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178 pela continuidade

Apenas 178 sócios do Centro Português votaram numa eleição com lista única e de continuidade p. 32

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FC Porto mantém estatuto

Os nortenhos são a única equipa portuguesa na Champions League. Ficaram em primeiro no grupo p. 30

‘Rei’ do Torneio Ibérico

Central Madeirense ganha campeonato de futebol mais antigo do continente pela terceira vez consecutiva p.26

Con esta edición del Correio de Venezuela circula el Suplemento Especial de Navidad

www.correiodevenezuela.com

O jornal da comunidade luso-venezuelana

DEPÓSITO LEGAL: 199901DF222 - PUBLICAÇÃO SEMANAL ANO 07 – N.º 237 CARACAS, 12 A 18 DE DEZEMBRO - VENEZUELA: BS.: 1.500,00 / BS.F.: 1,50 / PORTUGAL:

Corrida às divisas para visitar família Emigrantes querem outro processo para agilizar o pedido de divisas face à necessidade de visitar familiares em Portugal p. 3

0,75

Violência instalada em Carayaca Comerciantes, vizinhos e cidadãos discutem a insegurança. p. 6 e 7

Casal de idosos preparava visita a Portugal O casal barbaramente assassinado contava regressar em breve p. 4

Yon Goicochea em entrevista

São Vicente traz delegação em Janeiro

p. 32

"O jovem do bairro quer o mesmo que o do Country Club", defende o líder estudantil p. 10 PUBLICIDADE


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EDITORIAL

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CORREIO DA VENEZUELA 12 A 18 DEZEMBRO DE 2007

Outro ambiente Director: Aleixo Vieira Subdirector Agostinho Silva Coordenação em Caracas Délia Meneses Jornalistas: António da Silva, Erika Correia, Jean Carlos de Abreu, Tomás Ramirez, Victoria Urdaneta, Sandra Rodríguez Correspondentes: Carlos Balaguera (Maracay e Valencia) Carlos Marques (Mérida) Edgar Barreto (Punto Fijo) Trinidad Macedo (Barquisimeto) Colaborações: Raúl Caires (Madeira) António de Abreu, Arelys Gonçalves Antonio López Villegas, Luís Barreira, Álvaro Dias, Luis Jorge Gerente Executivo Aurelio Antunes Contabilidade Sandra Agosta Publicidade e Marketing: Carla Vieira Ventas Ricardo de León Relaciones Públicas María Amelia Da Rocha Eventos Yamilem González Preparação Gráfica: DN-Madeira Produção: María Alexandra Monteverde C. Secretariado: Emmanuel Vieira Fotografia Paco Garrett Distribuição: Juan Fernández e Enrique Figueroa Impressão: Editorial Melvin C. A Calle el rio con Av. Las Palmas Boleita Sur - Caracas Venezuela Endereço: Av. Principal Las Mercedes. Edif. Centro Vectorial (Banco Plaza). Pent House, Urb. Las Mercedes, Baruta Caracas (Ao lado de CONAVI). Telefones: (0212) 9932026 / 9571 Telefax: (0212) 9916448 E-mail: correio@cantv.net URL: www.correiodevenezuela.com Tiragem deste número: 15.000 exemplares Fontes de Informação: Agência de Notícias Lusa, Diário de Notícias, Diário de Notícias da Madeira, Ilhapress, Portuguese News Network e intercâmbio com publicações em língua portuguesa, de diferentes partes do Mundo.

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Respira-se outro ambiente, há mais alegria no ar. A proximidade do Natal tem tudo a ver com esta 'lufada de ar fresco', que contagia as pessoas e consegue transfigurá-las para melhor. Derivado de outras circunstâncias também, há positivismo a pairar no ar, há um crescendo de confiança no País e no futuro que está reservado para as suas gentes. No que à comunidade luso-venezuelana diz respeito, é óbvio que a sensação é igual: algo se transformou, para melhor. O ambiente de anos anteriores deverá ficar para trás, a esperança e a confiança estão com níveis bem altos. Os voos para Portugal estão cheios. Há famílias inteiras que aproveitaram o "cupo" de dólares e estão a viajar pela primeira vez à sua terra natal, o que naturalmente se

traduz em mais um factor positivo, sobretudo face às restrições de entrega de divisas para gastos no exterior. Na verdade, para muitos esta situação é prejudicial e limita as suas empresas. Mas valha a verdade que também há outros que estão a ser amplamente beneficiados. De uma forma ou de outra, a verdade é que o ambiente está respirável e promete um ano de maior tranquilidade, embora sempre com as limitações que derivam da insegurança, que teimam em fazer-se sentir. À parte essa parte deveras fundamental, a esperança renasceu e agora os horizontes ficam mais optimistas para os dois lados da vida política da Venezuela. Confia-se agora num país melhor, mais democrático e sobretudo sempre em paz.

O cartoon da semana - Antes, nesta altura do ano, pedíamos para trazer da Madeira bolo de mel e aguardente...

- Agora pede-se que tragam ovos e leite!

A semana Muito Bom A autarquia de São Vicente, na Madeira, acaba de dar um dos maiores votos de confiança a este país e à comunidade lusa aqui radicada: apesar dos receios e das incertezas, só atenuados com o resultado do referendo, a Câmara Municipal de São Vi-

cente continuou empenhada na visita prevista para Janeiro. Independentemente da política, o município liderado por Humberto Vasconcelos não arrepiou caminho e daqui a quatro semanas cá estamos para recebê-los em grande.

Bom Uma vez mais as Academias do Bacalhau de Caracas e Maracay assinalaram o encerramento do ano em cheio, organizando um jantar de recolha de fundos para os respectivos lares de terceira idade.Uma acção que louvámos sempre ao longo de todo o ano. Elogios também para a comissão de trabalho das 'festas do Minho', pelo carácter benéfico que deram à tão conhecida iniciativa na Venezuela em prol de terceiros.

Mau A penúria em que vive a comunidade em Carayaca não é admissível. A insegurança atinge níveis impensáveis.É conhecido o esforço de alguns membros da comunidade lusovenezuelana, em conjunto com

algumas forças de segurança da zona, no sentido de minimizar os actos imorais e suicidas.Tudo tem sido em vão, até agora. A quem poderá esta comunidade recorrer? Quem acode?

Muito Mau Uma vez mais, a violência destaca-se nesta secção. Desta vez, tratou-se de um crime "macabro". Perguntamos: quem pode fazer semelhante atrocidade a um casal de seres humanos, indefeso pela idade avançada? Um paralítico e uma pobre senhora também ela de idade avançada, que mantinha a família com o suor do seu árduo trabalho nas ruas de Caracas. Não encontramos nenhuma explicação!


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12 A 18 DEZEMBRO DE 2007 CORREIO DA VENEZUELA

Falha na Internet gera filas na Cadivi Viajantes pedem uma solução para agilizar o pedido de divisas ante a necessidade de visitar familiares em Portugal Proibição de compra de divisas leva a fecho de jornais O jornal venezuelano Correo del Caroní circulou terça-feira pela última vez em versão impressa devido às dificuldades em comprar divisas para importar papel, situação que poderá levar também ao cancelamento de vários jornais regionais. "Quarta-feira já não circulou o Correo del Caroní porque o regime de (Hugo) Chávez nega os dólares à empresa Dipalca, importadora do papel de jornal que utilizamos na impressão deste diário desde há muitos anos", diz o diário no seu editorial de terça-feira. Desde Fevereiro de 2003 que vigora na Venezuela um regime de controlo cambial que impede a livre aquisição ou troca de moeda estrangeira no país, estando as divisas para importações condicionadas a aprovação pela Comissão de Administração de Divisas (Cadivi). A não concessão de divisas para importar papel afecta também, segundo o director do jornal El Nacional, Miguel Henrique Otero, muitos outros jornais que poderão deixar de circular em breve. "Que os inimigos da liberdade de expressão, os chefes da corrupção não celebrem", apelou David Natera, director do Correo del Caroní, assegurando que o jornal actualizará diariamente uma versão electrónica no endereço www.correodelcaroni.com.

Filas de mais de seis horas na sede de Cadivi.

Gustavo Paulo Figueira

Tomás Ramírez tomasramirez@gmail.com

nte a impossibilidade de imprimir a ficha para requerer divisas através do portal da Comissão de Administração de Divisas (Cadivi), 1.600 utentes apresentaram-se na sede do organismo gerando um cenário embaraçoso. Lusovenezuelanos que tentam visitar a seus familiares na ilha da Madeira não estão isentos de passar por esta difícil situação e são uns de tantos que integram as filas para obter alguns euros na sede da Cadivi, situada na antiga sede da PDVSA, em Los Chaguaramos. O comerciante Joaquim da Silva é um dos que aspira obter divisas com o fim de passar um mês de férias em Campanário, Madeira. O luso-venezuelano esteve desde as 7 horas numa fila por não ter podido solicitar através do sítio da Internet do organismo. "O processo é um pouco incómodo mas temos de passar por ele se queremos conseguir o 'cupo' de euros ao preço oficial", disse,

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Joaquim da Silva

com ar de resignação. "Tratei de fazê-lo a partir da página mas estava totalmente bloqueada. Isto está muito mal feito porque assim se perde tempo valioso de trabalho e de estudo pois fazer esta diligência aqui significa três horas perdidas e ainda me falta muito para ser atendido", disse ao CORREIO por volta do meio-dia. Outro caso semelhante era o do estudante Gustavo Paulo Figueira. Este filho de câmara-lobenses foi solicitar euros para a sua viajem à Madeira mas acabou por deparar com uma quantidade imensa de pessoas na fila. "Isto não está nada bem porque há demasiada gente. As páginas bloquearam e não pode fazer nada pela Internet. E cada semana que vai passando é pior, cada vez há mais e mais pessoas solicitando dólares e euros", lamentou. Apesar desta situação, o presidente da Cadivi indicou que o problema com o sítio da Internet, originado por uma falha eléctrica, será resolvido em breve, já que já foi iniciada a instalação de um novo servidor.

"Não é necessário que as pessoas se desloquem até aqui, pois vão poder utilizar a página", afirma Manuel Barroso. Para solucionar este problema, Cadivi estabeleceu um horário de acesso ao portal: as empresas entre as 8 e as 14 horas, e os nacionais das 14 às 22 horas. O responsável sublinhou que não há nenhuma necessidade de as pessoas que estão noutras zonas do país venham a Caracas para tratar deste assunto. "O nosso sistema está funcionando e está atendendo a maior quantidade de pessoas possível", disse. Devido à grande procura de divisas por parte dos venezuelanos, Cadivi montou "uma operação com as restrições que se imponham devido ao tamanho do físico; para conseguir atender mais rapidamente os casos prioritários, isto é, os das pessoas cujas viagens sejam motivadas por problemas de saúde ou de estudo". O pessoal de Cadivi imprimiu fichas para quem tinha necessidade de divisas por razões de saúde e no caso de viagens para o Panamá, Aruba e Curaçao exigiu que a passagem se prolongasse por mais de sete dias.

ACTUAL

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Embaixador lança "blog" O embaixador de Portugal em Caracas, João Caetano da Silva, lançou um "blog" com o objectivo de aproximar os jovens da embaixada, da realidade e actualidade portuguesas e dos assuntos relacionados com a comunidade lusa local. "Estamos no século XXI, a Internet é uma maneira muito fácil de utilizar como veículo de comunicação e o "blog" é uma porta aberta aos jovens", disse o embaixador. Segundo o diplomata, o "blog" "não é um "site" oficial da embaixada, é um modo muito informal de estabelecer contacto com o embaixador" ao qual se pode aceder através do endereço http://contactojovem.blogspot.com. "Permitirá um relacionamento mais directo com muitos jovens, naturalmente dando a conhecer quais são as minhas ideias, iniciativas e projectos, mas ao mesmo tempo tentando auscultar quais são as preocupações e interesses desses jovens", disse o embaixador. João Caetano da Silva explicou à Lusa que uma das suas prioridades é "dinamizar o relacionamento com os jovens e aproximar os lusovenezuelanos da embaixada, de Portugal e da comunidade portuguesa". O diplomata opina que "não é fácil atrair os jovens" porque "estão ocupados, têm outros interesses", "muitos deles não participam e não têm grande ligação com os temas e actividades da comunidade" uma situação que poderá reverter-se com o "blog", criado para "aproximá-los à Embaixada, à realidade portuguesa e à cultura, ao país que é Portugal em 2008". João Caetano da Silva explicou ainda que no último ano realizou diversas iniciativas orientadas para os jovens, nomeadamente o prémio para o licenciado luso-venezuelano com melhor nota em 2006 e 2007. O embaixador adiantou que, no próximo ano, será criado outro prémio no sector as artes, ciências e eventualmente do desporto, "visando premiar não só os jovens académicos mas também os profissionais". Em 2008 o embaixador de Portugal em Caracas promoverá ainda "encontros regionais de jovens, nas diferentes regiões da Venezuela, de pequena dimensão, visando criar condições para fazer um primeiro grande encontro nacional em 2009".


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CORREIO DA VENEZUELA 12 A 18 DEZEMBRO DE 2007

Casal de idosos preparava visita a Portugal Jean Carlos de Abreu Érika Correia

árbaro, hediondo e selvagem foram alguns dos adjectivos empregues pela imprensa venezuelana no passado fim-de-semana para classificar as mortes de Ana e Jaime de Oliveira, de 62 e 73 anos, respectivamente. Foi o quarto duplo homicídio registado em Caracas em 24 horas. O crime foi cometido na passada sexta-feira, no interior do apartamento do casal, situado na urbanização de La Colina, na avenida Principal de La Salle, em Los Caobos. Coube a um dos filhos encontrar os corpos. A casa estava num caos e no meio dela estavam os seus "velhinhos". Segundo a polícia, o pai apresentava 23 golpes de arma branca no peito e a mãe terá sido várias vezes golpeada na cabeça até à morte com um objecto semelhante a um bastão. Ao tomar consciência do que se tinha passado, Jaime te-

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lefonou imediatamente ao irmão Carlos, conseguindo apenas dizer, com a voz embargada: "Mataram os nossos velhinhos". A polícia está à procura de dois indivíduos que, aparentemente, ganharam a confiança do casal até ao ponto deste lhes encomendar arranjos no seu apartamento. Um vizinho ouvido pelo CORREIO comentou que, há pouco tempo, Ana Oliveira tinha oferecido uma mesa aos dois homens que no dia do crime foram vistos novamente a entrar com ela no edifício, desta feita para fazer uma reparação. Os assassinos terão levado cerca de mil dólares e 2,5 milhões de bolívares em dinheiro, duas armas de fogo que estavam em casa para protecção e ainda diversas chaves. Há vários anos que Jaime Oliveira andava com dificuldade, com a ajuda de uma bengala, como consequência dum acidente vascular cerebral (AVC). Ana Oliveira ainda estava ac-

Maria Helena Oliveira

Alfaro Ramos

tiva e levantava-se todos os dias às 3h30 para preparar as empanadas que ia vender no quiosque que tinha em frente do edifício onde residia. O casal era conhecido por toda a gente da urbanização. Alfaro Ramos, dono do supermercado Oakland, comentou que Ana era sua cliente desde há muitos anos e que todos os dias, pelas 15 horas, passava no seu estabelecimento para comprar ingredientes para as empanadas. "Era uma excelente pessoa, muito conversadora. Es-

tou indignado e peço justiça, pois isto não pode ficar impune", clamou. "Há uma tristeza imensa, indignação e dor. Chorei muito quando soube", confessou Maria Helena Oliveira, uma filha de madeirenses que é a proprietária da padaria onde Ana comprava pão todos os dias. "Ela também fazia sandes de bacalhau e de pernil para vender. Falávamos todos os dias. Deu-me muito carinho durante os anos em que nos conhecemos", contou esta lusodescendente, la-

mentando que a "zona esteja muito perigosa." Foi assaltada três vezes nos últimos dois meses. "A última vez que falei com a senhora Ana, ela perguntoume se eu conhecia alguém no Consulado porque estava pensando viajar a Portugal visitar a sua família em Aveiro", disse a madeirense. Chegado à Venezuela, o casal Oliveira, natural de Aveiro, começou por trabalhar na limpeza dum edificio. Jaime dedicou-se depois à construção civil e, mais tarde, à profissão de taxista até sofrer o ACV que o obrigou a reformar-se. Ana assumiu então por completo as 'rédeas' da família, dedicando-se ao quiosque. "Dedicaram a sua vida a este país e como lhes pagaram...", lamentou o filho Carlos, em declarações à imprensa, quando foi interpelado na morgue para onde os pais foram levados. "Aqueles assassinos roubaram a minha vida inteira, que era o meu pai e a minha mãe", gritou.


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CORREIO DA VENEZUELA 12 A 18 DEZEMBRO DE 2007

Violência instalada em Carayaca m grupo de vizinhos de Carayaca, enlouquecidos por causa de um crime cometido contra um residente da zona durante uma rixa na povoação de Tarma, tentaram incendiar a esquadra da Polícia do Estado Vargas quando pediam aos agentes que lhes fosse entregue o homicida para ser linchado. Cenas como esta têm-se tornado habituais nesta zona montanhosa de Vargas. Os habitantes do sector, face aos altos índices de insegurança, sentem o desejo de fazer justiça pelas próprias mãos. Comerciantes, vizinhos e cidadãos em geral fazem reuniões semanais para discutir o problema de segurança. Consideram inadmissível que pas-

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sado mais de um mês da morte ASSALTOS DIÁRIOS do português Silvino Miranda, EM AUTOCARROS Colectivos de Carayaca é a a policia ainda não tenha dado com nenhuma pista dos as- companhia de autocarros que sassinos. "Não sabemos nada, faz os percursos Carayaca - La tudo está igual", comenta a fa- Guaira, Carayaca - Junquito e mília do malogrado madeiren- vice-versa, propriedade de Mase. "Destaca-se a presença da nuel de Sousa, madeirense Guarda Nacional que são os oriundo da Serra de Agua. No passado sábado, conta, únicos que ainda fazem alguforam assaltados ma cosia", comenduas das suas viatutou outro comerras. Tanto o conduciante. Um probleAos fins-de-semana tor como os passama crónico a população de geiros foram despoverifica-se quase Carayaca se sente jados de dinheiro, sempre aos fins-deabandonada pelas telemóveis, relógios semana, quando a forças policias . ou de tudo o que população de Caratinha valor. yaca se sente abanO madeirense donada pelas forças policias já que os "gangues de diz sentir-se cansado de tanto meliantes passeiam por toda a assalto. "É todos os dias", assezona central da paróquia, sem gura. Depois há o medo de que alguma tragédia aconteça. que a polícia faça nada".

RIF.: J-30990700-0

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"Há uns dias atrás um autocarro foi baleado", refere, mostrando um pneu perfurado por várias balas. "É lamentável, mas estamos nas mãos da delinquência. Precisamos de mais vigilância policial nas estradas para que haja mais segurança", pede. CASAS TAMBÉM NÃO ESCAPAM A tragédia também tocou à porta de outro lusitano de Carayaca. É o caso de Florentino Marques, oriundo de São Roque do Faial, residente há muitos anos neste sector. Este homem do campo, proprietário duma fazenda nos arredores de Cataure, terra fértil em abacate, foi visitado na noite do passado sábado por assaltantes com as caras tapadas revolveram a sua moradia e, de-

pois de ameaças e agressões físicas (foi amarrado e espancado selvaticamente) levaram consigo dinheiro, jóias e outros pertences. Florentino Marques, 70 anos de idade, muito querido na zona onde reside, ainda não saiu de casa depois do sucedido e encontra-se visivelmente de saúde afectada em consequência dos golpes sofridos. A população de Cataure sente uma profunda consternação com este caso que já foi entregue à polícia local. COMERCIANTE

ATROPELADO

MORTALMENTE

Arturo de Freitas, 40 anos, natural do Arco da Calheta, morreu na madrugada de sexta-feira, em La Guaira, Estado Vargas, na sequência de um


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Esposa pede a raptores que libertem madeirense

Os habitantes do sector, face aos altos índices de insegurança, sentem o desejo de fazer justiça pelas próprias mãos.

atropelamento. Depois de terminar a jornada de trabalho, no bar La Fortuna, dirigiu-se até à paragem de autocarros públicos, pelas 5h30, para apanhar a carreira que o levaria até casa, situada na zona montanhosa de Carayaca. Foi enquanto esperava, que um automóvel, conduzido a grande velocidade, o colheu mortalmente. O condutor, um jovem de 17 anos, fazia-se acompanhar por dois colegas, também adolescentes. Os jo-

vens foram identificados pela polícia. O CORREIO apurou que o condutor terá pegado no carro da irmã sem o conhecimento desta. Adriana de Freitas, sobrinha da vítima, contou que o emigrante deixa mulher e quatro filhos, com idades compreendidas entre os 15 e os 22 anos. Na Madeira, a notícia foi recebida com profunda consternação pela mãe e irmãos, que não viam Arturo de Freitas há cerca de oito anos, desde a última vez que visitou a ilha.

A forma como se deu o acidente que vitimou mortalmente o emigrante, que chegou à Venezuela com 19 anos de idade, levanta a hipótese de se ter tratado de acto criminoso por motivos de vingança, daí que tal possibilidade esteja também a ser investigada pela polícia. A família está contudo convencida de que tudo não passou de um acontecimento trágico, pois, esclarece, Arturo de Freitas não tinha inimigos e só se dedicava a trabalhar.

Carmem América Rangel, esposa do comerciante, Agostinho de Sousa Correia, sequestrado ha duas semanas em San Felipe, apelou aos raptores para que libertem o madeirense, porque não têm fortuna para pagar um eventual resgate. "Faço uma chamada de consciência aos sequestradores do meu marido, para que o libertem, porque nós não temos dinheiro para pagar um resgate, somos pessoas muito trabalhadoras, que nos levantamos cedo e nos deitamos tarde para poder cobrir os nossos gastos", disse. Carmem América Rangel explicou que os únicos bens do casal são "o restaurante Arepera El Punto e uma carrinha pick-up" e por isso acredita que "os sequestradores se enganaram ao levar o meu marido". Sublinhou ainda que o casal tem "um bebé que nasceu há um mês" e insistiu "que o libertem são e salvo porque o meu filho e eu necessitamos dele junto de nós". Carmem América Rangel indicou ainda que "Agostinho de Sousa Correia, é um homem doente, sofre de tensão arterial elevada e tem uma hérnia". Três homens armados sequestraram, na terçafeira, dia 4 de Dezembro, o comerciante Agostinho de Sousa Correia, natural do Campanário, Madeira, quando lia um jornal, pouco depois de abrir o seu restaurante, na localidade de San Felipe, Estado de Yaracuy.

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CORREIO DA VENEZUELA 12 A 18 DEZEMBRO DE 2007

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Programa de Natal e Ano Novo do concelho de Machico As luzes de Natal já foram acesas em Machico. Parte da iluminação foi ligada na passada sextafeira dia 30 de Novembro. Câmara Municipal de Machico apresentou o seu programa de Animação de Natal e Ano Novo, que decorrerá de 30 de Novembro 2007 a 6 de Janeiro 2008. O programa de actividades arrancou a 30 de Novembro, às 14h30, com a actuação da Tuna de medicina da Universidade de Coimbra, por entre as principais artérias da cidade, iniciativa organizada pela Junta de Freguesia de Machico. Em 2 de Dezembro seguiu-se, pelas 21 horas, o Recital de música de câmara com Madeira Camerata da Orquestra Clássica da Madeira, que teve lugar no novel Fórum Machico, com entrada Livre. A 9 seguinte teve lugar, a partir das 9 horas, a actuação do Grupo de Danças e Cantares de Água de Pena, que também se desenvolveu pelas principais artérias da cidade. Na quinta-feira, 13, realizou-se o Espectáculo de Natal “O Natal dos Bonecos”, a cargo do Grupo de Tea-

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tro e Coro Infantil da Associação Flores de Maio (escolas dos 1º, 2º e 3 Ciclos), que decorreu às 11h30 e 15h00, no Centro Cívico do Porto da Cruz, sob a responsabilidade da Associação Grupo Cultural Flores de Maio. Para o dia 15, sábado, pelas 20 horas, está prevista a realização do mesmo espectáculo em idêntico local. Um dia depois, às 10 horas, será a vez do Grupo de Folclore da Casa do Povo do Porto da Cruz entrar em acção, percorrendo as principais artérias da cidade. Uma horas mais tarde, decorrerá o X Grande Prémio de Natal em Atletismo – Machico 2007, com partida do Largo do Município. Para o dia 19, quarta-feira, entre as 9 as 14 horas, será realizada a iniciativa Volei Brincando, na Praça do Forum. A 20 de Dezembro, pelas 18h30, as ruas serão desta feita percorridas pelo Grupo de Folclore da Casa do Povo do Caniçal. Dois dias depois, pelas 20 horas

de sábado, tem lugar o Espectáculo de Natal pelo Grupo de Teatro da Casa do Povo do Caniçal, no Centro Cívico desta freguesia, sob organização da Casa do Povo local. No dia seguinte, pelas 10 horas, actuará o Grupo dos Borracheiros, mais uma vez pelas ruas de Machico. Idêntico percurso será seguido no dia27, pelas 18h30, pelos membros do Grupo de Folclore de Machico. Para o dia 29, às 17 horas, está prevista a actuação do Grupo Cultural e Recreativo da Casa do Povo de Santo António da Serra. Mais tarde, pelas 21 horas, realizar-se-á o Espectáculo com os Grupos Artísticos da Banda Municipal de Machico no Fórum Machico, sendo a entrada livre. No último dia de 2001, a partir das 22 horas, o Grupo Musical “São de Leste” iniciará a “contagem de decrescente”, no Largo do Município, até às 0 horas de 2208, que será assinalada com um espectáculo de Fogo de Artifício, ao longo da Promenade

de Machico. Ao quarto dia de 2008, na sextafeira, pelas 21 horas, decorrerá um concerto em honra do Ano Novo, Encontro de Coros Cidade de Machico, na Igreja Matriz de Machico. A organização deste evento estará a cargo do Grupo Coral das Casas do Povo do Concelho de Machico. No dia 5, chegará a vez de “Cantar os Reis” com os grupos de folclore e coral do Concelho de Machico, no Largo da Igreja de Machico, a partir das 20h30. O programa de festas de Natal e Ano Novo preparado pela Câmara de Machico termina no dia 6 de Janeiro com as seguintes actividades lúdico-culturais: Cantar dos Reis às 15 horas no Largo do Santo da Serra, numa organização do Grupo Cultural e Recreativo da Casa do Povo de Santo António da Serra; e, duas horas depois, com um Concerto de Reis, no Centro Cívico do Porto da Cruz, da autoria da Associação Grupo Cultural Flores de Maio.


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Parque de Diversões vai estar em Machico de 7 Dezembro a 6 de Janeiro, no Largo da Praça

Presépio da autoria de João Egídio

Machicoiluminado Já estão acesas as iluminações natalícias no centro urbano de Machico. As iluminações alusivas à quadra festiva que se aproxima acenderam-se na cidade da zona Leste da Madeira na semana passada e vão estender-se agora a outros locais dos dois Municípios, nomeadamente nos centros das freguesias e junto das igrejas e capelas.

Dando forma a diversos motivos associado ao Natal, a urbe machiquense tem agora mais luz e cor, emprestando desde já o ‘cheiro’ característico das festividades de Natal e Passagem de Ano. Mais um motivo de interesse, não só para locais, como também para os forasteiros, que de igual modo já se sentem imbuídos no espírito festivo.

Entretanto a ‘baixa’ de Machico tem já associado às iluminações o tradicional presépio público, erguido uma vez mais no Largo do Município. A iniciativa é da Junta de Freguesia local e contou com a ‘cobiçada’ colaboração de João Egídio, que desta feita optou por recriar em grandes dimensões o tradicional presépio madeirense

em escadinha. A execução do mesmo foi este ano antecipada para o primeiro fim de semana do mês, face à internacionalização do artista madeirense que em Estrasburgo, vai expor os seus reconhecidos dotes na arte de enfeitar cenários, desta feita a convite da presidência portuguesa na União Europeia.


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CORREIO DA VENEZUELA 12 A 18 DEZEMBRO DE 2007

"O jovem do bairro quer o mesmo que o do Country Club" O dirigente estudantil Yon Goicochea fala sobre a Venezuela depois do 2 de Dezembro e sobre o futuro do movimento estudantil venezuelano Tomás Ramirez tomasramirezg@gmail.com

m dos principais líderes do movimento estudantil, Yon Goicochea, estudante da Universidade Católica Andrés Bello, vem assumindo cada vez mais protagonismo na vida política venezuelana desde a sua aparição pública durante as manifestações estudantis em reacção ao encerramento da RCTV. Este jovem, de 22 anos, converteu-se num dos porta-vozes mais importantes da oposição. Goicochea demostrou isso mesmo na quinta-feira, 29 de Novembro, ao dirigir um discurso representativo perante a multidão que se congregou na avenida Bolívar a propósito do encerramento da campanha do bloco do "Não". O líder da juventude ucabista e estudante do quinto ano de direito também terá sido alvo de ameaças à sua pessoa. Verdade ou não, já teve de mudar várias vezes de casa, de número telefone e alterar as suas habituais rotas de deslocações. Para muitos, o trabalho realizado por este jovem de origem vasca no dia das eleições ao chamar a população para votar foi determinante para a obtenção do triunfo do "2D", já que os "exit polls" de cada bloco davam como vencedora, às primeiras horas do dia, a opção do "Sim". Goicochea está trabalhando actualmente na criação dum partido político com membros do movimento estudantil, líderes comunais e artistas. A sua visão de país depois das eleições do 2 de Dezembro assim como as suas opções sobre até onde deve ir o movimento estudantil foram partilhadas connosco através desta entrevista.

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QUAL É A TUA AVALIAÇÃO ÀS ELEIÇÕES DO "2D"?

Creio que foram emblemáticas porque o povo demonstrou a sua vocação democrática. Aqui não se votou pelo ou contra do presidente Chávez, pois muitos chavistas disseram "Não" à sua proposta. Votou-se em prol de uma forma de viver e a maioria do povo venezuelano escolheu a forma democrática de vida. No domingo foram derrota-

Goicochea está trabalhando actualmente na criação dum partido político com membros do movimento estudantil, líderes comunais e artistas.

das a violência, o totalitarismo e a abstenção. QUAL FOI O PAPEL DESEMPENHADO PELO MOVIMENTO ESTUDANTIL NESTA VITÓRIA? Creio que demos um importante contributo porque activamos a rua. Isto deu um ânimo adicional às pessoas para que fossem votar e para que acreditassem que era possível ganhar. Por outro lado, foi muito importante o apelo ao voto. Num país onde a instituição do voto estava tão desprestigiada, e ainda o continua sendo, o facto de que um corpo moral como o movimento estudantil tenha apelado ao voto, incentivou muitas pessoas que de outro modo teriam ficado em casa. COMO FICOU A IMAGEM INTERNACIONAL DO PRESIDENTE CHÁVEZ APÓS O REFERENDO?

O presidente destruiu com os pés o que fez com as mãos. Primeiro reconheceu a derrota mas no dia seguinte disse que tinha sido uma vitória de merda. Creio que se expôs ao ridículo ante os olhos do mundo. É um presidente que destrói a imagem da Venezuela desde o ponto de vista internacional. A política exterior venezuelana deveria ser plural, respeitadora, tolerante e con-

ciliadora porque assim é o povo da Venezuela. Não defendemos que se deva partir para a radicalização do mundo como o está fazendo Chávez, apoiando o Irão ou os regimes totalitários como o de Fidel Castro em Cuba. COMO VÊS A QUALIFICAÇÃO DE "VITÓRIA DE MERDA" POR PARTE DO PRESIDENTE? O presidente Chávez vê-a assim porque perdeu. Creio que essas declarações são muito impróprias para um chefe de Estado. Mostram também muito desespero e desrespeito pelo povo soberano que foi quem decidiu. Penso que foi uma demonstração de debilidade por parte do Presidente. CONSIDERANDO A ATITUDE DO PRESIDENTE, COMO CONSEGUIR A RECONCILIAÇÃO PROPOSTA PELO MOVIMENTO ESTUDANTIL?

Com diálogo e objectivos comuns. Se temos os mesmos problemas, devemos orientarnos na mesma direcção. Nós já estamos a preparar um primeiro encontro com os estudantes chavistas para falar da universidade que queremos no país. Eles não vão deixar de ser chavistas e nós tão-pouco nos vamos converter em chavistas, mas seguramente sairão algu-

mas ideias a respeito do tema concreto da educação universitária. COMO MANTERÁ ESTE MOVIMENTO ESTUDANTIL TENDO EM CONTA QUE MUITOS DOS ACTUAIS DIRIGENTES VÃO SAIR DAS UNIVERSIDADES?

Se conseguirmos gerar instituições para que as gerações de relevo possam participar de forma tão activa, como o estamos fazendo agora, alcançaremos a preservação do movimento. Por outro lado, necessitamos de motivar as pessoas que agora estão no primeiro ano da universidade para que continuem com o movimento. A motivação é importante porque a Venezuela necessita dos seus universitários por muito tempo.

QUAL É O PAPEL QUE O MOVIMENTO ESTUDANTIL DEVE CUMPRIR NA VENEZUELA DEPOIS DO "2D"?

É praticamente o mesmo papel. O movimento estudantil é um movimento social de protesto e de preservação das liberdades. Isto tem que ser exactamente o mesmo até ao final dos seus dias. Deve continuar lutando pela democracia, liberdades, valores e princípios, porque para isso também foi criada a universidade. O melhor das universidades é o seu

conteúdo moral. O QUE É QUE VAI SER FEITO EM REACÇÃO AOS ANÚNCIOS DO PRESIDENTE SOBRE A PROPOSTA DE UMA REFORMA POR OUTRAS VIAS?

Devemos continuar consciencializando o povo sobre o conteúdo da reforma. Manter a luta de rua. Reflexão dentro das universidades. Explicação nos meios de comunicação e sobretudo, potenciar da cultura democrática do venezuelano. Agora, quando ganhámos ao Chávez invencível, sabemos que é possível ganhar ao Chávez derrotado.

COMO ALCANÇAR ESSA CONSCIÊNCIA POLÍTICA A QUE SE REFERE?

Devemos recordar quem somos. Devemos ir às raízes, ao que significa ser venezuelano e ao que queremos para o nosso futuro. O mais bonito da Venezuela é quando um vê as sondagens e se dá conta de que o jovem do bairro quer exactamente o mesmo que o jovem do Country Club. Isso mantém-nos unidos na busca de um país próspero, um país com oportunidades para todos. Todos por igual querem uma casa, um carro, querem viver em paz e tranquilidade e querem paz social. É tudo isto, só que nos falta recordá-lo.


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VENEZUELA

Liderança lusa no bairro Pedregal Délia Meneses

ntónio da Silva é o único português a exercer funções no conselho comunal "Hugo Chávez 93", que surgiu no bairro Pedregal, na zona oeste de Maracaibo, onde o emigrante natural de Maia está radicado há mais de 30 anos. Há cinco anos, Silva dedicava-se ao associativismo apenas no seio da comunidade portuguesa, mais especificamente na Casa Portugal de Maracaibo. "Até que esta foi 'sequestrada' por um grupo de pessoas, que está agora há sete anos no clube sem apresentar contas e sem convocar a eleições", denuncia. Desiludido com esta situação, decidiu envolver-se directamente com os problemas do bairro Pedregal. Há cinco meses foi eleito como porta-voz da Mesa Técnica de Água do Conselho Comunal, onde é responsável pela apresentação de projectos para melhorar a qualidade de vida da comunidade nesta área. O projecto mais importante que tem entre mãos consiste em criar um canal para recolha da água da chuva de modo a aliviar o caudal de água dentro do sector. "Quando chove a água desborda-se e leva ao colapso da rede de esgotos", explica. Paralelamente ao trabalho comunitário, António da Silva, cuja tendência política qualifica como "independente", mantém o vínculo com a terra natal através do programa radiofónico "Así es Portugal", do qual é locutor há mais de dez anos. Reconhece virtudes ao sistema socialista que apregoado pelo presidente Chávez. "Vai haver menos pobres e menos ricos. O fosso vai diminuir. Para isso é o socialismo, para que se redistribuam as riquezas e o poder. Mas já não vai ser tão fácil fazer dinheiro, pois vai haver outras prerrogativas que terão os

A

trabalhadores nas suas reivindicações", antevê. António da Silva vê com bons olhos que os conselhos comunais recebam recursos directamente do Governo, sem passar pelas câmaras municipais e as governações. "Antigamente, nas chamadas juntas de vizinhos, o dinheiro ficava reduzido a amizades ou pequenos grupos, e essa junta só se manifestava quando acabava o seu período", lembra. Na sua opinião, a principal bondade dos conselhos comunais é a possibilidade de os cidadãos poderem participar activamente na transformação da sua comunidade. "No bairro Pedregal existem 1.200 pessoas, das quais 140 estão a trabalhar no conselho. Se há algum desvio de dinheiro é mais fácil dar-se conta". No seio da Mesa Técnica de Água, trabalham 25 pessoas. Destas, 18 são partidários do actual governo e 6 são independentes. Para ser eleito, António da Silva foi escolhido pela comunidade num acto que se realizou em plena via pública do bairro Pedregal. O emigrante explica que cada Conselho recebe três emissões de remessas de dinheiro: Uma para o registo e arranque da organização comunitária; outra para a casa fundacional; e uma terceira para terminar os serviços básicos da comunidade de forma a consolidar o bairro ou o sector e ainda promover a substituição de casas insalubres (casas de chapas e cartão) por casas com materiais à base de cimento. Há ainda remessas destinadas aos orçamentos e financiamentos de cooperativas sociais e pequenas empresas urbanas, como por exemplo, costureiras, sapateiros, manicuras, carpinteiros, etc. "É normal encontrar cidadãos da oposição nestes órgãos comunais, ainda que em principio não partilhem das ideologias do presidente Chávez. Mas estão porque têm vontade de trabalhar para melhorar as condições de vida da comunidade onde vivem".

Breves

398 mortos este ano nas prisões As rixas em diferentes cárceres venezuelanos já custaram este ano a vida a pelo menos 398 presos, segundo o Observatório das Prisões, organismo que denunciou também que alguns dos detidos foram queimados, decapitados e mutilados. Segundo dados do Observatório, 378 presos foram assassinados entre 01 de Janeiro e 31 de Novembro de 2007. A estas estatísticas, juntaram-se outros 18 mortos durante o motim de domingo no

Centro Penitenciário de Ocidente, no Estado de Táchira e outros dois no Internato Judicial de Los Teques, próximo da capital. A violência nas prisões venezuelanas causou ainda ferimentos em 883 presos, entre 01 de Janeiro e 31 de Novembro de 2007. Os números representam um aumento significativo com relação a 2006, altura em que, segundo o Observatório, 370 presos foram assassinados e outros 713 feridos. Na enezuela existem 30 centros prisionais.

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Da Silva mantém o vínculo com a terra natal através do programa radiofónico "Así es Portugal". PUBLICIDADE


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CORREIO DA VENEZUELA 12 A 18 DEZEMBRO DE 2007

História de Vida Maria Ângela cumpriu o seu sonho

Maria Ângela Rodrigues Figueira Ribeira Brava, Madeira

abundavam lá muito era preciso dar duro. Em tempos de crise, por vezes, nem comíamos, mas nunaria Ângela Rodri- ca faltou comida para o meu únigues Figueira, 69 anos co irmão e mais novo. Muitas vede idade, natural do zes a fruta foi a nossa salvação". Campanário, uma das Sentada numa cadeira impefreguesias da Ribeira Brava, emi- cavelmente restaurada, as lemgrou para a Venezuela quando branças vão saindo sem quase ser tinha 11 anos pensando que ia de questionada. A pousada da priférias. Regressou aos 15 anos para ma, no Bom Despacho em Camconhecer a família do seu marido panário, porventura servem-lhe e desde então nunca mais voltou de inspiração... "O mesmo sentià sua terra natal. mento que tive ao chegar à VePara trás ficam 54 anos de re- nezuela tive-o quando cheguei cordações e de saudades da sua agora aqui. Quando lá cheguei, casa, das ovelhas, mas fundamen- tudo era tão diferente da Madeitalmente da terra que a viu nas- ra. O mesmo pensei quando vim. cer. Curiosamente, o seu regres- Tudo tão diferente da Venezuela! so à Madeira proporciona-se por- A limpeza das ruas, as flores, a que vence um concurso lançado tranquilidade que se vive e sente, pelo semanário Correio de Ve- são coisas que impressionam nezuela. Um prémio pela histó- qualquer um. Até eu, que já vivi ria de vida que posmuito nesta vida", sui e pelo sonho que diz. tinha de vir à ilha, A limpeza das ruas, Depois de 35 nem que fosse pela anos casada, o divóras flores, a última vez. cio "bateu-lhe à portranquilidade que se Talvez pelo tracom quatro filhos vive e sente, são coisas ta", balho árduo da agripara sustentar e educultura que marca que impressionam car, um dos quais, Joindelevelmente qualão Rodrigues, segue qualquer um. quer um, Maria Ânatentamente o seu gela não é diferente depoimento, solta aos demais e recorda as muitas ainda um castelhano adocicado horas passadas em cima da terra a com o sotaque Venezuelano: "Fue trabalhar para sobreviver. A fa- con mucho trabajo", mas de remília, curta de gente humilde e pente o filho avisa: "Mamã em trabalhadora, apenas tinha na português por favor!". mãe e no seu irmão os parentes "Consegui apesar das muimais chegados. O pai estava na tas dificuldades dar estudos aos Venezuela decidido em mandar meus quatro filhos. Todos sem buscar os restantes elementos. excepção tiraram os seus cursos. Lembra-se que era preciso João é engenheiro químico, José é forçar o andamento da vida para Físico. Manuel é médico e Franrecolher a maior quantidade de cisco que não queria estudar tem alimentos possível. "Sabe, não dois cursos", adianta orgulhosaVictor Hugo Camacho DN Madeira

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mente. Nota-se-lhe o cansaço dos anos de trabalho que leva. Ainda assim, diz que não quer parar de trabalhar e manter as suas coisas em Vista Alegre, onde possui um apartamento. "Voltar de vez?, claro que viria, mas não tenho nada aqui. O meu marido deixou-me sem nada, nem lá nem cá. Houve um dia que até fiquei sem os móveis da casa e queriam levar os livros dos meus filhos. Foi preciso pedir quase por amor de Deus para a Juíza deixar ficar, mas sob garantia de inventário". Mas garante se tivesse apoio do Governo Regional viria sem menor dúvida: "se me apoiassem numa atribuição de uma casinha ou de um apartamento, mas sei que é difícil isso acontecer, mas não custa tentar pedir", refere. "Olhe, vamos mudar de assunto e falar da Madeira, afinal foi para isso que veio aqui não foi?", a expressão do repórter quiçá disse quase tudo. "Pois, eu bem sabia", remata. "O meu filho veio há oito anos, e agora já me confidenciou que a Madeira já estava muito mudada, agora imagine 54 anos", solta um sorriso. Maria Ângela, ajeita a mão pelo cabelo e solta: "muito desenvolvimento, muitos túneis, estradas por tudo lado", mas de imediato lá vem a Venezuela "à baila": "Olhe, na Venezuela são quase todas as mesmas. Os carros crescem e as estradas, essas, são quase todas iguais... coisas do socialismo e do Chavez", assegura. "Alberto João Jardim, esse homem merece uma estátua, acho que as pessoas daqui devem agra-

Maria Ângela e o filho João Rodrigues na Madeira, graças a rúbrica História de Vida.

decer pelo que tem feito pela Madeira. Se fosse no país da América Latina, acredite que nem metade disto era feito", frisa. Incrédula com as políticas que Chavez leva a efeito, não entende como um país tão rico e tão produtivo vive uma situação aflitiva. "Venezuela é um país cheio de oportunidades, onde a riqueza e a pobreza vivem lado a lado, mas quem sabe e pode, a verdade é que tem grandes possibilidades de sair-se bem na vida", acrescentando que "esperança de ver o regime alterado é sem dúvida um desejo que acalento. Não podemos viver eternamente

nesta aflição", diz Do alto dos 69 anos de idade, a economia é analisada também por Maria Ângela, uma empregada doméstica. "O que o presidente Chavez está a fazer é desequilibrar a confiança dos investidores e dos donos das empresas. Actualmente, por insegurança judicial não se vê empresas a investir, ou seja o que acontece é que as pessoas trabalham para viver. ". Antes de terminarmos a conversa despede-se com uma frase misturada com uma valente gargalhada: "espero que a próxima vez não leve tanto tempo".


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12 A 18 DEZEMBRO DE 2007 CORREIO DA VENEZUELA

"Anjos Brancos"

Ana María de Oliveria e Gregoria de Pereira

Edgar Barreto de Gouveia ebarreto@correiodevenezuela.com

a quadra natalícia é costume a realização de actividades de índole social em muitos hospitais da Venezuela e do Mundo. Uma delas é levada a cabo por um grupo de "enfermeiras espirituais", que ajudam os pacientes sem recursos proporcionando-lhes produtos para a satisfação das suas necessidades básicas ou em termos de medicamentos. São os chamados "Ángeles Blancos" (An-

N

jos Brancos) ou "Acção Voluntária de Hospitais”, um grupo de mulheres que, por meio de cursos, tratam de atender os doentes levando-lhes um pouco de amor e alegria. Em Punto Fijo, Estado Falcón, mas especificamente no Hospital Doctor Rafael Calles Sierra, existe um pequeno grupo que se dedica a este trabalho de beneficência, que nasceu por iniciativa do Monsenhor Juan María Leonardi Villasmil, bispo da Diocese de Punto Fijo.

CULTURA

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Breves Algumas lusitanas, que se entregaram à vocação pastoral, também integram este grupo. Ana Maria de Oliveira, de origem açoriana, é uma das fundadoras de "Ángeles Blancos". Foi devido às "grandes necessidades afectivas e económicas sentidas pelos pacientes nos hospitais que se iniciou a procura de voluntários" para esta causa, explica. No princípio, recorda Oliveira, as coisas não correram bem por causa da distância em relação à capital e também pelos recursos económicos. "Foi só em 2006, que se decidiu reiniciar formalmente as conversações e reuniões com todos os interessados em colaborar nesta causa". A comunicação com Caracas e com Esperanza de Rojas deu os frutos desejados pelo que foi possível iniciar a formação do grupo na cidade de Punto Fijo, "com o nosso respectivo curso básico de capacitação". São os "Ángeles Blancos" os que financiam, muitas vezes, a expensas próprias, medicamentos caros e a comida disponibilizada aos pacientes que se encontram em situações complicadas. "Sempre nos esperam com os braços abertos para escutarmos, rezar em conjunto e falar sobre as suas tristezas e alegrias. É isto o que procuramos: ajudar tanto quanto possível na sua saúde física e espiritual".

Museu de Punto Fijo acolhe a nossa história Edgar Barreto de Gouveia ebarreto@correiodevenezuela.com

Fundos para a ampliação do Museu de Antiguidades estão a ser angariados na cidade de Punto Fijo.Este espaço pretende promover a construção de uma nova ala para acolher parte da "história" dos descendentes de outras latitudes, na qual os portugueses terão uma parte fundamental. O director do Museu, José Bracho, explica que esta iniciativa nasce devido à preocupação que existe por resgatar "o que é nosso de modo a não se perder a nossa entidade nem a memória que temos dos paraguaneros, porque não há futuro sem passado". O Museu de Antiguidades recebe anualmente doações de pessoas da península de Paraguaná, através da entrega de determinados objectos."Queremos continuar o exemplo dos portugueses porque eles, através da sua cultura, tradições e belas danças vivem as suas raízes e semeiam-nas", disse Bracho, revelando que se está a tratar de criar um espaço para os lusitanos no museu da cidade de Punto Fijo."Ficaremos ligados a vocês em todos os níveis, tanto sociais como culturais", afirmou.

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CULTURA

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CORREIO DA VENEZUELA 12 A 18 DEZEMBRO DE 2007

20 crianças recrearam "nacimiento viviente" Erika Correia

Salão Nobre do Centro Português acolheu, na passada sexta-feira, 7 de Dezembro, o muito aguardado presépio ('nacimiento viviente'), organizado por Natália de Abreu, reconhecida promotora de actividades culturais e musicais da instituição. Três semanas foi o quanto foi preciso para os organizadores prepararem as 20 crianças que participaram na representação. Muitas caras novas integraram este grupo, que foi aplaudido incansavelmente por todos os assistentes, num acto marcado por muita paz e fraternidade. Para Cita da Silva, presidenta da Comissão de Damas do Centro Português, este tipo de eventos simbolizam uma tradição de muitas décadas, que têm passado de geração em geração e que são motivo para re-

O

cordar épocas e natais passados. "Todos os anos trata-se de fazer algo diferente ao nível da cenografia, mas sempre mantendo o mesmo estilo que nos tem caracterizado durante anos. Escassos dois ensaios por semana foi o que tiveram estas crianças para praticar e ficou perfeito", qualificou. Como animação especial, o grupo Coral Infantil do clube dedicou um recital de canções natalícias. Silva convidou todos aqueles sócios que tivessem pequenos para se motivarem e participarem numa actividade tão apelativa para a época como é o "nacimiento viviente". "Esta obra é sempre muito linda e emotiva, é aberta a todos, e sempre há oportunidades para todos", lembrou. No princípio é um "pouco difícil contactar as crianças, mas depois de participarem no primeiro ensaio, gostam tanto que põem cada um o melhor de si para que tudo resulte o melhor possível."

Muitas caras novas integraram este grupo, que foi aplaudido incansavelmente por todos os assistentes.

Paco Bandeira põe fim à carreira cantor e compositor Paco Bandeira disse adeus aos palcos com um último concerto em Elvas, sua terra natal, onde para além de apresentar o seu mais recente álbum, 'O Canto do Espelho', disse adeus às luzes da ribalta. Foi o ponto final numa carreira de 40 anos e muitos êxitos. Embora tivesse sido levantada a hipótese de levar alguns amigos do mundo artístico para a sua anunciada despedida, o cantor disse ter preferido um concerto em ambiente mais familiar. "Não queria que o espectáculo fosse um grupo de amigos a dizer bem de mim como se fosse uma lavagem de ego", justificou o músico. Em palco, além de Paco Bandeira estiveram apenas dois jovens elvenses que cantam músicas do compositor. "Foi uma passagem de testemunho agora que me retiro", referiu. Paco Bandeira é o nome artístico pelo qual se tornou conhecido Francisco Veredas Bandeiras que nasceu 2 de Maio de 1945, na cidade alentejana e fronteiriça de Elvas, Portugal. As características da sua região natal, tais como as planícies e as searas, a interioridade da província portuguesa, a fronteira com a Extrema-

O

dura, de Espanha, acabaram por marcar indelevelmente a sua música. CARREIRA ARTÍSTICA Aprendeu a tocar guitarra com a ajuda de um tio e aos 14 anos tornase guitarrista e vocalista do grupo

Paco Bandeira

Cuban Boys, com o qual deu vários concertos em Portugal e Espanha. O primeiro dos seus sucessos foi "A Minha Cidade" (mais conhecida por "Ó Elvas, Ó Elvas"), seguindo-se outros tantos êxitos, tais como "É Por Isso Que Eu Vivo", "Chula da livração" ou "Ceifeira Bonita". Em consequência destes êxitos, inicia uma intensa carreira internacional junto das comunidades por-

tuguesas no estrangeiro, actuando em palcos e televisões de Espanha, Itália, EUA, Austrália ou Canadá. Em 1982, edita o álbum "Malhas, Malhões e Outras Canções", com arranjos de Pedro Osório, cujo repertório foi registado também num programa para a RTP, intitulado "A Vez e a Voz". Em 1987, Paco Bandeira edita o seu vigésimo disco LP, intitulado "Com Sequências", com letras de Pedro Bandeira Freire. Em 1992, apresenta em Lisboa, no Teatro Municipal de São Luís, o seu disco "Aqui Para Nós", em que cada ingresso dava direito a um CD. Em 1994, edita o seu vigésimo quinto álbum intitulado "Cantigas Entrelaçadas", na mesma altura que preparava um programa para a RTP intitulado "Cantares de Amigo", exibido um ano depois. Em 2006 lança uma antologia de alguns dos seus maiores sucessos, num duplo álbum intitulado "Paco Bandeira: Uma vida de canções", que se torna um enorme sucesso de vendas. Em Outubro de 2007 editou o álbum "Canto do espelho", com dez temas originais, cinco dos quais contam com os coros a cargo do Coral Harmonia de Santiago do Cacém.

Coral do CP visitou Falcón Edgar Barreto de Gouveia ebarreto@correiodevenezuela.com

A paróquia de Nossa Senhora de Fátima, na localidade de Caja de Agua, em Punto Fijo, Estado Falcón, recebeu o grupo Coral do Centro Português para um espectáculo memorável que possibilitou a todo o público presente o prazer de apreciar um belo recital no interior da igreja construída em honra da padroeira dos portugueses. O coral apresentou-se ainda em vários povoamentos do Estado Falcón. "Acho muito bonito que o Coral do Centro Português de Caracas nos tenha deleitado com grandes melodias e considero que foi uma grande iniciativa, já que nunca se tinha trazido um grupo cá e muito menos do Centro Português.Desta forma enriquece-se os lusitanos e luso-descendentes", comentou Miguel Gouveia, um descendente de lusos da zona

de Minho, Portugal continental, e membro do agrupamento luso-venezuelana "Nova Geração". Jesús Ochoa, recém-licenciado pelo Instituto Universitário de Ciências Musicais, é o director do Coral desde há dois anos."O nosso repertório é universal, pelo que temos desde a música latinoamericana, venezuelana e portuguesa", disse. Esta a primeira vez que o Coral visitou a Península de Paraguaná, numa digressão que deleitou o público com músicas como Vinho Verde, Bailinho da Madeira, A Madeira é um jardim, entre outras.O director de Cultura do Centro Português, José Carlos Rebelo, disse que um dos motivos que levou o grupo coral a deixar Caracas para deslocar-se à Península foi o facto de querem partilhar as celebrações do seu 11º aniversário.


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12 A 18 DEZEMBRO DE 2007 CORREIO DA VENEZUELA

Festa minhota em prol do Lar de Maracay

Chico Avila deleitou ao público.

Integrantes da comissão organizadora da festa do Minho.

ma vez mais, a comunidade minhota em terras de Simón Bolívar levou a cabo a Festa do Minho na Venezuela. Há três anos, o primeiro convívio deste género reuniu 600 pessoas, e este ano esse número aumentou para 800. O salão nobre do Centro Português em Caracas foi o ponto de encontro e união de muitas famílias minhotas, e não só, que lembraram as suas tradições, em companhia dos seus filhos luso-venezuelanos. Na festa do Minho, a comissão organizadora procura sempre que ha-

ja, no final do evento, saldo positivo que possa ser doado a uma instituição de beneficência na Venezuela, dedicada aos Portugueses. No ano passado, a instituição escolhida foi o lar da terceira idade Padre Joaquim Ferreira, de Los Teques, tendo sido oferecida a soma de 7 milhões de bolívares. José de Matos Barreiro Pereira, natural de Santa Maria da Feira, organizador do convívio, informou que o que se conseguiu angariar este ano e o montante que se vier a arrecadar no ano que vem destina-se ao Lar Geriátrico luso-venezuelano de Mara-

U

cay. O cantor português Chico Ávila foi o convidado especial nesta 3.ª Festa do Minho. Natural do Pico, Açores, e radicado na Califórnia, Estados Unidos, Ávila defendeu, em Caracas, que a música portuguesa é mais respeitada pelos emigrantes que pelos lusitanos que residem em Portugal, país onde por vezes o que é americano é prioritário. "Apelo às rádios que promovam a música portuguesa". Para além deste cantor, actuaram no jantar convívio o grupo folclórico Os Lusíadas, a orquestra Klasse, Celeste Moreira e o 'coplista' Sílvio.

Espetada e bacalhau juntaram 400 pessoas Amigas da Espetada de Maracay realizaram a festa de Natal na Casa Portuguesa de Maracay s Amigas da Espetada de Maracay realizaram a festa de Natal na Casa Portuguesa daquele estado, onde se reuniram mais de 400 pessoas, no salão Luís Vaz de Camões desta associação. Ana Maria de Abreu, presidente das Amigas da Espetada do estado Aragua, referiu que a festa teve como objectivo o convívio entre todos, pois estavam também presentes os compadres da Academia do Bacalhau. Mas para além do convívio, outro dos objectivos era arrecadar fundos para o lar de Maracay, que está prestes a abrir as portas, no mês de Janeiro, segundo o presidente da

A

instituição, Nelson Coelho. Um musical com toques natalícios e com a actuação de mais de 20 crianças a representar o presépio enterneceu ao público. As duas academias ofereceram como prato principal o bacalhau à "vizcaína" com os acompanhamentos tradicionais da cozinha portuguesa A associação dirigida por Ana de Abreu é composta por cerca de 100 amigas "mas temos chegado a ter até 280 amigas nos nossos jantares, que organizamos todos as segundas-feiras de cada mês". Nos convívios benéficos da espetada, que surgiram como resposta aos encontros dos compadres da

Academia do Bacalhau, não só há portuguesas como também lusodescendentes e algumas venezuelanas. "Temos vindo a crescer graças à nossa primeira regra, que é fazer amizades e cultivá-las, para além do facto de se realizar uma tertúlia em diferentes restaurantes, o que vem motivando as nossas damas para que percam o medo e aprendam a ser mais abertas". O balanço do ano é positivo para as Amigas da Espetada, que este ano realizaram o I Encontro Internacional na Madeira, num jantar a que assistiram 280 mulheres. Para o ano 2009 já está planeado um encontro no México.

LAZER

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Breves

Biblioteca Digital Europeia permitirá acesso a livros portugueses A Biblioteca Digital Europeia, que em 2011 deverá ter reunido seis milhões de livros, documentos e outros bens culturais de todos os países da União Europeia, poderá facilitar a consulta, em Portugal, de obras de autores portugueses que não existem no país, nem mesmo no depósito da Biblioteca Nacional. Através do projecto de Biblioteca Digital Europeia, "visa-se o alargamento das colecções digitais disponíveis para consulta", assinalou Helena Patrício, responsável pela Biblioteca Nacional Digital (BND), em entrevista à agência Lusa. A BND é uma secção da Biblioteca Nacional que funciona desde 2002, disponibilizando actualmente mais de 9.500 obras digitalizadas, incluindo livros na área da Arte, da História/Geografia, das Ciências Sociais, das Ciências Aplicadas e da Literatura/Linguística e onde se incluem títulos de Camilo Castelo Branco, António Feliciano de Castilho, Almeida Garrett, Alexandre Herculano ou Eça de Queirós. Segundo Helena Patrício, a Biblioteca Nacional integra a rede temática da Biblioteca Digital Europeia, estando prevista, para o final de 2008, "a apresentação de um protótipo de portal para pesquisa e consulta de mais de dois milhões de objectos digitais provenientes de bibliotecas, arquivos, museus e arquivos audiovisuais". A Biblioteca Nacional de Portugal participa igualmente no "The European Library" ("A Bibliorteca Europeia"), um serviço a funcionar desde 2005 que propicia, actualmente, o acesso a recursos - bibliográficos ou digitais - de 47 bibliotecas nacionais de países europeus e que constitui um dos pilares da futura Biblioteca Digital Europeia. A 02 de Março de 2006, a comissária europeia Viviane Reding afirmou, em Bruxelas, que a Biblioteca Digital Europeia permitiria que "a memória colectiva da Europa" ficasse à distância de um "click" feito com o rato do computador e esclareceu que a mesma não seria uma base de dados construída de raiz mas uma página electrónica multilingue onde ficariam reunidos materiais já digitalizados - livros, filmes, fotografias, manuscritos e outros bens culturais das várias instituições dos Estados-membros da União Europeia. PUBLICIDADE


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FUNCHAL

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CORREIO DA VENEZUELA 12 A 18 DEZEMBRO DE 2007

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Acessibilidades previstas p

Do mar à serra, das veredas às vias rápidas, o concelho do Funchal continua a desenvolver-se com novas vias

parceria Governo Regional e Câmara Municipal do Funchal, pretende, até 2011, em termos de acessibilidades, dotar o concelho da capital da Região Autónoma com um conjunto de novas infra-estruturas essenciais para prossecução do seu normal desenvolvimento. Neste esforço caberá também a reestruturação e beneficiação de vias já existentes. Aqui apresentamos os projectos: A ligação Via Expresso Cruz de Carvalho-porto do

A

Funchal (2008); a continuação do Caminho do Lazareto (2010); o novo acesso do Serrado ao Caminho das Neves, S. Gonçalo (2009); prolongamento da Vereda do Pomar para trânsito automóvel, Santa Maria Maior (2008); alargamento do Beco do Ribeiro, Santa Maria Maior, para trânsito automóvel (2008); conclusão da saída leste (ex-avenida Salazar) em 2008; beneficiação do caminho do Lombo, Santa Luzia (2008); arruamento do Beco do Sardinha, aos Viveiros (2008);

prolongamento do Caminho dos Pretos ao Curral dos Romeiros (2008); prolongamento do Caminho da Fundoa de Cima, S. Roque (2009); a COTA 500 (2008); ligação Santa Quitéria-Três Paus, Santo António (2009); melhoria do acesso ao Laranjal Pequeno, Santo António (2009); arruamento nas escadinhas Caminho Velho da Estrela, Poço das Fontes, Santo António (2010); substituição das veredas do Padre Caldeira e do Padre Andrade, São Martinho, (2009 e 2010 respectiva-

mente); passagem pedonal junto à ponte antiga dos Socorridos (2011). Já em curso, para concurso ou em obra, as infra-estruturas viárias da Frente Mar; o Caminho do Arieiro (S. Martinho); o arruamento em substituição da vereda do Pico da Lombada (S. Martinho); o arruamento do Pico do Funcho (S. Martinho); o arruamento Barreiros-Caminho do Pilar; a ligação Santo Amaro-«Madeira Shopping»; as novas acessibilidades ao Vasco Gil, Santo


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para lançar até 2011

António; o alargamento do caminho da Bugiaria, S. Roque; o arruamento Travessa do Tanque, Azinhaga da Cancela, Monte; o alargamento do Caminho dos Tornos-Caminho do Marcos, Monte; o alargamento Caminho do Terço-Caminho das Voltas, Santa Maria Maior; o arruamento na Travessa do Transval para trânsito automóvel, Santa Maria Maior e o alargamento da Vereda das Moças, S. Gonçalo. Ao longo do mandato, irá sendo reforçada a iluminação pública no centro do Funchal, bem como nos

edifícios históricos, se procederá a melhoramentos nos túneis da Cota 40, desenvolver-se-á o plano de construções na área do Tecnopólo, adaptar-se-á o antigo Paiol para sede do Núcleo da Liga dos Combatentes, e proceder-se-á à canalização e regularização da Ribeira dos Socorridos a montante da Ribeira de Vasco Gil, bem como à regularização dos troços terminais das ribeiras de João Gomes, Santa Luzia e Santo António. A construção de uma central interurbana de autocarros ficou prevista para 2011.


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A TAP anunciou que vai reforçar a sua operação para os Açores e Madeira disponibilizando 208 voos extra, entre 15 de Dezembro e 6 de Janeiro, de forma a responder "à procura prevista para a época natalícia".

Bruxelas diz que Portugal está a fazer “bom progresso” nas reformas Comissão Europeia contudo "prioridade elevada" nos seus pontos fracos, nomeadamente melhoria no nível de educação e a flexibilização dos mercados laborais Comissão Europeia considera que Portugal está a fazer "um bom progresso" na aplicação do seu programa de reformas (PNACE), mas pede "prioridade elevada" nos seus pontos fracos, nomeadamente melhoria no nível de educação e a flexibilização dos mercados laborais. O executivo comunitário apresentou terça-feira, em Estrasburgo, a sua avaliação dos progressos feitos pelos 27 Estados-membros da UE em matéria de modernização da economia e tecido social (Estratégia de Lisboa) propondo "recomendações" para cada um deles. A Agência Lusa teve acesso ao projecto de "relatório do Outono sobre a aplicação dos programas nacionais de reformas" onde Bruxelas reconhece que "Portugal está a fazer um bom progresso na aplicação das medidas do programa nacional de reforma [PNACE - Programa Nacional de Acção para o Crescimento e Emprego]", principal-

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mente nas áreas de políticas macro e microeconómicas. O relatório da Comissão Europeia irá influenciar a orientação da estratégia do próximo ciclo (2008-2010) de reformas estruturais que deverá ser lançado no Conselho Europeu da Primavera, em Março de 2008. Na área das políticas de emprego, Bruxelas reconhece que "também foram realizados progressos, mas indica que ainda há muito para fazer na "área importante" da adaptabilidade do mercado do emprego e flexigurança. O executivo comunitário considera que as áreas do PNACE com "fraquezas" que necessitam de ser tratadas com "prioridade máxima" são: melhoria no nível de educação, aprendizagem ao longo da vida, melhoria da adaptabilidade do mercado de trabalho e lidar com a segmentação. Bruxelas acha que estas questões devem ser tratadas no âmbito da realização de mais pro-

gressos com a reforma administrativa, ao mesmo tempo que se mantém controlado o aumento das despesas das transferências sociais. A Comissão Europeia recomenda a Lisboa que "redireccione" a despesa pública para áreas que melhor garantam o "crescimento potencial", ao mesmo tempo que é mantido um "controlo firme" das despesas públicas. Bruxelas propõe ainda a aplicação de medidas que melhorem de forma decisiva os níveis de conhecimento dos estudantes jovens e que desenvolvam um sistema de aprendizagem vocacional que seja voltado para a necessidade do mercado de trabalho. Finalmente, o executivo comunitário quer que Portugal modernize o sistema de protecção do emprego, incluindo a legislação que apoie a flexibilidade e segurança (flexigurança), para reduzir os riscos de níveis elevados de segmentação do mercado de trabalho.

As conclusões da Comissão Europeia também referem a necessidade de Portugal reduzir as emissões de gazes nocivos.

Nova campanha fomenta notoriedade do país ministro da Economia, Manuel Pinho, afirmou que a nova campanha de promoção externa de Portugal, apresentada segunda-feira em Lisboa, quer fomentar a notoriedade do País e transmitir uma imagem forte, dinâmica e inovadora. "O nosso País tem mais valor do que muitos dizem e pensam, e passa relativamente desapercebido", justificou o governante na apresentação pública da campanha publicitária, realizada em Lisboa. Uma situação que não é encarada por Manuel Pinho como um obstáculo mas sim

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O investimento português na área das energias renováveis é outras das mensagens da campanha publicitária agora anunciada.

como "um bom ponto de partida". "É preciso conhecer bem Portugal para se começar a gostar dele", frisou. Clarificar a percepção e a imagem de Portugal é o principal objectivo da campanha, que envolveu um investimento global de três milhões de euros e vai percorrer nos próximos dois meses os mercados de Espanha, França, Alemanha e Reino Unido. Com arranque agendado para quinta-feira, data da assinatura do Tratado de Lisboa pelos Chefes de Estado e de Governo dos 27 Estados-membros da União Europeia, a ac-

ção também será divulgada no mercado português. Com a assinatura "Portugal Europe's West Coast", a campanha aposta na presença de oito personalidades portuguesas que fazem parte de uma "geração de talentos que se está a afirmar a nível internacional" e que tem "garra e gana para vencer", segundo o governante. José Mourinho, Mariza, Cristiano Ronaldo, Nelson Évora, Vanessa Fernandes, Miguel Câncio Martins, Maria do Carmo Fonseca e Joana Vasconcelos foram as caras escolhidas para promover Portugal.


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A transportadora SATA Internacional vai efectuar 54 voos suplementares durante a época de Natal, disponibilizando mais 11.166 lugares para dar resposta ao aumento da procura nesta altura do ano, anunciou a companhia açoriana.

Breves

Défice baixou 3,4% As exportações portuguesas aumentaram 8,9% nos três primeiros trimestres de 2007 e as importações cresceram 4,5%, permitindo um desagravamento de 3,4% do

défice comercial, indicou o INE. As exportações portuguesas ascenderam a 27.815,1 milhões de euros nos nove primeiros meses e as importações atingiram 41.274,2 milhões de euros, com o défice da balança comercial a descer para 13.459,2 milhões de euros. A taxa de cobertura das importações pelas exportações melhorou, passando de 64,7% nos nove primeiros meses do ano passado para 67,4% em igual período de 2007.

Governo poupa 7,5 mil milhões com reforma do Estado O Estado português vai poupar 7,5 mil milhões de euros com a reforma da administração pública, até 2011, de acordo com os dados da actualização do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC). O PEC, já entregue na Assembleia da República e que será enviado para Bruxelas, indica a poupança, em percentagem do Produto

Empréstimo aprovado A Assembleia Municipal de Lisboa voltou a aprovar, desta vez por maioria absoluta, a contracção de um empréstimo de 400 milhões de euros, com os votos favoráveis de todas as

Interno Bruto (PIB), acumulada em cada ano. Em 2011, tendo em conta um PIB de 198,16 mil milhões de euros e uma poupança equivalente a 3,8% da riqueza produzida, o Estado consegue poupar um total de 7,53 mil milhões de euros. Desta poupança, 92% dizem respeito a gastos com pessoal e só os restantes oito por cento são de despesas de funcionamento. bancadas e a abstenção do CDS-PP.Aprovada há uma semana, com as abstenções dos grupos parlamentares do PSD e do CDS, a proposta do presidente da Câmara Municipal de Lisboa para a concessão de um empréstimo de 400 milhões de euros levantou diversas dúvidas por parte de juristas em direito administrativo.Esses especialistas alegavam que a proposta sofria de ilegitimidade pelo não cumprimento de um pressuposto legal.

12º anos será o referencial mínimo das qualificações O primeiro-Ministro afirmou que o "verdadeiro problema de Portugal é o défice de qualificações", adiantando que os portugueses têm que interiorizar que a qualificação mínima terá de ser o 12º ano de escolaridade.“É o referencial mínimo das qualificações no nosse país, é o mínimo indispensável para termos sucesso na nossa vida", disse José Sócrates na cerimónia de entrega dos primeiros 100 diplomas do 12º ano, atribuídos no âmbito do programa Novas Oportunidades.Sócrates

lembrou que da população activa portuguesa, calculada em 5,2 milhões de pessoas, apenas 30% têm o 12º ano de escolaridade."Apenas 30% constituem o exército inovador do país.Acontece que 30% não chega", advertiu.Manifestou-se, no entanto, optimista "porque o trabalho feito assim o permite" referindo que o número de pessoas que ganharam novas competências através da formação obtida com o programa Novas Oportunidades passou de 500 em 2001 para 50.000 este ano.

A nova legislação acabou com as secções regionais, passando o CCP estar organizado no plenário, comissões e conselho permanente.

Nova Lei abre possibilidade de eleições no CCP em Março O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas deverá ainda ouvir o Conselho Permanente sobre a melhor data para o acto eleitoral nova lei do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), em vigor a partir de domingo, abre a possibilidade de eleições para aquele órgão de consulta do governo sobre emigração a partir de Março. O mandato do actual CCP terminou em Março, e segundo a nova lei publicadaterçafeira em Diário da República, as novas eleições terão que ser marcadas com um mínimo de 70 dias de antecedência, o que se for feito imediatamente a seguir à entrada em vigor da lei atirará o acto eleitoral para os últimos dias de Fevereiro ou para Março. Contudo, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, a quem compete marcar as eleições, deverá ainda ouvir o Conselho Permanente do CCP sobre a melhor data para o acto eleitoral, o que em definitivo faz com que as eleições só possam ocorrer em Março.

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A nova legislação, aprovada na Assembleia da República em Outubro apenas com os votos favoráveis do Partido Socialista, determina que o Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) passa a ser constituído por 73 conselheiros, dos quais 63 são eleitos por sufrágio universal directo e dez designados, em vez dos actuais 100. Os dez membros designados são representantes dos conselhos das comunidades açorianas e madeirenses, dos luso-eleitos nos países de acolhimento e do movimento associativo português no estrangeiro. A lei introduz ainda como novidades a criação do estatuto do conselheiro e do conselho consultivo da juventude, além de promover a representação do género ao exigir que um terço dos candidatos seja constituído por mulheres. A nova legislação acabou

com as secções regionais, passando o CCP estar organizado no plenário, comissões e conselho permanente. Actualmente, o CCP é composto por 96 membros espalhados pelo mundo, está dividido em secções locais e regionais e tutelado por um conselho permanente. A nova constituição do órgão consultivo do Governo em matéria de emigração foi criticada pelo actual presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas, que apesar de considerar que a nova lei "tem uma boa arquitectura", contesta a designação de membros e a criação de um conselho consultivo da juventude. O presidente daquele órgão lamentou ainda, aquando da aprovação do diploma no Parlamento, que o facto de não ter existido unanimidade na votação "pode criar, no futuro, alguma instabilidade".


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CORREIO DA VENEZUELA 12 A 18 DE DEZEMBRO DE 2007

Director Nacional da PJ convicto que “onda de assassínios” vai parar

Seis assassínios relacionados com a noite em quatro meses

"Estou esperançado que vamos esclarecer num tempo curto todos estes assuntos", salientou o director director Nacional da Polícia Judiciária manifestou-se convicto de que a situação de crimes violentos no Porto "vai parar" e que as investigações estão "bem encaminhadas". Um segurança foi assassinado ao final da noite de domingo em Gaia, disse à Lusa fonte policial, salientando tratar-se do mesmo homem que acompanhava o empresário da noite Aurélio Palha, morto a tiro no final de Agosto, no Porto. Hoje, à margem do encerramento da exposição "Contra a Corrupção: Integridade e Transparência", no Ministério das Finanças e da Administração Pública, o director nacional da Polícia Judiciária declarou aos jornalistas ter estado esta manhã em contacto com o Director Nacional Adjunto da PJ do Porto e assegurou que as investigações

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"estão devidamente encaminhadas". "Estamos a trabalhar muito intensamente nesta área", disse Alípio Ribeiro, admitindo contudo que "é um assunto que preocupa" as autoridades, às quais estão "a dedicar o máximo" de atenção. "Estou esperançado que vamos esclarecer num tempo curto todos estes assuntos", salientou o director nacional da Judiciária. Questionado sobre os mais recentes casos de assassínios no Porto, alegadamente entre grupos rivais que operam na noite portuense, Alípio Ribeiro disse apenas: "Vai parar. Tenho a certeza disso". O crime de domingo à noite, em Gaia, ocorreu doze dias depois de um outro segurança ter sido abatido na zona ribeirinha da Alfândega.

O crime de domingo à noite, em Gaia, ocorreu doze dias depois de um outro segurança ter sido abatido na zona ribeirinha da Alfândega.

Entre os seis assassínios ocorridos no Grande Porto nos últimos seis meses, o caso mais mediático foi o do empresário Aurélio Palha, dono da discoteca Chic, abatido a tiro a partir de um carro em andamento. Quando foi morto, Aurélio Palha estava a conversar, de madrugada, com Berto (o seguran-

ça que foi assassinado domingo à noite). O surto de criminalidade associado à noite do Porto é interpretado, por fontes policiais contactadas pela Lusa, como uma "guerra" entre grupos rivais de seguranças profissionais na disputa de "território" de actuação.

Com o assassínio de mais um segurança no Porto, domingo ao fim da noite, eleva-se a seis o número de vítimas mortais associadas à diversão nocturna na capital nortenha nos últimos quatro meses. O sexto assassínio em quatro meses ocorreu na véspera da assinatura do despacho do Ministério do Interior que autoriza a instalação e operação do sistema de videovigilância na Zona Histórica do Porto. O surto de criminalidade associado à noite do Porto é interpretado como uma "guerra" entre grupos rivais de seguranças profissionais na disputa de "território" de actuação. O caso mais mediático foi o do empresário Aurélio Palha, dono da discoteca Chic, abatido com disparos a partir de um carro em andamento, quando se encontrava a conversar com um segurança (agora assassinado) em fins de Agosto.

Breves

Metro do Porto vai crescer O presidente da Comissão Executiva do Metro do Porto afirmou que a empresa "está pronta" para assegurar o desenvolvimento da rede do metropolitano, que conta actualmente com cinco linhas, num total de 60

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quilómetros."A empresa está pronta para o desenvolvimento desta rede, para a sua consolidação na Área Metropolitana do Porto", assegurou Oliveira Marques, que dirige a comissão executiva desde 1999. Na intervenção que proferiu na apresentação do livro 'A História do Metro do Porto', publicado por ocasião do 5º aniversário da primeira inauguração, Oliveira Marques não fez qualquer referência à sua anunciada intenção de não continuar à frente da comissão executiva. A obra apresentada é uma iniciativa da Metro do Porto, que, ao longo de 240 páginas, relata os principais momentos até a rede de metropolitano.

Menezes fala em “viragem" O presidente do PSD, Luís Filipe Menezes, considerou que o debate mensal foi "um momento de viragem" que revelou um Governo frágil e acusou o Executivo de copiar o modelo social-democrata de gestão escolar.Em conferência de imprensa, na

sede do PSD, Luís Filipe Menezes declarouse "particularmente satisfeito com aquilo que se passou na Assembleia da República, com o comportamento do grupo parlamentar e por ter começado a ficar evidente que há uma fragilidade grande no exercício de poder do actual Governo".Foi "um momento de viragem", acrescentou Luís Filipe Menezes, assinalando tratar-se do "segundo debate parlamentar deste ciclo político", que disse ter-se iniciado com a sua liderança.Quanto ao modelo de gestão escolar hoje anunciado pelo primeiroministro, José Sócrates, Menezes defendeu que é a cópia "de forma atabalhoada" da do PSD.


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Antes do Natal: Advento primeiro lugar, significa reviver a vinda histórica de Jesus, tempo litúrgico, mar- quer dizer olhar para trás, até cado pelas quatro se- esse acontecimento transcenmanas antes do Natal, dental sucedido há dois mil em que centramos a anos e revivê-lo com toda innosso atenção na espera e tensidade. Por isso no Advenpreparação da vinda de Jesus to nos preparamos para celeCristo. Não se trata de fazer brar, com toda intensidade escomo uma ficção consistente se acontecimento decisivo de simular que Jesus ainda para a nossa salvação: Deus não veio ao nosso mundo e fez-se homem, veio ao mundo imaginarmos que viver como um somos a gente do de nós, entrou na Antigo Testanossa história paAdvento significa mento que espera livrar-nos do celebrar e abrir-se à rava a chegada do pecado e do mal. vinda constante de Messias. Jesus já Assumiu a nossa Deus, de Jesus, a veio há dois mil natureza humana, nossas vidas e à vida a nossa carne e anos e com a sua da humanidade vinda transforfez dela vida plemou a nossa hisna, vida divina. tória e a nossa viAdvento sigda. Somos os seus seguidores nifica, em segundo lugar, cee temos recebido o seu Espíri- lebrar e abrir-se à vinda consto para sermos continuadores tante de Deus, de Jesus, a nosda sua obra. sas vidas e à vida da Que quer dizer então, es- humanidade, vinda que se reperar e preparar a sua vinda? aliza agora, em cada momenQuer dizer várias coisas. Em to. Pbro. David Rodríguez

É

A coroa símbolo do Advento.

O tempo do Advento ajuda-nos a ter presente que Deus vem constantemente a nossas vidas, através dos acontecimentos e das pessoas com que nos encontramos diariamente. Todo o homem e toda a mulher, todo o acontecimento que sucede é uma chamada que nos faz Deus, uma presencia de Deus que nos interpela. Finalmente, no Advento celebramos uma terceira vinda do Senhor: é a sua

última vinda, a vinda definitiva no final dos tempos, quando chegar ao fim a nossa história humana e entrarmos para sempre na vida de Deus. Este é o horizonte final da nossa existência: partilhar com toda a humanidade a vida plena de Deus. Jesus virá então e transformará definitivamente o nosso mundo e as nossas vidas para que sejam para sempre vida de Deus, Reino de Deus.

RELIGIÃO

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Breves

Católicos "exigem" ao Vaticano que abandone veto ao preservativo Um inquérito recente, levado a cabo por uma organização católica em cinco países de quatro continentes, conclui que a incidência da SIDA é maior nas comunidades que mais ouvem as orientações do Vaticano contra o uso do preservativo. Outra conclusão do estudo é que a maioria dos católicos discorda da política oficial da Igreja neste campo.O inquérito foi levado a cabo no Gana, Irlanda, México, Filipinas e Estados Unidos pela Catholics for a Free Choice (Católicos por uma Livre Escolha, CFC na sigla original), uma organização internacional de católicos criada em 1973, com sede em Washington (Estados Unidos), e que defende "uma ética sexual e reprodutiva baseada na justiça e no bem-estar da mulher e do homem. A análise dos resultados do inquérito lançado a nível mundial indicia que, por um lado, os católicos não seguem a doutrina da Igreja relativamente ao uso do preservativo, por outro desejam um alteração da orientação dos chefes da sua Igreja. Quando questionados sobre se "o uso de preservativos é pró-vida porque ajuda a salvar vidas evitando a disseminação da SIDA", responderam afirmativamente 90 por cento de mexicanos, 86 por cento de irlandeses, 79 por cento de norte-americanos, 77 por cento de filipinos e 59 por cento de ganeses. Os resultados do inquérito permitem assim perceber um desejo da comunidade católica de que o Vaticano altere a sua posição relativamente ao uso do preservativo.

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Cimeira UE/África A montanha (não) pariu um rato! Luís Barreira

inda em pleno rescaldo da Cimeira União Europeia/África, tenho ouvido as mais diversas opiniões e considerações sobre os resultados deste encontro, entre os dirigentes da Europa dos 27 e os de cerca de meia centena de Estados africanos, que responderam afirmativamente ao convite. Sendo esta Cimeira um facto extremamente importante, independentemente do país que a organizasse (e ainda bem que foi Portugal, não só porque precisamos de aumentar a nossa autoestima, mas igualmente porque fomos um dos últimos colonizadores do continente africano), na medida em que a aproximação política, económica e social, entre os dois continentes, é algo de essencial ao planeta e aos homens que o habitam, o tipo de análises pós-cimeira, que tiveram eco na comunicação social, poderiam dividir-se entre dois grandes tipos: - os que se sentiram defraudados com os resultados; - e os que "embandeiraram em arco" com o sucesso desta cimeira. Os primeiros, habituados a medir estatisticamente os resultados imediatos da política e pouco habituados a considerar a dinâmica dos povos e a história que os suporta, não viram que esta cimeira tenha produzido produtos instantâneos, de consumo económico ou mediático. Daí a sua frustração, desilusão e enorme desânimo.

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Os segundos, que por razões de proximidade com a organização deste acontecimento ou identidade com o partido no poder em Portugal, teceram os mais rasgados elogios aos resultados desta cimeira, não reconhecendo que apenas foram dados "sinais" de desanuviamento entre os países. E sublinho "sinais", porque foi exactamente isso que produziu este grande encontro, entre chefes dos dois continentes. Sempre pugnei para que Portugal aproveitasse esta ocasião histórica para reatar o diálogo entre os países europeus e africanos, cuja imensa maioria foram antigas colónias dos primeiros. Alguns dos quais, até finais do séc. XX. E sempre o desejei porque, os portugueses, enquanto povo, com a sua forma genuína de pensar, sentir e agir, nunca se assemelharam à filosofia colonialista dos ingleses, belgas ou holandeses. Salvo algumas raras excepções de "machambeiros", atraídos pelo lucro fácil e a protecção do regime ditatorial, o povo português, igualmente escravizado por esse regime, nunca teve uma atitude de raça superior, face aos africanos. Daí a descolonização ter acontecido como aconteceu, ou seja, de forma incompreensível, para muitos analistas internacionais. O facto de a presidência portuguesa ter tratado os países africanos, presentes na cimeira, de igual para igual, sem "pesos na consciência" por ter sido um País colonizador, é relevante, em todos os aspectos. É importante, para acabar de vez com algumas pretensões neocolonialistas e paternalistas, de alguns países europeus e para colocar um ponto final nas justificações patéticas, de alguns dirigentes africanos que, após mais de 30 anos de descolonização, continuam a justificar a sua inoperância governativa, a guerra permanente e a fome dos

seus povos, como uma consequência do colonialismo. Pouco me importa se os "súbditos de Sua Majestade" não vieram à Cimeira. Afinal, os ingleses, sempre se comportaram como bem entendem no interior da UE e, além disso, a importância do evento ultrapassa as diferenças particulares entre os ingleses e Robert Mugabe que, tal como outros ditadores presentes no encontro, não foram sem levar umas "palmadas" dos presentes, a propósito dos direitos essenciais dos seus respectivos povos. O importante neste fórum Europa/África, para além da responsabilização dos dirigentes africanos e de regulamentar a ética dos países europeus, face aos primeiros, foi preencher um vazio de relações entre povos com afinidades, história comum e interesses convergentes, não permitindo que esse terreno de entendimento seja preenchido exclusivamente por outros países, para os quais África foi, no passado, um continente de "esgrima" política e hoje um mero "depósito" de matéria prima barata, para o qual olham, com indiferença, a ausência de direitos humanos de muitos dos seus povos. Enganam-se todos aqueles que pensaram que, após a cimeira, iriam todos sair aos "beijos e abraços" e igualmente todos os outros que, por cegueira política, fazem deste acontecimento uma grande vitória imediata. A porta para o diálogo interrompido, foi aberta! É preciso que esta Europa, a uma só voz, continue, sem pressas, mas com determinação, a vontade de a manter como está e, se possível, abri-la por completo. Caso contrário arriscamo-nos a levar com a "porta na cara", perder uma relação essencial e especial para a Europa e correr o risco de uma antipatia violenta, mesmo à nossa porta.

Todos cúmplices Paulo Pereira de Almeida Professor do ISCTE e investigador

omos todos cúmplices do estado a que Portugal e a Europa chegaram. Infelizmente, estamos todos implicados num processo de erosão social, de aumento das desigualdades e de um aparente laxismo na condução dos destinos de um Continente que - para muitos, mas para cada vez menos - é tido como um exemplo de avanço da civilização. Na verdade, somos também todos responsáveis pela circunstância de Portugal ser hoje o país mais desigualitário da Europa dos 15. Uma situação preocupante que, para todos os efeitos, nos deveria pôr a pensar. É que - num momento em que a Presidência da União Europeia permite a Portugal projectar uma ima-

S

gem de excelência e de vigor na condução da política externa -, a imagem que, certamente, muitos dos altos dirigentes europeus levou das ruas por onde passou foi a de um País de contrastes. Este país desigual, deprimido, e com menos oportunidades não pode, seguramente, ser aquele que um governo dinâmico e determinado deseja para os seus cidadãos eleitores. Mas a verdade é que é esse o retrato social do Portugal de hoje. Pensar que se pode iludir esta realidade, apontar como principal problema a questão da segurança - curiosamente ao Ministro da Administração Interna, Rui Pereira, de quem são bem conhecidas a capacidade de trabalho e as qualidades técnicas - ou perder o tempo e o dinheiro dos contribuintes a estudar a localização de um aeroporto, começam a soar ridículos. Nas ruas, o que preocupa as pessoas é o seu

dia-a-dia; são as histórias que ouvem no seu bairro; são as conversas que, no café ou na mercearia, funcionam como barómetro para o estado do País. Ora este é um barómetro bem real um aviso à navegação que os responsáveis políticos deveriam ouvir. Para que não sejam cúmplices do problema, mas sim parte de uma solução. Para que procurem uma saída que - para além das evidências estatísticas - deve começar a ser encarada de uma forma séria. Um país desigual é um país inseguro: com certeza. Mas assacar essa responsabilidade a um único governante só pode ser, como se viu, um acto de hipocrisia política. Daqueles que em nada contribuem para melhorar a qualidade da vida democrática e que, uma vez mais, tornam cúmplices deste problema os que o vêem, mas que fingem que nada se passa...

Sobre Portugal Sena Santos DN Lisboa

Portugal visto de fora: "Não é de estranhar o êxito do semestre português na presidência europeia, em que um presidente liberal, Cavaco Silva, e um chefe de governo socialista, José Sócrates, deram lição de coerência e habilidade diplomática: Portugal tem mundo na sua história. Se Mário Soares regressar [amanhã] aos Jerónimos para assistir à assinatura do novo minitratado europeu, muitos olhares vão certamente voltar-se para o rosto do grande homem de Estado e procurar algo mais que um sinal de emoção. Há motivos de sobra: ninguém como este lendário dirigente invocou o nome da Europa livre e o envolveu tanto no combate clandestino como nas batalhas pela normalização democrática do país. A presidência de Soares incutiu na primeira magistratura portuguesa elevado tom cultural. Mas os outros presidentes não desmerecem: Ramalho Eanes distinguiu-se pelo grande saber africanista; Cavaco Silva e Jorge Sampaio, outro par de exemplos de sabedoria" [Jaime Arias, na revista Magazine, do Vanguardia] Ian Gibson aplaude no El Periódico "a aproximação recente entre Portugal e Espanha, com notáveis benefícios para ambos", pede "maior ênfase para o ensino em Espanha do tão rico idioma português" e "sonha com a multiplicação dos contactos culturais entre os países ibéricos". The New York Times escolheu 53 lugares a visitar em 2008 e no segundo lugar da escolha, a seguir ao Laos e muito antes de Praga, Liverpool, Alexandria, Irão, Moçambique, Quito, Detroit ou Buenos Aires, está Lisboa, "cidade de vanguardas que emerge como força cultural". No The Guardian, os Açores são "o segredo mais bem guardado da Europa". No Le Figaro, "o Alentejo é um jardim rural e cultural que faz as delícias dos amantes da arquitectura, da história, do vinho e da boa mesa". No El Mundo, visita guiada por Mísia a lugares do fado em Lisboa: "Bacalhau de Molho, onde Celeste Rodrigues, irmã de Amália, 83 anos, canta a emoção." Le Temps recomenda a tradução da Casa na Duna, "admirável Carlos de Oliveira: que força na escrita e nas personagens!".


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Favor enviar as suas cartas e comentários ao endereço electrónico: correio@cantv.net

CARTAS Regressados da Venezuela Sem dúvida que dá muita piada ouvir os 'venezuelanos' que andam na Madeira falarem da situação na Venezuela. Dizem que há 40 anos os avós viviam melhor que hoje vivem os que estão lá. Naquele tempo, eles passavam anos a vender em 'negócios' bebida aos bêbedos de lá e só saíam do balcão para as necessidades. Os desgraçados dos avós dos

OPINIÃO

Parabéns

actuais trabalharam tanto para lhes dar o que podiam e estes dizem que eles viviam muito bem! Era nesse tempo que os 'venezuelanos' vinham à terra com dente de ouro e prego na gravata, com aqueles portavilões a tocar telefonia alto nas ruas, a pagar espetada e o fogo como festeiros nos arraiais. Para mostrar grandeza perante os que tinham ficado cá. Agora, vêm

estes à pressa e até dizem bem da Madeira. Antes do Chávez abrir os olhos ao povo de lá, eles diziam que só vinham à Madeira de férias. Em vez de virem engraxar o Alberto João, por que não experimentam fazer isso com o Chávez? Agora só faltava me chamarem xenófoba, para esconderem a verdade...

Sou luso descendente, vivo em Curaçao e também sou assíduo leitor do jornal através da internet. Gostaria de endereçar os meus mais sinceros parabéns pela labor que desempenham todos os dias e aproveitar para desejar a todos um Feliz Natal e um ano novo cheio de coisas maravilhosas. Boas Festas para todos, como diz a minha mae!...

Clara Fernandes Luis Jorge R.

A unidade do povo

Alternância dos quadros políticos

Mesmo roubado, aldrabado e alvo de lavagem cerebral, o povo venezuelano ganhou liberdade e inteligência! Apesar da diferença inferior a 2%, a Venezuela é livre e o regime de Chávez levou uma machadada! Será que um dia destes vamos presenciar um resultado renhido como este na Madeira!? Eu acredito que sim!.

Penso que o povo venezuelano demonstrou ao Sr. Chávez que não anda a dormir e que é suficientemente inteligente e maduro para assumir um compromisso democrático a médio prazo. Como é evidente, ninguém quer ver-se privado das suas liberdades. A Venezuela é um país com enormes potencialidades e, se o povo venezuelano se unir, como se uniu no domingo, homens como Hugo Chávez dificilmente voltarão ao poder. Este foi o primeiro sinal disso mesmo.

Como não sou venezuelano nem vivo na Venezuela, não posso afirmar se Chávez tem ou não razão nas alterações constitucionais propostas e sujeitas a referendo. Em termos gerais, e por uma questão de princípio, advogo sempre a alternância dos quadros políticos. Contudo, não nos esqueçamos de que Chávez foi eleito democraticamente pelo seu povo. Esse mesmo povo não acolheu as mudanças profundas que Chávez propôs (ainda que por uma margem mínima). É um sinal de que os venezuelanos estão atentos e talvez tenham mais maturidade política do que se pensava. O povo deve ser sempre soberano e consequente nas suas opções.

Alexandro@miradouro.net

Carlos Freitas

Donato Macedo

Machadada em Chávez repetida na Madeira?

INQUÉRITO: COMO VÊ A VENEZUELA DEPOIS DO REFERENDO?

António Faria Comerciante

"Depois do 'Não' estamos a ver o crescimento duma grande massa democrata e o nascimento de novos líderes políticos, assim como o surgimento duma nova visão para o país. Foi muito importante o país ter demonstrado que não queria o modelo socialista para a Venezuela, mas devemos aceitar aqueles que discordam da nossa forma de ver as coisas."

José de Oliveira Comerciante

"O importante do referendo é que os nossos governantes já saibam que sistema de governo quer a maioria dos venezuelanos. Daqui em diante deve-se rectificar e acabar com a desunião e os grupos que se vêm gerando no nosso país. Venezuelanos e povo somos todos, os que estão contra o Presidente e os que estão de acordo com ele. Não há duas Venezuelas nem dois tipos de venezuelanos."

Elizabeth Oliveira Estudante

"Depois do 'Não', penso que a decisão da maioria dos venezuelanos será respeitada e esta resposta dada pelo povo servirá para que o governo reflicta mais acerca das decisões arbitrárias que vem tomando, para as melhorar. Este triunfo não vai trazer consequências para o país. Antes pelo contrário, salvou o futuro da nossa nação."

Padre Alexandre Mendonça

Pároco da Missão Católica Portuguesa

"O importante neste momento é conseguir a unidade do povo venezuelano e a reconciliação, pois somos irmãos e devemos respeitar-nos uns aos outros. Ficou demonstrada a grandeza da Venezuela, um país extraordinário onde a justiça e a liberdade serão sempre os seus pilares."


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Unidade de apoio ao Emigrante Empresário

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GARANTIA MÚTUA

O IDE-RAM é o organismo na dependência da VicePresidência do Governo Regional da Madeira que presta apoio às pequenas e médias empresas. Na área da Emigração, dispõe de uma unidade de apoio ao Empresário Emigrante. Nesse âmbito, e em colaboração com o CORREIO de Venezuela, o IDE fará publicar uma série de esclarecimentos a potenciais investidores na Madeira. Qualquer pessoa poderá colocar as suas dúvidas através do CORREIO ou através do site do IDE que vem publicitado nesta página.

Garantia Mútua é um produto financeiro para Micro, Pequenas e Médias Empresas disponibilizado por Sociedades de Garantia Mútua que consiste na emissão de garantias em nome das empresas de forma a dar cumprimento aos compromissos assumidos junto de terceiros (instituições financeiras, estado). O Sistema Nacional de Garantia Mútua assenta: 1- Nas Sociedades de Garantia Mútua, que prestam garantias a favor das Micro, Pequenas e Médias Empresas ou entidades representativas destas; 2 - Num fundo nacional de “resseguro”, que cobre parte do risco das Sociedades de Garantia Mútua, alavancando a sua capacidade de apoio às PME. Este mecanismo, dotado com fundos públicos, denomina-se Fundo de Contragarantia Mútuo; Da experiência adquirida pelo Instituto de Desenvolvimento Empresarial (IDE-RAM), no âmbito da sua actuação junto das PME’s constatou-se que o tecido empresarial regional apresenta estruturas financeiras caracterizadas por uma excessiva dependência de financiamento de curto prazo, ao que acresce uma grande dificuldade na obtenção de qualquer apoio de financiamento. O recurso ao crédito constitui um

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problema crítico para estas empresas, tornando-se fundamental o aparecimento de soluções que permitam uma correcta adequação das fontes e prazos de financiamento aos investimentos realizados e às características do ciclo de exploração de cada uma delas. Tendo presente a Estratégia de Lisboa (Sociedade do Conhecimento) e de Gotemburgo (Ambiente) assim como a nova realidade regional, foi diagnosticado no Plano de Desenvolvimento Económico e Social, prioridades estratégicas que passam pela promoção, inovação e reforço de competitividade das PME’s ajudandoas a internacionalizarem-se e a crescerem. Para isso é necessário melhorar a capacidade de financiamento e as condições de acesso ao crédito. É neste contexto que surgem os mecanismos financeiros alternativos de apoio às PME’s mais concretamente o Sistema Nacional de Garantia Mútua. A Garantia Mútua é um sistema privado de cariz mutualista de apoio às Micro Pequenas e Médias Empresas, incluindo empresários em nome individual, que se traduz na prestação de garantias que permitem satisfazer as necessidades de financiamento do investimento ou da actividade corrente. As Sociedades de Garantia Mútua são instituições de crédito privadas, detidas maioritariamente

por PME’s, suas clientes, em face da vertente mutualista do sistema, isto é, as empresas para beneficiarem das garantias têm de tornar-se accionistas das Sociedades de Garantia Mútua, até ao termo de vigência da garantia solicitada. As Sociedades de Garantia Mútua podem prestar garantias às empresas ou empresários, em todas as operações em que o sistema financeiro as solicite, desde que os beneficiários sejam PME’s dos sectores da indústria, comércio, serviços, turismo e construção, libertando da constituição das correspondentes garantias reais ou pessoais. Através das Sociedades de Garantia Mútua os beneficiários podem adquirir garantias para empréstimos de curto, médio e longo prazo, garantias de bom pagamento, de boa execução, para levantamento de incentivos públicos e garantias ao estado. Em resumo, todas as garantias necessárias para as empresas/empresários concretizarem os seus projectos de investimento, desenvolvimento e internacionalização. A partilha de risco com outras entidades financeiras facilita o acesso das Empresas ao crédito, libertando plafonds bancários e permitindo a obtenção de montantes, condições de custo e prazo adequados às necessidades. Prosseguindo a estratégia de pro-

ximidade com o tecido empresarial regional, a Vice Presidência do Governo através do Instituto de Desenvolvimento Empresarial da Região Autónoma da Madeira, em parceria com a Lisgarante, vai implementar a abertura de uma Agência de Garantia Mútua na RAM e simultaneamente uma participação no Fundo de Contragarantia Mútuo que consubstanciará na criação de uma Gaveta de negociação que permitirá ressegurar as garantias emitidas pela Lisgarante, a investimentos de médio e longo prazo de PME sedeadas na Região Autónoma da Madeira e para projectos que prossigam os objectivos da politica económica regional constante no programa de governo. Estes meios financeiros repartem-se em igual proporção entre o Governo Regional e a União Europeia, isto é, 50% cada um. Com a abertura da Agência da Madeira prevê-se desenvolver e divulgar activamente e localmente os serviços de garantia mútua quer entre as empresas já mutualistas quer para as potenciais empresas clientes e oferecer as vantagens deste sistema para o tecido empresarial regional, nomeadamente: • Facilitar a obtenção de crédito bancário; • Manter ou libertar plafonds bancários;

• Libertar as empresas e empre sários da prestação de garantias reais ou pessoais; • Garantias para facilitar ou complementar os sistemas de incentivos; • Conseguir melhores taxas de juro; • Melhorar a estrutura de financiamento. • Dispor de uma sociedade que lhes preste as garantias solicitadas; • Contrair financiamentos por prazos adequados às suas necessidades de investimento e tesouraria, a custos inferiores; • Evitar alocar partes do património (ou dos sócios) à garantia de financiamentos; • Dispor de apoio especializado no estudo das soluções ideais de financiamento; • Ter acesso a produtos financeiros mais complexos. Trata-se de um instrumento de inovação financeira que vem facilitar o acesso ao crédito, em especial, para projectos inovadores e empreendores, em que os promotores têm dificuldades em obter os financiamento necessários ao desenvolvimento da sua actividade devido à sua fraca ou, em alguns casos, nula capacidade de endividamento, associada à falta de garantias reais.


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Loiças "Spal" na Iskia deabreujean@gmail.com

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María Amelia da Rocha Breves ameliadarocha@gmail.com Benefícios do subsídio de alimentação A Câmara Venezuelana de Empresas Administradoras de Benefícios Sociais (Cavedebes) promoveu recentemente um seminário subordinado ao tema "Lei da Alimentação para os trabalhadores: Um benefício para o país". Segundo a apresentação feita por Andrés Maillet, director da Cavedebes e presidente executivo de Cesta Ticket, "as empresas emissoras de benefícios sociais reuniram esforços em conjunto com o Executivo nacional, através do Ministério do Poder Popular para o Trabalho e Segurança

Jean Carlos de Abreu

embaixada de Portugal em Caracas e a "Iskia" realizaram uma exposição na passada quinta-feira, na sede desta reconhecida loja situada em Las Mercedes com a finalidade de promover a marca de porcelana "Spal". O embaixador de Portugal na Venezuela, João Caetano da Silva, disse na ocasião que a "Spal" é uma empresa importante em Portugal pela "qualidade que oferece" nos seus produtos. Na mesma passada, reiterou que no próximo ano vai continuar a trabalhar para a celebração de "convénios entre empresas lusitanas e venezuelanas" de modo a fazer com que "mais empresas lusitanas venham a este país promover e mostrar os seus produtos". A gerente da loja de "Iskia" Las Mercedes, Yolanda Blancuribe, observou por seu turno que a linha de loiças "Spal" foi bem aceite pelos clientes, que salientaram a "sua variedade, qualidade, forma e cor". Sublinhou depois que o acordo com a Embaixada é o início da projecção da "manufactura portuguesa nos país". Blancuribe adiantou que "Iskia" é o representante exclusivo da marca lusitana na Venezuela. Além disso, referiu 70% dos produtos de porcelana de "Spal" estão dedicados à exportação, o que torna esta empresa a segunda dentro e fora de Portugal. Observou ainda que nas listas de noivas, que constituem o ponto mais forte de venda de "Iskia", as loiças "Spal" são muito pedidas pela sua

ECONOMIA

Social; a Universidade Central da Venezuela (UCV) e um representante da Universidade de São Paulo, Brasil, para expor através de estudos e experiências o quão positivo se tem revelado a primeira fase de aplicação e cumprimento da Lei de Alimentação para os Trabalhadores no país". O estudo corroborou que o subsídio de alimentação contribui para melhorar a qualidade de vida dos empregados, e portanto, de igual modo melhora o trabalho que realizam nas suas respectivas empresas.

Gamaexpress chega a Macaracuay

As louças salientam-se pela decoração e boa qualidade.

versatilidade, cor e forma. A exposição estará agora de forma permanentemente nas vitrinas da loja. A loiça portuguesa possui modelos para diferentes ocasiões e compete com os produtos italianos, alemães e ingleses. À inauguração assistiram mais de 100 pessoas, entre representantes do Consulado de Portugal em Caracas, da Embaixada e clientes da "Iskia".

São 386 metros quadrados de rapidez, comodidade e conveniência que Excelsior Gama estreia em Macaracuay com a inauguração do seu 6° Gamaexpress, estabelecimento que estará aberto 24 horas, durante todo o ano e com os melhores produtos e serviços de Gama Gourmet, garrafeira, talho, charcutaria, víveres, congelados, refrigerados, frutaria, florista e até caixa automático.

Os Gamaexpress são novel formato de lojas que abrem as 24 horas, todo o ano, onde o consumidor encontra a melhor oferta de artígos e serviços. Nelson da Gama, presidente da junta directiva desta organização, mostrou-se satisfeito com a inauguração desta nova sucursal e assegurou que em "Excelsior Gama se continua a trabalhar para melhorar e fortalecer um modelo de serviço e atendimento ao cliente em harmoniosa convivência com as normas mais sólidas de excelência e qualidade.É por isso que a inauguração deste sexto Gamaexpress em Caracas, reforça este pensamento e nos permite ampliar muito mais a nossa oferta".

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O rei do Torneio Ibérico Central Madeirense ganha campeonato de futebol mais antigo do continente pela terceira vez consecutiva Tomás Ramírez tomasramirezg@gmail.com

ma vez mais o Central Madeirense ganhou o título do Torneio Ibérico do futebol. A vítima desta vez foi o seu arquirival Deportivo Unión, que atacou até ao último minuto, pois se é certo que nalgumas finais a contenda foi renhida, nunca se esperou um marcador de 6-5, e no prolongamento. O jogo decorreu no terreno principal do Campo Fray Luís de León de Las Mercedes, diante de muito público, que encheu o recinto de alegria e entusiasmo. Os de La Unión surpreenderam empatando a partida faltando apena oito minutos para o final e com uma desvantagem de três golos, mas a equipa "abastero" não deu o braço a torcer e ganhou a 58.ª edição do Torneio Ibérico. No início do jogo, o Madeirense inaugurou o marca-

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O jogo decorreu no terreno principal do Campo Fray Luís de León de Las Mercedes.

dor com um golo de Isaac Ramos sobre os 10 minutos de jogo. Richard Caceres igualou para a União aos 15 minutos, fazendo-se assim um descanso. O primeiro tempo foi marcado sobretudo pela batalha em alcançar os golos, pois não havia amanhã para os vencidos.

Iniciado o segundo tempo, Rafael Marín conquistou o segundo golo do Madeirense. No entanto, mal terminara de celebrá-lo, produziu-se um dos golos mais impressionantes da contenda. O golo convertido por Erick Parada arrancou elogios e aplausos do público pre-

sente. O Deportivo Unión não baixou os braços e, por meio de José Quijada, marcou aos 58 minutos. O Madeirense, ávido de golos, marcou o quarto e quinto, pelo jovem Rodolfo Morales, aos 65 e 79 minutos, respectivamente. Quando parecia que tudo

estava escrito, apareceu Robert Gurreiro para marcar o terceio do Unión. No minuto 89, José Quijada voltou rematar sobre a baliza de Meza do Madeirense e pôs o marcador em 5-4 para o Unión. Ao finalizar o jogo, foi marcado um penalti a favor do Unión, gerando o prolongamento. Nos primeiros 15 minutos do tempo de compensação, Isaac Ramos fez o golo para o Madeirense, vantagem que a Unión não conseguiu superar, pese embora tenha tentado de todas as maneiras. Assim, o Central Madeirense ganhou mais um título no Torneio Ibérico, mantendo defendida a distância de duas taças que venceu por três vezes consecutivas ou cinco alternadamente. Antes do jogo, houve uma homenagem póstuma a Eusébio Pérez, que em vida fora um dos mais incansáveis lutadores pela manutenção do Torneio Ibérico.

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Bilhetes da TAP vendidos no site são 6% das vendas Os bilhetes da TAP transaccionados no seu site na internet representaram seis por cento do total das vendas entre Janeiro e Outubro, afirmou o director-geral de Vendas da companhia. O valor dos bilhetes vendidos no site da TAP apresentou um crescimento entre 25 a 30 por cento nos 10 primeiros meses do ano face ao mesmo período de 2006, acrescentou o director-geral da TAP, em declarações aos jornalistas, à margem do Congresso. Dionísio Barum explicou, no entanto, que em áreas importantes para a TAP em termos de rotas, como África ou Brasil, a adesão a esta forma de comprar bilhetes de avião ainda é baixa. Aliás, em África é mesmo inexistente e no Brasil não ultrapassa um por cento do total de lugares comprados, especificou. O Brasil já representa 23 por cento das passa-

gens transaccionadas pela TAP, enquanto África regista um dos mais fortes crescimentos e atinge 12 por cento das vendas. Por isso, o crescimento do peso das vendas na internet tende a acentuar-se à medida que, tanto o Brasil, como África, forem aumentando as suas contribuições para a facturação da empresa. Por outro lado, a TAP, como as agências de viagens, vai se ajustando aos desenvolvimentos do mercado e às novas características e exigências dos turistas. O Reino Unido é o mercado que apresenta a percentagem mais alta de compras de bilhetes da TAP efectuadas através do site, atingindo já 25 por cento, explicou o director-geral de Vendas da companhia aérea. No mercado interno, os bilhetes de avião vendidos no site da TAP também representam seis por cento do total.


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Casa do Benfica no 'congelador' António da Silva venezuelacontacto@gmail.com

orria o ano de 2005. O Benfica empata na cidade do Porto no estádio do Boavista e recupera deste modo o ceptro de campeão português, depois de 11 longos anos de "seca", período negro na rica história deste clube. No Centro Português de Caracas, em Agosto, um numeroso grupo de adeptos benfiquistas reúne-se para celebrar esta conquista do clube mais popular de Portugal. David Pinho, José Luis Ferreira, Mário Oliveira e outros assumidos fãs da equipa das Águias sobem ao estrado no meio da algazarra geral e explicam aos presentes a sua intenção de criar uma Casa de equipa lisboeta, ao estilo do que acontece noutros pontos geográficos da diáspora portuguesa. Todos concluem a sua intervenção gritando em coro "Viva o Benfica!". Arranjaram formulários e foi recolhido dinheiro. Dois anos e meio depois, muitos continuam à espera da inauguração da muito falada Casa. Confrontado pelo CORREIO, David Pinho, secretário da junta directiva provisória deste projecto, anuncia uma

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reunião para finais de Dezembro com todos os promotores originais na sede da Missão Católica Portuguesa para definir, finalmente, o destino desta iniciativa, que nasceu no calor da euforia, mas que veio a desmerecer com o passar dos meses. "Encontrar um local com um estacionamento adequado foi o principal obstáculo", afirma Pinho, que declara sentir-se um pouco abandonado pelo resto dos seus companheiros de projecto: "José Luís Ferreira está agora mais próximo do seu projecto com o Marítimo de Turumo". O secretário encarnado chama também a atenção para a necessidade de reunir alguns outros requisitos e formalidades exigidos pelo clube português (fundamentalmente a necessidade de contar com um mínimo de sócios activos), mas que não significam grande dificuldade. Por seu turno, José Luís Ferreira argumentou sobre o caso: "tenho 34 anos de associativismo na comunidade portuguesa e muita gente pede-me que avance com a presidência da Casa, mas eu não posso estar à frente de tudo", afirma, e concorda com Pinho ao reconhecer a dificuldade de encontrar um lo-

"Encontrar um local com um estacionamento adequado foi o principal obstáculo", afirma Pinho.

cal adequado, sendo essa a causa de não se poder inaugurar a sede. "Em Caricuao ou Petare é certo que se possa conseguir um espaço, mas quem estaria disposto a frequentá-lo ali? A haver um espaço, teria de ser mais central, preferivelmente nos lados de Chacao ou Altamira, o que não é nada fácil", afirma o dirigente. Os fundos arrecadados encontram-

se depositados numa conta do Banco Plaza, no nome de José Luís Ferreira, Farinha, e do próprio Pinho. "Devemos ter entre 13 a 15 milhões de bolívares, ficando por cobrar outros montantes prometidos por várias empresas", explica Pinho, que assegura também que se nada for resolvido nesta reunião, "doaremos o dinheiro a instituição de beneficência e abandonaremos a ideia". PUBLICIDADE


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Sertanense e Lagoa: "Estrelas" da 4ª ronda da Taça de Portugal Os "pequenos" Sertanense e Lagoa fizeram em casa a festa da Taça de Portugal em futebol frente a adversários da Liga de Honra, respectivamente, Portimonense e Santa Clara, O Sertanense, que afastou o Portimonense, da Liga de Honra, no último minuto do prolongamento (2-1), com um golo de Milfor, foi o único representante da III Divisão (quarto escalão) no sorteio de quarta-feira. Além do Sertanense (III Divisão), também o modesto Lagoa (II Divisão) fez história na Taça, ao afastar o Santa Clara, da Liga de Honra, numa ronda que já contou com as equipas da Liga principal. O Estrela da Amadora, 10º posicionado do campeonato principal, também só na meiahora extra conseguiu eliminar (4-2) o Fátima, com golos de Hugo Carreira e Marco Paulo, após ter deixado escapar uma vantagem inicial de 2-0. Vitória de Guimarães e Vitória de Setúbal, respectivamenPUBLICIDADE

te terceiro e quinto na Liga, visitaram Atlético, em Lisboa, e Operário, nos Açores, "carimbando" o passaporte para a próxima eliminatória com triunfos por 1-0 diante de equipas do terceiro escalão, com os vimaranenses a beneficiarem mesmo de um auto-golo de Rolão, já após os anfitriões terem falhado uma grande penalidade O Sporting de Braga, sexto

classificado da Liga, também bateu o Camacha, na Madeira, pela margem mínima 3-2, depois de ter estado em desvantagem, com o golo inaugural de Diop, aos 15 minutos, que ainda deu alguma esperança à equipa da II Divisão. Gil Vicente e Beira-Mar, quarto e sétimo da Liga de Honra, também trabalharam "horas extra" na visita ao redu-

to do Messinense, da II Divisão, e na recepção ao Torre de Moncorvo, da III Divisão. Enquanto os "galos" de Barcelos bateram a Messinense por 2-0 no prolongamento, os "aurinegros" não conseguiram marcar em 120 minutos e só desbloquearam a igualdade a zero a seu favor no desempate por pénaltis, impondo-se por 3-2. Outra surpresa aconteceu em Anadia, com o clube local, que se encontra no oitavo posto da Série C da II Divisão, a bater o Freamunde, nono da Liga de Honra, por 1-0. Sporting e Belenenses, respectivamente, vencedor e finalista em 2006/07, tiveram sábado diferentes destinos, com os "azuis" a serem batidos pelo Paços de Ferreira, no desempate por pénaltis, e os "leões" a golearem o Louletano. No Restelo, o Belenenses, com menos um elemento, já que Cândido Costa foi expulso aos 59 minutos, conseguiu recuperar de uma desvantagem de dois golos para o empate 2-2,

mas os visitantes foram mais fortes no desempate por grandes penalidades (5-4). O Sporting, com alguma tensão entre adeptos, jogadores e dirigentes, voltou às vitórias após cinco jogos sem triunfar, batendo o Louletano, da II Divisão, por 4-0, o mesmo resultado obtido sábado pelo Leixões na recepção ao Torreense (II), enquanto o Nacional da Madeira marcou cinco golos sem resposta ao Cova da Piedade (III). O bicampeão português, FC Porto, tinha ganho o "bilhete" para a eliminatória seguinte na sexta-feira, com um triunfo na visita ao Desportivo de Chaves (II Divisão), por 2-0, sendo uma das 13 equipas do escalão principal com lugar na próxima fase. O Benfica ao encerrar, no domingo, a 4ª eliminatória da Taça de Portugal em futebol com uma vitória por 3-1 na recepção à Académica, ganhou também o direito de ser juntar às equipas qualificadas para a ronda seguinte.


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Leões vencem no fim Sporting despediu-se quarta-feira da Liga dos Campeões de futebol com mais 600.000 euros nos cofres, depois de vencer o Dínamo de Kiev, por 3-0, igualando, com sete pontos, o seu melhor registo na prova. Já com as posições definidas no Grupo F, o Sporting, apurado para a Taça UEFA (sorteio a 21 de Dezembro), acabou por conseguir igualar a sua melhor vitória de sempre na liga "milionária", repetindo o feito de 1997, quando bateu o Mónaco pelo mesmo resultado. Contudo, a vitória do Sporting acabou por ficar marcada pela, aparentemente, grave lesão de Liedson, após fechar aos 89 minutos da contagem, depois de Polga (35) e João Moutinho (67) terem marcado os dois primeiros golos. Com pouca vontade de se tornar na sétima equipa a acabar a fase de grupos da "Champions", o Dínamo de Kiev entrou bem no encontro e, logo no segundo minuto, criou perigo, com Gusev a fugir a Ronny e a rematar para defesa apertada de Rui Patrício. O Sporting apenas conseguiu criar um lance de perigo à passagem do décimo minuto, com Purovic a rematar incrivelmente ao lado, quando estava solto no centro da área. O ataque do Dínamo de Moscovo surgia quase sempre pelo lado direito e foi por esse flanco que a equipa criou a melhor oportu-

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nidade da primeira parte: Gusev cruzou para Bangoura, que tirou Tonel do caminho e rematou para um grande intervenção de Rui Patrício. Na resposta, o Sporting colocou-se em vantagem, aos 35 minutos, na marcação de uma grande penalidade, a punir uma alegada falta de Nesmachniy sobre Liedson. Anderson Polga colocou o Sporting em vantagem. Em desvantagem no marcador, o conjunto ucraniano entrou com outra atitude para a segunda parte e voltou a pertencer-lhe o primeiro lance de perigo, aos 51 minutos, com Gusev, em zona forntal, a rematar muito ao lado, depois de um erro defensivo dos "leões". O extremo direito ucraniano voltou a estar em destaque 12 minutos depois, quando viu um seu cruzamento ser desviado por um defesa leonino e embater no poste da baliza de Rui Patrício. Contra a corrente do jogo, o Sporting acabou por matar o jogo, aos 67 minutos. De primeira, Adrien Silva isola na esquerda Izmailov, que passa por um adversário e coloca a bola à entrada da área, onde surge João Moutinho a rematar cruzado para o fundo da baliza. Já com o júnior paraguaio Luís Paez em campo, o Sporting voltou a marcar, aos 89 minutos, pelo inevitável Liedson, que, contudo, acabou por sair em maca do relvado, depois de chocar com Lutsenko. PUBLICIDADE


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Vitória à Porto

FC Porto confirmou terça-feira a importante primeira posição da "poule" A da Liga dos Campeões em futebol e a fuga aos "tubarões" nos oitavos-de-final, ao derrotar em casa o Besikas por 2-0, na última jornada da fase de grupos.

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Com golos de Lucho Gonzalez (44 minutos) e Quaresma (62), o FC Porto, líder à entrada para a ronda, mostrou enorme eficácia atacante e segurança defensiva e repetiu o êxito de 1996/97, quando conseguiu o inédito primeiro posto, apesar da queda posterior nos "oi-

tavos" frente ao Manchester United. No jogo que culminou com o oitavo acesso do FC Porto aos "oitavos" da Liga dos "milhões" (em 13 participações), a equipa liderada por Jesualdo Ferreira foi sempre superior à formação turca, e, tal como o treinador tinha exigido, mostrou importante concentração e estabilidade emocional decisiva. Com o resultado, o FC Porto somou 11 pontos (três vitórias, dois empates e uma derrota), enquanto o Liverpool alcança o segundo lugar e segue na Champions, o Marselha "cai" para a UEFA e o Besiktas abandona as competições europeias. Pouco disposto a grandes mudanças nas suas equipas, o treinador do FC Porto manteve, mais uma vez, a estratégia em 4x3x3, com Helton na baliza e uma defesa com Bosingwa, Bruno Alves, Pedro Emanuel e Fucile. Para o meio campo, Jesualdo Ferreira chamou Paulo Assunção, Raul Meireles e Lucho Gonzalez, deixando Tarik Sektioui e Ricardo Quaresma no apoio ao goleador Lisandro Lopez. Do lado do Besiktas, o treinador turco Ertugrul Saglam apostou numa estratégia idêntica, com quatro defesas, três médios, entre os quais o ex-Sporting Rodrigo Tello, e o mesmo número de avançados móveis, com destaque para o argentino Matias Delgado, já com três golos na Champions (qualificação) e o brasileiro Bobo (dois tentos).

Conscientes da importância da partida (da liderança, o FC Porto poderia cair para a última posição), os "dragões" entraram com forte apetência atacante e aos três e quatro minutos, Quaresma e Tarik obrigaram Rustu às primeiras intervenções seguras da noite. Aos oito minutos, Matias Delgado "disse" a Helton que o Besiktas estava no Dragão para marcar e, aos 36, Bruno Alves ia traindo a sua equipa, mas a bola saiu ligeiramente por cima da baliza. Aos 18 minutos, Lisandro Lopez cabeceou para o interior da baliza, mas já com o auxiliar a indicar posição irregular, num lance invalidado, mas de avaliação polémica. Na recta final da primeira parte, a equipa "azul-e-branca" enfatizou a superioridade demonstrada: remates potentes de Bosingwa (excelente jogada individual) e Tarik Sektioui, aos 41 e 43 minutos, respectivamente, apenas travados pelas defesas exímias de Rustu. Com "sinal mais", o FC Porto marcaria, no entanto, aos 44 minutos, quando Tarik aproveitou a desatenção dos defesas adversários, que ficaram a pedir posição irregular do marroquino, e ofereceu a Lucho Gonzalez a possibilidade de fazer o terceiro golo na Champions, esta temporada, em mais um lance de avaliação duvidosa. Na segunda parte, o Besiktas ameaçou logo no primeiro minuto, com um remate de Serdar Ozkan superiormen-


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12 A 18 DEZEMBRO DE 2007 CORREIO DA VENEZUELA

te defendido por Helton e, aos 55, Paulo Assunção foi incapaz de dar o melhor seguimento a uma rápida jogada de contra-ataque, enviando a bola muito ao lado da baliza da formação turca. Aos 61 minutos, Quaresma apareceu na posição de ponta-de-lança e cabeceou para defesa apertada de Rustu, após cruzamento da direita de Tarik e, logo no minuto seguinte, Lisandro serviu o "7" do Dragão que, à saída do guarda-redes, voltou a marcar ao Besiktas, depois de já o ter feito na vitória por 1-0 na Turquia. Com o acesso garantido, Jesualdo deu então tempo de jogo a Hélder Postiga e Marek Cech (saíram Tarik e Fucile, respectivamente aos 74 e 75 minutos), permitindo ainda que Bolatti ocupasse o lugar de Lucho, a nove do final do encontro. Já a finalizar, aos 89 minutos, Bosingwa mostrou uma vez mais o excelente momento de forma e, depois de ultrapassar vários adversários, rematou forte com o pé esquerdo, enviando a bola ligeiramente por cima da baliza de Rustu, o melhor jogador da formação turca da partida, a par do argentino Matias Delgado.

DESPORTO

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Breves

"Grandes" em casa e contra 'menores' Os três "grandes" do futebol português (Benfica, FC Porto e Sporting) jogam todos em casa e frente a adversários de divisões inferiores na quinta eliminatória da Taça de Portugal, segundo ditou o sorteio, realizado em Lisboa. A formação "encarnada" recebe o Feirense, da Liga de Honra, os "dragões" são anfitriões do Desportivo das Aves, do mesmo escalão, enquanto o Sporting, detentor do troféu, joga em Alavalde com o Lagoa, formação da II divisão. O sorteio da quinta ronda ditou ainda quatro confrontos en-

Entre a elite Os 'Dragões' ultrapassaram pela oitava vez, em 13 presenças, a primeira fase de grupos (agora única) da Liga dos Campeões em futebol, mantendo-se na elite da mais importante competição de clubes do "velho continente". Recordistas de presenças (13 em 16 edições - a de 1991/92 não entra nas estatísticas oficiais), a par dos ingleses do Manchester United, os "azuis e brancos" repetiram os feitos de 1993/94, 1996/97, 1999/2000, 2001/2002, 2003/2004, 2004/2005 e 2006/2007. Num "top 10" no qual só entram, além dos portistas, formações de Espanha, Inglaterra, Alemanha e Itália, o FC Porto é sétimo, juntamente com o Arsenal, perdendo apenas para Real Madrid, Manchester United, Bayern Munique, AC Milan, Juventus e FC Barcelona.

tre equipas da Liga: Naval 1º de Maio-Boavista, Estrela da Amadora-Sporting de Braga, Vitória de Setúbal-União de Leiria e Vitória de Guimarães-Nacional. Por seu lado, o Sertanense, sobrevivente da III divisão, desloca-se ao reduto do Penafiel, da Liga de Honra, enquanto o Atlético de Valdevez ficou isento, garantindo, desde já, a presença de um conjunto da II divisão na sexta ronda. Os encontros da quinta eliminatória da Taça de Portugal estão agendados para 20 de Janeiro de 2008.

Programa da quinta eliminatória: Jogos entre equipas da Liga: Naval 1º de Maio (L) - Boavista (L) Estrela da Amadora (L) - Sporting de Braga (L) Vitória de Setúbal (L) - União de Leiria (L) Vitória de Guimarães (L) - Nacional (L) Jogos entre equipas da Liga e da Liga de Honra: Benfica (L) - Feirense (LH) FC Porto (L) - Desportivo das Aves (LH) Jogos entre equipas da Liga e da II divisão: Sporting (L) - Lagoa (II)

Leixões (L) - Anadia (II) Oliveirense (II) - Marítimo (L) Paços de Ferreira (L) - Abrantes (II) Jogos entre equipas da Liga de Honra: Rio Ave (LH) - Olhanense (LH) Jogos entre equipas da Liga de Honra e da II divisão: Beira-Mar (LH) - Moreirense (II) Gil Vicente (LH) - Juventude de Évora (II) Jogos entre equipas da Liga de Honra e da III divisão: Penafiel (LH) - Sertanense (III) Isento:Atlético de Valdevez (II). PUBLICIDADE


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RIF: J-31443138-2

w w w. c o r r e i o d e v e n e z u e l a . c o m CORREIO DE VENEZUELA - 12 A 18 DE DEZEMBRO DE 2007

Abstenção vence eleições no CP Junta directiva foi ratificada com um total de 178 votos. Cerca de 90% dos sócios decidiu não ir às urnas Erika Correia

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epois de ter cumprido a série de parâmetros legais exigida, realizaram-se, no passado dia 9 de Dezembro, eleições no Centro Português de Caracas para a escolha da Assembleia Geral, Conselho Fiscal e Junta Directiva, dando como vencedora a única lista inscrita, que é de novo presidida por João Silva e o seu comité. Com um total de 178 votos, a referida lista foi aprovada pelos sócios votantes, uma percentagem muito baixa em comparação com a quantidade de accionistas da referida instituição, já que cerca de 90 por cento dos associados absteve-se de ir às urnas. Apenas 213 sócios decidiram exercer o seu direito de sufrágio. Para João da Silva, não haver nenhuma lista opositora significa que não há nenhum tipo de competição nem problema que o afecte directamente, pelo contrário pensa que isso representa que as pessoas desejam que continue com a presidência da sede e com os projectos que se vinham realizando. "Definitivamente o sócio tem confiança nesta equipa, somos pessoas muito preparadas que trabalham pelo clube, pela comodidade e ao serviço do sócio. Tenho gente muito inteligente à minha volta, comerciantes que demonstraram ser pessoas solidárias e atentas com tudo o que o clube precisa". No que diz respeito à elevada abstenção, João da Silva fez um apelo a uma reflexão para que todos os sócios se envolvam mais nas actividades que

Junta directiva ratificada com 178 votos.

se realizam, já que são feitas em benefício das pessoas que frequentam regularmente o clube para desfrutar das instalações. "Deve-se ter mais carinho pelo clube, deve-se participar na maior quantidade possível de actividades. Convido-os a se motivarem e a participarem, não apenas no desporto e na cultura, mas também nos outros eventos". Por seu turno, João Marques, que ocupa o cargo de segundo secretário, expressou a sua satisfação por esta segunda vitória, na qual os votantes afiançaram a sua confiança na junta directiva, aumentando, desta forma, a vontade de continuar a colaborar com o clube. "O período de 2006-2007 foi muito satisfatório, e se as pessoas não vieram votar é porque existe uma confiança muito grande e querem que continuemos onde estamos. Para o próximo ano,

há muitos projectos na mira, em especial o elevador que vai até ao "caney" e, claro, os 50 anos do clube e os convidados internacionais." A junta directiva agora eleita é composta pelos seguintes elementos: presidente: João da Silva; vice-presidente: António de Abreu; primeiro secretário: José Granados Campos; segundo secretário: João Marques; primeiro tesoureiro: João dos Santos; segundo tesoureiro: Juan Miguel Rodrigues; director de Cultura: José Carlos Revelo; director de Desportos: António Rafael Gomes. Na mesa da Assembleia Geral estarão cumprindo funções: presidente: Augusto Gouveia; vice-presidente: António Gonçalves; primeiro secretário: Ernesto Carvalho; segundo secretário: António Granja. A nova junta será juramentada na noite de domingo, no salão nobre.

Comitiva de São Vicente desloca-se em Janeiro à Venezuela O Grupo Coral e Instrumental da Casa do Povo de Boaventura é um dos convidados a integrar a comitiva de São Vicente que se desloca em Janeiro de 2008 à Venezuela para comemorar o Dia do Concelho junto da comunidade madeirense. Ao todo, 28 elementos desta formação cultural vão integrar a viagem agendada para o final do referido mês e com a duração de uma semana, que vai marcar a estreia absoluta do grupo do Norte fora de casa. Na bagagem, e com uma agenda cheia de actuações, levam sobretudo a música tradicional madeirense, que vêm ensaiando há cerca de dois meses com vista a esta deslocação. No total, será uma comitiva de 80 pessoasque se desloca no início do próximo ano a Caracas. Está composta por representantes do poder local, empresários e autarcas, membros da Banda Filarmónica da Ponta Delgada e do Grupo Coral e Instrumental da Casa do Povo de Boaventura. O ponto alto da visita decorrerá no sábado, 26 de Janeiro, quando se realizar uma homilia em honra de São Vicente, na Missão Católica Portuguesa, em Caracas, organizada pela Confraria que tem o nome daquele santo e que está presidida por Estela Lucio de Pereira. A esta cerimónia religiosa assistirá o presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Humberto Vasconcelos, assim como os presidentes das juntas de freguesia do concelho nortenho da ilha da Madeira . A iniciativa de reunir os madeirenses oriundos da freguesia de São Vicente acontece há oito anos, mas foi apenas há cinco que a imagem do Santo chegou à Venezuela. A celebração pastoral em Caracas realiza-se há três anos a esta parte. Para formar parte da confraria é preciso preencher o requisito indispensável de ter nascido em São Vicente ou ser familiar de um vicentino.Todos os seus 47 membros são procedentes daquela localidade madeirense. PUBLICIDADE

Correio da Venezuela 237  

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