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O jornal da comunidade luso-venezuelana

ano 07 - N.º 141 - DePósito LegaL: 199901DF222 - PubLicação semanaL

Huascar Barradas

Um grande flautista com sangue lusitano Página 15

caracas, 26 De Janeiro De 2006 - VenezueLa: bs.: 1.000,00 / PortugaL:

0,75

Crise em Vargas

Hotéis traçam novas estratégias . Página 10

Comunidade ignorou Eleições Presidenciais Tal como se previa, foram poucos os membros da comunidade portuguesa que cumpriram o dever cí vico, votando para a Eleição presidencial em Portugal. Números que exigem reflexão. Página 3

Universidade Simó n Rodriguez abriu aulas de Página 7 português Nova juíz luso-descendente no Tribunal Tercero Superior del Área Metropolitana de Caracas Página 6

À descoberta da Venezuela numa moto

Dois portugueses, originários de Aveiro e de São João da Madeira, partiram à descoberta da Venezuela, montados numa moto. Ficam os registos de uma aventura inesquecí vel 28

Página

Emigrante João Rodrigues clama por ajuda médica Página 12


2 EDITORIAL Director: Aleixo Vieira Subdirector Agostinho Silva Coordenação em Caracas Délia Meneses Jornalistas: António da Silva, Carlos Orellana Jean Carlos de Abreu, Liliana da Silva Nathali Gómez, Noélia de Abreu, Yamilem González e Victoria Urdaneta Correspondentes: Ana Pita Andrade (Maracay) Bernardete de Quintal (Curaçau) Briceida Yepez (Valencia) Carlos Balaguera (Maracay e Valencia) Carlos Marques (Mérida) Sandra Rodriguez (La Victoria) Trinidad Macedo (Barquisimeto) Colaborações: Raúl Caires (Madeira) António de Abreu, Arelys Gonçalves Janette Da Silva, Luís Barreira e Miguel Rodrigues Publicidade e Marketing: Carla Vieira Preparação Gráfica: João Santos (DN-Madeira) Produção: Franklin Lares Secretariado: Glória Cadavid Distribuição: Enrique Figueroa Impressão: Endereço: Av. Los Jabillos 905, com Av. Francisco Solano, Edif. Torre Tepuy, piso 2-2C, Sabana Grande - 1050 Caracas. Endereço Postal: Editorial Correio C.A. Sabana Grande Caracas - Venezuela Telefones: (0212) 761.41.45 Telefax: (0212) 761.12.69 E-mail: correio@cantv.net URL: www.correiodecaracas.net Tiragem deste número: 10.000 exemplares

CORREIO DE CARACAS - 26 DE JANEIRO DE 2006

Por onde andam os conselheiros?

O

s piores vaticínios perspectivados neste espaço, a semana passada, confirmaram-se em pleno: a maioria dos portugueses residentes na Venezuela não quis nada com o acto eleitoral que, domingo passado, determinou a escolha do novo Presidente da Repú blica de Portugal! É lamentável que assim tenha acontecido. A comunidade perdeu uma oportunidade para se fazer ouvir, enviando mais um sinal que, aqui deste lado, continuamos a vibrar com Portugal. Como é nossa patrió tica obrigação! São vários os factores que contribuem para esta desoladora conclusão. Poderíamos enumerá-las ou até especular sobre tantas hipó teses. No entanto, apontamos

apenas o dedo, de forma directa e frontal a uma série de "conselheiros" que só assumem essa condição na hora de marcar viagem e hotel para Portugal. São os "conselheiros" dos seus pró prios interesses, que pouco ou nada contribuem para que, em alturas como as de Eleições, que requerem uma dedicação e até esforço pessoais, simplesmente primam pela ausência. Apontamos estas críticas com a mesma lealdade que, noutras alturas, também fazemos eco das propostas e ideias que os mesmos "conselheiros" se apressam a apresentar quando querem ser eleitos ou reconduzidos nessas funções. Numa e noutra situação julgamos que cumprimos o nosso papel. É isso que os leitores do CORREIO esperam deste jornal.

O CARTOOn DA seMAnA Os Portugueses na Venezuela não gostam da ditadura...

Então porque não foram votar, domingo, pela Democracia em Portugal?

A seMAnA MUITO BOM Em Maracaibo, um grupo de cidadãos portugueses decidiram dar um belo exemplo do seu portuguesismo! Impulsionados pelo antigo cônsul-honorário, Jesuíno Brito, que já abandonou as funções há algum tempo, fizeram do acto eleitoral para a Presidência da República Portuguesa uma festa! E não se esqueceram de cumprir o dever cívico que é votar! Um exemplo a seguir!

BOM O Centro Luso Catia La Mar tem passado por momentos difíceis. Daí a importância do apoio económico por parte das autoridades portuguesas, para recuperação das suas instalações. Nada mais justo, face às consequências das fortes chuvadas em Vargas que, obviamente, também atingiram aquele centro da comunidade portuguesa, para além dos problemas no "Viaduto 1" que tem prejudicado todo aquele Estado.

MAU O Fórum Social Mundial, que reúne em Caracas cerca de 50 mil pessoas de 170 países, incluindo uma delegação de Portugal, tem utilizado uma das artérias principais da cidade, a Avenida Bolívar. O caos tem reinado em Caracas e o tráfego tem sido mais do que o habitual, o que prejudica o dia-a-dia da capital, mas que também tem dado uma má impressão a um número importante de estrangeiros que nos visita. Visitantes das distintas delegações queixam-se também da desinformação que tem reinado durante esta semana por parte dos organizadores do evento.

Fontes de Informação: DIÁRIO de Notícias da Madeira Jornal de Notícias Agência de Notícias LUSA

MUITO MAU

O Correio de Caracas não se responsabiliza por qualquer opinião manifestada pelos colaboradores ou assinantes nos artigos publicados, garantindo-se, de acordo com a lei do jornalismo, o direito à resposta, sempre que a mesma seja recebida dentro de 60 dias.

Desleixo! Falta de interesse! Assim se pode classificar a atitude dos portugueses que ostentam a nacionalidade no passaporte da Comunidade Europeia, mas que não correspondem depois aos compromissos da respectiva cidadania. Se analisarmos bem, até acabaremos por descobrir entre esses muita gente que só reclama direitos ao Estado Português... Simplesmente vergonhoso. É decepcionante!

El Correio de Caracas, no se hace responsable por las opiniones manifestadas por los colaboradores o firmantes, garantizando, de acuerdo a la Ley, el derecho a respuesta, siempre que la misma sea recibida dentro de 60 días.

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gustos

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CORREIO DE CARACAS - 26 DE JANEIRO DE 2006

ACTUAL 3

Porque votaram nas eleições? Manuel Gomes Pereira

Manuel Augusto

Fernando Lopes

"Votar é uma obrigação de todos aqueles que possuem o passaporte Português. A democracia e os políticos vivem do voto e como tal para que se interessem por nó s temos que votar. Não votar é não valorar a democracia".

"Julgo que votar é uma obrigaç ão de todos pelo que devemos contribuir com a democracia . Sempre votei porque penso que assim como exigimos coisas ao nosso país, devemos cumprir com os nossos deveres de cidadão".

"Votei pela primeira vez. Não tinha votado antes porque tinha perdido o cartão de registo do Consulado. Decidi votar devido à importâ ncia das eleições presidências para o nosso país".

Comerciante, natural de Santa Maria da Feira

Comerciante, natural de Aveiro

Comerciante, natural de Viana do Castelo

Maria Odete Fernandes

Natural da Madeira

"Não estava inscrita no Consulado porque não sabia que podia votar. No ano passado 2005 quando tirei meu passaporte foi quando me disseram no Consulado se queria inscrever-me. Os emigrantes devam ter muito interesse em votar porque há que dar atenção ao nosso país".

Dados disponíveis Venezuela Consulado Geral de Caracas (Caracas, Ilha de Margarita e Curaçao) Eleitores: 4.911 Votantes: 262

Consulado de Valencia Barquisimeto Maracay Maracaibo Merida Valencia

48 51 197 12 108

votos votos votos votos votos

Eleitores: 1.637 Votantes: 416

Eleitorado "obedece" a Soares separa ovos e põe Cavaco em Belém paço com Soares e Alegre, designadamente Jeró nimo de Sousa, do Partido Comunista, Francisco Louçã, do Bloco de Esavaco obtém vitó ria mais querda, e Garcia Pereira, do PCTP/MRPP, apertada do que se chegou este sem qualquer expressão eleitoral. a prever com excepção da Quem aproveitaria o desnorte à esMadeira onde ganhou fol- querda para se impor como o primeiro gadamente e os socialistas de Alegre Presidente da Repú blica de centro-direi"ganharam" ta em 31 anos de democracia foi Aníbal Os Portugueses fizeram ontem aquilo Cavaco Silva, apoiado pelo PSD e pelo que Mário Soares pediu em 1986: foram "envergonhado" CDS/PP. Cavaco já enàs urnas e, tal como naquela altura, não pu- saiara uma caminhada para Belém em seram os ovos todos no mesmo cesto. Na- 1996, tendo sido derrotado pelo actual quele ano, o PSD cavaquista era poder e o Chefe de Estado, Jorge Sampaio. eleitorado colocou a esquerda em Belém, Cavaco Silva vencera Sampaio numa na pessoa do pró prio Mário Soares. Ago- das eleições legislativas que ganhou no dera, com o PS de José Só crates na gover- curso de uma carreira política iniciada em nação, os Portugueses decidem-se pelo can- 1980, quando Sá Carneiro o nomeou mididato de centro-direita, Cavaco Silva. nistro das Finanças. Recusou integrar coAlém desse conselho sobre a necessi- mo ministro o Bloco Central PSD-PS e, dade de equilibrar as forças ao nível de em 1985, candidatou-se à liderança de um ó rgãos de soberania, que desta vez acaba PSD completamente à deriva. Ganhou o por ser fatal para a esquerda, Soares fez histó rico congresso da Figueira da Foz e um grande favor à direita no dia em que logo acabou com a frágil aliança goveranunciou a sua candidatura à Presidência nativa PSD-PS. Seguiram-se eleições leda Repú blica com vista a estas eleições de gislativas que o PSD venceu com maioria Janeiro de 2006. Embaraçou o Partido So- relativa, já que o PRD, novel partido de cialista, já de si em apuros para escolher inspiração eanista (Ramalho Eanes era Preum candidato credível depois de goradas as sidente da Repú blica), ganhou 45 lugares hipó teses Antó nio Vitorino e Antó nio no Parlamento, "baralhando" as contas dos Guterres. E declarava uma luta fratricida partidos mais implantados. entre os seus pró prios apoiantes e os de Seria Cavaco Silva a conquistar a priManuel Alegre. Situação a fazer lembrar a meira maioria absoluta do Portugal dedisputa entre o mesmo Soares e Salgado mocrático. O PRD deixara de sustentar a Zenha em 1986, que dessa vez acabaria maioria relativa do PSD e uma moção de bem para os socialistas, com a derrota da censura aprovada maioritariamente pela direita representada por Freitas do Amaral. Oposição obrigou a eleições intercalares, Vivia-se a ú nica segunda volta presiden- marcadas por Mário Soares, entretanto cial na histó ria da democracia em Portu- eleito Presidente da Repú blica. gal. PRIMEIRA DESPEDIDA DEMASIADOS CANDIDATOS Nesse ano de 1987, Cavaco Silva ganAlém da divisão entre socialistas, re- hou a maioria absoluta e reforçá-la-ia em gistou-se agora a disseminação de candi- 1991. Mas os anos seguintes seriam de codatos na restante área da esquerda: nada abitação difícil com a Presidência da Remenos de três candidatos a dividir o es- pú blica ocupada por Soares. Cavaco queiLuí s Calisto

lcalisto@dnoticias.pt

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xava-se das "forças de bloqueio" e a convulsão governativa crescia. O primeiroministro estava de saída e deixou a candidatura PSD para as eleições de 1995 a cargo do seu nú mero dois no executivo, Fernando Nogueira. Dez anos depois de se afastar da política activa e da vida partidária, Cavaco Silva está de volta, subindo ao cargo de mais alto magistrado da Nação. Recebeu o voto de confiança do País. Inclusive da parte da Madeira, que, tal como em 1996 (60% para Cavaco, 40% para Jorge Sampaio), volta a dar-lhe maioria absoluta mais confortável (58,5% contra 15,7% de Manuel Alegre) do que o resto do eleitorado de Portugal. DISSIDENTES DO PS-M "GANHAM" Cabe observar, porém, que Cavaco Silva obtém na Madeira menor percentagem de votos do que os dois partidos que o apoiaram tiveram, somados, nas eleições legislativas regionais de 2004 (61%). Olhando ainda os resultados na Madeira, tem-se que a soma das percentagens dos votos de Manuel Alegre e de Mário Soares fica aquém da percentagem do PSMadeira nas regionais de Outubro de 2004 (cada uma na casa dos 27%). Facto a assinalar é a decisão do eleitorado socialista de seguir a onda nacional pró -Manuel Alegre. O que, em termos regionais, significa o "não" ao apelo do partido liderado por Jacinto Serrão a favor de Soares. O apoio maioritário alinhou com os dissidentes regionais da linha Cardoso-Isidoro. Trata-se de uma circunstâ ncia a considerar necessariamente no futuro, a caminho do congresso socialista de 2007 e das eleições regionais de 2008. Não que estes resultados signifiquem objectivamente uma derrota da Direcção actual, mas porque os adversários internos não deixarão de aproveitar a embalagem.

FALHANÇO NO REGRESSO DOS NOTÁVEIS DO PS-M A operação "presidenciais" correu igualmente mal a uma corrente socialista na reserva, personificada por Antó nio Trindade, "eterna esperança" do PS-Madeira. Não foi criado o élan que se chegou a admitir com o regresso de nomes que outrora galvanizavam o PS profundo. A culpa, mesmo assim, continua a parecer melhor imputável à "ú ltima loucura" de Mário Soares. Em 1986, o primeiro-ministro Cavaco aceitou mal a sua derrota enquanto apoiante de Freitas do Amaral e tratou de estragar a noite eleitoral lembrando aos que aplaudiam o vitorioso Soares que na manhãseguinte começava um dia de trabalho. Agora é Cavaco o vitorioso a ver Mário Soares sair sem gló ria de uma vida política repleta de momentos bons e maus, mas sempre fascinante. Se não tanto ao nível regional, pelo menos no plano nacional estas presidenciais trarão consequências desagradáveis para uma maioria que parecia imbatível para os pró ximos tempos.


4 VEnEzuEla

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“ El Silencio” tem nova face O projecto levado a cabo pela Alcaldí a de Caracas em parceira com a Fundação para a Protecção e Defensa do Património Cultural de Caracas, terminou a primeira de cinco fases que se estipularam para a recuperação total da zona cluída e espera-se que a inauguração aconteça no início de Fevereiro. tababor@cantv.net Mas Gustavo Merino observou recentemente que os "10 mil milhões de bolívares Urbanização El Silencio tem doados pelo Ministério para a Vivenda representado desde sempre ainda não foram integrados e logo que o uma zona emblemática para sejam, serão pagas as dívidas pendentes, os emigrantes portugueses pois ao nível da execução das obras, a pripois foi ali que muitos encontraram os meira etapa está concluída". seus primeiros trabalhos nas obras de consEntre os feitos alcançados figuram a trução do Centro Simão Bolívar. Hoje é abertura do infocentro maior da Venepossível observar a transformação exter- zuela, o qual possui mais de 60 computana operada nos arredores da Plaza O' Le- dores em operacionalidade permanente e ary. Mas, ainda que se tenha conseguido os quais podem ser acedidos gratuitamente mudar o estado de deterioração físico da pela comunidade. zona, as pessoas que ali residem e trabalHá também o Centro Sociocultural Isaham lamentam que a insegurança ainda ías Medina Angarita, que serve a finalidacontinue a os atormentar. de de fomentar o contacto com os imiEm 2001, o Governo Nacional deu ini- grantes e turistas que visitam o lugar. ciou ao esboço de uma série de trabalhos A intenção principal do projecto conde reestruturação do centro da cidade ca- siste em educar, orientar e motivar as pespital, não só ao nível urbano, como tam- soas no sentido de criaram um gosto por bém no â mbito social. Um dos aspec- uma cultura integral, onde esteja garantos do plano é o desenvolvimento da Ur- tida a sua colaboração com a preservação banização El Silencio, o qual pretende de toda a zona. recuperar este patrimó nio cultural e con"O Estado tem consciência da degraseguir que ali se possa viver de maneira dação da urbanização. Por essa razão é que decente. estamos trabalhando arduamente para alO estudo que diagnosticou a interven- cançar o objectivo e a melhoria da qualição a operar na área, em consonâ ncia dade é vida ali, tendo em atenção que é com estado de degradação em que se en- preciso regenerar a cidadania, despertar contrava, indicou que o montante apro- um maior sentido de civilidade nos cidaximado para a realização do projecto se- dãos", disse o responsável, deixando claro ria de 50 mil milhões de bolívares. Taman- que "queremos conseguir uma mudança ha quantia seria, por sua vez, distribuída cultural" onde a cidadania tem "de assupelas cinco fases que se previram para a mir a sua responsabilidade". A participação implementação do plano. Ao mesmo tem- da comunidade é indispensável, no enpo, foi estimado que cada etapa seria trans- tender de Merino Fombona, para a mucorrida em seis meses de modo a que se dança que se pretende operar, pelo que pudesse concluir a totalidade da obra num tem de "contribuir e participar de maneitempo que não podia ultrapassar os dois a ra construtiva" em todo o processo. três anos. A ideia foi aprovada pelo Estado ve- InSEgurança latEntE nezuelano e, de acordo com a Constituição, Apesar do processo de reestruturação a entidade encarregada da proposta seria a que se está realizando em El Silencio, os Alcaldía de Caracas, a qual ca- comerciantes da zona parecem não estar nalizaria o seus esforços através da Fun- convencidos de que algo tenha efectivadação para a Protecção e Defesa do Patri- mente mudado. Uma das trabalhadoras mó nio Cultural de Caracas (Fundapatri- ouvidas pelo Correio, que pediu o anonimonio). mato, manifestou a sua tristeza dizendo Foi assim que começaram as obras de que "se vêem edifícios muito bonitos mas construção com vista àqueles objectivos e que isso é uma espécie de maquilhagem, em finais do ano passado, o Ministro para pois continuam os roubos e outros proa Vivienda y Hábitat, Luis Carlos Figueroa, blemas com a falta de segurança". o Alcalde do Municipio Libertador, Pelo mesmo diapasão alinha o dono de Freddy Bernal, e o Presidente de Funda- uma loja de bebidas situado no sector. patrimonio, Gustavo Merino Fombona, Também de forma anó nima, pedida por assinaram um acordo através do qual o razões de segurança, indica que é uma reprimeiro organismo contribuía com 10 mil alidade que se encontram desprotegidos milhões de bolívares para a realização da devido ao facto de terem de lidar diariaprimeira fase do projecto. mente com a delinquência. "Agora está A fase inicial, a qual incluiu a substi- tudo pintado e quem não conheça a zona tuição das redes de água potável e de sa- lhe parecerá um beleza. Mas a verdade é neamento básico, arranjos eléctricos e de que tal não nos serve de nada já que não comunicações, pintura das fachadas dos podemos viver em tranquilidade", desedifícios, revitalização da zona e ligação abafou, fazendo questão de frisar que tudo viária à Plaza O' Leary, já foi dada por con- o que foi feito "não é suficiente" e que deTábita Barrera

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viam "aumentar o policiamento em torno dos habitantes e comerciantes, porque chegamos ao trabalho com medo e regressamos a casa da mesma forma, rogando a Deus para que não sejamos alvo de nenhum ataque". Por seu turno, o Presidente da Fundapatrimonio, Gustavo Merino Bombona, assegurou que o índice de delinquência diminuiu e que uma redução ainda maior será ainda possível quando se instalar um circuito de câ maras de videovigilâ ncia em toda a urbanização. Para isso, garantiu, se está a trabalhar com os diferents corpos de polícia de Caracas. O responsável acrescentou depois que os resultados das alterações sociais não são visíveis de um dia para o outro e que ainda faz falta a execução de um esforço conjunto onde entra a indispensável colaboração de todos. "As pessoas acreditam que se deixarem um homem abandonado durante 80 anos poderão regenerá-lo na sua plenitude social em dois ou três anos. Isso não é assim", declarou Merino Bombona, contrapondo com a necessidade de ser despendido um grande esforço e muita disposição para se alcançar tais objectivos. "Assim é o que acontece neste caso, onde já conseguimos meter na agenda o tema do patrimó nio histó rico e também trazer o contributo do sector privado. Progressivamente as diferenças que existem vão esbater-se", preconizou.

O projecto original Durante a presidência de Isaías Medina Angarita, o arquitecto Carlos Raúl Villanueva, teve a ideia de libertar os espaços do centro da capital venezuelana que se encontravam afundados em ambientes de prostituição, falta de higiene, delinquência e pobreza. Foi por isso que, em 1941, desenhou a "Reurbanización de El Silencio", a qual representava o primeiro complexo urbanístico instaurado, uma das criações mais modernas da época. A intenção era levar a cabo uma mudança significativa dentro dos aspectos urbano e social e aprofundar os níveis de estabilidade residenciais na zona. As vivendas foram divididas em sete blocos de diferentes dimensões e áreas comuns que incluíam o Parque El Calvario e a Plaza O´Leary. As edificações foram feitas de forma a não parecerem nem muito altas nem muito baixas, de modo a gerar uma melhor qualidade de vida e permitir à população viver com elevados níveis de comodidade. Em relação ao sistema de trânsito, no sector de El Silencio existe uma cadeia viária directa que permite ligar ao resto da cidade através de um ambiente de liberdade, emancipação e de encontro. Mas este espaço onde os sentidos convergem voltou a ser alterado pela acção do homem e praticamente retornou ao estado de desolação no qual se encontrava antes da transformação de Villanueva.


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Obras do metro geram insegurança Os ní veis de delinquência dispararam na zona a a comunidade portuguesa do sector também está sofrendo as consequências originadas com a construção da linha 4 do Metro de Caracas Noélia de Abreu

noeliadeabreu@gmail.com

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insegurança não é um tema novo para quem vive em Caracas. Mas há sem dú vida certos factores que em determinada época influenciam de maneira dramática o aumento dos níveis da delinquência. A construção da linha 4 do Metro de Caracas criou espaços pró prios para diversos actos que se praticam ao abrigo das construções dos passadiços que formam algo parecido a um labirinto para facilitar a movimentação dos transeuntes. Acontece que estes encontram-se desprotegidos e vulneráveis dada a ausência de algum tipo de meios policiais na área. A Avenida Lecuna é uma das zonas mais afectadas, mesmo apesar de nos seus arredores se encontrar a "Alcaldía del Município Libertador". Quem atravessa a pé diariamente os arredores da obra está consciente do perigo que incorre. Juvenal Rodrigues, comerciante, considera que o problema que se está vivendo na zona é

uma consequência directa da má gestão do Governo e a "Alcaldía" pois entende que são estes dois organismos que "são responsáveis por exigir condições de segurança ao Metro de Caracas, de pressionar a empresa para que coloque seguranças e iluminação capaz. É uma questão que deve ser resolvida em conjunto", disse. A comunidade lusa que vive e trabalha um pouco por toda a zona tem sofrido as consequências e estado à mercê dos delinquentes e meliantes que abundam no sector. Maria Leonor Vieira, estudante, é outra das tantas vítimas da ladroagem que atormenta a zona. "O centro converteu-se desde há algum tempo num verdadeiro ninho de ladrões, mas as obras do metro vieram piorar a situação significativamente", conta, desabafando que já foi roubada "às duas a tarde, de pistola apontada, num desses passadiços construídos pelo Metro e donde não se sabe quem te espera do outro lado da esquina". Durante a noite o perigo agudiza-se por causa do escasso trâ nsito pedonal nas imediações da zona e devido à insuficiente iluminação, daí que alguns comer-

ciantes da zona, principalmente as padarias ou outros negó cios que encerram muito tarde, tenham contratado empresas que oferecem serviços de segurança de modo a se protegerem dos malefícios da delinquência. "O mês de Dezembro e o tempo transcorrido em Janeiro foram dias bastantes críticos porque são alturas do ano convidativas aos delinquentes. Durante o ú ltimo mês do ano passado há muito dinheiro nos bolsos das pessoas, enquanto que em Janeiro costuma haver uma grande depressão econó mica resultante do facto de a maioria das pessoas ter gasto muito dinheiro na época natalícia", explica Carlos de Abreu, um comerciante da zona. A acrescentar a esta situação, a construção deste importante ramo ferroviário desencadeou uma grande congestão de veículos nas ruas e avenidas limítrofes nas zonas de San Martín, desde onde se inicia todo o projecto, incluindo a Avenina Lecuna, Los Caobos e a Zona Rental de Plaza Venezuela. Espera-se que o normal escoamento

do trâ nsito seja restituído na rua que liga a Alcaldía del Municipio Libertador com o Teatro Municipal nos pró ximos meses, pois as obras têm avançado e o trajecto subterrâ neo que se encontrava em fase de escavação está praticamente terminado. Actualmente encontram-se máquinas aplanadoras de forma a devolver ao terreno os níveis das ruas circundantes.


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Juíza luso-descendente chefia tribunal venezuelano Sónia Fernández de Abreu, filha de pais madeirenses oriundos da Ribeira Brava, é a magistrada que está à frente do "Tribunal Tercero Superior de Caracas". Falou ao Correio sobre a sua experiência e perspectivas futuras e ainda acera do estado da cultura portuguesa na Venezuela. Samuel Ferreira Bermúdez samjfb@yahoo.com

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esde 21 de Dezembro ú ltimo que uma advogada "caraqueña" de ascendência portuguesa vem desempenhado o cago de juíza do "Tribunal Tercero Superior de Caracas" no que diz respeito às áreas de civil, mercantil, administrativa e de trâ nsito. Sonia Fernández de Abreu falou ao Correio sobre o seu sentimento de orgulho pelas suas raízes lusitanas e acerca do desejo de continuar trabalhando pela justiça venezuelana. A luso-descendente, filha de pais madeirenses, nasceu em Caracas. Obteve o título de advogada na Universidade Central de Venezuela, instituição onde prosseguiu os seus estudos de pó s-graduação na área do direito mercantil e onde lecciona de 1992 Questionada sobre se a sua ascendência e dupla nacionalidade produziam algumas implicações no desempenho da profissão, a juíza sublinhou que, longe de constituir um obstáculo no sistema judicial venezuelano, o facto de ser filha de portugueses reveste-a de certas particularidades formativas e culturais que são muito bem vistas pelos seus colegas venezuelanos. "Certamente que quem nasceu aqui, viveu aqui e recebeu educação aqui, apesar de possuir também uma formação cultural e ascendência evidentemente diferentes, pode ser considerada como totalmente venezuelana", explica a profissional de direito, sustendo que os venezuelanos estão atraídos pela cultura portuguesa pois consideram que se trata de um "alguém que vai fazer as coisas bem". A juíza Fernández de Abreu considera que a administração da justiça enfrenta dificuldades na Venezuela, devido fundamentalmente às carências de infra-estruturas e de pessoal. "Há poucas pessoas a trabalhar em demasiados casos que estão a seguir os trâ mites normais e as instalações não são as mais apropriadas", disse a jurista. No entanto, apesar de todas estas limitações, a magistrada considera que o trabalho dos juízes venezuelanos deveria

ser aplaudido, posto que, na sua opinião, dão tudo o que podem para trabalhar em tais condições precárias. Fortes laços com Portugal Esta filha de pais oriundos do concelho da Ribeira Brava, na Região Autó noma da Madeira, recorda com entusiasmo as frequentes viagens que efectuou a Portugal. "Conheço a ilha da Madeira de ponta à ponta", disse a juíza do já referido Tribunal de Caracas. Mantém muitos contactos com portugueses, já que, ao longo do exercício das suas funções de direito, teve oportunidade de conhecer uma grande quantidade de clientes pertencentes à comunidade portuguesa. Tem assim vínculos com a Associação Luso-venezuelana de Comércio e com o Centro Português de Caracas, apesar de não estar filiada formalmente. esPera chegar ao tribunal suPremo de Justicia Instada pelo Correio a falar sobre as suas expectativas profissionais para o futuro, a juíza luso-venezuelana disse gostar "muito do mundo judicial, apesar de considerar que a sua área forte é a do docência". Neste sentido, Fernández espera seguir contribuindo para a formação das novas gerações de advogados na Venezuela. A respeito da sua carreira judicial, a magistrada revela como pró ximo objectivo a atingir o Tribunal Supremo de Justiça. Mas adverte que: "isso está dependente não só do currículo e dos méritos, como também de outros factores políticos que influenciam. Mas a meta é chegar até lá, ir subindo…" Convidada a pronunciar-se sobre a divulgação da cultura portuguesa na Venezuela, a juíza do "Tribunal Tercero Superior" não deixou de lhe endereçar algumas críticas por considerar que muitas vezes a cultura não transcende e permanece entre os portugueses. "Há muitos luso-descendentes que estão desempenhando variadíssimos cargos ao nível profissional e creio que isso é algo de destaque que devemos dar a conhecer", sugeriu Fernández.


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Português ganha terreno nas universidades Liliana da Silva

Lilianadasilva19@hotmail.com

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ada vez mais venezuelanos procuram aprender a falar português. O grande nú mero de interessados atingiu, nuns casos, ou superou, noutros, os limites da oferta de lugares nos estabelecimentos que oferecem o ensino da língua portuguesa como seja o Centro Português de Caracas, que este ano bateu o recorde em termos de inscrições. Os alunos consideram o português como uma ferramenta necessária para ampliar as suas possibilidades profissionais dado o incremento das relações comerciais entre a Venezuela e o Brasil. Mas os professores disponíveis na Venezuela são insuficientes face ao aumento do nú mero de universidades e institutos que incorporaram a língua de Camões ao rol de línguas que oferecem ensino. Por exemplo, a Universidade Experimental Simó n Rodriguez juntou este ano o português, pela primeira vez, aos seus cursos de línguas, onde já constavam o alemão, italiano, francês e inglês.

A directora do Departamento de Idiomas daquele estabelecimento de ensino superior, Naidy Chamate, explicou que foi o alto nú mero de pedidos a motivar a abertura do curso de português na sua universidade. "Recebemos numerosas solicitações de profissionais e estudantes da nossa universidade dando conta do seu interesse em estudar este idioma, pelo que decidimos abrir um concurso para satisfazer tamanha procura", contou a responsável ao Correio. O curso na Simó n Rodriguez está direccionado para o incentivo da destreza

comunicativa do idioma português, como também para proporcionar as ferramentas necessárias para um desenvolvimento e domínio imediato. Segundo Naidy Chamate a instituição universitária onde trabalha não só procura satisfazer as necessidades individuais como também as que são sentidas pelas empresas que precisam de preparar os seus funcionários para negó cios de intercâ mbio comercial com países que falam português. O programa do ensino do português nesta universidade está dividido em 9 níveis entre dois meses de cada ano, os quais contemplam mesas de conversação

A Universidade Experimental Simón Rodriguez juntou-se a já longa lista de instituições de ensino superior que oferecem o ensino da lí ngua de Camões, juntando-se assim à crescente procura por parte de profissionais e estudantes que desejam aprender a falar português. e intercâ mbio com alunos de outras instituições. "No princípio sentimos algumas dificuldades para conseguir professores, pois apesar de a procura ter aumentado, são muito poucos os profissionais habilitados para ensinar este idoma", confessou, dando conta da "grande necessidade" que se apresenta actualmente para se "preparar professores de português, pois a maioria dos que existem estão a dar aulas em duas ou três instituições diferentes". O curso começou em 21 de Janeiro mas ainda existem inscrições abertas para os que estejam interessados em dar os primeiros passos ou aventurar-se mais um pouco pela fértil e apaixonante Língua de Camões. O preço é de 130 mil bolívares por nível e 25 mil bolívares para o material de apoio. As aulas decorrem aos sábados na sede de pó s-graduação da Universidade Simó n Rodriguez, situada em Chacao. Os estudantes recebem um diploma de assistência e de aprovação para cada nível. Mais informações podem ser obtidas através dos nú meros de telefone: 0212- 267-67-86 ou 0212- 26530-23.


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Caracas desnudada para Tunick A capital venezuelana vai tirar a roupa para a câmara de Spencer Tunick, fotógrafo norte-americano que se desloca ao nosso paí s para desenvolver o projecto de Desnudos, através do qual pretende visitar cidades dos cinco continentes O aspecto físico não é um impedimento para quem esteja interessado em participar, apenas se requer uma mente esnudar-se publicamente aberta, pois não se trata de um acto de representa um tabu para al- pornografia nem de erotismo, mas sim gumas sociedades, mesmo um momento com fins artísticos. O cliainda nos nossos dias quan- ma também não será um obstáculo. do a desinibição parece apoderar-se do "Quer venha a chover, trovejar ou ocomundo. No entanto, Spenser Tunick, rram relâ mpagos", Spenser Tunick vai desde 1994, vem rompendo contra qual- realizar o que está previsto. Numa das quer tipo de preconceitos através do sessões que efectuou em 2001, em Melcontraste do corpo humano nos espa- bourne, Austrália, a temperatura estava ços pú blicos. A sua proposta fotográ- pró xima dos 10 graus centígrados e cerfica será apresentada no pró ximo dia ca de duas mil pessoas pousaram para 19 de Março, altura em que se espera ele, situação que evidencia a sua capaque, aproximadamente mil venezuela- cidade de convocar. nos compareçam para a convocató ria e As inscrições devem ser realizadas posem voluntariamente para o artista, via Internet, na página www.maccsinum evento sem fins comerciais. tunick.com.ve, as quais só podem ser Caracas converter-se-á assim na completadas por maiores de 18 anos. A quarta capital latino-americana onde segurança do evento estará a cargo de Tunick "fará da suas". Espaços como o várias corporações de bombeiros de Capasseio Los Pró ceres e o Calvario, na racas, Protecção Civil e diferentes corurbanização El Silencio, figuram entre pos de polícia as opções possíveis onde decorrerá a meNuma primeira ocasião, foi anunciaga sessão fotográfica. O lugar exacto só do que a data prevista para a visita de será anunciado aos participantes com Tunick à Venezuela seria a 29 de Janeiuma semana de antecipação, devendo ro, aproveitando a organização do Fó estes comparacer no local cerca de duas rum Social Mundial. No entanto, atrahoras antes, segundo revelou um res- vés de um comunicado emitido pelo ponsável do Museu de Arte Contem- Maccsi, foi informado que devido a proporâ nea de Caracas Sofia Imber blemas logísticos com a produção era (Maccsi), organismo que tem a seu car- necessário adiar o evento para o mês go a produção da exposição. de Março. Tábita Barrera

tababor@cantv.net

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Um fotó grafo ousado Spencer Tunick, natural de Nova Iorque, nasceu em 1967. Realizou os seus estudos no Emerson College de Boston e no Internacional Center of Photography. Desde 1992 que começou a fotografar figuras nuas em público, mas foi em 1994 que decidiu mostrar a sua audácia ao tirar fotografias a 28 pessoas sem roupa em frente do edifício das Nações Unidas, que fica situado na cidade onde nasceu. Este foi o ponto de partida para a sua iniciativa para capturar através da sua "lente" as pessoas nuas em diferentes paisagens ao longo dos Estados Unidos. Por causa de tal ousadia, foi preso por cinco vezes, mas recorreu alegando ter sido alvo de um acto de violação dos direitos civis e o Tribunal deu-lhe razão, já que proibir o seu trabalho constituía uma limitação da liberdade de expressão dos indivíduos, segundo a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos. O seu trabalho continuou sem mais repercussões legais e estendeu-se ao nível mundial com o projecto Naked Pavement, que

passou por Roma, Sydney e Montreal. Visitou ainda o Quebeque, Melbourne, Lisboa e cidades latino-americanas como Santiago do Chile, Buenos Aires e São Paulo. A assistência foi massiva. Exemplo disso foram as mais de sete mil pessoas que conseguiu reunir em Barcelona, Espanha. A sua obra é reconhecida mundialmente e desenrolarse sob o esquema de uma instalação temporária num determinado espaço público, onde faz com que posem os seus modelos em distintas posições. A sessão fotográfica dura, em geral, cerca de meia hora mas a preparação começa durante a madrugada, por volta das quatro da manhã. Quem responde voluntariamente à sua convocatória não recebe qualquer tipo de retribuição monetária, mas a cada um dos participantes é entregue uma fotografia, que regista o momento em que participou, como protagonizasta, numa actividade de envergadura mundial onde se mostra a arte do corpo humano em conjugação com a paisagem circundante.


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Novas estratégias para enfrentar a crise

Reforç o e seguranç a no aeroporto

Os hotéis de Vargas tiveram de criar novas estratégias devido à conjuntura. Actualmente asseguram que 90 por cento das suas reservas são realizadas pela Internet Jean Carlos De Abreu

deabreujean@yahoo.com

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primeiro mês do ano é o mais procurado pelos turistas estrangeiros para visitar os países latino-americanos, sobre tudo os que partem à procura de praia, de sol e da diversão do "Caribe", o que podem encontrar na Venezuela. A procura hoteleira manteve-se nas diferentes temporadas através das reservas por telefone ou por Internet. Mas depois do enceramento parcial do viaduto nº 1 de Caracas-La Guaira, as pousadas de todo o Estado de Vargas tiveram aumentos da ordem dos 100 por cento. As albergarias da localidade não conseguem acolher todos os visitantes que aparecem na zona e a subida de preços impô s-se na procura habitacional. "Com o encerramento da auto-estrada, a mudança administrativa foi brusca porque agora passámos a ter 90 por cento das nossas reservas feitas via Internet", explicou Gregó rio Henriques Pinto, gerente luso-descendente do hotel Catimar, em Cartia La Mar, Estado de Vargas. Henriques Pinto conta que não existe união entre os proprietários hoteleiros da zona, já que o "ú nico que interessa é o dinheiro". Pelo contrário, para o nosso interlocutor, a atenção ao cliente é primordial no seu negó cio. Explicou ainda que o turismo no litoral está morto e que o problema do encerramento da via

levará ao aumento dos quartos de alguns hotéis porque se está nos meses da época turística e os turistas precisam de algum lugar para se hospedar e não se importam de pagar a quantias tais para ter onde descansar. Das 70 pessoas que diariamente visitam e se hospedam no hotel, mas de metade são turistas dos Estados unidos que fizeram a sua reserva por telefone ou pela Internet. O gerente luso-descendente observa que apó s o aumento de turistas no litoral teve de abrir duas vagas na estrutura do hotel para poder dar conta diariamente dos clientes que chegam à recepção do hotel, já que também faz o serviço de condutor desde a pousada até ao aeroporto e vice-versa. "Antes tínhamos 15 a 16 reservas por dia, mas esta alteração drástica aumentou a afluência de visitantes. Às vezes tenho de deixar as minhas funções administrativas para acompanhar os meus empregados e ir buscar os novos hó spedes", conta Gregó rio Henriques Pinto. Hotéis com preços estáveis O filho de madeirenses naturais de São Martinho, Madeira, garantiu que os preços que pratica na sua hospedagem são os que foram fixados no ano passado. Por um dia de estadia cobra 75 mil bolívares e quinze mil pelo o transporte até ao aeroporto. "A nossa ideia, como prestadores de um serviço, não é elevar os custos aproveitando-se da

condição dos visitantes, mas sim dar às pessoas o que elas precisam, sejam estrangeiros ou varguenses", declarou ao Correio. O hotel "Catimar" tem 21 quartos disponíveis para os clientes, além um restaurante que serve todo o tipo de refeições. A permanência dos visitantes é esporádica, já que o tempo máximo de hospedagem é de dois dias. Ou vêm por pouco tempo ou estão de passagem para outra localidade que pretendem visitar na Venezuela. problemas de abastecimeNto A cozinha do hotel ainda não começou a sofrer com os inconvenientes derivados da falta de abastecimentos, mas houve necessidade de reformular os pedidos para encher as arrecadações com alimentos não perecíveis. O que se pedia para uma semana, agora pede-se para o mês todo e o que está a ficar fora de prazo é consumido dez dias antes. Actualmente, as empresas fornecedoras baixam ao Estado uma vez por mês para evitar as longas filas de trâ nsito que se podem encontrar nas principais vias alternativas. Face a este novo horário de distribuição, Henriques Pinto afirma que teve de mudar algumas coisas mas já está preparado para lidar com o problema. a outra cara Eilyn Cabrera, gerente do departamento de reservar do Hotel "Eduardo's Suites", localizado no sector de Macuto, Estado de

Vargas, disse que desde sempre teve "uma ocupação bastante boa de clientes", os quais procuram a comodidade que lhes oferece estes hotel de luxo. Devido ao encerramento da "ponte um", as companhias aéreas estrangeiras privadas reservaram 90 por cento dos 96 quartos que estão disponíveis no hotel. Os restantes estão ocupados exclusivamente pelo pessoal que trabalha na unidade hoteleira. Os quartos são ocupados por turistas que geralmente apenas se hospedam durante um dia na zona, pois para o hotel as tripulações das companhias aéreas são o mercado fundamental. O tempo de reserva para os quartos na "Eduardo's Suites" foi suspendido. "Até que se resolva o problema do viaduto não prestaremos serviço de reservas a particulares", observou o gerente daquela unidade turística. "Estamos abastecidos e não temos falta de nenhum alimento", disse Cabrera quando explicava ao Correio que os pedidos feitos pela cozinha do Hotel são confeccionados com tempo e disso damos conhecimento ao cliente com antecedência. Também está à espera pela melhoria da situação e que as vias de comunicação se descongestionem para que a actividade econó mica hoteleira volte à normalidade e assim se possa, no geral, prestar melhores serviços aos clientes, já que estes têm sido muito prejudicados com o encerramento da principal artéria de comunicação com o litoral central.

As autoridades do Instituto Autónomo do Aeroporto Internacional de Maiquetía (IAAIM) reforçaram a segurança no lugar com a ajuda da Guarda Nacional e de "Polivargas" com o objectivo de salvaguardar a integridade física e material dos turistas que chegam ao país depois das 10 da noite e que decidem pernoitar no terminal. O director geral da IAAM, José David Cabello Rondón expressou que pelo terminal aéreo se movimentaram cerca de 85 mil pessoas em completa normalidade durante o fim-desemana passado e se realizaram 1.700 operações aéreas. Em relação à estadia nocturna dos viajantes, Cabelo Rondón disse que era necessário tomar-se algumas medidas no sentido de lhes oferecer conforto, pelo que foram colocadas cadeiras "playeras" para que os utentes pudessem dormir durante a noite e também desfrutassem de um serviço gratuito de bebidas. Em relação ao transporte que se efectua desde o aeroporto até à cidade de Caracas, representantes do IAAIM chegaram a um acordo com as quatro companhias de táxis que operam nas imediações do terminal aéreo. Foi acordado que estas unidades de transporte vão cobrar 60 mil bolívares por pessoa e só ião dois passageiros por cada viatura.


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igreja mantém postura

Padres luso-descendentes consideram que as palavras do cardeal Castillo Lara espelham o que foi transmitido na última comunicação emitida pela Conferência Episcopal Venezuelana e que não fogem à realidade social venezuelana Liliana da Silva

Lilianadasilva19@hotmail.com

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esde 1999 que se assiste a constantes agressões verbais por parte do presidente Chávez em relação a alguns dirigentes da Igreja Cató lica por causa de certas críticas emanadas da instituição eclesiástica. Num primeiro momento, o clero venezuelano mostrou o seu desacordo com o projecto de "Carta Magna", sobretudo por causa da maneira como foi abordado o tema do aborto. A primeira crítica provocou uma forte reacção do Presidente da Repú blica, que desde esse momento não tem deixado sem resposta todas as declarações que a Igreja faz sobe a sua governação. Mais recentemente, Hugo Chávez dirigiu duras palavras ao cardeal Castillo Lara, tendo este acabado por proferir uma polémica homilia, durante o encerramento da procissão da Divina Pastora em Barquisimeto, onde denunciou alegadas condutas antidemocráticas do actual governo. "Encontramo-nos numa situação de extrema gravidade como muito poucas aconteceu na nossa Histó ria. Um governo eleito democraticamente há sete anos perdeu o seu rumo democrático e apresenta rasgos ditatoriais", começou por assinalar o chefe da Igreja venezuelana, observando que "todos os poderes estão praticamente nas mãos de uma só pessoa que os exerce arbitraria e despoticamente". Para Dom Castillo Lara, este exercício do poder não é "para procurar o maior bem da nação, mais sim em prol de um distorcido e anacró nico projecto político: o de implantar na Venezuela um regime desastroso como o de Fidel Castro, que à custa de tantas vidas humanas e do progresso da nação, o impô s em Cuba" Estas palavras desencadearam, como era de esperar, uma forte reacção de muitos representantes do oficialismo, como os deputados Nicó las Maduro e William

Lara, tendo ambos assegurado que vão apresentar um documento na Santa Sé para que o Papa Bento XVI tome conhecimento da atitude de "conspiração" do cardeal Castillo Lara. Por seu turno, o Presidente Chávez, em diferentes intervenções, sugeriu uma alegada divisão no interior da Igreja Cató lica venezuelana ao separar as opiniões do cardeal Lara e do monsenhor Baltasar Porras da postura oficial da Conferência Episcopal. O Correio de Venezuela trocou impressões com dois padres luso-descendentes com o objectivo de procurar conhecer as suas opiniões sobre este conflito que mais uma vez põe frente-a-frente o Governo e a Igreja. EDUARDO GONCALVES: "O CARDEAL FOI MUITO VALENTE" Para o pároco de La Candelaria, Eduardo Goncalves, as palavras proferidas pelo cardeal estão de acordo com o que foi defendido na exortação da 85ª Assembleia da Conferência Episcopal da Venezuela. "O cardeal disse o mesmo que está escrito no documento mas através de uma linguagem mais acessível ao povo, menos técnica", disse o prelado, sublinhado em seguida que, "como pastor da Igreja, o cardeal tem o direito e o dever de denunciar as injustiças no contexto e no lugar que considere mais apropriado". A reacção do Presidente Chávez não surpreendeu ao padre Eduardo Gonçalves, pois considera que a agressão é a ú nica arma de quem se sente sem razão. "O Presidente volta-se contra os que revelam verdades desfavoráveis ao seu governo. Sente-se no direito de ofender e insultar a todos os que não coincidem com os seus ideais. E isto não se passa apenas com a Igreja, senão com muitas outras instituições inclusivamente ao nível internacional", observou o pároco luso-descendente. Apesar das desqualificações de que foi objecto o cardeal Castillo Lara, o pároco

Padre Eduardo Goncalves

Padre Dionisio Gomes

considera que a trajectó ria deste representante da Igreja é inatacável, pois ocupou importantíssimos postos no Vaticano, para além de ter conhecido o comunismo na Europa. "A sua voz tem um peso ao nível internacional, porque é um nome com discernimento para opinar", lembra. Como disse o Papa João Paulo II, que foi um grande amigo do cardeal Lara, "os representantes da Igreja têm que dar a sua vida, o seu sangue e a sua voz pelo povo e o Cardeal assumiu com muita integridade estas missões". Para o padre Gonçalves, a atitude de Castillo é um exemplo de valentia e de entrega à verdade. "A mensagem que nos deixou é a de assumir com valor a justiça, a humildade e denunciar o que atente contra a paz", disse, concluindo que o cardeal "assumiu o profetismo da Igreja ao anunciar a boa nova e denunciando onde está o pecado".

da Divina Pastora. No entanto, para este jovem pároco, todos os venezuelanos têm o direito a expressar as suas opiniões de acordo com o que estabelece a liberdade de expressão e muito mais quando se trata de um pastor da Igreja. "Como representantes de Jesus no mundo, estamos obrigados a velar pelo bem-estar do povo e isso é o que fez o cardeal Castillo Lara ao denunciar aquilo que considerou necessário", explicou. A conferência Episcopal já o havia feito uns dias antes, lembrou, quando chamou a atenção para o "sofrimento da população venezuelana". O Presidente Chávez tornou pú blico o desejo de encetar um diálogo com a Igreja venezuelana, mesmo apesar de outros representantes do governo terem manifestado o seu desejo de levar até ao Vaticano uma carta contendo as críticas contra o trabalho de certos membros da Igreja. "Não acredito que essa carta possa causar alguma reacção do Papa Bento XVI pois sua Santidade está a par do que ocorre na Venezuela", declarou o pároco. Para além disso, prosseguiu, “ o cardeal Castillo sempre foi um homem muito equilibrado e o Papa sabe disso pois já trabalhou com ele". Dionísio Gomes defende que, apesar de todos estes incó modos, a chave necessária para se construir uma elação de

dioNisio Gomes: "Não disse Nada que já Não se teNHa dito" "O cardeal não disse nada que Igreja já não tenha defendido em várias ocasiões. Talvez o lugar não tenha sido o mais apropriado para se fazer essas denú ncias", comentou o padre Dionísio Gomes a respeito do discurso proferido na procissão


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Emigrante precisa de ajuda Trinidad Macedo

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Madeira é um pedaç o de Portugal onde nasceram homens e mulheres que souberam carregar as bandeiras do esforço e trabalho, do respeito e honestidade e espalharam as suas raízes pelo mundo. São pessoas que colheram êxitos, formaram família e fizeram fortuna através do cumprimento de tarefas e missões diárias da vida desde que emigraram da sua terra. Mas infelizmente temos de reconhecer que a vida nem sempre correu bem aos que partiram em busca da realizaç ão dos seus sonhos. João Rodrigues pertence a este segundo grupo. Emigrante natural do sítio do Livra-

João Rodrigues, natural do sí tio do Livramento, freguesia do Caniço, Madeira, e residente em Yaracuy, precisa de ajuda para passar os seus últimos dias num lar de idosos mento, freguesia do Caniço, concelho de Santa Cruz, este madeirense chegou à Venezuela a bordo do barco espanhol Auriga, no ano de 1957. Desde então, ou seja, passados 49 anos, nunca mais voltou à Madeira. Veio atrás da "carta de chamada" do irmão e viajou desde La Guaira directamente para o estado de Yaracuy. Entre lágrimas e sorrisos, João Rodrigues conta a grande anedota da sua vida, quando decidiu visitar a sua terra natal. Tinha toda a documentação e foi ao banco retirar as

poupanças mas encontrou este de porta fechada por motivos de falência, pelo que já não podia viajar… Depois veio a saber que caso tivesse conseguido embarcar teria viajado no avião que se despenhou no Aeroporto de Santa Cruz, na Madeira, em cujo acidente a maioria dos passageiros perdeu a vida… Este emigrante, um dos que fazem parte do êxodo português, contou que sempre trabalhou como condutor, profissão que o levou a viajar por toda a Venezuela mais de 20 anos, tempo durante o qual esteve ainda envolvido em negó cios nas estradas. Este tipo de actividade na berma da estrada, lembra, foram uma escola para muitos portugueses ao chegarem a este país. Nunca pensou a sério em formar uma família, facto que levou a que hoje se encontre sozinho e desprotegido. Actualmente, João Rodrigues tem 72 anos, 17 dos quais foram passados entre várias doenças. Já foi operado quatro vezes à pró stata, foi-lhe detectada uma infecção pulmonar com pneumonia cró nica derivada do excesso de tabaco. Também lhe diagnosticaram osteoporose. Por falta de recursos econó micos - já se esgotaram vive em condições bastante deprimentes e é atendido na "medicatura" pú blica de Gua-

ma, Edo-Yaracuy, onde reside. Em caso de uma urgência grave é transportado ao hospital geral de San Felipe. Mantém-se em contacto com a comunidade portuguesa escutando o programa de rádio "Así veo a Portugal", protagonizado pelo emigrante José Fernández. Foi através deste espaço que ficou a saber da existência, em Barquisimeto, de uma associação civil de caridade de portugueses do "Edo Lara" (ASOPRLARA), que ajuda de alguma maneira os necessitados. Apó s ter estabelecido contacto está a receber

uma colaboração mensal para os seus medicamentos. Quando recebeu a visita do Correio, João Rodrigues, afogado em lágrimas, pediu desesperadamente para o internar num lar para idosos onde possa ter atenção médica imediata e ter mais companhia durante o tempo que lhe resta de vida. Na actualidade, vive só com um sobrinho que é inválido e muito penosamente consegue sobreviver através de algum trabalho que ocasionalmente faz segundo as suas capacidades.


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Celebrar a tradição Noélia de Abreu

noeliadeabreu@gmail.com

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o pró ximo domingo, dia 29, decorre a Festa das Fogaceiras, no Centro Português de Caracas. Esta tradicional comemoração é realizada em honra de São Sebastião e os organizadores do evento agendaram para a capela do clube uma missa às 11:30 da manhã e, para depois, a realização da tradicional procissão com a imagem, nas instalações do Centro. Posteriormente, a comunidade poderá desfrutar de um almoço que será servido no Salão Nobre. Como sempre, o ambiente estará animado, estando tal tarefa a cargo do Grupo Folcló rico "Dos Pátrias", outro grupo de mú sica ligeira e de um mú sico que viajará como convidado desde Portugal. "O valor da entrada mais a publicidade permite-nos financiar os gastos da celebração. Até agora a festa não originou lucros mas também não provocou

O evento contará com presença do vereador das Obras Públicas, Saneamento e Ambiente da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira perdas e isso demonstra que temos sabido calcular bem as despesas", disse o presidente da Associação Civil Amigos da Terra de Santa Maria da Feira, Rodrigo Ferreira. A equipa de trabalho que acompanha Ferreira está composto por um tesoureiro e uma secretária, mais as 31 pessoas que colaboram em representação das 31 povoações do município de Santa Maria da Feira, região onde surgiu a tradição de celebrar esta festa que é assinalada pela Associação, que foi criada em 1999 para manter a celebração da data viva na Venezuela. Origens da CelebraçãO

Esta festa tradicional tem a sua origem no município de Santa Maria da Feira, concelho pertencente ao distrito de Aveiro, em Portugal continental, quando há 501 anos a peste estava dizimando os habitantes locais. Em 20 de Janeiro, dia de São Sebastião, a população pediu com veemência a este Santo para que acabasse com a praga que ameaçava acabar com as suas vidas prometendo festejar o seu dia anos apó s ano, para sempre, caso o favor lhes fosse concedido. Também ofereceram uma prenda, a qual se tratava de um pão a que chamavam fogaça. "A fogaça é um pão redondo e doce, com unos 20 cm de altura aproximadamente e sobre o qual se colocam quatro pontas que simulam as quatro torres do castelo de Santa Maria da Feira", explicou Ferreira, acrescentando que se passou a "fazer três fogaças que eram depois entregues ao clero, aos mais pobres e aos presos". Os organizadores deste

evento em Caracas não celebram a festa no dia 20 de Janeiro, pois esperam que a tradição seja celebrada primeiro em Portugal de modo a que seja possível vir um representante do município às festas organizadas pela comunidade luso na Venezuela. Desta feita a comunidade vai receber o vereador das Obras Pú blicas, Saneamento e Ambiente da Câ mara Municipal de santa Maria da Feria,

Emídio Sousa. Para além de festa propriamente dita, todos os anos os organizadores do evento prestam homenagem a um feirense radicado na Venezuela que se tenha destacado meritoriamente e pela colaboração com a comunidade. Este ano o reconhecimento coube a Fernando Santos dos Santos, pelo seu louvável contributo dado durante os 33 anos de trabalho na rádio.


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À beira-mar plantado siões, máxima autoridade municipal de Tondela e governador do Porto e de Braga, para além ardim da Europa de desempenhar o cargo de seà beira-mar plan- cretário-geral do governo da Í ntado". Nove de ca- dia, experiência que lhe permitiu da dez portugue- escrever, por exemplo, "A Indiases sabem de cor esta frase. Um na", drama teatral, e "Jornadas", de cada dez talvez saiba o nome dois volumes de narrativas de do autor. Provavelmente, porque viagens. estas coisas das estatísticas a marCom a informação anterior, telo têm muito que se lhes diga. estamos a dizer que, para além "Jardim da Europa à beira-mar de político, foi igualmente um plantado" é o primeiro verso da homem virado para as letras, terceira estrofe do poema D. Jai- chegando mesmo a ser Presime (1862), cujo autor responde dente da Classe de Letras da Repelo nome de Tomás Antó nio al Academia das Ciências de LisRibeiro Ferreira. boa. Contudo, seria com a publiTomás Ferreira nasceu em cação do poema D. Jaime (1862), 1831, em Parada de Gonta, te- o mesmo onde aparece esse farrinha difícil de localizar, para lá mosíssimo verso, que Tomás Ridos lados da Beira Alta - mas que beiro ganharia dimensão digna já aparece nas Inquirições de D. de registo, ao ponto de que outro Afonso Henriques - e faleceu em poeta, Antó nio Feliciano CasLisboa, no começo do século tilho, lhe ter rendido tributo sinXX, mais concretamente no ano gular, chegando a colocar o tade 1901. lento do autor, então um jovem Advogado de profissão, dedi- de 32 anos, acima de... Camões! cou-se durante pouco tempo ao Excesso tamanho não passaria direito, porque preferiu desen- despercebido de outros intelecvolver-se no terreno da política, tuais da época e foi um dos insendo ministro em várias oca- gredientes que originaram e deJoão da Costa Lopes

jdcosta_99@yahoo.com

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ram sabor à tão badalada "Questão Coimbrã". Como se recordarão, nesta incendiária batalha intelectual, que se alongou durante meses e enfrentou os ultra-româ nticos com os jovens estudantes da Universidade Coimbra, defensores da tese, para então chocante, do compromisso social do escritor como forma de estar na vida e na escrita, estavam, de um lado, Antero de Quental e Teó filo de Braga, entre outros, e do outro, empunhando a pena por Castilho, polemicavam, e não só s, Ramalho Ortigão e Camilo Castelo Branco. Por certo, o autor de "Amor de Perdição" era igualmente um admirador de Tomás Ribeiro, e dizia do autor de D. Jaime que "agitou as cabeças sonolentas de milhares de leitores" e que "pelas idades fora, se ainda houver portugueses, o poema de Tomás Ribeiro será um grito de alarme; se os não houver, será uma saudade para os netos dos que ainda conheceram a Pátria". O autor do verso corresponderia ao rasgado elogio dedican-

do-lhe "Dissonâ ncias" e apoiando-o em vários momentos difíceis da sua vida, e chegando ao ponto de afirmar que o poema tinha feito "tempestades no mar morto da literatura". Jardim da Europa à beira-mar

plantado é sem dú vida o que ainda nos toca mais de perto na obra de Tomás Ribeiro, mas também lhe devemos, entre outros, os textos, "A Delfina do Mal", "Sons que passam" e "Dissonâ ncias".

Um venezuelano apaixonado pelo fado Tábita Barrera

tababor@cantv.net

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mú sica tradicional portuguesa encontra-se amplamente difundida e representada em quase todos os cantos da Venezuela. O fado, ainda que em menos dimensão, é também uma expressão artística que nos ú ltimos anos tem sido bem aceite pelos jovens talentos luso-descendentes que interpretam este genro musical, acompanhados inclusivamente por pessoas que não têm vínculos directos com a comunidade lusa. Tal é o caso de Simó n Calero, que actualmente é o guitarrista da jovem fadista luso-venezuelana Liliana de Farías. Desde muito pequeno que começou a tocar "cuatro" (instrumento musical venezuelano de quatro cordas) e depois se dedicou por inteiro à guitarra. Estudou no colégio "Nuestra Señora de Fátima", onde o director, David Pinho, o iniciou nas tradições portuguesas. Foi ao vê-lo tocar certo dia no pátio do colégio que Pinho achou que tinha um bom domí-

O guitarrista venezuelano Simón Calero está satisfeito com o percurso iniciado no mundo do fado e planeia continuar a melhorar a sua prestação neste género. nio do instrumento e decidiu convidá-lo para tocar com ele em algumas igrejas e depois no Centro Português de Caracas. O Fado era um género desconhecido, assegurou Calero. No entanto, foi aprofundando os seus conhecimentos sobre a cultura portuguesa apesar de os seus pais serem venezuelanos e ele também. O interesse que vinha demonstrando pelas coisas lusas, graças a David Pinho, cresceu quando Liliana de Farías, apó s o ter ouvido interpretar com a guitarra várias canções venezuelanas e portuguesas, decidiu convidá-lo para tocar com ela. Simó n Calero aceitou a pro-

posta e desde Julho de 2005 que se encontram na realização de vários projectos em conjunto. Também faz parte do grupo musical "De Cinco en Quinta", conjunto encarregue de interpretar "ensambles" académicos com guitarra eléctrica e com tendência de jazz. Calero tem planos a solo na área do "heavy metal", mas entre as prioridades encontra-se actualmente o seu trabalho com o Fado, o qual, confessa, vai "de vento em poupa". "Estou encantado com este género e dou-me muito bem com a Liliana. A nossa relação musical é excelente, eu faço os arranjos na guitarra tradicional e estou aprendendo a tocar a guitarra de 12 cordas. Temos uma boa comunicação", acrescenta, esclarecendo depois que "ela está encarregada das vozes e da flauta". Várias coisas foram incorporadas por ambos ao fado, "como jogos de melodia com flauta e guitarra e rasgos de flamengo", conta, ressalvando que estas experiências estão sempre dentro dos "parâ metros. O que se pre-

tende é inovar, mas sem a perda da essência", sublinhou Calero. Aos 20 anos de idade, o guitarrista venezuelano deseja desenvolver-se ao máximo na área musical. É por isso que está a frequentar o 3º Ano de guitarra clássica no Conservató rio Pedro Nolasco Coló n e pratica constantemente com o instru-

mento para aumentar a sua experiência e tornar-se cada vez mais capaz. Confessa sentir-se orgulhoso da comunidade lusa devido ao grande trabalho que os seus membros têm desempenhado ao longo do tempo e faz questão de agradecer a oportunidade que lhe foi concedida para partilhar dos seus costumes.


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Um grande flautista com sangue lusitano Huascar Barradas converteu-se num dos grandes músicos venezuelanos da actualidade. A sua música encanta e apaixona um público tão distinto como as notas que emergem da sua flauta, a inseparável amiga. Eu só recordo que quando me perguntaram o que queria tocar eu ter dito logo Lilianadasilva19@hotmail.com de seguida que era flauta. Estava escrito no meu destino. A flauta foi e é a minha ncantador do vento" é bola de futebol ou a minha raquete de téapenas um dos muitos nis de outras crianças. Continua sendo o epítetos honrosos que o meu principal meio de diversão. mú sico Huascar Barradas ostenta apó s ter conseguido conquistar – Sempre pensou que seria esta a um importante "trono" no rol dos novos sua profissão para o resto da vida? talentos musicais da Venezuela. Não. Eu inclusivamente cheguei a penJá actuou em inú meros palcos: Vene- sar em estudar veterinária ou agronomia. zuela, Estados Unidos, Japão, Alemanha, Mas foi ao tirar o bacharelato que me ofeFrança, Inglaterra, Canadá, Espanha, Sui- receram uma bolsa de estudo que mudou ça, Turquia, Colô mbia, Itália, Martini- a minha vida. Estive estudando seis anos ca, Aruda e El Salvador. nos Estados Unidos e depois tirei uma Representou a Venezuela em impor- pó s-graduação na Alemanha durante cintantes certames musicais como o Festival co anos. Há coisas que te acontecem que "Radio France et Montpellier", Festival só podes compreender com o passar do Europeu de Flauta de Frankfurt, Expo- tempo. A mim puseram-na na terra para Hannover 2000, entre muitos outros, re- alegar corações através da minha mú sicebendo em cada uma das participações ca. Eu tive o gosto de me dar conta disso imensas ovações que brotam do senti- desde muito cedo e isso me ajudou a conmento e da emoção que as suas virtuosas centrar-me na mú sica. notas conseguem provocar nos seus ouvintes. São mais de 30 anos dedicados a – A sua vida tem sido cheia de reapaixonar através de um talento ímpar conhecimentos. No entanto o que é aqueles que tropeçam nos seus trabalhos que mais o preenche como artista? musicais. A mim parece-me maravilhoso que as pessoas ocupem parte do seu tempo para – Quando nasce a paixão pela mú - ir a um concerto a escutar alguém, para sica e mais concretamente pela flauta? aplaudi-la, gritar-lhe, enquanto dançam, Desde muito pequeno. Tudo aconte- sorriem, fiquem melancó licos e tristes ceu de uma forma muito natural a partir devido ao som de uma flauta. É um sendo momento que fui inscrito formalmente timento e satisfação muito grande aquele no Conservató rio de mú sica José Luís que é providenciado durante as duas hoPaz de Maracaibo, aos 9 anos de idade. ras de concerto, o poderes brindar-lhes Liliana da Silva

"E

um momento especial as suas vidas e que elas te deixem acariciar os seu ouvidos com a minha mú sica. – No seu já longo percurso, qual é o concerto que recorda com mais emoção? Muitos. Cada concerto celebra uma situação particular. Uma vez na Turquia, todos os homens começaram a bailar e brincar no meio do concerto ou em Barquisimeto onde as pessoas cantaram o meu nome bem alto para que os deixassem entrar no recinto que estava sem lugares vazios. Há muitos episó dios inesquecíveis. – Na Venezuela os mú sicos independentes como você não tem gozado de muita atenção, no entanto com Huascar Barradas passa exactamente ao contrário. O que é que contribuiu para o seu grande êxito? A disciplina, a persistência, a ética de trabalho e sobretudo não deixar de sonhar. Com talento mas sem disciplina não se chega a lado nenhum. – Barradas é um apelido português. Teve contactos com essa cultura? Sim, investigamos e sabemos que o nosso apelido é português, oriundo de um lusitano aventureiro que chegou a Barquisimeto há muitos anos e se apaixonou destas terras e aqui estão os seus descendentes "na sua peugada".

– Já esteve em Portugal. Qual foi a sua experiência por essas terras? Estive no Porto durante três dias. As pessoas são super simpáticas e a comida é uma delícia. Fiquei encantado. Nunca toquei em Portugal, apesar de já me terem feito algumas propostas. Gostava de conhecer Lisboa. Nos ú ltimos anos desenvolveu-se um movimento musical e cultural muito importante em Portugal, isso é uma realidade. E eu escuto todo o tipo de mú sica e tenho gravações de diferentes artistas portugueses. Agora há uma pianista clássica muito importante, a Maria João Pires, uma das melhores do mundo que admiro muito. – Com a sua flauta tem interpretado diferentes estilos musicais, já pensou em tocar fado? Encanta-me experimentar. Não por isso não estranhes que no futuro venha a encontrar um CD meu contendo sons de fado emitido através da minha flauta mas também misturado com rasgos de "cumaco" venezuelano. – Que podemos esperar mais de Huascar Barradas no futuro? Continuar trabalhando para dar à mú sica venezuelana um lugar especial no mundo inteiro. Depois continuar criando, compondo, ensinando, e sobretudo seguir crescendo como ser humano para contribuir com o meu "grão de areia" para tornar este planeta melhor, onde possamos viver todos em paz e harmonia.


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Flor Elena muda de canal Carlos Orellana

corellanacorreio@hotmail.com

F

A actriz luso-descendente vai fazer a vida impossí vel aos protagonistas do novo drama a estrear na Venevisión

minha vontade e o meu desejo por fazer as coisas cada vez melhor. É só uma oportunidade para trabalhar com outras pessoas e continuar crescendo ao nível profissional.

lor Elena González regressa ao género dramático e desta feita para trabalhar no canal Venevisió n, onde vai personificar a vilã"Esther Desde então este canal tem sido Miralles" na telenovela "Que- a sua segunda casa. Neste sentirendones". do, recorde-se que já contrace-

A actriz luso-descendente partiu assim para outro projecto logo apó s ter participado em "Mujer con Pantalones", telenovela em que protagonizou as gémeas "Candelária" e "Zulay" e continuado com as suas actividades teatrais com a realização da obra "Violentos". O pai de González é natural da freguesia de Câ mara de Lobos, Madeira, que casou com uma Venezuela depois de se radicar neste país. Com mais de 30 anos de carreira, a actriz efectuou um percurso cujo início foi marcado, aos dez anos de idade, pela presença num espectáculo chamado "Domingos de Popy". Mais à frente chegou a oportunidade para entrar no mundo das telenovelas. A primeira foi "Maria Soledad", que contou, entre outros protagonistas, com Lupita Ferrer e Jorge Palacios. González trabalhou no canal do Estado durante 13 anos. Depois mudou-se para a Venevisió n para um ano mais tarde se estrear na RCTV com aura de estrela em "Por estas Calles".

nou em mais de 60 telenovelas, participou em anú ncios de televisão e, para além disso, participou em projectos de cinema brasileiro e italiano. O arranque da carreira foi também marcado por produções como "La Dueña", "Doña Perfecta" e "El hombre de hierro", entre muitas outras. Mas foi o personagem de "Maigualida Cazado", interpretada em "Por estas Calles", que lhe deu a oportunidade de receber os melhores comentários do meio artístico sobre o seu trabalho. Apó s o primeiro trabalho na RCTV seguiram-se excelentes participações em produções como "Amores de fin de siglo", "Cambio de piel", "Mis Tres Hermanas", "La Soberana", "Juana, la Virgen", "La Cuaima" e a mais recente "Mujer con Pantalones". A respeito do começo da carreira, a actriz comentou que não foi nada fácil convencer o homem da casa a deixá-la trabalhar em televisão. "O meu pai não queria que eu estivesse ligada ao meio artístico. Foi a minha mãe

– Pode descrever a sua personagem na nova telenovela da Venevisió n? Será apresentada uma comédia de uma maneira original dentro do personagem que interpreto. Serei a vilã, a má da fita, da histó ria. O meu nome será Esther Miralles. Uma mulher inteligente que vai estar ligada directamente aos personagens principais. Vou estar no centro da trama principal e terei verdades e segredos dos protagonistas centrais. Isto dá bastante responsabilidade à trama e à minha personagem e a mim também como intérprete. que fez grandes esforços para convencê-lo", conta, explicando que tal foi conseguido "com o tempo, pois começou a levar-me às gravações pois era menor e não podia ir sozinha. Mas sempre o respeitei e admirei até o dia da sua morte". - O que é que ficou da sua interpretação em "Mujer com pantalones"? Os "pantalones" (calças, em português). Acho que os vestidos estão muito mais caros (so-

rrisos)… Penso que as mulheres têm os "pantalones" bem postos, já que somos capazes de assumir desafios. Considero que o facto de sermos mãe e esposa é um caso de uma mulher com "pantalones". – Um novo projecto com outro canal depois de tantos anos na RCTV. Qual é carta que tem na manga? Não há nenhuma carta. Não há segredos nem nada escondido. Tudo o que tenho é o que as pessoas sabem: o meu talento, a

– Em que ponto ficou a sua relação com a RCTV? Excelente! Tudo o que fizemos ali foi muito bom para ambas as partes. Tivemos triunfos, coisas de muito êxito. Simplesmente sai porque me ofereceram este projecto e como não tinha contrato com a RCTV aceitei porque a proposta que me fizeram na Venevisió n é boa e isso é fruto de todo o trabalho que venho realizando até ao momento na minha profissão. No entanto, não posso descartar a possibilidade de um dia voltar àquela casa.

"Sonera 105.9" dedica espaço aos portugueses Carlos Orellana

corellanacorreio@hotmail.com

A "Sonera 105.9FM" é uma frequência popular com sede no estado de Aragua que possui ouvintes que se estendem até às regiões de Miranda, Carabobo, Guárico, Vargas e Yaracuy. Conta com a colaboração de Alexander Martins, luso-descendente filho de pais naturais da freguesia de Santo Antó nio, Madeira. "A emissora inclui mú sica portuguesa na sua programação regular, mas tem um espaço exclusivamente dedicado à mú sica lusitana entre as seis e as oito da noite de todos os domingos", disse Alexander Martins. O programa chama-se "Rit-

A emissora de rádio dedica todos os domingos um espaço para a cultura portuguesa, através do programa "Ritmo Lusitano" mo Lusitano" e, para além de divulgar mú sica portuguesa, conta também com informação sobre assuntos lusos, tanto os daqui como os de lá, acrescentou o interlocutor ao Correio. "Leio sempre informação relevante sobre Portugal e da comunidade portuguesa residente na Venezuela, citando o Correio de Ve-

nezuela, a RTP e informação desportiva diversa", explicou. Um dos seus principais objectivos é apoiar artistas portugueses e luso-descendentes radicados na Venezuela. "Aqui entrevistamos muitos artistas da comunidade, inclusivamente o que estão na televisão venezuelana", disse, revelando que a rádio vai entrevistar o Quim Barreiros, aproveitando a sua pró xima deslocação à Venezuela. Alexander Martins é o ú nico português daquela rádio, que possui um conteú do musical diverso, desde o fado à mú sica folclore. Mas no programa dedicado aos portugueses "a atenção é posta nos temas que os emigrantes lusos querem ouvir. Essas melodias muito apreciadas co-

mo são as canções de Amália Rodrigues, Jorge Ferreira, Quim Barreiros, Roberto Leal, Carlos Kanto, Reinaldo Rey, Marilyn Silva, Star Ligth, entre muitos outros igualmente admirados pela nossa comunidade", destaca. Entre os projectos para 2006, adiantou a este semanário o ob-

jectivo de estender a rádio ao nível nacional através de outras emissoras espalhadas pelo país. "Já há conversações em Barquisimeto e em Los Teques", disse, deixando para outra altura a divulgação de mais pormenores sobre a meta traçada.


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18 MADEIRA

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Calheta

Dados de interesse:

onde o sol é rei… Raul Caires

rcaires@dnoticias.pt

O

concelho da Calheta, a Oeste da ilha da Madeira, é o mais extenso da Região, em área. Composto por oito freguesias - Calheta, Estreito da Calheta, Arco da Calheta, Fajã da Ovelha, Ponta do Pargo, Prazeres, Paul do Mar e Jardim do Mar - é uma das zonas mais procuradas por quem quer passear, fazer praia, retemperar forças. A população madeirense tende a escolher a Calheta para passear ou passar uns fins-de-semana diferentes, sobretudo durante a época de Verão. É também um dos concelhos mais procurados por quem quer comprar um terreno para uma casa de férias. É quente - o mais quente da Madeira - e vale bem a pena visitar. A freguesia da Calheta sofreu grandes modificações nos ú ltimos anos e tem, actualmente, a ú nica praia de areia artificial da ilha. Fica localizada pró xima do porto de recreio, outra das infra-estruturas relativamente recentes, e tem uma zona de solário com cerca de 7.300 metros quadrados. É, por isso, um dos principais pó los de atracção, quer para locais, quer para turistas. A praia e o porto de recreio propiciam momentos agradáveis, complementados por alguns restaurantes e bares, onde os petiscos à base de peixes e

O concelho da Calheta, na Costa Oeste da Madeira, é o mais solarengo dos 11 concelhos da Região Autónoma da Madeira. É muito visitado, quer por locais, quer por turistas, e oferece belas paisagens, do mar à serra. mariscos são muitos. É, por isso, uma das freguesias mais visitadas no Verão. Mas a Calheta não é a ú nica freguesia onde é possível desfrutar do oceano. Paul do Mar e Jardim do Mar, duas pitorescas localidades, fazem as delícias dos que as visitam pela primeira vez e encantam sempre aqueles que já as conhecem. Localizadas bem pró ximas uma da outra, têm a particularidade de oferecer boas ondas aos surfistas e são mesmo consideradas das melhores da Europa. As praias são de calhau, mas para os que não apreciam muito estender a toalha em cima de um conjunto de pedras, existem plataformas em cimento que servem para o efeito. São zonas piscató rias e por isso, em termos de gastronomia, é mais uma vez o peixe fresco que ganha… São os locais ideais para quem quiser retemperar energias. Depois, lá bem mais para ci-

ma, a Ponta do Pargo. É a freguesia mais a Oeste da costa Sul da ilha. Fica situada no alto de rochas sobranceiras ao mar, formando em parte uma pitoresca planície. Reza a histó ria que a Ponta do Pargo foi baptizada com este nome devido ao facto de os primeiros colonizadores terem pescado um pargo, ao contornarem aquela zona. É ali que está situado o farol mais alto de Portugal. Entrou em funcionamento a 5 de Junho de 1922. A torre tem 14 metros de altura e está a 312 metros de altitude. É um dos pontos mais visitados da localidade. A freguesia dos Prazeres é outra das atracções do concelho. Ali pode visitar-se a sua igreja histó ria e a já famosa Quinta Pedagó gica, onde é possível saborear um reconfortante chá, feito a partir de plantas cultivadas no pró prio local, onde existe ainda um sem nú meros de ervas aromáticas. Podem ainda provar-se outras iguarias caseiras, como doce feito a partir dos mais diversificados frutos. A Quinta tem também muitos animais. O contacto com a Natureza, com os campos de cultivo de batata-doce ou de trigo, entre outros, não podia ser mais revigorante, sobretudo para quem está habituado a viver em ambientes mais agitados. A Fajãda Ovelha, outra das pérolas da Calheta, tem uma paisagem deslumbrante e prende as atenções de qualquer viajante, que mais uma vez tem

nesta freguesia um contacto muito pró ximo com a Natureza. Para além da paisagem, há também que desfrutar do patrimó nio arquitectó nico, que mostra um pouco da histó ria da freguesia. O mesmo se pode dizer das freguesias do Arco da Calheta e Estreito da Calheta. São freguesias nas quais a Natureza é rainha e a calma impera. Comum a todo o concelho é a possibilidade de realizar inú meros passeios a pé, por veredas e levadas muito procuradas, sobretudo pelos turistas, que em regra escolhem a Madeira pela sua paisagem. O mar e a serra estão, neste concelho, interligados de tal forma que não deixam ninguém indiferente. Existem ainda alguns pontos de interesse a nível cultural, como a premiada Casa das Mudas, na freguesia da Calheta, ou os engenhos de açú car, onde se produz o famoso bolo de mel, que faz grande sucesso entre madeirenses e turistas. O turismo rural é ponto assente por estas paragens e em todas as freguesias é possível encontrar um sítio bem aconchegante para ficar. Os hotéis são outra hipó tese, e existem alguns considerados muito bons para quem preferir este tipo de acomodação. Com as novas vias de acesso, construídas ao longo da ú ltima década, chegar à Calheta deixou de ser complicado, tornando-se mais fácil aproveitar tudo o que o concelho oferece.

• O Concelho da Calheta é o mais extenso de todos os concelhos do Arquipélago: Abrange cerca de 116 quilómetros, o que corresponde a 15 por cento da superfície total da ilha da Madeira. Situado entre o Sul e o extremo Oeste da Ilha, foi um dos primeiros a ser povoado. O concelho é composto por oito freguesias e tem cerca de 11.900 habitantes • O feriado Municipal comemorase a 24 de Junho, dia de São João. É neste período que se realizam as Festas do Concelho, e durante uma semana são dinamizadas diversas actividades de índole lúdica, cultural e desportiva. • O facto de o concelho abranger uma enorme extensão que se estende do mar à serra faz com que os passeios a pé sejam a melhor maneira de admirar a paisagem. Existem muitos percursos demarcados para o efeito: Rabaçal • - Lagoa do Vento - Risco - 25 Fontes é um dos percursos mais conhecidos, mas existem outros como Paul do Mar - Fajã da Ovelha; Do Salão do Cabo - Ponta do Pargo; Levada Nova - Lombo do Salão - Prazeres; Jardim do Mar Hotel "Jardim Atlântico", etc. • Há ainda muitos miradouros dos quais é possível apreciar paisagens de cortar a respiração: Miradouro Achada de Santo Antão (Arco da Calheta); Vista Panorâmica do Ponto (Calheta); Miradouro do Sítio da Parreira (Prazeres); Miradouro do Jardim do Mar; Miradouro do Fio, Zimbreiros (Fajã da Ovelha); Miradouro do Farol (Ponta do Pargo), entre muitos outros. • A casa das Mudas é um dos pontos obrigatórios a visitar na freguesia da Calheta. O edifício já ganhou vários prémios arquitectónicos e é dado pelos especialistas como um exemplo para o país. • Nos engenhos da Calheta, pontos de visita obrigatórios, é possível provar e adquirir poncha, aguardente velha e mel de cana são algumas das iguarias produzidas. Podem ser visitados e existem salas de prova.


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PORTUGAL 19 BREVES Polí cia morre ao socorrer jovem

Cartão Jovem Emigrante lançado em Fevereiro Lusa/MCL

O

s jovens emigrantes portugueses vão poder beneficiar, a partir de Fevereiro, de descontos nas pousadas de juventude portuguesas, cinemas e teatros, através do Mega Cartão Jovem Emigrante, anunciou, no passado dia 17 de Janeiro, o secretário de Estado das Comunidades. "Através de um protocolo com a secretaria de Estado da Juventude vamos estender as regalias do Cartão Jovem aos jovens das comunidades portuguesas residentes

no estrangeiro", disse Antó nio Braga. De acordo com o secretário de Estado, um dos objectivos desta iniciativa é "dar os mesmos benefícios de que gozam os jovens portugueses residentes em Portugal aos que residem no estrangeiro". "É uma questão de respeito pelos princípios de cidadania e de igualdade", acrescentou. Criado pela secretaria de Estado das Comunidades, o Mega Cartão Jovem Emigrante deve ser colocado no mercado em finais de Janeiro ou princípio de Fevereiro, segundo o titular da pasta da Emigração.

Destinado a jovens dos 12 aos 30 anos, o cartão oferece vantagens na utilização de serviços da TAP ou da Caixa Geral de Depó sitos e reduções nas Pousadas da Juventude, nos transportes, em espectáculos e em eventos desportivos. "O Mega Cartão Jovem Emigrante poderá ser simultaneamente um cartão multibanco, se os jovens assim preferirem", indicou ainda Antó nio Braga. Os jovens interessados podem obter o Mega Cartão Jovem- Emigrante nos balcões da Caixa Geral de Depó sitos - se pretenderem que seja multibanco - ou nos consulados.

Luso-americano suspeito de auxílio à imigração ilegal sado proprietário na Nova Inglaterra de dez estabelecimentos comerciais da cadeia Dungentes dos serviços kin´Donuts, uma rede nacional de fronteiras dos Es- de refeições rápidas. tados Unidos detiO empresário e a filha são veram sexta- feira, suspeitos de ter explorado labo21 de Janeiro, no estado de Con- ralmente duas centenas de pesnecticut um luso-americano e a soas aliciadas em Portugal para filha por suspeita de auxílio à trabalharem nos seus restauranimigração ilegal. tes. José Calhelha, de 46 anos, e Os empregados receberiam sua filha Diana, de 22 anos, são 250 dó lares (206 euros) por 85 suspeitos de "encorajar a imi- horas semanais de trabalho. gração ilegal, dar guarida a imiO ordenado mínimo no estagrantes ilegais, proporcionar-lhes do de Connecticut é de 7.40 dó emprego, transporte e docu- lares por hora numa semana de mentação falsa". 40 horas, o que totaliza 296 dó Calhelha foi até ao ano pas- lares (243 euros), devendo as hoLusa/MCL

A

ras suplementares ser pagas a tempo e meio. José e Diana Calhelha compareceram sexta-feira perante a magistrada federal Joan Margolis, em New Haven, estado de Connecticut, tendo-se declarado inocentes. A juíza ordenou a retenção dos seus passaportes e proibiuos de viajar para fora da jurisdição do estado de Connecticut, onde residem. A magistrada, que fixou a caução de José Calhelha em 3,5 milhões de dó lares (2,9 milhões de euros) e a de Diana Calhelha em 25.000 dó lares (21.000 euros), deixou os suspeitos sair em

liberdade depois de terem depositado, respectivamente, 1,5 milhões de dó lares (1,2 ME) em dinheiro e garantias de 25.000 dó lares. As acusações que pendem contra José Calhelha têm uma pena máxima de 70 anos de cadeia e multas de 1,75 milhões de dó lares (1,44 ME). Diana Calhelha poderá incorrer em 20 anos de cadeia e 500.000 dó lares (412.000 euros) em multas. Segundo o procurador da Justiça, o empresário luso- americano vendeu o ano passado os seus estabelecimentos por 11 milhões de dó lares.

Um agente da PSP morreu no domingo, dia 22 de Janeiro, depois de socorrer na Avenida 24 de Julho, em Lisboa, um indivíduo que caiu para os carris quando saltava a vedação de protecção da linha ferroviária. Em comunicado, o Comando Metropolitano de Lisboa (COMETLIS), refere que o acidente ocorreu pelas 06:35 e envolveu outro polícia, da esquadra de Belém, que sofreu vários traumatismos, mas está livre de perigo, encontrando-se ainda internado no hospital de S. José, em observação.

Abalo em Espanha sentido em Portugal Um sismo com epicentro em Espanha e magnitude 4,1 na Escala de Richter fez-se, domingo, 22, à tarde, sentir em Portugal, especialmente na região de Elvas, mas se provocar vítimas ou danos, revelou o Instituto de Meteorologia. O epicentro do sismo localizou-se a 56 quilómetros a Sudoeste de Mérida, uma cidade do Sul de Espanha. Na região de Elvas, o sismo registou a intensidade máxima III/IV na Escala de Mercalli Modificada.

Leixões bate recorde em 2005 O Porto de Leixões superou os 14 milhões de toneladas de mercadorias movimentadas em 2005, registando o maior volume de cargas e descargas de sempre, indicou a administração do porto, em comunicado emitido na segunda-feira, dia 23. O volume de mercadorias movimentadas cresceu 3% face a 2004, quando foram movimentados cerca de 13,7 milhões de toneladas. O Porto de Leixões também destaca o aumento do número de contentores movimentados, cerca de 5 mil, para um total de 233.294, correspondentes a 352 mil TEU's (unidade padrão para um contentor de 20 pés).


20 PORTUGAL

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Segurança Social está em crise Se em Portugal um pensionista recebe no máximo 92% do que auferia no activo no Luxemburgo a pensão é igual ao ordenado Miguel Fernandes Luí s e Rosário Martins (DN - Madeira)

O

s gastos com os sistemas de protecç ão social em Portugal representavam, em 2002, 25,4 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), quando os 25 estados-membros da UE despendiam, em média, 27,7 por cento do PIB para a mesma finalidade. Se for tido em linha de conta o poder de compra relativo em cada país, Portugal é mesmo um dos países da UE que menos investe per capita na protecção social. Atrás do nosso país estão apenas oito novos estados-membros - Malta, Repú blica Checa, Hungria, Poló nia, Eslováquia, Letó nia, Estó nia e Lituâ nia. Estes dados, que constam de um estudo comparativo divulgado recentemente pelo instituto comunitário Eurostat, espelham a pouca eficácia e o desequilíbrio do sistema português, que, mesmo sem absorver os níveis de verbas de outros sistemas europeus, constitui uma dor de cabeça para as contas pú blicas nacionais. Curiosamente, o país da UE que mais investe na protecção social tem uma vasta comunidade de emigrantes portugueses - o Luxemburgo. Neste caso, a grande fatia de gastos vai para cuidados de saú de, pensões e comparticipações às famílias. O generoso sistema luxemburguês tenta atingir dois grandes objectivos: reduzir a pobreza e garantir a todos um nível suficiente de rendimentos. Um regime de rendimento mínimo garantido assegura um montante básico às pessoas que não têm direitos de pensão adequados nem outros recursos. Para uma pessoa que viva só a verba mensal mínima é de 942 euros. A outro nível, as condições dos reformados no Luxemburgo são quase idênticas às da população activa, pelo que os idosos não correm maior risco de pobreza do que as outras pessoas. O regime geral, em que se integram os trabalhadores do sector privado, prevê a atribuiç ão de uma pensão de quase 100 por cento do rendimento anterior à reforma a um trabalhador que ganhe o salário médio, ao fim de 40 anos de contribuição. O sistema garante uma pensão mínima de 1.190 euros com a carreira contributiva completa (40 anos). Em Portugal, pelo contrário, um pensionista recebe, no máximo (aplicável aos rendimentos mais baixos), 92% do valor do seu ordenado. E se o Governo considera que o sistema de segurança social português pode entrar em ruptu-

ra em 2015, no caso luxemburguês não se adivinham dificuldades de sustentabilidade até ao ano 2050, embora esta previsão se baseie no pressuposto da manutenção da taxa anual de crescimento econó mico de 4 por cento e no afluxo contínuo de trabalhadores estrangeiros. De sublinhar ainda que o regime geral de pensões é financiado através de uma contribuição de 24 por cento sobre os salários, que é paga em partes iguais pelos empregadores, pelos trabalhadores e pelo orçamento de estado luxemburguês. O exemplo do Luxemburgo não reflecte, contudo, a realidade dos sistemas de segurança social da UE. Aliás, a generalidade dos estados-membros experimentam as mesmas dificuldades de sustentabilidade financeira que Portugal sente neste momento. Porque a esperanç a média de vida aumentou, a taxa de natalidade diminuiu e as políticas de emprego favoreceram as reformas antecipadas, as contribuições da população activa começam a ser insuficientes para cobrir as verbas a pagar aos reformados e pensionistas. Muitos dos países que se vê em confrontados com este problema têm introduzido medidas para reequilibrar o sistema, sem nunca o pô r em causa. O retardamento da idade da reforma tem sido uma das soluções propostas. Actualmente, nenhum estadomembro da UE tem uma idade legal de reforma superior a 65 anos, exceptuando a Dinamarca (67 anos). Mas há vários países que estudam a subida da idade da reforma. Na Alemanha, o governo liderado por Angela Merkel anunciou a necessidade de se estabelecer a idade da reforma nos 67 anos (uma meta a atingir no ano 2012). O prolongamento da vida activa até aos 67 anos também é sugerido em Espanha pelo governo de José Luís Zapatero, a par das restrições às reformas antecipadas, visto que se prevê que o sistema seja deficitário em 2015. No Reino Unido, o governo de Tony Blair encomendou um estudo de revisão da Segurança Social, o qual concluiu pela necessidade de alongar a vida laboral até aos 68 anos, no mínimo. No entanto, o caso britâ nico é muito específico, visto que a maioria dos sistemas de pensões são garantidos por fundos privados ou mutualistas e a componente pú blica é mínima. Apesar das discrepâ ncias entre os dois sistemas, a opção por um sistema misto (pensão garantida pelo Estado em paralelo com descontos pa-


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22 OPINIÃO

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A pró xima vítima... Antonio Carlos da Silva F.

axedrezado@gmail.com

N

ão vou falar da famosa telenovela brasileira que cativou milhares de telespectadores tanto em Portugal como aqui na nossa Venezuela. Não. Nó s, os amantes do futebol lusitano, assistimos com muita tristeza ao desenrolar de uma situação que, apesar de já ter sido alertada há mais de dez anos por diversos dirigentes desportivos e jornalistas, nunca foi corrigida, e a suas consequências começaram a aparecer em força. Campomaiorense, Alverca, Salgueiros e Farense, clubes que recentemente andavam pelos palcos primo divisionários, e no caso dos dois ú ltimos emblemas, instituições histó ricas do futebol luso, com presenças de dezenas de anos na categoria principal, representantes de Portugal nas provas da UEFA e com massas associativas importantes, suspenderam a prática do futebol profissional, sendo assim atirados para as provas amadoras dos distritais, apó s terem sido devorados pela falência. O Estoril e o primo divisionário Vitó ria de Setú bal, estão com "a corda na garganta", afogados em dívidas e problemas de ordem financeira, e sob a ameaça dos plantéis entraram em greve imediata por causa de salários em atraso. O que está acontecer no futebol português? No passado mês de Novembro co-

mentava um atento leitor do "Correio de Venezuela" que se encontrava espantado pela pobre prestação do principal clube algarvio que milita na IIIª Divisão Nacional, Série F. Na altura, o Farense contava por derrotas todos os jogos disputados e já tinha sofrido mais de trinta golos! A explicação para tão desastrada campanha não deixa de ser também caricata: o Farense teve de recorrer a elementos da equipa jú nior, que estavam a participar também nos jogos do seu escalão, para cumprir o calendário, já que a falta de 500 mil euros para pagar dívidas a antigos jogadores e técnicos, impediu a formação algarvia de inscrever novos atletas esta temporada. E bom não esquecer que o Farense foi despromovido à Segunda Divisão "B", dois anos antes, por idênticas razões. Um caso semelhante ao do Farense repetiu-se na época passada, nos mesmos moldes, com outro clube histó rico: o Salgueiros. Ao finalizar 2005 assistimos pelos meios de comunicação vários "pedidos de auxílio" dos atletas do Vitó ria de Setú bal - os actuais detentores da Taça de Portugal e um dos clubes mais histó ricos e conhecidos do futebol português - que ameaçaram com não comparecer no jogo frente ao Benfica, devido a um vergonhoso atraso de, espante-se, três meses de salário! Fazendo gala de um grande brio profissional, convém lembrar que este plantel andou todo o aquele tempo na peugada dos primeiros lugares da tabela e com a baliza menos violada! O futebol Professional em qualquer país do mundo é um espectáculo muito caro, e o bom senso e a criatividade são

qualidades indispensáveis para os dirigentes dos nossos dias de forma a evitar derrapagens como as que já enunciamos. E é justamente o bom senso que tem faltado a muitos dos dirigentes lusos que, para satisfazer as exigências imediatas da massa associativa, não duvidaram em hipotecar o futuro do clube, oferecendo muitas vezes salários aos atletas que não podiam vir a pagar perante o volume dos seus ingressos. As médias de assistência nos estádios portugueses, comparadas com as dos principias torneios europeus, é assustadoramente baixa, e a fonte de receitas dos clubes são reduzidas. A crise é de carácter estrutural e quase nenhum clube escapa a esta situação. De uns anos a esta parte a maior parte das transferências de jogadores fazem-se a "custo zero", e as limitações da tesoureira obrigam os clubes portugueses a se tornarem mais em vendedores do que compradores. O Setú bal conseguiu encaixar dinheiro vendendo alguns dos seus melhores atletas aos grandes clubes, que num gesto de solidariedade pagaram por eles um pouco mais do que o preço inicialmente acordado, e assim a equipa evitou a greve de um plantel agastado. E o clube já apresentou três novos reforços para a segunda volta! A SAD do Estoril recebeu uma injecção financeira de ú ltima hora, e fez desistir os quinze atletas que ainda mantinham contrato com o clube a não avançar com a rescisão dos vínculos contratuais. A situação foi resolvida. Mas até quando? Não podemos deixar de ficar à espera de ver qual será a pró xima vítima desta crise...

Teremos de ir de barco? Liliana da Silva Apesar da crise econó mica, social e política que a Venezuela vive desde 2002 e que já levou milhares de portugueses e luso-descendentes a regressarem à sua terra de origem, segundo as estatísticas ainda restam cerca de 400 mil lusitanos a fazer pela vida neste país e que, de acordo com a suas possibilidades, pensam regressar a Portugal para junto dos seus familiares e de uma cultura que apesar de distâ ncia nunca esqueceram. Este desejo permanece constante na vida destes imigrantes ao longo dos anos e só é atenuado devido aos preços elevados das passagens aéreas, que aumentam ainda mais a distâ ncia da esperança daqueles que pertencem a uma classe média que já não sabe o que é viajar com a família toda junta, pois não há carteira que aguente o gasto de tantos dó lares e euros. Não é preciso ser-se economista para ver o ó bvio. Este fenó meno tem a sua explicação na inflação que como todos

sabemos está na origem dos aumentas dos preços de todos os bens e serviços e também na conhecida crise econó mica venezuelana, sobre a qual não é preciso aprofundar pois todos somos sobreviventes dela. Mais além destas questões, das quais ninguém é culpado, vejo-me a perguntar: Como é possível que apesar deste panorama trágico a companhia aérea portuguesa TAP seja a que apresenta as tarifas mais caras para os seus conterrâ neos? Como jornalista não conheço muito sobre as leis e estratégias de mercado, no entanto parece-me muito pouco ló gico que destinos mais longínquos como Roma, Paris e Frankfurt, só para citar alguns casos, sejam mais econó micos que Porto ou Funchal. Suponho que para chegar a estas cidades europeias a companhia aérea tenha de possuir de outros aviões para efectuar o transbordo e levar os passageiros desde alguma das cidades de Portugal até a outra. Ao fim e ao cabo estaríamos falando de mais pessoal, mais horas de voo, mais combustível, enfim, mais de tudo. Mas, paradoxalmente, é preciso menos dinheiro, são passagens mais baratas que escapam ao meu entendimento.

Esta razão levou a muitos portugueses a ter de viajar noutras companhias, fazendo escalas e suportando todos os desconfortos que estão associados a esta modalidade só para conseguir ir ao seu país de origem nem que seja de cinco em cinco anos. As diferenças em relação às tarifas são representativas e estas companhias podem efectuar as viagens sem parar, daí que não entenda porquê a companhia portuguesa não pode fazer o mesmo. Indiscutivelmente, as passagens são caras e isso não está em discussão, pois ninguém quer viajar de graça. A ú nica coisa que questiono é se a TAP procura seduzir outros mercados com ofertas de baixo custo porque é que não faz o mesmo com os portugueses? Por acaso não são estes os seus melhores clientes, pelo menos no que ao mercado venezuelano diz respeito? O serviço que a TAP presta aos seus clientes é, para muitos - comigo incluído - muito melhor que o de outras companhias aéreas. Sobre isso não restam dú vidas. Mas muitos portugueses têm de sacrificar estas boas condições por causa da carteira e da vontade em pisar solo lusitano. Quanto custará ir de barco. Está o Santa Maria em condições?

Casa portuguesa António Xavier (Historiador)

aindax1@yahoo.com

A

casa portuguesa serve para se fazer um estudo interessante sobre os costumes de Portugal. Muitos venezuelanos quando vêm a fachada de uma casa podem dizer se ela pertence ou não a um português. Bastalhes apenas um olhar pelas feiteiras e latadas de vinha, o pequeno horto, o azulejo ao lado da porta ou o vão na parede para pô r o santo padroeiro da terra. No entanto, poucos podem associar realmente o significado destas características da vivenda com o espírito luso. No ano de 2003, a “ casa portuguesa” mostrou-se na exposição itinerante “ Raul Lino – Cem Anos Depois” (que o IPC poderia trazer para a Faculdade de arquitectura na UCV!). Este arquitecto fez casas portuguesas através da combinação livre de um certo nú mero de elementos: a linha de cobertura do tecto saqueada e arrematada pelo beiral dito à portuguesa, alpendres, vãos guarnecidos de cantaria, cal branca e azulejos. Mas em ú ltima instâ ncia, só o sabor português podia definir a casa portuguesa e o “ ar amoroso de doçura” do seu ambiente. Reinaldo Ferreira soube captar esses sinais do espírito na composição “ Uma casa portuguesa” . O mundo exterior da casa é uma mistura de materiais, elementos decorativos naturais, sensações e espiritualidade: Quatro paredes caiadas, um cheirinho a alecrim, um cacho de uvas doiradas, duas rosas num jardim, um São José de azulejo... A segunda estrofe canta esse sabor português: É só amor, pão e vinho e um caldo verde, verdinho a fumegar na tigela O olhar crítico de Antó nio Lobo Antunes mostra um mundo interior diferente. Nas primeiras 80 páginas da sua novela “ Manual de inquisidores” a visão fica atrapalhada entre a mobília. É uma vivenda abarrotada de quinquilharia oriental: consolas, alfombras, tapetes, estantes de livros, lâ mpadas com quebra-luz, floreiras, biombos, escrivaninhas, cortinas, sofás, quadros, candelabros talhados, um busto de mármore, um gato de gesso, taças, mandarins, etc., tudo isto em salas pequenas para o dia a dia, e em salas grandes, só abertas para as visitas. Quando à porta humildemente bate alguém, já não se senta à mesa com a gente.


CORREIO DE CARACAS - 26 DE JANEIRO DE 2006

OPINIÃO 23

caRTas dOs leITORes Altos e baixos Sou leitora habitual deste semanário e quero através desta carta agradecer a presença constante do Correio de Venezuela nos diversos eventos que semanalmente organiza a comunidade portuguesa radicada na Venezuela. A sua importâ ncia é inegável pois é o ú nico meio de comunicação social português no seu estilo. É raro que haja uma celebração ou evento importante onde o Correio não marque presença através da sua edição que é distribuída gratuitamente. Mas, pelo contrário, é difícil achar o

Vargas esquecida Correio nos quiosques das diferentes zonas de Caracas. Agora já não é possível encontrar o jornal nos quiosques do El Nacional, onde antes era um ponto fácil para o conseguir. Oxalá pudessem resolver esta situação pois é uma pena que muitos leitores deixem de ler o jornal porque não o conseguem encontrar. Novamente felicidades pelo trabalho de todas as semanas. Elsa Flores

Foi para isto que trabalhámos? Sou Venezuelana de coração e portuguesa de nascimento. Vivo a 47 anos na Venezuela tenho quatro filhos e 11 netos. Escrevo porque acho que o diário dos portugueses deve fazer alguma coisa sobre um certo assunto, nem que seja alertar os governos de outros países para o que se está a suceder e ao que tudo indica vai continuar a acontecer com mais forca. Desde que cheguei com o meu marido à Venezuela não fizemos mais do que trabalhar para levantar a família e depois para ajudar os nossos filhos. No nosso caso compramos com o nosso suor um apartamento para cada filho, na Avenida Victoria, sítio humilde, todos pró ximos uns dos outros. Dois dos meus filhos trabalham noutros lugares e por conseguinte estão fora com as suas famílias deixando os apartamentos sem ninguém. Pergunto se é possível que se considere justo que eu tenha de dormir separada do meu marido para não deixar o apartamento sem alguém no seu inte-

INQUéRITO

Pedro Gonçalves "Não estaria disposto a que me fotografassem nu. Eu nasci numa outra época e por isso encaro a vida de um modo diferente ao de hoje em dia. E isto não pode ser alterado. Não poderia pousar como Deus me trouxe ao mundo perante um grupo de pessoas e muito menos se não as conhecesse. Também não estou de acordo com as pessoas que o fazem. Pareceme que esse tipo de acto é de mau gosto e não traz nada de bom".

rior para que não pensem que está desabitado? Acham correcto que o meu esposo, de 69 anos de idade, tenha que fazer a mesma coisa, alternando comigo para que pensem que o apartamento humilde do meu outro filho não está desabitado e assim não seja ameaçado de invasão? É terrível apó s tantos anos de trabalho (sem privilégios porque no nosso caso até aliviamos a carga ao estado Venezuelano), que agora uns "vadios" ameaçar-nos em invadir o apartamento onde vivem os meus filhos. São pessoas que também nasceram no sector onde vivemos, mas lamentavelmente nunca fizeram mais do que beber, vadiar, fugir ao trabalho e muitas vezes gozavam dos meus filhos porque ajudavam o pai e a mãe no trabalho. É o prémio que recebemos pelo nosso esforço e sacrifício de tantos e tantos anos? Premiar a vadiagem? Se isto é democracia…? Maria Celestina Dias F.

Escrevo desde o estado de Vargas para contar a crise em que os comerciantes e habitantes estão nesta cidade por causa do fecho da ponte. É incrível ver como aumentam as filas de trâ nsito em ambos os sentidos pelas diferentes vias e assistir constantemente à perda de tempo por causa de ainda não se ter começado a construir um novo viaduto. A população varguense que trabalha em Caracas não pode chegar a tempo aos seus empregos pelos que são muitos os que estão em risco de perder o seu posto de trabalho. Há ainda que acrescentar a falta de abastecimento que tem afligido o nosso comércio e ter de enfrentar a realidade de se ter poucos produtos. Muitas das empresas fornecedoras de vários produtos abstêm-se de mandar os seus fornecimentos à cidade varguense porque as vias alternativas não se encontram em condições para a circulação automó vel. O trâ nsito, problema principal que origina esta catástrofe, é incessante e persistentes as 24 horas do dia. Os pontos turísticos de Vargas estão em colapso devido ao excesso de visitantes, sem esquecer o Aeroporto Simão Bolívar, onde muitos visitantes e viajantes descansam no chão vene-

zuelano sem ter uma possibilidade de encontrar uma pousada no litoral ou subir a Caracas. Peço às autoridades venezuelanas para tomarem consciência deste problema e criarem planos metó dicos para resolver a situação, já que cada dia que passa faz aumentar a tensão nas diferentes vias de acesso que comunicam entre o litoral e a cidade capital. Também exorto as pessoas para descerem a La Guaira só em caso de extrema necessidade, pois o congestionamento do trâ nsito será assim maior e a tensão entre os condutores e habitantes se intensificará devido às queixas dos vizinhos das zonas de El Limó n e Plan de Manzano, que não podem circular com tranquilidade na área. Por fim, peço que não esqueçam Vargas, que é uma bela zona onde muitos emigrantes lusos, nos seus dias livres, desfrutam das sãs praias e das paisagens que aqui temos. Ajudem também a La Guaira a voltar a ser o mesmo centro turístico que o foi e não permitam que a abandonem porque a esta zona da costa é a porta do nosso país. Ericson David Da Costa Lopes

Deixar-se-ia fotografar como Deus o trouxe ao mundo? Porquê ?

Juan Fernandes "Penso que seria capaz de deixar-me fotografar sem qualquer peça de roupa. Apesar de no meu caso achar que tudo dependeria do facto de me sentir ou não có modo no ambiente em torno da sessão fotográfica. Parece-me que pousar nu é uma forma de se expressar e por isso respeito quem decide fazê-lo mesmo sem pensar. Vejo o acto em si como uma maneira de dizer ao mundo que não importa o que os outros pensam, porque se sentem bem consigo mesmo e isso é que importa".

Yairudis Guerrero "De maneira alguma! Não gostava que todo o mundo me visse nua. É uma questão de pudor. No entanto, acho que isso depende da atitude de cada pessoa perante a vida. Não me oponho aos que o fazem desde que o façam sentindose bem consigo pró prios. Se for assim acho que não há qualquer problema. Mas eu já não me sentiria nada có moda, dai que não estivesse disposta a participar num sessão de fotografia desse género".

Adriana Hernández "Não. Eu não conseguiria fazer tal coisa porque não gosto de me exibir perante os outros. Talvez se me pintassem pudesse pensar no caso. Sim, assim de repente, se estivesse nua mas com o corpo coberto de pintura poderia fazê-lo, porque acho que seria um acto mais artístico e também porque me sentira menos exposta. Mas como Deus me trouxe ao mundo não. É o meu ponto de vista, mas respeito os das outras pessoas e não censuro quem é capaz de expressarse daquela forma, sem nenhum tipo de inibições".


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CORREIO DE CARACAS - 26 DE JANEIRO DE 2006

Por um quilo de “ caraotas” ganhei 40 milhões oa tarde. A senhora está sen– Btada?

Estou. Por acaso vou numa camioneta a caminho da festa de natal do meu trabalho – , respondeu Maryelis Ugas, licenciada em Recursos Humanos, empregada do Ministério de Educação, a um telefonema recebido no seu telemó vel. – Acaba de ganhar 100.000.000.00 de bolívares! - Disseram-lhe depois. "Pensava que era brincadeira e nem sequer fiz muito caso. Até achei graça mas desliguei", contou, confessando ter ficado no entanto pensativa e logo que chegou a casa decidiu ligar ao numero a qual lhe tinham feito o telefonema. “ Responderam-me da Central Madeirense e confirmei que era certo. Tinha ganho o primeiro prémio!" A festa prolongou-se na noite de 9 de dezembro, um dia que segundo confidenciou ao Correio, "jamais esquecerá na sua vida". Maryelis, casada e mãe de dois filhos, vive na localidade de Antimano e compra na Central Madeirense desde que abriu a sucursal de Montalban. No momento de receber o cheque fez

Sorteio 56º Aniversá rio

questão de agradecer à empresa por uma iniciativa que lhe permitiu arrecadar tamanho prémio. Não conteve a emoção e desabafou com lágrimas nos olhos: "Não sei se isto foi Deus, já que recebi o telefonema na sexta feira e a minha filha foi internada num hospital com doença estranha. Talvez este cheque ajude a melhorar a saú de da minha filha. Penso que foi Deus", desabafou na ocasião, acrescentando que "agora, cada vez que entro na Central Madeirense, sinto uma coisa estranha dentro de mim".

Ysolina Gonzalez vive na cidade de Barquisimeto e é professora de profissão. Foi contemplada com o segundo prémio, no valor de 60.000.000.00 Bs. Toda a sua vida fez as suas compras na Central Madeirense daquela localidade, onde vive, muito perto do estabelecimento comercial. "Quando recebi o telefonema pensei que era brincadeira e não fiz muito caso, mas pelo sim ou pelo não decidi ligar ao numero que aparecia no telemó vel e comprovei que era certo", lembrou. "Depois disso sinto algo estranho cada vez que entro a fazer compras naquele local e provoca-me comprar mais e mais e mais", disse. Esta família prefere não entrar em euforias e promete investir bem o dinheiro que ganharam. A concluir agradeceu á empresa Central Madeirense esta iniciativa.

Roxana Sanchez vive em Acarigua e é cliente da empresa desde sempre naquela localidade. Foi a contemplada com o terceiro prémio no valor de 40.000.000.00 Bs Desde sempre fez as suas compras na Central Madeirense de Acarigua. "É uma tradição de família. A atenção é boa, há muitas ofertas e os produtos são sempre frescos", justifica esta vencedora. O talão de compra que resultou o ganhador do prémio foi entregue no dia em que decidiu entrar na Central Madeirense para comprar 1 Kg de "caraotas" ( feijão preto), lembra Roxana Sanchez, refe-

Todos os anos, por ocasião da celebração do seu aniversário, a cadeia de supermercados Central Madeirense realiza um sorteio. Para assinalar este momento especial, cada cliente que frequentar uma das suas sucursais recebe um cupão para participar no concurso, bastando que para tal tenha realizado compras cujo valor seja superior a 50 mil bolívares. No total, foram entregues seis prémios que incluíram dinheiro em numerário e automóveis. O concurso começou no dia 13 de Outubro e esteve em vigor até o dia 29 de Novembro.

rindo que as “ caraotas” estavam escassas e só ali se podia encontrar aquele produto. No entanto aproveitou e comprou uma "máquina de lavar que estava com preço de oferta", disse. Recorda com emoção o dia em que recebeu o telefonema da empresa. "Pensei que era mentira. Estou ainda a viver um sonho", disse com muita satisfação no rosto.

Araisbel González, casada e mãe de duas filhas, reside na ilha de Margarita. Foi a contemplada com um carro marca Chevrolet. Geralmente faz as suas compras na sucursal da empresa na Avenida Jorge Coll, do Estado Nueva Esparta. Recorda que no dia 9 de Dezembro assistiu à festa de Natal da filha onde numa passagem do evento e como reza a tradição, esta teria que fazer explodir um globo e pedir um desejo. "Pedi algum dia poder ter um carro novo, mas nuca pensei que Deus ouviria meu pedido tão depressa", declara. Confessa que nunca acreditou no telefonema. "Pensei que era um compadre que tenho em Puerto Ordaz que me faz este tipo de brincadeiras de vez em quando".


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ECONOMIA 25

Autopremium brinda clientes L

onge estaria de pensar Yulmi Hidalgo, quando adquiriu no concessionário "Auto Premium" de Los Teques, que acabaria por ganhar um carro adicional de prémio. A professora de profissão, casada com um funcionário pú blico de Miranda, descreveu como viveu os momentos de emoção na hora de lhe ser entregue o prémio entre mais de 300 concorrentes. "Sou uma pessoa de fé e deixo tudo à conta de Deus. Não acreditei que podia ser a vencedora. No entanto decidi assistir ao sorteio", conta a professora, lembrando o entusiasmo crescente que sentiu quando "começaram por dizer o sítio onde foi adquirido o carro, o sítio da morada da pessoa ganhadora e comecei a ficar nervosa até que disseram o meu nome! Não queria acreditar, comecei a saltar e a gritar de alegria!!" Foi a primeira vez que "comprei um carro novo e numa agencia credenciada como a Auto Premium", disse, mostrando-

se "muito agradecida" a esta empresa e a "Deus por esta gracia". Este sorteio ocorreu no passado sábado, 14 de Janeiro. A Auto Premium Los Teques sorteou um Corsa do ano 2005 para todos os clientes que compraram um veículo de marca Chevrolet durante o ano mês de Dezembro Participaram cerca de 360 pessoas no sorteio, sem contar com os representantes das empresas que compraram veículos paras as suas frotas ou através do "Chevy Plan", já que estes tipos de modalidades não entravam nas "regras do jogo". Para concorrer a este sorteio, era preciso comprar um carro novo da marca Chevrolet, de qualquer modelo, durante o passado mês de Dezembro, o que automaticamente dava acesso ao "lotaria". O concurso continua durante todo este mês de Janeiro e o pró ximo sorteio realiza-se no dia 4 do mês seguinte, ou seja, Fevereiro, data em que será anunciado o novo ganhador.

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TAP faz promoções para os EUA

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TAP está a oferecer tarifas promocionais a preç os muito atractivos para os Estados Unidos, aplicáveis em viagens de ida-e-volta, tanto à partida de Portugal continental como da Madeira e dos Aç ores. Esta campanha promocional está disponível desde 9 de Janeiro até 31 de Março, para voos com destino a Atlanta, Boston, Chicago, Las Vegas, Los Angeles, Miami, Orlando, Providence, San Diego, São Francisco e Washington.

Para as cidades de Boston e Washington, a tarifa promocional é de apenas 400 euros à partida de Lisboa, Porto e Faro e de 520 euros à partida do Funchal e Porto Santo. Para viagens iniciadas na Terceira, Horta, Ponta Delgada, Santa Maria ou Pico, a tarifa é de 550 euros. Estas promoções estão também disponíveis para voos com destino a Atlanta, Chicago e Orlando. O preço dos bilhetes é de 420 euros, nas partidas de Portugal Continental, de 540 euros à saída da Madeira e de 570 euros em voos a partir dos Açores. Para a cidade de Providence, os passageiros podem obter bilhetes a partir de 430 euros (de Lisboa, Porto ou Faro). Em voos da Madeira e dos Açores, os preços variam entre 550 e 580 euros, respectivamente. Miami e Las Vegas são outros dos destinos abrangidos nesta promoção. Com tarifas para Miami desde os 440 euros à partida de Lisboa, 560 euros da Madeira e 590 euros dos Açores, as passagens para Las Vegas custam apenas 500 euros (de Lisboa, Faro, Porto), 620 euros (do Funchal e Porto Santo) e 650 euros (de qualquer destino servido nos Açores). Estas tarifas promocionais abrangem ainda as mais importantes cidades da Califó rnia - São Francisco, Los Angeles e San Diego - com bilhetes a partir de 520 euros (do Continente), 640 euros (da Madeira) e 670 euros nas partidas dos Açores. Para usufruírem destas promoç ões, aplicáveis a bilhetes de ida-e-volta, sem taxas, e sujeitas a condições es-

peciais, os passageiros podem viajar no período compreendido entre 9 de Janeiro e 31 de Março. Mais informaç ões em: www.flytap.com, através do Call Center da TAP pelo telefone: 707 205 700 ou dos Agentes de Viagens.


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DESPORTO 27

Guerra de palavras entre Pinto da Costa e José Veiga As declarações surgem como resposta às acusações de Pinto da Costa no aniversário da Casa do FC porto em Espinho, segunda-feira à noite, nas quais o presidente do FC Porto disse que o « inimigo (do clube) está identificado, anda protegido e impune» . « Não sou eu a figura que está ligada aos Guímaros, aos Quinhentinhos, aos Silvanos, aos Chicos Silva, aos Calheiros, ás viagens para o Brasil, ao Apito Dourado. Deve ter-se enganado na personagem» , disse Veiga, numa referência a sucessivos “ casos” com árbitros do futebol português. Uma resposta à outra alfinetada de Pinto da Costa, que se interrogou pelo facto de ainda não ter aparecido um processo “ apito encarnado” , apesar dos “ casos” recentes nas arbitragens dos jogos do Benfica. Veiga aproveitou o ense-

BREVES Judocas madeirenses no pódio em Coimbra

O director da SAD do Benfica, José Veiga, considerou Pinto da Costa um adversário «triste» e «desgastado», ligando-o às «mentiras dos últimos 25 anos do futebol português».

jo para se interrogar sobre as verdadeiras funç ões do antigo árbitro internacional Antó nio Garrido no FC Porto e as relações de “ promiscuidade” entre Pinto da

Costa e o empresário Antó nio Araú jo, uma personagem ligada ao chamado “ caso” do Apito Dourado. « Os anos passam para todos e para o senhor Nuno

(Pinto da Costa) devem passar mais depressa» , ironizou, numa referência às duas décadas e meia de Pinto da Costa na estrutura dirigente do clube portuense.

Foram três os atletas do Clube Naval em evidência na prova O pavilhão de Multidesportos de Coimbra acolheu este sábado o Open de Coimbra em judo no escalão de juniores e contou com a presença de quatro judocas madeirenses em representação do Clube Naval do Funchal. A prestação dos navalistas não poderá ter sido a melhor ao registar três subidas ao pó dio, com o destaque a ir para Marta Freitas, que na categoria de -70 kg conseguiria o primeiro lugar., enquanto a sua colega de equipa, Ana Simões ficaria no terceiro lugar. Finalmente nos masculinos de destacar o brilhante segundo lugar alcançado por José Rodrigues (CNF) no escalão de -66 Kg. enquanto que o outro navalista Nuno Franco, posicionariase no quinto posto da geral.

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28 desPorto III Divisão - Série A 17.ª Jornada

Brito Vinhais Monção Cerveira Correlhã Esposende Valpaços Merelinense Assoc. Oliveirense

2 4 0 1 3 2 1 0 0

1 2 3 1 1 2 6 0 1

III Divisão - Série B III Divisão - Série C 17.ª Jornada

Leça Lourosa Rio Tinto Tirsense Ermesinde Vila Meã Canedo Moncorvo

Cabeceirense Mondinense Maria da Fonte Amares Vianense Valenciano Mirandela Bragança Joane

Classificação Pts. J V E D

1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º 13º 14º 15º 16º 17º 18º

Mirandela Maria da Fonte Bragança Joane Cabeceirense Amares Merelinense Brito Mondinense As. Oliveirense Monção Cerveira Esposende Vinhais Correlhã Valpaços Vianense

37 37 33 33 32 32 25 23 23 21 21 20 17 16 12 12 12

17 17 16 17 17 17 17 17 17 16 17 17 17 17 17 17 17

11 11 9 9 10 10 7 6 7 5 6 4 4 4 3 3 2

4 4 6 6 2 2 4 5 2 6 3 8 5 4 3 3 6

2 2 1 2 5 5 6 6 8 5 8 5 8 9 11 11 9

CORREIO DE CARACAS - 26 DE JANEIRO DE 2006

1 1 0 1 2 3 2 1

0 1 0 1 2 0 1 0

17.ª Jornada

São Pedro da Cova Padroense Vila Real U. D. Valonguense Cinfães Ataense Rebordosa Tarouquense

Sátão Fornos de Algodres Estarreja AD Valonguense Gafanha Valecambrense Milheiroense Tondela Tocha

Classificação G

34-15 41-12 27-9 23-13 30-14 30-17 19-19 23-23 29-29 20-15 24-26 22-22 18-29 16-27 16-37 12-39 15-31

Pts. J V E D

1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º 13º 14º 15º 16º 17º

Vila Meã 37 Moncorvo 28 Lourosa 26 Vila Real 24 Ermesinde 24 Ataense 23 S. Pedro Cova 22 Rebordosa 21 Leça 21 Cinfães 20 Canedo 20 Vilanovense 19 Rio Tinto 18 Tirsense 17 UD Valonguense 16 Tarouquense 13 Padroense 11

16 16 16 15 16 15 16 16 16 16 15 15 16 16 16 16 16

11 8 7 6 6 6 6 4 5 5 5 6 3 4 4 4 2

4 4 5 6 6 5 4 9 6 5 5 1 9 5 4 1 5

1 4 4 3 4 4 6 3 5 6 5 8 4 7 8 11 9

1 1 2 0 1 1 1 0 1

1 2 1 0 1 0 0 0 1

Arrifanense Cesarense Marialvas U. Lamas Souropires Avanca São João de Ver Social Lamas Anadia

Classificação G

19-4 21-13 23-14 19-13 21-21 18-21 20-17 24-19 23-21 14-16 16-16 12-21 17-15 21-22 19-33 16-30 15-22

Pts. J V E D

1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º 13º 14º 15º 16º 17º 18º

Social Lamas 41 Avanca 34 União de Lamas 31 Valecambrense 28 AD Valonguense 27 Milheiroense 26 S. João de Ver 26 Tocha 25 Souropires 25 Tondela 25 Anadia 24 F. Algodres 21 Sátão 18 Gafanha 18 Cesarense 15 Estarreja 14 Marialvas 10

17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17

12 10 9 7 7 8 8 6 7 7 6 6 5 4 3 3 2

5 4 4 7 6 2 2 7 4 4 6 3 3 6 6 5 4

0 3 4 3 4 7 7 4 6 6 5 8 9 7 8 9 11

G

36-15 29-11 23-13 25-20 17-15 19-18 18-19 17-14 21-17 27-18 15-18 16-25 18-20 19-25 11-21 13-22 12-29

18.ª Jornada (29-1-06)

18.ª Jornada (29-1-06)

18.ª Jornada (29-1-06)

Merelinense - Associação Oliveirense Valpaços - Bragança Esposende - Mirandela Correlhã - Valenciano Cerveira - Vianense Monção - Amares Vinhais - Maria da Fonte Brito - Mondinense Cabeceirense - Joane

Canedo - Moncorvo Vila Meã - Rebordosa Vilanovense - Ataense Tirsense - Cinfães Rio Tinto - U.D. Valonguense Lourosa - Vila Real Leça - Padroense S. Pedro da Cova - Tarouquense

Milheiroense - Tondela Valecambrense - S. João de Ver Gafanha - Anadia A.D. Valonguense - Souropires Estarreja - União sw Lamas Fornos Algodres - Marialvas Sátão - Cesarense Arrifanense - Social Lamas Tocha - Avanca

Volta à Venezuela em moto Benjamim Oliveira y Gil Pinho não se satisfazem com os tranquilos passeios nas suas motos nas proximidades de Caracas. A sede de aventura e de adrenalina levou-os a recorrer mais de 4000 quilómetros da geografia venezuelana em cinco dias.

Liliana da Silva

Lilianadasilva19@hotmail.com

A

s aventuras e expedições formam parte da histó ria do povo português. Por isso, não surpreende a quantidade de portugueses que logram impor-se em desportos radicais como o motociclismo, a escalada, as expedições por lugares inó spitos, etc. Apesar de tudo, estes desportos geralmente estão relacionados com os mais jovens. Para esta reportagem fomos ao encontro dos dois lusitanos Benjamim Oliveira y Gil Pinho, oriundos de Aveiro e de São João da Madeira, respectivamente, que deixaram para trás as limitações da idade e foram à descoberta da adrenalina e desfrutar das emoções mais fortes da vida. 4 mil quiló metros em duas rodas A 8 de Abril de 2005 cinco motociclistas partiram de Caracas para realizar uma façanha: percorrer toda Venezuela em cinco dias. Gil Pinho y Benjamim Oliveira assumiram este desafio para assim se converterem em Pilotos de Primeira, uma certificação que es obtida pe-

los condutores que conseguem concluir com êxito esta prova. O trajecto incluiu 21 estados de la geografia venezuelana que transformaram a experiência numa verdadeira travessia. "No estado de Mérida, por exemplo, deparámo-nos com vários pontes caídas que nos obrigaram a desviar por outros caminhos, incluindo atravessar um rio, com todos os perigos que isso pode representar", declarou Oliveira. Para enfrentar o desafio, os pilotos deveriam planificar a quantidade de quiló metros que percorreriam diariamente, os caminhos que escolheriam e até os

III Divisão - Série D III Divisão - Série E 17.ª Jornada

Idanhense Caranguejeira Beneditense Marinhense Sertanense Bidoeirense Amiense Caldas

1 3 0 1 2 0 0 2

1 0 0 2 1 1 3 1

17.ª Jornada

Sourense A. D. do Fundão Vigor da Mocidade Eléctrico Alcobaça Riachense Mirandense Peniche

Loures Ouriquense Elvas Alcochetense Caniçal Câmara de Lobos Carregado Vialonga At. Cacém

Classificação Pts. J V E D

1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º 13º 14º 15º 16º 17º

Eléctrico 29 Idanhense 28 Mirandense 28 Peniche 27 Caldas 26 Sourense 26 Caranguejeira 24 Marinhense 23 A.D. do Fundão 23 Sertanense 22 Riachense 21 Monsanto 21 Alcobaça 20 Beneditense 18 Vigor Mocidade 15 Bidoeirense 11 Amiense 10

16 16 16 16 16 16 16 16 16 16 16 16 16 16 16 16 16

8 8 8 8 8 7 6 6 7 6 6 6 4 5 3 2 2

5 4 4 3 2 5 6 5 2 4 3 3 8 3 6 5 4

3 4 4 5 6 4 4 5 7 6 7 7 4 8 7 9 10

0 0 2 0 0 1 2 2 1

2 1 2 0 0 0 2 5 3

Sintrense 1º de Dezembro Vilafranquense Futebol Benfica A. D. de Machico Montijo Atlético U. D. de Santana Tires

III Divisão - Série F 17.ª Jornada

Monte Trigo Juv. Évora Desp. Beja Beira-Mar Messinense Sesimbra Vasco da Gama Aljustrelense

Classificação G

19-15 23-14 19-13 22-17 24-23 21-15 20-16 30-22 16-19 18-20 20-23 20-19 14-12 15-19 12-16 9-22 14-31

Pts. J V E D

1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º 13º 14º 15º 16º 17º 18º

A. D. de Machico 34 1º de Dezembro 31 Atlético 30 Carregado 30 Atlético Cacém 28 Loures 28 Câmara de Lobos 27 Montijo 27 Caniçal 25 Alcochetense 22 Elvas 22 Ouriquense 21 Tires 19 Sintrense 18 U. D. de Santana 16 Vialonga 16 Futebol Benfica 14

17 17 17 17 17 17 16 17 17 17 17 17 17 16 17 17 17

10 9 9 8 8 9 8 7 8 6 6 5 5 5 3 4 3

4 4 3 6 4 1 3 6 1 4 4 6 4 3 7 4 5

1 2 0 1 0 2 1 0

0 1 0 1 0 2 0 0

Castrense Oeiras Lagoa Lusitano V. R. Ferreiras Almancilense Lusitano Évora Estrela V. Novas

Classificação G

3 27-17 4 27-19 5 40-17 3 31-16 5 29-29 7 31-19 5 22-30 4 16-13 8 23-21 7 23-20 7 23-25 6 23-26 8 16-24 8 18-27 7 16-22 9 18-29 9 11-23

Pts. J V E D

1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º 13º 14º 15º 16º 17º 18º

Lusitano Évora 37 Estrela V. Novas 35 Oeiras 28 Almancilense 28 Aljustrelense 26 Juvent. Évora 26 Lusitano V.R.S.A.26 Vasco da Gama 26 Amora 25 Desport. Beja 23 Messinense 22 Lagoa 21 Sesimbra 20 Ferreiras 19 Beira-Mar 13 Castrense 8 Monte Trigo 5

17 16 16 17 17 16 17 17 16 16 16 17 16 17 16 16 16

11 10 8 7 7 8 6 7 7 6 5 5 5 5 2 2 1

4 5 4 7 5 2 8 5 4 5 7 6 5 4 7 2 2

2 1 4 3 5 6 3 5 5 5 4 6 6 8 7 12 13

G

31-10 29-7 26-14 19-11 20-17 16-13 29-21 24-16 25-21 17-14 24-16 18-21 22-23 23-27 10-21 11-26 8-39

18.ª Jornada (29-1-06)

18.ª Jornada (29-1-06)

18.ª Jornada (29-1-06)

Amiense - Caldas Bidoeirense - Mirandense Sertanense - Riachense Marinhense - Alcobaça Beneditense - Eléctrico Caranguejeira - Vigor Mocidade Idanhense - Monsanto Sourense - Peniche

Vialonga - Atlético do Cacém Carregado - U. D. de Santana Câmara de Lobos - Atlético Caniçal - Montijo Alcochetense - A. D. de Machico Elvas - Futebol Benfica Ouriquense - Vilafranquense Loures - 1º de Dezembro Sintrense - Tires

Vasco da Gama - Aljustrelense Sesimbra - Lusitano Évora Messinense - Almancilense Beira-Mar - Ferreiras Desp. Beja - Lusitano V.R.S.A. Juventude Évora-Amora Monte Trigo-Oeiras Castrense - Estrela V. Novas


CORREIO DE CARACAS - 26 DE JANEIRO DE 2006

desPorto 29 Grupo LAMA Tanto Benjamim Oliveira, sócio mais antigo, como Gil Pinho, que se filiou recentemente, pertencem ao clube de motociclistas LAMA que tem cerca de 6 anos desde a sua fundação, e que congrega mais de 100 membros, o que a converte na maior associação de motociclistas da Venezuela. Este grupo reúne-se todas as quartas-feiras num conhecido restaurante de Las Mercedes para planificar os passeios do fim de semana. Não existem limites de idade, raça ou nacionalidade para pertencer a esta associação, o importante é que se trate de uma pessoa íntegra e que se adapte ao grupo. Para além dos passeios, esta associação realiza eventos de beneficiência e encontros desportivos com outros clubes.

hotéis em que teriam de descansar. Os pilotos portugueses deviam começar as suas rotas pelas 4h30 da manhã para apenas descansar pelas 9 da noite. "Num dia chegámos a percorrer 1200 quiló metros. Terminávamos realmente esgotados. Mas no outro dia já estávamos prontos para continuar com a nossa aventura", referiu Benjamim de Oliveira. Para além do cansaço, os portugueses destacaram o excitante e gratificante que resultou a travessia. "A convivência com os outros três motociclistas foi muito boa, as paisagens venezuelanas são ú nicas no mundo, e, por muito dete-

rioradas que possam estar as estradas, não há país como este. A adrenalina que sentíamos sobrepunha-se ao cansaço que tivéssemos", concluíram os dois motociclistas. Esta paixão pelas motos e pela velocidade já ultrapassou as fronteiras venezuelanas, já que tanto Benjamim Oliveira como Gil Pinho têm motos em Portugal, que utilizam durante as férias. "Ainda que não tivéssemos dado a volta a Portugal, já estivemos em quase todas as cidades de Norte a Sul, enfim, em quase todo o País", assegura Gil Pinho. Depois de viver a experiência em am-

bos os países, estes audazes motociclistas podem estabelecer as diferenças como pilotos. "Se bem que em Portugal as estradas são melhores, na Venezuela sentimo-nos mais descansados, pois há menos restrições. Lá devemos pagar as portagens iguais aos carros, enquanto aqui podemos passar de borla", assinala Oliveira. Para estes motociclistas não existem preocupações em relação à insegurança, pois asseguram que são bem recebidos. Na volta à Venezuela entrámos numa tasca para nos refrescar e encontramos um português. Quando se deu conta que

também éramos portugueses, fez uma festa, pois onde vive é o ú nico português", recordou Pinho. Estes amantes das motos desenvolveram esta paixão desde pequenos. As suas famílias acompanham os passeios, com as esposas como co-pilotos na maioria das suas aventuras. Por eles, não têm dú vidas em voltar a dar mais uma Volta à Venezuela, estendendo o trajecto até Cú cuta, na Colô mbia. "Cada vez que montamos uma moto voltamos a ter 20 anos, e isso não se consegue com um carro", conclui Gil Pinho.


30 DESPORTO

CORREIO DE CARACAS - 26 DE JANEIRO DE 2006

Mourinho "melhor treinador" pelo terceiro ano consecutivo

O

técnico português José Mourinho, campeão de Inglaterra ao serviço do Chelsea, foi eleito "melhor treinador" pelo terceiro ano consecutivo, numa votação em que participaram 1,5 milhões de internautas do site da UEFA. Mourinho volta a reunir as preferências dos adeptos do futebol no "velho continente", agora num ano dedicado inteiramente à equipa inglesa, depois de em 2004 ter ganho o troféu na sequência da vitó ria na Liga dos Campeões ao serviço do FC Porto, que abandonou no Verão para ingressar no Chelsea. O seu primeiro triunfo aconteceu em 2003, depois de ter conquistado a Taça UEFA pelos "dragões" e ter alcançado o primeiro de dois títulos consecutivos de campeão português. Desta feita, Mourinho ganhou a votação por curta margem, reunindo 28,16 por cento dos votos, enquanto o espanhol Rafael Benitez, campeão europeu pelo Liverpool, terminou na segunda posição, com 26,68 por cento. Ao contrário do que aconteceu nas ú ltimas duas votações, não há

qualquer jogador português na "equipa ideal", tendo o extremo Cristiano Ronaldo sido o futebolista nacional mais bem votado, dos quatro da lista. O jogador do Manchester United ficou em segundo lugar na votação para a posição de "médio direito", com 29,96 por cento dos votos, na qual o melhor foi o espanhol Luís Garcia, jogador do Liverpool, com 34,30. O luso-brasileiro Deco, jogador do FC Barcelona, foi o terceiro na votação para "médio ofensivo", com 7,54 por cento, com a primeira posição a ser arrebata sem discussão pelo seu colega de equipa brasileiro Ronaldinho, com 72,11. O benfiquista Simão foi quarto na votação para melhor "médio esquerdo", com 16,82 por cento, num item em que o primeiro foi o checo Pavel Nedved, com 29,10, e Ricardo Carvalho foi quinto na eleição do melhor "central", com 7,37, numa classificação em que o primeiro foi o seu colega de equipa John Terry, do Chelsea.

Liga de Honra

II Divisão - Série A 15.ª Jornada

19.ª Jornada

Vizela 2 Gondomar 1 Leixões 0 Estoril 3 Marco 0 Sorting da Covilhã 1 Maia 1 Feirense 1 Santa Clara 3

1 1 0 4 1 1 3 1 1

Barreirense Aves Portimonense Chaves Moreirense Varzim Olhanense Beira-Mar Ovarense

Freamunde União da Madeira Sandinenses Fafe Torcatense Lixa Valdevez

Classificação Beira-Mar Olhanense Aves Leixões Portimonense Sport. Covilhã Gondomar Varzim Vizela Estoril Santa Clara Maia Moreirense Chaves Feirense Marco Barreirense Ovarense

38 37 34 33 31 29 28 25 25 25 23 21 21 21 20 19 13 11

19 19 19 19 18 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 18 19 19

10 10 10 9 8 7 8 5 6 7 5 5 5 5 5 5 2 2

8 7 4 6 7 8 4 10 7 4 8 6 6 6 5 4 7 5

1 2 5 4 3 4 7 4 6 8 6 8 8 8 9 9 10 12

G

22-10 27-14 26-18 20-7 24-16 21-19 31-27 23-23 29-25 32-31 20-21 25-29 21-27 19-23 24-32 22-32 15-27 21-41

20.ª Jornada (29-1-06) Aves - Barreirense Portimonense - Gondomar Chaves - Leixões Moreirense - Estoril Varzim - Marco Olhanense - Sporting da Covilhã Beira Mar - Maia Ovarense - Feirense Santa Clara - Vizela

II Divisão - Série B 15.ª Jornada

15.ª Jornada

Penalva Castelo 2 1 Pombal

Sp. Espinho 0 1 FC Porto B

Portomosense 0 0 Oliveira Hospital

Ribeira Brava 3 1 Sanjoanense

Tourizense 1 0 Pampilhosa

Esmoriz 1 1 Pontassolense Fiães 1 1 Dragões Sandinenses

U. Coimbra 1 3 Nelas Abrantes 1 2 Rio Maior

Lousada 2 0 Marítimo B

1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º 13º 14º

II Divisão - Série C Oliv. Bairro 1 0 Fátima

Infesta 2 0 Aliados Lordelo

Classificação

Classificação

Pts. J V E D

Pts. J V E D

Dr. Sandinenses 22 Sport. Espinho 21 Infesta 21 Esmoriz 20 Marítimo B 20 F.C. do Porto B 19 Lousada 19 Fiães 18 Paredes 18 Ribeira Brava 16 Aliados Lordelo 16 Pontassolense 14 Sanjoanense 12 Pedras Rubras 11 Feirense 20 Marco 19 Barreirense 13 Ovarense 11

13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 19 18 19 19

6 5 6 5 6 5 5 4 5 4 4 4 3 3 5 5 2 2

4 6 3 5 2 4 4 6 3 4 4 2 3 2 5 4 7 5

3 2 4 3 5 4 4 3 5 5 5 7 7 8 9 9 10 12

G

20-13 14-8 18-14 17-17 22-20 12-14 16-13 16-13 21-17 13-15 16-23 15-18 14-20 10-19 24-32 22-32 15-27 21-41

16.ª Jornada (5-2) Lousada - Paredes Fiães - Marítimo B Esmoriz - Dragões Sandinenses Ribeira Brava - Pontassolense Pedras Rubras - Sanjoanense Infesta - F. C. do Porto B

29 1º Tourizense 26 2º Oliveirense Abrantes 26 3º Fátima 23 4º Rio Maior 19 5º Penalva Castelo 19 Pampilhosa 19 6º Pombal 15 7º Oliv. Bairro 14 8º Portomosense 12 Benfica C. Branco 12 9º Nelas 11 10º União de Coimbra 11 11º Oliveira Hospital 8 20 12º Feirense Marco 19 13º Barreirense 13 11 14º Ovarense

13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 19 18 19 19

9 8 8 6 4 5 5 3 3 2 3 2 3 1 5 5 2 2

2 2 2 5 7 4 4 6 5 6 3 5 2 5 5 4 7 5

2 3 3 2 2 4 4 4 5 5 7 6 8 7 9 9 10 12

1 0 0 1 2 0 2

Ribeirão Sporting Braga B Famalicão Trofense A. D. da Camacha Vilaverdense Portosantense

Classificação

Pts. J V E D

1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º 13º 14º 15º 16º 17º 18º

2 1 0 2 3 1 1

Pts. J V E D

1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º 13º 14º

Trofense União Madeira Ribeirão Freamunde Portosantense Sandinenses Famalicão Lixa Fafe A. D. Camacha Vilaverdense Sport. Braga B Valdevez Torcatense

28 25 20 19 18 18 18 18 18 16 14 13 11 9

13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13

8 7 5 4 5 4 4 5 5 5 4 3 2 2

4 4 5 7 3 6 6 3 3 1 2 4 5 3

1 2 3 2 5 3 3 5 5 7 7 6 6 8

G

25-9 13-11 9-7 13-9 10-11 12-10 15-13 11-13 13-15 19-17 13-17 14-15 10-16 9-23

16.ª Jornada (5-2) Lixa - Portosantense Torcatense - Vilaverdense Fafe - A. D. da Camacha Sandinenses - Trofense União da Madeira - Famalicão Freamunde - Sport. Braga B

II Divisão - Série D 15.ª Jornada

Silves União Micaelense Real Oriental Vitória Setúbal B Odivelas Torreense Operário

0 2 3 1 1 0 0 3

2 1 2 1 3 2 1 2

Mafra Madalena Benfica B Imortal Olivais Moscavide Louletano Casa Pia Pinhalnovense

Classificação G

23-9 24-15 22-17 19-11 19-15 15-17 17-16 13-13 17-18 14-16 14-23 9-15 13-22 10-22 24-32 22-32 15-27 21-41

Pts. J V E D

1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º 13º 14º 15º 16º

Louletano Operário Ol. Moscavide Benfica B Casa Pia Mafra Madalena Un. Micaelense Pinhalnovense Odivelas Imortal Vit. Setúbal B Real Torreense Silves Oriental Barreirense Ovarense

32 31 27 26 25 24 24 23 21 19 18 16 14 14 7 7 13 11

15 15 15 15 15 15 14 15 15 14 14 14 15 15 15 15 19 19

9 9 7 8 8 7 7 7 5 6 4 5 4 4 1 1 2 2

5 4 6 2 1 3 3 2 6 1 6 1 2 2 4 4 7 5

1 2 2 5 6 5 4 6 4 7 4 8 9 9 10 10 10 12

G

30-14 20-10 21-13 24-20 22-17 18-16 15-18 18-15 14-11 16-21 19-13 16-22 19-29 17-22 14-28 13-27 15-27 21-41

16.ª Jornada (5-2)

16.ª Jornada (5-2)

Abrantes - Benf. Cast. Branco

Real - Imortal Un. Micaelense - Benfica B Silves - Madalena Mafra - Pinhalnovense Oriental - Olivais e Moscavide Torreense - Operário Odivelas - Casa Pia Vit. Setúbal B - Louletano

União de Coimbra- Rio Maior Tourizense - Nelas Portomosense - Pampilhosa Penalva Castelo - Oliveira da Hospital Oliveirense - Sportings Pombal


CORREIO DE CARACAS - 26 DE JANEIRO DE 2006

DESPORTO 31

Marítimo empata "leões" em Lisboa Porto e Benfica seguem em frente

O

Belenenses conseguiu empatar em Leiria, com a União, no jogo que encerrou a 19ª jornada da Liga portuguesa de futebol, dando assim um passo para se afastar da zona de despromoção. Por causa da reforma dos campeonatos profissionais, esta época descem os quatro ú ltimos da Liga principal e sobem apenas dois da Liga de Honra, o que permite a redução de 18 para 16. A União de Leiria subiu a oitavo lugar, por troca com o Estrela da Amadora, somando agora 25 pontos. O resultado mais surpreendente da jornada aconteceu sábado, com o Marítimo a empatar na visita ao Sporting e os "leões" atrasaram- se na corrida aos primeiros lugares. O Benfica distanciou-se do rival, sexta-feira. permanecendo a três pontos do líder FC Porto, apó s vencer por claros 3-1 em Barcelos. No Estádio do Dragão, os "azuise-brancos", com o brasileiro Helton no lugar do guardião Vítor Baía, só marcaram por volta da meia-

hora, através de um autogolo do defesa brasileiro Fernando, tento que permitiu a vitó ria ao FC Porto por 1-0 e que deixou a Naval 1º de Maio no mesmo penú ltimo lugar. No Estádio José Alvalade, o argentino Romagnoli estreou-se a marcar pelo Sporting, logo aos oito minutos, dando seguimento ao domínio "verde-e-branco". O Sporting produziu várias oportunidades de golo, mas, aos 43, um erro defensivo permitiu ao brasileiro Fahel empatar a partida, com um pontapé-de-bicicleta à boca da baliza. O Benfica assumira sexta-feira a liderança provisó ria, ao vencer o Gil Vicente, por 3-1, em Barcelos, e distanciou-se dos seus perseguidores Sporting Braga e Nacional, que empataram a zero nas visitas ao "lanterna vermelha" Penafiel, e à Académica Coimbra, respectivamente, "colhendo" pontos em vários recintos. Os "encarnados" somaram a sétima vitó ria consecutiva para a Liga e gozam agora de quatro pontos de vantagem sobre bracarenses e madeirenses e de seis sobre os ri-

Liga Betandwin 19.ª Jornada

Boavista F. C. do Porto Vitória Guimarães Penafiel União de Leiria Sporting Gil Vicente Académica Paços Ferreira

2 1 1 0 2 1 1 0 1

1 0 1 0 2 1 3 0 2

Estrela Amadora Naval Rio Ave Sporting Braga Belenenses Marítimo Benfica Nacional Vitória de Setúbal

Classificação Pts. J V E D

vais de Lisboa, mas estiveram a perder, apó s "penalti" cobrado por Nandinho, aos 10 minutos. O Benfica igualou aos 17 minutos, através de Simão, também na conversão de outra grande penalidade, enquanto Geovanni, aos 34 minutos, pô s os campeões a ganhar e uma desatenção do guarda-redes Jorge Batista estabeleceu o 3-1 final. Sábado, Vitó ria Setú bal (6º ) e Boavista (7º ) venceram por 2-1, respectivamente numa visita ao Paços Ferreira (12º ) e numa re-

cepção ao Estrela Amadora (9º ), e estão a um e a cinco pontos do Sporting, enquanto Vitó ria Guimarães (16º ) e Rio Ave (11º ) empataram a um golo na "Cidade Berço". Penafiel, Naval, Guimarães e Académica são as quatro equipas mais perto do futebol "de segunda", com os penafidelenses somente com oito pontos, já distantes dos 20 somados pelos "estudantes", ao passo que vimaranenses e figueirenses têm 16 e 15, respectivamente.

1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º 13º 14º 15º 16º 17º 18º

F. C. do Porto Benfica Nacional Sporting Braga Sporting Vitória Setúbal Boavista Est. Amadora União de Leiria Marítimo Rio Ave Paços Ferreira Gil Vicente Belenenses Académica Vit. Guimarães Naval Penafiel

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20.ª Jornada (29-1-06) 27-01–21:30 28-01–17:00 28-01–19:45 29-01–16:00 29-01–16:00 29-01–16:00 29-01–19:15 29-01–21:15 30-01–20:30

Paços de Ferreira - Boavista Naval - Estrela da Amadora Benfica - Sporting Belenenses - Penafiel Marítimo - União de Leiria Nacional - Gil Vicente Rio Ave - F. C. do Porto Sport. Braga - Vit. Guimarães Vitória Setúbal - Académica


CORREIO DE CARACAS – 26 DE JANEIRO DE 2006

Empresários emigrantes devem investir em Portugal nesses países de acolhimento, quer através de parcerias conjuntas para investir em Portugal, parece- nos que é uma oporGoverno vai criar incentivos tunidade que temos e devemos explorar", para promover o investi- defendeu o titular da pasta da Emigração. mento em Portugal dos granSegundo Antó nio Braga, existem em des empresários portugueses todo o mundo cerca de 120 mil pequenas residentes no estrangeiro e, simultanea- empresas de emigrantes portugueses e mente, potenciar a internacionalização da cerca de 20 mil médias ou grandes emeconomia portuguesa, anunciou, no dia presas. 19 deste mês, o secretário de Estado das "Há empresas ao nível do top, não só Comunidades, Antó nio Braga. em volume de negó cios, mas também "É um mercado de cinco milhões de na importâ ncia estratégica da sua inpessoas, com um conjunto de empresá- serção nas comunidades portuguesas", afirrios que nos permite uma plataforma de mou o secretário de Estado das Comunicomunicação com as sociedades de acol- dades. himento, mas também de mercado", afirO titular da pasta da Emigração adianmou Antó nio Braga à Agência Lusa. tou que será criada uma plataforma para "Essas duas frentes, de mercado e de estimular esse investimento em Portugal, oportunidades à internacionalização da que não passará pelos benefícios fiscais. nossa economia, quer através de parce"Não se trata de benefícios fiscais. Varias estratégicas para criar investimentos mos lançar uma plataforma para criar Lusa / MCL

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condições para a credibilização e oportunidade para que esses investimentos possam ser praticados", explicou. Para atrair o investimento dos empresários emigrantes, a credibilização é um factor essencial para Antó nio Braga. "Tem de haver um enquadramento credível com riscos de ganho e não de perda, porque se um investidor não sentir que o seu capital tem investimento credível, não o investe", afirmou. Outro dos objectivos é a criação de uma base de dados de negó cios com conhecimento mú tuo de empresas portuguesas no estrangeiro e em Portugal, que estará disponível para os diferentes empresários. Questionado sobre o interesse desses empresários em investir em Portugal, o titular da pasta da Emigração considera que a resposta está no laço afectivo com o país de origem.

Distinguir portugueses de destaque no estrangeiro Lusa / MCL

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Secretaria de Estado das Comunidades vai homenagear emigrantes ou luso-descendentes que se tenham destacado em várias áreas, desde a investigação ao associativismo, para dar a conhecer os talentos portugueses no estrangeiro. "Queremos dar a conhecer a Portugal a existência de

portugueses que se têm distinguido nas mais variadas áreas em todo o mundo", explicou o secretário de Estado das Comunidades, Antó nio Braga, no passado dia 18. O objectivo desta iniciativa que vai realizar-se anualmente é "relevar os méritos dos portugueses que são conhecidos e reconhecidos nos países de acolhimento e que Portugal tem ignorado", afirmou. O titular da pasta da Emi-

gração defendeu ainda que estes portugueses "podem contribuir para a afirmação de Portugal no mundo". "No momento de crise em que nos encontramos, estes cidadãos podem também servir de incentivo para que tenhamos confiança no futuro e nas nossas capacidades de superar dificuldades", disse. A Secretaria de Estado das Comunidades está neste momento a proceder à selecção do jú ri que irá determinar

quem serão os portugueses ou luso-descendentes a receberem a homenagem, numa gala que ocorrerá no final do ano. O jú ri será constituído por 12 pessoas, uma por cada área determinada pela Secretaria de Estado: investigação, desporto, ciência, cultura, humanidades, juventude, economia, associativismo, comunicação social, política, divulgação da língua portuguesa e profissões liberais.

Última Hora "Os Verdes" em Caracas

Uma delegação do Partido Ecologista "Os Verdes" vai deslocar-se a Caracas para participar no conjunto de iniciativas previstas para o VI Fórum Social Mundial, que decorrerá entre os dias 24 a 29 de Janeiro e que terá como eixos temáticos, "Poder, politica e lutas pela emancipação social", "Estratégias imperialistas e resistências dos povos", "Recursos e direitos para a vida", "Diversidades e identidades", "Trabalho, exploração e reprodução da vida" e "Comunicações, culturas e educação". "Os Verdes", que estarão representados por dois membros da Comissão Executiva Nacional, José Luís Ferreira e José Miguel Gonçalves, vão participar nos debates e outras acções que irão decorrer em Caracas, na procura de caminhos para um mundo de paz e ecologicamente sustentável, baseado na justiça social, na igualdade de direitos e no diálogo entre as culturas e os povos.

Mais de 500 pessoas no 13º Encontro dos Arcuenses

O Salão Nobre do Centro Português de Caracas acolhe no próximo dia 5 de Fevereiro a realização do conhecido Encontro de Arcuenses na Venezuela. O evento que já se realiza consecutivamente ao longo de 13 anos converteu-se num dos encontros mais esperados da comunidade portuguesa, devendo receber este ano mais de 500 pessoas.

Luso-canadianos eleitos no Canadá

O secretário de Estado das Comunidades, António Braga, congratulou-se na terça-feira, 24, com a eleição dos dois luso-canadianos para o Parlamento federal do Canadá, considerando-a "prestigiante para a comunidade portuguesa". "Trata-se da reeleição de dois parlamentares que muito prestigia a comunidade portuguesa e constitui um estimulo à participação cívica dos portugueses residentes no estrangeiro", disse à agência Lusa António Braga, reagindo à eleição segunda-feira dos portugueses Mário Silva e Keith Martin.

Correio da Venezuela 141  

Edición 141

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