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CINE.MARCADO

ANO 1 - Nº 01

COMO O SERVIÇO DE STREAMING ESTÁ MUDANDO A MANEIRA COMO ASSISTIMOS TV LANÇAMENTOS

Os FILMES mais esperados de 2018

POTTERHEAD

Tudo que você precisa saber sobre ANIMAIS FANTÁSTICOS 2

CINEMA BRASILEIRO

SERIAL KELLY é gravado em Alagoas


Carta ao leitor O cinema não tem fronteiras, nem limites. Ele me inspirou e inspira a ver a vida de uma forma diferente e as cores do mundo muito mais reais. Aproveitar o dia e cada momento como se fosse o último. Tornar a vida extraordinária (Sociedade dos Poetas Mortos), porque ela passa muito depressa, que a gente nem vê (Curtindo a Vida Adoidado). Com ele aprendi que no fim, a vida é um ato de desapego (As Aventuras de Pi). Como uma caixa de chocolates, que você nunca sabe o que vai encontrar (Forrest Gump: O Contador de Histórias). Ser sempre grato e, principalmente, deixar as pessoas saberem disso. Que o passado pode doer. Mas você pode fugir dele ou aprender com ele (O Rei Leão). Sim! é uma excelente fonte de aprendizado (O Lado Bom da Vida). Ontem é história, amanhã é um mistério, mas hoje é uma dádiva. Por isso é chamado de presente (Kung Fu Panda). O cinema me ensinou que grandes poderes trazem grandes responsabilidades (Homem-Aranha), mas que também não são nossos talentos que nos mostram aquilo que realmente somos, mas sim nossas escolhas (Harry Potter). Ele me ensinou a nunca deixar que digam que não posso fazer o que quero. Se tenho um sonho, tem que protegê-lo (À Procura da Felicidade). Nem deixar que façam sentir como se não merecesse o que quero (10 Coisas que eu Odeio em Você). Me faz lembrar que não existe triunfo sem perda, não há vitória sem sofrimento, não há liberdade sem sacrifício (O Senhor dos Anéis), e cada minuto que passa é uma chance para mudar tudo para sempre (Vanilla Sky). Às vezes, tudo que precisamos são 20 segundos de coragem (Compramos Um Zoológico). Que homens realmente grandes não nascem grandes, eles se tornam grandes (O Poderoso Chefão). Que eu não preciso ser o que as pessoas querem que eu seja (Clube dos Cinco). Nem viver para agradar os outros. A escolha deve ser minha (Alice no País das Maravilhas). Devo fazer o que é certo para mim, mesmo que doa para as pessoas que amo (Diário de uma Paixão). Família é quem cuida e cria, não necessariamente a de sangue (A Era do Gelo). E não importa a cor do cabelo, o estilo das roupas, muito menos a cor da pele. Nada disso define caráter (Histórias Cruzadas). Amar por inteiro, todo mundo tem falhas (Cisne Negro). Dar a volta por cima (Perdido em Marte). Não desistir dos meus objetivos e respeitar todos, por mais diferentes e distantes que essas pessoas possam ser (Zootopia). Lutar contra os meus medos (O Discurso do Rei). Perdoar e ter compaixão (O Conde de Monte Cristo). Amar não apenas o próximo, mas também o inimigo (Até o Último Homem). Vê que há beleza nas coisas simples da vida, e que é apenas necessário estar aberto a elas (O Fabuloso Destino de Amélie Poulain). O cinema também me ensinou a sonhar e amar. E são com essas duas idéias, um sonho de escrever cinema e o amor por ele, que entrego a vocês a primeira edição da revista Cine Marcado.

Que a força esteja com você! (Star Wars). Boa leitura!

Daniel Borges Editor-Chefe


C.M

Uma revista experimental do Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Alagoas

QUEM FAZ? Editor-Chefe Daniel Borges

SUMÁRIO VEM AÍ

5 OS FILMES MAIS ESPERADOS DO ANO 18 MADE IN BRAZIL

HOLLYWOOD 18 10 ANOS DO UNIVERSO CINEMATOGRÁFICO MARVEL 20 ANIMAIS FANTÁTICOS E OS CRIMES DE GRINDEWALD

capa

Projeto Gráfico e diagramação Daniel Borges

26 DOMINAÇÃO NETFLIX

Revisão Daniel Borges e Teresa Machado

34 SERIAL KELLY

Colaboração Anderson Dutra, Fábio Rocha, Júlya Rocha, Rosiane Rodrigues, Sávio Araújo e Teresa Machado Orientação Profª Lídia Ramires

cinema brasileiro CENÁRIO 47 POR TRÁS DAS CÂMERA DO CINEMA ALAGOANO

ARTIGO 54 STAR WARS: O LADO MERCADOLÓGICO D forçA

NA REDE 56 NOVIDADES DO CINEMA

EU QUERO! 58 NOVIDADES geek

na estante 59 livros x filmes

lista Universidade Federal de Alagoas Instituto de Ciências Humanas, Comunicação e Arte Curso de Jornalismo Coordenador Prof. Ricardo Coelho de Barros Vice-coordenador Prof. Carlos Gusmão

60 os melhores e piores filmes da miha vida

Na telinha 61 dica de séries

CONTANDO HISTÓRIAS 63 cinéfilo solitário

memórias 64 cine são luiz, o velho cinearte


VEM AÍ!

os filmes mais esperados de 2018 Prepare a pipoca e o refrigerante! 2018 vem recheado de superproduções. Ação, aventura, romance, animação, comédia, musical, ficção, drama, terror e suspense não poderiam faltar. Filmes que irão te fazer rir, chorar, se divertir e sentir muito medo. E a lista é boa: entre os longas mais esperados estão as continuações de produções que fazem sucesso no universo cinematográfico e que prometem dominar as telonas. O Cine Marcado listou o que há de melhor vindo por aí.

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VEM AÍ!

26 DE ABRIL

VINGADORES: GERRA INFINITA [Avengers - Infinity war, Estados Unidos, 2017], de Anthony Russo, Joe Russo (Disney). Gênero: ação.

Vingadores: Guerra Infinita traz para as telonas o confronto final e mais mortal de todos os tempos. Os super-heróis devem estar dispostos a sacrificar tudo em uma tentativa de derrotar o poderoso Thanos, que planeja uma explosiva devastação que pode acabar com o universo.

17 DE MAIO 17 DE MAIO

Slender man - Pesadelo sem rosto [Slender man, Estados Unidos, 2017], de Sylvain White (Sony).

Slender Man é um ser maligno que ficou conhecido por assombrar, sequestrar e aniquilar jovens e crianças indefesas. Ele é implacável e está apenas esperando uma oportunidade para levá-lo ao seu pior pesadelo.

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DEADPOOL 2

[Deadpool 2, Estados Unidos, 2017], de David Leitch (Fox). Gênero: ação.

Deadpool 2 volta a contar as aventuras do ex-agente das Forças Especiais que se tornou o mercenário Wade Wilson. Wade deve lutar contra ninjas, a yakuza e uma matilha de canídeos sexualmente agressivos. Ele também se unirá ao X-Force, equipe de anti-heróis dos X-Men.


24 DE MAIO Solo – Uma História Star Wars [Solo – A Star Wars story, Estados Unidos, 2016], de Ron Howard (Disney). Gênero: ficção científica.

Solo: Uma História Star Wars é uma aventura inédita com o canalha mais amado da galáxia. Através de uma série de aventuras, Han Solo conhece seu corajoso copiloto Chewbacca e encontra o notório jogador Lando Calrissian, em uma jornada que irá definir o caminho de um dos heróis mais improváveis da saga de Star Wars".

07 DE junho

Oito Mulheres e um Segredo [Ocean's eight, Estados Unidos, 2017], de Gary Ross (Warner). Gênero: ação.

O spin off da franquia Onze Homens e um Segredo vai contar a história de Debbie Ocean, irmã de Danny Ocean que tem no sangue o jeitinho para aplicar grandes golpes. No verão de 2018 a maré vai virar quando ela tenta fazer o assalto do século em Nova York, durante o baile anual do Met. Sua primeira parada é reunir a equipe perfeita formada por poderosas e inteligentes mulheres.

IMAGENS Reprodução/divulgação FONTE filmeb.com.br. Sujeita a alterações.

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VEM AÍ! 14 de junho

Ilha de Cachorros [Isle of dogs, Estados Unidos, 2017], de Wes Anderson (Fox). Gênero: animação.

Ambientado num Japão alegórico, a produção acompanha os esforços do garoto Atari Kobayashi para salvar seu mascote, Spots, quando o prefeito exige o banimento de todos os cães para um aterro sanitário

21 de junho

Jurassic World – Reino Ameaçado [Jurassic World - Fallen kingdom, Estados Unidos, 2016], de Juan Antonio Bayona (Universal).

Com a fantasia, aventura e suspense que sempre fizeram parte de uma das séries mais bem-sucedidas na história do cinema, o novo filme vê o retorno de personagens e dinossauros favoritos, ainda com novas raças, e mais incrível e assustador do que nunca. Passaram-se quatro anos desde que o parque temático e resort de luxo Jurassic World foi destruído por dinossauros fora das jaulas. Isla Nublar agora está abandonado por humanos enquanto os dinossauros que sobreviveram continuam a habitar nas florestas. Quando o vulcão dormente entra em erupção, Owen e Claire lideram uma campanha para salvar os dinossauros da extinção. Owen está motivado para achar Blue, sua raptor que continua sumida na floresta, e Claire desenvolveu um respeito pelas criaturas e agora fez delas sua missão. Ao chegar na instável ilha quando lava começa a escorrer, a expedição descobre uma conspiração que pode colocar o planeta inteiro em um perigo não visto desde a era pré-histórica.

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28 de junho

os incríveis 2

[Incredibles 2, Estados Unidos, 2017], de Brad Bird (Disney). Gênero: animação.

A família de super-heróis favorita de todos voltará aos cinemas em uma nova aventura. Mas desta vez Helena está nos holofotes, deixando Bob em casa com Violeta e Flecha para se aventurar no dia a dia heroico da vida “normal”. É uma transição difícil para todo mundo, sendo os super poderes emergentes de Zezé o fator mais complicado. Quando um novo vilão traça uma trama brilhante e perigosa, a família e Gelado devem encontrar uma maneira de trabalhar juntos novamente.

5 de julho

Homem-Formiga e a Vespa [Ant man and the wasp, Estados Unidos, 2015], de Peyton Reed (Disney). Gênero: aventura.

Logo após os acontecimentos de Capitão América: Guerra Civil, Scott Lang lida com as consequências de suas escolhas como super-herói e pai. Enquanto ele luta para reequilibrar sua vida com as responsabilidades do Homem-Formiga, ele é confrontado por Hope van Dyne e Dr. Hank Pyn com uma missão urgente. Scott deve de novo vestir seu uniforme e aprender a lutar junto à Vespa enquanto a equipe trabalha para descobrir segredos do passado

IMAGENS Reprodução/divulgação FONTE filmeb.com.br. Sujeita a alterações.

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VEM AÍ! 12 de julho

Arranha-céu - Coragem sem limite [Skyscraper, Estados Unidos, 2017], de Rawson Marshall Thurber (Universal). Gênero: ação.

Will Ford trabalha como consultor de segurança para arranha-céus. Em seu novo projeto, ele deve salvar o edifício mais seguro do mundo de um incêndio.

26 de julho Missão Impossível: Efeito Fallout [Mission:Impossible-Fallout,EstadosUnidos,2016],deChristopherMcQuarrie(ParamountPictures).Gênero:ação.

12 de julho

Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas Hotel Transylvania 3 - Summer vacation, Estados Unidos, 2017], de Genddy Tartakovsky (Sony). Gênero: animação.

O neto de Drácula, Dennis, se tornou um vampiro por completo e as coisas não poderiam estar melhores no Hotel Transilvânia. No entanto, quando um milionário ganancioso ameaça destruir a propriedade para construir um resort, a família de monstros precisa se unir para certificar que ele nunca complete os seus planos.

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As melhores intenções muitas vezes retornam para assombrá-lo. Em Missão: Impossível – Fallout, encontramos Ethan Hunt e sua equipe do FMI, juntamente com alguns aliados familiares, em uma corrida contra o tempo após uma missão dar errado.


26 de julho Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas [TeenTitansgo!tothemovies,EstadosUnidos,2018],deAaron Horvath,PeterRidaMichail(Warner).Gênero:animação.

Ao que parece, todos os grandes heróis estão ganhando seus próprios filmes, menos os Jovens Titãs. Mas Robin, o líder do grupo, está determinado a mudar essa situação, se tornando uma estrela em vez de ser apenas um ajudante. Com algumas ideias loucas e uma música no coração, os Jovens Titãs viajam para Tinsel Town, para realizarem seus sonhos. Mas quando tudo dá errado por causa de um super vilão com um plano louco para dominar a Terra, as coisas realmente desandam. A amizade e o espírito guerreiro do grupo são abalados, colocando em risco o destino de cada um.

2 de agosto

Mamma Mia: Lá Vamos Nós De Novo! [Mamma Mia: here we go again!, Estados Unidos, 2017], de Ol Parker (Universal). Gênero: musical.

A jovem Donna dos anos 70 viveu muitas aventuras com seu grupo musical Donna & The Dynamo. Porém, mais do que isso, ela se apaixonou e viveu relacionamentos intensos com três homens diferentes: Harry, Sam e Bill, possíveis pais de Sophie, que no presente está grávida e com a mesma idade que sua mãe engravidou.

2 de agosto

mentes sombrias [The darkest minds, Estados Unidos, 2017], de Jennifer Yuh Nelson (Fox). Gênero: ficção científica.

Em um mundo apocalíptico, onde uma pandemia mata a maioria das crianças e adolescentes da América, alguns sobreviventes desenvolvem poderes sobrenaturais. Eles então são tirados pelo governo de suas famílias e enviados para campos de custódia. Ruby, uma das sobreviventes, consegue escapar com outras crianças e sua vida muda para sempre.

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VEM AÍ!

16 de agosto

Christopher Robin – Um reencontro inesquecível

[Christopher Robin, Estados Unidos, 2017], de Marc Forster (Disney). Gênero: aventura.

Christopher Robin já não é mais aquele jovem garoto que adorava embarcar em aventuras ao lado de Ursinho Pooh e seus amigos no Bosque dos 100 Acres. Agora um homem de negócios, ele cresceu e perdeu o rumo de sua vida, mas seus amigos de infância decidem embarcar no mundo real para ajudá-lo a se lembrar que aquele amável e divertido menino ainda existe em algum lugar.

27 de setembro

Pé pequeno Smallfoot, Estados Unidos, 2017], de Karey Kirkpatrick (Warner). Gênero: animação.

20 de setembro

O Mistério do Relógio na Parede [The house with a clock in its walls, Estados Unidos, 2017], de Eli Roth (Universal). Gênero: fantasia.

Lewis acaba de perder os pais e vai morar em um velho casarão com o tio Jonathan Barnavelt.. O que ele não imagina é que seu tio e a vizinha da casa ao lado, Sra. Zimmerman, são, na verdade, feiticeiros.

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Uma comunidade de pés-grandes tem a vida completamente mudada depois de se deparar com um humano, chamado por eles de pé pequeno.


11 de outubro

Turma da Mônica – Laços

[Turma da Mônica - Laços, Brasil, 2017], de Daniel Rezende (Downtown/Paris). Gênero: infantil

Floquinho, o cachorro do Cebolinha, desapareceu. Junto com seus amigos Mônica, Magali e Cascão, o garoto desenvolve um plano infalível para resgatar o cãozinho.

4 de outubro

venom [Venom, Estados Unidos, 2017], de Ruben Fleischer (Sony). Gênero: ação.

Um dos personagens mais enigmáticos, complexos e intimidadores da Marvel chega ao cinema. Estrelando Tom Hardy, o ator indicado ao Oscar, como Venom, o protetor letal.

11 de outubro

nasce uma estrela

[[A star is born, Estados Unidos, 2017], de Bradley Cooper (Warner). Gênero: musical.

Nasce uma Estrela é estrelado pelo ator quatro vezes indicado ao Oscar Bradley Cooper e a premiada estrela da música indicada ao Oscar Lady Gaga, em seu primeiro papel como protagonista em um longa-metragem. O filme narra a trágica história de amor do músico Jackson Maine e Ally. Ela está prestes a desistir de seu sonho de se tornar uma cantora de sucesso… até que Jack a convence a mudar de ideia. Porém, apesar de a carreira de Ally decolar, o relacionamento pessoal entre os dois começa a desandar, à medida que Jack luta contra seus próprios demônios.

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VEM AÍ! 18 de outubro

Halloween [Halloween, Estados Unidos, 2017], de David Gordon Green (Universal). Gênero: terror.

A trama trará Jamie Lee Curtis novamente como Laurie Strode, em um embate final com o assassino Michael Myers após quatro décadas do primeiro filme.

18 de outubro

mowgli [Mowgli, Estados Unidos, 2017], de Andy Serkis (Warner). Gênero: aventura.

O filme acompanha a criação do menino Mowgli por um grupo de lobos nas selvas da Índia. Sob a tutela de um urso e uma pantera, ele é aceito pelos animais como um deles. Todos menos um: o temível tigre Shere Khan. Mas pode haver maiores perigos à espreita na selva, já que Mowgli fica cara a cara com suas origens humanas.

1 de novembro O quebra-nozes e os quatro reinos [The nutcracker and the four realms, Estados Unidos, 2017], de Lasse Hallström (Disney). Gênero: aventura.

Tudo que Clara quer é uma chave que desbloqueará uma caixa que contém um presente inestimável de sua falecida mãe. Sua busca levará em uma aventura num mundo paralelo estranho e misterioso.

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1 de novembro

X-Men – A Fênix Negra

[Dark Phoenix, Estados Unidos, 2017], de Simon Kinberg (Fox). Gênero: ação.

10 anos após os eventos do último filme da franquia, durante uma missão perigosa no espaço com a equipe de mutantes, Jean Grey é exposta a uma dose letal de radiação solar que desperta dentro dela um poder incontrolável e perverso: a Fênix.


8 DE NOVEMBRO

Como o Grinch roubou o Natal [The Grinch, Estados Unidos, 2017], de Peter Candeland, Yarrow Cheney (Universal).

O Grinch é um ser verde que não suporta o Natal e, todo ano, precisa atuar que os habitantes da cidade vizinha de Quemlândia comemorem a data. Decidido a acabar com a festa, ele resolve invadir os lares dos vizinhos e roubar tudo o que está relacionado ao Natal.

22 DE NOVEMBRO

Robin Hood: Origins [Robin Hood - Origins, Estados Unidos, 2016], de Otto Bathurst (Paris). Gênero: aventura.

A origem da famosa lenda sobre o ladrão que rouba dos ricos para dar aos pobres. Robin Hood volta das Cruzadas e surpreende-se ao encontrar a Floresta Sherwood infestada de criminosos, no mais completo caos. Ele não deixará que as coisas permaneçam desse jeito.

15 DE NOVEMBRO Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald [Fantastic beasts - The crimes of Grindelwald, Estados Unidos, Reino Unido, 2016], de David Yates (Warner).

Alvo Dumbledore recruta Newt Scamander para frustrar os planos do poderoso bruxo das trevas Gerald Grindelwald, depois que ele foge do Macusa e começa a reunir seguidores para dominar o mundo mágico e não-mágico.

13 de dezembro

Máquinas mortais [Mortal engines, Estados Unidos, 2017], de Christian Rivers (Universal). Gênero: ficção científica.

O filme se passa em um futuro pós-apocalíptico onde as cidades são móveis e perambulam o planeta devorando uns aos outros para obter combustível. Em uma dessas estruturas maciças móveis, Tom Natsworthy tem um encontro inesperado com uma jovem misteriosa, que vai mudar o curso de sua vida para sempre.

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VEM AÍ! 20 de dezembro

O retorno de Mary Poppins [Estados Unidos, 2016], de Rob Marshall (Disney). Gênero: musical.

13 de dezembro

Aquaman

[Aquaman, Estados Unidos, 2016], de James Wan (Warner). Gênero: ação.

Aquaman mostrará o herói como um líder relutante em Atlântida. Nesse tempo, os humanos passaram a poluir cada vez mais os oceanos ao redor do mundo, fazendo com que os Atlantes começem a se preparar para invadir a superfície”.

Mary Poppins, a babá praticamente perfeita com habilidades mágicas que pode transformar uma tarefa de rotina em uma aventura fantástica e inesquecível, está de volta para ajudar a próxima geração da família Banks a encontrar a alegria e a magia que estão faltando em suas vidas após passarem por uma perda pessoal. A babá enigmática tem a companhia de seu amigo Jack, um acendedor de lampiões otimista que ajuda a trazer luz e vida às ruas de Londres.

27 de dezembro

Bohemian Rhapsody [Bohemian Rhapsody, Estados Unidos, 2017], de Dexter Fletcher e Bryan Singer (Fox).

A trama mostra os anos que precederam a aparição do Queen no concerto Live Aid em 1985, seis anos antes da morte de Freddie Mercury, por complicações acarretadas pela AIDS.

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VEM AÍ

MADE IN BRAZIL Conheça algumas produções nacionais que chegarão nos próximos meses aos cinemas brasileiros.

legalize já!

Não Se Aceitam Devoluções Juca só quer saber de diversão. Eterno namorador, ele não gosta de responsabilidades. Mas sua vida toma um rumo totalmente diferente quando uma ex-namorada larga um bebê com ele e desaparece. Estreia 31 de maio.

as boas maneiras Clara é uma enfermeira da periferia de São Paulo e é contratada pela rica e misteriosa Ana como babá de seu futuro filho. Mas em uma noite de lua tudo muda na vida das duas mulheres. Estreia 7 de junho.

Skunk é um músico e Marcelo, um vendedor de camisas de bandas de heavy metal. Juntos eles entram no universo da música e formam a banda Planet Hemp. Estreia 14 de junho.

Chacrinha

O filme conta a história de Abelardo Barbosa, quando larga tudo para se aventurar como locutor em uma rádio, e, posteriormente se tornar o Chacrinha.Estreia 14 de junho.

também queremos assistir! Uma Quase Dupla Estreia 12 de julho. Tudo Por um Popstar Estreia 19 de julho De Pernas Pro Ar 3 Estreia 20 de dezembro Os Homens são de Marte 2 Estreia 27 de dezembro

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ferrugem

Tati é uma adolescente que terá a vida virada ao avesso quando algo que ela não queria que se tornasse público cai no grupo de whatsapp do colégio. Estreia 06 de setembro.

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HOLLYWOOD

10 ANOS DO UNIVERSO ´ CI N EM ATO G RA FI CO M A RVEL o ESTÚDIO que REFORMULOU o cinema de SUPER-HERÓIS

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m 2018, a Marvel comemora o décimo aniversário de seu universo cinematográfico. Se é preciso de provas de que o estúdio conquistou o público nos últimos anos, é só observar como muitos outros tentaram, mas falharam em imitar seu sucesso. Quando o produtor Kevin Feige se tornou o presidente do Marvel Studios, ele assumiu um grande risco, mas seu trabalho valeu a pena e reformu-

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lou Hollywood e o cinema de Super-heróis. Foi ele quem ajudou a conceber todo o Universo de filmes da marca, que começou com o primeiro longa do Homem de Ferro. O aniversário começa com o lançamento de Vingadores: Guerra Infinita, que faz parte da Fase 3 da Marvel, e é a conclusão de tudo o que vimos nos últimos dez anos. O sucesso sem precedentes do estúdio reflete em mais de US$ 14 bilhões em bilheteria arrecada em todo o mundo. A Marvel fez história e transformou seus filmes em algo obrigatório para qualquer nerd da nossa e futuras gerações. Em fevereiro, foi divulgado uma foto de um grupo de mais de 80 atores e ci-

neastas, que se reuniram em segredo em Atlanta, Georgia, no set de Vingadores: Guerra Infinita, para celebrar os últimos dez anos com uma imagem memorável. Entre os atores participaram: Robert Downey Jr., Chris Evans, Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Scarlett Johansson, Paul Rudd, Benedict Cumberbatch, Chris Pratt, Chadwick Boseman, Brie Larson, Jeremy Renner, Tom Holland, Sean Gunn, Hannah John-Kamen, Zoe Saldana, Angela Bassett, Jon Favreau, Gwyneth Paltrow, Kurt Russell, Danai Gurira, William Hurt, Karen Gillan, Emily VanCamp, Tessa Thompson, Don Cheadle, Dave Bautista, Michael Peña, Anthony Mackie, Evangeline Lilly, Elizabeth Olsen, Paul

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IMAGENS Reprodução/divulgação

Bettany, Frank Grillo, Letitia Wright, Laurence Fishburne, Linda Cardellini, Sebastian Stan, Ty Simpkins, Michael Douglas, Michelle Pfeiffer, Hayley Atwell, Pom Klementieff, Benedict Wong, Michael Rooker, Vin Diesel, Cobie Smulders, Samuel L. Jackson e Jeff Goldblum. Os cineastas Kevin Feige, Louis D’Esposito, Victoria Alonso, Stan Lee, Scott Derrickson, Trinh Tran, Alan Taylor, brad winderbaum, Louis Letterier, Jon Watts, Sarah Finn, James Gunn, Joe Russo, Anthony Russo, Joss Whedon, David Grant, Mitchell Bell, Anna Boden, Ryan

Fleck, Jeffrey Ford, Peyton Reed, Jonathan Schwartz, Stephen Broussard, Ryan Coogler, Jeremy Latcham, Nate Moore, Christopher Markus, Stephen McFeely, Taika Waititi, Erik Carroll, Ryan Meinerding e Craig Kyle também se juntaram à celebração. Em entrevista ao The Wrap, o CEO da Disney, Bob Iger, revelou que o estúdio já tem planejado o calendário de estreias até 2030. “Estamos planejando e desenvolvendo filmes até o fim da próxima década, e além disso”, afirmou. Até o fim de 2020, a Marvel irá encerrar a sua Fase 3. Já estão agendadas as es-

treias de Homem-Formiga e Vespa, Capitã Marvel, Vingadores 4, Homem-Aranha - De Volta ao Lar 2, e mais três longas ainda sem título. Isso ainda pode crescer com a compra da Disney de parte da Fox, que detém os direitos de X-Men, Deadpool e Quarteto Fantástico. ●

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HOLLYWOOD

OS CRIMES DE GRINDELWALD TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE O SEGUNDO FILME DA FRANQUIA ANIMAIS FANTÁSTICOS Texto, edição e design Daniel Borges

Este ano, os fãs de Harry Potter têm mais um motivo para ficarem felizes. É que o segundo filme da franquia Animais Fantástico, que expande o mundo mágico criado pela escritora JK Rolling, será lançado em novembro. Com locações em Londres, Paris e Nova York, Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald (Fantastic Beasts: The Crimes of Grindelwald) acompanha as aventuras do magizoologista Newt Scamander (Eddie Redmayne), no ano de 1927, depois que o bruxo das trevas Gellert Grindelwald (Johnny Deppy) é desmascarado e preso pelo Congresso Mágico dos Estados Unidos da América, o MACUSA. O vilão continua decidido a expor a comunidade bruxa ao mundo não-mágico e começará a reunir seguidores, bruxos de sangue puro,

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para alcançar seu objetivo de dominação em massa. No caminho, o bruxo encontrará novamente Newt, que deve se juntar ao seu ex-professor de Hogwarts, o jovem Albus Dumbledore (Jude Law), numa missão com grandes perigos, que testará o amor e a lealdade de seus familiares e amigos, num tempo que o mundo mágico se torna cada vez mais desunido. A sequência conta com os retornos de Katherine Waterston como Tina Goldstein, Alison Sudol como Queenie, Dan Fogler como Jacob Kowalski e Ezra Miller como Credence. Callum Turner, Claudia Kim e Zoë Kravitz são os novos integrantes do elenco, como Teseu, Maledictus e Leta Lestrange, respectivamente. O filme tem direção de David Yates e roteiro assinado pela escritora J.K. Rowling.

IMAGEM Reprodução/divulgação FONTE ANO Warner 1 • CMBros.. 14


HOLLYWOOD

O VILÃO Gellert Grindelwalf foi um dos mais terríveis bruxos da história da magia.

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Infância Desde criança, Gellert Grindelwald já demostrava com suas atitudes que não era uma criança comum. Brilhante, talentoso e ganancioso, frequentou o Instituto de Aprendizagem Mágica Durmstrang, famosa pelas atividades relacionadas ás Artes das Trevas, e onde foi expulso por realizar experimentos considerados muito perigosos e fatais para os estudantes. obsessão pelo poder Obcecado pelo poder, Grindelwald desejava reunir as Relíquias da Morte, três lendários e poderosos itens mágicos, que, juntos, tornariam seu possuidor o Senhor da Morte e Imortal. O símbolo das Relíquias é uma marca triangular que representa a Varinha das Varinhas, a Pedra da Ressurreição e a Capa da Invisibilidade, que o vilão cravejou como seu cartão de visitas em uma das paredes de Durmstrang. Godric’s Hollow

Depois de ser expul-

so de Durmstrang, Grindelwald foi morar na pequena Godric's Hollow, na Inglaterra, com sua tia-avó, a célebre historiadora mágica Bathilda Bagshot. O local já foi moradia de Ignotus Peverell, um dos três irmãos que primeiro possuiu as Relíquias da Morte. Também era onde morava a família de Albus Dumbledore. amizade Foi em Godric's Hollow que Grindelwald conheceu Albus Dumbledore, um jovem bruxo que acabava de se formar Hogwarts. Eles se tornaram amigos inseparáveis e compartilhavam o fascínio pelas Relíquias da Morte. Mas a amizade rapidamente trouxe problemas para a família Dumbledore, e fez com que Aberforth Dumbledore, irmão de Albus, agisse. Um dramático duelo entre Aberforth, Grindelwald e Albus terminou em tragédia quando Ariana, a irmã mais nova dos Dumbledore, foi morta no fogo cruzado. Albus acabou a sua amizade com Grindelwald, que fugiu do país.

IMAGEM Reprodução/divulgação FONTE Warner Bros./Pottermore/harrypotter.wikia.

A Varinha das Varinhas Sem Dumbledore, Grindelwald começou a viajar pela Europa em busca das Relíquias da Morte. Ele descobriu o paradeiro da Varinha das Varinhas e a roubou de Gregorovitch, um famoso fabricante de varinhas. Ao longo dos anos, o bruxo das trevas reuniu seguidores e começou a espalhar terror em vários países da Europa. Curiosamente, ele evitou a Grã-Bretanha, talvez por medo de Dumbledore. disfarce Anos depois, Grindelwald rouba a identidade do auror Percival Graves, diretor de Segurança Mágica e chefe do Departamento de Execução das Leis da Magia no MACUSA. Com o disfarce, ele conhece um jovem Obscurial e tenta usá-lo para expor a comunidade bruxa norte-americana e derrubar o Estatuto de Segredo, regras que encorajavam os bruxos a se esconderem da comunidade não-mágica.

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HOLLYWOOD

quem é quem? CONHEÇA OS PRINCIPAIS PERSONAGENS DE ANIMAIS FANTÁSTICOS: OS CRIMES DE GRINDELWALD

Gellert Grindelwald (Johnny Depp)

Alvo Dumbledore (Jude Law)

Alvo Dumbledore surge depois de seu velho amigo Gellert Grindelwald escapar do MACUSA. Ele recrutará um dos seus ex-alunos mais dedicados, Newt Scamander, para ajudar na caça ao Bruxo das Trevas.

Newt Scamander (Eddie Redmayne)

Famoso no mundo bruxo com a publicação de Animais Fantásticos e Onde Habitam, o magizoologista Newt Scamander será procurado por Alvo Dumbledore para acabar com os planos de Gellert Grindelwald.

Credence

(Ezra Miller)

Credence sobrevive ao embate mágico do primeiro filme. Ele é um Obscurial, bruxo que carrega a força parasita Obscuro, que se alimenta da repressão mágica. .

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Leta Lestrange (Zoe Kravitz)

Leta está noiva do irmão do Newt, Teseu Scamander, e possui um misterioso envolvimento com famoso magizoologista. A família Lestrange tem ligação com as artes das trevas e isso pode indicar que a personagem pode ser mais do que aparenta.

Tina Goldstein (Katherine Waterston)

Tina Goldstein é readmitida como auror do MACUSA. Na sua despedida com Newt, os dois prometeram manter contato e devem se encontrar novamente.

Teseu Scamander (Callum Turner)

Teseu é o irmão mais velho de Newt e noivo de Leta Lestrange. Ele é um famoso herói de guerra e chefe do escritório de Aurores no Ministério da Magia britânico.

Jacob Lowalski (Dan Fogler)

Único não-mágico do grupo, o padeiro teve um desfecho feliz no primeiro filme e não deve romper sua ligação com o Mundo Bruxo nem tão cedo. Sua continuação na história deve acontecer por conta do seu relacionamento com Quennie. Além disso, ele deve continuar a ser a ponte entre o público e a realidade mágica.

Queenie Goldstein

Maledictus

Queenie Goldstein é a irmã de Tina e a responsável por levar Jacob Kowalski de volta ao Mundo Bruxo. Seu poder de ler a mente pode significar um importante recurso na continuação da história.

Misteriosa, a personagem possui uma maldição que faz com que ela se transforme em uma fera. No longa, ela deve ter uma relação próxima com Credence.

(Alison Sudol)

(Claudia Kim)

IMAGENS Reprodução/divulgação FONTE Pottermore/Warner Bros.

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CAPA

Texto, edição e design Daniel Borges

DOMINAÇÃO

NETF

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Como o serviรงo de streaming estรก impactando a maneira como assistimos TV

FLIX IMAGEM Freepik

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CAPA

O

surgimento dos serviços de streaming tem impactado diretamente a forma de fazer entretenimento e a maneira que nos relacionamos com o conteúdo cinematográfico e televisivo. Um dos maiores exemplos disso é a Netflix, pioneira em TV por assinatura on-line e on demand no mundo, que influenciou a mudança de comportamento em massa dos consumidores. Enquanto as tevês por assinatura perdem clientes, 938 mil clientes somente em 2017, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a Netflix não para de crescer. Cada vez mais as pessoas estão preferindo o serviço, que é muito mais

barato do que uma assinatura de TV ou ir ao cinema. As pessoas se cansaram da televisão paga comum, elas preferem assistir aos seus programas preferidos na hora que quiser e no aparelho de sua escolha (TV, computador, tablet ou smartphone). Fundada em 1997, nos Estados Unidos, a Netflix percorreu um longo caminho até se tornar o que é hoje. Começou como uma empresa de aluguel de DVDs online, onde o usuário poderia se inscrever e ter acesso a DVDs ilimitados que seriam enviados para sua casa. De 700 mil assinantes em 2002 para 3,6 milhões em 2005, havia claramente uma demanda 1997

LINHA DO TEMPO Confira a trajetória da empresa que revolucionou a maneira de assistir a filmes e séries.

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Reed Hastings e Marc Randolph fundam a Netflix, um serviço online de locação de filmes.

1998

A empresa lança o primeiro site de vendas e aluguel de DVDs: netflix. com.

1999

de aluguel de DVDs. Foi a principal rival do Blockbuster, que, na época, era a maior rede de locadoras de filmes e videogames no mundo. Dois anos depois, em 2007, a América viu o lançamento do serviço de transmissão online, que permitiu aos assinantes assistirem a séries e filmes instantaneamente no computador. Em apenas uma década, a Netflix cresceu de um serviço de vídeo com sete milhões de assinantes dos EUA para um que atinge mais de 117 milhões de assinantes em mais de 190 países assistindo a mais de 140 milhões de horas de filmes e séries por dia, incluindo documentários e produções originais.

Lançamento do serviço por assinatura, oferecendo a locação ilimitada de DVDs por um preço mensal.

2000

2002

Com 600 mil assinantes nos EUA, a Netflix faz uma oferta pública inicial na bolsa de valores de Nova York, com o símbolo “NFLX”.

A companhia lança um sistema de recomendação personalizada de filmes, que utiliza as classificações dos próprios assinantes da Netflix para recomendar títulos.

2005

O número de assinantes aumenta para 4,2 milhões.


Seu crescimento e capacidade de entrar em setores bem estabelecidos - primeiro o aluguel de vídeo, agora televisão e filmes - é uma realização rara. Vários são os motivos do seu sucesso, mas o que mais impressiona é o crescimento internacional, principalmente no Brasil, considerado um êxito improvável, devido ao alto índice de pirataria. Segundo o diretor de marketing Guilherme Siebert, não é em vão que a Netflix seja tão popular no Brasil. “Muitos aspectos do produto combinam exatamente com a cultura do país. Os brasileiros são ultra conectados e os conteúdos originais da Netflix são bem aceitos entre vá2007

Início o serviço de transmissão online, que permite aos assinantes assistir a séries e filmes instantaneamente no computador.

2008

A Netflix estabelece parcerias com fabricantes de eletrônicos para transmitir conteúdo online no Xbox 360, aparelhos Blu-ray e conversores de TV.

rios grupos sociais”, afirmou em artigo para o Money Time. “O segredo para dominar esse mercado altamente lucrativo está em entregar um catálogo de

“O segredo para dominar esse mercado altamente lucrativo está em entregar um catálogo de conteúdo diverso e de nicho”. conteúdo diverso e de nicho. Nacional e internacional. Original e licenciado”, argumenta. Para a jornalista Géssica Costa, assinar a Netflix tem um excelente 2009

O serviço estabelece parcerias com fabricantes de eletrônicos para transmitir conteúdo online no PS3, TVs e outros aparelhos conectados à Internet.

2010

A plataforma é disponibilizada no Apple iPad, iPhone e iPod touch, no Nintendo Wii e em outros aparelhos conectados à Internet. Inicio do serviço no Canadá.

custo benefício. “Assino há um ano a Netflix. Acho um ótimo serviço. A possibilidade de parar o filme ou série a qualquer momento é genial, pois se enquadra no padrão de vida atual. Ninguém tem mais tempo de acompanhar uma programação, de esperar o filme ou a série passar, seja na tv aberta ou na tv por assinatura”, falou. “Outra questão importante é a possibilidade de cancelar o serviço a qualquer momento, sem qualquer compromisso e contrato, e poder dividir a senha com quem quiser. Além disso, quase toda a produção original da Netflix tem um alto padrão de qualidade e os filmes e séries são para todos os per2011

A Netflix começa a atender toda a América Latina e Caribe.

2012

A empresa chega à Europa, lançando o serviço no Reino Unido, Irlanda e os países nórdicos. A empresa recebe seu primeiro Emmy de Engenharia.

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CAPA fis e gostos“, disse Géssica. Ela também indica alguns pontos negativos. “Só acho ruim que a empresa não oferece o pacote básico com HD e a busca dos filmes ser difícil quando não se sabe o nome do título que está procurando”, destacou. A assinante Maria Machado destaca as produções originais como ponto alto do serviço. “Gosto muito da Netflix. A variedade de filmes e seriados e a comodidade de ter tudo isso em nossas mãos é incrível. As séries criadas são totalmente de alta qualidade, com atores muito bons e histórias e roteiros que prendem o telespectador para estarem assistindo cada vez mais”,

opinou. NETFLIX x TV Já não é mais novidade que a Netflix e outros serviços estão influenciando a maneira que as pessoas consumem conteúdo audiovisual. Os nossos hábitos mudaram totalmente. Agora tudo é online, das séries aos filmes. Esse efeito é muito evidente nas TVs. Ao fornecer conteúdo online, usando dados de usuários para entender melhor os clientes e deixando eles consumirem da maneira que quiserem, a Netflix força as empresas de televisão a mudar radicalmente suas práticas. Aqui no Brasil, esse processo ja está bas-

2014

Inicio do serviço em mais 6 países europeus (Alemanha, Áustria, Bélgica, França, Luxemburgo e Suíça). A Netflix vence o Emmy em 7 categorias por House of Cards e Orange is the New Black. A empresa conta com mais de 50 milhões de assinantes em todo o mundo.

2013

Expansão do serviço para os Países Baixos. A Netflix recebe 31 indicações ao Emmy, inclusive de melhor série dramática, melhor série de comédia e melhor documentário ou especial de não-ficção por House of Cards, Orange is the New Black e The Square, respectivamente. House of Cards venceu o Emmy em três categorias, e se torna a primeira rede de TV por Internet indicada ao Emmy.

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tante claro. A Rede Globo, criadora da Globo Play, é uma das emissoras que saíram na frente. Como aposta de entretenimento pago, a empresa disponibiliza todo o seu conteúdo, além de lançar produtos exclusivos e previamente na plataforma. Em nota oficial, a emissora informou que “o Globo Play tem permitido que a Globo faça experimentações com a distribuição de seus conteúdos, entendendo e acompanhando novos hábitos do público”. 700 PRODUÇÕES PRÓPRIAS EM 2018 Como se já não fosse difícil tentar acompanhar os inúmeros filmes e séries disponíveis na plataforma digital, além das novas produções lançadas 2016

Expansão da Netflix no mundo todo.

2015

A Netflix disponibiliza o serviço na Austrália, Nova Zelândia e Japão e continua expandindo na Europa com Itália, Portugal e Espanha. O primeiro filme original Netflix, Beasts of No Nation, é lançado.


toda a semana, a Netflix ainda quer mais e deve gastar cerca de US$ 8 bilhões em conteúdo original em 2018. Durante uma conferência de tecnologia, mídia e telecomunicações com investidores em fevereiro, o diretor financeiro da Netflix, David Wells, revelou que a empresa lançará na plataforma mais de 700 novas produções, que inclui filmes, séries e especiais originais, ainda este ano. Entre elas, seis produções são brasileiras: a segunda temporada de 3%, O Mecanismo, Samantha!, Coisa Mais Linda e os especiais de comédia de Rafinha Bastos e Edmilson Filho. Segundo Wells, o alto investimento se justifica porque a base de usuários aumenta quanto mais conteúdo original é produzido. “Vamos continuar a criar conteúdo, está funcionando e gerando crescimento”, pontou em vídeo divulgado no Youtube. No entanto, não existe uma fórmula na Netflix sobre a fonte de programação, embora a empresa tenha cada vez mais intenção de produzir seu próprio conteúdo. “Não existe uma linha mágica onde você sabe exatamente onde está em termos de eficiência. As pessoas não se importam com a origem

das histórias, e, apesar de compartilhar conteúdo de qualidade, não necessariamente temos que criar”, afirmou.

“As pessoas não se importam com a origem das histórias”. O diretor também falou sobre o aumento do orçamento de marketing da Netflix, que deve crescer mais de 50% em 2018, de US$ 1,3 bilhão no ano passado para US$ 2 bilhões neste ano. “Nós costumávamos pensar que cada dólar incremental era melhor gasto em conteúdo, mas agora pensamos que o marketing é um multiplicador do gasto de conteúdo”, expressou o diretor. Recentemente, acordos exclusivos com os produtores de televisão Ryan Murphy (Glee, American Horror Story) e Shonda Rimes (Scandal, Grey’s Anatomy, How To Get Away With Murder), os afastaram da Fox e ABC, respectivamente. A contratação faz parte da estratégia de Netflix de levar os criadores de algumas das séries de maior sucesso da história da TV para produzir conteúdo exclusivamente para a plataforma. “As séries de Ryan

Fontes Netflix/Money Time/Youtube/Veja/Folha/Valor/O Globo/El País/Exame/Globo

Murphy influenciaram a cultura global, reinventaram gêneros e mudaram os rumos da história da televisão. Sua dedicação para alcançar a excelência e dar voz aos sub-representados, mostrar uma perspectiva única ou simplesmente nos chocar permeia a sua obra”, disse Ted Sarandos, diretor de conteúdo da Netflix, em comunicado enviado para a imprensa. “Shonda Rhimes é uma das grandes roteiristas da história da televisão. Seu trabalho é cativante, inventivo, rompedor de tabus e de partir o coração. Tive o prazer de conhecer Shonda, e ela é uma verdadeira ‘Netflixer’ em seu coração. Ela ama TV e filmes, se envolve apaixonadamente com seu trabalho e entrega resultado para sua audiência. Estamos muito empolgados em recebê-la na Netflix”, falou o diretor. Segundo o analista Nat Schindler, “A Netflix está em uma posição única onde pode gastar na aquisição e produção de conteúdo e ainda ser eficiente, dada a base de assinantes globais”. E não é só isso, a gigante global começa a observar possíveis bases de assinantes na China e em outros lugares, que podem torna-la ainda maior. ●

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IMAGENS CM 32 Reprodução/divulgação FONTE Pottermore/Warner Bros.

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1

Canadá

2

Estados Unidos

3

Dinamarca

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Filândia

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Noruega

6

Alemanha

7

México

8

Austrália Suécia Brasil

Ícones Flaticon Fonte Netflix

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NACIONAL

Foto Reprodução/divulgação


SERIAL KELLY

René Guerra estreia na direção de um longametragem estrelado pela cantora Gaby Amatantos

E

“Em terra de matador, mulher que mata é serial killer”, diz o cineasta René Guerra, dos curtas Os sapatos de Aristeu (2008) e Quem tem medo de Cris Negrão (2012), ao apresentar a premissa de seu primeiro longa-metragem, Serial Kelly, que traz a paranaense Gaby

Texto, edição e design Daniel Borges

Amarantos como uma cantora de forró matadora. O filme é uma comédia-western-musical com coprodução da Bananeira Filmes e da Globo Filmes, que aborda a questão de gênero em um cenário machista, preconceituoso e violento, trazendo em contrapeso as

belezas naturais do Estado de Alagoas. O roteiro foi escrito em parceria com o cineasta mineiro Marcelo Caetano, de Corpo Elétrico, e a produção é de Vânia Catani, responsável por filmes aclamados como A Festa da Menina Morta, Narradores de Javé, Mata-me Por

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NACIONAL Favor, a consolidada parceria com Selton Mello em Feliz Natal, O Palhaço e O Filme da Minha Vida, além de coproduções internacionais como Jauja e Zama. No set montado no Museu Palácio Floriano Peixoto, no centro da capital Maceió, que serviu como locações de uma delegacia fictícia, o Cine Marcado acompanhou a preparação de uma das cenas. No prédio histórico se via a movimentação de uma equipe de mais de 70 pessoas, entre atores, técnicos e produtores, além de geradores, tendas e caminhões que serviam como abrigo para a equipe e equipamentos. As gravações começaram no início da noite e pernoitaram até o início da manhã. O espaço foi cedido pelo Governo do Estado. Alagoano, 43 anos, atualmente morando em São Paulo, René Guerra foi premiado em vários festivais nacionais e internacionais, com filmes que defendem a temática LGBT. Orgulhoso de sua terra, fez questão de gravar em seu Estado natal, com um elenco 80% formado por alagoanos, incluindo atores como Igor Araújo, Ane Oliva e Ivana Iza. Conversamos com ele

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sobre sua carreira e as expectativas de levar o nome de Alagoas para o circuito nacional de cinema. Cine Marcado - Como surgiu a ideia do filme Serial Kelly? René Guerra - Surgiu como consequência do meu projeto de trabalho em relação

de gênero. Eu estava há bastante tempo querendo fazer uma comédia e querendo trabalhar no meu Estado. E aí existem algumas questões em Alagoas que eu queria abordar como violência de gênero e a própria construção cultural do masculino. Kelly vem com essa alegoria, como uma fábula de uma mulher vingativa, uma mulher dita serial


AMIZADE Gaby Amarantos e o diretor René Guerra durante as gravações em Maceió.

killer por matar homens, num universo aonde a gente tem essa centralidade violenta. Então, de uma certa forma, eram necessidades de revisitar essas questões e subverte-las através de uma discusão de gênero e sobre o gênero. Cine Marcado - É seu primeiro grande trabalho nos

Foto Reprodução/divulgação.

cinemas? Como está sendo a experiência? René Guerra - O primeiro filme pra qualquer cineasta é um grande desafio sempre. O projeto tem um desafio grande do ponto de vista de produção, então é um grande parto. Na realidade, fazer cinema no Brasil é por si só bastante difícil e eu tive a sorte de cons-

truir uma pesquisa consistente com Marcelo Caetano, que é co-roterista, e ter sido convidado para desenvolver esse trabalho pela Vânia Catani, que é da produtora Bananeira Filmes, então tudo foi confluindo. Tive uma equipe maravilhosa, com profissionais extremamente criativos e um elenco basicamente 80% alagoano. Eu gostaria muito de ter o rosto dos nossos atores nessa tela e, principalmente, no meu primeiro filme. Eu sempre relaciono o primeiro longa, como o meu primeiro filme. O primeiro parto, com todas as suas dores e alegrias, esperando que ele consiga, de uma certa forma, alcançar a maior quantidade de pessoas possível, trazendo uma mensagem dentro do alcance do que se é considerado comédia, mas de uma forma subversiva. Cine Marcado - O filme terá momentos musicais? René Guerra - O filme é um western alagoano musical. Só que a parte musical é absorvida pela diagese do filme, ou seja, não é um filme operístico nesse sentido. A personagem principal é uma cantora, então tem momentos que essas duas características

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NACIONAL da protagonista se juntam. O que tem muita a ver com o potencial de voz da Gaby. A música permeia o filme e também faz algumas observações de cenas. Cine Marcado - Pode revelar para nós algum segredo ou alguma curiosidade da produção? René Guerra - Não tem segredo nenhum em relação ao processo. Eu vou ser bastante sincero, estamos no meio do processo de criação e a gente sabe que existe um processo de escritura que morre, pra o processo de filmagem que morre também, pra o processo de montagem, então trazer alguns segredos, seria trazer alguns spoilers sobre o filme. Nessa altura do processo, que é um processo ainda em construção, eu posso te dizer que muitas coisas conspiraram a

favor do filme. Eu tô bastante feliz em está trabalhando com essas pessoas, com os artistas locais e com a Gaby Amarantos. Curiosidades têm milhões como qualquer processo, como o trabalho com as atrizes trans, a própria questão do corpo, da relação com a Gaby, que engordou pra fazer o papel, porque sabia que o corpo dela era político também. Foram várias questões que vão culminar no significado, que é a imagem. Então trazer os significantes

é um pouco deixar as pessoas não tirarem suas próprias conclusões. Cine Marcado - Por que Alagoas foi escolhida como cenário do filme? René Guerra - Ela não foi escolhida. Eu sou alagoano e tive a sorte de ter meu primeiro filme na minha terra. É obvio que eu tenho um processo de investigação e de carreira em São Paulo, mas meu inconsciente é alagoano. O meu simbólico está muito ligado a nossa cultura, então faz bastante sentido eu ter filmado na minha terra, com as questões que até hoje me assombram e que me maravilham. Cine Marcado - Qual a expectativa de levar o seu Estado para o circuito nacional de cinema?

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parceiros e artistas que trabalharam nesse projeto. A gente sempre espera que o projeto se concretize da forma mais especial possível. Cine Marcado - Você é um jovem com uma carreira sólida e vários curtas de sucesso. Qual a sua história com o cinema? O que te inspirou e inspira? René Guerra - Espero conseguir representar de todas as formas possíveis os artistas que nós temos em nossa terra, contribuindo e dizendo que existem sim novos talentos, que eles estão fora do eixo Rio-São Paulo. Do ponto de vista de Alagoas, o filme foi extremamente bem recebido pelos órgãos e no possível, na parte logística. Mas é obvio que a gente tem uma expectativa de alcançar o máximo possível de pessoas, mas também a missão de não fazer uma comédia vazia, de trabalhar com alguns símbolos com propriedade e profundidade. Às vezes eu tenho medo dessa palavra expectativa, porque a gente trabalha o tempo inteiro com esse sentimento de angustia. Quem tá fazendo arte não tem grandes certezas, a gente tá arriscando e o risco gera angustia, ansiedade, então estamos exa-

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tamente neste momento de entender o uso das imagens, entender a narrativa da história, não se trair e ao mesmo tempo se trair em relação a imagem, procurarando o máximo possível chegar nesse lugar que foi apontado e percebido por tantas pessoas que contribuíram pro projeto, e quando falo isso, falo da produtora Bananeira Filmes, falo da Vitrine Filmes que estará distribuindo, falo da Globo Filmes e em nome de todos os

René Guerra - Dentro da minha trajetória de curta-metragista e preparador de elenco, o universo trans, drag e da teatralidade do real é algo que me deixa obsessivo. Pra mim elas são heroínas, que conseguem construir através da imaginação o real e reconstruir esse real. Então, o que me inspira muito são essas pessoas anônimas, que buscam através da imaginação construir suas histórias e suas vidas, independente do

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NACIONAL que as pessoas falem. É um ato de resistência só de existir. Cine Marcado – Entre seus trabalhos existe alguma diferença entres os primeiros filmes e o atual? René Guerra Cada filme é um filme, mas dentro dessa linha que juntam os filmes está a nossa percepção de mundo. Quando a gente posiciona a câmera e faz um recorte. Existem símbolos que se repetem, que tem a ver com a politica de gênero e com a discussão de pessoas que tem direitos e de pessoas que não tem direitos, de pessoas que são invisível aos olhos dos outros. O tempo inteiro estou falando sobre essas pessoas. Cine Marcado - Além do Serial Kelly, você está trabalhando em outros projetos? Pode contar para nós? René Guerra - Eu tenho outro projeto que se chama “Lili e as Libelulas”, que é anterior ao Kelly, mas que o destino fez com que o Kelly

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se materializasse antes. Ele é uma síntese do meu trabalho de pesquisa, com um recorte mais amadurecido, no sentido de discussão que vem do corpo. Mas acredito que todos eles bebem do mesmo lugar. A produtora é a Preta Portê Filmes, minha produtora é a Juliana Vicente e, provavelmente, a gente filme no ano que vem. Existe um processo de maturidade na direção de um longa-metragem, que a gente vai entendendo cada vez mais como essas engrenagens funcionam. Um filme te leva ao outro, que te leva a um tipo de maturidade como em qualquer profissão. Cine Marcado - Quais os desafios se trabalhar com cinema no Brasil? René Guerra - Eu acho tri-

lhões de desafios sobreviver de arte no Brasil. Beira quase uma utopia. A gente sabe muito bem que os editais em Alagoas são recentes e que essa nova safra de cineastas alagoanos está mais que preparada, que são pessoas extremamente talentosas e merecedoras de um olhar com afinco maior. Basicamente a dificuldade é a dificuldade de produção, a gente tem que sair da nossa cidade pra conseguir ser enxergado com respeito. A mostra de sururu e todo esse movimento de cineastas são muito potentes, mas falta ainda essa ponte entre os editais municipais, estaduais e federais, e também um certo esclarecimento para esses jovens cineastas e produtores. Cine Marcado - Quais suas metas para o futuro como cineasta? René Guerra - Minha meta é continuar fazendo a única coisa que eu sei fazer, que é filmar. Concretizar ideias e

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trazer essas ideias para materialização, não se trair, conseguir sobreviver minimamente e ter uma liberdade pra que a gente consiga se enxergar e gerar imagens, aonde outras pessoas possam se reconhecer ou uma própria critica a nós mesmos. Minha meta é amadurecer, sobreviver e continuar a produzir imagens que possam subverter essas questões de gêneros e questões sociais também. Por exemplo, a violência transfóbica e a questão das transfobia e do machismo tá muito relacionado com o feminicídio. O que esses agressores estão tentando destruir é a marca do feminino que tá impresso nos corpos. Então meu grande desafio também é juntar essas fraturas, as pessoas e essa diversidade para que a gente consiga construir

deixo basicamente como uma pequena sugestão é a gente continuar sobrevivendo, lutando e acreditando naquilo que a gente precisa realizar nesse momento. Acreditar na sua sensibilidade, se juntar com as pessoas que querem fazer e tem o mesmo olhar, não se deslumbrar, ser forte, sintético e singelo e continuar

fazendo arte e cinema. Cine Marcado – Pode contar pra gente quando será a estreia do filme no circuito nacional? René Guerra – A previsão é para o segundo semestre de 2018.

um discurso fílmico que junte pessoas. Cine Marcado - Qual mensagem você mandaria para quem quer fazer cinema hoje no Brasil? René Guerra - Mensagem é muito particular, né? Porque tem muito a ver com resistência e obsessão de você continuar a fazer o que acredita. Eu não conseguiria fazer nada se não fosse arte, então o que eu

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NACIONAL

assassina e empoderada Gaby Amarantos vive sua primeira protagonista no cinema

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ma deusa, uma louca, uma feiticeira? Que tal as três e um pouco mais? Gaby Amarantos se entrega totalmente à sua personagem no filme Serial Kelly. Ela vive Kellyane, uma cantora de forró eletrônico que se revela uma assassina justiceira durante uma turnê por Alagoas. Enquanto cumpre uma agenda de shows em inferninhos pelo sertão, Kelly vai deixando um rastro de mortes pelo caminho. Em seu trajeto de con-

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sumo compulsivo e violência, ela atravessa um nordeste novo, espiral de um desenvolvimento também apocalíptico. Quando passa a ser investigada pelos assassinatos de três homens, sua turnê mambembe também se transforma uma estratégia de fuga. E de estrela ascendente ela se torna uma heroína marginal, a temida e procurada Serial Kelly, a primeira serial Killer mulher do Brasil. A personagem trará um questionamento muito impor-

tante e forte. O machismo mata e oprime. Ela é matadora, ladra e tem uma enorme compulsão alimentar. Uma personagem cheia de traumas devido aos abusos do pai ao longo da vida. Gaby precisou engordar 16 quilos e deu uma pequena pausa nos shows. Foram seis semanas de preparação de elenco e um ano de imersão pensando na parte musical e como seria a personagem, com todas as características alagoanas. Nós também batemos

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um papo com ela para saber como foi viver sua primeira protagonista. Cine Marcado - Como está sendo a experiência de interpretar uma serial killer no cinema? Gaby Amarantos - Fiquei muito feliz com o convite do René Guerra. Está sendo uma experiência incrível viver essa personagem. É minha primeira protagonista. Ela é uma mulher muito forte e impactante, que

vai tratar de assuntos muito importantes perante a sociedade, como o machismo, a homofobia e a diferença de gêneros. Quando uma mulher mata, o contexto é totalmente diferente. Cine Marcado - Você tem algo

em comum com ela? Gaby Amarantos - O que ela tem em comum comigo é que

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NACIONAL ela é uma cantora. Uma menina que tem seus sonhos, que batalha muito. Na história, ela faz seus próprios figurinos, e no comecinho da minha careira eu também fazia os meus. Então esse comecinho da carreira dela, parece muito comigo, quando eu ainda era menina, que morava em Jurunas e sonhava em ser uma grande artista. Cine Marcado - Como foi trabalhar com o René Guerra e gravar em Alagoas? Gaby Amarantos - Trabalhar com o René é uma experiência transcendental. René é um leitor de almas. Ele é um mago. Alguém que consegue extrair o melhor de você de uma forma tão singela. Ele é amoroso. Esse mergulho foi mais bonito, porque o René estava segurando minha mão, e a gente mergulhou juntos. Era um projeto com certeza tão importante pra ele, quanto pra mim, e isso fez toda a diferença, ter um diretor com toda essa sensibilidade e com essa alma feminina, que o René tem. Ele também tem essa mulher que é oprimida e entende essa linguagem de uma forma intenda. Então, foi uma grande honra trabalhar com ele. Cine Marcado - Quais os principais desafios como atriz?

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Teve alguma dificuldade durante a preparação e gravações do filme? O que te inspira? Gaby Amarantos - Ser atriz é uma profissão que requer uma grande disponibilidade e desprendimento. Não existe ego quando você tá fazendo um personagem. Você tem que se despir de você mesmo e dar espaço pra essa outra pessoa chegar. Acho que um dos meus maiores desafios foi esse, porque na carreira de cantora a gente trabalha muito com o ego, ele tá ali do nosso lado sendo alimentado, com muito glamour. É um outro tipo de apresentação de artista. Me despir desse ego, pegar esse pano de chão, limpar esse chão e deixar esse chão branco, limpo, essa tela limpa pra que a Kelly pudesse chegar, foi um experiência muito bonita e muito intensa. Somo um ano de preparação, porque desde que recebi o convite já comecei a me preparar, pensando nas músicas, como seria essa mulher, o andar, a fala. Tudo isso me inspirou muito pra poder chegar e fazer esse filme com todo esse amor e essantrega que fiz a Kelly. Cine Marcado - O que o filme representa na sua carreira? Gaby Amarantos - Kelly representa algo muito grande, um

legado que vou deixar para a sociedade. Além das minhas músicas, aceitei fazer esse personagem e, de certa forma, parei um ano da minha carreira pra me dedicar a Kelly, porque ela é importante e necessária para todos nós como sociedade. Foi um grande presente receber essa protagonista. Eu entendi que era o momento de me dedicar a isso. Tenho certeza que daqui a quantos anos eu vou olhar pra traz e irei dizer que deixei essa coisa maravilhosa para as pessoas refletirem, para as pessoas perceberem quanto a gente precisa evoluir quanto sociedade civil, quanto ser humano. Cine Marcado - Cantora, atriz, esposa, mãe... Como é lidar com todas essas funções no dia a dia? Sente-se mais à vontade no cinema ou nos palcos? Gaby Amarantos - Ah, é muito fácil lhe dar com tudo isso, porque a gente é mulher, né? Então, a gente já tem super poderes e a gente consegue fazer tudo isso. Cada vez mais a sociedade reconhece esse poder, a força da mulher, que se divide em mil. Tenho certeza que está no cinema me despertou outros sentimentos, é muito diferente de está no palco, porque o palco é explosão, é extravasar, transpirar, se comunicar e receber


aquela energia daquelas milhares de pessoas, e se abastecer, transcender, é outra energia. Já no cinema, com essa personagem, foi uma energia de introspecção, de mergulhar em mim, de cavar bem fundo e trazer emergir essa mulher. São sentimentos totalmente diferentes. Tenho certeza que vou fazer isso para sempre. Cinema entrou na minha vida, assim como a música entrou de uma forma tão forte. Sempre fui atriz, sempre trabalhei como atriz na minha adolescência. Uma das minhas primeiras aspirações, até antes de ser cantora, era ser atriz. Agora irei focar na música, porque a Kelly já está pronta, mas eu tenho certeza que vou receber outros convites especiais, coisas importantes também pra continuar refletindo, crescendo e aprendendo. ●


CENĂ RIO

Imagem Freepik


POR TRÁS DAS

CÂMERAS Cinema Alagoano ganha força e ocupa cada vez mais espaço no cenário nacional Texto Daniel Borges e Júlya Rocha Design e edição Daniel Borges

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romissor. É assim que podemos definir o cenário audiovisual alagoano. Diante de todas as transformações na cena local, a vontade de expor olhares e histórias, sejam elas de ficção ou não, cresce e ganha uma nova cara. Com roteiros surpreendentes e que mostram vislumbres do cotidiano em cores ou no clássico preto e branco, gente da gente ganha espaço no vasto mundo do cinema. Seja através da Mostra Sururu, Circuito Penedo de Cinema ou por outros projetos independentes, quem produz garante, tratamos aqui de algo concreto: o cinema alagoano alça voo!

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CENÁRIO

QUEM REALIZA Foi ainda na adolescência que Nina Magalhães sentiu afinidade com o cinema. Hoje, integrante do Fórum Setorial Audiovisual Alagoano e do Coletivo Popfuzz, projeto que ajuda pequenos produtores a realizarem festivais e eventos, Nina deu seus primeiros passos em direção à produção audiovisual em 2013. “Com o surgimento do Edital de Fomento ao Audiovisual de Maceió em sua segunda edição, nasceu também a necessidade de recriação do setor, com seus diversos setores e especificidades necessárias para a execução de um produto audiovisual. Assim, diante da necessidade de compor as equipes, o cineasta Rafhael Barbosa convidou-me a fazer a produção de seu segundo curta metragem o O que Lembro, Tenho. E juntamente

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com alguns membros do Coletivo Popfuzz, adaptamos as técnicas utilizadas para produzirmos festivais e eventos para a produção audiovisual. Aparentemente deu certo”, explica. Daí para a criação do Fórum do Audiovisual foi apenas um passo. Pois, com o aumento da produção e a necessidade cada vez maior de articulação e organização do setor, o Fórum surgiu dentro da Mostra Sururu no ano de 2016. “É importante salientar a existência da entidade representativa antecessora a Associação Brasileira de Documentaristas e Curtametragistas e C/AL, dissolvida por não atender aos anseios da classe naquele momento”. O Fórum, atuante na cena desde quando foi criado, proporciona um espaço aber-

to e democrático de discussão. “Nos reunimos uma vez ao mês em locais diferentes e como um espaço de discussão encaminhamos questões inerentes ao setor, como participação em ações de difusão, produção da Mostra Sururu de Cinema, atuação junto a outras mostras e, principalmente, pressão junto aos governos para a efetivação e criação de políticas públicas para o audiovisual em Alagoas”, conta. Entre as ações do Fórum está a Mostra Sururu, caminhando para a sua 9° edição, que se tornou uma das principais janelas para produtores alagoanos exibirem seus projetos. “A Mostra é um espaço de resistência do cinema em Alagoas, pois além de ser a mais importante janela para a produção, ela serve de estímulo para a mesma. Outra grande importância que a Mostra tem é chamar atenção para o cinema feito em Alagoas para o restante do Brasil e mundo. Tanto através da presença de importantes críticos e curadores de importantes festivais, como através da própria divulgação de sua programação, prêmios e premiados”. Apesar do grande empenho de projetos como a Mostra em levar produções

Imagem Freepik


locais para fora, a falta de incentivo, por vezes, é gritante. “É notório e visível o crescimento e amadurecimento do cinema alagoano. Temos visto cada vez mais a participação de filmes em importantes festivais de cinema no Brasil e fora dele. Mesmo com a inconsistência das políticas públicas para tal. Pois o cinema é uma ferramenta política, ele narra o mundo e constrói a narrativa. Imagina então como seria se os editais fossem consistentes e programáticos? Nossos políticos precisam enxergá-lo não só como importante ferramenta de crescimento social, mas como investimento econômico promissor. Isso já foi mais do que provado em outros estados e países”, encerra. QUEM FAZ Vencedor da última edição da Mostra Sururu de Cinema Alagoano, com As Melhores Noites de Veroni, o diretor Ulisses Arthur, conta em entrevista sobre o seu processo de criação, como é ser produtor em Alagoas e quais são os desafios da trajetória. Confira! Cine Marcado - Primeiro explica um pouco como se deu essa tua afinidade com o cinema.

Foto Adaílson Calheiros

Nina Magalhães é integrante do Fórum Setorial Audiovisual Alagoano e do Coletivo Popfuzz, projeto que ajuda pequenos produtores a realizarem festivais e eventos.

Ulisses Arthur- Começou ainda no meu ensino médio, quando eu frequentava o antigo Cine Sesi, hoje Art Pajuçara. Eu já participava de algumas produções teatrais e gostava bastante de escrever, mas foi encontrando o cinema que percebi que poderia conectar muitas linguagens artísticas. Paralelo a isso, aos 16 anos ganhei o meu primeiro salário e minha primeira compra foi uma câmera, o contato com a produção de imagens ficava mais intensa e instigante. Depois de concluir o meu ensino médio, ingressei no Curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), uma Universidade nova que surgia num lugar culturalmente mui-

to forte e com uma proposta de diversidade e reflexões sociais e históricas. Lá, amadureci meu olhar e minha maneira de perceber o mundo, assim como descobri na teoria e na prática o potencial que um filme carrega. Agora estou recém-formado e estruturando os próximos projetos. CINE MARCADO - Do que se trata As melhores Noites de Veroni? Ulisses Arthur - As melhores Noites de Veroni é meu primeiro curta-metragem de ficção. Ele traz a vida de uma dona de casa num processo de maturação da ausência e distância do Marido que é caminhoneiro e está boa parte dos dias na estrada. Ela ressignifica sua vida

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CENÁRIO compondo músicas e tornando-se cantora de bar. É um filme que busca transformar a saudade e criar possibilidades de seguir em frente. Cine Marcado - A Mostra Sururu chegou a sua 8° edição aqui no Estado e é a principal janela para os amantes do setor audiovisual. Como você avalia a atuação do projeto em Alagoas? Ulisses Arthur - A Mostra Sururu é uma excelente oportunidade pra ver, discutir e refletir sobre o Cinema Alagoano. É muito interessante perceber a diversidade de olhares e questões que os filmes trazem, vendo-os juntos na mostra é uma forma de compreender o vigor do pensamento criativo do Estado. Sei que ainda é complexo mantê-la, pois não há um incentivo fixo, como em outros estados onde os eventos de cinema são calendarizados com apoio do governo. Mas tem muita gente interessante sempre na briga pra que o evento não deixe de acontecer. CINE MARCADO - A cena local cresce mesmo diante as dificuldades do setor? Você acha que Alagoas tem um futuro promissor quanto a isso?

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Ulisses Arthur- O número de filmes tem crescido e a qualidade também está bem alta. Tem muita gente a fim de fazer, mesmo que com recursos próprios. Sabemos das lacunas deixadas pelas leis de incentivo e do descaso de ser um dos poucos estados onde não há pensamento político por parte do estado sobre as questões culturais. Mas acho que o cinema alagoano tem muita chance de despontar, tem muitos realizadores amadurecendo seu olhar e vindo com filmes cada vez mais interessantes. Fora isso, no cenário nacional há um desejo por um Brasil diverso representado nas telas dos festivais, então existem muitas portas abertas e muitas possibilidades de êxito para o setor. NOVO OLHAR Entre tantos talentos, também tem o olhar de quem vê o cinema como uma forma de expressar sentimentos e realidade. Um deles é a fotógrafa e estudante de jornalismo Minne Santos, que trilha um caminho promissor e de sucesso no audiovisual. Com seu primeiro curta-metragem, Sangue-Mulher, produzido com os amigos Janderson Felipe e Mik Moreira, a jovem de 23 anos venceu o prêmio de Olhar Crítico na

última edição da Mostra Sururu. O filme traz relatos de mulheres alagoanas que sentiram na pele as consequências do machismo e da violência. “O curta nasceu como um trabalho da faculdade, mas, para nós, representava muito mais porque toca num problema que ainda é muito corriqueiro na nossa sociedade e que, de uma certa forma, atinge todas as mulheres. A gente não imaginava, no entanto, que o processo de construção do doc fosse nos deixar tão abalados emocionalmente. Ouvimos muitos relatos tristes e passamos por situações revoltantes no processo, como a desistência de uma participante que ficou com medo de ser perseguida por falar sobre seu caso”, disse. “Ao mesmo tempo, a sensação de falar sobre o assunto é muito fortalecedora. O melhor feedback que tivemos foi das mulheres que assistiram ao curta na Mostra Sururu. Muitas nos agradeceram, nos abraçaram e disseram que o curta representava muito da realidade que elas, infelizmente, conheciam muito bem. Esse foi o melhor presente que recebemos, o de ter dado voz, mesmo que indiretamente, a muitas das mulheres que estavam naquela sessão”, frisa.


Para Minne, a repercussão está indo além do que era esperado. O filme já passou em cerca de sete festivais de cinema, recebeu menção honrosa em dois deles e continua circulando pelo Brasil. “Foi o primeiro que fizemos juntos e já ficamos muito felizes só por termos sido selecionados na Sururu, não esperávamos ganhar o prêmio de Olhar Crítico na mostra e isso foi mais motivador ainda. Não estamos acreditando. É uma sensação maravilhosa”, conta. Sua história com o cinema começou com a fotografia. Quando pequena, Minne adorava tirar fotos das coisas ao seu redor e testava o imaginário para enxergar sob um viés diferente. Daí vieram os filmes da Sessão da Tarde, que se tornaram rotina em sua vida. Ela sonhava em ganhar um aparelho de DVD, e quando ganhou, foi uma festa. Com um tempo, esse amor foi se fortalecendo, e a pequena garota começou a se interessar mais e buscar filmes diferentes, saindo de sua zona de conforto. Segundo ela, “a inspiração vem de tudo e, principalmente, da tentativa constante de não se acostumar com o mundo. Ver filmes, ler livros, ouvir uma música também faz parte do processo, a inspiração

Foto Flávia Matos

é construída diariamente pelo que a gente costuma consumir, então sair da bolha e se deparar com ideias novas também é essencial”. “Toda vez que assisto àquele tipo de filme que é o cinema em si, fico louca com a experiência e penso que essa é uma das melhores coisas do mundo. E como eu adoro contar histórias por meio de imagens, o cinema só podia ser uma consequência”, afirma. Como muitos outros que estão dando os primeiros passos no segmento audiovisual, Minne deve encontrar pela frente as mesmas dificuldades de outros realizadores no Brasil. Fazer filmes independentes, realizados sem incentivos públicos e com pouco orçamento. Mas, a despeito disso, filmes

que propõe um olhar diferenciado ao fazer cinema. “Na maioria das vezes é bem desestimulante fazer cinema no Brasil, porque a gente sabe como trabalhar com arte está ficando cada vez mais difícil aqui, tanto pelos cortes na cultura, quanto por essa onda conservadora que vem tomando corpo no País. Ao mesmo tempo, sabemos que uma das melhores formas de oferecer resistência a isso tudo é continuar a produzir, e é isso que quem trabalha com arte tem feito. No cinema, mais especificamente, é a mesma coisa, apesar dos inúmeros entraves, a gente vai dando o nosso jeito e resistindo, acho que essa é uma das principais mensagens pra quem quer entrar no ramo aqui”, destaca. ●

Novo olhar Minne Santos estreiou na direção com o curta-metragem Sangue-Mulher.

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ARTIGO

STAR WARS

o LADo MERCADoLÓGiCo DA FoRÇA por Andeson Dutra* “Há muito tempo, em uma galáxia muito ,muito distante...”. Essa frase representou o despontar de uma nova era na indústria do entretenimento. Em 1977, com o lançamento do filme Star Wars: Uma Nova Esperança, o mundo presenciou o início de um legado que, de forma despretensiosa, mas inovadora, conquistou legiões de fãs através do gênero de ficção científica. Este que, até então, não era tão difundido no mercado cinematográfico da época. A franquia de filmes e marca Star Wars existe há 40 anos, apresentando

histórico vultuoso de feitos significativos no campo do Marketing. George Lucas, cineasta e idealizador da franquia, apostou inicialmente na estratégia de garantir que as vendas de produtos relacionados à marca Star Wars ficassem sob seu total aporte, enquanto o percentual majoritário da bilheteria fosse destinado para o estúdio responsável pela produção e distribuição dos filmes (na época, 20th Century Fox). Considerado como uma ideia “ingênua”, o idealizador iniciou o desenvolvimento de estratégias pontuais para a consolidação da técnica de licensing (ou licenciamento), tornando a marca Star Wars uma das

mais representativas e rentáveis do segmento cinematográfico. Quando Star Wars estreou nos cinemas em 1977, poucos previam a grandiosidade e o impacto que o filme e suas sequências, despertariam na vida das pessoas. É pertinente destacar que George Lucas desenvolveu trabalho minucioso na criação de seus personagens e universo galáctico, tendo como principal fonte de inspiração a série Flash Gordon – a exemplo das armas desintegradoras, texto de abertura (palavras que sobem no início dos filmes), transições das cenas, trajes medievais, ambientação, entre outros. Inicialmente a franquia

*Administrador e pesquisador


foi desenvolvida para o seguinte público-alvo: crianças e adolescentes. No entanto, o filme conseguiu abarcar diferentes faixa-etárias, garantindo a difusão do legado cultural através das gerações, possibilitando, assim, a expansão do universo ficcional para instâncias diferentes da obra audiovisual original, como animações, games, livros, HQ’s, e uma infinidade de produtos colecionáveis. Antes de Star Wars, nenhum outro filme havia sido tão lucrativo com a venda de brinquedos, garantindo cerca de 40 bilhões de dólares para a franquia no decurso histórico (incluindo ingressos, licenciamento e outros fluxos de receita). Consolidada mundialmente, a franquia Star Wars se deslocou para além da marca criada, estendendo o seu conglomerado pelo globo. Visualizando esse espaço e o alcance financeiro, no ano de 2012, a veterana Walt Disney comprou o direito dos filmes e marca Star Wars pelo valor de 4,05 bilhões de dólares. A venda da franquia foi alvo de intensas críticas, tanto pelo público, quanto para os economistasw especializados, sob alegação de que a quantia oferecida não fazia jus ao valor requerido pela obra audiovisual. No entanto, é possível perceber que para George Lucas a intenção de

venda não estava baseada apenas no valor monetário, mas sim na confiança em entregar seu universo para um estúdio competente, que pudesse perpetuar sua obra para as próximas gerações. A ideia apresentada pode ser evidenciada através do anúncio realizado pelo presidente e CEO da Disney, Bob Iger, em fevereiro de 2017, sobre a construção do espaço temático da série Star Wars no Parque da Disneylândia, nos estúdios de Hollywood da empresa, com previsão de inauguração em 2019, nos Estados Unidos. Este fato reforça as concepções apresentadas, uma vez que a franquia deu vazão a limites além do contexto cinematográfico, consolidando-se como forte influenciadora no panorama cultural. Desta maneira, é possível perceber que a indústria do entretenimento utiliza de um campo vasto de estratégias comunicacionais que visam o alcance, consumo e engajamento do seu público-alvo. Assim sendo, salienta-se que o cinema é capaz de ampliar seu escopo principal (exibição de determinado filme), desencadeando elos de aproximação superiores com os espectadores. Com isso, a indústria cinematográfica tornou-se uma das mais representativas e lucrativas do cenário mundial. Em relação à franquia

Imagens Lucas Film/Disney Design Daniel Borges

Star Wars, nota-se que o seu sucesso é fruto da sequência de filmes que constitui estrutura narrativa original e inovadora, como também dos esforços depreendidos para disseminação da marca através de parcerias publicitárias e colaborativas com em instâncias diversas – a exemplo do varejo, plataformas digitais, segmento alimentício, entre outros. Avalia-se que este tipo de integração entre as marcas e canais de comunicação é algo conveniente e necessário, tendo visa que ambas as partes se beneficiam com as ações propostas. Em consequência disso, entende-se que a série de filmes Star Wars e suas ramificações (HQ’s, jogos, desenhos animados, produtos licenciados, etc) exercem representatividade significativa no panorama cultural, uma vez que construiu sua história mediante os anseios de seu público, e adaptabilidade recorrente à evolução das telecomunicações. Estes fatores reforçam a magnitude de Star Wars para o cenário geek, promovendo a ascensão da marca para além do universo galáctico. ●

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NA REDE ◄ A continuação da

comédia As Branquelas pode ser gravada no Brasil e ter participação da cantora Anitta. Segundo o jornal Agora São Paulo, Marlon Wayans quer rodar a sequência do filme ainda este ano. Nada foi confirmado, mas estamos na torcida! ▲ Saiu a primeira imagem de

Bao, curta da Pixar que será exibido antes de Os Incríveis 2. No filme, uma mulher que sofre de síndrome do ninho vazio ganha uma nova chance de maternidade quando um de seus bolinhos artesanais ganha vida. Já estamos ansiosos!

▲ Revelada a nova imagem de Christopher Robin - Um Re-

encontro Inesquecível, live-action de Ursinho Pooh. No longa, Christopher Robin irá reencontrar seus amigos do Bosque dos 100 Acre. Estreia em 16 de agosto. Kristen Wiig será a vilã Mulher-Leopardo em Mulher-Maravilha 2. A personagem é uma das maiores inimigas da heroína e foi apresentada nos quadrinhos em 1943. O filme está previsto para chegar aos cinemas no dia 1º de novembro de 2019. ►

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▲ A Sony apresentou o elenco

de A Garota na Teia de Aranha, adaptação do quarto livro da série Millenium, escrito por David Lagercrantz. A atriz Claire Foy estrela como Lisbeth Salander. O filme chega aos cinemas em novembro.

Imagens Reprodução/divulgação


◄Divulgada a primeira ima-

gem de Renée Zellweger como a icônica atriz Judy Garland, estrela de O Mágico de Oz, no filme biográfico Judy. As filmagens de Capitã Marvel, que faz parte da Fase 4 do Universo Cinematográfico da Marvel, já começaram.Na foto vemos Brie Larson como a protagonistas Carol Danver ao lado da General Jeannie Leavitt. O filme chega aos cinemas brasileiros em 14 de março de 2019. ► Charlie Bean, da animação LEGO Ninjago, fechou acordo com a Disney para dirigir o remake do clássico A Dama e o Vagabundo. Uma mistura de live-action com computação gráfica, o longa deve estrear direto no serviço de transmissão digital do estúdio, que será lançado em 2019. ▼

◄O diretor de Me Chame Pelo

Seu Nome revelou que está produzindo uma continuação para o filme. A história deve se passar 6 anos após os acontecimentos do primeiro filme e será ambientado nos EUA. André Aciman, autor do livro, está trabalhando ao lado do diretor na nova história.

QUER SABER MAIS? ACOMPANHE NAS REDES SOCIAS

ou visite nosso site www.cinemarcado.com.br

Fontes Variety/Disney/Comingson/Collider/Agora São Paulo/Sony.

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texto e design Daniel Borges

EU QUERO!

▼ PISA MENOS! A Marca londrina lançou um tênis inspirado no BB-8, de Star Wars. O calçado, cano alto, traz o símbolo e as cores do querido androide da nova série de filmes da franquia. bit.ly/tenisbb8 R$ 429

▼COFRINHO!

Que tal ter Darth Vader protegendo suas economias? Ele é um cofre em vinil grande, de aproximadamente 21 cm de altura e uma pequena fenda na parte de trás para depositar dinheiro. Também é uma excelente peça de decoração colecionável! bit.ly/cofredarthvader R$ 179,90

◄VINGADOR

Agora você pode ter as Joias do Infinito em suas mãos! A Hasbro lançou uma réplica em tamanho real da Manopla do Infinitode Thanos, vilão de Vingadores: Guerra Infinita. O brinquedo é articulado, emite sons e acende as luzes das Joias do Infinito. bit.ly/manopladoinfinito bit.ly/manopladoinfinito R$ R$ 323

►FOFINHO!

Essa coleção de almofadas da Imaginarium inspiradas nos personagens de Harry Potter é perfeita para decorar seu espaço. As almofadas têm um formato redondo e trazem um cordão que permite pendurá-las em qualquer lugar. bit.ly/almofadasharry R$ 69,99

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▼PARA COLECIONADOR

Lara Croft está de volta aos cinemas em 2018 com Tomb Raider: A Origem e a Mattel lançou uma Barbie temática da personagem. A boneca é totalmente articulável e vem acompanhada por alguns itens como um mapa, um machado de escalada e um diário. bit.ly/barbielara bit.ly/barbielara R$ 97 97 R$

Imagens Reprodução/divulgação


NA ESTANTE

texto, adaptação e design Daniel Borges

LIVROS QUE VIRARAM FILMES EM 2018

Gosta de filmes e livros? Não existe nada melhor que encontrar num filme tudo o que você imaginou lendo um livro ou descobrir coisas novas sobre a história lendo um livro que baseou o filme. Separamos alguns obras que prometem fazer sucesso nos cinemas e merecem ser lidas. Veja!

Jogador Nº 1 Ernest Cline

Wade Watts é um dos que tentam escapar da devastação da Terra passando horas conectado ao jogo de realidade virtual OASIS. Ele deve descobrir a chave de um quebra-cabeça para conquistar a fortuna do criador do jogo, que faleceu. R$ 35,90

Simon Vs. A Agenda Homo Sapiens Becky Albertalli

Simon é gay, mas ninguém sabe. Sair do armário é um drama que ele prefere deixar para depois. Tudo muda quando Martin, descobre uma troca de e-mails entre Simon e um garoto misterioso e que a cada dia faz o coração de Simon bater mais forte. R$ 34,90

roleta russa Jason Matthews

Dominika Egorova vira espiã do serviço secreto da Rússia, depois de ser vitima de uma sabotagem. Ela se torna a mais talentosa espiã do país e precisa lidar com um agente da CIA,por quem desenvolve uma paixão proibida. R$ 44,90

uma dobra do tempo Madeleine L'engle

O pai de Meg Murry e do pequeno Charles Wallace desaparece misteriosamente depois de fazer experimentos com a quinta dimensão. Agora, com a ajuda de três criaturas peculiares e do amigo Calvin, os irmãos devem partir em uma jornada para resgatá-lo. R$ 21,90

outros livros Todo Dia David Levithan Cadê você, Bernadette? Maria Semple Aniquilação Jeff Vandermeer 12 heróis Doug Stanton

Imagens Reprodução/divulgação Fonte Estante Virtual/ Casa Da Palavra/Intríseca/Harpercollins/Arqueiro/Saraiva

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texto e design Daniel Borges

LISTA

Os MELHORes E PIORes FILMES DA minha VIDA

Todo mundo tem aquele filme que marcou de forma positiva ou negativa a sua vida. Perguntamos para alguns apaixonados pelo cinema quais foram o pior e melhor filme que assistiram O resultado virou uma lista bem legal de filmes pra você assistir ou não. Confira!

Extraordinário

“Se colocar no lugar do outro é fundamental. O filme retrata a importância da empatia e como devemos usá-la no nosso dia a dia!”. Kauany Borges

Gladiador

“Pelo contexto histórico, pela dramaturgia e pela atuação magnífica dos atores. O filme conseguiu me prender do início ao fim e toda vez que passa eu assisto!”. Rodrido Melo

Os Outros

“Surpreendente. Você assiste ao filme inteiro e no final ele dá uma virada superinteligente e inesperada!”. Kenia Bittencourt

Namorados Para Sempre

“O filme que me fez refletir sobre o que é o amor e seus desafios”. Maria Alliny Torres

O Pianista

“Tocante! Roman Polanski é um gênio e neste filme ele atinge o ápice de sua carreira, mereceu todos os prêmios que recebeu”. Paula Nunes

Um Olhar do Paraíso

“O filme me fez refletir sobre como vidas e sonhos são roubadas pelo abuso infantil”. Júlya Rocha

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A Lenda do Cavaleiro Fantasma

“Que filme ruim. Que produção horrível. Só de eu lembrar, me dar uma tristeza”. Augusto Tenório

Death Note, da Netflix

“Estraga toda a história da franquia, que eu gosto muito. Não consegui terminar de assistir, é muito ruim”. Yago Sena

A Morte Te Dá Parabéns

“Filme tedioso, estava contando os minutos para terminar enquanto ouvia todo mundo dentro do cinema rindo”. Valentina Monteiro

Franquia Transformers

“Foi uma experiência muito desagradável, principalmente sonoramente. Além disso, pra mim são narrativas confusas”. Diogo Maia

Divórcio

“Filme fora de curva. Roteiro repleto de fórmulas prontas a la cinema americano, piadas sem graça e direção de novela global”. Francisco Ribeiro

O Segredo da Cabana

“Filme sem nexo e sem nenhum pingo de realidade”. Victória Monteiro

Mande sua sugestão para contato@cinemarcado.com.br


texto adaptado e design Daniel Borges

NA TELINHA

SÉRIES QUE VALEM A PENA ASSISTIR! la casa de papel

the handmaid's tale

Oito habilidosos ladrões se trancam na Casa da Moeda da Espanha com o ambicioso plano de realizar o maior roubo da história e levar com eles mais de 2 bilhões de euros.

Num futuro distópico, os EUA é governado por um regime dominado pela religião. As mulheres são propriedade do Estado e usadas para procriar para famílias de homens poderosos.

Big little lies

dark

Três mães se aproximam quando seus filhos passam a estudar juntos. Elas levam vidas aparentemente perfeitas, mas os acontecimentos que se desenrolam levam as três aos extremos.

Quatro famílias de uma pequena cidade alemã são atormentadas quando duas crianças desaparecem misteriosamente e os segredos obscuros sobre elas começam a ser desvendados.

Netflix

HBO

Hulu

Netflix

riverdale The CW

Um grupo de adolescentes exploram o surrealismo de uma pequena cidade e seus curiosos habitantes, depois da cidade se recuperar de uma trágica perda.

Imagens Reprodução/divulgação Fonte adorocinema/filmow

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CONTANDO HISTÓRIAS


Esse poema é pra quem vai ao cinema sozinho. Vai no sábado, chega cedo e senta no lugar marcado esperando o que pode vir parar ao seu lado na vida… Wall-E sem Eva, 90% do espaço ao seu redor são namorados de mãos dadas… Então vem a música branca a paz da luz o cavalo correndo e ganhando asas o volume aumentando e tudo melhora. Há aqueles que falam sozinho comentam o filme de si para consigo… E os que vão depois do “The End” para os jardins com chafarizes e lembranças para os carros negros estacionados com placas desconhecidas andar na chuva fina na dor inútil e, suando, pensar: pelo menos ainda consigo.

Fábio Rocha*

*Escritor

Ilustração Sávio Araújo

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MEMÓRIAS

Cine São Luiz, o velho Cinearte Nas décadas de 1960 e 1970, o cinema alagoano viveu seu tempo áureo através das famosas sessões de “Cinema de Arte”, exibidas no antigo Cinema São Luiz, situado à Rua do Comércio, Centro, sempre nas manhãs de sábado. O Cinema ficava lotado de jovens sedentos de saber, estudantes, intelectuais, cinéfilos, faziam filas enormes que avançavam pela calçada intransitável. A sétima arte conquistou um número considerável de pessoas em Maceió, durante estas duas décadas se formou um público qualificado, que com denotado prazer assistia às projeções cinematográficas das sessões de Cinema de Arte, se ligando às novas tecnologias, ao conteúdo ou até mesmo à produção. Foi uma época efervescente do cinema para os alagoanos, levando pessoas a conhecerem mais sobre os outros povos e outras organizações sociais e culturais. Rosiane Rodrigues*

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Imagens historiadealagoas.com.br

*Médica e escritora


REVISTA CINE MARCADO  

Projeto apresentado como Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Alagoas.

REVISTA CINE MARCADO  

Projeto apresentado como Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Alagoas.

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