina onde rezam as revoluções. Se não melhorar a cabeça dos ricos, não melhora o coração dos pobres.

As ceias

e as celas no poder O Parada Dura, a Pancada do Sofrimento fez uma pausa na tela para as personalidades darem a terceira navegada no uísque, no vinho e no champanhe. As próximas seriam cenas custosas para eles assisti-las. Abordam lances em que as indecorosidades são infindáveis no caráter quando é infinita a falta de conhecimento na pessoa. O Agente-Mor chama a atenção de todos e avisa que o filme vai começar. O ex-ministro e o empresário saem escoltados da cela e são conduzidos algemados para a sala de depoimento, uniformizados de detentos. O empresário enumera as extorsões sofridas, detalha as quantias e nomina os achacadores. O ex-ministro ratifica o valor das importâncias, confirma relação dos extorquidores, relaciona os nomes dos recebedores de propinas, especifica os percentuais das comissões cobradas pelos lobistas e entrega a lista dos laranjas. Um deputado federal do Nordeste desmaiou.

LUZ QUEBRADA — NAVIO BRASIL

Outro avisou que ia suicidar-se. As emoções ardiam no nervosismo. O senador de um dos estados do Norte concitou, esmurrando o ar com as mãos: — Dei um agrado para um dos carcereiros. Ele me contou onde é a cela que estão o ex-ministro e o empresário. Vamos lá. Agora! Jogaremos os dois traidores no mar! O salão mexeu sublevado. As armas movimentaram-se nas manobras. O Agente-Mor, carrancudo: — Se cometerem outra insubordinação, serão presos e mantidos incomunicáveis em celas diferentes nas naus. Estão suspensas as bebidas. O filme recomeçará no ponto em que parou. Sentem-se e se mantenham ordeiros. Podem comentar as cenas entre os senhores. Mas sejam prudentes e cautelosos. Há passagens intrigantes e constrangedoras. Segredos, comprometedores, vexatórios, incriminadores e que ficarão a descoberto e explícitos no inconveniente. O frio respirou nos fôlegos. Fisionomias congestionaram-se na tez. Há intimismos no confidencial que nem aos segredos se confessam. — As indiscrições penetram no libidinoso? — Não se segurou na curiosidade um dos ex-governadores de Brasília. — Na estreia de Eram Bruxas as Sereias, indagou um deputado afoito se tinham bacanais. Respondi que sim. E ressalvei que eram restritos a clientelas especiais. — Indecorosas? — Afligiu-se o ex-governador e ex-candango. — Existe bacanal que não seja indecente? Mas não se afobe. O ex-ministro e o empresário tiveram o decoro de preservar os nomes das concubinas. Afinal, só tem gente bacana nas esbórnias dos dinheiros no poder. Assistam-se no filme. — Por que falou assistam-se no filme, e não assistam o filme? — Questionou um senador e ministro. — Nos atos finais de Parada Dura, a Pancada do Sofrimento, todos ficarão tensos no emocional. Embora os senhores sejam o elenco, verão o melodrama da tragédia e da comédia no mesmo drama. Os coadjuvantes mudam a trama do enredo e superam o desempenhado dos intérpretes dos papéis principais ao desenrolar da história.

A verdade

escorria as mentiras O foco de luz projetou a imagem na tela do televisor, e as cenas jogaram fogo na perturbação dos teventes. Os dois mapas do camarote, o rasura e o original, estavam abertos sobre a mesa na sala de depoimento. O Agente-Mor acompanhava o interrogatório. O ex-ministro identifica os donos de cada laranjal nas ilhas. O empresário especificava os ministros que desviavam os carregamentos de laranjas dos deputados e senadores

de seu partido nas colheitas dos caixas de campanhas eleitorais. O empresário olhou para o Agente-Mor e chamou o ex-ministro: “Vamos agora aos cofres no porão, que...” O salão roubou o suspense. Safanões ilustres e palavrões desconceituados se revidaram aos tapas e coices, acalmados pela intermediação das armas apontadas para os distintos cavalheiros. O Agente-Mor intercedeu, irritado: — Ou se comportem, ou passarão a trajar algemas e tornozeleiras. Rósea na face constrangida, uma ex-governadora emaranhou-se no costume de fazer e dizer o que quer: — No exercício do poder, a pessoa é obrigada a cumprir a palavra empenhada. O senhor prometeu-nos que poderíamos manifestar nossos pensamentos e sentimentos. “Muito bem! Muito bem! Muito bem!” — Ouviu-se um coral, que teve de escutar: — Podem e devem fazer comentários entre os senhores e as senhoras sobre as recíprocas cometidas por tantos, vantajosas para alguns e onerosas para muitos dentre si. Mas se expressem com o recato da elegância e a disciplina da responsabilidade. Pois a conduta impoluta e sincera é que se espera de toda autoridade. Nem se descesse da tela uma alcateia de onças urrando e saltassem famintas para a plateia, o espanto causaria o pânico provocado pela imagem estampada no vídeo dos cofres no porão do Navio Brasil. A verdade escorria mentiras. Nas portas, as fotos das laranjas. Os corres sendo abertos um a um. No piso, o dinheiro se amontoando. O ex-ministro separava as listas e o empresário lia os nomes. Em uma das mesas levadas dos camarotes, o Agente-Mor anotava o dono de cada fardo de dinheiro, e uma porção de marujos-agentes colocava em sacos separados. Vezes por outras, as listas apareciam na tela. De repente, focalizava grades em diversos camarotes. Abrupto, surgiam os motores desmontados na sala de máquinas. Em muitas ocasiões, o ex-ministro e o empresário informavam ao Agente-Mor sobre os volumes que pertenciam a muitos donos além dos nomes constantes neles. O Agente-Mor destacou uma equipe para registrar tais ocorrências caso a caso. O ex-ministro era perguntado e respondia. — E esses dois ex-tesoureiros de um partido? — Eles recolhiam as importâncias de milhões nas estatais, nos bancos oficiais, nas fundações e distribuíam-nas para governadores e ex-governadores, para ministros e ex-ministros, deputados e senadores de todas as bancadas, para presidentes e ex-presidentes. O Agente-Mor inquiriu: — Dê os nomes. O ex-ministro deu. O chefe da equipe prosseguiu: — Em todas as listas constam os nomes das lideranças apartidárias que atuaram e com influência em todos os governos...

O empresário se ofereceu para explicitar: — São lobistas. Atuam junto às empreiteiras nas licitações e nos escalões dos três poderes. Ajeitam as negociações entre os participantes nas concorrências públicas. Agilizam os recebimentos das obras. Tiram um percentual para eles e distribuem a parte dividida nos órgãos ou para os políticos que nomearam seus dirigentes. — E qual é esse percentual? — Varia de 10% a 50%. E, às vezes, chega a 100% nas obras superfaturadas. — E por que existem sempre tantas obras inacabadas? — Elas geram contratos aditivos nos preços. O Agente-Mor interrompeu taxativo: — Fale os nomes das pessoas e dos órgãos públicos e estatais. O empresário falou todos.

A caridade

comprada na bondade vendida Entre os agentes havia um que apenas anotava tudo calado e pensativo. Parou. Ficou com aquele jeito indagativo da pessoa que traz em si uma pergunta cobrando resposta há muitos anos. E pediu um esclarecimento: — Tenho dúvida sobre o que há de verdadeiro na política social instituída pelos governos. O empresário foi lacônico. — Há muitas implicações. O chefe dos marujos-agentes perquiriu energético: — A resposta foi reticente e não satisfaz. Elucide a questão. — As negociatas são as natas nos negócios dos governos. Na política social, a sociedade moderna aufere ganhos políticos e empresariais ao fomentar as gerações dos coitadinhos. Muita gente fatura alto em todos os programas beneficentes. Nos do tipo Casa Própria, lucram nas desapropriações das áreas, nas construções das moradias e na seleção das famílias atendidas. Nos planos da Cesta Básica, ganham nas compras dos alimentos e se beneficiam na escolha dos carentes e na entrega das sacolas. OS grandes faturamentos são embutidos em outros recebimentos. ONGs faturam. Estabelecimentos de ensino ganham com as bolsas de estudo. Até igrejas pecam nas notas fiscais adulteradas para maior nas doações anga-

CONTINUA


LUZ QUEBRADA — NAVIO BRASIL

Todos por

O pesadelo dos

nenhum em ninguém

As saias

levantadas dos Poderes Vaias assoviaram com a estridência de uças e foram se emudecendo na medida em que viam celas com ministro e governador, presidente do Senado e da câmara Federal, empresários e banqueiros, tesoureiros de partidos e marqueteiros, ex-governadora e senadores, presidentes de estatais e titulares de órgãos públicos, magistrados e ex-presidentes da República, uns anelados com algemas, outros peados com tornozeleiras. Os caravaneiros e os caroneiros do Navio Brasil assistiam parados nos olhos e, ao findar desse bloco, entrou contínuo o cênico das celas com as imagens impressas dos depoimentos e ilustradas com as vozes das celebridades republicanas dizendo os nomes, as datas, os locais e as metodologias operacionais dos líderes da direita e da esquerda na corrupção em todos os escalões dos Três Poderes da Pátria amada.

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Agente-Mor percebeu o esmorecimento nas feições esvaídas, e não perdeu a chance de conceder uma benemerência astuciosa: — A exaustão da fadiga nos desejos e no gozo dos lucros transparecem no estresse dos cavalheiros. Merecem o regalo de algumas horas para se descontraírem. Degustem os drinks e saboreiem o menu, ao gosto do deleite dos papos animados. O uísque, o vinho e o champanhe provocaram reações adversas no enlace das concórdias desconfraternizadas. Uns pareciam morder alguma coisa que não estava no cardápio do prato. Uns aparentavam engolir em jejum no apetite de outra fome que os mastigava por dentro. Os nervos retesados eram cordas se esticando nos pescoços em outros. As tertúlias peculiares no confronto das tonteiras cumprir-se-iam nas ressacas da ebriez no poder.

riadas. O dinheiro público é a renda de muita gente bondosa nos mercados da caridade. Em todas as atividades na vida pública, a política tornou-se um empreendimento mais rentável do que em quaisquer dos ramos das profissões mais lucrativas. O Agente-Mor ficou perplexo: — Tem condições de nominar a relação das autoridades que embarcaram no Navio Brasil e que estão assistindo o filme, os enriquecidos em seus labores privados com os seus afazeres laboriosos na vida pública? O empresário forneceu o rol completo, inclusive o seu e o dono ex-ministro. Pegaram os sacos com o dinheiro dentro, as fotos das laranjas e as listas com os nomes coladas do lado de fora, colocaram dentro dos cofres. E encerram a Operação Laranjal.

A ansiedade esticada nos nervos encolhidos, a reputação murcha nas autoridades enjauladas na expectação deprimente no medo ambulante nas covardias e fixo nos remorsos. Até o silêncio fazia barulho no salão da Esquadra. O imponderável pairava no tenso como se um perigo espiasse o ambiente. O cenário dos cofres no porão do Navio Brasil foi terremotal como se houvesse um estrondo de um trovão caído ao chão. O alvoroço na calma tremente buliu na casca das aparências formais como o ouriçar assanhado de uma caixa de marimbondos sacudida do lado de fora. As ameaçadas são ferroadas. Mas a dor aflitiva não é a que cicatriza na ferida que sangra. A dor mortificante é que dilacera na chaga da decepção. Nos naufrágios em águas vastas, o caráter das pessoas vem à tona na disputa pelo único bote da salvação. Inimigos saem de dentro de amigos. O clima na temperatura das cismas era o da sensação de que vinha uma aparição monstruosa andando a passos fofos no assolhado do corredor longo e escuro de um casarão abandonado. Vultos esquecidos no passado de cada um vieram busca-los na consciência de todos eles. Só o que é verdadeiro permanece no acerto final das contas abertas com a vida. Quando a confiança é medida na esperança dos lucros, a deslealdade é avaliada na desilusão dos prejuízos. Esse é o saldo devedor a ser quitado no legado dos que avalizaram o lema: todos por todos em tudo e ninguém por nenhum em nada no todo. Parada Dura, a Pancada do Sofrimento interrompeu-se na tela. As cenas continuaram reprisadas na cabeças dos protagonistas com interpretações em todos os papéis do enredo. O Agente-Mor franqueou uma folga para que lanchassem e conferissem duas dúvidas nas trocas de informações nas conversas e serviu um lanche. Não quiseram comer. O panorama no salão era o de um velório à espera dos mortos em uma tragédia que atingira parentes, amigos, sócios e vizinhos nas famílias dos que se constrangiam ali. Igual no aguardo de situações fúnebres, formara-se rodas esparsas arrumando assuntos. Contavam piadas, comentavam vida alheia e se revezavam nas pessoas, conforme as questões específicas e reservavam-se a interesses distintos entre os presentes. O detalhe intrigante é que esse era um velório sem pêsames. Não havia passamentos. Os ausentes estavam vivos nas celas, aos muitos. Como os do salão eram às centenas, não notaram a falta das dezenas deles. E ainda que os ausentes estivessem presentes, não seriam percebidos, porque cada uma via somente a si próprio em todos. A prosa rolava animada no salão entre os revides desaforados nos diálogos descuidados. O Agente-Mor levantou-se à mesa, raspou a voz num pigarro e asseverou: — Interrompi a projeção do filme para propiciar, no intervalo, a oportunidade de conversarem abertamente. Palestraram francamente sobre os episódios embaraçosos que lhes dizem respeito e que pareceram intrigantes a muitos dos senhores. Assistam agora a parte final de Parada Dura, a Pancada do Sofrimento. O início reprisava a cena do ex-ministro e do empresário depondo.

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fantasmas vivos

Estupefatos, os papa-poder detinham-se silenciados no atarantado. Repentinamente, apareceu na tela um corredor comprido, trazendo lentamente grades de celas frente a frente nas paredes e focalizando, dentro de todas, as celebridades encarceradas. Prefeitos em umas e vereadores em outras. Promotores em diversas e juízes em várias. Muitas lotadas e dirigentes de sindicatos e algumas de diretores de entidades patronais. Uma porção superlotada de chefões das religiões e numerosas entulhadas de advogados, médicos, engenheiros, ecologias, jornalistas e, subitamente, ao final do corredor, surge uma cela ampla e cheia de linhas e chiquérrimas amantes papeando sobre os segredos e bisbilhotando as confidências dos romances ardorosos com autoridades casadas, ou anômalas eróticas, e até as sadomasoquistas. As indiscrições alcoviteiras expunham luxúrias das intimidades devassas à altura das lubricidades de telenovelas da Globo. O choque no salão foi o de privacidades arregaçadas no impropério dos aconchegos libidinosos, como se uma tempestade nascera nas respirações, onde ouvidos e olhos, estáticos nas imagens, paralisavam as pessoas na voz. Relaram-se iras nos brios de posudos no moralismo e romperam-se nos âmagos tédios encubados no mutismo dos pacienciosos. As coragens amoitaram-se nas covardias. Nem se um oceano rodasse num rio acima, ou se um morro pulasse rápido p’ra fora de uma cordilheira, ou se um silêncio gritasse num cemitério e

urnas mortuárias saíssem correndo atrás das pessoas nas ruas, o espantoso seria tão paralisante no assustador quanto a aflição na desesperação dos polutos aturdidos no alarme. As diabruras de Circe na ilha de Eeia, da Odisseia de Homero, e o Inferno do Paraíso Perdido, de Dante Alighieri, imitam a ficção na realidade dos personagens caídos nas tentações e amarguradas nas provações do mítico na corrupção do Navio Brasil. Partiram-se por dentro muitos mundos. Transtornado na impactação dos desesperos, o salão nobre da Guarda Costeira afigurava-se a um palco com peças de enredos diferentes sendo encenadas, a uma só vez, como se uma catatonia alternasse o temperamento das pessoas com oscilações mutantes na passividade tranquila e na excitação exacerbada. As quedas das autoridades não se dão quando elas são descidas do governo, mas acontecem enquanto estão subindo para o poder. Esse era o desmoronamento interior daqueles soberanos encastelados no deslumbramento da vaidade ante suas honras ao chão. Emergiram afetos e desapreços nas confluências das emoções subvertidas nas tristezas preocupadas nas alegrias, nas revoltas ressentidas nas estimas, nas lealdades decepcionadas nas confianças. A angústia em tantos refletia a constatação de que tinham jogado a vida fora na idolatria aos prazeres mundanos. O acabrunhado da maioria espelhava a verificação de que haviam passado pelo mundo destruindo-se no que fizeram de si nas asneiras ajuntando fortunas. O

O salão reunia-os nas taças, nos talheres, e os distanciava nos cofres, nos ideais, mas unia-os na apetência dos proveitos do poder, e os esperava, diferenciados, na longinquidade do conhecimento; então estavam como nômades parados na encruzilhada de estradas que levam por rumos diferentes ao mesmo lugar onde termina a viagem dos perdidos. Um ex-presidente da República andava para lá e para cá, alheado, como se não soubesse para onde ir nem para onde voltar; às vezes olhava de esgueira para dois ex-ministros como se não quisesse vê-los mais; ora monologava zangado, vociferava balbuciados, as mãos côncavas nos traços retesados como se estrangulasse uma goela; de repente parava e andava, andava e parava como se ouvisse o que não quisera escutar; depois fazia aquele ar abatido dos que se sentem sozinhos nos reveses e, aos poucos, ia se reenergizando na sensação de que daria a volta por embaixo e reverteria aquela derrocada para a maior vitória na trajetória de operário a presidente do Brasil. E não parava de andar pensativo, de certo enxergava agora o que não vira quando olhava para trilhas da corrupção debaixo dos tapetes do governo. Um outro ex-presidente da República, exaltado na soberba, jactava-se esfuziante no centro de uma roda de senadores, deputados federais, ex-ministros, falando de suas proezas para obter ganhos pessoais astronômicos nas perdas espetaculosas no poder. Esbelto no porte janota e esguio no charme donzelo, gabava-se do dom perceptivo do colorido na ambiguidade da tonalidade mesclada na semelhança do súdito posado de marajá. Deslumbrado, sofisticado e envaidecido, definia a sagacidade como doutrina da astúcia de ser versátil na arte de entrar em um desastre pavoroso com uma simples condução e chegar com uma frota respeitável em um congestionamento que congestionou o País. E não parava de buzinar prosas na fila do engarrafamento causado por capotamentos nos excessos de velocidade nas pistas da corrupção.

Quando

os bolsos doem O zum-zum intrigava as orelhas nas xeretas das línguas soltas e liberava espectros no susto dos nervos trêmulos. Os burburinhos realçam vozes que não se deve confiar e afiançam atos que não se pode acreditar. As turras das panças partidárias entoavam os arrotos de ventríloquos boquirrotos que rosnaram poder 31 anos nos 5 governos de presidentes do Brasil, intercalados em 2 do PMDB, 1 do PRM, 1 do PSDB e 2 do PT. O imaginário espetaculariza na acústica do falatório público a maximização do ruidoso nos escândalos da corrupção banalizada no ciclo dos governos do PT. Mediava-se rumoroso nos escândalos da corrupção compartilhada na quadra dos governos do PMDB e a minimização do ruinoso nos escândalos da corrupção entreguista no período do governo do PSDB. O materialismo condicionou o sistema política ao venalismo das cobiças dos apátridas no poder e subjugou o modelo empresarial ao convívio com as ganâncias do egoísmo dos vis nas riquezas. Políticos mercadejam os partidos como balcões de compra e venda e militam na política como a profissão de maior clientela para se faturar enriquecimento fácil. Empresários aplicam no ramo de empreiteiros como o empreendimento de faturamento mais lucrativo no mercado industrial e comercial. Esse era o cartel moral na coalização das personalidades caindo na colisão das desonras nos caracteres. Os compromissos segredados no recíproco das vantagens rompiam-se nas apartações do mútuo nos interesses. Os resmungos trocados com fúria de maribondos de fogos, entre uma ex-governadora e um ministro, partiam meio a meio os insultos na sobra de ofensas no alegado dos rachas de propinas nos caixas das campanhas eleitorais. As broncas alterosas de um governador com um lobista revoaram nas extorsões de um empreiteiro engasgado no calote das obras não recebidas do governo e reagiu com a intrepidez de um inconfidente. CONTINUA


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A sabedoria

Jurista, poeta e ativista político, que participou da Inconfidência Mineira, o português Tomás António Gonzaga é um dos mais importantes poetas da história brasileira

dos tolos convencidos Os ambientados na corrupção não se aclimatavam à abstemia da desonestidade. O governo tinha de ser uma distribuição de renda per capita com direitos adquiridos no poder nos mandatos populares. Um ex-governador rezava um terço perpassando um rosário entre os dedos polegar e indicador da mão direita, quando um ex-ministro perguntou-lhe se aquelas contas do rosário simbolizavam as culpas que ele deveria confessá-las em vida, e recebeu a resposta que não era ele quem tinha dívidas para acertá-las depois da morte com o santo André. Os que falam demais no planalto dos três poderes voltam para a planície de onde vieram de seus terreiros eleitorais nas praças públicas. Isolados em um canto, o ex-deputado federal, cassado por causa de sua espalhafatosa eloquência no denuncismo da corrupção contra um ex-presidente da República, e outro deputado federal, indiciado em razão de sua estardalhaçosa retórica contra a corrupção nas tentativas de montar o impeachment da presidenta do Brasil, confabulavam sobre a coincidência do enganoso praticado por aquele e o duvidoso cometido por esse, de vez que os discursos teóricos contra a corrupção evidenciaram que eles tinham prática nela. Ambos puseram as mãos nos ombros do outro e confessaram o equívoco ao pensar que assumiriam o centro de decisões do poder em um novo governo. E despediram-se, o casso falando, o indiciado concordando, que Brasília não é a cidade maravilhosa que aparenta ser para os políticos tribunícios. Os sedentários em decênios de poder e que percorreram os degraus das descidas nas derrotas e das subidas nas vitórias no calvário das lutas e na ascensão dos sonhos, aprenderam que tudo na vida tem o seu tempo e o que não se falar em hora que é de se calar. Esse é o tempo de se agir em silêncio no plantio das ideias na safra dos ilustrados. Os tolos falam demais, os sábios ouvem muito. Por isso, meditam e escutam no silencio a voz que ressoa na legenda dos vencedores. Os superdotados voam altaneiros no idealismo profundo para os elevados da alma como a raiz do álamo florido no deslumbre das quimeras. Então as reflexões são necessárias aos argutos. À sombra deles, brilham muitas escuridões na sua luz. O ex-ministro visionário do socialismo e bloqueado por libertários do esquerdismo, mantinha-se pensativo e indiferente ao alvoroço dos espavoridos. E, absorto, parecia declamar dentro de si esses versos do revolucionário, culto, romântico e genial Tomás António Gonzaga: “Oh! Quanto pode em nós a vária estrela! Que diversos que são os gênios nossos! Qual solta a branca vela, E afronta sobre o pinho os mares grossos; Qual cinge com a malha o peito duro, E, marchando na frente das coortes, Faz a torre voar, cair o muro. O sórdido avarento em vão defende Que possa o filho entrar no seu tesouro: Aqui, fechado, estende Sobre a tábua, que verga, as barras de ouro. Sacode o jogador do copo os dados; E numa noite só, que ao sono rouba, Perde o resto dos bens, do pai herdados. O que da voraz gula o vício adora, Da lauta mesa os seus prazeres fia; E o terno Alceste chora Ao som dos versos, a que o gênio o guia. O sábio Galileu toma o compasso, E sem voar ao céu, calcula, e mede Das estrelas e sol o imenso espaço.” (Trecho da Lira VI, do livro Marília de Dirceu).

Batiam

precisando apanhar Os transitórios em seus apogeus no poder surgem aos chutes do temporário nas épocas e desaparecem sem deixar sinais duradouros da passada deles na memória dos tempos. Despontam-se como os mais votados em uma eleição, fulguram relampejantes no mormaço das novidades no primeiro mandato e vão caindo de eleição em eleição até o opaco do fim melancólico dos meteoros. Os que sobem e não se mantêm lá no alto é porque o lugar deles está cá embaixo. São barulhentos e chamam a atenção do público como os periquitos aos bandos nos arrozais maduros e que, mesmo já esvoaçados, continuam cantando, onde não bicam votos mais. Às chusmas, esses tipos de políticos provisórios na utilidade, sem consistência histórica na biografia e sem substância do conhecimento na inteligência pululante na desordem mental, tagarelavam, na confraria dos complicados, o alarido das inconveniências delatoras. Muitos atribuíam a tantos a autoria dos escabros e eram refutados pelos cúmplices com a retribuição no repasse de impudícias. Uns e uns se engalfinhavam tresloucados na discórdia das culpas, enquanto outros e outros se atracavam brutalizados nas turras das falcatruas esboçadas. Os entreveros desvestiam hombridades

da montanha e parou comprida, estendida de um extremo a outra na paisagem extensa. Ouviu-se um choro. Apareceu um berço esculpido. Desceu dele uma criança andando, a marca dos passos aumentando; ele foi crescendo, os rastros seguindo-o; ficou rapaz vigoroso, os rastros acompanhando-o; virou homem adulto, os rastros indo atrás dele; tornou-se um cidadão idoso, os rastros se aproximando do cidadão, passo a passo, até os últimos rastros desceram numa sepultura. E ouviu-se na voz de um pranto: “O passado deixa rastros que nos seguem nos passos da vida à morte”.

A folha

corrida dos folgados Fez aquele silêncio de velho sentando à porta do asilo, olhando no fim da rua o filho que não vem na tarde se acabando. Lentamente, surge uma sonoridade suave e se alteando com aquela angústia do uivo dos ventos noturnos na copa dos ciprestes nos adros. Sai de dentro do chão uma bola de fogo-fátuo, sobe e solta labaredas que escrevem cinco As, dois Ms, dois Ss, um I e um V. Os ventos misturam as letras, e formam-se as palavras VIDAS MAL ANDADAS, que vão se desfazendo em cinzas caindo espalhadas numa podriqueira entulhada, viram baratas e voam baixo, como a maioria dos líderes políticos voeja nas ideias. Não mais que súbito, nem menos que surpreendente, irrompe-se, inesperado, um canudo de papel-pergaminho desenrolando uma folha amarelada e manuscrita em estilo gótico.

O gênio Giuseppe Verdi, em sua juventude. Criou da ópera Nabucco, onde deu alma ao Coro dos Escravos Hebreus, uma das mais belas obras-primas da música humana

VIDAS MAL ANDADAS Filme financiado pelos cofres públicos federais, estaduais e municipais. Produzido e interpretado pelos autores, atores e coadjuvantes de um épico da corrupção. Os protagonistas são os personagens na história da colonização dos governos no Brasil com feudos hereditários das províncias políticas. ELENCO

emproadas como vestais do puritanismo. Céus debruçaram infernizados na via-crúcis dos brios ao chão de um Gólgota vulcânico. Ou um estágio no purgatório. Experimentariam uma remoeção humana de vidas aos bagaços na grelha dos suplícios, a lágrima e a suor, nas corrupções abertas neles e deles. O quadro sugeria a imagem de velórios em que só os defuntos chorassem. O Agente-Mor, ainda um pouco retido no susto do que ouvira e vira, levantou-se aprumado, pigarreou alto e falou com a voz travada na pronúncia vagarosa das palavras: — Não me foi fácil testemunhá-los a descoberto nas consciências expostas ao constrangimento. Foi-me estafante a constatação do real no inacreditável. É o justaposto fora do lugar. Impõe-se uma trégua da absurdidade no plausível. Providenciei uma ceia modesta e bebidas o suficiente para se descontraírem. Refaçam-se da cabeça quente em um bom sono. Ao acordarem, façam uma longa viagem a um lugar perto de si, o coração. Conversem calmos entre si e sinceros consigo próprios. Repensem-se e descobrirão que a vida é bela e que é sempre tempo de recomeçar a construir um novo mundo. E preparem-se para assistir o terceiro e último dos filmes, e se presenciarão no que precisam mudar.

do vício do continuísmo dos autoritários no poder. A droga do vício da invencionice na personalidade dos mentirosos. A droga do vício do parasitismo na indolência dos preguiçosos. A droga do vício da delação vantajosa nos bajuladores. A retirada dos dependentes da servidão moral conexa nas misérias sociais é o êxodo da libertação dos escravos da corrupção”. O vaticínio apagou-se, e a pedra veio descendo

Perfilaram nomes de artistas conhecidos e com sucesso de bilheteria nos filmes com cenas de faroeste, de comédias, de vampiros, de crimes, de aventuras na selva de piratas nas ilhas do tesouro. Muitos dos galãs já estavam mortos, outros aposentados, a maioria ainda viva e em pleno cartaz nas legiões das viagens cinquentenárias do Navio Brasil. Aviso esclarecedor — O Navio Brasil é uma obra de ficção. Mas quaisquer semelhanças com líderes, episódios ou situações da realidade na atual política brasileira, não terá sido mera coincidência.

A mãe

de todas as drogas O Sol surgindo no arco da Terra e seus raios de luz quais flechas acesas alegrava o alvorecer como se amanhecesse um tempo novo naquele dia que nascia. Mas os lusco-fusco no ocaso da órbita emocional dos órfãos deserdados das corruptelas era o de crepúsculos indo embora com eles dentro. Havia aquela desolação de um amor da vida inteira que se foi sem sequer se despedir de sua paixão. A tela clareou ao som do Coro dos Escravos Hebreus, da ópera Nabucco, de Giuseppe Verdi, e a formosura de uma montanha vista por trás e se distanciando para os confins de um ermo verdejante e parou, virou-se rápido e retornou com o lado da frente trazendo uma pedra e essa predição gravada: “A corrupção é o vício à desonestidade e a mãe de todas as outras drogas. A droga do vício na dependência química dos toxicômanos. A droga do vício na embriaguez dos alcoólatras. A droga do vício na crueldade na reincidência dos facínoras da criminalidade. A droga do vício da sordidez nas mesquinharias dos agiotas. A droga do vício na tara dos desejos sexuais nos estupradores. A droga do vício da traição compulsiva nos delatores. A droga

O gênio Giuseppe Verdi, em sua juventude. Criou da ópera Nabucco, onde deu alma ao Coro dos Escravos Hebreus, uma das mais belas obras-primas da música humana

CONTINUA


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Esse traiu

o que aquele traía nesse VIDAS MAL ANDADAS era a filmagem integral das conversas e dos atos o tempo todo da última reunião dos tripulantes do Navio Brasil no salão nobre da nau principal da Esquadra Costeira. Os diálogos e as atitudes dos embebedados nos brindes aos segredos nas sagrações das confidências nos eflúvios da cumplicidade avocada. Todos inventariam verdades e demonstrariam autenticidade na simulação da veracidade negada nas ações criminosas. As indiscrições expostas nas impertinências descuidavam-se na imprudência leviana da inconveniência nos planos mirabolantes e arquitetados. As tramoias se atreviam nas audiências inconsequentes. Um senador argumentava, com a lógica de que todo metal tem o seu grau de fusão, a premissa de que toda pessoa também tem o seu preço no caráter. Convidou um deputado federal para parceiro num plano que montara. Tão logo retornassem ao navio, um marujo-agente pegaria os milhões de seus cofres para ele e fugiriam num dos barcos da frota da Guarda Costeira para as ilhas dos seus laranjais. O deputado topou com uma condição. Pegariam o dinheiro dos cofres de dois ex-ministros e de dois ex-governadores para eles. Talvez porque na ocasião da reunião anterior estivesse com as emoções turbinadas no tilintar das doses e com as atenções distraídas na comemoração às vésperas do retorno para o navio, não perceberam que a todo momento um deles se retirava e voltava horas depois equidistante do frenesi no ambiente. Em todo lugar há sempre um curioso desconfiado. Nas vezes em que um se afastava e outro perguntava onde estivera, a resposta era de que havia se sentido mal e foi à enfermaria se consultar com o cardiologista. E esse que estranhou a ausência do companheiro, era o próximo a se retirar e a regressar indiferente ao frisson do salão. Arregalados, os olhos não piscavam. Abertas, as bocas não falavam. A perplexidade, coletivada. O pasmo, individualizado. O que imobilizava a todos, não era o todo do escândalo. O que paralisava um a um, eram os detalhes do escandaloso de cada um. A cumplicidade ficou indivisível na solidariedade restrita ao salve-se quem puder no dilema dos náufragos da corrupção à deriva no Navio Brasil. O filme escandalizava os pruridos do recato no constrangimento. A densidade da espessidão no veraz da intensidade do iníquo nos fatos focados, majorava o apreensivo no emocional tenso na plateia dos decadentes. A apreensão era o que seria a expectativa de um entrevado olhar o fogo no pé do palito de fósforo com a cabeça no rastilho de pólvora. Súbito, o espanto alarma o susto no assombroso do pânico no inesperado abrupto.

A esperteza

é a inteligência burra VIDAS MAL ANDADAS passou a estampar flashes dos tropeções ocultados nas pisadas do imoral notório no legal. Cenas das gravações dos depoimentos prestados pelos insignes que se ausentaram discretamente do rega-bofe comemorativo do reembarque no Navio Brasil, entremeavam confissões intercaladas de empresários e políticos no roteiro do filme. Os episódios eram cinematográficos na série das corrupções. O lance da negociação e do deputado reproduzia o marujo-agente delatando o assédio dos dois parlamentares do Congresso Nacional para roubarem os milhões dos cofres e, juntos, fugirem os três num dos barcos da Guarda Costeira para uma das ilhas dos laranjais. Todos os flashes eram flagrantes das vitórias de heróis gloriosos nas honras perdidas. O cenário sequenciava a encenação de reprises no enredo de extorsões e propinas nos atos dos prólogos aos epílogos do capítulo mais triste na história republicana do Brasil. O Agente-Mor, calado à mesa, contemplava, melancólico, no salão o falso na aparência do sincero no elenco dos líderes do Navio Brasil e transparecia estar pensando em raposas vigiando galinheiro, tiús cuidando de ninhos de ovos, ratos controlando prateleiras de queijos, morcegos protegendo veias sangrando, urubus zelando de mantas de carne no varal; e, incontinente, voltou-se a si, ficou de pé, bem aprumado, o rosto asseverado, o olha repreensor e vozeirou tigrino: — Toda pessoa há que ser justa, não concessiva às oscilações do emotivo, mas firme nas razões do ético, de vez que toda tendenciosidade é cúmplice da leviandade nos acovardados ou da espontaneidade do egoísmo nos indignos. Atentos, todos se reajeitaram nas cadeiras, como se cutucados pelas indiretas das insinuações diretas a eles. Três ex-presidentes da República entreolharam-se interrogativos; todavia, um empresário os antecedeu com um aparte elegante: — Adjutoro orfanatos de crianças abandonadas pelas mães ao nascerem e socorro asilos de pais relegados pelos filhos ao envelhecerem.

Papa Francisco um dos líderes mais íntegros da atualidade. Exemplo da aliança entre palavra e ato

O Agente-Mor conteve-se um instante, emudecido, como se houvesse ido à alma, e ponderou reflexivo: — Existem as ajudas dos bondosos que mercadejam a caridade na misericórdia do auxílio aos pobres, revertido em doações a si próprios, através do benefício auferido nos abatimentos do Imposto de Renda. Coincidiram-se, uníssonos na mesma pergunta formalizada por um ex-presidente da República, um senador, um deputado federal, um juiz de direito, um promotor público e um delegado de polícia: — Nós estamos sendo mantidos há muito tempo nessa nau da Guarda Costeira, aguardando ser concluída a operação de reparo dos estragos na sala de máquinas do Navio Brasil. Queremos ter certeza da data que voltaremos para o navio e quando estaremos livres para partir, com a garantia de que não ocorrerão novos danos nos motores durante a viagem. Na coalização grupista instigada, o salão assanhado. Enquanto o ex-presidente inquiria, o Agente-Mor observava o principiar de cedição no hastear dos braços levantados, e visualizava-os afogados acenando por socorro. No tíbio do alvoroço provocado, o estremecer na sofreguidão deles baqueados. As respostas estavam nas perguntas: — O embarque será ainda hoje. Amanhã saberão a data em que estarão livres para partir. Quanto à garantia de funcionamento perfeito dos aparelhos do Navio Brasil, durante a viagem, essa não posso dar. Depende exclusivamente dos senhores. O ex-presidente da República, mistado de ofendido e desentendido, interpelou, admirado de si e injuriado no envaidecimento: — A atribuição a nós da responsabilidade pelo o bom ou mal desempenho do Navio Brasil, sugere a insinuação de somos os únicos culpados pelos estragos na sala de máquinas. Merecemos um esclarecimento. Onde está em todos nós a culpa? O senhor deve-nos uma explicação explícita sobre as causas dos fatos e específica sobre as culpas dos autores dos atos. Iris se prontificaram felinas. O ex-presidente, de pé, olhava para o Agente-Mor. O Agente-Mor, em pé, olhava para o ex-presidente. O tempo parou de lado para ver o momento passar e ouvir o que o silêncio iria dizer. “Esses corsários das águas políticas do oceano que banha a corrupção nos poderes, querem uma explicação para as desastreiras no Navio Brasil, quando eles é que têm de explicar os embarques de tesouros do povo e os desembarques em suas ilhas no litoral do arquipélago Brasília”, pensou e se calou o Agente-Mor.

Janota no alinho de marajá deslumbrado, o ex-presidente esmerou-se no garbo da patacoada afetada: — O diligente comandante da Esquadra Costeira concorda que somos líderes com experiência própria no trato das coisas em sucedidos governos... — e parou, interrompido por aplausos a mãos cheias. Agradeceu e prosseguiu: Gostaríamos que nos esclarecesse onde foi que nos desviamos do certo para o errado no Navio Brasil. Os olhares flecharam as atenções no Agente-Mor. Ele entendia que “a experiência própria é o aprendizado dos medíocres” e que aqueles líderes demonstraram ter, sobre tudo, “experiência própria com a operosidade da corrupção em sucessivos governos”. Forçou um sorriso. Franziu a testa. Parecia caçar palavras. Imóvel e introspectiva, deu a impressão de relutante. O ex-presidente impacientou-se, compulsivo: — Fale logo e sincero! Direto e sem delonga! Estamos ansiosos! Temos pressa de voltar par ao navio! O mar tem andado revolto! Precisamos de nos aproveitar desse momento de calmarias no mar! O Agente-Mor projetou na tela a imagem de uma legião de cegos errantes caminhando

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e saindo fora das retas na estrada. Após a trégua de uma pausa, mirou encarado o ex-presidente da república e verbou: — O poder Executivo é a aptidão dos empreendedores inatos, gestores criativos, paladinos da liberdade, meninos no sonho, escravos do caráter, heroicos na alma. Constroem pessoas nas obras que realizam. Não tiram do povo para suas casas. Fazem nações. São a Humanidade neles. Estão em sua época como pioneiros do futuro. A História anda nos passos deles em Abraham Lincoln, Simón Bolívar, Juscelino Kubitschek, Pedro Ludovico Teixeira. Chegaram do poder pobres ao chão e saíram mártires das glórias que deixaram na Terra. Não morreram no dia do corpo. Foram viver na posteridade. Houve palmas que ressoaram como palmadas no ex-chefe da Nação. O Agente-Mor fitou concentrado o senador e o deputado federal, afrouxou a gravata, e explicitou: — O Poder Legislativo é a vocação dos tribunos nascidos na constelação das ideias que põem coração nas palavras e trazem a luminosidade do Universo nas cabeças. O parlamentar precisa ser o sábio ensinando nos pronunciamentos, ter o poeta escrevendo no peito, estar guerreiro na pacificação, o idealista abrindo horizontes na retórica dele. Tribuna não é pedestal dos sem palco na ética: os que a oratória é como se catassem seus discursos nas esquinas. Os desletrados do saber jurídico que elaboram leis instituidoras de direitos à impunidade subjugadora de juízes às lápides gélidas dos códigos. Os foragidos do cívico que se homiziam na Constituição Federal hermafrodita no presidencialismo parlamentarista, paridora das Medidas Provisórias, como a da adoção de incentivo fiscal para as montadoras de veículos. O Legislador é a junção do gênio no cérebro e do casto na honra do estadista em Cícero, Ruy Barbosa, Carlos Lacerda, Alfredo Nasser. Eles viveram peto de Deus na Terra. O senador e o deputado federal se calaram com a consciência gritando com eles. O Agente-Mor passou o lenço no rosto suado, fitou o magistrado, e prolatou: — O Poder Judiciário é o Olimpo do justo na devoção ao puro da razão sacra do juízo na Lei de Causa e Efeito dos Mandamentos da Vida. No inocente condenado está a sentença da condenação do juiz. “Pois com o julgamento com que julgais sereis julgados e com a medida com que medis sereis medidos” (Jesus Cristo). Os julgadores que lavam as mãos na absolvição dos criminosos, sujam-nas no sangue dos inocentes condenados. A justiça não pode e não deve continuar sendo uma servidora subordinada à automaticidade de magnificar crimes embutidos em leis artimanhosas. Resta, ao magistrado, assumir a travessia do rio Aqueronte e fazer-nos escapar das forças infernais tão salientadas por Dante. Ao juiz exige-se ser o empate entre a inteligência e a erudição e a invictude da honradez no caráter, como Salomão, Oliver Wendell Holmes Jr., Pontes de Miranda, Nélson Hungria. Eles eram o brilho da luz própria das estrelas refletido nos planetas da galáxia jurídica.

As moitas

do cinismo vigilante A maioria das pessoas é muitas pessoas nelas. Algumas sequer conhecem no ego o seu verdadeiro eu. Outras criaturas é que decidem por elas em sua personalidade. Diversas fugiriam com medo se enxergassem os monstros que vivem dentro delas. Há corruptos escondidos no inconsciente de idealistas roubando honestidade nos sonhos do povo. Existem pecadores amoitados nos Evangelhos vendendo a alma no ágio dos dízimos. Raras são as pessoas que se mantêm únicas em si e inalteráveis na integridade do caráter no fracasso das derrotas e no sucesso das vitórias. Atualmente tem uma dessas pessoas à vista em toda a Terra. O papa Francisco.

Venezuelano, militar liberal e líder político, Simón Bolívar foi peça chave nas guerras de independência da América Espanhola do então Império Espanhol CONTINUA


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GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

A vida não é passarela de desfile dos mutantes nas conveniências do valor do dinheiro, que disfarça, a humildade do mendigo na esmola, a vaidade na opulência dele no poder. A estada das celebridades restritas nas regalias da imponência soberba fê-las experimentar a realidade da empáfia arrogante dos poderosos na modéstia dos simples. Raras as autoridades e empresários que davam ordens autoritárias no Navio Brasil, os dias de obediência incondicional às normas da Guarda Costeira exteriorizaram o feitio oculto nas aparências que mesclam e diferem as índoles da natureza humana. O sofrimento melhora os bons e piora os maus. Os limitados na inteligência e fraquejados na moral, não assumem a desordem dos próprios desatinos e projetam nos outros a causa e a culpa por suas desditas. Os dotados de sabedoria e estáveis na honradez, são conscientes de que tudo de bom e de ruim do acontecido na vida da pessoa é resultado dos atos dela. Os tolos falam demais. Os sábios ouvem muito. “Nada é tão miúdo no ínfimo como a pequenez da vileza humana”, reflexionava-se o Agente-Mor enquanto observava a forupa das confabulações dos mandachuvas sobre a programação das trapaças que iriam aprontar ao reassumir o controle do Navio Brasil. “A maior estupidez do líder no combate das lutas é supor que os adversários são idiotas”, atinou-se o comandante para a tática de não os alertar do engano da conjura urdida, e conclamou-os, contagiante no entusiasmo e convincente na intenção: — Quando o Sol levantar o dia amanhã, a alvorada será aqui na luz dos olhos. Serão levados para o navio. A alegria, abraços, aplausos, comoção, choros, euforia, sorrisos, a movimentação das pessoas andando e se cumprimentando era pouco para definir a festa no salão. Só a ressureição de um filho no velório seria igual ao regozijo dos pais. O tempo se despercebeu no consumo das horas até ao amanhecer. O sol entrou pelas janelas. O Agente-Mor anunciou celebrante: — Preparem-se. A esquadra está alinhada em volta da nave de comando. Embarquem-se. A correria evocou a cena de crianças em desabalada para a Árvore de Natal empencada de brinquedos. A partida era a chegada do momento esperado no alívio do desespero. O barco primacial da Guarda Costeira saiu à frente e seguido pelas naus da frota perfiladas atrás. Vista dos céus no mar, a imagem da esquadra sugeria a figura do corpo ovoides e a cauda longe de girino de sapo na poça d’água. Assim como a vida desfaz nas larvas a cauda dos anfíbios anuros, o destino tem o estigma da putrefação do rabo nos corruptos nos empoçados da política. O sapo anda de pulos em pulos sobre os insetos que devora e coaxa nos cios. Os batráquios da política avançam de saltos a saltos nas comilanças de mazelas e rosnam nos larapismos. A rota dos barcos era a mesma no rumo do navio, mas dentro deles confrontavam-se desígnios dissonantes no fadário das metas. Todos estavam em vários lugares no pensamento ou no sentimento e nenhum deles estava no local dentro do barco. O rumo da vida abriu paralelas nas direções do percurso no itinerário dos objetivos deles. O diálogo ojerizado ancorava ímpetos no possesso em uma das naus. O entrevero das pechinchas entre dois parceiros nas negociatas, ambos meeiros nos trambiques; um, o corrupto dedurado; outro, o corrupto delator, intermediavam um acordo na montagem de um plano elástico para espichar os crimes mútuos até a impunidade: — Delação é coisa de bandidos. O sicofanta enraiveceu-se. A palavra bandidos o feriu no que já lhe doía o remorso repetindo-lhe o tempo todo. Mal segurando-se na desordem dos nervos, escorregou uma olhada ácida na cara do labioso, e indagou: — A insinuação subcondicionada no referencial a bandidos ofendeu-me, por haver faltado com a verdade ao entregar a borra e não a nata da corrupção. — Se me referisse à sua pessoa, não teria singularizado o bandido. Pluralizei bandidos como alerta para resguardar-se do julgado nos tempos. A História condenou sem exceção, até hoje, todos os delatores da Humanidade. Ao entregar os companheiros, marcou-se para o resto de sua vida como um traidor ingrato e covarde. E só existe um jeito, único e cabal, de se redimir da pecha de delator perante os amigos e do desprezo público nos olhares das ruas. — Explique nas

LUZ QUEBRADA — NAVIO BRASIL

O rio mitológico Aqueronte localiza-se no Epiro, região do noroeste da Grécia. Aqueronte é traduzido como “rio do infortúnio” e está localizado no Mundo Inferior. Nele se encontra Caronte, o barqueiro que leva as almas recém-chegadas ao outro lado do rio, às portas do Hades, onde o Cérbero os aguarda. Chegando no Aqueronte, a alma deve deixar todos os seus sonhos, desejos e deveres que não foram realizados em vida

Vladmir Herzog foi torturado e assassinado pelo regime militar brasileiro nas instalações do DOI-CODI, no quartel-general do II Exército, no município de São Paulo, após ter se apresentado voluntariamente ao órgão para “prestar esclarecimentos” sobre suas alegadas “ligações e atividades criminosas”

As trilhas

minudências essa condição exclusiva na alternativa para me redimir do delatório. — Somos nautas em uma embarcação puxada por cabos de aço de cravelhas fincadas ao longo de anos nos topos da corrupção se desmoronando. O Navio Brasil vai cruzar por procelas nos arrecifes e marés serenadas nas calmarias em alto-mar na vastidão dos oceanos. Estamos náufragos sobreviventes velejando no trajeto dos naufrágios. A vida e a morte emparelham-se-nos nas linhas avessas da sorte ao destino de outras pessoas nesse mundo. É o nosso caso nas páreas da corrupção. O suplício de um sacrifica o benefício de outro e imola a salvação dos dois. Ao socorrer-me, se acudirá. A delação emergiu-o do afogamento nas águas profundas para submergi-lo no raso das aguadas com armadilhas nelas. O dedo-duro introjetou-se acabrunhado, como se autoconfidenciasse: “Caí numa cilada”. Contemplou, absorto, o navio parado longe no liso do mar calmo, virou-se para o companheiro e cobrou: — Explicite-se. — Ao final da viagem no Navio Brasil, não se sabe quando, nem onde, aguardaremos o tempo envelhecer as memórias na legenda dos heróis confundida na lenda dos bandidos. Você denunciará haver sido torturado na prisão e avisado que se não fizesse a delação, seu corpo seria encontrado enforcado na sela e sua morte anunciada como suicídio com diagnóstico médico. — Suicídio com que objeto, se a política não deixa a gente ficar com nada dentro da cela? — Com tira do macacão que preso usa, como o jornalista Vladimir Herzog foi encontrado pendurado às grades do DOI-CODI, após ter sido estrangulado pelos torturadores na ditadura militar. — Mas não estamos no regime da ditadura. — Todo regime é autoritário no domínio dos corruptos. A corrupção tem poder absoluto nos governos da ditadura, da democracia e agencia infiltrados entre os próprios companheiros na facção dos presos. — As celas atuais possuem câmeras conectadas com departamentos especializados em segurança e monitoram as gravações. — Há espiões disfarçados entre as autoridades. Eles editam diálogos nas gravações. Bloqueiam câmeras e a imagem já volta com a figura do suicidado. As brigas no poder são ações das forças ocultas nas vantagens pessoais em reação à transparência no interesse público.

da trapaça convincente Os oceanos criam a sensação de caminhos abertos entre todas as fronteiras na Terra e os rios dão a impressão de avenidas que levam e trazem os países a todos os lugares distantes em seu chão. Pássaros voando livres no espaço solto nas distâncias e o azul dos céus se olhando no soalho das águas, reuniram o mundo deles meninos e esquecido por eles adultos. Mas é em vão a vida se mostrar bela aos que têm o cabo do chicote nas mãos e o relho nas consciências. Não há honestidade na pessoa se não existir no espírito. O político delatado e o empresário delator estavam igualmente delatáveis no imoral convicto e intrínseco em si próprios. O empresário abriu-se no receio que o intrigava: — Há um senão complicador no fator da equação de se arquitetar as provas de uma tortura inexistente. Não disporei de exames médicos atestando a existência de escoriações para comprovar que fui torturado. — Conheço cirurgiões plásticos que fazem escoriações iguais às dos ferimentos profundos, com manchas roxas na pele em volta. Dão nota fiscal da clínica especificando a cirurgia e as condições do pagamento, com data da época e firma reconhecida no cartório. — E fica perfeito? — Uma perfeição. Deformam o nariz, os lábios e, inclusive, envelhecem as cicatrizes. — O que terei de fazer depois? — Pose de vítima. Ande nas ruas. As pessoas perguntam. Fale pouco. Mostre-se constrangido ante os curiosos, despeça-se e vai embora sem olhar para trás. Fique recluso de vez em quando. Espere um tempo. Contrate um advogado famoso, entre com processo de indenização contra a União por danos morais, constando na petição que o dinheiro será doado para um asilo e um orfanato. E será homenageado como benfeitor. O barco parou. Chegaram ao navio. O Agente-Mor já havia desembarcado. Enquanto aguardavam a hora de descer, o empresário perguntou ao político: — E quanto às cicatrizes?! — Os cirurgiões plásticos não deixarão sequer sinal delas na pele. Implantarão pele de rã preparada em laboratório. A melhor é a chilena. Não precisa se preocupar nem com o pagamento. Os companheiros do Navio Brasil cotizarão. Porque usarão o seu processo para anular os deles. E passara a ser o nosso ídolo.

A hora

das muitas coroas

O Branco na farda dos marujos-agentes, o reflexo do sol no brilho das baionetas nas armas e o colar das naus aneladas em volta, criavam a silhueta de uma coroa imperial cortejada pelo mar genuflexo no atapetado das ondas. No cenário das recordações, outras coroas criavam forma na imaginação. A coroa de luz da auréola nos espíritos iluminados. A coroa de espinhos que era colocada durante as torturas na cabeça dos mártires. A coroa funerária usada nos velórios e posta nos túmulos. Os que sobrevoam radiantes quais águias nos altiplanos da política, mas canoros nos voos baixos como pirídeos da selva do poder, a coroa-de-fogo é a que cintilava no imaginário. Os políticos e os empresários corruptos e corruptores nos delatados e nos delatores eram muitos em nenhum culpado de tudo ou inocente em nada. Eram suas jaulas. E ali, no largo do oceano, era o porto na vida deles. Todas as vias para o futuro passavam com eles pelo passado deles. A guarda de honra recebia-os à entrada e seguiam conduzidos em fila para o convés. Aglomerados em pé e espremidos no espaço até dentro do conjunto de piscinas esvaziadas, o vozerio ensurdecia o som das marolas suavemente abanadas nas águas adormecidas ao ninar das brisas. O Agente-Mor esperou as línguas se cansarem nas lidas das fofocas, pegou o microfone e liberou a voz num “atenção, senhores!” que reuniu os olhares para ele, e falou milimetrado nas palavras: — Como cidadão, meu respeito pelas pessoas é o mesmo para os humildes e para os poderosos. Como autoridade, minha postura não poderia ser diferente no trato a chefes do poder e de maiorais do empresariado envolvidos em ladroeiras do patrimônio público nas vassalagens à corrupção. Ante tamanhas inescrupulosidades despudoradas e de tantas administrações incapacitadas, com os ilícitos encobertos na engenhosidade da burocracia, só o potencial intrínseco do Navio Brasil explica o impossível de os que estão a bordo não tê-lo afundado. Ó, ratos, que roem honras nas cabeças! Ó, cobras, que mordem no veneno os corações! Ó, Deus, até quando o poder sem escrúpulo?

Até os

silêncios foram gravados O silêncio teve o peso de uma laje. Os olhares se interpunham dispersos como se fugissem nos olhos para não se verem. A vergonha nas consciências saia aos semblantes. Mas há os vaidosos e presunçosos iguais a pavões e mais exuberantes nas caudas arfadas nas pena(s)lidades. Voejam quais sanhaços nas baixuras dos espaços entre o chão e os poleiros nos galhos dos arbustos e, às vezes, os ventos arremessa-os para os cumes e caem, ferem as asas e quebram o bico. Dois ex-presidentes da República reagiram ao mesmo tempo, um próximo à proa, outro ao fundo da na popa, e bradaram unissonantes: — Queremos falar e vamos falar! Precisamos falar e não vamos nos calar! P’ra quê?! Permaneceram estáticos, as palavras paradas nas bocas abertas, as gesticulações paralisadas nos braços alçados, ante a inesperada descarga de iras do Agente-Mor, com a fulminância de súbita saraivada de relâmpagos ao estrondo das trovoadas. — Calem-se! Que estou mudo de espanto, pásmico, com o horror que ouvi em seus depoimentos, com o repugnante que li nos documentos anexados, com o repudiável que vi nos roubos estocados no porão, com o descalabro dos estragos no navio e com os tesouros das fortunas escondidas nas ilhas. O estupefato do susto imobilizou o emocional no suspenso das apreensões, como se caísse no recinto o peso dos remorsos particularizados nas culpas generalizadas nos embolsadores das riquezas pátrias. Após o interregno de um fôlego, o Agente-Mor lascou palavras nas farpas da revolta que o engasgara: — Aturde-me perceber o sórdido nos que não se emendam das vilezas e, ao contrário, reincidem-se ainda mais torpes nas vilanias. Sabê-los tão carregados de hediondezas pregressas, já me deixavam abismado com os logros do insano sobre a lucidez. Surpreenderam-me no ruim com o pior. Acabo de receber quatro gravações feitas nas naus enquanto vinham para o navio, de líderes políticos e empresariais combinando trapaças que, além de promovê-los da condição de bandidos para a de mártires. Teriam os bens desbloqueados, receberiam de volta os bilhões confiscados em dinheiro e ricamente indenizados por danos morais. Golpe de invejar a Máfia. Os senhores são escolas do crime, com cursos de pós-graduação e de doutorado. Os delinquentes que assaltam, roubam, furtam e matam nas ruas, são alunos.

O Navio Brasil enchia o dia nos olhos.

Ilustração: o estranho aperto de mãos entre a cobra e o rato nos ambientes do Poder ILUSTRAÇÃO ADAPTADA DO AUTISM FORUM SWITZERLAND

CONTINUA


LUZ QUEBRADA — NAVIO BRASIL “Eles estão gravando até o silêncio”,comentou um ministro com uma ex-ministra. E passaram a assistir na tela panorâmica os quatro curtas-metragens. No primeiro, o político delatado e o empresário delator engendravam a morte por suicídio na cela. No segundo, dois deputados federais combinavam saquear durante a viagem os cofres no porão de uma ex-ministra chefe da Casa Civil. Ambos levaram uma bolsada nas caras na hora. No terceiro, a cena da filha de um ex-presidente da República e um ex-governador acertavam em uma nau sacar o depósito nas ilhas de um ministro que ia em outro barco. Houve troca de palavrões e de pontapés perto do mastro. No quarto filme, o ex-tesoureiro de um partido e um banqueiro discutiam a viabilidade de articular a divisão meio a meio de todo o dinheiro com o Agente-Mor. Um “Óóóóóóóóóó!” entoou-se em todo o convés. “Atenção!!!”, zuniu nos tímpanos, ritmado pelo crac-crac no engatilhar das armas pelo batalhão. O Agente-Mor, erecto e duro como estátua, ordenou que todos ficassem de pé rápido e calados. Correu o olhar. Dois deles permaneciam sentados. “Levantem-se, já!”, alteou a voz o Mor. Obedeceram. “Ih! O homem azedou-se”, sussurrou um marqueteiro, brilhante no casco da cabeça, para um deputado pernudo. Pairavam interrogações na expectativa de medos à espreita no ar. Veio o tapa nas consciências. — A natureza de certos humanos é a dos suínos. No zelo dos poderes ou no desmazelo das senzalas, não se distinguem em todo ambiente do nativo em seu caráter. Faz-se uma pocilga. Calça com diamantes em uma parte, forra com ouro noutro local. Cobre com mármore em um trecho. Estende com tapete persa um ponto. Abre-se dois buracos nos cantos nos lados da pocilga. Enche um de água limpa e, o outro, de lama. O normal na natureza dos porcos é fuçarem todos os lugares a procura do que comer, irem para a poça do lamaçal espalharem lama no chiqueiro inteiro. E além de emporcalharem e depredar nas fuçações o ambiente, esborrifam sujeiras em tudo que houver no meio deles e em todos que conviverem com eles. Enquanto falava, o Agente-Mor manteve-se direcionado para a dupla de personagens do quarto filme e, ao terminar, visível na irritação revezada nos refluxos da raiva engasgada, mandou o ajudante de ordens liberar o almoço, retirou-se para a cabine de comando, respirou fundo e ficou passeando o olhar pelo lençol das águas até o cansaço dormi-lo num cochilo. Acordou refeito na paciência. Consolidou a calma num banho frio. Viajou na saudade da família. O Ajudante de Ordens entrou e avisou que já estava tudo nos conformes para ele fazer o comunicado.

Racionamento geral no Navio Brasil

O Agente-Mor chegou forma. Olhar sisudo. Advertiu geral. A reunião era de absoluto trabalho. Manifestações estavam proibidas. Toda indisciplina seria desacato e punida com rigor. Informou haver ordenado racionamento das despesas, corte dos gastos e controle das regalias. Trancou ainda mais a fisionomia já carrancuda e passou a ler o libelo das providências tomadas e das decisões drásticas: — No comando da Guarda Costeira, não tive descanso em serviço no cumprimento do dever, durante o tempo das operações de levantamento das causas e dos efeitos das avarias do Navio

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Ilustração: a agitação das consciências que condenavam a si mesmas

Brasil. Logo no início das vistorias, a minha impressão foi e é de que por ali passou um bando de loucos cegos guiados por bobos caducos. Os danos foram desastrosos em paradeiros de décadas. Vi que teria de dividir o trabalho em três etapas com equipes distintas. Constitui a para inspecionar os estragos materiais e os focos inescrupulosos. Nomeei a para rastrear as rotas das viagens do navio às ilhas e bloquear os depósitos bancários. Instituí a para investigar os políticos, empresários e lobistas parceirados nas lavações de dinheiro público pelos partidos nos governos. As equipes reuniam-se sigilosamente para elaborar, entrosadas, os planos de ações em suas metas específicas e para entrar em conexão com organismos nos cinco continentes e obterem informações confidenciais. Um marujo-agente interferiu tímido: — Desculpe-me interrompê-lo, comandante. Esse deputado aqui perto de mim está muito apertado e pediu-me para leva-lo rápido ao banheiro. — Fale para o deputado esperar um pouco. Não esperou. Fez ali mesmo. Foi enrolado numa toalha. O garçom limpando atrás o piso com um rodo. O Senador e o governador próximos espanaram o ar com os lenços. O Agente-Mor sequer saltou de fôlego na respiração: — Reservei para mim a responsabilidade da tarefa mais trabalhosa e delicada, que era a de viabilizar a transferência da poderosa tripulação do Navio Brasil para a nau sob meu comando na frota da Guarda Costeira. As alternativas de convencê-los... — freou-se na leitura e subtraiu no texto esse tópico: “eram-me desfavoráveis e temerosas. Muitos deles nasceram em cima dos governos e subiram para o alto do poder econômico e político acima das leis da República. Tantos outros vieram passo a passo embaixo das penúrias humilhantes e cresceram pisando para baixo deles os humildes. São perigosos no egoísmo e frágeis na vaidade. Mesclam-se em suas susceptibilidades personalidades arrogantes, subservientes, rancorosas, melindradas, interesseiras, desprendidas, cruéis, misericordiosas, e lidar, a salvo do contraditório no feitio e índole das autoridades, requeria a perspicácia de não ninar, com afago igual, mimos diferentes na manha” — ... restringiam-se à sutileza de acalentar as peculiaridades enigmáticas em cada um deles com o manto da homenagem a todos. Reverenciei-os à altura das louvações meritórias nas honrarias a eles conferidas nas solenidades oficiais pelos governos.

A prova

dos riscos iminentes As excelências que o Navio Brasil navega à vontade das soberanias déspotadas de seus feudos nepóticos ouviam encalhadas na preocupação com o destino dos bilhões no dinheiro dos cofres no porão e nos bancos. O metal nas algemas e nas tornozeleiras doía-lhes no ouro fora das mãos. O Ajudante de Ordens convidou-os a se alinharem para tomar um copo d’água ou uma xícara de café na lanchonete. Embasbacaram-se. As filas sempre ficaram à espera deles. Eles nunca esperaram nelas. O descaso assemelhou à greve branca contra o racionamento. O Ajudante de Ordens

alegou que o café seria servido frio após o jantar, para economizar gás na cozinha. O Agente-Mor foi à lanchonete, bebeu água, tomou café e voltou à leitura do relatório: — O trabalho nas operações da faxina moral do Navio Brasil nas rotas das viagens na corrupção, desde agora há distantes anos, está inteiramente filmado e gravado. As imagens de fatos escabrosos nas fotos, as gravações de depoimentos estarrecedores nas confissões, as reproduções de documentos vergonhosos nas provas cabais, revelam lendas de heróis em legendas de bandidos. A bússola da navegação deles é o bolso. Naufragarão. A Lei de Causa e Efeito rege o destino da vida e reduzi-los-á a centavos nos milhões expropriados do empobrecimento no povo. E a História jogá-los-á fora nas biografias anônimas no honesto. A Agente-Mor, contrito, olhou-os resfolegados na displicência, e fez um Em nome do Pai, do Filho, do Espírito Santo. Amém. Desabotoou a túnica, a camisa no peito, puxou a corrente do pescoço e beijou a medalha de Cristo crucificado. Fez um silêncio de reza em pensamento. E concentrou-se a ler o relatório: — O Navio Brasil vai zarpar. Os retoques dos estragos continuarão durante a viagem. As condições são precárias na sala de máquinas. Navegaremos aproveitando os ventos favoráveis, atentos às procelas, parando nas calmarias, vigiando os arrecifes. As fraquezas das estruturas abaladas do navio terão de vencer as forças contrárias nas águas. Não há a chance de outra escolha, senão a de passar pela prova dos riscos. O clima emocional transbordava apreensões no mutismo geral. O Ajudante de Ordens mandou todos ficarem de pé. O Agente-Mor ia comunicar o resultado das providências e anunciar o regulamento das normas: — Foram colocadas grades em vários camarins e reforçadas as do porão. Os depoimentos filmados e gravados estão arquivados em mídia digital. Os bilhões de reais, de dólares, de euros e outras moedas, recuperados nas ilhas e os do porão, foram depositados na Justiça e grande parte do montante já foi repassada aos órgãos públicos e às empresas estatais de onde foram corruptados. O Agente-Mor abriu uma pasta, na pilha de outras sobre a mesa, ergueu os braços e franqueou: — Vejam! Aqui estão os pacotes dos recibos da devolução do dinheiro. Ouviu-se um baque. Virou um pampeiro. Desmaiaram oito. Um ex-presidente da República teve que ser segurado. Avançou na arma de um dos marujos. Queria suicidar-se. Crise de histeria. Um ex-ministro saiu correndo e precisou de quatro para derrubá-lo. Ia pular no mar. Ia, nada. Chilique. Nem se fosse um estrondo do mar abrindo buraco no casco do navio, abalaria tanto os valentes do poder como a visão daqueles pacotes com os recibos da devolução da dinheirama nas mãos do Agente-Mor. O estoque de Diazepam 10mg e de Lexotan 3mg esgotou. A equipe de psiquiatras e de psicólogos recomendou o adiamento da partida. Mas a corruptalha encapetara-se nos pecados do 7º e 8º dos 10 Mandamentos bíblicos, do Velho Testamento. Dedurados e deduradores se espancavam na briga dos furtadores. Um apanhava e batia por causa do testemunho dado. Outro batia e apanhava por causa do prejuízo levado.

Rolavam aos montes de uns sobre outros, quais trelas asnadas, como se esfregassem os caráteres ao chão nos cios da lubricidade insatisfeita nos desejos da cobiça. O Agente-Mor pressentiu nos entreveros o propício para a indução ao motim. Precaveu-se: — Cavalheiros e damas, atenção! Ordenem-se! Estejam prontos para viajar. Vão começar os preparativos da partida. O toque de apito soou três vezes na proa. Os passageiros regozijaram-se. O contingente de marujos entrou em forma. O Ajudante de Ordens apresentou-se recebeu a determinação: — Escale os pelotões e operacionalize o planejado.

Todos eram

vigiados até dormindo Os membros da facção lascívia foram conduzidos para a segurança máxima no porão e retiradas as tornozeleiras e as algemas. Um deputado tentou atacar um marujo. Foi imobilizado com uma coronhada naquilo. Pelo gemidão, ficou roxo. Recolheram os meliantes da refinada turma dos achacadores nos camarotes com grade e tiraram as algemas. Ex-ministros, senadores, banqueiros, ex-diretores de estatais, empreiteiros quiseram saber sobre o cardápio das refeições. Receberiam as marmitas nos camarotes por baixo das grades. Levaram a chusma dos espertos com tornozeleiras para os camarotes sem grade e avisaram que eles poderiam circular pelo corredor. Perguntaram quando seriam liberados para subir ao convés. Só no caso de naufrágio. Escoltaram o bloco dos suspeitos para a ala dos camarins e informaram que todos tinham permissão para frequentar o convés, usar as piscinas, cear nos restaurantes, divertir-se nos cassinos, reunirem-se nos salões e transitar à vontade pelos gabinetes dos comandos. Um ex-presidente mostrou-se constrangido com a possibilidade da presença de olheiros. Pudesse ficar tranquilo. Todos os cômodos do navio estavam monitorados por câmeras de um sistema de última geração. Até os passos nos pesadelos e as falas nos sonhos seriam filmados e gravados. E, no caso de movimentos suspeitos, os sensores do complexo de segurança disparavam a sirene no alarme.

CONTINUA


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O Agente-Mor percorreu todas as dependências e checou minuciosamente cada departamento. Comunicou à Guarda Costeira para alinhar as naus da frota e seguir o Navio Brasil. Acionou o toque de apito. Ligou a casa das máquinas. Levantou as âncoras. Deu a partida e navegou lento ao impulso das ondas abanadas pelo vento. O dia destampado no Sol, tão indizível na reverberação das cores nas luzes, que não se distinguia se era o azul dos céus descendo para beijar o verde nas águas ou se era o verde das águas subindo para abraçar o azul nos céus. À distância, o navio na frente, as naus da esquadra atrás, criava-se a imagem de aves voando acordoadas. Em pé, sozinho no convés, um ex-presidente da República ia no olhar perdido na amplidão, às vezes vinha um suspiro na desolação, como se a saudade o buscasse no coração para a penúria das lembranças dos dias de menino. As lágrimas foram ao mar. Deitado no escuro do porão, um ex-ministro contemplava calado no piso a imagem da grade projetada pela claridade da fresta na escotilha, e dormiu revirando-se nas recordações dos sonhos jogados fora nos anos de poder. Gesticulava murros durante o sono. O navio seguia à velocidade preguiçosa. A maioria, não todos, acordou tardia na manhã, já a sol alto. Aquele deputado federal, barulhento no moralismo e silencioso no corruptismo, levantou-se no camarim, subiu a passos ligeiros para a proa, deu uma espiada na balaustrada, acenou para um marujo vir rápido até ele e alterou a voz: — A minha impressão é que o Navio Brasil navega parando! — Não é impressão. Está indo devagar. Anda um tanto, para um pouco. Danificaram demais os motores, nos excessos de usos dilapidantes das peças, e exaustores das reservas de óleo. A restauração das avarias na sala de máquina será intensa e levará tempo. Os motores são ligados. Trabalham. São desligados. Descansam. Temos que contar com o movimento das ondas. Elas receiam. O navio fica parado. Um senador assistia, hesitante, a conversa. O deputado federal, aloprado, atinou uma alternativa intempestiva e casuísta: — A alternativa, talvez, seja afastar o comandante... O marujo o interceptou temeroso: — Considero uma temeridade. O Oficial Imediato tem experiência como subcomandante. Nas ocasiões em que assumiu foi para cumprir o protocolo da programação formal e estabelecida pela Comandante. Mas nunca exerceu, de fato, o comando do Navio Brasil. O senador, reticente, ponderou preocupado: — Quando a Comandante assumiu, o Navio Brasil já estava avariado. Ela tentou erradicar os danos e expurgar os males causadores dos estragos. Foi impedida. O seu afastamento agora, poderia provocar uma insurreição dos marujos do Agente-Mor, catastrófica e de consequências imprevisíveis para toda a tripulação do Navio Brasil. É realmente de se temer...

A trama

dos fugidos do cívico Onde estivessem no navio, fosse na clausura do porão; nos camarotes com ou sem grade, ou na restrição dos soltos com tornozeleiras nos corredores; sejam os servidos por garçons nos restaurantes à escolha nos cardápios, ou os se servindo nas marmitas deixas às portas pelos carcereiros; e em nenhum deles a amargura atormentava mais a uns de que a angústia afligia a outros. O que desesperava igual em todos eles não eram os extravios na rota do Navio Brasil. O desvio no destino dos dinheiros do governo era a única dor aberta neles. A viagem estava uma excursão ao purgatório dos hipócritas, com escalas no Olimpo da política para o embarque de deuses do poder caídos no inferno dos excomungados da corrupção. A maioria comporta-se a bordo quais pagãos no limpo dos inocentes que será remidos dos pecados originários das culpas de outros em sua vida. Os tripulantes do Navio Brasil têm cruzado por tamanhas tormentas tempestuosas nessa década como nunca antes tantas nesse século. O tempo rolara para a pobreza deles as fortunas que os enriqueceram no governo e empobreceram o povo nas partilhas do poder aos familiares, como se a Nação fosse-lhes sua propriedade particular transmitida por herança a eles. É a sucessão da corrupção no filhotismo político, até para os transgênicos do lar, com direito de usufruto adquirido por usucapião do poder. Preparem-se para as mudanças que estão se consumando a revel dos poderes terrenos.

LUZ QUEBRADA — NAVIO BRASIL

A união entre raios e vulcões. Foto do vulcão Calbuco, no Chile

Essa é a viagem tão esperada da ida embora da corrupção sem volta para o continuísmo dos corruptos na impunidade. Todas as rotas que os levavam tranquilos e os traziam sossegados, naufragar-se-ão nelas. A Terra não aguenta mais ricos nas escolas dos roubos graúdos e pobres nas quotas dos roubos trocados em miúdos. Mas o Navio Brasil continua à mercê dos mesmos e à esmo na esperança. A viagem se movia aos intervalos do motor desligado nas marés montantes e funcionando nas calmarias. A tarde escorria sol. A aragem tinha a temperatura de um abraço. A imensidão espichava saudades nas lonjuras do coração. No navio, a pressa de chegar. Nas pessoas, a falta do cloroso. O navio, estacionado nas águas. As pessoas, estacionadas nas lágrimas. Muitas subiram tão alto, como se a vida quisesse jogá-las lá de cima cá embaixo. Umas não valem coisa alguma em tudo. Outras não valem nada e que, comparado a elas, o nada vale muita coisa. O dia morria embriagado no tinto do crepúsculo e a noite nascia lasciva na serenata do luar. Em uma das piscinas do convés, dois ex-presidentes da República, um janota, outro garboso, e dois senadores atentos e aliados deles; deputado federal, teatral e frenético, com o braço apoiados sobre os ombros de um governador e de um empresário, que sequer piscavam, empolgados com as artimanhas da conversa e admirados com as espertezas do plano. Malignidades de deixarem capetas velhacos pasmados. Regados a uísque e vinho, os sete formavam a roda da conspirata degustada a lagostas e camarões. Saltitavam-se. A bola da Lua Cheia refletida ao fundo das águas no centro deles. Brindavam-se mútuos nos elogios. Manteriam o Navio Brasil desestabilizado na barulhada das crises assíduas na indução ao pessimismo. A Comandante ficaria imobilizada no psicológico pela carga das tensões no emocional e se tornaria dependente do apoio maciço de todos eles. O Agente-Mor se esmoreceria ao se sentir subordinado à jurisdição deles. Era a boemia da conspiração dos fugidos do cívico no pacto lesivo à democracia com o referendo do populismo no rastilho dos inocentes úteis instigados pelas massas de manobra para a guerra psicológica. “O estopim seria aceso geral”,parabenizaram-se. E foram dormir reconfortados, já amanhecendo.

Traficantes dos vícios do poder

Os conflitos reporiam as perdas no rentável do armistício. A essas alturas, os prejuízos nos lucros da corrupção eram o preço barato em relação aos endinheiramentos dos governos. Os multibilhões levados do porão do navio e das minas-esconderijos significavam-lhes uma bagatela, tão ínfima em comparação com os megatrilhões dos cofres públicos sobrados nas gavetas deles, como a proporção de uma gota no oceano. As barrigas cheias, acordaram tarde. Espreguiçaram-se nas camas, meio ressacados. Levantaram-se ainda sonolentos e, cambaleantes nos carmins, avaliariam estar um pouco tontos. Firmaram-se na pia dos banheiros e perceberam a gravidade dos balanços. O na-

vio é que navegava desgovernado aos solavancos, igual a potro pulando, empinando, refugando, empacando, disparando com o peão balançando na sela. Olharam o dia pelas janelas. Estava opaco. Nuvens cinzas, escuras, matizadas nos relâmpagos, se estrangulando nos ventos, vagando baixas, quase se molhando no mar encapelado nas ondas altas, quase bebendo as nuvens, criavam no fosco do temporal uma visão tão espectral, que não dava distinguir na água da chuva, se eram as nuvens que desciam para o mar, ou se era o mar que subia para as nuvens. A natureza estava embrabecida. O tempo fazia cara feia. O Navio Brasil gangorreava nos balanços das procelas aos sopapos do vendaval. O medo tremeu-os. Arrancaram-se em disparada nas fadigas da respiração para o ar solto no convés. O vaivém da escada aos empurrões da turbulência marítima ocasionava os tropeções dos passos no vai-volta dos degraus. Chegaram à proa bambos nas pernas. Tremiam, talvez sim, talvez não, de frio. Os céus carrancudos nas contorções do nublado se fechando turvo. O oceano encaroçado no estrondo das marés se açoitando nas golfadas. Os clarões dos relâmpagos estirando luz na imensidade vestida de luto nos nimbos se derramando. O rimbombo dos trovões zoando fundo nos estalos secos dos raios. Todos encolhidos, patéticos nos olhos, estáticos no espanto, o corpo ritmado aos sacolejos do navio. Tudo no visto do perto em volta e do não enxergado ao longe, surpreendia, indecifrável, nos jatos de sinistros com a força indômita de um colosso ciclope. E era. O Bem arrochando o cerco das mudanças épicas sobre o Mal em convulsões dentro. A vida salvando os bons dos maus na Terra. Até não ficar caco sobre caco dos caráteres brutalizados nos sentimentos inferiores do ódio, do rancor, da mágoa, da maledicência, da vingança, da vaidade, do egoísmo nos santuários da consciência humana, que é onde Deus mora na gente.

O mistério do Navio Brasil O Navio Brasil segue navegando avariado e sem rumo nas intempéries do mar atroz nos tufões, como sem rumo e desacreditados os políticos prosseguem navegando nos furacões da corrupção. No oceano, naufrágios nas rotas da viagem. No poder, cadeias no destino dos viajores. Para os perdidos no largo das águas, o tempo fechado nos portos das piratarias. Para os perdidos nos desvios morais, o tempo aberto no ciclo final dos piratas dos tesouros do poder. Preparem-se para o Tapa da Vida. A Moira já os viu.

O panorama no sideral esbravejava ameaças musculosas. Rasgava nuvens amontoadas nas ataduras do nó dos ventos e desabava chuvas apedrejadas de granizos. Estremecia o mar nas sugações do funil e imobilizava o navio no vácuo do núcleo dos redemoinhos, aos muitos, qual um bailado de piorras na dança das ondas. As imagens de rostos humanos, de corpos de monstros criadas nas nuvens, e as formas de botes, de rasteiras afiguradas nas procelas, geravam vultos de assombros na contemplação. O cenário abordo, trepidava nos enredamentos da intriga, os ardis na conjura da amotinação. O tédio dos confinados no porão; o constrangimento dos andando com tornozeleiras nos corredores; as regalias avexadas dos suspeitos vigiados nos camarins. Os rastros na vida de cada um deles levando todos a tudo igual no mundo dos desabitados na consciência, agrupou-os em pessoas foragidas da alma. Sabem-se restos de conceitos entulhados nos extremismos ideológicos teológicos unificados nos resquícios da probidade desfaçada e nos fundamentos do retardo cultural. A céu limpo e a mar calmo, ou a trovões explodindo nuvens nas chuvaradas e a furacões esburacando o mar no rasgo das procelas, o Navio Brasil navegava batido lá fora pelo látego das marés e abatido cá dentro pela devassidão dos embarcados, mas sulcava estoico e grandioso às adversidades monumentais, não originadas pelas turbulências marítimas. Não há outra explicação, a não ser a da predestinação, para se desvendar o mistério de o Navio Brasil não ter submergido em tantas travessias fatídicas com tantos piratas a bordo. Só sendo mesmo uma nave conduzida pelo determinismo do destino e, desviada repetidas vezes pelos timoneiros da retidão de seu intimorato, não naufragaria nos maremotos da corrupção oceânica. Os traficantes de poder conseguiram apenas encalhar em diversas ocasiões, como agora, o Navio Brasil. Mas não há força, nos poderes terrenos, capaz de impedir a chegada triunfal ao porto da Pátria do Evangelho, Coração do Mundo, já iniciada no estuário dessa década e concluir-se-á no itinerário desse meio século. Os passageiros da trafegabilidade pelas marés furtivas que banham os tesouros nos litorais do poder, salvem-se enquanto dure a excursão do Navio Brasil na aflição dos reparos e navegando à deriva em águas revoltas no mar aberto.

Exportados da vida pública

Essa é a última e longa viagem no caudal das mudanças previstas há dois milênios por Cristo. Urge o prazo, inadiável, para se livrarem da carga que os pesa na consciência. E com urgência, porque urgente é o último tempo no fôlego. Redimam-se das maldições do Mal para as bênçãos do Bem. Ou se findarão boiados no mar da Ilha dos Porcos, ou à tona no mar de lamas no Planalto. O notório nas rasuras da roubalheira flutuada evidencia a enormidade do submerso nas profundezas. Há enigmas ainda não desvendados no marear do Navio Brasil. É temerário nominar as personalidades denunciadas e acusadas. Não se distingue com clareza os culpados dos inocentes no elenco de políticos e de empresários tripulantes com passaportes carimbados para a deportação da vida pública. Por enquanto, entre os que estão abordo decifra-se apenas que o Agente-Mor, da Guarda Costeira, simboliza o juiz Moro, da Justiça Federal. A prudência recomenda a sensatez de se aguardar o desembarque no porto. Até porque a tripulação irá aumentando durante a viagem. Até quando e até onde? Ninguém responde. Não se sabe onde fica o último horizonte. E só a bússola do adivinho poderá prever a porção dos naufrágios e o tempo que durará a viagem do Navio Brasil na rota sem rumo no movimento dos temporais jogando medo a bordo na realidade transfigurada em pesadelos nas mentes dos com o fantasma da corrupção na cabeça. Na imaginação desses passageiros, os ventos esculpem nas nuvens negras espectros com seus rostos e descem se segurando nos fios da chuva, quais trapezistas, quebrando-se nas pancadas das ondas, viram caveiras, recompõem-se rápido, levantam-se e viram sacos de dinheiro perseguindo os que correm atrás dele e correndo atrás dos que correm dele. Esses são os ricos para o Céu.

CONTINUA


ESPECIAL

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Viagem à

oficina de

DEUS

A

s pessoas que a vida traz e leva maior para a posteridade são aquelas que nascem poemas nelas e não deixam ficar adulta a criança que brinca nos sonhos dentro delas. Essas criaturas transcendem nas paixões da alma o idealismo que não se desfigura no estoicismo ante os poderes que se anteponham contrários na fileira dos anos. Não se tabelam no valor das coisas materiais, porque não ignoram que estão com os dias contados e com tarefas para cumprir na passagem pela Terra, por isso, não se limitam no parâmetro dos tempos, porque sabem que o passado, o presente e o futuro não têm datas na idade do eterno. Vieram na frente trazer o mundo que virá. Platão trouxe a República. Santos Dummont chegou com o avião. Goiânia veio em Pedro Ludovico. Eles fazem épocas que os fazem História nas obras. Outros fazem obras que os desfazem na corrupção. A vida não é um ente abstrato e inerte na geração das forças que impulsionam o mundo, mas é um ser real e dinâmico na criação das energias que movem o Universo dentro do seu corpo. A vida é a existência de Deus em tudo. Está nas pernas que andam em nossos passos justos e nos pés que nos param em nossos tropeções. Está nos braços que nos aconchegam e nossas carências e nas mãos que nos esbofeteiam em nossas impiedades. Está nos dentes que nos sorriem em nossos atos corretos e nos mordem em nossas ações desonrosas. Os nossos sucessos e os nossos fracassos são o nosso merecimento no veredito das leis da vida. O romantismo e o materialismo são as duas linhas mestras da virtude nos fadários da vocação, bifurcam-se nos pendores do ideal, seguem paralelos nos

Página de ro sto de a Repúblic do manuscrito mais an tig a, na Biblioteca de Platão. Documento o está Nacional da França, em P aris

méritos, encontram-se infinitos na conjunção do sublime, ou se distanciam venalizados na agregação do casto ao devasso. A ética é o código da vida na razão de todas as coisas. O romantismo e o materialismo são regidos por anseios diferenciados nas aptidões das pessoas e iguais nos fundamentos do verdadeiro na exatidão das almas. Aqueles que transformam sonhos em realidades são dotados de premunição e agem como se por acorrentamento da intuição perceptiva na unção do maktub em seus destinos. Arrebata-os o êxtase da inspiração. A emoção do intelectual ao nascer o poema é a do industrial ao conceber o produto; assim também é o fascínio do cientista nas descobertas e do compositor nas sinfonias. O estro inebria-os na paixão dos sonhos e transporta-os para as dimensões do metafísico, onde enxergam, escutam e buscam o que está pronto na oficina de Deus. Galileu Galilei viu a Terra girar em torno do Sol ardente e voltou com a Teoria Heliocêntrica. Beethoven ouviu, surdo, a música, e trouxe a 9ª Sinfonia. Benjamin Franklin buscou na carga do raio a energia e configurou a luz elétrica. Então nem o que os gênios trazem não lhes pertence. É obra do Criador. Eles são os mensageiros.

Os dois pilares mestres do edifício-Vida

A pessoa romântica e a materialista desempenham no mundo a função idêntica ao trabalho das duas rodas no eixo do carro de boi. Seguem cangadas na diversidade dos dons e aparelhadas na mesma direção das tarefas do bem que seus espíritos vieram cumprir no carro da vida nesse planeta. As subidas custosas, as descidas fáceis, as curvas perigosas, os desvios atraentes e as encruzilhadas confusas no rumo a ser tomado nas estradas, existem também no estirão dos destinos. Mas nenhum dos trechos acidentados nos caminhos é tão desastroso como os atalhos que extraviam o viajor na rota das provações para a trilha das tentações nas jornadas da vida. É na trajetória das glórias no poder que crescem a humildade da abnegação nos puros e a arrogância da ganância nos espúrios. Poucos permanecem imutáveis no ilusionismo do endeusamento nos apogeus. A maioria transvia-se ante os cantos de sereias que afetam os lúcios e alteram os estúpidos na vaidade que os futiliza na alucinação dos deslumbramentos.

A sensibilidade do intelectual que derramava paixão nos poemas, vai para a emoção que o empolga nas solenidades das faturas nos autógrafos. O entusiasmo do empresário que se comovia com as multidões nos estoques de seus produtos, vai para a exaltação aos milhões em seus depósitos nos bancos.

As visões

diferentes do mesmo horizonte

da montagem em série de automóveis e a escrever os livros Minha Filosofia de Indústria e Minha Vida e Minha Obra. O verdadeiro romântico busca e traz os horizontes ao povo. O legítimo materialista leva e põe o povo nos horizontes. A questão fatal para os dois é que as grandes alturas estonteiam a muitos e insinua-os que são eles o alto. Por mais que sejam veneráveis, o incenso das lisonjas atinge-os nos descuidos do ego. Pavoneiam-se nas ridicularias da aparência no supérfluo. Entronam-se no vulgo e enxotam-se da consciência. A estirpe do digno inalterável na retidão do caráter é a única salvaguarda infalível no desvendamento dos fetiches insinuantes na confluência dos pedestais de parelha nos alicerces do sucesso e do fracasso. A fã do perene e o anseio do efêmero estaqueiam-se bifurcados nas hesitações entre o ser e o ter no livre-arbítrio. O pilar da vaidade, untado de enganadices nas tentações que ensebam o perfil do cobiçoso, é o pelourinho de onde se vergasta de cima a alteza de todo poderoso caído em devassidão. A vida sobre-os para descê-los no baque do mal nas quedas do ter.

O romantismo e o materialismo são as asas no voo das mudanças descortinadoras da evolução que aprimora a qualidade da vida na Terra; portanto, são igualmente valiosos como a base em que se esteiam os fundamentos definidores do ético nos valores da missão redentora que o espírito veio cumprir no destino da pessoa. Todos os caminhos da vida conduzem ao correto. As pessoas é que andam erradas. O materialismo e o romantismo não se diferenciam um do outro nos dotes da clarividência que semeia e planta sonhos nos idealistas. Deus os privilegiou no delegado aos seus espíritos. No entanto, tantos se adversam em ascensão triunfal no destinado que os puxa na alma, porque, ao ouvirem os cantos de sereias nos alados do poder, inúmeros deles passam a vacilar no íngreme das provações e escorregam-se atraídos pela sedução nas bruxas que os esperam no cediço das tentações. A pessoa romântica e o materialista são criaturas envoltas nas bênçãos que o ideal tem, em uma não mais que naquela, em outra não menos que nessa e, sobretudo, flamejantes em ambos na inspiração que emoPedro Ludovico Teixeira, cionou Castro Alves nos o político que fez Goiânia poemas Navio Negreiros e germinar no cerrado brasileiro Os Escravos, qual vendaval que desce do Além, derruba o mal e levanta o bem. Ou se agiganta, igual, na sensibilidade que inspirou Henry Ford na instituição

Alberto Santos Dumont: o brasileiro que foi buscar o futuro no céu. Na foto: ele preparava o voo que o manteria para sempre nos ares da história, em seu 14-bis CONTINUA


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LUZ QUEBRADA

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

A tábua

dos tempos A devasta nos condomínios de todas as formas do poder não advém da inferioridade no contingente das armas; ao contrário, dá-se no auge da superioridade bélica. Essa realidade é um fato histórico palpável nos pósteros das quedas dos poderosos na Humanidade. Aconteceu nos anos de apogeu nos impérios egípcio (30 a.C.), grego (146 a.C.), romano (509 a.C.) e sempre ocorrerá no destronar das vestais do absolutismo que instalam o retrocesso e a estagnação no processo de evolução no governo. Esse fenômeno faz-se visível na decadência moral da civilização atual. O Brasil destaca-se como vexame de ponta no limo do imoralismo alastrado secularmente nos três poderes da República, e que, é justo reconhecer, esparramou-se exageradamente nas décadas recentes aos borrões do cinismo oficializado. O moralismo veste putas de freiras na comunhão dos pecados na sacristia do cívico. A Nação debate-se sob o jugo dos déspotas da corrupção, e o povo esperneia-se nos trancos do ruim às vésperas do pior próximo ao péssimo. Os doutores da lei instituíram o imoral no legal. Profanam a verdade nos perjuros ao bem na consagração ao mal nas perdurações das mentiras. A maioria das autoridades abandidou-se. Esqueceram-se da Lei de Causa e Efeito na Justiça Divina. E terão o seu dia de relho no chicote do cabo que está em suas mãos.

O invisível

à mostra nos que não querem ver-se Os falsos profetas do Cristianismo no comércio das religiões, os ateus das facções do cientificismo heregista, os iconoclastas insensíveis ao realismo simbólico nas imagens cultivadas nas tradições, não precisavam olhara para o céu para ver o colosso das mudanças se consumando pelas forças da natureza em toda a Terra. Os temporais passam a limpo as desgraças nos flagelos da fatalidade. Jogam mares lavando males enraizados nos sertões. Sopram vulcões no além das lonjuras debruçadas no produtivo devastador. Escorrem morros nos alicerces do luxo à beira das periferias no relento das misérias e derrubam prédios na opulência extravagante das metrópoles. Derramam enchentes nuns rios e secam outros. Rasgam barragens e bebem represas. Afundam governos na corrupção e boiam enriquecimentos ilícitos. Alastram caravanas da fome nas multidões fugitivas das guerras desovadoras das indústrias de armas para os acampamentos das nações que espoliaram suas terras pátrias. As mudanças estão realmente devastadoras como nunca visto em toda parte nos chãos e geral na base dos poderes. Mas não se assustem. Não é o fim do mundo. A Terra está sendo salva dos maus. Será o planeta dos bons. Muitos terão de mudar-se do mundo dentro de si. Sejam sementeiros do bem e podadores do mal. A sabedoria popular reza a verdade que “o plantio é livre, a colheita é obrigatória”. Planta-se um grão de milho. Nasce o pé. Dá três espigas. Granam em média 500 milhos em cada uma delas. Então a verdadeira remição na abstinência não é o jejum do que entra pela boca, mas do que sai pela boca, sobretudo, se a pessoa doar a um faminto todo dia o que ia comer durante o período de sua penitência. A corrupção não ficou maior ou menor do que sempre esteve a mesma nos poderes do Brasil. Está é mais à mostra. E um tanto relaxada nas prevaricações em público. Mesmo assim o que se escandaliza é pequeno na amostra do que se banalizou sob os véus de tíades nas orgias perdulárias de Midas enlouquecidos. A corrupção não pode ser tratada no pessoal nesse alarido do acusa-acusa e do defende-defende, porque está coletivada no troca-troca das culpas entre os corrup-

Ilustração: Galileu contempla o sol como centro do então desconhecido sistema solar

Benjamin Franklin provou a natureza elétrica dos raios com o famoso experimento da pipa em um dia de tempestade. Além dos seus feitos como inventor e na física, ele foi jornalista, editor, autor, filantropo, diplomata e político que liderou a Revolução Americana

tos que, se presos, esvazia a política, trava a economia, desfalca as famílias e faz as crianças sentirem vergonha dos adultos. A avaliar pelos exemplos do visto nas práticas do que constroem, há pessoas que nascem eruditas no espírito e existem as que, a deduzir pelo que destroem, ficam incultas quanto mais estudam. Ignoram que a leitura dos fenômenos da natureza e dos fatos históricos requer tanto saber como o conhecimento para se ler bons livros. Por isso desaprendem no que aprendem. E põem as palavras da moralização nas vozes da corrupção entoada nessas ladrações do denuncismo, quais cachorros vira-latas latindo nas ruas barulhos dos quintais, ou tatus furando buracos no barranco que vai cair em cima deles.

O tribunal

de cada um no foro da vida As palavras, o vento leva os vestígios. O escrito, a posteridade grafa os fatos. No parlatório dos que se defendem acusando e dos que se inocentam denunciando, estão culpas se condenando nas desculpas. São riquezas nas escrituras da corrupção. Muitas em todas, o povo as viu nas pobrezas andarilhas no poder. Raras na maioria abastada não aumentaram os bolsos nas gavetas dos cargos. A empurração nos domicílios do ilícito para as vizinhanças irá enliçando uns a outros no desfiamento das improbidades acasaladas no estatal e no privado. A cumplicidade confessa nos depoimentos e exteriorizada no descaro dos documentos luxa-se na impunidade insultante às leis. A corrupção caleja digitais nas autoridades e mendiga vadia nos assaltos de rua. Procria tubarões na cacimba dos impostos e nina ratazanas às ninhadas nos berçários dos mandatos eletivos. Compartilha-se o Brasil esquartejado no covil dos partidos políticos. O arregaçamento moral está provado e comprovado na dinheirama devolvida ao erário pelos milagreiros da multiplicação do dinheiro público nas fortunas delatadas ou confidente no confessionário do juiz Sérgio Moro. Um vexame nacional. Santificados nas urnas eleitorais abriram somas tão prodigiosas como a grandiosidade faraônica do dízimo nos pedágios da fé. Uma impudência safadinha. A corrupção inocenta pecadores e condecora vilões. Ajoelha-se aos criminosos e lambe nas mãos deles o sangue das vítimas. Engorda as farturas do rico e come o escasso do pobre. Escraviza pessoas nas senzalas da cobiça avarenta, mas não alforria o servilismo ao egoísmo das almas no tabernáculo Divino. Acabou o prazo da espera nas delongas para os que veem as feições bandidas dos outros como se as contemplasse para não olharem as próprias. E não enxergam a expiação sem esconderijos dela nos poderes terrenos para os militantes da criminologia codificada para a extinção nela. Soou o toque final para a retirada da vida pública de 99% dos atuais políticos, envelhecidos no asilo das ideias e amamentando os filhos e netos nas tetas de mandatos populares imerecidos.

no cerne, o que resta não serve nem como madeira de andaime na reconstrução do País. O ecossistema na selva política está inabitável. Podas não resolvem. Virou capoeirão de pau grosso. A solução é uma derrubada geral nas restingas do poder. Reduzir à cinza as coivaras. Roçar a moita nascida dos frutos ficados. Arar total a terra completa. E plantar sementes selecionadas nas floras da civilização que governará o Planeta do Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, aqui das terras que começam, dão voltas e terminam em Goiás. O tempo das mudanças fechou com os corruptos do lado de fora. Caiu a máscara nos manequins do moralismo na falácia das zanzas entre propineiros e extorquidores e no loquaz das teimosias entre o sectarismo ideológico e o fanatismo religioso, mercadejados a preços de ocasião nos leilões do poder a todos os partidos políticos; mas que são partidos apenas na adjetivação verbal; todavia, estiveram inteiros na parceria de franquias no mercado das corrupções. As entranhas dos três Poderes da República estão ao avesso nos pacotes das mazelas se desembrulhando nos invólucros dos mandatos dos sete últimos presidentes eleitos do Brasil e, cujas únicas sucessões, foram as das facções da corrupção que embolou os governos nas pelotas dos rolos caindo igual rolam nas estradas bolotas de gravetos enrolados pelos ventos no ramal das beiras. Assim será com os bandalhos empilhados nos porões, nas escadarias e nos cimos do poder. Irão caindo enrodilhados uns em outros nos monturos dos ciscos morais. Serão moídos nas rotações da transição que excluirá a corrupção como ofício política de roubar nos governos.

Os de barriga cheia e os de goela grande

A lâmina

do castigo nos pescoços Chegou a hora do prego na cruz na mão do bom ladrão e na do mau ladrão, lado a lado de 208 milhões de cristos crucificados no meio. Estamos sob a ronda do ferrete de estigmas. Os flagelos que abatem o Brasil no segundo governo de Dilma lembram as desgraças que dizimaram o Egito no império do faraó Ramsés II. O tinto da lama tóxica que escorreu no Rio Doce até o oceano Atlântico evoca semelhanças com a coloração do sangue que correu no rio Nilo até o mar Mediterrâneo. A calamidade das doenças transmitidas pelo mosquito aedes aegypti nas cidades brasileiras sugere equivalência com a praga dos gafanhotos, que afligiram na fome, as populações do Cairo e de Mênfis. O castigo da fumaça que matou os primogênitos dos pais da corrupção nas cortes egipcianas ressurge qual cepo imerso na sombra dos escândalos que devora os próprios corruptos nos três poderes do Brasil. Há um fenômeno ainda mais surpreendente na misteriosa identidade do acontecido no Egito com as ocorrências no Brasil. O mar Vermelho abriu para os hebreus atravessarem para a Terra Prometida e fechou enquanto o exército que os perseguia passava e morreu para o faraó ver o seu declínio. Dom Bosco teve a visão da civilização que governará a partir desse milênio o Planeta, do planalto do Brasil Central e que outras poucas e menores áreas não serão submersas na Terra. Portanto, não se pode descartar a possibilidade de a abertura do mar Vermelho par ao povo de Moisés cruzar, repetir-se ampliada nas águas dos oceanos para protegerem o povo de Dom Bosco. Afinal, o santo salesiano fez outras profecias, e todas se cumpriram. Pelo que se percebe nos sismos da natureza e se consta nos fatos que estão ocorrendo no Brasil, o vaticínio da Civilização Prometida está se consumando nos desígnios de Brasília para os marajás verem o seu fim.

A corrupção recende no que destoa e no que entoa a ambivalência na discórdia e na concórdia dos que estão se degolando nos gládios dela no triunvirato dos poderes. Remendam os rasgados com retalhos no pano podre na roupa gasta. Além de inúteis as costuras, irão deixando, expostas no nu, as partes ainda encobertas pelos trapos. Nenhuma força humana impedirá o Brasil de vestir as mudanças que despem os mazelentos nas vitrines de todos os poderes terrestres. Elas são tecidas por Cristo no tear do Evangelhos e descem do Céu prontas para o consumado da purificação até não restar corrupção sobre corrupção de cada pessoa. Então todos tenhamos pena de nós. Parem de julgar os erros alheios. Não há pessoa sem pecados. Antes de olharem o mundo, vejam dentro de si. Os que padecem debaixo do peso das dores, estão colhendo-as nas feridas que abriram em outros, quando estiveram por cima na vida. E merece uma surra todo aquele que bater em quem já está apanhando. Portanto, seja sempre ardoroso nas chagas e nunca ardido nas cicatrizes. O calejamento nas vinditas mancha as mãos espalmadas nas orações. Os descalabros do imoralismo, que está à vista e enorme nas esferas oficiais, irá se mostrar maior e abusivo nas alçadas da histeria denuncista das oposições cativas nos pratos de seguidos governos. O que se assiste é uma briga de talheres à mesa da corrupção no poder entre os de barriga cheia e os de goela grande.

Bolas de

gravetos roladas pelos ventos nas estradas Na árvore da genealogia dos poderes públicos no Brasil, a corrupção vai das raízes à fronde, vistosa nos ramos crescendo à sombra, fértil nas sementes brotando no chão; até as folhas que caem dos galhos, umas amarelas, outras secas, ou mesmo as cascas que se desprendem podres dos troncos, muitos brocados

Beethoven perdeu a audição gradativamente. Sua última sinfonia foi construída com base na sua poderosa memória auditiva e fantástica inspiração. “Deus sussurra nos ouvidos dos homens e grita nos meus”, registrou o filme O Segredo de Beethoven

CONTINUA


ESPECIAL

Os corruptos

desfilam nos Poderes do País Há vozes de corruptos nos vozerios contra a corrupção. Nem é preciso caçá-los nas tocas do escondido. Os roubos mostram-os nas fortunas. Todas as corrupções apuradas pelo juiz Sérgio Moro são reais na enormidade, mas a quantia não é a corrupção inteira dos governos no Brasil. Há mais corruptos comendo milhões nas tulhas do erário do que existem ratos roendo milho nas espigas dos paióis. Se se contar centavo a centavo e grão a grão, chega-se a ratos e homens iguais no instinto compulsivo no furtivo. Protestar contra a corrupção é preciso. Mas sem políticos infiltrados nas manifestações. Porque nos pratos vazios que batem, eles a comeram gulosos. Canonizaram a corrupção, endeusada no mistério das fenomenais fortunas saídas da pobreza e chegadas na riqueza com a velocidade da luz, o que só pode ser por obra de milagres da corrupção. Até no adjetivo coletivo corruptela, o substantivo corrupção foi roubado da palavra em corrução. Na Gênesis, a verdade bíblica testemunha que Deus fez o Céu, a Terra e tudo no Universo com o verbo criar em seis dias e descansou no sétimo dia. Etecetera. Na política, a realidade prova que os líderes criaram todos os modelos de governo com o verbo corromper conjugado em todos os tempos: eu corrompo, tu corrompes, ele corrompe, nós corrompemos, vós corrompeis, eles corrompem. E nunca se cansam um dia de corruptar. Reticência. E paramentam-se no corruptório a gosto do corruptômanos na corruptomania, vestida de farda, toga, batina, smoking, fraque, casaca, jaleco, terno e gravata, macacão, bermuda, short, pijama e até despida, mas sempre trajada à caráter no figurino da sua categoria social para não despertar suspeitas no ambiente das falcatruas. Se se passar o pente fino da austeridade nos tapetes das vestais assanhadas nos desfiles do moralismo nas passarelas do trio dos Poderes do Brasil, ficará cheíssimo de caspas, lêndeas, piolhos e, em inumeráveis casos dos penteados, até ftirídeos da deusa Afrodite nos camarins da corrupção. Ao assistir comensais da corrupção nos verdugos hipócritas do puritanismo arrastando Dilma Rousseff para o cadafalso montado no impeachment, dói-me na alma a imagem dos carrascos levando Joana d’Arc para a fogueira da inquisição.

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pôr para for do Poder a maioria dos atuais políticos. O prejuízo será mais barato para o Brasil que os lucros no governo parado na caçada deles em todos os seus ninhos no Executivo, no Legislativo e no Judiciário. Vivemos no Brasil de 2016 a França de 1789. O amor diminuído no coração dos ricos e o ódio aumentado na cabeça dos pobres. Mágoas paradas nos rancores ambulantes a procura de vinditas nos ódios fixos. O desemprego abastece a fome às portas fechadas das oficinas e o desperdício esbanja empregos gordos nos cargos do governo. Os governantes esbaldam-se no luxo sobrando farto nas esbórnias palacianas e se refazem das gastanças no uso da ganância dos impostos esfarrapando a Nação. Os líderes políticos brincam no jogo do esconde-esconde a corrupção, ante uma guerra civil mormacenta nos ânimos faiscantes da revolta que acendera a Revolução Francesa no estopim da paciência popular.

O dia da

Sobra dor nos

corrupção aos pedaços

As movimentações de 20 de junho de 2013 eram uma revolução. O Brasil saia pacífico para dar o grito de independência da corrupção continuísta na sucessão dos governos. Mas ela é interdependente nas facções dos 33 partidos e nas células dos três Poderes. A corrupção organizada dos crimes da esquerda e da direita infiltrou os inocentes úteis de suas massas de manobra às marchas de protesto em guerras de vândalos nos quebra-quebras de patrimônios particulares e públicos, com mascarados espancando pessoas e cujas máscaras dos blocos violentos evocavam os personagens dos desfiles de carnaval. Máscara, ou é coisa de bandidos, ou é coisa de carnavalescos. Quem não mostra a cara no que faz, esconde uma vergonha de si. Tiradentes não escondeu o rosto na Inconfidência. Pedro I escondia nas gandaias. Escrevi, àquela época, artigos (todos publicados no Diário da Manhã) ponderando os políticos que seriam vãs e temerárias quaisquer tentativas para impedir aquelas manifestações de cumprirem o determinismo histórico de acabar com a corrupção da Terra na atual civilização. Tentei esclarecê-los sobre a causa do fracasso inevitável das incursões contrárias. Alertei que seriam vãs, porque eram as mudanças anunciadas por Jesus Cristo há dois mil anos para o começo desse século. Adverti que seriam temerárias, porque os que se insurgissem conheceriam a humilhação do reaísca no pavio da púdio a eles em praça pública. A exclusão começou. As multidões que paciência do povo marcharam contra corrupção no dia 13 de uma guerra civil março último, enxotaram os políticos que tentaram tirar proveito eleitoral do movimenTentar colocar todos os corruptos do Bra- to, inclusive, governador, senador, deputado federal e outras autoridades. sil na cadeia é o mesmo que peleA repulsa crescerá. Sofrerão represájar para pôr o rio Amazonas em lias os corruptos que forem pegos no um copo ou a Serra da Canasmeio das manifestações, com riscos tra num saco. O Lula pode de espancamentos. Ou coisa pior. ser condenado, no máximo, Como ser escrito neles “Eu sou como receptador das corcorrupto” e obrigá-los-ão a desfirupções de seus antecessolar em meio ao corredor polonores; e se for distribuí-las em -brasileiro das revoltas. cotas, vai dar para todo munA meada se enrola fio a fio. do se a Globo não tiOs três Poderes estão agonirar a sua parte. zantes na crise do GoverA corrupção no do Brasil. A república agendada pelos deperiga. E não pelo risco putados federais de um clássico golpe no arcabouço do de estado no impeaimpeachment chment de Dilma. da presidenÉ mais grave. Trata Dilma Routa-se de um golpe sseff mostra dentro da corrupa corrupção ção no estado da que esconCastro Alves foi o corrupção. E não dem neles. poeta que trouxe se deve desprezar Que há cora dor dos escravos o mérito dos depur u p çã o, para o peito dos tados federais que tem dechicoteadores. Sua obra ocupam posições demais. conseguiu encucar, no cisivas para a deposiSobram imaginário da época, que a escravidão era ção da presidente da nas forcrime grave. Visto República. Eles ententunas que os senhores de dem de prática da cordos polítientão não assim rupção. cos propinas consideravam Há uma surpresa viextorquidas sível no desfecho do imdos empreponderável. A corrupção sários nas neé uma nas fatias da polítigociatas. ca no poder. Caso os lídeA corrupres não se entendam na ção engordou partilha de suas porções, muito e prese exporão nas turras da cisa emainescrupulosidade, tal qual grecer ráherdeiros nas demandas dos pido. E terá espólios, e perderão o controque ser à forle do que os custeia. Quando ça, ainda que menos se espera, as manifestaante a iminênções populares invadirão os órcia do impacto de gãos públicos e quebrarão, dessa uma ruptura nas acovez, todos os núcleos da corrupmodações da democração, autoridade por autoridacia. Não existe outra diede. ta, senão a receita de

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à míngua e falta piedade nos doutores

Henry Ford revolucionou o mundo com sua filosofia de prosperidade e foi a peça chave na industrialização global

Assim será. Nada mais ficará encoberto. Quem viver, verá. E não está longe esse dia. Terão uma amostra dele nos meses da campanha eleitoral deste ano. Os políticos verão as movimentações populares carregando cartazes com fotos dos candidatos corruptos que os eleitores não devem votar neles.

Os transgênicos

da corrupção nos regimes de governo

A corrupção brasileira nem parece ser coisa desse mundo. Roubou o dom de ubiquidade que permitia a santo Antônio e Dom Bosco estarem ao mesmo tempo em vários lugares na Terra. Pois ela possui esse fenômeno que só o sobrenatural explica. Mantém frequência assídua no governo do Brasil, nos estados, nos municípios e está presente a todo momento nos governos dos países nos cinco continentes. E não entra de férias nem no dízimo das igrejas. É onipresente. Quando a viam nos expedientes da Petrobras, a Zelotes flagrava-a operando no Conselho de Administração de Recursos Fiscais em horário integral, embolsando 19 bilhões de reais do fisco federal para 75 impérios empresariais e com a conivência de dois conselheiros do Carf, de um procurador da Fazenda Nacional, de um ministro do TCU e de um filho de ex-presidente da República. Mas é no Congresso Nacional que ela é a primeira Dama. E será mais fácil tirar o Brasil do Brasil que tirar autoridades corruptas dos Poderes. Ela vive nelas e elas vivem nela. Os políticos viciaram o governo nas mazelas e o governo gostou do tráfico nas falcatruas. Eles dependem de suas cotas nelas e o governo depende delas nos seus dispêndios. Uns choram, outros mamam. A mamadeira são os impostos. O leite é tirado no seio do povo. O povo magro nos descalços à pé, a corrupção gorda nas mãos sem calo. O ordenado alto nos graduados do governo, o salário do trabalhador no chão do desemprego. O crime cresce aberto na miséria das vilas, o luxo aumenta escancarado nos condomínios fechados. Fiscais multam pequenos verdureiros nas feiras livres, incentivos fiscais renunciam impostos nos grandes negócios. Onde há medo de corrigir injustiças, não há coragem de fazer justiça. Sobre dor nos à míngua e falta piedade nos doutores. Resta a doutrina da revolta nas procissões do protesto reunindo almas no sacrário das manifestações populares.

A corrupção voou, nadou e andou solta em todas as terras, águas e céus do Brasil roubado torrão a torrão, gota a gota, ar a ar, o tempo todo sob a coberta das leis e à vista nas melhores fortunas. Mas a toca dela é a política. As bocas que xingam ela são as que comem nela. O único jeito de deter todos os corruptos é se eles prendessem uns aos outros. São transgênicos nos regimes de governo. Figuraram na lista dos comunistas na ditadura militar e ilustram a lista dos corruptos na democracia. O ministro Joaquim Barbosa abriu a fenda no Mensalão. O juiz Sérgio Moro esquartejou na Lava Jato. Em toda parte, na internet, na mídia, no assunto dos vivos, no silêncio dos cemitérios, há políticos e empresários catingando corrupção. Só não público a lista nominal dos cadastrados para não me odorizar da delação premiada e de onde exalará culpa de inocente e de julgador condenado na absolvição de acusado absolvido. As faces da corrupção são enganosas. Por mais que mostra a cara, a sua fisionomia tem muitos semblantes. No balanço da Lava Jato, a contabilidade dos devedores do Brasil no cartel da corrupção soma: 246 políticos 21 senadores 125 deputados federais 45 ex-deputados federais 35 deputados estaduais 6 governadores Dilma Rousseff: quando 8 ex-governadores o artigo estava sendo 6 ministros de Estado elaborado, ela ainda 12 ex-ministros estava no poder 4 ex-presidentes da República 1 presidente 4 ministros dos Tribunais Superiores 81 pessoas investigadas 8 construtoras envolvidas no rol das 35 empreiteiras 1,2 milhão de trabalhadores afetados diretamente 250 mil perderam o emprego 6,1 bilhões de reais desviados 3 bilhões recuperados CONTINUA


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LUZ QUEBRADA

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A pessoa capaz

de destruir o juiz Sérgio Moro O consenso geral amontoou os atuais políticos na corrupção, hasteados no descrédito. A maioria precisava levar um banho de cuspe do povo. Alguns se emporcalharam, não por avidez nas comilanças, mas por retardo nas ideias. Basta conviver cinco minutos com um deles, para a pessoa ficar fedendo atraso três dias. Diversos estão estressados de vaidade no anonimato dos mandatos populares. Não adianta quebrar-lhes a auréola das névoas da fama, pois é mais fácil convencer um inteligente que ele é bobo do que um bobo que ele não é inteligente. A baba molha-os na visão. Por isso não percebem que o juiz Sérgio Moro é a revolução com a espada de Dâmocles sobre a corrupção e que os ataques disparados contra ele têm efeito bumerangue. A única dúvida feroz na corrupção é a certeza fria se roubou-se mais o Brasil no governo do PMDB, ou no governo do PSDB, ou é no governo do PT. Olhando-se os patrimônios de pemedebistas, de peessedebistas e de petistas, conclui-se que roubaram igual, juntos. Quadrilharam todos os governos. A Nação foi tão esquartilhada de roubalheiras, que o seu soerguimento à beira do caos está na dependência

de um gesto de honestidade nos atos dos desonestos. Parem de negar e confessem suas furtanças. O País cansou-se de assistir à teatralização da corrupção com políticos corruptos no papel de mocinhos. Desistam de reprisar as cenas de sovinarias no espetáculo das vadiações, antes que o juiz Sérgio Moro prenda-os no palco. Ou o povo brasileiro quebre o teatro de duas conchas dos carrascos posados de mártires. O juiz Sérgio Moro é milhões de brasileiros nele. Todos os do poder, unidos, não conseguirão vencê-lo. E se tentarem limitá-lo, ele virá muitos Moros no Brasil inteiro. Mas existe uma pessoa capaz de destruí-lo. É ele próprio, se sair do correntão de luz que o prende ao destino dos benfeitores da Humanidade. Terá de matar a corrupção nas lâminas do justo sem ferir as pessoas nos ganchos do rancor. Sentir-se-á sozinho em muitos cortes da angústia e não deve atrelar-se às alças do aplauso. É fundamental ter a compreensão de que as críticas mais doídas nas derrotas podem vir dos que estiveram mais doces nos elogios das vitórias. Guardar ressentimento dos que nos decepcionam é como ficar arrancando as cascas das feridas para elas não cicatrizarem. Homens como Sérgio Moro são enviados, de épocas em épocas, daquelas dimensões de

onde nascem os predestinados que fazem as mudanças históricas, tão perigosas quanto cuspir no revolver na mão de bandidos em assaltos. A prudência reco-

O impeachment

tá-los. A analogia é válida para o vício dos corruptômanos com os dispêndios dependentes da traficância da droga dinheiro nos cassinos do erário. Carecem de internações em presídios de segurança máxima, aos assédios de suborno e de propina, em todas as celas.

que não houve derrubou Dilma A corruptomania é uma patologia crônica da mente. Nunca maior antes. Jamais menor depois. A mesma medida sempre. Mais à mostra às vezes. Como agora. Teve um charme. Está vulgar. Era elegante nos governos de Fernando Henrique Cardoso. Vulgarizou-se nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva. Foi jeitosa no primeiro e assanhada no segundo dos governos de Dilma Vana Rousseff. Maquia-se nos três Poderes da República. Veste-se de Executivo. Desfila no Legislativo. Resguarda-se no Judiciário. Tem passarelas no empresariado. Empurra corruptos nos partidos políticos. Gatinha às escondidas nos moralistas. Fascina nas religiões. Tem passos no povo. Até cegos tropeçam na corrupção entrando nos pobres e saindo neles ricos do governo. O medo do impeachment que está na presidente Dilma, vem da coragem que não lhe houve quando parou de demitir os ministros corruptos no governo anterior, ao ser informada da articulação de um pedido de impeachment, caso não interrompesse as demissões de ministros indicados por políticos das bancadas dos partidos aliados ao governo do PT. Interrompeu. Dilma desertava ali da sua legenda de revolucionária. Vacilou às portas da História abertas para ela naquele momento. Bastava-lhe dar um passo. O de um Manifesto à Nação a conjura política dos corruptos. Renunciaria a presidência do Brasil. Mas não renunciava sem consciência. Então, Dilma não cairá no impeachment que houver. Caiu naquele impeachment que não houve.

Sacudir o defunto para acordar o morto

Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Vana Rousseff: os três presidentes que governaram cercados pela corrupção e, em cada um deles, a corrupção comportou-se diferente

Os governos

que quebraram o Brasil A balança que pesa na Justiça, os culpados em um dos pratos e os inocentes no outro, está sendo usada no impeachment como uma balança de açougue com o fiel viciado, pois o prato com um pedaço de carne contaminada pesa mais que o outro cheio de carnes podres. E, por falar em pratos, os impeachmenteiros estão escarrando nas pratarias em que comeram e lamberam, até o último cozido, nas cozinhas de todos os governos dos ensopados na corrupção. A Rousseff não passa de garçonete no gran monde das laid na corruption que ex-presidentes são maîtres. A política brasileira está com infecção generalizada, contraída nos focos da corrupção em fase terminal nos líderes com a imunidade baixa no caráter. As pugnas do denuncismo nas rinhas do poder são furupas na ciranda do moralismo que restolhará autoridades nos joeiramentos da corrupção nas peneiras furadas pelo juiz Sérgio Moro. A sorte está lançada nas trapaças políticas. Com a conivência dos grandes partidos nos carteados do impeachment da presidente Dilma. Ela não é uma oligarca como Collor. Não levará para sua história de revolucionária a biografia embrulhada na desonra silenciosa dos covardes. Usará o prazo de três meses a que tem direito e apresentará sua defesa. Mapeará a corruptologia dos sete últimos governos do Brasil. Juntará documentos comprobatórios dos autores nominais do falcatruísmo, caso por caso, uma a um, dos enriquecimentos onde

menda todo cuidado para não agir sob o impacto das emoções. Vislumbro em Sérgio Moro a figura de um bravo no centro de um redemoinho na beirada de um vulcão, com a paciência, no cidadão, maior que a de Jó e a firmeza no juiz que faltou no caráter de Pilatos. Se houver outro com a conjunção da coragem física e cívica de Moro, será personalidade clonada no estoicismo dele. Os bate bolas entre tantos deputados federais, que as pegarem, nos torneios da corrupção que eles chutam agora para o prélio do impeachment da presidenta Dilma Rousseff no estádio Congresso, constam no placar de todos os governos. Fazem muitos gols contra atualmente, com o árbitro Sérgio Moro assistindo na arquibancada os lances que dão cartão amarelo, vermelho e, inclusive, os lances das contusões que deixarão de fora os goleadores dos times que disputam o campeonato da corrupção na Copa Brasil.

se encontra o dinheiro público extraído dos superfaturamentos que quebraram o Brasil. Doa a quem doer, inclusive em si própria, a presidente Dilma não tem como se manter digna se fugir de apresentar um balanço da contabilização da herança da corrupção transmitida ou gerada em seus dois governos. O impacto será o da detonação de uma ogiva nuclear. O pânico reduzirá a chiadeira na Lava Jato a estalos de traques. E, ainda que lhe reste apenas uma rosa solitária num túmulo, entrará de pé para a História no testamento que faltou na carta de suicídio do presidente Getúlio Vargas.

Viciados no consumo da corrupção

Tem vozes roubando a palavra da verdade para falarem das corrupções de outros e mentirem sobre as próprias. O Brasil parou dentro de um festival de escândalos com revoadas de pancadas em que, os que derrubam e os que caem, se jogam juntos ao chão nos próprios er-

ros. A quantidade de dinheiro público buscado no bolso dos corruptos é astronômica, mas é cósmica a totalidade saqueada nos cofres públicos. A Operação lava à jato, mas a ação enxuga lento. Está de tal jeito que todo bandido preso com certos juízes soltos é uma injustiça. Os diagnósticos da corrupção endêmica no Brasil recomendam doses diferentes dos remédios no receituário dos tratamentos, para os cúmplices por gratidão; os praticantes por necessidade no custeio de doenças; os envolvidos por omissão com medo das ameaças; os militantes por pressão de chantagens; os cooptados até por imposição de parentes. Todos viciam-se com o uso e tornam-se dependentes do tráfico de influência nos pontos de compra e venda da impunidade nos três Poderes, distribuição e consumo nos setores organizados da sociedade. Condescendência com os usuários incentiva o tráfico da corrupção, que é a procedência de todas as outras drogas cheiradas, bebidas ou injetadas. Se os usuários da maconha e de quaisquer congêneres alucinógenos não forem submetidos a tratamento intensivo em clínicas especializadas, a dependência química irá aumentando até reduzi-los a párias ou ma-

A corrupção empata, meia a meia, nos governos pós 85 e, disputa com si mesma, o Troféu Impeachment Dilma, com seus campeões pró e contra na banca de jurados e com torcidas organizadas nas galerias políticas no trabalhado das ideologias, ora empinado para a corrupção inegável no PT da presidente Dilma, ora emborcado para a corrupção indefensável no PMDB do vice-presidente Temer. Todos os partidos foram estagiários em todas as corrupções acopladas nos governos com doutorado em dar prejuízo ao Brasil nos últimos 31 anos. Quebraram os créditos da corrupção e faliram o respeito do povo. Os próceres do impeachment são frente e verso na farsa. Lembram o mito Janus. Mas a honra não tem duas caras na corrupção. Se não for aprovada antes a cassação do mandato do deputado Eduardo Cunha, a Câmara Federal fica sem moral para votar o afastamento da presidente Dilma Rousseff do governo do Brasil. Deposição de presidente da República eleito pelo voto do povo em eleições livres é golpe de estado da corrupção fraccionada nas gorduras envelhecidas no modelo político. Que a corrupção ficou escancarada no governo de Dilma, ficou. Que o golpismo está esboçado, está. Que é mais artificializado que o golpe de 1964, é. Que os golpistas que derrubaram o presidente João Goulart eram mais ilustrados e verdadeiros que os trançadores na queda da presidente Dilma, eram. Que juristas celebres como Francisco Campos, o Chico Ciência e o Miguel Reale, negaram o golpe de 64, como o filho, Reale Júnior, nega o golpe de agora, negaram. Que a OAB apoiou aquele golpe como a OAB apoia ao atual, apoia. Que é golpe, é golpe. E não precisa ser jurista para saber. Basta ter consciência cívica e não ser um decoreba dos dogmas da lei. Os líderes civis que arquitetaram o golpe de 64 frustraram-se remoídos no arrependimento. Pois não foi permitido a nenhum ser um dos próximos cinco presidentes da República. Muitos foram até presos em casa na frente dos filhos pequenos chorando, uns como subversivos, outros como corruptos, e não são poucos os que morreram no amargo das perseguições. E eram idealistas. Os golpistas de agora serão chicoteados pela humilhação execrante da vergonha pública. O cutelo da tragédia realça eméritos corruptos nos chefões do impeachment de Dilma. Ver-se-ão arrastados da vida pública para o estaleiro dos renegados, tantos com as esposas e os filhos nas estivas do desdouro, a maioria sozinhos até de um amigo nas celas abertas pela Lava Jato. E a corrupção fechada com as chaves nas mãos do juiz Sérgio Moro. São oportunistas. Mas tentar alertá-los para a realidade de que a corrupção é finada velada na política e começará a ser sepultada nas próximas eleições é o mesmo que sacudir defunto para acordar o morto no funeral. CONTINUA


ESPECIAL

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

Sérgio “Moroespierre”. Jornalista traça, neste artigo, comparativo de um dos principais personagens da Revolução Francesa, Robespierre, com Sérgio Moro: o risco da guilhotina

Polímata e gênio brasileiro, Ruy Barbosa é considerado o maior jurista na história do País

Filipe dos Santos (ao meio) liderou o primeiro levante nativista do Brasil, a Revolta de Vila Rica, após restrições econômicas impostas pela coroa portuguesa. Foi a primeira vez que descendentes de portugueses se rebelaram. Sua legenda inspirou a então futura Inconfidência Mineira. Ele foi executado em 15 de julho de 1720. No cadafalso, antes de ser enforcado, proferiu a seguinte frase: “Jurei morrer pela liberdade, cumpro a minha palavra”. Após o esquartejamento, teve a cabeça decepada pendurada num poste, e as outras partes de seu corpo expostas ao longo das estradas

Único orador popular da Revolução Francesa, Danton tentou abrir os olhos de Robespierre para os abusos que ele cometeria, mas seu opositor não aceitou a desdita e mandou guilhotiná-lo após tê-lo feito ao rei da França Luiz VI e à rainha Maria Antonieta

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Exemplo de Moro para políticos

Sérgio Moro é um magistrado do Tribunal dos Tempos. Reza nele o sacerdócio do Papa Francisco, pensam as ideias de Platão, mostra-se a coragem de Filipe dos Santos, percebe-se a honestidade de Ruy Barbosa. A predestinação revolucionária de Robespierre é o Calcanhar de Aquiles no incógnito em seu destino. A grandiosidade dos indômitos na bravura das lutas mede-se na humildade de assumir os erros e na benevolência com os culpados. Não se pode decidir na ardência das emoções para não cometer o crime que combateu. Esse foi o erro fatal para Robespierre. Ao ser advertido pelo companheiro Danton para não guilhotinar o rei Luiz VI e a rainha Maria Antonieta, condenou os três à morte na guilhotina. E a Revolução Francesa acabou com Robespierre guilhotinado. Entendo que tudo deve ser exposto ao conhecimento público na vida das autoridades públicos — os negócios, os amores, as dores, as lágrimas nas perdas, o suor nas labutas e, se foi pobre, orgulhar-se da origem de sua fortuna. O juiz Sérgio Moro tem essa grandeza no caráter. Reconheceu que errou a liberar para a imprensa as gravações de telefonemas do ex-presidente Lula com palavras grosseiras e ofensivas aos ministros do Supremo, nas conversas com companheiros de parcerias nas decisões e atos nos governos do PT. O juiz Sérgio Moro, não só admitiu o erro, mas pediu desculpas publicamente. O mais nobre de todos os atos de acertos da pessoa é o gesto de reconhecer os próprios erros. Os líderes políticos e empresariais, inclusive os ex-presidentes da República, deviam seguir o exemplo de Moro. Confessarem as corrupções.

Os corruptos salvos pela Lava Jato

O Brasil está um carnaval de pessimismo. A crise política inviabiliza o governo. A crise econômica trava o crescimento nacional. A crise moral amortece a força de trabalho no povo. Tudo está mais caro que o valor do dinheiro. Reclamação virou mania e falar mal dos outros é o assunto preferido das pessoas. Falta a voz do otimismo no muro das lamentações e o passo da coragem de construir o novo no velho destruído. É hora de crescer. Jogue o seu desânimo fora. Não perca essa oportunidade única na história do Brasil de ver e de participar da melhora para todos. Chegou a sua vez de ser reconhecido no mérito. A inversão de valores está indo embora na corrupção chegando ao fim. Siga avante. Não se impressione com a imagem assustadora, porque é a montoeira dos escombros nas ruinas. O seu sonho de ser livre e de ter independência econômica está ao seu alcance ali adiante. Vá panhá-lo. Nada mais ficará encoberto. Todo mal cairá. Só o bem estará de pé. Abriu-se o tempo do triunfo dos justos. Os poderes terrenos irão ao pó. Os que estão no alto lá de cima, se esborracharão cá embaixo. Todas as torres da corrupção irão se afundando contínuas nos três Poderes do Brasil. Geral. Verão o seu pó na lama os juízes cediços ao injusto nas sentenças, os procuradores incididos nas denúncias caluniosas, os policiais militantes nas faturas dos crimes, os fiscais coniventes nas propinas das sonegações de impostos, os parlamentares ruminantes de moralização nas bocas da corrupção, os prefeitos repetitivos na reincidência dos ilícitos, os governadores de Estado realizados nos superfaturamentos das obras públicas, os presidentes da República acumpliciados nas bandalheiras das negociatas escusas dos monopólios empresariais. Todos irão caindo em escalas gradativas até que se desfaçam as espumas do casuísmo sobre a borra do realismo na corrupção. O tempo da purificação na Terra amanheceu no primeiro dia deste século. Pena que muitos soletram o Cristianismo na leitura no caruncho dos dogmas bíblicos e decoram a sua fé no fanatismo religioso. Tantos buscam Deus nas orações como se Ele estivesse longe, quando está em toda parte e podemos ouvi-lo na voz da consciência, que diversas pessoas profanam no altar do coração. A contagem no prazo da regeneração é regressiva e irá se tornando mais rigorosa a cada ano da primeira metade deste século. Está-se naquele momento em que a pessoa vai viajar de mudança e é obrigada a escolher, entre suas coisas, o que pode levar e o que deve ser deixado, no caso, abandonar as práticas pecaminosas e embalar as virtudes. Mas não basta só arrepender-se do malfeito. É preciso fazer o dobro do bem para cada mal praticado. Se prejudicou alguém, repara-o com benefícios. Se lesou a outrem, recompense-o com a reparação do prejuízo. E viva de tal modo que nunca precisa perdoar as pessoas, porque jamais julgou ninguém em todas elas. Agora, um conselho para os que se enriqueceram na corrupção mista de políticos e empresários. Devolvam totalmente tudo durante o período concedido nas mudanças, profetizadas por Cristo e Dom Bosco, para a

regeneração moral. E comecem a devolução logo, antes que tenham de fazê-la sob o sinete de tragédias terríveis. Enfrentarão doenças dolorosas e lentas nos sofrimentos. Conhecerão misérias desmoralizantes nos golpes da desonra. Experimentarão flagelações, tão horripilantes, que preferirão a morte, e tê-la levando devagar a vontade de viver, esquecidos no cansaço dos amigos e largados ao abandono pelos parentes se ausentando. E conhecerão a dor da ingratidão, que todo o dinheiro do mundo não alivia e é bem mais doída que o remédio comprado elimina. O povo já está marcando no olhar os corruptos nas ruas. A corrupção virou uma indústria na guilhotina das delações em que os corruptos estão pondo os pescoços na lâmina dela. Aquele que pensa o mal nos outros, o mal está também em si. O mal faz-se no ódio, tempera-se no rancor, curte-se na vingança e envenena-se na língua que morde honras. Parem de falar mal dos outros. Mostrem-se no que os outros possam falar bem de vocês. Os políticos estão mal falados nos da frente e nos por trás do impeachment da presi-

dente Dilma e com ela disputada nos falatórios. Não se percebem rolando nos torrões da corrupção caída. Empurram-se uns em outros até todos estarem reunidos nas caldeiras do Sol que os reduzirá a cinzas se desfazendo na luz nos céus da Terra, onde nunca mais voltarão seus espíritos. Bendigam, pois, os que se redimirem nos castigos da Lava Jato. Serão os corruptos salvos por Moro.

Era a voz de

bruxas o canto das sereias Os esperneios de políticos pelejando para desatar as amarrações de Moro nos atrelamentos deles às leis, lembra porcos tentando se livrar das peias de embiras ao serem pegos pelo dono fuçando as covas já plantadas na roça de arroz. O serviço de atar os suínos deve continuar. O trabalho no plantio de arroz não pode parar. Senão, não haverá colheita. As tulhas ficarão vazias. E faltará arroz

nas panelas. É o caso do Brasil. Tem porcinos demais. A labuta para tirá-los demora muito. A lida no lavor desacelera. A produção cai. O desemprego sobe. A roça entre em crise. E os cachaços da porcada param a fazenda. É preciso dizer. O Sérgio Moro fincou o marco divisório que separa o fim das eras de corrupção do começo das épocas de austeridade nos tempos dos governos na História do Brasil. Nunca se viu antes tantos corruptos denunciando tanta corrupção. Não é reação espontânea dos arrependidos. Mas é a ação calculada dos espertos. Apenas apagam no varejo os rastros na estrada do atacado. As pencas dos bilhões recuperados nas leiras do corruptismo não chegam a um fiapo do acobertado nas algibeiras do que roubaram nos três Poderes o povo brasileiro. Todavia, essa tristeza alegra. Ainda que não resgatem as mantas mais gordas dessa dinheirama, há o lucro do bem no mal do prejuízo. É a última vez que a corrupção terá o que comer do lado de fora das cadeias no Brasil. O impeachment da presidente Dilma é só o palco de rasgas entre corruptos da direita e corruptos da esquerda. Tanto faz ela cair ou ficar, será um golpe de morte nas duas bandas da corrupção, que é inteira nos políticos que, por sua vez, são governo meio oposição e oposição meio governo em todos os mandatos presidenciais pontilhados de mandados expedidos pelo juiz Sérgio Moro. Era a voz de bruxas o canto das sereias.

Os pelotões

da fome e o General Povo

Juristas celebres como Francisco Campos, o Chico Ciência (à esquerda) e o Miguel Reale (à direita) negaram a existência do golpe de 64. A história se repetiu na queda de Dilma, com Miguel Reale Jr

Os líderes que estão nos focos dos debates da crise, estão se vendo nos bancos errados. Não estão nos bancos dos julgadores. Estão nos bancos dos julgados. Eles são a crise, mesclados nas culpas, inocentes ou culpados, mas cada um terá sua cota do irreparável para todos nos danos causados ao Brasil. Porque não fizeram a paz. Fazem a guerra nas trincheiras cavadas nos flancos dos Poderes para o fogo cruzado nas batalhas das suas corrupções. Criem juízo. Rendam-se. Parem as confrontações de seus contingentes nos froints do saqueado no Tesouro Nacional em suas bateias CONTINUA


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LUZ QUEBRADA

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

nas catas da arrecadação dos tributos fiscais a peso de ouro no custo dos produtos, e repassado no preço das mercadorias. Recuem rápidos. O tempo se esgota na tolerância da maioria silenciosa na população, para os barulhentos nas enrolações das entregas do esbulhado. O Brasil parou no governo estacionado na crise política formatada para as escapadas nas fugas da corrupção, que monitorou a paralisia da economia com o incremento da desconfiança generalizada, e desestimulou os investidores, e desaqueceu o setor produtivo, e freou o crescimento nacional. O Brasil está à procura de um líder. Mas os alugadores de promessas para o povo e meeiros nos milagres para eles, desgastados, sequer desconfiam que encenam judas e interpretam cristos nos calvários dos escândalos. Continuam regateiros nos camarotes do exibicionismo que os expõe em público nas próprias travessuras. Regenerem-se. Ou reneguem-se e fujam da política. Os prejuízos que o Brasil teve com os senhores no Poder, passarão a dar lucros com os senhores banidos da vida pública. Escondam-se no anonimato das nulidades desfeitas nos postiço dos que se julgam conselheiros de Deus. Desçam das nuvens antes que chovam e os escorram esgotados dos mandatos populares. Vida perigam na morte em fila na carestia dos remédios. Dores choram escondidas nos olhos secos. Sonhos estão indo embora da esperança caída nas pessoas. Marcham revoltas no desencanto parado nos rostos. A insatisfação acende o pavio da discórdia nos ricos e nos pobres unidos na expectação da insubordinação civil. O estopim está pronto e sendo construído o rastilho. Basta o desordeiro ideológico das alas da corrupção jogar o cadáver de um líder no chão da praça pública, para se criar no sangue o mártir que os corruptos precisam para riscar a faísca do golpismo. Justo eles, os que serão excluídos para fora do Poder. Enfrentarão o General Povo no comando dos pelotões da fome. Esse é o guerreiro que nenhum herói nunca venceu o seu exército nas lutas das mudanças históricas.

Fazem corrupção em tudo que realizam

O fuzuê da crise é remanejamento nas bolsas da corrupção entre as grifes Louis Vuitton, no PT-PMDB; Chanel, no PSDB-DEM; Hermes, no PTB-Solidariedade; Prada, no PC-PCdoB; Victor Hugo, no REDE; Capricho no PPS-PRT; Sacola de Feira, avulsa nos pequenos partidos. Em todas as bolsas há marcas do Orçamento Público no PIB dentro delas. As pessoas estudiosas sabem, de cor e salteado, a trajetória de vida da maioria dos líderes que espeta-

Acabou o tempo dos enreisados dos vassalos

O tempo de filhos se elegerem com os votos dos pais, ou de as esposas saírem das cozinhas para mandatos populares, e de políticos se encobrirem do dilapidado nos negócios de sócios, saiu à luz nos olhares da população. O tempo de autoridades atocaiarem-se nas leis para destruir honras nas denúncias caluniosas, ou prolatarem sentenças injustas que punem honestos e enriquecem fraudadores, e de os poderes terrenos servirem de redomas para salários opulentos e mordomias luxuosas, a auréola do vestal se desfez nos espelho da realidade refletindo o contraste da opulência nas cortes com a miserabilidade da população. O tempo dos governantes condescendentes com a incompetência de auxiliares ineficientes no específico dos cargos que ocupam, ou os nomeiam sabendo-os espertalhões, e de os subalternos cumprirem ordem dos superiores para praticar crimes administrativos, veio à tona nos exemplos de fracassos e de incriminações que desmoralizaram os mandatários majoritários. O tempo dos enreisados e dos vassalos acabou. Começou o final dos tempos da corrupção. Para que os signatários dela não sejam pegos de surpresa, leiam o que Cristo disse há dois mil anos e Marcos escreveu: “Sobre aquele dia e aquela hora, ninguém sabe, nem os anjos do Céu, nem o Filho, somente o Pai”. (13:32) “Olhai, vigiai, porque não sabeis quando chegará o tempo”. (13:33) “Como o Homem que, partindo para fora da Terra, deixou a sua casa e deu autoridade a seus servos, e cada um a sua obra e mandou que a vigiasse” (13:34); vigiai porque não sabeis quando virá o Senhor da casa: se à noite, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã” (13:35). “Para que não venha de improviso para os que estão dormindo”. (13:36) “E as coisas que vos digo, dizei a todos: vigiai”. (13:37) Vigiem-se, todos, na consciência.

Os líderes

que vomitam em si próprios Está de dar medo viver nos dias atuais. Ser honesto ficou perigoso. O Brasil virou um festival de escândalos em todos os palcos da política. Bem que Mateus avisou no capítulo 18, versículo 7: “Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem”. Ao presenciar o duelo de escândalos estilhaçando corrupções nos gladiadores do impeachment da presidente Dilma na Câmara Federal, o fogo cruzado das

Dante Aliguiere trouxe as chamas crepitantes do inferno para o imaginário do mundo ocidental, suas descrições aterrorizantes até hoje perseguem o inconsciente coletivo

outros podem não saber. Mas ele sabe da sua constância atenta e rendosa, mas tardia nos dias da corrupção que esteve sempre atuante nos governos e nunca omissa nos dirigentes públicos nos dois milênios do Cristianismo. A corrupção ficou muito descuidada no Brasil e, os corruptos brasileiros, mansos demais no País inteiro. Revezam-se sem descanso nela. Não tiveram tempo sequer de se lembrar do aviso de Marcos: “Olhai, vigiai, porque não sabeis quando chegará o tempo”, e foram pegos “de improviso sobre aquele dia e àquela hora” do princípio no final dos tempos para os maus na Terra. Consuma-se agora o vaticinado outrora. Dessa vez, é de vez; não haverá outras vezes como as muitas vezes que os corruptos desceram da fama para a lama e que em todas essas vezes voltaram mais gordos como se a lama fosse a cama da corrupção. E era. Mas findou-se a era da devassidão nos tempos da Humanidade. Cumpre-se no presente o Apocalipse escrito na predição cristã. A vida ficou de avesso. O mundo vai aos solavancos. As pessoas andam aos resvalos no ódio. Tudo acontece tão esquisito como nunca antes visto. Olhem e vigiem. Os dias de hoje estão como os anunciados naquele tempo. “Assim, quando virem o terrível sinal, rumores de guerras, doenças e mortes, devido ao aumento da maldade, o amor esfriará... Porque haverá então grande tribulação, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem nunca jamais haverá”. (Mateus, 24:4-5)

culizam, contra ou a favor, o impeachment da presidente Dilma Rousseff, e sabem também que não há como ser escrita a história política deles sem etiqueta-los no capítulo da corrupção. A nocividade das ligeirezas na corrupção compete-os na daninheza de estar o Brasil parado para assisti-los no duelo de apátridas, numa hora de concentração das riquezas e de aglutinação na expansão das pobrezas. Há um chiado qualquer de explosões se escutando e vindo de não muito longe. Então corram de suas locas para outras fronteiras. A queda de Dilma não lhes abrirá abrigos. Sérgio Moro virá em muitos juízes, de todos os Estados, na operação lava sujos no ninhal dos poderes públicos. O povo brasileiro já os viu como são. Fazem corrupção em tudo que realizam. O PMDB traiu a Dilma no governo que o vice Temer participou. O PT traiu o trabalhador nos crimes de lulistas em que a Dilma se enrolou. Os partidos são siglas em que se agasalham rótulos de méritos, cujas bulas prescrevem os efeitos colaterais dos atos da corrupção no proselitismo da moralização. É melhor, pois, que a presidente Dilma Rousseff seja conservada até ao final de seu mandato; porque, assim, teriam prazo de dois anos para fazer dieta de corrupção e se desintoxicarem do vício de mentir virtudes que não possuem.

As mudanças pontuadas por Deus para a Terra Foto de Dida Sampaio, sobrepõe a chama olímpica sobre o rosto da então presidente: visão de fotógrafo ou simples premonição?

acusações nas denúncias mútuas, faz jus a um aparte de Mateus, atual e apropriado, no capítulo 15, versículos 7 e 9: “Hipócritas! Bem profetizou Isaias sobre vós, denunciando: — Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. Em vão me adoram; pois ensinam doutrinas que não passam de regras criadas pelos homens”. Não há como esconder corrupção no PT, no PMDB, no PTB, no PSDB e não vê-la à mostra nos demais partidos. Pelo que muitos fazem e falam, só pode ser que lavam a língua na água daquele vaso. A corrupção é uma conta que poucos são os que não têm dívidas nela. Os leitores das revistas de circulação nacional e os telespectadores das redes de televisão de maior audiência no País, por certo já perceberam o tiroteio de chumbos trocados entre os alvos nas máscaras da corrupção. Pelo menos os acultuados no Cristianismo e que decoraram Cristo no provérbio “por que reparas no cisco que está no olho do teu irmão, quando não percebes a trave que está no teu?”, sentem vontade de recitar Mateus no capítulo 6, versículos 27 e 28: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parece formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia. Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniquidade”. São como os lírios do campo. Têm flores belas e perfumadas. Mas têm os pés na lama. A civilização contemporânea destronca-se nas tragédias engolindo a paz nos povos e instigando discórdia nas pessoas. A angústia arrocha os corações como se uma coisa ruim os prevenisse no sentimento. Qual cobrança se arrastando nas terras, caravanas se espicham na fuga das fomes e campam-se às portas das nações que espoliaram suas riquezas nas sanhas da colonização. Doenças matam os à míngua de dinheiro nas calçadas dos hospitais. Conluiem-se o autoritarismo e a parcialidade no juiz que tiraniza as leis e faz o crime na Justiça. Os pugilatos aos socos verbais nas liças da corrupção, a tal desfaçatez dos autores nos atores, que é provincial não ouvi-los e passar a escutar Mateus: “Vigiai”. E “dizei a todos: vigiai”. Por que o panorama está apocalíptico no cenário da hipocrisia nos caráteres. Quem recorrer-se ao capítulo 3, versículos 15 e 16, de João Evangelista, no Apocalipse, atinar-se-á que já estamos vivendo na temporada do final dos tempos: “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente: quem dera que foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca”. Em todos os coros da corrupção entoam-se vozes nas bocas que a comeram farta, ou nos caixas de campanha eleitoral extraídos de empresas empreiteiras, ou com a mesa reservada nos banquetes e, à vontade, nas taças e nos talheres das verbas almoçadas. Não há necessidade de nenhum dos atuais englobados nas atividades da corrupção se fazer de inocente. Os

Desde criança minha vivência na alma é mais intensa que a convivência na pessoa. Carrego calado o peso das culpas de outros doendo-me nos ombros. Trago em mim o menino no velho crescido no altar do trabalho e remoçado no plantador de sonho nas lutas da Liberdade. Nunca me meço na opinião dos maledicentes. Nem o convívio mistura-me aos maus. Não retribuo mágoas. Nem espero gratidão. O coração sofre. Sou verdadeiro comigo. Não conheço o medo. Empenho-me em tudo que faço como se fosse a melhor e a última coisa que realizo nessa vida. Estou-me sempre pronto para ir embora desse mundo. Apenas peço a Deus para manter-me escutando-O na consciência e guiar-me acorrentado à Sua Luz para o destino que o espírito veio cumprir na pessoa do jornalista. Minha história no jornalismo é a legenda da voz que discorda dos que puxam a corda da forca nos patriotas ou afiam a lâmina da guilhotina nos mártires e lavam na bacia de Pilatos as mãos tintas do sangue de inocentes. Preceitua a Lei da Vida que quem fere será ferido como feriu. Existe o golpe que machuca mais uma vida que o destroncar da morte na corda forca. É a dor da ingratidão. E há o corte que fere mais que lâmina da guilhotina. É o talhe da traição. Mas tem uma chaga que dói mais que a perfídia do ingrato e a insídia do traidor e que não cicatriza no condenador de inocentes. É a ferida do remorso na consciência. Por isso venho para meus artigos como chego nas orações. Não entro no tema sem estar dentro do coração. Levo-me para a meditação. Posso estar na frente das pessoas, elas olhando-me, eu vendo-as, e não estou ali no corpo, mas contemplando coisas em lugares longes no tempo. Panho-me na zoeira das desavenças humanas, saio no espírito e vou rever e ouvir os companheiros de jornadas na alma que me escrevem informado sobre as mudanças pontuadas por Deus para a Terra.

Inteligências tapadas na soberba

Exceto as missivas com recomendação restrita ao meu conhecimento, por conterem orientações sobre como devo me conduzir a salvo nas travessias das urdições para fechar o jornal e impedir a divulgação das mensagens da Espiritualidade, publiquei todas as cartas e os artigos escritos por espíritas no Diário da Manhã. Os leitores que conhecem o estilo literário dos autores quando vivos, identificam a legitimidade da autoria no texto dos espíritos nas cartas psicografadas por médiuns que não possuem a erudição para tanto. Nem eu me exporia a tantos sacrifícios ante tamanhas perseguições manobradas às claras nas costas de amigos nos subterfúgios dos Poderes em Goiás. Tampouco suportaria silencioso jornalistas remanejando extorsões à socapa das leis; muito menos toleraria insubordinações de próximos que estrelariam o anonimato fora do meu palco, se eu não soubesse do que os espera no tapa das amarguras, caso continuem vadiando soberba nas recidivas pantomimas da inteligência tapada. Estão vindo tempos duros demais. Superam o medonho. Não há como descrever o horror dos martírios nas purgações, porque jamais se soube de nada tão pavoroso para a Humanidade na Terra, a não ser na leitura do Purgatório em A Divina Comédia, de Dante Alighieri. CONTINUA


ESPECIAL

Deus se mostra

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Além das exclusivas para minha orientação e das com informações reservadas a três líderes políticos de Goiás e a dois entes familiares, publiquei nesses 16 anos, se não me falha a memória, 234 mensagens que recebi da Espiritualidade, avisando haver iniciado o ciclo de mudanças da regeneração humana no Planeta. Como todas foram publicadas no Diário da Manhã, vou reproduzir trechos esparsos de algumas delas, para os que me alcunham ironicamente de profeta pararem com a bazófia. E, sobretudo, atentem-se para o “Olhai, vigiai. E as coisas que vos digo, dizei a todos: vigiai”, de Marcos, e reflitam-se sobre o “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas!”, de Mateus.

aos olhos dos inspirados

Não consigo compreender os sectários das convicções céticas, mas procuro entendê-los na angústia do equívoco na iconoclastia do ateísmo. Deve ser dilacerante a ideia de que a morte é o fim da vida. Convivi com marxistas que pensavam assim. Inteligentes. Cultos. Idealistas. Generosos. Criaram mudanças históricas em Goiás. Geniais. O médico Samyr Helou e os jornalistas Ferreira Júnior e Consuelo Nasser. Discutir conhecimento com eles não era fácil, porque liam muito os sábios da literatura e da ciência. Mas saber ler os fatos é igualmente importante, ou mais. E a inspiração é o dom fundamental para se introjetar nos mistérios e desvendá-los nas descobertas do incognoscível até então nas épocas. Os três liam e reliam as mensagens enviadas pelo espírito do Fábio Nasser. Ficavam impressionados e, não, convencidos. Mostravam-se reticentes. Pouco tempo depois desencarnaram-se, quase que seguidamente o Samyr, a Consuelo e o Ferreira. Após três anos passaram a me enviar mensagens (todas publicadas no Diário da Manhã) relatando suas experiências e atividades na Espiritualidade, cientes da vida eterna e conscientes da existência de Deus. “Ponderação foi sempre sua marca registrada, e agora compreendemos o valor da sua fé... É interessante como a sua intuição guia suas ações... Não deve existir espaço para indecisões em sua vida... E agora consigo enxergar o outro lado da cortina, por isso afirmo-lhe que sua fé o sustenta”. (Samyr Helou) “A admiração que lhe tenho é muito especial, porque como esposo e pai você também foi e é muito especial... E enquanto uns desertam da vida por se julgarem ‘demais’, outros vencem, transpondo montanhas inescaláveis. E você é assim: rompe, sereno, as montanhas que a vida lhe impõe... Sua fé tem mudado muitos conceitos, e hoje compreendo nela a sua segurança de outrora... Tenho por todos um enorme respeito e amor e lhes peço, como último desejo expresso nesta carta, o Perdão que sonhara em todos os meus momentos pedir. Pois lhes devo este ato de reparação”. (Consuelo Nasser) “É com grande satisfação que me dirijo ao senhor, agora como alguém aqui deste lado... Tudo aquilo que me abstinha de julgar, era certo. A vida aqui é a verdadeira. Na Terra, temos uma cópia do que somos... Ainda estou passando por surpresas e admiração. Admiração por tudo que vejo, das construções, a organização, a bondade entre as pessoas, os exemplos que nos são repassados... Rever o Fábio foi admitir o óbvio e chorei qual criança ao receber dele o abraço demorado. Suas palavras foram: Bem-vindo, camarada!... O senhor sabe da minha grande admiração que lhe dedico e agora sinto-me no dever de voltar do sono de Morfeu para pedir que seja forte e lute por toda a nossa grande família. O senhor é admirado”. (Joaquim Dias Ferreira Júnior)

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

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Cronista brasileiro, Humberto de Campos

“O véu de Isis foi levantado e as verdades chegam com a força de agora... Os acontecimentos atuais há muito estão sendo anunciados pelos Anjos de Deus... E a hora de mudança surge como verdade absoluta... E a ti, meu irmão, foi confiada a parte de estabelecer a ponte entre dois mundos, em um momento tão decisivo da Humanidade... Pedimos que continue firme ainda que tão incompreendido”. (Humberto de Campos)

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Pedro Ludovico Teixeira

“As forças do cosmos se movimentam para grandes mudanças... Estamos no limiar de duas eras... Tempos se aproximam que todas as máscaras cairão... E de ti, meu amigo, não esperamos outra atitude que não seja a informação verdadeira dos fatos... Todos daqueles que não lhe deram ouvidos, que o acusam de profetizar o Apocalipse, mal sabem o que os aguarda... Não receie magoar supostos amigos. A sua razão é clara e sua intuição é correta... Você sente que ultrapassou a barreira dos sentidos e uma sensação de paz controla-o por inteiro... A certeza de estar trilhando o caminho certo conduz o seu espírito martirizado aos campos secretos de quem vê o amor de Deus... E para nós é uma grande alegria caminhar ao seu lado”. (Alfredo Nasser)

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Médico Samyr Helou, amigo de Batista

“Os tempos surgem para novas etapas... Quem busca esconder ambições, terá a verdade mostrada sem rodeios... Não há mais tempo para aguardar regenerações... O tempo urge... Goiás, esse Estado destinado a ser o celeiro de Luz, força e sustentabilidade a um futuro de dificuldades aos renitentes... Fiquem atentos a essas mudanças”. (Pedro Ludovico Teixeira)

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A confiança dos

companheiros que esperam no Céu Em 1966 recebi uma mensagem de Alfredo Nasser, ditada por Bezerra de Menezes e psicografada por Chico Xavier, alertando-me, entre outras coisas, para as tentações e provações que a minha Ferreira faleceu 31 de dezembro pessoa iria enfrentar dali para a de 2008 e enviou a psicografia frente no cumprimento da misum ano depois. A mensagem foi são do meu espírito no jornapublicada dia 7 de dezembro de lismo. As agruras que enfrentei 2009, no Diário da Manhã para manter o semanário Cinco de Março e os dissabores na trajetória do Diário da Manhã, foram de calejar sofrimentos no sentimento, como na perda do meu filho Fábio Nasser, e de morrer e ter de nascer no sepulcro dos sonhos. Os meus 57 anos no jornalismo são de cravo a cravo nas cruzes. Mas nunca me viram nas quedas senão me levantando delas. Minha alma é uma festa no coração. Porque não perdi na Terra a confiança dos companheiros que me esperam no Céu. Advirto há 16 anos que estamos no limiar dos tempos redentores. Muitos fazem aquele ar zombeirão. Penso neles a semente que vai no vento e fertiliza-se além do chão árido. A maioria simula uma semeação de crédulo no semblante e se afasta concordativo. Imagino neles a dor dos que só cuidam da saúde quando a doença já está incurável. Então tenho prevenido para que todos se recomponham moralmente, não apenas devido as tempestades de problemas diagnosticadores da fase final do mal da corrupção nos tempos atuais, mas pelas informações que recebo e divulgo da Espiritualidade.

“As reformas estão previstas para serem antecipadas. É a necessidade que impera... Respondendo a sua pergunta: sim, o Nepal está incluído nas mudanças que foram antecipadas. E muitas outras virão... Surgirão tantos fatos, todos juntos de uma só vez que mobilizarão essa raça doente e pervertida... Deus pediu aos Anjos para que as trombetas sejam tocadas nos quatro cantos da Terra e os Cavaleiros do Apocalipse surgirão, para honrar os justos... Quem duvida, verá... Ninguém conseguirá se mascarar e passar incólume... E Goiás está sob o olhar vigilante dos enviados de Jesus. Aqui está plantada a bandeira do amor... O dr. Pedro (Ludovico) está cuidando, juntamente com outros tarefeiros, do futuro desse Estado abençoado...

Jornalista Consuelo Nasser, advogada e feminista, fundadora do Cevam na década de 80, mãe de Fábio Nasser: suicidou-se um ano após o filho

IDEAIS IRMÃOS Alfredo Nasser e Batista Custódio usufruíam, ambos, de grande intimidade devido a amizade entre os dois, enquanto puderam coexistir

Hoje, lamento imensamente não ter conversado mais com o senhor, ouvir seus conselhos e coloca-los em prática... Antigos amigos da França surgirão nessa nova fase e o senhor não se sentirá mais sozinho... Os seus amigos do Diário Francês, nesse momento, vestem a luta contigo... E nesse momento em sua vida, o tio Alfredo Nasser permanece firme ao seu lado. Ele assume o compromisso firmado na Espiritualidade de ajuda-lo... Continue firme. Estamos a postos”. (Fábio Nasser)

←•→ “Aqui estou me revelando a ti nesta vida de agora, mesmo guardando a certeza de que consegue captar meu pensamento, sentindo-me ao teu lado... A solidez de tua fé, amplamente discutida em Le Marais, tua catequese a Dumas (Alexandre) e a tantos outros... E venho afirmar ao teu coração que o laço que nos une vem da simpatia e do respeito recíprocos que sempre nos aproximou... E o cérebro ativo suplanta a rigidez da ajuda... Tua alma aspira a Liberdade... Teu cansaço beira à exaustão... Mas Teu espírito inquebrantável prossegue, ainda, procurando o bom no ser humano... E afirmamos que tens desempenhado tua missão em muita perfeição... E assim, mon ami, vamos vencendo os senhores feudais que procuram amordaçar nossas ideias”. (François-René de Chateaubriand)

O jornalista Fábio Nasser, filho de Batista: dois anos após sua partida, passou a ajudar o pai por meio de psicografias CONTINUA


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LUZ QUEBRADA

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←•→ “Um dia nossos destinos se cruzaram e eu sempre admirei a sua coragem e a sua persistência... Eu tive o dom da tribuna. Você tem o dom da escrita. Que sua caneta não pare em favor do certo, do justo, da defesa dos oprimidos e da soberania da verdade. Sempre... Questiona você, companheiro, a desilusão com a política... Só que no meu tempo, Batista, política era coisa muito séria, era compromisso com o cidadão, era ideal, era luta, não existiam a cobiça e a ganância que hoje imperam os sentidos... Coragem, amigo!” (Benedito Vicente Ferreira)

←•→ “Sofrer é natural ao homem, mas é necessário não sofrer por questões que estão acima do nosso alcance... Os céus se manifestam, mas ainda existem os cegos e os surdos que se recusam a participar do processo evolutivo... E a vida chega repleta de mudanças não esperadas, e o arrependimento se fará tardio para muitos... Os dias estão delineados pelo pincel maravilhoso de Deus... Estamos ao seu lado, ajudando-o a compreender o doloroso transe da Terra... Permaneça fiel aos seus princípios”. (Teotônio Segurado)

Combatem a

corrupção com ela dentro deles Minha vida é dona de mim. Não mando nela. Obedeço-a em tudo. Sou apenas o intérprete. Só protagonizo o personagem que é do espírito na história da imprensa. O meu papel é o de sofrer na pessoa. Tipo sósia. Apanho no lugar do espírito nas cenas. Pautam meu desempenho nas orientações de companheiros com mestrado nas dimensões do celeste e não nas sugestões de confrades com aprendizado nos planos terrenos. Coexistir escutando almas que são orientadoras do bem, quando “as forças do cosmos se movimentam para grandes transformações na Terra”, e ouvindo pessoas que estão vazias do mal, quando “a humanidade nunca esteve tão vazia de si mesma”, não há como não sentir “o coração vibrando na espada de Dâmocles”, conforme esses alertas do amigo Alfredo Nasser. Não dou conta de ser diferente ao que sou no verdadeiro. Escrever o que penso e sinto tem-me sido adverso às comodidades para a pessoa, mas é-me no que estou na alma. Então nesses dias vestidos de mentiras nos disfarces da verdade, a melhor das companhias para mim é a solidão absoluta que me faculta ouvir, nos silêncios enormes, a voz da razão nas meditações profundas. Por isso, parei de publicar meus artigos ultimamente. Escrevo e guardo. O atual combate à corrupção é feito e mantido pelos que estão com ela dentro deles.

François-René de Chateaubriand, retratado por Anne-Louis Girodet de Roucy Trioson. Enviou mensagem psicográfica de teor sigiloso para Batista Custódio, a ser revelada no futuro

Asfixia-me o dilema de observar calado o duelo dos corruptos, por sabe-los unidos na contenda que os exterminará juntos, e a preocupação de parecer-me estar indiferente aos apelos de Fábio Nasser, apreensivo no espírito do filho com a mudez na pessoa do pai: “Sei de seus momentos silenciosos de aflição. Sei o quanto se sente só. O tio Alfredo com diversos amigos estão a ajuda-lo nesse momento de transição. Sabemos que se encontra acuado e reflexivo. Não se sinta acuado por nenhuma circunstância. O senhor está assistido e sabe disso”. O fogo cruzado nos restos da corrupção evidencia o gradual avanço para o estertor nos flancos dos combatentes. Ponderei sobre o irracional do acirramento nos confrontos e aventei a possibilidade de enfrentá-los pelos contornos da prudência. Alfredo Nasser interpelou-me severo: “Só não compreendemos as suas hesitações diante de tantos estímulos que não podem ser mais explícitos. Por isso, siga em frente. As provações estão com o prazo curto. Esclareça ainda mais. Alertar, eis o seu dever. Avante, meu amigo! Nossa tarefa é essa: abrir fronteiras”. Percebo no afeto reiterado na numerosidade das mensagens encorajando-me que a Espiritualidade preocupa-se por ver-me, tão sozinho, qual chama num talo de capim, desfraldar, no centro bárbaro da cegueira moral dos políticos entorpecidos pelas mazelas, o estandarte com o albor das mudanças anunciadas por Cristo se cumprindo em toda a Terra.

Os incrédulos

terão o seu dia de ver Deus

Chico alertou Batista que se ele não reabrisse o Diário da Manhã iria “apanhar” dos “irmãozinhos”. O médium fazia referência à missão de Batista no jornalismo alertando-o de que não poderia falhar

Os revezes têm-me sido tenazes, movidos pela conjunção das forças contrárias para parar-me no jornalismo. E são tantos, que nem sei se outro resistiria em meu lugar. Às vezes fico tão aflito que, se alma suasse, a minha suaria de apuro, como perante essa determinação do Fábio Nasser: “Não silencie a voz da sua Olivetti! Ela é a sua expressão em ver o mundo, as pessoas e por ela é respeitado. Exija respeito às suas atitudes e ao seu conhecimento. É natural que para que isso ocorra as pedras soltas precisa descer. Mesmo que as pedras desmoronem. É a sua missão. E a todos que não conseguem entender a sua missão no jornalismo, afirmamos que a difusão das Verdades Eternas é o seu compromisso. Peço-lhe que confie sempre em sua intuição. Siga-a”. Nas reedições de sacrifícios nos 67 anos de jornalismo e nos 81 da idade ajuizada precocemente, sempre auscultei o pressentimento da premonição e me guiei pelo perceptivo da intuição. Minha primeira vidência mediúnica aconteceu quando eu tinha quatro anos.

Um dos espíritos interessados na causa de Batista Custódio, de estreitar os laços entre o Lá e o cá, é Joaquim Teotônio Segurado. Foi ouvidor-geral da Capitania de Goiás, desembargador, deputado constituinte e uma lista interminável de qualidades e competências admiradas por historiógrafos. Nesta pintura, a ilustração que retrata o gênio é do artista plástico goiano Amaury Menezes

Meu avô Anicésio José Cardoso morreu em uma das fazendas dos Bueno, próxima a barra do Caiapó com o Araguaia, em Bom Jardim, e veio estar comigo na fazenda Paraíso, em Caiapônia. Minha mãe acreditou. Meu pai, não, e danou comigo. Só à noite do outro dia, o cavaleiro chegou para avisar. Continuei vendo o espírito de meu avô os próximos cinco anos. Transcrevo três tópicos de uma das mensagens que ele tem me enviado: “É com muita emoção que venho até este recinto de orações, pois o tempo surge para nós como oportunidade de trabalhar em favor da família... Enquanto vinha para cá, recordava de você, ainda criança e tão inteligente, com o seu dom de ver os mortos... Hoje vejo o quanto se esforça para pautar sua vida nos princípios da retidão de caráter e ficamos felizes em ver que se tornou uma pessoa infinitamente melhor”. Jamais viram-me senão abrindo rumos, sedento de conhecimento e equidistante das incompreensões humanas, naturais na resistência aos que destoam dos convencionalismos preconceituosos. Meu pai era um fazendeiro de muitas heranças nos latifúndios. Quando respondi a ele, aos seis anos, que “não queria gado, queria livros”, recebi o coro do gado nas relhadas. Acho que sou viciado obstinação. Contemporizo com as pessoas materialistas, mas não transijo com as ideias contrárias ao poeta que faz sonhos em mim. Em uma de suas cartas, o espírito de minha mãe, Tanila Romana, aumenta a minha saudade dela: “É belo sentir sua fé em Deus e muito fácil ajudá-lo a prosseguir em frente... Você nasceu predestinado e guerreiro... Desde pequeno não abria mão de suas convicções... Eu é que não conseguia compreendê-lo... Seu pai ainda hoje se lamenta por todos os excessos... Hoje ele reconhece que bastaria conversar com você que entenderia tudo”. É sina. Os próximos dificultam-me mais no fragor das lutas que a renitência dos que se opõem no largo da opinião geral. O Fábio Nasser conforta-me nas fissuras da decepção: “Realmente o senhor precisa compreender que não pode esperar tanto de todos que o cercam”. Venha de onde vier, engulo conformado o caldo das traições no recipiente das ingratidões. O mestre Alfredo Nasser continua dando lições no aluno: “Quando poderíamos imaginar, no início de nossos ideais, que a luta tornar-se-ia tão solitária e árdua, exigindo esforços hercúleos tão espinhosos... E os Luminares desta grande Nação permanecem incansáveis, reunidos sob a bandeira do Cristo, acompanhando todas as etapas... E permanecemos ao seu lado, até porque quando vi pela primeira vez o brilho em seus olhos, sabia que estava reservada uma etapa importante dessa mudança aos seus ombros”. Pelo jeito, não tem jeito. Não consigo convencer sequer parentes amados e amigos estimados na naturalidade de meus contatos com o sobrenatural. Quando vivos, duvidam. Quando mortos, acreditam. Mas os respeitei nas convicções da sua incredulidade no Divino. Não percebiam nessa existência as manifestações do testemunho da vida eterna. Acostumei-me a coexistir com a contestação das pessoas que não creem na existência de Deus e a esperar a comprovação feita por seus espíritos na Eternidade.

Benedito Vicente Ferreira mais conhecido como Benedito Boa Sorte (Ipameri, 12 de julho de 1932 — Goiânia, 8 de dezembro de 1997). Foi deputado federal e senador

O aviso de Chico Xavier e

as idas na alma Preciso confessar uma conduta que me angustia muito, há anos, e me faz sentir em falta com a confiança e o carinho que a Espiritualidade deposita em mim. Divulgo as mensagens. Sigo as orientações. Mas, temeroso de me tornar alvo de zombarias, fico intimidado de revelar as manifestações transcendentes, como as em que sou transportado, enquanto durmo, para ver cenários de episódios que irão acontecer ou para conhecer passagens que mostram o ambiente interior de pessoas. Desde que Chico Xavier revelou-me o espírito que fui na França e a responsabilidade da tarefa que vim realizar em Goiás no jornalismo, resignei-me perante o rolo compressor das provações — as que me fizeram sofrer, as que me fazem sofrer, as que me farão sofrer ainda —, porque fui avisado que “se recusar cumprir a tarefa” apanharei dos “irmãozinhos lá de Cima”. Refleti bastante sobre o “coração vibrando na espada de Dâmocles”, do aviso de Alfredo Nasser, e a respeito do “ser ou não ser, eis a questão”, de Willian Shakespeare, e decidi a enfrentar, de vez, o risco das punhaladas dos apóstatas e assumir, para sempre, o cabo da espada suspensa sobre o espírito. O fechamento do Diário da Manhã, em 1984, foi um ato de força do Governo de Goiás. Minha casa acabou nela o lugar para mim. Fique só com o Fábio. Reuni uns trocados com o Pite Stival. Peguei um ônibus e desci em Torixoréu. Comprei carne seca, café, CONTINUA


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açúcar, feijão, queijo, lanterna, isqueiro, um metro de fumo, pus numa sacola, pesou uns 20 quilos, e fui a pé para o rancho do Encantado, na confluência de Dois Córregos com o Araguaia, em Baliza. Passava os dias andando no cerrado. O revólver e faca no embornal. O coração revendo sentimentos. Uma noite, deitei-me no lajedo à beira do rio e fiquei percorrendo lembranças, a solidão trazendo abandono, as águas barulhando o silêncio, o olhar namorando nas estrelas. Dormi. Quando dei por mim, eu não estava no corpo. Via-me, lá do céu, deitado na pedra. E contemplava, ao mesmo tempo, muitos lugares no cosmos, como se estivesse em todos eles. Os mistérios se desvendaram tão claramente e simples, que achei tudo natural. Minha surpresa era a de descobrir que o desconhecido no infinito é uma realidade como a paisagem física da Terra. E dizia-me: “Então o mistério é só isso! Dá próxima vez, vou trazer um gravador e uma máquina fotográfica, e registrar o que estou vendo aqui”. Ao voltar para o corpo, as imagens se apagaram na memória. Só me lembro do gravador e da máquina fotográfica e do que disse sobre o mistério. No décimo dia, o Samyr Helou chegou no rancho. Passamos a noite acordados. Ele falando. Eu ouvindo. Não voltaria para Goiânia sem mim. Trouxe-me. Existem dias que a saudade do Fábio Nasser fica muito agarrativa. A Marly fez um bolo para o meu aniversário de 9 de abril de 2013. A perseguição ao Diário da Manhã vinha de onde eu jamais esperaria. Eu estava aos pedaços por dentro. Sentados à mesa, a Marly, a Maria do Céu, o João do Sonho, o Arthur da Paz, a Verônica Custódio. Eu olhava as cadeiras desocupadas e era como se visse, em uma delas, o filho que seria meu sucessor no jornalismo. Dormi comovido com a imensa demonstração de amor na comemoração simples. O Fábio levou-me no sono para receber seu presente no espírito. Ei-lo: “Meu pai, abençoe-me. A saudade é um elo inquebrantável. Os dias passam, mas ela se agiganta. Hoje estivemos juntos. Pude trazê-lo a participar conosco de uma reunião no espaço. O seu espírito se deixou conduzir sem medo, e a felicidade pela proximidade de nós dois era visível a todos que nos observavam. E acompanhar a destreza dos seus movimentos, a alegria de vê-lo contemplar as estrelas, a seriedade que demonstrou ao adentrar o salão... Pai, foi muito emocionante ter a sua companhia por horas tão agradáveis. O seu espírito gravou o teor da reunião e as lembranças virão à medida das necessidades. O senhor presenciou uma reunião entre trabalhadores do Cristo, onde foram dadas instruções para os próximos acontecimentos que moverão mudanças significativas. Ao acontecerem, o senhor terá a nítida sensação do “déjà vú”. E é preciso que fiquemos vigilantes. A realidade está assustando os de bom coração, que não podem perder a fé. Pedirei permissão para outros encontros. Ao trazê-lo de volta, ao se aproximar da casa, o senhor me fez chorar ao olhar em meus olhos e dizer: “Não vá, meu filho. Sinto tanto a sua falta”. E, mesmo assim, o senhor demonstrou maior segurança. Abraçamos, entramos. O senhor beijou-me e eu abracei-o com todo meu amor que me envolve. E é assim a nossa união. Cada vez mais intensa. Agora a saudade está explicada. Pai, não se preocupe. As suas decisões estão no compasso de Deus. Tudo está sob controle. Nossos familiares estão presentes. Tio Alfredo está ao seu lado no trabalho. Obrigado por tudo. Receba o amor do seu filho, sempre seu Fábio Nasser Custódio dos Santos”

Como definiu-me Alfredo Nasser, para a sobrinha, na mensagem de Consuelo, a minha “paciência ainda é maior que a de Jó”, e que “a vitória surgirá, gloriosa”. Certas pessoas deviam andar de braços abertos, pois conviver com a teimosia irritante delas, frequentando as soluções nossas, com seus problemas, pesa mais que cruz. São andores na vaidade, píncaros na soberba e ausentes da humildade. Faltou chicote nelas. O normal é viver aprendendo. Elas vivem desaprendendo. Tudo nelas, é culpa dos outros. Cansei-me. Passei a gostar de ficar longe delas. O jornalismo é chama no sonho que não se apaga nas minhas perdas, porque é luz do eterno no ideal. Mas às vezes vira fogo. Dormi assim algumas noites o ano passado. Em uma delas, o fenômeno aconteceu. O espírito do filho buscou a alma do pai: Eu e o Fábio em pé, silenciosos, contemplávamos o plano alto de uma montanha, sem árvores, os céus pouco acima de nossas cabeças, a brisa ondulava o capinzal verde na vastidão calma, uma sensação de paz descansava o olhar na imensidão. A beleza doía na paisagem. Lá muito na frente, chegando ao horizonte, eu voava seguindo uma borboleta reluzente nas cores. Cá diante de nós, moitas carregadas de frutinhas parecidas com gabiroba e uma profusão de gafanhotos com aspecto de besouros compridos; uma porção de pessoas comendo as frutas e os insetos, ora uns tomavam de outros, às vezes rolava ao chão na disputa, quebravam galhos nas moitas, esmagavam os bichinhos; sobravam frutas e insetos, mas não se satisfaziam e tanto brigavam, quanto comiam. O Fábio falou-me: — Pai, aquele voando alto e indo longe é o senhor mesmo, seguindo o seu sonho. Essas pessoas que estão brigando pelos insetos e as frutas, são gente comum, como muitos que o cercam. Tenha pena deles.

Concubinatos da corrupção nos Poderes

Expedito Stival Sobrinho Pite, ou Pite Stival: amizade antiga com Batista Custódio. O empresário é um ícone histórico de Goiás e atuou em ramos variados

O Brasil ouve parado os alarmes dos políticos, sem condições de distinguir se o som é dos sinos da liberdade na alvorada das mudanças ou se é de polacos em pescoços encabrestados à corrupção. Há 48 anos o toque é esse na fanfarra dos mesmos e iguais na serenata das promessas. Alfredo Nasser alerta em uma mensagem: “Tempos se aproximam que todas as máscaras cairão”. O Fábio Nasser adverte em outra: “O momento é de muita vigilância, pois forças sombrias estão sobre a Terra e com ataque nunca antes visto”. Realmente, as máscaras estão caindo, mas as suas caras estão, como nunca antes, vigilantes às portas de todos os cofres públicos. Atualmente só é possível ver estadista na política brasileira em Dia de Finados nos túmulos de Pedro Ludovico e Alfredo Nasser no Cemitério Sant’Ana, em Goiânia; de Juscelino Kubitschek no Memorial JK, em Brasília; de Getúlio Vargas no Mausoléu da Praça 15

As cinzas das

máscaras dos hipócritas

Fábio Nasser e Batista Custódio em montagem de antiga foto. Filho e pai prolongam os laços do amor para além do túmulo: a vida continua e vence

de Novembro, no Rio; de Pedro II na Catedral São Pedro de Alcântara, em Petrópolis; de José Bonifácio de Andrada e Silva na Igreja do Convento de Nossa Senhora do Carmo, em Santos; e de Ruy Barbosa no Cemitério São João Batista, no Rio. Se depender do patriotismo dos atuais líderes nacionais, a qualquer hora o Brasil pode não amanhecer. Se os cientistas políticos desatarem-se das conjecturas da teoria para o vero na prática, como candidatos na disputa de votos em uma campanha eleitoral, talvez aprendam mais sobre política na lição das urnas do que os mestres ensinam nas aulas da universidade. O eleitorado não é um santo no pecado dos caixas de campanha. Há exceções. Na regra geral existe um vice-versa nas cédulas do dinheiro dos candidatos com as cédulas do voto dos eleitores. Uma mão suja, suja a outra nos que se sujam no que compra um ideal e no que vende o sonho. O que se assiste é um golpe político da corrupção da direita na corrupção da esquerda dentro dos Poderes no governo. Uma avaliação cabal da moral e do cultural, para não dizer do banal, na impostura comportamental da civilização contemporânea, evidencia que o mundanismo modela pobres e ricos à mentalidade egoísta na sociedade moderna. O egocentrismo acumpliciou as comunidades e fê-las genitoras da prole de escândalos que embolam líderes na rejeição pública como órfãos da desonra, senão como indigentes da ética, pois negam a paternidade de seus patrimônios fecundados nos concubinatos com a corrupção. Quando uma árvore seca, não cai de vez. Vai apodrecendo aos poucos. Despencam-se primeiro os galhos fracos, depois quebram-se os mais grossos. A casca vai se soltando lenta aos pedaços do caule. O tronco pende e demora um tempo até cair já com as raízes finalmente apodrecidas. Assim também será o ano a ano no compasso do passo, a passos na decadência das podridões na caminhada das mudanças que libertarão a Terra da sem-vergonhez nas cafuas dos chefes nas organizações humanas.

A pouca-vergonha exibe-se na nudez das honras salientes na volúpia das seduções do caráter de políticos nas orgias com o dinheiro público. Eles, os gigolôs. A Nação, a prostituta. Política, a cafetina. A devassidão moral maximizou-se generalizada na vida pública do Brasil, provas cabais do parceirismo dos corruptistas e moralistas, que não há como se negar as estadas na desonestidade. Podem demonstrar apenas que ficaram honestos. Na confissão assumindo o que furtaram do País. Mas dignos. Como o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, subiu para a forca sem delatar os companheiros da Inconfidência Mineira. E não desonrosos. Como o petista Delcídio Amaral, líder do governo de Dilma no Senado, que traiu os parceiros confidentes da corrupção para descer a pena de sua condenação nas recompensas da delação premiada. Não há outra comparação mais adequada. A política brasileira assemelha-se na sociedade moderna ao arquétipo de um casarão medieval na Praça dos Três Poderes, em Brasília. O telhado empenado evoca o arcaísmo das mentalidades nas cabeças. As paredes seladas sugerem o arcabouçou das convicções nas consciências. O soalho roto nas tábuas lembra a incúria dos moradores. Os esteios pendidos imitam a firmeza moral dos líderes curvados às conveniências. E não se deve invocar a sujeira do porão, para não fazer alusão aos ratos do ambiente. Os condomínios da corrupção estão cain-

Joaquim José da Silva Xavier é símbolo da conspiração Inconfidência Mineira e foi tornado patrono cívico do Brasil, além de patrono das Polícias Militares e Polícias Civis dos Estados CONTINUA


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do, os políticos continuam fazendo retoques nos cômodos, mas François-Renê Chateaubriand encoraja-me a manter a luta: “O coração, quando é incorruptível, argumentará todos os sistemas e estará à altura de questionar os “meios” e os “fins”. [...] Permita que de teu cérebro flua os ideais da verdade, que se tornarão elos libertadores, ainda que o tempo acinzente e os leões rujam, feridos por se verem desnudados”. A cacimba dos impostos secou exaurida no aluvião dos lençóis freáticos da arrecadação fiscal. O Governo continua sugando o suor dos contribuintes nas multas escorchantes para manter os custos do Poder. Os políticos estão indiferentes às lágrimas das famílias dos trabalhadores no desemprego nos pátios das empresas fechadas pela crise econômica criada pelos que se endinheiraram nas verbas públicas. Choro na alma. E Humberto de Campos recomenda-me em sua carta ter compreensão para com os empedernidos: “O seu coração compreende a gravidade do momento e sofre a dor moral dos que ainda não creem”. Os líderes goianos acentuam, cada vez mais, a fome em seus bolsos. Trazem o sentimento trancado no cofre do egoísmo e o pensamento endividado na penhora das barganhas caloteiras do povo. Não têm apreço. Têm preços. Muitos deles, de graça, são caros. Comparado ao valor de alguns deles, o nada é muito. E há até casos de notórios dirigentes públicos que, se não tomarem jeito, deviam passar a andar com habeas corpus preventivo, pois estão exteriorizados mais que sarjetas. Recolham-se imediatamente à decência. Já! A própria absurdidade dos fenômenos cataclísmicos no Planeta rosna a brabura da chegada do tempo das mudanças. Culpo-me por não conseguir despertá-los. E na mensagem que Pedro Ludovico Teixeira endereçou-me dirigida a todos os políticos de Goiás, foi ao seu estilo incisivo de quando era vivo: “Fiquem todos atentos a essas mudanças. Transformem-se. O tempo urge”. O Brasil balança à beira do caos e aos resvalos para o abismo. A crise ruge pandemônica, e os políticos reagem como se a responsabilidade não fosse deles todos. Ao invés de os caídos do Governo e os quedados no Poder trabalharem unidos para a paz nacional, operam no ódio a serviço de uma insubordinação civil nas classes sociais. Hasteiam a bandeira do interesse público no mastro das vantagens pessoais. Atuam tão desenvoltos na impudência, que dá vontade na gente de bater até nos eleitores deles também. Alguns são (como se diz) uns filhos da pátria... E não têm noção da sua imbecilidade espumosa. São incompetíveis na arrogância. Carecem levar uma surra de humildade com o cordão de São Francisco. Dá pena vê-los queimando-se na fogueira da vaidade. Um dia desses o pavio da minha paciência queimou-me nos nervos ante a espetaculosidade tão afrontosa ao recato no Congresso Nacional, que passei a entender a razão de Calígula haver nomeado o seu cavalo Incitatus para senador no Império Romano. Os programas cômicos das televisões são ensaios de chanchadas se comparados com a transmissão da votação do impeachment da presidente Dilma na Câmara Federal. Vulgar. Comovedoramente risível. Solicitei nas orações ao Fábio Nasser a possibilidade de a Espiritualidade liberar-me para um ato de caridade com os energúmenos, através de um artigo, necessariamente impactante, para esclarecê-los de que buscam a luz do bem nas trevas do mal. A resposta veio incisiva no receio, logo na abertura da mensagem: “Responder aos seus questionamentos é uma tarefa um tanto delicada, pois precisamos pesar as consequências das respostas. Mas podemos afirmar que Deus trabalha continuamente pela Paz. E todos os acontecimentos são o anoitecer de períodos sombrios”. Acabrunhava-me a experiência de um dilema cruel. Por isso, essa pergunta ao espírito do Fábio Nasser. Durante o sono, fora transportado do corpo para o espírito presenciar o cenário dantesco de um episódio de atordoar qualquer mortal.

“Os programas cômicos das televisões são ensaios de chanchadas se comparados com a transmissão da votação do impeachment da presidente Dilma na Câmara Federal. Vulgar. Comovedoramente risível”, declarou Batista Custódio sobre um dos episódios mais envergonhantes da história brasileira. Deputados em causa própria, longe de demonstrar interesse coletivo, justificavam ao vivo, em rede nacional, aos berros, gargalhadas e algazarras, que queriam o impeachment “pelo futuro” de seus parentes, suas religiões, suas pequenas bandeiras, seus próprios e exclusivos interesses

Preocupava-me revelar o quadro, tão assustoso, e ser exposto a suspeitas abjuradoras. E afligia-me o temor de não divulgar a cena, a tempo de as pessoas se reabilitarem, e vir a ser penalizado pela omissão. O instintivo na premonição elucidava-me do pressentimento manifesto na intuição, como se repetindo que aquela passagem figurava o déjà-vu de um fato que irá acontecer, enquanto a memória repassava-me, insistente, a recomendação veemente em uma carta de Alfredo Nasser: “Nossa tarefa é essa: abrir fronteiras”.

Os que devem

ir da política para suas casas Vivemos em uma época cheia de dúvidas na veracidade de tudo, e não se pode nem recriminar as pessoas pela descrença geral, pois estão acontecendo coisas realmente tão absurdas que as tornam inacreditáveis no factível. Nada está inteiramente confiável no que se mostra. Meditei na auscultação de uma maneira para dar credibilidade à materialização de um fenômeno testemunhado pelo meu espírito. Resolvi precaver-me de possíveis más interpretações quanto à fidedignidade do fato. Recorro ao conhecimento da intelectualidade kardecista ilustrada da importância na Espiritualidade de Humberto de Campos e reconhecedora do estilo literário do escritor e autor do livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, psicografado por Francisco Cândido Xavier. Após a leitura dessa mensagem, patenteia-se, indubitável, a seriedade do relato a respeito do transcendente que vivenciei no espírito. “Caro irmão Batista Custódio, que Deus em toda a sua glória toque-o em sabedoria e serenidade. O amor do jovem Fábio trouxe-me a essa pena, e juntos deixamos nossas palavras de incentivo e nossos cumprimentos. O jovem Fábio veio a mim ainda receoso das verdades espirituais que amparam o orbe e principalmente nossa Pátria. Nossos espíritos encontraram afinidade pelo trabalho a fazer e aos que trabalham

José Bonifácio foi estudante brilhante, se tornou filósofo, advogado, professor, intelectual, cientista e político. Combateu Napoleão em Portugal; foi secretário da Academia de Ciências de Lisboa, membro das mais importantes sociedades de pesquisa da Europa, catedrático de mineralogia em Coimbra; deputado, vice-presidente da Província de São Paulo, ministro do Império; exilado político, tutor do imperador Pedro 2º e articulador da independência brasileira

pela ordem e paz dessa grande Nação. E aqui tremula a bandeira do Evangelho... E por essa tarefa estamos vigilantes para que tudo se restabeleça. E a ti, meu irmão, foi confiada a parte de estabelecer a ponte entre dois mundos, em um momento tão decisivo da Humanidade. O véu de Ísis foi levantado e as verdades chegam com a força do agora. O seu coração compreende a gravidade do momento e sofre a dor moral dos que ainda não creem. Confia, meu irmão, na serenidade da verdade.

Os acontecimentos atuais há muito estão sendo anunciados pelos Anjos de Deus. E a hora da mudança surge como verdade absoluta. A tua parceria é benquista por todos nós que necessitamos aclamar os corações brasileiros a confiarem no correto, no justo, na ética, na moralidade. O olhar de Deus pousa sobre o Planeta, sugerindo mudanças necessárias à evolução que se faz esperada. E a nós cabe o trabalho de conduzir almas dormentes no corpo transitório para que cumpram a missão a que vieram. E nossa expectativa é para que não falhem no meio do caminho, que não se percam com a Lira sedutora de Orfeu, convidando a vaidades absurdas e aos desejos descabidos. A maioria que procuramos amparar, pelas companhias que buscaram no transcorrer do dia, ao se entregarem aos braços de Morfeu, são iludidos pelos Fântasos e por Icelos que se transmutam em seres angelicais para deixar as sementes nefastas. Como, pergunta o caro irmão, ser útil à Causa de Jesus — e respondemos que a cada um o direito da escolha termina quando necessita relembrar a que veio cumprir na Terra: uma nova chance de evolução. Nessa Pátria abençoada pousa o olhar sereno do Meigo Rabi da Galileia, que aguarda que as suas Bem-Aventuranças sejam realmente recebidas por seus eleitos. Hoje o teu espírito compreende o que seja oferecer ‘o miolo do cérebro’ para se adquirir ‘o miolo do pão’. E pedimos que continue firme, ainda que tão incompreendido. A bandeira é do Cristo e a verdade ofuscará aos que a temem, retornando-os ao ostracismo de seus pecados. Teu filho é também meu filho. Excelente aprendiz. Que a força do amanhã sustente a luta que entravas entre o bem e o mal das mazelas humanas. Conquistastes um amigo. Sejas franco e não te turves nas dificuldades. Com o nosso cumprimento e o abraço do filho que o ama, pedimos a Deus que o sustente firme. Com a gratidão do Humberto de Campos” Psicografada no dia 10.4.2012, pela médium Mary Alves, nas Obras Sociais do Grupo Espírita Mãos Unidas, na Rua JDA4 Lt. 19 Qd. 04, Jardim das Aroeiras, Goiânia-GO. Telefone: (62) 3208 5695

Uma das principais obras da literatura espírita brasileira, psicografada pela mediunidade cirúrgica de Chico Xavier, foi ditada pelo espírito de Humberto de Campos. Livro traz o destino do Brasil no contexto mundial e revela como País foi escolhido pela Espiritualidade Superior

CONTINUA


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FOTOS: ARQUIVO PESSOAL

A cada dia pasma-me mais a insensatez dos políticos, a frieza dos empresários, a indiferença da sociedade toda, a insensibilidade de companheiros no jornal perante a intensidade das questões graves cujas soluções estão a cargo dos criadores dos problemas que desastram o Brasil. Não se exemplam no virtuoso. Todos culpam outros e nenhum é inocente. Trampolinam nos escândalos políticos quais acrobatas nos trapézios dos governos amarrados à corrupção que irá arrastando-os, um a um, até cair o último deles de onde se rouba o povo brasileiro nos três Poderes da República. Espanta-me vê-los infensos ao verídico no determinismo das mudanças realinhadoras dos valores no mundo. Eles espiam as atuais transformações para continuar tirando vantagens em tudo, imperceptíveis de que a evolução os expiará como líderes políticos banidos para ostracismo. É-lhes prudente irem agora para suas casas, antes que lhes chegue a cadeia por direito adquirido no usucapião dos Poderes. Se o povo brasileiro soubesse do que diversos políticos e várias autoridades tiram para si do que fazem nos governos, e se pudesse decidir sobre a mais-valia deles e delas, muitos já teriam sido presos há anos.

O coro dos

agasalhados no oportunismo O paroxismo da modernidade no progresso material e o anacronismo do empobrecimento na decadência moral contrapõem-se na infraestrutura da ética e do cívico na civilização contemporânea, porém retrocede-nos aos primórdios da nossa colonização de raiz na corrupção. O passado foi embora. O futuro chegou. “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu”. (Eclesiastes, 3) O tempo dos corruptos acabou-se, e não é tempo de reabrir feridas nas dores passadas, mas é o tempo de não fazer o mal, para que bem faça bons nos maus. O tempo de políticos servirem-se do povo passou, e é tempo de servi-lo no Poder, mas é tempo de cada um demonstrar ser capaz de fazer melhor o que critica nos feitos de outros. O tempo das fortunas colhidas na exploração dos humildes findou-se, e é tempo de semear a misericórdia, mas é o tempo de cada qual arrancar de si o egoísmo que plantou. O tempo de autoridades agirem como donos dos Poderes escoou-se, e é tempo de passaram a se conduzir como empregados do povo, mas é o tempo de pararem de assaltar honras alheias. O tempo dos sinais bíblicos de que o Apocalipse iniciou-se, e é tempo de as pessoas se desapegarem dos bens terrenos para o bem do espírito, mas é o tempo que nada mais ficará encoberto até cair a última célula da corrupção compartilhada nos três Poderes da República no Brasil. O tempo de toda pessoa praticar na Terra as promessas feitas ao Céu nas orações, e é tempo de saber que Deus ouve nossas palavras e vê nossos atos, mas é o tempo de acreditar que se principiou o Armagedom. Sinto facilidade de escrever com a naturalidade de respirar. Sou inteiro poemas no coração e sonhos na cabeça. E todo alma na pessoa. Assumo o que penso e sinto, sofra o que me venha doer na liberdade, ou amargue o que a vida me ponha nas escoriações da sensibilidade. Fui assim nos emboscados 21 anos do semanário Cinco de Março, frontal aos capatazes na quadra do jaguncismo político e ao arrepio dos dedos-duros no período da ditadura militar. Estive igual na resistência às vergastas engenhosas nos sufocos financeiros na

Enteado, esposa e três filhos de Batista Custódio: Arthur da Paz, Marly Almeida, João do Sonho, Maria do Céu e Verônica Custódio, citados na página 31, normalmente reúnem-se no aniversário de Batista para uma singela cerimônia, ao lado de um bolo e velas acesas, fazem o coro de Parabéns “O Imperador Calígula nomeou seu cavalo favorito, Incitatus, para o Senado. Demonstrava, assim, seu desprezo pelos senadores da época, um bando de queredores de favores. Incitatus tinha 18 assessores, dispunha de fortuna pessoal (colares de pedras preciosas), usava mantas nas cores reservadas ao imperador. Custava caro, Incitatus; mas até que seu mandato saiu barato, porque besteiras pelo menos não fazia”, escreveu Carlos Brickmann, em 2010

transição dos 37 anos do Diário da Manhã, inexpugnável nas adversidades, qual chama tirando luz do fogo contrário. E no remoço aos 81 anos, a luta renhida não me casa no ideal do jornalismo intimorato. Colhendo estrelas nos olhos e pisando espinhos no chão, o mundo segura-me fora do lugar que os vencidos tombam acabados. Quando os que me golpearam voltam onde fui deixado ferido por eles, encontram-me de pé no combate e, sempre, pronto para defendê-los em seus declínios. Quatro governadores de Goiás viram esse momento em 1964, em 1970, em 1984 e em 1986. Desde a fundação do Cinco de Março à sucessão no Diário da Manhã, meus artigos estaquearam no rumo da liberdade a minha independência no pensamento dissonante das opiniões que se agasalham nos coros ao sectarismo das ideologias políticas e ao fanatismo das teologias religiosas. Meus artigos têm a minha marca própria como voz constante no aberto das temerosidades confrontadas no largo das causas justas. A não ser quando um governador mandou o DOPS fechar o Cinco de Março e trancafiou-me 26 dias no Cepaigo para depor num IPM da ditadura militar, ou quando outro governador ordenou a falência do Diário da Manhã na reabertura democrática, os artigos esgotaram edições. E mesmo quando um governador manejou o juiz que condenou-me a oito meses ao cárcere do DI, os editoriais iam da cela livres para o Cinco de Março, ou quando um governador nomeado pela ditadura usou os órgãos de pressão para asfixiar financeiramente o semanário que fazia os corruptos terem o sono mais curto às segundas-feiras, os editoriais foram leitura obrigatória e até colecionados. Todavia, sempre me posicionei acima das demandas pessoais nas contendas de interesse coletivo. Inclusive, os quatro que me perseguiram do Palácio das Esmeraldas leram artigos meus defendendo-os quando eram ex-governadores e passaram a ser hostilizados pelos antecessores. Mas o poder difere o sentimento nos políticos. Há governador que se vinga dos que o apoiaram e há governador que se apaixona pelos que o combateram. É uma questão de caráter. Os fortes mudam o poder. O poder muda os fracos. O verdadeiro forte é aquele que vence suas fraquezas morais. E é fácil distingui-los. Mede-se a postura do estadista na compostura da pessoa.

O estrondo

das mazelas encobertas Nunca me estereotipei no modismo das ondas ocasionais que entrecortam o sensitivo da evolução nas convicções, agora como jamais antes, pois as mudanças que realinham o mundo atual são o começo da definitiva reforma moral da humanidade; porém a maioria não acredita, porque é um episódio sem precedente na era do Cristianismo. É a bolha das expiações. Irão caindo um a um os que não se regenerarem, até ao expurgo final, para um planeta primitivo, do último corrupto na Terra. No meado de 2010, recebi uma mensagem do Fábio Nasser alertando-me, dentre os fenômenos previstos para o Brasil, os escândalos previsíveis para Goiás, e com essa recomendação direta para mim: “Por ironia e seu senso de justiça, o senhor irá defender um ex-governador”. Segredei todas as revelações e muitas outras posteriores, ao jornalista Ulisses Aesse. A intuição deu-me a certeza a respeito dos dois ex-governadores na época, mas a percepção deixou-me em dúvida sobre qual deles, pois ambos são da minha estima afetiva; contudo, os auxiliares de um afastaram-me dele, e a assessoria do outro distanciou-o de mim. Todavia, o Fábio Nasser persistiu em mais duas mensagens na mesma insistência: “A sua angústia é em saber se será compreendido, uma vez que julga não ser bem aceita a sua orientação. Acontece que a sua amizade não é de agora. Ela vem de vidas passadas. Por mais infrutífera que possa parecer a sua ponderação, ela deve ser feita com o compromisso de quem enxerga o amanhã e sabe das suas consequências. Não tema não ser ouvido ou compreendido. Oriente, auxilie e mostre a verdade, sem rodeios”. Tentei. E como tentei ponderá-los para o fatídico vindo-lhes no estigma. Em vão. Excluíram-me do convívio político. Ouviam os cantos de sereias. A essa altura do estrondar das mazelas encobertas, eu já discernira qual dos dois, que eram ex-governadores no ano de 2010, é o amigo que me fora recomendado defendê-lo. Afligia-me vê-lo fugidio dos contatos e o recado do Fábio Nasser ao encerrar uma mensagem: “Se o irmão não seguir o caminho do bem e da verdade, ela irá falir terrivelmente”. O ódio empoçava pessoas. Os escândalos moíam autoridades. A verdade sujava-se nas versões. O momento não garantia a hora seguinte. Regrei os artigos aos temas mais candentes nas encruzas infernais em que os culpados se mantinham incólumes e atingiam inocentes na tirania das acusações recíprocas. Machucavam-se na alma. Os inocentes pegos no campeio de corruptos no trajeto das delações premiadas e conduzidos para as prisões, lembram-me aquelas épocas que fazendeiro vendia gado e tocava para seu rebanho as rezes que encontravam nas estrelas de outras fazendas para os frigoríficos. Como as rezes alheias iam para o corte nas manadas abatidas, pes-

Mais que parceiro de trabalho, jornalista Ulisses Aesse é um depositário vivo de segredos de Batista Custódio. Conhece como poucos as previsões do amigo e viu todas se concretizarem

soas inocentes vão para o matadouro de honras nos bandos de políticos corruptos. Assim como quem pisa em fez, leva um pouco dela nos pés e recebe o seu cheiro na respiração; do mesmo modo quem pisa no sofrimento dos outros, se fere no espírito e receberá em si a dor da ferida que está nele. Por isso, não cito nesse artigo os nomes notórios dos que estão com a vergonha doendo no rosto e a alegria sofrendo no coração. A vida ensinou-me, sofridamente, que ninguém recebe a bênção ou o castigo que não mereça e aprendi, doídamente, que não se deve discutir os desígnios de Deus. Igual fumaça que se espalha de um incêndio, percebia-se, nos dias iniciais do ano de 2012, um gosto de cinzas no ar se fechando no cerco de um clarão vindo de chamas que se propagariam até queimar as macegas da corrupção vedadas no Brasil. Par aonde se olhasse, todos os políticos começavam a ser sapecados. Ou fumaçados. Receei riscar o carvão da calúnia aos que já ardiam no braseiro das denúncias queimantes nas acusações, umas reluzentes no verídico das provas cabais, outras picantes no lusco-fusco da vindita oportuna aos adversários. Fiz o jejum do silêncio na abstinência dos artigos carbonários. Até porque sabia que vários dos que estavam derrubando, cairiam, e que diversos do que estavam caindo, subiriam. O poder absoluto da inteligência no conhecimento pleno e do caráter na integridade estável, destronará as autoridades vendidas à corrupção.

O busto de Pedro Ludovico Teixeira na frente do Palácio das Esmeraldas: o panteão onde dorme e acorda o poder goiano. Dali, partiram inúmeras ordens de censura e controle

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LUZ QUEBRADA

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

Manter o Diário da Manhã significava escalar incertezas na esperança sobrevivente. Não havia a chance do descuido. Segui como um grito que se rasgasse nas vozes caladas no peito. Sentia-me como um pai carregando o filho nos braços em uma caminhada e alvo de tocais que me atingiam ferinas, mas não tão dorido quanto as punhaladas de certas mãos companheiras às costas, porém mais ardilosas nas armadilhas montadas à frente; todavia, eu tinha de prosseguir arrojado na luta desigual, indefeso aos golpes e estancando desgostos, para não deixar o jornal morto na liberdade. O Diário da Manhã sobrevivia sob a taca das perseguições trapaceiras e incentivadoras de deserções traiçoeiras e venais. Nos anos de 2012 e 2013, escrevi seguidamente longos artigos, alertadores aos políticos, sobre os acontecimentos que exporiam as raízes da corrupção e escandalizariam Goiás. Fi-lo fundamentado em orientações recebidas da Espiritualidade e com o propósito de recomendar adequação moral aos desprevenidos nos hábitos da licenciosidade. Oficializaram-se contra mim tramas insidiosas no velado dos bastidores delituosos no poder. Acirrou-se um rugido de futricas comuns no ambiente dos rúfios. Ciumava do dono da casa e isolavam-no do que não lhes era conveniente. Restringi-me ao pertinente dos contatos formais.

Estímulo do

Fábio e desafio do Alfredo A vaidade é a roupa do egoísmo nos que o poder desveste da humildade. Estavam cheios de si até às tampas na soberba. Como enfrentava cerrado assédio de dificuldades na manutenção do Diário da Manhã, dosei a assiduidade dos artigos para não correr risco de balançar galhos empencados de caixas de maribondos ao colher as flores. Essas, convidativas. Aqueles, ouriçados. Eu, pensativo, meditava sobre esta frase de Alfredo Nasser na mensagem, de 21 de janeiro de 2014: “Tempos se aproximam que todas as máscaras cairão”. E refletia sobre esses trechos esparsos de uma carta do Fábio Nasser, de 21 de novembro de 2013: “A voz da Olivetti tem muita sabedoria e poder. O tio Alfredo está assistindo-o de muito perto. Nós dois estamos nos encontrando com mais frequência durante o seu repouso físico”. Com a irascibilidade das pressões dos poderes terrenos atrapalhando-me no arrojo da pessoa e o amparo do estímulo da Espiritualidade revigorando-me nas forças da alma, colhi vitórias custosas nas derrotas semeadas fartamente no meu caminho por rabugentos das malhas da corrupção. Desestimulava-me vê-los tão resfolegados nas fofuras dos cargos. Desanimava-me continuar escrevendo artigos reveladores das tosas que os esperavam nas tesouras do juiz Sérgio Moro. Parecia-me inútil precavê-los. O Fábio Nasser chamou-se atenção em vários tópicos na mensagem de 23 de dezembro de 2014:

Ilustração inspirada na obra de Allan Poe: A Queda da Casa Usher

“Venho agradecer a sua coragem em continuar lutando em tempos tão difíceis. Sei de toda agonia que se expressa em seu coração. Porém, o senhor não compreendeu quando pedimos que seja firme e franco em suas atitudes. Opiniões precisam do crivo de sua pena e conselhos precisam ser acatados. Não silencie a voz da Olivetti. Ela é a sua expressão em ver o mundo, as pessoas e por ela é respeitado. A fase do chicote, silenciosa, que lhe dilacera os ombros e a alma, já passou. É hora de mostrar o jornalista respeitado que sempre foi. Exija respeito às suas atitudes e ao seu conhecimento. Gostaria imensamente de estar ao seu lado fisicamente nesse momento para deixar a impressão de quem vivencia a agonia silenciosa de um livre pensador. Perdoe-me se as palavras de hoje são um pouco mais sinceras do que o normal, mas o momento da verdade chegou”.

Não olho para o bem em mim. Vejo o que é bom nos outros. Sempre ficaram comigo os sacrifícios dos benefícios idos para o Cinco de Março e o Diário da Manhã. Sou consciente de que a resignação no sofrimento é o indicador do idealismo na causa das lutas e que a porta da frente na História é a por onde entram os mártires. E não há como chegar ao mundo dos vizinhos de Deus, se não passar pela vida abrindo futuros no caminho estaqueado de cruzes nas divisas de um sofrimento para o outro. Essa é a viagem no destino dos benfeitores da Humanidade. Os dias estão de cara feia para os políticos que sobem no governo pelos fundos do caráter. A desonra tarraxa-os desacreditados no povo e não se envergonham de sair em público. Mesmo ante dois avisos que recebi da Espiritualidade, em 21.1.2014 e 26.8.2014, e cujas mensagens foram publicadas na íntegra no Diário da Manhã; Numa, Alfredo Nasser alerta: “Tempos se aproximam que todas as máscaras cairão”. Na outra, Pedro Ludovico adverte: “Quem busca esconder ambições, terá a verdade mostrada sem rodeios”; e, no entanto, os líderes continuam no sobe e desce de uns sobre outros e com todos enrolados nos escândalos do Poder, como se a corrupção deu a louca neles. O progressivo desmantelamento moral dos políticos atingiu, em 2015, o ineditismo na supersafra da corrupção sem parâmetro nos recordes anteriores dos governos brasileiros. A vida pública ficou de tal jeito entulhada de escândalos compartilhados, que as denúncias prejudicavam as falcatruas de uns e beneficiavam as mazelas de outros. Honras rodavam nos enxurros de acusação. Eu temia nodoar-me de calunioso no julgamento injusto e entrei de resguardo no borbulhar das opiniões. Os rios transbordam-se nas chuvaradas e Tolstói além de escritor genial, pode ser considerado uma correm sedas almas mais solidárias da história. Em 1856, ele, que fazia mentes no parte da nobreza russa, libertou todos os seus servos e dooumeio dos lhes todas as terras onde trabalhavam. Aliás, sua inclinação a ciscos nas desfazer-se de seus bens materiais era recorrente em sua vida águas revoltas. Esta-

Edgar Allan Poe trouxe o mistério, o sombrio e o macabro, inventou a ficção policial e contribuiu para a ficção científica. Pobre nos bolsos, rico na genialidade, sua obra influencia gerações inteiras

mos sob temporais do denuncismo e sempre há inocentes entre os culpados nos afogados nas cheias da corrupção. A tábua da salvação não leva consciências pesadas.

Golpes quebram

democracias e montam ditaduras A época da impunidade nas ladroagens do dinheiro público escondidas nas fortunas particulares acabou-se no Brasil. Está à vista dos olhos o extermínio dos feudos políticos no rebojar do caudal nas provações. Igual no conto A Queda da Casa Usher, de Edgar Allan Poe, a história acaba com o solar afundando-se lentamente no lodaçal de um pântano, as nobiliarquias encasteladas nos escalões nepóticos irão ruindo-se em todos os lameiros do Poder. Esborrifam-se às golfadas nas incúrias arregaçadas. Guiam-se na política pelo fato do oportunismo e se perderam no labirinto das vadiagens condecoradas. Entorpecidos na volúpia das oferendas do alheio nos cofres oficiais, eles precisam dar uma surra neles. Não valem o chicote de outros. Pois adoram tudo que lhes venha do alheio. Viciaram-se nos rastreios do indébito. Passam a vida dando passos à frente dos pés no que não é deles. Habituados às extravagâncias morais na prolonga dos anos, em 2015 ficaram assanhados nas inocências culpadas nos flagrantes das extorsões descaradas na superfatura das empreiteiras em todos os negócios do governo. Suas fortunas esgalhadas nas frondes e viçosas nas moitas rasgaram-se no espinhal das delações premiadas. Era a seca nos recursos públicos e o fim de safra na corrupção, sem chance de irrigação oficial captada nos veios subterrâneos do erário. O estio nos lençóis freáticos das minas jorrantes nos impostos surpreendeu-os escancarados de avareza e sedentos nas escavações da ganância insaciável. Estavam em pó nos brios e às sopras do bafo exalado nas gorduras no ilícito. Àquelas horas de vazamentos da poluição nos três Poderes, a ambiência indispunha-se azeda no ar da política para a respiração na liberdade dos jornalistas que aspiram o limpo.

Onde fosse visto, caía-se corrupção sobre corrupção. E se batiam uníssonas no chitear, como se a chibata doesse a mesma no múltiplo dos limbos merecedores da vergasta. Os açoites estalavam cópulas das honras. A pudicícia desacautelou-se afoita no denuncismo dos moralistas. Eu sentia-me perplexo perante a complexidade turbulenta nos fatos e, receoso de resvalos no injusto, pedia orações à Espiritualidade para manter-me no corredor formado por sua Luz sinalizando aprovação dos meus artigos. Em 21.7.2015, Alfredo Nasser atendeu-me na mensagem que extraio esses tópicos: “Compreendemos as hesitações. Realmente as provas têm sido duras e sofríveis. Estamos juntos. O Fábio endossa essas palavras. Artigos escritos não precisam de nossa aprovação e, sim, de sua coragem”. Com rareza nas exceções, as vozes que combatiam a improbidade e as que defendiam a austeridade vinham das bocas que comeram, com assiduidade, na corrupção dos últimos governos. A frieza exibida nos ânimos ocultava o foguear das incertezas nos âmagos, pois pressentiam o fim da meada no novelo das teceduras nas rendas da corrupção e dos crochês da impunidade. Eu titubeava controverso na indecisão quanto à prioridade de duas situações que, se consumadas, uma lesaria a liberdade de imprensa em Goiás e, a outra, no Brasil. O senso de responsabilidade oscilava-me entre a preocupação com as ações de corruptos nos setores do Poder para inviabilizarem financeiramente o Diário da Manhã e a apreensão com o entrevero dos corruptos no governo seriar golpes para quebrarem a democracia e viabilizarem outra ditadura no Brasil. Em 13.10.2015, Alfredo Nasser respondeu-me na mensagem que destaco trechos: “Não há como ficar indiferente aos seus pedidos. Por estarmos ao seu lado, compreendemos as vacilações e o quase temor. Só não compreendemos as suas hesitações diante de tantos estímulos que não podem ser mais explícitos”. Creio que o aprimoramento na evolução amoleceu-me no coração do guerreiro. Às vezes estranho-me salvando pessoas que me apunhalaram e ainda queriam que eu lambesse o sangue na lâmina. Penso até que não estou me cabendo mais nesse mundo. As feridas nos outros choram em minhas dores. Não me estimula bater nos maus que espancam e não me contenho em defender os bons que apanham. Por isso refiro-me sutilmente ao mal nítido no evidente e frontal no injusto, mas não desço ao grosseiro que suja a alma. Mantive os artigos. Punha rosas. Tirava os espinhos dos galhos. Não houve no último decênio dos anos um só de meus artigos que não estivesse sido pautado nas orientações da Espiritualidade por Fábio Nasser, Alfredo Nasser, Humberto de Campos, François-Renê de Chateaubriand, Pedro Ludovico Teixeira, Teotônio Segurado, tantos de parentes e amigos, ou que não me viesse captado na inspiração de Leon Tolstói, Fiódor Dostoievski, de outros espíritos que honraram a vida em sua passagem pela Terra e antecipam-me na intuição perceptiva como devo me conduzir diante dos acontecimentos previstos no porvir.

Fiódor Dostoiévski foi autor de Os Irmãos Karamázov e Crime e Castigo, obras-primas da literatura universal. Seus romances abordam questões existenciais e temas ligados à humilhação, culpa, suicídio, loucura e estados patológicos humanos

CONTINUA


ESPECIAL

Há mais comerciantes na política que no empresariado

O ano de 2015 chegava ao fim comigo cansado de escapar das perseguições nas tocaias da falsidade amoitada no ingrato de amigos. Mesmo abatido a golpes da decepção, a estima impedia-me de alvejá-los com a fulminância de um texto carbonário, de se sentirem iguais a um inseto cobra-de-asa atingido em seu voo rasteiro pela carga de chumbo grosso dos dois canos de uma espingarda calibre 12. Mas tinha de suportá-los em suas perfídias, apiedar-me deles. Porque sabia ser eu que iria socorrê-los nas desditas que os aguardava na vida. Às vésperas do Natal, o Fábio Nasser presenteou-me com o consolo nessas palavras na mensagem: “Não seria necessário afirmar que sei de todas as suas angústias. Algumas estão se revelando em surpresas e decepções, principalmente por virem de quem amamos e não esperamos. Mas precisava agradecer a sua postura e a sua fortaleza. Peço-lhe que se mantenha vigilante, não permitindo que seus sonhos sejam abalados”. À noite fui esperá-lo no meu sono. Em carta anterior, ele avisou-me: “Pontualmente à meia-noite eu o visito. Estar ao seu lado é a minha maior alegria. Depois sigo para o meu trabalho com os nossos jovens sem amanhã”. Aquele dezembro veio aos dentes mascando ardido os últimos dias. Jornalistas de Assessoria vigiavam nos três Governos a liberdade nos jornais. A opressão retorcia-me na paciência com o atrevimento dos fingidos nos órgãos oficiais em Goiás. Eles dividiam suas energias em duas forças: a que me afagava de frente com uma mão e a que me espancava por trás com a outra. Às vezes fica-me aquela tristeza do aceno de mão despedida. Mas eles não conhecem o tédio na ausência do encanto que se foi no apreço que não voltará nunca mais. São elásticos no sentimento. Defendem nos elogios os decima e batem nas críticas os debaixo, com as duas mãos, ou espalmadas nas adulações, ou fechadas nos espancamentos. A noite de Natal desceu estrelada e trazendo a imagem de uma aliança quebrada na Lua Nova e movendo velhas alegrias nas saudades paradas no meu coração. Sentado à mesa da ceia, a vida partia-me na comemoração ao Divino, alimentado pelo amor namorando-me na paixão de Marly à luz da esperança nos olhos dos filhos, devorado pelas recordações das lutas no jornalismo esmiuçando-me as emoções nas deserções de amigos, mas consciente de que esse irmão de Cristo não desonrou a confiança do Pai. Os dias se estendiam ásperos para os mandatários fugitivos no escrúpulo e capturados nos embrulhos abertos da corrupção, e descobriu-se que no Brasil há mais comerciantes na política que no empresariado. As apreensões encresparam a Nação com o sentimento de órfão no povo, com a sensação de viúva do Governo na presidente Dilma e com a impressão de briga de herdeiros nas partilhas do Poder nos líderes políticos. Ascendia-se no horizonte algo além do clarão trazendo a manhã. Era a Tocha do Olimpo percorrendo a Pátria. Um fumaceiro se abria em leque na amplidão, como se saído de fogos vindo de todas as partes dos Poderes e indo se juntarem a um incêndio nacional nas queimadas dos ermos e gerais da corrupção brasileira. E não adianta fazer aceros nos quinhões das reservas dos domínios por usucapião. Porque não ficará corrupto sobre corrupto. A não ser sob as cincas. Releiam e decorem agora: “Aos que almejam a vida pública, pedimos que auscultem suas consciências, esqueçam de si mesmos e trabalhem a favor do outrem. Os tempos surgem para novas etapas. Quem buscar esconder ambições, terá a verdade mostrada sem rodeios. Não há mais tempo para aguardar regenerações. O tempo urge. Fiquem todos atentos a essas mudanças”. (Trecho da mensagem de Pedro Ludovico Teixeira, de 26.8.2014)

Tanila Romana, mãe do jornalista Batista Custódio. O filho sempre descreveu a mãe como um silêncio que andou pela Terra

Para os gregos, o fogo é sagrado. A história humana, por exemplo, começa a partir da desobediência de Prometeu, que contrariou a ordem de Zeus e roubou o fogo da Tocha do Olimpo para dar aos homens, junto com as ciências e artes

Muitos gravitam laxos na órbita dos atrasos, estagnados no retrocesso e mais leves que o ar no vácuo das ideias. Mandam outros fazerem o que eles não sabem fazer no que se cria no novo, por exemplo, o sonho que faz a esperança no coração das pessoas. A vida se aleija na cabeça deles, por isso copiam do passado os sucessos desatualizados para os seus fracassos de hoje. As várias geometrias provaram que as linhas paralelas se encontram no infinito. Até prova contrária, as evidências consentem teorizar que as divergências ideológicas nos extremos da direita e da esquerda aliam-se na corrupção imensa dos Poderes no Brasil. Se todos os líderes políticos não se unirem na honestidade, nenhum deles dá conta de construir o Governo do Brasil à altura do vaticínio de Humberto de Campos e, muito menos, o Governo de Goiás a caráter da profecia de Dom Bosco.

O presente de

aniversário que a saudade veio trazer Os dias terminais de dezembro de 2015 escorriam-me uma ansiedade esfacelante na sensibilidade perceptiva. A premonição antecipou-me a visão de uma imagem dantesca na intuição. O cenário tão afligente, de não se aguentar vê-lo, projetou-se na tela da mente. Os presságios deixam-me reflexivos porque neles preexistem os acontecimentos que irão ocorrer. O meu pressentimento nunca falha na elucidação do que vai se realizar. No espaço da travessia nos últimos anos e no espaço da predição em suas mensagens, os espíritos do filho e do amigo alertaram-me incisivos na persistência de um aviso. O Fábio Nasser: “A sua intuição mostra a realidade e até onde pode caminhar. Continue buscando a força que vem do Alto e ela jamais te faltará” (19.2.2014). “Não duvide de sua intuição e não a tema. O momento reclama decisões, e o senhor sabe disso” (21.5.2013). Confie sempre em sua intuição. Estaremos sempre juntos (7.1.2014). “Peço-lhe que confie sempre em sua intuição. Siga-a. Meu pai, não se sinta solitário. Estamos cada vez mais juntos” (7.5.2014). “Sua intuição está correta. Siga-a na conversa em particular com o nosso irmão, no pedido de ajuda que tanto o aflige. O senhor terá uma surpresa boa” (30.12.2014). “Sua intuição para as palavras do amigo que permaneceu ao seu lado é correta. Ele possui o compromisso com a verdade e o senhor de a divulgar. A hora é essa” (23.6.2015). O Alfredo Nasser: “A sua razão é clara e sua intuição é correta” (20.3.2012). “Compreendemos sua preocupação e antecipamos nossa resposta para que sua sábia ponderação proceda no correto. Tudo está tão mudado que a realidade seria uma vertente perigosa em suas consequências” (17.2.2015). Recorro ao amigo quando o panorama no intuitivo se mostra muito fechado. Porém, são muitos os espíritos queridos e amigos que referem ao meu sensitivo. Dona Tanila Romana, minha mãe: “Sei que conhece a si mesmo e por isso se preocupa quando algo acontece. Sua intuição aflora os seus sentidos e, graças a Deus, você percebe a tempo”. O médico Samyr Helou, meu amigo: “A ponderação sempre foi sua marca registrada, e agora compreendemos o valor da sua fé. É interessante como sua intuição guia suas ações. Não deve existir espaço para indecisões em sua vida”.

O François-Renê de Chateaubriand, meu companheiro em épocas remotas: “Meu saudoso amigo, aqui estou me revelando a ti nesta vida, mesmo guardando a certeza de que consegue captar meu pensamento, sentindo-me ao teu lado” (22.9.2015) As tentações impondo renúncias e as provações exigindo padecimentos têm testado-me em revertérios do impossível para o possível nas lutas do jornalismo, e saído vencidas. Não atribuo a conversão das derrotas em vitórias ao meu afinco total de escravo no trabalho, mas à minha fé inteira nos rogos a Deus: Pai, conduz-me com seus poderes na retidão moral e no destino dos benfeitores da Humanidade em um corredor formato por Mentores da Espiritualidade. As ingratidões chagam-me igual fosse um espeto no coração. Em 9 de abril de 2013, data de meu aniversário, passei o dia atristado no desencanto governado onde a ilusão não aguardava a decepção. A tarde apertava o desgosto no peito e arrochava a cabeça nas gretas do desapontamento. A taciturnidade agastou-me no emotivo. À noite, ouvi o Parabéns pra você a cinco vozes na Marly, João do Sonho, Maria do Céu, Verônica, Arthur e fui atrás do sono na cama, lendo Nos Rosais do Silêncio, de Americano do Brasil. De manhã, a médium Mary Alves entregou-me esse presente do meu filho Fábio Nasser: “Meu pai, abençoe-me. A saudade é um elo inquebrantável. Os dias passam, mas ela se agiganta. Hoje estivemos juntos. Pude trazê-lo a participar conosco de uma reunião no espaço. O seu espírito se deixou conduzir sem medo, e a felicidade pela proximidade de nós dois era visível a todos que nos observavam. E acompanhar a destreza dos seus movimentos, a alegria de vê-lo contemplar as estrelas, a seriedade que demonstrou ao adentrar o salão... Pai, foi muito emocionante ter a sua companhia por horas tão agradáveis. O seu espírito gravou o teor da reunião e as lembranças virão à medida das necessidades. O senhor presenciou uma reunião entre trabalhadores do Cristo, onde foram dadas instruções para os próximos acontecimentos que moverão mudanças significativas. Ao acontecerem, o senhor terá a nítida sensação do “déjà vu”. E é preciso que fiquemos vigilantes. A realidade está assustando os de bom coração, que não podem perder a fé. Pedirei permissão para outros encontros. Ao trazê-lo de volta, ao se aproximar da casa, o senhor me fez chorar ao olhar em meus olhos e dizer: “Não vá, meu filho. Sinto tanto a sua falta”. E, mesmo assim, o senhor demonstrou maior segurança. Abraçamos, entramos. O senhor beijou-me e eu abracei-o com todo meu amor que me envolve. E é assim a nossa união. Cada vez mais intensa. Agora a saudade está explicada. Pai, não se preocupe. As suas decisões estão no compasso de Deus. Tudo está sob controle. Nossos familiares estão presentes. Tio Alfredo está ao seu lado no trabalho. Obrigado por tudo. Receba o amor do seu filho, sempre seu Fábio Nasser Custódio dos Santos”

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A escalada do ideal na história da imprensa na época da escrita a canetas nas redações dos jornais e da lei a balas nas carabinas do jaguncismo político, jornalista corria o risco, sempre, de estar escrevendo a sua última reportagem, ou artigo, que desagradasse o Governo de Goiás. Mesmo nos elogios, os adjetivos tinham de ser escolhidos a gosto da autoridade endeusada no impresso. Pois, caso a interpretação na leitura do texto o considerasse ofensivo, os capangas palacianos saiam à caça do repórter. Espancavam-no. Esfregavam o exemplar na cara dele. Rasgavam a página da matéria e faziam o jornalista engolir boca abaixo os pedaços. Certa vez, sequestraram um diretor da Folha de Goiaz, levaram para um terreno baldio da Avenida Anhanguera, na Vila Nova, e passaram a noite enfiando picolés no toba dele. Desapareceu de Goiânia, de não se saber mais de notícias suas por aqui. Sumiu. A capangada era animalescamente desumana. Até coisas dava nas vítimas exangues. Só apanhava de mulher puta. Às vezes, não raras vezes, destruíam tudo na oficina do jornal e iam, gloriosos do feito, comemorar nas algazarras em um bar. Em agosto de 1964, o Cinco de Março publicou um desfalque na tesouraria do quartel da Polícia Militar e coberto com a venda do estoque das armas apreendidas. Naquela segunda-feira, à noite, 14 PMs invadiram a sede do semanário, bêbados, empastelaram a oficina e a redação, bateram muito em dois gráficos e, de manhã, saíram pela cidade procurando-me para matar. Isso era o corriqueiro no banal das truculências perpetradas contra a imprensa. A pistolagem oficial era solta contra as ideias livres. Se uma reportagem justa e isenta, um artigo crítico e irrespondível, uma notícia correta e comprovadora de um ato furtivo, ou até mesmo uma simples nota duma gafe insinuasse os desvãos morais de um assecla go governador, a subalternidade da jagunçaria cometia o desagravo ao chefe da armada dos trabucos. Matavam o repórter onde o encontrassem, fosse na frente dos filhos, em casa, fosse aos olhos do povo, em praça público, e que fosse do modo que a repercussão desse medo na população. As honras sujadas no Poder eram lavadas com o sangue dos outros. O Cinco de Março e o Diário da Manhã surgiram chamas naturais no fenômeno da imprensa, igual o fogo-fátuo emana-se do chão e que, se for apagado, permanece latente nas energias da Terra; do mesmo modo, a luz da vocação se propaga no jornalismo em mim e por isso têm sido em vão as tentativas de sufocar a aptidão na minha pessoa, porque se irradia das forças da alma num incêndio de sonhos. E é, pois, de onde vem a labareda do idealismo que queima as clavas dos que me batem, enquanto tiro nas praças públicas as tramelas da liberdade de imprensa nos currais dos déspotas nos quintais da tirania dos Governos no poder e do jugo nos feudos econômicos. Deus ajuda a gente, mas a gente também tem de ajudar Deus ajudar a gente. Sempre defrontei-me com as afrontas dos caudilhos, consciente de que o perigo na vida não era a coragem deles pela frente nos confrontos e que o risco de morte estava na covardia dos seus jagunços pelas costas nos ardis. Mas reconheço. Fui tratado com respeito constante nos enfrentamentos frontais com os caturras cerceadores da opinião livre. Os calos que eles me abriram estão idos no sofrimento com as perseguições financeiras, inarquiváveis na memória dos goianos e executadas através da sucumbência das leis ao manejo do arbítrio no Poder, para fechar o Cinco de Março e o Diário da Manhã. E agradeço. Os estorvos valeram-me como treinos nos exercícios de obstinação no ideal do jornalismo. Tive apenas de me cicatrizar de ingratidões na saudade de companheiros desertados da amizade calorosa para as friagens da traição.

Antônio Americano do Brasil: médico, militar, político e escritor brasileiro goiano. Patrono nas Academias Goiana e Goianiense de Letras CONTINUA


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LUZ QUEBRADA

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A memória que filma, grava e guarda tudo

As horas da semana, intermediária nas festas de Natal e de Ano Novo, em 2015, inseriram-me a duas recordações apreensivas no espírito e, uma, preocupante na pessoa. Turbilhonavam-me na mente expectativas angustiosas e prenunciadoras de desfechos abruptos. Todos na ordenação das mudanças anunciadas nas mensagens que recebi da Espiritualidade no calendário dos anos. “O véu de Isis foi levantado e as verdades chegam com a força de agora” (Humberto de Campos, em 10 de abril de 2012) “Os dias estão delineados pelo pincel maravilhoso de Deus. E a vida chega, repleta de mudanças não esperadas, e o arrependimento será tardio para muitos” (Teotônio Segurado, em 9 de julho de 2013). “Tempos se aproximam que todas as máscaras cairão” (Alfredo Nasser, em 25 de setembro de 2014) “Fiquem todos atentos a essas mudanças” (Pedro Ludovico Teixeira, em 26 de agosto de 2014) “Querido pai, as reformas estão previstas para serem antecipadas. É a necessidade que impera” (Fábio Nasser, em 27 de janeiro de 2015). “As forças do cosmos se movimentam para grandes mudanças” (Alfredo Nasser, em 17 de fevereiro de 2015). O fato de a Espiritualidade haver me dado conhecimento antecipado das mudanças regeneradoras da moral humana na Terra, provocou um envolvimento misto no meu emocional. Às vezes fico triste. Às vezes estou alegre. Já em 20 de novembro de 2008, o Fábio Nasser alertou-me: “Ao visitar locais de nossa querida Goiânia, onde o socorro é solicitado, deparamos com vidas que se iniciam na adolescência, totalmente entregues aos prazeres enganosos dos sentidos... É um trabalho tão sério, que envolve o solicitante e são feitas análises seríssimas para se chegar a conclusão por onde começar diante de tão complicado labirinto de envolvimentos... E a realidade estamos vendo aos nossos olhos: o aumento assustador da violência, que corrompe a alma e destrói sonhos... Não sei até quando Deus permitirá tais agravos, pois a era do espírito consciente já surge com a força de um alvorecer... Estamos aguardando sérias e drásticas mudanças... Pai, continue firme... Nossa luta ainda está no começo... A sua intuição para reportagens especiais é administrada por seus Amigos Espirituais e serão bem-vindas no mundo que urge conhecer verdades”; As pressões políticas ao Diário da Manhã oscilavam-se do coercitivo no sub-reptício às mesuras no bandalho. A preocupação e a tranquilidade mutavam-se na ansiedade reprimida em meu íntimo. Sentia-me comprimido entre a contemporização no cumprimento dos deveres supremos nas dimensões da alma e a conciliação com as incompreensões irascíveis no plano dos poderes terrenos. Em 2009 e 2010, a crescente sediciosidade da opressão encurtou o espaço para se media o contraditório entre as razões da Espiritualidade e as arrumações vantajosas aos interesses dos chefes políticos.

O homem que está vindo do futuro

Outros haviam transformado em pesadelo o Diário da Manhã feito do meu sonho no jornalismo. No dia 11 de janeiro de 2010, assumi a editorial-geral em tempo integral no trabalho da Redação. Por certo que agi por impulso da clarividência na intuição premunindo-me da carga de dissabores que iria enfrentar. Foi ímpeto da premonição. Pois, em 5 de maio de 2011, minha mãe Octanília Romana elucidou-me numa mensagem: “Sua intuição aflora os seus sentidos e, graças a Deus, você percebe a tempo”. O senso intuitivo tem sido uma sentinela de plantão e infalível nas antevisões do traiçoeiro nas travessias da trajetória em minha tarefa espiritual no jornalismo: “Não receie de magoar supostos amigos. A sua razão é clara e sua intuição é correta” (Alfredo Nasser, em 20 de março de 2012). “A sua intuição mostra a realidade até onde pode chegar”... “Não duvide de sua intuição e não a tema”... “Peço-lhe que confie sempre em sua intuição. Siga-a”... “Sua intuição está correta” (Fábio Nasser, respectivamente em 19.2.2013, em 7.1.2014 e em 30.12.2014). “É interessante como sua intuição guia suas ações” (Samyr Helou, em 27.5.2014) A intuição perceptiva impulsionou-me, persistente nas predições, para advertir os políticos de Goiás, principalmente aos compadres Marconi Perillo e Iris Rezende,

Isis, a deusa egípcia venerada inclusive no mundo grego-romano. Portadora da chave ankh, da eternidade

Seu véu, que jamais deveria ser desvelado, retrata a inacessibilidade dos homens quanto aos segredos da natureza

de como terão de se conduzir no turbilhão das mudanças para se redimirem de antigos equívocos e cumprirem a missão da Espiritualidade que vieram realizar na Terra. Um deles já perdeu a chance histórica de vir a ser o primeiro goiano presidente do Brasil. O outro, ainda não, por enquanto. A marcha será um calvário de sacrifícios com encruzilhadas de martírios. Requer um peregrino justo nos rumos do bem pelas trilhas do amor, sem tergiversar-se para as bandas do ódio pelos desvios do mal. Terá de ser um patriota. O carro das mudanças o desembarcará na chegada triunfal da libertação dos brasileiros da escravidão dos ciclos da corrupção nos três Poderes da República. O povo pode esperá-lo. Ele está vindo. É só uma questão de tempo. Os que se ajeitam na corrupção cairão, de não ficar nem sinal deles.

E finalizo esta, na certeza de que me identificou nas linhas que os séculos trouxeram de volta”. (François-Renê de Chateaubriand, em 22.7.2015) “Sinto a dimensão de sua solidão e conheço todas as lacunas da sua angústia” (Em 5.8.2008) “Não sobrecarregue o seu corpo físico. Não se prenda às preocupações. O senhor está no caminho certo” (Em 16.3.2011) O espírito do Fábio convive mais comigo que os filhos vivos com a minha pessoa. “Tudo é captação de energia e é necessário estar mais atento para que a sua saúde esteja regular”. (Em 6.9.2013) “Quando conversa comigo em suas orações, confidenciando-me problemas, sinto a solidão que acompanha a sua alma”. (Em 7.5.2014) “Saiba isentar-se da dor e da solidão. Se o quanto se sente só”. (Em 11.11.2014) “O que nos preocupa é sua saúde, pois o cansaço começa a refletir sinais”. (12.5.2015) “E hoje venho afirmar que sei e compreendo muito bem o que é o olhar para trás, na lembrança de toda uma vida de trabalho, de luta, de sacrifício, de exaustão e não ser apoiado. Ser um só na multidão”. (Em 2.6.2015) “Estamos juntos. A transição não será solitária. E suas percepções se ampliam. O cérebro fica cristalino. O som se apura. Paisagens vêm aos seus olhos espirituais. E tudo isso, meu pai, é para ajudá-lo na mudança. Tudo está sob controle. Confie”. (Em 30.6.2015) “E a luta continua grande, única, intransferível e solitária”. (Em 24.11.2015)

O corpo

carregado pela alma As lembranças percorriam minha memória na segunda, na terça e na quarta-feira naquele resto do mês de dezembro de 2015, como se eu me revesse na preocupação comigo dos espíritos amigos. De fato, o excesso no trabalho, o exagero no cansaço, a superação nas doenças, a prensa nas dificuldades, o peso da responsabilidade para não deixar o Diário da Manhã cair na próxima conjura quadrilhada à sombra de autoridades serviçais da corrupção e, sobretudo, tendo por companhia a solidão refazendo-me nas incertezas, povoado por saudades que não me esquecem nos silêncios, pobres enfermos me pedindo ajuda à frente e gente poderosa me prejudicando por trás, a única explicação para eu estar vivo é que a alma está carregando o meu corpo. Eu mesmo tenho achado a minha vida muito esquisita. “E assim, meu amigo, aviso-lhe que o seu caminhar continuará sendo solitário. Não se deixe intimidar. Siga em frente. A vitória é sua. Estamos juntos. O Fábio está ao meu lado, abraçando-o com o amor de sempre. Notícias surgirão de um novo amanhecer. Esteja preparado para interpretá-las e anteciá-las”... “Estamos no limiar de duas eras. Forças do Alto sustentar-te-ão em todos os momentos. Que a sua voz seja a verdade aos líderes. Não te incomode o descaso. A luz de Deus brilhará sobre ti. Com sua participação, poderá ver a Terra transformada tornar-se um Elísio”. (Alfredo Nasser, em mensagem de 9.12.2014 e 17.2.2015) “Tua alma aspira liberdade. Teu cansaço beira a exaustão. E assim, mon ami, vamos vencendo os senhores feudais que procuram amordaçar nossas ideias.

nhavam-me. Mantive silêncio sobre a presença intermitente de sua luz, até porque não podia correr o risco de os jornalistas da redação não conseguirem vê-la e saírem por aí dizendo que eu estava sendo acometido de visões insanas. Realmente, algo não estava normal em mim. Que eu via aquela luz, via, e embora ela fosse fugaz, era nítida. O anormal estava na apatia inaudita do meu dinamismo proativo, mas que sentia uma frouxidão, sentia, como se a inércia me desfiasse o otimismo vital nas batalhas árduas. Ideias adversas giravam medindo forças no pensamento insultado dentro da cabeça. O entusiasmo arriou-se esmagado nas emoções amortecidas. Fiquei tapera nas ilusões, quase faltando-me a vontade de viver. Saboreei, alguns dias, nas pelejas da curiosidade para desvendar o mistério aquela luz relampejante. Intrigava-me o fenômeno na coincidência concomitante da irradiação e a indolência. Achei prudente checar com o médico Durval Carvalho, do CBCO, que me fizera uma operação de cataratas em abril. Desconfiei da possibilidade de haver dado defeito nas lentes implantadas. Só não fui porque recebi, no dia 10 de junho de 2015, psicografia pela médium Mary Alves, essa mensagem do Fábio: “Meu pai, Deus nos abençoe. Vir na companhia do grande e generoso tio é sempre muita alegria. É impressionante, meu pai, como os corações se aprimoram com o tempo. Ele é tão querido aqui e muito procurado. E é humilde em seu grande conhecimento. Pai, vim esclarecer que essa sensação que está tendo em sua mente, como se seu cérebro fosse vários, é um processo normal, pois a mudança prevista para sua missão, recebeu ajuda dos Amigos Espirituais para fortalecer a hipófase e o córtex. Será natural ver traços de luz em alguns segundos. São os ajustes normais. Sua saúde também recebeu tratamento especial. E o senhor reconhece e sabe o porquê. Estou feliz que terá ajuda. O sofrimento burilou seu coração, mas deixou-o mais jovem. E seu sono será o sono dos justos. Não tema repercussão em sua nova fase. Nada lhe acontecerá. Estamos cada vez mais juntos. Receba o abraço do seu filho, que a cada dia é mais seu Fábio Nasser Custódio dos Santos”.

O cansaço físico no afinco ao trabalho num amontoo de anos, não me estressa. O que me estafa é a fadiga de convívio com a falsidade humana. Suas palmas são tapas das mãos nos aplausos. Em 31 de março de 2015, o Fábio Nasser captou meu engasgamento íntimo e ponderou-me nessa parte da mensagem:

Durval Carvalho, chefe do Serviço de Catarata no Centro Brasileiro de Cirurgia de Olhos (CBCO)

Pedaços de

relâmpagos encantados

“Realmente ante tanta desonestidade e inversão moral, aquele que tem ética e postura fica só na multidão. Seus olhos cansaram-se de ver a decadência humana. Acontece, meu pai, que o tempo da impunidade acabou. Surgirão tantos fatos, todos juntos de uma só vez que moralização essa raça doente e pervertida. Agora é a vez da verdade. Quem duvida, verá”.

Não ignoro minhas extravagâncias cometidas na resistência física, nos gastos da saúde nas intempéries das doenças, para que os suplícios nas atribulações diuturnas com o jornal não interfiram no meu desempenho nas tarefas espirituais. Frouxei cansaços. Desatei dores. Até que, de repente, senti um baque no ânimo, no fim de maio passado e passei a enxergar pedaços de relâmpagos que apareciam e desapareciam instantâneos. Fosse à noite ou durante o dia, aquela luz surgia rápida e sumia ligeira no meu olhar. Um esmorecimento esmaeceu meu dinamismo. A moleza orgânica dificultou-me o reflexo rápido, mas não conseguiu impedir de eu ir cumprir as obrigações no Diário da Manhã. Os fragmentos de relâmpagos acompa-

Marconi e Iris são protagonistas de duas eras políticas em Goiás CONTINUA


ESPECIAL

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Holocaustos

de solidões nas provações Os artífices da enganação perseveraram-se fiados nas embromações, alguns acostados no jornal, um montão acocorado nos cargos do governo, crédulos que sou ingênuo quanto transpareço e fumava as tapeações, tragava as dissimulações, por eu não pigarrear nas ingratidões, nem escarrar nas traições. O filho certamente notou o risco de esvair-se o potencial da paciência do pai na engolição a seco de desaforo nos engodos, enviou, em 24.11.2015, uma mensagem com essa ponderação sutil aos equivocados com o meu aguçado discernimento sobre as coisas e os fatos: “E sabemos que sua capacidade de entrever as entrelinhas é grande, por isso jamais estará na teia das falsas promessas. Não se preocupe com a demora do ser humano em acordar às verdades eternas: alguns somente as conhecerão aqui deste lado. E a vida segue, meu pai. Mostrando uma realidade acelerada de muitos fatos”. Muitos terão a sua hora de ver verdade. Ou seja. Quando o desencarne houver livrado a Terra deles. Não abjuro o sobrepeso da escuridade assombrosa nas provações. Nelas está a luz do aprimoramento que queima o fraquejamento nas adversidades, embora elas me tenham sido holocaustos de solidões nas esperanças desmanchadas no sonho, de forma tão natural nas censuras à liberdade de opinião, qual a desolação dos ventos apagando os rastros do caminheiro nas areias do deserto. Igual o consolo de saber que há um oásis à frente, resta-me o conforto na evocação das palavras do Fábio Nasser, na mensagem de 21.3.2012, como alentos na recordação. Os algozes de então eram os amigos de alongadas caminhadas: “Meu pai, Deus nos abençoe. A angústia que oprime seu coração encontra o meu espírito em oração para que a força em prosseguir não lhe falte. Sabemos que o momento é decisivo e importante, e o senhor se sente sozinho ante a luta gigantesca. Muitos não compreendem o alcance do seu sacrifício, mas ele soa como o remédio necessário que cicatrizará doenças profundas. O turbilhão de mudanças que se fazem necessárias alcança-o resistente e confiante. O senhor tem conseguido controlar as arestas. Não se aflija. Cuide um dia por vez. No amanhã compreenderá a razão do seu sofrimento. Estamos mobilizando recursos espirituais para ajudá-lo ainda mais. O socorro virá”. O auxílio veio. E veio de onde e quando menos se espera, como sempre veio.

Onde está

a solução de todo problema Vivo dentro da cabeça o Universo. No meu mundo, a única função do corpo é carregar o cérebro. O pensamento é o fio de conexão da mente com a antena da energia que move o cosmos. A inspiração sintoniza as esferas do sideral e capta nas dimensões do metafísico o que não se enxerga no plano físico ou o que a criatividade materializa nas descobertas dos inventos. A vida não é o que a pessoa quer que ela seja. A pessoa é o que será o que a vida quiser dela. O destino vem escrito na memória do espírito. O livre-arbítrio é o teste onde se mede no ser humano o grau de evolução na severidade das provações ou o de declínio na leviandade das tentações. Tenho procurado cumprir rigorosamente nesses meus 81 anos o desígnio dos benefícios da alma nos sacrifícios da pessoa. Uma das tentações que purifica vencê-la é a exclusão de sentimentos inferiores do coração. E uma das provações que santifica derrota-la é a abnegação de fazer o bem para quem nos fez mal. Não desço da humildade e nem subo para a vaidade. Então perdoe-me se me entristeço nas vitórias e desculpem-me se me alegro nas derrotas. Acordei sentado na cama de manhã, na quarta-feira da semana finda de dezembro de 2015, infinito na aflição ansiosa e intensa no pressentimento agourento. Era a intuição me avisando das tragédias que iam acontecer nos Poderes do Brasil, em 2016, e a percepção me dizendo que eu iria fechar os olhos para não vê-las. A amargura zanzava em minha cabeça as palavras de Alfredo Nasser alertando-me: “A sua razão é clara e a sua intuição é correta”; as do Fábio Nasser ponderando-me: “Querido pai, as reformas estão previstas para serem antecipadas. É a necessidade que impera”, e a advertência de Teotônio Segurado informando-me: “E a vida chega, repleta de mudanças não esperadas, e o arrependimento se fará tardio para muitos”. Abri a janela do quarto. Olhei o dia amplo lá fora. Os céus estavam alagados de nu-

A IDEIA DO APOCALIPSE, como apresentada pela Bíblia, viabiliza a pluralidade das interpretações. Teólogos renomados, entretanto, rejeitam a tese do final catástrofico do fim do mundo físico e adotam a ideia escatológica da grande mudança das almas. Uma transformação completa nas consciências, que não poderia vir sem dor, sem lágrimas e sem o embate inexorável do espírito com a sua própria consciência, os seus atos passados e a sua necessidade de progredir. Se assim for compreendido, o apocalipse, então, não precisaria das tragédias obtusas, nem das hecatombes colossais, mas acontece, já, no coração inquieto de uma humanidade vibrante por evolução ética e moral sob a plataforma dos valores e virtudes cultivados desde a antiguidade

vens escuras. O sol escapava à pouca luz pelas frestas do azul. Um sabiá piava sozinho na folha da palmeira. Uma brisa discreta soprava no ar lusco-fusco, que não é o tom do dia, nem a cor da noite, como se a aragem houvesse antecipado o crepúsculo para o vespertino. O clima não me evidenciava ceticismo. A apreensão ratificava-me a certeza do vivenciado na premonição. O estrangulamento da corrupção tinha sido acelerado pelo Alto. O cadafalso iria pedir pescoços de cabeças célebres. Repassava-me na mente o aviso da mensagem de Pedro Ludovico Teixeira: “Não há mais tempo para aguardar regenerações. O tempo urge. Fiquem todos atentos a essas mudanças”. A roldana das purgações rodaria contínua no eixo da tritura dos intocáveis. Trabalhei normal no jornal com a melancolia moendo-me o dia inteiro. Dentre os retardatários da reabilitação moral, diversos frequentaram a minha estima e condoía-me vê-los nas fileiras da morte na política e do enterro na honra. Mesmo sabendo-os desavergonhados nos dribles chulos nos escândalos, nos lances de bola na mão nos passes, nos chutes da bola na trave, nas escalações esdrúxulas dos reservas nas contusões dos titulares, todos tabelando o empate por gols contra para ganhar na prorrogação a disputa da corrupção no jogo do Poder; ainda assim e apesar de tão vexatório assim, apiedo-me do nosso escrete político, porque, pior que lhes seja a inevitável derrota sofrida no final de suas jogadas escabrosas na corrupção, será mais dolorida a vitória não tida por terem perdido a hora de sair do campo. Desde o início daquele dezembro, uma sensação de abatimento vindo de algum lugar no esmo incomodava-me e foi crescendo preocupação na sensibilidade. Atribuí o episódio à tensão do cansaço e dos aborrecimentos reprimidos. Afinal, trago fadigas de liberdade há 57 anos rasgando mordaças imprensa e inclusive, máscaras de jornalistas. Problemas não me assustam. Enfrento-os tranquilo. A solução de todo problema está dentro dele. O único problema é correr de problema. Até o que não tem solução na terra, como a morte de um ente muito querido, solucionado está no céu. O desencarne do Fábio Nasser, que sonhei ser meu sucessor no jornalismo e era o calor de minha vida, a sua ausência abriu um vazio dentro de mim, cheio de saudade puxando-me o tempo todo para o fundo dele. Não ia aguentar a falta da sua presença. Eu era ele em mim. Ele era eu nele. Fui buscá-lo nas orações. Trouxe-o. O espírito do filho está junto ao do pai ajudando a solucionar os problemas do Diário da Manhã. O Fábio só, não: Alfredo Nasser e François-Renê de Chateaubriand também.

O mundo

chora nas três raças O arrochamento emocional que me oprimia na primeira quinzena de dezembro de 2015 tinha uma conotação intrigante. Sobraram-me razões para nostalgias. O fardo das intolerâncias contra o Diário da Manhã, exercidas com força pelas arbitrariedades vociferantes lá fora e mantidas pelos fraquejamentos de mofinos dentro do jornal, era o ramerrão das tensões desde o Cinco de Março. Precavia-me nas ameaças de morte, mas não me intimidava. Exaustava-me nos entraves financeiros, mas não me esmorecia. Porém, a apreensão que passou a assolar-me tinha um sintoma diferente. Dilacerava com uma agonia de tédio.

Onde estivesse, ou fosse, a amargura estava lá. Era como se me houvesse uma forca no sentimento, ou era como se o tempo me espremesse naqueles dias. Eu estava a tristeza de um velho de asilo carregando no seu silêncio saudades trazendo vozes doídas no coração; e, de repente, eu ficava a inquietude de um menino de orfanato, não com a nostalgia que remove horas amadas nas recordações, mas com a melancolia que se movia em lembranças amargas de momentos que ainda iam estar no porvir. O inopinado na intuição fatigava-me nas cláusulas da ansiedade. A quarta-feira, da semana finalizante de dezembro de 2015, pegou-me trincado no temperamento. No semblante, o otimismo manifesto no entusiasmo. No âmago, a expiação oculta no presságio. Eu não temia a intensidade do látego. Preocupava-me a extensão da agrura. As provações marcam a duração do prazo. As horas adiam os minutos, os minutos adiantam os segundos, os segundos alongam os instantes, os instantes prolongam os momentos conforme o tempo fixado para a consumação do transe. A premonição fazia-me sofrer dobrado no desdobramento da intuição: uma vez às vésperas, outra após a revelação, como se um espelho dentro de mim refletisse a imagem do que vai acontecer na antevisão do que já aconteceu no que irá ser. Naquele 23 de dezembro, uma sensação do trágico iminente seguia parada no aperto do sentimento. Eu sabia que tinha de me prevenir para o desfecho de uma manifestação cataclísmica no transcendental. O conectado com o sensorial cumprir-se-ia inexorável. Fui tocado por uma alegria triste. Na euforia e no desalento, duas certezas paralelas no incógnito de uma dúvida cruel. Todos os prognósticos previam maldições judiosas e castigantes para os falsários do credo da vida. A demolição das danuras morais é a transformação do caráter na construção da lisura nas honras. A intuição viaja-me no vislumbre de vultos retorcidos e se esfolando nas perdições humanas das almas. Fiquei tomado de misericórdia ante o horror que me afigurava no suplício das formas de sombras no martírio. Sentia-me sozinho na perplexidade desoladora nas ruínas de vidas jogadas fora no egoísmo. E perguntava-me até que ponto suportaria entreouvir e entrever na premonição e tetricidade da tragédia merencória na degradação do que apodrecia e exultante na fermentação do que nasceria. Remoía-me a cisma se era a morte de um tempo no parto das mudanças anunciadas há dois mil anos por Cristo. A vida está de cara feia nos recados da natureza. O mundo chora nas três raças humanas o êxodo dos retirantes da corrupção para o Apocalipse Prometido. Qual rosário descido com as contas do Além, os condenadores que têm culpas são julgados também. Em tudo, um gosto de fim chegando. A intuição me trazia o dia pesado de angústia

naquela quarta-feira, e tão tocante como ouvir nas horas tardias e ao longe, numa serenata, a música que nos lembra o momento que um amor estava indo embora. Trabalhei entusiasta da manhã à tarde no jornal. A obstinação arrastava-me do cansaço no reânimo da redação. A introspecção fugia-me das masmorras da desolação. Sentado à minha mesa, olhava pela janela o céu e buscava na meditação esses trechos da mensagem de Humberto de Campos: “O véu de Isis foi levantado e as verdades chegam com a força de agora. Os acontecimentos atuais há muito estão sendo anunciados pelos Anjos de Deus. E pedimos que continue firme, ainda que tão incompreendido”. Introjeto-me na reflexão para as dimensões do empíreo com mais facilidade que dou um passo no chão plano; por isso, ainda com a mente imersa no sideral, reouvi a garantia das mensagens de Alfredo Nasser reiterando-me para ter firmeza diante do imponderável: “Força, companheiro A vitória é certa. Siga firme. A vitória é sua”. Mantive-me apreensivo na turbulência dos reveses embutidos nas tocaias das traições inesperadas, mas confiante que vencerei todas as batalhas. E sempre tenho certeza da vitória, não por mérito pessoal, porém pela superioridade inexpugnável no poder dos espíritos companheiros que me honram com sua companhia nessa jornada da alma na Terra. Desde que me lembro de mim como gente, fui abrindo entraves nessa existência. Os que estiveram ou estão ao meu lado jamais me viram à toa nos embates dos obstáculos, ou choramingas no amargor das desventuras. Passo acima do alcance das vilezas humanas. Não desço do digno para medir-me com a miudeza das perseguições na inferioridade das vinganças. Nunca me esmoreço no baque das doenças e jamais fraquejo-me na tapera das perdas; ao contrário, é no tapa das adversidades que me revigoro no determinismo do ideal em que não me vencerão os alcoviteiros dos déspotas nos poderes terrenos, porque sei que os sofrimentos são carinhos de Deus. Então fui da residência para o jornal Diário da Manhã para o lar intacto das asperezas vencidas naquela quarta-feira.

Político que tirou Goiânia do horizonte de seus olhos e das pedras do cerrado para erguer o plano arquitetônico de Atílio Correio Lima, Pedro Ludovico Teixeira enviou duas psicografias para Batista Custódio, em 2014, mas cujas mensagens tinham destino especial aos políticos. A segunda, para o então chefe de Estado goiano que havia cometido tropeços, conforme revela o próprio espírito CONTINUA


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LUZ QUEBRADA

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

COLORIZAÇÃO: MARINA AMARAL

A razão do

Somos fieis aos princípios da igualdade e da coerência. Justiça. Essa toma todo o itinerário do Planeta, para passar em cada um, o que deve e pode ser feito pela criatura humana que não mais tem a oportunidade de gritar e ser ouvida. Hinos, bandeiras, lutas, todas vazia e, o sonho de sonhar um mundo melhor, ainda mora onde os ratos e os gatunos aprisionaram essas vontades para que não sejam levados, como noutros tempos, às praças, às prisões, para lhes fazer calar a vontade que o Poder seja firme na condução dos homens, mas que o direcione sem a força e o Poder, apenas com AMOR! Registro, aqui, o quanto lutamos e lutamos através do que tínhamos, para dar, às criaturas da Terra, mais confiança e esperança em seus dirigentes, tudo isso através da palavra escrita nas madrugadas, onde o nosso espírito já se arranchara para não alimentarmos mais as nossas emoções golpeadas pela dura realidade do SER”.

silêncio brusco dos artigos Abraços me receberam em casa, na Marly, na Maria do Céu, no João do Sonho, na Verônica e no Arthur com uma alegria que não sei se vinda das almas deles para mim e ou se ida do meu espírito para eles. À noite, o luar branquejou o céu respingado de estrelas. As palmeiras no quintal saudavam nas folhas ao vento o olhar flertando com as luzes do Natal na decoração das ruas. Senteime à mesa da biblioteca e saí nos olhos pela janela para todos os longes da imensidão. A meditação leva-me na alma para inspiração onde panho sonhos. Durmo aos intervalos do sono nos cochilos, tão curtos e leves, que um movimento a mais no silêncio acorda-me. A angústia ressonava-me na insônia. Peguei o livro Conversando com a Eternidade, a obra-prima inédita de Victor Hugo, e reli páginas de capítulos salteados. Parava, meditava e voltava a ler. Dormi profundamente. Acordei alta madrugada, extenuado e consternado, ante a visão da imagem dantesca de um cenário transfugurante nas mutações do medonho. As cenas e o panorama eram tão espectrantes quanto o realismo do extermínio no filme A Lista de Schindler. Amanheci insone e aturdido, como se houvesse presenciado um holocausto nos campos de concentração de Hitler e de Stalin. Comtemplei celebridades se desmanchando putrefatas nos poderes públicos chocos nas ninhadas da corrupção. O mundo rachou-se ali. Era como se trevas e luz em um fogo flagelassem o macabro nas labaredas na queima ardente dos maus e sagrassem o divino nas chamas na iluminação ardorosa dos bons. A vegetação daquela paisagem sinistra e a população daquelas criaturas desesperadas atordoaram-me, e reproduziam-se ao vivo na minha memória o tempo todo durante dias. O pavoroso no quadro já era por aí só tão horrendo, como se o trágico, o tétrico e o dramático disputassem a primazia do funesto no pânico das figuras tentantes debalde salvarem-se do morticínio. Todavia, a contínua reprise do cenário com a imagem das figuras na tela da mente, era me atormentante e aterrador. Pasmei-me imolado no estupefato. A tensão acelerou a emissão da adrenalina e excitou o emocional. Por isso, interrompi bruscamente a publicação de meus artigos em dezembro de 2015. O espectro da visão arrebatou-me para a órbita do suspense. Decifrara-se o agouro da intuição. Eu havia sido levado no espírito para assistir a materialização do que me angustiava no velado do pressentimento. A aparição do flagelo desvendara-se, corporificada no vislumbre, para ser contemplada na realidade dura e irreversível nos fatos dos episódios vindouros.

De 1853 a 1855, o renomado escritor francês Victor Hugo conheceu a filosofia espírita e participou de conversas em sessões mediúnicas. No livro Conversando com a Eternidade estão as passagens mais importantes de dois anos de comunicações entre Victor Hugo e os espíritos, em anotações que ele mesmo guardara e que só em novembro de 2000 a sua publicação chegou ao mundo

A chaga que não cicatriza na dor das feridas

As verdades Ameaçadas nas Consciências A repetição persistente na visão do transcendental tinha aquele encanto que nos faculta descobrir nas sinfonias uma música nova dentro delas toda vez que as ouvimos imersos em profundo silêncio. A cada reprise do cenário na memória, ampliavam-se também na visão os detalhes da desdita na imagem das figuras, igual na ação de um ato télico, como se houvesse na frequência da reprodução do infausto a finalidade de conscientizar-me da proporção descomunal da tragédia. Só podia ser a mostra do oculto na intuição. Pois a amargura que me martirizava durante o Natal e o Ano Novo, imantou-se inativa na mente em fevereiro, como se gravada no pensamento, para não me surpreender na escalada das mudanças com o desterro gradual dos vendilhões do povo nos templos do Poder. Espectral. Perdi-me de mim na consternação cortando o coração nas idas e nas vindas aos estigmas do vaticínio memorizado. O cenário da visão conflitou-me no paradoxal entre o promissor e o pesaroso, como se houvesse estado num solar comemorando aniversários no salão de festas e realizando velórios na sala principal. Estafante. Estive de ponto morto na marcha das emoções, seguindo pelo acostamento das aflições, freando nas curvas do sofrimento, indo-me embora dessa época encharcada de ódio, procurando um canto para estacionar-me bem longe desse fedor das honras na política, e só voltar quando houver mais autoridades lendo livros que vacas pastando nas fazendas de Goiás. Verossímil. Abriam-se as verdades amordaçadas nas consciências. Mesmo assim, hesitava-me em romper a interrupção dos meus artigos. A conturbação mesclava no espetaculoso, os perfis de inocentes e de culpados no vulto das aparências. Temia incorrer-me no repasse das dores nas feridas. O panorama congestionou-se no universo político. O céu nublado e trovejante lá em cima. O tapete de

Permaneci relutante, no aguardo do instante oportuno, para revelar a gravidade do vaticínio. O momento não era adequado. O Diário da Manhã enfrentava uma súcia que se utilizava da boa-fé de um setor do Poder Federal para urdir escorchantes perseguições com a atrocidade de tempestades encapeladas de ódios invejosos e bancados. Mas eu cruzava, paciente e destemido, a iracidade do propósito dos fechadores do jornal. Sabia que a nova carga de provações era mais um desígnio para o meu espírito vencer, como derrotou as tentações das camarilhas, que capuzadas nas leis e atocaiadas no Poder, tentaram destruir o Diário da Manhã. E acabaram detonando a espoleta de uma das minas da corrupção que explodiu em Goiás o escândalo, cujos estilhaços fecharam as Varas da Falência em todo o Brasil.

A Lista de Schindler é um dos melhores filmes já produzidos na história do cinema, segundo a crítica especializada. Apesar da iniciativa do empresário alemão, muitos foram massacrados sem que ele nada pudesse fazer para impedir. Gastou toda sua fortuna para salvar os judeus

fumaça e muito calor por baixo. O mormaço cegava em todas as direções. Não dava para ver o estrago do fogo no meio. A única perspectiva era a expectativa do imponderável na espera do remissor no desastroso.

Os capuzados

nas leis e atocaiados nos Três Poderes Passei por aquela tristeza que nos acompanha na volta dos sepultamentos. Os dias de março seguiam quais degraus de uma escada abaixo nas descidas de amigos tropeçando uns em outros nos três pavimentos da República e todos se empurrando nas quedas e mortes da corrupção nos Poderes. Os que assistiam os velórios seriam os próximos velados. As imagens da antevisão ao vivo na tela das lembranças criavam formas dos vivos no cenário das mudanças. Começava o prelúdio do maktub no epílogo das eras de engorda dos Gargântuas. A irracionalidade dos políticos aos botes do denuncismo ganhava a ferocidade de briga de serpentes, escorrendo venenos nelas e ódio neles, barulhentos e despertando as aves de rapina. Fizeram da vida o que quiseram dela para eles. Agora a vida cobra deles o que tiraram delas. Chegou para as pessoas o acerto das contas

da alma. É o Armagedom. Assim como a pedra se transforma para voltar a ser chão fecundo e a casca apodrece para a semente nascer fértil, a dinâmica do Eterno na Vida rege a ordem natural da evolução no Universo. Fevereiro parou-me despedaço por dentro, como se o cérebro girasse e o coração se ferisse no clausurado daquela antevisão, tão abismante, quanto seria ver a morte e a vida andando de mão dadas, nas almas indo embora do corpo das pessoas céticas. Tudo vacilava no estável; a tranquilidade no tenso da preocupação ansiosa, a certeza no intenso da espera apreensiva, a esperança no denso do resultado imprevisível. Eu me bipartia no travo da prudência e nos rotos da precipitação. Horroriza-me saber do derrame dos flagelos previstos para os autoritocratas da mazelança, e amargurava-me reconhecer que não adiantaria preveni-los das calamidades prenunciadas, porque os que serão expurgados não acreditariam. Hesitava revelar a predição. No dia 18, Fábio Nasser enviou-me uma mensagem descritiva da rigorosa varredura moral em toda a Terra e concitando-me nesses tópicos: “Pai querido, quantos passos nós já demos para realizar sonhos e desejos! Não nos cansamos até hoje e a luta há de continuar! Visito-o sempre.

As legiões da Espiritualidade, encarregadas de implantar e consolidar nas atuais mudanças a tarefas restauradoras da ética na moral humana, executam na Terra as etapas da Obra que já está pronta no Céu. Obreiros inumeráveis cumprem, pontuais nos incontáveis canteiros, as metas da reforma nas frentes de trabalho no Planeta. As falanges de benfeitores são comandadas por espíritos mentores. No Brasil, o comandante é Humberto de Campos. Pedro Ludovico Teixeira é o superintendente de Goiás, com Alfredo Nasser na coordenação e Fábio Nasser na equipe. (“O jovem Fábio veio a mim ainda receoso das verdades espirituais que amparam o orbe e principalmente nossa Pátria. / Nossos espíritos encontraram afinidade pelo trabalho a fazer e aos que trabalham pela ordem e paz dessa grande Nação”, Humberto de Campos) Eu continuava perplexo ante o furor da fatalidade acelerada em cadeia nas catástrofes morticinais, nos desarranjos dos governos, nos distúrbios sociais, nas desavenças familiares e, titubeante em acreditar que a avalanche das danações abria, nas desgraças, um ciclo de castigos na civilização. Relutava reflexivo e auscultando uma explicação. Noite de 23, cinco dias depois, o Fábio Nasser mandou uma mensagem orientando-me como superar as decepções com a conduta de certas pessoas próximas, evocando o dantesco daquela visão assombrosa presenciada pelo meu espírito em dezembro: “Saiba impor seu respeito em qualquer circunstância. E sabemos que aquele sinal esperado não virá da forma desejada, pois o senhor já o recebeu e não se apercebeu. É necessário que a verdade brilhe nesse novo tempo. Mas também compreendemos o seu receio e o seu livre-arbítrio. Esperamos que compreenda o alcance dessas palavras”. O Brasil se acudia nocauteado às costas do povo e indefeso aos golpes da corrupção despudorada no gládio das rinhas do Poder para tirar a faixa presidencial do peito que o voto popular a hasteou. Eu estava o protesto estancado na voz do silêncio. Receava o risco de vir a ser, a mão que abriria, nas feridas dos culpados, chagas que não cicatrizam na dor de inocentes. Às vezes, uma só fagulha, na folha de capim seco em um monturo, origina o incêndio que reduz, às cinzas, as árvores frutíferas no ervaçal da paisagem.

As estopilhas

dos hospedeiros da corrupção Março de 2016 trouxe-me o factível palpável no inacreditável a que me levara dezembro de 2015. Começava, nos partos da mudança, o aborto dos fetos da corrupção nos ventres do Poder. Soou o toque dos puros para nascer a civilização dos justos, tão maravilhosa que é de os castos bendizerem os castigos, pois zoou o escalpe das desgraças nos vilões, tão aterrador, que é de os iníquos começarem a rezar nos goCONTINUA


ESPECIAL vernos e nas oposições. Nas trilhas do ignominioso há rastros de todos nos desvios do cívico para estadias no alojamento dos apátridas. O denuncismo mutava culpas e inocências na face da verdade. As iras espinhavam satisfeitas nas vinganças rancorosas. Uma espécie de Noite de São Bartolomeu, que profanou a austeridade na liberalização da intolerância moralista. Onde gera o ódio, não viceja o amor. Onde está o ódio, eu não fico. E onde não está o amor, eu vou levá-lo. Temi entoar-me ao coro dos prejulgadores, quando muitos deviam estar preocupados era com qual seria o seu lugar nos dois lados da cruz. Em 10 de março, Alfredo Nasser enviou-me uma mensagem, da qual republico esse alerta:

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Oscilava-me entre a certeza e a dúvida juntas na conveniência e na imprudência de trazer tragédia no cenário do futuro, para a comédia encenada no presente. Em 5 de abril, o Fábio Nasser elucidou-me numa mensagem quanto as minhas ponderações, feitas nas preces, sobre o risco de incorrer as sequelas, ao revelar, para os poderosos em desespero, a maldição prevista para os encobertos pelo mal: “Responder aos seus questionamentos é uma tarefa um tanto delicada, pois precisamos pesar as consequências das respostas. Mas podemos afirmar que Deus trabalha continuamente pela Paz. E todos os acontecimentos são o anoitecer de períodos sombrios. Seus pensamentos sobre o futuro dos meus irmãos, posso garantir que sua intuição segue apurada. Mas não é preciso deixar que a nostalgia o incomode tanto. Dia após dia fatos novos acontecem, mostrando uma nova face da luta. É preciso revestir-se da couraça da fé que não se abala, da alegria não explicada e da esperança que milagres acontecem. Não se preocupe com a sensação de companhia que o acompanha. São amigos que estão ao seu lado. Pai, por mais incrível seja tudo que acontece, jamais duvide que estamos juntos”.

“Sabemos que o mar não está para peixe. A Terra passa por uma grande transformação. Nós, como porta-vozes da digníssima população goiana, devemos honrar a nossa profissão com tamanho dever, verdade e humildade. Cabe a nós levar aos nossos irmãos informações concretas, para a mudança terrestre. Sabemos das mazelas do mundo e sabemos também que a voz do Povo é a voz de Deus.

Nestes 18 anos em que Batista passou a receber, mais frequentemente, psicografias, por diversos médiuns, fica patente e inconteste o mesmo estilo literário de Alfredo Nasser, quando estava encarnado: orador brilhante, ponderado, mas sempre incandescente, qual o semeador de esperanças que o fora quando iluminou Goiás

O País estava um lamaçal atolando políticos na Lava Jato. As pilastras dos chefes de Poder desabavam-se sobre os alicerces rodando nos sumidouros da corrupção, e quanto mais aumentava o número dos que foram sugados, tanto mais ampliava a quantidade dos boiados que irão para o naufrágio. O quatro avançava do temerário no infausto para o funesto no sinistro. Titubeava-me em levantar o véu do agouro naquela semana de março. Dia 15, outra vez, cinco dias depois, o Fábio Nasser mandou-me uma mensagem contendo esse alertar:

corrupção protagonizada pelos autores, com direito autoral dos pais dos avós aos netos dos filhos, cuja árvore genealógica tem raízes encobertas onde se pisa nas sementes de seus frutos podres. Eu sentia o perfume das flores nos espinhos dos galhos da coroa na cabeça. As novidades dos escândalos expunham os Três Poderes no antiquário da corrupção, à esquerda e à direita na política brasileira, no cimo e no sopé do empresariado nacional, conivente nas religiões mercadejadas no Cristianismo, venalizada no sacerdócio da ética nas profissões, participativa no vulgo e na elite das populações. E egoísmo e a hipocrisia são cegueiras do materialismo e impedem que o rico e o pobre enxerguem dentro de si a pessoa que ambos olham por fora no outro. Se o poderoso experimentasse no anonimato a penúria do doente na fila implorando atendimento à porta do hospital, e se o desvalido provasse a bruteza das pressões contornadas pelas celebridades, talvez o rico fosse menos petulante nas decisões e o pobre ficasse mais habilidoso nas reações. Em Goiás, maio destemperou-se no clima estável nas bonanças, com intermitência de chuvas curtas, que não molhavam sequer a poeira, e com nesgas de frio e calor revezadas no ar seco. No Brasil, o fogo cruzado entre as trincheiras da corrupção, com deserções nos flancos do Planalto, chamuscava atocaiados nos Estados, tantos disparando cartuchos descarregados de honra nos vazios do denuncismo, alguns alvejados por balas perdidas nas travessas da barricada. O Diário da Manhã era alvo de emboscadas municiadas por artilheiros amoitados nos falcatros oficiais e desguaritados do caráter. Tentavam atingir-me nas costas com o cano das armações apontado para o peito deles. A índole guerreira atentava-me a paciência, porém a intuição ordenava-me para apenas mantê-los sob a mira carbonária, pois destruiria ingênuos usados pelos chicanistas ao detonar focos plumados de rapinas, tão assanhadas, que não sentiam que o cheiro de carniça que exalava do próprio bando. E se atreviam abusivos nos seus voos rasantes, quais corvos crocitantes, ante meu mutismo calculado, igual ao silêncio que precede o ataque da fera. Se a dor gritasse nas feridas, e eu tremia que se pusesse na opinião pública a voz do meu sofrimento para não deixar que os falconiformes calassem o Diário da Manhã, o brado poderia entonar um clamor de eco das almas nos ermos do povo goiano. Em 31 de maio, o Fábio Nasser estimulou-se a desafiar o ruflar de avelós postos na minha cabeça.

“Hoje venho compartilhar com todos os amigos o pedido para que orem muito pelo Brasil. As mudanças chegam com a força prevista por Deus. E aqui precisamos que as transições sejam em muita ordem e sentimento de paz. Companheiros ilustres que acompanham a evolução desse País estão alegres e confiantes. Não se espera outra atitude do povo brasileiro que é tão ordeiro e trabalhador. Há muito profetizamos que as máscaras cairiam e que a verdade surgiria... E assim é quando os Céus comandam. Estejamos firmes e unidos. E oremos pelo Brasil, meus amigos e irmãos. Com o pedido a Deus que nos sustente os ideais”.

“Venho reforçar os pedidos de sua coragem e destemor para romper todas as barreiras do presente. Às vezes a situação se faz sombria e sem alternativas, mas razão encontrará sempre a chama da ideia libertadora e necessária. Seja mais firme em sua opinião. Não se preocupe com melindres. Tudo tem o seu tempo e a sua hora. Saiba dizer não aos abutres que lhe sugam a paz e a paciência. É isso que viemos pedir. E quanto a tudo, continuamos afirmando que a roda do futuro gira, acelerada, provocando grandes e decisivas mudanças. Deus é conosco. Tio Alfredo e seus amigos estão a postos. E quanto a mim, serei sempre o seu filho que lhe tem tanto amor e gratidão, sempre”.

Nessa existência humana, estive carregando cruz, desde menino, da roça aos livros, no sonho do jornalismo que trouxe na alma. Posso ter caído tantas vezes, com o excesso de peso das cruzes de outros, postas nela, mas sempre me levantei com a minha cruz nos ombros, sem nunca tê-la jogada no chão, ou abandonado os calvários deles, os que puseram suas cruzes em minhas costas.

A visão tida em dezembro, no déjà-vu de um tempo se acabando, já mostrava seu clarão à frente de tantos seguindo ainda atrás da escuridão do que ia se findar em seus mundos. E me via só, como se no topo de uma montanha, gritando sem ser ouvido e contemplando a caravana seguindo no vale para onde se vão da terra dos planaltos o que não voltarão no chão da planície.

A intuição ponderou-me que ainda não era o momento para se riscar fósforo no arsenal das crises. A corrupção crônica na política fincou-se aguda nos poderes da República. A Nação estava inflamada, com intermitentes surtos de convulsão popular e epidêmicos contágios de insubordinação civil no empresariado. O estado da saúde das instituições democráticas agravou-se, com a combustão dos escândalos atirando estilhaços fatais nas vidraças do Governo, superlotando as prisões de autoridades, paralisando o crescimento nacional, provocando a propagação do desemprego e incentivando o massacre dos patrões. O quadro no organismo dos poderes públicos configurava a falência moral de múltiplas células vitais da sociedade. Fazia-se urgente a necessidade de transplante dos principais órgãos e amputação de parte dos membros no corpo político, sob pena de a democracia entrar em fase terminal, por omissão de socorro moral. Entretanto, os doutores continuam fazendo cirurgias plásticas, até que haja infecção generalizada no governo inteiro, por falta de assepsia ética. As aplicações de austeridade, às doses, eram estopilhas armadas por hospedeiros da corrupção para ser detonada com eles blindados nos abrigos das leis flexíveis na justiça. Por isso, parei de publicar meus artigos, temia desencapar rastilhos de temas explosivos. Estava neles o estopim à espera de uma faísca que iniciaria o incêndio devastador da estabilidade democrática e, sob o seu fumaceiro, favar-se-iam aqueles filhos da pátria. Justo aqueles que se enriqueceram do endividamento da pátria e que, agora, todos que posam de Vesta como se não fossem eles uns filhos da mãe.

As cruzes

de outros na cruz da gente

A revoada

dos abutres no Poder

Massacre da noite de São Bartolomeu foi um episódio, da história da França, na repressão ao protestantismo, engendrado pelos reis franceses, que eram católicos. Os assassinatos aconteceram em 23 e 24 de agosto de 1572, em Paris, no dia de São Bartolomeu. Entre 5.000 e 30.000 pessoas teriam sido mortas, conforme relatos

Em abril, peregrinava-me em uma romaria de cruzes, diversas montadas lá dentro do governo, várias cá perto de mim, cada qual criando a seu modo o gólgota no monte das minhas amarguras. Mas não há culpas de outro nos martírios de nenhum. O destino de cada um traz o seu calvário na passagem para a ascensão. E todos temos na crucificação, os da cruz à direita e os da cruz à esquerda. A vida na Terra é o calvário onde os justos sofrem pelos pecadores. E o poder terreno é o palco onde cantam as sereias que os tolos escutam. O Brasil cambalhotava nos manejos da corrupção estacada voto a voto nos mandatos populares e efetivada de conluio a conluio na supremacia da trindade nos andores do Poder. Os devotos à corrupção saiam em procissões de promessas pela graça de um milagre da impunidade nas profanações ao civismo no apostolado político.

Maio é decantado como o mês das flores, mas é também a época de desperdício de azul nos céus e de o sol e o chão se beijarem em Goiás. E pede-se amor. Esse é o poema dos noivados no coração. No meu caso, é paixão de amante do jornalismo pela liberdade. Porém, nesse maio o ar outonal se embebeceu das toxinas urtigosas no aroma das coerções econômicas dos tentáculos políticos, e eu sou alérgico a ditaduras. Voo de abelha marimbondo. O Diário da Manhã, esse canteiro da liberdade na inospidão das ideias secas na mentalidade nepotista dos déspotas, havia mais espinhos que rosas nos galhos balançados pelas borrascas da intolerância, oficiosa no abano das mãos e oficial no manejo dos braços geradores das tormentas que sacodem os talos da esperança e levam as pétalas do buquê de sonhos dos jornalistas livres. Os líderes mal letrados perigam na inteligência dos intelectuais idealistas. A independência é a natureza do conhecimento e não aceita os ajoujos de atraso rançoso em Goiás, onde políticos guieiros do povo cangam jornalistas nos cargos, como bois de carro, tocados a ferrão das ideias dos carreiros. E se sentem condores nas revoadas às expensas do poder. Barata também voa no chão de certas cozinhas. Mudanças criam o novo nascido do velho. Mas o que se assiste no Brasil é o velho de novo. As reformas encenadas pelos chefes de Estado são ajeitamentos de antiguidades da

Fábio Nasser tornou-se, na eternidade espiritual, o companheiro que deveria ter sido ao seu pai, na temporaneidade material. Com mais de centenas de psicografias enviadas, um livro publicado e outro aguardando publicação, suas mensagens auxiliaram um sem-número de pessoas e leitores do Diário da Manhã em situação de aflição. E, claro, ampararam o pai no caminho de provações que atravessa

CONTINUA


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LUZ QUEBRADA

Autoridades

gava naquela revelação de dezembro. Eles entrelaçavam-se nas vilezas para inviabilizarem o jornal, e recusava-me a usar a nitroglicerina contida no meu silêncio para a revanche às torpezas deles. Não havia esgotado o prazo da regeneração para a remissão dos perdidos. A hora da fulminação estava marcada e já dava para se ouvir o tique-taque dos ponteiros no relógio da História na profecia de Jesus Cristo para o Planeta e na predição de Dom Bosco para o Brasil nas terras de Goiás. Não quero ter nas mãos calos do trabalho na cruz feita para ninguém. O melhor bem que a pessoa faz para si é o bem fizer para quem lhe fez o mal. Provações são o roteiro no meu destino nessa passagem no mundo. Mas entro e saio delas sem que fiquem dentro de mim. Em maio de 2013, o Fábio Nasser tranquilizou-me nos trechos esparsos de uma longa mensagem: “Sei da angústia que o oprime. Sua alma de escritor, que já presenciou tantas mudanças no mundo, anseia pela liberdade de expressão e venho relembrar a sua missão: revelar a verdade de forma poética. Não pense que sou indiferente ao seu sofrimento ou à sua aflição. Também sofro muito ao ver os testes que chegam aos seus ombros calejados. Acho que Deus o considera muito especial para testá-lo tanto”. Dessa vez, as dores mexiam-se nas feridas das costas ao sobrepeso da ingratidão dos que carreguei para eles as suas cruzes. O Fábio Nasser acudiu-me no coração, em 26 de julho de 2016; com esses tópicos:

viciadas na droga corrupção

Calado nos desgostos a espetadas de decepções e, conformado nas perdas e golpeadas de infortúnios, sou otimista o tempo todo e despreocupado com o inesperado no trajeto do destino, porque sigo a guia do espírito nas vicissitudes da vida terrena, como o viandante não se surpreende com os obstáculos na estrada que já andou nela. Junho intensou nas autoridades o jogo da brincadeira infantil do esconde-esconde nas corrupções de uns a corrupção de todos. O Congresso Nacional virou terreiro com uma poça na confluência de enxurros escorridos de todas as nascentes do Poder e com os políticos se lavando na lama da corrupção. Aos cangapés das culpas no rebojo do denuncismo, os afogados borrifavam nas acusações de respingos das mazelas nos que sequer passassem perto deles. Assistia-se o binomial do assombroso no maravilhoso do adjetival no sentido lato da palavra formidável, ou seja, essa civilização presenciava o começo do crepúsculo dos maus no princípio da alvorada dos bons na chegada no tempo da separação do joio do trigo. É a hora ou da remissão ou da expiação nos peneiramentos das socas morais encobertas no caráter. Mas as caras tinham faces que se escondiam nos semblantes dos rostos. Empanturrados de malversações. Arrobam pureza. Encharcados de ódios, derramam ternura. Esteados na avareza cobiçosa, suspiram abjuros aos ambiciosos. Construíram-se nas vantagens pessoais nos feitos do interesse público. Elegeram-se nas promessas de defensores dos pobres no poder, ficaram ricos na pessoa e pobres no espírito. A autenticidade devotou-os restritos à apostasia. Até as falcatruas que eles verberam nos outros, são carapuças que se puseram justíssimas. O frio que não veio esse ano em junho, fazia-se no medo dos políticos. Estavam a descoberto na perversão despida neles. Quais torrões rolados dos barrancos nas cheias dos rios, autoridades tombavam aos empurrões no salve-se quem puder da corrupção se desmoronados em todos os templos da política. Em vão. Uniam-se nas forças que os atreviam ao pó pompeiano. As atuais mudanças fenomenizam o determinismo da potestade. São ciclópicas, como se no indômito delas Poseidon se levantasse do fundo das eras para rachar os poderes no Planeta. O fantástico do imaginário no mitológico de Homero e do místico no dantesco de Alighieri, por pouco não se desvenda no absurdismo dos pandemônios nos fenômenos atuais; pois só o insondável nos mistérios explica estar na contumácia das desgraças na Terra a remissão da humanidade dos pecados veniais, carnais e mortais. Em Goiás, a maioria dos líderes políticos cometem os três pecados. E perjuram a verdade nas mentiras das confissões e a penitência da inocência nas comunhões da corrupção. Viciados no consumo da corrupção, que é a droga com pontos de traficância nos paços do poder e cria dependência moral nos políticos, os corruptos são narcóticos ególatras compulsivos como os toxicômanos químicos; e, como esses necessitam de longas internações em clínicas para se recuperarem, também aqueles carecem de demorados isolamentos em presídios para se reabilitarem; do contrário, terminarão como vítimas dos próprios desatinos e párias excluídos do respeito público. O hábito da impunidade fê-los perder o senso da razão e crerem que a bandalheira política continuará igual após os arranjos das cumplicidades no embolado das mudanças no governo; e, sobretudo, fê-los perder a noção do ridículo que os tornou apócrifos no que dizem e as apóstatas no que fazem, por isso expunham-se exibicionistas nas inaugurações de promessas nos palanques e constrangidos nos personagens à mostra nos esbulhos revelados pelo juiz Sérgio Moro. Punham-se em oferenda à autoimolação. Dava pena vê-los se leiloarem inacudíveis e escancarados como prendas, mas detinha-me o receio de preveni-los e confundirem o meu alerta como um gesto para comovê-los a desistirem das perseguições ao Diário da Manhã, cujo objetivo era o mesmo que outros governos tentaram. Manterem-me dependente deles. Pensam que sou bobo como me aparento e que são inteligentes como se imaginam. Não posso pestanejar um só descuido. Tenho de ser a vigília no olho aberto. Bastaria estar no vacilo de um único piscar e veria o sempre no jornal fechado.

A espada de Dâmocles é a materialização da lâmina afiada que fica suspensa sobre a cabeça de quem detem o poder

Riqueza, poder e vaidade misturam-se no trono dos que aspiram grandeza política. As almas mais fracas cedem às tentações infinitas e transformam o grande instrumento de caridade, que deveria ser a vida pública, em um gigantesco monumento à monstruosidade humana

Sou plantão no velejar da liberdade nas procelas que às vezes dobram a bandeira no mastro que nunca se quebra. Dessa vez rugiam unidos no ciclone os ventos que vencera separados em outras tempestades. Pressentia, no artifício das degolas ruflantes, as teias das tentações para distrair-me no funil das provações, das quais fui alvo e me foram testes dos desígnios do destino, mas que jamais me desviaram das lutas na trajetória do jornalismo. Não raras vezes, havia em tudo o sinal da hora acabada e, não menos surpreendente que de repente, o fadário surgia no final. Agora, as bruxas vinda deles, chegavam-me sereais. A visão que tivera em dezembro facultou-me o déjà-vu que as horas estavam contadas era para eles. O reformatório moral abriu as portas no mundo. Persisti no oratório do silêncio, apesar da conclamação incisiva de Alfredo Nasser na mensagem em 14 desse junho: “Esperamos que o clamor de novas mudanças alcance o seu coração em plena paz, com sábias decisões. Sabemos que o momento atual é de perturbação e temor. Mas a verdade vem do Céu à Terra e nada irá detê-la. O tempo surgiu complacente para todos, permitindo que se esgueirassem furtivamente, a interesses escusos. Acasos julgaram o que o Olho de Deus não presenciava o que faziam às sombras do poder? E aqui, Deus decretou o momento das mudanças. O homem de bem, de caráter, terá sua alegria resgatada, pois contemplará a Era da Justiça e da ética. É assim que situações estão sendo resolvidas. Que a humanidade não se iluda: os erros, os vícios, os crimes e a maldade serão banidos da Nova Terra. Aleluia e Hosanas devem ecoar em nossos corações. E de ti, meu companheiro, não esperamos outra

atitude a não ser continuar defendendo a ética, doa a quem doer. A espada de Dâmocles está levantada. Nada a impedirá de corrigir o que se faz necessário. Glória a Deus por nos permitir vivenciar esse trabalho hercúleo”.

Onde se homiziam os foragidos do caráter

Todas as trincheiras da corrupção estão dentro dos Três Poderes, mas de toda parte no povo escorrem gotas de lama para esse lamaçal que cobre o governo e afundou o Brasil. Mas a engorda na ceva sulfurou na pele o acúmulo das banhas. Como na matéria orgânica em putrefação sopitam bolhas geradas pelo gás carbônico, ou se transforma em fóssil à falta de oxigênio, a degradação no ambiente político exalou o fétido nas borbulhas das fossas morais, destampadas por Moro, e já apresentam sintomas de formação de fossilíferos nas paradas respiratórias nos subterrâneos de robustos domínios. Em todas as direções políticas, iravam-se líderes da direita e da esquerda nas tarraxas da corrupção parceira no governo e na oposição. Ouriçavam-se como se fossem vespas que produzem o mel e atacam os predadores da colmeia; no entanto, são como zangões que fazem os acasalamentos e comem o mel parasitados no enxame das abelhas operárias. Os fazedores de cera da corrupção estavam vespões, não no qualificativo de abelhas grandes, mas na sinonímia de “pessoas intratáveis, de temperamento áspero e mordaz” na brusca traição a amigos honestos, como se foragissem perseguidos por remorsos. Esse é o ponto da consciência onde se homiziam os que mudam o rumo do caráter nos paradeiros do dinheiro no Poder. E é também a trajetória dos líderes que vão cavando em vida a própria sepultura política. Acossado entre as tendências dos ódios vingativos e, doído na confiança interceptada por deslealdades afetuosas, eu rompia as amarras das importunações financeiras, resignado e cônscio de que a resistência renhida era o passaporte para a sobrevivência do Diário da Manhã cruzar a sanha dos achacadores e chegar livre ao tempo que Goiás estará limpo deles à tocaia das leis nos esconderijos dos órgãos públicos. Perversos, mantinham-se mordazes nas mordaças acobertadas nas antefaces duma instância no Poder como escudo para justiçar o criminoso massacramento econômico do Diário da Manhã. Calado, permaneci observando as armações dos arqueiros de bumerangues, se alvejando com a marca indicativa dos visados pela espada de Dâmocles nos correntões das mudanças, que arrastarão todos os corruptos, atados uns aos outros, para fora da vida na Terra, ainda na primeira metade desse século. Eu os via encenados em julho e os enxer-

“É difícil acompanhar a sua luta e não procurar implorar a Deus que alivie um pouco o peso de sua cruz. E estamos acompanhando a confiança e a sensatez que consegue sentir para com os dias vindouros. O senhor aprendeu a confiar na mão misericordiosa de Deus a seu favor. Não se sinta tão só. Somos muitos que o rodeiam. E a sua sensibilidade consegue sentir o calor de nossa presença. Pai, os seus artigos necessitam sair da gaveta. Será luz lançada aos hesitantes da estrada. O mundo necessita urgente de ética, paz, fraternidade e sinceridade”.

Os mitos

que a vida aparta-os na jornada dos valores humanos O ímpeto instigava-me a sair para o aberto na opinião pública para o confronto com as tranças das leis na corrupção e fulminar as escoras das arapucas do Poder para enlaçar o levante da liberdade no Diário da Manhã. Os nervos estavam como se varas batendo-me na paciência ante a corja das escórias inadimplentes em todas as noções da decência. Reagir às baixezas de certas pessoas é nivelar-se a elas. A maneira certa de passar por uma estrada com os rastros limpos é não pisar nos ciscos dela. Porém, eles seguem a passos largos para a via-crúcis nos estertores do tempo das autoridades esbirradas na corrupção longeva no Brasil. Carecem do relho da razão. A benevolência vinda da alma levou-me a tê-los na misericórdia. Deixo-os para o tapa da vida. Os companheiros, sofridos na resistência abnegada do jornal aos piráticos, contrariam-se diante de minha aparente indiferença aos irregeneráveis. Esperavam a sova de um panfleto carbonizante neles. Em 25 de agosto, o Fábio Nasser enviou uma mensagem e endossa o gesto de superação nessa parte: “A caridade se apresente de várias formas e com várias faces. Pai, siga sua intuição. Não se deixe levar por aparências ou fofocas. Vá direito à fonte. Não deixe para outro o que só você é capaz de fazer. Analise, pense e crie sua própria conclusão de cada fato e ato observados. Pois bem. Mas sem se esquecer ou relaxar-se com sua saúde. Pois tudo tem seu dia, mês e hora; e ainda tem muita areia nesse seu caminhãozinho para ser espalhada por essa estrada de luz, amor e caridade”. A civilização contemporânea encolhia-se apreensiva ante o estrondar das quedas dos gigantes do progresso materialista ao ruflo das mudanças incontíveis, contínuas e amplificadas no mundo. É o ajuste das contas com a vida dos inflacionados morais em toda a Terra. Mas, no Brasil, as eleições de 2016 foram transformadas numa suruba política dos partidos nas transas das reservas de mercado da corrupção nas cotas dos Três Poderes e nas franquias do empresariado, com distribuição per capita de rendas nas extorsões e nas propinas. O PIB da corrupção é recorde nacional em todos os índices geradores de riquezas no Brasil. CONTINUA


ESPECIAL Em Goiás, a corrupção ficou vingativa nos ódios repassados na política comensal nas cevas do favoritismo lambanceiro e empobrecida no endividamento dos saques à ética. A imagem de Moro coagia-os qual fantasma a espreita-los na curva do súbito. Escoltava-os o medo. Pressentiam o findo no vidão para os condutores de povo, inválidos nas ideias úteis à restauração moral da política no Estado. Era natural, pois, para quem estivesse nos serpentários da truculência temperamental. Afinal, amamentados no colo da mãe República, viúva e rica, e criados nas orgias dos repastos nos ágios da corrupção, manteúdos e arrotantes, oneraram-se de custeios que não lhes permitem emagrecer as despesas do sustento pessoal com o jejum nos gastos. Como existem doentes mentais crônicos, há doentes morais incuráveis. Nasceram tortos no caráter. O transtorno de personalidade os é implícito no congênito da ganância. Proliferam-se albergados nos retardos do atraso. À falta de asas, pulam de escapes a escapes nos arrastos para as agarrações nas altezas do poder. Voo de Ícaro. Afagosos na apetência saciada à vontade na fartura das locupletações e venéficos na gula insatisfeita nas dietas obrigatórias da corrupção, sempre que os ouço bradantes e verberantes nos retumbos da austeridade nos governos, e ressoa em mim a dúvida sem resposta na pergunta que me faço: se os gorjeios dos pássaros nas gaiolas são cantos ou choros. Há pessoas que, às mesas do poder, se animalizam na cobiça insaciável e esganam os tesouros do erário federal, estadual e municipal, com a gana feroz que o bicho glutão ataca e devora as presas nas selvas nórdicas. Fome de Thor. Agosto tem sido o mês a gosto do agoureiro coincidente na legenda sinistra das cabalas na política, com o fadário macabro na história do jornalismo em Goiás no assassinato de Haroldo Gurgel, em 8.8.1954, por capangas civis no governo de Pedro Ludovico Teixeira; na morte de Adory Otoniel da Cunha, em 8.8.1966, no desastre aéreo da campanha eleitoral na sucessão do governo de José Feliciano Ferreira; no empastelamento da gráfica do jornal Cinco de Março, em 8.8.1964, por jagunços fardados no governo do coronel Mauro Borges Teixeira. Nos rastros do passado, as tintas de impressão das ideias da liberdade de opinião tisnam-se de sangue no cangaço das balas. Nos passos do presente, os bandoleiros amoitam-se nas leis os assaltos que fecham a imprensa independente. Pistolagem de bacharéis. Agosto de 2016 moldava-se, a caráter das rabularias, em acampamentos da corrupção chicanistas para se piratear a sobrevivência independente do Diário da Manhã. A legenda da liberdade inveja-os na minha história no jornalismo. O sucesso alheio despeita-os na inanição do mérito. São voos de barata. Ofende-os a comunhão das mãos abertas ao desprendimento material do plantador de sonhos. Têm fome de ratos. Saltitantes nas locas das demandas e coaxantes nos labirintos do jurisconsulto, servem-se das varas judiciárias como se fossem varas de bater nos despeitos e assaltam os âmbitos da razão nos foros do Direito, ferocidas no esfomeamento igual vara de porcada furtiva nas leiras de milho. Fuçam, fuçam, fuçam. Terminam pegos. Não vão longe. Dão pulos de sapo. Culpa de ninguém em nenhum de nós que o modo de ser aparta-os na jornada dos valores humanos. A vida proíbe-nos uns aos outros na paixão que diferencia as pessoas no mundo da alma.

Coronel Mauro Borges Teixeira, então governador do Estado de Goiás, até novembro de 1964. Sob seu governo, jagunços fardados destruíram o maquinário gráfico do jornal Cinco de Março, em 8 de agosto de 64

O tempo de

tudo acabado no todo do mal Aos 81 anos, o moço no arrojo do ideal aceso no trabalho das ideias na cabeça, o velho no vigor do cansaço de uns 10 avôs no coração, sentia-me aos retalhos no desarme de golpes nas traições e renascido inteiro no poema que toda mulher bonita escre-

Ícaro, da mitologia grega, desrespeitou seu guia e pai, Dédalos, que orientou-lhe a forma mais segura de voar. As asas, forjadas pelo pai, feitas com penas de aves do paraíso, foram coladas à cera. Ícaro demonstrou versatilidade no manejar do voo. Aqueles que viam pai e filho voarem no céu acreditavam serem deuses. Fascinado e possuído pelo vislumbre, o filho afastou-se do pai, inclinado ao céu. Quanto mais alto ia mais aproximava-se do Sol e de seu calor que, gradativamente, passou a amolecer a cera. Penas começaram a se soltar e Ícaro perdeu o equilíbrio. Em vão agitava os braços tentando estabilidade. Perdeu a sustentação e, em queda,

grita pelo pai. Dédalos ouve o chamado, procura no céu e não encontra. “Ícaro! Ícaro! Onde está?”. O pai olha abaixo e vê penas flutuando no mar, forçado a enxergar a dolorosa situação. O barulho, das costas impactadas numa grande pedra à superfície do mar Egeu, despertou ninfas que emergiram das profundezas, perceberam o ocorrido e passaram a lamentar por Ícaro, supondo que ele fosse uma divindade. A pintura O Lamento por Ícaro, é de Herbert James Draper que, segundo críticos de arte, identifica Ícaro como os heróis pré-rafaelitas e simbolistas. Heróis que conseguem viver rápido e morrer jovem, deixando um cadáver bonito.

Thor tornou-se o mais poderoso dos deuses nórdicos. Era um dos mais temperamentais. Os poemas revelam que era bastante nervoso, perdia a paciência facilmente e partia para a agressão. Além disso, Thor era beberrão e guloso, bravo e aventureiro

ve dentro de mim. Tenho um namoro que panha flor nas quimeras e passeia nos colóquios da saudade nas lembranças de mundos que não o daqui. O feio no feito por gente não me altera a visão do bonito na vida. Até no lixo ao chão nas ruas, vejo a beleza na revoada dos urubus nos céus de Goiânia. Agosto bruxeava-se no esquerdo da sorte. Na espectrografia do presságio fatalista,

fantasmas de putas vestidas de longo trocavam de vassouras nas varreções da corrupção grupal debaixo de umas camas para outras nas alcovas dos estupros políticos nos poderes da República do Brasil. E poucos vislumbram os mormaços do Apocalipse no desalinho dos tempos atuais. Presencia-se a enchente nas mudanças. Tantos já afogaram-se nas ondas das corren-

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tezas caudalosas, enquanto muitos flutuam nos remansos. Contudo, a maioria dos ribeirinhos observam as águas inundarem os ribeirinhos vizinhos e permanecem no local até que suas casas sejam submersas. E caiam todos os barrancos da corrupção. Ao lerem na Bíblia o vaticínio do Apocalipse, não são poucos os que interpretam a expressão fim do mundo como sendo o fim da Terra. Quando, em verdade, será o fim do imundo no submundo dos mundos das pessoas que indecentam a vida em nosso Planeta. E há os que o gigantismo do progresso materialista endeusa-os como indestronáveis em seus impérios econômicos ou invencíveis no faraonismo de seus feudos políticos. Como a enormidade das obras físicas é erguida tijolo a tijolo em lentos prazo e cai barro a barro em longas datas, toda grandeza dos poderes terrenos é efêmera e se desmancha no pó dos tempos. Eterno na Terra é só a vida, não as pessoas, os bichos, as pedras, as águas, as árvores, os ventos que estão materializados nos seres e nas coisas que se reproduzem e se transformam nela, mas na imortalidade da alma que existe em tudo, e que, no fogo, é a luz. E, no entanto, há aqueles que a celebridade inutiliza-os no volátil da vaidade e no transitório do perecível, por isso caem das alturas da glória, deslumbrados como se voassem nas quedas e soberbos como se o chão estivesse vindo lá de baixo recebe-los. Parece que a vida os sobe para derrubá-los mais de cima. Os líderes políticos e os empresariais, que têm muitas dívidas com a vida nas barganhações que esvaziam das gavetas do dinheiro público e enchem as algibeiras das fortunas particulares, continuaram brincando de esconde-esconde nas culpas da corrupção que está à mostra do lado de fora em todos eles. E não percebem que a Terra está se livrando deles no domínio das nações. O futuro fechou-lhes as portas. A maldição os achou, qual veneno serpenteado no ar, como se aquela fumaça que dizimou no Egito os primogênitos na corte do faraó Ramsés II, vagasse se espalhando venífica na respiração do patriarcado da corrupção brasileira. Todavia, os que falseiam a fé nos pecados, da ganância encoberta nas igrejas ou venalizam o cívico nas faturas do idealismo ocultadas na política, apenas se agasalham nas moratórias vadias no cinismo das impunidades. As fortalezas do expropriado irão sendo aluídas até ao tombo final. Assiste-se atualmente a despedida do modelo político fisiologista, que se acabou para sempre, e teimam mantê-lo os que não querem ir-se embora do imperial nas riquezas humanas para o despojado das almas. O hábito da vivência na facciosidade os alienou da realidade. E eles continuam ouvindo o canto de sereias no hino das bruxas. CONTINUA


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A natureza sacoleja o meio ambiente nos ventos embrabecidos no desmantelamento de cidades, nos sismos brutalizados no rachamento de caos, nas epidemias devorantes nas mortandades causadas pelas intempéries, nas mudanças bruscas do clima, enfim, os céus não têm poupado castigos nos 16 anos desse século aos povos em suas terras. São avisos prévios dados aos que devem se exonerar das condenações da consciência, antes que sejam enquadrados em abandono de emprego no honesto e demitidos por justa causa com sentença transitada em julgado nas Leis do Retorno. Vizinhos na corrupção, empedraram-se, empoeiraram-se, enlamearam-se e apodreceram-se impermeabilizados nos alojamentos dos poderes terrenos. Nunca antes no Brasil houve outra temporada com tantos ricos e autoridades se hospedando nos presídios, e tudo indica que esse veraneio será prolongado e vai faltar celas. Pois, a julgar pela lista dos pedidos de reserva, o fluxo dos turistas de colarinho branco irá para as páginas do Guinness Book como recorde de população carcerária. Clausura beneficente. O confinamento ser-lhes-á uma aposentadoria providencial. Habituados ao luxo de vida alta e ao regalo das mordomias oficiais, não sobreviveriam soltos sem as expensas da corrupção. A hora de pagar a conta chegou-lhes. Zombam, sarcásticos, e ameaçam, chantagistas. Julgam-se inexpugnáveis. E se esborracham aos montes nos tombos do poder. Caem se pendurando salvos uns nas quedas de outros que, por sua vez, vão se segurando nos demais, que irão arrastados se não forem socorridos; todavia, esses não estão preocupados com aqueles, mas somente consigo mesmo, embora finjam que estão apreensivos é com a situação do Brasil; por isso alardeiam que o juiz Sérgio Moro (foto) está parando o Brasil com o seu combate à corrupção. Se eles pararem de roubar no governo, valeu a pena a nação parar. Em dez anos, os brasileiros teriam dinheiro para comprar uma das três Guianas. O que os marajás da corrupção querem parar é o Moro. Em vão. Ele não é mais a sua pessoa no juiz. Virou sentimento no povo. Porém, as autoridades agem como se fossem concessionárias das onipotências de Deus e supõem ter poder de pararem o cumprimento da profecia do Apocalipse, feita por Jesus Cristo há dois mil anos para se cumprir agora. E está se cumprindo conforme as palavras do escrito por João Evangelista. É de se espantar como as pessoas não acham estranho o fato de surgir, de súbito, um homem que, sozinho, balança o Brasil inteiro e, em curto prazo, joga ao chão das praças públicas décadas da corrupção incrustada nos Três Poderes da República. O juiz Sérgio Moro não é só um exemplo monumental na coragem, na honradez, no idealismo, na serenidade com que enfrenta desafios temerários e não se vangloria nas vitórias, mas é sobremaneira o revolucionário incorruptível que subiu invejável para a lista Bloomberg como uma das dez personalidades mais influentes do mundo, e não desceu da humildade no juiz para se rebaixar no envaidecimento da celebridade. Homens como Moro nascem divisores de épocas nas etapas da evolução humana. A predestinação os designou redentores de nações nas mudanças memoráveis. Não abortam do acaso. São contemporâneos da posteridade. Nascem no regrado das casas humildes, adolescem na simplicidade despojada, contornam a trava das dificuldades onerosas, quebram as barreiras do conhecimento, percorrem o futuro no alado da inspiração, rompem as fronteiras de seu tempo, resguardam-se dos contágios da corrupção, constroem com o transitório no barro dos tijolos obras imortalizadas na transcendência das ideias, morrem pobres e voltam perpétuos para onde vieram do eterno, como Pedro Ludovico Teixeira e Juscelino Kubitschek de Oliveira.

Minotauro da corrupção vigiando o muro de seus pecados para que ninguém os veja. Seu nariz fareja quando a verdade se aproxima, e tudo faz para tentar impedi-la

LUZ QUEBRADA

Cruz é para

ser carregada em silêncio

David matando Golias, por Peter Paul Rubens

Essas criaturas ainda que momentaneamente se portem triviais no habitual do cotidiano, são espíritos sábios. Convivem rodeados de pessoas divergentes em todos os extremos radicais do sectarismo ideológico ou do fanatismo teológico, e não se misturam a nenhuma das facciosidades que estreitam a lucidez humana. Nada as remove na obstinação do ideal. A vocação carrega-as incansáveis nos atropelos do seu desiderato. Tentar detê-las é exercitá-las na medição do potencial das próprias forças que as fazem invencíveis. O magistrado Sérgio Moro é um desses iluminados na alma. Só ele tem o poder destruí-lo. Se trair-se no caráter. Como os vulcões crateram montanhas, terremotos racham planaltos, tempestades jogam mares no seco, o juiz Sérgio Moro estrondou o gigantesco Brasil dos corruptos idolatrados nas honrarias pátrias ao som do Hino Nacional. Nele multiplicam-se as multidões de David prostrando cambadas de Golias. Gostem ou não, Moro desalojou as acomodações da corrupção e, rendam-se ou resistam, serão despejados os acampamentos improvisados dos que roubam à direita e dos que furtam à esquerda, aquadrilhados na política. Carentes de humildade no excedente da vaidade, os Minotauros da corrupção e unos no olho de Polifemo fixo no ideal de Mecenas, não percebem que a esperança de levitarem acima dos acidentes em sua paisagem moral é tão mitológica quanto ao sonho de voar em Ícaro. Chegou-lhes o tempo das purgações de Prometeu. A autonomia judicante de Sérgio Moro esbarra-se nos alicerces plenipotenciários da hegemonia suprema nos poderes da República. Há, porém um senão assustante. A credibilidade dos dirigentes da Nação está corroída na unanimidade da confiança nacional. As expectativas horripilam as pessoas nas ruas, nas cidades todas, no País inteiro ante a constatação de que a correção dos ilícitos praticados é coordenada pelas autoridades que os cometera. Isso é a desfaçatez vil. Mais que a afronta que insulta a falta de comida na panela dos pobres desempregados, é a desfeita que revolta e cria a doutrina da convulsão social nas honras dos pobres extorquidos pelos ricos.

A permanecer escorado nessas Suas Excelências que se esteiam as mazelas dos poderes públicos, o Brasil irá se esboroando até restarem de pé somente as pilastras solitárias como as das ruínas nos vestígios das civilizações antigas. A predição bíblica de o fim dos tempos se cumpre agora. Os impérios das corruptelas estremecem-se no estaqueado das bases cediças e balançam nas torres pensas. Moro é o prenúncio do tempo de tudo acabado no todo do mal que se finda no Brasil, a esperança das riquezas mal surgidas, o martírio das vítimas da justiça mal distribuída, a incerteza dos idealistas mal compreendidos. Os magnatas do caixa 2 nas campanhas eleitorais e dos amarrilhos nas partilhas de rendas nas faturas das obras públicas, volteiam-se espetaculosos na malha da Justiça, pegos pelas laçadas das sentenças do juiz Sérgio Moro, e caem, quais acrobatas nas evoluções do trapézio, à lona a céu aberto no circo das corrupções, armado dentro dos Três Poderes e assistido de casa cheia nas praças públicas. As leis terrenas nãos mais conseguirão assegurar direitos aos sem razão no foro das mudanças consignadas pela Lei Maior. Irão se arrebentando ao excesso de peso nas culpas dos endinheirados que endividaram o Brasil. Por mais que eles sejam tantos, serão vencidos por Moro sozinho, como se possuído por uma dessas forças que só o mistério da concessão Divina desvendaria. Um fenômeno. Se não é normal o que ele tem conseguido, fora do comum é; então só pode ser sobrenatural, pois é certo que nunca sequer se imaginou que surgisse no Brasil um homem capaz de abrir a caixa de pandora das falcatruas, fechar apátridas nas cadeias e repatriar bilhões em dinheiro para os cofres da Nação. Um milagre. Moro multiplicou-se em milhões no povo. É como se houvesse nele Josué que ouvisse um Jeovah orientando-o nos passos para derrubar as inexpugnáveis muralhas de Jericó, até então irremovíveis no potestado de múltiplos Mareks nos reinados da corrupção no Brasil que, segundo a predição do espírito de Humberto de Campos, é a nova Terra Prometida, e que, conforme o vaticínio do santo Dom Bosco, será a pátria da civilização que passará a governar a Terra nesse milênio.

Em Goiás, não menos que no Brasil, a mordaça da censura econômica atuou operosa; todavia, aqui no Estado as garras da corrupção oficial manobraram com mais força as marras da asfixia financeira do Diário da Manhã do que as demais unidades da federação tentaram cercear a liberdade de opinião nos jornais diários. Diuturnamente, eu tinha de vencer os tentáculos das perseguições e salvaguardar-me das incompreensões de companheiros na Redação. Essa a razão de o meu filho Fábio, do amigo Alfredo e de outros luminares da Espiritualidade reprisarem tanto em suas mensagens: “Não se sinta só. Somos muitos aqui ao seu lado. A sua vitória é certa”. Agosto começou guilhotinante nas pressões. A apreensão doía-me compressora nas traições, triturava-me impiedosa nas ingratidões, mas a fé inteira na justiça Divina e no triunfo da ética nas lutas humanas, energizava-me na alma com o vigor dos jovens e o arrojo do idealismo. Em 27 de agosto, Alfredo Nasser escreveu-me: “Meu querido irmão, possa Deus reconfortar teu coração, trazendo-te luzes de um novo amanhecer. Sempre estivemos ao teu lado. É com alegria que caminhamos rumo a redenção de nós mesmos. Mas a etapa surge ainda cercada de muitos obstáculos, onde a coragem e otimismo devem estar presente estímulos invisíveis. Pergunta o seu coração o porquê de tantas provas, mas a luta garantirá a vitória merecida. Viemos trazer a amizade e a prontidão de corações leais e sinceros. O apagar das luzes de um tempo vergonhoso destaca-se como prioridade aos corações sedentos de justiça. E tudo segue conforme os desígnios superiores. Ninguém deterá o avanço da verdade na face da Terra. E todas essas modificações exigem esforços imensos de cada um de nós. Mas a força do Alto está presente em todos os corações sintonizados com a busca da paz. Em seu silêncio questiona se as decisões são acertadas. E no turbilhão das lutas pela sobrevivência é necessário prudência quanto aos que apontam soluções miraculosas. Recomeçar é privilégio para poucos. É preciso seguir a voz secreta do seu coração, e vigiar suas atitudes quanto a muitos que exigem essa ou aquela parcela. Situações surgiram que solicitam um novo acompanhamento. Prossiga em busca da justiça e da ética. O Fábio Encontra-se contigo como o filho amoroso a velar por quem tanto ama. Esperamos que compreenda o alerta carinhoso do coração que ombreia contigo. Que Deus o fortaleça e sopre a divina inspiração aos teus ouvidos. Com nosso abraço verdadeiro, a gratidão do Alfredo Nasser”. O mestre amigo captou nas orações a causa central da minha amargura no índice principal dentre todas as questões na pauta das emergências. E indicou-me a solução infalível, com o alerta em contato reservado e restritamente a mim, para ler advogados no lugar de miraculosas, nesse trecho da mensagem: Em seu silêncio questiona se as decisões são acertadas. E no turbilhão das lutas pela sobrevivência é necessário prudência quanto aos que apontam soluções miraculosas. Recomeçar é privilégio para poucos. É preciso seguir a voz secreta do seu

Mecenas, patrono político de seus protegidos. Simboliza o rico que provê condições de florescer algum ideal, alguma arte CONTINUA


ESPECIAL

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A Batalha de Jericó representa uma das mais gloriosas vitórias dos israelitas quando conquistaram a terra de Canaã. Seguindo ordens de Deus, Josué conquistou a cidade, fortificada com suas famosas muralhas e torres

coração, e vigiar suas atitudes quanto a muitos que exigem essa ou aquela parcela. Situações surgiram que solicitam um novo acompanhamento. Prossiga em busca da justiça e da ética. Chamou-me a atenção, em especial, a informação cifrada de que eu receberia uma orientação da Espiritualidade, contida nesses dois tópicos: “Situações surgiram que solicitam um novo acompanhamento. Prossiga em busca da justiça e da ética”. Confesso. Fiquei curioso e ansioso para saber de qual espírito viria esse novo acompanhamento. E não nego. Passei a indagar nas orações qual era o conteúdo da orientação. O espírito manifestou-se. Avisou que enviaria o teor da recomendação no dia 7 de setembro à noite. Advertiu, porém, que devido a extrema gravidade da situação, a mensagem não podia ser publicada. E adiantou que continuaria durante o curso dos acontecimentos. Recebi a mensagem na data marcada. Um tratado de sabedoria na riqueza de conhecimento e na grandeza literária. Li-a demoradamente reli atento diversas vezes. A escrita do Mentor Espiritual fez revelações que me alegraram na alma. Uma lição de vida e de luz na luta. Entusiasmou-me no amplo do texto e concitou-me no conciso dessa linha: “É necessário fazer-te conhecer pelos que se julgam detentores do poder efêmero”. Entendi o recado e obedeci ao conselho. Procurei um estadista estimado, cujo apoio é fundamental no contexto da questão, e mantive com ele uma conversa sincera de amigo verdadeiro. Não me tem sido fácil suportar calado alfinetadas dos que não aguentam a descarga carbonária de um panfleto fulminante da farsa de seus enredos particulares na vida pública. Todos conhecerão a realidade dos joios que não são, na verdade, os trigos que aparentam ser. O silêncio fala-me melhor do que tudo que ouço. Espero o dia que me seja permitido dizer o que segredo dos espíritos e divulgar, por exemplo, a mensagem integral de François-Renê Chateaubriand, ou revelar o nome do Mentor Espiritual da mensagem de 7.9.2016, que é uma sumidade jurídica das mais respeitadas na História do Brasil.

É o tempo da virada

Cruz é para ser carregada em silêncio no sofrimento sem descanso na vida da pessoa nas lutas contra as forças do mal.

do bem nos dois mil anos do mal na Terra

Os vendilhões

não querem sair do templo dos Poderes No aguaceiro das chuvaradas, a sujeira acumulada nas ruas, praças, avenidas das cidades escorre nas enxurradas para os esgotos que as entornam nos córregos, que as derramam nos rios, que as despejam poluídas nos mares; todavia, parte do material contagioso fica acamada no leito do curso das águas e custa a ser depurada. Assim também são as temporadas da corrupção e a demora da remoção dos corruptos decantados nas poças de mazelas nos Três Poderes, que desaguam o Brasil nu mmar de lamas, que é onde boiam os destroços de caráter das autoridades náufragas no lamaçal das honras; contudo, fazem-se inúteis os nados de peito dos que flutuam na turbulência explosiva dos escândalos e, em vão, as jangadas de pescador dos que velejam no tsunami apocalíptico das mudanças atuais; pois, o dantesco que se assiste é o rompimento da corrupção estancada nas represas da história humana; portanto, não se salvarão as vestais do moralismo que, enquanto se afundam, esborrifam gotas de falcatruas nos restauradores da Nação; afinal, esses são os rochedos nos da estirpe de Moro, que solaparão aqueles no podre dos barrancos do Poder, que irmão ciando até não restar torrão sobre torrão nos barros da corrupção. O Brasil fede nos políticos, não em todos, mas nos que se apodrecem nos mandatos populares e remanejam-se nas trocas de presidente da República, à falta de estadistas, como as togas e as fardas dependentes da sua autoridade conferida no poder da Constituição. Os autores da tragédia dos recentes governos brasileiros estão atores na comédia ensaiada em Brasília, com dublês em cenas temerosas e desempenho michela nos papéis. Interpretam o farsesco dos bufões neles. O palco caiu-se-lhes ao peso das vaias a eles. A plateia foi-se embora deles. Rasgou-se no camarim do teatro político a cortina dos cachês da corrupção. Acabou-se o tempo de Janus. As praças públicas encheram-se de Brasil. O povo nasceu multidões de Moros. A verdade inquietante é que os corruptos não querem sair dos governos no Brasil, por isso, a realidade agravante é que a autossuficiência dos gestores públicos ineficientes sobrepõe-se as leis acima da isenção na justiça e subjuga a justiça abaixo dos abusos de poder das autoridades. Todavia, o Poder Maior vai tirá-los. O duelar das autoridades no esconde-esconde das súcias no jogo da corrupção nos bacondês dos Três Poderes, evoca a prorrogação de um confronto de cabeças quebras ao final e merejando nas cuias a roubalheiras envasilhada no ilícito. Os esbulhos serão desbulhados bago a bago granado nas espigas da improbidade até restarem os sabugos dos inescrupulosos nos farelos da política. A autocrítica os abandonou na falta de vergonha. Como os descendentes de Noé aturdiram-se na construção da Torre de Babel para subirem vivos ao Céu, os progênitos da genealogia da corrupção atordoaram-se na armação de saídas que os escape de descerem ao inferno em vida. Alimentam na gula das fortunas o

Janus foi um deus romano das mudanças e transições, mas outra e mais comum simbologia associada a este personagem é a insinuação de que a maioria das pessoas possuem duas faces

apetite que irá comê-los na fome das pobrezas. Dão nós cegos nas leis e se penduram nas catervas em laçadas indesatáveis no pescoço nas quedas do poder. Igual o mago Harry Houdini criou-lhe a fatalidade no ilusionismo em uma de suas mágicas, os escapulistas das malversações e exponentes das dilapidações alheias geram-lhes na adversidade as provas da tragédia à mostra nas alianças da diversidade na corrupção. Condenam-se na acareação das versões das inocências. Os Poderes da República estão vazios de povo. As condições de sustentabilidade das autoridades brasileiras nos comandos do País são as de equilibristas em corda bamba. Com o complicador dos gangarros de uma porção deles na corda. A maioria dá corda à língua nas traições ingratas. Tantos roem a corda nas chantagens das delações. Muitos estão com a corda de outros no pescoço. E, o que é mais desesperante, todos balançam ao som das cordas vocais das multidões se reunindo nas praças públicas para vê-los caírem vaiados e, alguns, pendurados nas estivas da calúnia, da difamação e da injúria dos que dão corda ao denuncismo. As vozes que arrotam vaias à corrupção nos partidos são soluços políticos nas bocas que a aplaudiram quando a comiam nos governos. A taca virá nas pessoas que batem em cada lar, em cada cidade, em cada nação. Os condenadores que julgam, perseguem e derrubam inocentes, cairão condenados. Os puros que penam injustiças e caem sofridos e humilhados, subirão inocentados. Gradualmente se consumará nos povos a exclusão dos enviltados e a agregação dos dignificados no apartar dos maus dos bons. Acorcovados nas costas com o peso da responsabilidade ao justo nos ombros, mas altivos na cabeça ao luzir do bem no peito, a civilização dos abençoados os espera no abraço de Deus.

No mito bíblico, Deus confundiu as línguas na Torre de Babel para impedir as pessoas de atingirem o objetivo de chegar ao Céu sem o esforço verdadeiro no caráter

Esse mundo está indo-se embora dos que pensam ser dono dele. Há uma tristeza de sonhos se despedindo nos corações ausentes de amor. É como se as pessoas sentissem saudade do que se mataram no eu delas. Talvez venha-lhes aquela solidão do tédio nos suicidas. Cederam-se à sedução das tentações e fraquejaram-se à judiação das provações. Chegaram retardatários à undécima hora do fim dos tempos datados na Bíblia. Releiam a junção desses trechos da Mensagem do espírito de Pedro Ludovico Teixeira: “Goiás, esse Estado destinado a ser o celeiro de luz, força e sustentabilidade a um futuro de dificuldades aos renitentes. Quem busca esconder ambições, terá a verdade mostrada sem rodeios. Não há mais tempo para regenerações. O tempo urge. O povo sofrido e trabalhador espera o lema da virtude, da honradez, da ética, do compromisso com o coletivo. Fiquem todos atentos a essas mudanças. Transformem-se. Aos que almejam a vida pública, pedimos que auscultem suas consciências, esqueçam de si mesmos e trabalhem a favor de outrem”. Os times dos poderes terrenos furaram a bola nos gols contra e perderam o jogo da corrupção no estádio das leis. É a derrota final do mal na vitória definitiva do bem na virada do placar dos tempos, prometida há dois mil anos por Cristo. Amoldem-se ao limpo. Desistam dos dribles à austeridade nos torneios da moralização prorrogada nos prélios da impunidade. Regenerem-se todos que vieram antigos no governo. A degola, de pescoços na ceifa de cabeças nos poderes da Terra, vai parar quando decapitar a última célula-tronco da corrupção na Humanidade. Decorem e reflitam sobre esse tópico de uma mensagem de Humberto de Campos: “O véu de Isis foi levantado e as verdades chegam com a força de agora. Os acontecimentos atuais há muito estão sendo anunciados pelos Anjos de Deus. A bandeira é a do Cristo, e a verdade ofuscará aos que a temem, retornando-os ao ostracismo de seus pecados”.

Polifemo era o ciclope que vivia sua solitária existência numa caverna. Gigante que enxergava com um olho no centro da testa, foi enganado por Odisseu, que ofereceu-lhe um vinho. Ao adormecer, Odisseu e seus companheiros afiaram uma vara e espetaram-lhe o olho. Revoltado com a fuga dos que o haviam enganado e ferido e zombado, lançou pedras enormes rumo ao mar tentando, em vão, destruir a embarcação CONTINUA


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Indômitas e contínuas, as mudanças implodem cristas econômicas fortificadas e explodem alicerces nas profundezas políticas, com a fulminância de raios que houvesse murros na força deles. A saga humana se reescrevia no destino remarcado nas vidas. Dessa vez, a Terra Prometida é que está vindo no êxodo das pessoas más desse mundo. As águas secam ou inundam terras. As fomes anemizam ou os alimentos intoxicam. Nada dá certo em tudo ou todos estão insatisfeitos com as coisas. O Planeta desentendeu-se desgostoso com as loucuras do egoísmo humano e usa os chicotes da natureza a duras relhadas dos fenômenos sísmicos no meio ambiente. As pessoas parcelam-se na textura dos caracteres. Diversas, espavoridas. Várias, atônitas. Inúmeras, alheadas. A maioria, inconsequente, reúne poderes nas vendas da honra e penhora alma endividada nos enchimentos de pecados. Memorizem e meditem a respeito desse condensado nas mensagens de Alfredo Nasser: “Tempos se aproximam que todas as máscaras cairão... As forças do cosmos se movimentam para as grandes mudanças. Estamos no limiar de duas eras... O apagar das luzes de um tempo vergonhoso destaca-se como prioridade aos corações sedentos de justiça. E tudo conforme os desígnios superiores. Ninguém deterá o avanço da verdade na face da Terra”. Não dá mais para fingir não estar percebendo a anomalia acelerada das hecatombes rastreadas de tragédias que tiraram o sossego do Planeta. As mensagens de Fábio Nasser reiteram esses alertas: “O degredo está começando. Porém, a separação é celetista e está em movimento contínuo. Realmente é a hora da verdade na Terra... Surgirão tantos fatos, todos juntos de uma só vez, que mobilizarão essa raça doente e pervertida. Deus pediu aos seus Anjos para que as trombetas sejam tocadas nos quatro cantos da Terra e os Cavaleiros do Apocalipse surgirão para honrar os justos. E a verdade é que não há mais desculpas para se acobertar o erro. Nada mais está ficando encoberto... Que a humanidade não se iluda: os erros, os vícios, os crimes, a maldade, serão banidos da Nova Terra. A espada de Dâmocles está levantada. Nada a impedirá de corrigir o que se faz necessário. Agora é a hora da verdade. Quem duvida, verá... Há muito profetizamos que as máscaras cairiam e que a verdade surgiria”. Antigamente, existia gente que comia carne humana. Atualmente, há pessoas que comem a vida da gente. Na cabeça cansada das dores seguradas nas decepções inesperadas. No coração cansado dos amores idos sem despedidas. Nos nervos cansados dos sonhos moídos nas perdas ficadas. Nas emoções cansadas das lembranças machucadas nas saudades entristecidas. No âmago exausto do convívio com mentalidades asnas. No olhar cansado do falso nas amizades fugidas. Na alma cansada de carregar a luz da vela que espíritos do escuro tentam apagá-la na visão de companheiros.

A lente reguladora

da evolução gradual no limitado da mente Viver nas dimensões do futuro, olhar de lá e se ver aqui nos planos do presente, na luta por mudanças no meio de pessoas que não se enxergam no que se acabou, é preciso ter aquela paciência da face no morto para suportar a convivência com os fantasmas vivos no mundo delas.

LUZ QUEBRADA

Às vezes as contrariedades ante suas impertinências levam-nos a ermos de angústia. Mas as incompreensões das pessoas sempre voltam alívios dos espíritos, como a concisão da mensagem dessa companheira nas travessias do jornalismo hasteado à Liberdade: “Batista, que suas forças sejam renovadas pela fonte misteriosa desse Universo imperecível. O que dizer de toda essa realidade causticante que se apresenta aos nossos olhos, a não ser esperar por uma justiça soberana e justa, extremamente justa. Vim hoje para agradecer o oásis de suas preces, que refrigeram a minha alma ainda tão sedenta de compreensão. Suas orações mostram-me o quanto errei, mas tudo é possível. Posso ainda modificar-me e assim tenho feito. A duras penas tenho galgado o gólgota... O tempo é inexorável, meu amigo. Porém, chorar não resolve. É prosseguir. Renovar. Ser Fênix. Acreditar que um dia após outros é uma vitória sem precedente. E assim é a sua própria luta... Meu tio Alfredo [Nasser], que me adotou novamente aqui como espírito querido de suas passagens, fez-me acreditar que a sua paciência ainda é maior que a de Jó, e que a vitória surgirá gloriosa. O homem do passado apagou-se para ressurgir o homem espiritual. Seja forte e não desista de seus ideais. Consuelo Nasser”

Consuelo era guerreira. Criou o Cevam. Batia de frente com os dogmas dos preconceitos instituídos. O destempero de idealismo e o excesso de conhecimento doparam-lhe de turbulência no inconformismo nas extravagâncias da ingenuidade inconsequente. Aprendi muito no convívio com ela. Doutorei-me em resignação ao contornar a sua impetuosidade tenaz. A Espiritualidade contribuiu-me com amadurecimento na paciência imensurável da tolerância reiterada na superação de atritos com pessoas que irão se vaporizar no cáustico das mudanças banidoras dos maus na Terra. Então sigo no cenário do Brasil atual como se estivesse numa paisagem em que visse a imagem de um deserto reverberar no esplendor das verduras na extensão das distâncias, na temperança do clima nas quatro estações do tempo, no azul dos céus espelhados no cristalino das águas fartas, na abundância das riquezas naturais em seu panorama continental, sem igual noutras terras em tudo mais. O mistério é a lente reguladora da evolução gradual do limitado na mente para o descortino ampliado da visão espiritual nas pessoas. O cristão diz: — Deu criou o mundo. O ateu fala: — O caos gerou o cosmos. O cristão pergunta: — E onde a origem do caos? O ateu afirma: — Na fermentação das moléculas. O cristão insiste: — Deus é o criador do todo no Universo.

Adolpho Bezerra de Menezes, médico dos pobres, foi militar, escritor, jornalista, político e filantropo. Enviou mensagem para Batista Custódio, em 1966, por meio de Chico Xaver

O ateu questiona: — Onde se criou Deus? O cristão persiste: — Ele é o Incriado, o Eterno, sem princípio e sem fim. O ateu verbera: — O mundo se gerou no buraco negro do cosmos e se expandiu à explosão do Big Bang. O cristão inquire: — E quem ordenou aos elementos que possibilitaram a vida no infinito do Universo? O ateu responde: — Pergunte ao buraco negro do cosmos. Ele lhe dirá: “Foi o acaso”. O cristão refuta: — O acaso? Impossível! É inaceitável a ideia de que uma explosão num amontoado de elementos tenha gerado o tudo e a vida. O ateu indaga: — Então, o que criou tudo o que existe? O cristão pontifica: — Foi Deus, por sua soberana vontade que, o nada fez surgir o tudo no todo da vida. O ateu pergunta: — E quem, ou o que, criou Deus? O cristão responde: — Pergunte ao mistério. Ele lhe dirá: “Fique em silêncio”. O silêncio é a única resposta diante do fascínio tremendo do Absoluto, pois o mistério nasceu da expressão grega myein (tapar a boca, calar-se). O inefável, por sua infinitude, não poderia jamais ser contido em qualquer conceito possível aos humanos. As frágeis cercas do conhecimento só abrangem o que pode ser tangido por nossa douta ignorantia (a sabedoria de saber que não sabe).

osbram críticas injuriosas naf alta de autocrítica dos difamadores da moral dos outros, é uma bênção divina, quase miraculosa como andar enxuto na chuva e limpo na poeira. Estamos em um tempo encharcado de ódios e de interesses apodrecidos nas mentes estagnadas nos brilhos sem brio. E enquanto dura o estágio da ladinice nos descartes da decência, é preferível ao digno estar em perigo no honroso das lutas que a salvo em más companhias no triunfo do vergonhoso. Acabou-se o tempo dos que mentem para Deus nos templos. Deus ouve as preces e vê os pecados. Há igrejas ricas com a sonegação na renúncia dos impostos nos dízimos. Escancarou-se o princípio do ciclo da ruína moral para as autoridades carentes de princípios éticos no caráter. Nada se esconde em tudo. Existem, nas pompas, digitais que salários não explicam nas mãos das fortunas. Nos grandes mentores e nos pequenos obreiros das escalas nos ilícitos e nos erros que esquartejaram o Brasil nos governos, o tamanho das culpas é igual na falta de patriotismo e iguala-os na cumplicidade da corrupção. A conivência parceira nas improbidades fê-los dependentes das propinas e peados aos soldos das extorsões que sustentam os custos da sobrevivência pessoal opulenta. Não se esmeram nas labutas aplicadas às causas magnânimas nos exercícios da política. Mourejam nas lidas integradas aos ofícios amesquinhados nas serventias do poder público. As trocas de acusações dos peludos na corrupção oficial são troças de burlescos jogando lama deles nos outros. Vê-los moralistas lembra a imagem dos garis que catam lixos com as carroças nas ruas, impregnados da sujeira na roupa. Como o fedor em volta dos lixões exala-se do material infectado que está depositado no interior deles, também os moralistas que farejam corruptos nos outros, precisam tomar cuidado com o seu julgamento. Talvez o odor que sentem da corrupção recenda de dentro deles. Pois, de uma forma ou de outra, nos atos participativos dos ricos ou nos gestos omissos dos pobres, houve a permissividade cúmplice do consentimento nacional. Nas extorsões dos políticos aos empresários e nas propinas dos empresários ou políticos, o suborno operacionalizou de parte a parte o aliciamento mercadejado pelas honras cediças ao venal. O materialismo agrupou no formato da corrupção todos os modelos de poder nas políticas, nas economias, nas religiões, as artes, nos esportes, nas profissões, nos órgãos do Legislativo, do Judiciário, do Executivo, onde os bons e os honestos são vigiados pelas confrarias aquadrilhadas à sombra das autoridades. A única instituição organizada ano Brasil era a corrupção sustentável e transparente no Governo. Já não é mais. Nem será o que foi, jamais. Acha-se no translado do berço para o jazigo. As escapadelas de políticos para foros privilegiados, nos cargos públicos, são remanejos dos corruptos nos restos mortais dela, e mortíferos para eles. Pois, infectados por ela, irão morrendo moralmente nas assepsias da austeridade até à extrema-unção.

Muito longe daqui e já tão perto de nós, o raiar de um Novo Tempo Todas as reservas de mercado da corrupção desmantelam-se nos de domínios terrenos diante das colisões patéticas entre as facções do mal, em duelos tão fantasmagóricos quais esgrimas de fantasmas com suas caveiras, e não menos tragicômicos na teatralização de inocências no espetáculo dos culpados no palco da Lava Jato. O governo se engastalhou nos corruptos. O Brasil está com excesso de peso nos Três Poderes. A política está parecida a uma mulher de muitos maridos. A sociedade está vazia de sonhos nas pessoas ausentes de Deus na fé aos líderes mecenas. A vida está de dar preguiça viver nessa época em que os governantes vagueiam errantes nos desrumos do poder como cegos em um deserto silente de esperanças, quando muito longe daqui, e já tão perto de nós, raia a estrela guia de um Novo Tempo no clarão das mudanças. Vivenciamos o princípio do despejo dos maus nos mandos da Terra. Mas não é hora de as vítimas abrirem buracos na caminhada dos algozes, para sacrificá-los. Mas é a hora de tapar os buracos na jornada deles, para salvá-los. Porque no auxílio ao próximo está o benefício a si próprio. Os bons não são portadores de sentimentos inferiores como ódio, rancor, mágoa, vingança, inveja, egoísmo, hipocrisia e outras misérias íntimas que endividam a pessoa nos tesouros do espírito. A vida dotou-me dessa devoção ao juízo dos anos: o meu caráter é o altar e a honra alheia é o santo. A obediência à homilia da ética no oratório da consciência nessa época que

Harry Houdini era o nome artístico do ilusionista húngaro e escapologista Ehrich Weisz. O grande ato de Houdini, chamado Handcuff Act, era ser preso totalmente e livrar-se da caixa de prisão CONTINUA


ESPECIAL

A censura econômica

Os viúvos

dos casamentos da corrupção Por não me ceder a assédios irrecusáveis nas bonanças das tentações, oferto-me a estrangulamentos inevitáveis nas tormentas das provações. Eis a jornada do Evangelho de Mateus (7), onde se perdem nos próprios passos os que fazem os rastros do bem com um dos pés na estrada estreita e fazem os rastros do mal com o outro pé na estrada larga. Trazem a praga em si e pisam com ela nos que seguem a retidão moral, para desviá-los do destino dos benfeitores da Humanidade. “Enlouquecerão ao ver o que lhes espera. Serão transformados em objeto de espanto. Motivo de assombro ante os povos. Até serem exterminados”, avisa Jeovah em Deuteronômio (28). As criaturas malévolas criam desvios sedutores ou impedimentos para extraviar-me do apostolado do jornalismo devoto à liberdade. Superei investidas de desestímulos massacrantes no estirão de anos. Todavia, nas últimas três décadas, o exagero das avalanches de martírios amontoados sobre a minha resistência no jornal, cresceu na proporção do aumento dos tombos de corruptos nas autoridades e nos empresários. Há dias que me sinto tão só e incompreendido, como um viajor parado na estrada, olhando calado a caravana seguir desmotivada. Atrás, o cansaço arrastado das dificuldades sem amparo. À frente, a desolação estampada no vazio angustioso das incertezas. O látego das agruras avivava o esmorecimento dos ânimos de companheiros nas expiações. Exaustos na inclemência do imponderável nas adversidades, a apreensão moía-os na ansiedade, oscilava-os na inteligência emocional e os abatia no desalento dos desgostos. Eu sempre os compreendi nas razões de suas fugas nos momentos árduos do jornalismo. Esvaíam-se de esperança após tantos sonhos fugidios às vésperas da vitória. É o vive-morre nas migrações do vaivém dos sonhos

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E faz-se aquele paradão da agonia nas horas de silêncio nos corações aos gritos. As aparências transladam os pesares no filtro das conveniências. O idealismo segue o ritual da ecumenia cultuada na ética pagã no credo ao cívico nos políticos. Enquanto a amada é embalsamada e maquiada no necrotério da funerária, ouve-se o coro dos lamentos orquestrados contra Moro. É a cantoria das carpideiras ensaiadas pelos viúvos dos casamentos e que não podem comparecer ao sepultamento da Corrupção.

tenta calar o Diário da Manhã

As forças do Universo fecharam as portas para a corrupção na Terra. Urge a reparação. Os que não se redimirem, vão para a “danação eterna”, diz Cristo no Evangelho. Mesmo diante das anomalias testemunhadas nos fenômenos da natureza e nunca antes tão desordenadoras das conquistas do progresso materialista, tantos permanecem incrédulos que esteja se cumprindo a profecia do Apocalipse. A série de manifestações que recebo da espiritualidade, várias na vidência, a maioria na escrita, diversas restritas ao meu conhecimento, todas com informações antecipadas sobre os acontecimentos previstos e com orientações de como devo me conduzir nas travessias da missão no jornalismo. O idealismo resguardou-me na beleza do sonho em toda a cruzada dos padecimentos no lendário Cinco de Março. Carreguei culpas de companheiros postas nos meus ombros e dores abertas por pessoas amadas no meu coração. Conheci a solidão dos abandonados ao cão nas perdas irreparáveis e senti o peso das portas fechadas nas horas de aflição. Estive na mira de perigos que a morte lencou neles. Ali era o tenso da luta desigual no desafio à bruteza resistente das forças contrárias, ou seria a rendição agachada na covardia dos desertores. O ano de 1966 amargava agourou nos dias. Recebi uma mensagem de Bezerra de Menezes, psicografada por Francisco Cândido Xavier, contendo instruções de Alfredo Nasser preocupado com preparar-me para o corolário das tentações e provações que passaria a enfrentar doravante. O alerte de que tomaria conhecimento antecipado delas através da intuição e a revelação de que venceria todas elas a duros sacrifícios. Peregrinei num corredor de calvários. Humilde e altivo. Paciente e enérgico. Cauteloso e destemido. Calado e atento. E consciente de que o verdadeiro prevalece ao final nas lutas entre o mal e o bem. Sempre. Não fraquejei nos oito meses no Cárcere do DI na ditadura militar. A hora do justo chegou no bem para mim. Nem me intimidei quando o governo bancou a fundação do jornal O Repórter, que se inaugurou com um editorial na primeira página informando que aquele semanário fora criado com o único propósito de destruir-me e o Cinco de Março e que, após realizar o seu objetivo, O Repórter deixaria de circular. A hora do justo chegou no mal para eles. Tampouco me esmoreci nos 18 meses que o Diário da Manhã esteve fechado por conjuras da corrupção ardilosa no governo. A hora do justo chegou-me no bem. Jamais me acovardarei perante as cáfilas dos corruptos entrincheirados nos embustes de chicanistas distorcedores da justiça nas leis para dilapidarem o Diário da Manhã. As bocas da corrupção querem calar a voz da liberdade. Mas a corrupção já está caindo e irá caí-los todos já, embarrigados dela. O povo vê-los-á desfeitos na história humana, uns no legado de Judas, outros no biótipo de Pilatos. Vai chegar a hora da danação eterna para os que sujam a vida na Terra.

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

A teoria é Multidão se amontoa em toda parte para acompanahar julgamento que levou Batista Custódio a uma de suas prisões por crime de opinião. Foram várias prisões

Procurador-geral do Estado, José Crispim Borges, primo do então governador, começou a acusação: “O governo poderia ter escolhido o caminho fácil das soluções violentas, mas...”

Jornalista havia denunciado propina ocorrida no Estado. A Frente Parlamentar Nacionalista escalou o deputado federal Marcos Antônio Coelho para fazer a defesa, junto ao advogado Thirso Rosa. Não adiantou. Batista foi novamente preso

aos pesadelos. A superação dos sacrifícios requer abnegação da pessoa e a sabedoria nos resultados depende da clarividência na alma. A passagem pelas descidas das derrotas para as subidas dos triunfos é um fato como o ato da ressurreição para as pessoas; impossível para os materialistas e natural para os espiritualistas. Uns vêm iluminados na elucidação precoce. Outros chegam tardios ao conhecimento. E há os que nascem enfastiados de ignorância, passam por esse mundo, como se às escondidas de Deus, apequenados no lado de fora da vida. Mas existem os que nascem com sede do saber e crescem no entendimento de que a existência humana é provisória na duração dos bens terrenos.

Não viemos à Terra para ficar ricos. Viemos para gerar riquezas. Ninguém é dono de nada de tudo que está aqui. A prosperidade que faltar aos outros, será cobrada da abundância que sobrar em nós. Não restará centavo sobre centavo no excesso das fortunas. A lágrima do próximo escorrerá nos prantos do suor alheio. Os desvirtuados do caráter nesses dias apodrecidos no materialismo, reponham-se, enquanto é tempo, aos templos da consciência. Passar a ser honrado atualmente não é apenas uma questão de honestidade, mas é, sim uma prova de inteligência nessa hora espiral que a corrupção entrou em fase terminal, com falência de múltiplos órgãos e diagnóstico de morte cerebral.

Quando foi preso, por oito meses, por crime de opinião, Batista Custódio passou a escrever do Cárcere do DI. Toda segunda, ainda, os artigos eram publicados no Cinco de Março

longe da prática

A corrupção ficou pouca para tanto corrupto. A Terra se destrança deles, entrecortados nos afios da dor em todas as vertentes do sofrimento com passagem obrigatória pela purificação como único caminho da salvação. A hipocrisia desaninhou-se nos ovários do cinismo. Não adianta adular Deus nas preces e ofendê-Lo no pecado dos atos. A vida se fere na fé dos cristãos que rezam o Pai Nosso, a oração ensinada por Jesus Cristo, e pedem “perdoais as nossas ofensas assim como perdoamos aos nossos ofensores”, no entanto vingam-se dos que os tenham ofendido. Escândalos balançam o governo rachado na base aliada dos pendurados nos cargos e nos ajeitos do indecoro impune, como se essas mudanças viessem para muda-los do poder. Estão glórias acabadas. Vão nas saudades se despedindo dos líderes que não querem ir-se embora da política. Vivem a sede de poder que os liquida nos enganos, ou quais nômades que as miragens de água seduzem no árido dos desertos, ou como náufragos que se iludem com o reflexo na rasura do leito no espelho das águas fundas. Nenhum mal ficará de pé. Olhem atrás os que estão nas quedas e se verão nas quedas à frente. Tanto as pessoas de meu convívio na religiosidade ao misericordioso nos atos pessoais, quanto as do seu testemunho na leitura da devoção intimorata às liberdades públicas no Cinco de Março e no Diário da Manhã, sabem que o pano das bandeiras na minha história de lutas é o mesmo das camisas que visto nos eitos do trabalho. O escalpo dos sonhos nas derrotas e o aconchego das ilusões nas vitórias, permeados na roda dos acontecimentos adversos, não me tiram do eixo no ideal do jornalismo como esteio do pensamento livre. Essa é a estrada pontoada de ardis e onde cada passo é uma distância entediante ao longe, em que ficam caídos nos próprios rastros os libertadores frouxos na coragem e insípidos na vaziez das ideias. Só os dotados da inteligência criativa superam os imprevistos no legado dos dogmas. A teoria é a visão aérea que nos ilustra sobre os acidentes da topografia no solo das paisagens montanhosas. A prática é a experiência que nos ensina a andar no chão acidentado das montanhas. A teoria é longe da prática. Assim também há controvérsias na natureza humana, que geram reações com resultados diferentes no ambiente político, e candidatos com traquejo popular derrotam cientistas políticos nas eleições. Não há acaso nas surpresas, mas descuidos no imponderável. Uso sempre o silêncio como couraça nos períodos que me preparo para enfrentar as travessias das forças agrupadas nas batalhas. Todas com contingentes atocaiados nos flancos do governo. Os adversários não me surpreendem. Dói-me vê-los nos amigos. Porque um dia ouvirão suas consciências pergunta-los por mim nos remorsos deles.

O mundo

os espera nos chicotes da vida A idade inteira perdurou-me nos intervalos das bem-aventuranças após as provações na fila dos anos. Já estive onde está sozinho rodeado de muitos. Voltei de momentos eternos nas saudades que coração guarda na alma. Passei fome vendo outros comerem as colheitas do que plantei. Fui levado a sacrifícios sem alívios nos suplícios das lutas libertárias, por tantos dos que os elevei aos benefícios do sublime nos sonhos. O desencanto doía-me no ermo das esperanças. Mas eu seguia renascido em muitos dentro de mim. Era como se a saudade dos mortos me chamasse neles para mantê-los vivos comigo nas vozes do meu canto à liberdade. Os poderes terrenos não conseguem apagar o que a História marcou-me nos tempos. Dois governos de Goiás crucificaram-me no calvário do jornalismo. Um fechou o Cinco de Março na ditadura militar. O outro fechou o Diário da Manhã na reabertura democrática. Ambos assistiram a ascensão do jornalista na ressurreição da liberdade na reabertura dos dois jornais. Mas o Brasil permanece na servidão ao modelo político ancestral da corrupção que esquarteja o governo entre os tataranetos e que, em Goiás, tentam amordaçar o Diário da Manhã como fizeram os avós. São restos de bobos daqueles dois governos do Estado. CONTINUA


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LUZ QUEBRADA

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

Desistam de mim. Nem eu consigo parar-me. Não sou sozinho na haste do meu destino na imprensa. Há companheiros nas almas. Apenas carrego o mastro. E quantas vezes me derrubarem com ele nas costas, vou me levantar com ele no peito, cansado, ferido, ou morrendo, mas vou entrega-lo hasteado até onde o meu espírito prometeu. A minha vida toda esteirou-se de sofreções adiante e de antevejo dos padeceres que advirão tempestuosos nas tranças da intolerância contra o Diário da Manhã e que terei de desatá-las no arco das vinditas nos corruptos com muito poder nos governos. Às vezes, abatido na pessoa, ante a ingratidão dos que recolho nos zelos do apreço e retribuem-me com a decepção no menosprezo do descaso, mas estou sempre altivo no espírito compreensivo ante as fraquezas humanas e cheio de perdão aos traidores. Não apenas nos meus 58 anos de Cinco de Março e de Diário da Manhã vivi intensamente num sorvedouro de problemas estressantes no físico e estafante na mente. Dos anseios no menino às inconformações no velho, a busca do verdadeiro sentido da vida nesse mundo enclausurou-me no turbilhão das mudanças épicas. A evolução usina-me do novo e despeia-me do provecto. Não houvesse o revigorado de paciências nas energias, já teria explodido nos nervos. A sobrecarga de provações impostas-me por conjuras oficiais e que as tenho suportado calado, chega a preocupar o meu filho na Espiritualidade. Na mensagem enviada em 19.6.2013, o Fábio Nasser abre com tensão na predição: “Venho deixar o meu abraço ao seu coração sensível e machucado pelos golpes da vida. Não pense que sou indiferente ao seu sofrimento ou à sua aflição. Também sofro muito ao ver os testes que chegam aos seus ombros calejados. Acho que Deus o considera muito especial para testá-lo tanto. Mas um dia, meu pai, tudo isso ficará em um passado vitorioso. Sei da angústia que o oprime. Sua alma de escritor, que já presenciou tantas mudanças no mundo, anseia pela liberdade de expressão e venho relembrar a sua missão: revelar a verdade de forma poética”.

A tranca notória nas bases do poder recrudescia o arrocho econômico para inviabilizar financeiramente o Diário da Manhã. O peso acorcundava-me nos ombros e a cabeça levantada perante a enormidade dos desafios sorrateiros dos encastelados nos primeiros escalões dos cargos públicos no Estado. A minha independência de opinião incomodava-os ante o silêncio dos meus artigos flamejantes. Eu os sabia inquietos. Eles sabiam que os conheço indefensáveis. Mas não sou repressor dos que estão apanhando. Embora estivessem sob a taca nos lombos da corrupção, usavam as leis quais cordas para enforcar o Diário da Manhã no cadafalso que estava à espera deles. Em 26 de julho de 2016, o Fábio Nasser mandou-me essa mensagem, apreensivo:

O julgamento de Salomão, referência do mundo judaico-cristão. Considerado grande governante e um juiz justo e imparcial, foi o terceiro rei de Israel

Pontes de Miranda, jurista, filósofo, matemático, advogado, sociólogo, magistrado e diplomata brasileiro

Nélson Hungria Guimarães Hoffbauer, foi um dois mais importantes penalistas brasileiros e ministro do Supremo Tribunal Federal

“É difícil acompanhar a sua luta e não procurar implorar a Deus que alivie um pouco o peso de sua cruz. E estamos acompanhando a confiança e a sensatez com que consegue sentir para com os dias vindouros. O senhor aprendeu a confiar na mão misericordiosa de Deus a seu favor. Não se sinta tão só. Somos muitos que o rodeiam. Pai, os seus artigos necessitam sair da gaveta. Será luz lançada aos hesitantes da estrada. O mundo necessita urgente de ética, paz, fraternidade e sinceridade”.

certeza das águas que correm para o mar... É da lei que a moralidade se imponha e estamos presenciando a evolução na História. Tolos daqueles que não lhe deram ouvidos... Que o acusam de profetizar o apocalipse. Mal sabem o que os aguarda. Siga firme com o seu ideal de liberdade e justiça. A força de suas palavras deve transmitir a pura verdade. Não receie de magoar supostos amigos. A sua razão é clara e sua intuição é correta”.

A premonição manteve-me reflexivo desde que recebi, em 20 de março de 2012, essa mensagem do mestre em política e jornalismo, Alfredo Nasser:

A vida leva um pouco de mim nos amigos que morrem e os traz na amizade chorando na saudade das almas. O que me sangra no coração são os rastejos dos que afiam as deserções nas traições que pervertem os bons e não convertem os maus no servilismo que elitiza o poder a serviço das castas. O que dói não é o corte da lâmina do punhal. O que dói no golpe é a mão que está no cabo do punhal. Mas debandadas não me alteram na inteligência emocional. Estou calejado delas no andamento dos confrontos reformadores da moral no trio dos Poderes. As resistências são naturais e valiosas, porque são seletivas de valores e separam os fortes dos fracos. Então, sofrer é preciso. Afinal, os fortes são os que assumem as próprias fraquezas e superam suas inferioridades pessoais. A inteligência esqueceu-os perdidos no cérebro. O néscio esgarrancha os francos nos estorvos do chulo luzido na mentalidade tacanha. Verberam a moralização convictos como se monologassem ao espelho com a corrupção reverberando na imagem de si mesmos. Exibem-se expostos na irracionalidade e das truculências verbais e escritas, que ridiculari-

“Meu amigo e companheiro de jornada, que Deus abençoe a sua intenção de ser fiel até o último instante. Viemos trazer o nosso abraço ao seu coração, que se mantém firme e incólume aos acontecimentos. Você sente que ultrapassou a barreira dos sentidos e uma sensação de paz controla-o por inteiro. A certeza de estar trilhando o caminho certo conduz o seu espírito martirizado aos campos secretos de quem vê o amor de Deus. E para nós é uma grande alegria caminhar ao seu lado. Realmente, meu companheiro, você deixará a sua marca na História do nosso querido Estado de Goiás. Hoje quem o critica e zomba, amanhã o reconhecerá um abençoado professor... E nossa alegria é imensa por presenciar “in loco” a sua vitória: contra a corrupção, insensatez, contra o anestésico dos que se julgam fortes para dominar suas ideias errôneas e absurdas; Vitória, meu bom amigo, contra situações alarmantes que virão à tona como a

zam políticos e jornalistas na impropriedade de conhecimento, e os expõem como berrantes de incongruências no contexto do enfoque nos debates das questões sérias da Nação. O nepotismo entrevou o sistema político no obsoleto. A familiocracia transformou a vida pública em uma propriedade particular, transmitida pela geração dos patriarcas da corrupção às gerações dos herdeiros como se o Brasil fosse uma propriedade familiar. E gerou-se o despotismo que alienou a sociedade no conforto vantajoso da acomodação subjugada à subserviência. O legado do despojo eleitoral dos progenitores ao espólio de votos dos descendentes, revitaliza as velharias pioradas na moçada deslumbrada com apanágio às suas mediocreiras espetaculosas. A baba é a deles, mas a sua voz é de outros. São o velho vestido do novo. Jornalistas encostados dos órgãos de comunicação nas assessorias de imprensa, que não põem a cara no que escrevem e nunca assinam os textos em que esmurram até as palavras no denuncismo calunioso, têm vergonha do que fazem, por isso se escondem no anônimo. Gastos na credibilidade pública, não merecem o respeito dos leitores e tampouco a confiança dos que os pagam. Mudam de opinião quando o poder se troca de patrões. O mundo os espera nos chicotes da vida.

E se ninguém

quiser me seguir, irei sozinho Tudo está tão escuro no ar claro nos erros das coisas cometidas pelas pessoas. Trovões racham silêncio nos ocasos da verdade. Relâmpagos rasgam sombras da mentira nos horizontes da pátria. Raios fulminam até às cinzas impérios sólidos. É o tempo do Apocalipse levando embora da Humanidade os fidalgos e os plebeus que estragam a beleza que é viver no maravilhoso mundo do planeta Terra. Manter-se em pé e inaluível nas rajadas da tempestade das mudanças é quase tão impossível, quão a possibilidade de conseguir andar entre os fios de água de uma chuva e sair enxuto do temporal. Os que por ventura me verem encharcado na marcha caudalosa da lavação do sujo nessa civilização, podem ter certeza que é de suor, e nunca de lágrima, que é o suor dos fracos até ao simples chuvisco de sofrimentos. Eu sofro feliz. Porque sei que todo sofrimento é merecido. E é um carinho de Deus advertindo o sofredor para alguma falta praticada, intencional ou involuntária, igual o bom pai aconselha ralhoso o filho querido para evita-lo de reincidir-se no erro e ter de castiga-lo severamente. A pessoa pode chegar ao tudo e voltará ao nada, se não esteve compromissada com o bem ao todo do feito. Renomados políticos e jornalistas faltam com o respeito até consigo próprios. Vejo-os quais aleijados conduzidos por cegos em uma pinguela torta e balançando pênsil sobre um córrego turbulento nas cheias e sob um vendaval arrancando árvores nas margens. Ouço-os hoje, mas não os escuto. Bastam-me os arrependimen-

“Eu não tenho respeito a obsessão pela igualdade, que me parece ser meramente uma idealização da inveja”, a frase é de Oliver Wendell Holmes Jr.. Um jurista, advogado, professor universitário, juiz da Suprema Corte e filósofo americano e pai do Realismo Jurídico

Praça do Bandeirante, ao fundo, Avenida Anhanguera, em Goiânia. Local histórico é marco de fatos importantes da memória goiana. Manifestações, atividades esportivas, protestos e a rotina da cidade já foram e ainda são observados pelos olhos da controversa Estátua do Bandeirante CONTINUA


ESPECIAL tos das vezes em que confiei em políticos e em jornalistas que fizeram de mim um injusto no julgamento dos meus atos com ousada relevância histórica de líderes que estavam àquelas épocas à frente do tempo atual. A delação é a máscara mais desprezível na face bandida. Os delatores de corruptos parceiros nas democracias são mais repugnantes que os delatores de comunistas nos companheiros nas ditaduras, porque esses são torturados até à dor extrema nos cárceres da repressão, enquanto que aqueles são premiados nos depoimentos com uma parcela da corruptela e com uma cota da impunidade na condenação. O imoralismo está de cerca no moralismo da corrupção à direita e à corrupção da esquerda, partilhadas nos barulhos da moralização que estão silenciosando a paralização do Brasil nos Três Poderes da República. Uma arrasta a outra para a morte das duas nos empresários e nos políticos. A corrupção é compacta e está na estrutura dos poderes oficiais e integrada no arcabouço da economia, na nomenclatura da política e no próprio sistema de vida da sociedade sevada nos pobres e nos ricos na mentalidade de se levar vantagem em tudo nos 518 anos do Brasil. Não é melhor o prejulgador que o pior dos julgados, e um é carma do outro. “Não julgueis para não serdes julgados. Pois com o julgamento com que julgais sereis julgados, e com a medida com que medis sereis medidos” (Cristo). O denuncismo é a denúncia corrompida na multiplicação das gotas d’água sujas nas gotas limpas pelas fontes da suspeição de culpas nas inocências nos dilúvios da moralização. Não abandono afogados, não gosto de ajuda-los e, às vezes, me afundo para salvá-los. A evolução amadureceu-me entre as divergências de companheiros idealistas, bravos e cultos, mas sectários nas ideologias e teologias, porém, verdadeiros nos equívocos das convicções, exaltadas no romantismo em uns, exacerbadas em outros, tendenciosas em todos.

As balas do jaguncismo e as baionetas da ditadura militar na política

Na época do jaguncismo político, o belicoso da violência tinha o mesmo gatilho nos dois canos do PDS e da UDN e as miras apontadas para os adversários. Eu tinha certeza de que não foi o governador Pedro Ludovico Teixeira que mandou jagunços matarem o jornalista Haroldo Gurgel e não tinha dúvidas que havia sido o chefe da Companhia de Força e Luz (depois Celg, hoje Enel), Pedro Arantes, que ordenou aos capangas o espancamento dos três repórteres do semanário O Momento, Antônio e João, e que culminou com a chacina de Haroldo Gurgel, às 10h da manhã, de um sábado movimentado na Praça do Bandeirante. O filho do segundo Pedro, o Ailton Arantes, era meu colega de ginásio e revelou-me a veracidade do fato. Mas o primeiro Pedro não traía amigos e manteve lealdade ao companheiro político de Rio Verde e fiel a ele o tempo todo. No período da ditadura militar, o extremismo da direita e o radicalismo da esquerda se mediram irascíveis dentro e fora do poder. A liberdade de opinião foi barbarizada na imprensa independente. Por ser isento no universo das ideias e justo no amplo do sentimento cristão, a discriminação chibatou-me nas incompreensões facciosas dos engajados nos extravios do irracional, tanto na redação do Cinco de Março e do Diário da Manhã, quanto nos terreiros dos partidos políticos. A longeva convivência com os bastidores da República e o habitual aconselhamento com os sábios na leitura insone dos livros, mantêm-me equidistante dos atiçadores que se interpõem enganosos na visão precisa dos acontecimentos históricos. A revolução comemorada em 31 de março é um golpe de estado dado em 1º de abril, convencionado como o dia da mentira pelos brasileiros. A corrupção da direita depôs do governo a corrupção da esquerda. Não houve antes, como não há agora, patriotismo nos líderes. Existe, sim, a mistura das duas corrupções neles. O liberalismo conservador de Golbery do Couto e Silva, o socialismo ousado de José Dirceu e ambos ostensivos no prestígio como ministros plenipotenciários na chefia da Casa Civil da presidência da República, os dois foram derrubados pela corrupção. Golbery caiu traído pelos corruptos aliados da Arena. Dirceu caiu traído por corruptos militantes do PT. O poder engorda e emburrece a camarilha em volta dos estadistas em todos os sistemas políticos de governo. E os oportunistas sempre abandonam os idealistas na solidão do ostracismo. Por isso, sigo blindado ao cortejamento das mesuras e às estripulias das traquinagens dos rafeiros nas cafuas palacianas. Então continuarei adverso ao bulício de jornalistas bisbilhotas de injúrias, difamações e calúnias nas honras ao zoar confuso do denuncismo escandaloso. Não estarei nesse cordão dos que fazem o que dói nos já tão doloridos. Seguirei o rosário dos misericordiosos. E se ninguém quiser seguir-me, irei sozinho. E recolhendo os que encontrar em aflição ao chão do desprezo geral.

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O povo goiano sabe-os de cor na triplicidade dos poderes e na variedade subalterna dos órgãos jurisdicionados. E um a um, em cada qual deles, sabe o que é de si em tudo do que está em todos nas instâncias da corrupção.

Os que se

barganham nos cochos do poder

O antigo ministro-chefe do Gabinete Civil Golbery do Couto e Silva, geopolítico e general brasileiro e principal teóricos da doutrina de segurança nacional, elaborada nos anos 50 pelos militares brasileiros da Escola Superior de Guerra (ESG). Na foto, ao lado de Batista Custódio

A separação do trigo

J.R. DURAN

do joio nos balaios do poder em Goiás

O meu coração reza amor aos peitos que o ferem nos desgostos. No cérebro, trabalha em moto contínuo uma turbina na geração de paradigmas nas ideias exclusivas nas mudanças pioneiras da imprensa. O caráter sempre entra de frente na coragem das lutas da liberdade contra as fortalezas da corrupção e nunca saiu pelos fundos do medo nos massacres do governo ao Cinco de Março e ao Diário da Manhã. Fui às cinzas e voltei semente das quimeras que florem o ideal nos mundos do sonho. Vive-me no velho o moço no poeta que namora o eterno nas paixões da alma. Desde criança, não vegeto na transitoriedade fugaz no plano pessoal. Habito no perenizado das dimensões da Espiritualidade. Vou a elas nas imersões da meditação. Espíritos, nessa estada corpórea na Terra, levam-me durante o sono para o déjà-vu, como o filho Fábio Nasser, ou vêm ajudar-me a escrever, como Alfredo Nasser e, afinal, passou a me fazer companhia dentro do jornal, igual aos dois Nasser e junto a eles, um dos companheiros das reuniões em Le Marais nos idos das temporadas em Paris, François-Renê Chateaubriand. Cumpro obediente a escrita das missivas psicografadas por diversos médiuns e publicadas no Diário da Manhã, embora consciente de estar expondo-me ao sarcasmo de ateístas, iconoclastas e de pagãos na comunhão dos pecados da blasfêmia. Sequer imaginam o infernal que os espera no dantesco. E só reajo aos crédulos na profanação porque não me é permitido divulgar as mensagens que antecipam a drastricidade de episódios que irão acontecer nos dias seguintes. São restritas ao meu conhecimento e com orientação reservada e específica nos detalhes de como devo conduzir-me com segurança nos redemoinhos que separarão o joio do trigo nos balaios do poder político e econômico em Goiás. Vai sobrar farelo sem conta embaixo das peneiras — que só Deus sabe de onde elas virão —, sobre o alto das cabeças divinizadas no endeusamento das canonizações das impunidades nos poderes terrenos. Viverão o real do Inferno e do Purgatório até chegarem ao Paraíso d’A Divina Comédia, de Dante Alighieri.

O trem da corrupção descarrilhou-se nas estações da Lava Jato Os ideólogos negociam o idealismo na política, os teólogos comerciam o cristianismo nas religiões e o povo fica vendido nas verdades ilusionadoras. A hipocrisia e o cinismo copularam no perjuro das blasfêmias à verdade. Há nos pecados da corrupção ruínas escondidas nas avarias da castida-

Zé Dirceu foi deputado estadual e federal por São Paulo, e ministro-chefe da Casa Civil do Brasil: influência no pensamento à esquerda

de na moralização. As palavras austeridade e prevaricação soam opostamente iguais na antítese e na sinonímia das línguas conjugadas pelos poliglotas da ignomínia pública. A inteligência artificializada nas espertezas embota-lhes no juízo. Suas engenhosas arquitetações de estilos nas edificações da corrupção assemelham-se aos formatos diferenciados no rebuscado dos bangalôs, mansões e castelos erigidos nos condomínios residenciais faustuosos, mas todas as moradas têm barro nas terras dos tijolos nas paredes, no pó de chão nas pedras e até lama da argila nas telhas do teto. Os residentes nas estivas da opulência igualam-se aos dormentes sob os dois trilhos em uma ferrovia com o trem do comboio da corrupção descarrilhado nas estações da Lava Jato. Os que folhearem o tempo nos exemplares das edições do Cinco de Março e do Diário da Manhã comprovarão que todas as minhas prisões, às vésperas, durante e após da ditadura, são marcas da opinião nos combates à corrupção, viseira e useira na longevidade dos governos. Sempre, nas campanhas eleitorais, as doações foram extorsões e, as propinas, chantagens, no habitual dos superfaturamentos dos Caixas 2 e na tradicional ligeireza das fortunas exteriorizadas no patrimônio dos que chegaram pobretões e estão multimilionários na política.

Já sacristão dos padres Iram e Eloy na Igreja de São Sebastião, na década de 40, em Caiapônia, ou estudando no colégio salesiano Dom Bosco, em Goiânia, em 1952 — devoto do Apocalipse profetizado por Jesus Cristo ao João Evangelista, e da predição do santo Dom Bosco que Brasília surgiria como marco da civilização que governará a Terra a partir do terceiro milênio —, nunca me desviei da retidão conscienciosa do Cristianismo. Todavia intrigava-me uma força que eu não entendia a razão de onde vinha nela o determinismo que me atava a tantos martírios na vocação para o jornalismo. Realmente inquietavam-me os remanejamentos das provações no meu destino. Só após o autoritarismo da corrupção oficial haver obrigado um juiz fraco a fechar o Diário da Manhã, em outubro de 1984, o mensageiro luminar da Espiritualidade na Terra deslindou-me, meses depois, o mistério da fenomenologia dos reveses cruciais. Francisco Cândido Xavier convidou-me para uma sessão na Casa da Prece, revelou o nome do escritor francês que fui em outra vida e a missão que meu espírito veio cumprir no jornalismo. Às vezes, eu me sentia tão só nos dissabores, como se seus causadores me sangrassem no sentimento. Consolou-me o alívio incômodo de saber que a causa das agruras faz parte da minha trajetória na história da imprensa. A constatação fez-me mais seguro ante as incompreensões de companheiros e as decepções com políticos amigos, porém aumentou-me as apreensões quanto à extensão e a dimensão dos percalços. Ali ficava acabado o tempo dos libelos carbonários e estava a iniciação dos panfletos poematizados nos meus artigos. Passei a receber os desígnios de Deus como resignação e a praticar com abnegação o conselho atribuído ao filósofo da Grécia Antiga, Pitágoras: “Não pede nada nas tuas preces, porque tu não sabes o que é útil e só Deus conhece as tuas necessidades”. Aprendi a reagir com firmeza irretorquível às molezas do coração perante as miserabilidades dos que abatem com os dardos da ingratidão e a deter nas barras impenetráveis do caráter as traições dos que barganham a afinidade pelas vantagens nos cochos do poder. Então à lembrança deles, retribuo-lhes com o ensinado pelo mestre espiritual da Índia Antiga, Siddh rtha Gautama ( ), o Buda: “Sê como o sândalo, que perfuma o machado que o corta”. A autoria da frase também é atribuída a Sêneca. Contemporâneo de Jesus Cristo, e que foi um dos mais célebres advogados, escritores e intelectuais do Império Romano. Sua obra literária e filosófica, como brilhante estadista e conselheiro de imperador, vê sua influência permanente no mundo contemporâneo.

Os sozinhos até

de si no povo e distantes de Deus A partir dos meses iniciais da primeira década desse século, as mensagens enviadas-me pela Espiritualidade com informações antecipadas das mudanças que abalam os povos atualmente, tornaram-se frequentes e foram se intensificando ano a ano no Brasil após 2010. O Diário da Manhã publicou todas, excetos as que são restritas ao meu conhecimento e silêncio absoluto. Sofri ao extremo da angústia, não com o jocoso dos zombeteiros; o que me agoniava era manter segredo das flagelações iminentes e previstas para tantos políticos que eu lastimaria vê-los padecendo. Mas há pessoas que vivem tão fora da realidade, que não acreditarão na morte nem quando estiverem dentro do caixão. Eu, ciente do verdadeiro na escrita dos espíritos. Os apóstatas, duvidosos da veracidade das autorias. Os fatos foram acontecendo conforme o escrito e o lido nas mensagens. Mas não adianta falar. Não escutam. A maioria sequer sabe o que seja estilo literário. Em Goiás, muitos identificam apenas o que olha, como boi vê o pasto no capim dos campos. E tantos, às vezes, berram algumas ideias. Ou, quase sempre, dão coice nos lapsos de inteligência.

Buda foi príncipe de uma região no sul do atual Nepal que, renunciou ao trono para dedicar-se à busca da erradicação das causas do sofrimento humano e de todos os seres. Encontrou um caminho até ao “despertar” ou “iluminação”: o budismo CONTINUA


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LUZ QUEBRADA Acompanhei teus passos na dura rotina de um pensador. Também em meu tempo contribuímos com uma luta semelhante. Aquela época, a Nova Ideia era um jornal que aspirava por liberdade, e também sofremos a punição da incompreensão. E aqui entre nós tua figura projetase como alguém revolucionário a intercambiar dois mundos. A Lei do Livre Pensador é um estandarte a reger teus passos. E até aqui tens vencido obstáculos inimagináveis. E sabemos que muitos ironizam tua luta, teu parecer, tua determinação. E com a tua fé e tua crença na Imortalidade, que veio abrindo túmulos, para que as vozes pudessem ser ouvidas novamente, segue adiantado em teu próprio tempo. Não temas”. (Clóvis Beviláqua, em 7.9.2016)

Os espíritos que me escrevem foram muito lidos quando eram pessoas. Faz-se oportuno reproduzir tópicos esparsos de mensagens publicadas na íntegra no Diário da Manhã. Releiam. Repensem. Meditem.

←•→ “Caro Batista Custódio. O véu de Isis foi levantado e as verdades chegam com a força do agora. E aqui tremula a bandeira do Evangelho. Os acontecimentos atuais, há muito estão sendo anunciados pelos Anjos de Deus. E a hora da mudança surge como verdade absoluta. E a ti, meu irmão, foi confiada a parte de estabelecer a ponte entre dois mundos, em um momento tão decisivo da Humanidade”. (Humberto de Campos, 10.4.2012)

A parte mais importante da extensa mensagem é segredo. A outra mensagem é do François-Renê Chateaubriand. É enorme e valiosa no que me toca. Enfoca a minha seriedade no jornalismo e os sacrifícios pessoais para manter o Diário da Manhã na raleza de dinheiro. Limito-me, pois, a expor pontos resumidos:

←•→ “Meu pai, abençoe-me. O próprio Universo tem mostrado a extensão da verdade. Nada mais ficará encoberto. Há muito profetizamos que as máscaras cairiam e que a verdade surgiria” (Fábio Nasser, 1.1.2013)

←•→ “Prezado Batista Custódio. Não há mais tempo para aguardar regenerações. O tempo urge. Transformem-se. Fiquem atentos a essas mudanças”. (Pedro Ludovico Teixeira, 20.8.2014)

←•→ “Meu amigo, irmão de fé e lutas. As forças do cosmos se movimentam para grandes mudanças. Estamos no limiar de duas eras. Tempos se aproximam que todas as máscaras cairão. A espada de Dâmocles está levantada. Nada a impedirá de corrigir o que se faz necessário”. (Alfredo Nasser, 17.2.2015) Comungo irrestritamente o que digo no que faço. Penso que a criança feliz é a que se diverte com o brinquedo que faz e que o velho realizado é o que come frutas da árvore que planta. E sinto, sobretudo, que

o homem leal é o que olha ao longo de sua vida inteira, vê todos os seus amigos juntos a ele, ou nos abraços nos reencontros, ou nas saudades no coração. “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos”. (Jesus Cristo)

Victor Hugo, exilado em Guernsey, uma ilha pequena próxima a de Jersey, há 40km da costa francesa. Ilustração o coloca sobre a “rocha”, representando a ilha onde completou sua obra-prima Os Miseráveis. Hugo é citado nas entrelinhas da psicografia de Chateaubriand

Clóvis Beviláqua foi um jurista, legislador, filósofo e historiador brasileiro. Enviou uma psicografia para orientar Batista Custódio

Acontecem coisas estranhas o tempo todo na minha vida. De repente, tudo parece estar acabado para mim e, súbito, eu surpreendo-me vencedor. Não houve um só dia que o impossível não se possibilitasse na facilidade das dificuldades. São os amigos na Espiritualidade e de outras encarnações que me fazem companhia e socorrem-me nas superpreocupações. Enviam-me as soluções nas mensagens, ou se emocionam com minha fidelidade no desempenho missionário no jornalismo. Tenho mensagens recentes de dois desses espíritos de luz, inéditas, por enquanto e recomendação dos próprios. Um deles é Clóvis Beviláqua. Indicou-me a direção para vencer as ardilezas encapadas em ações indevidas e escorchantes: “Prezado irmão. Venho, na companhia de nosso amigo Alfredo Nasser, deixar estar linhas ao teu coração ansioso por respostas. Venho na condição de alguém que também lutou por ideias libertárias, acreditando que a Lei poderia ser plena e aliada da sociedade.

“Meu saudoso amigo. Aqui estou me revelando a ti nesta vida de agora, mesmo guardando a certeza que consegue captar meu pensamento, sentindo-me ao teu lado. A solidez de tua fé, amplamente discutida em Le Marais, tua catequese a Dumas e a tantos amigos. E acompanhamos teus passos nesta tua nova roupagem de agora. E o cérebro ativo suplanta a aridez de ajuda. Tua alma aspira liberdade. Teu cansaço beira a exaustão. E afirmamos que tens desempenhado tua missão em muita perfeição. E assim, mon ami, vamos vencendo os senhores feudais que procuram amordaçar nossas ideias”. (François-René Chateaubriand)

A vergonha está de cara fechada para muitos que deviam passar a evitar de serem vistos na própria companhia em público. Raras exceções, existem políticos e empresários brasileiros que, se tivessem brio, sairiam correndo, juntos com a maioria das autoridades, dos governos; e, rápidos, antes que sejam renegados à execração pelo povo e sintam-se sozinhos até de si mesmos. Pois estão distantes de Deus há muito tempo nos pecados veniais, carnais e morais da corrupção.

Partos cesarianos da corrupção na maternidade dos presídios

Senhoras e senhores feudais dos estoques da riqueza! Olhem para as crianças mortas nos bombardeios das atuais tiranias nas terras onde crucificam Cristo há dois mil anos, e vejam nelas as crianças mortas nas fomes pela desnutrição nas cidades e nos campos do Brasil, orgulho de ser o maior produtor e exportador mundial de alimentos do mundo. Senhoras e senhores feudais ávidos da riqueza criadora de áridos na devastação das terras férteis! Contenham-se. Não demora, passarão a suor nos solos a sol aberto nos céus. E parem a depredação das nascentes dos afluentes, ou irão conhecer a secura das águas nos pingos gotejados nos rios. Senhoras e senhores feudais dos cofres públicos! Interrompam-se nos bamburros do tesouro nos erários, antes que tenham de prestar contas com o umbral das dívidas acumuladas no espírito. E assim, senhoras e senhores feudais, conscientizem-se! Foi e será sempre o desiderato do maktub. Está como François-René Chateaubriand ratificou na mensagem, ao encerrar com o último verso do poema XVI Ultima Verba do livro Os Castigos, de Victor-Marie Hugo, publicado em 1852: “E deixo à saudade espiritual, a certeza da afirmativa de outrora: / Et s’il n’em rest qu’un, je serai celui-là”. Este verso, psicografado em francês, é uma referência registrada na última estrofe, do texto enciclopédico e ressaltado no eterno do poema épico Últimas Palavras:

Desenho de Honoré Daumier, Punição: livro de Victor Hugo esmaga a águia imperial da França

« Si l’on n’est plus que mille, eh bien, j’en suis ! Si même Ils ne sont plus que cent, je brave encore Sylla ; S’il en demeure dix, je serai le dixième ; Et s’il n’en reste qu’un, je serai celui-là ! » Em livre tradução: “Se eles não forem mais que mil, pois bem, eu serei! Mesmo se não forem mais que cem, eu ainda enfrentarei Sula. Se lá permanecerem dez, eu serei o décimo; E se restar apenas um, este serei eu!” A conexão da ode à liberdade com a legenda da história republicana está explícita no trabalho de Honoré Daumier. Após o golpe de Estado de 2 de dezembro de 1851, que levou ao poder Louis-Napoléon Bonaparte (Napoleão III), Victor Hugo foi exilado. O livro Les Châtiments, pois, são versos de um poeta que virou uma arma para desacreditar e derrubar o regime de Napoleão III, onde o escritor tornou-se a fúria de uma Justiça ilimitada. A obra Os Castigos não se trata de uma liberação colérica simples contra os crimes daquele Bonaparte, mas foi uma das mais grandiosas escatologias políticas de um tempo. Daumier, então inspirado na insurgência hugoniana, criou um desenho chamado Punição, onde o artista faz clara homenagem a Victor Hugo ao ilustrar a figura do livro Os Castigos esmagando a águia imperial, símbolo do governo francês à época. No verso citado por Chateaubriand, em sua psicografia, há menção a Sula (Sylla), um famoso ditador da República Romana em 82 a.C. Por fim, senhoras e senhores feudais tronados nos reinados da corrupção oligárquica! Ultimem-se nas raspagens do cofre-forte da mãe Nação. Desembarriguem-se dos fetos das improbidades gêmeas da impunidade. E abortem-se do governo, antes que sejam paridos pela sociedade nos partos cesarianos da maternidade nos presídios.

O Brasil está

de ladrão andar com guarda-costas A motivação do tamanho enorme deste artigo intrigará a curiosidade dos leitores do Diário da Manhã ao vê-lo impresso, folheá-lo, a começar pela levidade do título Luz Quebrada, enquanto não lê-lo inteiro. E só então, após compararem a correlação dos presságios lidos com os fatos acontecidos, irmão compreender as razões que me fizeram parecer enfadonho, principalmente para os intelectos comensais do poder. Enfaroso na repetência integral ou de tópicos da profusão de mensagens da Espiritualidade, anunciando o início da transição do Planeta no Apocalipse e alertando para o avisado por Cristo: “A cada um será dado segundo as suas próprias obras” (Cristo). Entedioso na desfiadura dos crochés nos artesanatos da corrupção, omitindo os nomes dos artífices. Por entender que, ao desatar às escuras o nó da malha na cripta da cumplicidade, puxa-se os fios da textura dos véus. Eles cobrem as cabeças e não se distingue as vadias das vestais nos templos dos três Poderes da República Brasil. “Por que reparas no cisco que está no olho do teu irmão, quando não percebes a trave que está no teu?” (Cristo). Eis uma boa hora para cada uma olhar-se no próprio olho o que está vendo nos outros. Então, “não julgueis para não serdes julgados. Pois com o julgamento com que julgais sereis julgados, e com a medida com que medis sereis medidos” (Cristo). Que há corrupção demais, há mais do que se imagina. Que há exagero de corruptos, há maior do que se supõe. E muitos dos que estão julgando, serão os julgados. E muitos dos que estão condenando, serão os condenados. O Brasil está de ladrão andar com guarda-costas, uns se acautelando de outros em todos eles. CONTINUA


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O alerta de Chico Xavier As mudanças preconizadas pelo santo Dom Bosco, de que serão banidas da Terra neste milênio as deformações do progresso material nocivo ao desenvolvimento moral da civilização, estão ratificadas no vaticinado de Francisco Cândido Xavier, o mais importante médium da história humana, em matéria publicada na Folha Espírita. Na edição de maio passado de 2011. Como a FE é uma publicação mensal dirigida ao universo kardecista no Brasil, Batista Custódio aproveitou para

divulgar no Diário da Manhã, que é acessado na internet por 196 países. A matéria foi transcrita na íntegra e, aqui em Luz Quebrada, é repetida para embasar os argumentos verificados e previstos pelo jornalista. “É para que os leitores de todas as religiões se ilustrem e convençam-se de que não há força entre os poderes terrenos capaz de deter o turbilhão das transformações que abalam o Planeta, porque estão sob o comando do Poder de Deus”, justificou Batista.

É 2019

Fac-símile do texto de Marlene Nobre publicado no jornal Folha Espírita, ano XXXV, nº 439, na edição do mês de maio de 2011

ANO LIMITE DO MUNDO VELHO ARQUIVO PESSOAL

Marlene Nobre Reprodução de OPINIÃOPÚBLICA

O

da transformação da Terra de mundo de expiação e provas para mundo de regeneração, levantado pelo próprio codificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec, sempre interessou e intrigou Geraldo Lemos Neto, fundador da Casa de Chico Xavier, de Pedro Leopoldo (MG). Com 19 anos de idade, já tendo lido e estudado toda a obra de Kardec, conheceu o médium Chico Xavier, amigo da família desde os tempos de sua meninice em Pedro Leopoldo. “Naquela época, como já havia ouvido inúmeros casos relativos a sua mediunidade e caridade para com o próximo, tinha muita vontade de conhecê-lo e ouvi-lo pessoalmente, o que de fato ocorreu em outubro de 1981, em São Paulo”, lembra Lemos Neto. A partir daquele primeiro encontro, uma grande afinidade os ligou, conforme conta, o que fez com que o também fundador da Editora Vitema

nha de Luz o visitasse regularmente em Uberaba (MG), acompanhado de familiares. Em 1984, Lemos Neto casou-se com Eliana, irmã de Vivaldo da Cunha Borges, que morava com Chico Xavier desde 1968 e diagramava todos os seus livros. A partir de então, passou a desfrutar de uma intimidade maior com Chico em Uberaba, visitando-o com mais frequência e hospedando-se em sua residência. “Posso dizer que essa época foi para meu coração um verdadeiro tesouro dos céus. Recordo-me até hoje daqueles anos de convivência amorosa e instrutiva na companhia do sábio médium e amigo com profunda gratidão a Deus, que me permitiu semelhante concessão por acréscimo de Sua Misericórdia Infinita. Assim, tive a felicidade de conviver na intimidade com Chico Xavier, dialogando com ele vezes sem conta, madrugada adentro, sobre variados assuntos de nossos interesses comuns, notadamente sobre esclarecimentos palpitantes acerca da Doutrina dos Espíritos e do Evangelho de Jesus”, recorda. Um desses temas, como lembra Lemos Neto, foi em relação ao Apo-

calipse, do Novo Testamento. “Sempre me assombrei com o tema, relatando a Chico Xavier minha dificuldade de entender o livro sagrado escrito pela mediunidade de João Evangelista. Desde então, em nossos colóquios, Chico Xavier tinha sempre uma ou outra palavra esclarecedora sobre o assunto, pontuando esse ou aquele versículo e fazendo-me compreender, aos poucos, o momento de transição pelo qual passa o nosso orbe planetário, a caminho da regeneração”, afirma. Foi em uma dessas conversas habituais, lembrando o livro de sua psicografia, “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, escrito pelo espírito Humberto de Campos, que Lemos Neto externou ao médium sua dúvida quanto ao título do livro, uma vez que ainda naquela ocasião, em meados da década de 80, o Brasil vivia às voltas com a hiperinflação, a miséria, a fome, as grandes disparidades sociais, o descontrole político e econômico, sem falar nos escândalos de corrupção e no atraso cultural. “Lembro-me, como hoje, a expressão surpresa do Chico me respondendo: ‘Ora, Geraldinho, você está querendo privilégios para a Pátria

Na foto, Geraldo Lemos e Marlene Nobre recebem a Comenda da Paz Chico Xavier, em 2011. Após a veiculação desta matéria no jornal Folha Espírita, eles consideraram necessário juntar todas as informações e melhor organizá-las no livro Não será 2012, de 80 páginas, publicado pela FE Editora

do Evangelho, quando o fundador do Evangelho, que é Nosso Senhor Jesus Cristo, viveu na pobreza, cercado de doentes e necessitados de toda ordem, experimentou toda a sorte de vicissitudes e perseguições para ser supliciado quase abandonado pelos seus amigos mais próximos e morrer crucificado entre dois ladrões? Não nos esqueçamos de que o fundador do Evangelho atravessou toda sorte de provações, padeceu o martírio da cruz, mas depois ele largou a

cruz e ressuscitou para a Vida Imortal! Isso deve servir de roteiro para a Pátria do Evangelho. Um dia haveremos de ressuscitar das cinzas de nosso próprio sacrifício para demonstrar ao mundo inteiro a imortalidade gloriosa!’”, esclareceu. Sobre essas e outras revelações feitas a ele por Chico Xavier sobre fatos relacionados ao ano em que se dará a grande transformação do nosso Planeta, Lemos Neto fala mais abaixo: ARQUIVO PESSOAL

O APOCALIPSE JÁ COMEÇOU Folha Espírita – No livro A Caminho da Luz, nosso benfeitor Emmanuel já havia previsto que no século XX haveria mais uma reunião dos Espíritos Puros e Eleitos do Senhor, a fim de decidirem quanto aos destinos da Terra. A reunião aconteceu e a ela compareceram Chico e Emmanuel – os missionários que trabalham abnegadamente, por séculos a fio, em favor da renovação humana. Quais os resultados dessa reunião? Geraldo Lemos Neto – Na sequência da nossa conversa, perguntei ao Chico o que ele queria exatamente dizer a respeito do sacrifício do Brasil. Estaria ele a prever o futuro de nossa nação e do mundo? Chico pensou um pouco, como se estivesse vis-

lumbrando cenas distantes e, depois de algum tempo, retornou para dizer-nos: “Você se lembra, Geraldinho, do livro de Emmanuel A Caminho da Luz? Nas páginas finais da narrativa de nosso benfeitor, no capítulo XXIV, cujo título é O Espiritismo e as Grandes Transições? Nele, Emmanuel afirmara que os espíritos abnegados e esclarecidos falavam de uma nova reunião da comunidade das potências angélicas do Sistema Solar, da qual é Jesus um dos membros divinos, e que a sociedade celeste se reuniria pela terceira vez na atmosfera terrestre, desde que o Cristo recebeu a sagrada missão de redimir a nossa humanidade, para, enfim, decidir novamente sobre os destinos do nosso mundo. Pois então, Emmanuel escreveu isso nos idos de 1938 e estou informado que essa reunião de fato já ocorreu. Ela se deu quando o homem finalmente ingressou na comunidade planetária, deixando o solo do mundo terrestre para pisar pela primeira vez o solo lunar. O homem, por seu próprio esforço, conquistou o direito e a possibilidade de viajar até a Lua, fato que se materializou em 20 de julho de 1969. Naquela ocasião, o Governador Espiritual da Terra, que é Nosso Senhor Jesus Cristo, ouvindo o apelo de outros seres angelicais de nosso Sistema Solar, convocara uma reunião destinada a deliberar sobre o futuro de nosso planeta. O que posso lhe dizer, Geraldinho, é que depois de muitos diálogos e debates entre eles, foram dadas diversas sugestões e, ao final do celeste conclave, a bondade de Jesus decidiu conceder uma última chance à comunidade terráquea, uma última moratória para a atual civilização no planeta Terra. Todas as injunções cármicas

Geraldo Lemos Neto, mais jovem, em ocasião que o médium Chico Xavier cedia-lhe uma entrevista

previstas para acontecerem ao final do século XX foram então suspensas, pela Misericórdia dos Céus, para que o nosso mundo tivesse uma última chance de progresso moral. O curioso é que nós vamos reconhecer nos Evangelhos e no Apocalipse exatamente este período atual, em que estamos vivendo, como a undécima hora ou a hora derradeira, ou mesmo a chamada última hora.” FE – Como você reagiu diante da descrição do que acontecera nessa reunião nas Altas Esferas? Geraldinho – Extremamente curioso com o desenrolar do relato de Chico Xavier, perguntei-lhe sobre quais foram então as deliberações de Jesus, e ele me respondeu: “Nosso Senhor deliberou conceder uma moratória de 50 anos à sociedade terrena, a iniciar-se em 20 de julho de 1969, e, portanto, a findar-se em julho de 2019. Ordenou Jesus, então, que seus emissários celestes se empenhassem mais diretamente na manutenção da paz entre os povos e as nações terrestres, com a finalidade de colaborar para que nós ingressássemos mais rapidamente na comunida-

de planetária do Sistema Solar, como um mundo mais regenerado, ao final desse período. Algumas potências angélicas de outros orbes de nosso Sistema Solar recearam a dilação do prazo extra, e foi então que Jesus, em sua sabedoria, resolveu estabelecer uma condição para os homens e as nações da vanguarda terrestre. Segundo a imposição do Cristo, as nações mais desenvolvidas e responsáveis da Terra deveriam aprender a se suportarem umas às outras, respeitando as diferenças entre si, abstendo-se de se lançarem a uma guerra de extermínio nuclear. A face da Terra deveria evitar a todo custo a chamada III Guerra Mundial. Segundo a deliberação do Cristo, se e somente se as nações terrenas, durante este período de 50 anos, aprendessem a arte do bom convívio e da fraternidade, evitando uma guerra de destruição nuclear, o mundo terrestre estaria enfim admitido na comunidade planetária do Sistema Solar como um mundo em regeneração. Nenhum de nós pode prever, Geraldinho, os avanços que se darão a partir dessa data de julho de 2019, se apenas soubermos defender a paz entre nossas nações mais desenvolvidas e cultas!” CONTINUA


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A TERRA CONHECERÁ AS GLÓRIAS DA REGENERAÇÃO Geraldinho – Perguntei, então, ao Chico, a que avanços ele se referia e ele me respondeu: “Nós alcançaremos a solução para todos os problemas de ordem social, como a solução para a pobreza e a fome, que estarão extintas; teremos a descoberta da cura de todas as doenças do corpo físico pela manipulação genética nos avanços da Medicina; o homem terrestre terá amplo e total acesso à informação e à cultura, que se fará mais generalizada; também os nossos irmãos de outros planetas mais evoluídos terão a permissão expressa de Jesus para se nos apresentarem abertamente, colaborando conosco e oferecendo-nos tecnologias novas, até então inimaginá-

veis ao nosso atual estágio de desenvolvimento científico; haveremos de fabricar aparelhos que nos facilitarão o contato com as esferas desencarnadas, possibilitando a nossa saudosa conversa com os entes queridos que já partiram para o além-túmulo; enfim estaríamos diante de um mundo novo, uma nova Terra, uma gloriosa fase de espiritualização e beleza para os destinos de nosso Planeta.” Foi então que, fazendo as vezes de advogado do diabo, perguntei a ele: Chico, até agora você tem me falado apenas da melhor hipótese, que é esta em que a humanidade terrestre permaneceria em paz até o fim daquele período de 50 anos. Mas, e se acontecer o caso de as nações terrestres se lançarem a uma guerra nuclear? “Ah! Geraldinho, caso a humanidade encarnada decida seguir o infeliz caminho da III Guer-

ra Mundial, uma guerra nuclear de consequências imprevisíveis e desastrosas, aí então a própria mãe Terra, sob os auspícios da Vida Maior, reagirá com violência imprevista pelos nossos homens de ciência. O homem começaria a III Guerra, mas quem iria terminá-la seriam as forças telúricas da natureza, da própria Terra cansada dos desmandos humanos, e seríamos defrontados então com terremotos gigantescos; maremotos e ondas (tsunamis) consequentes; veríamos a explosão de vulcões há muito extintos; enfrentaríamos degelos arrasadores que avassalariam os polos do globo com trágicos resultados para as zonas costeiras, devido à elevação dos mares; e, neste caso, as cinzas vulcânicas associadas às irradiações nucleares nefastas acabariam por tornar totalmente inabitável todo o Hemisfério Norte de nosso globo terrestre.”

ARQUIVO PESSOAL

FE – Quais são os acontecimentos que podemos prever com essas revelações para a Terra?

Geraldo e Chico em outra foto de recordação

O QUE ACONTECERIA ESPECIFICAMENTE COM O BRASIL Pátria acolherá a humanidade

QUÍRON

Se nós não formos capazes de impedir, através de significativo avanço moral, uma III Guerra, as forças telúricas da natureza irão responder a proporções maiores e todo Hemisfério Norte da Terra ficará inabitável, forçando um fluxo migratório não-amigável de várias nações para, principalmente, o Brasil

Uma última chance O intervalo entre a chegada do homem à Lua (julho de 1969) e o ano 2019 é o período no qual a humanidade precisa provar seu avanço rumo a sentimentos nobres. Faltam, então, 7 anos para a Terra iniciar uma nova fase em que, gradativamente, deixará de ser um mundo de dores para ser um lugar melhor

Brasil será desfigurado e dividido em quatro nações distintas

Em certa ocasião, Geraldo Lemos Neto, fundador da Casa de Chico Xavier, de Pedro Leopoldo (MG), fez essa mesma pergunta a Chico Xavier. Segundo o médium, “em todas as duas situações, o Brasil cumprirá o seu papel no grande processo de espiritualização planetária. Na melhor das hipóteses, nossa nação crescerá em importância sociocultural, política e econômica perante a comunidade das nações. Não só seremos o celeiro alimentício e de matérias-primas para o mundo, como também a grande fonte energética com o descobrimento de enormes reservas petrolíferas que farão da Petrobras uma das maiores empresas do mundo.”

Uma miscigenação cultural irá enriquecer moral e eticamente o País, que por sua vez ensinará o Evangelho de Jesus Cristo ao novo mundo

E prosseguiu Chico: “O Brasil crescerá a passos largos e ocupará importante papel no cenário global, isso terá como consequência a elevação da cultura brasileira ao cenário internacional e, a reboque, os livros do Espiritismo Cristão, que aqui tiveram solo fértil no seu desenvolvimento, atingirão o interesse das outras nações também. Agora, caso ocorra a pior hipótese, com o Hemisfério Norte do Planeta tornando-se inabitável, grandes fluxos migratórios se formariam então para o Hemisfério Sul, onde se situa o Brasil, que então seria chamado mais diretamente a desempenhar o seu papel de Pátria do Evangelho, exemplificando o amor e a renúncia, o perdão e a compreensão espiritual perante os povos migrantes. A Nova Era da Terra, neste caso, demoraria mais tempo para chegar com todo seu esplendor de conquistas científicas e morais, porque seria necessário mais um longo período de reconstrução de nossas nações e sociedades, forçadas a se reorganizarem em seus fundamentos mais básicos.”

Espíritos recalcitrantes no mal estão sendo encaminhados desde 2000, forçosamente, à reencarnação em mundos mais atrasados, de expiações e de provas aspérrimas, ou mesmo em mundos primitivos, vivenciando ainda o estágio do homem das cavernas, para poderem purgar os seus desmandos e a sua insubmissão aos desígnios superiores. Quíron é um destes planetas que receberá espíritos degredados da Terra

Chico Xavier provou sua idoneidade moral ao longo de toda sua vida, nunca cobrando por seus trabalhos. Ao contrário, doou tudo o que podia, servindo a Jesus e exemplificando-O CONTINUA


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Transições não serão pacíficas FE – Segundo Chico Xavier, esses fluxos migratórios seriam pacíficos? Geraldinho – Infelizmente não. Segundo Chico me revelou, o que restasse da ONU acabaria por decidir a invasão das nações do Hemisfério Sul, incluindo-se aí obviamente o Brasil e o restante da América do Sul, a Austrália e o sul da África, a fim de que nossas nações fossem ocupadas militarmente e divididas entre os sobreviventes do holocausto no Hemisfério Norte. Aí é que nós, brasileiros, iríamos ser chamados a exemplificar a verdadeira fraternidade cristã, entendendo que nossos irmãos do Norte, embora invasores a “mano militare”, não deixariam de estar sobrecarregados e aflitos com as consequências nefastas da guerra e das hecatombes telúricas, e, portanto, ainda assim, devendo ser considerados nossos irmãos do caminho, necessitados de apoio e arrimo, compreensão e amor. Neste ponto da conversa, Chico fez uma pausa na narrativa e completou: “Nosso Brasil, como o conhecemos hoje, será então desfigurado e dividido em quatro nações distintas. Somente uma quarta parte de nosso território permanecerá conosco e aos brasileiros restarão apenas os Estados do Sudeste somados a Goiás e ao Distrito Federal. Os norte-americanos, canadenses e mexicanos ocuparão os Estados da região Norte do País, em sintonia com a Colômbia e a Venezuela. Os europeus virão ocupar os Estados da região Sul do Brasil unindo-os ao Uruguai, à Argentina e ao Chile. Os asiáticos, notadamente chineses, japoneses e coreanos, virão ocupar o nosso Centro-Oeste, em conexão com o Paraguai, a Bolívia e o Peru. E, por fim, os Estados do Nordeste brasileiro serão ocupados pelos russos e povos eslavos. Nós não podemos nos esquecer de que todo esse intrincado processo tem a sua ascendência espiritual e somos forçados a reconhecer que temos muito que aprender com os povos invasores. Vejamos, por exemplo: os norte-americanos podem nos ensinar o respeito às leis, o amor ao direito, à ciência e ao trabalho. Os europeus, de

uma forma geral, poderão nos trazer o amor à filosofia, à música erudita, à educação, à história e à cultura. Os asiáticos poderão incorporar à nossa gente suas mais altas noções de respeito ao dever, à disciplina, à honra, aos anciãos e às tradições milenares. E, então, por fim, nós, brasileiros, ofertaremos a eles, nossos irmãos na carne, os mais altos valores de espiritualidade, que, mercê de Deus, entesouramos no coração fraterno e amigo de nossa gente simples e humilde, essa gente boa que reencarnou na grande nação brasileira para dar cumprimento aos desígnios de Deus e demonstrar a todos os povos do Planeta a fé na Vida Superior, testemunhando a continuidade da vida além-túmulo e o exercício sereno e nobre da mediunidade com Jesus.” FE – O Brasil, embora sofrendo o impacto moral dessa ocupação estrangeira, estaria im une aos movimentos telúricos da Terra? Geraldinho – Infelizmente, não. Segundo Chico Xavier, o Brasil não terá privilégios e sofrerá também os efeitos de terremotos e tsunamis, notadamente nas zonas costeiras. Acontece que, de acordo com o médium, o impacto por aqui será bem menor se comparado com o que sobrevirá no Hemisfério Norte do Planeta. FE – Por tudo que se depreende da fala de Chico Xavier, você também crê que a ida do homem à Lua, em julho de 1969, tenha precipitado de certa forma a preocupação com as conquistas científicas dos humanos, que poderiam colocar em risco o equilíbrio do Sistema Solar? Geraldinho – Sim, creio que a revelação de Chico Xavier a respeito traz, nas entrelinhas, essa preocupação celeste quanto às possíveis interferências dos humanos terráqueos nos destinos do equilíbrio planetário em nosso Sistema Solar. Pelo que Chico Xavier falou, alguns dos seres angélicos de outros orbes planetários não estariam dispostos a nos dar mais este prazo de 50 anos, que vencerá daqui a apenas oito anos, temerosos talvez de nossas nefastas e perniciosas influências. Essa última hora bem que poderia ser por nós considerada como a última bênção misericordiosa de Jesus Cristo em nosso favor, uma vez que, pela explicação de Chico Xavier, foi ele, Nosso Senhor, quem advogou em favor de nossa causa, ainda uma vez mais.

Geraldo Lemos desfrutava de convivência contínua com um dos maiores benfeitores do Brasil

FE – A reunião da comunidade celeste teria decidido algo mais, segundo a exposição de Chico Xavier? Geraldinho – Sim. Outra decisão dos benfeitores espirituais da Vida Maior foi a que determinou que, após o alvorecer do ano 2000 da Era Cristã, os espíritos empedernidos no mal e na ignorância não mais receberiam a permissão para reencarnar na face da Terra. Reencarnar aqui, a partir dessa data, equivaleria a um valioso prêmio justo, destinado apenas aos espíritos mais fortes e preparados, que souberam amealhar, no transcurso de múltiplas reencarnações, conquistas espirituais relevantes, como a mansidão, a brandura, o amor à paz e à concórdia fraternal entre povos e nações. Insere-se dentro dessa programação de ordem superior a própria reencarnação do mentor espiritual de Chico Xavier, o espírito Emmanuel, que, de fato, veio a renascer, segundo Chico informou a variados amigos mais próximos, exatamente no ano 2000. Certamente, Emmanuel, reencarnado aqui no coração do Brasil, haverá de desempenhar significativo papel na evolução espiritual de nosso orbe. Todos os demais espíritos, recalcitrantes no mal, seriam então, a partir de 2000, encaminhados forçosamente à reencarnação em mundos mais atrasados, de expiações e de provas aspérrimas, ou mesmo em mundos primitivos, vivenciando ainda o estágio do homem das cavernas, para poderem purgar os seus desmandos e a sua insubmissão aos desígnios superiores. Chico Xavier tinha conhecimento desses mundos para onde os espíritos renitentes estariam sendo degredados. Segundo ele, o maior desses planetas se chamaria Kírom ou Quírom. FE – Praticamente só nos restam oito anos pela frente. Emmanuel fala na entrevista da década de 1950, já publicada nestas páginas, que é urgente a transformação moral da humanidade. Qual deve ser a nossa conduta frente a revelações tão assustadoras e ao conselho do mentor? Geraldinho – Então, caríssima Marlene, a última hora está de fato aí demonstrada. Basta termos “olhos de ver e ouvidos de ouvir”, segundo a assertiva de Jesus. É a nossa última chance, é a última hora... Não há mais tempo para o materialismo. Não há mais tempo para ilusões ou enganos imediatistas. Ou seguiremos com a Luz que efetivamente buscarmos, ou nos afundaremos nas sombras de nossa própria ignorância.

Que será de nós? A resposta está em nosso livre-arbítrio, individual e coletivo. É a nossa escolha de hoje que vai gerar o nosso destino. Poderemos optar pelo melhor caminho, o da fraternidade, da sabedoria e do amor, e a regeneração chegará para nós de forma brilhante a partir de 2019; ou poderemos simplesmente escolher o caminho do sofrimento e da dor e, neste caso infeliz, teremos um longo período de reconstrução que poderá durar mais de mil anos, segundo Chico Xavier. Entretanto, sejamos otimistas. Lembremo-nos que deste período de 50 anos já se passaram 42 anos em que as nações mais desenvolvidas e responsáveis do Planeta conseguiram se suportar umas às outras sem se lançarem a uma guerra de extermínio nuclear. Essa era a pré-condição imposta por Jesus. Até aqui seguimos bem, embora entre trancos e barrancos. Falta-nos hoje apenas o percurso da última milha, os últimos oito anos deste período de exceção e misericórdia do Altíssimo. Oxalá prossigamos na melhor companhia!

PROGRESSO E ASCENSÃO

Como poderemos facilmente concluir, tudo dependerá, em última análise, de nossas próprias escolhas, enquanto entidades individuais ou coletivas, para nosso progresso e ascensão espiritual. É o “A cada um será dado segundo as suas próprias obras!” que o Cristo nos ensinou. Não estamos entregues à fatalidade nem predeterminados ao sofrimento. Estamos diante de uma encruzilhada do destino coletivo que nos une à nossa casa planetária, aqui na Terra. Temos diante de nós dois caminhos a seguir. O caminho do amor e da sabedoria nos levará a uma mais rápida ascensão espiritual coletiva. O caminho do ódio e da ignorância acarretar-nos-á mais amplo dispêndio de séculos na reconstrução material e espiritual de nossas coletividades. Tudo virá de acordo com nossas escolhas de agora, individuais e coletivas. Oremos muito para que os Benfeitores da Vida Maior continuem a nos ajudar e incentivar a seguir pelo Caminho da Verdade e da Vida. O próprio espírito Emmanuel, através de Chico Xavier, respondendo a uma entrevista já publicada em livro, nos diz que as profecias são reveladas aos homens para não serem cumpridas. São na realidade um grande aviso espiritual para que nos melhoremos e afastemos de nós a hipótese do pior caminho. Marlene Rossi Severino Nobre foi médica ginecologista com especialização em prevenção do câncer, além de fundadora e presidente da Associação MédicoEspírita do Brasil. Presidiu o Grupo Espírita Caibar Schutel e integrava a diretoria do Lar do Alvorecer, abrigo para 230 crianças. Ela morreu em 5.1.2015, aos 77 anos, de infarto

Lua, conquistada pelo homem em 20 de julho de 1969 Com a chegada do homem à Lua, foi dado início a uma nova era na humanidade. Como o avanço moral ficou para trás em relação ao avanço científico, a Hierarquia Celeste definiu um prazo para que a humanidade se inclinasse a sentimentos melhores

CONTINUA


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LUZ QUEBRADA

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

A realidade

materializada no metafísico As adversidades que ocorrem calamitosas agora na Terra são bonanças em comparação com as maldições que advirão funestas. Mas será o caminho da luz vencendo a rota das trevas. Só o bem ficará de pé. Há 5 mil anos antes de Cristo, os habitantes corruptos do planeta Capela foram exilados para a Terra e, agora, dois mil anos depois, as pessoas corruptas da Terra serão banidas para o primitivo planeta Quíron. O prazo para regenerações escoa-se. E só arrepender-se não redime. É preciso repor o ladroado. As palavras nas orações não remirem, se não estiverem nos atos do coração. Os delatores que duelam no denuncismo cruzado nas culpas, assemelham-se a lesmas atraídas pelo olhar das cobras para o bote do ofício que as devorará, engolindo-as lentamente. Na predição de Chico Xavier, “até 20 de julho de 2019 serão os 5 anos mais importantes da nossa vida como espíritos”. Falta pouco. Menos de um ano. Ou nos regeneremos a tempo, ou penaremos em desgraças indizíveis, profetizadas por Cristo e repetidas nos templos ao longo deste século. Serão tempos duros nesses anos de abertura do terceiro milênio. As pessoas que se redimirem viverão, neste século, a civilização vaticinada pelo santo Dom Bosco e governará a Terra como uma pátria aqui do chão de Goiás. Oro várias vezes todos os dias a Deus, para os espíritos que enviam mensagens manterem-me algemado à sua Luz nas tentações e nas provações nesse trânsito de misérias castigantes. Às vezes me sinto tão só entre as pessoas, e horrorizado ante os presságios das cenas dantescas que se antecipam visíveis na intuição, ou que espíritos amigos transportam-me durante meus sonos, sempre curtos, para assisti-las e cruzar a salvo a turbulência infernal nelas. O quadro aflitivo que presenciei, imenso em uma visão no mês de dezembro de 2015, foi a causa da interrupção súbita dos meus artigos. O cenário espelhado na predestinação das ruínas agravadas nas fadigas e pioradas na gradativa insensatez dos personagens aturdidos nas cobiças de poder gelaram-se nas preocupações. As interpretações de civismo são encenações apátridas de bandidos no papel de mocinhos no filme Trapaças e Golpes dos Deuses Hereges. O altar é a corrupção. O dinheiro é o deus. A devoção é melhor preço. Os pecadores confessam-se os inocentes. O Planalto rouba o Brasil inteiro nas planícies. E os pobres lucram os ricos nos 8,516 milhões de quilômetros quadrados do território nacional. Negociam as ideologias na política. Comercializam as religiões nas igrejas. Industrializam o crime nos guichês do governo. Vendem propinas. Compram honra. Pagam impunidade. Barganham-se em qualquer balcão. E falar para eles que estão indo nas perdições no tempo de remissões, é jogar palavras fora. Fiz a penitência do silêncio. Sei que essa escuridão na decência é passageira, como a de um eclipse, e relativa ante o perpétuo da luz que bordará a Terra de horizontes em todos os longínquos das distâncias em que os céus parecem descidos nos beijos ao chão. A liberdade mordia doído o meu calado. Resolvi escrever Luz Quebrada aos pedaços de prazo nos permeios da tribulação inteiriça e fui guardando as laudas na gaveta. Não queria ouriçar os medos zangados nas covardias. As inflamações agudas no corpo político evidenciavam infecções generalizadas nos organismos do governo. O Brasil estava em estado grave nas enfermarias do golpe com os doutores desenganados na UTI da corrupção. Consumava-se na Terra a transição planetária da vidência de Cristo. Eu receava ser alcunhado de agoureiro abobado ao expor a inferneira abissal para onde irão os degredados que movem o eixo das vilezas nesse mundo. Seria o mesmo que ir ao hospital oferecer caixão para os familiares dos doentes que estão na UTI. Incertezas vigiam a Humanidade. Há sequidões da bondade nos inundados da maldade. Há sonhos fugindo cheios de esperança nas dádivas não vindas nos vazios das promessas políticas. Há uma voz de paz calada nos povos. Mas os chefes da Nação lideram ódios vinditosos nas ojerizas ferocidas, nas avarezas insatisfeitas das gulodices do egoísmo, nas vaidades ciumentas nos melindres pirracentos e, quais primatas na casela das alas latrocidas na corrupção, barbarizam o poder nas leis. E cria-se, na História, a ditadura da Justiça no Brasil. As adversidades atuais são merejos de castigos das fatalidades em comparação com o jorrar de desgraças nas calamidades dos futuros flagelos. Por isso é que só agora, na antevéspera do dia 20 de julho de 2019, quando ainda há prazo para os ímprobos redimirem-se das impudícias e livrarem-se do expurgo para o primitivo planeta Quíron, revelo o transcendental que espíritos amigos levaram-me durante o sono para presenciar naquela semana final de dezembro de 2015. Um quadro estupefato no contemplado e tráfico nas mutações dos extermínios dolorosos nas remições, simbolizam no metafísico a materialização da realidade exposta nas forjas de expiações telúricas e horrorizantes. A imagem está-me impressa na memória e nas emoções. Vou trazê-la aos olhos do leitor.

Quíron, na mitologia grega, era um centauro, considerado superior. Inteligente, civilizado e bondoso, célebre por seu conhecimento e habilidade com a medicina. Exímio professor, foi tutor e conselheiro de Peleu, Aquiles, Asclépio e muitos outros. O planeta Quíron, por um exercício de imaginação, destinado às almas que fracassaram na Terra, pode ser visto assim: como um professor mais duro, rígido, primitivo, mas que forma, de fato, seus tutelados

O Transcendental está visível nas atuais mudanças da Terra

Súbito, vi-me de pé, atônito e parado à sequidão de uma paisagem erma e desoladora até o sem-fim nas lonjuras. O sol ardia no calor do ar. O capim se estendia estorricado na macega. As árvores sumiam cabisbaixas nos fiordes lá onde acabava o olhar. Os ramos se moviam ao balanço dos ventos. Os bichos andavam na soltura dos rumos. As aves ciscavam o chão pedregoso ou voavam nos céus desertos de nuvens. Água nenhuma. Às vezes um rosnado de onça. Ou ao acaso o piar de um pássaro. Pessoas corriam indecisas de um lado para outro, quais multidões esparramadas. Mas era como se nos movimentos nada saísse do lugar. Eu permanecia estático, como se paralisado

no pasmo, com uma caixa de fósforo na mão esquerda e um palito na mão direita, ouvindo-me em muitas duas vozes. Uma mandava: “Risca!”. A outra pedia: “Não risca”. O “risca” e o “não risca”, sequenciados, aturdiam-me no íntimo quanto a origem misteriosa das vozes. No repente, um estalo de som oco e distante. Inopinado, um fogo fez-se incêndio geral. “Mas eu não risquei o palito de fósforo”, exclamei em pensamento. As labaredas lambiam o total da paisagem como se fossem línguas com fome de cinzas. As pessoas corriam em tochas com as chamas seguindo-as no ar deslocado dos vácuos. Os bichos saltavam por entre as árvores queimadas com as brasas faiscantes aos pés. Os insetos estralavam assados. Os pássaros voavam entre folhas acesas. Rochedos escorriam derretidos nas lavas inflamadas. Fumaças taparam montanhas e, ao se dissiparem, haviam planícies nos lugares. Estrondos dos chãos rachados estremeciam os espaços aéreos na largueza dos confins. Eu permanecia estático e magnetizado pe-

rante tanto horror no cenário indizível no tétrico do escabro e no alarme da paúra. Entre gemidos e choros, os pedidos de socorro ecoavam: “Ajude-me”, no desespero aflitivo dentro de mim. Nas súplicas da maioria, os semblantes agoniados de pessoas ilustres. Nos gestos de muitos, os braços abertos de amigos, com pedidos de socorro nos acenos. Nos lamentos de tantos, a voz de tantos entes amados. Tentava acudi-los. Não conseguia me mover. Era como se eu estivesse estátua, imobilizado. Tardiamente em vão. Eles não estavam lá nos corpos. Queria pelo menos tocá-los pela última vez com um afago das mãos no rosto. Infelizmente, jamais. Eu estava inerte na moldura do quadro. Restava-me o desgosto de olhar a pintura dos mortos e contar as sepulturas abertas na saudade enquanto doer-me aqui na vida. Amargar solidões assim, revirando-se, impotente, na vivência das recordações de conselhos às pessoas queridas para se salvarem de seus desarranjos nos retilíneos do sacro e, ao final, vê-las finadas em perdição, é preferível o alívio da morte à bênção de viver. Então a minha alma estava ali diante do acabado no que não volta nas alegrias e não vai-se embora das tristezas. Merencório, contemplava a desolação silenciosa nas ruínas da vastidão e visualizava nelas a exuberância da paisagem. Mas a ordem natural das coisas submergira-se nos vilipêndios. Os estragos físicos da natureza salientavam ossadas nos caminhos engolidos nas erosões. O carvão dava às árvores a aparência espectral de caveiras pretas dormindo em pé. A brisa soprava a poeira no pó dos cadáveres e parecia ser que o abandono é que abanava os insepultos esquecidos nos amigos. O panorâmico no cenário estava indesejável no inteiro das distâncias. Não havia local para ir que não estivesse no mesmo lugar de onde não se quisesse sair dele. Queria ir-me. Desistia vãmente. Sentia-me segurado no olhar por uma força hipnal irradiada por um enigma qualquer no desígnio da paisagem. De repentemente, um clarão ofuscou-me a visibilidade. Mantive os olhos fechados um instante. Ouvi vozes nos hinos de trabalho. Olhei. A paisagem estava verde nas árvores cheias de pássaros cantando nas copas carregadas de frutas. Os céus, limpos no azul. Os chãos estavam embelezados na movimentada comilança dos bichos fartos nos arados das glebas reflorestadas. Os ramos balançavam pendoados e só de perto que se distinguia nas cores as borboletas das flores. De arco a arco na concha dos horizontes, a emoção chorou nos meus olhos. Vi gente! A comoção foi de o coração subir aos olhos para ver. Legiões de trabalhadores alegres povoavam, parcelados na diversidade das regiões e unificados na generosidade parceirada, a mesma civilização em toda Humanidade. Nem muitas, nem poucas, a quantidade dessas pessoas vivas era uma parte daquelas mortas na transição do cenário na paisagem. Vivenciava uma transposição atemporal do mundo nas três dimensões do tempo passado, presente e futuro. Presenciava o transitório nas pessoas e o eterno nos espíritos. Avistava as beiras do infinito no Universo. O celestial e o terreno se encontravam tão ajuntados que n’um passo se podia estar com o pé direito no etéreo e com o pé esquerdo no térreo. De supetão, o sol apagou-se no sideral. Uma escuridão instantânea enlutou o dia e, no abrupto do brusco, épocas extinguiram-se no espaço-tempo. Durou curto um silêncio total. O que se movia parou um tudo. Seguia apenas a expectativa da curiosidade no vazio do nada. A sensação era de que acontecia alguma coisa real no inexistente. Piscou muito além uma centelha rápida, explodiu-se radiosa em faíscas vindo descidas na imensidão escura e abriu-se nelas um clarão esbanjando fogo na luz parada no amplo da paisagem seca ressurgida no atiçado das chamas. Espavori-me incrédulo ao visível no horror revisto. Fechei incontinente os olhos. Reabri-os um pouco a meias pálpebras. Aquele cenário retorcido de sequidão e trucidante de vidas, tinha voltado inteiriço nos flagelos. A escaldância acesa no sol abrasava o ar na emanação do calor e estorricava o chão na reverberação do vapor. O vento crespo sapecava as árvores murchas nas folhas e ofegava os bichos sedentos, já sufocados nos bramidos da magreza. A quentura afogueada esfolava pessoas na chapa do sol a pino. As aflições nos gestos de súplica e o desalento das agonias nos apelos do desespero, traziam nas dores lâminas cortando feridas. O martírio nos gestos dos braços estendidos na esperança de uma ajuda e, os soluços das fadigas gritando na voz dos ecos, pediam-me socorro na acústica da concha do transcendental durante o imenso sono. Os gritos nos choros. O pó das cinzas no ar. O desespero dos braços estendidos, evocava a imagem de despedida de crianças sendo tomadas à força dos pais imobilizados às perdas das casas. Se espírito morresse, eu não teria saído vivo dessa dormida. Era como se do cenário viessem pontas de espinhos me furando por dentro. O mundo gemia ali. De repente, uma fumaça escurecida desceu vagarosa, estendeu-se compacta no cenário até encobrir o incêndio inteiro e, debaixo dela, subiu uma luz azul levando pessoas com ela e sumiu além da divisa dos céus à vista. Acordei sentado na cama, suado, trêmulo. Mas com o alívio da Paz. E com o cenário da visão mais vivo em mim do que o dia chegando em meu quarto na luz à janela. CONTINUA


ESPECIAL

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Lama da barragem de Brumadinho, MG. Para Batista Custódio, as catástrofes do meio ambiente, naturais ou artificiais, são uma sinalização clara, quase explícita, na metáfora que podem representar, dos crimes que a ganância tem provocado e as suas sequelas

O Brasil está

um mar de lama. Mas toda lama seca

Os políticos que estão

se enterrando vivos no lado de fora da História Nomina-se de países do primeiro mundo as nações que estão nas dianteiras do desenvolvimento científico-tecnológico nas áreas propulsoras da expansão dos monopólios econômicos, embora permaneçam nas traseiras do conhecimento filosófico que desprende o ser humano do materialismo consumista e antepõe os sábios nas dimensões da evolução espiritual. A vida sinaliza reajustes de reciclagem da moral no mundo. As alterações bruscas na normalidade cíclica dos fenômenos são represálias do Alto à brutalidade das devasta-

Dâmocles, nesta pintura do francês Thomas Couture, tem uma simbologia ainda mais extensa: é o poderoso que está acorrentado às suas responsabilidades, obrigações e poder.

Incêndio em Notre Dame. As tragédias que são simbólicas fazem parte do processo escatológico de mudança esperado nas previsões apocalípticas

No Brasil, chefes de governo lambem ferrugens do moralismo aos beijos de Judas na face da América Latina, enquanto puxam a corda de Tiradentes no pescoço do povo brasileiro. Em Goiás, donos de partidos vaquejam a mentalidade antiquada dos rebanhos de dogmas do atraso cultural estagnado no retrocesso e, arraigados no conservadorismo retrógado, berram ideias abestadas; ou montadas na largueza da propriedade abocanhada na vastidão de terras que se cercam nos confins dos horizontes, não percebem que estão sendo enterrados como políticos no lado de fora da História.

As supersafras da

mentira plantada no deserto da verdade

O quadro A Captura de Cristo, em que Caravaggio retrata o beijo com que Judas Iscariotes traiu Jesus

Desonestidade não é só a das quadrilhas de bandidos assaltarem bancos, mas é também a ação dos banqueiros roubarem dos clientes nos juros, ou os governantes assaltarem fortunas nas propinas extorquidas em parcerias com empresários nos superfaturamentos das obras públicas, ou os delatores serem premiados pelo que roubaram na corrupção comparsada. Honestidade integral é promotor não assaltar honras ilibadas nas denúncias vazias de provas cabais e juiz não roubar sonho de inocentes nas sentenças injustas, ou o Ministério Público denunciar o abuso do poder na Cons-

tituição Federal que confere aos promotores a impunidade nos crimes de injúria, difamação, calúnia, ou o Poder Judiciário não penalizar o juiz que não reformar a sentença injusta. Desonestidade não é apenas empresários sonegarem tributos escorchantes e pagarem os custos da campanha eleitoral de candidatos que vendem os mandatos nos apoios cobrados nas negociatas da corrupção parceirada, ou manter a isenção do dízimo no Imposto de Renda que santifica a sonegação enriquecedora de Igrejas e taxar o salário que empobrece os trabalhadores nos ganhos da profissão. Honestidade absoluta é reconhecer que no Brasil a corrupção emana dos Poderes para os Poderes e em seu nome é exercida para o bem dos poderosos nas blasfêmias ao caráter, ou se as igrejas confessarem que as bem-aventuras da graça fiscal da isenção do dízimo no Imposto de Renda abençoou a sonegação e criou no mistério os fenômenos do milagre do dinheiro na fé que consagra a comercialização das religiões em nome do Cristianismo. Desonestidade é contrassenso da teoria com a prática na política ecológica do governo, incoerente no estímulo à produção agropecuária e na repressão ao desmate para o plantio de lavouras e pastos. Há prazo para preparar o chão na época de plantar. A burocracia emperra o tempo que quiser na administração pública. Se o proprietário trabalha a gleba sem autorização oficial, o Ibama multa-o como predador do meio ambiente e, se não cultivar o quinhão, é desapropriado como latifundiário improdutivo; ou desonesto é o Incra amoitar programa de sublevação política na meta social de assentar sem-terra nos campos e os sem-teto nas cidades e armar tocaias da corrupção no esbulho dos preços camuflado nas desapropriações de áreas virgens, enquanto da outra banca viceja a complacência do Ibama com o agronegócio nas devastações latitudicionais das reservas de preservação ambiental e nas invasões de territórios indígenas, semeando desertos nas selvas férteis com a conivência oficial nas supersafras na colheita de bambúrrios nos lucros no plantio de cereais na aridez do meio ambiente degradado pelos arados. Honestidade é o Ministério da Agricultura e o Ministério do Meio Ambiente unirem-se no patriotismo de levantar as cercas caídas nas leis e demarcarem divisas que freiem a ganância humana e limitem o direito à propriedade, para se acabar com o cangaço agrário nas partilhas do crime nas grilagens e nas invasões de terras pelas fronteiras ideológicas no campo da política. A interferência de questões partidárias, nas soluções técnicas, encrava, nas etapas das reformas, o encaminhamento das mudanças épicas inadiáveis no determinismo histórico da evolução nas civilizações. Chegou o tempo de se romper as bitolas que modelam a corrupção assim tão viçosa no estilo dos costumes copiados no desuso da inteligência pela burocracia da administração pública abobada nos chefes. Eles agem como cegos no escuro das ignorâncias ampliadas na experiência do amadorismo anacrônico na visão fundiária com a ótica latifundiária. São vesgos no foco do conhecimento. Não anteveem o futuro virando passado no presente. Tampouco percebem CONTINUA

GEOFFROY VAN DER HASSELT/GETTY-AFP

As civilizações habilitaram-se às navegações nos mares de lama nas rotas da corrupção para o continente do Poder nesses dois mil anos, e se esqueceram de que toda lama seca um dia. Por enquanto, estão barro. Portanto, saiam do pútrido antes que estejam pó. Porque não ficará torrão sobre torrão de ladrão até onde a Humanidade for podridão. Nunca o mundo esteve tão nítido no imundo. Rezas fedem pecados. Honras roubam ideais. Amores ejaculam ódios. Valores opostos avizinham-se nos extremos da conveniência. A Terra está como se fosse um edifício social em que a vida tivesse dois andares para o convívio dos povos apartados nas pessoas — as que residem entelhadas na usura do farto nas riquezas pomposas e as que moram assoalhadas na agrura do vasto nas pobrezas esfarrapadas. Os ensurdecidos à voz de Deus na consciência, ouvirão o remorso das coisas que poderiam ter feito e não fizeram e das coisas que fizeram e não deveriam ter feito. Toda fortuna seca de suor do dono no trabalho honesto terá seus anos de lágrimas. A vida tomará para traz o que lhe foi tirado no indevido. A sociedade intensificou o consenso da inversão da ordem natural do inato no prioritário, para a gradual supremacia do anormal sobre o normal na escala da mais-valia dos méritos nas etapas da evolução humana. A sobreposição da inferioridade numérica dos ingratos apossados de todas as fontes de lucro em cima da enormidade numeral dos trabalhadores na população está parando o mundo. Porque criou na coletividade prejuízos nos lucros dos segmentos produtivos e déficits nas rendas das classes operárias. Mas a responsabilidade de solucionar essa equação é dos políticos eleitos pelos pobres e negociam o Brasil com os ricos no Poder. Mas os vendilhões do povo estão com os dias contados, na Terra, na contabilidade da Lava Jato. No céu, com a espada de Dâmocles no pelourinho do Apocalipse.

ções do meio ambiente nas terras, nos ares e nas águas. E no monstruoso vandalismo da corrupção acionada em todas as peças do progresso maquinado no materialismo, não há inocentes no Planeta. Todos fizemos a nossa parte nos crimes contra a vida na natureza, ou em grau mínimo, ou em grau médio, ou em grau máximo, e não há pessoa no grau zero das culpas. A poluição moral é graduada na cumplicidade geral. A reiterada amiúde dos conflitos sociais que abalam o Brasil nos poderes, é repressão do Etéreo à abundância de oportunistas infiltrados nos movimentos populares de combate às corruptelas, e que, para cobrirem as próprias falcatruas, desvirtuam as manifestações públicas para a delinquência na molecagem das badernas ideológicas ao molde da militância na safadeza das arruaças politizadas do crime organizado. A subida decadência de magnatas nos sequenciais abates da corrupção e o fedor exalante de autoridades nos destroços das quedas nas propinas, não se originam na ocorrência de fatalidades ocasionais. Assiste-se é ao iniciado do fim para as onipotências no olimpo dos poderes terrenos. Forças do Além-mundo reenquadram doutores da lei aos princípios da ética e impõem uma qualidade de vida para ricos e pobres na igualdade das farturas e das fomes. O que faltar nas panelas de uns, não pode sobrar nos cofres de outros. Já soou, há anos, o instante da undécima hora do Armagedom. Muitos tempos estão indo-se dos mundos desfeitos no desvirtuamento despudorado das virtudes, — na aleluia das heresias litúrgicas, no êxtase dos mercantilistas ideológicos, no conceito dos moralistas preconceituosos, no brado dos idealistas vadios nas ideias, na ufania exacerbada dos nacionalistas apátridas, na embriaguez luxuriante dos poderes. As falácias desmentem as condutas. Bandidam as leis na hipocrisia instituída na moralidade arguida em defesa de direitos adquiridos sem razão nos efeitos das causas da criminalidade consequente da falta de justiça social. Rezam castidade nas profanações ao casto. Prendem cheiradores de drogas clandestinas aos trapos no abrigo das calçadas, todavia, cheiram dinheiro no enriquecimento ilícito nas cantinas das licitações de obras públicas superfaturadas. Comem podridão e arrotam puritanismo. Condenam os jogos de azar e fazem o jogo político permissivo à exclusividade de policiais e de traficantes nas extorsões astronômicas das propinas no mercado paralelo das marginalidades, quando se sabe que se as máquinas de caça níqueis fossem regulamentadas, atualmente, estimularia o investimento em cassinos, e a arrecadação de impostos seria de quatro bilhões de reais por ano, incrementaria a expansão da indústria do turismo, que é um dos fatores geradores do crescimento econômico nos países da modernidade capitalista. Os moralistas estão assentados nas ideologias à direita e à esquerda no centro da corrupção ocupacionista das riquezas naturais das nações empobrecidas de estadistas.


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LUZ QUEBRADA

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Pobres mendigam

a modernidade às claras no implemento da profissionalização nos ofícios agropastoris. E as autoridades da nomeada política sequer desconfiam que o progresso tem pressa no contemporâneo de consolidar na labuta, nas plantações, na lida com os rebanhos e no trato com o meio ambiente a tecnologia científica franqueada na Emater e na Embrapa e pouco aproveitada pelo governo na exploração racional nas áreas urbanas e rurais cultivadas por sem-terra e pelo agronegócio. As inteligências oficiosas da politicaria, alheia aos objetivos finalísticos da Emater e da Embrapa, peiam a liberação de recursos oficiais para pesquisas científicas específicas da otimização diversificada na qualidade das carnes e leites, ou encabrestam a implantação de descobertas das prioridades na genética que velocitam a produtividade de grãos, verduras e frutas. A devastação mais nociva atualmente ao meio ambiente é a sequidão de ideias nas convicções ideológicas dos líderes que fomentam a depredação da paz rural nos confrontos entre a esquerda e a direita nos assentamentos de sem-terra e nos empreendimentos do agronegócio. Confundem revolução com guerra. Nessa faz-se a derrota comas balas nas armas. Aquela faz-se a vitória com as ideias nos livros. Não transformem, pois, os tratores agrícolas em tanques de guerra. Nem ponham o suor do trabalho nos cortes do machado, da foice, da enxada e do facão a dor do sangue nas lágrimas. A ferida que a pessoa abre em outra, um dia sangrará nela.

e ricos compram favores oficiais

A fome na panela

dos pobres vai comer na tulha dos ricos A única estrada do progresso da direção correta do desenvolvimento, para o Brasil chegar ao sólio de maior produtor mundial de alimentos, passa pela luz da ciência no universo dos chãos, cujo mistério é desvendado pelo conglomerado Emater-Embrapa, onde a ferramenta é o conhecimento e se cria, mais que frutas e animais nas herdades, sonhos no alísio da esperança nos campos. A oficina do sucesso no trabalho é o estudo. A obstinação é a aula. A lição é trabalhar, estudar e não jogar palavras fora nos confrontos das ignorâncias nas discussões teimosas; é trabalhar, estudar e não desperdiçar tempo com o que não houve ou com o que houve no que passou; é trabalhar, estudar, ler até vir a ser o mestre a escola no que faz; é estudar, ler, trabalhar, mais atento ao serviço que tenso no emprego, e será o patrão no empregado que foi o trabalhador estudioso. No moço que lavra ou planta a terra o dia inteiro, à noite, vai a pé buscar um livro emprestado pelo dono do quinhão vizinho. Lê até às horas tardias. Relê e decora alguns trechos. Devolve o livro sempre de manhã, já se abrindo no clarão ralo da alvorada fria. E faz isso a anos a fio. Nesse moço pode estar nascendo outro Abraham Lincoln. A glória que dura nas conquistas humanas, está na essência do sumo extraído nos cansaços do sacrifício sem folgas no sofrimento esfoliante da obstinação na vocação do vencedor. Todavia, os governantes brasileiros parasitaram o País na imponência dos tolos neles. Vangloriam-se na celebridade baseada na virtude de outrem e referendada pelas honrarias agregadas às futilidades nas alturas do poder, cujas famas flutuam no vácuo dos acasos com a notoriedade dos piolhos nas asas das águas nos voos, e que, se saírem debaixo das penas, os ventos tiram-os para a importância dos desaparecidos no vazio dos céus. Ao vê-los aos tapas nas ideias contracenadas no cenário das ideologias políticas nas tantas desavenças absurdas pela posse rural nas larguezas de tanta terra improdutiva, afigura-se a imagem absurda da paisagem de uma floresta fantástica, que as árvores que não dão frutos e as árvores frutíferas agarram-se frondosas e se enforcam nos galhos, batem-se nas copas e se mordem nas folhas, chutam-se nos troncos e se lascam nas cascas, até as raízes se aluírem e tombarem quebradas sobre o chão, umas sobre as outras e todas murchas. Pois essa visão absurda existe. É palpável na fantasmagoria política dos governantes que cultuam a honradez no floreio das palavras em praça pública e cultivam a desfaçatez nos canteiros do poder na devastação em todas as áreas da selva humana nos Três Poderes do Brasil. A crise ruge até nos silêncios da nação conflagrada nas discórdias da corrupção aos gritos nos três Poderes da República. Urge o prazo para o presidente do Brasil decretar autonomia plenipotenciária na conjunção Emater-Embrapa com poderes para incrementar na produção agrícola a paz social entre os brigões dos sem-terra e os valentes das glebas do agronegócio, para se evitar que a fome nas panelas dos pobres comece a comer na tulha dos ricos. As costuras dos remendos de reformas, no tecido social campesino, não vestem as mudanças do determinismo histórico e põem a nu os trapos das bandeiras bordadas com as linhas do causuismo pelos tecelões de equívocos que estendem o País no varal das crises, agulham a revolta nas multidões desempregadas, penduram no descrédito os chefes do Poder nas praças públicas.

Circe era, na mitologia grega, uma feiticeira, especialista em venenos e drogas. Circe é considerada a Deusa da Lua Nova, do amor físico, feitiçaria, encantamentos, sonhos precognitivos, maldições, vinganças, magia negra, bruxaria e caldeirões

As supersafras de fracassos dos governos

A vocação para a agropecuária é uma aptidão inata na extensão continental do Brasil. Necessariamente e urgentissimamente, o governo federal precisa desbrecar a liberação de recursos para as pesquisas científicas, planificar a implantação de estrutura tecnológica e estimular a formação profissional no trato das plantações e na lida dos rebanhos, para que os colonos passem a bater recordes de produção nos assentamentos do Incra, e sirvam de exemplo para ruralistas do agronegócio que não plantam sequer fruteiras no quintal, nem criam frango nos terreiros para comer, e compram ovos, verduras, doces, quitandas, nas cidades quando vão às suas fazendas, muitos só nos fins de semana. O poema da vida no eito dos campos e a canção do mundo na oficina das cidades, precisam afinarem-se na música da marcha nos trabalhos ao huno entoado nos sonhos da paz social. A orquestra Embrapa-Emater possui os instrumentos e têm os maestros à altura de executarem a sinfonia da evolução que soará o ritmo da modernidade sobre os toques do atraso nos solfejos das mentes roceiras. O aprimoramento do conhecimento liberta a pessoa do subcondicionamento aos antiguismos retrógados dos preconceitos nos conceitos. E conscientiza a intuição na percepção. Desperta na sensação do empregado do sem-terra a convicção de proprietário. Provoca no dono do agronegócio o anseio da expansão para a agroindústria, de alto e médio portes, no mercado de alimentos. E cria-se a mentalidade do lucro honesto no trabalho sério, que assegura qualidade de vida sem déficits no orçamento das famílias pobres e no custeio das empresas ricas e, sobretudo, irá plantando e semeando nas classes sociais o plantio do amor nas covas do ódio de irmãos que exploram seus irmãos nos filhos de Deus. Esses são os proprietários, ou ricos ou pobres, que a terra irá comê-los igualizados no chão.

A Mãe do Consumismo. Pintura retrata bebê sendo nutrido pelo materialismo. A destruição da natureza e das relações humanas é vista ao fundo

A monstruosidade da corrupção a patê, a julgar pela total desorganização no governo do País, dos estados e dos municípios, ao menos 99,9% dos políticos precisam dar o salto de um século para se atualizarem ao tempo de hoje. O Brasil não os aguenta mais autossuficientes na presunção abusiva no descabido. Até porque, além de estarem lá muito atrás no antanho, ficam de costas para o futuro e voltados para o passado ainda à sua frente. O povo brasileiro não tem como suportar-se cativo às sucessivas supersafras de fracassos no governo, repetitivo nas tentativas de soluções inúteis, para se conter a proliferação galopante da miserabilidade social nas metrópoles, sitiadas por comboios de indústrias e inchadas de gente pelo Êxodo rural que exilou as comunidades do interior na carência de empregos, na educação à deriva nas escolas e na saúde à mingua de hospitais.

Na pobreza extrema e nas plagas acidentadas de Kentucky, EUA, nascia em 12 de fevereiro de 1809 o bebê que viria a ser um dos maiores estadistas do mundo. Foi neste casebre que Abraham Lincoln respirou pela primeira vez

Um tantão e outros tantos de auxiliares preponderantes nas decisões do governo, estão às caveiras nas ideias e tumulares nos resquícios da corrupção, embalsamados no esquife e transladados nos cortejos dos cargos exercidos em coma na competência. Já fantasmas, velam nomenclaturas zumbis nas criptas da administração do Brasil. O espírito público age possuído por legiões de incorporações malignas nos centros do poder, onde os cantos de sereia são manifestações dos vampiros nos passes de sedução aos governantes. As bruxas surgem nas trevas do atraso cultural dos chefes e transmutam espectros assombrosos em querubins generosos a seus olhos extasiados. E metamorfoseiam coroa nas cabeças com a auréola de livres na argola de trancas nas mentes. Existem mais obsedados pelo obscurantismo no estrelato dos mitos, divagando na constelação dos cargos oficiais do que meteoros vagando opacos nas luzes do céu. Há na vida pública tanto pó de múmia acumulado nos cérebros de políticos, moendo a Idade Média em suas cabeças-duras, quanto poeira cósmica espalhada no Universo. Pior. Tem buracos negros da corrupção, sugando líderes em todas as galáxias do poder. E, por aí afora, na abóbada celeste do firmamento nos mundos dos três Poderes, gravitam políticos-satélites no astral nebuloso dos programas sociais e políticos-cometas na órbita de planos econômicos já eclipsados pela crise seguinte, como se o Brasil vivesse aventuras no rumo das desaventuras em uma odisseia e os governantes ouvissem os cantos de sereia da bruxa Circe. Enrolam umas às outras as pontas dos problemas na solução dos efeitos e não das causas promovedoras da descrença do excedente de sem-teto e de sem-terra, vivendo nas rações da vida e como deserdados do Brasil rico nas heranças da corrupção nos políticos, sem honra e sem serventia ao país nos governos. A nação patina nos poderes públicos enlameados nas revendas de caráter tabelado nas mazelas e à pronta entrega nas falcatruas cheias de inocentes fedendo culpas. O administrador incauto nas sutilezas da argúcia, faz-se inepto ante às treitas do nefasto no ilícito em sua gestão. Essa é a causa do disparate de perplexidades estáveis no grotesco perdurável nos extravios do desenvolvimento nacional. Os condutores do governo não fazem as metas para o Brasil crescer. Montam os planos para permanecerem-se no poder. São autores dos dilemas instituídos no progresso montado nas extravagâncias do dinheiro público esbulhado dos programas sociais ou econômicos, paliativos do mal-estar crescente no povo brasileiro e mantenedores da sociedade dependente dos favores oficiais, mendigados pelos pobres e comprados pelos ricos. As verbas para casas de sem-teto e chãos de sem-terra multimilionarizaram outras gentes nos paraísos miraculosos da santa corrupção cheia de devotos ajoelhados a ela em todo governo.

Os empilhadores de atrasos nos 3 Poderes do Brasil Toda atividade profissional deve ser exercida nessa vida com a devoção do sacerdócio e jamais converter o trabalho nesse mundo em ofício que empobrece o espírito na fortuna da pessoa. O bem divinal não está nos bens materiais. O industrial é o sonhador que não há nos negócios do comerciante. A criação de um produto desperta no empresário o êxtase com a mesma fascinação que a inspiração provoca no poeta ao criar um poema e, cujo deslumbramento, o mercador e o livreiro não experimentam na euforia dos lucros. O idealista sente nas lutas políticas o viro dos moços no arrojo que os oportunistas desconhecem no vigor dos estadistas. O materialismo interpôs o fato econômico no fato religioso, no fato social, no fato político e sobrepôs os arroubos do egoísmo aos arrebatadores encantos do romantismo, inclusive no sexto dos sentidos da pessoa, nas maiorias da civilização atual e, quase absoluta, baixa percepção das autoridades brasileiras. Estão estáticas nos atrasos retardios da modernidade. Não enxergam a realidade dinâmica na supressão das fases da evolução permanente. Tampouco, escutam o barulho ensurdecedor do desemprego trazendo a fome para bater forte no clamor das praças públicas. Os políticos estão antiguidades mentais, de mamando ao caducando nas hereditariedades do nepotismo. Sequer desconfiam que as multidões estão vindo nas mudanças para despejá-los do poder. Por isso, se acomodam no conservadorismo de métodos dos sucessos no passado, e germinam no ultrapassado o condicionamento a fracassos no presente. As diferenças políticas assemelham os líderes do governo e da oposição: a arruinação do Brasil tem dois lados unidos neles. Empilham populações nas cidades e desertam de gente os campos à uma só contusão do retrógado nos esticamentos do êxodo-rural. Portentosas indústrias anelam-se no cerco CONTINUA


ESPECIAL

Getúlio Vargas foi advogado, militar e político brasileiro, líder da Revolução de 1930. Realizou inúmeros feitos, tornou-se ditador e, perseguido, foi levado ao suicídio, em 1954, com um tiro no coração em seu quarto

às periferias cosmopolitas e, contiguamente, as metrópoles congestionam-se de caçadores de emprego, tanto nas atividades operárias, quanto nas profissionais, por chefes de família para manterem as despesas de casa e os custeios de estudo para os filhos. A administração pública no Brasil avelhou-se na mentalidade feudal dos ancestrais nos três Poderes e antigualhou-se nos descendentes caudatários do feudalismo. Falta-lhes a ousadia dos estadistas que os séculos dividem a história das pátrias em dois tempos, antes e depois deles, como Pedro Ludovico ao chegar em Goiânia e Juscelino Kubitschek ao trazer Brasília. O Brasil está ausente de um líder e com saudade de um patriota.

O povo avaliza no voto os políticos corruptos

Mesmo as pessoas que desejam fazer apenas o correto, só nunca erram os que jamais realizam coisa alguma. E, no geral, se esquecem dos erros cometidos, como se não houvessem acontecido. Esse é o maior erro. O certo é preservamos os nossos erros abertos na memória, e agradecidos a eles, como testemunhas alertando-nos para não os repetir. Pois é devido ao fato de a maioria não se lembrar dos erros praticados, que muitos criticam tantos a outros ao invés de fazerem autocrítica, e deixam a gente com vontade de se esconder das pessoas moralistas. Não põem a carapuça. Usam o pano dela na máscara. As pessoas estão vazias de Deus nos templos enricados com a isenção de impostos sobre o dízimo, de acordo com as palavras de Cristo aos fariseus no Templo de Jerusalém: “Dai a César o que é de césar, e a Deus o que é de Deus”. As leis estão foragidas da justiça nos crimes de consciência cometidos por magistrados nas sentenças que mantêm culpados soltos e inocentes presos. A eloquência nas palavras dos discursos, lidos nas tribunas pelos políticos, não saem da inspiração no coração dos oradores, mas são enfiadas na boca deles, por escribas que já as puseram na voz verbosa de outros políticos tribuneiros, nos comícios desses contra aqueles. As multidões se esfarrapam nas manifestações populares predadoras nos predadores nos protestos, pois o povo é avalista e cúmplice dos que estão comendo-o nos poderes públicos, através do voto dado aos candidatos que estão nos mandatos e são os políticos que sujaram o Brasil nas corrupções de sucessivos governos. Em todas as fronteiras humanas, houve militantes do escol e da plebe, omissos ou partícipes, na parceiragem das turbas que corromperam até a própria corrupção, sucedânea nos governos do PMDB, do PRONA, do PSDB, do PT e avulsa nos partidos da oposição. Todos acusam todos e todos negam tudo. Nada diferencia inocentes e culpados. Tudo igual. Nada diferente... Até no prejuízo dado ao País no empate do tempo da rapidez na corrupção e da demora na moralização. O Brasil está parado. E com sintomas intrigantes de que as oligarquias da corrupção astuciam decepar o juiz Sérgio Moro, o indobrável, da Lava Jato, com as mesmas artimanhas urdidas para decapitar Robespierre, o incorruptível, na Revolução Francesa.

O quartel, o general,

os soldados e o arsenal da revolução em marcha As administrações dos órgãos públicos e das estatais encroaram-se interferidas pelas gestões políticos antagônicas nos interesses grupais e autoritaristas, como se o Brasil fosse muitas colônias com donatários nos três Poderes da República. Era uma vez, os mundos perdidos do verdadeiro. Germinou a caminhada no mal. O governo já pisa nos barrancos do abismo. Ou o presidente, os governadores e os prefeitos deixem de

ser reféns das barganhas ocultas com assessores incompetentes e ineficientes, ou irão assistir as quedas de um a um deles e, inevitavelmente, chegará a hora de Suas Excelências caírem também. Os remanejamentos dos auxiliares de um cargo para outro, como tem sido feito, não resolve os desacertos nem adia o desastre; ao contrário, amontoa os erros e antecipa o desfecho desastroso aos governantes. O mais grave é que se mostram satisfeitos com eles e não percebem que há uma revolta se soltando calada nas faces. Todos estão se derrubando no governo e todos caindo do governo, e nenhuma honra de pé. Perderam o endereço da vergonha. A vaidade os subiu à desnoção. Desçam do poder ao povo. Andem nas cidades sobrando gente. Observem os rostos. Estão congestionados de apreensão. As pessoas transparecem alheadas do mundo, como se sozinhas até de si e indo muito longe umas das outras, lado a lado nas ruas. Há nos desempregados um arrocho de tristeza nos sorrisos e um quase arrependimento de viver nas incertezas da fome nos dias de amanhã. Não se distraiam, pois, da tolerância aparentada na conformação dos humilhados. Nem se fiem na mansidão das levas que estão às migalhas da indigência e presenciam a brigalhada pelo poder entre os abastados herdeiros da corrupção nos governos. As maiorias humanas estão aos trapos sociais nas correrias da sobrevivência nas aflições em todo o Brasil. Olhem as pessoas onde elas estiverem. Tem alguma preocupação cansada de doer no semblante de todas. Mas estão esfinges de monge. O seu silêncio resulta das fugas do ar na respiração ante o espanto com o troca-troca das gandaias no poder. A sua equidistância isolante das algazarras no denuncismo, origina-se na atenção aos barulhos ouvidos no peito e que não vêm das batidas do coração. Estão nas multidões chegando dentro de cada uma em todas elas. São o rufar de tambores nos estômagos vazios ensaiando a marcha de uma revolução. O quartel é o desemprego. O general é a fome. Os soldados estão nos pelotões do êxodo rural.

O Brasil é cópia do Paraíso. E fazem um Inferno aqui Há tempos, o governo carrega o Brasil veloz nas transições da corrupção, devagar nas soluções dos problemas no presente, parado nas repetências nos erros do passado e constrói nos canteiros do progresso as trincheiras de uma revolução no futuro, em anos não muito longe de nossos dias. O Brasil tem distâncias esquecidas nos ermos, com sobra de espaço para as nações que não cabem mais gente na pouca terra, e mantém descarregamentos de povo nas capitais sitiadas de favelas, crescendo à espera de Brasílias estaduais nascerem no vasto dos rincões desocupados no País. O presidente da República não tira o País da crise com as reformas debatidas nos gabinetes do Executivo, do Legislativo, do Judiciário, em Brasília. Porque a crise não é do Brasil. A crise é do governo nos três Poderes. A Nação sente falta de um estadista com voGetúlio Vargas ao lado cação desenvoldos músicos do Clube vimentista, como da Esquina, em 1971 Dom Pedro II, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, capaz de desarquivar o governo do ranço dos programas socioeconômicos pródigos no incentivo à proligeração do

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

êxodo-rural, e de um patriota dotado de antevisão para libertar o País perdido nas fronteiras dentro de suas terras nos sertões solitários. O Brasil é uma bênção de Deus à luz dos olhos nos milagres da natureza. É cópia do Paraíso. Onde os Anjos passam as férias. As estrelas vêm namorar à noite. Os dias acendem os céus descidos às terras no arco dos horizontes. A vida desfila poema nos olhos do poeta. As nuvens passeiam vestidas de branco no azul estendido nos céus e tiram a roupa na alcova dos mormaços para saírem nuas nas chuvas. Os ventos bailam nas flores e plantam outeiros nos voos jogando sementes nos ventres do chão. As águas afogam o sol nos rios, bebem as sedes das cidades e os afluentes irrigam as raízes nos banhos das larguezas áridas do agreste. As terras, de pé nas montanhas ou deitadas nos planaltos, alongam-se atapetadas no verde da vegetação e esteiradas sobre pedras preciosas e minérios nos cofres do subsolo. Asas viajam aos bandos no cantar dos ares. Passos às manadas quebram o quieto nos prados. Nados aos cardumes pescam no farto das águas. Nas lonjuras debruçadas nas imensidões, acordam-se alvoradas e dormem crepúsculos de tempos duradouros no exagero do esplendor nas belezas naturais. E no extenso da natureza, está a exuberância do panorama na ausência de vulcão, terremoto, furacão, maremoto e de demais cataclismos infernais noutras tantas partes do Planeta. Mas é olhando a paz das montanhas, a calma dos planaltos, o sossego dos vales, a bonança dos rios, que se escuta o tranquilo na alma. E dá-se para enxergar nas bem-aventuranças as mãos de Deus espalmadas sobre o formato de coração do Brasil. Há, porém, um flagelo catastrófico no meio ambiente do Brasil. A vistoria na consciência não esconde as unhas da ganância nas mãos das pessoas cravadas nas erosões das nascentes, nas poluições dos rios, nos desertos abertos nos arados das florestas, nas fumaças das chaminés envenenando a atmosfera, nos lixos jogados nas ruas fedendo as cidades. E fica-se a certeza de que Deus fez o Céu. E chega-se à dúvida se brasileiros ainda não estão fazendo o Inferno.

Um corrupto

irá derrubando outro até caírem todos O tempo estava meio a maio no tom da arcada celeste, claro no teto aberto a sol, fechado no soalho das nuvens, aos estrondos de trovões, aos acesos de relâmpagos, às descargas de coriscos, às rajadas de tempestades na vastidão seca da planície vigiada pela cordilheira invejada na beleza das encostas ornamentadas no mural das alturas sem beiras. Expectativas alastravam o ambiente no susto de bichos correndo dos estralos dos raios e em ziguezague na ventania rolando moitas secas atrás deles. Um condor debatia-se dentro de uma arapuca grande, de varas grossas, entre as penas de um pavão devorado e os pés amarrados uma haste da grade. Ratazanas guinchavam circulando ligeiras em volta. Acima, os chia-

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Alcunhado o Magnânimo, Dom Pedro II foi o segundo e último imperador do Império do Brasil durante 58 anos, de 1831 até a deposição,1889

dos de morcegos pendurados por fora do engradado. Perto, a zoeira dos regougos do bando de raposas se aproximando. Nos arredores, o alarido dos uivos da alcateia de lobos perseguindo-as. Nas larguras do longe na pradaria, a saia das nuvens abaixo do topo e a coroa do azul nos céus no cume da cordilheira puxava o olhar do corpo para fora da arapuca. Só feras rosnavam, entredevoravam-se e mordiam os paus da armadilha piramidal. A ventania abanava musculosa e arrancou a arapuca, que rodou veloz no ar, bateu nas cabeças dos lobos, das raposas, caiu e esmagou os ratos. O condor voou para a vasteza do lindo infindo no panorâmico dos picos, quais mastros hasteados na imensidade da cordilheira esticada no leito das lonjuras, como se debruçada nos beijos ao chão. A História do Brasil tem mais atos de ficção que fatos na realidade. Aquele panorama fantasioso reflete a visão da verdade ilusória nas mentiras dessa paisagem política. As intempéries daquela planície reproduzem as calamidades do nosso Planalto. Aquele condor estampa o estadista que houvesse no Brasil. Aqueles lobos, ratos, morcegos e raposas expressam a cafua dos corruptos nos partidos políticos. Aquela ventania exprime os tufões que derrubarão governos na tempestade das mudanças apocalípticas. Aquela arapuca representa a reviravolta nas redomas dos três Poderes. Aquele voo do condor para a cordilheira simboliza o grandioso do futuro se abrindo para o povo brasileiro. Aqueles picos aprumados espelham a retidão dos líderes que surgirão nos píncaros da pátria. Aquelas penas do pavão na arapuca retratam os mitos nas grades. Aquelas moitas secas rolando mortas na aridez dos prados significam o sopro do vendaval do tempo em que não ficará corrupção sobre corrupção, não restará nenhuma delas debaixo umas das outras, um corrupto irá derrubando outro corrupto, até cair o último de todos os corruptos no Brasil.

CONTINUA


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LUZ QUEBRADA

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

Jânio

Jango

Castelo Branco

Artur da Costa e Silva

Médici

Tentam esvaziar um oceano a copos de água

Estamos uma nação sentada no passado assistindo o futuro passar. Na escada das metas do desenvolvimento, os últimos governos tropeçaram parados no mesmo degrau dos enganos, porque subiram de fasto na evolução e, portanto, de costas par ao Brasil. As terras largadas ao descanso na enormidade territorial pedem um líder de visão desenvolvimentista e, todavia, os recentes presidentes da República foram repetitistas nas andanças do governo trazedores do interior no êxodo-rural para favelar as capitais. A derradeira marcha do progresso que levou o Brasil ao Brasil foi a que o trouxe das praias do Rio de Janeiro para os cerrados de Brasília, em 21 de abril de 1960, data em que o “gigante pela própria natureza” foi conduzido por JK ao futuro, e que Jânio, Jango, Castelo, Artur, Médici, Geisel, Figueiredo, Sarney, Collor, FHC, Itamar, Lula, Dilma e Temer mantiveram-no “deitado eternamente em berço esplêndido”. Mas “ao som do mar e à luz do céu profundo” e ante as brigas entre os corruptos da direita e os corruptos da esquerda no poder, “a imagem” que “resplandece” é a dos astros no universo político, cintilantes até nas terras onde não brilha do Cruzeiro do Sul. Então “Fulguras, ó Brasil!, florão da América! Iluminado sol de um Novo Mundo” da corrupção. Brasil, “ó pátria amada, idolatrada. Salve! Salve!”. Brasil, “ó pátria amada! Dos filhos deste solo és mãe gentil”. Brasil, “terra adorada”. Salve-se! Salve-se! Dos filhos que podem levá-la, no governo, a uma guerra civil. A corrupção aflorada no dorso desses anos medra canalizada há épocas no esteiro dos governos brasileiros, igual a água brotada nas fontes é abastecida pelo lençol freático no estuário do subsolo, portanto, tentar acabar com ela sem enxugar o leito da vida pública das lideranças políticas nascentes da corrupção, é o mesmo que se tentar esvaziar um oceano a copos de água.

Os bens que endividam o Espírito

pecado original e os redimidos vivessem, felizes e libertos, sob o céu refletindo às noites o símbolo de seu sacrifício no Cruzeiro do Sul. A Terra aborta corrupções, prenha de corruptos, em pleno parto do Apocalipse. A celeridade das anomalias fenomenológicas na natureza, as epidemias avassaladoras nas mortalidades, o desalinho das imprudências na desordem moral dos poderes, sinalizam a Revelação da chegada do tempo em que nada mais ficará encoberto na transição do Planeta e só perdurarão as mentes elevadas que não se renderem ao materialismo em prejuízo do Espírito.

Viagem até

onde se ouviu Deus na Terra

O modelo político está rançoso de decrepitude na mesmice intelectiva dominante nos líderes, encharcou-se de corruptos sebáceos que atolaram a administração pública no charco das metas enlodadas de outrora. A burocracia entreva o Brasil no triunvirato dos Poderes. Materializa-se nos programas oficiais o fenômeno do ubíquo de irem-se a toda parte estando-se parados no mesmo lugar. Passeiam nas promessas atendidas nos votos das romarias às urnas e não cumpridas nos milagres ao altar das obras prometidas. O Brasil quer crescer, precisa crescer, vai crescer e crescerá até se tornar maior que o azul que encurta nos dias o infinito ao alcance dos olhos, porque nascerá no centro de seus chãos a civilização que governará o Planeta a partir deste milênio; e assim vai ser, terá de ser e será a Humanidade que Jesus morreu na cruz há mais de dois mil anos para salvá-la do

José Sarney

João, o Evangelista, tomou a pena, sob ordens do espírito de Jesus, e passou a receber, mediunicamente, as previsões da escatologia crística para o planeta Terra. O momento, prenunciado há milênios, chegou e as mudanças em curso no mundo veem do Alto

Fernando Collor

O egoísmo insano e a ambição desmedida fazem os humanos se esquecerem das promessas de Cristo. Pecam nas rezas. Blasfemam na fé. Profanam no perdão. Para os cristãos que parecem ignorar a perene infalibilidade das profecias de Cristo e, sobretudo, para que não se despertem tardiamente da hipocrisia nos momentos finais do Armagedom, vou relembrá-los do que os espera na leitura do Livro do Apocalipse. João Evangelista, o “discípulo amado” que havia reclinado a cabeça no peito e Jesus durante a Santa Ceia, era um garoto inquieto e sempre muito atento às palavras de Cristo. Talvez por isso, tenha escrito os mais universais e profundos textos do Novo Testamento, o Quarto Evangelho, primor da Alta Teologia, suas cartas e o decisivo das Revelações, o Apocalipse.

Itamar Franco

Após a ressurreição, à beira do Mar da Galileia, pouco antes do Messias subir ao Céu, os apóstolos perguntaram-no sobre aquele menino humilde e apaixonado que O seguira pelos caminhos poeirentos da Terra Santa, o único dos Doze que havia ficado aos pés da cruz na hora fatal. À pouca idade de João, as perseguições aos primeiros cristãos já haviam começado, e preocupavam os Apóstolos. “Que será deste menino?”, perguntaram. Olhando para o João, Jesus afirmou: “Se Eu quiser que ele viva até que Eu volte, o que vocês têm com isto?”. João lembrou-se destas palavras proféticas do Cristo, ao receber a visita de seu Amado Mestre e Senhor, naquela caverna fria da ilha-prisão de Patmos, onde estava exilado, quase no final de sua vida, meio século depois da Paixão, Morte e Ressurreição de seu mestre amado. Por volta do ano 91 do Século I, João, depois de suportar muitas perseguições nas províncias romanas, foi condenado pelo imperador Domiciano a ser lançado num caldeirão de azeite fervente. Porém, sobreviveu. Por isso foi exilado na ilha de Patmos, de onde ninguém saia vivo. Lá, uma caverna úmida e escura onde morava, o último dos Apóstolos recebeu a visita de Jesus. Cristo apontou as mazelas e a podridão que ameaçavam a beleza da Criação Divina. E garantiu ao Evangelista: “Toma a pena e escreve: É chegada a hora! Eis que venho, para fazer novas todas as coisas”. João percebeu: “Sim, os tempos atingiram sua plenitude. Estava caindo o último véu da ira de Deus sobre a Humanidade infiel”.

Fernando H. Cardoso

Lula

Geisel

Figueiredo

Todo o que ouvira de Jesus, fazia seu coração tremer. Havia chegado o momento em que a medida dos pecados atingira seu grau máximo. A espada estava desembainhada sobre a cabeça dos ímpios. As obras da maldade geraram o castigo que abateria sobre o mundo. E sobre os escombros de um mundo ignóbil, o Pai, em seu Filho Jesus, construiria um mundo melhor na Terra. O livro das Revelações, ditado ao João por Jesus que, na hora da morte na cruz, o entregou aos cuidados de sua mãe, Maria, é a mais lúcida profecia de Cristo para a Humanidade. Quando os seres humanos se esquecem dos valores que os distinguem das feras e das coisas, aviltam os princípios da moral e da ética, como nos tempos atuais, faz-se necessária a decisiva intervenção Divina. E, como afirmou Jesus a João, em Patmos: sobre os escombros de uma civilização é impossível, se construirá uma nova civilização, baseada na Justiça, no Amor e na retidão Moral. Neste tempos, quando a pressa pela riqueza e a avareza excessiva fazem as pessoas desprezarem as promessas de Cristo de “fazer novas todas as coisas” (Ap. 21), as demais profecias do Apocalipse se revestem de uma atualidade preocupante. E torna-se ainda mais temerosa para quem vive no Centro-Oeste do Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, (Humberto de Campos), lugar para onde Dom Bosco previu, com exatidão geográfica, o surgimento da civilização que governará a Terra, a partir deste milênio. Esta região, que tem Goiás no centro, tem inquietado a alma dos chefes da Nação desde os tempos do Brasil Império. Pedro II criou a Missão Cruls. Getúlio Vargas fez a Marcha para o Oeste. Juscelino Kubitschek construiu Brasília. E estudiosos, como o botânico francês Auguste François César Provençal de Saint-Hilaire, intuíram a importância dessa terra para o futuro da História. Seria de emergencial prudência se, deitados em berço esplêndido, como sempre viveram os líderes que governaram as terras goianas, (com exceção de Pedro Ludovico Teixeira), agora percebessem que o que nos é garantido por uma natureza generosa e mãe cuidadosa, também exige dos líderes goianos uma postura igualmente grandiosa dos filhos pátrios, e não com a escabrosidade de patricidas, como se Calígula se incorporasse neles aos bandos.

Após ter sobrevivido ao caldeirão de azeite fervente, João foi lançado na ilha de Patmos. Exilado, psicografou o livro do Apocalipse

Dilma Rousseff

Michel Temer CONTINUA


ESPECIAL

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

Os embarrigados do dinheiro público nas cevas da corrupção

Não é necessário ir ao místico para perceber que transitam na Terra mudanças redentoras da Humanidade. Não há mistério a ser desvendado no que se encobre no anormal atualmente. O sobrenatural fenomeniza o natural na alteração dos ciclos de chuva e de frio, na proliferação de doenças irremediáveis e de conflitos sociais, na propagação de discórdias nos poderes e de tempo sofrido na paz das pessoas. É chegada a hora das canas nas moendas do engenho, para as pessoas na separação dos bagaços e na depuração dos caldos na fervura das tachas do sofrimento. Os que não se regenerarem e não sofreram ainda, tratem de sofrer, porque conhecerão o sofrimento na fornalha das expiações. Os políticos precisam se acudir de si próprios. A reforma que o Brasil espera é a que deve ser feita neles por eles mesmos. Às vezes, nuvens escurecem os céus, trovões estremecem os ares, piscam clarões, raios estralam ameaças, ventos galopam ruidosos e não chove na sequidão da paisagem, o verde não volta às folhas das árvores, os bichos fuçam as poças de lama a procura de água e apenas os ventos sopram de um lugar para outro local a ramagem seca da vegetação. Assim está o panorama das reformas nos rebuliços dos poderes na corrupção. Não se enxerga o verde da esperança de mudanças. Fazem apenas poeira nos retoques do chão das ideias e lamas da mentira nas pedras da verdade. Não no todo, mas quase todos políticos se embarrigaram do dinheiro público nas cevas da corrupção e, os que não caíram ainda do governo, irão cair mais adiante e de mais alto, mas cairão para viver ou no asilo dos presídios, ou no abrigo dos exílios, ou no jazigo das honras sepultas. Acabou-se o tempo dos esperneios do falso nos ajeitos ao triunfo. É a chegada do freio ao mal. Ter poder e glórias, se falta o sonho, é contemplar o céu ao clarão da tempestade que o fulminará nos raios. Ser milionário e cortejado, se falta o caráter, é celebrar o esplendor à luz do fogo que o espera nas cinzas. É o fim dos que não trazem para dentro de si o poema que entra com céu no seu olhar.

O tempo já datou, no poder, o despejo das corruptelas

Impus-me o propósito de não nominar nenhum dos corruptos neste artigo. Mas os governos da Terra singram cheios deles no naufrágio moral; irão submergindo-se nas águas da corrupção, até encalharem avariados nos recifes no fundo do mar de lamas, e os destroços boiarão à tona do estancado emerso das mazelas. O imundo inunda geral e desrepresa o imoral no Brasil. Flutuam cacos das proas dos três Poderes, rodando no dorso da podriqueira que estava decantada nos remansos dos esgotos da Esplanada dos Ministérios. Abutres crocitam alto nas revoadas. Uns pousam de leve no fofo dos detritos. Outros voam saciados da mistura dos dejetos. Muitos bicam a tantos na disputa pelo mesmo pedaço do podre. Todos esborrifam lama em todos, ao abanarem as asas na competição pela parte mais fedida da putrefação. A avidez dos abutres no apetite na carniça dos lixões e a cupidez dos políticos na gula das corrupções no poder, igualam a animalização e a humanização na semelhança entre bichos e pessoas. Faltam aos atuais líderes políticos o determinismo dos idealistas e o arrojo dos desenvolvimentistas inatos na vocação do estadista. Os estadistas nascem com algemas da missão no destino do espírito para fa-

Maria, mãe de Jesus, aos cuidados de João Evangelista, após ter ouvido seu filho pouco antes dos momentos finais. “Ao ver sua mãe e junto d’ela o discípulo que Ele amava, Jesus disse à sua mãe: ‘Mulher, eis aí o teu filho’. Depois disse ao discípulo [João]: ‘Eis aí a tua Mãe’”

CIAMETH

zer novo o velho. Os missionários trazem em si a luz da sabedoria das ideias criativas na inteligência, que os mantêm escravos ao ideal no corredor dos sonhos e libertadores de atrasos nas fronteiras do tempo, porque sentiram nos incêndios da iluminação espiritual, a queima da ignorância dos tolos que falam demais e a sede de conhecimento nos sábios que ouvem muito. Vieram do Universo prontos para as descobertas da evolução posta no mundo interior deles. Em Santos Dumont, o voo dos pássaros no avião. Em Pedro II, a visão do porvir na Missão Cruls. Em Getúlio Vargas, o passo da Marcha para o Oeste na viagem da Fundação Brasil Central. Em Pedro Ludovico, o salto dos garimpos no colo da Serra Dourada que trouxe dos horizontes o brilho das esmeraldas para a pedra da fundação de Goiânia. Em Juscelino Kubitschek, a ida ao descortino e antecipou o amanhecer das alvoradas do progresso e acordou o Brasil em Brasília. As asas do condor, altivo na imensidade dos céus, voam invisíveis no infinito do pensamento. A posterioridade aterrissou Santos Dumont no teto do futuro e decolou com Pedro II, Getúlio Vargas, Pedro Ludovico e Juscelino Kubitschek para o sempre na história do Brasil. Os cinco estadistas. Um, alado na mente, rompeu as barreiras da física no voo da máquina mais pesada que o ar. Os quatro, asados no ideal, viajaram a bordo do atemporal, fizeram escalas na rota da profecia de Dom Bosco e desembarcaram no Brasil Cen-

tral o marco da epopeia divina da transição planetária programada para a Terra no terceiro milênio. Que já começou. A depuração moral da Humanidade será consumada até ao expurgo dos maus do Planeta e a regeneração dos bons unidos em todas as pessoas dos povos. E será aqui, nas terras goianas do planalto brasileiro, a sede da civilização que governará o mundo a partir deste milênio. A Terra não está mais a mesma de antes, adormecida nos tronos enrabichados à corrupção, solta na falta de idealistas e venerada no excesso de oportunistas nos poderes públicos, e reage nas forças do Universo pautadas nas hecatombes dando pancadas da morte para salvar a vida nas hordas dos domínios humanos. Os tempos também morrem na ressurreição das épocas no sepulcro das eras. Desde a primeira década do século 21, vivenciamos o princípio da transcendência épica prometida há dois mil anos por Jesus, para a separação final do joio do trigo e, principalmente, para expurgar os plantadores de mais joio e de menos trigo para todos colherem, como se o trigo fosse deles e o joio fosse dos outros. Chegou a hora em que “o Senhor da História vem com uma pá em Sua mão e com ela separará o trigo da palha. Recolherá no celeiro o Seu trigo e queimará a palha num fogo que jamais se apagará” (Mateus, 3:12). Tudo no estável no pálio das reformas no velho se desmanchará no escaldo do novo nas mudanças.

Ideia do dilúvio está presente na mitologia grega. Na pintura, Deucalião, o mais justo dos homens, segura sua esposa Pirra, a mais virtuosa das mulheres. Quando a fúria de Zeus foi lançada contra o holismo dos peslágios, Zeus decidiu pôr fim à idade do bronze com o dilúvio. Avisado por Prometeu, o casal construiu um barco de madeira, cheio de provisões, para se salvar do dilúvio, mas sobreviveu

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Mas as autoridades em alta, na cotação do vexame nos escândalos das falcatruas nos poderes da República, todas evidentes, expõem-se à chacota na exibição pública das ridículas manobras do governo no troca-troca de acusações na roubalheira recíproca. Agem obnubilados e amoucados. “Este povo tem o coração duro como uma pedra. Nele se cumpre a profecia de Isaías: — Ainda que tenham ouvidos para ouvir, não escutam; tendo olhos para ver, nunca enxergarão, e assim serão condenados” (Mateus, 13:14). São ínscios no perceptivo da intuição. Não vislumbram nos dias atuais a inquietação dos anos de há quase três milênios. Outros deslumbrados com seu poder, resolveram competir com os desígnios do etéreo. Construíram a Torre de Babel para subirem ao Céu. Caíram entre os escombros do desmoronamento dela. Três décadas depois, novos fascinados se imaginaram com o poder de cruzar os mistérios do eterno nas águas do Dilúvio. Fizeram a Arca de Noé. Submergiram-se no Desconhecido. Assim continuam nas marés da corrupção e sob as chamas da fornalha das mudanças descidas do Céu à Terra. Prosseguem traçando trapaças nos abusos do improbo nos poderes do Brasil. Artificiam escapes das correntes do ilícito na nau das barganhas de benefícios faturados no empoçado das delações rendosas. Irão se empanturrando, insaciáveis, nos cochos do Poder e, rosnantes só quando uns lambem nas gamelas de outros, acabam se mordendo até se entredevorarem todos. E terminarão ensacados nos despejos do mal na Terra, prometido por Jesus para o tempo de agora. Como grão a grão do joio na Geena de Jerusalém, ladrão a ladrão arderá em sua corrupção nos Três Poderes do Brasil.

Os fazedores de governos para eles

Antigamente, tudo era muito difícil e todos achavam tudo muito fácil. Atualmente, tudo é muito fácil e todos acham tudo muito difícil. Facilita demais todo aquele que prejulga na crítica e não se julga na autocrítica. Quem não confia em ninguém, julga esse alguém em si também. Quem odeia a outros, não se ama e, toda ferida que ele abrir nas pessoas, sangrará um dia nele. Muitos voam nas alturas do moralismo e rastejam nas baixezas pessoais. Não denunciam para moralizar. Acusam para desmoralizar. Falam como se espelhassem-se na consciência. São cobras vestidas de linguiça. É melhor estar entre os malfalados a estar dentre os que falam mal. A vida de toda pessoa é o resultado de seus atos. Os maus bebem o veneno deles e vão enxugar suas lágrimas no lenço dos bons. A Terra está às despedidas dos tempos de engordas da corrupção no mundo dos poderes humanos. As ceifas tão doídas de vidas no vasto das localidades estranguladas pelos ciclones e as degolas tão chocantes de honras no devasso das celebridades dos governos, ao mesmo tempo no amplo das nações equidistantes no longínquo dos cinco continentes, têm o peso das desgraças e a força das calamidades conjugadas no espectral, mas não dá para suportar que as ocorrências do dantesco advenham da junção de ciclos do acaso superpostas na fatalidade. Desígnios de tragédias decifram-me no enigma dos prenúncios. É de dar medo estar vivo no alvoroço dos distúrbios que virão sanhos. E está de se ter dó dos chefes de estado em ascensão na maçaroca das trapaças políticas que os mantêm intercalando-se nas quebras do caráter nas acrobacias da corrupção no Poder, leva-os às misturas do cínico no cívico e abrevia-os na chegada, um a um, à espada de Dâmocles afiadíssima na bainha do juiz Sérgio Moro.

Auguste François César Provençal de SaintHilaire, naturalista e explorador francês que ficou 15 meses em Goiás catalogando e registrando fortes impressões sobre a qualidade da região. Em seus diários ficou a marca: Goiás “tem futuro científico e econômico promissor” CONTINUA


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GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

Há excesso de corrupção no governo e corruptos demais na política. O despudor acasalou o vergonhoso do aético ao casto do ético no aparato dos implantes de empresários na mercantilização da política e de políticos na comercialização do governo. Impunes nos proveitos do alheio e deslumbrados na empáfia dos novos ricos, não se enxergam nos rastejos da vulgaridade e nas expoências da visibilidade dos crimes. Os cargos são-lhes úteis privilégios como as cangalhas na carga dos burros. Os fora da lei na política estão nos dentro das leis do Poder. O Brasil não os aguenta mais e o povo enjoou-se deles. Clandestinizaram o Poder na concupiscência de se levar vantagem em tudo até nos traçados do venal. Está de tal jeito, que é melhor ser o bandido preso do que ser o policial que prende o bandido. Mas essa corrupção que está aí não é menina. Ela é a Eva do Paraíso dos Adão no Éden dos poderes terrenos apossados por descendentes de Cain nos Elísios do governo. O Brasil empanturrou-se no que foi abocanhado por goelas grandes engasgadas de corrupção na vida pública, ausente de idealistas e abarrotada de líderes de aluguel em todos partidos. Reduziram o País a uma propriedade particular esquartejada na sucessão dos herdeiros nos feudos políticos. A Nação vive aquela tristeza dos sepultamentos na esperança morta no povo desencantado e aquela alegria de baile no velório dos sonhos matados nas autoridades rodeadas de ilusões. Travaram o Brasil desorganizado num deserto de ideias desenvolvimentistas, acampados nos oásis do Poder, onde teorizam austeridade nas práticas da corrupção. Fazem nos custos do tijolo os lucros seus nas obras públicas.

LUZ QUEBRADA

Quadro ilustra a expulsão de Adão e Eva após a repreensão que de Deus receberam. Adão culpou a mulher, a mulher culpou a cobra e a cobra ficou com a má-fama. Políticos atuais do Brasil agem igual: são troca-trocas de culpas nos crimes cometidos conjuntos e à muitas mãos: a deles mesmos

O egoísta profana a

honra nas oferendas ao altar dos bolsos Os chefes de todos os governos da atualidade são desatualizados. Foram enferrujados no sectarismo das ideologias políticas cegadas no fanático das ideias. Ficaram enrançados do tendencioso nas opiniões. Tornaram-se embolorados no retrógrado dos preconceitos sociais. Estão enodoados uns de outros nas manchas da corrupção esborrifada em todos. O passado os trouxe deixados nele. Temporãos encruados nos idos do antanho, prolongam-se nos outroras do habitual na ampliação dos patrimônios individuais no crescimento dos recursos do erário sugado às custas da expansão econômica nacional. As espertezas galopam sem freios nos desabitados da honra nos caracteres e às esporas no traseiro das leis. Ou se acaba com os enriquecimentos deles nos poderes da República, ou ficará mais barato o Brasil construir presídios cinco estrelas para eles. A quase unanimidade dos brasileiros amoedou-se ao dinheiro na mentalidade totalizada no materialismo. Poucos fazem no transitório do tijolo o eterno no ideal das obras. Os grandes no humano o são nos pequenos gestos e nos maiores atos. Pedro II, Getúlio Vargas, Pedro Ludovico e Juscelino Kubitschek foram imensos. Honraram-se no amargo das derrotas e fizeram nelas o heroico nas vitórias. Subiram ao farto das riquezas do poder, abriram futuros nos sertões e engrandeceram-se ao descer pobres de seus governos no Brasil. E morreram mártires dos líderes de passarela no desfile dos criadores de golpes de estado nas tocas da corrupção. Eles, estadistas feitos de idealismo visível no romantismo deles. Esses, chefes de estado de franquias do oportunismo à mostra do falso neles. No legado de um só dos quatro patriotas há mais obras que na quadra de seus sucessores golpistas juntos. No espólio de apenas um dos presidentes de aluguel, soube-se de mais dinheiro que nas heranças dos quatro marcos que definiram a divisa dos tempos na história do Brasil. Tudo no todo do realizado nas profissões pela pessoa na vida, tem de ser exercido com a mesma devoção total no praticado ao sacerdócio. O que construirmos nesse mundo, um pouco é nosso, mas só o suficiente para nos mantermos em condições de dedicar, a maior parte do melhor que fizermos, para a coletividade. O individualista é no egoísta o hipócrita nas rezadas ao Cristianismo. Veneram ao cínico nas profanações da fé ao altar dos bolsos do egocentrismo. A única oração ensinada-nos por Jesus, para se fazer pedidos a Deus é pluralizada: “Pai-Nosso, que estais no Céu, santificado és o Vosso Nome, venha a nós o Vosso Reino. Seja feita a Vossa Vontade, assim na Terra como no Céu. O pão nosso de cada dia, dai-nos hoje. Perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. Não nos deixei cairmos em tentações. Mas livrai-nos do mal. Porque Vosso é o Reino, o Poder e a Glória. Amém”. A própria Ave-Maria abre-se no singular no “Cheia de Graças, bendita sois Vós entre as mulheres, bendito é o Fruto de Vosso Ventre, Jesus”, e passa para o plural nas súplicas à “Santa Maria, mãe de Jesus, rogai a Deus por nós pecadores, agora, na hora do nosso desencarne, e sempre. Amém”. E, por isso, intercalo o plural no singular ao rogar o Credo:

honras em caráter errado nas praças públicas; para tecer mordaças nas vozes da liberdade, nessa caçada tão alongada à corrupção, que já se parece a um safari de corruptos nos jardins dos três Poderes da República. Os delatores premiados são os ladrões dos corruptos que se querem duradouros nas corrupções de todos os governos no Brasil. Os políticos brasileiros precisam pôr a cara para fora do buraco do passado e dentro da vergonha. Saiam lá de trás dos anos das roças de tocos. Tirem os bois da cabeça e ponham livros no lugar. Águem-se nas ideias. Ficaram secas nas pastagens do atraso. Adubem-se de modernidade no conhecimento científico. Estão de costas para o passado, de costas no presente, de costas para o futuro e fazendo coisas com o dinheiro público que o tempo delas foi-se embora enjoado de tê-los. Se passarem às mortas de museu, serão sugados por sucção. Como relíquias do rupestre. Pararam o Brasil nos governos, como se precisassem de prazo para retirar o que não pôde ser levado. Encravaram-no em estoques de obras pedintes de superfaturamentos, desde as taperas da inidoneidade dos costumes de se empilhar a corrupção oficial nas fortunas particulares. Retalharam nas retaliações o progresso em suas algibeiras cheias de benefícios públicos, engavetando-lhes lucros nas metrópoles, empanzinadas das favelas, profissionalizando crimes no desemprego. Rasgaram o País nas estradas abridoras de corredores da miséria, sem chance de prosperidade nelas para os pobres nelas, e escancaram as porteiras do êxodo-rural nas calçadas das cidades. E forçaram o surgimento dos bolsões de sem-abrigo nas legiões dos excluídos da certeza de comida nos pratos do dia seguinte. Os tambores das guerras ruflam nos estômagos vazios.

O imoral é

consentido ao imoral no Poder

Cain foge após matar, motivado pela inveja, seu irmão Abel. Deus, então, o amaldiçoa

“Creio em Deus, nosso Pai Eterno, criador organizado no roubo de carros, no narcotrádo Céu, da Terra, de todas as coisas e da vida fico de drogas, na pistolagem de aluguel. Há em tudo no todo do infinito no Universo; e falanges pós-graduadas em roubar sonhos creio em Jesus Cristo, Vosso filho unigênito e nas ideologias políticas, igualizadas na direinosso Senhor, que foi concebido por Obra e ta e na esquerda na vocação para ditaduras; Graça do Divino Espírito para a missão de outras doutoradas, “que se cobre de ridícuresgatar os pecados originais da humanida- lo a porem-se pretensiosamente na pele de de e implantar o amor, o bem, a caridade, a um sábio”, para vender esperanças religiosas nos dogmas do Cristianismo. Frustrampaz e a moral na Terra. -se ilusões de médicos na mercantilização Nasceu de Virgem Maria. Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos: preso, da cura das doenças controladas pelos lointerrogado, humilhado, chicoteado, colocada bbies da indústria química monopolizada uma coroa de espinhos na sua cabeça, conde- nos laboratórios farmacêuticos. Fragmennado a carregar a cruz, do Pretório ao Calvário tam-se os ideais dos pacifistas nas desovas de armas, para as guerras manterem os trustes e ser executado no Gólgota. Morreu crucificado, inocente e jorrando san- da indústria bélica com um cano faturando gue do corpo, nos cortes das lanças dos carras- no extermínio de nações no Oriente e com cos, nas cisões das mãos e dos pés pregados à o outro cano lucrando a matança de gente no Ocidente. Tem uma revolta se sucruz e nas escoriações da coroa de espinhos focando no desencanto geral. na cabeça. As leis são usadas como Foi sepultado envolto em um manto. peias para amarrar Desceu ao Inferno. interesses escuAo terceiro dia, ressuscitou. sos à impunidaTrouxe Judas perdoado, subiu ao des acintosas; Céu, está ao lado de Deus, nosso Pai para pendurar Eterno, de onde virá um dia julgar os mortos e os vivos pecadores. Creio no Divino Espírito Santo, no Cristianismo, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados para os justos, na ressureição da carne e na vida eterna. Amém” Esse é o modo que rezo o Credo e, na contagem dele, o tempo do Juízo Final prometido por Jesus Cristo já começou no ano 1 deste século. Só não vê quem olha as convulsões, a miúdo — de terremotos enfurecidos, de furacões musculosos, de maremotos enfezados, de rios poeirentos, de inundações afogando cidades e de vendavais vomitando governos famintos de corrupção nos dias atuais —, e não quer ver. Os dias de hoje ardem dentro das pessoas. Ser honesto atualmente é um insulto público. PermaPintura de Akiane Kramarik. necer bom chega a ser confunTela foi feita quando ela tinha dido com bobo. Está difícil de somente 9 anos. Título da obra: se viver fora do irregular. Exis“Pai, perdoa-os”. Jesus ensinou tem no Executivo, no Legislaa humanidade a falar com Deus tivo e no Judiciário, tolerâncias com as facções do crime

As fomes nascem das panças gordas e nos buchos da corrupção das humanadas. As quedas dos impérios Egípcio, Grego e Romano, chegaram nos rastros da fome nos chãos das pobrezas e vieram dos pés das castas na pompa das cortes. Não aconteceu diferente nas duas Guerras Mundiais. Foi, e será sempre igual nas ditaduras mestras nos amarrilhos da liberdade às leis da censura cativa das penas nos crimes do Código Penal e na servidão das faturas lucrosas das honras espertas no Código Civil. O crime nas ruas das cidades, nas estradas dos campos, nas famílias, nos presídios faz escola no Poder. Está de o bandido assassino da vítima, que reage ao assalto, ser menos penalizado que os cidadãos que mata o marginal em legítima defesa. Ressuscitaram na modernidade ignorantada as leis da Inquisição com a sumariedade draconiana que maculou historicamente a Igreja Católica Apostólica Romana, serão o pêndulo na balança da consciência com dois pratos pesando juízes e promotores: um para os que põem em prato limpo o Brasil, que foi comido; outro, para os que cospem no prato em que comeram. O Brasil está obeso de órgãos empanturrados de cargos nas trinchas dos Poderes. Preguiçoso no Governo em Brasília. Frouxo na repetência de metas entravantes do desenvolvimento nacional na mordomia das guloseimas político-rapinas de São Paulo, como se os outros estados fossem seus tira-gostos da corrupção.

CONTINUA


ESPECIAL O Apocalipse está chapado nos estragos catatônicos na ordem natural das coisas e desacertam todas as alternativas de arranjos nas reformas paliativas e interpostas nas alternativas de frenagens do determinismo das mudanças ouvidas nas Palavras da Salvação há dois mil anos. Observem. Tudo se diferencia no que se mantinha igual. Não menosprezem as diferenças súbitas. Fiquem atentos a elas. São zangas dos fenômenos azedos nas desregulações excepcionais dos fatos tradicionalmente normais ao correr dos sofrimentos batendo muito em uns e pouco n’outros. Nada é mais como era e jamais será como foi. Antes estava sempre bom para uma minoria e ruim para a maioria e, agora, está muito difícil para todo mundo. Acabaram-se as dádivas da artimanha nos encostos do nefasto às virtudes. Agora é o é o falso, ou é o não é o verdadeiro. Há os tardios nas ligeirezas à cupidez e os apressados nas vagarezas ao brioso. A evolução escasseou a utilidade dos que não sabem fazer nada e mandam todos fazer do jeito que querem tudo. Esgotou-se na espiritualidade o espaço das pessoas que cometem comunhões ao incorreto e professam perjúrios aos feitos de outros. Os prazos da regeneração já entraram nas datas da remissão no través das provações no calendário da Cristandade. Muitos estão indo às trevas à procura de luz. Não se contam só inocentes nos denunciantes e só culpados nos acusados, porém cumplicidades nos absolvidos e nos condenados ou, inclusive, parcialidades de autores nas sentenças em os crimes inegáveis dos bandidos são consequentes de causas inconfessáveis das autoridades. Os três Poderes, da República do Brasil, de uns a todos intercambiam-se na interdependência do imoral consentido ao legal. O Executivo articula o exerce as camaradagens no autoritarismo ao cívico. O Parlamento legisla e flexiona a concórdia na convivência das vantagens agrupadas aos interesses adversos ao patriotismo. O judiciário jurisdiciona e legitima a instituição de impunidades aniquilantes de esperanças, sonhos e honras nas vidas.

Os destinos têm

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

Geena refere-se ao vale de Hinom, fora das muralhas de Jerusalém. O vale era usado como depósito de lixo, onde se lançavam os cadáveres de pessoas consideradas indignas, restos de animais e toda outra espécie de imundície. Enxofre era usado para manter o fogo aceso e queimar o lixo. Jesus usou o local como símbolo da destruição eterna. Pintura do artista plástico Mariusz Lewandowski

Jean J. Rousseau

Martinho Lutero

Gandhi

Chico Xavier

mais encruzilhadas que estradas O mal anda muito nervoso com o bem ultimamente e judioso da paz dos bons no ódio dos maus. Os dias não estão para se viver sem a dor do outro na gente. Quem ainda não está sofrendo, trate-se de sofrer logo. O mundo da Terra já adentrou-se no está-escrito do Apocalipse. O que parece normal é anomalia rascunhada. A conta chegou. O pagamento é a prestações, débito a débito, até ao saldo do indevido acumulado. O acerto será geral com cada devedor. Um não pagará pelo outro. Os que têm crédito receberão o tesouro da bênção do Pai. A civilização contemporânea não deve se permitir a perder essa oportunidade única de reajuste das eras na história da Humanidade. Não se pode esperdiçar o privilégio de exercitar a euforia ante o tufar as dificuldades do maktub do Cristianismo, aguardado há dois mil anos por bilhões de pessoas dos povos e que não mereceram a benesse de assisti-lo, resguardadas das desgraças da Undécima Hora. Os destinos têm mais encruzilhadas que as estradas. Não se surpreendam, pois, se o que batem hoje começarem a apanhar amanhã dos que eles estão batendo agora. E encontrar saídas às escondidas da corrupção nos Poderes é mais complicado que achar saída fácil nos labirintos. Evitar vazamentos de segredo é tão inevitável quanto impedir água de marejar no trançado dos jacás. E assim como o esquadrinhado das rachaduras, nos leitos secos dos lagos, cria a imagem de mosaico, o reflexo das fendas da corrupção, nos governos, cria, no cenário da opinião pública, o visual de retalhos de caráter reverberando em todos os políticos. A maioria dos políticos é minoria nos respeitos. Até a verdade mente neles. O Brasil não os quer mais como são e os tem. Se fossem abelhas, só faziam cera. Estão múmias insepultas nas ideias cemiterizadas nas coisas que não voltam mais ao antigo. A própria corrupção se desaprendeu desonestidade neles. Encruaram perdidos de si na contemplação das carquilhas que dão, aos velhos, vontade de quebrar o espelho. Vão-se embora do tempo dos outros, antes que não tenham para onde ir do lado de fora dos presídios. Acudam-se no caráter. Libertem das alegrias na pessoa as tristezas do espírito. Seus inimigos não se unem ao Moro. Reúnem-se dentro de si. Mandem-se ir embora no velho que se enforca na honra ao bolso. E tragam-se de volta no menino que ascendia o dia nos olhos do moço vindo fazer sonhos, bêbado de ideal, na alvura das alvoradas amanhecendo mundos no coração.

Os donos dos estoques da corrupção

Percebe-se a temporada de estiagem da corrupção, evidenciada nos esperneios dos políticos com sede de poder, entrelaçados no emaranhado das tranças na maçaroca das

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e geram-se as folhas. O tronco engrossa e lastram-se os galhos. Florescem e pendoam. Frutificam-se e granam dos frutos. Maduram e são colhidos. E demora-se o prazo no tempo da semente na cova ao fruto na fronde da árvore. Assim dura a maturação do cotidiano nas mudanças transformadoras dos costumes sociais nos épicos da evolução humana. Dessa vez, os celerados com pendências na consciência, perderam o prazo de remissão aos compromissos da honra. Não lhes adianta acelerarem o revezar das culpas nos crimes para esticarem suas demoras nos poderes do Brasil. Porque o acerto foi cronometrado pelo Homem que morreu entre ladrões na Cruz para salvar a Humanidade dos pecados como esses atualizados nas autoridades veniais nesses governos. Chegou a hora delas nas suas cruzes à direita e à esquerda nas corrupções da política.

As faces

mutantes da corrupção Castro Alves

Miguel Ângelo

Leis, desatando-se quais cordas de uma forca balançando com os pescoços pendurados no mesmo nó dos que bebem popularidade no jorro das espertezas e não nas fontes do saber. Eles mentem à opinião pública nos alardes do pessimismo. Esmorecem o País nos governos que gangorram na corrupção e sacolejam-se no marasmo da incompetência patética no doutoral dos mal-letrados. Apesarmente da letargia contagiante na inépcia apática das autoridades, repetecas nas embromações do solucionável nos desarranjos feitos por elas na administração pública, o momento é de otimismo para os brasileiros nessa travessia de amarguras andando nos corações. Regozijem-se, os doridos. Bendigam o privilégio desse sofrer agora. Pois assistem à transição planetária das profecias cristãs, de Jesus a Dom Bosco. O Brasil é invencível no firmado de seu destino, reiterado pela Espiritualidade, como a Nação onde já está nascendo a pátria dos povos que governarão a Terra, ainda neste milênio. A vida da pessoa é o resultado dos seus atos e o tempo é o molde que ajusta, na experiência dos sofrimentos, a insensatez rude dos tolos que falam demais à lucidez erudita dos sábios que ouvem muito. Os vaticínios bíblicos não anseiam ao unânime ou atemorizam ao mínimo os céticos. Dão cangapés em corredeiras à boca de cachoeiras. Não demoram chegar as cheias das mudanças que lavarão o mal do bem. Passará por cima das pontes muita água que escorre debaixo dos mata-burros e das pinguelas nos insulados da corrupção. Tudo irá rodando até não restar gota da lama nos caldeirões dos poderes humanos. Não existem caminhos limpos para ir onde se constroem as grandes fortunas de um dono. Os que levantam seus castelos políticos nos mandatos baldios de votos e acampados nos eleitores de outros, ou erguem muralhas das leis em seus domínios, estão posseiros de uma ilha fluvial que será submersa pelo caudal de uma tromba d’água caída na cabeceira do rio. As crises nascem os líderes que as solucionam, quando menos se espera e de onde não se sabe. As crises políticas e as crises econômicas geram-se gêmeas nas negociatas de políticos e nas politicalhas de economistas engendradores de reformetas beneficentes aos banqueiros e compartilhadas nas multibiliardárias sobras pelos bandos acasalados em todas as bandas do poder público. São os donos dos estoques da corrupção, legada de pais para filhos, de avôs para netos, na linhagem dos herdeiros que se apoderam do País nos estados e nos municípios como suas propriedades particulares na sucessão de enriquecimentos que criminalizaram a política nos assaltos ao Brasil.

Leon Tolstói

Beethoven

Chegou a hora

daquelas outras duas cruzes O assanhamento nos bate-bates e nos apanha-apanhas do denuncismo entre os corruptos delatores e os corruptos dedurados, iguala os políticos à descompostura de maridos cornos e esposas adúlteras no revide de traições conjugais e nos diálogos das partilhas dos bens em separações litigiosas. Voltem a vergonha ao rosto no olhar dos filhos, enquanto há tempo para não vê-los destruídos pelos exemplos dos pais. Vivam no breve do instante o que dura no sempre. Assim como os atalhos não se emendam contínuos na reta das estradas, ou não se vencem aos saltos as subidas e as descidas nas distâncias acidentadas e, sim, passo a passo nas caminhadas, também as soluções improvisadas não se intercalam ininterruptas na extensão completa no definitivo do planejado. O crime organizado é estruturado na polícia desorganizada pela corrupção planejada das autoridades na desordem pontual entre os Poderes. Os segundos se ajustam aos minutos, os minutos se regulam às horas, as horas definem os prazos no tempo dos relógios. Do mesmo modo é a espera do colhido no plantado. Planta-se a semente. Cumpre-se a dormência dentro do chão. Nasce o broto tenro e frágil. Resiste à incidência do sol. Forma-se o talo

Fala-se e ouve-se geral que nunca houve antes tanta corrupção como agora no Brasil, quando, de fato, a que está mais à vista é a de sempre que esteve muito oculta nos governos. Ela é uma idosa vaidosa. Faz plástica na face e só aparece ao público maquiada nos camarins do poder. Mas quando despeita para a desnudação de sua intimidade recata nos inquéritos do juiz Sérgio Moro, vê-se nas feições dela o rosto da neta no corpo da avó. E é mutante. Faz-se seria nas camas da República. Faz-se bruxa no milagre político que põe o pobre rico nos cofres da nação.

Os acontecimentos atuais são ordens aos Anjos de Deus

A vida deve ser exercida obrigatoriamente como sacerdócio nas profissões em toda atividade provedora da subsistência da pessoa. Essa é a vocação ao trabalho das almas enriquecidas de luz nas pessoas pobres, como Sócrates, Miguel Ângelo, Beethoven, Leon Tolstói, Rousseau, Gandhi, Shakespeare, Madre Tereza, Castro Alves, Pedro II, Ruy Barbosa, Lincoln, Lutero, Chico Xavier, Juscelino Kubitschek, Einstein, irmã Dulce, Alfredo Nasser, papa Francisco e inumeráveis tantos devotos ao principado da paz, da liberdade e da humildade na celebridade que não envaidece os tiranos nos poderes e nos dinheiros.

Irmã Dulce, à direita, ganhou notoriedade por suas obras de caridade e de assistência aos pobres e necessitados, obras essas que ela praticava desde muito cedo. Na juventude já lotava a casa de seus pais acolhendo doentes. Ela também criou e ajudou a criar várias instituições filantrópicas: uma das mais importantes e famosas é o Hospital Santo Antônio e atende diariamente mais de cinco mil pessoas. É considerada a Madre Tereza (à direita) brasileira. Na foto, encontro de ambas, em Salvador CONTINUA


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LUZ QUEBRADA

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

Papa Francisco, reformador da Igreja Católica: perseguido pela ala retrógrada e dogmática da cúria romana

O mundo na Terra é oficina dos ofícios a serviços das obras do Céu; todavia, muitos aprendizes especializam-se em montagens de forjas fabricantes de peças falsas com rótulos de marcas originais, usadas como legítimas nas máquinas do bem funcionando a corrupção nas obras públicas moldadas no torno dos índices do PIB na renda per capita da política. Dilemas contraditam emendas das franquias comparsadas nas desculpas das culpas no confesso. É como se as empresas da inciativa privada fossem sucursais do governo brasileiro nos incentivos fiscais e nos financiamentos dos bancos estatais, ou como se as autoridades e os empresários estivessem sócios nas licitações das obras públicas superfaturadas nos prejuízos ao Brasil. A corrupção que está aí não é daqui, nem dali, também não é de lá, tampouco é de acolá, porque é de todo lugar em todos os tempos. A corruptela aflorada nos escândalos do poder emerge-se integrada à enormidade submersa na aridez moral da espécie humana, assim como os desertos em todos os grãos da areia na inospidão tórrida; portanto, caçar corrupto do governo no redemoinho das crises políticas é uma temeridade e requer a maestria de catar grão de areia na poeira de tempestade no deserto; por isso, corre-se o risco de ser empoeirado, ficar com os olhos embaçados e passar a ver miragens no pó. É preciso, pois, estar atento e ter todo cuidado, para não se tornar algoz nas esgrimas da espada da Justiça e decepar inocentes na ceifa aos culpados. Afinal, a inédita reincidência de cataclismos entornando catástrofes na rajada das fatalidades e amontoando aflições no desabrigo dos flagelos, não tem como ser interpretada como ocasional ou desorganização dos fenômenos da natureza. Até porque acontecem pontuais ao datado no Apocalipse para o início da separação do joio do trigo. A vida está uma taca no mundo levando relhadas em todo lugar. Curtida nos costumes do imediatismo e encravada nos conceitos da vivacidade, a prática nas vantagens do materialismo endurecido petrificou o romantismo nos corações. Os poderes terrenos tombam-se aos esbarrões nas vilanias e, de tropeço a tropeço nos conceitos à verdade integral,

irão cambaleando até à queda final que separará nas expiações os redimidos dos irregeneráveis. O período de moratório para a redenção dos entortados no caráter foi abreviado. “O véu de Isis foi levantado e as verdades chegam com a força do agora. E a hora da mudança surge como verdade absoluta. O olhar de Deus pousa sobre o Planeta, sugerindo mudanças necessárias à evolução que se faz esperada. Os acontecimentos atuais, há muito, estão sendo anunciados pelos Anjos de Deus. Nessa Pátria abençoada pousa o olhar do Meigo Rabi da Galiléia que aguarda que suas Bem-Aventuranças sejam realmente recebidas por seus eleitos. A bandeira é a do Cristo e a verdade ofuscará os que a temem, retornando-os ao ostracismo de seus pecados” (Trecho esparso da longa mensagem enviada-me por Humberto de Campos e publicada na íntegra pelo Diário da Manhã).

A Humanidade está outra nas pessoas

malfeito. C’est fini, ou seja, é o fim do fim no fim na corrupção terminal. Rolarão se esmagando os portentos da inversão de valores preponderantes nos centros de decisão dos três Poderes da República. Mas os desavergonhados querem que os honrados se meçam nelas, quando elas é que terão de se enquadrarem ajustados àqueles. Anistiem-se nos penitenciários da regeneração integral. Esvai-se no breviário dos anos o período do benefício do perdão concedido nas graças divinas à remissão dos pecados.

Começou a

apartação no rebanho de Deus Para onde se olha nos fenômenos da natureza e aonde se esteja nas nações, ondas de discórdias rajam turbulências no desconserto dos governos e entoiçam conflitos truculentos nas marchas da paz social. Como se fosse a irradiação de uma energia negativa, há um mal-estar contagiante no ar. O malvisto insinua-se no imagi-

Não há como esconder aos olhos o derrame de distúrbios nas estações do tempo, ou como isolar a sensibilidade do baque dos transtornos de personalidade na saga humana. Racham e se arrocham os espaços do dinheiro a solta nas honras nário geral. Suspeita-se de todas em oferta no cívico do líder, as coisas. Descombinam-se em no decoro da autoridade, no tudo as pessoas. Nada se segupuder do empresário, no sara a salvo nas estruturas em cro do dízimo, recato da fanenhum poder. Desmantemília com igual afã no cílam-se as arcadas da corrupnico do moralista. ção esteada nos políticos e Está de dar medo vinas escoras dos empresários ver no meio de gense despencando nos balante com instinto de bicho ceios dos escândalos abrindoendo no sangue da gendo rachaduras nos três alicerte. Se houvesse uma porta ces do Poder. O que não de saída vivo desse munrola, se enrola. É o do, eu a abriria, para não rolo compressor ver a partida para oudas forças mistro Planeta de enteriosas que estes estimados correm os rios que não vole ondulam os tarão mais mares, derreà Terra. Em Sócrates: base do pensamento ocidental tem as geleiras e uma ocasião, afogueiam os deserroguei nas oratos, trazem as flores nas ções para que Deus sementes e os frutos nas flores, orme levasse logo para junto do filho Fábio Nasser. Veio a resposta. Em denam os flagelos e conduzem as fatalidades, uma mensagem amorosa e extensa, publica- e que, diante delas, todo poder na Terra é pó. O governo do Brasil gravita na órbita do da integral no Diário da Manhã, o Fábio foi sistema político fora do eixo da gravidade da objetivo e consolador nesses tópicos: moral na imensidade dos poderes públicos; todavia, os endeusados nas santificações de “Penso, às vezes, que tudo que vivenciei ao seu lado na Terra foi uma das melhores autoridades nas igrejinhas dos mandatários negocistas, agraciam miraculosas leniências faculdades que um filho poderia ter, a pecadores do 8º e 9º dos Dez Mandamentos. falando de um lar como o nosso. O tempo parou as épocas de a pessoa Sofremos porque amamos e queremos ser uma por dentro e outra por fora. Não é o melhor, o correto, mas, como se diz: mais hora de ninguém julgar a alguém culcada um no seu quadro, no momento de pado ou inocente pelas misérias morais evolução. dos poderes nas nações ricas, como o BraNada será como antes. sil, mas é o momento de cada um, em toE agora, como posso falar contigo, dos os brasileiros, julgar a si próprio na aproveito dizendo: sentença da sua consciência. Não estou preparado e não pretendo Não há como se negar que foram roubados recebe-lo aqui, por hora. muitos Brasis em Brasília e que grandes fortuEntão, meu amigão, cuide-se. Siga a nas particulares saíram dos cofres públicos nos orientação mediúnica”. estados e nos municípios. Foi-se o vezo deles. O que cansa não é o peso da nossa cruz nos Findou-se o Brasil inchado de órgãos empanombros. O que desanima é carregar nas costas zinados de cargos e esbanjador nos poderes as cruzes de outros nos crucificando nas trai- infeccionados de corrupção. Já está dois munções. Eis aí a Via Crúcis, dolorosa de ser per- dos a Terra: um o do bem, chegando; o outro, corrida e tem de ser cumprida, porque é sa- o do mal, indo-se embora. cra e é a salvação. Toda cruz tem o sacrifício na medida exata do sofrimento merecido por quem a leva e, quando limita-se apenas uma cruz, a purgação é tarefa individual do condutor, mas, se são várias cruzes, ou o portador trouxe diversos compromissos de vidas passadas para resgatar nessa encarnação, ou veio com a missão espiritual de auxiliar diversos irmãos a saldarem as faltas deles. Et consummata occurrat consumentur. As reservas de mercado nos domínios humanos estão se desfazendo na sustentação do estável no materialismo somador de ladrões nas ganâncias das panhas de corrupção nos eitos à direita e à esquerda na política, nas safras e nas safrinhas nos veios do Poder na República. A mudança profética lastreia-se sem arrego à impunidade oficial. Os dias do impune escasseiam na virada dos tempos para a época do honroso soberano na Terra liberta do vergonhoso nos mandos do mundo. A Humanidade está outra nas pessoas. Acabou o triunfal no Influência de Shakespeare é permanente em toda produção artística moderna. Poeta, dramaturgo e ator inglês é tido como o maior escritor do idioma inglês e o mais significativo dramaturgista do mundo

A biografia dos grandes homens normalmente começa narrando-os em seu berço de pobreza. A penúria é a forja de onde saem os homens e mulheres que revolucionam o mundo, como da pobreza estadounidense saiu Lincoln

O físico teórico alemão que desenvolveu a teoria da relatividade geral, hoje, um dos pilares da física moderna ao lado da mecânica quântica. Einstein é referência biográfica em esforço, dedicação e genialidade combinadas

Começou a apartação dos refugos no rebanho de Deus. Os marcados são confinados nos pastoreios do apascentamento espiritual. Os que se converterem verdadeiros na fé e na devoção praticadas nos Evangelhos de Jesus, serão perdoados e receberão a graça da salvação eterna. Mas terão de se penitenciarem por inteiro e de pronto, porque já começou a separação das pessoas extraviadas das bem-aventuranças que seus espíritos vieram realizar no Planeta.

O mundo caiu na fossa do materialismo devorador

Lacrou-se a fenda dos escapes pelos fundos na farsa. Agora é descer no fogo ou subir na luz. Os que estão acima de seu poder no governo e debaixo de sua inutilidade ao povo, e ganham assaltos nos salários, e fazem dieta para se emagrecer na engorda das mordomias, e encarreiram familiares para herdá-los nos cofres públicos, e barulham crises para se esconder dos abobamentos na incompetência babante que os escorrega nos estrondos dos fracassos ante a opinião pública enfezada nos pagamentos da conta e desenham a imagem do Brasil quebrado para esticar seu tempo no poder e poderem roubar toda a riqueza das reservas naturais de um dos solos e subsolos mais cobiçados por todas as nações do mundo, e se julgam perpétuos nos poderes terrenos eternizados neles, como se fossem sócios de Deus, quando, em verdade, formatam a leva dos que já deveriam ter-se esvaziado dos cargos, pois incluem-se à porção dos que estão com a exoneração decretada na decisão do povo e, por isso, enquadram-se à quantidade dos que precisam manter o pedido de demissão pronto na gaveta da consciência. Estamos a pleno ofegar nos sacolejos da milenar mudança prometida por Cristo entalhando rupturas no empedrado dos domínios seculares na judiação da Humanidade. Existem as pessoas que transformam brisas em tempestades, tem as que transformam tempestades em brisas, há as que transformam vácuos em ventos, e se sufocam iguais na lufada das transformações revisoras da inversão dos valores da vida no ideário do vencedor enricado nos flatos do poder, mas não se vê em todos eles uma só pessoa com fôlego capaz de transformar o sopro das Forças Divinas em ar para sua respiração no vendaval das mudanças que arrancam a grama do joio no trigal. A poda do mal começou no ano 1 deste século. Trago, à releitura, linhas esparsas de uma carta enviada-me por Humberto de Campos em 10 de abril de 2012: “Os acontecimentos atuais há muito estão sendo anunciados pelos Anjos de Deus. E a hora das mudanças surge como verdade absoluta. O olhar de Deus pousa sobre o Planeta, sugerindo mudanças necessárias à evolução que se faz esperada. Nessa Pátria abençoada pouca o olhar sereno do Meigo Rabi da Galileia, que aguarda que as suas Bem-Aventuranças sejam realmente recebidas por seus eleitos. A bandeira é de Cristo e a verdade ofuscará aos que a temem, retornando-os ao ostracismo de seus pecados”. CONTINUA


ESPECIAL Há anos publico cartas da Espiritualidade exortando os líderes políticos a se preparem para o ajuste às almas mensageiras de Deus, e, desde então, autoridades passaram a perseguir-me em suas jurisdições nos Poderes. Mantenho-me no silêncio piedoso às pessoas dos crucificadores e obediente aos espíritos mentores. As vozes transcendentais alertam-me haver principiado o desevendamento das danações encobertas no véu das purezas simuladas. Tardam-se os espíritos que não se acudirem nas diabruras de suas pessoas, não somente no arrependimento das faltas, mas com a reparação dos sofrimentos causados e a devolução dos bens usurpados. E penitenciem-se com presteza, porque os dias para reabilitação estão contados na pouquicidade de anos e, talvez, sejam condenados a prestar trabalho forçado na prática de bondades às vítimas de suas maldades. Urge, pois, redimirem-se rápido e já, agora, dos costumes ao malfazejo. Legiões do mal na ala espiritual estão à solta em toda parte obsedando pessoas boas nos operários das oficinas e até nos pregadores dos templos. Vive-se atualmente dias apreensivos. A todo instante surge um fato tão espantoso, que escândalo de corrupção dos políticos já não assusta mais. A insatisfação é geral, como se houvesse um descontentamento consigo próprio em todos. A condição social está apavorante na carestia dos alimentos com abundância de desempregos e dos remédios com farturas de doenças, e ficou insuportável sobreviver escapando-se do contingente de assaltos na crescente falta de segurança pública, e não se revoltar ante as extravagâncias do luxo no governo com excesso de impostos extorquindo nas casas, nas empresas e nas feiras-livres. Os das castas no Poder estão cada vez mais ricos. Os das camadas populares ficam cada vez mais pobres. E extrai-se assim duas qualidades de vida do usufruto: o suco para o seleto dos poucos, o bagaço para o total de muitos. Essa disparidade berrante ressoa no inconsciente coletivo e inocula o sentimento da indignação na sociedade, amplia-se na diversidade dos ambientes da convivência humana, libera surtos de iras na inteligência emocional, que, se não forem controladas, provocam súbitas explosões de irracionalidade e altera-se a estabilidade na personalidade da pessoa. Caído na fossa do materialismo devorador, o mundo tornou-se inabitável na falta da paz e enlouquecedor na avidez do egoísmo. Todos os povos esperneiam-se e todos os chefes de nações se desorientam-se ante as convulsões dos problemas sociais que, ao impacto dos métodos iguais na forma frontal de resolver o diferencial, no contraditório do questionável nas contenda da raça humana, as soluções dos acordos se desmancham vaporizadas no ar, ou não deixam nem bolhas, quais riscos n’água ou somem iguais sombras de plumas nos ventos.

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as áreas das zonas eleitorais mais produtoras do agronegócio e com maior produtividade de votos. É investimento de lucros garantidos. Mas o PSD marcou um gol contra no placar da publicidade enganosa no treino par ao jogo de 2018. Emplacou uma propaganda no horário gratuito reservado pelo TRE nas redes de televisão aos partidos políticos. O líder dos pessedistas é exibido na imagem de um trigal, dizendo que é preciso separar o joio do trigo. Repeteco. Já fazem essa separação a um punhado de anos. O trigo p’ra eles. O joio p’ro povo. Ou seja. O eleitor plana no voto o candidato no poder. O eleito colhe no mandato os impostos do eleitor no governo.

Alfredo Nasser é o único goiano que já comandou o País, quando primeiroministro. Também foi ministro da Justiça e, apesar dos grandes títulos políticos que acumulou no poder que obteve, morreu pobre, honesto e traído

Os políticos

que pastam na Fazenda Brasil

tem aumentado assustadoramente, como se elas agissem sob a interferência de espíritos que não são os de suas almas. Que a Terra passa por corretivos por ordem da Lei Maior, até os cegos médiuns enxergam. E nesse tumulto carnavalesco dos políticos nos desfiles das magias negras da corrupção, líderes tomam marafo das adegas da propina vinda dos despachos nos terreiros de todos os partidos e é de onde o ocultismo dos espíritos de porto interfere com o bruxismo das versões na verdade dos fatos políticos. Criam-se entreveros ideológicos entre jornalistas com diferentes oferendas de votos para os orixás nas candidaturas ao governo. As tendências políticas adversas e sectárias dos dois capitalismos, o privado, da direita, e o estatal, da esquerda, empurram o governo brasileiro a dois garranchos, um amarrado ao outro, para a mesma coivara da corrupção. Agora, lutam na disputa pela posse das moitas. As socas, para eles. Para o povo, os farelos. As tulhas dos candidatos, cheias. As panelas do eleitor, vazias. Muitos, dos que fizeram supercolheitas nos cargos, temem ter pouca safra de votos, por isso alugam foiceiros de ideias para roçarem o prestígio nos eitos dos concorrentes que estão adubando, com bastante fertilizante,

Quando as pessoas agem e os atos não foram delas

Um mistério ronda-nos como barulho de passos no soalho de um casarão escuro. O sobrenatural e o natural fenomenizam-se gêmeos na germinação de fatos humanos e de episódios da natureza interligados na sintonia do dantesco. Passem a observar a semelhança do anômalo nos acontecimentos de angústias na Terra com a imagem de um carro de mudanças transportando, devagar, os moradores do erro para um planeta primitivo, o Quíron, e por isso viaja moroso para dar tempo aos arrependidos de descerem e se redimirem pela prática da retidão no ético, antes da sentença final no desembarque. Portanto, regenerem-se de imediato. Já dá para se ouvir a sirene na estação da chegada. As apreensões andam a angústia no semblante da população. As pessoas estão encantoadas no rodízio de atribulações laminosas nos nervos. Revezam-se no sofrimento lento das doenças rápidas nas mortes. Trazem lágrimas sozinhas de outros choros no consolo das amarguras nas perdas inesperadas. Acionam a inflação de despesas nos salários. Abusam das paciências na enrola dos atendimentos na burocracia dos poderes públicos. Sufocam a certeza de que todo sigilo oficial veste a mentira na verdade. Criam no convívio de estranhos a solidão nas multidões. Tem alguma coisa se movendo nos peitos além do ar na respiração. As pessoas carecem conhecer suas limitações no cabedal dos dotes humanos e assumi-los, para adquirirem conhecimento e ter condições e chance de ampliá-los, mesmo as que nascem superdotadas. Raras são as que trazem aptidões distas na vocação. É inconcebível, mas está crível. As invejas esfomeadas e as vaidades exaltadas, contudo apequenadas na falta da humildade, tapetaram a vida pública no Brasil do Chuí ao Caburaí. Inumeráveis autoridades dentre as mais ilustres, eleitas ou nomeadas, sufocam a noção do quanto é fundamental a discrição na postura da elegância nos posicionamentos nos atos oficiais e no comedimento das palavras nos diálogos com os interlocutores. Diversos, porém, se conduzem tão porcos nos ataques pessoais aos adversários, que a língua ficar-lhe-ia melhor adequada mais embaixo no corpo. Vários, todavia, comportam-se tão ridículos nas extravagâncias da deselegância exibida

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

Arma-se um temporal de denúncias no ar da política. A temperatura do mormaço na atmosfera nublada das chapas majoritárias para governador e senador, tanto no PSDB, quanto no MDB, é previsão de rajadas de ódio no clima da campanha eleitoral. Relampejam promessas de meteoritos nas trovoadas de acusações. Sobem do chão das oposições raios para os céus do Poder. Caem chuvas grossas das nuvens do governo, molham os acusados, molham os denunciadores, nos chuviscos da corrupção. Escorrem enxurradas na terra fofa do arado nas duas roças. A lama espalha e respinga-se em todos os candidatos. O sol sai a pino nessa temporada de escândalos. Seca a lama e uns. A lama dos outros seca. Os ventos da mudança sopram fortes. Levantam a poeira das duas lamas. Que cai na cabeça de todos. E os líderes das manadas políticas ficam berrando vociferados, gordos, iguais as reses de um rebanho de gado que raspou o pasto e dana a berrar como se houvesse uma delas que não tivesse pastado do capim. As eleições de 2018 são a hora de o povo começar a apartar os políticos de raça pura no idealismo da multidão de candidatos. À exceção do refugo nas reses magras de corrupção, o rebanho está no ponto de ir para o corte no frigorífico das urnas. Esse gado não vale a ração no cocho dos cargos para ser mantido na engorda, que só continua gordo porque ainda está remoendo o capim pastado na Fazenda Brasil. Atualmente, não está fácil lidar com as pessoas que tenham um tipo de poder, mesmo o da menor importância, ou que esse poder seja a única relevância dessas pessoas. Até no geral dos anônimos na população, existe muita gente entupida na cabeça pela mentalidade viciosa aos gastos acima de sua condição econômica precária e de ideias repetentes abaixo de sua ignorância arrotadora. É preciso, pois, tomar muito cuidado com as tranças da vida. Os âmagos estão melindrados. Há dores expostas de feridas ocultas nas consciências se ferindo em remorsos doídos. O corre-corre, na ambição desmedida pelo poder do mando e da grana, os viciou à impunidade garantida no pula-pula de partidos, no vaivém da corrupção que os criminaliza, no vai-volta das delações incontidas e, desmoraliza-os, no prende-prende da política e no solta-solta da Justiça ouvindo o “pega-pega os corruptos do Brasil” na voz do povo em todas as ruas e estradas do País. O destino os amarrou no prego dos estigmas, fora dos bafejos da sorte.

Ruy Barbosa em sua biblioteca. Jurista é marco da genialidade de um homem público no Brasil

no pedantismo, que só falta eles saírem andando por aí, nus e de gravata, eretos e com sapato de salto alto. Só pode ser que seres das esferas não terráqueas estejam obsedando-os. Necessariamente, os pais de família e os donos de empresa obrigam-se a estarem alertas. Ao saberem das arrelias patéticas dos filhos noutras casas ou de desentendimentos vexatórios dos funcionários de outras firmas, devem ficar atentos. Os desentendimentos que estão ocorrendo com frequência ao aberto na sociedade, podem acontecer a qualquer momento em todo ambiente familiar ou de trabalho e surpreenderem tardiamente o dirigente. Os que têm a responsabilidade de comando precisam se manter astutos o tempo todo. As animosidades surgem de inesperado entre pessoas cultas, doces na bondade, amigas prestatiDom Pedro II na vas nas dificuldades, ponabertura de uma das tuais nos compromissos, Assembleias Gerais que experientes na travessia ela participava, duas dos revezes, mas que, de vezes ao ano, quando imperador do Brasil uma hora para outra, parecem estar com o diabo no couro e se azedam nas zangas. Alucinam-se ferventes nas emoções. Perdem o juízo. Essa crescença de antipatias repentinas, no relacionamento entre parentes e colegas, foge ao autocontrole da pessoa e CONTINUA


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LUZ QUEBRADA

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

tunistas pensam que aqui é deles. Esses ficam rabugentos na mentalidade, como se neles, os dias trouxessem ontens nas manhãs e, são resmungões nas opiniões, como se o diálogo fosse dois monólogos neles. E mantêm-se vigilantes aos descuidos dos companheiros e dos adversários decisivos para o sustento dos chefes no poder. Não se deve, pois, fiar na sinceridade externada em suas compreensões cotadas, tanto as de repulsa aos que já os combateram, quanto as de abono aos que já os defenderam, em situações definidoras em suas vitórias ou de suas derrotas em pleitos anteriores. São birreativos no sensorial da gratidão. Uns vingam-se dos que os salvaram das derrotas paras vitórias. Outros apaixonam-se pelos que os tiraram das vitórias para as derrotas.

Ali é onde chorarão mais os que choraram menos na perda de uma pessoa morte do que choram na perda do patrimônio confiscado. Ali é onde o escárnio do desprezo nos olhares no aberto das praças públicas dói mais duro que o frio do silêncio no ferro das grades na prisão. Ali é onde a ingratidão se devolve nos ingratos. Ali é onde os delatores se coroam da cumplicidade. Ali é onde a traição persegue o traidor no seu caráter. Os valores morais estão inversos até no reverso do perverso nas controvérsias entre o justo nas razões das causas do interesse coletivo e os efeitos de direitos ajustados pelas leis às vantagens pessoais, porque as pessoas foragem-se do legítimo em suas vocações e refugiam-se no falso em suas aptidões. Daí estar essa sensação de haver no ar lâminas cortando cabeças que vão ciando sequenciadas de todas as formas de poder exercido em benefício próprio e em prejuízo da sociedade.

A queda

final do último corrupto

O voo isolado do

condor no espaço dos patos domésticos Búfalo de Nova Iorque representa o Deus do dinheiro. Numa mão, a moeda, na outra, a morte

Com o escorrido dos anos, os moradores nas margens dos rios ao fundo de frigoríficos deixam de sentir o odor fétido das excreções surpresa pelo imponderável inesperado, remadespejadas pelo esgoto nas águas. Do mes- neja-me nos arrastos da rotina nos imprevistos mo modo, a convivência intensificada com o ao desigual nas lutas de votas ao ideal no altar ambiente fremente no politiquismo da eco- dos sonhos. E não estranho o ermo das ausênnomia e no negocismo da política, compar- cias na solidão e não me cansa o peso dos desados no colapso das crises institucionais sencantos às costas. Afinal, jornais como foi o nas nações, acabam contagiando a socieda- Cinco de Março e é o Diário da Manhã são alde e influenciando a ambientação de discór- vos à mira da covardia de políticos borrentos dias entre as pessoas nos segmentos de tra- da ética e até da inveja de jornalistas ocados balho. O nervosismo frita a sensibilidade na nas ideias. É o voo isolado do condor no espainteligência emociona. ço dos patos domésticos. Fui curtido no denso das lutas no jornalismo dificultado pelas trancas de forças podeíteres amoitados rosas e retemperado na firmeza do idealismo nas travessias das armações intermitentes nas na liberdade da repressões à independência da opinião na liimprensa no rasil berdade de imprensa. E não me incomoda o acirrado das reações virulentas e adversas ao limpo combate nos enfrentamentos dos impéOs dias se eternizam nas horas de apreenrios estabelecidos no sujo dos poderes, pois, se sões sem fim no que recomeça do que vai não reagissem enfurecidos, era porque as mu- acabar. À tarde do dia 17 de outubro de 2017, danças se adequavam à consolidação de seus preocupou-me o pressentimento de que hapropósitos no carrancismo. via chegado-me à intuição um aviso urgenAs aparências enganam. Há mentiras vesti- te para mim. Imergi-me na meditação para das de verdade e verdades vestidas de menti- os amplos da alma e, de lá, tentei entender ra no velho vestido no novo e no novo vestido no despropósito das coisas que acontecem no velho. Então é fundamental estar atento e por aqui, se tinha correlação com algo inter percepção para conseguir perceber e dis- consequente previsto para ocorrer ali dentinguir, no que se vê e no que se ouve, o ver- tro do jornal. Nada desvendado. A certeza e dadeiro do falso nos iguais na sinuosidade da a dúvida mantiveram-me dividido na preomutação nas semelhanças. O estratagema no cupação se o preconizado seria construtivo encenado nas dissimulações da realidade do ou desastroso. A paciência na solução dos Poder, supera a dramaturgia nas cenas de fic- dilemas é a sabedoria nas esperas. ção literária. Ao interpretar no palco os persoComo se não me bastasse a constância nagens em uma tragédia ou comédia os ato- das fadigas para superar o acúmulo de aborres imitam a protagonização dos líderes no recimentos, por ter que desatar diariamente teatro da política. o trançado das forças contrárias à indepenHá, no elenco das autoridades, bandidos no dência de opinião do Diário da Manhã, viapapel de heróis e heróis no papel de bandidos. -me ainda obrigado a fazê-lo com o cuidado E não se exaltem, porém, os que residem de deixar nas tranças o nó-cego que entrelanas altezas do panorama dos planaltos da ini- çaria os trançadores nas trançaduras. ciativa privada. A prudência providencial na ponderação Pois há entre os empresários bem-sucedi- que me angustiava, não procedia do tempo dos, os que só estão bilionários porque nunca às ardilezas dos políticos idólatras ao avatar fizeram negócios consigo próprio. Dinheiro. O único receio era de a intercesE não se otimizem, também, os que habi- são do reflexo das tacanharias influenciar as tam nas baixadas do cenário nas planícies das reflexões ideológicas, já tão contraditas, nos vastezas pobretonas, pois existe gente demais feixes das convicções políticas dos jornalisque só ficou fora da Lava Jato porque não teve tas, cheios de ideal doendo sonhos neles e, chance de comer no cardápio da corrupção. resistentes no parcíssimo financial do DiáE meditem todos, sobre si mesmos, os que rio da Manhã. Vejo-os como companheiros se enrouqueceram no moralismo inquisitorial. nas paixões do jornalismo vivido na afriçura Poucos são os pés-descalços nos chãos da das ideias separadas em dois exílios nas ideopobreza dentre os muitos que pisam nos calos logias. Por isso, os entendo quando um e oudos que fizeram seu pé-de-meia com as linhas tro se altercam fervidos nos nervos, como se das meadas da corrupção, mas que, se houves- possuídos por uma xifopagia de amor-ódio se tido oportunidade de darem uma balança- ou pelo encosto de energias de seres malévoda nas redes do Poder, não estariam embru- los. Apenasmente, os que meditaram sobre lhados no cobertor da corrupção. a liberdade nos cárceres da ditadura consO jornalista que vai à ponta das mudanças cientizam-se que existe um títere encoberto históricas, centra-se no ponto de confluência na índole dos que não respeitam a opinião das explosões das tendências políticas nas di- de um pensador ou de um palpiteiro político. vergências do Poder. O clima das discordânExistem sábios inatos em matutos e exiscias abrasadas irradia-se carbonizado nas in- tem letrados limitados em decorebas. Esses clinações ideológicas dos jornalistas, igual fogo treinam manejar a arma, checam a mira, que tem de ser apagado nas cinzas impregna- ajustam calmamente a pontaria, atiram e das de ânimos inflamados na redação de jornal. A única maneira de o editor não meter os pés pelas mãos e não vir a sofrer como pé de cego, é ir num pé lá, outro pé cá, no apaziguamento aos extremos das zangas e vir trazendo com os dois pés a paz, sob pena de se tornar um pé-de-chinelo nos passos da liberdade nos caminhos da imprensa que faz a revolução das mudanças épicas. Tudo o mais no todo Cachoeira Couto da vida, que não a legenMagalhães, no Rio da do idealismo humaAraguaia, ainda é pouco nista, a Terra é cova no conhecida pelos turistas jornalista. A labutação sem descanso na vigília cautelosa da expectativa, par anão vir a ser pego de

T

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acertam no alvo pintado. Aqueles vão distraídos pela mata fechada, o rosnado entre os ramos estremece o chão, sacam no reflexo o revólver do coldre, atiram, saltam de lado, a onça-pintada cai morrendo encima do lugar que estavam. O menino da roça no homem da cidade e o menino da cidade no homem da roça são apenas diferenciados na resistência de suportar o embate das durezas que espremem os caracteres na separação dos fortes dos fracos nos baques da vida nas lutas que mudam o destino de um povo. Eles são raros no sempre e estão escassos no atual. No vitrinado das relevâncias em todas as escolas dos poderes humanos, existem os da liberdade confessos ao capitalismo e ao comunismo exemplados de ditadores, todos reacionários à democracia. Onde nasce uma ditadura, sepulta-se uma democracia. E toda pessoa afeita ao totalitarismo é totalmente um déspota enrustido. Esses somavam-se muitos e multiplicaram-se demais.

Estão de passagem nessa vida aqui e pensam que aqui tudo é deles

A auscultação do mistério nas idas e nas vindas do mundo pelas voltas da vida, mantém-me à vigília do que já está pronto e me virá para ser cumprido. E instalo-me na atalaia. A minha preocupação é integral no pensamento com o sentimento e integrada no prenúncio da intuição com a percepção na sensibilidade. Todas as revelações feitas-me na intuição antecipando as intempestividades que promoveriam as mudanças intercessoras nas podridões dos poderes terrenos, foram ratificadas nas mensagens enviadas-me da Espiritualidade e concretizadas nas eclosões abruptas de acontecimentos que estão desmoronando as ruínas morais nos impérios dos cinismos políticos, das hipocrisias religiosas e das devassidões em todas as categorias sociais. As amarras irão se rompendo aos pedaços se jogando apertadas nos pescoços dos que emporcalham a vida. Pessoas assim regraram-se na falta de limites, nos exemplos do discutível na inteligência da cabeça cheia do peso de coisas e vazia da leitura de livros, no tempo de vida esbanjado nos anos de mandos no passageiro e poupado nas horas de proveito nos estudos, na dinheirada construindo no cativeiro da estadia ostentosa do corpo na Terra a servidão no endividamento oneroso para o espírito quitar na estada no Céu. A única mudança que essas pessoas entendem e aceitam é a da corrupção de um lugar para outro, para mais longe dos outros e par amais perto delas. Está no espírito a diferença dos líderes na pessoa que exalça e na que agafanha no Poder aqui nessa vida na Terra. Os oportunistas sabem que eles tão passando por aqui. Os opor-

Toda vez que as revelações do transcendental captam-me na intuição prevenindo-me da aproximação de episódios que irão abalar as escoras da corrupção, sei que irei enfrentar resvalos de vindices dos serpentuários dela nos Poderes. As intermediações mediúnicas não se resultam do acaso. Originam-se do escrito no insondável nos mistérios da vida. Por isso, afligi-me a antecipação cifrada à premonição do evento programado no sidéreo para a Terra, não por temê-lo, mas inquieto-me por sabe-lo impostergável. A desolação encantoa-me no descaso geral. Senti-me assim durante a segunda quinzena de fevereiro de 2017, até ser tranquilizado no dia 23 por uma longa mensagem do Fábio Nasser nessas linhas: “Não se sinta só e nem permita que a exaustão retire o seu brilho de viver e lutar. O senhor precisa reconhecer suas qualidades e realçar suas virtudes. O senhor não está só. O tio Alfredo Nasser trabalha por dias melhores. E estamos ao seu lado. Sempre”. Às vezes, a solidão isola-me das presenças, cercado de pessoas. Em verdade, nunca me senti só da companhia dos espíritos. Ne me dói mais ficar sozinho de amigos que afastam para convívios mais altos. Deprimo-me, apenas no repente, ao constatá-los por trás de golpeadas amargas nas lembranças das suas adulações. Havia pressentido no intuitivo esse desgosto no meado de novembro de 2016. Resguardei-me do tédio. À noite do dia 23, o Fábio Nasser veio: “Não se angustie. Ideias novas chegam para ajuda-lo nesse período de transição. E estamos firmes ao seu lado, enquanto muitos ainda lutam contra. Esse País abençoado caminha para receber o Luzeiro de Deus. Por isso, os brasileiros deviam amar e honrar muito a Pátria do Cruzeiro. O senhor verá dificuldades serem resolvidas”. A corrupção no Brasil está um oligopólio de falcatruas nos Poderes da República, com distribuição de rendas das mazelas aos partidos e divisão per capita das sinecuras para os políticos. A corruptela ficou oceânica. Portanto, pretender apartar os culpados dos inocentes nos mananciais do Governo é tão difícil quanto é impossível tentar separar as gotas de água das bacias fluviais dos rios Amazonas, São Francisco, Paranaíba, Tocantins, Paraná, Araguaia e Paranaíba. Nuvens escuras assoalham vagarosas os céus. O tempo se turva pesado. Trovões estrondam nos ares. Chove fino, chove grosso, não para de chover. Os ventos sopram fortes, arrancam tetos das casas, jogam pessoas na orfandade. Enxurradas escorrem barrentas e desaguam-se nos rios. Os rios enchem. Os moradores da corrupção nas vertentes da política continuam tomando banhos nos poços do Governo. Uns dão de ponta nos remansos mais fundos e tranquilos. Alguns mergulham nos rebojos e se afogam. Outros perdem o nada no largo das águas, boiam mortos, as ondas jogam os corpos na lama entre os garranchos dos barrancos. A chuva aumenta, diminui, permanece, e nenhum nota a chegada das cheias na força das águas. Todos vão rodando ao mesmo tempo nas correntezas à boca das cachoeiras. E são arrastados para o efeito cascata no tibum nas quedas dos saltos das águas nas cataratas de Sete Quedas, no Paraná; de Paulo Afonso, na Bahia; de Neblina, no Amazonas; do Roncador, no Tocantins; do Urubu, no Piauí; de Cachoeira Dourada, em Minas Gerais; de Couto Magalhães, em Goiás. E assim será, até que as águas da chuva das mudanças transbordem, rompam as barragens dos poderes terrenos e rode o último corrupto das represas da corrupção represada. CONTINUA


ESPECIAL

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

Belsazar deu uma festa para mil lordes, e, embriagado de vinho, mandou trazerem os vasos sagrados que Nabucodonosor havia pilhado do templo de Jerusalém e, com seus príncipes, bebeu neles. De repente, apareceu uma mão, que escreveu na parede o julgamento de Deus. As palavras eram Mene, Tequel e Parsim. Como ninguém descobriu o significado das palavras, chamaram o sábio Daniel, que interpretou as escritas. Naquela noite, o reino dos caldeus chegou ao fim, e o rei foi morto

Mefistófeles é um demônio da Idade Média, uma das encarnações do mal, aliado de Lúcifer e Lucius na captura de almas inocentes, através da sedução e encanto. É personagem-chave na obra mais famosa do alemão Goethe, Fausto

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A alma da Babilônia

enfeitiça espírito de políticos em Brasília A corrupção nasceu no ventre dos povos primitivos, cresceu no berço das civilizações e atingiu a maioridade no vasto da saga da Humanidade. O que está no alto e por baixo em todas as formas de poder, subiu nela e caiu dela. Ela efetivou-se na generalidade incubada na hereditariedade dos imperialismos fecundados milenarmente nas maternidades dos partos das honrarias abortadas dos estupros nos assédios à ética, e que, agora, estão nas enfermarias da geriatria aguardando a maca nos corredores do tempo do Apocalipse. Mas que ninguém se alegre nem se entristeça com a espantosidade das desgraceiras que desalojam sossegos nas soberanias e despedaçam séculos endurecidos no materialismo. O mal que está acontecendo é para o bem de todos. A certeza do alívio na paz de amanhã está nas incertezas das dores nas feridas de hoje. Ou se irriga no suor dos fortes, ou se naufraga nas lágrimas dos fracos. Porém, resta e estrada estreita para a consolação. Seja na lágrima dos sofridos, seja no suor dos destemidos, não importa onde estejam ou o que almejam, as pessoas estão ungidas umas a uma em todas na ansiedade de alguma das muitas fadigas e que angustiam o mundo. No entanto, os políticos brasileiros continuam pulando do seu partido para os partidos de outros nas trocas de governos, a fim de se sustentarem no centro dos Poderes do País e estarem bem longe e não serem alcançados nos lugares de suas corrupções. Dessa vez, não adianta. Foi a estrada larga que parou. Não dou tapa nas mãos que se despedem. Acho toda despedida triste, ainda que o convívio delas me tenha sido pesaroso. Não junto dores à minha vida. Mesmo que sangrem sentimentos no coração, estendo a cabeça nas ideias que descem nelas o descortino do póstero aberto nas luzes da clarividência. Espio os acenos que tremulam calorosos na frieza trêmula dos políticos baloiços da corrupção e antevejo a alegoria nas mesuras dos tempos das ostentações dando-lhes adeus. Olho-os e condoo-me ao vê-los tão soberbos no escancaro das ruínas da corrupção que quebraram, tapando corrupção com corrupção nas honrarias da corrupção. Apiedo-me do desjuízo dos enfeitados de poder sentirem-se imáculos, quais marajás rotos no aparato das vanglórias, indo, como se lhes houvesse pompa aos pés, andar descalços no espinhal mais agudo das trevas. Aturde-me sabê-los inconscientes do rigor que os espera no travo das provações. É como se a memória me espelhasse a empáfia deles na arrogância de Belsazar, rei dos caldeus, ao ser alertado pelo profeta Daniel (5: 1-13): “Você foi contado, pesado, medido e julgado”. O sucessor de Nabucodonosor reagiu presunçoso, e Babilônia foi exterminada. Babilônia foi o poema que se ergueu na boemia das esperanças bêbadas nas doses de poder, beirou os céus, cegou-se ante tanto brilho nos horizontes, cambaleou na lisura das luzes e caiu pingando sangue dos escravos nas taças das moitas de lírio nos lábios do Nilo e se rasgando na lama dos reios em sua História. Brasília é o sonho que acordou e se levantou nas asas de Juscelino Kubitschek e deixou o oceano chorando nos beijos das ondas às praias, estendidas igual grinaldas no rodeio dos morros, voou para as grimpas do planalto tetado de azul e nasceu realidade no coração do Brasil, e de onde desceu nos ares da ditadura militar o sangue de Juscelino no enterro da liberdade e aonde montaram nos poleiros do governo os ninhos que chocam as claras do progresso, goram as gemas da corrupção e destroem as cascas dos ovos picadas ao povo.

Os Jardins Suspensos da Babilônia florescem na Praça dos Três Poderes Babilônia! Babilônia! Óh Babilônia, o que fizeram de teus tesouros? Este tão imponente no grandioso do arquitetônico e impetuosa no glamour do natural, quanto foi o esplendor escultural e o arrebatamento charmoso de Brasília, tão deslumbrante, que seduziu enamorado da alvorada de belezas e cativou a Unesco a perpetuá-la como a Oitava Maravilha do Mundo. Aquela alvorada não era das que estão nas manhãs. Era a alvorada do dia que o futuro é que amanhecia o novo Brasil no clarão dela. De lá para cá, entardeceram o Brasil em Brasília.

Os que seus

atos desmentem suas palavras

Então, Babilônia, não te cales, onde quer que estejas imortalizada. Venha do fundo dos tempos, dizer se os vultos que se movem rasteiros e às escuras se escondem nas sombras do teu fausto nas danações do alucinógeno de Mefistófeles. Ou se não são imitações sonâmbulas de ti, Babilônia, os espectros vagantes no invisível das malas pesadas de dinheiro, flutuando à vista no ar de Brasília, exalam-se nos espaços republicanos e só reaparecem perceptíveis nos endereços avizinhados a ministros, governadores, senadores, deputados, prefeitos, vereadores, ricaços, chefes de partido e até a políticos extintos nas urnas? As extravagâncias dos Jardins Suspensos relampejam nas Praças dos Três Poderes o fantasmagórico de tuas cortes. O Fascínio dos diamantes, joias de ouro. O reluzir dos cristais e da prata nas vasilhas. O suntuoso dos tapetes da Pérsia nos pisos e do mármore do Líbano nas paredes das alcovas. O sinuoso dos corpetes nos haréns do rei Xerxes, do rei Ciro, do rei Dário e de tantos outros reis, que é de se perder a conta dos quantos no estoque dos reis devassos nos cofres da Babilônia.

Brasília virou uma Babilônia dos Cerrados Brasília! Brasília! Óh Brasília, porque te engalanas se as tuas alvoradas rolam estrangulando-te nos crepúsculos? Desças do teu olimpo nas quimeras floridas de sonhos que levam os poetas para colherem estrelas. Levanta-te no avião que homenageia Santos Dumont em teu traço urbano, voas viradas para o chão e caiam todos os que estão na primeira classe

Nabucodonosor foi o rei mais poderoso da Babilônia, anterior a seu neto Belsazar, conquistou Israel, tomou Jerusalém, reconstruiu Babilônia e a adornou com canais, aquedutos e reservatórios. 9 dos 10 tijolos das ruínas de Babilônia e demais ruínasna região, contém o nome de Nabucodonosor inscrito nelas. No fim de sua vida, após jogar os judeus na fornalha quente, para puní-los, enlouqueceu-se com sintomas de licantropia: julgava-se um animal

de seus gabinetes, antes que façam de ti, Brasília, uma Babilônia dos Cerrados. A tua quimera atual é outra, Brasília. É aquele do monstro mitológico com cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de cobra. E ruge nos embriagados por baco nas taças servidas nas adegas das empreiteiras. E dá leite nas três tetas do Poder para a nata das autoridades nos cofres gordos. E vibra os chocalhos nas toxinas de Aka Manah nas altas hordas encasteladas das leis em todo o Brasil. Então, vestal Brasília, não te empolgues tanto com os encantos da opulência que arrebata e seduz no apogeu. Pode ser miragem da decadência que te ata e conduz para o perigeu da Babilônia. A vulgaridade de Suas Majestades nos tronos babilônicos, as Suas Excelências dos sólios brasílios já os têm. Nos reis da corrupção. E com igual magia. Viram fantasmas em pleno dia e ao brilho dos holofotes nos flagrantes. Visíveis na escuridão dos atalhos furtivos. Invisíveis no clarão dos fatos sabidos. Estão no criminoso e no inocente ao mesmo tempo. São instantâneos nas mutações e naturais no desempenho.

Moramos numa das épocas em que o mundo vai para o enterro do seu passado, mais uma vez, levar a civilização contemporânea para sepultá-la onde estão as que povoaram outras eras e, dentre elas, jazem muitas dos povos que habitaram a Terra nos tempos remotos e foram mais evoluídas do que a atual, tanto mais do que pode conceber a nossa imaginação nas descobertas do conhecimento. Há uma cortina se abrindo no azul dos céus, esteada no século 21 e no século 1, e deixada aberta à porta dos olhos da Humanidade o ocultado nas pessoas nesses 2018 anos. Aos que olham e não veem a fisionomia das mudanças no semblante do tempo, sugiro-lhes a praticarem o exercício da introjeção íntima, através da meditação, para aprenderem a enxerga-los. Quando se lembra de uma pessoa, vê-se ela no pensamento e, quando se vai à vida na alma, sente-se dentro dela o que não se vê por fora dela. A vida flui se limpando do mundo deles. Eles refluem sujando o mundo na vida deles. Piruetam reverenciados nas acrobacias nos trapézios da política. Brincam de gangorrear em cordas de forcas. Fazem o espetáculo dos traidores e dos traídos nas brigas dos herdeiros da corrupção no Poder no palco a vista das praças públicas e com as cenas da esfomeação dos órfãos morais nas partilhas das heranças no picadeiro dos quintais das famílias. Os cobiçosos esquecem que a vida busca de volta tudo do que lhe for tirado no indevido. O êxtase da onipotência, que os envaidece e fascina, é o sopro fugaz da imponência que alucina nos delírios dos afogos na ansiedade, sem a luz que ilumina no fogo que os elimina. Mas se o amigo verdadeiro dizer-lhes ter ouvido falar nas ruas que eles estão queimados nas línguas do povo, reagem ranzinzas às cinzas. Iram-se destilosos de vinditas nos botes de ódio, como se neles vivessem cobras que se mordem com a própria

Os Jardins Suspensos da Babilônia são uma das sete maravilhas do mundo antigo

CONTINUA


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LUZ QUEBRADA

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

peçonha. Distancio-me emudecido de decepção e vacinado com antídoto para ingratidão. Não por temê-los, mas por sabê-los se endividando tanto no espírito, que a vida irá detê-los para não perdê-los de vista. Eu não gostaria de sê-los. Mas enterneço-me ante o desjuízo deles e me calo para não desmerecê-los. Não quero estar nas vozes que julgam os desígnios de Deus para o final dos tempos, anunciado por Jesus Cristo (Lucas, 23:27-30) para o início desse século, o começo do resgate final dos maus dos bons na Terra. Apenas pondero aos que prejulgam a outros e não julgam a si mesmos. Soltem o olhar e vão nele reverem-se em suas vidas. Talvez parem de julgar outros e absolvam neles o que os condenam em si. Talvez descubram que as consciências já não aguentam mais as culpas de outras doendo nos remorsos próprios ou todas delas. Talvez abram-se na alma a benevolência do perdão e libertem-se dos grilhões do ódio na pessoa. Tenham pena de si. Façam um estágio de bondades. Penitenciem-se da gula. Ao saciarem de um frango assado, lembrem que naquela carne esteve uma vida que aspirava voar. Resguardem-se dos perjuros. “Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo. O Falso testemunho não fica sem castigo; o que profere falso testemunho, não escapará da Justiça de Deus” (Livro dos Provérbios 19:5). E não cometam profanação da fé nas rezas. Ao ouvir nossas orações, Deus já viu nossos atos. Portanto, no Julgamento Final, as sentenças proferidas serão aquelas gravadas pelo punho de cada um no inexorável Livro da Vida, através do cinzel das próprias obras realizadas ao longo de suas existências na Terra.

A janela

do mundo aberto nela Não me tem sido fácil viver fora do meu eixo de sonhos nesse mundo cheio de taperas nos corações, ouvindo pessoas desertas de Deus falarem-me na Terra de seus reinos no ego, mas escutando espíritos dizerem-me a palavra de Deus trazida do Céu por Jesus. As exteriorizações mais intensivas, dos fenômenos da transcendentalidade na intuição perceptiva, laceram-me na clausura das apreensões no incógnito das expectativas e que abatem com a força de relhadas dos flagelos. Os presságios fluidos com maior viveza nos prenúncios ocorrem-me sempre às vésperas de receber cartas da Espiritualidade, transmitidas à vários médiuns, de diversos centros, inclusive uma de Bezerra de Menezes, psicografada por Chico Xavier em 1966, na Casa da Prece, prevenindo-me para estar atento aos assédios das tentações, pois parentes queridos, jornalista companheiros e políticos amigos seriam obsidiados para me atrapalharem ainda mais nas provações que iria enfrentar a teria e vencê-las de frente e ferido nas costas. Foi sempre assim. Não é diferente do sempre assim. E pressinto no que foi no que está, o igual no que sempre será assim. Desde quando me lembro dos anos de eu ainda pequenino e dando os primeiros passos no soalho na casa da fazenda Paraíso, na época dos sertões arrastando atrasos no município de Rio Bonito nas lonjuras do tempo, bem antes de amanhecer o dia de Caiapônia; ou nas vezes que minha mãe Tanila Romana, carregava-me nos braços para passear no quintal florestado de fruteiras, nos currais sobrando gado, nos pastos curtos na frente da casa e abrindo ao olhar a beleza dos ermos no dorso das serras entremeadas na soltura das campinas, silenciosas sob o teto azul dos céus, remendados de muitas cores nos voos dos pássaros, ensurdecendo os ares na variedade de ritmos e tons em seus cantos; pois, já ali, tenro no cueiro, senti uma sensação estranha, como se aparecessem dentro de mim olhos enxergando e orelhas escutando imagens que não eram aquelas da paisagem que eu contemplava na fazenda Paraíso. E de repente, surgiu dentro de mim uma força puxando-me de mim par ao translado de múltiplos lugares que, ora perpassavam-se uns nos outros, ora estavam localizados dentro de mim e, juntos, abrissem uma janela na minha mente para que pudesse vê-los sempre que eles quisessem. Do lugar que estivessem. O tempo que fosse. Inclusive o tempo que gastei para perceber que aquela janela aberta é a intuição, por onde entra o pressentimento e traz do espaço-tempo o que acontece nas esferas da vida o que irá acontecer aqui no Planeta.

Reis babilônicos: Xerxes

Aka Manah, demônio da mitologia zoroastriana. Seu nome significa “a mente fez mal”. Muitos se referem a ele como o demônio das más intenções, mente do mal, o propósito do mal ou maus pensamentos. Seu trabalho é evitar que pessoas cumpram suas obrigações morais, como ser honesto ou ser um bom pai

ciferada é confronto de ignorâncias. Mas resolvo-lhes uma dúvida em mim. O convívio com eles ensinou-me a não ser igual a um deles. Não é todo parente que é gente boa. Muitos se beneficiam em tudo que auxiliam e prejudicam a gente. E há os amigos únicos de si. O maior perigo não está em nenhum inimigo. Está em algum grande amigo. Por isso, o que fere mais na punhalada não é o corte da lâmina. O que dói demais é o golpe da mão que está no cabo do punhal. No diverso das predições intuitivas, não me exaspero nos destempos do fatalismo adverso e não me felicito empolgado nas bonanças temporonas. Sou consciente de que as fases ruins e boas se intercalam no todo da vida terrena. Tudo passa, como passam as nuvens nas alturas do azul celeste, passam nas chuvas coadas na leveza do ar aguando as florestas, passam nos enxurros escorrendo no chão para os córregos, passam adentradas nos lençóis freáticos minando nas fontes, passam dentro do corpo das pessoas, passam levadas nos rios para as águas dos oceanos, passam nos serenos, passam nos suores, passam lágrimas, passam na evaporação e voltam limpas para as nuvens. Assim também, as pessoas puras passam nos padecimentos e não se sujam nas misérias do ódio, passam nos contentamentos e não se rabiscam nas falsidades do elogio na vaidade, passam pobres no poder, passam humildes na vida e passam salvos na morte para a eternidade no retorno a Deus.

A separação do joio do trigo já começou

Os prenúncios evidenciados com maior viveza fluída na intuição ocorrem-me sempre às vésperas de receber cartas

Ciro

Dário

da Espiritualidade alertando-me sobre as mudanças que advirão e orientando-me como seguir no epicentro dos acontecimentos. E me amoleci ante as amarras que teria de desatar no enlinhado dos reveses, perante as escoriações que teria de estancar nos sofrimentos de amigos e diante de dificuldades pesadas demais para carregar o Diário da Manhã, sem deixar a liberdade caída na minha história. A vida me trouxe assim. Serei assim. Estarei assim até o dia que a morte me levar. Estou pronto o tempo todo para o que me vier desse mundo. Todavia, ao entardecer do dia 17 de outubro de 2017, a intuição esgarranchou-me em augúrios tediosos e quase macabros no tétrico da visão conduzir-me no transcurso dela, igualmente embaraçosa para os que não querem sair e para os que querem voltar ao governo, enquanto me sentia misericordioso ao antever os que irão cair em desgraça. Deu-me aquele entristecimento da solidão nas saudades do que volta não volta mais. As conjecturas se faziam sombrias no imprevisível. A angústia desenterrou lembranças cutucando na memória esse trecho salteado da mensagem enviada-me pelo meu filho Fábio Nasser, em 26 de julho de 2016: “É difícil acompanhar a sua luta e não procurar implorar a Deus que alivie um pouco o peso de sua cruz. O senhor aprendeu a confiar na mão misericordiosa de Deus a seu favor. Não se sinta tão só. Somos muitos que o rodeiam”. Mas, desta vez, eu estava solitário, acercado de pessoas e isolado no sofrimento interior. Sentia aquela desolação de quando todos dormem e se está deitado no quarto, sem sono, a janela aberta para a rua quieta, onde nada se move, a não ser o ruído brando do vento no farfalhas das folhas das árvores e, de repente, ouve-se ao longo o som de um violino tocando uma música, que leva a recordações doídas guardadas no coração e traz amores desmanchados nos sonhos. E rolam anos que se foram inesquecíveis nas reminiscências. Amarguras sofriam-me. Talvez o aperto no peito nem estivesse na espera do desvendo do imperscrutável no sigilismo da intuição. Talvez viesse da coexistência de três terças-feiras na data daquele dia. A terça-feira de 17 de janeiro de 1999, data da morte do meu filho Fábio Nasser. A terça-feira de 17 de outubro de 2017, data do pressentimento espectral àquela tarde. A terça-feira, dia das reuniões noturnas no Centro Espírita Obras Sociais Mãos Unidas, onde recebo mensagens de vários Luminares da Espiritualidade, e data da noite de 17 de outubro de 2017 que o Fábio Nasser enviou-me a carta reveladora do pressentido na intuição e aliviadora da apreensão angustiosa nesse trecho da mensagem: “Espíritos Luminares estão unidos nessa grande transição porque passa o Planeta. É a separação do joio do trigo, afirmam ter iniciado”. Republico a íntegra da carta, para os que não leram no Diário da Manhã, leiam, releiam e meditem sobre o que disse Jesus Cristo:

“Deixarei o joio e o trigo crescerem juntos até o momento da colheita, pois no fim do mundo, o joio será ajuntado e lançado numa fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes. Mas, os justos brilharão como o Sol, no reino do Pai” (Mateus 13:24-31).

A carta

do alerta “Querido pai, Deus nos abençoe. Não poderia deixar de responder ao seu coração que jamais estarei ausente. Estamos tão próximos que sinto em mim o pulsar do seu próprio coração. E aonde eu esteja, o que estiver fazendo, sempre saberei como o senhor está se sentindo. E os tempos atuais requerem vigilância e oração. Nós, que estamos desse lado de cá, estamos impressionados com o bombardeio de vibrações chegam à Terra, com a intenção clara de desestruturar o ser humano como um todo. Não serão somente uma ou duas preocupações. Serão várias ao mesmo tempo, exigindo um esforço gigantesco para se manter firme e íntegro. Mas, na mesma proporção que surge o ataque, chega o socorro divino. Espíritos Luminares estão unidos nessa grande transição por que passa o Planeta. É a separação do joio e do trigo, afirmam ter iniciado. Continuemos em frente, alegres e firmes, na certeza de que Deus está no comando. Tio Anicésio está bem e feliz por ter reencontrado a vovó Romana. Não sente mais falta de ar e tem mudado suas feições. E pediu para agradecer ao senhor e a Marly por tudo que ofereceram a ele. Sempre que me é possível vou visitalo. Acho bom responder suas perguntas e também é uma maneira de sentir o senhor mais juntinho de mim. Saudades, meu chefe. Muita! Com todo amor do seu filho, sempre seu Fábio Nasser Custódio dos Santos”

(Mensagem psicografada na noite de 17.10.2017, nas Obras Sociais Mãos Unidas, pela médium Mary Alves) É agora o Armagedom (Apocalipse 16:16). Chegou a hora de as pessoas se destamparem e limparem-se no ego dos maus no odioso, no magoado, vingador, no arrogante, no cobiçoso, no safado, no vaidoso, no hipócrita; e é o momento de encontrar em si os bons no humilde, no leal, no solidário, no honesto, no misericordioso, no sincero, no amoroso. E onde houver desavença, ponham a concórdia. Onde existir descrença, coloquem a esperança. Onde estiver negativismo, tragam o otimismo. Onde a ilusão, levem sonhos. Onde a guerra, façam a paz. Onde o fim, sejam o começo. Nada termina, se o amor não acaba.

Tudo passa no que fica na Terra

A intuição informa-me antecipadamente das chegadas das bem-aventuranças, e como usá-las, ou cientifica-me previamente das aproximações das desventuras, e como vencê-las. E me dei mal todas as vezes que desobedeci, invariavelmente influenciado por interferências de parentes e amigos da minha estima. Às vezes não me contenho, esbravejo subitâneo e me tranco nos ouvidos enquanto linguarejam. Os tolos falam demais. Os sábios ouvem muito. Toda discussão vo-

A “quimera” de Brasília está mais para a besta mitológica Chimera

CONTINUA


ESPECIAL

Iris Rezende: afetuoso a Marconi Perillo

Sarney: atuação apagada na convenção de 1989 do PMDB

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

FHC: interferência política, em Goiás, e rasteira, em Marconi

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Marconi Perillo: admiração a Iris Rezende

DIVULGAÇÃO

Os voos das aves

O Brasil é arrastado para as carcaças da corrupção dos chefes políticos de São Paulo há um punhado de décadas. O sonho do deputado federal Ulysses Guimarães era governar o País, por isso foi mentor da Carta Magna, de 1988, parlamentarista para ser cumprida no presidencialismo, convicto de que articularia a instituição do regime Parlamentarista e seria o candidato natural do Congresso Nacional para Primeiro Ministro. Na eleição de 1989, Iris Rezende era ministro da Agricultura e tinha criado o fenômeno da Supersafra durante três anos, estava nos píncaros do prestígio nacional, o presidente Sarney o lançou para disputar com Ulysses Guimarães na convenção do PMDB. Sarney fraquejou, Ulysses derrotou Iris.

de rapina e das cobras-de-asa

O Brasil está inconsertável na tutela dos que não querem sair do Poder e ficarão destrutíveis na tutoria dos que querem voltar ao governo. Ou o Brasil se salva nas urnas eleitorais dos políticos criadores de suas riquezas nos ganhos da corrupção geradora de pobrezas no seu País, ou a Justiça se salva dos injuriadores, difamadores, caluniadores nas sentenças condenatórias de inocentes e absolvedoras de culpados, ou todos os usuários de má-fé dos Três Poderes não terão salvação nas urnas mortuárias. Podem começar a arrumarem as malas para a viagem sem volta à Terra e o desembarque no planeta Quíron, tão primitivo como era Capela quando seus habitantes espúrios foram banidos nos tempos primordiais para o nosso Planeta, ainda primata. Soou a undécima hora da queima do joio na fornalha de fogo do Armagedom. Por onde passarão as pessoas cujos os espíritos se perderam da Luz nas trevas do erro. Em toda parte, na Terra, a civilização contemporânea se desata do nó das incertezas nas calamidades de hoje e se ata à certeza das desgraças de amanhã. E se subversores no Brasil, com medo da corrupção, soberana nos três Poderes, criarem uma insubordinação civil perversa e bandida! E se exaurir na esperança dos que sonham um Goiás liberto dos implantes de moços xucros, nas contagens das filharadas da corrupção que quebrou o Estado no Governo, e amotinar-se nas fúrias do povo goiano e começar-se a escrever os nomes dos corruptos nos muros! Lerdearam nas travessias do atraso político e estão temporões no Poder. Os ciclos de mudanças históricas dos governos da democracia acontecem dos 15 a 26 anos e, no máximo, aos 30 anos nas ditaduras. Todavia, doravante, as quedas dos atuais idosados na vida pública cairão a partir de agora de seus domínios para a perdição no Armagedom. Começou o período da separação do joio do trigo da predição bíblica. Principia-se, pois, o tempo da civilização que nascerá no Centro-Oeste, predestinada para governador o Planeta ainda nesse milênio, e que reduzirá a farelos as safras da corrupção secular dos políticos obedientes aos dilapidadores do País no quintal de São Paulo, em Brasília, quais polvos vorazes, com seus tentáculos sugando todas as fontes das riquezas naturais do território nacional, até o dia em que, se não forem barrados, venderão o Brasil aos trustes da corrupção internacional. Os líderes dos Estados do Centro-Oeste, do Nordeste, do Norte e da Amazônia, precisam criar a coragem dos patriotas e, unidos, libertarem o Brasil do jugo colonialista dos políticos do Estado de São Paulo. A política paulistana é o ninho da corrupção empoleirada à direita e à esquerda nos centros de decisão dos poderes públicos do Brasil. Esvoaçam longe nos revoos de arribação nos espaços políticos da extorsão e da propina. Planam nas alturas do poder e captam o fedor das mazelas nos superfaturamentos das grandes obras nos Estados. Fazem voos rasantes e bicam ágios nos repasses de recursos federais e estaduais para os Municípios. Têm aves de rapiO desejo frustrado de ser presidente levou Ulysses Guimarães a articular uma frente parlamentarista. Morreu no mesmo ano, 1992, em que tentou ver seus planos realizarem-se

A supersafra

Em 24.4.2015 a Globo fez um mea-culpa por ter editado o debate presidencial, de 1989, e favorecer o então candidato Fernando Collor. A tevê selecionou os “melhores momentos” de cada candidato

na que posam dentro do próprio governo de São Paulo e cobras-de-asa trazem no ferrão a peçonha da corrupção e voam o tempo todo e cravam o ferrão na palmeira de Mataúna.

O pavão que mantém Goiás

debaixo das asas O Fernando Henrique Cardoso, que cisca na direita e cisca na esquerda, é um pavão garboso, abre as penas da bela cauda para encantar Goiás e manteve duas vezes o Marconi Perillo debaixo de suas asas para impedi-lo de voar do Centro-Oeste e libertar o Brasil da gaiola de São Paulo. A primeira vez foi quando Iris Rezende deixou de ser ministro da Justiça, em 1998, para se candidatar a governador de Goiás e o presidente FHC vetou a candidatura de Marconi Perillo para vice-governador no moço da camisa azul na chapa do homem dos mutirões. Com essa interferência artimanhosa, o presidente, tutor da escabrosa prorrogação dos mandatos populares, explicita o propósito de reempossar a si mesmo no Palácio do Planalto e prorrogar o ciclo da corrupção paulista para o atemporal. FHC é autor do desastre político que impediu a aliança de Iris e Marconi, esburacou Goiás no

irismo e no marconismo e rachou a representatividade do Estado nas terras goianas que sediam Brasília. Segunda vez do boicote político, de Fernando Henrique Cardoso ao Marconi Perillo, a favor dos feudos da corrupção paulista, começou há três anos e se consumou recente. O bote de FHC entrou em ação quando o governador Marconi passou a reunir os governadores de 12 Estados e todos tiveram a ideia de lançá-lo a presidente da República. O próprio ex-presidente que implantou o Plano Real idealizado por Itamar Franco, admitiu que Marconi era um candidato para o PSDB concorrer à Presidência da República. E, desde então, esboçaram-se as articulações para desviar o então governador de Goiás para a presidência nacional do PSDB e, de conjuras em conjuras nas tramas encobertas nas sombras dos bastidores fernando-henriqueanos, foram empurrando de leve o Marconi Perillo até descê-lo suavemente para a vice-presidência nacional do PSDB.

de candidatos a presidente Houve uma supersafra de candidatos a presidente da República. Ulysses pelo PMDB (SP), Lula pelo PT (SP), Paulo Maluf pelo PDS (SP), Nacif Domingues pelo PL (SP), Leonel Brizola pelo PDT (Nacional), Fernando Collor pelo PRN (AL), Aureliano Chaves pelo PFL (Nacional), Ronaldo Caiado pelo PSD (GO) e tantos outros de se perder a conta. A TV Globo elegeu Fernando Collor de Mello no debate monitorado a desfavor de Lula. Ulysses Guimarães, fragorosamente derrotado, passou a gerir uma formação de Frente Parlamentarista, à imitação da Frente Ampla criada por Carlos Lacerda, Juscelino Kubitschek e Jango Goulart contra a ditadura militar. E Deus livrou o Ulysses de consolidar o pecado da heresia que tornaria a presidência da República refém do Congresso Nacional nas barganhas de cada aprovação através de Medidas Provisórias. Agora medite, povo brasileiro! Se Deus não tivesse levado o Ulysses antes de ele conseguir implantar o Parlamentarismo, o que seria do Brasil, atualmente, nas mãos dos senadores e dos deputados federais tão expostos nas facções da corrupção e com provas cabais na Lava Jato. JAMIL BITTAR / O GLOBO / FG V

Então ministro da Agricultura, Iris Rezende chegou ovacionado por mais de 1000 pessoas que o aguardavam a frente do prédio do Congresso Nacional, à convenção nacional do PMDB, em 12 março de 1989. Ele foi carregado sobre os ombros dos manifestantes festivos até a entrada do plenário da Câmara dos Deputados, onde foi votar na chapa Unidade, que ele representava. Foi derrotado. José Sarney não ficou feliz com o resultado, mas antes não fizera nada para intervir. Apesar da derrota, Iris manteve, com o apoio do presidente Sarney e do chamado bloco moderado do partido, a indicação para disputar a candidatura à presidência da República. Na convenção seguinte, em abril, Iris foi novamente derrotado por Ulisses e teve que acatar a ordem do chamado bloco progressita: não queremos ver Iris no palanque dos candidatos do PMDB à Presidência da República, novamente. Na foto acima, tirada mais tarde, no dia 14 de setembro de 1984, em grande comício em Goiânia, Ulysses Guimarães, Sarney, Tancredo e Iris Rezende dividem o palanque. CONTINUA


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LUZ QUEBRADA

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O similar da vida

de dois homens diferentes no líder Jesus Cristo disse: “E, não se separará um único fio de cabelo da vossa cabeça se não for da vontade de Deus. Pois, até os fios de cabelo da vossa cabeça estão contados” (Lucas, 12:7) Albert Einstein escreveu: “Coincidência é a maneira que o Criador encontrou para permanecer no anonimato. Pois, Deus não joga dados, e nada acontece por acaso” (Livro Como Vejo o Mundo). Os acasos são aparências dos destinos se cumprindo no determino da vida no arcabouçou das coincidências. A identidade entre duas sagas humanas de Goiás e Minas Gerais, ambas legendas no mesmo marco divisor do desenvolvimento na história do Brasil, e cuja a similitude chamou minha atenção ainda moço, mas a analogia passa despercebida até hoje pelos goianos e mineiros. Na idade de Goiás, então capital do Estado, Josefina Ludovico de Almeida, professora primária, abandonada pelo marido, labutou escassa de dinheiro e regrada nas despesas para criar o filho Pedro Ludovico Teixeira, que se formou em medicina, fez-se líder evolucionário e, governador, construiu a nova capital, morreu pobre em Goiânia e está imortalizado na história do Brasil. Na cidade de Diamantina, Júlia Coelho Kubitschek de Oliveira, professora primária, viúva, lidou nas dificuldades da pobreza para criar o filho Juscelino Kubitschek de Oliveira, que se doutorou em medicina, revelou-se o líder mais empreendedor do País, elegeu-se prefeito de Belo Horizonte, governador de Minas Gerais, presidente da República, construiu e inaugurou Brasília, onde foi sepultado pobre no Memorial JK e está perpetuado na História do Brasil como o estadista que realizou o sonho de Pedro II e Getúlio Vargas, ao cumprir a profecia de Dom Bosco.

Júlia Kubitschek morreu em 1971. Seus gestos eram comedidos e suas exteriorizações sentimentais raríssimas e discretas. Nunca beijava os filhos nem lhes fazia carinhos desnecessários. Eles, os filhos, é que, adultos, a beijavam. Partiu, felizmente, sem dar-se conta do imenso sofrimento por que passou o seu filho Nonô, carinhoso apelido de família, dado a JK

O similar no destino foi escrito na vida de dois homens de personalidade diferente no líder. Pedro Ludovico era culto, lia Johann Wolfgang von Goethe, em alemão, e, Gustave Flaubert, em francês; enquanto que a maioria dos atuais políticos goianos, senão a unanimidade deles, ignoram quem foram Goethe e Flaubert, e leem mal em português. Pedro era revolucionário nas ideias e nas balas. Tinha a retidão moral do estadista e o arrojo dos benfeitores da humanidade. Mas

esteve totalitário na ditadura do Estado Novo. Porém se conduziu como idealista determinado, líder honrado e boêmio na alma que tinha romances no coração. Juscelino Kubitschek notabilizou-se como humanista. Escorria bondade no rosto. Ouvia sonhos nas batidas do coração. Era revolucionário só nas ideias que saiam acesas aos olhos. Movia as esperanças no otimismo do patriota obstinado. Abria estradas nos rastros dos passados dados nos sertões continentais do Brasil. Possuía no carisma o ímã que atrai e anula as resistências contrárias. A piedade rezava no sentimento o perdão aos golpes dos oportunistas que quiseram se acasalar à corrupção no poder. JK foi a enormidade do civismo ampliado no liberal e foi ainda maior na grandiosidade da liberdade plena em seu governo, e altiva na imprensa sem censura, e solta nas manifestações populares nas praças públicas, e irretocável no exemplo do governante democrata que preferiu enfrentar o adversário eleito, Jânio Quadros, a usar a máquina oficial para eleger o correligionário, general Lott, seu sucessor na presidência da República. Pedro Ludovico, sisudo. Juscelino Kubitschek, expansivo. Eram opostos no temperamento e idênticos no antagonismo à corrupção e ao comunismo. Mas a predestinação ungiu-os à similaridade no fado de sofrerem a mesma provação política dos carrascos da liberdade na ditadura militar. Pedro e Juscelino eram senadores por Goiás, eleitos com maioria esmagadora de votos, os generais cassaram seus mandatos e sus penderam seus direitos políticos por dez anos. A harmonia entre os Três Poderes da República está em jogo. A toga corre o risco de cometer contra o Executivo e o Parlamento, na democracia, o mesmo erro que a farda praticou contra o Judiciário na ditadura. Mais questionável que justificar a utilização de baionetas para praticar a supressão de direitos, é sustentar o uso de teorias para distorcer as leis e condenar sem provas. Os dedos-duros usaram os quartéis e mancharam as Forças Armadas no sangue de patriotas. Os delatores usam os tribunais e mancham a Justiça na honra de suspeitos. A corrupção emana do Poder e exerce seu Poder sobre todos os Poderes, porque a corrupção é o 4º Poder no Brasil. Por ser honesto, fale de suas culpas, ou cale-se no julgamento de outros.

JK era o

futuro passando pelo Brasil A prosa estava boa na segunda conversa que mantive com o presidente Juscelino Kubitschek no Palácio da Alvorada, em novembro de 1960, e o ambiente tranquilo refletia a certeza de sua vitória para senador por Goiás na

Goethe, à esquerda, foi autor, estadista e cientista alemão, criador do drama trágico Fausto

Jusc Brasi elino Ku bi ln espír a rota do tschek co i t loco o futu e cons elhos auxiliado ro. Intuí u o do ,n Xavie e r, con psicogra a alma, no por fias d segu iu erg e uer B Chico rasília

Lott, o general que garantiu a posse do presidente eleito JK e do vice Jango. Há 60 anos, ministro da Guerra comandou 25 mil homens no Rio para impedir insurreição contra Juscelino Kubitschek articulada por derrotados

eleição solteira de 1961, embora Jânio Quadros, eleito seu sucessor, rosnasse em São Paulo que ia varrê-lo de Brasília para a cadeia. JK estava com aquele interior do sonho realizado, irradiante na elegância do carisma sedutor, recebeu-me perguntando pelo deputado federal Alfredo Nasser e dizendo-me que, se houvesse convivido com ele antes, teria sido o seu Ministro da Justiça. O otimismo vinha-lhe inquebrantável da alma e contagiava como se irradiasse nas pessoas. Juscelino era o futuro passando pelo Brasil. O vigor dos moços e o arrojo dos idealistas reuniam-se no ânimo ousado dele. Em suas obras no físico das argamassas brotavam esperanças na desolação do cético e nasciam mudanças nas derrubadas das fronteiras do atraso. Cordial, convidou-me para um cafezinho. Sentamos em um sofá. “O senhor vai candidatar-se a presidente em 1965?”, perguntei com o tom sugestivo da paz. JK alegrou o rosto. Não era preciso responder que sim. Calou-se por um instante. Ficou olhando para uma janela e tive a impressão de que ele levava na contemplação o Brasil nos céus do Planalto Central para os Estados pobres e enchia de alvoradas os sertões sem esperanças da pátria. E voltou a atenção para mim, secou a chícara, colocou-a no braço do sofá. Como sua tradição como prefeito de Belo Horizonte, governador de Minas Gerais e presidente do Brasil foi trabalhar com binômio de prioridades no plano de metas, perguntei qual seria o seu binômio ao ser reeleito em 1964.

— Vou corrigir um erro histórico meu. Investirei na construção de ferrovias, de um extremo a outro do País, até ligar o Brasil do Atlântico ao Pacífico através do transporte ferroviário. E, ao mesmo tempo, vou corrigir um erro histórico do presidente Getúlio Vargas que, ao concentrar a expansão do parque industrial de São Paulo, quebrou a agropecuária no Brasil. Vou investir na modernização da agropecuária. O presidente JK fez um interregno, como se meditasse e ponderou: — Tudo que for bom para São Paulo, não será bom para o desenvolvimento do País, porque manterá os estados do Centro-Oeste, da Amazônia, do Norte, do Nordeste dependentes do colonialismo econômico interno. O Brasil tem potencial e precisa ter pressa de destacar-se entre as nações de primeiro mundo. Basta ter um presidente que realize décadas de progresso em seu governo. Juscelino falou como se estivesse descrevendo o Brasil que via. E, de repente, trouxe ao rosto o ar da preocupação com um compromisso a ser cumprido e levantou-se. Desculpou-se. Tinha uma audiência marcada no Palácio da Alvorada. Já nos tapas de despedida nas costas, falei-lhe: — Presidente, só um minuto. Eu supunha que o binômio do seu próximo governo incluiria redivisão territorial do Brasil em uns 50 Estados.

Gustave Flaubert marcou a literatura francesa pela profundidade de suas análises psicológicas, seu senso de realidade e lucidez. Culto, Pedro Ludovico, à direita, lia os dois autores no idioma original

CONTINUA


ESPECIAL — Essa conversa fica para depois. — Para quando, presidente? — Para depois de 1965. Acompanhou-me até à porta. Ao abrir a porta do carro, olhei para a sacada do Palácio da Alvorada. Ele abanava a mão direita se despedindo com um sorriso. Retribui o gesto e retornei para Goiânia, com o momento do encontro marcado para depois de 1964 viajando na memória e sem reclames no desafeito ao imponderável. Pois o tempo mostrou, poucos anos depois que, àquela hora do aceno de mão do JK, não houve uma despedida, mas um adeus. Juscelino Kubitschek não teve o novo binômio no mandato de presidente da República. Só voltei a revê-lo como ex-presidente do Brasil e ex-senador de Goiás cassado e com os direitos políticos suspensos por 10 anos pela ditadura militar que também foi cassada pelo tribunal popular das urnas eleitorais. Ao retornar do exílio, o deputado Anapolino de Faria, o jornalista Moacir Junqueira e eu fomos para uma reunião com o JK em uma sala do Banco Denasa, no Rio de Janeiro. A conversa ocupou uma manhã. Apesar de sofrido, injustiçado e perseguido, encontrei nele o mesmo entusiasta que deixei no Palácio da Alvorada. Irradiante de paz. Semeador de esperanças. Distribuidor de sonhos. Plantador de amor nos corações. Uma alvorada de futuros. A certeza do estadista indo buscar o Brasil vindo trazê-lo para o novo binômio no mandato presidencial. Juscelino estava renascido de mocidade. Trocou sigilos políticos com Anapolino. Segredaram ações da Frente Ampla. Voltou-se para mim e quis saber como ia o Cinco de Março. Informei-o das perseguições do governo estadual e das restrições na ditadura. JK foi direto e objetivo: — Essas perseguições não cessarão e tendem a se acirrar, porque é um democrata e um jornalista honesto e idealista. O que acontece com você na imprensa, acontece comigo na política. Não há outro jeito. Temos de resistir Anapolino garantiu: — O Batista resiste. Mesmo preso durante oito meses, ele não cedeu. O Moacir deu uma olhada em mim e referendou: — Esse aqui é aroreira. Não enverga. Anapolino aproveitou a descontração do ambiente e pediu uma publicidade do Denasa para o Cinco de Março. Juscelino prometeu e saiu do Denasa aquele mês, mas o anúncio de 30.000,00 saiu no CM. Era muito dinheiro para a penúria do jornal. Em comparação com a amplidão de obras implantadas, e todas concluídas, no lastro do desenvolvimento pelo presidente Juscelino Kubitschek, as realizadas pelos demais presidentes seguintes não valem um tijolo limpo de corrupção. Mas onde JK foi mais grandioso de todos os governos do Brasil é no respeito à liberdade plena na imprensa. Nem evocar os torpedos disparados nos textos geniais das inteligências fulminantes de Carlos Lacerda, David Nasser, Millôr Fernandes, Nelson Rodrigues e tantos outros fenômenos do talento no jornalismo. Pois JK foi monumental na liberdade e sem parâmetro e se engrandeceu como único exemplo na história do Brasil e na tolerância inata ante as extravagâncias caluniosas, anos a fio, contra sua honra pelo semanário Binômio, ao estilo enxovalhante da injúria, proposital na vileza da difamação e retaliante na crueldade dos ataques pessoais. JK merece ser a nossa estátua da Liberdade na Praça dos Três Poderes.

Os mártires Getúlio e JK. E Lula, será? A História responderá Meditem atentos e pensem isentos, senhores e senhoras das três torres dos Poderes da República. Os brasileiros não aguentam mais carregar o peso da carga de impostos para sustentar os esbanjamentos das mordomias nos condomínios dos castelos nos órgãos públicos. O País inteiro já não se espanta com a abusiva falta de caráter dos políticos e se assusta é com a excessiva burrice nos altos escalões oficiais. O povo está cansado de saber que a ineficiência das autoridades é o fermento cúmplice nas conveniências da corrupção impune e do aumento da criminalidade operacional nos presídios e solta nas atividades bandidas em todo o Brasil. E o que está mais perigoso, para os que se julgam absolutos em sua concentração de mandos no Poder, é que nunca a concentração da riqueza foi em tão poucos e a concentração da pobreza foi em tantos no Brasil.

Carlos Lacerda

David Nasser

Não se escandalizem, pois, surpresos com os desmandos presidenciais de Lula e Dilma, como se a corrupção fosse uma novidade nos governos brasileiros, quando ela sempre esteve entronada na tríada dos Poderes, com duas marcas díspares nos presidentes da República. Uns realizaram grandes obras, e a corrupção se fez autônoma nas obras. Outros não realizaram obras, e se fizeram independentes nas grandes corrupções. Houve corrupção nos tempos de Getúlio Vargas na Revolução de 30, na ditadura do Estado Novo e no Governo eleito em 50 foram entrecortados de acusações de corrupção. Mas Getúlio foi o presidente da República que abriu o caminho da integração nacional, para tirar o País das belezas das praias cariocas e levar para as riquezas da Amazônia ao criar a Fundação Brasil Central com batalhões de máquinas e trabalhadores para abrirem os sertões e plantarem uma civilização Marcha para o Oeste. Vargas acordou o Brasil adormecido nos rincões nos ermos do atraso e desbravou as larguezas do Brasil desabitado. Estadistas assim, a História traz um de vez enquanto. E o estadista que criou a Legislação Trabalhista, pagou com a vida o preço do seu patriotismo. Golpistas de farda e quepe, de paletó e chapéu, levaram-no à morte no suicídio. Mas o presidente Getúlio Vargas morreu pobre e carregado por multidões de trabalhadores, chorando-o, ao devolvê-lo para a História. Existiu corrupção nos anos desenvolvimentistas do presidente Juscelino Kubitschek, cujo o governo foi seccionado por rês golpes de Estado fardados para depô-lo e impedir a construção da nova capital do Brasil no planalto de Goiás. O general Henrique Batista Dulfes Teixeira Lot, então ministro da Guerra, derrotou os focos da subversão militar, prendeu os oficiais insurretos, e foi promovido por bravura a marechal. Os apátridas mantiveram-se assanhados na conjura civil. Os mentores da

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Millôr Fernandes

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Nelson Rodrigues

Getúlio Vargas no cartaz onde estimula a Marcha para o Oeste: deslocou o eixo de desenvolvimento do País para o CentroOeste nacional. Interesses dos estados mais ricos e mandatários contrariados

conspiração antimudancista da capital, aquartelaram-se no udeno-carioca-paulista e, escudados no lacerdismo e no janismo, armaram estardalhaços de denúncias de corrupção no binômio das metas em todas as obras do JK. O propósito centrado no escabro das acusações era travar o dinamismo do andamento das frentes de serviço no Distrito Federal e adiar a conclusão da construção de Brasília por quatro anos, após uma devassa apurar que não existira superfaturamentos em todas as frentes de serviço da Novacap. Era mais uma trama dos golpistas. Uma trapaça política para que JK terminasse o mandato sem inaugurar Brasília, e a transferência da capital do Brasil fosse procrastinada por tempo indefinido. Mas o presidente Juscelino Kubitschek cumpria a profecia de Dom Bosco. Inaugurou Brasília e mudou o Brasil do Palácio do Catete para o Palácio da Alvorada. E ia voltar presidente da República em 1965. Os golpistas civis arquitetaram o golpe de Estado para os generais e a implantação da ditadura militar de 1964, de medo dos fantasmas do comunismo. E encomendaram-lhe a morte atocaiada à noite em um acidente de carro, num trecho da rodovia em São Paulo, durante a viagem da Frente Ampla para o Rio de Janeiro. Ele tinha que morrer à luz das estrelas, porque era delas o brilho nele. E o presidente Juscelino Kubitschek, que criou a Fábrica Nacional de Motores e produziu os caminhões Fenemê, pagou com a vida o preço do seu idealismo pioneiro na indústria de veículos. E JK morreu pobre como nasceu pobre. Mas foi carregado de multidão para multidão de uma cidade em cidade até ser recebido nos ombros das multidões que o depositaram na história, onde, no alto do seu monumento, namora a 8ª Maravilha do Mundo. Teve corrupção no ciclo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como esteve agregada nos governos antecessores de José Sarney, de Fernando Collor, de Itamar Franco e expandida na reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Mostrou-se soberana nos impeachments de Fernando Collor e de Dilma Rousseff e se mantém à disposição dos golpistas no preAnapolino de Faria e seu “compadre” sidente Michel JK. Deputado também foi muito amigo Temer. de Oscar Niemyer. Arquiteto fez o projeto O pobre Lula arquitetônico de casa ao amigo. Local é, hoje, menino retirante marco do desenvolvimento de Anápolis da fome no inte-

Dilma Rousseff sucedeu Lula. Fato foi ruptura do caminho, que deveria ser natural, na política do País: José Dirceu ter ascendido à Presidência. Falha grave do ex-presidente com consequências permanentes ao Partido dos Trabalhadores

rior de Pernambuco como carona num caminhão pau-de-arara, ou pobre Lula adolescente nas oficinas mecânicas do ABC Paulista e, sobretudo, o pobre Lula sonhador no sindicalismo e prisioneiro como subversivo pela ditadura militar, foi adotado pelos líderes políticos de São Paulo à corrupção que o conduziu à presidência da República, após três derrotas, quando FHC traiu José Serra. Mimado pelos bruxos da corrupção nos dois mandatos presidenciais, Lula envaideceu-se, desprezou a legenda que o consagrou como o único operário que chegou a presidência na República da história política do Brasil, enciumou-se da liderança de José Dirceu e impôs Dilma Rousseff para sua sucessora. O povo brasileiro endossou o prestígio imbatível na popularidade de Lula. E Dilma, lulista fiel, passou a afastar chusmas do corruptado petista e dos partidos aliados nos ministérios, nos órgãos e das estatais no primeiro mandato. Criou-se o clima de impeachment. Lula interviu e conteve Dilma, pois precisaria do apoio de todos eles para assegurar a vitória na reeleição dela. CONTINUA


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GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

LUZ QUEBRADA

curador Geral da Antônio Di Pietro adotou a Lula aliou-se até com o adversário radical delação premiada para negociar perdão com Paulo Maluf. O populismo o cegou na coros capo di tutti capi da corrupção organizarupção à vista. Não há como negar o conda e o Tomasio Buscetta se dispôs a caguetar, luiato. Todavia, não há como negar também deu para as cuecas molharem. Aos acodes das que o presidente Lula foi inigualável em famoedas da libra nos dedos-duros entoou-se a tos nobres no condão humanista. Implanópera dos protestos nos palcos das praças pútou a política social que possibilitou moradia blicas. E fez-se o jogo do crime com as cartas para legiões de sem-teto e propiciou propriedade rural para procissões de sem-terda lei. O poder embaralhou-se nas verdades ra nos assentamentos do MST nos latifúne nas mentiras, as autoridades caíram entreladios improdutivos. Pagou ao FMI a dívida çadas nos ardis das intrigas e orquestraram o astronômica acumulada de vários governos. coro do denuncismo rentável. Descobriu o pré-sal que destacou a PetroInstalou-se o tribunal dos escândalos. As bras entre as maiores empresas produtoras inflamações da sociedade, geradas pelas de petróleo do mundo. Tirou a classe mépelotas da revolta popular, infeccionaram a dia à pé nas cidades e pôs na boleia do carcredibilidade dos políticos nos pelotões dos ro próprio. Levou para a escola das crianças poderes na Itália. E a corrupção venceu a ausdos lares pobres bolsas de estudo para as fiteridade. Deu fim à Primeira República Romalas infindáveis de estudantes universitários. na. Depôs o primeiro-ministro Betino Gracci, Ampliou o atendimento da saúde pública eleito pelo Partido Democrático Cristão e hepara as populações à míngua nas doenças. rói que liderou os Parlisans na libertação dos É o político brasileiro mais reverenciado penazistas na Segunda Guerra Mundial. As corlos povos dos outros continentes. ruptelas sublocaram o Partido Forza Itália e Os corruptos que estiveram em seu goelegeram o primeiro-ministro Sílvio Berlusverno, estiveram em todos os governos e esconi, bilionário no ramo das contravenções e tão nesse governo. O que o presidente Lula ostensivo nas orgias eróticas do Palácio Chigi. fez de probo e improbo no somatório da O juiz Giovanni Falcone que fôra promovido Na leitura justa dos fatos, Lula realizou ações positivas ao Brasil, porém, como ocorrido aos outros corrupção nacional, se for aberto o talhaa Ministro, deixou a Suprema Corte de Cassapresidentes, foi cerceado pela corrupção institucionalizada nos Três Poderes e, pois, também errou do das cúpulas nos Três Poderes do Brasil, ção por não acreditar mais na Justiça, e foi ser o julgamento cristão osprofessor de Direito Conscila no justo e no injustitucional. O procurador to como um pêndulo, Geral Antônio Di Pireto, inclusive na Balança da aposentou-se no MinistéJustiça. E não é de se durio Público, virou político, vidar que as forças oculelegeu-se senador e comtas — encobertas no suibateu Berlusconi até dercídio de Getúlio Vargas, rubá-lo em uma de suas atocaiadas no acidente saídas e voltas ao governo fatal de Juscelino Kubitsna pátria do Vaticano. chek e camufladas na reNo Brasil, veio em Sérnúncia de Jânio Quadros gio Moro o iluminado das —, possam estar tramancinco das estrelas do Crudo, embuçadas nos deszeiro do Sul, para a corrupcaminhos da lei, os emção não permanecer enpurrões políticos de Lula coberta pelos eclipses da para enforca-lo no prelei nos céus do Poder e às sídio e trazê-lo da cela claras aos olhos do povo. morto por suicídio, igual Mas, nesta terra defizeram com o jornalista cantada no adágio poVladimir Herzog. pular como “abençoada E, se por ventura, tipor Deus”, a corrupção é ver escrito no seu destisolidária às religiões no no que Lula pague, com maná dos dízimos; geneEliot Ness foi um agente famoso por seus Ex-juiz italiano Giovanni Falcone, Sérgio Fernando Moro é jurista, esforços para fazer cumprir a Lei Seca. responsável pela condenação de mais ex-magistrado, escritor, professor a vida, as denúncias que rosa na unção das ideoLiderou uma equipe lendária apelidada de de 300 mafiosos nas décadas de 1980 e universitário e atual ministro da Justiça e fizera contra a corrupção logias no apego às sineOs Intocáveis, que prendeu o gângster Al 1990. A trajetória de Falcone, construída Segurança Pública do Brasil. Foi juiz federal de outros governos que curas da política; Capone. Os Intocáveis foi o apelido dado em Palermo, na Sicilia, teve uma mudança da 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba os presidentes morreram Filantrópica nas doaapós as tentativas de suborno feitas por brusca em 1991, quando o juiz aceitou um e professor de direito processual penal na pessoalmente pobres? ções dos incentivos fiscargo no Ministério da Justiça no governo Universidade Federal do Paraná (UFPR) Pode ser! E não custa ser Capone e rechaçadas por Ness e sua equipe cais para os empresários que o mesmo sonho do distribuírem lucros nas novo Brasil fez as três marcas únicas em GeEnforcou Tiradentes, na Praça Lampadosa, contravenções. Mandava sua gangue invadir ajudas aos caixas das campanhas eleitorais; túlio, Juscelino, Lula e diferentes em cada no Rio de Janeiro. as residências dos informantes, tortura-los e Misericordiosa no perdão aos que condeum deles. Vargas fez a Marcha para o Oeste Matou Ghandi, rezando em Nova Déli, na mata-los na frente das esposas, barbarizadas nam ladrões de bolsas nas ruas e absolvem os que buscou e trouxe o Brasil dos sertões. JK Índia. nas súplicas, e com os filhos pequenos cho- dos enriquecimentos ilícitos no Poder; fez Brasília que levou o Brasil para morar no Patriota e moça pura, se veste nas fardas, Condenou Sócrates à morte por envenena- rando, agarrados às saias delas. coração de suas terras. Lula fez a política so- mento, em Atenas, na Grécia. Eliot Ness era um Sérgio Moro. Íntegro e nas togas, nas batinas, nas grifes e faz sermão cial que deu qualidade de vida aos pobres Mandou enforcar Frei Caneca, na província destemido, não cedeu às interferências das nos púlpitos dos templos, discursa nas tribuno povo do Brasil. Então, não se surpreen- de Recife, os carrascos recusaram, e ele foi fu- escalas superiores no poder da lei, derrubou nas dos plenários, canta o Hino Nacional nos dam se lula morrer pobre e for para a Histó- zilado por uma Comissão Militar comandada os alicerces da quadrilha mafiosa e enxadre- palanques das comemorações cívicas nas Praria carregado por multidões de sem-empre- pelo coronel Francisco de Lima e Silva, pai de zou Al Capone no presídio Alcatraz, conde- ças Públicas e deposita coroas de flores nos pego como o presidente do Brasil que deu lares Luís Alves da Silva, futuro marechal Duque de nado a 17 anos. Cumpriu 9, pegou sífilis na destais das estátuas de seus mártires. para multidões de sem-teto e chão para mul- Caxias, Patrono do Exército Brasileiro. cela. A Justiça concedeu-lhe prisão domiciEla é amoral. tidões de sem-terra. A corrupção age espontânea à direita, à esA corrupção é a deusa dos milagres nos liar. Al Capone passou 8 anos isolado, a saúreinos do poder e a carrasca invicta no mas- de definhando-o até morrer com transtorno querda, ao centrão para manter a Operação mental e inválido na cama. Mas a corrupção Lava Jato a passos lentos das lesmas, mas atensacre dos mártires. s três igantes O juiz Sérgio Moro é um idealista e con- vingou-se. Eliot Ness morreu pobre, em des- ta nas antenas, ou tão vagarosa como nos pasduziu a Operação Lava Jato, inspirado na graça pública e, só recentemente, mais de um sos das tartarugas, porém, segura de sua vida que lutaram com Operação Mãos Limpas, copiada no bra- século depois, ele foi reconhecido como um longa, até que tenha tempo de contornar os a onstra perigos e articular a formação de uma base vo juiz Giovanni Falcone e da Operação Lei dos heróis da História norte-americana. Na Itália, foi em Giovanni Falcone a faísca aliada com os inimigos e montar uma OperaSeca, adotada pelo secretário da Segurança Desde a quarta-feira de 22 de abril de Eliot Ness. São três sonhos que se levanta- similar a do histórico incêndio de Roma que, ção Sufoco contra o juiz Sérgio Moro, ampla, ordenado pelo imperador Nero, as labaredas irrestrita e sem preconceitos. 1500, a corrupção é o invólucro do Brasil, e ram na luz da lamparina de Diógenes. Uma frente única da Ordem e Progresso Nos Estados Unidos, foi chama em Eliot fugiram ao controle dos centuriões, o fogo se nada do que se fez teria sido feito, se tudo não fosse feito dentro dela em todos os governos Ness e reduziu às cinzas, na década de 30, a espalhou e queimou geral o poder de Nero. e unitária das classes sociais à ela, soberana do mundo. A corrupção nunca perdeu uma rede de organizações criminosas do maior Os quatro anos, de 1992 a 1996, da Operação e participativa na solução dos problemas de das batalhas nas guerras contra ela no Plane- gangster da história dos EUA. O chefe da Má- Mãos Limpas causaram estragos na qualida- todas as categorias discriminadas pelos segta e foi sempre a grande vitoriosa nas glórias fia, Al Capone, cujo domínio alastrara-se nas de da classe política que tornaram discutíveis mentos moralistas. Como na Anistia Geral — em 1979, para os pilastras subterrâneas do poder até à Casa os resultados dos benefícios até ao Palácio do dos poderes terrenos. Crucificou Jesus Cristo no Gólgota, nas cer- Branca e qualificava Chicago como a capi- Quirinal. Quando o juiz Giovanni Falcone co- criminosos e as vítimas do Golpe de 1964, instital da clandestinidade ordenada em todas locou no cárcere de Ucciardone o mafioso To- tuiu-se pensão vitalícia para delatores, torturacanias de Jerusalém. Decapitou João Batista, em Maquero, na as células da marginalidade. Todo crime or- masio Buscetta, chefe da Casa Nostra na pátria dores, deletados, torturados e para as famílias ganizado mantém facções em clãs do gover- do belo canto, da pudícia nas rezas vaticanas, dos exterminados —, a corrupção articulará Jordânia. Guilhotinou Robespierre, na Praça da Con- no. Al Capone usava candura nos gestos e mas que é também o chão bento que a Máfia nos bastidores políticos a fomentação a uma macieza nas palavras para intermediar a fal- se batizou de Família na pia dos crimes, a re- Anistia Geral, aprovada no Congresso Naciocórdia, em Paris. Queimou Joana d’Arc, viva na fogueira em ta de escrúpulos nos diálogos que lhe confe- percussão foi a de um alívio apreensivo nos co- nal, para os corruptos condenados, os presos riram estátua confiável nos assédios perver- larinhos brancos. Sonos se encurtaram. Ner- e os corruptos premiados como dedos-duros. Rouen, na França. Mas como criar o crédulo no incrédulo? — Assassinou Zapata, numa emboscada em sores das autoridades. Comprava políticos, vos não se descansaram. Mas não dava ainda juízes, policiais e escapava dos flagrantes às para as carecas suarem; todavia, quando o pro- é o aparte das consciências. Chinameca, no México.

O

G

M

Decaptação de João Batista

Robespierre indo para a guilhotina

Joana d’Arc queimada viva

Zapata morto em Chinameca

CONTINUA


ESPECIAL

Martírio de Tiradentes

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

Corpo de Gandhi coberto de pétalas

Sócrates envenenado

Questão de ordem! — interrompe um inconsciente da corrupção. O ganho com o dinheiro recuperado é menor que os prejuízos causados à economia nacional. O desemprego cresceu. Os investimentos diminuíram no empresariado. Os políticos brigam. Os atuais candidatos são eles mesmos. Há saldo negativo do sofrimento na honra dos injustiçados. É preciso levar em conta também o remorso dos arrependidos. O Brasil está sendo vendido para a corrupção internacional em detrimento da corrupção nacional. A única novidade é o Temer no lugar da Dilma. Ouviu-se palmas nos corações corruptos... Foram roubadas muitas nações dentro do Brasil. O juiz Sérgio Moro corporificou a espada de Dâmocles, incorporado de Josué e derrubou as muralhas da corrupção. Como as pedras que muraram Jericó na saga dos cananeus caíram por ordem de Deus (Antigo Testamento), os corruptos irão caindo, um a um, até ao último dos poderes no Brasil, para se cumprir a já começada separação do joio do trigo prevista no Apocalipse. Os dias são de dores no aguardo do tempo de alívios. E, talvez, como o juiz Giovanni Falcone deixou os 4 anos da Operação Mãos Limpas desiludido com a própria Justiça na Itália, tomara que o juiz Sérgio Moro também não saia dos 4 anos da Operação Lava Jato desencantado com a Justiça do Brasil. Moro e Falcone são ícones do justo e estão paradigmas de heróis da História. Falcone foi assassinado em 13 de maio de 1992. Moro, porém, vive.

O Eu dos políticos

expatriados do seu Espírito no Brasil Houve, há e haverá corrupção no rastro dos governos brasileiros que não houvera no passo dos presidentes da República. A política é o ovo do poder com o bem na gema envolta pelo mal na clara. Há os que se fazem aplaudidos nos protestos dos pobres nas praças públicas e se fazem ricos nos mandatos populares. Há os que fizeram as riquezas do desenvolvimento memorável da Nação e não se desfizeram da honra que os levou mortos nos braços do povo pelas praças públicas. É o trivial à mostra no espelho das civilizações. Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek eram luminares adiantados na transição dos tempos para a missão de resgarem as terras das marchas do atraso nesse então subúrbio de mundo vegetado na corrupção feudal. Mas os presidentes Getúlio e Juscelino não teriam erguido o Brasil dos fundos do rançado para os saltos nas alturas da modernidade, se tivessem descido da visão dos estadistas para a viseira policialesca das autoridades calçadas de salto alto nas passarelas da lei. Fuçam as mazelas nos aparatos oficiais e, nos refuçados, as falcatruas aumentam as fuçações no regalo das prerrogativas que garantem a impunidade nos três Poderes da República com vários direitos autoritários assegurados na Constituição Cidadã. A unigenitonia da onipotência na trindade dos Poderes, diversificada nos artefatos que legislam, jurisdicionam, executam no universo do Governo, geram eclipses nas luzes da razão nas convecções para a frieza de direitos que cintilam às escuras na Justiça. O cérebro é a concentração do Universo. Os infinitos do inconsciente na mente humana ante o insondável dos mistérios, e a pessoa somente consegue desvendá-los nas descobertas feitas pelos gênios, através da ampliação do seu mundo interior nas meditações. É lá o Templo onde iremos mais a próximo de Deus. É lá a Academia da Sabedoria onde chegamos mais perto de Sócrates. É lá o Panteão das Dimensões onde ouvimos Krishna. E é, lá, o Castelo da Luz onde o Eu da pessoa se encontra no Eu do Espírito dela. O juiz Sérgio Moro é dotado do descortino aberto na intuição perceptiva. Mas a enormidade dos trabalhos no combate à corrupção generalizada nas supremacias, transcende aos limites de uma energia uma perante as forças organizadas nos poderes terrenos. A extensão tumultuosa no afã de desmelindrar o intricado nos melindres dos bastidores das corruptelas, antes intocáveis na comparsa-

Jesus Cristo é o maior de todos. No alto de sua extrema dor, sob o escarnio público de muitos e o pranto oculto de alguns, ergueu os olhos ao Alto, com absoluta piedade no sentimento lacerado, por compreender o infinito da corrupção humana, e, dificultosamente, clamou: “Pai, perdoa-os!”

Antônio Ramos Caiado

Pedro Ludovico Teixeira

Iris Rezende

Marconi Perillo

ria dos superiores nos poderes da República, comprometeu o desempenho da Operação Lava Jato na ação de agentes da PF precipitados nas capturações dos incriminados nas denúncias, na atuação de membros do MP impulsivos na delação dos depoimentos de acusação, no desempenho de magistrados da JF confusos no julgamento dos processos. Por isso, a demora ficou cansativa na espera final dos resultados da Lava Jato. Até por que os dispêndios legais consumidos nas despesas das demandas e os gastos imorais investidos nas delongas protelatórias impetradas nas várias instâncias recursais, acabarão s igualando aos custos da corrupção do Brasil de políticos barrigados no ilícito e anêmicos no cívico.

Os 1.518 anos

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Frei Caneca prestes ao seu fuzilamento

oceanos nas propriedades rurais afogadas nas inundações. A instabilidade do clima estorrica no acúmulo de desertos e congela na frigidez da abundância das neves. Os terrenos rasgam chãos e as montanhas vomitam disparates de vulcões. O Brasil se estende infindo na candura do clima, às vezes caloroso, e se alarga nas lonjuras do verdade na paisagem abusada de cores, aqui e acolá um árido fértil, e se amplia nas terras sossegadas em que se plantando tudo dá, ou nasce até o que não se planta e colhe-se o que não se plantou, e infinitam-se as distâncias que se descansam do passeio nos sertões que ainda estão do jeito que Deus os fez. E, apesar do contraditório da brabeza e da bonança que diferenciam a natureza nos dois países, a Nação do Tio Sam está 100 anos de evolução na frente da Pátria do Jeca Tatu. O tempo anda. Não corre nem atrasa no temporal. Segue pontual no passado, no presente e no futuro aos ciclos da vida. Cruzou pontual as eras na transição dos deuses da mitologia de Homero para Deus no cristianismo de Jesus. Ultrapassou contemporâneo as épocas no espaço-tempo do carro de boi para a espaçonave. O tempo é andejo. Nas quadras da política em Goiás, passou natural nas temporadas de Antônio Ramos Caiado e Pedro Ludovico Teixeira. Está saindo espontâneo dos períodos de Iris Rezende Machado e Marconi Ferreira Perillo Júnior. E já entrou com precisão horária nos primórdios do Apocalipse, que é o último dos 73 livros da Bíblia católica e traz as revelações finais de Deus para a Humanidade. A corrupção é conata e hiperativa nos ciclos da civilização brasileira. No ciclo das dizimações dos povos indígenas. No ciclo das barbaridades na escravatura negra. No ciclo das traficâncias da pouca-vergonha no contubérnio das vestais no Poder. No ciclo da ganância gulosa nas devastações da natureza. Mas a longevidade das selvagerias da civilização está aos estertores. O extemporâneo das aviltações à vida suga a si próprio. Doravante é o ciclo do fim dos ciclos do joio com asca de trigo e do trigo com casca de joio para os que desgovernam a Nação nas três eiras e beiras do Poder. Agora é o milênio do tempo divisor em dois tempos. O tempo antes de Cristo e o tempo depois de Cristo. Os hipócritas o Bem e os cínicos do Mal viverão contratempos, dia a dia, até às horas da ruína na decadência política esfomeada. Receberão o tributo pelos malefícios causados ao Brasil nos benefícios feitos a si mesmos. E o que fizeram? Fizeram a corrupção que sustenta o governo no Brasil. Fizeram a maior carga de impostos do mundo que sustenta a corrupção no Brasil. Fizeram seus mandatos nos eleitores da sociedade que sustenta nos impostos os políticos corruptos do Brasil. Até quando? Até quando o povo brasileiro entender que é cúmplice dos políticos corruptos e cassá-los no tribunal das urnas eleitorais, com o veredicto dos votos nulos, porque nulos é que eles são. E se o povo continuar votando nos corruptos? Ou os patriotas fazem com a arma do voto a revolução da independência do Brasil da corrupção, ou os eleitores brasileiros terão assumido a verdade histórica, dita em 1811, pelo filósofo francês Joseph-Marie Maistre. E qual é essa verdade? “Cada povo tem o governo que merece”.

da corrupção no Brasil

Pedro Álvares Cabral achou o Brasil em 1.500, no extravio da viagem à Índia. Cristóvão Colombo encontrou os Estados Unidos, em 1.492, quando vagava pelos mares a procura do Novo Mundo. O genovês ancorou-se lá 8 anos depois de o português aportar-se aqui. Os Estados Unidos moram num pandemônio de cataclismos. Tornados desmontam casas nas cidades e devastam florestas. Maremotos afogam populações e escorrem

Conde Joseph-Marie Maistre foi escritor, filósofo, diplomata e advogado. Um dos mais influentes no período seguinte à Revolução Francesa CONTINUA


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LUZ QUEBRADA

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

As dívidas do Brasil

estão visíveis nas fortunas dos políticos

58 anos o presidente Juscelino Kubitschek deu o salto veloz do Brasil para o progresso, em Brasília, e desde então os governos têm assaltado a Nação parada na corrupção em Brasília. A única coisa que cresceu vertiginosa foi a corrupção da política na caixa de privilégios no Poder e no confronte de autoritarismos entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. A corrupção está rica no governo do Brasil e com brigas nos herdeiros dos donos. Faíscam nas ruas rebeldias sociais arrastando a Nação para o incêndio do totalitarismo. As forças do mal latejam resistentes no tumor das mudanças e, atentas, exigem a sua musculatura desde que o ministro Joaquim Barbosa lancetou-as no Mensalão e escudou-se na aposentadoria do Supremo. No Olimpo dos Poderes, os combates à corrupção igualam-se aos ataques a Anteu sem Héracles. Espessidão abissal está indescortinável no dantesco das honras-zumbis fugindo de seus rostos. É o espectral, como se o juiz Sérgio Moro houvesse golpeado Wotan na cabeça, com o cetro de relâmpagos de Zeus e, tonto, o senhor dos anéis transcendentalizou-os em bruxos corporificados de lobos, com lã de cordeiro na pele, e de ovelhas, com cabelo de loba na pele. É enorme a mistura acumulada de lãs e cabelos no pelego das culpas, mas todos, em cada um, acham que o único responsável por tudo em todas as culpas é o outro. A vaidade se exalta sobeja nos topetes das autoridades calvas na moral e rolando na arrogância para os círculos da antipatia pública. Caíram os suportes do prorrogado nas licenciosidades do impune. O tosquiado será geral nos pelos do indevido e completo na depilação até o último fio rasteiro nas penugens. O tempo de engordas no poder acabou. Começou o tempo de corrupção magra. Os políticos podem começar a economizar desonestidade. E prepararem-se para a chegada da hora que terão de reembolsar os cofres públicos. Estão vindo os dias que, depois deles, será mais difícil encontrar um chefe de Poder desonesto que um honesto atualmente. Descorruptem-se. Reenvergonhem-se. Desprisionem-se dos remorsos na consciência. Desensurdeçam-se das vozes no coração. Desfaçam suas malas do entesourado nos amazelados. Desembarquem-se das costas do povo, e rápidos! Antes que o Brasil os jogue do Poder no chão. O Brasil está conduzido para o desgoverno no triunvirato dos Poderes da República. Os bandidos brincam com as autoridades no combate aos crimes da corrupção aliada nas facções do PT de Palocci, do PSDB de Alckmin, do PTB de Jefferson, do DEM de ACM, do PDT de Lupi, do PTC de Tourinho, do PCdoB do e Orlando, do MDB de Jucá, etc., etc., etc., e et cetera no rol das siglas comparsadas ao respaldo político nas facções do PCC de Marcola. O fedor da corrupção exala no governo o odor do apodrecido nos Poderes e recende a catinga do infecto nos partidos. O desvendo de indícios no mistério dos esbulhos que documentos não provam, as fortunas dos políticos elucidam e comprovam. De tão visíveis, dá p’ra gente enxergar dentro delas o buracão do endividamento do Brasil.

Os embriagados pelo Poder com cerveja fabricada de joio

O Brasil está velho nos líderes e cansado deles no povo. Dessa ninhada de políticos no poder, não nasce nada. Tudo ovo choco. As oligarquias familiares e as oligarquias econômicas se apossaram como donatárias e meeiras concubinas do mercado produtor e consumidor da corrupção na política brasileira. Não há vaga para honestos. A vida pública está uma reserva ambiental demarcada em quinhões dos feudos familiocratas. Usucapião com divisas na hereditariedade e incentivos do erário para o custeio das devastações. Previdência social vitalícia nos superprivilégios que mantêm, no governo, asilos para os políticos abandonados de votos e creches para os descendentes do nepotismo. E o povo é órfão nas casas do Poder. Esse é o legado no inventário da corrupção que o juiz Sérgio Moro está fazendo a partilha das culpas no espólio dos crimes de lesa-pátria. Encalharam o Brasil nos aluviões da corrupção borbulhante nos alagamentos das minas nos Três Poderes e agora, náufragos, rodam flutuados na correnteza turbulenta das mudanças apocalípticas, uns afogando a outros no arregaço dos rebojos. Ou então se atropela e entrederrubam-se na poeirada dos desabamentos de seus domínios no governo, espavoridos e barulhosos como o estouro de uma manada de carneiros ao sentir no vento a rabugem de uma onça-pintada e corre em círculos sem saber de que lado ela está vindo. Debalde se espalham no vão das fugas, quais folhas secas se movimentam em desordem no escapo dos ventos. Em verdade, os políticos estão tontos no ilusionismo das outorgas de outrora para as burlas à vida, o que gerou nos governos do Brasil o parentesco de uns com outros na oligarquia das corrupções. Permanecem consanguíneos na anciania. Não perceberam ainda a separação do joio do trigo nas Tábuas da Lei, do Antigo Testamento, quando o joio era usado nos fabricos de cerveja e as pessoas ficavam tão bêbadas nas tabernas como as que estão embriagadas pelo Poder no Brasil.

O voto é secreto. Vote. Mas não diz em quem você votou Muitas pessoas passam pelo mundo como se não estivessem na vida, alheias ao verdadeiro no perene do romântico nos sonhos e integrais ao enganoso na realidade passageira nos objetos. Olhem o Brasil. Ei-lo tisnado na criminalização da política. Não pelo Moro, como alaridam no ópio da corrupção. O juiz apenas soprou as fuligens acamadas nos Poderes. Os políticos opiófagos no ócio da locupletação é que incriminaram a vida pública. Olhem o instável da democracia no Brasil atual. E fiquem atentos. Observem no detalhe das causas e no amplo dos efeitos o contrassenso justaposto no riço do governo desse País rico. Eis a razão. Falta aos líderes o idealismo dos estadistas. Sobram parentes e comerciantes oportunistas no excesso de autoridades rixentas no autoritarismo e abusivas no populismo.

O povo brasileiro é alvo indefeso no fogo cruzado das guerras no crime organizado, em confrontos travados no aberto das ruas entre o poder paralelo dos bandidos derramando sangue de inocentes nas famílias e o poder oficial das autoridades derramando no governo a lama da corrupção dos políticos. A vitória do Brasil seria a derrota das duas facções. A do tráfico de drogas à vista na clandestinidade. A do tráfico de influência da corrupção à mostra na legalidade. O governo caminha para uma intervenção federal do povo no Brasil. Os chefes do Poder fracassaram e correm risco de sofrer apedrejamento popular nas próximas eleições. O desemprego cresce e nasce a fome que pare as ditaduras que amamentam o populismo, expulsam de casa o Legislativo e o Judiciário e adotam o regime de exceção nas Repúblicas. Escolhem um títere para padrasto da salvação nacional e colocam-no como Chefão do Governo e ele dá as ordens que recebe, assume a paternidade da corrupção, bate nas vozes livres e ensanguenta de mártires a história da Nação. Todo ditador traz um carrasco em si. Há muitos déspotas encubados nos candidatos populistas a presidente, a governador, a deputado e senador. Mentem bondades nas promessas do engodo. São Midas com face de Janus e vozeiam demagogias com a esperteza da Hidra nos botes certeiros. Mas o povo tem a arma para vencê-los em 7 de outubro. O voto secreto. É a arma silenciosa e infalível que o povo tem para fazer a guerra da paz na derrubada dos corruptos da política brasileira. Chega de rastejos ao cabresto. A covardia no pobre sustenta o atrevimento do rico. A exaltação do Papa Francisco à necessidade de a pessoa cultivar o autorrespeito é oportuna para a meditação do eleitor ao votar: “É preciso redescobrir a capacidade de sentir vergonha”.

Zeus, o mais poderoso deus da mitologia grego-romana. Controlador das manifestações celestiais, é senhor dos céus, raios e relâmpagos, e sobretudo, mantém a ordem e a Justiça

gramadas para agora, há dois mil anos pelo Governador da Terra, Jesus Cristo. Esse é um momento único e é um privilégio vivê-lo. Principalmente os políticos goianos fazedores de pobres em suas fortunas espantosas, devem abrir o coração para Deus entrar. Goiás é o berço da Terra Prometida, apontada na profecia do santo Dom Bosco e onde vai nascer a civilização que governará os povos do Planeta a partir deste milênio. Olhem o Céu no largo do espaço de toda a Terra. Diferente das bonanças daqui, descem dele as forças da natureza que trabalham a regeneração da Humanidade nos castigos purificantes à dores, a gemidos e a choros nas perdas irreparáveis. E assim será doravante, até que os maus enjoem de sofrer e redimam-se do apego às coisas materiais, ou até que o bem se canse deles e serão desencarnados para renascerem primatas no planeta Quíron. No quase-unânime do total (e com reforço no local em Goiás), os políticos brasileiros se jogaram fora do povo. A corrupção os panhou. A vergonha os abandonou. O oportunismo os enveredou. A desonra veio busca-los da vida pública e irá escondê-los lá pelas bandas das bibocas nos confins do materialismo nas locas do primitivismo. A foma desses animais humanos é diferente dos outros bichos. A fome desses líderes políticos é pelo dinheiro para as autoridades graúdas às mesas dos Três Poderes da ditadura da corrupção vestida de República. Se existir o Inferno, o que o fogo dele queima é o dinheiro. Afinal, o que se presencia no elenco moral dos candidatos nas próximas eleições encapa a prorrogação de mandato da corrupção nos litígios da inteligência solitária nos cabrestos da ética e das tropas de mulos relinchantes nas pastagens da ignorância coiceira.

A insaciável fome por dinheiro às mesas do Poder

O grosso dos políticos brasileiros está parado no tempo, de costas para o futuro. O passado amanhece todo dia neles, tatuados do atraso. Maior que o exagero de corrupções no governo é o excesso de asnos na política, mas eles, bisonhos nos assanhos dos agachos, seguem imponentes á garupa de mitos nos rodeios que apenas mudam de lado e não saem do mesmo lugar. Os comboios dos partidos, esvaziados de sonhos na gama do ideal e sobrelotados de ganas na grana, congestionaram os caminhos da política nas ultrapassagens e trombaram por excesso de velocidade nas encruzilhadas da corrupção. A agitação e o sobrepeso da lotação de caronas nos viajores balançam o carro da História. É preciso descê-los de suas alegorias inversoras do valor humano nas chefias da política partidária. Acudam-se já, pois o prazo da salvação esvai-se final. Honrem-se, antes que o capotamento geral Wotan ou Odin, o mais poderoso deus surpreenda os usuda mitologia nórdica. Podia observar o frutueiros dos poque acontecia, em cada um dos nove deres terrenos no mundos, graças aos seus dois corvos Brasil em uma das Hugin e Munin. Durante o combate curvas na estrada brandia sua lança, chamada Gungnir das mudanças pro-

A semelhança da corrupção com a Hidra: corta-se uma cabeça e duas outras nascem CONTINUA


ESPECIAL

Palocci

Alckmin Jefferson

Lupi

Tourinho

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

Orlando

Jucá

Os políticos fazedores

de problemas nas soluções do velho vestido de novo A Terra adentrou-se no ciclo da transição planetária dos orbes do mundano para as órbitas do mundo espiritual. É por isso que nada dá certo em tudo que se conserta em todo domínio humano que se conserva nas esfomeações do materialismo. Enquanto não houver a mudança do mal para o bem nos chefes de Estado que se aninham no poder manuseável das leis como as fontes das vertentes da corrupção — jorrante nos benefícios da sonegação de impostos nos incentivos fiscais saboreados por graúdões de monopólios econômicos. Lamacenta do cristalino nos reservatórios do ideal alugado por asseclas das ideologias políticas. Inundante nos faturamentos líquidos do dízimo comercializado por gurus das teologias religiosas. Oceânica nos banhos das inimizades que fazem as pazes com os tapas da traição ainda doendo nos abraços calorosos e com os dentes da traição se escondendo nos sorrisos beijoqueiros dados por Judas de partido nas piscinas do adesismo lucroso, infectante e contagioso. As fomes rosnam na subnutrição das pobrezas. O egoísmo rasteja o sentimento nas riquezas. As revoltas sociais se agigantam na monstruosidade do desemprego galopante. E não se alarmam os autocratas enriquecidos de graça nos cofres públicos. Mas abalaram-se os pedestais da confiança popular nos governos, que ainda se sustentam nas esbirras já balançando nos esconderijos da corrupção, e irão caindo até restar nada mais encoberto sob as telhas do Poder. E cairão no geral das militâncias da tapeação oficializada. Todos. Os líderes enganadores do povo na política. As autoridades que falseiam o legal no imoral nas demandas do justo no direito. Os empresários afamados que afanam nos superfaturamentos das empreitas das obras do governo. Enfim, o alerta é apropriado para o contingente de obsedados pelo materialismo ganancioso na sociedade e aos que transformaram o sacerdócio das profissões em bancas de comércio que a honra dos donos é a mercadoria mais barata. País a país, todos os mundos terrenos estão estrangeiros em suas pátrias ocupadas por guerras do mercado econômico internacional. Não existe independência isolada na liberdade política das nações. A batalhas são desovas do estoque de armas da indústria bélica. As crises econômicas são investimentos financeiros montados pelo cartel dos banqueiros. Os trustes da indústria química manipulam o o mercado das doenças. Os monopólios da produção de alimentos tabelam a carestia da comida. Os oligopólios dos vícios e dos crimes monitoram o tráfico de drogas e de armas. Os povos de todas as raças estão dependentes da espoliação universalizada na civilização contemporânea. O Brasil está de não se caber mais problemas, todos criados por erros cometidos nas soluções que, agora, estão sendo aumentados e agravados pelo arsenal de políticos que se revezam nos Poderes na repetição dos mesmos desacertos no governo, em benefício próprio e em prejuízo da Nação; e, por isso, deram projeção mundial ao Brasil como o país da supremacia na corrupção. Sabem por que? Porque são espertalhões chulados de conhecimento e ignoram que a agudeza nas espertezas é a rombudez da inteligência. Agem perdulários. Estão coloniais no subúrbio dos tempos e são provincianos estatuados nos primórdios refratários às etapas da modernidade no determinismo da evolução humana. Atualizem-se à realidade. Se não saírem dos rastros no passo do futuro, para a velocidade da corrida dessa mudança histórica na Terra, irão cheios de louvações a si para seus velórios vazios de bajuladores.

A corrupção está contagiosa em certos políticos

Chega a dar pena ver agora, assim tão esfarrapados moralmente nas desfeitas do desprezo público e espavoridos ante as caçadas da lei, nos covis dos Poderes, políticos dantes tradicionais nas referendas das honrarias a estadistas. O Brasil está pasmado no povo. Por mais devastadora e angustiante que possa ser a execração à conduta aviltada dos que se desregularam no caráter, é a desoladora decepção que modela a frustração dos que acreditaram nas maciezas do descaramento dos demagogos e, sobretudo, desencantam-se com a política ao ver os maciotas do populismo se acobertando, atuantes, em todas as escalas oficiais e privadas da corrupção.

Anteu, filho da Terra, obrigava todos que passavam pelo deserto da Líbia a brigar, e sempre matava seu adversário. Ele usava as ossadas para construir um templo para Poseidon, seu pai. Héracles, contudo, descobriu a fraqueza do gigante: percebeu que nunca venceria Anteu atirando-o contra o chão, pois ele ficava forte em contato com o solo. Levantou-o, pois, mantendo-o suspenso até matá-lo

O Brasil continua aos solavancos da corrupção se apodrecendo nos que o carregam pesados dela no Executivo ditatorial, no Legislativo autoritarial e no Judiciário imperial, nobilitados no santo ofício de redimir os pecados dos Paraísos da Corrupção, e criou-se a República do Pânico no Ministério Público onipotencial na imunidade funcional, quanto a eventuais exageros em suas denúncias, nem sempre consistentes, por isso tem perdido muitas ações por denuncismo injurioso, difamatório e calunioso às honras de pessoas inocentes, desrespeitoso ao recato dos sérios no Poder e à credibilidade do próprio País. Esse mundo atual está de dar vontade na gente de bater em alguns parentes e ir-se embora da Terra. A vida tem mordido tão doído e batido tanto com tapas brutais em amigos meus importantes, que me entristeço ao sabe-los nos crimes dos governos e me faz sentir mal ao vê-los desonestos. Dá-me na intuição o pressentimento de ver mortos andando vivos. As mudanças presentes na Terra não acatam os reparos dos retoques. Chegam prontas e perfeitas do Céu. Serão concluídas pontualmente e não há nos poderes terrenos força capaz de adiar ou impedir a sua implantação. Os acasos não interferem no súbito dos acontecimentos surpreendentes. Tudo da turbulência nas reviravoltas das ascensões ao júbilo e no revés das quedas ao desgosto nas bandejas do mundo, está regulado no caldear celestino das queimas do mal nas luzes do bem. O Sérgio Moro não é sozinho no juiz. Ele é muitos jur is cultos no iluminado do espírito. Nem o Lula está só no isolado das provações do cárcere. Muitas almas estão ao seu lado e falam nas vozes da consciência que nos piores dos sofrimentos está a melhor lição para reduzir ainda nessa vida, o menino pobre que veio com a missão de acabar com a corrupção no Brasil e desviou-se do seu destino nas tentações da riquezas facilitada ao poder dos governos da Nação. A corrupção não é uma no Lula. É plural na casta das autoridades brasileiras e modal no escol do empresariado nacional. Até

no claustro do seu extermínio, a corrupção é congenial nas transfusões pingando nos alojamentos das prisões e nos implantes nas veias abertas jorrando nos porões dos paços. O estado de saúde moral do Brasil é tão grave no governo que os doutores da lei correm risco, devido a pressa ante o acúmulo das operações de urgência, de pegar infecção hospitalar no material contaminado, colhido nos focos de delações nos diagnósticos dos laboratórios do denuncismo. Já que não há forma mágica de se inventar um antídoto para a imunização em massa dos políticos com imunidade baixa na honestidade, existe a solução descoberta na fórmula química da assepcia preventiva e que deve ser regulamentada como obrigatória e geral para todos os contactos da população com o Governo. Afinal, o câncer gera o tumor maligno germinador de metástases nos órgãos do corpo da pessoa, o doente entra na fase terminal, mas não é contagioso. A corrupção é o câncer do caráter. Cria nódulos malévolos alimentadores de bactérias patogênicas nas células do organismo dos Poderes públicos, a credibilidade das autoridades entra na fase final na confiança do povo e é transmissível no convívio. Portanto, nessa campanha eleitoral, todo eleitor deve lavar as mãos com um desinfetante depois de ser cumprimentado por certos candidatos.

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Marcola

Pressente-se o rascunho de um mundo novo criando forma na Terra e já surgindo as primeiras cinzas do Fim dos Tempos, anunciado por Jesus Cristo no Sermão Profético. Só os tronchos nas ouvições das ignorâncias matizadas e os caolhos nas olheiras das feiuras matizadas, não se encantam com a maravilhosa movimentação, a céu aberto, da primavera, do verão, do outono e do inverno se reposicionando nas estações do ano e readequando o ciclo da chuva, do estio, do calor e do frio às mudanças do tempo nas regiões. Os arregaços dos fenômenos da natureza a escancaras na face do Planeta, por enquanto são restaurações das belezas demolidas e dos tesouros destruídos pela ambição humana e, por mais que os transtornos pareçam fatalidades escabrosas, são surras piedosas do Látego Divino. Na inusitada repetência do disparate de flagelos acontecidos atualmente, não houve um só fato díspar no conjunto da tragicidade dos episódios. Ao contrário, soaram harmônicos no ribombo das calamidades, como os instrumentos afinados da orquestra na Abertura Solene Para o Ano de 1812, de Tchaikovsky (foto abaixo). Os bombardeios, a fogo-cerrado, das catástrofes barulhosas e sequentes, ressuscitam vulcões enterrados aos vômitos de fogo na terra escorrendo derretida das montanhas, sepulta cidades na tremura dos terremotos, desmantela rochedos na varreção das tempestades, afoga paisagens nos mares entornados nos prados e, enquanto isso, as tragédias detonam surtos epidêmicos e violentam vidas nas chusmas de doenças, rasgam virtudes de crianças na tara de pais, envenenam alimentos nos agrotóxicos fertilizantes da produtividade dos cereais, escondem no baixo investimento do governo na educação o estímulo à comercialização do ensino nos colégios particulares e o incentivo à expansão das escolas do crime organizado, onde a julgar pelas legendas de tantos políticos, em breve faltará espaço nas celas dos presídios para os bandidos comuns; pois, ao reler as páginas das Sagradas Escrituras, não se pode ter dúvida de que entramos na era das expiações reveladas por Jesus a João Evangelista. A intensidade das ocorrências simultâneas de cataclismos e de flagelos ungidos nas tragédias é para que se cumpra, integral na Natureza e absoluto na Humanidade, o resgate das desgraças do pecado. Assim será. Já está sendo. E, a cada dia, o mundo ficará mais adverso e penoso para o perverso que demorar se render ao generoso. Estamos assistindo o nascer do tempo prometido por Jesus Cristo há dois mil anos e presenciando, em nossa época, a iniciação do bota-fora dos sequestradores das adorações de Deus à vida em todos os mundos da Terra. Abriu-se a porta de saída dos inquilinos do mal nas hospedarias do bem. É o momento da Extrema-Unção, o viático dos condenados que infectaram a raça humana com o vírus do Mal, e conspurcaram a mais sublime obra do Criador. Cumpriu-se o tempo do arrependimento e não mais serão redimidas as mentes tenebrosas que apagaram a luz do espírito envolvendo suas almas no manto das trevas. Sujaram-se no Céu nas coisas da Terra.

Sujaram-se no Céu nas coisas da Terra O Brasil está órfão de patriotas nos líderes e espremido no corredor das facções da corrupção enraizada no capitalismo e no comunismo. O arcabouço das organizações decisivas, no lastro da sociedade, está fundamentado no capital bifurcado

no privado e no estatal entoiçado de Hermes, com uma das mãos lá e a outra cá no dinheiro que traz o céu aos bons e leva os maus ao inferno.

Abertura Solene Para o Ano de 1812 é uma composição de Tchaikovsky na qual se comemora o fracasso da invasão francesa à Rússia, em 1812, e a subsequente devastação da Grande Armée de Napoleão. A estreia do concerto aconteceu na praça, frente ao Kremlin, com orquestra, banda de metais, coro e canhões que deveriam disparar 16 tiros, acionados pelo regente, além dos sinos das torres do Kremlin, e os da nova catedral do Cristo Salvador CONTINUA


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LUZ QUEBRADA

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

A vida ficou

a preços nas pessoas sem gente nelas A corrupção é a chaga transmissora de todas as agonias degradantes do caráter, desde a primogenia humana dos espíritos reencarnados na Terra para resgatarem os pecados de suas vidas interiores e, redimidos, merecem a graça da evolução para a Vida Eterna. Ao fazer-se carne há dois milênios, o Cristo saneou a Humanidade dos pecados originais que herdara dos ancestrais primevos, e lançou a semente do Amor e do Bem. Nessa Sua segunda vinda gloriosa, o filho unigênito de Deus ceifará a seara do Pai, e livrará o mundo dos pecados mortais relacionados a cada uma das sete perdições na avareza, gula, inveja, ira, luxúria, orgulho, preguiça praticadas voluntariamente. Virá ensilar o trigo da bênção e atirar ao fogo eterno o joio da maldição que contamina os corações humanos. Será o banimento das almas dos danados, que se entregam à cobiça e ao egoísmo que impedem o germinar da Absoluta e Perfeita Beleza da Criação. Nos isolados da meditação e nas falas do silêncio enxergamos e escutamos mundos que não os vemos nem os ouvimos nas rasuras da vida material. A vida ficou a preços nas pessoas sem gente nelas. O Planeta é servido ao mundo dos Vendilhões do Templo. A corrupção tem mais elos enlaçados os líderes dos 193 países que tentáculos nos polvos dos 7 mares. Os deístas devotos ao fisiologismo deitam-se nos casulos do egoísmo e, saciados no farto do dinheiro público, desfilam orgulhosos nos passeios dos aplausos nas solenidades, esquecidos que toda passarela é em cima das tábuas da vaidade. Vivem o avesso ao magnânime na avidez magnata. Não se percebem à tona nos esfacelos da perversão humana que era acomodada ao fundo dos poderes terrenos intercambiados no mal em todas as nações.

O Brasil exporta

corrupção e engorda corruptos no governo No Brasil o transe universal do Planeta encadeia-se extremado no ansioso das almas, talvez por ser a pátria demarcada no vaticínio do santo genovês Dom Bosco como a nova Terra Prometida. A lógica da vivência milenar não lucida a desconexão dos condutores de povo nos entraves do ciclo da ascensão humana nas atuais mudanças, bem maiores que as outras evoluções ocorridas no transcorrer de todos os tempos. Só a intromissão de legiões dos espíritos obsessores explica, pois, o revezar das danações de autoridades geradoras das mazelas, e estarem agora como mentoras do combate às corruptelas, quando, em verdade, cada qual atual como herdeira na disputa dos melhores quinhões das falcatruas nos Três poderes. Apesar de existir em Brasília danados que o bispo Cagliari teria muito a aprender com eles, mas dessa vez acabou-lhes o sem-fim no poder. Conhecerão o látego do Redentor. Desabarão todas as moradias da corrupção nos condomínios de luxo nos poderes. O Brasil exporta corrupção e engorda corruptos. É entupido de bobos na política e tem cevas de caducos no governo. Existem cáfilas de ladinos pontuais nas deslealdades, ligeiríssimos nas mentiras, repentinos nas ingratidões, tão sutis nas punhaladas que não sai nem sangue nas costas amigas e há alcovas com divisória privativa nas adegas da embriaguez pelo poder, bem à vontade, ou degustado no champanhe e uísque ao gosto dos nouveaux riches, ou ao paladar da janotada nas cachaçadas e cervejadas dos bobocas. E tanto vê-los empobrecerem e emburrecerem a política. Não há, pois, o que ser comemorado nos Três Poderes da República do Brasil. Cristo resgatou nos martírios nossos pecados originais há dois milênios. Agora os cristãos purgarão nas aflições seus pecados mortais dois mil anos. A corrupção é a velha da Terra, gerada no remoto dos tempos e a senhora matrona oculta nos mandos de todo governo. Como as fêmeas têm períodos de fertilidade, essa ave de rapina tem ciclos de gorar os chocos. As ninhadas esvoaçam, voam nas trocas de poleiros, criam as cristas, bicam-se nos terreiros, depenam-se aos saltos nas unhadas, ferem-se e até morrem nas brigas. As mais gordas, para as panelas. Assim está a fuzarca de garnisés dos políticos aos frangalhos nas rinhas da corrupção. Dá pena vê-los tão distraídos, ou encharcados de ódios, ou empanturrados de ganância, ou enferrujados de sectarismo ideológico, ou intoxicados de fanatismo religioso, ou empavonados de celebridade, ou estagnados no embobamento, ou estacionários nos er-

Astrônomo belga Luiz Cruls, naturalizado brasileiro, foi encarregado de chefiar a Comissão constituída de geógrafos, agrônomos, engenheiros, médicos e militares. Batizada de Missão Cruls, idealizada por Pedro II, seus 21 membros saíram do Rio em 9 de junho de 1892. Foi no governo do marechal Floriano Peixoto, em 1892, que deu-se a criação da Comissão

tornam-se luminares da sabedoria transcendental e, redimidos das falhas humanas, são preparados para nova missão nos mundos do Universo e reencarnam na busca de aprimoramento para irem à luz da vida eterna. A distância nunca esteve tão grande entre os ricos e os pobres no Brasil. Os políticos estão longes do povo e falidos de votos na desconfiança dos eleitores. As oligarquias dos parentes na corrupção formam bases aliadas dos herdeiros nos partidos e, cada qual, disputa mais ardoroso os melhores quinhões nas partilhas do Poder. O governo cambaleia no remanejo dos escândalos e se segura nas embromas do insolúvel no sementeio das crises. O presidente da República é invicto no rejeito eleitoral. O desemprego bate recorde de multidões nas praças públicas. Os presídios abarrotam-se de celebridades arrastadas do alto no roubado a mãos-cheias do erário. E de Estado a Estado na inteireza do País, a saliência de certas candidaturas evidencia a prevalência dos celeiros ocultos da corrupção nos próximos mandatos. Só em Goiás são tantos que, cassá-los nessas eleições, é tão dificultoso quanto caçar carrapatos nos cerrados goianos.

Há mais políticos com

tornozeleiras do que modelos com braceletes

Atlas escolar luso-brasileiro, de 1927, quando não existia Goiânia. Capital era Goyaz, depois Goiás Velho e, hoje, Cidade de Goiás. Ferrovia terminava antes de Bomfim (Silvânia). Anápolis era Santa Anna; Luziânia, Santa Luzia; e Planaltina, Mestre d’Armas. A área prevista para o Districto Federal, o Retângulo Cruls ou Quadrilátero Cruls, era maior que a atual, incluindo Corumbá e a lagoa Formosa

ros, e sendo atados pelas leis às varas criminais da Justiça como as aves domésticas vão penduradas pelos pés nas manguaras dos galinheiros uma a uma para as cozinhas. Foi assim. Não será mais. Antes eram as leis dos homens, executadas por juízes. Agora é a Lei de Deus, cumprida por Jesus. O joio ao fogo. O trigo à luz. Deu-se o princípio da separação dos bons dos maus. Os inocentes que padecem condenados, não se lastimem. Reflitam-se. Os culpados que comemoram absolvidos, não se vangloriem. Ponderem-se. Os que julgam, condenam, absolvem, não se exaltem. Preocupem-se. Não há nada nos do Poder que estão presos, que não esteja tudo nos do Poder que estão soltos. Rezem todos. “Confiteor peccatum meum: mea culpa, mea culpa, venit tempus paenitudo mea tempus cetero me non peccatturum quoniam ego peccator, Vole ut Em agosto de 1883, Dom Bosco, como é mais conhecido, sonhou que fazia uma viagem à América do Sul – continente que jamais me nom peccaturum pecvisitou. No sonho, ele passou por várias terras entre a Colômbia candique fiduciam, et mie o sul da Argentina, vislumbrando povos e riquezas. Ao chegar à sericordie tuae, Kurie eleiregião, entre os paralelos 15° e 20°, viu um local especial, onde, nas son, Christie eleison, Kurie palavras de um anjo que o acompanhava em sua visão, apareceria eleison”. (Confesso o meu “a terra prometida” e que seria “uma riqueza inconcebível” pecado, minha culpa, minha culpa. Chegou o momento do meu arrependimento, o momento resgatá-los a horas contadas, pois, na escola de confessar os meus pecados, pois sou pe- dos que serão os que colheram e continuam cador, quero confessar meus pecados e con- nos plantios da corrupção, serão desembarfiar na Vossa misericórdia. Senhor, tende pie- cados da Terra para o planeta primitivo Quídade de mim. Cristo, tende piedade de mim. ron e habitarão anos-trevas no umbral a purSenhor, tende piedade de mim). gação dos pecados mortais cometidos aqui. E, ali, expiarão o horror de todo o mal que fizeram. Depois, ainda convalescentes, são ins oligarquias ternados no hospital para tratamento nas enfermarias das sequelas, às vezes tão lesivas ao dos parentes corpo físico, que deixam cicatrizes na alma. na corrupção Já recuperados, recebem alta e passarão por um período de readaptação ao convívio esOuçam-se na consciência. Levem-se ao piritual. Reveem parentes e amigos de vidas coração. Conversem com o seu menino e o anteriores e, dentre esses, os que lhes criaram seu moço nas saudades suas e se devolvam embaraços nessa existência terrena. Vários se aos sonhos que os anos levaram. Voltem-se apaziguam. Diversos se mantêm equidistanpara aonde esqueceram-se de Deus. Reve- tes. Os que se penitenciam, evoluem, ingresjam-se nas relembranças em quais dos sete sam na universidade, aprimoram o conhecipecados mortais ofenderam a vida, e terão de mento com o os mestres da Espiritualidade,

A

Muitos contemplam estrelas às noites nuas de nuvens, e não sabem que não as veem, mas o que avistam é o final da luz delas onde o olhar alcança no céu, pois muitas nem existe mais nos infinitos do Universo, porém suas luzes permanecem viajando no espaço-tempo milhões de anos. Assim também se iludem muitos dos líderes brasileiros que espiam o ruir despedaçador do todo no vasto dos poderes endurecidos na corrupção, e não se observam aos cacos no lambuzo das vergonheiras com suas imagens espelhadas nas abocanhas no tempo dos anos de muitos governos. Perderam o contato com o cérebro. Não se olham sendo esmagados, hoje, nas trituras do rebuliço mudancista. Veem-se ainda nos embuços do bulir daquelas épocas antanhadas. E não se enxergam na chegada das explosões vindas das eras do Apocalipse. Tirem-se do opaco nos ágios. Ergam-se ao brilho nos livros. Limpem-se dos atrasos. Esvaziem o coração dos ódios. Estudem. Estudem. Estudem a história dos idealistas nos patriotas e nos santos. No épico de Dom Pedro II, passarão a saber que nunca antes o Brasil foi assim tão bagunçado, esbulhado e desgovernado como na quadra atual dos anos. No templário de Dom Bosco, começarão a entender o determinismo das mudanças que sacolejam todas as tradições adormecidas no muito para uns poucos e em pouco para os sozinhos nos muitos, pois, essas mudanças são aquelas prometidas por Jesus a João e que, depois delas, o Brasil não mais voltará a ser assim e será a pátria da civilização que passará a governar a Terra nesse milênio. E todo o Planeta será a Terra Prometida. Os dias estão sem tempo para as horas sem proveito. As novidades surgem desatualizadas. As conveniências ficam assustadas nos seus arranjos. De repente, o estrondo do vexame. As caixas-pretas do confidencial, nos Poderes da República, são abertas por Moro, e a Nação passa a ver os governantes da corrupção nos palácios do Governo da República nos comensais dos presídios oficiais. As autoridades que se mantiveram silenciosamente e conciliadas às concordâncias cumpliciadas ao ilídimo, alvoraçam-se ouriçadas como se surpreendidas pelo que sabiam e referendaram. Uma porção fez fortuna nas obras públicas feitas a preços aviltados. Um bocado fez na lei crimes na injustiça feita a inocentes. Desescondam-se das culpas de outros e mostrem-se nas suas. Estão as ovelhas negras nos refugos dos cordeiros de Deus. Desçam a vaidade aos pés e subam a humildade à cabeça. E ponham-se em seu lugar merecedor. Fora do governo e longe da política. Antes que se ponham direto dos Três Poderes para os cárcares. Embora nessa campanha eleitoral, os governantes nos mandatos e os políticos candidatos estejam todos sorridentes nas fotos, nesse momento o cenário não está para rir no Brasil. Há mais gente famosa andando de tornozeleiras nas ruas que manequins com braceletes Cartier nas passarelas dos lançamentos de grifes, e mais ricaços emproados sendo hospedados nos presídios que camelôs correndo da polícia nos arrastões fiscais das feiras-livras, ou mais autoridades fotografadas nas viaturas da PF nas chegadas às portas das penitenciárias que celebridades filmadas nas limusines ao descerem recepcionadas nos festivais. CONTINUA


ESPECIAL

O governo se

Estamos na transição do chamado Fim dos Tempos, preconizado no Apocalipse pelo apóstolo amado de Jesus, João Evangelista, e entramos no princípio da plenificação do Reino de Deus na Terra, prenunciado pelo santo padrinho de Cristo, João Batista. Desde o ano 1 do século 20, a Era Cristã rasga o véu do mito nos dogmas e desmonta os trampolins da inversão de valores, expostos ostensivamente nos empilhamentos do atraso no místico e nas montanheiras da podridão nos domínios terrenos; todavia, tudo está sendo esboroado pacientemente para que todos redimam-se a tempo de receber o perdão, e compassadamente executado para que nada mais fique encoberto e toda mácula se desintegre no ar das mudanças à mostra nos povos do mundo.

A distância deserta entre os ricos e os pobres no Brasil

A corrupção amaçarocou geral o Brasil. Onde espremer, sai culpa. Até em mim. Quem disser que não deve uma inocência à vida, mente. Quem se julga santo, peca a verdade. Os governamentais, os parlamentares, os magistrados, os eclesiásticos, os empresários, os militares, os policiais, os procuradores, os mendigos, os chefes da família devem decorar e auto-ouvirem diariamente essas palavras: “Por que reparas no cisco que está no olho do teu irmão, quando não percebes a trave que está no teu olho”. (Cristo) Façam jejum da corrupção. Confessem no oratório da consciência as violações aos 10 Mandamentos. Comunguem a hóstia no pão sagrado na água benta do próprio suor. Renunciem-se do que são em si nos foragidos da alma. Ou preparem-se para receber a extrema-unção enfermos de pecados mortais. Ou se diminui entre os brasileiros a crescente distância desértica entre os ricos e os pobres, ou correrá mais sangue nas terras que água nos córregos.

Cláudio Manuel da Costa foi um advogado, minerador e poeta português do Brasil Colônia. Destacou-se pela sua obra poética e pelo seu envolvimento na Inconfidência Mineira

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O povo faz revolução. Político faz golpe de Estado

desintegra no ar das mudanças Os atuais chefes do Estado não se seguram por muito tempo nos poderes da Nação. Perderam a estrutura moral. Estão caindo seus alicerces na corrupção. Para mantê-los no tráfico de influência da locupletação, o Brasil pesa, nas costas da sociedade produtora e trabalhadora, a maior carga de tributos fiscais, agregada no disparate de taxas tabuadas no número de impostos, superior ao de todos os países, para manter o governo sustentado na corrupção que arquibilionariza políticos na arrendação de propinas superfaturas nas extorsões confiscadas das sonegações nos ágios agraciados pelas concessões de incentivos fiscais. Colheram no alheio a fome posta em todos os pratos vazios. Corram, já, de onde estão nos bens excedidos ao necessário para o bem precioso que é a vida, pois tudo que é feito de terra à Terra retornará, inclusive o nosso corpo, quando o espírito retornar ao mundo de onde veio no Céu. Desfaçam-se, às pressas, das coisas ajuntadas na usura, e conscientes de que o arrependimento é confissão vã da intenção de praticar o bem, se não houver a penitência da renúncia na prática da recuperação do mal cometido, por que Jesus já está em Espírito entre nós e começou a cumprir o prometido Juízo Final. Escutem a verdade no alerta dos iluminados: “Muitos espíritos que foram políticos na Terra estão em lastimável situação na Vida Espiritual”. (Chico Xavier) Ouçam o conselho do sábio: “É tempo de travessia e se ousarmos não fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”. (Fernando Pessoa) Captem o transcendental na visão do gênio: “Se você ver a Lua, você verá a beleza de Deus... Se você ver o sol, você verá o poder de Deus... Se você ver o espelho, você verá o melhor da criação de Deus”. (Charles Chaplim)

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

Os políticos presos

por corrupção refletem a imagem dos soltos Por maior que seja o fascínio que leva o drogado a ver as cores da música e a ouvir a música das cores no psicodélico do LSD, mais arrebatador é o êxtase da inspiração que eleva o idealista nas idas ao transcendental para ver, ouvir, trazer e materializar o que está pronto no futuro. No mundo do toxicomaníaco, a substância química alucinógena cria no cérebro da pessoa fantasmagorias na sensação artificial do sonho. No mundo real dos inspirados, a pessoa vai no sonho ao verdadeiro nas dimensões da alma. Eis por que a soma das causas que flagelam o Brasil se divide desequilibrado na classe dos políticos. Sobram intoxicados no materialismo. Faltam imunizados no romantismo. No idioma falado na política brasileira, sinônimos e antônimos são comuns dos dois nos vernáculos do Poder. Esperteza qualifica a inteligência. Honestidade adjetiva a burrice. Desde o descobrimento no dia 21 de abril de 1.500, a terra de Santa Cruz fez a rota do desenvolvimento na catequese do levar vantagem em tudo até no batismo da pátria em homenagem ao tráfico do pau Brasil. E, atualmente, mais de dois terços do território nacional é sertão esquartejado por feudos políticos aquinhoados nas oligarquias da corrupção, que governam os 8.515.767,090 km² do Brasil, apossadas da vontade de 213.585.680 pessoas no povo órfão de líderes nos 27.400 m² da Praça dos Três Poderes em Brasília. Portugal subjugou ao provincianizado o Brasil ancorado um século no Rio de Janeiro e expandiu nas capitanias hereditárias o colonialismo estacionado em São Paulo, acampado em Minas Gerais e assentado em todos os cafundós da vasteza selvagem no interior, durante o ciclo do desbravamento das terras bravas pelos bandeirantes à caça de minas nas garimpagens de diamante, esmeralda, ouro, prata e no saquear de tesouros das nações indígenas. O império lusitano no Brasil Colônia, o pretexto das entradas e bandeiras entre os séculos XVII e XVII era fazer o mapeamento das fronteiras no interior para viabilizar o desenvolvimento brasileiro, quando, em verdade, porém, o propósito real era levantar a renda dos bandeirantes nos garimpos para taxar impostos e confiscar as pedras e os metais preciosos para o império do além-mar nas terras decantadas por Camões, pois os monarcas excederam-se em perversidade à crueldade dos bandeirantes na pirataria e matança de índios nas tribos, ao suicidarem Cláudio Manoel da Costa no cárcere e enforcarem Tiradentes em praça pública no massacre aos nacionalistas da Inconfidência Mineira. À exceção de Pedro II na Missão Cruls, de Getúlio Vargas na Marcha para o Oeste e a Amazônia e de Juscelino Kubitschek no épico de Brasília, a história do progresso brasileiro na legenda dos governos trilha nos roteiros da estrada das idas das metrópoles para as vindas do êxodo-rural para favelar as capitais de trabalhadores sem emprego, de crianças sem escola e de doentes sem hospital. As agonias sociais são fomentadas pelas metas dos governos do Brasil. Os programas de incentivos fiscais não priorizam a instalação de indústrias nas cidades do interior. Os planos de Educação burocratizam a fundação de universidades nas cidades do interior. Os investimentos públicos na Saúde são carentes nos recursos para cidades do interior. O agronegócio é fundamental para a economia do País

Charles Spencer Chaplin. Ator, diretor, produtor, humorista, empresário, escritor, comediante, dançarino, roteirista e músico britânico. Permitiu que o mundo pudesse sorrir em uma das épocas mais sombrias da humanidade: o massacre de Hitler aos judeus

afundado na criminalidade, e não se aplica na construção de penitenciárias com ensino agrícola e na fabricação de máquinas e implementos para a agricultura e a pecuária nas cidades do interior. Os governos construíram a corrupção nas obras públicas com o Brasil parado no progresso feito pelo presidente JK em Brasília e com os atuais governantes movimentados na Operação Lava Jato. Os líderes políticos alojados nos poderes do governo e os líderes empresariais acoplados à comercialização da política, precisam reverter a ótica de sua visão sobre as prevalências do desenvolvimento nacional concentrador das benfeitorias de progresso nos perímetros de suas influências eleitorais, e desovar o resto dos investimentos nas populações das periferias dos bairros e nas comunidades suburbanas das zonas rurais. Os currais eleitorais começaram a cair esvaziados pelos moços nos pátios das universidades. A profissionalização política da corrupção no Brasil, dividiu o povo em três populações. 10% à direita, finge gostar mais de dinheiro e menos do poder. 10% à esquerda, finge gostar menos de dinheiro e mais do poder. 80% ao meio, trabalham, quitam as dívidas do Brasil, feitas

Toda pessoa que se enriquece nos labores de mandato popular ou se grana em cargo oficial, não trabalha honesto, gradua-se a serviço do que não presta na vergonha que está um deboche do Brasil. Inclusive o próprio povo é cúmplice do bandoleirismo coletivado nos eleitores que votam nos bobos falantes pela voz dos governos donos da palavra na ordem das metas do progresso residencial nos recantos da demagogia no populismo. O lugar mais longe do Brasil é a sala do presidente da República nos derradeiros governos. Eles não vão sozinhos, direto, de surpresa, fiscalizarem o andamento das frentes de obras, ou comparecem a regiões isoladas para ouvir a opinião da população, como sempre fez em sua trajetória de líder desenvolvimentista Juscelino Kubitschek que, quando candidato a presidente, discursou em Jataí no comício de abertura da sua campanha eleitoral, foi interrompido, de inesperado, com a pergunta de Antônio Soares Neto, popular Toniquinho, que se fosse eleito construiria Brasília. A multidão explodiu em aplausos ao ouvir JK responder emocionado que faria e inauguraria no Planalto Central a nova capital do Brasil, e nascia ali, no interior de Goiás, a meta do estadista que mudou a história do País em um salto de 50 anos no progresso nos 5 anos do mandato de presidente da República. Já os líderes de refino metropolitano são autocratas. Não se desmisturam das castas zoadeiras de importância à beira das personalidades de si próprios e, por isso, não se atinam que, em certas ocasiões, é preferível a prudência de sondar a vocação do povo nas pessoas simples e acatar até a experiência dos matutos, por que, nos adágios ditos por eles, está a sabedoria de provérbios milenares. Se houvesse tido essa cautela, Ulysses Guimarães não formataria a Carta Magna parlamentarista no regime presidencialista, nem Fernando Henrique Cardoso teria manobrado a instituição da reeleição para presidente, governador e prefeito. Ulysses Guimarães não se exporia à descompostura cívica de partilhar a soberania do Brasil em dois regimes de Governo, e teria se sentido um apátrida. FHC se constrangeria de oficializar o continuísmo da corrupção, e não teria se recandidatado. O Brasil está um país esquecido no seu território continental e remarcado de atrasos nos arroubos interioranos de presidentes da República almofadinhas, criadores de terreiros do progresso amontoados de misérias sociais e milagrosas nas romarias dos devotos à corrupção. Em sinal de respeito ao entendimento de que há exceção em toda regra geral, limito-me a dizer que a maioria não está com o sentimento nos benefícios para o povo e está com o pensamento nas vantagens para si próprios. Se as terras brasileiras não fossem o cofre de todas as espécies das riquezas naturais, os chefões do poder teriam morridos magros nas corrupções.

Fernando Pessoa é o mais universal poeta português

no enriquecimento ilícito dos políticos corruptos e pagam até a conta das despesas das duas facções ideológicas nos presídios. A imagem das estampas nobres prisioneiras, reflete no cenário das celas a imagem dos vultos ilustres livres no panorama dos gabinetes. Existem tantos candidatos a governador, senador, deputado, e ídolos endeusados nas barulheiras da esquerda e da direita, que se fazem de autênticos nas denúncias de corruptos no governo ou nas críticas aos erros de companheiros, mas que, se fossem verdadeiros, não votariam em si mesmos nas próximas eleições.

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LUZ QUEBRADA

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

O governo espreme o Brasil nos pobres

ber, resistentes a livros, aconselhados por assessores chulos no conhecimento, cortejados nas comemorações à portas fechadas, confidentes na corrupção já à vista do povo e andam se desviando dos olhares nas ruas.

e alarga nos ricos

A

deserta nos 8.515.767,049 km² de chão generoso e árisociedade da na qualidade de vida humana, causada pelo separatismo está como social no imenso demográfise as pessoas co dos 208.494.900 de brasileiros na população agregadora estivessem do maior contingente mundial em feras nos de católicos, de evangélicos, de políticos espíritas e, todavia, não se compadece da enormidade numeral de brasileiros confinados nos Os líderes políticos e empreguetos dos excluídos dos direisariais estão todos reunidos nas tos humanos iguais para todas culpas da desordem moral de o as pessoas, proclamados e exerBrasil estar igualado nas autoricidos pelo maior cidadão de todades e nos bandidos, injusto ou dos os sábios que estiveram na justo, no fomento dos crimes de Terra, o senhor Jesus Cristo. corrupção como fato gerador do O fato da barbareza na irdesenvolvimento nacional ao almandade humana se torna incance das mãos mais espertas. compreensivelmente inexplicáOs focos do progresso são facAlexandre recebendo instruções de filósofo Aristóteles, seu tutor. O conteúdo, dada a dimensão do professor, vel por acontecer aqui no coração ções do impuro na política. era: natureza, lógica, animais, sociedade, matemática, a política, a poesia, a física e a ética. Aristóteles era um das terras da pátria do Evangelho. Os governos aquintalam multigeneralista, com grande visão e não há como negar sua influência nesse jovem, o qual, com a morte trágica do pai, Mas o atual presidente da Repúdões de sem-teto nos programas de tornou-se rei da Macedônia aos 20 anos e iniciou uma jornada que o transformaria em “Alexandre, o Grande” blica copia os demais que se presmoradia nas vizinhanças das cidataram a praticar o modelo que não des, sem ofertas de empregos e em presta do desenvolvimento. Por que áreas valorizadas que lucram proprieespremem o Brasil nos pobres e alargam tários ricos nas vendas majoradas nos preços nos ricos as terras brasileiras que medem e estimulam majorações extorsivas nos gaespaço com os céus e se encurtam nos nhos das empreiteiras construtoras das cachãos nas escrituras dos donos. sas nas vilas do plano habitacional Minha A expectativa do IBGE estima ser de Casa, Minha Vida. Ou encurralam legiões de 99.900.000 a numerosidade de famílias na sem-terra nos assentamentos do Incra, sem população de 208.494.900, ou seja, 47,9% do estrutura de máquinas e escolarização agrípovo brasileiro. Como o território nacional tem cola, todavia com doutrinadores da subleva8.515.759,090 km², se o solo pátrio for dividido ção social remunerados, bilhões do dinheiro equitativamente para cada chefe de família, público jorrado nas desapropriações astroforma-se uma área de 85.242,913 m² em um nômicas das glebas e rachado nos subornos quinhão de 8,524 hectares e a gleba de uma com segredos de Estado. chácara com 1,76 alqueire goiano que, bem Inseminam o favelamento nas cidades trabalhado, gera o sustento doméstico do lar e nos campos. E, tanto nos arredores dos e cria a independência econômica da família. sem-terra, quanto nas cercanias do semPobres e ricos, sejam irmãos, porque são -teto, a desolação do desequilíbrio social iguais nos filhos de Deus. contagia os sofridos do instinto de sobreOs chefes de Governo no Brasil têm divivivência em meio aos desesperos na fome, sórias do atraso na visão do moderno e não na doença e na penúria da família. A fadienxergam ideias. São prisioneiros do parado ga dos desvalidos oprime os pais a mendino ultrapassado. Estão nos estágios do cologarem comida e para matar a fome dos finialismo retocado nas lambuzeiras políticas lhos e remédio para salvá-los da morte. A dos feudos donatários da corrupção empervida se entorta nas mentes. O mundo perradora do progresso e gestora das entregas de gênios nas crianças sem escola nas baibaratas de estatais às empresas estrangeixadas sociais da pobreza. E, mais doloridaras, para se acobertarem nos enriquecimenmente, o esfomeante índice de desemprego tos ilícitos no endividamento delas e à vista deixa sem alternativa de custeio a sobrevinas fortunas de políticos. vência e ao avesso as opções de vida decenEmpobreceram muita gente sofrida no tes para os adolescentes paupérrimos. A disque se enriqueceram muito nas troças do paridade econômica empurra a juventude governo aos dignos. humílima para o consumo das drogas como As atormentações demoradas são incenfuga da realidade alucinante nos egoísmos diantes nos sentimentos, instigam revoltas da sociedade desapegada de Deus, como se incontíveis nos pensamentos, instalam fúestivessem pessoas em feras nos políticos. rias explosivas na caixa das emoções, alteram a estabilidade no quadro psicológico, vergonha do eleitor desregula a balança do senso no juízo, fraqueja a firmeza do caráter, e as pessoas fidizer em quem votou cam momentaneamente multipolares. Vanas últimas eleições cilam no equilíbrio mental. A personalidade natural é possuída por uma das muitas outras na diversidade dos temperamentos huExceções à parte, as sumidades do Brasil no manos. O cidadão vira outro indivíduo nele. Executivo, Legislativo e Judiciário andam preO pai medroso mata para salvar um filho cisando dar uma sumida dos poderes da Redo latrocida. O cavalheiro honrado reage pública, por que são precisamente os responferocidas em defesa da honra. A mãe, dorsáveis pelos desandos da Nação. mindo ao frio da noite com três filhos crianO povo brasileiro tem estado sozinho nos ças na calçada, para o movimento da rua na líderes. Raros, abertos ao futuro. Numerosos, juntada das pessoas à sua volta. O moço, atados ao passado. Múltiplos vagam chocos no apanhando sozinho de policiais na greve cérebro, gorados nas ideias aninhadas no antiBiblioteca de Alexandria foi uma das mais célebres da história e um dos maiores centros do saber da em praça pública, vira milhares na passeago, desovados do cívico, todavia, emplumados Antiguidade. Foi patrocinada pelo sátrapa do Egito, Ptolemeu, que era apreciador da filosofia grega ta contra o governo e nasce nele o líder no de oportunismo e grasnantes de populismo, coração de sua geração. O pai velho e morempoleiram-se no poder, voam alto e vendo to no asilo, não será esquecido mais nunca das que morrem. Alexandre ofendeu-se e a grandeza do Brasil com os olhos no bolso. e viverá para sempre no remorso dos filhos. condenou Aristóteles à clausura nas deA corrupção é persona tríade na resenha s políticos que Assim estão as pessoas ordeiras, pendências dos serviçais da corte. Porém, biográfica dos chefes de Estado e interpreno guerreiro, vindo no povo. quando acometido por uma doença súbi- ta bem os papéis dos coadjuvantes. Nos se desviam dos Cansado de corruptos nos ta e suspeita de envenenamento, Alexandre biltres dinâmicos que fazem obras e fazem olhares nas ruas governos do Brasil. mandou trazer Aristóteles. Queria voltar a se- corrupção. Nos ineptos sagazes que não faEnjoado de ouvir políticos guir seus conselhos. Era tarde demais. zem obras e fazem corrupção. Nos probos bobos falarem em Brasília. Se Alexandre, O Magno, que governou o desenvolvimentistas crédulos que fazem A santificação dos pobres e a demonizaMuita sede de Justiça nas leis. ção dos ricos é doutrinismo da politicoma- Mundo, teve como conselheiro o iluminado obras demais e os parentes e amigos fazem Assaltado na carestia dos preços nia social. Existem os bons e os maus nas Aristóteles, conviveu com os mestres do saber muita corrupção no governo. nos alimentos e nos remédios. Assim é o feitio do retrato histórico na molcastas da elite e da plebe. A vida pública na Biblioteca de Alexandria, e se sentiu tocaPerplexo de espanto nos perigos é recheada de nomes dos que entram po- do pelo celeste nas áureas do poder terreno, dura do desenvolvimento brasileiro. Desde dos crimes soltos nos bandidos. bretões e saem ricaços da política, como se dá-se para imaginar o dantesco do deslum- os caminhos de penetração dos BandeiranFomes demais de progresso. sabe de muitos em Goiás, ou dos milioná- bramentos de governantes escassos do sa- tes nas buscas de jazidas de ouro, diamante, Preguiça demais votar nessas eleições. prata e esmeralda na colônia, aos estágios da rios que se elegeram a governador e a seSaudade demais de um estadista de vo- nador e terminaram os mandatos em difiocupação dos baldios nos perímetros urbacação desenvolvimentista para salvar a Na- culdades financeiras, como se deu com o nos para agasalhar núcleos residenciais e seção de continuar sendo construída pelos humaníssimo Onofre Quinam. diar polos industriais, o progresso tem sido mesmos líderes que a destroem nas manouma estrada aberta para o êxodo-rural e o A dimensionalidade dos poderes no gobras de seus objetivos pessoais encapados verno é vendaval de tentações da vaidade encriatório de minas do dinheiro público para as camadas nobres e o sugadouro de imposdeusadora das pessoas não-humildes com nas metas das obras do Governo. tos das massas singelas. O Brasil está ficando O Brasil precisa ser acudido pela interven- o alucinógeno da onipotência nos cantosmuito perigoso no crescimento de muitas disção popular unânime nas urnas eleitorais. An- -de-sereia. Os líderes se tornam autoidólatâncias entre os ricos e os pobres. tes que o País se rache ao meio na unidade do tras. Obsedam-se de deuses e se endiabram O governo do Brasil anda na contramão ideal patriótico e seja induzido pelos políticos multipolares no alienado da personalidade. do progresso, transporta corrupção na boleia, Alexandre, o Grande, rei da Macedônia, multipolares, vários possuídos pelas conviclotado de flagelos sociais na carroceria, desções sectárias da direita capitalista do déspo- da Pérsia, faraó do Egito, o Senhor Todo-Pocarrega criminalidades nos estoques do deta sanguinário Adolf Hitler, diversos seduzi- deroso do Mundo (de 323 a.C. a 336 a.C.), foi semprego às portas da fome, à míngua nas dos pelos fanáticos dos dogmas do socialismo o criador de um dos maiores centros do sadoenças e nas vizinhanças da insubordinana esquerda do tirano sanguinolento Joseph ber na instalação de diversas escolas de penção civil. Suas Excelências cometem o crime Stalin. Porém, as militâncias das duas facções samento sediadas na Biblioteca de Alexande lesa-pátria ao miserarem o País com a poideológicas são liberais ao extremo nos pactos dria. A celebridade psiconeurizou o monarca breza moral em Brasília. Afamaram-se na poda corrupção comparsada equitativamente, com o maravilhamento do eterno. Alexanpularidade do banal, de o eleitor ter vergonha às claras para as hostes da direita, às escondi- dre ordenou a Aristóteles que o proclamasOnofre Quinan foi político e empresário de dizer os nomes de alguns candidatos que das para os ativistas da esquerda, ambos de- se Deus. O sábio recusou-se e ponderou que brasileiro. Governou Goiás de 13 de fevereiro votou nas últimas eleições. ele não era Deus, mas uma pessoa como tomocratas por fora e ditatoriais por dentro. vastidão

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de 1986 a 15 de março de 1987, foi senador

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ESPECIAL

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Cachoeira Santa Bárbara, Chapada dos Veadeiros

Cinco êxodos no destino do Brasil

O direcionamento das metas dos últimos presidentes da República planeja o empobrecimento do Brasil no êxodo-rural desabitando os campos e superpopulando as cidades. A marcha do crescimento econômico inverte a rota das prioridades do desenvolvimento nacional, ao centrar a maior carga dos investimentos oficiais nas metrópoles e despejar as sobras nas periferias sertanejadas. E constrói-se oficialmente o enredo de uma tragédia humana para o Brasil, já rascunhada nesses capítulos:

Nos incentivos fiscais abundantes que anelam monopólios de indústrias grandiosas nas metrópoles congestionadas, quando o governo devia investir na reversão do êxodo-rural, condicionando a liberação do erário à implantação dos parques industriais nas cidades interioranas, criando-se uma aliança na geração de empregos com a criação das escolas de ensino profissionalizante. Viram atraídos outros valores adjacentes nas civilizações modernas. Nos programas da política social para os sem-teto nas bordas cidadinas entulhadas de gente desprovida de rendas, e para os sem-terra nos chapadões vazios de mercado comprador da produção agrícola, quando as linhas de crédito da Caixa Econômica, do Banco do Brasil e do BNDES deviam ser agregados ao plano econômico do governo de se criar o êxodo-urbano com a missão de abrir fronteiras do progresso nas terras improdutivas, transformando os sem-teto e os sem-terra como pequenos proprietários. E cria-se no Brasil a epopeia da civilização freadora da desertificação das terras pelos empreendimentos criadores de lucros agrupados na destruição das riquezas invejadas pelos povos dos 192 países do mundo. Na enormidade dos custos do governo federal, dos 26 governos estaduais, dos 5.570 governos municipais, e no excesso de órgãos e de autoridades no Executivos, nos Legislativos e nos Judiciários extrapola exageradamente ao necessário que o Brasil endividado aguenta carregar e, sobretudo, está insuportavelmente pesada a sobrecarga escorchante dos impostos nas costas da população esgotada na paciência com a ociosidade autoritária reinante nos Poderes. A continuar o passo a passo nas jogadas da corrupção, a qualquer instante, de inesperado, o povo brasileiro vem nas multidões e inaugura no épico das mudanças o êxodo-oficial dos corruptos na história da Humanidade Cristã. A corrupção agoniza. É só o começo. E o princípio dos martírios tinha que ser aqui. O Brasil é a pátria da civilização que passará a governar o Planeta ainda nesse milênio, após terminar a separação do joio do trigo, já iniciada. Será o êxodo dos corruptos da Terra. Mas há um êxodo que redimirá dos quatro êxodos os brasileiros que foram para as pragas do egoísmo na conquista das plagas nas terras, e os salvará na elevação da pessoa ao espírito. É o êxodo-interior na emigração do Mal e da imigração no Bem.

Alto Paraíso

jos na Junta Comercial, de que ao rabular das demandas nas alçadas da Justiça Eleitoral. O tempo das mudanças apocalípticas conta os dias dos últimos anos da transição planetária do Mal para o Bem em todas as formas do poder humano na Terra. É preciso ser verdadeiro. E ser verdadeiro é reconhecer os erros. Os adultos que não se reconduzirem à bondade da criança inocente, descerão na vida a mundos primevos, onde se escaldarão em seus ódios, se machucarão nas dores de sua consciência, se ouvirão nas vozes silenciadas por suas vinditas, se contorcerão nas cólicas do alheio empanzinado em seu bucho insaciavelmente barrigudo nas cobiças. Ah! Se soubessem do que os espera, esses que se corrompem no idealismo das ideologias políticas, nas teologias religiosas do cristianismo, na fisiocracia dos primados da economia, soberanizam-se ávidos nas faturas do egoísmo, deslumbram-se nos prazeres da vaidade, tonteiam-se de poder e sentem-se semideuses em sua onipotência sobreposta à humilhação dos simples. Vaguem no ocaso das longevidades do atemporal até percorrerem todos os sofrimentos que causam na Terra. E purgarão no cárcere dos remorsos até reencontrarem, dentro de si, a criança que lhes abrirá a grade dos séculos.

A semelhança do Brasil com o Paraíso da Gênesis O Brasil é o canteiro da Terra no jardim das linduras na natureza abençoada na paz dos céus iluminados por uma cruz de estrelas e na generosidade do solo com um coração na feição do território, preservado do derretimento de morros na fogueira dos vulcões; das rebeliões dos chãos se rasgando nos terremotos; dos oceanos afogando as cidades nos tapas dos tsunamis; dos desertos nas terras se torrando na luz do sol; dos ventos se reunindo nas tempestades endoidecidas; das geleiras derretendo o armazenamento das águas e, no máximo, as intempéries climáticas empoeiram as nuvens na friúra das neves nos grãos das geadas. Aqui é onde o Céu se ajoelha no beijo dos horizontes ao chão. O Paraíso da Genesis se desenhou no Brasil. As distâncias se espicham no cansaço do

olhar não se cabendo nas lágrimas se enxugando na solidão dos sertões. As florestas jogam frutas maduras no chão para os bichos e passam o perfume das flores no ar para os pássaros. Os rios escorrem no nado dos peixes o céu à mostra no cristalino das águas viajando para o mar. As noites se enfeitam nos flertes das piscadas na luz das estrelas se oferecendo no teto da imensidão. Os dias passeiam as nuvens riscando relâmpagos na acesura do sol no azul e as campinas se abanam do calor das brisas para receberem as festas das chuvas. As manhãs se tingem de ruge nas auroras e os crepúsculos se despedem nas saudades do canto das seriemas. E o Céu sai à janela para ver aonde Deus se descansou no 7º dia. Essa pátria nativa do Pau Brasil é uma terra paradisíaca até semelhança da paisagem humana na predominância dos Poderes da República. Tem muito Caim na política. E tem Adão muito obediente à Eva no governo.

Os coveiros inocentes

dos políticos corruptos que enterram o Brasil O panorama no mundo político lembra a imagem poluída de um rio ao cortar a paisagem das grandes cidades brasileiras, escorrendo lento, quase parando, podriqueira represadas no fundo do leito, lixos entulhados nas margens, detritos flutuando espalhados à tona das águas barrentas e exalando no ar os puns do rio. A corrupção inundou o Brasil. Transborda das nascentes à foz na confluência dos Poderes. Minas em toda parte, às vezes filtradas e canalizadas, às vezes evapora-se ao sol no ar, às vezes congelada e as casacas, fraques, black ties, smokings, togas, fardas e batinas ficam suadas de frio em todos os mananciais da high society. E se houvesse concessão estatal de poço artesiano para captação dos lençóis freáticos nos quintais, o líquido do ilícito estaria escorrendo nas torneiras, com tamanho

consumo, que teria de ser decretado racionamento de consumo da corrupção. A vida é a estrada de muitos caminhos nela, um para cada pessoa, e quando outrem se intervém no mundo de alguém, cria-se encruzilhada na rota dos destinos, abrem-se desvios no rumo dos ideais e a maioria das pessoas se perde nos talhos da vocação, algumas seguem pesadas na garupa de uma só. Essa vai indo e se cansa, não aguente mais e se livra da carga. Aquelas vão para os trilheiros e errantes, caminham nas suas poeiras e jogando-as no benfeitor. O fato concreto é que, de fato, o fato econômico sobrepujou o fato político, o fato social, o fato religioso, o fato moral e germinou nas rapas do romantismo essa merdera humana nos estrumes do materialismo contagioso na civilização contemporânea. A presidência da República está fantasma no cemitério dos planos natimortos e no velório do resultado das pesquisas de opinião pública do Ibope, Datafolha e Vox Populi. E já tem jeito de coroa de flores no funério das eleições. O povo chora a saudade de um presidente desenvolvimentista desde os idos que a democracia perdeu Juscelino Kubitschek no acidente-conspiração armado pela ditadura militar. Os outros foram acomodadores de pontas das classes sociais no acolchoado das ideologias; as cabeças nos travesseiros com fronhas da direita e da esquerda, os corpos nos cobertores tecidos nos teares da corrupção. E o Brasil dormindo no chão. A Pátria é rica e endividada. Está pobre de patriotas nos apátridas enriquecidos nas dívidas. A nossa História é cheia de estadistas que se destoaram das metas de retrocesso do Brasil no governo e está mais cheia ainda de líderes que se entoaram nos programas da estagnação do Brasil no governo. Os retrógados estão de cima do poder e acima do povo. Os evolucionários estão debaixo do chão ou em baixa na política. Os brasileiros estão uma procissão de esperanças chorando, mortas, à espera de uma ressurreição do sonho no Brasil. Para acontecer esse milagre da ressureição, só depende da devoção cívica do povo ao fazer, com fé, o voto no altar das urnas eleitorais. Pois o Brasil precisa ser desenterrado dos mandatos dos políticos infectados na corrupção e que estão brigando, cada qual, para tirar a parte dele nos três espólios do Poder. Existem dois tipos de políticos muito em voga na quadra de Bolsonaro. Os rejeitos de livros. Neles há mais burros nos diplomas que bois nos campos do Brasil. E os extraviados dos caráteres. Nesses, a honra vale a esmola que não enche o bolso. Os eleitores que votam por amizade ou a soldo nos candidatos, servem-se de coveiros aos políticos que enterram o Brasil nas covas da corrupção. (Por isso, sempre me posicionei contra o voto secreto e a fado do voto em aberto, e declarei o meu voto em artigo assinado em todas as eleições. Com o nome do eleitor manifesto no voto, dá para se fazer o levantamento do coeficiente de eleitores comprometidos com os corruptos eleitos pela população. Questione mais. Após um ano das eleições, haveria um pleito para os eleitores desvotarem nos eleitos que os decepcionaram moralmente. O custo da Justiça Eleitoral seria um lucro em comparação com os dispêndios oficiais gastos com os processos intermináveis e onerosíssimos na apuração dos corruptatos. É o que seria realmente democrático. Conferir-se-ia ao povo o direito de cassar diretamente os mandatos dos corruptos e bani-los da vida pública).

Os prisioneiros

no cárcere da grade dos séculos Tudo está fora de época no atual dos poderes terrenos. Os líderes ficaram gagás neles, são babás nos filhos do Tempo Novo e estão vovôs nos netos do Tempo Velho. A política virou uma atividade meeira entre parentes e comerciantes concorrentes nos partidos, a tal privacidade no inconfesso, que as soluções das desavenças eleitoreiras adequam-se mais aos acordos na Vara de Família, ou aos arranCONTINUA


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Eleições para o

eleitor desvotar nos corruptos que votou

O

DUSEK / ESTADAO

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chão do Brasil desmede-se no sem-

-fim dos horizontes, se calça de riquezas incalculáveis no cofre das terras e se veste de poema nas florestas tocando lira na corda dos ventos para se fazer ouvir nas distâncias da grande nação esquecida aos torrões em Brasília e, ali, é retalhada no avulso pelos concubinatos da expatriação do acervo estatal e na promiscuidade do partilhamento das reservas minerais que a natureza esconde no subsolo. A situação do Brasil é a de uma viúva rica caída na conversa de garanhões. Os templos da natureza são satanizados por iconoclastas do patriotismo ajoelhados ao poder do dinheiro público, tão amoralizados que, ao estar com um deles, o amigo deve dizer na despedida: “Vai com Deus”. Senão ele irá sozinho. Pode ser desses desalmados na pessoa, que o Diabo já não se arrisca a andar com qualquer um de muitos deles. O Brasil é sozinho de governo da presidência da República em quase dois terços de sertão pontificado de feudos políticos nos Estados do tamanho de país europeu. O parasitismo desenvolvimentista sugere suspeita de conciliábulo proposital. E é para manter os estados da Amazônia, do Norte, do Centro-Oeste, do Nordeste como colônias econômicas do Estado de São Paulo. E os monopólios paulistas lancem os tentáculos empresariais e se ramifiquem sugativos em todo o País. Têm conseguido. Não é por acaso que os estadistas que governaram e criaram os três marcos históricos do desbravamento do Brasil não são paulistas. Pedro II, idealizador do Plano Cruls, carioca. Getúlio Vargas, criador da Marcha para o Oeste da Amazônia, gaúcho. Juscelino Kubitschek, realizador do sonho Brasília, mineiro. Como o Centro-Oeste é o caminho direto do Rio de Janeiro e São Paulo para a Amazônia brasileira, os chefões políticos paulistanos tratam de manter os líderes goianos sub sua tutela dominadora. Iris Rezende fez três supersafras no Ministério da Agricultura e despontou-se como o candidato natural a presidente da República no governo de José Sarney. Ulysses Guimarães assediou as forças ocultas aliadas na reabertura democrática e derrotou a candidatura de Iris, na convenção do MDB em 1989. Conseguiu. Fernando Henrique Cardoso preocupou-se com o crescimento da liderança do governador Marconi Perillo ante a repercussão nacional da frente formada por ele com os governadores do Mato Grosso, do Amazonas, de Rondônia, do Pará, do Mato Grosso do Sul, do Tocantins, do Maranhão, do Distrito Federal, e se apressou em coabitá-lo na vice-presidência do PSDB para desviá-lo do ideário de suceder a Michel Temer e mantê-lo inteiramente sob seu controle político. Deu certo. O presidente Michel Temer comandou o impeachment de Dilma Rousseff com a pretensão de se candidatar à reeleição. Utilizou-se da nomeação de Henrique Meirelles como ministro da Fazenda com o único objetivo de tirar o governo do caos da economia nacional. Ocorreu o imprevisto. O prestígio convergiu-se para Meirelles, e não para

Antônio Joaquim de Moura Andrade, o famoso “Rei do Gado”, homenageado na novela global

Argolas do laço

Temer comandou o impeachment, vislumbrou a sua possível reeleição, mas o goiano Henrique Meirelles brilhou ainda mais nas soluções urgentes ao turbilhão das convulsões pós-queda da ex-presidente Dilma. Temer, pois, enfraqueceu a candidatura do anapolino

Temer. É natural. Despertou em Henrique o interesse em disputar a presidência nas eleições de outubro. E é óbvio que Michel atinou-se que seu ministro da Fazenda tinha sido presidente do Banco Central no governo de Lula e teria a simpatia dos eleitores petistas. E conspirou nos bastidores para enfraquecer a candidatura do ex-ministro que impediu a falência do seu governo. Funcionou. Goiás não é só as batidas do coração nas terras do Brasil, que é o Coração do Mundo, na predição do espírito de Humberto de Campos. E, sobretudo, será no chão goiano a capital da civilização que irá dominar o Planeta nas terras brasileiras, como profetizou o apóstolo Dom Bosco. Dom Pedro II acreditou. Getúlio Vargas confiou. Juscelino Kubitschek concretizou o presságio do santo genovês. A predição serve de alerta com tom de advertência aos líderes políticos do Planalto Central. Não estão dentro do Palácio do Planalto, em Brasília, por terem se emaranhado nas teias das intrigas provincianas. O poder fuxica. A vaidade rincha. O senso desarrazoa. E a hipocrisia dá as cartas no jogo das fofocas. Esse é o ambiente agoniado onde políticos falam tudo e pensam nada.

As argolas e os nós dos laços políticos trançados em São Paulo Iris Rezende, Marconi Perillo e Ronaldo Caiado são estrelas da política em Goiás. Têm luz própria e brilham no Brasil. Outros são satélites e gravitam à luz dos três astros. Portanto, Marconi, Iris e Ronaldo não podem se deixar influenciarem pelas fases da minguante, crescente e nova das luas cheias que transladam nas suas órbitas estelares. Eles também se ofuscam no vazio das ideias, como a Lua nos eclipses, e confundem palpites com opinião. Esse é o fenômeno no cosmos da política em que o sol no Iris, no Ronaldo e no Marconi chusma no eclipse penumbral dos asteroides da atmosfera das intrigas meteóricas e desalinha-os no espaço dos seus céus. E perdem a rota no sideral da galáxia goiana e vão por gravidade para a via-láctea paulista. Entram na redoma dos astrólogos de fetiches. Um líder-mito e porta-voz das constelações econômicas que deseja criar na imensidão do planeta Brasil o império Pauliceia, irradia-os na visão com a luminosidade de tesouros fulgurantes e promete aos GOs extasiados, benefícios tão astronômicos, mas iguais aos que os ETs já trouxeram das abóbadas celestiais para a Terra.

São Paulo foi a Capital-Céu do Brasil e agora é o Estado-Inferno do País. Está a Vida-Madrasta. Poluída na concentração das chaminés do poder econômico. Congestionada de trabalhadores dos desempregos no êxodo-rural nacional. Congestionada de carros nas ruas e nas rodovias. Inabitável na desumanidade de gente nas favelas aglomeradas. Povoada na isolação dos ricos encolhidos no luxo dos tríplex ou nos condomínios murados e vigiados por seguranças cintados de armas. Cativa nas desovações da corrupção no MDB, PT, PSDB, PTB, PDT, PSD, DEM, PC, PCC e nas demais siglas enfileiradas nas convergências do oportunismo apoderado do controle da produção do crime nas facções regionais da Nação. A Terra da Garoa está inchada de Brasil. Desde o desembarque dos idos da província de São Sebastião para o ciclo das capitanias hereditárias, São Paulo sediou-se na dianteira da expansão empresarial e se fez centro da fronteira atrativa de emigrantes europeus com vocação empreendedora na colônia dos lusos. Após a independência do Brasil, em 17 de setembro de 1822, São Paulo ampliou a aptidão empreendedora e dilatou os terreiros da ocupação paulista na geração de riquezas no País. Em Goiás fizeram freguesia. Mineraram nas garimpagens de Bartolomeu Bueno da Silva e Fernão Dias Paes Leme na temporada dos sertões abertos pelos Bandeirantes. No tempo das tropas e boiadas, os boiadeiros dos Moura Andrade musicaram os ermos no tom dos berros das manadas e ao som dos berrantes dos peões tocando rebanhos no poeirão das estradas solitárias. Nelas caminharam tempos. Os anos trouxeram os dias do Brasil mudar-se da praia de Copacabana, com o marco da nova capital já fincado pela predição do obreiro de Deus no cerrado do Planalto Central. Coisa de visionário, ressoou nacional o eco do coro dos incrédulos. Uníssono, o inesperado zuniu nas orelhas políticas paulistanas. Ouviram um toar diferente do troar no estouro das boiadas. Afinaram os tímpanos na apreensão da escuta. Era o roncar das máquinas nascendo Brasília. Auscultaram. O barulho era do futuro que chegava. Entram em audição do reflexo-rápido. Acoitaram os privilégios da predominância econômica à prioridade das vantagens do investimento pioneiro na política. Articulariam desde já a sintonia das cédulas do voto e do cruzeiro como a base aliada dos

Três esmeraldas de Goiás. Iris Rezende, Marconi Perillo e Ronaldo Caiado. Governadores goianos que conheceram o prestígio nacional CONTINUA


ESPECIAL

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líderes são-paulinos para conchavar adesões nos segmentos organizados da sociedade brasileira e derrotar o candidato de JK nas eleições de 1.960. Parecia impossível, argumentaram no clã do Ademar de Barros, o governador do chavão “Rouba, mas faz”. A vitória seria favas contadas, conjecturaram na casta do Abreu Sodré, governador nomeado pela ditadura militar. Dali p’ra frente, foi debaixo do tapete persa.

Tranças do laço

E fez-se o jogo político no carteado dos poderes. As cartas são baralhadas na trapaça dos bastidores para tapear os que estão em volta da mesa. Os que ganham, repartem na surdina com os perdedores. Toda cena é agendada. Os coups da UDN paulista esconderam o jogo do presidenciável Carlos Lacerda na convenção nacional, e o mato-grossense apaulistado Jânio Quadros, o homem da vassoura, venceu aclamado para derrotar fragorosamente o candidato do PSD, o general Henrique Batista Duffles Teixeira Lott, o ministro do Exército que desmontara o golpe de estado armado-civil para impedir a posse de Juscelino Kubitschek na presidência da República em 1955. Acenderam mais dois golpes de estado fardados-paisanos, um acampado em Aragarças-GO, outro atocaiado em Jacareacanga-PA, propositais para conflagrar o País, parar a construção das obras de Brasília e impedir JK de inaugurar a nova capital do Brasil. Mas Juscelino nasceu estadista, a liberdade na cabeça e a piedade no coração. Anistiou os golpistas. Lacerda inflamava as praças públicas e as fazia se derramarem de choro para a capital não sair da cidade encantada do Rio de Janeiro. Jânio esbravejava nos comícios, saia carregado aos brados que Brasília era um túmulo de faraós, ia varrê-las do mapa e por o pé de valsa Juscelino para dançar na cadeia. Mas JK era um viajor das alvoradas, caminhava com a esperança andando em seus dois pés, o amor lhe rufando no seu coração e recolhendo poemas no seu olhar. A democracia está com saudade dele no Brasil. E as obras públicas mandam lembranças do seu tempo. Jânio Quadros foi eleito por uma enxurrada de votos. Assumiu o governo do Brasil engomado de poder absoluto. Dava chutes nos escalões da República que se medissem com as altezas das vassouradas levadas na cara de próprio punho nos seus bilhetes nas solenidades. Entrava sem avisar e saia sem se despedir das reuniões. Parecia um hospício na cabeça, ou as ideias é que eram loucas nele. Divertia-se à noite, assistindo sozinho filmes de horror no Palácio da Alvorada. Uma manhã acordou Janus. Esteve na parada do Dia do Soldado. Confidenciou o seu segredo de Estado aos três ministros Militares. As malas estavam prontas na Alvorada. Chamou o ministro da Justiça, Pedroso Horta. Mandou entregar o bilhete de renúncia à presidência da República para o presidente do Congresso Nacional, senador Auro de Moura Andrade. Pegou o avião. Desceu na Base Aérea de Cumbica. Homiziou-se no Palácio Campos Elísios. E ficou aguardando o povo brasileiro busca-lo de volta nos braços de todas as ruas. Jânio tentou dar um golpe de Estado populista. O Congresso aprovou a renúncia em clima de susto. As Forças Armadas impediram o vice-presidente João Goulart de assumir em prontidão nos quarteis. A população andando nas perguntas em todas as cidades surpresas. Jango retido em sua fazendo no Uruguai, proibido pelos militares de entrar no Brasil. Jânio vigiado pelos militares em Cumbica, falastrão que forças ocultas obrigaram-no renunciar. Começava a gestação da ditadura militar.

Retrança no laço

O golpe de Estado quepe-chapéu ia nascer, estava nascendo na maternidade militar, o cueiro pronto no berçário rural, Leonel Brizola abortou o parto da neném prematura. Para Jango não sumir na fazenda uruguaia e assumir o Planto em Brasília, teve que engolir boca a baixo a placenta do Parlamentarismo. Ele, presidente. Tancredo Neves, primeiro-ministro. Durou o prazo de gravidez encubada. Os golpistas ficaram embuchados, vomitando a miúdo. Carlos Lacerda distribuía venenos. Ademar de Barros e Magalhães Pinto tomavam café com leite. Jango, ainda convalescente, passou

O Caçador de Esmeraldas, bandeirante Fernão Dias Paes Leme teve sua morte retratada nesta pintura de Antônio Parreiras, instalada na Pinacoteca Municipal de São Paulo. Foi um bandeirante predador e comerciante de índios. Recebia elogios oficiais após a corte conhecer suas novas conquistas

Reza a tradição que, ao deparar-se com um grupo de índios às margens de um ribeirão, Bartolomeu Bueno da Silva os interrogou para saber a localização das minas. Sem uma resposta clara, o bandeirante utilizou um artifício para obter o que queria: ameaçou atear fogo nos rios! Para comprovar seu poder, lançou água sobre um vaso e pôs fogo ao líquido que, na verdade, era álcool. Ao verem as chamas, os índios imediatamente teriam gritado: — Anhanguera, Anhanguera!!!!! — que em tradução livre significa “diabo velho” ou “espírito mau” (Ilustração: Vallandro Keating) Jânio Quadros: um governante com comportamentos peculiares

do nas praças públicas. Relâmpagos punham fogo na secura dos campos. Descarga de raios abriam covas e semeavam mortes. Vidas desaparecidas no ocaso das sombras vagavam fantasmas nos sinos mudos nas igrejas. Tempestades turvas removiam brilhos nas lágrimas dos olhos fechados para sempre. Toda ditadura é carrasca e dura o tempo de borrascas.

Nós do laço

a fazer extravagâncias no regime controlado. Bebeu cuba-livre numa farra pública. Caiu tonto de poder. E apagou-se, não só ele na escuridão, mas a chama da liberdade no castiçal da democracia. E a ditadura militar nasceu uma renca de rebentos em um disparate de ventres. A prole gatinhou, admirada ante tudo que visse. Deu os primeiros passos nas arrumações da casa a seu modo e gosto. Foram surgindo os rebentos adotivos, a maioria crias das zonas uterinas de Ademar de Barros, todos fedelhos semelhantes a Paulo Maluf. Apareceram filhos extraconjugais nascidos no parto das lutas paulistanas em Ulysses Guimarães, Fernando Henrique Cardoso, José Serra, ou os que as mães deram à luz nos cômodos longínquos nos sertões com a raça de Luiz Inácio

Slogan de campanha eleitoral de Ademar de Barros, não assumido abertamente, era “rouba, mas faz”. Apesar da frase ter sido cunhada pelo adversário Paulo Duarte, acabou por ser o lema na sua corrida para prefeito de São Paulo, em 1957. Promoveu-se sobre acusações de corrupção, que na época tinham um nome mais suavizado aos ouvidos: “as negociatas”

Lula da Silva e José Dirceu, que povoaram a cidadania dos inconformados com o apagão das avenidas da democracia no Brasil. O golpe de 1964 durou 21 anos na liberdade de luto à espera da democracia voltar em 1985. Nuvens pesadas, nuvens à esquerda e à direita no céu, entornaram temporais. Trovões de todos os lados rodavam o chão afoga-

A ditadura tirou a farda. O ar respirou livre nos fôlegos. O Sol saiu à toda luz nas alvoradas da liberdade no Brasil. Ao som das palmas ouvia-se todas as mãos do povo. A fatalidade deu o tapa. Levou o astro Tancredo para o Céu. O vazio de órfão pairou nas faces. A apreensão nebulizou o desespero. E gerou-se no clima nacional o sufoco do sem dono no País. Estrelas, planetas, cometas, meteoros e até poeiras cósmicas nas esferas da pauliceia congestionaram o espaço da gravitação no firmamento das meias ovas do Congresso Nacional. As tribos do Maranhão preparavam o cocar do cacique. Não os nativos da taba de I-Juca-Pirama, imortalizados no poema de Gonçalves Dias. Mas, sim, os bugres simbolizados no maranhão das tábuas do ardil. Esses foram as personagens satélites e intromissoras na rotação de José Sarney no CONTINUA


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LUZ QUEBRADA

EDILSON RODRIGUES /AGÊNCIA SENADO

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do interior. O Estado ficou igual a velório sem morto. O coronel Eurípedes Curvo, na CGI, e o coronel Lima Castro, no 10º BC, tentaram reverter a cassação em Brasília. Ato do AI-5 era atestado de óbito. E Otávio foi finado para urnas e sepultado na política por Iris nas eleições para o Palácio das Esmeraldas. Iris assumiu o governo do Estado cansado de sofrimentos. Caminhara dificuldades amargas. Estivera na solidão onde não vão amigos. Era o moço que veio do povo, não saia do povo, não podia falar para o povo, sentia saudade do povo, a vida lhe doía longe do povo, era aquele arrocho no peito que enforca no coração. Mas Iris voltou renascido no moço. Fez casas para legiões desabrigadas na pobreza. Fez nascerem obras no chão abandonado nos torrões da poeira acumulada. Virou mutirões de povo no comício das Diretas-Já na Praça Cívica derramando multidões na chegada das ruas. Não se desviou da rota no seu destino de líder. Apenas deu aqueles tropeções onde os governantes sempre mancam. Nos passos dados em sua caminhada política por certos parentes.

Nó górdio no laço

astral das meias ovas do Congresso Nacional. O nauta que viajara na colmeia dos Marimbondos de Fogo para os favos de mel da Academia Brasileira de Letras, pisou na cera dos enxames da pauliceia e desgovernou-se na transladação do universo presidencial estrelado para receber Tancredo Neves. José Sarney (foto) foi atraído para buracos negros no sideral do Governo do Brasil. Iludiu-se ao brilho de satélites artificiais e seguiu-os flutuando nos vácuos e acabou atraído, por gravidade, para os cantos de sereia de Ulysses na mitologia da pauliceia. Sentiu, nos passos do Palácio do Planalto, a flecha no calcanhar de Aquiles doer às costas no arco armado por Covas e Lula para o tomar o aumento de um ano do mandato de presidente. Fez o voo de Ícaro no sonho da Ferrovia Norte-Sul. Não embarcou para o mundo da antevisão de Dom Bosco, vislumbrado por Pedro II, buscado por Getúlio Vargas e contactado por Juscelino Kubitschek ao construir a espaçonave Brasília. Deixou-a pronta, para voltar em 1965, ir buscar e trazer o Brasil inteiro para as terras da civilização que irá governar o Planeta para sempre ainda nesse século. O presidente José Sarney teve nas mãos a chave que funcionaria a espaçonave e o astronauta que levantaria o voo no Planalto Central e reuniria todos os horizontes da Nação à mesma alvorada no Brasil. Mas o Maranhão seguiu pilotado a borde de São Paulo. E apeou-se do Governo do Brasil no mandato de senador do Estado do Amapá. (Há homens que, quando nascem, uma estrela desce neles. Juscelino Kubitschek foi um deles. Iris Rezende é outro desses. O futuro veio trazê-los e voltou para espera-los no tempo que Dom Bosco viu o Brasil chegar lá a pátria do mundo). Iris Rezende é o maior fenômeno carismático do populismo na história política em Goiás. Veio da roça. Surgiu inesperado no líder estudantil e surpreendente na paixão do povo na escalada dos triunfos nos mandatos até à consagração no Ministério da Agricultura. Trabalhador direto no serviço com as mãos nas ferramentas e os braços no carinho do povo, forrou o chão de obras nos rastros onde pôs os pés nos governos que passou. Sua falha é ler pouco. Mas nasceu

Poeta Antônio Gonçalves Dias foi também advogado, jornalista, etnógrafo e teatrólogo brasileiro. Expoente do romantismo brasileiro e do indianismo. Escreveu a Canção do Exílio

Iris Rezende em 1966, como prefeito de Goiânia

único no dom de emocionar com neral presidente Castelo Branco o mesmo discurso as plateias vetou com o argumento: “Não discordantes no ideal polítisoa bem derrubar a oligarco e na fé religiosa. A sua voz quia Ludovico e subir a oliformou o coro escutado lá garquia Caiado”. O udenista fora, bem além dos que ouOtávio Lage elegeu-se goviam as suas palavras. Chavernador de Goiás e dermou atenção do País para o rotou o pessedistas Peixomoço de Goiás. Em 1966, a to da Silveira raspando na revista Realidade, o melhor vitória. O pessedista Iris Rede todos os órgãos de imzende foi eleito prefeito de prensa editados pelos Civita, Goiânia esmagando o udeem São Paulo, esgotou a edição nista Juca Ludovico na derrota. com a repercussão nacional da reportagem: Atenção, está nascenAmazonense, ó cego do um líder. Iris foi cantado nos Emílio Rodrigues adjetivos com o dinamismo do no laço Ribas Júnior novo Juscelino Kubitschek e no governou Goiás superlativo com o carisma de Jâentre 1965 e nio Quadros. Iris virou um estorA popularidade de Iris na pre1966 vo eleitoral da democracia para os feitura embaçou Otávio no goverpolíticos da ditadura militar. no, inclusive nas alas civil e miliProporcionalmente, Goiás teve os dedostar da UDN. O coronel Curvo, chefe -duros mais afiados do Brasil. A mira, da direi- da CGI, tentou cassar o mandata. Os alvos, da esquerda. Mas as tocaias, dos to do Chapéu Atolado de Goiâudenistas. Porém, os atocaiados, pessedistas. nia. O deputado Olímpio Jayme O governador Mauro Borges, deposto. O se- montou a famosa pasta preta e nador Pedro Ludovico, cassado. Políticos da pelejou na AL para aprovar o oposição eram cassados e suspensos dos di- impeachment do filho de Jareitos políticos por 10 anos. Líderes ideológi- les Machado. Mas foi o gocos contra eram caçados, presos, torturados vernador Otávio Lage que e mortos. A ditadura é a madrasta da demo- usou o procurador-geral cracia, mas é também a cria que se volta con- do Estado, seu tio Jacy de tra os criadores e sempre cai sob o silencioso Assis, que fora sócio em fogo-cruzado em suas próprias trincheiras. uma faculdade de DiA dita Revolução de 31 de março de 1964, reito, em Uberlândia, cognominada de Redentora, começava a as- o Rondon Pacheco, sumir o semblante de Golpe de Estado de 1º então ministro chede Abril. O marechal Ribas Júnior era o go- fe da Casa Civil da vernador biônico de Goiás. Os generais divi- Presidência da Rediam-se na preferência pelos políticos. Capi- pública, e consetaneada pelo deputado estadual Olímpio guiu cassar o preJayme, a ala ruralista da UDN le- feito Iris Rezende. Goiás reagiu em vou ao Palácio do Planalto o nome do deputado federal multidões revoltas Emival Caiado para candi- em Goiânia e chodato a governador. O ge- rando nas cidades

Tancredo Neves e Iris Rezende aparentavam-se no democrata liberal e no temperamento cordial nas mediações dos conflitos nos extremos ideológicos raivudos na política. A dialética de Tancredo nos debates era o silêncio atento aos que dialogavam de calcanhares altos nas palavras das articulações políticas. Tinha no ouvido a paciência do confessionário. Mantinha no gabinete do Senado as portas do coração abertas para Goiás nas chaves da secretária dotada de sensibilidade intuitiva, a goiana Antônia Gonçalves de Araújo, de Pires do Rio e admiradora de Iris. No andamento da campanha presidencial das eleições indiretas, o senador Tancredo Neves externou o ele da afinidade que enlaça mineiros e goianos. Segredou ao governador Iris Rezende para já ir se preparando no Palácio das Esmeraldas para sucedê-lo no Palácio do Planalto. Seria o seu candidato preferido. O que não se tem como evitar no escrito do destino, adveio consumado no baque derrubou a Nação ante o espectral da conjectura de um golpismo continuísta. O calor da sintonia do povo no pensamento democrático foi o fio incinerador dos empalhados da conspiração. E a democracia não foi enterrada na morte de Tancredo. O presidente José Sarney convocou o governador Iris Rezende para ministro da Agricultura, que agradeceu, justificou que tinha meta de obras para cumprir no governo e colocou Flávio Peixoto no Ministério do Meio Ambiente. O maranhense José Reynaldo Tavares patinava no Ministério dos Transportes. Se o ministro houvesse sido o Iris, a Ferrovia Norte-Sul teria sido inaugurada. A agropecuária estava em revolta nos campos. Sarney insistiu irrecusável e Iris assumiu sensibilizado o Ministério da Agricultura. Produziu três supersafras sucessivas no Brasil e despontou-se como o sucessor natural do presidente José Sarney.

N

1950: deputado federal Emival Caiado

Ex-deputado e advogado Olímpio Jayme. Falecido aos 88 anos, em junho de 2015

Tancredo Neves seria o primeiro presidente civil depois da ditadura, mas foi internado na véspera de sua posse. 38 dias depois, morreu sem assumir o cargo. Brasil sonhava em dar bom-dia à democracia, mas País ficou em pânico CONTINUA


ESPECIAL

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Fernando Collor de Mello: rápida ascensão à presidência da República com o apoio da Globo, mas o vislumbre durou menos de mil dias. Caiu rápido do trono presidencial que lhe fora dado

Antônia Gonçalves de Araújo, goiana de Pires do Rio e formada em Letras em Goiânia, falava inglês fluente: a última paixão de Tancredo Neves, por 14 anos

Nó corredio no laço

Os politicastros paulistas, curtidores de solas com as peles dos políticos dos estados vaqueiros, lançaram José Sarney no governo emedebista, puseram a peia na candidatura do ministro Iris Rezende, dentro do curral da convenção nacional do MDB, Ulysses Guimarães candidato a presidente da República, e Fernando Collor de Mello foi eleito no primeiro turno pelo Roberto Marinho nas eleições diretas de 1889. Collor embarcou a corrupção nacional para Alagoas nas malas de PC Farias, distanciou-se das vigílias da Globo e se tornou alvo frágil na Casa da Dinda em Brasília. Já domesticado em São Paulo, Luiz Inácio Lula da Silva foi coabitado por Ulysses Guimarães, Fernando Henrique Cardoso e teceram o impeachment de Collor. O vice Itamar Franco assumiu com a prudência mineira a presidência do Brasil saído do Plano Cruzado-1 e Cruzado-2, passado pelo Plano Collor, com a economia aos farrapos às portas do FMI. Itamar formatou o mandato no governo de coalisão política. Nomeou FHC ministro da Fazenda. Criou o Plano Cruzado. Redirecionou a política econômica. Entrou na simpatia do povo até no gosto alegre das andanças do coração às noites. Conquistou o eleitorado do Nordeste na vice do estimado Marco Maciel e elegeu o sagaz Fernando Henrique Cardoso seu sucessor. E o socialismo se aristocratizou. Lula era a insônia política de FHC. Virou seu pesadelo nos solilóquios do sonambulismo com o fantasma de Lula nos sonhos com a sucessão. Acordou-lhe o espectro da reeleição. E o povo passou a ter o pesadelo acordado. A fantasmagoria das estatais transladadas nos passamentos vampirizados para o estrangeiro, assombrava o espírito público dos patriotas. Beberam na usina da hidroelétrica de Cachoeira Dourada o suor do povo goiano, servido na adega do Palácio das Esmeradas às taças dos brindes paulistas no camarim do Palácio do Planalto. O custo da reeleição de Fernando Henrique Cardoso foi a venda de graça de estatais do Brasil.

Itamar Franco, o vice de Collor, assumiu a presidência e focou esforços para reajustar a política econômica do Brasil. Descarregava as tensões na boemia

Nó midas no laço

Lula e FHC, amigos e simpáticos do socialismo há décadas. O primeiro, no socialismo esquerdado. O segundo, no socialismo endireitado. Ambos, no socialismo brasileiro aristocratizado pelos dois. No fio das intensões de Ulysses Guimarães, é que enrolaram Collor na teia do impeachment

Com venda de estatais, como a usina de Cachoeira Dourada, em Goiás, FHC comprou sua reeleição

Nó pega-bobo no laço

Luiz Inácio Lula da Silva é o único político brasileiro sobrevivente de três derrotas seguidas como candidato a presidente da República, e foi eleito na onda de rejeição dos descamisados ao dândi das Facções entreguistas Hasteadas de nacionalistas no Cacicado que reduziu Brasília à aldeia dos paxás da colônia econômica das tribos de São Paulo, que catequizaram os políticos goianos como selvícolas obedientes aos seus pajés. Lula assumiu o governo do Brasil ajardinando de mãos acenando-lhe glórias, sonhos florindo esperanças no coração, quimeras semeando ilusões na cabeça, vinha-lhe aos olhos a visão do imaginário mar de rosas. Por certo que no cortejo da Praça dos Três Poderes assoalhada de multidões, Lula sentia aquele arrebatamento das águias no voo com o horizonte abaixo das asas. Era o vetusto das quedas na rampa das lutas políticas, subindo triunfal no noviço a ribalta da República. Ali estão de baixo dos tapetes do poder os escorregões perigosos no palco Brasil. Lá os presidentes, desalertados na boa-fé, são subcondicionados pela mentalidade cosmopolita induzidora à obsessão compulsiva que os centra na ideia fixa com a preocupação de solucionarem os efeitos e não a decisão de resolverem as causas nos problemas nacionais. Deslustrados no conhecimento da inteligência emocional, os governantes populistas agem sensitivos ao pro-

Empresário Roberto Marinho influenciou a política com a principal emissora de tevê do País. Morreu em 2003 com a fortuna de US$ 6.4 bilhões

verbial de que “o que os olhos não veem, o coração não sente”. E concentram recursos nos programas de obras nos bolsões de misérias sociais, mostrando a fome nos corpos magros dos trabalhadores a procura de trabalho, doendo na doença das crianças à míngua de remédio nos braços das mães, pesando nos ombros corcundas dos idosos no desabrigado dos relentos e criando a doutrina da revolta nas bordas das cidades. E não priorizam investimentos nas metas do desenvolvimento nacional, gerador de frentes do progresso nas regiões paradas do País e revertedor do êxodo-rural favelador de povoados, corrutelas, cidades, capitais e fomentador de legiões marginalizadas da qualidade saudável de vida e das hordas de bandidos no largo dos perímetros urbanos em todo o Brasil. Os dois governos de Fernando Henrique Cardoso e os dois governos de Luiz Inácio Lula da Silva foram semelhantes nas argamassas do socialismo e diferenciados nas cimentações do capitalismo nos desembolsos expropriadores do patrimônio nos bens públicos. FHC nas vendas das estatais. Lula nos esbulhos dos fundos de pensão.

O Brasil que os últimos sete presidentes da República conhecem inteiro nos 26 estados longes de São Paulo é nos recintos dos comícios eleitorais e nos salões das honrarias nas solenidades. À exceção de Getúlio Vargas e Juscelino Kubistchek, os governos dos presidentes do Brasil foram cativos da escravocracia política feudatária ao poder econômico agrupado nos líderes paulistas das cúpulas ideológicas dos partidos, e onde a homogenia dos tumores da corrupção, lancetada pela Lava Jato, insinua que a direita é a esquerda rica e que a esquerda é a direita pobre. São Paulo adestrou o Brasil à tutela da servidão política no cabresto do jugo econômico. Mesmo os presidentes da República nativos de outros estados, como o culto mato-grossense Jânio Quadros, o ícone pernambucano Lula da Silva e a brava mineira Dilma Rousseff, governaram cangados pelos feitores das senzalas nos quilombos dos banqueiros paulistas e laçam a produção de juros nas finanças dos estados como sucursais ajoujadas ao seu aldeado monetário. O casual na trava dos recursos federais, aos rincões distanciados das alamedas congestionadas de arranha-céus públicos, exprime a assídua aglomeração de presidentes do Brasil atados a São Paulo nos intestinos do poder financeiro. Desde a derrubada de Pedro II pela conspiração revanchista dos escravocratas paulistas, São Paulo soberanizou-se como um país habitando o Brasil. Um império econômico mais rico que as nações vizinhas. O PIB da Argentina é de 972 bilhões. O PIB de São Paulo é de 1.859 trilhões, que representa 32,4% do PIB brasileiro, enquanto que o PIB de Goiás é de 197,9 bilhões, o que significa 2,9% do PIB nacional. Coitado de Goiás com os líderes que ele tem ajoelhados aos políticos de São Paulo. A premissa consensual que arrazoa os políticos paulistas como matreiros, muito espertos nas treitas, e os goianos como pachorras, muito lerdos nas artimanhas, não é a razão diferencial no valor humano nas duas correntes de líderes. A questão dissonante nesses chefes de Estado é cultural. Os paulistas vieram dos livros no conhecimento que veio dentro deles. Os goianos saíram das roças no atraso que não saiu de dentro deles. A vida da pessoa é o resultado dos atos dela. DIVULGAÇÃO

Multidão avermelhada de euforias vibrou na transmissão da faixa presidencial do FHC para o Lula CONTINUA


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LUZ QUEBRADA LUIZ MAXIMIANO

Nó GO

no laço

N

das comemorações da reabertura democrática, os líderes-chefes de São Paulo não perderam uma só das oportunidades que tiveram de ceifarem nas ceias do poder político de Goiás. O Palácio do Planalto virou quintal paulista. O Planalto virou um quintal paulista. As árvores genealógicas das lideranças goianas foram podadas e são regadas para continuarem floras de votos, colhidos só por eles. E decapitam as que se esgalham para outros quintais. Ministro da Agricultura, Iris Rezende floriu os quintais, os jardins e florestou as roças do presidente maranhense José Sarney com as três supersafras contínuas. E bateu recorde na frutificação de votos no governo. A plantação da candidatura do goiano para sucessor do maranhense semeou Iris nas praças públicas fertilizadas pelas Diretas-Já, onde o seu nome fôra um dos grãos que o povo panhou. Ulysses Guimarães decepou Iris Rezende florido na convenção do MDB. Brotou-se como candidato a presidente, cultivado nos canteiros paulistas. E foi reduzido a folhas secas na hortaliça do alagoano Fernando Collor. O governo do Brasil madurou-se nas floriculturas de Fernando Henrique Cardoso, que podou a ramificação de José Serra que lhe faria sombra e transplantou o poder para o nordestino paulistanizado Lula da Silva, retirante de três secas por falta de água no vaso das urnas, e vicejou, pendoou-se de votos, carregou-se de frutos secos, podres, enciumou-se do mais viçoso nas frondes e casca dura para os bicudos, copiou o tropeço de FHC na serra e trocou José Dirceu por Dilma Rousseff, de casca a casca para os bandos de aves de arribação, que a derrubaram do galho balançado por Michel Temer. Lula fraturado ao chão espinhoso da Lava Jato. Dilma parada no vazio do vácuo. Temer rodopiado nas ventanias do ar. Fazia-se o momento do espaço sem dono no tempo. Fernando Henrique Cardoso abriu o bico. Deu seus primeiros piados. Farfalhou as asas de pavão e sobrevoou as copas dos caules das florestas política do País. Avistou a revoada de Marconi Perillo com os governadores de 12 estados nos céus do Centro-Oeste a empilhando nos horizontes. FHC empoleirou-se na meditação. Marconi derrotou a águia Iris em quatro voos rasantes e pousou no Palácio das Esmeraldas. Revoa com uma dúzia de condores chocados em ninhos diferentes dos partidos. Eram asas demais para a arapuca do gavião paulista. O carcará voltejou na matutagem. O engodo viável era cortas as asas do condor Marconi. Usou a tesoura de Alckmin, e podou-as a cortes afiados na vice do PSDB nacional e engoliu-o no meio das raposas políticas no terreiro da candidatura presidencial ovulada nas granjas paulistas. E Goiás foi depenando pela segunda vez por São Paulo em pleno voo direto para o Palácio do Planalto. Henrique Meirelles é uma pessoa que o

Henrique Meirelles era o candidato, nas eleições 2018, com mais esteio moral e Q.I. para sanar as tempestades hercúleas que arrastavam o País ao oceano da bipolaridade ideológica. Seu maior problema de campanha provou-se montanha intransponível: o estigma Temer. E o povo perdeu a chance de ter um gênio de ideias criativas no leme do barco aos pedaços que ainda está o Brasil

o depois

sonho panhou para criar. O destino trouxe-o pronto na escalada do menino abrindo sozinho o seu caminho na vida ao moço construindo nos sacrifícios para o mundo no Brasil em om estre que se tornou escola no universo dos internacionalizados na Terra onde estão os que se levaram na luz do sonho. A ascensão na pauta dos sucessos inexistentes de derrota, exclusiva-o no mérito próprio e o exclui das valias favorecidas. Meirelles não é vírgula, não é interrogação, não é exclamação, não é reticência, é ponto final no doutorado da competência eficiente. Preserva-se da deselegância. Reserva-se na discrição. Conserva-se quase que invisível na solução do questionável nos problemas. Não se permite a palpites. Limita-se a opiniões fundamentadas no conhecimento. O vocabulário dos atributos humanos de Henrique Meirelles resume-se na palavra superdotado. A sua trajetória é a viagem do ideário. Ele não chegou ao glorificado do nome cortejado lavrando no físico do patrimoniado e, sim, burilando-se no entesouramento das ideias. Quer a história do trabalho à praça pública, não a biografia do serviço ao quintal. E pensa como Santos Dumont, que inventou o avião e não montou fábrica de aeronaves, ou como Albert Sabin, que criou a vacina contra a paralisia infantil e não construiu indústria de remédios; aliás, sequer registraram patente e não usufruíram ganâncias em suas descobertas.

Henrique Meirelles é uma epopeia na unicidade de dons no lastro da vocação empreendedora e da aptidão financista. Não produz nas oficinas. Sua mina é a cabeça. É um investidor no pensamento criativo. Aplicou nas evidências da intuição perceptiva e no iluminado dos estudos, tornou-se um dos paradigmas na ciência das finanças e foi presidente mundial do Bank Boston. Ele é o goiano que trouxe para o Brasil a maior legenda de condecorações dos potentados econômicos mais respeitados do Planeta. O valor de Henrique Meirelles esteia-se nele e não se estaqueia grudado a clãs politicastros. Descartou as oferendas para se candidatar pelo PSDB a governador de Goiás no início de 2010, a pedido do presidente Lula para assumir a presidência do Banco Central, no bojo de uma crise econômica do País. Equacionou a crise e estabilizou as finanças do governo de Lula. Em 2011, atendeu ao convite da presidente Dilma e assumiu o Conselho Público Olímpico. Em 2014, recusou o convite de Paulo Skaf, governadoriável de São Paulo, para ser o candidato a senador na majoritária pelo PMDB. A crise financeira rugia na crise econômica e a corrupção urrava nas discórdias políticas nos meados de 2015. Alardearam-se os rumores da substituição de Joaquim Levy por Henrique Meirelles no Ministério da Fazenda. Dilma foi deposta. Michel Temer assumiu oscilante a presidência da República. Henrique Meirelles foi nomeado Ministro da Fazenda e da Previdência Social. Reorganizou a economia do

País e, em maio de 2018, foi confirmado como candidato do MDB na sucessão de Temer. Henrique Meirelles salvou o presidente Lula, como presidente do Banco Central. Socorreu o presidente Temer, como ministro da Fazenda. Mas os chefões políticos de São Paulo cozinham o Brasil nas panelas de todos eles no mesmo fogão. Nas panelinhas do Fernando Henrique Cardoso, a caçarola é o paulista Geraldo Alckmin. Nos panelaços do Luiz Inácio Lula da Silva, o caldeirão é o paulista Fernando Haddad. No mais, é conversa de rabo de fogão na terra da garoa. Político de outros estados que não se sapecar das chaminés deixadas por Ulysses Guimarães, não adianta se candidatar a presidente do Brasil, que será frito no tacho de Temer. Ou torrado nas fornalhas de sampa. O goiano Henrique Meirelles acudiu Lula de ser tostado no braseiro do Banco Central e tirou Temer da estorricação nas fornalhas do Ministério da Fazenda. Mas ele não se deixou ser ferventado nas vasilhas da corrupção política, onde se mornam os chás e os cafés ao fogo da direita e da esquerda, e foi largado na bacia das almas. Daquelas que os Pilatos lavam as mãos. E Goiás está sendo queimado, pela terceira vez, na fogueira paulista do Chef FHC. Quer reduzir a cinzas, na borralheira dos amaciamentos partidários, a oportunidade de o povo dar à luz, nessas eleições, ao primeiro presidente do Brasil goiano. O Genial Henrique Meirelles. Gênio, sim.

Tucanos-mor não admitem ascensão de outros políticos que lhes possam fazer sombra. Alckmin e FHC acabaram rapidamente com os anseios do goiano Marconi Perillo, deram a velha pecha de que era “pelo bem do partido” e Marconi foi acomodado, estrategicamente, na vice-presidência da sigla

A vida desse goiano é uma aula de sabedoria dada aos Três Poderes da República no Brasil. As autoridades, os políticos e os empresários que estão indo ricos ou já chegaram à Lava Jato, ou que o juiz Sérgio Moro irá recebe-los ou virá busca-los, precisam aprender e praticarem a lição. Ideias honestas dão muito dinheiro e produzem mais riquezas que minas de ouro. O Brasil precisa de Henrique Meirelles.

O fogo das

maldições e a luz das bênçãos O povo também erra. E errou mais do que acertou às manobras da multidão nas mudanças épicas, desde os primórdios da civilização. É só a pessoa dar uma andada para trás no calendário das eras, que irá vendo, nos marcos da história da Humanidade, as cruzes, as fogueiras, as guilhotinas, as forcas, as conjuras, os pretórios dos episódios em que o povo aplaudiu carrascos do poder sacrificarem heróis proscritos nos mártires que estão imortalizados, como revolucionários da paz nas guerras de suas épocas na Terra. Cristo na cruz. Joana d’Arc na fogueira. Robespierre na guilhotina. Tiradentes na forca. Gandhi na conjura. Os senadores JK, Pedro Ludovico e o prefeito Iris Rezende no pretório dos IPMs na ditadura militar. Ovacionados nos pedestais públicos, os tiranos degolam o povo nos seus redentores supliciados ante os aplausos da multidão à vilania dos algozes usurpadores dos direitos humanos, que a vida traz de Deus igual para todas pessoas. Os que retêm no bolso toda a produção do próprio trabalho e não repassam parte para as bolsas dos que nada têm, acumulam para si prejuízos no Céu em seus ganhos juntados na Terra. O cadafalso subiu das baixezas dos planos no chão para as dimensões sacras no Alto. Esse palco fechou as cortinas. Romperam-se os véus que ensombravam inocências e culpabilidades à luz das leis fuscas nos julgamentos parciários no tendencioso, cúmplices na hipocrisia preconceituosa na generalização das índoles no conjunto da sociedade. Parem de santificar todos os pobres e de espraguejar todos os ricos. Existem pobres com arrogância de ricos e há ricos com a humildade de pobres. A colisão das bondades e das maldades nas transfusões com as seringas do ódio no sentimento, das classes sociais, metaboliza surtos de iras que endemizam as mentes dos prejulgadores nas epidemias do denuncismo. As bocas da ignorância ficam abertas nas redes sociais e falantes nas línguas, que sugerem a imagem de cobras mordendo o próprio veneno. É o privativo às honras no caráter que se amplia expansivo às desonras na corrupção. Por isso, procuram mostrar os desonestos nas outras pessoas, quando deviam ficar preocupados em achar os honestos nas suas pessoas. Estão retardatários demais nos ludíbrios. Ofertam-se aos castigos. Abriu-se o livro da Vida nas páginas do Juízo Final, escrito no Apocalípse. Acabou-se o finório nas aparências. Os joios com casca de trigo e os trigos com casca de joio já estão transparentes nos grãos e serão separados. O joio para o fogo. A Luz virá ao trigo.

CONTINUA


ESPECIAL

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As encruzilhadas da corrupção nas estradas dos políticos brasileiros

O

clarão das mudanças resplandece radioso nas flamas da profecia do santo genovês e parece cegar a visão dos líderes do estado-gênito do chão de Brasília, pois agem zambos no fusco das fumaças da lenha atiçada pelo jugo econômico nas fornalhas mandonas da política, em São Paulo, que os apagam na chama cintilizando os lampejos do primeiro goiano como presidente do Brasil, e reduzem Goiás à cinzas debaixo das panelas de seus trustes colonialistas. Já que, acordados, não veem o luzeiro da predestinação de Goiás na história do Brasil, fechem os olhos e venham comigo numa viagem a bordo dos tempos. Abram-se na imaginação e vislumbrem o basto no mapa do Brasil. Contemple um pouco. Depois ponham na imagem do mapa a paisagem, ao vivo, o esplendor das terras entrecortadas pelas distâncias às bordas do fim no olhar. Meditem bastante agora. Voltem-se à contemplação e antevejam o grandioso no futuro do Brasil sendo segurado pelos tentáculos da dominação feudal, encroada nos senhorios da economia nacional, em São Paulo. Observem atentos e assistam a realidade se desenhar no imaginário e corporificar-se nesse panorama que trarei estampado aos seus olhos. — O Planalto do Brasil Central é a espinha dorsal do “Gigante pela própria natureza”, que se levantou nas praias da “Cidade Maravilhosa”, veio dando saltos nas coroas de nuvens nos morros do Rio de Janeiro e de São Paulo; passou dando chutes nas auréolas de sol nas colinas de Minas Gerais; arqueou-se alto para os céus do Centro-Oeste e foi descendo suavemente para as florestas da Amazônia; e seguiu planando de pé, majestoso, qual Aladim num tapete verde, demarcando o caminho que leva o Brasil ao encontro das águas do Atlântico e do Pacífico nas praias de Lima, no Peru, ou no litoral de Arica, no Chile. Paremos aqui. Passeiem a vida no olhar. Vejam o desperdício do belo descido dos céus a andar à toa no abandono do farto ao chão. Daqui para frente, abram a bagagem da memória. Confiram o guardado nas recordações. Talvez o espectral espantoso da vastidão desoladora não os comoveu ao olhá-lo na vida e, quem sabe, assuste-os ao vê-lo na volta. Avistarão o Brasil sozinho de gente e vazio de progresso nas larguezas do sertão. Espiarão mundos magros dependurados nos morros do Rio de Janeiro, cheios de misérias comendo vidas e amontoando revolta nas favelas aos farrapos no sentimento, pisando doído nas honras pobres dos políticos enriquecidos nos governos que eles endividaram em suas riquezas. Nesse ponto, reflexionem um instante. Introjetem-se. Viajem nas lembranças até aquele velório da pessoa mais querida, e retornem amolecidos no coração. Ouçam a sabedoria do silêncio. Reflitam-se, pensativos. Agora, desçam dessa viagem aqui e entrem dentro de suas consciências. Lá enxergarão o real no que viram na solidão dos ermos das belezas enfeadas e nas vilotas enchidas de barracos e espremendo gente, como se fosse favos de vidas sendo esvaziados do mundo. E se vejam na introjeção. As terras desertas, figuram suas cabeças vazias de ideias. As favelas entupidas de pobres, simbolizam suas mentes cheias de corrupção. Ponham-se agora no caixão daquele velório. Essa é a trajetória sem sair do chão, para se abrissem as portas da cabeça aos pés do Brasil ao mundo, e não ir esgueirando pelas costelas do Nordeste e do Sudoeste, até porque elas se ligam naturalmente à coluna vertebral do Gigante do Hino Nacional. As outras rotas seguem o rumo torto das curvas da corrupção. A corrupção brecou nos trilhos na ida da Ferrovia Norte-Sul para o porto de Arica. A corrupção que capotou nos trilheiros o desembarque da Rodovia Transamazônica distanciada dos ancoradouros de Lima.

A multiplicação dos pães e peixes é o termo utilizado para se referir a dois diferentes milagres de Jesus. O primeiro, conhecido como Alimentando os 5.000 e, o segundo milagre, conhecido como Alimentando os 4.000. Muitos especulam como podem ter sido realizados estes prodígios bem descritos na Bíblia

Os atalhos

da corrupção no Brasil A corrupção come o povo brasileiro nas riquezas dos políticos entulhados nos desvios dos roteiros de todas as fontes do progresso nacional. Abriram atalhos pioneiros nas encruzilhadas do desenvolvimento para a corrupção sediada em São Paulo, que traz e planta a espoliação econômica, leva e engole todo líder goiano que se desponta como candidato natural a presidente da República, capaz de libertar o Brasil dos políticos feitores das senzalas dos escravocratas que mantêm o Brasil na servidão dos paulistocratas. Ulysses Guimarães mastigou a candidatura de Iris Rezende. Fernando Henrique Cardoso digeriu a candidatura de Marconi Perillo. Michel Temer degustou a candidatura de Henrique Meirelles. E os três ovos de páscoa embalados para a ascensão de Goiás, à presidência da República do Brasil, foram enlatados e servidos como recheios em pratos feitos de patos e servidos às ceias no Palácio dos Campos Elíseos. Os líderes paulistas, grandões na política, devoram os estadistas goianos à mesa de seu poder com a voracidade do Gulon da mitologia escandinava. Papa-os no prestígio. Lambe-os no carisma. E deixa-os lambuzados aos talheres se jogando uns nos outros a copadas de insultos, a garrafadas de ódios, a facadas de calúnias, a colheradas de intrigas, a pratadas de ingratidão e a guardanapadas de invejas trocadas. Existem atalhos abertos pelos tentáculos do poder econômico em todos os caminhos do desenvolvimento nacional e ventosas aspirando as riquezas em todas as fontes de produção, para se manter o Brasil parado em São Paulo, sugado e repartido esfatiado ao colonialismo econômico pelos líderes políticos doutorados em corrupção.

A revolução que evita as guerras

Gigante pela própria natureza, o Brasil se cansou de ficar deitado eternamente em berço esplêndido, às margens plácidas do Ipiranga, levantou-se impávido, colosso e deu

o brado retumbante contra as falanges ímpias das autoridades que zombam do povo e mantêm o Brasil dentro das muralhas da corrupção. Sobre a imensa Nação Brasileira, nossos campos têm mais flores, nossos bosques têm mais vida, nossa vida tem mais amores na verdura sem par destas matas, que os grilhões da perfídia astuta forjam desertos, abrem os caminhos do êxodo-rural que favelam as cidades e criam no Brasil a civilização perigosa entre os da fome os da barriga cheia. O Brasil dos filhos deste solo és mãe gentil, se ergues da justiça a clava forte, há brasileiros desnacionalizados do amor à Pátria. E que, ainda assim, cantam o Hino Nacional nas paradas de 7 de setembro, nas praças públicas e hasteiam a Bandeira Nacional às portas dos Palácios do Poder povoados por entreguistas. Por isso, fulguras, ó Brasil, florão da América, nos ornatos do esplendor da corrupção, iluminado ao sol do Novo Mundo no luzeiro da Lava Jato que, se chegar às cinzas, os Três Poderes da República ouvirão o povo brasileiro cantar o estribilho do Hino da Independência: Ou ficar a Pátria livre. Ou morrer pelo Brasil. Será o triunfo do fracasso. Não há inocências sem culpas no mundo atual. Há trocas das letras L e R em duas palavras opostas nos adjetivos Bem e Mal nos substantivos Alma e Arma. Será a paz definitiva na Humanidade. As almas venceram as armas.

A Revolução

que precisa acontecer já Não existe o acerto que o autor esteja isento do erro na concepção dos intérpretes. Cada um vê o mundo com a perspicácia que tem na mente. Há rosários de deduções corolárias e distorcidas, no meu entender. Discordo e me calo. Guio-me pelas manifestações da intuição perceptiva, quanto ao descortino dos prenúncios das mudanças históricas e nos desvendos da

fidelidade cultuada na versão do verdadeiro nos fatos épicos das civilizações. Um desses episódios insere o Cristianismo no ato mais revolucionário na universalidade da evolução humana. Explico minha concepção a respeito desse feito grandioso no sublime, único até agora nos tempos, e que, se vier a ser praticado nos próximos anos, vai chover balas entre os ricos e os pobres nos povos. Minha fé é inteira em Deus, confesso. E comungo a certeza da divindade de Jesus, devoto. Mas não faço a leitura da multiplicação dos pães e dos peixes feita por Cristo, após o sermão de Betsaida, como está descrito na Bíblia. Bastava o Messias pensar que não queria a fome e a sede ali, e os fiéis sentir-se-iam saciados. Cristo é o maior dos sábios que vieram à Terra. Sabia que onde há multidão de peregrinos, sempre têm mercadores que levam coisas para vender. Creio que Jesus mandou que os pães e os peixes fossem colocados num local à vista dos discípulos e dos devotos pobres. Os comerciantes deduziram que Cristo ia abençoar o estoque e atenderam prestativos, porque a mercadoria ficaria muito valorizada, e eles aumentariam o preço do pão e do peixe. Acredito que Jesus fez uma pausa meditativa. Contemplou silente o Céu. Conversou com Deus no pensamento. Voltou iluminado no sentimento. Olhou para os pães e os peixes. E distribuiu para a multidão de pobres. Todos se fartaram. Com sobra. Aquele foi um momento eterno nesse mundo. Cristo fez a Revolução Humanista. A Oxfan provou e comprovou que 99% das riquezas na Terra estão concentradas e usufruídas apenas por 1% das pessoas da população mundial. É o jugo dos carrascos do povo. Está passando da hora de se implantar a Revolução Humanista imposta por Jesus Cristo há dois mil anos. Ou se reparte as riquezas do 1% dos abastados, ou os 99% dos desprovidos farão a degola dos carrascos. Cristo vivenciava a dimensão do coletivo, nunca se prendia ao individualismo, tanto que até na única oração que nos ensinou, rogou a Deus: “Pai nosso” e, não, “meu Pai”. E, por isso, entendo que os pães e os peixes dos mercadores a todos e, não, apenas aos 12 apóstolos. Diferentemente dos ególatras da política. Apregoam-se preocupados com a coletividade e atuam individualistas, tanto que se exclusivaram no poder em repassar ou dividir os mandatos aos que estão em volta deles nos filhos, nos primos, nas esposas, nos sócios e nos apaniguados catadores de dinheiro nas obras públicas. A Revolução Humanista é a convocação da pessoa a si mesma para a luta íntima no combate ao egoísmo nas batalhas da caridade, pois, só na partilha dos bens materiais se chega à herança do bem humanitário. Os políticos que estão decaindo, despidos do poder, ou os empresários que vêm rolando, descascados das fortunas, fazem parte do rol dos joios expelidos nas escolhas seletivas dos trigos. Os que escaparem dos eleitores em 7 de outubro de 2018, saiam do povo. São refugos. Tirem suas crias da inseminação artificial de votos cambiados. O tráfico de influência perdeu as franquias do ágio nos cofres públicos e ficou sem cotas nas falcatruas. Façam a Marcha da Retirada da Política. O povo os viu pobres e os vê ricos no Poder. O Brasil quer o dinheiro p’ra trás.

CONTINUA


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LUZ QUEBRADA

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

O PIC do Brasil (Vamos à dimensionalidade na divisão geopolítica que, hoje, configura o Brasil e a Europa. As comparações favorecem inflexões de novas perspectivas para avaliarmos situações e ponderarmos, a problemática do Brasil, com bases seguras. Do ponto de vista espacial e econômico, podemos dividir o continente europeu em Europa Ocidental, Europa Setentrional, Europa Centro-Oriental e Europa Meridional. Sendo: Europa Ocidental: região que abrange alguns dos chamados países atlânticos, ou seja, banhados pelo oceano Atlântico — Reino Unido, Irlanda e França; os que mantêm relação direta com o Atlântico através do mar do Norte — Países Baixos, Bélgica e Alemanha; e os países sem saída para o mar, mas que estão direta ou indiretamente vinculados ao Ocidente — Áustria, Suíça, Luxemburgo e Liechtenstein. Europa Setentrional: região que engloba a Noruega e a Suécia, localizadas na península Escandinava, além da Finlândia, Islândia e Dinamarca; abrange também a Estônia, Letônia e Lituânia, que a partir de 1990 se tornaram independentes da então União Soviética. A inclusão desses países na região justifica-se por motivos econômicos e pela sua proximidade étnica e cultural com os finlandeses. Europa Centro-Oriental: É formada pelo conjunto dos antigos países socialistas do Leste — Polónia, República Checa, Eslováquia, Hungria, Romênia, Bulgária, Albânia, Sérvia, Montenegro, Kosovo, Eslovênia, Croácia, Bósnia e Herzegovina e Macedônia — e pelas repúblicas que constituíam a antiga União Soviética, em sua parte europeia: Bielorrússia, Ucrânia, Moldávia, Geórgia, Armênia, Azerbaijão e a Rússia Europeia. Europa Meridional: região que, também chamada de mediterrânea, compreende os países situados no sul do continente, quase todos banhados pelo mar Mediterrâneo — Portugal, Espanha, Itália, Grécia e Turquia europeia, além de vários microestados — Vaticano, San Marino, Mônaco, Malta e Andorra. Ora! Ao se analisar e calcular-se a proporção territorial do Brasil, com 8.515.767.049 km² de extensão em relação às várias europas e, em seguida, medir o PIB individual de cada país e colocá-lo à par com o PIB brasileiro, um espanto saltará ao estatelar dos olhos. Os números não se desvirtuam no caráter como mentem as desconsciências políticas modernas no País: No Brasil, cabem 6 Europas Ocidentais. No Brasil, cabem 5,9 Europas Setentrionais. No Brasil, cabe 1,4 Europa Centro-Oriental. E, no Brasil, cabem 4,7 Europas Meridionais. Posta a análise prática dos números, fica-se patente e explícito o que fora escrito anteriormente — que se tivéssemos, na liderança dos governos, a iconicidade dos estadistas honrados, capazes de recuperar o PIC nacional, isto é, o Produto Interno da Corrupção do Brasil, ter-se-ia dinheiro para comprar outros Brasis e, o Brasil, seria outro).

O novo Brasil

vai nascer aqui em Goiás O Brasil tem tudo nos tesouros da natureza para ser a Nação berço do Mundo, se não tivesse os líderes que não têm a Humanidade neles. Já os teve no ideal de estadistas onde estão os atuais nos reinos do Governo. O País está raleado de patriotas. Faltam um Ruy Barbosa e um Clóvis Beviláqua no Judiciário. Carece de um Carlos Lacerda à tribuna do Congresso Nacional. Não se sabe de um desenvolvimentista como Juscelino Kubitschek nos últimos hóspedes do Palácio do Planalto. Nem existe um Pedro II na República. Não se vê um Getúlio Vargas nesses revolucionários de passeatas. O Brasil está órfão de cérebros nas cabeças ilustres. Falta de um Osvaldo Aranha no Itamaraty. Não tem um marechal Rondon nas Forças Armadas. Nem se encontra um Oswaldo Cruz na Saúde. Não reza nas igrejas um Frei Caneca. Tampouco se cruza por um Monteiro Lobato nos entreguistas da Petrobras. Muito menos se escuta um Carlos Gomes nos repertórios ouvidos pela Funai. Nem se entoa nos escribas amontoados nas assessorias de imprensa dos governos o grito de liberdade de um Líbero Badaró. Em Goiás, os líderes se analfabetizaram em ciência política e chegam ao Palácio das Esmeraldas foragidos dos livros. Não se acha um desbravador destemido e poeta Totó Caiado, nos que botam obras no chão e não põem sonhos no coração do povo. Nem a bravura mudancista de um Pedro Ludovico nos seresteiros de promessas inacabadas. Muito menos existe o filósofo e pensador das liberdades públicas, de um Alfredo Nasser, em nenhum dos entortadores de ideias na Casa Verde.

cia; desalentado no desemprego; desesperado na carestia dos preços dos alimentos e dos remédios; desviando de bandidos nas cidades; descrente das autoridades; vendo chefes do Poder mimados por guarda-costas e esbanjarem mordomia nas viagens internacionais. A sociedade está um estopim de nervos. Só falta um desordenado mental riscar a revolta. E Bolsonaro atira violência nos discursos. O peso do governo quebrou o Brasil. Têm órgãos públicos demais. Têm funcionários públicos demais. Têm salários nababescos demais. Têm prédios públicos luxuosos demais. Têm impostos demais e exorbitantes demais. Têm deputados federais demais e bobos demais. Têm Ministérios demais e escândalos demais de ministros. É urgente diminuir o tamanho do Governo. Oswaldo Cruz foi pioneiro no estudo das moléstias tropicais e da medicina experimental no Brasil. Fundou em 1900 o Instituto Soroterápico Federal no bairro de Manguinhos, no Rio de Janeiro, transformado em Instituto Oswaldo Cruz, respeitado internacionalmente

Bernardo Sayão foi um engenheiro agrônomo do Ministério da Agricultura e político brasileiro

Marechal Rondon foi um engenheiro militar e sertanista brasileiro. Famoso pelo seu apoio vitalício às populações indígenas brasileiras

Tampouco tem um Bernardo Sayão abridor de horizontes, entre os goianos que foram, nos desvios da Ferrovia Norte-Sul, para a estação dos presídios. Pobre de ti, Goiás! Estás uma tapera da corrupção! Logo ti, que o Brasil virá nascer, aqui, a civilização que governará a Terra. Mas até quando ficarão secando os pastos da corrupção? Para que, em seus campos, os ventos panhem o perfume das flores e os corações escrevam nos olhos o poema da Liberdade nos namoros da esperança, da vida igual nas filhas dos ricos e nos filhos dos pobres.

Goiás

está indo embora dos seus políticos A maioria dos brasileiros não conhece o País, ou não tem sequer ideia da dimensão territorial da sua Pátria. O Brasil cabem seis lados ocidentais da Europa dentro

Não há quem não conheça os acordes da ópera O Guarani. Peça coloca os índios no papel de primeiro plano. Verdi, já consagrado, ao ouvir a peça, que foi apresentada em toda Europa e América do Norte disse: “Este jovem começa de onde eu termino!”

dele. Lá tem 10 países. Aqui tem 26 estados. Aqui tem riquezas naturais que lá, não as há. Lá tem líderes cultos que aqui, não os há. Lá, a União Europeia não interfere na independência política e econômica dos 50 países. Aqui, a independência política e econômica da União é colonizada por São Paulo nos 26 Estados. Em Goiás, aqui, ali e acolá, lá em São Paulo decide o que nossos políticos provincianos manda fazer no Estado e em Brasília. Caturrices exibíveis na matutice. O goiano Jovair Arantes, que não é advogado, se encapou no mandato de deputado federal, assinou e leu no plenário da Câmara, o Relatório que instrumentalizou a deposição da mineira Dilma Rousseff da presidência da República para assumir, o governo do Brasil, o paulista e seu vice Michel Temer. Jovair experimenta o efeito bumerangue. Os líderes políticos de Goiás estão nas troças do povo. E uma chusma avizinha-se do expurgo nas urnas eleitorais. Rodearam-se de rastejantes nos agrados e esfiapados no córtex sensorial. Raciocinam desantenados da lucidez. Os do Palácio das Esmeraldas gostam dos alisadores de vaidade nas conversas espinhosas. Talvez, por isso, os seus dias de ostracismos amanhecerão nos seus tempos governo. Goiás está indo embora deles.

Monteiro Lobato demonstrou em seu livro O Escândalo do Petróleo, seu espírito de nacionalismo, posicionando-se totalmente favorável a exploração do petróleo, no Brasil, apenas por empresas brasileiras

É urgente

diminuir o tamanho do Governo

Os líderes políticos que postulam a presidência do Brasil, todos, são coniventes com os desarranjos sociais; com as badernas econômicas; com o alarme de impostos; com as proliferações dos crimes; com os emburacamentos do País nos endividamentos; com os desmantelamentos da Educação; com os congestionamentos nas filas do desatendimento na Saúde; com as canalizações da corrupção empoçada nos escalões nos três Poderes da República; todavia, os presidenciáveis focam nos efeitos e não abordam as causas dos estrangulamentos progressivos da Nação roubada nos governos. Os candidatos não ignoram que as crises meiam-se na política e na economia dentro das bolhas da corrupção e das redomas da incompetência; e sabem, sobretudo, que o povo brasileiro está inflamado na paciên-

Osvaldo Aranha foi um político, diplomata e advogado brasileiro, que ganhou destaque nacional em 1930 sob o governo de Getúlio Vargas. Como diplota é reconhecido internacionalmente por ter atuado em favor da criação do Estado de Israel como chefe da delegação brasileira, na ONU

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Jair Bolsonaro: discurso pró-armamento da população, ter sofrido um atentado à faca em ato de campanha, com milhares de pessoas na rua, mais seu discurso de alinhamento econômico ao liberalismo internacional, o então candidato ganhou o apoio dos empresários brasileiros, massacrados nas altas cargas tributárias do País, além de outros abusos que levaram à falência e fechamento de inúmeras iniciativas privadas

Henrique Meirelles: o presidente que o Brasil perdeu a chance de tê-lo. Goiano é a síntese do liberal sem amarras ideológicas

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DARYAN DORNELLES

ESPECIAL

Ciro Gomes repartiu a esquerda por discordar da jogada petista que segurou a nação até o último momento na definição do pleito

Com Lula condenado e preso, a fadiga popular do estigma do socialismo e do comunismo, o mau cheiro da corrupção que foi imantado à imagem do PT, Haddad ainda conseguiu bom número de votos no 2º turno. A força da era petista, porém, não resistiu à guinada da política internacional e ao cansaço do empresariado brasileiro

Querem o Brasil sem Ordem e sem Progresso

O viajor dos sonhos e do idealismo

Líder que tem mordaças ideológicas ou vendas religiosas não libertam o brasil das amarras dos preconceitos convencionados no fanatismo das crenças místicas e nos sectarismos das convicções materialistas. O goiano Henrique Meirelles é um conservador liberal, dotado de ideias criativas, que o credenciam na vocação com a aptidão de reorganizador de economias bagunçadas. É um executivo inato. Ele decifra mistérios nos números, como o poeta Castro Alves desvendava, na inspiração, voos do condor nos fenômenos dos versos. Meirelles, no governo do Brasil, estabiliza a economia no passo de um ano para outro, como a luz do sol leva à noite o crepúsculo para a alvorada na manhã. Seria a arrancada impulsora para desenraizar as mazelas que prendem o Brasil ao chão das falcatruas em Brasília, que é por onde a camarilha dos feudos governam no subterrâneo o País. Meu voto é um ato de fé nesse goiano que o mundo o chama para solucionar entraves nos impérios da economia. Sei que os políticos nacionais, portadores de lastros da corrupção e da desarrumação administrativa do País, se uniram para isolá-lo na candidatura a presidente da República. Porque não lhes é conveniente a ordem e o progresso do Brasil. E a Nação perderá. Os políticos da engorda ganham.

J

Kubitschek teve a visão de estadista que o futuro esteve nele, foi embora e não voltou mais em nenhum presidente da República no Brasil. JK, o menino pobre, o moço estudioso, o homem romântico na pessoa espiritualizada, trouxe na vocação política o amor ao povo e o perdão aos que não sabem o que falam e fazem. Foi um Apóstolo da Verdade. Fez a Revolução Humanista. Fez o poema das preces no altar da arquitetura, ao construir a Pampulha quando era prefeito de Belo Horizonte. Fez o batismo da esperança nas águas do Rio São Francisco, ao criar a usina de luz na hidrelétrica de Paulo Afonso. Fez o milagre do Brasil no santo de 50 anos do progresso nos 5 anos do mandato como presidente da República. Fez Brasília amanhecer do namoro das Alvoradas e ser coroada pela Unesco como a 8ª Maravilha do Mundo. Fez o agreste do Ceará matar a sede no açude de Orós, o maior lago construído nos áridos da Terra. Fez a caminhada de Moisés na rodovia Belém-Brasília, ao levar da orla de Copacabana o poder do Palácio do Catete para ir conhecer o Brasil dentro das matas da Amazônia e veranear no litoral do Pará e comprar sem a extorsão dos impostos no porto franco de Belém. Fez a Fábrica Nacional de Motores e produziu os caminhões Fenemês para transportarem as frentes do desenvolvimento nacional e ser rasgado o atraso dos sertões despovoados. Fez a FNM fabricar o automóvel Alfa Romeo, popularizado como carro JK, para os passeios nas cidades e nas rodovias asfaltadas. Fez a Alemanha vir produzir, no Brasil, os fuscas para o povo cruzar o poeirão e os atoleiros no chão da época dos carros de boi, dos cavaleiros e das tropas e boiadas. Fez o ato histórico, até então inédito, de romper com a agiotagem do FMI, mandou a Casa da Moeda, órgão jurisdicionado ao Banco Central, imprimir cruzeiros a rodo e só aplicou o dinheiro em obras públicas que davam retorno ao crescimento nacional.

O presidente que veio do futuro

Não há nos medalhões, falantes nos comícios, um só com vocação desenvolvimentista. São embrulheiros de povo. Tradicionais trocadores de problemas no rodízio das dificuldades no remanejo das aflições explosivas nos protestos sociais. Talvez Ciro Gomes, não. Quem sabe, Fernando Haddad, sim, até poderia surpreender. Mas será preciso ter o arrojo e a postura liberal de Juscelino Kubitschek, inclusive a ousadia, para enfrentar, sozinho, os cartéis anelados nas chamadas forças ocultas que reagiram bastante visíveis e carbonárias na construção de Brasília. Bateram calúnias, cuspiram injúrias e vomitaram difamações no JK. Em uma entrevista inédita, até ser publicada na íntegra, nesse artigo, que o presidente Juscelino Kubitschek concedeu-me em sua última semana no Palácio da Alvorada, confidenciou-me qual seria o binômio de suas metas ao voltar em 1965. E insinuou que dividiria o País em 50 Estados e construiria uma capital moderna, como Brasília, em todos eles. E cunhou essa frase: — O que for bom para São Paulo não é bom para os outros Estados do Brasil. É valioso, para o futuro da Nação, que os líderes da política nacional leiam o inteiro teor dessa entrevista. E meditem sobre a grandiosidade do binômio das metas de JK, se houvesse voltado a ser presidente do Brasil, em 1965. Visão de estadista que o futuro esteve nele no Brasil.

uscelino

Juscelino Kubitschek foi um político brasileiro de dimensões que o tempo ainda trará sua grandeza CONTINUA


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Geraldo Andrade Carneiro se transferiu para o Rio de Janeiro em 1955, quando foi secretário do presidente Juscelino

LUZ QUEBRADA

Sebastião Paes de Almeida foi presidente do Banco do Brasil, ministro da Fazenda no governo de JK e também deputado federal

Fez o mastro pioneiro na história da liberdade de imprensa no País, ao se conduzir com a paciência de Jó ante às cargas de injúrias do semanário Binômio, às descargas de calúnia do diário Tribuna da Imprensa e as recargas de difamações da revista nacional Maquis. Fez-me de arrependimento na vida no moço idealista no jornalismo e independente na opinião no semanário Revista Maquis Cinco de Março. Eu de a destruir JK. Er dicou-se estampara na primeia editada e publicada por A ra página a manchete: maral Neto do genda a le a z O preço da candidaa fe rens Larced a Imp tura JK, especificando Carlos a Tribuna d jornal o descabido custo das sinecuras e nominando os políticos goianos que cobram para apoiar a candidatura de JK a senador por Goiás. A re- que os móveis não eram os que elas esportagem teve repercussão nacional. Foi repro- colheram e os jogavam pelas janelas. O presidente JK intervalou-se numa duzida na íntegra por Carlos Lacerda, na Tribuna da Imprensa e por Amaral Neto na Maquis. meditação e, pesaroso, não escondeu a O goiano Segismundo de Melo, presidente do causa de sua preocupação: — O Carlos Lacerda, o Jânio QuaTribunal de Contas da União, convidou-me para ir ao Palácio da Alvorada, que o presiden- dros e suas hordas inconsequentes na te Juscelino tinha urgência de conversar comi- responsabilidade pública, montanhago. Recusei. Alfredo Nasser foi informado. Cha- ram uma enxurrada de artimanhas mou-me à sua casa e me convenceu que um denuncistas e caluniadoras da minha jornalista como eu não podia recusar o convite integridade moral. para uma conversa do presidente da RepúbliE se abriu: ca de seu país. Fui dormir no apartamento do — O mandato de senador, além de deputado federal e vice-governador de Goiás repercutir como uma homenagem de em Brasília. O Rezende e o Érides Guimarães Goiás, confere a imunidade que não tentavam marcar uma audiência com o presi- me deixa vulnerável ao impropério das dente. Aproveitaram e foram me levar. No salão acusações levianas e infundadas. Os de visitas, aguardavam-me o Geraldo Carnei- Cr$ 15.000,00 não são do dinheiro púro, secretário particular do presidente e diretor blico. São de doações de amigos para financeiro do Banco do Brasil com o Sebastião os caixas de campanha, da minha canPaes de Almeida, ministro da Fazenda. JK che- didatura ao Senado, por Goiás. Precigou meia hora depois. Tratou-me com uma cor- so do apoio do Cinco de Março. Eu me dialidade fidalga. Virou-se para o Geraldo fazer sentirei mal por dentro. um cheque de CR$ 15.000,00 e mandou o AlJK confidenciou, com pedido de resermeida pagar rápido. O clima de alegria entre os vas, os fatos, os atos, as provas e os nomes presentes. Não me contive e perguntei: das pessoas que receberam contribuições — Presidente, posso falar com o senhor, financeiras, nomeações e até cartórios em de goiano para mineiro? Brasília. O silêncio do inocente doía-lhe na JK franqueou-se, afável. barulheira da forja das culpas. O remorso — O senhor é muito corrupto. Chama um feriu-me. Pedi-lhe desculpas, constrangimoço idealista, ao Palácio, para subornar! do. JK insistiu. Não se sentiria bem se eu O deputado Rezende Monteiro alteou a voz: não aceitasse a doação ao Cinco de Março. — O que é isso, Batista?! Pedi-lhe que dividisse para três entidades O Paes de Almeida levantou-se, dizendo: filantrópicas. Cr$ 5.000,00 para o Lar Santa — Vou me retirar. Não sou obrigado a ou- Gertrude. Cr$ 5.000,00 para a Fama. E Cr$ vir isso! 5.000,00 para a Tenda do Caminho. RetorO Geraldo Carneiro intermediou: nei para Goiânia com a consciência tra— Calma, gente. — E se recomentou ao pre- zendo-me aliviado. O Durval Veiga, cidasidente: — O senador precisa ouvir esse moço. dão digno e casado com uma sobrinha de JK veio até mim. Pôs o braço direito, fraternal, Pedro Ludovico, foi a Brasília comigo e enem meu ombro e falou: — Venha comigo, ali. tregamos os pedidos por escrito das entiFomos a uma das janelas amplas do Alvo- dades. Geraldo Carneiro autorizou. rada. O presidente olhou emocionado o azul Escrevi o artigo, assinado na primeinos céus e pediu-me para contemplar os pré- ra página do Cinco de Março, declarando dios sobrepondo a copa dos cerrados, esperou meu voto a JK, apesar do seu suplente, exum pouco e disse pausado: -governador José Feliciano Ferreira, haver — Eu não sou corrupto. A corrupção é que permitido que o secretário da Segurança, é uma tradição coletivizada na política brasi- Thales Reis, consentisse à polícia dissolleira. Para fazer Brasília, tive que me calar, re- ver um comício e massacrar um estudante signado, diante de muitas e irreveláveis agres- na Praça do Bandeirante, em seu governo, sões caluniosas. Teve esposas de ministros no dia 5 de março de 1959; e que deu orique o governo pagasse as passagens aéreas e gem ao nome do seas hospedassem em hotéis de luxo, em Paris, manário Cinco de para escolherem os móveis dos apartamen- Março. E ficatos funcionais. Os móveis vinham de navio. mos amigos, Houve senhoras o JK e eu. que alegaram

Alfredo Nasser convenceu Batista Custódio a ir em Brasília ouvir as considerações de JK, após o jornalista ter publicado matéria grave

Antônio Rezende Monteiro, ou deputado Rezende Monteiro, natural de Caiapônia, foi também vice-governador de Goiás

JK Um estadista completo no caráter e na honra

A candidatura de Jânio nasceu tão impulsionada pelo udenista Carlos Lacerda que, a certa altura, o próprio ex-governador de São Paulo sentiu-se alarmado e tratou de disfarçar as expressivas intimidades. JK, porém, era o ponto que fazia os dois trilharem um caminho comum: a avenida das perseguições com esquinas na calúnia

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ESPECIAL

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O fazedor de esperança no Brasil

O

presidente Juscelino Kubitschek (foto) honrou as terras nos céus do Brasil. Fez, mais que o colosso nas obras e mais grandioso que as lutas da independência do povo, a legenda do herói que a posteridade recebeu na História dos mártires em JK. Fez a prova que o golpe militar de 1964 é uma farsa da extrema-direita encoberta no véu do combate à extrema-esquerda, ao cassarem, em 8 de junho de 1964, o seu mandato de senador por Goiás e suspender seus direitos políticos por 10 anos, prendê-lo e exilá-lo do Brasil. JK era um democrata liberal e um estadista dotado de arrojo desenvolvimentista. Marginalizaram-no da política como única forma de impedir a sua vitória gloriosa a presidente do Brasil nas eleições de 3 de outubro de 1964 e, tanto é verdade, que foi cancelada pelo presidente marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, escolhido por cinco governadores: Mauro Borges (Goiás), Magalhães Pinto (Minas Gerais), Ademar de Barros (São Paulo), Carlos Lacerda (Rio de Janeiro) e Ildo Meneghetti (Rio Grande do Sul). JK amargou privações financeiras. Ao retornar ao Brasil, foi trabalhar no Banco Denasa e, em sua sala, nasceu o movimento civilista da reabertura democrática no regime militar. Fez a Frente Ampla, em 19.11.1966, coadjuvado por Carlos Lacerda e João Goulart. O militarismo reagiu e criou a Operação Condor à sombra de quartéis da América Latina. O ex-presidente Juscelino Kubitschek foi executado, em 22.8.1976, à noite, em uma viagem da implantação da Frente Ampla, no capotamento do carro no tiro à cabeça do motorista. O ex-governador Carlos Lacerda foi executado, em 19.5.1976, ao ser deixado à espera de atendimento durante uma crise cardíaca em uma maca nos corredores da Clínica São Vicente, no Rio de Janeiro. O ex-presidente João Goulart foi executado, em 6.12.1911, em Mercedes, na Argentina, com a adição de uma dose de veneno nos remédios que tomava diariamente. As ditaduras não se municiam de ideias nobres. Estocam-se de covardias nas balas, nos venenos e nas torturas simuladas de enforcamentos nas fotos publicadas dos mortos.

FRENTE AMPLA DO FOGO Frente Ampla contra a familiocracia política. Frente Ampla oposta ao ódio. Frente Ampla contra a ingratidão. Frente Ampla contra a traição. Frente Ampla oposta ao denuncismo delator. Frente Ampla ante a mentira. Frente Ampla ante a vaidade. Frente Ampla contra a falta de caráter. Frente Ampla contra a corrupção. Frente Ampla da devolução do enriquecimento ilícito ao governo. Frente Ampla contra o fanatismo religioso. Frente Ampla contra o lunatismo sectário nas ideologias.

Os chefes do poder Executivo, os chefes do poder Legislativo e os chefes do poder Judiciário poderão fazer uma prova, para saber se serão aprovados no exame da consciência. Leiam a Carta Magna de 1988, artigo primeiro, parágrafo único: Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos da Constituição.

Meu Caminho Para Brasília (por JK)

A Escalada Política (por JK)

É o funeral

da corrupção em Goiás

A escola

A

que aguarda novos líderes Juscelino Kubitschek foi uma epopeia humana, dessas que moram nas mudanças feitoras da evolução nas etapas do aprimoramento das civilizações. Ele era um revolucionário destemido no empate da coragem pessoal com a cívica. Um poeta criador de sonhos no romântico nas obras apaixonantes na beleza física. Um empreendedor que parecia ter uma multidão trabalhando nele. Um intelectual que a ditadura militar fechou as portas da Academia Brasileira de Letras, no medo, para despejá-lo da vitória para a derrota na candidatura. Mas a História o quis imortal. JK vive na saudade do povo brasileiro. Que não o deixa ir embora. Guardou nas alvoradas. A ABL deve essa página em branco ao livro da Liberdade. Os líderes de Goiás precisam ir à escola do conhecimento no mestre em ciência política Juscelino Kubitschek. Leiam os três volumes de Meu Caminho Para Brasília (de JK), o Essencial de JK (de Ronaldo Costa Couto), JK, Caminhos do Brasil (de Woyne Figner Sasshetin), JK e a Ditadura (de Carlos Heitor Cony) e JK, o presidente bossa-nova (de Maria Adelaide Amaral). E sigam o exemplo do político que enriqueceu o Brasil de progresso e de liberdade na imprensa. E morreu pobre. Por isso, se enriqueceu na alma. Sofreu perseguições, e não perseguiu. Recebeu calúnias, e não devolveu ofensas. Foi preso e exilado na ditadura, e mandou soltar, das prisões, os militares e os civis que fizeram os três golpes para depô-lo da presidência da República. Tinha ideias na cabeça e amores no coração; e tinha rezas nos sentimentos e nos pensamentos. Políticos de Goiás, leiam a vida de Juscelino Kubitschek! Talvez assim, quem sabe, possam formar dois modelos de Frente Ampla. Uma do fogo, para queimarem o que estão. Outra da Luz, para se redimirem do que são.

Castelo Branco

Mauro Borges

Mas existe a Lei Maior. Ela é mais onipotente que o poder supremo nas leis humanas. Os políticos de Goiás podem lê-la nos Sete Livros do Juízo Final, na Bíblia. A dor já está se mostrando nas faces magras dos sozinhos na penúria. Só existe sorriso geral nas fotos dos candidatos nessas eleições, quando é chegada a hora do choro e ranger de dentes, que já vivemos, no Armagedom.

50 Anos em 5 (por JK)

Por Que Construí Brasília (por JK)

Terra é cheia de culpados rezando inocências, ajoelhados em seus pecados. A Humanidade está indo para o forno em que cada pessoa arderá no seu mal e se aclarará no seu bem. Os maus que se fortificam nos assédios da ganância e os bons que fraquejam nas seduções do egoísmo ponho dó deles no coração. Verão dinheiro cair do bolso dos que tiram a última moeda das capangas sem pão. Ouvirão sorrisos molhados de lágrimas na alegria dos que não consolam aos inimigos no infortúnio. Verão línguas se mordendo nas vozes que machucam honras na guilhotina dos dentes. Ouvirão o borbulhar do suor alheio nos poros do charme das peles que não o transpiraram no cansaço do trabalho. Verão muitos pais com a corda do pescoço doendo no coração dos filhos. Ouvirão remorsos calados na consciência dos amigos que levaram os companheiros ao cadafalso das delações premiadas. Verão faces ricas nos rostos se esquivando delas no desprezo público. Ouvirão lamentos das torturas na honra das autoridades tintas de sangue dos adolescentes das famílias pobres que o crime emprega na sobrevivência das misérias sociais.

Magalhães Pinto

O epitáfio da

FRENTE AMPLA DA LUZ Frente Ampla da humildade. Frente Ampla da caridade. Frente Ampla do perdão. Frente Ampla da sinceridade. Frente Ampla contra o desperdício. Frente Ampla da palavra: para cumprir o que prometeu. Frente Ampla do caráter: inquestionável na retidão. Frente Ampla pela liberdade. Frente Ampla pela fraternidade. E a maior de todas as Frentes, a capaz de viabilizar todas as outras: Frente Ampla do amor igual aos próximos e aos estranhos.

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honra e a lápide da corrupção Ademar de Barros

Carlos Lacerda

Ildo Meneghetti

JK, Caminhos do Brasil (por Woyne Sacchetin)

O Essencial de JK (por Ronaldo Costa Couto)

Pesa no ar aquele consolo dos cumprimentos nos pêsames dos velórios ao aguardo da chegada dos primeiros corpos dos mortos nas tragédias, umas acontecidas nas caravanas indo para o descanso no turismo, outras ocorridas nas carreatas voltando dos torneios esportivos. Nas salas das funerárias, coroas abarrotadas de flores. Nos corredores dos hospitais, o piso molhado de prantos às portas das UTIs. Lá fora nas calçadas, doentes morrendo à míngua na carestia dos Planos de Saúde. No chão das favelas, a fome matando nos pratos vazios. É o funeral da corrupção na Terra. É a briga de seus herdeiros nos três poderes do Brasil. É o atestado de óbito das múmias e de seus fetos nos mausoléus políticos de Goiás. Não adianta fazerem transfusões de sangues nas veias abertas à corrupção dos poderes no Estado. Preparem-se para os velórios. Serão muitas, as mortalhas. Nas amarguras, jaz a compaixão soluçante das carpideiras. O ar funesto faz visitas de condolências. Nos sentimentos, a frieza regozija-se no doído dos desafetos. Na inconformação dos caídos, o tardio no arrependimento do que fizeram. Na exaltação dos subidos, a véspera da vinda do dia em que se arrependerão do que fizeram da vida nos bolsos. Fizeram o epitáfio da honra. Cumpre-se, pontual, a chegada do tempo prometido por Jesus ao João. É a hora de fechar as contas abertas com a vida. Aos traidores, a lâmina da falsidade na traição. Aos delatores, a fragilidade do caráter na deduragem. Aos ingratos, a dor da infidelidade na traição. Aos corruptos, a vergonha na lápide da corrupção.

JK e a Ditadura (por Carlos Heitor Cony)

Presidente Bossa-Nova (por Maria A. Amaral) CONTINUA


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LUZ QUEBRADA

GOIÂNIA, SEGUNDA-FEIRA, 13 DE MAIO DE 2019

O cordão

dos bolsos cheios e a fila dos pratos vazios

O

veio ao espelho na moldura das mudanças do Planeta. Nunca antes nada igual ao pandemônio atual. A reincidência de tragédias e escândalos, coincidente com a assiduidade de Pedro II cataclismos e êxodos, reflete, na força das fatalidades, o rigor das normas do reformatório moral no transe do mal para o bem na Terra. É o tempo do Juízo Final para o julgamento da Humanidade, sem juízes nela. O veredicto é o das Tábuas da Lei. O trigo à luz e o joio ao fogo nos 196 países. De todas as pátrias, somos a terra que será a sede do futuro no Planalto Central, onde nascerá a civilização profetizada pelo santo Dom Bosco e passará a governar o Planeta a partir desse milênio, portanto, somos o povo com mais urgência de fazer reparos na história do triunvirato dos Poderes. A pior pobreza do Brasil não é a penúria nos gerais da miséria social, e é a pobreza de conhecimento dos maiorais nos governos. O mais preocupante no País não é a proliferação do surto de doenças contagiosas, e é a propagação das enfermidades morais nas autoridades. O que emperra o desenvolvimento da Nação não é a vastidão continental do território nacional, e é a curteza intelectual dos líderes políticos. No cordão dos bolsos cheios em poucos está a medida da fila dos pratos vazios de muitos. Os tempos são outros e não sãos os saídos tardios dos milênios cheios de mitos vindo de costas no presente e indo de fastos para o futuro. Os tempos atuais são novos e têm pressa dos dias vindouros da posteridade. Mas na legião dos ocupadores de governos, há chefes de estado que não chegaram ainda do passado.

andorinhas-azul cegas no espaço acidentado e de flutuação no vácuo do tempo das águias velhas nas gaiolas do poder.

mundo

Fecharam-se as

cortinas dos tempos da corrupção gorda O Brasil está peteca na roda de vovôs passando tempo nas brincadeiras no pátio dos governos. Quando erram os tapas e a peteca vai ao chão, os netos a pegam no ar e continuam as jogadas da corrupção no circo da moralização nos poderes. No pináculo do País, no além dos estados, no ermo dos municípios, o panorama se estende igual nos vestígios das épocas isoladas nas taperas do tempo, ressuscitado fantasma nas cabeças com o novo decapitado pelo antiguismo. O bisonho da ancianidade vestiu-se da modernidade no provecto. Nos camarotes do Teatro Poder, os VIPs politicastros assistem avant-premières as reprises de espetáculos démodés, saudosistas no evocar das louvações babentas de adulação, e alheados às mudanças revolucionárias no cenário do palco e às alterações na cadência do som nos aplausos para o tom estridente nas vaias da plateia. O tempo os largou. Estão no antepassado. Andam do lado de fora do contemporâneo. Maquiam-se no camarim das

O adeus dos que Vargas

fantasias, entram em cena nas ribaltas da ilusão, brilham aos holofotes da vaidade e saem de cena condecorados no anfiteatro do ostracismo. Fecharam-se as cortinas dos tempos da corrupção gorda.

O enterro das

honras insepultas na hipocrisia Apagou-se a luz do fogo no inferno. Todas as chamas do mal na Terra irão às cinzas e serão sopradas pelas rajadas do bem, até não restar montes de dinheiro encoberto na vileza dos abastados no poder, à mostra no Planeta inteiro, das coroas, nas 28 monarquias, aos colarinhos-brancos, nas 168 repúblicas. No Brasil, a ética está despida no moralismo do canônico e do cívico. As religiões estão profanas nos dízimos milagrosos na multiplicação dos templos com a sonegação legalizada dos impostos. A política partidária transfigurou o patrimônio público em propriedade particular nos dogmas do capitalismo e do comunismo, avaros e bastardos nas arrelias pela posse das nações entre os herdeiros da corrupção. No elenco dos poderes terrenos, raros idealistas escapam da inclusão na contagem dos oportunistas e da rota da exclusão dos maus na vida da Terra. O embarque já começou. As bagagens estão despachadas. Muitos podem começar a se despedir. Em Goiás, a viagem estará mais superlotada. Aqui será a partida dos que irão para muito longe da civilização profetizada pelo santo salesiano, que nascerá entre os paralelos 1530 no Planalto Central,

JK

Totó Caiado

e com poucas paradas nas escalas do percurso para o passageiro descer e retornar à Terra. Começou o enterro em massa das honras insepultas na hipocrisia. A frieza humana nevou o cínico nos sentimentos e no caloroso das coisas. Está de fogo tomar banho nos córregos e do céu devolver orações aos devotos.

A revoada

das asas de arribação Os líderes molecaram o Brasil nos governos. Mede-se o enriquecimento deles no empobrecimento do povo. Não saem dos olhos dos pobres nas fotos posadas e saem às escondidas nas ruas dos descalços. Precisam emagrecer o peso no custo dos órgãos públicos, mas não se contêm no desperdício do esbanjamento nos recursos oficiais. Necessitam fazer dieta na abastança da gandaia nas mordomias, porém se recompensam no famígero dos majoramentos na carga dos impostos. Priorizam os desmandos das obras inacabadas no equívoco histórico dos mandos no plano das metas, todavia vão a sós para o asilo político, que é o lugar onde os falsos amigos esquecem os amigos verdadeiros. Os estadistas Pedro II, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Totó Caiado e Pedro Ludovico desceram a esse lugar onde mora a ingratidão, levados pelos que estiveram à sua volta nas glórias e que, no alvoroço dos assanhos, encenam a imagem de galos que batem mais forte as asas, cantam mais alto e bonito nos terreiros, e só voam para os poleiros. Ou, os mais discretos no assédio ao brilho do poder, assemelham-se a mariposas nos revoos à luz nas bordas do escuro. Estamos no temporal das penações. É temporada de arribação das

GOIÁS ESTÁ NAS ESTRELAS JK buscava a dois oráculos em tempos difíceis: Tancredo Neves, mas principalmente o Chico Xavier. Cabia ao coronel Lelis visitar o médium e trazer as orientações, que vinham em psicografias ou bilhetes dos espíritos envelopados e entregues nas mãos do homem que erguia Brasília

não querem ir embora

Pedro Ludovico

Marly, esposa de Batista Custódio

Os governos das nações desajuizaram-se sem rumo nos regimes políticos e os povos estão às debandadas à procura de um líder. Nada se garante estável na sobrevivência e tudo se expõe transitório no mundo atual. É a Terra se mudando de vida no planeta. O futuro deu o passo na caminhada multimilenária das mudanças na história cristã da Humanidade. E chegou a época de os brasileiros perdulários mudarem também a sua vida, pois o Brasil já entrou na era da profecia de nascer a pátria do Mundo em Goiás. As ondas de escândalos estão revoadas de demônios nos estragos da trindade nos poderes e são benefícios nos arrombamentos das capetagens dos chefes de estado na corrupção. Mas eis o adeus aos que não querem se despedir em seu despejo do poder na avalanche das mudanças redentoras. Os brasileiros começaram a tomar nos votos a Nação da grã-finagem das autoridades. A eleição de novembro foi uma insurreição popular. Os políticos ainda não se refizeram da surpresa nas urnas. Os derrotados mantêm a pose do poder na perda dos mandatos. Os vitoriosos não saíram dos discursos da campanha nos atos dos cargos. Obsoletistas no repertório das razões e caóticos no luminismo da percepção, os subidos e os caídos do governo rastejam na inveja sua mútua admiração.

O idealista não vive na pessoa, vive no espírito

N

B rasil , os governos dos estados e do país estão como carruagens quebradas na viagem. Os cocheiros não dão conta de consertar e os passageiros são largados na estrada. Os mercadores ambulantes acampam-se em volta, impõem preço às suas bugigangas e aos ajustes improvisados nos serviços das avarias, viram conselheiros dos cocheiros, passam a fazer intrigas entre os passageiros e a mandarem na caravana. Essa é a conjuntura do andamento político e a nomenclatura do ambiente nos poderes da República. Os líderes brasileiros estão mitos no autoencanto com o poder, onde escutam nos cantos de sereias as gargalhadas das bruxas que irão ouvir no ostracismo. O idealista não vive na pessoa, vive no espírito. Necessariamente, o chefe de estado é incorruptível e, positivamente, enxuto de ódios no governo. A vida pública encharcou-se de vinganças particulares dos políticos domésticos e de ouvidos prenhes de fuxicos gafieiros. Há sonhos do povo se apagando nos políticos. Mas nesse deserto das honras, vejo pessoas plantarem sementes no oásis da esperança. E o ideal nasceu. Colham-no na flor que a paixão lhes trouxer. Quanto a mim, vou ali ao meu coração. Colher um poema para a Marly. o

BATISTA CUSTÓDIO

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Luz Quebrada  

Batista Custódio desenvolve uma obra filosófica monumental onde patenteia sua inteligência, profunda memória e conhecimento. Em Luz Quebrada...

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Batista Custódio desenvolve uma obra filosófica monumental onde patenteia sua inteligência, profunda memória e conhecimento. Em Luz Quebrada...

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