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Revista Mensal Gratuita - DeepArt - NĂşmero 16 - Novembro de 2013


FICHA TÉCNICA Direção Inês Ferreira Tel: 966 467 842 direcao@deepart.pt Editor-in-chief Tiago Costa Tel: 965 265 075 direcao@deepart.pt Diretora de Comunicação Maria João Simões comunicacao@deepart.pt Design Gráfico e Direção Criativa Inês Ferreira design@deepart.pt Fotografia e Pós-Produção Tiago Costa fotografia@deepart.pt Colaboradores Ágata C. Pinho - André Albuquerque Andrea Ebert - Charly Rodrigues - Joana Domingues - Marcos Alfares - Nervos - Pedro Barão - Pedro Carvalho - Rita Chuva - Rita Reis - Rita Trindade - Rui Zilhão - Sandra Roda - Vítor Marques Colaborações Especiais Anita Perna - Carla Pires - Gonçalo M. Catarino - Isabel Borges - Joana Hamrol - Lena Fishman - Marta Teixeira - Pedro Nicolau - Ricardo Aço - Silvana Covas

Revista Mensal Gratuita - Nº 16 - Novembro de 2013

Fotografia - Carla Pires Modelo - Lena Fishman @ L’Agence Styling - Ricardo Aço Assistentes de Styling - Pedro Nicolau e Silvana Covas Maquilhagem e Cabelos - Anita Perna

Site www.deepart.pt facebook.com/deepartmagazine Para outros assuntos: geral@deepart.pt

Propriedade Inês Ferreira Periodicidade Mensal Contribuinte 244866430 Sede de redação Rua Manuel Henrique, nº49, r/c, dto., 2645-056 Alcabideche Inscrição na ERC 126272

É proibido reproduzir total ou parcialmente o conteúdo desta publicação sem a autorização expressa por escrito do editor.


Saliência Uma saliência regra geral destaca-se daquilo que a rodeia, ou não fosse ela saliente. Pode marcar a diferença numa peça, seja ela vestuário, uma cadeira, um copo, uma obra de arte, ou qualquer outra coisa. Se pensarmos bem, as saliências fazem toda a diferença na nossa vida a vários níveis, seja numa simples tarefa como acender a luz, agarrar uma garrafa de água sem que ela escorregue nas mãos ou encontrar as chaves na mala (sim, porque se não fosse graças a fitas penduradas nas chaves talvez demorasse horas nesta tarefa, ou tivesse mesmo de “despejar” a mala). Mas mais do que esta função, as saliências são aquilo que permite a visão, a quem a mesma não possui. Poderemos então pensar como seria o nosso dia-a-dia caso não conseguissemos ver e não houvesse qualquer tipo de saliência no ambiente circundante que nos pudesse guiar na escuridão. Elas são de facto úteis a todos os níveis e muitas vezes não lhes damos o devido valor. A saliência pode ainda ser intencional, ou própria do material que cria texturas específicas. No design a textura faz toda a diferença quando olhamos para uma peça. A sua “pele” faz muitas vezes com que a peça “salte aos olhos” de quem a contempla. Temos como exemplo determinadas cadeiras em que as saliências as tornam significativamente mais confortáveis; cordas de viola que permitem que toquemos sem ter de olhar para elas, graças ao facto de as tocarmos e pela sua ordem “pressentirmos” o som que delas advém; ou mesmo no campo da arquitetura situações em que saliências na fachada são determinantes para a aparência do edifício e chegam mesmo a inf luenciar a luz interior.

Mais ou menos estética, a saliência pode ser tida como uma mais valia num objeto, ou um “estorvo” quando não é premeditada e afecta a função de uma peça, mas dá certamente cariz à mesma! Nesta edição da DeepArt irão sem dúvida pensar sobre o tema, seja em relação aos papéis de parede da ZNAK, que irão com certeza modificar o aspeto liso e imaculado das paredes, seja em relação aos pormenores e saliências presentes nas peças da Décolleté. Tudo bons motivos para não perder mais uma DeepArt e pensar este mês sobre um tema “saliente” na edição! Como o tema deste mês é saliência, tenho aqui o meu espaço para salientar uma novidade a todos os leitores da DeepArt! A edição de dezembro terá uma grande mudança no sentido da intuitividade para quem a lê. A DeepArt deixará de ser um pdf mensal, e passará a ser uma plataforma-revista (em www.deepart.pt) onde todos os dias teremos artigos novos como forma de facilitar a leitura e também para não terem de esperar um mês entre cada edição! Podem entrar no nosso site mas só em dezembro verão as alterações no mesmo. Desta forma poderão todos os dias “encher os olhos” com novas imagens e conteúdos para todos os gostos. Sou adepta de mudanças e acredito que a aproximação a quem nos segue é sempre o ponto principal a ter em conta nesta revista que tem cada vez mais o seu papel de destaque no meio online! Coloco ainda esta parte a vermelho não para ofender alguém, mas porque quero garantir que a lêem e também porque para mim o vermelho está associado ao amor, que (desculpem-me a “piroseira”) é aquilo que nutro pela DeepArt mês após mês e a partir de dezembro, dia após dia! Boa leitura!


novembro 2013

Goodies

Pride

006 - DESIGN - ZNAK 008 - DESIGN - João Pestana

022 - ENTREVISTA - Filipe Andrade 034 - ENTREVISTA - Décolleté 046 - ENTREVISTA - Fasm

Lifestyle 010 - FOTOGRAFIA - Ken Scheles 012 - STREET ART - Pedro 014 - ARQUITETURA - JO_STORE 020 - MÚSICA - Nervos - Ana Figueiredo 028 - MÚSICA - The Weeknd 030 - ILUSTRAÇÃO - E de repente... 040 - CARICATURA - EmCara 042 - CINEMA - Chan-Wook Park

Editorial 052 - MODA - Re-abertura de loja 062 - MODA - PINK’n’PUNK 070 - MODA - Rolling

Trends 080 - MODA - New York Fashion Week 081 - MODA - ModaLisboa EVER.NOW 082 - MODA - Trends 088 - MODA - Minimalismo 089 - MODA - Jumbo e o Mundo da Moda


Goodies 006

DESIGN

ZNAK Papéis de parede saídos directamente da nossa imaginação. Por Rita Trindade

digo cor, falo de cor a sério. Não me venham com beiges e castanhos e cinzentos, que eu “entro em parafuso”. Daqui a (espero que muitos) anos, quem sabe não direi o contrário, mas por agora sou nova e tenho energia a mais para passar a vida rodeada de neutros. Em relação aos padrões, sou muito picuinhas e difícil de agradar, mas quando gosto, torna-se uma obsessão. Este mês, no campo do Design de Interiores e da decoração para a casa, trago-vos um artigo sobre uma companhia de papéis de parede que me conquistou à primeira vista. Não sou muito virada para os papéis de parede, sem razão específica que o explique, mas a filosofia da ZNAK “desarmou-me”. Esta empresa conta com a colaboração de vários artistas da Letónia, Estónia e Lituânia, que contribuem com a sua visão artística para a concepção dos mais variados papéis de parede. Vou-vos falar de apenas dois e do porquê de me terem deixado a pensar se papel de parede não acabará por ser mais divertido que qualquer cor ou decoração que possamos aplicar nas paredes das nossas casas. Já há algum tempo que esta área da decoração para a casa me tinha chamado a atenção, com empresas a criar papéis de parede onde se é suposto escrever, desenhar, pintar. O ralhar com as crianças por pegarem em lápis de cera e decidirem tornar as paredes de casa em telas gigantes poderá estar a aproximar-se do fim, com estes produtos a pedirem isso mesmo: que os usem como suporte para “obras de arte” pequenas e pessoais, onde a imaginação de cada um é o limite.

Sou uma pessoa que aprecia paredes brancas em casa. Dão sempre jeito, sobretudo para servirem de fundo a vários tipos de fotografia. De resto, adoro branco para espaços interiores. Dito isto, devem ficar a saber que me perco por tudo quanto é cor ou padrão. Gosto de cor na decoração da casa, acho que alegra um espaço e traz vida à habitação e, sobretudo se a casa for toda branca, acho que a decoração deve passar sempre por ter muita. E quando

Também a ZNAK procura estimular o lado criativo dos consumidores, onde a criatividade de cada um irá ditar o resultado final da utilização dos seus papéis de parede. Confusos? Então vejam. Como primeiro exemplo, temos o Tears Off Wallpaper, fruto de uma colaboração entre o artista conceptual holandês Aldo Kroese e um duo de designers de Berlim chamado Studio Hausen. Inspirado na troca de pele das cobras, este papel de parede, criado em material nonwoven (ou “não


DESIGN

tecido”), apresenta um padrão de escamas picotado que cada um pode descolar a gosto. Colocam-se na parede como folhas normais, e só depois começa a parte criativa: podemos descolar as próprias escamas ou o contorno entre elas e criar padrões conforme quisermos. Não só fica bem em paredes lisas, como resulta na perfeição sobre padrões ou pinturas abstractas numa parede. Assim, a própria parede, com a sua textura e cor, passa a fazer parte da decoração. O outro exemplo de que vos quero falar tem como base a técnica dos stencils. De seu nome Mosaic, foi desenhado pelo artista letão Martins Ratniks. Este papel de parede é, na verdade, um conjunto de materiais fornecidos ao comprador. Nele estão incluídos stencils e peças adesivas em várias cores e, mais uma vez, cabe ao utilizador criar a sua própria decoração. Com a ajuda dos stencils, colocam-se

007 Goodies

as peças adesivas a gosto, sendo as possibilidades de combinações praticamente infinitas. A aposta na individualidade tem vindo a ser, desde há bastantes anos, a filosofia adoptada pelas mais variadas marcas. Quando essa aposta passa por puxar pela criatividade dos utilizadores finais, não há como não gostar. Somos nós a tornar os objectos que consumimos únicos e é precisamente esse nosso toque que ninguém nos pode tirar e que não terá réplica nenhuma no mundo inteiro. ZNAK - http://www.znak-life.com Martins Ratniks - http://www.rixc.lv Aldo Kroese - http://aldorado.nl Studio Hausen - http://www.studiohausen.de Fotos: ZNAK

Esta colaboradora/autora não escreve com o novo acordo.


Goodies 008

DESIGN

João Pestana e a (r)evolução da sesta Por Rita Chuva

Também não ajuda o ritmo de vida que temos: trabalhamos cada vez mais horas e, à noitinha, no tempo reservado ao descanso, não conseguimos pregar olho. Ficamos na cama às voltas, a pensar em como correu o dia, no que temos para fazer amanhã, naquele problema que tem de ser resolvido. E no dia seguinte, voltamos ao mesmo: cansaço durante o dia e falta de sono à noite. “Nuestros hermanos” espanhóis acertaram em cheio ao incluir a siesta na sua rotina diária, pois está mais que provado que um descanso, por curto que seja, é benéfico para a produtividade e concentração. Mas deparamo-nos com outro problema. Como dormitar, de forma confortável e privada, no emprego? Ou no carro, no autocarro, no comboio, no avião? É certo que existem aqueles sacos de ar para colocar no pescoço, mas não conferem a mesma sensação de descanso que a boa e infalível almofada nos dá. E quem nunca sonhou em levar a almofada consigo para o trabalho?

Somos habituados, desde tenra idade, a dormir a sesta. Uma sesta, “um cochilo, passar pelas brasas, olhar para dentro”, o que seja. Mas só quando temos idade para deixar de o fazer é que lhe damos o devido valor! Quando petizes, não queremos desperdiçar uma hora de diversão por uma boa e revigorante soneca. Mas o que não daríamos para poder fazê-lo, todos os dias, naquela horinha complicada entre o pós-almoço e o pré-lanche. É uma hora crítica para muitos, que se vêem a braços com uma crise de olhos pesados e boca bocejante. Digo eu, que o sinto na pele.

Agora há alternativa. Não é nem almofada, nem cama, nem peça de vestuário, mas um pouco de cada um em simultâneo. A Ostrich Pillow é uma espécie de capacete fofinho e calmante que abriga a nossa cabeça e também as mãos, se o quisermos, permitindo uma pausa da azáfama do dia a dia em qualquer lugar, a qualquer hora. O duo do design Kawamura-Ganjavian iniciou uma revolução da sesta com esta criação, inicialmente para os adultos, mas rapidamente percebeu que as crianças iriam apreciar de forma totalmente diferente o “cochilo” com a sua versão infantil, a Ostrich Pillow Junior!


DESIGN

É certo que, ao usarmos esta almofada, parecemos algo que se assemelha a um polvo. Ou parecemos ter a cabeça presa dentro de um aquário. Mas o que custa sacrificar um pouco a estética pelo bom e velho descanso? Para alguns, nada. Para outros, muito. Por isso, os designers, em conjunto com o Studio Banana, não pararam por aqui e lançaram, recentemente, a Ostrich Pillow Light, para os menos afoitos e para quem é mais prático e pretende uma solução menos chamativa. Além disso, a versão light desta almofada não só é mais portátil como pode ser usada como acessório! Está na hora de relaxar? É só colocar a dita à volta dos olhos, tapando a luz e amaciando onde quer que encostemos a cabeça. Hora

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de acordar? Desça a almofada até ao pescoço, usando-a como uma gola quentinha e fofa! Neste momento, Kawamura-Ganjavian e o Studio Banana estão a tentar angariar fundos no Kickstarter para ajudar a trazer a sesta portátil até nós (para mais informações e para dar uma ajudinha, http://www.kickstarter.com/projects/ostrich-pillow/ostrich-pillow-light). Sleep tight! Fonte: www.Design-Milk.com Fotos: www.OstrichPillow.com


Lifestyle 010

FOTOGRAFIA

Ken Schles

The Geometry Of Innocence Por Charly Rodrigues www.therapa.blogspot.pt

Fotos: http://www.kenschles.com/

Ken Schles, é um nativo de New York com obras espalhadas pelo Mundo. Os seus feitos são representados em centenas de bibliotecas e exibidas em coleções de Museus em todo o Mundo, incluindo o Museu de Arte Moderna, o Museu Metropolitano de Arte, o Museu de Brooklyn, The Art Institute of Chicago, Museo d’Arte Contemporânea e LACMA. Só por esta breve introdução, já conseguem ter uma breve noção da importância e inf luência de Ken Schles na fotografia contemporânea. Neste artigo, vou focar-me essencialmente num dos seus projetos e, tendo em conta que os seus livros são considerados um “marco intelectual na fotografia” (Süddeutsche

Zeitung) e difíceis de adquirir, dado o seu caráter exclusivo, ‘The Geometry of Innocence’ ocupa um lugar muito especial na minha biblioteca. O seu primeiro livro chama-se ‘Invisible City’ e foi um sucesso lendário. Doze anos após este lançamento, Ken Schles apresentou o seu segundo livro de fotografias - The Geometry of Innocence. Aqui, nós somos empurrados numa verdadeira montanha russa visual, monocromática, em mutação permanente. Com as suas fotografias, percorremos as ruas da cidade, bares, parques infantis, viajamos em helicópteros da polícia, quartos hospitalares, intervenções policiais, enfim… uma sequência enorme de sucessões, a um ritmo


FOTOGRAFIA

quase frenético, repletas de deleite visual, que deixa qualquer leitor fascinado e verdadeiramente inspirado, perante a captura de imagens de uma sociedade em constante mutação: através do curso de tempo, das circunstâncias e não poucas vezes, da ignorância. Apesar do autor partilhar que o seu livro não tem uma história e ser apenas um conjunto de fotografias condensadas em conjuntos temáticos, acredito que esta decisão abre espaço à criação de imensas histórias deixadas à responsabilidade do espectador. É um livro corajoso, que nos aproxima da omnipresença das estruturas sociais, reproduzido da forma mais

011 Lifestyle

sofisticada, com atenção ao design da sua apresentação, aliado ao que realmente interessa, as suas fotografias repletas de apuro técnico e estético para o agrado do mais exigente dos leitores. Se ficaram curiosos e gostariam de ampliar a vossa cultura visual relativa a este gigante da fotografia, convido-vos a visitar o seu site www.kenschles.com, onde podem ter acesso a grande parte do seu trabalho, bem como textos escritos pelo próprio sobre as suas motivações fotográficas, opiniões, e parte do seu trabalho fotográfico de forma totalmente gratuita.


Lifestyle 012

STREET ART

P edro Uma questão urbana 1

Fotos: Pedro Pedro

Por Inês Ferreira

Olho


STREET ART

Desassossego

013 Lifestyle


Lifestyle 014

ARQUITETURA

JO_STORE Barcelos 2013

Fotos: Inception Architects Studio

Por Pedro Carvalho Inception Architects Studio

Voltamos, neste mês de novembro, a publicar mais um projeto by IAS.

res e definições de projeto foram executados na própria obra, dados os apertadíssimos ‘timings’ de execução.

Desde sempre, neste ‘nosso espacinho’ na DeepArt, procuramos mostrar e evidenciar os inúmeros aspetos, ‘estágios’ e contingências, dos estudos/projetos/trabalhos que vão surgindo no atarefado dia-a-dia do gabinete. Nas várias vertentes funcionais de todo o processo arquitetónico, começando pela habitação, passando pelos projetos comerciais e terminando nos empresariais, revelamos um pouquinho da ‘história’ de cada um, mas também as nossas ambições, vontades, inspirações, desejos e trabalho [muito trabalho!] na altura do seu desenvolvimento e conceção.

O projeto pretendia desenvolver uma área comercial destinada a uma óptica, pertencente a uma empresa/grupo/ marca com quase 50 anos de experiência no ramo e cerca de 20 lojas espalhadas por todo o país.

A ‘JO Store’ é o mais recente projeto do IAS na vertente comercial e acabou por ser o exemplo perfeito do chamado ‘projeto relâmpago’, onde grande parte dos pormeno-

Projeto deveras aliciante! Não só pelo tipo de cliente em questão, mas também pelo próprio espaço em si, uma vez que a área de loja seria parte integrante e complementar de uma outra, bem maior, embora direcionada para o pronto-a-vestir. Isto equivale a dizer que, obrigatoriamente, teríamos duas entradas distintas no espaço, uma feita através da rua e por intermédio de uma pequena praça, e outra, feita através do interior da loja maior e recebendo os clientes dali provenientes.


ARQUITETURA

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Partimos então para a definição do programa funcional pretendido: contactologia e receituário; óculos sol; atendimento personalizado; consultório de oftalmologia e zona de espera; montras… Depois, o plano geral para a nova concept store deveria fazer uma revisão e ‘refresh’ do conceito e linha visual dos espaços da empresa/grupo/marca, tornando-a mais leve, suave, minimal, moderna, apelativa e ‘fashion’. Porém, o objetivo principal para este projeto, foi como tornar o espaço de loja apetecível aos clientes, fazendo a integração de todas as valências programáticas necessárias e sem que estes – face ao enquadramento espacial da mesma [entre espaços: rua e loja maior], a encarem meramente como espaço de passagem ou um corredor de transição. Sem dúvida que, após cuidada ref lexão, achamos que o melhor seria atribuir-se e assumir-se esta mesma condição de ‘lugar de passagem’… Logo, assumindo a loja como um espaço de passagem ou transição entre lugares; como área de conf luência de pessoas que entram e que saem do espaço, acabamos quase por conferir-lhe uma condição de loja de rua ou uma loja de comércio tradicional. A partir daí, todo o processo se simplificou. A zona de atendimento geral e personalizado dispôs-se facilmente e num dos lados; juntamente com os seus dois balcões [afetos a cada uma destas áreas funcionais, respetivamente], e balizada por duas grandes caixas de luz, destinadas à exposição de produtos e à publicidade para as marcas expostas e comercializadas. Do lado oposto, uma zona destinada à exposição de óculos de sol. Também aqui se optou por um painel posterior em acrílico opalino, retroiluminado e multiformal, enfatizando a posição e destacando os vários produtos.


ARQUITETURA

Foto: Inception Architects Studio

Lifestyle 016

Procuramos voltar as principais zonas funcionais umas para as outras, aumentando e enfatizando assim as sinergias e contacto entre quem transita, quem aprecia, quem compra, quem vende, quem está na loja… Numa zona posterior da loja, dispõe-se a área destinada ao consultório. Limitada num dos lados pela zona de exposição de óculos de sol, tem na sua zona de entrada o maior elemento de destaque, uma vez que se trata de uma frontaria curva em vidro, que ajuda a diluir a profundidade e a unir espaços. E porque este espaço requer que, amiúdas vezes, haja ocultação total de luz, uma cortina ‘black-out’ de tons cinza serpenteia ao longo de toda a sua extensão, ajudando ao conforto visual e físico do espaço e aumentando-lhe o requinte. No exterior do consultório, encontramos uma pequena zona de espera, voltada para a entrada da loja, e para a rua. Quase que instintivamente - e porque o espaço se quer f luído – surge a opção pelas paredes e elementos com formas curvilíneas e amenamente deleitosas, confortáveis,

leves, arredondadas; convidando a percorrer, a explorar, a experimentar; num apreciável jogo de luz, formas e cor. Outra das condições que ‘exalta’ tudo isto, é a utilização de materiais e mobiliário que remetem a uma paleta de cores suaves mas contrastantes, que pretende evocar o sentimento e a vontade da empresa/grupo/marca. Assim, nos planos superior e inferior recorreu-se à cor CINZENTA. Primeiramente pelo contraste que permite com o áureo, alvo e imaculado plano intermédio, e depois pela evocação de estabilidade, solidez, permanência, sucesso, triunfo e qualidade da marca e dos seus produtos. No plano intermédio, surge-nos a cor BRANCA, em alto-brilho e conferindo destaque e contraste aos produtos. É sinónimo de pureza, paz interior, inocência e calma, muitas vezes pontuada por elementos e peças de exposição na cor VERDE, símbolo da marca JO, mas também de contentamento, de esperança e grandeza. O resultado final traduz-se, a nosso ver, num espaço que convida a entrar, a percorrer e a permanecer.


Lifestyle 020

MรšSiCA

Foto: Clรกudia Andrade

Ana Figueiredo


MÚSICA

021 Lifestyle

Nascida em 1985, em Lisboa, Ana Figueiredo respira música. Ela compõe, ela canta, ela toca f lauta transversal. Desde 2010 que é membro da banda Homens da Luta e, em tempos, fora membro dos Muri Muri, a banda residente do programa “5 Para a Meia Noite” das terças-feiras à noite, a essa hora, ou aproximadamente, entre abril e junho de 2012. Esteve na “Eurovisão” em 2011; esteve no “Sábado Há Luta” em 2013. Agora, já com 2013 avançado, aventura-se a solo. Assina a pauta com o seu próprio nome, com o EP “A Esperança dos Loucos”, editado em setembro de 2013. A ela (que canta, toca f lauta transversal, piano e strings), juntam-se Ivo Conceição e Alessandro Devillart (na banda) e, ainda, João Santiado e Celina da Piedade (como convidados). E, não sendo loucura, haverá algo de Dead Can Dance, de Zeca Afonso, de Björk, de folk e músicas do Mundo, porque é isto que a inf luencia. Porque é isto que respira. www.nervos.pt/anafigueiredo


Pride 022

ENTREVISTA

FILIPE

ANDRADE Desde cedo soube que queria ser um “contador de histórias”, algo que faz hoje nos seus “comics” na Marvel. Para o futuro deseja poder trabalhar a história e o media que quiser. Por Inês Ferreira


Pรกginas 4 e 5, double spread, ultimate comics xm.men 18.1 setembro 2012


Pride 024

ENTREVISTA

DeepArt: Como percebeste que tinhas uma “veia” de ilustrador?


 Filipe Andrade: A veia não é bem a de “ilustrador” mas de contador de histórias. Desde miúdo que adorava contar histórias. Ilustrá-las foi uma questão de tempo até adquirir técnica para o fazer. DA: Tendo tu tirado a licenciatura em “Escultura” na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, o que te fez escolher este curso em vez de Pintura, que era mais próxima do desenho?


 FA: Na verdade não foi bem uma escolha, foi mais uma casualidade. Eu não acreditava muito no sistema de ensino artísitco em Portugal, andava desapontado e as notas que tinha no secundário só o puseram a nu. Entrei em Escultura porque foi o que as minhas notas permitiram. No entanto, acho que foi uma sorte lá ter ído parar. Em Pintura teria sido muito direcionado para o desenho e assim acabei por desenvolver um lado mais tridimensional que hoje está muito vincado no meu trabalho.

 DA: Como começas depois a desenvolver a tua carreira num campo profissional nesta área?


 FA: Sempre desenhei mas foi aos 12 que “descobri” a Banda Desenhada e sonhei que um dia o podia fazer profissionalmente. Foi desde aí que me foquei em tornar o sonho realidade. Fiz os circuitos dos concursos portugueses onde ganhei alguns prémios e algum dinheiro, que me permitiu ir a alguns festivais na Europa para mostrar portfólio, em busca da minha oportunidade.

DA: Pensas ser possível em Portugal um ilustrador ser reconhecido, bem como o mérito do seu trabalho?


 FA: Depende do que é ser reconhecido. O mediatismo é sempre relativo, por isso muitas vezes o reconhecimento passa ao lado. O problema continua a ser o mérito monetário. A ilustração continua a ser vista como bonecos que se fazem na toalha a seguir ao jantar. No fundo, o que se paga em Portugal é uma ninharia, orçamentos até quase insultuosos, muitas vezes em troca de um mediatismo que nunca existe. Desse ponto de vista o reconhecimento acaba por vir quando se vinga no estrangeiro. DA: A tua apresentação de portfólio para a Marvel foi caricata. Como aconteceu a mesma e como começaste a trabalhar para este “gigante dos comics”?


 FA: Aconteceu tudo de repente. Um amigo meu da faculdade liga-me a dizer que leu algures que o Cb Cebulski - caçador de talentos da Marvel - ía estar nesse mesmo dia a ver portfólios. Fiz umas chamadas para tentar confimar. Era verdade. Corri até casa, agarrei no material que tinha e aí fui eu. Eu nem inglês falava e quem apresentou o meu trabalho acabou por ser a minha namorada da altura. Ele gostou do que viu mas não foi o suficiente para eu entrar nessa altura. Continuei a trabalhar e a apresentar o meu trabalho em festivais internacionais à procura do tal “sim”, que acabei por conseguir dois anos depois.


Pรกgina 5, captina marvel #12 janeiro 2013


Foto: Cรกtia Marques/ Hong Kong 013

Pride 026 ENTREVISTA


ENTREVISTA

027 Pride

DA: Era um sonho que tinhas?





 FA: Alimentava o sonho de trabalhar em BD desde os 12. A Marvel era a face visível desse mesmo sonho. DA: De todos os trabalhos que tens desenvolvido para a mesma, quais são os mais especiais para ti?


 FA: Os que foram mais especiais para mim até agora foram o Jonh Carter e a última run que fiz, a Captain Marvel.

 DA: Que tipo de personagem gostarias de poder criar?





 FA: Personagem não sei, mas histórias tenho algumas que um dia, espero eu, vejam a luz do dia. Nada a ver com super heróis no entanto. DA: Quanto tempo em média pode demorar o desenho de uma personagem e quais são os processos pelos quais ela passa até chegar ao consumidor final?








 FA: Na Marvel o processo criativo divide-se por uma equipa de 4/5 pessoas.
No meu caso, existe um editor que liga as pontas todas entre um escritor, um artista, o colorista e o balonista.
Na Marvel todo este processo desenvolve-se muito rapidamente porque os prazos são muito muito apertados. DA: Em que personagens/projetos estás a trabalhar neste momento?











 FA: Acabei de fazer o meu último livro, o número #17 Captain Marvel. Agora é tempo de descansar e alinhar os próximos projetos.

 DA: O que desejas atingir ainda com a tua carreira? Quais são os desejos para o teu futuro na ilustração?











 FA: Ainda sou muito novo e há muito para fazer. O que mais quero é ter a liberdade e reconhecimento para no futuro contar as histórias que quero sobre que media for.



Lifestyle 028

MÚSiCA

The Weeknd

Foto: http://www.lastfm.fr/music/The+Weeknd/+images/83045949

Por Marcos Alfares marcosalfares.tumblr.com www.facebook.com/killingelectronica

Este é um nome que já não passa despercebido e Abel Tesfaye quase que já não necessita de apresentações. Nascido no Canadá e de origem etíope, Tesfaye é a imagem e voz de The Weeknd, projecto que o viria a catapultar para fora do anonimato. Conhecido pelo seu falsetto, registo vocal que muitas das vezes utiliza nas suas canções e que já o levou a ser comparado com Michael Jackson e, pelo seu tom quase de súplica e letras de cariz fortemente sexual, a sua música gira regularmente em torno de um ambiente fantasioso e crepuscular e de batidas lentas.

Em 2010 este jovem músico e produtor começa a apresentar a sua música e dar a conhecer o seu trabalho através de plataformas virtuais e em 2011 lança uma série de mixtapes que viriam a ser aclamadas pela crítica. The Weeknd voltaria em força em 2012 através da sua editora XO com o lançamento do álbum “Trilogy”, uma compilação de vários temas, entre eles a remasterização de canções das suas antigas mixtapes. Em 2013 lança o seu primeiro álbum de estúdio intitulado “Kiss Land”.


029 Lifestyle

Foto: http://www.lastfm.fr/music/The+Weeknd/+images/83045929

MÚSICA

Abel Tesfaye começa a dar os primeiros passos na música a partir da ajuda e cooperação do produtor Jeremy Rose. Através da ideia de criar um projecto R&B mais obscuro, Rose apresenta e oferece a Tesfaye alguns instrumentais para este começar a trabalhar, pedindo-lhe apenas a creditação dos mesmos. Tesfaye em 2010, lança online os temas pelo nome de The Weeknd e sem os devidos créditos e começam-se a criar suposições sobre quem está por detrás do projecto. Ainda desconhecida a sua verdadeira identidade, julga-se então ser um novo trabalho do rapper Drake e é isso mesmo que acabará por culminar num maior alarido e interesse em The Weeknd. Abel Tesfaye é assim lançado para a ribalta e a sua parceria com Rose desmorona-se. The Weeknd torna-se a revelação dentro do género. Em 2011 lança a mixtape “House of Balloons”, recebendo óptimo feedback por parte da crítica e o seu nome é ainda nomeado em “2011 Polaris Music Prize”. Ainda durante este ano, The Weeknd embarca na sua primeira grande turné pelo Canadá, colabora com Drake e lança mais duas mixtapes, “Thursday” e “Echoes of Silence”. A sua base de fãs aumenta gradualmente.

No início de 2012, parte para a sua turné pelos Estados Unidos da América e de seguida em direcção à Europa, passando inclusive por Portugal, no “Primavera Sound Festival”. Após a sua digressão pelos dois continentes, The Weeknd lança então o álbum “Trilogy”, uma compilação de canções remasterizadas e mais três canções extra, tendo neste trabalho creditado oficialmente o produtor Jeremy Rose pelos temas anteriores. Entre várias nomeações e prémios recebidos, The Weeknd tem a oportunidade de lançar finalmente em 2013 o seu álbum de estreia produzido totalmente em estúdio “Kiss Land”, contando actualmente com os singles “Belong to the World”, “Live for” com a participação especial de Drake e “Pretty”. Já com uma produção bastante superior às suas mixtapes anteriores, a sua abordagem a nível estético e lírico mantem-se, criando continuamente ambientes obscuros e repletos de tensão sexual na sua musicalidade. http://www.theweeknd.com

Este colaborador/autor não escreve com o novo acordo.


Lifestyle 030

ILUSTRAÇÃO

E DE REPENTE

REGRESSA-SE A CASA...

E PARECE QUE NADA MUDOU https://www.facebook.com/pages/Sandra-Roda-httpdesabitarblogspotpt/199059776807875?ref=hl

by Sandra Roda


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ILUSTRAÇÃO

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ENTREVISTA

DÉCOLLETÉ Foi o Design que juntou Margarida Gonçalves e Ana Ventura há quase duas décadas, mas tal como afirmam, foi a bijuteria que as uniu. Na Décolleté criam peças para vários gostos, mas com uma especial atenção aos “decotes”. Por Inês Ferreira


Foto: LuĂ­s Mileu


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ENTREVISTA

DeepArt: Como nasceu a Décolleté? Décolleté: A Décolleté nasceu em março deste ano. Apesar de ter sido o Design que juntou Ana Ventura e Margarida Gonçalves há quase 2 décadas, foi a bijuteria que as uniu. Os projetos de bijuteria de Margarida Gonçalves - Be With Me e de Ana Ventura - Chic&Kitch nasceram há alguns anos, e de forma isolada, mas impelidos por uma mesma paixão pela moda e acessórios, decidiram reunir esforços e criar a uma nova marca, a Décolleté. A Décolleté vem marcar de forma definitiva, a parceria entre estas 2 pessoas apaixonadas pelo mundo da moda, do glamour e da sofisticação. Atualmente têm já vários projetos em comum, uma linha exclusiva de acessórios para mais de 30 museus em Portugal, estão presentes em várias lojas em Lisboa, nomeadamente na Embaixada, no espaço multimarcas Temporary Brand, no Bazar da Lapa, na Lisbon Hill’s todas em Lisboa, na Ivo Maia Designers em Santa Maria da Feira e em Londres, na Portuguese Love Affair. E em breve também no Oceanário de Lisboa. DA: Qual é o conceito da marca? D: Sofisticação e exclusividade. Décolleté tem origem no francês - decote - e é um elemento que ata, emoldura e adorna tal como um corpete ou um vestido. Na Décolleté as peças são exclusivas, sofisticadas e urbanas, com um look&feel de glamour. Desenvolvemos peças feitas à mão em edições exclusivas e limitadas. DA: Em que se inspiram para a criação das vossas peças? D: A fonte de inspiração é basicamente tudo o que nos rodeia. Uma viagem, imagens que vemos na internet, numa

revista ou livro, um vídeo, uma revista ou as coleções das grandes marcas. DA: Porquê a “preocupação” em especial com os “decotes” e o preenchimento dos mesmos? D: Porque consideramos que o colar é a peça mais importante num visual e porque está numa posição estratégica, mais visível e sexy da mulher. DA: Um bom acessório pode transformar por completo um look? D: Os acessórios devem servir como um complemento ao nosso outfit. São o que mais impacto cria num look, complementam-no e acrescentam-lhe sofisticação e glamour, por isso sim, podem transformá-lo completamente. DA: Que tipo de técnicas e materiais costumam utilizar nas vossas criações? D: Gostamos de peles lisas e texturadas, de metais, como as correntes, do dourado e de cores metalizadas, dos brilhos do strass, das combinações de preto e branco, das f lores, mas também dos motivos tropicais, da selva, da fauna e da f lora. DA: Do vosso ponto de vista, as marcas portuguesas estão cada vez a atrair mais pessoas, ou continua a haver muito a mentalidade de procurar peças que tenham origem em outros países? D: As nossas marcas estão sem dúvida a vivenciar uma epóca de grande paixão e orgulho pelos portugueses, a mentalidade está de facto a mudar e a virar-se para o que é nosso. Contudo, as grandes marcas internacionais vão continuar a preencher o nosso imaginário e muitas vezes como objetos de desejo e até de “status”.


Gonรงalo F. Santos


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ENTREVISTA


ENTREVISTA

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DA: Uma das “áreas” em que também apostam é a criação de peças exclusivas à medida de cada pessoa. Sentem que há uma lacuna no campo da personalização de objetos? D: Sim, há uma enorme lacuna. A maioria das peças que estão à venda são standardizadas e sem espaço para personalização. Pretendemos desenvolver peças à medida, com as diretrizes das clientes, mas a peça tem de ser nossa para não desvirtuar o conceito da marca. Porque nem todos os decotes são iguais, mas as ocasiões podem ser especiais, a Décolleté criou a “unique mésure” com o objetivo de fazer um colar, clutch ou outro acessório à medida de cada personalidade ou evento. DA: Para comprarem acessórios da Décolleté onde se deverão dirigir as pessoas? D: Podem fazê-lo através da nossa página do Facebook em: https://www.facebook.com/mydecollete?ref=hl E ainda: Temporary Brand, na Embaixada (Príncipe Real); Lisbon Hill’s (Av. Visconde Valbom); Bazar da Lapa (R. Da Bela Vista à Lapa); Pois Selection - lovable gifts from Portugal (Príncipe Real); IvoMaia Designers (Santa Maria da Feira); Em mais de 30 lojas dos museus de Portugal (Pálacio Nacional da Ajuda, Mosteiro dos Jerónimos, Museu dos Coches, Torre de Belém..); ou ir até Londres e fazer uma visita à Portuguese Love Affair (na Colombia Road). DA: Quais os próximos passos e desejos para a vossa marca? D: Continuar a crescer em dimensão e em paixão. Continuar a vestir o (para)peito da personalidade de cada mulher com um cunho de exclusividade. E continuar a adornar e a reinventar muitos e muitos decotes à grande e à “francesa” . http://www.decollete.pt/ https://www.facebook.com/mydecollete?ref=hl


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CARICATURAS

EmCara

by Rui Zilh達o

Madonna - caricatura de Rui Zilh達o


CARICATURAS

Max (TV) - caricatura de Rui Zilh達o

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CINEMA

Chan-Wook Park Stoker

“Não precisamos de ser amigos. Somos família.” India Stoker

Foto: “Scott Free Productions [gb]”

Por Pedro Barão

Os grandes filmes fazem-se de pequenos detalhes. Apontamentos singelos que ganham uma dimensão assombrosa quando unidos num todo. Tal como as notas de um piano, que ecoam numa sala escurecida por um dia sombrio. Começam minimalistas e circulares, esbatidas pelo compasso do metrónomo que pauta os primeiros sentidos de quem as ouve. Com o acompanhamento, quebra-se a monotonia que escorre pelo papel de parede de padrões expectáveis. Sobe o tom e junta-se mais um par de mãos. Até que surge um novo andamento, intenso e orgânico como um respirar extasiado, fazendo transbordar a música para lá daquela sala que é agora pequena demais para

ser apenas um detalhe, uma mera divisão. Torna-se no coração de uma casa onde f lui uma sinfonia maior, com uma força incapaz de voltar a ser silenciada. Assim se compõe a nova obra de Park Chan-Wook, um realizador coreano que faz a sua primeira aposta no cinema falado em inglês, sem perder, nesta transição cultural, as raízes estilizadas que deram sucesso a filmes como ‘Oldboy’, ‘Lady Vengeance’ e ‘Thirst’. Com uma fotografia soberba, uma violência gráfica notável e temas inevitavelmente controversos, Park Chan-Wook narra a história de India Stoker (Mia Wasikowska), uma rapariga


CINEMA

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Fotos: “Scott Free Productions [gb]”

E assim se vai criando uma tensão progressiva num thriller de combustão lenta com transições demarcadamente poéticas que opõem a acção presente a segredos passados que vão sendo desenterrados, unindo os mais singelos detalhes num quadro muito maior que detém a chave capaz de desvendar o verdadeiro segredo por detrás da família Stoker.

introvertida e socialmente isolada que perde o pai (Dermont Mulroney) no dia do seu décimo oitavo aniversário. A vida como a conhecera até então encerra-se sob uma redoma de vidro que separa o seu passado rigorosamente estruturado de um futuro enigmático, marcado pela chegada do tio Charlie (Matthew Goode), de quem ninguém ouvira falar nos últimos 20 anos. Sem demoras, este instala-se na mansão onde India vive com a sua mãe, Evelyn Stoker (Nicole Kidman), uma mulher fria e emocionalmente instável. Carregado de simbolismos, Stoker amplia, neste espaço confinado, um pequeno universo que explora de forma muito íntima o retrato desta família. Todos os momentos são revestidos de uma fragilidade silenciosa que combinam a dor da morte com a desconfiança perante um homem de razões dissimuladas que se move nas sombras em pequenos actos incisivos e calculistas. Mas mesmo quando repara que as pessoas à sua volta começam a desaparecer, India não consegue fugir ao fascínio magnético do seu tio, deixando-se envolver num perigoso triângulo amoroso com Charlie e a sua mãe que acaba por se tornar numa visita ao lado mais negro da natureza humana.

Acompanhamos ainda, e sempre com esta contundência em plano de fundo, a travessia gloriosa de India para a vida adulta, que carrega consigo uma herança irrevogável de sangue e que se constrói, também ela, de pequenos detalhes: “Tal como a saia precisa do vento para esvoaçar, também eu não sou feita de coisas que são apenas minhas. Uso o cinto do meu pai, amarrado à volta da blusa da minha mãe, e os sapatos que são do meu tio. Esta sou eu. Assim como uma f lor não escolhe a sua cor, não somos responsáveis por aquilo em que nos tornamos. E apenas ao apercebermo-nos disso poderemos tornar-nos livres. E tornarmo-nos adultos é tornarmo-nos livres.” Também a música em Stoker se faz de pormenores, com uma sonoplastia capaz de nos envolver em apontamentos magnificados em reverberações, ecos enfáticos e sussurros apurados, que conotam a habilidade peculiar de India de ver o que os outros não vêem e de ouvir o que eles não ouvem, em justaposições que criam uma melodia única e intemporal, aliada a uma banda sonora exímia a cargo de Clint Mansell com a participação de Philip Glass. Um conto negro e arrepiante, disfarçado num embrulho minimalista – Stoker é o ref lexo de um rio profundo e denso que corre silencioso sob uma camada fina de gelo. Uma narrativa sensorial que nos prende a uma atmosfera desconfortável, mas não menos fascinante, e que nos faz seguir sem questionar um assobio sinistro no escuro, para dentro daquela sala onde o piano vai sendo tocado a quatro mãos.

Este colaborador/autor não escreve com o novo acordo.


Foto: “Scott Free Productions [gb]”

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http://www.andreaebert.com/


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ENTREVISTA

FASM

Filipe de Sousa Lopes e Manuel Moreira fundaram a fasm, marca de design de equipamento, através da qual dão “asas” à sua criatividade, tentando tornar a vida das pessoas mais alegre graças às suas peças de mobiliário. Por Inês Ferreira


X.men


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ENTREVISTA

DeepArt: Como surgiu a fasm?


 FASM: A fasm surge no seguimento do atelier “projetwo” criado por nós (Filipe de Sousa Lopes e Manuel Moreira) em 2011. No desenvolvimento de trabalhos em diversas áreas dentro do design e da arquitetura, apercebemo-nos que talvez fosse interessante criar uma marca de design de produto/mobiliário que conjugasse o conhecimento das duas áreas e ref letisse as nossas diferentes perspetivas. DA: Têm algum designer ou tipo de design como referência para a criação das vossas peças?


 F: Todos nós sofremos inf luências de designers, arquitetos e artistas plásticos que admiramos e acompanhamos os seus trabalhos, mas, o nosso trabalho tenta ser diferente. Estamos a criar a nossa própria identidade. Mas, sim, claro que também nos inspiramos no trabalho de outras pessoas que gostamos. 
 DA: Sentem que o design de equipamento está cada vez mais em destaque em Portugal e que tem projeção no estrangeiro?


 F: Felizmente nos últimos anos têm surgido algumas marcas, alguns designers que começam a ter destaque em Portugal e no estrangeiro. É muito importante que a indústria portuguesa perceba que Portugal tem pessoas capazes na área do design, que começam a ser distinguidos e são do melhor que existe no mundo. Na Europa existe muito respeito e admiração pelos criativos portugueses. Triste é termos de emigrar para obtermos algum reconhecimento e ajuda. Se os criativos estão em Portugal e têm um atelier ou lançam uma marca, são mais um entre alguns… se emigramos e voltamos a Portugal, já somos vistos com outros olhos, por todos e em especial pela comunicação social. Na nossa opinião, tem de haver uma preocupação estatal, uma ajuda à projeção das marcas e dos designers no estrangeiro, se é diretamente o Ministério da Economia, se são as associações empresariais ou comerciais, isso não

sabemos… sabemos é que tem de haver incentivo aos que estão a começar, e que, a maior parte das vezes, não têm capital próprio para investir no lançamento internacional da marca. DA: As vossas peças permitem que as pessoas “brinquem” com as mesmas criando diversas combinações, tal como acontece com o cadeirão “leggo”. É importante a aproximação do cliente à peça, que ele possa “alterar-lhe” a forma/conjugação? F: Sem dúvida alguma, quando contactam com a “leggo”, percebem muito mais rapidamente o que pretendemos transmitir. A “leggo” é uma peça alegre e dinâmica. A fasm é alegria… tentamos tornar a vida das pessoas um pouco mais alegres e se for possível, que seja através do mobiliário que temos em casa… porque não? Os nossos produtos são versáteis, podemos transformá-los e combiná-los de diferentes maneiras. Também as cores na “leggo” são fundamentais para transmitir tudo isto! Não queremos uma vida cinzenta, neutra. Queremos a vida dos utilizadores das nossas peças cheia de satisfação. DA: Têm ainda uma o cadeirão “Cork Box” que é um misto de cadeirão e mesa. Como tem sido a aceitação desta peça em especial por ter a particularidade de ser duas peças numa só? F: As pessoas de uma forma em geral, acham muita piada à questão modular, ao poderem ter em casa um objeto que pode ter dupla ou tripla função. A Cork Box responde muito bem a esta questão. Cada vez mais, as pessoas vivem em espaços mais pequenos, e o facto de poderem adquirir objetos que conseguem ter mais do que uma função, sendo ao mesmo tempo emotivas, é ainda mais interessante. As pessoas conseguem identificar nesta peça duas coisas muito importantes para nós ao criá-las: a função e a emoção. A Cork Box é um bom exemplo disto, porque tem várias funções e porque o material é emotivo para o utilizador, remete para o campo, para os sobreiros, para a natureza…


Nome do autor – Filipe de Sousa Lopes, Manuel Moreira & Frederico Soares Campos Dimensões – 80cm (altura) x 72cm (largura) x 68cm (profundidade) Materiais – Tecido, espuma e madeira. Ano de concepção – 2013

Retrodraw


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ENTREVISTA

Nome do autor – Filipe de Sousa Lopes & Manuel Moreira Dimensões – 60cm (altura) x 90cm (largura) x 60cm (profundidade) Materiais – Tecido, espuma e madeira. Ano de concepção – 2012

Nome do autor – Filipe de Sousa Lopes & Manuel Moreira Dimensões – 75cm (altura) x 75cm (largura) x 75cm (profundidade) Materiais – Cortiça, espuma e madeira. Ano de concepção – 2012

Leggo

Cork Box


ENTREVISTA

DA: Este cadeirão é já um começo para outro tipo de peças que estejam a projetar (como mesas por exemplo)?


 F: Para o uso da cortiça sim. A cortiça é um material fantástico, é um material com excelentes propriedades, é leve, é impermeável a líquidos e a gases, é elástica e compressível, é um excelente isolante térmico e acústico, a sua combustão é lenta, e é muito resistente ao atrito… e é nossa! É portuguesa, é um material que representa Portugal por todo o mundo, por isso estamos a desenvolver mais do que um projeto com cortiça, e acreditamos que a empresa Sedacor, nossa parceira na Cork Box, irá continuar a apostar na fasm e a acreditar nos nossos projetos com cortiça. Vamos tentar explorá-la noutras peças. DA: O design é para vocês uma mais valia quando permite às pessoas terem uma dupla função num só mesmo objeto, ou pensam que para uma peça ser mais imponente deve apenas cumprir uma função?


 F: Sim, daí termos criado a “Cork Box” e a “leggo”. Todavia, também é interessante criar peças que cumpram apenas uma função. Normalmente tentamos responder a um briefing que será sempre o ponto de partida para a criação, para o desenvolvimento do produto. Por isso, a questão da dupla funcionalidade é sempre relativa… DA: Quais são os vossos materiais de eleição para a construção dos vossos cadeirões e sofás? F: Utilizamos técnicas tradicionais na execução dos nossos produtos, quase que podemos dizer que são executados por artesãos, pessoas com vasta experiência no âmbito do mobiliário. Procuramos sempre usar materiais novos, com inovação e de forma a responder aos nossos quatro desígnios: fiabilidade, adaptabilidade, sustentabilidade e mobilidade. Nestes primeiros produtos que apresentamos, houve uma aposta nas madeiras e seus derivados, na cortiça e nos têxteis (não podemos deixar de agradecer à empresa Pedroso & Osório pela aposta na fasm). Mas, estas opções não nos vinculam de maneira nenhuma a estes materiais. Uma das peças que irá ser lançada brevemente será em metal. Gostamos de experimentar outros materiais, mas,

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sempre com a preocupação de respondermos ao que nos propomos ou ao que nos é proposto. Gostaríamos de desenvolver um projeto na área dos Polímeros, e acreditamos que isso irá acontecer brevemente… DA: Estiveram presentes recentemente na exposição Lisboa Design Show. Como foi a aceitação das pessoas às peças da fasm, presentes na mesma? F: A presença no Lisboa Design Show foi bastante positiva, foi uma excelente oportunidade para dar a conhecer o nosso trabalho. A aceitação das pessoas foi boa, algumas já conheciam as peças de as verem na comunicação social, mas tiveram a oportunidade de interagir com elas. As pessoas ficam muito satisfeitas com todos os pormenores dos produtos, desde o conceito, desenho, o acabamento, a alegria que as peças transmitem. Foi uma ótima oportunidade de dar a conhecer o nosso trabalho em Lisboa. Era uma necessidade e um objetivo, chegar a um local onde o design tem uma maior visibilidade. Como esperávamos, a presença em Lisboa já trouxe “frutos”… DA: Quais são os próximos “passos” da fasm? F: Como referimos, estar em Lisboa foi uma oportunidade para divulgar a marca “FASM” e a estada foi já proveitosa. Fomos convidados pela Organização da Experimenta Design, para ter uma das nossas peças na loja da Experimenta, no Convento da Trindade. É uma grande oportunidade que nos foi dada, vamos ser montra da loja, numa das semanas do grande evento que é a Experimenta Design ‘13. A organização do Lisboa Design Show – Fil convidou a fasm também a estar presente no Festival IN – Festival da Inovação e Criatividade de 14 a 17 de novembro, onde vamos ter um stand com os nossos produtos. Está também para breve o lançamento de mais duas a três peças. Contamos até ao final do ano de 2013, ou o mais tardar no início de 2014 apresentar uma cadeira, um cadeirão e uma estante/banco. Contactos: www.fasm.pt https://www.facebook.com/fasminteriores


ROCHE

Fotografia: Carla Pires (http://www.carlapires.com) Modelo: Lena Fishman @ L’Agence Styling: Ricardo Aço (https://www.facebook.com/ricardoacostylist) Assistente de Styling: Pedro Nicolau & Silvana Covas Maquilhagem e Cabelos: Anita Perna


MODA

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Saia - Diesel Botas - DKODE Sweater - Tezenis


Botas - DKODE Capa - Malene Birger


MODA

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MODA

Sapatos - Clarks Casaco - Billabong Calรงas - American Vintage Camisa - American Vintage

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Sweater - Pinko


Botas - DKODE Saia - Patrizia Pepe Sweater - Ricardo Preto


MODA

061 Editorial


PINK’n’PUNK Fotografia: Gonçalo M. Catarino (www.gmcphoto.net) Modelo: Joana Hamrol @ BEST Models Styling: Marta Teixeira (www.martateixeira.com) Maquilhagem e Cabelos: Isabel Borges


MODA

063 Editorial

Saia - H&M; €49,95 Acessórios - da produção Blusa - Miguel Vieira; €400 Meias - Calzedonia; preço sobre consulta


MODA

065 Editorial

Saia - H&M; €59,95 Anel - da produção Camisa - H&M; €34,95 Blusão - Mango; €149,99 Sapatos - Mango; €79,99 Argolas no cabelo - H&M; €3,95


MODA

067 Editorial

Botas - Zara; €99,95 Casaco - Zara; €69,95 Pulseira - da produção Chapéu - H&M; €14,95 Meias - Calzedonia; preço sobre consulta Pulseira dupla com fechos (usada como colar) - Mango; €15,95


Blazer - Zara; €49,95 Calças - Zara; €29,95 Ombreiras - H&M; €79,95 Cinto e Luvas - da produção


MODA

069 Editorial

Top - da produção Saia - Zara; €39,95 Anel - H&M; €7,95 Casaco - Zara; €149 Colar - da produção


ROLLING Fotografia: Tiago Costa Modelo: Kah @ Elite Lisbon Styling: Inês Ferreira Assistente de Fotografia: João Lima


MODA

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Casaco - Pepe Jeans Calรงas - Cheap Monday Camisola - Cheap Monday


テ田ulos de Sol - Mango


MODA

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MODA

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Camisola - Pepe Jeans


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MODA

Re-abertura de loja lança novo Conceito C&A

Fotos: “Cortesia C&A”

Por Rita Reis

Foi no passado dia 3 e 4 de outubro que voei até Madrid a convite da C&A para conhecer o novo conceito na reabertura da loja nº48 na Grand Vía, uma das principais artérias madrilenas. A iluminada e rejuvenescida loja da C&A com 1600 m2 e três andares destaca-se pela sua imagem atrevida e cool, em contraste com o lado histórico do edifício. O grande logótipo de LED chama a atenção das madrilenas e turistas que são surpreendidas no seu interior por uma design moderno no interior da loja, com rodas de bicicleta pintadas e expostas na parede, uma poltrona feita de roupa prensada e ecrãs LED que projetam os vídeos criados por Christian Borstlap com o conceito “Getting Ready”. O desafio passa por “Re-imagine C&A” com a apresentação ao público deste novo conceito de loja.

É ótimo ver uma renovação e atualização de uma marca com 172 anos de história no mercado que procura inspirar quem a visita. Várias são as linhas apresentadas: Yessica para uma mulher madura inspirada no ambiente da f loresta, a Clockhouse, a minha favorita, dedicada a rapaz e rapariga, com inf luências grunge dos anos 90 e, exclusiva para homem, a Angelo Litrico, inspirada no estilo clássico britânico. O ambiente na festa foi prometedor, com boa música e muitas caras bonitas. O desfile mostrou as principais peças para esta estação e foi aplaudida pelos convidados. O evento contou também com várias celebridades espanholas e bloggers conhecidas destas andanças que criaram looks com as peças C&A. O desfile era transmitido para quem passeava no exterior e projetado na fachada de um edifício perto da loja, o que chamou muito à atenção dos curiosos. Este novo conceito será transportado também para Düsseldorf e Paris. Esperemos que chegue também a Portugal brevemente.


MODA

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ModaLisboa EVER.NOW Spring/Summer 2014 Por Rita Reis

Os Burgueses usaram como base um fruto, neste caso a banana, para salientar a liberdade de expressão nas suas coleções. A dupla de designers convidou Sara França e juntos criaram uma coleção irreverente denominada “License to go Bananas”, onde os papéis de parede dos anos 60 se misturaram com os estilos dos anos 90.

Fotos: Rui Vasco

Ricardo Preto para a próxima estação optou pelos tons branco, cinza, preto e verde esmeralda, com mistura de metalizados. Devo destacar os padrões manchados e selvagens de algumas peças. Alexandra Moura numa continuidade clara do seu trabalho, usou linhas rectas com pequenos volumes e sobreposições. A palete de cores passou pelo branco, preto, caramelo, azul e amarelo.

Os Burgueses

Saymyname

Com um sol arrebatador fora do normal para inícios de outubro, o Pátio da Galé voltou a receber o maior evento de moda nacional com as tendências para a Primavera/ Verão 2014. A rubrica Sangue Novo trouxe uma revitalização e renovação ao evento. Gostei especialmente da dupla da 20|25 e das designers Catarina Ferreira e Catarina Oliveira individualmente. Tenho muito para falar sobre estes designers e conto nas próximas edições dar a conhecer os seus trabalhos. Desta 41ª edição gostaria de destacar Saymyname, Os Burgueses, Ricardo Preto, Alexandra Moura, Kamil Sobczyk e Ricardo Andrez. Os visuais para a estação quente foram heterogéneos e mostraram as diferentes formas de interpretação dos designers. Saymyname com o tema ‘Baye Fall’ fez desfilar uma coleção inspirada num subgrupo da irmandade Mouride, grande ordem do sufismo islâmico com mais proeminência no Senegal. As peças ref letem a forma de estar desse subgrupo, destacando os tecidos multicoloridos, os cortes geométricos e os blocos de cor, sempre com uma estética étnica. A salientar os dois vestidos em dois tons de azul que foram um sucesso.

Kamil Sobczyk, para mim uma das revelações desta edição, apresentou uma coleção que exprime a ideia de um homem que gosta de explorar o desconhecido e que aspira a ser um super herói. Apesar do seu caráter desportivo apresentou peças modernas e elegante num puro contrate entre o preto e o branco. Ricardo Andrez, por sua vez, apresentou uma coleção masculina muito desportiva, onde as malhas tiveram um papel predominante. Ao nível das cores foi possível ver-se tons de azul, branco, preto e detalhes verde água. Devo destacar as parkas leves que serão uma tendência para a próxima estação. À porta do desfile muitos foram os estilos e a audácia vai cada vez mais longe. Dos mais descontraídos com sneakers All Star, aos saltos altos mais compremetores associado com roupa mais excêntrica. O Wonder Room voltou a receber várias marcas nacionais à procura do seu lugar ao sol. Wasted Rita, Ideal&Co, Bainha de Copas, Grigi ou Marques’Almeida foram algumas das presenças deste pop-up que promove uma amostra da qualidade dos produtos nacionais.


Trends 082

MODA

Trends

IKEA Decorem o nome TRENDIG: é a primeira de muitas coleções limitadas da IKEA, para este ano. São 30 produtos que giram à volta do momento de refeição, inspirados numa verdadeira fusão da cultura chinesa e design escandinavo.

Louis Vuitton A Neverfull, icónica carteira da Louis Vuitton é agora re-inventada em cores fortes. A pele usada é a Epi, inspirada na pele granulada que alternava entre dois tons, muito usada nos anos 20. Estão disponíveis nesta coleção as seguintes cores: Citron, Piment, Fuschia, Cyan, Figue, Indigo e Noir.

Por Rita Reis


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H&M O lookbook da colaboração de Isabel Marant com a H&M mostra o lado boémico parisiense da designer em algumas peças básicas com pormenores em couro e franjas. Esta coleção cápsula estará disponível a 14 de novembro com uma linha para mulher, homem e jovem.

O’Neill A nova coleção Outono 2013 para homem da O’Neill, Adventure Series for Men, apresenta casacos 3L impermeáveis e respiráveis, coletes isoladores e casacos de capuz com caraterísticas funcionais únicas. Detalhes técnicos como costuras coladas, fechos de ventilação, protetores de pescoço e bolsos de áudio reforçam a assinatura inovadora da O’Neill.

Baguera As cores vibrantes ressaltam nas combinações gulosas, nas estruturas e nos padrões das clutches must have desta estação. Falamos da nova coleção Vectory Extreme da Baguera, marca de cunho nacional, com a assinatura da designer Branca Cuvier, vincada por uma reinterpretação radical da peça mais desejada no feminino, agora com as designações Void Ivory e Ply Flamboyant. Por Rita Reis


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MODA

Blog o Editorial de Álvaro Ramos O Aniversário do blog O Editorial de Álvaro Ramos é celebrado com um novo visual e uma loja online com produtos criados em colaboração com marcas nacionais. Actualmente para venda tem um cardeno Grafolita produzido manualmente por Catarina Vaz no seu estúdio em Lisboa, a mala Ideal&Co x O Editorial que consiste numa edição especial em pele e feltro 100 por cento lã, marca criada por José Lima e Rute Vieira e o banco da marca Boa Safra.

Louis Vuitton A Manchette Lock me Nomade Orange é um dos elementos da nova coleção Outono/Inverno de acessórios da Louis Vuitton. Em pele Nomade, com aplicações e fecho dourado brilhante e uma corrente contrastante torna esta pulseira perfeita para qualquer ocasião.

Xperimental Shoes Xperimental Shoes, uma das marcas sensação do calçado português lança a nova coleção para este Outono/Inverno 2014 em castanho. Calçado de qualidade, criativo e conhecido pela plataforma de madeira, será perfeito para esta estação fria.

Por Rita Reis


MODA

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KIKO Nasceu a Advanced Brushes, a nova linha de pincéis de maquilhagem profissionais da KIKO. Os pincéis são de alta qualidade e com um excelente desempenho na aplicação de diferentes texturas. As cerdas são suaves e macias na pele, especificamente concebidas para usos diferentes. A estética é elegante e profissional.

A Última Lagosta A Última Lagosta | Maria Lynch Arte Contemporânea no Universo Bordallo

Haru Daniela. Haru AW 2013 Haru é uma palavra japonesa que significa “Primavera”, além disso, é também um nome dado ao género masculino como feminino. Para nós, ocidentais, Primavera representa o iniciar de um novo ciclo, de uma nova vida, um novo “eu” para Daniela ponto final. É nas f lores de Inverno que encontra uma harmonia de roxos, azuis e cinzas como paleta cromática e apresenta a definição da silhueta tendencialmente andrógina, numa coleção virada para um público feminino, mas cuja construção das peças e escolha de materiais ref lete a evolução no percurso da marca para alcançar também o público masculino. Haru propõe para este Outono/Inverno uma linha casual e sport wear, onde o conforto e versatilidade das peças são palavras-chave.

Até 17 de novembro, a Fundação Calouste Gulbenkian em conjunto com as Faianças Artísticas Bordallo Pinheiro dão a conhecer uma exposição que reúne peças reinterpretadas por vinte artistas brasileiros do trabalho carismático do português Bordallo Pinheiro.

Por Rita Reis


www.facebook.com/monica.goncalves.146?fref=ts


Trends 088

MODA

Minimalismo

Fotos: Style.com

Por Vítor Marques ourworldourstyle.blogspot.pt

Dior Homme

Dior Homme

Saber vestir bem é uma arte que muitos de nós, homens, ainda não dominamos na perfeição. Felizmente é algo que está em rápida mudança. Recorrendo à velha premissa de que menos é mais, o minimalismo pode ser uma excelente opção. Quando se fala em minimalismo no masculino a primeira coisa que me vem à cabeça é Kris Van Assche, o designer belga que está à frente da linha masculina da Maison Dior, a Dior Homme. A juntar ao seu estilo minimalista, as suas criações são marcadas por uma atenção meticulosa aos detalhes, mas a sua genialidade nunca deixa que as peças fujam do estilo simples e limpo, com um toque de modernidade. Ora é mesmo esse toque de modernidade que os homens de hoje precisam. Podem manter um estilo simples, sem recorrer a grandes combinações (se não sabem combinar padrões e texturas mais vale jogar pelo seguro, do que parecer o oposto do que era pretendido).

Kris Van Assche

Um fato com um corte simples, um tom clássico e intemporal ou mesmo algo mais simples, como uns jeans sem lavagem combinados com uma camisa branca, são algo despojado de complexidade e que facilmente se pode usar. Depois o toque de modernidade acrescenta-se ao fato com uns sapatos mais arrojados ou uma gravata, e no segundo caso com uns ténis com cor, por exemplo. Para dar um toque de textura e mais cozy que tal um cachecol de malha grossa, ou um casaco ou camisola acolchoado por cima da camisa branca?! Na coleção da Dior Homme para este Outono/Inverno, os blazers ganharam fechos e perderam botões, os cintos subiram e marcam a cintura. Esta é de todas, a coleção mais minimal chic do momento. Estes pequenos apontamentos tornam o estilo minimalista de Kris Van Assche tão atual como clássico.


MODA

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Jumbo

e o Mundo da Moda Por Inês Ferreira

Há ainda quem pense que ir a um supermercado é sinónimo única e exclusivamente de fazer compras de produtos de alimentação, higiene, entre outros do mesmo tipo. Desengane-se quem assim pensa porque ir ao supermercado, e principalmente ao Jumbo, é cada vez mais sinónimo de fazer também compras relacionadas com moda. Muitas têm sido as campanhas lançadas por esta marca, cada vez mais empenhada no conceito Moda e consequentemente muitos têm sido os surpreendidos com esta nova abordagem e com a imagem e qualidade dos produtos da mesma.

Fotos: Tiago Costa

Estas campanhas vão desde os lookbooks compostos por peças tendência da estação, até ao foco em produtos específicos, como as alpercatas, as Perfect Fit Jeans (com efeito push up), as desert boots, a lingerie e a sua mais recente campanha dedicada às galochas. Estas prometem ser um autêntico êxito, tal como foram já no ano passado, sendo compostas por padrões de diversos tipos como riscas, animal prints, entre outros padrões e não esquecendo também as lisas. Se é fã de Moda não poderá deixar de acompanhar todas as novidades desta marca, cada vez mais forte no mercado. http://jumbomoda.blogspot.pt/


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