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Entrevista: Edilson Tubiba

Esgrima Brasil mostra sua força

Brasil

número

37

PARAOLÍMPICO revista do comitê paraolímpico brasileiro // setembro/outubro 2011 // www.cpb.org.br

No caminho certo Hipismo, Ciclismo e Tênis de Mesa com o pé em Londres


Editorial Caros leitores, Produzir mais uma revista Brasil Paraolímpico é sempre um grande exercício de edição. Buscamos levar a vocês o que de melhor tem acontecido no Movimento Paraolímpico nacional e tenho de admitir que não é fácil escolher o que colocaremos em cada nova revista, diante de tantas boas notícias. Andrew Parsons presidente do comitê paraolímpico brasileiro

Todos sabem do potencial brasileiro na Natação, no Atletismo, no Judô e na Bocha, todos esportes com medalhas de ouro em Paraolimpíadas. Neste número 37, a escolha de matéria de capa foi justamente para mostrar que o paradesporto brasileiro vai além destes esportes. Escolhemos três modalidades que têm se destacado em competições internacionais para mostrar esta aposta na diversificação: hipismo, ciclismo e tênis de mesa. A esgrima entraria neste contexto, mas ganhou matéria própria, devido ao bom desempenho brasileiro no Regional das Américas, realizado em Campinas, onde conquistamos o título geral por equipes e subimos no pódio em disputas individuais. Vamos lembrar também a trajetória de Sandro Laina, o grande capitão do Futebol de 5 para Cegos, que pendurou as chuteiras após a conquista do bicampeonato mundial e agora comanda a Confederação Brasileira de Desporto de Deficientes Visuais, um novo desafio em sua vida.

Um grande abraço,

Andrew Parsons

O Circuito Loterias Caixa de Atletismo, Halterofilismo e Natação entrou em sua fase de etapas nacionais e não poderia ficar de fora, começando em alto nível, com três recordes mundiais e mais de 70 nacionais. De olho no futuro, apresentamos a dupla de velejadores Elaine Cunha e Bruno Neves, na sessão Promessa 2016. Já na entrevista, Edilson Rocha Tubiba, diretor técnico do CPB e nosso chefe de missão em Londres 2012, fala sobre a evolução do paradesporto brasileiro e aponta os caminhos do futuro. As metas são ambiciosas e sabemos como chegar lá. E tem muitas boas notícias ainda, como o sucesso da natação brasileira no Parapan Pacific e nossos medalhistas Eliseu dos Santos e Maciel Santos, ouro e bronze, respectivamente, na Copa do Mundo de Bocha. Brasil Paraolímpico mostra também a estreita relação do paradesporto com a tecnologia em busca de melhor desempenho nas competições. A atuação do CPB na área de marketing e comunicação é hoje um modelo a ser seguido no mundo e ganhou destaque no Fórum Internacional de Marketing Esportivo de Resultados, no Rio de Janeiro. Tenho certeza de que vocês vão gostar muito das notícias. Boa leitura!


4 Revista Brasil Paraolímpico

sumário

edição 37 // set/out 2011 // www.cpb.org.br

10 Promessa 2016 Na Vela Adaptada, Bruno Neves e Elaine Cunha conquistam vaga inédita e representarão o Brasl em Londres 2012, já sonhando com Rio-2016

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20

23

Esgrima

Tecnologia

Circuito Caixa

Brasil mostra força e conquista o título por equipes no Campeonato Regional das Américas e sobe ao pódio em todas as categorias individuais

Cada vez mais presente nas pistas, piscinas e quadras, a tecnologia é uma forte aliada do esporte na busca de melhores desempenhos

Primeira etapa nacional, disputada em São Paulo, tem três recordes mundiais e mais de 70 novas marcas nacionais estabelecidas

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18

22

27

colunista convidado

entrevista

Marketing

bocha

Cláudio Nogueira

Edilson Tubiba

CPB apresenta case em Fórum Internacional

Brasil brilha na Copa do Mundo


Grandes nomes do esporte

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Sandro Laina

Revista Brasil Paraolímpico

Garoto bom

de bola

Bicampeão Paraolímpico, Sandro Laina despediu-se da Seleção para se tornar um dos maiores nomes na história do futebol para cegos do Brasil

No início deste ano um verdadeiro xerife se aposentou dos gramados brasileiros. Aos 30 anos, dos quais 14 dedicados à Seleção Brasileira de Futebol de 5 Paracegos, Sandro Laina encerrou sua carreira após uma extensa lista de conquistas, como o bicampeonato paraolímpico em 2004 e 2008, o título mundial de 2010, o ouro parapanamericano no Rio de Janeiro, em 2007, e quatro taças da Copa América, em 1997, 2001, 2003 e 2009, entre outros. Sua história com a amarelinha começou cedo. A primeira convocação veio quando ele tinha apenas 16 anos, em 1997. Sete anos depois, Sandro viveu um momento inesquecível: seu nome estava na lista dos dez convocados do técnico Antônio Pádua para a disputa das Paraolimpíadas de Atenas, em 2004. Aquela era a estreia do futebol brasileiro nos Jogos Paraolímpicos. “A convocação foi feita em ordem alfabética, e meu nome só foi dito no fim. Foi muita ansiedade, até pareceu que a chamada durou horas e horas”, recorda. Além do primeiro ouro paraolímpico do futebol brasileiro, outros momentos marcaram a vida do carioca Sandro. Um deles foi a conquista do ouro Parapanamericano, no Rio de Janeiro.

O futebol surgiu naturalmente. Eu jogava no corredor de casa com os meus irmãos, sempre com a torcida da minha mãe “É bom demais ganhar um título em casa. Meu bairro todo se reuniu para torcer, e meus familiares e vizinhos lotaram dois ônibus rumo à Deodoro para assistir à final”, contou. A paixão pela bola veio cedo, assim como para qualquer garoto do País do futebol. Sandro nasceu com glaucoma e após passar por 14 cirurgias perdeu completamente a visão aos sete anos de idade. Mas isso não limitou a sua habilidade. Nascido e criado em Nova Iguaçu, no estado do Rio de Janeiro, seu passatempo preferido era passar horas e horas brincando de gol a gol. “O futebol surgiu naturalmente. Eu jogava no corredor de casa, com meus irmãos, quase sempre com a torcida da mamãe”. Aos quatro anos, Sandro co-

meçou a estudar no Instituto Benjamin Constant (IBC), tradicional escola de ensino para deficientes visuais. “Fiz muitos amigos. Lá foi um bom local para aprimorar meu futebol. Dividia bem meu tempo, mas adorava passar as tardes jogando bola”, lembrou. E a divisão do tempo destinado aos estudos e aos treinos deu muito certo, não somente dentro de campo, mas fora dele também. Formado em Análise de Sistemas, Sandro é pós-graduado em Sistema de Informação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atualmente o ex-jogador acumula a função de presidente da Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV) junto à carreira de funcionário do Ministério Público.


6 Revista Brasil ParaolĂ­mpico


Crescimento

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Ganhando Espaço

Revista Brasil Paraolímpico

Mais perto

DE LONDRES Modalidades em crescimento no Brasil conquistam excelentes resultados em competições internacionais e se aproximam cada vez mais das vagas para os Jogos Paraolímpicos de 2012

A

menos de um ano para os Jogos Paraolímpicos de Londres 2012, o Brasil tem se destacado em Mundiais e Campeonatos Abertos Internacionais pelo mundo, sobretudo em esportes que crescem a todo vapor no País. O adestramento paraesquestre é um deles. Com desempenho inédito, a modalidade está perto de conquistar a vaga nas Paraolimpíadas do ano que vem. Os cavaleiros Marcos Alves, o Joca, Vera Mazzilli, Sérgio Oliva, Davi Mesquita e Elisa Melaranci conseguiram excelentes percentuais em competições na Europa. Na última em Casorate Sempione, na Itália, Marcelo, Vera, Sérgio

e Elisa garantiram 423,120 pontos, colocando o Brasil no topo do ranking internacional por equipes. O desafio brasileiro agora é manter a liderança e assegurar as vagas para a maior competição paradesportiva do planeta. “Estamos numa ótima posição, mas temos mais competições até o fim do ano e as posições podem mudar. Três equipes já conquistaram vaga em Londres (Inglaterra, Alemanha e Dinamarca) e o Brasil está na frente das demais, na busca pela qualificação. Temos chances reais de garantirmos quatro vagas nos Jogos”, afirma Marcela Parsons, diretora de Adestramento Paraequestre da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH).

Os próximos desafios da Seleção Brasileira acontecerão de 12 a 14 de outubro, em Breda, na Holanda, e 2 a 4 de dezembro, em Arruda dos Vinhos, em Portugal. “Nossos atletas estão bem qualificados, mas a equipe que disputará os Jogos Paraolímpicos ainda não foi definida”, ressalta Marcela Parsons. Em abril, o Brasil ficou entre os cinco melhores na categoria individual e por equipes, em Deauville, na França, e desde então tem avançado no ranking internacional. Em julho, em Casorate Sempione, a Seleção Brasileira conseguiu ficar à frente dos donos da casa e dos franceses.


8 8

Crescimento

Revista Brasil Paraolímpico

Ganhando Espaço

Dono de duas medalhas de bronze nos Jogos Paraolímpicos de Pequim 2008, Joca está confiante no desempenho da equipe.

Pela primeira vez na história, o Brasil tem um campeão mundial e um campeão da Copa do Mundo.

“A gente vem treinando bastante. Nosso último resultado na Itália foi excelente. Fomos campeões e praticamente garantimos a vaga em Londres para a equipe. Temos trabalhado e sentido que nosso desempenho está melhorando cada vez mais”, revela o cavaleiro. Melhor brasileira no ranking, Vera, que começou na modalidade há cinco anos, sonha com sua primeira participação nos Jogos Paraolímpicos. “Estou fazendo tudo para conseguir estar lá. Tenho treinando muito e me dedica-

do bastante. Ser a brasileira melhor colocada no ranking internacional é resultado do trabalho em equipe e da minha dedicação, do meu esforço e da Marcela, minha técnica, que nos treina para sermos os melhores”, diz a amazona. TOP 5 no Paraciclismo Lauro Chaman, João Schwindt e Soelito Gohr estão entre os melhores do mundo no paraciclismo e cada dia mais perto da vaga nas Paraolimpíadas de 2012. Após conquistarem o pódio nas finais da classe C5 na final da Copa do Mundo de Paraciclismo, em Baie-Comeau, no Canadá, tanto na prova de contra-relógio quanto na de estrada, o trio ganhou pontos no ranking mundial, que será classificatório para os Jogos Paraolímpicos de Londres.


Crescimento

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Ganhando Espaço

Revista Brasil Paraolímpico

O Brasil já possui uma vaga certa garantida pelo ranking de nações em 2010 e busca agora outras possibilidades para enviar mais atletas. “Pela primeira vez na história, o Brasil tem um campeão mundial e um campeão da Copa do Mundo. A conquista dos três é resultado do trabalho que temos feito há três anos e é muito animadora. Os próximos desafios serão o Mundial (setembro em Roskilde, na Dinamarca) e os Jogos Parapanamericanos (novembro, em Guadalajara, no México)”, afirma o coordenador técnico nacional da modalidade, Romolo Lazzaretti. Brasil terá 29 mesatenistas em Guadalajara Outra modalidade que vem chamando atenção do Comitê Paraolímpico Brasileiro é o tênis de mesa. Mais de 80 atletas de todo o País tentaram, e 29 conseguiram uma vaga na equipe que representará o País nos Jogos Parapanamericanos de Guadalajara. No México, eles lutarão por vagas nas Paraolimpíadas de Londres. A seletiva esquentou o Centro de Treinamento Nacional da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM), em São Paulo, no fim de julho. A grande quantidade de atletas inscritos na disputa e, melhor, de vagas conquistadas na maior competição das Américas, aponta o crescimento da modalidade no Brasil. “O campeão no Parapan tem vaga direta nos Jogos Paraolímpicos de Londres. O Brasil é hoje o melhor país das Américas na modalidade e o grande número de atletas classificados é resultado da nossa evolução no esporte. O tênis de mesa adaptado começou a deslanchar em 2003, com o início do trabalho com a Confederação Brasileira. A primeira medalha que a Seleção conquistou foi uma prata, com a dupla Luiz Algacir, já falecido, e Welder Knaf, em Atenas (2004). Em Pequim 2008 repetimos o resultado. As expectativas para Londres são as melhores”, disse o diretor técnico do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), Edílson Tubiba. O coordenador técnico do Projeto de Detecção de Talentos Paraolímpicos da CBTM, Carlos Koyama, não poupou elogios aos mesatenistas.

Lauro Chaman, João Schwindt e Soelito Gohr estão entre os melhores do mundo no paraciclismo e cada dia mais perto da vaga nas Paraolimpíadas de 2012

Tênis de mesa no parapan feminino classe 3

Luana Silva e Rosangela Dalcin

Classe 4/5

Joyce Oliveira e Maria Luiza Passos

Classe 6/7

Simone Vieira e Silmara Rodrigues

Classe 8

Jane Rodrigues

masculino classe 2

Ronaldo Souza, Iranildo Espíndola e Guilherme Costa Marcião

classe 3

David Freitas e Welder Knaf

classe 4

Ezequiel Babes, Ecildo Lopes e Ivanildo Freitas

classe 5

Chiang Ya Ming e Claudiomiro Segatto

classe 6

Luiz Henrique Medina e Carlo Di Franco Michel

classe 7

Lucas Gouvea

classe 8

Paulo Salmin, João Fernando Nascimento e Francisco Melo

classe 9

Guilherme Ifanger, Edimilson Pinheiro e Flávio Seixas

classe 10

Carlos Carbinatti, Alexandre Caldeira e William Almeida


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Promessa 2016

Revista Brasil Paraolímpico

Vela

Bons ventos Dupla de velejadores conquista vaga inédita para o Brasil em Jogos Paraolímpicos e sonha disputar a edição Rio 2016

Em julho deste ano o Brasil teve duas grandes conquistas na vela adaptada. Além de ter pela primeira vez uma mulher integrando a Seleção Brasileira, o País garantiu vaga inédita na classe Skud 18 para os Jogos Paraolímpicos de Londres 2012. O feito aconteceu no Mundial de Vela Adaptada (30 de junho a 8 de julho), em Weymouth, também na Inglaterra.

Classificada para Londres 2012, a dupla Elaine Cunha, 29 anos, e Bruno Neves, 25, quer mais. “Agora o nosso projeto é treinar bastante até as Paraolimpíadas de Londres e depois dar continuidade, com mais garra ainda, para estarmos nos Jogos do Rio 2016”, afirma o timoneiro Bruno.


Promessa 2016

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Vela

Revista Brasil Paraolímpico

Meu sonho antes era disputar uma Olimpíada pelo futebol Bruno Neves, ex-goleiro do São Paulo

Mesmo sem nunca terem velejado na Skud 18, a dupla se adaptou facilmente ao novo barco e conseguiu a única vaga brasileira na vela. Destinada a tripulação mista (um atleta com lesão alta e outro com baixa), a classe é novidade no Brasil. “Eles mostraram potencial no Mundial, mas ainda é cedo para falar em medalhas em 2012. Já para o Rio 2016 é bem possível que eles se destaquem. A dupla é bastante dedicada”, elogia Walcles Osório, presidente da Federação Brasileira de Vela e Motor. Juntos há dois anos, Elaine e Bruno agora sonham com os próximos desafios. “Vamos trabalhar para competirmos no alto nível. O Skud é um barco importado, que não tem no Brasil. Ele é diferente, rápido, feito para competição. Devemos ter um aqui para os treinos e outro lá (Londres) para os Jogos, além de participar de competições fora. Queremos competir em 2016 e não podemos fazer feio em casa”, comenta Elaine, que conheceu o esporte adaptado na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), após perder os movimentos da perna num acidente de carro, há quatro anos.

Liberdade na àgua Ex-goleiro do São Paulo Futebol Clube, Bruno começou cedo no esporte. Aos 11 anos ele ingressou na categoria de base do Tricolor e chegou a vestir a camisa da Seleção Brasileira de futebol nas equipes Sub-17 e Sub-20. Seu desempenho era tão bom que ele chegou a ser cotado como substituto de Rogério Ceni no Tricolor Paulista Tudo mudou no dia 11 de agosto de 2006, quando o jogador sofreu um acidente de carro na Rodovia Régis Bittencourt, em São Paulo. O jovem teve um gravíssimo deslocamento na coluna, que o deixou tetraplégico.

Elaine avisa aos navegantes que apesar de o esporte deles ser associado à vida mansa, brisa do mar, quando se está em alto nível a história é bem diferente:

“Meu sonho antes era disputar uma Olimpíada pelo futebol, mas depois do acidente só mudou o esporte. Os sonhos são os mesmos”, revela.

“Aqui a rotina é pesada, não tem moleza. Fico com dores musculares, calos nas mãos e ainda tem o estresse da cobrança por seultados. É muito sério”

A vela adaptada entrou na vida de Bruno em 2008, por meio de um convite para conhecer os treinos na Represa de Guarapiranga, interior de São Paulo.

“Após o acidente me foquei na recuperação. Dois anos depois fui apresentado à vela. Gostei bastante e comecei a frequentar sem o intuito de competir. Velejar me dá uma imensa sensação de liberdade. Para fazer a maioria das coisas, a gente precisa de ajuda, precisa ter alguém junto. Na vela, por mais que tenha outra pessoa no barco, eu faço sozinho”, conta. A vela também foi fundamental para a recuperação física e psicológica de Bruno. “Foi uma felicidade e ajudou muito na recuperação dele, que voltou a praticar esportes, ter o convívio com outros atletas”, garante Neide Neves, mãe de Bruno. Para Elaine, o esporte também mudou sua vida: “O começo após o acidente foi muito difícil e o esporte foi fundamental para eu recuperar a alegria de viver, elevou a minha auto-estima”.


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Colunista convidado

Revista Brasil Paraolímpico

Cláudio Nogueira

Esporte de alto nível e cada vez mais profissional Em praticamente 25 anos de carreira no jornal O Globo, 18 deles na Editoria de Esportes, já tive a oportunidade de cobrir, entre vários eventos, as Olimpíadas de 2004 e de 2008, os Jogos Pan Americanos de 1999, 2003 e 2007, além de vários GPs de F-1, F-Indy e Motovelocidade. Todos os eventos têm suas características, seu charme e também as dificuldades de cobertura. E embora eu já tivesse trabalhado em eventos paradesportivos no Rio, foi em janeiro deste ano que tive a oportunidade de, pela primeira vez, cobrir o Mundial de Para-Atletismo, em Christchurch, na Ilha Sul da Nova Zelândia. Lá, o Brasil se houve muito bem, conquistando a terceira colocação geral e um total de 30 medalhas, dando uma demonstração do potencial verde e amarelo nessas competições. Como eu disse, já havia entrevistado atletas paraolímpicos antes, mas, talvez pelo fato de estar no exterior, quando acabamos ficando mais próximos dos atletas, por cerca de 12 dias, pude ver o quanto são profissionais esses mesmos atletas e quanto são cada vez mais especializados os treinadores, auxiliares, médicos e fisioterapeutas. O esporte paraolímpico, que surgiu depois da Segunda Guerra Mundial, como resultado dos Jogos de Stoke Mandeville, de 1948, não pode mais ser visto como um subesporte, mas é um esporte em si, algo específico, próprio, único e que faz por merecer uma maior especialização por parte de quem desejar trabalhar no setor. Com a proximidade das Paraolimpíadas de 2012, em Londres, e futuramente os Jogos Paraolímpicos do Rio, em 2016, é cada vez mais necessário que dirigentes, atletas, técnicos e fãs do esporte brasileiro voltem seus olhares para as modalidades paraolímpicas e reconheçam precisamente isto: o quanto ele tem de profissional e específico. Longe de ser algo destinado a pobres coitados, o paradesporto chegou para ficar. Não só em termos de resultados para o Brasil, como também - num aspecto humanitário e de res-

ponsabilidade social - no sentido de mostrar à sociedade como um todo o quanto são importantes questões como acessibilidade, cotas sociais, respeito aos direitos de pessoas com deficiência. Para que se tenha uma ideia, em Chirstchurch, por exemplo, os semáforos não apenas têm as tradicionais luzes vermelha e verde, mas também sinais sonoros, que possibilitam ao cego saber quando pode ou não atravessar a rua. Este caminho rumo à maior integração social do deficiente ainda é longo para o Brasil, mas algo que o paradesporto pode ajudar muito a encurtar.

Longe de ser algo destinado a pobres coitados, o paradesporto chegou para ficar.

Claudio Nogueira (à direita) é autor de livros como Zeros à Direita (www.iventura.com.br) e Os Dez Mais do Vasco.


Esgrima

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Regional das Américas

Revista Brasil Paraolímpico

Em guarda! Recente no Brasil, a esgrima em cadeira de rodas já apresenta excelentes resultados. A modalidade, que começou a ser trabalhada no País em 2004, realizou a primeira competição Regional das Américas entre os dias 11 e 14 de agosto, em Campinas (SP). Durante três dias, atletas brasileiros, americanos, chilenos, argentinos e canadenses travaram duelos emocionantes na Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O Brasil fez bonito e foi campeão por equipes da competição. Além disso, a Seleção subiu ao pódio em todas as categorias.


14 Esgrima 14 Regional das Américas Revista Brasil Paraolímpico

Esgrima em Cadeira de Rodas brasileira entre

as melhores das Américas Brasil é campeão por equipes da competição

Valendo seis vagas diretas nas provas individuais para os Jogos Paraolímpicos Londres 2012, o Regional das Américas reuniu atletas iniciantes e veteranos. O Brasil até chegou perto de garantir lugares nas Paraolimpíadas, mas terminou a competição com duas pratas e seis bronzes. O ouro por equipes foi um dos momentos mais emocionantes. Com fome de vitória, os esgrimistas Jovane Guissone (RS), Alex Souza (SP), Lauro Braschtvogel (RS) e Maurício Stempniak (RS) voltaram às pistas para as disputas por equipes contra Estados Unidos e Argentina. Com jogos de tirar o fôlego, enfrentando os mesmos adversários das provas individuais, os brasileiros garantiram o ouro e o lugar principal no pódio. “O grito estava na garganta. Foi ótimo para fecharmos com chave de ouro. Para a maioria dos atletas, foi a primeira competição internacional e tivemos um resultado excelente. Foi bom para que eles vissem que os americanos e os canadenses, que estão entre os melhores do mundo, não são intocáveis e que podem ser vencidos”, afirmou o técnico da Seleção Brasileira de Esgrima em Cadeira de Rodas, Ivan Schwantes. Dono de uma das medalhas de prata (Florete masculino A) e do ouro por equipes, Lauro garantiu que aprendeu com seu desempenho na competição e que entrará com mais vontade nos próximos campeonatos. “O Regional das Américas foi excelente para o meu desenvolvimento na esgrima.

Além disso, foi fundamental para a nossa conquista o trabalho dos enfermeiros e médicos do CPB. Se não fossem eles, não teríamos conseguido um resultado tão bom. Essa medalha de ouro é do vovô e de São Jorge”, comemorou. Primeiro brasileiro na história da esgrima a conquistar uma medalha em competi-

O Regional das Américas foi excelente para o meu desenvolvimento na esgrima. Além disso, foi fundamental para a nossa conquista.

ções no exterior (Copa do Mundo 2011) e dono de dois bronzes no Regional das Américas (Espada masculino B e Florete masculino B), Guissone soube dosar melhor a ansiedade na competição por equipes e venceu todos os duelos. “Volto para casa com o sentimento de missão cumprida. Tanto pelo resultado quanto pelo meu desempenho. Infelizmente não consegui a vaga para os Jogos de Londres aqui, mas a busca continua. Quero pontuar o máximo que puder para conseguir pela classificação no ranking mundial”, revelou o gaúcho.


Esgrima

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Regional das Américas

Revista Brasil Paraolímpico

Classificação final Presença garantida nos Jogos de Londres 2012 Mario Rodriguez (Florete masculino A), Bowkamp Catherine (Florete A), Rayan Estep (Espada B), Gary Van Wege (Espada A) e Gerard Moreno (Florete A), foram os primeiros cinco atletas americanos a garantir vagas para as Paraolimpíadas de Londres 2012. A canadense Silvye Moree (Espada A) ficou com a última vaga da Regional das Américas. Um dos destaques da delegação americana é Gerard Moreno, veterano na modalidade, com participações nos Jogos de Sydney, Atenas e Pequim. Aos 52 anos, o esgrimista pratica a modalidade desde 1996, quando levou um tiro e ficou com uma séria lesão na coluna. Antes do acidente, Gerard praticava a esgrima convencional. “Ter conquistado essa vaga foi algo realmente incrível. Treinei duro, exerci minha paciência, concentração, foco, e não deixei de acreditar um instante sequer. Vou seguir confiante para os Jogos de Londres”, finalizou o esgrimista que tem em seu currículo sete bronzes em Copas do Mundo e 11 títulos de campeão norte americano. Entenda a Esgrima em Cadeira de Rodas A esgrima em cadeira de rodas requer dos atletas criatividade, velocidade, reflexos apurados, astúcia e paciência. Somente competem pessoas com deficiência locomotora. As pistas de competição têm 4m de comprimento por 1,5m de largura. A diferença para a esgrima olímpica é que os atletas têm suas cadeiras fixadas no solo. Caso um dos esgrimistas se mexa levantando um pouco da cadeira, o combate é interrompido. Os equipamentos obrigatórios da modalidade são: máscara, jaqueta e luvas protetoras. Nos duelos de Florete, a arma mais leve, há uma proteção para as rodas da cadeira. Nas disputas de Espada, uma cobertura metálica é utilizada para proteger as pernas e as rodas da cadeira. As competições se dividem em categorias de acordo com a arma: Florete, Espada e Sabre. Nos combates de Florete, os pontos só podem ser computados se a ponta da arma tocar o tronco do oponente. Também na espada, o que vale é tocar o adversário com a ponta da arma em qualquer parte acima dos quadris, mesma área de pontuação adotada nos duelos de sabre. Com este tipo de arma, o esgrimista pode atingir seu rival tanto com a ponta quanto com a lâmina do sabre. Uma das peculiaridades da esgrima em cadeira de rodas é a forma na qual os pontos são computados. As vestimentas dos atletas têm sensores que indicam quando o atleta foi tocado. Tanto o público quanto os esgrimistas e juízes podem acompanhar o placar do duelo. Quando o toque da arma resulta em ponto, uma das luzes – vermelha ou verde, que representa os atletas, se acende. Quando ocorre um toque não válido, é acesa uma luz branca.

1º Estados Unidos 2º Canadá 3º Brasil 4º Argentina 5º Chile

Classificação dos brasileiros na competição Florete masculino A 2º Lauro Braschtvogel (BRASIL – Porto Alegre) Florete feminino A 3º Monica Santos (BRASIL – Porto Alegre) Espada masculino B 3º Jovane Guissone (BRASIL – Porto Alegre) Espada masculino A 2º Sandro Colaço (BRASIL – Curitiba) 3º Clodoaldo Zafatoski (BRASIL) Espada feminino A 3º Daiane Peron (BRASIL – Porto Alegre) 3º Sheila Mattik (BRASIL – Curitiba) Florete masculino b 3º Jovane Guissone (BRASIL – Porto Alegre)

Desafio por equipes 1º Brasil 2º Estados Unidos 3º Argentina


SAC CAIXA: 0800 726 0101 (informações, reclamações, sugestões e elogios) Para pessoas com deficiência auditiva ou de fala: 0800 726 2492 Ouvidoria: 0800 725 7474

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Quase metade do que é arrecadado pelas Loterias CAIXA é destinado a áreas sociais do nosso país, como o esporte. Em 2010, só o Comitê Paraolímpico Brasileiro recebeu mais de R$ 25 milhões. Para as Loterias CAIXA, apostar no nosso esporte é ver o Brasil inteiro tirar a sorte.


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Entrevista

Revista Brasil Paraolímpico

Edilson Tubiba

Sempre de olho

no futuro Chefe de missão do Brasil em Londres 2012, Edilson Rocha Tubiba comanda a área técnica do CPB: aposta no planejamento para o país figurar entre os cinco maiores do mundo nas Paraolímpiadas Rio 2016

A paixão pelo movimento paraolímpico começou por acaso. Árbitro de basquetebol, Edilson Rocha, o Tubiba, foi chamado às pressas para atuar como mesário em uma apresentação de basquete em cadeira de rodas, em 1998. Encantado com o jogo, tornou-se supervisor técnico do Clube dos Paraplégicos de São Paulo e logo após surgiu o convite para assumir a Direção Técnica da Federação Paulista de Basquete Sobre Rodas. Em 2004 virou coordenador técnico do Comitê Paraolímpico Brasileiro e atuou durante toda a preparação e participação da Delegação Brasileira nas Paraolimpíadas de Atenas 2004. Dois anos depois assumiu o cargo de diretor técnico e ficou até 2008, quando dei-

Brasil Paraolímpico – Como avalia a evolução do Paradesporto nos últimos sete anos?

RBP //

A evolução do Paradesporto é evidente. Quando comecei a trabalhar no alto rendimento, o CPB estava se consolidando e recebendo recursos de forma efetiva. Com os recursos da Lei Agnelo Piva e dos patrocínios, conseguimos criar um Planejamento Estratégico eficiente e um calendário de competições fixo e seguro, o que trouxe um grande ganho de performance para todas modalidades. Um bom exemplo é a realização das Paraolimpíadas Escolares. Até 2006 eram disputadas apenas duas modalidades. Hoje temos um evento grandioso, com dez modalidades atendidas e a participação de 1.600 pessoas, sendo 970 atletas.

Edilson Rocha Tubiba //

xou o CPB por um ano e fez parte do quadro de funcionários do Comitê de Candidatura do Rio de Janeiro aos Jogos Olímpicos 2016. Após a Cidade Maravilhosa conquistar o direito de sediar as Olimpíadas, retornou ao CPB, convidado pelo presidente Andrew Parsons para a vaga de diretor técnico, que ocupa até hoje. A Revista Brasil Paraolímpico bateu um longo papo com Tubiba, um dos responsáveis pelos planejamentos do Comitê para o futuro, abordando temas como a evolução do Movimento Paraolímpico brasileiro, estimativas de medalhas no Parapanamericano de Guadalajara e nas Paraolimpíadas de Londres 2012, entre outros assuntos. Confira!

RBP // Como estão os investimentos financeiros do Brasil para o Parapan e para Londres 2012?

Os investimentos estão melhorando consideravelmente e a cada ano temos novas conquistas. O contrato com a Loterias Caixa, nosso principal patrocinador, nos dá tranquilidade para planejar as ações das modalidades envolvidas nesse patrocínio. Também contamos com o apoio do Ministério do Esporte por meio dos convênios de repasses de recursos para a preparação das Seleções, compra de equipamentos e participação em eventos internacionais. Estamos investindo esses recursos na preparação dos Jogos Parapanamericanos de Guadalajara 2011 e dos Jogos Paraolímpicos de Londres 2012.

Edilson Rocha Tubiba //

O Brasil conquistou o Continente em 2007 e ficou no topo do ranking de medalhas do Parapan do Rio. Qual o plano técnico do País para repetir a façanha no México?

RBP //

Edilson Rocha Tubiba // Em

2009, quando a nova gestão assumiu o CPB, fizemos um trabalho minucioso de avaliação do momento do Esporte Paraolímpico Brasileiro e também dos nossos principais concorrentes. Após a análise, elaboramos o Planejamento Estratégico do Esporte Paraolímpico Brasileiro, com vistas ao ciclo 2009-2012. A realidade mudou completamente com a confirmação do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016. O CPB, em parceria com todas as suas confederações e entidades filiadas, montou um novo planejamento, mais amplo e com projetos


visando a participação nos Jogos do Rio. O projeto atual foi aprovado por todas as entidades e pelo Ministério do Esporte. Com ele, nós sabemos onde estamos, onde queremos chegar e qual o caminho devemos percorrer. Definimos todas as metas até 2016 e a primeira delas é justamente a conquista do lugar mais alto do pódio do Parapan de Guadalajara.

Um bom exemplo disso é o Projeto Ouro Paraolímpico Londres 2012, que visa atender atletas com chances reais de conquista da medalha dourada

Parapan de Toronto, em 2015, e o 5º lugar nos Jogos Paraolímpicos do Rio de Janeiro. RBP // Como

o CPB alcançará essa meta?

Edilson Rocha Tubiba // Um bom exemplo disso é o Projeto Ouro Paraolímpico – Londres 2012, que visa atender aos atletas de modalidades individuais com chances reais de conquista da medalha dourada. Esse é um programa sob medida, onde o CPB investe diretamente na preparação dos atletas selecionados, pagando os salários de profissionais específicos como técnicos, fisiologistas, nutricionistas, etc. Também investimos na participação desses atletas em competições que não fazem parte do calendário do CPB e na compra de equipamentos esportivos de última geração. Além disso, desenvolvemos o programa de Seleções Paraolímpicas Permanentes, com fases de treinamentos, avaliações médicas e fisiológicas e intercâmbios internacionais de treinamento.

Dentro do Planejamento do CPB existe algum projeto ligado à base?

RBP //

Quais modalidades devem trazer mais medalhas do Parapan?

RBP //

Edilson Rocha Tubiba // Trabalhamos Edilson Rocha Tubiba // Certamente

teremos mais medalhas no atletismo e na natação, pois são as modalidades com o maior número de atletas competindo, e muitos deles podem conquistar várias medalhas como é o caso do Daniel Dias, que pode conquistar até 8 medalhas. Temos atletas campeões mundiais e posicionados entre os cinco primeiros do ranking mundial em sete das 13 modalidades. Em nível continental, estamos bem posicionados em todos os esportes.

RBP // O Brasil está entre as 10 potências esportivas do planeta. Qual o objetivo para os Jogos de Londres 2012?

Brasil é a nona potência no ranking mundial de medalhas em Jogos Paraolímpicos, o que é um motivo de muito orgulho e também de muita preocupação, porque não será fácil manter a posição e melhorá-la, o que é a nossa meta. Nossa meta é o 7º lugar no quadro geral de medalhas dos Jogos de Londres. Temos outros objetivos até 2016: 1º lugar no Parapan de Guadalajara e no

em vários projetos, mas temos alguns que valem a pena ressaltar. Um deles é o Projeto Clube Escolar Paraolímpico, onde o CPB apoia 22 projetos de clubes da base com atividades ligadas às modalidades do programa paraolímpico com crianças que estejam regularmente matriculadas na escola. Esse projeto garante aos clubes a oportunidade de trabalhar junto às escolas e garantir a renovação dos atletas. Disponibilizamos recursos para pagamento de professores, estagiários, custeio de material esportivo, transportes, uniformes, lanches etc. O CPB trabalha pensando no alto rendimento e nas competições imediatas, mas não descuida do trabalhe de base e iniciação.

Edilson Rocha Tubiba // O

RBP // A Academia Paraolímpica Brasileira se destaca pelo ineditismo de conciliar o esporte de alto rendimento para deficientes e a pesquisa acadêmica. Quais são os próximos passos da APB?

A criação da APB foi uma grande ideia do presidente Andrew.

Edilson Rocha Tubiba //

Entrevista

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Edilson Tubiba

Revista Brasil Paraolímpico

Acredito que ela trará bons frutos para o Esporte Paraolímpico, tanto de alto rendimento como de base. A APB realizará em Uberlândia o II Congresso Paraolímpico Brasileiro e o I Congresso Paradesportivo Internacional, que contará com palestrantes do mundo todo. Oitocentos profissionais poderão participar dos diversos cursos oferecidos. Teremos a publicação do primeiro livro do Esporte Paraolímpico Brasileiro, com informações das 20 modalidades paraolímpicas, da classificação funcional e da organização do paradesporto. Em 2012, ocorrerá o primeiro Curso de PósGraduação Lato-Sensu em Treinamento de Alto Rendimento em Esporte Paraolímpico.

Temos atletas campeões mundiais e posicionados entre os cinco primeiros do ranking mundial em sete das 13 modalidades. Em nível continental, estamos bem posicionados em todos os esportes.

RBP // O Circuito Loterias CAIXA evoluiu muito nos últimos anos. O que tem sido destaque? Edilson Rocha Tubiba // O Circuito Loterias Caixa Brasil de Atletismo, Halterofilismo e Natação foi o grande responsável pelo crescimento dessas modalidades. O destaque fica por conta da participação de mais de 2500 atletas ao longo da competição, além da classificação anual de 500 novos atletas nas três modalidades envolvidas. No Circuito, foram revelados nomes importantes do paradesporto, como Daniel Dias, Andre Brasil, Phelipe Rodrigues, Yohansson Nascimento, Lucas Prado, Shirlene Coelho entre outros.


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Tecnologia

Revista Brasil Paraolímpico

Aliada do esporte

Esportes paraolímpicos de mãos dadas com a

tecnologia

Assista a uma competição de esporte adaptado por alguns minutos que rapidamente você perceberá o papel de protagonista que a tecnologia desempenha neste tipo de evento. Da necessidade de adaptar cadeiras de rodas ao uso de próteses flexíveis no atletismo, o número de aparatos tecnológicos no Esporte Paraolímpico cresce cada vez mais. À primeira vista, as próteses de fibra de carbono usadas por atletas como Oscar Pistorius e Alan Fonteles são as que mais chamam atenção. Porém, elas representam apenas uma parte de todo o material desenvolvido para que pessoas com deficiência possam praticar esportes em alto rendimento. Na natação, são os bastidores que guardam os maiores segredos tecnológicos. Durante os treinos, os atletas são submetidos a vários testes para melhorar suas performances. Câmeras submersas e um programa de computador capturaram e analisam todos os movimentos de cada nadador. “Os atletas têm seus movimentos filmados detalhadamente. Olhamos os movimentos de cada um, braçada a braçada, e isso nos permite fazer uma análise muito precisa, ajustando algumas coisas e me-

lhorando seu desempenho”, explica  Murilo Barreto, coordenador técnico da natação brasileira. Dentro das quadras de basquete e rugby em cadeira de rodas, a tecnologia também está presente e é de suma importância para a segurança e o melhor rendimento dos jogadores. As cadeiras são feitas de titânio ou alumínio para melhor absorverem os impactos e facilitarem a locomoção, sendo mais leves. Nas pistas de atletismo, além da diferenciação de material, há ainda uma adaptação do formato da cadeira, que passa a ter uma terceira roda, para melhor sustentação durante as corridas. “Essas cadeiras podem custar de 15 a 20 mil dólares cada uma e são determinantes nos resultados finais das provas. Quanto melhor a qualidade do rolamento, por exemplo, menor a força e energia que o atleta perde, fazendo com que ele perca menos tempo”, explica Ciro Winckler, coordenador técnico do atletismo do Brasil. Para a aquisição desses equipamentos, alguns atletas contam com a ajuda do Comitê Paraolímpico Brasileiro. É o caso do campeão Alan Fonteles, que custeou suas duas próteses (cerca de 20 mil reais) com o apoio do CPB e da CAIXA, patrocinadora oficial do atleta. “Antes, eu usava duas próteses de madeira. Elas tinham titânio dentro e eram


Tecnologia

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Aliada do esporte

Revista Brasil Paraolímpico

Antes, eu usava duas próteses de madeira. Elas tinham titânio dentro e eram bem leves também, mas nada comparado às que uso hoje em dia. Alan Fonteles

bem leves também, mas nada comparado às que uso hoje em dia. As atuais, feitas de fibra de carbono, são mais confortáveis e me fizeram melhorar muito meu tempo. Com as antigas, eu corria 100m em aproximadamente 14 segundos. Agora, esse tempo está na casa dos 11s”, afirma Fonteles. Essa melhora no rendimento, inclusive, já foi alvo de muita discussão no meio esportivo. Em 2008, o sul-africano Oscar Pistorius, conhecido como “blade runner” exatamente por causa de suas próteses, foi proibido de disputar competi-

ções ao lado de atletas sem deficiência. A alegação da Federação Internacional de Atletismo era de que ele teria vantagem sobre os concorrentes por causa das próteses. Alguns meses mais tarde, no entanto, após consultar diversos cientistas e constatar que as lâminas não favoreceriam Pistorius, o Tribunal do Esporte determinou que o atleta poderia sim competir em Olimpíadas e Mundiais. E o corredor paraolímpico mais rápido do mundo já ficou bem mais perto do sonho de disputar uma Olimpíada. Pistorius conseguiu índice e uma vaga na equipe sul-afri-

cana para disputar o Mundial em Daegu no mês passado. Na maior competição de atletismo do mundo, ele já fez história. “Blade Runner” chegou às semifinais dos 400 metros rasos e ajudou na classificação do grupo no revezamento 4x400m. Este tipo de discussão sempre vai acontecer, mas o principal é perceber como a tecnologia já é parte integrante (e importante) do esporte. A colaboração desportiva já é bem difundida na comunidade científica e pode-se até dizer que é uma nova modalidade da tecnologia, que chega com o intuito de ajudar e melhorar.


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Marketing Esportivo

Revista Brasil Paraolímpico

Fórum Internacional

Comunicação de

resultados

Presidente Andrew Parsons apresenta case de sucesso do Comitê Paraolímpico Brasileiro em Fórum Internacional

O presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), Andrew Parsons, participou em agosto do V Fórum Internacional de Mar­ keting Esportivo de Resultados, no Rio de Janeiro. Promovido pela Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), o Fórum foi um encontro para debater oportunidades e a apresentação de cases de sucesso na área esportiva, principalmente relacionadas a marketing e mídia. Em mesa coordenada por Márcio Victer, do Grupo Queiroz Galvão, e Gerson Bordignon, da Caixa Econômica, Parsons

apresentou o case de comunicação do CPB, relacionando os investimentos nesta área ao aumento de patrocínios que levaram o Brasil ao nono lugar nas Paraolimpíadas de 2008, em Pequim. Em sua apresentação, Parsons lembrou o começo deste trabalho, em 2004, quando o CPB comprou os direitos de transmissão dos Jogos e os cedeu para as emissoras nacionais. “Os Jogos de Atenas representaram uma virada na nossa história. Até então, os

brasileiros mal sabiam da existência das Paraolimpíadas. Com os investimentos em comunicação, conseguimos mostrar, ao vivo, para o Brasil várias provas e ainda aumentar a visibilidade do Esporte Paraolímpico em todos os meios de comunicação”, disse Parsons. Com mais visibilidade e o sucesso dos brasileiros, o patrocínio com as Loterias Caixa deu um salto de R$ 1 milhão para R$ 3,4 milhões em 2005, permitindo a criação do Circuito Loterias Caixa de Atletismo e Natação, que depois ainda receberia o Halterofilismo. O efeito multiplicador estava criado. “Dois de nossos maiores nomes, Daniel Dias e Andre Brasil, que ganharam juntos oito medalhas de ouro em Pequim, só descobriram o Esporte Paraolímpico porque viram as competições na TV”, exemplificou Parsons. A operação para Pequim foi ainda maior e, em escalas menores, são replicadas em Campeonatos Mundiais, como os de Judô, Natação, Futebol de 5 e Atletismo. Este último, na Nova Zelândia, para um investimento de cerca de R$ 160 mil, o retorno de mídia (centimetragem + minutagem) chegou a quase R$ 50 milhões. “A política de comunicação do CPB hoje é o modelo a ser seguido pelo Comitê Paraolímpico Internacional”, disse o presidente do CPB.


Circuito

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Etapa Nacional

Revista Brasil ParaolĂ­mpico

Abertura de gala Primeira Etapa Nacional do Circuito Loterias Caixa registra trĂŞs recordes mundiais e 72 brasileiros


24

Circuito

Revista Brasil Paraolímpico

Etapa Nacional

De olho nas

vagas do Parapan O assunto mais discutido nos bastidores da primeira Etapa Nacional do Circuito Loterias CAIXA, disputado nos dias 6 e 7 de agosto, em São Paulo, não poderia ser outro: a classificação para os Jogos Parapanamericanos de Guadalajara, em novembro. Tanto no atletismo, quanto no halterofilismo e na natação, todos se empenharam em superar suas marcas em busca da sonhada vaga. O reflexo disso foram os três recordes mundiais e os 72 brasileiros quebrados durante a competição (36 na natação, 33 no atletismo e três no halterofilismo). Durante dois dias, mais de 600 atletas brasileiros e 50 de outros países (Argentina, Chile, Uruguai e Colômbia) disputaram provas de olho na classificação para os Jogos do México. “O Brasil levará o que tem de melhor para os Jogos, assim como muitos outros países farão. Para algumas modalidades, o Parapan será classificatório para os Jogos Paraolímpicos de Londres 2012. O caminho para Londres já começou”, afirmou o presidente do CPB, Andrew Parsons.

Halterofilismo

Revelações

pegam no pesado

Concentração, força e agilidade. Com apoio da torcida, atletas de todas as regiões do País se encontraram em São Paulo para disputar a principal competição do

halterofilismo. José Ricardo da Silva enfrentou quase quatro mil quilômetros de distância para quebrar o recorde brasileiro na categoria até 100kg, com 187,5kg. O atleta da Adefa (Associação Deficientes Físicos do Amazonas) subiu à barra com o objetivo de bater o recorde brasileiro de Joseano dos Santos, que era de 185kg. Na primeira tentativa, conseguiu. Fez 186kg, movimento validado pelos três árbitros. Na segunda rodada, José ousou e conseguiu levantar 187,5kg, sagrando-se dono da nova “O grito da vitória veio com gosto especial. Enfrentei mais de quatro horas de vôo para conseguir melhorar essa marca. Em 2007 representei o Brasil no Parapan e sonho em repetir a façanha este ano, no México”, disse o atleta.

Além da marca de José Ricardo, outros dois importantes recordes brasileiros foram quebrados: Ailton Clemente Silva superou sua marca anterior em 1,5kg e levantou 117,5kg na categoria até 52kg, enquanto Bruno Carra melhorou a marca anterior (que não era alterada há cinco anos) em 5kg, levantando 145kg, na categoria até 56kg. Com 22 anos, Bruno é uma das apostas da modalidade. “O esporte vive de renovação e estamos muito satisfeitos com esta etapa, que revelou bons nomes. A próxima terá um nível técnico excelente, pois será a definição dos nomes que disputarão os Jogos Parapanamericanos do México”, lembrou o coordenador técnico da modalidade, Antonio Augusto Junior.


Circuito

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Etapa Nacional

Revista Brasil Paraolímpico

Atletismo

Recordes Mundiais na pista O coordenador técnico nacional de atletismo, Ciro Winckler, destacou o saldo positivo da competição. “O Odair conseguiu o recorde mundial nos 800m e baixou o recorde mundial nos 1.500m, conquistado por ele em janeiro deste ano, no Mundial da Nova Zelândia. Além disso, tivemos revelações, como Angelo Pereira (T37), Cleiton Pereira (T46) e Marivana da Nóbrega (F35). São três atletas da Geração RIO 2016”, afirmou Ciro.

Além dos recordes mundiais de Odair dos Santos na T11 (perda total de visão), a jovem Mariane dos Santos, de 20 anos, fez 4.28 no salto em distância F45 (amputados e les autres – os outros). A marca anterior era de 3.85, da canadense Cole, em 1980. “O resultado da Mariane foi excelente, mas infelizmente não existem tantos atletas na F45. Para ela disputar os Jogos Parapanamericanos e Paraolímpicos precisa ter o índice na classe F46, que é mais elevado”, explicou Ciro.

Piscina

Mais de 20

novas marcas na natação

O empenho dos atletas na piscina do Corinthians Sport Club em busca dos índices para os jogos Parapanamericanos de Guadalajara transformou a competição em um cenário perfeito para a quebra de recordes. Ao todo foram mais de 24 recordes brasileiros batidos, além dos 12 da classe S14. “A competição foi forte e as classes estão mais competitivas. Agora temos informações para acompanhar o desenvolvimento dos atletas em relação a 2010. Faremos uma análise mais detalhada e assim teremos segurança para formar uma equipe bem forte”, explicou Murilo Barreto, coordenador técnico nacional da modalidade. A paulista Paloma Sampaio foi um dos destaques da etapa. Ela bateu o recorde

nacional nos 100m peito, classe SB5, com a marca de 2m13s62. “Esperava fazer uma marca boa, mas não imaginava que seria recorde. Fiquei bastante feliz e isso dá uma animada para pensar na convocação. Tenho trabalhado muito para baixar meus tempos, mas meu maior objetivo é o Parapan”, comentou a atleta. Recordista de medalhas em Paraolimpíadas, Daniel Dias estava muito feliz por nadar na “casa” do timão. “Estou muito alegre por competir no Corinthians, meu time do coração, além de

encontrar os melhores nadadores com deficiência do Brasil", finalizou.


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Parapan

Revista Brasil Paraolímpico

Natação

Brilho nas

piscinas Equipe brasileira enfrentou seus principais adversários no Parapan Pacific, conquistou 51 medalhas, e mostrou que está muito bem para os Jogos de Guadalajara

Foram cinco dias de competição e mais de 50 medalhas conquistadas por 17 feras da natação brasileira. Este foi o saldo da equipe verde e amarela no Parapan Pacific, disputado entre os dias 10 e 14 de agosto, no Canadá. O evento serviu como uma prévia do que podemos esperar dos brasileiros no Parapan de Guadalajara: muitas medalhas. A cidade de Edmonton, na província de Alberta, recebeu 190 nadadores de ponta de 14 países, incluindo nações do Pacífico que cruzaram o oceano co-

mo Austrália e Japão. Para o coordenador técnico da modalidade, Murilo Barreto, as conquistas da Seleção Brasileira são prova do empenho dos atletas, que mesmo com o foco nos Jogos Parapanamericanos, em novembro, conseguiram excelentes marcas no Canadá. “A equipe dos Estados Unidos, Canadá e Austrália têm este evento como objetivo principal. Seus atletas estão ‘polidos’. Mesmos assim mostramos a nossa força”, afirmou Barreto.

André Brasil • OURO 100mBorboleta S10 masculino - 57s17 • 400m livre S10 masculino - 4m11s05 • 50m livre S10 masculino - 23s79 • 100L S10 masculino - 0’52”11 • PRATA 100m costas S10 masculino – 1m01s37 • 200 Medley S10 masculino- 2’16”18 Phelipe Andrews • PRATA 50m livre S10 masculino – 24s51 • BRONZE 100L S10 masculino 0’53”80 • 5º lugar 200 Medley S10 masculino 2’22”57 Daniel Dias • OURO 200m livre S5 masculino – 2m34s27 • 50m livre S5 masculino – 34s11 • 50m costas S5 masculino – 36s68 • 100m peito SB4 masculino Daniel Dias – 1m39s71 • 200Medley (3’06”33) (3’02”62) • 100L s5 masculino - 1’12”09 • PRATA 50m Borboleta S5 masculino - 35s88 Clodoaldo Silva • PRATA 200 Medley 3’45”91 BRONZE 50m Borboleta S5 masculino – 46s33 • 200m livre S5 masculino – 3m02s27 • 50m livre S5 masculino – 35s89 • 100m peito SB4 masculino Clodoaldo Silva – 2m05s05 • 100L 1’24”15 • 4º lugar 50m costas S5 masculino – 47s46 Adriano Lima • OURO 50m livre S6 masculino – 33s91 • 100L S6 - 1’12”43 • PRATA 400m livre S6 masculino – 5m42s11 • 100m peito SB5 masculino – 1m45s92 • 200 Medley S6 masculino 3m16s83 Ivanildo Vasconcelos • PRATA 100m peito SB4 masculino Ivanildo Vasconcelos – 1m50s84 • 100m costas S6 masculino • BRONZE 100m costas S6 masculino – 1m34s80 Edênia Garcia • OURO 50Costas S4 feminino - 52s90 PRATA 50m Livre S4 feminino 54s65 BRONZE 200m Livre S4 feminino - 4m08s28 • 4º LUGAR 100m livre S4 feminino– 1m58s82 Joana Silva • OURO 50m Livre S5 feminino – 38s68 • 200m Livre S5 feminino - 3m15s06 (Recorde das Américas) • 100m livre S5 feminino – 1m26s84 Susana Ribeiro • BRONZE 400m Livre S8 feminino – 5m38s46 • 4º LUGAR 100m livre S8 feminino – 1m17s41 Verônica Almeida • 7º LUGAR 100m livre S7 feminino – 1m28s57 Caio Amorim • OURO 400m livre S8 masculino – 4m56s63 • BRONZE 100m costas S8 masculino – 1m17s30 • 100L S8 masculino - 1’07”12 • 5º lugar 200 Medley S8 - 2’51”06 Carlos Farremberg • PRATA 100L S13 masculino - 0’54”77 • 4º LUGAR 50m livre S13 masculino – 25s32 • 5º LUGAR 400m livre S13 masculino – 5m07s75 Jeferson Amaro • OURO 50m Borboleta S6 masculino – 36s89 • 100m costas S6 masculino – 1m29s35 BRONZE 50m livre S6 masculino – 37s36 • 100L S6 masculino 1’23”96 Matheus Rheine • OURO 400m livre S11 masculino – 5m10s22 • 100m costas S11 masculino – 1m24s47 • PRATA 50m livre S11 masculino– 29s28 • 100L – S11 masculino - 1’05”20 Matheus Henrique da Silva • 6º lugar 200 Medley SB9 masculino - 2’41”03 – recorde brasileiro • 9º lugar - 100L - 1’09”06 Vanilton Filho • 5º lugar - 100L S9 masculino - 1’01”23 9º lugar 200 Medley S9 masculino - 3’01”38 Ana Clara Cruz • 6º lugar 50m costas S4 feminino - 48s56 • 8º lugar 100m livre S6 feminino – 1m45s58 Revezamentos • OURO Revezamento 200 medley 20 pontos feminino Edênia Garcia, Ana Clara Cruz, Verônica Almeida e Joana Silva • PRATA Revezamento 400 livre – 34 pontos masculino Phelipe Rodrigues, Vanilton Filho, Daniel Dias e André Brasil • Revezamento 200 medley – 20 pontos – 2m41s72 • MAS20 Point 200 Medley Relay - 2’41”72 - 1 lugar • OURO Revezamento 400 livre – 34 pontos – 4m26s68


Bocha

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Certeza de medalha

Revista Brasil Paraolímpico

Bocha brasileira

continua no topo Eliseu dos Santos e Marcos Maciel brilham na Copa do Mundo em Belfast

O Brasil mostrou na Copa do Mundo de Bocha, disputada em Belfast, em agosto, que continua forte na modalidade e vai brigar pelo ouro em Londres 2012. A competição contou com a presença dos melhores atletas do mundo e o País ficou com dois ouros e um bronze. Os campeões paraolímpicos Eliseu dos Santos e Maciel Santos, conquistaram o lugar mais alto na competição de duplas na categoria BC 4 e também medalhas individuais. Eliseu ficou em primeiro e Maciel, em terceiro.

Brasil conquista dois ouros e um bronze, mostrando a força de nossos medalhistas paraolímpicos

Depois de passar pelas oitavas e pelas quartas-de-final sem muitas dificuldades, Eliseu dos Santos superou dois adversários difíceis para chegar ao ouro. Nas semifinais, em jogo muito disputado, ele precisou dos critérios de desempate para garantir sua vaga na final, uma vez que o duelo contra Vivian Wai Yan Lau, de Hong Kong, acabou empatado em 3 a 3. Na final o resultado também foi apertado: 3 a 2 para o brasileiro, contra Marc Dispaltro, do Canadá. Assim, Eliseu garantiu seu segundo ouro na competição, depois de ser campeão também na disputa por duplas.

O bronze brasileiro veio com Maciel Santos, que, após perder para o português Abílio Valente nas semifinais, fez uma boa partida contra Roberta Connoly, da Irlanda, e garantiu o terceiro lugar de sua classe. Os brasileiros já chegaram para as disputas individuais mais tranqüilos, pois haviam garantido antes o bicampeonato mundial nas duplas. Após boa cam-

panha na fase de grupos da Copa do Mundo (duas vitórias, uma derrota e 15 pontos marcados), os atletas se classificaram em primeiro do grupo e foram às quartas-de-final para enfrentar a Eslováquia. No jogo eliminatório, Dirceu e Eliseu não tiveram muitas dificuldades e venceram a dupla eslovaca por 10 a 1. Nas semifinais, o adversário foi o Canadá, que também não conseguiu fazer frente à brasileira e perdeu por 7 a 2. No outro jogo semifinal, a Tailândia eliminou a República Tcheca e também garantiu lugar na final. Na decisão, enfim, Dirceu e Eliseu conseguiram a vitória por 5 a 3, em jogo muito disputado, e garantiram o ouro para o Brasil. A República Tcheca ficou com o bronze, ao derrotar o Canadá por 8 a 3 na disputa de terceiro lugar.

Eliseu dos Santos, campeão individual e também em duplas na Copa do Mundo disputada em Belfast


28

Notícias

Notícias

Revista Brasil Paraolímpico

Brasil e Inglaterra unidos

jovens judocas brilham

A pouco menos de um ano das Paraolimpíadas de Londres, o presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro, Andrew Parsons, e o cônsul geral britânico em São Paulo e diretor do UK Trade & Investment (UKTI) no Brasil, John Doddrell, se reuniram para estreitar laços e celebrar a proximidade da maior competição do planeta para atletas com deficiência. O encontro aconteceu durante as Paraolimpíadas Escolares, em São Paulo.

No Mundial de Jovens da IBSA (Federação Internacional de Esportes para Cegos), os judocas Willians de Araújo, Rayfran Pontes, Arthur Silva e Victória Santos foram os grandes nomes do Brasil e trouxeram para casa um ouro, duas pratas e um bronze, respectivamente. A seleção jovem de Goalball também participou e voltou entre os sete melhores. É o Brasil se preparando para os Jogos do Rio 2016!

cpb firma convênio com o Ministério dos Esportess

Vôlei Sentado faz bonito no exterior

O CPB recebeu um reforço para colocar em prática ações que visam a preparação para os próximos grandes eventos, como os Jogos Parapanamericanos de Guadalajara 2011 e Paraolímpicos de Londres 2012. Graças aos convênios firmados com o Ministério do Esporte, o CPB terá R$ 6.343.497,00 para serem aplicados em projetos para as Seleções permanentes de Natação, Hipismo, Tiro Esportivo, Atletismo, Futebol de 5 e Judô.

A seleção brasileira de vôlei sentado participou da Copa Intercontinental da modalidade no último mês de julho e conquistou o quarto lugar, ficando à frente de países como Estados Unidos e Grã-Bretanha. O torneio aconteceu em Kettering, na Inglaterra, e fez parte da preparação brasileira para os Jogos Parapanamericanos de Guadalajara 2011.


Notícias

29 Revista Brasil Paraolímpico

Bolsa Atleta para guias

CPB ajuda a secretaria de direitos humanos

fERNANDO Fernandes é bicampeão mundial

A Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados aprovou Projeto de Lei que estende o benefício da Bolsa Atleta para os guias de atletas deficientes visuais. Para ganhar o benefício, além de cumprir os requisitos da lei, é necessário que o atleta-guia esteja competindo com o mesmo atleta há pelo menos 12 meses. Se o guia abandonar o atleta, perde o direito à bolsa. A proposta segue para análise das Comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e Cidadania. Depois, será votada pelo Plenário.

O CPB assinou um acordo de cooperação técnica com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, durante o Encontro Nacional de Gestores da Política da Pessoa com Deficiência, estreitando as relações do CPB com a Secretaria. O compromisso visa a divulgação do esporte adaptado no País e uma maior inclusão dos deficientes na sociedade. “Agora temos o compromisso contratual de ajudar a Secretaria em projetos não-esportivos, que vão ajudar as pessoas com deficiência”, disse Andrew Parsons, presidente do CPB.

O ex-BBB Fernando Fernandes confirmou seu favoritismo e venceu os 200m da classe A no Mundial de Paracanoagem disputado em Szeged, na Hungria. Assim, o brasileiro se tornou bicampeão mundial da prova e colocou o Brasil como um dos melhores do mundo na modalidade. Marta Ferreira também conquistou um ouro, mas a medalha não foi oficializada, porque sua prova não atingiu o mínimo de seis participantes. A baiana conquistou também um bronze.

Open de Natação Loterias CAIXA

Paraolímpiadas escolares

Ao lado dos militares

O Rio de Janeiro receberá, entre os dias 12 e 15 de outubro, o Open com a maior premiação em dinheiro da história da paranatação. A piscina do Parque Aquático Maria Lenk será tomada por medalhistas paraolímpicos, recordistas mundiais e novos talentos da paranatação nacional e internacional. A competição reunirá atletas de países como Portugal, Suíça, Croácia, Suriname e Iraque. Serão distribuídos mais de 40 mil euros.

Com 160 medalhas e 61 pontos, o estado de São Paulo foi o grande campeão das Paraolímpiadas Escolares, o maior evento do gênero no Mundo. Rio de janeiro ficou em segundo e Minas Gerais, em terceiro, na competição que foi disputada em São Paulo. Não perca na próxima edição a grande cobertura do que rolou nas Paraolimpíadas Escolares.

Com o objetivo de dar oportunidade aos militares que foram afastados do serviço por problemas físicos, o Conselho Internacional de Desporto Militar (Cismi) criou o projeto Injured Military Athletes Project. Em parceria com o Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), visa a participação de ex-combatentes das Forças Armadas e Auxiliares em competições paradesportivas.


30 Revista Brasil Paraolímpico

Presidente Andrew Parsons

Coordenação Media Guide Comunicação

Vice- Presidente Mizael Conrado

Jornalista Responsável Diogo Mourão MTB 19142/RJ

Vice-Presidente Administrativo Luiz Claudio Pereira

Edição e Textos Ananda Rope Janaína Lazzaretti

Superintendente Administrativo, Finanças , Contabilidade e Eventos Carlos José Vieira de Souza Diretoria Técnica Edilson Alves da Rocha Gerência de Marketing Frederico L. Motta Conselho Fiscal José Afonso da Costa Hélio dos Santos Roberto Carlos Emilio Picello

Estagiário Rodrigo Antonelli Imagens Exemplus Comunicação Projeto gráfico e diagramação Inventum design Impressão Gráfica Clicheria Chromos

Turma da Mônica

Brasil Paraolímpico é uma publicação bimestral do Comitê Paraolímpico Brasileiro e esta edição teve 3.500 exemplares impressos em setembro de 2011. Endereço Sede CPB SBN Qd- 2- Bl. F- Lt. 12 Ed. Via Capital – 14º andar Brasília/DF – CEP: 70040-020 Fone: 55 61 3031 3030 Fax: 55 61 3031 3023 www.cpb.org.br www.twitter.com/cpboficial www.youtube.com/cpboficial www.facebook.com/comiteparaolimpico

Painel do Leitor Compartilhe com a equipe de imprensa do CPB dúvidas, sugestões ou críticas. Este espaço é reservado para você, leitor. Contate-nos por meio de cartas pelo endereço: SBN, Quadra 02, Bloco F, ED. Via Capital, 14º andar. Brasília, DF, Brasil. Cep: 70.040-020. Se preferir, mande email: contato@cpb.org.br.


Expediente

31 Revista Brasil Paraolímpico

Judô para cegos. Um esporte que, antes de a luta começar, já tem dois vencedores.

Através do judô, deficientes visuais provam que o esporte tem poder de superação e que impossível é uma palavra que não deveria existir.

Infraero. Patrocinadora oficial do Judô para Cegos Brasileiro.



Revista Brasil Paraolímpico Nº 37