Page 1

www.correiodevenezuela.com

O jornal da comunidade luso-venezuelana

Ano 07 – N.º 162 - DePósito LegAL: 199901DF222 - PubLicAção semAnAL

cArAcAs, De 22 A 28 De JunHo De 2006 - VenezueLA: bs.: 1.000,00 / PortugAL: € 0,75

Polícia captura três sequestradores em Guatire PáginA 32

Cinco centenas na "outra" comemoração de Portugal PáginA 4

Histó rias vividas no "El Paraíso" da Venezuela PáginA 10

Luís Filipe actua em Caracas a 1 de Julho PáginA 15

Todos por Portugal


2 | EDITORIAL Mais do mesmo! CORREIO DE VENEZUELA - DE22 A 28 DE JUNHO DE 2006

Director: Aleixo Vieira Subdirector Agostinho Silva Coordenação em Caracas Délia Meneses Jornalistas: António da Silva, Carlos Orellana Jean Carlos de Abreu, Tábita Barrera, Victoria Urdaneta e Yamilem Gonzalez Correspondentes: Ana Pita Andrade (Maracay) Carlos Balaguera (Maracay e Valencia) Carlos Marques (Mérida) Sandra Rodriguez (La Victoria) Trinidad Macedo (Barquisimeto) Colaborações: Raúl Caires (Madeira) António de Abreu, Arelys Gonçalves Janette Da Silva, Luís Barreira e Miguel Rodrigues Publicidade e Marketing: Carla Vieira Fotografía: Paco Garret Preparação Gráfica: DN-Madeira Produção: Elsa de Sá Secretariado: Carolina Nóbrega Distribuição: Enrique Figueroa Endereço: Av. Los Jabillos 905, com Av. Francisco Solano, Edif. Torre Tepuy, piso 2-2C, Sabana Grande - 1050 Caracas. Endereço Postal: Editorial Correio C.A. Sabana Grande Caracas - Venezuela Telefones: (0212) 761.41.45 Telefax: (0212) 761.12.69 E-mail: correio@cantv.net URL: www.correiodevenezuela.com Tiragem deste número: 15.000 exemplares

margem da infindável lista de contributos positivos, o associativismo português continua a gerar uma série de pequenos ó dios e a fomentar algumas rivalidades ocas. Trata-se de um fenó meno que os soció logos deveriam estudar, por forma a que se pudesse enfrentá-lo de uma forma menos teó rica. Mas enquanto não chegam essas ilações, não nos coibimos de voltar a criticar os homens e as mulheres da nossa comunidade que nada fazem para atenuar pequenos conflitos quase "domésticos" no seio das diversas colectividades. De Caracas a Maracay, de Valencia a Barquisimeto, de Puerto Ordaz a Punto Fijo. A

À

um ritmo demasiado regular, vamos conhecendo os desenvolvimentos de pequenas querelas - que nalguns casos se tornam mesmo grandes... normalmente envolvendo figuras da comunidade que já tiveram outro protagonismo nas colectividades por onde vão passando. Tratando-se de pessoas que conhecem o que é gerir um centro ou um clube, onde tomar decisões implica correr riscos e sujeitarse a cometer erros, é tanto mais estranho ver essas mesmas individualidades, agora, a fomentar a intriga e a revelarem um pouco saudável apego aos lugares de decisão, por muito relativo que seja o poder que se exerce nas instituições associativas.

O CaRTOON Da SEMaNa Os representantes do Marítimo da Venezuela foram convidados a retirar os seus troféus do Centro Português, em Caracas...

Na minha terra costumamos dizer que é uma acção de despejo...

a SEMaNa MUITO BOM A programação televisiva concebida pelos diversos canais, a propósito do Mundial de Futebol, teve o condão de dar oportunidade a vários jovens para mostrarem os seus talentos. É com agrado que identificamos diversos luso-descendentes em grande destaque na condução desses programas de entretenimento, nas várias televisões.

BOM Da mesma forma que criticámos, a semana passada, a ausência de um representante da Embaixada no evento oficial do Dia de Portugal, em Maracay, cá estamos também a dar o devido relevo à expressiva participação das autoridades portuguesas no encontro que, no último domingo, reuniu os compatriotas que não têm acesso aos centros associativos. Parabéns também aos promotores de tal iniciativa.

MaU Em plena euforia do Mundial de Futebol, que realmente dá um colorido especial aos espaços públicos e privados, não é admissível que o "céu" de uns se transforme no "inferno" para outros. Há que dar largas ao entusiasmo de uma vitória, mas esses festejos são perfeitamente compatíveis com o respeito pelos outros. Fechar ruas, obrigando a que outros sejam bastante prejudicados, é algo dispensável. Seja em dia de vitória de Portugal, de Espanha, de Itália ou de Trindade e Tobago!

Fontes de Informação: DIÁRIO de Notícias da Madeira Jornal de Notícias Agência de Notícias LUSA O Correio de Caracas não se responsabiliza por qualquer opinião manifestada pelos colaboradores ou assinantes nos artigos publicados, garantindo-se, de acordo com a lei do jornalismo, o direito à resposta, sempre que a mesma seja recebida dentro de 60 dias.

MUITO MaU Continua a descoordenação na programação de eventos. Casos há em que parece haver a intenção premeditada de sobrepor iniciativas nos mesmos horários, numa postura que resulta em prejuízos para todas as partes. Seria pedir muito aos responsáveis do Centro Português, em Caracas, e aos promotores do Dia de Portugal, em Maracay, para que não fizessem coincidir os eventos comemorativos?

El Correio de Caracas, no se hace responsable por las opiniones manifestadas por los colaboradores o firmantes, garantizando, de acuerdo a la Ley, el derecho a respuesta, siempre que la misma sea recibida dentro de 60 días.

Para todos los

gustos

El mejor Bodegón de Caracas con la mayor variedad en vinos Nacionales e Importados C.C.C.T. P.B. (cerca al Banco Provincial) Telfs.: (0212) 959.73.77, 959.67.28 - Caracas - venezuela


CORREIO DE VENEZUELA -DE 22 A 28 DE JUNHO DE 2006

ACTUAL | 3

Especial Madeira no canal CMT Tábita Barrera tabita@correiodevenezuela.com

uma iniciativa inédita, o canal venezuelano CMT vai transmitir, no pró ximo 29 de Junho, pelas 10 p.m, em horário nobre, portanto, o programa "Isla de Madeira: La más bella del mundo", uma emissão especial que também assinala o Dia da Região Autó noma e das Comunidades Madeirenses. A iniciativa nasceu da iniciativa de pessoas que fazem parte da comunidade e serve para divulgar os costumes e tradições regionais deste arquipélago luso.

N

Entre os conteú dos a apresentar inclui-se traços sobre ilha quanto à sua agricultura, pesca e infraestruturas, a histó ria da cidade do Funchal, desportos, eventos artísticos, desfiles, atractivos turísticos da ilha Porto Santo e das ilhas Desertas e Selvagens, assim como uma volta à ilha da Madeira através do retrato de todos os seus Municípios. O programa contará também com divulgação das mensagens de diferentes autoridades políticas, entre eles Alberto João Jardim, presidente do Governo Regional da Madeira, João Carlos Abreu, Secretario Regional do Turismo e Cultura, Miguel Albuquerque, presidente da Câ mara Municipal do Funchal, Ventura Garcês, secretário regional do Plano e Finanças, quem vai estar na Venezuela por ocasião das comemorações do 1 de Jul-

ho, Agostinho Lucas, presidente da Comissão Organizadora do Dia da Madeira na Venezuela e o padre Alexandre Mendonça, pároco da Missão Cató lica Portuguesa.

Adiada audiência preliminar do caso Sindoni audiência preliminar do caso do empresário italovenezuelano Filippo Sindoni que estava agendada para a passada segunda-feira, 19 de Junho, no Palácio de Justiça de Maracay, foi adiada para as 11 da manhã do dia 26 deste mês. O advogado Luis Manuel Valdivieso, representante legal da família Sindoni, explicou que a razão do adiamento tem a ver com o facto de que dois dos suspeitos (José Pestana e Deborah Estanca) terem decidido designar advogados privados, em detrimento dos causídicos pú blicos que vinham assegurando a defesa de ambos. A juíza considerou então que se devia conceder um período de tempo razoável para que os novos advogados estudassem adequadamente o caso e pudessem exercer eficientemente o direito de defesa dos indiciados.

A

Está previsto que na segunda e terça-feira seja levado a cabo uma audiência, pois são oito os acusados, entre eles o cidadão de origem lusa João Paulo Costa Marques, natural de Aveiro, de 35 anos de idade, que permanece detido há mais de dois meses na cadeia de Tocuyito, sob acusação de "cooperação". Na audiência do dia 26, o tribunal decidirá se admite ou não as alegações que constam da acusação do Ministério Publico e, por conseguinte, se haverá ou não julgamento dos acusados. Desde o início de Abril, o Ministério Pú blico levou a cabo uma série de investigações sobre o caso do empresário aragü ense, assassinado no passado dia 28 de Março, apó s ter sido vítima de um sequestro.

O programa, emitido completamente em espanhol e com a duração de uma hora, será repetido no pró ximo domingo dia 2 de Julho às 2 p.m. e oferecerá uma oportunidade a não

perder, tanto para portugueses como para venezuelanos, de projecção da cultura e tradições de uma região lusa e europeia que se ergueu longe da Europa.


4 | VENEZUELA

CORREIO DE VENEZUELA - DE 22 A 28 DE JUNHO DE 2006

500 lusos sem clube celebraram Portugal A iniciativa, que se realizou nas instalações do Clube de Oficiais Subalternos das Forças Armadas, procurou beneficiar aqueles que não fazem parte de clubes ou centros portugueses Tábita Barrera tabita@correiodevenezuela.com

um ambiente familiar e agradável, um importante nú mero de portugueses reuniu-se no passado domingo, 18 de Junho, para comemorar o Dia de Portugal. Pela primeira vez, as instalações do Clube de Oficiais Subalternos das Forças Armadas (Clusofa)", serviram para reunir cerca de 500 portugueses, os quais entre mú sica e actividades recreativas, celebraram a data especial, fora dos tradicionais centros sociais portugueses. O evento foi realizado sobretudo para permitir a presença dos lusitanos e luso-descendentes que não possuem acções em nenhum clube português do país. Igualmente, teve por objectivo promover a integração entre a comunidade portuguesa e a

N

sociedade venezuelana. René Savenca, um dos organizadores do acto, indicou que a ideia era criar um ponto de união entre ambas culturas, assim como partilhar da gastronomia e tradições de Portugal. "Nunca antes tínhamos feito isto, mas agora encaramo-lo como um projecto-piloto que abre as portas a todos, além de permitir afiançar as nossas relações", expressou. Neste sentido, Orlando Couto, outro coordenador do encontro, observou que foi decidido fixar preços acessíveis de modo a que ninguém deixasse de assistir. "Tanto a entrada, que apenas custou cinco mil bolívares, como a comida tiveram custos solidários para que todo o mundo pudesse estar presente no lugar, pois desde há muito tempo que um grande nú mero de portugueses que por não serem só cios de algum clube, não podem celebrar a festa da

sua pátria e não quisemos que isso se passasse este ano", disse. Antó nio Granja, que também trabalhou para a execução da festa, assegurou sentir-se satisfeito com os resultados, pois a convocató ria surtiu o efeito desejado e ao mesmo tempo conseguiu-se abrir um precedente. Também acrescentou que há a intenção de instituir a realização deste evento anualmente. "Estamos contentes com o que conseguimos alcançar. Pensamos continuar realizando o evento e atrair cada vez mais pessoas. Já pudemos ver, com esta grande assistência, que a comunidade está desejosa de comemorar os dias festivos de Portugal, mas muitas vezes não podem fazê-lo. Daí a importâ ncia de realizar estas iniciativas que sublinham a nossa cultura", explicou. Por outro lado, Rui Monteiro, Cô nsul Geral de Portugal na Venezuela, esteve na festa em representação das autoridades lusas e afirmou a transcendência da actividade por ser "uma excelente forma de divulgação da cultura, gastronomia e costumes lusos, onde se fomenta um melhor entendimento e espírito de cooperação". De igual modo, Pedro Pinto, gerente geral da TAP, manifestou sentir-se orgulhoso ao ver que não se deixava ninguém de fora, acrescentando que a ideia era muito boa "porque foi organizada de maneira independente, mas pensando em toda a comunidade".

Folclore e gastronomia

Para distinguir o folclore português, o Grupo de Danças e Cantares do Centro Português de Caracas, os Lusíadas, o grupo Contraste, a Banda Recreativa Madeirense e o cantor luso-venezuelano Manuel Augusto Oliveira, mais conhecido por Oliver, tiveram a seu cargo o entretenimento do dia. Quanto às artes culinárias, lapas da Madeira, espetada, sardinhas assadas, caldo verde, pastel de nata, entre outros, foram pratos servidos para deleite dos presentes. Os comentários foram positivos. Neste sentido, José de Abreu e Gabriel Pereira, convidados ao evento no Clusofa, coincidiram no desejo de que a ideia se perpetue no tempo, pois era uma forma de distracção e interacção para os portugueses e venezuelanos, sem discriminações.


CORREIO DE VENEZUELA - DE 22 A 28 DE JUNHO DE 2006

PUBLICIDADE | 5


6 | VENEZUELA

CORREIO DE VENEZUELA - DE 22 A 28 DE JUNHO DE 2006

Fundamental apostar nas TIC mais necessárias em pleno século XXI que vai a favor de todos os sectores que compõem um país e de aqueles que desejam adoptar este projecto para a melhoria da sociedade latino-americana".

Jean Carlos De Abreu jeacarlos@correiodevenezuela.com presidente da Fundação "Venezuela Propositiva" (FVP), a luso-descendente Geraldine de Sousa Couto, esteve na Repú blica Dominicana no passado dia 3 de Junho, para a 36ª assembleia-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), onde expô s o projecto da organização sobre "A Governabilidade e Desenvolvimento na Sociedade do Conhecimento" e mostrar os feitos obtidos no país pela aplicação do plano. Na exposição de Sousa Couta, feita perante os representantes dos membros da OEA, foi explicado que os chefes de Estado e de Governo dos países da América reconheceram a importâ ncia da tecnologia na informação e comunicação, já que estas influenciam a sociedade americana ao nível da política, economia e cultura dos países membros da organização. A luso-descendente argumentou que o plano da sociedade do conhecimento deve servir o interesse pú bli-

A

Resposta positiva

co e privado e que esta não deve atentar contra o processo democrático, antes sim servir a ampliação do saber humano através das ferramentas digitais. Também sublinhou a necessidade de se continuar a apoiar o desenvolvimento das tecnologias da informação e da comunicação (TIC) com os processos de modernização das instituições pú blicas no que se refere a tecnologias e sistemas que fortaleçam a governabilidade e a promoção da eficácia dos serviços, ser-

vindo assim de ferramenta para a transparência da gestão dos serviços pú blicos nos países que adoptem este sistema. Por outro lado, ressaltou a importâ ncia do uso e manipulação das novas técnicas digitais para crianças nas escolas, já que facilitará a aprendizagem e a adaptação destas ao mundo globalizado da informação. "Todos os sectores de um país merecem a mesma atenção sem discriminação". Por isso, Sousa encara este plano como "uma das ferramentas

A presidente da Fundação "Venezuela Propositiva" declarou ao CORREIO que a resposta dos representantes dos estados-membros presentes à 36ª assembleia-geral da OEA foi positiva quanto ao apoio solicitado. "A finalidade é conseguir que se implemente este projecto em todo o continente americano para que todos, sem discriminação, tenham acesso à informação e assim possamos estar a par do que se passa no resto do mundo. Mais, também para que gozemos das vantagens do uso de tecnologias que ajudarão a sociedade e a educação das crianças e adolescentes", explicou. Geraldine de Sousa Couto promete, desde a Venezuela, continuar a lutar para que o governo nacional continue aplicando em todo o país o projecto proposto por esta defensora dos Direitos Humanos e que tem o aval da OEA.

Empresário baleado em Ocumare del Tuy Este reagiu e, com o susto, acelerou, numa tentativa de evitar o jeacarlos@correiodevenezuela.com roubo, mas os delinquentes não desistiram e dispararam diversas ves principais vias de circu- zes com uma arma de fogo, conselação da capital têm sido guindo ferir o emigrante nas costas. palco, nas ú ltimas semaO empresário é dono de uma fánas, de várias tentativas de roubo a brica de tubos de plástico na zona veículos de particulares. O "modus de Tuy. Familiares disseram que operandi" dos meliantes é lançar Machado foi atendido pelos médiou fazer detonar objectos nos pára- cos de serviço no Centro Médico brisas dos carros para depois se Tuy, sendo posteriormente enviado aproximarem das vítimas e roubá- para a clínica Metropolitana, em las, quando estas, atordoadas, pa- Caracas. Ali, os médicos diagnostiram a viatura. caram-lhe uma ferida por arma de Há cerca de uma semana, um fogo na zona torácica direita, com emigrante português, natural do saída pelo lado esquerdo. Segundo Minho, ficou ferido devido a um os médicos, a bala não atingiu nendisparo, quando deixava as insta- hum ó rgão vital. lações do seu estabelecimento coO Corpo de Investigações Cientímercial, situado em Valle Verde, ficas, Penais e Criminais (CICPC) Ocumare del Tuy, no estado Mi- de Los Valles del Tuy está a levar a randa. cabo uma investigação com vista a A vítima foi identificada como capturar os meliantes. Segundo o sendo Alcino Machado, de 52 anos Correio pô de apurar, Machado ende idade, que foi interceptado por contra-se estável e está em repouso. vários delinquentes que queriam A polícia da zona continua as inroubar-lhe o veículo. Segundo ami- vestigações com o fim de travar os gos da vítima, um deles lançou uma delinquentes, para que não contipedra para o pára-brisas do carro nuem a fazer vítimas. que pertencia ao empresário luso.

Jean Carlos De Abreu

A


CORREIO DE VENEZUELA - DE 22 A 28 DE JUNHO DE 2006

publicidade | 7


8 | VENEZUELA

CORREIO DE VENEZUELA - DE 22 A 28 DE JUNHO DE 2006

Daily Journal: América Latina em inglês Com 60 anos no paí s, o Daily Journal, periódico dirigido à comunidade anglófona, mudou de imagem nalidade de apresentar uma es-

ham o perió dico como o seu

evolução e que se empenharam

Tábita Barrera tabita@correiodevenezuela.com

istoricamente, o Daily Journal nasce para a comunidade anglo-saxó nica da Venezuela, em 1946. Surge como uma iniciativa um pouco modesta e cresce depois com a aceitação que teve nesse â mbito. Não obstante, actualmente, essa comunidade mudou. O inglês deixou de pertencer aos anglo-saxões para ser um idioma que, sobre uns padrões mais ou menos estandardizados, permite a comunicação de muita gente, inclusivamente para interlocutores que geralmente não o têm como língua materna. É por isso que para satisfazer as necessidades dos seus leitores, o jornal se propô s realizar uma mudança de imagem com a fi-

H

Nestor López: foi dado um salto importante dentro do mercado

trutura baseada na comunicação contemporâ nea. De acordo com Nestor Ló pez, director do Daily Journal, foi dado um salto importante dentro do mercado, o qual foi bem recebido pelo pú blico. "Ao princípio registaram-se algumas queixas por parte de leitores que estavam habituados e que tin-

mapa diário. Talvez os tenhamos desorientado, pelo que pedimos desculpa, mas era necessário mudar. Há que propor mapas para a maioria dos leitores. Considero também que o jornal está agora mais jovem e a resposta tem sido bastante positiva", assegurou. Neste sentido, observou que querem mostrar que houve uma

para que o perió dico desenvolva uma linha editorial distinta à que tradicionalmente se conhece na Venezuela, onde a ideia é conseguir que o pú blico construa a sua pró pria opinião. "Nó s lidamos com informação, mas acreditamos que o conhecimento é poder, pelo que o jornal deve ter uma dose de

informação que seja susceptível de ser convertida em conhecimento, pois para nó s o leitor é actor", afirmou. Ló pez, à frente da direcção do jornal desde Março ú ltimo, tem participado assiduamente na sua transformação. Assegura que é "um perió dico latino-americano em inglês", pois o seu conjunto de notícias está centrado no acontecer nacional, latino-americano, ainda que não deixem de lado o que se passa ao nível mundial. O Daily Journal é também distribuído no Perú , havendo grandes possibilidades de entrar no mercado da Colô mbia e do México. Este perió dico, que pode ser encontrado nas bancas entre segunda-feira e sábado e conta com uma tiragem aproximado de cinco mil exemplares, tem a ambição de preparar os "leitores do futuro".

Vida dedicada ao associativismo Jean Carlos De Abreu jeancarlos@correiodevenezuela.com restaurante "O Navegante", do Centro Português, de Caracas, acolheu, no passado dia 15 de Julho, uma homenagem de ex-directores ao antigo presidente da associação, que também é um dos primeiros só cios e fundadores do clube, quando o centro ainda estava localizado em El Paraíso. Rodolfo Augusto dos Santos, 90 anos, é um português natural de Vila Franca de Xira, Portugal, que chegou à Venezuela na década de 1940. Este emigrante presidiu à direcção do clube em três ocasiões e foi membro de mais direcções noutras seis ocasiões. Ao acto de homenagem assistiram 80 pessoas, entre familiares e amigos, os quais o acompanharam na celebração do seu aniversário nú mero 90. Ex-presidentes do Centro Português expressaram os seus agradecimentos pelo contributo deste luso em todas as iniciativas culturais e recreativas que se desenvolvera no seio da instituição. Santos comentou depois ao CORREIO que durante os seus mandatos

O

sempre apelou à "união" e às actividades de grupo "porque unifica as pessoas". O conselheiro coordenador do Conselho das Comunidades Portuguesas, da secção da Venezuela, Inácio Pereira, entregou a Rodolfo Santos a Medalha dos Conselheiros em reconhecimento pelo seu trabalho em prol do associativismo e pela sua luta por manter vivas as tradições lusas através de um clube. José Luís Ferreira, ex-presidente do CPC, realizou ainda a entrega de um anel com o selo do clube. Ferreira agradeceu a ajuda prestada pelo agora nonagenário a muitos venezuelanos que não deixam de reconhecer na actualidade que "Rodolfo é mais venezuelano que eles pró prios” .


CORREIO DE VENEZUELA -DE 22 A 28 DE JUNHO DE 2006

venezuela | 9


10 | VEnEzuEla

CORREIO DE VENEZUELA - DE 22 A 28 DE JUNHO DE 2006

El Paraiso Venezuela

"Tack". Na mesa atrás, fazendo Márcio Berenguer (DM/MADEIRA)

uma diagonal para a esquerda das cadeiras onde os olhos de Gilda Pestana humedecem a falar de El Paraiso, Venezuela, Manuel Bonito termina mais uma partida de dominó . O pano verde que cobre a mesa de madeira escura não absorve as batidas das peças, e o "tack" do marfim a chocar com o tampo ecoa pela sala de convívio do Centro Social das Comunidades Madeirenses (CSCM), num triunfante grito de vitó ria. O som posterior do baralhar das peças - como um coro de "tacks" chega já como uma recordação à mesa onde, de braços cruzados, Eugénia Pita fala de uma Caracas de "festas", "diversões"... e de "inseguridad". Voltou à Madeira há quase 15 anos, numa altura em que a palavra "insegurança" começou a fazer parte do léxico diário da comunidade madeirense na Venezuela. Foram 24 anos a viver em Caracas. "Uma vida" feita, como aqui, a cuidar da casa, do marido e dos três filhos. "Foi a ú nica condição que eu pus para emigrar. Não trabalhar fora". O ma-

rido aceitou, e lá foram para outro país. Ele para trabalhar num talho, ela para ficar em casa à espera, a ver crescer os filhos, a fazer amizades, a estar com a família, que já lá estava à espera. "Foi divertido", garante, com um sorriso que enche a sala. O mesmo, sonoro, sincero, que pede para não escrever que tem 70 anos. Não tem, estava a "brincar", claro. Tem 65, e nem esse parece ter. O cabelo com reflexos caju amarelado e olhos irrequietos rouba uma boa dezena de anos aos que diz ter. Parece ter a idade de Gilda Pestana. Caracó is claros, casaco laranja abotoado até cima, um fio de ouro a baloiçar e uma saudade do tamanho do Mundo. A Venezuela, terra onde viveu meio século, está ainda demasiado presente, demasiado viva no pensamento, para ser apenas uma boa recordação. É um desejo, um sonho interrompido há quatro anos pela "inseguridad", uma infinita tristeza que trouxe a ela e ao marido de volta a uma ilha onde se sente bem, mas que é "diferente". Não fosse o CSCM, enclave venezuelano em territó rio madeirense, e Gilda Pestana "morria de tristeza". Aqui só tem o marido e lá tinha tudo. Pessoas mais alegres, sociáveis, e toda a família que lá ficou,

numa recusa militante em não desistir, como o corpo inclinado sobre a mesa de Gilda Pestana parece já o ter feito. Os braços caídos sobre a madeira negra, despida de panos verdes, contrastam com os direitos, erguidos para o céu, de Andreia Pe-

A Venezuela, terra onde viveu meio século, é um desejo, um sonho interrompido há quatro anos pela «inseguridad», uma infinita tristeza que trouxe a ela e ao marido de volta a uma ilha onde se sente bem, mas que é «diferente». reira. Lá dentro, para lá da porta que dá para o bar/cozinha do CSCM, tão alheia aos "tacks" do dominó , como, antes, aos comentários do França-Suíça, a menina de 9 anos segura num baralho de cartas ilustradas com aviões da TAP. À frente, repetindo o mesmo gesto como numa coreografia, Liliana

Gomes diz que gosta da Madeira, da tranquilidade, mas a Venezuela parece chamá-la, como uma mãe chama a filha. Nasceu lá, há 18 anos, mas com dois já estava dentro de um avião da TAP, de regresso à terra dos pais. Por isso, não se lembra nada da terra em que nasceu, por isso quer lá voltar... "Gostava de viver lá. Pelo que me dizem. Gostava". Mas não vive. É na Madeira que estuda, já a pensar na universidade, porque a vida não é fácil aqui. Tudo isso é muito cedo para Andreia Pestana pensar. Os olhos azuis, agora escondidos atrás de uns ó culos quase transparentes, têm tanto para ver aqui. A escola, os colegas, os amigos, a família que veio com ela, e a que regressa da América Latina regularmente para visitar a Madeira. As recordações de Caracas são poucas. São fragmentos de qualquer coisa que poderia ter sido mas não foi, porque a terra de esperança transformou-se, à custa de desigualdades, da corrupção, da política, em lugar de medo para tantos, que só queriam trabalhar. Andreia Pestana não sabe nada disto. Tem 9 anos agora e tinha quatro quando veio


CORREIO DE VENEZUELA - DE 22 A 28 DE JUNHO DE 2006

VENEZUELA | 11

Gilda Pestana regressou há pouco tempo à Madeira

Liliana Gomes quer continuar na Madeira

para a Madeira. Joga às cartas despreocupada, como qualquer criança, mas a irmã, Fátima, preocupa-se. Tem 21 anos e veio para a Madeira no mesmo voo da irmã. Eram três no avião, se somarmos o irmão Hélder, que não aguentou as saudades nem se adaptou ao isolamento madeirense e voltou poucos anos depois para a Venezuela. Fátima Pestana ficou e casou. O marido tem também raízes venezuelanas, e ela divide o tempo entre o trabalho no bar do CSCM, os estudos para os exames de acesso ao ensino superior e os jogos de basebol. "O meu marido joga no "Caciques"", diz, mostrando a camisola da equipa venezuelana "Leones", que traz vestida. Um presente de um familiar, que ela usa sempre que vai ver os jogos do marido, numa das raras ocasiões em que se pratica basebol na Madeira. O desporto nacional venezuelano está a ser exportado para a Região, mas continua a ser quase só apreciado por quem viveu naquele país da América Latina, e Fátima Pestana conhece tantos... Amigos, familiares e ela pró pria, que se diz "100 por cento" venezuelana, mas que sabe que a terra onde vai viver é a Madeira. Não se arrepende, vai "adaptar-se", e agora só pensa em entrar para o curso de Psicologia. Jennifer Pereira tem mais dois anos do que ela e um pensamento semelhante. Também trabalha no CSCM, também está a estudar para os exames de acesso à universidade, também tem saudades da Venezuela... "As pessoas são mais fechadas, desconfiadas, mas aqui há mais liberdade..." Foi isso que procurou quando, há menos de um ano, deixou a Venezuela, os pais, e veio para a Madeira à procura de "independência". Ainda não encontrou, e de boné de Portugal na cabeça, diz que se sente portuguesa, e apesar do sotaque e a alegria sul-americana chocar com a "desconfiança" madeirense,

é isso que vai tentar ser. Lá fora, de novo para lá da cozinha. Na sala de convívio, onde as peças de dominó continuam a cantar "tacks" e o "Mundial" a ser comentando na televisão, Gilda Pestana também tenta ser, mas é difícil. "O Chávez poderia ser um ídolo. Tinha tudo para fazer da Venezuela um país grande para todos". Não fez, e o El Paraiso de Gilda Pestana chega tão distante como o "tack" do dominó de Manuel Bonito. EMIGRAR NÃO É FÁCIL De costas voltadas para os comentários do França-Suíça, Manuel Bonito alinha as peças de dominó num suporte de madeira, e prepara mais um jogo. A camisa azul celeste e os ó culos grandes, de lentes escurecidas de amarelo, que teimam em deslizar pelo nariz, estão concentrados no desenho que as peças vão traçando sobre a mesa. "Estive 19 anos na Venezuela. 18 a jogar dominó e um a trabalhar". As contas estão malfeitas, claro. Foram todos a trabalhar, e mesmo depois de voltar à Madeira, em 1984, continuou ligado àquela país da América Latina, o terceiro local que escolheu para emigrar, o ú nico em que venceu. Aos 64 anos, Manuel Bonito já correu o Mundo à procura de oportunidades. Começou novo, em Moçambique, onde trabalhou durante cinco anos. O objectivo era a África do Sul, e tentou... mas não conseguiu. "Naquele tempo nó s éramos analfabetos e tentávamos atravessar a fronteira ilegalmente". Foi apanhado pela polícia fronteiriça e... passou 60 dias preso numa cadeia sul-africana, antes de ser expulso do país. Voltou à estaca zero, mas ali, na fronteira, viu uma oportunidade de negó cio, e começou a comprar a roupa dos que tentavam a sorte e saíam de Moçambique ilegalmente. O lucro era grande, e depressa Manuel Bonito sentiu necessidade de ex-

pandir o raio de acção. Não tinha carta de condução, mas arranjou um só cio que tinha, e passou a ser proprietário de um camião. Tudo correu sobre rodas, até bater... "Houve um acidente. O camião ficou destruído e o meu só cio, que vinha a conduzir, acabou por morrer dias depois", explica, levantando-se da mesa do dominó e indo para o fundo da sala. É já atrás da mesa onde Gilda Pestana lamenta o El Paraiso perdido, que Manuel Bonito fala da chegada à Venezuela. A viagem foi feita em 1.ª classe e entrou no país com um visto de turista. Deitou mãos à obra, e depois de vários avanços e recuos lá consegui singrar, mas já sabia que a hora do regresso estava pró xima.

"Sempre vi a Madeira como a minha terra. E mesmo quando estava tudo bem na Venezuela eu sabia que ia voltar para cá", diz, ajeitando os ó culos, num gesticular contínuo, como se procurasse peças de dominó . Mas não foi um jogo que trouxe da América Latina. Foi a farinha "Harina pan", que hoje representa na Região. A terra que sempre foi sua e onde sempre foi bem tratado, antes e depois de emigrar. Os ó culos escorregam novamente, e num gesto mecâ nico, que só quem usa ó culos conhece, Manuel Bonito coloca-os no lugar, respira fundo e diz: "As pessoas pensam que emigrar é fácil".


12 | HISTÓ RIA DE VIDA

CORREIO DE VENEZUELA - DE 22 A 28 DE JUNHO DE 2006

"Amo a Venezuela mais que os pró prios venezuelanos" João Tiago Lopes Gonçalves Quinta Grande, Madeira

asci a 5 de Março de 1920, na Quinta Grande, no sítio da Ribeira do Escrivão, Madeira. Sou o terceiro de 12 filhos, e bendizemos o lar dos nossos pais, Elisa de Jesus Barradas e Manuel Gonçalves Lopes. Com a idade de 21 anos, ingressei no quartel. Foi um tempo rude e difícil para todos. Prestei serviço durante três anos e um mês. Saí, e, com os olhos postos no futuro, decidi contrair matrimó nio com uma bela mulher da minha freguesia. Tinha 25 anos de idade quando Maria de Jesus Aguiar, a mulher que capturou o meu coração, se converteu na minha eterna companheira. Ela, de carácter forte, de sentimentos nobres e trabalhadora, tem sido o pilar da minha vida. Estamos casados há 60 anos. Recordo-me que o nosso casamento se realizou no dia da celebração da Virgem dos Remédios, padroeira da min-

N

ha freguesia. Foi a 8 de Setembro de 1945. Sempre pensei que fomos benzidos pela Virgem, já que, com a nossa idade, ainda continuamos juntos. Decidi sair da Madeira em busca de uma vida melhor, como fizeram os nossos conterrâ neos. Por isso, embarquei no barco espanhol "Cabo de Ornas", com destino ao Brasil. Deixei a minha esposa na ilha, sozinha e grávida da nossa primeira filha, Maria Odil, mas com a promessa de regressar para ir buscá-la e oferecer-lhe o melhor.

Uma vez em solo carioca, trabalhei como ajudante de cozinha e como empregado de mesa na rua Abraham do Prato, no restaurante "Canta Gallo", em São Paulo. Num dia de trabalho normal, por casualidade da vida, conheci o cô nsul da Venezuela no país e manifestei o meu interesse em conhecer e ir viver para a Venezuela. Aquele, sentindo-se agradado, facilita a minha vinda para a Venezuela, ao outorgar-me um visto de comerciante, o qual era pouco comum, porque a maioria dos portugueses ingressavam no país com visto de agricultor. Em 1950, ano santo, viajei até Roma, Itália, onde passei oito dias, a fim de pagar a minha promessa para poder conhecer a minha primeira filha. Posteriormente, regressei à Madeira para conhecer a menina e passar cinco meses de felicidade com a minha família, antes de voltar para a Venezuela para trabalhar. Passou o tempo da minha estadia na ilha e cheguei de novo à terra crioula. A minha esposa voltou a ficar grávida, da minha segunda filha, Fátima. Como o trabalho é digno e nunca tive medo de realizar tarefas, comecei a trabalhar como bilheteiro numa empresa de autocarros. Já com algum dinheiro poupado, sempre pensando na minha família que ainda vivia na Madeira, adquiri uma frutaria no Conde, em Catia. Tempos depois, vendi o negó cio e comprei um bar em

El Valle.

maior recompensa.

Decorria o ano de 1952 quando a minha esposa Maria e as minhas duas filhas vieram para a Venezuela no barco italiano "El Uriga". Já estável e com algum dinheiro, comprei o supermercado "Santa Clara", em Catia, a mesma localidade onde resido actualmente. Ali, tenho sido apreciado pelos vizinhos, que me conhecem há mais de 50 anos. Pelo meu supermercado passaram muitos conterrâ neos que iniciavam a sua vida na Venezuela. Actualmente, estes compatriotas são grandes comerciantes e empresários no país, e entre eles está Manuel da Gama. 1953 foi o ano da minha outra felicidade. Nasceu o meu primeiro filho varão, Alberto Santiago, e no ano seguinte, José Manuel. Sempre tive uma atitude positiva perante a vida, apesar de ter passado necessidades, não ter que comer nem que vestir, mas sempre fui amado pela minha família, que é a minha

A Venezuela é o meu amor, considero que amo o país mais que os pró prios venezuelanos. Desde que cheguei a terras venezuelanas, tenho sido um aficionado das corridas de touros. Percorri Valência, San Sebastián, Maracay e Nuevo Circo com os meus netos, a fim de assistir às corridas. Tenho uma família numerosa: Quatro filhos, dez netos e onze bisnetos. Tenho orgulho neles porque aceitam os meus conselhos, apesar da minha idade avançada. Creio que lhes deixo o meu melhor exemplo: A preserverança, o trabalho constante e o bom humor, lema que partilho com os meus familiares e amigos.


CORREIO DE VENEZUELA -DE 22 A 28 DE JUNHO DE 2006

PUBLICIDADE | 13


14 | CULTURA

CORREIO DE VENEZUELA - DE 22 A 28 DE JUNHO DE DE 2006

Unidos pelo açú car Seminá rio Internacional de Histó ria do Aç ú car realizado no Funchal contou com a experiê ncia venezuelana Yacarlí Carreño Yacarlí @gmail.com

o passado mês de Maio, levou-se a cabo um dos poucos congressos itinerantes do Mundo, o IV Seminário Internacional da Histó ria do Açú car. O encontro é bienal e a sua organização, realização e atenção aos oradores são patrocinadas na sua totalidade pelo Centro de Estudos de Histó ria do Atlâ ntico (CEHA) e pela Direcção Regional e Turismo da Madeira. Os convidados foram contactados pelo professor Alberto Vieira, director do CEHA e que é considerado "um dos melhores historiadores portugueses do momento". A estadia e deslocações foram também garantidas pelas instituições mencionadas. O Museu Frederico de Freitas, o Centro Cultural dos Passos, a Biblioteca da Ribeira Brava e o Auditó rio do Centro de Extensão Rural de São Vicente foram, durante essa semana, os cenários nos quais se encontraram seis países com tradição na produção de cana-de-açú car: Brasil, Repú blica Dominicana, Cuba, Espanha, Venezuela e Portugal. A Venezuela é um país com

N

aquela tradição, no entanto, são poucas as investigações histó ricas que se dedicam ao tema. Mas há sempre excepções. O professor José Ángel Rodríguez, venezuelano-canário, dedica-se desde 1980 a resgatar essa parte da histó ria. O seu trabalho fez com que tivesse ganho um importante prémio internacional, em virtude da publicação do seu livro "A histó ria da cana", há um ano. A sua obra e a sua participação num congresso sobre as relações das Canárias com a América puseram-no em contacto com o professor Vieira, que o chamou para representar a Venezuela no seminário, junto com Catalina Banko, uma investigadora venezuelana perita no tema. "Foi muito interessante ver como se cultiva a cana-de-açú car em lugares tão pequenos como a Madeira, em contraposição a lugares tão grandes como o Brasil. Foi muito enriquecedor encontrar-se com gente que fala de um assunto sobre o qual sempre trabalhamos", disse o professor Rodríguez. Os circuitos comerciais do açú car na Venezuela, entre os séculos XVI e XIX e a histó ria da cana, açú cares, aguardente e runs na Venezuela foram os temas expostos no seminário.

"A Madeira é uma ilha de primeira e isso é um espelho do trabalho realizado. Nos anos 40, as pessoas saíam espavoridas dali, mas hoje contam com uma qualidade de vida altíssima. Estão a par do primeiro mundo. O Funchal é uma cidade que brilha. Tanto a geografia física como a humana têm grande impacto". Rodríguez sublinha a relação estreita entre Portugal e a Venezuela, "a cada momento encontramo-nos com compatrio-

tas", e o facto de que, para além das relações migrató rias, a relação histó rica que partilham com países com tradição na produção de cana-de-açú car é inegável. Cada histó ria separada pelas suas pró prias características, com as suas vantagens e desvantagens pró prias, mas unidas pelo doce do açú car. No pró ximo Seminário internacional da Histó ria do Açú car vai levar-se a cabo no Brasil.

Livro sobre emigração madeirense A apresentaç ã o da obra deverá ocorrer em Maio de 2008, no Funchal, coincidindo com as celebraç õ es dos 500 anos desta cidade. Derlys Melim derlysmdc@hotmail.com

emigração madeirense é parte integrante da Venezuela desde a descoberta da América, devido ao contacto que Cristó vão Colombo tinha com os portugueses. Diz-se que os seus marinheiros eram madeirenses e que numa das suas viagens a este continente, abasteceu os seus barcos de vinhos e comida na ilha. Diz-se inclusive que os espanhó is tiveram a Madeira como modelo aquando da colonização da actual ilha de Margarita. Estes foram alguns dos dados que o professor e historiador Carlos Teixeira revelou ao CORREIO de Venezuela como parte da investi-

A

gação que está a fazer para um livro cujo principal tema é a presença de madeirenses na Venezuela. O professor esteve recentemente em Portugal, mais especificamente na Madeira e em Lisboa, a fim de

compilar toda a informação possível acerca deste tema. Contou, para isso, com a colaboração de fontes como o Diário de Notícias e com o Arquivo Regional da Madeira, onde ocupou quase todo o seu tempo, devido à grande quantidade de informação disponível. "Um aspecto muito importante da minha investigação foi que em Portugal entrevistei 17 madeirenses que viveram na Venezuela durante 15 anos, aproximadamente. Apenas um deles não deixou descendência, mas os outros 16 deixaram gerações", disse Teixeira. Num ano de investigação, consultou 102 fontes, entrevistou 76 pessoas de diversos sectores comerciais e profissionais, entrevistas que abarcaram nove estados da Venezuela, e ainda Lisboa e Madeira, e

conta também com 215 fotografias em processo de selecção. Um dos temas a tratar no seu livro será o impacto econó mico e comportamento social dos madeirenses no país. Até ao momento, tem compilado 30 por cento do material total do livro, e a sua intenção é que, em Maio de 2008, a investigação esteja já publicada, como forma de homenagem ao Funchal, já que coincide com a celebração dos 500 anos da cidade. Teixeira explica que deve voltar a Portugal pelo menos mais duas vezes, a fim de terminar o seu trabalho de campo, e, se possível, trocar impressões com o vice-reitor da Universidade da Madeira, Rui Carita, que também realizou trabalhos de investigação relacionados com o tema da emigração.


CORREIO DE VENEZUELA - DE 22 A 28 DE JUNHO DE 2006

CULTURA | 15

Sangue novo no Centro Português Jean Carlos De Abreu jeancarlos@correiodevenezuela.com

ez adolescentes vão ter a seu cargo a organização das actividades recreativas levadas a cabo pelo comité juvenil do Centro Português em Caracas, que acaba de ser constituído. A meta é a mesma de sempre: Motivar os jovens a participar mais activamente nas iniciativas que o clube leve a cabo. Leonardo dos Santos é o novo presidente da comissão juvenil. É filho de emigrantes madeirenses e estuda Gestão de Empresas na UCAB (Universidade Cató lica Andrés Bello), em Caracas. Santos disse ao Correio que todos os jovens que integram a comissão são

D

filhos de portugueses e estão associados ao clube, pretendendo resgatar os valores da diversão juvenil dentro da instituição. "Queremos propor mudanças, para que os jovens participem e desfrutem do que têm no clube. Não queremos que estes utilizem a associação como ponte de saída, mas que estejam aqui dentro a divertir-se e não recorram

a outro lugar", sublinhou Santos. Para aquele responsável, a melhor forma de ter os luso-descendentes no Centro Português é realizando concertos e festividades, actividades que está a coordenar com todo o seu grupo de trabalho. "Muitos dos jovens vêm às instalações simplesmente para combinar uma saí-

da para outros locais, à noite, porque não encontram no clube a diversão que desejam", acrescentou. Este grupo de jovens estará à frente da comissão juvenil durante um ano. A junta anterior durou quatro anos, período que se estendeu mais do que o previsto, segundo Santos. Os actuais membros do comité, na sua maioria estudantes universitários e outros profissionais, redigiram estatutos internos passados à junta directiva do centro, e onde estipulam algumas normas para a "livre eleição dos candidatos ao posto" e para que não sejam escolhidos pela direcção do clube. Para além disso, esta norma expressa que os jovens que sejam só cios do clube possam votar e ele-

ger a lista que mais lhes interesse. Sem obstáculos Santos comentou ao CORREIO que não deseja obstáculos durante o seu desempenho como dirigente no Comité Juvenil, porque "quero que o clube seja o que foi anos atrás… quando se falava do Centro Português dizia-se que era o melhor clube a organizar festas e todos assistiam às suas actividades", disse, observando que esta fama foise perdendo com o passar do tempo. Todas as quartas-feiras, o Comité reú ne-se para debater e preparar planos de diversão que estarão a ser executados ao longo dos meses até Dezembro.

Luis Filipe no Dia da Madeira Homenagem à comunicação Derlys Melim derlysmelim@hotmail.com

ara a celebração do Dia da Madeira, desloca-se à capital venezuelana o cantor Luis Filipe Aguiar, o qual tem agendada uma breve actuação, a 30 de Junho com a Orquestra Sinfó nica da Venezuela, e a 1 de Julho um solo para os convidados do jantar comemorativo. Ambas apresentações se realizarão no Salão Nobre do Centro Português de Caracas. Luis Filipe é compositor, mú sico e intérprete madeirense detentor de uma carreira profissional com cerca de trinta anos. Como compositor, destaca-se a sua participação em vários festivais nacionais e internacionais. Foi vencedor do Festival RTP da canção em 1990, com a canção "Sempre há sempre alguém" interpretada por Nucha. Com dezenas de discos gravados com temas da sua autoria, é colaborador da Sociedade Portuguesa de autores de cuja direcção fez parte até 2001 e onde tem registadas mais de quinhentas obras. Foi director artístico e musical de variadíssi-

P

mos programas de televisão, desenvolveu uma carreira de mais de vinte anos fazendo espectáculos por todo o país e no estrangeiro, destacando-se a sua participação no festival OTI em Buenos Aires, Festival Circomú sica em Lubliana na Jugoslávia, e actuações em França, Alemanha, Inglaterra, Luxemburgo, Canadá e Argentina. Passou também pela rádio tanto na Madeira como em Lisboa, produzindo e apresentando programas da sua autoria. Na televisão estreouse como apresentador do programa "Raspa o Nosso Jogo" para a RTP-Madeira. No teatro de revista participou em algumas peças como autor e responsável por arranjos, destacando-se a revista "Vitó ria Vitó ria" com Marina Mota. Na área da publicidade Luís Filipe foi autor e compositor de inú meros "jingles" para rádio e televisão. Quem não se recorda do slogan "Rádio Renascença é um espectáculo". Neste momento residindo na Madeira continua a sua actividade como mú sico, compositor e interprete e prepara em simultâ neo outros trabalhos discográficos.

A Escola de Comunicação Social da Universidade Central da Venezuela celebrou 60 anos juntamente com Antonio Pasquali Tábita Barrera tabita@correiodevenezuela.com

proveitando as celebrações dos 60 anos da Escola de Comunicação Social da Universidade Central de Venezuela, no passado dia 15 de Junho, foi prestado tributo, nesta casa de estudos, a Antonio Pasquali, destacado teó rico do pensamento crítico da comunicação na Venezuela e América Latina. O acto, participado por mais de 100 pessoas, entre professores e estudantes, serviu para reconhecer a trajectó ria desta ilustre figura, que foi capaz de ganhar a admiração dos jovens e adultos pelo seu incessante trabalho de investigação na área comunicacional e mediática do país. Além disso, os estudan-

A

tes agraciaram-no com a placa de agradecimento pelos seus contributos, os quais se constituíram como guia para os seus estudos e também vida profissional. Pasquali não conseguiu ocultar a sua emoção e expressou que não se sentia merecedor de tais honras, pois simplesmente fez o seu trabalho e indicou que o caminho é longo e que ainda falta muito para progredir no â mbito da comunicação. Não deixou passar a oportunidade para convidar os alunos para empenhar as comunicações para o desenvolvimento e estar a par dos temas do dia-a-dia, seja da economia, das comunicações e das tecnologias, destacando a necessidade de "converter a informação em conhecimento", pois é este "o desafio da época actual".


16 | LAZER

CORREIO DE VENEZUELA - DE 22 A 28 DE JUNHO DE 2006

Tese académica propõe guia turístico para Portugal Tábita Barrera tabita@correiodevenezuela.com

ausência de uma promoção turística que convide aqueles que não são portugueses ou as segundas e terceiras gerações a visitarem Portugal também tem sido motivo de estudo académico. Fany Gonçalves Andrade, luso-descendente, da Universidade Bicentenaria de Aragua, nú cleo San Antonio de los Altos, elaborou um guia multimédia para a sua tese de graduação, no qual oferece um olhar sobre os atractivos de Portugal, mais especificamente da ilha da Madeira. Graças aos valores e tradições portugueses transmitidos, tanto pelo seu pai, oriundo da Ribeira Brava, como pela sua mãe, filha de pais madeirenses, teve a motivação de dar a conhecer, de uma maneira simples, aquela que considera ser também a sua cultura. Gonçalves conseguiu levar a cabo o que classifica como "um objec-

A

tivo pessoal", pois sentiu que era necessário mostrar esse "paraíso feito ilha", nome do seu trabalho, para além das actividades recreativas que ali se podem realizar, com a finalidade de fomentar o turismo, que é pouco explorado pelos agentes na Venezuela. "Durante um ano, recolhi informação para alcançar esta meta e decidi fazê-lo porque parece-me que as pessoas que vão à Madeira são, na sua maioria, emigrantes que desejam visitar os seus familiares, mas desconhecem as maravilhas das quais podem desfrutar ali, porque não há material informativo. Comprovei isso mesmo através da realização de inquéritos que demonstravam que as pessoas sabem muito pouco sobre os atractivos turísticos que existem na ilha", disse. A ideia da sua investigação surgiu também porque "os luso-descendentes que viajam até à Madeira tendem a ficar aborrecidos, já que não sabem onde ir e o que querem é explorar e ver o que há de novo". A sua tese, que foi apresentada

em CD, contém a histó ria da ilha, os traços principais da sua cultura, gastronomia, natureza, praias, entretenimento, museus, arte, festividades e a hospedagem, entre outras coisas. Gonçalves considera que o

seu trabalho de graduação, apresentado em português e espanhol, pode servir para promover os atractivos turísticos da ilha, embora a ú ltima palavra caiba sempre às agências de viagem.

Jovem de Barquisimeto no "Conhece as tuas origens" Trinidad Macedo trini_macedo@yahoo.com

om Victor Jorge da Silva de Abreu já são dois os luso-venezuelanos que vão participar no programa "Conhece as tuas origens". Filho de madeirenses, estuda actualmente na Universidade Nacional Experimental de Yaracuy (UNEY), onde está a tirar o curso de Ciências e Cultura da Alimentação. Apó s ter sido um dos interlocutores do CORREIO numa reportagem publicada em Fevereiro ú ltimo, intitulada "Juventude Versátil de Barqui-

C

simeto", foi contactado directamente por Gonçalo Nuno dos Santos, director do Centro das Comunidades Madeirenses. Victor confessou nunca ter imaginado que essa entrevista iria trazer uma surpresa tão inesperada e importante para a sua carreira. O jovem está confiante de que este programa será de grande utilidade e garante que vai aproveitá-lo ao máximo. O luso-descendente conta com o apoio de alguns dos seus professores para que a viagem não interfira com o desfecho deste semestre. Os seus pais estão igualmente satisfeitos com esta oportunidade. A viagem para a ilha foi marcada para 24 de Junho. O jovem, nascido na cidade de Barquisimeto, parte na companhia de Lissete Andrade, a outra pessoa seleccionada pela Venezuela. O programa de actividades durará uma semana. Victor Jorge da Silva aproveitará ainda a deslocação para ficar um mês e assim realizar investigações para os seus estudos sobre pesca, actividades vinícola e turística no arquipélago da Madeira.


CORREIO DE VENEZUELA -DE 22 A 28 DE JUNHO DE 2006

RELIGIÃO | 17

Meios de comunicação social são uma dádiva de Deus

Pbro. Eduardo Gonçalves

goncalveseduardo@hotmail.com

atitude dos cató licos perante os meios de comunicação social tem de ser positiva, considerando-os como uma dádiva de Deus para a nossa época. Esta atitude há-de levar-nos a um conhecimento da sua natureza, fins e carac-

A

terísticas, que nos ajudem a valorizálos e a compreender a través de um discernimento baseado na fé que, como dons naturais ao serviço do homem, podem ser manipulados por este, violentando a sua natureza e fins e a dignidade dos destinatários destas mensagens, no seu direito à informação da verdade. Os meios de comunicação social exigem ao homem que os utiliza não só destreza Professional, senão que também um grande sentido de responsabilidade e um equipamento de valores morais, que ofereçam à sociedade a garantia de um uso idó neo dos mesmos. Não para manipular os destinatários e apresentar o seu pró prio critério torcido de informação, mas oferecer informação verdadeira e valores morais. O homem no seu desenvolvimento global e harmonioso, necessita de uns pontos de referência, que são os valores; eles funcionam de árbitros e, por sua vez, de orientadores que apontam a direcção do seu progres-

so. Os meios de comunicação influenciam decisivamente na promoção e difusão de valores importantes, mas podem também apresentar-se como um obstáculo para outros valores e, inclusivamente, contribuir para o desenvolvimento de "anti-valores" se não forem usados correctamente, como temos visto em muitos meios que incitam ao ó dio entre os venezuelanos, entre nosso país e outros irmãos do Continente, a criar uma brecha entre ricos e povo, etc. A par desta grave responsabilidade dos profissionais da comunicação social está a responsabilidade dos receptores das notícias, que têm de exigir um uso correcto dos seus meios de comunicação social. O surgimento massivo e acelerado dos meios de comunicação social em sectores tão íntimos da personalidade como o seu mundo interior, obriga a todos a adopção de uma atitude vigilante e a desenvolver uma capacidade crítica para recusar o que é mau e

ficar com o que é bom das mensagens. Não para controlar de modo negativo, como temos visto ultimamente no nosso país com a Comissão de CONATEL, que procura abrir processos sancionató rios apenas aos meios de comunicação considerados como da oposição e não tomam em conta as graves faltas que cometem os meios de comunicação controlados pelos governo. Como cidadãos devemos estar atentos para que os meios de comunicação não sejam influenciados de modo arbitrário por quem não aceita a diversidade, a divergências; por quem procura controlar a informação e a formação das consciências dos venezuelanos. Os meios são um dom de Deus para usufruto da sociedade e assim devemos valorizá-los. Mas tudo depende de como e para quê Sejas usados. Devem ajudar na consolidação da democracia e na defesa dos direitos humanos.


18 | PORTUGAL

CORREIO DE VENEZUELA - DE 22 A 28 DE JUNHO DE 2006

breves Treze mortos na estrada 2.000 cópias pirata

Documentos falsos

Escutas telefónicas

Treze pessoas morreram nas estradas portuguesas na semana passada, anunciou a Direcção-Geral de Viação (DGV), que já contabilizou, desde o início do ano, 361 mortos resultantes de acidentes rodoviários. O balanço revelou 13 mortos, 53 feridos graves e 817 ligeiros, totalizando 883 vítimas.

A Polícia Judiciária (PJ) de Coimbra anunciou a detenção, na estação ferroviária de Pombal, de três homens sul-americanos por posse de bilhetes de identidade portugueses falsos. A falsificação era de “excelente qualidade”, permitindo “a circulação sem suspeitas no espaço europeu”.

O bastonário da Ordem dos Advogados, Rogério Alves, defendeu que os pedidos de escutas telefónicas devem ser centralizados, para avaliar se a utilização deste meio de prova está a ser usada de forma proporcional à criminalidade, em reacção à notícia de que o Ministério Público desconhe quantos processos requereram escutas.

Mais de 2.000 CD e DVD piratas foram apreendidos no último fim-de-semana em mercados de rua, bares e discotecas de Almada, Beja e Santarém, divulgaram a InspecçãoGeral das Actividades Culturais, PSP e GNR, que participaram nas operações.

Capacidade competitiva Cavaco Silva elogiou Governo de José Sócrates pela “ aposta correcta” seguida para aumentar a “ capacidade competitiva”

Presidente da Repú blica, Cavaco Silva, elogiou o Governo de José Só crates pela “ aposta correcta” seguida para aumentar a “ capacidade competitiva” do País no contexto da globalização. “ Portugal tem que fazer o possível para atrair algum investimento estrangeiro e apostar na criação de empresas de elevada tecnologia. Penso que Portugal tem vindo a fazer nos ú ltimos tempos a aposta correcta” , disse o Chefe de Estado, no arranque roteiro de dois dias dedicado à Ciência, que começou no íncio desta semana no Porto. Numa referência ao Plano Tecnoló gico e ao “ Compromisso para a Ciência” , dois programas emblemáticos do Governo do PS, Cavaco Silva acrescentou que vencer num mundo globalizado exige aos países capacidade competitiva, que implica a existência prévia de dois requisitos.

O

“ As duas palavras-chave para a capacidade competitiva são conhecimento e inovação. E para chegar aí precisamos de investigação científica e recursos altamente qualificados. Seria um erro para Portugal colocar de lado o investimento directo estrangeiro, mas também temos que apostar fortemente nos recursos nacionais” , afirmou. A visita à empresa farmacêutica Bial, por onde começou, ao final da manhã, o roteiro presidencial dedicado à Ciência (paralelo ao Roteiro para a Inclusão, a que recentemente deu início) serviu, precisamente, ao Presidente da Repú blica para apontar caminhos a seguir. Uma empresa que, apontou Cavaco Silva, “ merece ser felicitada” porque aposta em elevada tecnologia e em investigação e desenvolvimento, assume riscos (do início da investigação à comercialização de um fármaco podem deco-

rrer 15 anos), incluindo a nível internacional, e valoriza a formação dos seus recursos humanos, em articulação com as universidades. “ Penso que comecei no lugar certo, num lugar onde há combinação entre as universidades e a empresa e, portanto, a criação de valor em consequência da investigação que é realizada” , acentuou. No primeiro de dois dias de Roteiro para a Ciência, depois de visitar um caso de sucesso no domínio da aposta na investigação, o Chefe de Estado sublinhou “ o trabalho científico no silêncio dos laborató rios” , nomeadamente nos domínios das biociências e biotecnologia, e a cooperação entre agentes no domínio das ciências. De bata e touca branca e sapatos protegidos com plásticos azuis, Cavaco Silva visitou as várias áreas que compõem a sede da Bial, nos arredores do Porto.

Granizo afecta região vinícola zona leste da Região Demarcada dos Vinhos Verdes foi bastante afectada pelo granizo dos ú ltimos dias, mas a produção está coberta por um seguro colectivo de colheitas. Segundo adianta a Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) em comunicado, os concelhos de Felgueiras, Amarante, Castelo de Paiva e Monção, no extremo norte da região, foram os mais atingidos. Nos pró ximos dias, peritos da seguradora avaliarão ‘ in loco’ os prejuízos, sendo as indemnizações devidas pagas ao final do ano. Nos ú ltimos dias, refere a CVRVV, chegaram à comissão 112 participações de sinistro, 47 das quais de Amarante, 16 de Monção e 12 de Felgueiras. “ Espera-se que nos pró ximos dias possam dar entrada mais algumas deze-

A

nas de participações, o que elevará os nú meros para mais de 200” , acrescenta. A região possui desde 1997 um seguro colectivo de colheitas contratado pela CVRVV e co-financiado pela região e pelo IFADAP/INGA (institutos de Financiamento e Apoio ao Desenvolvimento da Agricultura e das Pescas e Nacional de Garantia Agrícola), estando cobertos os 35 mil produtores da região e garantida uma indemnização de até 20 cêntimos por quilo de uva.

Lusos receptivos aos transgénicos ortugal é o segundo país da União Europeia (UE) onde há uma maior receptividade aos alimentos geneticamente modificados (OGM), revela um estudo sobre biotecnologia apresentado em Bruxelas. O sexto “ Eurobaró metro” sobre “ Os Europeus e a Biotecnologia” , realizado no ano passado, revela ainda que Portugal é o terceiro país da UE onde há um maior optimismo relativamente à biotecnologia (71% de “ optimistas” , con-

P

tra 53% no anterior baró metro, em 2002), imediatamente atrás de Suécia e Espanha. Quanto aos domínios de aplicação das biotecnologias - nanotecnologia, farmacogenética, terapia genética e alimentos geneticamente modificados -, a alimentação é aquele que recolhe menos apoio na UE, sendo Portugal o segundo país entre os 25 Estados-membros onde ainda assim há mais “ apoiantes sem reservas” (38%) aos OGM.


CORREIO DE VENEZUELA -DE 22 A 28 DE JUNHO DE 2006

PORTUGAL | 19

Estilos de vida saudáveis e naturais A limentação natural, terapias alternativas e mo dos de vida ecoló gicos, vão juntar-se pela primeira vez em Lisboa numa mostra qu e apela aos portugueses mais preocupados com a saú de e o bem-estar do planeta. A iniciativa vai ter lugar na Cordoaria Nacional, entre amanhã e domingo, e reú ne várias propostas “ alternativas” como produtos naturais, alimenta ção vegetariana, medicinas e terapias, artes orientais, mú sica, literatura ou ec ologia. “ Até agora havia feiras dedicadas sobretudo à alimentação vegetariana ou à agricultura bioló gica. Faltava um espaço que acolhesse em simultâ neo várias propostas para as pessoas que se preocupam com a saú de e o planeta” , disse à Lus a Cristina Teixeira, da Terra Alternativa. Segundo a responsável, este tipo de eventos tem encontrado grande aceitação noutros países e o mesmo poderá acontecer em Lisboa, cidade considera da como o melhor mercado do país para este género de iniciativas. “ A quantidade de restaurantes vegetarianos cres-

O

Abuso sexual A Polícia Judiciária de Faro deteve sábado nos arredores da cidade um homem de 41 anos suspeito de abuso sexual de uma menina de 13 anos, informou fonte daquela polícia.

Dejectos de cães Centenas de crianças das escolas de Santo Tirso percorreram o centro da cidade para sensibilizar os cidadãos para a recolha dos dejectos caninos, numa operação denominada “Jardim Limpo”.

Burla de dez milhões O tribunal de Alcobaça iniciou o julgamento de um grupo suspeito de tentativa de burla, utilizando cheques falsos do Metropolitano de Lisboa para fazer um depósito de dez milhões de euros. A quantidade de restaurantes vegetarianos cresceu imenso nos últimos cinco anos.

ceu imenso nos ú ltimos c inco anos. Actualmente, existem cerca de 100 em Portugal, mais de metade dos qua is situados na região de Lisboa” , justificou. As terapias alternativas são também cada vez mais procuradas numa tenta tiva de aliviar o stress e a ansiedade e de desenvolver processos de auto-ajuda, sem recurso à medicina convencional, declarou Teixeira. às práticas mais antigas, como a acupunctura e a homeopatia, juntam-se agora outras terapias que invocam saberes orientais, como o

shiatsu ou o reiki, e mesmo terapêuticas inovadoras como a das taças tibetanas (massagem de sons). Cristina Teixeira admite que a preferência por estas práticas é condici onada pela moda, mas salientou igualmente que está muito associada a questões de saú de e que as pessoas procuram viver cada vez melhor. “ Nos ú ltimos anos, criaram-se muitos receios relativamente à alimentaçã o, depois da crise das dioxinas nos frangos e das vacas loucas. As pessoas quere m ter a certeza de que fazem

uma alimentação saudável, porque sabem que isso vai ter implicações na sua qualidade de vida. Por isso optam cada vez mais por produtos bioló gicos” , justificou. O evento, que conta com mais de 80 expositores, está dividido em quatro áreas: Alimentação Natural, Medicinas e Terapias Alternativas, Ecologia e Desen volvimento Pessoal. Os visitantes podem participar em conferências, exibições e “ workhops” durante a feira e experimentar as propostas dos vários restaurantes disponíveis.

Universidade de Nova Iorque distingue primeiro aluno luso primeiro aluno português da Universidade de Nova Iorque, João Caramês, especialista em medicina dentária, vai ser distinguido pelo seu empenho na divulgação daquela instituição de ensino, numa cerimó nia que estava agendada para decorrer hoje. Actualmente com 44 anos, João Caramês decidiu há onze anos rumar a Nova Iorque, depois de se licenciar em Medicina Dentária pela Universidade de Lisboa, para se inteirar das

breves

pó s-graduações disponíveis na universidade norte-americana. Com o intuito de aprender mais e conhecer técnicas ainda desconhecidas em Portugal, acabou por ser recebido pelo pró prio reitor, acabando por ser admitido no organismo depois de realizar exames de admissão. Primeiro como estudante, depois como professor, João Caramês trouxe para Portugal as novas tecnologias na área, sendo considerado hoje um dos grandes especialistas em implantes e

cirurgia dentária. Actualmente dirige um centro internacional de formação, a funcionar no Instituto de Implantologia, que fundou em Lisboa, e que recebe todos os anos alunos de diferentes nacionalidades para estágios clínicos e cursos técnicos de formação. Realizou diversas pó sgraduações, entre outras em Implantologia e Cirurgia Oral, ambas pela Universidade de Nova Iorque, e doutorou- se em Medicina Dentária pela Faculdade de

Medicina Dentária da Universidade de Lisboa, onde é professor associado. Na Universidade de Nova Iorque exerce a função de professor convidado e é director internacional em Portugal do Departamento de Educação Contínua da Universidade de Nova Iorque de Dentária. Caramês pertence ao Conselho Cientifico da Ordem dos Médicos Dentistas e ao Conselho Cientifico da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa.

Dez mil alunos faltam Mais de dez mil alunos de um total de 63.601 inscritos faltaram aos exames nacionais de Português A e B, que se realizaram segunda-feira em 618 escolas secundárias, de acordo com dados divulgados pelo Júri Nacional de Exames (JNE).

Riscos naturais A Universidade do Porto (UP) vai criar um centro de investigação para estudar e prevenir os riscos naturais no Norte do país, anunciou fonte da instituição. O novo organismo terá a designação de Centro de Estudos de Risco da Universidade do Porto.

Dores nas costas e... Portugal é um dos estados-membros da União Europeia com maior predominância de trabalhadores que sofrem de dores nas costas e nos membros superiores e inferiores, revelou em Guimarães, a fisioterapeuta, Dora Fernandes.

Investir nos jovens A Secretaria de Estado da Juventude vai incluir no próximo Quadro Comunitário de Apoio programas de formação dirigidas a jovens, nas áreas da saúde e segurança no trabalho, anunciou titular da pasta, Laurentino Dias. “O Governo aposta, antes de mais, na criação de condições que permitam o aparecimento de mais emprego para jovens, mas não esquece que a sua formação, mesmo enquanto trabalhadores, passa pela saúde e pela segurança, no dia-a-dia e no emprego”, afirmou


20 | PORTUGAL

CORREIO DE VENEZUELA - DE 22 A 28 DE JUNHO DE 2006

Pó s-stress traumático afecta bombeiros ais de 20 por cento dos bombeiros do distrito de Portalegre apresentam sintomas de perturbação pó sstress traumático, segundo Miguel Arriaga, um dos autores de um estudo divulgado. O trabalho, desenvolvido pelo Centro de Estudos de Saú de Mental da Escola Superior de Saú de de Portalegre (ESSP), concluiu ainda que 30 por cento dos bombeiros das corporações do Norte Alentejano apresentam vulnerabilidade ao stress. Em declarações à agência Lusa, o psicó logo Miguel Arriaga, um dos autores do estudo, justificou os resultados com a “ pouca preparação, a nível psicoló gico” , dos bombeiros do distrito. “ Os bombeiros não estão preparados psicologicamente, nem têm apoio de técnicos especializados para lidar com situações geradoras de stress pó s-traumático” , disse. O estudo envolveu 1047

M

bombeiros do distrito de Portalegre. As conclusões, segundo o psicó logo, revelam “ um grave problema de saú de pú blica” , com “ muitas pessoas a necessitar de apoio” . “ Se tivermos em conta que 27 por cento dos bombeiros envolvidos no socorro às vítimas dos atentados de 11 de Setembro em Nova Iorque, que estiveram expostos a situações altamente traumatizantes, apresentam sintomatologia associada à perturbação pó s- stress traumático, estes dados referentes ao distrito de Portalegre são alarmantes” , alertou. Entre os problemas associados às perturbações pó sstress traumático nos diferentes agentes da Protecção Civil do distrito de Portalegre, Miguel Arriaga apontou os casos de consumo de álcool, drogas ilícitas e violência doméstica. “ O abuso de substâ ncias como o álcool ou drogas

ilícitas é muitas vezes resultante de uma grande dificuldade em lidar com algumas situações, como a exposição a um extremo `stressor’ (situação desencadeadora de stress) traumático” , explicou. Para procurar minimizar os problemas causados aos agentes de Protecção Civil, com origem na exposição a desastres naturais, guerras ou ataques terroristas, o Centro de Estudos de Saú de Mental da ESSP propõe-se desenvolver um projecto em parceria com diferentes instituições que manifestem interesse nesse sentido. O projecto incide no estudo e prevenção de problemáticas de Saú de Mental nos agentes de Protecção Civil e consultadoria para a introdução ou melhoria de planos municipais de emergência. A iniciativa prevê ainda lançar estratégias adequadas de intervenção psicoló gica junto das populações e agentes de Protecção Civil.

La Forma Más Cómoda de Viajar

El Mejor Precio El Mejor Servicio Nuevas Unidades Doble Piso Semi-Cama

Viaje Terminales Privados con:

Salidas y Llegadas puntuales Venta anticipada de Boletos Aire Acondicionado Baños Televisión Cafetín Recepción y Entrega de Equipaje

Unidades con:

Telfs.: Master (0212) 266.2321 Fax: (0212) 266.90.11

Velocidad Controlada por Tacógrafo Atención Bordo Aire Acondicionado Burtacas Numeradas Butacas Semi-Cama Reclinables Luz de Lectura / Televisión / VHS Baños Refrigerios

Telfs.: (0243) 232.2977 / 237.79.24

Traslado de Encomiendas y Carga

CARACAS

MARACAY

VALENCIA

Telfs.: (0241) 871.57.67 / 55.58 /51.19

BARQUISIMETO

Telfs.: (0251) 254.68.09 / 82.45 / 79.07

MARACAIBO

Telfs.: (0261) 783.06.20 / 07.32

Telfs.: (0212) 266.23.64 / 266.23.21 Exts.: 103 / 107 / 114 Fax: (0212) 266.90.11 Cel.: (0416) 625.94.03

PTO. LA CRUZ

Telfs.: (0281) 267.88.55 / 75.01

MATURIN

Telfs.: (0291) 651.36395 / 94.11

TRABAJAMOS

PARA BRINDARLE MAS

“Os bombeiros não estão preparados psicologicamente”.


CORREIO DE VENEZUELA - DE 22 A 28 DE JUNHO DE 2006

PUBLICIDADE | 21


22 | OPINIÃO

CORREIO DE VENEZUELA - DE 22 A 28 DE JUNHO DE 2006

Madeira: imprensa e arquivos*

Antonio de Abreu aindax1@yahoo.com

rês datas importantes marcam a historiografia insular e algumas têm relação com a imprensa. A primeira, com a comemoração dos 500 anos do descobrimento da Ilha, actuou como mola propulsora da investigação histó rica madeirense adentro da Geração do Cenáculo, de

T

que resultaram um opú sculo, V Centenário do Descobrimento da Madeira, e uma obra monumental da nossa historiografia: o Elucidário Madeirense. A segunda com o Congresso do Mundo Português, alia-se à terceira com a comemoração do cinquentenário da morte do Infante D. Henrique e definiram uma corrente historiográfica marcadamente nacionalista, onde é comum um visionarismo pragmático do devir histó rico. A Geração do Cenáculo teve ao seu dispor dois perió dicos influentes da imprensa madeirense: o Diário da Madeira e O Heraldo da Madeira, que publicou um avultado nú mero de textos e documentos sobre a histó ria insular, sendo de destacar a publicação de vários textos numa secção intitulada de Arquivo da Madeira. A importâ ncia da histó ria

ressurgiu ao final dos anos de 1950 com o Elucidário Madeirense e textos publicados nos jornais da Ilha assim como também os Ensaios histó ricos da Minha terra de Alberto Artur Sarmento, e a coluna Das Artes e Histó ria da Madeira - também no Heraldo. Três publicações implementaram uma nova dinâ mica na historiografia madeirense: o Arquivo Histó rico da Madeira, O Jornal das Artes e da Histó ria da Madeira que "reuniu um grupo conceituado de personalidades madeirenses interessados na divulgação da histó ria e cultura madeirense" e teve dois etapas. É importante insistir no ambicioso projecto dos seus promotores. Segundo o nú mero 1: "Esta publicação que tem em vista arquivar com absoluta independência, todas as manifestações de arte e os factos e documentos do pas-

sado, destina-se também a projectar no futuro a nossa existência actual, evocando o que há de mais característico na nossa ilha, tanto sob o ponto de vista artístico como sob o aspecto histó rico'. Pergunto-me por que é o destaque no arquivo dos factos e documentos do passado sob um aspecto histó rico com absoluta independência. No nosso caso é uma boa ideia porque até agora as iniciativas comercias e publicitárias disfarçadas de histó ricas não tem deixado apoio financeiro e a base documental tem sido pouca - em razão dos investimentos feitos para a criação de um arquivo e a projecção no futuro da nossa existência actual como comunidade. *Sobre arquivos na Madeira: Alberto Vieira, Guia para a Histó ria e investigação das Ilhas atlâ nticas.

Inú teis descobertas! Hélio Bernardo Lopes

Os portugueses vivem habituados há décadas a receber explicações cabais sobre temas candentes, em geral assentes em estudo profundos, muitas vezes de natureza comparada. Tais estudos, de um modo muito geral, caracterizam-se por três dominantes: concluem o que há muito se conhece; mostram-se completamente inconsequentes; e colocam-nos sempre na cauda da Europa. Pois, foi isso mesmo que agora voltou a suceder com a situação de primeira linha europeia do nosso País no domínio do acesso e do consumo de cocaína. Foi o que agora nos veio mostrar, mais uma vez, um novo estudo de uma qualquer autoridade na matéria! Devo dizer que dei até uma razoável gargalhada no local em que me

encontrava, ao mesmo tempo que mostrava a notícia a um conhecido meu. E, como seria de esperar, riu-se ele também, mas nunca emitindo uma qualquer opinião. O mais puro sentimento de liberdade de expressão!... É claro que se trata de algo que todos os portugueses conhecem do seu dia a dia, porque o facto tem uma evidência forte, mantida a uma cadência que é já hoje quase diária. Basta estar num qualquer lugar pú blico para de imediato se perceber o que se está a passar, tanto pela presença de gente nunca vista, como pela ausência de quem seria de esperar estar presente, como pelos mil e um olhares de medo de quem por ali possa andar a tentar a sua sorte... Mau grado tudo, até aqui, com o recurso à escuta telefó nica, como sucede por todo o lado onde realmente funciona

o Direito, ainda se ia conseguindo algum êxito neste domínio. Mas se vier a vingar o que parece ser a nova orientação directiva da Polícia Judiciária, bom, esta maleita virá a atingir níveis jamais vistos! De resto, com o enfraquecimento que se criou junto da Procuradoria-Geral da Repú blica, onde quem a ataca parece pretender que os direitos de quem sofre um qualquer crime deverão estar subordinados aos dos infractores, o resultado do combate ao narcotráfico terá toda a tendência para piorar. Mas vamos esperar. Acontece que, em Portugal, natural lugar de entrada da droga proveniente da América Latina e do norte de África, ninguém se determina a alertar a nossa juventude através de programas televisivos adequados, perante o risco que um tal consumo acarreta para os que o praticarem! Ao

contrário: o que se ouve é que há outras substâ ncias, ou práticas, que são por igual aditivas! Mas o que tem a ver uma coisa com a outra?! Acaso se fala dos riscos do consumo de drogas? Portanto, porquê virem dizer-nos que existem outras substâ ncias ou práticas aditivas?! Sabe o meu caro leitor o que lhe digo? Mais um anito, e aí teremos nó s um outro estudo! E sabe o que nos virá ele revelar? Que a situação está na mesma, porventura, pior! Estudos é que não faltam! E já reparou no nervosismo que tantos mostraram com o texto recente de Manuel Maria Carrilho?... Lembra-se daquelas importantes e tão oportunas palavras de Manuel Monteiro, em pleno Algarve, na campanha para a eleição de deputados, sobre a situação da droga em Portugal? E alguém mais tratou com

ele do que ali referiu de tão importante? Pois claro que não! Portanto, porquê todos estes estudos inú teis e inconsequentes? As coisas são como são e bastar-me-ia ter acompanhado esta recente apreensão de cocaína, até nó s chegada por via marítima, que se destinaria à região da Figueira da Foz, para perceber esta realidade simples: rei morto, rei posto! Se é verdade que se obteve ali um êxito, também o é que uma outra quadrilha, já de há muito conhecida, por aí tem andado, na expectativa de se conseguirem fazer fotografar junto de mim. Nuns casos com êxito, noutros com algum fracasso, a verdade é que estas conquistas as nossas autoridades são verdadeiramente agulha em palheiro: apanham uma quadrilha, mas lá escapam dez ou vinte! Portugal é um paraíso para a grande criminalidade!


CORREIO DE VENEZUELA - DE 22 A 28 DE JUNHO DE 2006

OPINIÃO | 23

CARTAS

Greve dos chineses Só soube da greve do consulado pela notícia que li no Correio. No entanto não posso deixar de pensar em todas aquelas pessoas que foram ao consulado naquele dia e ou não foram atendidas ou foram atendidas com atraso. Mas o que me motivou a escrever esta carta para o vosso jornal é intenção de mostrar a minha indignação por tal motivo. Imaginem os funcionários do consulado a fazerem greve com os salários "dolarizados" que auferem, com todos os subsídios que lhes são dados, que só trabalham de segunda a sexta até ao meio dia, que beneficiam dos feria-

A união faz a força dos de Portugal e da Venezuela, para não falar de Semana Santa, Carnaval, Natal e todos aqueles dias de férias que contempla a lei Portuguesa… Por isso Portugal está assim tão triste e pobre. Porque as pessoas não querem trabalhar e só querem viver à custa do estado. Se queriam fazer greve porque não fazem como os Chinos que trabalham a dobrar para "agoyar" o patrão. Assim até adiantavam trabalho e podiam atender o dobro das pessoas todos os dias. Já viram!...

Luí s T. Freitas

Celebração extraordinária No passado dia 18 de Junho tive a oportunidade de assistir à comemoração do Dia de Portugal que se realizou no Clube de "Suboficiales" das Forças Armadas e fiquei bastante contente com os resultados. Sinceramente, passei um dia maravilhoso na companhia da minha família, que também desfrutou em grande do momento. Não pertenço a nenhum clube português e não tinha podido participar em nenhuma festa desse tipo anteriormente. É por isso que esse momento fez sentir-me como se estivesse em casa. Entre folclore, cultura e tradições, pude con-

tactar com outros membros da comunidade radicada na Venezuela. Foi uma excelente forma de distracção que, por sua vez, serviu para promover a minha integração. O Dia 10 de Junho tem um grande significado para nós e que melhor maneira que festejar unidos. Agradeço às pessoas que tiveram a iniciativa de levar a cabo este evento e espero que se continue realizando, pois acho que é muito importante celebrar as festividades portuguesas.

Maria João de Abreu

Não quero com estas palavras que ninguém se ofenda, mas sinto uma grande preocupação, apesar dos meus poucos anos de vida. Não sou escritor, poeta, nem político, mas uma pessoa com um pouco de sentido comum, que comete erros, mas honesto e honesto e sincero. Tenho a sorte de estar rodeado de muitas pessoas boas e honestas, tanto no ambiente familiar, profissional e pessoal. Aprendi com eles os valores da vida para qualquer situação e também saber resolver os problemas através do diálogo, o que me ajudou a esclarecer as dúvidas e incertezas. Mas vou direito ao assunto. Ultimamente, nesta comunidade lusa constituída por pessoas trabalhadoras, honestas e honradas, parece que em vez de se fomentar a união entre os seus membros e

apoiar os nossos luso-descendentes, há pessoas que preferem dedicar-se a criticar e a destruir coisas que não são verdadeiras na sua totalidade. Há maneiras mais sinceras e bonitas de entender as diferenças de pensamentos. De certeza que existem e são muitos melhores do que opções destrutivas. Queremos unir o desunir? O será que temos de viver o tempo todo entre ofensas e a curar feridas. Senhoras e senhores, empenhemse em por serem melhores pessoas e em ajudar os luso-descendentes dando o exemplo através das vossas experiências e a dos outros, sempre recordando que é a "união que faz a força". Deixemo-nos de "dimes" e "diretes" pois não vamos a lado nenhum desta maneira.

Luis Figueira dos Santos

Onde está a comida Portuguesa? Sou venezuelana e não tenho nada a ver com a comunidade portuguesa, a não ser o facto de ter visitado Lisboa em várias oportunidades por questões de trabalho. Gosto de ler o vosso jornal que me chega através de um amigo do meu esposo. Sou uma leitora fiel todas as semanas. Cada vez mais impressionada com aquilo que fazem os portugueses na Venezuela e por este grande país.

Aproveito para pedir que publiquem receitas das comidas típicas de Portugal e também para manifestar a minha curiosidade no senti-do que não percebo porque não existe um restaurante de comida portuguesa quando os portugueses são donos de quase todos os restaurantes de Caracas. Para todos, a minha admiração.

Maribel P. Rodriguez

InquéRITo:

Có mo vê a abertura de um nú cleo da Universidade Lusó fona na Venezuela? João da Silva Gonçalves Comerciante "Estaria totalmente de acordo, porque penso que é benéfico tanto para Portugal como para a Venezuela. Neste momento, no Centro Português de Caracas, por exemplo, há muitos alunos que querem inscrever-se nos cursos de português mas não têm possibilidades de escolha, devido à falta de espaço. Se o governo português decide apoiar aqui um núcleo para o ensino do idioma, seria algo muito bonito e muito positivo para ambas partes".

Antonio Gouveia Comerciante "Parece-me muito importante tal iniciativa, porque há muitos filhos de portugueses nascidos na Venezuela que não falam português e seria muito importante para a comunidade que eles aprendessem. Mas não só eles como também os venezuelanos ou qualquer outra pessoa, que queira aprender a língua portuguesa. É muito importante para nós os portugueses. Além disse, creio que isso poderia estreitar os laços entre a Venezuela e Portugal".

Goretti Ferreira Comerciante "Estou de acordo com que se fomente o idioma português, porque eu tenho filhos e gostaria que eles aprendessem a falar português, como eu também o falo. Creio que é uma excelente ferramenta para os lusodescendentes, venezuelanos e para todos aqueles que quiserem aprender português, pois ajudaria a criar um maior e melhor intercambio".

Fatima Vieira Comerciante "Veria essa iniciativa com bons olhos porque é bom que os nossos filhos aprendam a falar português. Também seria uma excelente oportunidade, assim como seria maravilhoso, que os venezuelanos e demais pessoas interessadas pudessem aprender a nossa língua. Gosto muito da ideia pois considero que ela serviria para promover as relações entre a Venezuela e Portugal".


24 | ECONOMIA

CORREIO DE VENEZUELA - DE22 A 28 DE JUNHO DE 2006

Rancilio e Frío Madeirense contribuíram para o Geriátrico o passado sábado, dia 10 de Junho, data insigne para Portugal, decorreu a inauguração do Lar Geriátrico de Maracay, infra-estrutura que foi levantada graças ao esforço de particulares e da colaboração de muitas empresas.

N

Entre as empresas que tornaram possível essa iniciativa, encontra-se a Distribuidora Giorgio, representante de Rancilio na Venezuela, que em parceria com o seu distribuidor para o Estado Aragua, Comercial Frío Madeirense, doou ao lar uma máquina

de café de marca reconhecida. Por seu turno, Comercial Frío Madeirense, por sua pró pria iniciativa, equipou gratuitamente quase toda a área da cozinha do Lar. Fogões, frigoríficos, cavas, mesas, moinhos, torradeiras, lava-loiças e mobiliário de aço

fizeram parte da rica doação daquela empresa de refrigeração. A dupla Rancilio - Frío Madeirense espera que este contributo seja bem aproveitado por todas as pessoas que venham a beneficiar do Lar.

Tecnologia de ponta para comércio e indú stria quiphotel-Canadifa, grupo constituído por um conjunto de empresas representativas dos sectores comercial e industrial, organiza no CIEC, Universidade Metropolitana, entre os dias 8 e 10 de Setembro do corrente ano, uma exposição espe-

E

cialmente pensada para promover o encontro entre fornecedores de tecnologia de ponta e clientes do ramo de hotelaria, restaurantes, cantinas industriais, pizzarias, hospitais, clínicas, e demais empresas do sector. A ideia é criar um ambiente

harmonioso onde todos os participantes possam encontrar um espaço para identificar oportunidades de novos negó cios que fomentem o crescimento desta importante actividade econó mica no país. Os organizadores estimam uma

assistência superior a três mil pessoas. O evento contará com demonstrações ao vivo e seminários. Para informação adicional, pode contactar a Alessandra Taurchini pelo endereço de correio electró nico: ale_taurch@yahoo.com.


CORREIO DE VENEZUELA -DE 22 A 28 DE JUNHO DE 2006

ECONOMIA | 25

Estudo revela que corrupção é maior nos países onde os alunos copiam Em Portugal a probabilidade de copiar é de 62,4 por cento a mais baixa do conjunto dos paí ses da Europa do Sul Alemanha é de 50 por cento. Para os alunos britâ nicos e irlandeses, a probabilidade de copiar é de 14,4 por cento. Nos Estados Unidos da América, a probabilidade situa-se nos 38,9 por cento. As excepções à correlação entre corrupção e

s países onde os alunos dos cursos de Economia e Gestão mais copiam são também aqueles em que existem índices de corrupção mais elevados, segundo um estudo da Faculdade de Economia revelado ontem pelo Diário de Notícias de Lisboa. O estudo, que incidiu sobre mais de sete mil alunos de Economia e Gestão de 21 países dos quatro continentes, concluiu pela existência de uma "forte correlação" entre a prática de copiar e a corrupção de um país. As investigadoras Aurora Teixeira e Fátima Rocha associaram a percentagem de alunos que admite copiar e medidas de corrupção, como o Í ndice Internacional de Transparência, no estudo de maior dimensão mundial em nú mero de países avaliados. O estudo incidiu nos alunos das licenciaturas de Economia e Gestão porque, segundo as investigadoras citadas pelo Diário de Notícias, são "potencialmente os líderes econó micos e políticos". Os alunos dos países do Leste da Europa são os que mais copiam, com a Poló nia a liderar a tabela, com 100 por cento de probabilidades de um aluno copiar, seguida da Roménia, com 96 por cento, e da Eslovénia, com 84, 6 por cento. Na América Latina, o Brasil tem a mais elevada percentagem de alunos a copiar, 83 por cento, seguido da Colô mbia, com 72,7 por cento. São do Norte da Europa os alunos que menos recorrem a práticas desonestas: na Suécia apenas 4,5 por cento copia e na Dinamarca 5,1 por cento. Em Portugal, a probabilidade de copiar é de 62, 4 por cento, a mais baixa do conjunto dos países da Europa do Sul, liderada pelos alunos espanhó is com 79,6 por cento, seguidos dos turcos com 65,4 por cento. Na Europa Ocidental, os alunos franceses destacam-se no "copianço", existindo 83,9 por cento de probabilidades de o fazerem, na Áustria o índice situa-se nos 71,6 por cento e na

O

"copianço" são a Nigéria, que tem um dos mais elevados índices de corrupção percebida e 42,6 por cento de probabilidades de copiar, e a Argentina, "alvo de várias tentativas para diminuir a corrupção" e com a probabilidade de os alunos copiarem a situar-se nos 44,5 por cento.


26 | PUBLICIDADE

CORREIO DE VENEZUELA - DE 22 A 28 DE JUNHO DE 2006

TAP continua a apostar nos Açores s grandes vencedores dos Prémios TOP TAP, nos Açores foram as agências Teles, Via Vitó ria e Aero Horta, no sector de Passagens e as agências Naviangra e Tercargo, no sector da Carga. Na cerimó nia de entrega dos prémios, referentes a 2005, Carlos Paneiro - Director de Vendas da TAP - revelou que a Companhia transportou, no ano passado, um total de 250 mil passageiros nas suas linhas dos Açores. Américo Costa, Director da Carga, aproveitou a ocasião para destacar o crescimento das vendas em 23,4 por cento. A venda de passagens de avião em 2005, em Portugal, manteve-se praticamente ao mesmo nível de 2004. No entanto, é de destacar que a TAP melhorou a sua quota de mercado, subindo para 48,1%, atingindo assim o valor mais elevado de sempre nos ú ltimos dez anos. Nas linhas dos Açores, a TAP transportou um total de 250 mil passageiros, mantendo a sua quota de mercado em 34,5%. Este foi ainda o ano em que se verificou a inauguração de voos directos de Lisboa para o Pico. Carlos Paneiro acrescentou ainda que, num quadro de reforço da relação comercial com a SATA, "a grande novidade é o início do code-share, em voos operados pela Companhia açoriana, à partida de alguns dos nossos pontos da rede europeia, designadamente, Frankfurt, Londres e Amesterdão com destino final Ponta Delgada", concluindo que "esta será, certamente, uma alavanca para o crescimento do nú mero de turistas que visitam os Açores, e que surge, naturalmente, na sequência da aposta que temos vindo a fazer nestas linhas". No sector de Carga e Correio, a TAP atingiu um total de cerca de 2.500 toneladas transportadas da Região, em especial, para o

O

Continente, Madeira, Europa, Estados Unidos e Brasil. De acordo com Américo Costa, "o desejo para 2006 é continuar a crescer, de forma sustentável, estando orçamentada uma receita

global superior a 98 milhões de Euros que tem, hoje em dia, boas perspectivas para acontecer, atingindo o recorde de sempre".


CORREIO DE VENEZUELA -DE 22 A 28 DE JUNHO DE 2006

DESPORTO | 27

Jhonatan procura "lugar ao sol" António C. Da Silva F. antoniodasilva@correiodevenezuela.com

uando Danny Alves abandonou Caracas para dar provas no Marítimo ainda sendo um adolescente, não faltou quem tivesse dú vidas do seu valor: "é muito franzino". O resto da histó ria do "franzino" já se conhece muito bem. Logicamente que o sucesso de Danny inspirou muitos jovens lusodescendentes a tentar a sua sorte, seguindo o exemplo do médio do Dínamo de Moscovo. Hoje são às dezenas os lusodescendentes que jogam no futebol madeirense nos seus diversos escalões. Um dos primeiros futebolistas venezuelanos em embarcar na aventura, seguindo os passos do Internacional Olímpico lusitano, foi Jhonatan dos Santos (19), hoje futebolista do São Vicente, que joga no campeonato Regional

Q

Jhonatan com a camisola do seu actual clube: o São Vicente.

da Madeira, e que já tem representado vários clubes da ilha nas ultimas três épocas. Jhonatan nasceu no sector de "El Paraíso" na zona oeste da capital venezuelana e por isso os seus primeiros passos co-

mo futebolista foram dados com as verdes cores do Instituto Pedagó gico de Caracas, sedeado naquela zona. Dois anos depois e levado pela mão do mesmo treinador (Felipe Lira), jogou no conjunto do Novai-

res, antes de ingressar na equipa sub-17 (juvenil) do Deportivo Galicia. No ano de 2002 Jhonatan foi passar as férias natalícias na ilha da Madeira e aproveitou para se apresentar aos responsáveis da equipa do Marítimo e pedir uma oportunidade para dar provas com o desejo de ficar com a equipa verde rubra. E conseguiu. Ao lembrar esses primeiros meses de adaptação à nova realidade do futebol português, não tem dú vida em afirmar que para ele "foi fácil a nível global o complicado foi o tema do passe". Jhonatan manteve-se durante os seguintes 6 meses a treinar no Marítimo mas sem jogar, devido a que o Deportivo Galicia reteve o passe e não o libertava para o clube lusitano. Com certa mágoa o Jhonatan relembra o caso pois acha que de não ser obrigado a tão longa paragem "quiçá hoje em dia estivesse melhor". Uma vez arranjada uma solução o caraqueño foi empres-

tado aos juniores do Barreirense para na época seguinte passar ao Ribeira Brava, estreando-se pelos seniores no campeonato nacional da 2°B. Na época recentemente finalizada o venezuelano mudou de equipa, e ingressou nos quadros do São Vicente, clube que participou no campeonato regional de Madeira, recebendo então muitas boas críticas da imprensa desportiva. Fechou a época fora dos relvados devido a uma inoportuna lesão no joelho. Espera que depois do defeso possa relançar novamente a sua carreira, embora reconheça as dificuldades: "eu tenho de tratar dos meus assuntos sozinho, pois não tenho empresário, e assim arranjar clube custa bastante mais". Jhonatan não esquece o país que o viu nascer e afirma que "se tivesse que escolher entre uma convocató ria a selecção portuguesa e uma para a selecção venezuelana não tenho dú vidas, escolheria a 'Vinotinto'.


28 | DESPORTO

Em Caracas, um pouco por todo o lado, a euforia da comunidade portuguesa fez-se sentir. E foram sobretudo os mais novos que deram largas ao entusiasmo pela passagem de Portugal aos oitavos de final do Mundial de Futebol.

CORREIO DE VENEZUELA - DE 22 A 28 DE JUNHO DE 2006


CORREIO DE VENEZUELA -DE 22 A 28 DE JUNHO DE 2006

DESPORTO | 29


30 | DESPORTO

CORREIO DE VENEZUELA - DE 22 A 28 DE JUNHO DE 2006

Visão psicoló gica de Cristiano Ronaldo O futebolista madeirense enfrenta provas de fogo tanto no terreno de jogo como na sua vida pessoal Victoria Urdaneta Rengifo victoria@correiodevenezuela.com

ma das figuras mais famosas da selecção portuguesa e do Manchester United vem há vários meses protagonizando reacções "explosivas" que poderão afectar a sua carreira individual e também o equilíbrio da equipa, ao ser expulso e substituído em várias ocasiões e justamente em jogos cruciais. Uma "luta interna" parece caracterizar Cristiano Ronaldo desde há algum tempo, especialmente desde a morte do seu pai, Dinis Aveiro, em Setembro de 2005. Eles tinham uma relação muito só lida e profunda, segundo expressou Aveiro numa entrevista para o CORREIO. Segundo Carlos Saú l Rodríguez, psicó logo da selecção venezuelana de futebol, "a atitude de Cristiano

U

não é de agressividade mas sim ansiedade, pois toda a perda gera uma preocupação, onde há um estado emocional caracterizado pela tristeza que gera baixas de â nimo, o que se manifesta sob diferentes formas". Por exemplo, "o mexicano cujo pai também faleceu, conseguiu jogar concentrado, estável animicamente pois assumiu a situação de outra maneira: dedicou o Mundial ao seu pai e libertou-se das

pressões", recordou o psicó logo da "Vinotinto", explicando que em relação a Cristiano não lhe basta dedicar-se ao jogo mas sim em marcar golos, ou seja, as metas são tão elevadas que quando não as consegue alcanç ar desanima-se drasticamente. O oposto passa-se com o brasileiro Ronaldinho, que se falha não se chateia, mas reage e procura concentrar-se outra vez, olha em frente e entende que o erro é parte do jogo". O problema para uma equipa surge quando a vida Professional do desportista se vê marcada por experiências pessoais, "como a morte de um ente querido e ainda mais quando é causada por uma doença prolongada, que se é certo que prepara a pessoa para a perda, também lhe causa um sentimento de impotência por não poder fazer algo para evitá-la. É provável que isso se reflicta no campo de futebol, onde é ló gico escoar os sentimentos porque ali passa a maior

parte da sua vida". Para o assessor da selecç ão nacional venezuelana de futebol, a ausência do padre é mais notó ria quando este era a representação do apoio familiar. "A minha família ajudou-me bastante, desde os tempos do Sporting. Isso foi extremamente importante", disse em Julho de 2004 ao CORREIO. No futebol a vida profissional é breve e por isso deve-se aproveitá-la ao máximo "e ele sabe que deve dar o tudo por tudo, pois também gera mais expectativa que outros. Sente necessidade de agradar aos adeptos, ao treinador e à memó ria do seu pai, e acredita que se deixa de marcar golos então não será valorizado. Essa "frustração antecipada" é representa demasiada pressão e ainda por cima para alguém tão jovem e que ficou sem o seu grande apoio", concluiu Rodríguez.


CORREIO DE VENEZUELA - DE 22 A 28 DE JUNHO DE 2006

DESPORTO | 31

Classe e tranquilidade derrotam México selecção portuguesa de futebol construiu, na quarta-feira, com classe e tranquilidade, na primeira parte, o triunfo sobre o México (2-1), que lhe permitiu conquistar 100 por cento vitoriosa o grupo D do Mundial da Alemanha2006. Em Gelsenkirchen, onde há dois anos o FC Porto tinha ganho a Liga dos Campeões, Maniche, aos 06 minutos, e Simão, aos 24, selaram o terceiro triunfo da equipa lusa, já apurada e, como tal, assumidamente desfalcada, depois dos conseguidos face a Angola (1-0) e Irão (2-0). Mesmo sem Cristiano Ronaldo, Deco, Costinha, Pauleta e Nuno Valente, Portugal, já com passaporte assegurado para os "oitavos", nunca teve em risco o que faltava, o triunfo no agrupamento - vale mais um dia de descanso -, pois este estava à distâ ncia de um empate. Ainda assim, o México, que reduziu aos 29 minutos, por José Fonseca, teve várias oportunidades para empatar o jogo numa segunda parte que dominou, mesmo com 10 desde os 61

A

Portugal demonstrou também contra o México que era a melhor equipa grupo.

-, incluindo uma grande penalidade, que Omar Bravo desperdiçou, aos 57. Com a vitó ria no grupo D, Portugal vai defrontar domingo, em Nuremberga, o segundo classificado do agrupamento C (Holanda ou Argentina), naturalmente moralizado pelos três

triunfos e uma série de invencibilidade que já vai em 17 jogos. O extremo Simão foi o jogador que melhor aproveitou nova oportunidade de Scolari, ao cotar-se como a principal figura da formação das "quinas", na qual merece igualmente grande destaque o médio Maniche, de

volta às grandes "jogas" do Euro2004. A selecção lusa entrou com as cinco alterações anunciadas por Scolari: Nuno Valente, Costinha, Deco, C. Ronaldo e Pauleta, todos "amarelados" e em risco de falhar os "oitavos", cederam os lugares a Caneira, Petit, Tia-

go, Simão e Postiga. Desta forma, Portugal entrou com Miguel, Fernando Meira, Ricardo Carvalho e Caneira, à frente de Ricardo, um meiocampo com Petit, mais recuado, Tiago e Maniche e dois extremos (Figo, na direita, e Simão, na esquerda) no apoio a Hélder Postiga. Por seu lado, o México entrou em "3-4-1-2", com Oswaldo Sanchez na baliza, os centrais Francisco Rodriguez, Ricardo Osó rio e Carlos Salcido, um meio-campo com Mário Mendez e Gonzalo Pineda, nas laterais, e Pavel Pardo e Rafael Marquez ao meio, e Luis Perez nas costas dos avançados Jose Fonseca e Omar Bravo. Empurrados pelos seus adeptos, em grande maioria, os "aztecas" entraram melhor e foram a primeira equipa a assustar, num remate de Fonseca detido por Ricardo, logo aos dois minutos, mas este "estado de alma" rapidamente foi contrariado pela suprema tranquilidade lusa.


CORREIO DE VENEZUELA - DE 29 DE JUNHO A 05 DE JULHO DE 2006

Caso Sindoni ainda sem julgamento Délia Meneses deliameneses@correiodevenezuela.com

audiência preliminar do caso de homicídio e sequestro do empresário ítalo-venezuelano Filippo Sindoni desenrolou-se durante três dias de intenso debate no Palácio de Justiça de Maracay. Os oito suspeitos prestaram declarações, entre eles o cidadão de origem portuguesa, natural de Aveiro, João Paulo Costa Marques, de 35 anos de idade. Mas até à hora do fecho desta edição, o Tribunal 6º de Control, presidido pela juíza Emperatriz Díaz, ainda não se tinha decidido se haveria julgamento para todos ou só para alguns dos suspeitos. No entanto, fontes judiciais declararam que ficaria decidido nesta semana a sorte dos presumíveis envolvidos no caso e ainda estabelecido se o julgamento ia ser oral e pú blico. O advogado e defensor da família Sindoni, Luís Manuel Valdivieso, informou aos meios de comunicação social que os suspeitos, nas declarações prestadas,

A

não admitiram factos, com ou sem fins da obtenção de algum benefício. No entanto, alguns deles reconheceram a sua participação no sucedido. Durante a audiência preliminar, o Ministério Pú blico apresentou a acusação através de provas escritas. Foram, no total, 150 elementos de convicção expostos. O CORREIO contactou o defensor do cidadão português para tentar obter uma declaração sobre o exposto na audiência por Costa Marques. O defensor alegou que neste momento do processo não se pode dar declarações à imprensa por forma a evitar que isto possa acarretar consequências negativas para o arguido ou que más interpretações possam afectar a decisão final do Tribunal. Os suspeitos neste caso são Rafael Orlando Lamuño Flores, Víctor Contreras Belisario, José Alejandro Pestana, Debora Estanga Ortega, Charly Terry Hernández, Miguel Angel João de Jesus, João Paulo Costa Marques e Carlos Manuel João de Jesus.

Estão indiciados pelo Ministério Pú blico da prática dos delitos de homicídio qualificado, sequestro de um idoso com morte em cativeiro, lesões leves qualificadas, roubo agravado, encobrimento, uso indevido de uniformes ou hábitos, roubo agravado de veículo automotor, utilização de bens pú blicos, administração de substâ ncias ilícitas e psicotró picas.

ÚLTIMA horA Articular obras Municí pios ribeirinhos do Tejo de Portugal e Espanha vã o reunir-se a partir de amanhã em Abrantes num encontro que visa articular projectos de requalificaç ã o de um rio encarado como "territó rio internacional" pelos dois paí ses.

Direito à saú de O indeferimento pelo Tribunal Administrativo de Braga da providê ncia cautelar interposta pela Câ mara de Barcelos ao fecho da sala de partos do Hospital partiu do princí pio que é respeitado o direito à saú de.

Nova flexibilidade

Cante Alentejano

O ministro da Justiç a disse que a revisã o do mapa judiciá rio, que prevê o fim das comarcas como unidade de referê ncia dos tribunais, vai conferir "uma nova flexibilidade ao emprego de meios humanos", incluindo magistrados e funcioná rios.

Cantares ao baldã o e a actuaç ã o de grupos corais e mú sicos internacionais marcam a terceira ediç ã o da Festa do Cante, um evento que decorre amanhã e sá bado em Beja para celebrar o tradicional cantar alentejano.

Trá fico seres humanos e exploraç ã o laboral diminuí ram em Portugal Os crimes de trá fico de seres humanos e de exploraç ã o laboral estã o a registar nos ú ltimos anos uma diminuiç ã o em Portugal, situaç ã o que fonte da Polí cia Judiciá ria (PJ) atribui à resposta "cé lere e eficaz" das autoridades portuguesas. "A partir 2000, com o fluxo de imigrantes de Leste, este tipo de crimes começ ou a surgir com muita frequê ncia, mas a resposta cé lere e eficaz das autoridades fez com que o problema estancasse", afirmou a fonte, na vé spera da conferê ncia internacional "Acç ã o Contra o Trá fico e Exploraç ã o pró Trabalho Forç ado de Trabalhadores Migrantes na Europa", que se realiza quinta e sexta-feira no Centro Cultural de Belé m, em Lisboa. Durante dois dias, especialistas internacionais vã o debater boas prá ticas e experiê ncias realizadas contra o trá fico e a exploraç ã o laboral. De acordo com dados da Polí cia Judiciá ria (PJ), em 2005 foram participados 36 crimes de auxí lio à imigraç ã o ilegal, enquanto este ano foram participados seis. No que respeita ao crime de lenocí nio [favorecimento da prostituiç ã o], em 2005 foram participados 58 casos e este ano 12, indicam dados da PJ. Quanto ao trá fico de seres humanos, a PJ ressalva que, legalmente, é apenas considerado para casos de portugueses que vã o para o estrangeiro, porque nã o existe na lei qualquer designaç ã o para o crime de estrangeiros que vê m forç ados para Portugal. Assim, em 2005 foram participados à PJ 27 crimes de trá fico de seres humanos, nomeadamente de portugueses que foram para Espanha para a apanha do tomate e fruta, e este ano apenas um. "Sã o normalmente recrutadas pessoas em pequenas aldeias e as ví timas sã o normalmente indiví duos com deficiê ncias mentais. Prometem- lhes bons vencimentos, cama, roupa, comida, mas sã o colocados em autê ntica situaç ã o de escravatura", indicou a fonte da PJ. Apesar de nã o estar previsto na lei o crime de trá fico de pessoas do estrangeiro para Portugal, a fonte afirmou que a PJ tem "consciê ncia" de que o trá fico para fins de exploraç ã o sexual existe.

Correio da Venezuela 162  

Edición 162

Correio da Venezuela 162  

Edición 162

Advertisement