Newsletter Comissão Nacional da UNESCO - ABR/MAI/JUN 2022 | Nº2

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ABR/MAI/JUN | Nº 2

Newsletter Comissão Nacional da UNESCO Santuário do Bom Jesus do Monte em Braga

2022 MARCA O 50ºANIVERSÁRIO DA CONVENÇÃO DO PATRIMÓNIO MUNDIAL Convento de Cristo em Tomar Universidade de Coimbra – Alta e Sofia

Mosteiro dos Jerónimos e Torre de Belém em Lisboa

Zona Central da Cidade de Angra do Heroísmo nos Açores

Mosteiro da Batalha Mosteiro de Alcobaça

Centro Histórico de Évora Centro Histórico do Porto, Ponte Luiz I e Mosteiro da Serra do Pilar

Sítios Pré-Históricos de Arte Rupestre do Vale do Rio Côa e de Siega Verde

Paisagem Cultural de Sintra Floresta Laurissilva na Madeira

Cidade-Quartel Fronteiriça de Elvas e suas Fortificações

Centro Histórico de Guimarães

Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico

Alto Douro Vinhateiro

50 anos de Património Mundial

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Sítios Património Mundial no Mundo

2

Património Mundial: ameças e desafios

3

Sítios Património Mundial em Portugal

4

Guimarães: 20 anos de Património Mundial

15

Alto Douro Vinhateiro: 20 anos de Património Mundial

16

O ICOMOS enquanto orgão consultivo do Comité do Património Mundial

17

Webinar “O Património Mundial e os Desafios da Gestão - resumo das intervenções de gestores dos Sítios PM

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Património Mundial de Influência Portuguesa

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Notícias da Comissão Nacional da UNESCO

22

Notícias UNESCO

30

Notícias das Redes UNESCO

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Eventos UNESCO, Prémios e Concursos

42

Efemérides e Celebrações

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50 ANOS DE PATRIMÓNIO MUNDIAL Assinala-se este ano o 50º aniversário da Convenção para a Proteção do Património Mundial, Cultural e Natural, uma das mais conhecidas e emblemáticas convenções da UNESCO. Desde a adoção da Convenção em 1972 foram já identificados mais de mil sítios em todo o mundo detentores de reconhecido valor universal excecional, condição necessária para a sua classificação como património de toda a Humanidade. Trata-se de um processo à escala global, que une povos e culturas em torno do Património, da sua protecção e promoção e da sua preservação por forma a que possa ser fruído pelas gerações vindouras. Atualmente encontram-se classificados como Património Mundial 1154 bens, espalhados por 167 Estados. Destes, 897 são bens culturais, 218 naturais, 39 mistos, e 43 são transnacionais, ou seja, estendem-se por dois ou mais países. (continua na pág. 2)


Todos eles são testemunhos marcantes da história, da cultura, da paisagem, da própria identidade dos países onde se situam e dos respetivos povos. Por si só, estes bens excepcionais propiciam um diálogo alargado entre culturas e civilizações em prol do entendimento e da paz, num Mundo sujeito a velhas e novas ameaças que poderão fazer perigar a sua própria sobrevivência. Portugal conta com 17 sítios (16 culturais e um natural) inscritos na lista do Património Mundial. Incluem monumentos, centros históricos, paisagens culturais e sítios arqueológicos. Nesta edição da newsletter da Comissão Nacional da UNESCO (CNU) queremos dar a conhecer melhor a Convenção do Património Mundial, os sítios portugueses na Lista do Património Mundial e as atividades desenvolvidas neste contexto. Para comemorar os 50 anos da Convenção do Património Mundial e salientar a sua importância para o reconhecimento, preservação e proteção do Património da Humanidade, a CNU decidiu levar a cabo um conjunto de iniciativas diversas, designadamente um conjunto de webinars, a publicação de um livro dedicado à Convenção e ao nosso envolvimento com o Património Mundial, a atualização do Kit Pedagógico (Património Mundial nas Mãos dos Jovens) sobre o Património Mundial, a promoção junto das Escolas e dos Clubes UNESCO de ações de sensibilização para o Património Mundial e a sua proteção, e ainda este número da newsletter da Comissão Nacional da UNESCO especialmente dedicado ao Património Mundial.

SÍTIOS PATRIMÓNIO MUNDIAL NO MUNDO

1154

43

3

52

Sítios

Transnacionais

897

218

39

167

Culturais

Excluídos

Mistos

Naturais

Património Mundial - Mapa Interativo ©Site Património Mundial da UNESCO

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Em perigo

Estados Parte


Património Mundial: ameaças e desafios José Filipe Moraes Cabral* Embaixador, Presidente da Comissão Nacional da UNESCO Para ser inscrito na Lista do Património Mundial, um monumento, paisagem, centro histórico ou qualquer outro Bem de natureza cultural ou natural, tem de se revestir de um valor universal excepcional, ou seja dispor de um conjunto de atributos e características, de respeitar critérios bem definidos, de reunir condições de autenticidade e de integridade e de dispor de um plano de gestão que garanta a preservação no futuro desse valor excepcional. Para ser inscrito, um bem não tem de ser “único”, mas antes revestir-se de condições de verdadeira excepcionalidade dentro do conjunto de bens com características comparáveis. O 50º aniversário da Convenção do Património Mundial, que este ano se celebra, constitui indubitavelmente uma excelente ocasião para refletir sobre o espírito e finalidades da Convenção, o seu contributo decisivo para a proteção do património cultural da Humanidade, bem como sobre os múltiplos desafios, de origem vária, com que se defronta. Mencionarei alguns. Nunca, como hoje, o Património Cultural e

De facto, nunca, como hoje, o património cultural e natural se encontrou tão ameaçado.

Natural se encontrou tão ameaçado

A primeira ameaça resulta da descaracterização do Bem e da destruição do seu valor excepcional, o que pode resultar de várias dinâmicas, por vezes convergentes. Os gestores dos bens conhecem bem a pressão exercida pela afluência exponencial de visitantes, pela necessidade de redefinir acessos e percursos, pelo vandalismo ou simples incúria, pela progressão urbana ou a pura especulação que ameaça a preservação de zonas indispensáveis de proteção, ou ainda o declínio económico, social e humano de muitos centros históricos que acarreta a sua deterioração progressiva. Mas outras e novas ameaças têm surgido, desde logo as derivadas das alterações climáticas, da erosão dos terrenos, da corrosão ligada às chuvas ácidas, do aumento da temperatura que destruirá a prazo paisagens devido à falta de água ou da subida paulatina do nível do mar que ameaça já sítios ribeirinhos, tanto no Índico como no Mediterrâneo. A pandemia de que a custo começamos a sair ilustrou dramaticamente um novo tipo de ameaça, até então insuspeitada, dado o seu forte impacto sobre o número de visitantes e as atividades turísticas a que a gestão do Património se encontra indissociavelmente ligada. A redução severa destes fluxos, para não dizer o seu simples desaparecimento nalguns casos, teve como todos sabemos um impacto negativo direto sobre os meios, humanos e financeiros, destinados não apenas à preservação desse património como à sua simples fruição. E isto leva-me brevemente o outro tema: o papel do Património enquanto motor de desenvolvimento económico e social. O património cultural e natural, sobretudo o consagrado na lista do Património Mundial e designadamente através da sua ligação às atividades turísticas, é um importante elemento de angariação de recursos financeiros, de criação de emprego, de atracão de investimentos, de construção de modernas infraestruturas de que beneficiam forasteiros, população local e finalmente a comunidade nacional. São recursos de que beneficia a própria conservação dos bens classificados e instrumento importante para a criação de condições para a sua fruição. Mas esta realidade constitui, simultaneamente, um dos problemas com que se defronta a preservação e conservação do Património. Ou seja, o hiper-aproveitamento de monumentos e outros sítios classificados, de uma forma exclusivamente ditado pelo ganho económico tantas vezes de curto prazo, é o caminho certo para destruir, sem possibilidade de retrocesso, testemunhos preciosos da evolução histórica de povos e culturas – ou seja o que eles têm de verdadeiramente excecional ou até único, acabando por matar a proverbial galinha dos ovos de oiro. Não se deve nem se pode esquecer que, independentemente da sua benéfica colocação ao serviço do desenvolvimento sustentado, os monumentos e paisagens classificadas têm um valor histórico, artístico ou paisagístico intrínseco, que são depositários da nossa cultura, do nosso papel na História da Humanidade, que são elementos importantes da nossa identidade e do nosso orgulho e auto-estima. Uma gestão que consiga resistir a uma pressão puramente economicista e à tentação de aproveitamento dum sítio sem as limitações ditadas pelas necessidades de preservação da sua integridade ou critérios de simples bom senso, está no caminho certo para 3


que esse Bem possa ser um instrumento importante de desenvolvimento económico e social, e o possa ser de uma forma sustentável. Há, porém, ameaças de natureza bastante diferente, mas que se podem revelar fatais em termos da preservação da coerência da Convenção e do seu papel central na conservação e promoção do Património da Humanidade. Algumas resultam das dinâmicas por vezes contraditórias existentes entre os próprios Estados membros da Convenção; outras das tensões que por vezes se verificam no seio do Comité do Património ou ainda no relacionamento entre este Comité e as entidades de aconselhamento, designadamente o ICOMOS ou o IUCN. Existe um mal estar palpável que resulta do desequilíbrio geográfico evidente no que toca à localização dos bens incluídos na lista, a esmagadora maioria dos quais se situa na Europa. Esta é uma realidade que se tem procurado atenuar nestes últimos anos, privilegiando a inclusão na Lista de bens oriundos de regiões com mais fraca representação ou favorecendo candidaturas de bens pertencentes a categorias menos representadas ou ainda estimulando a apresentação de candidaturas transnacionais, apresentadas por um conjunto de países. Será na exploração destas vias de reequilíbrio da composição da Lista Mundial que se encontrarão, creio, os meios de ultrapassagem de alguns problemas reais com que se debate a Convenção. Mas não, como alguns pretendem, na sua descaracterização através da aceitação de novos critérios e de novas categorias para o acesso ao reconhecimento como Património da Humanidade.

SÍTIOS PATRIMÓNIO MUNDIAL EM PORTUGAL

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Reunião da Rede do Património Mundial no Douro Vinhateiro ©Gabinete Técnico Missão Douro

REDE DO PATRIMÓNIO MUNDIAL DE PORTUGAL A Rede do Património Mundial de Portugal foi lançada a 18 de julho de 2014, através da assinatura de um Acordo de Cooperação assinado entre a Comissão Nacional da UNESCO e os vários gestores dos Sítios do Património Mundial de Portugal. Tem por objetivos promover a aproximação entre os sítios do Património Mundial através do debate de ideias sobre a gestão e reabilitação do património, do intercâmbio de conhecimentos e da discussão de questões de interesse mútuo, bem como na participação conjunta em projetos e iniciativas que gerem valor nas regiões onde se inserem e difundam o Património Mundial em Portugal e no Mundo. Nos seus oito anos de existência, a RPMP tem realizado inúmeras atividades de promoção e divulgação dos sítios do Património Mundial em Portugal como a edição de materiais informativos e de promoção, a presença na internet e nas redes sociais, a organização de seminários e a participação em reuniões internacionais de associações do património.

REVISÃO DA LISTA INDICATIVA DE PORTUGAL A Comissão Nacional da UNESCO dará este ano início à revisão da Lista Indicativa do Património Mundial, um arrolamento de bens com potencial valor universal excecional, que os Estados Parte na Convenção do Património Mundial elaboram e entregam ao Centro do Património Mundial. Apenas os sítios constantes desta Lista Indicativa poderão ser objeto de uma candidatura à Lista do Património Mundial. A inscrição de um bem patrimonial na Lista Indicativa do Património Mundial de um Estado Parte na Convenção constitui, portanto, a primeira etapa de uma candidatura à Lista do Património Mundial, como disposto nas Orientações Técnicas para a Implementação da Convenção do Património Mundial , documento regulador da aplicação da Convenção. A atual Lista Indicativa de Portugal, disponível no website do Centro do Património Mundial data de 2017. Neste processo de atualização da Lista Indicativa portuguesa, confirmar-se-á junto dos promotores dos bens já inscritos se desejam manter tais bens na Lista e proceder-se-á à recepção de candidaturas de novos bens que se que se pretende que sejam inscritos na Lista Indicativa. Esta atualização pauta-se, portanto, quer pela admissão de novas inscrições, como pela eliminação de inscrições que não se traduzirão, dentro de um prazo razoável, numa candidatura à Lista do Património Mundial. 5


PATRIMÓNIO MUNDIAL EM PORTUGAL

gestão dos sítios, ou com o objetivo de divulgar os programas e iniciativas desenvolvidos pelo Centro do Património Mundial e pelos Estados Parte no contexto da Convenção do Património Mundial estão igualmente acessíveis online.

1983-2019

Portugal conta com 17 sítios inscritos na Lista do Património Mundial, reconhecidos pelo seu valor universal excecional, condições de autenticidade e de integridade, bem como pelo cumprimento de um ou mais de dez critérios definidos pelo Comité do Património Mundial.

A informação UNESCO relativa ao Património Mundial, incluindo sobre os mais de mil sítios inscritos, encontrase disponível no website do Centro do Património Mundial.

As condições para a sua inscrição da Lista, bem como as exigências relativas à sua proteção, conservação e gestão encontram-se reunidas num único documento, periodicamente atualizado, as Orientações Técnicas para a Aplicação da Convenção do Património Mundial. A versão mais recente data de 2021 e encontra-se disponível em várias línguas, incluindo o português. Outras publicações destinadas a apoiar a elaboração de candidaturas à Lista do Património Mundial, a

Zona Central da Cidade de Angra do Heroísmo nos Açores Data de inscrição: 1983 | Critérios: (iv) (vi)

O Bem Cultural inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO, em dezembro de 1983, é uma área de cerca de seis quilómetros quadrados, situada na costa sul da ilha Terceira, no Arquipélago dos Açores. Metade dessa zona é constituída por uma parte significativa do centro antigo da cidade de Angra do Heroísmo e, a outra metade, pelo extinto vulcão do Monte Brasil, hoje parque florestal e de recreio da urbe, que mantém restos do coberto vegetal originário. A cidade apresenta uma organização urbana clássica, estável e categoricamente cosmopolita, apesar das suas pequenas dimensões. Nela se concentram todos os temas e motivos que convêm a uma cidade fundada de raiz como a Rua Direita e o Largo da Sé, com a disposição ortogonal das ruas e com a implantação das grandes casas religiosas nos seus extremos cardiais. ©Direção Regional de Cultura, Governo dos Açores

©Direção Regional de Cultura, Governo dos Açores

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©DGPC/ADF

©DGPC/ADF José Paulo Ruas

©DGPC/ADF

Mosteiro dos Jerónimos e Torre de Belém em Lisboa Data de inscrição: 1983 | Critérios: (iii) (vi)

O Mosteiro de Santa Maria de Belém, designado comumente por Mosteiro dos Jerónimos, cuja construção se iniciou em 1501 por iniciativa de D. Manuel, é habitualmente apontado como a “joia” do estilo manuelino, um estilo exclusivamente português integra elementos arquitetónicos do gótico final e do renascimento, associandolhe uma simbologia régia cristológica e naturalista, que o torna único e digno de admiração. No séc. XV, proteger a cidade de Lisboa tornou-se uma necessidade. O rei D. João II criou um inovador sistema de defesa marítima - o baluarte de Cascais, a fortaleza de S. Sebastião da Caparica na margem sul do Tejo, e uma terceira fortaleza, a Torre de Belém, erguida entre 1514 e 1519 já pelo seu sucessor D. Manuel I. É um testemunho eloquente da arquitetura militar de transição entre as antigas defesas da Idade Média e as “modernas” do Renascimento.

©Mosteiro da Batalha, Direção Geral do Património Cultural, Arquivo de Documentação Fotográfica (DGPC/ADF)

Mosteiro da Batalha

Data de inscrição: 1983 | Critérios: (i) (ii) O Mosteiro de Santa Maria da Vitória, mais conhecido como Mosteiro da Batalha, foi mandado construir para cumprir o voto feito, por D. João I, à Virgem Maria, no dia anterior à Batalha de Aljubarrota, a 14 de agosto de 1385, em caso de vitória contra o exército castelhano. Reconhece-se nas bandeiras das arcadas do Claustro Real a génese do denominado “estilo Manuelino”, bem como a sua apoteose no arco do portal das Capelas Imperfeitas. A Capela do Fundador e as célebres Capelas Imperfeitas foram destinadas a panteão dos reis e príncipes da Dinastia de Avis. Neste espaço conventual viveram até 1834 os Frades Dominicanos, ordem mendicante cujo diaa-dia era preenchido pela oração constante, estudo e pregação, chegando mesmo a ser constituída, no século XVI, uma universidade de estudos teológicos. 7


Convento de Cristo em Tomar

Data de inscrição: 1983 | Critérios: (i) (vi) Tomar, com a sua paisagem histórica de campos de oliveiras, de vinha e de trigo, ainda hoje lembra a ação povoadora que os Templários tiveram nesta região, no dealbar do reino de Portugal. O Convento de Cristo foi a casa principal da Ordem Militar de Cristo que teve origem nos Templários Portugueses. Aquando da extinção da Ordem do Templo, em 1314, D. Dinis vai lograr manter os cavaleiros e os seus bens sob o nome de uma nova ordem de cavalaria delimitada ao seu reino, a Milícia dos Cavaleiros de Cristo. O legado que estas duas ordens deixaram em Tomar é o vasto conjunto monumental constituído pelo Castelo Templário, o convento dos religiosos contemplativos da Ordem de Cristo, construído no Renascimento, a cerca conventual, também conhecida por Mata dos Sete Montes, a ermida da Imaculada Conceição e o aqueduto conventual, mormente conhecido por Aqueduto dos Pegões.

©DGPC / ADF

©DGPC / ADF

©DGPC/ADF José Paulo Ruas

Centro Histórico de Évora

Data de inscrição: 1986 | Critérios: (ii) (iv)

Muitas culturas passaram sucessivamente por Portugal, atingindo sempre a importante cidade de Évora. Foi conquistada aos Romanos pelos Visigodos e pelos Muçulmanos, tendo sido objeto de reconstrução e de adaptação da sua malha urbana. Do longo domínio muçulmano – do séc. VIII ao séc. XIII – restam muitos vestígios, sobretudo no tecido urbano e na tipologia das construções, que se fecham para a rua e se abrem para pátios e jardins interiores. A residência real e a Universidade influenciaram o carácter erudito da cidade, uma urbe do Renascimento, com os seus palácios, conventos e igrejas do séc. XVI que, ainda hoje, mantêm vivo um carácter próprio. A arquitetura da cidade inclui majestosa Catedral, o Templo Romano e o labirinto das ruelas medievais limitadas por palácios, solares e casas nobres. ©Câmara Municipal de Évora

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Mosteiro de Alcobaça

©ADF/DGPC José Paulo Ruas

©ADF/DGPC José Pessoa

Data de inscrição: 1989 | Critérios: (i) (iv) Fundado por iniciativa do primeiro rei, D. Afonso Henriques, o Mosteiro de Alcobaça encontra-se intimamente ligado à afirmação de Portugal como reino independente (1139-1179), traduzindo a sobriedade estética pregada por S. Bernardo e o rigor e a austeridade da Ordem de Cister. As obras foram iniciadas em 1178 e terminadas cerca de 100 anos depois, tendo os mestres pedreiros introduzido o gótico no território português, uma nova linguagem arquitetónica. Panteão Régio da monarquia portuguesa, o Mosteiro de Alcobaça alberga os túmulos de D. Pedro I e de D. Inês de Castro, datados do séc. XIV e considerados obras-primas da escultura tumulária europeia. Com um riquíssimo programa decorativo, neles se destacam as representações do Juízo Final, no túmulo de D. Inês, e da Roda da Vida, no túmulo de D. Pedro.

Paisagem Cultural de Sintra

Data de inscrição: 1995 | Critérios: (ii() (iv) (v)

Sintra foi conhecida na antiguidade por “Serra da Lua”. Este nome mostra até que ponto eram importantes os cultos e rituais pré-históricos que aí se desenrolavam, depois sucessivamente cristianizados (e islamizados) e, mais tarde recristianizados. No século XIX, Sintra foi o primeiro foco da arquitetura romântica europeia, onde a nova sensibilidade se exprimiu pela utilização de elementos góticos, egípcios, islâmicos e da Renascença, e pela criação de um parque conjugando essências locais e exóticas. Esta paisagem foi reconhecida pelo Comité do Património Mundial como representando uma abordagem pioneira ao paisagismo Romântico, precursora da interpretação desta nova forma de pensar noutros locais da Europa, e como exemplo único de local que preservou a sua integridade fundamental e no qual se conservam evidências significativas das sucessivas culturas que o ocuparam. ©Parques de Sintra, Monte da Lua, S.A

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©Parques de Sintra, Monte da Lua, S.A


Centro Histórico do Porto, Ponte Luiz I e Mosteiro da Serra do Pilar Data de inscrição: 1996 | Critérios: (iv)

O Centro Histórico do Porto desenvolveu- se a partir de um pequeno núcleo situado no morro da Sé, no qual se documenta uma ocupação humana que remonta ao primeiro milénio a.C. As sucessivas ocupações fizeram convergir os mais variados interesses sociais e económicos que foram ampliando e modificando a cidade. Lugar de grande valor estético, apresenta um tecido urbano e inúmeros edifícios históricos que testemunham o seu desenvolvimento ao longo de mais de mil anos. Obra-prima da criatividade humana, na articulação harmoniosa das ruas com o espaço envolvente e em especial com o rio Douro e Vila Nova de Gaia, apresenta uma unidade visual que lhe atribui um dos seus aspetos mais importantes, o cariz panorâmico. Organismo vivo, integrado numa área ativa da cidade, tornou-se “um valor universal excecional” reconhecido e que merece especial proteção e valorização. ©Câmara Municipal do Porto

©Câmara Municipal do Porto

Sítios Pré-Históricos de Arte Rupestre do Vale do Rio Côa Data de inscrição: 1998, 2010 | Critérios: (i) (iii)

A Arte do Coa foi uma das mais importantes descobertas arqueológicas do Paleolítico superior em finais do século XX em toda a Europa. Nas rochas de xisto ao ar livre das margens do Rio Coa, encontram-se gravados inúmeros animais, quase todos destas quatro espécies: auroques (touros selvagens), cavalos, veados e cabras monteses, obtidos por picotagem (as gravuras mais antigas) ou incisão (as mais recentes), ou conjugando as duas técnicas e por vezes até a pintura. Datada entre ±25.000 a.C. a 10.000 a.C., a arte do Côa foi inscrita na Lista do Património Mundial em dezembro de 1998. Esta classificação foi ampliada em agosto de 2010 ao sítio espanhol de Siega Verde, a poucos quilómetros da fronteira portuguesa e integra 94 painéis espalhados por 15 quilómetros, com mais de 500 representações de animais e alguns signos esquemáticos, sendo contemporâneas das do Côa. ©António Martinho Baptista

©António Martinho Baptista

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Todas as fotografias: ©Rui Cunha RCL

Floresta Laurissilva na Madeira

Data de inscrição: 1999 | Critérios: (ix) (x) Único sítio natural em Portugal, a floresta Laurissilva constitui na atualidade o remanescente de um coberto florestal primitivo que resistiu a cinco séculos de humanização, apresentando uma biodiversidade muito elevada com uma representativa presença de espécies exclusivas da Madeira. Com cerca de 20 milhões de anos, o seu nome, Laurissilva, resulta da conjugação de dois termos do latim laurus e silva que significam, respetivamente, loureiro e floresta. Segundo narrativas contemporâneas da descoberta da ilha (1420), esta era coberta de denso arvoredo, razão pela qual os navegadores portugueses lhe atribuíram o nome de “Madeira”. Considerada uma Relíquia do Terciário, alberga seres vivos que existem desde esse Período e outros que evoluíram desde então até aos nossos dias, incluindo-se na Rede Natura 2000 e na Reserva Biogenética do Conselho da Europa.

Todas as fotografias: ©Câmara Municipal de Guimarães

Centro Histórico de Guimarães

Data de inscrição: 2001 | Critérios: (ii) (iii) (iv)

Guimarães afirma-se durante o período da formação da nacionalidade quando D. Afonso Henriques (primeiro rei português), confirma o foral de seu pai, estando assim associada à fundação da identidade nacional portuguesa no séc. XII. A cidade cresceu em função de uma dinâmica urbana gerada entre dois polos significativos, a “Vila Baixa“e a “Vila Alta”, que a muralha do reinado de D. Dinis abrangeu numa única cerca. O centro histórico constitui um exemplo bem preservado e autêntico da evolução de um povoado medieval até uma cidade moderna, cuja diversidade e tipologias de construção exemplifica o desenvolvimento específico da arquitetura portuguesa do século XV ao século XIX, mediante a adoção de técnicas tradicionais designadas por taipa de rodízio e taipa de fasquio (técnicas de construção que utilizam a madeira como elemento primordial), com origem nas construções de raiz medieval. 11


Alto Douro Vinhateiro

Data de inscrição: 2001 | Critérios: (ii) (iii) (iv) Inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO na categoria de Paisagem Cultural Evolutiva e Viva, o Alto Douro Vinhateiro (ADV) constitui a área mais representativa e melhor conservada da Região Demarcada do Douro, a mais antiga região vitícola demarcada e regulamentada do mundo, com delimitações desde 1756. Este território singular encerra uma herança coletiva multissecular associada à cultura da vinha e do vinho, em vertentes íngremes e pedregosas, cujas difíceis condições obrigaram à construção de socalcos, suportados por muros de xisto. O ADV é uma obra multissecular, instalada num corredor de passagem de povos e culturas, de adaptação de técnicas e saberes específicos de cultivo da vinha para a produção de vinhos mundialmente reconhecidos, correspondentes às denominações de origem “Porto” e “Douro”, mas também de outras culturas mediterrânicas, como a oliveira e a amendoeira. ©Concurso de fotografia do Douro 2010/Rui Ademar Pires

©Concurso de fotografia do Douro 2010/Sónia Arrepia

Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico Data de inscrição: 2004 | Critérios: (iii) (v)

A paisagem da cultura da vinha da ilha do Pico é composta por uma faixa de território que abrange parcialmente as costas Norte e Sul, e a costa Oeste da ilha do Pico, nos Açores. Consiste numa espantosa rede de longos muros de pedra, espaçados entre si, que correm paralelos à costa e penetram em direção ao interior da ilha, erguidos para proteger do vento e da água do mar as videiras, que são plantadas em milhares de pequenos recintos retangulares (currais), colados uns aos outros. Remontando ao século XV, a presença da viticultura manifestou-se através desta extraordinária manta de retalhos de pequenos campos, de casas e quintas do início do século XIX, de ermida, portinhos e poços de maré. A paisagem modelada pelo homem, de uma beleza extraordinária, é o melhor testemunho que subsiste de uma atividade outrora amplamente praticada. © Gabinete Técnico da Vinha do Pico

© Gabinete Técnico da Vinha do Pico

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Cidade-Quartel Fronteiriça de Elvas e suas Fortificações Data de inscrição: 2012 | Critérios: (iv)

A cidade-quartel fronteiriça de Elvas e suas Fortificações constitui um tipo de construção ou de conjunto arquitetónico ilustrando um período significativo da história humana. Construídas no âmbito da Guerra da Restauração, as muralhas abaluartadas são um exemplo notável da primeira tradição holandesa de arquitetura militar, possuindo um perímetro de cerca de dez quilómetros e uma área de 300 hectares. A área reconhecida pela UNESCO inclui todo o Centro Histórico, as muralhas abaluartadas do séc. XVII, o Aqueduto da Amoreira, o Forte de Santa Luzia, o Forte da Graça e os Fortins de São Pedro, São Mamede e São Domingos num total de 179 hectares, sendo a área de proteção de 690 hectares. As fortificações do Centro Histórico incluem duas muralhas islâmicas e uma muralha fernandina, bem como igrejas, capelas, conventos e palácios. ©Câmara Municipal de Elvas

©Raul Ladeira / Propriedade: Câmara Municipal de Elvas

Universidade de Coimbra. Alta e Sofia

Data de inscrição: 2013 | Critérios: (ii) (iv) (vi)

A Universidade de Coimbra cresceu e evoluiu ao longo de mais de sete séculos, incluindo edifícios universitários como a Catedral de Santa Cruz do século XII, faculdades do século XVI, o Palácio Real de Alcáçova, que alberga a Universidade desde 1537, a Biblioteca Joanina com a sua rica decoração barroca, o Jardim Botânico do século XVIII e a Imprensa Universitária, bem como a grande “Cidade Universitária” criada durante a década de 1940. Os edifícios da Universidade tornaram-se uma referência no desenvolvimento de outras instituições de ensino superior no mundo lusófono, exercendo também uma importante influência na aprendizagem e na literatura. Coimbra constitui exemplo de uma cidade universitária integrada no tecido urbano, com as suas próprias tradições cerimoniais e culturais que têm sido mantidas vivas ao longo dos séculos. ©UC Sérgio Brito

©UC Delfim Ferreira

©UC Sérgio Azenha

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Santuário do Bom Jesus do Monte em Braga Data de inscrição: 2019 | Critérios: (iv)

Esta paisagem cultural evoca Jerusalém Cristã, recriando um monte sagrado coroado com uma igreja. O santuário foi desenvolvido ao longo de um período de mais de 600 anos, principalmente em estilo barroco, e ilustra uma tradição europeia de criação de Sacri Monti (montanhas sagradas), promovida pela Igreja Católica no Conselho de Trento no século XVI, em reação à Reforma Protestante. O conjunto Bom Jesus inclui uma série de capelas que abrigam esculturas evocando a Paixão de Cristo, bem como fontes, esculturas alegóricas e jardins formais. A Via Crucis culmina na igreja, que foi construída entre 1784 e 1811. A Escadaria dos Cinco Sentidos, com as suas muralhas, degraus, fontes, estátuas e outros elementos ornamentais, é emoldurada por bosques exuberantes e por um parque pitoresco que, magistralmente situado na colina acidentada, contribui muito para o valor paisagístico do conjunto. Todas as fotografias: ©João Paulo Sotto Mayor

Real Edifício de Mafra - Palácio, Basílica, Convento, Jardim do Cerco, Tapada Data de inscrição: 2019 | Critérios: (iv)

Localizado a 30 km a noroeste de Lisboa, este imponente edifício quadrangular inclui os palácios do rei e da rainha, uma basílica inspirada em S. Pedro de Roma, um convento franciscano com capacidade para 300 frades (atualmente ocupado pela Escola de Armas do Exército) e uma das mais importantes bibliotecas portuguesas, com um valioso acervo de cerca de 36.000 volumes. Inclui ainda o Jardim do Cerco, antiga cerca conventual, e a Tapada Nacional de Mafra. O Real Edifício de Mafra é uma das obras mais marcantes levadas a cabo pelo Rei João V, ilustrando não só a representação tangível da sua conceção da monarquia e do Estado, como também o poder e alcance do Império Português. Foram adotados modelos arquitetónicos e artísticos barrocos romanos e italianos e encomendadas obras de arte que fazem de Mafra um exemplo excecional do barroco italiano. ©Nuno Trindade

©Luís Pavão

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Guimarães, 20 anos de Património Mundial

celebração do vigésimo aniversário da inscrição do Centro Histórico de Guimarães na lista do Património Mundial da Unesco decorreu no passado mês de dezembro, através da realização de vários eventos: exposições de fotografia, concertos, palestras, edições de livros, entre os quais uma compilação de testemunhos subordinados à efeméride; ou o rebate dos sinos das igrejas da cidade, às 13 horas e 12 minutos, lembrando a data da decisão na Convenção do Património Mundial, em Helsínquia, a 13.12.2001. 2021 foi um ano especial para o Património Mundial em Guimarães por vários motivos. Foi o ano em que se concebeu, discutiu e aprovou o Plano de Gestão 20212026. É o primeiro Plano de Gestão em Guimarães e, hoje, entende-se a sua pertinência: como instrumento para comunicar o valor universal excecional do Bem e a relevância de conceitos como autenticidade e integridade (e a sua verificação); tal como a clarificação de como se prevê cuidar, gerir e valorizar o Bem. A explicitação de ações concretas contribui também para tornar palpável de que modo (e com que recursos) se planeia, a curto, médio e longo prazo, alcançar os objetivos estipulados. Guimarães passou a ter um instrumento que permite uma mais clara monitorização do Bem e do sentido da sua transformação. Estão já em implementação muitas das ações e conjuntos de ações previstas no Plano de Ação, que integra o Plano de Gestão. Uma das ações já desenvolvidas foi a constituição de uma Comissão de Acompanhamento a quem competirá avaliar o desenvolvimento do Bem e o cumprimento do Plano de Gestão, os respetivos desvios e/ou ajustamentos a proceder em função das necessidades. O Bem Centro Histórico de Guimarães coincide com uma parte significativa do centro da cidade de Guimarães e, nesse sentido, a sua gestão patrimonial coincide com a gestão geral de uma cidade contemporânea, viva. Bem se entenderá a complexidade de uma tal gestão que tem de compatibilizar sentidos que são, não raras vezes, antagónicos. Também a esse nível a existência de um instrumento de gestão, de caráter estratégico, que

Largo do Cidade, Couros - ©Miguel Oliveira 2021

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clarifica linhas de desenvolvimento e de ação, e reforça aspetos que são fundamentais para a salvaguarda dos critérios e atributos que conferem o estatuto excecional de Património Mundial, é um elemento que acrescenta valor operativo. Como é sabido, a inscrição na lista Património Mundial não constitui estatuto irrevogável, pelo contrário, aumenta o nível de responsabilidade e de exigência sobre a sua conservação, salvaguarda e valorização, altamente escrutinadas atendendo à visibilidade dos bens Património Mundial. No caso de Guimarães, o cuidado sistemático sobre a área mais antiga da cidade remonta à primeira metade da década de oitenta do século passado. O Município assumiu essa tarefa e, desde 1983, não a terminou mais. Na verdade, tem vindo até a dar sinais de reforço desse sentido agregador e ampliador das áreas de sensibilidade patrimonial. O ano de 2021 foi também neste aspeto um ano especial para Guimarães, na medida em que foi o ano da conclusão da versão final da candidatura do Centro Histórico de Guimarães e Zona de Couros (entregue, na versão impressa e revista, no início do ano de 2022). A proposta de alargamento da área é significativa, duplicando a atual área classificada. Mas não se trata, evidentemente, de uma questão de ampliação de superfície classificada. Trata-se da constatação de uma necessidade de incorporação, na leitura e compreensão da cidade histórica, de um conceito fundamental ao desenvolvimento de Guimarães, de Portugal e da sociedade, em geral: o Trabalho. A Zona de Couros e envolvente representa um lado menos divulgado e reconhecido historicamente nas cidades: os espaços primitivos de trabalho. Há muito se sabia que Couros é, per se, especial: pela paisagem urbana que oferece, com os milhares de metros quadrados de tanques de curtimenta, os secadouros, as casas dos operários, o rio de Couros; e, em especial, a sua interrelação com o restante “centro histórico”. No entanto, é comum considerar Couros como uma zona marginal, um arrabalde. E de facto, assim foi. Mas hoje sabemos que quando o aglomerado urbano reconhecido atualmente como Guimarães começou a formar-se, há mil anos, é altamente provável que naquele mesmo local, dos Couros, e com sensivelmente as mesmas técnicas que usavam há poucas décadas atrás contemporâneos nossos; a Zona de Couros já existisse. Ou seja, se já sabíamos que Guimarães é indissociável da História de Portugal, hoje sabemos que Couros é indissociável de Guimarães. E, como tal, da História de Portugal. Em síntese, que bom é celebrar estes 20 anos de missão com a responsabilidade de reconhecer (ainda) mais Património Mundial a Guimarães. (Ricardo Rodrigues, Câmara Municipal de Guimarães)


Alto Douro Vinhateiro 20 anos de Património Mundial Celebrar não basta, Queremos um Douro de Futuro

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Alto Douro Vinhateiro é Património Mundial há 20 anos! A conquista do importante reconhecimento internacional da UNESCO sobre o singular valor deste património cultural, “evolutivo e vivo” – moldado por uma viticultura heroica, de montanha, e o espírito de sacrifício que Miguel Torga fixou literariamente – merece ser lembrada, assinalada, celebrada. Tanto quanto as transformações muito positivas que o Douro testemunhou nas duas últimas décadas, e que confirmam a telúrica força humana deste território e algumas opções justas de desenvolvimento regional.

anos, as taxas de abandono escolar aqui eram de 17% no 2.º ciclo e de 25% no 3.º ciclo. Hoje, são marginais. A riqueza média per capita era de 73% da riqueza produzida no Norte, sendo atualmente superior a 85%. No turismo, o Douro afirmou-se como um destino de excelência, mais que duplicando o número de dormidas e, sobretudo, incrementando o seu valor. Os seus vinhos ganharam prestígio internacional e melhores níveis de rendimento, tornando menos injusta a difícil atividade agrícola. Nos serviços culturais, criaram-se casas prestigiantes como o policêntrico Museu do Douro e o também duriense Museu do Côa…

Existem motivos de sobra para celebrar Douro Vinhateiro, o poderoso selo da UNESCO e a evolução social, económica e cultural deste território de geografia e espírito nortenho.

Mas celebrar não basta. O desenvolvimento regional é um desígnio sempre inacabado e há novos reptos a exigir respostas. Nos últimos 20 anos, o Douro perdeu mais de 30 mil habitantes, evidenciando uma hemorragia populacional que ensombra a sua sustentabilidade. A emigração sempre existiu por estas paragens, mas os seus efeitos eram mitigados por um saldo natural positivo. Como região agrícola que é, enfrenta ainda, no presente e no futuro, as sérias ameaças motivadas pelas alterações climáticas. Realidade que exige medidas de adaptação.

O efeito do assombro da paisagem do Alto Douro Vinhateiro, que explica as inesgotáveis produções fotográficas desde Domingos Alvão, não só persiste, como beneficia de aspetos de qualificação importantes. Quem não se recorda dos “pontos negros” da paisagem formados por depósitos de sucata ou de resíduos de construção, entretanto erradicados? E não evidenciam, hoje, as cidades, vilas e quintas de produção vitícola da região preocupações patrimoniais e de arquitetura muito superiores? Por outro lado, a classificação do “Património Mundial” ajudou a projetar o “reino maravilhoso” na cena internacional, criando melhores oportunidades de vida, mas responsabilizando-nos também, mais e melhor, na salvaguarda deste bem patrimonial, assim como na sua valorização cultural, económica e turística. A CCDRNORTE assume aqui especiais responsabilidades, ao lado de outros poderes públicos. Dispomos hoje de uma intervenção mais segura, próxima e moderna na gestão do território, mas também mais estratégica na gestão de financiamentos comunitários. Finalmente, o Douro mudou. Não é o mesmo de há 20 anos, e regra geral mudou para melhor. Há 20 ©CCDRN/ESRVR

Por isso, as comemorações destes 20 anos – que merecem “alto patrocínio” do Senhor Presidente da República Portuguesa – serão, felizmente, mais do que uma evocação. Serão um momento de reflexão, de debate, de prospetiva. Como em tudo na vida, não basta puxar os galões do passado. É necessário antecipar e construir o Douro do futuro. Um Douro humano, inovador, sustentável. O “Prémio de Arquitetura do Douro” e o novo prémio “Vinha Douro”, instituídos pela CCDR-NORTE, e o ciclo de conferências que iremos promover em 2022, em parceria com as instituições parceiras destas comemorações, visam esse espaço de pensamento e diálogo tão úteis. Finalmente, esta celebração especial não procura qualquer legitimação ou vaidade institucional. Por isso, quisemos eleger no centro da sua programação o território e suas as pessoas. Devolver a conquista do “Douro Património Mundial” às populações e olhar o futuro do território são as únicas formas de tornar relevante e oportuna esta iniciativa. Na produção da ópera comunitária “Mátria”, criada a partir de textos de Miguel Torga, e que soube juntar numa orquestra e num coro cidadãos de várias gerações e geografias durienses, encontramos o espírito desse território humano e da força de uma participação coletiva. Tal como na campanha de marketing territorial que, em vez de paisagens, fará de heróis anónimos destes 20 anos os seus justos protagonistas. (António M. Cunha, Presidente da CCDR-N) 16


O ICOMOS enquanto Órgão Consultivo do Comité do Património Mundial Soraya M. Genin* É com muita satisfação que a Comissão Nacional Portuguesa do ICOMOS (Conselho Internacional dos Monumentos e dos Sítios) participa nesta publicação dedicada ao tema do Património Mundial. A UNESCO apoiou e incentivou a criação do ICOMOS em 1965, na sequência do 2º Congresso de Arquitetos e Técnicos de Monumentos Históricos, realizado no ano anterior, que deu origem à Carta Internacional sobre a Conservação e o Restauro de Monumentos e Sítios - a Carta de Veneza - texto fundamental e doutrinário do ICOMOS. Em 1972 a UNESCO declarou o ICOMOS como Órgão Consultivo do Comité do Património Mundial (artigo 8º da Convenção do Património Mundial). No âmbito da Convenção, o ICOMOS participa na avaliação de candidaturas de bens culturais e mistos para a Lista do Património Mundial e na monitorização do estado de conservação dos bens já inscritos. Participa em reuniões, em missões e elabora diversos pareceres técnicos, através das suas Comissões Nacionais e Comissões Científicas especializadas em diversas áreas do património cultural. Há duas Unidades de Avaliação e de Acompanhamento do Património Mundial que garantem os serviços administrativos, sendo as candidaturas avaliadas pelo Painel do Património Mundial do ICOMOS. As Comissões Nacionais também prestam consultoria aos Estados-Parte e às entidades de gestão, em particular na avaliação preliminar das candidaturas para a Lista Indicativa e posteriormente para a Lista do Património Mundial e na monitorização do estado de conservação dos bens. É neste contexto que o ICOMOS-Portugal integra o Conselho Consultivo e o Grupo de Trabalho para Património Mundial da Real Edifício de Mafra ©Miguel Brito Correia o Comissão Nacional da UNESCO, a Secção do Património Arquitetónico e Arqueológico do Conselho Nacional de Cultura, a Comissão de Acompanhamento do Centro Histórico de Guimarães e Zona de Couros e a Comissão Consultiva do Programa Especial do Parque Arqueológico do Vale do Côa. O ICOMOS-Portugal foi criado em 1980, ano também marcado pelo depósito, por Portugal junto da UNESCO, do instrumento de ratificação da Convenção do Património Mundial. Desde então a nossa missão principal é a proteção dos bens portugueses que integram a Lista do Património Mundial, que conta atualmente com dezassete bens, dos quais um na categoria de património natural. *Presidente do ICOMOS-Portugal, Professora Auxiliar do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa

Alto Douro Vinhateiro ©Fernando Pádua

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Webinars Património Mundial Integrados nas comemorações do 50º aniversário da Convenção do Património Mundial (1972-2022), decorreu no passado dia 5 de abril, o Webinar dedicado ao tema ‘O Património Mundial e os Desafios da Gestão’, no qual partilharam ideias e experiências a Subdiretora-Geral do Património Cultural, e gestores portugueses de diversos sítios portugueses inscritos na Lista do Património Mundial. Inaugurado, tal como o anterior, por uma intervenção do Embaixador José Filipe Morais Cabral, Presidente da Comissão Nacional da UNESCO, um segundo Webinar decorreu no dia 4 de maio, no qual foram discutidos temas relativos ao ‘Património Mundial e Sociedade’. Com a participação de representantes de Redes coordenadas pela Comissão Nacional da UNESCO - Rede de Escolas associadas, Clubes, Bibliotecas,

Geoparques, Cidades de aprendizagem e Cidades Criativas - o Webinar constituiu uma proveitosa oportunidade para estabelecer contactos e parcerias entre diferentes programas UNESCO. O terceiro Webinar desta série, a decorrer no último trimestre do ano com o tema ‘Património Mundial Hoje e no Futuro’, será oportunamente divulgado.

WEBINAR “O PATRIMÓNIO MUNDIAL E OS DESAFIOS DA GESTÃO” RESUMO DAS INTERVENÇÕES DE GESTORES DOS SÍTIOS PATRIMÓMIO MUNDIAL* Sítios Pré-históricos de Arte Rupestre do Vale do Côa e Siega Verde Os Sítios Pré-históricos de Arte Rupestre do Vale do Côa (Portugal) e Siega Verde (Espanha) documentam uma ocupação humana contínua, desde o final do Paleolítico, constituindo um sítio único da lista do Património Mundial, da UNESCO. Nas superfícies verticais xistosas, encontram-se centenas de painéis onde foram gravados milhares de figuras, essencialmente de animais desaparecidos na região, ao longo de vários milênios, representando a maior concentração de Arte Paleolítica ao ar livre da Europa. Na gramática figurativa privilegiou representar cavalos, auroques (antepassados do boi selvagem) e cabras. O Vale do Côa e Siega Verde preservam uma arte com caraterísticas temáticas e de organização da arte Paleolítica, com paralelos na arte das grutas, contribuindo assim para uma maior compreensão destes grafismos e revelando uma identidade comum dos grupos de caçadores recolectores do fim do Paleolítico. Museu do Côa ©Jaime António

* Todas as intervenções dos participantes podem ser visualizadas na ligação do Webinar

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Universidade de Coimbra, Alta e Sofia A inscrição da Universidade de Coimbra, Alta e Sofia na Lista do Património Mundial da UNESCO, chancelou o valor universal excecional do sítio. As características do Bem colocam desafios permanentes e exigem atenção constante. Tratando-se de um espaço em uso, no qual a função universitária prevalece, mas não é exclusiva, a sua condição de património habitado tem motivado uma persistente procura pelo justo equilíbrio entre o respeito pela herança cultural recebida (incluindo a preservação e salvaguarda de espaços e edifícios, coleções, tradições e memórias do domínio do intangível) e as necessidades impostas pela contemporaneidade.

©UC, Marta Costa, 2022

Paisagem Cultural de Sintra A Paisagem Cultural de Sintra foi inscrita na Lista do Património Mundial em 1995 e a respetiva Declaração de Valor Universal Excecional foi aprovada pelo Comité do Património Mundial em 2017. A revisão do Plano de Gestão da Paisagem Cultural de Sintra (2015-2020) coincide com a celebração dos 25 anos de inscrição da Paisagem Cultural de Sintra na Lista do Património Mundial e dos 20 anos da criação da Parques de Sintra – Monte da Lua, S.A., a entidade gestora do Bem. Sendo o Bem predominantemente florestal, foram desenvolvidos trabalhos significativos de gestão direta das áreas integradas no “Plano de Gestão Florestal das Áreas sob Gestão da Parques de Sintra”, aprovado em 2016. No que diz respeito à melhoria da eficácia dos instrumentos de gestão territorial que incidem na Paisagem Cultural, a recente aprovação do Plano Diretor Municipal de Sintra, em fevereiro de 2020, é um marco importante para o ordenamento do território da Paisagem Cultural. É o instrumento jurídico fundamental do ordenamento do território municipal passando a ser o único plano que vincula diretamente entidades públicas e privadas para todo o concelho. Para todos os monumentos sob gestão direta da Parques de Sintra foram desenvolvidos Planos de Gestão e Valorização dos Monumentos, sendo uma ferramenta estratégica e operacional, viva e atualizável, que identifica as metas de conservação e manutenção do património construído e as ações que se pretende implementar para as cumprir. Esta metodologia criou maior coordenação entre equipas que gerem o Bem; capacidade de avaliação e monitorização do estado de conservação patrimonial; capacidade de sistematização dos custos e desafios patrimoniais e visão estratégica para conservação dos atributos da Paisagem Cultural. Com tudo isto, pretende-se gerir a Paisagem Cultural de Sintra conservando, valorizando e divulgando os seus atributos naturais, culturais e paisagísticos, potenciando a tomada de consciência sobre os valores em presença e promovendo uma fruição sustentável, capaz de proporcionar qualidade de vida às comunidades locais e metropolitanas e pelos visitantes nacionais e estrangeiros. 19

©PSML_Luís_Duarte


PATRIMÓNIO MUNDIAL DE INFLUÊNCIA PORTUGUESA

Walter Rossa*

Ao longo de quase seis séculos, os portugueses partilharam a sua língua e a sua cultura a uma escala global, recebendo e transmitindo influências de diversa natureza, patentes ainda hoje nos nomes de lugares, pessoas e objetos nas mais diversas línguas, na riqueza da gastronomia e em tradições ancestrais que hoje ainda perduram. Essa interação materializou-se igualmente em património de valor universal excecional edificado de diferentes tipologias construído em África, na América do Sul e na Ásia, que faz parte do Património Mundial de toda a Humanidade. Destacamos aqui quatro sítios, entre muitos outros, que integram a Lista do Património Mundial da UNESCO que denotam a influência da passagem dos portugueses por aquelas paragens. A Comissão Nacional da UNESCO disponibiliza uma exposição sobre este tema.

Cidade Portuguesa de Mazagão (El Jadida) (Marrocos) O bem resulta da construção, em 1541, de um perímetro fortificado para acolher uma pequena povoação. O seu projeto foi alvo de um intenso debate técnico, pois introduzia-se, pela primeira vez em domínios portugueses, mas também fora da Europa, o sistema abaluartado da fortificação moderna. Já na povoação seguiram-se apenas regras básicas determinadas pela existência, no seu centro, de uma pequena torre erguida em 1514 também pelos portugueses. A base dessa torre foi então adaptada a cisterna, que é um dos mais belos interiores da arquitetura portuguesa.

©Walter Rossa

Igrejas e Conventos de Goa (Índia) (Velha) Goa teve uma existência urbana tão fugaz quanto o mito que de si criou. A monumentalidade da sua arquitetura religiosa foi a grande razão da construção desse mito e, assim, da conservação do sítio e da memória da antiga capital do Estado da Índia Portuguesa, ainda hoje sede de um dos quatro patriarcados católicos. Daí que o bem inscrito seja o conjunto de igrejas e conventos que perduram, algumas em ruína, além das que, tal como a cidade, desapareceram. Tudo pelo meio de um fantástico palmeiral à beira do rio Mandovi que corre para o mundo. ©Jose Ribau

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Rio de Janeiro: paisagens cariocas entre as montanhas e o mar (Brasil)

©Ruy Salaverry

Só a excecional paisagem de fusão entre urbano e natureza poderia ter levado ao reconhecimento excecional pela inscrição na Lista de um bem com esta formulação. Séculos de intervenção humana num território com caraterísticas únicas, produziram uma cidade onde o urbano tem expressões paisagísticas muito diversas, sempre contextualizadas pelo meio natural, que também é resultado de intensa intervenção humana. Do que são bons exemplos a Floresta da Tijuca e o Jardim Botânico, mas também as praias do mar e a baía, bem como a lagoa.

Ilha de Moçambique A Ilha, como basta aos moçambicanos, é um longo (2.9Km) e estreito (m. 0,4Km) afloramento de coral, no qual os portugueses estabeleceram uma importante base de apoio à Carreira da Índia, mas também à gradual instalação colonial, que acabou por determinar a criação do país a que deu o nome. A sua beleza natural pode ser considerada metáfora da extraordinária fusão cultural que em tudo nela se apresenta, desde logo os seus habitantes, mas também das suas variadas arquiteturas, incluindo o forte de S. Sebastião, uma das mais expressivas construções coloniais em África.

*Professor Catedrático, Responsável pela Cátedra UNESCO Diálogo Intercultural em Patrimónios de Influência Portuguesa (2019)

©Walter Rossa

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NOTÍCIAS DA CNU Reunião da Rede do Património Mundial Decorreu no passado dia 23 de maio, no Alto Douro Vinhateiro, a primeira reunião da Rede do Património Mundial de Portugal após uma paragem de mais de dois anos devido à pandemia. Nesta reunião foi aprovado o Plano de Ação da Rede para o segundo semestre de 2022, que incide sobre a celebração do 50º aniversário da adoção da Convenção para a Proteção do Património Mundial, Cultural e Natural (1972). A Rede do Património Mundial de Portugal tem por objetivos promover a aproximação entre os sítios património mundial, através do debate de ideias Reunião da Rede do Património Mundial no Alto Douro Vinhateiro ©Gabinete Técnico Missão Douro sobre a gestão e reabilitação do património, do intercâmbio de conhecimentos e da discussão de questões de interesse mútuo, bem como na participação conjunta em projetos e iniciativas que gerem valor nas regiões onde se inserem e difundam o Património Mundial em Portugal e no Mundo.

IV Encontro Internacional de Abadias Cistercienses – Mosteiro de Alcobaça - 8 e 9 de abril 2022 Decorreu nos dias 8 e 9 de abril, no Mosteiro de Alcobaça, o IV Encontro Internacional de Abadias Cistercienses, dedicado ao tema “Património Cisterciense europeu e desenvolvimento sustentável: novos desafios de gestão”. O evento foi promovido pela Direção-Geral do Património Cultural/ Mosteiro de Alcobaça e pela Associação Leader Oeste, com a parceria institucional da Câmara Municipal de Alcobaça e da Associação francesa “Renaissance de Clairvaux”, no âmbito da execução do Projeto Leader de Cooperação Transnacional “Cistercian Territories. Abadias e Sítios Cistercienses, vetores de desenvolvimento económico, turístico e cultural” e contou com a participação do Presidente da Comissão Nacional da UNESCO. Naquela que foi a 4º edição do encontro, criado em 2016, participaram gestores de sítios e rotas cistercienses de nove países da Europa, que discutiram e partilharam boas práticas ao nível da gestão de sítios cistercienses na Europa, tendo incidido, este ano, a reflexão sobre os impactos da pandemia COVID-19 no processo de gestão dos sítios e os desafios que se levantam às entidades gestoras ao nível da boa prossecução dos objetivos da Agenda para o Desenvolvimento Sustentável 2030. O encontro decorreu no âmbito das comemorações do 50º aniversário da Convenção para a Proteção do Património Mundial Cultural e Natural da UNESCO (1972-2022) às quais o Mosteiro de Alcobaça se associou e integrou a programação oficial da Temporada Cruzada Portugal - França 2022. 22


Criação da Rede Portuguesa dos Geoparques Mundiais da UNESCO No passado dia 30 de junho, foi assinado o Protocolo que criou, sob a égide da Comissão Nacional da UNESCO, a Rede Portuguesa dos Geoparques Mundiais da UNESCO. Subscreveram o Protocolo o Presidente da Comissão Nacional da UNESCO, Embaixador José Filipe Moraes Cabral, o Presidente do Conselho de Administração da EIM Naturtejo e Presidente da Câmara Municipal de Idanha-a- Nova, Eng. Armindo Jacinto, a Presidente da Câmara Municipal de Arouca e Presidente da Associação Geoparque Arouca, Dra. Margarida Belém, o Vice-Presidente da Câmara Municipal da Horta e Presidente da Geoaçores - Associação Geoparque Açores, Dr. Carlos Medeiros Morais, o Presidente da Associação Geoparque Terras de Cavaleiros e Presidente da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, Dr. Benjamim do Nascimento Pereira Rodrigues e o Presidente da Associação Geoparque Estrela e Presidente do Instituto Politécnico da Guarda, Prof. Doutor Joaquim Manuel Fernandes Brigas. Enquadrado pelos Estatutos do Programa Internacional para as Geociências e Geoparques, aprovado pela Conferência Geral da UNESCO em 2015, através da Resolução 38C/14, nomeadamente, o disposto no ponto 4.4 das Linhas de Orientação Operacionais para os Geoparques Mundiais, o presente Protocolo visa aprofundar o conhecimento, a troca de experiências e de boas práticas entre os seus membros, promover uma maior coordenação e acompanhamento de atividades bem como, o lançamento de iniciativas conjuntas e o aconselhamento de aspirantes a Geoparques Mundiais da UNESCO portugueses.” Um Geoparque Mundial da UNESCO compreende um território bem definido, onde locais e paisagens de importância geológica internacional são geridos numa conceção holística de proteção, educação e desenvolvimento sustentável.

CNU participa na 6.ª reunião da Rede Informal Europeia de Comissões Nacionais da UNESCO na Islândia Teve lugar, em Reiquiavique, de 8 a 10 de maio de 2022, a 6.ª reunião da Rede Informal Europeia de Comissões Nacionais da UNESCO, organizada pela Comissão Nacional da UNESCO (CNU) da Islândia, com o apoio da CNU da Alemanha, do Canadá, dos Países Baixos, de Portugal e do Reino Unido. A última reunião da Rede Informal Europeia de Comissões Nacionais da UNESCO tinha sido organizada pela CNU de Portugal, em Cascais, de 16 a 19 de fevereiro de 2020. A CNU portuguesa foi convidada a proferir uma comunicação na sessão plenária intitulada “A few thoughts on peace and the role of National Commissions for UNESCO”. A reunião permitiu a troca de informações, boas práticas e o estreitamento de laços de cooperação entre as CNU participantes. 23


Medalhas de Honra L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência A 23 de março, teve lugar a 18ª edição das Medalhas de Honra L’Oréal Portugal. De entre um leque de mais de 72 candidatas, Sandra Tavares do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, Carina Soares-Cunha do Instituto de investigação em Ciências da Vida e da Saúde da Universidade do Minho, Sara Carvalhal do Algarve Biomedical Center e Edna Correia do centro de Estudos do Ambiente e do Mar, foram as laureadas. Este prémio, de valor unitário 15.000€, é o resultado do Protocolo celebrado, em 2003, entre a L’Oréal Portugal, a Fundação para a Ciência e a Tecnologia e a Comissão Nacional da UNESCO e visa distinguir projetos de investigação científica no domínio das Ciências, Engenharias e Tecnologias para a Saúde ou para o Ambiente. Investigações sobre cancro, microcefalia, comportamentos aditivos e preservação de aves aquáticas permitiram às quatro cientistas portuguesas a conquista desta medalha. A nível internacional, há 20 anos que a L´Oréal-UNESCO For Woman in Science reconhece projetos de investigação originais e promissores e destaca a importância das mulheres na ciência.

Premiados do Concurso Media@ção Foram 127 os trabalhos recebidos no âmbito do Concurso Media@ção que este ano foi subordinado aos temas “Os media e a liberdade de expressão”, “Media e Cidadania” e Diversidade de Media. O 1º Prémio foi atribuído aos trabalhos “Tricas na Biblioteca” da Escola Básica D. Pedro de Alcobaça, na categoria de 1º e 2º ciclos, e “Nos Tempos Modernos” da Escola Secundária Filipa de Vilhena do Porto, na categoria 3º ciclo e secundário. O 2º Prémio foi atribuído aos trabalhos “E se de repente, fosses um livro….” da Escola Básica João de Deus de Silva, na categoria de 1º e 2º ciclos, e “A verdade: liberdade de expressão” da Escola Secundária Dr. José Afonso, Seixal, na categoria 3º ciclo e secundário. Foram ainda atribuídas menções honrosas. O Júri decidiu não atribuir Prémio na categoria Categoria cursos profissionais e artísticos na área do audiovisual. Os trabalhos podem ser visionados aqui.

1º Encontro da Rede das Cidades de Aprendizagem Irá ter lugar no Cineteatro de Alcobaça, nos dias 19 e 20 de setembro, o 1º Encontro da Rede das Cidades de Aprendizagem da UNESCO em Portugal, evento coorganizado entre a Comissão Nacional da UNESCO e o Município de Alcobaça. As Cidades de Aprendizagem fazem parte de uma rede dinâmica que visa apoiar uma prática de aprendizagem nas comunidades onde se inserem, criar laços, formar parcerias, construir competências e instrumentos para incentivar e reconhecer os progressos na construção desta rede, e, fomentar uma cidadania ativa e lançar as bases para o desenvolvimento sustentável. A Rede em Portugal integra atualmente 14 cidades: - Câmara de Lobos; - Mação; - Cascais; - Anadia; - Lagoa – Açores; - Praia da Vitória; - Gondomar; - Pampilhosa da Serra; - Alcobaça; - Setúbal; - Cantanhede; - Loures; - Batalha; - Ourém. 24


Encontro entre a Comissão Nacional da UNESCO e Comissão Nacional da UNESCO de Angola - Redes Nacionais das Escolas Associadas da UNESCO Teve lugar no dia 12 de julho, um encontro entre a Comissão Nacional da UNESCO e membros da Comissão Nacional da UNESCO de Angola para abordar assuntos relacionados com as redes nacionais das escolas associadas da UNESCO, como a constituição de parcerias em projetos no âmbito da educação para uma cultura de paz, educação artística e outros considerados de interesse para ambas as redes nacionais, especialmente no ano em que a Rede irá celebrar o seu 70º aniversário, em 2023.

6º Encontro Nacional de Educação para os Media A Comissão Nacional da UNESCO associou-se à Direção-Geral de Educação na organização do 6º Encontro Nacional de Educação para os Media que teve lugar a 3 de maio, no Agrupamento de Escolas D. Dinis. O Encontro foi subordinado ao tema “Liberdade de Imprensa nos dias de hoje” e contou, entre outros, com a participação de David Kerr, Especialista do Conselho da Europa, Sofia Ramalho, vice-presidente da Ordem dos Psicólogos, e dos jornalistas José Manuel Mestre e Catarina Neves, contando com a moderação do jornalista Francisco Sena Santos. Destacamos a participação da professora Oksana Pasichnyk, em direto de Lviv, que nos deu conta do desafio que representa o ensino mediado e a gestão de informação em cenário de guerra.

CNU participa na Jornada dos Clubes para a UNESCO de França A Jornada da Rede francesa de Clubes UNESCO teve lugar a 20 de maio no Instituto Mundial da Arte e da Juventude em Troyes e reuniu os Clubes franceses e vários agentes públicos e privados ligados à Comissão Nacional Francesa para a UNESCO, para debater sobre a rede, as suas ações, os seus temas e perspetivas de cooperação. A CNU apresentou a Rede portuguesa, o perfil dos seus membros, modo de acreditação, funcionamento e organização.

Associação Cultural Mombak junta-se à Rede de Clubes UNESCO A Associação Cultural Mombak e a Comissão Nacional da UNESCO celebraram no dia 17 de maio, o Protocolo de criação do Clube UNESCO Mombak, oficializando assim a entrada desta associação na Rede Portuguesa de Associações e Clubes UNESCO. Filosofia, artes, ciências e comunicação são alguns dos grandes temas em torno dos quais a Mombak se propõe refletir, sentir e agir através de debates, seminários, cursos, clubes de leitura e festivais. Damos então as boas-vindas ao novo Clube UNESCO Mombak, que em língua Tupi significa despertar, está assim totalmente alinhado com as funções dos Clubes UNESCO que desempenham um importante papel de “despertadores de consciências”. Acompanhe a Associação Cultural Mombak. Mais informações sobre a Rede de Associações e Clubes UNESCO em https://unescoportugal.mne.gov.pt/pt/redesunesco/clubes-unesco 25


Já são conhecidos os resultados do concurso “Não escolham a extinção - Conservar a Natureza.Preservar o Planeta No âmbito do concurso “Não escolham a extinção - Conservar a Natureza.Preservar o Planeta”, uma iniciativa co organizada entre a Comissão Nacional da UNESCO (CNU) - área da Educação e a Biblioteca Municipal de Beja José Saramago, no âmbito da Agenda 2030 e as cinco áreas da Sustentabilidade, profundamente interligadas Pessoas; Prosperidade; Paz; Parcerias e Planeta, foi dinamizado o presente concurso junto da Rede das Bibliotecas Associadas à CNU. Os principais objetivos deste concurso centraram-se em sensibilizar para o facto de que o Planeta é um bem a ser preservado e que o seu futuro se encontra nas nossas mãos; reconhecer que a natureza necessita ser valorizada e respeitada, que é a base da nossa existência, a mãe criadora de tudo o que somos; incentivar a vivência em comum de forma pacífica e unida; promover o alcance dos ODS e promover as artes e a criatividade. O júri determinou os seguintes vencedores pelas seguintes categorias (Intervenção artística):

Entre os 6 e os 10 anos Valentina Camargo - 9 anos Biblioteca Municipal José Marmelo e Silva, Espinho

Entre os 11 e os 15 anos Daniela Sá e Silva - 11 anos

Menção Honrosa Xavier Pacheco - 11 anos Temos de ser melhores, tomar consciência das nossas ações Biblioteca Municipal Tomas Borba Vieira, Lagoa, Açores 26


20º Encontro Nacional da Rede das Escolas Associadas da UNESCO - Escola Superior de Educação Jean Piaget Almada, 30 de abril de 2022 Teve lugar na Escola Superior de Educação Instituto Piaget de Almada, no dia 30 de abril, o 20º Encontro Nacional da Rede das Escolas Associadas da UNESCO. Participaram no Encontro, as redes UNESCO de Escolas, Bibliotecas, Cátedras e Cidades de Aprendizagem da UNESCO, no âmbito de dois painéis de trabalho: - Painel 1 - A Rede das Escolas Associadas da UNESCO - o futuro da educação – Que desafios? - Painel 2 – Redes UNESCO – redes de colaboração e de partilha.

a participação do Dr. Jorge Humberto Dias – coordenador do Programa Happy Schools em Portugal com a conferência O programa Happy Schools em Portugal: Realidade e Desafios. O Ministro da Educação Dr. João Costa, participou nesta celebração, encerrando o Encontro com a conferência A Educação como resposta aos desafios globais.

O Encontro contou também com a participação virtual das Comissões Nacionais da UNESCO de Angola e de Cabo Verde, e ainda da Coordenação Nacional da Rede das escolas Associadas da UNESCO do Brasil. Uma escola de Angola e uma escola de Cabo Verde também se juntaram aos painéis. O Encontro contou ainda com

Operação Nacional 7 dias com os media 2022 Eu, as redes sociais e os media: que relação é esta? Foi o tema escolhido para a 10ª edição da Operação Nacional 7 dias com os media que decorreu de 3 a 9 de maio e que inspirou atividades e projetos de bibliotecas, escolas, universidades, associações e outros interessados de Norte a Sul do país. Veja aqui as iniciativas registadas.

Cátedras UNESCO em Portugal 2022 Foram recentemente aprovadas pela UNESCO três Cátedras UNESCO em Portugal: - Cátedra UNESCO "Blue Expert - Educação Científica das Crianças para a Gestão dos Oceanos: em apoio à economia azul", Universidade do Porto; - Cátedra UNESCO "A Cidade que Educa e Transforma", Instituto de Educação e Ciências, ISEC; - Cátedra UNESCO "Inteligência Artificial e Realidade Aumentada", Universidade de Lisboa. Lançado em 1992, o Programa UNITWIN / Cátedras UNESCO, envolve mais de 850 instituições em 117 países, promove a cooperação internacional interuniversitária e a criação de redes para melhorar as capacidades institucionais, através da partilha de conhecimento e do trabalho colaborativo. O programa apoia o estabelecimento de Cátedras UNESCO e Redes UNITWIN nas principais áreas prioritárias relacionadas com as áreas da UNESCO Educação, Ciências Naturais e Sociais, Cultura e Comunicação. Portugal conta atualmente com 15 Cátedras UNESCO. Saber mais aqui. 27


Já são conhecidos os resultados do Concurso “A Expedição que falta” No âmbito do concurso “A Expedição que Falta”, uma iniciativa desenvolvida pela Rede das Escolas Associadas da UNESCO, da Comissão Nacional da UNESCO, e a Estrutura de Missão para as Comemorações do V Centenário da Circum-navegação comandada pelo navegador português Fernão de Magalhães, o júri determinou os seguintes vencedores por cada uma das categorias:

Intervenção Artística (Ex aequo)

Alice Dias Grunho, 9 anos Jardim Escola João de Deus – Torres Novas

Escrita Criativa Margarida Santos Borrego, 9 anos 2º Jardim Escola João de Deus – Tomar

Audiovisual

João Pimenta Matos, 15 anos Agrupamento de Escolas N.º1 – Gondomar

Saiba mais sobre o concurso em: https://magalhaes500.pt/concurso-a-expedicao-que-falta/ Inês Abreu de Mendonça, de 12 anos CLIP|Oporto International School – Porto

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Prémio Internacional For Women in Science 2023 A UNESCO e a L’Oréal lançaram a edição 2023 do Prémio Científico Internacional L’Oréal- UNESCO For Women in Science, no valor de 100.000 €, destinado a mulheres cientistas que, de entre os seus pares, se tenham distinguido pela excelência e impacto do trabalho desenvolvido. A nomeação das candidatas, por eminentes cientistas, decorreu entre os dias 11 de abril e 31 de maio de 2022. Desde o seu lançamento em 1998, o programa L’Oréal-UNESCO For Women in Science Awards, já premiou mais de 122 cientistas, cinco das quais ganharam o Prémio Nobel. Saiba mais aqui.

Celebração da Semana da Educação Artística 22/29 de maio de 2022, sob o tema Arts Education for Peace Como vem sendo habitual, a Comissão Nacional da UNESCO coorganizou a celebração da Semana Artística com as redes UNESCO: 23 de maio – Escola Básica Padre Manuel Álvares, Funchal, Madeira - Escola Básica 123/PE Bartolomeu Perestrelo, Funchal, Madeira 24 de maio – Arquivo Regional e Biblioteca Pública da Madeira 25 de maio – Associação dos Jardins-Escola João de Deus, Lisboa - Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa 27 de maio – Escola Básica Francisco Ferreira Drummond, Terceira, Açores - Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade, Terceira, Açores

Prémio de Jornalismo Direitos Humanos & Integração – Edição 2022 Estarão abertas, de 25 de julho a 23 de setembro, as candidaturas aos Prémio de Jornalismo Direitos Humanos & Integração. Este Prémio é uma iniciativa anual conjunta da Comissão Nacional da UNESCO e da Secretaria Geral da Presidência do Conselho de Ministros, que visa reconhecer o trabalho desenvolvido por profissionais da comunicação social, a nível nacional, em prol dos direitos humanos e das liberdades fundamentais. Num valor total de 10.000 euros, realizados, no ano anterior, por nas suas diversas modalidades e imprensa escrita. É ainda Regional ao melhor trabalho de comunicação social regional categoria em que se insere.

é atribuído aos melhores trabalhos profissionais da comunicação social – meios audiovisuais, rádio atribuído o Prémio de Imprensa publicado ou difundido num órgão e local, independentemente da

5º Encontro da Rede das Bibliotecas Associadas à Comissão Nacional da UNESCO em Beja Irá ter lugar na Biblioteca Municipal de Beja José Saramago, no dia 14 de outubro, o 5º Encontro da Rede das Bibliotecas Associadas à CNU, evento coorganizado entre a Comissão Nacional da UNESCO e a Biblioteca Municipal de Beja José Saramago. Sob o tema A Rede das Bibliotecas Associadas à CNU – uma Rede de Bibliotecas Vivas, este Encontro ocorrerá sob o formato de grupos de trabalho, onde os participantes terão oportunidade de refletir sobre temas considerados relevantes para a Rede. Oportunidade também para celebrar o 100º Aniversário do nascimento de José Saramago, escritor e pensador (1922-2022). 29


NOTÍCIAS DA UNESCO O PIDC – Programa Internacional para o Desenvolvimento da Comunicação atribui 1 milhão de dólares a projetos de desenvolvimento dos média Estes fundos foram atribuídos a 37 projetos locais no mundo inteiro. Trata-se de numerosas iniciativas em prol da segurança dos jornalistas, da igualdade de género nos média, da luta contra a desinformação e das avaliações que utilizam os indicadores sobre a universalidade da Internet do PIDC. Foram igualmente atribuídos fundos ao Secretariado do PIDC para poder prosseguir o seu trabalho de reforço da viabilidade dos media e da formação em jornalismo.

Literacia mediática e informacional para o futuro da literacia: Terceira Conferência Mundial sobre o Ensino Superior A UNESCO, em parceria com a Rede Universitária da UNESCO para a Literacia para os Média, a Informação e o Diálogo Intercultural (Rede MILID), organizou, entre 18 e 20 de maio de 2022, três eventos sobre literacia mediática e informacional no quadro da 3ª Conferência Internacional sobre o Ensino Superior. Numa altura em que o mundo enfrenta desafios cruciais, é vital assegurar que as pessoas adquiram competências, através da literacia para os média, a comunicação e a informação, para utilizar a informação de forma sensata. As instituições de ensino superior ou terciário desempenham um papel fundamental no desenvolvimento da confiança na informação verificada e na abordagem científica à investigação. Estão em condições de desenvolver, alargar e apoiar a literacia mediática e informacional para todos.

Portugal na Vice-Presidência do Bureau do Programa o Homem e a Biosfera (MaB) da UNESCO Portugal, recentemente eleito para o Bureau do Conselho de Coordenação Internacional (CCI) do Programa MaB, esteve presente como Estado Membro na 34ª sessão do CCI que decorreu na sede da UNESCO, em Paris, entre 13 e 17 de junho. Em 2021, Portugal foi eleito para o Conselho tendo como Delegado nacional António Abreu, biólogo com vasta experiência no âmbito da temática das Reservas da Biosfera (RB) da UNESCO e coordenador do projeto EEA Grants “Reservas da Biosfera - territórios sustentáveis, comunidades resilientes”. O mandato é de 4 anos (20222025). O Conselho Internacional de Coordenação do MaB é o principal órgão diretivo do Programa MaB sendo responsável pela aprovação de candidaturas e a integração de Reservas da Biosfera na Rede Mundial da UNESCO, bem como a exclusão ou modificações em RB existentes e outras decisões relevantes para a orientação e desenvolvimento do Programa. O Conselho é composto por apenas trinta e quatro (dos 192 países) Estados Membros da UNESCO, eleitos pela Conferência Geral da UNESCO nas suas sessões ordinárias, tendo em devida conta a distribuição geográfica equitativa, a necessidade de assegurar uma rotação adequada, a representatividade destes Estados do ponto de vista da ecologia, biodiversidade e diversidade cultural nos grupos regionais da UNESCO, e as contribuições nacionais para o desenvolvimento do Programa MaB. 30


Transforming Education Summit Decorrerá no dia 19 de setembro, no âmbito da 77ª Assembleia Geral das Nações Unidas, o evento “Transforming Education Summit”. Esta Cimeira procurará mobilizar a ação política, encontrar soluções e solidariedade, para transformar a educação: fazer um balanço dos esforços para recuperar as perdas de aprendizagem relacionadas com a pandemia; reimaginar os sistemas educacionais em todo o mundo e revitalizar os esforços nacionais e globais para alcançar o ODS4. Esta Cimeira procurará renovar o nosso compromisso coletivo com a educação e a aprendizagem ao longo da vida, como um bem público preeminente. António Guterres, Secretário Geral das Nações Unidas

Nova efeméride UNESCO: Dia Mundial do Futuro será celebrado a 2 de dezembro A partir do dia 2 de dezembro de 2022, a celebração do Dia Mundial do Futuro, promoverá a consciencialização pública sobre o futuro, como ele é usado e qual o papel que desempenha no presente. Através de colaborações ativas em todo o mundo, o Dia Mundial do Futuro destacará a universalidade das atividades humanas, nutrirá processos de inteligência coletiva, promoverá e aumentará a pesquisa do pensamento futuro, em diferentes contextos. A UNESCO aproveitará esta oportunidade para aumentar a consciencialização sobre o seu programa de Alfabetização do Futuro e incentivará a disseminação da alfabetização do futuro como uma abordagem de desenvolvimento baseada em capacidades – uma habilidade acessível a cada pessoa. Encontrar e implementar abordagens mais sustentáveis e participativas para o desenvolvimento nesta década, será fundamental para garantir tomadas de decisão eficazes e inclusivas em todo o mundo.

Site atualizado para a Rede das Escolas Associadas da UNESCO Aceda ao novo site da Rede das Escolas Associadas da UNESCO aqui. Site anterior ainda em linha https://aspnet.unesco.org/en-us A Rede nacional das Escolas Associadas da UNESCO integrou no passado mês de abril, 18 escolas, perfazendo um total de 151 estabelecimentos de ensino. Saiba mais aqui.

Promover a igualdade de género no mundo digital A 30 de maio de 2022, a UNESCO organizou uma sessão de alto nível no âmbito do Fórum da Cimeira Mundial da Sociedade da Informação sobre “Integração da igualdade de género nas políticas de transformação digital através do desenvolvimento de capacidades”. A sessão abordou os impactos da utilização crescente de tecnologias avançadas na igualdade de género e no acesso à informação (Linha de Ação 3 da CMSI). Baseou-se nas conclusões dos relatórios da UNESCO sobre “O impacto da Inteligência Artificial na vida profissional das mulheres” e “Desenvolvimento da Inteligência Artificial por múltiplas partes interessadas: 10 elementos fundamentais para a conceção de políticas inclusivas”. 31


Os Presidentes da Conferência Geral da UNESCO, da Assembleia Geral das Nações Unidas e do Conselho dos Direitos Humanos da ONU publicam a primeira declaração sobre a segurança do jornalismo Por ocasião do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa 2022, os Presidentes da Assembleia Geral das Nações Unidas, da Conferência Geral da UNESCO e do Conselho dos Direitos Humanos da ONU publicaram uma declaração conjunta para reiterar a importância de assegurar que os jornalistas e os trabalhadores dos media possam trabalhar livremente, de forma independente e segura, sem entraves, ameaças ou represálias violentas. Na opinião destas três entidades, subsistem demasiados desafios, incluindo elevados níveis de impunidade para crimes contra jornalistas, um aumento da detenção de jornalistas e da perseguição jurídica contra eles, a violência online, a utilização de ferramentas de vigilância para dificultar o trabalho dos jornalistas, o aumento dos ataques a mulheres jornalistas e aumento dos assassínios em ambientes não conflituosos. Ver a Declaração conjunta aqui.

Conferência Mundial sobre o Acesso Universal à Informação 2022: Inteligência Artificial, e-Governo e Acesso à Informação A Conferência terá lugar em Tashkent, Uzbequistão, a 28 e 29 de setembro de 2022, e incluirá uma abertura de alto nível, acompanhada por uma mesa redonda interministerial sobre o acesso à informação e inteligência artificial com a participação de peritos internacionais. Serão abordados, em várias mesas redondas, os temas do Acesso à Informação e Inteligência Artificial, cobrindo tanto os benefícios como os riscos, tendo como pano de fundo os princípios da boa governação. O evento de dois dias será também uma oportunidade para atualizar as “Orientações Políticas para o Desenvolvimento e a Promoção do Direito à Informação nos Quadros Nacionais”. Saiba mais aqui.

Novo guia do professor das escolas associadas da UNESCO “Abordando as teorias da conspiração: o que os professores precisam saber”. Foi publicado o novo guia do professor das escolas associadas da UNESCO intitulado “Abordando as teorias da conspiração: o que os professores precisam saber”. Um agradecimento especial foi feito aos 68 Coordenadores Nacionais da Rede das Escolas Associadas da UNESCO, diretores das escolas do Brasil, Canadá, Egipto, Grécia, Líbano, Perú, Portugal, Federação Russa e Emirados Árabes Unidos, que fizeram a revisão do documento. As teorias da conspiração estão a espalhar-se por todo o mundo causando danos significativos. A complexidade das narrativas sobre esta temática e os mecanismos psicológicos que sustentam as crenças estão a ser muito difíceis de desafiar. Especialistas de todo o mundo que estudam as teorias da conspiração, produziram uma base sólida de conhecimento sobre porque as pessoas acreditam nelas, bem como estratégias para preveni-las e combatê-las.

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Diretora Geral da UNESCO participa na Conferência das Nações Unidas para os Oceanos “Melhor compreender para melhor proteger”, esta foi a mensagem principal que a Diretora Geral da UNESCO, Audrey Azoulay, deixou em Lisboa, por ocasião da sua participação na Conferência dos Oceanos das Nações Unidas que decorreu no nosso país, de 27 de junho a 1 de julho. Além de ter identificado um conjunto de prioridades no domínio dos Oceanos, a Diretora Geral estabeleceu uma meta para os 193 Estados Membros da UNESCO, ou seja, que todos eles deveriam ter incluído a educação ambiental nos seus currículos escolares até 2030. Saiba mais aqui. © UNESCO/DR

Conferência Mundial sobre Políticas Culturais e Desenvolvimento Sustentável MONDIACULT 2022 Organizada pela UNESCO quarenta anos após a primeira Conferência Mundial sobre Políticas Culturais Mondiacult (Cidade do México, 1982), e 24 anos após a Conferência Mundial sobre Políticas Culturais para o Desenvolvimento, (Estocolmo, 1998), a MONDIACULT 2022 decorrerá na Cidade do México, de 8 a 30 de setembro de 2022, reunindo os Estados-Membros da UNESCO e a comunidade internacional para debater as questões culturais mais prementes. A reflexão sobre as políticas culturais necessárias para enfrentar os desafios globais e a delineação de prioridades imediatas e futuras torna necessária a constituição de um setor cultural mais robusto e resiliente, plenamente ancorado nas perspetivas de desenvolvimento sustentável, a par da promoção da solidariedade, paz e segurança, em consonância com os objetivos da UNESCO e das Nações Unidas. Saiba mais em https://www.unesco.org/en/mondiacult2022

Lançamento do primeiro relatório sobre falsificação e negação do Holocausto nas redes sociais A UNESCO e as Nações Unidas, em parceria com o Congresso Judaico Mundial (WJC), lançaram o primeiro Relatório sobre falsificação e negação do Holocausto nas redes sociais. Este revela que este tipo de conteúdo litigioso está presente em todas as plataformas e sublinha o papel da moderação e da educação para uma redução significativa deste fenómeno. Neste sentido, são propostas cinco recomendações concretas, das quais destacamos a necessidade de monotorização e intervenção em conteúdos que negam ou distorcem o Holocausto, o redireccionamento e visibilidade da informação verificada e o investimento no desenvolvimento de programas de literacia mediática e informacional e de pensamento crítico para capacitar os alunos a interpretar e identificar (des)informação, tal como sugerido o relatório da UNESCO sobre o futuro da educação publicado em novembro de 2021. Ver o Relatório completo aqui. 33


NOTÍCIAS DAS REDES UNESCO Real Edifício de Mafra - Palácio, Basílica, Convento, Jardim do Cerco, Tapada - 3 anos de Património Mundial Por ocasião do terceiro aniversário da sua inscrição na lista de Património Mundial, ocorrido no passado dia 07 de Julho, o Real Edifício de Mafra assinalou a ocasião com uma programação variada que decorreu ao longo de todo o dia e proporcionou aos visitantes percursos diferenciados de visita que percorreram todos os espaços deste vasto bem, designadamente Palácio e Convento de Mafra, Basílica, Tapada Militar e Tapada Real, e ainda Jardim do Cerco. A programação incluiu, de manhã, a inauguração da exposição «Instrumentos Musicais Chineses» e, de tarde, a Reprise Equestre do Exército. Ao final da tarde na basílica foi celebrada missa presidida pelo Núncio Apostólico em Portugal.

©Câmara Municipal de Mafra

É de referir que a música marcou presença neste dia tendo assinalado o início das celebrações com o recital de carrilhão e o término das mesmas com o concerto pelo coro Gulbenkian na basílica de Mafra.

Santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga celebra 3º aniversário da inscrição na lista do Património Mundial da Unesco e o 7º aniversário de elevação a Basílica O Santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga, celebrou o 3º aniversário da inscrição na lista do Património Mundial da Unesco e o 7º aniversário de elevação a Basílica. Organizadas pela Confraria do Bom Jesus do Monte, as celebrações decorreram entre o dia 7 e 9 de julho e incluíram várias atividades, de que se destacam ©DR a conferência “O Bom Jesus Património Mundial da Unesco, como construtor de novos caminhos para a paz” com Laura Castro, Diretora Regional da Cultura do Norte e a Eucaristia do 7º aniversário da inscrição na lista do Património Mundial da UNESCO, presidida por D. José Cordeiro, Arcebispo Primaz de Braga. A efeméride foi, ainda, assinalada com a realização de dois concertos, no dia 8, pelo Grupo Vocal Cupertinos, na Basílica do Bom Jesus e, no dia 9 de julho, nos escadórios pelo Coro Académico da Universidade do Minho.

“Quintas de Inclusão” na Biblioteca Municipal de Faro -António Ramos Rosa A Biblioteca Municipal de Faro desenvolve um trabalho continuado e consistente na promoção da leitura junto do público escolar e no ano letivo 2021/2022 lançou o projeto “Quintas de Inclusão” com os objetivos de promover ©Biblioteca Municipal de Faro a Biblioteca como um espaço para todos, incutir comportamentos inclusivos nos alunos, sensibilizar alunos e professores para diferentes temáticas sociais, promovendo o livro como forma de abordar a cidadania ativa. Os temas abordados foram saúde mental, educação bilingue, voluntariado, cegueira, bullying, prevenção do cancro, autismo e refugiados. Este projeto recorre à parceria com várias instituições locais que enriquecem as atividades com o contributo das equipas de cada uma das instituições, dando a conhecer as Associações e Serviços existentes na comunidade local. 34


Feira da Dieta Mediterrânica – Tavira Património Cultural Imaterial da Humanidade A Feira da Dieta Mediterrânica, que decorre este ano entre 08 e 11 de setembro, é uma celebração que visa dar a conhecer a herança milenar civilizacional, o estilo de vida saudável e as práticas de proteção da biodiversidade e respeito pelas culturas locais. Esta realiza-se, anualmente, em Tavira, comunidade representativa de Portugal na classificação da Dieta Mediterrânica como Património Cultural Imaterial da Humanidade. 2 fotografias: ©Arquivo fotográfico CMTavira

As culturas da mesa e festa estão no centro de um programa com mercado de produtores, experiências culinárias, concertos, teatro e outras ofertas artísticas de raiz mediterrânica e um programa dedicado às crianças e jovens, festividades que cumprem os objetivos de educação e transmissão dos valores ancestrais da Dieta Mediterrânica, legado das civilizações que originaram a nossa identidade.

Biénio para a ação climática nos Geoparques Mundiais da UNESCO portugueses Realizou-se a 1 de junho, o webinar Biénio para a ação climática nos Geoparques Mundiais da UNESCO portugueses. Foram abordadas as medidas que cada Geoparque está a implementar e que estratégias seguir para mitigar o impacto das alterações climáticas. O projeto “Biénio para a ação climática nos Geoparques Mundiais da UNESCO portugueses”, que conta com o apoio da Comissão Nacional da UNESCO, tem como objetivos (i) identificar os potenciais impactos das alterações climáticas; (ii) propor ações de mitigação e adaptação às alterações climáticas; (iii) envolver as comunidades civil e escolar; (iv) reforçar o papel dos geoparques Mundiais da UNESCO enquanto laboratórios para a Educação e Ciência; e (v) fomentar o trabalho em rede.

Caderno de atividades “Escadório Criativo” - Bom Jesus do Monte em Braga O caderno de atividades “Escadório Criativo” é uma publicação para ajudar o público infantojuvenil a compreender melhor o Bom Jesus e a enriquecer a sua visita ao local. Este livro ajuda as crianças a entender o Bom Jesus e auxilia os educadores, professores e pais a preparar uma visita mais atrativa e dinâmica para os mais jovens. O caderno procura ajudar as crianças a interpretar os vários locais do santuário, e não apenas o escadório – que acaba por dar título ao livro- alude e explica outros locais que fazem parte da estância turístico-religiosa Património Mundial da UNESCO. O caderno está organizado em duas partes: a primeira com informação sobre o Bom Jesus, escrita numa linguagem simples e animada, e a segunda com uma série de atividades nas quais se podem aplicar esses conhecimentos, através de descoberta de códigos, de “sopa de letras”, desenhos, recortes e colagens, jogos de diferenças, entre outras. 35


Projeto Erasmus+ KA1 no Agrupamento de Escolas de Pombal A concretização do projeto Erasmus+ - VET do Agrupamento de Escolas de Pombal fomenta os princípios defendidos pela UNESCO. As mobilidades para formandos dos Cursos Profissionais, de longa e de curta duração, ocorrem em duas cidades europeias: Barcelona (Espanha) e Cork (Irlanda). O facto de viverem noutro país, estimula o crescimento pessoal, a aprendizagem, a inclusão e o aprender a viver juntos. Os participantes podem comunicar em outras línguas, conhecer culturas diferentes, o que ajuda a relativizar os problemas da vida, promovendo a tolerância. Estarem distantes da zona de conforto, da família e amigos, é um grande desafio! No entanto, esta experiência única no mundo laboral é uma oportunidade de “abrir portas”, de desenvolver soft kills, o autoconhecimento e testar capacidades e limites. É algo memorável!

Reunião Comité nacional MaB No passado mês de maio, teve lugar a 14ª reunião do Comité nacional MaB (Programa o Homem e a Biosfera da UNESCO) na Reserva da Biosfera (RB) de Santana, Madeira. Após uma interrupção de quase dois anos nas visitas de campo, o primeiro dia do encontro foi integralmente dedicado ao reconhecimento do território, ao contato com os principais atores locais e identificação de boas práticas nesta RB. No segundo dia foi discutido o Plano de Atividades de 2022, efetuado o respetivo ponto de situação de cada uma das ações e ouvidos os membros do Comité, nomeadamente os gestores de 9 RB. Foi, igualmente, visualizado o trabalho vencedor das 1ªs Olimpíadas Nacionais das Reservas da Biosfera (escalão I), sobre a RB do Boquilobo (primeira RB portuguesa), desenvolvido por duas alunas da escola B+S de Santana, Bispo D. Manuel Ferreira Cabral, sob a orientação da professora Zita Pacheco. A RB de Santana, declarada em 2011, foi a 8ª RB portuguesa a integrar a Rede Mundial de Reservas da Biosfera no âmbito do Programa MaB e, consequentemente, está em ano de comemoração do seu 10ª aniversário, uma data muito relevante em que se faz a 1º avaliação formal do estado de implementação no território dos objetivos do Programa MaB. A Rede Mundial integra 737 territórios distribuídos por 131 países. Portugal tem 12 RB inscritas na Rede Mundial de Reservas da Biosfera da UNESCO. 36


“Os Indesejados” projeto sobre Campos de Concentração e Campos de Refugiados No âmbito do Clube UNESCO Ciência, Arte e Engenho, uma turma de Humanidades do Agrupamento de Escolas Emídio Navarro, Almada, foi levada a pensar a situação crítica dos refugiados ao longo do ano letivo. Começámos por pensar a situação dos campos de concentração por meio da leitura de textos literários e, em particular, textos de testemunho. A par disso, os alunos pesquisaram testemunhos de refugiados e criaram textos que integraram um caderno especial do Jornal da Escola, Mar da Palha. Um desses textos foi premiado pelo Jornal Público na categoria de melhor reportagem dos jornais escolares. A partir disso os alunos pensaram o problema junto das crianças do 1.º Escolas e pensaram em levar a banda com as crianças o que se chamou “Olhar o que eles tinham realizado com o

numa ação de sensibilização para ciclo das turmas do Agrupamento de desenhada de Anne Frank para fazer Analógico”, quer dizer, levá-las a pensar pensamento e textos mais longos.

A finalidade foi conduzir os alunos a pensar se existem ou não semelhanças entre os campos de concentração e os campos de refugiados. As crianças estabeleceram essa relação e criouse este livro Olhar Analógico. Ainda houve tempo para escutar a escritora Julieta Monginho e para organizar um encontro com Anna Paula Ormeche, Isabel Capeloa Gil, Irene Pimentel e José Caselas. Os alunos também pensaram e criaram a sua própria intervenção que foi gravada. Mais informações em https://linktr.ee/projetosindesejados.

A Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira em Leiria, é um Centro do Programa EUSOUDIGITAL

Este Programa Nacional tem como objetivo promover a capacitação digital de 1 milhão de adultos em Portugal até ao final de 2023, através do desenvolvimento de uma rede de mais de 30.000 voluntários, apoiados em mais de 1.500 Centros que estão a ser criados a nível nacional. A BMALV na qualidade de Centro EUSOUDIGITAL vai ser uma das pontes com a comunidade local, disponibilizando 3 mentores, que irão dar a capacitação digital. O Programa propõe-se trabalhar com pessoas que não têm, atualmente, qualquer interação com o mundo online, em particular, adultos acima dos 45 anos, e que pretendam adquirir competências digitais básicas essenciais ao dia-a-dia. Esta adesão insere-se na estratégia de literacia digital da BMALV no âmbito da Rede de Bibliotecas associadas à Comissão Nacional da UNESCO(ONU), de que a BMALV faz parte. ©CMLeiria

Iniciativas desenvolvidas pelo Clube UNESCO CRESAÇOR À Janela procura, pela via da inclusão pela cultura, honrar as memórias de cada sénior enquanto património da freguesia e região, partilhando-as sob a forma de um documentário e de um Livro de Memórias. A equipa trabalha desde julho de 2021 para mitigar o isolamento social de 58 idosos. O 1º Trilho Artístico e Cultural da Vila de Rabo de Peixe é uma iniciativa da Escola Rui Galvão de Carvalho e da Junta de Freguesia de Rabo de Peixe em parceria com a CRESAÇOR. Com o tema “O Mar aqui tão perto”, a CRESAÇOR, enquanto curadora, selecionou e organizou os trabalhos agora expostos em 47 locais públicos da vila, preparando um mapa completo do Trilho, disponível por código QR em cada ponto.

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Rede de Casas e Lugares do Sentir, Fundão - Clube Unesco Casa do Barro - Telhado A Casa do Barro promove regularmente ateliês de barro. A “Escola do Barro”, destinada a crianças e que funciona como uma Actividade de Enriquecimento Curricular, que promove o Saber Fazer junto da comunidade Escolar. O projeto faz parte da Rede de Casas e Lugares do Sentir, membro da Rede de Associações e Clubes UNESCO, que é uma rede de espaços distribuídos pelo território do Fundão. Ao longo dos anos desenvolvemos dezenas de atividades, entre muitas e com sucesso, a Fornada. Há 25 anos que o forno da Casa do Barro não cozia uma fornada de peças de barro e voltou a acontecer entre os dias 2 e 26 de junho. A Fornada com a oficina de impressão 3D, cerâmica e outras técnicas pretendeu fomentar e facilitar a reativação de um conjunto de dinâmicas com os habitantes da localidade do Telhado e da Região. A cozedura das peças produzidas nas diversas ações desenvolvidas na Casa do Barro no forno tradicional foi o momento alto da iniciativa. Mais de trezentas peças utilitárias foram cozidas no forno a lenha. A Casa do Barro do Barro é um projeto que permite às pessoas experimentar e aprender o moldar do 2 fotografias: ©Câmara Municipal do Fundão barro na roda do oleiro.

Leiria - Rede das Cidades Criativas da UNESCO O projecto “O Som das Palavras” trouxe a Leiria música da compositora argentina Eva Lopszyc e - em estreia absoluta - dos compositores Jorge Campos e Avner Havani. O projecto segue uma das matrizes fundamentais da Leiria Cidade Criativa da Música o cruzamento de áreas de expressão, misturando aqui a palavra - semântica e foneticamente - e os sons. Para além da relevância artística do projecto, extremamente bem concebido e fundamentado, foi de uma inspiração enorme presenciar um ensemble de várias gerações de instrumentistas de sopro e percussão que demonstraram uma qualidade ímpar e uma enorme elasticidade para enfrentar um desafio estético como este. Assistimos a um momento assombroso com músicos filarmónicos em quantidade e - fruto de um processo de refinamento de gerações - em qualidade vertiginosa com tenra idade. À frente do Ensemble o Maestro Alberto Roque, que se assumiu já de há vários anos para cá como uma referência de excelência, na Europa e no Mundo, no que toca à Direcção de Música para Sopros. Queremos potenciar este capital artístico Leiriense e fazê-lo circular pelo país e pelo mundo pois a qualidade que colocam em palco ombreia com quaisquer ensembles mundiais de natureza idêntica. Bravo!” (Daniel Bernardes, Diretor artístico). 2 fotografias: ©Câmara Municipal de Leiria

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“Falcoaria. Património Humano Vivo” A integração de Portugal na candidatura multinacional da Falcoaria em 2016, apresentada pelo Município de Salvaterra de Magos, a Universidade de Évora e a Associação Portuguesa de Falcoaria, despertou o interesse pela prática e a curiosidade em conhecer a Falcoaria Real, um edifício construído no séc. XVIII, para receber falcões e falcoeiros ao serviço do rei. Estas entidades continuam a colaborar, de forma a garantir que a falcoaria é uma prática respeitada e se mantém ativa em Portugal, destaca-se a inauguração de um Centro de Documentação com objetivo de se tornar um arquivo/biblioteca especializado em Caça, Falcoaria e Património Cultural, este novo espaço alberga a sede da Associação Portuguesa de Falcoaria, que com frequência realiza cursos de iniciação.

Pátio da Falcoaria Real de Salvaterra de Magos © CMSM, 2019, Miguel Cardoso.

Próximas atividades: 10/09 - novo livro infantil,o 9º de uma coletânea:“O Principezinho em Salvaterra” de Helena Sacadura Cabral, com ilustrações de Ana Teresa Pontífice 1/12 - Exposição sobre Falcoaria, com a participação ativa de todos os países que fazem parte do dossier.

INDEX - Bienal de Arte e Tecnologia em Braga, Cidade Criativa da UNESCO em Media Arts Braga foi o epicentro da arte e tecnologia com a primeira edição da bienal Index. De 12 a 22 de maio, a bienal promoveu, em diferentes espaços da cidade, workshops, performances, exposições, conversas e visitas orientadas, onde se explorou a noção de “Superfície”. No programa performativo, destacou-se a estreia nacional do espetáculo “Subassemblies”, do artista japonês Ryoichi Kurokawa, um dos expoentes mundiais da arte digital e, também, a encomenda performativa da bienal “Spillover”, sobre a problemática de extração de minério na zona de Montalegre. Dos museus às ruas, o programa expositivo da bienal contou com obras © Teatro Circo de Braga de artistas de referência como Peter Burr, Jana Winderen ou Studio Folder. Federico Campagna, Bruno Latour e Frédérique Aït Touati foram alguns dos nomes que integraram o programa de conversas da bienal. Ao longo de 11 dias, a arte digital esteve em foco na cidade de Braga e deixou a fasquia elevada para a próxima edição da bienal. 39


Cátedra UNESCO Educação para a Paz Global Sustentável da Universidade de Lisboa (E=GPS) A Cátedra E=GPS esteve representada no júri da 1.ª Edição da RedEscolas Anti-corrupção da ALL4INTEGRITY. Durante nove meses, 1400 estudantes de 17 escolas, de norte a sul do País, e também nas ilhas e em Macau, trataram o tema da corrupção com criatividade e dinamismo, para fazer florescer uma Cultura de Integridade que quebra as correntes de imobilismo - e que percebe como a transparência é essencial em qualquer sociedade democrática. A Cátedra E=GPS esteve igualmente representada no júri da 1.ª Edição do Wellbeing Awards, premiando, de entre mais de 100 concorrentes, as empresas publicas e privadas mais dedicadas a práticas de promoção da saúde global e do bem-estar, dando resposta aos ODS #3 (Saúde e Bem-estar) e #16 (paz e Instituições Eficazes).

Clube UNESCO da Cidade do Porto participa em limpeza de via romana As Câmaras Municipais de Vouzela e de S. Pedro do Sul promoveram uma ação de voluntariado para a limpeza do troço de via romana do Vau, junto ao Rio Vouga. Participaram nesta iniciativa 25 membros do Clube UNESCO da Cidade do Porto. Ao longo de várias horas de trabalho, os voluntários puseram a descoberto parte do lajeado da antiga via romana, que se encontrava soterrado por uma espessa camada de terra e saibro, depositada e compactada ao longo de décadas de abandono. Graças a esta limpeza parcial, tornou-se possível admirar novamente a perfeição e robustez desta infraestrutura milenar, que conserva 1,5 km de extensão e cerca de 5 m de largura, formada por grandes blocos de granito solidamente imbricados. Este troço de estrada, que ligava Vouzela e as Termas de S. Pedro do Sul, desenvolve-se junto à margem esquerda do Rio Vouga, num cenário de grande beleza natural. Fazia parte da antiga via romana que comunicava Viseu com a zona de Águeda, onde ia entroncar na importante estrada romana Lisboa – Braga.

Cátedra UNESCO do I.P. Leiria - ESAD.CR participa na MONDIACULT Decorrerá nos dias 26-27 de setembro de 2022 a Conferência Learning from the Territory - Social and Artistic Community Practices, integrada no ‘Fórum Artes e Sustentabilidade’ da Cátedra UNESCO ‘Artes e Gestão Cultural, Cidades e Criatividade do Instituto Politécnico de Leiria – Escola Superior Artes e Design das Caldas da Rainha (ESAD.CR ). Este evento integra-se na MONDIACULT 2022: Conferência Mundial da UNESCO sobre Políticas Culturais e Desenvolvimento Sustentável (México, 28-30 setembro), enquanto atividade paralela, à distância. A Cátedra UNESCO também estará representada presencialmente na MONDIACULT por uma equipa constituída por membros da comissão executiva e alunos do Mestrado em Gestão Cultural e Licenciatura em Programação e Produção Cultural da ESAD.CR. Saiba mais em https://gestaodasartes.ipleiria.pt/ 40


Comemoração dos 500 anos da Circum navegação de Fernão de Magalhães Agrupamento de Escolas da Bemposta Com o concerto “Volta ao Mundo em Coro”, realizado no dia 1 de junho no teatro TEMPO em Portimão, encerrouse o ciclo de 3 anos em que se comemorou a 1ª viagem de circum-navegação no Agrupamento de Escolas da Bemposta. Este evento assinalou a comemoração do dia da criança no município de Portimão. Países celebrados em coro: .5ºA - Portugal, Hawai (EUA), Argentina e Austrália; .6ºA - Israel, Gales, Inglaterra, Jamaica e Polinésia .7ºA - Zâmbia, Quénia, Espanha e Itália .8A - China, Tailândia, Alemanha e Palestina .9ºA - Bósnia, Estónia, Brasil e EUA Foram três anos em que esta temática foi abordada nas sessões UNESCO, para todas as turmas do 4º ano do Agrupamento, e em que muitos alunos desenvolveram trabalhos muito interessantes, como aqueles que estiveram presentes no concerto, entre os quais os dos alunos da turma 4ºB da EB José Sobral (foto).

Academia Musical dos Amigos das Crianças -Clube UNESCO A Academia Musical dos Amigos das Crianças, membro da Rede de Associações e Clubes UNESCO, é uma associação fundada em 1953 que desenvolve atividades educativas e culturais, na área da Música, nas duas escolas Ensino Especializado, que tutela. Nos Concertos apresenta-se o trabalho desenvolvido pelas classes, como no Concerto dos Fundadores, em parceria com Rodrigo Leão, no Teatro Tivoli. De 10 a 12.06.2022 realiza a 5ª Edição do Prémio Ilda Moura, no Porto, e de 28.06 a 03.07.2022, a 2ª Edição do Concurso Vecchi-Costa, em Lisboa, direcionados a jovens. Organiza a 6ª Edição do Estágio das Or questras e Coro, de 4 a 8.07.2022, com atividades de prática musical conjunta e de caráter lúdico. Realiza Ateliers de Experimentação de Instrumentos, nos dias 18.06.2022 e 16.07.2022, na sede. Tem ensino desde os 3 anos de idade até adultos.

NB: Os conteúdos relativos às atividades das redes são da exclusiva responsabilidade das mesmas e refletem apenas uma ínfima parte da variedade e riqueza das atividades e projetos desenvolvidos. Cabe à CNU selecionar, de entre as propostas recebidas, aquelas que considera enquadrar-se na temática de cada edição procurando dar uma visão mais vasta das diferentes dinâmicas.

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PUBLICAÇÕES EM DESTAQUE

PRÉMIOS E CONCURSOS

EVENTOS UNESCO 18 A 22 DE JULHO

XIV Conferência anual da Rede das Cidades Criativas da UNESCO, Santos, Brasil

PRÉMIOS UNESCO ATÉ 2 DE NOVEMBRO Prémio Internacional UNESCO-Al Fozan para a promoção de jovens cientistas em ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

29 DE JULHO A 2 DE AGOSTO

24ª Conferência Internacional sobre a SIDA, Montreal, Canadá

23 DE AGOSTO A 1 DE SETEMBRO

Comemorações da Semana Mundial da Água, Paris

8 DE SETEMBRO

Prémio Internacional UNESCO Guiné Equatorial para a Investigação em Ciências da Vida

19 DE SETEMBRO

PRÉMIOS E CONCURSOS CNU

Comemorações do Dia Internacional da Alfabetização, Paris “Transforming Education Summit”, Nações Unidas, Nova Iorque

DE 25 DE JULHO A 23 DE SETEMBRO

20 DE SETEMBRO

Lançamento do Quadro da UNESCO para Fomentar o Diálogo Intercultural, Paris, online

Prémio de Jornalismo Direitos Humanos & Integração

… E AINDA

28 A 30 DE SETEMBRO

Conferência Mundial da UNESCO sobre Políticas Culturais e Desenvolvimento Sustentável - MONDIACULT 2022, Los Pinos, México.

Candidaturas à Rede de Escolas Associadas – ao longo do ano, sem prazo

28 e 29 DE SETEMBRO

Candidaturas à Rede de Bibliotecas Associadas à CNU - ao longo do ano, sem prazo

Conferência Mundial sobre o Acesso Universal à Informação 2022 “Inteligência Artificial, e-Governo e Acesso à Informação”

6 DE OUTUBRO

Primeira celebração do Dia Internacional da Geodiversidade 3 DE NOVEMBRO Primeira celebração do Dia Internacional das Reservas da Biosfera

7-8 DE DEZEMBRO

• Conferência das NU, na sede da UNESCO, em Paris sobre águas subterrâneas enquadrada na campanha “Groundwater: making the invisible visible” lançada no dia 22 de março, Dia Mundial da Água.

Eventos na área da educação Eventos na área das ciências naturais Eventos na área das ciências sociais e humanas Eventos na área da Cultura Eventos na área da comunicação e informação

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EFEMÉRIDES E CELEBRAÇÕES AGOSTO

JULHO

• 9 agosto - Dia Internacional dos Povos Indígenas do Mundo

• 18 julho -Dia Internacional Nelson Mandela

• 12 agosto - Dia Internacional da Juventude • 23 agosto - Dia Internacional da Recordação do Tráfico Negreiro e da sua Abolição

SETEMBRO

Semanas internacionais

• 8 setembro - Dia Internacional da Alfabetização

Anos internacionais

• 15 setembro - Dia Internacional da Democracia • 20 setembro - Dia Internacional do Desporto Universitário • 21 setembro - Dia Internacional da Paz • 28 setembro - Dia Internacional do Acesso Universal à Informação

Décadas internacionais

POSTOS VAGOS NA UNESCO ATÉ 29 DE JULHO Diretor do Bureau e Representante da UNESCO no Líbano e na República Árabe Síria

ATÉ 31 DE JULHO Especialista em Direitos Humanos para o resumo de Políticas em Ciência, Tecnologia e Inovação

ATÉ 5 DE SETEMBRO Especialista de Programa (Comunicação e Informação)

… MAIS POSTOS VAGOS EM AQUI

Largo das Necessidades, 1350-215 Lisboa Tel. (351) 213 946 652 E-mail: cnu@mne.pt A Comissão Nacional da UNESCO www.unescoportugal.mne.pt

deseja a todos boas leituras e boas férias

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FICHA TÉCNICA Uma edição da Comissão Nacional da UNESCO em formato digital (2ª edição - julho 2022). Presidente: Embaixador José Filipe Moraes Cabral | Secretária Executiva: Rita Brasil de Brito Educação: Fátima Claudino | Ciência: Ana Paula Santos | Cultura: Clara Bertrand Cabral Comunicação e Informação: Anna-Paula Ormeche e Ana Sofia Lopes Secretariado: Susana Palhete

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