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Entrevista: Gerson Bordignon

Reatech CPB marca presença

Brasil

número

36

PARAOLÍMPICO revista do comitê paraolímpico brasileiro // junho/julho 2011 // www.cpb.org.br

mundial da IBSA

Judô se destaca e começa a garantir vagas em Londres-2012


Editorial Caro leitor, Os últimos meses foram marcantes para o Esporte Paraolímpico Brasileiro, com o Mundial da IBSA, a estreia do CPB na Reatech, o início do Circuito Loterias CAIXA Brasil de Atletismo, Natação e Halterofilismo e tantas outras conquistas.

Andrew Parsons presidente do comitê paraolímpico brasileiro

Não foi fácil escolher a capa desta edição da Brasil Paraolímpico. Mais uma vez, um Campeonato Mundial é o destaque. Os atletas do Brasil fizeram bonito no Mundial da IBSA, em abril, na Turquia. Você poderá acompanhar a trajetória dos medalhistas brasileiros na competição: Daniele Bernardes, Lúcia Teixeira e Antônio Tenório. Subindo ao pódio, eles ficaram mais perto da vaga para as Paraolimpíadas de Londres 2012. Também em abril, o CPB fez sua estreia na Reatech, a maior feira voltada para pessoas com deficiência das Américas. No nosso estande, o público pôde conhecer mais sobre o Esporte Paraolímpico e esteve em contato com algumas das nossas maiores estrelas. Um verdadeiro sucesso. Esta edição ainda está recheada de boas histórias: na seção Grandes Nomes do Esporte, você poderá lembrar os feitos de Anaelise Hermany, primeira mulher deficiente visual a representar o País em Paraolimpíadas; em Promessa 2016, o destaque é Bruna Alexandre, que aos 15 anos de idade é considerada a re-

Um grande abraço,

Andrew Parsons

velação do tênis de mesa brasileiro, tanto no paraolímpico quanto no olímpico. Não perca ainda a reportagem especial sobre as duas modalidades incluídas no Programa das Paraolimpíadas do Rio 2016: a canoagem e o triatlo. Contamos como funciona cada uma e revelamos quem são os atletas do Brasil que já se destacam mundo afora – e prometem fazer bonito na estreia, em casa. Outro destaque é a entrevista com Gerson Bordignon, Gerente Nacional Promoção, Cultura e Esportes da CAIXA Econômica Federal. Ele conta um pouco sobre a parceria com o CPB, que já dura mais de seis anos e foi estendida até o fim de 2012, além de mostra porque o Esporte Paraolímpico é um bom negócio. Você ainda encontrará em nossas páginas muitas notícias do Esporte Paraolímpico pelo Brasil e pelo mundo e a participação especial do repórter da TV Record, Fernando Nardini, contando sobre sua experiência no paradesporto e revelando como Terezinha Guilhermina o inspirou a enfrentar um desafio nas alturas da Nova Zelândia. Esperamos que você se divirta folheando esta edição. Boa leitura!


4 Revista Brasil Paraolímpico

sumário

edição 36 // jun/jul 2011 // www.cpb.org.br

11 Mundial da IBSA Medalhas de Daniele Barnardes, Lúcia Teixeira e Antônio Tenório abrem caminho para vagas no judô em Londres-2012. Goalball vai lutar para ir aos Jogos no Parapan de Guadalajara

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Novos Esportes:

Reatech

Circuito Caixa

Paracanoagem e paratriatlo são as novidades nos Jogos de 2016 ganham apoio do CPB e apostam no crescimento das modalidades até as Paraolímpiadas

Ações do Comitê Paraolímpico Brasileiro ganham destaque na maior feira para pessoas com deficiência das Américas, realizada em São Paulo

Etapas de Fortaleza e Curitiba mostram a evolução do paradesporto nacional, com recordes dentro e foras das pistas e piscinas

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Colunista Convidado

entrevista

promessa 2016

notícias

Fernando Nardini

Gerson Bordignon

Bruna Costa

CPB no Flickr e Facebook


Grandes nomes do esporte

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Anaelise Hermany

Revista Brasil Paraolímpico

Mais de duas décadas

no topo

Primeira deficiente visual a ganhar medalhas em Paraolimpíadas, Anelise Hermany conquistou três pratas e dois bronzes em 84 e 88. Seu recorde no salto em distância só foi batido 26 anos depois

Nascida em Ijuí/RS no ano de 1966, Anelise Hermany mudou-se para Porto Alegre com três anos, para poder estudar. Na capital entrou para o Instituto Santa Luzia, a escola para cegos da cidade. Seu primeiro contato com o paradesporto aconteceu justamente por causa da escola. Em 1979, com 13 anos, ela viajou com o colégio para disputar uma série de provas contra outras escolas, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo. “Era como se fosse uma Paraolimpíada Escolar, só que com bem menos organização. Me lembro que competi em várias modalidades e ganhei cinco ouros”, conta a ex-atleta. Quatro anos mais tarde, com a competição um pouco mais organizada, Anelise voltou a se destacar. Desta vez, competindo apenas no atletismo, levou mais cinco ouros: nos saltos em altura e em distância, nos 100m, nos 200m e nos 400m. Foi o passo mais importante rumo à Paraolimpíada de Nova York 1984. “Fui muito bem naquela edição que aconteceu no Rio e o pessoal da ABDC (Associação Brasileira de Desportos para Cegos) estava de olho. Fui convocada, então, e comecei a me preparar para a Paraolimpíada”, lembra Anelise.

Era outra época e na hora de embarcar descobri que não tinha passagem. Foi uma confusão, mas no final deu tudo certo e fui aos Jogos Paraolímpicos de NY

Quando o sonho quase acabou “Era outra época. Já estava no aeroporto quando descobri que não tinha passagem para mim. A ABDC estava levando cinco atletas, mas só tinha quatro passagens. Os quatro homens embarcaram e eu fiquei. Foi uma confusão para conseguir patrocínio de última hora, mas no fim deu tudo certo. Cheguei lá com alguns dias de atraso apenas.”

Em 1988, nos Jogos de Seul, ela ainda ganharia mais duas medalhas, uma de prata, nos 800m, e uma de bronze, nos 400m. Mais uma vez, porém, sua convocação não foi das mais calmas.

O resultado impressionou até os mais otimistas: as duas medalhas de prata, o bronze e o recorde no salto em distância F12, com a marca de 4,49m, transformavam Anelise na primeira medalhista paraolímpica brasileira entre os deficientes visuais.

Anelise encerrou sua carreira em 1992, mas seu recorde brasileiro no salto em distância, estabelecido em Nova York, foi mantido por 26 anos, até Ivani Aparecida o superou, na etapa nacional de Porto Alegre do Circuito Loterias CAIXA 2010. E mesmo assim, por muito pouco. A atual marca é de 4,51m, apenas dois centímetros acima da de Anelise.

“A sensação foi maravilhosa. Não tem explicação”, conta.

“Eu vinha de uma lesão no ombro e a minha convocação foi muito contestada. Ainda bem que consegui alcançar um bom resultado”, lembra.


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Matéria

Revista Brasil Paraolímpico

Fulano de Tal

O Brasil se prepara para estrear com

forçA TOTAL A paracanoagem e o paratriatlo estarão em uma Paraolimpíada pela primeira vez na Rio 2016, mas os brasileiros já se destacam mundo afora

Em dezembro de 2010, o Comitê Paraolímpico Internacional (IPC) anunciou o Programa das Paraolimpíadas da Rio 2016 com duas novidades: a paracanoagem e o paratriatlo. As modalidades que estrearão aqui, no entanto, já são praticadas no Brasil há algum tempo, e com destaque internacional. Fernando Fernandes, Marta Ferreira, André Szücs, Carlos Roberto, Rivaldo Martins. Aos poucos, esses nomes começam a se tornar conhecidos do grande público brasileiro. Por estes motivos, a Revista Brasil Paraolímpico traz um pouco da história desses atletas, das modalidades e o que a torcida brasileira pode esperar para 2016, quando teremos a chance de ver de perto a competição.

A escolha Sete modalidades disputavam o direito de fazer parte do Programa Paraolímpico do Rio 2016: badminton, canoagem, golf, futebol em cadeira de roda elétrica, taekwondo, triatlo e basquete para pessoas com deficiência intelectual. Apenas a paracanoagem e o paratriatlo foram aceitos pelo Comitê Executivo do IPC para integrarem o Programa. “O Comitê Executivo do IPC escolheu modalidades que têm grande apelo entre os jovens e que estão crescendo no mundo todo. Foi uma decisão acertada e, sem dúvida nenhuma, o Rio de Janeiro oferecerá um cenário espetacular para ambas as competições em 2016”, destaca o presidente do CPB e membro do Comitê Executivo do IPC, Andrew Parsons.


Novos esportes

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Paracanoagem e Paratriatlo

Revista Brasil Paraolímpico

Paracanoagem A paracanoagem possui três classes funcionais, são elas: LTA, quando o atleta utiliza braços, tronco e pernas para auxiliar na remada; TA, na qual o atleta utiliza o tronco e os braços para o desenvolvimento da remada; e A, quando o atleta só consegue utilizar o movimento do braço para a locomoção da embarcação. As provas da paracanoagem acontecem, em geral, junto com as de canoagem de velocidade. Os paratletas competem os 200m com as classes V1 e K1.

Na estreia da paracanoagem nas Paraolimpíadas, na Rio 2016, o Brasil promete fazer bonito. E não aposta apenas nos dois campeões mundiais.

A Paracanoagem no Brasil A paracanoagem começou a ser desenvolvida no Brasil em 1999. Só dez anos depois o país começou a participar de Mundiais, já marcando presença. Em 2010, a seleção voltou pra casa com dois ouros (Fernando Fernandes e Marta Ferreira) e uma prata (Marta Ferreira) na mala. “O Brasil hoje tem grandes representantes e resultados na paracanoagem. No Mundial de 2010, na Polônia, o Brasil ficou atrás somente do Canadá, é um país avançado

na modalidade”, destaca o diretor de paracanoagem da Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa), Leonardo Maiola. Na estreia nas Paraolimpíadas, o Brasil promete fazer bonito. E não aposta apenas nos dois campeões mundiais. “Ainda temos como destaques para 2016 os campeões sul-americanos: Bianca Silva de Lima, de 14 anos, Patrick Ronald, de 20 anos, e Arildo da Conceição, de 18 anos”, destaca o diretor de paracanoagem da CBCa. Além desses jovens, a Confederação busca novos adeptos. Para isso, começa a investir em divulgação da paracanoagem em clubes, hospitais de reabilitação e associações para deficientes. A CBCa também planeja organizar eventos de capacitação profissional, para formar classificadores funcionais, técnicos e árbitros. O Campeonato Brasileiro também deve crescer, segundo a diretoria técnica da CBCa. A a meta é, a partir do ano que vem, realizar regionais de paracanoagem e, em 2013, fazer regionais classificatórios para o brasileiro do mesmo ano.

Baiana arretada O ouro e a prata, no Mundial fazem da baiana Marta Ferreira uma das esperanças de medalhas para o Brasil nos Jogos Paraolímpicos do Rio.. Natural de Ipiaú, na Bahia, Marta vive há dez anos em Itacaré. Foi lá que começou na canoagem, em 2005, consequência da paixão por remar e surfar. Com quatro meses de treinos, a atleta, que teve poliomielite com um ano e meio de idade, foi campeã brasileira. Desde 2006, nunca mais perdeu o título nacional. O ano de 2010 foi especial. No primeiro semestre, Marta conquistou o título de campeã sul-americana de paracanoagem, na Argentina.

“Foi a minha estreia competindo com mulheres. Aqui no Brasil sempre caio n’água com homens. Eu ainda não tinha testado meu potencial. Quando abri 100m de distância das concorrentes na prova de 200m, me surpreendi”, conta Marta. Em agosto Marta se sagrou campeã mundial na sua classe – e foi prata na classe LPA, para atletas que usam as pernas. “Foi incrível. Percebi que realmente sou boa’”, diz Marta, que em abril de 2011 conquistou o bicampeonato sul-americano.

A decisão do IPC de incluir a modalidade nas Paraolimpíadas do Rio 2016 é apontada pela atleta como a terceira grande conquista do ano.. “Agora o CPB poderá nos dar um maior suporte, como no Sul-Americano e no Mundial. Poderemos competir muito mais, ter mais divulgação e, estou torcendo, para que que apareçam mais mulheres interessadas na modalidade”.


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Novos esportes

Revista Brasil Paraolímpico

Paracanoagem e Paratriatlo

Fernando Fenômeno O principal nome da paracanoagem brasileira tem menos de dois anos na modalidade: Fernando Fernandes. O modelo e ex-BBB sofreu um acidente de carro em 2009 e ficou paraplégico. Com poucos meses na paracanoagem, já conseguiu os melhores resultados do Brasil na história da modalidade. “Durante a minha recuperação tive a oportunidade de conhecer outras modalidades. Corri a São Silvestre, tentei o remo, mas foi na canoagem que me encontrei. A modalidade me proporciona uma sensação maravilhosa. Quando en-

trei pela primeira vez num caiaque e me vi cercado pela natureza e com condições iguais em relação a qualquer pessoa percebi que havia encontrado meu esporte”, explica Fernando. Com apenas nove meses de lesão, ele foi campeão sul-americano, em La Plata, na Argentina. Em agosto de 2010, conquistou o ouro no Campeonato Mundial de Paracanoagem, título inédito para o país. No mesmo ano foi eleito pela Confederação Panamericana de Canoagem (COPAC) o canoísta destaque de todo o continente americano, recebendo o Troféu Charles Yatman 2010.

“Desde que iniciei na modalidade tive um grande prazer e uma sensação de capacidade muito grande. Tinha uma certeza enorme dentro de mim de que ela se tornaria grandiosa. Vim me preparando pensando no próximo campeonato e, claro, visualizando o momento maior que será 2016. Agora teremos mais visibilidade e organização. Terei a oportunidade de realizar um grande sonho, que é participar dos Jogos Paraolímpicos.”

Paratriatlo No Paratriatlo, os atletas competem em distâncias menores que as olímpicas: 750m de natação, 20 km de bicicleta e 5 km de corrida. São seis classificações funcionais: de TRI 1 a TRI 6. A TR1 é para atletas que utilizam a handcycle. A TR2 é para atletas com comprometimento severo daspernas, que utilizam próteses para correr e pedalar. Na classe TRI 3 competem atletas com esclerose múltiplas, distrofia muscular, paralisia cerebral, biamputados de pernas ou paralisados de mais de um membro. A TRI 4 é voltada para atletas com comprometimento dos braços, que utilizam próteses na bicicleta ou na corrida. Já na TRI 5, atletas com comprometimento moderado da perna pedalam e correm com próteses. Por fim, a classe TRI 6 é voltada para atletas cegos ou de baixa visão, que contam com atleta guia

crescendo. Iniciamos a busca de novos atletas”, explica o presidente da Confederação Brasileira de Triatlo (CBTri), Carlos Fróes. A CBTri começou, este ano, a mapear junto às federações os praticantes de paratriatlo espalhados pelo Brasil, para que eles possam ser classificados funcionalmente e compitam em sua categoria. Uma das principais novidades é a inclusão do paratriatlo no Campeonato Brasileiro, a partir deste ano: em junho, a competição será em Ilhéus (BA) e, em novembro, em Vila Velha (ES).

paratriatlo no Brasil O paratriatlo começou no Brasil em 2000, mas ainda de forma muito incipiente.

“Um peculiaridade do triatlo é que seus campeonatos continentais e mundiais são grandes festivais, congregando atletas de todas as categorias na competição. Nesse contexto está inserida também a competição de paratriatlo, que ganha cada vez mais destaque em todo o mundo”, destaca o superintendente da CBTri, Roberto Menescal.

“Desde 2000 temos paratriatletas no Brasil, porém não tínhamos recursos para apoiá-los. Com a inclusão da modalidade nos Jogos Paraolímpicos 2016, a procura pela modalidade vem

A equipe para o Mundial do ITU, em setembro, em Pequim, deve ser maior que o normal: o Brasil deverá ter cinco atletas, entre eles uma mulher, que seria inédito.


Novos esportes

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Paracanoagem e Paratriatlo

Revista Brasil Paraolímpico

No momento em que eu vi o Rivaldo correndo a prova... pronto, veio na minha cabeça: ‘só falta aprender a correr’. Foi uma conclusão muito óbvia para mim André Szücs

Experiência e título Rivaldo Martins foi um dos pioneiros da modalidade no país. Com quatro títulos mundiais e três do Iron Man, ele é o paratriatleta mais vitorioso do Brasil. Aos 50 anos de idade, Rivaldo se aposentou em 2010, quando a modalidade foi anunciada como parte do Programa dos Jogos do Rio 2016. E garante que não pensou em voltar à pista: “Quero voltar, mas como coordenador ou técnico. Já estarei com uma idade muito avançada lá e só entro numa prova se tiver condições de ganhar”, explica Rivaldo, que já defendeu o Brasil em três Paraolimpíadas, no ciclismo. Experiência não falta ao ex-atleta, que se vangloria de ser o recordista mundial de todas as distâncias em sua classe (TR2). Foram mais de 20 anos dedicas ao paratriatlo. “Posso dar muito mais como técnico ou coordenador do que como atleta. Tem muita gente que deve estar praticando o triatlo pelo país e que temos que começar a descobrir. O Brasil tem grandes chances de conquistar não só uma, mas várias medalhas na estreia, só com os atletas que já temos.” Da água para o triatlo André Szücs é apontado hoje como um dos principais nomes do Brasil no paratriatlo e uma das principais esperanças de medalha para o país nos Jogos do Rio 2016. O catarinense de 31 anos já competiu na paranatação durante cinco anos, antes de ir para o paratriatlo. “Fui sempre muito ativo, pratiquei natação por muito tempo. Antes, eu gostava muito do mountainbike. Em 2001, assis-

ti um prova do Iron Man, em Florianópolis (minha cidade natal). No momento em que eu vi o Rivaldo correndo a prova... pronto, veio na minha cabeça: ‘só falta aprender a correr’. Foi uma conclusão muito óbvia para mim”, conta André, que atualmente vive em San Diego, nos Estados Unidos, berço do triatlo. Em 2009, ele disputou seu primeiro Mundial: ficou em sexto. Ano passado, subiu para quinta colocação A expectativa para o Mundial de Pequim, este ano, é subir ao pódio. A inclusão do paratriatlo no Programa Paraolímpico deu mais gás para os treinos. “A Olimpíada é o evento máximo para muitos esportes (salvo o futebol no Brasil). Na hierarquia, de maneira geral, vem em segundo lugar o Mundial, o Panamericano e assim segue. No caso do paratriatlo, tínhamos o Mundial como evento máximo, por 15 anos, mas isso nunca foi o suficiente para proporcionar à modalidade o respeito e profissionalismo que sempre mereceu”, explica André. “O cenário após a inclusão da modalidade nas Paraolimpíadas muda completamente, pois o CPB agora passa a representa-lá e a destinar recursos próprios, já disponíveis em 2011. Desta forma, desencadeia o “efeito progresso”, que se traduz, por exemplo, com a despertar de outros novos para-atletas para a prática da modalidade. Gera competitividade, seleção dos melhores e, por fim, qualidade. Até 2016, muita coisa deve muda, novas “figuras” com certeza surgirão para animar a festa do Paratriatlo brasileiro (risos).”

Motivação extra O mineiro Roberto Carlos Silva perdeu o braço direito aos quatro anos de idade, num motor de moer cana, na fazenda onde vivia. Começou no esporte aos 29 anos – optou pelo triatlo mesmo sem saber nadar. Nesses 15 anos de carreira, já conquistou três vice-campeonatos mundiais. Agora, está de olho nas Paraolimpíadas do Rio 2016. “É uma motivação a mais. Este ano já vou participar do Campeonato Europeu, para me fortalecer”, explica o paratriatleta.


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Judô para cegos. Um esporte que, antes de a luta começar, já tem dois vencedores.

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Através do judô, deficientes visuais provam que o esporte tem poder de superação e que impossível é uma palavra que não deveria existir.

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Mundial da Ibsa

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Judô e Goalball

Revista Brasil Paraolímpico

Berço da civilização e marcada bela beleza de suas mesquitas, a Turquia recebeu, em abril, o quarto Campeonato Mundial da Ibsa, na cidade de Antalya, também chamada de rivera turca. De olho em Londres-2012, O Brasil levou

Da Turquia as Seleções de Judô e Goalball. O judô voltou com ouro, prata, bronze, três vagas praticamente garantidas e duas bem próximas. Já o goalball vai decidir seu futuro no Parapan de Guadalajara. Com uma medalha de cada metal, o Brasil terminou em quarto lugar nas categorias paraolímpicas do judô. No goalball o masculino ficou em décimo e o feminino, em décimo-primeiro.

©diogo mourão

para Londres


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Mundial da Ibsa

Revista Brasil Paraolímpico

Judô e Goalball

Judô

2012 mais perto Os judocas brasileiros voltaram a Antalya cerca de um ano depois de terem disputado o Mundial da modalidade. E repetiram o bom desempenho, mostrando que o para-judô brasileiro segue entre os mais fortes do mundo. Bronze em 2010, Daniele Bernardes Milan conquistou o ouro na categoria até 63kg Lúcia Teixeira repetiu a prata entre as atletas até 57kg e António Tenório da Silva voltou ao pódio para judocas até 100kg. Numa competição marcada pelo equilíbrio, apenas o Azerbaijão conquistou duas medalhas de ouro. Além das três vagas nas categorias de Daniele, Lúcia e Tenório numa das mãos, o judô também ficou mais perto da classificação em outras categorias, com os bons resultados de Michele Ferreira e Karla Cardoso. Três competições serão levadas em conta para o ranking final, que classificará dez países no

masculino e sete no feminino para Londres-2012. Além do Mundial da modalidade e do Campeonato Mundial da Ibsa que já foram disputados, os Jogos ParaPan-Americanos-2011, em Guadalajara, em novembro. “Acho que ficamos dentro de nossa expectativa e o desempenho dos atletas aponta para um futuro bem promissor. Tivemos o mesmo número de medalhas do que no Mundial da modalidade, ano passado, mas desta vez conquistamos um ouro e o masculino subiu ao pódio, o que não tinha acontecido. Podemos ver uma renovação muito grande em todas as equipes e no Mundial da IBSA os países podem inscrever mais de um atleta por categoria, tornando a competição ainda mais forte”, disse Jaime Bragança, coordenador de judô do Comitê Paraolímpico Brasileiro.


Mundial da Ibsa

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Judô e Goalball

Revista Brasil Paraolímpico

O ouro de Daniele Na primeira rodada, Daniele ficou de bye, esperando a adversária. Quando entrou no tatame, Dani colecionou ippons até o ouro. A brasileira passou pela turca Nazan Akin no primeiro combate e pela forte venezuelana Naomi Soaza, campeã paraolímpica até 57 quilos e vice-campeã mundial na atual categoria, em sua segunda luta, já pela semifinal. Na final, uma vitória com sabor de revanche para Dani, sobre a espanhola Marta Arce, que derrotara a brasileira em sua primeira luta nas paraolimpíadas de 2004.

Depois de dois bronzes paraolímpicos e a mesma cor de medalha no Mundial da Modalidade, ano passado, finalmente Dani subiu ao lugar mais alto do pódio. “Tava na hora, né? Fiquei tão feliz que até chorei. Acho que esta medalha premia todo um trabalho bem feito. É uma recompensa não apenas para mim, mas também para todos que trabalharam comigo e me ajudaram esse tempo todo”, disse Daniele, que ao se casar tirou Silva do nome e passou a assinar Daniele Bernardes Milan

Tava na hora de sair do bronze, né? Fiquei tão feliz com o ouro que até chorei

A prata de Lúcia Assim como Daniele, Lúcia Teixeira ficou de bye na primeira rodada. Na sua primeira luta, Lúcia venceu a turca Caglar Yalcin e depois passou pela russa Alexandra Vlaslova, sempre com vitórias rápidas, com ippons tranquilos. Na final, teve pela frente Afag Sultonova, do Azerbaijão, que a derrotara na final do Mundial de Judô, ano passado. E novamente a adversária levou vantagem, ven-

O bronze de Tenório Tenório venceu o mongol Myagmar Achirkhuyag por um yuko na estreia. Nas duas lutas seguintes, contra o japonês Yoshikazu Matsumoto e o inglês Joseph Ingram, que o havia derrotado no Mundial do ano passado, Tenório aplicou dois ippons espetaculares para garantir a vaga na semifinal. O adversário foi o iraniano Hamid Alizade, que nunca vencera o brasileiro na carreira, mas surpreendeu e ganhou por um wazari e um yuko. A disputa pelo bronze foi amarrada, sem abertura de contagem para nenhum atleta. No golden score também não foi dife-

rente, apesar de Tenório ter tido mais iniciativa e ter ficado mais perto de encaixar um golpe. Depois de mais três minutos, a primeira e única luta na competição decidida pelos juízes, que deram a vitória de forma unânime para o brasileiro. “Subir no pódio foi muito bom, principalmente visando à vaga nas paraolimpíadas. Estou muito satisfeito com o resultado e só consegui esta preparação adequada graças ao patrocínio das Loterias Caixa e ao apoio que tenho do Projeto Ouro, do Comitê Paraolímpico Brasileiro”, disse Tenório

cendo por ippon ao imobilizar a brasileira. “Fico triste porque queria muito o ouro, mas na minha categoria qualquer detalhe pode determinar uma vitória ou derrota. E infelizmente vacilei por um segundo. Agora édar o sangue nos treinamentos para chegar em Londres ainda melhor e poder vencer”, disse a medalha de prata.


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Revista Brasil Paraolímpico

Mundial da IBSA Judô e Goalball

Novata surpreende Novata da equipe brasileira, Giovana Pilla pratica judô desde pequena, mas apenas ano passado começou a participar de competições. Além da deficiência visual, Giovana tem muitas dificuldades de escutar. Sem poder se comunicar perfeitamente com os colegas, Giovana conquistou a todos com o sorriso e retribuiu com o bronze na categoria até 78kg, que não conta pontos para o ranking olímpico.

Obrigado, muito obrigado. Agora vou treinar mais ainda”, disse Giovana, abraçada a Jaime Bragança.

Com cinco atletas inscritas, a disputa foi no sistema de todas contra todas. Na primeira fase, Giovana venceu três lutas (dois ippons), derrotando inclusive a vice-campeã mundial Zoubida Boazoug (+70), da Argélia, além da americana Katie Davies e da turca Methap Yilmaz (WO). A única derrota foi para a também argelina Hafida Ghenen, que perdera para sua compatriota. Os resultados forçaram a volta das três para o desempate. Desta vez, as argelinas foram melhores e Giovana ficou mesmo com o bronze, perdendo para Ghenen e Boazoug, por ippon e wazari, respectivamente.

No caminho certo Mizael Conrado , vice-presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro, acompanhou pessoalmente o desempenho nacional no Campeonato Mundial da IBSA. Para o bicampeão paraolímpico de futebol de 5 para cegos, o Brasil cumpriu bem seu papel, principalmente no judô: ““O Brasil teve uma boa participação. Conquistamos três medalhas e a Daniele conseguiu o ouro, que já estava batendo na trave. A Lúcia mostrou que tem grande potencial com mais uma prata. Tenório poderia ter ido mais além, mas praticamente garantiu a categoria em Londres, onde eu acredito que levaremos nove atletas do judô, dentro do planejamento do CPB”, disse.

Acredito que levaremos nove judocas a Londres. No goalball, aprendemos o caminho das pedras.

MIzael, que teve a companhia de Sandro Laina, ex-capitão da Seleção Brasileira de Futebol de 5 para cegos e hoje presidente da Confederação Brasileira de Desporto para Deficientes Visuais (CBDV), também analisou a participação do goalball: “Percebemos equipes novas, que evoluíram muito rapidamente. Obtivemos grandes ensinamentos que servirão para continuarmos na linha de desenvolvimento do esporte no Brasil. É uma modalidade que precisamos trabalhar muito para atingir a excelência apresentada por outros países e uma coisa ficou clara: sabemos o caminho das pedras e temos grandes profissionais. A grande receita é o trabalho”, finalizou Mizael Conrado.


Mundial da IBSA

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Judô e Goalballl

Revista Brasil Paraolímpico

goalball

Escala em Guadalajara O Brasil chegou a Antalya com esperanças de atingir as semifinais nas competições de goalball do Campeonato Mundial da IBSA e conquistar uma vaga nas Paraolimpíadas de Londres. A realidade, porém, foi dura para as seleções masculina e feminina. Novas forças surgiram no cenário internacional e o Brasil terminou em décimo entre os homens e décimo-primeiro entre as mulheres. Agora, as chances de garantir uma vaga em Londres 2012 ficou para o Parapan de Guadalajara, em novembro. Para sorte do Brasil, o Canadá, um dos mais fortes das Américas, garantiu a classificação ao vencer no feminino e terminar em terceiro no masculino, que teve a Finlândia como campeã, abrindo mais uma vaga para o continente. Logo no primeiro dia de disputa, percebeuse que a vida dos brasileiros não seria fácil em Antalya. As meninas perderam na estreia para a Ucrânia por 7 a 4 e, no segundo jogo, à tarde, um empate doloroso em 5 a 5 com a Dinamarca, que empatou nos segundos finais. O masculino começou com uma vitória sobre o Japão, por 4 a 3. No dia seguinte, porém, os rapazes perderam para os Estados Unidos por 6 a 2 para os Estados Unidos e por 5 a 3 para a Argélia. No feminino, derrota para a Finlândia por 5 a 2.

O terceiro dia encheu os brasileiros de esperanças, com a tranquila vitória por 11 a 1 sobre a Grécia no feminino e por 4 a 1 sobre Bélgica no masculino. O dia seguinte, porém, foi uma ducha de água fria, com as meninas perdendo por 4 a 1 para a Rússia e os rapazes sofrendo uma goleada por 13 a 3. Para continuar sonhando com a classificação para Londres 2012 em Antalya, tanto os homens quanto as mulheres precisariam vencer de goleada seus adversários no

último dia de competições e ainda torcer por combinações de resultados. Não deu. O Brasil empatou em 6 a 6 com a Hungria no masculino e perdeu por 5 a 3 da Turquia. No masculino, os quatro primeiros garantiram vaga em Londres-2012, enquanto o feminino classificou os três melhores em Antalya. Entre os homens, pela ordem, Finlândia, Turquia, Canadá e Bélgica. No feminino, Canadá, Finlândia e Turquia.

As seleções brasileiras Goalball goalball masculino Alexsander Almeida Celente; Filippe Santos Silvestre; Luis Pereira Da Silva Filho; Romário Diego Marques; Thiago Henrique Firmino Da Costa; Leandro Moreno Da Silva Goalball feminino Ana Carolina Ruas Custodio; Adriana Bonifácio Lino; Evelyne Ribeiro Cantanhede; Neuzimar Clemente dos Santos; Denise Daniele Batista de Souza; Marcia Bonfim Vieira Comissão Técnica Artur José Squarise de Carvalho – Coordenador; Paulo Sérgio de Miranda – Técnico feminino; Alessandro Tosim - Técnico Equipe Masculina; Diego Gonçalves Colettes – Preparador Físico; Luiz Carlos dos Santos – Fisioterapeuta; Marília Passos Magno e Silva – Fisioterapeuta; Giovanna Ignácio Subirá Medina – Médica

Judô Antonio Tenório da Silva; Daniele Bernardes da Silva; Eduardo Paes Barreto Amaral; Harlley Damião Pereira de Arruda; Wilians Silva de Araújo Marron; Karla Ferreira Cardoso; Lúcia da Silva Teixeira; Roberto Julian Santos da Silva; Roberto Nunes da Paixão; Halyson Oliveira Botô; Michele Aparecida Ferreira; Giovana Pilla; Victória Santos de Almeida E Silva Comissão técnica Jaime Roberto Bragança – Técnico; Alexandre de Almeida Garcia – Técnico; Luiz Edmundo Costa – Fisioterapeuta; Giovanna Ignácio Subirá Medina – Médica.


SAC CAIXA: 0800 726 0101 (informações, reclamações, sugestões e elogios) Para pessoas com deficiência auditiva ou de fala: 0800 726 2492 Ouvidoria: 0800 725 7474

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Quase metade do que é arrecadado pelas Loterias CAIXA é destinado a áreas sociais do nosso país, como o esporte. Em 2010, só o Comitê Paraolímpico Brasileiro recebeu mais de R$ 25 milhões. Para as Loterias CAIXA, apostar no nosso esporte é ver o Brasil inteiro tirar a sorte.


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Reatech

Revista Brasil Paraolímpico

CPB marca presença

Embaixada do

esporte paraolímpico CPB participa da maior feira voltada para pessoas com deficiência pela primeira vez. Público encontra campeões e assite à apresentações de algumas modalidades no Centro de Exposições, em São Paulo


Reatech

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CPB marca presença

Revista Brasil Paraolímpico

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a teoria, seria apenas um estande, mas o papel desempenhado pelo espaço do Comitê Paraolímpico Brasileiro na 10ª edição da Reatech foi o de embaixada dos esportes paraolímpicos. Maior feira voltada para pessoas com deficiência nas Américas, o evento foi realizado em São Paulo, no Centro de Exposições Imigrantes, entre os dias 14 e 17 de abril. Foi a primeira vez que o Comitê Paraolímpico Brasileiro participou da Reatech. O público que passou pelo estande nos quatro dias do evento teve contato com grandes nomes do Esporte Paraolímpico, como Ádria Santos, Clodoaldo Silva, Terezinha Guilhermina, Andre Brasil, Antônio Tenório e Fernando Fernandes. Os campeões paraolímpicos e mundiais de atletismo, natação e judô participaram de tardes de autógrafos. A estreia do CPB na Reatech também foi marcada pela inédita visita de Fernando Fernandes à feira. Campeão mundial da para-canoagem e bicampeão sul-americano, Fernando visitou o estande do CPB e aglomerou fãs ao seu redor, que pediram ao ídolo muitas fotos e autógrafos.

“Vim conhecer um pouco mais a produção nacional de tecnologia relacionada à acessibilidade, além de divulgar a para-canoagem, que entrou para os Jogos Rio 2016. A experiênHenrique Barella, 14 anos cia está sendo ótima, pois percebi que o Brasil está produzindo inovação tecnológica para o esporte adaptado e senti o público muito receptivo com a para-canoagem”, disse Fernando, que também tem como objetivo ser porta bandeira do esporte. “Espero representar as pessoas que têm algum tipo de deficiência e incentivá-las a não terem medo nem vergonha, saírem de casa e praticar algum esporte”, completou.

O estande do CPB foi meu cantinho especial. Gostei de conhecer as modalidades,

apresentação das modalidades Além da participação dos campeões, também houve demonstração e experimentação de judô para cegos e futebol de 5 para cegos. Assim, o público pôde conferir o trabalho do Comitê e conhecer de perto ídolos, levando para casa squeezes e uma lembrança especial: uma foto no pódio, com meda-

Clodoaldo Silva recebe o carinho dos fãs em tarde de autógrafo (no alto) e exibição de Volei sentado durante a Reatech

lhas. Henrique Barella, de 14 anos, visitou pela primeira vez a Reteach e disse que o estande do CPB foi seu “cantinho especial” na feira. “Achei maravilhoso o estande do CPB. Gostei da área do cinema, dos brindes, mas principalmente da exibição de modalidades. Achei interessante o judô, fut 5 e em especial o basquete em cadeira de rodas.” Presente durante a feira e palestrante no último dia, o presidente do CPB, Andrew Parsons, falou sobre a importância social do Comitê na causa da pessoa com deficiência: “o CPB tem se preocupado em participar de forma ativa não apenas do Esporte Paraolímpico, mas das questões das pessoas com alguma deficiência, debatendo e se colocando à disposição delas. A Reatech é a maior feira voltada para as pessoas com deficiência em nosso país. Dessa forma, nada mais natural que a nossa participação neste evento, para dialogar com os diversos segmentos da sociedade que têm a pessoa com deficiência como seu foco”, explicou Parsons.


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Reatech

Revista Brasil Paraolímpico

CPB marca presença

O CPB está aqui para dialogar com todos os segmentos ligados às pessoas com deficiência Andrew Parsons

Realizações e desafios Um dos momentos mais esperados da programação da Reatech foi a palestra do presidente Andrew Parsons sobre Esporte Paraolímpico e as perspectivas para as Paraolimpíadas Rio 2016. Em mais de uma hora de conversa com a plateia, Parsons explicou detalhes específicos sobre o Esporte Paraolímpico no Brasil, abordando atualidades e perspectivas. O presidente do CPB falou sobre o panorama histórico do Movimento Paraolímpico Brasileiro, o surgimento dos Jogos, o crescimento do Esporte Paraolímpico, e o aumento na audiência da última

Paraolimpíada, que foi vista por mais de 3,84 bilhões de pessoas em todo o mundo. Andrew também enumerou alguns dos desafios futuros do CPB, como as mudanças na estrutura voluntária para profissional para enfrentar nova era e no modelo por área de deficiência, alterando-o para o modelo por modalidades. O Presidente do CPB encerrou a palestra destacando alguns dos objetivos para os próximos anos, norteados pelo “Processo de Planejamento Estratégico”, formulado ano passado, que engloba toda a estratégia do CPB até a realização dos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016.

Mais uma joia de Sérgio e Mike Outro momento marcante da Reatech foi o lançamento do “CPB Postal”. O livro foi fruto do trabalho realizado a quatro mãos pelo fotógrafo Mike Ronchi e pelo jornalista Sérgio Siqueira. Coletânea de textos e belas imagens sobre as modalidades paraolímpicas, a obra conta com uma exclusividade. Cada página do livro é dobrada, permitindo que uma das fotos seja destacada e enviada como cartão postal, sem prejuízo do conjunto da publicação. Os autores Sérgio e Mike têm parceria de longa data e juntos já lançaram quatro livros. O primeiro foi “Paraolímpicos, os Deuses de Atenas” sobre a participação do Brasil nos Jogos de 2004, na Grécia; depois o, “Dinastia Paraolímpica - Pequim 2008”, sobre a Paraolimpíada da China; e o terceira foi “Brasíl Postal - Vi Vendo Brasília com Bons Olhos” - projeto da Editora Senac-DF em homenagem aos 50 anos de Brasília.


Jornalista convidado

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Fernando Nardini

Revista Brasil Paraolímpico

“de encher os olhos Jornalista que descobriu o esporte paraolímpico em Pequim-2008, acompanha o sucesso da Seleção Brasileira no Mundial de Atletismo, na Nova Zelândia, e se inspira em Terezinha Guilhermina para vencer o medo de pular de bungee jump

S

er jornalista esportivo no Brasil é saber que você vai trabalhar com futebol 95% do tempo, infelizmente. Sempre busquei fugir disso e de certa forma consegui. Os olímpicos sempre foram a minha preferência.

Até 2008 eu tinha no currículo duas olimpíadas, Sydney e Atenas. A minha relação com os paraolímpicos era restrita a uma ou outra reportagem (me lembro de ter entrevistado a Fabiana Sugimori e o Clodoaldo Silva apenas) e nada mais. Em 2008 já pela Record tive a chance de ir às Paraolimpíadas de Pequim. Expectativa enorme de uma viagem em que eu não sabia o que iria encontrar. Falo do país completamente diferente, dos esportes com a “ciência” das classificações funcionais e dos atletas até então desconhecidos para mim. Aos poucos, “pendurado” em comissões técnicas, assessores de imprensa e dirigentes fui descobrindo esse novo mundo. Logo de cara me espantei com o profissionalismo do negócio, com a seriedade

que os chineses encararam a paraolimpíada e principalmente com a energia que o público nos ginásios e estádio quase sempre lotados transmitiam àqueles atletas. Aos poucos as coisas foram clareando, conviver com esses atletas, conhecer suas histórias de vida foi inesquecível. É uma garra, uma motivação, uma paixão pelo que fazem, coisa de encher os olhos. Tão bom quanto foi “descobrir” que o Brasil é uma potência paraolímpica, graças a gênios como Daniel Dias, André Brasil e Lucas Prado, só para citar alguns que colocaram o Brasil entre os 10 melhores do planeta. Desde então tudo o que diz respeito ao mundo paraolímpico é alvo da minha atenção. Este ano ganhei um presente; cobrir o campeonato mundial de atletismo paraolímpico em Christchurch na Nova Zelândia. Mais alguns dias de trabalho intenso e lições para a vida toda. É até difícil descrever o ambiente de competição, a alegria de viver de uma Terezinha Guilhermina, por exemplo. Que pessoa iluminada, determinada, cheia de vida e de coisas para ensinar. A “mãezona” da delegação foi a melhor atleta do mundial e, por causa dela, fiz algo que havia prometido a mim mesmo jamais fazer: pular de Bungee Jump. Não vou esquecer nunca mais as palavras dela me tirando um enorme sarro. Algo como: “está com medo? Faz como eu, não olha”. Para mim aquilo foi um ato de superação, mas é nada perto do que estas pessoas cheias de luz fizeram na vida e fazem todos os dias no exercício daquilo que mais amam, o esporte.

*Fernando Nardini, jornalista da rede Record


Entrevista

Revista Brasil Paraolímpico

Gerson Bordignon

“A CAIXA acredita no desenvolvimento do

esporte paraolímpico”

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Gerson Bordignon Gerente Nacional DE Promoção, Cultura e Esportes da CAIXA Econômica Federal

A CAIXA patrocina o Esporte Paraolímpico Brasileiro desde 2004. Como surgiu o primeiro interesse da CAIXA por esse segmento?

RBP //

gerson bordignon // O

interesse surgiu, inicialmente, para viabilizar a participação da delegação paraolímpica brasileira nos Jogos Paraolímpicos 2004, realizados em Atenas. Os resultados obtidos pela equipe do Brasil naqueles Jogos e a repercussão positiva do fato para a imagem das Loterias CAIXA, levaram à assinatura de um Protocolo de Intenções com o Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), que definia a negociação anual de contrapartidas e valores até 2010. A partir de 2011, a CAIXA e o CPB assinaram um contrato de patrocínio que terá vigência até dezembro de 2012, quando se encerra o atual ciclo paraolímpico.

RBP // Como

O Projeto com o CPB resulta em excelente retorno de imagem para a CAIXA como empresa socialmente responsável

a CAIXA avalia essa parceria?

gerson bordignon // O Projeto com o CPB resulta em excelente retorno de imagem para a CAIXA como empresa socialmente responsável. Permite ainda fortalecer a imagem da CAIXA como executora de políticas públicas e das Loterias CAIXA como principais fontes na destinação de recursos para o desenvolvimento do esporte nacional, com vistas à fidelização e ampliação do público apostador e à conquista do público formador de opinião.

RBP // A parceria CAIXA – CPB já tem mais de

seis anos. O que mudou de 2004 para cá? Os resultados obtidos nas últimas Paraolimpíadas (Atenas e Pequim) e consequentemente a maior visibilidade para a marca Loterias CAIXA, fez com que o interesse da empresa no paradesporto fosse cada vez maior, possibilitando a ampliação dos valores de patrocínios e criação de diversos programas que auxiliam no desenvolvimento da modalidade. Os resultados de todas essas oportunidades de preparação se mostraram em 2010: no atletismo, o crescimento dos recordes mundiais alcançou 200%, enquanto na natação, os recordes brasileiros cresceram mais de 400% em relação a 2009. No halterofilismo, foi registrado aumento de 45% nos recordes brasileiros conquistados. O patrocínio das Loterias CAIXA abrange o pagamento de uma bolsa mensal a alguns dos principais atletas do paradesporto nacional. Todos os atletas patrocinados têm um score pessoal que justifica o incentivo. Para destacar apenas três, Lucas Prado é o velocista cego mais rápido do mundo nos 100 e 400 metros; Antônio Tenório da Silva é o único judoca que tem quatro medalhas de ouro consecutivas nos jogos; e Shirlene Santos Coelho, primeira no ranking de arremesso de peso, disco e dardo, é recordista mundial no arremesso de dardo e de-


tém a melhor marca de 2010. O desempenho dos velocistas tem evoluído graças ao pagamento de bolsas também aos atletas-guias, e vai atingindo o patamar de competitividade e excelência exigidas nas principais competições internacionais. RBP // A CAIXA investe também em outros segmentos esportivos, há alguma diferença em relação ao Paraolímpico? gerson bordignon // A CAIXA não faz distinção de apoio aos segmentos esportivos onde atua. Cabe ressaltar que a CAIXA investe no esporte brasileiro como um todo, realizando ações que têm o propósito de sedimentar a imagem da CAIXA como Patrocinadora Oficial do Atletismo, da Ginástica, das Lutas Associadas e do Paradesporto Brasileiros e concretizar o compromisso da instituição com a implementação de políticas públicas de educação. A CAIXA vem investindo em Projetos Sociais que visam à promoção do esporte e, conseqüentemente, à inclusão social por intermédio da prática esportiva, possibilitando, ainda, a descoberta de novos talentos. Esses Projetos, em sua maioria, são desenvolvidos em comunidades carentes e possibilitam às crianças e jovens desses locais oportunidades de participação no mundo esportivo. RBP // Quais os planos da CAIXA para o Esporte Paraolímpico Brasileiro, uma vez que receberemos os Jogos no Rio em 2016? gerson bordignon // A

Copa do Mundo de 2014 no Brasil e os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, no Rio, colocarão o Brasil no centro das atenções não apenas no mundo esportivo, mas também no incremento aos negócios. Seguramente, nos próximos anos, surgirão inúmeras oportunidades de trabalho proporcionadas pelos dois maiores eventos esportivos do planeta, e isso se estenderá aos negócios, beneficiando sobremaneira as instituições financeiras. Assim, a CAIXA pretende: - Manter o foco de atuação em esportes de rua que possibilitem o acesso gratuito de

público ou que a participação como atleta não implique em altos investimentos; - Reforçar os Circuitos CAIXA de Corrida de Rua e de Maratoninhas com a ampliação do número de etapas e inclusão de atrações diferenciadas que proporcionem maior participação de atletas e que potencializem o retorno do investimento; - Patrocinar as principais provas de corrida de rua do País de modo a intensificar a exposição da CAIXA como a Patrocinadora Oficial do Atletismo Brasileiro; - Apoiar a preparação dos atletas das modalidades patrocinadas com vistas a uma melhor participação nos Jogos Pan-americanos e Para Pan de Guadalajara 2011 e nos Jogos Olímpicos e Paraolimpicos de Londres 2012; dando continuidade nos investimentos do atual ciclo olímpico, que teve início no último ano; - Intensificar as ações de ativações dos eventos patrocinados visando maior aproveitamento das oportunidades adquiridas com os patrocínios. RBP // Em 2011, renovou seu compromisso aumentando para R$ 20 milhões, em dois anos. Pode-se dizer que o Esporte Paraolímpico é um bom negócio? gerson bordignon // O valor de patrocínio é para o biênio 2011/2012 e deve-se ao fato da CAIXA acreditar na parceira construída ao longo dos anos. O contrato de longo termo estabelece uma melhor atmosfera para eventual necessidade de ampliação de contrapartida, além de apresentar a melhor condição de renegociação contratual. Permite ao patrocinado promover um cronograma de atividade mais consistente e definitivo, levando em consideração a certeza do aporte para a cobertura dos investimentos almejados com vistas a ampliação de atividades, gerando maior condição de participação em eventos de destaque da categoria, aperfeiçoamento do nível de competitividade de seus atletas, criando mais oportunidade de pódio. Sob o ponto de vista do patrocinador permite uma parceria mais estruturada, tendo em vista que o trabalho de ativação do patrocínio

Entrevista

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Gerson Bordignon

Revista Brasil Paraolímpico

torna-se muito mais eficaz e eficiente uma vez que se pode obter uma programação de ações previamente definidas durante o período do contrato. Essa condição permite maior economicidade cronograma orçamentário e maior aderência na identidade da marca em relação à modalidade esportiva, formando uma unidade de valores que promovem uma imagem institucional extremamente positiva. Com este investimento longínquo, a partir de determinado período, inicia-se o processo de criação de vínculos e associações por meio de valores, conceitos e atributos positivos entre a propriedade esportiva patrocinada e a empresa patrocinadora, o que é muito importante para os dois lados, que é a estabilidade do patrocínio, pois fornece credibilidade, reconhecimento, simpatia e confiança à empresa patrocinadora e amplo desenvolvimento à propriedade esportiva patrocinada. A CAIXA acredita no desenvolvimento do esporte paraolímpico, o patrocínio das Loterias CAIXA ao Comitê Paraolímpico Brasileiro tem um importante papel de inclusão social, uma vez que estimula o resgate da auto-estima e cidadania dos portadores de deficiência por meio da prática esportiva.

Os atletas paraolímpicos deram uma clara e enorme demonstração de que o melhor do Brasil é o brasileiro

O patrocínio das loterias federais ao CPB ajudou na brilhante presença brasileira em todas as competições nacionais e internacionais. Não há exemplo mais efetivo e intenso de luta e superação para o nosso povo. Há uma campanha que diz que o melhor do Brasil é o brasileiro. Os atletas paraolímpicos deram uma clara e enorme demonstração disso.


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Circuito

Revista Brasil Paraolímpico

Norte/Nordeste

Firme e forte Etapa Norte/Nordeste do Circuito Loterias Caixa comemora recorde de recordes e revelações em Fortaleza

A

Universidade de Fortaleza (Unifor) recebeu o Circuito Loterias CAIXA 2011. Em três dias de competições, o público assistiu a mais de 400 atletas de 12 estados em ação e presenciou 29 quebras de recordes brasileiros. “Fortaleza superou nossas expectativas. A região Norte/Nordeste tem melhorado ano a ano. Em 2011 tivemos mais participantes e mais recordes foram quebrados, o que significa que os clubes têm investido continuamente em novos atletas”, avaliou o diretor técnico do CPB, Edílson Rocha Tubiba. Marciana Teixeira, do atletismo, foi um dos destaques. A atleta de 26 anos bateu o recorde brasileiro nos 400m T54 e se surpreendeu com o resultado: “Eu não esperava. Vim focada para tentar o índice para as etapas nacionais. Acho que foi a vontade de conseguir a vaga que me impulsionou”, revelou a atleta, que ainda conquistou o bronze nos 100m e a prata nos 800m T54.

A região Norte/Nordeste tem melhorado ano a ano. Em 2011 tivemos um maior número de participantes e mais recordes Edílson Rocha Tubiba, diretor técnico do CPB.

Na natação, Luiz Antônio Corrêa foi quem chamou atenção. O atleta, que fez história ao trazer sete medalhas paraolímpicas para

o país (três pratas e um bronze em Sydney, um ouro e uma prata em Atenas e uma prata em Pequim), ficou quase um ano sem competir por causa de uma lesão no ombro e voltou a nadar na etapa de Fortaleza. Aos 29 anos, o pernambucano conquistou o ouro nos 50m borboleta e a prata nos 50m livre, voltando em grande estilo. “Estou de olho no Parapan de Guadalajara, no fim do ano. Espero muito chegar ao México”, disse. No halterofilismo, a emoção ficou por conta de Josiano dos Santos. O potiguar bateu o recorde brasileiro para os atletas até 100kg quatro vezes seguidas, chegando a marca de 185kg. “Vim preparado para isso. Depois que bati o primeiro recorde, fiquei mais confiante e deu tudo certo”, afirmou. Para Tubiba, a evolução é nítida: “O nível de competição está bem alto: 29 recordes brasileiros quebrados na primeira etapa regional, quando os atletas ainda estão começando a sua preparação, é um número muito bom”, finaliza.


Circuito

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Rio de Janeiro/Sul

Revista Brasil Paraolímpico

Jeito de nacional Etapa Rio de Janeiro/Sul apresenta alto nível e jovens que já se destacam no país

N

o mês de abril, foi a vez dos estados da Região Sul e do Rio de Janeiro participarem do Circuito Loterias CAIXA. De 15 e 17, mais de 500 atletas de atletismo, natação e halterofilismo encheram as instalações esportivas da Universidade Positivo para competir em mais de 400 provas. Dentro da piscina, o sobrenome de mais destaque tem pronúncia difícil: Schnarndorf. Filha de alemão, Susana praticou triatlo durante 16 anos antes de ser diagnosticada com Parkinson e ter que mudar de ramo. Na para-natação, o Circuito marcou sua estreia em grandes competições. E foi em alto estilo: quatro recordes brasileiros (50m, 100m e 400m livre e 100m costas) em cinco provas disputadas. “A para-natação mudou a minha história. Voltei a ter prazer de viver e estou muito feliz. Os resultados em Curitiba foram ótimos. Estou cada vez mais perto dos meus principais objetivos: medalhas no Parapan e na Paraolimpíada”, conta Susana. “Esperamos uma etapa nacional mais forte este ano, uma vez que atletas jovens, como Talisson Glock e Ana Paula Fernandes, que também bateram recordes, apareceram bem”, avalia Murilo Barreto, coordenador da modalidade. No atletismo, o público pôde ver o surgimento de novos atletas e 11 quebras de

recordes brasileiros. Os maiores destaques foram Flávio Reitz, que derrubou duas marcas (salto em distância F42 e salto em altura F42), e o jovem Diogo Ualisson, dono de um recorde (salto em altura F12) e bons resultados. “Eu não imaginava quebrar um recorde brasileiro. Agora vou treinar em dobro para ir bem também nas etapas nacionais e conseguir manter o recorde”, confessa Ualisson. Uma prova de que um bom ritmo de treinamento ajuda está no halterofilismo. Em Curitiba, os três atletas que bateram recordes nacionais estavam com a seleção brasileira na semana de treinamento que ocorrera dias antes da competição. “A semana de treinamento fez toda a diferença. Descobrimos várias falhas em nossa técnica”, explica Edilândia Araújo, recordista entre as atletas com mais de 82,5kg. Na categoria até 52kg, Aílton Clemente melhorou o recorde brasileiro em 2kg, levantando 115kg na primeira vez que competiu na classe. “Foi uma surpresa, eu vim para competir na categoria até 48 kg, como sempre, mas meu peso não deu”, explica Aílton. O outro recorde do halterofilismo foi de Terezinha Multado, na categoria até 61kg.

“A natação paraolímpica mudou a minha história. Voltei a ter prazer de viver e estou muito feliz” Susana Schnarndorf


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Promessa 2016

Revista Brasil Paraolímpico

Bruna Costa

Garota de

ouro

Com apenas 15 anos, Bruna Costa Alexandre já se destaca em competições de adultos, mesmo entre atletas convencionais, e integra as seleções paraolímpica e olímpica

A

os 15 anos, ela já ostenta um grande número de títulos no currículo e se firma cada vez mais como uma promessa de medalhas para o tênis de mesa paraolímpico do Brasil nos próximos Jogos Paraolímpicos. Bruna Costa Alexandre mostra que a dedicação e a força de vontade são capazes de tornar sonhos em realidade. Em 2010, Bruna chamou atenção ao chegar às quartas-de-final do Mundial de Tênis de Mesa Paraolímpico, com apenas 15 anos. Se os bons resultados são cada vez mais frequentes, uma das razões para isso é a dedicação de Bruna à rotina diária de treinamentos. “Pela manhã estudo até 11h40. À tarde meu treino começa 13h30 e vai até 17h30, de segunda a sexta. E segunda, terça e quinta também treino das 18h30 as 20h30”.

O técnico Alexandre Medeiros Ghizi confia que o esforço de sua atleta será recompensado em breve: “ela treina muito, cerca de seis horas por dia, cinco vezes por semana, e vem evoluindo dentro e fora da mesa. Com o apoio da Fundação Municipal de Esportes de Criciúma, do CPB, do Ministério do Esporte e da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa, Bruna vem tendo chances de evoluir, viajar e se preparar para o futuro. Estamos contentes com sua evolução e esperamos que ela continue assim. Se der tudo certo, ela deve brigar por medalhas nas duas próximas paraolimpíadas”, disse o treinador.

Sem medo de desafios, Bruna Costa acumula mais de 50 títulos no tênis de mesa. Com rendimento excelente, Bruninha supera atletas com ou sem deficiência mundo afora

Exemplo veio de casa A mesatenista começou no tênis de mesa quando tinha 12 anos, influenciada pelo irmão, Bruno Costa Alexandre. “Ele jogava na Fundação Municipal de Esportes de Criciúma e o treinamento dele acontecia ao lado da nossa casa”, conta Bruna. Até 2009, ela competia estritamente em torneios entre pessoas sem deficiência, onde foi tetracampeã municipal. Para fortalecê-la, o técnico Alexandre Medeiros Ghizi a levou para disputar o Brazilian Open, onde conquistou uma prata e um bronze, competindo entre adultos. A partir daí a atleta foi convocada para seleção paraolímpica juvenil e para a seleção olímpica infantil.


Sorriso no rosto e muitos sonhos “Meus sonhos são estar entre as três primeiras do ranking mundial e jogar as Paraolimpíadas de Londres em 2012,e do Rio de Janeiro, em 2016. Vou lutar para conquistar isso”, diz Bruna, que se inspira em um ícone do tênis de mesa paraolímpico, a polonesa Natalia Partyka. Atualmente em 60º lugar no ranking mundial olímpico adulto, Partyka nasceu sem a mão direita e entrou para a história do esporte como a mais jovem atleta a competir nas Paraolimpíadas, em Sydney 2000, quanto tinha apenas 11 anos de idade.

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Bruna Costa

Revista Brasil Paraolímpico

©daniel zappe fotocom.net

A vitória mais marcante na carreira aconteceu no French Open 2010 da Classe 10, onde derrotou a segunda do ranking mundial na final, a francesa Audrey Le Morvan.

Promessa 2016

Fora da mesa e longe das raquetes, mas nunca por muito tempo, Bruna se arrisca em outras modalidades, como o skate e as trilhas de bicicleta. Como toda menina de 15 anos, adora passear no shopping e ir à academia. E de fastfood! Para o futuro, pretende aliar a paixão pelo esporte com os estudos e a carreira profissional: “espero fazer uma faculdade e, se Deus quiser, poder viver do esporte e do trabalho”, disse. A deficiência física apareceu aos seis meses de vida, quando Bruna teve que amputar o braço direito por conseqüência de uma trombose provocada por uma injeção mal aplicada. O contratempo não foi capaz de abalar a confiança e a felicidade de Bruna, que transforma a adversidade em força: “nunca desista, sempre esteja com a cabeça erguida e nunca deixe de sorrir por não ter um membro ou por estar em uma cadeira de rodas.

Meu sonho é estar entre as três primeiras do ranking e jogar as paraolímpiadas de Londres e do Rio. Melhores Marcas (Classe 10 Individual)

2010

Campeã Sul-Americana (entre olímpicos) Bronze Sul-Americano de duplas Três ouros no Parapan da modalidade Campeã do Aberto Paraolímpico de Nantes, França. Três Medalhas de Prata – Aberto Paraolímpico de Taipei, China

2009

Três medalhas de ouro no Parapan Juvenil na Colômbia Campeã Brasileira Escolar Paraolímpica Brazilian Open – prata por equipes e bronze individual Campeãoda Copa Brasil Paraolímpica Campeã Estadual Paraolímpica

©valdeci carvalho fotocom.net

Campeã da seletiva infantil olímpica


anuncio uniodonto 28

MatĂŠria

Revista Brasil ParaolĂ­mpico

Fulano de Tal


Notícias

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Novidade

Revista Brasil Paraolímpico

Curta o CPB no

Facebook e Flickr Cada vez mais por dentro da Web 2.0, CPB está nas redes sociais

O CPB já interage, compartilha e se aproxima do público há mais de seis meses através do Twitter (@cpboficial) e youtube. com/cpboficial. Com o sucesso no microblog e no maior canal de vídeos do mundo, o CPB decidiu criar uma página no Facebook.

Feito histórico O gaúcho Jovane Silva Guissone entrou para a história do Esporte Paraolímpico Brasileiro ao conquistar a primeira medalha do Brasil em uma competição internacional de esgrima em cadeira de rodas. Jovane ficou em terceiro lugar na prova de Espada da categoria B na Copa do Mundo da IWAS (Federação Internacional de Esportes para Cadeirantes e Amputados), que aconteceu em Montreal, no Canadá, no último mês de maio.

Ao acessar o canal você irá encontrar notícias relacionadas ao Esporte Paraolímpico Brasileiro e mundial além de fotos, vídeos e enquetes. Tudo para aproximar ainda mais o público do movimento paraolímpico.

Você já pode curtir o CPB no endereço: www.facebook.com/comiteparaolimpico. E se quiser conferir fotos marcantes do Esporte Paraolímpico, não pode deixar de acessar nosso Flickr. Acesse www.flickr.com/cpboficial e navegue por várias imagens.r

Para não perder o costume O nadador Daniel Dias foi considerado o segundo melhor atleta do Open de Para-natação de Berlim, realizado de 28 de abril e 1º de maio. O brasileiro ficou atrás apenas do croata Mihovil Spanja dentre os mais de mil competidores, conquistando quatro medalhas de ouro e três novos recordes mundiais, nos nos 200m medley, nos 100m livre e nos 100m costas. No total, a delegação brasileira trouxe 39 medalhas.

Feito histórico, parte 2 Na última edição da Copa do Mundo de Tiro Esportivo, que aconteceu em Alicante, na Espanha, o Brasil contou com a maior delegação de sua história na modalidade. Oito atletas representaram o país. Outra marca histórica foi a participação de mulheres na Copa. Essa foi a primeira vez que o país teve representantes femininas, com as paranaenses Beatriz da Cunha e Débora Campos.

Brasil no Parapan de Guadalajara Uma equipe do CPB, chefiada pelo presidente Andrew Parsons, esteve na cidade-sede dos Jogos Parapanamericanos para visitas técnicas aos locais de competições e reuniões com o Comitê Organizador. O objetivo é assegurar a melhor estrutura aos atletas brasileiros no México.


30 Revista Brasil Paraolímpico

Expediente

Presidente Andrew Parsons

Coordenação Media Guide Comunicação

Vice- Presidente Mizael Conrado

Jornalista Responsável Diogo Mourão MTB 19142/RJ

Vice-Presidente Administrativo Luiz Claudio Pereira

Edição e Textos Janaína Lazzaretti Thalita Kalix

Superintendente Administrativo, Finanças , Contabilidade e Eventos Carlos José Vieira de Souza

Estagiário Rodrigo Antonelli

Diretoria Técnica Edilson Alves da Rocha

Imagens Exemplus Comunicação

Gerência de Marketing Frederico L. Motta

Projeto gráfico e diagramação Inventum design

Conselho Fiscal José Afonso da Costa Hélio dos Santos Roberto Carlos Emilio Picello

Impressão Gráfica Clicheria Chromos

Turma da Mônica

Brasil Paraolímpico é uma publicação bimestral do Comitê Paraolímpico Brasileiro e esta edição teve 3.500 exemplares impressos em junho de 2011. Endereço Sede CPB SBN Qd- 2- Bl. F- Lt. 12 Ed. Via Capital – 14º andar Brasília/DF – CEP: 70040-020 Fone: 55 61 3031 3030 Fax: 55 61 3031 3023 www.cpb.org.br www.twitter.com/cpboficial www.youtube.com/cpboficial www.facebook.com/comiteparaolimpico

Painel do Leitor Compartilhe com a equipe de imprensa do CPB dúvidas, sugestões ou críticas. Este espaço é reservado para você, leitor. Contate-nos através de cartas pelo endereço: SBN, Quadra 02, Bloco F, ED. Via Capital, 14º andar. Brasília, DF, Brasil. Cep: 70.040-020. Se preferir, mande email: contato@cpb.org.br.


Equipe CPB

31 Revista Brasil ParaolĂ­mpico


Revista Brasil Paraolímpico Nº 36  

Edição número 36 da revista oficial do Comitê Paraolímpico Brasileiro, com destaque para as conquistas do Brasil no Mundial da IBSA, na Turq...

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