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Entrevista: Amauri Ribeiro

Brasil

número

40

Londres CPB prepara o terreno

PARALÍMPICO revista do comitê paralímpico brasileiro // maio/junho 2012 // www.cpb.org.br

Nossa casa na Reatech CPB marca presença na maior feira de reabilitação das Américas


Editorial

Andrew Parsons presidente do comitê paralímpico brasileiro

Caros leitores, É com grande satisfação que publicamos mais uma edição da nossa Brasil Paralímpico. Uma edição muito especial para nós do Comitê Paralímpico Brasileiro. Reservamos um grande espaço para falar da participação do CPB na Reatech, a maior feira de reabilitação e inclusão social de deficientes da América do Sul. A reportagem mostra as ações que desenvolvemos no Centro de Exposições Imigrantes para mostrar e, muitas vezes, apresentar o paradesporto a milhares de pessoas com deficiência. Além das demonstrações de esportes como vôlei sentado, basquete, futebol de 5 para cegos e atletismo, realizamos o Campeonato Brasileiro de Esgrima durante a Reatech. Nosso stand, mais uma vez, atraiu milhares de pessoas, que buscavam informações e interação com ídolos como Jeffinho, Clodoaldo Silva, Andre Brasil e Terezinha Guilhermina, entre outros.

Um grande abraço,

Andrew Parsons

Outro motivo de alegria durante a Reatech foi o lançamento do livro Esporte Paralímpico, o primeiro com o selo da Academia Paralímpica Brasileira, coordenado pelos doutores Marco Túlio de Mello e Ciro Winkler. Um trabalho exemplar que vai servir de base e ajudar a desenvolver o esporte paralímpico nas universidades e cursos de educação física. A ciência também está presente em nossas páginas, numa matéria que mostra como o desenvolvimento científico pode ajudar na preparação de nossos atletas na caminhada para o lugar mais alto de pódio. A ciência também é nossa aliada na cruzada contra o doping. O lema do CPB é tolerância zero, mas além de exames para detectar substâncias proibidas, buscamos a excelência da comunicação com os atletas, para evitar problemas por falta de informação.

Nossa coluna Grande Nomes do esporte fala da trajetória de Marcos Ferreira, o Marcão da Seleção de Futebol de 7. No outro lado da moeda, traçamos um perfil de Thierb Siqueira, de 22 anos, a nossa Promessa 2016 desta edição. O campeão olímpico de vôlei convencional Amauri Ribeiro, hoje presidente da Associação Brasileira de Voleibol Paralímpico é o nosso entrevistado. Do alto de sua experiência, Amauri explica que o objetivo para Londres 2012 é ficar entre os quatro primeiros, mas não mede as palavras quando o assunto é 2016: “queremos o ouro no Rio.” Londres 2012 não poderia ficar de fora desta edição, na qual mostramos a visita técnica que o CPB fez à capital da Grã-Bretanha para que tudo corra perfeitamente para nossos atletas nas Paralimpíadas.


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Grandes nomes do esporte

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Marcos Ferreira

Revista Brasil Paralímpico

Revista Brasil Paralímpico

sumário

edição 40 // mai/jun 2012 // www.cpb.org.br

A muralha

do futebol para 7 brasileiro

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Reatech Maior feira de reabilitação das Américas conta com presença do Comitê Paralímpico Brasileiro

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CPB visita cidade sede dos Jogos Paralímpicos e planeja o futuro

Campanhas, testes e palestras. Tudo contra as substâncias proibidas

A evolução científica auxilia os atletas no caminho rumo ao topo

Londres

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Doping

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Ciência

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colunista convidado

entrevista

promessa 2016

notas

Felipe Mendes

Amauri Ribeiro, Presidente da ABVP

Thierb Siqueira

Veja as últimas notícias do paradesporto

Com 33 anos, Marcos Ferreira, mais conhecido como Marcão, passou metade da sua vida servindo a Seleção Brasileira. Já são 16 anos debaixo das traves do Futebol de 7. O começo disso tudo foi em 1996 quando, convidado por um amigo, decidiu treinar. O resultado apareceu logo no primeiro ano: a convocação para a Seleção Brasileira. Disputou as Paralímpiadas de Atlanta e permanece no grupo até hoje

Com participações em todas as Paralimpíadas desde 1996, o goleiro mira Londres para enfim conquistar o sonho do ouro, que bateu na trave na Grécia. “Perdemos a final para a Ucrânia, o bicho papão do Fut7, mas creio que teremos um bom resultado este ano”, disse o arqueiro. Das quase duas décadas de carreira, Marcão não esquece o bronze em Sydney, sua primeira medalha paralímpica, e a vitória sobre a Argentina na final do Parapan do Rio, em 2007. “Foi coisa de cinema, nunca imaginei passar por isso na vida. Estava lotado, ganhamos por 5x0, e para mim foi ainda melhor por não ter sofrido gols”, relembra Marcão.

Marcos Ferreira nasceu no município de Dourado (MS), mas desde cedo vive na capital Campo Grande. Teve paralisia cerebral devido ao parto demorado, o que limitou os seus movimentos da perna direita. Sobre as limitações, Marcos diz que jamais foi empecilho para nada em sua vida. “Nunca liguei para as dificuldades, independentemente da situação. A superação é diária. Tem dia que estamos desanimados, mas, se você baixar a cabeça, não vai. Temos que nos dedicar bastante”, falou. Com 1.80m de altura, a escolha pela posição de goleiro não partiu dele. “Desde criança eu era o escolhido para ir ao gol, ,mas acabei gostando e só tenho a agradecer. Realmente valeu a pena. A deficiência

A deficiência é um mínimo detalhe diante da vontade de conquistar sonhos e medalhas

é um mínimo detalhe diante da vontade de conquistar sonhos e medalhas”, destacou. Os planos para o futuro não param em Londres. O goleiro já mira os Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. Depois disso ele até admite pendurar as luvas, mas sem nunca abandonar os esportes. “Pretendo cursar Educação Física, para, quem sabe, ser treinador ou trabalhar no paradesporto”, concluiu Marcão, que usa como lema para conquistar esse objetivo o grito de guerra da Seleção Brasileira de Fut7: “Eu posso, Eu consigo, Vai Brasil!”


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Reatech

Reatech

Revista Brasil Paralímpico

7 Revista Brasil Paralímpico

CPB inova

NA REATECH Comitê Paralímpico Brasileiro preparou novidades em seu estande e levou a Copa Brasil de Esgrima em Cadeira de Rodas para a Feira

Mais de 40 mil pessoas passaram pelo estande de 234m2 do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), montado no coração da Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade Reatech, no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo, entre os dias 12 e 15 de abril. Em sua segunda participação no evento, o CPB proporcionou o contato direto do público com alguns dos maiores nomes do esporte, além diversas palestras sobre o desporto paralímpico, experimentação de modalidades e lançamento do livro “Esporte Parlímpico”, primeira obra publicada da Academia Paralímpica Brasileira. Entre squeezes, adesivos, massageadores, sacolas personalizada e cards com fotos feitas na hora da torcida brasileira para os Jogos Paralímpicos de Londres, o CPB

distribuiu mais de seis mil brindes e mais de duas mil fotos.

veio para ficar”, garantiu o presidente do CPB, Andrew Parsons.

Com o principal objetivo de firmar o esporte paralímpico para a sociedade, o CPB tem aproveitado sua presença na Reatech e o engajamento dos participantes de uma feira de acessibilidade para apresentar modalidades e atletas, para que cada vez mais pessoas conheçam o paradesporto.

Outra atração do estande do CPB foi a logomarca dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 em 3D, a mesma que foi usada na cerimônia de lançamento da marca paralímpica. Foi a primeira vez que a escultura saiu do Rio de Janeiro, pôde ser conferida pelo grande público e proporcionou que deficientes visuais “vissem” a marca das Paralimpíadas que acontecerão pela primeira vez no Brasil.

“A Reatech nos proporciona um enorme diálogo com diversas organizações que tratam com deficientes no Brasil. Queremos aproveitar esta oportunidade para estreitar laços com o movimento paralímpico em geral, não apenas com o esporte. Nossa participação tem sido intensa, com mais atividades. Estivemos em 2012, mas já mirando os próximos anos. O CPB

“A gente só tem a agradecer quem pensou na gente. Está de parabéns. A logomarca é linda e poder tocá-la é como vê-la. Sempre ouvimos a descrição e imaginamos. Esta conseguimos ver com os olhos do coração. É emocionante”, descreveu Márcia Santos, atleta da Seleção Brasileira de Goalball.


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Reatech

Reatech

Revista Brasil Paralímpico

9 Revista Brasil Paralímpico

Paralimpíadas Escolares

continuam em São Paulo

O presidente Andrew Parsons assinou durante a cerimônia de abertura da Reatech um convênio com a Secretaria de Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo para a realização das Paralimpíadas Escolares de 2012. “O Estado de São Paulo é grande parceiro do esporte para pessoas com deficiência e traremos pelo terceiro ano consecutivo a maior competição do planeta para atletas em fase estudantil, as Paralimpíadas Escolares. Estamos trabalhando para que neste ano, pela primeira vez, atletas de todos os Estados brasileiros participem. Agradeço ao Governo do Estado de São Paulo, à secretária Linamara Rizzo Battistella, da Secretaria Estadual de Direitos da Pessoa com Deficiência, pelo apoio”, afirmou Parsons. Para a secretária Linamara, as Paralimpíadas Escolares devem entrar para o calendário de São Paulo, assim como entrou a Reatech.

Grandes nomes ao vivo Os visitantes puderam pegar autógrafos e tirar fotos com grandes nomes do esporte paralímpico. Clodoaldo Silva (Natação), Daniele Bernardes (Judô), Terezinha Guilhermina (Atletismo), Jefinho (Futebol de 5), Andre Brasil (Natação), Jovane Guissone (Esgrima em Cadeira de Rodas), Fernando Fernandes (Canoagem) e Phelipe Rodrigues (Natação) sentiram de perto o carinho da torcida brasileira, que não perdeu tempo e já desejou sorte para os Jogos de Londres. A multicampeã Terezinha Guilhermina, dona de quatro medalhas paralímpicas, se emocionou ao conhecer a logomarca dos Jogos do Rio de Janeiro, que foi desenvolvida pela Tátil.

“Os jovens são agentes de transformação. Ganhar e perder faz parte da vida”, disse a secretária.

Interatividade com o público no estande Com um estande de 234m2 localizado no coração da Centro de Convenções Imigrantes, o Comitê Paralímpico Brasileiro inovou na Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade Reatech, a maior da América Latina, que acontece entre os dias 12 e 15 de abril. Não faltaram atividades no stand do CPB, principalmente nas duas ações de interatividade. Para ganhar os brindes, as pessoas participavam de um jogo com os pictogramas de esportes paralímpicos. Após apertar o botão, se a máquina girasse e colocasse três pictogramas iguais, a festa estava garantida. Em outro lado do stand, milhares de pessoas se fantasiaram para tirar fotos e depois postar uma mensagem de apoio aos atletas brasileiros nos Jogos de Londres.

CPB lança livro sobre esporte Resultado da união de conhecimento dos membros da Academia Paralímpica Brasileira, o livro “Esporte Paralímpico” foi lançado no sábado, 14, no estande do CPB na Reatech. Reflexo do momento vivido pelo País no esporte – hoje entre as 10 maiores potências do planeta – a obra traz explicações detalhadas sobre as 20 modalidades do programa das Paralimpíadas, além dos caminhos a serem percorridos para a consolidação do Brasil como Potência Paralímpica, como também o acesso à prática esportiva pela pessoa com deficiência. “O lançamento foi um sucesso. Pudemos ver pessoas muito interessadas na aquisição do livro. Ainda existe pouco material sobre o esporte paralímpico e precisamos explorar cada vez mais essa lacuna. A próxima obra produzida pela Academia Paralímpica Brasileira será sobre o Futebol de 5, coordenado pelos professores Ramon Pereira e José Erineu Gorla”, revelou Ciro Winckler, que coordenou o livro com Marco Túlio de Melo.


Esporte na Reatech Revista Brasil Paralímpico

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Resultados

Esporte na Reatech

Copa Brasil

de esgrima Com um crescimento de 30% com relação a última etapa do ano passado no número de participantes, a Copa Brasil de Esgrima em Cadeira de Rodas já tem seus vencedores na primeira disputa de 2012. Durante a Reatech, no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo, mais de 30 atletas dos estados de Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo se enfrentaram nas provas de Espada e Florete nas Classes A, B e C. Além de reunir os melhores esgrimistas do País, a competição é conhecida por revelar novos talentos na modalidade. Nesta edição, nove novos atletas passaram por classificação funcional. A próxima etapa da Copa Brasil de Esgrima será em julho, também em São Paulo.

Espada Feminina A

Florete Feminino A

1º Suélen Rodolpho – ASASEPODE/RS 2º Scheila Mattik – ADFP/PR 3º Rudinéia Mântica – ASASEPODE/RS 3º Mônica Santos – ASASEPODE/RS 5º Roseli Freitas – ADFP/PR 6º Analúcia Pinheiro – ADFP/PR 7º Luciane Oliveira – ADFP/PR 8º Janaina Aguilera – ADFP/PR

1º Mônica Santos – ASASEPODE/RS 2º Suelen Rodolpho – ASASEPODE/RS 3º Scheila Mattik – ADFP/PR 3º Rudinéia Mânica – ASASEPODE/RS 5º Roseli Freitas – ADFP/PR 6º Luciane Oliveira – ADFP/PR 7º Janaína Aguilera – ADFP/PR 8º Analúcia Pinheiro – ADFP/PR

Espada Masculina A

Florete Masculino A

1º Alex Souza – ECP/SP 2º Lenilson Oliveira – ADEACAMP/SP 3º Sandro Colaço – ADFP/PR 3º Moacir Ribeiro – ADFP/PR 5º Fábio Damasceno – ASASEPODE/RS 6º Gustavo Pereira – ACE/MG 7º Gustavo Reis – ACE/MG 8º Eduardo Oliveira – ADEACAMP/SP 9º Lauro Brachtvogel – ASASEPODE/RS

1º Lauro Brachtvogel – ASASEPODE/RS 2º Sandro Colaço – ADFP/PR 3º Fábio Damasceno – ASASEPODE/RS 3º Lenilson Oliveira – ADEACAMP/SP 5º Alex Souza – ECP/SP 6º Eduardo Oliveira – ADEACAMP/SP 7º Gustavo Pereira – ACE/MG 8º Moacir Ribeiro – ADFP/PR 9º Gustavo Reis – ACE/MG

Florete Masculino B

Florete Masculino C

1º Jovane Guissone – ASASEPODE/RS 2º Vanderson Chaves – ASASEPODE/RS 3º Marcelo Motta – ECP/SP 3º Maurício Stempniak – ASASEPODE/RS 5º Rodrigo Massarutt – ADFP/PR 6º Edgard Rassan – ADEACAMP/SP 7º Luciano Pereira – ADEACAMP/SP 8º Márcio Neves – ACE/MG 9º Samuel Ferraz – ASASEPODE/RS 10º Ildefonso Olegar – ADFP/PR

1º Airto Pinto – ASASEPODE/RS 2º Anderson Kaiss – ADFP/PR 3º Bruno Martins – ASASEPODE/RS 3º Leandreo Mazoni – ADEACAMP/SP 5º Denis Alves – ADFP/PR

Espada Masculino B

1º Jovane Guissone – ASASEPODE/RS 2º Maurício Stempniak – ASASEPODE/RS 3º Rodrigo Masarutt – ADFP/PR 3º Luciano Pereira – ADEACAMP/SP 5º Marcelo Motta – ECP/SP 6º Vanderson Chaves – ASASEPODE/RS 7º Ildefonso Olegar – ADFP/PR 8º Edgar Rassan – ADEACAMP/SP 9º Márcio Neves – ACE/MG 10º Samuel Ferraz – ASASEPODE/RS

Espada Masculino C

1º Anderson Kaiss – ADFP/PR 2º Airto Pinto – ASASEPODE/RS 3º Bruno Martins – ASASEPODE/RS 3º Leandro Mazoni – ADEACAMP/SP 5º Denis Alves – ADFP/PR


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Londres

Londres

Revista Brasil Paralímpico

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co, realizaram uma visita de inspeção, em Londres, com o intuito de organizar e preparar a participação canarinha na Paralimpíada.

Londres CPB visita sede das Paralimpíadas e inicia planejamento para os atletas brilharem

A Paralimpíada é o segundo maior evento esportivo do mundo e essa edição promete impressionar o mundo, além de marcar a história da competição como os Jogos da Sustentabilidade. Em nenhum outro ano a organização se preocupou tanto com a integração dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Mas para que tudo ocorra de forma perfeita é preciso muito trabalho. São anos de planejamento e milhares de pessoas envolvidas. Para edição de Londres 2012, que acontece de 29 de agosto a 9 de setembro, são mais de 4 mil funcionários e 20 mil voluntários trabalhando para o grande sucesso da competição.

A mais de cinco mil quilômetros, o trabalho também é árduo, para o sucesso da delegação brasileira. Uma forte equipe prepara o terreno para o Brasil brilhar em Londres. Profissionais do Comitê Paralímpico Brasileiro, assim como atletas e técnicos, seguem firme no trabalho com um ambicioso objetivo: a melhor colocação para o país em participações na competição: o sétimo lugar geral. Em janeiro desse ano o vice-presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, Mizael Conrado, o chefe de missão da delegação brasileira, Edilson Rocha, e profissionais de diversas áreas do Comitê Paralímpi-

Nossa delegação está entre as maiores, são anos de trabalho. Eu brinco que do mesmo jeito que os atletas treinam nos fins de semana para brilhar nos jogos, nós também trabalhamos muito para o sucesso dessa grande operação Edílson Tubiba, diretor técnico do CPB

“A visita é fundamental os para que os comitês nacionais estejam a par de tudo que está sendo preparado. É a oportunidade que temos de identificar a casa do Brasil em Londres. A partir daí descobrimos os pontos fortes e os que são um pouco mais fracos”, explica Edílson Alves Rocha, o Tubiba, diretor técnico do CPB e chefe de missão do Brasil em Londres. A equipe também composta pelo Superintendente do CPB, Carlos Vieira, pelo Gerente de Comunicação e Marketing, Frederico Motta, além de membros da equipe técnica e de eventos do Comitê, participou de reuniões e realizou visitas técnicas aos locais de suas respectivas áreas. Os profissionais do Comitê Paralímpico Brasileiro também visitaram a embaixada do País em Londres durante os sete dias em que estiveram na capital inglesa. O embaixador brasileiro em Londres, Roberto Jaguaribe, se prontificou a colaborar no que for preciso. “A visita foi muito importante para a organização da operação do Brasil nos Jogos. Participamos de reuniões esclarecedoras, sobretudo com a Embaixada do Brasil em Londres. Acertamos muitas ações que facilitarão nosso trabalho e que permitirão que o CPB possa oferecer o que há de melhor aos nossos atletas, para que eles tenham como única preocupação brilhar nas provas que disputarem”, afirmou o vice-presidente do CPB Mizael Conrado. Entre os principais assuntos discutidos estavam: transporte, área médica, mídia, treinos, ferramentas disponíveis para montagem de escritórios e estrutura adicional, credenciamento e alimentação. Foram dias visitando instalações, como a Vila Paralímpica, o Centro de Impren-

sa (MPC) e simulando os trajetosm, para saber como serão os deslocamentos. “No caso da comunicação temos que montar uma operação de suporte à imprensa, como estrutura física como internet de altíssima velocidade, INFO que disponibilizam todos os dados estatísticos, já que esperamos aproximadamente 50 jornalistas. Também somos responsáveis por todo o credenciamento de imprensa, além de atendermos os veículos que ficam no Brasil. Já na área de marketing daremos suporte às ações da Casa Brasil, recepção de convidados. Além de ter a missão de “vestir” nosso espaço na vila” explica Frederico Motta, Gerente de Comunicação e Marketing do CPB. Um dos pontos fortes desta edição é a proximidade dos locais de competição. As equipes terão facilidade para transitar entra as venues rapidamente. As modalidades estarão concentradas em complexos esportivos, como o Olympic Park (atletismo, ciclismo, futebol de 5, futebol de 7, goalball, natação e basquete, tênis em cadeira de rodas), Excel (bocha, judô, halterofilismo, tênis de mesa, vôlei sentado e esgrima), Grenwich Park (hispismo). Tiro com arco, atletismo (maratona), ciclismo de estrada, tiro esportivo e as finais do basquete serão realizadas em venues próximas aos complexos esportivos. As equipes de vela e remo ficarão em outras duas Vilas Paralímpicas, construídas exclusivamente para as modalidades. Os atletas ficarão próximos aos locais de competição, por conta das especificidades das modalidades. Weymouth and Portland (Vela) fica a aproximadamente três horas de Londres. Já Eton Dorney, que recebe o remo, esta a mais ou menos uma hora de distância. A Vila Paralímpica, em Londres, também oferece algumas novidades. A conhecida Zona Internacional ganhou nova roupagem: agora se chama Village Plaza. Além


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Londres

Colunista convidado Felipe Mendes

Revista Brasil Paralímpico Paraolímpico

eficiência já dá sinais em diferentes áreas. Recentemente o Comitê Paralímpico Brasileiro foi notificado como o país que havia realizado o maior número de credenciamentos, em uma semana, logo após a abertura do sistema. “Nossa delegação está entre as maiores, são anos de trabalho. Eu brinco que do mesmo jeito que os atletas treinam nos fins de semana para brilhar nos jogos, nos também trabalhamos muito para o sucesso dessa grande operação. O objetivo é proporcionar o melhor aproveitamento e não termos nenhuma surpresa”, enfatiza Tubiba.

do refeitório da Vila, que funciona 24h, todos os dias, um café da manhã gratuito será servido aos “moradores” na Village Plaza, das 6h às 9h. Todos os apartamentos serão equipados com TV, que transmitirão ao vivo as Paralimpíadas. Se o tempo permitir, “churrasco” e “comida de rua”, como o tradicional fish and chips também farão parte do menu. Os atletas também terão disponíveis espaços confortáveis para relaxar e se concentrar para as competições.

dá antes. O transporte de material é complexo. São equipamentos de competição como barco, remo, cadeiras especiais, como as do basquete, material médico e outros suprimentos. O Superintende do CPB, Carlos Vieira, explica que a equipe está estudando formas de minimizar os gastos com a complexa logística..

“São nessas visitas e reuniões que tiramos nossas dúvidas. A partir dessas informações podemos elaborar nosso plano de trabalho, pensar, e concretizar ações para minimizar as dificuldades. A posição do Brasil dentro da Vila é estratégica, ficaremos em um prédio perto da policlínica e da área de infra-estrutura a disposição dos atletas e técnicos como SIC e serviço de atendimento ao NPC”, completa Tubiba.

“Estamos estudando como receber retorno de taxas e impostos pagos, negociando tarifas com as companhias aéreas. Em Guadalajara, por exemplo, inovamos na área médica. Adquirimos grande parte dos medicamentos, usados pela equipe de saúde, no México. Trabalhamos por demanda com a possibilidade de compra no local. Conseguimos reduzir gastos, e simplificar a operação, pois não houve necessidade de carregar uma quantidade enorme de medicamento, além de nos livrarmos da burocracia de liberação”, finaliza.

As preocupações estão além da estrutura em Londres. A maior parte do trabalho se

A equipe brasileira está tão empenhada para o sucesso do país nos Jogos que a

Entre as ações de trabalho há um programa de transferência de informação. Encontros com os coordenadores de todas as modalidades, além da elaboração de uma cartilha, também fazem parte do planejamento. No dia 31 de março os coordenadores das modalidades e da área médica se reuniram, em São Paulo, com o chefe de Missão do Brasil e diretor técnico do Comitê Paralímpico Brasileiro, Tubiba e com os Subchefes de missão Jonas Freire e Walter Russo Jr. “Toda semana recebemos muito material do Comitê Organizador, são diversos manuais. Precisamos distribuir esse conhecimento, fazer com que essa informação chegue aos atletas. Queremos ter uma missão perfeita ou quase perfeita, caso algo não de certo saberemos como agir rapidamente para resolver. Vamos deixar todos tranqüilos e criar a melhor atmosfera possível. Lá os atletas estarão totalmente focados para brilhar. Tenho certeza o Brasil cumprirá com muita excelência essa grande missão”, afirma Tubiba.

15 Revista Brasil Paralímpico

Uma aula de

superação Repórter do Diário Lance! conta suas enriquecedoras experiências vividas nos Jogos Parapan-Americanos de Guadalajara

*Felipe Mendes, repórter do Diário LANCE!

Quando fui convidado para escrever um texto para a revista, pensei comigo qual tema abordar. Escrever sobre o esporte paralímpico no Brasil? Escrever sobre o apoio menor que o esporte paralímpico recebe em relação ao olímpico? Escrever sobre as dificuldades que os deficientes físicos têm ao caminhar por nossas cidades? Não. São todos assuntos que volta e meia aparecem na mídia. Então, sobre o que escrever? Você, caro leitor, pode até achar que se trata de narcisismo, mas resolvi escrever sobre a minha experiência ao acompanhar de perto esses heróis brasileiros. Trabalhei nos Jogos Paparan-Americanos Rio 2007, mas não saí da redação para cobrir os eventos esportivos. Fiquei responsável por coordenar a cobertura do Diário LANCE!, então fiquei longe dos nossos atletas. Embora já tivesse atuado na cobertura de alguns eventos paralímpicos, minha grande experiência aconteceu mesmo no ano passado, nos Jogos Parapan-Americanos de Guadalajara (MEX). Cheguei a Guadalajara sabendo que encontraria no maior evento paralímpico das Américas muitas histórias de vida de extrema superação. Mas saber é uma coisa. Acompanhar de perto é extremamente diferente. Das matérias que fiz, a que mais me marcou foi com Fabio Moraes, que conquistou a medalha de ouro na bocha, na classe BC4. Jovem festeiro e adepto das noitadas, ele passou por uma grande tragédia aos 20 anos. Porém, ao ficar paraplégico após um mergulho em uma piscina, Fabio descobriu a bocha e voltou a praticar esportes, algo que sempre gostou de fazer.

Contar a história de Fabio me fez ver como é possível superar as maiores barreiras. De promoter de festas famoso em Mogi das Cruzes (SP), ele viu sua vida desmoronar com o evitável acidente em 2003. Mas a perda dos movimentos da cintura para baixo não impediu Fabio de ser feliz. Entrevistá-lo na zona mista, com a medalha de ouro no peito e o sorriso no rosto, me mostrou que o hoje atleta da bocha reencontrou um motivo para seguir em frente. Em Guadalajara, vivi outros momentos de grande emoção. Acompanhei os irmãos Renato e Regiane Silva na piscinas e ver um torcendo fervorosamente pelo outro, e as lágrimas de ambos quando um falava do outro, demonstram que a família é importante no momento de superar adversidades. Na mesma piscina, pude ainda ser testemunha de uma façanha inédita na História do Parapan: vi Daniel Dias ganhar oito medalhas individuais de ouro. Se tudo correr bem, nos Jogos de Londres este ano, o nadador fará na Paralimpíada o que Michael Phelps fez na Olimpíada de Pequim 2008. Outro momento de grande emoção foi ver os heróis do vôlei sentado vencerem a forte seleção dos EUA na final. Com a maioria de seus jogadores tendo sido vítimas de acidentes com moto, o Brasil mostrou muita garra para vencer uma potência no esporte. Tive o orgulho de cobrir os Jogos Olímpicos de Pequim. Foi, sem dúvida, o grande momento de minha carreira jornalística que começou em 2001. Mas, como experiência de vida, de aprendizado e, sobretudo, de lições de superação, com certeza os Jogos Parapan-Americanos de Guadalajara estão em primeiro lugar.


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Entrevista

Revista Brasil Paralímpico

Amauri

RBP // Quando você conheceu o esporte paralímpico? amaury // O

primeiro contato direto com o esporte paralímpico ocorreu em 2004. Foi através do convite de um dirigente de São Paulo para ajudar uma equipe de maneira voluntária, e acabou que, no mesmo ano, fui para Atenas, nas Paralimpíadas. Ao retornar da Grécia, recebi do João Batista Carvalho e Silva, então Presidente da Confederação, o convite para ser o treinador da equipe masculina.

RBP // Qual motivo o levou a começar a trabalhar com o Vôlei Sentado? amaury // Identifiquei-me muito com o alto nível do Vôlei Sentado que foi jogado nas Paralimpíadas de Atenas e também por já conhecer de perto os atletas. Minha motivação inicial era colocar, a médio prazo, a Seleção Brasileira entre as melhores do mundo. RBP // Você já tinha alguma experiência com

o esporte adaptado?

“Queremos o

ouro em 2016” Presidente da Associação Brasileira de Voleibol Paralímpico (ABVP) e um dos maiores nomes do esporte nacional, Amauri Ribeiro fala sobre a evolução e as dificuldades do Vôlei Sentado brasileiro e apresenta boa dose de otimismo para as Paralimpíadas de Londres e Rio de Janeiro

amaury // Nos anos 80, quando ainda era jogador, participei de um evento no Centro Olímpico de São Paulo onde alguns atletas de Vôlei da época foram convidados para participar de uma partida de Vôlei Sentado. Após este dia, porém, só voltei a ter contato com o esporte adaptado em 2004. RBP // Como

foi esse começo?

amaury // Apesar de já fazer parte do meio do Vôlei, meu começo foi de bastante estudo e trabalho, para poder construir para os atletas as condições necessárias de treinamento. Assim, foi criada, por exemplo, uma comissão técnica formada por profissionais.

do, sempre pensando em contribuir cada vez mais para a modalidade. Não sou muito experiente, a minha área é mais técnica, e estou aprendendo muito nesta nova função. Era um desafio e continua sendo. Fale um pouco da evolução do Vôlei Sentado nos últimos anos.

RBP //

amaury // Em termos de resultados, a evolução do Vôlei Sentado brasileiro é visível. No masculino, por exemplo, terminamos as Paralimpíadas de Pequim na sexta colocação, depois de um duríssimo jogo contra a China, onde nos faltou um pouco de experiência. Hoje, o Vôlei Sentado masculino é Bicampeão Parapan-Americano e, assim como o feminino, estará presente nas Paralimpíadas de Londres.

amaury // A transição de técnico para Presidente foi motivada pela vontade de dar continuidade ao trabalho que vinha sendo realiza-

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Amauri

Revista Brasil Paralímpico

Em termos de resultados, a evolução do Vôlei Sentado brasileiro é visível. Hoje, o masculino é Bicampeão ParapanAmericano e, assim como o feminino, estará presente nas Paralimpíadas de Londres

RBP // Quais as principais dificuldades do esporte?

minha opinião são duas as principais dificuldades que a modalidade enfrenta. A primeira delas é o fato de ser recente no Brasil, pois é organizada aqui desde 2003, enquanto, em alguns países, nasceu na década de 50. Outra dificuldade é a distância dos grandes centros, o que dificulta a realização de intercâmbios.

Qual a importância do patrocínio da Ecovias e de que forma este patrocínio está ajudando a modalidade?

amaury // Em

RBP //

RBP // De

amaury // O patrocínio da Ecovias é de fundamental importância. O fato de eles se colocarem a disposição de ajudar por um longo prazo – a intenção é permanecer, no mínimo, até 2016 – nos dá segurança para nos planejarmos não só para Londres, mas também para o Rio de Janeiro. Diria que a parceria com a Ecovias é uma parceria que toda modalidade sonha em ter.

onde vêm os jogadores da seleção? Temos muitos clubes?

amaury // Os jogadores da Seleção Brasileira vêm dos campeonatos regionais e do campeonato brasileiro. Temos mais de 20 filiados no masculino, o que nos permite duas divisões da competição nacional, e nove no feminino. Considero um número de razoável para bom de participantes. RBP // Você esperava conseguir a inédita clas-

sificação das equipes masculina e feminina? RBP // E a transição de técnico para Presidente? Qual o motivo desta decisão?

Entrevista

amaury // De acordo com os nossos resultados recentes, posso dizer que as classificações do masculino e do feminino para as Paralimpíadas de Londres eram nosso objetivo. Não foi uma surpresa. Nossa meta foi atingida.

Quais as expectativas para Londres-2012. Já é possível sonhar com medalhas ou subir ao pódio é um planejamento para 2016, no Rio de Janeiro?

RBP //

amaury // No masculino o objetivo é estar entre os quatro primeiros, brigar pela medalha de bronze, logo agora, em Londres, e disputar o ouro no Rio de Janeiro. Já no feminino, temos o objetivo de ficar entre os seis primeiros colocados em 2012 e, quem sabe, conquistar uma medalha daqui a quatro anos.


caixa.gov.br 18

Andre Brasil Nadador brasileiro, deficiente físico, recordista mundial dos 50m e 100m livre e 100m borboleta. Seis ouros conquistados no Parapan de 2011. Patrocinado pelas Loterias CAIXA.

P A R A

V I T O R I O S O S .

P A R A

R E C O R D I S T A S .

P A R A T L E T A S .

P A R A

M E D A L H I S T A S .

P A R A

O R G U L H O

B R A S I L E I R O S .

P A R A

T O D O S .

Quase metade do que é arrecadado pelas Loterias CAIXA é destinado a áreas sociais de nosso país, como o esporte. Apenas no biênio 2011/2012, nas modalidades paradesportivas de natação, atletismo, halterofilismo, tiro esportivo, esgrima em cadeira de rodas e futebol de cegos foi investido um total de 20 milhões de reais. Para as Loterias CAIXA, apostar no nosso esporte é ver o Brasil inteiro tirar a sorte. Loterias CAIXA, maior patrocinadora do paradesporto brasileiro.

SAC CAIXA: 0800 726 0101 (informações, reclamações, sugestões e elogios) Para pessoas com deficiência auditiva ou de fala: 0800 726 2492 Ouvidoria: 0800 725 7474

Há 50 anos, para a sorte todo mundo é igual


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Doping

Doping

Revista Brasil Paralímpico

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“Após os Jogos Parapan-Americanos de Guadalajara, a Wada disponibilizou alguns materiais promocionais para o CPB, como folders, banners e o próprio jogo”, comentou o coordenador médico da Comissão Antidoping do CPB, Hésojy Gley.

CPB contra

o doping Campanhas educativas, testagens constantes, jogos interativos e palestras de conscientização são algumas das ações do Comitê Paralímpico Brasileiro no combate ao uso de substâncias proibidas no esporte

sil, quem julga os casos é o Tribunal Disciplinar Paralímpico e em grandes eventos o Comitê Paralímpico Internacional (IPC). Caso o atleta ou o Comitê Nacional queira recorrer, deve ingressar com ação na Corte Arbitral do Esporte (CAS). No País, todos os exames antidoping de modalidades paralímpicas são realizados pelo CPB e, fora, os testes ficam por conta do IPC ou das federações internacionais que possuem uma comissão própria, como o basquete em cadeira de rodas.

O teste antidoping pode ocorrer a qualquer momento, dentro e fora das competições, por meio de análise de san-

principais substâncias do ano de 2012

A relação de substâncias é atualizada anualmente pela Agência Mundial Antidoping (Wada)e as cinco principais são:

Regida pelas diretrizes da Agência Mundial Antidoping (Wada), a cartilha antidoping do CPB trata de diversos assuntos como testagem, punições, lista de medicamentos e métodos proibidos. O trabalho é baseado na conscientização dos atletas e técnicos, como lembra o diretor técnico do Comitê, Edilson Tubiba. Nunca se medicar por conta própria nem aceitar suplementos alimentares ou de recuperação de treinamento sem a orientação médica especializada. Estas são algumas das recomendações feitas pela Comissão Antidoping do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Por meio de palestras, distribuição de material educativo e até um novo jogo interativo que tem agitado competições, a campanha de combate ao doping ganha força no Brasil. Em busca de melhores performances, alguns esportistas utilizam substâncias proibidas. A prática ilegal pode acarretar diversas sanções, que vão desde o afastamento temporário ao banimento do esportista na modalidade, variando de acordo com a substância ilegal utilizada a reincidência. No Bra-

“Alguns dos nossos atletas são pegos no exame antidoping por falta de conhecimento e raros são os casos de uso para alta performance. O CPB vem desenvolvendo campanhas educativas para os competidores, como o cartão de bolso com a lista de medicamentos ilegais e cartilha com dicas contra o doping.” Um jogo interativo, que começou a ser disponibilizado no Circuito Loterias Caixa de Atletismo, Halterofilismo e Natação, deve ser usado em outras competições. Dependendo do número de acertos, o jogador é premiado com brindes. As perguntas são todas relacionadas aos manuais das regras de antidoping.

gue e urina (modelo adotado no Brasil). Em geral, durante os Mundiais e Paralimpíadas, os três primeiros colocados são obrigados a passar pelo controle, bem como alguns outros sorteados aleatoriamente. O CPB realiza testes constantemente, inclusive fora das competições. Em 2012 as testagens serão distribuídas em diversos eventos, para que mais modalidades possam ser acompanhadas pelo Comitê.

Estimulantes: Excita o sistema nervoso, elevando o batimento cardíaco e pressão arterial, disfarçando o cansaço. Utilizados por atletas do vôlei, basquete e futebol. As principais drogas são as anfetaminas e efedrinas; Anabolizantes: Altera a constituição física, com ganho de massa muscular e aumento da força e aceleração. Encontrados no halterofilismo, atletismo e natação, as principais drogas são os esteroides e nandrolona; Calmantes: Relaxam os nervos, deixando os competidores mais calmos. É utilizado em esportes que requerem concentração e precisão,

fique ligado!

Nunca se medicar por conta própria, mesmo com medicamentos e substâncias recomendadas por outras atletas ou treinadores; Sempre procurar um médico que esteja relacionado ao esporte para orientações sobre que medicamentos podem ser utilizados;

Confira aqui algumas dicas dadas pelo coordenador médico do CPB, Hésojy Gley:

Caso não consiga encontrar um profissional especializado, sempre levar consigo a lista de substâncias e métodos proibidos para o seu médico, a fim de que seja feito da forma mais segura possível; Nunca aceitar suplementos alimentares ou de recuperação de treinamento sem a orientação médica especializada;

como por exemplo, o tiro. As principais substâncias são o formoterol e salbutamol; Diuréticos: Além de mascarar outras substâncias dopantes, elimina água do organismo, reduzindo o peso total do atleta em um pequeno intervalo de tempo. Os atletas do judô e halterofilismo recorrem a tais práticas, com substâncias como furosemida e clortalidona; Hormônios: Eleva o número de hemoglobinas no sangue, dando mais resistência física. É usado por atletas do ciclismo e atletismo, e as drogas mais comuns são a eritropoietina, darbopoietina e hematide.

Após indicada uma substância, sempre procurar por marcas consolidadas no mercado e registradas pela Anvisa. Lembre-se que nenhum profissional se responsabilizará completamente em caso de erro de prescrição. O atleta sempre será o mais prejudicado; Manter-se sempre informado sobre as mudanças nas listas de substâncias dopantes da Wada, as quais ocorrem anualmente; Por fim, nunca pense que vencer a qualquer custo é o que engrandece o atleta. Para a sociedade, no esporte o espírito do jogo é tão importante quanto a conquista.


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Ciência

Ciência

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Podemos afirmar que quando um atleta sobe ao pódio, sobem com ele o técnico, a família, os amigos, os profissionais que trabalharam com ele, além da ciência, que, em alguns casos, empurra o atleta até lá

O coordenador nacional de Atletismo, Ciro Winckler, lembra a evolução do desempenho dos atletas desde as avaliações realizadas pelo Centro de Estudos em Psicobiologia e Exercício (Cepe), da Unifesp. “Muita coisa mudou no paradesporto brasileiro nos últimos 12 anos. A abordagem, a filosofia dos atletas. Criamos e implantamos um modelo no Brasil que tem dado resultado. Pegamos os modelos de 1996 e montamos um novo, onde o mais importante é o atleta. Os resultados devem chegar primeiro a ele e no modelo antigo era diferente. Estamos construindo referências e criando protocolos para que os treinadores possam trabalhar melhor. A Academia Paralímpica tem direcionado o processo”, afirmou Winckler. Membro da Academia Paralímpica Brasileira – responsável pelas áreas de educação e formação, ciência e tecnologia do CPB – o professor doutor Marco Túlio de Mello é coordenador do Cepe e acompanhou o desenvolvimento das avaliações e dos atletas ao

A Ciência

a favor do esporte Com o alto nível, novas técnicas e exames são criados para melhor avaliação do atleta e para permitir que ele atinja o ápice em sua modalidade

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longo de mais de 15 anos. Para ele, o apoio do CPB foi fundamental ao investir em cursos, preparação e aproximação dos profissionais que trabalham na área. “A ciência tem conseguido traduzir os resultados de forma mais simples para os técnicos que, junto com sua comissão, sabem aproveitá-los. Essa é uma relação muito boa, mas ainda precisamos de muita tecnologia no esporte paralímpico”, comentou Mello. “Pesquisa é fundamental. É por meio dela que iremos conseguir cada dia mais transformar uma informação de laboratório para que seja empregada de forma prática”, completou. “Com a realização das avaliações observamos que o risco de queda e lesão diminuíram drasticamente. Atletas e técnicos começaram a perceber a importância da avaliação e que com os resultados é possível traçar metas mais práticas”, afirmou Luciana Ortega, supervisora do Cepe.

conheça alguns exames: bod pod é uma cápsula em que o atleta entra usando roupa de banho e obtém a indicação do percentual de gordura e massa magra; massa gorda, massa magra e volume corporal

Bod Pod, Wingate, Ergoespirometria, Isosinética, Risk of Fall. Os nomes desses exames parecem estranhos, mas já são bem conhecidos das Seleções Brasileiras. Parte da bateria de testes que os atletas se submetem há mais de 10 anos, eles apontam o caminho do pódio. É a ciência aplicada ao esporte.

ergoespirometria o atleta coloca eletrodos no tórax e usa uma espécie de máscara ligada a um aparelho por meio de um tubo, enquanto corre ou nada. Ele possibilita determinar as variações respiratórias, metabólicas e cardiovasculares por meio da inspiração e expiração do ar dos pulmões.

“Podemos afirmar que quando um atleta sobe ao pódio, sobem com ele o técnico, a família, os amigos, os profissionais que trabalharam com ele, além da ciência, que, em alguns casos, empurra o atleta até lá. Hoje trabalhamos com laboratórios e universidades, como a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e UFU (Universidade Federal de Uberlândia). Graças a essas avaliações, o nadador Clodoaldo Silva melhorou a quantidade de braçadas nas viradas e o fundista Odair dos Santos pôde fazer exames de altitude sem precisar viajar”, disse o diretor técnico do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Edilson Alves da Rocha, Tubiba.

Wingate é um teste de potência anaeróbia que serve para avaliar a potência e a resistência anaeróbia. É feito numa bicicleta, onde o atleta pedala usando uma máscara ligada a um aparelho.


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Promessa 2016

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Thierb Siqueira

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Thierb Siqueira

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A hora dele

chegou!

Os Jogos Paralímpicos são o ápice para o atleta. Tenho treinado muito, muito mesmo, trabalhando para ganhar a medalha de ouro nas provas que eu disputar

Aos 22 anos, Thierb Siqueira é um dos nomes cotados para representar o Brasil nas Paralimpíadas de Londres e já pensa alto para a edição no Rio de Janeiro

cidade de chegar às Paralimpíadas, vencer e, quem sabe, em 2016, buscar o recorde mundial nas minhas provas. Para este ano a minha meta é a medalha de ouro”, ressaltou.

Tímido e de sorriso fácil, o acreano Thierb da Costa Siqueira conheceu o Atletismo aos 13 anos de idade. O menino, que começou a correr por diversão, teve certeza de que tinha talento para o esporte quando completou 16 anos. Campeão no Mundial de Jovens da IBSA (International Blind Sports Federation), em 2006, ele deixou a casa dos pais para morar sozinho em Limeira (SP) e, assim, dedicar-se ao treinamento. “Comecei a sonhar com os Jogos Paralímpicos. No ano de 2009, me mudei para Presidente Prudente, São Paulo, e iniciei um trabalho, junto ao meu técnico Eliseu Sena, pensando nas Paralimpíadas de Londres, em 2012”, comentou. Os planos de Thierb vão muito além de Londres. Para os Jogos do Rio de Janeiro, em 2016, ele tem metas ousadas e esbanja otimismo. “Será um ano muito importante, que chamará muito a atenção para o Brasil. Quero estar no meu auge também em 2016. Meu treinador e eu projetamos que 2012 será o meu ano e 2016 será consequência. Sou novo, mas sei que tenho capa-

Sou novo, mas sei que tenho capacidade de chegar às Paralimpíadas, vencer e, em 2016, buscar o recorde mundial nas minhas provas. Para este ano a meta é o ouro

Sorriso e medalha no Parapan de Guadalajara

Thierb, que nasceu com visão parcial – 10 a 20% no olho direito e nada no esquerdo – por conta da toxoplasmose que sua mãe pegou durante a gestação, é um dos nomes mais fortes do Brasil e de todo o continente americano nas provas de 200m e 400m rasos, na classe T12. Vencedor de um tumor de mais de 6 cm na cabeça que o deixou de fora do Mundial de Atletismo na Nova Zelândia, em janeiro de 2011, o atleta nunca perdeu o otimismo. “Descobri o tumor em 10 de agosto de 2010 e no dia 24 de agosto fiz a cirurgia de retirada. Voltei a treinar no dia 19 de novembro e a competir em dezembro. Eu estava na lista de convo-

cados para o Mundial, mas foi bom eu não ter ido. Fez com que eu me recuperasse melhor”, lembra. O grito que não foi dado em Christchurch (Nova Zelândia) ficou guardado até os Jogos Parapan-Americanos de Guadalajara, em novembro do ano passado, quando Thierb teve atuações soberbas e conquistou três medalhas: ouro nos 200m, ouro nos 400m e prata nos 800m. “O Mundial na Nova Zelândia e o Parapan-Americano no México faziam parte do meu projeto para os Jogos Paralímpicos de Londres. No entanto, como não pude ir ao Mundial, fui para Guadalajara para vencer. Os Jogos Paralímpicos são o ápice para todos os atletas. Tenho treinado muito, muito mesmo, trabalhando para ganhar medalha de ouro nas provas que eu disputar”, revelou o jovem de 22 anos.


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Circuito

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O calendário do paradesporto brasileiro começou de forma muito positiva. As fases Regionais São Paulo e Rio-Sul do Circuito Loterias Caixa registram crescimento no número de competidores. A capital paulista recebeu a etapa em fevereiro, com mais de 600 competidores, e Curitiba foi sede da disputa que reuniu mais de 400 atletas da região sul e do Rio de Janeiro. Novidade em 2012, o Halterofilismo ganhou um dia a mais de provas (sexta-feira) e marcará presença em competições alternadamente. “O Halterofilismo tem uma característica diferente das demais (Atletismo e Natação). As provas são abertas a atletas do Brasil inteiro, inclusive nas etapas regionais. Optamos por aumentar a competição em um dia e alternar a presença nas etapas do Circuito para dar tempo para os atletas se recuperarem. O número de participantes tem crescido. Na Regional de São Paulo tivemos mais de 90 inscritos”, comemorou o coordenador nacional da modalidade, Felipe Dias. Conhecidas por revelarem talentos para o esporte nacional, as Etapas Regionais do Circuito são o primeiro passo para quem almeja um dia representar o Brasil em competições maiores. As quatro Regionais valem vagas para as três Etapas Nacionais, e são consideradas fundamentais para a renovação do esporte. Os atletas conseguem a classificação para as Etapas Nacionais ao atingirem o índice mínimo em cada classe e modalidade. Com a vaga nacional assegurada, maiores são as chances de integrar a Seleção Brasileira. A próxima etapa do Circuito Regional será a Norte-Nordeste, nos dias 27 a 29 de abril, em Natal (RN). Brasília sediará a última etapa, Centro-Leste, entre 18 e 20 de maio.

Regionais começam

com sucesso! Etapas regionais do Circuito Loterias Caixa Brasil de Atletismo, Halterofilismo e Natação registram aumento de inscritos.

As Etapas Nacionais começam a ser disputadas no mês de junho. As duas primeiras etapas acontecerão em São Paulo, e a terceira terá como sede Porto Alegre, no mês de novembro, encerrando o calendário de 2012.

As provas são abertas a atletas do Brasil inteiro e o número de participantes tem crescido. Na Regional de São Paulo tivemos mais de 90 inscritos


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Notícias

Notícias

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RUGBY

2016

judô

O município de Matinhos, no Paraná, sediará o 5° Campeonato Brasileiro de Rugby em cadeira de rodas da 1ª e 2ª divisões. O evento acontecerá entre os dias 30 de maio e 03 junho, nas instalações do Sesc Caiobá. Cada time interessado em participar poderá inscrever até 15 atletas. As informações detalhadas sobre o Campeonato poderão ser obtidas no site da ABRC, no endereço www.rugbiabrc.org.br.

O Comitê Organizador dos Jogos Rio 2016 criará um banco de dados de pessoas com deficiência que sejam potenciais candidatas a trabalhar durante as Olimpíadas e Paralimpíadas no País. Para cadastrar o currículo, o interessado deverá acessar o site www.rio2016. org, clicar em ‘Quem faz’ e em seguida ‘Oportunidades’.

A Seleção Brasileira de Judô conquistou sete medalhas no Campeonato Internacional da modalidade, disputado na cidade alemã de Heidelberg, no dia 24 de março. O torneio contou com a participação de 21 países. Destaque para a medalha de ouro conquistada pela judoca Lúcia da Silva Teixeira na categoria peso leve (até 57kg).

internacional O presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Andrew Parsons, foi nomeado para integrar a Comissão de Rádio e TV do Comitê Olímpico Internacional (COI). O convite partiu do presidente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC), Sir Philip Craven. Somente Parsons e Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e membro da Comissão de Relações Internacionais, representam o País em comissões do COI.

tiro

Notícias

Revista Brasil Paralímpico

A 1ª Copa Brasil de Tiro Esportivo teve um crescimento de 25% em relação a 2011. Neste ano, 45 competidores de nove estados estiveram na disputa. A região nordeste foi representada pela primeira vez, pelo Piauí. No ano anterior participaram 36 atletas de oito estados. A Copa Brasil ocorreu na cidade de Colombo, no Paraná, nos dias 24 e 25 de março.

escolares

vôlei

O Estado do Amapá foi o primeiro a confirmar inscrição para as Paralimpíadas Escolares. Previsto para ocorrer em São Paulo no mês de outubro, o evento deve reunir cerca de 1200 pessoas entre alunos, dirigentes, técnicos e coordenadores de diversas regiões. O termo de adesão que confirma a inscrição deve ser enviado pelos Correios para o CPB até o dia 29 de junho.

A Seleção Brasileira feminina de vôlei sentado ficou entre as cinco melhores do mundo na Copa Intercontinental da modalidade, no Cairo. As mulheres encerraram a participação com o quinto lugar geral, ao derrotar a Inglaterra por 3x0. A Seleção masculina ficou em sexto ao perder a partida final para a Ucrânia por 3x0.

hipismo O Concurso Internacional Paraequestre Três Estrelas, pela primeira vez sediado pelo Brasil, foi disputado em Brasília, nos dias 21 e 22 de abril, e definiu Davi Salazar como último integrante da equipe brasileira que participará das Paralimpíadas de Londres. Salazar se juntará a Vera Mazzilli, Marcos Alves (Joca) e Sérgio Oliva.


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Expediente

Revista Brasil Paralímpico

Presidente Andrew Parsons

Coordenação da Revista BP Media Guide Comunicação

1º Vice- Presidente LUIZ CLAUDIO PEREIRa

Jornalista Responsável Diogo Mourão MTB 19142/RJ

2º Vice- Presidente MIZAEL CONRADO

Edição e Textos Ananda Rope Janaína Lazzaretti

Superintendente Administrativo, Finanças , Contabilidade e Eventos Carlos José Vieira de Souza

Judô para cegos. Um esporte que, antes de a luta começar, já tem dois vencedores.

Estagiário JORGE MACEDO

Diretoria Técnica Edilson Alves da Rocha

Imagens arquivo cpb

Gerência de Comunicação e Marketing Frederico L. Motta

Projeto gráfico e diagramação Inventum design

Conselho Fiscal José Afonso da Costa Hélio dos Santos Roberto Carlos Emilio Picello

Impressão Gráfica santa marta

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Turma da Mônica

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Brasil Paralímpico é uma publicação bimestral do Comitê Paralímpico Brasileiro e esta edição teve 3.500 exemplares impressos em fevereiro de 2012. Endereço Sede CPB SBN Qd- 2- Bl. F- Lt. 12 Ed. Via Capital – 14º andar Brasília/DF – CEP: 70040-020 Fone: 55 61 3031 3030 Fax: 55 61 3031 3023 www.cpb.org.br www.twitter.com/cpboficial www.youtube.com/cpboficial www.facebook.com/comiteparaolimpico

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Painel do Leitor Compartilhe com a equipe de imprensa do CPB dúvidas, sugestões ou críticas. Este espaço é reservado para você, leitor. Contate-nos por meio de cartas pelo endereço: SBN, Quadra 02, Bloco F, ED. Via Capital, 14º andar. Brasília, DF, Brasil. Cep: 70.040-020. Se preferir, mande email: contato@cpb.org.br

Através do judô, deficientes visuais provam que o esporte tem poder de superação e que impossível é uma palavra que não deveria existir.

Infraero. Patrocinadora oficial do Judô para Cegos Brasileiro.


Revista Brasil Paralímpico nº 40  

Edição número 40 da revista oficial do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Destaque para a participação na Reatech, maior feira de acessibi...

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