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17 anos 2001 – 2018

Projecto Global de Requalificação e Revitalização do Bairro Azul

Mais do que tudo... são as pessoas que contam Se ao nível da arquitectura e pormenores construtivos há, no Bairro Azul, uma unidade que permanece intacta e evidente, ao nível das vivências sentimos ainda no nosso bairro um aconchego que nos conforta e que já vai sendo raro na cidade. O Bairro Azul continua a ser um bairro no sentido tradicional do termo: a teia de relações pessoais que se construiu neste bairro “fechado” (até à construção do viaduto da Rua Ramalho Ortigão, na década de 70 do século XX, as ruas do bairro não tinham saída) facilita a interajuda e um acompanhamento próximo nomeadamente das nossas crianças e dos muitos idosos que habitam o bairro. Vivem aqui inúmeras famílias desde a sua construção, há perto de 80 anos, e não são raros os casos de três e mesmo quatro gerações da mesma família a habitarem no bairro. Esta é a nossa maior riqueza. Este é o património que verdadeiramente importa preservar não só no nosso bairro mas em toda a cidade.

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Nota Prévia: Desde 2001 que este “Projecto” tem vindo a ser “construído” pelos moradores e comerciantes que têm participado nos encontros e reuniões e respondido aos nossos e-mails. Tem sido apresentado publicamente, publicado no site e no facebook da Comissão de Moradores e enviado, ano após ano, depois de actualizado, aos moradores que constam da nossa mailing list. Apresentamos ideias / sugestões no âmbito de um “Projecto”, todas elas sujeitas a discussão. Cabe à CML, Junta de Freguesia e demais entidades, decidir da sua aplicabilidade/oportunidade e concretizá-las, ou não. Não propomos soluções técnicas para os problemas apresentados. Compete aos técnicos fazê-lo. As sugestões que recebemos dos moradores – desde que não entrem em contradição com as propostas base que defendemos - são incluídas no documento.

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INTRODUÇÃO

Ao longo dos últimos 20 anos - e nos últimos 17 anos organizada enquanto Comissão de Moradores - a população do Bairro Azul tem lutado pela defesa e preservação do seu bairro. Sistematicamente foram apresentadas propostas e sugestões aos sucessivos executivos municipais da Câmara e da Junta de Freguesia, que em 2003 dedicou um Boletim Informativo ao Bairro Azul, visando contribuir para a resolução das questões levantadas pelos moradores. Por proposta da Comissão de Moradores (entregue em 2002) o Bairro Azul foi classificado, em 2009, como Conjunto Urbano de Interesse Municipal. É o reconhecimento, por parte da autarquia, do valor intrínseco do bairro e do seu interesse para a História da Cidade de Lisboa, designadamente, da sua arquitectura e do seu urbanismo. É nossa convicção que estando o Bairro Azul classificado, e sendo criteriosamente reabilitado, Lisboa pode passar a integrar a Rede Mundial de Cidades que valorizam o seu património Déco/Modernista e oferecer um Roteiro do Património Déco/Modernista que integre, por exemplo, o Bairro Azul, o Bairro das Colónias, o antigo Cinema Éden, o Cinema Capitólio, o antigo Hotel Vitória, a Estação dos Comboios do Cais do Sodré, o edifício do Instituto Nacional de Estatística, o edifício da Casa da Moeda e tantos outros. Este tipo de iniciativas, de reduzido custo, permitirá acompanhar a actual tendência de formas de turismo especializado ou personalizado e, simultaneamente,

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valoriza a arquitectura, alarga a oferta cultural e turística e potencia o comércio local da cidade. Acresce que, para além das caraterísticas históricas e das particularidades arquitectónicas deste conjunto urbano, é a vivência coletiva e as relações de vizinhança que o tornam um bairro e foi isso que levou muitos dos seus habitantes a reclamarem a sua preservação e a apresentarem propostas que evitem a sua degradação. Tal como vimos fazendo ao longo dos últimos 17 anos, apresentamos este documento com o Conceito e as Acções que nos parecem essenciais para a concretização desse Projecto, periodicamente revisto e actualizado. 2

CONCEITO

Bairro Azul – Bairro Déco/Modernista Património de Lisboa – Integrado na Estrutura Verde da Cidade. É à volta deste Conceito que deve ser desenvolvido o Projecto Global de Requalificação e Revitalização do Bairro Azul - Edificado, Espaço Público, Comércio, etc. A classificação do Bairro permitiu que se desse início à sua requalificação: a conversão do Bairro Azul em “Zona 30” - projecto que a Câmara Municipal de Lisboa elaborou e divulgou através do folheto “O Charme Vai Voltar ao Bairro Azul “- foi um primeiro passo inequívoco e importante nesse sentido. No entanto, decorridos cerca de 9 anos sobre a classificação do Bairro, em que houve significativas alterações na organização administrativa da cidade, em que foram reorganizados os serviços municipais, em que ocorreram eleições autárquicas, propondo a Câmara Municipal sempre melhorar os serviços prestados, a Comissão de

Moradores do Bairro Azul continua a ter dificuldade em encontrar um interlocutor que dê sequência às propostas que apresenta, uma vez que se trata de um projeto que inclui diversas áreas de atuação. 3

ACÇÕES

Em torno do Conceito Bairro Azul – Bairro Déco/Modernista Património de Lisboa – Integrado na Estrutura Verde da Cidade, o Projecto de Requalificação e Revitalização que propomos reforça a unidade construtiva e social do Bairro; o seu carácter Déco/modernista; a sua ligação a todos os espaços verdes que o rodeiam tornando-se, o próprio Bairro, um elemento de ligação entre eles. 3.1

Informação / Divulgação

É necessário dar visibilidade ao Projecto e sensibilizar a população – designadamente a população residente (o Alojamento Local está já muito presente no Bairro) comerciantes, estudantes e todos os utilizadores do bairro.

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Para isso, propõe-se: . Parcerias com outros Projectos – actualmente em curso parcerias com o Projecto “ Memória das Avenidas”; . Visitas Guiadas pelo Bairro – estão já a ser realizadas periodicamente por elementos da Comissão de Moradores; . A realização de uma exposição sobre o Bairro Azul e suas gentes (moradores, comerciantes, etc.) – CML / Junta de Freguesia / Projecto Memória das Avenidas - MUPIS nas ruas do Bairro; . A edição de uma monografia bilingue (Fundação C. Gulbenkian – CML – Universidade Nova de Lisboa – FCSH – Instituto de História da Arte); . Artigos de marchandise, que poderão estar à venda nas lojas do Bairro, envolvendo, por exemplo, artistas e designers residentes no Bairro; . A edição de uma brochura com a história do Bairro, mapas, comércio, curiosidades; . A identificação dos edifícios (seus arquitectos, moradores ou comerciantes) mais notáveis através de uma placa; . Um painel na Estação do Metropolitano S. Sebastião (saída para o Bairro Azul); . A organização de debates, conversas envolvendo agentes locais e/ou estudiosos sobre determinados temas em espaços do bairro ou vizinhos ao bairro (Palacete Leitão / Palacete Vilalva / etc... O Departamento do Património Cultural da CML e o Gabinete de Estudos Olisiponenses têm já em seu poder, há muitos anos, material sobre este Bairro – designadamente sobre alguns dos moradores ilustres que aqui habitaram ou trabalharam - cedido pela Comissão de Moradores. (António Silva, Raul Solnado, Azeredo Perdição, Pinheiro de Azevedo, etc...) 3.2

Reabilitação do edificado

. Conforme solicitado à CML desde 2001, continuamos a aguardar um “Manual de Boas Práticas” que oriente intervenções futuras no edificado do Bairro para que sejam preservadas, tanto quanto possível, as suas características originais - a ser entregue aos proprietários, inquilinos e administrações dos prédios; . Disponibilizar aconselhamento especializado - p.ex., através de um técnico do Departamento de Património da CML especialista neste tipo de arquitectura (incluindo interiores) - que oriente a escolha de materiais e as obras que se pretendam realizar; Particularmente importantes são as questões das acessibilidades, por ex: introdução de 4


elevadores nos prédios ou a questão das caixas de correio que, em alguns pontos da cidade, começam a ser “embutidas” nas portas de ferro das entradas, destruindo-as. A Introdução de botoneiras com códigos permite a distribuição dos serviços postais através do acesso dos carteiros aos respetivos códigos. . Seleccionar uma rua ou alguns edifícios de cada uma das ruas do bairro (caso não seja possível no bairro todo) e promover a sua reabilitação, recuperando, designadamente, as cores originais que deram o nome ao bairro. “Bairro Azul” é já uma “marca” forte na cidade. É importante dar de novo significado a esse nome: ele faz parte da história da cidade; . Em conjunto com os proprietários e através de parcerias, requalificar os logradouros da parte antiga do bairro: esses espaços, juntamente com as escadas de ferro que lhes dão acesso, poderão ser um ex libris do bairro, com flores e plantas, ou hortas e árvores de fruto (laranjeiras, limoeiros, nespereiras,…) como antigamente acontecia; . É necessário requalificar as fachadas dos prédios dos anos 60 (parte Norte do Bairro, não classificada): o bairro é um Todo e por isso estes prédios, apesar de serem mais recentes, devem enquadrar-se no conjunto classificado. A existência de marquises, de fachadas das lojas adulteradas e com publicidade abusiva, etc., desvirtuam todo o conjunto. 3.3

Reabilitação do Espaço Público

As questões do Trânsito e do Estacionamento foram consideradas por todos, desde sempre, prioritárias. 3.3.1 Trânsito A Classificação do Bairro Azul como “Zona 30” foi um passo importante para a resolução de muitos dos problemas. Em parte do Bairro dá-se agora, claramente, prioridade à segurança do peão; . É necessário avançar com outras acções que devolvam ao Bairro Azul a sua Unidade, libertando-o do trânsito de atravessamento, requalificando, prioritariamente, a Av. José Malhoa. Esta é uma avenida recente que começa nos edifícios de habitação Twin Towers e onde se situam inúmeros hotéis e empresas de prestígio. É necessário libertá-la do trânsito de atravessamento criando novos acessos pedonais ao centro da cidade. Esta Avenida – uma das mais “nobres” de Lisboa - necessita ser valorizada e embelezada, por exemplo, através de um tratamento semelhante ao que foi dado à Alameda dos Oceanos, no Parque das Nações: com a criação de circuitos pedonais de acesso à Fundação C. Gulbenkian, acessos mais amplos e bem sinalizados aos Jardim da Amnistia Internacional/Corredor Verde, plantação de árvores, introdução do elemento água, etc.; . O viaduto da Rua Ramalho Ortigão (projecto do Eng.º Edgar Cardoso) com vistas privilegiadas para a Praça de Espanha e Aqueduto das Águas Livres deve, também ele, ser objecto de atenção tendo em conta que é percorrido por milhares de turistas que se 5


alojam nos hotéis da Av. José Malhoa e se dirigem, a pé, para a Fundação C.Gulbenkian, El Corte Inglés, Parque Eduardo VII, etc. Alertámos já a Câmara Municipal para a eventual necessidade da uma reparação; . É necessário criar uma ligação directa da Av. José Malhoa à Praça de Espanha – evitando-se o “carrocel” de veículos que vêm fazer inversão de marcha em frente à Escola Marquesa de Alorna/Mesquita. Já foi estudada na CML esta possibilidade e o projeto seguiu, em 2012, para o Departamento de Obras para execução; . É necessário e urgente estudar a questão do acesso ao Interior do Bairro, situação que preocupa todos conforme foi demonstrado com a realização de mais um Abaixo Assinado entregue em Junho de 2016 ao Senhor Presidente da CML e Senhora Presidente da Assembleia Municipal. Com as novas construções – e aumento da oferta de serviços dos SAMS - o número de automóveis que pretende entrar e sair do Bairro tem aumentado exponencialmente. . Foi recentemente concluída a ampliação da sede do Banco Santander-Totta, num terreno que pertencia ao “Corredor Verde”; vai avançar o novo Campus de Campolide da Universidade Nova e não se sabe, até à data, como estão pensados os acessos. De notar que apenas se pode entrar e sair do Bairro pela Rua Júlio Dantas; . A CML deve estudar devidamente a questão do trânsito no novo arranjo da Praça de Espanha para que a Av. José Malhoa / Rua Ramalho Ortigão não sejam uma vez mais penalizadas. . A mesma questão põe-se relativamente à “Infinity Tower” – um dos edifícios mais altos de Lisboa, com 26 pisos acima do solo e cerca de 25.000 m2 junto às Twin Towers. . Devem avançar com urgência as carreiras de “Autocarros do Bairro” (autocarros mais pequenos, não poluentes) que sirvam p.ex: o Bairro Santos ao Rego, o Bairro Azul, o Bairro do Alto do Parque,…;

“Bairro Azul – Zona 30”

Apesar das medidas tomadas, muitos automóveis continuam a atravessar o Bairro e, muitos deles, a velocidade elevada. Foi já instalada sinalética horizontal em 2 ruas do

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Bairro. Aguarda-se a sua colocação na Rua da Mesquita e, logo que possível, na Rua Ramalho Ortigão; . Essa sinalética deve também ser utilizada no troço da Av. António Augusto de Aguiar, que pertence ao Bairro Azul (desde a Embaixada de Espanha até à Rua Marquês de Fronteira) fazendo, desta forma, um “derramar do Bairro” para uma artéria com um enorme fluxo de trânsito, acalmando o tráfego e ligando de forma mais cómoda e legível o Bairro aos Jardins da Fundação C. Gulbenkian; . Na Rua Henrique Alves deve ser dada claramente prioridade ao peão e deve ser criado um acesso directo, confortável e seguro à Fundação C. Gulbenkian visto que todos os peões atravessam nesta zona que se encontra em frente do portão lateral da Fundação; . A Rua Ramalho Ortigão – a partir do viaduto sobre a Av. C. Gulbenkian – após a intervenção na Av. José Malhoa, deverá ficar com um perfil idêntico às restantes ruas do Bairro, apenas com 1 sentido, retirando o tráfego de atravessamento do Bairro; . O mesmo se propõe para a Rua da Mesquita (Fase 4 do folheto “ O Charme Vai Voltar ao Bairro Azul”), devendo neste caso ser estudada a requalificação do espaço: diminuir as faixas de rodagem, aumentar os passeios, plantar árvores, etc.; . As passadeiras de peões e as marcações dos lugares de estacionamento, em todo o Bairro, deverão ser pintadas com tinta adequada, por forma a estarem sempre bem visíveis e em bom estado. 3.3.2 Estacionamento . Deverá ser criado estacionamento alternativo na periferia do Bairro para a população flutuante, libertando o estacionamento existente dentro do Bairro para moradores, pequenas empresas, comércio e clientes do Bairro, etc.; . Deverá ser avaliada a possibilidade de criar mais estacionamento nos 3 grandes logradouros com entrada pelas ruas Júlio Dantas e Ramalho Ortigão, actualmente estacionamento exclusivo para moradores, e em outros locais do Bairro; . Deverá ser corrigida a localização das zonas de cargas/descargas, tendo em conta que a cidade não é estática; . Deverá ser devidamente verificada a situação dos lugares de estacionamento para deficientes; . Deverá ser efectuada uma fiscalização mais eficaz e rigorosa dado que muitos condutores estacionam ainda em cima dos passeios, nas passadeiras, etc.. Caso não haja fiscalização suficiente e se continuem a verificar abusos, a colocação de pilaretes, apesar de indesejada, pode ser a única solução para este problema que se arrasta há anos;

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. Deverá ser alargado aos Domingos o horário de estacionamento tarifado por parte da EMEL, tendo em conta os horários dos equipamentos que rodeiam o Bairro; 3.3.3 Segurança O Bairro Azul é ainda um bairro com uma população envelhecida e consequentemente vulnerável. Assim propõe-se: . Reforço do policiamento de proximidade; . Estudar uma iluminação, de baixo consumo, que se adeque às características residenciais da área, e modelos de candeeiros adequados. Actualmente existem 10 modelos diferentes de candeeiros no Bairro; . Reforço da presença policial e da EMEL nos dias de maior afluência à Mesquita, conforme o respectivo calendário religioso e de eventos, para disciplinar trânsito e estacionamento; . Reforço da presença policial Escola Segura (Escola Marquesa de Alorna); . Controle da pequena criminalidade que se verifica no Bairro: vandalismo, destruição do mobiliário urbano, grafitos, etc. 3.3.4 Espaços Verdes . Conclusão do projecto paisagístico da Frente do Bairro com inclusão de aviso com “Normas de Utilização” (proibição de cães); . Deverá também ser elaborado um projecto paisagístico para todas as ruas, que reforce a unidade construtiva do Bairro (tendo em atenção as espécies plantadas ou a plantar em todas as ruas; a forma das caldeiras das árvores; floreiras, etc. A frente do Bairro Azul na Av. António Augusto de Aguiar e a Rua da Mesquita não devem ser esquecidas; . É urgente a susbstituição faseada de árvores da Av. Ressano Garcia – muitas estão apodrecidas – por espécies adequadas que possibilitem o arranjo dos passeios actualmente muito danificados pelas raízes das árvores existentes; . Deverão ser substituídas todas as árvores mortas em todas as ruas do Bairro e plantadas árvores novas nas caldeiras vazias; . Também os logradouros da parte antiga do Bairro poderão ser valorizados, como foi já referido, em conjunto com proprietários e inquilinos – pequenas hortas biológicas, jardins de cheiros, árvores de fruto, etc.. Poderá ser efectuada uma “Campanha de Limpeza dos Logradouros” com a colaboração da CML;

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. Deverá ser iluminado e devidamente identificado o que resta do Geomonumento e do Baluarte seiscentista que era parte integrante da cintura defensiva de Lisboa, junto à clínica dos SAMS; . Deverão ser periodicamente tratadas as floreiras do Bairro (p. ex: Teatro Aberto, Av. José Malhoa, Mesquita,…). 3.3.5 Higiene Urbana/ Saúde Pública . Pensamos que os ecopontos que existem deverão ser enterrados e que deve ser pensada a possibilidade de colocação de mais ecopontos, estudando cuidadosamente a sua localização; . Restaurantes/cafés mas também Mesquita, Escola Marquesa da Alorna, SAMS, etc. todos devem ser responsáveis pela limpeza diária dos passeios em frente aos seus estabelecimentos/edifícios, e recolha das “beatas”; . Devem continuar a ser realizadas campanhas de sensibilização da população e dos alunos da escola relativamente às doenças provocadas por: dejectos caninos; alimentação de pombos/gaivotas e animais vadios, etc. e aplicadas coimas; . A Escola deve ser valorizada como um potencial de educação da saúde no Bairro, induzindo comportamentos cívicos e de exercício de cidadania – Informação, Formação – Acção; . Devem ser sensibilizados os condomínios dos prédios dos anos 60, para a necessidade de haver higiene nas condutas do lixo ou, em alternativa, dar instrumentos que permitam um bom isolamento dos resíduos. Estes podem ser uma forma de propagação de doenças para todo o espaço habitacional; .Devem ser implementadas formas de dissuasão de comportamentos que põem em causa a saúde pública. Supervisão e coimas para os prevaricadores no que se refere aos “monstros” e outros resíduos que são colocados diariamente junto às arvores após a vinda dos funcionários da Higiene Urbana (CML e Junta Freguesia); . Deve ser reforçada a limpeza diária / lavagem do bairro e a colocação de mais papeleiras, dado que passam por aqui, todos os dias, milhares de pessoas; . Deve ser reforçada a limpeza da zona ajardinada da abertura do bairro e do canteiro junto ao acesso ao parque dos SAMS, rente ao muro da Escola Marquesa de Alorna; . Devem ser feitas desinfestações periódicas (pragas).

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3.3.6 Comércio Tradicional do Bairro Para que o comércio do Bairro tenha futuro, pensamos que: . Deve ser dado apoio às pequenas lojas de comércio tradicional ainda existentes, designadamente ao nível de obras nos interiores, licenciamento de esplanadas, colocação de reclames e toldos, publicidade diversa, floreiras, expositores de rua para flores, fruta, etc.; . Dado que o Bairro tem ao lado uma grande superfície comercial (El Corte Inglés) e dado ainda que a maioria das lojas do Bairro são espaços muito pequenos, o comércio do Bairro Azul deverá ser um comércio de qualidade com atendimento personalizado; . O Bairro deverá ser um local genuíno e com carácter (daí a importância de ser valorizada a sua arquitectura e urbanismo), interessante para visitar, onde apeteça vir passear, com um espaço urbano qualificado, com esplanadas atraentes, cafés, restaurantes, lojas, ateliers de arquitectura e design, antiquários, livrarias/café, etc. . Uma vez mais referimos a importância das lojas reflectirem, tanto quanto possível, o carácter Déco do Bairro. Tal como em outras cidades e outros bairros de Lisboa , o Bairro Azul pode ter um Roteiro de tudo o que oferece e uma imagem comercial (p.ex: “Deco District”):

In: http://www.citycenternewport.com/Resources/local-chain.pdf 3.3.7 Reordenamento e substituição do mobiliário urbano Reforçando a identidade Déco/Modernista do Bairro: . Deverão ser estudados modelos adequados para bancos, papeleiras, floreiras, candeeiros, toldos, chapéus de sol, expositores de fruta e legumes, flores, etc.; . Deverão ser estabelecidas normas para as esplanadas do Bairro; . Deverão ser retirados os inúmeros obstáculos (como sejam as caixas de electricidade e de TV cabo, candeeiros, sinais, papeleiras, contadores da EMEL, etc.) que proliferam sem qualquer critério nos passeios e não cumprem as normas legais relativamente aos

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cidadãos com mobilidade reduzida. Deve ser estudada a sua instalação de forma cuidada, privilegiando sempre o peão; . Deverá ser retirada a publicidade abusiva que é colada nos candeeiros, caixas de electricidade, etc.; . Deverá ser colocada sinalética adequada: Fundação C. Gulbenkian; hotéis; Parque Eduardo VII; farmácias; etc., etc.

3.3.8 Infra Estruturas . Deverão ser renovadas, se necessário, as infra estruturas do Bairro e sensibilizada a população para a necessidade de o fazer, também, nas suas casas; . A CML deve coordenar/fiscalizar eficazmente a actuação das empresas que trabalham no sub solo da cidade; . Em parceria com a EPAL, EDP, empresas de telecomunicações, etc. a CML deverá promover a remoção das caixas, cabos e fios que desvirtuam o edificado e incentivar os proprietários a retirar dos telhados todo o material que já está desactivado. . Deverá ser feita a verificação dos dispositivos de combate a incendio, nomeadamente o número de bocas de incendio disponíveis no Bairro e sua localização; . Deverá ser distribuida informação sobre comportamentos em caso de sismo, conforme sugestões há muito apresentadas ela Comissão de Moradores à CML no âmbito do Manual de Boas Práticas.

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PARCEIROS

A Promoção da Boa Vizinhança é um dos objectivos prioritários da Comissão de Moradores do Bairro Azul, conforme expresso no nosso Programa de Actividades. Tal como tem vindo a acontecer, a Escola Marquesa de Alorna, a Mesquita e o Teatro Aberto, serão parceiros sempre presentes neste Projecto. O respeito e o conhecimento mútuos são indispensáveis para o estabelecimento de laços de amizade que nos permitem morar, estudar, rezar, trabalhar ou simplesmente fazer compras e passear por este bairro lisboeta, património de uma cidade que se pretende cada vez mais tolerante e humana. Por outro lado, o envolvimento das grandes empresas e instituições na vida das cidades e dos bairros é hoje uma realidade. . Parece-nos essencial envolver outros “Vizinhos” do Bairro no projecto de requalificação, liderado pela CML e Junta de Freguesia e activamente apoiado pela 11


Comissão de Moradores: Fundação C. Gulbenkian / Universidade Nova de Lisboa / El Corte Inglés / Banco Santander/Totta / Teatro Aberto / AICE / GECORPA / Empresas públicas EPAL, EDP, etc. / Empresas de telecomunicações / etc. A título de exemplo sugere-se: . Patrocinadores e mecenas para a requalificação do espaço público e mobiliário urbano: El Corte Inglés, Bancos Santander/Totta; . Patrocinadores para a reabilitação de alguns edifícios: empresas/associações ligadas à construção e reabilitação (p. ex: AICE e/ou GECORPA, ambas com sede na freguesia); . Empresas “parceiros” na reabilitação das infra-estruturas do Bairro: EPAL (renovação de infra-estruturas de água); EDP (renovação das infra-estruturas eléctricas e novos modelos de candeeiros); Telecomunicações (remoção das instalações das fachadas de todos os prédios do Bairro e do material já desactivado que se encontra nos telhados, etc.); . Requalificação dos fragmentos do Geomonumento/Baluarte - Fundação C. Gulbenkian. A parceria com estas empresas/instituições poderia ter, entre outras, como contrapartida, publicidade em todo o Bairro enquanto durasse o processo de requalificação. 5

CONCLUSÃO

Tal como já referimos, este Projecto tem vindo a ser actualizado e apresentado, desde 2001, aos sucessivos executivos camarários. É urgente avançar com este Projecto! O Bairro Azul é: . Um Bairro, no verdadeiro sentido da palavra, que está diariamente a receber novos moradores, designadamente estrangeiros; . Uma “marca” reconhecida e, de novo, valorizada na Cidade; . O primeiro Bairro Classificado como Conjunto Urbano de Interesse Municipal; . Um Bairro Residencial Déco/Modernista que se manteve intacto; . Um Bairro central e bem servido de transportes públicos onde se privilegia o peão – “Zona 30”; . Um Bairro rodeado de grandes instituições e equipamentos e, consequentemente, com enorme fluxo de peões;

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. Um Bairro rodeado pelo Parque Gulbenkian, Jardim Amália Rodrigues e Corredor Verde, todos eles projectados pelo Arqº Gonçalo Ribeiro Telles, distinguido com o Nobel da Arquitectura Paisagista, o Prémio Sir Geoffrey Jellicoe; . Um Bairro multicultural, não só pela presença da Mesquita Central mas também de um novo comércio e de novos moradores, de diversas nacionalidades, que se têm vindo a instalar; . Um Bairro que tem na sua periferia inúmeros hotéis e com enorme potencial turístico. Como forma de implementar e gerir este Projecto, propõe-se a criação de uma 'Equipa de Projecto' que, para além de Moradores e Comerciantes do Bairro, integre elementos dos diversos Departamentos da Câmara Municipal de Lisboa e da Junta de Freguesia e/ou outros elementos a convidar pontualmente. Essa ‘Equipa de Projecto’ poderá ainda contar com uma 'Comissão Científica', constituída, por exemplo, por docentes da UNL. O Projecto Global de Requalificação e Revitalização que vimos propondo desde 2001 surge como uma “experiência-piloto” a aplicar em futuras intervenções designadamente em outros conjuntos com interesse patrimonial a preservar. Não nos identificamos com iniciativas puramente conservadoras, defendendo antes intervenções que se adequem às actuais formas de habitar e satisfaçam não só os que vivem no Bairro, mas também todos os que o utilizam e visitam, contribuindo afinal para uma Lisboa do século XXI.

A Comissão de Moradores do Bairro Azul Actualizado em Março de 2018

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Projecto global de requalificação e revitalização do Bairro Azul  

Projecto global de requalificação e revitalização do Bairro Azul actualizado em setembro 2015

Projecto global de requalificação e revitalização do Bairro Azul  

Projecto global de requalificação e revitalização do Bairro Azul actualizado em setembro 2015

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