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Ocupações e receios

As expropriações de edifícios trouxe silêncios e medos Página 3

Mais escolas de português

No interior venezuelano cresce a vontade de aprender Página 13

www.correiodecaracas.net

O jornal da comunidade luso-venezuelana

ano 07 - N.º 140 - DePósito LegaL: 199901DF222 - PubLicação semanaL

caracas, 19 De Janeiro De 2006 - VenezueLa: bs.: 1.000,00 / PortugaL:

Falta de interesse pelas Presidenciais

Este domingo elege-se o novo Presidente da República portuguesa. Na Venezuela, constata-se um grande desinteresse, agravado pela ausência de informação

0,75

Roberto Leal reconhece trabalho dos portugueses da diáspora Página 15 Processo para obter o novo passaporte venezuelano: menos burocracia, mais paciência Página 8

Páginas 10 e 11

Danny: « Jogar pela Vinotinto seria realizar um sonho» O jogador luso-venezuelano do Dí namo de Moscovo disse ao CORREIO que admite vir a jogar pela Selecção da Venezuela na Copa América 2007. Página 28

ACIPAN cria nova escola para padeiros Página 7


2 EDITORIAL

CORREIO DE CARACAS - 19 DE JANEIRO DE 2006

Falta de interesse Director: Aleixo Vieira Subdirector Agostinho Silva Coordenação em Caracas Délia Meneses Jornalistas: António da Silva, Carlos Orellana Jean Carlos de Abreu, Liliana da Silva Nathali Gómez, Noélia de Abreu, Yamilem González e Victoria Urdaneta Correspondentes: Ana Pita Andrade (Maracay) Bernardete de Quintal (Curaçau) Briceida Yepez (Valencia) Carlos Balaguera (Maracay e Valencia) Carlos Marques (Mérida) Sandra Rodriguez (La Victoria) Trinidad Macedo (Barquisimeto) Colaborações: Raúl Caires (Madeira) António de Abreu, Arelys Gonçalves Janette Da Silva, Luís Barreira e Miguel Rodrigues Publicidade e Marketing: Carla Vieira Preparação Gráfica: João Santos (DN-Madeira) Produção: Franklin Lares Secretariado: Glória Cadavid Distribuição: Enrique Figueroa Impressão: Endereço: Av. Los Jabillos 905, com Av. Francisco Solano, Edif. Torre Tepuy, piso 2-2C, Sabana Grande - 1050 Caracas. Endereço Postal: Editorial Correio C.A. Sabana Grande Caracas - Venezuela Telefones: (0212) 761.41.45 Telefax: (0212) 761.12.69 E-mail: correio@cantv.net URL: www.correiodecaracas.net Tiragem deste número: 10.000 exemplares

N

este domingo Portugal vai outra vez a votos. Desta vez a eleição é para a Presidência da Repú blica, para escolher o mais alto dignatário da Nação Portuguesa. Este é também um dever cívico a que são chamados todos os Portugueses espalhados pelo mundo inteiro. A Venezuela não foge à regra, numa responsabilidade que é tanto mais acrescida quanto maior é a representatividade da nossa comunidade. No entanto, é previsível que muito poucos conterrâ neos lusos irão exercer o seu dever, este domingo. Votar parece ser uma maçada, tal é a falta de empenho e de interesse gerais, numa atitude que temos a obrigação de expor com o intuito de chamar a atenção. Afinal, da mesma forma que estamos disponíveis para denunciar situações de injustiça que prejudicam cidadãos portugueses,

normalmente sacrificados pela sua condição de emigrantes e pela distâ ncia, também cá estamos para salientar que esta lamentável falta de interesse pelas Presidenciais no nosso País é algo que deveria merecer uma reflexão. Por vezes, parece que alguns dos nossos conterrâ neos apenas ostentam o seu Passaporte Português para reclamar direitos, nunca para exercer os deveres a que nos deveríamos sentir obrigados a cumprir. A desilusão é tanto maior quando se sabe que alguns dos representantes do Estado português se deixam contagiar pela inércia, faltando ao dever de divulgar e incentivar questões importantes como o são as Eleições Presidenciais. Os nú meros que vão sair da votação do pró ximo domingo deveriam merecer uma profunda reflexão.

O CARTOOn DA seMAnA Porque é que tantos portugueses são fanáticos do La Guaira?

Deve ser porque foi a primeira coisa que viram quando chegaram à Venezuela!!

A seMAnA MUITO BOM Um dos consulados honorários, criado recentemente, foi o que logrou recensear um maior número de cidadãos portugueses, que agora estão aptos para exercer o seu direito de voto nestas Eleições Presidenciais. Referimo-nos ao Consulado de Maracay, que conta com o maior número de novos eleitores. Reconhecemos o trabalho desta sede consular que logrou com sucesso um dos seus objectivos principais.

BOM Quim Barreiros, um dos cantores de musica popular mais famosos em Portugal chega em Janeiro para se apresentar em Caracas, Maracay, e Los Teques. A iniciativa de trazer o artista foi do Grupo Folclórico Os Lusíadas. É de louvar que este tipo de actividades se realizem especialmente quando a ideia surge de um grupo de jovens que nada ganham, em termos económicos, por promover e fortalecer os vínculos da comunidade portuguesa com as suas raízes. A chegada do cantor também é um bom sinal para começar o ano com espectáculos que tornem cada vez mais dinâmica a actividade dos portugueses radicados na Venezuela.

MAU Para a elaboração de um texto jornalístico, o CORREIO contactou os conselheiros tendo em vista a informação sobre como iria decorrer as Eleições Presidenciais de Portugal, na Venezuela. A surpresa foi que vários deles não conheciam nenhum detalhe sobre o tema. Desta forma não se compreende qual o compromisso destas figuras perante a comunidade, já que ignoram aspectos básicos que deviam ser prioridade no exercício das suas funções.

MUITO MAU

Fontes de Informação: DIÁRIO de Notícias da Madeira Jornal de Notícias Agência de Notícias LUSA

A "invasão" de prédios e edifícios está na ordem do dia em Caracas. Mesmo que sob a capa da expropriação, é triste constatar que em nome da revolução se possa aceder a algo que não nos pertence, sem medir as consequências para quem lutou para ter algo de seu. Esta é uma situação delicadíssima, que afecta sobretudo quem trabalhou toda uma vida e amealhou o conseguiu com o fruto do seu trabalho. Para quem sempre viveu à pala do Estado, ou de outros expedientes, é natural que nem dê por nada. Não é o caso da maioria dos membros da comunidade portuguesa.

O Correio de Caracas não se responsabiliza por qualquer opinião manifestada pelos colaboradores ou assinantes nos artigos publicados, garantindo-se, de acordo com a lei do jornalismo, o direito à resposta, sempre que a mesma seja recebida dentro de 60 dias. El Correio de Caracas, no se hace responsable por las opiniones manifestadas por los colaboradores o firmantes, garantizando, de acuerdo a la Ley, el derecho a respuesta, siempre que la misma sea recibida dentro de 60 días.

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Portugueses em silêncio por medo de represálias

Em certas zonas as denuncias dão conta que são os polí cias os autores das invasões. As famí lias implementam sistemas de defesa que vão desde alarmes até aos apitos de alerta. fensor del Pueblo", Gérman Mundaraín, pronunciaram-se sobre os casos das invasões de propriedades privadas um velho medo este que atin- perante os representantes da Assemge, desde o início do governo bleia Nacional, dizendo que vão avado presidente Hugo Chávez, liar os decretos de embargo emitidos a numerosa comunidade de pelo "alcalde mayor", Juan Barreto, emigrantes radicados na Venezuela. com a finalidade de saber se cumpriAs chamadas invasões ou ocupações ram com os requisitos legais e constitêm deixado de ser uma ameaça abs- tucionais. tracta para se converterem num proRussián declarou aos jornalistas blema real que já é contabilizada com que as invasões não têm explicação ranú meros alarmantes. Segundo as es- cional nem ló gica e que "há uma dítimativas da Polícia Metropolitana, vida social grave que o Estado venesão 52 os imó veis invadidos em Ca- zuelano deve saldar" com os lesados. racas, mas outras fontes apontam paPor seu turno, o "Fiscal General" ra mais de 100 casos, registados desde esclareceu que nenhuma pessoa está 1999. O maior nú mero de ocupaçõ- autorizada para ocupar alguma proes verificou-se no Município Liber- priedade simplesmente porque não há tador. nenhuma norma ou disposição legal À redacção do Correio chegaram que autorize tal acção. A respeito da informações de alguns casos pontuais residência "Rosal Plaza", situada em que envolvem famílias portuguesas "El Rosal", Caracas, disse que talvez entre as vítimas das invasões. Mas o o "Alcalde Mayor" seja chamado a contacto com essas pessoas revelou-se comparecer perante o Ministério Pú infrutífero pois temem vir a pú blico blico por causa da ocupação. expor o seu caso. A ameaça é constante. Uma famíAs pessoas receiam represálias. E lia de origem portuguesa explicou ao têm razão para isso. Os pró prios po- Correio a nova maneira de actuar que lícias e bombeiros, em vários casos, tiveram de aplicar com o objectivo lideraram as invasões contra edifícios de proteger as propriedades que comque à altura se encontravam desocu- praram para os seus filhos numa zona pados ou a ser alvo de obras de re- humilde de Caracas. modelação. Uma noite a mulher tem de dorO "Fiscal General de la Repú bli- mir separada do marido de modo a ca", Isaías Rodríguez, o "Contralor Ge- que o apartamento dos filhos não fineral", Clodosbaldo Russián, e o "De- que sem ninguém no seu interior, Délia Meneses

delia_jornalista@yahoo.com

É

pois estes trabalham fora da cidade. Na noite seguinte cabe ao marido dormir no apartamento de modo a evitar que os grupos que estão à espera de um tecto para invadir não pensem que o imó vel está desocupado. Esta família portuguesa começou a aplicar esta estratégia depois de receber ameaças por parte dos "invasores" que os intimidaram e ameaçaram dizendo que iam tomar a propriedade quando se apercebessem que estivesse desabitada. Perante a incerteza de saber qual será o pró ximo imó vel a ser invadido, as famílias e vizinhos de vários sectores da cidade desenvolveram um sistema de defesa que vai desde a instalação de alarmes até ao uso de apitos de alerta, sem falar dos esforços conjuntos para evitar que os invasores ocupem os imó veis. Para muitas famílias que residem em algumas urbanizações acabou, por agora, a vida normal, especialmente nas zonas onde há apartamentos que estão desabitados. As invasões representam um negó cio lucrativo. Na urbanização "Las Plamas", por exemplo, um apartamento invadido fica a valer 150 mil bolívares. As casas que se encontram perto do metro aumentam de valor. E os habitantes não têm nem a possibilidade de recorrer à polícia para pedir auxílio, pois dizem que os funcionários estão do lado dos invasores.

Campos de golfe de Caracas també m podem ser expropriados O "Alcalde Mayor" Juan Barreto afirmou que os campos de golfe da área metropolitana serão expropriados, pelo que vão realizar um estudo que servirá de base para um decreto. "Nós estamos estudando a expropriação de uns campos de golfe que serão convertidos em parques para crianças, em urbanizações para as classes médias", disse aos jornalistas "Eu tenho 5.300 médicos internos, que são profissionais da saúde, dos quais 80 por cento não têm vivenda própria mais sim arrendada", explicou depois, justificando a medida com a pergunta "Que faço eu com estes profisionais?". Barreto disse que em La Lagunita pode ser construída uma urbanização "elegante, confortável e digna para os médicos da classe media", transferindo depois dos campos de golfe para uns terrenos que serão comprados em Guatopo e Guarenas. O responsável sublinhou que a expropriação não será concretizada antes de o estudo ter sido concluído ou antes de ter sido tomada uma decisão definitiva sobre o projecto. "Mas quando eu anuncio isto digo-o como uma possibilidade, como uma alternativa possível e viável. Nós temos que adequar Caracas às suas necessidades", sugeriu. Barreto acrescentou ainda que tinha solicitado aos parlamentares Nicolás Maduro e Darío Vivas a ampliação da Lei das Expropriações por forma a que dotasse das condições para fazer uso de muitos imóveis que pertencem ao Estado e que não têm qualquer utilidade. "Tal como existem particulares que têm imóveis e terrenos sem uso na área metropolitana, também os têm o Estado", observou".


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As sequelas resultantes do viaduto n.º 1 Muitos dos que circulam diariamente na estrada velha de La Guaira fazem-no com medo de perder o emprego. Os taxistas viram aumentar o número de clientes mas queixam-se do mau estado das vias que danificam os seus veí culos. quências sofrem devido às irregularidades que se apresentam ao longo do cadeabreujean@yahoo.com minho. Eles têm a missão de chegar ao destino traçado sem falhas, mas muitas or causa do encerramento vezes não conseguem aguentar o "esforparcial do viaduto n.º 1 da ço" e acabam por sofrer as inevitáveis auto-estrada Caracas-La falhas mecâ nicas, seja por causa do teGuaira, o transporte rodoviá- rreno, seja devido ao "aquecimento" dos rio converteu-se numa dor de cabeça pa- motores que desesperam ligados entre ra muitos habitantes e visitantes da lo- as longas filas que se formam. calidade costeira e citadina. O elevado José de Abreu é um português oriuncusto agora associado à travessia e as do da Ponta do Sol, Ilha da Madeira, que grandes filas de trâ nsito que se formam chegou à Venezuela há cerca de 40 anos. nas diferentes vias alternativas só vie- Desde que pisou o solo deste país, experam complicar a solução do problema. rimentou várias profissões, como carniOs condutores que, por várias razões, ceiro e tratador de cavalos. Mas há oito querem ir a Vargas, passam entre duas anos deu início à profissão que hoje exera seis horas ao volante. Seja para ir ao ce ao investir em dois automó veis paaeroporto, para ir para o trabalho ou pa- ra o transporte executivo privado entre o ra casa. A situação complica-se ainda mais aeroporto de Maiquetía. quando se toma em atenção que as vias Em Dezembro de 2005, o nosso inalternativas que foram destinadas para terlocutor cobrava 60 mil bolívares por a ligação "não se encontram em boas con- viagem até La Guaira, mas agora, dedições", segundo comentaram ao Correio vido à contrariedade de ordem viária, várias pessoas que nelas circulam. o preço aumentou para 150 ou 200 mil Os veículos são os que mais conse- bolívares. Estes montantes são os que Jean Carlos De Abreu

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devem ser pagos pelos clientes fixos para a ida e volta desde o aeroporto venezuelano até Caracas. O emigrante contou que no primeiro dia do encerramento do viaduto as "pessoas pagavam até 500 mil bolívares para subir até Caracas", mas devido às filas que se formavam ao longo da estrada velha e na via de Carayaca, muitos condutores não queriam o serviço. O emigrante natural da Madeira deve subir e descer pela estrada velha várias vezes ao dia para buscar a clientela, já que o serviço que presta é feito através de contactos "entre amigos". De Abreu não tem uma hora fixa para chegar a casa, nem muito menos agora, por estar constantemente a transportar clientes para o aeroporto de segunda-feira até domingo. emprego em perigo Graciela da Silva é outra emigrante natural da Madeira, mais precisamente do concelho do Funchal, que chegou à Venezuela com a sua família. Sempre vi-

veu no litoral, mas agora, devido "ao fecho parcial do viaduto, estou em risco de perder o meu trabalho", disse. Da Silva é uma maquilhadora profissional que trabalha num ó rgão de comunicação venezuelano. A hora de entrada no trabalho está marcada para as seis da manhã, mas em consequência do tráfego que tem de enfrentar todos dos dias na estrada velha para La Guaira tem chegado às onze horas. Estou quase a perder o meu trabalho porque chego tarde… as filas nunca mais acabam", lamentou a maquilhadora, que confessou não acreditar que a nova via alternativa esteja pronta no mês de Fevereiro. Vários colegas da emigrante madeirense escolheram hospedar-se num hotel de Caracas ou arrendar um apartamento até que a normalidade regresse ao litoral central. Da Silva espera que a ligação volte o mais rápido possível de modo a que nenhum "varguense" venha a perder o seu posto de trabalho.


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Conselho não vai ser reduzido para metade "Não está ainda determinado o número de conselheiros, mas não será o número avançado na proposta inicial do Governo, que era uma redução muito drástica. Haverá mais", assegurou Carlos Pereira O CCP é composto por 96 membros e tutelado por um Conselho Permanente constituído por 15 conselheiros. presidente do Conselho das Em Julho passado, o Governo apreComunidades Portuguesas sentou uma proposta de alteração da lei garantiu que aquele ó rgão do CCP, na qual pretende reduzir para de consulta do Governo em metade os seus membros eleitos e nomatéria de emigração não vai ser redu- mear outros, ficando aquele ó rgão com zido para cerca de metade, como pre- um total de 62 conselheiros. visto na proposta governamental de reO secretário de Estado das Comuestruturação do CCP. nidades, Antó nio Braga, pediu então "Não está ainda determinado o nú - uma consulta ao CCP sobre esta matémero de conselheiros, mas não será o ria, tendo aquele ó rgão formado uma nú mero avançado na proposta inicial comissão para manter conversações com do Governo, que era uma redução mui- o governante. to drástica. Haverá mais", assegurou Na segunda-feria, no final da ú ltima Carlos Pereira no final de uma reunião reunião que aquela comissão manteve com o secretário de Estado das Comu- com o governante antes da apresentanidades. ção da proposta de lei na Assembleia Lusa, com Yamilem González

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da Repú blica, Carlos Pereira disse ainda que o secretário de Estado das Comunidades "cedeu" na questão dos conselheiros nomeados, a que o CCP também sempre se opô s. "A nossa proposta é de que existam conselheiros eleitos por sufrágio universal e outros eleitos nas associações", em vez de nomeados por essas colectividades, como previsto na proposta de lei do Governo, explicou o conselheiro. "Estes [o nú mero de conselheiros e a sua eleição para o CCP] são os principais pontos em que discordávamos na propostas de lei. Os restantes são pequenas questões técnicas", acrescentou. Depois de terem debatido a reestruturação do CCP durante um dia e meio

com o secretário de Estado das Comunidades, Carlos Pereira acredita que "o resultado final é uma boa lei". "Pensamos que o secretário de Estado das Comunidades ouviu as nossas propostas e gostávamos que o resultado final fosse o mais pró ximo possível do que defendemos", afirmou. O presidente do CCP adiantou que Antó nio Braga "deve apresentar a proposta de lei na Assembleia da Repú blica nas pró ximas semanas". Sublinhou ainda a "total disponibilidade" do secretário de Estado para debater a proposta de lei com o CCP, bem como a "abertura máxima" de Antó nio Braga para com as propostas dos conselheiros.

Reunião muito produtiva O conselheiro pela Venezuela, Inácio Pereira, que também participou no encontro, disse depois ao Correio que "as reuniões foram muito produtivas", dado que se "alteraram muitas coisas que beneficiaram ambas partes". "Esperemos que o projecto seja aprovado, já que os artigos são muito positivos", acrescentou Pereira. Levantando a "ponta do véu" sobre o projecto, disse que será reduzido o número total de conselheiros no mundo por questões administrativas; o CCP passará a ser um órgão dos Estado português e não do Governo; os conselheiros poderão ser escolhidos por todos os eleitores no mundo, ou seja, participam na eleição toda a comunidade portuguesa incluindo as diferentes câmaras e associações; e um terço do número de conselheiros terá de pertencer a um sexo diferente, para que se garanta a participação de ambos os sexos.


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ACIPAN vai ter escola para padeiros Carlos A. Balaguera

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Associação de Comerciantes e Industriais das Panificadoras do Estado de Carabobo (ACIPAN) inaugurou o Salão de Conferências Banco Plaza, na sua sede de Valência. O espaço possui uma capacidade de 150 lugares sentados e vai servir de palco privilegiado para o ensino teó rico de uma escola dedicada ao pão que inicia as aulas este ano. O presidente da ACIPAN, José Antó nio Pereira, disse ao Correio que o salão onde irá decorrer o ensino prático está quase concluído. "Só estamos à espera da chegada das novas máquinas", disse o responsável, observando que estas são do "mais moderno que se pode encontrar na actualidade", de modo a que "assim se possa preparar não apenas os nossos empregados como também todos os proprietários das padarias, que de certo serão os primeiros alunos pois também precisam de estar a par das novas tecno-

Será possí vel ensinar a arte de confeccionar o pão através da utilização de tecnologia de ponta logias associadas à indú stria da panificação", explicou. De acordo com José Antó nio Pereira, encontram-se também em fase de preparação vários cursos ao nível de atendimento ao pú blico, que terão como destinatários as pessoas que desempenham funções atrás do balcão, "já que a atenção a dar aos nossos clientes é tão importante como oferecer-lhes o pão de melhor qualidade", afirmou o responsável. O salão foi o primeiro passo dado por ACIPAN e Banco Plaza desde que estão juntos, há seis meses, na sede localizada na "Urbanizació n la Viña", em Valência. "Este salão servirá para assembleias, conferências e como espaço onde se oferecerão aulas", observou. O presidente do ACIPAN adiantou

depois ao Correio que actualmente estão filiados na associação 300 só cios a que se juntam cerca de 500 padarias. A abertura da Escola, preconizou José Antó nio Pereira, poderá duplicar o nú mero de só cios em Carabobo, apoio que, assegura, servirá para que seja feito o reconhecimento à ACIPAN pelo esforço que está a realizar em prol da educação da nova geração de panificadores da Venezuela. CORPO DIRECTIVO

DA ACIPAN 2004-2006 Presidente: José Antó nio Pereira Vice-Presidente: Víctor Simões Secretário-Geral: Agostinho De Abreu Sub-Secretário: Francisco Gó mez Tesoureiro: Gerson Tome Sub-Tesoureiro: Fernando de Abreu Relações Pú blicas: Jú lio Fernández Secretário de Recursos: José Dichy Comissário Principal: João dos Santos Comissário Suplente: Eleutério Rodriguez


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Internet diminui burocracia e corrupção Tábita Barrera

tababor@cantv.net

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té há pouco tempo requerer um passaporte venezuelano podia ser considerado uma aventura. Era preciso acordar por volta das três horas da manhãe meterse em filas intermináveis cada vez que era preciso ir a diferentes locais para saber em que estado estava os pedidos formulados. O tempo necessário para se ter o passaporte na mão transcorria de forma consideravelmente lenta, chegando a durar cinco meses ou mais. Hoje em dia, graças à automatização do processo, as coisas parecem ter mudado um pouco, apesar de ainda haver quem diga que as coisas continuam na mesma e que por isso a inovação não trouxe qualquer proveito. Desde 19 de Setembro de 2005 que a maneira de trabalhar mudou na ONIDEX. Enquanto que anteriormente apenas eram emitidos, em média, sete mil passaportes por ano, hoje em dia, aquele organismo tem de atender dez mil solicitações por semana, as quais só podem ser realizadas via Internet. Por esta razão, as fi-

las foram eliminadas e, de acordo com Jú lio César Zamora, coordenador de imprensa do centro, a corrupção praticamente desapareceu. "Antes havia quem se aproveitasse da situação e pedisse dinheiro aos requerentes para ficar nas filas em vez deles ou então para tratar do processo de requerimento de forma mais rápida e sem ser preciso marcar presença no centro", lembrou o responsável, garantindo que estas situações passaram à histó ria. César Zamora garantiu ao Correio que "já não é preciso estar nas filas e que o tempo de espera é cada vez menor, pois uma vez entregues os documentos, o requerente terá o seu passaporte nos 20 a 25 dias seguintes". Mas sempre é preciso realizar uma série de passos a partir da Internet para conseguir obter um novo passaporte da Repú blica Bolivariana de Venezuela. O primeiro deles consiste em entrar na página do organismo www.onidex. gov.ve. Depois, a partir do link "solicitud de pasaportes", os interessados poderão saber como continuar a proceder. O registo prévio do "solicitante" é importante, pois permite que lhe seja enviada posteriormente

uma "palavra-chave" para a sua caixa de correio electró nico, que deverá ser utilizada para levar a cabo na requisição. uma solução para alguns A chefe de passaportes, Melina Salazar, assegurou, por seu turno, que "independentemente das debilidades que a instituição possa ter, nos seus 63 anos nunca os cidadãos tiveram uma resposta tão efectiva como agora". Ao mesmo tempo, explicou ser normal que este novo procedimento se afigure complexo para muitas pessoas, até porque a resistência à mudança está sempre presente em especial quando a tecnologia está envolvida. "O que se está a fazer é um esforço imenso para melhorar a eficiência da ONIDEX, mas para isso precisamos que os cidadãos assumam também a sua quota de responsabilidade", sugeriu Salazar observando que entre as dez mil pessoas que apresentam pedidos semanalmente, apenas oito mil aparecem, mas aproximadamente sete mil são as que estão qualificadas para a requisição, porque na maioria dos casos os dados dos restantes estão desactualizados. Por outro lado, ressalvou, o trabalho que é realizado na corroboração de datas continua a ser feito manualmente, despendendo-se para cada indivíduo cerca de 12 horas. Mais ainda, referiu, a Internet de "banda larga" apenas permite essa quantidade de transmissões por dia. É por isso que alguns requerentes quando tentam preencher um formulário no computador aparece no ecrãque as quotas estipuladas para a semana no centro da sua localidade estão esgotadas e que devem tentar noutra ocasião, explicou a responsável. Graças à sistematização, os cidadãos têm necessidade de ter os seus dados em dia. Estima-se que em 2006 seja feita a entrega de um milhão de passaportes, pois se irão aumentando paulatinamente os limites das solicitações diárias.

Das filas à automatizaç ã o As experiências vividas por quem obteve um passaporte segundo o modelo antigo, por aqueles que conseguiram tê-lo logo a seguir às mudanças e pelos que ainda nem sequer iniciaram o processo de requisição são totalmente diferentes e servem para ilustrar que a sorte, às vezes, joga um papel importante entre os vários casos. Zulma Fuentes dirigiu-se ao edifício da ONIDEX situada na Trinidad em Março de 2005, quando ainda o processo não era automatizado. Entre a sexta e a segunda-feira, esteve fazendo turnos com outras pessoas nas filas para assim não deixar de fazer as suas actividades regulares e, claro, não perder o lugar. "Os guardas do centro comercial tinham uma lista onde tivemos de pôr o nosso nome. Mas eles disseram-nos que tinham maneira de levar as pessoas que pagassem mais para a frente da fila desde que recebessem dinheiro, contou ao Correio. "Nós não pagámos. Revezamo-nos por turnos e até tivemos de dormir ali, o que foi uma experiência algo desumana", disse, lembrando que felizmente foi abençoada pela "sorte" e acabou por receber o seu passaporte em pouco tempo, ao contrário de outras pessoas que foram vários vezes ao centro e voltaram para casa de mãos vazias. William Mariño conseguiu a sua entrevista em 45 dias, após abrir o processo pela Internet. "Solicitei o meu passaporte em 5 de Dezembro do ano passado e quando fui confirmar o andamento dos trâmites na página da web, li que estava pronto. Agora só estou à espera que me chamem para ir levantar o passaporte", contou. Pelo contrário, América Aponte, que até se registou com facilidade, ainda não conseguiu a convocatória, já que é continuamente informada de que as quotas referentes ao lugar onde vive (Município Libertador) estão ocupadas. "Estou tentando desde Outubro e até ao momento nada. Às vezes vou ver à Internet pelas cinco da manhã mas sempre me dizem o mesmo", explica, lembrando que "já não tem de madrugar para se meter em filas, mas continua a ter de se levantar cedo em casa e a estar ligada à web para ver se passa à etapa seguinte e consegue obter o passaporte".

A automatização eliminou alguns vícios, mas ainda não conseguiu combater a lentidão dos processos.


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12.833 portugueses podem votar Este é o número final de portugueses residentes na Venezuela que poderão votar nas próximas eleições para Presidência da República de Portugal. sulado de Caracas, lembrou, vai dispor de três mesas de votação, em cada qual vai estar preVenezuela também sente um membro, como dita se converteu em a lei. O horário será das oito da sede eleitoral das manhã às sete da tarde. pró ximas eleições presidenciais portuguesas, já Prestar mais atenção que os consulados gerais e hoO Cô nsul-geral de Valênnorários do país vão estar acti- cia, Rui Monteiro, assegurou vos nos dias 20, 21 e 22 de Ja- que o nú mero de inscritos nesneiro para receber todos os ta zona aumentou um pouco, portugueses que estejam legal- obtendo um total de registros mente inscritos e aptos para na área consular de 1.637 pesexercer o seu direito de voto. soas. Em Valência, o nú mero As votações vão desenrolar-se de inscritos foi de 609. A sede nos consulados gerais da Ve- de votação neste estado será o nezuela, ou seja, em Caracas e Consulado Geral de Portugal, Valência, e nos consulados ho- "calle 148, n.º 101-27, Urb. Canorários. rabobo. Nela estará disponível O Cô nsul-geral de Caracas, uma mesa que receberá os voFrancisco Teles Fazendeiro, tos entre o horário acima refelembrou que segundo as leis rido. portuguesas o registo dos voTal como o seu homó logo, tantes é obrigató rio se a pes- Rui Monteiro apela a particisoa conta com residência por- pação dos eleitores que estão aptuguesa. E esse processo de re- tos a votar. Mostrou-se também gistro realizou-se no Consulado satisfeito com o trabalho que de Caracas até ao fim do mês está sendo realizado pelos conde Novembro, o qual terminou sulados honorários no sentido com um total de 11.196 pessoas de conseguir registar mais pesinscritas nesta área consular. soas. "Espero que o nú mero de O responsável consular registrados continue aumenafirmou depois que as pessoas tando nos pró ximos anos e que se registaram apó s este que as pessoas prestem mais mês não poderão exercer o di- atenção às eleições", disse. reito de voto nestas eleiç ões zona consular mas sim nas pró ximas. Os requisitos básicos para de caracas poder votar são possuir o bilhete de identidade ou o passaporte europeu. Caso não tenha nenhum destes documentos, os interessados terão de apresentar algum documento venezuelano que certifique a sua identidade, desde que não se detectem problemas com a mudança de nomes e apelidos. "Os nú meros não aumentaram muito, mas se os compararmos com os de anos anteriores, vemos que as pessoas estão mais entusiasmadas. Apesar disso, há que esperar pelo resultado das eleições para ver como foi a receptividade", observou o Cô nsul português. Este responsável aproveitou a oportunidade dada pelo Correio para enviar uma mensagem à comunidade para que os seus membros vã votar e cumprir com o seu dever, porque é dessa forma que também contribuem com Portugal. O Con- Rui Monteiro Yamilem González

A

curaçao O Cô nsul Honorário de Curaçao, Carlos de Sousa, desconhece o nú mero de pessoas inscritas nesta área, mas sabe que apenas uma mesa estará disponível para os votantes da região durante os três dias da eleições, entre as oito da manhã e até que se verifique a fluência de eleitores. Carlos de Sousa disse que no decurso do ano passado e durante o tempo de inscrição para os cadernos eleitorais, não se verificou novos registos e pessoas, o que é o mesmo que dizer que o nú mero não vai variar em relação às eleições anteriores. margarita Segundo o cô nsul honorário de Margarita, Juan Nolasco, estão registadas nesta área, que contará também com apenas uma mesa, um total de 85 pessoas. O local da votação será numa sala do edifício do consulado honorário de Margarita, Central Guacuco, piso 1, Ofc. 5, Crucero de Guacuco, La Asunió n, que estará aberto também entre as oito da manhã e as sete da noite. Nolasco prefere esperar pelo dia das eleições para tirar as conclusões quanto à receptividade dos votantes, já que no

ú ltimo acto eleitoral, das 85 pessoas inscritas, só sete exerceram o voto. "Espero que nestas eleições não aconteça o mesmo e que a pessoas estejam animadas para votar", vaticinou, lanç ando também um apelo que para todos os residentes exerçam o direito que lhe assiste e colaborem com Portugal". zona consular de Valência maracay Um total de 247 inscritos estão aptos para votar no Consulado de Maracay, nas cinco mesas que serão colocadas no seu edifício, está localizado na Avenida Bermú dez com a Avenida Aragua, CC Macaracuay, planta alta 71F, também entre as oito e as sete. O Cô nsul Honorário de Maracay, Marcelino Canha, disse que apesar desta baixa percentagem de inscritos, nota-se que as pessoas estão um pouco motivadas com estas eleições. Além disso, referiu que se estabeleceu o desafio de se conseguir um total de 1.500 a 2.000 pessoas inscritas no ano de 2006 e de alcançar a meta das 5.000 pessoas inscritas para as pró ximas eleições presidenciais. Barquisimeto

O Cô nsul Honorário de Barquisimeto, Pedro Ferreira, explicou que a ú nica mesa de votação que vai estar aberta nos três dias das eleições conta com 300 pessoas registadas. Estas são esperadas entre as oito da manhã e as sete da noite na sede do consulado honorário, situada na Avenida Moran, entre as estradas 23 e 24, edifício Adicora. Pedro Ferreira, que também apelou à participação dos votantes, comentou ainda que as inscrições nos cadernos eleitorais não sofreram alterações em relação ao nú mero de pessoas que estavam registadas anteriormente. maracaiBo Esta localidade não conta actualmente com um responsável consular. Mas o cô nsul anterior, Jesuiño Brito, vai colaborar com o processo eleitoral de modo a que as 531 pessoas inscritas possam exercer o seu direito e dever na mesa que será disponibilizada na antiga sede do Consulado Honorário de Portugal, à "Calle 72, n.º 3C46, PA, Sector La Lago, também entre as oito e sete. Refira-se que as eleições passadas na zona de Maracaibo foram das que mais participação de votantes obteve. Segundo o Cô nsul de Valência, a comunidade portuguesa que reside nessa zona é muito activa, facto que é de salutar. san cristó Bal O Cô nsul Honorário desta zona, Armindo Ferreira, disse que não haverá aqui eleições porque a percentagem de inscritos é muito baixa, apesar de não possuir um nú mero exacto. O responsável disse que desde o momento que assumiu o cargo, em Maio ú ltimo, foram poucos os que prestaram atenção ao processo eleitoral em curso. Contudo, deixa a promessa de se empenhar com mais afinco nas pró ximas eleições por forma que o nú mero de inscritos cresça.

Fernando Teles

mérida: entre as oito e as sete será colocada uma mesa no Hotel La Pedregosa para os votantes desta zona.


CORREIO DE CARACAS - 19 DE JANEIRO DE 2006

Venezuela 11

seis candidatos presidenciais

No dia 22 de Janeiro são as eleições presidenciais em Portugal. Para os emigrantes é difí cil ter uma ideia clara dos candidatos devido a pouca publicidade da campanha fora do Paí s. É precisso começar por dizer que cinco deles vão apoiados por partidos polí ticos.

António Garcia Pereira

Francisco Louçã

Manuel Alegre

Aní bal Cavaco Silva

Advogado e professor universitário. Nasceu em Lisboa em 1952. Na política desde os 20 anos. Candidateado pelo PCTP/MRPP em várias ocasiões: eleições legislativas e autárquicas pelo círculo de Lisboa, além de ter sido candidato às ú ltimas eleições presidenciais em 2001. Deita culpas à alternancia PS-PSD por ter elevado o índice de desigualdade de repartição de rendimentos do Estado. Na sua opinião, 'trinta anos apó s o 25 de Abril, a anti-cultura do oportunismo, do "vira-casaquismo" do "lambebotismo" e do medo está instalada de alto abaixo na sociedade portuguesa'. Portugal tem assim 'uma ditadura substancial, disfarçada sob o manto diáfano de uma democracia cada vez mais formal e mesmo de opereta'.

Deputado e coordenador do Bloco de Esquerda que pretende combater o conservadorismo e as 'elites dominantes' em Portugal. É economista, 49 anos. Participou da luta contra a ditadura e a guerra no movimento estudantil dos anos setenta, foi preso na Capela do Rato (Dezembro de 1972); libertado de Caxias sob caução. Eleito deputado por Lisboa em 1999, reeleito em 2002 e em 2005. No Parlamento, pertence às comissões da área de economia e finanças e, durante uma legislatura, pertenceu igualmente à comissão de liberdades, direitos e garantias. É grande defensor da idualdade social e projectos sobre a criação de um imposto sobre as grandes fortunas, sobre as regras para o levantamento do segredo bancário, etc.

Mário Soares

Jerónimo de Sousa

Primeiro-ministro entre 1985-1995. Contou com maioria absoluta durante 8 anos. Perdeu as presidenciais de 1996 para o actual chefe de Estado, Jorge Sampaio, e volta agora a candidatear-se tras dizer varias veces que ser presidente não fazia parte das suas ambições políticas. Vae apoiado pelo PSD e CDS-PP. Para o 14 de Janeiro tinha 56,8% de apoio dos eleitores. Ao apresentar a sua candidatura à Presidência da Repú blica, fundamentou a sua decisão num imperativo de consciência, declarando que, como Presidente, contribuirá para abrir caminho à esperança e ajudará Portugal a vencer as dificuldades em que está mergulhado e a construir um futuro melhor para os portugueses. É uma aposta à segunda parte, vamos ´la ver si ela é boa.

Fundador do PS, 81 anos. Esta é a sua terceira candidatura à Presidência da Repú blica, cargo que ocupou de 1986 a 1996. Tinha prometido de dicar-se à escrita mas não deixou a política e foi trabalhar no Parlamento Europeu, em Estrasburgo. Em 2004 voltou a garantir que se iria afastar para ficar como um "político na prateleira"; em Junho do mesmo ano foi escolhido para mandatário nacional do PS às eleições europeias. Conta com o apoio de José Só crates quem lhe prometeu 'o apoio do PS e do país'. Este apoio, de acordo Soares, mudou as circunstâ ncias do seu 'retiro' político. Uma sondagem do dia 14 diz que as intenções de voto pela sua candidatura não chega a 13%.

Eleito secretáriogeral do PCP no congresso de Novembro de 2004. Com 58 anos é um candidato que repete: já se candidatou em 1996 mas desistiu a favor do actual Presidente da Repú blica, Jorge Sampaio. Tem criticado a sistema capitalista e a acumulação de riqueza familiar; é um lutador pela igualdade hacia abixo das classes sociais, estima que a 'pobreza e a exclusão social, tal como a riqueza excessiva têm causas imediatas mas também profundas, que é preciso combater e extirpar da nossa sociedade'. Promete uma revolução longe de 'meras medidas de cosmética' e 'promover uma real mudança de orientação política e garantir uma verdadeira intervenção política transformadora'.

Com fama de poeta, este deputado do PS avança sem apoio do seu partido. Pensou que tinha o caminho libre quando Antó nio Guterres e Antó nio Vitorino decidiram não se postularem as presidenciais, no entano o partido favoreceu a Mário Soares. Tem amplo expediente político: Deputado na Constituinte, Secretário de Estado da Comunicação Social no I Governo Constitucional e vice-presidente da Assembleia da Repú blica. Estima ser um candidato dum amplo movimento cívico de amplitude nacional. Iniciou a sua campanha no dia 8 de Janeiro no Forte de Peniche em homenagem a aqueles que lutaram pela Liberdade em Portugal. Uma sondagem do dia 14 diz que tem 15,6% das intenções de voto. Depois de pedir a bênção a Miguel Torga, 'Viriato da portugalidade, da poesia e das letras', citou-o para lembrar ao povo o 'terrível poder de construir além de qualquer aparelho partidário.

FELIPE PEREIRA TRADUTOR OFICIAL l Traduções l Obtenção

DE

DA

COSTA

PORTUGUÊS - ADVOGADO

em Geral.

de certidões de Nascimento em Portugal.

l Escritórios

em Portugal (Revisões de Sentenças de Divorcio e Heranças, etc)

l Obtenção

História dos presidentes da República Na I República: Manuel Arriaga (designado em 1911); Teófilo Braga (em 1915); Bernardino Machado (em 1915 e uma segunda vez em 1925); Sidónio Pais (28Abril-1918; assassinado em funções); Canto e Castro (16-Dezembro-1918; António José de Almeida (Agosto de 1919); Teixeira Gomes (Agosto de 1923); Mendes Cabeçadas (sucede a Bernardino Machado a 31-Maio-1926); Gomes da Costa (assume a 17-Junho, também por pouco tempo) Durante a vigência do Estado Novo (1926-1974): Óscar Carmona (25-Março-1928; reeleito sem opositor em 1935, 1942 e 1949; 25 anos); Craveiro Lopes (Julho-1951 até Julho 1958; 7 anos); Américo Tomás (Julho-1958; reeleito em 1965 e 1972; 16 anos). Após o 25 de Abril de 1974: General António de Spínola (15-Maio até 30-Setembro-1974); General Costa Gomes (30-Setembro-1974 até Junho-1976, primeiras eleições livres); General Ramalho Eanes (Junho-1976 até 1986; reeleito em 1980); Mário Soares (16-Fevereiro-1986 até Janeiro-1996; reeleito em 13-Janeiro-1991) e Jorge Sampaio (Janeiro-1996 até Janeiro-2006; também reeleito)

de Assentos de Nascimentos, Casamento, ou de Óbito, na Venezuela.

l

Aquisição da Nacionalidade (os seus pormenores)

l Legalizações

perante os Registos Principais, Ministérios correspondentes, Colégio de Médicos, assim como outros organismos competentes.

l Outros

assuntos, favor consultar.

Horário: 8:00 a.m. - 1:00 p.m. Segunda Avenida de Campo Alegre, Edifício Credival, (ao lado do Consulado Geral de Portugal), Piso 7, Ofic. 104, Chacao, Caracas, Venezuela.

e-mail:felipepereira@cantv.net Telefone: (212) 267-60-51

263-69-77 Telemóvel:(0414) 235-97-06


12 VENEZUELA

CORREIO DE CARACAS - 19 DE JANEIRO DE 2006

Em busca do passado Daniel Jardim é um caricaturista uruguaio que soube construir uma carreira prestigiante fruto do trabalho que desenvolveu em importantes jornais da América Latina. Aos 40 anos deu iní cio à procura das suas raí zes lusitanas. dizer que desde pequeno recebi incentivos para continuar praticando tanto por parte da minha família como também das minhas professoras da escolha primária. Foi apenas no secundário que descobri o meu interesse pela caricatura, sendo as minhas primeiras "vítimas" os professores. Aos 16 anos comecei a publicar caricaturas na imprensa, num semanário da oposição à ditadura.

Liliana da Silva

lilianadasilva19@hotmail.com

A

s novas tecnologias e, mais concretamente, a Internet contribuíram para melhorar a comunicação entre as várias nações que compõem o Mundo. As barreiras tecnoló gicas e geográficas foram reduzidas a bits. Foi a partir da "superautoestrada" da informação que o luso-descendente Daniel Jardim, que vive no Uruguai, se encontrou com o Correio de Venezuela, com a motivação de investigar as suas origens e a relatar a sua histó ria. "Quando encontrei o vosso jornal, decidi aprofundar a histó ria da minha família. E a busca da informação transformouse num desafio que me possibilitou reencontrar com dados que considero importantes para o conhecimento do meu passado. Daí que tenha de vos agradecer", começou por dizer o interlocutor. É certo que este caricaturista, cujo trabalho é reconhecido na sua terra e inclusivamente em alguma outras nações da América Latina, conhecia a origem lusa do seu apelido, mas a verdade é que nunca estabeleceu um contacto com a cultura dos seus antepassados. Apesar disto, sempre manteve intacto um desejo de conhecer o seu passado, um trabalho que nunca se afigurou como fácil. "O meu vínculo com Portugal surge com o meu tetravó ,

que era natural desse país. Tenho muito poucos dados acerca dele, já que se trata de uma pessoa que viveu a maioria da sua vida no século XIX. Mas tenho procurado mais informações, até porque sempre senti admiração pelos portugueses. É algo que se leva no sangue", confessou Jardim. Uma investigação que incidiu sobre arquivos documentais permitiu-lhe encontrar o nome do seu tetravô e saber que se tratou de um homem que participou no desenvolvimento de Montevideu, exemplo que foi continuado pelo filho, Mário Benito de Jesus Jardim Gó mez, que em 1886 foi responsável pela introdução da luz eléctrica ao instalar a primeira central de luz incandescente naquela cidade.

"Foi um grande privilégio poder encontrar-me com a minha histó ria, pois pude confirmar a imagem de homens trabalhadores e criativos que está associada aos portugueses", disse. Apó s algum tempo passado no Uruguai, Joaquim Pedro Jardim partiu em viagem pelo continente americano sem saber ao certo qual destino rumava. "É aqui que se acabam as pistas e as fontes. Quem sabe se não aparece alguém na Venezuela que, ao ler este texto, venha a apresentar-me mais algum dado", vaticina Daniel Jardim, acrescentando que gostava de ir a Portugal para se encontrar com as suas "raízes". UmA cArrEirA Artí sticA

Daniel Jardim herdou a criatividade do tetravô e bisavô , embora orientada para o desenho. E o dom que passou de geração em geração, e que tem revelado na arte da caricatura, tem obtido inú meros reconhecimentos, tanto nacionais como internacionais. São mais de 20 anos de trabalho que lhe permitiram publicar os seus trabalhos em ó rgãos de comunicação como o "Nuevo Heraldo de Miami", "Últimas Noticias de Montevideo", "El Día de Buenos Aires", entre muitos outros. O desenho tem sido, e é, a sua maior paixão. Quando nasceu esse gosto pelo desenho? Não posso precisar ao certo o primeiro momento em que contactei com o desenho. Mas posso

Que tipo de preparação precisa um caricaturista? Apesar da licenciatura em Ciências da Comunicação na "Universidad de la Republica", não tive formação académica no plano gráfico. Tenho sido um autodidacta na área que abracei, condição que, apó s tantos anos, se pode considerar virtuosa mas não totalmente feliz, pois a aprendizagem formal das técnicas teria servido para encurtar caminhos que levei muitos anos a percorrer. O que é que procura com a caricatura? A caricatura representa para mim a busca da essência de uma determinada personalidade no que toca à sua representação física. Gosto de transmitir alguma constâ ncia nas expressões dos rostos, dado que considero que isso é altamente comunicativo para os desenhos, geralmente os que não vêm acompanhados de texto.


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veNeZUeLA 13

Nascem mais escolas em Carabobo e Cojedes Carlos A. Balaguera

C

om a presença do cô nsulgeral de Valê ncia, Rui Monteiro, e do presidente da Câ mara de Montalbán, Tulio Salvatierra, foram oficializadas as actividades da escola de português na cidade de Bejuma, que contou com uma inscrição inicial de vinte alunos, grupo composto por luso-descendentes e venezuelanos, que habitam nos municípios de Bejuma, Montalbán e Miranda. A comunidade portuguesa e amigos organizaram uma cerimó nia para assinalar o acto onde o professor Manuel Alves de Oliveira fez questão de destacar que é a primeira vez que um cô nsul-geral visitava aquela região, que é muito conhecida na Venezuela pela produção de laranjas. O docente destacou igualmente que também se deram início às aulas na escola do município Tinaquillo no estado Cojedes. Esta localidade, precisou, conta com 15 alunos inscritos. Por seu turno, o jovem presidente da Câ mara de Montalbán, Tulio Salvatierra, expressou a sua satisfação pelo início das aulas de português na sua localidade. "Sentimo-nos orgulhosos

Bejuma, Montalbán e Miranda, três municipios do estado Carabobo, criarão escolas para o ensino da lí ngua portuguesa. por poder aprender a comunicar neste idioma" disse, fazendo votos para que o nú mero de alunos inscritos sirva de "estímulo para que se multiplique esta sementeira de ensino da língua portuguesa". O autarca aproveitou ainda a ocasião para agradecer o contributo que Consulado-Geral de Valência vem dando no â mbito do acompanhamento da comunidade portuguesa. A seguir, o cô nsul-geral Rui Monteiro observou que na sua jurisdição, que abrange 13 estados, foram criados, durante o ano passado, novos cursos em Maracaibo, Ciudad Ojeda, Mérida, San Cristó bal, Tinaquillo e, agora, em Bejuma. "A criação destas escolas faz com que aumente o nosso compromisso para com a divulgação da cultura portuguesa", disse depois o responsável consular, lembrando que há um mês abriram os cursos através da Internet, que servem de complemento ao ensi-

no da língua portuguesa que se processa nos estabelecimentos de ensino. Lourdes de Oliveira é uma das pessoas que vão beneficiar das novas aulas. Contou ao Correio que fala português de desde pequena, mas nunca aprendeu a escrever a língua. Mas agora que que o curso está disponível, toda a sua família vai aperfeiçoar os conhecimentos sobre a língua de Camões. Convidado a tecer algumas impressões sobre aquele momento, o professor venezuelano na Universidade

Simó n Rodríguez, o médico Jesú s Noguera, disse a este semanário que a "cultura portuguesa, que se encontra disseminada por vários continentes, me está ajudando a encontrar-me com a comunidade". Para o docente universitário, "conhecer ou entender melhor o ser humano é para mim um enriquecimento cultural e, além disso, há que reconhecê-lo, o português possui um cultura muito aberta e a língua é muito româ ntica".


14 TRAÇOS DE PORTUGAL

Sesimbra a pérola da costa Azul Liliana da Silva

lilianadasilva19@hotmail.com

P

erto de Lisboa, limitada pelo Seixal e Setú bal, está Sesimbra, a cidade escolhida para esta edição de "Traços de Portugal", um viagem pela geografia portuguesa que pretende levar os leitores através destas linhas as belezas da terra lusitana. O mar e o clima fazem daquela cidade um destino caracterizado por paisagens majestosos, de grande beleza, que podem ser apreciados a partir de vários â ngulos, como seja desde do Castelo, o Forte do Cavalo, do Facho ou de Palames. São 206 quiló metros quadrados cheios de histó ria, tradições, festas, boa mesa e gente animada. A localização geográfica pró xima do mar dotou a região de Sesimbra de um importante histó rico. O oceano foi protagonista de muitas legendas e relatos que têm passado de geração em geração e que reflectem duas visões dife-

Praias de água cristalina e areias douradas formam a paisagem predominante na zona de Sesimbra. Deleite-se com estas visões que se complementam com um espaço natural cheio de pinhais e lagoas. rentes acerca dos sesimbrenses: os que se sentem vulneráveis antes a constante ameaça de converter-se em vítimas dos piratas e mercenários, que na época dos descobrimentos destruíam e saqueavam as cidades costeiras; e aqueles que viram no mar uma porta aberta para o mundo, daí que a participação dos sesimbrenses, muitos deles tripulando as caravelas que rasgavam os mares em busca de novas terras, foi importante. Sobre o assunto, o historiador Rafael Monteiro escreveu que "os mari-

nheiros de Sesimbra ficaram célebre como pilotos muito capazes. Quando terminou o brilhante empreendimento do Império da Í ndia, Sesimbra, exausta e desfalcada, viu-se reduzida a metade da sua população anterior". A importâ ncia da presença do mar em Sesimbra está patente no Museu do Mar, monumento que foi criado pelo Governo em honra dos pescadores deste concelho português. No local podese apreciar parte do patrimó nio e dos instrumentos que estes homens utilizaram, e ainda utilizam, nas suas jornadas diárias de trabalho, já que apesar de o sector do turismo ganhar cada vez mais importâ ncia em Sesimbra, a actividade econó mica principal continua sendo a pesca. Tanto assim é que, para além das suas paisagens e praias, Sesimbra é reconhecida internacionalmente pela qualidade e os sabores dos seus peixes e mariscos pescados nas suas costas. Esta fama serviu também para tornar o peixe no fundamento da sua excelente gastronomia.

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Monumentos a visitar Se é uma pessoa que já desfrutou de praias cristalinas descanso sob as suas suaves areias ou praticando desportos aquáticos como o surf ou o windsurf, então recomendamos-lhe que vá conhecer alguns monumentos históricos e arquitectónicos que fazem parte de um roteiro de visita obrigatória para os que se aventuram em conhecer Sesimbra. Já agora tome nota dos lugares caso esteja a pensar em visitar Portugal proximamente. • Castelo de Sesimbra: situado numa colina sobranceira à cidade, o castelo está rodeado pelas montanhas da Serra da Arrábida, com excepção de uma abertura a Sul, por onde se pode avistar o mar e parte do centro histórico de Sesimbra. Não se conhece a origem da ocupação do lugar, mas sabe-se que foi mudou de mãos mouras para Dom Afonso Henriques, depois outra vez muçulmanas até fica com Dom Sancho. No seu interior podem-se observar diversas ruínas e a igreja de Santa Maria do Castelo, fundada na segunda metade do século XVIII. • Museu Municipal: tem o seu espólio distribuído por duas salas, sendo composto por colecções representativas da Arqueologia e Etnografia da região. • Igreja da Misericórdia: Fundada no século XVI, foi muito modificada posteriormente. Numa pequena dependência pode visitar-se um pequeno núcleo de arte sacra. • Capela do Espírito Santo dos Marinheiros: foi fundada com um hospital em anexo nos finais do século XV. Teve de ser reconstruída no séc. XVIII. Há vestígios da construção primitiva no subsolo. • Fortaleza de Santiago: inclui um forte e uma prisão. Edifício seiscentista mandado construir por Dom João IV. • Forte do Cavalo: a sua estrutura ergue-se em posição dominante a Oeste da baía de Sesimbra. Integrou, no passado, a linha defensiva do trecho do litoral denominado hoje, em termos de turismo, como Costa Azul, e que, no século XVII, se estendia de Albarquel a Sesimbra, complementando a defesa da importante povoação marítima de Setúbal. Fonte: www. Cm-sesimbre.com

Pistas de Sesimbra: • Localização: O município de Sesimbra é limitado a Norte pelos municípios de Almada e do Seixal, a nordeste pelo Barreiro, a leste por Setúbal e a sul e a Oeste tem litoral no Oceano Atlântico. Está composto por três freguesias: Castelo, Santiago y Quinta do Conde. • População: no ano de 2004, a população era de 44.046 habitantes, relativamente jovem a sua maioria, com idades compreendidas entre os 15 e os 44 anos. • Actividades económicas: a agricultura, a pecuária e a Pesca são as actividades predominantes da zona, não obstante existam algumas indústrias extractivas e transforma doras, Electricidade, Gás e Água, Construção e Obras Públicas, Comércio, Indústria hoteleira, etc..

• Origem do nome: existem várias hipóteses sobre o nome Sesimbra. Uma delas assegura que provém de Zambra, de origem Romana. Outros afirmam ter sido Sesimbrigue, de origem Celta ou ainda Caspiana. • Festas e romarias: são muitas as festas que esta povoação celebra ao longo do ano: algumas de origem popular, como o Carnaval e a festa dos santos populares, e de origem religiosa como Nossa Senhora da Conceição de Alfarim, Nossa Senhora da Luz, São Tiago, entre muitos outros. • Actividades recreativas: dado que possui várias praias com excelentes condições, em Sesimbra se pode praticar diversos desportos aquáticos como o surf, bodyboard y windsurf, sem esquecer, obviamente, a pesca.


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LAZER 15

Ser português no estrangeiro é ser mais português O cantor Roberto Leal destaca o trabalho dos portugueses da diáspora que criaram clubes e associações com o objectivo de conservar a sua cultura ticipou na organização do campeonato europeu interpretando o hino nacional e através de uma canção que escreveu er emigrante é um ac- para a "selecção das quinas". "Aquela festa não pode parar. Uma to de amor e coragem, de pessoas com muita bandeira em todas as janelas das cidafé que deixam as ú ni- des portuguesas produz uma emoção cas coisas que conhecem para ir à que tem de prolongar-se", observou, esterra de ninguém", explica o cantor clarecendo que o disco surgiu "nessa luso Roberto Leal, um dos artistas linha de optimismo e que até deu coque participou no programa espe- ragem para que puséssemos o "meu roscial "Natal dos Hospitais", produzido to pintado na capa do CD. Não pintaria pela RTP e transmitido para o mun- o meu rosto sem que primeiro tivesse do inteiro. pintado do meu coração", sublinha RoRoberto Leal nasceu na região por- berto Leal. tuguesa de Trás-os-Montes, na aldeia A mú sica que apresenta o álbum de Vale da Porca, e foi baptizado com o "Alma Lusa" dá pelo nome de "A grannome de Antó nio Joaquim Fernandes. de viagem", canção dedicada à angú sEm 1962 emigrou para o Brasil mais a tia resultante do facto de se ter de passua família. Foi nesse país que começou sar por vários rios para se puder chegar a estudar mú sica e canto e onde aca- a um destino quando o que se quer é bou por ter a sua primeira grande opor- desaguar no mar. Quando se está longe, tunidade para gravar um disco na Gra- maior é a necessidade de cantar Portuvadora RGE. A carreira a sério come- gal. çou com a canção "Arrebita", no ano de Brasileiro em Portugal. Leal cantou, 1971, quando se deu também a sua pri- desde o início, para a emigração e sobre meira aparição em televisão. tudo o que a ela diz respeito. A sua misLeal já realizou até hoje, aproxima- são foi sempre cantar fora porque a sua damente, mais de 5.000 espectáculos por vida musical começou também no extodo o mundo e já vendeu mais de 17 terior e também porque as comunidades milhões de discos, tendo mais de 300 portuguesas espalhadas pelo mundo ascanções gravadas, 80% das quais são da sim lhe pediram. sua autoria. Actualmente acaba de apreRoberto Leal, em conversa com o sentar um projecto no Casino de Estoril, Correio, destacou o trabalho dos porchamado "De Jorge Amado a Pessoa", tugueses noutras terras, enfatizando o em honra de dois grandes ícones da cul- carinho que revelaram na criação de astura luso-brasileira. É um êxito no Bra- sociações e clubes dedicados à gastrosil e será brevemente divulgado em for- nomia e folclore e uma série de acções mato CD e num programa de televisão. que lhes permitiram manter os seus cosPara além disso, acabou de gravar tumes. um disco intitulado "Alma Lusa", inspi"Sempre foi mais fácil ser português rado no euro 2004. Amigo do treinador em Portugal, que ser português nos Esda Selecção Nacional de Futebol de Por- tados Unidos, em França, na África do tugal, Luiz Filipe Scolari, o cantor par- Sul ou na Venezuela, porque têm de Sandra Rodrí guez

"S

procurar uma maneira para se inserirem nos costumes e tradições de espaços diferentes. Nos clubes, os filhos e os netos dos emigrantes têm o primeiro contacto com a cultura portuguesa. Esta possibilidade é a forma mais completa da manutenção do que somos", realçou o artista luso-brasileiro. Para Leal, ainda não existe uma política que apoie e desenvolva numa dimensão apreciável o aspecto acima descrito "porque os dirigentes que podem fazer alguma coisa conhecem essa vocação natural dos portugueses dispersos pelo mundo, condição de criação e sustento do que são". Apesar de saber que as coisas ocorrem actualmente de uma forma muito mais rápida e que o mundo da comunicação exige menos tempo para a transmissão da mensagem, Leal faz questão de manifestar a sua preocupação pelos lugares que não se inquietam com a

Todas as artes num só espaço Terminou a XI Semana Cultural da Ilha, onde foi apresentada uma proposta para a inclusão da música tradicional madeirense e obras de alguns escritores oriundos da região nas escolas Sandra Rodrí guez

A

XI Semana Cultural da Ilha, organizada pela Casa do Povo da freguesia com o mesmo nome, evento que já constitui uma referência promocional de hábitos e costumes no Concelho de Santana , encer -

rou recentemente, e com êxito, as suas actividades.

Carregadas de diversas iniciativas culturais, entre conferências e exposições, cinema e literatura, danças e representações teatrais, o evento ofereceu assim uma parte da riqueza cultural madeirense, especialmente as tradições do meio rural, antes desprotegido.

"Devemos conhecer, amar e promover as nossas raízes culturais, transmitindo-as às novas gerações e aos visitantes que anualmente passam pela nossa Região", disse, na ocasião, o presidente da Casa do Povo da Ilha, Antó nio Trindade. O responsável propô s então a realização de um projecto dedicado à mú sica tradicional ma-

perda das raízes. "Quando você deixa de ser aquilo que é, corre os risco de não ser ninguém porque não conquista o que queria e deixa de ser a ú nica coisa que era. O ser humano não pode nunca separar-se do seu verdadeiro sentido, da sua missão, da sua necessidade para a sua realização como pessoa", afirmou Roberto Leal. Segundo o cantor, "a globalização tornou possível cantar num lugar e ser observado por todo o mundo. Graças a isto, as oportunidades de promoção são maiores, há mais veículos de transmissão, o que permite que possas satisfazer quem te observa, saciando a sua necessidade espiritual". Portugal é um país fechado, com preconceitos, onde tudo se decide em Lisboa e onde a emigração musical, em princípio, teve muitos problemas, que agora foram reduzidos, assinalou. "É importante que não tenhamos vergonha de ser quem somos, porque o mais bonito que o ser humano tem é a sua filiação", disse, contando que se tornou num "pessoa respeitada no Brasil porque nunca tive vergonha de ser português e sempre mostrei o mais bonito do meu país", sublinhou o cantor. Madredeus, Dulce Pontes, Mariza, são alguns dos intérpretes que Roberto Leal admira pois entende que eles acreditaram e apostaram na essência da mú sica portuguesa. "Muitos jovens interessaram-se pela nossa mú sica e isso é uma prova e que tudo está no seu lugar, porque durante muitos anos, o fado e o tradicional eram coisas do passado. Mas as pessoas estão entendendo que a cultura de um país é como o amor: está sempre na moda", lembrou o cantor.

deirense para ser levado a cabo nas escolas da Região, onde também seriam estudas as obras de alguns escritores naturais do arquipélago. No Centro Cívico da Ilha, durante uma semana, estiveram reunidas personalidades como Nelson Veríssimo, Mário André, Nélia Alves, Danilo Fernández, João Adriano Ribeiro e Graça Mateus, tendo ocupado muito tempo a debater aspectos importantes relacionados com o folclore, a tradição, a ruralidade e a ecologia da ilha. Representantes da Associação de Escritores da Madeira também marcaram presença e lançaram a ideia de contar em livro

a vida e obra de Baltazar Dias, dramaturgo nascido na Região. Voltando ao evento, refira-se que os vários momentos de animação estiveram a cargo do Grupo de Cordas e Danças da Casa do Povo da Ilha, do Grupo Recreativo da Casa do Povo de são Roque do Faial, do Grupo de Folclore de Santana, do Grupo "Os Camponeses", do Ensamble de Clarinetes, Dixie Band, Curso Profissional de Dança do Conservató rio Escola de Artes da Madeira e de Carlos Aveiro, que teve as honras de encerrar este vastíssimo programa de entretenimento cultural com o espectáculo "Magia das Marionetas".


16 CULTURA

CORREIO DE CARACAS - 19 DE JANEIRO DE 2006

Belchior, Gaspar e Baltasar João da Costa Lopes

jdcosta_99@yahoo.com

Realmente não eram três. Não eram reis. Não tinham esses nomes... É uma estó ria que vale a pena contar. E aqui vai ela. A primeira menç ão destes magos aparece em São Mateus, no ú nico evangelho que a eles se refere, ainda que sem muitos detalhes que ajudem a esclarecer dú vidas várias. Em princípio, foram dois, três, quatro ou sete e chegaram mesmo a totalizar doze, como ainda o são para os ortodoxos. A desordem manteve-se até que São Leão I, papa do século V, decidiu que os reis ou os magos eram três. Porquê três? Há falta de uma boa explicação, temos duas ou três e quem sabe se mais. Uma delas afirma que essa era a quantidade certa porque cada um deles representava as famílias que descendiam do patriarca Noé: Jafé, Sem e Cam. Boa, não é? E que tal esta? Eram três porque assim representavam as três idades do homem: infante, adulto e velho. Querem outra? Sendo três correspondiam-se com as três raças humanas conhecidas até então e que coincidiam, não por acaso, com as três grandes regiões da época: Europa, Ásia e África. Como é ó bvio,

cada explicação nasceu em tempo diferente e, por exemplo, Baltasar preto só aparece no século VII, graças ao teó logo inglês Beda (672-735). . Aparentemente, nasceu só de palavra, porque foi necessário aguardar até ao século XIV para o ver numa representação pictó rica. Por certo, Baltasar também foi pintado como índio latino-americano, depois do achamento da América por parte de Colombo, esse mesmo que ainda não sabemos se era genovês ou patrício nosso. No que toda a gente está de acordo é que eles, fosse qual fosse o nú mero certo, vinham do Oriente, trocando as voltas a um tal Herodes. E aqui saltam, uma vez mais, as dú vidas. Enquanto alguns afirmam que vinham da Babiló nia, outros apoiam a tese de que procediam da Pérsia. Na Babiló nia (Caldeia) foi onde surgiu a astrologia e na Pérsia, existia a casta dos magos ou astró logos, que eram gente altamente considerada. De como os magos se transformaram em reis parece que tudo se deve ao marketing de então. Se para a época ser mago já era importante, mais do gosto pú blico era ainda o título de rei, e a tal foram promovidos estes símbolos que, na sua caminhada até Belém - onde teriam chegado dois meses de-

pois do nascimento de Jesus - tiveram de resistir a várias tentações de Satanás, como se conta na "Historia de los Reyes Magos", um curioso có dice do século XV, que se encontra na biblioteca da Universidade de Salamanca. Quanto aos nomes que chegaram até nó s, não está a mais saber que eles eram Magalath, Galgalath e Serakim, em hebreu; Larvandade, Hormisdas e Gushnasaph, para os sírios, e que outros nomes, muito diferentes, tinham para os gregos. Depois da grande viagem pelo deserto, durante a qual foram guiados pela luz de uma estrela brilhante - segundo Kepler, talvez o resultado de uma conjunção planetária - o que é que se passou com os reis magos? Uma tradiç ão diz que regressaram ao ponto de origem, depois de voltar a fintar Herodes. Outra diz que se tornaram discípulos de Santo Tomás. E existe ainda uma terceira versão que afirma terem sido consagrados bispos e martirizados no ano 70. Se esta for a verdade, serão talvez suas as relíquias que se encontram hoje na catedral de Coló nia, as quais teriam sido levadas para ali, desde Milão, nalgum momento do século XII. Si non e vero, e benne trovato...

BREVES Primeiro seminário sobre jornalismo digital "Germán Abreu Producciones", uma empresa que se dedica à produção e montagem audiovisual, com a colaboração da Escola de Comunicação Social da Universidade Central da Venezuela, leva a cabo no próximo dia 3 de Fevereiro o seu primeiro seminário de jornalismo digital. Esta iniciativa, que será realizada no auditório da Faculdade de Humanidades e Educação daquele estabelecimento de ensino superior, pretende oferecer aos interessados uma visão integral acerca do papel que estão desempenhado os meios de comunicação digitais na missão de informar e comunicar feitos, acontecimentos e opiniões.Mais esclarecimentos podem ser obtidos através do 04168244548 ou germanabreuproducciones@gmail.com


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CULTURA 17

Portugueses de Lara homenageiam a "Divina Pastora"

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arquisimeto vestiu-se para a festa que assinalou a 150ª vista da imagem da Divina Pastora, patrona do Estado de Lara. No dia 14 de Janeiro de cada ano, é impossível encontrar ruas ou avenidas que não estejam cheias de devotos oriundos de todos os cantos da Venezuela e até de outros lugares exteriores ao país. Vêm a esta cidade render-lhe o seu agradeci-

mento pelos favores recebidos. São tantas as pessoas que vêm a Barquisimeto que se torna inevitável realizar várias iniciativas, como a exposição de artes plásticas que todos os anos acontece na Sala Juan Carmona P., situada na sede do diário "El Impulso" Esta exposição contou com a presença de mais de 40 expositores, entre os quais se destacou a madeirense Elsa Fa-

Centro Atlâ ntico Madeira arranca bem para 2006

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o â mbito da celebração dos Reis Magos, o Centro Atlâ ntico Madeira Club convidou os seus só cios para um convívio em que se procurou assinalar esta tradicional festa natalícia. O Comité de Damas empenhou-se na realização de uma celebração que foi iniciada com uma missa e terminada com uma encenação onde desfilaram os personagens mais esperados depois do menino Jesus e o Pai Natal. Neste convívio entre os só cios, foi possível apreciar uma noite muito familiar, onde as crianças foram obsequiadas pelos Reis Magos com danças, ao som do bailinho, acompanhadas dos tradicionais doces portugueses e de bebidas como sangria e licores da época, elaborados pelas senhoras do Comité. Recentemente, um luso-descendente

assumiu a direcção do Centro Atlâ ntico Madeira depois de um período de restruturação. Daí que alguns os só cios esteja à espera de mais vida e actividades no clube. Por seu turno, a nova comissão que está à frente dos destinos do Centro já fez publicar numa revista a programação, informação diversa e fotografias dos eventos organizados em comum com os só cios. O dinheiro recebido pela publicidade será destinado ao projecto da piscina. O Comité de Damas da nova direcção é composto por Dimelis de Da Silva, Fátima de Pimenta, Fátima de Ornelas, Claudina de Andrade, María Salomé de Farías, Norma de Gonzales, María de Pestana, Irene de Fernández, Celia de Abreu e as colaboradoras Hermelinda de Rodríguez, Teresa de Da Silva, María Graça de Rodríguez.

ria, que apresentou duas obras intituladas "La Divina Pastora en su Catedral del Valle", feita através de uma técnica mista acrílico e folha de ouro, e a "Divina Pastora", realizada em escultura sobre MDF, acrílico e folha de oro. Também participou o lusodescendente Norberto de Abreu com o quadro “ Ave María” (Divina Pastora) feito em acrílico sobre tela, folha de ouro e cartão.

Dado que esta exposição decorre todos os anos por esta altura, chega a ser muito visitada pelos membros da comunidade "larense" e por todos as pessoas que visitam esta localidade por ocasião da vista da imagem da Divina Pastora. Mas, se estiver interessado, fique sabendo que a exposição está aberta até ao mês de Março.


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Norte de Portugal e Galiza estudam ligação em alta velocidade Porto-Vigo

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Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN) e a Junta da Galiza vão realizar um estudo conjunto sobre a ligação ferroviária Porto-Vigo em alta velocidade, anunciou sexta-feira, dia 13, fonte da instituição portuguesa. Em comunicado, a Comissão refere que o estudo visa apresentar respostas e soluções para as questões existentes sobre a optimização da ligação Porto-Vigo, na vertente de passageiros e mercadorias, e sobre a viabilidade econó mico-financeira da sua exploração. A decisão foi tomada hoje, numa reunião entre os presidentes da CCDRN e da Junta da Galiza, respectivamente Carlos Lage e Emílio Pérez Touriño, realizada no â mbito do quadro da actividade de cooperação da Comunidade de Trabalho Galiza - Norte de Portugal. Os dois representantes reafirmaram o carácter "prioritário" e "estratégico" do projecto de ligação ferroviária Porto-Vigo em velocidade elevada para a euro-região Galiza/Norte de Portugal. "É objectivo da Comunidade de Trabalho dispor e apresentar um documento de referência actualizado e um caderno de encargos ú til, capazes de materializar um plano de execução e um horizonte específico e exequível para o projecto", acrescenta o comunicado. Carlos Lage comunicou a Emílio Touriño o interesse já manifestado pelo Ministério dos Transportes na realização deste estudo.

"Neste contexto, os responsáveis das duas instituições acordaram solicitar conjuntamente aos ministros dos transportes português e espanhol o arranque dos trabalhos do 'subgrupo de trabalho específico', previsto no Acordo da Cimeira de Évora, para o impulso da conexão em alta velocidade Porto-Vigo", conclui o comunicado. O presidente da Junta da Galiza já tinha afirmado quinta-feira à noite no Porto pretender trabalhar com as autoridades portuguesas para a construção desta ligação em comboio rápido. "Temos que ganhar a batalha das redes de transportes e comunicações", frisou, então, o presidente galego, destacando a importâ ncia para a euro-região de "uma rede de infra-estruturas verdadeiramente competitivas". No início de Dezembro, aquando de uma visita ao Porto, a secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, reafirmou o empenho do Governo em viabilizar a ligação ferroviária rápida entre a Galiza e o Norte de Portugal. "Poderá não ser necessariamente em alta velocidade, dado que, sendo a distâ ncia entre o Porto e Vigo de apenas 130 quiló metros, põe- se seriamente como alternativa uma linha de velocidade elevada [velocidade máxima de 250 km/hora, de preço muito inferior]", disse a governante. Ana Paula Vitorino reiterou ainda o compromisso do Governo em dotar a cidade do Porto de ligações condignas, dada a sua condição de principal cidade do Noroeste Peninsular.

2.135 toneladas de material ferroviário rumo à Argentina A

CP iniciou no sábado, 14, no porto de Leixões, uma mega-operaç ão de embarque em naviocargueiro de 2.135 toneladas de "material circulante" (carruagens e locomotivas) destinado aos caminhos-de-ferro da Argentina, disse um porta-voz da transportadora ferroviária portuguesa. O material circulante é composto por 40 carruagens e sete locomotivas que foram perfiladas no ramal ferroviário Ermesinde-Leixões, a aguardar embarque, ao longo de quiló metro e meio. O negó cio destas carruagens e locomotivas, que a CP diz ser "o maior contrato de sempre no género", foi fechado por 6,9 milhões de euros, sendo celebrado pela CP e pela Secretaria de Estado portuguesa dos Transportes com o

departamento governamental homó logo da Argentina. Este contrato foi celebrado durante uma visita a Portugal, em 31 de Maio de 2005, do secretário de Estado argentino dos Transportes, Ricardo Jaime, no contexto das relações econó micas entre os dois países. Trata-se de material circulante que a CP tinha desactivado em 2003, em consequência da progressiva electrificaç ão e modernizaç ão das ferrovias portuguesas, e que foi revisto pela Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário, do grupo CP. As sete locomotivas, movidas a diesel, são da série 1400, de fabrico inglês, pesam 65 toneladas cada, debitam 1.350 cavalos e atingem velocidades de 100 quiló metros horários. Quanto às 40 carruagens,

cada uma tem 27 metros de comprimento, 42 toneladas de peso e capacidade para 100 a 120 pessoas. As locomotivas e as carruagens vão substituir material

circulante argentino que foi vandalizado em Dezembro do ano passado. Portugal já tinha vendido à Argentina, em Junho do ano passado, por 3,8 milhões de eu-

ros, 17 automotoras a diesel, de via estreita e da série 9600, que tinham sido desactivadas da ferrovia da Pó voa, entretanto convertida em linha do Metro do Porto.


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Empresário português em greve de fome para acelerar processo judicial

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m empresário português está em greve de fome há 12 dias junto a um tribunal de Paris para tentar acelerar um processo judicial que se arrasta há três anos e ser indemnizado pela perda de um camião. Guilherme Costa, proprietário de uma empresa de transportes da Trofa (Porto), de onde é natural, disse domingo à Agência Lusa ter iniciado o seu protesto a 4 de Janeiro em frente ao Tribunal de Grande Instâ ncia de Paris por discordar com a data da pró xima audiência do processo, marcada para 14 de Março. Apesar de a data não estar longe, o empresário sublinha que esta audiência foi marcada em Junho de 2005, quase um ano antes, o que demonstra como o processo se tem arrastado, e pede para que a sessão seja antecipada. "O tribunal passou de solução para passar a ser o problema e em quatro anos atrofiou completamente a minha empresa", denunciou. Na origem deste protesto está um acidente rodoviário ocorrido em 2002, entre

um dos seus camiões, de transporte de animais vivos, e um veículo francês, que, segundo Guilherme Costa, é o culpado. Além da "negligência" da companhia de seguros do outro veículo, a peritagem ao seu camião demorou oito meses, durante os quais permaneceu imobilizado no local do acidente, tendo sido "vandalizado e completamente destruído". Costa realizou uma primeira greve de fome "entre 19 e 28 de Dezembro de 2002" em frente à companhia de seguros e conseguiu que fosse feita a peritagem, mas desde então viu poucos avanços para receber a indemnização que pretende. A consequência da perda de uma das duas ú nicas viaturas que detinha foi o despedimento de dois empregados, mantendo actualmente apenas quatro postos de trabalho de uma empresa que garantiu ser viável. "Fui ultrapassado pela concorrência, hoje podia ter quatro camiões, não há dú vida", afirmou. "Não tenho falta de dinheiro, nem é um acto de desespero. Sou coerente com os valores em que acredito e estou aqui

para evitar que o processo chegue ao fim e eu já não tenha a minha firma", disse. Nestes dias, tem sido auxiliado por um amigo "de muitos anos" e já foi visitado pela polícia e bombeiros franceses, mas recusou sair do banco de jardim onde se encontra deitado para manter as forças. "Bebo meio litro de água por dia e esta foi a quarta vez que me levantei", confessou à Lusa. Queixou-se ainda da falta de assistência do consulado português em Paris quando pediu um saco-sama, depois de o seu automó vel, onde tinha todos os haveres, ter sido apreendido pela polícia. Todavia, fonte do consulado-geral desmentiu esta versão e garantiu que "uma assistente social deslocou-se ao local por duas vezes e ele [Guilherme Costa] disse que não precisava nada". A mesma fonte disse ainda que "tem sido prestada assistência jurídica nos ú ltimos três anos" ao empresário, que possui um advogado francês, o qual não estará de acordo com esta acção de protesto.

Marie, uma sem-abrigo que frequenta a mesma zona, disse à Lusa que tem visto Guilherme Costa há vários dias e que já lhe sugeriu que fosse passar a noite a um abrigo, o que este rejeitou. Esta noite, o camionista português vai ponderar a oferta feita pela polícia de expor a situação a um oficial, o qual tentaria depois intervir junto do tribunal para acelerar o processo. "Mas tenho medo que seja um truque para me tirarem daqui", confessou. Hoje com 40 anos, Guilherme Costa trabalha nos transportes desde os 14 anos, idade em que fugiu de casa para exercer a profissão de que gosta e que o fez optar por não constituir família. "Tenho casa, mas durmo no meu camião, a minha vida é o transporte", declarou. É em nome desta paixão que afirma estar disposto a ir "até ao fim" da greve de fome. "Não dou importâ ncia nenhuma à morte", concluiu.

São Miguel com confraria do chá para promover cultura ú nica na Europa

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primeira confraria do chá do país vai arrancar antes do Verão, na ilha de São Miguel, local onde existem as ú nicas fábricas e plantações da Europa, para promover uma cultura secular, anunciou quinta-feria, dia 12, a organização. O responsável pela Fábrica de Chá Porto Formoso, localizada na costa norte da maior ilha açoriana, adiantou à agência Lusa que "a iniciativa inédita e em fase de elaboração" vai integrar várias personalidades dos Açores, agrupando um total de cem confrades. "Este grupo terá a seu cargo a divulgação da vertente histó rica, turística e etnográfica do chá no arquipélago", afirmou José Pacheco, lembrando que as primeiras sementes da planta foram trazidas do Brasil para os Açores, em 1820.

Apó s um período áureo, em que chegaram a existir em São Miguel dezenas de pequenos produtores e seis fábricas de chá a laborar simultaneamente, actualmente permanecem no activo apenas duas indú strias que, em 2005, produziram um total de 44 toneladas. Apesar da Fábrica de Chá da Gorreana, que produz ininterruptamente desde 1883, ter uma capacidade máxima de produção de 42 toneladas/ano, em 2005 não foi além das 37 toneladas, quatro das quais exportadas para o Continente, Madeira, Alemanha e Dina-

marca. Hermano Mota, responsável pela indú stria familiar que emprega 28 pessoas, justificou que o mau tempo que se verificou no arquipélago no ú ltimo ano condicionou o crescimento da produção, dado que apenas as três primeiras folhas das plantas, espalhadas numa área total de 32 hectares, são utilizadas. Segundo disse, nos três tipos de chá actualmente produzidos, o verde começa a destacar-se com 16 toneladas vendidas, seguido do preto com 15 e do chá semi-fermentado com seis toneladas.

Novo hospital da ilha Terceira deve custar 70 milhões de euros

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novo hospital de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, deverá custar cerca de 70 milhões de euros e estará pronto a funcionar em 2011, anunciou recentemente o secretário regional dos Assuntos Sociais, Domingos Cunha. Domingos Cunha, em declarações à agência Lusa, adiantou que a futura nova unidade hospitalar ficará implantada numa área superior a 100 mil metros quadrados e será

dotada de 250 camas, com serviços perspectivados nos recursos humanos que estão em formação. O novo hospital poderá estar pronto a funcionar em 2011, altura em que a região já terá nos seus quadros mais 106 médicos que estão, actualmente, em formação geral e de especialidades, adiantou o secretário regional do sector. Na segunda-feira, o Governo Regional aprovou uma resolução que in-

cumbe a sociedade Saudaçor de desencadear o processo relativo à concepção, construção e equipamento da nova unidade, que vai substituir o actual hospital da ilha Terceira. Domingos Cunha adiantou ainda que vai ser feita uma nova avaliação dos terrenos para confrontar com a primeira avaliação feita por um especialista local, que apontou para um valor de 30 a 50 euros por metro quadrado.


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Forte nevão corta principais acessos em Bragança Várias vias do Distrito de Bragança, nomeadamente o itinerário principal (IP) 4 estão cortadas ao trâ nsito devido a um forte nevão que caiu domingo, informou a Brigada de Trâ nsito da GNR. Segundo a fonte, várias viaturas encontram-se bloqueadas no IP4, nomeadamente na zona do Alto de Rossas, a cerca de 15 quiló metros de Bragança, e de Rio Frio, pró ximo da fronteira. Fonte da Brigada de Trâ nsito disse à agência Lusa que estão a ser tomadas diligências para remover as viaturas, em nú mero que não soube quantificar, mas que a principal via que liga o Porto à fronteira, em Bragança, vai manter-se encerrada por tempo indeterminado, se continuar a nevar com a mesma intensidade.

A ViA ESTácORTAdA dESdE AS 09:00. O nevão cortou também o trâ nsito em outro ponto crítico da região, no Alto de Bornes, e na estrada nacional 315 junto ao cruzamento que dá acesso a esta zona, entre os concelhos de Alfâ ndega da Fé e Macedo de Cavaleiros. Outra estrada cortada é a nacional 216 que liga Macedo de Cavaleiros a Mogadouro. Perante este cenário é impossível viajar de automó vel de Bragança em qualquer direcção, ou vice-versa. A Brigada de Trâ nsito aconselha as pessoas a não circularem de automó vel. A cidade de Bragança acordou hoje sob um manto branco e um forte nevoeiro.

Hospital de S. João preparado para lidar com Gripe das Aves O Hospital de S. João, no Porto, está a finalizar um plano de contingência para uma eventual pandemia de gripe, que lhe permitirá ter todas as condições de internamento adequadas para receber os doentes, afirmou recentemente uma fonte hospitalar. Antó nio Ferreira, director clínico do S. João, disse aos jornalistas que este plano, pedido pela Direcção-Geral de Saú de, tem por objectivo preparar a unidade hospitalar de referência do Porto a dar resposta a uma eventual grande epidemia de gripe. "Estamos preparados para responder às várias fases de uma eventual pandemia de gripe", disse o médico, acrescentando que uma das prioridades é lidar com a afectação que o eventual contágio da gripe a muitos milhares de pessoas "vai causar nos profissionais de saú de, as pessoas mais susceptíveis a serem afectadas". Este plano, que deverá ser apresentado em Fevereiro, prevê todas as situações possíveis, desde a entrada de uma pessoa vinda de um país do Oriente até à entrada de um grupo de pessoas com sintomas de ter contraído o

vírus da gripe das aves, acrescentou o responsável. "O hospital está preparado com todos os procedimentos para, na eventualidade de entrarmos numa fase pandémica e, portanto, sermos num curto espaço de tempo invadidos por um conjunto grande de doentes com gripe, termos as condições de internamento adequadas para receber esses doentes", sustentou. Antó nio Ferreira assegurou que o plano "garante a prevenção", definindo as medidas a adoptar em diferentes situações. O plano garante, assim, que "todos os meios para a protecção dos profissionais de saú de estão assegurados e que o Hospital será capaz, dependendo da taxa de ataque, de recrutar meios para assegurar atendimento dos doentes", exemplificou Antó nio Ferreira. O plano determina, por exemplo, que para x entradas de pessoas com sintomas o hospital deve ter y médicos a trabalhar, tornando-se fácil decidir se são precisos mais profissionais de saú de para dar resposta ao problema. Em caso afirmativo, o S. João prevê recrutar estudantes de medicina ou clínicos reformados.

BREVES

Apreendido material ilegal no valor de 49 mil euros em Gondomar e Guimarães

O director clínico do S. João, afirmou, no entanto, não querer alarmar a população com isto, lembrando que actualmente apenas existe propagação de gripe das aves a humanos, "não havendo casos de transmissão entre seres humanos", mas que é preciso estar preparado para tudo. Este projecto para prevenção de primeira linha a doentes com gripe não implica, contudo, remodelações estruturais no hospital. "Os fluxogramas estão estabelecidos. Somos capazes de receber o doente no serviço de urgência e, evitando qualquer tipo

de contacto com outros doentes e assegurando uma adequada protecção dos profissionais de saú de, conduzi-lo a um local onde possa ser devidamente tratado, nas condições de isolamento previstas pelas organizações internacionais", concluiu. Este plano poderá servir de modelo para outros estabelecimentos de saú de do Norte. O director clínico falava aos jornalistas à margem de uma visita de um grupo de deputados do PSD eleitos pelo círculo do Porto às consultas externas do S. João.

A Brigada Fiscal (BF) da GNR e a Inspecção-Geral de Jogos anunciaram na sexta-feria, dia 13, a apreensão em Gondomar e Guimarães de material relacionado com jogo clandestino avaliado em quase 49 mil euros. Em comunicado, a BF precisa que apreensões foram feitas em cumprimento de mandados judiciais em residências e estabelecimentos de restauração e bebidas dos dois concelhos. Entre o material apreendido contam-se cinco máquinas de jogos de fortuna e azar, um computador, uma placa de jogo, 517 fichas de jogo, diversos baralhos de cartas e blocos com senhas para jogo.


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22 OPINIÃO

CORREIO DE CARACAS - 19 DE JANEIRO DE 2006

Nem para trás, nem para diante Manuel S. M. Leal

psych1940@yahoo.com

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as eleições que em Portugal caminham para a fase final de dar ao país um Chefe do Estado, o que de mais saliente se me afigura é a incapacidade dos candidatos poderem despir as roupas modais Ótempo volta para trás da mentalidade autoritária e atávica do país. Os observadores actuários das características da população portuguesa ainda há dias alertavam para a ancianidade crescente de Portugal. Mas o que se verifica é o envelhecimento da destreza na visualização idealista e abstracta, conceptual, que promove o conceito de amor-pró prio e a independência no processo de adaptação. O individualismo que na modernidade se afirma no ascendimento colectivo entregou-se à competência estrangeira de criar tecnologias e riqueza. Portugal não terá avançado no progresso de integração de ideias políticas com a realidade cultural do país. Será mesmo susceptível de manifestar uma regressão em termos de maturidade constitucional e estabilidade governamental. Manuel Alegre não foi o orador brilhante nem o pensador ou processador de informação célere que muitos esperavam. A pró pria im-

prensa socialista diminuiu a sua estatura desde o início, por ter confrontado a proeminência de Mário Soares, visto como um "intocável" do partido. Alegre não foi, nem é, todavia, tanto quanto pude verificar nos debates televisivos que me foi dado observar parcialmente, menos habilitado em termos cognitivos do que Soares e Cavaco. Poeta e sonhador, Alegre não se encaixa no perfil de tecnocrata. Mas foi o candidato mais honesto no que disse ao país. Nas suas declarações,pareceu-me o mais consistente com a realidade interior. Políticos como ele não escapam à voracidade dos sobas e das suas máquinas implícitas e devastadores, cujas rodas subterrâ neas existem apenas para triturar a imagem pú blica dos adversários. Há em Portugal falta de líderes que saibam sonhar e promover a aptidão esquecida do povo português para transcender a marcada diversidade topográfica do territó rio nacional. Como Alexandre Herculano no parlamento do seu tempo, Manuel Alegre desde que não puder ler encontra-se em inferioridade perante um eleitorado que admira o fogo de artifício mais do que a inteligência. Embora de uma acu tilâ ncia intelectual e agressividade invulgares para a sua idade, apresentado como "salvador da pá-

tria" no uso de um pensamento revivido do tempo salazarista, Soares não convém às autonomias regionais e quiçá tão-pouco a Portugal. É demasiado parcial e duro nas suas convicções. Falta-lhe a maleabilidade calma que pretende dar a conhecer com o sorriso a que se pode chamar cortina de fumo. Projectou dissonâ ncia entre as palavras e a comunicação quinestética. Soares é demasiado europeu para um Portugal que possui histó ria pró pria, cuja identidade se quer salvar. A integração do anseio legítimo do povo português de viver melhor e com mais alegria não necessita que se abandone a nacionalidade aos donos da Europa. Quanto a Cavaco, no conhecimento de economia e visão do futuro do país num relacionamento com os Estados Unidos e a Europa pareceu-me o mais realista. Manifesta todavia uma característica imponderada em termos de personalidade, que o leva a reclamar o dito por não dito sem o exame das consequências. Semelhante à impulsividade intermitente de Soares, poderá chocar com o Governo da Repú blica e eu diria quase inevitavelmente com os parâ metros constitucionais e ideoló gicos das autonomias das Regiões. Perante um Governo da Repú blica, seja qual for o partido, não se andará quiçá para trás, mas para diante será difícil o movimento.

Favor não repetir 2002... António C. Da Silva F.

axedrezado@gmail.com A Selecção Nacional de Futebol de Portugal foi de novo beneficiada com um sorteio muito favorável, ficando enquadrada, tal como sucedeu na edição de Coreia-Japao 2002, num grupo acessível na primeira fase do pró ximo Campeonato Mundial de Futebol a disputar-se na Alemanha. Quando a FIFA deu a conhecer os nomes dos países considerados "cabeças-de-série" do sorteio, que tinha entre as mais potentes equipas do panorama mundial a representação do México, todos tivemos a sensação de que dava jeito cair no grupo deles. E assim foi. "El Tri", como é designada a selecção mexicana, é uma potência regional do norte da América, mas por nível e tradição está uns furos a baixo de equipas campeãs mundiais como Brasil, Itália, Argentina, Inglaterra, França ou a anfitriãAlemanha. Seguindo o critério de "pluralidade continental" na formação dos grupos, Irão e Angola são os outros rivais dos lusitanos na primeira fase. A imprensa portuguesa especulou na véspera, com a possibilidade de se ter um grupo quase tudo lusó fono - com Brasil, Portugal e Angola. Não foi bem assim, mas certamente o duelo com os "Palancas Negras" vai ser um dos mais emotivos e especiais, dados os vínculos culturais existentes entre ambas nações. Parte importante do plantel dos angolanos joga ou jo-

gou em Portugal nos diversos escalões, e a referencia futebolística principal na ex-coló nia africana continua sendo o futebol lusitano, devido a grande quantidade de treinadores portugueses que tem trabalhado ao longo dos anos em Angola, e também por causa da paixão clubista em relação aos Benfica, Porto e Sporting, que ainda aquecem muito os â nimos. O Irão completa o grupo e confere-lhe algum exotismo. Com um campeonato desconhecido e poucas figuras no estrangeiro, todos esperamos que os "islâ micos" não sejam capazes de protagonizar surpresas desagradáveis. Embora na nossa memó ria ainda esteja bem fresquinha a derrota com outra formação das arábias: o Iraque - um país invadido e assolado pela guerra - derrotou a selecção olímpica portuguesa, nos ú ltimos Jogos Olímpicos de Atenas 2004, que até era designada como a "Geração de Ouro II". Luís Felipe Scolari, o treinador brasileiro de Portugal e "detentor" do troféu de Campeão do Mundo conquistado no mundial passado, respondendo aos jornalistas ao ser inquerido sobre as suas preferências, antes da realização do sorteio, disse que não tinha nenhuma pois os sorteios dos mundiais "são como jogar no casino". Se Portugal não alcançou o "jackpot", esteve perto de isso. Espera-se que a equipa de Portugal cumpra no campo esse favoritismo teó rico que dispõe, e não repita a "façanha" de 2002, quando estava num grupo, tido como teoricamente mais "fácil", com "tubarões" como Estados Unidos, Coreia e Poló nia, e encontrou a maneira de regressar a Lisboa mais cedo, ao ser eliminada logo na primeira fase. Vamos a isto rapazes! Que já vou ficando um pouco farto de ter que rever a fita a branco e preto do Eusébio e dos "magriços" para ver Portugal na segunda fase de um Mundial...

Um Conselho António Xavier (Historiador) aindax1@yahoo.com

N

a semana passada, uma comissão do Conselho das Comunidades Portuguesas manteve uma reunião com o Primeiro-Ministro José Só crates, e um encontro com Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas e com o seu Gabinete, no Ministério dos Negó cios Estrangeiros, com o objectivo de trabalhar sobre a futura Lei do Conselho das Comunidades Portuguesas. Reconheça-se que os Conselheiros têm trabalhado muito para manter informado o Governo de Lisboa acerca das necessidades dos emigrantes. Neste contexto têm mantido um diálogo constante com a Presidência da Repú blica, com os Grupos Parlamentares com assento na Assembleia da Repú blica, com a Comissão Parlamentar dos Negó cios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, com o Ministro dos Negó cios Estrangeiros, entre outros. No entanto, há uma constatação que convém sublinhar, como o fez o pró prio Presidente do Conselho Permanente, Carlos Pereira, aquando da sua mensagem de Ano Novo: "No que diz respeito às Comunidades Portuguesas, forçoso constatar que as mudanças não têm sido muitas". As razões que no seu entender explicam essa permanência nó s também as partilhamos. Uma causa é a divisão socio-econó mica da comunidade. "Sabemos que uma parte importante dos portugueses que residem no estrangeiro estão bem na vida, mas não podemos esquecer aqueles que residem em países com problemas político-econó micos que os privam das liberdades mais fundamentais", lembrou. Outra é a falta dos meios necessários para resolver estes e outros problemas. O Orçamento de Estado para 2006, recentemente votado e aprovado na Assembleia da Re-

pú blica, não dá para fazer muita coisa. Tudo isto produz "um sentimento de descontentamento constante na emigração". Mas, no nosso entender, ficaram duas razões por apresentar. A primeira é formulada sob a forma de uma pergunta: "Qual é o grau de credibilidade do CCP entre o Governo, os políticos e os emigrantes portugueses?" Há emigrantes que pensam que o Conselho não tem força para impor o seu parecer e que passa o tempo disponível em reuniões. A segunda razão é o desconhecimento do potencial do CCP. Temos a impressão que, da parte do Governo português, as ideias do Conselho que obtém mais acolhimento são as que dizem respeito à política exterior consular, ficando de fora algumas possibilidades que Portugal podia aproveitar para a sua emigração e seus descendentes. É isto o que diz o Presidente do CCP quando exige "uma verdadeira política para as Comunidades"? Em relação aos emigrantes, muitos são os que desconhecem a existência do Conselho. Mais, temos a impressão que alguns não querem mesmo conhece-lo. Para quem não sabe, o Conselho "é o ó rgão consultivo do Governo para as políticas relativas à Emigração e às Comunidades Portuguesas e representativo das organizações não governamentais de portugueses no estrangeiro, enquanto expressão de capacidade criativa e integradora e dado o seu particular relevo na manutenção, aprofundamento e desenvolvimento dos laços com Portugal". Na Venezuela não temos representantes dos partidos políticos. Por isso o Conselho precisa do nosso apoio.


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OPINIÃO 23

caRTas dOs leITORes Pedido de ajuda para o presidente Alberto João Jardim

Mais e melhor informação Faltando poucos dias para as eleições presidenciais em Portugal, nó s, os portugueses que vivemos na Venezuela, não podemos dizer com propriedade qual dos candidatos é o melhor para representar os interesses da emigração. A falta de interesse da comunidade pelos assuntos políticos junta-se à pouca informação que recebe por parte dos meios de comunicação social audiovisuais e escritos. O debate político não deve estar ausente nos países da diáspora. Os centros sociais portugueses, os meios que fazem jornalismo para a comunidade, os cô nsules honorários, os conselheiros, todos e cada um têm o dever de promover e incentivar a consciência política dos cidadãos. Conhecer o perfil dos candidatos, seus projectos para a emigração, seu currículo. Sem esta informação é menos provável que os

portugueses radicados na Venezuela participem no processo eleitoral e se sintam motivados a exercer os seus direitos políticos. Marco Freitas

É assim que se tratam as pessoas? Aproveito este espaço disponibilizado pelo Correio de Venezuela para reclamar da forma como o Consulado português de Caracas me recebeu no passado dia 22 de Dezembro de 2005. Nessa data dirigime ao Consulado para pedir informação sobre o passaporte português da União Europeia, o qual eu possuo sem os có digos de barras para poder entrar nos Estados Unidos. Pedi informação a uma jovem funcionária muito prestável que me disse que o meu pedido para solicitar novo passaporte só podia ser atendido em 20 de Fevereiro do pró ximo ano, ou seja, em 2006. Pedi-lhe então que me ajudasse de for-

INQUéRITO

ma a expor o meu caso com a Chanceler, já que precisava de viajar no dia 10 de Janeiro de 2006. Esperei cerca de meia hora, pois tinha uma pessoa à minha frente. Mas foi tempo perdido. Quando chegou a minha vez e disse ao que vinha tive como resposta “ Feliz Natal mas vai ter de viajar para os Estados unidos no Carnaval” . Deu meia volta e deu-me as costas. Como pode ser possível que funcionários do Consulado Português de Caracas tratem as pessoas assim? Juan Carlos Gonçalves

Sou Madeirense vivo em Vargas há mais de trinta anos. Antes de mais, agradeço a este jornal a toda a atenção que me venha a prestar e a que tem dado ao estado de Vargas. Sou de aparecer pouco nas reuniões da comunidade. No entanto, escrevo agora porque acho que é importante que o Governo Regional da Madeira ajude nesta ocasião o governo da Venezuela, em matéria de assessoria na construção de estradas, tú neis e pontes. Porque não propor a visita de uma "delegação de políticos venezuelanos" até à Madeira para testemunhar as grandes obras aqui erguidas num abrir e fechar de

olhos, enquanto que neste país se levam décadas a pensar no que fazer, anos para aprovar o mesmo e mais muitos anos a concluir a obra. O caso da ponte que corta a comunicação entre Vargas e a Capital é simplesmente uma vergonha. Não pelo facto de estar em más condições - e isso entende-se como entendo também toda a logística e a atenção que o governo tem dado a este caso - o que não se entende é porque demoram tanto tempo a tomar decisões e porque é preciso tanto tempo para terminar uma ponte nova. Ou será que é isso mesmo o que interessa. José Manuel Caires B.

Cuidado com o fogo Na ú ltima passagem de ano, centenas de pessoas, entre jovens e adultos, sofreram queimaduras de segundo e terceiro graus devido ao manuseamento do material pirotécnico. No Leste da Venezuela foram registados vários casos de crianças que resultaram queimadas e alguns adultos, entre os quais se encontravam luso-descendentes, ficaram mutilados por não terem tomadas as devidas precauções ao usar certos artefactos explosivos. Na noite de 31 de Dezembro, um jovem luso-descendente divertia-se no terraço da sua cada junto da família a fazer rebentar vários foguetes e outros explosivos quando um deles acabou por explodir perto do seu

rosto, deixando-o, para além de desfigurado, sem uma vista. Sei que nas festividades portuguesas alusivas aos santos ou às datas da quadra natalícia é tradicional utilizar aqueles artefactos para gozar a despedida dos anos ou o nascimento de Jesus. Mas não posso de deixar de chamar a atenção de todos os pais para que tenham cuidado com os seus filhos ou que não lhes ofereçam esse tipo de materiais que se não põem em risco a vida humana, de certo a podem tornar mais infeliz. Sendo assim, peço aos pais para que eduquem os seus filhos a não lidar com esses perigosos jogos. Gilberto Manuel Farias Barros

Tem conhecimento de que pode votar nas próximas eleições presidenciais de Portugal? Pensa exercer o seu direito de voto? E porquê?

José Medina "Sim, estou a par da possibilidade que temos de votar na Venezuela para as presidênciais portuguesas. Para o efeito registei-me no Consulado. Quando ao exercício desse direito, o mais certo é que vá mesmo votar, pois tal é sempre importante pois ao fazê-lo estamos a eleger os representantes dos ó rgãos de governo. É importante tanto para os venezuelanos como para os portugueses, pois não só se trata de um direito, como também é um dever que têm todos os cidadãos dos países democráticos. A nossa participação é importante, mas no final tal fica a depender da consciência de cada um".

Maria Salette Pereira "Lamentavelmente não posso ir votar nas pró ximas eleições porque não estou registada no Consulado. Mas se estivesse registrada é claro que ia votar, pois me parece ser muito importante participar em actos do género e que dizem respeito ao futuro de Portugal".

Armando Fernandes Gonçalves "Estou a saber agora que se pode votar na Venezuela para eleger o Presidente da Repú blica de Portugal… Sinto que o Consulado não está a divulgar a informação como devia. Eles não dizem nada. Tenho todos os papéis em dia e se isso bastar, irei votar com toda a certeza. Considero que é imprescindível a nossa participação para a eleição de novas autoridades e para o progresso do país".

Maria Lourdes Dos Santos De Abreu "Não estou registada para votar, pelo que não posso participar na eleição do pró ximo presidente de Portugal. Mas gostava de participar. Acho que é necessário fazê-lo porque somos nó s que decidimos. É o povo que decide realmente quem é que deve estar à frente dos destinos do país".


24 REPORTAGEM

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Um olhar sobre a Venezuela zuelana correspondessem ao valor total do PIB. ncontrei um país num estado Com a descida do preço do petró leo de grande polarização políti- começa um período de profunda crise ca, dividido entre pró e an- econó mica, desvalorização do bolívar, ti-Chavistas, num clima de inflação e aumento da dívida externa. conflitualidade. Para percebermos as raEm 1989, o presidente Andrés Peres, zões desta situação será necessário anali- sob pressão do FMI, decreta um aumensarmos a histó ria recente do país. to significativo do preço de vários bens Em 1958 foi celebrado o acordo ins- primários e da gasolina, originando o titucional de "Punto Fijo", que assentou "Caracazo", em que dezenas de milhar as bases para um ciclo estável de eleições de venezuelanos, habitantes das zonas democráticas e governos alternados entre desfavorecidas da capital, saqueiam loos partidos Acção Democrática (Demo- jas e residências. Quando as autoridades crata cristão) e Copei (Socialista), que du- se apercebem da dimensão do fenó meno rou até 1989. solicitam a intervenção do exército, oriEste ciclo político caracterizou-se por ginando um banho de sangue, cujo saldo, um grande investimento no sector pe- dependendo da fonte consultada, varia trolífero (responsável por 95% das ex- entre mil e dez mil mortos. portações do país) e pelo quase abandono Este evento representa o fim do ciclo do sector agrícola e industrial não petro- político iniciado em 1958 e explica o apalífero. recimento do fenó meno Chávez. As consequências foram uma treEm 1992 dá-se o golpe fracassado desmenda desigualdade social, um êxodo te e, em 1998, acaba por ganhar as eleido campesinato para as cidades, com o ções, com um amplo apoio que incluía a crescimento exponencial dos bairros de classe média e empresarial, farta da colata nas periferias urbanas e a corrupção rrupção dos partidos tradicionais. a minar todos os sectores da sociedade. No entanto, algumas medidas como O dinheiro do petró leo, dominado a tentativa de fazer uma reforma agrária pelas multinacionais americanas, não era (impedindo a existência de latifú ndios investido no país, estimando-se que os maiores de 5 000 hectares), a introdução depó sitos no estrangeiro da elite vene- de políticas sociais, a recusa em privatizar Pedro Teixeira

E


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as empresas petrolíferas, um discurso esquerdista cada vez mais radical, levam a que as elites e a comunicação social, a elas ligada, passem a vê-lo como uma ameaça e dá-se a ruptura. Tentam apeálo do poder através de várias greves e, em 2002, dá-se a tentativa de golpe de estado. Com o falhanço deste Chávez radicaliza-se e, ao aperceber-se da hostilidade de certas instituições, começa a criar um sistema estatal paralelo. Os seus discursos utilizam uma retó rica cada vez mais anti-Estados Unidos, acusados de terem promovido e apoiado a tentativa de golpe de estado. Chegámos ao ano de 2004, em que a oposição consegue as assinaturas previstas constitucionalmente para convocar o referendo revogató rio. Neste foi utilizado pela 1ª vez o voto electró nico e Chávez ganha com aproximadamente 60% dos votos. A oposição grita fraude, mas tanto a Organização de Estados Americanos como o Centro Cárter consideram o referendo "limpo". A partir daqui Chávez ganha confiança, tanto ao nível interno como externo, beneficiando da alta do preço do petró leo para, a nível interno, consolidar o seu poder e financiar os seus programas sociais, e, a nível externo, aliar-se a Kirchner, Tabarez e agora Moralez, vendendo petró leo barato em troca de apoio. O seu objectivo nestas eleições parlamentares era o de conquistar 2/3 dos votos, de forma a alterar a constituição para moldá-la à sua agenda. A oposição que, não esqueçamos, teve 40 % dos votos no referendo, encontrase à deriva, sem projecto, sem líder, fragmentada. A postura da comunicação social no período da campanha eleitoral foi, como já é habitual neste país, colocar-se ou a favor do governo ou a favor da oposição, sem qualquer tipo de isenção na cobertura jornalística dos eventos. Na campanha imperaram os insultos e as acusações, verificando-se uma au-

sência de debate relativamente aos programas políticos dos partidos, para se focar quase exclusivamente na questão da desconfiança relativamente ao processo eleitoral e na falta de independência do CNE. Apesar das tentativas do CNE para promover a confiança no processo eleitoral, permitindo a auditoria externa e eliminando o sistema de captação de impressões digitais, alvo de grandes críticas pelos partidos da oposição pelo receio que o segredo de voto pudesse ser violado, isso não foi suficiente para convencer os partidos da oposição que, para surpresa da Missão de Observação da União Europeia (MOUE), decidiram retirar-se do processo apenas quatro dias antes das eleições. Como consequência disto, a taxa de abstenção rondou os 75%, tendo os partidos ligados ao governo obtido 100% dos assentos parlamentares. CONCLUSÕ ES Julgo que a oposição cometeu um erro ao retirar-se. Existe um nú mero significativo de venezuelanos que estão contra o governo e se a oposição tivesse a capacidade de congregar os votos destes, isso contribuiria para evitar uma situação de poder absoluto, que é a actual. A utilização de uma lista informatizada, com as assinaturas e dados das pessoas que assinaram a petição a favor do referendo revogató rio em 2004, para efectuar despedimentos e elaboração de listas negras, é um dado bastante preocupante e conclusivo em relação à natureza do regime. Com a actual composição, o CNE continuará a ser acusado de falta de imparcialidade pelos partidos da oposição e a não inspirar confiança em vastos sectores da sociedade venezuelana. Para finalizar, e citando o relató rio preliminar da MOUE, estas eleições representaram uma oportunidade perdida para o processo de reconciliação nacional e de redução da fractura na sociedade venezuelana.

REPORTAGEM 25


26 PUBLICIDADE

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TAP assume VEM e inicia integração

U

ma primeira equipa técnica da área de manutenção da TAP chegou na segunda-feira ao Rio de Janeiro para iniciar na VEM um processo de integração com o objectivo de potenciar as capacidades e a experiência das duas empresas.

A equipa é constituída por quatro elementos - Daniel Fernandes, Henrique Guimarães, Dias Rodrigues e Manuel Alvarinho - devendo, ao longo de um período inicial estimado em cerca de seis meses, fazer o levantamento e reconhecimento dos processos chave da organização da VEM, visando permitir uma futura integração com os processos da TAP. O administrador da TAP responsável pela área de manutenção, Jorge Sobral, vai presidir ao Conselho de Administração da VEM, igualmente integrado por Michael Conolly pelo actual CEO da VEM, o brasileiro Evandro Oliveira e ainda por dois outros representantes a indicar pela AeroLB. Sendo a VEM o maior centro de manutenção de aerononaves da América do Sul, a TAP dá, assim, um passo estratégico para o desenvolvimento de uma das áreas de maior excelência da companhia, que pode, deste modo, expandir-se para um mercado de elevadíssimo potencial. A VEM-VARIG Engenharia e Manutenção tem a experiência de quase 80 anos, herdada da Direcção da Engenharia e Manutenção da VARIG, e assumese como uma das grandes empresas de manutenção, reparação e revisão geral de aeronaves e componentes. Com a sua actividade certificada pelas principais autoridades aeronáuticas do mundo, desde a DAC brasileira à FAA norte-americana, passando pela EASA europeia, a VEM emprega mais de 4.000 pessoas, distribuídas por três grandes Centros de Manutenção - Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo. No total, os três centros formam um complexo com mais de 400 mil metros quadrados, 242 mil dos quais de área coberta, capazes de acolher 18 aeronaves em simultâ neo em nove hangares e duas dezenas de oficinas especializadas, bem como laborató rios de calibragem. A empresa está presente em 36 aeroportos no Brasil e 19 no exterior, nos quais assegura a denominada "manutenção de li nha", possuindo ainda um centro de formação que também presta

Jorge Sobral nomeado presidente da empresa brasileira serviços para empresas clientes. Centro de Manutenção do Rio de Janeiro, instalado na área industrial do aeroporto internacional do Rio de Janeiro, ocupa um total de 250 mil metros quadrados, 180 mil dos quais de área

coberta. Possui o maior hangar do Hemisfério Sul (14.500 metros quadrados) e um dos cinco maiores do mundo, podendo abrigar quatro aviões widebody e três narrowbody, simultaneamente. Inclui ainda diversas oficinas especializadas. Equipa Técnica da Manutenção da TAP.


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DesPorto 27

Portugal pode conseguir um "homerun" em 2006 nal da Madeira, realizado em Abril. Entre os que conseguiram reunir mais equipas e victoriaurdaneta@yahoo.com pú blico esteve a "Copa de Béisbol", que na sua edifuturo do basebol na Madeira está ção de 2005 consistiu numa competição de alto nína juventude. Apenas apostando vel cuja final foi realizada em Abrantes, na Cidade nos jovens pode haver futuro para desportiva, a 16 e 17 de Julho. Este evento reuniu a modalidade", disse Carlos Santos cerca de 150 participantes, nú mero que abrange tanPreto, jogador da equipa Caciques Baseball Club, to jogadores como agentes desportivos, mas sem aquando da análise sobre os planos para 2006. contar com todos os adeptos que assistiram aos jogos. A federação Portuguesa de Basebol e Softbol, que Este ano será feito de grandes desafios não só esteve à frente da organização daquele grande evenpara a "pelota" madeirense como também para toda to desportivo, e a Câ mara Municipal de Abrantes a liga de Portugal, pois acabam de terminar uma juntaram-se com o objectivo de promover o basetemporada cheia de êxitos e com uma massa de bol na referida cidade, onde se estava a criando nesadeptos cada vez mais numerosa. É por isso que estão sa altura o primeiro estádio de basebol da região, empenhados em desenvolver a "pelota" ao mais alto destinado exclusivamente à prática deste desporto nível, esperando ao mesmo tempo que possam cone possuidor das medidas regulamentares. Esta initar com o apoio dos adeptos venezuelanos e os meios ciativa contou também com o apoio da Academia de comunicação. "Neste momento falo por toda a comunidade do Nacional de Basebol. Todos esperam que a edição basebol da Madeira e quero dizer muito obrigado de 2006 tenha ainda mais apoio e patrocinadores. Outro encontro de destaque foi a "Copa Tortepela ajuda na divulgação das nossas raízes fora da llini", cuja final foi disputada a 12 de Dezembro nunossa pátria", pediu o jogador de basebol. ma excelente exibição de talento entre Caciques e Lobos - esta ú ltima equipa, recorde-se, sagrou-se Desafio é suPerar campeã em 2005. os feitos De 2005 Ambas equipas revelaram-se aguerridas e protaNo campeonato de 2005 foram colhidos muitos gonizaram uma "chuva de batazos" que animaram triunfos, sendo o mais importante a consolidação da o pú blico desde o início do jogo com vários "doAssociação de Basebol e Softbol de Madeira (ABSM), bles" que obrigaram os Lobos a mudar de "pitcher" a qual vem realizando um árduo trabalho para reunir ainda na primeira parte. e organizar as equipas, os calendários dos jogos e Pelos Caciques, o "pitcher" que abriu o jogo dochamar a atenção do pú blico desportivo. minou por dois "innings", nos quais os Lobos não De acordo com Santos Preto, que além de jogador marcaram "carreras". Mas voltaram furiosos no teré também vice-presidente da ABSM, "foi um ano ceiro com um fabuloso "homerun". muito bom para as seis equipas que compõem a AsNo quinto, os Caciques deram outra "chuva de sociação" - Lobos BC (Campeão 2005), Caciques BC, batazos", conseguindo que empatar este jogo emoFunchal BC, Campanário BC e Calheta BC. Tudo cionante, com "doble triple" e toques de bola, num isto, frisou, apesar de o basebol não ser um desporto puro estilo de "pelota Caribe". O resultado final foi enraizado em Portugal, é significativo e poderá ser fixado numa vitó ria dos Lobos sobre os Caciques, ainda mais "através dos esforços que estamos realisete "carreteras" a seis. zando para dar a conhecer a modalidade", observou. Convém acrescentar que desde o primeiro torDurante o ano passado realizaram-se numerosos neio da Copa Tortellini foi revelada qualidade, esencontros triangulares, torneios, taças e campeonapecialmente não ataque, e o entusiasmo de cada um tos nacionais e locais, como o Campeonato RegioVictoria Urdaneta Rengifo

"O

dos jogadores intervenientes. No encontro que opô s o Funchal aos Lobos, os basebolistas deram "hits", "dobles", numerosos "homeruns" e um fenomenal "gran slam". O pú blico concluiu nessa ocasião que, para além do resultado final Funchal, 6 - Lobos, 13, foi o jogo em si, a grande emoção e a qualidade dos jogadores, foi o mais importante nessa primeira jornada. triunfos De Portugal frente a outros Paí ses euroPeus Para além do Torneio Ibérico, onde a equipa continental de basebol Coimbra se destacou em grande, realizaram-se outras competições de grande qualidade e com excelentes resultados. No torneio XV aniversário do Clube Basebal Cambre, na Corunha, Espanha, a equipa portuguesa Vikings mereceu um grande aplauso do pú blico presente pela qualidade da sua actuação. Segundo disse Carlos Santos Preto (que publica a sua análise habitual na Net em baseballalmomento.pt.vu), o "torneio foi um sucesso para o clube, não só pelos resultados obtidos, como também pela experiência que proporcionaram aos atletas mais novos, tendo estes participado pela primeira vez num jogo oficial de Basebal. A equipa de infantis/cadetes dos Vikings venceu sensacionalmente a equipa dos Tiburones da Corunha por 13-12, apó s uma recuperação fantástica na ú ltima "inning. Perdeu, no entanto, o segundo jogo com a equipa de Cambre, por 17-11, conquistando assim um honroso 2º lugar no Torneio, que foi alvo de elogio por parte da organização espanhola. Um resultado surpreendente, uma vez que estas crianças começaram a jogar Baseball no início deste ano. No escalão sénior, os Vikings defrontaram a forte equipa de Cambre e perderam o jogo por 9-3, ficando afastados da final do Torneio. Foi, no entanto, um dos melhores jogos da equipa esta época, o que deixou satisfeitos jogadores, dirigentes e fãs do clube.


28 DESPORTO III Divisão - Série A 16.ª Jornada

Joane 2 Cabeceirense 2 Mondinense 2 Maria da Fonte 2 Amares 2 Vianense 0 Valenciano 3 Mirandela 2 (adiado) Bragança

0 Brito 0 Vinhais 1 Monção 1 Cerveira 0 Correlhã 1 Esposende 1 Valpaços 1 Merelinense Assoc. Oliveirense

III Divisão - Série B III Divisão - Série C III Divisão - Série D III Divisão - Série E

III Divisão - Série F

S. Pedro da Cova Tarouquense Padroense Vila Real U. D. Valonguense Cinfães Ataense Rebordosa

Est. V. Novas Castrense Amora Lagoa Lusitano VRSA Ferreiras Almancilense Lusitano Évora

16.ª Jornada

Classificação Pts. J V E D

1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º 13º 14º 15º 16º 17º 18º

Mirandela Maria da Fonte Bragança Cabeceirense Amares Joane Merelinense Mondinense As. Oliveirense Monção Brito Cerveira Esposende Vinhais Vianense Valpaços Valenciano Correlhã

34 34 32 32 31 30 24 23 21 21 20 19 16 13 12 12 10 9

16 16 15 16 16 16 16 16 15 16 16 16 16 16 16 16 16 16

10 10 9 10 10 8 7 7 5 6 5 4 4 3 2 3 2 2

4 4 5 2 1 6 3 2 6 3 5 7 4 4 6 3 4 3

2 2 1 4 5 2 6 7 4 7 6 5 8 9 8 10 10 11

CORREIO DE CARACAS - 19 DE JANEIRO DE 2006

1 1 1 0 1 0 2 2

0 2 1 0 1 1 0 1

16.ª Jornada

Lourosa Leça Rio Tinto Tirsense Ermesinde Vilanovense Canedo Moncorvo

Social Lamas Arrifanense Cesarense Marialvas União de Lamas Anadia Avanca S. João de Ver Souropires

Classificação G

28-14 38-12 27-9 29-12 29-16 22-13 19-19 27-25 20-14 24-23 21-22 21-21 16-27 12-25 14-28 11-33 16-38 13-36

Pts. J V E D

1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º 13º 14º 15º 16º 17º

Vila Meã 34 Lourosa 25 Moncorvo 25 Vila Real 23 Ermesinde 23 Ataense 23 S. Pedro da Cova 22 Rebordosa 21 Vilanovense 19 Cinfães 19 Leça 18 Rio Tinto 17 Canedo 17 Tirsense 16 UD Valonguense 15 Tarouquense 13 Padroense 10

15 15 15 14 15 14 15 15 15 15 15 15 14 15 15 15 15

10 7 7 6 6 6 6 4 6 5 4 3 4 4 4 4 2

4 4 4 5 5 5 4 9 1 4 6 8 5 4 3 1 4

1 4 4 3 4 3 5 2 8 6 5 4 5 7 8 10 9

3 1 0 2 0 3 1 1 1

2 2 0 0 0 3 0 2 0

16.ª Jornada

Sátão Fornos Algodres Estarreja AD Valonguense Gafanha Valecambrense Milheiroense Tondela Tocha

Peniche 4 Monsanto 1 A. D. do Fundão 0 Vigor da Mocidade 1 Eléctrico 2 Alcobaça 0 Riachense 3 Mirandense 4

Classificação G

16-4 22-13 20-13 19-13 19-19 18-18 20-16 23-17 12-21 12-14 22-21 17-15 14-15 20-21 18-32 16-29 14-21

Pts. J V E D

1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º 13º 14º 15º 16º 17º 18º

Social Lamas 40 Avanca 34 União de Lamas 30 AD Valonguense 26 S. João deVer 26 Valecambrense 25 Tocha 24 Souropires 24 Tondela 24 Milheiroense 23 Anadia 23 Fornos Algodres 21 Sátão 17 Gafanha 17 Cesarense 12 Estarreja 11 Marialvas 10 Arrifanense 9

16 16 16 16 16 16 16 16 16 16 16 16 16 16 16 16 16 16

12 10 9 7 8 6 6 7 7 7 6 6 5 4 2 2 2 2

4 4 3 5 2 7 6 3 3 2 5 3 2 5 6 5 4 3

0 2 4 4 6 3 4 6 6 7 5 7 9 7 8 9 10 11

1 1 2 1 1 0 1 2

16.ª Jornada

Idanhense Caranguejeira Beneditense Marinhense Sertanense Bidoeirense Amiense Caldas

Tires Sintrense 1º de Dezembro Vilafranquense Futebol Benfica A. D. de Machico Montijo Atlético U. D. de Santana

Classificação G

36-15 29-10 23-13 17-15 18-18 24-20 16-13 20-16 27-18 18-18 14-17 15-23 17-19 18-24 9-20 11-21 11-27 14-30

Peniche Idanhense Eléctrico Mirandense Sourense Caldas Marinhense A. D. do Fundão Caranguejeira Monsanto Alcobaça Sertanense Riachense Beneditense Vigor Mocidade Bidoeirense Amiense

27 27 26 25 25 23 23 23 21 21 20 19 18 17 14 11 10

15 15 15 15 15 15 15 15 15 16 15 15 15 15 15 15 15

8 8 7 7 7 7 6 7 5 6 4 5 5 5 3 2 2

3 3 5 4 4 2 5 2 6 3 8 4 3 2 5 5 4

4 4 3 4 4 6 4 6 4 7 3 6 7 8 7 8 9

0 1 2 2 3 0 0 0 1

Loures Ouriquense Elvas Alcochetense Caniçal Câmara de Lobos Carregado Vialonga At. Cacém

Classificação

Pts. J V E D

1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º 13º 14º 15º 16º 17º

1 2 1 0 1 2 0 4 0

16.ª Jornada

G

21-15 22-13 17-14 16-13 20-14 22-22 29-20 16-16 17-16 20-19 13-10 16-19 19-23 15-19 12-16 9-21 14-28

Pts. J V E D

1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º 13º 14º 15º 16º 17º 18º

A. D. de Machico 33 Atlético 29 Carregado 29 Loures 28 Atlético Cacém 28 1º de Dezembro 28 Montijo 27 Câmara de Lobos 24 Caniçal 24 Alcochetense 21 Ouriquense 21 Elvas 21 Tires 16 Vialonga 16 Sintrense 15 U. D. de Santana 13 Futebol Benfica 13 Vilafranquense 11

16 16 16 16 16 16 16 15 16 16 16 16 16 16 15 16 16 16

10 9 8 9 8 8 7 7 8 6 5 6 4 4 4 2 3 3

3 2 5 1 4 4 6 3 0 3 6 3 4 4 3 7 4 2

3 5 3 6 4 4 3 5 8 7 5 7 8 8 8 7 9 11

4 0 1 2 2 1 0 3

0 1 1 2 2 2 0 0

Monte Trigo Juv. Évora Desp. Beja Beira-Mar Messinense Sesimbra Vasco da Gama Aljustrelense

Classificação G

27-17 38-15 29-14 31-17 28-26 26-19 16-12 21-30 23-21 23-20 23-25 21-23 13-23 16-24 16-27 11-20 11-23 16-33

Pts. J V E D

1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º 13º 14º 15º 16º 17º 18º

Lusitano Évora 37 Estrela V. Novas 34 Oeiras 28 Almancilense 27 Aljustrelense 25 Amora 25 Lusitano V.R.S.A. 25 Vasco da Gama 23 Juventude Évora 23 Desp. Beja 22 Messinense 21 Lagoa 20 Sesimbra 19 Ferreiras 18 Beira-Mar 12 Castrense 8 Farense 3 Monte Trigo 2

16 15 15 16 16 16 16 16 15 15 15 16 15 16 15 15 9 15

11 10 8 7 7 7 6 6 7 6 5 5 5 5 2 2 1 0

4 4 4 6 4 4 7 5 2 4 6 5 4 3 6 2 0 2

1 1 3 3 5 5 3 5 6 5 4 6 6 8 7 11 8 13

G

31-9 29-7 25-12 17-9 20-17 25-21 28-20 23-16 14-12 17-14 24-16 18-21 20-21 23-27 9-20 11-25 3-38 7-39

17.ª Jornada (21-1-06)

17.ª Jornada (21-1-06)

17.ª Jornada (21-1-06)

17.ª Jornada (21-1-06)

17.ª Jornada (21-1-06)

17.ª Jornada (21-1-06)

Brito SC - A Cabeceirense FC Vinhais - Mondinense FC Desportivo Monção - SC Maria Fonte CD Cerveira - FC Amares ADC Correlhã - C Vianense AD Esposende - SC Valenciano GD Valpaços - SC Mirandela Merelinense FC - GD Bragança AD Oliveirense - GD Joane

Leça FC - AD São Pedro Cova Lus. Lourosa - Padroense FC SC Rio Tinto - SC Vila Real FC Tirsense - UD Valonguense Ermesinde SC - CD Cinfães Vilanovense FC - –– AC Vila Meã - CR Ataense Canedo FC - Rebordosa AC GD Torre Moncorvo - ADR Tarouquense

AD Sátão - CD Arrifanense AD Fornos Algodres - FC Cesarense CD Estarreja - CF "Os Marialvas" AD Valonguense - CF U. Lamas GD Gafanha - CRC Souropires UD Tocha - Anadia FC AD Valecambrense - AA Avanca GD Milheiroense - SC São João Ver CD Tondela - GDRC Social Lamas

CU Idanhense - GD Sourense UD Caranguejeira - AD Fundão A Beneditense CD - O Vigor da Mocidade AC Marinhense - Eléctrico FC Sertanense FC - GC Alcobaça GDR Bidoeirense - CA Riachense CD Amiense - CA Mirandense Caldas SC - GD Peniche

GS Loures - SU Sintrense Estrela FC Ouriquense - SU 1º Dezembro "O Elvas" CAD - UD Vilafranquense GD Alcochetense - C Futebol Benfica CF Caniçal - AD Machico CSD Câmara de Lobos - CD Montijo AD Carregado - Atlético CP GD Vialonga - UD Santana Atlético C Cacém - URD Tires

GD Monte Trigo Juventude SC Évora CD Beja GD Beira-Mar Mt. Gordo UD Messinense GD Sesimbra Vasco Gama AC SCM Aljustrelense

- FC Castrense - AD Oeiras - GD Lagoa - Lusitano FC VRSA - FC Ferreiras - SR Almacilense - Lusitano GC Évora - Estrela Ven. Novas

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CORREIO DE CARACAS - 19 DE JANEIRO DE 2006

Danny pode jogar pela Venezuela Antonio Carlos da Silva F. axedrezado@gmail.com

O

Dínamo de Moscovo, a equipa mais "portuguesa"da Europa de Lesta, estagiou no Algarve fazendo intenso trabalho para a preparar a época que se avizinha e realizando jogos particulares. Os moscovitas querem deixar para trás a desastrada época de 2005 e conquistar o seu grande objectivo: o campeonato da Rú ssia. Integrado na comitiva encontra-se Danny Alves, jogador português nascido em Caracas e que forma parte da "armada lusitana"que milita no clube do milionário russo Alexy Fedoriechev. Detentor da dupla nacionalidade, o internacional olímpico luso poderia vestir a camisola "Vinotino" pois ainda não se estreou pela selecção "AA" de Portugal. O Seleccionador venezuelano, Richard Paéz, já manifestou publicamente o seu desejo de saber qual a posição de Danny quanto à disponibilidade para representar a selecção principal da Venezuela na campanha de preparação da Copa América 2007, que se disputa no nosso país. Num intervalo da jornada de treinos que vem cumprindo no Algarve, Danny conversou com o Correio de Venezuela sobre a hipó tese "Vinotinto", dos primeiros passos no mundo do futebol em Caracas e da sua mais recente aventura moscovita.

– Onde começou a jogar futebol na Venezuela? "Comecei a jogar futebol na equipa do meu colégio, o Santo Tomás de Villanueva. Ali fui treinado pelo Lino Alonso (conceituado treinador venezuelano dos escalões de formação).As coisas correram bem para mim desde bem cedo, e ainda sendo muito novo consegui viajar para Portugal. – Como foi possível essa transferência até o futebol europeu? "O C.S. Marítimo viajou até a Venezuela para disputar um "mundialito" e eu foi indicado aos directores do clube madeirense pelo senhor Aleixo Vieira. Consegui jogar contra eles num jogo particular vestindo as cores de uma equipa do Centro Português. A partida foi disputada no campo da Casa Portuguesa de Maracay. Gostaram do meu jogo e convidaram-me viajar com eles a Portugal. Eu tinha apenas 15 anos, mas aceitei". – Como foi a adaptação ao futebol português? "Os responsáveis gostaram logo das minhas qualidades técnicas (pró prias do jogador venezuelano) e lá consegui crescer muito tanto física como tacticamente. Mas os primeiros tempos foram difíceis, pois tive de morar longe dos meus pais, o que foi complicado. Mais consegui mostrar o meu valor e assim tudo ficou mais fácil. Estreei-me na 1.ª Liga pelo Marítimo com apenas 18 anos. Hoje já temos vários jogadores venezuelanos que seguiram os meus passos que

DESPORTO 29

estão nas diversas equipas do futebol juvenil do Marítimo. Fico muito contente com isso". – Depois da estreia pelo Marítimo deu o "salto" para o Sporting... "Apenas seis meses apó s a minha estreia na Iª Liga cheguei ao Sporting, que na altura era treinado pelo romeno Lazlo Boloni. Não surgiram muitas oportunidades para mim e não consegui jogar sempre, pelo que optei por aceitar a oferta do Dínamo de Moscovo, onde as coisas me tem corrido da melhor maneira, jogando sempre e a bom nível, facto que foi reconhecido assim pelos adeptos e os jornalistas". – Apesar da distâ ncia tem acompanhado a evolução do futebol venezuelano? "O campeonato local não. Mas tenho acompanhado a "Vinotinto" nas recentes eliminató rias para a qualificação do pró ximo Mundial. A equipa alcançou grandes feitos, como a vitó ria perante o Uruguai, em Montevideu. Não sei o que foi que se passou no final, pois estava convicto de que desta vez chegariam a Alemanha. O futebolista venezuelano cresceu bastante e já joga sem medo, sem olhar para o rival. Tam-

bém tenho acompanhado a carreira do Juan Arango. È uma das figuras do sempre forte campeonato espanhol". – Se o seleccionador venezuelano o chamar para representar a selecção "AA" da Venezuela, aceitaria a convocató ria? "Nunca nos anos que passei na Venezuela foi chamado a representar uma selecção nacional da minha idade. Com Portugal tenho internacionalizações em vários escalões, e é um orgulho para mim jogar para um país que hoje em dia e o vice-campeão da Europa. Mas eu não fecho a porta a jogar com a selecção da Venezuela, pois é o país onde nasci, tenho muitos familiares e amigos e é um país pelo qual nutro muito carinho. Seria cumprir um sonho". – No campeonato da Rú ssia jogou na ú ltima outro futebolista venezuelano: o Leopoldo Jiménez... "Quando ele chegou à equipa (Alania Vladikavkaz), esta já se encontrava nos lugares do fundo da tabela, e não é um só homem que pode mudar as coisas. Acho que é um jogador de muita qualidade, um grande médio defensivo. Não sei se vai continuar na Rú ssia, mas posso dizer que tem nível até para jogar numa equipa mais forte". – Este ano o Dínamo tem a obrigação de fazer melhor... "No campeonato passado não conseguimos fazer uma equipa. Não existiu união entre os russos e nó s, os jogadores que chegamos desde Portugal. Mas agora as coisas estão diferentes, há mais entrosamento e união no grupo de trabalho, e todos queremos levar o Dínamo a ganhar o campeonato. A meta é fazer do Dínamo o clube mais grande da Rú ssia e depois torná-lo conhecido e respeitado na Europa. Em termos pessoais desejo fazer tão bem ou melhor do que na temporada de 2005."


30 DESPORTO

CORREIO DE CARACAS - 19 DE JANEIRO DE 2006

FC Porto nos "quartos" sem jogar Nacional vai ao Estádio da Luz

O

F. C. do Porto, líder da Liga, garantiu a da Taça de Portugal de futebol, a disputar em 08 de qualificação para os quartos-de-final da Fevereiro: Taça de Portugal em futebol sem ter Vitó ria Guimarães (L) - UD Oliveirense (II) de jogar a sexta eliminató ria, apó s fiMarítimo (L) - Vila Meã (III) car isento no sorteio realizado em Lisboa. Desportivo Aves (LH) - Académica (L) No encontro mais importante dos oitavos-de-final, Sporting (L) - Paredes (II) marcados para 08 de Fevereiro, o Benfica, segundo Estrela Amadora (L) - Boavista (L) classificado da Liga, campeão nacional em título e fiLixa (II) - Vitó ria Setú bal (L) nalista vencido da Taça, recebe o Nacional da MaBenfica (L) - Nacional (L) deira, terceiro da tabela do campeonato, com menos Isento: FC Porto (L) dois pontos. Além deste, há apenas mais um encontro entre Resultados da 5.ª eliminató ria, disputada no pasequipas da Liga: o Estrela da Amadora-Boavista, em sado dia 11: que o sétimo classificado recebe o nono da tabela. Louletano 2 3 Académica Enquanto o Vitó ria de Setú bal, detentor do troSouropires 1 3 Estrela da Amadora féu, vai à Lixa para defrontar uma das três equipas da Nacional 2 0 Fátima II Divisão ainda em prova, o Sporting, quinto clasAves 5 3 Sporting de Braga sificado da Liga, recebe o Paredes, igualmente do Pinhalnovense 4 5 Vitó ria de Setú bal terceiro escalão do futebol português. Aljustrelense 0 1 Oliveirense A Oliveirense, o outro resistente da II Divisão, Boavista 3 0 Abrantes visita o Vitó ria de Guimarães, penú ltimo classifiTourizense 0 2 Benfica cado da Liga, o Desportivo das Aves, ú nica equipa da Sporting 2 1 Vizela Liga de Honra ainda em prova, recebe a Académica, Naval 1 2 F. C. do Porto 15ª da Liga, e o Vila Meã, derradeiro representante da Paredes 3 1 Lagoa III Divisão, vai ao Funchal jogar com o Marítimo, V. Guimarães 4 0 Estoril 10º da Liga. Sporting da Covilhã 1 2 Vila Meã Portomosense 0 2 Marítimo Lixa 1 0 Ribeirão Programa dos oitavos-de-final (sexta eliminató ria)

II Divisão - Série B 14.ª Jornada

FC Porto B 1 0 Pedras Rubras

Barreirense Aves Portimonense Chaves Moreirense Varzim Olhanense Beira-Mar Ovarense

1 1 2 1 3 0 2 2 1

4 0 1 0 0 0 2 1 1

Gondomar Leixões Estoril Marco Sporting da Covilhã Maia Feirense Santa Clara Vizela

Pts. J V E D

1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º 13º 14º 15º 16º 17º 18º

Beira-Mar Olhanense Aves Leixões Sp. Covilhã Gondomar Portimonense Estoril Varzim Vizela Maia Santa Clara Marco Feirense Moreirense Chaves Barreirense Ovarense

37 34 33 32 28 27 27 25 23 22 20 20 19 19 18 18 13 11

18 10 18 9 18 10 18 9 18 7 18 8 16 7 17 7 17 5 18 5 17 5 18 4 17 5 18 5 18 4 18 4 18 2 18 2

7 7 3 5 7 3 6 4 8 7 5 8 4 4 6 6 7 5

1 21-9 2 24-13 5 25-17 4 20-7 4 20-18 7 30-26 3 22-15 6 28-25 4 22-22 6 27-24 7 24-26 6 17-20 8 22-31 9 23-31 8 20-27 8 15-20 9 14-25 11 20-38

Barreirense Aves Portimonense Chaves Moreirense Varzim Olhanense Beira-Mar Ovarense

II Divisão - Série C 14.ª Jornada

Pombal 0 2 Portomosense

G

15.ª Jornada (21-1-06) Infesta - Aliados de Lordelo Sp. Espinho - F. C. do Porto B Ribeira Brava - Sanjoanense Esmoriz - Pontassolense Fiães - Dragões Sandinenses Lousada - Marítimo B

Pts. J V E D

1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º 13º 14º

Trofense 28 União Madeira 22 Ribeirão 20 Famalicão 17 Sandinenses 17 A. D. Camacha 16 Freamunde 16 Portosantense 15 Fafe 15 Lixa 15 Vilaverdense 14 Sp. Braga B 13 Valdevez 11 Torcatense 6

12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12

8 6 5 4 4 5 3 4 4 4 4 3 2 1

4 4 5 5 5 1 7 3 3 3 2 4 5 3

0 2 2 3 3 6 2 5 5 5 6 5 5 8

G

24 7 12-11 8-5 15-13 12-10 17-14 11-8 8-10 11-14 10-13 13-16 14-14 9-14 6-21

Freamunde União da Madeira Sandinenses Fafe Torcatense Lixa Valdevez

-

Pts. J V E D

14-7 19-12 22-18 16-16 21-17 16-14 15-12 11-14 14-13 16-21 14-17 10-14 13-17 10-19

Vilaverdense 1 0 Valdevez

Vizela Gondomar Leixões Estoril Marco Sporting da Covilhã Maia Feirense Santa Clara

Pts. J V E D

1 3 4 3 5 4 3 4 4 4 7 5 6 8

A. D. da Camacha 1 2 Lixa

15.ª Jornada (21-1-06)

Classificação

6 3 2 4 3 3 5 4 4 4 1 4 3 2

Trofense 4 1 Torcatense

19.ª Jornada (21-1-06)

Classificação 5 6 6 5 5 5 4 4 4 4 4 3 3 3

Famalicão 2 1 Fafe

Classificação

Rio Maior 3 0 Benfica Cast. Branco

Marítimo B 2 0 Paredes

Sport. Braga B 2 3 Sandinenses

G

Nelas 1 2 Abrantes

Drag. Sandinenses 4 1 Lousada

Ribeirão 0 0 União da Madeira

Classificação

Pampilhosa 2 1 U. Coimbra

Pontassolense 2 1 Fiães

12 12 12 12 13 12 12 12 12 12 12 12 12 13

14.ª Jornada

Oliv. Hospital 1 2 Tourizense

Sanjoanense 1 3 Esmoriz

Sp. Espinho 21 D. Sandinenses 21 Marítimo B 20 Esmoriz 19 Paredes 18 Infesta 18 Fiães 17 FC Porto B 16 Lousada 16 Aliad. Lordelo 16 Pontassolense 13 Ribeira Brava 13 Sanjoanense 12 Pedras Rubras 11

II Divisão - Série A

18.ª Jornada

Fátima 2 2 Oliveirense

Aliados Lordelo 0 4 Sp. Espinho

1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º 13º 14º

Liga de Honra

-

Ribeirão Sport. Braga B Famalicão Trofense Camacha Vilaverdense Portosantense

II Divisão - Série D 14.ª Jornada

Pinhalnovense 3 0 Silves Mafra 1 0 U. Micaelense Madalena 1 0 Real Benfica B 5 2 Oriental Imortal 0 2 Vitória Setúbal B Ol. Moscavide 0 2 Odivelas Louletano 2 1 Torreense Casa Pia 0 1 Operário

Classificação G

1º Tourizense 2º Oliveirense

26 12 8 2 2 22-9

3º Abrantes 4º Fátima

26 12 8 2 2 21-15

Pts. J V E D

Louletano 29 Operário 28 Benfica B 26 Madalena 24 Ol. Moscavide 24 Casa Pia 22 Mafra 21 Pinhalnovense 21 Un. Micaelense 20 Odivelas 19 Imortal 17 V. Setúbal B 16 Torreense 14 Real 11 Silves 7 Oriental 6

14 14 14 13 14 14 14 14 14 13 13 13 14 14 14 14

8 8 8 7 6 7 6 5 6 6 4 5 4 3 1 1

G

5 1 28-14 4 2 17-8 2 4 22-17 3 3 14-16 6 2 18-12 1 6 21-17 3 5 16-16 6 3 12-8 2 6 16-14 1 6 16-19 5 4 18-12 1 7 15-19 2 8 17-21 2 9 16-27 4 9 14-26 3 10 12-26

12º Portomosense 11 12 2 5 5 14-16 8 12 1 5 6 6-14 13º Nelas 14º Oliv. Hospital 7 12 1 4 7 10-22

1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º 13º 14º 15º 16º

15.ª Jornada (21-1-06)

15.ª Jornada (21-1-06)

5º Pampilhosa 6º Rio Maior

26 13 8 2 3 24-15 23 12 6 5 1 19-10 19 12 5 4 3 17-15 16 12 3 7 2 17-14

7º Penalva Castelo 16 12 4 4 4 13-16 15 12 3 6 3 12-11 8º Pombal 9º Benfica C. B. 12 13 3 3 7 14-23 10º União Coimbra 11 12 3 2 7 12-19 11º Oliv. Bairro 11 12 2 5 5 16-18

Oliveira Bairro - Fátima Penalva Castelo - Pombal Portomosense - Oliveira Hospital Tourizense - Pampilhosa União Coimbra - Nelas Abrantes - Rio Maior

Silves - Mafra União Micaelense - Madalena Real - Benfica B Oriental - Imortal Vitória Setúbal B - Olivais Moscavide Odivelas - Louletano Torreense - Casa Pia Operário - Pinhalnovense


CORREIO DE CARACAS - 19 DE JANEIRO DE 2006

DESPORTO 31

Boavista vence fora pela primeira vez

O

Boavista alcançou segunda-feira o primeiro triunfo fora na presente temporada, ao vencer no Bonfim o Vitó ria Setú bal, em clara quebra, por 2-0, encontro que encerrou a 18ª jornada da Liga portuguesa de futebol. Numa ronda marcada pela derrota - a primeira fora - do FC Porto, líder da prova, na Reboleira diante do Estrela Amadora por 2-1, o Boavista conseguiu finalmente marcar o primeiro triunfo fora de portas, num reduto difícil e diante da equipa menos batida da prova. No domingo, o FC Porto caiu frente ao Estrela da Amadora (2-1) e permitiu a aproximação do Benfica, vencedor na recepção à Académica por 3-0 - os "encarnados" são segundos classificados com 37 pontos, menos três que os "azuis e brancos". A primeira jornada da segunda volta a Liga voltou a ter motivos acrescidos de interesse, com a luta na frente a tornar-se mais equilibrada, fruto do segundo desaire dos portistas no campeonato (apenas ainda tinham perdido com o Benfica, à sétima jornada). Sob a pressão de vencer - o Benfica tinha derrotado poucas horas antes a Académica no Estádio da Luz - o FC Porto cedo se viu em desvantagem, com Maurício a fazer o 1-0 pouco depois do quarto de hora de jogo. Ainda antes do intervalo (33 minutos), o Estrela dilatou a vantagem (2-0), novamente com um pontapé de fora de área, desta feita pelo brasileiro Coutinho, num lance em que a bola passou por baixo das pernas de Vítor Baía, que pareceu mal batido.

Os "dragões", já sem McCarthy, ao serviço da selecção da África do Sul, tudo fizeram para pontuar na Reboleira, mas apenas Lucho Gonzalez, com o seu sexto golo, conseguiu desfeitear Paulo Lopes (reduziu aos 61 minutos), que foi uma das figuras da partida. A derrota "azul e branca" permitiu a aproximação do Benfica, que horas antes derrotou a Académica (3-0), numa partida que terminou com os protestos dos "estudantes", queixando-se da arbitragem de Artur Soares Dias, do Porto. Em causa dois lances a suscitar alguma dú vida: o corte de Roberto Brum com a mão, que originou a grande penalidade apontada por Simão, aos cinco minutos, e um lance na grande área do Benfica, já na segunda parte, em que um remate de Dionattan foi embater com alguma violência no braço de Luisão, mas o árbitro não assinalou grande penalidade desta feita. O Benfica viu ainda Nuno Gomes consolidar o estatuto de melhor marcador, com o avançado a fazer o seu 13º golo na Liga, ao apontar o terceiro tento, já em período de descontos. A vitó ria "encarnada", a sexta consecutiva (a sua melhor série no campeonato desde 2001), permitiu ainda à equipa distanciarse do Nacional, que hoje não foi além de um empate em casa perante o Paços de Ferreira (2-2). O empate do Nacional na Choupana permitiu igualmente ao Sporting de Braga recuperar terreno, igualando a equipa madeirense no terceiro lugar e depois da vitó ria alcançada sábado frente à União de Leiria, com

Liga Betandwin 18.ª Jornada

Rio Ave Naval Estrela Amadora Sporting de Braga Benfica Belenenses Marítimo Nacional Vitória de Setúbal

2 0 2 1 3 0 1 2 0

0 0 1 0 0 1 1 2 2

Penafiel Vitória Guimarães F. C. do Porto União de Leiria Académica Sporting Gil Vicente Paços de Ferreira Boavista

Classificação Pts. J V E D

um solitário tento do regressado Wender. Igualmente no sábado, o Sporting - sem jogar bem - conseguiu salvar uma vitó ria por 1-0 frente ao Belenenses, num jogo em que se desperdiçaram duas grandes penalidades, primeiro Ruben Amorim (para o Belenenses) e depois Sá Pinto (para os "leões"). A equipa orientada por Paulo Bento tirou alguns dividendos da ronda, conseguindo assim reduzir para "menos distantes" sete pontos a diferença para o líder FC Porto. Em outros jogos, destaque ainda para o nulo entre os aflitos Naval e Vitó ria de Guimarães, antepenú ltimo e penú ltimo classificado, e para nova derrota do "lanterna vermelha" Penafiel. Os penafidelenses dilataram a sua pior série da época (já levam seis derrotas consecutivas e nove jogos sem vencer), ao perderem com o Rio Ave e estão cada vez mais afundados na tabela (com sete pontos), com o espectro da Liga de Honra no horizonte.

1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º 13º 14º 15º 16º 17º 18º

F. C. do Porto 40 18 12 Benfica 37 18 11 Nacional 35 18 10 Sport. Braga 35 18 11 Sporting 33 18 10 Vitória Setúbal 30 18 9 Boavista 26 18 6 Est. Amadora 25 18 7 União de Leiria 24 18 7 Marítimo 23 18 5 Rio Ave 23 18 6 Paços Ferreira 22 18 6 Gil Vicente 21 18 6 Belenenses 20 18 6 Académica 19 18 5 Naval 15 18 4 Vit. Guimarães 15 18 4 Penafiel 7 18 1

G

4 2 30-12 4 3 28-12 5 3 24-11 2 5 20-11 3 5 26-19 3 6 14-9 8 4 23-18 4 7 16-16 3 8 22 23 8 5 21-21 5 7 23-26 4 8 20-25 3 9 16-20 2 10 17-20 4 9 16-26 3 11 18-28 3 11 9-25 4 13 12-33

19.ª Jornada (21-1-06) 19-01 – 21:00 20-01 – 21:30 21-01 – 16:00 21-01 – 16:00 21-01 – 16:00 21-01 – 17:00 21-01 – 19:15 21-01 – 21:15 23-01 – 20:30

Penafiel - Sporting de Braga Gil Vicente - Benfica Vitória. Guimarães - Rio Ave Académica - Nacional Paços Ferreira - V. Setúbal Boavista - Estrela Amadora Sporting - Marítimo F. C. do Porto - Naval União de Leiria - Belenenses


CORREIO DE CARACAS – 19 DE JANEIRO DE 2006

Madeira acolhe conferência Portugal-Venezuela Estudantes podem trabalhar em rede com sistema de aprendizagem especí fico que está disponí vel on-line Raul Caires

(rcaires@dnoticias.pt)

A

Madeira pode vir a acolher a realização de uma conferência sobre as relações entre Portugal e a Venezuela, podendo nela participar parlamentares dos dois países. A iniciativa, que poderá vir a ser realizada ainda durante este ano, consta do programa de actividades, aprovado recentemente pelo respectivo Grupo Parlamentar de Amizade instalado na Assembleia da Repú blica. Para a conferência serão convidadas entidades parlamentares venezuelanos e portugueses e outras tidas como relevantes.

O Grupo de Amizade criado em São Bento, que é presidido pelo madeirense Correia de Jesus (Partido Social Democrata), equaciona ainda estabelecer uma ligação com Governo Regional da Madeira, designadamente com o objectivo de se vir a manter um diálogo institucional com o secretário regional dos Recursos Humanos e contactos com o Centro das Comunidades Madeirenses. De acordo com o programa do Grupo português, a que o Correio teve acesso, para além de contactos com o embaixador da Venezuela em Lisboa e de seus conselheiros, para troca de informações e análise de assuntos de interesse comum, nomeadamente nas áreas política, cultural,

social e econó mica, estão previstas deslocações ao país sul-americano ao ritmo de pelo menos uma por ano. O grupo pretende também estabelecer um "interface" com o Ministério dos Negó cios Estrangeiros para promover um diálogo institucional entre a Secretário de Estado e o Conselho das Comunidades Portuguesas. O mesmo tipo de ligação será estabelecida com o Ministério a Economia, no â mbito da cooperação com o ICEP e a API. No capítulo privado, o Grupo Parlamentar e amizade Portugal Venezuela pretende também interagir com o Instituto para a Promoção e Desenvolvimento da América Latina, com a Câ mara de Comércio Luso-Venezuelana, com a Confederação Mundial dos Empresários Das Comunidades Portuguesas e associações de luso-venezuelanos sediadas em Portugal.

Homilia em honra de São Vicente Jean Carlos De Abreu

deabreujean@yahoo.com

N

o pró ximo dia 22 de Janeiro realiza-se uma homilia em honra de São Vicente, na Missão Cató lica Portuguesa, em Caracas, adiantou a presidente da Confraria que tem o nome daquele santo, Estela Lucio de Pereira. O acto inicia-se a partir da uma da tarde e está prevista a

realização de uma missa, uma procissão e uma celebração com comida típica de Portugal para todas as pessoas que desejem comparecer. Ao festejo religioso assistirão representantes das diferentes associações portuguesas no país, como Academia do Bacalhau, Centro Português de Caracas, Centro Luso Turumo, Os Arcuenses, entre outros, que ali vã partilhar com os represen-

tantes de São Vicente uma reunião religiosa em honra do patrono da região do Norte da Madeira. A iniciativa de reunir os portugueses oriundos da freguesia de São Vicente acontece há oito anos, mas foi apenas há cinco que a imagem do Santo chegou à Venezuela. A celebração pastoral em Caracas realiza-se há três anos de esta parte. Para formar parte da con-

fraria é preciso preencher o requisito indispensável de ter nascido em São Vicente ou ser familiar de um vicentino. Todos os seus 47 membros são procedentes daquela localidade madeirense. "A nossa solenidade é puramente eclesiástica, diferente do arraial, já que nó s veneramos o nosso santo e isto é um acto de solidariedade com a nossa crença e com a nossa fregue-

sia", sublinhou Estala Lucio. Em 2005, o ex-presidente da Câ mara Municipal de São Vicente, Duarte Mendes, veio à Venezuela na qualidade de convidado de honra para conhecer os vicentinos deste país, tendo aproveitado a ocasião para visitar e também o Centro Português de Caracas e participar num convívio com portugueses que estão aqui radicados.

Correio da Venezuela 140  

Edición 140

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