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COLEÇÃO

FOTO: EDUARDO CARNEIRO

PATRICIA DRUCK Como começou a colecionar? Desde cedo, tive uma aproximação grande com arte. Trabalhei na Secretaria de Cultura em Pelotas, onde nasci, e, quando atuei como jornalista, também estive ligada à cultura. Casei-me e, quando fomos montar nossa casa, a arte veio, confesso, como necessidade decorativa. Comecei a ter contatos com galerias de arte, interessar-me cada vez mais, ir a feiras e bienais e nunca mais parei. Sou autodidata, fiz vários cursos, mas nenhum voltado especificamente à arte. Meu hobby era viajar para eventos de arte, como as bienais de Veneza, São Paulo, a Documenta... Com essa intenção decorativa, suas escolhas eram movidas apenas por gosto? Até hoje compro arte pelo gosto. Já tive orientações, tenho avaliações da minha coleção pela Sotheby’s, por seguradoras, conversei sobre formas de comprar obras por questões de valorização. Mas não gosto que me digam “isso vale muito”, “vale a pena”. Se gosto e tem edição, por exemplo, compro muitas. Para mim é coração, sigo comprando com o mesmo instinto. Evidentemente, hoje reconheço melhor um artista, tenho um gosto mais refinado. Até minhas filhas já têm vontades próprias, elas ouviram sobre os trabalhos de Damien Hirst com borboletas e me disseram que queriam. Não tive como ignorar. As borboletas ficam nos quartos delas.

Ex-presidente da Bienal do Mercosul, Patricia Druck atua como membro dos comitês de importantes instituições no Brasil e no mundo. Atualmente morando em Porto Alegre (RS), Patricia abriu sua casa para uma visita da Dasartes e mostrou sua coleção, composta, sobretudo, por gostos pessoais e afetividade, na qual até as filhas pequenas dela opinam e participam. ENTREVISTA E FOTOS: LEANDRO FAZOLLA

Com esse interesse delas, fica mais fácil pensar no futuro da coleção? Há planos para o conjunto? A gente já tem uma fundação. A coleção é privada, mas existe esse alicerce. Provavelmente o futuro venha a ser esse, mas acho que as meninas vão acatar bem as obras. Você atua em diversas instituições. Como foi o processo? Vi-me preocupada com esse cenário e pensando em como poderia contribuir, aumentar a coleção de museus lá fora com arte latino-americana. Associei-me a museus, sou dos comitês de aquisições da Tate e do Pompidou há cinco anos. Tinha espaço para brasileiros que não chegavam aos museus internacionais. Então, entrei nesses comitês e comecei a participar. A Tate tem curadores que pré-selecionam obras para comprar e nós, do conselho, aprovamos. Também indicamos para o próximo lote, e esse grupo de curadores faz a avaliação.

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Escultura de Saint Clair Cemin no jardim. Ao fundo, escultura de Iole de Freitas feita para o local.

Obra da artista Shirley Paes Leme Nelson Leirner nas prateleiras da sala

E as instituições no Brasil? Como fazia isso para museus de fora, resolvi fazer aqui também, associei-me à Pinacoteca de São Paulo, aos amigos do MAM e sou conselheira do MASP. Fui presidente da 9ª Bienal do Mercosul (2013) e sigo no conselho. Também fiz parte do conselho editorial da Dasartes. O que mudou na sua coleção ao longo do tempo? Há dois anos, comecei a colecionar design também. Um amigo da Tate viu minha coleção e disse que faltava design . Comecei a observar que as casas que eu mais gostava quando visitava coleções tinham sempre design. Mudei-me para Porto Alegre, tive que montar uma casa nova e comecei. Ainda sente falta de algo no conjunto? Tenho uma listinha do que comprar, Cildo Meireles, José Damasceno, Jac Leirner... É uma questão de oportunidade. Às vezes, o que está disponível não acho representativo do artista. Tenho uma lista gigante. A qualidade de nossa arte está ótima, sem contar os artistas que nem sabemos o nome. Isso é uma maravilha, está cada vez mais aparecendo bons nomes, o sistema está se alimentando de qualidade.

Na sala, uma grande obra de Carlos Pasquetti. Sobre a mesa, escultura de Waltercio Caldas

Em destaque, mapas de Marina Camargo e, na parede do fundo, Regina Silveira

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Revista DASartes – Edição 40  
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