Revista de Fisioterapia CREFITO-8 - ANO XVI JANEIRO/JULHO

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Revista de Fisioterapia

CONSELHO REGIONAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL DA 8ª REGIÃO

www.crefito8.org.br

Edição ANO XVI JANEIRO l JULHO - CURITIBA - PARANÁ - BRASIL

Estratégias

Pareceres técnicocientífiico Diretrizes e Competências FISIOTERAPIA NO UFC A IMPORTÂNCIA DA PROFISSÃO NA VIDA DOS LUTADORES

Grupos de trabalho

Especialidades

Associações Parceria

CREFITO-8 FIRMA PARCERIA COM AS ASSOCIAÇÕES DE ESPECIALIDADES GRUPOS DE TRABALHO TECEM PARÂMETROS PARA O ENFRENTAMENTO DAS DCNT DENTRO DE CADA ESPECIALIDADE DA FISIOTERAPIA

CREFITO-8 INVESTE EM ESPAÇO CULTURAL PATRIMÔNIO FORTALECE E VALORIZA A FISIOTERAPIA E A TERAPIA OCUPACIONAL

FISIOTERAPIA NEUROFUNCIONAL

O PAPEL E A IMPORTÂNCIA DO FISIOTERAPEUTA NO TRATAMENTO DA MICROCEFALIA


ÍNDICE

EDITORIAL É tempo de mudança.

DCNT

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Saúde

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UFC

6

Jurídico

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Fisio em Ação

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Fisio Neurofuncional

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Análise de Custos

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Olimpíadas

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Notas

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Caros colegas, essa edição aborda algumas questões intrínsecas à nossa história e evolução profissional. Pontos fundamentais como formação, mercado de trabalho, autonomia e nossa função social. Olhando para trás, temos a certeza de que avançamos muito, porém, é necessário continuar trabalhando com vistas a incorporar novos modelos de perfil e inserção profissional, principalmente aqueles que apresentam os fisioterapeutas como profissionais capazes de resolver os maiores problemas de saúde da população brasileira. Isso quer dizer credenciar e apresentar o profissional fisioterapeuta nessa estratégia política. Para tanto, temos percorrido o Paraná apresentando o Programa Movimenta Paraná, os Doutores Movimento e realizando Câmaras Técnicas como instrumento dessa transformação. Temos a certeza de que estamos no caminho certo para uma profissão com mais identidade, autonomia, inserção e valorização da profissão. Um abraço a todos.

O CREFITO-8 promove a profissão e o profissional, realizando encontros das Câmaras Técnicas Temáticas e Parâmetros de Fiscalização, para uma prestação de serviço mais ética e resolutiva à população. CURITIBA: Rua Jaime Balão, 580 - Hugo Lange - CEP 800400-340 Fone: (41) 3264-8097 Fax: (41) 3095-9400 CASCAVEL: Rua Maranhão, 790 - sl 309, 3º andar - Centro - CEP 85801050 Fone: (45) 3038-8818 LONDRINA: Rua Senador Souza Naves, 441 - sl 13, 1º andar - Centro CEP 86010-160 Fone/Fax: (43) 3344-6166 EM BREVE: NOVA SUBSEDE MARINGÁ: Rua José de Alencar, 477 - loja 6, zona 4

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Dr. Abdo Augusto Zeghbi CREFITO-8 6724-F Presidente do CREFITO-8


DCNT

CREFITO-8 firma parceria com as Associações de Especialidades Grupos de Trabalho tecem parâmetros para o enfrentamento das DCNT dentro de cada especialidade da Fisioterapia

m março de 2016, o CREFITO-8 promoveu, na sede do regional em Curitiba, um encontro com representantes das entidades de especialidades da Fisioterapia. A parceria firmada possibilita aos profissionais do Paraná contar com Grupos de Trabalho formados por especialistas que fornecerão subsídios que, por sua vez, nortearão o trabalho dos fisioterapeutas frente as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT). Essa ação entre o Conselho e as Associações vem sendo construída há alguns anos. Em

2012, o CREFITO-8, com o apoio das Associações e Sociedades, realizou fóruns de discussão em 8 cidades do Paraná, com o tema “venha conhecer melhor as especialidades da Fisioterapia”. Na ocasião, protagonizaram os debates: o Conselho, as Associações e Sociedades de Especialidades, profissionais, docentes e acadêmicos. Essa temática serviu como preceito para a criação do Programa Movimenta Paraná do CREFITO-8, dessa vez com o apoio das Instituições de Ensino Superior, Associações e Sociedades de Especialidades, Sindicato e APFisio.

O Programa Movimenta Paraná foi, então, lançado em 2014, apresentando o profissional fisioterapeuta como indispensável na promoção da saúde e bem-estar da população. Desde o seu lançamento, o programa vem avançando pelo estado, estimulando ações que inserem a profissão em um contexto epidemiológico, especialmente na prevenção e tratamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis. Durante seu primeiro ano de existência, o Programa Movimenta Paraná interagiu com mais de 3 mil fisioterapeutas pa-

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DCNT

ranaenses em seus eventos. No ano seguinte, 2015, o programa lançou dois personagens – Dr. e Dra. Movimento – os quais serviram como porta-vozes das Especialidades da Fisioterapia, conferindo mais identidade aos profissionais. Foram realizados cerca de 50 eventos, entre programas de atualização profissional, câmaras técnicas temáticas e a construção do projeto Fisioterapia, Movimento e Saúde, em parceria com as Instituições de Ensino Superior Paraná. Buscando avançar com o processo de profissionalização da Fisioterapia, foi instituída, no início de 2016, a Comissão de Especialidades do CREFITO-8, a qual organizou uma reunião, no dia 17 de março, com presiden-

tes e representantes das Associações/Sociedades das Especialidades da Fisioterapia, na sede do CREFITO-8. Nesse encontro foi discutido o papel das especialidades fisioterapêuticas no enfrentamento das DCNT, abordando as diretrizes profissionais para a formação em Fisioterapia e questões relacionadas ao mercado de trabalho, debatendo ideias e estratégias para a valorização e fortalecimento da identidade profissional do fisioterapeuta especialista e do generalista. A partir desse encontro foram criados Grupos de Trabalho de cada Especialidade, para desenvolver estratégias para o enfrentamento das DCNT, a partir da produção de pareceres técnico-científico, da definição das di-

retrizes e competências do profissional de cada especialidade e da construção de estratégias de ação. Esse material servirá não apenas para os profissionais, mas também para mostrar à sociedade que o fisioterapeuta atua na promoção, prevenção e tratamento da saúde, e não apenas com o processo de reabilitação. O conteúdo produzido será divulgado no I Encontro dos Grupos de Trabalho das Especialidades Fisioterapêuticas do CREFITO-8, que acontecerá no dia 1º de outubro, em Curitiba, e também no I Fórum das Especialidades Fisioterapêuticas Frente as DCNT, que será realizado em novembro em Foz do Iguaçu, durante o Congresso Brasileiro de Especialidades Fisioterapêuticas. ■

Veja quem faz parte dessa parceria: Dr. Abdo Zeghbi (CREFITO-8 6724-F) – Presidente do CREFITO-8 Dra. Naudimar Di Pietro Simões (CREFITO-8 16810-F)– Presidente da Associação Brasileira de Fisioterapia Dermatofuncional (ABRAFIDEF) e Conselheira do CREFITO-8. Dra. Marlene Izidro Vieira (CREFITO-8 7061-F) – Presidente da Federação Nacional de Associações Prestadoras de Serviços de Fisioterapia – FENAFISIO e Conselheira do CREFITO-8. Dr. Woldir Wosiacki Filho (CREFITO-8 8832-F)– Presidente da Sociedade Brasileira de Fisioterapia em Cancerologia (SBFC) e Presidente do Sindicato dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais do Paraná – SINFITO/PR Dra. Patrícia Vieira Guedes Figueira (CREFITO-3 33134-F)– Presidente da Associação Brasileira de Fisioterapia em Oncologia (ABFO) Dr. José Lima (CREFITO-8 14712-F) – Presidente do Congresso Brasileiro de Especialidades Fisioterapêuticas (COBRAESF) Dra. Flávia Gomes Martinez (CREFITO-5 9304-F) – Representante da Associação Brasileira de Fisioterapia Aquática (ABFA) Dra. Jocimar Avelar Martins (CREFITO-10 32833-F)– Presidente da Associação Brasileira de Fisioterapia Cardiorrespiratória e Fisioterapia em Terapia Intensiva (ASSOBRAFIR) Dra. Solange Canavarro Ferreira (CREFITO-2 6465-F) – Presidente da Associação Brasileira de Fisioterapia Neurofuncional (ABRAFIN) Dra. Sibele de Andrade Melo Knaut (CREFITO-8 36561-F) – Vice-Presidente da Associação Brasileira de Fisioterapia Neurofuncional (ABRAFIN) Dr. Jemerson José Polli Oliveira (CREFITO-10 32833-F)– Presidente da Associação Nacional de Fisioterapia em Quiropraxia (ANAFIQ) Dra. Sandra Mara Silverio Lopes (CREFITO-8 90194-F) – Representante da Sociedade Brasileira de Fisioterapeutas Acupunturistas (SOBRAFISA) Dr. Fábio Barbosa Athayde (CREFITO-8 88843-F) – Representante da Sociedade Brasileira de Fisioterapeutas Acupunturistas (SOBRAFISA) Dra. Maura Regina Seleme (CREFITO-8 7582-F) – Presidente da Associação Brasileira de Fisioterapia Pélvica (ABFP) Dra. Rubneide Barreto Silva Gallo (CREFITO-8 128236-F) – Representante da Associação Brasileira de Fisioterapia em Saúde da Mulher (ABRAFISM) Dr. Gustavo Filoco de Rezende (CREFITO-8 53083-F) – Representante da Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva (SONAFE) Dr. Marcelo Faria Silva (CREFITO-5 19920-F) – Presidente da Associação Brasileira de Fisioterapia Traumato-Ortopédica (ABRAFITO) Dra. Malu Cristina de Araujo Montoro (CREFITO-8 15182-F) - Presidente Regional PR da Associação Brasileira de Fisioterapia Traumato-Ortopédica (ABRAFITO) Dra. Rafaella Stradiotto Bernardelli (CREFITO-8 183295-F) - Colaboradora do CREFITO-8 como membro da Comissão de Especialidades Dra. Eloisa Dias Abboud Hanna (CREFITO-8 7102-F) – Colaboradora do CREFITO-8 como membro do Grupo de Trabalho de Fisioterapia Cardiovascular Dra. Carla Adriane Pires Ragasson (CREFITO-8 25128-F) – Coordenadora da Comissão de Desenvolvimento Científico e de Educação do COFFITO e Membro da Comissão de Educação do CREFITO-8 Dr. Bruno Gil Aldenucci (CREFITO-8 94240-F) – Colaborador do CREFITO-8 como membro do Grupo de Trabalho de Fisioterapia Cardiovascular Dr. Eduardo Ribeiro Dutra (CREFITO-8 191622-F) - Colaborador do CREFITO-8 como membro da Comissão de Eventos. Dra. Alini Ivankio Hauer Ploszaj (CREFITO-8 40893-F) - Colaboradora do CREFITO-8 como membro da Comissão de Eventos.

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SAÚDE

22ª Conferência Mundial de Promoção da Saúde

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ntre os dias 22 à 27 de maio, Curitiba teve o privilégio de sediar a 22ª Conferência Mundial de Promoção da Saúde. O evento contou com a presença de quase 2.000 mil participantes e representantes de mais de 70 países. O CREFITO-8, representado por sua Comissão de Políticas Públicas, - Dra. Maria Luiza Vautier Teixeira (CREFITO-8 786-TO), Dra. Claudia Schneck de Jesus (CREFITO-8 17743-F), Dra. Lisandra Karine Corrêa Falcão (CREFITO-8 38320-F), Dr. Juan Ricardo Sierra (CREFITO-8 38823-F) e Dr. Cleverson Fragoso (CREFITO-8 42214-F) – inscreveu um trabalho em formato de pôster, o qual foi aprovado pela Comissão Organizadora do referido evento, sendo exposto e apresentado por seus autores. A apresentação abordou a atuação da Comissão de Políticas Públicas do CREFITO-8 junto aos Conselhos de Saúde do Estado do Paraná. Esse trabalho é uma sistematização simplificada do que a Comissão vem realizando, pautada na filosofia de que Conselheiros de entidades de classe e/ou colaboradores convidados podem se capacitar no Controle Social. O objetivo da Comissão é percorrer caminhos junto às diversas profissões de saúde, agregando esforços, debatendo ideias, travando embates políticos a respeito de um determinado assunto, enfim, desenhar e planejar ações de saúde que auxiliem a população em melhorias, em âmbito municipal e estadual. Em 2013 foi realizada a primeira Capacitação em Políticas Públicas e Controle Social e, ainda em 2016, será realizado o 2o Encontro de Conselheiros e Colaboradores Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais do Paraná, a fim de mapear as ações já em andamento e planejar estratégias eficazes de participação coletiva.

Profissionais que participaram da Oficina: Dr. Rodrigo Mendes (CREFITO-8 16749F); Dra. Helen Rejane Dornelles Rautmann (CREFITO-8 19720-F), Dra. Lígia Gomy Bittencourt Muller (CREFITO-8 8790-F), Dra. Gisela Soares de Souza (CREFITO-8 72053-F), Dra. Lisandra Karine Correa Falcão (CREFITO-8 38320-F), Dra. Raquel dos Santos Vidoretto (CREFITO-817748-F) , Dra. Elisangela de Fatima Cichon (CREFITO-8 73057-F), Dra. Milene Aust Gonçalves (CREFITO-8 8770-F), Dra. Helena Araujo de de Melo Castelan (CREFITO-8 41766-F) e Dra. Claudia Schneck de Jesus ( CREFITO-8 17743-F)

Com isso, o CREFITO-8 e sua Comissão de Políticas Públicas convidam todos os profissionais interessados, já engajados ou não, a juntarem-se a nós em busca dessa meta, que é agregar conhecimentos sobre Controle Social, a fim de oferecer à sociedade um atendimento de qualidade, baseado em suas reais necessidades.

OFICINA DA CIF No dia 22 de Maio de 2016, o Conselho Nacional de Saúde (CNS) promoveu, como pré evento da 22ª Conferência Mundial de Promoção da Saúde, a Oficina “A Inserção da CIF nos Sistemas de Informação em Saúde”. Na ocasião, uma fisioterapeuta de Portugal descreveu o uso da CIF e o sistema de informação de seu país. A Oficina permitiu que diversos Conselheiros Nacionais conhecessem um pouco mais sobre esta classificação, adquirindo embasamentos para defendê-la dentro das atividades do CNS. Além disso, o grande número de fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais presentes faz desse um grande passo no fortalecimento do uso da CIF no sistema de informação do Ministério da Saúde e nas práticas profissionais. Mapeamento Se você é fisioterapeuta e faz parte do Conselho Municipal de Saúde de sua cidade, comunique o CREFITO-8 através do e-mail diretoria@crefito8.org.br, para que possamos mapear os profissionais envolvidos no Controle Social.

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UFC

Fisioterapia no UFC A importância da profissão na vida dos lutadores

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o dia 14 de maio deste ano, Curitiba sediou o UFC 198, com direito a disputa de cinturão. O MMA, sigla em inglês para mixed martial arts (artes marciais mistas), surgiu como uma luta livre e, com o passar dos anos, foi se modificando até ter o formato e as regras que possui hoje em dia. Combinando elementos de várias técnicas de combate, este esporte se caracteriza pelo contato físico direto e intenso, podendo levar os atletas a grandes riscos de lesões físicas por quedas, entorses, cortes, traumatismos, fraturas, etc. A criação do UFC, e seu sucesso, alavancaram a profissionalização do treinamento da modalidade: a preparação física dos lutadores de MMA vem sendo cada vez mais aprimorada. A atuação do fisioterapeuta junto aos lutadores é importante não apenas na recuperação, mas também na prevenção de lesões, as quais podem ocorrer tanto nas competições quanto nos treinos. A Fisioterapia Preventiva adota medidas que buscam evitar o acontecimento de lesões, devendo ser uma das prioridades do atleta. Um estudo¹ realizado em Nova Iorque revela as principais contusões geradas em lutas de MMA no UFC: lacerações e contusões superficiais no rosto e, em segundo lugar, contusões nas mãos. Veja abaixo os resultados dessa pesquisa: Rosto: 47,9% dos traumas Como a cabeça é o principal alvo dos golpes traumáticos (socos, chutes, cotoveladas e joelhadas) lançados no MMA, é natural que a face seja a parte da anatomia mais danificada no UFC. Escoriações no rosto, lacerações no supercílio e hematomas são as contusões mais comuns nesta região do corpo.

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Mãos: 13,5% dos traumas As luvas foram projetadas para proteger as mãos dos competidores. Porém, por serem pequenas, leves e com os dedos expostos, não impedem que ocorram contusões nas mãos dos lutadores. É comum ver nos combates de MMA do UFC fraturas, luxações e inchaços nas mãos e dedos. Nariz: 10,4% dos traumas Conforme citado anteriormente, a maioria dos golpes são lançados contra a cabeça dos oponentes. Destes golpes, os jabs e diretos são os mais utilizados. Por serem golpes retos, atingem normalmente a parte frontal do rosto - e o nariz é a principal saliência desta área. Uma quantidade maior e mais forte de golpes pode ainda causar afundamento do osso do nariz e até prejudicar as vias respiratórias do lutador. Ombros e braços: 8,3% dos traumas Como MMA não é apenas um esporte de trocas de golpes traumáticos, outros tipos de contusão, características em competições de grappling (estilos de luta agarrada), acontecem. Ao tentar se desvencilhar de uma chave americana, por exemplo, o braço pode ser fraturado. Olhos: 8,3% dos traumas Pelo mesmo motivo das contusões no nariz, os olhos também são alvos de golpes traumáticos no MMA. Os traumas mais comuns nesta área do rosto são os hematomas.


UFC

Joelhos: 3,1% dos traumas Chutes são golpes que provocam um movimento de rotação dos joelhos durante sua execução. Este movimento pode causar lesões como rompimento do ligamento ao manter perna de apoio travada no solo e girar o resto do corpo sobre o joelho parado. Orelhas: 1% dos traumas O atrito com o piso, durante as disputadas no UFC por posições na luta de solo, podem causar escoriações e inchaços nas orelhas. Pancadas frequentes também causam lesões a esta região. É comum ver lutadores com a cartilagem das orelhas deformadas, apelidadas de “orelha de couve-flor”. A fim de entender melhor o papel da Fisioterapia na vida dos lutadores, o CREFITO-8 entrevistou o Dr. Fabiano Ogawa, fisioterapeuta do atleta Mauricio Milani Rua, o Shogun. Conversamos, também, com o próprio lutador, para saber sua opinião sobre o trabalho da Fisioterapia em sua rotina. CREFITO-8: qual o papel do fisioterapeuta dentro e fora do ringue? Fabiano: o principal papel do fisioterapeuta é manter o atleta próximo dos 100%, para que ele possa treinar e render o seu máximo em cada treino e, lógico, estar o melhor possível para o dia da luta. Trabalho há 12 anos com o Mauricio Shogun. Passei por várias situações junto a ele e posso dizer que os primeiros 3 anos foram de muito aprendizado em relação ao dia a dia desses atletas. CREFITO-8: como foi a preparação do Shogun para o UFC 198? Fabiano: para o UFC 198, uma parte do “camp”² foi realizada nos EUA. Eu acompanhei a equipe para garantir que o atleta estivesse pronto para todos os treinos que precisasse realizar. Eram feitos dois treinamentos por dia: um no período da manhã e outro no período da noite. A Fisioterapia era intercalada a esses treinos, as vezes fazíamos antes do treino da manhã e, a próxima, antes do treino da noite. Se necessário, fazíamos mais um atendimento após o treinamento da noite. Depen-

dia muito de como ele estava se sentindo. Importante ressaltar que essa não é uma realidade da Fisioterapia dentro deste esporte. Poucos atletas têm condição de poder levar seu fisioterapeuta aonde for, diria mais, as vezes não é apenas questão poder ou querer. Pouquíssimos atletas têm conhecimento da atuação do fisioterapeuta dentro desse período que antecede a luta, onde seu corpo é exigido ao máximo e necessita ser recuperado o mais rápido possível para o próximo treino. Muito se fala na Fisioterapia, mas isso na prática não acontece muito, por vários fatores. O principal, no meu ponto de vista, é o desconhecimento do atleta e sua equipe do papel do fisioterapeuta. Dentro do MMA, a Fisioterapia ainda tem uma carência muito grande, sendo de suma importância o trabalho de orientar e conscientizar. O atleta profissional de MMA precisa entender que sua ferramenta de trabalho é seu corpo e, caso ele se lesione, ficará sem lutar e consequentemente sem a bolsa, sem o retorno financeiro. CREFITO-8: Shogun, para você, qual a importância do fisioterapeuta na sua carreira, sua rotina de treinos? Shogun: eu acho que o fisioterapeuta é muito importante para o atleta de alta performance, porque para esses atletas as atividades realizadas não trazem nenhum benefício, só malefícios ao corpo. Com certeza, se não fosse a Fisioterapia, hoje eu não poderia mais estar lutando (sic). Eu acho que ter o acompanhamento de um profissional fisioterapeuta é muito importante para todo atleta de alto rendimento de qualquer modalidade. ■

Dr. Fabiano Ogawa CREFITO-8 52571-F ¹Bledsoe GH, Hsu EB, Grabowski JG, et al. Incidence of injury in professional mixed martial arts competitions. J Sports Sci Med 2006;5:136-42 ²Intenso período de treinamento, que dura, normalmente, de oito a dez semanas antes de uma luta.

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JURÍDICO

Conselhos podem oferecer convênios e parcerias comerciais? Saiba o posicionamento do CREFITO-8 Está em fase de conclusão a análise junto ao TCU para implantação de parcerias e convênios de interesse dos Profissionais Adimplentes

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CREFITO-8 reitera seu compromisso com os princípios gerais da Administração Pública como posto no artigo 37 da Constituição Federal de 1988, notadamente da legalidade, da eficiência, da moralidade e da impessoalidade. Sendo os objetivos legais básicos aqueles postos na Lei Federal n° 6.316/1975, destacase o definido no artigo 1°, qual seja, “fiscalizar o exercício das profissões de fisioterapeuta e de terapeuta ocupacional”, centralizando assim o Conselho os seus esforços, recursos e material humano, em tal meta, em prol das Classes e da Sociedade. Visando essa meta segue o CREFITO-8 não só as regras legais, mas também as orientações dos Tribunais e dos órgãos de controle, principalmente do Tribunal de Contas da União, a

quem todos os Conselhos Regionais Profissionais passaram a ser obrigados a prestar contas diretamente no Sistema de Prestação de Contas (e-contas) a partir de 2015, ano base 2014, por força do ofício circular nº. 001/15 de 04.03.15. Doravante, se já havia a necessidade de cautela e de rígi-

dos controles e entendimentos, mais cuidados ainda devem ser dispensados para garantir a segurança jurídica à Instituição e seus gestores, como também às próprias Classes. Nesse caso, estando em discussão não apenas no âmbito do CREFITO-8, mas dos demais CREFITOs que integram com


JURÍDICO

o COFFITO o sistema, também junto aos demais Conselhos das mais variadas profissões regulamentadas, ainda não há certeza e clareza acerca da possibilidade de formulação de parcerias com entidades privadas para obtenção de eventuais vantagens a profissionais inscritos. Dado o caráter público do Conselho não pode ele ser equiparado a um Sindicato, devendo toda e qualquer forma de uso de dinheiro público, ainda que indireta, ser tratada com cuidados redobrados. Se a atividade não se inserir de alguma forma na atividade principal ou nas atividades legais secundárias previamente definidas na lei, poderá ser objeto de questionamentos. Via de regra os entendimentos sobre o que podem ou não podem fazer os Conselhos Profissionais, sobre o que devem ou não devem fazer, aparecem após anos de prática, dando-se como exemplo a obrigatoriedade de realização de concursos públicos, cuja obrigação passou a ocorrer a partir de maio de 2001, com base num julgamento isolado, quando havia décadas eram contratados empregados. Dessa forma, por cautela, mirando-se a eficiência administrativa, em reuniões de Departamentos Jurídicos do sistema COFFITO/ CREFITOs e em contato direto com os demais Conselhos Profissionais que atuam no Estado do Paraná, bem como junto ao próprio TCU, tem-se buscado uma posição clara e definitiva sobre a viabilidade das chamadas parcerias ou convênios. Para que se tenha uma ideia, no Estado do Paraná, dos 30 Conselhos Profissionais atuantes, apenas 03 fazem tais parcerias. No sistema COFFITO/ CREFITOs, com 16 Conselhos Regionais, somente 05, fazem convênios. E não será porque um determinado Regional faz parcerias e convênios que a prática será regular ou aceita pelo TCU.

Assim, nesse momento, o CREFITO-8, que não está logicamente alheio a eventuais demandas justas dos profissionais que estão obrigados a se inscreverem para exercício regular da profissão, com a obrigação em lei de pagamento da anuidade que é um TRIBUTO, está buscando uma forma de celebração de parcerias ou convênios que atenda a todos os princípios administrativos. Estuda-se uma forma justa de PUBLICIDADE, a fim de buscar parcerias de forma impessoal e em áreas pré-definidas que possam atender os objetivos da instituição (por exemplo, de natureza cultural e visando ao profissional e à classe como estímulo permitido no artigo 21 da lei de regência, apesar da ausência de normativa do Conselho Federal). Busca-se uma forma de precaver os interesses dos profissionais e de afastar responsabilidades solidárias do Conselho (assim, de forma indireta, das Classes Profissionais que também representa), privilegiando com isso os profissionais adimplentes e pontuais. Tudo isso revela a preocupação e responsabilidade do Conselho em realizar de forma transparente as suas atividades, buscando-se ainda eventuais parcerias ou convênios que venham a colaborar para o aperfeiçoamento das atividades principais da Instituição, prevenindo-se questionamentos futuros e alegações de suposto desvio de funções. ■

Dr. Ronnie Kohler OAB/PR 22.769 Assessor Jurídico do CREFITO-8

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FISIO EM AÇÃO

Fisioterapia, Movimento e Saúde Prescrição clínica do exercício para participantes do Hiperdia em Missal

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Programa Hiperdia é uma ação do Governo Federal destinada ao cadastramento e acompanhamento de portadores de hipertensão arterial e/ou diabetes mellitus, atendidos na rede ambulatorial do Sistema Único de Saúde – SUS. Tal cadastro permite gerar informações para aquisição e distribuição de medicamentos de forma regular e sistemática a todos os pacientes cadastrados. O programa ainda oferece ações de tratamento, prevenção de complicações e educação em saúde. No município de Missal-PR, a iniciativa de uma fisioterapeuta buscou associar atividades físicas às palestras do programa, tornando os encontros mais práticos e, consequentemente, mais efetivos para os pacientes com DCNT (Doenças Crônicas Não Transmissíveis). Iniciado em maio de 2015, o chamado “Grupo Vida Nova” visa desenvolver atividades diferentes, a partir da prescrição clínica do exercício, a fim de melhorar a saúde e a qualidade de vida dessas pessoas. Segundo a fisioterapeuta, Dra. Fabiane Ferst Lima, a ideia surgiu após a participação em um evento do Programa Movimenta Paraná do CREFITO-8, realizado em Foz do Iguaçu em 2014, sobre Treinamento Funcional. “Ao conversar sobre isso com o enfermeiro chefe da Unidade Básica de Saúde do centro de Missal, decidimos desenvolver um trabalho diferente com os pacientes portadores de DCNT, por serem um grupo de risco. Partindo dessa premissa, elegemos o grupo do Hiperdia, que já estava bem organizado e em andamento”.

Por ser alvo de outras doenças crônicas debilitantes, esse grupo demanda um custo maior para Saúde Pública. Além disso, muitas vezes, encontram-se acomodados com a sua situação, resignados em serem Hipertensos ou Diabéticos, sem muita expectativa de melhora ou de terem mais qualidade em suas vidas. “Pensando desta forma, surgiu a ideia de criarmos um grupo de atividades física, como uma ferramenta a mais de controle das DCNT, melhorando assim a autoestima dos pacientes e suas condições físicas e clínicas”, afirma Fabiane. O projeto conta com o apoio da Secretaria Municipal de Saúde de Missal e o convite para participar do “Grupo Vida Nova” é feito nas reuniões mensais do Hiperdia. Quando o programa teve início, eram 10 pacientes inscritos. Hoje são 31 inscritos, dos quais cerca de 20-25 são frequentadores assíduos.


FISIO EM AÇÃO

PERFIL DOS PACIENTES: 31 participantes 16

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dos quais: 27 são hipertensos 6 são hipertensos e diabéticos 4 são acompanhantes (da esposa ou marido) Idade: entre 50 e 78 anos 9 são cardiopatas 4 pacientes com Câncer 13 consomem bebidas alcoólicas 1 paciente é fumante 11 possuem doenças respiratórias

O trabalho é realizado duas vezes por semana, nas terças e quintas, as 7h30min e consiste em aferir a pressão arterial (PA), seguido de alongamento e aquecimento – caminhada de 30 minutos (de acordo com as condições de cada um). Em seguida, é feita a prescrição clínica do exercício, com 25 a 30 minutos de atividades que envolvem fortalecimento, coordenação, equilíbrio, agilidade, velocidade e flexibilidade. Ao final, a pressão arterial é aferida novamente e o trabalho é finalizado com outra série de alongamentos. A cada seis meses é realizada um exame físico e funcional, buscando acompanhar a evolução dos pacientes. O projeto tem apresentado bons resultados, tendo sido observada redução da pressão arterial, redução de peso e de medidas e até redução nas doses de medicamentos desses pacientes. A participação nesses encontros é muito importante, pois são repassadas e discutidas informações fundamentais a respeito das doenças, por diversos profissionais de saúde, que auxiliam no acompanhamento direto das DCNT, dando maior atenção a esse grupo.

Dra. Fabiane Ferst Lima CREFITO-8 16017-F

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FISIO NEUROFUNCIONAL

O CREFITO-8 adotou a postura de investir na atualização técnica do profissional, desenvolvendo ações que consolidam o fisioterapeuta como profissional especializado no movimento humano, promovendo saúde e bem-estar à população em consonância ao atual perfil epidemiológico do país. Lançado em 2014, o Programa Movimenta Paraná buscou a atualização e inserção do fisioterapeuta nas atuais necessidades do mercado de trabalho ao levantar a necessidade de enfrentar e deter as Doenças Crônicas Não Transmissíveis – DCNT. Já em 2015, a proposta do programa girou em torno das Especialidades da Fisioterapia, buscando seu reconhecimento e sua regulamentação. Esse ano, dando continuidade ao programa, abordaremos em cada edição da revista uma das 14 especialidades da Fisioterapia, contextualizando com temas atuais e relevantes, não apenas para o profissional, mas para a sociedade como um todo.

Fisioterapia Neurofuncional O papel e a importância do fisioterapeuta no tratamento da microcefalia

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aumento incomum do número de casos de microcefalia no país desde o final de 2015, em especial em Pernambuco, é um alerta mundial. A microcefalia constitui um achado clínico e pode decorrer de anomalias congênitas ou ter origem após o parto. A microcefalia não é uma doença nova. Tratase de uma malformação congênita, onde o cérebro não se desenvolve adequadamente, levando ao nascimento de bebês com perímetro cefálico menor que o normal. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a forma mais confiável de determinar se uma criança tem microcefalia é medir a circunferência do crânio em até 24 horas após o parto ou dentro da primeira semana de vida, por meio de técnica e equipamentos padronizados. O Brasil adotou, a partir de março de 2016, o critério da OMS para o diagnóstico de microcefalia, que considera indicativo da doença PC menor que 31,5 centímetros para meninas e menor que 31,9 centímetros para meninos. Ainda não é possível prever com exatidão o grau de comprometimento em cada caso, mas sabese que a doença geralmente vem acompanhada de convulsões, paralisia cerebral, retardo no de-

senvolvimento cognitivo, motor e fala, além de problemas de visão e audição. No entanto, a ocorrência de microcefalia, por si só, não significa que ocorram alterações motoras ou mentais. Embora ainda não haja tratamento específico para a microcefalia, sabe-se que a Fisioterapia é extremamente importante no dia a dia dessas crianças, melhorando suas habilidades e proporcionando uma maior qualidade de vida, ao permitir a aquisição de habilidades motoras e interação com o ambiente. Diversas áreas da Fisioterapia podem contribuir para o desenvolvimento de crianças com microcefalia, porém, sendo uma patologia de acometimento neurológico, a Fisioterapia Neurofuncional é a mais indicada nesses casos. Livro de fisioterapeutas inscritas no CREFITO-8 é referência no Plano Nacional de Enfrentamento da Microcefalia Frente ao surto da doença, o Ministério da Saúde elaborou uma cartilha para auxiliar os profissionais de atenção à saúde no trabalho de estimulação precoce dessas crianças, uma vez comprovado que quanto antes se iniciar o tratamento, melhores serão os resultados obtidos. Intitulada “Diretrizes de Estimulação Precoce: Crianças de Zero a 3 Anos com Atraso no Desenvolvimento Neuropsicomotor Decorrente de Microcefalia”, a ação busca orientar profissionais de diversas áreas de saúde (fonoaudiólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, entre outros) no atendimento a crianças com atraso no


FISIO NEUROFUNCIONAL

desenvolvimento neuropsicomotor decorrente de microcefalia e/ou outros agravos. O desenvolvimento neuropsicomotor engloba três aspectos: neurológico, psicológico e o ato motor. O diagnóstico fisioterapêutico é subsídio na decisão do tratamento a ser realizado e a correta avaliação do paciente é que fornecerá as informações necessárias. Para tanto, as fisioterapeutas, Dra. Cláudia Diehl Forti-Bellani e Dra. Luciana Vieira Castilho-Weinert, desenvolveram uma classificação que descreve as características de desenvolvimento infantil esperadas durante o primeiro ano de vida, permitindo avaliar os possíveis atrasos no desenvolvimento. Essa descrição do desenvolvimento motor, proposta pelas doutoras em seu livro “Fisioterapia em Neuropediatria”, publicado em 2011, e que agora faz parte da cartilha do MS, agrupa os dados da seguinte forma: recém-nascido* (do primeiro ao vigésimo oitavo dia de vida), primeiro trimestre (do início do primeiro ao final do terceiro mês), segundo trimestre (início do quarto ao final do sexto mês), terceiro trimestre (início de sétimo ao final do nono mês) e, por último, o quarto trimestre (início do décimo até o final do décimo segundo mês de vida). *Considerando o recém-nascido um bebê nascido entre trinta e oito e quarenta e duas semanas de idade gestacional.

Entrevistamos as Dras. Cláudia e Luciana para sabermos sua opinião sobre ser especialista e para termos uma melhor compreensão a respeito da Fisioterapia Neurofuncional e sua atuação em pacientes com microcefalia: CREFITO-8: qual o papel/importância do fisioterapeuta neurofuncional na infância? Claudia: nas duas últimas décadas, com o avanço tecnológico, muito se conheceu a respeito do encéfalo. O reconhecimento da plasticidade neural como evento contínuo ao longo da vida, assim como o reconhecimento da importância de estratégias funcionais e da prática repetida para estimular os aspectos plásticos do sistema nervoso, fez com que novas abordagens de tratamento neurofuncional surgissem e fossem incorporadas às práticas clínicas já conceituadas, como o Conceito Neu-

roevolutivo Bobath. Hoje em dia, o fisioterapeuta neurofuncional atua clinicamente, mas procura estender seu tratamento além da terapia, se preocupando em orientar os familiares e cuidadores, além de trabalhar interdisciplinarmente, com objetivo de aumentar a quantidade e a qualidade de estímulos apropriados ao paciente. Todos saem ganhando e, dessa forma, eu diria que a fisioterapia neurofuncional é imprescindível para o tratamento de indivíduos com lesão no sistema nervoso. CREFITO-8: qual o papel do fisioterapeuta no desenvolvimento dessas crianças? Claudia: como esta condição cursa com diminuição de volume encefálico, essas crianças costumam ter atrasos significativos no seu desenvolvimento global. O papel do fisioterapeuta é proporcionar às crianças experiências sensório motoras típicas, na tentativa de estimular as fases do seu desenvolvimento, bem como orientar familiares e cuidadores. O reconhecimento e a intervenção precoce são muito importantes, considerando que, do nascimento aos 2 - 3 anos de idade, o encéfalo encontra-se no período crítico da plasticidade neural. CREFITO-8: de que forma a classificação das senhoras facilitará/possibilitará o diagnóstico e o tratamento de crianças com microcefalia? Luciana: o maior benefício está na difusão dos conhecimentos sobre o desenvolvimento infantil para todos os profissionais da saúde, no estabelecimento de uma diretriz de orientação para guiar o raciocínio clínico do profissional especialista, e no acesso on-line gratuito do material compilado. » CREFITO-8: qual a sensação em ver a classificação proposta pelas senhoras em uma cartilha que servirá de parâmetro a profissionais de diversas áreas da saúde em todo o país? Claudia: o que propusemos foi um resumo do desenvolvimento motor, em linguagem acessível, baseado em autores que nos guiam nas intervenções, mas também levando em conta nossa prática clínica e os aspectos qualitativos do movimento. Sinto-me honrada e gratificada em ver a citação do nosso trabalho no documento do Ministério da Saúde e espero que este documento auxilie os profissionais nas estratégias frente aos pacientes com

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microcefalia. Luciana: para mim, extrapola a questão do reconhecimento profissional e chega à realização pessoal. Escolhi trabalhar com crianças por almejar contribuir para o desenvolvimento e superação de dificuldades em situações de maior vulnerabilidade. As crianças com desvios no desenvolvimento possuem demandas muito específicas e merecem uma atenção especializada, pois na maioria das vezes vivenciam uma situação para a qual não tiveram a oportunidade de fazer escolhas que permitissem evitá-la. Claudia e Luciana: é importante ressaltar, conforme escrevemos no livro, que a análise do desenvolvimento motor é um processo contínuo e global que depende de muitas variáveis e não deve ser limitado apenas à nossa descrição, que foi citada no plano de enfrentamento à microcefalia.

diatria é fundamental para possibilitar à criança a aquisição de habilidades motoras e interação com o ambiente, além de prevenir deformidades que poderão piorar seu quadro e comprometer outros sistemas, como o respiratório. A partir da avaliação, realizada através da identificação do problema principal e das informações fornecidas pelo cuidador, são estabelecidas as metas de tratamento. Além disso, avaliações periódicas deverão ser realizadas para acompanhar a evolução do paciente. O parecer também aponta que existem inúmeras evidências na literatura confirmando que a intervenção precoce, a prática, a repetição, a motivação, a experiência e o ambiente enriquecido favorecem o processo de neuroplasticidade, que nada mais é do que a capacidade do sistema nervoso de adaptar-se e moldar-se, a nível estrutural e funcional, quando submetido a novas experiências. Quanto mais precoce a intervenção, melhor o prognóstico. O parecer na íntegra encontra-se disponível no endereço eletrônico http://abrafin.org.br/abrafinemite-parecer-sobre-microcefalia/.

Dra. Claudia Diehl Forti CREFITO-8 37444-F Dra. Luciana Vieira Castilho Weinert CREFITO-8 49150-F Autoras do Livro “Fisioterapia em Neuropediatria

Parecer Técnico elaborado pela Associação Brasileira de Fisioterapia Neurofuncional também contribuiu para a cartilha do MS Atendendo à solicitação do COFFITO, a Associação Brasileira de Fisioterapia Neurofuncional – ABRAFIN – emitiu parecer técnico sobre a importância e o papel da Fisioterapia Neurofuncional na estimulação precoce de crianças com microcefalia. O parecer técnico foi construído a partir de revisão bibliográfica técnico-científica e define a Microcefalia e a atuação da Fisioterapia Neurofuncional em pediatria nos casos da doença, com a prática de estimulação precoce para recuperação funcional. A atuação da Fisioterapia Neurofuncional em pe-

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Apesar de toda discussão sobre a doença, pouco se fala sobre o tratamento e o dia a dia dessas crianças e famílias. Para ampliar essa discussão, o Sistema COFFITO/CREFITOs criou a cartilha “Diagnóstico: Microcefalia. E agora?”. O material utilizou dados do Ministério da Saúde e contou com a colaboração da Associação Brasileira de Fisioterapia Neurofuncional (ABRAFIN), da Associação Brasileira para o Desenvolvimento e Divulgação do Conceito Neurofuncional (ABRADIMENE), dos conselhos regionais, e de profissionais fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais que já estão atendendo pacientes com esta enfermidade. Acesse http://www.coffito.org.br/site/files/noticias/2016/ CartilhaMicrocefalia_Final.pdf e tenha acesso ao material.


ANÁLISE DE CUSTOS

CREFITO-8 e APFisio apresentam análise de custos de serviços de fisioterapia hospitalar Resultados mostram que os valores pagos pelos serviços contratados não são suficientes

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CREFITO-8 e a APFisio, preocupados com a situação em que se encontram os serviços hospitalares, – os quais tiveram que se adequar à legislação da ANVISA RDC07/2010 – encomendaram ao especialista em Gestão de Custos e Processos, Sr. Edmilson Koji Tanaka, a análise de custos operacionais relativos aos serviços prestados em fisioterapia intensiva. Neste estudo foram amostrados três diferentes modelos de estrutura hospitalar, levando em consideração seu porte (volume de leitos) e também a sua natureza (hospital privado ou hospital público). Portanto, foram avaliados dois hospitais particulares com 7 e 20 leitos, respectivamente, e um hospital público com disponibilidade de 30 leitos. Toda a pesquisa foi baseada nos relatórios gerenciais de caixa, executados pela gestão de cada empresa prestadora de serviços fisioterapêuticos destes hospitais. A partir desses relatórios foram feitas análises de resultados econômicos, verificados através dos valores médios mensais de receitas e de custos (operacionais e administrativos). Ainda, verificou-se se esses resultados foram aplicados de acordo com o estabelecido pela RDC 07/2010 – ANVISA, em termos de estrutura funcional necessária para atendimento, considerando limites de jornada de trabalho e capacidade máxima de leitos para atendimento por profissional. A apuração dos resultados foi feita através da decomposição dos valores, deduzindo da receita gerada os valores praticados para que o serviço contratado seja realizado. Foram contabilizados todos os custos e despesas diretos e indiretos, variáveis e fixos – tratados aqui simplesmente

como custos variáveis e custos fixos. Em seguida, foi demonstrado e interpretado o desempenho do empreendimento, comparando com a estrutura necessária para atender aos padrões estabelecidos pela legislação específica. Mediante estas análises é possível avaliar e projetar quais os valores que deveriam ser praticados, independente da forma de contrato – público ou privado. As interpretações, por si, são suficientes para criticar os níveis de viabilidade ou inviabilidade dos valores remunerados. Ao longo deste estudo, foram inseridas tabelas que demonstram o valor de base de cálculo para remuneração, ou seja, o valor que expressa o custo efetivo do atendimento individual e que a ele deverão ser aplicados, bem como os índices para remunerar os encargos tributários, os custos administrativos e, obviamente, a margem de lucro. Ao final da avaliação, foi feita a projeção de Pontos de Equilíbrio (PE), que demonstra, de acordo com o atual desempenho do empreendimento, o quanto é necessário faturar no exercício para que a atividade se viabilize. São dois os PE analisados: Ponto de Equilíbrio Operacional e Ponto de Equilíbrio Econômico. O Ponto de Equilíbrio Operacional é o montante necessário de faturamento para que a organização seja capaz de cobrir todos os seus custos operacionais, porém, sem obter lucro algum. Já o Ponto de Equilíbrio Econômico é o montante necessário de faturamento para que a organização seja capaz de, além de cobrir todos os seus custos operacionais, ainda gerar lucro operacional (simulado aqui em 15%, para todos os casos). Os resultados referentes às receitas totais (lucro bruto), custos e resultados operacionais (lucro/prejuízo líquido), bem como o Ponto de Equilíbrio de cada empresa prestadora de serviço fisioterapêutico em terapia intensiva, na estrutura funcional atual e numa projeção de estrutura necessária para atender aos padrões estabelecidos pela RDC 07/2010, estão descritos em frequência absoluta e percentual nas três tabelas abaixo, separadas por porte do hospital. As tabelas evidenciam a situação financeira atual de cada uma das três empresas prestadoras de serviços de fisioterapia intensiva hospitalar, mostrando

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ANÁLISE DE CUSTOS

a média de receitas totais de cada uma delas, na segunda coluna do item 1.0. Ao deduzir deste valor todos os custos, tem-se como resultado, nos dois primeiros casos, prejuízo operacional mensal de R$ 3.621,86 e R$ 830,80 para os hospitais particulares de 07 e 20 leitos, respectivamente, e lucro operacional mensal de R$ 5.197,14 para o hospital público de 30 leitos (valores apresentados na segunda coluna do item 7.0). O item 8.0 mostra o Ponto de Equilíbrio Operacional de cada empresa, ou seja, o valor de receitas que deveriam arrecadar

para operarem neste mesmo formato, porém sem obterem lucro ou prejuízo. Já no item 9.0 é demonstrado o quanto deveriam faturar para que tivessem lucro de 15% (Ponto de Equilíbrio Econômico). A terceira coluna representa a projeção de valores necessários para aplicar, rigorosamente, tudo o que preceitua a RDC 07/2010 nessas empresas. É possível observar que, neste cenário, as empresas teriam prejuízo operacional mensal de R$ 15.055,77; R$ 30.947,07 e R$ 32.458,40, respectivamente (valores evidenciados em vermelho). Abaixo

Empresa prestadora de serviços fisioterapêuticos operando em hospital particular com 7 leitos de UTI - Análise do desempenho mensal médio e Pontos de Equilíbrio Operacional e Econômico.

Empresa prestadora de serviços fisioterapêuticos operando em hospital particular com 20 leitos de UTI - Análise do desempenho mensal médio e Ponto de Equilíbrio Operacional e Econômico.

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Empresa prestadora de serviços fisioterapêuticos operando em hospital público com 30 leitos de UTI - Análise do desempenho mensal médio e Ponto de Equilíbrio Operacional e Econômico.

desses valores está demonstrado o quanto cada empresa deveria faturar para atingir o equilíbrio operacional e econômico (com lucro de 15%) nestas condições. Em uma abordagem interpretativa, vê-se que, em caso de rigorosa aplicação do que preceitua a RDC 07/2010, com a manutenção das receitas atuais, há necessidade de renegociar a forma de remuneração aos atendimentos destas unidades hospitalares, onde os valores deverão ser elevados, sendo proporcionais à taxa de ocupação do número de leitos. Portanto, o estudo conclui que os valores pagos aos hospitais, ou aos prestadores, pelos serviços contratados, não são suficientes para remunerar os custos operacionais em executá-los. Em uma abordagem interpretativa, este índice é classificado como sendo absolutamente impraticável, considerando o valor de receita em relação aos custos fixos, bem como as margens de contribuição, quando aplicada, rigorosamente, a legislação. Portanto, verifica-se que os serviços de fisioterapia hospitalar em terapia intensiva analisados cumprem absolutamente com o seu papel técnico, que é a prestação de serviços no atendimento à pacientes que apresentam dependência funcional. É possível, ainda, constatar que estes serviços de fisioterapia hospitalar tratam de ajustar todas as suas operações aos recursos financeiros disponíveis, mantendo-se em prejuízo operacional. ■


OLIMPÍADAS

Participação de fisioterapeutas nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 Dra. Christiane Guerino, da equipe organizadora, conta como estão os preparativos para o evento m 2014, a Sociedade Nacional de Fisioterapeutas Esportivos – SONAFE desenvolveu, em parceria com o Sistema COFFITO/CREFITOs, o Projeto de Capacitação e Padronização de Fisioterapeutas para Atuação nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro (2016). Na ocasião, 16 especialistas desenvolveram uma metodologia incluindo atendimento emergencial, terapia manual, bandagens e eletrotermofototerapia com o objetivo de capacitar fisioterapeutas multiplicadores, ou seja, que deveriam repassar o conhecimento adquirido aos profissionais de seu estado. A Dra. Christiane de Souza Guerino, de LondrinaPR, faz parte da equipe que voluntariamente tem organizado toda a estrutura de Fisioterapia para o evento e nos contou um pouco dessa experiência: O convite para participar da organização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 aconteceu por meio do fisioterapeuta Felipe Tadiello, consultor oficial de Fisioterapia vinculado ao Co-

mitê Organizador dos Jogos. Foi composto um grupo de seis fisioterapeutas: Felipe F. Tadiello (SP), Christiane de S. Guerino Macedo (PR), Leonardo Augusto Troccoli de Medeiros (RJ), Luciana De Michelis Mendonça (MG), Marcio Costa Antonelo (DF) e Marco Antônio Ferreira Alves (SP), os quais haviam trabalhado juntos na diretoria da SONAFE – Brasil e, desde 2013 estão trabalhando arduamente com o objetivo de fazer uma Fisioterapia de qualidade para os Jogos. Inicialmente a maior dúvida era como trabalhar com voluntários fisioterapeutas do Brasil, com formações teóricas e práticas completamente diferentes. Então, foi realizado o Curso de Padronização e Capacitação de Fisioterapeutas para atuação nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro (2016), com a presença de mais de 2500 fisioterapeutas, que participaram de quatro dias de discussão. É importante destacar que todas as aulas foram elaboradas e ministradas por fisioterapeutas altamente especializados que, de

forma voluntária, doaram seu tempo e conhecimentos para o crescimento da Fisioterapia Esportiva. E também que, sem a ajuda e apoio integral do sistema COFFITO/CREFITOs para o deslocamento dos palestrantes em todos os estados do Brasil, os cursos não seriam possíveis! Este foi um momento único e incrível, com troca de experiências, aumento de qualidade e grande valorização da Fisioterapia Esportiva brasileira. Em paralelo aos cursos, o grupo de consultores pensava nas necessidades físicas, equipamentos e materiais para os jogos. Tudo foi discutido e pensado: onde ficaria a clínica de Fisioterapia dentro da vila olímpica? Quantas salas precisaríamos? Quais e quantos materiais? Quais e quantos equipamentos? Teríamos fisioterapeutas nas salas médicas dos locais de competição? Teríamos fisioterapeutas para os socorros de urgência e emergência? Do que estes profissionais precisariam? O que seria necessário para o bom desenvolvimento da Fisioterapia em campo de jogo? Em seguida vieram as inscrições dos voluntários e o trabalho foi intensificado, pois tínhamos que saber: quem seriam os fisioterapeutas voluntários? Quantos trabalhariam na policlínica, quantos nos postos médicos e quantos nos campos de jogos? Quais seriam os critérios para seleção destes

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OLIMPÍADAS

profissionais, já que tivemos mais de 5000 fisioterapeutas inscritos como voluntários para 540 vagas de trabalho? Como poderíamos fazer essa seleção da forma mais justa e correta possível? Quais seriam as políticas e procedimentos dos fisioterapeutas, osteopatas, quiropratas e massoterapeutas durante os jogos olímpicos e paralímpicos? Na sequência, outras dificuldades: como e onde alocar os voluntários (brasileiros e internacionais) altamente qualificados, para trabalhar nos jogos? Problema enorme, pois no Brasil não temos experiência em esportes paralímpicos, e até mesmo em alguns olímpicos como esgrima, badminton, boxe, tênis de mesa, ciclismo de pista, hóquei, rúgbi entre outros tantos. A maioria prefere futebol, vôlei, tênis, handebol, atletismo. Mas, não existem vagas suficientes e precisamos de bons fisioterapeutas em todos os lugares. Então, contamos novamente com os profissionais mais capacitados para estes novos desafios e acreditamos que eles desenvolverão um grande trabalho! Desde 2013 nosso trabalho é árduo e intenso, mas extremamente gratificante, pois acreditamos que, mesmo com todas as dificuldades (foram, são e serão muitas), vamos mostrar para o mundo a qualidade e a competência da Fisioterapia Brasileira. O que eu já ganhei com isso? Muita experiência em organização de eventos esportivos, grandes amigos que viraram família para a vida toda, muitos conhecimentos teóricos e experiências práticas em Fisioterapia Esportiva, que serão aplicados no meu dia a dia como docente da disciplina Fisioterapia Esportiva da Universidade Estadual de Londrina e na supervisão e orientação de meus alunos, em projetos de pesquisa e extensão nesta área. Esperamos um evento esportivo de grande complexidade, em um momento político e administrativo muito difícil do Brasil, porém estamos concentrando todos os nossos esforços para fazer a melhor Fisioterapia Esportiva do país, com qualidade e competência! E acreditamos que vamos conseguir! Dra. Christiane de Souza Guerino Macedo CREFITO-8 16750-F Membro da Equipe de Organização da Fisioterapia para os Jogos Rio 2016.

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Equipe de organização da fisioterapia para os Jogos Rio 2016. Dra. Luciana De Michelis Mendonça (MG), Dr. Felipe F. Tadiello (SP), Dr. Leonardo Augusto Troccoli de Medeiros (RJ), Dr. Marcio Costa Antonelo (DF), Dr. Marco Antônio Ferreira Alves (SP) e Dra. Christiane de S. Guerino Macedo (PR).

O Dr. Gustavo Filoco de Rezende foi escolhido como representante especialista do estado do Paraná, para participar da Capacitação para os Jogos Rio 2016, e conta sobre sua experiência e suas expectativas: “Neste ano os fisioterapeutas esportivos voluntários foram selecionados pelo Comitê Organizador dos Jogos e alocados em diferentes locais de competição: local de jogo, policlínicas, etc. Além disto, alguns profissionais participaram de eventos-testes e puderam relatar suas experiências para os organizadores dos jogos e do setor de Fisioterapia. Estive de 20 a22 de abril no evento teste da Ginástica Rítmica no Parque Olímpico/RJ e pude acompanhar o treinamento e a competição de atletas do mundo inteiro, além de conhecer toda a estrutura a ser usada nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. Fiz treinamento com a equipe médica (médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, socorristas) e pude vivenciar a rotina do esporte de alto rendimento e o papel do fisioterapeuta em um evento esportivo de grande porte. As expectativas para os jogos são enormes e positivas! O mundo inteiro estará olhando para o Brasil e será a chance de todos os envolvidos realizarem um trabalho de excelência, para deixar uma boa impressão do Brasil para o mundo. No âmbito da Fisioterapia a expectativa é ainda maior. Sabemos, agora, que é possível nos organizar, nos fortalecer, aprimorar nosso trabalho. Entendemos que a educação continuada através das associações e suas especialidades deram e ainda podem dar muito resultado para nossa profissão. Os fisioterapeutas esportivos, além de vivenciar a experiência de uma olimpíada, puderam, neste projeto, deixar um legado para toda Fisioterapia Esportiva!". Dr. Gustavo Filoco de Rezende CREFITO 8 53083-F Fisioterapeuta Esportivo Voluntário dos Jogos Rio 2016.


NOTAS CREFITO-8 investe em Espaço Cultural Patrimônio fortalece e valoriza a Fisioterapia e a Terapia Ocupacional O CREFITO-8 está desenvolvendo um lugar acessível a todos os profissionais fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais do Paraná, que será construído em frente a atual sede, em Curitiba. A nova sede será um local adequado e em condições de realizar encontros, seminários, fóruns, simpósios, palestras, capacitações técnicas, eventos científicos, além de contar com biblioteca e sala de informática. Acompanhe os acontecimentos para a construção do “Espaço Cultural do Profissional”: 2010 – Aquisição de imóvel situado na rua Padre Germano Mayer, 2272 (Curitiba-PR). Conhecido por “Anexo I do CREFITO-8”, comportou durante os primeiros anos alguns departamentos do Conselho. 2012 – Realização de estudo preliminar de arquitetura, serviços de topografia e sondagem do terreno. 2013 – Composição da rubrica orçamentária de Obras e Instalações, permitindo dar continuidade ao projeto. 2014 – Início da licitação para a contratação de empresa para elaboração de projetos de Arquitetura e Engenharia da nova sede do CREFITO-8, designado “Espaço Cultural do Profissional”. 2015 – Elaboração dos projetos básico e executivo da edificação do “Espaço Cultural do Profissional”. 2016 – Será realizada abertura de licitação para contratação da empresa que realizará a obra, que tem seu início previsto para o segundo semestre.

CREFITO 8 apresenta Programa Movimenta Paraná para o Ministro da Saúde, em Curitiba No dia 25 de julho, representantes do CREFITO-8 reuniram-se com o Ministro da Saúde, Ricardo Barros, para tratar de demandas da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional. Na ocasião foram discutidas a inserção do Fisioterapeuta e do Terapeuta Ocupacional no enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis( DCNT) dentro dos programas do Ministério da Saúde, o posicionamento contrário ao PLS nº 350/2014 (Novo Ato Médico) e ao PL da Estética. Foi, ainda, abordada a situação dos Prestadores de Serviço de Fisioterapia em relação aos planos de saúde. Criado pelo CREFITO-8 em 2014, o Programa Movimenta Paraná tem seu foco voltado para o perfil epidemiológico da população, especificamente no que diz respeito ao enfrentamento das DCNT. O projeto vem crescendo e hoje, conta com parcerias de outras entidades, como Associações de Especialidades da Fisioterapia e o envolvimento das várias Comissões do CREFITO-8. A Comissão de Educação junto aos Coordenadores de curso de Fisioterapia do estado do Paraná, desenvolveu projetos de extensão junto à comunidade. Esse programa foi, apresentado ao Ministro da Saúde, que acenou positivamente ao projeto, solicitando maior detalhamento para protocolo no Ministério. Estiveram presentes na reunião Dr. Abdo Zeghbi (Presidente do CREFITO-8), Dra. Isabela Álvares dos Santos (Conselheira do CREFITO-8 e membro da Comissão de Assuntos Parlamentares do CREFITO-8), Dra. Marlene Izidro Vieira (Conselheira do CREFITO-8 e Presidente da Fenafisio), Dra. Eloisa Dias Abboud Hanna (membro do GT de Enfrentamento das DCNT do CREFITO-8), Dr. Eduardo Dutra (membro da Comissão de Assuntos Parlamentares e Assessor de Comunicação do CREFITO-8), Dr. Fernando Prati (Presidente do CREFITO-5), Dr. Reginaldo Antolin Bonatti (Membro da Sociedade Brasileira de Fisioterapia)."

I Fórum das Especialidades Fisioterapêuticas Frente as DCNT Será realizado em Foz do Iguaçu, nos dias 03 a 05 de novembro, o Congresso Brasileiro de Especialidades Fisioterapêuticas, que contará com o apoio do CREFITO-8. Dentro deste evento, ocorrerá o I Fórum das Especialidades Fisioterapêuticas Frente as DCNT, onde serão apresentados os resultados das discussões dos Grupos de Trabalho deste Conselho, referentes ao enfrentamento das DCNT nas diferentes especialidades da Fisioterapia.

Ao Fisioterapeuta Joel Joaquim de Almeida (in memoriam) Joel tinha um sonho… o de servir por meio da Fisioterapia! E conseguiu realizá-lo. Aos 85 anos formou-se fisioterapeuta pela Faculdade Dom Bosco. Era o seu segundo diploma de curso superior. Foi um homem que nunca se entregou ao cansaço, ao desânimo e às adversidades. Enfrentou as dificuldades da idade, da convivência, dos tempos e horários. Sempre prestativo, dava carona para os jovens colegas em seu Fiat 147, uma de suas marcas registradas, junto à pasta preta na qual levava seu material para a faculdade. Gostava de estudar em grupos, fazer trabalhos em equipe e era assíduo frequentador da biblioteca, dedicando-se aos livros e à leitura de jornais. Tinha tanto orgulho e disposição para trabalhar que, em seu último deslocamento, indo para o hospital – do qual não mais voltou – levou consigo seu jaleco branco, pois, conforme afirmou aos familiares: “nunca se sabe quando será preciso atender alguém” O seu orgulho em ser fisioterapeuta era tanto, que seu jaleco foi a indumentária com a qual foi levado à sua última morada, no dia 09 de maio deste ano, poucos dias antes de seu 87º aniversário.

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TUDO O QUE O SISTEMA COFFITO/CREFITO FAZ PELO fisioterapeuta O que o Conselho faz pelo profissional? Reconhece especialidades (Fisioterapia Respiratória, UTI, Neurológica, entre outras); Delimita áreas de atuação (ex. Ginástica Laboral, Pediatria, Gerontologia, Cinesioterapia intensiva, Microfisioterapia); Normatiza metodologias e técnicas com parâmetros assistenciais e éticos; Representa a profissão e profissional no Serviço Público (Prefeitura, Estado e União) representando a atividade profissional, visando maior inserção com cargos e concursos; Defende 30 horas de jornada; Atua na defesa do cumprimento dos 3 turnos na UTI e da presença do especialista; Fiscaliza o exercício garantindo a presença do profissional em clínicas, hospitais e com técnicas, métodos e especialidades próprias como o Pilates, Acupuntura, treinamento clínico funcional, Perícia Fisioterapêutica; Atua na defesa da sociedade em relação a prestação de serviços éticos e de qualidade; Apoia e participa das negociações com Planos de Saúde; Cria e fiscaliza o referencial de procedimentos dos profissionais; Propõe e acompanha Projetos de Lei no Congresso que digam respeito às profissões. Garante as Prerrogativas Profissionais.

O que o Conselho não pode fazer pelo profissional? Estabelecer piso salarial (compete ao Sindicato); Transformar anuidade em benefício (proibido por lei); Negociar valores (ainda assim, o Conselho tem participado das negociações com a APFisio e FENAFISIO com as Operadoras de Planos de Saúde, colocando o Referencial de Procedimentos mínimos Fisioterapêuticos e Terapêuticos Ocupacionais), assim como os Parâmetros Assistenciais. SERVIÇOS QUE O CREFITO-8 OFERECE AO PROFISSIONAL

• Site – O site do CREFITO-8 é repleto de informações que mantém

o profissional sempre atualizado sobre a profissão e sobre as ações do Conselho. Lá é possível encontrar: Legislação, vagas de emprego, cursos, concursos, eventos, pesquisa por profissional, emissor/verificador de DRF, banco de currículos, portal de denúncias, notícias, etc.

• Portal Eletrônico do Profissional – Situado no site do CREFITO-8, o profissional pode alterar informações cadastrais, emitir boletos e outros serviços. • Boletim Informativo – Enviado quinzenalmente por e-mail, para

manter o profissional informado sobre as ações do Conselho e atualidades da profissão.

• Facebook – Portal de comunicação com o profissional, atuali-

zado constantemente, trazendo sempre informações e acontecimentos que envolvem a Fisioterapia.

• Revista – Traz textos técnicos, assuntos temáticos e entrevistas com profissionais.

• Comissões – São 16 Comissões que compõe o CREFITO-8, com

mais de 50 profissionais, estando entre elas a Comissão de Tomada de Contas, Comissão de Fiscalização, Comissão de Ética, Comissão Científica, dentre outras.

• Fiscalização – Atualmente o Departamento de Fiscalização (DE-

FIS) do CREFITO-8 possui 6 fiscais, sendo 5 fisioterapeutas e 1 terapeuta ocupacional, distribuídos em Curitiba, Londrina, Cascavel e Maringá.

• Agenda Positiva – Ações para a população em parceria com as

especialidades para promover a identidade profissional dos Fisioterapeutas.

• Representação Jurídica – Defesa das Prerrogativas Profissionais: exercício professional junto aos planos de saúde, cumprimento da carga horária de 30 horas semanais. • PGF – O Plano de Gestão para a Fisioterapia foi criado coletiva-

mente a partir de discussões em audiências públicas regionais com base nas demandas da profissão.

• Pareceres/ Laudos Técnicos – Elaboração dos pareceres e

laudos técnicos sempre que solicitados pelos profissionais e órgãos públicos.

• Assessoria Técnica ao Profissional – Atendimento virtual com retorno em até 24 horas e 0800 625 2009 para atender o profissional. • Assessoria de Comunicação – Divulgação de eventos, intermédio de informações com a mídia, produção de conteúdo e marketing. • Participação nas Políticas Públicas – Inserção dos profissionais nas políticas públicas com representatividade nas Comissões Municipais e Estaduais de Saúde.

• Programa Movimenta Paraná – Programa de inserção do fisioterapeuta ao mercado de trabalho, em consonância com o perfil epidemiológico da população.

• Câmaras Técnicas Temáticas – Promovem atualização técnica das áreas de atuação e especialidades da Fisioterapia.

• App do CREFITO-8 – Desenvolvido para ampliar ainda mais a comunicação, o aplicativo do CREFITO-8 é gratuito e acessível a todos os profissionais que possuam celulares com plataforma Android, Windows Phone ou Iphone. Possui as notícias mais importantes da Fisioterapia, eventos, fale conosco, telefones, e utilidades em geral.